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IMUNIDADES DO CHEFE DE ESTADO

É sem dúvida verdade que as imunidades concedidas aos chefes de Estado quando
se encontram em território de um terceiro Estado apresentam várias justificativas,
dentre as quais, procura-se garantir um adequado grau de respeito pelos líderes
estrangeiros em razão da posição que ocupa, isto é, como símbolo ou representante
pleno do Estado responsável por desenvolver relações internacionais com demais
Países. Para além da observância do princípio da igualdade soberana entre os
Estados os objetivos das imunidades procuram assegurar o exercício pleno de suas
funções oficiais.

Deste modo, impõe-se ao Estado receptor a diligência e a proteção especial contra


possíveis atos ilícitos que possam atingir os chefes de Estado. De fato, este órgão
estatal goza de inviolabilidade[40] pessoal, ou seja, está isento de qualquer medida
coercitiva – detenção ou prisão – que se estende à sua residência, propriedades,
equipamentos e correspondência[41]. Sobre o tema, a Resolução do Instituto de
Direito Internacional de 2001 sobre as Imunidades de Jurisdição e Execução do
chefe de Estado e de Governo em Direito Internacional estabelece em seu artigo 1º
que a pessoa do chefe de Estado é inviolável no território de um Estado estrangeiro,
não podendo ser submetido a nenhuma forma de detenção, de modo que as
autoridades do País estrangeiro devem tratá-lo com respeito e salvaguardar sua
pessoa, liberdade e dignidade[42].

Casos concreto:

O chefe de Estado quando se encontra no território de um terceiro Estado é pessoa


internacionalmente protegida, no sentido de que este Estado deve assumir em favor
daquele agente algumas obrigações especiais de proteção. Portanto, é certo que o
chefe de Estado possui um status particularmente forte em razão da função que
exerce e representa a nível internacional[97].

Neste contexto, a doutrina reconhece que em caso de visita oficial o chefe de Estado
é beneficiado de um estatuto de imunidade reconhecido pelo Direito Internacional
que é reforçado, mormente pelas Convenções sobre Missões Especiais e sobre a
Prevenção e Punição de Crimes Praticados Contra as Pessoas Protegidas
Internacionalmente.

Destacou-se, também, que o chefe de Estado goza de inviolabilidade pessoal[98],


de seus arquivos e documentos[99], e do local da missão[100] e residência[101].
Certamente o Estado receptor deve tratar o chefe de Estado com o máximo respeito
e tomar todas as medidas cabíveis para evitar qualquer ato ofensivo a sua liberdade.

O chefe de Estado possui, por conseguinte, o direito de corresponder livremente


com seu governo[102]. Goza da mesma forma, de plena [absoluta] imunidade de
jurisdição penal[103] perante os tribunais dos Estados terceiros[104]- salvo
consentimento expresso de seu próprio Estado, bem como da imunidade de
jurisdição civil e administrativa, isto é, isenção para ser demandado perante
Tribunais estrangeiros por atos praticados no exercício de suas funções, com
algumas exceções que, portanto, não atingem a dignidade do cargo.

A Cour de Cassation Francesa no caso relativo ao ex-presidente da Líbia,


Muannmar Ghaddafi, acusado de da prática de terrorismo, em 2001 declinou sua
jurisdição e reconheceu a imunidade do então Presidente, alegando que o direito
internacional costumeiro proíbe o exercício de jurisdição criminal sobre um chefe de
Estado em função. Entretanto, importante ressaltar que anteriormente o Tribunal de
Apelação de Paris em 2000 decidiu por não reconhecer a imunidade de Ghaddafi,
numa tentativa de excepcionar a imunidade absoluta de um chefe de Estado. Sobre
o tema, ver SALVATORE ZAPPALÀ, Op. Cit.