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EMPRESA ESTADUAL DE PESQUISA AGROPECUÁRIA DA PARAÍBA-EMEPA-PB

FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DA PARAÍBA-FAEPA-PB

Palma Forrageira: Cultivo, Uso Atual e Perspectivas de Utilização no Semi-árido Nordestino

DA PARAÍBA-FAEPA-PB Palma Forrageira: Cult ivo, Uso Atual e Perspectivas de Utilização no Semi-árido Nordestino
Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba

Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A

Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S/A Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba -

Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba - FAEPA

Palma Forrageira: Cultivo, Uso Atual e Perspectivas de Utilização no Semi-árido Nordestino 1

Edson Batista Lopes Editor

1 Livro especialmente editado para ser divulgado no VI International Congress on Cactus Pear and Cochineal / VI General Meeting of FAO-CACTUSNET: 22 - 26 Octuber 2007. João Pessoa - Paraíba - Brazil.

João Pessoa Estado da Paraíba Outubro, 2007

Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba S. A.

Rua Eurípedes Tavares 210, Tambiá – Caixa Postal 275

CEP: 58013-290 João Pessoa, PB

www.emepa.org.br

emepa@emepa.org.br

Comitê de Publicações

Camilo Flamarion de Oliveira Franco (Presidente)

Maria Leoneide Leite da Nóbrega (Secretária)

Elson Soares dos Santos (Editor Técnico)

Ivonete Berto Menino

Jorge Cazé filho

Ladilson de Souza Macedo

Maria Ruth de Sousa

Wandrick Hauss de Sousa

1ª edição

Tiragem: 1000 exemplares

Palma forrageira: cultivo, uso atual e perspectivas de utilização no semi-árido nordestino/Editor, Edson Batista Lopes. João Pessoa: EMEPA/FAEPA, 2007. 130p. il. Inclui Bibliografia ISSN: 0102-0919 1. Palma forrageira – Alimentação. 2. Palma forrageira – Agroindústria. I. Lopes, E. B. II. Título.

CDD 574.5

P 153

ISSN 0102-0919

AUTORES

ISSN 0102-0919 AUTORES

EDSON BATISTA LOPES Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquisador da EMBRAPA/EMEPA-PB. Estação Experimental de Lagoa Seca. 58.117-000. Lagoa Seca - PB. E-Mail: edsonbatlopes@uol.com.br

CARLOS HENRIQUE DE BRITO Biólogo, Dr. Bolsista do CNPq/FINEP. EMEPA - Estação Experimental de Lagoa Seca. 58.117-

000. Lagoa Seca - PB. E-Mail: chbrito1@hotmail.com

CLAUDETE COELHO GUEDES Economista, Drª. Professora da UFPB. 58.000-000. João Pessoa - PB. E-mail:

claudetg@terra.com.br

DJALMA CORDEIRO DOS SANTOS Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Pesquisador do IPA. Estação Experimental de Arcoverde. 56. 500-000. Arcoverde – PE. E-mail: djalma@arconet.com.br

EGBERTO ARAÚJO Engenheiro Agrônomo, Dr. Professor do CCA/UFPB. Setor de Fitossanidade. 58.397-000. Areia - PB. E-mail: egberto@cca.ufpb.br

JACINTO DE LUNA BATISTA Engenheiro Agrônomo, Dr. Professor do CCA/UFPB. Setor de Fitossanidade. 58.397 - 000. Areia - PB. E-mail: jacinto@cca.ufpb.br

LÚCIA DE FÁTIMA ARAÚJO Zootecnista, Drª. Pesquisadora da EMEPA-PB. Rua Eurípedes Tavares, 210, Tambiá. 58.013-

290. João Pessoa - PB. E-mail: luciazootec@yahoo.com.br

MANOEL FERREIRA DE VASCONCELOS Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Pesquisador da EMEPA-PB. Estação Experimental de Lagoa 58.117-000. Lagoa Seca - PB. E-Mail: vasconcelosmf@bol.com.br

RILDO SARTORI BARBOSA COELHO Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquisador do IPA/SPRRA. Av. Gal. San. Martin, 1371 – Bonji, CEP 50.761- 000. Recife - PE. E-mail: rsartori@oi.com.br

VANILDO ALBERTO LEAL BEZERRA CAVALCANTI Engenheiro Agrônomo, M. Sc. Pesquisador do IPA. Av. Gal. San. Martin, 1371 – Bonji, CEP 50.761-000. Recife - PE. E-mail: vanildo@ipa.br

APRESENTAÇÃO

APRESENTAÇÃO

O Brasil tem a maior área de palma plantada do mundo, atualmente com cerca de 600 mil hectares, e o produtor rural ainda dispõe de poucas informações sobre o assunto, explorando a cultura apenas para ração animal. Em outras regiões do mundo, além de ser utilizada como forragem, encontram-se utilizações diferentes da palma como, por exemplo, no México e em algumas regiões da América Latina, onde as plantas do gênero opuntia e nopalea são cultivadas para produção de verdura (nopalito), fruto (Tuna, Figo-da-índia) e, em alguns países da África, as raquetes da palma fazem parte da dieta de seres humanos. Em países asiáticos a palma é utilizada como planta medicinal, entrando na composição de medicamentos naturais. No Brasil, graças aos esforços traçados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Paraíba – FAEPA, através do Projeto Palmas para o semi-árido, a palma passou a ganhar ares de cultura nobre, com a implantação de Núcleos de Tecnologia Social para produção e beneficiamento da palma (NTS), onde grupos de produtores rurais são orientados a plantar e manejar a cactácea, obedecendo à tecnologia do cultivo intensivo, atingindo produtividades superiores a 10 ou 12 vezes às atingidas com o sistema tradicional. Desta forma, a área a ser cultivada com palma pode diminuir significativamente abrindo espaço para o produtor cultivar outras culturas em sua propriedade. O Projeto Palmas para o Semi-árido vem proporcionando a todos o acesso às informações sobre as diversas opções econômicas a partir da cultura da palma, possibilitando a diversificação da renda das famílias rurais desde a fabricação de farelo como base energética de rações balanceadas para alimentação dos animais, até a produção agroindustrial com a fabricação de cosméticos, doces, sucos, vinhos, licores, sorvetes, iogurtes, dentre outros produtos. Paralelamente à implantação dos Núcleos de Tecnologia Social, o projeto se preocupa, de forma muito especial, com a educação das crianças das escolas rurais, na certeza de que estes serão os cidadãos que no futuro irão garantir o uso intensivo da planta, com possibilidades concretas de mudar a história da região nordeste do Brasil. Neste processo educativo, as crianças aprendem desde cedo que o cultivo da palma para outro fim que não apenas o de alimentação animal está dentro de uma normalidade em sua vida. Este livro, elaborado por técnicos de reconhecida capacidade, faz uma análise técnica aprofundada do que é possível se fazer com a palma. Assim, acredito que poderemos dar um redirecionamento das potencialidades da palma através dos diversos sistemas de produção que são aplicados à cultura. Acredito que o livro chega em um excelente momento nas mãos dos agricultores, técnicos de nível médio e superior, bem como àqueles interessados na cadeia produtiva e no agronegócio da palma, pois a cultura vive um momento de grande entusiasmo e crescimento, necessitando com urgência de novas informações.

Mário Antônio Pereira Borba Presidente da FAEPA-PB

PREFÁCIO

PREFÁCIO

No Semi-árido Nordestino a predominância botânica é de vegetação chamada de “caatinga” representada por 73% de plantas xerófilas e entre estas muitas cactáceas, altamente resistentes a longos períodos estivais, em ajustamento fitológico único no mundo dos vegetais para condições adversas do meio, com cerca de 930 espécies vegetais já catalogadas. Nessa região de muitas cactáceas as palmas forrageiras (Opuntia e Nopalea) têm sido largamente utilizadas no Nordeste, visando à suplementação dos animais nos períodos críticos do ano. A palma é uma forrageira bem adaptada às condições do semi-árido nordestino, suportando grande período de estiagem, em função das suas propriedades fisiológicas, caracterizadas por um “apparatus” fotossintético eficiente. Assim a utilização da Opuntia fícus-indica como forragem para os animais foi ganhando espaço sobretudo nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e em algumas regiões do Ceará e Rio Grande do Norte, onde a planta se aclimatou bem e apresenta boa produção de massa verde. Uma inovação para utilização da palma forrageira na alimentação é sob a forma de farelo. O farelo de palma é um grande potencial para uso como fonte alternativa de energia para ruminantes. Além de ser utilizada como forragem em algumas regiões do globo terrestre encontram- se utilizações diferentes da palma forrageira como, por exemplo, no México e em algumas regiões da América Latina a Opuntia é cultivada para produção de verdura (nopalito), fruto (figo-da-india) e em alguns países da África, as raquetes de palma faz parte da dieta de seres humanos. Em países asiáticos a palma forrageira é utilizada como planta medicinal, entrando na composição de medicamentos naturais. Este livro faz uma análise técnica aprofundada do que é possível de se fazer com a palma forrageira. Elaborado por técnicos de reconhecida capacidade ele visa o redirecionamento das potencialidades da palma. Ele objetiva, ainda, preencher uma lacuna até então desconhecida dos múltiplos usos da palma, bem como difundir conhecimentos novos gerados ou adaptados pela equipe de pesquisadores e professores que o escreveu, atendendo aos anseios dos agricultores, técnicos de nível médio e superior, bem como àqueles interessados na cadeia produtiva e no agronegócio da palma.

Miguel Barreiro Neto Diretor Presidente da EMEPA-PB

SUMÁRIO

Apresentação

 

05

Prefácio

 

06

Resumo

10

Abstract

 

10

CAPÍTULO I – CULTIVO DA PALMA FORRAGEIRA

 

11

1. Introdução

 

11

2. Histórico da introdução da palma no semi-árido nordestino

 

13

3. Classificação botânica

 

14

4. Variedades de palma forrageira cultivadas no semi-árido nordestino

 

16

 

4.1. Palma gigante (Opuntia ficus-indica L.) Mill

 

16

4.2. Palma redonda (Opuntia sp.)

17

4.3. Palma doce ou miúda (Nopalea cochenillifera Salm-Dyck)

 

17

5. Clima e solo

 

17

 

5.1.

Clima

17

5.2.

Solo

19

5.2.1.

Tipos de solos explorados com a palma forrageira

 

20

5.2.1.1.

Argissolos

Vermelho-Amarelos

Eutróficos

(Podzólicos

Vermelho-

Amarelos Equivalentes Eutróficos)

 

20

 

5.2.1.2. Luvissolos Crômicos Vérticos (Brunos não Cálcicos Vérticos)

 

21

5.2.1.3. Neossolos Regolíticos Eutróficos (Regosolos Eutróficos)

22

5.2.1.4. Neossolos Litólicos Eutróficos (Solos Litólicos Eutróficos)

22

5.2.2.

Limpeza do terreno e preparo do solo

 

23

6. Plantio

 

24

 

6.1.

Rendimento da palma forrageira no cultivo adensado na Paraíba

 

27

7. Adubação

 

28

8. Consorciação

31

9. Manejo cultural

31

10. Colheita

32

CAPÍTULO II - PRAGAS DA PALMA

 

35

1.

Introdução

 

35

2.

Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae)

36

2.1.

Manejo Integrado da Cochonilha - do - carmim (MICC)

39

2.1.1. Erradicação

39

2.1.2. Controle mecânico

39

2.1.3. Controle alternativo (produtos químicos)

39

2.1.4. Variedades resistentes

40

2.1.5. Controle biológico

41

3. Cochonilha de escama (Diaspis echinocacti)

42

3.1.

Manejo Integrado da Cochonilha-de-Escama

43

4. Pão-de-galinha (Ligyrus spp.)

46

5. Preá

46

CAPÍTULO III – DOENÇAS DA PALMA

47

1. Introdução

47

2. Doenças dos cladódios causadas por fungos

48

2.1. Podridão Negra (Lasiodiplodia theobromae)

49

2.2. Podridão seca escamosa (Scytalidium lignicola)

49

2.3. Gomose (Dothiorella ribis)

50

2.4. Podridão de Fusarium (Fusarium solani)

51

2.5. Mancha de alternaria (Alternaria tenuis)

52

2.6. Podridão de Sclerotium (Sclerotium rolfisii)

52

2.7. Rizoctoniose (Rhizoctonia solani)

53

2.8. Podridão de Macrophomina (Macrophomina phaseolina)

54

2.9. Podridão Polaciana - Pollaccia sp

54

2.10. Mancha de Macrophoma – Macrophoma sp

54

2.11. Antracnose – (Colletotrichum gloeosporioides)

55

3. Doenças dos cladódios causadas por bactérias

55

3.1.

Podridão mole – (Pectobacterium carotovorum subsp. Carotovorum)

55

4. Doenças causadas por outros agentes fitopatogênicos

56

CAPÍTULO IV - USOS E APLICAÇÕES DA PALMA FORRAGEIRA

57

1. Introdução

57

2. Alimentação humana

57

3.

Alimentação animal

64

 

3.1.

Valor nutritivo e utilização como forragem para animais bovinos, caprinos e

 

ovinos

65

4.

Cortadeira manual de palma forrageira – EMEPA – PB

 

77

 

4.1. Ajuste da máquina para o corte da palma

 

77

4.2. Vantagens

 

78

5.

Enriquecimento protéico da palma forrageira

 

78

 

5.1.

Utilização da palma na presença da levedura Saccharomyces cerevisiae por meio

da fermentação em estado semi-sólido

 

79

 

5.2.

Utilização da palma na presença de uréia e mistura mineral e da levedura

Saccharomyces

cerevisiae

por

meio

da

fermentação

em

estado

semi-

sólido

 

83

6. Agroindustrialização

 

86

7. Uso medicinal

88

8. Produção de corantes

89

CAPÍTULO V - A PALMA FORRAGEIRA E SUA SUSTENTABILIDADE NO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO

91

CAPÍTULO VI - RECEITAS DE PALMA

 

94

1. Introdução

 

94

2. Receitas de salgados

95

3. Receitas de saladas

109

4. Receitas de doces

111

5. Receitas de sucos

114

6. Receitas de conservas

115

LITERATURA CONSULTADA

 

116

RESUMO - A palma forrageira apresenta-se como uma alternativa para as regiões áridas e semi- áridas do Nordeste brasileiro, visto que é uma planta de aspecto fisiológico especial quanto à absorção, aproveitamento e perda de água, e bem adaptada às condições adversas do semi-árido, nos prolongados períodos de estiagem. Inexoravelmente, a exploração racional da palma forrageira insere-se nesse propósito. Esta cactácea, em virtude de suas especificidades fisiológicas, medra com desenvoltura em solos do Semi-árido, podendo atingir elevados níveis de rendimento. Desde o uso no arraçoamento animal, prática já consolidada pelos pecuaristas, até o uso na alimentação humana, em face do seu alto valor alimentício, tanto na subsistência, como em escala comercial, mediante produção dentro de padrões de conformidade exigidos pelos mercados e com a desejável diferenciação de produtos. Ademais, tem-se que prever a exploração da palma forrageira como frutífera e matéria prima para a fabricação de produtos industriais de significativo valor agregado:

sucos, polpas, doces, conservas, pratos para alimentação rápida, bebidas alcoólicas, cosméticos, adesivos, colas, fibras, papel, corantes mucilagem, antitranspirante. Objetiva - se com esse livro, apresentar uma visão geral das potencialidades e usos da palma forrageira e difundir, ao mesmo tempo, alguns conhecimentos gerados e/ou adaptados pela equipe de Pesquisadores da EMEPA-PB, do IPA e CCA/UFPB. Palavras-chave: Alimento, fruto, forragem, produção, bebidas alcoólicas, cosméticos, papel

ABSTRACT - The cactus pear is presented as an alternative for arid and semi-arid regions of Brazilian Northeast, since it is a plant that presents special physiological aspect how much to the absorption, exploitation and loss of water, being well adapted to the adverse semi-arid conditions, supporting drawn out periods of dry season. Inexorably, the rational exploration of cactus pear put in this intention. This cactus, in function of its physiological specificities, grows with nimbleness in soil of semi-arid region, being able to reach high yelds levels. Since the use in the animal feeding, practical already consolidated by farmers, until the use in the feeding human being, face of its high nourishing value, as much in the subsistence, as in commercial scale, by means of the production in the standards of conformity demanded by the markets and with the desirable differentiation of products. Also, is had that to foresee the exploration of the cactus pear as fruitful and substance cousin for the manufacture of industrial products of significant aggregate value: juices, pulps, candies, conserves, plates for fast feeding, alcoholic beverages, cosmetic, adhesive, glues, staple fibres, paper, natural colour, mucilage, anti-transpiration. This book aim to present a general vision of the potentialities and uses of the cactus pear and to spread out, at the same time, some knowledge generated and/or adapted for the team of Researchers of EMEPA-PB, IPA and CCA/UFPB. Key words: Feed, fruit, forage, production, alcoholic beverages, cosmetic, paper.

CAPÍTULO I

CAPÍTULO I

CULTIVO DA PALMA FORRAGEIRA

Edson Batista Lopes Djalma Cordeiro dos Santos Manoel Ferreira de Vasconcelos

1. Introdução

A FAO (Food Agriculture Organization) reconhece o potencial da palma e sua

importância para contribuir com o desenvolvimento das regiões áridas e semi-áridas,

especialmente nos países em desenvolvimento, através da exploração econômica das várias

espécies, com conseqüências excelentes para o meio ambiente e para segurança alimentar.

Mundialmente, a palma conforme registros na literatura, é utilizada para produzir forragem,

verdura para consumo humano, principalmente no México, frutas frescas, processadas para os

mercados nacional e internacional, especialmente EUA e Europa, além da possibilidade de

exploração das propriedades medicinais, constatadas experimentalmente no tratamento de

diabetes, gastrite e obesidade.

O Nordeste brasileiro ocupa 1.600.000 km² do território nacional. Tem incrustado em

62% da sua área, o Polígono das Secas que circunscreve isoietas abaixo de 800 mm de

pluviosidade por ano. O Polígono das Secas é a área de maior incidência das secas e estende-se

por 980.000 km 2 , é o Semi-Árido propriamente dito. Nele, situam-se várias províncias florísticas

que entremeiam essa grande área nordestina em diversas escalas botânicas, desde os

remanescentes úmidos da Mata Atlântica até as essências vegetais hiper-xerófilas já no limiar das

formações desérticas. Sua predominância botânica é de vegetação chamada caatinga representada

por 73% de plantas xerófilas, entre essas muitas cactáceas, altamente resistentes a longos

períodos estivais, em ajustamento fitológico único no mundo dos vegetais para condições

adversas do meio, com cerca de 930 espécies vegetais já catalogadas.

No Nordeste Semi-árido (980.000 km 2 , 22 milhões de habitantes, dos quais 8.400.000 no

meio rural) acha-se implantada a maior área de palma cultivada de todo o mundo, estimada em

500 mil hectares distribuídos nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande

do Norte, Sergipe e Bahia (Figura 1); possibilitando, no período das secas, a alimentação do

maior rebanho de caprinos e ovinos (cerca de 10 milhões) de todo o país, o que representa 90%

de todo o plantel nacional. Ademais, a palma forrageira representa a base de sustentação do gado

no semi-árido, oferecendo, ainda, perspectivas de outras alternativas econômicas (alimentação

humana, matéria prima para cosméticos, utilização na produção de fármacos, etc.).

Nos 95 milhões de hectares do Semi-árido do Nordeste, em função das condições

ambientais, a pecuária, tem se constituído, ao longo do tempo, em uma das principais atividades

econômicas e desempenha um papel importantíssimo no sistema agropecuário da região. No

entanto, um dos maiores entraves tecnológicos para o êxito desta atividade é a produção de

forragens para os rebanhos, que apresenta como fator determinante à deficiência hídrica no solo,

associado às altas temperaturas e forte evapotranspiração. O uso de algumas espécies vegetais já

adaptadas ao semi-árido, certamente minimiza a escassez de forragens na estação seca. Segundo

dados do IBGE (2001) a região Nordeste do Brasil apresenta um rebanho 21.875.110 cabeças de

bovinos, 7.336.985 cabeças de ovinos e 8.032.529 cabeças de caprinos, representando,

respectivamente, 13,2%, 51% e 93% do rebanho brasileiro. A maioria dessa população tem como

base alimentar a utilização de pastagens nativas ou cultivadas, no entanto, com a estacionalidade

de produção das forrageiras é necessária a busca de alimentos alternativos.

A palma se consolidou, no Semi-árido

alternativos. A palma se consolidou, no Semi-árido Figura 1 . Estados nordestinos: em cinza, nordestino (Figura

Figura 1. Estados nordestinos: em cinza,

nordestino (Figura 1), como forrageira estratégica

fundamental nos diversos sistemas de produção

pecuário, no entanto, é uma planta de enorme

potencial produtivo e de múltiplas utilidades,

podendo ser usada na alimentação humana, na

produção de medicamentos, cosméticos e corantes,

na conservação e recuperação de solos, cercas

vivas, paisagismo, além de uma infinidade de usos.

É a planta mais explorada e distribuída nas zonas

áridas a semi-áridas do mundo, contudo sua real

dimensão produtiva ainda não foi plenamente

conhecida no Nordeste.

plantadores de palma forrageira. A palma apresenta-se como uma alternativa para as regiões áridas e semi-áridas do

nordeste brasileiro, visto que é uma cultura que apresenta aspecto fisiológico especial quanto à

absorção, aproveitamento e perda de água, sendo bem adaptada às condições adversas do semi-

árido, suportando prolongados períodos de estiagem. A presença da palma na dieta dos

ruminantes nesse período de seca ajuda aos animais a suprir grande parte da água necessária do

corpo. Segundo Silva et al. (1997) um fator importante da palma, é que diferentemente de outras

forragens, apresenta alta taxa de digestão ruminal, sendo a matéria seca degradada extensa e rapidamente, favorecendo maior taxa de passagem e, consequentemente, consumo semelhante ao dos concentrados. A palma frequentemente representa a maior parte do alimento fornecido aos animais durante o período de estiagem nas regiões do semi-árido nordestino, o que é justificado pelas seguintes qualidades: a) bastante rica em água, mucilagem e resíduo mineral; b) apresentam alto coeficiente de digestibilidade da matéria seca e c) tem alta produtividade. Cultivos bem conduzidos de palma forrageira produzem uma biomassa superior a 150 toneladas de matéria verde/ha/ano (ou 15 toneladas de matéria seca/ha/ano), desde que se associem práticas agronômicas adequadas e variedades de elevado potencial produtivo. Nas principais regiões semi-áridas do Nordeste a palma se constitui no principal alimento fornecido aos rebanhos, independentemente da época do ano.

2. Histórico da introdução da palma no semi-árido nordestino Em 1798, com nova ordem régia, novos jardins botânicos foram instalados em Pernambuco. O jardim de Olinda receberia plantas e sementes vindas de Caiena, trazidas pelos portugueses, essa remessa incluía muitas especiarias, mas não está claro se o cacto cochonilheiro estava entre elas. Embora nos anos seguintes o jardim tenha recebido diversas outras remessas de plantas e sementes, a palma pode ainda não ter estado entre elas, pelo menos até 1818, quando o governador solicitou a coroa, então instalada no Rio de Janeiro, o envio de várias plantas, e entre elas cactos com a cochonilha. De fato, desde 1811 D. João VI mandara promover no Real Horto Rio a cultura dos cactos com a cochonilha (Real Horto, 2003). Em seu livro o frei comenta que no Brasil há um cacto conhecido como Urumbeba, que serve de alimento a variedades silvestres de cochonilha, distintas da cochonilha fina mexicana, mas cuja utilidade para a produção de carmim merecia destaque. Não esta claro, entretanto, se além da urumbeba nativa se teria cultivado a essa altura no sul do Brasil alguma variedade inerme do cacto cochonilheiro, trazida de fora. Sabe-se que os cactos com a cochonilha fina foram contrabandeados do México para o Haiti por um naturalista francês em 1777 (Gibson,

2003).

A palma forrageira cultivada no Nordeste brasileiro é utilizada quase que exclusivamente na alimentação animal. Está hoje muito bem adaptada a região semi-árida de diversos Estados. Duas espécies de palma - originárias do México (Domingues, 1963) – são utilizadas pelos agropecuaristas como forrageira para rebanhos: a palma “doce ou miúda” (Nopalea cochenillifera) e a palma “graúda ou gigante” (Opuntia ficus-indica), existindo ainda uma variação desta, conhecida como palma redonda (Arruda, 1983). De acordo com Pessoa (1967) as

duas espécies de palma são também conhecidas como palma sem espinho, palmatória e no Sul do país como figo da Índia, figueira da Índia e figueira da Barbária. Segundo Souza (1966) e Farias et al. (1984) a data de introdução da palma forrageira no Nordeste não é bem definida, existido ainda muita controvérsia sobre o assunto. Pessoa (1967) relatou que possivelmente tenha ocorrido antes de 1900, enquanto Pupo (1979) afirmou que a introdução dessa cactácea se deu pelo Estado de Pernambuco, oriunda do Texas (EUA), por volta de 1880. No início do século passado, dois grandes empresários da indústria têxtil, Delmiro Gouveia e Herman Lundgren, importaram do México a palma para o nordeste brasileiro. A palma hospeda naturalmente um inseto conhecido como Cochonilha e, sua fêmea, ao se alimentar da seiva da planta, produz ácido carmínico que é a substância química de um corante vermelho de alta qualidade, denominado carmim, que se destingue por sua estabilidade quando submetido à oxidação, luz e altas temperaturas. O objetivo dos empresários era produzir o corante para ser empregado no processo de tingimento dos tecidos em suas indústrias. A tecnologia de produção era bastante simples. A palma era cultivada e quando o palmal crescia, o inseto era destinado à infestação. Depois de adulto, era coletado e posto a secar em lonas e, depois de secos eram triturados e transformados em pó. Este pó já poderia ser destinado às linhas de produção como corante. No início da década de 20, os derivados do petróleo (tintas e esmaltes sintéticos) começaram a ser lançados no mercado de maneira intensiva e acabou por inviabilizar o processo de produção do carmim (Suassuna, 2004).

3. Classificação botânica Face à complexidade do gênero Opuntia, provocada pelas variações fenotípicas reguladas por condições climáticas, pela poliploidia que ocorrem em um grande número de populações, pela alta capacidade de hibridação, a taxonomia do gênero é muito difícil, razão pela qual poucos pesquisadores se dedicam ao seu estudo (Scheinvar, 2001). No mundo, já foram descritas cerca de 300 espécies de cactáceas pertencentes ao gênero Opuntia, distribuídas desde o Canadá até a argentina (Scheinvar, 2001; Reinolds & Arias, 2004). A palma forrageira sem espinho não é nativa do Brasil, foi introduzida por volta de 1880, em Pernambuco, através de sementes importadas do Texas- Estados Unidos. No Nordeste do Brasil são encontrados três tipos distintos de palma: a) gigante - da espécie O. fícus indica (Figura 2); b) redonda – (Opuntia sp); e miúda - (N. cochenillifera). Na família das cactáceas, existem 178 gêneros com cerca de 2.000 espécies conhecidas. Todavia nos gêneros Opuntia e Nopalea, estão presentes às espécies de palma mais utilizadas

como forrageiras. São plantas de extrema importância alimentar e econômica nas zonas áridas e

semi-áridas do globo terrestre. Os cladódios (folhas modificadas) alimentam, além do homem,

diversas espécies de animais domésticos e selvagens.

O fruto da palma forrageira, conhecido comercialmente como figo-da-india, é ovóide,

grande, amarelo ou roxo e com espinhos no pericarpo, possui elevado valor nutritivo,

apresentando também na sua composição fibras, carboidratos solúveis e cálcio, sendo rico em

vitaminas (principalmente A e C) e magnésio. A polpa, amarelo-ouro tem aparência porosa, com

pequenas e numerosas sementes pretas (Pimienta-Barrios, 1990; Saénz et al., 1998; Askar & El-

Samahy 1981). Tem sabor doce, com leve acidez e bastante refrescante (Lopes, 2005), motivo do

interesse em ampliar a diversificação de consumo, aproveitando o alto potencial e agregando

valor ao produto, que neste trabalho é o fermentado do fruto (vinho).

Entre as espécies selvagens e cultivadas mais utilizadas, 12 espécies pertencem a Opuntia

e uma Nopalea. Segundo Bravo (1978) as palmas forrageiras pertencem ao reino Vegetal, sub-

reino Embryophita, a divisão: Angiospermae, a tribu Opuntiae, à classe Liliateae, família

Cactaceae, subfamília Opuntioideae, gênero Opuntia, subgênero Opuntia e Nopalea.

Outra classificação taxonômica : Briton y rose, 1963, en Bravo-Hollis, 1978.

Reino:

Subreino: Embryophyta División: Angioserma

Clase: Dicotiledoneae Subclase: Dialipetalas Orden: Opuntiales Familia: Cactaceae

Tribu:

Subfamília: Opuntioideae

Gênero :

Subgênero: Platyopuntia

vários nombres

Espécie:

Vegetal

Opuntiae

Opuntia

vários nombres Espécie: Vegetal Opuntiae Opuntia Nome Binomial : Opuntia ficus-indica (L.) Mill. 4.

Nome Binomial : Opuntia ficus-indica (L.) Mill.

4. Variedades de palma forrageira cultivadas no semi-árido nordestino

No Nordeste Brasileiro, são cultivadas predominantemente duas espécies, a O. ficus-

indica, (Palma gigante) e a N. cochenillifera, (Palma miúda ou doce). As duas espécies

mencionadas não possuem espinhos (são inermes) e foram obtidas pelo geneticista Burbanks, a

partir de espécies com espinhos. Foram introduzidas no Brasil por volta de 1880, em

Pernambuco, através de sementes vindas do Texas, nos Estados Unidos, onde demonstraram

grande utilidade. Não toleram umidade excessiva e em solos profundos apresentam extraordinária

Figura 2. Palma gigante.

capacidade de extração de água do solo, a ponto de possuir cerca de 90-93% de umidade, o que

torna importantíssima para a região do polígono das secas. (Pupo, 1979). Outras variedades têm

sido geradas ou introduzidas pela Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária - IPA, com

objetivo de obter clones mais produtivos e com melhor valor nutritivo. Dentre as variedades

testadas, o clone IPA-20 tem se mostrado promissor, com produção 50 % maior do que a

variedade gigante, a mais cultivada no Estado de Pernambuco (Santos et al., 1994). Os materiais

de palma IPA-20, IPA-90-110, IPA 90-111 e IPA 90-156 produzem mais que a cultivar gigante,

que é a mais cultivada na região. A seguir serão apresentadas as características agronômicas das

variedades gigante, redonda e miúda.

4.1. Palma gigante (Opuntia ficus-indica L.) Mill.

Chamada também de graúda, azeda ou

ficus-indica L.) Mill. Chamada também de graúda, azeda ou Figura 3 . Palma gigante ou graúda.

Figura 3. Palma gigante ou graúda.

santa. São plantas de porte bem desenvolvido e

caule menos ramificado (Figura 3), o que lhes

transmite um aspecto mais ereto e crescimento

vertical pouco frondoso. Sua raquete pesa cerca

de 1,0 -1,5 kg, apresentando até 50 cm de

comprimento, forma oval-elíptica ou sub-

ovalada, coloração verde-fosco.

As flores são hermafroditas, de tamanho médio, coloração amarelo brilhante e cuja corola fica

aberta na antese. O fruto é uma baga ovóide, grande, de cor amarela, passando à roxa quando

madura. Essa palma é considerada a mais produtiva e mais resistente às regiões secas, no entanto

é menos palatável e de menor valor nutricional.

4.2. Palma redonda (Opuntia sp.)

É originada da palma gigante, são plantas de

porte médio (Figura 4) e caule muito ramificado

lateralmente, prejudicando assim o crescimento

vertical. Sua raquete pesa cerca de 1,8 kg,

possuindo quase 40 cm de comprimento, de forma

arredondada e ovóide. Apresenta grandes

rendimentos de um material mais tenro e palatável

que a palma gigante.

um material mais tenro e palatável q u e a p a l m a g

Figura 4. Palma redonda.

4.3. Palma doce ou miúda (Nopalea cochenillifera Salm-Dyck) São plantas de porte pequeno e caule bastante ramificado (Figura 5). Sua raquete pesa cerca de 350 g, possuem quase 25 cm de comprimento, forma acentuadamente obovada (ápice mais largo que a base) e coloração verde intenso brilhante. As flores são vermelhas e sua corola permanece meio fechada durante o ciclo. Nos três tipos, as raquetes são cobertas por uma cutícula que controla a evaporação, permitindo o armazenamento de água (90-93% de

água).

permitindo o armazenamento de água (90-93% de água). Figura 5 . Palma doce ou miúda. 5.

Figura 5. Palma doce ou miúda.

5. Clima e solo 5.1. Clima - as condições climáticas do Semi-árido são caracterizadas por períodos secos e precipitações pluviométricas variando de 400 a 800 milímetros, irregularmente distribuídas e concentradas no verão. A temperatura oscila entre 23ºC a 28ºC, com amplitude diária de mais ou menos 10ºC. A luminosidade média é de 2.800 horas de luz ao ano. A cobertura vegetal predominante é a caatinga constituída por plantas efêmeras, suculentas ou carnosas e lenhosas, geralmente, tolerantes a longos períodos de estiagem. A má distribuição e irregularidade de chuvas no Semi-árido são responsáveis por estiagens prolongadas, resultando em sérios prejuízos econômicos para os pecuaristas, que, assim, são forçados a comercializar o rebanho, periodicamente, com preços abaixo do mercado, em função da falta de alimentos (Felker, 2001). Na época das chuvas a disponibilidade de forragens é quantitativamente e qualitativamente satisfatória, todavia nas épocas críticas do ano, além da escassez de forragens o valor nutritivo se apresenta em níveis bastante baixos o que acarreta queda de produtividade e compromete a produção de leite e carne (Lima et al., 2004). Diante desse cenário, a produção de alimentos para as populações e para os rebanhos na região, deverá ser baseada em espécies vegetais que apresentem características de alta adaptabilidade às condições edafo-climáticas regionais. Devido à influência da irregularidade de distribuição das chuvas sobre a alimentação de ruminantes nas regiões semi-áridas é necessário buscar alternativas para a alimentação do rebanho. Assim, uma alternativa seria a utilização de uma fonte energética de menor custo e disponível na região (Melo et al., 2003). Neste caso, a utilização da palma forrageira. poderia ser uma alternativa para as regiões semi-áridas do Brasil

Segundo Felker (2001), a palma forrageira, ao lado dos atributos de resistência a estiagens prolongadas, podem fornecer energia, água e vitamina A, garantindo o suprimento de alimentos extremamente importantes para a manutenção dos rebanhos, evitando frustrações na atividade pecuária, nos períodos de seca. O bom rendimento dessa cultura está climaticamente relacionado a áreas com 400 a 800mm anuais de chuva, umidade relativa acima de 40% (Viana, 1969) e temperatura diurna/noturna de 25 a 15ºC (Nobel, 1995). Vale ressaltar que umidade relativa baixa e temperaturas noturnas elevadas encontradas em algumas regiões do semi-árido podem justificar as menores produtividades ou até a morte da palma. Na Paraíba, a palma forrageira é cultivada nas Microrregiões do Carirí Ocidental e Oriental, Curimataú Ocidental e Oriental, Campina Grande, Serra do Teixeira, Umbuzeiro, Itaporanga, Piancó, Cajazeiras e Seridó Oriental. Nas primeiras sete microrregiões é onde concentram - se as maiores áreas cultivadas, pois o clima reinante é ameno, com temperaturas baixas à noite (13-18ºC) e umidade relativa do ar (UR), altas, (em torno de 80%), também, à noite, fatores climáticos esses muito importantes do ponto de vista do enchimento (nutrição) dos cladódios. Pelas características morfofisiológicas das espécies da família Cactaceae, especialmente as palmas forrageiras – O. ficus-indica e N. cochenillifera, possuem os requisitos para suportar os rigores de clima e as especificidades físicoquímicas dos solos das zonas semi-áridas. O sucesso agroecológico da palma diz respeito à sua capacidade de captação diária de CO2 e a perda de água, fenômenos que ocorrem geralmente à noite, cujo intercâmbio de gases é, atualmente conhecido como metabolismo ácido das crassuláceas – Crassulacean acid metabolism – CAM (Nobel, 2001), diferindo da assimilação fotossintética das plantas clorofiladas C3 e C4, caracterizadas por formarem como primeiro produto da fotossíntese, ácidos com três e quatro moléculas de Carbono, respectivamente. Essas características são extremamente importantes do ponto de vista ambiental, podendo ser utilizadas para reduzir os danos causados pelo efeito estufa ao ambiente, resultante do aumento na concentração de CO2 e outros gases na atmosfera.

5.2. Solo - as condições edáficas do Semi-árido são caracterizadas por solos rasos, pedregosos ou arenosos, com pouca matéria orgânica, porém ricos em minerais solúveis e pH neutro ou próximo de sete. A palma forrageira é uma cultura relativamente exigente quanto às características físico-químicas do solo. Desde que sejam férteis, podem ser indicadas áreas de textura arenosa à argilosa, sendo, porém mais freqüentemente recomendados os solos argilo- arenosos. Além da fertilidade, é fundamental, também, que os mesmos sejam de boa drenagem,

uma vez que áreas sujeitas a encharcamento não se prestam ao cultivo da palma. Evitar o plantio em áreas marginais, pois a palma não tolera terras duras e pedregosas, pobres em nutrientes e salinas.

No Nordeste brasileiro, desde a sua introdução e devido à grande rusticidade e facilidade de desenvolvimento e propagação das mudas, a espécie vem sendo cultivada em condições adversas, nas piores áreas das propriedades e sem o mínimo manejo e tratos culturais necessários ao seu desenvolvimento. O resultado disso é a baixa produtividade nos plantios. Como termo de comparação, no México, país com características ambientais semelhantes às do Nordeste seco, onde se faz o plantio com mudas selecionadas, preparo de solo, adubação, densidade de plantio e tratos culturais, são garantidas colheitas médias anuais da ordem de 400 toneladas por hectare (volume capaz de suprir as demandas energéticas de 220 caprinos ou 20 bovinos), representando cerca de 8 a 10 vezes mais o volume atualmente obtido no Semi-Árido brasileiro, que só consegue produzir o suficiente para 22 caprinos ou 2 bovinos por hectare. Como qualquer outra planta, a palma necessita de adubação, sendo um fator determinante na produção de matéria verde, exigindo maior quantidade quando se trata de plantio de palma adensado. Segundo Teles et al. (2002) o espaçamento de plantio da palma forrageira varia de acordo com a fertilidade do solo, quantidade de chuvas, finalidade de exploração e com o consórcio a ser utilizado. A adubação pode ser orgânica e/ou mineral. Em caso de se optar pela adubação orgânica, pode ser utilizado estrume bovino e caprino, na quantidade de 10 a 30t/ha na época do plantio, e a cada dois anos, no período próximo ao início da estação chuvosa. Dependendo do espaçamento de plantio e nível de fertilidade do solo, nos plantios mais adensados usar 30 t de esterco de curral/hectare, bem curtido e livre de ervas daninhas. Para a adubação mineral, é necessário se proceder a uma análise do solo para uma melhor orientação quanto aos níveis a serem recomendados.

5.2.1. Tipos de solos explorados com a palma forrageira A palma forrageira, planta dotada de sistema radicular fasciculado de crescimento horizontal, se mantém a poucos centímetros de profundidade em relação à superfície do solo. Quando explorada em regime de cultivo requer solos de textura leve, preferencialmente os argilo- arenosos ou areno-argilosos não sujeitos a encharcamento, para que alcance um bom desenvolvimento vegetativo e produtivo. Entretanto, desde que se faça a descompactação do solo através de mecanização, e se adicione matéria orgânica ao mesmo, outros tipos de solo também podem ser usados para este fim. Excetuando-se, todavia, os solos com afloramentos rochosos e aqueles íngremes, onde a aração ou gradagem não se aplicam.

Neste aspecto, em se tratando das microrregiões paraibanas “Cariri e Curimatau”, com

muita freqüência, se encontram grandes plantações dessa cultura em solos dos tipos Bruno não

Calcico e Litólico, solos esses cuja estrutura, em estado natural, é bastante compactada, porém,

depois de mecanizados, se tornaram aptos ao cultivo dessa forrageira. No Estado de Alagoas, a

palma vem sendo tradicionalmente cultivada em latossolo vermelho - escuro, podzólico

vermelho-amarelo e solos escuros e pedregosos. Observa-se, deste modo, que o tipo de solo, por

si só, não constitui impedimento para o cultivo de palma forrageira.

Para a região de interesse do cultivo da palma a ocorrência das classes de solos

relacionadas a seguir, serve como indicativo do seu uso juntamente com uma breve descrição de

suas características (EMBRAPA/CNPS. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de

Janeiro, 1999.):

5.2.1.1. Argissolos Vermelho-Amarelos Eutróficos

(Podzólicos Vermelho-Amarelos Equivalentes

Eutróficos) - Classe caracterizada por solos com

horizonte B textural, de profundidade média a

profundos (Figura 6), bem drenados, textura média

nas camadas superficiais passando a argilosa em

profundidade, moderada susceptibilidade à erosão

hídrica e fertilidade natural média a alta.

em Bonito de Santa Fé, PB. Situam-se em relevo plano a suave ondulado e, em determinados locais, podem apresentar

perfis com caráter plíntico e/ou solódico. A aptidão agrícola para agricultura de sequeiro, do

conceito central desses solos, é classificada como 2 abc, ou seja, aptidão regular em qualquer

nível de manejo considerado, tendo como principal restrição as características adversas do clima

principal restrição as características adversas do clima Figura 6 . Argissolo com palma gigante regional 5.2.1.2.

Figura 6. Argissolo com palma gigante

regional

5.2.1.2.

Luvissolos Crômicos Vérticos (Brunos não Cálcicos Vérticos) - Classe caracterizada

por solos pouco profundos ou rasos, com horizonte B textural pouco espesso e com cores

avermelhadas (Figuras 7 e 8), bem a imperfeitamente drenados, com presença de fendas e

“slickensides” na porção inferior do perfil (caráter vértico), existindo áreas onde este caráter não

se manifesta.

Figura 7 . Luvissolo Crômico plantado com palma em Monteiro, PB. Figura 8 . Luvissolo

Figura 7. Luvissolo Crômico plantado com palma em Monteiro, PB.

7 . Luvissolo Crômico plantado com palma em Monteiro, PB. Figura 8 . Luvissolo Crômico plantado

Figura 8. Luvissolo Crômico plantado com palma em Soledade, PB.

É bastante freqüente a presença de calhaus e matacões cobrindo a superfície do terreno.

Ocorrem normalmente em relevo suavemente ondulado e plano. Do ponto de vista químico, são

eutróficos e apresentam alta disponibilidade de nutrientes para as plantas. Não obstante, para a

utilização agrícola de sequeiro, em virtude da excessiva deficiência hídrica regional, foram

incluídos na classe 5n, ou seja, na de terras com aptidão regular para pastagens naturais. A

utilização da prática de irrigação deverá ser bastante cautelosa, pois em muitos locais,

apresentam caráter solódico, ou seja, com 6 a 15% de saturação com sódio trocável nos

horizontes subsuperficiais.

5.2.1.3. Neossolos Regolíticos Eutróficos

(Regosolos Eutróficos) - Classe constituída de

solos normalmente arenosos (Figura 9), pouco

desenvolvidos, não hidromórficos, com

horizontes na seqüência A e C, podendo ou

não apresentar fragipan logo acima da rocha.

São profundos a moderadamente profundos,

porosos, moderada a excessivamente drenados.

Figura 9. Neossolo Regolítico plantado com palma em Pocinhos, PB. São pouco desenvolvidos, mas apresentam contato lítico em profundidade superior a 50

cm. Em conseqüência da textura grosseira predominante, estes solos possuem baixa capacidade

de troca de cátions e, conseqüentemente, baixa capacidade de retenção e disponibilidade de água,

características que se constituem nas suas principais limitações ao uso agrícola. Do ponto de vista

da aptidão para agricultura de sequeiro foram enquadrados na classe 2 (a)b(c), ou seja, com

Do ponto de vista da aptidão para agricultura de se queiro foram enquadrados na classe 2

aptidão restrita para cultivos que utilizem práticas agrícolas de baixo ou alto nível tecnológico, e

regular para aquelas de nível intermediário í.

5.2.1.4. Neossolos Litólicos Eutróficos (Solos

Litólicos Eutróficos) - Classe caracterizada com

afloramento de rocha, rasos. Ocorrem em relevo

suave ondulado a plano, e, pedregoso (Figura 10)

dependendo do local de ocorrência. A principal

diferença para os solos dessa última classe deve-

se ao fato dos solos apresentarem um horizonte

nátrico, isto é, com saturação com sódio trocável

superior a 15%.

com palma em Pocinhos, PB. Normalmente são eutróficos, apresentando altos valores de soma e saturação de bases, e

solódicos em virtude de apresentarem, na superfície do solo, camada com saturação com sódio

trocável que atende aos requisitos desse caráter. Quanto à aptidão agrícola para cultivos de

sequeiro, também foram incluídos na classe 5n, devido às características restritivas do clima

regional.

devido às características restritivas do clima regional. Figura 10 . Neossolo Litólico plantado 5.2.2. Limpeza do

Figura 10. Neossolo Litólico plantado

5.2.2. Limpeza do terreno e preparo do solo

A adaptação da área quanto ao desmatamento é igual a que se faz para as demais culturas

semi-tecnificadas. Ou seja, compreende apenas desmatamento, destocamento e remoção dos

materiais. Em se tratando de uma cultura permanente cuja área deve ser mecanizada, é

recomendável evitarem-se áreas com declividades superiores a 5% (Costa et al., 1973), com

afloramento rochoso ou com excesso de pedras superficiais soltas.

Escolhida a gleba para o plantio, as operações

antes de plantar incluem análises do solo e fertilização,

sendo necessária à limpeza do terreno. Nesta deve ser

feito a retirada da vegetação espontânea, que será

encoivarada fora da área e deixar se decompor

naturalmente. Nunca fazer queimadas (Figura 11) dentro

da área, pois, o fogo, degrada o solo física, química e

biologicamente.

dentro da área, pois, o fogo, degrada o solo física, química e biologicamente. Figura 11 .

Figura 11. Queimadas no semi-árido.

Uma vez desmatada e destocada, se a área for representada por solos compactados a

mesma deverá ser arada e gradeada conforme determinam as orientações técnicas, ou seja, o

primeiro corte seguindo a declividade do terreno e o segundo no sentido transversal a este.

Porém, se os solos apresentarem tendência arenosa duas gradagens são suficientes.

O solo deve ser arado (Figura 12) a uma

profundidade de 30 a 50 cm para assegurar uma

boa drenagem e uma boa armazenagem de água, e

erradicar as ervas daninhas que competem com as

palmas forrageiras, principalmente nos primeiros

estágios depois de plantadas. Adicionalmente o

solo deve ser rasgado com um subsolador para

melhorar a drenagem e evitar alterações em seu

perfil.

Em solos arenosos e livres de ervas daninhas, as operações antes de plantar podem se

restringir à escavação de covas individuais ou de sulcos. Junto com a preparação do solo há uma

fertilização de fundação com esterco de curral.

6. Plantio

Quando se vivem períodos de invernos normais, as plantas que vão fornecer as mudas

permite que as raquetes permaneçam túrgidas o ano todo, e neste caso o plantio deve ocorrer nos

meses de novembro e/ou dezembro, pois se realizado nessa época, assegura que no início do

inverno seguinte as plantas já estejam enraizadas, condição esta que evita o tombamento das

plantas em conseqüência do impacto das primeiras chuvas e proporcionando um bom

desenvolvimento inicial da plantação. A orientação da raquete deve ser no sentido Norte/Sul.

Todavia, nos anos de invernos escassos,

quando normalmente, as plantas matrizes atingem

estágios críticos de desidratação reduzindo, portanto,

a capacidade de enraizamento no solo seco, o plantio

só deve ser realizado quando as raquetes

readquirirem um certo teor de umidade (turgidez)

(Figura 13). Pois se plantadas muito murchas na

época acima referida, a tendência é que a elevada

temperatura do solo elimine em definitivo a grande

maioria das raquetes plantadas.

s r a q u e t e s p l a n t a d

Figura 12. Solo arado pronto para o plantio.

t a d a s . Figura 12 . Solo arado pronto para o plantio. Figura

Figura 13. Raquetes túrgidas, ideal para o plantio.

Na definição do sistema de plantio, deve ser levado em consideração a necessidade do uso da forragem a ser gerada pela palma. Quando não há palma na propriedade ou, se existe, é insuficiente para atender a demanda, recomenda-se usar sistemas de plantios adensados com vistas a alcançar uma razoável oferta de massa verde a partir de um ano de idade da cultura. Porém, quando o objetivo é gerar reservas estratégicas adicionais prevendo evitar escassezes futuras, sugerem-se adotar sistemas de plantios menos adensados. Neste caso, embora a densidade populacional por unidade de área seja menor que nos plantios adensados, os resultados finais geralmente são satisfatórios, pois graças à possibilidade de um bom manejo cultural no tocante aos tratos culturais/fitossanitários e adubação orgânica em cobertura, obtêm-se materiais de boa qualidade alem de preservar meio ambiente. Os plantios muito adensados, via de regra, impossibilitam essas ações. Neste contexto, em se tratando de palma forrageira, em que pense ser uma cultura até então pouco pesquisada, já existe uma significativa quantidade de modelos de plantio. Sobretudo, quanto a espaçamento, sistemas de arranjo e posição dos propágulos no solo. O plantio da palma geralmente é realizado no terço final do período seco (outubro a dezembro), pois quando se iniciar o período chuvoso os campos já estarão implantados, evitando- se o apodrecimento das raquetes que, plantadas na estação chuvosa, com alto teor de água e em contato com o solo úmido, apodrecem, diminuindo muito a pega devido à contaminação por fungos e bactérias. Por ocasião do plantio, a posição do artículo, que é um cladódio, também denominada pelo produtor de “raquete” ou de “folha”, pode ser inclinada ou vertical dentro da cova, com a parte cortada da articulação voltada para o solo (Figura 14) e, plantada na posição da menor largura do artículo, obedecendo à curva de nível do solo. O espaçamento depende do sistema adotado pelo produtor. Quando se pretende fazer cortes a cada dois anos e obter maior produção, pode-se optar por plantio em sulcos em espaçamento adensado (Figuras 15, 16 e 17) de 2,0 x 0,10m, ou 2,0 x 0,20m, que demandará mais adubação e capinas.

ou 2,0 x 0,20m, que de mandará mais adubação e capinas. Figura 14 . Artículo inclinado

Figura 14. Artículo inclinado para baixo.

e capinas. Figura 14 . Artículo inclinado para baixo. F i g u r a 1

Figura 15. Espaçamento 2,0 x 0,20m.

Figuras 16 . Plantio adensado (2,0 x 0,10m). Figuras 17 . Plantio adensado (2,0x0,10m). O

Figuras 16. Plantio adensado (2,0 x 0,10m).

Figuras 16 . Plantio adensado (2,0 x 0,10m). Figuras 17 . Plantio adensado (2,0x0,10m). O cultivo

Figuras 17. Plantio adensado (2,0x0,10m).

O cultivo de palma em espaçamento adensado tem sido mais utilizado recentemente. Nesses espaçamentos, os tratos culturais e a colheita são dificultados, aumentando os gastos de mão-de-obra. Além desses aspectos, neste caso, ocorre uma maior quantidade de nutrientes extraídos do solo, considerando que em espaçamento 2,0 m x 1,0 m tem-se 5.000 plantas/ha, sendo necessário um maior cuidado com as adubações, enquanto que no espaçamento 1,0 m x 0,25 a quantidade de plantas é duas vezes menor, ou seja, 40.000 plantas/ha,.O cultivo adensado da palma, ou seja, a utilização de espaçamentos menores (2,0 x 0,10m ou 2,0 x 0,20m) tem sido recentemente usados como forma de obter altas produtividades. Segundo Farias et al. (2000) utilizando espaçamentos mais adensados, pode-se alcançar maiores produções, mas os custos de estabelecimento do palmal são maiores e os tratos culturais ficam mais difíceis e não permitem consorciação com outras culturas. O emprego de espaçamentos em filas duplas, mais espaçadas, pode permitir a utilização de consórcio durante toda a vida útil do palmal, favorecendo a produção de grãos e restolhos de culturas para o produtor que optar por esse sistema, possibilitando um melhor emprego de mecanização no controle de ervas daninhas. Esse sistema também facilita a colheita e transporte, podendo também contribuir para reduzir os riscos de incêndio no palmal e controlar a erosão em áreas de cultura. Por outro lado, a consorciação da palma com outras culturas reduz a produção dessa forrageira. Esses autores puderam concluir que a maior produção de artículos de palma é obtido no espaçamento 2, 0 m x 1,0 m, e a menor, em 7,0 m x 1,0 m x 0,50 m. O número de plantas e o arranjo espacial das plantas influenciam a produtividade de sorgo granífero, sendo a maior produtividade no espaçamento 7,0 m x 1,0 m x 0,50 m. A produção de grãos de sorgo é maior na freqüência de colheita da palma de dois anos, com a conservação apenas de artículos primários. Albuquerque & Rao (1997), estudando espaçamentos em palma forrageira cultivar gigante, de 1,0 x 1,0 m; 2,0 x 1,0 m; 2,0 x 0,50 m; 2,0 x 0,67 m e 3,0 x (1,0 m

x 0,50m), verificaram que houve diferença de produção de forragem entre os espaçamentos

estudados.

Em trabalhos realizados pelo IPA – PE, usando a palma em consórcio com outras

culturas, usou-se espaçamentos de 2,0 x 1,0m; 3,0 x 1,0 x 0,5m 7,0 x 1,0 x 0,5m. Também foram

adotados espaçamentos para plantio em fileira simples de 1,0 x 0,25m e 1,0 x 0,5m. Trabalhos

em andamento, conduzidos pelo Agrônomo PAULO SUASSUNA no Município de Joazeirinho -

PB, todos plantados em sulco sendo, um caso em fileira simples, no espaçamento de 2,0m entre

fileiras e 0,1m entre raquetes na linha, onde as raquetes foram plantadas na posição vertical,

evidenciaram uma alta produção de massa verde/hectare. Um segundo arranjo espacial com o

mesmo espaçamento do primeiro, porém com as raquetes intercaladas na linha; e finalmente um

terceiro arranjo plantado em sulco com duas linhas de plantas no mesmo sulco, onde as raquetes

contínuas se tocam lateralmente, postas no sulco, sem cobertura de terra.

Como pode ser observado, ainda não existe um sistema de plantio definido para a palma

forrageira. O que se observa são novas modalidades de plantio, em sulco, nos espaçamentos:

2,0 x 0,10m com palma vertical

2,0 x 0,10 x 1,0m (fila dupla)

1,50 x 0,10m com raquetes na posição vertical;

1,50 x 0,10m com raquetes na posição perpendicular e alternadas;

1,0 x 0,10m com raquetes na posição vertical;

1,0 x 0,10m com raquetes na posição perpendicular alternadas.

1,0x 0,10 x 0,50m;

OBS: Nos plantios convencionais ainda predominam os espaçamentos de 1,0 x 1,0m e 1,0 x 0,5m

entre linhas e covas respectivamente.

6.1. Rendimento da palma forrageira no cultivo adensado na Paraíba

Tabela 1. Rendimento da palma forrageira variedade gigante no cultivo adensado na Paraíba, utilizando-se o espaçamento de 2 x 0,10m, nos municípios de Logradouro, Monteiro e Taperoá.

Município

Menor resultado obtido

Maior resultado obtido

Lograduro

240 t/ha (Palma miúda) 364 t/ha (Palma Gigante) 156 t/ha (Palma Gigante)

388 t/ha (Palma Gigante) 378 t/ha (Palma Gigante) 350 t/ha (Palma Gigante)

Monteiro

Taperoá

Fonte: Suassuna (2007).

Tabela 2. Lucratividade da palma forrageira variedade gigante no cultivo adensado na Paraíba, utilizando-se o espaçamento de 2 x 0,20m, nos municípios de Logradouro, Monteiro e Taperoá.

Município

Produção

N° caminhões 3/4 colhidos

Valor unitário

Valor total

atingida (t)

(r$)

(r$)

Logradouro

370

93

250,00

23.125,00

Monteiro

360

90

180,00

16.200,00

Taperoá

253

63

220,00

13.915,00

Fonte: Suassuna (2007).

A palma adensada (espaçamento de 1,0 x 0,25m) vem produzindo na primeira colheita em

torno de 400t MV/ha, enquanto que no plantio menos adensado (espaçamento de 1,0 x 0,5m)

produziu 300t/ha e, no espaçamento de 3,5 x 1,0 x 0,5m, produziu 100t/ha, permitindo a

consorciação com milho, feijão, algodão e outras culturas. A preferência e a disponibilidade de

capital do produtor são fatores decisivos na escolha do sistema de plantio. Porém, em qualquer

sistema utilizado, devem ser evitados os piores solos e a cultura deve ser adubada e receber os

tratos culturais adequados.

A palma miúda, cultivada no espaçamento de 1,0 x 0,5m e adubada com 20 t/ha de

esterco bovino, produziu em torno de 75 t MV/ha/ano, o que corresponde a 9,4 t MS/ha/ano. Esta

cv. é mais exigente quanto aos tratos culturais e demais condições ambientais, porém é a cv. de

maior teor de matéria seca, carboidratos solúveis e digestibilidade. A produção obtida em um

hectare de palma adensada (sistema onde se utiliza os espaçamentos entre fileiras e raquetes,

menores que os normalmente usados pelos agricultores, ou seja, numa mesma área pode se

plantar quantidade maior de raquetes) é de aproximadamente 300 toneladas a cada dois anos, o

que permite alimentar, no período de seca, 30 vacas durante 180 dias com um consumo médio

diário de 50 kg de palma por vaca.

7. Adubação

A palma é uma planta que exige solo de qualidade para ter bom rendimento. Uma boa

fonte de nutrientes, o esterco de curral, é muitas vezes desprezado por produtores que

desconhecem o potencial deste adubo orgânico, capaz de duplicar a produtividade de palma por

hectare. A falta de conhecimento leva muitos pecuaristas a venderem grandes quantidades do

adubo orgânico para produtores de fumo e hortaliças.

Considerando-se que o cultivo de palma, via de regra, se dá em regiões deficientes em

chuva, e que a época convencional para o plantio corresponde ao quarto trimestre de cada ano,

período seco, conclui-se que o uso de adubação química em fundação é uma medida

desaconselhável. Prudente é que a adubação de fundação se feita apenas com matéria orgânica

(esterco de bovinos/caprino/aves e / ou bagaço de sisal). O ultimo elemento químico que pode ser

aplicado nessa época, se for o caso, haja vista a sua baixa mobilidade é o fósforo. Elementos tais

como nitrogênio e potássio só devem ser aplicados em cobertura, com o solo bastante úmido.

Quando da adubação orgânica (Figura 18), o uso de 10

a 15 t/ha em fundação e após cada colheita, para

plantios mais espaçados, e 30t/ha para plantios

adensados, produzem efeitos bastante satisfatórios. A

adubação pode ser orgânica e/ou mineral. Em caso de

se optar pela adubação orgânica, pode ser utilizado

estrume bovino ou caprino, na quantidade de 10 a

30t/ha na época do plantio, e a cada dois anos, no

período próximo ao início da estação chuvosa.

Dependendo do espaçamento de plantio e nível de fertilidade do solo, nos plantios mais

adensados usar 30 t/ha. Adubação de cobertura com adubo orgânico (Figura 19) e mineral a partir

do segundo ano em diante, deve ser uma prática rotineira visando suprir os nutrientes removidos

pela palma (Tabela 3) a cada colheita, onde o N, K e Ca são os elementos mais removidos.

colheita, onde o N, K e Ca são os elementos mais removidos. Figuras 18 . Adubação

Figuras 18. Adubação em fundação no plantio, com esterco de caprinos.

em fundação no plantio, com esterco de caprinos. Figuras 19 . Adubação em cobertura com esterco

Figuras 19. Adubação em cobertura com esterco de curral.

Para a adubação mineral, é necessário se proceder a uma análise do solo para uma melhor

orientação quanto aos níveis a serem recomendados. Em São Bento do Una, (PE), foram obtidos

aumentos da ordem de 81% na produção com 10 t de estrume de curral/ha e de 29% com a

fórmula de 50, 50 e 50kg/ha de N, P2O5 e K2O, respectivamente, quando comparada com a

palma não adubada. Já o calcário, na quantidade de 2t/ha, não propiciou aumento de

produtividade (Santos et al., 1996). Trabalhos em andamento mostram produtividades crescentes

até 600kg/ha de nitrogênio.

A Tabela 3 apresenta os valores da extração de nutrientes pela cultura da palma forrageira

(Santos et al., 1990). Vale ressaltar que melhores resultados de produção têm sido observados

quando se associam as adubações orgânica e mineral. O emprego da adubação orgânica (20 a

30t/ha de esterco de curral bem curtido) ou mineral (100kg de N/ha e fósforo, potássio e calcário

de acordo com análise de solo) e de um espaçamento adequado podem propiciar aumentos de

mais de 100% na produção de forragem.

Tabela 3. Extração de nutrientes pela cultura da palma forrageira.

Produtividade (t de MS/ha/ano)

Quantidade de nutrientes removidos (kg/ha)

 

N

P

K

Ca

10

90

16

258

235

Obs: Admitindo-se teores de N, P, K e Ca de 0,9%; 0,16%; 2,58% e 2,35%, respectivamente (Santos et al., 1990).

Como qualquer outra planta, a palma necessita de adubação, sendo um fator determinante

na produção de matéria verde, exigindo maior quantidade quando se trata de plantio de palma

adensado. Segundo Teles et al. (2002) o espaçamento de plantio da palma forrageira varia de

acordo com a fertilidade do solo, quantidade de chuvas, finalidade de exploração e com o

consórcio a ser utilizado. Pesquisa realizada por esses mesmos autores em telado do

Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, utilizando vasos de

30 cm de diâmetro e 22 cm de altura, para o plantio usou-se cladódios de palma cv. gigante,

tendo como tratamento: testemunha, testemunha mais nematicida, testemunha mais nitrogênio,

testemunha mais fósforo, testemunha mais potássio, testemunha mais cálcio, testemunha mais

magnésio, testemunha mais enxofre, solução de macronutrientes completa (SMC), SMC

nitrogênio, SMC fósforo, SMC potássio, SMC cálcio, SMC magnésio, SMC enxofre. SMC mais

macronutrientes e SMC mais micronutrientes mais nematicida concluíram que não houve efeito

dos micronutrientes e nematicida para número total de cladódio, número de cladódio secundário,

área de cladódio, índice de área de cladódio, e produção de matéria seca, no grupo dos

tratamentos com solução de macronutrientes completa. De maneira geral, a fertilização promoveu

aumento crescente da palma forrageira. A aplicação de nematicida Furadan não influenciou o

crescimento da palma, mas diminuiu o número de nematóides de todos os espécimes.

8.

Consorciação

O consórcio com a palma pode ser feito com

Consorciação O consórcio com a palma pode ser feito com Figura 20 . Consórcio milho x

Figura 20. Consórcio milho x palma.

o milho (Figura 20), sorgo, feijão, fava, jerimum,

mandioca etc., tem sido uma prática adotada pelos

produtores com objetivo de viabilizar o cultivo em

termos econômicos e de tratos culturais desta

forrageira. Todavia, nos espaçamentos simples de

2,0 x 0,5m e 2,0 x 1,0m, recomenda-se fazer-lo no

primeiro.

O consórcio em fileiras duplas é o mais recomendado e poderá ser de 3,0 x 1,0 x 0,5m ou

em fileiras com mais de 3m entre as filas duplas, dependendo da necessidade do produtor (Farias

et al., 1986).

Em pesquisa realizada em São Bento do Una, PE, durante 12 anos, Farias et al. (2000)

obtiveram produções de 5,2; 4,8 e 2,9t MS/ha/ano de palma, de 1,6; 1,3 e 2,0t ha/ano de grão de

sorgo e 2,1; 2,1 e 3,1t MS/ha/ano de restolho do sorgo, para os tratamentos 2,0 x 1,0m; 3,0 x 1,0

x 0,5m e 7,0 x 1,0 x 0,5m, respectivamente. Foram feitas adubações com 20t/ha de estrume de

curral no ano das colheitas da palma. O espaçamento em fileiras duplas também favorece o uso

de mecanização, diminuindo-se, assim, os custos de produção, além de contribuir para o controle

da erosão do solo. O plantio da palma em filas duplas, nos espaçamentos de 3,0 x 1,0 x 0,5m ou

7,0 x 1,0 x 0,5m, permite a consorciação com milho, feijão, algodão e outras culturas, diminuindo

os custos com tratos culturais e promovendo maior produtividade da terra e economicidade das

culturas;

Albuquerque & Rao (1997) observaram decréscimo na produção de palma de 24,31%,

quando consorciada com feijão-de-corda (Vigna unguiculata L.) e de 42,81% quando foi

consorciada com sorgo (Sorghum bicolor L.).

9. Manejo cultural

O manejo cultural da palma forrageira compreende apenas capinas, adubação e cuidados

fitossanitários. Estas ações variam dependendo do sistema de plantio. Para os plantios com

espaçamentos superiores a 1,0m entre linhas, geralmente são feitas duas capinas no primeiro ano

e a partir daí, uma capina por ano. Com relação aos plantios adensados, se o adensamento for

apenas na linha, procede-se como no caso anterior, contudo, se o adensamento for total (entre

linhas e nas linhas) quando muito, se fazem as capinas do primeiro ano. Neste caso, o

entrelaçamento da cultura em todos os sentidos cobrindo a área total, impede quaisquer ações internas. A palma deve ser tratada como cultura, pois a mesma responde muito bem a capinas e roços. Em plantios adensados devem ser efetuadas, em média, três capinas por ano. Em São Bento do Una - PE, quando foi feita roçagem, foram obtidos aumentos acima de 100% na produção de forragem, quando comparada com a palma sem trato cultural. Em plantios tradicionais, os tratos culturais podem ser um roço no final da estação chuvosa. Em cultivos adensados, Farias et al. (1998), em trabalho conduzido em Caruaru, encontraram que os herbicidas de pré-emergência Tebuthiuron e Ametryne em uso exclusivo ou aplicado em conjunto com Simazine e o Diuron aplicado isoladamente ou com Trifluralina nas dosagens recomendadas pelos fabricantes, foram eficientes no controle de plantas daninhas. Também, não causarem efeitos adversos no número médio de brotações por planta e não deixaram resíduos no solo nem na planta. Em termos de produção o Diuron (Cention SC) proporcionou produção de 9,67 e o Ametryne (Gesapax 500) 8,74 t MS/ha de palma, enquanto que no tratamento sem tratos culturais, a produção foi de 3,03 t/ha, dois anos após o plantio (Farias et al., 2001). No Brasil, não existem produtos registrados para controle de ervas daninhas na cultura da palma. Desta forma, os resultados obtidos são válidos enquanto informações da pesquisa. Recomendações neste sentido só após o registro dos produtos citados. Os tratos culturais do palmal, por meio do roço ou capina, são essenciais para se obter um aumento de produtividade em torno de 100%. Vale ressaltar que no plantio, utilizando-se espaçamento adensado, observou-se que herbicidas de pré-emergência foram eficientes no controle de plantas daninhas sem causar efeitos fitotóxicos na cultura da palma.

10. Colheita Normalmente inicia-se a colheita com cerca de 1,5 a 2 anos ou mais dependendo do desenvolvimento da cultura, dependerá apenas das condições do solo, clima. Posteriormente poderá ser feito o corte anual. A palma de maneira geral é colhida manualmente apesar de aumentar o custo de produção, mais é a maneira mais racional de utilização da palma. As raquetes são colhidas diariamente e fornecidos aos animais nos cochos. A utilização da palma também poderia ser por pastejo, porém promove muitas perdas por causa da presença dos animais no palmal, por isso, mesmo com o acréscimo de mão-de-obra para o corte manual fica mais viável para o produtor. Santos et al. (1998), estudando o efeito do período de armazenamento pós-colheita sobre a composição química da palma cv. gigante, observaram que

durante períodos de armazenamento de 0, 8 e 16 dias não ocorreram perdas aparentes de matéria- seca, proteína bruta e fibra-bruta. Também foi semelhante à produção de leite das vacas alimentadas com palma armazenadas nesses três períodos. Esses autores sugerem que maior quantidade de palma pode ser colhida, independente do uso imediato, promovendo assim uma redução no custo no corte e transporte da palma. Quando o plantio e a manutenção são feitos em padrões adequados, é possível iniciar-se a colheita quando a cultura tem entre 12 e 15 meses. A colheita convencional pode ser feita das seguintes maneiras: a) arrancando-se a planta completa; b) colhendo-se apenas parte das raquetes. O primeiro caso geralmente é usado quando se tratam de plantios muito adensados, antigos ou com sintomas acentuados de doenças. Nestes casos os palmais são totalmente arrancados e re- implantados em seguida. Porém o sistema mais comum é a colheita parcial. Por este sistema, colhem-se apenas parte da aérea copada da planta e deixa-se o tronco com algumas raquetes para propagação da cultura. Neste caso a colheita pode ser feita a partir das raquetes primárias (Figura 21 ) ou das secundárias. Estes procedimentos asseguram a próxima colheita sem a necessidade de replantio, cujo procedimento pode ser repetido por várias vezes, necessitando apenas que se proporcionem intervalos de descanso de 02 anos entre as colheitas e se promova a manutenção adequada da cultura. Em casos extremos de carência de forragem, não raro, os pequenos produtores fazem colheitas rasas em plantios jovens onde são colhidas apenas algumas das raquetes mais antigas da plantação. Resultados experimentais mostraram que a palma se beneficia, em termos de produtividade e longevidade, quando não se faz uma redução drástica da superfície fotossintetizante, ou seja, a coleta de artículos. Assim, para cultivos onde se utilizam espaçamentos menores ou se adotam culturas intercalares como feijão, sorgo, milho ou algodão, deve-se deixar todos os artículos primários (Figura 21), enquanto que, para cultivo em filas duplas, devem-se deixar todos os artículos secundários. A palma normalmente é colhida manualmente e, dependendo do espaçamento e da necessidade do criador, pode ser colhida em intervalos de dois ou quatro anos, sem perda do valor nutritivo (Farias et al., 1989). Resultados preliminares obtidos em Caruaru e Arcoverde, PE, com população de 40 mil plantas/ha, apresentaram produção de 320 t MV/ha dois anos após o plantio. Com população de 20 mil plantas (1,0 x 0,5m), a produção foi de 240 t MV/ha e, com 5 mil (2,0 x 1,0m), de 104t MV/ha, a cada dois anos. Em cultivo com fileiras duplas de 3,0 x 1,0 x 0,5m, consorciada com sorgo, a produção de palma foi de 100 t MV/ha. Além disso, nesse sistema foram obtidas produções de 1,3 e 2,1t MS/ha/ano de grãos e restolhos de sorgo, respectivamente. Vale ressaltar que neste sistema ocorre uma redução das culturas consorciadas,

em relação ao cultivo isolado. Mas por outro lado ocorre ganho no índice de produtividade da terra (Farias et al., 1986). Os sistemas de plantio nos espaçamentos 2,0 x 1,0 m e 3,0 x 1,0 x 0,5m permitem colheitas a cada quatro anos, com produções duas vezes superiores às colheitas a cada dois anos, quando são conservados apenas os artículos primários (Farias et al., 1989).

apenas os artículos primários (Farias et al ., 1989). Figura 21. Colheita deixando o artículo primário.

Figura 21. Colheita deixando o artículo primário.

Em colheitas anuais, com a cultivar miúda, tem-se obtido uma produção média de 10,6t MS/ha/ano e 77,8t MV/ha/ano, adubada com 20t de estrume de curral/ha/ano e com população de 20 mil plantas/ha. Esperam-se produções maiores nas colheitas subseqüentes devido a um maior número de artículos primários ou secundários distribuídos nas plantas (Santos et al., 1998a). A palma, após a colheita, pode ser utilizada de imediato ou mantida à sombra até 16 dias, para ser fornecida aos animais, sem que haja perda do valor nutritivo (Santos et al., 1998b). A palma, depois de colhida, pode ser armazenada à sombra por um período de até 16 dias, sem perda do valor nutritivo e comprometimento da produção de leite, o que pode representar uma redução dos custos com colheita e transporte. A freqüência de corte, a cada quatro anos, do palmal plantado em espaçamentos de dois ou mais metros entre filas, deve ser considerada uma importante estratégia de convívio com o semi-árido, pois a palma acumula a produção com persistência do valor nutritivo.

CAPÍTULO II

CAPÍTULO II

PRAGAS DA PALMA

Edson Batista Lopes Jacinto de Luna Batista Carlos Henrique de Brito Djalma Cordeiro dos Santos

1. Introdução

Cultivada em áreas com acentuado nível de pobreza nos Estados nordestinos a palma

forrageira tem grande importância sócio-econômica para a região do semi-árido, onde, nos longos

períodos de estiagem, serve de alimentação dos rebanhos, sobretudo em pequenas propriedades,

notadamente na agricultura familiar. Além de servir como alimentação animal, também é

utilizada na alimentação humana, a exemplo dos habitantes da região da Chapada Diamantina,

BA, com grande valor nutricional, rica em vitamina A, ferro e cálcio, inclusive com propriedades

medicinais que vêm sendo pesquisadas.

As populações de insetos/animais causam danos diretos ou indiretos às plantas da palma

forrageira, quando fatores climáticos ou condições específicas do agroecossistema favorecem o

crescimento destas populações, e aí sim, elas passam a causar danos econômicos que, para serem

evitados, necessitam do uso de medidas de controle. A forma mais eficiente e econômica de

prevenir os danos causados por insetos e ácaros é através do monitoramento da cultura, de modo

que as populações possam ser detectadas no seu início. Isto pode ser feito através da

determinação direta do número de insetos sobre as plantas ou de seus danos sobre estas, ou

através de outros meios como a utilização de armadilhas. De posse destas informações e outras

sobre a biologia e ecologia das espécies pode-se estimar com bom nível de precisão as épocas

mais favoráveis para sua ocorrência, freqüência e densidade populacional, tipo e importância

econômica dos danos causados.

Ainda que predomine nos sistemas de produção atuais o controle químico, através da

aplicação de inseticidas e acaricidas e seja o método empregado mais freqüentemente, observa-se

que na maioria das vezes esta prática é desnecessária e, portanto antieconômica e danosa ao

homem, animais domésticos e ao meio-ambiente.

Diversos insetos ocorrem sobre a palma forrageira, tais como besouros (Coleoptera),

formigas (Hymenoptera), gafanhotos (Orthoptera), lagartas (Lepidoptera), tripes (Thysanoptera), etc., porém o que realmente constituem pragas da palma no Nordeste do Brasil são as cochonilhas do carmim (Dactylopius opuntiae Cockerell) e de escama (Diaspis echinocacti Bouché, 1833) (Hemiptera, Diaspididae), conhecida vulgarmente por escama, piolho ou mofo da palma.

2. Cochonilha-do-carmim (Dactylopius opuntiae) É a principal praga da palma forrageira no semi-árido nordestino. A cochonilha do carmim foi importada pelo Estado de Pernambuco visando à obtenção do corante carmim (ácido carmínico) e tornou-se uma praga devastadora para palma forrageira variedade gigante (Opuntia ficus indica), ameaçando a sobrevivência de milhares de famílias nordestinas que dela dependem para a sobrevivência de seus rebanhos nos períodos de estiagens prolongadas. “A cultura da palma forrageira é uma atividade lucrativa para os caririzeiros, pois além da alimentação dos rebanhos, se obtém renda extra para o sustento da família. Um hectare de palma nas épocas de estiagem prolongadas chega a custar entre R$ 1.800,00 e 2.000,00. Num hectare de palma forrageira se produz, em média, 400 kg de cochonilha seca que comercializada a R$ 2,50 somariam R$ 1.000,00. Com esses dados, infere-se que, economicamente, é mais rentável produzir a palma para comercialização do que a cochonilha, pois depois de estabelecida no palmal degeneram drasticamente todas as plantas, inclusive matando-as, a ponto de não servirem de alimento para os animais.” Hoje a cochonilha do carmim (Figura 1) tem causado elevados danos às lavouras de palma forrageira (Figura 2), impossibilitando a pecuária bovina, caprina e ovina, com sérios prejuízos para o agronegócio, já tendo destruído mais de 100 mil hectares da cultura nos estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Atualmente, dados mais recentes de junho de 2007, a Paraíba conta com 63 municípios infestados todos eles com ataque e perdas acima de 90%. Altamente devastadora, a praga, que chega a provocar perdas de 100% da produção, é disseminada através do vento, animais, veículos, mudas e partes vivas (raquetes ou cladódios) da planta. Considerando o preço de um hectare na roça em torno de 2.000,00 reais, estima-se que o prejuízo imposto aos agricultores nos Estados infestados, atinja a cifra de R$200 milhões de reais.

Figura 1 . Alta infestação da praga. Figura 2 . Área de palma dizimada pela

Figura 1. Alta infestação da praga.

Figura 1 . Alta infestação da praga. Figura 2 . Área de palma dizimada pela praga.

Figura 2. Área de palma dizimada pela praga.

O reconhecimento da presença da cochonilha-do-carmim sobre cactáceas cultivadas ou nativas dispersas pela caatinga é fácil, as fêmeas adultas apresentam forma bem peculiar, de corpo pequeno ovalado, com extremidade abdominal arredondada, totalmente coberta por cerosidade branca que protege o corpo avermelhado do inseto intumescido de ácido carmínico. São sedentárias, quando esmagadas esparramam o conteúdo do corpo, que é vermelho, da cor de sangue, que caracteriza os representantes do gênero Dactylopius. O desenvolvimento pós- embrionário apresenta duração variável de 40-60 dias. Os machos se desenvolvem em casulos de cera branca, aglomerados em forma de penca, de onde saem os adultos, que são formas aladas com um par de asas membranosas semelhantes a mosquitos. A disseminação por recursos próprios é lenta e difícil, por se tratar de inseto de hábito estacionário. Os machos, que são alados, vivem somente para fecundar as fêmeas, morrendo logo em seguida. O principal meio de propagação é quando levadas pelo homem sobre as raquetes de uma área para outra ou acidentalmente presas à roupa ou corpo de animais de transporte. No gênero Dactylopius são conhecidas diversas espécies que produzem o ácido carmínico, das quais três são citadas no Quarto Catálogo dos Insetos que vivem nas plantas do Brasil (Silva et al., 1968), ocorrendo em território nacional como sendo nativas, Dactylopius ceylonicus, D. indicus e D. subterraneus. O corante natural carmim, fabricado a partir da síntese do ácido carmínico, é produzido por um inseto do gênero Dactylopius pertencente à família Dactylopiidae, da ordem Hemiptera, que se cria em Opuntia fícus indica e conhecida internacionalmente como grana cochinilla ou cochonilha-do-carmim (Dactylopius coccus) (Figuras 3 e 4). O corante carmim ou ácido carmínico (Figura 5) é um corante natural, recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para ser usado em alimentos, bebidas, tecidos, produtos de beleza, medicamentos, etc.

Figura 3 . Cochonilha-do-carmim ou grana cochinilla. Figura cochonilha-do-carmim. 4 . Formas jovens e adultos

Figura 3. Cochonilha-do-carmim ou grana cochinilla.

Figura 3 . Cochonilha-do-carmim ou grana cochinilla. Figura cochonilha-do-carmim. 4 . Formas jovens e adultos da

Figura

cochonilha-do-carmim.

4.

Formas

jovens

e

adultos

da

Figura cochonilha-do-carmim. 4 . Formas jovens e adultos da Figura 5 . Fórmula química do ácido

Figura 5. Fórmula química do ácido carmínico, extraído da cochonilha seca.

O pesquisador francês Luis Jacques Brunet, citado por Costa (1958), faz o seguinte

comentário sobre este inseto: “Nós temos a cochonilha em abundância prodigiosa nos nossos

sertões, mas sem ser aproveitada a riqueza que produz, sem dúvida por se ignorar o tesouro que

ela encerra. Não sabemos se os holandeses a descobriram em suas excursões científicas pelo

interior do estado, no tempo da sua dominação, e tampouco se a cochonilha embarcada de

Pernambuco para a Holanda de 1637 a 1640, foi ou não aqui obtida, no todo ou em parte,

porquanto o registro dos carregamentos remetidos para a metrópole não menciona a procedência

dos produtos.” Cunha (1997) cita a cochonilha encontrada nas cactáceas da Caatinga no Sertão

Nordestino. Domingues (1963) e Correia (1984) fazem referências a D. cocus trazida para o

Brasil pelos portugueses na época da colonização, juntamente com as cactáceas exóticas para

criação e produção do corante natural.

Como a cultura da cochonilha do carmim não teve êxito no Brasil, a cactácea importada

com ela passou a ser planta ornamental nos parques e jardins, até quando foi descoberta sua

utilização como forrageira (Domingues, 1963). Delmiro Gouveia, ao que tudo indica, foi o

responsável não pela introdução propriamente da palma no Nordeste, mas pela sua disseminação em Alagoas, depois de ter sido instalada na Fazenda Cobra, no município de Pedra, em Pernambuco. É possível que com a disseminação da palma, a mesma tenha levado consigo a cochonilha. No período da colonização mexicana, os espanhóis levaram palma e cochonilha do carmim para Europa e para as ilhas Canárias e Java, mantendo por muito tempo o monopólio industrial e comercial do corante. Com a independência do México, o cultivo da cochonilha do carmim passou a ter maior importância, sendo cultivada em diversos estados. Com a descoberta da tecnologia para se fabricar corantes sintéticos com custos bem mais baixos, a cultura da cochonilha entrou em decadência e quase desapareceu nos países produtores. Com a proibição para alguns corantes químicos tidos como cancerígenos nos anos setenta pela Organização Mundial de Saúde, a demanda pelo corante carmim de cochonilha retornou a posição inicial.

2.1. Manejo Integrado da Cochonilha - do - carmim (MICC) O Manejo Integrado de Pragas (MIP), estabelece que se utilize das mais diversas formas de vida (Insetos predadores, fungos, bactérias e vírus) e táticas de manejo: manejo cultural, controle mecânico e aplicação de produtos químicos alternativos. Diante da maleficidade e devastação desenfreada da cochonilha-do-carmim, recomendam-se a adoção das seguintes medidas:

2.1.1. Erradicação - ao primeiro sinal de ocorrência do inseto sobre palma em áreas onde o

mesmo não é desejado (observado pela primeira vez) deve-se de imediato tomar medidas de controle para impedir o crescimento da população para não atingir nível de praga. Em áreas de cultivo da cochonilha a técnica de coleta das fêmeas adultas constitui uma medida de controle.

2.1.2. Controle mecânico

Áreas de infestação inicial - coletar as raquetes atacadas, acondicioná-las dentro de um

saco e alimentar os animais, uma vez que este inseto é inofensivo ao homem e animais. No caso do cultivo da cochonilha sobre a palma, a coleta das fêmeas adultas para o processamento da matéria prima do corante constitui uma medida de controle mecânico da população do inseto.

2.1.3.

Controle alternativo (produtos químicos)

Áreas de média infestação - aplicar água sanitária e detergente neutro, na proporção de

300 ml do primeiro e 600 ml do segundo, para um pulverizador costal de 20 litros d’água.

Realizar três aplicações intercaladas a cada oito dias;

Áreas de severa infestação (focos) – aplicar, realizando uma cobertura total, duas

aplicações de sabão em pó (2%) ou de detergente neutro (6%) que proporcionaram um

controle de 98-100% e/ ou utilizar o controle mecânico, destruindo reboleiras do inseto-

praga. Em grandes focos, onde se faz necessário medidas mais enérgicas, o recomendado

é cortar a palma e ofertar ao gado, incinerar ou ainda lançar mão do lança chamas, prática

adotada com sucesso por alguns agricultores.

2.1.4. Variedades resistentes - utilizar as variedades de palma recomendadas pela pesquisa quais

sejam: Palma doce de Monteiro (Nopalera) (Figuras 6 e 7). Orelha de elefante mexicana F-15

(Figura 8), Palma doce Sertânia (Figura 9), Orelha de elefante africana, Miúda tradicional e

Forrageira F-13.

de elefante africa na, Miúda tradicional e Forrageira F-13. Figura 6. Palma doce de Monteiro (Nopalera).

Figura 6. Palma doce de Monteiro (Nopalera).

F-13. Figura 6. Palma doce de Monteiro (Nopalera). Figura Monteiro (Nopalera) . 7. Campo de Palma
F-13. Figura 6. Palma doce de Monteiro (Nopalera). Figura Monteiro (Nopalera) . 7. Campo de Palma

Figura

Monteiro (Nopalera).

7.

Campo

de

Palma

doce

em

Figura Monteiro (Nopalera) . 7. Campo de Palma doce em Figura 8. Palma orelha de elefante

Figura 8. Palma orelha de elefante – IPA. Figura 9. Palma doce Sertânia IPA.

Constatou-se, na prática, que o gênero Nopalea, conhecida popularmente por palma doce

ou palma miúda, não se encontra infestada pela cochonilha-do-carmim mesmo em plantios onde

a palma gigante encontra-se infestada severamente. Esse fato levou alguns agricultores a

conduzir plantios específicos para multiplicação e venda desse material, vislumbrando a

possibilidade de atender a uma demanda futura de propagação e manutenção do cultivo da palma

miúda na região. Tal procedimento foi constatado no município de Monteiro, nos sítios Santa

Terezinha e Rigideira, e no município de Ouro Velho nas propriedades Carnaíba e Lagoa Seca, e

no município da Prata. Considerando-se a não infestação e a promissora utilização de outras

espécies de palma forrageira na alimentação animal, presume-se que a alternativa encontrada

para a convivência com o problema instalado na região, tem como solução a utilização de novas

espécies ou variedades resistentes, uma vez que o próprio agricultor já está adotando essa

tecnologia. Verifica-se que atualmente a palma miúda (Nopalea cochenillifera) constitui-se na

alternativa para se continuar a produzir palma forrageira no Cariri Ocidental, e encaminha o rumo

da pesquisa na área de avaliação e produção de novos genótipos, variedades ou espécies

resistentes como opções futuras.

2.1.5. Controle biológico - o controle biológico da cochonilha é desenvolvido com a utilização

de inimigos naturais (parasitóides e predadores). Dentre os agentes biológicos mais eficazes

encontram-se as joaninhas, que são besouros da família Coccinellidae. No Cariri Ocidental, nas

zonas rurais dos municípios de Monteiro, Prata e Ouro velho, foram identificadas duas espécies

de joaninhas em cladódios de palma forrageira (O. ficus-indica) alimentando-se de fêmeas da

cochonilha-carmim. As espécies identificadas foram: Cycloneda sanguinea (adulto) (Figura 10) e

Scymnus sp. (adulto) (Figura 11) (Coleoptera: Coccinellidae). Essas joaninhas, apesar das baixas

populações, estão contribuindo na redução da praga, através do controle biológico natural. A

utilização de inimigos naturais como às joaninhas é um dos métodos mais utilizados na Espanha,

onde a produção de joaninhas com finalidade de controle biológico na agricultura é feita pelo

próprio governo, que distribui lotes anuais para as mais diversas culturas.

que distribui lotes anua is para as mais diversas culturas. Figura 10 . Cycloneda sanguinea (Coleoptera:

Figura 10. Cycloneda sanguinea (Coleoptera:

Coccinellidae).

10 . Cycloneda sanguinea (Coleoptera: Coccinellidae). Figura 11 . Scymnus intrusus (Coleoptera: Coccinellidae).

Figura 11. Scymnus intrusus (Coleoptera:

Coccinellidae).

3. Cochonilha de escama (Diaspis echinocacti)

O inseto praga provavelmente chegou ao Brasil com as cactáceas dos gêneros Opuntia e

Nopalea, trazidas pelos portugueses na época da colonização, juntamente com a cochonilha do carmim, para desenvolvimento do cultivo do inseto. O primeiro assinalamento da cochonilha de escama em território nacional foi no Rio de Janeiro em 1900, justamente para onde a palma foi levada (Hempel, 1900). O que provavelmente aconteceu depois de muito tempo, com o desenvolvimento da cultura da cactácea forrageira no Nordeste, foi o surgimento da praga, que se espalhou pela maioria dos Estados. O primeiro assinalamento na região foi em Pernambuco, no

município de São Bento do Una, em 1966. No final dos anos sessenta a praga surgiu na região da bacia leiteira de Alagoas. Foi a principal praga da palma forrageira no Nordeste, antes do aparecimento da cochonilha-do-carmim em 2000, no Estado de Pernambuco. Conhecida vulgarmente por escama, piolho ou mofo da palma, que causa danos e prejuízos à cultura (Figuras 12 e 13). É um inseto cosmopolita que ocorre em todas as regiões onde a cactácea é cultivada. No México, é conhecido por escama blindada, por apresentar dificuldades às medidas de controle. A praga infesta às raquetes ou artículos com suas colônias, onde formas jovens e adultos protegidos por uma escama ou escudo de cera sugam a seiva para se alimentar, causando inicialmente o dano direto pela ação espoliadora, quando as raquetes começam a apresentar clorose. Em seguida, vem o dano direto, que por se tratar de um inseto picador-sugador, abre orifício por onde penetram microrganismos que causam o apodrecimento e queda das raquetes e, conseqüentemente, a morte da planta.

A palma infestada pela cochonilha de escama é facilmente reconhecida pelo aspecto

peculiar do aglomerado de escamas do inseto, com coloração marrom-clara, mascarando o verde típico da cactácea. As escamas são removidas por leve atrito com a unha ou um graveto sobre as colônias que recobrem as raquetes, que constitui uma forma para confirmar a infestação da praga (Arruda, 1983).

para confirmar a infestação da praga (Arruda, 1983). Figura 12. Infestação inicial da praga. F i

Figura 12. Infestação inicial da praga.

(Arruda, 1983). Figura 12. Infestação inicial da praga. F i g u r a 1 3

Figura 13. Alta infestação da praga.

A ocorrência da cochonilha de escama sobre as cactáceas forrageiras apresenta uma sintomatologia bem típica, não devendo ser confundida com o chamado mal fisiológico, que

acontece geralmente em raquetes mais velhas nos períodos de estiagem, com exibição de pústulas sobre o tegumento das plantas. Que tem, também, certa semelhança com as colônias do inseto praga, mas que não é facilmente destacável, não provoca clorose, nem queda dos artículos, não prejudicando assim a planta.

A cochonilha de escama encontra-se atualmente dispersa nos Estados da Bahia, Sergipe,

Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Quando a praga for identificada em

uma área de palma deve-se, de imediato, tomar as devidas providências, pois se nenhuma medida de controle for aplicada, o inseto devasta completamente a cultura (Arruda, 1983). Para combater

a cochonilha de escama na palma forrageira, o indicado é o manejo integrado, com ênfase no

controle biológico, uma vez que são conhecidos diversos inimigos naturais da praga, atuando principalmente nos Estados de Pernambuco e Alagoas. Parasitóides (vespinhas) e predadores (besouros de pequeno porte), conhecidos por joaninhas, estão sendo utilizados em programas de

controle biológico desenvolvidos pelo IPA e pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Alagoas - EPEAL (Carvalho et al., 1978; Silva, 1990; Warumby et al., 1993).

3.1. Manejo Integrado da Cochonilha-de-Escama

O manejo integrado é à medida que reúne todas as técnicas possíveis de serem aplicadas

para controlar e manter a população da praga em nível de equilíbrio, dificultando a forma de vida

e o crescimento de sua população. Para o caso da cochonilha de escama as recomendações são as

seguintes:

A) O plantio deve ser feito corretamente na época indicada, com raquetes sadias sem

vestígio de cochonilha e de procedência conhecida para evitar a presença da praga no início da

plantação. B) Identificar a presença da cochonilha na área cultivada com palma logo no início facilita

o controle com a erradicação das plantas infestadas. A infestação da praga se inicia em plantas isoladas na área cultivada.

C) Proceder a capinas, para evitar concorrência de ervas daninhas com a cultura, e

adubação química ou orgânica, de acordo com as quantidades indicadas. A adubação, além de aumentar a produção, induz uma certa resistência da planta ao inseto.

D) É importante o conhecimento de cultivos com palma infestada pela cochonilha para

evitar que homens e animais passem destas áreas para plantações de palma sem a praga, pois esta

é uma das formas de propagação da praga.

E) A eliminação dos focos de cochonilha na área cultivada com palma é muito

importante, desde que as raquetes infestadas não apresentem inimigos naturais (joaninhas e

vespinhas). Esta eliminação consiste em cortar as raquetes infestadas para reduzir a população do inseto. A palma cortada, mesmo infestada, pode ser utilizada na alimentação do gado.

F) O controle biológico - consiste na utilização dos inimigos naturais da praga - as

joaninhas e as vespinhas são, respectivamente, predadores e parasitóides - que são liberados no

campo onde a praga está ocorrendo para se processar o equilíbrio natural. O procedimento deve ser o seguinte: uma vez confirmada a presença da praga e ausência dos controladores naturais, estes devem ser adquiridos para liberação no local aonde a cochonilha vem se desenvolvendo. Os inimigos naturais da praga podem ser remanejados de onde eles ocorrem para as áreas com problema. Os controladores biológicos da praga podem ser criados em laboratório ou em gaiolas teladas, para posterior liberação no campo. É de grande importância o conhecimento dos inimigos naturais da praga para preservação e manutenção dos mesmos no campo. Parasitóides:

Plagiomerus cyaneus (Hymenoptera, Encyrtidae) vespinha. Prospaltella aurantii (Hymenoptera, Aphelinidae) vespinha. Predadores:

Coccidophilus citricola (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha preta pequena. Chilocorus nigrita (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha preta grande. Zagreus bimaculosus (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha alaranjada e preta. Pentilia egena (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha preta. Pentilia sp. (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha marrom. Zagloba beautimonti (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha cinzenta. Zagloba sp. (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha cinzenta. Calloeneis sp. (Coleoptera, Coccinellidae) joaninha. Salpingogaster conopida (Diptera, Syrphidae) mosca de corpo alongado.

G) Cultivares resistentes - deve-se proceder ao plantio de palma de preferência com

cultivares que apresentem alguma forma de resistência à praga. A eliminação das plantas mais suscetíveis ao inseto ajuda na manutenção do controle. H) O uso de produtos químicos - deve ser feito com muita cautela para não prejudicar o desenvolvimento dos inimigos naturais, que são mais sensíveis aos defensivos agrícolas que a própria praga. A aplicação de inseticidas deve ser feita em pequenas áreas, através de produtos seletivos com indicação para cochonilha de escama, em plantações de palma onde não foram

encontrados inimigos naturais. Em caso de ataque muito severo, pode ser aplicado óleo mineral a 1% com os devidos cuidados. No combate químico, recomenda-se três aplicações de óleo mineral

a 1% (200 ml/20 litros) junto com sal de cozinha (1kg/20 litros). As aplicações devem ser feitas de forma intercalada a cada 20 dias. Como utilizar o óleo mineral, segundo Lopes (2002).

1. Usando o pulverizador costal de 20 litros:

Colocar 200 ml de óleo mineral TRIONA B, no pulverizador; Diluir 1 quilo de sal de cozinha em 5 litros d’água, completando o pulverizador com água; Recomendam-se 03 (três) pulverizações espaçadas a cada 20 dias; Após a última aplicação, a palma já pode ser consumida pelos animais sem nem um risco de intoxicação para os mesmos.

2. Usando um tambor de 100 litros d’água:

Colocar 1 litro de óleo mineral TRIONA B, no tambor de 100 litros; Diluir 5 quilos de sal de cozinha em 20 litros d’água, adicionando ao tambor de 100 litros completando o volume com água; Recomendam-se 03 (três) pulverizações espaçadas a cada 20 dias; Após a última aplicação, a palma já pode ser consumida pelos animais sem nem um risco de intoxicação para os mesmos. Uma observação importante; antes de aplicar qualquer medida de controle da praga, deve- se verificar se os insetos, por baixo das escamas de proteção estão vivos. É comum quando a cochonilha está morta pela ação dos parasitóides e predadores, as escamas mesmo secas permanecerem nas raquetes, podendo ser removidas facilmente com leve atrito. No momento, a praga mais importante no agreste de Pernambuco é a cochonilha de escama, que deverá ser controlada pelo método de controle biológico, ou seja, com inimigos naturais, como a joaninha, conforme recomendações do IPA. No Sertão, além dessa cochonilha, a do carmim vem se tornando a de maior prejuízo para os produtores. O IPA já identificou cultivares resistentes, bem como, métodos de controle. Ressalta-se que, embora de maior valor nutritivo, a cultivar miúda é mais suscetível a cochonilha de escama e resistente a do carmim.

4. Pão-de-galinha (Ligyrus spp.) - o aparecimento de larvas do besouro Ligyrus spp. conhecida

por pão de galinha ou rola-bosta (Figura 14), provoca apodrecimento nas raquetes da base da planta, isso acontece quando se usa esterco de curral ainda verde, com muita umidade, na adubação, o que pode ser facilmente evitado.

Figura 14. Larva e adulto do pão-de-galinha. 5. Preá - São duas as espécies de

Figura 14. Larva e adulto do pão-de-galinha.

5. Preá - São duas as espécies de preás existentes no Brasil. A de nome científico Cavia aperea é encontrada nos Estados do Sul e do Sudeste. A outra, batizada cientificamente de Galea spixii spixii, é típica da região Nordeste. Roedor rústico (Figura 15), vivem em bandos e é um dos mamíferos mais comuns da caatinga. Geralmente, faz seus ninhos em moitas de cactos ou bromélias e em pequenos buracos. Roedor com cerca de 25 centímetros de comprimento, de hábitos crepusculares vive em capinzais, entre moitas e arbustos, às vezes perto de áreas alagadas, onde consegue mergulhar e nadar. Alimenta-se de brotos, folhas e raízes. Quando seu ambiente natural sofre alterações, invade arrozais e hortas sendo considerado praga, por se alimentar e dilacerar as raquetes da base da planta, provocando tombamento da planta.

as raquetes da base da planta, provocando tombamento da planta. Figura 15. Animal jovem do preá

Figura 15. Animal jovem do preá do Nordeste.

CAPÍTULO III

CAPÍTULO III

DOENÇAS DA PALMA

Rildo Sartori Barbosa Vanildo Alberto Leal B. Cavalcanti Edson Batista Lopes Egberto Araújo

1. Introdução

A palma forrageira, envolvendo as espécies Opuntia ficus-indica Mill. e Nopalea

cochenillifera (L.) Salm. Dick., constitui importante cultura agrícola em zonas áridas e

semiáridas do mundo, destacando-se nas regiões nordeste do Brasil, África e México. Além do

uso na alimentação animal, a palma tem sido utilizada na conservação de solos, como substrato

para produção da cochonilha do carmim, biomassa com fins energéticos, alimentação humana

(frutos e verduras) e produção de bebidas, queijos vegetarianos, drogas e cosméticos.

Apesar de ser nativa de regiões muito quentes e clima seco, a cultura da palma forrageira

é afetada por vários patógenos, principalmente os de natureza fúngica, que atacam,

preferencialmente, as raquetes ricas em umidade. Diante da importância do cultivo da palma, as

publicações sobre doenças são muito limitadas, caracterizando-se pela descrição de problemas

fitossanitários resultantes de levantamentos ou assinalamento de doenças na cultura. Em nível

mundial, várias doenças causadas por fungos foram assinaladas na palma forrageira, destacando-

se entre estas a podridão do caule (Armillaria mellea), Podridão preta (Lasiodiplodia

theobromae), Gomose (Dothiorella ribis), Podridão de fusário (Fusarium solani), Murcha de

fusário (Fusarium oxysporum f. sp. opuntiarum), Podridão do colo (Phytophthora cactorum),

Podridão de Sclerotium (Sclerotium rolfsii), Podridão de rizoctonia (Rhizoctonia solani),

Podridão de Macrophomina (Macrophomina phaseolina), Antracnose (Colletotrichum

gloeosporioides), Podridão de Sclerotinia (Sclerotinia sclerotiorum), Mancha de Alternaria

(Alternaria tenuis) e Mancha de Cercospora (Cercospora sp.). Apenas duas doenças causadas

por bactérias são relatadas – a Podridão mole (Pectobacterium carotovorum subsp. carotovorum)

e Galha em coroa (Agrobacterium tumefasciens). Tendo como agentes os fitoplasmas

(micoplasmas) foram assinaladas o engrossamento dos cladódios e Proliferação de flores. Nas

espécies O. ficus-indica e N. cochenillifera não há relatos, com testes de patogenicidade, da

ocorrência de vírus e nematóides. No Brasil, as doenças da palma forrageira têm sido pouco

estudadas e a quase totalidade dos trabalhos descrevem apenas o assinalamento, a sintomatologia e patogenicidade dos agentes causais. Assim sendo, são limitadas as informações quanto a prejuízos, intensidade das doenças e medidas efetivas de controle. A expansão do cultivo da palma forrageira no Nordeste do Brasil e introdução de novas técnicas de manejo na cultura têm proporcionado maior ocorrência de problemas fitossanitários, o que enseja o desenvolvimento de pesquisas relacionadas a este tema nos principais estados produtores do Brasil. As doenças da palma têm sido pouco estudadas no Brasil e quase todos os trabalhos descrevem o assinalamento, sintomatologia e patogenicidade dos agentes causadores. Dentre as doenças descritas no Nordeste, principalmente em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, destacam-se as podridões de artículos primários e secundários, causadas pelos fungos Lasiodiplodia theobromae, Sclerotium rolfsii, Scytalidium lignicola, Fusarium solani, Macrophoma sp., Pollaccia sp. e Rhizoctonia solani, podridões de raízes e raquetes da base devido a fungos ou a bactéria Erwinia subsp. carotovora e manchas em artículos. As referidas doenças possuem características sintomatológicas distintas e ocorrem em baixa incidência e, portanto, não causam danos severos à cultura. É provável que a baixa severidade das doenças na palma esteja relacionada com o sistema tradicional de cultivo desta cactácea. No entanto, a expansão da cultura e o plantio adensado podem contribuir para uma maior incidência das doenças, justificando estudos mais detalhados, principalmente no que se refere às medidas de controle. Deve ser ressaltado que, em relação às doenças atualmente descritas, não existem indicações de medidas efetivas de controle, exceto o plantio na época seca para evitar a podridão da raquete-semente. Na seqüência são descritas as principais doenças da palma forrageira na região Nordeste, principalmente, em relação aos estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Ceará.

2. Doenças dos cladódios causadas por fungos As doenças de origem fúngica são as mais importantes na cultura da palma forrageira, podendo afetar raquetes, sistema radicular e frutos nas fases de pré e pós-colheita. A maior severidade das doenças fúngicas tem sido correlacionada com estresse nutricional, excesso de matéria orgânica e umidade no solo, suscetibilidade de cultivares e clones e adensamento da cultura. Neste grupo de doenças destacam-se as podridões de raquetes, podridões de raízes e raquetes da base e manchas em artículos, que reduzem a produtividade e limitam o cultivo de espécie, cultivar ou clone de maior interesse de cultivo ou valor comercial. 2.1. Podridão Negra (Lasiodiplodia theobromae)

A Podridão negra constitui a doença de maior ocorrência em cultivos de palma gingante

(O. ficus indica) no estado de Pernambuco. Foi relatada em 1961 por A. P. Viegas e,

posteriormente, descrita em 1963 em Caruaru – PE, causando severos danos em raquetes-

sementes. Em 1970 foi assinalada no município de Pombal – PB. Em outros países produtores a

ocorrência da Podridão negra somente foi descrita na África do Sul.

Sintomas: Geralmente, a podridão ocorre a partir

do local de inserção das raquetes primárias,

secundárias ou terciárias, sendo no início de cor

marrom e, em seguida, torna-se escura devido à

produção de estruturas do fungo (Figura 1). É

consistente, com abundante exsudação de goma

de coloração amarelo leitosa e tornando-se,

posteriormente, enegrecida.

As infecções em raquetes primárias ou secundárias promovem o tombamento de partes da

planta, causando prejuízos na produção.

Controle: Na época de plantio, utilizar raquetes-sementes sadias para evitar a introdução da

doença nas áreas de produção. Remoção e destruição das raquetes infectadas no campo.

Pulverização com fungicidas, em intervalos de 15 a 20 dias, no período mais favorável à doença.

de 15 a 20 dias, no período mais favorável à doença. Figura 1. Podridão negra. 2.2.

Figura 1. Podridão negra.

2.2. Podridão Seca Escamosa (Scytalidium lignicola )

A podridão seca escamosa foi a doença

lignicola ) A podridão seca escamosa foi a doença Figura 2. Podridão seca escamosa mais freqüente

Figura 2. Podridão seca escamosa

mais freqüente que se observou em inspeções

realizadas no mês de agosto deste ano de 2007,

em plantios de palma forrageira variedade

gigante nos municípios de Pocinhos, Boa Vista

Soledade, Monteiro, Taperoá e Joazeirinho,

Paraíba. Os danos causados em cladódios numa

estimativa prévia, variaram de ¼ a ¾ da área das

raquetes afetadas (Figura 2).

Sintomas: A partir de material de palma forrageira variedade gigante coletado em diversos

municípios do Cariri Paraibano, foi observado, tanto nas partes laterais e centrais, quanto nas

conexões entre os artículos, o desenvolvimento de sintomas constituídos por manchas onduladas

sobre área com podridão seca, com semelhança de escamas, a respeito da podridão seca causada

pelo fungo Scytalidium lignicola. Essa etiologia foi confirmada pelo exame, sob microscópio, de preparações à fresco das estruturas fúngicas que se desenvolviam nas lesões.

2.3. Gomose (Dothiorella ribis)

A doença ocorre nos principais países produtores de palma forrageira, tais como México,

Brasil e Itália. No Nordeste do Brasil tem sido observado com freqüência na região sertão do

estado de Pernambuco, causando prejuízos na produção. Induz lesões na forma de cancros, ressecando as raquetes e provocando declínio da planta.

A Gomose da palma é causada pelo fungo Dothiorella ribis que tem como teleomorfo o

Ascomiceto Botryosphaeria ribis de ocorrência rara na natureza. Na fase anamórfica, D. ribis produz picnídios estromáticos, solitários ou formando grupos de 5 a 8, globosos e ostiolados. Os

conídios são unicelulares, elípticos ou fusóides, medindo de 12-30 μm de comprimento por 4-8

μm de largura. A disseminação dos conídios é feita, principalmente, pela água de chuva, ventos e insetos. A sobrevivência do fungo ocorre em raquetes infectadas e restos de cultura. Em citros e eucalipto, D. ribis é considerado um patógeno fraco e a maior severidade da doença está associada a deficiências nutricionais, com destaque para a deficiência de boro. Sintomas: Presença nas raquetes de algumas ou várias manchas circulares em forma de cancros, com superfícies rachadas, devido à esporulação do fungo (Figura 3). Exsudação abundante de goma em torno das lesões mais jovens. A camada externa da lesão é de cor marrom-cinza e coreácea.

Figura 3. Cancros com exudação de goma. Controle: Deve ser recomendado o uso de raquetes-sementes sadias, remoção e destruição das partes de plantas afetadas e pulverização com fungicidas, em intervalos de 15 a 17 dias, durante o período chuvoso. No México e Itália, são utilizados os produtos Benlate ou Cercobin. No Brasil, não existem produtos fungicidas registrados para a cultura da palma.