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Ives Gandra questiona

como viver no Brasil das


minorias favorecidas Por iG São Paulo | 17/11/2017 08:39

Em coluna escrita em 2013 para o jornal "O Povo", do


Ceará, jurista diz acreditar que brasileiros que não fazem
parte de nenhuma minoria estão se tornando "cidadãos
inferiores"
Divulgação
Ives Gandra questiona "discriminação em relação ao cidadão comum" em texto

Professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana


Mackenzie, membro da Academia Brasileira de Filosofia, Ives Gandra da
Silva Martins é um dos mais respeitados juristas brasileiros da atualidade.
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Rio de Janeiro
Em texto escrito no ano de 2013, para o jornal O Povo, do Ceará, Ives
Gandra fez uma reflexão afirmando que "o 'cidadão comum e branco' é
agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e
pela legislação infraconstitucional". Além de questionar os benefícios dados
às minorias, o jurista também critica o poder público brasileiro por dar
aposentadoria aos sem-terra e indenizar famílias de pessoas que lutaram
contra o regime militar.

Confira, na íntegra, o texto escrito por Ives Gandra

Não Sou: – Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante,
Nem Guerrilheiro, Nem Invasor De Terras. Como faço para viver no Brasil
nos dias atuais? Na …verdade eu sou branco, honesto, professor, advogado,
contribuinte, eleitor, hétero… E tudo isso para quê?
Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins* Hoje, tenho eu a impressão de
que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado
pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação
infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios,
afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a
minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma


nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para
ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído,
de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é
um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta
Magna).

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Socorro Infantil

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que
eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional
passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado
nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros – não contando os
argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados
também por tabela – passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território
nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85%
do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os
brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos


participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que
vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também,
parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal
permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se
enquadra nesse conceito.
Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Rousseff
o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público,
para realçar as suas tendências – algo que um cidadão comum jamais
conseguiria do Governo!

Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a


Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de
que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a
conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em
relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio',
simplesmente porque esse cumpre a lei.

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emergências

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado,


participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas
indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de
R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir'
aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se
disseram perseguidos. E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se
perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema? Como modesto
professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me
discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de
castas e privilégios, deste governo.

Ives Gandra também é pai de Ives Gandra Martins Filho, presidente do


Tribunal Superior do Trabalho (TST) e irmão do maestro João Carlos Martins.
O jurista também é membro da Academia Paulista de Letras (APL) e da
corrente católica Opus Dei.
Link deste artigo: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-11-17/ives-gandra.html
Fonte: Último Segundo - iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2017-11-17/ives-gandra.html