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Alberto Félix Traquinho Saué

REALISMO E NATURALISMO:
conceitos, características, tipologias, objectivos e diferenças

Quelimane, 2018
Índice

Introdução ........................................................................................................................................ 3

1. Realismo / Naturalismo ............................................................................................................... 4

1.1. Contexto histórico .................................................................................................................... 4

1.2. Surgimento e evolução ............................................................................................................. 4

1.3. Conceito de realismo ................................................................................................................ 6

1.3.1. Objectivos do realismo .......................................................................................................... 6

1.3.2. Características do Realismo................................................................................................... 7

1.3.3. Tipos de realismo................................................................................................................... 7

1.3.3.1. Realismo optimista: Robert Browning, "Fra Lippo Lippi" (1855) ..................................... 7

1.3.3.2. Realismo russo: Fyodor Dostoyevsky, The Devils (1871).................................................. 8

1.3.3.3. Realismo social ................................................................................................................... 8

1.4. Conceito de naturalismo ........................................................................................................... 9

1.4.1. Surgimento do naturalismo .................................................................................................... 9

1.4.2. Características do Naturalismo ............................................................................................ 10

1.4.3. Crítica ao naturalismo .......................................................................................................... 10

1.5. Alguns dos princípios aceitos pelos realistas e naturalistas, no que diz respeito à criação .... 11

1.6. Diferença entre Realismo e Naturalismo ................................................................................ 14

1.7. Realismo/Maturalismo no mundo .......................................................................................... 15

2. Conclusão .................................................................................................................................. 17

Bibliografia .................................................................................................................................... 18
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Introdução

A presente pesquisa versa sobre Realismo e Naturalismo. Pretende-se com a mesma trazer os
principais contornos sobre estes dois temas, com intuito de conhecer o contexto de surgimento e
evolução, características, representantes, estabelecer diferenças, entre outros aspectos.

O Realismo foi uma escola literária que combatia os ideais românticos. O surgimento ocorreu
enquanto o mundo vivenciava o nascimento do socialismo e da segunda Revolução Industrial.

A partir da segunda metade do século XX, as concepções estéticas que nortearam o ideário
romântico começaram a perder espaço. Uma nova tendência, baseada na trama psicológica e em
personagens inspirados na realidade, toma conta da literatura ocidental. Estava inaugurado o
Realismo-Naturalismo

O realismo e o naturalismo eram muitas vezes definidos por seu assunto: a escolha de pessoas
simples por pessoas mais ricas e mais "interessantes", súditos em vez de agradáveis, contos
trágicos em vez de histórias com finais convencionalmente felizes. Durante o debate um tanto
confuso sobre o realismo, os adversários da escola que se chamavam realistas muitas vezes
declararam que a realidade é tanto espiritual quanto material, e que, portanto, um escritor ou
pintor que exclui a alma é culpado de falsificar a realidade; e um romancista que descreve apenas
pessoas sórdidas e degradadas é falso para a natureza, porque há muitas pessoas boas no mundo.
O realista poderia argumentar que há mais pessoas pobres, infelizes e degradadas do que pessoas
ricas, felizes e elevadas
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1. Realismo / Naturalismo

1.1. Contexto histórico

 Revolução Industrial (Inglaterra);

 Amplo progresso científico e tecnológico;

 Movimentos de origens popular com idéias liberais, nacionalistas e liberais;

 Publicado o Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels;

 Extinção do tráfico negreiro (1850);

 Guerra do Paraguai (1864-1870);

 Abolição dos escravos (1888).

1.2. Surgimento e evolução

Na Segunda metade do século XIX, a concepção espiritualista de mundo, que tinha caracterizado
o período romântico, foi cedendo lugar a uma concepção científica e materialista. Tal visão de
mundo decorre do enorme valor que se atribuiu à ciência, vista na época como o único
instrumento seguro para explicar a realidade e também gerar riquezas. O espírito científico era
considerado como critério supremo na compreensão e análise da realidade. A ciência vai
determinar as novas maneiras de pensar e viver.

Para ter uma idéia da atmosfera dominante, atente para as palavras do filósofo francês Taine:
"Pouco importa que os fatos sejam físicos ou morais; eles sempre têm as suas causas. Tanto
causas para a ambição, a coragem, a veracidade, como para a digestão, o movimento muscular e o
calor animal. O vício e a virtude são produtos químicos como o açúcar e o vitríolo ".

Em 1859 Darwin publica A origem das espécies. Nessa obra, a evolução das espécies é
considerada como resultado do mecanismo de seleção natural. A idéia básica de tal mecanismo é
a de que o meio ambiente condiciona todos os seres, deixando sobreviver os mais fortes e
eliminando os mais fracos. A natureza de todos os seres, o homem inclusive, seria determinada
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por circunstâncias externas. O meio ambiente passa a ter enorme importância, pois condiciona
matéria e espírito. Essa concepção biológica de vida, chamada darwinismo, seria responsável por
grandes mudanças no campo científico, repercutindo na economia, na filosofia e na política.

O positivismo, corrente filosófica baseada no método das ciências naturais, traduziu essa visão de
mundo, pois concentrava-se nos fatos, rejeitando qualquer explicação metafísica para a atuação
do homem no mundo, além de propagar a idéia de que somente o progresso material já seria
suficiente para neutralizar os desequilíbrios sociais.

Segundo os positivistas, todos os fenômenos podem ser explicados pela ciência, o que os reduz,
portanto, ao aspecto simplesmente material.

A psicologia também apresenta mudanças, subordinando os fenômenos psíquicos aos


fisiológicos, estes sim considerados de grande importância, por serem observáveis e analisáveis.

No plano econômico, nota-se acentuado interesse pelo liberalismo da época anterior.

Politicamente, defendem-se idéias republicanas e socialistas. É bom lembrar que o Manifesto do


Partido Comunista, data de 1848.

Em resumo: a ciência, que tinha conseguido revelar as leis naturais, extremamente objetivas,
suplanta o idealismo do período romântico, formulando uma concepção predominantemente
materialista da vida.

No Brasil assinalam-se fatos importantes nesse período:

 a abolição do tráfico de negros coloca em disponibilidade grandes capitais, que passam a


ser empregados em atividades urbanas, levando as cidades ao crescimento

 a lavoura cafeeira prospera, possibilitando a expansão de novas áreas de povoamento,


assim como o aquecimento das atividades produtora e consumidora; surge o
telégrafo;inaugura-se, em 1874, o cabo telegráfico submarino entre o Brasil e Europa;

 aparecem os primeiros jornais publicados regularmente

A burguesia volta-se para a ciência, enxergando nela respostas e soluções para os problemas do
momento histórico que o país vivia. O pensamento europeu, principalmente o positivista,
encontra, por isso, grande ressonância entre nós. Por volta de 1870, a Faculdade de Direito de
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Recife está em plena atividade. A partir dela formam-se grupos que consideram a atividade
científica como base para um renovação do pensamento, utilizando revistas e jornais como
veículo de divulgação de suas idéias.

1.3. Conceito de realismo

De acordo com BARRISH (2004), alguns comentários sobre o significado de "realismo" e


"naturalismo" literário estão em ordem. Esses termos são bastante difíceis de definir, parecem
vagos, contraditórios e inconsistentes se pensarmos em uma definição abstracta. "O realismo
existe desde que a literatura existe", declarou um dos entusiastas franceses do realismo na década
de 1850, e passou a reivindicar para sua escola praticamente todos os escritores importantes dos
tempos modernos. Todos os escritores descrevem algo que é "real", pois mesmo sonhos e
experiências místicas são reais em alguns sentidos; e aquele que abjurou a realidade material e
física pode estar em sintonia com a realidade psicológica. Embora se diga que o realismo é o
oposto do romantismo, alguns falaram de um "realismo romântico" (Dickens, Balzac, Stendhal,
Dosteyevsky); talvez os maiores escritores sejam sempre os dois.

Segundo STROMBERG (1968), “Realismo designa o conjunto de características que marcam a


literatura e as outras artes na Segunda metade do século XIX”

“O realismo é a forma de apresentar ou considerar as coisas tal como são. Uma postura realista
não exagera nem atenua os acontecimentos/factos.”1

Num sentido amplo, realismo aplica-se a toda obra em que o artista procura representar a
realidade de maneira objetiva, quase fotográfica.

1.3.1. Objectivos do realismo

O objectivo do realismo foi por vezes afirmado como a representação imediata, directa e sem
mácula do discurso das pessoas. Alguns escritores recentes usaram gravadores em suas pesquisas;

https://conceito.de/realismo
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mas mesmo eles obviamente tiveram que seleccionar seu material e, portanto, estruturá-lo. A
combinação de imagens em movimento e gravação de som para reproduzir a reacção exacta de
pessoas que não sabem que estão sendo observadas, como em um programa, pode dar um
realismo ou naturalismo.

1.3.2. Características do Realismo

 Objectivismo;

 Veracidade;

 Descrições e adjectivações objectivas, tentando captar o real como ele é;

 Linguagem culta e directa;

 Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades;

 Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais;

 Casamento como instituição falida, como contrato de interesses e conveniências;

 Herói problemático, cheio de manias e incertezas;

 Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico;

 Personagens trabalhadas psicologicamente;

 Universalismo.

1.3.3. Tipos de realismo

1.3.3.1. Realismo optimista: Robert Browning, "Fra Lippo Lippi" (1855)

O realismo pode significar várias coisas. Críticos alegaram que alguns "realistas" usaram o termo
como uma desculpa para a fraude. Para outros, como Flaubert, o realismo significava mais quase
a atitude amoral, mostrando que a vida como sempre acontece com o distanciamento clínico.
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Outros realistas, como o poeta inglês Robert Browning, glorificavam-se na "abundância de Deus"
e se deleitavam em captar, da maneira mais exata possível, a verdadeira forma e matiz de tudo

1.3.3.2. Realismo russo: Fyodor Dostoyevsky, The Devils (1871)

Erich Auerbach comenta sobre o romance realista russo que mostrava uma "intensidade passional
de experiência" além da Europa Ocidental, como se as emoções nessa imensa terra fossem tão
grandes quanto a geografia russa.

A observação de Auerbach leva a pensar, acima de tudo, em Fyodor


Dostoiévski, artista, psicólogo, metafísico e até mesmo profeta, como romancista. A combinação
de Dostoiévski da percepção aguda de detalhes físicos e psicológicos com grande profundidade
de pensamento faz dele talvez o maior de todos os romancistas do século XIX. Sua capacidade de
nos conduzir directamente a uma cena e dentro de um personagem, um talento verdadeiramente
dickensiano, é complementada por um interesse sério em uma ampla gama de ideias. O mundo de
Dostoiévski, com seus personagens intensos e melancólicos, pode parecer estranho a princípio,
mas poucos leitores podem deixar de ficar fascinados por ele.

Dostoiévski escreveu The Devils (ou The Possessed, como é frequentemente traduzido) entre
1869 e 1871 contra um pano de fundo de fermentação política na Rússia. Surgiram movimentos
terroristas revolucionários, organizados por liberais desiludidos com o programa de reforma do
czar, que havia começado bravamente com a libertação dos servos em 1861, mas que depois
vacilara. Embora desdenhoso da aristocracia russa, Dostoiévski era hostil a esse espírito
revolucionário.

1.3.3.3. Realismo social

"Hoje, quando o romance assumiu os métodos e os deveres da ciência, tem o direito de


reivindicar as liberdades e a franqueza da ciência." Edmond e Jules Goncourt, Prefácio a
Germinie Lacerteux (1864). A parceria do inseparável Edmond e Jules Goncourt terminou
tragicamente em 1870, quando Jules, o irmão mais novo, morreu com apenas quarenta anos.
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Os Goncourts eram extraordinariamente versáteis. Eles escreveram história, crítica de arte, peças
de teatro e romances e muitos outros tipos de livros. Durante algum tempo eles editaram um
jornal literário, e eles sempre mantiveram o famoso Jornal que, quando foi publicado em parte na
vida de Edmond, escandalizou Paris por sua franqueza. Mas os Goncourts nunca foram um
sucesso popular. Parte do ácido no Journal é obviamente a inveja de Edmond daqueles que, como
seu amigo e protegido Emile Zola, usaram o método de Goncourt de sondar as profundezas
inferiores para ganhar fama e fortuna. O Jornal Goncourt oferece mais informações sobre os
letrados franceses do século XIX do que qualquer outro documento.

Embora aspirassem a um realismo quase proletário, os Goncourts eram aristocratas intelectuais


exigentes, cujo estilo era demasiado estético para as massas. Mas eles poderiam alegar ter
inaugurado o romance verdadeiramente naturalista com “Germinie Lacerteux” em 1864. Este
romance é um conto sincero de vida nas profundezas inferiores.

1.4. Conceito de naturalismo

Segundo STROMBERG (1968: 22), o "naturalismo" era frequentemente visto como uma
subdivisão ou desdobramento do realismo, às vezes uma escola separada e bastante diferente. O
naturalismo tendeu a tornar-se importante em uma data um pouco posterior ao realismo: a partir
de 1860, dominou a década de 1870, mas na década de 1880 enfrentou um forte desafio dos
simbolistas. O impressionismo na pintura é um fenômeno paralelo, e a proximidade dos dois
movimentos é sublinhada pela amizade de Emile Zola, o fundador e líder do naturalismo, com o
pintor impressionista Paul Cézanne e pelo grande interesse de Zola pela pintura.

1.4.1. Surgimento do naturalismo

David Masson (1822-1907) foi um historiador e biógrafo literário escocês, um estudioso do que
hoje chamaríamos de história das idéias, e escritor em cujas prosa ocasionalmente levemente
explícita pode-se ouvir facilmente ecos de seu grande escocês Thomas Carlyle, a quem ele
admirava grandemente. Sua avaliação das tendências da filosofia britânica em 1867 enfatizou
John Stuart Mill e William Hamilton, os principais representantes do empirismo britânico e do
transcendentalismo alemão. Mas ele viu que as novas descobertas científicas e as teorias-
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evolução eram as maiores delas, mas havia também a descoberta da segunda lei da
termodinâmica e outras teorias sobre o cosmo - mudou completamente os termos do discurso e
tornou obsoletos os antigos sistemas.

O naturalismo foi principalmente influenciado por essas idéias científicas, revelando o homem
nas dimensões do determinismo cósmico, não mais uma criatura única que possui uma alma
imortal e o objeto da providência especial de Deus.

Professor Márcio Santiago refere que o Naturalismo, intensificando as tendências básicas do


Realismo, aplica à literatura as descobertas e métodos da ciência do século XIX.

1.4.2. Características do Naturalismo

 Enfoque das teorias científicas e filosóficas;

 Incorporação de termos científicos e profissionais;


 Temas de patologias sociais (personagens mórbidos, adúlteros, psiquicamente
desequilibrados, assassinos, bêbados, miseráveis, doentes, prostitutas etc.);
 Observação e análise da sociedade;
 Descrição animalesca e sensual do ser humano;
 Despreocupação com a moral;
 Linguagem simples;
 Narrativa lenta.

1.4.3. Crítica ao naturalismo

Uma crítica ao naturalismo mencionada na Introdução é que, uma vez que visava apenas
descrever o mundo e reter julgamentos morais, não oferecia base para uma crítica da sociedade.
Os naturalistas, por exemplo, Thomas Hardy, Joseph Conrad e Theodore Dreiser, eram
pessimistas: em seus livros, um destino inescrutável derrota o homem, ridicularizando cruelmente
suas patéticas esperanças e sonhos.
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Além disso, o colapso do gênio de Zola em seus trabalhos posteriores parecia apontar para um
defeito em seu método. O naturalismo parecia carecer de qualquer princípio lógico de seleção e,
assim, resultar em obras sem forma. Nietzsche argumenta que a arte precisa escapar do
naturalismo e se ligar por regras e padrões.

1.5. Alguns dos princípios aceitos pelos realistas e naturalistas, no que diz respeito à criação
literária.

 Posição do artista diante da realidade

O artista procura nivelar sua atitude à do cientista. Daí decorre a objetividade que o escritor
procura manter durante a narrativa, não idealizando a realidade, mas limitando-se a registrá-la, o
que nem sempre consegue. Por isso, o artista não emite julgamentos a respeito de fatos ou
personagens.

O escritor naturalista francês Émile Zola, por exemplo, afirmou, a respeito de duas personagens
de um de seus romances: "Limitei-me a fazer em dois corpos vivos aquilo que os cirurgiões
fazem em cadáveres".

 Posição do artista diante da obra de arte

O romance é encarado como um instrumento de denúncia e combate, uma vez que focaliza os
desequilíbrios sociais. É o que se chama de "arte engajada". Observe no fragmento seguinte como
o narrador analisa e denuncia o problema da escravidão e do preconceito racial,

A disciplina militar, com todos os seus excessos, não se comparava ao penoso trabalho da
fazenda, ao regímen terrível do tronco e do chicote. Havia muita diferença. (...) Ali ao menos, na
fortaleza, ele tinha sua maca, seu travesseiro, sua roupa limpa, e comia bem, a fartar, como
qualquer pessoa. (...) Depois, a liberdade, minha gente, só a liberdade valia por tudo! Ali não se
olhava a cor ou a raça do marinheiro: todos eram iguais, tinham as mesmas regalias – o mesmo
serviço, a mesma folga.

 Concepção de homem (Adolfo Caminha. Bom-Crioulo)

Para o romântico, o homem é a medida de todas as coisas. Para o escritor realista/naturalista, o


homem é apenas uma peça na engrenagem do mundo, com funções semelhantes às das demais
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peças pertencentes ao reino animal ou vegetal. Decorre daí que, principalmente nos escritores de
tendência naturalista, o narrador enfatiza comportamentos instintivos das personagens e as
compara com animais.

Ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, doida, que esvoaçava havia muito tempo em
torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos...

 Personagens (Aluísio Azevedo. O cortiço)

As personagens deveriam ser moldadas de acordo com a realidade observada de fora pelo
narrador, sem idealizações. Obedecendo a esse princípio, o escritor toma duas direções: retrato do
corpo e dos comportamentos exteriores da personagem (tendência naturalista, principalmente) e
retrato do espírito e da vidas interior da personagem (predominante na tendência realista).

O comportamento das personagens decorre de causas biológicas e sociais que o determinam. Suas
ações nunca são gratuitas.

Nos escritores de tendência naturalista, é comum aparecerem personagens que representam casos
patológicos. Não porque o escritor as considere excepcionais, mas porque elas podem funcionar
como índices dos males que corrompiam a sociedade.

Para os naturalistas, a personagem está condicionada ao meio ambiente em que vive, nada
podendo fazer contra o peso das influências externas, tornando-se vítima da fatalidade das cegas
leis naturais. Por isso, é comum que tais personagens se vejam reduzidas a meros joguetes de
forças biológicas ou sociais. Cada uma é um caso a ser analisado com os recursos da ciência, para
comprovar uma tese aceita pelo escritor.

 Concepção de amor e casamento (Aluísio Azevedo. O Cortiço)

Se os românticos geralmente se detinham na análise dos antecedentes do casamento, o


realista/naturalista está preocupado, principalmente, em focalizar o adultério, que é encarado
como causa da destruição da família e, consequentemente, da sociedade.

O amor, sobretudo para os naturalistas, é visto como um ato fisiológico.

Amara-o a princípio por afinidade de temperamento, pela irresistível conexão do instinto


luxurioso e canalha que predominava em ambos (...) mas desde que Jerônimo propendeu para ela,
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fascinando-a com a sua tranqüila serenidade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou
seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior.

 Espaço focalizado (Aluísio Azevedo. O Cortiço)

Existe uma preferência nítida pelo espaço urbano, pois a burguesia fixou-se sobretudo nas
cidades.

Os bondes passavam. Senhoras vinham à janela, compondo os cabelos numa ânsia de


novidade. Latiam cães. Um movimento cheio de rumores, uma balbúrdia... Chegavam soldados,
marinheiros, policiais. Fechavam-se portas com estrondo.

 Tempo histórico focalizado (Adolfo Caminha. Bom-Crioulo)

O escritor realista/naturalista preocupa-se sobretudo com personagens que retratem pessoas de


sua época, diferindo assim de alguns procedimentos românticos de volta ao passado ou de
projeção para o futuro.

Encarando o seu presente histórico, o autor capta os conflitos do homem da época, os seus
problemas concretos, dando preferência aos dramas cotidianos de gente simples.

Falava-se da chamada dos conservadores ao poder, e da dissolução da Câmara. Rubião assistira à


reunião em que o Ministério Itaboraí pediu os orçamentos. Tremia ainda ao contar suas
impressões, descrevia a Câmara, tribunas, galerias cheias que não cabia um alfinete, o discurso de
José Bonifácio, a moção, a votação...

 Narrativa (Machado de Assis. Quincas Borba, publicado pela primeira vez em 1891.)

O romancista propõe-se criar enredos em que os conflitos se resolvam com


determinadas forças que estejam em ação. O processo narrativo, obedecendo à lógica, elimina os
acasos e milagres, comuns nos romances românticos. Por vezes, o desenlace de uma trama é
previsível e raramente ocorrem sobressaltos ou surpresas para o leitor.

 Linguagem

A linguagem utilizada pelos realistas/naturalistas é mais simples que a linguagem dos românticos.
O detalhismo é uma das características desta linguagem, pois o narrador pretende conseguir o
retrato fiel da realidade focalizada.
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Nos escritores que tendem para o naturalismo, ocorrem muitas expressões tomadas às ciências
físicas e biológicas. Desses princípios resultam as características fundamentais do texto
realista/naturalista:

a) Objetividade por parte do narrador;

b) Nivelamento do homem aos demais seres do universo;

c) Não idealização das personagens;

d) Condicionamento das personagens ao meio físico e social;

e) Concepção de amor como um fato predominantemente fisiológico;

f) Predominância do espaço urbano;

g) Preocupação do escritor em focalizar seu tempo histórico;

h) Linguagem mais simples que a dos românticos;

1.6. Diferença entre Realismo e Naturalismo

O Naturalismo surge como um segmento do Realismo, uma vez que ambos fundamentam-se nos
mesmos princípios científicos, filosóficos e artísticos.

O Naturalismo apresenta uma visão de mundo mais mecanicista, mais determinista, pois aceita o
princípio segundo o qual somente as leis de ciência são válidas. Qualquer tipo de visão
espiritualizada do mundo não tem, para o naturalista, grande valor.

Enquanto o drama das personagens realistas tem origem moral ou decorre de algum desequilíbrio
social, as personagens naturalistas têm a origem dos seus dramas em heranças de ordem biológica
ou psicológica que, num determinado momento, em determinado ambiente, acabam por vir à
tona. Por isso, uma personagem naturalista é muito parecida com outra personagem naturalista,
uma vez que todas estão submetidas à mesmas leis.

Para os naturalistas, a ação no romance é importante, pois o drama vivido pelas personagens se
exterioriza através dessa ação. Para o realista, a ação é secundária, já que ele se preocupa mais
em sugerir o mundo interior das personagens.
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Quanto à temática, observa-se nos naturalistas uma tendência a retratar temas de patologia
sexual ou social. Nota-se ainda que o escritor naturalista não vacila em trazer para a literatura os
aspectos mais repulsivos da vida, além de tender a focalizar as camadas mais baizas da sociedade.

1.7. Realismo/Maturalismo no mundo

No Brasil, o Realismo/Naturalismo teve início oficialmente em 1881, com a publicação de O


mulato (Aluísio Azevedo) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis). O primeiro
representa a tendência naturalista, e o segundo, a tendência realista.

É importante assinalar ainda, neste período (1881 – 1893), o surgimento de algumas obras que
dão seqüência ao regionalismo. O romance regionalista de fins dos século XIX vai utilizar os
princípios realistas/naturalistas, diferenciando-se, portanto, pela sua objetividade, dos romances
do regionalismo romântico.

São obras importantes da tendência regionalista: Luzia-Homem, de Domingos Olímpio, e Dona


Guidinha do poço, de Manuel Oliveira Paiva.

A poesia do período está reunida sob o nome geral de Parnasianismo, sendo que a produção em
prosa permite a seguinte esquematização didática:

Tendência realista:

1. Machado de Assis

2. Raul Pompéia

3. Tendência naturalista

4. Aluísio Azevedo

5. Inglês de Sousa

6. Adolfo Caminha

 Realismo em Portugal
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Poesia realista - As publicações em poesia realista portuguesa dividem-se em vários tipos:


algumas com foco na realidade e na vida cotidiana de diversas camadas sociais (poesia do
cotidiano); outras tem foco político, sendo uma poesia engajada, com crítica social e um caráter
revolucionário (poesia realista propriamente dita); outras tem foco nos questionamentos sobre
vida, morte e Deus (poesia metafísica).

Autores

 Antero de Quental: adotando uma postura oposta ao lirismo ultra-romântico, defende a


missão social da poesia e apresenta em sua obra uma busca filosófica da verdade através
da própria experiência.
 Cesário Verde: também se afasta do lirismo tradicional português, sobretudo pelo
tratamento que dá a temas como cidade, amor e mulher. Buscando espontaneidade, usa
estilo que valoriza a linguagem concreta e o tom coloquial. "Poeta dos sentidos", constrói
imagens com muitas cores, formas e sons. Essa visão plástica do mundo antecipa a
postura assumida por Fernando Pessoa na pele de seu Heterônimo Alberto Caeiro.
 Eça de Queirós: admirador de Gustav Flaubert, Émile Zola e Honoré de Balzac, produz
romances marcados pelo uso do determinismo e do impressionismo para construir críticas
(à burguesia e ao clero, por exemplo). Dono de um estilo direto e contundente, é hábil na
descrição de locais e comportamentos. O pessimismo, o humor e a ironia com que
constrói personagens são tipicamente realistas.
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2. Conclusão

O Realismo e subsequentemente naturalismo na literatura destinavam-se a descrever com firmeza


os horrores da civilização moderna, como se vê nas vidas dos pobres infelizes que trabalhavam
em minas ou fábricas, de prostitutas, degeneradas e criminosas.

O movimento realista não estava apenas reagindo contra o romantismo da era anterior, mas
também o idealismo filosófico da escola alemã, em particular de Hegel. O herói eloquente do
romance inicial de Turgenev, Rudin, publicado em 1856, lida com confiança em abstracções
como Humanidade, Liberdade, Dever, mas não pode fazer nada quando confrontado com
situações reais.

O Naturalismo apresenta uma visão de mundo mais mecanicista, mais determinista, pois aceita o
princípio segundo o qual somente as leis de ciência são válidas. Qualquer tipo de visão
espiritualizada do mundo não tem, para o naturalista, grande valor.
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Bibliografia

BARRISH, Phillip. American Literary Realism, Critical Theory, and Intellectual Prestige, 1880
– 1995. Cambridge University Press, 2004.

STROMBERG, Roland N. Realism, Naturalism, and Symbolism: modes of thought and


Expression in Europe, 1848 – 1914. Palgrave Macmillan, 1968

Sítios da internet

[ONLINE] https://conceito.de/realismo - acesso em 12 de Agosto de 2018.

[ONLINE https://pt.wikipedia.org/wiki/Realismo - acesso em 12 de Agosto de 2018