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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

DISCIPLINA: HISTÓRIA MEDIEVAL II

O SIGNIFICADO DA IDADE MÉDIA

(Estudo Dirigido)

GRUPO:

 Antônio Renato

 Felipe Nunes

 Paulo Ricardo

 Saulo Álerson

 Telma Jordânia
FRANCO JÚNIOR, Hilário, A Idade média : nascimento do ocidente. São Paulo :
Brasiliense, 1988.

1. Segundo o autor, o que explicaria a maior divulgação da temática


medieval nos dias de hoje?

De acordo com Franco Jr. o que explicaria essa maior divulgação da temática
medieval nos dias de hoje, seria o fato de que a Idade Média é a matriz da civilização
ocidental cristã, segundo suas próprias palavras. E é a partir da segunda metade do
século XX que os exageros denegridores dos séculos XVI e XVII vão ser deixados de
lado e começarão a ser estudados de uma forma menos preconceituosa, onde até então
se tinha a imagem de atraso (em todos os sentidos, mas principalmente no atraso
científico). Dando-se assim uma nova direção aos estudos e pesquisas medievais com
inúmeras publicações “científicas e ficcionais, filmes, discos, exposições, turismo, etc.”
(p. 170).

2. Que se pode dizer hoje quanto à oposição Medievalidade-


Modernidade?

De acordo com o autor, apenas recentemente se passou a negar a pretensa


oposição Medievalidade-Modernidade. Embora ainda seja feita de uma forma mais
tímida, por exemplo, ao negar que algum acontecimento da Idade Moderna tenha se
iniciado na Idade Média, sobretudo ao Renascimento. E ainda hesita-se em admitir que
as estruturas modernas são estruturas medievais. Os quatro principais movimentos
“modernos” que se teve origem na Idade Média mas que se convencionou na Idade
Moderna são: Renascimento, Protestantismo, Descobrimentos e Centralização.

Com o Renascimento que recorreu a modelos culturais clássicos (grego) e que a


Idade Moderna acompanhou; o Protestantismo se deu com a crise religiosa (Católica)
do século XIV; os Descobrimentos se deram graças às técnicas náuticas medievais
(mapas, bússolas, astrolábio, construção naval); e a Centralização Política (todo o poder
em suas mãos) que eram os objetivos dos monarcas medievais.

3. Que relação podemos fazer entre a Idade Média e o Antigo Regime?

A Idade Média foi uma era que durou cerca de dez séculos. É notável que mesmo
após seu fim, ela iria perdurar por mais alguns anos, pelo menos em essência, mas em
uma roupagem moderna.

No Antigo Regime, onde havia uma sociedade estamental, uma monarquia


absolutista e um capitalismo comercial, notam-se raízes da Idade Média. Por tanto,
pode-se dizer que apesar de ocorrer na Idade Moderna, o Antigo Regime era
“essencialmente” da Idade Média. Havia uma grande centralização de poder na mão
do rei, um poder absoluto que superava ao do suserano e os vassalos tornavam-se
súditos. A sociedade estamental moderna prolongava a medieval, diferenciando-se
dela apenas pelo seu peso relativo no terceiro estado, o qual era maior. O capitalismo
comercial representava apenas uma intensificação das atividades mercantis medievais
ampliadas no espaço, na parcela da população envolvida e na diversidade de bens.
Setores como a agricultura, o artesanato, não conheceram mudanças expressivas em
relação aos séculos anteriores.

Mesmo a articulação entre aqueles três elementos que caracterizam o todo


histórico conhecido por Antigo Regime, não era nova. A mecânica do Antigo Regime,
já se encontrava esboçada em fins da Idade Média.

4. Na perspectiva do autor, se olharmos para o Ocidente dos séculos XIX e XX,


que marcas encontraremos da Idade Média?

Novamente, se olharmos para a base sustentadora da Idade Moderna, e não as


novas roupagens ou faces do ocidente dos séculos XIX e XX, encontraremos ainda,
muito da Idade Média.

É preciso apenas observar as características que a civilização ocidental


atualmente se atribui. Democracia no plano político-social, racionalismo no econômico-
científico, universalismo no universal-cultural, são aspectos que tem origens na Idade
Média. É verdade que costuma-se creditar aqueles caracteres a outros momentos
históricos, como a Grécia Clássica e a Modernidade, mas tal atitude, deriva-se do pré-
conceito que existe em relação a Idade Média.

5 - No plano político, que relação se pode fazer entre a democracia ocidental


atual e as realidades medievais?

Segundo o autor a democracia ocidental é muito mais medieval do que grega.


Esta era produto de pequenas cidades-estado, de reduzida população no exercício da
cidadania, o que permitia uma participação direta no processo político decisório. Os
Estados nacionais contemporâneos, de área e população muito maiores, baseiam-se no
esquema contratual e representativo nascido nas monarquias feudais. Sabemos que o
rei feudal tinha um duplo caráter, de soberano e de suserano. O primeiro, de origens
antiquíssimas, atribuía-lhe poderes sagrados, portanto imensos. O segundo, de origem
germânica, implicava uma relação bilateral, com o rei estando subordinado ao direito
consuetudinário do seu povo, e com os vassalos tendo o ''direito de resistência'' no caso
de ele desrespeitar aquela relação.

Um dos aspectos mais importantes das limitações contratuais dos poderes do rei
feudal dizia respeito à cobrança de impostos. Nenhuma taxa, além das estabelecidas
pela tradição, poderia ser cobrada sem o consentimento dos vassalos. Quando o
contexto de fins do século XIII gerou forte necessidade de recursos, o rei se viu
obrigado a criar assembleias para nelas tentar obter consentimento para cobrar novos
tributos. Se de forma geral os séculos XV-XVII com suas guerras nacionais reforçaram o
poder real. Então a resistência ao poder monárquico absolutista centralizou-se nas
assembleias representativas: assim foi na Revolução Inglesa de 1688 e Francesa de 1789.

Desde então, o poder do monarca se viu limitado, prevalecendo a ideia de que


ele governa em nome do povo. Portanto, como é fácil identificar, a concepção dos
bárbaros germânicos influenciados por ela, os juristas medievais ao recuperarem e
interpretarem o direito romano a partir do século XII, destacaram dele o princípio
segundo o qual ''o povo é a fonte da autoridade pública''. Por tudo isso, países de fortes
raízes germânicas puderam se manter monárquicos, e altamente democráticos até hoje:
Inglaterra, Holanda, Bélgica, Suécia.

Como contraprova, temos os países de acentuada formação latina e menos


intensa feudalização, cuja interpretação medieval do direito romano baseava-se no
princípio do ''o desejo do príncipe tem força de lei''. Entende-se assim o terreno por
longo tempo favorável ao autoritarismo, e que no século XX desembocou no fascismo,
no salazarismo e no franquismo.

6. De que modo a Idade Média se liga à superioridade tecnológica, científica


e econômica que o Ocidente tem ostentado, desde o século XVII?

A superioridade tecnológica cientifica e econômica que o mundo ocidental


ostenta claramente, desde o século XVII, é resultante de diversos fatores, a maioria dos
quais de origem medieval. Na base, está à visão racionalista do universo, produto da
conjugação da filosofia grega com a concepção cristã de Deus. Por sua vez, tal
conjugação foi possível ir ao encontro da estrutura mental básica da Idade Média, que
via o universo como uma globalidade. Assim, aceitando a existência de uma unidade
cosmológica, o homem medieval via todas as coisas ligadas entre si.

Na verdade, a tentativa de harmonização da filosofia grega com o Cristianismo


vinha desde os primeiros tempos. Ocorre que a religião cristã ao dessacralizar a
natureza, não mais vista como um conjunto de divindades, trazia em si certa atitude
racionalista. O texto bíblico, ao falar que a realidade invisível de Deus ''tornou-se
inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas'', permite o exercício da
razão filosófica como uma revelação natural da Divindade. Assim, o Deus cristão é
racional como o dos filósofos gregos, porém mais cognoscível. Desta forma, entende-se
por que o mundo muçulmano medieval, apesar de ter conhecido profundamente a
filosofia e a ciência gregas, não desenvolveu uma postura racionalista e cientificista
como o Ocidente Cristão.

Assim, na Idade Média é que foram lançados os fundamentos da futura


superioridade científica ocidental. De fato, não apenas se praticava um racionalismo
teórico, como se começava a perceber a necessidade da experimentação. Este crescente
domínio sobre a natureza e a colocação dela a serviço do homem gerava uma postura
de busca de riqueza que a partir do século XI foi caracterizando cada vez mais a
civilização ocidental.

Por fim, com o racionalismo justificando, o cientificismo possibilitando e o


materialismo tornando necessário, o Ocidente se lançou desde fins da Idade Média a
conquista do mundo.

7. Que tem resultado do crescente domínio da civilização ocidental sobre a


natureza e a colocação dela a serviço do homem?
O crescente domínio sobre a natureza bem como sua colocação a serviço do
homem aponta para uma busca por riqueza que a partir do século XI vai assumindo
parte da característica da civilização ocidental (FRANCO, 2001), o domínio da natureza
possibilita ao homem o acúmulo de bens, e tal visão materialista acaba por ir de
encontro diretamente com os princípios de uma sociedade cristã. Contudo, a existência
de um livre-arbítrio viabiliza perspectivas de análises democráticas no sentido de
congregar as mais diversas reações que vai da exaltação da pobreza de São Francisco à
busca por igualdade em Marx. A justificativa para o incentivo de perspectivas
democráticas está no racionalismo teórico, cujos fundamentos podemos afirmar já
serem praticados e experimentados na Idade Média, por fim, é válido ressaltar que a
prática do racionalismo por sua vez resulta em análises pautadas sob o cientificismo,
dessa maneira vemos a ideia da Idade Média atrelada às trevas, caindo por terra, como
evidencia o autor.

8. Quais as expressões mais fortes da tendência que o Ocidente tem


demonstrado à conquista do mundo?
Algumas expressões que caracterizam a tendência que o Ocidente tem
demonstrado no que se refere à conquista do mundo, giram em torno de ideais
pautados desde o Medievo. Para isso, basta analisarmos o posicionamento dos cristãos
ocidentais que se enquadrando como conhecedores do único e verdadeiro Deus,
racional e criador, se viam no direito de dominar os povos que não o aceitavam.
Hilário Franco, em dada medida compreende que a justificativa tanto as cruzadas
contra os muçulmanos, quanto a conquista da América aos indígenas tiveram por isso
caráter de guerra santa.
“O fardo do homem branco” expressão que vai ser amplamente utilizada,
sobretudo no século XIX, traduz essa tendência que o Ocidente tem demonstrado à
conquista do mundo, na medida em que notamos nesta expressão justificativas que
serão fundamentais para o estabelecimento dos ideais imperialistas, pautados sob a
perspectiva de levar o Deus Cristão e a civilização (representada pelas armas e
máquinas) para os “povos inferiores”.
Por fim, o universalismo ocidental expresso nos espaços em que o Ocidente
alcança se manifesta em dois aspectos desde os dois últimos séculos medievais: a
crença na superioridade dos seus valores e crescentes condições de impô-los a outras
civilizações.
9. Que aspectos podem ser referidos para sustentar a afirmação que a
Idade Média está presente no quotidiano dos povos ocidentais?

A Idade Média, segundo o autor, é a matriz da civilização ocidental cristã. Para


compreender as permanências presentes no quotidiano dos povos ocidentais é preciso
desfazer a oposição entre Medievalidade-Modernidade. Desfeito essa polaridade, o
autor traça diversas características que a sociedade ocidental atualmente se atribui, tais
como, “democracia no plano político-social, racionalismo no econômico-científico,
universalismo no mental-cultural, tem origens medievais” (FRANCO JÚNIOR. 2001, p.
174).

Para Franco Júnior, ao verificarmos os diversos aspectos que compõem a nossa


atual sociedade, os Estados Nacionais contemporâneos nascidos nas monarquias
feudais, vemos a superioridade tecnológica, científica e econômica reivindicada pelo
Ocidente desde o século XVII. Esses e outros elementos resultam de diversos fatores
formulados na Idade Média, e continuam presentes no quotidiano dos povos
ocidentais, ainda que ao longo da história se modificassem nominalmente, apresentam
em sua concepção elementos formulados no período medieval.

10. Como você avalia a posição do autor nesse texto?

Em seu texto, Hilário Franco Júnior pretende reposicionar o lugar dado a Idade
Média na história. Para ele, a longa adjetivação negativa atribuída a Idade Média ao
longo de séculos junto à obsessão pela atualidade do homem contemporâneo
provocaram um esquecimento das suas raízes. O autor resgata inúmeros fatos
históricos significativos que costumeiramente são atribuídos ao período moderno, à
exemplo da formação das cidades-estados, a democracia, a centralização da política, o
desenvolvimento do capitalismo comercial, as descobertas tecnológicas, possuem
características intimamente ligadas ao período medieval.

Por fim, para o autor, esse distanciamento com o passado provocou um mal-estar
social que recolocou a necessidade de olhar a História, sobretudo para a Idade Média.
Para Franco Júnior, a civilização medieval dotava de sentidos a vida do homem,
elemento ausente no mundo contemporâneo onde o plano material se sobrepõe ao
espiritual. A primazia da matéria sobre o espírito provoca, segundo o autor, uma
profunda ausência de sentido na vida do homem contemporâneo, refletidos nas
produções literárias e artísticas.

A argumentação proposta por Hilário Franco Júnior propõe uma ruptura com a
polarização entre a Medievalidade e o Moderno, entendo a história enquanto um
processo de rupturas e permanências. Ao destacar as características da sociedade
medieval presentes no mundo atual, possibilita desconstruirmos algo recorrente
quando exercitarmos posicionar nosso olhar sobre o passado, a prática da não
coetaneidade. Dessa forma, permite-nos uma proximidade maior com nossas raízes
sociais, históricas e culturais.