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TRADICIONAIS!

Um chamado cristão para guardarmos nossa tradição

2 TESSALONICENSES 2:15

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas,
seja por palavra, seja por epístola nossa.”

INTRODUÇÃO

Quero falar sobre a ordem de Paulo para a igreja se manter firme. Isso está diretamente
ligado com sua segunda ordem: guardar as tradições. Vamos pensar sobre isso!

CONTEXTO DE FILIPENSES

Paulo se depara com um problema doutrinário na igreja dos tessalonicenses. Entender


esse problema nos ajuda muito a entender e aplicar nosso texto principal sobre guardar
as tradições (2.15). Tal problema é apresentado no início do mesmo capítulo:

“1Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa
reunião com ele, 2que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem
vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de
nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.” (2 Ts 2:1-2)

Podemos resumir a apresentação que Paulo faz do problema da seguinte forma:

#1 Ele identifica o assunto: a volta de Cristo e nossa reunião com ele.

Esse é o tema que está trazendo preocupação a Paulo. É nessa doutrina que algo de
estranho tem acontecido entre os tessalonicenses. É interessante perceber que esse
tema já foi bem tratado na primeira carta. Inclusive, o tema aqui apresentado por Paulo
está descrito no capítulo 4 de 1 Tessalonicenses:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e
com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.
Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas
nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”
(1 Ts 4:16-17)

Esse, portanto, é um assunto já ensinado diretamente por Paulo por meio de sua
primeira carta. Esses irmãos de Tessalônica já haviam sido instruídos sobre a segunda
vinda de Cristo.

#2 Paulo identifica o problema: os cristão estão com o entendimento confuso


Embora Paulo tenha ensinado recentemente sobre esse assunto os irmãos de
Tessalônica estavam confusos a respeito da volta de Cristo. Havia uma má compreensão
da verdade sobre um tema tão importante, que estava levando uma perturbação entre
eles.

#3 Paulo aponta o motivo do problema: perversão do seu ensino

O apóstolo percebeu que seu próprio ensino estava sendo pervertido naquela igreja. Ao
que parece, ele não sabe bem de onde esse falso ensino está vindo. Por isso recomenda
aos irmãos que não deixem se levar por palavras, espírito (profecia) ou carta que
contenha conteúdo diferente daquele já ensinado por Paulo, mesmo que esteja sendo
atribuída a Paulo.

Aqui existem algumas possibilidades sobre a fonte desse falso ensino. (1) interpretação
errada do ensino de Paulo ou (2) falsos mestres falando em nome de Paulo ou forjando
escritos de Paulo. E mesmo que Paulo não saiba realmente da fonte, ele parece suspeitar
da segunda opção. Esse seria um bom motivo para ele encerrar a carta escrevendo de
próprio punho (2 Ts 3:17). Uma espécie de assinatura e proteção contra fraudes.

Em resumo nós temos: Uma igreja está confusa e perturbada por um


falso ensino acerca da volta de Cristo, um assunto já ensinado e
documentado por Paulo.

O que Paulo passa a fazer do verso 3 ao 12 é explicar mais detalhadamente sobre o que
antecede a segunda vinda de Cristo. Paulo resolve o falso ensino com o verdadeiro
ensino. Não basta apenas criticar, nós vencemos a mentira pregando e ensinando a
verdade. E isso ele faz.

A SOLUÇÃO DE PAULO: GUARDAR A TRADIÇÃO

No verso 15 Paulo está vacinando os seus leitores de Tessalônica. É como se ele estive
dizendo: “eu ensinei uma primeira vez, mas vocês vacilaram. Agora estou ensinando de
novo e quero que vocês não sejam mais influenciados facilmente por falsos ensinos.
Portanto, façam isso”.

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram
ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2 Ts 2:15)

Paulo aqui tem duas orientações para a igreja: permanecer firme e guardar as tradições.
Na verdade, podemos entender o texto como a grande recomendação, permanecer
firme, e a forma como isso pode ser feito. Como permanecemos firmes? Guardando as
tradições!
Vamos ver o contraste entre o problema no verso 2 e a solução no verso 15

Problema (v.2) Solução (v.15)

Facilmente confundidos: “que não vos Permanecer firmes: “permanecei firmes


movais facilmente do vosso e guardai as tradições que vos foram
entendimento” ensinadas”

Meios errados: “quer por espírito, quer Meios corretos: “seja por palavra, seja
por palavra, quer por epístola, como de por epístola nossa”
nós”

A solução de Paulo, a solução bíblica é a tradição cristã. Em vez de


facilmente confundidos, firmeza doutrinária. Em vez de dar ouvidos
falsas pregações e escritos, recorrer a verdadeiras pregações e
escritos. Em vez da novidade sem filtro, a tradição do cristianismo
histórico!

TRADIÇÃO VS TRADICIONALISMO

Infelizmente temos um preconceito com o conceito de tradição. Para muito “tradição”


é um palavrão e chamar alguém de “tradicional” é uma ofensa. E é esse pensamento
generalizado que tem colaborado para termos um cristianismo tão deformando e cheio
de coisas estranhas. A solução não é menos tradição, é mais. É mais tradição cristã
bíblica.

Mas o preconceito é grande. E ele ganhou força e popularidade universais no século 18


com o movimento iluminista. Esse movimento intelectual com bons resultados nos
levou também para maus caminhos. Michael Goheen em seu livro Introdução a
Cosmovisão Cristã destacou 4 pontos do credo iluministas: (1) fé no progresso, (2) fé na
razão, (3) fé na tecnologia e (4) fé num mundo social racionalmente ordenado. Essa
centralidade na razão individual e no progresso rejeitaram as tradições.

Alister Mcgrath escreve sobre isso:

“A postura o iluminismo para com a tradição reflete sua ideologia subjacente –


a ruptura estratégica com o passado e o apelo tático aos recursos atuais da
experiência e da razão individuais. Por princípio, considera-se a tradição um
fracasso epistêmico, uma fonte de escravidão intelectual, em vez de
conhecimento libertador.”1

Se esse for o seu pensamento hoje, cuidado. Você está enganado. Essa é a visão
iluminista e não a visão bíblica. Tradição faz bem e é necessária tanto para a sociedade
quando para a fé cristã. Paulo está solucionando o problema doutrinário dos
tessalonicenses através da tradição e não da fuga dela.

Dito, isso, precisamos definir o que entendemos por tradição. E para isso quero começar
com a citação mais importante dessa mensagem e umas das minhas preferidas. Jaroslav
Pelikan, no primeiro volume da sua obra A Tradição Cristã fez uma distinção
fundamental:

“A tradição é a fé viva dos mortos. O tradicionalismo é a fé morta dos vivos.” 2

Eu não estou defendo o tradicionalismo, de jeito nenhum. Estou chamando para


vivermos a tradição cristã. Negando o tradicionalismo estamos dizendo o seguinte:

1. Não adoramos a tradição, adoramos ao Deus Trino.


2. A tradição não tem autoridade semelhante a Bíblia, apenas flui dela.
3. A tradição não é imutável, somente Deus é.

O tradicionalismo é a idolatria da tradição. Não somos esse tipo de


idólatras. Na verdade, somos participantes da tradição e amigos
dela.

O QUE É A TRADIÇÃO CRISTÃ?

Vamos então definir melhor nossa tradição cristã. Para isso precisamos primeiro do
conceito de doutrina cristã. Jaroslav Pelikan definiu doutrina assim:

“O que a igreja de Jesus Cristo acredita, ensina e confessa com base na palavra
de Deus.”3

Wayne Grudem define assim de um modo mais específico:

1
MCGRATH, Alister E. A Gênese da Doutrina: Fundamentos da crítica doutrinária. São Paulo: Vida Nova,
2015, p. 203.
2
PELIKAN, Jaroslav. A Tradição Cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina: O surgimento da
tradição católica 100-600, volume 1. São Paulo: Shedd Publicações, 2014, p.32.
3
Ibid., p. 25
“Uma doutrina é o que a Bíblia como um todo nos ensina hoje acerca de algum
tópico específico.”4

De um modo geral doutrina é tudo aquilo que a igreja acredita como verdade bíblica. E
mais especificamente a doutrina pode ser tudo aquilo em que a igreja acredita sobre
um determinado tema. Por exemplo, doutrina de Cristo (cristologia), doutrina da
salvação (soteriologia), doutrina das últimas coisas (escatologia), etc.

Quando falamos em tradição cristã estamos falando do movimento da doutrina cristã


ao longo do tempo, da história da igreja. Pelikan colocou assim:

“O termo tradição significa a transmissão do ensinamento cristão durante o


curso da história da igreja, mas também significa o conteúdo transmitido.” 5

É isso que Paulo está estabelecendo o em 2 Tessalonicenses 2:15. Ele fala sobre o
conteúdo doutrinário (“que vos foram ensinadas”) e também do meio de comunicação
dessas doutrinas (“seja por palavra, seja por epístola nossa”).

>> Exemplo: A heresia ariana dos testemunhas de jeová e a tradição cristã trinitária <<

Alister Mcgrath afirma:

“A fé cristã se torna acessível a nós por meio da tradição histórica, transmitida e


propagada por meio de uma comunidade de fé, e moldada pela maneira que
essa comunidade adora e ora.”6

APLICAÇÕES

Encerrarei com algumas orientações para nossas vidas:

#1 É impossível pensar e viver a partir do zero. Você recebeu um conjunto de crenças


(doutrinas) dos seus pais, escola, sociedade, mídia, músicas, etc. Você está inserido
numa tradição. A pergunta é qual. Cristão devem estar inseridos na tradição cristã.

Tradição é aquilo que cremos, confessamos, ensinamos e vivemos!

#2 Não podemos viver sem conhecer nossa tradição cristã.

1. Ela nos dá nossa identidade como cristãos.


2. Ela nos protege dos erros doutrinários. [Imagem no slide]
3. Nos protege de condutas pecaminosas de vida.

4
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 2010, p. 4
5
PELIKAN, Jaroslav. A Tradição Cristã: uma história do desenvolvimento da doutrina: O surgimento da
tradição católica 100-600, volume 1. São Paulo: Shedd Publicações, 2014, p.30
6
MCGRATH, Alister E. A Gênese da Doutrina: Fundamentos da crítica doutrinária. São Paulo: Vida Nova,
2015, p. 202.
4. Ela nos oferece base para refletir sobre o mundo ao nosso redor. [Aborto]

Alister Mcgrath: “A tradição não confronta o indivíduo de modo opressor, mas como
catalisador, como quem oferece um ponto de partida, uma maneira provisória de
ver e investigar o mundo, que aponta o caminho adiante facilitando um processo de
inquirição que pode resultar em sua própria mudança.”7

#3 É de responsabilidade da igreja, nossa, minha sua, manter a tradição cristã! Nós


devemos recebe-la, guarda-la e passa-la adiante. Sabendo que Deus é soberano e está
fazendo isso de modo seguro por meio de nós. Desde Paulo, muitos já tentaram destruir
o cristianismo e acabar som sua tradição, mas ele permanece até hoje e permanecerá
para sempre. O cristianismo é uma tradição viva e poderosa!

Viva a tradição cristã que flui de Jesus Cristo através da Bíblia. Fique firme no seu
pensamento, nas suas palavras, no seu comportamento, na sua transmissão de
conhecimento. Fique firme para a glória de Deus!

7
Ibid., p. 206