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A MULHER NAS CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

Tânia Maria dos Santos1

II Seminário Nacional de Ciência Política: América Latina em debate


Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
Porto Alegre, 23 a 25 de setembro de 2009

RESUMO
O artigo analisa aspectos históricos nas Constituições Brasileiras, a Imperial e as
Republicanas, sob a ótica da mulher. O principal objetivo é apresentar uma análise ampla dos
fatos políticos, jurídicos e sociais que levaram às principais mudanças das condições da
mulher no Brasil. A hipótese central afirma que vivemos num momento que impõe o giro
teórico e prático, no qual umas das consequências é a implantação normativa dos direitos
individuais das mulheres no país.

Palavras-chave: Constituições Brasileiras, Movimento das Mulheres, direitos individuais.

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O propósito principal deste trabalho é apresentar uma reflexão sobre momentos


históricos que nortearam as normas constitucionais federais, sob enfoque da mulher. O
objetivo secundário é uma contribuição ao projeto de doutorado em andamento.
O tema proposto tem elos, principalmente, com três áreas de conhecimentos: Direito,
Política e História. Sobre essas devemos fazer algumas contextualizações.
A representação legislativa ou política envolve interesses contrapostos que exigem
discussão e transação, sendo necessário um método que adote a conduta responsável como
uma das condições do princípio da universalização2. O discurso argumentativo jurídico deve
imunizar-se contra os elementos não-racionais, isto é, deve realizar-se em condições de
imparcialidade. Portanto, importa partirmos do princípio de que o parlamento representa o
cidadão politicamente, enquanto o tribunal constitucional, argumentativamente3. O

1
Advogada, professora universitária e mestra em Direito pela ULBRA, e-mail: tanniasantos@hotmail.com
2
ALEXY, Robert. La Teoría de la argumentación jurídica – La teoría del discurso racional como teoría de la
fundamentacion jurídica. Traducido por Manuel Atienza e Isabel Espejo. Madrid: Centro de Estudios
Constitucionales, 1997, p. 79-91.
3
ALEXY, Robert. Constitucionalismo discursivo. Trad. Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2007, p. 53-4. Cumpre destacar que, atualmente, as grandes discussões jurídicas estão entre o Direito
e a Filosofia, e não mais entre a Política e o Direito.
2

desenvolvimento desses aspectos e de outros contribuirá decisivamente para realizações


fundamentadas no melhor argumento, que é o ideal4.
No que tange à história, devemos registrar a observação do historiador José H.
Rodrigues5, que apresentou uma introdução teórica à história em geral e metodológica à
história do Brasil. Ao tratar dos gêneros na história, faz uma importante distinção entre
periodização e divisão. Assevera que, na primeira não existe divisão e sim distinção,
enquanto, na segunda, há uma mutilação da unidade, pois o historiador revela só os aspectos
da vida que lhe interessam. Considera que a especialização não é um erro, mas expõe o
historiador a graves perigos e demonstra que a periodização se tornou um dos problemas mais
sérios e de solução difícil. Essas colocações ganham especial atenção nas seguintes situações:
ao nos depararmos com críticas semelhantes da historiadora Andréa Lisly Gonçalves6; quando
constatamos que o empréstimo do conceito de gênero gramatical, que reflete a divisão entre
masculino e feminino em algumas línguas, enquanto outras possuem outra divisão de gêneros
desvinculada do sexo; ao se ler sobre as críticas feministas à lógica7; na discussão que
emerge, em outros países, sobre a alteração legal do gênero, onde as pessoas transexuais são
reconhecidas como tendo outro gênero na previdência social, mas não para o casamento.
Apesar da problemática, na chamada história do gênero, contemporaneamente, a
categoria de gênero é adotada para indicar uma distinção sexual entre feminino e masculino,
isto é, como uma variável sociodemográfica. Entretanto, em outras situações, a mesma
categoria pode até ser associada a papéis sociais. Porém, tais atuações específicas não
contribuem para explicar certos processos sociais e seus resultados objetivos. A distinção de
gênero é universal, as categorias de gênero são sempre culturalmente determinadas, nesse
sentido, esclarece a antropóloga Maria Luiza Heilborn: “A categoria de gênero não deve ser
acionada como um substituto de referência para mulher ou homem. Seu uso designa, ou
deveria fazê-lo, a dimensão inerente de uma escolha cultural e de conteúdo relacional.”8

4
ABBANANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000, p. 522. O autor afirma que o
ideal em Kant é algo que, embora não se possa atribuir realidade objetiva, nem por isso deve ser considerado
uma quimera; ao contrário, oferece um critério à razão, que precisa do conceito do que é perfeito em seu gênero
para, tomando-o como medida, avaliar e estimar o grau e a falta de perfeição.
5
RODRIGUES, José Honório. Teoria da história do Brasil. 5. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1978, p. 145-146.
6
GONÇALVES, Andréa Lisly. História e gênero. Belo Horizonte: Autêntica, 2006, p. 64-65.
7
BRENNAN, Andrew; DEUSCH, Max; GOLDSTEIN, Laurence; LAU, Joe Y. F. Lógica conceitos-chave em
filosofia. Porto Alegre: Artmed, 2007, p. 189-195.
8
HEILBORN, Maria Luiza. Usos e abusos da categoria de gênero. In HOLLANDA, Heloísa Buarque (org.). Y
nosotras latinoamericanas¿ Estudos sobre gênero e raça. São Paulo: Fundação Memorial da América Latina,
1992, 41.
3

Também convém registrar, ainda em caráter preliminar, que o feminismo é em si um


fenômeno complexo e não há unificação nos discursos feministas9. Certamente, de acordo
com Michelle Perrot, ficaríamos livres dos estereótipos se o “movimento das mulheres não
tivesse se transformado em o movimento feminista”10.

2 CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO IMPÉRIO DE 1824

A nossa mais duradoura Constituição não emanou de Assembléia Constituinte. A


Constituição Política do Império do Brasil, de 25 de março de 1824, foi confiada a um
Conselho de Estado que teve a incumbência de preparar um Projeto de Constituição mais
liberal do que a extinta Assembléia Constituinte. O texto constitucional, que compreendia 179
artigos e 8 títulos dedicou 164 artigos à organização dos poderes políticos e 7 a enunciar as
garantias dos direitos civis e políticos aos brasileiros.
O jurista mineiro Raul Horta11 destaca três características principais da Constituição
em tela: incorporação constitucional do Poder Moderador, base de toda organização política,
sendo que a separação entre o Poder Executivo e Moderador surgiu a partir da prática no
sistema monárquico-parlamentarista britânico; o segundo aspecto destacado flexibilidade,
pois a Constituição era semirígida, um meio termo entre rígida e flexível, já que existiam um
amplo campo de regras que poderiam ser alteradas por um processo legislativo ordinário,
desde que não invadisse os poderes políticos e os direitos políticos e individuais do cidadão;
foi uma das mais liberais que existiam em sua época, superando até mesmo as européias e
menos centralizadora que o projeto da Constituinte, a declaração de direitos e garantias
individuais foi desenvolvida nos 35 incisos do art. 179.
O texto constitucional menciona a mulher apenas ao dispor sobre a sucessão imperial
(art. 116 e seguintes). Nesse momento constitucional, eram os cidadãos homens com 25 anos
ou mais e todos que tivessem renda de 100 mil-réis, mas em 1881 foi proibido o voto dos
analfabetos. As mulheres e os escravos não eram considerados cidadão, sendo os excluídos
políticos no período imperial.

9
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência? Bauru: EDUSC, 2001, p. 32. A autora elucida
termos, que geralmente as pessoas misturam: mulher é um individuo especifico; gênero denota relações de poder
entre os sexos e refere-se tanto ao homem quanto a mulheres; fêmea designa sexo biológico; feminino refere-se a
maneirismos e comportamentos idealizados das mulheres num lugar e época específicos que podem também ser
adotados por homens; feminista define uma posição ou agenda política.
10
PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Trad. Ângela M. S. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2008, p.
154.
11
HORTA, Raul Machado. Direito constitucional. Belo Horizonte: Del Rey, 2003, p. 53-54.
4

A herança colonial que mais pesou, na concepção de José Murilo12, foi na área dos
direitos civis, com os obstáculos da escravidão, da propriedade rural e do Estado,
comprometido com o poder privado13. A liberdade individual não foi concedida como direito
inalienável, uma forte característica da tradição anglo-saxônica, em razão da presença da
tradição cultural ibérica.
As perdas na colonização dos povos nativos das Américas foram grandes. Os
missionários, ávidos de impor o casamento cristão, trabalharam para fragmentar o amplo e
extensivo grupo em que as famílias se constituíam. O resultado foi aumento do isolamento
entre as mulheres14. Evidentemente, havia, também, o afastamento de outros países que
fomentava a estagnação social das mulheres, basta lembrarmos que a primeira Convenção
feminista foi em Sêneca Falls, nos Estados Unidos da América, em 1848, denominada a
Convenção dos Direitos da Mulher, na qual a congressista Elizabeth Candy Stanton
enumerou, com clareza, os direitos humanos das mulheres, negados pelo sistema patriarcal15.
Apenas em 1879 o governo brasileiro possibilitou às mulheres cursarem o ensino de
terceiro grau, mas as que buscaram este caminho estavam sujeitas ao preconceito social por
seu comportamento contra a “natureza”16.

12
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil – o longo caminho. 11. ed. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2008, p. 45 e ss.
13
Sobre o período colonial e a construção do poder, ver CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem
– teatro das sombras. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. O autor esclarece que os estudos sobre
a elite tendem a focar quem governa, identificar a elite, como surgem e desaparecem; entretanto, hoje, devemos
perquirir - pela existência ou não de elite de poder e como detectá-la. Vale ressaltar, também, que a educação
superior foi um fator de homogeneização da elite política brasileira imperial, uma ilha de iletrados com a
síndrome da educação superior/educação jurídica/educação em Coimbra, enquanto 80% da população não
tinham ensino superior. No Brasil, nem a elite imperial (homogênea) e nem o estado eram tão fortes.
14
STEARNS, Peter N. História das relações de gênero. Trad. Mirnna Pinsky. São Paulo: Contexto, 2007, p.
114-115. Cabe aqui lembrar que o Brasil foi colonizado por um dos países que fomentou o processo de
Contrareforma, portanto, avesso à ilustração do século XVI. Enquanto isso, a Reforma Protestante proporcionou
que pessoas se tornassem sujeitos de sua própria religiosidade, a partir do momento que conseguiram dialogar
com os textos sagrados.
15
SANTOS, Sidney Francisco Reis dos. Mulher: sujeito ou objeto de sua própria historia? Florianópolis:
OAB/SC, 2006, p. 114. Os direitos enumerados foram: “Ele nunca lhe permitiu exercer seu direito inalienável ao
voto; ele a tornou, se casada, civilmente, morta; ele lhe tirou todo direito à propriedade, até mesmo ao salário que
ganha [...] tornando-se, para todos os fins, seu senhor; ele redigiu de tal modo as leis de divórcio [...] que elas
ficaram totalmente indiferentes à felicidade das mulheres [...]; ele monopolizou todo trabalho lucrativo [...]; eles
lhes têm negado condições pra obter educação plena [...]; ele criou um falso sentimento público por meio da
outorga, ao mundo, de códigos morais diferentes para os homens e para as mulheres”.
16
SANTOS, Sidney Francisco Reis dos. Mulher: sujeito ou objeto de sua própria história? Florianópolis:
OAB/SC, 2006, p. 119.
5

3 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1891

A primeira constituição da República Brasileira foi decretada e promulgada pelo


Congresso Constituinte de 1891, convocado pelo governo provisório. Teve por principal fonte
de influência a Constituição dos Estados Unidos da América, vigorou durante toda a
República Velha ou Primeira República17, foi a mais breve, com 91 artigos, e sofreu apenas
uma alteração em 1927.
Estabeleceu o sufrágio universal masculino para todos os brasileiros alfabetizados
maiores de 21 anos de idade. O voto continuaria “a descoberto” ou não-secreto, porém os
candidatos a voto seriam escolhidos por homens maiores de 21 anos, à exceção de
analfabetos, mendigos, soldados, mulheres e religiosos sujeitos ao voto de obediência;as
Províncias passaram a ser denominadas Estados com maior autonomia dentro da Federação, e
os Estados da Federação passaram a ter suas constituições hierarquicamente organizadas em
relação à constituição federal; a Igreja Católica foi desmembrada do Estado Brasileiro,
deixando de ser a religião oficial do país consagrando a liberdade de associação e de reunião.
Não havia exclusão expressa à mulher do voto porque não havia a idéia da mulher como um
indivíduo dotado de direitos, tanto que várias mulheres requereram, sem sucesso, o
alistamento.
A instauração do regime republicano, no país, ocorreu em 15 de novembro de 1889,
no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do
Exército brasileiro, liderados pelo comandante marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe
de estado e depôs o imperador D. Pedro II. Nessa data o jurista Rui Barbosa assinou o
primeiro decreto do novo regime, instituindo um governo provisório com Marechal Deodoro
da Fonseca como presidente e, como ministros, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Rui
Barbosa, Campos Sales, entre outros. Pesquisas históricas mais recentes18 contestam a
percepção de que o “o povo assistiu bestializado” à Proclamação da República, pois era vista
como um regime que traria o desenvolvimento para o país.

17
O presente prestigia a utilização de termos consagrados nos períodos republicanos: República Velha ou
Primeira República; República da Espada ou Segunda República; República do Café-com-Leite ou República
Nova ou Terceira foi a da Era Vargas (Governo Provisório, Governo Constitucionalista e Estado Novo);
República Populista ou Quarta República (Dutra, Vargas, JK, JQ e JG); Ditadura Militar do Brasil ou Quinta
República (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo) e Nova República ou Sexta República
(Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC, Lula).
18
MELLO, Maria Tereza Chavez. A república consentida. São Paulo: FGV, 2007, p. 231, assevera que a que
“a historiografia que privilegia a versão do bestializado desvaloriza o que a década de 1880 valorizou: a rua. Ou
melhor: desqualificar a proclamação da República é desqualificar a política feita na rua, é não seguir a
advertência de Euclides de não confundir a República “com a bela parada de 15 de novembro”. No ensejo,
referenciamos outra pesquisa, muito interessante, que também contraria interpretações consagradas,
DOLHNIKOFF, Miriam. O pacto imperial origens do federalismo no Brasil. São Paulo: Globo, 2005.
6

A elite política, que tomou o poder após a independência, tinha características básicas
de unidade ideológica e treinamento, as quais não estavam presentes nas elites dos outros
países da América Latina. A elite republicana era mais representativa do que a imperial, no
entanto, não mais democrática19. No meio o urbano, as elites consideravam as manifestações
populares prejudiciais ao progresso econômico.
Na lógica da tradição política autoritária brasileira, o trabalhador que migrou para as
cidades para se tornar um operário, deveria ser controlado pelas políticas públicas, que tinham
por objetivo cooptar o mesmo e impedir qualquer mudança da “ordem” e do próprio
progresso econômico. Eram cidadãos todos aqueles membros da comunidade que se
enquadravam em qualquer uma das ocupações reconhecidas e definidas em lei. O trabalhador
urbano autônomo e o trabalhador rural, nesse contexto, foram classificados como pré-
cidadãos, pois a sua ocupação não era reconhecida pela lei.
Houve um retrocesso na fonte básica dos direitos de cidadania, pois, a partir da
Constituição, deixou de fornecer obrigatoriamente educação primária, sob alegação de que
não cabia ao Estado fornecer assistência social. O conceito de cidadania, a partir da legislação
social, fomentada a partir de 1930, passa a ser calcado não em um código de valores políticos,
mas sim a partir de um sistema de estratificação ocupacional, ou “cidadania regulada”. Nessa
perspectiva, a regulamentação das profissões, a carteira de trabalho e os sindicatos regulados
pelo Estado constituíram os três parâmetros básicos para a definição da cidadania no Brasil.
O Brasil era um país predominantemente agrícola, sendo que, ao final da final da
década de 1920, começava, com o capital advindo do setor cafeeiro, a tomar uma nova forma
e com as transformações do capitalismo industrial, o comércio e as fábricas absorveram,
gradativamente, mais mulheres. Assim, em 1927, a Constituição Estadual do Rio Grande do
Norte inclui artigo autorizando a mulher a votar e ser votada, sendo que, no nível federal,
apenas em 1932, foi decretado o direito de sufrágio para as mulheres.

4 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1934

Considerada o verdadeiro marco no campo constitucional brasileiro20, buscou


inspiração no novo constitucionalismo do pós-guerra de 1914/1918 e nas Constituições
representativas do constitucionalismo social da Alemanha de Weimar de 1919, do México de
1917 e da Espanha de 1931. O federalismo, presidencialismo e declaração de direitos foram

19
CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem – Teatro das sombras. 4. ed. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2008, p. 235.
20
HORTA, Raul Machado. Direito constitucional. Belo Horizonte: Del Rey, 2003, p. 55.
7

matérias que exauriram os temas constitucionais da Constituição liberal e individualista de


1891, sendo mantidos, mas houve acréscimos do constitucionalismo social, que lançou novos
fundamentos e novas concepções.
A Constituição da República Nova foi promulgada após o chefe do Governo
Provisório, Getúlio Vargas, que governou o país por decreto desde a Revolução de 1930 até
1933, após a derrota da Revolução Constitucionalista de 1932. O aumento do campo da
matéria constitucional foi ambicioso ao introduzir a ordem econômica e social, a família, a
educação e a cultura. Tinha como principais inovações a introdução do voto secreto e o
sufrágio feminino, a criação da Justiça do Trabalho, definição dos direitos constitucionais do
trabalhador (jornada de 8 horas diárias, repouso semanal e férias remuneradas) e previdência
social. Entretanto, os conflitos ideológicos, rivalidades regionais, resistências à sucessão
pressidencial e outros fatores fizeram-na tombar diante do Golpe de Estado.
Na constituinte de 1934, dois anos após autorização no nível federal, houve uma
representante do sexo feminino, a primeira deputada do Brasil: Carlota Pereira de Queirós. No
próximo tópico, serão examinado os pensamentos que permeavam a sociedade da época.
Todavia, no âmbito federal, as mulheres foram excluídas, pois houve uma atitute legal
patriarcal nas Constituições de 1937 e 1967, bem como na Emenda Constucional de 1969.

5 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1937

A Constituição do Estado Novo foi outorgada pelo presidente Getúlio Vargas com
implantação da ditadura do Estado Novo. Ficou conhecida como a Constituição Semântica21,
porque foi colocada a serviço do detentor de poder, perdendo a normatividade, exceto nas
passagens que conferiram atribuições ao titular do poder.
Era uma realidade quase abstrata, pois inexistia uma integração entre povo e governo,
a participação política ficava a cargo de uma minoria22. José Murilo de Carvalho perquiriu
acerca dos instrumentos de legitimação da república e enfrentou dois problemas: o que os
símbolos dizem sobre a criação do mito na república brasileira na sociedade da época da
proclamação, que é o que nos interessa no momento, e as correntes republicanas vencedoras
na batalha pelo imaginário brasileiro. No que se refere ao mito de origem da república,
procurou estabelecer uma versão dos fatos reais ou imaginados. Nesse contexto, foi

21
LOEWENSTEIN, Karl. Teoria de la constitución. 2. ed. Barcelona: Ariel, 1970, p. 218-222.
22
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil – o longo caminho. 11. ed. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2008, p. 83.
8

examinada a tentativa de um papel da alegoria feminina para a sustentação do imaginário da


República no Brasil, sendo comparado o papel da mulher na sociedade francesa da época com
a nossa.
A França produziu um estoque de inspiração para o Brasil23, porém o destino foi
diverso, porque o mito precisa de uma base social para se consolidar. Lá, houve a cultura da
mulher pública, tanto que no período jacobino as mulheres participaram da política através
das manifestações, protestos, luta armada e ações heróicas. No Brasil, desafortunadamente, a
mulher, da mesma forma que os homens do povo, não tiveram participação efetiva na
construção da República, até mesmo para os positivistas ortodoxos, para os quais as mulheres
eram superiores, todas elas eram consideradas como pilar fundamental da família, guardiãs do
lar. Tal situação foi alimentada, dentre outros fatos, pela “mariolatria católica” e porque os
artistas se formaram na tradição imperial. Longe da mulher do povo, a concepção aderida foi
do fim do século XIX da Europa, da mulher sensual e sedutora. A República foi capaz de
estabelecer um consenso mínimo entre seus adeptos, a figura do herói Tiradentes só foi aceita
em razão de ser ambígua, todavia, a única imagem que conseguiu dar comunhão nacional aos
vastos setores da população foi Aparecida, numa clara dependência do cívico ante o
religioso24.
Segundo Lucila Costa, o entendimento do Brasil de hoje passa, necessariamente, pela
compreensão da postura do Estado em 1930, pois a organização do estado burocrático,
oligarquia que utilizou a máquina pública, passou a surgir nesse período25. O Estado criou seu
próprio projeto de cidadania.
A seguir, também destacamos as considerações de José Murilo:

23
CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil, p. 75-108.
Pontuais foram as explicações sobre quadros famosos sobre elementos da alegoria feminina na França, com
inspiração Romana, como barrete de frígio (libertos na antiga Roma), feixe de armas (unidade), leme (governo),
lança (arma popular). No primeiro período, foi a mulher belicosa, conforme pinturas de Delacroix como A
Liberdade guiando o povo, Rude na A partida dos voluntários, conhecida como A Marselhesa; na segunda
república, a mulher maternal, protetora, segura e sólida, retratada pelo Daumier na obra A República; desta
surgiu a distinção da mulher de uma República Burguesa (sentada ou em pé, maternal ou combativa) e uma
República Socialista, com atributos que a rodeiam, barrete frígio (radicalismo) versus bandeira tricolor
(moderação). Na terceira república houve a liberalização do culto à República, externado com monumentos com
figura feminina, novos símbolos revolucionários e deslizamento de sentido da figura feminina, como de símbolo
da República para símbolo da França, da esquerda para a direita.
24
CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil, p. 94.
25
Ver sobre o tema BOTTOMORE, Tom; MARSCHALL, T.H. Ciudadanía y clase social. Madrid: Alianza
Editorial, 1998, p. 128-132. Marschall, que desde início do século XX emitia questionamentos acerca da
igualdade numa economia capitalista e o estado do bem-estar, acreditava que a cidadania só pode ser absorvida
dentro dos limites do Estado Nação, um determinante para que se examinar o desenvolvimento dos direitos
individuais. Desde o início do período republicano, no Brasil, inexistia Estado Nação consolidado. A cidadania
não brota da sociedade civil, mas nasce no Estado, sendo por ele moldada.
9

O importante em todo o debate não é discutir se existiu ou se existe dominação.


Ninguém nega isto. O problema é detectar a natureza da dominação. Faz enorme
diferença se ela procede de um dinamismo centrado na dinâmica do conflito de
classes gerado na sociedade de mercado que surgiu da transformação do feudalismo
na moderna sociedade industrial, via contratualismo, representação de interesses,
partidos políticos, liberalismo político; ou se ela se funda na expansão lenta do poder
do Estado que aos poucos penetra a sociedade e engloba as classes via
patrimonialismo, clientelismo, coronelismo, populismo, corporativismo. É esta a
diferença que faz com que o Brasil e a América Latina não sejam os Estados Unidos
ou a Europa, que sejam o Outro Ocidente, na feliz expressão de José G. Merquior.26

O reconhecimento dos trabalhadores urbanos e a inclusão do eleitorado feminino


como membros da sociedade civil e portadores de demandas legítimas deveriam ser
articulada, autorizados e patrocinados pelo Estado, isto é, a via autoritária conduziria a
integração na chamada modernidade. Devido à insatisfação, naquela sociedade, com o
crescimento da desigualdade social, o governo buscou medidas que satisfaziam os interesses
da classe trabalhadora (a antiga política do pão e circo), mas retirou-lhes a total autonomia.

6 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1946

Conhecida como a Constituição da República Populista, pois consagrou as liberdades


expressas na Constituição de 1934, que haviam sido retiradas em 1937, refletiu o grande
momento da legislação social nos anos anteriores. Entretanto, a legislação foi introduzida num
ambiente de pouca participação política e de precária vigência dos direitos civis.
Vale lembramos que a estrutura social original do Brasil foi de clãs patriarcais na qual,
em razão de uma mentalidade elementar, não se via nada além27. Havia pouca solidariedade,
era mais comum quando advinda dos proprietários, porque o meio social era hostil à
solidariedade privada e política. No nosso país, não houve necessidade de dar fim aos
déspotas. Diferentemente da Europa, a figura do opressor obteve êxito, porque não tivemos
aristocracia de raças, de classe, ou de poder, que exigia um defensor. Certamente, esses fatos
contribuíram pela falta de consciência política, mentalidade de profunda inferência ao poder e
inaptidão para ações em conjunto. Nesse contexto, é pertinente destacar a obra de Jussara Reis
Prá e Marcello Baquero28, que apontaram dados que sugerem a persistência de valores

26
COSTA, Lucila Pinheiro. A questão da cidadania: O Legado da “Era Vargas” p. 16 do referido autor mineiro
em Mandonismo, coronelismo, clientelismo: uma discussão conceitual. In: Pontos e bordados – escritos de
história e política. Belo Horizonte: UFMG, 1998, p. 86.
27
Vianna, Oliveira. Populações Meridionais do Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1973, v. I, p.146-164. O
fato de ter sido refém do seu tempo não retirou o brilhantismo de suas obras.
28
BAQUERO, Marcello; PRÁ, Jussara Reis. A democracia brasileira e a cultura política no Rio Grande do
Sul. Porto Alegre: UFRGS, 2007, p. 189-192.
10

culturais (como autoritarismo) e determinadas práticas políticas cotidianas que não favorecem
a cultura participativa e democrática também no Rio Grande do Sul, pois há uma tendência de
usar os mecanismos informais, em detrimento dos dispositivos formais, na solução de
problemas.
Esse pecado de origem e a maneira como foram distribuídos os benefícios sociais
tornaram duvidosa sua definição como conquista democrática e comprometeram, em parte,
sua contribuição para o desenvolvimento de uma cidadania ativa29. Com a abertura política,
em 1945, e a criação dos partidos, o “cidadão” brasileiro, passou a ter, novamente, o poder
político.
Fruto do amadurecimento constitucional e do equilíbrio político, a Constituição de
1946 submergiu na voracidade de 21 emendas constitucionais, de 4 atos institucionais e de 33
atos complementares.
As mulheres brasileiras, apesar da exclusão constitucional mencionada acima,
empreenderam-se em lutas em prol de seus direitos civis nos anos 50. Podemos destacar a luta
em prol da modificação dos dispositivos do Código Civil de 1916, porque continha inúmeros
dispositivos legais que relegavam a condição de inferioridade. O resultado dessa demanda foi
o Estatuto da Mulher Casada, em 1962, no qual a mulher casada passou a ter plena capacidade
aos 21 anos, sendo considerada colaboradora do marido nos encargos da família. A aprovação
da lei do divórcio em 1977 também foi resultado do Movimento Feminista.

7 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1967

A Constituição de 1967 recebeu, em 1969, nova redação por uma emenda decretada
pelos “Ministros militares no exercício da Presidência da República”. É considerada por
alguns especialistas, em que pese ser formalmente uma emenda à Constituição de 1967, uma
nova Constituição de caráter outorgado. Através de Ato Institucional atribuiu-se a função de
poder constituinte originário, afastou a oposição e legalizou a ditadura, que perdurou de 1964
a 1985. Atos posteriores trouxeram mais mudanças de natureza ditatorial, no mandato do
Marechal Arthur Costa e Silva foram concedidos poderes ao Presidente para fechar, por
tempo indeterminado, o Congresso Nacional, as Assembleias Estaduais e as Câmaras
Municipais, suspender os direitos políticos por 10 anos e cassar mandatos efetivos e ainda

29
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2004, p. 110.
11

decretar ou prorrogar estado de sítio; intensificou a concentração de poder no executivo ao


permitir a susbstituição do presidente pela Junta Militar.
Além dessas modificações, o governo também decretou uma Lei de Segurança
Nacional, que restringia severamente as liberdades civis como parte do combate à subversão e
à Lei de Imprensa, que estabelecendo a Censura Federal que durou até o ínício da Nova
República com o governo José Sarney.
Nas décadas de 1960 e 1970, o feminismo eclodiu na Europa e nos Estados Unidos,
bastante impulsionado pela efervescência política e cultural que essa regiões passavam na
época, que colocavam em xeque os valores conservadores da organização da sociedade. No
Brasil, o cenário era bem diferente, pois o páis estava vivendo em uma ditadura militar, o
auge da repressão.
Durante a Ditadura Militar as mulheres organizaram-se, independentemente de
partidos políticos, idade e classe social, para formar uma militância contra o regime militar. A
maioria era composta por mulheres que viram os maridos serem torturados e assassinados
pelo governo militar. Esse movimento, independente de partidos políticos e outras ideologias,
foi muito apreciado pela sociedade, dando espaço à simpatia de vários grupos políticos.
Em 1977, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito30, para investigar a
situação da mulher no mercado de trabalho e demais atividades, que trouxe a tona questões,
que hoje ainda é uma realidade.

8 CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Decretada e promulgada pela Assembléia Nacional Constituinte de 1988, deu forma ao


regime político com allteração da divisão administrativa, concessão de maior autonomia aos
municípios, ampliação dos direitos sociais e as atribuições do poder público, instituiu uma
ordem econômica tendo por base a função social da propriedade e a liberdade de iniciativa,
limitada pelo intervencionismo estatal. Outros importantes avanços constituiconais foram as
eleições majoritárias em dois turnos, caso nenhum candidato consiga atingir a maioria dos
votos válidos, implementação do sistema único de saúde, voto facultativo para cidadãos entre

30
Foram ouvidas 39 personalidades dos mais diversificados setores para examinar a situação da mulher em todos
os ramos de atividades. Foram promovidos estudos e audiências públicas, de março a outubro de 1977, para
verificar até que ponto a legislação vigente à época contribuía para manter a posição de inferioridade atribuída à
mulher e em que pontos deveriam ser alterados.
12

16 e 17 anos, garantia da demarcação de terras indígenas31, maior proteção ao meio ambiente,


garantia de aposentadoria para trabalhadores rurais sem necessidade de contribuição ao o
INSS e o fim da censura aos meios de comunicação.
Também trouxe dispositivos de grande importância para o fim da discriminação
sofrida pelas mulheres, ao garantir-lhes, expressamente, o direito à igualdade, nos termos do
art. 5º, inciso I, e ao assegurar-lhes a titularidade da plena cidadania, deflagrando, desse
modo, uma verdadeira revolução no que tange à inserção feminina nos espaços sociais. Até
1988, ainda existiam os óbices legais dos artigos 233 e 380 do Código Civil, que estabeleciam
que a representação legal da família cabia ao marido, ao pai o exercício do patrio poder e, no
caso de divórcio, prevalecia a vontade do marido; e a mulher se não concordasse, deveria
buscar o judiciário.
Atualmente, são comuns mulheres presidentes de associações de bairro, dirigentes de
ONGs, integrantes de movimentos sociais. Porém, a intensa participação política das
mulheres tem como ponto de observação os espaços informais de poder. Isso significa que,
embora muitas mulheres exerçam a direção de associações de bairro e de organizações civis
em geral, essa participação não é refletida, na mesma proporção, quando analisamos os
poderes institucionais do Estado Brasileiro. As chefias de órgãos e entes públicos ainda são,
na maioria, ocupadas por homens, inclusive no Congresso Nacional. Esse fato ajuda a
desmistificar o regime de cotas, porque não garante a inserção social, quer seja instituído no
poder legislativo, ou nas universidades, ou em qualquer outro seguimento no Brasil.
O início da década de 80 se caracterizou como período de autocrítica para todos os
setores políticos e econômicos no Brasil, inclusive para o Movimento Feminista. Foi notória a
desmobilização política e a retração de todos os grupos sociais organizados, apesar das
mobilizações pela Constituinte e pelas eleições diretas. No nosso entendimento, nessa fase, o
movimento deixou de ser feminista para ser das mulheres, pois se tornou difuso e não se
concentrou em um único grupo. As mulheres passaram a trabalhar em vários grupos e não
houve mais uma unificação da causa feminista.
Revelou-se a diversidade dentro do próprio movimento, desencadeada por razões
históricas que de certo modo também era a percepção dos que estavam do lado de fora.
Definimos, tal descoberta como sentimento de finitude do Movimento das Mulheres no
Brasil. Pensamos que, há mais duas décadas o movimento das mulheres brasileiras fechou

31
Enfatizamos que Florestan Fernandes, Constituinte de 1988, participou do momento fundador da ciência
social, pois antes os cientistas sociais advinham do direito, ou da economia. Também contribui para academia ao
inserir o índio e negro para serem sujeitos na sociedade e não objetos.
13

uma grande fase e ingressou numa época na qual é necessário um giro. E, diferentemente do
que concluiu Maria Izilda S. dos Santos32 sobre a obra Hans Gadamer33, porque não
propositura de um “método pronto e fechado”34, é sim um referencial teórico pertinente. Não
bastam os “pré-juízos negativos”, porque este só coloca etiquetas, só fecha, só atualiza. A
verdadeira compreensão implica a reconquista dos conceitos de um passado histórico de tal
modo que esses contenham, também a própria concepção da mulher enquanto ser individual.
Pensamos que a principal luta é da pré-compreensão da mulher diante do pré-conceito, pois se
não houver pré-compreensão, não transportaremos para outra fase, continuaremos adaptando.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo revelou-nos diversos aspectos que merecerão exames pormenorizados em


outro momento. Porém, um traço caractéristico nas Constituições Brasileiras, imperial e
republicanas, foi que as mudanças das condições da mulheres brasileira surgiram de normas
locais e só depois adquiriam caráter geral, ou federal.
A conjuntura política, econômica e social clama por compreeensão. A mulher
contemporânea é desafiada a compreender a si, ao objeto e ao problema, que é um passo
decisivo para se deixar ser guiada por suas antecipações35. Certamente, esses desafios
influenciam no combate à discriminação no trabalho, na legalização do aborto (como um
direito de liberdade de opção da mulher pela maternidade e pelo seu próprio corpo), e outras
opções individuais de adoção de estilo de vida.
Se afastarmos a má reputação do feminismo e as tentativas frustradas partidárias,
observaremos que um dos objetivos básicos é a consolidação dos direitos individuais das
mulheres, considerando as peculiaridades do nosso país. Apesar da sedimentação da mulher
como sujeito nas relações sociais e clamor social por ações que aproveitem esse contexto, a
historiadora Londa Schiebinger36 adverte que a incorporação das mulheres é conturbada
porque demanda profundas mudanças estruturais. As dificuldades derivam, por exemplo, do

32
MATOS, Maria Izilda S. de Matos. Por uma história da mulher. 2. ed. Bauru: EDUSC, 2000, p. 26 e 48.
33
GADAMER, Hans-George. Verdade e método I traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica, p.
142, 488, 489, e 490/91, margens 382-3.
34
A nossa opinião é que o objetivo de Gadamer não foi apresentar um método “pronto e fechado”. Perquiriu se a
verdade depende de método ou não e conclui que as situações diferem nas ciências do espírito e naturais. A
hermenêutica não tem método, pois a preocupação é com a pergunta, com sentido orientado. Nesse sentido ver
LAWN, Caris. Compreender Gadamer. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 52-55 e 83-90.
35
GADAMER, Hans-George. Verdade e método I traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica, p.
142. É denominada “abertura ao tempo” exposta e desenvolvida por HESSE, Konrad. Elementos de direito
constitucional da República federal da Alemanha. Trad. Luís Afonso Heck. Porto Alegre: Fabris, 1998.
36
SCHIEBINGER, Londa. O feminismo mudou a ciência?, p. 37.
14

fato que as mulheres não-participantes e não-incentivadoras desses movimentos sociais se


beneficiam de batalhas ganhas pelo Movimento das Mulheres.

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15

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