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Instrumentação Eletrônica

Padrões Elétricos

Padrões de Grandezas Elétricas:

Corrente elétrica:
O ampère é a corrente constante que, mantida entre
dois condutores paralelos de comprimento infinito e
seção transversal desprezível separados de 1m, no
vácuo, produz uma força entre os dois condutores de
2.10-7 N/m. Na prática são utilizados instrumentos
chamados balanças de corrente, que medem a força de
atração entre duas bobinas idênticas e de eixos
coincidentes.
'A' é o sinônimo de ampères, o qual simplificadamente é a medida de
corrente equivalente a um Coulomb de carga por Segundo. Normalmente se
fala de corrente positiva. Corrente essa que flui do ponto de potencial mais
positivo para o ponto de potencial mais negativo, com relação a algum ponto de
referência (usualmente o terra, que é designado a potencial zero). Os elétrons
em um circuito elétrico fluem na direção oposta da corrente propriamente dita
(ou seja, eles fluem do ponto de potencial mais negativo para o mais positivo).

Tensão:
O padrão do volt é baseado numa pilha eletroquímica conhecida como
Célula Padrão de Weston, constituída por cristais de sulfato de cádmio
(CdSO4) e uma pasta de sulfato de mercúrio (HgSO4) imersos em uma solução
saturada de sulfato de cádmio. Em uma concentração específica da solução e
temperatura de 20ºC a tensão medida é de 1,01830V.
'V' é o sinônimo para volts, que é uma medida de potencial elétrico. A
voltagem não "vai" ou "se move", esta simplesmente existe como uma medida.

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É o mesmo que dizer que existem 10 quilômetros de distância entre você e
algum outro ponto.
'DC' é a designação para Direct Current ou Corrente Contínua, o que é um
tipo de tensão. Em um circuito DC todas as leis de corrente sempre fluem em
uma única direção, é por isso que é tão importante entender quais pontos são o
de potencial mais positivo (alto potencial) e quais são os de potencial mais
negativos (baixo potencial).
'AC' é a designação para Alternating Current ou Corrente Alternada, o qual
é um tipo de tensão onde o potencial flutua, portanto a corrente flui tanto em
um sentido quanto em outro em um circuito elétrico. Em um circuito AC não é
de tanta importância se manter um registro de qual fio é o de potencial mais
positivo ou mais negativo. É por isso que você pode plugar aparelhos elétricos
diretamente na tomada (110 ou 220 V) em casa sem se preocupar em errar os
pólos e ainda ter o equipamento funcionando. A voltagem AC em um circuito é
normalmente dada em Volts RMS (Root Mean Square). A voltagem RMS é
determinada simplesmente pelo pico de tensão dividido pela raiz quadrada de
dois.

Resistência:
'Ω (Ohm)' é a medida de resistência e impedância, que diz o quanto um
aparelho irá resistir ao fluxo de corrente em um circuito. Por exemplo, se um
mesmo sinal com a mesma voltagem é enviado a duas resistências, um dos
quais taxado como tendo 4 ohms de resistência e outro com 8 ohms. Teremos
que o dobro de corrente ira percorrer o circuito com a resistência de 4 ohms em
relação a de 8 ohms, o que irá requerer o dobro da potência, pois a potência e
proporcional a corrente.
O padrão do ohm é normalmente baseado num fio de manganina (84% Cu,
12% Mn e 4% Ni) enrolado sob a forma de bobina e imerso num banho de óleo
a temperatura constante. A resistência depende do comprimento e do diâmetro
do fio, possuindo valores nominais entre 10-4Ω e 10-6Ω.

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Potência:
O padrão W (Watt) é a medida da potência elétrica. Um watt é igual a um
volt vezes um ampère, ou um Joule de Energia por segundo.
W=V.I
Em um circuito DC, a potência é calculada através desta fórmula onde W é
a potência em watts, V é a tensão em volts e I é a corrente em ampères. Já em
um circuito AC, a potencia é calculada pela seguinte fórmula:
Wrms = Vrms . Irms
Onde W é a potência em watts RMS, V é a tensão em volts RMS e I é a
corrente em ampères RMS.

Taxas de Potência:
O padrão dB significa decibel, e é a medida para taxas de potência. Para se
medir dB deve-se sempre medir com relação a algo mais. A formula para a
determinação destas relações é:

Por exemplo, para se ganhar 3dB de saída em comparação a corrente


saída, deve-se mudar seu fator de corrente por um fator de:

Ou seja, dobra-se a potência para obter um ganho de 3dB. Já a o inverso,


ou seja, deseja-se saber quantos dB vai ter de ganho se triplicar a sua potência
(ex: de 20W para 60W).

Tem-se então com o triplo de potência um ganho de 4,77 dB. Na escala


logarítmica em que dB é representado pode-se ter repostas negativas, ou seja,
se obtivermos uma resposta de -3 dB, significa que teremos metade da
potência. Existem muitas outras formulas para cálculo do dB, por exemplo, a
medida de voltagem:

Por exemplo, o dobro da voltagem produz:

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Temos então 6dB a mais de saída. Por isso que é tão importante se manter
sempre as baterias carregadas, pois uma mínima variação na tensão pode
ocasionar uma variação bastante grande na performance do sistema. Se
tivermos, por exemplo, uma bateria com 11,5 V e outra com 12,6V, ou seja,
uma diferença de apenas 1,1 V terá o seguinte ganho:

Como você pode notar um ganho de 0,8 dB.

Capacitância:
O padrão do Farad á baseado no cálculo de capacitores de geometria
precisa e bem definida com um dielétrico de propriedades estáveis e bem
conhecidas. Normalmente usam-se duas esferas ou 2 cilindros concêntricos
separados por um dielétrico gasoso.

Indutância:
O padrão do Henri é também baseado no cálculo de indutores sob a forma
de bobinas cilíndricas e longas em relação ao diâmetro com uma única camada
de espiras.

Nível de Pressão Sonora:


‘SPL’ significa Sound Pressure Level ou Nível de Pressão Sonora, é similar
ao dB. As medições de SPL também são taxas, mas são sempre medidas com
relação a uma constante. Esta constante é 0dB, que é definido pelo menor
nível de pressão sonora que o ouvido humano pode detectar. 0dB é igual a
1012 (Dez elevado a décima Segunda potência) W/m2. Portanto, quando um
alto-falante é taxado para produzir 92 dB a 1m quando alimentado com 1 W (92
db/Wm), sabe-se que isto significa que é 92 dB mais alto que 1012 W/m2.
Sabe-se também que se dobrar a potência (de 1W para 2W), adiciona-se 3 dB,
portanto esse alto-falante ira produzir 95 dB a 1m com 2 W, 98 dB a 1m com 4
W, 101 dB a 1m com 8W e assim sucessivamente.

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Distorção Harmônica Total:
‘THD’ é para Total Harmonic Distortion ou Distorção Harmônica Total, é a
medida de quanto um certo aparelho vai distorcer um sinal. Estas figuras são
normalmente dadas em porcentagens. Acredita-se que números de THD
menores que 0,1% são imperceptíveis. Entretanto, deve-se ter mente que a
distorção se soma, portanto se estiver sendo utilizados seis equipamentos
seqüenciais taxados com tendo uma THD não maior que 0,1 %, com todos
juntos teremos uma THD de 0,6 % que pode ser percebida na saída.

Sistema de unidades:
É um conjunto de definições que reúne de forma completa, coerente e
concisa todas as grandezas físicas fundamentais e derivadas. Ao longo dos
anos, os cientistas tentaram estabelecer sistemas de unidades universais
como, por exemplo, o CGS, MKS, SI. Sistema Internacional (SI) é derivado do
MKS e foi adotado internacionalmente a partir dos anos 60. É o padrão mais
utilizado no mundo, mesmo que alguns países ainda adotem algumas unidades
dos sistemas precedentes.

Grandeza Unidade Simbologia


Comprimento metro [m]
Massa quilograma [kg]
Tempo segundo [s]
Intensidade de corrente ampères [A]
Temperatura termodinâmica kelvin [K]
Quantidade de matéria mole [mol]
Intensidade luminosa candela [cd]
Tabela 1 - Grandezas fundamentais.

Grandeza Unidade Dimensão Simbologia


Carga coulomb [A.s] [C]
Energia joule [m2.kg.s-2] [J]
Potência watt [m2.kg.s-3] [W]
Tensão volt [m2.kg.s-3.A-1] [V]
Resistência ohm [m2.kg.s-3.A-2] [Ω]
Condutância siemens [m-2.kg-1.s3.A2] [S]
Capacitância farad [m-2.kg-1.s4.A2] [F]

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Indutância henri [m2.kg.s-2.A-2] [H]
Freqüência hertz [s-1] [Hz]
Tabela 2 - Grandezas elétricas derivadas.

Medidores de Grandezas Elétricas:


Os primeiros instrumentos utilizados para
medidas de grandezas elétricas eram baseados
na deflexão de um ponteiro acoplado a uma
bobina móvel imersa em um campo magnético.
Uma corrente aplicada na bobina produz o seu
deslocamento pela força de Lorentz. Um
mecanismo de contra-reação (em geral uma
mola) produz uma força contrária de modo que a
deflexão do ponteiro é proporcional à corrente
na bobina.
Estes instrumentos analógicos estão em
desuso em função de suas qualidades inferiores se comparadas às dos
instrumentos digitais (imprecisões de leitura, fragilidade, desgaste mecânico,
difícil automação de leitura, etc...).
Os instrumentos digitais atuais são inteiramente eletrônicos, não possuindo
partes móveis (exceto seletores de escala e teclas). São mais robustos,
precisos, estáveis e duráveis. São baseados em conversores analógico /
digitais (A/D) e são facilmente adaptáveis a uma leitura automatizada. Além
disso, o custo dos instrumentos digitais é em geral inferior (com exceção dos
osciloscópios).

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Voltímetro:
Instrumento usado para medir a diferença de potencial elétrico entre dois
nós de um circuito. É conectado em paralelo com os nós do circuito a ser
medido.
Características essenciais:
- alta impedância de entrada (idealmente ∞);
- baixa corrente de entrada (idealmente 0).
A utilização de circuitos de entrada baseados em transistores MOSFET
permite facilmente a obtenção dessas características dentro da faixa útil do
instrumento. Sendo a impedância típica de entrada de um MOSFET de sinal da
ordem de 1012Ω, usa-se normalmente um resistor de alto valor (10M – 100M)
em paralelo para evitar que cargas estáticas ou ruído eletromagnético indiquem
um valor diferente de zero quando o voltímetro está desconectado. Na maioria
dos casos esta impedância de entrada pode ser desconsiderada. Entretanto,
na medição de circuitos de alta impedância deve-se levar em conta o valor
dessa resistência em paralelo com o circuito e a corrente de entrada
equivalente.

Amperímetro:
Usado para medir a intensidade de corrente que circula numa malha do
circuito. De modo que a mesma corrente de malha passe a circular pelo
amperímetro, este é inserido em série com o circuito.
Características essenciais:
- baixa impedância de entrada (idealmente 0);
- baixa queda de tensão interna (idealmente 0).
Deste modo a corrente original do circuito é preservada e o erro introduzido
é minimizado. Os amperímetros digitais são baseados na medição de tensão
em uma resistência conhecida e de baixo valor.

a) Circuito básico (I = V / r):


- tipicamente r . I < 200mV;
- o erro introduzido (queda de tensão em r) pode ser significativo na medida
de corrente em circuitos de baixa tensão.

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b) Conversor I => V de precisão (I = - V / r):
- o erro introduzido na medida é desprezível, pois o AMPOP fornece a
corrente I de modo a manter a tensão em - (entrada inversora) igual a zero
(terra virtual);
- usado na medição de baixas correntes (tipicamente < 20mA) devido à
limitação do AMPOP.

c) Amperímetro tipo Alicate:


A medição de corrente pela interrupção do circuito e introdução do
amperímetro em série não é possível em determinadas situações (linha de alta
tensão, circuito em funcionamento, etc). Neste caso uma amostra da corrente I
pode ser obtida pelo campo magnético B criado no exterior do condutor (lei de
Ampère):
B=C.µ.I
onde: µ é a permeabilidade magnética e C é a constante geométrica.
Na prática essa medida é feita por um circuito magnético que pode ser
fechado em torno do condutor e possui um elemento de medida do campo
magnético (bobina, sonda de efeito Hall, magnetoresistor).

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