Sie sind auf Seite 1von 9

1

EXEGESE DO NT – MÓDULO 2 – MATERIAL COMPLEMENTAR


ANÁLISE FORMAL E ESTRUTURAL

1) PEQUENOS GÊNEROS DO NOVO TESTAMENTO

Já vimos que há quatro grandes gêneros no NT: Evangelho, Atos, Carta e Apocalipse.
Agora vamos ver os pequenos gêneros, ou formas (maneira que os manuais de
exegese denominam esse fenômeno). O Novo Testamento apresenta as seguintes,
diferenciados dentro dos grande gêneros 1:
DICA: Acompanhe a lista com uma bíblia para que você possa ler os textos e
verificar por si mesmo como os pequenos gêneros se caracterizam. Assim você terá
mais facilidade para aplicar essa etapa ao seu texto designado para exegese.

A) Evangelhos e Atos
 Tradição doutrinal: refere-se a todos os textos que contém ensinos e ditos de
Jesus ou dos apóstolos:
 Ditos proféticos e apocalípticos: textos onde Jesus assume um papel
profético similar à tradição dos profetas do Antigo Testamento. Podem
ter um conteúdo de Salvação (Lc 14.15), Ameaça (Mt 7.21/Lc 6.46),
Advertência (Mc 1.15) ou mais propriamente Apocalíptico, quando
trata da vinda do reino de Deus (Mc 13.2; Lc 17.20s).
 Ditos sapienciais: ensinamentos de Jesus que se originam tanto na
tradição sapiencial do Antigo Testamento quanto dos sábios da época
dele. Neste caso podem ter estilo de Provérbios, que são afirmativos
(Mt 24.28); Exortações, que são imperativas (Mt 8.22b); e Perguntas
provocativas (Mc 6.27).
 Ditos jurídicos ou legais: ditos em que Jesus assume uma posição a
respeito da lei ou dos ensinos judaicos (Mt 7.1-2; Mt 19.8-9).
 Parábolas e similares: todas as palavras em que Jesus fez uso de
recurso comparativos com o objetivo de facilitar a comunicação com
sua audiência, tais como:
 Imagem, que é uma comparação direta (Mt 5.14; Mt 7.17);

1
Classificação adaptada a partir do estudo de Uwe Wegner em Manual de Exegese, pp.225-267.
2

 Hipérbole, onde há um exagero proposital (Mt 5.29; Mt 19.24);


 Paradoxo, pensamentos contrários à opinião comum,
parecendo absurdos (Mc 2.19; Mc 9.35);
 Metáfora, quando Jesus faz uma afirmação que está
subentendido que tem outro significado, por ex: vós sois o sal
da terra, vós sois a luz do mundo, em Mt 5.13,14 (Tb Mt.7.13-
14; Jo 15.1,15);
 Comparação ou símile, é uma metáfora com uso de conectivos
(como, tal qual, tal como, semelhante a, da mesma maneira
que), e nesse caso há uma comparação clara entre dois
elementos (Mt 10.16; Lc 11.44);
 Parábolas, que são diversas narrativas que contém
características comuns, pois são histórias curtas onde o
ensinamento é dado de maneira simples, com poucos
elementos, e onde o último elemento citado é o foco da
mensagem desejada (a semente que caiu na boa terra, o
samaritano que ajudou o homem caído, etc.);
 Alegorias, pequenas histórias que parecem parábolas mas se
diferenciam porque, enquanto as parábolas têm um ponto de
comparação, as alegorias tem diversos pontos, com cada
elemento significando alguma coisa (exemplos que constam
nos evangelhos são a explicação de parábolas, como em Mt
13.36-43 e Mc 4.13-20).
 Os “eu”: ditos em que o foco está na própria pessoa de Jesus,
normalmente citando o Filho do Homem (Mc 2.28; Mc 10.45).
 Tradição histórico-narrativa: trechos dos evangelhos e Atos em que o mais
importante é a narrativa em si, e por isso não há ensinamento, ou que, de forma
contrária, as ações servem de moldura para o ensino.
 Paradigmas: são narrações curtas ao estilo de ilustrações, onde a parte
mais importante está na palavra de Jesus, podendo ser disputas como
nos textos sobre o sábado (Mc 2.1-12) ou narrativas que se relacionam
a Jesus, como a questão da família de Jesus (Mc 3.31-35).
3

 Histórias de milagres: todos os textos onde ocorrem milagres sobre a


natureza, curas ou exorcismos fazem parte desse pequeno gênero
(milagre: Mc 4.35-41; exorcismo: Mc 5.1-14; cura: Mc 5.21-43).
 Narrativas biográficas e históricas: histórias a respeito de Jesus,
registradas para a edificação da comunidade, no sentido de conhecer
melhor o Messias no qual creem. Também podem ser relacionadas a
pessoas próximas a ele. Nesse caso, principalmente os relatos da
infância em Mt 1-2 e Lc 1-2, além de textos sobre João Batista ou
outros personagens são muito importantes (Mt 3.1-17; Mt 13.53-58).
Nos Atos se relacionam aos personagens históricos envolvidos no
contexto (At 12.20-23).
 Narrativas messiânicas e apocalípticas: histórias que reforçam a
messianidade de Jesus, seja por testemunho ou palavra dele. No caso
de um texto apocalíptico, a principal forma de identificar é a presença
de anjos ou demônios, visões gloriosas e manifestações divinas
especiais. Os elementos messiânico e apocalíptico estão juntos muitas
vezes, mas não obrigatoriamente (Mt 3.13-4.11; Mt 9.9-12; Mt 17.1-
13; Jo 4.1-29). Também podem ser chamados de Creias, porque são
texto usados para evangelização a respeito de Jesus (cf. Lc 10.21-24;
19.1-10; etc.).
 História da Paixão: há consenso de que as histórias que começam com
a entrada de Jesus em Jerusalém até a ressurreição (Mt 21.1-28.20; Mc
11.1-16.20; Lc 19.28-24.53; Jo 12.12-20.31) fazem parte de um grande
conjunto de memórias que se conectam de forma orgânica e sucessiva.
Até mesmo o Evangelho de João, que é bem diferente dos demais,
acompanha essa lógica. As diferenças entre os evangelhos são,
provavelmente, resultado de como essas memórias foram guardadas
em cada comunidade, inclusive os discursos e oração em Jo 14.1-
17.26.
Obs: Muitas vezes uma narrativa terá dentro dela um ensinamento ou uma palavra de
Jesus que se encaixa nas que foram indicadas acima. Isso mostra que os pequenos
gêneros dialogam entre si. Neste caso, todos os pequenos gêneros devem ser
indicados, o que ajuda a entender o objetivo do texto.
4

B) Cartas (e Apocalipse)
 Tradição litúrgica: elementos inseridos nas cartas, bem como no Apocalipse,
que colocam seus ouvintes num ambiente de devoção e preparo espiritual para
ouvir as orientações. Desse modo, os autores reforçavam o conteúdo que
queriam passar para a comunidade. São eles:
 Relatos sobre a ceia: textos onde o centro da mensagem do texto está
na memória sobre a instituição da ceia do Senhor pensando na sua
morte. Podem ser de forma direta (Mc 14.22-25; Mt 26.26-29; Lc
22.15-20; 1Co 11.23-25) ou indireta (1Co 10.16-17; Rm 3.25-26).
 A fórmula “maranatá”: fórmula que aparece duas vezes no NT (1Co
16.22 e Ap22.20. De acordo com a Didaqué, o uso dela ocorria no culto
e no preparo da ceia. Sua origem é de uma expressão aramaica, que
pode ser entendida como maran ata (Nosso Senhor veio/está conosco)
ou marana ta (Vem, senhor nosso).
CURIOSIDADE: A DIDAQUÉ
A didaqué (ou didaquê) é um pequeno texto de orientação para ingresso de novos
convertidos da comunidade que trata da ceia e do batismo. Alguns datam do séc. 1
d.C., mas é mais provável que seja do séc. 2. Mesmo assim, pode-se dizer que o
material é contemporâneo dos escritos do Novo Testamento e era utilizado na
preparação dos novos convertidos.

 Tradições batismais: a ideia de ser sepultado com Cristo (Rm 6.3) ou


batizado nele indica que para Paulo e a Igreja Primitiva o batismo tinha
um profundo significado. No NT existem fórmulas trinitárias (Mt
28.19, além de outras importantes (1Co 1.30; Gl 3.26-28 e Ef 5.15),
todas anteriores a Paulo, inclusive. Tudo que fala sobre lavagem, água
como elemento que purifica, etc., indica esse sentido batismal.
 Hinos: há muitos hinos no NT, inclusive nos Evangelhos (ex: Lc 1.46-
55). Faz parte da tradição israelita, matriz do cristianismo, com seus
salmos e hinos. Também o mundo greco-romano tinha sua expressão
musical, por isso não é de se admirar sua presença no NT (Fl 2.6-11;
Cl 1.15-20; 1 Tm 3.16; 1 Pd 2.22-24). Em especial o Apocalipse
contém muitos exemplos de hinos e cenas litúrgicas (Ap 4.8,11; 5.9-
10; 7.10-12; 12.10-12, etc.).
5

 Homologias: também de chamadas de confissões de fé, porque em


grego quer dizer “confissão”, são afirmações que tratam da unicidade
de Deus, ou de Cristo como Senhor (Rm 3.30; Gl 3.20; 1Co 8.6; Fp
2.9-11; 1Co 12.3). Em afirmações mais elaboradas fazem indicações
sobre a morte (Rm 3.25-26), ressurreição (At 3.15; 1Pd 1.21) ou a
ambos, como em 1Ts 4.14 (também em Rm 8.11; 1 Co 6.14; Gl 1.1,
entre outros).
 Doxologias: esta expressão vem do grego significa “glorificar”, ou
seja, tratam-se de declarações de louvor, visando a Deus (2Co 1.3; Rm
11.36; Jd 25) e a Cristo (2Tm 4.18; 1Pd 4.11; Mt 6.13).
 Eulogias: outra expressão que vem do grego, e significa “bendizer”,
são votos de bênção, da qual a mais conhecida é a chamada bênção
apostólica: 2Co 13.13. Também encontramos exemplos em Rm 1.25;
2Co 11.31; 1Pd 1.3-5; Ap 4.8,11.
 Tradição parenética: é o conjunto de textos nos quais os autores oferecem
orientações sobre a forma como a comunidade deve se portar interna e
externamente. Normalmente feitas por meio de exortações e ensino, inclusive
com citações do Antigo Testamento ou da tradição de Jesus. São eles:
 Catálogos de vícios e virtudes: listas que costumam enumerar uma
série de vícios ou virtudes, sendo que sempre reforçando para a
comunidade não praticar os vícios e buscar as virtudes (Gl 55.22-23;
Ef 4.2-3; 2 Pd 1.5-7). Podem também ser encontrados separados, sejam
os de vícios (como em Rm 1.29-31; 2Co 12.20; Ap 9.21; Ef 5.3-5) ou
de virtudes (Cl 3.12-14; 2Tm 2.22; 2Pd 1.5-7).
 Catálogo de obrigações particulares: também chamado de normas
para a vida doméstica, são orientações voltadas paras as relações nas
oikia ou domos. Mostram como esposos e esposas devem se tratar,
assim como pais e filhos, escravos e senhores (Cl 3.18-4.1; 1Tm 2.8-
15; Ef 5.21-6.9)
 Catálogos de deveres para líderes comunitários: aqui se apresentam
uma serie de deveres voltadas paras as pessoas que exerciam liderança
nas comunidades. Algumas citadas no NT são bispos (supervisores),
presbíteros (anciãos), diáconos e diaconisas, além de pessoas que
6

influenciavam as demais por sua experiência, como pessoas mais


velhas. Uma lista pode ser indicada assim:
 Epíscopos/bispos ou supervisores: 1Tm 3.1-7 e Tt 1.7-9
 Presbíteros ou anciãos: 1Tm 5.17-18 e Tt 1.5-6
 Diáconos: 1Tm 3.8-13
 Viúvas: 1Tm 5.3-16
 Mulheres e homens idosos: Tt 3.3-5
 Mulheres e homens jovens: Tt 2.6,9-10
 “Servos do Senhor”: 2Tm 2.24-25
 Parênese escatológica: além das listas acima, podemos destacar no
campo das parêneses os textos que incluem ética e escatologia.
Colocando a proximidade da vinda de Cristo para os leitores, há uma
exortação que busca criar condições em que o crente deve viver de
maneira tal a não ser encontrado em falta (1Ts 5.1-11). Mesmo quando
o tema escatológico não está claro podemos perceber essa ênfase,
como em Ef 5.3-20 ou Tg 3.15-18. O que se estabelece aí é a
contradição de vícios e virtudes, sem que se faça propriamente uma
lista.
 Discurso normativo ético-comportamental: neste caso, o discurso não
aponta a questão escatológica, mas fundamenta a vivência e o
comportamento da comunidade interna e externamente (1Co 8.1-8; Tg
1.19-27; 1Co 13).
Obs: o Apocalipse também faz uso de diversos desses elementos, mesmo não sendo
formalmente uma carta. Mas a moldura geral do livro segue esse grande gênero, e o
conteúdo dele também apresenta vários elementos similares às demais cartas do Novo
Testamento, além dos elementos próprios. Por isso o inserimos entre parênteses.

DICA: Lembre que ao indicar o pequeno gênero você deve também indicar o
subgênero ou tipo em que seu texto realmente se encaixa. Apenas um exemplo para
ficar claro; no caso de 1Co 8.1-8 (veja acima) devemos indicar o pequeno gênero
da seguinte forma:
7

1 Co 8.1-8 é uma perícope da tradição parenética, que tem o tipo de discurso


normativo ético-comportamental, em que Paulo trata da forma como a comunidade
deve agir diante das carnes sacrificadas aos ídolos.

2) ANÁLISE DAS ESTRUTURAS FORMAIS: PARALELISMOS E


RECURSOS ESTILÍSTICOS
Seguindo a ideia dos paralelismos, vejamos abaixo alguns tipos de paralelismos e outros
recursos presentes no NT, segundo a classificação de Uwe Wegner (2012, p.120-122):

 Paralelismo antitético2
Quando duas linhas ou membros apresentam equivalente em formulação antitética (cf Lc
6.43):
Não há árvore boa que dê mau fruto
E nem árvore má que dê bom fruto.

 Paralelismo sinonímico
Apresenta a mesma ideia repetida com outras palavras (cf. Mc 4.22):
Nada há encoberto, que não será manifestado;
E nada em segredo, que não seja descoberto.

 Paralelismo sintético
Apresenta, na segunda linha ou membro, uma continuação da ideia da primeira,
acrescentando novos aspectos ou explicações (cf. Mt 10.37):
Aquele que ama pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim;
E aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim.

 Paralelismo climático
Quando um paralelismo sintético apresenta uma ideia de forma gradual, em linhas
sucessivas, até chegar ao clímax (cf. Mc 9.37). Perceba a repetição do verbo, mas que
indica uma continuidade na ideia:

2
Ver lista completa em JEREMIAS, Joachim. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Teológica; Paulus,
2004, pp.45-52.
8

Qualquer que receber um destes pequeninos em meu nome, a mim me recebe;


E qualquer que a mim me recebe, recebe aquele que me enviou.

Além dos paralelismos, os autores do NT utilizavam muitos recursos estilísticos para que
o próprio texto indicasse seu centro ou eixo. Dessa forma, os leitores poderiam identificar
o que era mais importante no texto. Temos dois tipos no NT:
 Quiasmo
Ocorre quando elementos de uma frase ou partes de uma perícope se correspondem de
maneira cruzada. É possível diagramar o texto para melhor visualização (cf. Mt 20.16):
E os últimos serão os primeiros

E os primeiros serão os últimos

 Estrutura concêntrica (quiasmo textual)


Quando num texto há vários elementos equidistantes a partir de um centro comum. No
centro há um elemento sem correspondência, em torno do qual os pares se correlacionam.
Graficamente o centro é representado pelo “x”, e as partes por “a, b, c” e seus pares “a’,
b’, c’”, etc. (cf. 1Jo 2.15-17)
A 2.15ª Não amar o mundo: limite ao amor
B 2.15b Amar o mundo
C 2.15c Não estar no amor do Pai
X 2.16ª O que há no mundo: o limite do amor!
C’ 2.16b Não é do Pai
B’ 2.16b Mas do mundo
A’ 2.17 Mundo passa – quem faz a vontade de Deus permanece

Essa estrutura pode perpassar por várias narrativas, agrupadas de tal modo que o centro
delas seja a chave de interpretação das demais. Em Mc 11.12-26, a narrativa de Jesus
purificando o templo está entre a maldição da figueira e os discípulos testemunhando que
ela secou. Nesse caso temos uma indicação do evangelista de que o templo e o culto
9

sacrificial é como a figueira: por não dar mais frutos e estar ligada aos poderes que
oprimem o povo, está secando e vai acabar, como de fato o judaísmo sacerdotal acabou:
A 11.12-14 – Jesus amaldiçoa a figueira
x 11.15-19 – Jesus purifica o templo
A’ 11.20-26 – Os discípulos testemunham a figueira seca