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A Igreja somos nós (e não uma instituição, denominação, templo ou hierarquia)

Você provavelmente já deve ter ouvido muitas vezes que “a Igreja somos nós”. A frase
em si é totalmente correta, mas o problema é que quase sempre ela é apresentada em
um contexto desprovido de qualquer evidência ou prova, ou por desigrejados, não
inspirando muita confiança. Este, aliás, deveria ser o primeiro tema a ser debatido com
católicos romanos, pois literalmente toda e qualquer argumentação teológica deles
partirá sempre da conceituação errada do que é a “Igreja”. O católico lê Mateus 16:18
(“sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”) e pensa que está falando da Igreja
Católica Romana; lê em 1ª Timóteo 3:15 que a Igreja é a “coluna e sustentáculo da
verdade” e já sai dizendo que a Igreja Romana é isso; lê Mateus 18:17 dizendo para
“ouvir a Igreja” e já conclui que é para ouvir o papa, e assim por diante.

Da mesma forma, quase sempre todo argumento contra a Sola Scriptura e contra
qualquer doutrina protestante geralmente passará primeiro por essa distorção do
conceito bíblico do que vem a ser a Igreja, sempre de forma sagaz, inferindo a Igreja
Romana quando se fala em “Igreja” em qualquer texto, mesmo sem nunca provar isso
de maneira alguma. É por isso que antes de discutir qualquer assunto com um papista,
a primeira coisa que deve ser feita é definir bem o que é a Igreja. Porque quando um
crente fala da Igreja ele está se referindo ao corpo de Cristo, à união mística de todos
os cristãos regenerados em qualquer parte do mundo, e por isso eu, um batista, um
presbiteriano, um assembleiano, um anglicano e assim por diante somos da mesma
Igreja (ou seja, do mesmo corpo místico), ainda que congreguemos em comunidades
diferentes.

Já o católico quando fala em Igreja tem em mente um conceito totalmente diferente,


que diz respeito não às pessoas em si, mas sim à própria instituição, representada pela
hierarquia romana. Ou seja, a Igreja diz respeito ao papa como o cabeça e seus bispos,
padres e etc. Ortodoxos, protestantes, coptas e qualquer cristão que não seja membro
da instituição chamada “Igreja Católica Apostólica Romana” não fazem parte da Igreja,
e atente bem para essa expressão “fazer parte”, porque nenhum católico considera que
ele em conjunto com os demais católicos são a Igreja, mas no máximo que estão na
Igreja (ou seja, que comungam ali), enquanto para o evangélico a Igreja não se
restringe a uma denominação ou instituição específica, e tampouco diz respeito às
instituições em si, mas sim à comunidade espiritual de todos os cristãos genuínos.

Este era o conceito dos reformadores e expresso nas várias Confissões de Fé da


Reforma, mas para poupar tempo e não tornar esse texto demasiadamente longo eu me
limitarei a transmitir aqui uma citação de Sebastian Franck, um anabatista do século
XVI que expressa bem o conceito que defenderei neste artigo:

“A Igreja não é nem um povo particular nem uma seita, a qual se possa assinalar com o
dedo, uma seita que estaria ligada a um tempo, a uma pessoa ou a um lugar; é uma
Igreja espiritual, invisível, composta de todos aqueles que nasceram de Deus... é uma
comunidade na qual nós cremos e que não vemos mais que com os olhos espirituais do
coração e do homem interior. É a reunião e comunidade dos homens que temem a
Deus, que são doces de coração, que estão dispersos no mundo inteiro e unidos pelo
Espírito Santo na paz de Deus graças ao laço de amor” (URBANO, Francisco de P. Vera.
La libertad religiosa y la Reforma protestante: las corrientes espirituales derivadas del
protestantismo. Salamanca: Revista española de derecho canónico, v. 51, n. 137, 1994,
p. 665)

É este o conceito básico de Igreja quando consultamos os dicionários de grego. O termo


“Igreja” vem do grego ekklesia, que, de acordo com a Concordância de Strong,
significa:

1577 εκκλησια ekklesia


de um composto de 1537e um derivado de 2564; TDNT - 3:501,394; n f
1) reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público,
assembléia.
1a) assembléia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar.
1b) assembléia dos israelitas.
1c) qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso,
tumultuosamente.
1d) num sentido cristão:
1d1) assembléia de Cristãos reunidos para adorar em um encontro religioso.
1d2) grupo de cristãos, ou daqueles que, na esperança da salvação eterna em Jesus
Cristo, observam seus próprios ritos religiosos, mantêm seus próprios encontros
espirituais, e administram seus próprios assuntos, de acordo com os regulamentos
prescritos para o corpo por amor à ordem.
1d3) aqueles que em qualquer lugar, numa cidade, vila, etc, constituem um grupo e
estão unidos em um só corpo.
1d4) totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo.

Uma análise do Novo Testamento nos leva irremediavelmente a essa mesma conclusão,
que aqui chegarei por meio de um silogismo simples:

1. A Igreja é o corpo de Cristo.


2. O corpo de Cristo consiste em todos os cristãos verdadeiros.
3. Portanto, a Igreja são todos os cristãos verdadeiros.

Defendendo a primeira premissa, a Bíblia diz:

“E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça
da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios
1:22-23)

“Pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é
o seu corpo, do qual ele é o Salvador” (Efésios 5:23)

“Pois o que eu sofro no meu corpo pela Igreja, que é o corpo de Cristo, está
ajudando a completar os sofrimentos de Cristo em favor dela” (Colossenses 1:24)

Creio que a premissa 1 está perfeitamente clara: a Igreja é o corpo de Cristo. Agora
para definirmos o que é a Igreja basta saber o que é o corpo de Cristo. Essa é a
premissa 2, defendida de forma igualmente clara aqui:

1 Coríntios 12
12 Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros,
sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
13 Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus,
quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
14 Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
15 Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
16 E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do
corpo?
17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde
estaria o olfato?
18 Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
19 E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
20 Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo.
21 E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça
aos pés: Não tenho necessidade de vós.
22 Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários;
23 E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais;
e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra.
24 Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim
formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;
25 Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado
uns dos outros.
26 De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se
um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
27 Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.

É lógico que quando Paulo diz que “vós sois o corpo de Cristo” ele não estava se
dirigindo a uma instituição religiosa, ou a uma denominação, ou a um templo ou
hierarquia. Antes, dizia respeito aos próprios cristãos em si, para os quais ele escrevia.
Para Paulo, todos os cristãos formam juntos o corpo de Cristo, sendo cada um deles um
“membro” em particular. Ou seja, o corpo de Cristo consiste na totalidade dos cristãos
verdadeiros.

Paulo “perseguia a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres,


encerrava-os no cárcere” (At 8:3), e ouviu de Cristo: “Saulo, Saulo, por que me
persegues?” (At 9:4). Jesus considera a perseguição à Igreja como sendo uma
perseguição a ele próprio. Mas Paulo não estava perseguindo uma instituição, nem
tampouco perseguindo uma hierarquia. Ele perseguia a todos os cristãos. Eles eram a
Igreja perseguida, com os quais Cristo se identificava. Caso semelhante encontramos na
oração em favor de Pedro no cárcere:

“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por
parte da igreja a favor dele” (Atos 12:5)

A Igreja orava por Pedro, porque a Igreja não é uma instituição ou organização
impessoal, nem o clero em exclusivo, mas os próprios cristãos, que intercediam pelo
apóstolo. Observe ainda que Lucas, o escritor de Atos, não diz “reunidos na Igreja”,
mas “reunida a Igreja”, porque a Igreja eram os próprios cristãos que ali estavam:

“Ali chegados, reunida a igreja, relataram quantas coisas fizera Deus com eles e como
abrira aos gentios a porta da fé” (Atos 14:27)

Que a Igreja não consistia em uma instituição ou lugar, mas nos próprios crentes que se
reuniam para adorar a Deus, isso fica ainda mais nítido nos textos a seguir:
“Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. Arriscaram a vida por
mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. Saúdem
também a igreja que se reúne na casa deles” (Romanos 16:3-5)

“Saudai os irmãos de Laodicéia, e Ninfa, e à igreja que ela hospeda em sua casa”
(Colossenses 4:15)

“À irmã Áfia, e a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que está em tua
casa” (Filemom 1:2)

Observe com atenção que Paulo nunca diz para saudar “quem se reúne na igreja”, mas
sim pra saudar “a igreja que se reúne”. Eram os cristãos que se reuniam nas casas para
cultuar a Deus, e esses mesmos cristãos eram a Igreja. Hoje em dia seria até bastante
estranho, até mesmo no meio evangélico, que alguém dissesse para saudar “a igreja
que tal pessoa hospeda em sua casa” (como em Cl 4:15), ou “a igreja que está em tua
casa” (como em Fm 1:2), mas essa era exatamente a linguagem que Paulo empregava,
que caracterizava com exatidão o conceito pessoal e bíblico que ele tinha de Igreja.

Caso semelhante ocorre em 1ª Coríntios 14:23, em que Paulo não diz que “os cristãos
se reúnem na igreja”, mas sim que “a igreja se reúne em um lugar”:

“Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em
outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que
estais loucos?” (1ª Coríntios 14:23)

Como vemos, o conceito de Igreja não está atrelado ao lugar, mas sim aos próprios
cristãos, aos que adoram ao Senhor “em espírito e em verdade” (Jo 4:24), aos que
guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo (Ap 12:17). Estes
cristãos, por sua vez, podem se reunir para adorar a Deus em um lugar que escolherem
(e é aí que entram as casas, ou templos, ou denominações e etc, que não são a Igreja
em si, mas apenas um local de culto para a Igreja que se reúne). É por isso que quando
Paulo diz que “o que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza
edifica a igreja” (1Co 14:4), ele não estava falando de um pedreiro construindo ou
reformando um templo chamado de “igreja”, mas sim de cristãos que edificam
espiritualmente a outros cristãos, ou seja, a Igreja.

É curioso e até mesmo irônico notar que embora a Igreja Romana tenha limitado a
Igreja à hierarquia romana e transformado os leigos apenas em “gente que se reúne na
Igreja” (mas não na própria Igreja em si), na Bíblia muitas vezes vemos a Igreja
consistindo justamente na “multidão de leigos”. É dito, por exemplo, que Paulo e
Barnabé, ao chegarem a Jerusalém, “foram bem recebidos pela igreja, pelos
apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles” (At
15:4). E então: “Pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja,
tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a
Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos”
(At 15:22).

Ao invés de fazer a Igreja consistir apenas na hierarquia, o autor inspirado subverte o


paradigma e ressalta os crentes comuns como sendo a “Igreja”. Isso não significa que a
hierarquia não fazia parte do corpo, mas sim que a prioridade era toda dos crentes
comuns – aqueles mesmos que a Igreja Romana despreza chamando-os de “leigos”.
Lucas não aponta os “apóstolos e presbíteros” como sendo a Igreja, mas sim que eles
estavam com toda a Igreja, porque a Igreja era algo muito maior que eles, ia muito
além da hierarquia.

Portanto, quando Jesus diz que edificaria a sua Igreja, ele não estava falando sobre a
fundação de uma instituição religiosa romana ou qualquer outra em particular, mas
sobre a edificação espiritual de todos os cristãos, de todo o povo de Deus que está
conectado a Cristo. E quando fala da Igreja ser a coluna e sustentáculo da verdade, ele
não está falando nada sobre a Igreja Romana, mas sobre os verdadeiros cristãos, que
tem a missão de observar, guardar e transmitir a Palavra de Deus ao mundo, razão pela
qual somos “colunas” e “sustentáculos” da verdade, sendo a Palavra o próprio
fundamento e a própria verdade sobre a qual essa pregação se sustenta (sobre isso, leia
este meu artigo que aborda exclusivamente este versículo). Semelhantemente, em
Mateus 18:17 Jesus não está falando nada sobre “ouvir a Igreja Romana”, bastando
observar o contexto para perceber o quão óbvio é que ele estava se referindo apenas ao
grupo maior de cristãos reunidos:

“Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o
ouvir, você ganhou seu irmão. Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois
outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou
três testemunhas’. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a
ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano” (Mateus 18:15-17)

Jesus diz que se um irmão pecar contra nós era para começar exortando pessoalmente,
sem ninguém mais precisar saber de nada. Caso ele insista em continuar no pecado é
para chamar mais duas ou três pessoas, e caso ele continue insistindo em permanecer
no pecado mesmo assim então se faz necessário contar a toda a igreja, ou seja, toda a
comunidade de cristãos ficaria sabendo que o irmão em questão está vivendo no pecado
e não quer se apartar dessa condição, e por fim (se recusasse ouvir até a Igreja) ele
seria tratado como um “pagão ou publicano” qualquer (ou seja, como um não-irmão).
Nada de nada do contexto aponta qualquer coisa em relação à Igreja Romana, ou em
relação ao conceito papista distorcido, pervertido e manipulado de Igreja.

A argumentação mais típica dos apologistas católicos ao lidar com versículos como
Mateus 16:18 é que Jesus não disse que edificaria “minhas igrejas” (no plural), mas sim
“a minha igreja” (no singular). E então concluem que a “verdadeira Igreja” não são as
milhares de denominações protestantes, mas a Igreja Romana que é supostamente
“uma só”. Essa é mais uma trágica consequência do desconhecimento completo e da
profunda ignorância quanto ao significado autêntico de “Igreja” na Bíblia, que já foi
explicado aqui e que não precisa ser repetido, e que não tem nada a ver com
denominações, organizações ou instituições visíveis, como se Jesus estivesse falando de
alguma denominação ou instituição em particular em Mateus 16:18.

E para o desespero completo de tais apologistas católicos, a Bíblia fala claramente de


igrejas no plural, não em tom de desaprovação ou condenação, mas de aprovação.
Veja por exemplo Atos 15:41, que diz:

“E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas” (Atos 15:41)

Ou Atos 15:6:

“Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (Atos


15:6)

Ou então 2ª Coríntios 8:18:


“E, com ele, enviamos o irmão cujo louvor no evangelho está espalhado por todas as
igrejas” (2ª Coríntios 8:18)

Ou para aterrorizar um pouco mais, aqui está não apenas um versículo que fala de
“igrejas” no plural, mas um que ainda usa o termo “igrejas de Cristo”, que deve
causar verdadeiros calafrios nos papistas que vivem dizendo que há “uma só igreja de
Cristo”:

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos
saúdam” (Romanos 16:16)

Então, da mesma forma que o argumentador romanista poderia exigir que só a Igreja
Romana fosse autêntica em função das passagens bíblicas que falam da Igreja no
singular, um argumentador protestante poderia invalidar a própria Igreja Romana em
função dos textos que falam de Igreja no plural, e perguntar quais são essas outras
igrejas verdadeiras, já que para os católicos igreja verdadeira só existe uma.

O problema, mais uma vez, é quando falamos de Igreja como denominações,


instituições ou templos. De fato, há muitas denominações, instituições e templos
diferentes e nem todas estão no engano, pois a Igreja (ou seja, os cristãos) se reúnem
nestes lugares para adorar a Deus. É neste sentido que há a “Igreja” no singular, e
neste outro sentido que há as “igrejas” no plural, que dizem respeito apenas às pessoas
daquelas congregações, comunidades ou assembléias cristãs locais, e não à Igreja
propriamente dita (que envolve a totalidade de cristãos). Foi por isso que o pré-
reformador William Tyndale traduziu esses textos que falam das “igrejas visíveis” (como
a de Corinto, Éfeso, Laodiceia e etc) por “congregações” em vez de “igreja”.

Tyndale pagou com a morte o preço por essa ousadia em sua época, mas hoje em dia
até mesmo a versão católica da Bíblia Ave Maria traduz 1ª Coríntios 11:18 “à la
Tyndale”, vertendo o texto por: “Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando se reúne
a vossa assembléia, há desarmonias entre vós” (1Co 11:18). É neste sentido que
entendemos os textos que falam, por exemplo, da “igreja de Deus que está em Corinto”
(1Co 1:2), que na verdade é apenas uma referência àquela comunidade local, ou seja,
aos cristãos daquela região. Em síntese, o que se entende biblicamente por Igreja é
uma comunidade invisível, que consiste na totalidade de cristãos verdadeiros dispersos
pelo mundo, e esses cristãos por sua vez congregam em comunidades visíveis,
congregações, denominações e etc, que não são a Igreja em si, mas comunidades nas
quais os cristãos se reúnem para adorar a Deus e às quais podem ser dados diversos
nomes.

Infelizmente, a mentalidade católica romana não se desarraigou por completo na


Reforma, de modo que ainda mantemos hoje alguns vícios romanos, sendo um deles
esse hábito de nos referirmos muitas vezes à Igreja como sendo um templo ou
denominação específica, e não poucos evangélicos buscam encontrar a “Igreja perfeita”,
a “Igreja ideal” ou a “Igreja verdadeira”, sem entender que a Igreja verdadeira diz
respeito aos cristãos verdadeiros, e não a uma placa de igreja A ou B, que são todas
fundadas por homens e sujeitas ao erro – até mesmo a Igreja de Roma, que alega ter
sido fundada por Pedro, um homem, embora de fato seja um desenvolvimento bem
posterior. Inclusive por essa mesma razão há alguns crentes ingênuos e sem instrução
que acabam virando católicos ou ortodoxos nessa busca pela “única igreja (no sentido
institucional) que Jesus fundou”, sem entender nada do que Igreja é na Bíblia.
No sentido costumeiro que hoje costumamos dar à “Igreja” (ou seja, de denominações e
instituições) não há perfeição doutrinária ou moral em nenhuma, e o católico que quiser
contestar que tente justificar moralmente o assassinato de pelo menos dezenas de
milhares de não-católicos no Santo Ofício da Inquisição durante sete séculos com a
expressa aprovação de todos os papas desse extenso período (alguns dos quais foram
inclusive inquisidores, como Pio V). Uma Igreja que se julga “infalível” e que mesmo
assim protagoniza os maiores escândalos e atrocidades morais contra a vida humana
durante séculos não merece mais do que todo o repúdio e desprezo.

Isso logicamente não isenta os evangélicos de erros morais e doutrinários, da mesma


forma que as igrejas apostólicas de Corinto, Galácia, Laodiceia, Tiatira, Pérgamo, Sardes
e etc também tinham muitos erros que eram condenados pelos apóstolos em suas
cartas, mas numa medida muito menor e dentro do que ainda pode ser considerado
“cristão” – conceito no qual uma igreja assassina, pagã, idólatra, avarenta, prepotente e
supersticiosa jamais poderá entrar enquanto não se arrepender e voltar de sua
monstruosa apostasia.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.


A igreja da Galácia estava cheia de erros.

Temos também a igreja de Corinto. Em Corinto, a coisa estava pior. Havia pessoas que
estavam negando, acredite, até mesmo a ressurreição física dos mortos (1Co.15:12)!
Paulo teve que dedicar todo o capítulo 15 de sua epístola para refutar os enganos
presentes nesta igreja acerca da ressurreição. Havia também uma enorme confusão
sobre os dons espirituais. Assim como ocorre nos dias de hoje, naquela época as igrejas
também tendiam a variar entre dois extremos: ou não davam ênfase nenhuma aos
dons, ou davam ênfase demais. Em Corinto, a ênfase era excessiva. Os coríntios
falavam desorganizadamente em línguas em voz alta durante o culto, sendo
repreendidos por Paulo em função disso (1Co.14).

Como se isso tudo não bastasse, havia também em Corinto cristãos extremamente
pecadores, como um tal que mantinha relações sexuais com sua madrasta (1Co.5:1). E
o pior não era isso. O pior era que os irmãos da mesma igreja, ao invés de
repreenderem ou excomungarem este indivíduo por causa disso, estavam orgulhosos
(1Co.5:2) por terem na igreja um grande “pegador” (ao invés de “pecador”). Paulo ficou
furioso da vida com isso também. Repreendeu os coríntios e excomungou o cidadão.

A igreja de Corinto também estava cheia de erros.

Temos também a igreja de Colossos. Aparentemente, havia ali dentro um início de


heresia gnóstica (Cl.2:8), a qual foi duramente criticada por Paulo e mais ainda por João
em suas epístolas. João não poupou palavras para descrever aqueles que estavam
negando que Jesus veio em carne. Chamou-os de “anticristos”, pequenos protótipos do
anticristo que ainda viria ao mundo:

“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus
Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo” (2ª João 1:7)

A igreja de Colossos também estava cheia de erros.

Temos também a pequena terceira epístola de João. Ela é muito curta, tem apenas um
breve capítulo. Mesmo assim, escrevendo ao presbítero Gaio, ele observou que havia
um sujeito chamado Diótrefes, que, a exemplo dos papas romanos, se considerava
superior a todo mundo e queria mandar no pedaço:
“Escrevi à igreja, mas Diótrefes, que gosta muito de ser o mais importante entre eles,
não nos recebe. Portanto, se eu for, chamarei a atenção dele para o que está fazendo
com suas palavras maldosas contra nós. Não satisfeito com isso, ele se recusa a receber
os irmãos, impede os que desejam recebê-los e os expulsa da igreja” (3ª João 1:9-10)

Podemos presumir fortemente que o problema naquela igreja não era somente
Diótrefes. Este nunca conseguiria alcançar tamanho poder e status naquela igreja se os
outros irmãos não compactuassem com a liderança dele. Diótrefes era somente a figura
máxima de um problema maior. Ele não estaria ali se aquela igreja, como um todo, não
o tivesse colocado lá.

Aquela igreja de Diótrefes também estava cheia de erros.

Chegamos então a 95 d.C, quando o velho apóstolo João, liberto da ilha de Patmos ao
final do reinado de imperador romano Domiciano, escreve sete cartas às sete igrejas.
Destas sete, apenas duas (a de Esmirna e a de Filadélfia) não recebem críticas. Até
mesmo a igreja de Éfeso, a mesma que havia sido tão elogiada pelo apóstolo Paulo e
que não havia caído em nenhuma heresia até então, foi criticada nestas palavras:

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de
onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se
arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar” (Apocalipse 2:4-5)

A igreja de Éfeso também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Pérgamo, Cristo diz:

“No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam
aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas,
induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual. De
igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas. Portanto,
arrependa-se! Se não, virei em breve até você e lutarei contra eles com a espada da
minha boca” (Apocalipse 2:14-16)

Pense numa igreja que seguia a Balaão, que comia alimentos sacrificados aos ídolos,
que praticava imoralidade sexual e que se apegava aos ensinos dos nicolaítas, que
ensinavam a poligamia...

Sim, a igreja de Pérgamo também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Tiatira, Cristo diz:

“No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz
profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a
comerem alimentos sacrificados aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse da
sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender. Por isso, vou fazê-la adoecer e
trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se
arrependam das obras que ela pratica. Matarei os filhos dessa mulher. Então, todas as
igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um
de vocês de acordo com as suas obras” (Apocalipse 2:20-23)

Uma igreja que tolerava Jezabel(!), que praticava imoralidade sexual, que comia
alimentos sacrificados aos ídolos e que hesitava em se arrepender de seus pecados...
Sim, a igreja de Tiatira também estava cheia de erros.

De igual forma, à igreja de Sardes, Cristo diz:

“Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete
espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as suas obras; você tem fama de estar
vivo, mas está morto. Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer,
pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. Lembre-se, portanto, do
que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se. Mas se você não estiver atento,
virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você. No entanto, você
tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes. Eles andarão
comigo, vestidos de branco, pois são dignos” (Apocalipse 3:1-4)

Uma igreja praticamente morta, imperfeita, que tinha somente uns poucos que não
estavam contaminados com heresias...

É, a igreja de Sardes também estava cheia de erros.

Mas o pior ficou com a igreja de Laodiceia, para a qual Jesus diz:

“Ao anjo da igreja em Laodicéia escreva: Estas são as palavras do Amém, a testemunha
fiel e verdadeira, o soberano da criação de Deus. Conheço as suas obras, sei que você
não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é
morno, nem frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca. Você diz:
Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada. Não reconhece, porém, que é
miserável, digno de compaixão, pobre, cego e que está nu. Dou-lhe este aconselho:
Compre de mim ouro refinado no fogo e você se tornará rico; compre roupas brancas e
vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e
poder enxergar. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e
arrependa-se” (Apocalipse 3:14-19)

Pense numa igreja que estava a ponto de ser vomitada da boca de Cristo(!), que era
rica materialmente e soberba em função disso, que foi chamada de espiritualmente
pobre, cega e nu, sendo duramente repreendida e disciplinada por Cristo como se nem
fosse cristã... essa era a igreja de Laodiceia.

A igreja de Laodiceia também estava cheia de erros.

Sim, havia algumas igrejas que Paulo não criticou expressamente, até por terem sido
fundadas recentemente, sem dar muito tempo para que as heresias começassem a
surgir. Paulo não repreendeu explicitamente os tessalonicenses, nem os efésios, nem os
romanos. Mesmo assim, o recado que ele deixava era muito bem claro: tema ser
cortado também!

“Se alguns ramos foram cortados, e você, sendo oliveira brava, foi enxertado entre os
outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira, não se glorie contra esses
ramos. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz a você.
Então você dirá: ‘Os ramos foram cortados, para que eu fosse enxertado’. Está certo.
Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se
orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não
poupará você. Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus: severidade para
com aqueles que caíram, mas bondade para com você, desde que permaneça na
bondade dele. De outra forma, você também será cortado” (Romanos 11:17-22)
Não se orgulhe, mas tema!

Mas temer o que, se eles já eram “infalíveis” e os romanos “não podem errar na fé”?
Fica claro que Paulo não tinha a mínima ideia de infalibilidade para a igreja de Roma,
nem para igreja nenhuma. Eram todas falíveis, pecadores, sujeitas ao erro e à
repreensão. Tal como a Comunidade Alcance de Curitiba.

Duas coisas me chamam mais atenção. A primeira delas é que as heresias, assim como
as repreensões, não vieram “de fora”, mas sim “de dentro”. Era de dentro da igreja de
Corinto que estavam dizendo que não havia ressurreição, era de dentro da igreja da
Galácia que os cristãos estavam se judaizando, era de dentro da igreja de Éfeso que
estavam seguindo as doutrinas nicolaítas. Não eram heresias “de fora”, como o católico
romano tradicional irá considerar as heresias de Marcião, de Ário e do “rebelado” Lutero.
Eram de dentro. O problema era interno. As igrejas simplesmente não eram perfeitas.
Elas estavam cheias de erros.

A segunda coisa que me salta aos olhos é como que essas igrejas, com todos os seus
erros, continuavam sendo chamadas de igrejas... de Deus. Para a “herética” igreja de
Corinto, Paulo iniciou escrevendo:

“Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão
Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto” (1ª Coríntios 1:1-2)

A igreja de Corinto estava imersa nos mais sérios problemas teológicos, era uma igreja
claramente dividida, uns pregavam uma coisa e outros pregavam outra, heresias
surgiam de dentro dela, e mesmo assim Paulo diz que ela era uma igreja de Deus,
ao invés de chamá-los de “hereges sectários” e sua igreja de “seita satânica”.
Claramente vemos que para uma igreja ser considerada “de Deus” ela não precisa ser
perfeita, nem una, nem infalível, nem inerrante. A igreja de Corinto não era nada disso.
Mas Paulo a considerava "de Deus". Existe um nível de tolerância, no qual uma igreja,
mesmo que dividida e imersa em algumas heresias, permanece sendo “cristã”.

Ela também não precisa ter “dois mil anos” ou ter sido “fundada por Jesus”. A partir da
morte e ressurreição de Cristo inicia-se a era da Igreja, pré-anunciada por Jesus no
famoso texto de Mateus 16:18. Mesmo assim, não vemos Jesus fundando igreja
nenhuma. Não vemos Jesus ressuscitando e indo a Roma “fundar” uma igreja. Na
verdade, de acordo com os próprios católicos romanos, a igreja de Roma só foi fundada
por Pedro em 42 d.C, quase uma década depois da era da Igreja ter iniciado.

Eu não estou dizendo que concordo com esta data (de 42 d.C) e muito menos estou
afirmando que seu fundador foi mesmo o apóstolo Pedro. Eu não sou insano. O ponto
em questão é que a Igreja já existia antes do evangelho chegar a Roma. A Igreja
de Cristo já era Igreja de Cristo antes do primeiro cristão pisar o pé na cidade de Roma,
antes do primeiro templo ser construído em Roma, antes do primeiro romano se
converter, antes de existir algo que possamos chamar de “igreja de Roma”. Ademais, se
a igreja de Roma foi fundada por Pedro, então ela foi fundada por homens. Pedro era
um homem, não um deus.

Portanto, a igreja de Roma foi fundada por um homem e não tem “dois mil
anos”. Ela sequer foi fundada por Jesus, e apóstolo nenhum pisou naquela cidade por
pelo menos dez anos depois da ressurreição de Cristo. A igreja de Roma, como tal, é
somente mais uma comunidade cristã que foi fundada por homens e que estava sujeita
a todos os erros doutrinários que as demais igrejas também estavam sujeitas. Assim
como a Comunidade Alcance de Curitiba. O que determina se uma igreja é de Deus não
é se ela foi fundada por algum apóstolo ou não, mas sim se ela permanece nos
ensinos de Cristo ou não.

A igreja de Antioquia, historicamente falando, foi fundada por um apóstolo: Pedro. Foi
também em Antioquia onde os apóstolos foram pela primeira vez chamados “cristãos”
(At.11:26). Mesmo assim, Antioquia tem permanecido por séculos sob domínio
muçulmano (hoje é território turco). A igreja de Antioquia fazia parte do conjunto de
patriarcados da igreja ortodoxa, e de fato eles têm até mesmo uma lista de sucessão
episcopal que vai desde Pedro até o patriarca atual, Ignatius Zakka I Iwas (não me peça
para pronunciar este nome), cuja lista de sucessão pode ser conferida clicando aqui.

Mesmo assim, os católicos da igreja de Roma creem que os católicos da igreja de


Antioquia caíram em heresia e apostataram, assim como toda a Igreja Ortodoxa.
Tecnicamente falando, a igreja de Antioquia está excomungada pelos romanos desde o
cisma de 1054 d.C. Em outras palavras, o fato desta igreja ter “dois mil anos” e ter
sido fundada por um apóstolo não lhe garantiu a permanência na fé – e isso
seguindo o raciocínio dos próprios romanos!

De que modo, então, podemos saber se uma igreja permanece na fé ou não? Já


sabemos que não é pela “sucessão apostólica” ou pela falácia do argumentum ad
antiquitatem, que é o apelo à tradição. Biblicamente, podemos saber perfeitamente o
que é que faz com que uma igreja seja considerada “de Deus” ou não, e esta condição
está relacionada à correspondência dela com os ensinamentos de Jesus:

“O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua
descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao
testemunho de Jesus” (Apocalipse 12:7)

Perceba que o dragão não foi lutar contra “os que seguem uma instituição de dois mil
anos” ou contra “os que têm uma sucessão apostólica”, nem tampouco contra “os que
guardam a tradição”. Me desculpe dizer assim, mas o diabo não está nem aí com esses.
O diabo está realmente preocupado, isso sim, com quem se mantém fiel a Jesus ao
guardar Seus mandamentos e Seu testemunho. São os que seguem a Bíblia que
causam ira no dragão. Como já dizia Isaías, “à lei e aos mandamentos! Se eles não
falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Is.8:20).

Perceba o nonsense católico: para eles, essa mesma Igreja que passava por enormes
transtornos internos, erros doutrinários e divisões internas no século I, de repente se
transformou em uma entidade infalível, santa e impecável, sem se desviar um milímetro
da verdade até o século XXI. Se você acredita em gnomos, fada dos dentes, bicho
papão ou no monstro do espaguete voador, pode crer nisso também. Os evangélicos,
em contraste, creem que esses mesmos erros, problemas e divisões do século I
permanecem existindo no século XXI, talvez até em dimensões maiores, porque existem
mais pessoas do que no século I. E que isso não muda o fato de sermos igrejas de
Deus, desde que guardemos os mandamentos de Deus e o testemunho de
Jesus Cristo, dentro do nível de tolerância já mencionado.

Se por um lado eu faço parte de uma igreja fundada por homens, falível e pecadora –
assim como todas as comunidades cristãs do primeiro século – por outro lado eu
também faço parte de uma Igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga ou coisa
semelhante, mas santa e inculpável. E não, eu não estou falando mais da Comunidade
Alcance de Curitiba, nem da Batista, nem da Assembleiana, nem da Presbiteriana e
muito menos de uma Católica Romana. Eu estou falando da verdadeira Igreja de Cristo,
que é o Corpo de Cristo, formado por todos aqueles que adoram a Deus em espírito e
em verdade.

Sobre essa Igreja invisível, sim, é nos dito:

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si
mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a
palavra, e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou
coisa semelhante, mas santa e inculpável” (Efésios 5:25-27)

Essa Igreja, por sua vez, não tem restrição de templo, local, idade ou profissão de fé.
Dessa Igreja fazem parte todos os verdadeiros adoradores, aqueles que praticam a
Palavra de Deus, aqueles vivem por Cristo, em Cristo e para Cristo. Você provavelmente
não faz parte da mesma igreja visível em que eu congrego, mas juntos fazemos parte
deste Corpo perfeito, imaculado e glorioso, que é o Corpo de Cristo, a Sua Igreja. Onde
quer que haja um adorador do verdadeiro Deus no mundo, em qualquer lugar que seja,
em qualquer hora que seja, em qualquer época que seja, ali está a Igreja. A Igreja
invisível não está em um lugar geográfico – está em nós, se andamos conforme os
ensinamentos de Cristo e possuímos o Espírito Santo que nos confirma que somos filhos
de Deus.

Esta Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade. Contra esta Igreja, as portas do


inferno não prevalecerão. Não, Jesus não estava falando de uma igreja visível que
torturou, queimou e assassinou milhões no passado, que vendia indulgências para o
perdão dos pecados, que lucrava com relíquias sagradas que nunca existiram, que
entrava em cruzadas contra outras religiões, que age de forma autoritária e propaga
heresias aos montões. Não era essa a Igreja santa e gloriosa que Jesus se referia. Ele
não estava contemplando um palácio ostentoso, rico e luxuoso como o Vaticano, mas
olhando para o coração humilde e sincero de cada um daqueles que abdicam
diariamente de suas próprias vidas para viverem a vida de Cristo, tomando a própria
cruz e negando a si mesmos.

É essa a Igreja invisível e perfeita, que existe através de igrejas visíveis e imperfeitas. É
este o Senhor Jesus imaculado, que habita em corações de seres pecadores como eu e
você. Essa é a graça do evangelho. Essa é a mensagem da cruz.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Onde a igreja primitiva SE reunia?


Vejamos:

Paulo quando quis perseguir os crentes foi nas casas.

Atos 8:3
"E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os
encerrava na prisão."

Paulo faz diversas saudações às igrejas nas CASAS:


1 Coríntios 16:19
"As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Priscila,
com a igreja que está em sua casa."
Colossenses 4:15
"Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa."

Romanos 16:5
"Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é
as primícias da Acáia em Cristo."

Filemom 1:2
"E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa:"

Pedro estava preso e NA CASA DE MARIA a igreja orava:

Atos 12:12
"E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria,
mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e
oravam."

Na descida do ESPÍRITO SANTO, o pentecostes, a igreja estava em UMA CASA:

Atos 2:2
"E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu
toda a casa em que estavam assentados."

Atos 5:42
"E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a
Jesus Cristo."

LEMBRANDO que, esse templo citado em atos 5:42 acima, é um templo judaico e não
cristão, nesse templo os não judeus não podiam entrar, entravam apenas os judeus.

O apóstolo Paulo quando vai para Cesaréia, vai para a CASA DE FELIPE:

Atos 21:8
"E no dia seguinte, partindo dali Paulo, e nós que com ele estávamos, chegamos a
Cesaréia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos
com ele"

Ou seja, AS REUNIÕES DA IGREJA sempre foram, na época dos apóstolos, NAS CASAS,
e quando eles iam no templo JUDAICO era para pregar o Cristo para eles, visto que eles
não aceitaram o Senhor.

Atos 17:24
"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não
habita em templos feitos por mãos de homens;"

ENTÃO QUEM É A IGREJA OU QUEM É O TEMPLO DE DEUS?

1 Coríntios 3:16
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?
Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que
sois vós, é santo."
2 Coríntios 6:16
"E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do
Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu
Deus e eles serão o meu povo."

Já sabemos o que é o templo, amém, AGORA E A IGREJA?

Definição de igreja:
Grupo de pessoas reunidas.
Assembleia, congregação.

RESPOSTA: reuniões de PESSOAS.


LOGO, não podemos chamar paredes de IGREJA, igreja é a reunião dos filhos de Deus,
que pode acontecer em qualquer lugar, a REUNIÃO é a igreja, o LUGAR NÃO, amém.
O LUGAR não pode ser chamado de igreja, pois igreja é o ajuntamento e não o lugar,
amém.
DEUS quando vier buscar a IGREJA, virá buscar as pessoas e não o lugar onde elas
estão ou se reúnem, amém.

Digno e o obreiro do seu salario -


Interpretando ...
Carta do apóstolo Paulo para Timóteo.

1 Timóteo 5:
"17. Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra,
principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina;
18. Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro
do seu salário."

Carta do apóstolo Paulo aos coríntios:


1 Coríntios 9:
"9. Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão.
Porventura tem Deus cuidado dos bois?
10. Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito;
porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com
esperança de ser participante.
11. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as
carnais?"
Deuteronômio 25:4, diz:
"Não atarás a boca ao boi, quando trilhar."

Os textos são conforme as Sombras das Coisas e Bens Futuros.


A debulha implica em remover cascas e impurezas para que o produto útil e bom seja
separado.
Debulhar significa tirar ou separar os grãos, os bagos ou as sementes de (cereal, fruta,
legume); esbagoar; retirar a casca de (cereal, fruta, legume) pronominal; deixar cair os
grãos ou os bagos transitivo direto.
Os bois não devem ter as bocas presas com guias limitadoras no seu trabalho enquanto
estão debulhando o alimento.
Quando um presbítero (boi) trilha o grão está ensinando a Palavra de Deus aos
ouvintes. Palavra de Deus e os ouvintes são produtos debulhados, estão perdendo as
cascas, os invólucros que escondem o fruto, o produto útil.
Também, a Palavra de Deus, enquanto ainda sem interpretação e revelação
(entendimento natural e carnal) é também um alimento ainda sem estar debulhado e
quando interpretada e trazida para a interpretação e revelação torna-se um produto
debulhado pronto para preparar e servir de alimento aos ouvintes.
Nisso a diferença da Lei de Moisés em sentido natural e em sentido espiritual.
Para a Nova Aliança somente se vive do alimento pelo sentido espiritual.
A Lei de Moisés, em sentido natural, é Palavra de Deus com a casca. Disso são as
doutrinas do dízimo, guarda de sábado, uso do véu etc, sem interpretação revelada, não
serve de alimento para quem nasceu de novo e tem o Espírito Santo de Deus. Espírito
Santo de Deus não dá e nem recebe casca como alimento. Esses alimentos com casca é
da igreja escrava, Hagar, conforme ensina o apóstolo Paulo em Gálatas 4:21-31. Ainda
não nasceram de novo, para serem filhos da Igreja livre que é Sara.
Exemplo: Sem interpretação revelada, das Sombras das Coisas e Bens Futuros, o boi é
tem um sentido de grão bruto com casca e o presbítero, é o grão debulhado, ou seja, a
interpretação, o seu significado real. Boi é a figura do presbítero. O grão debulhado é o
alimento, que alimenta o ouvinte. Ouvinte não come casca.

O ouvinte que é um grão bruto é também debulhado. A debulha é simultânea.


O boi não ter a boca atada, enquanto trilha o grão significa que poderá alimentar-se
enquanto debulha o grão, ou seja, come do próprio produto do seu fruto, da obra que
faz por fé.
O fruto do seu trabalho da fé vem do que sai de si e dos ouvintes em seguida.
Há o fruto espiritual, que é o galardão pois edifica a Igreja do Senhor pela Palavra de
Deus.
Há o fruto natural, o benefício que recebe para prosseguir e manter o andamento do
que faz.

1 Coríntios 9:11
"Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as
carnais?"

Lucas 10:17, diz:


"E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro
de seu salário. Não andeis de casa em casa."

Enquanto se debulha e trilha os grãos (os grãos são a Palavra de Deus e os ouvintes), a
boca do boi (boca do presbítero) deve permanecer livre e desimpedida, não presa por
circunstâncias dessa vida, ou trabalhos ou embaraços dessa vida, que impeçam de
alimentar-se e sustentar-se, como se fosse conduzido por limitações humanas.

Sendo assim, essa duplicada honra tem sentido em que ele tenha livre condições para,
com amor, zelo e fidelidade, realizar a porção que o Senhor lhe confiou.

Mas, abro uma pausa aqui para atentar contra os falsos, que fazem do sacerdócio um
"emprego", usando a Palavra de Deus em vão.

O salário, não é o salário como um emprego secular ou pagamento por ensino oferecido
conforme atualmente é feito, transformado em negócio bom e lucrativo, como
professores que ganham por aula dada.

O salário é a manutenção e assistência aos santos.


2 Coríntios 11:8, diz:
"Outras igrejas despojei eu para vos servir recebendo delas salário; e quando estava
presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado."

Levítico 26:15, diz:


"E a debulha se vos chegará à vindima, e a vindima se chegará à sementeira; e
comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra."

Isaías 27:12, diz:


"E será naquele dia que o SENHOR debulhará seus cereais desde as correntes do rio, até
ao rio do Egito; e vós, ó filhos de Israel, sereis colhidos um a um."