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Quer realizar o sonho

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Isenção de responsabilidade
As informações contidas neste ebook são provenientes do meu conhecimento e experiências
pessoais como professor de música ao longo de vários anos. Embora eu tenha me esforçado
ao máximo para providenciar um material de alta qualidade e acredite fortemente na efetivida-
de das informações transmitidas, não é garantido que o conteúdo traga os mesmos resultados
para todos os leitores. A condição particular de um determinado leitor pode não se adequar
perfeitamente aos métodos e técnicas ensinados. Dessa forma, recomendo que, caso neces-
sário, você ajuste as informações deste guia de acordo com suas necessidades. Com relação
ao estilo da escrita, minha única intenção é transmitir conhecimento de uma forma clara, agra-
dável e pessoal. Em nenhum momento há a intenção de menosprezar outros métodos, mate-
riais didáticos, correntes de pensamento ou qualquer outro profissional. Caso você acredite
que alguma parte deste guia deva ser removida ou alterada, por favor, entre em contato
conosco através do email contato@ramontessmann.com.br.

Direitos autorais
Este ebook está protegido por leis de direitos autorais. Todos os direitos sobre o guia são
reservados. Você não tem permissão para vender este guia nem para copiar/reproduzir o
conteúdo em sites, blogs, jornais ou quaisquer outros veículos de distribuição e mídia. Qual-
quer tipo de violação dos direitos autorais estará sujeita a ações legais.

HISTÓRICO DE ATUALIZAÇÕES

30/05/2018 Finalização da produção do guia


02/06/2018 Primeira revisão do guia
08/06/2018 Lançamento da versão 1.0
12/06/2018 Segunda revisão do guia

Caso você encontre alguma incorreção


neste guia, por favor, envie um e-mail para
contato@ramontessmann.com.br

Extraordinários ® Todos os direitos reservados


Quem sou eu

Muito prazer, meu nome é Ramon Tessmann! Minha paixão pela música despertou em 1990
quando eu vi pela primeira vez um organista tocando na igreja. Eu fiquei fascinado pelo som
do órgão elétrico, foi amor à primeira vista. Dali pra frente eu passei a incomodar os meus
pais pra comprar um teclado. O problema é o que o Brasil estava vivendo tempos turbulentos
e a compra de um eletrônico era algo difícil para a minha família. Se você é do tempo vai
lembrar do Plano Collor e da situação do país. Mas o meu sonho de tocar nunca morreu. A
vontade era tanta que eu cheguei a desenhar um teclado num papelão e aquele foi meu
"instrumento oficial" até o Natal de 1991, quando eu ganhei o meu primeiro tecladinho de
verdade, de 5 oitavas.

Daí para frente eu tentava estudar tudo o que encontrava, mas em determinado momento eu
me senti travado no aprendizado. Por volta dos quatorze ou quinze anos eu comecei a
perceber que existia um mundo inexplorado na música. Isso porque eu via alguns tecladistas
tocando de forma diferente, mas ninguém me ensinava a tocar com aquela sonoridade. Eu até
me lembro de uma professora, de um conservatório que nem existe mais, que depois de uns
três meses começou a me "enrolar" nas aulas, para me manter mais tempo matriculado.

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Depois de uma situação marcante que aconteceu, minha vida musical mudou de rumo. Eu tive
contato com alguns músicos profissionais de Porto Alegre. Eles estiveram em um evento orga-
nizado na igreja que eu frequentava e quando começaram a tocar, eu me arrepiei do pé à
cabeça. Foi emocionante ouvir aquela sonoridade de altíssimo nível. Foi ali que eu desco-
bri que existiam acordes com 7ª, 9ª, 13ª e por aí vai, porque até então eu só tocava acorde
básico. Depois do evento eu passei um tempo bem frustrante, completamente perdido,
porque não sabia por onde começar a aprender tudo aquilo. O meu sonho passou a ser: "Eu
quero tocar como aqueles caras tocavam". E para me animar um pouco, eu entrava no meu
quarto e escutava a fitinha cassete do evento e aquele som voltava a me arrepiar. Então, eu
decidi fazer um compromisso comigo mesmo: "Eu vou descobrir como tocar assim custe o que
custar".

Daí para frente eu fiquei fissurado em "devorar" tudo o que eu podia. Eu estudava muita
música gospel, com os cds do Ron Kenoly, Tom Brooks e Marcos Witt. Eu consumia tudo o que
via pela frente, incluindo aula, livro, apostila e por aí vai. Só que tinha um problema: era muita
informação desorganizada, muita teoria e de novo eu comecei a sentir que não avançava.
Eu lembro que em 1999 eu estive nos EUA e voltei de lá com uma mala cheia de livros e fitas
VHS de harmonia, Jazz, Blues, escalas, piano etc. Mas como eu disse, era muita informação e
eu não sabia em que ordem estudar. Aí me frustrava de novo.

Mas eu sempre fui persistente. Eu sabia que de tanto buscar, cedo ou tarde, eu ia descobrir o
caminho do aprendizado. Foi aí que eu tive um "estalo". Eu resolvi organizar a ordem das
matérias de um jeito diferente do tradicional e estudar para ver o que acontecia. E isso veio
mais como uma necessidade porque na época eu já dava aulas particulares de música. Eu
queria ver se aquele "jeito diferente" de dar aulas funcionava com os alunos. Foi tiro e queda!
Num espaço de três ou quatro anos eu vi algo incrível acontecer. Com o método que eu
tinha descoberto, as pessoas aprendiam bem mais rápido do que o normal. Isso incluiu familia-
res, amigos, irmãos da igreja entre outros. Eu estava conseguindo colocar boa parte dos
alunos em estado acelerado de aprendizado, mesmo aqueles que não tinham tanto tempo
pra estudar.

E não somente eu estava realizando meu sonho, mas também os meus alunos, dos mais varia-
dos níveis, alcançavam um resultado fora do comum. Para encurtar a história, tudo isso
levou à fundação da escola Aprenda Piano, lá em 2007, uma empresa que vendia cursos em
DVDs. Muita gente que já estudou este mesmo guia me conheceu naquela época. Daí pra
frente foi só pegar esse método e lapidar para que ele gerasse ainda mais resultado no apren-
dizado. E é nisso que tenho me dedicado nos últimos anos.

Neste guia, eu tenho o prazer de compartilhar com você alguns conteúdos interessantes que

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aprendi ao longo da minha jornada. Por que eu faço isso? Porque eu acredito que a música
pode transformar a vida de alguém, por isso quero dividir meu conhecimento com o máximo
de pessoas possível e deixar um legado.

Eu fico tremendamente alegre ao ver meu trabalho sendo reconhecido por empresas como
Yamaha e Sound Brenner (meus parceiros) e especialmente pelos milhares de alunos, como
você pode ver em algumas histórias que publicamos em nosso canal do Youtube.

Estamos presentes em

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Sumário
Sumário 6

Introdução 9

Como usar este guia 10

Parte #1 Como aprender mais rápido 10

Parte #2 Teoria musical: do básico ao avançado 10

Parte #3 Nove macetes incríveis 10

Sobre os exemplos práticos 11

Parte #1 Como aprender mais rápido 12

1.1 Ambiente estratégico 13

1.2 Gatilho mental do comprometimento 14

1.3 Defina um objetivo claro 15

1.4 Foque em um método por vez 16

1.5 Vença a "Síndrome Carne e Osso" 17

1.6 Qual é o tempo e a frequência ideal? 17

1.7 Como tocar por ouvido (7 dicas) 18

1.8 Ame o metrônomo 20

Parte #2 Teoria: do básico ao avançado 21

2.1 O instrumento musical 22

2.2 O que é música? 22

2.3 Conhecendo as teclas 23

2.4 As notas musicais 24

2.5 As notas naturais no teclado 25

2.6 As notas acidentadas no teclado 26

2.7 Tom e semitom 28

2.8 A escala maior 29

2.9 As cifras 31

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2.10 Os acordes maiores 32
2.11 Os acordes menores 34
2.12 Inversões de acordes 41
2.13 Como tocar a sua primeira música 42
2.14 Quais músicas devo tocar? 43
2.15 Subindo o nível 43
2.16 Os graus 44
2.17 Os intervalos musicais 45
2.18 Os 6 tipos de tríades 47
2.19 O baixo invertido 50
2.20 Os 4 grupos de tétrades 52
2.21 O acorde quartal 54
2.22 Vamos estudar harmonia? 55
2.23 O campo harmônico maior 56
2.24 Trítono: o "som do céu" 58
2.25 As funções tonais 59
2.26 Os tipos de cadências 61
2.27 O ciclo das quintas 62
2.28 Clichês harmônicos por quintas 63
2.29 O acorde diminuto e o meio-diminuto 64
2.30 O acorde SUBV7 65
2.31 A tonalidade menor 66
2.32 Vamos rearmonizar? 68
2.33 Os efeitos emocionais dos intervalos 68
2.34 Enriquecendo os acordes 70
2.35 Harmonizando com foco melódico 72
2.36 Os clichês II-V-I maior e menor 73
2.37 A cadência II-V secundária 75
2.38 A nota pedal 76

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2.39 Rearmonizando Ciranda, Cirandinha 77
2.40 Observação sobre rearmonização 78
2.41 Bônus: Harmonia negativa 78
Introdução do artigo 78
A hype da Harmonia Negativa 79
Ressalvas 80
Harmonia negativa: aspecto melódico 80
Espelhando a escala maior de C 81
Tom gerador 82
Espelhando uma Melodia 82
Aspecto harmônico 83
Um atalho para acordes negativos 84
Parte #3 - Nove macetes incríveis 87
3.1 Acorde menor turbinado aberto 88
3.2 O dítono alt 89
3.3 Campo harmônico cromático (7/9/13) 90
3.4 Aproveitando-se da escala pentatônica menor 91
3.5 O mais "famoso" acorde alterado 92
3.6 O poder do cromatismo na improvisação 93
3.7 Os modos gregos 94
3.8 Cinco sites de pianos virtuais 95
3.9 Abertura "Conchinchina" 95
Conclusões finais 98

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Introdução
Muito obrigado por você ter feito o download do guia Como Tocar Teclado Bem - O Guia do
Básico ao Avançado + 17 Macetes Incríveis! É uma grande honra poder servir você com um
material de alto nível, onde disponibilizei parte do meu conhecimento (e porque não, parte do
meu coração). Eu acredito que qualquer pessoa que se dispõe a aprender teclado ou piano
pelo método certo e com força de vontade consegue chegar ao seu objetivo. Acredite: eu vi
isso acontecer ao longo dos anos, até mesmo com pessoas que diziam que não tinham o
"dom para a música".

Também conheci muita gente frustrada porque ouviu algum comentário negativo na sua jorna-
da. Foi o caso do Jailton Carneiro, de 71 anos. O Jailton conta que um ex-professor falou que
ele nunca ia aprender a tocar, porque deveria ter começado com 5 anos de idade. Se quiser
ver o Jailton contando a história dele clique aqui. O fato é que o Jailton não queria tocar como
Beethoven, Bach ou como algum pianista profissional. Ele apenas queria aprender o básico
para tocar e compor suas próprias canções e hoje ele realizou esse sonho.

Eu poderia citar centenas de histórias assim, de pessoas que estavam travadas no aprendiza-
do e hoje estão tocando com grande felicidade. Por isso, eu dediquei enorme esforço para
produzir este guia. Foi para desenvolver o melhor livro digital sobre aprendizado musical
em língua portuguesa. O guia não foi concebido para ser um "tratado extensivo", algo maçante
ou um material qualquer que você encontra facilmente por aí. Muito pelo contrário: a cada
página você vai se dando conta do tesouro que tem em mãos.

E para deixar bem claro: não tenho a pretensão de ser a palavra final em nenhum dos
assuntos mencionados. Longe disso. Prefiro me considerar muito mais um aluno, do que um
professor. O que fiz foi compartilhar, ao meu estilo, aspectos interessantes da teoria musical
(do básico ao avançado), e também revelar dicas e macetes sobre como aprender de forma
mais eficiente. Também divido segredos que nunca me ensinaram e que eu só aprendi ao
longo da minha longa jornada musical. Este guia é único. Ele tem o poder para transformar
a sua musicalidade, então, aproveite cada palavra!

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Como usar este guia
Antes de seguirmos em frente, deixe-me explicar como este guia foi organizado. Basicamente,
o guia está dividido em três partes, como vou explicar a seguir:

Parte #1 Como aprender mais rápido

Na parte #1 do guia, eu compartilho algumas dicas (os primeiros oito macetes) sobre como
aprender música mais rápido e de forma consistente. Se formos fazer uma analogia com uma
viagem, essa seria a etapa da preparação. Ninguém sai de viagem sem antes arrumar as
malas, cancelar compromissos, avisar os familiares, organizar a casa e por aí vai. Com o apren-
dizado musical ocorre a mesma coisa. Se a pessoa não se preparar antes de iniciar os estu-
dos as chances são grandes de haver um baixo aproveitamento das matérias. Ao longo
dos anos, eu identifiquei vários pontos de melhoria na forma como meus alunos estudavam e
decidi compartilhar alguns deles nessa parte #1.

Parte #2 Teoria musical: do básico ao avançado

Na parte #2 do guia, eu compartilho conteúdo teórico, englobando assuntos selecionados a


dedo para proporcionar uma visão geral sobre alguns aspectos da música. Obviamente, a
intenção não foi abordar todos os assuntos, pois seria uma tarefa impossível para um só
volume. Você vai perceber a ausência de matérias relacionadas à partitura, rítmica, postura,
saúde, benefícios e coisas do tipo. Isso porque tais assuntos são largamente abordados em
outros materiais, inclusive na internet. Meu objetivo com a parte #2 foi trazer aspectos impor-
tantes para você aprender a tocar do zero ou melhorar aquilo que já toca. Vamos passear
(de forma super bem objetiva) pelas notas, cifras, escalas, acordes, harmonia, campo harmôni-
co, modos gregos, harmonia negativa, rearmonização e outros assuntos.

Parte #3 Nove macetes incríveis

Na parte #3 do guia, eu cubro nove macetes interessantes. Eu selecionei algumas das dicas
e técnicas que fui colecionando ao longo da minha jornada musical. Naturalmente, para o guia
não ficar demasiadamente extenso eu tentei ser breve e objetivo, mas o que eu divido ali
certamente vai enriquecer os seus conhecimentos musicais. Isso eu garanto! Eu abordo nove
macetes que complementam os oito da primeira parte do guia, totalizando dezessete mace-
tes incríveis.

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Sobre os exemplos práticos

Para uma melhor compreensão do conteúdo, algumas matérias exigem a demonstração práti-
ca em vídeo aula. Notadamente, fazer isso através de um livro digital como este é impossível.
Por isso, eu recomendo que você conheça o meu treinamento Extraordinários. O Extraordi-
nários é um programa de treinamento completo em vídeo aulas, 100% online, do básico ao
avançado, onde eu ensino teclado através de um método de alto resultado.

Para saber mais, visite meu site oficial:


https://www.ramontessmann.com.br

Pronto para começar a jornada? Siga em frente e boa viagem!

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PARTE #1

COMO APRENDER
MAIS RÁPIDO
Nesta seção do guia eu quero dividir com você algumas dicas para você aprender teclado/-
piano mais rápido e com consistência. Algumas dessas dicas que veremos a seguir ajudaram
milhares de pessoas a aprender música de forma mais eficiente. Meus alunos e eu faze-
mos parte desse grupo de pessoas. Por isso, decidi iniciar falando sobre como aprender mais
rápido. Daqui para frente eu vou listar várias estratégias que aplico na minha rotina diária de
estudos e que me trouxeram até o nível em que cheguei. Vamos avançar!

1.1 Ambiente estratégico

O local em que você estuda pode exercer uma enorme influência (positiva ou negativa) no seu
aprendizado. Não sei se você já ouviu a incrível história do gênio musical Jacob Collier. Jacob
é um jovem que já ganhou 2 Grammys como melhor arranjo do ano. O jornal britânico “The
Guardian” o chamou de “novo messias do jazz”. Quando conheci a história dele uma coisa me
chamou à atenção e esse fator talvez tenha contribuído para a sua genialidade (talvez tenha
sido um dos seus grandes segredos).

Quando Jacob era pequeno seus pais "rechearam" seu quarto com instrumentos musicais
provocando assim estímulo musical máximo na vida dele. Desde cedo ele teve liberdade
para explorar e se expressar através dos sons. Guardadas as devidas proporções eu passei
um pouco da minha infância assim. Meu quarto não era como o de Jacob, mas depois que
passou a época das "vacas magras" eu sempre tive acesso fácil a um teclado, violão e bateria.
Meus pais sempre me incentivaram a me envolver com a música e isso trouxe excelentes
frutos para mim. E isso não tem muito a ver com a idade. Sabemos que quanto mais cedo se
começa melhor, mas tenho vários alunos acima dos 55 anos que aprenderam a tocar simples-
mente porque se propuseram a isso. E transformar o ambiente de estudo faz toda a dife-
rença. Aqui está a foto do meu local de estudo na minha casa:

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Como você pode ver, é um ambiente propício para os estudos. Segue as minhas dicas:

Prepare o ambiente para que o ensino da música seja estimulado e facilitado.

Tenha um instrumento musical sempre ao seu alcance.

O ambiente precisa ser calmo e propício ao foco e concentração.

Prepare um computador, tablet ou notebook para o estudo online.


Seja organizado com seus materiais de estudo.

O ambiente precisa ser tão agradável a ponto de se tornar irresistível.

1.2 Gatilho mental do comprometimento

Está comprovado cientificamente que pessoas que anunciam seus objetivos publicamente
têm 10 vezes mais chances de alcançá-los. Se você contar para as pessoas ao seu redor
que está estudando música, automaticamente você está se comprometendo publicamente a
aprender de verdade. Isso ocorre porque psicologicamente você não vai querer mostrar
fraqueza por não ter batido uma meta. Essa é uma chave psicológica poderosa! Eu recomen-
do o seguinte:

Conte para a sua família que você vai começar a estudar música de forma séria.

Conte para os amigos do trabalho, da igreja, da faculdade etc.

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Poste no Facebook e Instagram. Publique no Stories.

Espalhe no Whatsapp algo do tipo: "Gente, comecei a estudar piano. Em breve eu vou
estar tocando de forma emocionante".

GATILHO DO COMPROMETIMENTO
Pessoas que anunciam seus objetivos publicamente têm
10 vezes mais chances de alcançá-los.

Estas atitudes vão ativar um gatilho mental, chamado comprometimento. Será muito mais
difícil você desistir no meio do caminho quando sabe que se comprometeu publicamente.
Funciona como mágica!

1.3 Defina um objetivo claro

Você precisa definir claramente seus objetivos com o aprendizado musical. Isso tem muito
mais importância do que as pessoas imaginam. O autor best-seller Ken Blanchard diz que:
"Todo bom desempenho começa com objetivos claros". Quando se tem um sonho, um objeti-
vo é o que te dá direção. Você deve saber onde está e para onde está indo e quanto mais
cedo você descobrir isso, melhor. Em certo momento da minha jornada eu senti que tava com
as mãos travadas. Eu tentava criar solos e improvisar, mas errava muita nota. Por muito tempo
eu sofri com isso porque eu pensava que "não tinha o dom", que eu tinha nascido assim
mesmo, sem coordenação motora.

O fato é que muita gente dá esse mesmo tipo de desculpa: "Ah, isso não é pra mim. Eu não
tenho dom, eu não consigo". Essa de "não tenho o dom" é um mito. Eu também pensava assim
quando não conseguia acertar as notas, até que defini um objetivo claro: vou destravar as
mãos. Aí, coloquei isso como prioridade nos meus estudos, encontrei os exercícios certos e
passei a praticar. Foi tiro e queda. As minhas mãos destravaram e eu realizei meu sonho de
improvisar.

Enquanto eu não tinha definido aquele objetivo na minha frente, eu continuava travado. Quem
sabe você quer aprender harmonia, para tocar acordes mais rebuscados, para rearmonizar as
músicas preferidas. Talvez, seu sonho seja dominar técnicas, escalas ou determinados estilos

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musicais. Quem sabe, você quer destravar a mão esquerda ou ganhar coordenação motora.
Alguns querem tocar jazz, querem aprender os famosos acordes de Neosoul e Gospel Music.
Enfim, se você definir com clareza pra onde está indo vai ser muito mais fácil você alcançar o
objetivo. O que importa não é só aprender, mas aprender na direção certa.

1.4 Foque em um método por vez

Existem vários caminhos para você aprender piano/teclado. Alguns são mais longos, outros
são mais curtos. Há muitos bons métodos por aí, mas há muita coisa que não funciona. Tem
muita escola que engessa a didática e dificulta o aprendizado, mas também tem muita escola
boa. Nos dias atuais, também há o Youtube com seu vasto material gratuito, apesar da clara
desorganização do conteúdo.

Realmente, os caminhos são muitos. Mas se tem uma coisa que eu vejo com larga frequência
é isso: muita gente perdida em meio a tantos métodos diferentes. Uma das poucas coisas
que me salvou desse emaranhado de aulas, vídeos, cursos, métodos e professores, foi estu-
dar apenas um método por vez. E não só isso: o segredo foi encontrar um método eficaz e
estudá-lo até o fim.

Acredite em mim: eu passei longos anos conhecendo várias metodologias e desenvolvendo


outras, até que descobri um caminho que realmente me colocasse em estado acelerado
de aprendizado. Portanto, se você é daqueles que todo dia estuda um método diferente, que
passa o dia "pulando" de um curso para o outro, as chances são grandes de você ficar perdi-
do e acabar não aprendendo nada.

O PODER DO FOCO
“Uma das poucas coisas que me salvou desse emaranhado de
aulas, vídeos, cursos, métodos e professores, foi estudar apenas
um método por vez”.

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1.5 Vença a "Síndrome Carne e Osso"

Quem sofre dessa síndrome é aqueles que pensam "Será que eu consigo aprender online,
sem um professor de carne e osso do meu lado?". Em primeiro lugar, estudar online não
necessariamente impede que você também tenha um professor particular. Isso é escolha
de cada um. Mas, com o advento da tecnologia e das interações virtuais, o aprendizado online
não só pode ser eficiente, como também mais agradável. Será que é realmente possível? Eu
vejo por este ângulo: a medicina já chegou ao ponto de ensinar novatos a realizar cirurgias à
distância, através de aparelhos robóticos. E olha que fazer uma cirurgia é muito mais comple-
xo do que aprender piano ou teclado. Portanto, pode ficar tranquilo que com o método certo
você pode aprender com fluidez e os meus alunos estão aí para provar que estudar online
realmente funciona.

1.6 Qual é o tempo e a frequência ideal?

Quero dividir uma chave poderosíssima para você aprender de forma mais consistente. É um
segredo que tem relação com quanto tempo você dedica para o estudo e com qual frequên-
cia estuda. Especialistas já provaram que todos os dias, quando vamos dormir e acordamos,
acontece uma espécie de reboot no cérebro. Ou seja, é como se ele fosse reiniciado igual a
um computador. E nesse processo a gente perde parte da informação aprendida no dia
anterior.

Portanto, se você aprendeu algo novo no dia anterior, para fixar bem a matéria, é necessário
continuar estudando isso diariamente até que não esqueça mais. Todo dia que você não
estuda você desaprende. Uma vez que você comece a estudar música, você precisa tirar um
tempinho para estudar todos os dias. Isso mesmo: para o máximo de resultado seu encontro
com a música deve ser diário. Não adianta estudar na segunda-feira e depois só estudar no
sábado. Assim, o aprendizado pode demorar muito mais porque você estará esquecendo
boa parte da informação. E muitos especialistas defendem que a frequência é mais impor-
tante que o tempo de estudo. Isso quer dizer que se você estudar vinte minutos por dia é
muito melhor do que dedicar várias horas em um só dia, para depois ficar um tempão sem
estudar. Portanto, se foque muito mais em fazer do estudo musical um hábito diário, em vez
de estudar por horas e horas a fio para depois largar os estudos.

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SEU CÉREBRO REINICIA TODOS OS DIAS
Todo dia que você não estuda você desaprende. A frequência é
mais importante do que o tempo de estudo. Faça do estudo um
hábito diário.

1.7 Como tocar por ouvido (7 dicas)

Esta é uma das grandes dúvidas das pessoas que me seguem nas redes sociais: "Ramon,
como tocar por ouvido?". Bem, a resposta para essa pergunta poderia gerar outro guia como
este. Mas, meu objetivo é ir direto ao ponto. Então, eu decidi compartilhar sete dicas que me
ajudaram a abandonar as famosas "pastinhas de cifras" e "partituras". Confesso que foi
uma libertação não precisar ficar mais lendo cifras e decorando partituras. Tocar por ouvido é
uma sensação incrível. Mas, nem sempre foi assim. Para falar a verdade, a primeira música
que tirei de ouvido eu levei quase um mês e ela tinha apenas três acordes básicos. Levou
cerca de um ano para eu conseguir tirar quase todos os acordes maiores e menores. Gradual-
mente, meu ouvido foi ficando mais "afiado". Mas, é claro que você não precisa levar todo esse
tempo. Na época, eu não tinha o conhecimento que tenho hoje. Então, aproveite para seguir
minhas sete dicas para você "destravar" o seu ouvido:

1 Comece com músicas simples: quer saber qual é o melhor tipo de música para se
começar a exercitar o ouvido? As músicas simples. De fato, quanto mais simples melhor!
Dê preferência por tentar "tirar" músicas com poucos acordes (no máximo três ou quatro)
e dentro das tonalidades que você domina bem. Como tudo na vida você deve começar
do passo mais fácil. Nesse caso, o passo um é tirar músicas simples, de preferência
músicas infantis. As músicas infantis me ajudaram muito no início. Conforme você for
tirando as primeiras músicas com maior facilidade vá para as músicas mais difíceis.

2 Estude os campos harmônicos: mais a frente neste guia você poderá saber mais sobre
isso. Mas, já aviso de antemão: se familiarizar com os campos harmônicos maiores vai
facilitar demais o caminho para você tocar de ouvido.

3 Acostume-se a tocar por graus (funções) e não pelas cifras: vamos ver mais sobre
isso aqui no guia.

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4 Cante muito: você precisa aprender a gostar de cantar. Cantar ajuda a desenvolver a
percepção e o ouvido. Quando eu vou tirar um novo solo, a primeira coisa que faço é
cantarolar a melodia e tentar memorizá-la. Só depois vou para o teclado. Não digo que
você tem que aprender a cantar em público ou que deve ter uma voz bonita. Nada disso.
A ideia aqui é apenas ajudar no seu desenvolvimento musical. Uma dica: Se você for tirar
um solo com muitas notas, tente escutá-lo inteiramente por diversas vezes. Depois, tente
cantarolar "de cabeça" até que se sinta confortável. Aí, vá para o instrumento e tente
tocar aquela melodia que você memorizou.

5 Evite anotações: se esforce para não anotar nada do que você está tirando. Eu sei que
às vezes é empolgante quando você consegue tirar um novo solo ou música, e aí você
não quer esquecer aquela informação. Mas a ideia é justamente tornar o ouvido tão bom
que você não precisará ficar lendo partituras ou cifras a todo momento. Portanto, mesmo
que você erre muitas vezes ou se sinta perdido, vá largando os papéis gradualmente.
Faça isso até que consiga tocar músicas inteiras sem precisar ler nada em nenhum lugar.
Assim, as partituras e cifras só servirão de apoio eventual e não vão "prender" você.

6 Aprenda a diferenciar os acordes maiores dos menores: quando meu ouvido come-
çou a discernir a diferença entre os acordes maiores e menores minha percepção deu
um salto. Isso porque eu conseguia tirar as músicas muito mais rapidamente quando já
sabia que se tratava de um acorde maior ou menor. Não é tão difícil fazer essa distinção,
mesmo para quem está começando. Os acordes maiores dão aquele "ar" alegre e jovial.
Os acordes menores são mais "tristes" e "melancólicos". Quando você estuda campo
harmônico e consegue discernir acordes maiores dos menores, fica bem mais fácil iden-
tificar os acordes que estão sendo executados. Portanto, escute uma música AGORA e
tente identificar os acordes maiores e menores. Será um grande avanço se você conse-
guir.

7 Aprenda uma música nova por dia: para acelerar o desenvolvimento do seu ouvido e
percepção musical faça um compromisso consigo mesmo: tente aprender uma música
nova por dia. Não tem problema se você quer investir alguns dias para tirar uma determi-
nada música, mas é importante você tirar pelo menos uns 15 ou 20 minutos por dia para
aprender coisas novas. Pode ser um solo, uma sequência de acordes ou até mesmo uma
música inteira. O fato é que quanto mais músicas você ouvir e tentar tirar, melhor. Mas é
como falei antes: procure começar pelo fácil e aí vá procurando novos desafios. O ouvido
deve ser treinado diariamente. Portanto, não desanime e não desista. Pode ser difícil no
início. Eu passei por isso e sei como é. Mas com força de vontade e determinação as
suas chances de conseguir são muito maiores!

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A DURA REALIDADE
A primeira música que tirei eu levei quase um mês e ela tinha
apenas três acordes. No início, é normal demorar um pouco para
“domar” o ouvido.

1.8 Ame o metrônomo

Quando for praticar algo no teclado, especialmente exercícios, procure usar o metrônomo.
O metrônomo é um aparelho que, através de pulsos sonoros, indica o andamento da música.
Eu confesso que odiava praticar com metrônomo até que passei um tempo praticando com
ele e percebi o grande impacto positivo que me causou. Vou listar alguns benefícios de se
usar o metrônomo:

Mantém você mais atento e focado na música, evitando distrações.

Proporciona a você maior segurança ao manter o andamento das músicas.

Possibilita a prática de exercícios sem a necessidade de um baterista marcando o tempo.

Acompanha sua evolução musical (o metrônomo mostra sem piedade o seu nível musical,
ritmicamente falando).

O uso prolongado do metrônomo aumenta a sua confiança musical.

Atualmente, você não tem desculpas para não usar o metrônomo. Eu uso um aplicativo em
meu celular, chamado Pro Metronome, disponível para IOS e Android. E se não quiser usar o
celular, tem metrônomo até mesmo no Youtube. Aprender a gostar do metrônomo vai causar
um grande impacto no seu desenvolvimento musical. Pode acreditar!

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de tocar teclado ou
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PARTE #2

TEORIA: DO
BÁSICO AO
AVANÇADO
2.1 O instrumento musical

Esta parte do guia é para quem está começando do zero no mundo das teclas. Muita gente
me pergunta: "Ramon, o que eu preciso para começar a aprender?". As pessoas desejam
saber se precisam ter um teclado de última geração ou um piano caríssimo para começar.
Essa é uma crença errada. A maioria dos grandes músicos que você já ouviu falar começaram
com instrumentos baratos, bem amadores. Basicamente, o que você vai precisar para come-
çar é de um piano (de qualquer tipo) ou um teclado de qualquer marca e modelo, desde que
tenha duas coisas: (1) teclas sensitivas e (2) pedal de sustain. Não importa se o seu teclado
é rosa, verde, se é grande ou pequeno, não importa quanto você pagou nele. Para começar a
se aventurar no mundo das teclas você vai precisar:

1. Ter um instrumento de teclas (teclado ou piano).

2. Teclas sensitivas.

3. Pedal de sustain devidamente instalado.

4. Muita vontade de aprender.

O QUE É PEDAL DE SUSTAIN?


Com o pedal de sustain você consegue “segurar” o som das notas
(estendê-las) sem precisar ficar com as teclas pressionadas.

Se você precisa comprar um teclado ou pedir um emprestado para alguém, tenha certeza que
irá se lembrar de mencionar esse pontos. Eles são muito importantes para o seu êxito no
mundo da música. E por falar em música, vamos defini-la?

2.2 O que é música?

O que é música? Quais são os seus elementos principais? Meu objetivo aqui não é escrever
um extenso tratado sobre as definições da música. O tempo é um ativo precioso, portanto vou
tentar transmitir as definições da forma mais resumida possível e assim a gente vai avançando.
Basicamente, música é a combinação de sons e silêncios, de uma maneira organizada e que
busque agradar ao ouvido. Há muitas discussões sobre as diversas definições e essa é uma
delas. A música é dividida em três elementos:

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1 Melodia: é a voz principal da música, uma sucessão de notas tocadas com um determi-
nado objetivo.

2 Harmonia: é a combinação de vários sons, é a sobreposição de notas que acompanham


a melodia.

3 Ritmo: é a marcação do tempo da música, é a sucessão de tempos fortes e fracos, assim


como os ponteiros do relógio que marcam as horas e minutos.

Agora, vamos conhecer as teclas do teclado.

2.3 Conhecendo as teclas

Se você já olhou para o piano ou teclado alguma vez percebeu que existem dois tipos bem
diferentes de teclas. Algumas são mais largas e outras mais finas. As mais largas são as
teclas brancas do teclado. As teclas finas são as teclas pretas. Observe no desenho:

Se você analisar bem vai ver que as teclas pretas ficam se repetindo ao longo do teclado.
Primeiro, vêm duas teclas pretas, depois vêm três teclas pretas e assim sucessivamente.
Conseguir enxergar esse padrão é fundamental para você identificar as notas no teclado.
Antes disso, vamos falar sobre as notas musicais.

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2.4 As notas musicais

Em nosso sistema musical ocidental nós temos doze tipos de sons diferentes, ou seja, temos
doze notas diferentes. Vamos ver quais são as primeiras sete notas que todo mundo sabe de
cor:

dó - ré - mi - fá - sol - lá - si

Estas são as notas naturais. Mas como vimos, ao todo temos doze notas, então faltam cinco
notas. São elas:

dó# - ré# - fá# - sol# - lá#

Este símbolo "#" indica um acidente ou alteração. Os acidentes são símbolos que modificam a
altura da nota. O símbolo "#" indica uma modificação imediatamente à direita, chamado suste-
nido. Portanto, você vai ler "dó#" como dó sustenido, "ré#" como ré sustenido e assim por
diante.

Também temos outro símbolo a aprender, que é o sinal "b". Isso indica um acidente que modifi-
ca a altura da nota imediatamente à sua esquerda (meio-tom). A seguir, disponho as cinco
notas bemóis:

réb - mib - solb - láb - sib

A leitura é simples: "réb" lê-se ré bemol, "mib" lê-se mi bemol e assim por diante. Uma curiosi-
dade: fisicamente falando, no teclado as notas sustenidas e bemóis ocupam o mesmo lugar.
Essa é uma longa história que você não precisa se preocupar agora. O que você precisa
entender no momento é a sequência com as doze notas da nossa música ocidental. Grave-as
bem:

dó - dó# - ré - ré# - mi - fá - fá# - sol - sol# - lá - lá# - si

Uma vez que você tenha memorizado a sequência de notas, nós podemos ir ao teclado para
identificá-las.

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2.5 As notas naturais no teclado

A nota dó vai ser o nosso ponto de partida. Para identificar a nota dó no teclado é bem
simples. Lembra no início que eu falei que as notas pretas se repetiam em jogos de duas
teclas e três teclas? O que você precisa fazer agora é identificar um jogo de duas teclas pretas
bem no meio do seu teclado. Depois, é só identificar a nota dó que vem imediatamente à
esquerda dessas duas teclas pretas. Observe no desenho:

E isso se repete em toda a extensão do teclado. Veja outras notas dó:

Uma vez que você tenha identificado a nota dó fica fácil encontrar as outras notas naturais.
Isso porque é só ir em sequência nas teclas brancas contando as sete notas naturais.
Observe:

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No desenho você pode ver as notas naturais dispostas no teclado. Se eu fosse você, iria ao
teclado agora para tentar identificar as notas musicais.

2.6 As notas acidentadas no teclado

Conseguindo identificar as teclas brancas, chegou a hora de identificarmos as teclas pretas.


Para isso, vou dispor novamente a sequência das doze notas que já vimos anteriormente:

dó - dó# - ré - ré# - mi - fá - fá# - sol - sol# - lá - lá# - si

Se você decorar essa sequência conseguirá facilmente identificar as notas no teclado. Isso
porque todas as notas estão dispostas em sequência. Isso quer dizer que logo depois do dó,
meio-tom acima, nós encontraremos o dó#. Depois do ré nós teremos o ré#, e assim por
diante. Observe na imagem:

Se você entendeu isso não tem mais segredo. É só ir seguindo a mesma lógica e encontrar
todas as notas naturais e acidentadas:

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Já falamos anteriormente que as notas sustenidas e bemóis ocupam o mesmo lugar no tecla-
do. Lembra disso? Então, vamos ver como ficam as doze notas (com bemóis):

Perceba como o dó# está fisicamente na mesma tecla que o réb. Não se preocupe em com-
preender isso agora. Apenas se preocupe em assimilar esta associação:

dó# e réb estão na mesma tecla.

ré# e mib estão na mesma tecla.

fá# e solb estão na mesma tecla.

sol# e láb estão na mesma tecla.

lá# e sib estão na mesma tecla.

Uma curiosidade: você percebeu que não existe tecla preta entre as notas mi e fá, ou si e dó?
Isso não significa que não existe mi# e si# ou fáb e dób, como muitos pensam. Mas para não
confundir não precisamos entrar nesse assunto agora. Apenas se foque na identificação das
teclas e notas musicais que aprendemos. Assim, termino esta seção mostrando o desenho do
teclado com todas as notas dispostas:

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Invista algum tempo estudando o seu teclado e "brincando" de identificar as notas musicais
nas teclas.

2.7 Tom e semitom

Provavelmente, você já ouviu falar sobre a palavra "tom". É o que vamos estudar agora. Vamos
descobrir como funcionam os tons e semitons no teclado. Fisicamente, tom é a distância
contando-se três teclas e semitom é a distância contando-se duas teclas. Por exemplo, se o
meu ponto de partida é o dó e o destino é o ré, essa é uma distância de um tom inteiro. Isso
porque do dó ao ré contamos três teclas (dó, dó# e ré). Observe na imagem:

Se fosse do dó para o dó#, isso seria uma distância de um semitom. Para facilitar, os músicos
usam as letras T e ST para se referir a tom e semitom. Vamos a alguns exemplos:

De dó para mi temos dois tons.

De dó para fá temos dois tons e meio.

De ré# para mi temos um semitom (ou meio-tom).

De ré# para fá temos um tom.

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Você precisa aprender a identificar essas distâncias para montar as escalas e acordes que
veremos a seguir. Portanto, tire um tempinho para ficar medindo as distâncias entre as notas.

2.8 A escala maior

A escala maior é uma sequência de sete notas distanciadas por tons e semitons. É um dos
assuntos mais importantes da música. Isso porque a escala maior é base para muitas outras
matérias que vamos ver, incluindo formação de acordes, harmonia entre outros. Cada uma
das doze notas vai originar uma escala maior, seguindo uma fórmula a seguir:

tom - tom - semitom - tom - tom - tom - semitom

Ficará mais fácil você memorizar somente as iniciais:

T - T - ST - T - T - T - ST

É muito importante você memorizar esta fórmula. É com ela que você vai poder montar qual-
quer escala maior que precisar. Funciona assim: vamos supor que você escolha formar a
escala maior de dó. Para formar essa escala basta partir da nota dó e seguir as distâncias
usando a fórmula. Por exemplo:

Partindo da nota dó, se você "pular" um tom vai chegar no ré.

Se "pular" mais um tom vai chegar no mi.


Chegando no mi você "pula" um semitom, chegando no fá.

E assim você vai seguindo até formar a escala maior partindo do dó.

A escala a partir do dó vai ficar assim:

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Esta é a escala maior de dó. Vamos ver novamente como ela foi construída:

Partindo do dó, você pula um tom e chega no ré.

Pulando mais um tom você chega no mi.

Chegando no mi você só pula meio tom, caindo no fá.

Aí é só pular três tons, chegando nas notas sol, lá e si.

Do si você pula mais um semitom e chega no dó de novo.

Curiosidade: a escala de dó só tem notas naturais (somente teclas brancas). Se formos


montar todas as outras escalas maiores o processo seria o mesmo. A seguir eu disponho uma
tabela com as doze escalas maiores, oriundas das doze notas que já conhecemos:

Uma observação: muita gente fica com dúvida quando aparecem notas como mi# ou si#. No
caso do mi#, por exemplo, seria a mesma tecla do fá no teclado. O mesmo vale para as outras
notas do tipo. Fisicamente, vai ser a mesma coisa. O que muda é a nomenclatura. Por ora,
você não precisa se preocupar em compreender o porquê disso. Precisamos avançar para
estudar as cifras.

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2.9 As cifras

As cifras formam um sistema criado para representar os acordes. Se você nunca viu uma cifra
na vida, elas são aquelas letras e símbolos que vão em cima das palavras em uma música
cifrada. Veja um exemplo que printei do site Cifraclub:

As cifras são aquelas letras (às vezes, acompanhadas por símbolos e números) que indicam
qual acorde executar em determinadas partes da música. Mas que letras são essas? Basica-
mente, são as sete primeiras letras do nosso alfabeto. Observe:

Quando você ver a letra A em uma cifra, ela representa o acorde de lá. Quando você ver a
letra B, isto significa o acorde de si, e assim por diante. Existem também os símbolos e núme-
ros que podem acompanhar as letras, como por exemplo: #, b, m, º, 7, maj7, 5+ entre outros.
Veja como ficaria a leitura de alguns acordes com símbolos:

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Nesse quadro eu mostro alguns exemplos de cifras, mas não se preocupe em compreender
tudo agora, porque conforme o avanço você vai se acostumar com essa linguagem. Vai ser
um processo natural.

2.10 Os acordes maiores

Um acorde é um conjunto de três ou mais notas tocadas simultaneamente. Basicamente, são


várias notas sendo tocadas em conjunto, com um objetivo harmônico. Os acordes são repre-
sentados pelas cifras, que já aprendemos anteriormente (A, B, C, D, E, F e G). Nesta etapa, eu
quero ensinar os acordes maiores, considerados "alegres", pois eles transmitem um sentimen-
to positivo quando são executados. Assim como temos as doze notas, as doze escalas maio-
res, também temos os doze acordes maiores. Esses acordes são formados com uma simples
regra. É só seguir os seguintes passos:

1. Escolha a respectiva escala maior.

2. Identifique a 1ª, 3ª e 5ª nota da escala.

3. Toque essas notas simultaneamente.

4. Pronto! Esse é o acorde maior que você formou a partir da escala.

Com esse processo, você encontra qualquer acorde maior que desejar. Vou dar o exemplo,
montando o acorde de C (dó maior). Para isso, basta identificar a 1ª, 3ª e 5ª nota da escala de
dó. Veja no desenho as devidas notas marcadas em fundo preto:

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Este é o C (Acorde de Dó Maior): dó - mi - sol. Veja o desenho no teclado:

Basicamente, você só precisa conhecer bem as escalas maiores, porque a partir delas você
monta facilmente qualquer acorde maior. Para facilitar, segue uma tabela identificando as
notas de cada acorde:

Vamos usar a tabela como referência e montar alguns acordes:

Acorde Eb: mib - sol - sib.

Acorde A: lá - dó# - mi.

Acorde D: ré - fá# - lá.

Compreendeu a lógica? Se sim, vamos avançar para os acordes menores.

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2.11 Os acordes menores

Já aprendemos os acordes maiores e agora chegou a hora de aprendermos os acordes


menores. Eles têm duas diferenças básicas dos acordes maiores: (1) a cifra é identificada com
a letra "m" minúscula. Por exemplo, a cifra Cm representa o acorde de Dó Menor. (2) A sensa-
ção que o acorde menor transmite é a de "tristeza" ou "melancolia", diferente do acorde maior,
que é "alegre" e "jovial".

A formação dos acordes menores é bem simples. Se você assimilou bem a formação dos
acordes maiores, basta fazer uma pequena alteração. Na 3ª nota você irá reduzir um semi-
tom. Vamos supor que você queira tocar o acorde de Cm (Dó Menor). Para isso, basta pegar
a 1ª, a 3ª nota reduzida meio tom e a 5ª nota. A formação ficaria assim:

A diferença entre C e Cm é a 3ª nota. É assim que funciona em todos os outros acordes meno-
res. Veja a tabela com todos os 12 acordes menores:

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Vou dar alguns exemplos de acordes menores para você conferir na tabela:

Acorde Dm: notas ré, fá e lá.

Acorde Bm: notas si, ré e fá#.

Acorde Fm: notas fá, láb e dó.

Recomendo que você vá ao teclado e pratique por alguns dias os acordes maiores e meno-
res. Isso é fundamental para prosseguirmos. Eu mesmo levei vários dias para treinar esses
acordes quando estava aprendendo. Recomendo que você faça o mesmo. Segue os dese-
nhos de todos os acordes no teclado:

C e Cm

C#/Db e C#m/Dbm

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D e Dm

D#/Eb e D#m/Ebm

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E e Em

F e Fm

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F#/Gb e F#m/Gbm

G e Gm

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G#/Ab e G#m/Abm

A e Am

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A#/Bb e A#m/Bbm

B e Bm

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2.12 Inversões de acorde

É possível executar um acorde maior ou menor de forma invertida. Isto quer dizer que você
pode começar o acorde de qualquer uma das três notas pertencentes a ele, e não apenas da
nota fundamental (principal). Como já vimos, o acorde de C é composto pelas notas dó, mi e
sol. A nota fundamental é a dó, mas você pode começar o acorde pela nota mi ou pela nota
sol. Isso não afeta em nada a qualidade do acorde. Assim, chegamos às três formas de se
tocar o acorde de C:

A regra aplicada é:

Se o acorde começar pela nota fundamental, a posição é Raiz.

Se começar da 3ª nota, se trata da 1ª inversão.

Se começar da 5ª nota, se trata da 2ª inversão.

Veja como ficaria a 1ª inversão de C no teclado:

Conhecer as diferentes posições de um mesmo acorde vai facilitar muito na hora de tocar.
Por isso, é importante você dedicar um tempo para praticar todas as inversões que puder.

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2.13 Como tocar a sua primeira música

Se você estudou bem as matérias que vimos até aqui, será capaz de:

Identificar as notas no teclado.

Construir as escalas maiores.


Identificar as cifras mais simples.

Construir e executar os acordes maiores.

Construir e executar os acordes menores.

Executar os acordes maiores e menores de forma invertida.

Acredite ou não, essas matérias já são suficientes para você tocar sua primeira música,
mesmo que de uma maneira muito rudimentar. Obviamente, esse guia não é como uma vídeo
aula onde eu posso mostrar a parte rítmica na prática. Assim, vamos nos focar apenas em
executar os acordes conforme as cifras indicam. Para isso, observe a música "Ciranda, cirandi-
nha":

Provavelmente, você já conhece essa famosa música infantil. Perceba que sobre determina-
das palavras existem as cifras indicando exatamente quando você deve trocar o acorde. Por
exemplo: no início, onde a letra é C, você vai tocar o acorde de dó (notas dó, mi e sol). Quando
chegar na palavra "todos", tem a letra G, e aí você vai executar o acorde de sol maior. E assim,
você continua trocando os acordes até o final. Se tudo der certo, você conseguiu tocar sua

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primeira música (caso você nunca tenha tocado uma, é claro).

Espero que você tenha conseguido!

2.14 Quais músicas devo tocar?

Se você estiver aprendendo realmente do zero talvez se depare com a seguinte dúvida:
"Quais músicas devo aprender primeiro?". Eu vou dar uma dica de ouro para você. Acesse o
site www.cifraclub.com.br/temas-infantis/ e pratique as suas primeiras execuções com
músicas infantis e cantigas de roda porque elas são bem fáceis de tocar e de compreender
harmonicamente.

Foi essa a estratégia que usei no início da caminhada e que me ajudaram a aprender as
primeiras músicas. É claro que na época eu não contava com a ajuda da internet, mas eu pedia
para minha mãe comprar aquelas revistinhas de teclado na banca de jornal. Com o avanço da
internet hoje em dia é muito mais fácil aprender. Aproveite esse privilégio!

COMECE COM MÚSICAS FÁCEIS


Começar com músicas fáceis é o segredo. Procure músicas com
poucos acordes, no máximo 3 ou 4. Prefira as músicas infantis e
cantigas de roda.

2.15 Subindo o nível

Desta parte do guia para frente, o conteúdo vai te "puxar" dos rudimentos para um nível mais
elevado no teclado. Se você já assimilou bem as bases que já estudamos, vai estar prepara-
do para ampliar seus conhecimentos e estudar matérias que vão provocar um "salto" na sua
musicalidade.

Daqui para frente, vamos estudar os graus da escala, intervalos, tipos de tríades, famílias de
tétrades, acorde quartal entre outros assuntos um pouco mais complexos. Papel e caneta na
mão e vamos avançar começando pelos graus da escala.

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2.16 Os graus

Cada nota da escala recebe uma numeração, uma organização e isso será imprescindível
para o seu futuro musical. Essa numeração indica os graus da escala. A fluência nos graus
será fundamental para as matérias que vamos ver logo mais à frente. Muitas vezes, vai ser
mais fácil falarmos em termos de graus, do que em termos de notas propriamente ditas.

Para você que já conhece bem as escalas maiores, a regra é simples. Os graus foram organi-
zados numerando-se a partir da nota fundamental. Por exemplo, na escala de dó maior, a nota
dó é o 1º grau, a nota ré é o 2º grau e assim por diante. Assim, nós chegamos aos graus da
escala de dó. Veja na tabela:

Você precisa se familiarizar com os graus de cada uma das doze escalas porque vai usar esse
conhecimento a vida inteira. Eu confesso que memorizar isso foi uma das coisas mais chatas
que tive que fazer, mas também uma das matérias mais úteis para mim. A título de exercício,
vamos montar a escala de dó sustenido e indicar os seus graus. Observe:

Você deve ser capaz de dizer com rapidez qualquer grau de uma determinada escala. Por
exemplo:

Qual é o 4º grau de dó? Fá.

Qual é o 6º grau de dó#? Lá#.

Dica de ouro: memorize as escalas e graus pelo "desenho" que elas formam no teclado. Prati-
que as escalas no teclado que naturalmente você vai assimilando os graus pelas distâncias
das teclas e pelos "desenhos" que elas escalas têm.

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MEMORIZANDO ESCALAS E GRAUS
Memorize mais facilmente as escalas e graus pelo “desenho” que
elas formam no teclado. Pratique no máximo 2 ou 3 escalas por
dia para assimilá-las bem.

2.17 Os intervalos musicais

Um intervalo nada mais é que a diferença de altura entre as notas musicais. Eu gosto de
enxergar os intervalos como a distância entre as notas ou distância entre os sons, se você
preferir. Se você pressionar duas teclas quaisquer no teclado, vai haver entre elas uma certa
distância. Essa distância é um intervalo que recebe uma certa classificação de acordo com
algumas regras. Se você tem alguma experiência com música certamente já ouviu alguém
dizer:

“Esse acorde tem uma quinta aumentada“.

“Acrescente uma sexta menor aqui”.

“Evite tocar a quarta justa sobre esse acorde”.

A primeira vez que eu ouvi isso, era como russo ou japonês. Depois, passei a entender a
importância de conhecer os nomes dos intervalos e é imprescindível você conhecê-los e
memorizá-los. Primeiro, vamos dar uma olhada na qualidade dos intervalos diatônicos:

Cada intervalo, partindo da primeira nota da escala, recebe um nome ou qualidade. Segue
alguns exemplos:

Se eu tocar simultaneamente o dó e o ré, eu tenho um intervalo harmônico de 2ª maior


ou 2M.

Da nota dó para a nota fá eu tenho um intervalo de 4ª justa ou 4J.

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GRAUS MAIORES E JUSTOS
Os graus 2º, 3ª, 6º e 7º sempre têm qualidade maior (M).
Os graus 4º e 5º têm qualidade justa (J).

Além dos intervalos da escala diatônica, temos os intervalos cromáticos (como por exemplo,
um dó e mib, sendo que mib não faz parte da escala de dó). Como funciona a nomenclatura?
Basta seguir as regrinhas abaixo:

Um intervalo menor, quando decrescido de um semitom, se transforma em um intervalo


diminuto.

Um intervalo maior, quando acrescido de um semitom, se transforma em um intervalo


aumentado.

Um intervalo justo, quando decrescido de um semitom, se transforma em um intervalo


diminuto.

Um intervalo justo, quando acrescido de um semitom, se transforma em um intervalo


aumentado.

Veja uma tabela com os principais intervalos cromáticos:

Vamos a alguns exemplos:

Dó a réb - Intervalo de 2ª menor.

Dó a fá# - Intervalo de 4ª aumentada.

Dó a solb - Intervalo de 5ª diminuta. Quando o 5ª grau desce, torna-se 5d.

Dó a sib - Intervalo de 7ª menor.

Na imagem a seguir eu disponho um resumo dos principais pontos desta matéria:

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Se eu fosse recomendar algo para você focar o estudo seria esta tabela. Os intervalos em
vermelho são os que foram decrescidos meio-tom. Os negritos são os intervalos principais.
Os azuis são os intervalos que foram acrescidos meio-tom. O 1º e o 8º vamos desconsiderar
por ora. Você precisa saber dizer a qualidade de qualquer intervalo.

Por exemplo: qual é o nome do intervalo entre ré e sol? Resposta: Intervalo de quarta justa.
Observe:

Faça isso com outros intervalos aleatórios e veja se você consegue dizer o nome de cabeça.
De qualquer forma, não se desespere para ficar decorando isso tudo de uma vez. Pode
avançar tranquilamente que com o tempo você vai se familiarizando com os nomes dos inter-
valos. Pode ter certeza que você ainda vai ouvir muito sobre eles.

Dica de ouro: quando eu estava aprendendo sobre isso eu não parei para decorar tudo de
uma vez. Foi só com o tempo que eu consegui e a experiência musical foi solidificando esse
conhecimento na minha cabeça. Você é quem deve decidir: ou para agora para praticar os
intervalos ou segue estudando outras matérias e vai assimilando os intervalos com o tempo.

Caso você decida continuar os estudos agora, avancemos para o estudo das tríades.

2.18 Os 6 tipos de tríades


Em quase todos os materiais que já lancei no Aprenda Piano eu abordo o tema tríades. As
tríades formam a base para qualquer acorde futuro que você vai aprender (por mais com-

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plexo que seja). Mas, o que são as tríades?

Já sabemos que um acorde é um conjunto de notas (no mínimo três). Esse conjunto de três
notas, popularmente representando os acordes mais básicos, é conhecido como tríade. Neste
guia nós já aprendemos as duas tríades básicas, formando o acorde maior e menor. Para não
perdermos tempo, segue a fórmula destas duas tríades:

#1 Tríade maior: 1 - 3M - 5J

#2 Tríade menor: 1 - 3m - 5J

A próxima tríade que vamos estudar é a tríade diminuta. Provavelmente, você já ouviu falar de
algum acorde diminuto indicado pela famosa bolinha "º". A tríade diminuta é a base desse
acorde. Vamos ver sua fórmula e observações:

#3 Tríade diminuta: 1 - 3m - 5d

Este acorde pode ser representado por "dim" ou "º". Por exemplo: Cdim ou Cº.
Exemplo: Cº (dó - mib - solb).

Agora, vamos aprender nossa próxima tríade, a tríade aumentada. A tríade aumentada é
aquela que tem o quinto grau aumentado (5a). Veja:

#4 Tríade aumentada: 1 - 3M - 5A

Este acorde pode aparecer na música como C5+, Caug, etc.


Exemplo: C5+ (dó - mi - sol#).

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Vamos avançar! A próxima tríade é a tríade suspensa. Vamos aprender duas versões desta
tríade. Veja:

#5 Tríade suspensa:

Tríade sus2: 1 - 2M - 5J

Exemplo: Csus2 (dó - ré - sol).

Tríade sus4: 1 - 4J - 5J

Exemplo: Csus4 (dó - fá - sol).

Algo interessante sobre estas duas tríades é que muitos músicos (mesmo experientes) não
sabem montá-las no teclado. Se esse era o seu caso agora o problema foi resolvido:

A última tríade que vamos aprender é a tríade b5. Esta é uma tríade interessante que servirá
como base para alguns acordes dominantes que estudaremos em frente. Veja a fórmula:

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#6 Tríade b5: 1 - 3M - 5d

Exemplo: C5- (dó - mi - solb).

É importante você ter fluidez nestes seis tipos de tríades. Como eu disse, nós vamos precisar
dessas estruturas para conhecer e construir vários acordes incríveis. Para resumir a matéria,
segue uma tabela com os seis tipos de tríades:

Pratique exaustivamente estas tríades nas doze tonalidades.

2.19 O baixo invertido

O acorde com baixo invertido é aquele que enfatiza uma nota no baixo que não seja a funda-
mental. Vou dar um exemplo. O acorde de C é formado pelas notas dó, mi e sol. A nota mais
importante deste acorde é a nota fundamental, o dó. Tanto é que na mão esquerda você
provavelmente enfatiza essa nota.

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Mas o que aconteceria se você quisesse enfatizar a nota mi, fazendo-a soar como a nota
principal e a mais grave no teclado? Isso resultaria em um acorde de C com a nota mi "enfati-
zada", ou como popularmente você veria na cifra:

C/E
(Dó com baixo em mi)

Veja como ficaria no teclado:

Você também poderia enfatizar a nota sol, transformando o acorde C em C/G (dó com baixo
em sol). Ficaria assim:

Outros exemplos de acordes bem conhecidos:

D/F# - ré maior com o baixo em fá sustenido (ou simplesmente, ré com fá#).

G/B - sol com baixo em si.

E/G# - mi com sol sustenido.

F/A - fá com lá.

É incrível como algo tão simples pode ter um efeito tão maravilhoso. Muitos músicos despre-
zam o poder destes acordes mas eles fazem muita diferença na hora de tocar.

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NÃO DESPREZE ESSE TIPO DE ACORDE
Cada uma das inversões enfatiza uma nota e isso causa um efeito
diferente nos ouvintes, podendo transmitir sensações diferentes,
mais rebuscadas.

Vamos analisar a música "Perto Quero Estar", de Michael Smith:

Perceba como os acordes com baixo invertido são utilizados nesta música para:

Transmitir diferentes sensações.

Rebuscar a harmonia.

Dar mais cor à sonoridade.

Se você quer ver como isso tudo soa no teclado, assista ao vídeo da música:
https://www.youtube.com/watch?v=ZjoD9pn3tfc

2.20 Os 4 grupos de tétrades

As tétrades são acordes mais complexos que as tríades pelo simples fato de terem uma nota
a mais. Basicamente, tétrades são acordes com quatro notas distintas. Se você planeja tocar
de forma mais rebuscada ou se deseja ser um músico de alto nível, cedo ou tarde terá que
passar pelas tétrades. A sua hora chegou! Vamos conhecer os quatro grupos de tétrades
que preparei para este guia. Para facilitar, vamos usar o acorde de C como base. Vamos lá:

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TÉTRADES COM 5ª JUSTA

Cmaj7: 1 - 3 - 5 - 7M. Notas: dó, mi, sol, si.


C7: 1 - 3 - 5 - 7m. Notas: dó, mi, sol, sib.
Cm(maj7): 1 - 3m - 5 - 7M. Notas: dó, mib, sol, si.
Cm7: 1 - 3m - 5 - 7m. Notas: dó, mib, sol, sib.

TÉTRADES COM 6ª

C6: 1 - 3 - 5 - 6. Notas: dó, mi, sol, lá.


Cm6: 1 - 3m - 5 - 6. Notas: dó, mib, sol, lá.

TÉTRADES COM 5ª ALTERADA

Cmaj7(#5): 1 - 3 - 5# - 7M. Notas: dó, mi, sol#, si.


Cm7(b5): 1 - 3m - 5d - 7m. Notas: dó, mib, solb, sib.
Cº: 1 - 3m - 5d - 7d. Notas: dó, mib, solb, sibb (lá).

TÉTRADES DERIVADAS DO ACORDE DOMINANTE

Csus4/7: 1 - 4 - 5 - 7m. Notas: dó, fá, sol, sib.


C7(#5): 1 - 3 - 5# - 7m. Notas: dó, mi, sol#, sib.
C7(b5): 1 - 3 - 5d - 7m. Notas: dó, mi, solb, sib.

Estes acordes são muito usados na música popular, Jazz, Blues, MPB entre outros. Por isso, é
importante você dominar estas formações nas doze tonalidades. Eu sei que isso requer
tempo, mas vale a pena cada minuto investido. Além disso, conforme você vai avançando na
carreira musical esses acordes se tornarão naturais para você.

BATEU A ANSIEDADE?
Não fique ansioso para aprender tudo agora. Apenas
compreenda a lógica das fórmulas e assim você poderá montar
qualquer tétrade quando for preciso.

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2.21 O acorde quartal

O acorde quartal é um acorde de sonoridade muito interessante. Se você tem experiência na


área musical certamente já ouviu falar de harmonia quartal ou do uso dos acordes quartais
no Jazz, por exemplo. Chegou a hora de aprendermos um pouco sobre este assunto.

O acorde quartal tem como característica a existência de intervalos de 4ª em sua formação


(e não de terças). Vamos formar um acorde quartal a partir do dó para ver o que acontece:

Partindo do dó, a um intervalo de 4ª chegamos no fá. Do fá, a um intervalo de 4ª chegamos


no sib. Este é um exemplo clássico de acorde quartal (Csus4/7), que no caso poderia substituir
o acorde dominante C7 em uma música. Execute-o no teclado e perceba como a sonoridade
é interessante.

Agora, vamos supor que você fosse substituir o acorde de Dm7 por um acorde quartal. Você
poderia experimentar uma formação partindo do ré. Dê uma olhada:

Certamente, este acorde quartal (Dsus4/7) daria um ótimo colorido na execução, é claro,
dependendo da sensação que você quer transmitir. Apenas para mostrar um pouco mais do
que você poderia fazer, vamos "melhorar" a cadência II-V-I usando acordes quartais:

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Cadência normal
Dm7 - G7 - Cmaj7

Cadência com acordes quartais

Percebeu como a harmonia ficou mais "colorida"? E olha que só estamos "arranhando a super-
fície", mostrando a você o poder dos acordes quartais. Por ora, aprenda a montar e pratique
quantos acordes quartais você puder.

CURSO EXTRAORDINÁRIOS
Neste guia não é possível mostrar na prática, por isso recomendo
que você estude o programa de treinamento completo onde eu
demonstro tudo isso

2.22 Vamos estudar harmonia?

Chegamos à parte sobre harmonia musical do guia, uma área que muitos tecladistas são apai-
xonados. Anteriormente, nós estudamos algumas matérias rudimentares da teoria musical.
Elas vão servir para você compreender melhor o que vamos estudar daqui para frente. Agora,
vamos tratar sobre harmonia e mais à frente sobre rearmonização. Eu investi um bom tempo
garimpando alguns assuntos interessantes para trazer tudo mastigadinho até você.

Isso inclui campo harmônico, funções tonais, trítonos, clichês harmônicos, cadências, tonalida-
de menor entre outros. Os conteúdos a seguir impactaram radicalmente a minha visão musi-
cal. Foi só quando comecei a estudar harmonia que eu passei a compreender como a música
funcionava. É o que vai acontecer com você se fizer a lição de casa. Prepare a sua mentalida-

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de e um bom tempo para estudar o conteúdo a seguir. Depois de efetivamente assimilar
essas matérias sua visão musical vai estar em um novo patamar.

Pronto? Então, vamos avançar!

2.23 O campo harmônico maior

O tema Campo Harmônico é um dos temas mais conhecidos dentro da Harmonia Tonal. A
música tonal é aquela que apresenta uma tonalidade definida, cujos acordes cumprem uma
determinada função (harmonia funcional). Conhecer e dominar o assunto Campo Harmônico
traz inúmeros benefícios:

Facilita na composição de músicas.

Facilita na criação de arranjos.

Facilita na identificação da tonalidade.

Ajuda você a se localizar na música.

Ajuda quem deseja tirar uma música de ouvido.

Abre caminhos para a rearmonização.

E muito mais.

O Campo Harmônico é um conjunto de acordes que são formados a partir de determinada


escala. Esse conjunto de acordes é o que eu chamo de "família". Essa família de acordes é
uma espécie de mapa, indicando a tonalidade da música e os acordes mais prováveis (além
de possibilitar outras informações). Você já deve ter percebido que quando a tonalidade é C
(Dó Maior) alguns acordes são mais frequentes, como por exemplo: C, Am, F e G. Esses acor-
des fazem parte do Campo Harmônico de C. Por isso, é importante você conhecer o Campo
Harmônico nas doze tonalidades. Assim, o seu aprendizado musical vai ser facilitado e acele-
rado.

Mas, como se monta o Campo Harmônico Maior? Se você já conhece bem as escalas maiores
e as tétrades vai ser relativamente simples. Basta seguir os passos abaixo:

1 Liste as notas da escala maior.

2 A partir de cada nota da escala, forme uma tétrade com os graus 1º, 3º, 5º e 7º.

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3 Todas as notas dos acordes formados precisam ser diatônicas (pertencentes à escala
maior). Portanto, você deverá adaptar as notas não diatônicas dos acordes, reduzindo
meio-tom para que elas fiquem ajustadas à escala.

Para facilitar, vamos dar um exemplo montando o Campo Harmônico de Dó. O primeiro passo
é listar a escala maior:

Cada nota da escala vai gerar um acorde (com os graus 1º, 3º, 5º e 7º). No caso, o primeiro
acorde seria:

Este é o acorde Cmaj7, o 1º acorde do Campo Harmônico de C. Agora, começando da nota


ré, nós teríamos as notas ré, fá*, lá, dó*. Note que as notas fá e dó foram reduzidas meio-tom
para se adequarem à escala de dó ( já que o 3º e 7º graus de ré são fá# e dó#). Lembre-se:
todas as notas de todos os acordes precisam pertencer à escala. Veja como ficaria o 2º
acorde do Campo Harmônico de C:

Este é o acorde Dm7, o 2º acorde do Campo Harmônico de C. Se formos seguir montando o


restante dos acordes, chegaríamos a seguinte tabela:

Este é o famoso Campo Harmônico Maior de C. Note que para representar os acordes
usamos numerais romanos: I, II, III, IV, V, VI e VII. Uma vez que você compreenda com clareza
a formação do Campo Harmônico poderá montar qualquer um dos doze. Se eu fosse você,
dedicaria algumas horas para treinar a formação nas outras tonalidades. Caso queira conferir

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o resultado, recorra à tabela a seguir contendo os doze campos harmônicos maiores:

A minha dica é que você pratique uma tonalidade por dia, para não haver confusão no início
dos estudos.

2.24 Trítono: o "som do céu"

O Trítono é um assunto curioso dentro da música. É um intervalo musical carregado de tensão


proporcionando uma das mais complexas dissonâncias da nossa música ocidental. É um
"som" de alta instabilidade e por isso foi apelidado na Idade Média de "som do diabo", por
causa da sua sonoridade desarmônica. Eu prefiro chamar esse intervalo de "som do céu".
Como pode algo tão dissonantemente belo e espantosamente útil ser chamado de "som do
diabo"? Eu entendo a estranheza que essa sonoridade pode ter causado na época, mas eu
prefiro falar em "som do céu" simplesmente porque o Trítono é uma das coisas mais fascinan-
tes da música.

Basicamente, o Trítono é um intervalo de três tons inteiros, como por exemplo, dó e fá#. Entre
dó e fá# há uma distância de três tons. Esse intervalo causa uma uma enorme tensão e está
sempre pedindo para resolver, para repousar. É por isso, que os Acordes Dominantes são

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tensionados, porque eles contém um Trítono em sua formação. Observe o acorde de G7:

As notas si e fá (em verde) formam um Trítono, por isso o acorde G7 está sempre "pedindo"
para resolver, de preferência no Cmaj7. Muitos filmes de terror e suspense usam o Trítono
para dar produzir a sensação de medo nos telespectadores. No curso completo eu menciono
o Trítono largamente em aulas de formação de acordes e harmonia. É uma ferramenta de
extrema utilidade para qualquer músico. A seguir eu disponibilizo uma tabela com os Trítonos:

Um excelente exercício que eu fazia quando estava começando a memorizar os Trítonos era
executá-los com as duas mãos junto com o metrônomo, trocando de Trítono a cada batida.
Mas, você pode praticá-los de outra forma se desejar.

2.25 As funções tonais


Já vimos que a música tonal é aquela que apresenta uma tonalidade definida, o que abrange
a grande maioria das músicas que você conhece. Nesse tipo de música os acordes cumprem
certas funções, apontando para conflitos, tensões e resoluções. Conhecer essas funções vai
fazer você entender melhor como as músicas são construídas e quais as sensações o compo-

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sitor quis transmitir para os ouvintes. É um assunto fascinante que vamos estudar superficial-
mente agora. Observe as funções tonais:

GRAU I - Tônica
Repouso, calmaria, estabilidade, casa.

GRAU II - Supertônica
GRAU III - Mediante

GRAU IV - Subdominante
Tensão média, instabilidade moderada, incerteza

GRAU V - Dominante
Tensão, conflito, limite, prepara, chama o repouso.

GRAU VI - Superdominante
GRAU VII - Subtônica ou Sensível
Sensível - meio tom abaixo da tônica
Subtônica - um tom abaixo da tônica

As principais funções são:

I - TÔNICA: acordes de repouso, de conclusão. Dão uma sensação de paz.

V - DOMINANTE: acordes fortes de tensão. Passam a idéia de que "chamam" um acorde


de repouso.

IV - SUBDOMINANTE: acordes que não são nem fortes, nem fracos, normalmente sendo
usados como "passagem" ou "preparação", tanto para o repouso quanto para a tensão.

O acordes I, IV e V são os mais importantes. Os outros acordes farão basicamente a mesma


função, sendo divididos em 3 classes de funções tonais:

1. Família da Tônica: I, III, VI.

2. Família da Subdominante: II e IV.

3. Família da Dominante: V e VII.

Segue uma tabela resumindo as funções tonais:

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Os acordes que pertencem à mesma família são os Relativos e Antirrelativos:

Relativos: acordes que estão ligados entre si por intervalos de terça descendente. A
Tônica (I) tem seu acorde relativo no VI grau (Tr). Por exemplo: I e VI são relativos, V e III são
relativos.

Antirrelativos: Acordes que estão ligados entre si por intervalos de terça ascendente. A
Tônica (I) tem seu acorde antirrelativo no III grau (Ta). Por exemplo: I e III são antirrelativos, V
e VII são antirrelativos.

Se você achar muito complicado memorizar tudo isso, não precisa se preocupar. Funções
tonais é aquele tipo de matéria que você consegue assimilar a linguagem com o tempo. O
que você precisa começar a fazer a partir de agora é enxergar a música com outros olhos, a
partir de uma perspectiva harmônica. Você deve ser capaz de ver os acordes e compreender
a função que cada um está exercendo na música.

2.26 Os tipos de cadências

Cadência (ou progressão de acordes) é basicamente uma sequência padrão de acordes


dentro da harmonia musical. Você vai perceber que algumas sequências de acordes são
bastante frequentes nas músicas. Para facilitar a compreensão harmônica essas sequências
ou cadências foram categorizadas. Os principais tipos de cadência são:

Cadência Perfeita: Dominante para a Tônica (Ex: G7 - C).


Cadência Imperfeita: Tônica está em posição invertida (Ex: G7 - C/E).

Cadência Completa: S - D - T (Ex: F - G - C). O IV pode ser substituído pelo II, ficando Dm -
G7 - C (um clichê importante).

Semi-cadência: II - V (Ex: Dm7 - G7).

Cadência Plagal: É o movimento Subdominante – Tônica (que pode se realizar na forma IV


– I ou II – I) ou o movimento T – S – T (Ex: F - C ou Dm - C). É conhecida como a "cadência
do amém".

Cadência Deceptiva: É, tipicamente, o movimento V7 – VIm7 ou o movimento IIm7 – V7 –


VIm7. Na cadência deceptiva depois da dominante vem um acorde diferente do esperado
(Ex: G7 - Am).

Meia Cadência: É quando a música (ou um trecho da música) repousa sobre um acorde
dominante, ou seja, o dominante não resolve em ninguém, ficando a cadência “vazia”.

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ASSIMILANDO OS TIPOS DE CADÊNCIAS
Para assimilar bem a matéria, escolha uma tonalidade qualquer e
toque as cadências dizendo o nome delas em voz alta (para
associar ao som à cadência)

2.27 O ciclo das quintas

O estudo de harmonia musical requer que o estudante conheça o Círculo das Quintas e o
Ciclo das Quintas. Entender como funciona o Ciclo das Quintas vai facilitar a compreensão
de várias outras matérias. De forma simplificada, o Ciclo das Quintas é a sequência de notas
distanciadas por intervalos de 5J (quinta justa). Se você partir da nota dó, chegará a esta sequ-
ência:

dó - sol - ré - lá - mi - si - fá# - dó# - láb - mib - sib - fá

Este é o Ciclo das Quintas e seria interessante você memorizá-lo, pois como falei, isso ajudará
no seu aprendizado musical. Para facilitar, nós vamos dispor as notas no Círculo das Quintas.
Com o Círculo das Quintas você consegue visualizar com mais clareza as relações entre as
doze notas da escala cromática. Observe:

Perceba que, se você se movimentar para a direita, sempre encontrará a Dominante (Exem-
plo: ao lado direito do C está o G, que é a Dominante de C). Ao lado esquerdo você encontra
a Subdominante. Com o tempo você vai se familiarizando com o Ciclo das Quintas e apren-
derá a usá-lo para compreender melhor até os conceitos mais avançados da música.

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2.28 Clichês harmônicos por quintas

A progressão harmônica por quintas tem um papel importante na música tonal, como já
vimos anteriormente. Encontramos esse tipo de encadeamento harmônico em praticamente
toda música, já que movimentos como V-I , I-IV, IV-I, I-V, II-V-I entre outros, estão baseados em
relações de quintas entre os baixos.

Para facilitar a sua compreensão vamos organizar o Campo Harmônico de C dispondo os


acordes em distâncias de quintas descendentes. Veja como ficaria:

Esta sequência é a base para muitas ideias harmônicas. Se você executar esses acordes na
sequência apresentada a sonoridade provavelmente será familiar ao seu ouvido. Abaixo
vamos conhecer algumas variações, conhecidos como clichês por quintas descendentes. A
primeira variação é transformar o VIº grau em uma dominante. Veja:

Podemos estender o efeito dominante para o grau III também, veja:

Um clichê bem conhecido da música popular transforma o grau IV em uma IV aumentada.


Como? Simplesmente, buscando-se um salto de quinta descendente para se chegar no VII.
Podemos fazer isso transformando o IV em um F#ø e o VII em um acorde Dominante. Veja
como fica:

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A ideia aqui não é nos aprofundarmos nos clichês, mas apenas mostrar algumas ideias. É com
isso que muitos músicos experientes harmonizam e rearmonizam suas músicas.

Foi essa mesma ideia que usei na execução da música "Noite Feliz". Clique aqui para assistir.

2.29 O acorde diminuto e o meio-diminuto

O acorde diminuto é um dos acordes mais interessantes que conheço. Decidi colocá-lo em
pauta pela sua importância, não só no âmbito harmônico, mas pela sua utilidade. O diminuto é
um acorde simétrico, composto por intervalos de terças menores. As notas que formam o
acorde são 1, b3, b5, bb7. A sétima com bemol dobrado equivale, enarmonicamente, ao grau
6. Para facilitar a formação no dia a dia usamos a seguinte fórmula: 1, b3, b5 e 6. Assim, fica
fácil montarmos o acorde Cº:

Algumas curiosidades do acorde diminuto:

Ele pode funcionar como acorde dominante, quando contém o mesmo trítono do acorde
dominante original. Por exemplo, o trítono do acorde de G7 é composto pelas notas si e fá.
Essas notas estão contidas no acorde Bº, que pode substituí-lo.

Ele pode resolver meio-tom acima de qualquer uma de suas notas. Por exemplo: C#º -
Dm7 ou F#º - G7.

Também pode funcionar como função cromática descendente (não envolvendo resolu-
ção). Por exemplo: C - Ebº - Dm7.

O diminuto pode exercer função auxiliar (quando tem a mesma fundamental). Por exemplo:
Cº - C. Geralmente, é usado para retardar a resolução.

O acorde meio-diminuto tem uma pequena diferença do acorde diminuto. Decidi tratá-lo
aqui só para não deixar dúvidas quanto à sua formação e função. O acorde meio-diminuto,
simbolizado neste guia pela bolinha cortada ao meio "ø", tem a formação: 1, b3, b5 e b7. O
acorde VII do Campo Harmônico, de função Sensível, tem essa formação. Portanto, não
confunda-o com o acorde diminuto. Como exemplo, segue o acorde Cø (Dó Meio Diminuto):

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No Brasil, é comum você encontrar este acorde cifrado como Cm5-/7, que é a mesma coisa
que Cø. A seguir está o desenho no teclado:

2.30 O acorde SUBV7

O Substituto da Dominante é um acorde que eu sou fã, pela sua sonoridade e possibilida-
des de "colorir" ainda mais as minhas progressões. Basicamente, o SubV7 é um acorde que
tem uma formação muito parecida com o Acorde Dominante (mesmo Trítono). Vamos dar um
exemplo fácil de compreender. Se eu pegar o Acorde Dominante G7, ele terá as seguintes
notas: sol, si, ré e fá. Você saberia dizer qual outro acorde tem o mesmo Trítono (si e fá) em
sua formação? Se você disse "Db7", acertou! Veja:

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Essa relação de Trítonos entre os acordes faz com que possa haver uma substituição para
enriquecer a sonoridade. Neste caso, a sequência Dm7 - G7 - Cmaj7 poderia ser substituída
por:

Dm7 - Db7 - Cmaj7

Eu uso o acorde SubV7 para ter uma sonoridade mais rica e menos “óbvia” do que a do
acorde original. A dica é essa: substitua o Acorde Dominante por um Acorde Dominante meio-
-tom acima do acorde de destino. Por exemplo: se você tiver a sequência Gm7 - C7 - Fmaj7,
o acorde alvo é Fmaj7. A nota meio-tom acima de fá é fá# (solb). Então, o C7 pode ser substituí-
do por Gb7 (F#7). A sequência ficaria assim:

Gm7 - Gb7 - Fmaj7

O ideal agora é que você pratique o movimento com o SubV7 nas doze tonalidades. Segue
mais três opções para você praticar:

2.31 A tonalidade menor


Formar os Campos Harmônicos Menores segue a mesma lógica da formação do Campo
Harmônico Maior. Cada nota da escala vai originar um acorde. Temos 3 escalas menores
principais:

1. Escala Menor Natural: 1 - 2 - b3 - 4 - 5 - b6 - b7

2. Escala Menor Harmônica: 1 - 2 - b3 - 4 - 5 - b6 - 7

3. Escala Menor Melódica: 1 - 2 - b3 - 4 - 5 - 6 - 7

A partir de cada nota de cada escala nós vamos montar o respectivo Campo Harmônico
Menor, começando pelo Campo Harmônico Menor Natural. A boa notícia é que a escala
maior e menor natural são relativas, o que resultará nos mesmos acordes da tonalidade de C.
Veja:

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Note que o acorde V é um acorde menor, fazendo com que a área dominante fique enfraque-
cida. Assim, a tonalidade "perde força" na área dominante. No Campo Harmônico Menor
Harmônico esse problema é resolvido, já que o acorde V será um Acorde Dominante, bem
marcante. Veja como fica a construção:

Temos aqui um novo membro da família, o acorde diminuto (VII). É uma adição bem interes-
sante à família Menor Harmônica. Este é um Campo Harmônico bem característico, baseado
em uma escala que dá aquele clima "oriental" quando você a executa. Muito interessante!

Chegamos agora ao Campo Harmônico Menor Melódico. Raras músicas são compostas na
tonalidade menor melódica, mas decidi abordar o tema para ampliar seu conhecimento.
Vamos à formação:

Se você quiser ver esse Campo Harmônico na prática, procure escutar a música “Papel
Machê”, de João Bosco. Mas como eu disse, é raro encontrar todos esses acordes na mesma
música.

Se eu fosse você, estudaria com afinco o Campo Harmônico Menor Harmônico, que é o que
de mais precioso você vai tirar desta aula, já que o CH Menor Natural já é relativo do CH Maior
e o CH Menor Melódico é mais raro de aparecer.

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FOQUE NO CAMPO HARMÔNICO MENOR HARMÔNICO

Recomendo que você estude com maior afinco os campos


harmônicos menor natural e menor harmônico, especialmente o
menor harmônico.

2.32 Vamos rearmonizar?

Estou muito empolgado por você ter chegado até aqui. Daqui para frente, eu vou mostrar algu-
mas coisas interessantes sobre harmonização e rearmonização. As pessoas estão sempre
me pedindo: "Ramon, como eu rearmonizo minhas músicas? Como tocar mais bonito e de
forma mais 'profissional'?". Bem, nesta parte do guia vou dividir alguns conteúdos e macetes.
Mas, antes de prosseguirmos: qual é a diferença entre harmonização e rearmonização?

Na harmonização, você busca seguir a estrutura harmônica da música, adicionando acordes


novos e extensões (sem modificar muito a harmonia original). Na rearmonização, você tem a
liberdade para criar novos movimentos e mexer na estrutura harmônica da música (como por
exemplo, usando o acorde SubV7 ou adicionando uma cadência II-V secundária). Eu gosto de
comparar harmonização e rearmonização com o ato de pintar um quadro. Ao pintar um quadro
você tem a liberdade de "brincar com as cores", enfatizar alguma parte da pintura, escolher
um determinado estilo, enfim. O que eu desejo é estimular a sua criatividade para que você
seja livre e possa criar seus próprios arranjos. Ninguém aqui vai ficar dizendo o que está
"certo" ou "errado", apenas vou mostrar ferramentas que eu uso e que você pode usar para
construir sua própria pintura, de acordo com o seu gosto musical.

Se quiser um exemplo, recomendo que você assista a minha versão da música "Noite
Feliz". Depois de assistir, vamos em frente!

2.33 Os efeitos emocionais dos intervalos

Para mim, uma das matérias mais fascinantes da música é esta: os efeitos emocionais dos
intervalos. Cada intervalo musical tem uma emoção associada e você pode usar essa infor-
mação para incitar determinadas sensações nos ouvintes. Por exemplo: vamos supor que
você queira transmitir uma ideia de distância e solidão. Talvez um filho que foi morar longe
da mãe começa a sentir saudades de casa. Em vez de executar um acorde maior, que daria a

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impressão de alegria e poder, você poderia executar o acorde Cadd2 (Dó com a 2ª adiciona-
da), que iria transmitir melhor a ideia de saudade e solidão. É essa sensação que o intervalo
de 2ª maior poderia incitar no acorde.

E se você quisesse passar a ideia de que algo triste ou melancólico aconteceu? Quem sabe
esse filho que foi morar longe perdeu o emprego ou ficou doente. Neste caso, você poderia
usar o intervalo de 3ª menor, transformando o acorde maior em um menor. O acorde Cm
funcionaria bem melhor para passar a ideia de tristeza ou tragédia. Tudo isso é muito interes-
sante porque você pode começar a "brincar" com as sensações dos ouvintes usando determi-
nados intervalos.

O livro "How Music REALLY Works!", de Wayne Chase, traz uma tabela que fiz questão de
traduzi-la e adaptá-la para a nossa realidade. É uma tabela simples contendo os intervalos e
emoções associadas. Desde que conheci essa tabela, ela passou a ser minha referência
quando eu quero "dar novas cores" aos meus acordes. Vamos dar uma olhada:

Em vermelho eu anotei as emoções negativas mais fortes. Guarde bem as informações desta
tabela porque elas são importantes. Com elas, nós podemos enriquecer os acordes, por
exemplo.

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2.34 Enriquecendo os acordes

Uma vez que você conheça bem as emoções associadas aos intervalos musicais você pode
usar esse conhecimento para "colorir" seus acordes. Vejamos:

Cadd2 - para enriquecer as tríades maiores, é possível acrescentar o 2º grau. Na música


pop é muito comum você encontrar o acorde maior cifrado com "add2" ou "9", por exemplo,
Cadd2 ou C9. Isso faz com o que o acorde fique mais suave, "distante" ou "aveludado". Dica:
é sempre bom cifrar usando o "add2" ou "add9", pois se usar somente o "9" pode pressupor
a presença da 7ª.

Cmaj7 - o intervalo de 7ª maior pode trazer aquela sensação de saudosismo e nostalgia.


Não é necessariamente triste, mas está "suspirando". O "maj7" é muito usado no Jazz e em
vários outros estilos, deixando a sonoridade mais complexa.

Csus4/7 - o Acorde Quartal é um acorde que dá aquele efeito de suspensão, é tensionado,


mas não busca fortemente resolver. Como não tem o Trítono igual o Acorde Dominante, é
possível ficar mais tempo sobre ele criando um efeito de relaxamento. A execução prolon-
gada desse tipo de acorde pode inclusive levar pessoas a entrar em transe. Eu admito que
gosto de usar o Acorde Quartal no lugar do Acorde Dominante (por exemplo: Gsus4/7 no
lugar de G7).

C11, C13 - Gêneros como Samba, Bossa Nova e o Jazz se utilizam da riqueza das tensões
para conferir mais cores aos acordes. Assim, é comum você ver acordes com 9ª, 11ª, 13ª.

Cm7 - o uso da 7ª menor no acorde menor "suaviza" um pouco a tensão. Isso significa que
o Cm7 é um acorde "menos triste" do que o Cm puro. Acrescentar a 7ª menor ao acorde
menor é o mesmo que dizer: "Pode ficar otimista, as coisas não são tão ruins assim". Eu
confesso que gosto desse tipo de acorde por produzir uma sonoridade mais suave, não tão
trágica quanto o acorde menor puro.

C7 - o Acorde Dominante é o clássico acorde de tensão que sugere um acorde seguinte


(repouso), provavelmente buscando sua 5ª descendente. Por exemplo, um C7 provavel-
mente resolveria no Fmaj7.

Naturalmente, há muitas formas de você enriquecer seus acordes, mas por ora vamos
começar com essas opções que mostrei. Agora, vamos para a prática, enriquecendo os
acordes da música "Atirei o pau no gato". Primeiro, vou disponibilizar a versão mais simples:

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Agora vamos ver uma versão com alguns acordes enriquecidos, sem mexer na estrutura da
música:

Note que eu não fiz nada além de enriquecer levemente os acordes e a sonoridade já mudou
bastante. Toque as duas versões no teclado ou piano e sinta a diferença.

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2.35 Harmonizando com foco melódico

Um dos melhores caminhos para você "colorir" seus acordes dentro do processo de harmoni-
zação é analisar calmamente a melodia da música. As notas da melodia podem acrescentar
tensões incríveis aos acordes. O processo é bem simples. Primeiro, eu identifico a tonalida-
de da música e os acordes que já foram usados na música original. Depois, eu invisto um bom
tempo analisando a melodia em relação aos acordes. Então, eu faço uma pergunta valiosa:
"Esta nota que estou tocando pertence a quais acordes?"

As respostas desta pergunta podem proporcionar uma explosão de ideias para você enrique-
cer seus acordes. Vamos a alguns exemplos:

Observação importantíssima: a compreensão desse conteúdo específico exigiria muitas


demonstrações práticas no teclado, o que é impossível fazer através de um livro digital.
Mesmo assim eu quis incluí-lo aqui porque isso pode trazer algum insight para você. Eu reco-
mendo fortemente que você estude meu programa de treinamento completo online onde
podemos trilhar a jornada de aprendizado na prática. Dito isso, continuemos no conteúdo.

Conforme eu vou executando a melodia, vou encontrando novas opções de extensões e


tensões para os acordes. Ademais, também encontro opções de novos acordes. Acompanhe
comigo:

Veja outro exemplo, na música "Atirei o pau no gato":

O segredo é estar sempre analisando as notas da melodia e fazendo a pergunta: "Esta nota
pertence a quais acordes?". Aí, você pode experimentar os acordes que contenham aquela
nota que você quer harmonizar.

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É como falei antes, neste seu exercício de experimentação não vai ter "certo" ou "errado". Vai
muito do seu gosto musical e das sensações que você quer produzir nos ouvintes. Se algo
não está "fechando" no ouvido, tente outro acorde ou mude a abordagem. Se gostou do que
ouviu, anote e continue harmonizando as músicas da forma como você mais gostar. Com o
tempo você vai adquirindo experiência para criar harmonias ainda mais ricas. Este é o meu
desejo, por isso me esforcei para trazer todas essas ferramentas musicais para você.

SEU OUVIDO É O SEU MELHOR JUIZ


Se algo não está “fechando” no seu ouvido, tente outro
acorde ou mude a abordagem. Se algo não soa bem é
porque provavelmente não está bem.

2.36 Os clichês II-V-I maior e menor

A cadência IV - V - I constitui um dos clichês harmônicos mais importantes da música. Tudo


começa com uma Subdominante, levando a uma tensão com a Dominante, buscando-se o
repouso na Tônica. Se fosse na tonalidade de C, a sequência seria F - G - C. Como já vimos
anteriormente, os acordes IV e II são relativos. Com a substituição do acorde IV pelo II a
progressão ficaria:

Também existe a versão II-V-I na tonalidade menor, originada no Campo Harmônico Menor
Harmônico, repousando no acorde menor (7 ou maj7). Veja:

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Dominar o II-V-I maior e menor nas 12 tonalidades vai ajudar você a rearmonizar suas músi-
cas com a inserção de muitos acordes. De que forma? Aqui estão duas regras clássicas:

1 Quando você ver um acorde alvo, como por exemplo um Cmaj7, você pode "preparar o
caminho" com o clichê II-V-I. No caso, você tocaria Dm7 - G7 antes de chegar no Cmaj7.

2 O mesmo vale para a tonalidade menor. Antes de você chegar a um acorde menor você
pode "preparar o caminho" com o clichê II-V-I menor. Por exemplo: antes de chegar num
Am, você poderia tocar Bø - E7 e aí executar o Am.

Veja mais exemplos:

Teoricamente, você pode usar essa estratégia em várias partes da música. Quero reforçar a
palavra "teoricamente" porque na prática você irá experimentar a sonoridade. Você não vai
sair colocando II-V-I em todo lugar, apenas onde você achar que "encaixou bem".

Como exemplo, vou aplicar os conceitos aprendidos até aqui na música "Eu navegarei", da
Harpa Cristã:

Perceba como a versão rearmonizada é muito mais rica e complexa harmonicamente. Agora
é sua vez de pegar alguma música que você conhece e implementar algumas ideias de
harmonização e rearmonização que aprendemos até aqui. É normal ficar um pouco "travado"

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no início, mas o importante é tentar, tentar e tentar. Uma hora você vai começar a perceber
onde os acordes se encaixam melhor.

2.37 A cadência II-V secundária

Já vimos anteriormente a importância da cadência II - V. Normalmente, ela está relacionada ao


acorde I, mas pode ser estendida aos demais acordes da tonalidade. Assim, cada acorde do
Campo Harmônico pode ser preparado por uma cadência II - V. Basta seguir a regra:

1. Quando o acorde alvo for maior, use o IIm - V7 (maior).

2. Quando o acorde alvo for menor, use o IIø - V7 (menor).

Dessa forma, podemos montar o Campo Harmônico com as cadências secundárias, preparan-
do cada acorde alvo. Veja na tabela a seguir:

Estas são as formas tradicionais que as cadências secundárias aparecem, no entanto podem
haver empréstimos, como por exemplo, um IIø - V7 resolvendo em um acorde maior. Faça o
teste e sinta a sonoridade: Dø - G7 - Cmaj7. Mas, vale lembrar que isso não é tão comum.

No mais, eu recomendaria que você fizesse o mesmo estudo da tabela anterior em todas as
tonalidades. Eu investiria pelo menos dois dias praticando os movimentos II - V de cada
acorde alvo, de cada tonalidade. Assim, vai ficar mais fácil a aplicação na hora em que você
precisar.

Para finalizar, segue as cadências secundárias do Campo Harmônico de F:

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Como você pode ver, só com esse conhecimento você já tem várias opções de novos acor-
des à sua disposição.

2.38 A nota pedal

Uma das grandes armas de harmonização que utilizo é a nota pedal. Basicamente, a nota
pedal é o ato de segurar uma mesma nota em meio a uma progressão de acordes. É um
efeito muito usado no Jazz, Gospel, Rock e na música pop em geral. Geralmente, a nota a ser
segurada fica na região mais grave do teclado. A nota pode ser parte integrante do acorde (1º,
3º ou 5º) ou não (o que é menos frequente). Um clássico exemplo do uso da nota pedal é a
introdução da música "Jump", da banda Van Halen. Na música, você vai escutar uma progres-
são com os acordes C, F e G, mas sobre o baixo de C. A cifra ficaria assim:

C - F/C - G/C - C

Perceba como o baixo fica sempre no dó e os acordes "passeiam" por cima. Isso cria uma
sonoridade muito interessante e abre muito mais possibilidades de harmonização. Vou dar
um exemplo prático, usando a música "Tudo entregarei" da Harpa Cristã:

Neste exemplo, eu abusei um pouco da nota pedal só para ressaltar a matéria. Cabe a
você decidir como quer usar essa ferramenta, segundo seu gosto musical.

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2.39 Rearmonizando Ciranda, Cirandinha

Agora, eu quero te mostrar uma pequena rearmonização que fiz da música "Ciranda, Cirandi-
nha". A propósito, deixe-me explicar porque eu uso cantigas populares e hinos da Harpa Cristã
como exemplos práticos. Primeiro, essas músicas são conhecidas pela maioria das pessoas
o que facilita a assimilação das matérias. Em segundo lugar, usar músicas simples e de fácil
compreensão é o melhor caminho para se estudar harmonia.

Portanto, não fique triste se eu não dei um exemplo usando alguma música que você goste. O
que vale é o conhecimento que eu estou transmitindo e que pode ser aplicado em qualquer
música. Dito isso, eu vou mostrar algumas "roupagens" para uma música simples, através dos
conhecimentos que já aprendemos aqui neste guia. Observe:

Vá ao teclado ao teclado e execute cada uma das versões. Se possível, me mande um email
dizendo o que você achou ou caso queira tirar alguma dúvida. Segue meu email:
contato@ramontessmann.com.br.

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2.40 Observação sobre rearmonização

O assunto rearmonização é muito vasto e aqui apenas abordei o tema de forma superficial.
Meu desejo foi apenas compartilhar algumas matérias e estratégias para ampliar um pouco a
sua visão sobre o que é possível ser feito.

Aliás, esse é um dos propósitos deste guia, mostrar para você que o mundo da música é mara-
vilhoso e que é perfeitamente possível você aprender matérias complexas, de forma objetiva
e agradável.

Por falar em matérias complexas, em frente temos um grande desafio. Vou falar sobre a tal
da Harmonia Negativa, um tema nada simples. Arregace as mangas e vamos com tudo!

2.41 Bônus: Harmonia negativa

Há um tempo atrás eu escrevi um artigo que repercutiu muito no site do Aprenda Piano. É um
assunto quentíssimo que muita gente ficou interessada em saber mais. Como eu gosto de ver
as pessoas desafiadas, eu decidi compartilhar o conteúdo daquele artigo aqui neste guia.
Você vai perceber que o formato da escrita é diferente porque eu repliquei quase 100% do
artigo, com algumas pequenas adaptações. A ideia não é você focar no estilo da escrita mas
tentar compreender esses conceitos tão desafiadores relacionados ao tema harmonia.

Introdução do artigo

Hoje, vou tentar abrir um pequeno portal para uma dimensão paralela e tentar elucidar mini-
mamente um assunto que está em alta no cenário musical mundial. Vou falar de HARMONIA
NEGATIVA! Eu sei que tem muita gente querendo saber mais sobre essa tal de Harmonia
Negativa (ou Harmonia Invertida, ou Harmonia Simétrica). Mas é importante segurarmos a
adrenalina e acalmarmos os ânimos para não prejudicar o raciocínio. Acredite, vamos precisar.
Nesse artigo, entre outras informações, vou tentar responder (não de forma definitiva) algumas
dúvidas:

O que é Harmonia Negativa?

Como posso aplicar conceitos tão avançados na prática?

Por que se fala tanto em Harmonia Negativa hoje em dia?

Por que o assunto está na moda?

Quem está envolvido nas discussões sobre Harmonia Negativa?

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PS: jamais terei a pretensão de esgotar qualquer assunto nesse artigo. Muito pelo contrário!
Já gastei alguns neurônios tentando me aprofundar no tema, portanto estou aberto a rece-
ber auxílio da comunidade para melhorar esse artigo (pois certamente ele vai precisar de
melhorias). O fato é que eu escrevi sobre Harmonia Negativa mais para aprender do que
para ensinar. E você ganha de presente minhas reflexões em formato de artigo.

A hype da Harmonia Negativa

Boa parte do “só se fala nisso” no que tange a Harmonia Negativa foi causada por Jacob
Collier, que já mencionei aqui no guia. Há um tempo atrás, Jacob mencionou a tal da Harmonia
Negativa e alguns conceitos referenciados no livro "Theory of Harmony" do pianista e estudio-
so suíço Ernst Levy (1895 – 1981). As menções ocorreram em uma discussão com Herbie Han-
cock e depois em uma entrevista postada no Youtube, que viralizou rapidamente. Assistindo a
entrevista, eu tinha a sensação de que para Jacob o tema Harmonia Negativa era tão simples
quanto preparar Nissin Miojo.

Como você pode perceber no vídeo, fica claro que Harmonia Negativa não é nada como
Nissin Miojo. Conhecer Harmonia Negativa abre muito mais possibilidades e ideias na
hora de compor músicas, arranjos, harmonias entre outros. É como se fosse uma nova e
poderosa ferramenta de criação musical, isso na experiência pessoal do Jacob Collier. Nas
palavras dele: “Isso é épico. Soa maravilhoso e aconchegante”. Mas, até aí poderia ser mais
um dia comum no mundo da música não fosse o fato de o assunto ter sido o estopim de diver-
sas discussões que eclodiram rapidamente na internet. O mistério foi crescendo à medida que
as pessoas pesquisavam e não encontravam quase nada escrito sobre o tema (inteligível ou
não). Mas, enfim, a maioria dos comentários no vídeo resumia-se a: “O quê é isso? Não entendi
nada! Ele tá falando grego?”. É claro que em “ondas” e “novidades” desse porte sempre há
céticos dizendo:

“Ah, isso é mais uma modinha”.


“Ele não falou nada de mais”.
“Isso não existe, ninguém fala disso”.
“Mais uma hype… não caiam nessa!”.

Será? Bem, certamente a Harmonia Negativa não tem nada a ver com esquemas de pirâmide
financeira ou com algum tipo de hot dog gourmet. Respeito todas as opiniões contrárias, mas
é um assunto que considero fantástico, ou no mínimo, empolgante. Para mim, tem muito mais
"frango nessa sopa". Mas, afinal, em discussões de gênios quem sou para opinar? Por ora, só
quero ser o escrivão relatando o que consigo compreender. Isso nos leva às primeiras ressal-
vas:

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Ressalvas

Antes de irmos para a teoria propriamente dita, preciso fazer algumas ressalvas. A primeira
delas tem a ver com a nomenclatura. Alguns músicos não concordam com o uso do termo
“negativa”, porque isso seria criar mais um nome para algo que já existe. O termo correto
seria “invertida”. Então, em vez de “Escala Negativa”, o correto seria “Escala Invertida“. Ou
quem sabe, Harmonia Negativa deveria se chamar “Harmonia Simétrica“. Mas, sinceramente,
não tenho tanta paciência para tecnicalidades. Pessoalmente, curto muito mais o termo
“Negativa”, que é mais comum e traz consigo esse ar misterioso. Essa nomenclatura ativa a
minha curiosidade. Então, está decidido. Aqui, vamos usar o termo “Negativa”.

Isso nos leva a segunda ressalva: o termo não remete a algo necessariamente ruim, tipo
como quando o gerente do banco liga pra pessoa e diz que a conta está negativa. Nada disso!
É só mais um sinônimo parcial para o termo “invertido”, dentro desse assunto específico. Dito
isso, chegou a hora de entrarmos no “mundo invertido”. Aperte os cintos!

Harmonia negativa: aspecto melódico

Essas ideias avançadas (da Harmonia Negativa) fazem parte de uma teoria chamada Teoria
Funcional da Polaridade Tonal. O que é isso? Em vez de encher você com explicações maçan-
tes, vamos caminhando passo a passo, da forma mais prática possível. Vamos começar com a
estrutura da Escala Maior que já conhecemos. Como já ensinamos, a construção da Escala
Maior é baseada na fórmula abaixo:

T - T - ST - T - T - T - ST

Se formos construir a Escala Maior de C, ficaria assim:

É importante compreendermos que cada nota tem o seu valor dentro da sua escala e tonalida-
de. Também é importante sabermos que o intervalo de quinta justa é de suma importância
para o que estamos estudando. Se estamos na Escala de C, o intervalo abaixo é o mais impor-
tante para nós agora:

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Ao tocarmos esse intervalo é como se as duas notas soassem unidas, ou melhor, fundidas,
como se fossem uma coisa só. E é bem no meio desse intervalo que encontramos o eixo,
onde vamos “posicionar o espelho” (Eb/E). Mas vamos falar disso mais à frente. Por ora, vamos
considerar essa nota (sol) nosso ponto de partida para o “mundo invertido” (assim como dó é
a partida para o mundo positivo). Partiremos da nota sol, em movimento descendente, para
encontrar a “escala espelhada” de C, intitulada Escala Maior Negativa de G. Por que descer
em vez de subir?

Lembre-se: positivo e negativo são opostos. Se a escala positiva sobe (do grave para o
agudo), a escala negativa desce (do agudo para o grave). Se a Escala Maior de C se constrói
subindo, a Escala Maior Negativa de G se constrói descendo, usando a mesma fórmula da
construção da Escala Maior. Então, chegou a hora de espelharmos a escala para ver o que
acontece:

Espelhando a escala maior de C

Vamos identificar nota por nota em movimento descendente usando a fórmula T – T – ST – T


– T – T – ST (invertida) para encontrar a escala espelhada de C ou G Negativa. Para isso,
vamos começar pelo Tom Gerador, a nota sol:

Essa é a famosa escala espelhada de dó, no mundo negativo. Note que comecei da direita
para a esquerda, começando pelo sol (mais agudo) e terminando no sol (mais grave). Tudo
certo até aqui? Antes de prosseguirmos, quero lançar luz sobre o termo Tom Gerador pela
primeira vez aqui:

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Tom gerador

O Tom Gerador nada mais é do que o tom que dá o start na formação da escala. Na Escala
Maior de C, o Tom Gerador é a tônica dó. Isso é o que ocorre no “mundo positivo”. No “mundo
negativo”, o Tom Gerador é o sol, que é a nota dó na polaridade invertida. Por isso é que a
escala originada desse Tom Gerador é chamada de G Negativa. Mas reforço que a tônica
continua sendo o dó, a 5ª abaixo, pois nosso ouvido percebe o dó como tônica, no intervalo
dó-sol. O sol será apenas o Tom Gerador.

Dica do Ramon: Como a tônica continua sendo dó, não seria interessante chamar a escala
originada de G Frígio ou Eb Jônio para não haver confusão com os graus da escala e a Polari-
dade Funcional. Por exemplo: na Escala Maior de C, o grau 7º é o si. Já na G Negativa, o grau
7º é o láb. Então, si está para dó (no mundo positivo) como láb está para sol (no mundo negati-
vo). A Polaridade Funcional que “empurra” o si para o dó é a mesma que “empurra” o láb para
o sol. Elas têm o mesmo efeito de gravidade só que em polaridades opostas. “Peraí… você
disse gravidade?”. Veja:

Só decidi fazer essa observação para que não haja confusão com relação aos graus, algo
muito importante nesta matéria.

Espelhando uma Melodia

Com todas essas informações em mãos, você pode tocar qualquer melodia “espelhada” no
mundo negativo. Basta usar os graus relacionados. Por exemplo: se no mundo positivo a melo-
dia é dó – ré – mi, no mundo negativo a melodia será sol – fá – mib. Isso porque estamos
falando dos graus 1, 2, e 3 da escala de dó, que no espelhamento ficaria sol – fá – mib. Lembra
que o Tom Gerador é sol? Por isso, partimos do sol quando estamos no mundo invertido. Veja
como ficariam as primeiras notas do "Parabéns para Você" em polaridades opostas:

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Toque aí no seu instrumento para sentir a sonoridade. Perceba como a melodia produzida
no mundo negativo fica meio dark. Reforço que todos os movimentos são contrários, por isso,
tudo é “espelhado”. Enquanto os graus no mundo positivo sobem, no negativo descem. Um
conceito bem complexo para qualquer pessoa assimilar no início, mas já que estamos aqui,
vamos "afundar o pé na jaca". É importante você estar familiarizado com o aspecto melódico
antes de ir para o aspecto harmônico, que será um pouco mais complexo.

Aspecto harmônico

Agora chegou a hora de trabalharmos com o aspecto harmônico. Se você for construir os
acordes do Campo Harmônico de C, em tríades, você chegaria a:

Provavelmente, você já deve saber construir os campos harmônicos tradicionais, mas antes
de avançarmos no aspecto harmônico no mundo negativo, preciso te apresentar a dois
conceitos bem inusitados:

1 Adaptação Telúrica: nesse formato você constrói e nomeia os acordes de “baixo para
cima”, como no mundo positivo. Em minha opinião, essa opção é mais fácil de compreen-
der o acorde, pois já conhecemos sua escrita.

2 Concepção Absoluta: aqui, se constrói os acordes de forma descendente, do alto para


baixo, criando uma nova forma de cifrar (-G, -Fm, -Ebm e assim por diante). Em minha
humilde opinião, esse caminho é mais complicado, apesar de ter sua função.

Basicamente, na Adaptação Telúrica você vai ter como base a nota mais grave e na Concep-
ção Absoluta, a nota mais aguda. Por exemplo, para acharmos o acorde I negativo, vamos
partir do Tom Gerador, usando os mesmos intervalos de terças do mundo positivo. Pegando
novamente a escala espelhada:

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O acorde I seria a tríade: sol – mib – dó, ou seja, os graus 1, 3 e 5 da escala negativa. Na Adap-
tação Telúrica, o acorde é chamado de Cm. Já na Concepção Absoluta, é o G Maior Nega-
tivo, ou G Negativo (-G). Preste atenção:

“Ramon, meu cérebro está fritando!”. Calma, vamos montar outro acorde a seguir. Que tal o
acorde V? Basta pegar o 5º grau, que é o Tom Gerador, e descer em terças, como no mundo
positivo. Ficaria assim:

Na Adaptação Telúrica, esse é o famoso Fm. Na Concepção Absoluta, é “simplesmente” o -C


(C Negativo). É importante perceber que os acordes maiores espelham acordes menores e os
acordes menores espelham acordes maiores. Observe:

Com essas explicações, (eu espero) fica mais fácil construirmos uma planilha com todos os
campos harmônicos positivos e negativos para quando precisarmos criar um arranjo ou rear-
monizar uma música. Dica: toque os acordes do CH Negativo (da direita para a esquerda) para
sentir a sonoridade:

Um atalho para acordes negativos

Caso você ache muito complicado achar os acordes negativos, vou apresentar um outro cami-
nho, que um usuário do Quora escreveu em um fórum. Aqui embaixo vai o caminho que ele
apresentou para você produzir um acorde negativo. O exemplo é na tonalidade de C:

1 Encontre a tônica (C) e depois a dominante (G).

2 Encontre a nota do meio (no caso, mib {negativo} / mi {positivo}). Esse é o eixo central de
simetria em C (veja imagem abaixo).

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3 Se você subir 1/2 tom chegará a fá. Se descer 1/2 tom chegará a ré.

4 A contrapartida simétrica de fá é ré. A contrapartida de fá# é réb e assim por diante.

5 Agora pegue qualquer acorde da escala (G7, exemplo). As notas de G7 são: sol – si – ré
– fá. Correto?

6 Agora ache as contrapartidas simétricas partindo do eixo: dó – láb – fá – ré.

7 Agora é só dar nome ao acorde: Fm6 ou Dø.

Resumindo: o G7 é o Fm6 na Harmonia Negativa. Assim, você conta com mais uma alternativa
na hora de criar seu arranjo para cada acorde dado. Em vez de ter uma Cadência Perfeita você
pode optar por uma Cadência Plagal, apenas invertendo a polaridade do acorde. Veja:

Agora analise a sequência abaixo:

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Cada acorde no “mundo positivo” tem um acorde invertido no “mundo negativo”, que pode
ser substituído quando possível ou desejável. Um outro exemplo que encontrei em minhas
pesquisas:

Agora é sua vez de ficar “brincando” com esses novos acordes e testá-los em seus arranjos.
Uma dica: Quando a melodia permitir, troque o acorde positivo pelo negativo e sinta a
sonoridade. Dependendo da sensação que você quer produzir no ouvinte um acorde negati-
vo será muito mais atrativo. Você vai se surpreender com as novas possibilidades que abrirão
bem em sua frente!

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PARTE #3

NOVE MACETES
INCRÍVEIS
Finalmente, chegamos à parte três do guia. Eu espero que você esteja gostando das informa-
ções que estou compartilhando até aqui. Se você está gostando eu ficaria muito feliz de ouvir
seu feedback. Basta me enviar um email: contato@ramontessmann.com.br. Deu um trabalho
imenso juntar todas essas informações, mas quando eu recebo uma mensagem de gratidão
me faz ganhar o dia e ver que o trabalho valeu a pena. É por isso que peço seu feedback.

Mas a jornada ainda não terminou! Ainda mais agora que chegamos às dicas e macetes incrí-
veis. O conteúdo que preparei para finalizar este guia compreende várias matérias, "segre-
dos", técnicas e dicas super úteis que eu tive o prazer de aprender na minha carreira musical.
Muitos desses macetes eu tive que aprender sozinho, no dia a dia mesmo. Portanto, eu
tenho o maior prazer de compartilhar esse conteúdo com você. Desfrute!

3.1 Acorde menor turbinado aberto

Vou começar compartilhando um verdadeiro tesouro. É uma abertura para acordes menores
muito utilizada no Neo Soul. É um tipo de acorde com um "tempero" bem especial e que
utilizo com frequência no lugar de acordes menores. A ideia básica é substituir o acorde
menor por um acorde com mais "cores", observe:

Acorde Menor (Cm)


Acorde Menor Turbinado (Cm7/9/11)

A versão aberta deste acorde é lindíssima e é construído desta maneira:

Esta versão aberta é mais voltada para arpejos ou para quando é necessário maior preenchi-
mento na música. Não se preocupe se você não alcança as notas ou se a sua mão doer um
pouco no início. Levou algumas semanas para eu me adaptar bem a esse acorde.
Por ora, recomendo que você exercite essa abertura assim:

1. Movimento ascendente e descendente de meio-tom (Cm - C#m - Dm...).


2. Movimento ascendente e descendente de 1 tom (Cm - Dm - Em...).
3. Ciclo das Quartas: (Cm - Fm - Bbm...).

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EXPERIMENTE ESSA ABERTURA AGORA
Experimente essa abertura agora mesmo substituindo os
acordes menores por acordes menores turbinados. Vai ser
uma experiência bem interessante

3.2 O dítono alt

O dítono nada mais é do que o intervalo de 3ª maior (dois tons). A partir dele a gente pode
desvendar mais um dos grandes segredos do Neo Soul, o Acorde Alterado baseado no
dítono (ou como eu gosto de chamar, o Dítono Alt). Vamos ver sua interessante formação:

Vá ao teclado e execute esse acorde. Perceba como ele tem uma sonoridade complexa e
rica. As possibilidades de uso são inúmeras:

Pode substituir um acorde diminuto.


Pode substituir um acorde dominante.
Pode substituir um acorde alterado.
Pode harmonizar qualquer nota da melodia.
Pode ser um acorde de passagem.
Pode preparar a aproximação de notas vizinhas (Ex: Adit > Bbm).

Quando eu aprendi esse acorde, eu o exercitei desta forma:

1. Movimento ascendente e descendente de meio-tom (Cdit - C#dit - Ddit...).


2. Movimento ascendente e descendente de 1 tom (Cdit - Ddit - Edit...).
3. Ciclo das Quartas: (Cdit - Fdit - Bbdit...).
4. Progressão V - I menor: (Gdit > Cm, Cdit > Fm...).

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3.3 Campo harmônico cromático (7/9/13)

Uma das grandes características do Jazz é a inserção ou substituição de acordes, buscando


um caminho mais rebuscado até o acorde alvo. Um acorde que cumpre muito bem a função
de substituição é o acorde SUBV7 que já estudamos aqui neste guia. O acorde SUBV7 pode
ser um substituto para o Acorde Dominante (pela relação dos trítonos). Para facilitar a compre-
ensão, qualquer acorde SUBV7 pode resolver num acorde meio-tom abaixo.

Por exemplo, a sequência Dm7 - G7 - Cmaj7 poderia ser substituída por:

Dm7 - Db7 - Cmaj7

Tendo esse conhecimento em mãos podemos montar um campo harmônico de forma "cromá-
tica". Ficaria assim:

Com esse campo harmônico podemos facilmente identificar várias possibilidades de movi-
mentação que darão um efeito jazzístico muito interessante. Para a harmonia ficar mais
rebuscada, podemos acrescentar tensões ao SUBV7. Eu gosto de usar os graus 7, 9 e 13. Veja
como ficaria o Ab7/9/13:

Esse acorde seria uma ótima opção para resolver no G7. Veja um exemplo de progressão:

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DOBRANDO AS POSSIBILIDADES
A coisa mais incrível é que somente com essa matéria você já
consegue praticamente dobrar a possibilidade de acordes
utilizados nas suas execuções

3.4 Aproveitando-se da escala pentatônica menor

Uma incrível “carta na manga” que eu guardo para usar em momentos especiais quando estou
improvisando sobre acordes menores é a Escala Pentatônica Menor. Na verdade, não é
apenas uma carta na manga, mas uma espécie de “bengala” que eu posso utilizar quando
falta criatividade ou quando dá um “branco” na hora da execução de uma harmonia mais com-
plexa.

A boa notícia de se conhecer essa escala é que você dificilmente conseguirá errar um solo
ou improvisação sobre um acorde menor se você usar a Escala Pentatônica Menor. Isso
porque não há nota a ser evitada. Basta executar todas as notas da escala livremente. Vamos
ver a formação dela:

1 – b3 – 4 – 5 – b7
dó – mib – fá – sol – sib

É uma escala bem simples, mas com uma sonoridade bem interessante. Quer ver? Com a mão
direita execute as notas da escala e com a mão esquerda execute qualquer um desses acor-
des: Cm, Cm7, Cm6, Cm7/9 entre outros acordes menores.

Gostou da sonoridade? A Escala Pentatônica Menor é uma das escalas mais úteis que eu
conheço. Aproveite-se dela!

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3.5 O mais "famoso" acorde alterado

Se tem um acorde que me deixou "babando" quando eu comecei a estudar Jazz e formação
de acordes foi o tal do acorde alterado. Mas não é um acorde alterado qualquer. É um dos
acordes mais magníficos que eu já conheci em toda a minha vida (segundo meu gosto musi-
cal, é claro). Toda vez que eu o escutava, ficava tentando "tirar de ouvido", mas nunca conse-
guia. Até que num belo dia, em uma aula meio despretensiosa, um antigo professor finalmente
me mostrou o famoso acorde alterado. Observe a formação:

Mão Esquerda: dó - dó↑.


Mão direita: mi - sol# - sib - mib.

Execute o acorde e perceba como é rica a sonoridade. É um acorde que está "clamando para
resolver", tamanha sensação de tensão que ele gera. Basicamente, eu vou recomendar a você
duas opções de utilização que você pode facilmente aplicar:

1 Acorde Menor: você pode resolver em um acorde menor (5ª descendente). Por exem-
plo: Aalt > Dm.

2 Acorde Maior: você pode movimentar para um acorde maior meio-tom acima. Por exem-
plo: Aalt > Bbmaj7.

Uma utilização menos comum é surpreender o ouvinte resolvendo no acorde maior (5ª
descendente). Quando você toca um acorde alterado como esse, o ouvido já espera um
acorde menor. Aí você pode surpreender a pessoa com um acorde maior. Por exemplo:

Galt > Cmaj7


Aalt > Dmaj7
Calt > Fmaj7

Confesso que às vezes eu gosto de usar este tipo de abordagem para o acorde alterado.

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SURPREENDA OS OUVINTES
Ao finalizar uma música com acorde menor, experimente substituir
esse acorde menor por um acorde alterado resolvendo em um
acorde maior (maj7)

3.6 O poder do cromatismo na improvisação

Se você já tem experiência com música já deve ter ouvido falar sobre cromatismo. Cromatis-
mo nada mais é do que uma frase que usa notas da Escala Cromática (formada por todas as
12 notas). Dentro da improvisação, o uso de cromatismos pode criar um efeito muito interes-
sante, pois adiciona novas tensões à sua melodia.

Nós sabemos que cada nota da escala exerce um papel na melodia. As notas não diatônicas
(fora da escala) também exercem funções, sendo basicamente notas de tensão. Alguém que
se propõe a ser um bom improvisador jamais deve ignorar as notas fora da escala por causa
da riqueza que elas podem trazer. Vamos ver um exemplo bem simples:

Melodia interessante, não é mesmo? Quando você ver em alguma música que a melodia
possui notas não diatônicas, não é porque está errado (como eu pensava no início do meu
aprendizado). É simplesmente porque o compositor quis adicionar algum efeito diferencia-
do. Vamos ver mais um exemplo:

Execute essas melodias para você "sentir" a tensão das notas não diatônicas.

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3.7 Os modos gregos

Os Modos Gregos são escalas derivadas de cada nota da escala maior. São 7 modelos dife-
rentes da escala maior, por isso também são chamados os modos da escala maior. Por exem-
plo: pegue a escala maior de dó. Se você começar a escala na 2ª nota, o ré, e ir até o próximo
ré (oitava acima), você terá o 2º modo, chamado Dórico. Se você começar a escala no mi (só
com as notas da escala de dó), você terá o 3º modo, chamado Frígio. E assim por diante.
Desta forma, chegamos às fórmulas dos 7 modos, apresentados na tabela a seguir:

Inicialmente, o que você pode extrair desse conhecimento é a sonoridade de cada modo.
Depois, poderá aplicar o conceito sobre os acordes. Por exemplo, você pode tocar uma
música modal, só com escalas dóricas. Observe:

As possibilidades que se abrem são imensas e um estudo mais aprofundado sobre os modos
gregos poderiam demandar muito mais páginas. Essa é uma daquelas matérias que eu reco-
mendo fortemente que você aprenda no meu programa de treinamento online, onde vemos
também a parte prática. Mas, o que eu recomendo por ora é que você se apegue a conhecer
alguns poucos modos e se familiarizar com a sonoridade, para começar a aplicar em suas
improvisações. Eu começaria com:

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Modo Dórico - sobre acordes menores.
Modo Frígio - sobre acordes menores.
Modo Lídio - sobre acordes maiores (I e IV).
Modo Mixolídio - sobre acordes dominantes.

São esses os modos que eu mais utilizo. Comece com eles, criando seus solos sob a perspec-
tiva horizontal. Só o tempo e a prática farão com que sua visão sobre os Modos Gregos seja
ampliada.

3.8 Cinco sites de pianos virtuais

Neste guia, eu não poderia deixar de compartilhar com você uma lista com os cinco melhores
sites de pianos virtuais. Um site de piano online dá a opção de você poder tocar um instru-
mento virtual diretamente no computador usando apenas o teclado do seu PC. Isso pode ser
útil caso você queira estudar teoria musical, compor uma música ou até mesmo tocar piano
online por pura diversão. Se você tem filhos é interessante porque poderá colocá-los em
contato com a música desde cedo através desses pianos virtuais. Independente da utilidade
para você aqui vai a lista de sites de piano online:

1. Virtual Piano - https://virtualpiano.net/


2. Flash Piano - https://www.apronus.com/music/flashpiano.htm
3. Online Pianist - https://www.onlinepianist.com/virtual-piano
4. Piano Plays - http://pianoplays.com/
5. The Virtual Piano - http://www.thevirtualpiano.com/

E agora, a gente se encaminha para o último macete do guia: a abertura "Conchinchina".

3.9 Abertura "Conchinchina"

"Conchinchina" significa um lugar muito distante. É com este apelido que eu quero apresentar
uma das aberturas que eu mais gosto para a mão esquerda. Em breve você vai entender o
porquê do apelido "Conchinchina". Primeiro, deixa eu te dizer que a sonoridade desse tipo de
abertura é única. Dá a sensação que o acorde está completo, preenchido e que não precisa
de mais nada. Assim, a abertura "Conchinchina" torna-se uma importante base para você
construir acordes incríveis, já que somente com a mão esquerda você já "resolve o problema"
da tríade, deixando a mão direita livre para adicionar tensões.

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Sem delongas, segue a fórmula da abertura:

Tríade maior: 1, 5, 10.


Tríade menor: 1, 5, b10.

Lembrando que na tríade você não usa a 3ª, e sim a 10ª (uma oitava acima). Agora, você vai
entender o porquê do termo "Conchinchina". Veja no desenho a distância entre as notas do
acorde de C:

Tente executar essa abertura com a mão esquerda. Veja se você consegue alcançar a 10ª. Se
conseguir, parabéns! Se não conseguir, não precisa se preocupar. Eu mesmo precisei de algu-
mas semanas para conseguir abrir a minha mão desse jeito. Mas não adianta dar a desculpa
de que os seus dedos são pequenos porque meu professor tinha dedos pequenos e conse-
guia fazer essa abertura tranquilamente. Então, é questão de prática e elasticidade mesmo.

Vamos montar agora o acorde de Em para ver o que acontece. Os graus usados são 1, 5, b10.
Observe como ficaria:

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Quando você ver um jazzista tocando, vez ou outra ele vai "soltar" uma abertura dessas justa-
mente porque dá a "sensação" de preenchimento. É um acorde completo, que usa as notas
graves de forma inteligente, sem embolar o som.

DOEU A MÃO?
No início pode doer um pouco a mão se você forçar muito. Se for
o seu caso, pode ter mais calma e ir espaçando os dedos
gradualmente. Não se apresse.

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CONCLUSÕES
FINAIS
Aprender música é uma atividade que traz inúmeros benefícios, mas o melhor deles é esse
sentimento de satisfação e felicidade. Sentar-se ao piano e poder tocar uma linda música é
uma sensação indescritível. Infelizmente, o ensino de música no Brasil tem vários pontos
fracos. Talvez, isso seja um pouco do reflexo do nosso sistema educacional, que está entre um
dos piores do mundo. No mundo da música, isso fica bem claro na enorme porcentagem de
pessoas frustradas. São pessoas que já tentaram aprender de várias formas e acabaram
esbarrando em métodos maçantes, que insistem em maneiras ultrapassadas e ineficientes
de transmitir informação.

Mas, temos uma boa notícia como mensagem final deste guia. Se você é daqueles que já
tentou aprender do zero ou melhorar aquilo que já toca mas sentiu-se travado, talvez o
problema não estava em você, mas sim no "como". Tenho muitos alunos que saíram da
inércia e que abandonaram de vez o "feijão-com-arroz" simplesmente porque encontraram
seu caminho definitivo no teclado. Eles encontraram uma forma muito mais consistente de
aprender música e é nisso que você tem que se apegar. Se você também achar o caminho
certo, as chances são grandes de você realizar seu sonho de tocar bem.

Foi isso o que eu quis transmitir neste guia. Espero que conhecer este material tenha sido uma
experiência empolgante para você. Qualquer dúvida, comentário, ou qualquer assunto que
deseje compartilhar conosco, basta entrar em contato através do e-mail:
contato@ramontessmann.com.br. Vai ser uma honra poder falar com você!

E para finalizar, caso queira saber mais sobre o meu trabalho, visite meus canais oficiais:

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Um forte abraço e nos vemos em breve!


Ramon Tessmann

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