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A dimensão política de Brasília

Vera Chaia
Miguel Chaia

Resumo Abstract
O texto apresenta uma abordagem política do This article presents a political approach
significado histórico de uma cidade, com o fo- to the historical meaning of a city, having
co voltado para Brasília. A nova capital federal Brasília in the spotlight. The new federal
é analisada em função das diferentes políticas capital is examined due to the role it played
implementadas pelos governos brasileiros, a in the implementation of different policies by
partir de Juscelino Kubitschek, passando pe- diverse Brazilian governments, from Juscelino
lo regime militar e alcançando o processo de Kubitschek’s period up to the democratic
transição democrática. Algumas idéias servem transition process. Some ideas are used as
de parâmetro analítico para abordar a dimen- an analytical parameter to approach the
são política de Brasília, como, por exemplo, de- political dimension of Brasília, as for example,
senvolvimento econômico, unidade territorial e economic development, national and territorial
nacional, isolamento urbano e autoritarismo, unit, urban isolation and authoritarianism,
utopia realizada, espaço urbano como cenário realized utopia, and urban space as political
político. scenario.
Palavras chaves: urbanismo e política; pla- Keywords: urbanism and politics; urban
nejamento urbano; Brasília; cidade e governo; planning; Brasília; city and government; federal
capital federal capital.

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Muitos são os tipos de cidades. Existem pela sua “origem”, isto é, a maneira como
desde aquelas que florescem espontanea- se dá a fundação de uma cidade imprime-lhe
mente no lento fluxo da história até as que sua natureza histórica. Assim, ao analisar os
são levantadas imediatamente pela vontade motivos das grandezas e da decadência de
construtora do homem. Brasília é uma cidade­ Roma, Maquiavel trata das cidades que “os
cuja origem encontra-se na artificialidade da habitantes, espontaneamente ou movidos
política, nasceu de um projeto visionário do pela tribo de maior autoridade, decidem ha-
governante Juscelino Kubitschek de Oliveira­ bitar em conjunto“ (Maquiavel, 1979, p. 20)
e se materializou pelo plano arquitetônico e e das cidades “construídas por um príncipe,
urbanístico de Oscar Niemeyer e Lucio Cos- não com o propósito de ali fixar residência,
ta. Assim como a política foi uma invenção mas exclusivamente para a sua glória, como
iniciada pelos gregos, Brasília é um projeto dá exemplo a cidade de Alexandria, estabele-
inventado por alguns homens que agem no cida por Alexandre” (ibid., p. 20). No caso de
interior de instáveis relações de forças. Não Brasília, temos o envolvimento de um sujeito
é à toa que, entre as diferentes noções de construtor respaldado pela idéia de uma nova
política, destaca-se aquela que a vincula com capital que vem atravessando a história brasi-
o termo grego polis (politikós), “que significa leira desde a Independência. Se o projeto de
tudo o que se refere à cidade e, conseqüen­ Juscelino concretiza-se no início da década de
te­men­te, o que é urbano, civil,­público e até 60, os antecedentes do ideário de uma nova
mesmo sociável e social” (Bobbio,­ 1986, capital vem de longe: Visconde de Porto Se-
166 p. 954).­Nesse sentido a retomada do proje- guro, Francisco Adolfo de Vernhagen, já co-
to de uma nova capital brasileira constituiu- gitara uma cidade no planalto central do país;
se num significativo trunfo­ político para o José Bonifácio de Andrada, o Patriarca da
governo Kubitschek que, na retórica popu- Independência, em 1823, indica a necessida-
lista de “crescer cinqüenta anos em cinco”, de da cidade; a Constituição de 1891 registra
incorporou o entusiasmo coletivo­ nacional. a fundação de uma nova capital; e, inclusive,
E, desde sua inauguração,­em 1960, a cidade sob o governo de Getúlio Vargas foi indicado
vem enfrentando diferentes conjunturas polí- um local indeterminado no planalto central
ticas, refletindo a história do país. para alocar a nova capital do país.1
Brasília emerge, assim, de um longo
processo de afirmação do ideal de integra-
ção territorial e político do país, que se inicia
no período colonial, com a fuga da família
A cidade, a unidade
imperial de Portugal e a instalação da Corte
territorial e a de D. João VI no Brasil, atravessa o Império,
centralização do poder cuja política está calcada na proposta da cen-
tralização política pelo Poder Moderador e
Nicolo Maquiavel, em “Comentários sobre expresso na primeira Constituição Brasileira
a Primeira Década de Tito Lívio”, chama (outorgada) e alcança a República, principal-
a atenção para o fato de que as cidades e, mente com o Estado Novo (1937-1945),
portanto, Estados e Impérios são marcados quando Getúlio Vargas impõe a centralização

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política como estratégia de controle governa- militares anteriores, bem como aquelas que
mental. Brasília, nesse sentido, realiza não só brotavam na sua gestão, a política desenvolvi-
a utopia da nova cidade e do novo país, mas mentista de Juscelino incentivou não só a mo-
também encarna o andamento efetivo do pro- bilização de recursos humanos e financeiros,
jeto de integridade territorial e de integração mas também o apoio popular. Nesse sentido,
nacional do país, ante o esfacelamento da uni- Juscelino afirma enfaticamente a instauração
dade experimentada pela América espanhola. do “novo” e a aceleração do tempo político ao
Brasília ganha reatualização histórica ao ser propor o desenvolvimento de cinco décadas
incorporada como um elemento fundamental durante o seu governo. Brasília será a síntese
no modelo desenvolvimentista de Juscelino perfeita desses objetivos. Uma nova capital
Kubitschek. como símbolo de um novo governo, de um
Dessa forma, interessa abordar neste novo começo e de uma nova nação.
artigo os componentes políticos que moti- Brasília é o projeto político composto
varam a criação de Brasília e marcaram al- por múltiplas facetas: incorpora o entusias-
gumas fases do seu crescimento urbano. Se mo coletivo nacional; dinamiza o fluxo dos
num primeiro momento a cidade é pensada imigrantes trabalhadores agora atraídos pe-
como conseqüência de uma determinada polí- la construção da cidade; direciona a vontade
tica de crescimento econômico, em outra eta- construtora de intelectuais e artistas; e inclui
pa histórica a cidade torna-se um território na vida brasileira a sinalização de um futuro
fértil para viabilizar os governos militares. país mais justo e mais rico. Juscelino emer-
Assim, no final dos anos 50 e início dos anos ge como o governante que propõe romper 167
60, Brasília emerge como expressão de um com os modelos do passado e potencializar
novo olhar político sobre a unidade nacional, o país para ingressar numa etapa moderna.
já no final da década de 1960 e na década Kubitschek arma um grande lance político ao
de 1970, a nova capital federal constitui-se colocar a ação governamental em torno de
em espaço facilitador de utilização de técni- um “novo começo”, identificando seu gover-
cas governamentais autoritárias dos regimes no com o esforço para construir de manei-
militares. ra particular o espaço público, traduzindo a
O nacional-desenvolvimentismo é uma construção de uma nacionalidade cosmopolita
política que se instaura solidamente no Brasil, e equiparável a parâmetros internacionais. No
sob o governo de JK, enfatizando a criação interior desse dinâmico movimento político
de um parque industrial, formação do mer- pensado por Juscelino, Brasília é pedra fun-
cado interno e o vínculo com o capital inter- damental, idéia nacionalista que convive com
nacional: os ingredientes considerados neces- as agitações culturais e ideológicas do período
sários para realizar o crescimento econômico personificadas pelo Iseb (Instituto Superior
do país.­ Juscelino Kubitschek implanta uma de Estudos Brasileiros), CPC (Centro Popular
“experiência (que) resultou num governo de Cultura da União Nacional dos Estudantes)
politicamente estável, apesar de marcado e pelo ritmo da Bossa Nova.
por crises militares no começo e no fim do A estratégia política de JK, portadora de
período” (Benevides, 2002, p. 23). Buscan- um otimismo inovador, reflete-se no âmbito
do neutralizar resquícios de crises políticas e das áreas da arte e da política, à medida que

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[...] sem ignorar a relação ambivalente não conseguiu administrar a crise de 1964,
e, por vezes precária, existente entre pois a conjuntura política era outra, com um
estética, técnica e política, torna-se ne- sistema partidário polarizado, estando o pró-
cessário refletir sobre o convívio da in- prio partido fragmentado, sem possibilidade
dustrialização com a vanguarda artística de gerenciar os conflitos que marcaram aque-
promovida pelo discurso modernizador le período pré-golpe.
de Kubischek. A arquitetura, em escala Após nove meses da inauguração de
bem maior do que outras manifestações Brasília, Jânio Quadros assumiu a Presidência
culturais representaram para o gover- da República, no dia 31 de janeiro de 1961.
no, uma maneira visível e popular de Na Praça dos Três Poderes, Juscelino Kubits-
novamente redefinir os conceitos de
chek passou oficialmente o cargo para Jânio
território e de apropriação na era mo-
Quadros. Na festa de posse do novo governo
derna. (Souza,­2002, p. 109)
compareceram 1.500 pessoas vindas de vá-
rias partes do Brasil, mas eram oriundas, na
Assim, o governo de JK irá surgir como sua maioria, de São Paulo, local político do
sensível às manifestações populares e como novo governante. Nesse momento da posse,
articulador das expressões e desejos cultu- Brasília tornou-se um radiante pólo político,
rais engendrados por diferentes intelectuais, repetindo a festa de sua inauguração. A cida-
assumindo então a tarefa modernista de pro- de atrai, então, a atenção do país.
jetar uma nova capital. Deve ser ressaltada a
168 maneira eficiente que levou JK a se apropriar
da arquitetura tendo em vista armar uma es-
tratégia geopolítica para o país.
Interregno: entre
Tal eficiência deve-se muito ao gover-
nante, mas também à sua agremiação po-
o isolamento local
lítica. O PSD (Partido Social Democrata) foi e outros palcos nacionais
o partido de Juscelino Kubitschek e que se
caracterizou como um partido de centro, A cerimônia de transmissão do cargo não foi
sempre buscando a “conciliação e moderação” tranqüila, pois Juscelino havia sido informado
(Hippolito, 1985) e o equilíbrio e era marca- que Jânio Quadros faria um pronunciamento
do por membros e lideranças com experiência extremamente crítico ao seu governo. En-
e, segundo analistas, com competência admi- tretanto, as críticas ao governo de Juscelino
nistrativa. Durante o governo de Juscelino, o somente aconteceram quando Jânio Quadros
PSD teve uma posição de centro e ajudou a fez um pronunciamento em cadeia nacional
promover e preservar uma estabilidade políti- de rádio, no programa Hora do Brasil. O no-
ca, estabelecendo alianças com a UDN (União vo presidente acusou Kubitschek­ de privile-
Democrática Nacional), com o PSP (Partido giar certos grupos econômicos e políticos e
Social Progressista) e com o PTB (Partido de ter aumentado a dívida externa do país,
Trabalhista Brasileiro). dentre outros aspectos.­E a cidade de Brasília
Entretanto, o PSD, diferentemente de era considerada um dos fatores importante
outros momentos de crise na história política, desse endividamento do país.

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A primeira reação de Jânio Quadros ao da cidade­ para conhecer seus problemas e,


se estabelecer em Brasília foi a de reclamar quando governador, costumava percorrer
de seu isolamento na cidade; afinal, essa as diferentes regiões e cidades do estado de
liderança­ surgiu em São Paulo, e toda car- São Paulo. Agora, como presidente, resolveu
reira política (prefeito, deputado estadual adotar uma prática semelhante: invento o
e governador) foi construída na movimen- “governo itinerante”, que consistia em passar
tada São Paulo. Jânio não conhecia as lide- oito dias em cada estado brasileiro. Assim,
ranças mais importantes em outros estados ao invés de permanecer em Brasília, criou
da federação brasileira, seus interlocutores uma nova maneira de conhecer os problemas
eram políticos de São Paulo e ele tinha pou- dos diferentes estados da federação e com
ca familiaridade com o Congresso Nacional, essa medida promoveu uma maior centrali-
que havia sido composto em outro período zação do poder em suas mãos (Chaia, 1991,
eleitoral. Tais fatores fizeram com que Jânio pp. 204-208). Pode-se dizer que, com o
Quadros se sentisse estranho e deslocado em governo itinerante, Jânio Quadros retirou,
Brasília. Tanto que escreveu ao diretor geral parcialmente, as funções de capital federal
do Departamento de Correios e Telégrafos o de Brasília.
seguinte ofício: Ao renunciar, em 24 de agosto de 1961,
depois de permanecer no poder somente
“Senhor diretor-geral:
por seis meses, afirmou, ao sair de Brasília:
Tenho notícias de que carta ou cartas “Maldita cidade! Ajude-me Deus a nunca mais
dirigidas a mim foram restituídas à ori- precisar voltar a este inferno!” (A Tribuna, de 169
gem por não conhecerem, os agentes do 27/8/1961).
Correio, o meu endereço. Fico sabendo Por ocasião da renúncia de Jânio Qua-
agora, que o mesmo sucedeu com o Sr. dros, seu vice, João Goulart encontrava-se
Oscar Niemeyer. em missão diplomática na China e, de ime-
Admito que os servidores ignorem quem diato, os militares colocaram obstáculos à sua
somos e onde moramos, mas sugiro posse na Presidência da República e, dessa
que V. Excelência recomendar, nesses forma, armaram uma séria crise política.
casos e em casos semelhantes, interesse Para defender a posse de Goulart, foi orga-
maior dos servidores na identificação e nizado um amplo movimento, liderado por
localização dos destinatários. Leonel Brizola, então governador do estado
J. Quadros”. do Rio Grande do Sul. A frente Legalista con-
(O Estado de S. Paulo, de 6/7/1961). seguiu apoio de amplos setores da população
e de alguns setores expressivos das Forças
Essa carta, com forte sentido irônico, Armadas. Nessa crise de sucessão, o palco
reforça a indignação e apreensão com relação dos acontecimentos não se deu em Brasília,
ao seu isolamento em Brasília. mas sim em outras regiões do país.
Quando foi prefeito da cidade de São Para assumir a Presidência, foi negocia-
Paulo, Jânio Quadros adotou um estilo da no Congresso Nacional uma emenda ins-
de lide­rança política que o aproximava de tituindo um sistema parlamentarista e o Pri-
setores­da população; ele percorria os bairros­ meiro Ministro, que faz parte do governo­de

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Goulart, foi Tancredo Neves, político mineiro­ anticomunistas da sociedade brasileira, como
do PSD. Esse sistema vigorou até janeiro de a União Cívica Feminina, Sociedade Rural Bra-
1963, quando se realizou um plebiscito para sileira, dentre outros, e foi realizada em São
que os eleitores brasileiros se manifestassem Paulo, sob a liderança de D. Leonor de Bar-
contra ou a favor da preservação do Parla- ros, mulher do então governador Adhemar
mentarismo, vencendo a volta ao regime de Barros, liderança política do PSP. O Ipes
Presidencialista. (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o
O governo Goulart formulou e tentou Ibad (Instituto Brasileiro de Ação Democráti-
colocar em prática uma política econômica ca), criados pelos setores mais conservadores
planificada, sintetizada no Plano Trienal. Os e com apoio dos Estados Unidos, também
pontos mais importantes desse plano eram fizeram uma oposição ferrenha ao governo
a manutenção da taxa de crescimento do de João Goulart.
produto, a redução da inflação e das desi- João Goulart, por sua vez, realizou, no
gualdades regionais e a melhor distribuição dia 13 de março de 1964, um grande Comí-
de renda. Para sensibilizar a opinião pública, cio na Central do Brasil, na cidade do Rio de
o governo fez uma campanha a favor das Janeiro, convocando o povo a apoiar as refor-
reformas de base (agrária, bancária, fiscal, mas de base, propagadas pelo seu governo.
administrativa) e da política externa inde- A anterior capital federal demonstrava ainda
pendente. A reforma agrária adquiriu uma sua vitalidade política. Nessa mesma cidade
preeminência sobre as outras reformas e en- teve lugar um motim dos marinheiros, que se
170 controu fortes resistências em vários setores rebelaram contra as condições de trabalho a
da sociedade brasileira. que eram submetidos por seus superiores. Os
Goulart enfrentou oposição ao seu go- marinheiros rebeldes são presos e logo a se-
verno no Congresso Nacional, principalmente guir Jango manda soltá-los, provocando uma
através das ações da UDN (União Democrá- reação crítica das Forças Armadas e, principal-
tica Nacional), que emperrou o andamento mente, dos almirantes da Marinha Brasileira.
de vários projetos enviados pelo Executivo, A destituição de João Goulart estava
além de encontrar resistências no interior das sendo articulada pelas Forças Armadas, com
Forças Armadas. Por adotar uma política na- apoio dos governadores de São Paulo, Adhe-
cionalista, sofreu represálias por parte dos mar de Barros, e de Minas Gerais, Magalhães
Estados Unidos e de outros países que desa- Pinto, com a presença da CIA americana e
provavam tal política. Vários segmentos que outros políticos como Carlos Lacerda, ex-
se opunham ao seu governo se organizaram governador do estado do Rio de Janeiro.
para depô-lo e assumir o poder do Estado. Na madrugada de 31 de março de 1964
No dia 31 de março de 1964 João Goulart tanques do Exército ocupam o estado da Gua-
foi deposto por um golpe militar. nabara e, no dia 1º de abril, a zona sul da
As grandes manifestações contra o go- cidade do Rio de Janeiro também é tomada.
verno de Jango ocorreram em cidades no João Goulart, ao saber das manobras milita-
eixo Rio/São Paulo. A primeira manifestação, res que estavam ocorrendo nos estados de
“Marcha da Família, com Deus, Liberdade”, Minas Gerais e São Paulo, viaja para Brasília,
foi convocada por setores conservadores e que não oferecia segurança ao presidente, por

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ser vulnerável às manobras militares. Goulart consciência de vulnerabilidade, cenário


partiu então para Porto Alegre, no estado do de ingovernabilidade. Precisava fugir
Rio Grande do Sul. Logo após a sua saída de daquela atmosfera de agitação e gol-
Brasília, o presidente do Congresso, senador pismo. E desgrudar o Brasil do litoral:
Auro de Moura Andrade, do PTN (Partido “Não é possível que cinqüenta cidadãos
Trabalhista Nacional), opositor de Jango, na capital da República estejam a in-
declara vaga a Presidência da República e o quietar e a ameaçar cinqüenta milhões
acusa de deixar a nação acéfala, homologando de brasileiros”. (Couto, 2001, p. 20)
com essa decisão o golpe militar. Ocorreram
reações a favor do presidente, mas a então Essa última frase citada e dita por Juscelino
oposição conseguiu seu feito: destituir João indica como o seu governo estava exposto,
Goulart da presidência do Brasil. no Rio de Janeiro, às crises políticas provo-
Durante essa crise de sucessão, Brasília cadas por militares, partidos políticos oposi-
não foi palco de grandes manifestações, como cionistas e grupos organizados. A mudança
as que ocorreram no eixo RJ-SP. Ainda é uma da capital para o interior inabitado tornou-
cidade incipiente, formada “compulsoriamen- se também uma estratégia de defesa contra
te” por funcionários públicos e políticos e, oposições aguerridas e tentativas interven-
naquele período, ainda sem vida e sem ra- cionistas ou golpistas.
mificações na sociedade de grupos políticos.
Assim, seu espaço urbano não servia, ainda,
para as explosões cívicas ou manifestações 171
pontuais, mas o seu asséptico espaço urbano
Brasília: uma utopia
facilitava manifestações militares. Aliás, esse autoritária realizada
isolamento de Brasília que, paradoxalmente,
fora criada para integrar o país, atravessa a Pode-se dizer que a dimensão política de Bra-
sua história desde JK, passando por Jânio sília exacerba-se ao se constatar que a nova
Quadros, e torna-se um relevante fator para capital não apenas faz parte de um modelo de
a implantação dos regimes militares pós-64. desenvolvimento, mas também foi pensada
Brasília será portadora não apenas da como um instrumento de isolamento políti-
monumentalidade que se verifica no movi- co, um espaço protegido para o desempenho
mento moderno desde os anos 30 e na cons- governamental. A localização da cidade, sua
trução das grandes obras estatais do Estado concepção arquitetônica e o plano urbanís-
Novo, mas, paradoxalmente, também será tico são pistas que indicam vários tipos de
solução para a difícil governabilidade do pe- isolamento, principalmente o geopolítico.
ríodo que emperrava o dia-a-dia da política. Brasília é uma parte à parte do restante do
Para Ronaldo Costa Couto, JK país. Aliás, tais características antecipam
sua funcionalidade para servir aos regimes
[...] queria seu governo bem longe autoritários como os que seguem ao golpe
do Rio o mais depressa possível. Sen- de 1964. Paradoxalmente, a estratégia de
sibilidade, argúcia e instinto político. transferir a capital da agitada Rio de Janeiro
Trauma e lições do drama de Vargas, para o isolado Planalto Central­ não surtiu o

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efeito de anteparo de golpes, como imagi- As características do autoritarismo im-


nava Juscelino. Quatro anos depois da sua plantado no Brasil pós-1964 iriam ao encon-
inauguração, um golpe militar rompe com a tro das peculiaridades encontradas na então
legalidade institucional. incipiente cidade de Brasília: controle da mo-
Brasília aparece, então, como a utopia bilização; pluralismo limitado e estabelecido
antecipadora dos governos militares, pois pelos governos militares; e poder exercido
permitiu ampliar a centralização política, por um líder ou um grupo político, expresso
o isolacionismo e a separação da sociedade pelos militares no poder. No caso específico
civil e a sociedade política no país. A nova da mobilização política, pode-se afirmar que
capital se metamorfoseou, tornando-se um essa mobilização é baixa, limitada, ocorrendo
elemento­facilitador­para a ditadura militar. uma “despolitização da massa de cidadãos”
Como cidade incipiente que era, não engen- (Linz, 1973), que são chamados à partici-
drou um espaço público vitalizado, carac- pação somente em momentos cruciais do
terizando-se por ser habitada por políticos regime político. Esse regime não possui um
profissionais, tecnocratas e funcionários pú- elemento utópico, tende a reduzir a política à
blicos que eram incentivados de diferentes administração dos interesses públicos.
maneiras para se transferirem para a recém- O primeiro presidente militar a assumir
construída capital. o cargo foi o marechal Umberto Castello
Brasília é fruto da racionalidade, orga- Branco, chefe do Estado-Maior do Exérci-
nização e cálculo que atravessavam a política to e que recebeu apoio dos líderes civis e
172 implantada no período. Seu projeto arquitetô- militares que atuaram no movimento para
nico rompe com a tradição barroca brasileira, derrubar João Goulart do poder. Ele foi elei-
instaurando a ruptura da modernidade. Essa to indiretamente pelo Congresso Nacional a
cidade não segue a tendência da colonização 11 de abril de 1964, adotando as seguin-
portuguesa, de fundar cidades desorganizadas tes decisões: cassação dos direitos políticos
originadas pelos “semeadores”, em oposição de diferentes setores da oposição, inclusive
às cidades organizadas dos “ladrilhadores” da de militares simpatizantes de João Goulart;
colonização espanhola (Holanda, 1981). política estrita de estabilização e desenvolvi-
Os governos militares ocupam gradati- mento; determinação de manter uma imagem
vamente a nova capital. Ronaldo Costa Couto de “legitimidade democrática” no mandato
(2001, pp. 289-291) relata que o general presidencial, defendendo um mandato fixo e
Médici (1970-1974) foi o primeiro a gover- sem possibilidade de reeleição.
nar exclusivamente de Brasília, consolidando Castello Branco também adotou uma
assim a capital federal. Se os anteriores go- política externa anticomunista, estabelecen­do
vernos militares, de Castello Branco e Arthur fortes vínculos com os Estados Unidos, além
da Costa e Silva, não se estabeleceram na to- de apoiar um sistema de empresa semi-livre,
talidade do tempo na cidade, os governantes apoiado e orientado por um governo cen-
militares posteriores a Emilio Garrastazu Mé- tral fortalecido. Defendeu uma democracia
dici (Ernesto Geisel e João Batista Figueiredo) tutelada e enfatizou a possibilidade da ado-
assumem definitivamente a capital como sede ção de soluções “realistas e técnicas”. Nesse
do governo. momento, justapõem-se o intenso sentido de

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ordenamento da metrópole modernista e a primeiras greves operárias no meio sindical


racionalidade técnica-administrativa do go- nas cidades de Contagem, em Minas Gerais,
verno militar. e em Osasco, em São Paulo. Uma parcela do
O Ato Institucional n. 2 aboliu o sistema movimento de esquerda se organiza e passa a
pluripartidário, instituindo o bipartidarismo, confrontar as Forças Armadas e o movimento
com a criação do MDB (Movimento Demo- armado, destacando-se nessa luta as organi-
crático Brasileiro), formado por políticos que zações ALN (Aliança de Libertação Nacional),
fizeram oposição ao golpe de 64, e a Arena liderada por Carlos Mariguella, VPR (Van-
(Aliança Renovadora Nacional), formada por guarda Popular Revolucionária), AP (Ação
políticos governistas. Havia, portanto, uma Popular) e o PC do B (Partido Comunista do
vida política consentida e implantada pelo Brasil), entre outras.
governo militar. Por sua vez, a Igreja Católica muda sua
Brasília era, naquele momento, palco de postura ante o golpe militar. Se antes deu
manobras militares, de desfiles comemora- apoio à derrubada de João Goulart, após o
tivos, mas não de manifestações populares, Concílio Vaticano II e a Conferência Geral rea-
proibidas pelo regime militar. Um cenário lizada pelo Episcopado da América Latina na ci-
urbano propício para as manifestações dos dade de Medellín, na Colômbia, adota a Teolo-
fechados costumes e rituais militares. gia da Libertação, que vê a história e a teologia
O marechal Arthur da Costa e Silva ele- pela ótica dos pobres e oprimidos, e assume
ge-se presidente da República do Brasil em uma resistência ao regime militar, apoiando e
outubro de 1966, pelo Congresso Nacional, incentivando os movimentos populares. 173
através da eleição indireta, pois fora suprimi- O governo de Costa e Silva, após um
do o direito de voto do povo brasileiro. Logo confronto direto com as manifestações de
após a sua eleição, ocorre uma reativação vários segmentos da sociedade brasileira – e
da discussão política, com grupos políticos após o caso Márcio Moreira Alves, deputado
oposicionistas se rearticulando e promovendo federal do MDB que fez uma declaração con-
manifestações contra o regime militar. A UNE siderada ofensiva aos militares e que por ter
(União Nacional dos Estudantes) organiza imunidade parlamentar não pode ser proces-
grandes passeatas e, no dia 28 de março de sado –, edita, em 13 de dezembro de 1968,
1968, seria realizada uma manifestação no o Ato Institucional nº 5, que fechou ainda
Rio de Janeiro, e ela será reprimida por for- mais o governo, ampliando o autoritarismo,
ças policiais; um estudante, Edson Luís Lima a repressão e reduzindo radicalmente o uso
Souto, será morto no restaurante universitá- do espaço público.
rio Calabouço e sua morte se transformará
numa bandeira de luta contra o regime mi-
litar brasileiro. Brasília parecia separada das
dinâmicas e tumultuadas mobilizações que A democracia relativizada
ocorriam na antiga capital federal, em São
Paulo e em Minas Gerais. De modo geral, o caso do militarismo brasi-
O movimento operário se reorganiza e, leiro é caracterizado como caso único, sui ge-
em abril e julho de 1968, irão ocorrer as neris, pois, diferentemente de outros regimes

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autoritários instaurados na América Latina, militares e com as políticas econômicas ado-


não possuiu características estáveis e defini- tadas pelos diferentes governantes.
tivas. Nesse sentido, Carlos Estevam Martins Sustentando uma tradição política bra-
e Sebastião Velasco e Cruz indicaram que es- sileira de difícil equilíbrio entre os três pode-
se regime autoritário possuía um alto poder res, no regime autoritário, o Poder Executivo
de transmutação, ocorrendo um processo de manteve a preponderância sobre o Legislativo
constante reestruturação do regime, expresso e o Judiciário. Intensificando tal tendência, os
através de sucessivas alterações­em algumas­ militares governaram fazendo uso constante­
de suas esferas (Martins e Cruz,1983), por- dos decretos-leis, além de baixarem atos ins-
tando dois aspectos aparentemente contradi- titucionais e alterarem as regras do jogo elei-
tórios: a “durabilidade”, isto é, continuidade toral segundo as conveniências do poder cen-
de 21 anos dos militares no poder, sem pro- tral. Predominou, dessa forma, o casuísmo
mover alternância entre governo e oposição; e o controle da participação política – então
a “mutabilidade”, isto é, constantes transfi- restrita a certos grupos e instituições, delimi-
gurações promovendo ora a liberalização, ora tados pelos próprios governantes. Portanto,
vigorando a repressão. O regime autoritário o pluralismo foi limitado e a exclusão política
brasileiro conseguiu manter-se durante todo foi uma constante, reduzindo ou eliminando
esse período exatamente pela capacidade de os espaços políticos possíveis a oposições ou
jogar com esses dois aspectos, conseguindo críticos do governo.
assim viabilizar por maior tempo a conser- No caso específico do Brasil, a questão
174 vação do poder político nas mãos do grupo da transição começou a ser discutida nos
militar. meados dos anos 70, com o processo de li-
Quanto à diversidade verificada na trama beralização promovido pelo governo Geisel.
de relação entre diferentes tipos de poder, A transição era entendida, de forma geral,
pode-se dizer que o autoritarismo brasileiro como processo gradual rumo à democracia,
foi um sistema híbrido, pois atendeu aos inte- com permanência de traços do regime an-
resses do capital oligopólio, representado pe- terior e criando condições de confrontos e
las empresas multinacionais, fortalecendo ao lutas entre atores políticos diversos. Dada a
mesmo tempo a empresa pública e ampliando sua conceituação polêmica e a sua efetivação
a área decisória do governo e sua capacidade histórica, por vezes, contestada como tal,
de controle sobre a sociedade civil. O Estado cabe perguntar: afinal, quais são as forças
brasileiro fortaleceu-se às custas da sociedade desencadeadoras desses processos de transi-
civil, expandindo suas atividades e exercendo ção e quando se pode afirmar que a transição
seu papel disciplinador e repressor. A coe- foi concluída?
são interna ao poder, baseou-se então num O denominado processo de abertura po-
“pacto de dominação” com a participação de lítica coincide com a crise econômica gerada
funcionários públicos, com “burguesia de Es- pelo endividamento do governo anterior –
tado”, com o grande empresariado privado do general Emílio Garrastazu Médici – e pela
e com setores das “novas classes médias” crise internacional gerada pelo aumento do
(Cardoso, 1975). Esse pacto se alternou de preço do barril do petróleo, associada à falên-
acordo com as especificidades dos governos cia do “milagre econômico brasileiro”. Tal ce-

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a dimensão política de brasília

nário gera, conseqüentemente, desemprego representante dos militares no poder. E nesse


e até mesmo um estremecimento de relações processo de formação de uma nova onda de
entre a burguesia nacional e a internacional, resistência e de crítica ao governo militar,
ante o processo crescente de estatização. Brasília irá se destacar gradativamente como
Conjugado a esses fatores, destaca-se a espaço de manifestação popular.
crise de legitimidade do próprio regime mili- Em síntese, durante a década de 1970 e
tar, tanto que, como um significativo sinal de começo da de 1980, caracterizou-se o regime
questionamento desse regime, compreende- autoritário brasileiro como um regime que
se­­­o processo eleitoral de 1974, que acabou fortaleceu o Estado, promoveu um projeto de
por se constituir em um plebiscito, em que os desenvolvimento econômico visando favore-
governos militares foram julgados negativa- cer as empresas multinacionais e a burocracia
mente. Naquela conjuntura política, o grande estatal, excluiu amplos setores da sociedade,
vencedor foi o MDB (Movimento Democrático limitou a participação política, controlou as
Brasileiro) que se transformou, legitimamen- ações do Legislativo e Judiciário e – nesse
te, no partido da oposição. quadro assim configurado – pode-se indagar
Também se destaca como condicionan- ainda quais foram os traços autoritários que
te da abertura política o posicionamento de permaneceram nesse processo de transição
determinados setores das Forças Armadas, – já que, como se assinalou anteriormente, o
ligados ao castellismo, que optaram por pro- processo representou avanços, mas também
mover esse processo de liberalização visando manteve traços anteriores.
recuperar o controle sobre as forças militares Deve-se avaliar as especificidades da 175
(Stepan, 1986), uma vez que proliferavam transição brasileira tendo em vista melhor
serviços secretos e aparatos paramilitares, definir a transição política. Embora o país te-
sem o consentimento do poder central. O nha passado de um governo militar para um
então presidente general Ernesto Geisel, na governo civil, com a eleição indireta da chapa
verdade, preparava a saída dos militares do Tancredo Neves/José Sarney, observou-se que
poder, de forma planejada, objetivando não a presença dos militares no governo Sarney
prejudicar a imagem dos militares, evitando foi uma constante. Esse grupo preservou suas
assim o que ocorrera em processos seme- prerrogativas (Stepan, 1988) e se manteve
lhantes em outros países da América Latina, no novo contexto político da democratização.
onde a imagem dos militares sairia extrema- Isso se tornou possível porque os militares
mente desgastada. controlaram todo o processo de transição,
Associado a todos esses fatores, ainda negociando, regulando e alterando as regras
devem ser relevadas a organização e a pres- do jogo político, uma constante preocupação
são da sociedade civil brasileira sobre o regi- de manter as rédeas desse processo tornado
me militar, o que, significativamente, também “lento, gradual e seguro”.
possibilitou o aceleramento do processo de Um outro aspecto que ainda caracteri-
abertura política, viabilizada com graves pro- zou essa transição diz respeito à presença
blemas que indicavam retrocessos e ganhos de atores marcadamente autoritários que se
que levavam a avanços durante o governo transmutaram em democráticos. Ou seja, o
do general João Batista Figueiredo, o último processo de democratização teve à sua frente

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atores que vivenciaram todas as vantagens de repúdios individuais, a cidade adequa-se


que o poder propiciou e, como camaleões, aos novos tempos e, agora, facilita também
eles se adaptaram às novas circunstâncias e a expressão política que se origina nos movi-
se incorporaram ao sistema político. Isso im- mentos sociais. E, assim, ela continua guar-
plicou a preservação e ampliação de práticas dando as tensões agônicas que se produzem
políticas perversas, como a clientelística, o e reproduzem ao se considerarem os jogos
nepotismo, a corrupção, a manipulação e a de forças e interesses que se originam no
apropriação da “coisa pública”. interior dos gabinetes e aqueles que se ma-
nifestam nas ruas.
Em 1984, com a “Campanha pelas Di-
retas Já”, Brasília alcança um novo patamar
A cidade como espaço de uso do espaço público urbano, pelas mani-
de novas tensões festações populares que acontecem em todas
as grandes cidades e, de forma significativa,
Brasília torna-se cada vez mais um lócus na capital federal. Essa dinâmica de ocupa-
significativo dos debates e ações políticas, à ção do espaço público amplia-se a partir da
medida que o processo de transição avançava. autonomia política formal que a cidade ob-
A cidade ia se constituindo numa efetiva ca- tém pelo Artigo 18 da Constituição Federal
pital federal, ao abrir seu espaço para novas de 1988, que dá o direito à população pa-
forças institucionais e também por alargar- ra a escolha direta de seus representantes.
176 se, repercutindo em diferentes pontos das Brasília, a capital federal, iniciou então um
instituições e territórios do país. Se, anterior- movimento de aproximação com o restante
mente, a nova capital ampliou e facilitou os do país. Com a transição política, nos anos
fluxos políticos baseados nos interesses dos 70 e a instauração plena da democracia, a
governantes, a partir do momento em que partir dos anos 80, Brasília abre-se para a
a democracia se consolida no país, a cidade política nacional e torna-se uma referência
passará a receber novos sujeitos históricos para se medir a consciência cívica do país. Seu
que passam a atuar no território urbano das território torna-se um espaço aberto para as
ruas e praças de Brasília. Centro de chegada mais diferentes manifestações da sociedade
de caravanas, local de manifestações das mais brasileira, mobilizada por diferentes idéias,
diferentes ordens e até zona de expressão projetos e agentes políticos.

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a dimensão política de brasília

Vera Chaia
Graduada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Doutora em
Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Professora do Programa de Estudos Pós-
Graduados em Ciências Sociais e do Departamento de Política da Faculdade de Ciências Sociais
e Coordenadora e Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política – Neamp, da
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pesquisadora do CNPq (São Paulo, Brasil).
vmchaia@pucsp.br

Miguel Chaia
Graduado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Doutor em
Sociologia pela Universidade de São Paulo. Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados
em Ciências Sociais e do Departamento de Política da Faculdade de Ciências Sociais e Coorde-
nador e Pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política – Neamp, da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (São Paulo, Brasil).
mwchaia@pucsp.br

Nota
(1) Tal medida no governo Getúlio Vargas permitiu que Juscelino acelerasse a mudança da ca-
pital do Rio de Janeiro para Brasília
177

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Recebido em mar/2008
Aprovado em jun/2008

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