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MÓDULO III - ALTERAÇÕES NO CONTRATO ADMINISTRATIVO

Alterações possíveis e limites à atuação administrativa

Verificamos que a celebração de contratos administrativos visam a consecução das


finalidades do Órgão ou Ente da Administração, vinculados sempre ao interesse público.
Diante disso, o ordenamento jurídico estabelece uma série de “vantagens” para a
Administração Pública em relação às demais partes das relações contratuais.

Uma dessas “vantagens”, por assim dizer, consiste na possibilidade da alteração dos
termos inicialmente pactuados, por vezes, prescindindo até mesmo da concordância da
outra parte celebrante.

O rol de alterações possíveis, assim como seus limites estão estabelecidos na Lei 8.66/93
e relacionado, sempre, à realização do interesse público. Sendo assim, é inolvidável que
a motivação dos atos da Administração Pública deve guardar proporção com as suas
finalidades. Vedada, portanto, a utilização desses mecanismos de forma arbitrária ou com
abuso de poder.

JURISPRUDÊNCIA
TRF4 - AGA 17706 PR 2004.04.01.017706-6
“Por outro lado, se o respeito ao equilíbrio econômico-financeiro inicial, na hipótese de
alteração unilateral do ajuste, constitui dever da Administração contratante, com muito
mais razão é direito daquele e dever desta, nos casos em que o órgão ou entidade
contratante abusa de sua posição privilegiada para descumprir ou cumprir irregularmente
suas prestações, ou ainda suspender os prazos contratuais, obrigando o particular a
suportar encargos excessivos, os quais, por não terem sido cogitados quando da
elaboração da proposta ou da celebração do contrato, representam insuportáveis
prejuízos”.

Fundamentos e motivação do ato administrativo que altera o contrato

As modificações contratuais, especialmente as unilaterais, devem estar fundadas em


circunstâncias ocorridas após a contratação, quando verificada a ocorrência de fatos
supervenientes ou de conhecimento superveniente, que modifiquem o interesse público
representado pelo objeto contratado. Não se admitem, como tais, meras mudanças de
opinião ou erros cometidos na fase interna ou planejamento da licitação; equívocos de
projeto ou estimativas, que ensejarão a apuração de responsabilidade.

Importante, portanto, a análise do art. 65, da Lei 8.666/93, que traz as hipóteses de
alterações nos contratos.

LEI 8.666/93
Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos:
I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação
técnica aos seus objetivos;
b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
II - por acordo das partes:
a) quando conveniente a substituição da garantia de execução;
b) quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem
como do modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos
termos contratuais originários;
c) quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de
circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do
pagamento, com relação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente
contraprestação de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço;
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do
contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou
fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do
contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de
consequências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou,
ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea
econômica extraordinária e extracontratual.
§ 1º. O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os
acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte
e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma
de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinquenta por cento) para os seus
acréscimos.
§ 2º. Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no
parágrafo anterior, salvo:
I - (VETADO)
II - as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes. (Incluído pela
Lei nº 9.648, de 1998)
§ 3º. Se no contrato não houverem sido contemplados preços unitários para obras ou
serviços, esses serão fixados mediante acordo entre as partes, respeitados os limites
estabelecidos no § 1o deste artigo.
§ 4º. No caso de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver
adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, estes deverão ser pagos pela
Administração pelos custos de aquisição regularmente comprovados e monetariamente
corrigidos, podendo caber indenização por outros danos eventualmente decorrentes da
supressão, desde que regularmente comprovados.
§ 5º. Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a
superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da
proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão
destes para mais ou para menos, conforme o caso.
§ 6º. Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do
contratado, a Administração deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-
financeiro inicial.
§ 7º. (VETADO)
§ 8º. A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no
próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes
das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações
orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam
alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a
celebração de aditamento.

A realização de modificações unilaterais pela administração

As situações que autorizam modificações unilaterais que pode a Administração promover


em seus contratos são:

a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação


técnica aos seus objetivos → Alteração Qualitativa

b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou


diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos pela Lei de Licitações →
Alteração Quantitativa

As alterações qualitativas decorrem da constatação de que a solução técnica original não


é adequada, por circunstância superveniente ou por circunstância preexistente mas
desconhecida das partes.

Devem, sempre, ser voltadas para o atendimento a uma finalidade pública, e somente são
admitidas quando não importem modificação das características básicas do objeto ou
redução de seus atributos, estando limitadas a acrescer ou detalhar as especificações
originais.

EXEMPLO
O projeto inicial de uma reforma prevê, dentre a totalidade do objeto, o revestimento dos
pisos com carpete. Durante a execução do contrato, é editada uma norma sanitária que
determina a proibição da utilização desse tipo de piso, devido ao acúmulo de ácaros,
prejudicial à saúde dos servidores. A partir de então, altera-se o contrato, prevendo a
colocação de piso de parquê. Trata-se, pois, de uma alteração qualitativa. Não há
transfiguração do objeto – o piso continua sendo piso – e a modificação das
especificações visam uma adequação aos objetivos do contrato.

As alterações quantitativas decorrem do acréscimo ou supressão quantitativa do objeto.


Como será visto a seguir, o percentual de acréscimos ou supressão incide sobre o valor
inicial atualizado do contrato (valor inicial + reequilíbrio, em sentido amplo), e calculado,
separadamente, os casos de mais de um acréscimo ou supressão.

Da mesma forma que as alterações qualitativas, devem ser efetuadas em virtude de


circunstâncias supervenientes e voltadas ao atendimento de uma finalidade pública.

EXEMPLO
O exemplo clássico de acréscimo quantitativo é aquele em que há previsão de X
quantitativo de determinado serviço ou material e passa-se a necessitar Y daquele mesmo
item.
O novo valor do contrato é feito com base nos preços unitários apresentados na proposta
do licitante, os quais devem ser levados ao contrato, conforme a mesma discriminação.
Multiplica-se, assim, o mesmo valor unitário inicialmente pactuado, pelo novo quantitativo
necessário.
Outro exemplo seria um contrato de prestação de serviços de limpeza, o aumento da área
inicialmente prevista no ajuste, em razão de uma ampliação das instalações do Órgão,
gera uma necessidade de aumento no número de profissionais alocados naquela
contratação.

Na contratação por preço global, poderá haver dificuldades, caso não haja a
discriminação da proposta por item que compõe o objeto contratado. A solução é
identificar, de comum acordo, os preços unitários da parte alterada do objeto (art. 65, § 3º,
da Lei 8.666/93)

OBSERVAÇÃO
Conforme descrito no texto legal, a possibilidade de acréscimo é valida para todos os
contratos regidos pela Lei 8.666/93, sejam eles derivados de contratações diretas,
certames licitatórios, firmados a partir de atas de registro de preços, tenham instrumento
de contrato propriamente dito ou seu substituto equivalente.
Já os quantitativos das atas de registro de preços – que, como visto, não são contratos –
não podem sofrer acréscimo, até mesmo por disposição expressa do Decreto 7.892/2013:
Art. 12, § 1º. É vedado efetuar acréscimos nos quantitativos fixados pela ata de registro
de preços, inclusive o acréscimo de que trata o § 1º do art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.
Atenção, portanto, pois os quantitativos das atas de registros de preços não podem ser
acrescidos, porém os contratos derivados desta ata podem, assim como os demais
contratos da Lei 8.666/93.

Limite das alterações contratuais unilaterais → Contratado fica obrigado a aceitar, nas
mesmas condições pactuadas:

- Acréscimos ou supressões, em obras, serviços ou compras, até 25% do valor inicial


atualizado do contrato.

- Reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% para os seus acréscimos.

OBSERVAÇÃO
No caso de supressões, o limite legal não precisa ser respeitado quando resultantes de
acordo celebrado entre os contratantes, o que torna a alteração bilateral.

No cálculo dos acréscimos ou supressões, deve o gestor considerar os percentuais de


forma isolada e sobre o valor inicial atualizado do contrato. Por exemplo:
1º. Um contrato de prestação de serviços de limpeza é assinado com o valor mensal de
R$ 10.000,00;
2º. O contrato, em razão de nova necessidade, sofre um acréscimo de 10%, passando o
valor mensal para R$ 11.000,00;
3º. Ocorre um reajuste de 20% em razão de repactuação, fundada em aumento do salário
normativo da categoria empregada no contrato, que passa ter valor mensal de
R$ 13.200,00;
4º. Caso seja necessário um novo acréscimo ou supressão, o valor a ser considerado não
é o de R$ 13.200,00, mas sim o de R$ 12.000,00, correspondente ao valor inicial do
contrato atualizado ao salário normativo vigente, sem computar o acréscimo previamente
efetuado.

OBSERVAÇÃO
Repare que o exemplo utilizado anteriormente se refere ao cálculo de acréscimo em
contrato de prestação de serviços continuados. Essa matéria é, de certa forma,
controvertida na doutrina e jurisprudência, e a forma de cálculo representada no exemplo
reflete o entendimento que gera maior certeza de não se extrapolar o limite legal.
Corresponde, também, ao que se entendem em maior consonância com os princípios da
razoabilidade, proporcionalidade e supremacia do interesse público.
Sobre os diversos entendimentos a respeito da base de cálculo para os limites
percentuais de alterações dos contratos de prestação de serviços continuados,
recomenda-se a leitura do artigo a seguir:
(COLOCAR TIPO UM POP UP)
http://www.zenite.blog.br/base-de-calculo-para-os-limites-percentuais-de-alteracoes-
contratuais-dos-contratos-de-prestacao-de-servicos-continuos

JURISPRUDÊNCIA
Acórdão TCU 749/2010 – Plenário
...determinar ao [omissis] que, em futuras contratações, para efeito de observância dos
limites de alterações contratuais previstos no art. 65 da Lei nº 8.666/1993, passe a
considerar as reduções ou supressões de quantitativos de forma isolada, ou seja, o
conjunto de reduções e o conjunto de acréscimos devem ser sempre calculados sobre o
valor original do contrato, aplicando-se a cada um desses conjuntos, individualmente e
sem nenhum tipo de compensação entre eles, os limites de alteração estabelecidos no
dispositivo legal;”

Observe, como regra, o limite de 25% do valor inicial atualizado do contrato para a
alteração dos quantitativos dos itens contratados, de forma a garantir que as alterações
não constituam “jogo de preços”, conforme estabelecido no art. 65, § 1º, da Lei nº
8.666/1993. Acórdão 265/2010 – Plenário

Prorrogue somente contratos de serviços que contenham apenas prestação obrigatória


pela licitante vencedora. Ademais, nas alterações contratuais, calcule o limite de 25%,
previsto no art. 65, § 1º, da Lei nº 8.666/1993, com base no custo unitário do serviço a ser
adicionado ou suprimido, não no valor total do contrato. Acórdão 1330/2008 Plenário
Alteração por acordo entre as partes

Os contratos administrativos podem, também, sofrer alterações bilaterais, por acordo de


vontade entre as partes, nas hipóteses previstas em lei. São elas:

a) Substituição da garantia de execução: Há contratos em que a Administração está


autorizada a requerer que o contratado preste uma garantia de execução do contrato,
estabelecendo as formas possíveis desta garantia ser prestada. Por ora, o que se
necessita destacar é que, em caso de necessidade de alteração na garantia prestada,
essa é uma alteração bilateral, eis que normalmente é feita a partir de solicitação do
particular, com amparo na legislação regente, desde que atendidos os mesmos requisitos
da garantia original.

b) Modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem como do modo de


fornecimento: Nos casos em que o regime de execução originalmente pactuado ocasionar
a inaplicabilidade dos termos contratuais, diante de circunstâncias supervenientes, pode a
Administração alterá-lo, com a concordância do contratado.

c) Modificação da forma de pagamento: Também em razão de circunstâncias


supervenientes, caso seja necessário para que o contrato atinja sua finalidade pública,
admite-se a alteração na forma de pagamento, como, por exemplo, a realização de
pagamentos em periodicidade mais frequente. Nessa hipótese de alteração contratual,
deve-se atentar para dois requisitos sob pena de ilegalidade, quais sejam: a manutenção
do valor inicial (atualizado, se for o caso, conforme revisto no próprio termo), e a vedação
à antecipação do pagamento.

d) Restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato: Certamente a forma


mais frequente de alteração bilateral dos contratos, motivo pelo qual há um tópico
específico dedicado à matéria.

OBSERVAÇÃO
Em todos os casos (alterações unilaterais e bilaterais), as modificações devem ser
previamente autorizadas pela autoridade competente.

Manutenção do equilíbrio econômico-financeiro

Quando as partes, de um modo geral, celebram um contrato, elas estão se


comprometendo a determinada prestação em troca de uma contraprestação. Trazendo
para o campo dos contratos administrativos a situação é a mesma. A Administração
estabelece uma prestação, a qual os interessados devem cumprir em retorno de um
pagamento, correspondente ao valor menor valor dentre os oferecidos pelos concorrentes
de uma licitação, o qual o vencedor do certame entende adequado para aquela prestação
com a qual acaba de se comprometer.

Temos, assim, a ideia de encargo, tanto para o Órgão Público como para o particular.
Esse encargo inicial e a prestação correspondente estão em equilíbrio quando da
assinatura do compromisso. Ocorre que, em razão a fatores externos ao contrato, tal
como o decurso do tempo, ocorre uma defasagem entre os encargos inicialmente
pactuados e o contrato torna-se mais oneroso a uma parte do que para a outra. Nesses
casos, portanto, existem mecanismos que buscam recuperar a relação que as partes
pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração.

Passamos a analisar separadamente os institutos do reajuste, repactuação e revisão, os


quais visam reestabelecer esse equilíbrio original dos contratos.

OBSERVAÇÃO
A recomposição de preços, via de regra, favorece o contratado, mas também pode ser
solicitado pela Administração, sempre que o desequilíbrio tornar excessivamente oneroso
o preço pago pelo Órgão Público.

Reajuste de Preços

Destinado à recomposição de preços em determinado contrato, cujo desequilíbrio tenha


sido gerado por álea econômica ordinária, ou seja, situação normal e previsível pelo
contratado, ao longo da execução do objeto.

O critério de reajusta, aliás, é regra obrigatória de se constar no instrumento convocatório,


conforme art. 40, XI, Lei de Licitações.

LEI 8.666/93
Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual (...) e indicará,
obrigatoriamente, o seguinte:
XI - critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção,
admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para
apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do
adimplemento de cada parcela

O reajuste, portanto, se presta à recomposição de eventuais perdas de caráter


inflacionário, diante do transcurso do tempo. Alteração dos preços é baseada em índices
setoriais apropriados a cada contrato (IPCA, IGPM, etc). Dessa forma, para que isso
ocorra, há necessidade de cláusula contratual prevendo os índices específicos ou
setoriais.

O reajuste é concedido anualmente, no período de 12 meses, contado da data da


apresentação da proposta ou da concessão do último reajuste.

Repactuação

Assim como o reajuste, a repactuação se destina à recomposição de preços em


determinado contrato, cujo desequilíbrio tenha sido gerado por álea econômica ordinária,
que, porém, não pode ser calculado por um índice preestabelecido, como ocorre, por
exemplo, quando se atlera o salário normativo da categoria alocada na contratação.
Como veremos, a repactuação é a forma típica de reequilíbrio de contratos em que há
alocação de mão de obra.

Sua concessão depende, via de regra, de previsão contratual, mediante demonstração


analítica da variação dos componentes dos custos do contrato. Para tanto, é
imprescindível a elaboração de planilha de custos e formação de preço, tanto para
discriminar o valor pactuado em contrato como para fundamentar o pedido de
repactuação.

CONCEITOS
A repactuação consiste, portanto, na recomposição dos preços do contrato, tendo por
base a demonstração analítica da variação dos custos componentes do contrato, não
atrelados a índices setoriais.

Repactuação é uma espécie de reajuste ao contrato de serviços continuados com


dedicação exclusiva da mão de obra, visando a adequação aos novos preços de
mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstrarão analítica da
variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada, de modo a
garantir a manutenção do equilíbrio econômico do contrato – art. 5º do Decreto nº 2.271,
de 1993, e art. 37 da IN nº 2, de 2008.

Deve haver também o transcurso mínimo do período de 12 meses:


 da data de apresentação da proposta na sessão pública.
 da data do acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho ou equivalente,
vigente à época da apresentação da proposta.
 da data do fato que gerou a concessão da última repactuação.

Portanto, é possível a concessão de repactuação com o interregno inferior a 12 meses da


assinatura do contrato, desde que, em face da elevação dos custos da contratação, seja
observado o prazo mínimo de um ano do salário normativo da categoria.

Se houver previsão contratual, pode haver recomposição de preços de um mesmo


contrato tanto com base em índices setoriais como na demonstração da variação dos
custos. Nesses casos, por exemplo, os custos de insumos como materiais, uniformes,
equipamentos, serão reajustados com base no IPCA, e a parcela de mão de obra será
efetivada mediante repactuação.

JURISPRUDÊNCIA
TCU Acórdãos 1.563/2004, 1.827/2008 e 1.828/2008, todos do Plenário:
Data do orçamento, considera-se a do acordo, convenção, dissídio coletivo de trabalho ou
equivalente que estipular o salário vigente à época da apresentação da proposta. O
interregno mínimo de 1 ano constará da homologação da negociação coletiva que fixar o
salário normativo da categoria.

OBSERVAÇÕES
Há, na doutrina, o entendimento que o desequilíbrio econômico-financeiro contratual deve
ser relevante para ensejar a repactuação.
Considerando que a garantia de execução do contrato é feita com base em percentual do
valor do contrato, pode o instrumento contratual estabelecer o aumento da garantia como
condição para o deferimento da repactuação.
Ocorre a preclusão do direito quando da assinatura da prorrogação contratual ou rescisão
do ajuste, sem o pedido de repactuação.
Os efeitos financeiros dos novos valores decorrentes da repactuação, em regra, contam
da data do fato gerador e não da data do pedido. Retroagem, portanto, à data da base da
categoria.

SAIBA MAIS
INSTRUÇÃO NORMATIVA 02/2008 – MPOG
Art. 37. A repactuação de preços, como espécie de reajuste contratual, deverá ser
utilizada nas contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de
obra, desde que seja observado o interregno mínimo de um ano das datas dos
orçamentos aos quais a proposta se referir, conforme estabelece o art. 5º do Decreto nº
2.271, de 1997.
§ 1º A repactuação para fazer face à elevação dos custos da contratação, respeitada a
anualidade disposta no caput, e que vier a ocorrer durante a vigência do contrato, é direito
do contratado, e não poderá alterar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos,
conforme estabelece o art. 37, inciso XXI da Constituição da República Federativa do
Brasil, sendo assegurado ao prestador receber pagamento mantidas as condições
efetivas da proposta.
§ 2º A repactuação poderá ser dividida em tantas parcelas quanto forem necessárias em
respeito ao princípio da anualidade do reajuste dos preços da contratação, podendo ser
realizada em momentos distintos para discutir a variação de custos que tenham sua
anualidade resultante em datas diferenciadas, tais como os custos decorrentes da mão de
obra e os custos decorrentes dos insumos necessários à execução do serviço.
§ 3º Quando a contratação envolver mais de uma categoria profissional, com datas-base
diferenciadas, a repactuação deverá ser dividida em tantas quanto forem os acordos,
dissídios ou convenções coletivas das categorias envolvidas na contratação.
§ 4º A repactuação para reajuste do contrato em razão de novo acordo, dissídio ou
convenção coletiva deve repassar integralmente o aumento de custos da mão de obra
decorrente desses instrumentos.
Art. 38. O interregno mínimo de 1 (um) ano para a primeira repactuação será contado a
partir:
I - da data limite para apresentação das propostas constante do instrumento convocatório,
em relação aos custos com a execução do serviço decorrentes do mercado, tais como o
custo dos materiais e equipamentos necessários à execução do serviço; ou
II - da data do acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho ou equivalente, vigente
à época da apresentação da proposta, quando a variação dos custos for decorrente da
mão-de-obra e estiver vinculada às datas-base destes instrumentos.
Art. 39. Nas repactuações subseqüentes à primeira, a anualidade será contada a partir da
data do fato gerador que deu ensejo à última repactuação.
Art. 40. As repactuações serão precedidas de solicitação da contratada, acompanhada de
demonstração analítica da alteração dos custos, por meio de apresentação da planilha de
custos e formação de preços ou do novo acordo convenção ou dissídio coletivo que
fundamenta a repactuação, conforme for a variação de custos objeto da repactuação.
§ 1º É vedada a inclusão, por ocasião da repactuação, de benefícios não previstos na
proposta inicial, exceto quando se tornarem obrigatórios por força de instrumento legal,
sentença normativa, acordo coletivo ou convenção coletiva.
§ 2º Quando da solicitação da repactuação para fazer jus a variação de custos decorrente
do mercado, esta somente será concedida mediante a comprovação pelo contratado do
aumento dos custos, considerando-se:
I - os preços praticados no mercado ou em outros contratos da Administração;
II - as particularidades do contrato em vigência;
III - Revogado
IV - a nova planilha com variação dos custos apresentada;
V – indicadores setoriais, tabelas de fabricantes, valores oficiais de referência, tarifas
públicas ou outros equivalentes; e
VI - a disponibilidade orçamentária do órgão ou entidade contratante.
§ 3º A decisão sobre o pedido de repactuação deve ser feita no prazo máximo de
sessenta dias, contados a partir da solicitação e da entrega dos comprovantes de
variação dos custos.
§ 4º - As repactuações, como espécie de reajuste, serão formalizadas por meio de
apostilamento, e não poderão alterar o equilíbrio econômico e financeiro dos contratos,
exceto quando coincidirem com a prorrogação contratual, em que deverão ser
formalizadas por aditamento.
§ 5º O prazo referido no § 3º ficará suspenso enquanto a contratada não cumprir os atos
ou apresentar a documentação solicitada pela contratante para a comprovação da
variação dos custos;
§ 6º O órgão ou entidade contratante poderá realizar diligências para conferir a variação
de custos alegada pela contratada.
§ 7º As repactuações a que o contratado fizer jus e não forem solicitadas durante a
vigência do contrato, serão objeto de preclusão com a assinatura da prorrogação
contratual ou com o encerramento do contrato.
Art. 41. Os novos valores contratuais decorrentes das repactuações terão suas vigências
iniciadas observando-se o seguinte:
I - a partir da ocorrência do fato gerador que deu causa à repactuação;
II - em data futura, desde que acordada entre as partes, sem prejuízo da contagem de
periodicidade para concessão das próximas repactuações futuras; ou
III - em data anterior à ocorrência do fato gerador, exclusivamente quando a repactuação
envolver revisão do custo de mão-de-obra em que o próprio fato gerador, na forma de
acordo, convenção ou sentença normativa, contemplar data de vigência retroativa,
podendo esta ser considerada para efeito de compensação do pagamento devido, assim
como para a contagem da anualidade em repactuações futuras;
§1º. Os efeitos financeiros da repactuação deverão ocorrer exclusivamente para os itens
que a motivaram, e apenas em relação à diferença porventura existente.
Art. 41-A As repactuações não interferem no direito das partes de solicitar, a qualquer
momento, a manutenção do equilíbrio econômico dos contratos com base no disposto no
art. 65 da Lei nº 8.666, de 1993.
Art. 41-B A empresa contratada para a execução de remanescente de serviço tem direito
à repactuação nas mesmas condições e prazos a que fazia jus a empresa anteriormente
contratada, devendo os seus preços serem corrigidos antes do início da contratação,
conforme determina o art. 24, inciso XI da Lei nº 8.666, de 1993.

Revisão de preços

Recomposição dos preços do contrato cujo desequilíbrio tenha sido gerado por álea
econômica extraordinária.

Sua concessão é independente de previsão no edital ou no contrato, pois é decorrente da


própria Lei n. 8.666/93, pois trata-se da hipótese específica do art. 65, II, letra “d”.

Pode ser concedido a qualquer tempo, desde que ocorrido fato gerador e quantas vezes
for necessário. Fica condicionada à demonstração da existência do fato e sua
repercussão na execução do contrato, que o tornou excessivamente oneroso.

Álea econômica extraordinária

Hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de consequências


incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso
de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe.

*Caso fortuito (evento da natureza) e força maior (evento humano): eventos que, por sua
imprevisibilidade e inevitabilidade, cria óbice intransponível na execução contratual. Ex:
enchente e greve, respetivamente.

*Fato do príncipe: determinação estatal, geral imprevista e imprevisível, que onera


substancialmente a execução do contrato.

Comparativo entre as formas de recomposição de preços e procedimento de


concessão

VÍDEO

SAIBA MAIS
JURISPRUDÊNCIA
É lícita a adoção da sistemática de revisão por meio de índices (reajuste) dos valores de
contratos de prestação de serviço de duração continuada em que não há prevalência de
mão de obra
Pedido de reexame interposto contra o Acórdão 2.219/2010-Plenário requereu a reforma
de diversos itens dessa nos seguintes termos: “9.8.1. reveja as orientações constantes no
Manual de Licitações de Contratações – MANLIC, de forma a adequá-las ao
entendimento firmado pelo TCU no Acórdão nº 1.374/2006-Plenário, no sentido de que as
empresas estatais devem adotar a sistemática de repactuação dos contratos de prestação
de serviço de duração continuada, com base na variação dos custos efetivos, em
detrimento da sistemática de adoção de índices gerais de preço para reajustamento
periódico, conforme estabelecido na Resolução nº 10/1996 do CCE c/c a IN MARE nº
18/1997”. A recorrente alegou que tal determinação deveria abranger somente as
contratações de serviços de duração continuada com prevalência de mão de obra, mas
não aquelas “em que o elemento principal não seja a mão de obra, como no caso de
serviços de telefonia, energia elétrica e serviços de transporte em geral, por exemplo”.
Asseverou que o manual de licitações de contratações da empresa, para os contratos
com prevalência de mão de obra, “atende à decisão desta Corte de Contas, mas que, em
relação aos outros, adota o estabelecimento de índice de reajuste”. De acordo com a
ECT, os comandos contidos nos arts. 40, XI, e 55, III, ambos da Lei 8.666/93, servem de
fundamento para o estabelecimento de um índice como critério de revisão de tais
contratos. A unidade técnica, então, reconheceu a consistência dessa argumentação e
invocou decisão que respalda esse raciocínio, proferida por meio do Acórdão 602/2009 –
Plenário. Por isso, propôs tornar o acima transcrito comando decisório sem efeito, sob o
argumento de que, “na maioria das vezes que o Tribunal debateu a fixação de índice de
reajuste, o caso concreto estava relacionado à contratação com a prevalência de custo na
mão de obra e que isso não significa dizer que a lógica de repactuação se limite a esse
tipo de avença, e que nos demais casos a melhor alternativa seja fixar índice de reajuste”.
E mais: “... o critério de reajuste previsto na Lei 8.666/93 não pode ser interpretado como
a autorização para que o contratante adote diretamente na avença um índice setorial sem
agregar outros elementos que lhe faculte confrontar os valores com os preços de outros
contratos celebrados pela Administração ...”. Por esses motivos, o MP/TCU reitera seu
entendimento no sentido de que “a repactuação deve ser a regra a ser aplicada nos casos
das contratações de prestação de serviços de natureza continuada, sem restringir a sua
adoção aos casos em que haja a prevalência dos custos de mão de obra”. Propõe, ao
final, a manutenção da citada determinação. O relator, ao se alinhar ao posicionamento da
unidade técnica, anotou que se afigura inconveniente engessar a Administração, uma vez
que pode ser adequada a adoção de uma ou outra forma, a depender do contrato
(repactuação de preços ou revisão com base em índices). Concluiu, então, que “não há
qualquer afronta ao ordenamento jurídico, quando se fazem presentes em um contrato de
serviços de natureza continuada cláusulas que preveem seu reajuste, isso supondo que a
vigência do contrato extrapola 12 meses, bem como sua repactuação”. Citou então
precedentes que respaldam esse entendimento: Acórdão 54/2012 e Acórdão 2760/2012,
ambos do Plenário. O Tribunal, então, ao acolher proposta do relator e da unidade
técnica, concedeu provimento ao pedido de reexame da ECT e tornou insubsistente do
subitem 9.8.1 do Acórdão 2.219/2010-Plenário. Acórdão nº 3388/2012-Plenário, TC-
005.383/2007-0, rel. Min. Aroldo Cedraz, 5.12.2012.

Termo aditivo e apostila: formalização das alterações contratuais

As mudanças e registros nos contratos podem ser formalizadas de duas formas, por
apostila ou termo aditivo, de acordo com a natureza da mudança.

O termo aditivo é o instrumento pelo qual se formaliza as alterações no contrato original


firmado, nas situações previstas no art. 65, Lei n 8.666/93.

As novas regras, disposições ou condições, dentro dos limites permitidos em lei, que não
estiverem previstas no instrumento original, serão celebradas por termo aditivo. Todas
essas alterações – mesmo aquelas unilaterais que o contratado está obrigado a aceitar –
ensejarão o aditamento, em termo assinado por ambas as partes, aplicando-se, no que
couber, as regras de formalização dos contratos previstas nos art. 60 e 61, da Lei
8.666/93.

Já as apostilas são atos enunciativos ou declaratórios de uma situação anterior criada


por lei ou já previstas no contrato. O apostilamento não cria um direito, pois apenas
reconhece a existência de um direito já previsto no contrato. Equivale a uma averbação.

Normalmente, o apostilamento pode ser feito no verso da última página do contrato ou por
um termo juntado ao instrumento contratual. Por se tratar de um simples registro de uma
situação já pactuada, sua formalização dispensa a assinatura do contratado ou publicação.

Conforme o art. 65, § 8º da Lei n. 8.666/93, as hipóteses em que se utiliza o registro da


variação contratual por apostilamento são:
a) variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no contrato;
b) compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento;
c) empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido.

SÍNTESE
Portanto, o termo aditivo será utilizado para registrar as alterações contratuais, unilaterais
ou bilaterais, previstas no art. 65 da Lei 8.666/93, dentre as quais encontra-se a revisão
para o reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Já o reajuste e a repactuação serão
concedidos mediante simples apostilamento (§ 8º).