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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Unidade II
5 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (DFC) - CONCEITO

O fluxo de caixa apresenta-se como um dos instrumentos mais eficazes


na gestão financeira das empresas, permitindo ao administrador planejar,
organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros para um
determinado período, influenciando o processo de tomada de decisão
(OLIVEIRA, SPESSATO e TOLEDO FILHO, 2009).

A demonstração dos fluxos de caixa (DFC), a partir de 01/01/2008, passou a ser uma demonstração
obrigatória, conforme estabeleceu a lei nº 11.638/07, que alterou a lei nº 6.404/76. Essa alteração
formalizou uma tendência internacional no sentido de que a demonstração de origens e aplicações
de recursos (DOAR) fosse substituída pela demonstração dos fluxos de caixa, pelo fato de ser a DOAR
um demonstrativo contábil de difícil interpretação pelos não contadores, apesar de sua inegável
utilidade na análise da situação econômica e financeira das empresas. A DOAR é mais abrangente em
termos de informações do que a DFC, entretanto, as técnicas e os conceitos utilizados na elaboração
da DOAR fazem com que ela seja de difícil compreensão por administradores, analistas de mercados
e investidores.

Assim, ao se tornar a DFC uma demonstração contábil obrigatória, o Brasil passou a seguir a orientação
do International Accounting Standards Board (IASB), órgão que estabelece as normas internacionais
de contabilidade, e do Financial Accounting Standards Board (FASB), órgão normatizador das práticas
contábeis americanas, engajando-se nas práticas dos principais mercados financeiros internacionais;
assim sendo, e seguindo o CPC 3, que trata da elaboração da demonstração dos fluxos de caixa que
desenvolve o conteúdo sobre este demonstrativo contábil.

Saiba mais

É importante que você leia o Pronunciamento CPC 3, sobre a


demonstração do fluxo de caixa.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico


CPC 03: R2. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC03R2_final.
doc>. Acesso em: 21 out. 2013.

A demonstração dos fluxos de caixa é um demonstrativo contábil que explica as modificações


ocorridas no saldo das disponibilidades da empresa em um determinado período, por meio da exposição

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Unidade II

dos fluxos de recebimentos, registrados a débito (aumentos), e de pagamentos, registrados a crédito


(reduções) da conta caixa.

Apesar do nome, devemos considerar, no saldo da conta caixa, as chamadas disponibilidades, ou seja,
os equivalentes de caixa, assim constituídos por:

a) recursos disponíveis em caixa;

b) recursos disponíveis nas contas correntes bancárias;

c) aplicações financeiras conversíveis imediatamente em moeda.

Observação

Smith (1994) expressou o que pode ser considerado um ditado no


mercado: “Os balanços expressam apenas as opiniões dos auditores, não
os fatos. dinheiro é fato. Caixa é fato. Não se pode produzir dinheiro com
artefatos contábeis”. Não é bem assim. A DFC veio dar credibilidade para as
DFC´s.

6 ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA

Considerando-se a estrutura como forma de apresentação, a DFC deve ser estruturada conforme as
atividades, operações que provocam aumentos ou reduções de caixa, em três tipos, a saber:

1 – atividades operacionais;

2 – atividades de investimentos;

3 – atividades de financiamentos.

As atividades operacionais

As atividades operacionais estão diretamente relacionadas à demonstração do resultado do exercício


e devem corresponder às entradas e saídas em dinheiro ou equivalente referentes às operações principais
da empresa, tais como:

Entradas:

• recebimentos de vendas (à vista e a prazo);

• recebimentos de outras receitas (aluguéis, juros);

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

• recebimentos de indenização por sinistros, sentenças judiciais.

Saídas:

• pagamentos de compras (fornecedores em geral);

• pagamentos de despesas (salários, aluguéis, impostos, juros).

Atividades de investimentos

As atividades de investimentos estão diretamente relacionadas às operações que provocam aumentos


e diminuições dos ativos de vida útil longa, utilizados na produção de bens e serviços, bem como a
aquisição de títulos e valores de outras sociedades, classificados no ativo circulante ou permanente, tais
como:

Entradas:

• recebimentos do principal de empréstimos e financiamentos concedidos;

• recebimentos de alienação e participação societárias;

• recebimentos de alienação de títulos de investimentos;

• recebimentos da venda de imobilizado e outros ativos utilizados na produção de bens e serviços.

Saídas:

• desembolsos dos empréstimos concedidos pela empresa a coligadas/controladas /acionistas;

• pagamentos na compra de títulos de investimento de outras entidades;

• pagamentos na compra de títulos patrimoniais de outras sociedades;

• pagamentos à vista referentes à compra de imóveis, máquinas etc.

Atividades de financiamentos

As atividades de financiamentos estão diretamente relacionadas às operações de captação de


recursos próprios e de recursos de terceiros, assim como o pagamento e a remuneração desses recursos.

Entradas:

• integralização do capital em dinheiro;

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Unidade II

• recebimentos em dinheiro de reservas de capital;

• recebimentos de empréstimos e financiamentos.

Saídas:

• pagamentos de empréstimos e financiamentos contraídos;

• pagamentos de dividendos;

• pagamentos de juros e encargos sobre empréstimos e financiamentos.

6.1 Transações que não afetam o caixa

Observemos agora algumas transações que não afetam o caixa da empresa, em virtude de não haver
pagamento nem recebimento:

• depreciação, amortização, exaustão: representam reduções do ativo, sem afetar o caixa;

• estimativa para créditos de liquidação duvidosa (antiga provisão para devedores duvidosos):
representa uma estimativa de eventuais perdas com clientes que não representam desembolso
para a empresa;

• reavaliação: hoje não permitida pela atual legislação (permitido em alguns casos para aplicação
das Normas Internacionais de Contabilidade);

• ganhos ou perdas com investimentos (participações) a partir da aplicação do método da


equivalência patrimonial.

Observação

Na ciência da Economia, não se calcula valor da depreciação. Da


mesma forma, muitos administradores não se importam com o desgaste
das máquinas e ativos. No entanto, os contadores têm a depreciação como
imprescindível.

6.2 Métodos de elaboração da demonstração dos fluxos de caixa (DFC)

Existem dois métodos para a elaboração da demonstração dos fluxos de caixa, a saber:

1 – método direto;

2 – método indireto.
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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

As diferenças entre o método direto e o indireto estão exatamente nos fluxos das atividades operacionais.
Os fluxos das atividades de investimentos e financiamentos são demonstrados de forma idêntica nos dois
métodos.

6.2.1 Método direto

A metodologia de elaboração da DFC direta mostra todos os recebimentos e pagamentos que


contribuíram para a variação das disponibilidades no período.

A metodologia direta divulga informações mais complexas para o usuário da contabilidade. A


estrutura da DFC pelo método direto pode ser assim exemplificada:

DFC

Fluxos das atividades operacionais

(+) Recebimentos de clientes (ajuste 1)


(+) Recebimentos de dividendos e juros
(+) Outros recebimentos provenientes das operações
(-) Pagamentos a fornecedores (ajuste 2)
(-) Pagamentos de despesas operacionais (ajuste 3)
(-) Pagamentos de despesas antecipadas (ajuste 4)
(-) Pagamentos de impostos e contribuições
(-) Outros pagamentos decorrentes das operações.

Fluxos das atividades de investimentos

(+) Recebimentos do principal de empréstimos e financiamentos concedidos


(+) Recebimentos provenientes do resgate de investimentos temporários
(+) Recebimentos provenientes da alienação de bens do imobilizado (ajuste 5)
(+) Recebimentos provenientes da alienação de investimentos permanentes
(-) Desembolsos de empréstimos e financiamentos concedidos
(-) Pagamentos na aquisição à vista de investimentos permanentes
(-) Pagamentos na aquisição à vista de bens do imobilizado (ajuste 6)
(-) Pagamentos na aquisição à vista de itens do diferido
(-) Pagamentos na aquisição de investimentos temporários.

Fluxos das atividades de financiamentos

(+) Recebimentos provenientes da realização de capital em moeda


(+) Recebimentos provenientes de empréstimos e financiamentos obtidos
(+) Outros recebimentos provenientes de financiamentos
(-) Pagamentos do principal de empréstimos e financiamentos obtidos
(-) Outros pagamentos decorrentes das atividades de financiamentos.
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Unidade II

Variação das disponibilidades no período

Saldo final das disponibilidades.


(-) Saldo inicial das disponibilidades.
Variação das disponibilidades no período.

Vejamos agora os ajustes mencionados na estrutura da DFC como meios alternativos para a
mensuração de alguns itens das atividades operacionais e de investimentos.

6.2.1.1 Ajustes de atividades operacionais

Recebimentos de clientes (ajuste 1)

A obtenção do valor dessa atividade operacional pode ser obtida pela seguinte soma algébrica:

Vendas do exercício (à vista e a prazo)

(+) Saldo inicial de duplicatas a receber


(-) Saldo final de duplicatas a receber
(-) Saldo inicial de duplicatas descontadas
(+) Saldo final de duplicatas descontadas
= Total dos recebimentos de clientes no exercício.

Exemplo

Suponhamos que uma determinada empresa tenha os seguintes saldos:

• Duplicatas a receber – saldo inicial – 30


• Duplicatas descontadas – saldo inicial – 20
• Duplicatas a receber – saldo final – 22
• Duplicatas descontadas – saldo final – 17
• Vendas – 100

No razão, teríamos:

Duplicatas
Duplicatas a receber descontadas Vendas Disponibilidade
(a) 10
30 30 (a) (a) 20 20 100 (b)
(b) 78
(c) 17
22 (b) 105

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Supondo-se que:

a) os clientes deviam 30 no início do ano e pagaram 10 em dinheiro e 20 foram baixados a débito de


duplicatas descontadas (a empresa já tinha recebido do banco);
b) como há um saldo final de 22 em duplicatas a receber, infere-se que a empresa recebeu 78 dos
clientes referentes às vendas de exercícios;
c) a importância de 17 foi recebida pela empresa por meio de desconto junto ao banco. Esse valor
poderia ser deduzido utilizando-se a fórmula:

Vendas do exercício 100


(+) Saldo inicial duplicatas a receber 30
(-) Saldo final duplicatas a receber (22)
(-) Saldo inicial duplicatas descontadas (20)
(+) Saldo final duplicatas descontadas 17
= Recebimento de clientes 105

Recebimentos de clientes (ajuste 1) com perdas de créditos a receber e PDD

Se os clientes da empresa não pagaram seus compromissos, a perda com esses clientes deve ser
deduzida da soma algébrica indicada no item anterior para que se obtenha o valor correto recebido
pelas vendas, uma vez que esse recurso não ingressou no disponível da empresa. Assim, teremos:

Vendas do exercício

(+) Saldo inicial de duplicatas a receber


(-) Saldo final de duplicatas a receber
(-) Saldo inicial de duplicatas descontadas
(+) Saldo final de duplicatas descontadas
(-) Perdas com duplicatas a receber
= Total de recebimentos de clientes do exercício.

Por outro lado, se a empresa, prevendo o não pagamento, constituiu uma provisão para devedores
duvidosos (PDD) e lançou a perda a débito de PDD, o ajuste deverá ser feito diminuindo-se da PDD que
não foi revertida no exercício do valor das vendas.

Exemplo

Vendas do exercício 200


Saldo inicial de clientes 40
Saldo final de clientes 30
PDD constituída no final do exercício anterior 10
Reversão de PDD no final do exercício 3
PDD constituída no final do exercício 12
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Unidade II

A perda com clientes foi no exercício de sete, correspondente à perda da PDD que não foi revertida.
O valor recebido de clientes será assim calculado:

Tabela 4

Vendas do exercício 200


(+) Saldo inicial de clientes 40
(-) Saldo final de clientes (30)
(-) PDD do exercício anterior (10)
(+) Reversão de PDD no exercício __3
= Recebimento de clientes 203

Pagamentos a fornecedores (ajuste 2)

O pagamento feito a fornecedores é obtido de maneira análoga à do recebimento de clientes, ou seja,


toma-se o valor das compras no exercício e ajusta-se pela variação dos saldos da conta fornecedores.

Compras do exercício

(+) Saldo inicial de fornecedores


(-) Saldo final de fornecedores
= Pagamento a fornecedores no exercício

• Para empresas comerciais

O valor das compras em empresas comerciais pode ser obtido pela fórmula:

C = CMV – EI + EF

Exemplo

A empresa “X” apresenta os seguintes dados, extraídos de seus demonstrativos contábeis


(BP e DRE)

Saldo inicial da conta fornecedores 100


Saldo final da conta fornecedores 130
Saldo inicial da conta mercadorias 200
Saldo final da conta mercadorias 190
Custo das mercadorias vendidas 500

O valor das compras efetuadas no exercício (C) é:

C = CMV – EI + EF

C = 500 – 200 + 190 = 490


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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

O valor pago a fornecedores no exercício é:

Compras do exercício 490


(+) Saldo inicial de fornecedores 100
(-) Saldo final de fornecedores (130)
= Pagamentos a fornecedores 460

• Para empresas industriais

O valor das compras em empresas industriais pode ser obtido utilizando-se a fórmula seguinte para
obtenção do custo dos produtos vendidos (CPV):

Estoque inicial de materiais

(+) Compras de materiais


(-) Estoque final de materiais
= Materiais consumidos (MAT)
(+) Mão de obra direta (MOD)
(+) Custos indiretos de fabricação (CIF)
= Custo de produção do período (CPP)
(+) Estoque inicial de produtos em elaboração (EIPE)
(-) Estoque final de produtos em elaboração (EFPE)
= Custo da produção acabada (CPA)
(+) Estoque inicial de produtos acabados (EIPA)
(-) Estoque final de produtos acabados (EFPA)
= Custo dos produtos vendidos (CPV)

Uma vez obtido o valor das compras de materiais, utiliza-se de forma semelhante à das empresas
comerciais e obtém-se o valor pago a fornecedores no exercício.

Pagamento de despesas operacionais (ajuste 3) e despesas antecipadas (ajuste 4)

Os pagamentos de despesas no exercício englobam:

1) o pagamento de despesas operacionais incorridas em exercícios anteriores e pagos no exercício


corrente;

2) o pagamento de despesas operacionais incorridas e pagas no próprio exercício;

3) o pagamento de despesas operacionais ainda não incorridas (antecipadas).

Por outro lado, os pagamentos citados não englobam:

a) os valores de despesas incorridas no presente exercício, a serem pagas no exercício seguinte;


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Unidade II

b) as transferências de despesas antecipadas pagas em exercícios anteriores e que foram computadas


como despesas do exercício seguinte;

c) os valores de despesas que foram incorridas no período, mas que não representam saídas de caixa
(depreciação/exaustão/amortização/saldo devedor de equivalência patrimonial).

Supondo-se que todas as despesas operacionais transitaram pelo contas a pagar, o pagamento de
despesas do exercício pode ser obtido da seguinte forma:

Despesas operacionais incorridas no exercício

(+) Saldo inicial de contas a pagar


(-) Saldo final de contas a pagar
(-) Despesas que não implicam desembolso
(-) Transferência de despesas antecipadas para o resultado do exercício
= Desembolso com despesas operacionais já incorridas
(+) Transferências de despesas antecipadas
(-) Saldo inicial de despesas antecipadas
(+) Saldo final de despesas antecipadas
= Pagamentos de despesas operacionais e de despesas antecipadas no exercício.

Exemplo

A empresa Beta S.A. apresentou os seguintes dados referentes a despesas operacionais e despesas
antecipadas:

Saldo inicial de contas a pagar 300


Saldo final de contas a pagar 280
Saldo inicial de despesas antecipadas 60
Saldo final de despesas antecipadas 70
Despesas operacionais incorridas 850
Transferência de despesas antecipadas para despesas operacionais 40
Despesas que não implicaram desembolso 120 (depreciação
90 e equivalência
patrimonial 30)

A movimentação do caixa e das contas correlatas pode assim ser decomposta:

a) a empresa pagou o saldo de contas a pagar no início do exercício;

b) o saldo inicial de despesas antecipadas era de 60 e o final, de 70; como houve no exercício uma
transferência de 40 de despesas antecipadas para resultado (fato que não afetou o saldo de caixa),
concluiu-se que a empresa pagou 50 de despesas antecipadas;

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

c) as despesas de depreciação e equivalência patrimonial não afetam o caixa e tiveram um valor de 120;
as despesas do exercício que teriam implicado desembolso equivalente a 690 (850 – (120 + 40));
d) como havia um saldo final de 280 em contas a pagar e as despesas operacionais incorridas e pagas
no exercício somam 410 (690 – 280), no razonete as disponibilidades seriam:

Disponibilidades
300 (a)
50 (b)
410 (d)
760

O mesmo valor de 760 poderia ser encontrado aplicando-se a fórmula:

Tabela 5

Despesas operacionais incorridas 850


(+) Saldo inicial contas a pagar 300
(-) Saldo final contas a pagar (280)
(-) Despesas efetuadas sem desembolso (120)
(-) Transferência de despesas antecipadas para resultado (40)
= Desembolso com despesas operacionais 710
(+) Transferências de despesas antecipadas para resultado 40
(-) Saldo inicial de despesas antecipadas (60)
(+) Saldo final de despesas antecipadas 70
= Desembolso total com despesas 760

6.2.2 Método indireto

Por esse método, também conhecido como “método da reconciliação”, a DFC é elaborada a partir do
resultado de exercício, efetuando-se ajustes para:

a) somar ao resultado todas as despesas que não representam desembolso (depreciação/amortização/


exaustão/gastos em constituição de provisão/perda na venda de itens do imobilizado/perda com a
aplicação do método da equivalência patrimonial) e diminuir todas as receitas que não impliquem
entrada de numerário (reversão de provisões/ganhos na venda de itens do imobilizado/ganhos
com a aplicação de método da equivalência patrimonial);

b) excluir do lucro a parcela que foi aplicada no aumento de outros bens e direitos do AC (exceto
disponível) ou na diminuição das obrigações do PC e somar a ele os recursos advindos da
diminuição do AC (exceto disponível) e do aumento do PC.

O fluxo de caixa das atividades de investimentos e financiamentos é igual ao do método direto.

A estrutura da DFC pelo método indireto é:

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Unidade II

1 – Fluxo de caixa de atividades operacionais:

Lucro líquido do exercício


(+) Depreciação/amortização/exaustão
(+) Despesas com constituição de provisões
(+) Transferências de despesas antecipadas para resultado
(-) Reversão de provisões
(-) Despesas antecipadas pagas no exercício
(+) Receita negativa (positiva da equivalência patrimonial)
(+) Perda (ganho) de capital
(+) Outras receitas e despesas que não envolvam numerário
(+) Aumento/diminuição em bens e direitos do AC
(+) Decréscimo/aumento em obrigações do PC.

2 – Fluxo de caixa das atividades de investimentos:

Igual à do método direto.

3 – Fluxo de caixa das atividades de financiamentos:

Igual à do método direto.

4 – Variação do disponível (1 + 2 + 3).

5 – Saldo inicial das disponibilidades.

6 – Saldo final das disponibilidades.

Saiba mais

Os fluxos de caixa não são apenas usados em grandes empresas,


ao contrário, são um artefato muito importante também para as
microempresas. Indica-se a leitura do artigo de Oliveira, Spessato e
Toledo Filho (2009):

OLIVEIRA, L. E.; SPESSATO, G.; TOLEDO FILHO, J. R. Estratégias em organizações:


fluxo de caixa como instrumento de controle gerencial para tomada de decisão:
um estudo realizado em microempresas. In: SEMEAD XII, 2009. São Paulo: USP,
2009. p. 1-14. Disponível em: <http://www.ead.fea.usp.br/semead/12semead/
resultado/trabalhosPDF/4.pdf>. Acesso em: 21 out. 2013.

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

7 RESOLUÇÃO DE UM EXERCÍCIO COMPLETO

Resolução de um exercício completo elaborado conforme a legislação em vigor. Todos os


demonstrativos contábeis já estudados, ou seja: 1) Balanço Patrimonial, 2) demonstração do resultado do
exercício, 3) demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, 4) demonstração de origem e aplicações
de recursos e 5) demonstração do fluxo de caixa.

A empresa Comercial S. A. apresentava, em 31/12/2007, os seguintes saldos de suas contas patrimoniais:

• caixa 150;
• participações societárias 1.500;
• imóveis 3.000;
• bancos conta movimento 300;
• capital social 12.000;
• fornecedores 5.000;
• despesas pré-operacionais 500;
• mercadorias 2.800;
• empréstimos 2.000;
• obras de arte 2.000;
• reservas de capital 1.000;
• despesas antecipadas 1.000;
• depreciação acumulada 2.300;
• receitas de exercícios futuros 600;
• duplicatas a receber 3.500;
• amortização acumulada 100;
• capital a integralizar 2.000;
• financiamentos 3.000;
• duplicatas descontadas 1.000;
• duplicatas a receber (L. P.) 2.500;
• veículos 10.000;
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Unidade II

• lucros acumulados 2.450;


• custos e despesas de REF 200.

Até 31/12/2008, foram realizadas as seguintes operações:

1) venda de 50% do estoque de mercadorias, pelo valor de 9.000, sendo 1/3 a vista, 1/3 para
recebimento no curto prazo e o restante para recebimentos no longo prazo;

2) pagamento a fornecedores no valor de 2.000;

3) transferência para o circulante de 1.000 de duplicatas a receber de longo prazo;

4) apropriação da depreciação de imóveis 100 e de veículos 2.000;

5) venda à vista de uma participação societária de valor contábil 1.000 por 1.200;

6) pagamento em dinheiro de despesas gerais do exercício no valor de 1.500 e apropriação de


despesas antecipadas no valor de 500;

7) transferência de financiamento a longo prazo para o circulante, no valor de 600;

8) realização de 50% dos resultados de exercícios futuros;

9) integralização de capital social, sendo 500 em móveis e 500 em dinheiro;

10) recebimento de duplicatas no valor de 1.000;

11) proposta de distribuição de lucro aos acionistas no valor de 300;

12) constituição de provisão para imposto de renda e CSSL no valor de 100;

13) o capital social foi aumentado com as reservas de capital;

14) o saldo remanescente do resultado do exercício foi transferido para a conta lucros acumulados,
após a constituição da reserva legal.

Pede-se:

1) montar o balancete de verificação em 31/12/2007;

2) lançar no diário as operações ocorridas em 2008;

3) transportar para o razão o balancete de verificação e as operações do diário;

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

4) montar a DRE em 2008;

5) montar a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados;

6) montar os Balanços Patrimoniais em 31/12/07 e 31/12/08;

7) montar a demonstração das mutações do patrimônio líquido em 31/12/2008;

8) montar a demonstração dos fluxos de caixa em 31/12/2008 (modelo direto e modelo


indireto).

Lembrete

Lembre-se de que há dois métodos à disposição do contador, o


direto e o indireto. No CPC 3 (R2), na nota explicativa N2, comenta‑se
que o IASB, no item 18, mostra preferência pelo método direto e o
incentiva.

1) Balancete de verificação em 31/12/2007:

Tabela 6

Balancete de verificação da Comercial S. A. em


31/12/2007
Saldos
Contas
Devedor Credor
Caixa 150
Participações societárias 1.500
Imóveis 3.000
Bancos conta movimento 300
Capital social 12.000
Fornecedores 5.000
Despesas pré-operacionais 500
Mercadorias 2.800
Empréstimos 2.000
Obras de arte 2.000
Reservas de capital 1.000
Despesas antecipadas 1.000
Depreciação acumulada 2.300
Receitas de exercícios futuros 600
Duplicatas a receber 3.500
Amortização acumulada 100
Capital a integralizar 2.000
Financiamentos 3.000
Duplicatas descontadas 1.000
Duplicatas a receber (LP) 2.500
Veículos 10.000
Lucros acumulados 2.450
Custos e despesas de REF. 200

Total 29.450 29.450

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Unidade II

2) Diário das operações em 2008:

1) D – Caixa 3.000
D – Duplicatas a receber (CP) 3.000 Lançamentos
D – Duplicatas receber (LP) 3.000 da receita
C – Vendas 9.000

1A) D – CMV 1.400 Lançamentos do custo das


C – Mercadorias 1.400 mercadorias vendidas

2) D – Fornecedores 2.000
C – Caixa 2.000

3) D – Duplicatas a receber (CP) 1.000


C – Duplicatas a receber (LP) 1.000

4) D – Despesas de depreciação 2.100


C – Depreciação acumulada 2.100

5) D – Caixa 1.200
C – Participações societárias 1.000
C – Ganhos na alienação do AP 200

6) D – Despesas gerais 1.500


C – Caixa 1.500

6 A) D – Despesas gerais apropriadas 500


C – Despesas antecipadas 500

7) D – Financiamentos (LP) 600


C – Financiamentos (CP) 600

8) D – Receitas de exercícios futuros 300


C – Custo e despesas – REF. 100
C – Receitas do exercício 200

9) D – Móveis 500
D – Caixa 500
C – Capital a integralizar 1.000

10) D – Caixa 1.000


C – Duplicatas a receber 1.000

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ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

11) D – Lucro/prejuízo acumulado 300


C – Dividendos propostos 300

12) D – Resultado do exercício 100


C – Provisão IR e CSLL 100

13) D – Reservas de capital 1.000


C – Capital social 1.000

14) Primeiro apuramos o resultado do exercício no razão para depois procedermos ao lançamento
no diário:

D – ARE 3.800
C – Lucro/prejuízo acumulado 3.800

14 A) D – Lucro/prejuízo acumulado 190


C – Reserva legal 190

3) Transporte para o razão do balancete e do diário:

Ativo Caixa Participações societárias Imóveis Bancos


150 2.000(3) 1.500 1.000(5) 3.000 300
(1) 3.000 1.500 (6)
(5) 1.200 500 3.000 300
(9) 500
(10)1.000

5.850 3500
2.350

Despesas Despesas Depreciação


pré-operacionais Mercadoria Obras de arte antecipadas acumulada
500 2.800 1.400(2) 2.000 1.000 500(6ª) 2.300

500 1.400 2.000 500 2.100 (4)

4.400

Duplicatas a receber Amortização Capital a integralizar Duplicatas descontadas


acumulada
3.500 1.000(10) 100 2.000 1.000(9) 1.000
(1) 3.000
(3) 1.000 100 1.000 1.000
6.500

59
Unidade II

Duplicatas a
receber (LP) Veículos Móveis e utensílios

2.500 1.000(3) 10.000 (9) 500

(1) 3.000
10.000 500

4.500

Passivo PL

Capital social Fornecedores Empréstimos Reservas de


capitais

12.000 (3) 2.000 5.000 2.000 (13) 1.000 1.000

1.000(13)
3.000 2.000
13.000

Receitas exercícios Financiamentos (LP) Lucros acumulados


futuros
(8) 300 600 (7) 600 3.000 (11) 300 2.450
(14A) 190 3.800 (14)
300 2.400
490 6.250
5.760

Custos e despesas REF. Financiamentos (CP) Dividendos propostos


200 100(8) 600 (7) 300 (11)
100 600 300

PIR / CSLL Reserva legal


100(12) 190 (14ª)

Despesas gerais Receitas do exercício ARE RCM / LB


(6) 1.500 (+) 200 200 (8) (d) 2.100 7.600 © (b) 1.400 9.000 (a)
(6) 500 (2) 2.000 200 (f)
200 (g)
2.000 2.000 (2) © 7.600 7.600
4.100 8.000
(12) 100 3.900
3.800 3.800 (14)

60
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Despesas de depreciação Ganhos na alienação do AP


(4) 2.100 200 (5)

4) Demonstração do resultado de exercício em 31/12/08:

Vendas de mercadorias 9.000


CMV (1.400)
= Lucro bruto 7.600
Receitas do exercício (REF) 200
Despesas depreciação (2.100)
Despesas gerais (2.000)
= Resultado operacional 3.700
Ganhos alienação AP 200
= Lucro antes IR CSLL 3.900
Prov. IR e CSLL (100)
= Lucro líquido do exercício 3.800

5) Demonstração de lucros/prejuízos acumulados em 31/12/08:

Saldo inicial em 31/12/07 2.450


(+) Lucro líquido exercício 3.800
(-) Reserva legal 190
(-) Dividendos propostos 300
Saldo final em 31/12/08 5.760

61
Unidade II

6) Balanços patrimoniais em 31/12/07 e 31/12/08:

Tabela 7

Balanço patrimonial Comercial S. A.


Ativo 31/12/2007 31/12/08
Circulante 6.750 10.050
Caixa 150 2.350
Banco conta movimento 300 300
Duplicatas a receber 3.500 6.500
Duplicatas descontadas (1.000) (1.000)
Mercadorias 2.800 1.400
Despesas antecipadas 1.000 500
Ativo não circulante 17.100 14.500
Realizável a longo prazo 2.500 4.500
Duplicatas a receber (LP) 2.500 4.500

Investimentos 3.500 2.500


Participações societárias 1.500 500
Obras de arte 2.000 2.000

Imobilizado 10.700 9.100


Imóveis 3.000 3.000
Veículos 10.000 10.000
Móveis e utensílios - 500
Depreciação acumulada (2.300) (4.400)

Intangível 400 400


Gastos com pesquisas e desenvolvimento 500 500
Amortização acumulada (100) (100)
Total do ativo 23.850 26.550

Tabela 8

31/12/07 31/12/2008
Passivo
Circulante 7.000 6.000
Fornecedores 5.000 3.000
Empréstimos 2.000 2.000
Financiamentos (CP) - 600
Dividendos - 300
Provisão imposto de renda e /CSLL - 100
Passivo não circulante 3.400 2.600
Financiamentos 3.000 2.400
Receitas de exercícios futuros 600 300
Custos e despesas (REF) (200) (100)
Patrimônio líquido 13.450 17.950
Capital social 12.000 13.000
Capital a integralizar (2.000) (1.000)
Reservas de capital 1.000 -
Reserva legal - 190
Lucros acumulados 2.450 5.760
Total do passivo e patrimônio líquido 23.850 26.550

62
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

7) Demonstração das mutações do patrimônio líquido em 31/12/2008:

Tabela 9

Demonstração das mutações do patrimônio líquido 31/12/08

Capital Capital a Reserva Reserva Lucros Total


integralizar de capital legal acumulados
Saldo inicial 12.000 (2.000) 1.000 - 2.450 13.450
Aumento de capital 1.000 (1.000) -
Integralização de capital 1.000 - 1.000
Lucro líq. exercício 3.800 3.800
Reserva legal 190 (190) -
Dividendos propostos 13.000 (300) (300)
Saldo final (1.000) 190 5.760 17.950

8) Demonstração dos fluxos de caixa em 31/12/2008 (modelo direto e modelo indireto):

Tabela 10

Demonstração dos fluxos de caixa em 31/12/08


Modelo direto
Atividades operacionais
Recebimento de clientes (1) 4.000
Pagamento a fornecedores (2) (2.000)
Pagamento de despesas operacionais (3) (1.500)
Caixa líquido consumido nas atividades operacionais 500
Atividades de investimentos
Recebimento pela venda de ativo não circulante 1.200

Atividades de financiamento
Aumento de capital 500

Aumento líquido das disponibilidades 2.200

Saldo final das disponibilidades 2.650


Saldo inicial das disponibilidades (450)
Aumento líquido das disponibilidades 2.200

63
Unidade II

Tabela 11

Demonstração dos fluxos de caixa em 31/12/08


Modelo indireto
Atividades operacionais
Lucro líquido do exercício 3.800
Despesas de depreciação 2.100
Ganho na alienação do ativo permanente (200)
Transferência de despesas antecipadas para resultado 500
Aumento em duplicatas a receber (curto e longo prazo) (5.000)
Diminuições em estoques 1.400
Diminuições em fornecedores (2.000)
Aumento em provisão para imposto de renda (100)

Caixa líquido consumido nas atividades operacionais 500


Atividades de investimento
Recebimento pela venda de ativo não circulante 1.200
Atividades de financiamento
Aumento de capital 500
Aumento líquido das disponibilidades 2.200
Saldo final das disponibilidades 2.650
Saldo inicial das disponibilidades (450)
Aumento líquido das disponibilidades 2.200
Recebimento de clientes (1)
Vendas do exercício 9.000
(+) Saldo inicial de duplicatas a receber (CP) 3.500
(-) Saldo final de duplicatas a receber (CP) (6.500)
(+) Saldo inicial de duplicatas a receber (LP) 2.500
(-) Saldo final de duplicatas a receber (LP) (4.500)
Total dos recebimentos 4.000
-
Pagamento a fornecedores (2)
Cálculo das compras

C = CMV - EI + EF
C = 1.400 - 2.800 + 1.400
C = Zero
Compras do exercício 5.000
(+) Saldo inicial de fornecedores (3.000)
(-) Saldo final de fornecedores 2.000
Total dos pagamentos

Pagamento de despesas operacionais (3)


Despesas operacionais incorridas no exercício 4.100
Despesas que não implicam desembolso (2.100)
Transferência de despesas antecipadas para o resultado (500)
Total dos pagamentos 1.500

8 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA)

A demonstração do resultado abrangente é uma demonstração relativamente nova no cenário


contábil. Ela foi implantada a partir da lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, a qual se exigiu a
formação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis.
64
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A lei nº 11.638/2007 veio modificar a lei nº 6.404/1976, Lei das Sociedades por Ações, aplicada
também às demais sociedades, levando o Brasil, em termos contábeis e de competitividade econômica,
aos padrões internacionais de contabilidade.

O fato de o Brasil poder passar aos padrões internacionais de contabilidade deve‑se a diversos
fatores, como, por exemplo, controle social interno. Contudo, deve‑se principalmente à estabilização
da moeda, ou seja, um país onde há políticas de controle inflacionário (dentre elas o Plano Real, 1994)
mostra‑se um país receptivo aos mais diversos investimentos internacionais.

Assim, a criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis cumpre algumas das exigências


determinadas pelo padrão internacional de Contabilidade, elaborando e publicando Pronunciamentos
Técnicos que envolvem as mais diversas operações, quer em seu registro, avaliação e consequentemente
à elaboração das contábeis ou financeiras.

Dentre esses Pronunciamentos Técnicos, destaca‑se o CPC 26, Apresentação das Demonstrações
Contábeis, aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução 1.185/2009, e
transformado em Norma Técnica de Contabilidade de Aplicação Geral, NBC T 19.27, na qual consta, nos
itens 10 e 11, a seguinte informação:

O conjunto completo de demonstrações contábeis inclui:

a) Balanço Patrimonial ao final do período;

b) demonstração do resultado do período;

c) demonstração do resultado abrangente do período;

d) demonstração dos fluxos de caixa do período (DFC);

f) demonstração do valor adicionado do período, conforme Pronunciamento Técnico CPC 09n,


Demonstração do Valor Adicionado, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou
mesmo se apresentada voluntariamente;

g) notas explicativas. Compreendendo um resumo das políticas contábeis significativas e outras


informações explanatórias;

h) Balanço Patrimonial no início do período mais antigo comparativamente apresentado quando


a entidade aplica uma política contábil retroativamente ou procede à reapresentação de itens
das demonstrações contábeis, ou ainda quando procede à reclassificação de itens de suas
demonstrações contábeis.

A demonstração de resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo próprio


ou dentro das mutações do patrimônio líquido.

65
Unidade II

Lembrete

Aqui os autores citam a demonstração das mutações do patrimônio


líquido, exatamente a que você estudou na unidade 1.

A entidade deve apresentar com igualdade de importância todas as demonstrações contábeis que
façam parte do conjunto completo das demonstrações contábeis.

É importante ressaltar que o CPC 26, Apresentação das Demonstrações Contábeis, não menciona
a obrigatoriedade da elaboração da demonstração dos lucros e prejuízos acumulados – DLPA, o que
nos leva a entender que a elaboração da demonstração das mutações do patrimônio líquido – DMPL,
por conter informações sobre todas as contas do patrimônio líquido, torna‑se mais eficiente para as
possíveis tomadas de decisão.

Devido à complexidade da aplicação dos Pronunciamentos Técnicos pela maioria das empresas, o
Comitê de Pronunciamentos Contábeis criou o CPC‑PME, este se trata do Pronunciamento Técnico
voltado para as pequenas e médias empresas em nosso país, passando a atender, portanto, a um o maior
número de empresas, até o momento.

O CPC‑PME também foi aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade e também transformado
em Norma Técnica Brasileira de Contabilidade – NBC T 19.41, por meio das Resoluções 1255/2009 e
1.285/2010, em que, nos itens 3.17 e 3.18, consta a seguinte informação:

O conjuntos completo de demonstrações contábeis da Entidade deve incluir todas as seguintes


demonstrações:

a) Balanço Patrimonial ao final do período;

b) demonstração do resultado do período de divulgação;

c) demonstração do resultado abrangente do período de divulgação. A demonstração do resultado


abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo próprio ou dentro das mutações do
patrimônio líquido. A demonstração do resultado abrangente, quando apresentada separadamente,
começa com o resultado do período e se completa com os itens dos outros resultados abrangentes;

d) demonstração das mutações do patrimônio líquido para o período de divulgação;

e) demonstração dos fluxos de caixa para o período de divulgação;

f) notas explicativas, compreendendo um resumo das políticas contábeis significativas e outras


informações explanatórias.

66
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

O item 6.4 do CPC – PME informa que se as únicas mutações no patrimônio líquido durante o período
base das demonstrações contábeis têm origem no resultado, como distribuição de lucros, ou ajuste
de exercícios anteriores ou até mesmo mudanças de políticas contábeis. A Entidade poderá elaborar
somente a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados – DLPA, ao invés da demonstração do
resultado abrangente ou até mesmo da demonstração da mutação do patrimônio líquido – DMPL.

O CPC‑PME faculta a elaboração da Demonstração do Valor Adicionado – DVA para as pequenas e


médias empresas.

Exemplo: Elaboração da Demonstração do Resultado Abrangente.

Questão 1. (Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade – CFC, de 2012 /1). Uma
sociedade empresária apresentou os seguintes dados de um determinado período:

• Despesas administrativas reconhecidas durante o período: R$ 20.000,00

• Ganhos na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda líquidos dos tributos: R$ 30.000,00

• Lucro bruto do período: R$ 240.000,00

• Lucro líquido do período: R$ 270.000,00

• Perdas derivadas de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior menos


tributos sobre ajuste de conversão: R$ 170.000,00

• Receita de vendas realizadas durante o período: R$ 800.000,00

• Resultado do período antes das receitas e despesas financeiras: R$ 230.000,00

Na demonstração do resultado abrangente, elaborada a partir dos dados fornecidos, o valor do


resultado abrangente é igual a:

A) R$90.000,00.

B) R$100.000,00.

C) R$110.000,00.

D) R$130.000,00.

Resolução:

Conforme o Manual de Contabilidade Societária, FIPECAFI: resultado abrangente inclui


as mutações do patrimônio líquido que não representam receitas e despesas realizadas. Inclui
67
Unidade II

alterações que poderão afetar o resultado do período futuramente ou às vezes permanecerão sem
esse trânsito.

Quanto à questão: vamos avaliar cada situação apresentada e identificar sua participação ou não
no resultado abrangente.

Despesas administrativas reconhecidas durante o período: R$ 20.000,00

São despesas do período, portanto fazem parte do resultado do período e não do resultado
abrangente.

Ganhos na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda líquidos dos tributos:
R$ 30.000,00

Este resultado não faz parte do período, pois é uma atualização de ativos para venda futura, ou seja,
a contabilização é feita diretamente no patrimônio líquido. Neste caso, esse valor faz parte do resultado
abrangente.

Lucro bruto do período: R$ 240.000,00

Este lucro faz parte do resultado do exercício (receita líquida menos custo das vendas).

Lucro líquido do período: R$ 270.000,00

Este é o lucro do período, ou seja, partimos desse valor para chegarmos ao resultado abrangente.

Perdas derivadas de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior menos


tributos sobre ajuste de conversão: R$ 170.000,00

Resultado de conversão não faz parte do resultado do período, portanto será incluído no resultado
abrangente.

Receita de vendas realizadas durante o período: R$ 800.000,00

Vendas realizadas no período fazem parte do resultado do período e não do resultado abrangente.

Resultado do período antes das receitas e despesas financeiras: R$ 230.000,00

Refere‑se ao lucro bruto menos as despesas administrativas e comerciais do período, portanto não
fazem parte do resultado abrangente.

Demonstração do resultado abrangente – DRA

Lucro líquido do período: R$ 270.000,00


68
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

(+) Ganhos na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda líquidos dos tributos:
R$ 30.000,00

(‑) Perdas derivadas de conversão de demonstrações contábeis de operações no exterior menos


tributos sobre ajuste de conversão: R$ 170.000,00

(=) Resultado abrangente: R$ 130.000,00

Portanto, a alternativa correta é a letra D.

Resumo

Na unidade 1, estudamos a importância das demonstrações contábeis


e financeiras e as suas consequências no mercado, inclusive refletindo
sobre os esforços que as empresas estão empreendendo para satisfazer as
necessidades de informação dos usuários da contabilidade, em especial os
investidores.

Lembre-se do caso da empresa “Austria Solar”, que ganhou o Grande Prêmio


Cannes Lions de 2012 por ter usado uma tinta inovadora em seu relatório
anual. Certamente, ganhar um prêmio em Cannes é algo extraordinário de tão
bom, mas pode ter a certeza de que investidores atraídos para essa empresa
somente irão investir se as demonstrações contábeis e financeiras realmente
forem corretas e bem informativas. Por isso, não adianta, como disse Lauretti
(2003), caprichar nos elementos gráficos e descuidar do conteúdo. E é nisso
que você irá ter a oportunidade de trabalhar!

Percorremos em detalhes o que a legislação nos exige quanto às


seguintes demonstrações:

• DLPA (Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados).

• DMPL (Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido).

• DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa).

• DRA (Demonstração dos Resultados Abrangentes).

Costumo dizer que uma aula começa, mas nunca termina. Nesse
sentido, não pense que o seu estudo se esgota neste livro-texto. Leia os
saiba-mais indicados, e insisto: procure ler em profundidade (ou de forma
“microscópica”, como dizem alguns) um relatório anual (demonstrações
contábeis e financeiras) de uma empresa de sua preferência.
69
Unidade II

Mais do que isso, as demonstrações contábeis e financeiras que você


estudou não são do conhecimento de todos os contadores. Como você
teve a oportunidade de estudar detalhes sobre as “novas demonstrações
contábeis”, principalmente a DRA, comente com seus superiores, com seus
colegas, que você tem esse conhecimento. Com certeza, irá te abrir portas.
Não é satisfatório quando a gente está iniciando a carreira e alguém confia
no nosso conhecimento?

Por ora, dentro do nosso caminhar...

Até a próxima!

Exercícios

Questão 1. A Cia. Manufatura Guaracy adquiriu um equipamento em outubro de 2005,


colocando-o em funcionamento em 01.12.2005. Do custo de aquisição desse bem, no valor de
R$ 63.000,00, foi paga uma parcela de R$ 30.000,00 e o restante financiado com incidência de
juros de 12% ao ano. Além desse valor, no mês de novembro, a empresa incorreu nos seguintes
desembolsos:

Itens pagos Valor


Transporte do equipamento R$ 2500,00
Instalação e adequação física do equipamento R$ 3000,00
Testes de funcionamento do equipamento R$ 3000,00
Juros sobre empréstimos R$ 330,00

Qual é o valor a ser contabilizado no ativo permanente da empresa, em 30.11.2005, em relação a


esse equipamento?

A) R$ 63.000,00

B) R$ 65.500,00

C) R$ 69.500,00

D) R$ 71.500,00

E) R$ 71.830,00

Resposta correta: alternativa D.

70
ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Justificativa geral

Independentemente da forma como é pago, se à vista ou a prazo, o bem relativo ao imobilizado


deve ser contabilizado pelo seu valor original, acrescido das despesas operacionais que permitam a sua
operação para a geração de caixa e de outros benefícios para a empresa.

Entre os itens pagos pela empresa, podemos mencionar os três primeiros citados no quadro do
enunciado. Ou seja, somando os valores relativos ao transporte do equipamento (R$ 2.500,00),
à instalação e à adequação física do equipamento (R$ 3.000,00) e aos testes de funcionamento do
equipamento (R$ 3.000,00), chegamos a R$ 8.500,00.

O enunciado informou que o custo de aquisição do equipamento foi de R$ 63.000,00. Logo, o valor
a ser contabilizado no Ativo Permanente da empresa é dado pela soma dos R$ 63.000,00 gastos com a
aquisição do equipamento com os R$ 8.500,00 pagos pelo transporte, pela instalação e pelos testes de
funcionamento do equipamento.

Portanto, o valor contabilizado no Ativo Permanente da empresa é de R$ 71.500,00, pois R$ 63.000,00


+ R$ 8.500,00 = R$ 71.500,00.

Observação: o termo Ativo Permanente foi excluído da nova legislação societária (Lei n. 11.941/09).
Atualmente, a classificação é dividida em Ativos Circulantes e Ativos não Circulantes. Entre os Ativos não
Circulantes, há o Realizável em Longo Prazo, o investimento, o imobilizado e o intangível.

Questão 2. Leia, a seguir, as Demonstrações Contábeis da Cia. Inter.

Balanço Patrimonial (BP) – exercício findo em 31/12/X2 (em R$)

Ativo X1 X2 Passivo X1 X2
Circulante Circulante

Disponível 6.850 7.000 Fornecedores 4.780 10.290

Clientes 4.800 3.710 Dividendos a pagar 1.300 520


Estoques 7.460 5.800 IR/CSSL a pagar 430 510
Total do circulante 19.110 16.510 Total do circulante 6.510 11.320
Não circulante Não circulante
Investimentos 10.200 15.000 Exigível em Longo Prazo
Imobilizado 17.200 21.500 Empréstimos 8.000 9.300
Máquinas 20.000 25.300 Total do não circulante 8.000 9.300
Deprec. acumulada (2.800) (3.800) Patrimônio Líquido
Intangível 10.000 Capital social 30.000 40.000
Total do não circulante 27.400 46.500 Reservas de lucros 2.000 2.390
Total do PL 32.000 42.390
Total do Ativo 46.510 63.010 Total do Passivo + PL 46.510 63.010

71
Unidade II

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de X2 (em R$)

Receita bruta de vendas 21.000


Impostos sobre vendas (3.000)
Receita líquida de vendas 18.000
CMV (15.900)
Lucro bruto 2.100
Salários (2.100)
Depreciação (1.000)
Despesas financeiras (800)
Receita de equivalência patrimonial 2.200
Lucro antes do IR/CSSL 1.300
Provisão p/ IR/CSSL (390)
Lucro Líquido do Exercício 910

Considerando que as despesas financeiras não foram pagas e que houve aumento de capital social
de R$10.000,00, é correto afirmar que a Cia. Inter:

A) Distribuiu dividendos de R$ 520,00.

B) Obteve empréstimos bancários de R$ 9.300,00.

C) Realizou novos investimentos de R$ 4.800,00.

D) Recebeu de clientes R$ 21.000,00.

E) Teve sua folga financeira de curto prazo aumentada.

Resolução desta questão na plataforma.

72
REFERÊNCIAS

Textuais

BRAGA, H. R.; ALMEIDA, M. C. Mudanças contábeis na lei societária. São Paulo: Atlas, 2009.

BRUNI, A. L. A contabilidade empresarial. São Paulo: Atlas, 2006.

CPC. Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Disponível em: <www.cpc.org.br>. Acesso em: 12 nov.
2012. (Para acesso aos CPC,s Pronunciamentos Contábeis / Resoluções do CFC pertinentes aos CPC’s).

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento conceitual básico: R1. Disponível em:


<http://www.cpc.org.br/pdf/CPC00_R1.pdf>. Acesso em: 21 out. 2013.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento técnico CPC 03: R2. Disponível em:
<http://www.cpc.org.br/pdf/CPC03R2_final.doc>. Acesso em: 21 out. 2013.

HERNANDEZ PEREZ JÚNIOR, J. Anotações de comentários durante a palestra: Fórum Regional de


Normas Contábeis – Norma Contábil para pequenas e médias empresas NBCTG 1000/CTG 1000
(adoção plena da norma), 5 out. 2010. São Paulo: CRC SP, 2013.

LAURETTI, L. Relatório anual: veículo por excelência da comunicação institucional. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2003. 143 p.

MAHONEY, W. F. Relações com investidores. Rio de Janeiro: IMF, 1997.

MARION, J. C. Contabilidade empresarial. Exercícios. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

MARTINS, E.; GELBCKE, E. R.; IUDÍCIBUS, S. Manual de contabilidade das sociedades por ações. 5. ed. São
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Exercícios

Unidade 1 – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2006. Administração.
Questão 24. Disponível em: <http://public.inep.gov.br/enade2006/ADMINISTRACAO.pdf>. Acesso em:
8 dez. 2013.

Unidade 1 – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2006. Contabilidade.
Questão 12. Disponível em: <http://public.inep.gov.br/enade2006/CONTABILIDADE.pdf>. Acesso em:
3 dez. 2013.

Unidade 2 – Questão 1: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2006. Contabilidade.
Questão 25. Disponível em: <http://public.inep.gov.br/enade2006/CONTABILIDADE.pdf>. Acesso em:
8 dez. 2013.

Unidade 2 – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO


TEIXEIRA (INEP). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) 2009. Contabilidade.
Questão 20. Disponível em: <http://public.inep.gov.br/enade2009/CONTABILIDADE.pdf>. Acesso em:
8 dez. 2013.

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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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