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Documentação e conservação
De acervos museológicos: Diretrizes

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GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Alberto Goldman
Governador do Estado

Andrea Matarazzo
Secretário de Estado da Cultura

Fernanda Bandeira de Mello


Secretária-Adjunta

Sergio Tiezzi Junior


Chefe de Gabinete

Claudinéli Moreira Ramos


Coordenadora da Unidade de
Preservação do Patrimônio Museológico

Associação Cultural de Amigos do Museu Casa de Portinari – ACAM Portinari


Organização Social de Cultura

Rosameyre Morando
Presidente do Conselho de Administração

Angelica Fabbri
Diretora Executiva

Luiz Antonio Bergamo


Diretor Administrativo Financeiro

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Governo do Estado de São Paulo
ACAM Portinari

Documentação e conservação
De acervos museológicos: Diretrizes

São Paulo / Brodowski


Junho / 2010

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Produção Editorial
Fundação Energia e Saneamento

Edição Geral
Isabel Felix
Marcia Pazin

Revisão de texto
Josias A. Silva

Design Gráfico
Fernando Lima

Esta publicação está em conformidade com as regras do último acordo ortográfico.


Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização
do Governo do Estado de São Paulo.

VENDA PROIBIDA

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

Fotolito, impressão e acabamento


Laser Press Gráfica e Editora Ltda.
Junho de 2010

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agraDecimentos

A todos os técnicos e especialistas que participaram das discussões teórico-


metodológicas e dos trabalhos de campo identificados na Ficha Técnica desta publicação
– funcionários e colaboradores da Fundação Energia e Saneamento, da ACAM Portinari
e da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria de Estado da
Cultura de São Paulo – pelo empenho, pela paciência e pela determinação, desde o início,
em garantir o cumprimento dos requisitos de qualidade e prazo traçados.
Ao Ministério da Cultura, que viabilizou a utilização de incentivo fiscal por meio
da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura para o financiamento do Projeto, reconhecendo a
importância dessa empreitada e indicando um caminho importante para o uso de recursos
públicos no campo dos museus brasileiros.
À Companhia Energética de São Paulo (CESP), patrocinadora do Projeto, por
reconhecer a importância de apoiar ações de preservação e valorização do patrimônio
cultural paulista.
Aos diretores e funcionários dos 15 museus participantes do Projeto e das organizações
sociais parceiras da Secretaria da Cultura na gestão desses museus, pelo acompanhamento
atento e pela valiosa contribuição para que os resultados fossem alcançados.
Aos antigos funcionários da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico,
antes conhecida como Departamento de Museus e Arquivo (DEMA) pelo esforço para
que chegassem às nossas mãos, apesar de todas as dificuldades de conjunturas anteriores,
as informações que deram origem ao presente resultado.

As Autoras

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Quanto mais me capacito como profissional,
quanto mais sistematizo minhas experiências,
quanto mais me utilizo do patrimônio cultural,
que é patrimônio de todos e ao qual todos devem servir,
mais aumenta minha responsabilidade com os homens.

Paulo Freire. Educação e Mudança. 12ª ed. Rio de Janeiro:


Paz e Terra, 1986. p. 20.

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Sumário
Apresentação ................................................................................................................... 11

Parte I – O projeto ..................................................................................... 13

Documentação e conservação de acervos: requisitos decisivos para


a preservação patrimonial - Claudinéli Moreira Ramos ................................................................ 14
Introdução ................................................................................................................................... 14
Breve histórico ............................................................................................................................ 14
Algumas considerações sobre um novo modelo de gestão de museus ........................................... 18
Um novo marco para os acervos da Secretaria da Cultura ............................................................ 21

Informatização dos acervos dos museus como ferramenta


de acesso - Angelica Fabbri e Cecilia Machado ................................................................................ 26

Diretrizes teórico-metodológicas do projeto - Juliana Monteiro ................................................ 30


Pressupostos teóricos ................................................................................................................... 30
Caracterização do objeto de trabalho ............................................................................................. 32
Aspectos metodológicos ................................................................................................................33
Acervo museológico ..............................................................................................................35
Acervo bibliográfico ............................................................................................................... 38
Acervo arquivístico ................................................................................................................ 40
Resultados alcançados e desdobramentos esperados ................................................................ 40

Parte II – Diretrizes ....................................................................................47

Diretrizes em documentação museológica – Marilúcia Bottallo ...............................................48


O que é Museologia .................................................................................................................. 48
Preservação patrimonial: princípios ............................................................................................. 49
Documentação museológica ........................................................................................................ 50
Metodologia para implantação de um sistema de documentação museológica - aspectos gerais ...... 53
Política de acervo ................................................................................................................. 53
Normalização de procedimentos ........................................................................................... 54
Vocabulário controlado ........................................................................................................ 55
Ficha catalográfica ou base de dados? .................................................................................. 56
Registro patrimonial .............................................................................................................. 57
Livro de registro de acervo ou livro de tombo ...................................................................... 57
Marcação dos objetos ............................................................................................................. 58
Baixa patrimonial e alienação de acervos .............................................................................. 58
Banco de imagens ................................................................................................................. 60

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Os museus da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e a
documentação museológica ....................................................................................................... 60
Metodologia aplicada no Projeto de Documentação do Acervo
dos Museus da SEC-SP ............................................................................................................ 62
Processos de registro e catalogação ...................................................................................... 63
Ficha catalográfica e banco de dados: orientações e diretrizes gerais e específicas ............... 63
Classificação dos objetos ..................................................................................................... 74

Diretrizes em conservação de acervos museológicos –


Heloisa Maria Pinheiro de Abreu Meirelles ............................................................................... 80
Introdução ...................................................................................................................................80
Metodologia ................................................................................................................................82
Diagnóstico de conservação ........................................................................................................ 82

Diretrizes para conservação de acervos heterogêneos .............................................................. 84


Controle ambiental ............................................................................................................ 84
Procedimentos de monitoramento ambiental ................................................................... 85
Equipamentos de controle ambiental ............................................................................... 86
Higienização ...................................................................................................................... 87
Armazenamento ................................................................................................................. 87
Acondicionamento .............................................................................................................. 88
Mobiliário para acondicionamento ...................................................................................... 94
Materiais para acondicionamento ........................................................................................ 95
Equipamentos não convencionais ......................................................................................... 97
Transporte e montagem ....................................................................................................... 97

Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 99

Glossário ................................................................................................................................. 102

Anexo 1 – Modelos de equipamentos controladores de ambiente e equipamentos para


transporte de obras, montagem e serviços diversos ............................................................ 108

Anexo 2 – Relação de materiais básicos de conservação ....................................................... 111

Equipe de trabalho .................................................................................................................. 112

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ApreSentação

A Secretaria da Cultura apresenta essa ini- se à iniciativa, a constituição dos Conselhos de


ciativa como parte dos seus objetivos para a área Orientação Cultural e Orientação Artística na
museológica: aperfeiçoar a política de museus do Secretaria da Cultura em 2009: colegiados com-
Estado, a partir da análise qualificada e baseada postos por membros da sociedade civil, especia-
na situação real em que se encontra o patrimônio listas e profissionais historicamente vinculados à
do Estado e compartilhar experiências, metodo- temática e acervo de cada museu, que aconselham
logias e referências diversas com integrantes do as decisões de aquisição, desvinculação, descarte e
Sistema Estadual de Museus de São Paulo – SI- outras afetas a cada tipologia de acervo.
SEM-SP. Pretendemos contribuir para a reflexão O Projeto de Documentação é um im-
e a multiplicação de melhores práticas da muse- portante passo para a preservação do patrimônio
ologia brasileira. museológico em nosso no Estado. Os Conselhos
De outubro de 2008 a junho de 2010, o de Orientação e as Organizações Sociais da Cul-
projeto demandou a constituição de diversas tura, parceiras na gestão dos museus, são os gran-
equipes de campo, distribuídas pelos dez museus des aliados na continuidade dessa jornada.
do interior e cinco na capital, totalizando 50 téc- A Secretaria deseja que essas diretrizes
nicos e especialistas em 11 municípios do Esta- sejam úteis às instituições museológicas e, para
do. Como resultado, temos hoje grande parte dos essas, disponibiliza a orientação do Sistema Es-
acervos da Secretaria da Cultura devidamente tadual de Museus para a elaboração de ações de
identificados em listagens atualizadas e padroni- documentação e conservação do seu acervo.
zadas de acordo com os princípios da museologia
contemporânea, o que permite uma gestão efi-
caz, além de favorecer a qualificação da Política Andrea Matarazzo
de Acervo de cada museu. Nesse sentido, soma- Secretário de Estado da Cultura de São Paulo

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Romance, 1925, Tarsila do Amaral
Casa Guilherme de Almeida

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Parte I – O projeto
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Documentação e conServação De
acervoS: requiSitoS DeciSivoS para a
preServação patrimonial
Claudinéli Moreira Ramos
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico
da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

Introdução de experiências na área museológica, sempre


tendo em vista a preservação, a divulgação, a
A presente publicação é um dos produtos valorização e a fruição do patrimônio cultural
finais do Projeto de Documentação do Acervo abrigado nos museus.
dos Museus da Secretaria de Estado da Cultura
de São Paulo (SEC-SP), que vem trazer a público
as diretrizes teórico-metodológicas empregadas, Breve hIstórIco
os resultados alcançados e os desdobramentos
esperados, bem como proporcionar a difusão de
algumas diretrizes técnicas de documentação Quando se tem um grande patrimônio a
museológica e conservação de acervos, que podem preservar, com características bastante distintas,
servir de referência para o desenvolvimento de distribuído por diversas regiões do Estado e
trabalhos de natureza semelhante em outras acumulado ao longo de décadas, a partir de
instituições. diferentes processos de incorporação, uma das
Desde o início, essa iniciativa trazia consigo primeiras questões que surgem é: como gerenciar
a chance de estabelecer parâmetros comuns para esse acervo? Certo? Provavelmente sim, desde
identificação do acervo das instituições participantes que se saiba exatamente o que há por gerenciar.
e representava mais uma ação específica e necessária No caso da Secretaria da Cultura, por
do Estado em prol da preservação do patrimônio uma série de razões, a dimensão total do acervo
cultural. Além disso, o Projeto visava trazer – e museológico não era um dado facilmente
trouxe – o benefício imediato da otimização do localizável antes da realização do Projeto de
controle patrimonial, logo administrativo, desse Documentação do Acervo, realizado de outubro
importante conjunto de bens. de 2008 a junho de 2010.
Esperamos que os resultados aqui Em primeiro lugar, é relativamente recente
apresentados possam contribuir para o intercâmbio no cenário cultural brasileiro o entendimento

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Paisagem (estudo), s.d.,
Pedro Alexandrino Borges
Pinacoteca do Estado de São Paulo

sobre a importância do tratamento técnico do da Secretaria, para garantir o controle do Estado


patrimônio, traduzido em disponibilização de sobre seus bens móveis, atendendo à legislação
recursos para a correta documentação e conservação vigente.
de acervos museológicos. Numa realidade repleta Por outro lado, nossa tradição não conta
de demandas, como a necessidade de investir no com grande experiência na definição de políticas
restauro ou na climatização de edificações para de acervo. Em sua maioria, criados por decreto ou
assegurar a salvaguarda do acervo, ou ainda na a partir de doações de conjuntos significativos de
contratação e capacitação de profissionais para as bens, os museus da Secretaria da Cultura – como,
várias atividades do fazer museal, a documentação aliás, a grande maioria dos museus paulistas
acabava por ocupar um papel coadjuvante, mais – em sua origem não passaram por processos
vinculado a demandas específicas e pontuais, como de definição de políticas ou planejamentos
a pesquisa para novas exposições, por exemplo. estratégicos que incluíssem critérios claros sobre
Apenas a partir dos anos 1980 a 1994 vamos ter, o que aceitar em doação ou mesmo o que buscar,
na Secretaria da Cultura, uma primeira tentativa por meio de pedidos, patrocínio ou compra direta,
de levantamento da totalidade do acervo, ainda para compor seus acervos.
feita de forma precária e principalmente por Fruto dessa ausência de definição, tivemos
uma razão administrativa: patrimoniar o acervo um crescimento dos acervos em quantidade alta e

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com características as mais variadas na maioria dos decisório contribuiu para dar visibilidade às
museus, fazendo com que fossem incorporados carências e aos sucessos, esses esforços lograram
ao patrimônio do Estado inúmeros itens que certo êxito, permitindo que algumas iniciativas,
dificilmente seriam inseridos se houvesse uma inclusive de documentação sistematizada dos
política focada, com requisitos objetivos. acervos, fossem desenvolvidas.
Soma-se a isso o fato de que a maior parte Por sua vez, merece crédito o empenho dos
das incorporações era realizada sem normas e colaboradores dos museus da Secretaria no interior
procedimentos claros de entrada no acervo, por do Estado, sobretudo porque a falta de recursos
profissionais sem formação na área museológica, e de priorização constituiu ao longo das décadas
que assumiam diversas funções no museu e não um cenário problemático, só não catastrófico
dispunham de estrutura e condições para maiores para o patrimônio desses equipamentos culturais
reflexões sobre sua prática. Nesse contexto, graças à dedicação pessoal de mulheres e homens
praticamente todas as ofertas de doação eram aceitas que, apesar da falta de formação técnica, de
e não foram raros os momentos em que campanhas recursos financeiros e humanos, envidaram
foram iniciadas visando ampliar as coleções, numa inúmeros esforços para manter os museus em
lógica de ausência de critérios de seleção, como que funcionamento.
pressupondo mérito maior aos museus quanto mais Na mesma perspectiva, funcionários e
numerosos fossem seus acervos. contratados da Secretaria da Cultura ao longo dos
O resultado dessa combinação de anos também desenvolveram várias iniciativas,
precariedades e boas intenções sem o devido tentando minimizar os problemas indicados.
amparo técnico foi a incorporação de objetos Algumas delas foram bem-sucedidas a seu
de relevâncias distintas (não raro de relevância tempo, mas enfrentaram a difícil barreira da falta
nenhuma), conforme as sistemáticas mais de recursos e priorização, decorrente da ausência
diferenciadas, e muitas vezes sem registros de de políticas públicas de continuidade das ações.
aquisição ou quaisquer informações sobre sua Antes de continuar, porém, cabe um
procedência e especificidades. alerta válido a quem possa atribuir esse quadro
Em que pesem as dificuldades advindas simplesmente a esta ou àquela bandeira partidária,
dessa situação, é importante destacar que a esta ou àquela ideologia etc. Obviamente a
muitos foram os esforços, ao longo dos anos, de conjuntura política define rumos das políticas
profissionais nos museus e na própria Secretaria públicas. Porém, o que se observa no Brasil é
da Cultura para organizar as coleções e dotar os um avanço lento das políticas culturais para o
museus de condições minimamente adequadas patrimônio nos últimos 20 anos e, especialmente
à sua preservação e divulgação. Sobretudo para os museus, mais ágil nos últimos dez. Alerta
na capital, onde a proximidade com o centro para essa constatação a observação fácil de que

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no cenário brasileiro, de modo geral, o histórico deu início a um processo de trabalho e reflexão
paulista apontado até aqui é mais regra do que para posicionar a UPPM internamente, na
exceção. E ainda há um longo caminho para SEC, junto ao Governo e no Estado de São
alterar esta situação. Paulo, como unidade responsável pela definição,
De fato, é muito recente a adoção do implementação e avaliação de políticas públicas
planejamento como ferramenta estratégica de para os museus do Estado. Esse redirecionamento,
orientação dos museus rumo ao cumprimento desde o princípio, tinha como definição que tais
de seus objetivos maiores. No caso da Secretaria, políticas se destinassem a viabilizar a preservação,
essa compreensão teve início nos anos 1990, a pesquisa, a divulgação e a fruição do
mas foi com a adoção do modelo de gestão em patrimônio museológico do Estado de São Paulo,
parceria com organizações sociais de cultura, a especialmente dos museus da própria Secretaria,
partir de 2005, que ela passou a ser uma tônica num esforço de articulação dos museus paulistas,
determinante do dia a dia dos museus estaduais. em favor da valorização e da fruição da cultura,
A partir da parceria com as organizações do incremento à educação e da ampliação da
sociais, a Unidade de Preservação do Patrimônio cidadania em São Paulo e no Brasil.
Museológico (UPPM), que é a área responsável Nesse sentido, os pressupostos da atuação
pelos museus próprios da Secretaria e também da UPPM visavam posicioná-la no âmbito
pela articulação do Sistema Estadual de Museus, da efetivação de políticas públicas, com foco
começou um complexo processo de revisão de sua estratégico e de multiplicação das melhores
própria função e propósitos. Ao iniciar um diálogo práticas para todos os museus do Estado,
com a sociedade civil organizada, representada nas pautando e supervisionando a gestão dos museus
organizações sociais, a UPPM deixou de ser uma da SEC e estruturando o Sistema Estadual de
executora de ações pontuais. Sua função passou a Museus de São Paulo.
ser não mais a de um departamento dedicado a Antes de avançar na descrição das
gerir diretamente esses equipamentos – às voltas condições que viabilizaram o Projeto, motivo
com escassez de recursos financeiros, materiais desta publicação, é útil aqui fazer uma breve
e humanos, e em meio às diversas dificuldades contextualização do modelo de gestão adotado
oriundas da burocracia estatal –, tornando-se para melhor explicitar de que forma foi possível
gradativamente a área responsável pela definição realizar este trabalho, e, principalmente, como
das políticas públicas para os museus. se pretende que ele tenha continuidade, com
Nessa direção, a reestruturação da avaliação e aperfeiçoamento contínuos.
Unidade, realizada a partir de janeiro de 2008,

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AlgumAs consIderAções do Estado e da sociedade civil, pelo Tribunal de
soBre um novo modelo Contas do Estado, órgão vinculado à Assembleia
de gestão de museus Legislativa, e pela Secretaria de Estado da
Fazenda. As organizações sociais também são
As organizações sociais de cultura são sujeitas à fiscalização pertinente ao Terceiro Setor,
instituições não-governamentais, associações ou e têm de obedecer ao Código Civil e à legislação
fundações, de direito privado e sem fins lucrativos trabalhista brasileira, podendo ainda a qualquer
que atuam na área cultural, qualificadas a partir tempo ser instadas pelo Ministério Público para
de uma série de critérios definidos em lei1, para responder a questionamentos diversos.
atuar em parceria com o governo do Estado, Tudo isso é necessário porque a parceria
por meio da Secretaria da Cultura, na gestão de entre Poder Público e organizações sociais de
equipamentos e programas culturais. cultura permite que o primeiro transfira recursos
A parceria entre Estado e organizações financeiros às segundas, para a execução de metas
sociais de cultura materializa o entendimento pactuadas, relacionadas às finalidades culturais
de que não é necessário para a melhor realização das instituições em que cada organização atua.
dos serviços públicos que estes, no campo da Para que isso aconteça, as organizações precisam
Cultura, sejam realizados direta e exclusivamente se qualificar e seguir uma série de regras de gestão.
pelo Estado, entendido como a soma de quadros Os planos de trabalho que estabelecem as metas
públicos estáveis (os funcionários de carreira) e são elaborados a partir de diretrizes da Secretaria
cargos de confiança contratados nos termos da da Cultura, em parceria com esta, e se traduzem
legislação vigente, que, geralmente, se renovam em orçamentos que permitem destinar recursos
a cada mandato. Essa parceria também parte do para as realizações propostas.
princípio de que a sociedade civil tem condições Com esse modelo de gestão, fica mais
de se organizar e contribuir legitimamente para a fácil identificar e negociar os custos dos projetos
realização de projetos culturais. e equipamentos culturais, e fica mais rápido
Outro pressuposto importante é o de contratar soluções para as demandas apresentadas
que a relação entre o Estado e as organizações (tendo em vista que as regras de contratação das
sociais precisa ser muito bem disciplinada, organizações sociais são mais flexíveis que as do
acompanhada e avaliada. Para isso, além da Estado, ainda que obedeçam a normas austeras
própria Secretaria da Cultura, por meio de suas para compras e contratações e tenham prestações
Unidades Gestoras, ela é fiscalizada por uma de contas bastante rigorosas).
Comissão de Avaliação que inclui representantes Além disso, as organizações sociais podem
ter funcionários contratados sob o regime
1
Lei no 846 de 4/6/1998 e Decretos 43.493 de 29/9/1998 e CLT, o que garante a necessária formalização
50.616 de 30/3/2006.

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A Família, 1970,
Felícia Leirner
Museu Felícia Leirner

do trabalho, assegurando direitos trabalhistas prioridade, e, portanto, os contratos precisam ser


legítimos, sem implicar a aquisição de uma mão bem elaborados; e uma vez firmados, devem ser
de obra cuja estabilidade se perpetue no tempo, honrados e acompanhados com atenção, tanto
o que não é, necessariamente, o mais adequado em termos de execução orçamentária e lisura de
para os equipamentos culturais nem para as processos, como de obtenção de resultados.
relações de trabalho contemporâneas. Com esse O segundo fator estratégico é a destinação
regime de trabalho, também é possível remunerar de pessoas qualificadas e em contínuo processo de
as equipes a preços de mercado. Com salários aprendizado para dar continuidade a essas ações,
melhores, os processos seletivos das organizações sempre com foco nos resultados dessa parceria
sociais tendem a atrair profissionais mais bem entre Estado e organizações sociais, baseado
preparados e experientes, o que resulta em mais nos princípios da economicidade nos custos,
competência técnica a serviço dos museus. transparência nos processos e gastos e qualidade
É fundamental frisar que o sucesso nos resultados finais, a bem do interesse público.
desse modelo precisa considerar dois fatores Isto vale para o Estado, que tem o desafio de atrair
estratégicos. O primeiro é o entendimento, para os concursos públicos quadros adequados
por parte do governo e da sociedade, de que a às demandas específicas da Cultura, e de seguir
cultura, e particularmente os museus, são uma qualificando os funcionários empenhados de

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que já dispõe para a definição, gestão e avaliação para a gestão dos museus da Secretaria e para a
das políticas implementadas. Vale também articulação dos museus estaduais em torno do
para as organizações sociais, cujos conselhos de Sistema Estadual de Museus de São Paulo, o
administração e quadros de funcionários precisam SISEM-SP. Essa dinâmica tem dois eixos centrais:
continuar seu esforço de traduzir representações a valorização da equipe técnica da Unidade, que
sociais e culturais legítimas, para que seja cada passa pelo fortalecimento do compromisso de
vez mais inclusiva e diversificada a interlocução cada servidor e da própria Unidade como um todo
entre o Primeiro e o Terceiro Setores nessa para com sua função pública; e o fortalecimento
parceria. E vale também para todos os órgãos do conceito de parceria com as organizações
de fiscalização, cujo entendimento do modelo e sociais de cultura e com os museus que participam
o empenho para aprimorá-lo devem constar das do SISEM.
pautas de atuação. Para que esses eixos possam funcionar
É no contexto dessa parceria que o Projeto como propulsores de uma práxis mais eficiente
de Documentação do Acervo dos Museus da de gestão e apoio a museus, as ações da Unidade
Secretaria da Cultura foi realizado. As perspectivas envolvem um cronograma intensivo de reuniões
de gestão compartilhada que essa mesma parceria e de comitês de trabalho, que incluem a tomada
permite indicam horizontes muito favoráveis à de decisões conjuntas, a divisão de tarefas e o
sua continuidade e aperfeiçoamento. estabelecimento de prazos e responsáveis dentre
Feitas estas considerações, talvez, enfim, os vários atores sociais e culturais envolvidos.
a grande diferença entre este modelo de Esta é também a alternativa para que seja
gestão em parceria com organizações sociais possível avançar no atendimento das inúmeras
e a administração direta dos equipamentos demandas da área museológica em São Paulo,
culturais pelo Estado consista no fato de que a considerando que os recursos financeiros e
parceria pressupõe o envolvimento da sociedade humanos existem em quantidade muito menor
e do próprio Estado em diferentes níveis de que a necessária para viabilizar todas as soluções
discussão, decisão, execução e avaliação, e requer requeridas.
a permanente e cotidiana fiscalização de um pelo Nessa direção, em fevereiro de 2008, a
outro, com uma transparência que, até hoje, a UPPM criou cinco comitês de trabalho que
administração direta não conseguiu consolidar no contam com a participação das 11 organizações
Brasil. Essa consolidação é hoje o grande desafio sociais de cultura parceiras na gestão dos 23
da parceria com as organizações sociais. museus da Secretaria no Estado. São eles: Comitê
Nesse sentido, a dinâmica que tem de Política de Acervo, Comitê de Infraestrutura,
pautado a Unidade de Preservação do Patrimônio Comitê de Indicadores de Desempenho, Comitê
Museológico busca estabelecer um novo marco de Educação e Comitê de Comunicação.

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A função desses comitês é estabelecer as um novo mArco pArA
prioridades e estratégias de ação para as principais os Acervos dA secretArIA
áreas de atuação dos museus da Secretaria2. No dA culturA
caso do Comitê de Política de Acervo, a partir do
desenvolvimento do Projeto de Documentação, Feita esta contextualização, cabe dizer que o
seus desafios passam por ressituar a discussão a Projeto de Documentação do Acervo dos Museus
respeito da política de acervo em cada museu, à da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
luz das informações coletadas. foi uma das principais iniciativas executadas
Como os museus recentemente passaram pela Unidade de Preservação do Patrimônio
pela experiência de elaboração participativa de Museológico a partir de outubro de 2008.
seus planejamentos estratégicos – processo que Todavia, a ideia de realizá-lo surgiu
pressupõe a periódica avaliação e revisão dos em 2006, quando a própria Unidade – então
objetivos e metas estabelecidos – os resultados Departamento de Museus e Arquivo – tendo já
deste Projeto serão inseridos na análise do que identificado a necessidade de reconhecer todo
compõe e do que deve compor o acervo de cada o acervo museológico da Secretaria, propôs, em
museu. Essa reflexão será feita não só pela equipe parceria com a Associação Cultural de Amigos
da UPPM com as equipes das organizações do Museu Casa de Portinari (ACAM Portinari),
sociais parceiras em cada museu, mas também um projeto para a Lei Rouanet.
com o apoio dos conselhos de orientação cultural O Projeto foi aprovado no mesmo ano
e artística criados pelo secretário da Cultura para pelo Ministério da Cultura com a denominação
auxiliar nas definições sobre o acervo museológico de “Projeto de digitalização dos acervos dos
da Secretaria3. museus da Secretaria de Estado da Cultura”.
Essa denominação baseava-se no fato de que um
2
Assim, por exemplo, o Comitê de Comunicação definiu
dos eixos norteadores do Projeto era, juntamente
a necessidade de elaboração dos planejamentos estratégicos
dos museus, o que foi realizado em 2009 e hoje constitui uma com a atualização das listagens de levantamento
importante ferramenta para a gestão desses equipamentos patrimonial de 15 museus da Secretaria, a captura
culturais no médio e longo prazo, facilitando e orientando
as decisões de curto prazo. do registro fotográfico dos objetos listados por
3
O Decreto Estadual no 53.547, de 13 de outubro de 2008, meio de ferramentas digitais. A versão original
permitiu a criação de conselhos de orientação artística e cul-
não obteve sucesso na captação de recursos, e
tural para auxiliar o Secretário da Cultura na tomada de de-
cisões ligadas à política de acervo do Estado, com ênfase nos o Projeto foi deixado de lado até 2008, quando
casos de aquisição, conservação, restauração, transferência, então foi objeto de uma revisão, passando a ser
aceitação e empréstimo de acervos. Constituídos por meio
de resoluções do secretário publicadas no Diário Oficial do denominado “Projeto de Documentação do
Estado, esses conselhos são compostos por especialistas e acervo dos Museus da Secretaria de Estado da
pessoas com histórico significativo nas áreas relacionadas Cultura de São Paulo”. Cabe dizer que o escopo
aos acervos e temáticas dos museus da SEC.

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original do Projeto – a atualização das listagens objetos era bastante diversificada e os sistemas
e a produção da documentação fotográfica digital de documentação museológica existentes não
– foi mantido, porém a opção pelo novo nome estavam implantados de maneira uniforme.
demonstrou mais coerência com os objetivos Como dissemos, parte dos museus contemplados
em campo. Ademais, nessa nova configuração somente possuía listagens de levantamento
somou-se aos propósitos da empreitada original a patrimonial produzidas nas décadas de 1980
intenção de realizar o diagnóstico de conservação e 1990, que por diversos motivos não foram
dos referidos acervos. revisadas e atualizadas ao longo dos anos. Por
Tal decisão deriva do entendimento de outro lado, havia listagens mais atualizadas,
que a manipulação dos acervos, sempre que for produzidas por museus que já possuíam uma
necessária e dentro do possível, deve atender à ação mais sistematizada de catalogação de
maior gama de necessidades, evitando sucessivas suas coleções, mas que também tinham suas
incursões às peças, diminuindo riscos e custos especificidades.
de intervenção. Assim, buscou-se conferir os No intuito de tornar essa tarefa de campo a
objetos em cada museu para atualizar as listagens mais fácil e precisa possível, inúmeras discussões
de arrolamento, registrando novos dados nas e testes foram feitos para simplificar as planilhas
planilhas de documentação e, simultaneamente, de coleta de dados. A capacitação da equipe no
elencando informações sobre seu estado físico, início das atividades e a revisão continuada das
úteis à definição de uma política de conservação planilhas elaboradas e dos procedimentos em
das coleções identificadas. campo também foram decisivos para minimizar
A proposta apresentava, pois, dois grandes e corrigir os erros, comuns em um processo
desafios: a) identificar e registrar todos os objetos envolvendo muita gente, muito acervo, muita
pertencentes a esses museus, de modo a permitir heterogeneidade e uma boa quantidade de
à SEC-SP um reconhecimento das coleções imprevistos.
museológicas que constituíam seu acervo para, Compuseram essa diversidade os seguintes
a partir disso, consolidar uma política de acervo museus da Secretaria de Estado da Cultura de
coerente, baseada em um sistema de gerenciamento São Paulo, que tiveram os dados sobre seus
de dados eficiente e informatizado; e b) proceder acervos museológicos revistos, atualizados e
ao diagnóstico desse acervo, permitindo o diagnosticados:
estabelecimento das linhas de ação adequadas para
sua conservação e preservação. 1. Casa de Cultura Paulo Setúbal, em Tatuí;
Outro fator que reforçava o desafio da 2. Casa Guilherme de Almeida, em São
iniciativa era a heterogeneidade do universo Paulo;
a ser trabalhado: nos museus a tipologia de 3. Memorial do Imigrante, em São Paulo;

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4. Museu Casa de Portinari, em Brodowski; do Som foi substituído pelo Museu do Café por
5. Museu da Casa Brasileira, em São Paulo; razões operacionais4.
6. Museu de Arte Sacra, em São Paulo; Embora esses museus não tenham sido
7. Museu do Café, em Santos; contemplados no Projeto de Documentação
8. Museu Felícia Leirner, em Campos do pelas razões acima expostas, fazem parte do
Jordão; planejamento da Unidade de Preservação
9. Museu Histórico e Pedagógico Amador do Patrimônio Museológico a discussão e o
Bueno da Veiga, em Rio Claro; estabelecimento de critérios relacionados aos
10. Museu Histórico e Pedagógico Bernardino seus acervos, com especial atenção para o que
de Campos, em Amparo; constitui o “objeto” a ser preservado no caso
11. Museu Histórico e Pedagógico Conselhei- dos museus de ênfase imaterial ou tecnológica.
ro Rodrigues Alves, em Guaratinguetá; Essa definição é necessária para que as políticas
12. Museu Histórico e Pedagógico Índia de preservação e divulgação do patrimônio
Vanuíre, em Tupã; possam contemplar estratégias de salvaguarda
13. Museu Histórico e Pedagógico Prudente do “patrimônio mediado”, aquele que também
de Moraes, em Piracicaba; depende de suportes para ser conhecido e
14. Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico usufruído, mas cujas características e valor não
Monteiro Lobato, em Taubaté; se fixam nesse ou naquele suporte; ao contrário,
15. Pinacoteca do Estado, em São Paulo. demandam procedimentos de migração de
suportes e intervenções muitas vezes distintas
Esta seleção foi feita considerando as da conservação e restauro convencionais para
demandas de atualização do arrolamento. garantir sua existência na longa duração.
Nesse sentido, os demais museus da Secretaria, O Projeto de Documentação trata-se,
todos localizados na capital, são principalmente pois, de uma ação com resultados múltiplos
equipamentos culturais sem acervo museológico
convencional, ou seja, a ênfase patrimonial é
imaterial e/ou composta, sobretudo, de acervos 4
O MIS-SP iniciou um processo de reposicionamento de
sua vocação e propósitos em 2008. Essa revisão levou a uma
digitais, arquitetônicos e bibliográficos. Essa é a
análise detalhada de seu acervo numa sistemática de docu-
situação da Casa das Rosas, Catavento, Memorial mentação e pesquisa mais complexa que a adotada no pre-
da Resistência, Museu da Língua Portuguesa, sente Projeto. Tendo em vista que o acervo desse museu é
muito numeroso e passa por uma ampla discussão sobre
Museu do Futebol e Paço das Artes. Além deles, o destino adequado para as várias tipologias que abriga,
o Museu Afro Brasil não foi considerado porque a atualização de seu arrolamento ficou a cargo da própria
sua estadualização ocorreu quando o Projeto já equipe técnica do museu e tem como prazo o final de 2011
para ser concluída e incorporada ao banco de dados produ-
estava em andamento, e o Museu da Imagem e zido por este Projeto.

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e que justificam individual e coletivamente a coleções inéditas ou pouco conhecidas também
realização de iniciativas dessa envergadura e os são desdobramentos significativos. Por outro
esforços para garantir sua atualidade. Entretanto, lado, o estabelecimento de um banco de dados
é necessário que o cotidiano de trabalho nos informatizado para o gerenciamento eletrônico
museus que desenvolvam ações dessa natureza das informações, até então reunidas em planilhas
incorpore as rotinas de documentação e de dados, é outro desafio cuja solução está em
pesquisa dos acervos arrolados, incrementando estudo, para facilitar a utilização e atualização
as informações disponíveis e contribuindo para das listagens.
ampliar o conhecimento e as possibilidades de Para a execução deste trabalho, a Secretaria
fruição desse patrimônio. de Estado da Cultura de São Paulo contou com
Vale dizer que essa é uma das grandes outros parceiros além da Associação de Amigos
vantagens do Projeto de Documentação: do Museu Casa de Portinari – Organização
permitir uma visualização completa e Social de Cultura, executora maior do Projeto,
padronizada do acervo museológico do Estado, a saber: a Fundação Patrimônio Histórico da
de modo a constituir subsídio para as decisões Energia e Saneamento, diligente responsável
sobre o que deve ser mantido, o que precisa ser pela operacionalização e logística de campo; as
adquirido (as “lacunas” do acervo), aquilo que equipes técnicas de todos os museus envolvidos,
deve ser transferido para outras instituições e que muito contribuíram para que as atividades
o que deve ser desvinculado (porque embora fossem realizadas, e todos os profissionais que
tenha utilidade não representa um patrimônio fizeram parte da equipe de coordenação geral,
museológico, como, por exemplo, peças de de campo e de consultoria indicados na ficha
mobiliário expositivo) ou descartado (como técnica ao final desta publicação. Vale lembrar
elementos cenográficos deteriorados, por que nenhuma ação poderia ter sido iniciada e
exemplo) – nos dois últimos casos por ter sido concretizada sem o aporte integral de recursos da
indevidamente incorporado ao patrimônio Companhia Energética de São Paulo (CESP),
do Estado. Definições sobre empréstimo e viabilizado graças à Lei Federal de Incentivo à
sobre a apresentação ao público de objetos e Cultura (Lei Rouanet).

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Vaso africano, séc. XIX
Museu da Casa Brasileira

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informatização DoS acervoS
DoS muSeuS como ferramenta De aceSSo
Angelica Fabbri
Museológa, diretora executiva da Organização Social
Associação Cultural de Amigos do Museu Casa de Portinari

Cecília Machado
Museóloga, diretora do Grupo Técnico do Sistema Estadual de Museus da SEC-SP
e coordenadora do Projeto de informatização dos acervos da ACAM Portinari

A Associação Cultural de Amigos do Alves, em Guaratinguetá; a Casa de Cultura Paulo


Museu Casa de Portinari – ACAM Portinari Setúbal, em Tatuí; o Museu Histórico, Folclórico
– Organização Social de Cultura, localizada e Pedagógico Monteiro Lobato, em Taubaté;
em Brodowski, interior de São Paulo, desde a o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de
sua fundação, em 17/11/1996, tem objetivos Moraes, em Piracicaba e o Museu de Esculturas
voltados ao desenvolvimento da área cultural, Felícia Leirner, em Campos do Jordão. Além
particularmente a área museológica. disso, a ACAM Portinari realiza ações de apoio
Em parceria com a Secretaria de Estado a museus do interior em parceria com o Sistema
da Cultura, por intermédio da Unidade de Pre- Estadual de Museus (SISEM).
servação do Patrimônio Museológico (UPPM), Os chamados museus históricos e peda-
mediante colaboração técnica, operacional e fi- gógicos do Estado de São Paulo (MHPs) foram
nanceira, a ACAM Portinari visa ao desenvol- criados entre 1956 e 1973, por meio de decretos
vimento e aprimoramento dos museus estaduais específicos. Dentre outros aspectos, os MHPs en-
localizados no interior, contribuindo ainda para fatizavam o caráter educacional das instituições, já
sua qualificação como centros regionais de exce- enunciado no próprio nome, que também se cons-
lência na execução das políticas propostas pela tituía em homenagem a personagens relevantes na
Secretaria de Estado da Cultura. história do Estado de São Paulo e do país.
Constituem o conjunto de museus da SEC- Ao longo dos anos, diversos fatores
SP, geridos em parceria com a ACAM Portinari influenciaram e determinaram os cenários que
o Museu Casa de Portinari, em Brodowski; o se configuraram para esses museus no contexto
Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre, das cidades onde estão instalados e no panorama
em Tupã; o Museu Histórico e Pedagógico do interior paulista, observando-se, entretanto,
Bernardino de Campos, em Amparo; o Museu alguns pontos de convergência quanto às
Histórico e Pedagógico Conselheiro Rodrigues necessidades básicas de requalificação.

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Fuga para o Egito, 1936,
Candido Portinari
Museu Casa de Portinari

A requalificação dessas instituições desen- gestão um dos princípios norteadores dessas


volvida pela ACAM Portinari, em consonância instituições.
com as políticas públicas para museus da UPPM/ Nessa perspectiva, a gestão dos acervos pres-
Secretaria de Estado da Cultura, passa necessa- supõe uma correta documentação, conservação e
riamente pelo trabalho de gestão das coleções, pesquisa, ações que, somadas, não só permitirão
incluindo-se a revisão da Política de Acervo. total controle dos acervos, mas também a geração
Considerando-se que as coleções são a base e difusão de conhecimento a partir deles.
de sustentação desses museus, que têm como uma Não há como desenvolver nenhum
de suas principais características a diversidade trabalho nos museus se a documentação do
e a heterogeneidade do acervo que as compõe, acervo e sua pesquisa não estiverem atualizadas
torna-se necessária a garantia da sua integridade, e consolidadas, pois delas emanam as linhas
para que possam cumprir seu papel de fonte de programáticas de exposições, ação educativa,
pesquisa, informação, produção e disseminação publicações, intercâmbios, dentre outras possíveis
de conhecimento, devendo ser a sua adequada frentes de atuação do museu. São elas também

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que podem assegurar o estabelecimento de - Amplo gerenciamento com controle diário
uma política de acervo que determinará o que da coleção, visando não só à possibilidade
ingressar nos referidos acervos e quais critérios de pesquisa, como também tornar-se im-
serão seguidos em caso de descarte. portante meio para a segurança patrimo-
No caso dos museus geridos pela ACAM nial;
Portinari, havia na documentação de acervo um - Níveis diferenciados de acesso para o
cenário de situações diversas e diferentes estágios banco de dados – fator determinante para
que resultaram na necessidade de implantação a segurança da informação;
de um projeto de documentação que não só - Descrição pormenorizada de todos os
promovesse a conferência dos arrolamentos dos dados pertinentes ao acervo, inclusive
acervos para atualização, mas principalmente que valores de seguro e localização visual por
resultasse num banco de dados. meio de mapas;
Por se tratar de um acervo bastante peculiar, - Visualização da imagem de cada obra e
em que estão presentes todas as tipologias e objeto, havendo possibilidade de diversas
classes de objetos, desde objetos pessoais de imagens para a mesma obra/objeto;
uso cotidiano, até obras de artes plásticas, vasta - Administração de todas as etapas de
documentação textual, fotográfica, antropológica, documentação e empréstimo das obras;
arqueológica, têxtil, mobiliário, entre outros, - Emissão dos mais diversos tipos de
a catalogação, como é definida pelo Conselho listagem/relatório – por autor, por técnica,
Internacional de Museus (ICOM), apresenta por tipologia, por data, por localização,
inúmeras especificidades. estado de conservação, entre outras;
Os campos descritivos da catalogação têm - Gerenciamento dos processos de conser-
de atender à diversidade do universo que compõe vação e restauro, com remissivas para os
esse imenso acervo, impondo que haja campos laudos técnicos;
que permitam a inserção das particularidades de - Consulta à biografia do artista/autor/
cada tipologia. fabricante, bibliografia e demais dados
O banco de dados desenvolvido para peculiares a cada uma das obras e objetos.
atender essa demanda contém campos específicos
para cada tipologia e campos comuns para as A disponibilização desse banco de dados
generalizações, por exemplo: data, material, para consulta pública extrapola a finalidade
localização etc. de pesquisa institucional e possibilita o acesso
As potencialidades do banco de dados para ilimitado do público, uma vez que estará disponível
o acervo são: na internet, de forma segura com níveis de acesso

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pressupondo restrições a conteúdo sigiloso e à implantação já é observado nos primeiros
alteração de informações. resultados de relatórios.
A informatização da documentação dos Para finalizar, enfatizamos que a ferramenta
acervos museológicos constitui importante da informática não é um fim em si mesma, mas
ferramenta para o melhor gerenciamento das parte de um processo contínuo da instituição
coleções. museológica. A documentação, nesse universo,
As vantagens que se originarão da tem a função precípua de ser a base de toda a
implantação do banco de dados para a otimização pesquisa relativa ao acervo. Quanto mais eficiente
do trabalho da equipe técnica dos museus são e completa, maiores serão as possibilidades
consideráveis, tendo em vista a redução de de se atingir a meta principal da instituição
distâncias e rapidez na obtenção da informação museológica, que é difundir conhecimento e
pesquisada. O benefício adquirido com essa inserir a sociedade em discussões culturais.

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DiretrizeS teórico-metoDológicaS
Do projeto
Juliana Monteiro
Museóloga da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico
e coordenadora do Projeto de Documentação do Acervo dos Museus da SEC-SP5

A principal referência para a atualização


pressupostos teórIcos
dos dados referentes às coleções museológicas
das 15 instituições selecionadas foram as listagens A documentação museológica é a área
de levantamento patrimonial produzidas entre da Museologia que, por meio de um conjunto
1980 e 1994 pelo Departamento de Museus de pressupostos teóricos e procedimentos
da Secretaria de Estado da Cultura de São técnicos, visa à identificação, organização e
Paulo (SEC-SP). De antemão, era sabido que contextualização das informações relativas aos
tais listagens não correspondiam à realidade objetos museológicos de acordo com as suas
atual dos museus, tendo em vista que todos especificidades. Segundo Bottallo (1996, p. 288),
eles continuaram a receber acervo após a sua as especificidades da documentação museológica
realização, sem que elas fossem atualizadas. residem no fato de que:
As listagens também apresentavam outros
problemas além da defasagem de dados, relativos A informação tratada através dos procedimen-
à identificação e quantificação dos objetos, pois tos da Documentação de Gestão Museológi-
foram feitas em decorrência de uma demanda ca está diretamente associada à musealização
de caráter administrativo e não obedecendo a dos objetos. De acordo com Waldisa Rússio, o
todos os critérios da documentação museológica. processo de musealização de objetos e artefa-
Eram, portanto, listas muitos simples e vagas, tos pressupõe três preocupações fundamentais:
sem padronização que permitisse a adequada documentalidade, testemunhalidade e fideli-
gestão do acervo. dade (RÚSSIO, 1990). Tais aspectos remetem
diretamente a questões que vão desde a busca,
5
O grupo de coordenação foi composto pela Coordenadora
da UPPM, Claudinéli Moreira Ramos; pela museóloga e organização e sistematização das fontes gera-
diretora executiva da ACAM Portinari – Organização Social doras dos fatos e seus testemunhos materiais,
de Cultura, Angelica Fabbri; pela museóloga e diretora do
até a veracidade dos documentos e o com-
Sistema Estadual de Museus de São Paulo (SISEM), Cecília
Machado e pela autora. promisso com a possibilidade de expansão do

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conhecimento derivado de pesquisa junto às
fontes, considerando a exposição museológica
como momento culminante de todo esse pro-
cesso e pensada sobre os pilares da preservação
(material e potencial) dos registros (sobre qual-
quer tipo de suporte). Os objetos de um mu-
seu são documentos que podemos considerar
como fontes primárias: registros e testemunhos
da existência do Homem e sua trajetória. Não
obstante, restrinjo-me aqui àquela documenta-
ção primária (ou de outros graus) que é relativa
àqueles mesmos objetos museológicos e que,
de alguma forma, precedem ou, muitas vezes,
substituem a consulta ou manipulação daque-
les. Essa documentação é aquela que poten-
cializa a enorme carga informativa dos objetos
museológicos propriamente ditos.
Retrato de Baby de Almeida, 1930, Anita Malfatti
Casa Guilherme de Almeida
Assim sendo, é possível dizer que o objeto
museológico – bi ou tridimensional – é um objeto natural ou cultural que o tornam testemunha (ou
selecionado por ser representativo de um perío- uma peça-chave) para entender um período da
do, de um saber fazer, de um processo criativo do história ou o desenvolvimento tecnológico de
ser humano em determinado contexto. Pode ser uma dada sociedade, por exemplo. Vale destacar
também uma evidência ou testemunho represen- que tal atribuição é alvo de intensa discussão na
tativo do meio ambiente onde habita um grupo Museologia, o que por si só demandaria um texto
social. E aqui cabe ressaltar que objetos de museu exclusivo, indo além do objetivo do presente.
não são unicamente as “relíquias” ou “raridades”, Portanto, o objeto museológico pos-
mas também as ferramentas de trabalho, os equi- sui caráter dual, que diz respeito às suas
pamentos industriais, os objetos de uso pessoal e características intrínsecas (físicas) e extrínsecas
doméstico, entre outros. Independentemente de (que ultrapassam a materialidade do objeto em
ser ou não o único exemplar de seu tipo, um obje- si). Isto torna a pesquisa extremamente necessária
to museológico deve possuir determinado grupo para a recuperação e o processamento técnico das
de características e valores derivados de seu meio informações sobre o acervo e é determinante para

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o estabelecimento dos critérios de crescimento uma mesma denominação sumária para vários
das coleções. Somente por meio da pesquisa é objetos, o que resultou no registro, por exemplo,
que se torna possível explorar exaustivamente os de diversas “moedas” e “cadeiras” sem maiores
diferentes aspectos dos objetos, proporcionando especificações para sua identificação. Isso dava
a produção e a difusão de conhecimento a partir margem a diferentes interpretações, dificultando o
deles e com eles. Isso impede a fragmentação do diagnóstico da existência (ou não) de duplicidade
seu sentido e o consequente esvaziamento de seu de informações.
valor de memória. Outro problema recorrente encontrado
O reflexo direto da dualidade objetual nas listagens foi a atribuição de um mesmo
é a necessidade de o mesmo ser referenciado número de tombo para conjuntos de objetos
peça a peça nos instrumentos de documentação sem a realização dos desdobramentos numéricos
museológica. Ou seja, cada peça deve ter seu necessários. Assim, por exemplo, um baú com
próprio registro e sua numeração individual. Em vestimentas e utensílios pessoais poderia receber
outras palavras, cada objeto museológico deve um único número de tombo sem que houvesse a
ser considerado único, pois sua origem (ou sua discriminação do que estava dentro do recipiente.
fonte) e procedência são geralmente diversas. O Ou, em outro caso, um número de tombo
que permite a contextualização ou conexão dos atribuído para apenas uma moeda, um selo ou um
objetos de um museu entre si é a organização instrumento de trabalho poderia ser, na realidade,
em coleções, que são conjuntos geralmente o número para um conjunto de moedas, de
constituídos artificialmente, de acordo com a selos ou de instrumentos não discriminados na
temática, a função ou outros aspectos comuns totalidade. A ausência de registros fotográficos
dos objetos. Foi a partir dessas premissas que se das peças foi outro ponto crítico encontrado nas
desenvolveu toda a caracterização do objeto e da ações de levantamento patrimonial realizadas.
metodologia do Projeto. Para além dos problemas de discriminação,
é importante ressaltar uma questão de fundo
que perpassa todos os casos de levantamentos
cArActerIzAção do oBjeto de patrimoniais realizados na década de 1980 e
trABAlho início da de 1990. Muitos dos objetos arrolados
não deveriam ter sido registrados como
Conforme mencionado anteriormente, as pertencentes ao acervo dos museus, tendo em
listagens de levantamento patrimonial produzidas vista que sua entrada para o acervo nem sempre
entre 1980 e 1994 pelo Departamento de Museus foi precedida da necessária avaliação sobre sua
e Arquivo da SEC-SP apresentavam problemas. representatividade para a coleção, justificando
Em vários casos foi possível detectar nas listagens assim a incorporação.

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Portanto, em muitos casos era possível a) O instrumento de coleta de dados
identificar a presença de objetos que possuíam deveria contemplar tipologias de objetos
pouca relação com o contexto geral da coleção, abrangentes o suficiente para abarcar as
o que dificultaria qualquer tentativa de difusão realidades distintas de cada museu;
cultural e preservação. Muitos desses objetos b) Não deveria ser extenso, mas ser compatível
também eram compostos de materiais extre- com os dados básicos de um inventário;
mamente perecíveis e de dificílima conservação c) Deveria contemplar campos diretamente
fora de um ambiente adequado, como é o caso relacionados às necessidades de patrimo-
de exsicatas, velas, botões, bonecos de pano, cai- niação contábil dos bens, de modo a tor-
xas de fósforo e fragmentos de objetos sem ne- nar mais precisa a quantificação do total
nhuma identificação de origem, entre outros. de peças (item especialmente necessário
quando se trata da gestão de um conjunto
amplo e diversificado de acervos sob res-
Aspectos metodológIcos ponsabilidade do Poder Público);
d) Deveria comportar a inserção segura de
A partir dessa caracterização, foi iniciada muitos dados, ser de fácil acesso local para
a primeira fase do Projeto, de mapeamento qualquer participante das atividades e ao
da situação de cada museu. Com os dados mesmo tempo deveria ser de fácil migração
apresentados pelo diagnóstico, a equipe de para um futuro sistema de gestão de banco
coordenação geral do Projeto6, em conjunto de dados.
com especialistas na área de documentação
museológica, definiu os metadados que deveriam O esforço da elaboração resultou em
estar presentes no instrumento de coleta de uma planilha de inventário. O inventário – ou
dados (planilha) a ser utilizado pelas equipes arrolamento de bens – é o instrumento básico
de campo. A definição do instrumento foi feita (e necessário) de identificação e quantificação
considerando os seguintes critérios: de acervo museológico. Ele deve possuir campos
básicos e comuns a todos os objetos, de modo
a permitir um preenchimento quase total de
dados. Desse modo, este instrumento oferece
informações precisas sobre o acervo, sem entrar
6
Os profissionais da Fundação Patrimônio Histórico da nas especificidades dos objetos – o que é alcançado
Energia e Saneamento, nas figuras da museóloga Marilúcia por meio da catalogação e da pesquisa.
Bottallo, responsável pela supervisão; e Marcia Pazin, res- Como o objetivo do Projeto de Documen-
ponsável pela operacionalização do trabalho, também parti-
ciparam da discussão nessa fase. tação do Acervo dos Museus da SEC-SP era atu-

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alizar dados de modo a obter um panorama do – Etnográfico;
acervo, a configuração do inventário foi a mais – Filatelia;
adequada para a execução do trabalho. Foram – Fotografia;
definidos 32 campos organizados em seis grupos – Indumentária;
de dados, a saber: Dados Administrativos, Da- – Instrumentos musicais;
dos Físicos e Culturais, Conservação e Restauro, – Maquinário e utensílios;
Responsabilidades, Inscrições e Responsável pelo – Mineralogia;
preenchimento. Alguns campos foram definidos – Mobiliário;
para ter até três entradas, como “Responsabilida- – Numismática e medalhística;
des” e “Inscrições”. – Objeto de culto;
A definição das tipologias também resultou – Outros;
da discussão entre o Grupo de Coordenação – Paleontológico;
Geral do Projeto e especialistas da área. Tal – Publicações7;
discussão foi alimentada com material sobre os – Revolução 32;
museus e seus acervos, recolhido em atividades – Uso doméstico;
de diagnóstico realizadas em meses ou anos – Uso pessoal;
anteriores pela própria SEC. Como de antemão já – Veículos;
se sabia que o universo de objetos a ser trabalhado – Zoologia.
era bastante heterogêneo, as tipologias deveriam
corresponder a essa necessidade de generalização. O diagnóstico também apontou para uma
As tipologias definidas em conjunto pelo Grupo realidade mais crítica nos dez museus do interior
de Coordenação e especialistas foram: contemplados pelo Projeto, o que fez com que
todos os esforços de planejamento fossem dire-
– Armamentos e munição; cionados para atender primeiro a essas unidades.
– Arqueológico; Essa decisão foi reforçada pelo início concomi-
– Arte sacra (católica/africana); tante das atividades de catalogação da ACAM
– Artes plásticas; Portinari em sete dos dez museus, o que veio ao
– Audiovisual;
– Botânica;
– Cultura popular;
– Documento sonoro;
– Documento textual; 7
Após o início dos trabalhos de campo, a tipologia “publi-
cações” passou a ser tratada de forma diferenciada, com o
– Equipamento industrializado; desenvolvimento e uso de uma planilha de dados específica
e que será abordada posteriormente.

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encontro dos objetivos do Projeto. Com duas Após a definição dos campos da planilha e
equipes de trabalho atuando simultaneamente das tipologias, o Grupo de Coordenação definiu
nesses museus, foi possível intensificar as ações os seguintes procedimentos metodológicos para
e garantir que o problema decorrente da ausên- realização do trabalho de atualização de dados:
cia de documentação anterior da maior parte do
acervo não impedisse a conclusão do Projeto no
prazo determinado. Acervo Museológico
Concomitantemente às definições de
ordem conceitual, deu-se início à contratação 1) A checagem das peças em cada museu deveria
dos museólogos, cuja principal atribuição ser realizada considerando seus espaços, ou seja,
seria a de coordenação das equipes de campo. todas as salas, e quando estas fossem muito
Também foram selecionados técnicos de museu grandes, cada subdivisão ou setor de sala, mesmo
e estagiários, que teriam a responsabilidade que não se tratasse de área expositiva. As equipes
de ir a campo coletar dados sob coordenação foram orientadas a passar por todas as áreas em
dos museólogos. Priorizou-se a contratação de que fosse possível encontrar peças, deixando
profissionais com experiências diversas, a fim de por último as áreas de Reserva Técnica quando
organizar grupos com caráter multidisciplinar existentes;
para trabalhar com um acervo heterogêneo.
Nesse momento, foi iniciado também 2) Todas as equipes de campo deveriam ter como
um diagnóstico do estado de conservação das principal referência as listagens de levantamento
coleções dos museus do interior, que eram as que patrimonial. Todavia, as listagens de controle
apresentavam maiores sinais de problemas. A interno geradas pelos próprios museus ao
decisão de realizar tal estudo foi fundamentada longo dos anos e as informações conhecidas
no entendimento de que o reconhecimento das pelas próprias equipes dos museus deveriam ser
condições do acervo seria importante para a consideradas em momentos de complementação
coleta de dados gerais acerca da situação atual, ou validação de dados;
ampliando o escopo do panorama desejado de
atualização de dados. Desse modo, o diagnóstico 3) Os números de tombo existentes nas listagens
de conservação aconteceu concomitantemente de levantamento patrimonial deveriam ser
às ações de documentação e os resultados desse mantidos. Outras numerações atribuídas pelas
trabalho serão comentados oportunamente nesta equipes dos museus deveriam ser registradas no
publicação, em texto escrito pela profissional campo “Outros Números” da planilha de dados;
responsável.

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4) Em todos os casos em que as equipes (“0XX”), compõem o código de identificação
identificassem a existência de um mesmo número da unidade museológica. Por exemplo, no caso
de tombo para um conjunto de peças, deveria ser do Museu Histórico e Pedagógico Bernardino
realizado o seu desdobramento numérico até o de Campos, seu número é o “044”. No caso dos
último item, possibilitando a quantificação exata museus da capital, como os registros documentais
e a manutenção da noção do conjunto formado não indicavam um número de identificação
pelas peças. Por esse motivo, a quantidade de da instituição, foram adotadas as siglas para
dígitos após o hífen não foi fixada, possibilitando cada instituição, de modo a facilitar o acesso às
a inserção de uma numeração crescente. Assim, planilhas. Assim, a Pinacoteca do Estado passou
seria possível saber concretamente a quantidade a ser identificada pela sigla “PIN”, o Memorial
de peças. Exemplo: do Imigrante como “MI”, o Museu da Casa
Brasileira como “MCB” e assim por diante.

5) No caso dos objetos compostos, cujas partes


soltas (ou acessórios) não podem ser compreen-
didas separadamente do objeto principal (como
tampas de bule, tampas de caneta etc.), as equipes
foram orientadas a seguir a numeração de tombo
Obs.: Os três dígitos numéricos que antecedem
normalmente e registrar o número de peças no
o número de tombo, sempre iniciados por zero
campo “No de Partes”. Exemplo abaixo:

Licoreiro, s.d.
Museu Histórico e Pedagógico Amador
Bueno da Veiga

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6) Todos os objetos não patrimoniados, ou seja, convencionou-se a adoção de cinco numerais
aqueles que deram entrada posteriormente à para todos os casos.
realização das listagens de levantamento (após O número após o underline é o número
1994) deveriam ser numerados seguindo o necessário para a individualização dos registros
formato a seguir: dos objetos – caso contrário, seriam todos apenas
“044-00000”, sem possibilidade de recuperação
rápida da informação.
No caso de necessidade de desdobrar o
objeto sem tombamento, o registro ficaria como
o exemplo abaixo:

Pires, s.d.
Museu Histórico e
Pedagógico Amador Garrafa de tinta
Bueno da Veiga ferrogálica, s.d.
Museu Histórico
e Pedagógico
Amador Bueno Tampa, xícara e pires, s.d.
da Veiga Museu Histórico e
Pedagógico Amador Bueno
da Veiga
A opção de utilizar somente o número zero no
espaço reservado à inserção do número de tombo
foi adotada para facilitar a distinção entre o que
fora discriminado na listagem antiga e o que estava
sendo identificado praticamente pela primeira
vez. Cabe esclarecer que, como a quantidade de
dígitos era indeterminada e isso poderia gerar
um problema de variação da quantidade de zeros,

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Vale observar que, nesse caso, o Nos casos de obras autorais, como
desdobramento foi realizado não para identificar publicações, obras de arte e fotografias, era
todas as peças tombadas sob um mesmo necessário preencher também o campo “Título”,
número, posto que elas não possuíam um. O quando necessário; e autor, quando identificado.
desdobramento aqui foi realizado para que os Se houvesse doador conhecido, ele deveria
objetos não perdessem a relação de conjunto. ser registrado no campo “Responsabilidades”.
Provavelmente a “tampa” deveria possuir um Entretanto, como cada caso era praticamente
bule, que, no entanto, não foi encontrado naquele único, em diversos momentos as equipes
momento. Se o bule tivesse sido registrado, a preencheram um número maior de dados do que
existência da “tampa” teria sido indicada no o supracitado.
campo “No de Partes”, conforme explicado no
item 5. No caso da xícara e do pires, ambos 7) Todos os objetos – patrimoniados e não pa-
receberam numeração, e a atribuída ao pires trimoniados – deveriam ser fotografados e a
foi desdobrada da relacionada à xícara. Isto imagem digital deveria receber rigorosamente
porque o pires não pode ser considerado como o mesmo número de tombo atribuído ao objeto
“parte” ou um “acessório” da xícara e sim parte em planilha. A resolução definida foi a de 72 dpi,
de um conjunto formado pelas duas peças e que que não é alta, mas atende à necessidade de iden-
demanda a numeração com desdobramentos. tificação das peças e permite o armazenamento
Outra orientação dada no caso dos não de uma quantidade maior de dados sem grandes
patrimoniados foi a possibilidade de restrição de demandas de memória8.
campos de preenchimento. Os campos básicos
definidos foram:
Acervo bibliográfico
Dados administrativos:
“No de Tombo” (no caso, o número Logo após o início do trabalho de
atribuído). campo, um fato se configurou diante do Grupo

Dados físicos e culturais: 8


A esse respeito, é importante salientar que as fotos em bai-
“Tipologia”, “Denominação” e xa resolução são utilizadas para fins de controle do acervo.
“Dimensões”. Entretanto, as orientações para continuidade dos trabalhos
em cada museu são para a produção de imagens em alta
resolução, pois registros fotográficos com melhor qualida-
Responsável pelo preenchimento: de de visualização são importantes para outros fins, como
elaboração de catálogos, folders, entre outros. Eles permitem
nome e sobrenome do profissional. que o acervo seja difundido e divulgado sem implicar uma
manipulação excessiva dos objetos.

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de Coordenação: o número de publicações 2) O número de tombo deveria ser respeitado tal
que se encontrava nos museus do interior era qual a listagem de levantamento patrimonial, mas
significativamente maior do que o esperado. respeitando o critério de diferenciação do registro
Isso era evidente em unidades como a Casa de de livros e outras publicações tombadas em lote,
Cultura Paulo Setúbal, por exemplo, que possui à semelhança do caso dos objetos museológicos.
mais da metade de seu acervo constituído por Desse modo, foi definido que obras em volumes,
publicações. No caso dos museus da capital, a como enciclopédias, livros e periódicos, deveriam ser
situação era diferenciada, pois a maioria já possui registradas separadamente e o número do volume
bibliotecas organizadas como tal. deveria ser preenchido nesse mesmo campo;
A partir dessa constatação, os bibliotecários,
integrantes da equipe contratada pela ACAM 3) Obras encadernadas juntas: se tivessem o
Portinari e que trabalhavam com a equipe do mesmo título (periódicos, por exemplo) seria
Projeto de Documentação, colaboraram na necessário fazer um registro e descrever o v.
elaboração de uma planilha de dados específica (volume), n. (número) e data, no campo coleção
para esse tipo de acervo, com campos para a área de periódico. Se houvesse títulos diferentes no
de Biblioteconomia, como “edição”, “ISBN” e meio do conjunto, seria necessário fazer outro
“ISSN”; e uma lista específica das tipologias registro em separado, individualizando a obra.
de publicação que poderiam ser encontradas: Essa regra também foi definida para livros,
artigo de periódico, catálogo, dissertação, folheto, separatas, folhetos etc.
hemeroteca, livro, periódico, separata e tese. O
que motivou essa decisão foi o entendimento de 4) Para a descrição física das publicações, foi
que, apesar de tal material ainda não ser tratado definido o seguinte padrão de preenchimento: no
dentro das normas da Biblioteconomia, era total de páginas: il. (ilustrado, se fosse o caso);
importante iniciar um processo de triagem para altura em cm.
futura catalogação.
As orientações de preenchimento para as 5) Exemplo de preenchimento:
publicações foram as seguintes:
Título: (indicar título)
1) No caso dos livros, todas as informações Indicação de Responsabilidade: (nome do
necessárias para preenchimento das planilhas autor); ilustrações de (nome do ilustrador)
poderiam ser encontradas na folha de rosto, Edição: (No). ed.
principalmente no caso das publicações mais Local de Publicação: [cidade ou país]
recentes; Editora: Nome da editora

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Data de Publicação: [ano da publicação] sem tratamento técnico adequado à sua natureza
Descrição Física: (No) p. : il. ; (altura) cm e muitas vezes armazenado com o acervo
Tipo de Publicação: Livro, periódico etc. museológico.
Coleção do Periódico: v. 1, n. 1, (ano da Esse material era, em sua maioria, composto
publicação); v. 1, n. 2, (ano da publicação); por documentação produzida pelo próprio museu
Estado de Conservação: (indicar estado de ao longo dos anos, como fotos de eventos,
conservação) correspondências, relatórios anuais entre outros.
Para não incorrer na catalogação museoló-
6) No caso das publicações não patrimoniadas, gica desse tipo de acervo, as equipes de campo
foi definido que somente os seguintes campos foram orientadas a realizar uma listagem à parte,
deveriam ser preenchidos: contendo apenas a descrição ampla dos conjun-
tos documentais e a quantificação dos metros
Dados administrativos: lineares. Assim, o tratamento técnico e a tria-
No de Patrimônio (Ex.: 038-00000, 038- gem desses documentos, seguindo uma tabela de
00000_01, 038-00000_02), Coleção, Forma temporalidade, serão realizados pelas equipes dos
de Entrada (se conhecida), Data de Entrada próprios museus, seguindo os parâmetros indica-
(se houver), Localização do Objeto no Museu. dos pela SEC-SP a partir de orientação geral do
Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Dados físicos e culturais: Nos museus onde os arquivos permanentes
Tipologia do objeto (publicação), Título, Indica- já são tratados como tal por profissionais
ção de Responsabilidade, Edição, Local de Pu- especialistas, dentro dos parâmetros arquivísticos
blicação, Editora, Data de Publicação, Descrição vigentes, a ação empreendida pela Coordenação
Física, Tipo de Publicação, Coleção do Periódico. do Projeto foi a solicitação de uma breve descrição
do acervo e a quantificação em metros lineares.
Conservação:
Estado de Conservação (Bom, Regular, Ruim).
resultAdos AlcAnçAdos e
desdoBrAmentos esperAdos
Acervo arquivístico
O esforço empreendido pela Secretaria
Com o desenvolvimento dos trabalhos de de Estado da Cultura de São Paulo por meio do
campo na primeira etapa, também foi identificada Projeto de Documentação do Acervo dos Museus
pelas equipes a existência de material arquivístico da SEC-SP não tem a intenção de que o trabalho
em praticamente todos os museus do interior, se esgote em si mesmo. Ao contrário, a expectativa

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Leque do Occipício (Cocar - Hahetô), s.d.,
Índios Karajás,
Museu Histórico e Pedagógico
Índia Vanuíre

é de que o tratamento de documentação torne-se acervo de 15 museus, um dos principais resultados


uma ação sistemática em todos os museus que do Projeto é a consolidação de subsídios para a
ainda não possuíam uma estrutura devidamente construção de um sistema integrado de gestão
instalada quando do início das atividades do da informação. De forma bastante resumida, isso
Projeto, possibilitando a realização da catalogação equivale a dizer que, a partir do universo mapeado
e atualização sistemática de dados pelas próprias pelo Projeto, será estruturado e implantado
equipes locais. E nos museus com processos mais um sistema informatizado de gestão de dados,
avançados de documentação e informatização de em linguagem web e com ampla capacidade de
dados, a expectativa é que, depois de regularizadas armazenamento e processamento de dados.
todas as pendências indicadas pelo Projeto, a O sistema gerencial será alimentado pri-
catalogação e as atividades de pesquisa continuem meiramente com todas as informações recolhidas
acontecendo, sendo as atualizações feitas dentro durante as atividades de campo do Projeto e pos-
dos padrões de registro de dados estabelecidos teriormente, deverá ser alimentado pelas bases de
pelo Projeto de Documentação. Com isso, o dados locais dos museus. A integração não signi-
conjunto dos museus da SEC deverá manter os ficará a substituição das bases existentes nos mu-
dados de seu acervo minimamente indexados, seus – adequadas às especificidades de cada um
possibilitando uma melhor gestão do acervo – mas sim o compartilhamento automático de
museológico na capital e interior do Estado. dados entre sistemas locais e o sistema da SEC-
É importante ressaltar que, para além de SP, permitindo a otimização da atualização das
toda a padronização mínima de dados sobre o informações sobre novas aquisições, empréstimos

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e estado de conservação do acervo museológico 2) Apesar da situação indicada no item anterior,
do Estado. a listagem atual possui uma quantidade de peças
Cumpre ressaltar ainda que, dentro do muito superior à indicada nas listagens originais,
universo de objetos patrimoniados, o número mesmo com as peças faltantes. Isto se deu por
total de peças identificado pelo Projeto não causa dos desdobramentos da numeração de
confere com a lista original em dois aspectos: tombo, que foram necessários em vários casos em
que um conjunto de peças foi registrado sob um
1) Nem todas as peças da listagem original fo- mesmo número, e também por causa do registro
ram encontradas, por isso a listagem atual pos- de uma quantidade considerável de novos itens
sui uma numeração sequencial com intervalos até então não patrimoniados em cada museu.
de itens faltantes. Inicialmente essa constatação Dessa forma, temos a evolução nos dados
criou grande preocupação ao corpo técnico do quantitativos de cada um dos museus integrantes
Projeto e da SEC-SP, considerando a gravidade do Projeto de Documentação do Acervo dos
da não-localização de bens do acervo museoló- Museus da SEC-SP, conforme tabela na página
gico do Estado. Entretanto, a análise das lacunas ao lado.
permitiu verificar que elas derivam fundamental-
mente dos motivos anteriormente mencionados:
sua constituição física, extremamente perecível; e
sua incompatibilidade com a natureza do acer-
vo museológico ao qual foram vinculadas. Ainda
assim, e dada à responsabilidade que o Estado
assume para com todos os bens patrimoniados,
providências administrativas foram e estão sendo
tomadas para analisar cada caso e proceder aos
devidos esclarecimentos e averiguações9.

9
Soma-se a este esforço de esclarecimento e melhoria de
processos a criação dos conselhos de orientação cultural e
artística de cada museu, compostos por integrantes notórios
das áreas de conhecimento representadas nos acervos e te-
máticas trabalhados, cuja função envolve auxiliar a SEC-SP
e as equipes dos museus na revisão e constituição de políti-
cas de acervo adequadas para cada unidade, com normas e
procedimentos claramente definidos para aquisição, desvin-
culação e descarte de acervo.

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Finalmente, ainda que a natureza vos dos museus da SEC-SP à preocupação de que
processual desse trabalho – que requer permanente essa atualização produzisse uma documentação
atualização – seja uma tônica do Projeto, é museológica útil, padronizada e facilmente atu-
importante ressaltar, como resultado principal alizável para a administração desses acervos em
do esforço realizado, a produção e validação seus vários aspectos, como a revisão sobre a mis-
dessas novas listagens de acervo em substituição são e os propósitos de cada museu à luz do patri-
daquelas elaboradas entre a década de 1980 e mônio que abriga, passando por decisões sobre
o início da de 1990. Assim, foram produzidas conservação, restauro e segurança dos bens, até
novas listagens que, anexadas ao relatório final subsídios para as políticas de aquisição, emprés-
do Projeto de Documentação, caracterizam o timo, desvinculação/transferência de acervo para
produto final do trabalho de campo executado outras instituições e descarte. Para além de seus
com o acervo dos 15 museus, devendo ser objetivos principais, o Projeto de Documentação
compreendidas agora como as listagens válidas teve também como resultado a possibilidade de
de cada instituição a partir de 2010, pois foram traçar as diretrizes que a seguir apresentamos
realizadas de acordo com os padrões técnicos da – fruto da reflexão teórica e metodológica sobre o
documentação museológica e refletem a íntegra trabalho realizado – e que, esperamos contribuam
do acervo de cada museu. como uma referência concreta e contextualizada
Por fim, cabe destacar que nossos propósi- para outras iniciativas que foquem a documenta-
tos tiveram como objetivo somar o empenho de ção e a conservação de acervos museológicos.
atualizar a quantificação e os dados sobre os acer-

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Cabeça de mulata II, 1935, Candido Portinari
Museu Casa de Portinari

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Cadeira, séc. XIX
Museu da Casa Brasileira

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Parte II – Diretrizes
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DiretrizeS em Documentação
muSeológica
Marilúcia Bottallo
Museóloga, supervisora técnica do Projeto de Documentação
do Acervo dos Museus da SEC-SP

o que é museologIA preventiva. Do ponto de vista da divulgação de


suas coleções, que permite ao museu compartilhar
A Museologia, de acordo com a teoria o conhecimento gerado e acumulado pelo estudo
formalizada pela museóloga Waldisa Rússio, das mesmas, as áreas de expografia e ação
é a ciência que estuda o fato museal. E fato educativa cumprem papel fundamental.
museal pode ser definido como a relação A essas especialidades museológicas so-
entre o ser humano e o objeto em um cenário mam-se outras que são essenciais na conforma-
institucionalizado e ideal: o museu (RÚSSIO, ção da identidade institucional. São elas a res-
1990, p. 9). tauração, a curadoria de coleções, a curadoria de
Nessa direção, na prática, a Museologia se exposições, a pesquisa de público, a comunicação
vale de um sistema de ações museológicas com institucional, as publicações, entre inúmeras ou-
base em metodologias distintas que estruturam tras que fazem da museologia uma área multidis-
seu papel primordial na preservação patrimonial ciplinar e/ou transdisciplinar.
e na sua divulgação. Uma grande parte de museus e curadorias
Tais metodologias aplicadas ao cotidiano de pequeno e médio porte concentra várias
do museu o distinguem de outras instituições de especialidades em um número reduzido de
guarda e preservação de documentos, tais como profissionais e, não raro, em um único museólogo.
os arquivos e as bibliotecas. Esse é mais um dos motivos que reforçam a
A diversidade de atuação que estrutura o necessidade de que os profissionais que atuam
sistema de ações museológicas fez surgirem áreas nos museus tenham consciência do seu papel e,
de especialização na própria museologia. No assim, busquem aprimoramento constante.
que diz respeito ao seu papel prioritariamente A preservação patrimonial nos museus
preservacionista, a museologia abarca as áreas deve ser orientada por princípios normalizados,
de documentação museológica e de conservação e todos os envolvidos no processo, especialistas

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Gato, s.d., Aldemir Martins
Pinacoteca do Estado de São Paulo

ou não, devem conhecê-los. Neste texto, vamos os museus passaram a colecionar, também, o
tratar de uma série de procedimentos que registro de manifestações artísticas e culturais,
já se constituíram como normas em grande tais como fotografia, vídeos e gravações sonoras.
parte dos museus do Brasil e do mundo. Essas Portanto, uma das características da muse-
normas, colocadas em prática, irão colaborar na ologia é o colecionismo. Colecionar significa es-
organização da estrutura museológica e, assim, colher, dentre a enorme quantidade de testemu-
permitir o cumprimento das tarefas do museu: nhos materiais produzidos pelo ser humano ou
preservar e divulgar seus acervos. não, ao longo de toda a sua história, aqueles nos
quais identificamos aspectos de representação.
Quando esses testemunhos passam a fazer parte
preservAção pAtrImonIAl: da coleção – ou do acervo, como costumamos no-
prIncípIos mear no Brasil –, torna-se responsabilidade dos
museus (e de todas as instituições de guarda de
documentos) que eles sejam preservados do es-
As instituições museológicas e seus
quecimento, da ruína e do abandono10.
similares – coleções privadas, empresariais,
religiosas, arquivos, bibliotecas etc. – são locais
privilegiados para coleção e exposição de artefatos,
bens industrializados, ecofatos, enfim, materiais
de naturezas, origens e funções diversas. A 10
Hoje em dia, o conceito de museu expandiu-se e inclui
museus sem coleção, conceituais ou mesmo coleções virtu-
partir do final dos anos 1960, em função de uma
ais. O que não exclui a ideia de seleção e de representação
produção artística mais ampla e menos material, que são o móvel do colecionismo.

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Os motivos pelos quais preservamos de “conservação intelectual”, porque os acervos
objetos são vários, e os valores que identificamos são portadores potenciais de informação.
nas coleções museológicas, inúmeros: podem Portanto, sempre que falarmos em qual-
ter valor por sua raridade, sua ancestralidade, a quer área de especialidade em museologia, é
forma de confecção, valor científico e cultural, a preciso lembrar que cada uma delas interfere nas
preciosidade do material, sua antiguidade etc. outras e, por isso, a ação museológica deve ser
Mas para a museologia o que importa sistemática e baseada em princípios reguladores
é a possibilidade que o acervo proporciona claros para todos os envolvidos em qualquer nível
de ser a base sobre a qual se gera e dissemina da hierarquia em que os colaboradores dos mu-
conhecimento. Assim, para a museologia, objeto seus estejam inseridos. Apenas para apontar, em
museológico e documento são sinônimos. linhas gerais, a conservação preventiva é uma das
Como abordamos na introdução, a preser- áreas de especialidade da museologia que indicará
vação dos objetos/documentos ou testemunhos os melhores procedimentos em relação ao meio
implica duas metodologias distintas: ambiente em que os objetos estão armazenados e
expostos, bem como as formas corretas de mani-
1) Documentação Museológica; pulação dos mesmos. Além disso, irá orientar so-
2) Conservação Preventiva11. bre procedimentos no que diz respeito a questões
de segurança de acervo e de pessoas.
Ambas são necessárias e devem caminhar
juntas para que o acervo seja preservado, tanto
do ponto de vista de sua estrutura física –
conservação preventiva – quanto de seu conteúdo
documentAção museológIcA
“não material” – documentação museológica,
considerada por alguns autores como uma forma Para que possamos compreender o papel
da Documentação Museológica será preciso
considerar, antes de tudo, do que ela trata. Afinal,
além da Museologia, a documentação de acervos
11
As áreas de divulgação – Expografia e Ação Cultural
é algo comum a outras disciplinas tais como a
– também têm papel primordial na preservação dos acervos,
pois quanto mais conhecidos os acervos, melhor preservados Biblioteconomia e a Arquivologia.
serão. Da mesma forma, as áreas de Documentação Mu- Como já foi dito, os museus, tradicional-
seológica e de Conservação ajudam na divulgação dos acervos
ao preservar o objeto/documento legítimo e inalterado em mente, lidam com objetos de cultura material. No
suas características. Somente por uma questão didática e de entanto, essa materialidade não é suficiente para
metodologias específicas de cada área fazemos a distinção conhecer e apreender o significado das manifes-
entre especialidades museológicas voltadas à preservação e à
divulgação de acervos. tações culturais, práticas científicas e tecnológi-

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cas, históricos e princípios artísticos que motiva- Pássaro, 1966,
ram sua criação, tampouco perceber a mudança Aldemir Martins
Pinacoteca do
sobre seu papel ao longo do tempo. Para ampliar Estado de Sâo
nosso conhecimento sobre os objetos será neces- Paulo
sário usar uma série de informações anexas aos
mesmos para entender por que eles eram – ou se
tornaram – especiais a ponto de merecerem sua
preservação.
Nesse ponto, começa o trabalho de
Documentação Museológica. Waldisa Rússio
acentua que a relação ser humano/objeto no museu
tem como parâmetros os princípios da fidelidade,
da documentalidade e da testemunhalidade.
Para a autora, documentalidade pressupõe ou seja, despidos de seus atributos específicos e
“documento”, cuja raiz é a mesma de docere: evocadores primários, tornam-se documentos.
ensinar. Daí que o “documento” não apenas diz, Por exigir-se do museu a manutenção do princípio
mas ensina algo de alguém ou alguma coisa. da integridade daqueles objetos, justifica-se sua
Quem ensina, ensina alguma coisa a alguém. retirada do fluxo da vida funcional e cotidiana,
Testemunhalidade pressupõe “testemunho”, cuja destacando seu aspecto de representação.
origem é testimonium, ou seja, testificar, atestar A documentação museológica tem como
algo de alguém, fato ou coisa. Da mesma maneira particularidade reconhecer os acervos museoló-
que o documento, o testemunho testifica algo de gicos, independentemente de sua natureza, como
alguém a outrem. Quem testemunha, afirma o que suportes de informação. Está focada na busca,
sabe, o que presenciou, isto é, o testemunho tem reunião, organização, preservação e disponibili-
o sentido de presença, de “estar ali” por ocasião zação de todas as informações, sobre quaisquer
do ato, ou fato, a ser testemunhado. Fidelidade, suportes, que digam respeito a esses mesmos
em museologia, não pressupõe necessariamente acervos.
autenticidade no sentido tradicional e restrito, Na atividade de curadoria documental, as
mas a veracidade, a fidedignidade do documento especificidades relativas a formas de comunicação,
ou testemunho (RÚSSIO, 1990, p. 8). origem, formas de aquisição e outras, constituem
Quando se reconhece em um objeto – ou não apenas o histórico de cada objeto, mas
em um grupo de objetos – as características também estabelecem a relação de cada unidade
apontadas, ao integrarem uma coleção, eles entre si, com as outras coleções do museu e,
passarão por um processo chamado musealização, finalmente, com a história do próprio museu.

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Para atingir esse objetivo é preciso entender 1) A identificação do acervo museológico para fins
que a Documentação Museológica é um sistema culturais, acadêmicos, históricos etc., incluindo a
e, por isso, exige rigor metodológico. O sistema produção de conhecimento sobre e a partir do
da Documentação Museológica vai além da mesmo;
reunião de postulados que regulam a ordem
de identificação dos fenômenos museológicos. 2) A quantificação do acervo sob tutela das
Também não se limita a ser um método de instituições museológicas para fins administrativos
classificação de um conjunto observável. Mas, e jurídicos.
acima de tudo, trata de um conjunto de princípios
que – ao serem reunidos e combinados por meio As principais atividades da Documenta-
de coordenadas pré-estabelecidas – formam ção Museológica estão relacionadas aos proce-
um corpo de doutrina. A busca, o registro e a dimentos de registro, organização e manutenção
disponibilização das informações sobre o acervo da informação que diz respeito aos objetos, suas
devem ser feitas de maneira padronizada de características físicas, dados administrativos, his-
acordo com normas pré-estabelecidas. É dessa tória e problemas e, em um segundo momento, o
forma que podemos torná-las acessíveis de processo de interpretação da mesma.
maneira ampla, fidedigna e, portanto, verdadeira, Todos os objetos museológicos precisam
seja como fonte, ou como produto. ter registros que os identifiquem. Um objeto
No entanto, o conceito de verdade do- sem informações tem pouca – ou nenhuma –
cumental, do ponto de vista da Documentação função museológica, inclusa a tarefa primordial
Museológica, não equivale a uma ideia de ver- de comunicação sobre as características e
dade como princípio irrefutável ou referente de importância do patrimônio preservado.
uma experiência investigável; mas se baseia na A Documentação Museológica é impor-
verificação e aplicação adequada de aspectos con- tante por vários motivos, entre eles, é o processo
ceituais, culturais, jurídicos e administrativos que por meio do qual podemos conhecer alguns dos
se valem dos recursos da classificação, da seriação, muitos valores e significados do acervo preserva-
da unicidade, da determinação tipológica, das do. Além disso, os registros sobre o histórico dos
formas de descrição, do vocabulário controlado objetos pode orientar processos de conservação
etc., para identificar os objetos de uma coleção e restauração, ajudar no gerenciamento e moni-
museológica. toramento dos acervos e orientar curadorias cujo
Definida de forma ampla, a Documentação intuito seja o de divulgar o acervo por meio de
Museológica inclui níveis de atividades diferentes exposições e das ações educativas orientadas para
e que respondem a questões primordiais: as demandas diferenciadas do público de museus.
No sistema de ações museológicas, a documenta-

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ção cumpre uma função social, pois o museu há empréstimo para outros museus etc. Todos esses
muito deixou de focar suas ações apenas na pre- procedimentos serão abordados em detalhes na
servação dos objetos e se tornou o lócus no qual sequência do texto.
o ser humano pode reconstruir processos identi-
tários. O museu é produto da ação humana, e os
processos da documentação museológica permi- metodologIA pArA
tem, a partir de uma metodologia clara, ampliar e ImplAntAção de um sIstemA
democratizar o conhecimento ali gerado. de documentAção
Assim, ao ingressar no museu, um objeto museológIcA – Aspectos gerAIs
passará por um processo de musealização, ou seja,
ele deixará de ter uma função cotidiana e passará
a ter uma função simbólica. Na prática, isso Política de Acervo
significa que, inicialmente, ele será avaliado por
uma comissão que deverá decidir se deve – ou não Como forma de orientar a gestão museo-
– fazer parte da coleção. Em seguida, deverão ser lógica de maneira a tornar o museu menos vul-
verificadas questões legais e administrativas tais nerável a ingerências políticas e administrativas,
como: identificar origem, procedência, arquivar será importante estabelecer políticas de gestão de
cartas de doação, recibos de compra etc. Com acervos. Em instituições públicas é fundamental
esses dados em mãos, será atribuído um Número padronizar e orientar por meio de normas todos
de Patrimônio a esse bem; e o museu, por sua os processos. Uma Política de Gestão de Acer-
conveniência, poderá definir outro número mais vos deve esclarecer pontos fundamentais sobre
apropriado às suas ações museológicas. Serão o tratamento das coleções desde formas de uso
feitos registros em livros de entrada e de Tombo. (estudo, exposição, empréstimos institucionais,
Ao mesmo tempo será necessária a verificação por exemplo), até o estabelecimento de uma Po-
de suas condições de conservação. Se for o caso, lítica de Aquisição que contemple as principais
poderá passar por processos de restauração. orientações sobre formas de aquisição e tipologia
Constatadas as condições adequadas, ele será museológica que deve ser incorporada ao museu.
identificado numericamente, marcado e terá Dessa forma, e por oposição, essa política deve
um local designado apenas para ele na reserva orientar sobre eventuais descartes que possam
técnica do museu. Uma ficha catalográfica será contribuir para dar ao museu uma característica
produzida e, dessa forma, o museu dará uma marcante em relação ao tratamento das coleções.
destinação social para esse objeto inserindo-o nas A política de gestão de acervos será subor-
suas exposições, abrigando-o na reserva técnica e dinada a uma política de gestão institucional, res-
disponibilizando-o para estudos, ação educativa, ponsável por indicar os parâmetros sob os quais

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se estabelece o sistema de ações museológicas. De entendimento dos significados do Patrimônio
qualquer forma, será importante contemplar as Público e, por consequência, sua conservação
formas de relacionamento com as áreas e estabe- dentro de parâmetros de excelência.
lecer limites de ação para todos os envolvidos na
preservação dos acervos, quais sejam: área admi-
nistrativa, em função do processo de Tombamen- Normalização de procedimentos
to do acervo; de tecnologia de informação (quan-
do houver) para desenvolvimento de programas Todos os procedimentos utilizados na
compatíveis e adequados ao gerenciamento de área de documentação museológica devem ser
coleções; áreas de conservação preventiva e cura- padronizados. Para que isso seja claro para todos
tiva, restauração, segurança de acervos e de es- os envolvidos no processo de catalogação, será
paços; área de documentação museológica, ex- muito importante criar – e sistematicamente
pografia e ação educativa. O mesmo princípio rever – manuais de procedimentos de catalogação
de padronização de processos de gestão é válido com regras para utilização e preenchimento de
no caso de o museu manter coleções bibliográfi- cada campo da ficha catalográfica e/ou do banco
cas e arquivísticas, respeitando-se os princípios de dados sobre o acervo.
normativos de caráter técnico-científico para Como regra geral de padronização, deve-se
cada uma. Além da política de gestão em si, determinar de antemão sobre a forma de indicação
deverão estar expressos os princípios éticos de no banco de dados a respeito de informações in-
tratamento e disponibilização das coleções mu- completas, não pesquisadas ou quando o campo
seológicas ao público interno e externo. Nesse não se aplicar ao caso específico de alguns obje-
caso, será importante conhecer e submeter-se tos.
aos princípios expressos por órgãos de orien- Nesse caso, há duas opções: deixar o campo
tação e regulamentação das áreas envolvidas, em branco ou indicar que a informação “não se
tais como o Código de Ética para Museus, do aplica”.
ICOM – Conselho Internacional de Museus da Outras regras de normalização geral devem
UNESCO, e à legislação profissional aplicada ser utilizadas quanto à forma de preenchimento
pelo Conselho Federal de Museologia (CO- de nomes, informações sobre siglas, formas de
FEM), por meio de seus Conselhos Regionais inscrição de datas etc. Algumas serão indicadas
(COREMs). ao longo do texto, outras deverão ser adaptadas
Uma política de gestão de acervos, em função das necessidades específicas de cada
finalmente, deve prever a oportunidade de acervo e de cada instituição. As normas podem
qualificação tanto de seus profissionais como de ser diferentes para cada instituição. No entanto, a
seu público, objetivando com isso um melhor regra de ouro é: criar padrões e segui-los. Quan-

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Jesus pregando aos apóstolos, 1940,
Paulo Rossi Osir
Museu Casa de Portinari

do um padrão não for adequado ou tornar-se ob- e termos e oferece níveis hierárquicos de busca
soleto ele pode ser revisto e substituído. O que de informação padronizada com base no uso de
deve ser evitado, no entanto, é a criação de adap- descritores. Assim, a inserção de dados em um
tações pessoais que irão, certamente, dificultar a sistema se dá de forma padronizada, da mesma
compreensão dos processos por outras pessoas forma que a recuperação dos dados é facilitada.
necessariamente envolvidas com a gestão da co- Não se trata apenas de uma relação de
leção. As normas devem ser escritas e conhecidas termos e conceitos, mas eles devem representar
por todos. uma funcionalidade do sistema. Isto significa que
para estabelecer vocabulários controlados será
preciso um conhecimento amplo das coleções
Vocabulário Controlado com as quais lidamos.
No entanto, a elaboração de um vocabulário
O estabelecimento de padrões e normas de controlado – e sua aplicação efetiva em um sistema
gestão de acervos deverá levar em consideração de gestão de informações – significa um trabalho
a criação de um vocabulário controlado. Isso longo e complexo e que deve ser feito com o
significa uma possibilidade real e ampla de acompanhamento de especialistas. No Projeto
cruzamentos de informações sobre as coleções de Documentação do Acervo dos Museus da
feitas em bases de dados. O vocabulário controlado Secretaria de Estado da Cultura, o vocabulário
estrutura relações semânticas determinando áreas controlado ainda não foi desenvolvido, o

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que extrapolaria seu objetivo principal, que é Um sistema eficiente deve prever funcio-
proceder ao arrolamento de bens patrimoniais nalidades que permitam o registro de todas as
de caráter museológico da SEC-SP. No entanto, informações relativas aos objetos de uma coleção
para a implantação de um Sistema Integrado de museológica, bem como deve gerar relatórios tais
Informações, o desenvolvimento de um vocabulário como inventários e planilhas de trabalho.
controlado será fundamental e deverá ocorrer em A gestão das coleções museológicas, feita
simultaneidade com o desenvolvimento do Banco com base em sistemas informatizados, pode
de Dados da SEC-SP. facilitar processos fundamentais, tais como a
digitalização de todas as imagens dos itens da
coleção, a geração de uma relação de exposições
Ficha Catalográfica ou em que cada uma participou bem como aquelas
Base de Dados? propostas pela instituição; o controle da circulação
de peças dentro e fora da instituição, além de
Destacamos o importante papel que atender pesquisas internas e externas. Além
cumpre a ficha catalográfica e/ou a base de dados disso, para cumprir sua função de facilitador na
em um sistema de gestão de informação. Evitamos preservação e divulgação dos acervos, os sistemas
abordar questões ligadas estritamente à tecnologia podem prever interfaces de consulta.
da informação por vários motivos. Dentre Do ponto de vista da museologia, cabe
eles, ressaltamos que a museologia é uma área ressaltar que o museólogo documentalista deve ter
interdisciplinar. Portanto, será importante contar muita clareza sobre todos os procedimentos que
com a parceria de especialistas em Tecnologia configuram um sistema de ações museológicas
da Informação que conhecerão as melhores para que a parceria com as áreas de Tecnologia da
soluções para desenvolver sistemas inteligentes. Informação resulte em processos cada vez mais
É preciso, no entanto, que os profissionais simples e eficientes. O trabalho desse profissional
de museus que lidam com gerenciamento da é fundamental, pois ele será responsável por
informação tenham um conhecimento claro e propor a aplicação de metadados que permitam
sólido sobre as coleções, sua composição e como trocas interinstitucionais online por meio de
os usuários – pesquisadores e visitantes – buscam sistemas claros de numeração das coleções, uso
as informações. Os sistemas se tornam mais de vocabulário controlado e padronização das
flexíveis a cada dia e a possibilidade de migração unidades básicas de informação.
de bases antigas para outras mais novas já não A opção por plataformas, versões e
é um impedimento para torná-los mais ágeis softwares deve ser discutida em conjunto tendo-se
e adequados às exigências museológicas no em conta duas questões primordiais: 1ª) a relação
gerenciamento das coleções. custo-benefício, ou seja, será necessário pensar na

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adequação de propostas de gestão informatizada museológicos, nem sempre será possível inscrever
à realidade museológica com a qual lidamos; placas de patrimônio ou códigos de barras no
2ª) a opção por sistemas cuja manutenção seja próprio objeto, em função de necessidades
adequada às possibilidades do orçamento anual do especiais de conservação e de exposição das
museu. Muitos sistemas se apresentam como boas peças. Por isso, o museu deve manter, em seus
soluções, mas criam um vínculo de dependência, departamentos e/ou setores administrativos, um
por exemplo, com fornecedores externos ao arquivo com as fichas de identificação de PI de
quadro do museu, o que pode colocar em risco todos os objetos sob a sua tutela, distinguindo-os
a gestão da coleção. Portanto, é preciso pensar de outros bens móveis.
e discutir de maneira ampla e multidisciplinar O número de PI, em geral, é complexo
sobre as melhores opções de informatização para e não é utilizado pela área de museologia que
sistemas de gestão de coleções. costuma estabelecer diferentes critérios para a
numeração da coleção. No entanto, os museus
costumam chamar o número de identificação mu-
Registro Patrimonial seológica dos objetos como número de tombo. O
mais correto, nesse caso, é chamar essa atribuição
A incorporação de objetos aos acervos de numérica de Número de Registro, pois o número
museus deve seguir procedimentos administrati- de Tombo corresponde ao número de PI.
vos e contábeis de registro patrimonial, da mes-
ma forma que os bens permanentes das institui-
ções (móveis, equipamentos, entre outros). Esse Livro de Registro de Acervo
processo gera um número identificador do objeto ou Livro de Tombo
perante a administração do museu.
No caso da Secretaria da Cultura, para que Para controle do ingresso de peças na co-
o Estado tenha conhecimento da existência dos leção, além do registro em fichas catalográficas
objetos museológicos e do status diferenciado que e Bancos de Dados será importante manter um
têm na coleção, eles precisam ser tombados. O Livro de Registro que muitos museus chamam
processo de Tombamento significa que os objetos de Livro de Tombo. É possível que, em alguns
serão registrados como patrimônio público e, museus, haja livros que correspondam ao regis-
portanto, receberão uma identificação numérica tro de entrada de objetos no acervo museológico.
atribuída pelo próprio Estado: o Patrimônio De qualquer forma, como Registro de Tombo ou
Interno (PI). como Registro de Acervo, será importante man-
Os números de patrimônio costumam ter um Livro que obedeça a princípios jurídi-
ser registrados nos bens. No caso de objetos co-administrativos que lhes atribua valor legal.

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Para isso, tais Livros deverão ser numerados, ter objeto da coleção. No entanto, como o acervo é
um Termo de Abertura (e um de encerramento alvo de cuidados especiais em função do papel
quando for o caso), todas as páginas devem ser preservacionista do museu, será preciso escolher
rubricadas e não pode haver rasuras ou correções o tipo de material e técnica adequados para a
de qualquer espécie. As informações devem ser inscrição de números nos objetos. Portanto, cada
dispostas de maneira padronizada, não poden- suporte vai sugerir soluções diferentes.
do haver espaços em branco entre a inscrição de A numeração feita diretamente no objeto
informações sobre um objeto e o seguinte. Os deve ser de fácil visualização pelos profissionais
campos básicos que devem constar dos Livros de museus e ao mesmo tempo discreta ou
de Tombo ou de Registro de Acervo devem ser: mesmo imperceptível para os visitantes das
nome do objeto, data do objeto, data de entrada exposições. Afinal, uma marcação não deve
na coleção, forma de aquisição, nome do doa- chamar mais atenção do que o próprio objeto. A
dor (quando for o caso), origem e procedência. padronização, nesse caso, se dará em função do
Deve haver um campo para observações e outro local escolhido para marcação daquela tipologia
para assinatura pelo responsável pela escritura de documentos e com o uso de materiais não
do Livro. agressivos ao objeto em si. Etiquetas adesivas,
canetas esferográficas, furos, arames etc.
estão fora de cogitação. Alguns exemplos de
Marcação dos objetos possibilidades: Ex.1: Fotografias, gravuras e
desenhos: inscrição no verso no canto superior
Outro aspecto importante da normalização direito feita a lápis 6B com ponta grossa; Ex.2:
é a marcação dos objetos da coleção. Como foi Esculturas: inscrição no verso junto à base.
dito anteriormente, os objetos que pertencem
ao Estado terão no mínimo dois números: o
de Patrimônio Interno (PI) e o de Registro Baixa Patrimonial e Alienação
Museológico. É com o segundo que os de Acervos
museólogos e demais profissionais dos museus
trabalham diretamente, tendo em vista que o Todo museu possui em suas coleções
primeiro é atribuído por um setor específico de alguns objetos que, por diversas razões – furto,
gestão do patrimônio da instituição. Como as mudança da vocação institucional, problemas
coleções museológicas são, em geral, grandes de conservação – foram excluídos do rol de
e os objetos precisam ser identificados com objetos pertencentes à coleção tombada. Ou seja,
precisão, será necessário inscrever o número de deixaram de fazer parte dos bens patrimoniais
registro museológico correspondente em cada sob a tutela do museu.

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Além disso, há muitos casos de processos o destino dos bens que foram desvinculados
de incorporação informal e não resolvidos sob pode ser a transferência para outras instituições
o ponto de vista jurídico-administrativo. Esse é públicas e/ou o descarte definitivo em função
o caso de peças que foram deixadas nos museus de condições muito precárias de conservação. A
sem documentação, objetos encontrados em baixa patrimonial também pode ser aplicada nos
reservas técnicas, peças que desaparecem entre casos de objetos desaparecidos há muitos anos e
outros inúmeros casos. Em outras palavras, nunca outros que possuam registro de furto e roubo.
foram, de fato, parte do acervo. Todo museu deverá manter organizado o
Nessas situações será preciso decidir o registro de processos de baixa patrimonial. Para
destino que será dado ao objeto. O Código de isso será necessário manter um Livro de Baixa
Ética do ICOM (2009) estabelece diretrizes Patrimonial já que, assim como o Tombamento,
para alienação de acervos. Essa decisão é trata-se de um procedimento jurídico-adminis-
responsabilidade da autoridade institucional e trativo e, portanto, deve ser cercado de todas as
deve ser tomada com base em procedimentos providências legais exigidas nesse caso13. No Li-
normalizados na forma de Políticas de Acervo. vro de Baixa Patrimonial deverão estar inscritos:
A partir da aplicação dessa política, os gestores o nome do objeto, data, técnica e material, data
dos museus, após consulta aos seus conselhos e da Baixa e motivo. Deve receber a assinatura do
seus especialistas na área de atuação e tipologia responsável pelo processo. Esse Livro deve ter as
museológica, podem chegar à conclusão de folhas numeradas e as inscrições feitas uma segui-
que é necessário retirar um bem patrimonial da à outra sem admissão de correções de qualquer
definitivamente da coleção. A esse processo dá- natureza, inscrições a lápis ou linhas em branco.
se o nome de Baixa Patrimonial, que corresponde Deve ser previsto um campo para observações e
à perda do direito de posse e propriedade sobre o outro no qual se inscreverão os documentos pro-
objeto alvo de baixa. duzidos para registro da Baixa Patrimonial (tais
Como o processo de Tombamento como Boletins de Ocorrência, Relatórios, Regis-
(incorporação como bem público) tem como tros de Baixa do Estado etc.).
princípio o conceito de permanência, a proposta
de baixa patrimonial deve ser cercada de
justificativas muito claras e o destino dos objetos
tombados deve ser previsto de antemão. Pela
legislação brasileira, os museus – ou qualquer 12
Verificar, entre outras leis, o Decreto-Lei no 25, de 30 de
outra instituição de natureza pública – não podem novembro de 1937.
comercializar obras de suas coleções12. Dessa
13
Para o cancelamento do Tombamento de bens patrimo-
niais, consultar o Decreto-Lei 3.866, de 29 de novembro
forma, a baixa patrimonial pode determinar que de 1941.

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Banco de Imagens por meio de sua Unidade de Preservação do
Patrimônio Museológico (UPPM) e são geridos
Outro procedimento fundamental para em parceria com instituições da sociedade civil
questões de preservação e de segurança do pa- qualificadas como organizações sociais de cultura.
trimônio dos museus é o registro fotográfico dos Quanto às tipologias, os museus da
objetos e a manutenção de um banco de imagens Secretaria são caracterizados, sobretudo, pelas
interligado ao sistema de gerenciamento das co- diferentes formas de tratamento que dão aos seus
leções. Devem ser mantidas imagens, inclusive acervos. Há museus de artes plásticas, design, novas
de bens que foram desvinculados. Essa é uma mídias, temáticos – como os museus do Futebol e
tarefa de suma importância sendo recomendada da Língua Portuguesa –, de ciências, um memorial
pela própria Interpol, que atua em casos de roubo e vários museus de uma tipologia museológica
e furto de peças patrimoniais. Em nível mundial, muito peculiar ao interior do Estado de São Paulo:
são mantidos bancos de dados e imagens de pe- os histórico-pedagógicos, caracterizados por um
ças de mais de 180 países. Informações precisas e acervo bastante diversificado e numeroso.
uma imagem de qualidade têm sido essenciais na A tipologia museológica segundo a qual
recuperação de obras. Além dessas questões mais classificamos os museus não está relacionada
dramáticas, uma imagem de qualidade facilita a diretamente ao colecionismo praticado por esses
pesquisa e o acesso público às coleções, tornan- museus, mas pela forma como, por meio do
do-as mais conhecidas. processo de musealização, determinados aspectos
do tratamento documental são ressaltados em
relação a outros. Por isso, podemos encontrar
objetos de natureza semelhante em distintos
os museus dA secretArIA museus. Por exemplo, há pinturas em museus
de estAdo dA culturA de de arte, mas também em museus de história
são pAulo e A documentAção e de ciências etc. Da mesma forma, peças de
museológIcA mobiliário podem estar presentes em museus de
história, de design e em uma grande variedade
A Secretaria de Estado da Cultura de São de tipologias museológicas. A diferença entre as
Paulo tem sob sua supervisão 23 museus na capital tipologias museológicas se estabelece nas formas
e interior do Estado. Esses museus possuem de tratamento que os museus dão aos seus acervos
tipologias e acervos muito distintos entre si. priorizando determinados aspectos dos objetos
Sob o ponto de vista da subordinação em detrimento de outros.
jurídico-administrativa, esses museus respondem Os acervos são muito diversificados e, mais
diretamente à Secretaria de Estado da Cultura adiante, uma listagem com várias tipologias de

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objetos passíveis de serem encontrados nos museus objetivo a construção de um Sistema Integrado de
da SEC-SP será fornecida como orientação. Gerenciamento da Informação, que permita que
A condição jurídico-administrativa do as informações contidas nos acervos museológi-
museu, sua tipologia e a de sua coleção são aspectos cos das instituições envolvidas sejam trabalhadas
fundamentais que condicionam o método como a de maneira estratégica viabilizando um conhe-
documentação museológica fará o registro de dados cimento maior sobre as coleções e ampliando as
que abarca desde aspectos relativos a processos de oportunidades de uso público desses acervos. O
incorporação – e eventual baixa patrimonial – até primeiro passo nesse sentido foi o levantamen-
a maneira como os objetos devem ser catalogados, to padronizado das informações que comporão
descritos, armazenados e expostos. o Sistema a ser implantado, após a solução de
A padronização do sistema de gerencia- questões técnicas que possibilitem o acesso por
mento de informações é fundamental porque todos os envolvidos.
permite à SEC-SP um conhecimento atualizado É preciso destacar que para o Estado é
e preciso sobre o patrimônio sob sua responsa- fundamental manter um controle administrativo
bilidade e sobre o qual responde jurídica e ad- de bens patrimoniais móveis e imóveis atualizado
ministrativamente. Além disso, permite que os e preciso, e sobre os quais possui direito de
museus compartilhem informações a respeito de propriedade e tutela. Um sistema integrado de
suas coleções. Isso pode ampliar as possibilidades gestão deve permitir aos museus e ao Estado
de intercâmbio, facilitar a criação de redes inter- conhecer alguns dados primordiais sobre as
museus e melhorar as condições de preservação, coleções tombadas e responder rapidamente
bem como a divulgação dos acervos custodiados algumas questões fundamentais: o que há no
nessas instituições visando a públicos cada vez acervo, onde está, qual sua quantidade, tipo de
mais amplos. custódia, entre outras.
Para que tal integração seja alcançada, os Como no caso dos museus vinculados
museus precisam optar pelo uso de sistemas de à SEC-SP os inventários foram feitos entre as
informação que sejam compatíveis entre si. Isto décadas de 1980 e 1990, reforçou-se a importância
não significa que museus que já estejam avançados do trabalho de atualização dos dados.
em relação aos seus processos de catalogação, Para alcançar tais fins, a documentação
tenham de abrir mão de seus próprios projetos. A museológica utiliza vários recursos e procedi-
tecnologia da informação, aliada aos procedimentos mentos para proceder à coleta, organização, ar-
padronizados da documentação museológica, mazenagem e disponibilização de informações
permite a criação de sistemas compatíveis. sobre os acervos museológicos.
Desse modo, pelo Projeto de Documen- Há métodos específicos de registro com
tação do Acervo de seus museus, a SEC tem por finalidades distintas, tais como os Livros de

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Registro de Entrada de Objetos, os Livros de um banco de dados informatizados. Algumas
Tombo, os Inventários padronizados, as Fichas premissas foram consideradas: deveriam ser
Catalográficas, o Controle sobre Processos de preenchidas de maneira ampla, porém ágil e
Aquisição, entre outros. precisa, sem margem a interpretações. O foco
Os sistemas integrados e informatizados do Projeto era claro: quantificar e qualificar –
conseguem controlar as informações com minimamente – o acervo.
mais rapidez e precisão, desde que adaptados à Museólogos foram contratados para
realidade de cada museu. Assim, ao elaborar um supervisionar as atividades de campo. Em uma
sistema de gestão da informação, deve-se ter ação simultânea, foi feito o diagnóstico do estado
como prioridade a sua funcionalidade. de conservação dos acervos.
Como os museus são muito distintos
entre si, tanto do ponto de vista de seus acervos
metodologIA AplIcAdA como do gerenciamento de seus espaços, a opção
no projeto de documentAção metodológica mais adequada aos objetivos
do Acervo dos museus do Projeto foi o levantamento das coleções
dA sec-sp considerando a topografia das instituições: salas
de trabalho, de exposição, mapotecas, reservas
No Projeto foi utilizada uma metodologia etc. Isso evitou redundâncias e esquecimentos.
de abordagem que permitiu à Coordenação um Tendo como referência as antigas planilhas
processo de gerenciamento dinâmico de todas as de inventário, foram feitas as checagens,
etapas desenvolvidas, já que se tratava de controlar atualização de dados e conferências numéricas. Os
as várias equipes atuando simultaneamente em dados foram inseridos diretamente nas planilhas,
museus e cidades distintas. e os museólogos envolvidos eram responsáveis
Em primeiro lugar, foram avaliados os pela sua checagem e validação.
inventários produzidos entre as décadas de 1980 Acervos bibliográficos e arquivísticos,
e 1994. Em seguida, foi feito o mapeamento da que surgiram como uma questão importante no
situação de cada museu, que resultou em um processo, receberam tratamento especial.
diagnóstico elaborado pela equipe de coordenação Cabe destacar que as equipes de trabalho
geral do Projeto. Esse diagnóstico levou à de campo receberam orientação e treinamentos
decisão sobre qual seria o melhor instrumento sistemáticos ao longo de todo o processo, e a
para coleta de dados. Foi definida uma planilha equipe de coordenação ficou em contato constante
de inventário, cujos metadados poderiam ser para dirimir quaisquer dúvidas em tempo real,
aproveitados quando de sua sistematização em evitando interrupções no processo.

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Processos de Registro e
Catalogação
Do ponto de vista da Documentação
Museológica, tratamos, nesta publicação, de
uma parte do processo de gestão da informação
dos acervos: a catalogação e os processos
documentais de controle jurídico-administrativo
sobre as coleções. Lembramos, no entanto,
que a Documentação Museológica é uma área
que dá visibilidade sobre a estrutura da própria
instituição, e o desenvolvimento de um sistema
integrado permitirá o controle sobre vários
aspectos da gestão como um todo.
Para que a catalogação seja feita com base
em informações verdadeiras e confiáveis, a consulta
às fichas museológicas, aos livros de Tombo, de Catalogação do acervo
registro e aos inventários é fundamental. Por isso, Casa Guilherme de Almeida
há uma série de regras que devem ser seguidas para
que tais registros sejam confiáveis. Ressaltamos
o acervo acaba abandonado e pouco usufruído
ainda que para a Documentação Museológica é
culturalmente.
muito importante registrar a fonte das informações
que são inscritas em seus documentos oficiais e
ferramentas de gestão documental.
Uma orientação fundamental: é impres- Ficha Catalográfica e Banco de
cindível que se elaborem manuais de processa- Dados: orientações e diretrizes
mento e catalogação das coleções, com indicação gerais e específicas
do uso de cada campo, indicações de procedi-
mentos, de manipulação e de acondicionamento A Ficha Catalográfica é um recurso
de objetos. A falta de manuais acaba por exigir fundamental e muito utilizado pela área de
que várias gerações de profissionais tenham que, documentação museológica. Ela não é um
repetidamente, recomeçar o trabalho de catalo- documento, mas uma ferramenta de trabalho
gação. No entanto, esse recomeço gera passivos que reúne uma série de informações que, de
perversos, pois muitas informações se perdem e outra forma, estariam dispersas. No entanto,

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em muitos museus, acabou por se tornar a única como parte de seu sistema de gerenciamento
fonte organizada de informações sobre os objetos da informação, a elaboração de uma base de
do acervo (ou parte deles). Por isso, é muito dados sobre o acervo da qual devem constar,
importante que os museus tenham a prática minimamente, dados jurídico-administrativos,
sistematizada do registro de informações. Nas dados sobre a materialidade dos objetos, dados
fichas catalográficas e nos Bancos de Dados, estas culturais e dados sobre a trajetória museológica
informações são organizadas e disponibilizadas dos objetos. É necessário considerar que diferentes
visualmente de maneira a corresponder a uma tipologias de objetos irão requerer campos
hierarquia de prioridades vinculadas ao caráter específicos. Em outros casos, será possível criar
científico e cultural de cada museu. campos híbridos que poderão ser adaptados no
No caso dos museus que fizeram parte do caso de museus com tipologias de acervos muito
Projeto, procuramos estabelecer uma série de diversificadas.
metadados que deverão constar em todas as fichas Para todos os itens é importante criar
catalográficas buscando abarcar da maneira mais regras para padronizar a forma de preenchimento
ampla possível a realidade de todos os museus. de cada um dos campos.
A estruturação de sistemas de gerencia- A seguir, a partir da experiência do Projeto
mento de informação por meio de bases de dados de Documentação do Acervo dos Museus da
informatizados aumenta a cada dia. Inclusive, há SEC, sugerimos um modelo que os museus
a possibilidade de adquirir no mercado softwares podem utilizar, adaptando-os às especificidades
de controle e gestão de acervos. Cabe lembrar, de tratamento das coleções, tipologia, formas de
no entanto, que a ficha catalográfica cumpre o pesquisa de seus usuários etc.
mesmo papel dos bancos de dados, ou seja, é o
método por meio do qual um sistema se estru- A) Dados gerais do Museu
tura e permite que a instituição se reconheça no
seu processo colecionista, base para estruturação É fundamental que a identificação do
de todas as suas atividades. Portanto, um sistema museu apareça como cabeçalho de todas as
funcional de gestão de informação pode ou não áreas e fichas do sistema de gerenciamento de
ser informatizado. Mas precisa, acima de tudo, informação. No caso da SEC-SP, os museus
ser eficiente e responder com agilidade, precisão fazem parte de um Sistema e, portanto, há
e correção a quaisquer demandas relacionadas ao vários com perfis parecidos. Em outras situações,
acervo. redes de museus, de colecionadores, ou mesmo
O mapeamento da realidade museológica instituições congêneres podem se beneficiar
de cada unidade integrante da rede formada desse processo. É muito importante identificar
pelo Sistema Estadual de Museus deverá prever, imediatamente o museu em questão.

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As informações dessa área correspondem pré-determinado para inserção da imagem do
a uma tabela específica. O nome do museu, que objeto. Para bancos de dados informatizados será
deverá ser inserido em todas as fichas, será um preciso definir o padrão para produção de imagem
link de acesso aos dados gerais. digital. Como sugestão, pode-se utilizar o padrão
para internet: resolução de 72 dpi, dimensão 7x7cm
1. Identificação: Nome completo do Museu sem respeitando-se as proporções para evitar distorções.
abreviações No caso de fichas catalográficas manuais, também
2. Endereço Completo: Nome do logradouro, será preciso estabelecer um padrão considerando o
número, bairro e CEP tamanho da imagem e padrão de cores.
Município: Nome completo, sem abreviações
ou siglas No de Patrimônio: Nesse campo será inscrito o
Telefone: indicar o código de localidade número de Patrimônio Interno atribuído pelo
3. Ano de Fundação: proprietário (no caso, o Estado) e que correspon-
4. No do Decreto ou instrumento de criação do de ao bem patrimonial em questão. Portanto, não
museu: deve ser confundido com o número de registro
5. Nome e Cargo do responsável: Este campo museológico que, em muitos museus chama-se
deve constituir um histórico. Se for um Número de Tombo. Deverá ser transcrito da ma-
sistema informatizado, em ordem decrescente neira exata como indicado no processo de tom-
(a informação mais recente aparece antes). bamento.

B) Dados Jurídico-Administrativos do Objeto Número de registro museológico é o


número atribuído pelo museu, de acordo com
O nível de detalhamento que a equipe técnica sistema próprio que identifique cada item da
do museu entende ser adequado pode variar, pois coleção. Ele corresponde à identidade do objeto
devem ser consideradas a necessidade e as reais tal qual o RG ou o CPF identificam e singularizam
possibilidades de catalogação das informações dos o cidadão. Portanto, o número de registro será
objetos. A seguir, sugerimos um modelo de ficha único e exclusivo e, em caso de baixa patrimonial
catalográfica, elaborado a partir do instrumento não será reutilizado. Para os museus que tombam
utilizado pela equipe técnica do Projeto para efetivamente suas coleções, esse campo poderá se
inserção de dados em sistema informatizado. chamar Número de Tombo.
No caso do Projeto de Documentação optou-
1. Dados administrativos do objeto se pela recuperação e utilização apenas do Número
de Patrimônio, com os respectivos números de re-
Imagem: Nessa área deve ser reservado um espaço gistro inseridos no campo “outros números”.

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Alguns museus utilizam vários sistemas No do Processo: Na administração pública,
numéricos para identificar suas coleções em todas as formas de incorporação de objetos
momentos distintos. Há números de tombo, devem ser feitas por meio de um processo que
de catálogo, de controle de entrada etc. Alguns reconhece oficialmente a posse e propriedade de
sistemas alfanuméricos são utilizados para um determinado objeto por parte do Estado. A
indicar a forma de entrada no museu, ou seu transcrição exata do número do processo é um
tipo de material e técnica, ou sua função, ou facilitador na busca de dados sobre a procedência,
sua área geográfica de origem etc. No entanto, situação jurídica e outros dados sobre os objetos.
tais sistemas exigem uma definição clara e um
conhecimento sobre os objetos que nem sempre Valor (explicitar moeda): Trata-se do valor de
se pode exigir da equipe técnica envolvida com aquisição ou de avaliação do objeto. É necessário
os processos de catalogação. Por outro lado, uma explicitar a moeda, pois ela pode sofrer alterações
vez estabelecido não será possível alterá-lo, e (como, de fato, já ocorreram várias vezes). Esse
assim, uma possível reclassificação exigiria um valor deve constar em algum processo. Não deve
esforço de renumeração de grande parte – senão ser atribuído pelo documentalista.
de toda – a coleção. Em razão dessas questões
sugerimos que seja utilizado um único sistema No de partes: Alguns objetos são formados por
numérico, padronizado e, de preferência, partes distintas sem as quais são considerados
simples. incompletos. É o caso, por exemplo, de um
Alguns exemplos: açucareiro, que necessariamente terá uma tampa,
ou uma xícara e seu pires ou mesmo, uma pintura
• 1; 2; 3; 4...: Ordem numérica crescente simples em três partes complementares, chamada tríptico.
identificando a ordem de entrada e registro do Outros formam parte de um conjunto, como um
bem patrimonial para a coleção; tabuleiro de xadrez e suas peças ou um cantil.
• 2010/1: Ano de entrada do bem na coleção Podemos, ainda, encontrar objetos que podem
e/ou sua data de registro ou tombamento, ser complementares – embora independentes
seguido de barra (/) e ordem numérica uns dos outros – mas que, também, serão melhor
crescente simples identificando a ordem de entendidos no seu conjunto, tal qual uma boneca
entrada e registro do bem patrimonial para a e sua vestimenta. Nesse caso, os denominamos de
coleção naquele ano. A cada ano, a numeração objetos compostos. No entanto, observamos que
após a barra reinicia. Esse sistema tem a alguns objetos semelhantes, mesmo que formem
vantagem de ajudar no controle anual de conjuntos, deverão ser entendidos como peças
entrada de objetos na coleção. únicas e, por isso, receberão números simples. É o
caso de coleções de moedas ou de selos. Objetos

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compostos deverão indicar a numeração de cada Coleção: Se o museu possuir fichas catalográficas
uma das partes na mesma ficha, seguindo o mesmo tradicionais, deve ser inserido aqui o nome
padrão utilizado para tombar objetos simples. A do museu ou mesmo o nome das coleções da
seguir, veja alguns exemplos de objeto composto instituição, se houver. Nos museus que possuem
utilizando os sistemas sugeridos acima: sistema informatizado, pode ser inserida uma lista
com o nome do museu ou o nome das coleções.
• Pintura – tríptico: 1.1, 1.2, 1.3 ou 2010/1.1, No caso do Projeto de Documentação do Acervo
2010/1.2, 2010/1.3 dos Museus da SEC-SP, como eram vários museus
• 1.1a (cantil); 1.1b (rosca de vedação); 1.2 trabalhados ao mesmo tempo com o mesmo
(capa de cantil); 1.3 (cinto) instrumento (planilha), foi inserida uma lista com
• Boneca e indumentária associada (vestido, os nomes de todas as instituições envolvidas.
sapatos e meias, chapéu): 1.1 (boneca). 1.2
(vestido), 1.3.1 (sapato direito), 1.3.2 (sapato Forma de entrada: É essencial conhecer a situação
esquerdo), 1.4.1 (meia), 1.4.2 (meia), 1.5 jurídica de um objeto da coleção, pois é a partir
(chapéu). dela que o museu pode recuperar uma série de
informações sobre esse objeto. Além disso, o
Sobre os números, cabe ressaltar que as in- estatuto jurídico da coleção e do museu – seja ele
dicações acima são apenas sugestões. O que mais público ou privado – estabelece sua relação com
importa, independentemente do sistema adota- o Poder Público e define claramente as diferentes
do, é que haja clareza sobre seu funcionamento formas de tutela que o museu tem sobre cada item
– que deve ser conhecido por todos os responsá- do acervo. São várias as formas de entrada de objetos
veis pelos cuidados com o acervo. O sistema deve nos acervos museológicos de maneira permanente.
ser descrito por escrito em detalhes no manual de Para cada uma das situações descritas serão
processamento e catalogação das coleções. exigidos documentos diferentes que comprovem a
propriedade ou posse do objeto em questão:
Outros números: Em geral, as coleções
museológicas vêm com um passivo de objetos que • Doação – Transferência de propriedade sem
passaram por diferentes processos de catalogação. encargos para o museu. Deve ser feito um
É prudente transcrever os números encontrados contrato ou, pelo menos, um termo de doação
nos objetos e/ou em fichas catalográficas antigas, que será registrado em cartório.
inventários e outros documentos, pois em alguns • Compra – Transferência de propriedade com
casos serão esses números que irão permitir a encargos. Nesse caso, será importante arquivar
recuperação de informações sobre esses objetos. recibos de compra, declaração e justificativa
de empenho de verbas etc.

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• Permuta – Troca mútua de proprietários. Para • Depósito – Confere ao museu o direito de
proceder à permuta de acervos museológicos posse e uso restrito da coleção, que deve
é importante que se consultem todos os níveis ser assegurado por meio de contrato. O
de hierarquia. A permuta deve ser justificada depositante, por sua vez, pode reivindicar a
sob os pontos de vista científico e museológico. posse a qualquer momento. Por esse motivo,
A permuta implica Baixa Patrimonial e deve recomenda-se que os museus restrinjam os
estar de acordo com as políticas internas de depósitos e prefiram o comodato. Deve ter
gestão de acervos. sua finalidade justificada.
• Legado – Doação por herança. Deve ser • Comodato – Trata-se de um empréstimo sem
registrada por meio de cartas de manifestação ônus que deve ser restituído ao final do prazo
de vontade de ambas as partes envolvidas convencionado. Algumas vezes, quando um
no processo. O museu deve estar munido comodato é muito extenso, a coleção passa a ser
de um recibo de doação ou uma cópia do encarada como parte da coleção com inscrição
testamento. em Livros de Registro e armazenagem em
• Coleta de campo – Ação típica em museus locais reservados à coleção permanente. Deve
antropológicos, arqueológicos e de ciências ter sua finalidade justificada.
naturais, a coleta de campo, em geral, é resultado • Empréstimo – Figura jurídica semelhante ao
de trabalho científico desenvolvido com base comodato. Em geral, fala-se de empréstimo
em projetos. O trabalho científico que redunda quando os prazos são menores e vinculados a
em coleta de campo deve ser autorizado exposições temporárias e itinerantes. Deve ter
por órgãos competentes que determinam a sua finalidade justificada.
destinação do material coletado. O museu
deve estar munido de cópia dos processos de Forma de entrada (se outra): Nem sempre os
autorização de pesquisas de campo. museus conhecem com clareza a forma de entrada
• Transferência – Cessão de propriedade sem de alguns objetos de seu acervo. Nesse caso
ônus ou troca. Alguns museus foram criados podemos identificar os objetos não reclamados
como resultado da transferência de coleções e sem procedência. Além disso, há objetos não
públicas. Nesse caso, o museu deve solicitar a compatíveis com a coleção. Essas distorções
documentação referente aos objetos transferidos podem ser corrigidas por meio de políticas
e cópia da resolução de transferência. internas ou portarias que objetivem regular
As situações jurídicas descritas a seguir não tais circunstâncias. Políticas internas devem ser
transferem a propriedade de bens, apenas sua escritas e compartilhadas com todos os níveis
posse. hierárquicos da instituição.

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Data de entrada: Nesse campo deve ser Denominação do objeto: Descrever a forma
preenchida a data de incorporação do objeto correta como o objeto é conhecido sem
ao acervo. Sempre que conhecida, deve ser abreviações. Ex.: Relógio de pulso. No caso de
descrita de maneira completa: dd/mm/aaaa. Em dúvidas no preenchimento, consultar dicionários
algumas situações, em virtude de procedimentos especializados, realizar entrevistas com possíveis
administrativos específicos, podem existir outras doadores etc., antes de inscrever o nome do objeto
datas, como por exemplo a data de entrada nos instrumentos de registro.
do objeto no acervo para avaliação. O tempo
decorrente entre a entrada e a efetiva incorporação Autor/fabricante: Nesse campo será inscrito
do bem ao patrimônio do museu pode ser longo. o nome da pessoa física (autor) ou jurídica
Por isso, é importante registrar todas as datas (fabricante) responsável pela criação/produção
existentes, com o objetivo de recuperar os critérios do objeto.
e a história de formação do acervo. Quando
necessário, podem-se criar campos específicos Caso 1 – Autor: No Projeto de Documentação do
para essa finalidade. Acervo dos Museus da SEC-SP sempre colocar
primeiro o nome seguido do sobrenome. No caso
Localização do objeto no museu: Descrição do de um autor ser conhecido por nome artístico,
local exato onde o objeto se encontra. A localização inscrevê-lo antes do nome verdadeiro. Ex.: Di
deve ser feita a partir de um mapeamento escrito Cavalcanti (Emiliano Augusto Cavalcante de
e da criação de códigos de identificação de cada Albuquerque e Melo).
local. Deve ser feita uma topografia da reserva
técnica e de todos os locais onde o objeto possa Caso 2 – Fabricante: Inscrever o nome completo
estar exposto incluindo salas de exposição, da empresa/indústria responsável pela produção
gabinetes, salas de diretoria etc. do objeto. Ex.: Royal Typewriter Company,
Norexa.
2. Dados físicos e culturais
Descrição sumária: A descrição deve fornecer
Tipologia do objeto: Campo utilizado para elementos mais precisos e que vão além da simples
indicar a classificação dos objetos do acervo. denominação do objeto. Deve ser padronizada
No Projeto de Documentação do Acervo dos e formal, ou seja, serão indicados aspectos de
Museus da SEC-SP foram utilizados os termos visualidade e não culturais. Não serão indicadas
identificados no item “Classificação dos Objetos”, questões de gosto, apuro na forma de produção,
apresentado mais adiante. indicações de grandeza ou determinação de

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frontalidade quando isto não for claro. Nomes de mais precisos, mas ainda inconclusivos, pode
cores devem ser precisos e determinados a partir do ter sido produzido naquele período. Ex.:
uso de tabelas. Cada tipologia de objeto irá requerer (c.1986).
formas distintas de descrição. Atualmente, muitos
processos documentais incluem a digitalização da Dimensões: Deverão ser exatas e expressas em
imagem de objetos. Em outros museus, já existem centímetros. Para isso será necessário usar trenas
coleções de documentos digitais. Nesse caso, a de tecido, paquímetros e outros instrumentos
descrição desses documentos deve incluir tipo, com escalas precisas. O uso de réguas e trenas de
dimensões, tamanho e resolução. metal deve ser evitado, pois pode causar danos
aos objetos. As réguas de plástico, por sua vez,
Título (se aplicável): Deve ser inscrito no caso são imprecisas.
de obras autorais. Peças industriais não possuem As medidas mais usadas em museologia
título. O título, quando conhecido e atribuído são justamente aquelas que definem um sólido
pelo criador da obra, deve ser transcrito respei- no espaço tridimensional: altura, largura e
tando-se a grafia e o idioma originais. Ex.: Novia profundidade. Há outras medidas utilizadas para
bellissima. No caso de título atribuído, colocá-lo objetos especiais seja por seu tamanho ou por
entre aspas e indicar entre parênteses a origem da sua natureza. Por exemplo, moedas devem ser
atribuição. Ex.: “Noite de Chuva” (atribuído pelo pesadas, bem como esculturas de grande porte;
doador). Quando a obra for sem título, inscrever o volume interno de vasos arqueológicos deve
a informação. Ex.: Sem Título. ser medido. Nesses casos, essas medidas têm
finalidades diversas e, não raramente, interessam
Data/cronologia do objeto: Indicação da data mais ao pesquisador do que ao museólogo. Para
de produção do objeto. As datas deverão ser fornecer as medidas da maneira correta, será
fornecidas de maneira completa, quando precisas: preciso conhecer a posição “natural” do objeto.
dd/mm/aaaa. No caso de imprecisão há duas
possibilidades: Altura: dimensão vertical de um objeto da base
para cima;
• Indicar períodos limite, quando o objeto, por
suas características pode ter sido produzido Largura: extensão de um objeto;
em um período mais amplo. As datas limite
indicarão o lapso de tempo correspondente. Profundidade: medida de distância perpendicular
Ex.: 1890-1900. à largura.
• Indicar a data aproximada (cerca de) com uma
precisão maior, quando o objeto, por estudos Serão indicadas na seguinte ordem:

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Objetos bidimensionais: altura x largura.
Ex.: desenho – 12,3 x 14,7cm. Diâmetro (cm): diâmetro em centímetros;

Objetos tridimensionais: altura x largura x Duração (min): duração em minutos.


profundidade. Ex.: escultura – 118 x 63,5 x
47,7cm. Origem: Local onde o objeto foi criado,
produzido ou fabricado. No caso de haver
Objetos com formatos diferenciados: medir precisão de localização, indicá-la do geral para o
diâmetro; diâmetro maior; maior altura; maior particular. Ex.: Brasil, São Paulo, Itu.
comprimento etc. dependendo da tipologia do
objeto. Ex.: pintura oval com moldura – 45,3cm Forma de confecção/produção: Indicar a
(diâmetro maior) x 29,2cm (diâmetro menor). matéria-prima utilizada e a forma de elaboração
do objeto. Ex.: Manufaturado/Metal.
Objetos com molduras: a medida deve ser feita
pelo verso e incluir a moldura; 3. Conservação e restauro

Objetos irregulares: indicar maiores medidas Estado de conservação: Haverá apenas três
sempre. Ex.: móbile – 102cm (maior altura) x 61 possibilidades:
cm (maior comprimento).
• Bom: objetos inteiros, sem problemas eviden-
Dimensões: formato. Na planilha do Projeto de tes e com integralidade de leitura;
Documentação do Acervo dos Museus da SEC-SP • Regular: objetos com problemas de conser-
este campo, para efeitos de padronização, indica os vação, sem alteração e comprometimento de
valores medidos e, em seguida, a métrica utilizada: sua estrutura e com leitura integral ou prati-
camente integral;
AxD (cm): altura e diâmetro em centímetros; • Ruim: objetos com problemas de conservação,
alteração e comprometimento de estrutura e
AxL (cm): altura e largura em centímetros; leitura parcial ou completamente comprome-
tidas.
AxLxP (cm): altura, largura e profundidade em
centímetros; Data da avaliação: Indica a data em que a
avaliação do estado de conservação do objeto foi
Circunferência (cm): circunferência em realizada.
centímetros;

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Descrição/Ocorrência: Descreve os problemas 5. Inscrições
encontrados e intervenções que foram realizadas
no objeto. Tipos de inscrição/sinais: Indicação do tipo de
marca/sinal: marca de fabricação, marca de uso,
Observações: Informações gerais sobre o estado inscrições e assinaturas, sejam elas originais ou
de conservação do objeto. feitas posteriormente.

Localização: Local onde aparece a inscrição.


4. Responsabilidades Ex.: canto inferior direito.

Nome da pessoa e/ou instituição: Esse campo


é fundamental e deve ser preenchido com o
nome do responsável pelo preenchimento da
ficha catalográfica/banco de dados e do revisor.
A indicação de nomes dará ao leitor uma noção
de graus de “autoridade” em relação ao conteúdo
das informações registradas. Além disso, deverá
ser inscrita a data dos procedimentos.

Função: Função do responsável.

Observações: Campo onde são incluídas infor-


mações adicionais e que não foram contempladas
em outros campos.

No Projeto de Documentação do Acervo


dos Museus da SEC-SP, a área “responsabilidades”
também foi utilizada para informações sobre
indicadores de responsabilidade sobre o objeto.
Podem ser ilustradores, antigos proprietários,
doadores, fabricantes e autores, entre outros.

Venus, s.d.
Museu Histórico e Pedagógico
Bernardino de Campos

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Transcrição: Deve respeitar a grafia original e
o idioma de quaisquer inscrições e assinaturas
feitas sobre o suporte dos objetos. Ex.: “Ao
Museu de Tatuí, a; Fundação Santos Dumont;
tem a satisfação de oferecer a; efígie do genial
brasileiro.; A. S. S. Saraiva; Presidente”.

Dados complementares: Campo usado


para informações adicionais. Ex.: inscrição
manuscrita.

Observações: Campo onde são incluídas


informações adicionais e que não foram
contempladas em outros campos.

6. Dados sobre a trajetória museológica dos


objetos
Retrato de Bernardino de Campos, 1975, Cimino
Museu Histórico e Pedagógico Bernardino de
No Projeto de Documentação do Acervo Campos
dos Museus da SEC-SP essa área é preenchida
por cada unidade durante a pesquisa que exposições, estudos e empréstimos extramuros
acompanha o processo regular de documentação dos quais o objeto participou.
museológica.
Referências bibliográficas: Campo destinado
Referências biográficas: Campo destinado ao registro de todas as formas de veiculação dos
a descrever a trajetória do objeto, se possível, objetos em quaisquer fontes: catálogos, jornais,
desde sua produção/fabricação até sua vida revistas, livros, filmagens etc.
institucional. Há uma série de instrumentos de
registro, que devem ser utilizados para registrar a Observações: Esse campo é fundamental para
história dos objetos, que inclui um questionário inscrever qualquer dado excepcional que não te-
padronizado a ser respondido pelo doador/ nha sido previsto em outros campos da ficha ca-
vendedor com dados que ajudem a esclarecer talográfica e/ou do banco de dados. Sua função é
questões culturais e de preservação. No campo primordial, também para avaliar a eficiência des-
de referências biográficas devem ser incluídos ses procedimentos de gestão da informação, pois

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se forem muito utilizados, indicam alguma fragi- o envolvimento de uma equipe multidisciplinar
lidade na construção dos mesmos instrumentos. na decisão. Para determinar a classificação de um
objeto museológico será indicada a forma cultu-
ral preponderante do objeto e/ou a maneira como
Classificação dos Objetos foi musealizado naquele contexto institucional,
ou seja, o motivo que justificou sua entrada na-
Nos museus, também chamamos a classi- quela coleção museológica. A seguir, indicamos
ficação de tipologia museológica dos objetos da uma lista de tipologias de objetos passíveis de se-
coleção. Alguns museus possuem especialistas rem encontrados em museus tomando por base o
em diversas áreas do conhecimento tais como inventário realizado pelo Projeto de Documenta-
cientistas, professores e pesquisadores que auxi- ção do Acervo dos Museus da SEC-SP:
liam na determinação da classificação dos objetos
museológicos, o que sugere que essa atribuição
está atrelada à área científica primordialmente e,
em seguida, à área museológica. Trata-se de um
sistema baseado em um método de identificação
não apenas de organismos vivos (que originou o
raciocínio classificatório), mas também da pro-
dução humana. No caso da museologia, a classi-
ficação é uma área relacionada à sua identificação
a partir do vínculo cultural do objeto e/ou sua Espada de gala, s.d.
Museu Histórico e Pedagógico
origem e/ou sua forma de confecção e/ou a for- Prudente de Moraes
ma como foi incorporado socialmente ou ainda,
como sua contribuição para a coleção museoló- Armamentos e munição: Coleções de armas de
gica é entendida. Um objeto museológico, por- vários gêneros: caça, guerra, esportivas. Nessa
tanto, pode ser classificado de várias formas, ou categoria entram revólveres, pistolas, carabinas,
seja, a classificação é uma área que deve ser bem facas, canivetes. Além da munição, também se
estudada para evitar subjetividades. Em outras incluem nessa tipologia os acessórios tais como
palavras, a classificação não pode ser uma atri- cabos, carregadores, estojos para munição etc.
buição pessoal, mas deve ser compreendida de
uma forma cultural mais ampla. De preferência, Arqueológico: Resultado de coleta de artefa-
deve ser resultado de uma compreensão do papel tos em escavações arqueológicas coordenadas
daquele objeto na coleção. Assim, para objetos por cientistas com projetos autorizados. Entram
que podem ter atribuições diversas, sugerimos nessa categoria: vasos e urnas funerárias, líticos,

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pontas de flecha, machados, pilões, almofarizes gens de santos, fetiches, imagens paulistinhas,
e alguns exemplares incompletos tais como ca- altares, pias batismais, oratórios, peças de ouri-
cos de cerâmica, estilhas, despojos humanos. Na vesaria sacra etc. Peças de indumentária religiosa
tipologia arqueológica há, também, material ad- e apetrechos usados em cultos serão classificados
vindo de sambaquis tais como exemplares osteo- de maneira distinta, no caso, indumentária e ob-
dontomalacológicos, ou seja, ossos, dentes e con- jetos de culto, respectivamente.
chas de animais. Outros tipos de materiais que
podem ser incluídos na categoria arqueológica são Artes plásticas: A produção relacionada às artes
os exemplares advindos de escavações urbanas de plásticas sugere formas expressivas realizadas com
uma área da arqueologia chamada urbana e/ou in- base em técnicas de produção e manipulação de
dustrial. Nesse caso, o resultado da escavação pode materiais para construir formas e imagens. São
ser a coleta de tijolos, garrafas, pregos, dobradi- objetos de artes plásticas, sobretudo, as pinturas,
ças, moedas e uma extensa gama de objetos que esculturas, desenhos e gravuras feitos com uma
entrarão nessa tipologia condicionados pela forma intenção estética primária. Há novas categorias tais
como foram recuperados, ou seja, por meio da es- como as instalações que integrarão essa tipologia.
cavação ou coleta superficial.
Audiovisual: Enquadram-se nessa tipologia os
Arte sacra (católica/africana): Embora tais arte- filmes e vídeos, em diferentes suportes.
fatos pudessem ser classificados como objetos de
artes plásticas, há tipologias museológicas espe- Botânica: Resultado de coleta de exemplares
cíficas para tratar coleções de pinturas, escultu- botânicos desde folhas, galhos, raízes até frutos.
ras e outras produções assemelhadas que tratam Sua preservação exige cuidados específicos
de temáticas religiosas. Os objetos de arte sacra para evitar sua perda e contaminação de outros
serão classificados por seu vínculo, sobretudo exemplares da coleção.
com as religiões católica e de origem africana
e afro-brasileira sejam elas advindas de cultos Cultura popular: Em geral, são objetos relacio-
regulados institucionalmente, de origem popu- nados ou utilizados em manifestações de cultura
lar e sincréticos. Não se descarta, nessa catego- popular, tais como roupas de danças folclóricas,
ria, a presença de exemplares de outras religiões literatura de cordel, ex-votos, instrumentos musi-
que produzam arte sacra. Apenas são destacadas cais, objetos de culto, indumentária, cerâmica etc.
essas duas culturas religiosas por representarem
a maior parte das coleções museológicas de arte Documento sonoro: Gravações em várias mídias
sacra identificadas nos museus da SEC. Ex.: ima- de documentários, programas, depoimentos e
ginária sacra, pintura de ex-votos, pinturas e ima- músicas. Os discos se enquadram nessa tipologia.

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Documento textual: Em geral, formam parte de braçadeiras, tornozeleiras, saias, cocares etc.),
fundos arquivísticos. No entanto, muitos museus cestaria, figuras de barro e de pano etc.
possuem documentos textuais de várias naturezas
em seu acervo em função de sua importância como Filatelia: Coleções de selos postais. Em geral,
documentos únicos. É o caso de algumas cartas configuram conjuntos, mas podem ser objetos
escritas por personagens ilustres, documentos únicos.
antigos cujo valor de antiguidade se sobrepõe ao
conteúdo informativo e outros que não formam Fotografia: As coleções de fotografia tanto
conjuntos. podem ser tratadas como fundos ou coleções
arquivísticas ou museológicas. Nesse caso, serão
Equipamento industrializado: Nessa tipologia identificadas uma a uma e devem ter vínculo
incluem-se equipamentos produzidos por vários com a tipologia museológica. Serão incluídas na
setores industriais e de distintas áreas de produção. categoria fotografia diversas técnicas e formatos.
Trata-se de objetos tais como liquidificador, rádio, Ex. 1: fotografia em preto e branco. Ex. 2:
televisão, geladeira, produzidos industrialmente. Cromo, Ex. 3: Daguerreótipo. Além disso, essa
tipologia incluirá os álbuns considerados uma
Etnográfico: Resultado da produção de grupos unidade documental composta no qual serão
indígenas recentes, tais como flechas, tacapes, contabilizadas e descritas cada uma das imagens
bordunas, vasos cerâmicos rituais e cotidianos, fotográficas. Ex.: Álbum da construção da cidade,
arcos, adornos corporais (brincos, colares, 1930: 30 páginas, 60 fotografias p&b. Há uma

Cesto indígena, s.d. Orquestra Marasca, s.d.


Museu Histórico e Pedagógico Prudente Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno
de Moraes da Veiga

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tendência em se repetir a palavra “fotografia” nos usuais e os folclóricos e/ou populares. Ex. 1:
campos “denominação”, “tipologia” e “descrição”. violão de seis cordas. Ex. 2: viola de cocho. Ex. 3:
A equipe responsável pela documentação deve agogô. Serão incluídos na categoria instrumentos
estar sempre atenta para evitar esse tipo de musicais os acessórios dos instrumentos. Ex. 4:
redundância no preenchimento das fichas. A abafador. Ex. 5: surdina. Ex. 6: arco de violino.
fotografia, assim como outros documentos
bidimensionais, deve ter seu conteúdo – no caso, Maquinário e utensílios: Entram nessa catego-
a imagem – descrito de modo a possibilitar sua ria máquinas e utensílios auxiliares cuja força de
fácil identificação/indexação. No caso de cópias, movimentação seja mecânica ou orgânica. Ex. 1:
outros aspectos devem ser utilizados para sua turbina. Ex. 2: moenda. Podem ser automáticas
identificação individual, tais como viragem, sinais ou manuais. Incluem-se nessa categoria também
ou marcas e estado de conservação. mecanismos – Ex. 3: compressor – ferramentas
– Ex. 4: foice – e acessórios Ex. 5: roda.
Indumentária: Conjunto de roupas, tecidos e
acessórios tais como cintos, chapéus, sombrinhas
etc., incluídos trajes folclóricos, militares e
cerimoniais.

Contrabaixo, s.d.
Museu Histórico e Pedagógico
Bernardino de Campos

Roca, s.d.
Museu Histórico e
Pedagógico Índia Vanuíre

Mineralogia: Exemplares ou coleções compostas


de rochas e minerais. O material paleontológico
Instrumentos musicais: Nessa categoria serão
também pode ser considerado uma subcategoria
inclusos exemplares industriais, artesanais, os
do material geológico.

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Mobiliário: Móveis, objetos e equipamentos Outros: Aqui não se trata de uma tipologia ou
associados sejam funcionais para uso cotidiano classificação. No entanto, a opção pelo “outros”,
ou com funções rituais ou simbólicas. Ex. 1: Arca. do ponto de vista didático, indica que a variedade
Ex. 2: Cátedra e baldaquino. de tipos de objetos pode detalhar-se em função
do grau de especialização de uma coleção
museológica.

Paleontológico: Resultado de escavações e


pesquisas de campo nas quais são coletados
exemplares fósseis de fauna e flora que já foram
extintas: ossos de megafauna, de peixes e de
paleofauna, invertebrados, folhas, galhos etc.

Publicações: Para o Projeto da SEC-SP, foi cria-


da pelos bibliotecários da equipe contratada pela
ACAM Portinari – Organização Social de Cul-
tura, uma planilha específica para publicações (li-
Cômoda-papeleira, séc. XVIII
Museu da Casa Brasileira vros e periódicos), tendo em vista a quantidade e
as características desse tipo de acervo existente nos
museus do Projeto. Como todos já estão vincula-
Numismática e Medalhística: Coleções de
dos às bibliotecas locais, sua forma de catalogação
moedas e medalhas, que no geral, configuram
deveria compreender as especificidades da Biblio-
conjuntos, mas podem ser objetos únicos.
teconomia. As hemerotecas (coleções e/ou con-
juntos organizados de periódicos tais como jornais
Objeto de culto: Objetos associados a rituais e
e revistas), em geral, recebem tratamento especial
cerimônias religiosos sejam eles de cultura popular
e estão vinculadas a acervos de bibliotecas e ar-
ou de natureza institucionalizada. Ex. 1: Cálice.
quivos, mas também podem – e de fato integram
Ex. 2: Ostensório. Nessa categoria podem ser
– coleções museológicas, sobretudo quando desta-
encontrados objetos que poderiam se inscrever,
cam o personagem que organizou a coleção, desde
também, em outras tipologias de objetos tais
que esse personagem esteja contemplado na cole-
como cultura popular, livros e indumentária,
ção museológica. Ex.: hemeroteca do fundador da
mas devido à sua associação a práticas religiosas
cidade. Da mesma maneira, muitos museus têm
devem ser identificados dentro dessa tipologia.
livros entre os objetos de seu acervo em função de

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sua raridade, de seu proprietário, da excepcionali- acessórios utilizados no ambiente doméstico. Ex.
dade do seu conteúdo etc. De qualquer modo, vale 3: Balança doméstica. Ex. 4: Saboneteira. Os
a pena ressaltar que quando são publicações que conjuntos deverão ser identificados como uma
constituem uma coleção de uso público, ela deve unidade composta. Ex. 5: Jogo de pratos completo
ser tratada dentro das normas da Biblioteconomia para 12 pessoas com 130 peças composto por: 12
e da Política Nacional do Livro14. Colheres de mesa; 12 Colheres de sobremesa;
12 Garfos de mesa; 12 Garfos de sobremesa; 12
Revolução 32: Trata-se de uma categoria Facas de mesa; 12 Facas de sobremesa; 12 Garfos
histórico-cultural, típica dos museus do interior para peixes; 12 Facas para peixes; 12 Colheres de
do Estado de São Paulo e que é preponderante chá; 12 Colheres de café; 4 Talheres para saladas;
para objetos de naturezas distintas (equipamentos 2 Pares de trinchantes para carnes e peixes; 1
industriais, artes plásticas, medalhística etc.). A Concha terrina; 1 Colher para arroz; 1 Pá para
classificação como Revolução 32 corresponde à açúcar; 1 estojo de madeira.
forma como os objetos foram coletados/doados e
tem uma função distinta no processo colecionista, Uso pessoal: Essa tipologia inclui uma série de
que se tornou necessária no âmbito do Projeto de objetos relacionados aos cuidados pessoais e de
Documentação para facilitar a identificação de higiene, adereços tais como bolsas, alfinetes de
objetos vinculados a essa temática específica. chapéu, bengalas, pentes e escovas de cabelo,
entre outros. Essa tipologia poderá incluir
Capacete militar, [1932] objetos relacionados, sobretudo, com seu
Museu Histórico possível doador ou antigo proprietário, tais
e Pedagógico Amador como canetas, piteiras etc.
Bueno da Veiga
Veículos: Essa tipologia inclui todos os tipos de
transporte, motorizados ou não. Ex. 1: automóvel.
Ex. 2: Carro de boi. Ex. 3: Canoa.

Uso doméstico: Essa é uma categoria muito Zoologia: Resultado de coleta de exemplares
extensa e inclui objetos, em geral, utilizados na de animais vertebrados e invertebrados, peixes,
produção de alimentos. Ex. 1: Chaleira. Ex. 2: aves, insetos, conchas. Cada exemplar exige uma
Prato. Também entram nessa tipologia os objetos forma de conservação específica (vias úmida e
seca) e podem ser apresentados taxidermizados,
esqueletos ou sua pele.
14
Lei 10.753 de 30/10/2003.

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DiretrizeS em conServação De acervoS
muSeológicoS
Heloisa Maria Pinheiro de Abreu Meirelles
Especialista em Museologia, consultora do Projeto de Documentação
do Acervo dos Museus da SEC-SP

Introdução futuro, a fim de assegurar a sua disponibilidade


contínua. Para isso, são necessárias medidas que
Um dos princípios presentes no “Código retardem a deterioração e previnam danos às
de Ética do ICOM para Museus” afirma que peças museológicas.
“os museus têm o dever de adquirir, preservar e As causas principais da deterioração de um
valorizar seus acervos, a fim de contribuir para bem cultural são ambientais: luz, temperatura,
a salvaguarda do patrimônio natural, cultural e umidade e gases atmosféricos. Além desses,
científico” (ICOM, 2009 p. 14). existem os danos decorrentes da manipulação,
Entre os elementos que constituem esse armazenagem e exposição inadequadas; de reações
documento, destacam-se os relacionados à químicas provocadas por materiais reativos; e
proteção dos acervos. também danos devido a infestações biológicas
causadas por micro-organismos, plantas, insetos
O Código estabelece que: e animais. Vale ressaltar que não são raros os casos
de danos irreversíveis, causados por situações de
Os museus devem estabelecer e aplicar degradação mal interpretadas e intervenções de
políticas que garantam que os acervos conservação inadequadas.
(tanto permanentes como temporários) e Todos esses fatores podem ser controlados.
suas respectivas informações, corretamente A conservação – elemento essencial para
registradas, sejam acessíveis para uso corrente a salvaguarda do patrimônio – é um conjunto
e venham a ser transmitidas às gerações futuras de medidas e procedimentos que visa à proteção
nas melhores condições possíveis [...] (ICOM, dos acervos contra esses agentes de deterioração.
2009 p. 17-18). Pode ser preventiva ou corretiva.
“A conservação preventiva enfoca o acervo
Preservar significa proteger, defender, em sua integralidade, configurando-se em ações
resguardar o bem cultural de algum dano ou perigo estabilizadoras que visam desacelerar o processo

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de degradação” (MELO; MOLINARI, 2002, Sóror Dolorosa, 1920,
p. 13). Inclui práticas rotineiras de controle de Victor Brecheret
Casa Guilherme
condições ambientais nas reservas técnicas e nos
de Almeida
locais de exposições; limpeza e armazenamento
adequados; estabelecimento de procedimentos de
manuseio, empréstimo e exposição; entre outros.
Trata-se, assim, de um método de
conservação indireto – a deterioração se reduz
pelo controle de suas causas –, sendo considerado
o mais eficiente para assegurar a disponibilidade
contínua do acervo. Além disso, a conservação
preventiva implica custos relativamente menores
que os custos da conservação corretiva, que requer
a atuação de profissionais com alta qualificação
em restauro ou em estabilização da degeneração.
A conservação corretiva realiza-se por
meio da intervenção direta na peça, de acordo Para que os museus cumpram com efici-
com diretrizes estabelecidas por instituições ência o dever de preservar seus acervos, é essen-
internacionais como o Conselho Internacional cial que tenham uma política de preservação que
de Museus (ICOM), o Conselho Internacional considere:
de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e o Centro
Internacional de Estudos para a Conservação e • Uma estimativa de despesas em seu orça-
Restauração de Bens Culturais (ICCROM). O mento destinada à preservação e conserva-
objetivo é o de devolver, na medida do possível, a ção (treinamento e especialização da equi-
configuração original da peça deteriorada ou a sua pe; manutenção de edifícios, instalações
recuperação a um determinado estado anterior ao e equipamentos; limpeza e manutenção;
que se encontra (ALAMBERT, 1998, p. 13). sistemas de segurança; custos com segu-
Diante de dúvidas, a conduta do ro; monitoramento e controle ambientais;
conservador é levar o problema a um especialista preparação para emergências etc.);
e discutir, visando à obtenção de base segura para • O levantamento das características do
as intervenções necessárias por meio de pesquisa acervo (suportes, formatos, quantidades,
técnico-científica que indicará o procedimento diagnóstico do estado de conservação das
adequado ao problema observado. peças);

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• A elaboração de um programa de conser- Paulo, nas cidades de Amparo, Guaratinguetá,
vação considerando o levantamento das Tatuí, Taubaté e Tupã.
características do acervo e as prioridades O diagnóstico compreendeu a realização de
de conservação. O programa deve ser em- visitas técnicas a cada unidade, com a elaboração
basado em conhecimentos sobre seguran- de relatório técnico contemplando a análise de seis
ça, monitoramento e controle ambiental, itens de verificação, além do registro fotográfico
higienização, armazenagem, manuseio, e conclusões. Esses itens são indicados a seguir
transporte, montagem, exposição das pe- como elementos norteadores básicos das ações de
ças, iluminação etc.; conservação a serem desenvolvidas em museus.
• A existência de um plano para situações
emergenciais (como por exemplo, incên-
dio e enchentes); Diagnóstico de conservação
• A identificação das prioridades de con-
servação e restauro e os itens das coleções Análise da edificação e condições ambientais
mais vulneráveis;
• A manutenção de uma equipe de conser- Entre as questões a serem analisadas,
vação em seu quadro de funcionários ou a deve-se considerar a idade e a técnica construti-
consultoria regular de um conservador; va do edifício em que está localizado o museu e a
• A realização de treinamentos com as equi- reserva técnica, que podem interferir nas condi-
pes que trabalham com o acervo (manu- ções ambientais, potencializando riscos diversos.
seio, transporte, higienização, armazena- Dentre os itens, é importante verificar:
mento, procedimentos para exposição e
empréstimo, limpeza de reserva técnica e • A existência de frestas, aberturas e vãos,
de mobiliário etc.); especialmente em portas e janelas externas,
• A revisão anual da estratégia de conserva- que possibilitem a entrada de insetos e
ção do acervo. animais;
• As condições do telhado, forro e paredes para
identificar a presença de marcas de umidade
metodologIA
ou infiltração, quebras e fissuras;
Durante o desenvolvimento do Projeto de • A incidência de iluminação natural e níveis de
Documentação do Acervo dos Museus da SEC- temperatura e umidade das salas. Um exemplo
SP, a coordenação técnica percebeu a necessidade interessante é altura de pé-direito das salas,
de realizar um Diagnóstico de Conservação para que interfere diretamente na circulação de ar
cinco museus localizados no interior de São e na temperatura ambiente;

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• A existência de infestações de insetos e mi- Nesse sentido é importante a elaboração
cro-organismos. de uma relação indicativa dos materiais de
composição do acervo, bem como a diversidade
Segurança tipológica que o caracteriza.

A segurança deve ser considerada em dois Condições de armazenamento do acervo


níveis: o patrimonial e o ambiental.
No caso do sistema de segurança ambiental, Nesse item, deve ser elaborado um relatório
é importante considerar a existência de situações indicativo do mobiliário e tipos de embalagem
de risco ao acervo, como as condições ambientais utilizados para armazenar o acervo, incluindo a
já relatadas anteriormente e a existência de descrição do local de guarda. É importante indicar
equipamentos de segurança como extintores de se existe dificuldade de locomoção ou de transporte
incêndio e sistemas de detecção de fumaça. do acervo provocada pela localização. Por exemplo,
No caso da segurança patrimonial, devem a existência de estantes sobrecarregadas ou muito
ser indicadas as condições de segurança das áreas próximas umas das outras.
de contato externo, como portas e janelas, a exis-
tência de alarmes e, especialmente, a circulação Condições de conservação dos objetos
de pessoas no edifício, indicando as condições de
acesso aos locais de guarda do acervo. As condições de higiene e limpeza dos
objetos devem ser indicadas. O acúmulo de
Suportes materiais e tipologia do acervo poeira, presença de umidade entre outros fatores,
são determinantes na dificuldade de preservação
A seguir, é importante proceder à análise dos acervos. Além disso, é necessário registrar
dos suportes existentes no acervo, considerando sinais de deterioração, como escamação, corrosão,
que cada tipo de material possui características quebras, que indiquem a necessidade de ações de
de composição específicas e requer ações diferen- restauração.
ciadas. Por exemplo, num mesmo acervo podem
coexistir obras de madeira, papel, têxteis, cerâmi- Equipe
ca. A comparação entre os percentuais de com-
posição do acervo, de acordo com os diferentes Por fim, a indicação da existência de
materiais, viabiliza a elaboração de um planeja- funcionários designados para atividades de
mento de conservação adequado. conservação e o nível de capacitação da equipe.

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Registro Fotográfico Indicativos de elementos importantes para a
salvaguarda dos artefatos
O registro fotográfico permite a visualiza-
ção rápida dos problemas indicados no relatório, A Umidade Relativa (UR) – medida de
ampliando a capacidade de interpretação e aná- umidade no ar em relação à temperatura ambiente
lise dos dados. – é um dos fatores mais relevantes no processo de
degradação das obras. O seu alto índice provoca a
Conclusão hidratação, e o seu baixo índice a sua desidratação
e corrosão, insuportáveis pelos objetos.
Como conclusão, são indicadas as infor- Além de influenciar a umidade relativa,
mações de subsídio ao planejamento de conser- a temperatura também interfere no processo de
vação, com a indicação de prioridades e ações degradação dos materiais. Níveis de temperatura
emergenciais. elevados aceleram a proliferação de micro-or-
ganismos ou propiciam a ocorrência de reações
dIretrIzes pArA conservAção químicas.
de Acervos heterogêneos A luz visível, formada por ondas eletro-
magnéticas, é extremamente nociva aos objetos e
seu efeito é cumulativo. Para reduzir os danos cau-
Controle ambiental sados pela iluminação, é fundamental haver uma
avaliação das condições de armazenamento e ex-
O controle ambiental é fundamental para a posição das peças para que sejam verificados o tipo
conservação preventiva de uma coleção composta e a intensidade da luz a qual estão submetidas.
por bens culturais. A estabilidade da temperatura, Os agentes químicos existentes na polui-
o controle da umidade relativa do ar (UR) e a ção também colaboram para a degradação dos
limpeza são fatores essenciais no cuidado com os objetos. As impurezas sólidas e gasosas, que se
acervos e devem estar entre as ações prioritárias depositam nas superfícies dos materiais, podem
desenvolvidas por técnicos dos museus. provocar reações químicas, além de concentrar
Para que o controle ambiental seja eficiente, gases e umidade no ambiente.
é necessário que o monitoramento seja constante Outras causas da degradação são aquelas
e o controle sistemático, realizado de forma provocadas por agentes biológicos como fungos,
simples em planilhas (exemplo na página 87), seja insetos xilófagos (cupins), que agem em peças
registrado de maneira a possibilitar sua leitura compostas por celulose; coleópteros (besouros);
e interpretação, proporcionando as condições traças, moscas e também as causadas por animais
ideais para a preservação dos artefatos. como pombas e ratos que por meio de seus excre-

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mentos prejudicam principalmente os artefatos que geralmente as coleções são formadas por
compostos de suportes orgânicos. As infestações objetos de diferentes materiais. Dessa forma, é
biológicas podem ser trazidas em peças introdu- recomendável que seja garantida a estabilidade
zidas no museu e também podem ocorrer devido desses fatores (em níveis médios, não prejudiciais
a condições ambientais inadequadas. ao acervo), pois variações bruscas de umidade e
temperatura aceleram a deterioração das peças
(MELO; MOLINARI, 2002, p. 14).
Procedimentos de O ideal é que seja mantida uma tempera-
monitoramento ambiental tura de 24 ºC, com variação de 2 ºC para mais ou
para menos e 50% de UR, podendo variar em 2%
As ações de conservação preventiva devem para baixo ou para cima. Para a implementação
fazer parte da rotina dos museus. A seguir são de condições de estabilidade da temperatura e
apresentadas técnicas simples e equipamentos UR, há a necessidade de se adotar procedimentos
usados para a salvaguarda dos artefatos das como:
coleções.
• Realizar a medição e registrá-la duas vezes ao
Temperatura e UR dia em tabelas e gráficos (como o indicado na
página 87);
Recomenda-se a manutenção de condi- • Desligar aparelhos desumidificadores quando
ções estáveis de temperatura e umidade relativa, registrarem entre 48% e 50% de UR (nos
pois oscilações bruscas são prejudiciais aos obje- casos em que os aparelhos não possuem timer
tos, principalmente os orgânicos. Esses ajustes para desligamento automático);
devem ser feitos gradativamente, buscando níveis • Deixar as luzes das salas sempre apagadas
ideais de temperatura e umidade, por meio de quando não usadas (o ideal seria a instalação
equipamentos como circuladores de ar instalados de sensores de presença);
em faixas inferiores e superiores das salas, desu- • Cobrir os objetos com tecido neutro ou TNT
midificadores, lâmpadas adequadas e higieniza- (tecido não tecido) e manter as salas isentas
ção constante e controlada, melhorando assim de poeira e sujidade.
os níveis de poluentes e bloqueando a entrada de
sujidades aéreas. Iluminação
As condições ideais de UR e temperatu-
ra variam de acordo com o tipo de suporte. A Utilizar iluminação do tipo tungstênio
manutenção dessas condições para cada suporte incandescente por apresentar regularidade
individualmente torna-se difícil, na medida em na quantidade de luz e na emissão de calor.

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Recomenda-se que as lâmpadas sejam acesas Desumidificador: É um aparelho que possibilita
apenas quando necessário ou que sejam revestidas a retirada de umidade do ar, por meio da
por filtros que retenham a radiação ultravioleta, condensação do vapor d’água existente no ar
causadora do processo de contração e retração em um recipiente próprio. Deve funcionar
nos materiais que compõem o objeto e também ininterruptamente, com programação para
do esmaecimento da cor. desligamento ao atingir 50% de UR. Dessa forma,
As lâmpadas incandescentes do tipo aló- ele agirá na filtragem e retenção de partículas em
genas emitem pouca radiação ultravioleta, mas suspensão, impossibilitando a presença de fungos
também emitem infravermelhos (calor) e por isso e ácaros no ambiente.
devem ficar distantes dos artefatos.
A luz natural direta também causa Termo-higrômetro e Termo-higrógrafo: Ter-
prejuízo à integridade física dos artefatos. Como mo-higrômetro é um aparelho que possibilita a
medida preventiva, sugerimos a instalação de leitura da temperatura e da umidade relativa do ar.
anteparos, como cortinas confeccionadas em Já o Termo-higrógrafo registra a temperatura e
material impermeável, com mecanismo rolon, a umidade relativa do ar em carta gráfica. Re-
ou cortinas de TNT que podem ser substituídas comenda-se a leitura e o registro dos dados da
periodicamente. Lembramos que elas devem ser temperatura e UR, apontados pelos aparelhos,
higienizadas com frequência, evitando o acúmulo no período da manhã e no período da tarde. Os
de sujidade. gráficos elaborados decorrentes dos registros pro-
duzidos possibilitam correções nos ambientes,
Equipamentos de controle quando necessárias.
ambiental
Luxímetro: Aparelho que mede a intensidade
Circulador de ar: Sugere-se a utilização de luminosa em um ambiente. Deve-se registrar a
aparelhos ventiladores com coluna regulável da medição apontada pelo aparelho, no período da
altura, com movimentos circulares, ligados dia e manhã e no período da tarde, desenvolvendo
noite e focados indiretamente nos objetos. Além gráfico para possíveis correções na emissão de raios
de movimentar o ar estagnado, os circuladores UV, como por exemplo, decidir pela implantação
auxiliam no controle da temperatura ambiental. de anteparos para redução de luminosidade do
É recomendável também o uso de ventilação ambiente.
natural, que possa ser eficiente na renovação do
ar, sem atingir diretamente os objetos.

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Modelo de Tabela de Monitoramento Ambiental

Higienização ataque de insetos rasteiros. Rotineiramente,


pode-se usar apenas pano embebido em álcool.
A higienização deverá ser realizada me- Esse trabalho poderá ser realizado por um
diante observação prévia do suporte do objeto e funcionário treinado e que faça parte do corpo
os materiais agregados. No geral, os objetos de- do museu. Sugere-se que essa limpeza seja feita
vem ser limpos com flanela branca e seca ou com a cada 30 dias.
pincel de pelo macio. Em regiões mais estreitas
ou sulcadas da peça, utiliza-se aparelho para as- Armazenamento
piração, contendo bocal com protetor em tecido
telado e, em seguida, cotonete. A higienização Para facilitar o trabalho do conservador,
deve ser realizada no máximo a cada 30 dias. recomenda-se o agrupamento das peças de
As salas e os móveis devem ser limpos com acordo com a composição do suporte. As peças
aparelho aspirador de pó e flanela branca seca. compostas de materiais orgânicos devem ficar
Sugere-se usar nas prateleiras e piso um pano separadas daquelas compostas por materiais
umedecido em álcool e solução de inseticida inorgânicos e mistos (ver quadro a seguir). Esse
piretroide (deltamethina)15, diluída na proporção procedimento possibilita o controle ideal do
de 1 ml para 2 l de água, evitando assim possível ambiente, bem como a utilização de materiais
adequados, tanto para apoio dos objetos, como
15
Uma das marcas conhecidas é K-Otrine SC 25. para seu acondicionamento.

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Acondicionamento Uma opção às caixas especialmente
construídas para acondicionamento de fotografias
Fotografia são as pastas de polipropileno corrugado16,
Negativos e ampliações fotográficas preferencialmente nas cores branca ou cinza.
em papel devem ser armazenados em caixas
construídas com papéis de PH neutro e sem
adesivos e jaquetas de poliéster com cartão
neutro. Dessa forma evita-se, por exemplo, a
eliminação de emulsão fotográfica por causa
do excesso de umidade e o branqueamento da
emulsão devido à contaminação do ar. O contato
com ácidos contidos em papéis e com materiais
sintéticos pode desencadear processos químicos
que prejudicam a peça. Não se deve usar adesivos,
nem anotações à tinta, pois podem migrar para Acondicionamento de ampliações fotográficas
o negativo. Anotações, quando absolutamente em jaquetas de poliéster e pasta de polipropileno
necessárias, devem ser realizadas no verso da corrugado
ampliação, com lápis preto 6B. Fundação Energia e Saneamento

16
Conhecida como Polionda®.

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Papel (documentos gráficos) Couro
A má conservação de um documento em Material aparentemente muito resistente,
papel torna-o endurecido, descolorido e quebra- o couro deteriora-se, especialmente devido à vul-
diço. Para devolver-lhe a flexibilidade, é preciso nerabilidade e flutuações de umidade, à presença
fixá-lo em outro suporte. Há casos em que é ne- de micro-organismos, gases atmosféricos e luz
cessário recompor os fragmentos dispersos. Esse intensa. Requer cuidado especial e acompanha-
trabalho deve ser realizado por meio de restaura- mento constante. Sua higienização é realizada
ção e por profissional competente. mediante uso de pincel macio ou aspirador de
Documentos em papel devem ser acon- pó com anteparo na biqueira. Para o acondicio-
dicionados em pastas de papel com PH neutro namento e armazenagem, há necessidade de se
ou alcalino e reunidos em caixas ou pastas es- construírem suportes auxiliares, de acordo com
pecialmente montadas em cartão neutro. Essas as características e especificidades de cada objeto,
pastas devem ser armazenadas horizontalmente suas dimensões e necessidades de conforto.
em armários ou estantes. Alternativamente po-
dem ser usadas caixas ou pastas de polipropileno
corrugado.

Reserva técnica
Museu Histórico e Pedagógico Bernardino
de Campos

Acondicionamento de documentos textuais


com o uso de papel de PH neutro e pasta de
polipropileno corrugado
Fundação Energia e Saneamento

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Escultura policromada Sua sobrevivência requer cuidados técnicos
adequados à guarda, ao transporte e uma grande
Escultura policromada: Obras de arte habilidade na manipulação, limpeza e montagem.
tridimensionais, pintadas em várias cores. Para os têxteis, a manutenção de temperatura e
umidade em níveis ideais é muito importante
Os materiais e técnicas usados nesse tipo para sua preservação.
de arte são complexos e quase sempre frágeis. O A higienização do vestuário, quando ne-
seu suporte, muitas vezes, passa grande parte do cessária, deve ser realizada por profissionais espe-
tempo exposto ao clima natural. Isso faz com que, cializados e precedida de teste de fixação de cor.
em resposta ao ciclo de calor e frio, haja expansão O acondicionamento deve ocorrer somente
e contração dos materiais que constituem a após higienização, em embalagens de TNT. As
peça. Com isso, a policromia perde aderência e peças devem ser armazenadas horizontalmente,
se inicia um processo de deterioração, no qual estendidas e sem dobras.
surgem ranhuras na pintura que pode chegar a se No caso de estofados e tapetes, a higie-
desprender. Nesse caso, a principal preocupação é nização deve ser realizada com pincel ou escova
com a manutenção da estabilidade de temperatura macios ou aspirador de pó. Tapetes de grandes
e umidade no local de armazenamento, além da dimensões podem ser envolvidos em TNT e en-
redução de incidência de luz. rolados, tomando-se cuidado para não apertar a
trama e evitar a formação de pregas.
Têxtil
Os tecidos podem sobreviver a longos pe- Metais
ríodos, mesmo quando tendo sido intensamente Esse tipo de material está sempre ameaçado
usados, cerzidos, remendados, adaptados a novos pela corrosão. Podem ser atacados por elementos
usos. Geralmente, os tecidos não são restaurados, químicos existentes no solo, pela reação eletrolí-
recebendo apenas tratamento de remoção de su- tica com outros metais, pelos micro-organismos
jidade. que se desenvolvem em outros materiais poden-
A deterioração desses materiais está dire- do produzir ácidos, ou também pelas impressões
tamente ligada ao tipo de matéria-prima de que digitais – deixadas pela manipulação sem prote-
são confeccionados. Produtos têxteis confeccio- ção de luvas – que ficam gravadas nas superfícies
nados de fibras orgânicas, sejam animais (lã, seda, lustrosas por efeito dos ácidos da pele.
crina etc.) ou vegetais (algodão, cânhamo, linho Os metais que são enterrados podem ser
entre outros), são extremamente frágeis em com- corroídos pelo contato com materiais orgânicos,
paração aos tecidos confeccionados com fibras com gases ácidos emitidos por outros materiais
sintéticas, como o nylon. e com a água. A contaminação atmosférica é

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sempre um perigo. Outra causa de contaminação Não é possível aplicar tratamentos corre-
ocorre pelo emprego de pinturas e materiais tivos. As peças afetadas devem ser armazenadas
sintéticos utilizados na elaboração de processos e expostas em um meio ambiente perfeitamente
de armazenagem e exposição pela emissão de controlado.
gases corrosivos.
A corrosão do metal jamais poderá ser re- Registros sonoros e audiovisuais
parada, porém, poderá ser impedida mediante Para efeito deste trabalho, foram conside-
o controle adequado do meio ambiente, seleção rados registros sonoros os discos, fitas de rolo e
cuidadosa dos materiais de exibição e armazena- fitas magnéticas sonoras e audiovisuais, filmes de
gem, uso de inibidores de vapor e estrita vigilân- rolo e fitas magnéticas, nos seus diversos forma-
cia. As peças de metal devem ser acondicionadas tos (U-matic, VHS, betacam etc.).
em embalagens de TNT. A conservação de um registro sonoro é
sempre muito delicada. A decisão de se realizar
Vidro uma limpeza deve ser ponderada e consciente,
O vidro, muitas vezes, não é um material levando-se em conta que na realização do processo
bem elaborado em sua composição. Apesar da há perda de suporte. Por isso, o trabalho é delicado
dureza, sua composição química corresponde e deve ser desenvolvido com muito critério, cuidado
à de um líquido muito viscoso resfriado. Essa e observando o manuseio adequado com uso de
característica faz com que seja muito afetado luvas macias, pratos e agulhas higienizadas a cada
pela pressão atmosférica, temperatura e umidade início e fim de uso. A peça deve, em seguida, voltar
relativa. para sua embalagem de origem.
O vidro de composição correta é muito Discos devem ser acondicionados em enve-
duradouro, porém alguns mais antigos são menos lopes de cartão com PH neutro. Filmes e fitas so-
estáveis e respondem às trocas de umidade, noras em rolo devem ser acondicionados em em-
apresentando exsudação e crestamento. Por balagens plásticas específicas para essa finalidade.
isso, devem ser armazenados em ambientes com No caso de filmes mais antigos, especial-
índices baixos de umidade. mente anteriores a 1950, produzidos em nitrato de
celulose – material altamente inflamável – deve-se
Exsudação: Transpiração, passagem de solicitar avaliação de especialista sobre as condi-
líquido pelos poros de um objeto ou planta. ções de segurança. As reações químicas ocorridas
nesses materiais costumam produzir odor caracte-
Crestamento: Queimadura superficial, rístico, semelhante ao vinagre. Em caso de suspei-
ressecamento produzido por excesso de ta, os filmes devem ser imediatamente separados
calor. do acervo e encaminhados para avaliação técnica.

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Instrumentos musicais possível, recomenda-se o armazenamento em
A conduta na conservação preventiva dos mapotecas ou armários de aço com prateleiras
instrumentos musicais deve seguir os procedi- deslizantes.
mentos básicos de conservação indicados para
os materiais de sua composição, especialmente
madeira e metal, mas observando sua finalidade
maior, o da produção do som. Nesse caso, profis-
sionais especializados devem proceder à análise
das condições do instrumento do ponto de vista
musical. Qualquer intervenção somente poderá
ser realizada se houver garantia de preservação
do suporte.

Plumária
As peças elaboradas com esse material
são muito delicadas e requerem especial atenção
Acondicionamento de plumárias
à sua conservação, pois muitas vezes são cons- Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre
tituídas de materiais agregados como resinas,
fibras, ceras etc.
Por se tratar de objetos etnográficos, rara-
mente devem ser feitas intervenções de limpeza e
Madeira
restauro, pois há o risco de evidências etnológicas
Na composição da madeira existem, além
significativas serem alteradas ou se perderem. A
da água, outras substâncias como óleos, resinas,
higienização deve ser feita delicadamente com
ceras e principalmente celulose, que exige
pincel chato e macio, seguindo o movimento das
grande controle da estabilidade da temperatura
hastes.
e umidade relativa.
O procedimento adequado para armaze-
Cuidados com a manipulação, sujidades,
nagem desse tipo de artefato é essencial para a
exposição à luz e calor são essenciais para que não
sua preservação. A embalagem é importante para
haja alterações em seu comportamento.
evitar danos durante a manipulação da peça e
A madeira também é altamente suscetível
também para diminuir os ataques de insetos, mi-
aos agentes biológicos, especialmente ao ataque
cro-organismos e poluentes. Preferencialmente,
de fungos e insetos, devendo ser constantemente
devem ser elaborados suportes individuais que
inspecionada e armazenada em ambiente prote-
facilitem o manuseio e o transporte. Quando
gido e controlado.

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Cerâmica Pintura
Essa tipologia é a que mais sofre com as
Cerâmica: Arte e técnica da fabricação de oscilações bruscas de temperatura no ambiente e
objetos tendo a argila como matéria-prima. umidade relativa do ar, em virtude da composição
Pode ser artística ou utilitária, cozida em dos pigmentos que formam a pintura. Portanto,
fornos ou seca ao sol. devemos ter controle absoluto na sua estabilida-
de. Deve ser mantida a temperatura mínima de
O comportamento desse tipo de suporte 20 ºC e máxima de 22 ºC e umidade mínima de
costuma ser estável quando estabilizado a uma 55% e máxima de 65%. Seu armazenamento deve
temperatura mínima de 18 ºC e umidade relativa ser feito na vertical (uma peça ao lado da outra,
do ar entre 55% e 65%. No entanto, quando com suportes distanciadores) ou fixadas em pai-
pinturas ou incrustações fazem parte do objeto, néis aramados através de dois pontos. Nunca
são necessários maiores cuidados. As peças devem devem ser empilhadas e sua exposição deve ser
ser protegidas da sujeira por meio de coberturas feita em painéis ou paredes com níveis regulares.
confeccionadas em TNT e preferencialmente Devem ser embaladas em papel glassine fixado
acondicionadas em suportes de espuma de por pedaços de fita adesiva acid free, e quando
polietileno. A higienização deve ser realizada houver vidro de proteção, deverá conter em sua
com escova e pincel de cerdas macias, de tamanho extensão fitas na vertical e horizontal que serão
adequado ao das peças. removidas quando forem desembaladas. Para o
transporte deverá ser confeccionada embalagem
especial com forro macio e suportes de fixação
dando conforto e estabilidade à obra.
Reserva técnica
Museu Histórico e
Pedagógico Índia
Vanuíre

Reserva técnica
Pinacoteca do Estado
de São Paulo

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Taxidermia Artefatos de plástico
Termo grego que significa “dar forma à Plástico é o material produzido a partir de
pele”, antigamente usado como sinônimo de moléculas sintéticas (produzidas pelo homem)
“empalhamento”. Segundo Hidasi, taxidermia chamadas de polímero (do grego: poli = muitas,
é a técnica de preservar a forma da pele, planos mero = partes).
e tamanho dos animais. É a arte de montar ou Apesar de todos os artefatos de plástico
reproduzir animais para exibição ou estudo aparentar ser construídos do mesmo material, com
(HIDASI FILHO, J., 1976). variedade apenas no formato, cor e densidade,
É aplicada somente em animais vertebra- na realidade existem vários tipos de plástico e
dos, e seus registros mais antigos remontam ao borracha, com propriedades e estruturas químicas
império egípcio, cerca de 2500 a.C. diferentes. Por exemplo: o plástico utilizado em
Atualmente, novas técnicas estão sendo uma bacia é diferente do utilizado em um CD.
aplicadas, como o preenchimento com resina Sendo assim, a definição de plástico está
de poliuretano, sem esquecer que muitos dos relacionada com o comportamento mecânico do
exemplares armazenados ou exibidos em nossos polímero, devendo ser classificado.
museus se utilizaram de manequins construídos Em relação à conservação de artefatos de
em palha e barro. plástico, é importante observar que a higienização
Para a conservação dessa tipologia, pri- deve ser realizada com um tecido macio e branco.
meiramente devemos pesquisar sua construção e O objeto deve ser protegido contra a incidência
aplicar materiais compatíveis aos materiais então de luz e emissão de raios UV e a temperatura e
utilizados. a umidade relativa do ar devem ser estabilizadas
De maneira geral, podemos realizar hi- para que as peças não sofram ressecamento no seu
gienização mecânica, feita com aspiração de suporte de composição, tornando-se quebradiças.
baixa sucção, com bocal do aparelho protegido
com lâmina de tecido voil, à distância, também
com pincéis macios obedecendo ao sentido de Mobiliário para
sua plumagem, pelo, ou cobertura de proteção acondicionamento
natural.
É essencial que o ambiente seja controlado, Preferencialmente, os armários devem ser
sem oscilações de temperatura e umidade relativa confeccionados em aço tratado contra ferrugem e
do ar e que os materiais sejam protegidos com com pintura epóxi, isenta de reações químicas.
cobertura confeccionada em TNT na cor branca. Quando possível, devem ser utilizados
armários deslizantes, compostos por corpos

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(frente e verso), divididos em módulos e com ries, além de ser isolante térmico e seguro quanto
travas de segurança. Em cada corpo do armário a possível estilhaçamento.
deverão ser acomodados objetos de uma mesma
tipologia, atendendo às especificidades inerentes Espuma de polietileno expandido (Ethafoam®):
a cada matéria. Composta por polietileno expandido, sendo esta
As peças devem ser acondicionadas in- a propriedade ideal para a confecção de bases e
dividualmente em prateleiras confeccionadas suportes para alguns artefatos que têm a necessi-
do mesmo material do armário. Algumas delas dade de permanecerem no formato original.
podem ser deslizantes, desde que observadas a
fragilidade e o peso dos objetos que nelas serão Malha Tubular Cirúrgica: Por ser um tecido de
acomodados. É necessário controle ambiental algodão, confeccionado para utilização na área
adequado, uma vez que o ambiente fechado dos ortopédica, pode ser empregado na construção
armários, quando na presença de condições am- de suportes, preenchendo internamente o objeto
bientais inadequadas, pode ocasionar problemas e evitando vinco e, consequentemente, a quebra
de conservação para os acervos. das fibras.

Placas em polipropileno corrugado: Também


Materiais para acondicionamento conhecido como polionda®, as placas de cor leito-
sa (branca) são usadas para a confecção de caixas
Sugerimos a confecção de suportes de de acondicionamento, que devem ter as dimen-
acondicionamento, com os materiais abaixo sões necessárias ao conforto do artefato. Essas
indicados, que possuem propriedades compatíveis caixas são recomendadas para acondicionar têx-
à preservação da matéria-prima das peças. teis, objetos de pequeno porte ou frágeis e docu-
mentos em celulose.
Acetato (poliéster): Por apresentar propriedades
semelhantes às do acrílico e compatíveis com TNT (“Tecido não tecido”): Não possui goma.
o grupo de materiais indicados, é utilizado em Pode ser utilizado em camadas como isolamento
forma de manta, no acolchoamento de suportes, na acomodação dos objetos, otimizando o espa-
ou em folhas, utilizadas para isolamento de ço e facilitando seu manuseio e também como
materiais, como fotografias e indumentária. lençóis para proteger as peças da luz do sol e da
sujeira.
Acrílico: Apresenta versatilidade de forma e aca-
bamento, transparência, é resistente às intempé-

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Parâmetros de conservação

Fontes:
D’ALAMBERT, Clara Correia; MONTEIRO, Marina Garrido; FERREIRA, Silvia Regina. Conservação: postura e
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– 1935-1938. 2002. Monografia (especialização) – CEMMAE/USP, São Paulo.

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Equipamentos não convencionais – Nunca fumar no ambiente onde estão lo-
calizadas as obras;
São indicados, a seguir, alguns equipamen- – Nunca arrastar as obras, tocar na parte
tos não convencionais para a área de conservação frontal de uma tela ou transportar mais de
ou não desenvolvidos especialmente para esse fim, um objeto de uma vez;
mas que cumprem bem determinadas funções: – Verificar se os acessos necessários para o
deslocamento dos artefatos se encontram
Motor Suspenso: Tipo chicote, com ponteira desobstruídos, limpos e com dimensões e
de corte e acabamento, é originalmente utilizado peso compatíveis;
na área de odontologia e joalheria. Na área de – Se necessário, solicitar auxiliares e equipa-
conservação, é usado na confecção de “berços” mentos adequados evitando sobrepeso;
(suportes construídos para cada artefato, – Trabalhar devagar, com planejamento pré-
respeitando suas especificidades de suporte com vio, verificando todas as necessidades com
objetivo de conforto). antecedência;
– Obras que não requerem a confecção de
Soprador Térmico: Utilizado na construção civil embalagens específicas devem receber
para moldagem de tubos em PVC, é empregado, proteção de papel glassine fixado com fita
em conservação para a fusão de duas partes adesiva PH neutro;
iguais de Ethafoam®, evitando-se assim o uso de – As peças de papel devem ser apoiadas em
adesivos. suporte rígido. Havendo necessidade, de-
verão ser colocadas em passepartout e en-
velope e deslocadas em posição plana, com
Transporte e montagem a face para cima;
– Quando for inevitável empilhar obras em
As peças devem ser transportadas em papel, é necessário intercalar as peças com
embalagens confeccionadas levando em conta a papel glassine. Não coloque pesos sobre a
sua especificidade. O transporte, a exposição e o pilha, nem mesmo os próprios para papéis;
armazenamento das peças devem ser realizados, – Desloque sempre um quadro com uma mão
observando-se algumas condições: por baixo e a outra pelo lado da moldura,
ou com uma mão de cada lado e sempre
– Mãos limpas, protegidas com luvas ade- pelos lados mais resistentes, nunca pelos
quadas: porosas para objetos lisos; resis- ornamentos de gesso;
tentes, para os objetos mais pesados; e ma- – A obra sempre deve ser apoiada na posição
cias, para objetos sensíveis; vertical, sobre calços de Ethafoan nas di-

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mensões compatíveis – elas nunca devem desembalagem. Deverá ser confeccionada
ficar em contato direto com o solo; embalagem especial com forro macio e su-
– Obras emolduradas ou com chassi deve- portes de fixação, de maneira a propiciar
rão ser fixadas na parede, por meio de dois conforto e estabilidade à obra;
pitões, sendo um de cada lado, que serão – Etiquetas de identificação fixadas externa-
apoiados sobre escápulas fixas em bucha; mente nas embalagens evitam manuseio
– Obras protegidas por vidro devem ser ar- desnecessário para localização da obra. O
mazenadas no sentido vertical, protegidas uso de identificação numérica auxilia no
com distanciadores para que não se to- controle das peças em trânsito;
quem; – Utilizar carrinhos, tipo doli, para o trans-
– Para o transporte de obra emoldurada há porte de obras com maior peso;
a necessidade de ser embalada em papel – Obras de grandes dimensões devem ser
glassine fixado por pedaços de fita adesiva transportadas com o auxílio de carrinho
acid free ou amarrado com fita de algodão. hidráulico e apoiadas em paletes;
Se houver vidro de proteção, deverá conter – A pintura de vitrinas ou de apoios utilizados
em sua extensão fitas na vertical e hori- para exposição deverá estar concluída pelo
zontal que serão removidas no processo de menos dez dias antes de sua utilização.

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gloSSário
Catalogação: Em Documentação Museológica
Ação Educativa: Refere-se a um processo
são os procedimentos padronizados, a partir
de trabalho que visa, em linhas gerais, uma
de sua normalização, que visam identificar e
intermediação qualificada entre o público e as
descrever um objeto/documento museológico.
exposições do museu. Para conseguir tal objetivo,
Existem vários procedimentos de catalogação
os educadores de museu qualificam o público que
que, além de mapear as informações sobre o
pode ser estudantil, de terceira-idade, escolar,
objeto em si, vão desde sua situação jurídica até
espontâneo, de turistas estrangeiros ou não,
a descrição de sua materialidade, além de focar
pessoas com deficiência, especialistas internos
na trajetória museológica do objeto. Todas as
e externos ao museu, entre outros. A partir do
disciplinas que praticam a gestão de informação,
conhecimento do seu público, propõem formas
tais como a arquivologia e a biblioteconomia
de aproveitamento das propostas curatoriais das
também utilizam o recurso da catalogação com
exposições por meio de visitas guiadas, atividades
sentidos próximos, mas não idênticos.
lúdicas, criativas e participação ativa visando
à inclusão e ampliação do público de museus.
Classificação: Em uma coleção museológica é
A Ação Educativa tem por objetivo, entre suas
a definição do objeto do ponto de vista de sua
metas, permitir que o visitante de museus se
importância cultural. Portanto, a classificação
torne um sujeito crítico e corresponsável pela
determina a inclusão do objeto museológico em
preservação e divulgação patrimonial.
categorias específicas que orientam sua tipologia.
Classificação é o processo de identificação de
Acervo: No Brasil usamos o termo acervo
características semelhantes de um mesmo grupo
como sinônimo de coleção. Tanto pode indicar
de objetos. Em biblioteconomia, a classificação é
um grupo de objetos específico dentro de um
usada para mapear o conhecimento e orientar a
museu, como, em geral, designa toda a coleção
identificação dos assuntos dos documentos; em
da instituição. Um acervo pode ser segmentado:
museologia, a classificação corresponde à área
bibliográfico, fotográfico, documental etc. Nos
cultural que o objeto está inserido e, muitas vezes,
museus do Estado eles serão sempre mistos.
será feita por especialistas.
Artefato: Objetos produzidos ou modificados
Coleção: Corresponde à reunião intencional de
pelo ser humano. De acordo com essa definição, o
objetos de qualquer natureza e que, pelo destaque
artefato pode ter dimensões, formatos e naturezas
proporcionado por tal agrupamento, se torna alvo
bem distintas entre si.
de cuidados especiais, de estudos e de exposição.

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Coleta: Método de trabalho antropológico guarda temporária e exposição dos objetos. Os
que consiste em trazer registros de diferentes conservadores de museus orientam sobre ques-
culturas mediante contato. Exemplo: coletas tões de segurança de objetos e pessoas nos museus
de exemplares de culturas indígenas tais como e elaboram planos para situações de emergência.
flechas, cocares etc. A conservação curativa interfere diretamente no
objeto, buscando eliminar problemas básicos de
Comodato: É uma forma de contrato por meio estabilização de estrutura, consolidação, elimi-
do qual um proprietário (comodante) transfere nação de ataques biológicos entre outros. Deve-
ao museu (comodatário) de forma gratuita a mos, também, distinguir a conservação curativa
posse temporária de bens patrimoniais para fins da Restauração, que é uma intervenção no objeto
de exposição, estudo e quaisquer outras funções patrimonial, de maneira mais ampla.
de natureza museológica. O objeto em comodato
receberá os mesmos cuidados devidos ao acervo Curadoria de coleções: Processo de tratamento
do museu. Deverá ser devolvido nas mesmas conceitual e técnico de coleções museológicas feito
condições em que foi entregue (salvo no caso por áreas de especialidade referentes às coleções
em que tenha passado por algum processo de em questão. A curadoria de coleções é uma
restauração autorizada pelo comodante, quando, atividade científica e praticada por especialistas
então, será devolvido em condições melhores que e docentes que atuam em museus, centros de
a anterior) ao final do prazo estipulado. pesquisa e laboratórios. Ela tem como foco um
estudo aprofundado dos objetos. Sua forma de
Conservação: Pode ser dividida em Conservação divulgação dependerá da área de atuação, podendo
Preventiva e Conservação Curativa, em função acontecer por meio de publicações científicas em
de diferentes metodologias nos processos de pre- revistas e periódicos especializados, apresentação
servação de objetos museológicos. A conservação em fóruns e congressos e, também, por meio de
preventiva é uma área de especialidade que es- exposições museológicas.
tuda e aplica procedimentos que visam adequar
o meio ambiente onde os objetos museológicos Curadoria de exposições: Processo de interpre-
estão instalados – seja em exposição, em reserva tação de áreas diversas do conhecimento com vis-
técnica ou mesmo durante trajetos – buscando, tas à elaboração de exposições museológicas. Os
por meio do controle ambiental, criar condições curadores de exposição estudam coleções museo-
adequadas para diminuir ao máximo o processo lógicas e propõem recortes curatoriais objetivan-
de envelhecimento dos objetos. Além do controle do oferecer formas mais amplas de conhecimento
climatológico, a conservação preventiva também das coleções por meio de exposições de longa du-
normaliza processos de manipulação, transporte, ração, temporárias e itinerantes.

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Documentação museológica: Trata-se de um em linguagem expositiva museológica. Diferente
sistema baseado em uma metodologia que busca da cenografia, a expografia tem como foco o
registrar de distintas formas todas as informações objeto museológico. Ele deve ser o alvo de
sobre os objetos museológicos. O método da atenções, e todas as estratégias de manipulação
documentação museológica permite a coleta de do espaço devem prever sua valorização e, em
informações, sua organização e disponibilização. igual equilíbrio, sua segurança. Soluções sobre
Ao mesmo tempo, uma das importantes funções percursos expositivos, uso de cores de painéis
da museologia é preservar o objeto de manipulação e bases, uso de vitrinas, linguagem de apoio,
desnecessária. Além da documentação de acervos, etiquetas entre outros, são objeto de atenção da
a documentação museológica orienta a gestão da expografia.
informação do museu e, quando bem estruturada,
gera conhecimento sobre as coleções e sobre a Inventário: Nos museus, o inventário é muito
própria história institucional. utilizado para se fazer controle de objetos. Devem
ser padronizados e, em geral, exigem poucas
Documento gerado: É o registro de todo o informações sobre os objetos que, no entanto,
procedimento de trabalho realizado, e também são fundamentais para identificá-los e localizá-
aponta todos os materiais e métodos utilizados, los. Todo procedimento de inventário deve ser
com data de início, término e assinatura do datado e seus responsáveis, identificados.
responsável.
Legado: É uma das formas de incorporação
Ecofato: Refere-se a objetos coletados direta- de bens patrimoniais móveis para o museu,
mente da natureza e que não sofreram interfe- nesse caso, na qualidade de acervo. O legado
rência humana no formato ou confecção (galhos, corresponde à parcela de herança, na qual o
colmeias, carvão etc.). proprietário dos bens declara e registra, em
testamento, o desejo de transferência da posse e
Exame: Determina a natureza e método de propriedade dos mesmos para o museu. O legado
composição ou as propriedades dos materiais pode ter várias modalidades. Daquelas que
utilizados na realização dos artefatos e identifica interessam ao museu, destacamos duas: o legado
as causas da sua deterioração. puro e simples, no qual o proprietário transfere o
direito de propriedade sem restrições de qualquer
Expografia: Termo que designa as atividades tipo; e o legado condicional, quando há cláusulas
que envolvem a montagem de uma exposição. que devem ser cumpridas para que o legado seja
Conjunto de conceitos e técnicas associados, efetivado. Pode-se, por exemplo, exigir que os bens
focados na tradução de um conceito curatorial nunca sejam transferidos para outros museus ou

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que os objetos fiquem em exposição permanente museológica nacional e internacional: a definição
etc. Recomenda-se que o museu aceite apenas aprovada pela 20ª Assembleia Geral do Conselho
legados simples, sem condicional. Internacional de Museus – ICOM em Barcelona,
Espanha, 6 de julho de 2001: “Instituição perma-
Metadados: São os itens de descrição de objetos nente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e
e documentos. O termo foi criado por Jack do seu desenvolvimento, aberta ao público e que
Myres em 1969, para denominar os dados que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os
descreviam registros de arquivos convencionais. testemunhos materiais do homem e de seu entor-
Existem padrões de metadados, sobretudo para as no, para educação e deleite da sociedade.”
áreas de arquivística e de biblioteconomia, alguns
de alcance mundial. No caso da documentação Organizações sociais de cultura: Também co-
museológica, chamamos de metadados os nhecidas como OS, são instituições não-gover-
campos das fichas catalográficas e dos bancos de namentais, associações ou fundações de direito
dados. É pela definição de padrões de metadados privado e sem fins lucrativos, que atuam na área
que conseguimos organizar as informações sobre cultural, qualificadas a partir de uma série de cri-
os objetos estabelecendo, inclusive, hierarquias térios definidos em lei, para atuar em parceria
de informação, permitindo relacionamentos e com o governo do Estado, por meio da Secretaria
facilitando a busca pelas informações de interesse da Cultura, na gestão de equipamentos e progra-
do pesquisador. mas culturais.

Musealização: Processo pelo qual um objeto, Patrimônio cultural: O conceito de patrimônio,


ao ser retirado do fluxo cotidiano, integra uma em geral, tem sentidos amplos que abarcam
coleção museológica e passa a ter um valor de aspectos jurídicos, administrativos, identitários
representação. O processo de musealização implica e morais. Durante muito tempo, o patrimônio
todas as etapas do sistema de ações museológicas. cultural foi definido como semelhante à herança
cultural, ou seja, resultado de algo que nos foi legado
Museologia: De acordo com Waldisa Rússio do passado de forma cumulativa do qual seríamos,
(1990), é a Ciência que estuda o fato museal carac- então, seus “herdeiros”. Atualmente, a noção de
terizado pela relação entre o homem e o objeto em patrimônio cultural se ampliou integrando não
um cenário institucionalizado e ideal: o museu. apenas artefatos, mas também, ecofatos, práticas
sociais e tecnologias específicas.
Museu: Existem várias definições oficiais do que
é museu. A Secretaria de Estado da Cultura adota Pesquisa: Há vários tipos de pesquisa: científica,
uma das mais recentes e aceitas pela comunidade aplicada, experimental, entre outras. O que a

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caracteriza, no entanto, é a existência de um para reintegrar e restituir a aparência de um
método de abordagem de um fenômeno ou de objeto danificado. Nesse processo, o conservador/
um problema e a forma como se apresentam seus restaurador utiliza apenas os materiais e segue
resultados. somente aqueles procedimentos que não irão
alterar ou afetar a estrutura original, respeitando
Preservação: Conjunto de ações que visam a originalidade pretendida pelo criador. O
prevenir danos, impedir e retardar a deterioração responsável pela intervenção deve utilizar-se de
de materiais e objetos de acervos, visando assegurar materiais com comportamento compatível e que
sua contínua disponibilidade. Essas ações facilmente poderão ser revertidos.
incluem monitoramento e controle apropriado
de condições ambientais, ações de conservação, Sistema de ações museológicas: A museologia é
armazenamento e manuseio adequados, área técnico-científica na qual uma série de linhas
estabelecimento de políticas para exposições e teóricas deve refletir um sistema composto por
empréstimos, e planos de emergência. ações pragmáticas em várias áreas aplicadas. São
elas: a documentação museológica, a conservação
Reserva técnica: Nos museus, corresponde à área preventiva e curativa, a ação educativa e a
de segurança, pois abriga todos os objetos de uma expografia. Além disso, há uma série de outras
coleção museológica que não estão em exposição. especialidades que, com a prática do museólogo,
Considerando que, atualmente, a maior parte compõe o universo de ações museológicas – ou no
das exposições abriga uma porcentagem muito museu – tais como a restauração, a curadoria de
reduzida de peças nas suas exposições de longa exposições, a avaliação e pesquisa de público, as
duração, temporárias e itinerantes, a reserva publicações feitas pela instituição, entre outras. O
técnica tem papel estratégico na preservação dos conjunto dessas ações deve ser pensado de maneira
acervos museológicos. Por isso, são espaços que a integrar o sistema de ações museológicas, já que
recebem atenção especial e, em geral, sua gestão implica que todas essas atividades estejam em
é compartilhada entre as áreas de documentação constante comunicação e referenciadas entre si.
museológica e de conservação preventiva. As
reservas técnicas são locais adaptados para que Tombamento: É um procedimento legal que faz
haja rígido controle climático (temperatura, com que um bem tenha seu valor cultural reco-
umidade, umidade relativa, emissão de luz) e de nhecido. Por meio do Tombamento, que é um ato
segurança. administrativo, o bem tombado passa a receber
o reconhecimento público de sua importância
Restauração: Interferência no artefato pela cultural e da necessidade de sua preservação. Os
reconstrução de partes faltantes, num esforço museus devem proceder ao Tombamento de suas

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coleções como forma de preservá-las e de garan- de tombamento e, também, na legislação de pro-
tir que são patrimônio público. Há vários níveis teção ao patrimônio imaterial17.
de Tombamento: municipal, estadual e federal,
dependendo da esfera de influência (cultural) do Tratamento técnico: Na Museologia, designa
bem em questão. O Brasil possui uma legislação todos os passos dos procedimentos realizados so-
muito avançada no que diz respeito aos processos bre um objeto.

17
Para conhecer detalhes sobre o Tombamento de Patrimô-
nio Imaterial, consultar: http://portal.iphan.gov.br/portal/
montarPaginaSecao.do?id=10852&retorno=paginaIphan
(último acesso: 1º de junho de 2010)

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anexo 1
Modelos de equipamentos controladores de
ambiente e equipamentos para transporte de
obras, montagem e serviços diversos

OBS: Os modelos aqui apresentados são me-


ramente ilustrativos. Recomendamos pesquisa
junto a fornecedores, com apoio de profissionais
da área, para definição dos melhores produtos e
serviços para cada necessidade específica.
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CARRINHO DE
CARRINHO PARA
SERVIÇO
TRANSPORTE

CARRINHO DOLI

PALETE

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anexo 2
Relação de materiais básicos
de conservação

Alfinetes longos de cabeça de vidro Pincel – pelo macio, largo


Aventais de algodão branco Pincel – pelo macio, estreito
Biqueira (bico superficial 75ml) Pincel – tipo trincha estreito
Cabides de acrílico com calceira Pincel – tipo trincha largo
Cadarço de algodão branco – 1cm – larg. Polipropleno corrugado leitoso
Caixas de polipropileno corrugado Régua de aço
Cantoneira Rolo de espuma, estreito
Cola branca PVA Soprador térmico (modelo HL – 1800E)
Cola PH neutro – metilcelulose Tesoura – reta
Escova tipo bigode – pelo macio Tesoura – curva
Espuma branca Trena flexível – 5 m
Espuma de polietileno expandido (placa de
2.800 x 1.270 x 55 mm)
Estilete – largo
Estilete – estreito
Etiquetas
Jogo de agulhas para costura
Lã acrílica
Linha de algodão – branca
Luvas descartáveis de silicone
Luvas de algodão – brancas
Manta acrílica – 5 cm de esp.
Malha cirúrgica – largura 30 cm
Malha cirúrgica – largura 10 cm
Malha Suedine
Motor suspenso, tipo chicote odontológico
Papel marrakeche
Percalux

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Projeto de Documentação
Governo do Estado de São Paulo
Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

Coordenação Geral:
Claudinéli Moreira Ramos
Juliana Monteiro
Cecília Machado
Angelica Fabbri

EQUIPES DE TRABALHO
Fundação Energia e Saneamento Associação Cultural de Amigos do Museu Casa de
Supervisão Técnica: Marilúcia Bottallo Portinari – ACAM Portinari
Organização Social de Cultura
Marcia Pazin
Bruno Pellegrini Bellucci Coordenadores de campo
Luciana Nemes Alexandre Silva
Lilian Julho Gabriel Moore Forell Bevilacqua
Glauco Gomes de Oliveira Juliana Padua Melo Alkmin
João Cavalcante Marília Bonas Conte
Sérgio Novaes

Técnicos
Élcio Maichacki
Juliana Ribeiro da Silva Bevilacqua
Raphael Valente de Oliveira

Museólogos Assistentes técnicos Estagiários


Camila Bessa André Carlos da Silva Alexandre Rabelo
Charles Bonetti Arize Araújo Pinheiro Amanda Laurentin Silva
Gabriela Alevato Erica de Oliveira Nascimento Evelyn Ariane Araujo
Ilma Vilasbôas Passos Giovana Lazzarini Naddeo Fábio dos Santos Pedro
Jacqueline Souza Janderson Brasil Georgia O.Boukouvalas Michael
Laise França Jessé Amaral Chahad Henrique Davini Rocha
Nascilene Ramos de Souza João Paulo Simão Juliana Machado Alves
Leonardo Vinícius Bueno dos Santos Luiz Paulo dos Santos Marcondes
Consultores Luciane Santesso Ricardo Melo
Heloisa Maria P. de Abreu Sara Magnussen Fortes Rodrigo Veríssimo de Oliveira
Meirelles Stephanie de Moraes Colin Rubens Ramos
Marina Garrido Monteiro Vilma da Silva Campos Vivian Bortolotti
Vinicius Marcelo de Oliveira Reis
Fotógrafo
Márcio Rene Antonio

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