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RIO DE JANEIRO, 2012.

RESUMO DO LIVRO COMPREENDENDO PIAGET

PULASKI, Mary Ann Spencer. Compreendendo Piaget. Uma introdução ao


desenvolvimento cognitivo da criança. Rio de Janeiro; Editora Zahar, 1983.

OBJETIVO DO LIVRO

Este livro tem como objetivo explicar de forma simplificada a teoria dos estágios do
suíço Jean Piaget, bem como mostrar como o biólogo chegou a estas conclusões.

CAPÍTULO 1 - PIAGET: PERFIL BIBIOGRÁFICO

OBJETIVO DO CAPÍTULO: Introduzir o leitor à teoria de Piaget, mostrando os fatos


que ocorreram na vida pessoal de Piaget que influenciaram esta já citada teoria.

Jean Piaget nasceu em 9 de agosto de 1896, em Neuchâtel, na Suíça, era filho de um


estudioso de História medieval.
Desde pequeno, tornou-se interessado em assuntos complexos, como mecânica,
pássaros, fóssies e conchas do mar.
Publica, precocemente, seu primeiro artigo científico, dissertando sobre um pardal
parcialmente albino que viva em um parque.
Depois disso, pediu que ao diretor do museu de História natural da cidade que
permitesse ajudá-lo nos orários que não estava em aula. Seu desejo foi concedido, e o
diretor incubiu Piaget a rotular a coleção de conchas. Como o diretor era um especialista
em moluscos, ensinou muitas coisas a Piaget sobre esses animais, e cedeu alguns
espécimes dele ao menino.
Quatro anos após isso, o diretor falece, porém Piaget já tinha aprendido o bastante sobre
os molusco, começando assim a publicar seus próprios artigos sobre malacologia. Piaget
segue no ramo da biologia, se forma em Ciências Naturais, e em 1918, ganho o grado de
Doutor, na Universidade de Neuchâtel, pela sua tese em malacologia.
Durante sua adolescência, impulsionado pelo suas extensas leituras de Filosofia,
Religião, Sociologia e Psicologia, decide pesquisar sobre a Biologia do conhecimento.
Ele mesmo disse em sua autobiografia, que " a identificação de Deus com a própria vida
foi uma ideia que me excitou quase ao êxtase, pois agora me era permitido ver na
Biologia a explicação para todas as coisas e para a própria mente".
Interessado em epistemologia, Opos-se ao naturalismo dos gregos antigos e dos
filósofos do século XVII, que diziam que o conhecimento e as ideias eram inatas na
mente do homem"; e do empirismo de Locke, que dizim que "" o bebê era uma "tábua
rasa", e que todo o conhecimento provinha do conhecimento, através dos sentidos. Ele
era interacionista, ou seja, acreditava que o "conhecimento desenvolve-se durante um
longo tempo e lento processo de relacionar novas ideias e atividades às anteriores".
Começou então, a estudar, com o auxílio da Biologia e da Psicologia, a mente humana.
"Sentiu assim quea Psicologia lhe fornecia o elo perdido entre o problema fisiológico da
epistemologia e seu substrato biológico"." Após terminar seus estudos em sua cidade
natal, ele partiu para Zurique, onde trabalhou em dois laboratórios de psicologia e em
uma clínica psiquiátrica. Devido a saúde precária da mente de sua mãe, interessou-se por
psicopatologia e nas teorias de Freud. Mudou-se para Paris em 1919, onde frequentou
cursos de psicopatologia, lógica, epistemologia e filosofia da ciência, onde aprendeu a
fazer entrevistas clínicas.
Desenvolveu então, em conjunto com outros intelectuais, testes de inteligências, onde
testava crianças. Ele percebeu que suas perguntas eram complexas para o raciocínio das
crianças, e começou a se interessar de como se desenvolve o racicínio intelectual nas
criças. " Por que caminhos chegariam as crianças a suas respostas? Que processos de
pensamento distrairiam sua atenção? Que fatores deixariam elas de captar em busca de
soluções? Para responder essas perguntas, Piaget começou a estudar o desenvolvimento
do raciocínio das crianças, através de questionários com problemas de causa e efeito.
Logo, conseguiu material suficiente para publicar artigos sobre o assunto.
Um desses artigos atraiu a atenção de Claparède, que já estudava o desenvolvimento das
crianças. Claparède, então, convidou Piaget para trabalhar como diretor de pesquisas do
Instituto Jacques Rosseau, que chefiava.

CAPÍTULO 2 - UMA TEORIA BIOLÓGICA DO CONHECIMENTO

OBJETIVO DO CAPÍTULO:

Para Piaget, o ser humano se desenvolve contínuamente, desde seu nascimento. Ele,
mesmo começando a fazer pesquisas na área da Epistemologia, nunca abandonou de fato
a Biologia, pois sua teoria está toda embasada em conhecimentos biológicos.
Piaget diz que os organismos podem se adaptar geneticamente a um novo meio, porém,
não compartiljha a teoria de Lamarck, pois ele (Piaget) considera os indivíduos como
organismos ativos e autorreguladores em suas escolhas de meios de atuação. Para Piaget,
a adaptação é um processo dinâmico e contínuo, no qual a estrutura hereditária do
organismo interage com o meio externo de modo a reconstruir-se, com vistas a uma
melhor sobrevivência.
Dessa forma, ele concluiu que o conhecimento é uma relação evolutiva entre a criança e
seu meio. A criança reconstrói suas ideias e suas ações em relação a novas experiências
ambientais, adaptando-se aos modos adultos a mesa, por exemplo.
Nesse processo de adaptação, em algumas idades, estruturas ou organizações de ação ou
pensamentos característicos, Piaget denomina estágios.
A adaptaçõ é a essência do funcionamento biológico. A organização é a habilidade de
integrar as estruturas físicas e psicológicas em sistemas coerentes. A adaptação acontece
através da organização.
A assimilação é o processo de entrada das percepções do meios, as sensações das
experiências. É o processo pelo qual as coisas, pessoas, ideias, costumes e preferências
são incorporadas à atividade de um indivíduo. Por exemplo, ouvindo as pessoas falarem
ao seu redor, a criança aprende as inflexões, a construção das frases, antes mesmo dela
própria ser capaz de falar. A criança está assimilando tudo o que ouve gradualmente e
transformando-o em algo seu.
Esta assimilação é balanceada pela acomodação, que é o processo ajustador de saída,
que consiste em dirigir-se para o meio. A criança pode falar "papá" ao invez de papai,
mas com o tempo, acomoda os sons que emite aos sons que ouve. A assimilação e a
acomodação são processos que ocorrem simultaneamente.
Assim, enquanto funciona adaptamente, o bebê se desenvolve intelectualmente, está
organizando suas novas experiências de uma nova maneira, diferenciando, integrando e
categorizando.
"Equilibração". É o cerne da teoria Piagetiana do desenvolvimento cognitivo. Sua
função é produzir uma coordenação balanceada entre a assimilação e a acomodação. O
desenvolvimento é uma equilibração progressiva a partir de um estado inferior até um
estado mais elevado de equilíbrio. A mente visa compreender e explicar em todos os
níveis cognitivos, mas as explicações vagas e incoerentes da infância estão muito
distantes da riqueza e flexibilidade do pensamento adulto. É a busca do equilíbrio e de
respostas satisfatórias que impulsionam a mente em direções a níveis mais elevados de
pensamento.
Mas estando o organismo em equilíbrio, o que o transtorna? O que estimularia a criança
a conseguir estágios mais elevados do desenvolvimento cognitivo?
Uma criança não é capaz de pensar como um adulto porque ainda não dispõe das
estruturas lógicas, das organizações de pensamento e dos métodos de pensamento e
raciocínios que lhe permitiram lidar com problemas adultos. Essa é a razão pela qual não
se pode ensinar cálculo a uma criança de cinco anos, diz Piaget, ela simplesmente não
dispõe de das estruturas para assimilá-lo. Entretanto, á medida que cresce e se dá a
maturação, sua mente se torna cada vez mais alerta e ativa, ou seja, competente.
A experiência é importante no desenvolvimento cognitivo. Com essas experiências, se
constrói dois tipos de conhecimentos:o físico (que provém sobre o agir sobre objetos e
observar como eles reagem) e o lógico-matemático (construção de relações entre objetos,
mais alto, mais baixo, mais largo, menos leve etc). Por isso deve-se permitir às crianças
que façam sua própria aprendizagem. Os pensamentos ou as operações mentais emergem
de ações motoras e experiências sensoriais que são interiorizadas
Transmissão social: Informações aprendidas com outras crianças ou transmitidas pelos
pais, professores ou livros no processo de Educação. Quando uma criança ouve
afirmações contraditórias ou desafiadoras, ao seu equilíbrio cognitivo, surge o conflito
cognitivo, um estado de equilíbrio pertubado. Quando o organismo é colocado em um
estado de conflito cognitivo, ele busca uma solução até atingir um novo equilíbrio mais
elevado.
Processo de equilibração. Coordena e regula os outros três fatores e faz surgir estados
progressivos de equilíbrio. "O processo de enfrentar esses conflitos, pertubações ou
desequilíbrios é o processo autorregulador de equilibração."

CAPÍTULO 3 - OS PRIMORDIOS DA INTELIGÊNCIA

OBJETIVO DO CAPÍTULO: Falar sobre a teoria do desenvolvimento cognitivo com


bebês (0 a 2 anos).

Os bebês "ganham vida" quando se lê Piaget. Este está a cada dia, utilizando e
desenvolvendo a sua inteligência para adptar-se ao mundo . "Contudo, embora o
funcionamento inteligente seja constante e não se modifique, as estruturas através das
quais ele se manifeste sofre mudanças".
"O bebê lida com o meio através dos sentidos e da coordenação motora, enquanto a
criança de idade escolar lida com ele principalmente através do pensamento. Mesmo que
ainda se utilize as sensações e as ações, ela as organiza em sua mente, de modo que a
relação com o mundo é primeiramente mental e não física."
Sobre as críticas que a teoria de Piaget recebeu no que tange o número de estágios do
desenvolvimento e a idade em que cada um destes estágios se manifesta, Pulaski diz o
seguinte: "O ponto mais importante não é as crinaças exibirem certas estruturas em
idades específicas, mas sim que os estágios de desenvolvimento evoluem em uma
sequência ampla e contínua. Cada estágio emeerge daquele que o precedeu, através de
uma reorganização do que aconteceu antes. Cada estágio engloba e reintegra, de modo
mais elevado, o anterior; é como um edifício que se torna mais sólido a cada acréscimo."
Essa é a principal característica da teoria de Piaget
O própriom Piaget admite que, a questão cultura pode modificar a idade que se
manifestam cada estágio do desenvolvimento cognitivo. Quando pesquisas mostraram
que crianças moradoras de uma ilha do Caribe tinham um retardo de até quatro anos no
atingimento de diferentes estágios, ele explicou que esse fato se explica por aquela ser
"uma civilização tropical muito reposante de uma civilização tropical muito repousante,
simples e não-desafiadora."
Piaget denomina período sensório-motor a esse preíodo mais primitivo do
desenvolvimento cognitivo porque as primeiras manifestações do bebê aparecem em suas
percepções sensoriais e em suas atividades motoras.
Primeiramente, o bebê está "trancafiado no egocentrismo", ou seja, não tem consciência
de qualquer outra coisa além dele mesmo, por não ter ideia do mundo a sua volta, ele não
pode diferenciar-se dele. Vem ao mundo com poucas heranças biológicas, a saber, os
reflexos neonatais (agarrar, sugar etc.). Ele não precisa os aprender, pois já nasceu com
eles. Esse é o primeiro estágio de seu desenvolvimento
Ele, em sua fase oral, quando primeiramente por acidente colocasua mão naboca, tende
a colocar tudo que tem na mão na boca, é dessa forma que primeiramente ele descobre o
mundo. Piaget diz: "O mundo pe primeiramente um coisa para se sugar". Esse evento
(levar a mão à boca) marca a transição entre o estágio dos reflexos hereditários para o
estágio das adaptações adquiridas (um a quatro meses).
O bebê, mesmo aparentemente parado e desinteressado, está sempre alerta. Como a
rotina de sucção já está bem desenvolvida, começa a ter mais liberdade para olhar e ouvir.
Só neste estágio que ele consegue perceber que suas máos estão ligadas a ele, portanto "já
não é a boca que busca a mão, mas a mão que procura alcançar a boca".
No terceiro estágio (de quatro a oito meses), o bebê já está relativamente familiarizado
com seu corpo, o que lhe permite dar mais atenção ao ambiente ao seu redor. Começa a
procura experiências novas, batendo contra laguma coisa, procurandomprovocar um
ruído ou algo novo, repetindo sempre a experiência. É o que Piaget chama de
"procedimento para prolongar os espetáculos interessantes", que são o primeiro passo
para o bebê acomodar-se ao mundo externo. Ele busca então, reações circulares, ou seja,
ações produzidas pelo bebê que que produz reações (sons, movimentos etc.), que
novamente ativam a ação original. O bebê começa a acomodar seus movimentos a fim de
repetir respostas que consideram nova ou interessante. Porém, tem dificuldades em
coodernanar seus esquemas sensoriais, como a visão e a capacidade de preensão, têm
dificuldades de utilizá-los em conjunto.
O quato estágio (de oito a doze meses) caracteriza pela chamada emeergência do
comportamento intecnional, ou seja, torna-se capaz de mudar parcialmete o ambiente,
mudando de lugar pequenos objetos, empurrando ou pondo a mão um adulto a fim de
pedir que este mude algo de lugar, a fim de conseguir um objeto ou uma situação. Ele
ainda não desenvolveu o chamado sentido de permanência dos objetos, ou seja, "não sabe
que os objetos existem no ambiente, mesmo quando ele não os vê. "Só gradualmente,
após vários meses de experiências com objetos que oscilam, caem ou rolam para fora do
campo visual, a criança procura por ele, indicando saber que existem. Nesse estágio
também, os bebês também começam a prever acontecimentos e a reagir a sinais, como o
som da voz da mãe, mesmo quando esta não é vista. As brincadeiras de esconde-esconde
tornam-se então uma fonte de infalível deleite, devido ao reaparecimento do objeto
oculto, mas esperado. Essas atividades desenvolvem a previsão e ajudam a firmar na
criança a noção da permanência do objeto, que é uma das conquistas fundamentais do
período sensório-motor. Essa percepção de permanência do objetos é essencial à
aprendizagem posterior; reduz o egocentrismo da criança, permitindo-lhe descriminar
entre ela própria e a realidade externa, que existe indepedentemente dela."
No quinto estágio (doze a dezoito meses), verificamos o chamado tateamento orientado,
aonde o bebê experimenta situações, fazendo ações para poder observar seus resultados,
ou seja, age para ver o que acontece. Começa também a aprender a usar novos meios para
atingir um fim.
No sexto estágio (dezoito a vinte e quatro meses), o bebê começa a fazer esse
tateamento mentamente. A ação começa a ser interiorizada, ou seja, através de imagens e
simples, a criança começa a representar para si a maneira como faria algo, sem fazê-lo,
até alcançar uma solução satisfatória. Representa motoramente para si mesma, uma ação
que está em sua mente.
Nesses seis estágios, o bebê evolui de um indivíduo biológico para um indivíduo social.
Em suma, ele elabora a ideia de permanência dos objetos, a noção primitiva de
causalidade (toda ação tem uma consequencia).

CAPÍTULO 4 - VISÃO GERAL DO DESENVOLVIMENTO

OBJETIVO DO CAPÍTULO - Dar ao leitor uma medida do alcance e da direção da


teoria cognitiva de Piaget.

Piaget enfatiza que o desenvolvimento cognitivo ocorre através da necessidade do ser se


adaptar ao meio. O bebê se adapta ao mundo através de ações, o quê Piaget denomina
"inteligência prática". Esse período onde o bêbe reconhece o mundo e se adapta a este
através das suas ações físicas e pela sua sensibiliade sensorial, Pieaget chama de período
"sensório-motor", período que, segundo ele, vai do nascimento até os dois anos de idade.
Conforme o tempo passa, o bebê começa a interiozar suas experiências com imagens
mentais, que são a base da memória e também, das operações mentais.
É interessante ressaltar que, para Piaget, operações mentais são, de uma forma bem
simplória, ações feitas na mente ao, de serem feitas em meio físico. "Mas o termo
operações implica uma necessidade lógica; para quele que conhece, é lógico e irrefutável
que 2 mais 2 são quatro. as operações também são reversíveis: 4 menos 2 reverte ao 2
original. Além disso, as operações são dissociadas de conteúdos específicos. O símbolo
"2" representa dois de alguma coisa, mas não de qualquer coisa em particular. O termo
operacional se aplica ao pensamento que tem essas características".
Passando pelo período sensório-motor, a criança começa a lidar com símbolos (ou seja,
atuar em nível simbólico). Seus símbolos incluem imagens mentais, desenhos, sonhos,
símbolos do faz-de-contas, gestos e linguagem, podemdo estes, substuir as atividades
sensório-motoras da primeira infância: em vez de pegar a criança pode pedir coisas, em
vez de olhar para a mãe, a criança pode visualizá-la na mente. Para Piaget o jogo mais
importante é o "jogo de faz-de -contas", onde a criança pode personificar papéis e ideias
do mundo em que vive.
"O pensamento da criança pré-escolar ainda é vago e confuso. Lentamente, ela trabalha
por construir seu caminho em direção a ideias um pouco mais lógicas do mundo, a que
Piaget denomina semilógicas. Esse período, que vai desde aproximadamente dois anos
até os seis e meio ou sete anos, é chamado de pré-operacional, pois a criança ainda não
atingiu as verdadeiras operações.
Quando a criança atinge a idade de seis ou sete anos, ela começa a formular operações
mentais verdadeiras, que percebe como irrefutáveis e logicamente necessárias. Agora, a
crainaça e capaz de seriar, ampliar, subdividir, diferenciar ou combinar as estruturas
existentes em novas relações. Pode efetuar as quatro operações matemáticas e de adição
e seu reverso, a subtração, e de multiplicação e seu reverso, a divisão. Mas seu raciocínio
continua limitado por sua própria experiência concreta; ainda não é capaz de lidar com
abstrações puras, sob a forma de inferências e hipóteses. Assim, Piaget chama a esse
período, que vai dos sete até aproximadamente 11 ou 12 anos de idade de período das
operações concretas.
Finalmente, no início da adolescência, chegamos ao último nível do desenvolvimento
cognitivo, aonde o jovem começa a operar com operações, ou seja, pode pensar o
pensamento e as ideias, assim como as coisas concretas. As operações formais são,
portanto, operações mentais elevadas a segunda potência.
Nesse estágio, o adolescente é capaz de considerar hipóteses e de imaginar o que
seguirá caso elas sejam verdadeiras. Pode seguir a forma do raciocínio ao mesmo tempo
em que ignora seu conteúdo, razão pela qual as operações desse período são denominadas
formais, onde se pode lidar com conceitos puramente hipotéticos.
A teoria de Piaget, portanto, aponta que a cada nível que progredimos, as conquistas e
características dos outros peíodos são incorporadas e reestruturadas ao nosso novo
período cognitivo, funcionando de uma forma diferente, mis organizada e complexa.
Para Piaget, as pessoas que chegam ao mais alto nível operacional são as que elaboram
estruturas atômicas , projetam computadores ou planejam explorações espaciais, ou seja,
pessoa que agem apenas com sua capacidade dedutiva e racional, pois não trabalham com
algo palpável, que pode ser visto ou analisado fisicamente.

CAPÍTULO 5 - CONSERVAÇÃO E IDENTIDADE

OBJETIVO DO CAPÍTULO - Explicar ao leitor os conceitos de conservação e


identidade na teroria Piagetiana.

Para demonstrar como seres humanos em diferentes estágios cognitivos resolvem


problemas utilizando meior racionais diferentes, Piaget projetou diversas experiências.
Em uma delas, toma duas bolas de argila, certificando que a criança experimentada, que
tem menos de sete anos (ou seja, está no período pré-operacional), concorda que ambas
são iguais, ou seja, tem a mesma quantidade de massa.
Feito isso, ele pega uma das bolas a enrola, transformando-a em um objeto de
geometria semelhanda a uma salsicha grossa. Ele então pergunta a criança qual tem mais
massa. As crianças com idade menor de sete anos, afirmam que a "salsicha" tem mais
massa, por ter a aparência longa. Feito isso, Piaget volta a tranformar a "salsicha" em
uma bola, igual a que esta era anteriormente, sendo que toda essa ação é feita na frente da
criança que observa a ação. Feito o ato descrito, é refeita a pergunra, onde espera-se obter
da criança a resposta de qual das duas bolas tem mais massa. A criança pré-operacinal
tende a dizer que ambas tem a mesma quantidade de massa, porém ignora o fato de ter
dito que uma das bolas tinha menos massa quando tinha uma geometria diferente.
Piaget explica esse fato afirmando que a criança pré-operacional ainda não alcançou a
ideia de conservação e identidade. Conservação é a capacidade de compreender que
certos atributos de um objeto são constantes, ainda que estes tenham a aparência
transformada. Conceito semelhante a conservação é a reversibilidade, que é a capacidade
da criança acompanhar uma série de transformações e invertê-las, percebendo que a
indentidade do objeto transformado não se modificou.
Em outras palavras, a bola de argila mudou de formato, mas pode retornar a ser o que
era (reversibilidade) sem deixar de ser a mesma bola de argila (identidade).
Outra explicação que Piaget dá para explicar a resposta equivicada das crianças é que a
crianças pré-operacional ainda é muito centrada, ou seja, tem um poder de raciocínio
limitado, pouco flexível, literalmente centralizado em seu egocêntrismo e sua visão ainda
limitada do mundo. Ao ver que a "salsicha" é mais longa do que a bola de argila, sua
centração o obriga a classificar o objeto mais longo como o que tem a maior quantidade
de massa. Conforme esta evolui cognitivamente, ela percebe que, sim, realmente a
"salsicha" é mais longa, porém também é mais fina do que a bola de argila, ou seja o que
perde em comprimento perde em espessura (compensação), e ainda, ela pode perceber
que a "salsicha" ainda é a mesma coisa, pois nada foi acrescentado ou retirado
(identidade), ou seja, ele descentrou, seu pensamento é mais flexível e complexo.
O livro mostra ainda outras experiências que Piaget desenvolveu para o mesmo fim,
como por exemplo, a famosa experiência da mesma quantidade de água derramada sobre
recipientes de geometria diferentes, dando a ideia para a criança pré-operacional de que
aonde a água atinge um nível mais elevado (ou seja, em recipientes altos, porém não
largos, como copos) teriam maior quantidade de água do que em recipientes baixos,
porém largos, como bacias ou pratos. Não irei entrar em detalhes nestas porque os
resultados são o smesmo que analisasmos na experiência das bolas e salsichas de argila.
A compreensção dos conceitos de conservação, identidade, resersibilidade e
compensação são obrigatórios para qualquer um que deseja conhecer a teoria de Piaget.
Conforme os estágios de desenvolvimento vão se tornando mais complexos, o indivíduo
ganha uma capacidade maior de interiorizar esses conceitos, ganhando uma capacidade
de racicínio mais lógica e dedutível.

CAPÍTULO 6 - A CRIANÇA PRÉ-OPERACIONAL


OBJETIVO DO CAPÍTULO - Mostrar ao leitor as características desse lindo estágio do
desenvolvimento cognitivo, o meu preferido, a saber , o pré-operacional.

Piaget era um psicólogo que tentava compreender não apenas o que as crianças
pequenas dizem, mas também, porque o dizem. Para tal, formulou mais de 600 perguntas
para serem feitas para crianças de 4 a 9 anos. Entre essas perguntas estão as seguintes:
"Porque só tem ondas na margem dos lagos?", "Porque as borboletas morrem tão
depressa?", "Porque você vai embora?", "Porque a gente vê o relâmpago melhor de
noite?", entre outras.
"Vimos como o bebê, no seu período-sensório motor, abre mão do seu ponto de vista
egocêntrico no plano físico à medida que toma consciência da permanência dos objetos e
das pessoas ao seu redor. No nível mental, contudo, ainda será preciso muito tempo para
que ela desita de seu egocentrismo. as novas experiências, palavras e problemas são
assimilados a seu fundo muito limitado de informações. Assim, a criança só pode
interpretaá-los em termos de suas próprias experiências, necessidades e desejos. Durante
o longo período da primeira infância, ela foi cuidada e suas necessidades foram
antecipadas como que magicamente. Será de estranhar, portanto, que os pensamentos da
criança pequena sejam coloridos pela mágica e pelo egocentrismo?"
A suposição de que o mundo fora criado para ela revela esse egocentrismo. Piaget
descobriu isso através de seu método de questionamento. Por exemplo, para reafirmar o
egocentrimos das crianças, Piaget pusera-se de joelhos para jogar bola de gude com os
pequenos.
"Aí surgem as perguntas: as pessoas sempre jogavam como agora? De onde vê as
regras? Quem as faz? Você pode fazer suas próprias regras? O que é "jogar limpo"? E
assim por diante, desde os problemas de punição até o desenvolvimento da ideia de
justiça." Piaget tinha uma sensibilidade que o permitia não tentar modificar, mas sim
entender e aceitar o ponto de vista das crianças. Aí está a revolução na teoria de Piaget.
"O egocentrismo da criança pequena a leva a pressumir que todos pensam da mesma
forma que ela e que o mundo inteiro compartilha de seus sentimentos e desejos. Esse
sentimento de unicidade com o mundo conduz, naturalmente, à pressuposição infantil da
onipotência mágica; é uma extensão de seu poder, enquanto bebê, de levar os adultos
apanhá-lo e cuidar dele. Não só o mundo é criado para a criança: ela pode controlá-lo. O
sol e a lua devem seguí-la enquanto ela sai para um passeio, ou ela pode fazer chover
dançando em círculos."
"Outra característica do egocentrismo da criança é sua capacidae de colocar-se na
posição de outra pessoa. Isso se torna evidente tanto no nível físico quanto no intelectual.
A criança que aprendeu que qual é o seu lado direito e qual o esquerdo não é capaz de
identificar as mesmas posições em uma pessoa que esteja de frente para ela. Não
consegue descrever como uma paisagem ou uma disposição topológica se afigura para
uma pessoa que esteja olhando de outro ângulo."
"Da mesma forma, a criança tem dificuldade de compreender o ponto de vista
intelectual ou emocional de outra pessoa. Conclui-se que é o egocentrismo, e não a
peversidade moral, que leva a criança a importunar sua mãe quando ela lhe diz que está
com dor de cabeça."
Outra característica linda e inspiradora do período sensório-motor é o anismo, aonde
objetos, astros celestes, animais, a natureza ou qualquer ser inanimado pode ter vida e se
relacionar com a criança. "A criança acredita que o mundo da natureza é vivo, consciente
e dotado de objetivos, da mesma forma que ela. Isso surge porque a criança, não tendo
consciência de si mesma, se funde com o universo." Cito como outra característica "fofa"
do período pré-operacional, o artificialismo, ou seja a tendência das crianças pensarem
que os seres humanos criam os fenômenos da natureza.
O realismo é também, uma característica deveras interessante. Este se verifica quando a
criança transforma coisas abstratas, como palavras, sonhos ou sentimentos, em coisas tão
reais como brinquedos, roupas ou qualquer outra coisa palpável. A criança acredita que o
que é real para ela deve existir objetivamente. "Os nomes, por exemplo, são reais e
existem como parte da coisa nomeada A criança pequena não consegue imaginar que lhe
pudesse ter sidodado um outro nome". É como se o nome fizesse parte dela.
"O raciocínio da criança pré-operacional não se baseia na lógica e sim na contiguidade.
A isso, Piaget denomina raciocínio sincrético. Presume-se que os objetos e
acontecimentos que ocorrem juntos tenhamuma relação causal. A estrada faz com que a
bicicleta ande; ao criar uma sombra, pode-se fazer a noite chegar. O trovão faz chover, e
tocar a buzina faz com que os carros se movam. Estreitamente ligada a esse tipo de
raciocínio está a formação de associações entre coisas sem qualquer vínculo lógico,
simplesmente porque, para a criança, elas parecem vir juntas."
"Juntamente com o desenvolvimento das funções simbólicas, a elaboração da ideia de
conservação é uma tarefa fundamental no período pré-operacional." Porém o pensamento
da criança pré-operacional ainda e rígido , imóvel e muito concreto, em comparação com
o pensamento operativo, que é dinâmico, que se ralaciona com transformações e se centra
em ações, quer sejam internas (operações) ou externas )sensório-motoras). Esses
diferentes aspectos do pensamento existem lado a lado, porém nunca em isolamento,
porque alguns aspectos operativos estão presentes em todo o conhecimento.
Piaget divide o período pré-operacional em dois estágios. O primeiro é o pré-conceitual,
que começa aos dois e vai até os quatro anos. Nesse estágio, impera a generalização. "Um
homem é papai, logo, todos os homens são são chamados de Papai".
Na segunda metade do período pré-operacional, temos o estágio intuitivo. Aqui temos
uma conversa entre Piaget e sua filha, Jacqueline, que tinha seis anos, sete mesese e nove
dias na época da conversa:

Aos 6;7(9): "As gralhas estão com medo de nós. Estão voando para longe. - É. - Mas os
melros não têm medo. - Não. -Eles são da mesma família, os melros e as gralhas, então
porque estão com medo, se são da mesma família?"

"Aqui Jacqueline estava raciocinando intuitivamente, no sentido de que o que se aplica


a uma espécie de pássaros deveria aplicar-se a outra, a despeito de quaisquer outras
características. Já que os dois pássaros eram negros, ambos deveriam ter sentido medo -
uma conclusão pré-lógica, para usarmos os termos de Piaget para esse estágio. Piaget
também o denomina de estágio intuitivo por faltr-lhe o caráter estável e reversível do
verdadeiro pensamento operacional. O raciocínio aninda é simbólico, baseado mais na
intuição subjetiva do que na lógica objetiva."

CAPÍTULO 7 - OPERAÇÕES CONCRETAS


OBJETIVO DO CAPÍTULO - Mostrar ao leitor as características do estágio das
Operações concretas.

O estágio das operações concretas (que, em média, começa nos sete e vai até os doze
anos) se carcteriza pela capacidade de raciocinar logicamente, organizar os pensamentos
em estruturas coerentes e totais e dispô-los em relações hierarquicas ou sequências.
No período pré-operacional, predomina o equilíbrio. O pensamento da criança é
inflexivel, o que torna suas ideias equivocadas sobre a realidade inquestionáveis. Porém,
quando ela evolui em direção ao estágio das operações concretas, o que predomina é o
desequilíbrio.
"A criança começa a ensaiar as respostas certas com base na intuição, mas não na
convicção lógica. Finalmente, contudo, torna-se capaz de lidar com todos os fatores
envolvidos. Observa o comprimeito e a espessura da salsicha e o modo como um
compensa o outro. Observa também que ela pode transformar-se novamente em uma bola
e que, qualquer que seja o formato assumido, ainda "é amesma". Quando indagada,
"Porque você diz que é o mesmo? Como sabe?", dá um ou mais dos argumentos acima,
ou talzes apenas encare fixamente o adulto que lhe propõe questões tolas e evidentes!
Essa criança, diz Piaget, terá formado uma estrutura total, coordenanda e reversível do
pensamento, que está bem organizado e estavelmente equilibrado. Esse é o marco de uma
verdadeira operação concreta. É elaborado pela criança ao longo de suas atividades e
observações de objetos concretos. Ninguém lhe ensinou a ideia de conservação 9nem
poderia ela ser ensinada, exceto de modo muito limitado), logo, de onde terá provindo?
Veio da criança, afirma Piaget, da inteiração de sua mente em desenvolvimento com os
objetos em seu ambiente.
Uma conquista extremamente importante é a conquista da capacidade retrospectiva e
prospectivamente no tempo. A criança também, não depende mais do seu sistema
sensório-motor para chegar à conclusões lógicas: " Se lhe mostrarmos um bastão A mais
longo do que um bastão B e depois um bastão C mais curto do que bastão B, ela deduzirá
que A deve ser logicamente mais longo do que C, sem precisar vê-los ou compará-los em
um nível sensório-motor".

CAPÍTULO 8 - OPERAÇÕES FORMAIS

OBJETIVO DO CAPÍTULO - Mostrar ao leitor as características do estágio das


Operações formais.

"Piaget emprega a expressão raciocínio hipotético-dedutivo para descrever as operações


mentais dos adolescentes e adultos. Essas operações são descritas como como formais,
pois são baseadas nas formas de uma preposição, em constraste com as operações
concretas do pré-adolescente, baseadas na realidade existente. Por raciocínio hipotético-
dedutivo, Piaget se refere ao raciocínio baseado em uma hipótese que leva a certas
deduções lógicas. Essa hipótese pode existir apenas na forma da proposição dada (por
exemplo: o que aconteceria se ninguém morresse?), ou pode implicar conclusões
passíveis de de verificação na realidade concreta. Foi a elaboração dessas hipóteses que
tornou possível ao homem o pouso na lua. Os feitos dos cientistas que explodiram
bombas de hidrogênio e dominaram a energia do átomo são exemplos dos resultados
desse raciocínio. Ninguém jamais viu os átomos ou as partículas elétricas; não obstante,
os extraordinários progressos da teoria nuclear vêm-se tornando parte de nossa vida
cotidiana."
"A criança de sete a 11 anos é capaz de lidar com a lógica das classes e relações. Ela
compreende as relações de classes dentro de classes e pode dispor os objetos e
acontecimentos em uma ordenação seriada. Isso foi denominado "racicónio descritivo",
lidando com fatos concretos em um mundo real e visível. Mas o adolescente é capaz de
um raciocínio inferencial, ou do que Piaget denomina "operações de segundo grau ou
elevadas à segunda potência". Com isso ele se refere aos pensamentos acerca de
proposições, e não acerca das coisas que têm existência real. O adolescente pode não
apenas fazer deduções a partir de hipóteses (proposições do tipo "se...então..."), mas
também levar em conta todas as combinações possíveis de fatores ou relações,
organizando-as em um sistema combinatório. Pode estudar uma variável enquanto
mantém constantes as demais, assim, excecutando experimentos multifatoriais
complexos."
"Seu conhecimento do problema pode ser puramente hipotético, mas, a despeito disso, é
capaz de elaborá-lo até sua conclusão lógica. Os exemplos desse tipo de raciocínio
incluem problemas de Matemática ou Química, ou experimentos que manipulam diversas
variáveis de modo sistemático, levando em conta todas as permutações e combinações
possíveis."

CAPÍTULO 9 - A IMITAÇÃO EO O JOGO

OBJETIVO DO CAPÍTULO: Mostrar como a imitação e o jogo evoluem durante o


crescimento da criança, bem como mostrar a importância destes para o desenvolvimento
do indivíduo.

Já foi comprovado que a imitação está presente mesmo em recém-nascidos, que piscam
os olhos, abrem a boca e mostram a língua para imitar os adultos. Até mesmo a criança,
quando ouve o pranto de outras crianças, na encubadora por exemplo, tende a imitá-las
produzindo choro. Piaget notou que quando fingia choramingos para seu filho recém-
nascido, este imediatamente se punha a chorar; porém quando Piaget fazia quanquer
outro som, o bebê não imitava.
"Piaget atribui esse fenômeno tão comumente observado a um reflexo vocal,
desencadeado pelo choro dos demais bebês. Isso explicaria porque seu filho não reagiu
aos outros sons, mas apenas ao choro, pois em seu estado de egocentrismo infantil, não
podia se distinguir de seu próprio pranto. Esse comportamento corresponde ao do
primeiro estágio do desenvolvimento da inteligência, que se caracteriza pelos reflexos
neonatais, sem qualquer consciência da distinção entre o próprio self e a realidade
externa."
Na vida sensório-motora do bebê, a imitação vai evoluindo: do choro, a criança já
começa a imitar ações, quando o modelo pode se assimilado a um padrão
comportamental sensório-motor já formado. "Piaget concluiu que a criança pode aprender
a imitar novos padrões de comportamento motor se praticados onde possa vê-los com
clareza. Esse ponto levanta a questão de como é possível a tantos bebês aprenderem a
ascenar o "adeusinho", quando essa é para eles uma ação sem sentido, que não podem
observar-se desempenhando. Piaget admite que é possível treinar os bebês para que
façam "todos os tipos de truques", mas chama isso de pseudo-imitação e não uma
imitação verdadeira." Pseudo-imitação, pra Piaget, seria uma imitção que, se não tivesse
constante estímulo, o comportamento seria esquecido. Esse é o primeiro estágio da
imitação.
Por volta dos oito meses, a criança já imita os movimentos já familiares porém não
visíveis para ele, caso tenha um modelo adulto . Começa também a imitar sons e gestos
que lhe são novos. A criança parte de uma imitação que é uma continuidade de si mesma
para começar a imitar modelos exteriores a seu self.
A terceita etapa da imitação em bebês ocorre com a criança que tem de um ano a um
ano e meio. Ela agora não mais imita padrões familiares, mas também modifica-os e testa
novas possibilidades, como por exemplo a filha de Piaget, que inverteu o lápis para ver se
conserguia escrever com a ponta para cima.
O próximo estágio da imitação no sensório-motor é o estágio da imitação adiada,
quando a criança verifica algo em um dia, porém só o imita posteriormente, "revelando
indícios da presença de uma línguagem mental de eventos passados."
A imitação e o jogo, para Piaget, são importantíssimos para o desenvolvimento da
criança." Na imitação, a criança parece fazer um esforço sério para acomodar-se a objetos
e à atividades novas. No jogo, assimila os objetos e atividades à sua própria sastisfação.
"Só de brincadeira", constrói castelos de areia ou finge voar como o Super-homem. Essa
atividade "já não é um esforço de aprendizagem, mas apenas uma demonstração alegre de
ações conhecidas."
"O quinto estágio, a criança tipicamente varia os padrões conhecidos de
comportamento, a fim de obersevar os diferentes resultados. Diz Piaget: "Ocorre com
frequência à criança combinar por acaso gestos não-relacionados, sem que haja uma
tentativa real de experimetar e, subsequentemente, ela repete esses gestos como um ritual,
fazendo com eles um jogo motor. Esses comportamentos são criosos, no dizer de Piaget,
no sentido de não serem adaptados a circunstâncias externas. Tais rituais infantis se
fundamentam não em um sentimento de compulsão (como de crianças mais velhas,
quando evitam fendas na calçada ou batem em todos os corrimões por onde passam), mas
no prazer do autoentretenimento. Na medida em que ultrapassa a necessidade de
adaptação, esse jogo é visto como uma "função de assimilação"."
No sexto estágio, Piaget descreve a emergência do simbolismo lúdico, termo que utiliza
para definir os jogos infantis do "faz-de-conta", em que um bastão se torna um revólver
ou uma espiga de milho representa uma bonequinha. Para a criança, o estímulo imediato,
seja ele um bastão ou uma espiga de milho, é o símbolo lúdico do revólver ou da boneca
em que está pensando. Assim, o faz-de-conta infantil estimula o desenvolvimento do
pensamento sobre os objetos não-existentes representados por esses símbolos.
Assim, desde o início do segundo ano de vida, Piaget discerne os jogos de "faz-de-
conta", "característicos do símbolo lídico, em contraposição aos simples jogos motores".
Eles também se diferenciam da imitação, no sentido de que a função da imitação é copiar
ou acomodar-s aos objetos da realidade, ao passo que a função da atividade lúsica ou
simbólica é distorcer os objetos da realidade para adequá-los à fantasia da criança. A
imitação (baseada na acomodação à realidade) e o jogo (baseado na asimilação da
realidade ao pensamento privado e egocêntrico), representam, portanto, os extremos das
duas funções que devem atuar juntas para atingir o equilíbrio."
Esses acima são os estágios da imitação que progride ao desenvolvimento do jogo no
período sensório-motor. O próximo passo pra Piaget foi estudar a evolução do jogo
infantil, para assim entender o porquê dele desaparecer (será?) na vida adulta.
Para Piaget, existem três tipos de de jogos: os práticos, os simbólicos e os que têm
regras.
As brincadeiras práticas são a continuação das atividades naturais do peíodo sensóio-
motor. "Esses jogos podem conduzir simpesmente ao aprimoramento do desempenho
motor ou de uma atividade destrutiva."
Como evolução dos jogos práticos, temos os jogos simbólicos (que atingem seu ápice
no final do snsório-motor), que são jogos que implicam a representaçõ de um objeto
usente, podendo os brinquedos reproduzir a aparência, sentimentos e as ações de coisas,
pessoas ou da própria criança.
Os jogos dotados de normas, entretanto, ão essencialmente sociais e conduzem a uma
crescente adaptação. Piaget considera que, dado que persistem mesmo entre os adultos,
devem explicar o que ocorre ao jogo infantil - ele desaparece anos mais tarde,
favorecendo o s jogos socializados.
Piaget, fixa seu interesse nos jogos simbólicos, onde as crinças simbolizam seus
próprios sentimentos, interesses e atividades, ajudam-na a expressar-se criativamente e a
desenvolver uma vida fantasiosa rica e sastifatória. Embora Piaget concorde com Freud
no sentido de as crianças usarem o faz-de-contas para expressar os sentimentos proibidos
ou os desejos insastisfeitos, suas ideias acerca dos aspectos cognitivos desse jogo vão
muito mais além. Piaget considera o simbolismo lúdico um passo necessário no caminho
do desenvolvimento da inteligência adaptada. Quando as crianças completam seu longo
percuso, desde a atividade sensório-motora até o pensamento operacional, esses jogos
simbólicos desaparescem gradualmente, dando lugar aos desvaneios ou aos jogos dotados
de regras.
Os amigos imaginários surgem, normalmente, nessa época. Tornam-se parceiros de
brincadeiras, companheiros inseparáveis e, algumas vezes, assumem a autoridade moral
dos pais para fazer com que as cianças se comportem. Esses personagens imaginários são
saudáveis, às vezes para criados para compensar a solidão da criança. desaparecem com o
passar dos anos, dando lugar às fantasias e aos devaneios da vida adulta.
Os jogos compensatórios também são verificados nessa idade. Eles ocorrem quando a
criança cria um faz-de-conta para algo que não pode ter na realidade. Por exemplo,
quando a filha de Piaget ouviu da mãe que ainda não poderia segurar sua irmã mais nova,
ela cruzou os braços e anunciou que estava com um bebê nos braços, ninado-o e
conversando com "ele".
"Estreitamente ligada ao jogo compensatório está a brincadeira em que a emoção é
manifestada em uma progressão gradual até se tornar suportável. Freud denomina
"catarse" a essa redução da emoção através de exercícios imaginários; ela foi observada
frequentemente no jogo das crianças obrigadas a lidar com a morte,a doença ou a
hospitlização ou outros traumas da infância. Piaget cita o exemplo de sua filha que, aos
dois anos, sentia medo de tratores e de aviões: "A boneca me disse que queria andar numa
máuina daquelas". Aos três, informou que, quando uma de suas bonecas era um bebê,
"deram a ela um rolo compressor pequeno e um tratorzinho". A implicaçõ óbvia é que,
através de suas bonecas, a filha de Piaget adquiria experiência com máquinas, até superar
gradativamente seu temor em relação a elas.
Com o chegar da sgunda metade do período pré-operacional, os jogs simbólicos perdem
a força, evoluindo a jogos que chegam mais perto da realidade, à medida em que a
criança se acomoda em grau cada vez maior ao mundo em torno dela. E criança se
começa a aprimorar suas apitidões para a linguagem, além de emergir do mundo
egocêntrico para o mundo real. ela observa que os acontecimentos acontecem no tempo e
no espaço, e suas histórias se tornam muito mais precisas e coerentes.
As imitações se tornam cada vez mais precisas com a realidade, tornando também, cada
vez mais social. Em fim, os jogos simbólicos diminuem à medida que progride a
socialização , até que, por volta dos 11 ou 12 anos, no período das operações formais ,
estes desaparecem, transformando-se em desvaneios (internos) ou dramatizações
(externas), encerrando assim, a infância.

CAPÍTULO 10 - LÍNGUAGEM

OBJETIVO DO CAPÍTULO: Mostrar como a línguagem evolui conforme a criança


está se desenvolvendo.

Embora os bês reajam desde muito cedo à fala que lhes é dirigida, sua própria
linguagem não surge, de hábito, até algum ponto durante seu segundo ano de vida, ao
lado de outras funções simbólicas: a atividade lúdica do faz-de-conta, a imitação adiada e
as imagens mentais, todos enraizadas na imitação. Entretanto, Piaget assinala que a
linguagem é um sistema arbitrário de sinais, ; seus signos ou palavras têm significado
públicos compartilhados e compreendidos pela sociedade. Esse aspecto contrasta com os
símbolos, que são privados e pessoais e frequentemente compreendidos apenas pela
criança individual. Os símbolos podem exibir alguma semelhança com o que significam;
por exemplo, uma bolota de carvalho sugere facilmente uma xícara. No entanto a maioria
das palavras não tem qualquer semelhança com aquilo que representa e, portanto, seus
significados precisam ser lentamente assimilados spela criança, através de uma
multiplicidade de experiências.
Piaget discorda dos cientistas sociais que afirmam que, quando os "primitivos"
desenvolveram a linguagem, os poderes do raciocínio cresceram rapidamente. Para
Piaget, a linguagem não constitui a fonte do pensamento lógico, mas é, ao contrário
estruturada pelo pensamento. Para provar isso, mostrou estudos que mostravam que
crianças surdas, não providas de linguagem, desenvolveram as operações lógicas com um
atraso de apenas um ano em comparação com crianças saudáveis; porém crianças cegas,
providas de linguagem, mas sem experiências a nível sensório-motor, exibiram um
retardo de quatro anos ou mais para desenvolverem as mesmas operações.
Como assinala Piaget, é muito difícil "ensinar" a uma criança as operações lógicas; ela
deve elaborá-las por si mesma, através de duas próprias ações. Só então estará capacitada
para assimilar o significado completo da linguagem que descreve essas ações ou
transformações.
Outros estudos feitos pelo próprio Piaget, mostram que as palavras que a criança usa
para descrever objetos acompanha o desenvolvimento cognitivo da mesma. Este estudo
indica que as criança não podiam expressar claramente suas ideias sob a forma de
linguagem até que tais ideias ou operações lógicas se encontrassem, elas próprias,
solidamente firmadas. O argumento de Piaget é de que a linguagem serve para comunicar
aquilo que já se aprendeu. Com base em pesquisas desse tipo, assim como em suas
próprias observações, Piaget sustenta que o desenvolvimento da linguagem é estruturado
pelo desenvolvimeno cognitivo e depende dele.
A primeira fase da linguagem, que é encontrada nas crianças pequenas, é conhecida
como discurso egocêntrico, aonde a criança sensório-motora ou pré-operacional, que
possui um raciocínio mágico, animista e pré-logico, fala coisas sem nexo, pressumindo
que sua fala é compreendida pelos demais porque ela sabe o que está tentendo dizer. Ela
pode falar consigo mesma, sem se importar que alguém esteja ouvindo ou mesmo
responda. Ela não tem o mínimo desejo de influenciar o ouvinte, tampouco de dizer-lhe
alguma coisa. Para Piaget, o discurso egocêntrico serve para que a criança possa
acompanhar e reforçar a atividade individual, antes que esta possa usar usar a linguagem
para socializar o pensamento.
Quando a criança atinge a idade aproximada de oito anos de idade, ela começa a se
interessar pelo discurso socializado.

CAPÍTULO 11 - PERCEPÇÃO

OBJETIVO DO CAPÍTULO: Mostrar aos leitores como ocorre o desenvolvimento da


perceção visual nas crianças.

Começamos, então, o estudo do que Piaget denomina aspectos figurados do


conhecimento - percepção, imagem e memória -, mais especificadamente focalizados nas
configurações dos objetos, em sua aparência estática, do que propriamente em suas
transformações.
Para Piaget, a percepção visual e a inteligência evoluem independentemente. A
inteligência está em contínuo desenvolvimento, ao passo que a percepção não mostra um
desenvolvimento desse tipo, sendo antes "enriquecida" pelas estruturas emergentes da
inteligência.
Embora a percepção seja menos estável e confiável que as estruturas da inteligência,
Piaget acredita que, através da atividade perceptual, as crianças efetivamente aprendem a
corrigir distorções e compensar ilusões. A criança de dois anos, por exemplo, reconhece
seus brinquedos de qualquer perspectiva. As sensório-motoras, mesmo com um racicínio
mágico e animista, não se perdem na vizinhançae opera muito realisticamente em um
mundo de percepções constantemente mutáveis. Isso se dá por a criança desenvolver a
constância perceptual. Isso significa que aprendemos a perceber tamanhos, formas e
cores como são, mesmo quando os vermos de ângulos e perspectivas que os fazem
parecer distorcidos.
A percepção, não é, portanto, a fonte do conhecimento, pois o conhecimento deriva de
esquemas operativos de ação como um todo. As percpções funcionam como conectores
que estabelecem contatos constantes e locais entre as ações e as operações, por um lado, e
os objetos e acontecimentos, por outro.
Assim, Piaget deixa bastante claro que, tanto estrutural quanto funcionalmente, a
percepção está subordinada à inteligência. A percepção nos dá o conhecimento direto do
mundo a nosso redor, mas está sujeito a erro (ilusões de óptica, por exemplo). Ela se
corrige através da descentração, porém, não é reversível como o pensamento. A
percepção transmite mensagens que descrevem o mundo como é visto, porém a
inteligencia as decodifica. A percepção, em seu ápice, jamais ultrapassa o nível pré-
operacinal e, como tal, é imediata, intuitiva e ocasionalmente errônea.
A importância desse tipo de trabalho, consiste em ajudar pais e professores a
compreender certos problemas de aprendizagem das crianças, como crianças pequenas
que encontram dificuldades em copiar letras do quadro negro ou em reconhecer a mesma
palavra em caracteres diferentes. Essas dificuldades são, normalmente, verificadas em
crianças que não completaram o nível sensório-motor em certas áreas. Sobre isso, Piaget
nos diz que "a percepção presta serviços indispensáveis à atividade sensório-motora; por
exemplo, o tamanho de um objeto é variável a nível da visão, porém constante a nível do
tato...todo o desenvolvimento sensório-motor impõe uma coordenação entre as sensações
visuais e tátil-cinestésicas.
Quando a criança apresenta problemas à nível cognitivo, muitas vezes a causa é um não
amadurecimento à nível sensório-motor. Isso nos traz o problema da equiparação.
Devemos aprender a equiparaa o ensino com o nível de competência da criança, quer se
trate de nível pré-escolar da atividade perceptual e simbólica, quer dos níveis
operacionais mais avançados. Se efetuarmos o ensino em nível inferior ao estágio do
desenvolvimento da criança, ela se entediará, pois aquilo lhe parece fácil demais. Se o
ensino estiver além de seu alcance, a criança se sentirá frustada e confusa. Todavia, se for
direcionado para o nível operativo da criança, poderá oferecer-lhes uma dose suficiente
de "conflito cognitivo", pra estimulá-las e interessá-las. Assim, a aprendizagem e as
experiências educacionais devem ser mantidas em equilíbrio com o nível de
desenvolvimento da criança.

CAPÍTULO 12 - IMAGEM E MEMÓRIA

OBJETIVO DO CAPÍTULO - Mostrar ao leitor como a imagem mental e a memória se


desenvolvem juntamente com a criança.

Como todas as funções simbólicas, as imagens mentais, segundo Piaget, emergem da


imitação e cosnistem em reproduçoes internalizadas que funcionam na ausência do objeto
imaginado. Entretando isso não significa que as imagnes sejam cópias exatas da
realidade. As imagens são instrumentos do conhecimento, portanto, dependem das
funções cognitivas. Em outras, as imagens se desenvolvem em estreita relação com as
funções intelectuais. Ocupam posição intermediária entre a percepção (amplamente
figurada) e a inteligência (dependente de operações. As imagens, então, atuam como
instrumentos simbólicos do pensamento, tornando possível reconstruir o passado
(imagem reprodutiva) e antecipar o futuro de ações e transformações (imagens
antecipatórias).
Em suma, um fato interessantíssimo ocorre quando pensameos no desenvolvimeno das
imagens mentais e da memória nas crianças: estas obedecem as características do estágio
cognitivo dos seus possuidores. Em uma de suas experiências, Piaget pediu exibiu uma
série de bastões graduados para crianças de diferentes idades, pedindo que estes os
observassem atentamente e os memorizassem. Seis a oito meses depois, foi pedido que
eles desenhassem o que voram, sem poder ver novamente o modelo.
O resultado foi interessante. As mais novas, de três a quatro anos, que ainda não
dominavam a operação lógica da seriação, simpesmente desenharam fileiras de bastões;
as de quatro a cinco anos exibiram níveis transcicionais de conscientização de tamanho.
Por volta dos cinco anos, havia tentativas de seriação na base do ensaio e erro; levando a
uma série corretamente desenhada pela maioria das crianças de seis a sete anos.da
O mesmo resultado foi verificado em outras experiências do mesmo tipo, provando que
se a memória é parte integrante da estrutura da inteligência e se essa estrutura progride no
tempo, então a memória deve também alterar-se e reintegrar-se a níveis mais avançados,
à medida que o desenvolvimento prossegue.