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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU


DISCIPLINA: “CONTRATOS IMOBILIÁRIOS, LOCAÇÃO E OUTROS”
PROF.ª LUCIANA GONÇALVES DE FREITAS SANCHES CUNHA1

Unidade IV – Comodato

O Código Civil traz como espécies de contrato de empréstimo o comodato e


o mutuo.

Ambos têm por objeto a entrega de uma coisa, para ser usada e depois
restituída, porém o primeiro é empréstimo para uso de coisas não fungíveis
apenas e o segundo é empréstimo para consumo.

Commodum datum vem do latim dar para o cômodo ou proveito de outrem.


Esse é o sentido do contrato. O comodato, portanto é o empréstimo gratuito
das coisas não fungíveis, e se perfaz com a tradição do objeto. Comodante
é aquele que sede a coisa e comodatário aquele que recebe a coisa.

Desta forma pode ser dizer que o contrato de comodato possui as seguintes
características:

a) Unilateral – como só há comodato com a entrega da coisa emprestada,


integrando essa tradição a natureza do contrato, resta ao credor o direito de
exigir a restituição do bem. Nenhuma obrigação é atribuída ao comodante.
É apenas o comodatário quem contrai obrigações.

b) Gratuito – é a definição legal, pois se há retribuição pelo uso da coisa, o


contrato se transforma em locação. A liberalidade é o móvel do negócio. A
eventual motivação não é importante bem como as obrigações do

1
Luciana Gonçalves de Freitas Sanches Cunha é Bacharel pela PUC-Campinas em Ciências Humanas,
Jurídicas e Sociais, Mestranda em Direito pela UNIMEP, Professora da Graduação e Pós-Graduação da
UNIP – Campinas e São Paulo nas cadeiras de Direito Civil e Direito Processual Civil. Professora
orientadora do Escritório de Assistência Judiciária da UNIP Campinas. Professora do Curso Preparatório
para Carreiras Jurídicas Intelecto, em Campinas. Advogada e consultora com atuação na área cível.
comodatário ao pagamento de algumas taxas, impostos, despesas de
condomínio não tiram o caráter gratuito do negócio.

c) Intuitu personae – pois o comodante tem em mira a confiança que


deposita na pessoa do comodatário, tanto que é contrato gratuito. O
benefício, salvo ratificação do comodante não se estende aos sucessores
do comodatário.

d) Temporário - O empréstimo é para uso temporário, e seu ajuste pode ser


por prazo determinado ou indeterminado. A posse do comodatário é sempre
precária. A devolução deve ocorrer findo o prazo do contrato, se por prazo
determinado, ou após a notificação, se por prazo indeterminado. A questão
é que deve haver prazo, caso contrário, estaríamos diante de um contrato
de doação.

e) Não solene – não exige forma especial. Pode ultimar-se verbalmente,


como é comum. Pode ser firmado por escritura pública ou particular. É
prudente que em se tratando de imóveis se opte pela forma escrita,
afastando a dificuldade da prova e da caracterização de locação.

A infugibilidade do objeto implica na restituição da mesma coisa recebida


em empréstimo. Se fungível ou consumível, haverá mutuo. Porém o
comodato pode ser móvel ou imóvel.

Situação peculiar é a do contrato de comodato de bens fungíveis ou


consumíveis, admitido quando destinado à ornamentação, como o de uma
cesta de frutas, por exemplo. (comodatum ad pompam vel ostentationem)

A capacidade para figurar em um contrato de comodato é a geral. Porém,


salienta-se que o comodante não precisa ser, necessariamente, o
proprietário da coisa objeto do contrato, sendo suficiente que seja ele o
possuidor ou que o uso lhe pertença. Então deste modo, pode ser
comodante o enfiteuta, o usufrutuário, o usuário e o locatário.
Importante frisar que não podem os tutores, curadores, e em geral todos os
administradores de bens alheios, dar em comodato sem autorização
especial do juiz os bens confiados a sua guarda.

Se o empréstimo é feito por menor gerando com isso efeitos materiais, a


restituição há que ser efetuada na pessoa de seu pai ou tutor, sob pena de
ineficácia e responsabilidade.

Como se trata de contrato temporário, presume-se que a coisa deva ser


utilizada pelo comodatário durante certo prazo ou até que conclua
determinada finalidade. Sob esse aspecto, se o contrato não estipular prazo
pode ser entendido de molde a excluir a temporariedade do contrato. A
utilização da coisa alheia há de ser sempre temporária.

Entretanto, o comodante deve abster-se de pedir a devolução da coisa


emprestada, antes de findo o prazo convencional ou presumido pelo uso. A
exceção somente ocorrerá se provar a necessidade imprevista e urgente.
Assim, não há que se falar em retomada da coisa ad nutum, a qualquer
momento.

O comodatário possui as seguintes obrigações:


a) conservar a coisa - como se sua própria fosse, evitando desgasta-la, não
podendo alugá-la, nem empresta-la. Responde pelas despesas de
conservação, não podendo recobrar do comodante as comuns, como
alimentação do animal emprestado, por exemplo.

b) em caso de perigo, não pode deixar o bem do comodante, preferindo o


comodatário salvar os seus, pois, se abandonar o do comodante,
respondera pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir o evento a caso
fortuito, ou força maior.
Na verdade o artigo 583 do CC equipara a coisa emprestada aos reais bens
do comodatário, no sentido de que essa merece a mesma importância que
tem as coisas próprias do comodatário, ou seja, se em condição de risco o
comodatário preferir salvar suas próprias coisas em detrimento da coisa
emprestada, deve ser responsabilizado pelo dano, já que era o único
beneficiado pelo uso daquela coisa, mas a abandonou em um ato de
desprezo, agindo, portanto, sem o zelo e diligência a que se obrigou.

c) O comodatário só pode usar a coisa de forma adequada. Se fugir do


acordado contratual ou da natureza dela, responde por perdas e danos.
Podendo também dar ensejo a causa de resolução do contrato.

d) restituir a coisa no prazo convencionado - ou, não sendo este


determinado, findo o necessário ao uso concedido. Ex. empréstimo de trator
para colheita, presume-se que findo o prazo com o fim desta. Todo
comodatário que negar-se a restituir a coisa, praticara esbulho e estará
sujeito à ação de reintegração de posse, alem de incidir em dupla sanção:
Respondera pelos riscos da mora e terá de pagar aluguel durante o tempo
do atraso. Em regra, o comodatário não responde pelos riscos da coisa,
mas, se estiver em mora, responde por sua perda ou deterioração, mesmo
decorrentes de caso fortuito.

O comodante, por sua vez, deve entregar a coisa ao comodatário e abster-


se de exigir a restituição da mesma antes de findo o prazo convencionado,
conforme mencionado, inclusive nas exceções.

Se a coisa apresentar vícios ocultos que impossibilitem ou diminuam seu


uso, o comodante deve responder se os conhecia e deixou de avisar ao
comodatário. Como é contrato gratuito, o comodante somente deve
responder por dolo ou culpa grave e ainda, na hipótese de a coisa ter
ocasionado prejuízos.

Será também do comodante a responsabilidade pelo pagamento de


despesas extraordinárias e urgentes, aquelas excedentes à conservação
normal, aos gastos ordinários da coisa cabem, como visto, ao comodatário.

Findo o prazo não é apenas um direito e sim uma obrigação a restituição da


coisa ao comodante. Recusando-se ou opondo-se a isso, deve ser
constituído em mora, caberá a ação própria, possessória, contra o
comodatário, e bem como se o comodante se recusar a recebê-la de volta,
caberá a ação de consignação.

O comodante pode ter como direitos exigir a guarda e a conservação da


coisa pelo comodatário, bem como que o comodatário aja de acordo com a
destinação e finalidade da coisa, ter o bem restituído a final do contrato,
receber aluguel pelo atraso. Importante observação é a trazida pelo artigo
447 que diz que o comodante não se sujeito à evicção, já que se trata de
contrato gratuito.

Como o contrato se finde, se por prazo determinado, e o comodante fique


silente, entende-se que o contrato passou a vigorar por prazo
indeterminado. Nessa hipótese, deve o comodatário ser interpelado para
devolver a coisa em um prazo razoável, a fim de que não seja tomado de
surpresa.

Constituído o comodatário em mora, conforme o art. 582, responderá o


mesmo pelos efeitos naturais da mora, bem como será devido o pagamento
de aluguel.

Não há um prazo especial para a ação de reintegração de posse a ser


movida pelo comodante para reaver a coisa. O prazo é de 10 anos, que é o
prazo geral da prescrição, contado do momento em que a restituição
passou a ser exigível.

O comodatário tem o dever e obrigação de preservar a coisa que lhe foi


emprestada com o escopo de evitar que seja desgastada, deteriorada,
presumindo-se, então, que as despesas comuns decorrentes do uso e
conservação são de responsabilidade exclusiva do comodatário, da mesma
maneira fica proibido de transigir em relação a coisa se neste sentido não
houver previsão contratual.
O comodatário obriga-se a devolver a coisa exatamente no estado em que
a admitiu, porém, se não a devolvê-la no prazo determinado, estará sujeito
ao pagamento de aluguel pelo seu uso que será determinado pelo
comodante. É o que dispõe o artigo 582 do Código Civil:

No entanto, as despesas extraordinárias que porventura venham a resultar


em benfeitorias que tornem mais valioso o bem, devem ser, em regra,
antecipadamente consentidas pelo comodante, mas não ensejam
indenização ao comodante, visto que feitas para uso e gozo do
comodatário, pelo menos naquele período.

Parte da doutrina entende, inclusive, que em casos de despesas que


ultrapassem aquelas consideradas comuns para a conservação da coisa e
que não possam esperar, o comodatário deve ser restituído pelo
comodante. É o se depreende do art. 584 - O comodatário não poderá
jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da
coisa emprestada.

Com relação às despesas extraordinárias, determinadas ao comodante, se


assumidas pelo comodatário, a princípio não há que falar em retenção de
benfeitorias. Porém há que se tomar a regra geral da retenção permitida ao
possuidor de boa-fé, no tocante àquelas efetivadas antes do término da
relação contratual ou da notificação de restituição.

Embora gratuito, o comodato admite a aposição de modo ou encargo, que


não se equipara a uma contraprestação, não o transformando em contrato
bilateral. O encargo é uma restrição que se apõe ao beneficiário de um
negócio jurídico, ora estabelecendo um fim específico pra coisa, ora
impondo uma obrigação em favor do próprio instituidor, de terceiro ou de
coletividade indeterminada.

O legislador não faz menção ao comodato modal, mas ele pode ser
verificado, por exemplo, com relação ao fabricante que empresta
prateleiras, refrigeradores e dispositivos de divulgação a fim de que o
comerciante exponha e venda os produtos de sua fabricação; a distribuidora
de petróleo que fornece equipamentos, tais como bomba, elevador,
compressor, desde que o posto de serviços de veículos comercialize
unicamente produtos de sua bandeira, etc.

Com o modo ou encargo, o comodatário passa a ter outras obrigações além


daquelas naturais a todo comodato. Como já disse Pontes de Miranda, se o
comodatário tem que prestar é ínfimo, ou se, não sendo ínfimo, é
insuficiente para que se pense em correspectividade há comodato.

O contrato de comodato pode ter previsto cláusula penal para a hipótese de


descumprimento do encargo. Em um primeiro momento se pode pensar ser
repugnante a inserção de uma cláusula penal em um contrato de comodato,
porém, não proibição da lei. Não obstante, mesmo que o contrato nada fale
sobre multa, descumprindo o comodatário com suas responsabilidades
contratuais, há que se observar que o mesmo se sujeitará a perdas e
danos, como em qualquer contrato.

O comodato é contrato real que se perfaz com a entrega da coisa. A


promessa de dar em comodato apresenta-se como contrato preliminar, cujo
conteúdo seria contratar futuramente o comodato. Em tese não há proibição
no ordenamento jurídico.

Porém como o comodato é contrato gratuito, como poderia ser isso?


Ninguém pode ser obrigado a emprestar, ainda que tenha se comprometido
a isso. Há que se perquirir da resolução através de perdas e danos.

Com isso, extingue-se o Comodato:


a) Pelo advento do termo convencionado, ou havendo estipulação nesse
sentido, pela utilização da coisa de acordo com a finalidade para que foi
emprestada;
b) Pela resolução, por iniciativa do comodante, em caso de
descumprimento, pelo comodatário, de suas obrigações;
c) Por sentença a pedido do comodante, provada a necessidade imprevista
e urgente;
d) Pela morte do comodatário, pela característica de ser intuitu personae,
em tese o contrato se extinguiria, porém a maioria dos doutrinadores
alega que o contrato poderia se transmitir aos herdeiros e caberia ao
comodante denunciá-lo, caso desejasse a resolução;
e) Pelo perecimento da coisa, sendo que o comodatário será responsável
pelas perdas e danos;
f) Pela vontade unilateral do comodatário, caso em que havendo cláusula
contrária no contrato, pode o comodatário sujeitar-se à multa, se
convencionada.

IMPORTANTE LEMBRAR:
O Comodato não dá ensejo à ação despejo.
Sendo a ação mais comum no Comodato a reintegração de posse ou ação
de restituição de coisa.

O artigo 585 do Código Civil trata especificamente da situação em que


figuram diversos comodatários, ensinando que esses ficam solidariamente
responsáveis pela coisa enquanto perdurar o contrato de comodato.

Vale observar que geralmente não é permitido ao comodatário aproveitar-


se dos rendimentos da coisa, mas, excepcionalmente, isso será possível se
o contrato fizer previsão autorizadora para tanto ou, ainda, se tacitamente
houver autorização do comodante.

O comodante, por sua vez, tem a obrigação de receber a coisa em


devolução ao final do contrato, do contrário pode sujeitar-se a ação de
consignação em pagamento e responsabilizar-se pela mora. Em
contrapartida tem o direito de exigir que seja a coisa bem conservada.
O contrato de comodato poderá se extinguir não só pelo seu fim
propriamente dito, ou seja, pelo fim do prazo, mas também pela morte do
comodatário, pelo distrato entre as partes, pelo perecimento da coisa objeto
do contrato, por sentença judicial, ou ainda, por qualquer causa de
resolução