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A VERDADEIRA SAUDAÇÃO CRISTÃ (Ef. 1.

1-2)

Introdução

“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem um Éfeso e
fiéis em Cristo Jesus, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do
Senhor Jesus Cristo”.

Vivemos uma época em que os propósitos da vida humana estão sendo


contestados diariamente. Não só os propósitos da vida pessoal estão sendo avaliados,
como os propósitos institucionais têm sido discutidos. Instituições como a família, a
escola, o trabalho, o governo e a igreja têm sido questionadas nos seus valores e
finalidades.
Pensando na igreja, como uma das instituições que tem sido debatida é
necessário que voltemos à Palavra de Deus para estudar e entender biblicamente o seu
propósito. Ao chegar aos vinte e um séculos de existência se faz necessário, mais uma
vez, uma revisão do seu papel, dos seus valores, da sua missão e, da visão que devemos
projetar para o futuro pensando na sua relevância para os dias que estão à sua frente.
Vale a pena refletir sobre a seguinte questão: se a sua igreja fosso tirada do
bairro onde ela atualmente se localiza, será que alguém sentiria falta dela? Sentiriam um
alivio, sentiriam a perda de um organismo de valor, ou seriam indiferentes, porque nem
sabiam da sua existência ali? Afinal, qual o propósito divino para que a igreja esteja
espalhada pelo mundo afora?
Paulo pensou sobre o significado e o propósito da igreja. Não os seus propósitos
pessoais para a igreja, mas pensou, refletiu e registrou os propósitos de Deus para a sua
igreja. A igreja não é o resultado de uma iniciativa e esforço humano, não! A igreja tem
origem divina. Tem um edificador divino que, sobre si mesmo, edificaria e edificou e
continua edificando a sua igreja (Mt 16.13-20).
Embora seja possível concordar com a afirmação que diz que, em termos
práticos, a igreja é um reflexo de nossas vidas espirituais individuais, não podemos
afirmar também que a igreja é fruto dos nossos anseios e dos nossos sonhos. Não! A
nossa condição nos impede de fazer tal afirmação. A grande verdade, que devemos
assumir e a partir dela orientar a nossa análise, é que a igreja é o resultado da vontade de
Deus, do senhorio de Cristo e da ação do Espírito Santo.
Assim, é na igreja que realizamos os seus anseios e sonhos para que “a
multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades,
nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus,
nosso Senhor...” (Ef 3.10-11). O que precisamos com urgência, então, é voltar à Bíblia e
redescobrir o que Deus planejou para esse novo povo, para a sua família, afim de que a
igreja continue ou volte a ser relevante em meio o cenário em que está inserida.
A carta de Paulo aos efésios é um documento que fala sobre o propósito de
Deus, em Cristo, para a igreja, para a sua nova criação, para o corpo de Cristo. Quando
pensamos, refletimos e avaliamos a igreja, estamos pensando, refletindo e avaliando a
nós mesmos e, assim no estudo desta carta ao mesmo tempo em que falarmos da igreja
estaremos falando de nós, e ao mesmo tempo em que falarmos de nós estaremos falando
da igreja.
Precisamos recuperar a imagem da igreja no mundo, precisamos mostrar ao
homem contemporâneo o propósito, o valor e a missão da igreja. Mas só faremos isso
quando recuperarmos a nossa imagem pessoal, vivendo melhor a vida cristã de forma
madura e responsável. E uma das evidências da maturidade e da responsabilidade é

1
estudarmos sem preconceitos a razão de ser da igreja e a maneira pela qual ela deve
funcionar em meio ao mundo sem Cristo.
Ao iniciar sua proclamação sobre o propósito divino para a igreja, o apóstolo
Paulo, logo na saudação mostra a seriedade desse tema tão importante para todos nós.
Por isso, nesses versículos iniciais temos muito mais do que uma mera saudação
comum, formal e padronizada de Paulo para com os seus leitores.
Esses versículos afirmam verdades profundas relativas a Paulo, o autor da carta e,
também apresentam verdades objetivas aos cristãos à quem ele se dirige. Já a partir
dessa saudação tão rica é possível perceber que o tema da carta é de extrema relevância
para todos os que desejam que a igreja esteja vivendo de acordo com o que Deus tinha
planejado para ela.
Embora seja a tendência de muitos estudiosos não valorizarem as palavras
iniciais das cartas, através das verdades que observamos nessa saudação, já é possível
refletir, analisar e repensar o caminho que estamos seguindo como povo de Deus, como
família de Deus, como nova sociedade, como nova criação, enfim, como corpo de
Cristo, como igreja cristã.

Assim, é possível afirmar que:


A relevância da igreja cristã para o mundo contemporâneo somente será
percebida ao destacarmos os seus personagens principais.

Nestes versos encontramos os três personagens que constituem a essência da


igreja cristã:

I – O soberano amoroso: Deus


1. Deus é soberano em sua vontade.
A soberania é um atributo singular à Deus. Ele aparece como rei sobre toda a terra. Ele
não é tirano, nem déspota, nem autoritário, mas em sua soberania a sua vontade é
sempre feita.
2. Deus é soberano em seu chamado.
A chamada divina pode ter dois aspectos: a chamada geral para que sejamos seus filhos
através de Jesus e, a chamada específica (desde a eternidade) para determinado
ministério.
3. Deus é soberano em sua bênção.
A disposição divina em abençoar o ser humano é vista desde o inicio da história. Ele
quer que experimentemos toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais, em
Cristo (1.3-14).
4. Deus é soberano em sua paternidade.
Para com Deus, estamos numa relação de filhos para pai. Deus é um pai justo e
amoroso. Cada cristão e toda a igreja podem ser comparados a uma família, a família de
Deus! (2.19)

II – O servo ativo: Paulo


1. Paulo foi obediente.
Paulo sabia que foi comissionado pelo próprio Cristo, pela vontade única de Deus e não
de homens. “...quando aprouve a Deus, ... me separou, e me chamou pela sua graça.”
(Gl 1. 15)
2. Paulo foi apóstolo.
“apóstolos” (Grego, “enviado, comissionado especialmente”). O dom do apostolado que
veremos em 4.11 continua sendo exercido ainda hoje através dos missionários

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3. Paulo foi comunicativo.

Ao se dirigir aos efésios, mesmo depois de ter passado 2 anos e três meses com eles,
Paulo continuava a sua tarefa de comunicar a eles todos os desígnios divinos (At 19.8-
10; 20.27)
4. Paulo foi abençoador.
Paulo, assim como todo ministro não tem em si mesmo o poder de abençoar, Paulo
apenas invocou sobre os efésios as bênçãos divinas. A origem das bênçãos é divina e
não humana!

III – Os santos abençoados: cristãos


1. Os cristãos só iniciam a vida cristã relacionando-se com Deus por Jesus
Cristo. - Todo cristão verdadeiro sabe que sua vida cristã só se iniciou através do toque
do Espírito Santo convencendo-o do pecado, da justiça e do juízo, mostrando Jesus
como Salvador.
2. Os cristãos desenvolvem a sua vida cristã em santidade conforme o seu Deus.
- Paulo estava se direcionando aos “santos”, pessoas que buscam a santidade. Irmãos já
congregados da igreja. A palavra de Deus deve ser pregada para edificação dos santos!
3. Os cristãos desenvolvem a sua vida cristã em fidelidade, fruto do Espírito
Santo. Assim como tinham sido fiéis e devotados às suas religiões idolatras, os efésios
tinham que mudar de compromisso. A fidelidade de nossa vida a Cristo é fundamental
para a vida cristã.
4. Os cristãos são abençoados com a graça e a paz de Deus – As palavras
“charis” (graça, dom) e “eirene” (paz, do hb. shalom) em grego, tem implicações
importantes. Pela graça somos salvos e só assim, podemos desfrutar da paz divina.
Embora a expressão “graça e paz” seja a maneira mais correta de nos saudarmos, “graça
e paz” é bem mais do que uma saudação. “Graça e Paz” é o desejo, a oração, o
oferecimento de uma provisão diária para que todo cristão possa desenvolver a sua vida
cristã.

Conclusão
1. Sendo Deus amoroso, gracioso e abençoador só nos resta louvá-lo e submetermo-nos
a ele.
2. Todo ministro cristão tem a responsabilidade de cuidar do povo de Deus, a igreja
cristã.
3. A igreja cristã deve conhecer o propósito de Deus para si e assim ser relevante para
hoje!

LOUVOR PELAS BÊNÇÃOS DIVINAS PARA OS CRISTÃOS (Ef. 1.3-14).

Introdução
No grego original, estes doze versos formam uma única sentença gramatical
complexa. Não há pausa nem para tomar fôlego.
Esse parágrafo tem sido chamado de "um magnífico portal"; "um maravilhoso
hino de louvor"; "um elogio ao nosso grande Deus".
Nesse parágrafo encontramos uma referência deliberada à Trindade que, embora
ainda não fosse uma doutrina elaborada e estudada, era uma realidade experimentada no
cotidiano.
Nessas ações divinas concedidas aos cristãos a origem das bênçãos é de Deus; a
esfera das bênçãos é em Cristo; e, a natureza das bênçãos é espiritual, pois vem do

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Espírito Santo. Também podemos ver nesse parágrafo singular, nessa estrutura
trinitariana o Pai elegendo (3-6); o Filho redimindo (7-12); e o Espírito Santo selando
(13-14).
Na verdade, esse parágrafo é uma maravilhosa introdução ao livro de Efésios
que revela A Nova Sociedade de Deus, O Plano Divino em Relação ao Ser Humano, o
tema destas palavras inspiradas do apóstolo Paulo.
O texto desse parágrafo trata da revelação de um mistério, outrora oculto, para
uma nova sociedade, para uma nova criação que Deus estava fazendo, através de Cristo,
isto é, "em Cristo"!
Ao estudarmos este texto encontramos, em síntese, a seguinte afirmação:
Diante das bênçãos divinas em todos os tempos cada cristão deve viver para o
louvor da glória da graça de Deus
Nestes versos encontramos os três tempos em que as bênçãos divinas que nos
motivam a viver para o louvor da graça de Deus foram concedidas a cada cristão

I. No PASSADO os cristãos foram abençoados pelo Pai - 1.3-6


1. O Pai nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais - v.3
1.1. A bênção é espiritual, isto pode significar também - bênção do Espírito Santo;
1.2. Há um contraste com as bênçãos do AT, que eram em grande medida materiais:
uma boa colheita, abundância de gado e de ovelhas; fruto na vide e oliveira; liderança
das nações;
1.3. As bênçãos materiais do NT são alimentação, moradia, e as demais coisas serão
acrescentadas ao buscarmos em 1o lugar o seu reino e a justiça divina;
1.4. As bênçãos espirituais do NT são a lei de Deus escrita em nossos corações; o
conhecimento pessoal de Deus; o perdão dos pecados; a presença e a direção do E.
Santo;
2. O Pai nos abençoou com bênçãos nas regiões celestiais - v.3
2.1. Só em Efésios essa expressão ocorre 5 vezes (1.3, 20; 2.6; 3.10; 6.12);
2.2. Não é um local geográfico. É o mundo invisível da realidade espiritual - 1.3;
2.3. É onde a igreja, a nova sociedade proclama a multiforme sabedoria de Deus - 3.10 e
os principados e potestades continuam a operar desejando nos derrotar - 6.12;
2.4. Mas, é onde Cristo reina supremo e nos reinamos com Ele - 1.20-21; 2.6!
3. O Pai nos abençoou antes da fundação do mundo - v.4
3.1. Na eternidade, antes da fundação do mundo Deus formulou um propósito na sua
mente;
3.2. Sua decisão se deu no passado (aoristo) de modo absoluto;
3.3. Antes de existirmos para não que nenhum mérito fosse nosso;
3.4. Mesmo ainda quando não existíamos o Pai resolveu tornar-nos seus filhos, através
da redenção em Cristo; Ele nos concedeu tudo isso de graça em Jesus, no Amado!
4. O Pai nos abençoou através da sua escolha - v.4
4.1. Esse propósito envolvia planos em relação a Cristo e em relação a nós;
4.2. Ele nos escolheu não para oferecer sacrifícios, pois Jesus já fora oferecido. A
escolha, o chamamento era para sermos santos e irrepreensíveis, porque éramos ímpios
e culpados;
4.3. Ao invés dessa verdade nos deixar relaxados, ela nos estimula à santidade, pois este
é o seu alvo, o seu propósito;
4.4. A única evidência do chamamento, da eleição é uma vida santa - separados, puros;
e irrepreensível - vida imaculada (sacrifícios do AT);
5. O Pai nos abençoou através da sua predestinação - v.5

4
5.1. Essa frase é uma repetição, é um reforço da verdade que Paulo colocara. Alguns
entendem que Jesus é o predestinado. Mas com toda a polêmica, vemos o amor e a
sabedoria;
5.2. Essa escolha, essa predestinação tem como fonte o amor divino, segundo o
beneplácito, isto é, o seu bom propósito;
5.3. Quem escolhe quem? Deus nos atrai com sua escolha, com o seu amor eterno,
através de Cristo e nós respondemos e decidimos aceitando o seu presente;
5. 4. O amor divino teve como propósito, o seu plano era nos tornar filhos adotivos;
Deus nos amou no seu Filho amado, gratuitamente.
6. A doutrina da eleição ou predestinação demonstra a soberania e o amor divino
6.1. Nesse parágrafo a escolha e a predestinação estão nos vs.4, 5, 11
6.2. Deus é soberano em seus planos eternos;
6.3. Mas, sobretudo Deus é amor;
6.4. A sua essência é amor!
7. A conseqüência dessa 1a estrofe termina com um duplo propósito: 1)devemos
viver de modo irrepreensível e santo; 2)devemos viver para o louvor da glória da
sua graça - v.6

II. No PRESENTE os cristãos são abençoados pelo Filho - 1.7-12


1. O Filho nos abençoa com a redenção - v.7
1.1. Redenção lembrava que a comunidade era composta de ex-escravos do pecado
1.2. Redenção significa livramento mediante o pagamento de um preço
1.3. Redenção tem por alvo aquele que está escravizado
1.4. Redenção, a compra por outro senhor implica num chamamento para um novo
trabalho
2. O Filho nos abençoa com o seu sangue - v. 7
2.1. A expressão "pelo seu sangue" significa a morte redentora de Jesus na cruz do
Calvário;
2.2. O sangue de Cristo foi o preço pago a Deus Cl 2.14 a dívida era as ordenanças Gl
3.13
2.3. O sangue precioso, como de cordeiro, sem defeito e sem mácula, de Cristo 1Pe
1.19;
2.4. O sangue de Jesus tinha sido oferecido antes da fundação do mundo 1Pe 1.20;
3. O Filho nos abençoa com a remissão dos pecados - v.7
3.1. Jesus nos redimiu, isto é, jogar para longe, arremessar, desprender, soltar, livrar
3.2. Jesus nos dá a Remissão que significa escapar do justo juízo de Deus
3.3. Jesus nos dá a Remissão que é a libertação da condenação dos nossos pecados
3.4. Em Jesus a Remissão é o perdão pelos nossos pecados
4. O Filho nos abençoa com o derramamento da graça - v.8
4.1. Jesus perdoa derramando o seu sangue em profusão, abundantemente
4.2. Jesus é o canal - Deus é rico em perdoar, mensagem que vem do AT Is 55.7
4.3. Jesus é a manifestação da graça - Com Deus está o perdão para que o temamos- não
tememos por medo mas por alegria - Sl 130.4; Mq. 7.18
4.4. Jesus é a concretização da graça derramada de forma sábia, inteligente e prudente.
Isto é, Em Jesus, a graça atendeu a um padrão coerente onde não há injustiça. Algo
pensado, planejado, organizado
5. O Filho nos abençoa com a revelação do mistério da sua vontade - v.9-10
5.1. Jesus, o mistério oculto, agora revelado (tirar o véu) era a vontade, o bom propósito
- o desígnio de Deus para com a raça humana, algo que vai além do raciocínio humano -
v.9

5
5.2. Jesus, o mistério era convergir (reordenar) em Cristo todas as coisas - nova criação
- Não há outro nome - At 4.12 - A salvação é em Cristo - v.9-10
5.3. Jesus, o mistério foi revelado na plenitude dos tempos, cf Gl 4.4; isto é no tempo
certo, no novo tempo, na nova era, nova época, inaugurada por Jesus - afeta o céu e a
terra - v.10
5.4. Jesus, o mistério oculto já revelado é: Cristo em nós, a esperança da glória. A igreja
é a nova criação, é a nova sociedade - v.10
6. O Filho nos abençoa com a herança - v.11
6.1. Em Jesus fomos feito herança, isto é, pertencemos adotados ao povo de Deus e ao
mesmo tempo também temos herança, somos co-herdeiros, desde o AT - Êx 19.5;
23.20-31
6.2. Em Jesus a herança nos possibilita ter esperança - esperança da ressurreição 1Co
15.19
6.3. Em Jesus somos predestinados segundo o bom propósito soberano de Deus
6.4. Em Jesus o bom propósito de Deus é a realização dos planos, da vontade de um
Deus pessoal que está ativo no mundo, conduzindo o mundo para a realização do que
Ele planejou
7. A conseqüência dessa 2a estrofe termina com um duplo propósito: 1)devemos
viver para o louvor da sua glória; e, 2)devemos fixar nossa esperança em Cristo - v.12

III. No FUTURO os cristãos serão abençoados pelo Espírito Santo - 1.13-14


1. O Espírito Santo inspirou a Palavra que nós ouvimos
1.1. O ES ilumina e iluminará todos quantos querem entender a Palavra de Deus
1.2. O ES sendo o Espírito da verdade, cf. Jo 14.17; 16.13 inspirou a Palavra da verdade
1.3. O ES mostra que ao ouvir tem que se aplicar a fé para que se tenha resultado
positivo
1.4. O ES aplica a fé que vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Cristo - Rm 10.14, 17
2. O Espírito Santo aplica a mensagem do evangelho
2.1. O ES mostra que o evangelho são as boas novas de salvação
2.2. O ES mostra que o evangelho é o poder de Deus para a salvação do que crê - Rm
1.16
2.3. Não há vida cristã sem a ação do Espírito Santo - Jo 3.5
2.4. Não nascemos do sangue nem da vontade da carne nem da vontade humana - Jo
1.13
3. O Espírito Santo nos leva a crer
3.1. O ES mostra a necessidade de crer
3.2. O ES mostra a coerência entre o crer e a predestinação
3.3. O ES nos lava e regenera, isto é, nos limpara e nos faz nascer – Tt 2.5
3.4. O ES nos lava e renova, isto é, nos limpa e nos dá nova vida – Tt 2.5
4. O Espírito Santo nos sela
4.1. O ES na vida da pessoa indica salvação. A vinda do Espírito Santo se dá
concomitantemente à salvação
4.2. O ES como selo é sinal de autoridade, de autenticidade, de propriedade. Quando um
governante decretava algo intocável ele colocava o seu selo, a sua marca.
4.3. O ES como selo significará que o objeto selado chegará no seu destino intacto - 1Jo
5.18
4.4. O ES como selo interno de Deus derrama em nossos corações o amor de Deus - Rm
5.5
5. O Espírito Santo é a concretização da promessa divina
5.1. O ES foi prometido desde o AT - Is 44.3; Jr 31.31-33; Ez 36.26-27; Jl 2.28-32

6
5.2. O ES foi prometido no início da era messiânica - Mt 3.11; Jo 1.31-33; 14.16ss; At
1.5
5.3. O ES veio concretamente na história - At 2.1-4
5.4. O ES inaugurou a igreja, a nova criação, a nova sociedade, incluiu todos - At 2, 8,
10, 19
6. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança
6.1. O ES é o penhor, isto é, depósito, entrada. Palavra grega que veio dos mercadores
fenícios, pagamento inicial como garantia que o restante seria pago. Hoje, é a mesma
palavra que descreve o anel de noivado.
6.2. O ES em nós é a garantia que Deus nos dá de que nossa salvação será consumada.
Haverá o resgate - no final dos tempos.
6.3. O ES em nós é a garantia de que somos de Deus, povo de propriedade exclusiva de
Deus
6.4. O ES em nós é a garantia de que, no futuro, seremos resgatados,
7. A conseqüência dessa 3a estrofe termina com um duplo propósito: 1)devemos
viver sob a direção do Espírito Santo, e; 2)devemos viver para o louvor da sua
glória.

Conclusão
Esta grande doxologia termina com o pensamento da possessão plena de tudo o que
Deus planejou para os homens e com tudo isso, em cada estágio da revelação, Ele deve
ser louvado, devemos Lhe render louvor pela glória da Sua infinita graça.

A VERDADEIRA ORAÇÃO (Ef. 1.15-23)

Introdução
Quando alguém argumenta conosco pode ou não nos convencer. Mas quando
alguém ora conosco, o nosso relacionamento com essa pessoa passa a ser diferente.
Efésios nos cativa e por certo cativou os seus primeiros leitores porque nós e eles somos
objetos da oração do apóstolo Paulo, inspirado que foi pelo Espírito Santo.
Depois de exaltar a Deus e dizer que, por três vezes, que devemos viver para o
louvor da glória da Sua graça (conforme os versos 6, 12 e 14), Paulo continua na
presença de Deus, agora, intercedendo em favor dos seus leitores. Ele glorifica a Deus
pela "tão grande salvação" da qual fomos alvo, mas baseado nessa bondade divina ele
pede a Deus que os recursos necessários para uma vida de louvor estejam a disposição
de todos os seus leitores.
Nessa, como em outras orações temos gratidão e intercessão. Isto nos faz
destacar a seguinte verdade: Não encontramos grupos ou cristãos totalmente imperfeitos
pelos quais não temos o que agradecer; e não encontramos grupos ou cristãos totalmente
maduros pelos quais não temos o que pedir. "Agradecemos e pedimos porque cremos
que a graça de Deus pode operar transformações que são impossíveis à natureza humana
decaída" (Monteiro, p.29).
Quando oramos obtemos um duplo efeito: há transformação na vida daqueles
por quem oramos e também experimentamos transformação em nossas próprias vidas.
Quando colocamos o nosso próximo na presença de Deus cremos que Deus é poderoso
suficientemente para transformar aquela vida, objeto de nossa intercessão. Quando
incluímos alguém em nossa oração, em nossa vida de intimidade com Deus, nos
tornamos mais sensíveis à vida e à necessidade do nosso próximo, deixando para trás
qualquer tipo de preconceitos ou barreiras que pudéssemos ter em relação a ele, o nosso
alvo de intercessão e, assim também somos transformados.

7
Na carta escrita aos filipenses, nessa mesma época em que estava preso em
Roma, na sua prisão domiciliar, Paulo orou em favor daquela igreja. Ele pediu a Deus
que eles tivessem o amor aumentado “mais e mais, no pleno conhecimento e em todo o
discernimento” (1.9). Naquele pedido percebemos a necessidade que a igreja tem de
conhecimento intelectual, para conhecer a si mesma, para conhecer o mundo onde está
plantada, para conhecer Deus e a sua vontade para ela mesma. Mas, é interessante que
além do conhecimento Paulo pediu que Deus lhes desse também discernimento.
Discernimento é a capacidade de aplicar o conhecimento. Assim como a prudência é a
capacidade de aplicarmos a sabedoria (8), assim também a igreja precisa de
conhecimento e discernimento para saber viver no meio de um mundo em trevas, uma
vez que ela é luz, refletindo a luz de Jesus (Mt 5.16).
A igreja atual precisa de discernimento porque nesses dias o mundo tem cobrado
uma presença mais eficaz da igreja na vida das pessoas e da sociedade. O mundo quer
perceber que diferença existe entre aqueles que seguem a Jesus e aqueles que seguem
outras divindades.
Quando a igreja, chamada cristã, faz adaptações de certas práticas que vemos em
outras religiões e seitas, quando a igreja, no desejo de se contextualizar, desenvolve
certas práticas mundanas demonstra que lhe falta discernimento, isto é, embora tenha o
conhecimento da doutrina certa, não sabe como mostrar amorosamente a diferença que
existe entre ela, formada por seguidores de Jesus e os seguidores de outras seitas e
outros gurus. Precisamos mais do que nunca em nossos dias conhecer a origem, a
natureza, o propósito e a missão da igreja. Porém precisamos discernimento espiritual
para saber aplicar esse conhecimento. O estudo dessa carta escrita aos efésios nos
ajudará nessa tarefa, mas, especificamente essa oração do apóstolo Paulo pode nos
ajudar muito em conquistar o nosso objetivo.

Quando estudamos o primeiro capítulo de Efésios fica clara essa divisão:

Em 1º lugar, nos versos 3-14, ao agradecer, o apóstolo nos desafia a também


agradecermos a Deus por toda sorte de bênção espiritual que Ele nos têm concedido
desde a eternidade, mas para isso é necessário que compreendamos completamente a
extensão dessas maravilhosas bênçãos que temos em Cristo, nas regiões celestiais.
Em 2º lugar, nos versos 15-23 o apóstolo pede que os olhos espirituais dos
cristãos sejam abertos e nos façam perceber que há uma dimensão sobrenatural no
processo hermenêutico: não lemos a Bíblia como um livro qualquer; não conhecemos a
Deus sem a iluminação do Espírito Santo. Para isso precisamos discernimento
espiritual.
Por isso, como diz Stott (p. 29) necessitamos manter um equilíbrio perfeito entre
o louvor e a oração. Por um lado devemos agradecer por tudo quanto Deus já nos deu,
mas por outro lado devemos pedir ainda mais tudo quanto ele tem para nos oferecer,
gratuitamente, em Cristo.
Diante dessas observações é possível sintetizar assim esta oração de Paulo:
A verdadeira oração dirigida a Deus deve ter por objetivo a ampliação do
conhecimento espiritual de todos os cristãos.
Nestes versos encontramos 5 aspectos da oração que devemos fazer a Deus em
favor de todos os cristãos:

O 1º aspecto da verdadeira oração em favor dos cristãos é agradecer a Deus por


suas vidas, vs. 15-16
1. Pelo testemunho da fé ou fidelidade - v.15

8
1.1. Fé no Senhor Jesus - cf. Cl 1.4
1.2. Fidelidade para com os irmãos -
2. Pelo testemunho do amor - v.15
2.1. Amor para com o Senhor Jesus -
2.2. Amor para com os irmãos (com dúvidas textuais), mas cf. Cl 1.4
3. Gratidão a Deus - v.16
3.1. Incessante -
3.2. Através das orações -

O 2º aspecto da verdadeira oração em favor dos cristãos é pedirmos pelas ações da


Trindade, vs. 17
1. Pedimos as ações do Pai porque ele é:
1.1. Ele é o Deus do nosso Senhor Jesus Cristo
1.2. Ele é o Deus, o Pai da glória
2. Pedimos as ações do Filho porque ele é:
2.1. Ele é o "ambiente" no qual temos as bênçãos espirituais - v.3
2.2. Ele é o Senhor ungido, "o Cristo" - v.17
3. Pedimos as ações do Espírito Santo porque ele é:
3.1. Ele é o Espírito de sabedoria
3.2. Ele é o Espírito de revelação do pleno conhecimento de Deus

O 3º aspecto da verdadeira oração em favor dos cristãos é pedirmos por visão


espiritual, vs. 18-19

1. Para que através da iluminação do Espírito Santo seus olhos espirituais vejam
qual é a esperança para a qual fomos chamados - v.18
2. Para que através da iluminação do Espírito Santo seus olhos espirituais vejam
qual é a riqueza da gloriosa herança dos santos - v.18
3. Para que através da iluminação do Espírito Santo seus olhos espirituais vejam
qual é a suprema grandeza do poder de Deus para com todos que cremos - v.19

O 4º aspecto da verdadeira oração em favor dos cristãos é pedir pela sublimidade


de Cristo, vs. 20-21
1. "Em Cristo" é a maneira de nos relacionarmos com a divindade - v.20
2. "Em Cristo" vemos o poder divino - v.20
2.1. Cristo foi ressuscitado dentre os mortos
2.2. Cristo está assentado à direita de Deus nos lugares celestiais
3. "Em Cristo" vemos os planos divinos para com os seres angelicais caídos -
v.21
3.1. Cristo está acima de todos os poderes angelicais, cf. 3.10 e 6.12
3.2. Cristo tem o nome que está acima de qualquer outro, no presente ou futuro -

O 5º aspecto da verdadeira oração em favor dos cristãos é pedir pela centralidade


de Cristo, vs.22-23
1. "Em Cristo" vemos v. 22
1.1. Cristo tem todas as coisas sob os seus pés -
1.2. Cristo é o cabeça de todas as coisas -
2. "Em Cristo" vemos os planos divinos para com os seres humanos salvos -
v.22-23
2.1. Cristo foi dado à igreja para ser o seu "cabeça" -

9
2.2. Cristo tem a igreja como seu corpo
3. “Em Cristo” a igreja tem sua razão de existir
3.1. Cristo é complementado pela igreja
3.2. Cristo age (enche) em todas as coisas por meio da igreja

Conclusão
A resposta a essa oração é o conhecimento mais amplo da plenitude da divindade para
que a coletivamente a igreja ou os cristãos individualmente possam experimentar a
realidade da vida, isto é, a vida humana só tem sentido com o conhecimento pleno de
Deus!

A NOVA VIDA, FRUTO DA GRAÇA DIVINA (EF. 2.1-10).

Introdução
Iniciamos o estudo do capítulo 2 onde Paulo nos apresenta as ações divinas
realizadas em nosso favor.
Nesses primeiros 10 versículos encontramos uma narrativa do que Deus fez em favor de
cada um de nós e qual o Seu propósito para com cada um individualmente. Nos
versículos seguintes, 11-22 veremos o que Deus fez pela humanidade, unindo judeus e
gentios numa só família, a Sua família, mostrando-nos também o Seu propósito para
com esse novo povo.
Neste primeiro parágrafo verificamos que Deus é o idealizador da nossa
salvação. Ele elaborou um plano e o desenvolveu até o final. Se não fosse a graça divina
não teríamos a experiência da nova vida, da vida espiritual.
Neste primeiro parágrafo constatamos que estávamos numa situação desesperadora de
desonra e total incapacidade de nos relacionar com Deus. Mas aqui mesmo constatamos
que pela graça divina Ele nos concede uma transformação radical, dando-nos uma nova
posição de honra e poder.
O apóstolo Paulo neste texto apresenta-nos um vívido contraste entre o que o
homem é por natureza e o que ele pode vir a ser mediante a graça de Deus.
Aqui Paulo está descrevendo pessoas que experimentaram uma mudança completa: elas
eram desobedientes e filhas da ira e agora são feitura de Deus, poema divino para a
realização da Sua vontade planejada de antemão para cada um deles.
Diante dessas constatações, podemos resumir esses versículos fazendo a seguinte
afirmação:
Todo cristão deve reconhecer que a graça divina é a causa fundamental de
experimentarmos a nova vida.

Encontramos nestes versículos alguns aspectos da ação da graça divina que nos
concedeu a nova vida:
I. A graça divina muda a situação do ser humano sem Deus – v. 1-3
1. A condição do ser humano sem Deus – v. 1
1.1. Morto nos delitos
1.2. Morto nos pecados
2. O caminhar do ser humano sem Deus – v. 2-3
2.1. Andam segundo o curso deste mundo
2.2. Andam segundo o príncipe da potestade do ar
2.3. Andam segundo as inclinações da carne
3. As práticas do ser humano sem Deus – v. 2-3
3.1. Fazem a vontade da carne

10
3.2. Fazem a vontade dos pensamentos
4. O caráter do ser humano sem Deus – v. 2-3
4.1. É filho da desobediência
4.2. É filho da ira
5. Quem são os seres humanos sem Deus – v. 2-3
5.1. Todos nós que andávamos dessa maneira
5.2. Todos os demais

II. A graça divina age em favor de cada um dos seres humanos – v. 4-9
1. A graça divina é misericordiosa – v.4
1.1. Deus é rico em misericórdia
1.2. O amor de Deus é a causa da sua misericórdia
2. A graça divina é vivificante – v.1, 5
2.1. Deus nos deu vida – v. 1
2.2. Deus nos deu vida juntamente com Cristo – v.5
3. A graça divina nos dá uma posição honrosa – v. 6
3.1. Deus nos ressuscitou juntamente com Cristo
3.2. Deus nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo
4. A graça divina é revelada na eternidade – v.7
4.1. Suprema riqueza da sua graça
4.2. Sua bondade para conosco, em Cristo Jesus
5. A graça divina nos salva gratuitamente –
5.1. Somos salvos pela graça – v.4, 8
5.2. Somos salvos mediante a fé – v.8, 9
5.2.1. Não vem de vós, não vem de obras
5.2.2. É dom de Deus, para que ninguém se glorie

III. A graça divina preparou a nova vida dos seres humanos – v. 10


1. Somos feitura de Deus
1.1. Poema divino
1.2. Obra de Deus
2. Somos criados em Cristo Jesus
2.1. Recriados, nascidos de novo
2.2. “Em Cristo”
3. Somos criados para as boas obras
3.1. As boas obras não nos conduzem à salvação
3.2. As boas obras são o resultado da salvação
4. Deus preparou as boas obras de antemão
4.1. Antes da fundação do mundo
4.2. Deus planejou a vida dos seus filhos
5. Deus preparou as boas obras para que andássemos nelas.
5.1. A vida do cristão se caracteriza pela realização das boas obras
5.2. As boas obras do cristão provam que Deus está agindo continuamente

Conclusão

1. Qual é a responsabilidade do ser humano sem Cristo?


1.1. Reconhecer sua situação de morto espiritual;
1.2. Estar convicto de que está separado, sem Cristo;
1.3. Desejar mudar de vida;

11
1.4. Arrepender-se dos seus pecados; e,
1.5. Depositar fé incondicional em Cristo.

2. Qual é a responsabilidade do ser humano com Cristo?


2.1. Reconhecer que a graça divina é a causa fundamental de experimentarmos a nova
vida;
2.2. Valorizar a misericórdia, o grande amor, a vivificação e a bondade divina para
conosco;
2.3. Viver seguro da nova posição em Cristo Jesus;
2.4. Baseando-se na graça divina, viver pela fé o projeto de vida preparado por Deus; e,
2.5. Disponibilizar-se para as boas obras com o objetivo de glorificar a Deus!

A VERDADEIRA FAMÍLIA DE DEUS (EF. 2.11-22)

Introdução
Paulo, no parágrafo anterior (2.1-10) nos mostrou a restauração do indivíduo;
nos mostrou como Deus já tinha planejado as boas obras para que cada um de nós
andássemos nelas.
Nesse parágrafo ele nos apresenta a humanidade como um todo. Vemos o que
Deus fez pela humanidade, unindo judeus e gentios numa só família, a Sua família.
Neste parágrafo Paulo nos mostra também o eterno propósito, de fazer por meio da
redenção de Cristo, um novo homem.
Nos primeiros dez versículos deste capítulo Paulo tratou da restauração do
indivíduo, da vida pessoal, do processo que Deus desencadeou para alcançar a cada um
dos seres humanos. Nestes versículos Paulo trata da restauração da humanidade, da
coletividade, da raça humana, do processo que Deus desencadeou para reconciliar, para
eliminar a inimizade entre os judeus e os gentios, transformando-os num só povo, na
família de Deus.
Paulo, ao mencionar no versículo 16 a reconciliação efetuada por Cristo, nos faz
lembrar também de outras imagens que podem ilustrar a nova relação Deus-homem. Ao
falar sobre a propiciação a figura nos relembra o cerimonial do Templo; ao mencionar o
termo redenção a figura nos relembra a compra de um escravo na praça do mercado; ao
declarar a justificação a figura nos relembra um tribunal onde o réu ao invés de ser
condenado é inocentado, justificado, e, finalmente, ao mencionar o termo reconciliação
Paulo nos faz vislumbrar o reatamento das relações no ambiente de uma família.
Mas, sobretudo, Efésios é o livro por excelência que trata sobre a Igreja. No
Novo Testamento temos várias figuras sobre a Igreja: comunidade, lavoura, noiva,
edifício, videira, etc. Neste texto encontramos mais algumas figuras que descrevem a
Igreja: aproximados (v. 13 e 17), novo homem (v.15), um corpo (v.16), concidadãos dos
santos (v.19), família de Deus (v.19), e, santuário dedicado ao Senhor (v.21).

Nesse texto Paulo repete a estrutura do 1º parágrafo: a) O que éramos sem Deus (v.1-3 e
11-12); b) O que Deus fez por nós em Cristo (v.4-9 e 13-18); e, c) O que somos (v.10 e
19-22).
Assim, diante de todas essas considerações, em resumo, podemos dizer que Todo
cristão deve reconhecer que é um grande privilégio participar com Deus da criação
da sua verdadeira família.

Nestes versículos encontramos 3 verdades sobre a verdadeira família de Deus.


I. A primeira verdade descreve-nos antes de Cristo – v. 11-12

12
1. A nossa situação sem Cristo – v.11
1.1. Era uma condição que deve ser lembrada;
1.2. Era uma condição passada;
1.3. Éramos gentios, na carne, isto é, estrangeiros;
1.4. Éramos chamados incircuncisos; e
1.5. Éramos desprezados pelos que tinham sinais humanos
2. A nossa condição sem Cristo – v.12
2.1. Estávamos sem Cristo, sem a expectativa de um redentor;
2.2. Estávamos separados da comunidade de Israel, sem identidade coletiva;
2.3. Estávamos estranhos às alianças da promessa, sem garantias do favor de Deus;
2.4. Estávamos sem esperança, sem sentido para a vida; e
2.5. Estávamos sem Deus no mundo, sem o amparo divino, contando com os ídolos.

II. A segunda verdade descreve as ações de Deus em nosso favor – v.13-18

1. Deus elimina o nosso triste passado


1.1. Não precisamos estar longe – v.13
1.2. Não precisamos estar separados – v.14
1.3. Não precisamos estar sob o jugo da lei em forma de ordenanças – v.15
1.4. Não precisamos estar em inimizade – v.16, 14
1.5. Não precisamos estar separados do Pai – v.17-18
2. Deus nos dá um alegre presente, em Cristo
2.1. Através do sangue de Cristo fomos aproximados – v. 13
2.2. Através de Cristo temos paz, a parede da inimizade foi derrubada – v.14
2.3. Através de encarnação de Cristo a antiga aliança foi abolida – v.15
2.4. Através da cruz de Cristo promoveu-se a reconciliação formando um só corpo –
v.16
2.5. Através da evangelização de Cristo temos paz e acesso ao Pai, em um Espírito –
v.17-18

III. A terceira verdade descreve-nos em Cristo – v.19-22

1. A posição antiga
1.1. Não somos estrangeiros – v. 19
1.2. Não somos peregrinos – v. 19
1.3. Não estamos soltos sem uma base – v. 20
1.4. Não somos raquíticos sem crescimento – v. 21
1.5. Não somos sem propósito – v.22
2. A nova posição em Cristo
2.1. Somos os concidadãos dos santos – v.19
2.2. Somos da família de Deus – v.19
2.3. Temos Jesus como a pedra angular e os apóstolos e profetas como fundamento –
v.20
2.4. Vamos crescendo em dedicação ao Senhor – v.21
2.5. Somos edificados para a habitação do Espírito de Deus – v.22

Conclusão
1. Através da obra de Cristo
1.1. Temos nova posição;
1.2. Chamamos a Deus de Pai;

13
1.3. Chamamos a Deus de Pai nosso;
1.4. Temos muitos e diversos irmãos; e
1.5. Formamos com os nossos irmãos a grande família de Deus (Lc 18.28-30).
2. Como membros da família de Deus
2.1. Devemos ser unidos (Sl 133.1);
2.2. Devemos nos amar mutuamente;
2.3. Devemos nos edificar mutuamente;
2.4. Devemos chegar à maturidade; e
2.5. Devemos abençoar-nos mutuamente (Sl 133.3b).
Já que somos família de Deus, vivamos como família de Deus!

O MISTÉRIO DE DEUS REVELADO EF. 3.1-13

Introdução
O capítulo 2 mostrou o que Deus fez individualmente e coletivamente,
concedendo ao cristão e a igreja uma nova posição, em Cristo Jesus. Paulo inicia uma
nova oração em favor dos cristãos de Éfeso, mas antes de fazê-la, neste primeiro
parágrafo do capítulo 3 ele apresenta sua autobiografia, mostrando sua autoridade
apostólica recebida por meio da graça de Deus atuante em sua vida.
Este trecho pode ser interpretado como um parêntese que explica a função
particular de Paulo no desenvolvimento do propósito eterno de Deus, que foi exposto no
último parágrafo, em 2.11-22. As palavras com que uma pessoa fala de si mesmo revela
a maneira como ela encara a vida e a si mesma. Paulo fala sobre si mesmo e se coloca
como uma das pedras do alicerce, isto é, como um dos apóstolos e profetas, que está
edificado sobre a rocha, a pedra angular, que é o Senhor Jesus Cristo na construção do
"santuário dedicado ao Senhor ... para habitação de Deus no Espírito" (2.21-22).
A igreja, o santuário divino, habitado pelo Espírito Santo, para ser expandida
para todos, incluindo judeus e gentios como co-herdeiros, co-participantes da promessa
do evangelho e membros do mesmo corpo, provoca nos cristãos a experiência do
sofrimento; mas ao mesmo tempo, em sua vida de manifestação do mistério divino, a
igreja proclama a multiforme sabedoria divina diante dos principados e potestades nos
lugares celestiais.
Este texto é importe porque responde a algumas perguntas básicas da fé cristã,
como por exemplo: 1) Até que ponto estamos dispostos a sofrer para proclamar as
insondáveis riquezas de Cristo? 1) Qual foi o mistério de Deus que esteve oculto mas
que agora estava sendo revelado? 2) Qual é o instrumento que Deus utiliza para
demonstrar a sua multiforme sabedoria aos seres espirituais? 3) Que garantias podemos
ter de que as palavras que ouvimos dos nossos instrutores são resultado de revelação
divina? 4) Podemos crer que cada cristão tem uma missão específica no reino de Deus?
5) Qual a expectativa divina para com os cristãos, diante do sofrimento daqueles que
proclamam o mistério de Deus revelado?
O mistério de Deus, agora revelado, através do ministério de Paulo, apresentado
no 1º capítulo como a reconciliação cósmica de todas as coisas em Jesus Cristo (1.10),
apresentado no 2º capítulo como a co-cidadania nos santos e a membresia na família de
Deus pelos gentios, neste 3º capítulo é apresentado como a co-herança e a co-
participação dos gentios juntamente com os judeus nas promessas do evangelho de
Cristo.
Por isso, em resumo, podemos dizer que este parágrafo nos diz que:
Todo cristão é desafiado a não desfalecer diante das dificuldades originadas pela
vivência e proclamação do mistério de Deus, revelado em Cristo.

14
Este parágrafo nos mostra três verdades sobre a proclamação reveladora do mistério de
Deus.
I. A 1ª verdade refere-se a descrição do proclamador do mistério de Deus – v. 1-8
1. Prisioneiro de Cristo -
1.1. Não apenas literalmente, preso em cadeias, pela proclamação - v.1
1.2. Mas prisioneiro, como título, por estar preso ao ministério, cf. 1.1. e Fm 1.9
2. Revelador do mistério de Deus -
2.1. O ministério da revelação do mistério é uma graça concedida por Deus - v.2
2.2. O mistério não é entendido por raciocínio humano mas por revelação do E.Santo -
v.3-4
3. Apóstolo e profeta -
3.1. Paulo forma o fundamento da igreja que tem em Jesus a pedra angular, cf. 2.20
3.2. Outros apóstolos e profetas tinham recebido revelação do mistério divino - v.5
4. Ministro do Senhor -
4.1. O ministério é graça de Deus segundo a força que atua pelo Seu poder -v 7.
4.2. O ministério é o anúncio a todos do evangelho das insondáveis riquezas de Cristo -
v.8
5. Santo entre santos -
5.1. Identificação com outros cristãos, separados do mundo, consagrados a Deus - v.8
5.2. O menor dos santos, sentimento de pequenez, menor dos menores - v.8
II. A 2ª verdade refere-se ao conteúdo do mistério de Deus – vs. 9-10, 6
1. O mistério de Deus, agora revelado requer disponibilidade
1.1. O requisito é disponibilidade de sofrer até a falta de liberdade - v.1
1.2. O requisito é disponibilidade de amor sem distinção - v.1
2. O mistério de Deus, agora revelado tem significado especial
2.1. Significa a dispensação da graça divina para com todos, incluindo os gentios - v.2,
9
2.2. Significa uma revelação que só pode ser discernida espiritualmente - v.3-4
3. O mistério de Deus, agora revelado demonstra o plano divino
3.1. O plano divino estava oculto das gerações, até a plenitude dos tempos - v.5, 9, Gl
4.4
3.2. O plano divino confirma que a revelação de Deus foi progressiva - v.5
4. O mistério de Deus, agora revelado tem um conteúdo central
4.1. A co-herança dos gentios e dos judeus - v.6, cf. 2.13-15
4.2. A co-membresia no corpo de Cristo - v.6, cf. 2.16-17
4.3. A co-participação dos gentios e judeus na promessa pelo evangelho - v.6, cf. 2.18-
19
5. O mistério de Deus deve ser revelado em todas as dimensões
5.1. A igreja revela (torna conhecido) a multiforme sabedoria de Deus - v.10
5.2. A igreja revela aos seres celestes, n os lugares celestiais a sabedoria de Deus - v.10

III. A 3ª verdade refere-se a igreja cristã como manifestadora do mistério de Deus


1. A igreja deve proclamar o mistério de Deus: as boas novas de Cristo a todos - v. 8
1.1. Pregar as boas novas é o papel do embaixador, o administrador de tão grande
presente. A autoridade da igreja ao pregar é originada da graça divina.
1.2. Pregar aos gentios - um alto e emocionante privilégio de anunciar que o Messias
prometido para os judeus era também o Salvador dos gentios.
1.3. As insondáveis riquezas de Cristo - os ilimitados recursos que se encontram em
Cristo. Esse mistério é maravilhoso demais para ser entendido. É preciso fé, cf. Rm
11.33-36.

15
2. A igreja deve manifestar os segredos do Deus criador - v.9
2.1. Á "iluminação" deve revelar que Deus teve sempre o propósito de salvar judeus e
gentios
2.2. A dispensação é a administração, a revelação do segredo que esteve oculto em
Deus.
2.3. O Deus criador é soberano e dispõe soberanamente dos destinos dos homens.
3. A igreja deve tornar conhecida a multiforme sabedoria de Deus - v.10-11
3.1. A igreja deve manifestar agora, nos lugares celestiais - cf. 1.21, Rm 8.19-22; 1Pe
1.12
3.2. A igreja é a concretização do complexo propósito divino de salvar a humanidade -
v.10
3.3. A igreja deve mostrar que o eterno propósito divino foi estabelecido em Cristo -
v.11
4. A igreja deve anunciar a nova possibilidade para com Deus - v. 12
4.1. É possível termos ousadia, ausência de barreiras, lit.liberdade de expressão - cf.
Hb.10.19
4.2. É possível termos ousadia, confiança, certeza da aprovação divina - v. 12
4.3. É possível o acesso de judeus e gentios ao Pai, mediante a fé - v.12, cf. 2.18.
5. A igreja deve gloriar-se, alegrar-se por esse ministério revelador
5.1. Mesmo diante das tribulações de outros irmãos a igreja não deve desfalecer - v.13
5.2. Através das tribulações temos oportunidade de glorificar a Deus - v.12
5.3. O cristão pode estar acorrentado, mas a Palavra não está presa, então alegre-se! -
v.13
Conclusão
Nestes versos:
1. Podemos ver o coração do apóstolo Paulo:
2. Podemos ver o seu altruísmo.
3. Podemos ver o seu deslumbramento com o grandioso e complexo plano divino de
salvar a humanidade.
4. Podemos ver a sua consciência de quão maravilhosa era a mensagem do evangelho
que ele pregava.
5. Podemos ver o seu encorajamento a que nos unamos a ele na proclamação ao mundo,
descrito em 2.1-3 e a ser descrito em 4.17-19, da maravilhosa salvação em Cristo Jesus.

CONHECENDO O AMOR DE CRISTO (EF. 3.14-21)

Introdução
A característica mais importante na vida do verdadeiro cristão é o amor visto em
Cristo. O amor de Cristo torna o cristão distinto dos outros seres humanos.
O amor que o cristão recebe de Deus é o amor que ele deve demonstrar aos outros.
Esse não é o amor humano. Esse é o amor ágape – o amor sacrificial.
Nesta oração, Paulo pede a Deus que todos os cristãos, por pertencerem à família
de Deus, experimentemos esse verdadeiro amor que se vê em Cristo!
Em resumo, nessa oração a afirmação do apóstolo é:
Todo cristão deve conhecer experimentalmente o amor de Cristo.
Nesta oração Paulo apresenta três razões para conhecermos o amor de Cristo:

I. Devemos conhecer o amor de Cristo para receber poder espiritual – 3.16-17


1. Através do Espírito Santo em nosso interior – v.16
2. Através da habitação de Cristo, pela fé, em nosso coração – v.17a

16
3. Através da nossa fundamentação no amor do Pai, pois Deus é amor (1Jo 4.8) – v. 17b
II. Devemos conhecer o amor de Cristo para vivenciar a magnitude desse amor - 3.18 -
19
1. Através da compreensão da abrangência desse amor – v. 18a
1.1. Pessoalmente -
1.2. Coletivamente -
2. Através da compreensão da extensão desse amor – v.18b
2.1. Qual a largura – alcança a todos os homens
2.2. Qual o comprimento – abrange todos os tempos
2.3. Qual a altura – do céu nos trouxe Jesus
2.4. Qual a profundidade – “desceu” até o inferno nos libertando de Satanás
3. Através do conhecimento experimental, vivencial desse amor – v. 19
3.1. Esse amor excede a todo entendimento -
3.2. Esse amor nos faz tomados de toda a plenitude de Deus -
III. Devemos conhecer o amor de Cristo para glorificar a Deus – 3.20-21
1. Glorificamos a Deus porque Ele é poderoso – v.20a
1.1. Ele faz infinitamente mais do que pedimos -
1.2. Ele faz infinitamente mais do que pensamos -
2. Glorificamos a Deus porque o Seu poder opera em nós – v. 20b
2.1. O poder é de Deus e não nosso, conforme a nossa vontade -
2.2. O poder se manifesta em nossas vidas, conforme o seu querer -
3. Glorificamos a Deus porque Ele merece – v.21
3.1. Deus merece que a igreja lhe dedique toda a glória, através de Cristo Jesus
3.2. Deus merece que a igreja lhe dedique toda a glória, em todas as épocas.
Conclusão
Você tem conhecido e experimentado este maravilhoso amor de Cristo?

O VIVER DIGNO NO CORPO DE CRISTO (EF. 4.1-16)


Introdução
Iniciamos a segunda parte da carta aos Efésios, a parte prática da carta, cujo
conteúdo abrange os capítulos quatro a seis. A pergunta que se responde nesses
capítulos é: Como deve andar a pessoa que foi salva graciosamente pela fé em Jesus
Cristo, agora que é um membro da família de Deus, do corpo de Cristo?
A resposta a essa questão prática é apresentada por Paulo através da utilização
do verbo andar, em 6 ocasiões nesses três capítulos: 4.1; 4.17 (2x); 5.2; 5.8 e 5.15, além
de ter usado esse mesmo verbo em 2.2 e 2.10, embora em 2.3 usou o verbo viver.
Nesta carta o verbo andar significa: agir, comportar-se, proceder. O verbo andar indica o
modo de viver, a maneira como desenvolvemos nossa carreira cristã. Esse verbo indica
o nosso “estilo de vida”. Diante dessa compreensão podemos, em resumo, dizer que:
Todo cristão é desafiado a andar dignamente como membro do corpo de Cristo.

Este texto nos mostra três maneiras de andarmos dignamente:


I. Andamos dignamente ao mantermos a unidade - 4.1-6
1. Porque fomos chamados para uma vocação – v.1
A nossa vocação é mostrar que somos nova criação, membros do corpo de Cristo.
2. Porque as atitudes cristãs devem ser desenvolvidas – v.2-3
Essas atitudes são: humildade, mansidão, longanimidade, suportar uns aos outros,
esforçando-nos para manter a unidade do Espírito, no vínculo da paz.
3. Porque temos por base a unidade que existe na Trindade – v.4-6

17
Há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só
batismo, um só Deus e Pai.
II. Andamos dignamente ao desempenharmos nossas responsabilidades – 4.7-12
1. Cada cristão tem dons na medida do dom de Cristo – v.7-10
Os dons espirituais são distribuições da graça divina doado pelo Senhor Jesus Cristo.
2. Jesus concedeu pessoas-dons para a liderança da igreja – v.11
A liderança da igreja é plural: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestre.
Os líderes são capacitadores.
3. Os líderes têm sua responsabilidade específica – v.12
Eles devem equipar, aperfeiçoar os santos para o desempenho do serviço deles visando
a edificação do corpo. Os santos são realizadores.
III. Andamos dignamente ao buscarmos a maturidade do corpo de Cristo – 4.13-16
1. O alvo é a unidade doutrinária – v.13-14
O objetivo é termos uma fé sólida em Cristo que impeça sermos agitados por doutrinas.
2. A medida do crescimento é Cristo – v.14-15
A medida da estatura (tamanho) da plenitude de Cristo. O crescimento em Cristo nos
levará a praticar a verdade e o amor.
3. O crescimento é realizado por todos os membros – v.16
O próprio corpo se desenvolverá através da ação de cada membro.
Conclusão
Quando andamos dignamente nossa vida será um exemplo de transformação e o corpo
de Cristo será edificado alcançando assim o seu propósito.

CARACTERÍSTICAS DE UMA IGREJA MADURA (EF. 4.11-16)


Introdução
Sendo que o desejo do Senhor Jesus, o Senhor é ter uma igreja madura, só
alcançaremos esse alvo quando utilizarmos as capacitações que o próprio Senhor
colocou à nossa disposição.
Jesus deu à igreja pessoas-dons que atuando nas suas esferas de capacitações
possibilitarão a igreja atingir a maturidade pretendida pelo Senhor Jesus.
Na origem da palavra maturidade temos a idéia de "proteção". Isso indica que uma
igreja madura é aquela que pode proteger seus membros dos ataques sofridos.
Pedro, estimulando também à vida madura, no final de sua segunda carta (3.17-
18) instrui seus leitores a guardarem-se e protegerem-se dos falsos mestres, descritos no
capítulo 2, crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo.
Diante dessas colocações, portanto, este texto nos desafia a percebermos que:
Somente quando usamos os recursos divinos podemos nos tornar uma igreja madura.

Estes versículos nos revelam sete recursos a serem usados no amadurecimento da igreja:
I. O 1º recurso é ter consciência da necessidade da unidade - 4.13
1. Já somos unidos - 4.3.
2. Temos que alcançar a unidade - 4.13
II. O 2º recurso é saber que necessitamos conhecer mais a Jesus, o Filho de Deus - 4.13
1. O conhecimento é experimental -
2. O conhecimento deve ser pleno -
III. O 3º recurso é ter firmeza para resistir as falsas doutrinas - 4.14
1. O propósito é não sermos infantis na vida cristã -
2. O propósito é resistirmos os ataques dos falsos mestres -
IV. O 4º recurso é saber usar os instrumentos: a verdade e o amor - 4.15
1. O crescimento requer uma vida verdadeira -

18
2. A vida verdadeira requer uma vida de amor mútuo, como Cristo nos amou -
V. O 5º recurso é estar consciente da necessidade do crescimento em Cristo - 4.15
1. A cabeça da igreja é Cristo -
2. O crescimento deve ser completo (em tudo) -
VI. O 6º recurso é saber que necessitamos do envolvimento de todos os membros - 4.16
1. Todo cristão tem uma tarefa geral - 1Pe 2.9 - todos sacerdotes para anunciar as
virtudes
2. Todo cristão tem uma tarefa específica - 4.11 (capacitadores); 4.12 (realizadores)
VII. O 7º recurso é saber que somos responsáveis pelo nosso desenvolvimento - 4.16
1. Todas as realizações devem ser visar o crescimento e edificação -
2. A maturidade do corpo é alcançada através da realização das diversas funções -
Conclusão
Por que existe tanta imaturidade entre os cristãos?
Porque nos falta ver quem somos nós e quem é Jesus;
Porque a ansiedade pelo crescimento numérico sufoca o amadurecimento espiritual;
Porque muitos cristãos querem controlar tudo, não dividindo a responsabilidade;
Porque gasta-se mais tempo no ativismo do que no amadurecimento (ler, estudar,
meditar).
Como podemos nos tornar maduros?
Somente quando usamos os recursos divinos podemos nos tornar uma igreja madura.

O VIVER PESSOAL DIGNO (EF. 4.17 - 5.21)

Introdução
A seqüência do texto que Paulo iniciou em 4.1 ocorre agora sendo este um longo
trecho que trata da dignidade que o cristão deve evidenciar nas diversas áreas do seu
viver pessoal.
Depois de nos apresentar o comportamento cristão digno no contexto do corpo
de Cristo onde é requerido de todo cristão relacionamentos que edifiquem a totalidade
dos membros desse mesmo corpo, Paulo nos orienta como desenvolver esse novo estilo
de viver em nossa vida pessoal. Em síntese ele está dizendo que se a degradação dos
pagãos é resultado da futilidade das suas mentes, a vida cristã digna depende da
aquisição da sabedoria espiritual que só encontramos em Cristo. As orientações deste
trecho são extremamente práticas e desafiadoras. Por isso, de maneira sintética,

Podemos dizer que esse texto nos diz que:


Todo cristão é desafiado a desenvolver sabiamente um viver pessoal digno.
Este texto nos mostra sete maneiras de desenvolver sabiamente um viver pessoal digno:
I. Remover o velho homem - 4.17-22
1. Abandonando o antigo modo de andar - v.17-19
1.1. Vaidade dos próprios pensamentos - 17
1.2. Entendimento obscurecido, vida alheia a Deus, vida ignorante, coração duro - v.18
1.3. Insensibilidade, dissolução desmedida, impureza completa - v.19
2. Adotando o novo modo de andar - v.20-23
2.1. Cristo é a substância, o mestre e o ambiente do ensino (discipulado) verdadeiro -
v.20-21
2.2. Despojando de tudo o que se relaciona com o passado - v.22
2.3. Despojando do velho homem que se corrompe por desejos enganosos - v.22
II. Revestir-se do novo homem - 4.23-30
1. Assumindo a nova vida - v.23-24

19
1.1. Renovação do entendimento espiritual - v.23
1.2. Revestir do novo homem criado segundo Deus, em justiça e retidão - v.24
2. Assumindo um novo proceder - v.25-30
2.1. Ao invés de mentir, falar a verdade - v.25
2.2. Ao invés de irar-se, não pecar dando lugar ao diabo - v.26-27
2.3. Ao invés de furtar, repartir - v.28
2.4. Ao invés de palavras destrutivas, edificantes - v.29
2.5. Ao invés de entristecer o Espírito Santo, manter o selo do dia da redenção - v.30
III. Relacionar-se dignamente - 4.31-5.2
1. É necessário remover o passado - 4.31
1.1. A amargura
1.2. A cólera
1.3. A ira e a gritaria
1.4. A blasfêmia
1.5. A malícia
2. É necessário tornar-se imitador de Deus - 4.32 a 5.2
2.1. A benignidade - 4.32
2.2. A compassividade - 4.32
2.3. O perdão no padrão de Cristo - 4.32
2.4. A imitação da amabilidade divina - 5.1
2.5. O andar em amor, como Cristo, entregando-se pelos outros - 5.2
Efésios - estudos expositivos
Prof. Itamir Neves 43
IV. Rejeitar a participação na vida de trevas - 5.3-7
1. Vivendo em santidade - v.3-4
1.1. Nem sequer mencionar algo sem pudor, impuro, e cobiçoso - v.3
1.2. Ao invés de chocar com gracejos imorais, ter palavras de gratidão - v.4
2. Sabendo da certeza do julgamento - v.5-7
2.1. Não herdarão o reino de Deus aqueles que O provocam à ira - v.5-6
2.2. Não participando com os desobedientes - v.6-7
V. Refletir o viver na luz - 5.8-14
1. Manifestando os frutos da luz - 5.8-10
1.1. O andar é novo: andamos como filhos da luz - v.8
1.2. O fruto da luz é agradável ao Senhor - v.9-10
2. Rejeitando as obras das trevas - 5.11 -14
2.1. Obras infrutíferas das trevas devem ser reprovadas - v.11-12
2.2. As trevas, o dormir e a morte são derrotados por Cristo, a verdadeira luz - v.13-14
VI. Reconhecer a vontade de Deus - 5.15-20
1. Andando com sabedoria - 5.15-17
1.1. O andar cuidadoso - 5.15
1.2. O andar sensato ao invés de insensato - 5.15
1.3. O andar remindo (resgatar Gl 3.13) o tempo - 5.16
1.4. Não andar como tolos, insensatos - 5.17
1.5. O andar compreendendo, entendendo qual a vontade do Senhor
2. Andando cheios do Espirito Santo - 5.18-21 - Duas ordens e quatro particípios
2.1. Não vos embriagueis (não deixem-se embriagar), com o vinho, mas deixem-se
encher (sede repletos) pelo Espírito.
2.2. Falando entre vós - com salmos, hinos, cânticos espirituais
2.3.Cantando
2.4.Louvando com o vosso coração ao Senhor

20
2.5. Agradecendo constantemente por tudo
VII. Ratificar o valor do corpo de Cristo - 5.21
1. Sujeitando-vos uns aos outros
1.1. A sujeição ou submissão -
1.2. A reciprocidade -
2. No temor de Cristo
2.1. A necessidade do temor
2.2. Em Cristo é o ambiente de toda ação da igreja -
Conclusão
O desafio deste trecho é deixarmos toda conduta incompatível com a nossa vida em
Cristo e abraçarmos todo o viver digno de um verdadeiro cristão.
Quando andarmos na plena vontade de Deus, isto é, cheio do Espírito Santo, teremos
um relacionamento harmonioso com Deus.
Que possamos pedir e nos abrirmos para esse viver digno que Deus quer fazer em nós!

A SUBMISSÃO MÚTUA OU O PRINCÍPIO DA SUBMISSÃO (EF. 5.21-6.9)

Introdução
Depois de um início de exaltação a Deus que nos tem abençoado com todas as
bênçãos espirituais nas regiões celestiais, em Cristo (1.3); Paulo nos mostrou como
Deus, em Cristo, reuniu num só corpo (a igreja) judeus e gentios, desfazendo a barreira,
o muro da inimizade (2.14). Depois de falar do seu ministério (3.1-13) eleva uma das
mais belas orações da Bíblia (3.14-21) que certamente deveríamos ter como modelo, em
favor dos efésios e de todos nós.
A partir dos textos que compõe a parte prática da carta (capítulos 4 a 6), Paulo
demonstra a importância da unidade (4.1-6); a necessidade de todos participarmos do
desenvolvimento do corpo de Cristo (4.7-16); a importância de viver dignamente com
sabedoria (4.17 a 5.15); e a necessidade do cristão remir (usar bem) o tempo em relação
a áreas específicas da sua vida: a) em relação a si mesmo - v.16; b) em relação a Deus -
v.17-18; e c) em relação a outros cristãos - v.19-20. No v.21 o apóstolo apresenta o
princípio da mútua submissão, que deve orientar os relacionamentos em outras áreas
fundamentais da vida cristã.

Ao lermos o texto de 5.21 a 6.9 podemos sintetizá-lo dizendo que:


É responsabilidade de todo cristão seguir o princípio da submissão em todas as
áreas de seus relacionamentos.
Neste texto encontramos três áreas de relacionamento em que o princípio da
submissão deve ocorrer:
I. O princípio da submissão deve ocorrer na área do relacionamento conjugal - 5.22-33
1. A responsabilidade do esposo
1.1. Liderar - 5.23: ser o cabeça
1.2. Amar como também Cristo amou - 5. 25, 28, 33
2. A responsabilidade da esposa
2.1. Submeter-se - a palavra não consta de 5.22, mas em 5.21, 24: sujeição, submissão
Respeitar - 5.33:temer, reverenciar, respeitar
II. O princípio da submissão deve ocorrer na área do relacionamento familiar - 6.1-4
1. A responsabilidade dos pais
1.1. Não provocar os filhos à ira - 6.4
Não ireis, não encolerizeis, não vivam repreendendo
1.2. Criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor - 6.4

21
Criar, alimentar, nutrir (veja 5.29), criai-os com ternura
Educação, instrução, correção, disciplina, através até de disciplina física
Admoestação, ensinamentos (por na mente), através de palavras
2. A responsabilidade dos filhos
2.1. Obedecer aos pais - 6.1
Escutar, ouvir, ser submisso, obedecer, porque é justo
2.2. Honrar os pais - 6.2.
Estimar, respeitar (contraste com 2Tm 3.2-3).

III. O princípio da submissão deve ocorrer na área do relacionamento profissional - 6.5-


9
1. A responsabilidade dos patrões
1.1. Considerar que Cristo está sobre eles - (novamente o princípio da submissão mútua)
Senhores de igual modo procedei com eles.
1.2. Não fazer ameaças -
1.3. Saber que o Senhor dará a recompensa -
Parcialidade não existe junto a Ele.
2. A responsabilidade dos empregados
2.1. Obedecer os patrões, com temor, tremor e sinceridade -
Temor e tremor (veja 2Co 7.15; Fl 2.12)
Não como bajuladores, mas como servos
2.2. Trabalhar com vontade, não servindo aos homens, mas como se fosse ao Senhor -
2.3. Saber que do Senhor receberá (a recompensa)
Conclusão
1. É responsabilidade de todo cristão seguir o princípio da submissão em todos as áreas
de seus relacionamentos.
2. Quando, nas diversas áreas de nossos relacionamentos praticarmos o princípio da
submissão, andaremos de modo digno da vocação a que fomos chamados!
3. Só viveremos assim sendo capacitados pelo Espírito Santo!

UM PREPARO EFICIENTE (EF 6.10-13)

Introdução
Estamos diante de uma nova área da vida cristã. Paulo nos conduz de maneira
muito hábil a considerarmos o grave tema da luta espiritual que todo cristão enfrenta em
sua peregrinação cristã contra o inimigo das nossas almas: o diabo. Depois de nos fazer
sonhar com uma nova e definita relação com Deus, o Criador e com uma perfeita
harmonia com os nossos semelhantes (sejam eles de que raça forem), o apóstolo nos
traz para a realidade das nossas lutas, da oposição que enfrentamos.
Todos os esportes têm suas regras. A obediência às regras e o preparo do atleta
são fatores fundamentais a serem considerados por todos aqueles que almejam a vitória.
Nas guerras entre exércitos de países que defendem os seus territórios os soldados que
participam dessas lutas devem atuar de acordo com o treinamento realizado e de acordo
com as normas estabelecidas.
Assim como nos esportes, assim como nas guerras patrióticas, se almejamos um
bom desempenho e vitória em nossas batalhas, nos conflitos ocorridos em nossa vida
cristã é requerido de todo cristão um preparo adequado. Estes versículos iniciais sobre
esse tema nos ajudam a entender que:
Nossa vida cristã deve estar preparada eficientemente para que alcancemos a
vitória nos conflitos que enfrentamos em nossa peregrinação espiritual.

22
Para que sejamos vitoriosos é necessário observarmos cinco etapas neste preparo
eficiente:
I. No preparo eficiente entendemos que não enfrentamos inimigos humanos - 6.12
1. A luta que travamos não é contra o sangue -
2. A luta que travamos não é contra a carne - contra seres humanos
II. No preparo eficiente compreendemos que enfrentamos inimigos espirituais - 6.11-12
1. Lutamos contra as ciladas, maquinações - 6.11 -
2. Lutamos contra os principados - 6.12
3. Lutamos contra as potestades, os poderes - 6.12
4. Lutamos contra os dominadores do mundo - 6.12
5. Lutamos contra as (forças) espirituais do mal - 6.12
III. No preparo eficiente conhecemos qual o local e a ocasião da luta - 6.12-13
1. Nossa luta é travada nas "regiões celestiais" - 6.12
2. Por estarmos "em Cristo" já estamos nas "regiões celestiais" - 6.12 conf.:
2.1. Ef 1.3
2.2. Ef 1.20
2.3. Ef 2.6
2.4. Ef 3.10
2.5. Ef 6.12
3. Nossa luta é travada no "dia mau" - 6.13 -

IV. No preparo eficiente aprendemos que é necessário adquirir força especial - 6.10-13
1. Necessitamos nos fortalecer no Senhor - 6.10
Sede fortalecidos (voz passiva)
2. Necessitamos nos fortalecer na força do Seu poder - 6.10
3. Necessitamos nos revestir de toda a armadura de Deus - 6.11, 13
3.1. A armadura é denominada: armas da luz - Rm 13.12
3.2. A armadura é denominada: armas da justiça - 2Co 6.7
3.3. A armadura é denominada: armas do combate - 2Co 10.4
3.4. A armadura é denominada: revestir-nos de sobriedade - 1Ts 5.8
V. No preparo eficiente concluímos que é necessário adquirir solidez - 6.11, 13
1. Solidez para ficarmos firmes - 6.11
1.1. Veja 1Co 16.13
1.2. Veja Cl 1.23
2. Solidez para nos opormos, contradizer, resistirmos - 6.13
2.1. Veja Tg 4.7
2.2. Veja 1 Pe 5.9
3. Solidez para permanecermos firmes, inabaláveis - 6.13
3.1. Veja Sl 51.10
3.2. Veja 1 Co 15.58

Conclusão

Este preparo eficiente tem um só objetivo: a vitória!


1. "... e, depois de terdes vencido tudo ..." ARA - v.13
2. "... e, havendo feito tudo ..." ARC - v.13
3. "... depois de terem feito tudo ..." NVI - v.13
4. "... e, depois de lutarem até o fim, vocês continuarão firmes, sem recuar ..." NTLH -
v.13
5. "... e, tendo feito todas as coisas ..." NTG - v.13

23
Por isso é que afirmamos: Nossa vida cristã deve estar preparada eficientemente para
que alcancemos a vitória nos conflitos que enfrentamos em nossa peregrinação
espiritual.

A ARMADURA EFICIENTE (EF. 6.14-17).

Introdução
A experiência cristã completa envolve três ações comum a todos os cristãos:
assentar, andar e ficar firmes. Todo cristão deve saber que já está assentado em Cristo,
nos lugares celestiais (1.3, 20; 2.6; 3.10 e 6.12); que deve andar dignamente (2.2, 3, 10;
4.1, 17 (2x); 5.2, 8 e 15); e que por isso mesmo deve permanecer firme (6.11, 13-14)
nos conflitos espirituais contra o diabo, inimigo comum dos cristãos.
Ao participarmos do conflito espiritual todos os cuidados devem ser tomados e
todas as orientações devem ser acatadas. Através de Paulo, o Senhor Jesus, nosso
comandante nos adverte para a utilização de uma vestimenta apropriada, de uma
armadura eficiente.
Essa figura da armadura têm sua origem nas armas dos soldados romanos dos
dias de Paulo e, além disso, essa idéia de vestimenta adequada para a luta contra o mal
já está presente desde o Antigo Testamento, conf. Is 11.5 e 59.17.
As armas com que vamos lutar formam uma armadura espiritual preparada pelo
Senhor para todos nós os seus soldados. A Bíblia nos adverte para o uso desta
vestimenta adequada, da armadura eficiente. Portanto, em síntese podemos dizer que:
No contexto do conflito espiritual somente o cristão que utiliza toda a armadura de Deus
obterá a vitória desejada.

Através das palavras de Paulo encontramos a descrição das sete peças que compõe
a armadura eficiente.
I. O cinturão eficiente - verdade - 6.14 (libertação)
1. O problema: Dúvidas e mentiras do inimigo em relação à nossa posição.
2. A solução: A verdade nos liberta (Jo 8.32); Cristo é a verdade (Jo14.6); devemos
falar a verdade (Ef 4.15, 25).
II. A couraça eficiente - justiça - 6.14 (justificação)
1. O problema: Incertezas em relação ao perdão dos pecados.
2. A solução: Em Cristo, Deus nos justifica (Rm 8.33); Cristo é a nossa justiça (1Co
1.30; 2Co 5.21).
III. O calçado eficiente - a preparação do evangelho da paz - 6.15 (conversão)
1. O problema: Inabilidade em tomar decisões, angústia.
2. A solução: Cristo nos dá a sua paz (Jo 14.27); temos paz com Deus (Rm 5.1) e a paz
de Deus (Fl 4.7); Cristo é a nossa paz (Ef. 2.14).

IV. O escudo eficiente - fé - 6.16 (dedicação)


1. O problema: Tentações, ciladas, isto é, "dardos" inflamados do maligno;
incredulidade
2. A solução: Devemos viver pela fé em Cristo (Gl 2.20); Cristo é o autor e consumador
da fé (Hb 12.2); a nossa fé torna-se vitoriosa (1Jo 2.14).
V. O capacete eficiente - salvação - 6.17 (proteção)
1. O problema: Medo da morte, desespero, insegurança sobre a salvação
2. A solução: A salvação está no nome de Jesus (At 4.12); a salvação está em Cristo
(2Tm 2.10); Cristo é o autor da nossa salvação (Hb 2.10; 5.9)
VI. A espada eficiente - espada do Espírito, a Palavra de Deus - 6.17 (proclamação)

24
1. O problema: Desacreditar que é a Palavra de Deus; não conhecer e apropriar-se das
promessas; não praticar os princípios da Palavra; não divulgá-la.
2. A solução: Cristo usou a Palavra para vencer as tentações do inimigo (Mt. 4.1-11);
Cristo é a Palavra encarnada (Jo 1.1, 14); nós devemos verbalizar ("rhema") a palavra
(Tg 1.22); Cristo ordenou: "fazei discípulos" e "sereis minhas testemunhas" (Mt 28.19;
At 1.8).
VII. O complemento eficiente - oração - 6.18 (comunhão)
1. O problema: Sentir-se sozinho; sentir que não irá suportar; sentir as acusações do
inimigo; preocupar-se apenas com as necessidades pessoais.
2. A solução: Cristo e o Espírito Santo são nossos intercessores (Rm 8.26-27, 34; Hb
7.25); a comunhão se estabelece ao orarmos pessoalmente (Mt 6.6; Fl 4.6; 1Pe 5.7) e ao
orarmos (intercedermos) uns pelos outros (Tg 5.16); devemos orar por todos os homens
(1Tm 2.1).

Conclusão
1. Reconhecendo que a nossa batalha é contra o reino das trevas (Cl 1.13), contra o
diabo e suas hostes devemos nos preparar para as batalhas usando os recursos divinos.
2. Essas peças da armadura divina, colocadas à disposição de todo cristão formam a
figura vívida colocada pelo apóstolo para descrever a nossa participação no conflito
espiritual.
3. Nesse conflito espiritual Deus nos utiliza como instrumentos para enfrentar os Seus
inimigos, portanto somente quando nos equipamos de acordo com o padrão bíblico
podemos ter expectativa da vitória.

O COMPLEMENTO EFICIENTE (EF. 6.18-20).

Introdução
Já se disse que a oração "é a alavanca que o cristão possui para mover os céus a
seu favor". Quando Paulo mencionou e descreveu as peças que constituem a armadura
divina usadas no conflito espiritual pode parecer que tenha faltado um equipamento
eficiente, isto é, a oração. Embora o apóstolo não tenha colocado a oração como uma
peça definida da armadura é certa que ele transmitiu o conceito de que essa prática
cristã deve permear toda a nossa guerra espiritual.
Como disse Stott: "Equipar-nos com a armadura de Deus não é uma operação
mecânica. É em si mesma uma expressão da nossa dependência de Deus. Noutras
palavras: denota a necessidade da oração. Além disso, é a oração no Espírito, induzida e
guiada por ele, assim como a palavra de Deus é a "espada do Espírito" que ele mesmo
emprega. Deste modo as Escrituras e a oração permanecem juntas como as duas armas
principais que o Espírito coloca em nossas mãos" (p.218).
Assim, ao lermos o texto (6.18-20), verificamos que Paulo destaca de um modo especial
a oração: ela é "o complemento" da armadura, sem a qual, essa batalha seria realizada
somente no nível humano e terreno. Por isso podemos dizer que este texto nos diz que:
Somente o cristão que se utiliza da oração como um complemento eficiente obterá
vitória no contexto do conflito espiritual.
E, para termos a oração como um complemento eficiente, necessitamos fazer seis
observações:
I. A oração no contexto do conflito espiritual -
1. No Antigo Testamento –
1.1. A queda do diabo –
1.2. A queda dos 1ºs pais –

25
1.3. A batalha nos “lugares celestiais” –
2. No Novo Testamento –
2.1. Na vida de Jesus –
2.2. Na vida de Pedro –
2.3. Na vida de Paulo –
II. A oração na vida de Jesus -
Além dos exemplos acima, onde vimos que Jesus também se envolveu na batalha
espiritual, vemos agora uma série de textos que demonstram o valor que Ele dava à
oração:
1. Mc. 1.35 -
2. Mc. 6.46 -
3. Lc. 6.12 -
4. Lc. 9.18 -
Efésios - estudos expositivos
Prof. Itamir Neves 51
III. A oração na vida de Paulo -
Da mesma forma que Jesus e os outros discípulos dedicaram-se à oração (veja a opção
dos doze em Atos 6. 4), Paulo também reconheceu a importância da oração, na vida
cristã. Os textos abaixo demostram isso:
1. 2Co 13. 7
2. Ef 1.1-14; 3.14-21
3. Cl 1.3, 9-12
4. Fl 1. 4 e 9
5. 1Ts 3.10; 2Ts 1.11
6. 1Tm 2.8
IV. A oração torna-se eficiente quando ela é feita constantemente - 6.18
1. "... com toda oração e súplica..." -
2. "... orando em todo tempo..." -
3. "... orando no Espírito ..." -
4. "... orando e vigiando com toda a perseverança e súplica ..." -
5. "... orando por todos os santos ..."
V. A oração torna-se eficiente quando ela é feita em intercessão - 6.18-20
1. Deus quer intercessores - Is 59.16
2. Um dos aspectos do ministério de Jesus é ser nosso intercessor - Rm 8.34
3. O Espírito Santo é também nosso intercessor - Rm 8.26-27
4. A intercessão deve ser feita pelos proclamadores (Paulo pediu especificamente) - 6.19
5. A intercessão com um objetivo específico - 6.19-20
Conclusão
1. A oração mostra a realidade de que o cristão ainda se encontra no mundo, em meio ao
conflito espiritual, mas embora seja esse um fato verdadeiro e irrefutável, a verdade é
que a oração nos mostra a realidade escatológica.
2. Quando a oração é feita corretamente (em nome de Jesus Cristo e conforme a vontade
de Deus), ela invade os céus e trás as bênção do mundo vindouro para a nossa sofrida
realidade presente.
3. Para obtermos sucesso no conflito espiritual esses princípios devem ser seguidos por
todos que desejam viver vidas cristãs vitoriosas e agradáveis a Deus.

AS CARACTERÍSTICAS DE UM CRISTÃO EXEMPLAR (EF 6.21-22).

Introdução

26
A vida de Tíquico pode servir de modelo para a vida cristã atual. Embora
vivendo em contexto diferente, em circunstâncias diferentes, a vida de Tíquico serve de
estímulo para o nosso viver, tanto em comunidade cristã, quanto em favor dos não
cristãos.
Normalmente quando estudamos os personagens do Novo Testamento
encontramos cristãos que se destacaram de modo a terem seus nomes para sempre
lembrados como exemplos de vidas piedosas, colocadas à serviço do Senhor.
Certamente nos lembramos de Paulo, o apóstolo designado para evangelizar os gentios;
nos lembramos de Pedro, o apóstolo que negou, mas, que foi perdoado por Jesus e
encarregado de apascentar as suas ovelhas; lembramos também de João, o discípulo
amado que foi transformado de “filho do trovão” em apóstolo do amor; e, certamente
nos lembramos de Tiago, apelidado “joelho de camelo” pela pratica da oração; ele o
meio irmão de Jesus, depois de vê-lo ressurreto, e ser convertido, tornou-se o líder da
igreja de Jerusalém.
Certamente nos lembramos também da vida de Filipe, de Estevão, de Barnabé,
de João Marcos, de Lucas, de Silas, de Timóteo, de Tito, enfim de uma série de outros
cristãos que freqüentam qualquer lista de heróis primitivos que viveram
comprometidamente o evangelho testemunhando de Jesus e da sua ressurreição. E,
usando as palavras do autor de Hebreus, podemos nos referir a esses como aqueles
“...dos quais o mundo não era digno... os quais obtiveram bom testemunho por sua fé...”
(Hb 11.38-39).
Mas, vale perguntar: será que foram somente esses os grandes destaques nas
páginas do Novo Testamento? Citamos alguns cristãos que sobressaíram acima dos
demais, mas citamos outros que também foram mencionados e suas histórias foram
preservadas pela prática de vida que tiveram. Mas, será que foram só esses?
Certamente tivemos outros tantos que não foram destacados, mas que também se
tornaram exemplos para todos nós.
Refiro-me a Maria, irmã de Lázaro, me refiro a Dorcas, me refiro a Lídia, me
refiro a Priscila, a Febe, enfim muitos outros cristãos que viveram de modo digno da
vocação a que foram chamados (Ef 4.1).
Dentre esses cristãos que não foram tão destacados, mas que podem servir de
exemplos, de bons exemplos para nós, nas palavras finais do apóstolo Paulo, nessa carta
escrita aos cristãos de Éfeso e de outras comunidades, é citado o nome de Tíquico, um
amado irmão do apóstolo Paulo, um fiel ministro do Senhor, que foi enviado pelo
apóstolo, não apenas como mensageiro e transportador das cartas às igrejas de Éfeso e
Colossos, mas um companheiro fiel que podia consolar os corações daquelas
comunidades levando notícias do apóstolo Paulo e do progresso do evangelho, mesmo
que o apóstolo estivesse preso.
Considerando com atenção para a vida de Tíquico, podemos dizer que:
Mesmo realizando um ministério que aos olhos humanos é de pouca importância
todo cristão deve ser exemplar em suas características de vida.
Nos textos mencionados podemos ver cinco características da vida exemplar que é
usada pelo Senhor:

I – O cristão exemplar caracteriza-se por ser um irmão de fé:


1. Era um irmão gentio, mas, em Cristo superara a barreira que havia para com os
judeus.
2. Era um irmão representante das igrejas gentias que levou as ofertas aos cristãos
judeus.

27
3. Era um irmão interessado nos outros, pois foi com Paulo a Jerusalém, aos
necessitados.
II – O cristão exemplar caracteriza-se por ser amado:
1. Foi companheiro de Paulo na sua primeira prisão em Roma.
2. Foi o portador das cartas de Paulo aos efésios e aos colossenses.
3. Foi um homem de equipe transcultural, pois viajou com irmãos da Ásia, Beréia,
Tessalônica e Derbe.
III – O cristão exemplar caracteriza-se por ser fiel ministro:
1. Como fiel ministro conduziu Onésimo no seu retorno a Colossos e a Filemom.
2. Como fiel ministro transmitiu as notícias sobre a situação de Paulo em Roma.
3. Como fiel ministro sabia que servia ao Senhor e não aos homens.
IV - O cristão exemplar caracteriza-se por ser um transmissor confiável:
1. Foi confiável ao levar as ofertas das igrejas gentias para a igreja de Jerusalém.
2. Foi confiável ao testemunhar de Onésimo, integrando-o na igreja dos colossenses.
3. Foi confiável ao substituir Tito e Timóteo para que pudessem estar com Paulo.
V- O cristão exemplar caracteriza-se por ser um consolador:
1. Levou o consolo aos efésios e aos colossenses ao dar notícias de Paulo.
2. Levou consolo a Tito substituindo-o em Creta para que visitasse Paulo.
3. Levou consolo a Timóteo substituindo-o em Éfeso para que se despedisse de Paulo.
Conclusão:
1. Paulo considerou Tíquico como seu parceiro ministerial, ao chamá-lo de “conservo
no Senhor” (Cl 4.7).
2. Tíquico se destacou como alguém que sem se preocupar com o “estrelato” serviu
conscientemente, cumprindo da melhor maneira as tarefas que lhe foram confiadas.
3. Será que nós temos essa disposição de servir, de substituir, de ficar de fora do foco do
holofote?
Que Deus nos use como cristãos exemplares!

UMA DESPEDIDA ABENÇOADORA (EF. 6.23-24).

“Paz seja com os irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.
A graça seja com todos os que amam sinceramente a nosso Senhor Jesus Cristo”

1. Paulo se despediu dos seus irmãos efésios. Sua missão de esclarecer os pontos
duvidosos, de estabelecer o comportamento correto e de relembrar o papel e a
importância da igreja chegava ao fim, e, então, nas suas últimas palavras ele demonstrou
o seu amor encorajando-os com palavras abençoadoras:
2. Paulo concluiu esta carta não mais mostrando aos efésios e a todos nós o propósito da
igreja e como torná-la relevante no mundo atual, onde temos a nos opor, num constante
conflito espiritual, o inimigo das nossas almas.
3. Ele terminou a sua carta de modo abençoador. Ele relembrou aos efésios o seu desejo
e sua oração de que aqueles irmãos experimentassem a paz, o amor, a fé e a graça que
ao invés de ser dada por algum homem, mesmo que ministro divino, só é dispensada
pela Trindade.
4. É interessante notarmos que na primeira parte da saudação ele menciona a paz. E é
exatamente a paz com Deus e a paz de Deus que foi apresentada durante a carta como a
bênção conseguida que proporcionou a união entre judeus e gentios na família de Deus.

5. Destaca-se também a expressão “todos os que amam sinceramente a nosso Senhor


Jesus Cristo”. Essa afirmação tem como implicação direta o fato de que alguns não

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amam ao Senhor de modo sincero. Talvez, ou certamente, o amem de modo superficial
e hipócrita.
6. Se pretendemos que a igreja atual seja relevante para o homem contemporâneo, se
pretendemos que a igreja atual conclame o homem de hoje para olhar para Jesus Cristo
como a única solução para o seu problema, temos que viver de modo sincero e honesto.
7. Temos que amar sinceramente ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pois só assim
as pessoas poderão constatar que ele, de fato, transforma o nosso interior e pode
transformar a qualquer um que o recebe como Senhor e Salvador.
Sintetizando suas palavras podemos perceber um princípio desafiador para colocarmos
em pratica. Por isso, diante das palavras dessa bênção final, podemos afirmar que:
Toda a comunidade cristã somente será relevante à sua geração ao desenvolver-se sob
as bênçãos divinas.
Neste texto contatamos as cinco bênçãos divinas que tornam uma comunidade cristã
relevante à sua geração:

I – A primeira bênção sob a qual a igreja cristã deve desenvolver-se é a paz:


1. Primeiramente é necessária a paz com Deus – isso ocorre na conversão
2. Depois experimenta-se a paz de Deus – isso ocorre durante a vida cristã mesmo nas
lutas
3. Depois ainda, promove-se a paz entre os homens e Deus – proclamando-se o
evangelho
4. Os relacionamentos entre os irmãos na igreja devem ser harmoniosos e pacíficos.
II – A segunda bênção sob a qual da igreja cristã deve desenvolver-se é o amor:
1. O amor deve ser sacrificial – amamos quando damos de nós mesmos.
2. O amor deve ser prático – deve atingir a necessidade do outro.
3. O amor deve caracterizar os relacionamentos cristãos – este é o novo mandamento
4. O amor cristão deve transbordar para o mundo – através da proclamação do amor
divino.
III – A terceira bênção sob a qual da igreja cristã deve desenvolver-se é a fé:
1. Essa fé ultrapassa a fé salvífica – é a vida cristã vivida através da fé
2. Essa fé evidenciar-se-á na obras – é a fé operosa
3. Essa fé apagará os dardos do maligno – só mantendo o olhar em Cristo vencemos
Satanás
4. Essa fé é parceira do amor – o amor, a fé, e a esperança são inseparáveis.
IV – A quarta bênção sob a qual da igreja cristã deve desenvolver-se é a graça:
1. Graça é a dádiva recebida sem merecimento – é pela graça que somos salvos
2. Graça é o evangelho revelado – Cristo em nós, esperança da glória
3. Graça é o privilégio de sermos capacitados a viver – através dos dons vivemos a vida
cristã
4. Graça que deve ser proclamada aos que não estão na graça.
V – A quinta bênção sob a qual da igreja cristã deve desenvolver-se é amar a Jesus:
1. Retribuindo o grande amor de Deus que nos atingiu através de Cristo – 2.4
2. Conhecendo a largura, o cumprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo –
3.18
3. Porque ele se deu para que houvesse um novo povo, uma igreja santa e pura – 5.2,
25-26
4. Este amor a Jesus deve ser sincero, compromissado, fiel e perseverante – 6.24
Conclusão:
Somente quando a igreja se desenvolve sob essas bênçãos ele se torna:
1. Relevante;

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2. Impactante; e
3. Atraente!
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