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ISSN 1519-1850

Revista de Estudos Tributários
Ano XVI – nº 98 – Jul-Ago 2014

Repositório Autorizado de Jurisprudência
Supremo Tribunal Federal – Nº 29/2000
Superior Tribunal de Justiça – Nº 42/1999
Tribunal Regional Federal da 1ª Região – Nº 21/2001
Tribunal Regional Federal da 2ª Região – Nº 1999.02.01.057040-0
Tribunal Regional Federal da 3ª Região – Nº 22/2010
Tribunal Regional Federal da 4ª Região – Nº 07/0042596-9
Tribunal Regional Federal da 5ª Região – Nº 10/2007

Editorial SÍNTESE
Diretor Executivo: Elton José Donato
Gerente Editorial e de Consultoria: Eliane Beltramini
Coordenador Editorial: Cristiano Basaglia
Editora: Fernanda Figueiredo Reis
Editorial IET – Instituto de Estudos Tributários
Diretores
Milton Terra Machado
Hebe Bonazzola Ribeiro
Geraldo Bemfica Teixeira

Conselho Editorial
Domiciano Cunha, Heleno Taveira Tôrres, Hugo de Brito Machado,
Humberto Bergmann Ávila, Ives Gandra da Silva Martins, José Mörschbächer,
Kiyoshi Harada, Leandro Paulsen, Misabel Derzi, Paulo de Barros Carvalho,
Roberto Ferraz, Roque Carrazza, Vittorio Cassone, Walmir Luiz Becker

Comitê Técnico
Adler Baum, Adolpho Bergamini, Carlos Mário da Silva Velloso,
Carlos Roberto Lofego Caníbal, Fernando Dantas Casillo Gonçalves, Henrique Tróccoli Júnior,
Marcel Gulin Melhem, Paulo de Mello Aleixo, Paulo de Vasconcellos Chaves, Vilson Darós

Colaboradores desta Edição
Carlos Eduardo Makoul Gasperin, Ives Gandra da Silva Martins, Kiyoshi Harada,
Luiz Fernando Maia, Paulo Souza Barbosa Neto, Rodrigo Figueira Silva

1998 © SÍNTESE
Uma publicação da SÍNTESE, uma linha de produtos jurídicos do Grupo SAGE e do IET – Instituto de Estudos Tributários.
Publicação bimestral de doutrina, jurisprudência e outros assuntos tributários.
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução parcial ou total, sem consentimento expresso dos editores.
As opiniões emitidas nos artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores.
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tivos tribunais.
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pelo e-mail: pesquisa@sage.com.br (serviço gratuito até o limite de 50 páginas mensais).
Distribuída em todo o território nacional.
Tiragem: 5.000 exemplares
Revisão e Diagramação: Dois Pontos Editoração
Capa: Tusset Monteiro Comunicação
Artigos para possível publicação poderão ser enviados para o endereço ret@sage.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

REVISTA DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS –
Porto Alegre: v. 1, n. 1, maio/jun. 1998

Publicação periódica
Bimestral

v. 16, n. 98, jul./ago. 2014

ISSN 1519-1850

1. Direito tributário – Brasil
2. Jurisprudência – periódico

CDU: 349.9(05)
CDD: 340

(Bibliotecária responsável: Helena Maria Maciel CRB 10/851)

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Cobrança: São Paulo e Grande São Paulo (11) 2188.7900
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Carta do Editor
Caro leitor,
Nesta edição da Revista de Estudos Tributários, elegemos como Assunto
Especial o ITBI e algumas de suas questões controvertidas. Entre elas, a relacio-
nada à situação do art. 37, § 4º, do CTN, no atual ordenamento constitucional
brasileiro. Em artigo, o Advogado Carlos Eduardo Makoul Gasperin aborda se
esse dispositivo da legislação pretérita que estabelece a não incidência do ITBI
sobre operações em que haja a transferência da totalidade do patrimônio de
uma empresa para a outra, independentemente da atividade preponderante da
adquirente, teria sido recepcionado pelo art. 156, § 2º, II, da CF/1988. A análise
da recepção dos dispositivos do CTN relacionados ao ITBI é feita também pelo
Prof. Kiyoshi Harada, em trabalho também publicado neste Assunto Especial.
Vale a pena conferir, ainda, o trabalho do Advogado Paulo Souza Barbosa Neto,
em que analisa o fato gerador do ITBI à luz da Lei Municipal nº 9.133/2006 e
jurisprudência do STJ e STF. Além disso, publicamos Resposta à Consulta exara-
da pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, questionando se quan-
do uma sociedade de economia mista, concessionária de serviço público, cria
subsidiárias com natureza jurídica de sociedade anônima fechada, se sobre a
transferência de bens da empresa principal para integralização do capital social
das subsidiárias há incidência do ITBI.
Na Parte Geral da Revista de Estudos Tributários, selecionamos para você
Acórdãos na Íntegra dos principais Tribunais pátrios, além de artigos de interes-
santes temas atrelados à área tributária.
Chamamos a sua atenção para a Seção Especial, na qual publicamos
Parecer elaborado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins, intitulado “Socieda-
des Prestadoras de Serviços de Contabilidade e Consultoria Econômica. Não É
a Dimensão da Sociedade e o Número de Profissionais que Definem o Regime
de Tributação do ISS, Mas o Tipo de Serviço Prestado. Incidência Por Alíquota
Proporcional em Função do Número de Profissionais e Não pelo Movimento
Econômico”.
Não deixe de conferir, na seção “Clipping Jurídico”, os principais acon-
tecimentos do período na área tributária, bem como as normas que causaram
impacto na mesma área recentemente, na seção “Resenha Legislativa”.
A IOB, juntamente com o IET, desejam a todos uma ótima leitura!

Elton José Donato Arthur Maria Ferreira Neto
Diretor Executivo da IOB Presidente do IET

..................................... Superior Tribunal de Justiça................ Ementário...........................................................................767/2012 à Luz da Jurisprudência do STJ Rodrigo Figueira Silva.........127 3...... da CF/1988) e os Arremedos para sua Instituição Luiz Fernando Maia......................... VII................................ O Protesto Indevido de Certidão de Dívida Ativa e o Dano Moral: Consequências Lógicas da Lei nº 12............... § 4º. O Imposto sobre Grandes Fortunas (Artigo 153..........133/2006 e Jurisprudência do STJ e STF Paulo Souza Barbosa Neto...................................................... Superior Tribunal de Justiça............... Sumário Normas Editoriais para Envio de Artigos............................... Acórdão na Íntegra (STF)......................................................................................................................9 2.............. do CTN Carlos Eduardo Makoul Gasperin............................................................................................... Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais...........40 Acórdãos na Íntegra 1..........................................35 Resposta à Consulta 1............................................49 Parte Geral Doutrinas 1....................................................... Superior Tribunal de Justiça.....................................7 Assunto Especial ITBI – Questões Controvertidas Doutrinas 1....... Fato Gerador do ITBI à Luz da Lei Municipal nº 9.... Imunidade ao ITBI em Reorganizações Societárias – Recepção do Artigo 37........22 3............................ ITBI – Recepção Parcial dos Dispositivos do CTN Kiyoshi Harada...........44 2......63 Jurisprudência Acórdãos na Íntegra 1...................133 .........72 2............................................................54 2.

................ Tribunal Regional Federal da 5ª Região...........................................4.............. Mas o Tipo de Serviço Prestado........................ Ementário de Jurisprudência Administrativa...................................206 Clipping Jurídico.238 ...............................154 7............................ Ementário de Jurisprudência..................................................158 8........................................................................................................... Não é a Dimensão da Sociedade e o Número de Profissionais que Definem o Regime de Tributação do ISS...............................................227 Resenha Legislativa..... Sociedades Prestadoras de Serviços de Contabilidade e Consultoria Econômica........................144 5....................... Tribunal Regional Federal da 2ª Região....147 6.................................234 Índice Alfabético e Remissivo................................................................................................... Tribunal Regional Federal da 4ª Região................204 Seção Especial Parecer 1...... Tribunal Regional Federal da 1ª Região.............................162 Ementário de Jurisprudência 1........ Incidência por Alíquota Proporcional em Função do Número de Profissionais e Não pelo Movimento Econômico Ives Gandra da Silva Martins............ Tribunal Regional Federal da 3ª Região..........................166 2.............................

Os artigos para publicação nas Revistas SÍNTESE deverão ser técnico-científicos e fo- cados em sua área temática. Os trabalhos devem ser encaminhados preferencialmente para os endereços eletrôni- cos conselho. 3. As citações bibliográficas deverão ser indicadas com a numeração ao final de cada citação.sintese. 15. que recomendará ou não as suas publicações. obedecendo às normas da ABNT. desde que com o devido crédito de autoria. ao submeter o seu artigo. um “RESUMO” informativo de até 250 palavras. 11. e finaliza- das por ponto. com a sua publicação na Re- vista para a qual foi enviado ou em outros produtos editoriais da SÍNTESE. 14. A pri- meira lauda deve conter o título do artigo. As referências bibliográficas deverão ser apresentadas no final do texto. 10. sendo reservado a ela o direito de aceitar ou vetar qualquer trabalho recebido e. 9. 2. também. À Editora reserva-se o direito de publicar os artigos enviados em outros produtos jurí- dicos da Síntese.br.sintese.com.com/cadastrodeautores/autorizacao. Normas Editoriais para Envio de Artigos 1. Juntamente com o artigo.com. 17.com/cadastro- deautores e www. utilizando-se a fonte Arial. Os artigos encaminhados à Revista deverão ser produzidos na versão do aplicativo Word. 5.br e ret@iob. desde que aprovadas pelo autor. As opiniões emitidas pelo autor em seu artigo são de sua exclusiva responsabilidade. As palavras-chave são separadas entre si por ponto e vírgula. À Editora reserva-se o direito de proceder às revisões gramaticais e à adequação dos artigos às normas disciplinadas pela ABNT. A Editora reserva-se ao direito de inserir SUMÁRIO nos artigos enviados sem este item. NOME DO AUTOR e TITULAÇÃO DO AU- TOR. os quais serão submetidos à apreciação do Conselho Editorial responsável pela Revista. corpo 12. 4. o número de páginas será no máximo de 8 (oito). deverá constar uma relação de “PALAVRAS-CHAVE” (palavras ou expressões que retratem as ideias centrais do texto). 6. A priorização da publicação dos artigos enviados decorrerá de juízo de oportunidade da Revista. o nome completo do autor e os respectivos créditos.editorial@iob. 12. que apresente concisamente os pontos relevantes do texto. em negrito. O autor. 8. o autor deverá preen- cher os formulários constantes dos seguintes endereços: www. organizadas em ordem alfabética e alinhadas à esquerda. o de propor eventuais alterações. Após o “RESUMO”.editorial@iob. . havendo interesse no envio de textos com comentá- rios à jurisprudência. em ordem de notas de rodapé. concorda. com títulos e subtítulos em caixa alta e alinhados à esquerda.com. Os artigos deverão ter entre 7 e 20 laudas. desde já. O artigo deverá conter além de TÍTULO. fazendo jus o autor a um exemplar da edição da Revista em que o artigo foi publicado. Será dada preferência para artigos inéditos. caso seja necessário. 13. Essas citações bibliográficas deverão seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). que facilitem a posterior pesquisa ao conteúdo. 16. os aspectos abordados e as conclusões. sem outra remuneração ou contraprestação em dinheiro ou produtos. 7. Terão preferência de publicação os artigos acrescidos de “ABSTRACT” e “KEYWORDS”. a título de direitos autorais patrimoniais. Observadas as regras anteriores.br. as finalidades. Quaisquer dúvidas a respeito das normas para publicação deverão ser dirimidas pelos e-mails conselho. Todos os artigos deverão ser enviados com “SUMÁRIO” numerado no formato “arábi- co”.

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RESUMO: O presente artigo estuda a situação do art. § 4º. 3 Arquétipo cons- titucional previsto para o ITBI. do CTN CARLOS EDUARDO MAKOUL GASPERIN Especialista em Direito Tributário pelo IBET. which establishes ITBI’s non-incidence over operations in which all of a company’s assets are transferred to another. 811 operações de fusões e aqui- sições realizadas entre empresas no país. o que representa um crescimento de 5. independentemente da atividade preponderante da adquirente. § 4º. cisão. when setting forth a specific immunity rule for such tax. imunidade. da CF/1988. reestruturação societária. ABSTRACT: This essay studies the situation of CTN’s art. investigando se esse dispositivo da legislação pretérita que estabelece a não incidência do ITBI sobre operações em que haja a transferência da totalidade do patrimônio de uma empresa para a outra. which. in the current Brazilian consti- tutional system. Assunto Especial – Doutrina ITBI – Questões Controvertidas Imunidade ao ITBI em Reorganizações Societárias – Recepção do Artigo 37. 156. corporate restructurings. 37. da CF e o art. was incorporated by CF/1988’s art. teria sido re- cepcionado pelo art. KEYWORDS: ITBI. 156. acquisition. ao traçar regra de imunidade específica para esse imposto. 4 A imunidade tributária prevista no art. Conclusão. merger. § 2º. § 4º. em 2013. 37. § 2º. regardless of the acquirer’s main business. 37. immunity. aparentemente excluí da desoneração hipóteses em que as operações de fusão. § 4º. I. II. analyzing whether such provision of the previous legal system. main business SUMÁRIO: 1 Introdução – Delimitando o problema. 156. II. fusão. do CTN – Hermenêutica possível. Membro do Conselho Acadêmico de Tributação da Associação Comercial do Paraná. Referências.3% em comparação aos negócios semelhantes ocorridos no ano de 2012 e . 1 INTRODUÇÃO – DELIMITANDO O PROBLEMA Segundo estudo promovido pela empresa de consultoria Price Waterhouse Coopers – PwC. PALAVRAS-CHAVE: ITBI. do CTN no atual ordenamento cons- titucional brasileiro. apparently excludes merger and acquisition operations in which the acquirer is a legal entity that performs real estate businesses. houve. § 2º. atividade preponderante. incorporação. cisão e incorporação tenham como “adquirente” pessoa jurídica cuja atividade seja ligada ao ramo imobi- liário. Advogado. o qual. 2 Evolução legislativa do tema.

§ 4º. com o atual estágio do mercado brasileiro. concisa e sem querer ter a pretensão de esgotar o tema. bem como a própria jurisprudência nacional. em determinadas regiões do País. atingiram. do Código Tributário Nacional – que exime da tributação do ITBI as operações societárias em que haja a transmissão completa do patrimônio de uma pessoa jurídica para a outra – foi recepcionado por completo pelo ordena- mento jurídico inaugurado pela Constituição Federal de 1988. em especial no que tange às responsabilidades e aos impactos na apuração de tributos diretos. ainda que de forma breve. pos- sui opiniões conflitantes a respeito do tema que. valores venais astronômicos e pas- saram a representar um “novo” filão das administrações municipais. haja vista os altos custos de transferência das propriedades imobiliárias que. e a soma desses atingiu a quantia de US$ 88. parece estabelecer uma imunidade mitigada ao referido imposto municipal. imposto municipal do qual a doutrina pouco fala. há uma série de outras implicações tributárias que decorrem destas negociações. A par do impacto econômico e financeiro que este tipo de operação causa no mercado. em especial por seu art.pdf>. Nessa linha. por sua vez.com. visa a jogar luz sobre os reflexos que esse tipo de operação causa na tributação do ITBI. a depender da definição que venha a ser tomada. muitas vezes.br/pt/publicacoes/servicos/assets/fusoes- aquisicoes/fusoes-aquisicoes-dezembro-2013. 2 EVOLUÇÃO LEGISLATIVA DO TEMA Desde a primeira Constituição republicana. 2014.1 bilhões. Acesso em: 25 mar. alguns tributos tidos como “menores” frequentemente são negligenciados pela doutrina nacional quando do estudo dessas grandes opera- ções societárias. apenas 35. pode ocasionar um impacto financeiro considerável aos contribuintes envolvidos em operações de fusão. O presente estudo. § 2º. promulgada em 1891. os quais.9% das ope- rações realizadas tiveram seus valores divulgados. . No entanto. 37. Segundo o estudo. incorporação ou cisão de em- presas.pwc. I – o qual. mas que é de grande relevância quando da formulação das cha- madas “combinações de negócios”. 156. ter-se-á como problemática do presente artigo saber se o art. O estudo se faz pertinente uma vez que a parcela da doutrina que se dedica ao estudo do ITBI. o im- posto sobre transmissão inter vivos de bens imóveis era conferido à competên- 1 A íntegra do estudo está disponível em: <http://www. representam um impacto tributário con- siderável a depender do setor econômico em que se desenvolve a negociação.10 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA um recorde nos últimos doze anos1. muitas delas amplamente estudadas pela doutrina espe- cializada.

.... exceto os de garantia.. de bens imóveis... incorporação. extinção ou redução do capital de pessoas jurídicas.. a qual... 39 (alíquota).... a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. por natureza ou acessão física... cisão ou extinção de pessoa jurídica. bem como cessão de direitos a sua aquisição.. incluindo-se no campo de alcance desse imposto os direitos reais sobre imóveis – exceto os de garantia – e excluindo-se a incidência sobre transferências de bens imóveis destinados à incorporação ao patrimônio de pessoas jurídicas.. Na esteira dessa estruturação do Sistema Tributário foi promulgada a Lei nº 5. 35 (“fato gerador”)... porém.... por ato oneroso. locação de bens imóveis ou arrendamento mer- cantil. dando. Com a Emenda Constitucional nº 1/1965........ nesses casos...... essa alteração durou pouco tempo. § 3º... . o ITBI foi reincorporado à competência dos Estados... 36 (“hipóteses de não incidência”). Vejamos a redação constitucional atual: Art... 38 (base de cálculo).] II – transmissão inter vivos. no entanto. 41 (critério espacial) e 42 (sujeição passiva).] § 2º O imposto previsto no inciso II: I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital........... Com o advento da Emenda Constitucional nº 18/1965 – que deu a estrutura preliminar do nosso atual Sistema Tributário Nacional –.. incluindo na hipótese de imunidade a esse imposto as operações de fu- são...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA.. em seu art. salvo se essas possuíssem atividade predominantemente imobiliária a ser definida em lei so- bre o tema. 40 (dedutibilidade do ganho de capital). Redação semelhante foi mantida pela EC 01/1969... 24. [.. 156. salvo se. tratou do tema por meio de seus arts........ 37 (regulamentação das “hipóteses de não incidência”)..... A Constituição de 1967. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão........... que instituiu o Código Tributário Nacional....... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: [.. no que se refere ao ITBI.... bem como sua locação.. exceto se essas tivessem atividade preponderante caracterizada pelo comércio desses bens imóveis ou dos direitos a ele ligados. Por sua vez...... e de direitos reais sobre imóveis... 11 cia dos Estados e incidia inclusive quando a transferência do bem se destinava à incorporação ao patrimônio de qualquer pessoa jurídica..... incluindo expressamente a hipótese de cisão ao caso. No entanto..172/1966.. tratamento pra- ticamente similar ao tema da imunidade em questão... incorporação...... o qual.. a Constituição Federal de 1988 inovou a questão conferindo o ITBI à esfera de competência dos Municípios.. o texto da Constituição de 1946 foi alterado e esse imposto passou à competência dos municípios.. a qualquer título.. deu novo tratamento legal à matéria. excluiu a redução de capital como hipótese de imunidade..

25. a base de cálculo possível e a alíquota possível. a partir da norma fundamental. 156 da Carta Magna. em prin- cípio. deverá ser fiel à norma-padrão de incidência do tributo. (v) a sujeição passiva deve recair sobre “uma das partes do negócio”. Da leitura podemos definir que: (i) o critério material possível. vale a pena ressaltar. pré-traçado na Constituição” (CARRAZZA. São Paulo: Malheiros. que inaugurou o tema e posteriormente foi regulamentada pelo CTN. então. bem como cessão de direitos a sua aquisição. ela apontou a hipótese de incidência possível. então. É o que tentaremos fazer na sequência. Nessa linha de raciocínio. a regra-matriz) de cada exação.. p. bem como efetuar cessão de direitos a sua aquisição”. a qualquer título. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: [. Em síntese. passemos à análise do atual arquétipo constitucional do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis. o sujeito passivo possível. a sujeição ativa e a possível su- jeição passiva. encontramos definidos o critério material (em parte). o § 2º. por ato oneroso. do referido disposi- 2 São estas as palavras do autor: “A Constituição. das várias espécies e subespécies de tributos. que da leitura do art. a estrutura padrão do próprio tributo que deve ser obedecida pela unidade política competente no labor legislativo que culminará na instituição desse tributo2. (iv) a sujeição ativa resta definida como sendo do Município.. 2009. II. a base de cálculo possível. o sujeito ativo possível. o tributo. ou seja. Vejamos a redação do dispositivo: Art. 516-517). ed. 156. Na sequência. o legislador. por meio de lei. 3 ARQUÉTIPO CONSTITUCIONAL PREVISTO PARA O ITBI Ensina-nos Roque Antônio Carrazza que a norma de competência tribu- tária posta no Texto Constitucional. Noutros termos. de modo implícito e com uma certa margem de liberdade para o legislador – a norma padrão de incidência (o arquétipo. Curso de direito constitucional tributário. que a redação do dispositi- vo imunitório atual não difere nem discrepa substancialmente dos dispositivos constitucionais pretéritos. ao exercitar a competência tributária. Feito o breve panorama histórico. também edifica o arquétipo a ser seguido pelo legislador ordinário. é possível afirmar. em especial o posto pela EC 18/1965. II. a regra-matriz do ITBI. em conjunto com os demais dispositivos que compõem aquele Texto.12 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA De antemão. Já no art. de bens imóveis. por ato oneroso. além de conferir à determinada pessoa po- lítica a aptidão legislativa para criar. exceto os de garantia. por vezes. o temporal. é “realizar a transmissão inter vivos. ao discriminar as competências tributárias. (ii) o critério temporal possí- vel é “o momento em que se concretiza a transmissão”. exceto os de garantias. a qualquer título. de bens imóveis ou de direitos reais a ele inerentes. pode-se criar. . (iii) a base de cálculo possível deverá ser uma “quantia que mensure a transmissão”. 156.] II – transmissão inter vivos. estabeleceu – ainda que. Roque Antônio. por natureza ou acessão física. e de direitos reais sobre imóveis. da CF.

da CF.. uma autorização à tributação que pode assim ser traduzida: “poderá haver a tributação pelo ITBI se os bens transmitidos em razão de integralização..... no caso do ITBI....... inclusive quando a operação destinar os bens para a incorporação em capital de empresa ou a transmissão se der em virtude 3 Cf.. Em resumo.. cisão.... também devem ser consideradas para fins de definição da estrutura constitucional básica do tributo.. desde que a empresa que receber os imóveis não possua atividade preponderan- temente imobiliária. 4 Podemos citar como normas que negam/mitigam a competência de forma genérica as que garantem os direitos fundamentais dos contribuintes... incorporação.. salvo se. cisão ou incorporação. Na parte final do dispositivo percebe-se que o constituinte determinou uma exceção à regra de imunidade e. especificamente4... que vedam efeitos confiscatórios etc.... exceto os de garantia..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. construir a estrutura básica possível da norma de incidência: Critério material: realizar a transmissão.. 13 tivo constitucional define o critério espacial e sacramenta a sujeição ativa como sendo do “município onde se situar o bem imóvel”. 5 Tendo em vista o propósito específico e bem definido do presente trabalho.. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão... o respeito à capacidade contributiva...... Em tese já poderíamos descrever o arquétipo possível da norma que cria- rá o ITBI. exceto se a transmissão destinar-se à incorporação no patrimônio de pes- soa jurídica.. fusão.. não faremos menção nem alusão às imunidades ditas genéricas previstas no art.. TÔRRES.. Pode-se.. fusão... as quais... cuja redação é a seguinte: § 2º O imposto previsto no inciso II: I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital.... locação de bens imóveis ou arrendamento mer- cantil. entre outras. pelas imunidades tributárias existentes... por consequência... pode-se estruturar a regra de competência tributária do ITBI da seguinte forma: Compete aos municípios tributar as operações onerosas de transmissão... nesses casos. 156.. de bens imóveis e direitos a ele inerentes.... Direito constitucional tributário e segurança jurídica: metódica da segurança jurídica do sistema constitucional tributário...... genéricas e específicas5. inter vi- vos... p. dessa leitura... 2011.... II) quan- to pelo negativo caracterizado... essa última espécie consubstancia-se no disposto no inciso I do § 2º do art... cisão ou extinção de pessoa jurídica. extinção destinarem-se a pessoas jurídicas cujas atividades preponderantes estejam ligadas ao ramo imobiliário”. 349.. a compe- tência tributária deve ser definida tanto pelo seu viés positivo (art. a qualquer título.... que........ incorporação. ou decorrer de realização de capital.. inter vivos. No entanto..... como mandam os ensinamentos doutrinários3...... a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. realização de capital.. Heleno Taveira.... 150.... imóveis e direitos a ele ine- rentes – exceto os de garantia –. 156 da CF...... .. São Paulo: RT....

ou extinção da pessoa jurídica. de direitos reais sobre imóveis. Critério espacial: Município onde se localizar o imóvel Critério temporal: Momento da transmissão Sujeito ativo: Município onde se localiza o imóvel Sujeito passivo: Adquirente ou transmitente Base de cálculo: Expressão numérica apta a quantificar a transmissão Alíquota: Definida em lei municipal. se. à época de competência dos Estados. corrobora com a estrutura básica supratraçada. I.” 7 “Art. § 2º. da CR. como dispuser a lei. DO CTN – HERMENÊUTICA POSSÍVEL A Lei nº 5. 387. 35. ao definir esses critérios nos seus arts. a qualquer título. ou sobre que versarem os direitos cedidos. estabeleceu a seguinte hipótese de imu- nidade a esse imposto: 6 “Art. O Código Tributário Nacional – com as devidas adaptações exigidas por conta da alteração constitucional de competência tributária –. 156. no entanto. e somente se. como definidos na lei civil. III). 37. A alíquota do imposto não excederá os limites fixados em resolução do Senado Federal. a empresa destinatária dos bens possuir como atividade preponderante a compra. ambos do CTN. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos.172/1966 (CTN) foi editada ainda sob a égide da EC 18/1965. cumprindo a fun- ção que a Carta Magna delegou à lei complementar (CF. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada. § 4º. III – a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II. quanto ao ITBI. DA CF E O ART. mesmo que a mutação patrimonial decorra de sucessão aberta no estrangeiro. a qualquer título.” 9 “Art. 38. para efeito de aplicação de alíquota mais baixa. interessa-nos mais o disposto nos arts. § 2º. de competência dos Estados.” 10 “Art. 4 A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ART. 41.” . incorporação. 398. O imposto.14 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA de fusão. I. as transmissões que atendam à política nacional de habitação. 419 e 4210. que distinguirá. a locação. respeitadas a capacidade contributiva e a limitação ao confisco. sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador: I – a transmissão. exceto os direitos reais de garantia. o que será objeto de estudo a seguir. 356. cisão. II – a transmissão. análise para qual devemos ter em mente a fixação da norma padrão possível de incidência do ITBI por nós definida anteriormente. O imposto compete ao Estado da situação do imóvel transmitido. 42. a venda. 39. que deu nova roupagem ao Sistema Constitucional Tributário e. da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física. 36 e 37 – em especial o § 4º desse último –. ou arrendamento de imóveis ou direitos a ele inerentes. 156.” 8 “Art. 146. e a sua correlação com o superveniente art. Ao nosso estudo.

.... 36... o CTN.. Parágrafo único. 9º Compete aos Estados o impôsto sôbre a transmissão.... em outro ponto. 36 supra... trazendo uma “nova hi- pótese de ‘não incidência’” (inciso II e parágrafo único) ao vetar a tributação das operações de fusão e incorporação de pessoas jurídicas e de desincorpora- ção de patrimônio – situações essas. para sua incorporação ao capital de pessoas jurídicas...... 36. nos 2 (dois) anos anteriores e nos 2 (dois) anos subsequentes à aquisição...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA......... O imposto não incide sobre a transmissão aos mesmos alie- nantes.... também no que se refere à hipótese de não incidência.. dos bens e direitos adquiridos na forma do inciso I deste artigo..... fazendo-o por meio da seguinte redação: Art....] § 2º O impôsto não incide sôbre a transmissão dos bens ou direitos referidos neste artigo.... de bens imóveis por natureza ou por cessão física.... em de- corrência da sua desincorporação do patrimônio da pessoa jurídica a que foram conferidos.... II – quando decorrente da incorporação ou da fusão de uma pessoa jurídica por outra ou com outra..... diga-se. vieram a ser incorporadas pelas Constituições que se seguiram.. como definida em lei complementar.. apurar-se-á a preponderância referida no .. posteriormente. e de direitos reais sôbre imóveis....... Ao tratar do tema.. 37.. como definidos em lei. [.... que... como a inclusão da cisão pela CF/1988.. exceto os direitos reais de garantia.. Ressalvado o disposto no artigo seguinte.... em seu art..... O dispositivo restou assim redigido: Art.. ou menos de 2 (dois) anos antes dela.... § 2º Se a pessoa jurídica adquirente iniciar suas atividades após a aquisição. com algumas divergências redacionais pontuais.............. seja a venda ou a locação da propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição... foi além... O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou locação de proprie- dade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. relativa à atividade preponderante da pessoa jurí- dica que recebe os bens decorrentes de incorporação ao patrimônio ou fusão e incorporação entre pessoas jurídicas.. 15 Art... salvo o daquelas cuja atividade preponderante... Coube ao artigo seguinte do CTN tratar da ressalva posta pela EC 18/1965 à aplicação da imunidade ao ITBI e pelo art.... decorrer de transações mencionadas neste artigo. a qualquer título. em parte repetiu a dicção constitucional (inciso I) e.. § 1º Considera-se caracterizada a atividade preponderante referida neste artigo quando mais de 50% (cinquenta por cento) da receita operacional da pessoa jurídica adquirente.... o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I – quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito....

após a redação tortuosa dada ao art. o seguinte julgado do TJSC: “MANDADO DE SEGURANÇA – TRIBUTÁRIO – ITBI – IMUNIDADE – ART. nos termos da lei vigente à data da aquisição. em especial. 11 Veja. cisão ou extinção de pessoa jurídica. da CF/1888. Aparentemente. 37 supra tem sido posta à prova.. quan- do realizada em conjunto com a da totalidade do patrimônio da pessoa jurídica alienante. incor- poração e cisão com versão total de patrimônio entre pessoas jurídicas haveria a tributação pelo ITBI. com a constitucionalização. que passa a impressão de que mesmo em operações de fusão. a constitucionalidade do § 4º do art. aparentemente. 156 [. Ocorre que. nesses casos. § 2º.. 156. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. locação de bens imóveis ou arrendamento mer- cantil. nova hipótese imunitória11. pouco importando a atividade preponderante da adquirente – uma espécie.. o § 4º estabeleceu. Com base nessa nova redação. de isenção he- terônoma suportada pelos ordenamentos constitucionais pretéritos. criando. talvez. 37. § 2º. § 3º Verificada a preponderância referida neste artigo. I. § 4º. uma exceção à exceção. caso a empresa adquirente tivesse receita preponderante ligada com atividades imobiliárias. 156. em especial. via lei infraconstitucional. I. sob os argumentos de que referido dispositivo abriria uma exceção à ressalva constitucional não prevista no Texto Maior. sobre o valor do bem ou direito nessa data. 37 do CTN. 36 pelos textos constitucionais pos- teriores à EC 18/1965. então. salvo se. § 4º O disposto neste artigo não se aplica à transmissão de bens ou direitos. DO CTN – INCORPORAÇÃO DA TOTALIDADE . tornar-se-á devido o im- posto. determinando que a transmissão de bens ou direitos de imóveis quando realizados em conjunto com a totalidade do patrimônio da pessoa jurídica não estaria sujeita ao ITBI.. Portanto. incorporação. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão. estabeleceram-se os critérios de ati- vidade preponderante para fins de se afastarem as hipóteses constitucional e legal de intributabilidade pelo ITBI. Vale a pena reproduzir novamente o dispo- sitivo constitucional em comento: Art. alguns autores e decisões judiciais têm defendido a não recepção do § 4º do art. DA CF/1988 E ART.] § 2º O imposto previsto no inciso II: I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. por exemplo. já à época da EC 18/1965.] [. da hipótese de não tributação posta pelo inciso II do citado art.16 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA parágrafo anterior levando em conta os 3 (três) primeiros anos seguintes à data da aquisição.

37 do CTN “confere um contorno ao conceito de atividade preponderantemente imobiliária que extrapola o contorno constitucionalmente vago para além da região de penumbra.......] quando a transmissão dos bens imóveis e direitos a eles relativos abrange todos os bens da pessoa jurídica alienante.Cível. enquanto o art. inciso I.. não se verifica a não recepção do § 4º do art.. DE PESSOA JURÍDICA – ADQUIRENTE COM ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE IMOBILIÁRIA – DISPOSITIVO INFRACONSTITUCIONAL NÃO RECEPCIONADO PELA ORDEM CONSTITUCIONAL – ART... que o CTN traria no citado dispositivo verdadeira norma de isen- ção. sendo que não há conflito entre os dois diplomas legais”.06. estabelece hipótese de imunidade... 156. Logo... havendo a fusão.. Comentários ao código tributário nacional.. sentença mantida..... (TJPR. sendo perfeitamente aplicáveis ao caso em exame” (TJPR.... no essencial. que excluem a imunidade tributária... Assim. v.. 37 do CTN. José Alberto Oliveira. nos casos de transmissão da totalidade dos bens da pessoa jurídica alienante.] Por isso é que não podemos aceitar como recepcionados... .2014). § 2º.. Rel...... para quem a estipulação contida no § 4º do art. da vigente Constituição Federal. Rel... que.. não se aplicam quando a transmissão do imóvel ou do direito a ele relativo se operar em conjunto com a transmissão da totalidade dos bens do alienante” (MACHADO.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. Rel. que. 37.... as palavras de José Alberto Oliveira Macedo. Em outras palavras. Rel.] Significa dizer. São Paulo: Quartier Latin........ por maioria. 2007. 18. por mais esse motivo.... É a primeira parte do art.. cita-se. Na defesa da recepção do art... ed.... Unânime.. a fusionada.. Hugo de Brito. São Paulo: Atlas. p. 156.. Cesar Abreu. Apelação Cível em Mandado de Segurança nº 2007. pela Constituição de 1988. os seguintes julgados do TJPR: “Portanto. não há incidência de ITBI neste caso... 17... ‘[. porém. Ou. Eugenio Achille Grandinetti.. pois o transmitente não subsiste ao ato.. Essa exceção está..... ainda..10.. vejamos as palavras de Hugo de Brito Machado sobre o tema: “A regra de imunidade. J... por exemplo. na medida em que essa apenas explicita o teor contido no Texto Maior. A exceção a essa regra de imunidade está na parte final desse mesmo dispositivo da Constituição [. 135-136). nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão.Cív.. 12 Cita-se. Assim. as regras excepcionais. de sorte que as duas normas convivem perfeitamente.. Des..].. ainda: “Significa dizer que não há necessidade de que a norma que não possui natureza constitucional tenha a exata redação da regra da Constituição. 3ª C. I.. não há que se falar em conflito. ITBI: aspectos constitucionais e infraconstitucionais. Desig. 146. 37 do Código. diz que o imposto não incide sobre a transmissão de imóveis e direitos a ele relativos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital.. por exemplo.. não há que se falar em não recepção dos referidos artigos pela Constituição Federal. 30. 37. I. 2. 37 do Código Tributário Nacional. 2010... não seria possível haver a incidência do ITBI pois. também não existe conflito entre o que está no Código e o que está na Constituição.049889-7.. não importa saber se a adquirente tem ou não atividade preponderantemente imobiliária. não há que se falar em transmissão “entre vivos”.. Especificamente quanto ao § 4º do art. 17 e não se coadunaria com o conceito de preponderância implícito na Constitui- ção12-13. e que. incorporação ou cisão com a versão da totalidade do patrimônio para outra pessoa jurídica.. pode parecer que já não tem vigência. em face da superioridade hierárquica desta última. [. da CF. recurso improvido” (TJSC.. AC 1058883-7.. 2ª C. § 2º...... cisão ou extinção de pessoa jurídica.2008). que traz regra de não incidência não prevista na Constituição Federal.. Dimas Ortêncio de Melo. uma vez que este prevê uma hipótese de isenção. expressa no art. desde que com ela não seja conflitante. § 4º. Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba.. não havendo a figura do transmitente14. embora a norma excepcional neste albergada não coincida literalmente com aquela albergada pelo texto da Constituição. do CTN pela CF/1988 prevale- cem os argumentos de que não há contradição entre a norma imunizante e a lei infraconstitucional. esta é extinta e. ACr 924188-9.2012). J.. Penso.. DA CF/1988 – Difere da regulação da limitação constitucional ao poder tributário de criação de nova hipótese de imunidade tributária.... p/ o Acórdão Silvio Dias. [.. J.. no caso. [.. 415-417). embora não exista coincidência. ou não é mais válida em sua totalidade a norma do art..] não se pode ver conflito entre esses dois dispositivos e com isto pretender tenha o Código perdido a vigência com o advento da Constituição de 1988.. II.. 14 No âmbito jurisprudencial. Joinville.. por ensejarem um conceito de preponderância de atividade imobiliária incompatível com o conceito constitucional possível” (MACEDO... 13 Em sede doutrinária... os enunciados do § 4º do art.02...... 37 do Código Tributário Nacional.. incorporada ou cindida seria extinta.. p.... incorporação. Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba.. na verdade.

III. Ora. § 4º. 37. do CTN pela nova ordem constitucional quanto naqueles levantados pelos que defendem a validade do dispositivo infraconstitucional. O que faz o art. cabendo à lei complementar deixar isso expresso (CF. veja. a universalidade de direitos e obrigações que a compõe). concede-se ao Município a faculdade de tributar negócios imobiliários praticados entre as partes. a orientar os intérpretes da Constituição no sentido de que. cinge-se à tributação das operações de transferência onerosa e inter vivos de bens imóveis. da correção funcional. II. como visto. deixando evidente. I. nessas operações empresariais. seja por fusão. Portanto. III. O citado dispositivo nada mais faz do que cumprir com o papel delegado pelo art. a transferência de imó- veis é mera consequência. 146. que não há a intenção de adquirir a pessoa jurídica (ou seja. art. ferindo de forma clara e flagrante os postulados hermenêuticos da unidade da Constituição e. então. portanto. as faculdades tributárias de cada ente político. instituindo a norma fun- damental um sistema coerente e previamente ponderado de repartição de com- . é conferir aos municípios uma compe- tência – tributar operações societárias – que nem o próprio constituinte confe- riu ao repartir. 156. Nesses casos. § 4º. O que fez a norma constitucional. Em outras palavras. a capitalização da empresa adquirente somente será imune e. e o Texto Constitucional não muniu os municípios de competência para tributar negócios societários. 37. agraciada/incentivada se essa não possuir receita oriunda predomi- nantemente de atividades imobiliárias. não há como ver acerto tanto nos argumentos da- queles que pregam a não recepção do art. na medida em que complementa a definição do “fato gerador” do ITBI. em verdade. incorporação ou ci- são. do CTN? Nada mais do que o óbvio: explicita que não há incidência do ITBI sobre operações societárias. do CTN. como querem aqueles que defendem a não recepção do art. o qual – verdadeiro co- rolário do primeiro – presta-se. nos ensinamentos de Gilmar Ferreira Mendes e outros autores. 156. já que houve nítida escolha do adquirente dos ativos que seriam envolvidos na transação Nesses casos. Interpretar de forma diferente. principalmente.18 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA Com a devida vênia. da Carta Mag- na. 146. da CF. A ressalva feita pelo art. a). § 2º. da CF aplica-se apenas quando par- cela do patrimônio é transferida por meio de negociação societária. a competência posta pelo art. aí caracterizadas como a aquisição total dos ativos e passivos de uma empresa por outra. valendo-se do acordo empresarial para instrumentalizar essa transferência. a. nesses casos. foi vacinar o sistema contra possíveis fraudes que se valham das operações societárias para maquiar verdadeiras transações imobiliárias. § 4º. 37. mas tão somente determinados bens. há competência do município se a transferência parcial envolver imóveis. racionalmente. com todos os seus ativos e passivos. almejando utilizar-se da imunidade posta.

19 petências.. o valor do patrimônio líqui- do. ed.. Ruy Barbosa. São Paulo: Saraiva.. São Paulo: Saraiva.. ou dos ativos. como defendem alguns autores.. como querem algumas decisões judiciais que reco- nhecem a recepção do citado dispositivo.... BRANCO. vez que. apenas é aplicá- vel quando fusões. além de conferir.. Isso porque.. Gilmar Ferreira.. a tese de que o art. ed. Inocêncio Mártires. por exemplo. 154... também. por definição. é de se concluir que o “conceito constitucionalmente pres- suposto” de preponderância.... avança contra a competência residual da União Federal prevista no art.... Ade- 15 MENDES..... p. 2. para os que entendem a isenção como dispensa do pagamento de tributo ou favor legal17. 17 Cf.. não podem os seus aplicadores chegar a resultados que perturbem o esquema organizatório-funcional nela estabelecido.. cisões e incorporações de universalidades de direitos – patrimônio. que pode- ria..... 91.. do Código Civil – entre pessoas jurídicas? Temos certeza de que não! Sendo assim.... competência aos Municípios... p.. Curso de direito constitucional... São Paulo: Saraiva.. ao explicitar que operações societárias não representam o “fato gera- dor” do ITBI. COELHO. incorporação ou cisão totais de empresas que tivessem como base de cálculo. Também.. não resta caracterizada essa figura...15 É fácil perceber que a interpretação que nega validade ao art. instituir um imposto não cumulativo sobre operações societárias caracterizadas em fusão. Paulo Gustavo Gonet.. de forma oblíqua. 2002.... 1995. 14... que são individualizados quando há uma transferência par- cial do patrimônio da pessoa jurídica para outra. por exemplo: NOGUEIRA.. 16 CARVALHO. 116... Paulo de Barros..... Não há como defender... incorporações ou cisões são utilizadas como instrumentos para efetivar a transferência de determinados imóveis constantes do ativo de uma das empresas.. da empresa fusionada.. Ou será que a inexistência ou não recepção do citado § 4º. por lei complementar... na definição do art. e o § 4º do citado artigo da lei tributária não produz esse efeito... por si só.. Curso de direito tributário... do CTN seria verdadeira isenção.... incorporação ou cisão total de empresa – a ser dispensado futuramente.. 483.. cuja observância é consubstancial à própria ideia de Estado de Di- reito.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA... .... § 4º.. 14. referida norma não retira qualquer elemento do aspecto material..... como é o caso da separação dos poderes. a norma de isenção avança contra a regra matriz de incidência mutilando um de seus critérios16... § 4º. etc. 167...... do CTN afronta a repartição de competências tributárias na medida em que. da CF..... já que não havia competência tributária para exigir o imposto sobre a situação descrita – fusão. ed. Curso de direito tributário... con- feriria competência aos municípios para instituir imposto sobre fusões.. p. 37....... I..... pessoal ou da base de cálculo da regra-matriz do referido imposto municipal. 37.... incorporada ou cindida... 2008.. já que a transferência total do patrimônio de uma empresa para outra não é elemento de nenhum desses critérios da norma-padrão de incidência desse im- posto.

haverá a tributação. visto que o substrato fático posto caracteriza-se como verda- deiro negócio societário. 35 do CTN). não se subsumindo a hipótese prevista abstratamente na norma-padrão do imposto municipal (transmissão de imóveis e direitos a ele inerentes). § 4º. caso essa possua atividade imobiliária preponderante. o art. § 2º. entre a qual existam bens imóveis. Diante disso. do CTN não estabelece ne- nhuma imunidade. No entanto. 37. ela pressupõe uma competência inexis- tente do município de tributar operações societárias quando parciais. a cisão ou a incorporação total de uma empresa. do diploma tributário. do CTN nada mais faz do que harmonizar a regra imunizante prevista no art. extinguir-se-ia o próprio su- jeito passivo da relação tributária. § 4º. não teria sido recepcionado. nessas. não merece acolhida a tese de que referido dispositivo impediria a incidência do ITBI. da CF (ou art. não restam dúvidas de que. já que. CONCLUSÃO A intenção desse breve estudo foi jogar luz sobre um assunto de maior importância que tem sido relegado por parte da doutrina e da jurisprudência. prevê. a). por incorporação ou cisão total. Ainda no âmbito dos argumentos de defesa. transmitente. subsistiria. 156. 36 do CTN) com o “fato gerador” do imposto previsto no art. Portanto. . I. § 4º. in fine (ou art. Não compartilhamos desse argumento. II. isenção ou vai além de disposição constitucional pressupos- ta. Ou seja. jogando luz ao óbvio: negócios so- cietários (que pressupõem a aquisição completa do patrimônio – universalidade de direitos e obrigações – de uma pessoa jurídica por outra) não são eventos sociais aptos a comporem o critério material previsto constitucionalmente para o ITBI. se isenção fosse o que o art. efetivamente. não há que se falar em incidência do ITBI. 146. Com isso. ainda que a empresa que receba o patrimônio possua atividade preponderante (ou até exclusiva) ligada a opera- ções imobiliárias. quando houver operações de fusão. 37. pois. esse. seja por fusão. já que. conclui-se que o art. 156. quando destas operações so- cietárias ocorrerem a absorção total do patrimônio de uma pessoa jurídica pela outra. o sujeito passivo. 37. vez que se trataria de “isenção heterônoma”. havendo a versão total do patrimô- nio de uma empresa para outra. apesar de a alegação parecer lógica. III.20 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA mais. § 4º. cisão ou incorporação em que apenas haja a versão de parcela do patrimônio da pessoa jurídica para ou- tra. que são comumente levanta- dos em favor do art. por simples e clara ausência de competência tributária municipal para tanto. por completa ausência de competência municipal para instituir tributos sobre esse evento social. 37. não haverá a incidência do ITBI. Referido dispositivo cumpre a função de lei complementar ao esclarecer o “fato gerador” do imposto (CF. com a fusão. instituto im- possível no atual ordenamento constitucional.

.. ed. REFERÊNCIAS CARRAZZA... Pudemos ver anteriormente. Curso de direito constitucional..... 1995. do Código Tributário Nacional quanto os que propagam o seu acolhimento pela ordem constitucional inaugurada pela CF/1988 valem-se de argumentação falha. São Paulo: Saraiva.. a. já que não possuem competência para exigir o ITBI nesses casos.. em que a fusão. 37. 14........... § 4º..... 2008. São Paulo: RT. III. São Paulo: Saraiva. José Alberto Oliveira. na medida em que esclarece o óbvio: o fato gerador do ITBI não é composto de operações societárias caracterizadas pela transferência total do patrimônio (universalidade de direitos e obrigações) de uma empresa para outra por conta de fusão..... quando se depararem com operações dessa natureza.... BRANCO. NOGUEIRA.. situação que está fora do alcance da faculdade tributária conferida aos municípios pelo art.. I.... mas sim de negociação que envolve a absorção de ativos e passivos de uma companhia por outra.. ed. v. muito menos de imunidade ou sequer vai além do Texto Magno. Ruy Barbosa. Hugo de Brito... Roque Antônio.. São Paulo: Malheiros... ed.. MACHADO. ed.... 2009. Paulo Gustavo Gonet. .. 2010.. Curso de direito tributário.... O dispositivo do CTN em comento não traz qualquer hipótese de isen- ção. COELHO.. Direito constitucional tributário e segurança jurídica: metódi- ca da segurança jurídica do sistema constitucional tributário.. que tanto aqueles que defen- dem a não recepção do art.. 146.... Curso de direito constitucional tributário... 2.... Inocêncio Mártires. 21 a qual. Heleno Taveira. impondo um novo conceito de preponderância que não o pressuposto pela Constituição ao tratar da imunidade específica do ITBI..... 156 da CF. pelo simples fato de que não estamos diante de uma operação de transmissão que objetiva a transferência de imóveis. 14. quando se debruça sobre o tema. Curso de direito tributário. Referido dispositivo foi recepcionado pela CF/1988 porque cumpre com o desiderato posto pelo art.... faz isso sobre pre- missas equivocadas.. devem-se abster de qualquer ato de lançamento.. Gilmar Ferreira.. São Paulo: Quartier Latin.. Sendo assim. MACEDO.. MENDES........ as administrações municipais.. muitas das vezes.. 2011. cisão ou incorporação.. CARVALHO... São Paulo: Saraiva....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. ed.. Comentários ao código tributário nacional...... 2.. cisão ou incorporação envolve a to- talidade do patrimônio de uma companhia (entre eles imóveis). Paulo de Barros..... 25.. ainda que a empresa “adquirente” possua receita preponde- rante ou exclusiva ligada a atividades imobiliárias.... 2007...... 2002. TÔRRES. da Carta Maior.. ITBI: aspectos constitucionais e infraconstitucionais. São Paulo: Atlas.

SUMÁRIO: Introdução. 173 do CTN e a extinção do crédito tributário. especialmente no que diz respeito à ocorrência do fato gerador do ITBI e o prazo decadencial para constituição do crédito tributário. o fato gerador de cada tributo é previamente definido em lei para que não exista discussão acerca de sua obrigatoriedade de forma que.1 Conceito e evolução histórica. 114 do Código Tributário Nacional.2 Fato gerador. nos termos do art.133/2006. 1. Conclusão. Feitas estas considerações. consti- tuindo a relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco. ITBI. . II. da CF/1988. é devido o tributo e faz nascer para o Fisco o direito de constituir a crédito tributário mediante o lançamento do tributo. contrapondo-a com a atual Jurisprudência do STJ e.133/2006. 2 Constituição e extinção do crédito tributário. No caso do Imposto sobre Transmissão Inter Vivos por Ato Oneroso de Bens Imóveis – ITBI. ocorrido o fato gerador expressamente definido em lei. 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como ponto central de estudo a ocorrência da decadência do direito de o Fisco do Município de Fortaleza constituir o crédito tributário do ITBI mediante aplicação literal da Lei Municipal nº 9. Graduado no Cen- tro Universitário Christus – Unichristus.Assunto Especial – Doutrina ITBI – Questões Controvertidas Fato Gerador do ITBI à Luz da Lei Municipal nº 9. trata-se de imposto cuja competência para instituí-lo é dos Municípios. considerando sua relevância. Assim.133/2006 e Jurisprudência do STJ e STF PAULO SOUZA BARBOSA NETO Advogado do Núcleo Cível. Sócio de Cleto Gomes Advogados Associados. de forma específica. Referências. a frui- ção do prazo decadencial a que se refere o art. RESUMO: Conforme art. prazo decadencial. podemos afirmar que o presente estudo tem como escopo analisar a ocorrência do fato gerador do ITBI no Município de Fortaleza de acordo com a LM 9.133/2006 do Município de Fortaleza à luz da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ. a qual define a ocorrência do fato gerador do ITBI. 1 ITBI. PALAVRAS-CHAVE: Fato gerador.133/2006. Como objetivo geral. 156. irei abordar a aplicação e cumprimento da Lei Municipal nº 9. 3 Incongruência da Lei Municipal de Fortaleza/CE nº 9. a ocorrência do fato gerador é definida como o momento a partir do qual determinado tributo passa a ser devido pelo contribuinte. Pós-Graduando em Direito Imobiliário na Faculdade Farias Brito. 4 Posição do STJ e STF e ilegalidade da cobrança antecipada do ITBI.

.. Já no segundo capítulo....... na grande maioria das vezes. Outrossim........ Acesso em: 6 jun. 2014..... passando.1 Conceito e evolução histórica A instituição do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis – ITBI ocor- reu ainda no século XX com o Alvará nº 3 de 1809. antes de competência dos Estados... mas a com- petência de ambos permaneceu com os Estados... consequentemente..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. No terceiro e último capítulo.. houve a separação entre o Imposto sobre Transmissão inter vivos e Imposto sobre Transmissão causa mortis.. ..trabalhosfeitos.... 173 do CTN... Com a Constituição de 1934. No primeiro capítulo irei conceituar o ITBI e seu fato gerador de acordo com o que dispõe Código Tributário Nacional..... de fato. Contudo. 1 ERICK ÁLVARES.. denominado SISA... utilizando-se. Disponível em: <http://www.... 1 ITBI 1....... a previsão de inúmeras hipóteses como sendo fato gerador do ITBI traz para o Município uma situação de risco: a extinção do crédito tributá- rio pela decadência.. em seguida... não se pode deixar de mencionar que o ente competente para instituição de determinado tributo também é o responsável pelo lançamento do mesmo e... é de suma importância a definição de quando. a discor- rer.... Bruno..... será abordada a posição jurispruden- cial dos Tribunais.. Leandro.......... 35 do CTN..html>. inexistindo diferença entre o inter vivos e o causa mortis1... sobre o seu lançamento pelo Município e a consequente constituição do crédito tributário..... É notório o intuito do Fisco de Fortaleza em aumentar a arrecadação do ITBI mediante a previsão de fatos geradores do mesmo em hipóteses que vão bem além do previsto no art.....com/ensaios/Imposto- Sobre-Transmiss%C3%A3o-Causa-Mortis-e/44379184. pela fiscalização da ocorrência do fato gerador... de pesquisa bibliográfica teórica e jurisprudencial.. ocorre o fato gerador do ITBI......... haja vista que somente a partir de tal é que pode se definir quando começa a fluir o prazo decadencial a que se refere o art.. envolve a ocorrência do fato gerador do ITBI... Trabalhos Feitos.133/2006 e as consequências da aplicação literal da lei municipal em relação à decadência do direito de constituição do crédito tributário. Sob esse prisma... especialmente do STJ. aumentando consideravelmente as hipóteses em que o contribuinte passa a ser devedor do ITBI..... Imposto sobre transmissão de bens: ITBI e ITCMD – Um estudo comparativo... para tanto... será abordado o fato gerador de acor- do com o disposto na LM 9. 23 O presente estudo é de grande importância na medida em que o mercado imobiliário se mostra muito aquecido e suas transações... FERREIRA....

novamente foram uni- ficados. 156. exceto os de garantia.. inter vivos. de 1965. necessário se faz discorrer sobre como ocorre a transmissão legal de um bem imóvel. sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador: I – a transmissão. contudo. a qualquer título e necessariamente por ato oneroso.. 1. nos termos em que dispõe o art.2 Fato gerador A ocorrência do fato gerador de um tributo e o momento a partir do qual o contribuinte estabelece uma relação jurídico-tributária junto ao Fisco.24 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA Foi somente com a Emenda Constitucional nº 5. a depender do tipo de tributo. Município ou União a partir de sua ocorrência. . os impostos sobre transmissão inter vivos e causa mortis passaram a ser independentes. seu fato gerador e a transmissão inter vivos de bens imóveis ou direitos reais sobre os mesmos. 35 do Código Tributário Nacional: Art. por ato oneroso. a qualquer título. de bens imóveis ou direitos reais a eles relativos. por ato oneroso. exceto os direitos reais de garantia. e de direitos reais sobre imóveis. a qualquer título. da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física. passan- do a ser devedor do Estado. Definido o fato gerador do ITBI como sendo a transmissão da proprieda- de. 156. [.. CF: Art. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: [. que o Imposto sobre Transmissão inter vivos passou a ser de competência dos Municípios. de competência dos Estados. de bens imóveis. com a Emenda Constitucional nº 18. a qualquer título. por natureza ou acessão física. como definidos na lei civil. Promulgada a Constituição de 1988. frise-se. O imposto. de direitos reais sobre imóveis. bem como cessão de direitos a sua aquisição. sendo o primeiro de com- petência dos Municípios e o segundo de competência dos Estados. 35. a qualquer título e por ato oneroso. III – a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II. No caso do ITBI.] Destarte. de 1961. senão veja o que dispõe o art. II.. podemos conceituar o ITBI como imposto de competência dos Municípios que incidirá sobre a transmissão inter vivos de bens imóveis ou de direitos reais sobre os mesmos.] II – transmissão inter vivos. II – a transmissão.

... § 2º Enquanto não se promover.. calcular o montante do tributo devido.. 2 FERREIRA.. § 1º Enquanto não se registrar o título translativo.....br/artigos/exibir/1361/Formas-de-aquisicao-da-propriedadeimovel>.... 1........ 1. a propriedade imóvel.... determinar a matéria tributável..... Disponível em: <http:// www. enquanto não registrado o título aquisitivo do imóvel. .. nos termos em que dispõe o art. Formas de aquisição da propriedade imóvel....... 2 CONSTITUIÇÃO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Conforme exposto em linhas anteriores. portanto... in verbis: Art.... sendo caso.direitonet. o Fisco efetivamente exigirá o pagamento do tributo por parte do contribuinte..... identificar o sujeito passivo e.. o alie- nante ainda continua sendo proprietário legal do imóvel2. Desta feita. vimos que a relação jurídico- -tributária entre o contribuinte e o Fisco nasce a partir da ocorrência do fato gerador do tributo. 2014.... e o respectivo cancelamento.... tem-se que a autoridade administrativa verifica a ocorrência do fato gerador de determinado tributo e... procede com o lançamento do tributo e a consequente constituição do crédito tributário.. após seu enquadramento no tipo legal e determinação da matéria tributável... assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. e somente a partir da constituição do crédito tributário. Alexandre.. o que já deixa claro que o simples contrato de promessa de compra e venda ou a escritura pública de compra e venda não registrada não se prestam a transmitir.........com.... por meio de ação própria... Acesso em: 1º jun....... a transferência da pro- priedade dos bens imóveis não ocorre com a simples tradição.... a teor do art..245 do Código Civil... A cons- tituição do crédito tributário ocorre após o seu lançamento. 142. 25 Ao contrário do que ocorre com os bens móveis.. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. propor a aplicação da penalidade cabível. que a transmissão da propriedade de um bem imó- vel somente ocorre após o registro do título translativo no Cartório de Registro de Imóveis. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o cré- dito tributário pelo lançamento. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.. 142 do Código Tributário Nacional... a decretação de in- validade do registro.245......... de fato.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. Note que.. Direito Net.. in verbis: Art. sendo necessário o registro do título de aquisição no Cartório de Registro de Imóveis competente..... Indiscutível..... Contudo.... o alienante continua a ser ha- vido como dono do imóvel.....

a expressão extinção da obrigação pode decorrer de vários fatores contemplados pela ordem jurídica. mediante ação de uma parte (sujeito passivo) em efetuar o pagamento. que não mais possa ser objeto de ação anulatória. pode ocorrer de forma normal. José. De outro ponto. na forma e condições estabelecidas em lei. 2014. Segundo a doutrina civilista. Âmbito Jurídico. Extinção da obrigação e do crédito tributário e suas implicações conceituais. chamados meios indiretos ou anormais. satisfazendo a obrigação e extinguindo-a. 156. deixa o contribuinte de estar obrigado a efetuar o pagamento do tributo. V – a prescrição e a decadência. VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art.ambitojuridico. . Disponível em: <http://www.php?n_link=revista_artigos_ leitura&artigo_id=9284>. 156 do CTN. de livre e espontânea vontade. sua extinção não necessariamen- te exige a prática de um ato por qualquer sujeito. sem que haja o pagamento do tributo. 150 e seus §§ 1º e 4º. VI – a conversão de depósito em renda. VIII – a consignação em pagamento. verifica-se que a extinção da obrigação e. ou seja. ou seja. IV – remissão. III – a transação. XI – a dação em pagamento em bens imóveis. X – a decisão judicial passada em julgado. Acesso em: 1º jun. 164. Extinguem o crédito tributário: I – o pagamento. 3 ALEXANDRE JUNCO. satisfazendo a pretensão do credor. o sujeito passivo da obrigação. II – a compensação. por meio da decadência e da prescrição. assim. quita a dívida ine- rente da obrigação entre as partes. assim entendida a definitiva na órbita administrativa. in verbis: Art.26 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA Ao contrário da constituição do crédito. desde o seu adimplemento chamado pelos romanos de solutio (pagamento. IX – a decisão administrativa irreformável. por consequência. nos termos do disposto no § 2º do art. assim determinado no art. são meios de satisfazer o objeto da obrigação e o interesse jurídico do credor de forma voluntária.3 Destarte. do crédito gerador da obrigação. cumprimento do objeto) ou por outro fator que provoque o mesmo efeito.br/site/index. nas chamadas formas diretas ou normais de extinção das obrigações em geral o pagamento e suas vertentes. Extinto o crédito tributário. Nesse sentido.com. ensina José Alexandre Junco: Em termos históricos. pode a obrigação e o crédito tributário serem extintos de forma excepcional.

. 4 COSTA CHAVES...... in verbis: Art..... Vimos também que a transmissão da propriedade imóvel somente ocorre mediante o registro do título aquisitivo junto ao cartório de registro de imóveis..133/2006 Como já exposto alhures...... contado da data em que tenha sido ini- ciada a constituição do crédito tributário pela notificação. 27 Veja que de todas as modalidades de extinção do crédito tributário pre- vistas no CTN....... 1... contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. consequentemente..... Parágrafo único... .. Portanto. Rodrigo. ocorrido o fato gerador de determinado tributo...com.. 173 do CTN. 3 INCONGRUÊNCIA DA LEI MUNICIPAL DE FORTALEZA/CE Nº 9.. contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao que ocorreu o fato gerador.... que se esgotou.. Disponível em: <http:// jus.... assim definida: A decadência atinge diretamente o direito em razão também da desídia do titular durante certo lapso temporal. quando a eficácia desse direito estava originalmente subordina- da ao exercício dentro de determinado prazo....245 do Código Civil.. Destarte.. a decadência é a extinção do direito pela inércia do titular..... o que melhor será explicado nas linhas seguintes. apenas a decadência é que se opera independentemente da prática de qualquer ato......... o lançamento anteriormente efetuado.. II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado... A decadência extingue o direito pelo decurso de determinado lapso tem- poral sem que tenha ocorrido o exercício o direito atingido.. ao sujeito passivo... O tempo age... O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto.. para proceder com o lança- mento do tributo e a consequente constituição do crédito tributário..... 2014..... a decadência extingue o direito de a autoridade administrativa constituir o crédito tributário e.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. como um requisito do ato. 173. sem o respectivo exercício.. Assim. de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento......... O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos. sob pena de não mais poder fazê-lo.. por vício formal. a Fazenda Pública disporá do prazo improrrogável de 5 (cinco) anos. no caso de decadência.. Acesso em: 1º jun.............4 Em matéria tributária.br/artigos/5588/aprescricao-e-a-decadencia-no-direito-civil>.. o ITBI é imposto de competência municipal e tem como fato gerador a transmissão da propriedade inter vivos de bem imóvel ou direitos reais a ele relativos por ato necessariamente oneroso... imperioso se faz citar o disposto no art. de cobrá-lo do sujeito passivo da obrigação tributária. Jus Navigandi.... A prescrição e a decadência no direito civil.. conforme expresso no art.....

133/2006 prevê como fato gerador do ITBI. determinada por lei. assim dispõe: Art. fato estes que. como é o Código Civil e. Todavia. com as conse- quências legais de tal ampliação. 1º. VI – a cessão de direitos relativos às hipóteses de incidência listadas nos incisos anteriores. IV – a procuração em causa própria para transferência de imóveis. V – a procuração irrevogável e irretratável. a qualquer título. a qual institui o ITBI no Município de Fortaleza. exceto os de garantia. 35 do CTN. II – a transmissão. sem se preocupar. § 1º O ITBI incide sobre bens situados no município de Fortaleza. não haverá nova incidência do imposto. com o promitente comprador ou com o outorgado. ao levar a registro o título de aquisição onerosa de propriedade imóvel no . não importa na transmissão da propriedade imóvel. de direitos reais sobre imóveis. a Lei Municipal nº 9.245 do CC e art. em seu art. ao que parece. indo de encontro ao disposto no art. ampliou as possibilidades de ocor- rência do fato gerador do ITBI. 1. como definidos na lei civil.28 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA A Lei Municipal de Fortaleza/CE nº 9.133-2006. § 2º Na concretização do negócio objeto da promessa ou da procuração. como já vimos. ou seja. O lançamento do crédito do ITBI ocorre por declaração. o adqui- rente. a qualquer título. não podendo nenhum Município alterar dispositivo de Lei Federal. Primeiro porque a transmissão da propriedade imóvel possui forma so- lene. que tem como fato gerador: I – a transmissão. a competência legislativa tributária dos Municípios encontra suas limitações na Constituição Federal de 1988 e no CTN. sem a apre- sentação e/ou a confirmação da concretização do negócio. da propriedade ou domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física. uma vez que o mesmo não disporá de meios para impedir que se opere a decadência do seu direito de constituir o crédito tributário do ITBI. A adoção do entendimento de que a mera promessa de compra e venda pode ser considerada fato gerador do ITBI põe o Fisco municipal em flagrante situação de risco. entre outros. Pela simples leitura do dispositivo legal anteriormente citado. III – a promessa ou o compromisso de compra e venda e de permuta de imóveis. percebe- -se que o Município de Fortaleza. segundo. ou seja. por ato oneroso. para venda de imóveis. a mera promessa de compra e venda ou permuta de imóveis. ao instituir o Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por ato inter vivos. 1º Fica instituído o Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI).

Isso porque. se o Fisco municipal fez prever em sua legislação que a mera promessa de compra e venda seria fato gerador do ITBI..... declara ao Fisco municipal sua aquisição.. não se coadunando com as disposições legais superiores referentes à matéria....... se duas ou mais pessoas houverem firmado contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel no ano de 2013.. deveria também dispor de meios que não o faça depender da ação dos contratantes em fazer levar ao seu conhecimento a existência do referido contrato particular... possibilitando ao mesmo a constituição do crédito tributário...... 173 do CTN.... CTN... Assim... pois não se pode negar que..... 29 cartório competente... Todavia. é um documento particular e sua existência....... decorrerão os cinco anos a que se refere o art..... o prazo decadencial para que a autoridade administrativa constitua o crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do ano seguinte ao que ocorreu o fato gerador do tributo... Ora... ou seja.. nos leva a conclusões inevitáveis e absurdas. em se tratando de documento particular........133/2006 é totalmente incongruente. ....... caso os mesmo permaneçam silentes e não le- vem o contrato particular a registro. Ocorre que... para proceder com o lançamento do tributo e a constituição do crédito tributário.... contados a partir do dia 1º de janeiro de 2014.. I. o mero contrato de promessa de compra e venda de imóvel......... como exposto anteriormente...... somente pela iniciati- va dos contratantes é que o Município poderia tomar conhecimento do referido documento. bastando que... extinguindo-se o crédito tributário..... verifica-se que a LM 9.... na hipótese anteriormente demonstrada. ao contrário do ato de registro. pelo que a transmissão do bem objeto do referido contrato não poderia ser tributada em razão da ocorrên- cia da decadência... a depender da vontade dos contratantes....... para tanto. sob pena de não mais poder fazê-lo. a aplicação efetiva da legislação municipal e suas consequências legais possibilitariam a todos que realizassem compra ou permuta de bens imóveis sem recolher o ITBI.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA... 173.. haveria a possibilidade de se reduzir a zero o recolhimento de ITBI por parte do município sem que para isso fosse necessário não se transmitir a propriedade imóvel. Em termos mais simples. firmas- sem contrato particular de promessa de compra e venda e só o levasse a registro após decorridos cinco anos do primeiro dia do ano seguinte ao que o contrato foi firmado. a aplicação efetiva da Lei Municipal.. o qual se presta a dar co- nhecimento público de sua existência. sendo certo que. Ou seja. a Fazenda Munici- pal disporá de cinco anos.. o que se mostra impossível.. antes de ser levado a registro e previsto como fato gerador do ITBI pela já citada legislação municipal... pode ficar limitada ao co- nhecimento tão somente dos mesmos. conforme o já citado art.......

bem como a am- pliação das possibilidades de sua ocorrência pela Legislação Municipal de Fortaleza/CE. a definição legal do fato gerador do ITBI de acordo com a legislação federal. Registro do imóvel. 25.546. ou seja. e o que predomina até os dias atuais. 530). Rel. vejamos como entende o Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria: TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE TRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS – FATO GE- RADOR – REGISTRO IMOBILIÁRIO – (CÓDIGO CIVIL. Demonstrada a incompatibilidade entre a legislação federal e municipal. além de coerente com o ordenamento jurídico. 1ª T. 2. senão veja: EMENTA: Agravo regimental no agravo de instrumento. . tal hipó- tese somente alcança as partes do contrato particular. ART.133/2006 de que não haverá nova incidência de ITBI no caso de concretização do ne- gócio objeto do contrato particular de promessa de compra e venda.6 Verifica-se. Divulg.10. 6 STF. art. Referido entendimento. entre outros assuntos.2013. AI 764432/MG. Não obstante a determinação exposta no § 2º do art. que a LM 9. Assim. 1º da LM 9. uma vez que somente é permitido à Fazenda Municipal realizar a cobrança do ITBI após o registro do título translativo no cartório de imóveis. Humberto. Dias Toffoli.546/Humberto)5 Destarte.. 530) – A proprieda- de imobiliária apenas se transfere com o registro respectivo título (Código Civil. 22. Public. Min. O registro imobiliário é o fato gerador do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. Agravo regimental não provido. mesmo antes da vigência do Código Civil de 2002. mediante o registro no cartório com- petente.2013. (REsp 12. 5 Brasília. Min. REsp 12. Compromisso de compra e venda.11. desta forma.2013.11.30 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA 4 POSIÇÃO DO STJ E STF E ILEGALIDADE DA COBRANÇA ANTECIPADA DO ITBI Vimos nos tópicos anteriores. Precedentes. 1. constata- -se que o STJ já entendia como fato gerador do ITBI exclusivamente a registro imobiliário da transmissão da propriedade. Está assente na Corte o entendimento de que o fato gerador do ITBI somente ocorre com a transferência efetiva da propriedade imobiliária.133/2006 encontra-se em total dis- sonância da legislação federal e jurisprudência dos tribunais superiores. Superior Tribunal de Justiça – STJ. Momento da ocorrência do fato gerador. a pretensão de cobrar o ITBI antes do registro imobiliário contraria o ordenamento jurídico. 2002. Imposto de Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis – ITBI. não se aplicando nos casos em que o comprador originário resolve revender o imóvel enquanto este encontra-se em fase de construção mediante contrato de cessão dos direitos adquiridos onerosamente junto à incorporadora. Data de Julgamento: 08. Data de Publicação: Acórdão Eletrônico DJe-231. Rel.

.... caso o mesmo nunca tenha sido recolhido..07....... o comprador que for levar a registro o título aquisitivo da propriedade imóvel terá de levar também todos os contratos particulares ante- riormente firmados até que se complete a cadeia iniciada na compra e venda firmada entre a incorporadora e o primeiro comprador...... ao contrário.. II. DEMONSTRADO.. TEN- DO POR PREMISSA FÁTICA A DATA DA REALIZAÇÃO DA ESCRITURA PÚBLI- CA DE COMPRA E VENDA – FUMUS BONI IURIS EVIDENCIADO NOS AUTOS – PERICULUM IN MORA........ POR ATO ONEROSO DE BENS IMÓVEIS E DIREITOS A ELE RELATIVOS (ITBI) – FATO GERADOR DO TRIBUTO QUE SE PERFAZ COM A TRANSFERÊNCIA DO TÍTULO AQUISITIVO DE PROPRIEDADE JUNTO AO REGISTRO IMOBILIÁRIO – INTELIGÊNCIA DOS ARTS. DA CF..7 EMENTA: Fato gerador do imposto sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos a ele relativos.......... haja vista se tratar de um fato gerador independente dos anteriores de acordo com o art. ... Ora.. valendo a pena trazer à tona os seguintes julgados: AGRAVO DE INSTRUMENTO – MANDADO DE SEGURANÇA – ALEGAÇÃO DE INADMISSIBILIDADE DA VIA PROCESSUAL PARA DECLARAÇÃO DE IN- CONSTITUCIONALIDADE DE LEI EM TESE – NÃO CABIMENTO – ILEGALIDA- DE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI MUNICIPAL Nº 458/1989 ARGUIDA COMO FUNDAMENTO PARA AFASTAR A LESÃO A DIREITO SUBJETIVO – SI- TUAÇÃO DE FATO DEMONSTRADA – POSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE VIA INCIDENTAL – PRECEDENTES DOS STJ – MÉ- RITO – COBRANÇA DE IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO INTER VIVOS A QUALQUER TÍTULO. 7 TJPR....... os quais restam obrigados a efetuar o pagamento de um imposto que já foi recolhido ou mesmo tê-lo de pagar várias vezes como se vários fatos geradores houvessem se consumado... irá impor ao último adquirente que efetue novamente o pagamento do ITBI.. Diante de tal situação...245 DO CC/2002 – IMPOSTO COBRADO INDEVIDAMENTE..... cobrará individualmente o ITBI.... da LM 9. já havendo sido declarada inconstitucional pelo STF.. ACASO A MEDIDA DE URGÊNCIA SEJA DEFERIDA SOMENTE AO FINAL DO PROVIMENTO DE MÉRITO – DECISÃO CORRETAMENTE LANÇADA E MANTIDA – AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. IGUALMENTE... o Município de Fortaleza. 1º...133/2006.Cív..... Data de Publicação: . já vimos que a cobrança de ITBI em momento anterior ao re- gistro imobiliário é ilegal........ para cada contrato de compra e venda e/ou cessão de di- reitos firmado entre os contratantes anteriores. veja que tal situação não é difícil de ocorrer. e pautado na LM 9.... Compromisso de compra e venda.... 3ª C.. 156.133/2006.. 0760282-4........... AI 7602824/PR. 31 Neste caso.. DJ 678.....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA. Rel. Data de Julgamento: 12.... ou lesando ainda mais o contribuinte. III e VI.... trata- -se de uma imposição constantemente suportada pelos contribuintes. ilegalmente. Todavia. Ruy Francisco Thomaz.......2011... 35 DO CTN C/C 1..

seja qual for a modalidade do seu paga- mento. en- tão.11. ressalvado o disposto no § 4º do art.9 De outro ponto. espontane- amente. Porto Alegre: Livraria do Advogado. à restituição total ou parcial do tributo. Leandro. em se tratando de pagamento indevido de tributo decorrente de cobrança indevida.2009. a sua restituição. AI 454. 162. Rel. do Estado de Goiás. restando ao contribuinte ajuizar ação de repetição de indébito na hipótese de haver realizado pagamen- to de ITBI além do cobrado no ato do registro. contudo. 165 do CTN. nego seguimento ao agravo. com a expedição de requisição de pagamento de pequeno valor ou de precatório. o que culmina. Do exposto. p. de 30 de outubro de 1973. que o Município em questão não deverá. ed. é sabido que a administração não reconhecerá o vício. afastar a aplicação de sua própria legislação. dizendo do pagamento e demonstrando a ilegalidade ou inconstitucionalidade da exigência mediante análise da legislação específica que esteja em discussão. ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. em que a verificação do indébito depende do reconheci- mento da ilegalidade da interpretação do fisco sobre a lei tributária impositiva ou mesmo da declaração da inconstitucionalidade da lei. com amparo no art. não querendo ou não podendo o contribuinte efetuar o pagamento do tributo ilegalmente cobrado para depois pleitear sua restituição. Min.8 Ora.12. 114 da Lei nº 7730. DJe 10. Joaquim Barbosa.767-DF. no sistema jurídico brasileiro. ensina Leandro Paulsen: Há casos. pedindo. O sujeito passivo tem direito. assim determina o CTN: Art. não transmite direitos reais nem configura cessão de direitos à aquisição deles. Curso de direito tributário completo.32 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA O compromisso de compra e venda. 2012. 27. 165. razão por que é inconstitucional a lei que o tenha como fato gerador de imposto sobre a transmis- são de bens imóveis e de direitos a eles relativos. Em tais situações. no caso de procedência. [. declarando-se a inconstitucionalidade do in- ciso I do parágrafo único do art.. independentemente de prévio protesto. de modo que não tem o contribuinte sequer que formular qualquer pedido administrativo. Nesse sentido. Ingressará dire- tamente em juízo através de ação de repetição de indébito tributário.. todavia.] É sabido. 9 PAULSEN. nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o de- vido em face da legislação tributária aplicável.2009. . poderá impetrar mandado de segurança contra o ato de se negar a lavratura do registro sem que seja recolhido o pagamento do ITBI referente às cessões 8 STF. 4. 136. Representação julgada procedente.

resumidamente.. definindo o que seria o seu fato gerador... senão vejamos casos semelhantes já levados à apreciação do Poder Judiciário: MANDADO DE SEGURANÇA – Birigui.. em seguida.] O fato gerador do ITBI só ocorre com a transferência efetiva da propriedade........06......133/2006........2012...256/2006. com o registro no Cartório de Registro de Imóveis.....11 Diante de todo o exposto.133/2006.. para tanto.. Precedentes do STJ... sendo vedada a cobrança antecipada de ITBI. bastando que..2012.... Eutálio Porto..... restando ao contribuinte que se sentir lesado ajuizar ação de repetição de indébito ou impetrar mandado de seguran- ça. [... Data de Publicação: 05.. Apelação/Reexame Necessário nº 00086147420118260077. resta claro que o Município somente poderá realizar a cobrança do ITBI quando da lavratura do registro do título translativo da propriedade imóvel. como é constituído o crédito tributário e como é extinto o crédito tributário com enfoque na de- cadência do direito de o Fisco constituir o crédito mediante lançamento do tributo. até se chegar aos dias atuais... Passou-se a demonstrar. Jarbas Gomes... CONCLUSÃO Ao longo de todo o trabalho desenvolvido. 33 ou compra e venda anteriores.. Ocorrência do Fato gerador.10 APELAÇÃO CÍVEL – Mandado de Segurança... Sentença mantida.. conforme as circunstâncias de cada caso concreto.. Compreendida como se opera a decadência e aplicando o que dispõe o art..08.. Data de Publicação: 08... independentemente do que determine a legislação mu- nicipal.. ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. ... Rel. vimos que a aplicação prática. 1º da LM 9... Recursos não providos... Momento de registro perante o Registro Imobiliário... demonstrando as formas e métodos de que como o referido tributo foi aplicado durante o tempo. somente levas- 10 TJSP.. dando enfoque no contrato de promessa de compra e venda ou permuta de imóveis como fato gerador do ITBI. Em seguida...... 11 TJSP...... Lei Municipal nº 14. in totum... foi trazida à tona a larga ampliação de possibilidades de ocorrência do fato gerador do ITBI por parte da LM 9.. bem como a pluralidade de cobrança em razão da existência de dois ou mais contratos de promessa de compra e venda e/ou cessão de direitos..... ITBI.... Recursos improvidos... Cobrança de Juros............. Rel.. da referida Lei Municipal possibilitaria que qualquer pessoa poderia realizar a compra ou permuta de imóveis sem pagar o ITBI.... Multa e Correção monetária indevida. Apelação/Reexame Necessário nº 00132352620108260053...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA... discorreu-se sobre a concei- tuação do ITBI e sua evolução histórica....

2012. Curso de direito tributário completo. Disponível em: <http://www. Alexandre. 2014. Acesso em: 1º jun. pode-se concluir que eventual cobrança de ITBI por parte dos Municípios. Acesso em: 1º jun. COSTA CHAVES.com/ensaios/Imposto-Sobre-Transmiss%C3%A3o-Causa-Mortis-e/44379184.direitonet. 4. uma vez que. Por fim. 2014. Disponível em: <http://www. 2014. FERREIRA. poderá ser objeto de impugnação judicial com notórias chances de êxito por parte do contribuin- te. Âmbito Jurídico. Desta forma.ambitojuridico. Disponível em: <http://jus. foi trazida a posição jurisprudencial do STJ e STF acerca do as- sunto.br/artigos/exibir/1361/Formas-de-aquisicao-da- -propriedadeimovel>. . Porto Alegre: Livraria do Advogado. FERREIRA. Extinção da obrigação e do crédito tributário e suas impli- cações conceituais. 2014. Leandro. apenas o registro imobiliário é que constitui fato gerador que permite ao Município realizar a cobrança do ITBI. Bruno. Imposto sobre transmissão de bens: ITBI e ITCMD – Um estudo comparativo. an- tes de aperfeiçoado o registro imobiliário do título translativo. Acesso em: 1º jun. Jus Navigandi. Formas de aquisição da propriedade imóvel. conforme legislação federal e entendimento dos tribunais su- periores. Direito Net.34 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA se o contrato particular a registro após decorridos cinco anos do primeiro dia do ano seguinte ao que foi assinado. Leandro. José.traba- lhosfeitos. A prescrição e a decadência no direito civil. ERICK ÁLVARES.com.br/artigos/5588/aprescricao-e-a-decadencia-no-direito- -civil>. Dispo- nível em: <http://www. html>. REFERÊNCIAS ALEXANDRE JUNCO.com. ainda que em estrito cumprimento à legislação municipal. Acesso em: 6 jun.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9284>. restando demonstrado que ambos entendem como fato gerador do ITBI unicamente o registro imobiliário do título translativo. Trabalhos Feitos. não sendo a mera pro- messa de compra e venda ou permuta de imóveis fato gerador do IBTI.com. PAULSEN. br/site/index. Rodrigo. ed.

Sócio Fundador da Harada Advogados Associados. Direito tributário e financeiro (23. Assunto Especial – Doutrina ITBI – Questões Controvertidas ITBI – Recepção Parcial dos Dispositivos do CTN KIYOSHI HARADA Professor de Direito Administrativo. ed. em duas partes: (a) o imposto sobre transmissão causa mortis e doação de bens de qualquer natureza ficou inserida na competência do Estado (art. Ex-Procurador-Chefe da Consultoria Jurídica do Município de São Paulo. Vice-Presidente da Academia Brasileira de Direito Tributário e Acadêmico da Academia Paulista de Letras Jurídicas e da Academia Paulista de Direito. Autor de 27 obras jurídicas. 156. . ora uma parte pelo Estado e outra parte pelo Município. 2010). porém. por ato oneroso. porém. Parecerista na Área do Direito Pú- blico. 155. o Es- tado só pode tributar a transmissão causa mortis. 2014). somente na modalidade de transmissão inter vivos e por atos oneroso. o legislador constituinte de 1988 cindiu o chamado Im- posto sobre Transmissão de Bens Imóveis e de Direitos Reais sobre Imóveis. Agora. entre as quais. e de direitos reais sobre imóveis. I. (b) o imposto sobre transmissão inter vivos. O imposto ficou conhecido pela sigla ITCMD. ora pelo Município. como demonstramos na obra específica a respeito1. Ampliou-se. nosso ITBI doutrina e prática (São Paulo: Atlas. São Paulo: Atlas. quando toda operação sobre transmissão de imóveis e de direitos reais sobre imóveis era de sua competência. o objeto do imposto que passou a incidir sobre bens de qualquer natureza (imóveis ou móveis). Financeiro e Tributário. O Estado teve reduzida a sua competência tributária em relação à or- dem constitucional antecedente. da CF). ora sendo tributada pelo Esta- do. Esse imposto ficou conhecido pela sigla ITBI. A competência para instituir esse imposto incidente sobre a transmissão de bens imóveis vem variando ao logo do tempo. II. bem como cessão de direitos à sua aquisição ficou inserido na competência imposi- tiva municipal (art. 1 Cf. Como se sabe. exceto os de garantia. O Município ganhou a competência impositiva sobre a transmissão de bens imóveis e de direitos reais sobre esses bens. da CF). de bens imóveis por natureza ou acessão física. a qualquer título. que era de competência impositiva estadual. em decorrência das disputas entre Estados e Municípios na partilha de impostos.

Ressalvado o disposto no artigo seguinte. salvo se. que. cisão ou extinção de pessoa jurídica. como na hipótese prevista na letra b do inciso X do § 2º do art. o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I – quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito. não foram recepcionados senão de forma parcial pela Constituição de 1988. salvo raras exceções. 36 e 37 do CTN: Art. . Relem- bre-se. como se constata do exame do § 2º do art. A restrição quanto à imunidade condicionada refere-se unicamente à inexistência de atividade preponderante do adquirente na atividade imobiliária. que objetiva favorecer o Estado destinatário. e não beneficiar o contribuinte. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão. sinônimo de imunidade. 156 da Constituição Federal de 1988: O imposto previsto no inciso II2: I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. instituiu a imunidade pura e a condicionada. em relação ao ITBI. mas não é o propósito deste artigo versar sobre essa questão já abordada em outros trabalhos. Retomando o tema deste artigo. regula esse imposto sobre transmissão de bens imóveis e de direitos a ele re- lativos em seus arts. sendo. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. 36. veremos que os arts. 2 ITBI. Não se adequou à nova realidade constitucional que não se limitou à cisão do imposto. apenas. 155 da CF. locação de bens imóveis ou arrendamento mer- cantil. via de regra. significa supressão de competência tributária. de 25 de outubro de 1966. O preceito constitucional prevê a imunidade pura (primeira parte do dis- positivo) e a imunidade condicionada (segunda parte). que a expressão “isenção” ou “não incidência”. dispõem os arts. Na transmissão decorrente de extinção de sociedade. quando utiliza- da no texto constitucional. 35 a 42. que regulamentam o imposto sobre transmissão de bens imóveis e de direitos a eles relativos. ocorre a favor de sócios pessoas físicas. portanto. 36 e 37 do CTN. incorporação.36 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA O Código Tributário Nacional. nesses casos. Lei nº 5. mas prescreveu a imunidade específica do ITBI de forma diferente do que estava na ordem constitucional antecedente. Entretanto.172. não haverá incidência do ITBI porque o pagamento das cotas sociais por meio de bens da empresa em extinção. salvo em alguns casos específicos em que a “não incidência” tem o significado de restrição do alcance da norma definidora do fato gerador da obrigação tributária. quando o imposto era de competência tributária apenas do Estado. conforme se verifica do texto retrotranscrito.

. em de- corrência da sua desincorporação do patrimônio da pessoa jurídica a que foram conferidos. Ora....... Só que regular não implica ampliação.. 37 II – quando decorrente da incorporação ou da fusão de uma pessoa jurídica por outra ou com outra. como determina o preceito sob exame.... da CF)...... 37 do CTN........... o parágrafo único do art. dos bens e direitos adquiridos na forma do inciso I deste artigo... Mais irrazoável ainda é o § 2º.. apurar-se-á a preponderância referida no parágrafo anterior levando em conta os 3 (três) primeiros anos seguintes à data da aquisição............... nas hipóteses de cisão ou de extinção das sociedades. nem restrição da hipótese de imunidade estabelecida pelo legislador constituinte. Como se vê... O imposto não incide sobre a transmissão aos mesmos alie- nantes.. 37.. § 2º Se a pessoa jurídica adquirente iniciar suas atividades após a aquisição..... nos termos da lei vigente à data da aquisição. não é razoável a projeção desse cálculo percentual para os dois anos seguintes ao da aquisição..... decorrer de transações mencionadas neste artigo. nos parece ra- zoável. como prescreve o § 1º do art.. Art. Outrossim.. sabemos que a imunidade deve ser regulada por lei complementar (art.... prescrever que caracteriza atividade preponderante a que se refere o texto constitucional............. O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou locação de proprie- dade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. sobre o valor do bem ou direito nessa data... A prevalecer a redação do parágrafo único citado não poderia haver imunidade caso não houvesse no patrimônio da pessoa jurídica incorporada bens conferidos pelo sócio em realização de capital. 146...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA......... § 3º Verificada a preponderância referida neste artigo. Parágrafo único. que se refere a “nos dois anos anteriores e nos dois anos subsequentes à aquisição”. tornar-se-á devido o im- posto. § 4º O disposto neste artigo não se aplica à transmissão de bens ou direitos. quando mais de 50% da receita operacional da pessoa jurídica adquirente decorrer de transações imobiliárias nos dois anos anteriores à aquisição............. § 1º Considera-se caracterizada a atividade preponderante referida neste artigo quando mais de 50% (cinqüenta por cento) da receita operacional da pessoa jurídica adquirente..... 36 impõe uma limitação inexistente no texto constitucional ao restringir o gozo da imunidade à hipótese de desincorporação dos bens incor- porados pela mesma pessoa do adquirente.... II. quan- do realizada em conjunto com a da totalidade do patrimônio da pessoa jurídica alienante.. também.. nos 2 (dois) anos anteriores e nos 2 (dois) anos subsequentes à aquisição. além de se omitir acerca da fusão e da cisão... Agora.. ou menos de 2 (dois) anos antes dela.. que estende para três anos posteriores à aquisi- .. Nem seria possível a imunidade.

É que o fato gerador do ITBI é a transmissão de bem imóvel ao sócio em pagamento das cotas sociais por meio de uma escritura pública. . Essas exigências do CTN e da legislação municipal são inconstitucionais. a situação de imunidade tributária deve ser verificada antes ou no ato do registro da escritura aquisitiva do imóvel. que exclui da imunidade a hipótese de transmissão da totalidade de bens da pessoa jurídica incorporada ou fusionada. não recepcionado o § 4º do art. A aquisição dessa propriedade ocorre com o registro dessa escritura no registro imobiliário competente por força do disposto no art. A Constituição de 1988 condicionou o gozo da imunidade ao fato de a pessoa jurídica adquirente não exercer a atividade imobiliária de forma preponderante. nem no prazo de três anos posteriores à aquisição. Não é razoável supor que deva o ato de registro ficar em suspenso até o de- curso de dois anos a contar da lavratura da escritura pública de transmissão do bem imóvel. A alteração trazida pela Constituição de 1988 não se limita a separar a parte cabente na competência do Estado da parte inserida na competência tributária do Município. A parte do § 1º do art. apenas parte da transmissão de bens em pagamento de cotas sociais seriam cobertas pela imunidade. houve uma alteração sensível. na hipótese de extinção da sociedade. É preciso adequar os dispositivos do CTN à nova realidade constitucio- nal. bem como o § 2º que condiciona o adquirente a não iniciar atividade imo- biliária após a aquisição. porque normalmente as sociedades são constituídas por sócios pessoas físicas. pois quase a totalidade da legislação dos Municípios condiciona o registro à prova do pagamento do ITBI. Ora. que se coloca como um limite à ação do próprio legislador. não foram recepcionados pela ordem constitucional vigente. o adquirente teria que aguardar por dois anos para saber se o Fisco irá ou não reconhecer a imunidade. Exacerbando o abuso legislativo.245 do Código Civil. incorporação. 37 do CTN. 1. 24: § 3º O imposto a que se refere o nº I não incide sobre a transmissão de bens in- corporados ao patrimônio de pessoa jurídica nem sobre a fusão. No caso de extinção da pessoa jurídica.154/1991 do Município de São Paulo prescreve que o imposto incidirá quando ficar pre- judicada a análise de atividade preponderante por não se enquadrar o adqui- rente no prazo de dois anos anteriores à aquisição. que dispunha no § 3º do art. o que é raro. Igualmente. As normas do CTN também não haviam sido recepcionadas na sua inte- gridade pela Constituição de 1967/1969.38 R�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA ção a pesquisa quanto à preponderância da atividade imobiliária na hipótese de o adquirente iniciar a atividade após a aquisição ou menos de dois anos antes dela. fato que atenta contra o princípio da razoabilidade. Ainda que se entenda que o imposto é pago após o registro. que sequer é regulada no CTN. 37 que exige a apuração de preponderância da atividade imobiliária do adquirente nos dois anos posteriores à data da aquisi- ção. o § 3º do art. 4º da Lei nº 11. No que se refere à imunidade do imposto.

. a redução de capital... .. § 2º.... os arts. por excesso em relação à Constituição de 1946 com a redação conferida pela Emenda nº 18/65 e peca contra o texto da atual Constituição por omissão....... por força do disposto no art....... 8º.. Daí a grande importância do direito civil no âmbito do direito tributário... como antes apontada. como definida em lei complementar. para sua incorporação ao capital de pessoas jurídicas.. portanto.. 36 e 37 do CTN procuraram regular a imu- nidade desse imposto previsto na Emenda nº 18/65. SP.. Contudo...2014. de direitos reais sobre imóveis. ou seja.. a fusão a que se refere o art. salvo o daquelas cuja atividade preponderante.... 27... O CTN peca. 110 do CTN.......... Verifica-se que aquele texto de 1967/1969 continha uma amplitude até maior do que o texto atualmente vigente que deixou de se referir expressamente sobre a hipótese de redução de capital..... o perfeito entendimento do imposto conhecido pela sigla ITBI requer o domínio de conceitos de direito civil acerca da noção de bem imóvel por natureza ou acessão física. 39 extinção ou redução do capital de pessoas jurídicas. ou a locação de imóveis.. 36 do CTN não estava contemplada no texto da Emenda nº 18/65.. como sempre enfatizamos.. por fim......... dissolução parcial.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – DOUTRINA......... sua forma de transmissão. cujo art...... no nosso entender está contida na dissolução de sociedade. etc. Ao que tudo indica. Assinale-se..... cisão.... assim prescrevia: § 2º O imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos neste artigo....... então vigente.. de noções sobre incorporação... Como se verifica. fusão e extinção de pessoas jurídicas... abrangida pela imunidade..... seja a venda ou a locação da propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição... que..... dis- tinguindo aqueles destinados à garantia... salvo se estas tiverem por atividade preponderante o comércio de seus bens e direitos.01..... estando..... pois...

de 19. subsidiárias desta. Edson Cezário de Oliveira. Conselheiro Elmo Braz: Voto de acordo com o Conselheiro Relator. da Resolução TC nº 12. da Constituição Federal (imunidade no recolhimento do ITBI) no caso em questão? Não sendo caso de imunidade. com nature- za jurídica de sociedade anônima fechada. .07. Conselheiro Presidente Wanderley Ávila: Esta Presidência também está de acordo. in casu. os pressupostos regimentais consigna- dos no art. na qual indaga. § 2º. 212. Prefeito Municipal de São Gotardo. nesta situação pode ocorrer isenção tributária? A não cobrança do imposto (ITBI) pode ser considera- da como renúncia de receita. Conselheiro Substituto Hamilton Coelho: Considero-me impedido de participar da votação por ter atuado como Auditor nesse processo. cria outras empresas. 156. inciso II. a transferência de bens da principal para integralização do capital social das subsidiárias incide ITBI? Aplica-se o art. conces- sionária de serviço público.12.Assunto Especial – Resposta à Consulta ITBI – Questões Controvertidas 10970 Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais Tribunal Pleno – Sessão: 29. voto pelo conhecimen- to da presente Consulta. in verbis: Uma empresa. com natureza jurídica de sociedade de economia mista. Conselheira Adriene Andrade: Voto de acordo com o Conselheiro Relator.2009 Relator: Conselheiro em Exercício Licurgo Mourão Processo nº 778246 – Consulta Representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas Presente à Sessão: Procurador Cláudio Couto Terrão NOTAS TAQUIGRÁFICAS Conselheiro em Exercício Licurgo Mourão: Processo nº 778246 Cuidam os autos de Consulta formulada pelo Sr. conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal? Previamente.2008. atendidos.

.. cisão ou extinção de pessoa jurídica.......... respon- do... I.... 41 Aprovado o voto do conselheiro relator.. 156.. a.. a atividade preponderante do adqui- rente for a compra e venda desses bens ou direitos. registrando a V. da Constituição da República: ‘Art...] § 2º O imposto previsto no inciso II: I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patri- mônio de pessoa jurídica em realização de capital.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – RESPOSTA À CONSULTA.. a..... no que se refere ao patrimônio. incorporação..’ (destaquei) O consulente questiona também se é aplicável ‘o art... locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. as indagações formuladas pelo Consulente. à renda e aos serviços. Impedido o Conselheiro Hamilton Coelho. pelos fundamentos expostos abaixo........... aos Estados. emitido às fls.. Conselheiro em Exercício Licurgo Mourão: Meritoriamente... renda ou serviços..] VI – instituir impostos sobre: a) patrimônio.. que expressa: ‘Art..... que adoto o parecer da Auditoria. 10 e 14... não decorre de imunidade nem constitui concessão de isenção ou renúncia de receita... e do parágrafo anterior não se aplicam ao pa- trimônio... § 2º... [. na hipótese descrita. Quanto à primeira indagação. § 2º. é vedado à União... salvo se.... relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados. ao Distrito Federal e aos Municípios: [..... 156.. se sobre ‘a transferência de bens da principal para integralização do capital social das subsidiárias incide ITBI’. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte.. em tese... à renda e aos serviços. O princípio da imunidade tributária está consignado no art..... e que a omissão da sua cobrança..... Exa..... . uns dos outros. 150 da Carta Repu- blicana..... da lavra do Auditor Hamilton Coelho. nesses casos.... é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público.. ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. [.. 150. 156.. inciso II. vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.. da Constituição Federal (imunidade no recolhimento do ITBI) no caso em questão’... constato que há res- salva específica no art. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão.. § 3º As vedações do inciso VI.] § 2º A vedação do inciso VI.. a saber: “A operação descrita pelo consulente não está sujeita a recolhimento do ITBI. por unanimidade..

] II – transmissão inter vivos.] § 2º O imposto previsto no inciso II: [. deve-se observar que a transferên- cia de bens para realização de capital por ocasião de reorganização societária.’ Portanto. nos termos seguintes: Não incide Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos – ITBI sobre a transferência. ao afastar a incidência do ITBI sobre operações de realiza- ção de capital por ocasião de reorganização societária. se. § 2º.. Esta é verificada posteriormente à incidência – só pode ser isento de pagar um tributo quem estaria obrigado a fazê-lo.. isenção e renúncia de receita. 156.’ Já o dispositivo mencionado na pergunta estabelece que: ‘Art. . porém. nas transferências de bens imóveis para realização de capital decorrente de reorganização societária. sua não cobrança jamais poderia ser considerada renúncia de re- ceita.” Em face de todo o exposto. 156. não há que se falar em isenção. Sr.. a qualquer título. deve ser respondida negativamente. § 2º. 156. Presidente. o imposto nunca será devido nem passível de isenção. Como não se verifica. elide também as hipóte- ses de imunidade. de imóveis às suas subsidiárias a título de realização de capital. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: [. [. como visto. Estabelecido que. por sociedade de economia mista. conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal?’. Na mesma linha de raciocínio. in casu. que... Em síntese. em que se questiona se ‘a não cobrança do imposto (ITBI) pode ser considerada como renúncia de receita. bem como cessão de direitos a sua aquisição. I. por ato oneroso. a última parte da indagação do consulente. exceto os de garantia. não é devido o ITBI. Pergunta-se. ‘não sendo o caso de imunidade. caso o empreendimento em questão se sujeite às normas aplicáveis às empresas privadas ou preste serviços mediante contraprestação dos usuários. I. por natureza ou acessão física. nesta situação pode ocorrer isenção tributária?’ Não ocorrendo. aliás. a incidência.] II – compete ao Município da situação do bem. estrito cumprimento do comando inscrito no art. respondo objetivamente a in- dagação do Consulente. sequer é hipótese de incidência do ITBI. e de direitos reais sobre imóveis.42 R���������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL –RESPOSTA À CONSULTA nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relati- vamente ao bem imóvel. 156. de bens imó- veis. eis que a não incidência disposta no art.. não será beneficiário da imunidade. na hipótese descrita. todas as dúvidas suscitadas encontram resposta na ressalva do art. da Constituição da República. em seguida. a inci- dência do ITBI. configurando. Antes.

... Impedido o Conselheiro Hamilton Coelho.......... É o parecer que submeto à consideração deste Colegiado. Conselheiro Presidente Wanderley Ávila: Essa Presidência também vota de acordo com o Conselheiro Relator... por unanimidade....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – RESPOSTA À CONSULTA.... inciso I............. da Constituição Federal.............. afasta as hipóteses de imunidade... 43 § 2º.............. isenção e renúncia de receita........... Aprovado o voto do conselheiro relator.. Conselheira Adriene Andrade: Voto de acordo com o Conselheiro Relator... ..... Conselheiro Elmo Braz: Voto de acordo com o Conselheiro Relator...............

relatados e discutidos estes autos. em negar provimento ao agravo regimental.(s): Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG Adv. em Segunda Turma.2014 Segunda Turma AgRg no Recurso Extraordinário nº 577. Não participou. na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas. ACÓRDÃO Vistos. Ministra Cármen Lúcia – Relatora RELATÓRIO A Senhora Ministra Cármen Lúcia (Relatora): 1. justificadamente.(a/s): Advogado-Geral do Estado de Minas Gerais Agdo. neguei seguimento ao recurso extraordi- nário interposto pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas .(a/s): Jaime Marques das Chagas Adv. 10 de junho de 2014.06.(a/s): André Corrêa Carvalho Pinelli EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO – TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PRE- VIDENCIÁRIA PARA CUSTEIO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO-HOSPITALAR – RESTITUIÇÃO DEVIDA – PRETENSÃO À MODULAÇÃO DE EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – EXCEPCIONALIDADE NÃO DEMONSTRADA – AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PRO- VIMENTO.773 Minas Gerais Relatora: Min. Brasília. acordam os Ministros do Supre- mo Tribunal Federal. deste julgamento.Assunto Especial – Acórdão na Íntegra ITBI – Questões Controvertidas 10971 Supremo Tribunal Federal 10. Cármen Lúcia Agte. o Ministro Gilmar Mendes. sob a Presidência do Ministro Teori Zavascki. nos termos do voto da Relatora. Em 26 de setembro de 2011. por unanimidade.

DJe 11.. HOSPITALAR... 85....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. para legislar sobre determinada matéria não impli- ca automaticamente a competência para a instituição de tributos. Min. Rel.2010. seja qual for a sua finalidade. hospitalares. haja vista a compulsoriedade de sua cobrança...540. 149. privativa ou concorrente...... 45 Gerais – IPSEMG contra julgado do Tribunal de justiça de Minas Gerais.. II – O art....... Min.106. Rel.. que decidira ser indevida a cobrança compulsória de contribuição para assistência à saúde. de intervenção no domínio econômico e de inte- resse das categorias profissionais e econômicas... DJe 11. da Constituição atribui à União a competência exclusiva para a instituição de contribuições sociais. DJe 24. contidas no arts.. Plenário.. caput. DE 30 DE JULHO DE 2003... ODONTOLÓGICA E FARMACÊUTICA – ART. e 149-A da Constituição.. 149 DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL – AÇÃO DIRETA JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE – 1. e da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3. A expressão regime previdenciá- rio não abrange a prestação de serviços médicos. da LC 64 estabelece que ‘o IPSEMG presta- .. No julgamento do recurso Extraordinário nº 573.09. 85 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 62/2002. inativos e pensionistas): ‘CONTRIBUIÇÃO PARA O CUSTEIO DOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. Min.540... DO ESTADO DE MINAS GERAIS – IMPUGNAÇÃO DA REDAÇÃO ORIGINAL E DA REDA- ÇÃO CONFERIDA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 70.... aos Estados-membros não foi atribuída competência para a instituição de contribuição.. Rel.. 149. DO ESTADO DE MINAS GERAIS – NATUREZA TRIBUTÁRIA – COMPULSORIEDADE – DISTRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIAS TRIBUTÁRIAS – ROL TAXATIVO – INCOMPETÊNCIA DO ESTADO-MEMBRO – INCONSTITUCIONALIDADE – RECURSO EXTRAOR- DINÁRIO NÃO PROVIDO – I – É nítida a natureza tributária da contribuição instituída pelo art. III – A competência.... este Supremo Tribunal Federal assentou ser inconstitucional a instituição por Estados e Municípios de contribuição obrigató- ria destinada ao custeio dos serviços de saúde prestados aos servidores públicos (ativos..06.. 85 da Lei Complementar nº 64/2002. caput. Gilmar Men- des.2010. E: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – ARTS. A decisão agravada teve a seguinte fundamentação: “3. 40 E NO § 1º DO ART.. odontológi- cos e farmacêuticos” (RE 573.. do Estado de Minas Gerais.. Essa regra contempla duas exceções. Gilmar Mendes. Art... Os entes federativos somente podem instituir os impostos e as contribuições que lhes foram expressamente outorgados pela Constituição. Eros Grau......06. 79 E 85 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 64.. Razão jurídica não assiste ao Recorrente.. DE 25 DE MARÇO DE 2002.. IV – Os Estados-membros podem instituir apenas contribuição que tenha por finalidade o custeio do regime de previdência de seus servidores... AOS PRECEITOS – IPSEMG – REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS – BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS E APOSENTADORIA ASSEGURADOS A SERVIDORES NÃO TITULARES DE CARGO EFETIVO – ALEGAÇÃO DE VIO- LAÇÃO DO DISPOSTO NO § 13 DO ART......2010).... 4.... § 1º. À exceção desses dois casos..

85. ambas do Estado de Minas Gerais. hospitalar e odontológica. reconhecida a perda de objeto superveniente em relação ao art. tendo por objeto o direito de servidores públicos estaduais à restituição de valores descontados compulsoriamente a título de contribuição previdenciária declarada inconstitucional. Recurso extraordinário não conhecido. extensiva a seus dependentes’. § 1º – define que ‘os Estados. hospitalar. ambas do Estado de Minas Gerais. Quanto à restituição dos valores descontados compulsoriamente. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.329. 14.2010). 79. 2. Restitui- ção. Tema infraconstitucional. 5. da LC 64/2002. Ausência de repercussão geral. § 1º. Os Estados-membros não podem contemplar de modo obrigatório em relação aos seus servidores.08. 79’ contida no art. Não apresenta repercussão geral o recurso extraordinário que. 3º e aos servidores não titulares de cargo efetivo definidos no art. da LC 64/2002 (tanto na redação original quanto na redação conferida pela LC 70/2003]. 149. para o custeio. 85 da lei impugnada institui modalidade complementar do sistema único de saúde –’plano de saúde complementar. conforme o art. caput. Apenas os servidores públicos titulares de cargos efetivos podem estar compulsoriamente filiados aos regimes próprios de pre- vidência. farmacêu- tica e complementar aos segurados referidos no art.106. na redação conferida LC 70/2003. DJe 24. O art. [ü] do vocábulo ‘compulso- riamente’ – §§ 4º e 5º do art. Precedentes. Eros Grau. O beneficio será custeado mediante o pagamento de contribuição facultativa aos que se dispuserem a dele fruir. 4. Inadmissibilidade. ambas do Estado de Minas Gerais” (ADI 3. Contribuição previdenciária declarada inconstitucional. 79 da Lei Complementar nº 64. social. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir contribuição. serviços de assistência médica.2011). 85 (tanto na redação original quanto na redação conferida pela LC 70/2003]. 85 da LC 64/2002. Rel. bem como social. referente à contribuição para o custeio da assistência médica. do Estado de Minas Gerais – ‘Art. Valores descontados compulsoriamente. Contribuição vo- luntária. de sistemas de previdência e as- sistência social”. 5. Plenário. 85. Min. este Supremo Tribunal assentou a inexistência de repercussão geral da questão discutida nestes autos: “RECURSO – Extraordinário. Inconstitucionalidade da expressão ‘definidos no art.46 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA rá assistência médica. versa sobre tema in- fraconstitucional (DJe 31. de 5 de novembro de 2007. 79 da LC 64/2002. Inconstitucionalidade do vocábulo ‘compulsoriamente’ contido no § 4º e no § 5º do art. Declarada a ausência de repercussão geral. os recursos extraordinários e agravos de instrumento que suscitarem a mesma questão constitucional podem ter o seu seguimento negado pelos respectivos relatores. sob pena de mácula à Constituição do Brasil. como benefícios. cobrada de seus servi- dores. odontológica. caput. Pedido julgado parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade: [i] da expressão ‘definidos no art. A Lei Complementar nº 100. 3. Relator o Ministro Cezar Peluso. . e farmacêutica. A Constituição de 1988 – art. no julga- mento do Recurso Extraordinário nº 633. odontológica e farmacêutica. de 2002’. O preceito viola o texto da Constituição de 1988 ao instituir contribuição compulsória. hospitalar.09. 79’ – art. em benefícios destes. 327. Fica revogado o art.

. a presença das circunstâncias autorizadoras da extrema medida da modularão dos efeitos de decisão declaratória da inconstitucionalidade de norma jurídica.. 171-176)... nem comprovam.. o Minis- tro Ricardo Lewandowski acolheu o pedido de sobrestamento para aguardar o julgamento dos embargos de declaração opostos na Ação Direta de Inconstitu- cionalidade nº 3. No caso em exame não foi negada vigência ao art. § 1º. agravo regimental (fls. nego seguimento ao recurso extraordinário (art.. interpõe o Ins- tituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG.... via IPSEMG. os quais não foram demonstrados pelo Agravante no presente caso. o sobrestamento de processos determinado por algum Ministro não vincula os demais.. Ademais. O Agravante afirma que “o Estado de Minas Gerais opôs embargos declaratórios nos autos da ADI 3106....... Pelo exposto... 2. em 18.. Requer o provimento do presente recurso......... questões relacionadas à restituição do indébito tributário se esgotam na interpretação e na aplicação de legislação infraconstitucional..10.... tempestivamente... Publicada essa decisão no DJe de 07. Assevera que em recurso idêntico ao presente..573.. Os embargos ainda não foram julgados e necessitam de modulação diante do risco iminente de se inviabilizar......10. caput... ainda que se trate de matéria semelhante: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DE SERVIÇOS DE SAÚDE COLOCADOS À EXCLUSIVA DISPOSIÇÃO DOS SERVIDORES PÚ- BLICOS – INCONSTITUCIONALIDADE – QUESTÕES RELACIONADAS À RES- TITUIÇÃO DO INDÉBITO – MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL – AGRAVO REGIMENTAL – A rigor.. acaso haja irrestrita restituição dos valores recolhidos” (fl.. que se caracterizam pelo risco à se- gurança jurídica ou ao interesse social. Pre- cedentes.. A modulação de efeitos em controle difuso de constitucionalidade tem sido admitida em situações excepcionais.. É o relatório.2011. 47 Nada há. 6.. a prover quanto às alegações do Recorrente. VOTO A Senhora Ministra Cármen Lúcia (Relatora): 1..106.. 3. A singela interposição de recurso de embargos de declaração de acórdão prolatado no .2011 (fl. 557.. veiculando a omissão naquele acórdão embargado quanto à modulação dos seus efeitos... a prestação de assistência à saúde dos servidores públicos mineiros pelo Estado de Minas Gerais. do Regimento Interno do Supremo Tri- bunal Federal)” (fls.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.... doravante. 2......... o RE 626. 165 do Código Tri- butário Nacional. 21.. do Código de Processo Civil e art... As razões recursais não indicam. 177). Razão jurídica não assiste ao Agravante. 182).. 179-184). pois..

241 AgR-ED. Itens A4. grifos nossos) “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – REVISÃO GERAL ANUAL DE VENCIMEN- TOS – ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES – SOBRESTAMENTO – EM- BARGOS REJEITADOS – O sobrestamento de processos por parte de algum Mi- nistro não impede o julgamento daqueles distribuídos aos demais. 1ª T. Relator o Ministro Joaquim Barbosa. DJe 29.1 e A6. insuficientes para modificar a decisão agravada. Impossi- bilidade de cobrança mediante taxa.2007.1. 4. Itens A6. 3.321-AgR. Ausência de demonstrarão objetiva de qualquer risco à segu- rança jurídica ou excepcional interesse social. Precedente.” (RE 696.04. nego provimento ao agravo regimental.” (RE 503. Modularão de efeitos da declararão de inconstitucionalidade dos itens A6. de minha relatoria.1. Agravo regimental ao qual se nega provimento.. Pelo exposto. Código Tributário do Estado de Goiás (Lei Estadual nº 13. na medida em que esse recurso não impede a apli- cação imediata do precedente.194/1997). Recurso extraordinário contra acórdão pro- ferido em sede de ADI estadual. grifos nossos) “Serviço público.1. Serviços públicos específicos e divisíveis (uti singuli).09.3 do Anexo III. 4..2012.1.2 e A4. 2ª T.2 do Anexo III da Lei Estadual nº 13. 2. Constitucionalidade. 6. Cobrança por meio de taxa. Agravo regimental a que se nega provimento. ainda que tratem de matéria semelhante.194/1997. DJe 23.48 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA julgamento de ação direta de inconstitucionalidade é insuficiente para justificar a importância da situação.2 do Anexo III – Serviço prestado por órgão de segurança pública com caráter geral e indivisível (uti universi). 5. Código Tributário do Estado de Goiás (Lei Estadual nº 13. Os argumentos do Agravante..1 e A6.06. Poder de polícia.194/97).” (RE 535. . grifos nossos) 3. demonstram apenas inconformismo e resistência em pôr termo a pro- cessos que se arrastam em detrimento da eficiente prestação jurisdicional.2013.085-AgR. Relator o Ministro Gilmar Mendes. Inconstitucionalidade. DJe 21. 2ª T.

Súmula nº 7/STJ. 37 do CTN. 568-573. se a verificação for com base no regime de competência. Na oportunidade proferi a seguinte decisão. 105. relativamente ao auto de lançamento sob comento.. 1. 156. incidindo. que revogou a imunidade tributária concedida. há a preponderância superior a 50%. o Tribunal a quo solucionou a questão com base em matéria constitucional. bem como cessão de direitos a sua aquisição. desde que a atividade preponderante da empresa não seja a atividade imobiliária. no valor de R$ 39. Assunto Especial – Ementário ITBI – Questões Controvertidas 10972 – Imunidade – ITBI – atividade imobiliária – descabimento “Tributário. observado o objeto do recurso. 156. inciso III.] quanto à alegada ofensa ao art. o disposto nos arts. se a verificação da receita operacional da empresa for com base no regime de caixa. cujas conclusões não são objeto de recurso e encontram-se pacificados nos autos. Os argumentos da agravante. Assim. para concluir em sentido contrário ao decidido pela Corte local. Imunidade. in casu. deve ser mantida a imunidade concedida. A respeito do tema: Constituição Federal: Art. condicionada à não ocorrência de preponderância de atividade imobiliária no período de três anos a partir da incorporação do imóvel ao patrimô- nio da agravante. Ademais. Art. foram que foi negada vigência aos arts. e de direitos reais sobre imóveis. diante da sua manifesta improcedência que auto- rizou o julgamento singular. do CTN quando. 37-42.712. Incompetência do STJ. por natureza ou acessão física. nos quais demonstra que. ‘[...70. o que encontra óbice no enunciado da Súmula nº 7/STJ. § 2º. 37 do CTN. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: [.519 – Proc. o Ministro Relator manifestou-se nos seguintes termos: “[. Ao analisar a questão. a qualquer título. da LCM 197/89. [. Min. I. 2. e que a imunidade em questão. exceto os de garantia.] A ação anulatória tem por objeto o Auto de Lançamento ITBI nº 002/2007 e notificação de lançamento que o acompanha. não havendo o implemento desta condição.] § 2º O imposto previsto no inciso II: . da Constituição Fe- deral..05.. em suma. IV. Agravo regimental não provido. fl. 37 do CTN. por ato oneroso. ITBI. da CF. preenchidos os requisitos legais para obtenção da imunidade pela agravante. – Rel. 36 e 37. Acórdão recorrido com fundamento constitucional. a agravante não ultrapassa o percentual de 50% de preponderância.2014) Comentário RET O acórdão em tela é oriundo de agravo regimental contra decisão que negou provimento a agravo em recurso especial. ora reproduzida como razões de decidir.. pretendendo a desconstituição do crédito tributário decorrente.” (STJ – AgRg-AREsp 432. faz-se necessário reexame do conjunto fático-probatório do processo. cuja revisão escapa aos limites da competência outorgada ao STJ pelo art. 156. 4. A empresa recorrente/agravante pleiteou se ver incluída na imunidade constitucional relativa ao Imposto de Transmissão de Bens Imóveis – ITBI na transmissão de bens imóveis incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. no art. 2013/0377883-6/RS – 2ª T. e 6º.] II – transmissão inter vivos. e que seu direito está fundado na sua contabilidade por meio da perícia contábil. de bens imóveis. da Constituição Federal.. e-STJ): O presente agravo não merece provimento.. § 2º. foi dado provimento à apelação do Município de Porto Alegre. Hipótese em que o Tribunal de origem entendeu que a em- presa recorrente não faz jus ao benefício da imunidade prevista no art. in verbis (fls. Herman Benjamin – DJe 22. 3. constata-se que o Tribunal de origem valeu- -se de aspectos fáticos ao consignar. revogando indevidamente o benefício. pois sua ativida- de é preponderantemente imobiliária.

apresentou nova tabela. ...01.39% de receitas operacionais. fl.] o contribuinte apresentou à Fiscalização da Receita Municipal os livros Diários dos anos de 2003 a 2005.71% de receitas financeiras. 366.. salvo se.2003 a 31.. foi proveniente da venda de bens imóveis. faz referência de que ‘[. a pedido do Ministério Público. sob condição resolutória.29% de receitas operacionais e 53.]’. apresentando tabela constando 46. cisão ou extinção de pessoa jurídica salvo se. nos dois anos anteriores e nos dois anos subseqüentes à data do título hábil a operar a transmissão. fl.. chegando à composição de receitas no período de 2003 a 2005. sendo levado para receita do exercício financeiro de 2002 o valor de 1. 422. e b) se a preponderância ocorrer: 1. constando 74. a existência de Receita Operacional relativa à Venda de Serviços no valor de R$ 534.. ou 2. o conforme a verificação da preponderância. os Balanços Patrimoniais e DREs dos anos de 2003 e 2005. e não pelas importâncias contabilizadas.000. [. Posteriormente. locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil..61% de receitas financeiras fls. datado de 14 de janeiro de 2003.800.. nesses casos. em virtude da trans- missão de imóveis para o capital social através do contrato social de constituição da pessoa jurídica datado de 28 de agosto de 2002. 39. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão. O laudo pericial esclarece que ‘[. fl. 332.000... fls. no período examinado. 138 e 331. no valor de R$ 534. [. A perícia realizada nos autos..]’. O auto de lançamento. considerando um só período de apuração de quatro anos. nesses casos.50 R�������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – EMENTÁRIO I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. concluiu inicialmente que não era a venda de imóveis a ativida- de preponderante.2005. considerando as contabilizações efetuadas.00.000.00. 01. [..] No caso. tendo sido caracterizada a atividade preponderante [. observando os re- ais valores das vendas dos imóveis registrados nas matrículas dos referidos imóveis. conforme os recebimentos efetivados [. caso a pessoa jurídica adquirente inicie suas atividades após a data do título hábil a operar a referida transmissão ou a menos de dois anos antes dela. cisão ou extinção de pessoa jurídica.. realizada pela unidade do normativo e contencioso. para a receita do exercício de 2003.266. verificou-se no ano de 2003. considerando um só período de apuração de três anos. locação de bens imóveis ou arren- damento mercantil. as alterações de Contrato Social e as matrículas atualizados dos imóveis.00 e o restante.] § 3º Considera-se caracterizada a atividade preponderante referida no inciso IV: a) se mais de 50% da receita operacional da pessoa jurídica adquirente dos bens ou direitos decorrer das transações mencionadas no inciso IV.12. a Unidade de Normativo e Contencioso.] a autora registrou em sua contabilidade a venda dos imó- veis de R$ 1. nos três primeiros anos seguintes à data da referida transmissão. resta incontroverso que a contribuinte teve o reconhecimento da imunidade tribu- tária. no item enquadramento legal. DA NÃO-INCIDÊNCIA E DA ISENÇÃO Da Imunidade Art. Oportuno salientar que no período de preponderância analisado pelo Fisco. fl. Pelo exame da documentação apresentada. que segundo o Fisco foi muito aquém dos efetivamente recebidos. sendo 25. 6º São imunes ao imposto: [. verificou que mais de 50% (cinqüenta por cento) da receita operacional. incorporação.. incorporação.] IV – a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoas jurídicas em realização de capital e a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão. conforme parecer da DTI-SIT.00.] LCM 197/1989: DA IMUNIDADE. 391-392..000. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos..

da Constituição Federal......2014 – p.......... 105. uma vez que representa mais de 50% das receitas operacionais no período de análise. pois a condição para a concessão da benesse tributária não se implementou.. [. constituindo o crédito tributário.. ITBI.. Sendo assim. Perda de interesse recursal. inviabilizando a manutenção da imunidade deferida inicialmente de forma precária... § 2º.. 83) .. obrigada estava a autoridade a efetuar o lançamento..] Mesmo que assim não fosse.. e não a data da promessa de compra e venda...... faz-se necessário reexame do conjunto fático- -probatório do processo. Isso porque o Tribunal de origem. o que encontra óbice no enunciado da Súmula nº 7/STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial.. não há prover o agravo regimental que contra ela se insurge....... Ari Pargendler – DJe 08.. 465.. revela que a transmissão do imóvel em questão foi registrada em 28.... sendo devido o ITBI objeto da lide.. [.. Min. ao julgar o recurso de apelação.2003.... – Rel. Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis. inciso I. constatando o ora apelante que a ativida- de de locação de bens imóveis foi preponderante na empresa demandante. datado de 28. Base de cálculo.. Impossibilidade... cuja revisão escapa aos limites da competência outorgada ao STJ pelo art.. resta demonstrado que a atividade preponderante é a venda de imóveis..05.... Pesquisa realizada no site do TJSP constatou que a segurança foi denegada pelo MM.. inciso III. nos termos do art.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – EMENTÁRIO. conforme já decidiu o STJ: [.. Assim.. Roberto Martins de Souza – DJe 11. solucionou a questão com base em matéria constitucional... 156....2014 – p. fls.” (TJSP – AI 2007371- 93.] Desta forma..... Agravo prejudicado. Mandado de segurança. 37 do CTN..... conforme a sentença.8. [. 10973 – ITBI – base de cálculo – exegese “Agravo de instrumento. Incidência sobre bem arrematado em has- ta pública.. do CTN....” E com base em todos estes argumentos... devendo ser considerado para a contabilização.. Juiz do feito.0000 – São Paulo – 18ª CDPúb.] Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada. foi negado provimento ao agravo regimental.. considerando-se que o fato gerador do ITBI é registro imobiliário da trans- missão.... Pretensão à refor- ma da decisão agravada para que o recolhimento do tributo seja calculado sobre o valor venal do imóvel...019 – (2012/0058061-0) – 1ª T... merecendo provimento a ape- lação interposta pelo demandado diante da sentença de procedência da ação..] Na leitura do acórdão.....2002. assim considerada por representar mais de 50% (cinquenta por cento) de sua receita operacional.. 443-448... – Rel..26..2014. parágrafo único. ato vinculado.. melhor sorte não assiste à recorrente quanto à pretensão de afastar o reconhecimento da não incidência do ITBI... 51 O recorrente afirma que a realização da venda é efetivada com o registro por meio de escritura pública. correta a interpretação dada pelo Fisco Municipal. devendo ser observada a realidade fática.. 142.11... constata-se que o Tribunal de origem entendeu que a empresa recorrente não faz jus ao benefício da imunidade. Indeferimento de liminar.... O entendimento de ambas as Turmas da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a base de cálculo do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis – ITBI incidente sobre bens arrematados em hasta pública é o valor da arrematação. A matrícula de fl. no art.. Agravo regimental desprovido.] Verificada a ocorrência do fato gerador.04....” (STJ – AgRg-Ag-REsp 155. no caso..... 1091) 10974 – ITBI – bem arrematado em hasta pública – base de cálculo “Tributário. proferida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico deste Tribunal... para concluir em sentido contrário ao decidido a fim de reconhecer que a agravante faz jus à imunidade prevista no art. pois sua atividade é preponderantemente imobiliária.. da Constituição Federal.. [..07...

156. 156. Art. Interesse recursal. § 2º. Recurso desprovido. não se constituísse na compra e venda de imóveis ou de direitos a eles relativos. Pretensão da benesse prevista no art. 3.06. 37 do Código Tributário Nacional. Des. Imunidade. Receita ope- racional.2014 – p. 20110110157459 – (775119) – Rel. O art. cisão ou extinção de pessoa jurídica está adstrita à atividade mercantil preponderantemente desempenhada pelo adquirente.016/2009. James Eduardo Oliveira – DJe 03.016/2009. Sociedades empresárias. III – Se a atividade preponderante da sociedade empresária adquirente não for a compra e venda desses bens ou direitos. Empresa cuja atividade preponderante não é a imobiliária. mostra-se evidente o perigo da demora a justificar a concessão de liminar com o escopo de suspender a exigibilidade do débito tributário. § 3º. da Lei Complementar Municipal nº 197/1989. nos termos do art. Possibilidade.” (TJRS – Ag 70060265147 – 22ª C. Imunidade tributária. nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão. quais sejam o fumus boni iuris e o periculum in mora. Inteligência do art. Transferência de bem imóvel para a integralização de capital de pessoa jurídica. Mandado de segurança. I – De acordo com o art. § 2º. é de rigor sua concessão. Incorporação. da Constituição Federal. Não incidência do disposto no art. 26. incorporação. inciso I. 156. I. 156. inciso I da Cons- tituição Federal. Hipótese em que a apelante limita-se a repisar as alegações da petição inicial em relação ao pedido de revisão da avaliação dos imóveis. 37 do Código Tributário Nacional. 4. Razões dissociadas. 100) 10977 – ITBI – integralização de capital social – receita operacional – atividade preponderante – imobiliária – efeitos “Agravo. Recurso provido. na locação desses bens ou seu arrendamento mercantil. não incide na exceção prevista no art. 7º da Lei nº 12. 1. Imposto sobre Transmissão de Bens Inter Vivos – ITBI. incorporação. nem sobre a transmissão de bens/direitos decorrente de fusão. 2. Sucumbência. § 2º. cisão ou extinção de pessoa jurídica. 156. incorporação. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. da Constituição Federal. 7º da Lei nº 12. 6º. § 2º. locação de bens imóveis ou arrendamento mer- cantil. no período pre- visto no art. ITBI. inciso I.2014 – p.” (TJDFT – Proc. Atividade preponderante. Suspensão da exigibilidade do débito tributário. da Constituição da República. 1. não incidirá em caso de bens/direitos incorporados ao patrimônio da pessoa jurídica em realização de capital social. 2.52 R�������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – EMENTÁRIO 10975 – ITBI – incorporação – sociedade empresária – imunidade tributária – requisitos “Direito tributário. Não desenvolvendo a empresa agravante como atividade preponderante a venda ou a locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. Tratando-se de tributo indevido. incide a imunidade tributária pres- crita constitucionalmente. Hipótese em que fora concedida a exoneração do tributo sob a condição resolutória de que a atividade preponderante da empresa. II – A imunidade constitucional prescrita para a trans- missão de bens ou direitos decorrente de fusão.04. É inepto o recurso cujas razões não guardam pertinência com os fundamentos da decisão recorrida. 92) 10976 – ITBI – integralização de capital – transferência de imóvel – imunidade – possibilidade “Agravo de instrumento. Hipótese em que a produção de prova oral não se mostra útil à apelante. Art. – Relª Desª Maria Isabel de Azevedo Souza – J. Incide ITBI sobre a operação de transmissão de imóvel para inte- gralização de capital social se a atividade preponderante do contribuinte se constitui na compra e venda de imóveis ou direitos a ele relativos. locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. nesses casos. prevê que o ITBI. Requisitos à concessão de liminar evidenciados.Cív. IV – Recurso e remessa necessária conhecidos e desprovidos. Hélio Henrique Lopes Fernandes Lima – DJe 02. Des. o Imposto sobre Transmissão Inter Vivos não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. 3. locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil.06. inciso I. § 2º. Integralização de capital social. Presentes requisitos os autorizadores à concessão da liminar em mandado de segurança. Não é de se conhecer do recurso que não se mostra útil por ausência de interesse recursal.2014) . salvo se. Imposto sobre a Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITBI). Inocorrência. a ser instituído pelos Municípios. Fato gerador. da Constituição Federal. cisão ou extin- ção da pessoa jurídica.” (TJPR – AI 1161146-6 – Rel. ainda que em tese diante do momento processual.

. em integralização de capital social.. Imuni- dade tributária... 37..... sob enfoque essencialmente constitu- cional.....05. I – Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. não sendo possível reconhecer.... ITBI... Falta de interesse recursal... em face de seu caráter infringente. do CTN.... Atividade preponderante. II – Inviável o recurso especial interposto contra acórdão que decidiu a controvérsia em torno da imunidade tributária... Fundamentação eminentemente constitucional do acórdão do Tribunal de origem.. a despeito da oposição de embargos de declaração.... 270) . Súmula nº 211/STJ....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ASSUNTO ESPECIAL – EMENTÁRIO.......... Incidência da Súmula nº 211/STJ. Assusete Magalhães – DJe 21..... Precedentes do STJ... Embargos de declaração recebidos como agravo regimental.... nos termos do art. nesse ponto.. a imunidade tributária.. Art... 37 do CTN.... que resta improvido..2014 – p... IV – É inadmissível o recurso especial quanto à tese não decidida pelo Tribunal de origem... em homenagem aos princípios da fungibilidade e da economia processual... § 2º. pretendida pelo contribuinte... V – Em- bargos de declaração recebidos como agravo regimental...... naquele momento.. Ausên- cia de prequestionamento..........” (STJ – EDcl-Ag-RE 399.064 – (2013/0321002-6) – 2ª T... por falta de prequestionamento..... III – Hipótese em que o Tribunal local concluiu que a preponderância da atividade da em- presa deverá ser aferida nos três anos seguintes à data da aquisição dos bens. Falta de interesse recursal do Distrito Federal............ 53 10978 – ITBI – pessoa jurídica – incorporação imobiliária ao seu patrimônio – integralização de capital – imunidade – requisitos “Processual civil e tributário.... – Relª Min...... Incompetência do STJ.... In- corporação de imóveis ao patrimônio de pessoa jurídica.

586. dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas. VIII. 1º da Lei nº 9. Trata-se de recurso especial que discute. do Distrito Federal. Embora a ques- tão levada à apreciação da Corte Superior fosse anterior à Lei nº 12. dos Estados. dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas. dano moral in re ipsa. PALAVRAS-CHAVE: Certidão de Dívida Ativa.492/1997. Incluem-se entre os títulos sujeitos a protesto as certidões de dívida ativa da União.492/19972 – inclusive com reconhecimento de tal fato pelo Relator. Referências. Conclusão. Rizk. RESUMO: O presente trabalho visa analisar a necessidade de o Poder Judiciário reconhecer o dano moral nas hipóteses em que o Poder Público protesta indevidamente a Certidão de Dívida Ativa. protesto indevido.767. autorizou o protesto extrajudicial das Certi- dões de Dívida Ativa (CDA) da União. Parágrafo único. jurisprudência.767/2012 à Luz da Jurisprudência do STJ RODRIGO FIGUEIRA SILVA Advogado Associado ao Escritório Zoauin. 1 Do protesto indevido (e do dano moral dele decorrente) na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.515/PR1. ÁGIL E EFETIVO’ – SUPERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ – 1. SUMÁRIO: Introdução.” 3 “PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – PROTESTO DE CDA – LEI Nº 9. a possibilidade de protesto da Certidão de Dívida Ativa (CDA).492/1997 – INTERPRETAÇÃO CONTEXTUAL COM A DINÂMICA MODERNA DAS RELAÇÕES SOCIAIS E O ‘II PACTO REPUBLICANO DE ESTADO POR UM SISTEMA DE JUSTIÇA MAIS ACESSÍVEL. 2 “Art.126. é inegável a influência da inovação legislativa na redação do art. 1º da Lei nº 9.767/2012. INTRODUÇÃO A despeito das inúmeras prerrogativas já existentes para que o Poder Pú- blico busque o adimplemento de seus créditos. regida pela Lei nº 6. de 2012). Colodetti & Advogados Associados. Merece destaque a publicação . ao julgar o REsp 1. (Incluído pela Lei nº 12. STJ. 1 Publicado em 16 de dezembro de 2013. 2. do Distrito Federal.830/1980. título executivo extrajudicial (art. à luz do art. Lei nº 12. do CPC) que aparelha a Execução Fiscal. dos Estados.767/2012.Parte Geral – Doutrina O Protesto Indevido de Certidão de Dívida Ativa e o Dano Moral: Consequências Lógicas da Lei nº 12. o Superior Tribunal de Justiça. 1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. 2 Da desconstrução da presunção de liquidez e certeza e do cabimento do dano moral por protesto indevido da certidão de dívida ativa. Minis- tro Herman Benjamim3.

.. ainda que com outra indumentária tanto o Fisco quanto o Poder Judiciário busquem revestí-lo5.haradaadvogados..12.2013) 4 Recordemos que o protesto judicial por parte do Fisco é um anseio que “vem de longe”.... dos Estados. quem sabe..pdf>. DJe 16....767/2012.. 52 da Lei nº 11. a jurisprudência do Tribunal de Contas da União vinha se posicionamento a . Disponível em: <http://www.2013. pior.. não raro permeados de vícios congênitos.. 3. conforme mencionado no parágrafo anterior... dada a forma com que se apresenta o dispositivo al- terado. do Distrito Federal..... Ainda que se ultrapassem as questõs postas no parágrafo anterior.com... Trata-se de alteração legislativa que dirime.. também neste ponto......... com consequências aos sócios. Rel. STJ..........492/1997. por exemplo... empregados e a outras empresas a ela vinculadas direta ou indiretamente7.. citamos. em licitações... a alteração legislativa e jurisprudencial vai de encontro ao que outros ramos do direito e o próprio Parlamento têm tentado fazer com o fito de salvaguardar as atividades empresariais da pessoa jurídica. tendo sido objeto de ação anulatória manejada pelo Conselho Federal da OAB em junho de 2012... acaba sacrificando recursos financeiros destinados a outros fins relevantes do ponto de vista político-social e econômico para procurar quitar o débito tributário.... dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas’. a cizânia doutrinária e jurisprudencial acerca do enquadramento da “recuperação judicial” ao conceito de “concordata”..... Felizmente..br/publicacoes/ Artigos/779..... Julgado em 03... 2ª Turma.... mostra-se imperiosa a superação da orientação jurisprudencial do STJ a respeito da questão. o futuro é sombrio para o contribuinte/devedor...969/2012 que altera o art. Em segundo lugar.. fica escancarado o desconhecimento – ou.12.. Em primeiro lugar. a rigor. 6 Diz-se “administrado” porque. Com efeito.. 31 da Lei nº 8. muitas vezes aquele que se encontra entabulado na Certidão de Dívida Ativa não é o responsável.. devedor ou mesmo contribuinte do imposto... para não ter a sua imagem arranhada perante os clientes e fornecedores....” (REsp 1126515/PR. 5 No mesmo sentido: “É óbvio que o protesto tem por objetivo agilizar a cobrança do crédito tributário mediante coação indireta do contribuinte devedor. autorizando o protesto extrajudicial das Certidões de Dívida Ativa da União. Ou....... nem sempre de natureza indiscutível” (HARADA. ao contribuinte pessoa física que. Não bastasse isso..... 7 É curioso notar que.. de empresas em processo de recuperação judicial. conquanto houvesse quem equivalesse os conceitos. Protesto da CDA... 1º da Lei nº 9. ao analisar as possíveis repercussões do protesto levado a cabo pela Fazenda é que se conclui pelo descompasso entre o interesse público e os potenciais prejuízos ao administrado6 protestado. 2014). é possível vislumbrar a utilização do novel procedimento como “meio indireto para a cobrança de tributos”.. parafraseando um velho político gaúcho.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA.... Basta recordar que em 2010 fora editada a Portaria Interministerial nº 574-A...101/2005 para expressamente permitir a participação. 55 Com o permissivo legal4 e a chancela do col.]. o Projeto de Lei nº 3.. Portaria equivocada.. Acesso em: 20 mar..... sem meios da Lei nº 12.... [.. Embora o propósito não seja o de denegrir a imagem do devedor a grande verdade é que o contribuinte... Kiyoshi. que promoveu a inclusão do parágrafo único no art.. de uma vez por todas.. certa indiferença – quanto à realidade da condução de boa parte dos processos administrativos fiscais no Brasil. Min....... Herman Benjamin..666/1993 e o art... Imaginemos a restrição de acesso ao crédito em decorrência de protesto de Certidão de Dívida Ativa e a lenta asfixia financeira da pessoa jurídica. para expressamente consignar que estão incluídas ‘entre os títulos sujeitos a protesto as certidões de dívida ativa da União.. nulidades insanáveis e lesão a garantias constitucionais básicas: basta relembrar como é comum que o sócio seja incluído na CDA sem que tenha sido apurada sua responsabilidade na seara administrativa.. O ato em questão era constantemente declarado nulo pelo Poder Judiciário em virtude da ausência de escoro legal....

pois: (1) o prazo para pagamento da obrigação tributária é aquele previsto na lei. não obstante a manifesta- ção de vontade do devedor. em irretocável e cautelosa decisão. E se assim o fez conceitualmente. e (3) o CTN somente admite o protesto. que certifique que a interessada está apta econômica e financeiramente a participar de procedimento licitatório” (Acórdão nº 8272/2011.492/1997. o Superior Tribunal de Justiça – tratou ambas as situações como títulos protestáveis. além do que todo aquele que ao contratar com outrem deseje conhecer a situação do contratado perante o Fisco. É o que diz o art. aqui.10. 174. inciso II) (grifo nosso)” (Disponível em: <http://web.2011). .26. (2) a existência da dívida tributária não necessita ser conhecida por terceiros. na esteira de outras decisões do STF que já adotou tal princípio como parâmetro para o controle de normas (ADIn-MC 855. Embora existam diferenças ontológicas entre dívidas de natureza cíveis e tributárias. daquele nascido na esfera cível. vê-se compelido a pagar tributo indevido como forma de “limpar” seu nome junto aos registros creditícios. de modo que a mora do contribuinte resta configurada imediatamente após tal prazo (dies interpellat pro homine). ADIn-MC 1. analisar a possibilidade de.8. 1º da Lei nº 9. 2014). aproximando o título executivo extrajudicial “público”.492/1997.jus. favor da participação de empresas em recuperação judicial nos Certames do Poder Público desde que “desde que amparada em certidão emitida pela instância judicial competente. Acesso em: 19 fev. a partir de um protesto flagrantemente indevido. particular. ainda assim sob a forma judicial do art. e em atos normativos expedidos pelo Fisco quando autorizado pela norma legal a marcá-lo. 8 Além da inconstitucionalidade por vício de iniciativa na conversão da MP 577/2013 na Lei nº 12. DOU de 04. 867 e ss. a diversidade entre o elemento volitivo dos devedores.0000) – entendemos haver inconstitucionalidade também por ausência de razoabilidade e proporcionalidade na inclusão do parágrafo único à Lei nº 9. como meio para interromper a prescrição da ação de Execução Fiscal (art. sua razoabilidade ou as consequências negativas ad- vindas do protesto9. o protesto afigura-se como ferramenta apta à prova da inadimplência e/ou do descumprimento de obrigação plasmada em títulos ou outros documentos de dívidas nas hipóteses em que. poderá solicitar a apresentação de certidão de regularidade fiscal de pessoas físicas ou jurídicas. parágrafo único.767/2013 e da ausência de pertinência lógica e afinidade entre as matérias tratadas na MP e protesto de CDA – brilhantemente apontada pela 4ª Câmara de Direito Público do TJSP (AI 2014547-26. fato é que o legislador – e. como.2014.trf3. do CPC. este não honra com o compromisso avençado. por exemplo. recentemente. Busca-se. salutar mencionar trecho de decisão lavrada pelo Desembargador Johonsom Di Salvo (Tribunal Regional da 3ª Região) que.813) 9 Aqui. deve fazê-lo integral e incondicional- mente.br/noticias/Noticias/Noticia/Exibir/308557>. pontuou o seguinte: “Pode-se dizer que no âmbito do Direito Tributário o protesto da CDA não é necessário. o contribuinte buscar a tutela jurisdicional para que sejam reparados os danos aos seus direitos da personalidade. 1 DO PROTESTO INDEVIDO (E DO DANO MORAL DELE DECORRENTE) NA JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Como é cediço. por assim dizer.56 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA financeiros para ingressar em juízo. O escopo do presente estudo não é discutir a legalidade ou constitu- cionalidade8 da medida. razão pela qual nos importa verificar como foi edificada a construção jurisprudencial sobre o protesto de título na esfera particular.158 e ADIn-MC 1.

..] 4.. O que nos importa consignar são a posição da Corte Superior a respeito do dano moral no protesto indevido e os motivos pelos quais o protesto é tido como indevido.2013. DJe 24..... porquanto. Luis Felipe Salomão.. o protesto cujo débito entabulado é inexistente ou que se escora em dívida prescrita afigura-se como indevidos segundo a jurisprudência do col....2003). 2 DA DESCONTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA E DO CABIMENTO DO DANO MORAL POR PROTESTO INDEVIDO DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA A presunção de liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa frequen- temente é utilizada como trunfo do Fisco nas hipóteses em que o executado se vê incluído como corresponsável tributário: basta questionar qualquer elemento inerente à formação do título executivo fiscal em ação ordinária. [. Títulos de crédito de acordo com o novo código civil. Também o protesto de título com vício formal é considerado indevido.. Ruy Rosado de Aguiar. Luis Felipe Salomão. A questão é clara e não suscita maiores debates. 4ª Turma. uma vez que implica ‘efetiva diminuição do conceito ou da reputação da empresa cujo título foi protestado’.. bas- tando uma rápida pesquisa no sítio da Corte para aquiescer quanto à existência de caudalosa jurisprudência nesse sentido. DJe 18.. Nesse talante..213. 4ª Turma... por si só... 1.. 5...... [.......256/RS11... ajustar uma locação imobiliária ou obter um emprego... Min.. o STJ desincumbe o protestado de demonstrar as consequências nefastas nas hipóteses narradas anteriormente12. A prescrição da dívida torna inviável a ação executória contra o devedor. sem pertinência ou imerecido. Agravo regimental desprovido.. Min. Rel.2014..... Min..02.2013) .... 2003.” (REsp 1116328/RN. inconveniente.. Rel..2014) 11 Em outro julgado..” (AgRg-EDcl-AREsp 114.2012.... Wille Duarte....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA......... ensejando indenização por dano moral – vide REsp 1....2012... STJ10...... ed.. Também aqui nos parece desnecessário citar acórdãos lavrados pelo Su- perior Tribunal de Justiça.. Julgado em 02. 3ª Turma... cujo nome figura no registro de protestos.] 4.. 245) 13 “PROCESSO CIVIL – RESPONSABILIDADE CIVIL – LEI DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÃO – RECURSO ESPECIAL – SUSPENSÃO DAS AÇÕES E EXECUÇÕES INDIVIDUAIS – EMISSÃO FRAUDULENTA DE DUPLICATAS – DANO MORAL – SÚMULA Nº 7 DO STJ – PROVA DO DANO SOFRIDO PELA PESSOA JURÍDICA – DESNECESSIDADE – VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA – COMPE­ TÊNCIA DO STF – [. Julgado em 11... Neste caso..02.....09. 12 “Não há como negar sua influencia no cadastro individual da pessoa do devedor... A jurisprudência desta Corte já se posicionou no sentido de que o dano moral direto decorrente do protesto indevido de título de crédito ou de inscrição indevida nos cadastros de maus pagadores prescinde de prova efetiva do prejuízo econômico.. A demonstração da repercus- são negativa e do prejuízo econômico oriundos das restrições creditícias por motivo indevido13 fica em segundo plano. DJ 08. exceção de 10 “AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – PROTESTO INDEVIDO – TÍTULO PRESCRITO – DANOS MORAIS – PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA Nº 211/STJ – FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE – SÚMULAS NºS 182/STJ E 284/STF – REEXAME DE PROVAS – SÚMULA Nº 7/STJ – 1...10..09. a pessoa dificilmente consegue comparar a prazo..... ‘a partir de um juízo da experiência. 5. Min....10..... 57 O conceito de “protesto indevido”. tornando-se difíceis seus negócios.. não traz dificuldades de in- telecção: é o protesto impróprio. João Otávio de Noronha. Julgado em 10.208/RS.. p. Rel...773/RS..... Recurso especial não provido.. A rigor.” (COSTA.. DJe 09........ Belo Horizonte: Del Rey...09.] qualquer um sabe os efeitos danosos que daí decorrem’ (REsp 487.....979/RJ. Rel. com idêntica conclusão: AgRg-AREsp 218..

Corolário óbvio: se o alegado pelo excipiente não poderá ser demonstrado em dilação probatória (prova constituenda).900/ES) ou o baralhamento dos conceitos de “dilação probatória” e “prova pré-constituída”14. as provas são pré-constituídas. 39 da Lei nº 4. Advirta-se: não se discute a presunção em si. A Súmula nº 393/STJ faz clara restrição quanto ao uso da exceptio em Execução Fiscal ao dispor que: “A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória”. ela tem servido como subterfúgio para que não se ana- lisem questões pontuais – mas de suma importância – na formação do título executivo fiscal. pode o contribuinte optar por uma ação declaratória buscando. 2009. Os créditos da Fazenda Pública. E há. exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento. p. na forma da legislação própria. depoimento pessoal. como as provas emprestadas e os documentos em geral. Instituições de direito processual civil. formado o título executivo extrajudicial. serão inscritos. mas também indícios de que o atributo da “liquidez e certeza” vem sendo mal empregado. ed. como Dívida Ativa. uma série de dispositivos a escorar a pretensão aqui mencionada. mas apenas a forma com que. Outro não é o sentido conferido pelo Código Tributário 14 Ensina Dinamarco que “pela sede de sua preparação. a decla- ração de nulidade do processo administrativo. Cândido Rangel. 92). em tese. Há hipóteses em que. a única via possível ao interessado é juntar. quando o Poder Judiciário deixa de apreciar/acolher uma exceção de pré-executividade na qual se demonstra cabalmente a nulidade do proces- so administrativo sob o argumento de que a exceção não comporta dilação probatória (ainda que a prova esteja pré-constituída nos autos e a matéria seja cognoscível de ofício) o motivo não é apenas a má utilização do precedente jurisprudencial (o célebre REsp 1. 6.320/1964 estabelece que o Fisco deverá apurar a certeza e liquidez dos créditos tributários e não tributários antes de inscrevê- -los em dívida ativa15. contudo. de natureza tributária ou não tributária. no ordena- mento pátrio. Ora. abre-se a possibilidade de que. a prova pré-constituída do que pretende provar. São Paulo: Malheiros. o Poder Judiciário venha a declarar a nulidade da CDA protestada. embargos à Execução Fiscal ou em qualquer outra ação para que o Poder Público lance mão da presunção anteriormente mencionada. serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados. 39. III.104. Retornemos. por exemplo. ou constituendas. à trilha principal. após apurada a sua liquidez e certeza. em registro próprio. § 1º Os créditos de que trata este artigo. e a respectiva receita será escriturada a esse título. inspeções judiciais” (DINAMARCO. que já foram formados e existem antes e fora do processo. v. E se lhe é possível demonstrar tais questões.58 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA pré-executividade. já na petição de objeção. O art. 15 “Art. nas respectivas rubricas orçamentárias. frequentemente.” . perícias. Neste ponto é que surge o direito do contribuinte ao dano moral in re ipsa decorrente de protesto indevido de título extrajudicial. que são aquelas a serem formadas no curso do próprio processo (prova testemunhal. a prescrição do débito executado e a inexistência de relação jurídico-tributária.

. Nesse meio tempo.....2011) e ainda REsp 1.. (RE 608426-AgRg.. Curso de direito processual tributário..... caso não tenha sido apurado no processo administrativo a responsabilidade tributária de outros responsáveis.... Joaquim Barbosa. 18 Ementa: “AGRAVO REGIMENTAL – TRIBUTÁRIO – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – AUSÊNCIA DE CORRETA CARACTERIZAÇÃO JURÍDICA POR ERRO DA AUTORIDADE FISCAL – VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. § 3º: “A inscrição. Daí é que se afirma que o Fisco....09. 370/371) ....... etc. cuja redação exige a obediência à lei ou o processo regular para a inscrição da dívida.. Julgado em 04....... Rel..09..... No mesmo diapasão..... No processo administrativo fiscal.” 17 Art. para todos os efeitos de direito. Saliente-se que a necessária inclusão do nome de eventuais responsáveis na CDA se destina a atestar que o responsável teve o direito de eventualmente contestar a constituição do crédito tributário voltado contra ele. Min..10. seja editado o ato de inscrição em dívida ativa.....2010)”.. de controlar os procedi- mentos anteriores à inscrição em dívida ativa.. de verificar a liquidez do crédito que se pretende executar.... Julgado em 14.. 19 “Não é lícito à Fazenda inscrever o nome de possíveis corresponsáveis pelo débito tributário sem o mínimo de certeza jurídica de que se trata de uma das hipóteses legais de responsabilidade tributária (CTN..2010.. 201. depois de esgotado o prazo fixado.. São Paulo: Dialética... com vícios formais....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA.. a Lei nº 6.... conforme já estabelecido pela jurisprudência das Cortes Superiores18 e pela doutrina especializada19. o faz indevidamente e. por óbvio.. portanto. III. que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade. responsáveis.. 20116...” (NUNES... pior.. regularmente inscrita na repartição administrativa competente. não houve intimação/notificação para que este sócio participasse do procedi- mento... arts.. Rel.. DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL – INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO – Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo..830/198017 não só confere a natureza de “ato administrativo” à inscrição. ou até a distribuição da execução fiscal. 2º... por 180 dias.. créditos prescritos. 2010... será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição.. Aqui não há qualquer esforço intelectivo: se existem vários mecanismos de controle admi- nistrativo para que... etc.. devedores solidários... É evidente a nulidade na formação do título. 1ª Turma. Forte nessas razões.073.).... Cléucio Santos. o título é pro- 16 “Art. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza.... etc.... se esta ocorrer antes de findo aquele prazo”..494/RJ.. Min. irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes... 129 a 135). DJe 29. que o legislador atribuiu à própria Fazenda Pública o dever de zelar pela higidez na formação do título. A Fazenda Federal inscreve o sócio da pessoa jurídica (por inadimplemento da obrigação tributária da empresa) em dívida ati- va como corresponsável tributário. deverá figurar na CDA somente o devedor ou co-devedores. 59 Nacional em seu art.. 135...... ciente de que o título não deveria ser protestado porque possui vícios congênitos. a Administração Pública é obrigada a segui-los por força do princípio da legalida- de.... quando protesta título nulo. Luiz Fux.. do CTN e. Por conseguinte.. 2ª Turma... Tracemos um exemplo... contudo. não foi sequer discutida a responsabilidade do art. p. ao final..... como estabelece que o órgão responsável pela inscrição na dívida deverá apurar a liquidez e certeza do crédito tributário. substitutos.. para pagamento. pedra basilar do regime jurídico-administrativo. o sócio da pessoa jurídica ingressa com ação anu- latória pugnando pela sua retirada da CDA. pela lei ou por decisão final proferida em processo regular.. É inegável.

830 e do CTN anteriormente citados) a recomendar essa conduta. forma de exteriorização e a produção de efeitos no mundo empírico. seus elementos. 202 e 203 do Código Tributário Nacional. causarem a terceiros. São Paulo: Atlas. nessa qualidade. 2012. por endosso translativo. . pautada na lei (e no princípio da legalidade) que au- toriza o Fisco a sanar as irregularidades observadas no processo administrativo não só porque possui esse dever legal (vide os artigos das Leis nº 4. Não nos esqueçamos que a inscrição é ato administrativo formal e que. possui contornos muito bem delineados acerca de seus requisitos de validade. o princípio reconhecido22 da autotutela. com os efeitos do protesto a castigar a esfera particular do sócio da pessoa jurídica. sendo uma atuação administrativa. ed. sendo inexisten- te a causa para conferir lastro à emissão de duplicata. responde pelos danos causados diante de protesto indevido”23. DJe 14.2011. da Constituição Federal20. ao arrepio das atribuições de zelo que lhe foram conferidas. José dos Santos. o legislador tenha sido leniente com os requisitos for- mais do termo de inscrição em dívida ativa. De mais a mais. Da mesma forma. se no exemplo anterior o processo administrativo é flagrantemente nulo e a Certidão de Dívida Ativa não deveria mencionar o sócio da pessoa jurídica.11. proteste esse título. recordemo-nos que o Superior Tribunal de Justiça entende que “o endossatário que recebe. De se rememorar. Manual de direito administrativo. deve o Fisco pautar- -se nos princípios expressos da Constituição Federal. é inconcebível que o Poder Público.” 21 Conforme ensina Carvalho Filho. Rel. 2ª Seção.2011. abusando de sua novel prerroga- tiva. a Administração Pública ainda se orienta por outras diretrizes que também se incluem em sua principiologia. 33) 23 REsp 1213256/RS. 37. na seara tributária. como também a responsabilidade civil do Estado. o Poder Judiciário decla- ra nula a Certidão de Dívida Ativa levada ao Cartório de Protesto. Feita essa breve digressão ao direito administrativo. Min. não tendo sido concedida liminar apta a suspender a exigibilidade do crédito tributário na ação anulatória. E estes pontos independem do fato de que. e que por isso da mesma relevância que aqueles. Anos depois. p. dever inerente à atuação regular. Julgado em 28. 20). “só é legítima a atividade do administrador público se estiver condizente com o disposto na lei” (CARVALHO FILHO. Ora. há entendimento cristalizado de que “a boa-fé da instituição financeira não afasta a sua respon- 20 “§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes.09. conforme se observa dos arts. ainda.60 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA testado. § 6º. 25. Luis Felipe Salomão. p. Doutrina e jurisprudência usualmente a elas se referem.” (Idem.320/1964 e nº 6. título de crédito contendo vício formal. em especial o da legalidade cujo conteúdo exige que a atuação do Poder Público seja consentânea ao que diz a lei21. como todo ato administrativo. 37 da Constituição Federal. 22 “Além dos princípios expressos. autorizada pelo art. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. elencados no art. o que revela a sua aceitação geral como regras de proceder da Administração. Surge daí não só o ato ilícito.

Massami Uyeda.. Até que o Supremo Tribunal Federal venha a se pronunciar sobre o tema – ou após o seu pronunciamento. o próprio protesto extrajudicial da Cer- tidão de Dívida Ativa foi questão discutida e rechaçada pelo Poder Judiciário... editou a Medida Provisória nº 577/2013 convertida na Lei nº 12....767/2012 por todas as questões já conhecidas da comunidade jurídica...... 61 sabilidade. O que fez. como exequente.. não criando.2009.. diante do mesmo contexto.. entre as quais..... o que dizer do protesto de título nulo. ainda que de boa-fé..767/2013 – recheada de inconstitucionalidades que vão desde a falta de razoabilidade e proporcionalidade a vício de iniciativa – para que seu desejo tivesse amparo legal... o caráter de coerção existente nesta prerro- gativa do Poder Público que.. cabe zelar por sua higidez? Conforme mencionado alhures....... não nos parece razoável entender que. alheios à relação entre endossante e endossatário”24...... Julgado em 16. regulava o tema – desbordar à ilegalidade por não existir à época lei que lhe desse lastro..... Estado....2009... então.. Dado o panorama anterior... É de bom tom que o Poder Judiciário harmonize a questão em torno do tema.... responsável por formar unilateralmente o título executivo e a quem... DJe 08. por lei.. Min.. ao levar o título a protesto sem as devidas cautelas... p/o Ac.. uma vez inserido a fórceps no ordenamento jurídico pátrio.. já possui outras suficientes ao adimplemento do seu crédito. tendo em vista não só a desnecessidade da medida face às prerrogativas do Fisco no curso de uma Execução Fiscal como também pelo fato de a Portaria In- terministerial nº 574-A – que. Min.......... 4ª Turma.. diferen- 24 AgRg-Ag 777. porque....... Corolário óbvio: se cabe dano moral nas hipóteses em que um terceiro protesta indevidamente o título....... caso favorável ao Fisco – é fundamental que o Poder Judiciário reconheça o direito do contribuinte ao dano moral na hipótese de protesto indevido da CDA. quando quem o efetua é o próprio Poder Público. reconhecendo o dano moral à pessoa jurídica ou física cujo protesto le- vado à cabo pelo Fisco seja indevido.. .. então...... assume o risco sobre eventual prejuízo acarretado a terceiros.06.. quem deveria zelar para que a formação do título não fosse viciada....04... Massami Uyeda................ Rel.. a União Federal? De forma a legitimar o protesto ex- trajudicial da CDA.. destacamos aqui... o protesto extrajudicial indevido das Certidões de Dívida Ativa não obriga ao Estado reparar o dano vivenciado pelo particular ou pela pessoa jurídica especialmente porque era ele.... CONCLUSÃO É preciso que se continue a questionar a constitucionalidade da Lei nº 12..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA.258/SP..... Rel..

STJ REFERÊNCIAS CARVALHO FILHO. NUNES. Cléucio Santos.62 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA ciações desaconselháveis. III. 25. 2009 HARADA.haradaadvogados. Kiyoshi. excepcionando um posicionamento já sedimentado no col. ed. 2010. São Paulo: Atlas. . 1. Protesto da CDA. ed. Cândido Rangel. Títulos de crédito de acordo com o novo código civil. São Paulo: Dialética. 6. Instituições de direito processual civil. Curso de direito processual tributário. José dos Santos.com.pdf>. 2012 COSTA. 2003. São Paulo: Malheiros. Portaria equivocada. ed. Belo Horizonte: Del Rey.br/publicacoes/Artigos/779. Disponível em: <http://www. DINAMARCO. v. Wille Duarte. Manual de direito administrativo.

I – O PERFIL DO IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS O primeiro passo é a definição dos elementos que compõem o fato ge- rador de um tributo: . não é um imposto de solidariedade ou de políticas de esquerda ou direita. em especial refletindo especificamente na tributação da residência final da riqueza (o patrimônio da pessoa física). Referências. nosso objetivo é desenvolver a seguir sua potencial característica de interven- ção fiscal. INTRODUÇÃO Os projetos de criação do Imposto sobre Grande Fortuna. I – O perfil do Imposto sobre Grandes Fortunas. ao mesmo tempo. SUMÁRIO: Introdução. Conclusão. III – Principais equívocos dos PLC mencionados. sendo sua adoção uma opor- tunidade de minimizar-se a tributação das fontes produtivas. a falta de sensibilidade de nossos legisladores em aferir a importância deste tributo para instrumentalizar a forma de aumentar a assistência (em todos os âmbitos) das classes menos favorecidas economicamente. importante frisar que a finalidade do imposto não deve ser recebida como instrumento de reduzir a distância entre pobres e ricos. Professor por 15 anos de Direito Tributário. Especialista em Direito Tributário pelo CEUSP. pela Faculdade de Direito de Bauru (ITE). Diante deste preâmbulo. e concentrando-se na busca do conhecimento específico do fato gerador do imposto pretendido pelo legislador constituinte. Sócio Fundador da Maia Sociedade de Advogados. que geram rendas produzidas pelo trabalho e. da CF/1988) e os Arremedos para sua Instituição LUIZ FERNANDO MAIA Advogado Tributarista. esquecidos nas gavetas de nossos legisladores. de permitir maior partilha de riqueza à população economicamente menos privilegiada. a lamentável postura defensiva dos próprios legisladores. II – Dos Projetos de Lei Complementar (PLC) em tramitação. Parte Geral – Doutrina O Imposto sobre Grandes Fortunas (Artigo 153. Financeiro e Administrativo (Faculdades de Direito de Bauru (ITE) e Universidade Paulista (UNIP). demonstram duas evidências incontestes: a primeira. que dificultam sua criação por entenderem que o imposto acabaria sendo um atentado à sua fortuna pessoal. A segunda. decorrente da tribu- tação do Capital não produtivo. VII. Mestre em Direito Constitucional Tributário. como infelizmente tratado até aqui. Desde já. desde sua previsão na Constituição de 1988.

correspondente à soma de deter- minados bens acumulados (atentar-se que não se trata do elemento valorativo.64 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA a) objetivo: correspondente à situação descrita em lei para. a potencialização do não atendimento da regra da tipicidade cerrada. O elemento Objetivo do Fato Gerador do Imposto sobre Grandes Fortu- nas (IGF). autor do primeiro projeto para a sua instituição. d) temporal: pelo qual se determina o momento em que a obrigação tributária se concretizou. e. A falta da capacidade de o legislador mensurar a exata dimen- são do fato gerador estampado na Constituição ficou demasiadamente caracte- rizada nos projetos de lei complementar existentes nas casas legislativas e. 153 da CF/1988 se apoiam no critério da base econômica. conforme retro comentado. b) subjetivo: referente aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária. previsto na CF/1988. (12) entre outros. Pois bem. Em oportuna lição. se vier . para a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). o risco de o imposto nunca existir ou. art. Atipicamente. pois. então na condição de Senador da República. c) espacial: pelo qual a lei aplicável seria aquela vigente no lugar em que ocorrer o fato gerador (CTN. que a delineação deste fato gerador pela Lei Comple- mentar ocorra de forma que atenda à tipicidade cerrada da qual foi ele descrito na Constituição. em termos de Projetos de Lei Complementar (PLC). complexivo ou periódico) ou situação jurídica. 144). art. a lei que a disciplinará será a vigente naque- le momento determinado (CTN. caso contrário. Tal situação pode constar apenas de um fato (fato gerador instantâneo ou simples) ou de um conjunto de vários fatos (fato gerador complexo. que permite saber a alíquota aplicável e a quantia a ser paga. Temos hoje. no binômio Base de Cálculo e Alíquota. “que os impostos previstos no art. mas realmente do elemento objetivo do fato gerador). ensejará a inconstitucionalidade da lei complementar instituidora pela mitigação do princípio constitucional tributário da legalidade em uma das três regras constitucionais que o compõem: o da tipi- cidade cerrada (além da estrita legalidade e da reserva formal da lei). 102). prevista abstratamente na lei. lembra-nos Leandro Paulsen (10). na verdade. em consequência. Alberto Xavier (11) e Eros Grau. Aqui nasce. por consequência. se concretize. a meu ver. valor numérico do fato gerador. é o sujeito passivo ser detentor de uma grande fortuna. utilizado para a criação de impostos”. e) valorativo: que constitui a expressão econômica do fato gerador referente à base de cálculo. vez que. uma corrida entre projetos de uma ala esquerdista com outras alas esquerdistas mais radicais e do neoliberalismo encampado pelo ex-presidente Fernando Henrique. fazer com que a obrigação tributária. Importante. ocorrendo. o fato gerador deste imposto será definido por uma ex- pressão de valor detida pelo sujeito passivo.

independentemente de previsão constitucional.. Nesta linha de raciocínio. que nada impede que o Fato Gerador da Contribuição... já que. do Deputado Ivo Cersósimo.. talvez teria sua forma ideal via contribui- ção e não imposto.... PLC 218/1990. de ser um “monstro tributário” a trabalhar por uma ideologia política “A” ou “B”.. ITR. caso venha este a ser criado.... ainda. pois necessariamente deveria vincular-se à União.. já voltado à reforma tributária. corre isoladamente o PLC 48/2011(4). a rigor a instituição da tributação sobre “grandes fortunas”... mas sendo rejeitado na Câmara... Aqui outro grave equívoco. 65 a existir.......RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA. junto com o Imposto de Renda (IR). sendo encaminhado à Câmara dos Deputados. da CF/1988). determina que ele integrará.. no ano de 2000.... pela Comissão de Tributação e Orçamento....... Tramita... no qual. foram apensos vários outros projetos de lei para criação do mesmo imposto (sem variações significativas em relação ao original): PLC 108/1989...... também.. com o Imposto sobre Pro- dutos Industrializados (IPI) e com o previsto novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA-F). apensaram-se os PLC 130/2012...... e PLC 268/1990... que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas para financiar a saúde pública.. o Projeto de Emenda à Constituição nº 233/2008 (5)....... que tinha como relator o Deputado Francisco Dornelles. III.. Junto ao mesmo. que.... Acreditem ou não. 150. em razão de impostos já existentes sobre o capital.. tenha o mesmo Fato Gerador do Imposto sobre Grandes Fortunas. do Deputado Juarez Marques Batista.. 26/2011 e 62/2011 (origem PT..... II – DOS PROJETOS DE LEI COMPLEMENTAR (PLC) EM TRAMITAÇÃO O Senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB) apresentou o Projeto de Lei Complementar nº 162/1989. como contri- buição da saúde... Lembre-se.... que encampa os projetos de assistência social e da saúde. do Deputado Antônio Mariz... de que trata o PLC 48/2011.. projeto este que chegou a ser aprovado no Se- nado.. por nada afetar a implementação do imposto previsto na CF/1988.. .. do Poder Executivo (Mensagem 315/1990).... na qual recebeu o número 202/1989 (posteriormente 202-B) (2). como IR. obedecida a regra de início de sua vigência após noventa (90) dias da sua publicação (art.... no tocante à destinação da receita...... PSOL e PC do B)............... do Deputado Doutor Aluízio (PV). a fatia da arrecadação federal destinada aos Estados e Municípios.. antes da efetiva criação do IGF... obtendo aprovação no Senado. PLC 208/1989. e se encontra pronto desde 2012 (em alguma gaveta da casa legisla- tiva) para a pauta no Plenário da Câmara.. já que este último experimenta a limitação de identificar-se como bitributação....... O projeto já conta com os pareceres das comissões.. IPTU... Correndo na paralela está o Projeto de Lei Complementar nº 277/2008 (3)... pode ser criada a qualquer momento.. que deixamos de tratar no presente estudo... c..

III.00 2% de 10. excluídos ainda desta base de cálculo instrumento de trabalho do contribuinte do qual se obtém receitas até o valor de R$ 300.00 4% Mais de 50. Caso o propósito tenha sido deixar para ser definido em lei ordinária (efetivamente necessária para sua criação). objetos de antiguidade. seguimos na análise do imposto auto- rizado a ser criado pela Constituição de 1988 e as críticas dos PLC existentes.000. desde máculas aos princípios constitu- cionais tributários.000.00 1% de 5. que efetivamente não é confiscar a riqueza de parte da sociedade. bem como a indicação.01 a 10. a.000. o espólio e a pes- soa física ou jurídica domiciliada no exterior em relação ao patrimônio que tenha no País.000. exceto as contraídas para a aquisição de bens. Aspectos econômicos: Alíquota Classe de valor de patrimônio (em R$) Até 2.000. como desvio do arquétipo constitucional pretendido.000. bens de alta relevância social (?). Base econômica: O valor do conjunto dos bens que compõem a fortu- na.000. conforme art. a nosso ver. diminuído das obrigações pecuniárias do contribuinte.000.000.000. Resumo da Previsão da Sujeição Passiva.01 a 50. Por inexistir ressalvas ou menção nas regras de exclusão.000.000. se é que pode- mos chamar o que existe até aqui de um processo legislativo.000.000.01 a 5. 146.00 (trezentos mil reais) por ano. A lei complementar é omis- sa quanto a um dos elementos que compõem o Fato Gerador do Tributo (tem- poral).00 3% de 20.00 5% Periodicidade de incidência: Não é prevista. . o imposto já nasce com inconstitu- cionalidade insanável (a delineação do fato gerador em todos os seus aspectos é matéria é de lei complementar. arte ou coleção em per- centagens fixadas em lei.000.000.66 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA Feito tal resumo do processo atual de criação do imposto. tanto para atender à pretensão do Constituinte de 1988 como para evitar que se crie um “monstro tributário”. do perfil ideal que deve dar contornos ao IGF.000.000.000.00 Isento de 2. Base Econômica e Temporalidade da Incidência destas PLC PLC 277/2008 Sujeição passiva: Pessoas físicas domiciliadas no País. da CF/1988).000.01 a 20.000. pela pluralidade de criadores para uma mesma criatura. presume-se a incidência sobre 100% do imóvel de residência do contribuinte.

... todos os projetos de lei comple- mentar defendem... finalmente.......7 milhões) 0.. por sua vez......... Base econômica: A totalidade dos bens e direitos. não há como desconsiderar que tanto “grande” como “for- tuna” são formas de elevar a grandeza da “riqueza”..3 a R$ 12..... partindo da básica técnica hermenêutica da interpretação gramatical.. Considerando-se que o fato gerador do im- posto prevê não a simples riqueza (fortuna)..5% 6 a 8 milhões de cruzados novos (R$ 19 a R$ 25. ser uma “grande fortuna” R$ 2 a 4 milhões de reais ou a partir de R$ 2 milhões de reais (PLC 202/1989 e PLC 277/2008... pres- supõe-se que o imóvel de residência sofre a incidência normal do IGF.... Classe de valor de patrimônio (em R$) ALÍQUOTA 2 a 4 milhões de cruzados novos (R$ 6. de qualquer natureza ou localização.. na concepção do fato gerador do imposto.. real- mente almejava tributar somente “bilionários” (aquele que possui riqueza ou valores na ordem dos bilhões...... E.. que possui “grande riqueza” ou abastança) (6)..... indiscutível que o legislador constituinte....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA...3% 4 a 6 milhões de cruzados novos (R$ 12.7 a R$ 19 milhões) 0....3 milhões) 0... Este ponto é de relevância no momento que não há como olvidar que a pretensão do legislador foi atingir os bilionários....... 67 PLC 202/1989 Sujeição passiva: Pessoas físicas domiciliadas no País.. a falta de trato com o imposto no tocante a sua importância como instrumento para lidar no fenômeno das desigualdades econômicas e não uma simples bandeira socialista de tirar dos ricos e dar aos pobres. Quanto ao conceito de “grandes fortunas”............. .... equivocadamente. imóveis.. Pela omissão.....3 milhões) 1% III – PRINCIPAIS EQUÍVOCOS DOS PLC MENCIONADOS A) O que vem a ser uma grande fortuna? O fato gerador do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) desenhado nos mencionados projetos de lei complementar corrobora a total falta de sintonia do conceito do valor do que seria uma grande fortuna. Outro aspecto que sobressai nas duas linhas de proposta é a falta de critério para definir o que deva estar inserido como patrimônio susceptível a caracterizar acumulação de riquezas (fortunas). frise-se.... define-se como a abundância na posse de dinheiro e propriedades móveis.............7% Acima de 8 milhões de cruzados novos (R$ 25.. temos que “fortuna” é sinônimo de “riqueza”. mas um aumentativo desta – uma “grande” fortuna (fortuna no seu exponencial máximo = grande) –. integrantes do patrimônio do contribuinte. respectivamente)....... No entanto. que.......... Inicialmente........ possivelmente o 1% (ou menos) da população brasileira.

e mais. Isto justifica a definição do bilionário como aquele que tem uma “grande riqueza” e. o art. Um fazendeiro. a expressão capacidade contributiva. sobretudo de um imposto. seria correto tributar uma área rural produtiva (meio de geração de empregos)? Em verdade. sendo. e sim de muito mais. o que é uma grande fortuna em São Paulo é dife- rente do que pode ser considerado no interior do Pará. . ainda. de extraordi- nária magnitude. como também não estaremos mais falando de um universo de 1% da população. Assim. Amilcar de Araújo Falcão (7) ensina que a garantia consiste no atendi- mento da capacidade contributiva do contribuinte e decorre do princípio geral da isonomia. de per si. O índice deve ser bem maior. deve ser delineado na realidade tempo/ espaço. bem localizada no interior de São Paulo ou do Paraná. O que é uma grande fortuna no Brasil é diferente do que é considerado nos EUA. adquirido há anos pela família. O que era uma grande fortuna há 10 (dez) anos é diferente do que seja considerado hoje. 150. porque significa a capacidade econômica do contribuinte relacionada com a imposição específica ou global. A consequência de lançar-se ao rol de tributação valores na definição do fato gerador que não se comportam na ordem constitucional autorizadora da criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) é a mitigação latente em todos os PLC existentes para a criação do imposto da própria legalidade consti- tucional (art. no entanto. resolve as variações tempo e espaço que poderiam tornar impossível a justa acepção de “grande fortuna” no conceito do fato gerador. mormente com o desenvolvimento econômico ex- perimentado pelo País nas duas últimas décadas e a valorização imobiliária. com uma área de 100 alqueires. I). Tenho para mim que o objetivo do legislador constituinte foi um acúmu- lo de patrimônios que representem a residência final de várias riquezas experi- mentadas. não nos parece que a conceituação nos projetos de LC ocorra com a devida mensuração prevista pelo constituinte. falta de tipicidade do arquétipo do fato gerador trazido na Constituição e do pretendido nas leis constitucionais para sua instituição. § 1º. sem lançar indevidamente no rol de incidência valores de riqueza sem tanta magnitude. portanto. sendo. qualquer valor que se defina como “grande fortuna”. endereçando-se antes ao legislador do que à administração ou ao Judiciário. diretivo ou diretório (directory provision). pragmático. 145. dimensão econômica particular de sua vinculação ao poder tri- butante. Nem por isso é um bilionário. decorrentes do rendimento do capital ou do trabalho. Preferimos.68 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA Ora. tanto no Brasil ou em qualquer outro país. o legislador terá que levar em conta a capacidade econômica dos sujeitos passivos em responder pelas respectivas relações tributárias. muito facilmente terá uma propriedade que beire os R$ 50 milhões de reais. da CF reza que os impostos serão gra- duados segundo a capacidade “econômica” do contribuinte. com muito trabalho e sacrifício. Aliás. Por outro lado. escolhido o fato gera- dor de um tributo.

..... parece-nos que a percepção dos legisladores dos projetos de lei complementar existentes passou longe do desejável.......... fundos de investimentos e outros desta linhagem. todos os projetos de lei comple- mentar (PLC) isentam a propriedade de obras de artes e relíquias. títulos mobiliários. pode ser valorizada em tal patamar. que hoje são objetos de largo uso para lavagem de dinheiro sujo.. indiscutivelmente devem ser os bens de capital... Neste senti- do. são a residência final da riqueza circulante.. na contramão da lógica. já experimentando a tributação no imóvel de sua residência há longos anos.. despojado de interesse econômico. B) Definição dos bens que devem ser incluídos no patrimônio acumulado Na mesma linha. quando gere renda mensal superior a R$ 300 mil/ano...... 69 Como recém-demonstrado...... pertinentes à nominação do fato gerador..... pelo seu acesso ao público em geral. por exemplo) de valor de R$ 2 milhões possa ser consi- derado o detentor de uma grande fortuna. Seriam os bens que so- mente aproveitam-se a vida opulenta de seu detentor.. O patrimônio em bens imóveis.. É fundamental para atingir-se o objetivo social do legislador constituinte pretendido para o Imposto sobre Grande Fortuna que se tribute o patrimônio que foi retirado do meio circulante econômico.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA. relíquias....... títulos e valores mobiliários......... ou seja.. que pela localização especulativa que agora ocupe.. como imóveis. em somatórios de valores extraordinariamente expres- sivos.... Portanto o Fato Gerador do Imposto sobre Grande Fortuna é o acúmulo de bens de capital.. que não mais produzirá riqueza à sociedade e sim simples e até exagerado prazer de ostentação pelo seu de- tentor....... ..... Também neste aspecto.. ex. deve ser dado o correto contorno do patrimônio acu- mulado para bens móveis e imóveis...... Isto porque a tributação sobre o patrimônio produtivo. C) Tipos de bens que devem representar o acúmulo de fortunas Em primeiro plano. note-se a intenção de tributar propriedade de bem de capital.... em verdade........ retirado da sua potencialização de fomentar a economia do País (fontes produtivas).............. O estímulo à arte é pela sua produção..: casos como equipa- mentos médicos)... e jamais poderia ser pelo pro- pósito egoísta de ser o único a acessar o patrimônio artístico dentro de sua casa.. transmitida entre a família.... artes. porém seus proprietários não terão liquidez para responder a obrigação.. que.......... De outro lado. fundos de investimentos e títulos mobi­ liários (caracterizadamente residência final da riqueza).. é equivocada ideia de que quem tenha um patrimônio (imóveis...... bem como a não exclusão da moradia do contribuinte. representado por equipamentos próprios à prestação de serviços (p...

pela grandiosidade da obra mencio- nada. egoísta e exagerado de joias. não é tributo confiscatório para tirar dos que mais têm economicamente para dar ao menos dotados eco- nomicamente. CONCLUSÃO Nenhum dos projetos de lei complementar (PLC) até aqui desenvolvidos pelo nosso legislativo soube definir corretamente o próprio Fato Gerador do Im- posto sobre Grandes Fortunas. enquanto o primeiro (ganho de Capital) fraciona-se em parte pequena da população. decorrente de aluguéis de imóveis. ricos e pobres é contexto impregnado do Capitalismo. na qual a consequência é que o ganho de capital tende sempre a ser maior do que o ganho do trabalho. tirando o que um tem a mais para redistribuir ao que tem de menos. os patrimônios acumulados que darão a expres- são econômica do elemento objetivo do Fato Gerador do Imposto e. bens móveis e imóveis. o mundo predominantemente e no caso o Brasil são universos capitalistas. visão que fica mais clara na obra de Thomas Piketty. permito-me definir sucintamente a teoria na expressão. Em resumo grosseiro. mas sim se instru- mentalizar como mais um instrumento a extinguir a inadmissível condição de . jus- tificando ainda mais a urgência na tributação do capital não produtivo. Não vem para acabar com ricos e pobres. rendimentos de investimentos. enquanto os rendimentos do trabalho pela quase absoluta maioria da população. no tocante a sua importância como instrumento para lidar no fenômeno da desigualdade econômica Todos os projetos de lei complementar tratam o Imposto sobre Grande Fortuna – IGF como se fosse um imposto “solidário”. (9) o qual sustenta que os ganhos de capital. por estarem concentrados em uma proporção bem menor da população. como argumentam os críticos de Karl Marx (8). para que esta desigualdade tenha freios. finalmente. desde que todas com direito à vida digna e livre. defendo a realidade do mundo contemporâ- neo. que se caracterizem pela perda de sua potencialidade de tornar-se fonte eco- nômica produtiva. A existência de fracionamento da popu- lação entre mais ricos. tornando todos os cidadãos iguais. que adentra ao âmbito doentio. Fim dos ricos e pobres e início de uma realidade de todos pobres. a desigualdade econômica e essência do Capitalismo e até imprescindível hodiernamente. artes. uma forma de diminuir ou acabar com a desigualdade econômica. parâmetros aceitáveis. Ainda com seus percalços.70 R��������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA A falta de trato com o imposto. A tributação das grandes fortunas deve atacar o acúmulo de bens de capital. a sua real destinação: não é um tributo solidário. O imposto a ser criado não pode cair no rol das utopias marxistas ou de qualquer outra. somente quando a distância é de dois únicos pontos: de ricos abastados e miseráveis absolutos. Não defendo aqui o sistema capi- talista ou qualquer ideal político. ou melhor. este último se fraciona em quase toda a população. relíquias. A oportunidade segundo a liberdade de exercer seu livre arbítrio também impregnado no Capitalismo é causa de diferentes classes econômicas.

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – DOUTRINA........................................................................................................................ 71
miséria de parte da população. Seu fim social visa evitar que as diferenças eco-
nômicas deixem de continuar a crescer pela própria regra matemática colocada
na obra de Thomaz Peketty, alhures mencionada (9), que sempre irá causar
maior crescimento da renda de capital em relação ao rendimento do trabalho.
O fim da miséria não vai decorrer do fim da existência de ricos e pobres,
até porque o sistema tributário brasileiro guarda isonomia e proporcionalidade
à capacidade contributiva, em que o contribuinte é tributado segundo exterio-
riza sua capacidade contributiva. A erradicação da miséria dependerá sempre
da competência do Estado em administrar correta e honestamente a receita tri-
butária e seu proporcional retorno à coletividade por bens e serviços públicos.
Por fim, alerte-se que, mantida a linha dos projetos de lei complementar
(PLC) visando à criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), na forma
demonstrada linha atrás, teremos a criação de um “monstro tributário”, pelas
inúmeras inconstitucionalidades em que irão nascer, além de um desestímulo
àqueles não “bilionários” que pagarão a conta.

REFERÊNCIAS
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blemas e perspectivas”. Buenos Aires: Clacso, 2007.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
FALCÃO, Amilcar. Introdução ao direito tributário. Atualizado por Flávio Bauer
Novelli. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
GRAU, Eros Roberto. A ordem econômica constitucional de 1988. Interpretação e
crítica. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1990.
PAULSEN, Leandro. Curso de direito tributário. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advoga-
do, 2008.
PEC (Projeto de Emenda à Constituição) nº 233/2008. Deputado Guido Mantega,
(apensada à PEC 31/2007 do Deputado Virgílio Guimarães)
PIKETTY, Thomas. Capital no Século 21. Trad. por De Bolle, Monica Baumgarten.
Intrinseca, 2013.
PLC 202-A (PLC 162/1989). Srs. Fernando Henrique Cardoso (PLC 162/1989), Aloízio
Mercadante, Edevaldo Alves Silva, Fetter Junior, Haroldo Lima Vivaldo, Alckmin Filho
e José Tadeu Mudalem.
PLC 277/2008 .Srs. Paulo Teixeira, Jilmar Tatto, Amauri Teixeira, Assis Carvalho,
Claudio Puty, José Guimarães, Pedro Eugênio, Pepe Vargas e Ricardo Berzoini, Luciana
Genro, Chico Alencar e Ivan Valente.
PLC 48/2011. Deputado Dr. Aluízio (PV).
XAVIER, Alberto. Os princípios da legalidade e da tipicidade da tributação. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1978.

Site
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013.

Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra
10979

Superior Tribunal de Justiça
Recurso Especial nº 1.325.709 – RJ (2012/0110520-7)
Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho
Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce
Advogados: C arlos Eduardo Caputo Bastos e outro(s)
Alberto Xavier e outro(s)
Eduardo Antonio Lucho Ferrão e outro(s)
Ana Carolina Arrais Bastos e outro(s)
Recorrido: Fazenda Nacional
Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional

EMENTA
RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA
DENEGADO NA ORIGEM – APELAÇÃO – EFEITO APENAS DEVOLUTIVO – PRECEDENTE – NU
LIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ
FEDERAL – NÃO PREQUESTIONAMENTO – SÚMULAS NºS 282 E 356/STF – IRPJ E CSLL –
LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM
TRIBUTAÇÃO REGULADA – PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS
PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO Nº 72.542/1973), A DINAMARCA (DECRETO
Nº 75.106/1974) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO Nº 85.051/1980) – EM-
PRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS – ART. 74, CAPUT DA MP 2.157-35/2001
– DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO
BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA
DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL –
RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGU-
RANÇA, EM PARTE
1. Afasta-se a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora re-
corridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal
que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma
Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência
de prequestionamento. Súmulas nºs 282 e 356/STF. Precedentes desta
Corte.
2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusivida-
de, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Ape-
lação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA..................................................................... 73
apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg-AREsp. 113.207/SP,
Rel. Min. Castro Meira, DJe 03.08.2012.
3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta
e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais
avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro ele-
mento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário
não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica
por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios,
sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundi-
ria com as atividades administrativas fiscais.
4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o
sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória edita-
da pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos
normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os
históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua
efetividade dependerá de harmonizar-se com as demais concepções
do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os
princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutriná-
rias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras.
5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições
dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas
de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do
art. 98 do CTN. Precedente: (REsp 1.161.467/RS, Rel. Min. Castro
Meira, DJe 01.06.2012).
6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o
Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, in-
clusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários
celebrados com a Bélgica (Decreto nº 72.542/1973), a Dinamarca
(Decreto nº 75.106/1974) e o Principado de Luxemburgo (Decreto
nº 85.051/1980), disciplina que os lucros de uma empresa de um Es-
tado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que
a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio
de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucur-
sal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte
não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar
o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio
basilar da boa-fé.
7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídi-
ca própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados In-
ternacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim

74 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada
pela legislação fiscal nacional de adicioná-los ao lucro da empresa
controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tri-
butários e infringir o princípio da boa-fé nas relações exteriores, a que
o Direito Internacional não confere abono.
8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do
art. 74 da MP 2.158-35/2001, adere-se a esse entendimento, para
considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Ber-
mudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos
moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a
controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados.
9. O art. 7º, § 1º da IN/SRF 213/2002 extrapolou os limites impostos
pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei nº 9.249/1995 e 74 da MP
2.158-35/2001) a qual objetivou regular; com efeito, analisando-se a
legislação complementar ao art. 74 da MP 2.158-35/2001, constata-
-se que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/1977,
que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do
lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no
Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contra-
partidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangei-
ras controladas.
10. Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe parcial provi-
mento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para
afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as em-
presas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo,
sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do
CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por
Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao
art. 74, caput da MP 2.158-35/2001, deles não fazendo parte o resul-
tado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método
da equivalência patrimonial.

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Pri-
meira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das
notas taquigráficas a seguir, por maioria, vencido o Sr. Ministro Sérgio Kukina,
conhecer do recurso especial e dar-lhe parcial provimento para conceder, em
parte, a segurança, nos termos da reformulação de voto do Sr. Ministro Relator.

..... Napoleão Nunes Maia Filho Ministro relator CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA Número Registro: 2012/0110520-7 Processo Eletrônico REsp 1.....2013 Julgado: 22....10... Dra.. ao apreciar o processo em epí- grafe na sessão realizada nesta data...... Impedido o Sr..... Ministros Ari Pargendler e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. Darcy Santana Vitobello Secretária: Belª Bárbara Amorim Sousa Camuña AUTUAÇÃO Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce Advogado: Alberto Xavier e outro(s) Recorrido: União Assunto: Direito Tributário – Impostos – IRPJ/Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – Incidência sobre Lucro CERTIDÃO Certifico que a egrégia Primeira Turma.. Ministro Relator. Brasília/DF. Sr. Ministro(a)-Relator(a)...10.......... Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Subprocuradora-Geral da República: Exma.... 24 de abril de 2014 (data do Julgamento).... Sra.709/RJ Números Origem: 200351010029370 29370920034025101 Pauta: 22...325..... Sr... proferiu a seguinte decisão: “Retirado de Pauta por indicação do(a) Sr(a). 75 Os Srs....2013 Relator: Exmo. Ministro Benedito Gonçalves.... Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Presidente da Sessão: Exmo...” Recurso Especial nº 1.......709 – RJ (2012/0110520-7) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce ...325.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA...

76 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Advogado: Alberto Xavier e outro(s) Recorrido: União RELATÓRIO 1. conside- rando legal e constitucional a legislação invocada. e pa- rágrafo único.158-34) e da IN 213/2002. qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. que o regulamentou. 74. de 27. 2. foi denegada a segurança.157-35/2001. não poderia interpretá-lo para aludir à tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial. sem criar uma ficção legal para considerar como disponibilizados resultados apurados em balanço. da Receita Federal. 86/89) para suspender a exigibilidade dos créditos tributários do IRPJ e da CSLL. consagrado no art. 150. (b) ainda que se considerasse válido o caput do art. Dinamarca e Principado de Luxembur- go). bem como sobre os lucros apurados até dezembro/2001. III. 74 da MP 2. (d) existe incompatibilidade das referidas normas com o artigo VII dos Tratados contra a dupla tributação celebrados entre o Brasil e os Países de domicílio das sociedades que controla (Bélgica. que o regulamentou.08. 7º da IN 213/2002. a da CF. A Companhia Vale do Rio Doce impetrou Mandado de Segurança. antes desta data. A inicial embasou-se em quatro linhas argumentativas ou objetos. da MP 2158-34. Foi concedida parcialmente a liminar (fls. 143/150). entre a parcela desse mesmo resultado que corresponde aos lucros auferidos pelas sociedades estrangeiras e a parcela estritamente imputável à variação cambial do investimento. a incidência de IRPJ e CSLL sobre os resultados positivos de equivalência patrimonial apurados por suas controladas no Exterior nos anos de 2002 e seguintes.158-35/2001. ofende o princípio da não retroatividade da lei tributária. consequentemente. 43. e. posteriormente. caput.2001 sob o número 2. revogando a liminar ante- riormente concedida (fls. sem fazer a distinção que se impõe. 3.157-35/2001. 74 da MP 2. no tocante aos lucros apurados a partir do ano de 2002. que afastou as alegações aduzidas na inicial.2001 (reeditada em 24. que apenas possibilita à lei ordinária fixar as condições e o momento da disponibilidade de receita ou de rendimentos oriundos do Exterior. todavia. ao deter- minar que os lucros apurados por controlada ou coligada no Exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezem- bro de 2002. extrapolou a permissão concedida pelo art. o art.06. salvo se ocorrida. . § 2º do CTN. a saber: (a) o caput do art. que atribui aos países de domicílio das controladas competência exclusi- va para tributar seus lucros. (c) a regra prevista no parágrafo único do art. por sentença proferida pelo Juízo da 7ª Vara Federal da SJ do Rio de Janeiro. objetivando afastar a aplicação do art. com pedido de liminar. mas não disponibilizados. 74 da MP 2.

... 77 4.. uma vez que.... caput... 74.. ainda. ressalta.. a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará a sua disponibilidade. 248. na hipótese de receita ou rendimento oriun- dos do Exterior.. e parágrafo único da MP 2.. 2. no mercado. com a apuração dos lucros na sociedade controlada... 74 da MP remeter ao regulamento a forma como será executada a lei não acarreta violação ao princípio da legalidade. expresso no balanço.. a disponibilidade jurídica da renda. O voto vista proferido pelo Ministro Nelson Jobim aponta a gênese legal do regime tributário criado pela MP 2. Não há ofensa ao conceito de aquisição de renda eleito pela legislação supra transcrita. A ADI 2. alínea a)... o lucro da sociedade controlada já de- veria ser registrado no balanço patrimonial da sociedade controladora (art.. que acrescentou o § 2º ao art.. estabelecer os critérios quanto ao que seja a disponibilidade do lucro e o momen- to em que pode ser considerada essa disponibilidade. cuja aplicação é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributa- das pelo lucro real e que realizem tais espécies de investimento.... estabelecendo que.158-35/2001 e do § 2º do art.. pois terá titulo jurídico para pleitear e defender o direito relativo a essa renda.158-34/2001 E REEDIÇÕES 1. 5.. de modo que não há como sus- tentar que a apuração de lucro na sociedade controlada tem reflexos imediatos no patrimônio da controladora... acrescentando-lhe valor. 4.404/1976.. do acréscimo patrimonial.. considera irrelevan- te a questão sobre o controle que a empresa brasileira exerça sobre estrangeira..158-34/2001 (que adota o regime contábil da com- petência.. chamado de método da equivalência patrimonial. com relação à tributação.. de forma absolutamente legítima. em aresto assim ementado: TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGA- DAS OU CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR – TRIBUTAÇÃO DOS RE- SULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL DE INVESTIMEN- TOS NO EXTERIOR – MP 2... a utilização no Brasil da regra de compensação do IR pago pela investida estrangeira.. O fundamento de validade da alteração introduzida pelo art.. Logo. quanto ao TBU.. historia a substituição da regra de cobrança do IRPJ do sistema territorial para o sistema de tributação em bases universais (TBU)....... III...158- 34/2001 decorre da Lei Complementar nº 104/2001. 74 da MP 2. 43 do Código Tributário Nacional. a pessoa jurídica controladora adquire imediatamente a disponibilidade econô- mica da renda que se incorpora em seu patrimônio...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. em razão dos benefícios decorrentes da repercussão..... este último acrescentado pela LC 104/2000. em julgamento no STF discute a inconstitucionalidade do art.. 43 do CTN.588-DF.. O fato de o art. Adquire.. aperfeiçoado pela LC 104/2001.. método contábil utilizado na apuração dos lucros dos investimentos relevantes de coligadas ou controladas... para fins de incidência do Imposto de Renda. que permitiu à MP 2.. ......158-34/2001 estender às empresas coligadas e controladas tratamento idêntico ao que era dispensado às filiais e sucursais desde 1997. e não o de caixa). O Tribunal Regional Federal da 2ª Região negou provimento à Apela- ção da autora.. a lei pode. Na sistemática da Lei nº 6..... 3.

para sanar as omissões e prestar esclarecimentos. na forma com preconizada no referido dispositivo legal. ainda que decorrente da aplicação do método da equivalência pa- trimonial (MEP).78 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 6. Inexiste violação aos Tratados Internacionais para evitar a dupla tributação. 7. que adotam como parâmetro a Convenção Modelo da OCDE que dispõe: os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado. a e b da CF de 1988. Opostos Embargos Declaratórios pela autora. DO ART. a variação cambial do valor do investimento no Exterior. versa sobre a possibilidade de o Estado Brasileiro tributar o lucro auferido no Exterior por empresa brasileira. 7º da IN/STF 213/02. consequentemente. 150. foram parcialmente aco- lhidos. uma vez que esta hipótese trata da competência tributária exclusiva do Estado onde estiver sediada empresa controlada quanto aos resultados por ela produ- zidos. DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. que ao dispor sobre o resultado positivo da equivalência patrimo- nial limita-se aos lucros aferidos por controladora e coligada brasileira. Vale dizer. para se declarar que os lucros obtidos por controladoras e coligadas bra- sileiras. 74 da MP 2. no período de 1996 a 2001. reconheceu-se a constitucionalidade do parágrafo único do art. II – Ao se sanar a primeira omissão. 357/359).158/2001 e o art. . excluindo-se. 5. restou declarada a legalidade do art. consubstanciados no art. também estão sujeitos à incidência de IRPJ e de CSLL.a União pode exigir imposto de renda sobre os resultados obtidos pela empresa controlada sediada no Exterior. por inter- médio de suas controladas e coligadas no Exterior. III – Ao se resolver a segunda omissão. por ausência de violação aos princípios constitucionais da anteriorida- de e irretroatividade tributárias. DA IN/SRF 213/2002 – APLICAÇÃO DO MÉTODO DA EQUIVA- LÊNCIA PATRIMONIAL (MEP) – EXCLUSÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL – CONS- TITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO. 74. III.158-35/2001 – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ANTERIORIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁ- RIAS – INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO – INAPLICABILIDADE DE TRATA- DOS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO (CONVENÇÃO-MODELO OCDE) – FATOS NOVOS – INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILI- DADE DE IRPJ E CSLL I – Verificada a existência de omissões no acórdão embargado. 7º. Destarte. 25 da Lei nº 9. a situação é diversa. restando o aresto assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – TRIBUTÁRIO EXISTÊNCIA DE OMISSÕES NO ACÓRDÃO EMBARGADO – TRIBUTAÇÃO DE LUCROS OBTIDOS NO EXTE- RIOR POR CONTROLADORAS E COLIGADAS BRASILEIRAS – LEGALIDADE DO ART.158-34/2001 (reeditada sob o 2.249/1995. a regra do Tratado e o art. ou seja. Apelação conhecida e improvida (fls. por intermédio de suas controladas e coligadas no Exterior. 98 do CTN são inaplicáveis ao caso. 74 da Medida Provisória nº 2. 8.158- 35/2001). em estrita conformidade com o art. os Embargos de Declaração se afiguram como via adequada para integração do julgado. Na hipótese dos autos.

não se verificou a ocorrência de descumprimento pelo Fisco Federal de decisões em vigor.. 43 do CTN. integrando-se o acór- dão embargado.. a questão. dos limites impostos pela própria lei federal (art. 6.. por simples despacho de mero ex- pediente.. enquanto vigorarem os referidos dispositivos legais. por intermédio de controladas ou coligadas no Exterior.. teriam direito. de forma clara e objetiva.. prelimi- narmente... ora ratificada pela embargante... também o aresto que apreciou os Declaratórios é nulo pois a Turma julgadora fora composta majoritariamente por Juízes Federais convocados. o que ofende os incisos LIII e LIV do art... se distribuídos por suas investidas.. por força do disposto no art.404/1976 –. 74 da MP 2. VI – Da mesma forma... 248. referente à aplicação do art. revogada por sentença denegatória de segurança (Súmula nº 405/STF). bem como do art. pelo art. que são tributados. 7.. VII. nos efeitos devolutivo e suspensivo... por controladora ou coligada brasileira – a serem compu- tados na determinação do lucro real destas.. incidirá IRPJ e CSLL.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.158-34/2001) a qual objetivou regular.. também não tiveram o condão de alterar o resultado do julgamento. proferidas no curso deste processo judicial.. 25 da Lei nº 9. não se verificou a existência de con- tradição.158-35).. VIII – Embargos de Declaração parcialmente providos apenas para sanar as omis- sões verificadas e prestar os necessários esclarecimentos..... III da CF. celebrados pelo Brasil com os países de domicílio de controladas. no presente Recurso Especial. § 1º da IN/SRF 213/2002... conforme preceitua o § 1º do art.. pretende discutir as violações à legislação federal... indeferindo-se desta forma o pedido de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto deste processo judicial. a Vale S/A. V – Esclareceu-se. que. Alega a recorrente que..249/1995 e no art. Em seu Apelo Raro. relativamente à definição da hipótese de incidência do IRPJ e ... sempre que as controladas ou coligadas estrangeiras – não importando a sua origem. III... suscita... porque o Relator seria Juiz Fe- deral Convocado na condição de auxiliar do Desembargador Federal a quem o processo havia sido originalmente atribuído.. os lucros auferidos. e não os dividendos. (fls. a da Lei nº 6. eventualmente.... no seu entendimento.. dos tratados contra a dupla tributação (Convenção Modelo da OCDE). na forma do disposto no art...158-34/2001 (reedi- tada sob o nº 2. 7º.. não resultou no restabelecimento de liminar que foram. aos quais.. 79 IV – Examinando o v... 43 do CTN – resultarem em lucros para a controladora ou coligada brasileira... acórdão embargado.. VII – Quanto aos fatos novos alegados. afastando-a. sendo que.... interposto pela então em- bargante.. expressamente. que havia se mostrado desfavorável à embargante. fundado nas alíneas a e c do art.249/1995 e 74 da MP 2... dada a sua impertinência.. 98 do CTN. atual denominação da Companhia Vale do Rio Doce.. ainda.. a nulidade do acórdão da Apelação. 497/498).. uma vez que aquele enfrentou.. uma vez que o recebimento do recurso de apelação. respeita à extrapo- lação.. 105... tendo participado efetivamente do julgamento... Cita julgados em abono de sua tese. 25 da Lei nº 9. 5º da Constituição Federal. no art.

25 da Lei nº 9. 10. 7º.648/1978. os resultados de avaliação dos inves- timentos no Exterior.598/1977. ao contrário do exposto no aresto impugnado. Relatado pelo Ministro Mauro Campbell Marques (DJe 14. Sustenta a incompatibilidade do regime de tributação de lucros de controladas e coligadas da recorrente no Exterior com o art. § 2º). 519). reservando. portanto. IV do Decreto-Lei nº 1.542/1973). Afirma que. 1º. de acordo com a legislação vigente. 2º e 3º E continua: O tratamento em questão está disciplinado no parágrafo único do art. § 1º da IN 213/2002. que seguem o Modelo OCDE.04.158-35/2001 inovou radicalmente. segundo o qual não serão computados na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou de amortização de ágio ou deságio na aquisição.106/1974) e o Principado de Luxemburgo (Decreto nº 85. 8. uma nova base de cálculo para o imposto. 11.2011). Argumenta.051/1980). segundo os quais os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado. nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no país. não são computados na determinação do lucro real (fls. como é o caso da variação cambial. o resultado positivo da equivalência patrimonial. a competência tributária exclusivamente ao Estado onde a empresa está domiciliada. tal como já reconhecida por ocasião do julgamento do REsp 1. pelo método da equivalência patrimonial.80 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA da CSLL. com a ilegalidade da tributação da variação cam- bial. referido disposi- tivo legal expressamente consigna que os resultados da avaliação dos investi- mentos no Exterior. 7º dos Trata- dos contra a Dupla Tributação firmados entre o Brasil e a Bélgica (Decreto nº 72. 74 da MP 2. 9. isto é.882/RJ. 25. na proporção de sua participação acionária. qual seja.211. as contra- partidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controla- das. de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. seja no tocante à ilegalidade da tributação da parcela desse resultado imputável a outras variações patrimoniais. seja no que concerne à legalidade da tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial propriamente dito.249/1995 que a tributação. refere-se apenas aos lucros auferidos por controladas. ainda. lucros esses que serão adi- cionados ao lucro líquido da controladora. 23 do Decreto-Lei nº 1. sem prejuízo do disposto nos § 1º. a pretexto de regulamentar o regime de tributação consagrados no art. com a redação dada pelo art. continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente. Assim. Sustenta extrair-se da leitura do art. pelo método da equivalência patrimonial. elegendo uma nova hipótese de incidência e. a Dinamarca (Decreto nº 75. no Exterior. no Brasil. para apuração do lucro real (art. o art. Todavia. 12. 25 da Lei nº 9. 25 da Lei . ademais.249/1995 c/c o art. o real e verdadeiro objeto da tributação pela legislação ordinária – art. por conseguinte.

se- gundo a qual os lucros não distribuídos de uma sociedade anônima de um Esta- do Contratante cujo capital pertencer ou for controlado.. arrogando-se a Autoridade Tributária Brasileira uma competência tributá- ria cumulativa. pois pretende atingir.158-34/2001... resultando inequívoco. inclusive. ... que estabeleceu que esses lucros seriam conside- rados disponíveis.. 74 da MP 2. Aduz que a lei brasileira abandonou o critério da territorialidade...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.... 13.. 74 da MP 2. portanto.. por um ou mais residentes de outro Estado Contratante não são tributáveis no último Estado. 16..158-35/2001 – é o lucro da controlada no Exterior.. a totalidade do lucro das sociedades controladas ou coligadas no Exterior... aplicável à controlada domiciliada naquele País.... na forma do dis- posto no art.... determinando. segundo sustenta.. 25 da Lei nº 9... quando cumulado com o art. 81 nº 9. 14... 25 da Lei nº 9.. como regra geral. mostra-se irrelevante.249/1995 adotaram um método aditivo.. 15.. 23. o art. os §§ 2º e 3º do art. independente da natureza dos rendimentos que o integram e do nível de tributação do país ou território de seu domicílio. Esclarece que o Tratado firmado com a Dinamarca possui disposição específica (art.. A legislação pátria.. total ou parcialmente. quando o tratado é expresso em atribuir ao Estado de domicílio da controlada ou coligada no Exterior uma competência tributária exclusiva. Sustenta a prevalência dos Tratados Internacionais. distanciou-se... dos lucros próprios da sociedade controlada domiciliada em outro Estado contra- tante.249/1995. não pode a referida legislação ser considerada uma verdadeira norma CFC.. com a tributação dos lucros do Exterior.. resultando em ofensa ao princípio da proporcionalidade. dada a inadequação e a desnecessidade dos meios adequados para atingir os fins por- ventura visados..249/1995 c/c o art. para efeitos de determinação do lucro real desta última.... numa primeira fase..... 98 do CTN. citando acórdãos desta Corte e do Supremo Tribunal Federal onde a questão foi apreciada. contribuinte de um Estado...... infringe o art.. por isso. das legislações denomina- das de CFC – Controlled Foreign Corporation de caráter excepcional e finali- dade antielisiva. que o objeto da tributação é o lucro da empre- sa estrangeira. se- gundo o qual se tributavam apenas os lucros obtidos de operações no território nacional.. a apuração do lucro da sociedade estrangeira e.. adicionado ao lucro da empresa brasileira..... O fato de o método da equivalência patrimonial ter sido escolhido pela Administração como mera técnica para efetuar a referida adição. e portanto sujeitos ao IRPJ e à CSLL. direta ou indiretamente.. na fase seguinte.. na data do balanço no qual tiverem sido apurados. acrescenta... § 5º). 17... Todavia.. diretamente ou através de empresas controladas ou coligada. sua adição ao lucro líquido da sociedade brasileira.... VII dos Tratados Internacionais Tributários contra a Bitributação ao determinar a adição à base de cálculo do imposto da sociedade brasileira. para adotar o princípio da universalidade. isso porque..

liminar que fica automaticamente restabelecida. apenas explicitou a determinação contida no art. A União. mas apenas aquele decorrente da variação cambial. sustenta ser da essência do efeito suspensivo do recurso de apelação contra sentença denegatória de mandado de segurança a sustação de sua eficácia. no ponto. 23. que é igual ao resultado positivo de avaliações de investimentos no Exterior. por ocasião do julgamento do REsp 1. pro- duzindo efeitos até o julgamento da Apelação. exatamente como fez o acórdão recorrido. 43 e parágrafos do CTN. não se deu apenas na função de auxílio.882/RJ. em contrarrazões. confor- me já definido pelo STF. inexistindo interesse recursal.82 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 18. a recorrente. ainda.404/1976. 25 e parágrafos da Lei nº 9. Aduz que a Instrução Normativa nº 213/2002 não inovou no mundo jurídico.158-35/2001. 74 da MP 2. inicialmente. destaca. 19.249/1995 e do art. Insurge-se. 22. No ponto. 248 da Lei nº 6. deve- rá. indepen- dente da efetiva aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros obtidos por sociedades controladas e/ou coligadas no Exterior de pessoas jurí- dicas domiciliadas no Brasil. alerta não ter sido compro- vada a divergência jurisprudencial nos moldes exigidos pelo CPC e pelo RISTJ. apurada pelo método da equivalência patrimonial. afirmando que a convocação do Juiz Federal Relator. não resultou no restabelecimento da liminar que fora. a contrapartida do ajuste do valor do investimento no Exterior. ser computada na determi- nação do lucro real das pessoas jurídicas controladas e coligadas no Brasil. Ressalta que a parcela referente à variação cambial já foi excluída da tributação pelo TRF da 2ª Região. . do art. em con- trolada ou coligada. Alega que esta Corte. 21. Contradiz a preliminar de nulidade dos acórdãos. 74 da MP 2. sujeitando-se à incidência de IRPJ e CSLL.249/1995. 25 da Lei nº 9. nos termos do art. por simples despacho de mero expediente. notadamente quanto à cassação ou revogação da medida liminar anteriormente concedida. Logo. Cita jurisprudência em abono de sua tese. 20. quanto ao entendimento de que o recebimento do seu recurso de Apelação nos efeitos devolutivo e suspensivo. sustentando inexistir ofensa ao princípio do Juiz Natural em razão da composição da Turma Julgadora. considerou vedada a tributação não sobre todo e qualquer acréscimo decorrente do resultado po- sitivo da equivalência patrimonial. a ausência de pre- questionamento da questão relativa à incompatibilidade do regime de tributa- ção impugnado com os Tratados Internacionais celebrados pelo Brasil com a Bélgica. a Dinamarca e Principado de Luxemburgo.158/35- 2001 e no art. que se reportam expressamente ao mé- todo de equivalência patrimonial estabelecido no art. Relator o Ministro Mauro Campbell Marques.211. expressamente revogada por sentença denegatória de se- gurança. 24. ao contrário do afirmado nas razões recur- sais. Defende a legalidade do regime de tributação automática.

entendendo pos- sível ao Fisco lançar e cobrar os débitos tributários aqui discutidos.. 30... 28.158-34/2001 possui. EM SEDE DE EMBARGOS. 74 da MP 2... Argumenta que a legislação pátria não viola os acordos internacionais celebrados com os Países de domicílio das controladas da empresa recorrente....648/1978 E 2º DA LEI Nº 7.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. pelo desprovimento do Recurso Especial.... ao contrário do que afirma a empresa recorrente. QUE DEVE SER REMETIDA PARA AS VIAS ORDINÁRIAS.... DO DL 1.....598/1977. 25 da Lei nº 9. consoante previsto no art.. 118 DA LC 35/1979 (LOMAN). Acrescenta que. em parecer subscrito pela ilustre Subprocuradora-Geral da República Darcy Santana Vitobello.... 94 E 98 DA CF – COMPETÊNCIA DO STF – ART. que... na exata forma preconizada nos arts... 14 e 15 da IN/SRF 213/2002.. Os presentes autos me foram distribuídos por prevenção..... mas o lucro auferido no Exterior por empresa brasileira.. A Vale S/A também interpôs Recurso Extraordinário... ambos admiti- dos pela Vice-Presidência do TRF da 2ª Região (fls. 5º. em Parecer com a seguinte ementa: IRPJ E CSLL – LUCROS ORIUNDOS DE INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS NO EXTERIOR – ARTS... LV E § 2º.. 956/959). PARÁGRAFO ÚNICO.. pois o art. Defende a perda do efeito da liminar com a superveniência da sen- tença denegatória... manifestou-se pelo parcial conhecimento e.... 7 da Convenção Modelo da OCDE. 74 da Medida Provisória nº 2. nos termos da seguinte ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM MEDIDA CAUTELAR – CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL COM EXAME DE ADMISSIBILIDADE PEN- DENTE – PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – IRPJ E CSLL – SOCIEDADE CONTROLADA OU COLIGADA AINDA COM FILIAL NO EXTERIOR – INCERTEZA QUANTO À POSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS ATRIBUÍDOS À EMPRESA NACIONAL – QUESTÃO DE ALTA RELE- VÂNCIA JURÍDICA E ECONÔMICA...249/1995 E 74 DA MP 2..... porquanto votei vencedor nos autos da MC 18. sim.. 29. 23.249/1995 não cuidam de tributar o lucro auferido por empre- sa estrangeira do Brasil. cuja tributação está regulamentada pela legislação interna brasileira... em conjunto com o art. nos termos da Súmula nº 405 do STF...689/1988 – FALTA DE PREQUESTIONAMENTO – DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONS- TRADO – ARTS.158/2002 – MODIFI- CAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA NORMA TRIBUTÁRIA – PRECEDENTES . para indeferi-la. 93.... 26. COM O PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. 25 DA LEI Nº 9... 27. o art.. III.919/RJ... natureza antielisiva. LIII. 83 25... e foi inspirado na chamada Controlled Foreign Corporation – CPC legislation. DESTRAMAR-SE TODO O PROBLEMA JURÍDICO QUE ENVOLVE A QUESTÃO – AGRAVO RE- GIMENTAL PROVIDO – MEDIDA CAUTELAR INDEFERIDA.. Determinei a ouvida do MPF. 1º. IV DO DL 1. 43 do CTN e o art. nessa extensão.158-35/2001. ONDE HAVERÁ OPORTUNIDADE PARA.. ressaltando que na apura- ção do lucro real da investidora domiciliada no Brasil são sempre realizados os ajustes necessários para evitar a bitributação..

CTN – TRATADOS INTERNACIONAIS – IMPEDIMENTO DE BITRIBUTAÇÃO DOS LUCROS DA CONTROLADA – SUJEITO PASSIVO DAS EXAÇÕES – CONTROLADORA BRASILEIRA – INAPLICABILIDADE – PELO CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO E. Afasta-se a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora re- corridos. 74. É o que havia de relevante para relatar.085). EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. 2. 98. Súmulas nºs 282 e 356/STF. Rel. 3.207/SP. ou na composição da Turma Julgadora. do valor atribuído à demanda. inocorrência de ofensa ao Juiz Natural. CAPUT DA MP 2.106/1974) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO Nº 85.2012. NESSA EXTENSÃO. EM PARTE 1. DJe 03. A DINAMARCA (DECRETO Nº 75. Precedente: AgRg no AREsp. Castro Meira.08. além de ausência de prequestionamento. 1. Min. PARA CONCEDER A SEGURANÇA. ou por outro ele- mento extrajurídico.051/1980) – EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS – ART. PELO IM- PROVIMENTO (fls. VOTO RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM – APELAÇÃo – EFEITO APENAS DEVOLUTIVo – PRECEDENTE – NU- LIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL – NÃO PREQUESTIONAMENTo – SÚMULAS Nºs 282 E 356/STF – IRPJ E CSLL – LU- CROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA – PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO Nº 72. por mais avultada que seja. ou de dano irreparável ou de difícil reparação.542/1973). A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos. a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica . Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusivida- de. Precedentes desta Corte.84 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA DESSE E-STJ – ART. 31. por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos. 113. o Recurso de Ape- lação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo.157-35/2001 – DISPO- NIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS.

051/1980). em razão da sua especificidade.. impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento. sucur- sal ou filial). Inteligência do art. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno. ainda que uma norma seja editada..161. 98 do CTN.. conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto nº 72.. a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante.. 6... a que o Direito Internacional não confere abono...542/1973). para . disciplina que os lucros de uma empresa de um Es- tado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado.. dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora.. a Dinamarca (Decreto nº 75. Min. 5.06. 27)..... os princípios jurídicos gerais e constitucionais. 85 por ele regulada. 7.. Rel.. 4..... Precedente: (REsp 1. O art..... que abarca não apenas a norma regulatória edita- da pelo órgão competente. os históricos e os operacionais... 8.. por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência... a sua efetividade dependerá de harmonizar-se com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa. mas sobretudo da singularidade dos seus princípios. a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicioná-los ao lucro da empresa contro- ladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boa-fé na relações exteriores. in- clusive pelo Brasil..467-RS..... 74 da MP 2....... O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário.. No caso de empresa controlada. nos termos dos Tratados Interna- cionais...... dentre outras. adere-se a esse entendimento.106/1974) e o Principado de Luxemburgo (Decreto nº 85.2012). Castro Meira. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais. DJe 01.158-35/2001...... o afazer judicial se confundi- ria com as atividades administrativas fiscais....... inclusive os ideológicos.... os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tribu- tados somente no País do seu domicílio. ademais....... os sociais. em reverência ao princípio basilar da boa-fé. as ilustrações doutriná- rias e as lições da jurisprudência dos Tribunais. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. sem cuja perfeita absorção e efetivação..

os lucros apurados por Brasamerican Limited. na determinação do lucro real. 7º. analisando-se a legislação complementar ao art. 10. Antes de proferir o meu voto. deles não fazendo parte o resul- tado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. de atores altamente empenhados na defesa de suas correspondentes posições. com efeito. 25 da Lei nº 9.86 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Ber- mudas. País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE.158-35/2001) a qual objetivou regular. impondo-lhes. certas objeções que produzem a sua distância dos patri- mônios privados – ora regulando e disciplinando. as lides tributárias sempre tiveram – e por certo continuarão a ter – a participação veemente e mesmo aguerrida. domiciliada nas Bermudas.158-35/2001. das contra- partidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangei- ras controladas. por mais expressivo que seja. em favor dos contribuintes. isto é. pelo método da equivalência patrimonial. estão sujeitos ao art. tem a função precípua de domar o exercício das pretensões fiscais estatais. 1. devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. ora limitando e controlando o seu desempenho – por isso que as iniciativas da arrecadação são submetidas a rigorosos padrões de legitimidade. em respeito ao art. para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as em- presas controladas sediadas na Bélgica. 23 do DL 1. 9.598/1977. § 1º da IN/SRF 213/2002 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa. que em nada foi alterado quanto à não inclusão. 74. atribuído à demanda.158-35/2001. sejam tributados apenas nos seus territórios. constata- -se que o regime fiscal vigorante é o do art. caput da MP 2. quero ressaltar que a interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica (valor). O Direito Tributário.249/1995 e 74 da MP 2. Dinamarca e Luxemburgo. mas também – e talvez mesmo sobretudo – pelas altas singularidades dos seus princípios. 74 da MP 2. como se diz. Ante o exposto. dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior. no esforço constante e perdurável de mantê- -las naquela posição de distância. ramo nobre do Direito Público. conheço do recurso e dou-lhe parcial provi- mento. 2. concedendo em parte a ordem de segurança postulada. . O art. a especi- ficidade hermenêutica do Direito Tributário não deriva das peculiaridades evi- dentes da matéria – tradicionalmente conflitiva – por ele regulada.

. Aliás. enfocando esse fenô- meno atual no domínio criminal.......... dentre outras. O poder estatal de arrecadar tributos – esse é um dos mais notáveis co- rolários juspublicísticos – tem por fonte exclusiva o amplo complexo do sistema tributário. a sua efetividade dependerá de harmonizar-se com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.... 6... os históricos e os operacionais. 4. pois o interesse privado. elaborando as formas de sua convivência.. nem mesmo a superação ou a obsolescência de certas normas tributárias poderá jus- tificar a quebra de garantias subjetivas.. postos na Constituição e no grande arcabouço do sistema jurídico. tutelado pela norma tributária.. mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento.... Pode-se prever que.. senão so- mente busca a luz dos seus lineamentos superiores... as garantias fundamentais dos contribuintes. se o exercício do poder de tributar não for imedia- tamente contido na sua expansão... mas não para ser tomada como base ou fundamento da decisão.. Também por isso – e esta é uma lição que diz respeito à formação revolucionária do Poder Judiciário.. é exatamente por isso que se diz – e com inteira razão – que a interpretação da legislação tributária não se embaraça na análise de detalhes miúdos ou nas refinadas e sofisticadas considerações operacionais. Sob essa perspectiva analítica – aliás a única compatível com a con- cepção constitucional do Estado Democrático – sequer se cogita de sacrificar aos altos interesses da arrecadação.. inclusive os ideológicos. a alegação da presença de interesse fis- cal relevante é certamente uma alegação a considerar.... eis como o Professor Fábio Roberto Dávila expressa essa preocupação garantista: ..... ainda que uma norma seja editada.... 87 3.. ou aos diligentes esforços dos seus gestores para inibir a evasão fiscal... os princípios jurídicos gerais e constitucionais.... não lhe fica atrás em ordem de relevância: o Direito Tributário harmoniza. as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais.. essas duas correntes antagônicas.... portanto..... assim..... a respeito de cuja legitimidade é convocado a expressar um juízo dotado de definitividade. em breve – muito em breve – muitos haverão de lamentar que os critérios da utilidade e da conveniência terão substituído as avaliações consequencialistas das condutas injurídicas... isento das injunções executivas e parlamen- tares. 5. 7. como também a alegação de ser urgente a consecução de certos objetivos fiscais justificará aquela quebra. tornando irreversível a tendência de realizar-se a arrecadação a qualquer custo...... que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão com- petente.. na expressão consagrada pelo Barão de Montesquieu (1689-1755) – o órgão judicial que aprecia e resolve as grandes questões de Direito Tributário deve ser completamente externo e de todo estranho à estrutura administrativa da Fiscalização e da Arrecadação de Tributos. nos moldes mais equilibrados que esse conflito permite. e nunca ou jamais uma extensão ou um instrumento daquelas pretensões fiscais. os sociais..

a do Juiz Natural. 59 da Carta Magna. p. 10. mas à própria existência do Estado de Direito. porém. as normas que devem reger a sua própria interpretação. Cumpre. por dizer respeito a uma das garantias ne- vrálgicas do devido processo jurídico. bem como aos conceitos básicos do sistema tributário. 8.88 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Se os objetivos tidos como relevantes pelo Estado. assim. sob as quais a questão jurídica posta neste recur- so pode ser enfrentada e decidida: (a) sob o enfoque da natureza dos Tratados Internacionais Tributários. em nada teria de fracasso. E que nessa medida. tal qual se faz nas divergências entre estas. qual seja. mas de êxito (Ofensividade em Direito Penal. neste caso. inclusive a sua inserção (ou não) dentre as espécies normativas do ordenamento jurídico nacio- nal. mas apenas como cenário do desenvolvimento do raciocínio que se segue. Dito isso. 32). colocando em xeque o êxito na obtenção de tais fins. 2009. bem como o emprego da metodologia tradicional para se resolver os eventuais conflitos entre eles (os Tratados) e elas (as demais nor- mas). por suposta irregularidade decorrente da participação de Juiz Federal na composição da Turma Julgadora. inclusive a preservação dos Tratados Internacionais. como se sabe. o conceito de renda tributável. essenciais à compreensão de sua inteireza positiva (essa expressão é do Professor Pinto Ferreira) são ministrados no seu próprio texto. como o paradigmático caso do combate ao terror. ao perceber que mesmo o eficientismo mais acerbado encon- tra barreiras axiológicas inultrapassáveis. valores que dão legitimidade não só ao seu agir. cabendo analisar a sua posição no quadro hierárquico das normas de que trata o art. passa-se à análise do caso em julgamento: observo que são duas as vertentes. não se leva a sério a possibilidade de existirem limites materiais intransponíveis à sua atuação. a cujo res- peito os doutrinadores esmeram reflexões eruditas e certeiras. que trazem. QUANTO AO MÉRITO DO PRESENTE RECURSO 9. preliminarmente. e (b) a sua consideração (dos Tratados Internacionais Tributários) do ponto de vista da sua relação com as demais normas do sistema. De existirem limites tão fortes que o fracasso diante do seu inimigo seja inevi- tável. Em síntese. certos conceitos. ambas relevantes. LAEL. afastar a alegação de nulidade dos doutos acórdãos regionais recorridos. Porto Alegre. o que é possível concluir é que o propósito de evitar eva- são fiscal não legitima a infração aos ditames das garantias subjetivas do con- tribuinte. em prol da manutenção de valores ainda mais preciosos. o . essa questão reveste-se de inegável importância. mas. neste caso. entram em conflito com a manutenção de direitos e garantias fundamentais.

. de modo permanente. Assim. Min.404/1976)... desde que se trate. no caso concreto.2013 e RE 597.078/GO... já firmou o entendimento no sentido de que a convocação de Juízes do primeiro grau de jurisdição para atuarem nos Tribunais não ofende o princípio do Juiz Natural.... reduzindo – e talvez até eliminando – o grande préstimo desse remédio heróico constitucional (AgRg no AREsp.. No que diz respeito à alegação da parte recorrente sobre os efeitos do recurso apelatório em Mandado de Segurança. 11. e. portanto.. esta Corte Superior.. ambas domiciliadas no Principado de Luxemburgo. diretamente ou através de outras controladas.... na defesa de seus interesses. legalmente conceituadas como aquela na qual a controladora..207/SP. a Vale S/A é con- troladora direta das sociedades Rio Doce Internacional S/A–RDI. 7º. pois – segundo diretivas assentes deste STJ – também essas questões (de ordem pública) se submetem à regra de ouro do prequestionamento. cabe ressaltar que esta Corte Superior de Justiça tem jurisprudência assente de que. domiciliada nas Bermudas.08. DJe 03. pelo art. Rel... Aliás. Ricardo Lewandowski. 113. indispensáveis algumas conside- rações: embora tanto a recorrente como a recorrida falem.. pois.. 14.. nem o eventual reconhecimento de se tratar de questão de ordem pública socorreria o arguente..... Min. § 2º da Lei nº 6. § 1º da IN 213/2002 e 25 da Lei nº 9.....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. 13... 89 tema não poderá ser cogitado. Min. domiciliada na Bélgica. de filiais ou dependências permanentes.. Jorge Mussi.. Pleno.. § 1º da IN/SRF 213/2002... é titular de direitos de sócio que lhe assegurem. 15.. deve-ser deixar bem claro..... ou de dano irreparável ou de difícil reparação.08. secundando orientação do colendo STF. da legalidade ou ilegalidade dos arts..249/1995 c/c o art. da Rio Doce Comércio Internacional. Castro Meira.133/RS. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (art.. indistintamente.. 74 da MP 2... 243... Quanto ao objeto específico do Recurso Especial. dos limites impostos pela própria Lei Federal a qual objetivou regular .. como neste caso. DJe de 05.158-35/2001 na tri- butação dos lucros de empresas coligadas ou controladas sediadas no exterior. 7º.. e não ressai dos autos a nulidade apontada.. DJe 01.. aliás. da Brasilux e da Brasamerican Limited.. não se trata. vê-se que a argu- mentação recursal centra-se em dois pontos: (a) a suposta extrapolação.04. Quanto ao mérito recursal em si.... a decisão a ser proferida neste julgamento engloba (apenas) a situação de sociedades controladas.2012).. Rel.. 12. porquanto não foi prequestionado nas instâncias precedentes. desde logo..2011)... de convocação precedida de au- torização legal (RHC 29. a eficácia da decisão dada no writ terminaria por absorver características clara- mente ordinarizantes. o recurso de Apelação contra sentença denegatória de ordem mandamental possui apenas o efeito devolutivo. salvo em casos excep- cionais de flagrante ilegalidade ou abusividade. que... da Brasamerican Limited... Rel. se assim não fosse.... ainda.. domiciliada na Dinamarca.

051/1980). a Dinamarca (Decreto nº 75. inclusive prevendo que o alcance dos termos e dos conceitos utilizados nos instrumentos normativos internacionais deve ser o acordado entre os Estados signatários. A argumentação a ser enfrentada por este Colegiado diz respeito à alegada incompatibilidade do regime de tributação de lucros de controla- das e coligadas da recorrente no Exterior. II da Lei nº 9. em tese. VII dos Tratados contra a Dupla Tributação firmados entre o Brasil e a Bélgica (Decreto nº 72.158-35/2001. a competência tributária exclusivamente ao Estado onde a empresa está domiciliada (critério territorial. previsto no art.158-34/2001). a assertiva é de existência de inovação e eleição de nova base de cálculo para o IRPJ e CSLL não previstas no art.249/1995 e no art. por- tanto. esses instrumentos normativos são uma forma jurídica de altíssima definição. 20.158-35/2001. quando elegeu como tributável o resultado positivo da equivalência patri- monial. O julgamento deste REsp centra-se no raciocínio jurídico da preva- lência (ou não) dos Tratados Internacionais Tributários. portanto.051/1980). 25. de generalizada aceitação nas relações internacionais. 18. 25 da Lei nº 9. ainda. sob a pena de. ao se apli- . Quanto à ilegalidade do art. e (b) a incompatibilidade do regime de tributação de lucros de contro- ladas da recorrente no Exterior com o art.90 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA (art. 17. em caso em que somente os lucros poderiam. essa é uma diretriz padronizada. sendo este o núcleo do meu voto. Deve-se ressaltar que o egrégio STJ orienta que a interpretação a ser dada aos Tratados Internacionais Tributários deve ser também a conferida no País com os quais esses instrumentos são celebrados. com o art. 16. segundo o qual os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado. a questão será apre- ciada ao final. a competência tributária exclusivamente ao Estado onde a empresa está domiciliada. VII dos Tratados Internacionais contra a Dupla Tributação. o Brasil e a Dinamarca (Decreto nº 75. § 1º da IN 213/02. Segundo essa diretriz (Modelo OCDE). calcados na boa-fé recíproca e na sua constância e. portanto. reservando.106/1974) e o Brasil e o Principado de Luxemburgo (Decreto nº 85. 25 da Lei nº 9.249/1995 e 74 da MP 2. qual seja.542/1973). na celebrada comitas gentium.542/1973). os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado. 19. 74 da MP 2. 74 da MP 2. 7º.249/1995 c/c o art. firmados entre o Brasil e a Bélgica (Decreto nº 72. todos eles seguindo o Modelo OCDE. bem como o fundamen- to de tal prevalência (se for o caso).106/1974) e o Prin- cipado de Luxemburgo (Decreto nº 85. que seguem o Modelo OCDE. em contraposição ao critério extraterrito- rial ou universal). ser tributados. o resultado positivo da equivalência patrimonial. § 2º. reservando-se.

..779/1999 – PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – ART. as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. 98 . situações e rela- ções jurídicas específicas.. mas não acarreta a revogação. 21. fato político contemporâneo que todos nós conhecemos e lastimamos.. Rel.. 22.. sob o regime comunista. Ocorre uma revogação funcional.. quanto às relações econômicas internacionais em bases coo- perativas. de tão trágicas e lamentáveis consequências – e os que são impelidos a esse isola- mento. O art. ainda que a normatiza- ção interna seja posterior à internacional. envolvendo determinadas pessoas. com certa impropriedade. que prioriza a supremacia das convenções externas sobre as domésticas.467-RS.. se alterar os significados das conven- ções e subverter o seu propósito.. A norma interna perde a sua aplicabilidade naquele caso especifico.. paraísos fiscais. Cabe.. VII E XXI – RENDIMENTOS AUFERIDOS POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À EMPRESA BRASILEIRA – PRETENSÃO DA FAZENDA NACIONAL DE TRIBU- TAR.......2012).. dentre outros mais.. 9. 8... VII DAS DUAS CONVENÇÕES – EQUI- VALÊNCIA A LUCRO OPERACIONAL – PREVALÊNCIA DAS CONVENÇÕES SOBRE O ART..06.. é o que se chama de regra da especialidade... eis o precedente: TRIBUTÁRIO – CONVENÇÕES INTERNACIONAIS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO – BRASIL-ALEMANHA E BRASIL-CANADÁ – ARTS... faz-se uma ressalva relevantíssima: essa orientação não se aplica... calcadas em tratados bilaterais – mas sem minimizar a importância dos blocos regionais e as relações multilaterais – rever-se o disposto no art.... 7. A antinomia supostamente existente entre a norma da convenção e o Direito Tributário Interno resolve-se pela regra da especialidade...... revogação ou derrogação da nor- ma interna pelo regramento internacional... 98 DO CTN – CORRETA INTERPRETAÇÃO [. propriamente. stricto sensu..].. não havendo.. Castro Meira. mas apenas suspensão de eficácia que atinge.... os chamados. o que torna as normas internas relativamente inaplicáveis àquelas situações previs- tas no tratado internacional..... como acontece com a República de Cuba.. Min.. da norma para as demais situações jurídicas a envolver elementos não relacionadas aos Es- tados contratantes (REsp 1. DJe 01.... NA FONTE. tão só. Contudo... mas não perde a sua existência ou validade em relação ao sistema normativo interno........ quando se trata de empresa sediada em Estado Contratante que implan- ta coligada ou controlada em território estrangeiro infenso a controles fiscais adequados. 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio lex specialis derrogat generalis.161... 7º DA LEI Nº 9. poderiam ser mencionados – apenas como digressão – os Estados que voluntariamente se isolam da Comunidade Internacional – cujo exemplo mo- derno mais conhecido é o da República da Albânia.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.... 91 car a literalidade da legislação brasileira. ao lado desses. A REMESSA DE RENDIMENTOS – CONCEITO DE LUCRO DA EMPRESA ESTRANGEIRA NO ART. na expressão cunhada por Heleno Tôrres...

pela noção de parceiros. O ilustre Ministro Gilmar Mendes. tudo isso num ambiente de refinamento di- plomático que beirava o esnobismo. financei- ras e empresariais entre os Países assumiu intensidade e dimensões que Hugo Grotius (1583-1645). em cotejo com a legislação tributária interna infraconstitucional devem prevale- cer. justamente considerado o Pai do Direito Internacional Pú- blico. 23. Mas já pertence ao passado – ao remoto passado dessas relações entre os Países – o tempo em que os assuntos centrais das Chancelarias era o credenciamento de Embaixadores e de Encarregados de Negócios. sobre a sua prevalência ou a existência de hierarquia entre esses instrumentos normativos de Direito Internacional Público e a legislação interna ou doméstica dos Estados Nacionais. obviamente. vê-se aqui a delicadeza da convivência entre essas duas ordens normativas. à luz do art. 2011. Porto Alegre.320/PR – que versa sobre tributação de residen- tes ou domiciliados no Exterior pelo IR. não obstante a norma tributária fale em revogação ou modificação da legislação interna. ainda. Outros doutrinadores apontam que os Tratados. 26. segundo o qual os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna. observa-se dos comentários a esse dispositivo. cuja supremidade não pode ser questionada. Convenções e Acor- dos Internacionais devem ser caracterizados como leis especiais. a diplomacia econômica – ou de resultados – foi inaugurada entre nós pelo Barão do Rio Branco (1845-1912). 881/887). pp. em voto proferido por ocasião do início do julgamento do RE 460. . e serão observados pela que lhes sobrevenha. que percebeu com notável antecipação histórica a afluência dos interesses comerciais como ponto de inflexão da modernidade diplomática. ressalta esse autor que. para se determinar o seu alcance e o sentido dessa disposição. as tratativas de fazer a guerra e celebrar a paz. 77 da Lei nº 8. 98 do CTN. apenas à Constituição. criando artificialismos e retóricas. o que efetivamente ocorreria seria a mera suspensão da eficácia da norma tributária nacional. editada com base na sua sobera- nia.383/1991 e do RIR 94 – ainda pendente de finalização. em face do pedido de vista do douto Ministro Dias Toffoli – afirmou que a orientação mais recente daquela Corte Suprema de Justiça é a de que as Convenções e os Acordos Internacionais. Uma primeira observação é a de que existe certa controvérsia dou- trinária sobre o alcance do art. LAEL. não poderia mesmo antever. que os escritores tributa- ristas não se acham em posição uniforme quanto ao lugar dos Tratados e Con- venções Internacionais dentro do ordenamento jurídico tributário. que poderá adquirir aptidão para pro- duzir efeitos se e quando o tratado for denunciado (Direito Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. existindo ace- so debate. 25. submetendo-se. com os punhos de renda dos diplomatas – e os seus discursos recheados de floreios e mesuras – em salões requintados. sobretudo quando o comércio internacional e as relações econômicas.92 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA do CTN. 24. como anota o Professor Leandro Paulsen. no qual se substitui a noção de aliados.

. o combate à dupla tributação internacional e à evasão fiscal internacional. tanto quanto possível. que a recepção do art. ainda que diante da legislação infra- constitucional.. 31........ a efetividade da cooperação internacional viabiliza a expansão – desejável expansão – das múltiplas operações transnacionais que impulsionam o desenvolvimento eco- nômico global. notadamente no que se refere ao Direito Tributário.. 28... estaria defasada com relação às exigências de cooperação... sociais e políticas entre as Nações... com o menor custo possível para a receita tributária de cada qual. como sujeito de Direito Público Externo. 27)... então. 30. esse é o ponto de vista do ilustre Professor Francisco Rezek. que o entendimento de predomínio dos Tratados Internacionais não vulneraria os dispositivos tidos por violados.. na medida em que permite às entidades federativas internas do Estado Brasileiro o descumprimen- to unilateral de acordo internacional.. pelas suas peculiaridades. 98 do CTN pela ordem constitucional independeria da desatualizada classificação em tratados- -contratos e tratados-leis.. com a participação de diplomatas e de funcionários das respectivas administrações tributárias. inclusive em sede estadual e municipal..2011.... 93 27... no âmbito tributário. ensinando que.. conflitaria com princípios internacionais fixados pela Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (art. o eminente Ministro pontuou que essa comple- xa cooperação internacional seria garantida essencialmente pelo pacta sunt servanda. finalmente.. e reiterou que a possibilidade de afastamento da incidência de normas internacionais tributárias por meio de legislação ordinária (treaty override).. boa-fé e estabilidade do atual panorama internacional. que envolve garantias fundamentais dos contribuintes e cujo descumprimento colocaria em risco os benefícios de cooperação cuidadosamente articulada no cenário inter- nacional. 29. nesse contexto. e contribui poderosamente para o estreitamento das relações cul- turais. não poderia assumir obrigações nem criar normas jurídicas internacionais à revelia da Constituição.. o Estado Constitucional Cooperativo reivindicaria a manutenção da boa-fé e da segu- rança dos compromissos internacionais.. observou. segun- do o qual uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado..... (Pleno do STF..... enfatizando que a República Federativa do Brasil...... de modo a conciliar interesses e a permitir que esse instrumento atinja os objetivos de cada Nação.. assinalando que....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. o douto Ministro Gilmar Mendes deixou consignado o rumo que deve seguir o intérprete dos Tratados Internacio- nais Tributários. demandando – como disse – ex- tenso e cuidadoso processo de negociação. E assim é – e deve ser – porque....... em 31.. esses pactos tocam em pontos sensíveis da soberania dos Estados.......... Nesse mesmo voto.. INF/STF 638). E concluiu. . Nesse didático voto que proferiu..08. Ainda reputou que a tese da legalidade ordinária..

a eficá- cia normativa dos Tratados. Diante dessa definição sistêmica e constitucional. Saraiva. de modo que nenhuma norma de conteúdo tributário que não ostente essa hierarquia (complementar) poderá ser admitida – salvo se explodindo o sistema – para regular matéria que a Carta Magna reservou ao trato dessa espécie normativa. sem dúvida possível. 98 do CTN traz a disposição que põe a eficácia dos Tratados Internacionais a salvo das alterações normativas inter- nas. o que importaria na afirmação – estranha afirmação – de quebra da soberania nacional e consequente abdicação dos poderes normativos nacionais. se assim não fosse – diga-se apenas para efeito de exposição – as regula- ções internacionais seriam categorizáveis assim: (i) seriam superiores à Carta Magna. 146. mas não às mutações . entre outros autores de nomeada. 103). no Direito Interno Brasileiro. portanto. o que reflete a necessidade de atribuir-lhes posição hierárquica superior às leis ordinárias – mas. significando isso que o legislador ordi- nário teria a potestade de alterar. por isso o art. infringindo a sua base de boa-fé e de reciprocidade de tratamento. as Medidas Provisórias. implementadas pela legislação comum ou ordinária. ou até mesmo eliminar. e as normas internas ordi- nárias (como as Leis Comuns. 1993. pois os seus lucros não seriam tributados nos seus Países de origem. ou (ii) seriam niveladas às leis ordinárias e. não se submetendo.). efeitos que não podem ser – nem de longe – sequer objeto de reflexão jurídica minimamente adequada à nossa ordem constitucional. aos seus ditames. modificáveis pela legislação interna comum. 35. como se vê. esse ponto de vista é sustentado. Cabe aqui fazer-se a distinção – imperiosa distinção – entre os atos da soberania (os Tratados Internacionais). p. Em ambas as hipóteses. mais uma vez – e certamente não será esta a última vez – que o sistema tributário brasileiro é essencialmente estruturado em for- mulações normativas de nível complementar.94 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 32. pelo Ministro Professor Francisco Resek (Direito Internacional Público. bem como privilegiando as empresas estrangeiras que tivessem controladas no Brasil. por isso que os tratadistas tributários internaciona- listas chamam a atenção para o respeito aos Tratados Internacionais Tributários. 34. São Paulo. a hierarquia de leis complementares. portanto. 33. Remarque-se. III. os Decretos. abaixo da Constituição – sendo urgente se vencer a concepção – tão arraigada concepção – de que a hermenêutica domés- tica da Administração Tributária possa preponderar sobre aqueles documentos fir- mados no foro externo pela soberania nacional. conclui-se que os Tratados e Convenções Internacionais em matéria tributária seguramente assi- milam. como se extrai diretamente do art. etc. anoto que. vali- damente editadas no País. ocorreria a perversão de pautas essenciais do sistema jurídico. firmados sob a boa-fé internacional e a reciprocidade de tratamento jurídico isonômico.

da Universidade Fede- ral do Ceará..... não obstante o constante empenho da International Chamber of Commerce... com uma liberdade absoluta.... 36.. diga-se desde logo. por anos e anos. Tradução de Marco Aurélio Greco. deliberações em matéria fiscal por votação unânime.. do direito de um Estado fazer valer. é firmar os limites do exercício da jurisdição brasileira: neste papel deve ser observado pela legislação interna. se os Tratados Internacionais em geral podem ser alterados por leis ordinárias que lhes são posteriores... que apena atua dentro de tais limites (exercício da jurisdição brasileira).. 2013. assim se manifesta o Professor Hugo de Brito Machado. ainda que mínimo: a única concessão. 98)... no Exterior. anotando que. em princípio... O Professor Luís Eduardo Schoueri chama a atenção para a exata compreensão que se deve ter do art. ainda existem sinais evidentes desta herança histórica.... assim expressa essa persistente preocupação: O grande obstáculo à evolução do Direito Tributário Internacional é constituído essencialmente pela resistência política. em grande parte.. 95 constitucionais... e assim este especialista arre- mata a sua lição: Os Tratados Internacionais e a lei interna pertencem a ordens jurídicas distintas (a internacional e a nacional. não o podem. quase de ciúmes.. de plano. superiores aos Tratados Internacionais. 98 do CTN... São Paulo: Saraiva.. dos Estados-nações – de origem no século XIX. no entanto.. por exemplo. 2012. respectivamente)... São Paulo: Dialética. Hoje. entendendo-se não subsistir nenhum limite de Direito Internacional. ou a previsão da necessidade de assumir.. 37.. até mesmo de sobrepor outros ordenamentos. os tratados em matéria tributária visam a delimitar os contornos nos quais se admitirá que o legislador tributário doméstico atue (Direi- to tributário. com a ex- clusão.. compromisso quanto até onde vai sua jurisdição. a preocu- pação com a prevalência e a eficácia normativa dos Tratados Internacionais Tri- butários. p. os Tratados Internacionais Tributários: .. por parte do Conselho da União Européia.. ou de uma Corte Independente para as controvérsias internacionais. pois estas serão..... como em todas as outras matérias (Manual de Direito Tributário Internacional.... Com a lucidez que caracteriza os seus pronunciamentos doutrinários.. desconhece um Direito Internacional Tributário. ou a resistência à previsão de procedimentos arbitrais).. entre os escritores tributaristas mais notáveis. foi o reconhecimento do costume de excluir da tributação os representantes diplomáticos de outros Estados. É constante.. sempre.. na comunidade internacional. Por meio de Tratados Internacio- nais..... da Universidade de Roma........ 38.... o Professor Victor Uckmar. um dos mais eminentes doutrinadores nesse seara. p. 22). o País firma. ao invés de maioria de votos.. anotando que a função do Tra- tado.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA... o próprio cré- dito tributário (ainda não lançado mediante um due process of Law e seja um tributo com características universalmente reconhecidas. como o Imposto sobre a Renda. Portanto. Isto também influenciou a doutrina que.... mas que ainda hoje não foi totalmente desmante- lada – de considerar a tributação um atributo essencial da soberania..

A globalização do intercâmbio negocial e empresarial. A Ministra do STJ e Professora Regina Helena Costa chama a atenção para a importância dos Tratados Internacionais Tributários que limitam o poder de tributar.96 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Em matéria tributária. como aquelas que originam as Leis Complementares em nosso sistema jurídico. São Paulo: Malheiros. no que é seguida pela Professora Betina Treiger Grupenmacher (Tratados Internacionais em Matéria Tributária e Ordem Interna. mesmo em face da orientação jurisprudencial da Corte Maior. Alterando. tende a se expandir em ondas sucessivas e crescentes. ora filiais. porém. evitando a bitributação. controladas ou coligadas – como neste caso – é um fenômeno relevantíssimo e irreversível no mundo contemporâneo e. É nesse contexto que se deve entender a afirmação de que o vene- rando acórdão recorrido interpretou as regras dos citados Tratados Internacio- nais Tributários fora da sua respectiva especificidade normativa. Sob tal perspectiva. o País perde a credibilidade (op. alínea a da Carta Magna. por outro lado. em matéria tributária. como se fossem normas de hierarquia ordinária. ora empresas subsidiárias. salvo previsões extremamente pessimistas do desen- volvimento do cenário internacional. por lei interna. 43. p. com a atua- ção de grandes conglomerados de empresas em vários mercados concorrentes. p. aportes e trocas de . 1999. a lei ou a norma tributária direcionada a regu- lar situação específica só estará legitimada a produzir efeitos a partir de sua conformidade e harmonia com o amplo arcabouço ideológico que informa os preceitos e os princípios constitucionais. 98 do CTN e atraindo a função uniformizadora desta Corte Superior. 94). assim dissentindo do quanto dispõe o art. bem como o de que não haverá dupla incidência tributária sobre um mesmo fato gerador. para prevalecer sobre ele. 39. 86). 105. que devem presidir também as relações internacionais. São Paulo: Dialética.. tem-se a clara noção de que esse intercâmbio e o investimento em mercados alienígenas são francamente favoráveis ao interesse nacional. a teor do art. a alteração. pois possibilitam a atração de fontes externas de investimento. 42. de um Tratado Internacional. relativa à matéria infraconstitucional. p. 40. dentre eles – como se sabe – o relati- vo à hierarquia intrassistêmica. 2012. Hoje. aqui entendida como a exigência de que uma determinada regra tributária seja veiculada por meio de processo legislativo es- pecífico. observando que a relevância do tema ex- surge do fato de que o efeito mais danoso da pluritributação é a não observân- cia do princípio da capacidade contributiva (Curso de Direito Tributário. 2012. cit. tem-se de considerar o disposto no art. p. terá de ser uma lei complementar (Curso de Direito Tributário. isto é. por lei interna. ora por meio de sucursais. 98 do CTN. não tem apoio nos princípios da moralidade. regras de Tratado Internacional. III. 170). São Paulo: Saraiva. 44. E acrescenta que. 41. 87). de sorte que a lei posterior ao Tratado.

tributáveis em um ou no outro mercado..... 48. 49.. .. com outras controladoras interna- cionais de outros Países e. ainda.... que não estão sendo objeto de análise..... mas sempre se tendo em vista que tais relações internacionais se desenvolvam em clima de regularidade operacional. minimizar a temível e abominável elisão fiscal.... sem dúvida. nos foros internacio- nais.. já que muitas Nações adotam uma política extremamente favorecida para a aplicação de capitais estrangeiros.. ainda que induvidosamente legítimos. no plano econômico. é preciso considerar que a dupla tributação de empresas controladoras brasileiras e as suas controladas no Exterior pode gerar o indese- jável efeito de.. vertidos em Tratados Internacionais Tributários.. já mencionado aqui mais de uma vez. as sub-reptícias e as escusas... por isso que se firmou... em princípio.. em termos concorrenciais. devem ser objeto dos Tratados e Convenções de cooperação internacional contra a criminalidade econômico-financeira – casos de Justiça Criminal – e não da regulação honesta das relações tributárias. sem in- terferir na competitividade das empresas nacionais e de suas controladas ou coligadas no Exterior.. mas também para se evitar a indesejável dupla tributação........RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA... objetivando.. 45.. as legislações chamadas de Controlled Foreign Corporation Legislation (CFC)... ampliação de mercados e atualização de mão-de-obra e recursos humanos..... todavia. considerando a necessidade de manutenção da boa-fé e da segurança internacionais em matéria tributária. esses macro- -objetivos não ficarão – ao meu ver – subordinados a critérios fiscalistas. a longo prazo. o Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE – Or- ganização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. 47. Dentro desse panorama de atuação de empresas em múltiplos mer- cados é que surgiu a necessidade de regulação da tributação. evitar a dupla tributação.. o natural embate pela conquista de mercados.. tendo-se presente a supremacia desses objeti- vos nacionais.. Os Tratados e Acordos Internacionais Tributários também prolife- raram.. porquanto a atuação em diferentes Países passou a ser uti- lizada como forma de escamotear rendimentos. além de outros benefícios que geram riquezas internas.. não só para se evitar a sonegação. em grande medida. diminuir drasticamente a competiti- vidade e os benefícios que esse tipo de empreendimento pode acarretar para o desenvolvimento do Brasil... pois esta. 97 tecnologia. leis especiais cujo principal objetivo é. Importante destacar a legitimidade das pretensões arrecadatórias do Fisco Nacional em vista do crescimento da atividade internacional de empresas nacionais. Surgiram....... dificulta a concorrência internacional para todas as Nações envolvidas.. neste julgamento)..... muitas vezes chegando até mesmo a suprimir qualquer tributação (são os já aludidos paraísos fiscais... prejudicar. ressaltando-se que as transações que se realizam às escondidas. Mas volto a dizer que essa nova realidade globalizante acarretou outro sério problema..... 46..

com a tributação dos lucros e rendimentos obtidos no Exterior por meio de empresas coligadas e controladas. bastante para compor o fato gerador do IRPJ/CSSL da controladora brasileira. que aceitou que a apuração de lucros na empresa coligada ou controlada no Exterior seria. 74 – considerando disponíveis esses lucros. no momento em que constavam das de- monstrações financeiras das controladas e coligadas operantes do Exterior. Nesse sentido é que evoluiu a legislação brasileira. naquele julgamento do STF. 52. Marco Aurélio e Celso de Mello. por si só.2013). recentemente. ante a prática do diferimento in- definido da distribuição dos lucros para se evitar a tributação. pelo STF.090/SC. implantado para coligadas e controladas no Exterior pela referida MP não trouxe ofensa ao conceito de renda que se pode extrair da Constituição Federal ou ao sentido de sua disponibilidade. e sublinho que essa orientação é a que já fora fixada em julgamentos outros. que passou do regime de tributação territorial (quando não se tributavam rendimentos e lucros obtidos no Exterior. recusando o lucro ficto e exigindo o ingresso do resultado econômico positivo na efetiva disponibilidade (econômica) da empresa controladora. o colendo STF entendeu que a adoção do regime de competência.04. para o de tributação de lucros em base mundial (Lei nº 9. sujeitos ao IRPJ e à CSLL no Brasil.506/1964).158-35/2001 – com destaque para o seu art. 55. assevero que não desconheço que. é que surgiu a ora analisada MP 2. 63 da Lei nº 4.532/1997). Inicialmente. entendidas e compreendidas como garantias dos contribuintes. cuja linha de raciocínio estabeleceu-se em contraponto àquela que admitiu a tribu- tação em causa. posicionaram a questão em apreço em toda a sua relevante complexidade. cujo acórdão ainda não foi publicado. por ocasião do julgamento do RE 541. julgamento concluído em 10. segundo essa orientação. por meio da chamada equivalência patrimonial. Mas esse julgamento supremo.249/1995). . que previu a sua aplicação retroativa (Relator para o acórdão o ilustre Ministro Teori Zavascki. Destarte. e portanto. 53. Deixo consignado que os doutos votos vencidos. 54. posteriormente. contou com quatro eruditos votos vencidos. 74 da MP 2. do que é exemplar o art.158-35/2001 relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sedia- da em País que não tem tratamento fiscal favorecido – eufemismo de paraísos fiscais – acoimando-se de inconstitucional apenas o seu parágrafo único. em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Ricardo Lewandowski. ficou reconhecida a constitucionalidade da aplicação do caput do art. para o fim de incidência tributária. 51. expendidos pelos doutos Ministros Joaquim Barbosa. mas sem desconstruir os limites da atividade fiscal. todavia. consideravam-se tributáveis pelo IRPJ brasileiro os lu- cros de controladas e coligadas no Exterior apenas a partir do momento em que eram repatriados ou empregados em benefício da empresa acionista brasileira (Lei nº 9. Apenas a título de esclarecimento.98 R�����������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 50. sediada no território nacional.

em que igualmente se discutia a constitucionalidade da MP 2. o ilustre Rela- tor.. ao mesmo tempo em que o contribuinte não pode dolosamente ocultar os fatos jurídicos que geram as obrigações tributárias... para que se tenha como ocorrido o fato gerador do tri- buto..... crie ficticiamente hipótese de incidência tributária.. [. imotivadamente.... de fato.. é incorreta a utilização do MEP para suprir essa dissociação entre o marco escolhido para tributação e a disponibilidade jurídica da renda proveniente dos lucros distribuídos... E. A boa-fé do contribuinte é a contrapartida do devido processo legal para a autoridade fiscal. diante das dificuldades de fiscalização. eis o que disse o acatado Ministro. Em síntese.. isto é. nada tem de pertinente com o atendimento dos requisitos legais ou com a deliberação da empresa acerca da destinação a ser dada aos lucros. deve-se exigir que estejam presentes todos os elementos que caracterizam a disponibilidade jurídica – já que a disponibilidade econômica fora subestima- da – para que se consolide a hipótese de incidência do IRPJ/CSSL.. [.. ao meu sentir.... A disponibilidade jurídica se caracteriza pela presença de todos os elementos do ato ou do negócio jurídico que motivará a transferência dos valores.. salientando não ser admissível que a Autoridade Fiscal presuma a má-fé do contribuinte ou....588/DF.. mas cuja solução abarcou apenas as empresas coligadas e controladas sediadas em paraísos fiscais.... no último dia de cada ano civil.. A utilização do MEP à avaliação do quadro patrimonial da empresa é insuficiente para afastar o requisito constitucional da disponibilidade jurídica da renda prove- niente da participação de lucros cuja expectativa é de futura distribuição... No julgamento da ADIn 2... 99 56. Embora o efetivo recebimento dos valores seja irrelevante para incidência do im- posto.].... [. é imprescindível que ocorra a disponibilidade jurídica. a autoridade fiscal não pode simplesmente presumir que o contribuinte esteja intencionalmente se es- quivando do pagamento do tributo.....158-34/2001. Segundo o sistema de legislação empresarial brasileiro..].].. o direito à participação nos lucros da pessoa jurídica depende do cumprimento de alguns requisitos le- gais..... Em conclusão........ O encerramento do exercício brasileiro... Ao meu sentir. enquadrou precisamente a questão...... os esforços intencionalmente fraudulentos para ocultar fatos jurídicos tributários......]... dentre eles a deliberação da empresa. no que interessa ao julgamento deste recurso: Entendo que a obsolescência da legislação tributária não pode ser invocada para proteger a evasão fiscal. Ministro Joaquim Barbosa.. 57.. ...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. não havendo como se criar uma ficção jurídica para o fim de considerar disponíveis recursos que não o são..... o término do ano civil para fins tributários não pode ser singela- mente considerado o momento no qual há a distribuição de lucros aos sócios ou aos acionistas.. [.

Países não incluídos – como se sabe – na lista da Receita Federal do Brasil como paraísos fiscais. sucursais ou contro- ladas.158-35/2001. segundo o qual os Tratados e as Convenções Interna- . II da Lei nº 9. quando em confronto com a legislação interna nacional. o art. tendo sido determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem. está tributando os lucros da empresa controlada no Exterior – e não apenas aqueles da empresa con- troladora – como quer fazer crer a Fazenda Nacional e. inexiste acordo celebrado. Na contramão desse dispositivo. 98.588/DF. para apuração do lucro real. Segundo a recorrente. III da Constituição). III. à discussão – importante discussão – sobre a constitucionalidade da referida norma legal (art. A questão de eventual ofensa aos Tratados Internacionais Tributários que vedam a bitributação. merecendo destaque o seguinte trecho do voto condutor do acórdão proferido para o REsp 1.161. 74 da MP 2. nem sobre a probabilidade de acréscimo patrimonial. relatado pelo ilustre Ministro Castro Meira.04. 146. de forma indireta.467/RS. a recorrente aponta ofensa aos arts. afirmando que o expediente adotado pela legislação interna. por sua vez. ainda não foi abordada – pelo menos expli- citamente – nos julgados do STF. em caso envolvendo tributação de serviço prestado por empresa estrangeira no Brasil: A CF/1988. o CTN dispôs sobre a hierarquia entre normas internas e internacionais no art. 60. a não ser que a empresa exer- ça sua atividade no outro Estado Contratante. seria vedado pelo art. 62. a Dinamarca (Decreto nº 75. J. VII do Modelo de Acordo Tri- butário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países.249/1995 c/c o art.158-35/2001). 25.542/1973). afirma que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse Estado. na proporção de sua participação. em razão de sua especialidade. nas Cortes Judiciais de origem. todavia. por- quanto a controvérsia restringiu-se. Quanto à controlada sediada nas Bermudas.249/1995 determina que os lucros auferidos por filiais.100 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Lembro que a Constituição permite a instituição de imposto sobre a renda e pro- ventos de qualquer natureza (art. não sobre a perspectiva de renda. No ponto. 61. no art. Em face deste man- damento constitucional. o citado inciso II do § 2º do art. § 2º.081/1980). (ADI 2.2013). tal expediente. 58. expressamente delega à lei complementar a compe- tência para dispor sobre normas gerais em matéria tributária. Reitero que esta Corte já teve oportunidade de se manifestar sobre a prevalência dos Tratados e Convenções Internacionais Tributários.106/1974) e o Principado de Lu- xemburgo (Decreto nº 85. inclusive pelo Brasil. em 10. de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real. 59. 74 da MP 2. no Exterior. precisamente para manifestar-se sobre esta questão. 153. mediante a adição ao lucro líquido da matriz ou controladora. 25 da Lei nº 9. por meio de um estabelecimento permanente ali situado. VII dos Tratados assinados pelo Brasil com a Bélgica (Decreto nº 72.

. mas do princípio da especialidade... 63. para considerar que os lucros auferidos por Brasamerican Limi- ted em Bermudas devem ser considerados disponibilizados para a controladora .... Repita-se que a sistemática adotada pela Fazenda Pública.. ape- nas. impedindo o legisla- dor ordinário de criar leis incompatíveis com o disposto nos textos dos Tratados Internacionais Tributários..... o art.....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. tendo em vista que o STF considerou constitucional a aplicação do caput do art.. em contraste com o disposto nas referidas Convenções Internacionais...... [.. tão só...2012). uma limitação de eficácia normativa que recai. não havendo. Assim.. fáticas ou jurídicas... a prevalência dos Tratados Internacionais Tributários decorre não do fato de serem normas internacionais. pessoas. é tão somente uma revogação funcional.. 74 da MP 2.... 98 do CTN deve ser interpretado à luz do princípio da especialida- de.. Para Heleno Torres. todavia. exclusivamente. a regra de tributação interna sem qualquer revogação ou derrogação... coisas ou situações. no que tange à controlada sediada nas Bermudas. A argumentação recursal em torno da incompatibilidade da legisla- ção infraconstitucional com os Tratados Internacionais voltou-se para as con- troladas sediadas em Países com os quais o Brasil mantém esses acordos contra a bitributação (Bélgica. a legis- lação interna que disponha em contrário.... O conceituado Professor assinala que a prevalência das normas internacionais decorre não da hierarquia normativa entre a Convenção e o Direito Interno. o dispositivo possui dupla função: a primeira de declarar a recepção das normas convencionais no sistema jurídico nacional e a segunda de fixar o princípio da prevalência das normas internacionais. propriamente..].158-35/2001... 65. ou seja.. no todo ou em parte.. como disse.. de adicio- nar o lucro obtido pela empresa controlada no Exterior para cômputo do lucro real da empresa controladora importa na tributação daquele mesmo lucro. mas apenas suspensão de eficácia que atinge.. Pelo meu entendimento.. outra alternativa não resta senão aderir a esse entendimento. Portanto.. Dinamarca e Luxemburgo). a solução envolve a análise da legislação nacional. mas não revoga ou derroga.06... e muito menos de qualquer relação hierár- quica... O que ocorre.. 64..... em plenitude. um mecanismo para evitar o concurso de pretensões impositivas entre os Estados Contratantes. e serão observados pela que lhes sobrevenha. vigora. 101 cionais revogam ou modificam a legislação tributária interna. as situações envolvendo os sujeitos e os elementos de estraneidade descritos na norma da convenção. sobre pessoas.. revogação ou derrogação da norma interna pelo regramento internacional. [. isto é.. Afirma que a norma internacional veicula.... somente após a distribuição dos lucros é que o patrimônio dos acionistas estaria sujeito à tributação. Nos demais casos.... relacio- nadas aos dois Estados Contratantes... explica.. mas de serem especiais em relação às normas internas (DJe 01.].. coisas ou situações não atreladas aos dois Estados Contratantes..

submetem-se ao art. 23 do DL 1.598/1977. Sr. na determi- nação do lucro real.325.249/1995 e 74 da MP 2. deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. como sustentado pela re- corrente. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Subprocuradora-Geral da República: Exma. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa. sujeitando-se à tributação no Brasil por ausência de acordo internacional nos moldes daqueles realizados com os demais Países acima mencionados. analisando-se a legislação complementar ao art. quanto à base de cálculo. que em nada foi alterado quanto à não inclusão.158-35/2001) a qual objetivou regular. Ministro: Benedito Gonçalves Presidente da Sessão: Exmo. CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA Número Registro: 2012/0110520-7 Processo Eletrônico REsp 1. domiciliada nas Bermudas.158-35/2001. sejam tributados apenas nos seus territórios. o art. Dinamarca e Luxem- burgo.158-35/2001. para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica. 25 da Lei nº 9. Darcy Santana Vitobello Secretária: Belª Bárbara Amorim Sousa Camuña AUTUAÇÃO Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce . constata-se que o regime fiscal vigorante é o do art. Sr. 74 da MP 2. das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas.11.11. para reformar o venerando Acórdão recorrido e conceder em parte a ordem de segurança postulada. conheço do recurso e dou-lhe parcial provimento. 67. 68. Nesse contexto. dos métodos resultados de avaliação dos investimentos no Exterior. 7º. Dra.102 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA na data do balanço no qual tiverem sido apurados. isto é. os lucros apurados por Brasame- rican Limited. Ante o exposto.2013 Relator: Exmo.2013 Julgado: 26. § 1º da IN/SRF 213/2002 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 74. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Impedido Exmo. Com efeito. pelo método da equivalência patrimonial. em respeito ao art.709/RJ Números Origem: 200351010029370 29370920034025101 Pauta: 26. Sra. Sr. 66. caput da MP 2.

. VOTO-VISTA Exmo.. CERTIDÃO Certifico que a egrégia Primeira Turma. Impedido o Sr.. impetrou mandado de segurança preventivo contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro.. pelo Ministério Público Federal.. denegou a segurança (e-STJ..... Ministro Ari Pargendler: Os autos dão conta de que Vale S/A.... O Tribunal Regional Federal da 2ª Região...158-34/2001 (e posteriores reedições) tal como regulados pela IN 213/2002” (e-STJ... 74 e parágrafo único da MP 2. Ministro Benedito Gonçalves. pediu vista o Sr... Ministro Ari Pargendler....... requerendo a concessão da ordem “no sentido de reconhecer à impetrante o seu direito líquido e certo de não estar sujeita à tributação pelo IRPJ e CSL na forma do art.. relator o Juiz Fernando Cesar Baptista de Mattos. Ministro Relator conhecendo parcialmente do recurso especial e........ Salete Maria Polita Maccalóz.. Dra. Sra.. 103 Advogado: Alberto Xavier e outro(s) Recorrido: Fazenda Nacional Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Assunto: Direito Tributário – Impostos – IRPJ/Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – Incidência sobre Lucro SUSTENTAÇÃO ORAL Dr........ nessa parte. A MMª Juíza Federal da 7ª Vara da Seção Judiciária do Rio de Janeiro.... Sr. 37).. proferiu a seguinte decisão: Após o voto do Sr. Dra.. 143/150)...... Eduardo Antônio Lucho Ferrão. fl.. ao apreciar o processo em epí- grafe na sessão realizada nesta data. Dr..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA... dando-lhe provimento para reformar o venerando acórdão recorri- do e conceder a ordem de segurança postulada e o voto divergente do Sr. fls. Darcy Santana Vitobello. negou provimento à apelação nos termos do acórdão assim ementado: . Minis- tro Sérgio Kukina conhecendo parcialmente do recurso especial e. pela parte Recorrida: Fazenda Nacional e a Exma.. Ministro Arnaldo Esteves Lima. Subprocuradora-Geral da República...... nessa parte. negando-lhe provimento.... Aguarda o Sr. pela parte Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce.. João Batista de Figueiredo. atual denominação da Companhia Vale do Rio Doce.

controladas tratamento idêntico ao que era dispensado às filiais e sucursais desde 1997. a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará a sua disponibilidade.158-34/2001 estender às empresas coligadas e. uma . Na sistemática da Lei nº 6.158-35/2001 e do § 2º do art. expresso no balanço. aperfeiçoado pela LO 104/2001. que permitiu à MP 2. de modo que não há como sustentar que a apuração de lucro na sociedade controlada tem reflexos imediatos no patrimônio da controladora. ressalta. a pessoa jurídica controladora adquire imediatamente a disponibili- dade econômica da renda que se incorpora em seu patrimônio.158- 34/2001 decorre da Lei Complementar nº 104/2001. III.588/DF. a disponibilidade jurídica da renda. cuja aplicação é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributa- das pela lucro real e que realizem tais espécies de investimento. do acréscimo patrimonial. A ADI 2. 43 do Código Tributário Nacional. 74 da MP remeter ao regulamento a forma como será executada a lei não acarreta violação ao princípio da legalidade. quanto ao TBU. 248. 2. 74. método contábil utilizado na apuração dos lucros dos investimentos relevantes de coligadas ou controladas.158-34/2001 E REEDIÇÕES 1. com a apuração dos lucros na sociedade controlada. estabelecer os critérios quanto ao que seja a disponibilidade do lucro e o momen- to em que pode ser considerada essa disponibilidade. Logo.104 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGA- DAS OU CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR – TRIBUTAÇÃO DOS RE- SULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL DE INVESTIMEN- TOS NO EXTERIOR – MP 2. acrescentando- -lhe valor. ainda. O voto vista proferido pelo Ministro Nelson Jobim: aponta a gênese legal do regime tri- butário criado pela MP 2. Adquire. 74 da MP 2. que dispõe: ‘os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado’.404/1976. O fundamento de validade da alteração introduzida pelo art. em. O fato de o art.158-35/2001 (que adota o regime contábil de compe- tência. 3. 6. e não o de caixa). julgamento no STF discute a inconstitucionalidade do art. uma vez que. 43 do CTN. na hipótese de receita ou rendimento oriun- dos do exterior. que acrescentou O § 2º ao art. estabelecendo que. o lucro da sociedade controlada já de- veria ser registrado no balanço patrimonial da sociedade controladora (art. de forma absolutamente legítima. em razão dos benefícios decorrentes da repercussão. historia a substituição da regra de cobrança do IRPJ do sistema territorial para o sistema de tributação em bases universais (TBU). a utilização no Brasil da regra de compensação do IR pago pela investida estrangeira. a lei pode. este último acrescentado pela LC 104/2000. pois terá título jurídico para pleitear e defender o direito relativo a essa renda. considera irrelevan- te a questão sobre o controle que a empresa brasileira exerça sobre estrangeira. para fins de incidência do imposto de renda. Não há qualquer ofensa ao conceito de aquisição de renda eleito pela legis- lação supratranscrita. caput e parágrafo único da MP 2. com relação à tributação. 4. no mercado. alínea a) chamado de método de equivalência patrimonial. Inexiste violação aos tratados internacionais para evitar a dupla tributação. que adotam como parâmetro a Convenção Modelo da OCDE. 5.

8.. para se declarar que os lucros obtidos por controladoras e coligadas brasileiras. referente à aplicação do art. 357/359).RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. no período de 1996 a 2001... 4. restou declarada a legalidade do art.. reconheceu-se a constitucionalidade do parágrafo único do art. da CF de 1988.. na forma como preconizada no referido dispositivo legal. 7º da IN/SRF nº 213/2002. Destarte.... consequentemente... também estão sujeitos à incidência de IRPJ e de CSLL.. versa sobre a possibilidade de o Estado Brasileiro tributar o lucro auferido ‘no exterior por empresa brasileira. Verificada a existência de omissões no acórdão embargado. 7º DA IN/SRF 213/2002 – APLICAÇÃO DO MÉTODO DA EQUIVA- LÊNCIA PATRIMONIAL (‘MEP’) – EXCLUSÃO DA VARIAÇÃO CAMBIAL – CONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ART.. os embargos de declaração se afiguram como via adequada para integração do julgado... de forma clara e objetiva. ou seja.. a variação cambial do valor do investimento no exterior. que ao dispor sobre o ‘resultado positivo da equivalência patrimonial’ limita-se aos lucros auferidos por controladora e coligada brasileira. acórdão embargado. a situação é diversa...... a e b. fls.158-35).. ora ratificada pela embargante. Mas não pode exigir imposto de renda sobre os resultados obtidos pela empresa controlada sediada no exterior... a questão.. 105 vez que esta hipótese trata da competência tributária exclusiva do Estado onde estiver sediada empresa controlada quanto aos resultados por ela produzidos. 98 do CTN são inaplicáveis ao caso.. excluindo-se.. Examinando o v... 150.. 7. Apelação conhecida e improvida” (e-STJ........ a União pode exigir o imposto de renda sobre os lucros que empresas brasileiras auferem no território nacional ou no exterior.158-35/2001 e o art... Vale dizer.. uma vez que aquele enfrentou.... consubstanciados no art. por intermédio de suas controladas e coligadas no exterior. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. 2..... a regra do tratado e o art.. III...... 25 da Lei nº 9.. Na hipótese dos autos. 74 da Medida Provisória nº 2.. que foram acolhidos em parte nos termos do acórdão assim ementado: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – TRIBUTÁRIO – EXISTÊNCIA DE OMISSÕES NO ACÓRDÃO EMBARGADO – TRIBUTAÇÃO DE LUCROS OBTIDOS NO EX- TERIOR POR CONTROLADORAS E COLIGADAS BRASILEIRAS – LEGALIDADE DO ART. por intermédio de suas controladas e coligadas no exterior. Ao se resolver a segunda omissão.249/1995. Sobrevieram embargos de declaração. VII. ainda que decorrente da aplicação do método da equivalência patrimonial (‘MEP’). em estrita confor- midade com o art...158-34/2001 (reeditada sob o nº 2.158-35/2001 – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ANTERIORIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁ- RIAS – INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO – INAPLICABILIDADE DE TRATA- DOS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO (CONVENÇÃO-MODELO OCDE) – FATOS NOVOS – INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILI- DADE DE IRPJ E CSLL 1.. por ausência de violação aos princípios constitucionais da anterioridade e irre- troatividade tributárias. Ao se sanar a primeira omissão........ dos tratados contra a . 3. não se verificou a existência de contra- dição. 74 da MP 2..

III.106 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA dupla tributação (Convenção-Modelo da OCDE). tal como regulamentados pelo art. 74 da MP 2. revogada por sentença denegatória de segurança (Súmula nº 405/STF). por simples despacho de mero ex- pediente. enquanto vigorarem os referidos dispositivos legais. Seguiu-se o presente recurso especial interposto por Vale S/A. sempre que as controladas ou coligadas estran- geiras – não importando a sua origem. dada a sua impertinência. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 (‘IN nº 213/2002). incidirá IRPJ e CSLL. da MP 2.249/1995 e no art. 74 da MP 2. também não tiveram o condão de alterar o resultado do julgamento. Embargos de declaração. providos apenas para sanar as omis- sões verificadas e prestar os necessários esclarecimentos. expressamente.249/1995 e pelo art.158-34/2001 (reedi- tada sob o nº 2. nos efeitos devolutivo e suspensivo. 5. referentes: (a) à ilegalidade do regime de tributação dos lucros de controladas e coligadas no exterior consagrado pelo art.158-35/2001) com o art.158-35). proferidas no curso deste processo judicial. 25 da Lei nº 9. 105. no art. eventualmente. 25 da Lei nº 9. 6. não se verificou a ocorrência de descumprimento pelo Fisco Federal de decisões em vigor. a. teriam direito. celebrados pelo Brasil com os países de domicílio de controladas.404/1976 –. interposto pela então embar- gante. Da mesma forma. Quanto aos fatos novos alegados. e (b) à incompatibilidade da legislação ordinária sobre a matéria (art. os lucros auferidos. 25 da Lei nº 9. 43 do CTN – resultarem em lucros para a controladora ou coligada brasileira. sendo que. . III. bem como do art. com fun- damento no art. Esclareceu-se ainda que são tributados. 98 do CTN. da Constituição Federal. por força do disposto no art. e não os dividendos. fls. conforme preceitua o § 1º do art. referente à nulidade dos acórdãos de fls. afastando-a. 8. 248. (ii) duas questões de mérito. da Lei nº 6. por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. Dinamarca (Decreto nº 75. aos quais.051/1980). 295/319 e de fls. países de domicílio de controladas da recorrente existentes à data da impetração do mandado de segurança. 422/452. a e c. 7º dos Tratados celebrados pelo Brasil para evitar a dupla tributação com a Bélgica (Decreto nº 72.249/1995 e pelo art. se distribuídos por suas investidas. parcialmente. cujas razões estão sub- divididas nos seguintes tópicos: “(i) uma questão preliminar. que havia se mostrado desfavorável à embargante.158-35/2001.106/1974) e Luxemburgo (Decreto nº 85. 74. uma vez que o recebimento do recurso de apelação. 497/498). indeferindo-se desta forma o pedido de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto deste processo judicial. 43 do CTN. por controladora ou coligada brasileira – a serem compu- tados na determinação do lucro real destas. na forma do disposto no art.542/1973). 7. não resultou no restabelecimento de liminar que fora. integrando-se o acór- dão embargado” (e-STJ.

As questões preliminares (i e iii) já foram resolvidas pelo voto do relator... Brasilux...... seus lucros serão tributáveis no outro Estado.... se cifra ao art...... na pessoa da Subprocuradora-Geral da Re- pública Darcy Santana Vitobello.. do respectivo tratado (Decreto nº 75. 153 que. 04). mantendo em vigor medida liminar suspensiva da exi- gibilidade dos créditos tributários em discussão.. opinou pelo conhecimento parcial do recurso e.. recebeu o recur- so de apelação manifestado contra a sentença de fls. II À época da impetração. item 1 – Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só serão tributáveis nesse Estado. in verbis: “Art. item 1.. item 5... 1.085/1.. domiciliada em Luxemburgo. A discussão...A. total ou parcialmen- .. mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente... nessa extensão.. dos aludidos tratados.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. referente à eficácia da decisão de fls.. O nosso país celebrou tratados internacionais com a Bélgica (Decreto nº 72.106/1974) e com Luxemburgo para evitar a dupla tributação (Decreto nº 85... 7º. e Brasamerican Limited. Rio Doce Comércio International.. 23... fl. Rio Doce Europa S.051/1980) A existência desses tratados internacionais remetem à questão de saber se eles inibem a legislação brasileira de criar para a empresa controladora aqui estabelecida hipótese de tributação sobre lucros apurados por controlada com sede no exterior.. 508).097).R. com a Dinamarca (Decreto nº 75...” Já quanto à empresa controlada que tem sede na Dinamarca... domiciliada em Bermudas” (e-STJ. 78/81” (e-STJ...... a impetrante controlava diretamente as seguintes sociedades domiciliadas no exterior: Rio Doce International S/A – RDI.106/1974). item 5 – Os lucros não distribuídos de uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado.... sob pena de bitributação... O Ministério Público Federal.. 123/130 no duplo efeito (suspensivo e devolutivo). Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada.. fls.. a saber: “Art. em razão de requerimento expresso e fundamentado da recorrente. domiciliada em Luxemburgo. no que diz respeito às empresas controladas com sede na Bélgica e Luxemburgo. pelo seu desprovimento (e-STJ. concedida às fls.L.... 7º... 23. 107 (iii) uma questão processual. fl. domiciliada na Dinamarca.. a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado.. os quais basicamente seguiram o Modelo OCDE.....542/1973).... domici- liada na Bélgica. a contro- vérsia reclama a atenção também para o art.

108 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
te, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes de outro Estado Contratan-
te não são tributáveis no último Estado.”

O imposto de renda tributa riqueza.
Do ponto de vista econômico, a norma jurídica, que dispõe que os lu-
cros auferidos por empresas controladas com sede no exterior serão compu-
tados na apuração do lucro líquido das controladoras aqui estabelecidas (Lei
nº 9.249/1995, art. 25), tributa riqueza já submetida a imposto de renda, ou a
imposto da mesma espécie, em outro país.
Sob o viés jurídico, essa dupla tributação está vedada pelo art. 7º, item
1, do Modelo OCDE, a cujo teor “os lucros de uma empresa de um Estado
Contratante só serão tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça
sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento
permanente aí situado”.
Trata-se do “princípio da residência”, a teor do qual o país do domicílio
da empresa, e só ele, tem competência para tributar os lucros desta.
Esmiuçando a norma, tem-se:
– a regra geral, que proíbe a tributação em mais de um Estado Contratan-
te, com os seguintes elementos:
(i) os lucros de uma empresa; (ii) o respectivo domicílio em um dos
Estados Contratantes; e (iii) a competência tributária exclusiva do
Estado Contratante em que a empresa tem domicílio.
– a regra de exceção, que admite a tributação em mais de um Estado
Contratante, com estes componentes:
(i) os lucros de uma empresa, (ii) o respectivo domicílio em dos Estados
Contratantes, e (iii) a existência de um estabelecimento permanente
no outro Estado Contratante.
A regra geral supõe duas sociedades com personalidades jurídicas pró-
prias, embora uma tenha o poder de controle sobre a outra.
A regra de exceção tem como alicerce uma única sociedade com um ou
mais estabelecimentos permanentes no outro Estado Contratante.
No caso, tendo Vale S/A e as sociedades estrangeiras acima arroladas
personalidades jurídicas próprias, incide a regra geral.
Dir-se-á que o Modelo OCDE não é incompatível com as medidas antie-
lisivas inspiradas pela legislação CFC (Controlled Foreing Corporation).
Acontece que essa legislação antielisiva visa coibir a má concorrência
ocasionada pelos Estados conhecidos como paraísos fiscais em que a tributação
é mínima.

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.................................................................. 109
A celebração de tratados internacionais para evitar a dupla tributação tem
como pressuposto Estados Contratantes com regimes fiscais assemelhados, a se
concluir que – salvo disparatada decisão das nossas autoridades (diplomáticas e
fazendárias) – Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo implementam esse requisito.
A tributação de Rio Doce Comércio International, domiciliada na
Dinamarca – prevista pelo art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001
sobre lucros não distribuídos – esbarra ainda no art. 23, item 5, do tratado in-
corporado ao nosso Direito pelo Decreto nº 75.106, de 1974, segundo o qual
só os lucros distribuídos podem ser tributados no Brasil.

III
Brasamerican Limited, uma das sociedades estrangeiras controladas pela
Vale S/A é domiciliada em Bermudas, Estado com o qual o Brasil não tem trata-
do internacional nos moldes acima examinados, e no que lhe diz respeito a lide
tem a ver, exclusivamente, com a legislação interna.
Ao tempo em que foi editada a Instrução Normativa nº 213, de 2002, o
art. 248, caput, da Lei nº 6.404, de 1976, “que dispõe sobre as Sociedades por
Ações”, tinha a seguinte redação:
“Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes
(art. 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração te-
nha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital
social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor do patrimônio
líquido, de acordo com as seguintes normas:”

A expressão “equivalência patrimonial” só foi embutida na aludida nor-
ma por força da redação que lhe deu a Lei nº 11.638, de 2007, in verbis:
“Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas
sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com
20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras
sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle co-
mum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com
as seguintes normas.”

Portanto, a expressão “equivalência patrimonial”, à época da publicação
da Instrução Normativa nº 213, de 2002, não tinha expressão similar na legis-
lação comercial. Nela, portanto, não se pode procurar o suporte da imposição
sub judice, até porque o lucro contábil só é considerado para os efeitos da tri-
butação após os ajustes (adições, exclusões e compensações) autorizados pela
legislação fiscal.
A legislação fiscal apropriou-se dessa expressão “equivalência patrimo-
nial” no art. 25, § 6º, da Lei nº 9.249, de 1995, in verbis:

110 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
“Art. 25.
§ 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da
equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação
vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º.”

Controverte-se nestes autos se o art. 74, caput, da Medida Provisória
nº 2.158-35, de 2001, alterou o regime fiscal da avaliação dos investimentos de
sociedades estrangeiras controladas que não funcionem no País.
Dispõe o art. 74, caput, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001:
“Art. 74, caput – Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de
renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de
1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou
coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou
coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma
do regulamento.

Essa norma é o resultado da conjugação de três regras jurídicas, a saber:
– o núcleo:
“Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL
os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados
disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no
qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento” (MP 2.158-35/01, art. 74).

– disposições complementares quanto ao modo de apuração desses lu-
cros, rendimentos e ganhos de capital para os efeitos do imposto de
renda (Lei nº 9.249/1995, art. 25)
– disposições complementares quanto a incidência da CSLL sobre esses
lucros, rendimentos e ganhos de capital (MP 2.158-35/2001, art. 21).
A interpretação dessa norma depende, portanto, do encaixe dessas três
regras jurídicas.
O núcleo da norma é autoexplicativo, e tem o efeito de considerar dis-
ponibilizados os lucros auferidos pela controlada ou coligada no exterior para
a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido
apurados.
O Supremo Tribunal Federal já decidiu pela respectiva constitucionalida-
de (RE 541.090, SC, redator do acórdão Min. Teori Zavascki).
Qual a repercussão das disposições complementares nas suas relações
com o núcleo da norma?
Uma primeira observação é a de que o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995,
faz parte da norma do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, e
também da norma do art. 21 dessa Medida Provisória.

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.................................................................. 111
Quer dizer, o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, diz respeito tanto ao im-
posto de renda quanto à CSLL.
Uma segunda observação é a de que a norma contida neste artigo repete
no § 6º, embora com outra redação, a regra contida no art. 23, parágrafo único,
do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977.
Compare-se.
Art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995
“§ 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da
equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação
vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º.”

Art. 23 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977
“Parágrafo único. Não serão computadas na determinação do lucro real as con-
trapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou
deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investi-
mentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem
no País.”

Tanto uma regra quanto outra fazem da parte da espécie que Pontes de
Miranda denomina de “regras jurídicas negativamente formuladas”, aquelas
que retiram do suporte fáctico um dos elementos da hipótese de incidência da
norma (Tratado de Direito Privado, Editor Borsoi, Rio de Janeiro, 1954, Tomo
I, p. 28).
Assim integrados o núcleo e as disposições complementares da norma
do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, fica claro que ela em
nada alterou o regime fiscal vigorante desde o art. 23 do Decreto-Lei nº 1.598,
de 1977.
Qual regime? O de que o método da equivalência patrimonial utilizado
para os efeitos contábeis é neutro do ponto de vista fiscal, porque seu resultado
positivo não é tributado.
Tudo a se resumir na conclusão de que o art. 7º, caput, e § 1º, da Ins-
trução Normativa nº 213, de 2002, da Secretaria da Receita Federal (a se-
guir transcrito), pretendendo regulamentar o art. 74 da Medida Provisória
nº 2.158-35, de 2001, dele extrapolou:
“Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial,
sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patri-
monial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser
registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil.
§ 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não
tributados no transcorrer do ano-calendário, deverão ser considerados no balan-
ço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário para fins de determinação
do lucro real e da base de cálculo da CSLL.”

na Bélgica. de 2002. deles todavia não fazendo par- te o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método de equivalência patrimonial. 7º. declarar que: a) os lucros apurados por Rio Doce International S/A – RDI.A. Voto. – Os lucros auferidos por Brasamerican Limited em Bermudas são considerados disponibilizados para a Vale S/A na data do balanço no qual tiverem sido apu- rados. no sentido de conhecer do recurso especial. os lucros apurados por Rio Doce International S/A – RDI. bem como por Brasilux e Rio Doce Europa S. caput. à vista da ilegalidade do art. Rio Doce Comércio International.2014 .112 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA O trecho do caput dessa norma ao dizer – “conforme estabelece a legis- lação comercial e fiscal brasileira” – é anacrônico.. no sentido de que está fora do contexto da época. domiciliada em Luxemburgo. por Rio Doce Comércio International.03. e § 1º da Instrução Normativa nº 213.709/RJ Números Origem: 200351010029370 29370920034025101 Pauta: 25. e § 1º da Instru- ção Normativa nº 213.L. e estão sujeitos à tributação no Brasil. por força dos aludidos tratados internacionais. para efeito da tributação no Brasil.03.2014 Julgado: 25.R. dando-lhe provimento para. IV Em suma: – Vale S/A não está sujeita. 74 da Medida Provisória nº 2. Tal qual dito acima.. 7º.A. caput. domiciliada em Luxemburgo e Rio Doce Europa S. não podem ser adi- tados aos lucros de sua controladora Vale S/A para serem tributados no Brasil. CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA Número Registro: 2012/0110520-7 Processo Eletrônico REsp 1. na Di- namarca. em Luxemburgo. concedendo a ordem em parte. b) os lucros apurados por Brasamerican Limited. domiciliada em Bermudas.158-35. de 2001. não estava incorporada à legislação comercial nem à legislação fiscal. domiciliada na Dinamarca. à vista da ilegalidade do art. deles todavia não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método de equivalência patrimonial. Brasilux.L. por isso.325. de 2002.R. na data dessa Instrução Normativa. estão sujeitos à tributação prevista no art. domici- liada na Bélgica. a aditar aos seus. a expressão “equivalência patrimo- nial”.

. VOTO Ministro Arnaldo Esteves Lima: Senhor Presidente. Sr... justificada- mente.... Ministro Arnaldo Esteves Lima.. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Impedido: Exmo Sr.... ausente. versam os autos a respeito da incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL sobre os lucros apurados no exterior por sociedades controladas e/ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil.... Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. proferiu a seguinte decisão: Prosseguindo o julgamento. pediu vista para nova análise o Sr. Controlada é aquela cuja prepon- derância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administra- dores cabem a outra sociedade (controladora)...... nesta assentada. Antônio Carlos Fonseca da Silva Secretária: Belª Bárbara Amorim Sousa Camuña AUTUAÇÃO Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce Advogados: Carlos Eduardo Caputo Bastos e outro(s) Eduardo Antonio Lucho Ferrão e outro(s) Ana Carolina Arrais Bastos e outro(s) Recorrido: Fazenda Nacional Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Assunto: Direito Tributário – Impostos – IRPJ / Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – Incidência sobre Lucro CERTIDÃO Certifico que a egrégia Primeira Turma.. Sr... Consideram-se coligadas as sociedades quando uma participa com 10 % ou mais do capital da outra.. Relator. Ministro: Benedito Gonçalves Presidente da Sessão: Exmo........ Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Subprocurador-Geral da República: Exmo. sem controlá-la....... ....... Ministro Ari Pargendler co- nhecendo do recurso especial e dando-lhe provimento para conceder a ordem em parte....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. Dr... após o voto-vista do Sr...... Sr....... Ministro Benedito Gonçalves... Aguarda o Sr.. 113 Relator: Exmo... Impedido o Sr... ao apreciar o processo em epí- grafe na sessão realizada nesta data..

Naquela egrégia Corte. que delega à lei ordinária fixar as condições e o momento em que se dará a disponibilidade econômica de receitas ou de rendimentos oriundos do exterior.586/PR (re- percussão geral) e o RE 541. Os processos foram julgados em conjunto. a utilização do MEP é obrigatória tão somente nos casos em que há investimento em coligadas cuja administração tenha in- fluência significativa.588/DF. qualquer das hipóteses de dispo- nibilização previstas na legislação em vigor.249. como veremos adiante. Esse percentual correspondia a 10% na Lei nº 6. § 2º. 74. antes desta data. Joaquim Barbosa). pela controladora ou coligada no Brasil. ou de que participe com 20% ou mais do capital votante. não integra a base de cálculo do IRPJ nem da CSLL. o valor dos investimentos em coligadas e controladas. os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. em suas demonstra- ções financeiras. diretamente na apuração do lucro contábil. 248 da Lei nº 6. Contrapõe-se à avaliação pelo custo de aquisição (mé- todo tradicional). nos autos da ADI 2. Esse método consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da investidora no patrimônio líquido da sociedade investida. na forma do regu- lamento. por força da Res. há a ADI 2. 484/1978 do Bacen e IN CVM 1/78. Parágrafo único. .404/1976. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezem- bro de 2002. Essa atualização repercute de forma obrigatória na demonstração de re- sultado do exercício. os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior na data do balanço no qual tiverem sido apurados. por força de disposição legal. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL.090/SC tratando sobre o tema. nos termos do art. salvo se ocorrida. pelo Método de Equivalência Patrimonial – MEP. p/ Acórdão Min.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas). do CTN. da mesma forma. de modo que reflete. mas os respectivos acórdãos encontram-se pendentes de publicação. além da referente ao art. da MP 2. inde- pendentemente do percentual de participação. 43.158-35/2001: Art. No Supremo Tribunal Federal. de 26 de dezembro de 1995 e do art. foi debatida também a constitucionalidade do art. 74.588/DF (Rel. No entanto. Dispõe o art.158-35/2001. caput e parágrafo único. o RE 611.638/2007 (Lei da Nova Contabilidade).114 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA As sociedades anônimas são obrigadas a registrar. 74 da Medida Provisória 2. 25 da Lei nº 9. segundo o qual se considera disponibilizado. 21 desta Medida Provisória. que disciplinam o art. conforme a Lei nº 11. Para outras sociedades.

ao fundamento de que o art. não se apura lucro. o fato de os investimentos no exterior já serem tributados em decorrência da sua atualização pelo Método da Equivalência Pa- trimonial – MEP.. Min. assim como a alegação de bitributação. 636. diretamente na apuração do lucro da empresa investidora. que a utilização do MEP “não supriria a disponibilidade jurídica da renda proveniente da participação de lucros” (Informativo nº 700/STF).. negou-se provimento ao recurso extraordinário. questionou-se. ain- da.. 74 da MP 2.404/1976. foi definitivamente solucionada pelo Supremo Tri- bunal Federal. Sustenta a Vale.158-35/01 não criara tributo novo ou alterara fato gerador.. no RE 611. é constitucional para todas as controladas (estejam ou não em paraíso fiscal) e para as coligadas em paraíso fiscal.. 485.158-35/2001.....158- 35/2001.. de regime de caixa para o regime de competência... porquanto essa atualização teria reflexo.... porquanto a sociedade controlada pelo contribuinte recorrente estaria situada em “paraíso fiscal”. Teori Zavascki).. pois o regime contábil é o da competência. reconheceu a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2. 115 Segundo os Informativos/STF nºs 296.586/PR (Rel... Por fim.. entre outros. Asseverou que o lucro auferido por uma investida é automaticamente registrado no balanço societário da investidora como lucro líquido. conforme o decidido na ADI 2.. é... recorrente.. questão relativa à constitucionalidade do art. de modo que a legislação impugnada seria aplicável ao caso...588/DF.... 74 da MP 2.... ou seja.. Joaquim Bar- bosa).. Tão somente modificara o momento em que os lucros obtidos por controlada ou coligada no exterior seriam disponibilizados... 373.598/1977 e a Lei nº 7. No RE 541. que o MEP...... em confronto com o disposto no próprio art...158-35 tão somente para os casos em que a coligada não se localize em paraíso fiscal. segundo as normas em vigor. 442. um ajuste contábil realizado com o fim de determinar o valor dos investimentos de uma companhia em outras empresas. 700 e 701. renda ou rendi- mento por esse método. e não o de caixa..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. tenha ou não a empresa investida lucro. p/ acórdão Min.. na essência. na ADI em tela.... independente de sua efetiva distribuição.090/SC (Rel. A Suprema Corte decidiu. Ressaltou. 74 da MP 2... Desse modo...... Segundo o Informativo nº 701. de acordo com tais informati- vos. remanesce discussão a respeito da legalidade da IN 213/2002... No recurso especial.. deu-se provi- mento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Refutou a suscitada ofensa a tratados internacionais destinados a evitar dupla tributação.. a nosso ver.689/1988 impedem o uso do método de equivalência patrimonial para tributação de lucros.... Desse modo. introduzido pela Lei nº 6. que o Decreto-Lei nº 1... ..

Muito embora a tributação de todo o resultado positivo da equivalência patri- monial fosse em tese possível. 7º. do CPC. o termo inicial do prazo recursal é an- tecipado para a data em que o advogado retira os autos mediante carga. 184 E §§.08. A matéria foi decidida pela Segunda Turma.754/GO. Rel. 184 e §§. Quarta Turma.1998. Min. 535. Julgado em 06. em seu art. Terceira Turma. Julgado em 21. registrado na contabilidade da empresa brasileira (empre- sa investidora). Barros Monteiro. Min. a título de IRPJ e CSLL.11. que firmou compreensão segundo a qual o valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior. 3. alínea c. com a redação de- terminada pela Lei nº 8. DA IN/SRF 213/2002 1. § 1º. muito embora sem examinar todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes. na forma do art.08. Rel. DO CPC – TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ E CON- TRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – EMPRESAS CON- TROLADAS E COLIGADAS SITUADAS NO EXTERIOR – TRIBUTAÇÃO DO RE- SULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – IMPOSSIBILIDADE NAQUILO QUE EXCEDE A PROPORÇÃO A QUE FAZ JUS A EMPRESA INVES- TIDORA NO LUCRO AUFERIDO PELA EMPRESA INVESTIDA – ILEGALIDADE DO ART. É ilícita a tributação.1996. Segundo a jurisprudência desta Casa.1991.509/SP. caput e pa- . 1º. Rel. 7º. REsp 11. somente no que exceder a proporção a que faz jus a empresa investidora no lucro auferido pela empresa investida. Carlos Alberto Menezes Direito. 4. Julgado em 20. Costa Leite. A Lei nº 7.1990. Rel. 2. Terceira Turma.197/SP. 22.116 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA O Decreto-Lei nº 1. Min. Min. 2º. em seu art. de 7 de outubro de 2002. Julgado em 16. Rel. 23. que a con- trapartida do ajuste de que trata o art. 23.228/PR. o julgado que labora sobre fundamentação adequada e suficiente.05. Dias Trindade. ela foi vedada pelo disposto no art. inciso I. Segunda Turma. REsp 57. Não agride ao art.598/1977 dispõe. referente ao investimento existente em empresa controlada ou coligada no exterior (empresa investida). Contudo. da Instrução Normativa SRF nº 213. Nesse sentido. Min. do CPC. por sua vez. Terceira Turma. transcrevo as seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL – PRAZO – CONTAGEM – CIÊNCIA DA DECISÃO ME- DIANTE CARGA DOS AUTOS – OBSERVÂNCIA DO ART.840/MG. pelo resultado positivo da equi- valência patrimonial. Julgado em 20.1991. REsp 88. da Instrução Normativa SRF nº 213/2002. REsp 11. não tem impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. previsto no art.03.689/1988.034/1990. § 4º. Preceden- tes: REsp 146. Julgado em 08. apurado pelo método da equivalência patrimonial.228/PR. assevera que o resultado do período-base para fins de determinação da base de cálculo da CSLL será ajusta- do pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Dias Trindade. Min. §1º. pois nessa data é considerado como intimado. § 1º.1995.04. por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento. Américo Luz. em nenhum dos casos essa intimação se dá com prejuízo do disposto no art. não será computada na determinação do lucro real. Terceira Turma. Rel. REsp 2.

(REsp 1.602.. da Lei nº 9. Mauro Campbell Marques. Medida Provisória nº 1.991-15. com efeitos modificativos. de 24 de agosto de 2001).2011) TRIBUTÁRIO – IRPJ E CSLL – EMPRESAS CONTROLADAS E COLIGADAS SITUA- DAS NO EXTERIOR – TRIBUTAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA EQUIVA- LÊNCIA PATRIMONIAL – ILEGALIDADE DO ART.. de 29. da Medida Provisória nº 1.. DJe 14.158-34.. 21. de 10 de março de 2000..211.796/RS.. 117 rágrafo único. (EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 1. 5. nem pelo art.598/1977... de relatoria do Min... § 1º.. (REsp 1. não tendo essa legislação sido revogada pelo art.. Recurso especial não provido. Conforme consignado no acórdão embargado. 25. A apreciação de suposta violação de preceitos constitucionais não é possível na via especial. destacando a ilegalidade so- mente quanto ao art..211. 2. de 2001 (edições anteriores da atual Medida Provisória nº 2... o julgamento do REsp 1. da Medida Provisória nº 2.. 535 DO CPC – POSSIBILIDADE DE EFEITOS INFRINGEN- TES – PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS E PRINCÍPIOS CONSTITU- CIONAIS – IMPOSSIBILIDADE 1. nem pelo art....882/RJ...211. com fundamento suficiente.. 35. apurada pelo método de equivalência patrimonial....... Recurso especial provido. 7º.. Min... DA IN/SRF 213/2002 1. .. Rel. A solução integral da controvérsia. 2.. 7º da IN SRF 213/2002.. reiterou a legalida- de de tributação do IRPJ e da CSLL aos lucros auferidos por empresas brasileiras investidoras.04.. para dar parcial provimento ao agravo regimental..158-35.. 7º DA IN SRF 213/2002 – OBSCURIDADE ELENCADA NO ART.. Precedente: REsp 1..532/1997). para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ.. embora influencie no lucro líquido da empresa investidora.858-7.. 3. não caracteri- za ofensa ao art. Min. 1º.04. A Segunda Turma do STJ firmou entendimento de que a variação positiva ou negativa do valor do investimento em empresa controlada ou coligada situada no exterior. Herman Benjamin. da Medida Provisória nº 1. Min.689/1988. Humberto Martins. mediante artifício contábil que elimina o impacto do resultado da equivalência patrimonial na determinação do lucro real (base de cálculo do IRPJ) e na apuração da base de cálculo da CSLL. para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL.236.. não tem impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. da Lei nº 7.....779/PR.. DJe 31. 2º.. de julho de 1999. Mauro Campbell Marques. Embargos de declaração parcialmente acolhidos...249/1995. 74.. porquanto matéria reservada pela Carta Magna ao Supremo Tribunal Federal. ao determinar a incidência tributá- ria sobre a integralidade da variação positiva.. sobre empresas investidas no exterior... nem pelo art..08.. 4. § 1º.....2012).882/RJ. Rel..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. c..232... de 1997 (convertida na Lei nº 9. do Decreto-Lei nº 1. nem à guisa de prequestionamento.2011) TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTRO- LADAS SITUADAS NO EXTERIOR – MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMO- NIAL – VARIAÇÃO POSITIVA – ART. ou pelo art. 535 do CPC. DJe 03. e pelo art. Rel..882/RJ.

598/1977 e a Lei nº 7. Este é o caso em que se aprecia a compatibilidade das normas internas de tributação do lucro de empresas controladas pela vale S/A. Dinamarca e Luxemburgo). Ante o exposto. 3. Em consequência. caput. sobre a tributação de lucros de coligadas e con- troladas no exterior. deve-se exigir que estejam presentes . Dinamarca. 74. 74 da MP 2. não há conflito entre a Medida Provisória nº 2. no que tange à controlada sediada nas Bermudas. bem como da IN 213 (art. com a devida vênia da divergência manifestada pelo em. com as de- vidas vênias. Luxemburgo e Bermudas). 2.689/1988 porque tratam de assuntos distintos. conforme vem decidindo a Segunda Turma. 7º. a nosso ver. em seu douto pronunciamento. 4. sediadas fora do País (Bélgica. solicitou vista dos autos o eminente Ministro Ari Pargendler que. as razões apresentadas no voto-vista do em Mi- nistro Ari Pargendler. devidos pela empresa controladora ou coligada no Brasil. Anoto que a minha argumentação recursal inicial em torno da incom- patibilidade da legislação infraconstitucional com os Tratados Internacionais voltou-se exclusivamente para as controladas sediadas em Países com os quais o Brasil mantém esses acordos contra a bitributação (Bélgica.158-35/2001. da IN 213/2002. ao meu sentir. O Decreto-Lei e a Lei sobre a vedação de tributar com base na utilização do MEP. que não fora por mim analisada. é ilegal o art. A meu juízo. para que se tenha como ocorrido o fato gerador do tributo. REALINHAMENTO DE VOTO (NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO) 1. igualmente. alertou-me para a singulari- dade da situação envolvendo a controlada sediada nas Bermudas. tendo em conta. § 1º. Ministro Sérgio Kukina.689/1988. a questão en- volve a prevalência do art. caput da MP 2. Após proferir meu voto. a fim de conhecer do recurso especial e dar-lhe parcial provimento. sem amparo legal.158-35/2001. não revogou o disposto no Decreto-Lei nº 1. porquanto amplia. Tão somente considera que a data do balanço da controlada ou coligada será o momento em que se verificará a ocorrência do fato gerador (disponibilização do lucro) do IRPJ e da CSLL. acompanho o voto reformulado do eminente Relator. e § 1º). o Decreto-Lei nº 1. de modo a autorizar a tributação pelo MEP na hipótese. A Medida Provisória.118 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Com efeito.598/1977 e na Lei nº 7. Como constou no voto que proferi. A Me- dida Provisória sequer faz referência ao referido MEP. à vista dos Tratados Inter- nacionais contra a bitributação. 7º. o art.157-35/2001. É o voto. a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ao prevê a tri- butação sobre o resultado positivo da equivalência patrimonial.

. 6. para afirmar que os lucros auferidos pelas empresas controladas sediadas na Bélgica.04.. à vista da ilegalidade do art. 8. Assim.2014 Julgado: 24... acolhe-se. conheço do recurso para dar-lhe parcial provimen- to.. Dinamarca e Luxemburgo. caput. declaro que este pronunciamento substitui integralmente aquele manifestado na sessão do dia 26... que previu a sua aplicação retroativa (Relator para o acórdão o ilustre Ministro Teori Zavascki. e § 1º da IN 213/2002. 74.. julgamento concluído em 10. 7º. em respeito ao art. integralmente.. ao final...2014 ..... Deveras. não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo mérito de equivalência patrimonial.. de fato...158-35/2001 relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em País que não tem tratamen- to fiscal favorecido – eufemismo de paraísos fiscais – acoimando-se de incons- titucional apenas o seu parágrafo único... devem ser considerados disponibilizados para a Vale S/A na data do balanço no qual tiverem sido apurados...04. dessa forma.2013 e que as observações aqui lançadas foram inseridas no voto que farei juntar aos autos. em Bermudas. 98 do CTN e aos Tratados Inter- nacionais em causa... o raciocínio desenvolvido pelo Ministro Ari Pargendler em torno do art.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.2013). outra alternativa não resta senão aderir a esse entendimento..... domiciliada nas Bermudas. 74 da MP 2...... caput da MP 2.325.. para conside- rar que os lucros auferidos pela empresa Brasamerican Limited....... Portanto... deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. somente após a distribuição dos lucros é que o patrimônio dos acionistas estaria sujeito à tributação.. 119 todos os elementos que caracterizam a disponibilidade jurídica – já que a dis- ponibilidade econômica fora subestimada – para que se consolide a hipótese de incidência do IRPJ/CSSL. submetem-se ao art.. 7. CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA TURMA Número Registro: 2012/0110520-7 Processo Eletrônico REsp 1.11. pelo meu entendimento. sejam tributados apenas nos seus territórios..709/RJ Números Origem: 200351010029370 29370920034025101 Pauta: 24... não havendo como se criar uma ficção jurídica para o fim de considerar disponíveis recursos que não o são. para reformar o venerando Acórdão recorrido e conceder em parte a ordem de segurança postulada.. e § 1º da Instrução Normativa nº 213/2002.. os lucros apurados por Brasamerican Limited..04. Finalmente.. caput. não se pode olvidar que o STF reconheceu a constituciona- lidade da aplicação do caput do art............ 7º. Todavia.. 5.158-35/2001...

Ministro: Benedito Gonçalves Presidente da Sessão: Exmo. Impedido o Sr. Sra. Darcy Santana Vitobello Secretária: Belª Bárbara Amorim Sousa Camuña AUTUAÇÃO Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce Advogados:Carlos Eduardo Caputo Bastos e outro(s) Alberto Xavier e outro(s) Eduardo Antonio Lucho Ferrão e outro(s) Ana Carolina Arrais Bastos e outro(s) Recorrido: Fazenda Nacional Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Assunto: Direito Tributário – Impostos – IRPJ – Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – Incidência sobre lucro CERTIDÃO Certifico que a egrégia Primeira Turma.709/RJ (2012/0110520-7) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Recorrente: Companhia Vale do Rio Doce Advogados: Carlos Eduardo Caputo Bastos e outro(s) Alberto Xavier e outro(s) Eduardo Antonio Lucho ferrão e outro(s) Ana Carolina Arrais Bastos e outro(s) Recorrido: Fazenda Nacional . Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Impedido: Exmo. Ministro Relator.120 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Relator: Exmo. vencido o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.325. Sr. ao apreciar o processo em epí- grafe na sessão realizada nesta data. Ministros Ari Pargendler e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. conheceu do recurso especial e deu-lhe parcial provimento para conce- der. Recurso Especial nº 1. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Subprocuradora-Geral da República: Exma. por maioria. Ministro Sérgio Kukina. a segurança. Os Srs. nos termos da reformulação de voto do Sr. em parte. a Turma. Dra. Ministro Relator. Sr. proferiu a seguinte decisão: Prosseguindo o julgamento. Sr.

. 74.. 248. Adquire. O fundamento de validade da alteração introduzida pelo art.. cuja aplicação é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributa- das pelo lucro real e que realizem tais espécies de investimento.. acrescentando-lhe valor... ainda. para fins de incidência do imposto de renda.. de modo que não há como sustentar que a apuração de lucro na sociedade controlada tem reflexos imedia- tos no patrimônio da controladora. método contábil utilizado na apuração dos lucros dos investimentos relevantes de coligadas ou controladas.. Logo. a pessoa jurídica controladora adquire imediatamente a disponibilidade econômica da renda que se. com fundamento no art... em julgamento no STF discute a inconstitucionalidade do art.... A ADI 2.158-34/2001 estender às ... 5. 4. caput e parágrafo único da MP 2. 43 do Código Tributário Nacional.... historia a substituição da regra de cobrança do IRPJ do sistema territorial para o sistema de tributação em bases universais... 121 Advogado: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional VOTO-VENCIDO O Senhor Ministro Sérgio Kukina: Trata-se de recurso especial interposto pela Companhia Vale do Rio Doce...... a e c. este último acrescentado pela LC 104/2000. a lei estabelecerá as condições e o momento. que permitiu à MP 2. O fato de o art... com relação à tributação... 105. O voto vista proferido pelo Ministro Nelson Jobim: aponta a gênese legal do regime tri- butário criado pela MP 2. 2....158- 34/2001 decorre da Lei Complementar nº 104/2001. com a apuração dos lucros na sociedade con- trolada... o lucro da sociedade controlada já de- veria ser registrado no balanço patrimonial da sociedade controladora (art.. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região assim ementado (fls.158-35/2001 e do § 2º do art. chamado de método de equivalência patrimonial..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. pois terá título jurídico para pleitear e defender o direito relativo a essa renda. incorpora em seu patrimônio. que acrescentou o § 2º ao art... em que se dará a sua disponibilidade. 357/359): TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGA- DAS OU CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR – TRIBUTAÇÃO DOS RE- SULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL DE INVESTIMEN- TOS NO EXTERIOR – MP 2... alínea a)... a lei pode.. 3... III.. de forma absolutamente legítima...158-34/2001 E REEDIÇÕES 1. aperfeiçoado pela LC 104/2001. da Constituição Federal. Na sistemática da Lei nº 6.404/1976...... e não o de caixa)..... (TBU). na hipótese de receita ou rendimento oriun- dos do exterior. III.158-35/2001 (que adota o regime contábil de compe- tência. 74 da MP remeter ao regulamento a forma como será executada a lei não acarreta violação ao princípio da legalidade.... estabelecer os critérios quanto ao que seja a disponibilidade do lucro e o momen- to em que pode ser considerada essa disponibilidade. a disponibilidade jurídica da renda.. 74 da MP 2.. Não há qualquer ofensa ao conceito de aquisição de renda eleito pela legisla- ção supra transcrita uma vez que....588/DF. 43 do CTN. estabelecendo que.

Apelação conhecida e improvida. de renda sobre os resultados obtidos pela empresa controlada sediada no exterior. versa sobre a possibilidade de o Estado Brasileiro tributar o lucro auferido no exterior por empresa brasileira. foram parcialmente acolhidos nos ter- mos da seguinte ementa (fls. a utilização no Brasil da regra de compensação do IR pago pela investida estrangeira. Opostos embargos de declaração. consequentemente. . Na hipótese dos autos. por intermédio de suas controladas e coligadas no exterior.249/1995. da IN SRF 213/2002.122 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA empresas coligadas e controladas tratamento idêntico ao que era dispensado às filiais e sucursais desde 1997. DO ART. 98 do CTN são inaplicáveis ao caso. quanto ao TBU. 74. Vale dizer. II – Ao se sanar a primeira omissão. no mercado. que ao dispor sobre o “resultado positivo da equivalência pa- trimonial” limita-se aos lucros auferidos por controladora e coligada brasileira. expresso no balanço. Destarte.158-35/2001 – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ANTERIORIDADE E IRRETROATIVIDA- DE TRIBUTÁRIAS – INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO – INAPLICABILIDADE DE TRATADOS CONTRA A BITRIBUTAÇÃO (CONVENÇÃO-MODELO OCDE) – FATOS NOVOS – INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DE IRPJ E CSLL I – Verificada a existência de omissões no acórdão embargado. 74. 7º. que adotam como parâmetro a Convenção Modelo da OCDE. a situação é diversa. Inexiste violação aos tratados internacionais para evitar a dupla. em razão dos benefícios decorrentes da repercussão. 7. da Lei nº 9. Mas não pode exigir im- posto. em estrita conformi- dade com o art. ainda que decorrente da aplicação do método da equivalência patrimonial (“MEP”). que dispõe: ‘os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Es- tado’. a União pode exigir o imposto de renda sobre os lucros que empresas brasileiras auferem no território nacional ou no exterior. 8. 7º. DA IN/SRF 213/2002 – APLICAÇÃO DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (“ÌÅД) – EXCLUSÃO DA VARIAÇÃO CAM- BIAL – CONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO. restou declarada a legalidade do art. 25. 497/498): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – TRIBUTÁRIO – EXISTÊNCIA DE OMISSÕES NO ACÓRDÃO EMBARGADO – TRIBUTAÇÃO DE LUCROS OBTIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADORAS E COLIGADAS BRASILEIRAS – LEGA- LIDADE DO ART. os embargos de declaração se afiguram como via adequada para integração do julgado.158-35/2001 e o art. tributação. ou seja. excluindo-se. da Medida Provisória nº 2. 6. a regra do tratado e o art. uma vez que esta hipótese trata da competência tributária exclusiva do Estado onde estiver sediada empresa controlada quanto aos resultados por ela produzidos. a variação cambial do valor do investimento no exterior. do acréscimo patrimonial. ressalta. DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2. considera irrelevan- te a questão sobre o controle que a empresa brasileira exerça sobre estrangeira.

de forma clara e objetiva. do CTN. enquanto vigorarem os referidos dispositivos legais. acórdão embargado. 74 da MP 2.. 25. na forma do disposto no art. no art. da MP 2. eventualmente.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. Na razões recursais.. por força do disposto no art. e não os dividendos... reconheceu-se a constitucionalidade do parágrafo único... referente à aplicação do art. incidirá IRPJ e CSLL.. do CTN.. do art. os lucros auferidos. interposto pela então em- bargante.. parcialmente. 248. VII – Quanto aos fatos novos alegados. 25..249/1995 è no art. da Lei nº 6. Aduz..158-35). teriam direito. bem como do art... 422/452.. 150. da Lei nº 9.. uma vez que o recebimento do recurso de apelação.. a e b. 123 III – Ao se resolver a segunda omissão.249/1995...... sendo que. III. do CTN – resultarem em lucros para a controladora ou coligada brasileira.. sempre que as controladas ou coligadas estran- geiras – não importando a sua origem... do art... que havia se mostrado desfavorável à embargante.158-35/2001... VI – Da mesma forma.... 295/319 e de fls. referente à nulidade dos acórdãos de fls.. indeferindo-se desta forma o pedido de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto deste processo judicial.. conforme preceitua o § 1º. a..158-34/2001 (reeditada sob o nº 2. uma vez que aquele enfrentou... também não tiveram o condão de alterar o resultado do julgamento.. § 6º.158-35). ora ratificada pela embargante. no período de 1996 a 2001. aos quais. 508): (i) uma questão preliminar. integrando-se o acórdão embargado...158-34/2001 (ree- ditada sob o nº 2.. por ausência de violação aos princípios constitucionais da anterioridade è irre- troatividade tributárias.. por controladora ou coligada brasileira – a serem compu- tados na determinação do lucro real destas. dada a sua impertinência.404/1976 –.. não se verificou a ocorrência de descumprimento pelo Fisco Federal de decisões em vigor. também estão sujeitos à incidência de IRPJ e de CSLL. III. para se declarar que os lucros obtidos por controladoras e coligadas brasileiras. revogada por sentença denegatória de segurança (Súmula nº 405/STF).... V – Esclareceu-se ainda que são tributados.. IV – Examinando o v. VII.. não resultou no restabelecimento de liminar que fora... por simples despacho de mero-ex- pediente. 74. da CF de 1988. . 43. da Lei nº 9.. não se verificou a existência de con- tradição. que as questões tratadas no presente feito desdobram-se nas seguinte categorias (fl.. além de dissídio jurispruden- cial. proferidas no curso deste processo judicial.. da MP 2. providos apenas para sanar as omissões verificadas e prestar os necessários esclarecimentos.. se distribuídos por suas investidas.. por intermédio de suas controladas e coligadas no exterior. por intermédio de controladas ou coligadas no exterior.... na forma como preconizada no referido dispositivo legal. violação dos arts. VIII – Embargos de declaração... a questão. dos tratados contra a dupla tributação (Convenção-Modelo da OCDE).. 74. 98... consubstanciados no art.. afastando-a. celebrados pelo Brasil com os países de domicílio de controladas. nos efeitos devolutivo e suspensivo.. em resumo. 43. expressamente. sustenta a recorrente.

domiciliada no Luxemburgo. e (v) Brasamerican Limited. ministro Napoleão Nunes Maia Filho. 1. domiciliada no Luxemburgo.124 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA (ii) duas questões de mérito.097).158-35/2001. 123/130 no duplo efeito (suspensivo e devolutivo).A. Quanto ao mérito – Na inicial do subjacente writ. 78/81.A. e (b) à incompatibilidade da legislação ordinária sobre a matéria (art. 4). 74 e parágrafo único da MP 2.158-34/2001 (e posteriores reedições) tal como regulados pela IN 213/2002” (fl. referente à eficácia da decisão de fls. . 7º dos Tratados ce- lebrados pelo Brasil para evitar a dupla tributação com a Bélgica (Decreto nº 72. domiciliada nas Bermudas” (fl. deu-lhe provimento para reformar o venerando acórdão recorrido e conceder a ordem de segurança postulada pela impetrante. Passo aos fundamentos do voto vencido. – RDI. Já encerrado o julgamento. Na mesma sessão. 25 da Lei nº 9. Dinamarca (Decreto nº 75. que agora faço registrar por escrito.R. 7º da Instrução Normativa SRF nº 213/2002 (IN 213/2002). concedida às fls. em razão de requerimento expresso e fundamentado da recorrente.085/1. países de domicílio de controladas da recorrente existentes à data da impetração do mandado de segurança. acompanhei o eminente relator. Trazido o feito a julgamento. pelo não provimento (fls.542/1973). tal como regulamentados pelo art. (iii) uma questão processual.. 74 da MP 2.L.249/1995 e pelo art. (ii) Rio Doce Comércio Internacional. 153 que. (iii) Brasilux. domiciliada na Dinamarca.051/1980). domiciliada na Bélgica.158-35/2001) com o art. (iv) Rio Doce Europa S. nessa parte. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento parcial do recurso e. a saber: (i) Rio Doce Internacional S. 37). recebeu o recur- so de apelação manifestado contra a sentença de fls. nessa parte. Relativamente às preliminares levantadas.249/1995 e art. votando em seguida. 25 da Lei nº 9. 74 da MP 2. mas divergi de Sua Excelência ao negar provimento ao recurso na parte conhecida. Extrai-se dos autos que “a impetrante é controladora direta de socieda- des domiciliadas no exterior. mantendo em vigor medida liminar suspensiva da exi- gibilidade dos créditos tributários em discussão. conheceu parcialmente do recurso especial e. o eminente relator. acompanhei o relator para tam- bém conhecer do especial em parte.106/1974) e Luxemburgo (Decreto nº 85. referentes: (a) à ilegalidade do regime de tributação dos lucros de controladas e coligadas no exterior consagrado pelo art. a Vale S/A postulou a concessão da ordem “no sentido de reconhecer à impetrante o seu direito líquido e certo de não estar sujeita à tributação pelo IRPJ e CSL na forma do art. este acabou sendo o único voto divergente.

O imposto.... 74.. da IN SRF 213/2002. para fins de incidência do imposto referido neste artigo.249. avaliado pelo método da equivalência patrimonial. § 1º. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial... 43... os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apu- rados. 7º do Tratado Modelo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econô- mico). a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira... na forma do regulamento. ...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. Dispõem tais dispositivos: MP 2.. mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabeleci- mento estável. 98 do CTN.. teria inovado o ordenamento jurídico ao eleger uma nova base de cálculo para o IRPJ e CSLL.... por necessário. de 26 de dezembro de 1995.. deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurí- dica no Brasil... CTN – Art.. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL. alega a empresa recorrente que o art.. não tributados no transcorrer do ano-calendário. Os lucros de uma empresa de um Estado contratante só podem ser tributados nesse Estado. que incluiu o § 2º ao art.. 125 Entendo. sobretudo frente ao art.158-3/2001 – Art. sucursal. 43 do CTN.. nos termos do art.. ao regulamentar o art. os seus lucros podem ser tributados no outro Estado.... 7º. 21 desta Medida Provisória... 74 da MP 2.... De outra parte. o teor do art.. que prescreve a supremacia dos tratados sobre a legislação tributária interna.. que o ponto fulcral e prejudicial da controvérsia radica na interpretação e nas consequências que se devam extrair do art. IN SRF 213/2002 – Art.. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo..158-3/2001.... § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial... sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade eco- nômica ou jurídica: § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior... 25 da Lei nº 9.... deverão ser considerados no balan- ço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL.. de competência da União. a lei estabele- cerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade. fundada na aquisição da disponibilidade jurídica........ segundo as diretrizes do método da equivalência patrimonial. pois.. controlada ou coligada..... e do art.... 7º do apontado diploma internacional: Artigo 7º Lucros das empresas 1. Transcrevo...

o fisco nacional. conheço em parte do recurso especial interposto por Vale S/A e. e serão observados pela que lhes sobrevenha”. aí sim renderia ensejo a descabida bitributação. nego-lhe provimento. o que. do qual o Brasil é signatário. não se descortinando. qualquer resquício de indevida bitributação. Ao invés dessa tese. mesmo quando oriundo de suas controladas ou coligadas estabelecidas no exterior. pedindo vênia à douta maioria. entendendo pela integral manu- tenção do acórdão regional. É como voto. que os- tenta a seguinte redação: “Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna. ao assim proceder. Em verdade. está a tributar apenas a pessoa jurídica radicada no território brasileiro. . com- preendo ser legítima a exação reclamada pela Fazenda Nacional. no sentido da incidência do IRPJ e CSLL sobre os lucros auferidos pela Vale S/A. 7º do Tratado Modelo da OCDE. Ante o exposto. a propalada ofensa ao art.126 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Da conjugada exegese dos dispositivos acima transcritos. consoante o método de equivalência patrimonial. tudo isso na perspectiva de que a já transcrita legislação interna sobre o tema de modo algum afronta o também reportado art. Assim. não vejo a ocorrência de contrariedade à sobredita cláusula internacional e. por intermédio de suas empresas coligadas ou controladas sediadas no exterior. vedada pela antes referida regra internacional. se por hipótese estivesse a ocorrer. nesse procedimento. qualquer intrusão fiscal no território em que sediada a controlada ou coligada. 98 do CTN. no exercício de sua de- limitada soberania. consequente- mente. portanto. Não antevejo. nessa extensão. porquanto possível se faz ao Estado brasi- leiro tributar o lucro de empresa sediada no Brasil.

do ADCT. acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Jus- tiça: “A Turma. não se podendo admitir a aplicação imediata do art. . No caso do Estado de São Paulo. por unanimidade. acrescentado pela Emenda Constitucional nº 30/2000. 2.” Os Srs. negou provimento ao agravo regimental. 78. § 2º. 3. Assusete Magalhães e Humberto Martins votaram com o Sr. a perda de objeto nos writs que visam à compensação de tributos com precatórios no regi- me do art. Ministro(a)-Relator(a). Mauro Campbell Marques (Presidente). em razão da edição da EC 62/2009. Brasília. do ADCT. inexiste lei que autorize a pretensão aqui perseguida. A jurisprudência deste Tribunal Superior pacificou-se no sentido de que compete à legislação de cada ente federativo estabelecer o regra- mento da compensação de tributos de sua responsabilidade. nos termos do voto do(a) Sr(a). 22 de abril de 2014 (data do Julgamento). Agravo Regimental não provido. 78. Ministros Og Fernandes. relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indi- cadas. O STJ vem mantendo hígidos os provimentos jurisdicionais que decretam. ACÓRDÃO Vistos. Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra 10980 Superior Tribunal de Justiça AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 472. § 2º. Ministro Relator.333 – SP (2014/0025285-1) Relator: Ministro Herman Benjamin Agravante: Rovemar Indústria e Comércio Limitada Advogados: C arla Maria Mello Lima Marata Miguel Calmon Marata e outro(s) Agravado: Estado de São Paulo Advogado: sem representação nos autos EMENTA TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS DE ICMS COM PRECATÓRIOS VENCIDOS – FATO SUPERVENIENTE – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 62/2009 – MANDADO DE SEGU­ RANÇA PREJUDICADO 1.

O agravante reitera as razões de seu Recurso Especial. 525. Sr. levando-o à extinção por superveniente falta de interesse. o STJ vem mantendo hígidos os provimentos jurisdicionais que decretam. § 2º.335/2010 – MAN- DADO DE SEGURANÇA PREJUDICADO 1. acrescentado pela Emenda Constitucional nº 30/2000. com apoio nos arts. e-STJ). uma vez que não é mais admitida a compensação de débitos tributários com créditos de precatórios na forma pre- vista no art.335/2010 constituem fatos novos que incidem dire- tamente sobre o objeto de discussão do mandado de segurança. VI.128 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Ministro Herman Benjamin Relator RELATÓRIO O Exmo. 78. e 462 do CPC. em razão da edição da EC 62/2009. Ministro Herman Benjamin (Relator): Os autos foram recebi- dos neste Gabinete em 19.03. resume-se à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da ins- tauração dos processos administrativos. face o pedido de compensação com precatórios vencidos e oponíveis contra o Estado de São Paulo” (fl. Alega que “a con- trovérsia. O Agravo Regimental não merece prosperar. extinguiu o processo sem resolução do mérito.2014. Cito precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁ- RIOS ESTADUAIS COM PRECATÓRIOS – FATO SUPERVENIENTE – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 62/2009 – DECRETO ESTADUAL Nº 6. 267. a perda de objeto nos writs que visam à compensação de tributos com precatórios no regime do art. por considerar que “a promulgação da Emenda Constitucional nº 62/2009 e a edição do Decreto Estadual nº 6. pela agra- . pelo menos neste estágio processual. Hipótese em que o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. 514-517. É o relatório. afeto à concessão de liminar. Ministro Herman Benjamin (Relator): Trata-se de Agravo Re- gimental interposto contra decisão monocrática (fls. mediante cessão. abrangendo esse novo regime os precatórios obtidos. pois a ausência de argu- mentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incó- lume o entendimento nela firmado. 78 do ADCT. Pleiteia a reconsideração do decisum ou a submissão do feito à Turma. VOTO O Exmo. Sr. e-STJ) que negou provimento ao recurso. No que se refere às razões de mérito da pretensão recursal. do ADCT.

em vir- tude da instituição do regime especial pela EC 62/2009.. 33 ou do art.. § 1º.. Ademais. sendo que tais entes... Min. 97... 2ª T.. Benedito Gonçalves. que deve ser observado pela legislação infraconstitucional. “pelo depósito em conta especial do valor referido pelo § 2º deste artigo” (§ 1º. 97. e não mais na forma do art. .. Rel. O acórdão recorrido está em sintonia com o entendimento firmado no âmbito do STJ..... não há falar em julgamento extra petita nem em qualquer outro vício existente no acórdão recorrido... Precedentes do STJ....335/2010.... § 1º. dentro dos limites em que a lide foi proposta. 97. 2....... do ADCT.... por meio do Decreto Estadual nº 6.. razão pela qual eventual compensação só poderá ocorrer nas hipóteses admitidas pela novel legislação.. 3.. Assim.. e pela superveniência de nova legislação tributária (Decreto Estadual nº 6.. Nesse contexto. Agravo Regimental não provido. entre outras disposições. Estabeleceu-se. 97.. 78.. DJe 09. que “os precatórios parcelados na forma do art. débitos tributários de ICMS de que é credor o Estado do Paraná” (fls. Min.. optou-se pelo sistema previsto no art.2011) PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURAN- ÇA – TRIBUTÁRIO – ICMS – PRETENSÃO DE SE COMPENSAR PRECATÓRIO VENCIDO COM TRIBUTO DEVIDO AO ESTADO-MEMBRO – SUPERVENIÊN- CIA DA EC 62/2009 E DO DECRETO ESTADUAL Nº 6.09. determinando a forma pela qual o Estado do Paraná efetuará o pagamento de seus débitos. I. o suposto ato coator está fundamentado em dispositivo previsto no Ato das Disposições Consti- tucionais Transitórias.. do ADCT). e-STJ).335/2010 – PRETENSÃO CONTIDA NO MANDAMUS QUE FICOU PREJUDICADA 1. Nesse sen- tido: RMS 31.. I) ou “pela adoção do regi- me especial pelo prazo de até 15 (quinze) anos” (§ 1º.. Rel... bem como o saldo dos acordos judiciais e extrajudiciais” (art. 309-312.... do ADCT.. 97 do ADCT.. DJe de 25.912/PR.335/2010) por meio da qual o Estado do Paraná aderiu ao regime de pagamento previsto no art. inclusive estadual. 129 vante.. ficou prejudicada a pretensão contida no mandamus..2010.. II). (AgRg-RMS 34. não se justifica a reforma do acórdão recorrido. 3. § 15. instituindo regime especial de pagamento de precatórios pelos Estados. no sentido de que se encontra a ação mandamental prejudicada pelo ad- vento da Emenda Constitucional nº 62/2009 – que instituiu regime especial para precatórios pendentes de pagamento –. No âmbito do Estado do Paraná.... Distrito Federal e Municípios. sujeitos ao regime especial.. I. nos termos fixados pelo art.. acrescentou o art.. Com o advento da EC 62/2009 que.595/PR. 1ª T.. optarão... Herman Benjamin.11. § 2º.. do ADCT. ainda. § 1º.. 78 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e ainda pendentes de pagamento ingres- sarão no regime especial com o valor atualizado das parcelas não pagas relati- vas a cada precatório.. com os quais pretende quitar. como bem observou o Tribunal de origem.... 2. Além disso. de modo que não há nenhuma mácula na decisão administra- tiva que indeferiu o pedido de compensação de débitos tributários com precató- rios de natureza alimentar. do ADCT.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. e da superveniência da legislação estadual. por compensação. por meio de ato do Poder Executivo. pois o pedido formu- lado na inicial do mandamus foi expressamente analisado.

As Fazendas Públicas Federal.05. Mauro Campbell Marques. Teori Albino Zavascki.. § 2º. § 2º. Benedito Gonçalves.187/PR. AgRg-RMS 30. Rel. DJe 29. Rel. 2.912/PR. 1ª T.2011. mandado de segurança. ao regular.11.130 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 4. caso o ente federado devedor opte pelo regime de pagamento previsto no inciso I do § 1º do mencionado art. No caso. 78 do ADCT não obriga a compensação tributária com precatório expedido contra autarquia. do ADCT.. DJe 17. Min.06. o mandado de segurança que objetiva a compensação de débitos tributários. § 2º. DO ADCT – SUPERVENIÊNCIA DA EMENDA CONSTITUCIO- NAL Nº 62/2009 – REVOGAÇÃO DO ART. Min. Na mesma linha: RMS 30.2011. a jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que o poder li- beratório então preconizado no art.2011) Por fim. Min.217/PR. DJe 25.10. 2ª T. Arnaldo Esteves Lima.. 97 do ADCT.992/PR. DO ADCT – MANDADO DE SEGURANÇA PREJUDICADO 1. 78. Distrital e trazidas pela EC 62/2009. Herman Benjamin. 2ª T.2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – COMPENSAÇÃO DE DÉBI- TOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITO DE PRECATÓRIO VENCIDO E NÃO PAGO – ART. o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.2010. VI. DJe 18. (RMS 28. 1ª T. nos ter- mos do art. quiçá impossível”. RMS 33.2011. como no caso.05. (AgRg-RMS 34. 6. a matéria antes disciplinada no art. estão impossi- bilitadas de pagarem os precatórios de forma contrária à previsão constitucio- nal. Estaduais. esse último dispositivo constitucio- nal. Nesse sentido: AgRg-RMS 33.08. de modo que eventual provimento jurisdicional aqui seria no mínimo inútil. a jurisprudência deste Tribunal Superior pacificou-se no sentido de que compete à legislação de cada ente federativo estabelecer o regramento . conforme as regras do anterior regime ju- rídico previsto no ADCT. por inteiro. Min. Precedente: RMS 31. daí porque prejudicado o mandado de segurança pela superveniência da referida emenda constitucio- nal. 78. 78. 78. com apoio no art. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. 1ª T.722/PR. Rel.09. caso optem pelo regime especial. 78. DJe 30. Recurso ordinário no qual se discute se há interesse processual. de minha relatoria. Ademais. Recurso ordinário não provido.. Rel. Rel. § 2º. do CPC. encontra-se prejudicado pela superveniente alteração normativa. 97. diante da revogação do art. tacitamente. do ADCT. 5.2010. Agravo regimental não provido. 3. DJe 20. e que. DJe 13. extinguiu. 1ª T. Min. sem resolução de mérito. § 2º.039/RJ.783/PR. Rel. 4. 1ª T. revogou. razão pela qual... em mandado de segurança que objetiva a compensa- ção de débitos tributários com crédito de precatório vencido e não pago. Min. O entendimento jurisprudencial da Primeira Turma do STJ é no sentido de que o art. 267. Benedito Gonçalves. por consi- derar que “[a] promulgação da Emenda Constitucional nº 62/2009 exterminou o direito à compensação tributária. após a Emenda Constitucional nº 62/2009..

. NA FORMA DO ART. No entanto.2011) ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO FISCAL VEDADA – DE- CRETO ESTADUAL Nº 418/2007 – COMPATIBILIDADE COM A CONSTITUI- ÇÃO FEDERAL – PRECEDENTES 1. 2..2011. Rel.03. Mauro Campbell Marques.... Min.. inexiste lei que autorize a pretensão aqui perseguida. Herman Benjamin... que...406/PR.. nos termos do art.2011) Logo. 3. § 2º. enquadrando-se o cré- dito em alguma das hipóteses previstas no caput do art.. e estabelecido o parcelamento. ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser pro- movida na decisão agravada. A reiterada jurisprudência das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ é pa- cífica no sentido de que é plenamente legítimo o Decreto Estadual nº 418/2007... Precedentes: EDEDRMS 31.. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que. Ressalte-se que o precatório não pago não ganha..........580/1996.684/PR. em se tratando de precatório de natureza alimentar – circunstância que impede o parcelamento –... Mauro Campbell Marques. (AgRg-RMS 33. mostrando-se legítima a vedação ao pagamento de ICMS por meio de compensação com precatórios. Castro Meira.. não há prover o Agravo Regimental que contra ela se insurge.. O Decreto do Estado do Paraná nº 418/2007 encontra-se em conformidade com a Constituição Federal. 35 da Lei Paranaense nº 11.. Min.. 78. Rel. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURAN- ÇA – TRIBUTÁRIO – ICMS – PRETENSÃO DE SE COMPENSAR CRÉDITO DE- CORRENTE DE PRECATÓRIO DE NATUREZA ALIMENTAR COM TRIBUTO DEVIDO AO ESTADO-MEMBRO.. poder liberatório para pagamento de tributo. pois o “poder liberatório” está condicionado ao enquadra- mento na sistemática prevista no art. 2ª T. Recurso ordinário não provido. Min. DJe 29.... 78....05. não há falar em aplicação do disposto no art.. No caso do Estado de São Paulo. por si só. acrescentado pela Emenda Constitucional nº 30/2000.. proferida com fundamentos suficientes e em con- sonância com entendimento pacífico deste Tribunal. 78..02. DJe 31. Agravo regimental não provido. Rel.2010.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA...... 131 da compensação de tributos de sua responsabilidade.. § 2º.. 78 do ADCT – precatórios pendentes na data de promulgação da EC 30/2000 e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999 –. do ADCT. DJe 04.. 2. 2ª T. ..... veda o pagamento do ICMS e do IPVA mediante compensação com precatórios.. não se poden- do admitir a aplicação imediata do art. DO ADCT – INVIABILIDADE – LIMITAÇÃO IMPOSTA PELA LEGISLAÇÃO ESTADUAL – LEGITIMIDADE 1..11.. do ADCT..409/PR.. RMS 29. § 2º. (RMS 33...738/PR.. Rel.. o inadimplemento de alguma das parcelas atribui ao respectivo crédito poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora (§ 2º). 170 do Código Tributário Nacional e do art. 78 do ADCT. DJe 25.... Min....

2014 Relator: Exmo.04. ao apreciar o processo em epí- grafe na sessão realizada nesta data. negou provimento ao agravo regimental. É como voto. Ministro Herman Benjamin Presidente da Sessão: Exmo. por unanimidade. Sr. nego provimento ao Agravo Regimental. Ministro Mauro Campbell Marques Subprocurador-Geral da República: Exmo. Carlos Frederico Santos Secretária: Belª Valéria Alvim Dusi AUTUAÇÃO Agravante: Rovemar Indústria e Comércio Limitada Advogados: Carla Maria Mello Lima Marata Miguel Calmon Marata e outro(s) Agravado: Estado de São Paulo Advogado: sem representação nos autos Assunto: Direito tributário – Impostos – ICMS/Imposto sobre Circulação de Mercadorias AGRAVO REGIMENTAL Agravante: Rovemar Indústria e Comércio Limitada Advogados: Carla Maria Mello Lima Marata Miguel Calmon Marata e outro(s) Agravado: Estado de São Paulo Advogado: Sem representação nos autos CERTIDÃO Certifico que a egrégia Segunda Turma. CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA Número Registro: 2014/0025285-1 AgRg-AREsp 472. nos termos do voto do(a) Sr(a). Sr.2014 Julgado: 22. Sr. Assusete Magalhães e Humberto Martins votaram com o Sr. Dr.132 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Diante do exposto. Ministros Og Fernandes. Ministro Relator. Mauro Campbell Marques (Presidente).333/SP Números Origem: 00450677120128260000 04135372019928260053 053924135379 1140120110778814 450677120128260000 904905 Pauta: 22.04. proferiu a seguinte decisão: “A Turma. . Ministro(a)-Relator(a).” Os Srs.

3.957/RS. 2.322. IX do RISTJ. 543-C DETERMINA A SUSPENSÃO DOS DEMAIS PROCESSOS QUE TRATEM DO MESMO ASSUNTO – COMANDO LEGAL DIRIGIDO APENAS AOS TRIBUNAIS DE SEGUNDA INSTÂNCIA – PRE- CEDENTES – PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO – INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NOVA ORIENTAÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO – ENTEN- DIMENTO FIRMADO NO RESP 1.230. MAURO CAMPBELL MARQUES. deve-se reconhecer a existência da apontada omissão e saná-la. contradição ou omissão. SOB O RITO DO ART. homologo o pedido de desis- tência parcial do Mandado de Segurança. Nos termos do art. a despeito de o feito já se encontrar em mesa para julgamento. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integra- ção e objetivam sanar obscuridade. COM EFEITOS INFRINGENTES 1. 34. MIN. A Corte Especial deste STJ consolidou o entendimento de que o comando legal que determina a suspensão do julgamento dos recur- . Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra 10981 Superior Tribunal de Justiça EDcl no Recurso Especial nº 1.945 – DF (2012/0097408-8) Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Embargante: Fazenda Nacional Procurador: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Embargado: Globex Utilidades S/A Advogado: Nelson Wilians Fratoni Rodrigues EMENTA TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – SALÁRIO-MATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS – PROCESSO PAUTADO – PUBLICIDADE – ADIAMENTO – JULGAMENTO REALIZADO NA SEGUNDA SESSÃO SUB- SEQUENTE – TEMPO RAZOÁVEL – DESNECESSIDADE DE REINCLUSÃO EM PAUTA – PARTE QUE NÃO PODE ALEGAR SURPRESA – OMISSÃO QUANTO À TESE DE QUE O ART. Não havendo decisão explícita a respeito da alegação da Fazen- da Nacional de que os recursos repetitivos suspendem o trâmite dos demais processos no STJ que tratem do mesmo assunto selecionado como representativo da controvérsia. afirmando a não suspensividade. 543-C DO CPC – POSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL ACOLHIDOS. 4. de ma- neira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. REL.

419. 5. Após o julgamento do presente Recurso. Ministro Arnaldo Esteves Lima e.957/RS.134 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA sos repetitivos nos termos do art. Embargos Declaratórios da Fazenda Nacional acolhidos. 1. Min. DJe 26. Min. Brasília/DF. Sérgio Kukina e Ari Pargendler votaram com o Sr. Sidnei Beneti. 1ª T. Corte Especial. Assusete Magalhães. 1.637/SP. 3ª T. Rel. Ausentes. 188. DJe 25.11. AgRg-AREsp. somente é dirigi- do aos Tribunais de segunda instância. para adequar.2014. Relª Min. 3ª Seção. empres- tando-lhes efeitos modificativos.463/RS.392. Ministro Relator.09. na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir.927/CE. concluído em 26. relatados e discutidos estes autos. e não abrange os Recursos Especiais já encaminhados ao STJ (EDcl-AgRg-EREsp.233. da relatoria do ilustre Ministro Mauro Campbell Marques. com efeitos modificativos.11. João Otávio de Noronha. A hipótese é de atribuição excepcional de efeitos infringentes aos presentes Embargos Declaratórios. o Sr. Rel. DJe 10. 1. AgRg- -REsp. representativo de controvérsia.05. nos termos do voto do Sr. Ricardo Villas Bôas Cueva. 543-C do CPC. Arnaldo Esteves Lima. no que couber. para adequar o julgamento ao quanto decidido em recurso representantivo de controvérsia.198/SP. receber os embargos de decla- ração. Ministro Herman Benjamin. no julgamento do REsp 1. 26 de março de 2014 (data do Julgamento). AgRg-Pet 8.2013. Ministros Og Fernandes. ACÓRDÃO Vistos. Assusete Magalhães. Benedito Gonçalves. Min. Rel.174. AgRg-Ag 1.2013. a questão foi objeto de nova decisão pela 1ª Seção desta corte.. Rel.2013.. acordam os Ministros da Pri- meira Seção do Superior Tribunal de Justiça..957/RS. Ministro Relator.02. DJe 25. o jul- gamento ao quanto decidido em recurso representativo de contro- vérsia. DJe 23.230. justificadamente. 7. Luis Felipe Salomão. Napoleão Nunes Maia Filho Ministro Relator . 4ª T. 6. Os Srs.11.609/PR.2013. 3ª T. Min. Preceden- tes: AgRg-REsp.2013).2013. ocasio- nalmente. Min. Rel. o Sr. por unanimidade.11. Mauro Campbell Marques. DJe 14..

..02.. na verdade. a relevância do benefício. não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. O salário-maternidade é um pagamento realizado no período em que a se- gurada encontra-se afastada do trabalho para a fruição de licença maternida- de.. no caso. firmou o entendimen- to de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. portanto. não há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador.......212/1991. 5..... razão pela qual... prestação principal.. de re- latoria do eminente Ministro Eros Grau. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. § 9º..... não há como entender que o pagamento de .958/MG...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. 6.213/1991).... Tanto no salário – maternidade quanto nas férias usufruídas.... 28. assim. pervertendo a regra áurea acima apontada.. de caráter acessório.. quando do julgamento do AgRg-AI 727...... a cargo e ônus da Previdência Social (arts.. DJe 27. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recém nascido. 3.. a da Lei nº 8.. Assim. 71 e 72 da Lei nº 8.. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores.. deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária.... 2..... considera-se ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador.. uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobrema- neira a mais barata do que a de uma trabalhadora mulher.. possuindo clara natureza de benefício.. O Pretório Excelso..212/1991... no conceito de remuneração de que trata o art. Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em adversidade ao acórdão que deu provimento ao Apelo Especial da empresa contribuinte nos termos da seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL – TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – SA- LÁRIO-MATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS – AUSÊNCIA DE EFETIVA PRES- TAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO – NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO – AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO – AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDEN- CIÁRIA – PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRI- BUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO-MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS 1...... não se enquadrando.2009. 4.... não se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contri- buição Previdenciária sobre o terço constitucional. e legíti- ma sobre a remuneração de férias. 135 RELATÓRIO 1.. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o salário-maternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória. 22 da Lei nº 8. independentemente do título que lhes é conferido legalmente...

010. destarte. I. ao afastar a aplicação dos arts. 3. 28. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição. ofendendo o art. XVIII. Celso de Mello). MIN. 5º. REL. Alega a embargante que o acórdão descuidou de aplicar o art. tendo em vista a submissão do REsp. 9.957/RS. 1. Rel. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previden­ ciária sobre o salário maternidade e as férias usufruídas (fls. incorreu em manifesta omissão. I a. 5.230. 97 da CF/1988 nos termos da Súmula Vinculante nº 10 do STF.212/1991. ainda. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o salário-matemidade. 7. VOTO TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – SALÁRIO-MATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS – PROCESSO PAUTADO – PUBLICIDADE – ADIAMENTO – JULGAMENTO REALIZADO NA SEGUNDA SESSÃO SUBSEQUENTE – TEMPO RAZOÁVEL – DESNECESSIDADE DE REINCLUSÃO EM PAUTA – PARTE QUE NÃO PODE ALEGAR SURPRESA – OMISSÃO QUANTO À TESE DE QUE O ART. sem que com isso respeitasse o princípio da reserva de Plenário. É o que havia de relevante para relatar. MAURO CAMPBELL . caput. Consequentemente. 4. cuja discussão é a mesma ora enfrentada. Aduz.136 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA tais parcelas possuem caráter retributivo. 2. a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADI-MC 2. também não é de- vida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. todos da Constituição Federal. 543-C do CPC. 22. Min. I e § 2º da Lei nº 8. 8. Sustenta que os recursos repetitivos suspendem os demais processos no STJ que tratem do mesmo assunto selecionado como representa- tivo da controvérsia. pois. 543-C DETERMINA A SUSPENSÃO DOS DEMAIS PROCESSOS QUE TRATEM DO MESMO ASSUNTO – COMANDO LEGAL DIRIGIDO APENAS AOS TRIBUNAIS DE SEGUNDA INSTÂNCIA – PRECEDENTES – PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO – INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NOVA ORIENTAÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO – ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP 1. Por fim. não há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 3º. 714/715). 97 e 195. ao rito dos repetitivos. requer a manifestação desta Corte sobre os arts. para fins de prequestionamento. que o acórdão embargado. 6º. indiretamente e incidentalmente declarou a inconstitucionalidade do dis- positivo legal.957/RS. 7º.230. LIV e LV. pelo que requer a nulidade do referido acórdão. sem que se fizesse referência expressa ao mesmo.

a despeito de o feito já se encontrar em mesa para julgamento.233. Min. Após o julgamento do presente Recurso.. Nos termos do art. A hipótese é de atribuição excepcional de efeitos infringentes aos presentes Embargos Declaratórios. Arnaldo Esteves Lima. 137 MARQUES. a questão foi obje- to de nova decisão pela 1ª Seção desta corte. AgRg-REsp. Rel.. Min.609/PR... DJe 26. homologo o pedido de desis- tência parcial do Mandado de Segurança.02. 3. DJe 23.392..2013.419. DJe 10. 3ª T. João Otávio de Noronha.... representativo de controvérsia... Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integra- ção e objetivam sanar obscuridade.957/RS.. 1.2014. Assusete Magalhães.... . Rel.. 6.230. 4.. Rel. 188. e não abrange os Recursos Especiais já encaminhados ao STJ (EDcl-AgRg-EREsp. 3ª S. Prece- dentes: AgRg-REsp. da relatoria do ilustre Ministro Mauro Campbell Marques.. Min. A Corte Especial deste STJ consolidou o entendimento de que o comando legal que determina a suspensão do julgamento dos recur- sos repetitivos nos termos do art....... Min. AgRg-Ag 1.174.. Relª Min. 34. concluído em 26.. de ma- neira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado..927/CE... 7. para adequar o julgamento ao quanto decidido em recurso representantivo de controvérsia. 5.2013. somente é dirigi- do aos Tribunais de segunda instância.11.. 1... Rel.09.2013. DJe 25. no julgamento do REsp.11. o jul- gamento ao quanto decidido em recurso representativo de contro­ vérsia... Min... SOB O RITO DO ART. 1ª T.11.. 2.637/SP.. AgRg-Pet 8... Corte Especial...198/SP.. 1.. Rel.. deve-se reconhecer a existência da apontada omissão e saná-la. 4ª T.... 1..... para adequar.957/RS...... DJe 25... AgRg-AREsp. IX do RISTJ.. Embargos Declaratórios da Fazenda Nacional acolhidos.2013.. Luis Felipe Salomão. contradição ou omissão. DJe 14..05.2013. afirmando a não suspensividade.. Sidnei Beneti. 543-C do CPC.2013)..11..463/RS.... no que couber. Não havendo decisão explícita a respeito da alegação da Fazen- da Nacional de que os recursos repetitivos suspendem o trâmite dos demais processos no STJ que tratem do mesmo assunto selecionado como representativo da controvérsia. Ricardo Villas Bôas Cueva.. 543-C DO CPC – POSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITOS INFRINGENTES AOS EMBARGOS – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL ACOLHIDOS.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA... empres- tando-lhes efeitos modificativos. COM EFEITOS INFRINGENTES 1. 3ª T.

por- quanto não houve menção expressa a respeito da alegação da Fazenda Nacio- nal de que os recursos repetitivos suspendem os demais processos no STJ que tratem do mesmo assunto selecionado como representativo da controvérsia. o feito foi levado a julgamento na segunda sessão que se se- guiu. admite-se que o feito seja levado até três sessões subsequentes.247/DF. a sua reinclusão em pauta.2013). apenas e tão somente. 7. sem que se exija nova publicação da pauta. Assim. adiado o julgamento. Homologo a desistência parcial. o processo foi pautado para ser levado a julgamento no dia 12. a despeito de o feito já se encontrar incluído em mesa para julgamento. 9. de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. como se pode aferir de sua certidão de julgamento. 256 do RISTJ. requerendo a desistência parcial do Mandado de Segu- rança no que tange. 8. ao dar provimento ao Ag 1. Nos termos orientação consolidada na Corte Especial deste Tribunal Superior. data em que foi realizado o referido julgamento. após vista do Ministério Público Federal. Infere-se dos autos que a 1ª Turma deste STJ. Vitor Soares de Lima. tendo ele inclusive sustentado oralmente no REsp 1.2013 (pauta publicada no dia 05. afetando o seu julgamento à 1ª Seção desta Corte. 6. cabendo ao Advoga- do diligenciar acerca da nova data. Importante ainda ressaltar que no dia 27. portanto. cumpre esclarecer que o procedimento para julga- mento do Recurso Especial foi rigorosamente observado. a Fazenda Nacional. Em total observância ao disposto no art.138 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 1.420. verifica-se a apontada omissão. tendo sido adiado pela Seção. ao pedido de não incidência da contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. poderia a Fazenda Nacional ter mais uma vez pugnado pelo adiamento do feito ou ainda se habilitado para sustentar oralmente no julgamento. determinou a subida do presente Recurso Especial.2013. 3. . 2. não é demais lembrar que os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam sanar obscuridade. na- quela oportunidade. 34. nos termos do art. 5. ora embargante.2014. encon- trava-se representada na sala de sessão da 1ª Turma.03. In casu. Quanto ao mais. 10. IX do RISTJ. no caso em apreço. 26.12.12. contradição ou omissão. Eles não podem ser utilizados com a finalidade de sustentar eventual incorre- ção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo. razão pela qual não há que se falar em deslealdade processual. No mais. Inicialmente. destaca-se que a Globex Utilidades S/A peticiona na data de hoje.345. pelo ilustre Procurador Dr. 4. De fato.021/CE.02. dispensando.

a Corte Especial deste STJ.11...... 543-C do CPC..... Quanto ao tema.. Rel. 1.. Luis Felipe Salomão.. Ricardo Villas Bôas Cueva. Nesse sentido. Sidnei Beneti.. aplicando-se somente aos tri- bunais de segunda instância. DJe 26.. Min. recentemente... O art. 12..... . 3... *** AGRAVO REGIMENTAL – AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DO FEITO – MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS – REGRAMENTO DIRIGIDO AOS TRIBUNAIS DE SE- GUNDA INSTÂNCIA – PLANO DE SAÚDE – REAJUSTE – CLÁUSULA ABUSIVA – PRESCRIÇÃO 1.. O prazo prescricional aplicável nas hipóteses em que se discute a revisão de cláusula considerada abusiva pelo beneficiário de plano de saúde é de 10 (dez) anos.2013). Precedentes.11... Rel. A afetação de tema pelo Superior Tribunal de Justiça como representativo da controvérsia...11...... quando dispensada a liquidação judicial. Agravo regimental não provido (AgRg-AREsp 188. previsto no art.2013)... 2.. aliás...... e não abrange os Recursos Espe- ciais já encaminhados ao STJ (EDcl-AgRg-EREsp 1. Corte Especial. 543-C do Código de Processo Civil não previu a necessidade de sobres- tamento nesta Corte do julgamento de recursos que tratem de matéria afeta como representativa de controvérsia... 2....174. 3.. DJe 25. não impõe o sobrestamento dos recursos especiais que tratem de matéria afetada.. 205 do Código Civil.. Min.. 543-C do CPC. 139 11. mas somente da suspensão dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida nos tribunais de segunda instância.198/SP...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg-REsp.. Nos casos de cumprimento individual de sentença proferida em ação cole- tiva na qual se busca a diferença de expurgos inflacionários em caderneta de poupança.463/RS. este Tribunal Superior já havia se manifestado em outras oportunidades: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – AÇÃO CIVIL PÚBLICA – EXPURGOS – EXECUÇÃO INDIVIDUAL – JUROS MORATÓRIOS – TERMO INICIAL – INTIMAÇÃO PARA A FASE DE LIQUIDAÇÃO OU PARA O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA – PRECEDENTES 1.957/RS.392. o termo inicial dos juros de mora é fixado a partir da intimação do depositário-devedor para a fase de liquidação do débito declarado genericamen- te na ação coletiva ou da intimação para o cumprimento de sentença.. conso- lidou o entendimento de que o comando legal que determina a suspensão do julgamento dos recursos repetitivos nos termos do art.. Min.2013)... nos termos do art. DJe 14. somente é dirigido aos Tribunais de segunda instância..... Rel.....

Relª Min. Rel.11. para fins de concessão do benefício assistencial. DJe 23. mediante as demais provas dos autos. Rel.637/SP. aplicando-se. III – O critério da renda familiar per capita.609/PR. para fins de concessão de benefí- cio assistencial. REsp.557/MG.140 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA *** PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO – SOBRESTAMENTO DO JULGAMEN- TO DO RECURSO ESPECIAL – INAPLICABILIDADE. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. seja obrigado a compartilhar seu benefício com os demais membros do grupo familiar. não deve ser considerado na composição da renda fami- liar per capita. nesta Corte. 543-C do Código de Processo Civil destina-se à suspensão dos feitos. II – Conforme entendimento uniforme do STJ.2013). a regra do art. no Superior Tribunal de Justiça. do julgamento do Recurso Es- pecial. não há razão para reconsiderar ou alterar o julgado. 34 do Estatuto do Idoso. NESTA INSTÂNCIA.2013). o disposto no parágrafo único do art. não impede o magistrado de. analogicamente.233. Assusete Magalhães. o benefício previdenciário de valor mínimo. pois não se pode permitir que o segurado. DJe de 20. 543-C NO STJ 1. concluir pela caracterização da condição de miserabilidade da parte e de sua família (STJ. recebido por pes- soa acima de 65 anos. Min. seja demonstrando que foi aplicada jurisprudência não consolidada no STJ.2009). Precedentes. RECEBIDO POR OUTRO MEMBRO DO GRUPO FAMILIAR – CON- DIÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA – CARACTERIZAÇÃO POR OUTROS MEIOS DE PROVA – POSSIBILIDADE – PRECEDENTES DO STJ – AGRAVO REGIMEN- TAL IMPROVIDO I – Descabe o pedido sobrestamento. DJe 25. na instância ordinária.112.11. 543-C do CPC. 543-C DO CPC – BENEFÍCIO ASSISTENCIAL – CÁLCULO DA RENDA FA- MILIAR PER CAPITA – EXCLUSÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DE VALOR MÍNIMO. João Otávio de Noronha. . após longos anos de contribuição. 2.09. pois o art. DO ART. que determina o sobrestamento de feitos até o julgamento de recurso processado como repetitivo. 1. 3. Não se aplica. seja evidenciando a discrepância entre os precedentes indicados e o caso concreto. Agravo regimental desprovido (AgRg-REsp 1. Se a parte não comprova a ocorrência de equívoco na decisão regimentalmen- te agravada. IV – Agravo Regimental improvido (AgRg-Pet 8. *** AGRAVO REGIMENTAL – RECURSO ESPECIAL – ACÓRDÃO RECORRIDO DI- VERGENTE DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ – ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE RECURSO REPETITIVO SOBRE A MESMA MATÉRIA – PEDIDO DE SOBRESTA- MENTO DO FEITO – NÃO APLICABILIDADE DA REGRA DO ART. Terceira Seção.

. representativo de controvérsia. 2. À parte incumbe manifestar a sua irresignação com dialética suficiente para evidenciar eventual desacerto do pronunciamento atacado.213/1991 1.. excepcionalmente... Seção desta corte. 14.......957/RS. quando adotada em regime de recursos repe- titivos.. 13. que o Recurso Aclaratório possa servir para amoldar o julgado à superveniente orien- tação jurisprudencial desta Corte. 103 DA LEI Nº 8. sob pena de.. a fim de adequar o ... Rel..11.. penso que a hipótese é de atribuição excepcional de efeitos infringentes aos presentes Embargos Declaratórios.... Assim. para adequar o julgamento ao quanto decidido em recurso representativo de controvérsia. Min.. 4. DJe 10.. em sede de embargos de declaração.009/RS.... Rel. Orien- tação que somente tem sido mitigada.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. Quarta Turma. 3. mas somente da suspensão dos recursos nos quais a discussão esteja estabelecida nos tribunais de segunda ins- tância” (AgRg-REsp 1..327. Agravo regimental não conhecido (AgRg-Ag 1.. A propósito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ES- PECIAL – PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO – ADEQUAÇÃO DE JULGA- DO À JURISPRUDÊNCIA POSTERIOR FIRMADA EM RECURSO ESPECIAL REPE- TITIVO – POSSIBILIDADE – DECADÊNCIA – ART... “O artigo 543-C do Código de Processo Civil não previu a necessidade de sobrestamento nesta Corte Superior do julgamento de recursos que tratem de ma- téria afeta como representativa de controvérsia.....2012). Esta Corte Superior de Justiça tem admitido. no julgamento do REsp 1.927/CE.05. “É inviável o agravo do art. ter o seu recurso fadado ao insucesso. adaptar o entendimento do acórdão embargado em razão de posterior mudança jurisprudencial.... excepcionalmente...2013)...... após o julgamento do presente Recurso. Luis Felipe Salomão...... da relatoria do ilustre Ministro Mauro Campbell Marques.... de modo a garantir a celeri- dade e a eficácia da prestação jurisdicional e a reverência ao pronunciamento majoritário. Todavia.... 141 *** TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DO CONTEÚDO DA DECISÃO ATACADA – INEFICÁCIA COMO MEIO DE MODIFICAÇÃO DO PRONUNCIAMENTO JUDICIAL – OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE – ENUNCIADOS SUMULARES NºS 284/STF E 182/STJ – MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART.. em atenção à instrumentalidade das formas.. não o fazendo.230. a questão foi objeto de nova decisão pela 1a. Não é possível...419. Arnaldo Esteves Lima.02.. concluído em 26.2014. 15. Aplicação do princípio da diale- ticidade e do Enunciado Sumular nº 284/STF... 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada” (Súmula nº 182/STJ). Min.. DJe 19. 543-C DO CPC – SOBRESTAMENTO DOS PROCESSOS EM CURSO NO STJ – DESNECESSIDADE – AGRAVO NÃO CONHECIDO 1.....

Ministro Humberto Martins Subprocurador-Geral da República: Exmo. para adequar.213/1991. o julgamento ao quanto decidido em recurso representativo de controvérsia. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho Presidente da Sessão: Exmo. 103 da Lei nº 8. Og Fernandes. a qual foi considerada como termo a quo do prazo decadencial em questão.08.1997). também se aplica aos benefícios concedidos antes da sua vigência.220. Sendo o benefício anterior à data de vigência da referida medida provisória (28. DJe 29. no âmbito dos recursos repetitivos (EDcl no AgRg nos EREsp 924992/PR. realizado sob o rito dos recursos repetitivos. Sr.03. CERTIDÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA SEÇÃO Processo Eletrônico EDcl-REsp 1. que alterou o art.2014 Relator: Exmo. Ante o exposto.309. Humberto Martins. no que couber. Min. Rel.2013).945/DF Número Registro: 2012/0097408-8 Números Origem: 200701000431350 200834000069115 5542008 Pauta: 12. no julgamento do REsp 1.529/PR. configurou-se. em virtude de o ajuizamento da respectiva ação ter-se dado em 2009. Rel. Moacir Guimarães Moraes Filho Secretária: Belª Zilda Carolina Véras Ribeiro de Souza AUTUAÇÃO Recorrente: Globex Utilidades S/A Advogado: Nelson Wilians Fratoni Rodrigues Recorrido: Fazenda Nacional Procurador: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Assunto: Direito Tributário – Contribuições – Contribuições previdenciárias – 1/3 de férias .523-9/1997. Min. Sr. a caducidade do direito do segurado de pleitear a revisão. no caso.142 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA julgamento da matéria ao que ficou definido pela Corte. A Primeira Seção.06. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes. 16.05. Dr. 2. acolho os Embargos de Declaração da Fazenda Na- cional. emprestando-lhes efeitos modificativos.2014 Julgado: 26.216/SC.322. instituído pela Medida Provisória nº 1. decidiu que o prazo de 10 anos para a decadência do direito à revisão dos benefícios previdenciários. DJe 05. Sr. (EDcl-AgRg-REsp 1. Corte Especial.03. 3.2013). 4.

.......... proferiu a seguinte decisão: “A Seção... .RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA........... por unanimidade... o Sr.. Ausentes. Ministro Relator.. Assusete Magalhães....... recebeu os embargos de declaração. Ministro Herman Benjamin. Mauro Campbell Marques. Ministros Og Fernandes.... Ministro Relator..” Os Srs. nos termos do voto do Sr........... Sérgio Kukina e Ari Pargendler votaram com o Sr. Benedito Gonçalves.... ocasio- nalmente. Ministro Arnaldo Esteves Lima e......... 143 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante: Fazenda Nacional Procurador: Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Embargado: Globex Utilidades S/A Advogado: Nelson Wilians Fratoni Rodrigues CERTIDÃO Certifico que a egrégia Primeira Seção... ao apreciar o processo em epígra- fe na sessão realizada nesta data. com efeitos modificativos... o Sr.. justificadamente....

34. Sra. com resolução do mérito. por unanimidade. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso (Rela- tora): Trata-se de remessa oficial da sentença proferida pelo Juízo da 6ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal. 2. ante o reconhecimento. pela ré. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso Relatora RELATÓRIO A Exma.Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra 10982 Tribunal Regional Federal da 1ª Região Numeração Única: 0019647-54. julgou extinta.00. Remessa oficial a que se nega provimento. Advogado: Paulo Roberto Machado Cunha Réu: Fazenda Nacional Procurador: Cristina Luisa Hedler Remetente: Juízo Federal da 6ª Vara – DF EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO TRIBUTÁRIO – INSCRIÇÃO INDEVIDA – COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO NA DATA DO VENCIMENTO 1. que. ACÓRDÃO Decide a Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. da procedência do pedido. negar provimento à remessa oficial.01. nos termos do voto da rela- tora. a ação anu- .2007.019749-7/DF Relatora: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso Autor: PMH Produtos Médicos Hospitalares Ltda.3400 Reexame Necessário nº 2007. autoriza a procedência do pedido.4. cumulada com o reconhecimen- to pela Fazenda Nacional de foi cancelada a (indevida) inscrição em Dívida Ativa dele decorrente. 4 de abril de 2014. A comprovação de que o débito tributário questionado nos autos foi pago na data do seu vencimento. Brasília/DF.

04. providência essa que.2014 Reexame Necessário nº 0019647-54. Ante o exposto. o pagamento indicado pelo contribuinte foi disponibilizado.... Sra.. Por meio da petição e documentos juntados às fls. que pro- pôs o cancelamento da inscrição. 20 do CPC.. A parte ré foi condenada ao ressarci- mento das custas e ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em R$ 1. 145 latória de débito tributária ajuizada por PMH Produtos Médicos e Hospitalares Ltda..... .. É o relatório.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA..... No caso em apreço........500.. a Fazenda Nacional esclarece que... 85-104...... tudo indica. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso (Rela- tora): O art...01......... pretende-se a extinção do crédito objeto do Processo Administrativo nº 10166500108/2007-43.. atende ao prin- cípio da causalidade e obedece ao critério definido no § 4º do art.. autoriza a procedência do pedido.. VOTO A Exma. Informa. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso Revisor: Exmo(a). Sra. já deve ter sido concretizada. nego provimento à remessa oficial. ademais... É como voto.3400/DF Relatora: Exma. em desfavor da Fazenda Nacional.. 156 do CTN prevê o pagamento como modalidade de extinção do crédito tributário.. A condenação ao pagamento de honorários.. e apenas não foi alocado automaticamente ao débito em razão de uma divergência entre as datas de vencimentos... Sr(a).. A comprovação de que o débito tributário questionado nos autos foi pago na data do seu vencimento. TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO SECRETARIA JUDICIÁRIA 8ª Sessão Ordinária do(a) Oitava Turma Pauta de: 04.4....04.00 (mil e quinhentos reais)..2007....... ao argumento de que já teria sido pago na data do respectivo vencimento.... de fato. por sua vez.. cumulada com o reconhecimento pela Fazenda Na- cional de foi cancelada a (indevida) inscrição em Dívida Ativa dele decorrente..2014 Julgado em: 04.

ao apreciar o processo em epígrafe. convocado. Jesus Narvaez da Silva Secretário(a) .: Cristina Luisa Hedler Remte. Sr(a). 04 de abril de 2014.: Paulo Roberto Machado Cunha Réu: Fazenda Nacional Procur. Dr(a). Adv. em Sessão realizada nesta data. negou provimento à remessa oficial.: DF SUSTENTAÇÃO ORAL CERTIDÃO Certifico que a(o) egrégia(o) Oitava Turma. Brasília.019749-7 Vara: 6ª Justiça de Origem: Justiça Federal Estado/Com. Bruno Caiado Secretário(a): Jesus Narvaez da Silva Autor: PMH Produtos Médicos Hospitalares Ltda. da República: Exmo(a). Reg.146 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA Presidente da Sessão: Exmo(a). à unanimidade.00. proferiu a seguinte decisão: A Turma. Desembargador Federal No- vély Vilanova e Juiz Federal Roberto Carvalho Veloso.34. em face da vacância do cargo. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso Proc. Sr(a). nos termos do voto da Relatora.: Juízo Federal da 6ª Vara – DF Nº de Origem: 2007. Participaram do Julgamento os Exmos. Srs.

Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra
10983

Tribunal Regional Federal da 2ª Região
IV – Apelação Cível nº 1900.51.01.590061-8
Nº CNJ: 0590061-80.1900.4.02.5101
Relator: Desembargador Federal Luiz Antonio Soares
Apelante: União Federal/Fazenda Nacional
Apelado: Auto Elétrica Centauro Ltda.
Advogado: sem advogado
Origem: Oitava Vara Federal de Execução Fiscal/RJ (0005900611)

EMENTA
TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – FGTS – AUSÊNCIA DE CNPJ – CITAÇÃO NÃO EFETUADA
ATÉ O MOMENTO – PRESCRIÇÃO
1. Lei nº 11.419/2006 (art.15) obriga a apresentação de CPF ou CNPJ
dos requerentes e réus nas petições iniciais à guisa de se relacionar as
ações judiciais às suas partes com segurança e fidúcia.
3. Depois de definidos os requisitos para a petição inicial (art. 282)
o CPC, no art. 283, aponta uma expressão aberta acerca dos docu-
mentos necessários ao ajuizamento da ação: “A petição inicial será
instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação.”
4. Combinando-se os arts. 282 e 283 do CPC e 15 da Lei que dispõe
sobre a informatização do processo judicial, a exigência do número
do CPF/CNPJ revela-se como requisito imprescindível, presentemen-
te, à propositura da ação, em razão da necessidade de uma individua­
lização precisa do executado.
5. A exigência do número do cadastro de pessoa física ou jurídica não
constitui medida arbitrária ou ilegal, mas mecanismo que impede a
ocorrência de homonímia; litispendência; fraudes processuais e emis-
são de certidões negativas incorretas. Ademais, a ausência da referida
identificação dificulta a própria atividade judicial, considerando que
importantes instrumentos não poderão ser utilizados na constrição de
bens do devedor (sistemas Bacen-Jud e Renajud).
6. Não se pode olvidar que a União Federal possua o número do
CNPJ da empresa executada seus bancos de dados. Por conseguinte,
correta a extinção do feito, face à desídia da exequente.

148 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
7. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.120.295/SP, na
sistemática do art. 543-C do CPC, firmou o entendimento de que a
citação efetivada retroage à data da propositura da ação para efeitos
de interrupção da prescrição, na forma do art. 219, § 1º, do CPC.
8. Compulsando os autos, verifica-se que os créditos em discussão
referem-se a FGTS, cujas datas de vencimento compreendem o perío­
do entre dez/1969 e mar/1971. O ajuizamento da ação se deu em
01.12.1983 (fl. 01). Até a presente data o executado ainda não foi
devidamente citado. Assim, desde o momento em que os créditos tri-
butários foram constituídos até a data em que a sentença foi proferida,
isto é, 06.02.2014 (fl. 33), decorreu prazo superior a 30 (trinta) anos.
Prescrição consumada.
9. Apelação desprovida.

ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.
Decide a Egrégia Quarta Turma Especializada do Tribunal Regional Fe-
deral da 2ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos
do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do
presente julgado.
Custas, como de lei.
Rio de Janeiro,

Luiz Antonio Soares
Desembargador Federal
Relator

RELATÓRIO
Trata-se de Recurso de Apelação interposto pela União Federal/Fazenda
Nacional, em face da sentença à fl. 33 que, em razão de a exequente não ter
apresentado o número do CNPJ da executada, dentro do prazo determinado,
com fulcro no art. 267, IV do CPC. Figura como executada Auto Elétrica Cen-
tauro Ltda.
Em linhas gerais, a recorrente requer a manutenção da execução, uma
vez que está apresentando o número do CNPJ da executada em fase de ape­
lação.
É o relatório. Peço dia para julgamento.

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.................................................................. 149
Luiz Antonio Soares
Desembargador Federal
Relator

VOTO
Trata-se de Execução Fiscal para a cobrança de créditos tributários rela-
tivos ao FGTS.
Intimada a exequente para apresentar o número do CNPJ do executado,
a mesma não o apresentou em tempo hábil, motivo pelo qual foi proferida a
sentença em apelo.
A Lei nº 11.419/2006 (art. 15) obriga a apresentação de CPF ou CNPJ
dos requerentes e réus nas petições iniciais à guisa de se relacionar as ações
judiciais às suas partes com segurança e fidúcia.
Dispõe o art. 15 da Lei nº 11.419/2006:
“Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso à justiça, a parte de-
verá informar, ao distribuir a petição inicial de qualquer ação judicial, o número
no cadastro de pessoas físicas ou jurídicas, conforme o caso, perante a Secretaria
da Receita Federal.”

Depois de definidos os requisitos para a petição inicial (art. 282) o CPC,
no art. 283, deixa em aberto os documentos necessários ao ajuizamento da
ação: “A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à pro-
positura da ação.”
Combinando-se os arts. 282 e 283 do CPC e 15 da Lei que dispõe sobre
a informatização do processo judicial, a exigência do número do CPF/CNPJ
revela-se, presentemente, como requisito imprescindível à propositura da ação,
em razão da necessidade de uma individualização precisa do executado.
A exigência do número do cadastro de pessoa física/jurídica não cons-
titui medida arbitrária ou ilegal, mas mecanismo que impede a ocorrência de
homonímia; litispendência; fraudes processuais e emissão de certidões negati-
vas incorretas. Ademais, a ausência da referida identificação dificulta a própria
atividade judicial, considerando que importantes instrumentos não poderão ser
utilizados na constrição de bens do devedor (sistemas Bacen-Jud e Renajud).
Por derradeiro, não se pode olvidar que a União Federal possua o nú-
mero do CNPJ da empresa executada seus bancos de dados. Por conseguinte,
correta a extinção do feito, face à desídia da exequente.
Importa ressaltar que a exequente sanou o vício constante na CDA que
deu origem ao feito, ao apresentar o número do CNPJ da executada em sede
de apelação, o que seria suficiente para permitir o prosseguimento da ação, em
razão dos princípios da celeridade e economia processual.

150 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
Contudo, perante o E. STJ, é pacífico o entendimento de que a interrup-
ção da prescrição, pela citação, retroage à data da propositura da ação, senão
vejamos:
PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTRO-
VÉRSIA – ART. 543-C, DO CPC – TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – PRES-
CRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO
TRIBUTÁRIO – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
– CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRA-
TICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS)
– PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO – INOCORRÊNCIA – TERMO
INICIAL – VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA – PE-
CULIARIDADE – DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA
POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DE-
CORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO – CONTAGEM DO PRAZO PRESCRI-
CIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO
1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobran-
ça judicial do crédito tributário conta-se da data estipulada como vencimento
para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre
outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que,
não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não
restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio
quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do
prazo prescricional (Precedentes da 1ª Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Min. José
Delgado, Relª p/ Ac. Min. Eliana Calmon, J. 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp
850.423/SP, Rel. Min. Castro Meira, J. 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg-EREsp
638.069/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, J. 25.05.2005, DJ 13.06.2005).
2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo
art. 174, do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 174. A ação para a co-
brança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua
constituição definitiva.
Parágrafo único. A prescrição se interrompe:
I – pela citação pessoal feita ao devedor;
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação
dada pela LCP 118, de 2005)
II – pelo protesto judicial;
III – por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV – por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reco-
nhecimento do débito pelo devedor.”
3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura
o decurso do prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de
cobrança judicial do crédito tributário.
4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF,
de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração des-
sa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a

o dies a quo do prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário declarado.. a formalização dos créditos tributários em questão se deu com a entrega da Decla- ração de Rendimentos pelo contribuinte que. é devido mensalmente. o prazo prescricional para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial da exação declarada. 1997. mas não pago. Rel.... 11. e (ii) “o que é entre- gue no ano seguinte.. Deveras...04. J. De acordo com a Lei nº 8.10..2002. é a data do vencimento da obrigação tributária expressamente reconhecida... Teori Albino Zavascki.” 12.... O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula nº 436/STJ. é a Declaração de Ajuste Anual... no caso. são obrigadas a apresentar. (ii) o contribuinte apresentou declaração de rendimentos em 30. reconhecendo o débito fiscal. 7. inexistindo obrigação legal de declaração prévia a cada mês de recolhimento...981/1995.. o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas.. DJe 28. 9.... 543-C.... é modo de constituição do crédito tributário.” 6.. portanto. vale dizer.041/1994). não procede a argumentação da empresa. para fins de impos- to de renda. 10... seja prescricional”... peculiaridade no caso sub examine. uma vez que a declaração de rendimentos entregue no final de abril de 1997 versa sobre tributo que já deveria ter sido pago no ano-calendário anterior. em 30... Consequentemente. presumido ou arbitrado).RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. verbis: “A entrega de declaração pelo contribuinte.. iniciou-se na data da apre- sentação do aludido documento.. 56). Consequentemente..1997...379/RS.... 22.2008). 8.03.. dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. consoante se depreende do seguinte excerto do acórdão regional: “Assim. Vislumbra-se.. e (iii) a ação executiva fiscal foi proposta em 05.. e-STJ 75/76). constitui o crédito tributário. independentemente da forma de tributação (lucro real.2008.541/1992 e Regulamento do Imposto de Renda vigente à época – Decreto nº 1. 37/44). Min. sendo certo que “o Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito em relação ao Fisco” (fls. não procedeu ao devido recolhimento dos mesmos....... as pessoas jurídicas. dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à for- malização do valor declarado (Precedente da 1ª Seção submetido ao rito do art. com vencimentos ocorridos entre fevereiro/1996 a janeiro/1997 (fls. apesar de declarar os débitos..10. conforme se extrai dos autos..1997.. no sentido de que: (i) “a declaração de rendimentos ano-base de 1996 é entregue no ano de 1996. in casu. Assim sendo. na medida em que os lucros forem auferidos (Lei nº 8. que não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do prazo seja decadencial. 5.... em cada mês que se realiza o pagamento. In casu: (i) cuida-se de créditos tributários atinentes a IRPJ (tributo sujeito a lançamento por homologação) do ano-base de 1996.. calculado com base no lucro presumido da pessoa jurídica.. escoando-se em .. declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no ano-calen- dário anterior (art.. do CPC: REsp 962.. sem proceder aos pagamentos mensais do tributo no ano anterior... 151 lançamento por homologação). até o último dia útil do mês de março... e não em 1997”.04..

após as alterações promovidas pela Lei Complementar nº 118/2005. isso significa que é a propo- situra. .03. o exercício do direito de ação pelo Fisco. § 2º. ed. estabelece que a interrupção da prescrição.2002. não ficando prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao serviço judiciário” (art.04.2002). Quando isso ocorre. que será expressamente reconhecido pelo juiz no ato da citação. a qual deve ser empreendida no prazo prescricional. 13. § 1º A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura da ação. induz litispendência e faz litigiosa a coisa. o termo inicial para sua recontagem sujeita às causas interruptivas previstas no art. p. cujo prazo prescricional perde sentido em razão do seu exercício. o fator tempo torna-se irrelevante. assim. na seara tributária. é certo que “incumbe à parte promover a citação do réu nos 10 (dez) dias subsequentes ao despacho que a ordenar. posto que a propositura da ação representa a efetivação do direito de ação. Destarte. constitui em mora o devedor e inter- rompe a prescrição. consoante a anterior redação do inciso I. retroage à data da propositura da ação. até a data em que se der o despacho ordenador da citação do devedor (ou até a data em que se der a citação válida do devedor. ainda quando ordenada por juiz incompetente. 219. Nesse caso. e não a citação.” (Eurico Marcos Diniz de Santi. 174. 3. conduz ao entendimento de que o marco interruptivo atinente à prolação do despacho que ordena a citação do executado retroage à data do ajuizamento do feito executivo. São Paulo: Max Limonad. que é a omissão do direito de ação. simultaneamente. conjura a alegação de inação do credor. Outrossim. 232/233) 16. o que ocorre é que o fator conduta. é desqualificado pelo exercício da ação. Outrossim. 2004. 15. Nada mais coerente. 219. Ou seja. e. 174.152 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA 30. como a pres- crição decorre do não exercício do direito de ação. pois não há sentido a priori em fazer reviver algo que já foi vivido (exer- cício da ação) e encontra-se em seu pleno exercício (processo). pela citação. desde a constituição definitiva do crédito tributário. esse é também o diretivo do Código de Processo Civil: ‘Art. a propositura da ação constitui o dies ad quem do prazo prescri- cional e. não se revelando prescritos os créditos tributários na época em que ajuizada a ação (05. do art. A citação válida torna prevento o juízo. que interrompe a prescrição. 14. do CPC). do CTN. por intermédio de ajui- zamento da execução fiscal. parágrafo único. 219. O Codex Processual. o exercício da ação impõe a interrupção do prazo de prescrição e faz que a ação perca a ‘possibilidade de reviver’.’ Se a interrupção retroage à data da propositura da ação. o que. do CTN). deixando de haver um termo temporal da prescrição. 17. revelando- -se incoerente a interpretação segundo a qual o fluxo do prazo prescricional con- tinua a escoar-se. in Decadência e Prescrição no Direito Tributário. seu termo consumativo. A doutrina abalizada é no sentido de que: “Para Câmara Leal. fixando-se. no § 1º do art. o exercício do direito de ação faz cessar a prescrição. Aliás. do parágrafo único.

. 1ª S.. o que for posterior. antes de escoado o lapso qüinqüenal (30.1997).04. Consequentemente. o termo ini- cial do prazo prescricional se dá na data do vencimento ou na data da entrega da declaração..... b) A interpretação conjugada do art. determinando-se o prosseguimento da execução fiscal..2010. ainda que o despacho inicial e a citação do devedor tenham sobrevindo em junho de 2002... DJe 21. Recurso especial provido.. Assim.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.. 01).. iniciado com a entrega da declaração de rendimentos (30.....12. 19.... Acórdão submetido ao regime do art. nego provimento ao recurso de apelação. 174.05. não se revela prescrita a pretensão executiva fiscal... I.... se o quinquênio terminou depois do ajuizamento e an- tes do despacho que ordena a citação ou da própria citação válida.. Logo.. 33).. Compulsando os autos..... verifica-se que os créditos em discussão referem- -se a FGTS.2010 – grifei) De entendimento supra.. 543-C. Min.. Até a pre- sente data o executado ainda não foi devidamente citado.. 219....04.03. não ocorreu a prescrição. não resta dúvida de que os créditos tributários em análise foram alcançados pela prescrição.. § 1º. conforme o caso.2002). É como voto.. O ajuizamento da ação se deu em 01. do CTN. Luiz Fux.1983 (fl. Isto posto. e da Resolução STJ nº 08/2008.02. desde o momento em que os créditos tributários foram consti- tuídos até a data em que a sentença foi proferida... sendo assim. Rel. J. do CPC. 219.... cujas datas de vencimento compreendem o período entre dez/1969 e mar/1971.. § 1º.. Rio de Janeiro.. isto é. (REsp 1120295/SP.. do CPC com o art.... tendo em vista que o exercício do direito de ação deu-se em 05. nos termos da fun- damentação supra.2014 (fl.. 153 18.. 12... CPC). Luiz Antonio Soares Desembargador Federal Relator .. extrai-se que: a) Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação.2002..05.. leva à conclusão de que a interrupção da prescrição pela citação válida (redação original do CTN) ou pelo despacho que a ordena (redação do CTN dada pela LC 118/2005) sempre retroage à data da propositura da ação (ajuizamento – art..... 06.... decorreu prazo superior a 30 (trinta) anos..

027783-6/MS Relator: Desembargador Federal Antonio Cedenho Agravante: Ministério Péblico Federal Agravado: União Federal Advogado: SP000019 Tércio Issami Tokano Origem: Juízo Federal da 4ª Vara de Campo Grande > 1ª SSJ > MS Nº Orig.0000/MS 2012. prestado ao con- tribuinte ou posto à sua disposição”. II – A cobrança de taxa. alte- rada pelo Decreto-Lei nº 2. III – Também a Lei nº 6. COM SITUAÇÃO MIGRATÓRIA IRREGULAR NO PAÍS. que em seu art. em seu art.2012. especifica os valores cobrados pela emissão de documento de identidade e pedido de passaporte para estrangeiro.Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra 10984 Tribunal Regional Federal da 3ª Região Poder Judiciário DE publicado em 22.4. Campo Grande/MS EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL – PRETENSÃO QUE OBJETIVA O FORNECIMENTO GRATUITO PARA OS ESTRANGEIROS DE BAIXA RENDA.03. inciso II. prestados ao contribuinte ou postos à sua dis- posição. estabelece que a União poderá instituir taxa pela utilização dos serviços públicos específicos e divisíveis. 77 dispõe que o fato gerador decorre do “exercício regular do poder de polícia. na legislação infraconstitucional. de serviço público específico e divisível. OS PROCEDIMENTOS E ATOS NECESSÁRIOS PARA REGULARIZAÇÃO DE SUA PERMANÊNCIA NO BRASIL – IMPOSSIBILIDADE – INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA – AGRAVO DE INSTRUMENTO A QUE SE NEGA PROVIMENTO I – A Constituição Federal. 131 aprovou a Tabela de Emolumentos Consulares e Taxas.2014 Agravo de Instrumento nº 0027783-25. 145.05.: 00071312920124036000 4ª Vr.815/1980 (Estatuto do Estrangeiro) em seu art.00. ou a utilização. está regu- lada pelo CTN. efetiva ou potencial.03.236/1985. .

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.................................................................. 155
IV – Já o Decreto nº 6.975, de 07.10.2009, que promulgou o Acor-
do sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercado
Comum do Sul – Mercosul, Bolívia e Chile, de igual forma autorizou
a cobrança de taxa de serviço ao estrangeiro que pretenda fixar resi-
dência temporária de até dois anos (art. 4º, I, g).
V – A par do princípio da igualdade, trazido nas razões recursais,
vigora no ordenamento jurídico brasileiro o princípio da legalidade
tributária (CF/1988, art. 150, I).
VI – Pretender a isenção de tais cobranças importaria em conceder
benefícios sem autorização legal para tanto.
VII – Precedente desta Corte.
VIII – Agravo de instrumento a que se nega provimento.

ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, deci-
de a Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por una-
nimidade, negar provimento ao Agravo de Instrumento, nos termos do relatório
e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
São Paulo, 12 de maio de 2014.

Antonio Cedenho
Desembargador Federal

RELATÓRIO
O Senhor Desembargador Federal Antonio Cedenho:
Trata-se de agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público Fe-
deral em face da decisão proferida pelo Juízo Federal da 4ª Vara de Campo
Grande/MS nos autos de ação civil pública em que o agravante objetiva que
a União/agravada ofereça gratuitamente para as pessoas estrangeiras de baixa
renda, com situação migratória irregular no País, os procedimentos e atos ne-
cessários para regularização de sua permanência no Brasil (“atos de registro,
recebimento de pedido de registro, naturalização e pedidos de reconsideração,
publicações, republicações, emissão de carteira, emissão de 2ª via de carteira e
recadastramento”), que indeferiu a pretendida liminar, nos termos que, resumi-
damente, reproduzo:
“[...]

156 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA
A Constituição garante igualdade de direitos, de forma que eventual isenção de
taxas deve alcançar não somente os brasileiros, mas também os estrangeiros aqui
residentes.
No caso, a parte autora alega que as taxas de migração são superiores às taxas
análogas exigidas para brasileiros, para procedimentos de identificação e emis-
são de carteira de identidade. Ou seja, pela própria afirmação da autora, não
haveria isenção de tais taxas, pois seriam cobradas, embora em valor inferior.
Outrossim, também não restou provado que o valor das taxas de migração é
superior às taxas análogas cobradas dos brasileiros. De forma que a parte autora
não se desincumbiu do ônus de demonstrar especificadamente o que alega.
[...]” (fls. 23/30)

Aduz, em síntese, “que estrangeiros de baixa renda – especialmente
aqueles em situação irregular – normalmente não dispõem de meios suficientes
para o pagamento das várias taxas exigidas para esses procedimentos de regula-
rização de permanência. Como se mostrará adiante, em alguns procedimentos
o valor a ser desembolsado chega a quase quinhentos reais”.
Alega violação ao princípio da dignidade da pessoa humana e que a
gratuidade das taxas exigidas para realização dos procedimentos migratórios
é necessária para que estrangeiros inexpulsáveis tenham acesso a direitos fun-
damentais e serviços públicos mínimos que atendam ao princípio em questão.
Sustenta que a Lei nº 6.015/1973, com a redação dada pela Lei
nº 9.534/1997, passou a conferir isenção de emolumentos aos reconhecidamen-
te pobres, na extração de certidões de registro civil e que a Lei nº 7.116/1983,
acrescentada pela Lei nº 12.687/2012, estende a todos a gratuidade da primeira
emissão da carteira de identidade, e se há gratuidade de acesso a procedimentos
de identificação para brasileiros de baixa renda, “conforme o princípio consti-
tucional da igualdade”, o mesmo tratamento deveria se aplicar aos estrangeiros
que possam ter sua situação migratória regularizada.
Nas fls. 149/150 consta a decisão que indeferiu efeito suspensivo ao
agravo de instrumento.
A contraminuta veio aos autos nas fls. 152/173.
O Parecer do Ministério Público Federal, atuando na condição de custos
legis, foi no sentido de que seja dado provimento ao recurso (fls. 175/179).

VOTO
A Constituição Federal, em seu art. 145, inciso II, estabelece que a União
poderá instituir taxa pela utilização dos serviços públicos específicos e divisí-
veis prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição.

RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.................................................................. 157
A cobrança de taxa, na legislação infraconstitucional, está regulada pelo
CTN, que em seu art. 77 dispõe que o fato gerador decorre do “exercício regular
do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público
específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição”.
Também a Lei nº 6.815/1980 (Estatuto do Estrangeiro) em seu art. 131
aprovou a Tabela de Emolumentos Consulares e Taxas “que integra esta Lei”, al-
terada pelo Decreto-Lei nº 2.236/1985, que especifica os valores cobrados pela
emissão de documento de identidade e pedido de passaporte para estrangeiro.
Já o Decreto nº 6.975, de 07.10.2009, que promulgou o Acordo sobre
Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercado Comum do Sul –
Mercosul, Bolívia e Chile, de igual forma autorizou a cobrança de taxa de ser-
viço ao estrangeiro que pretenda fixar residência temporária de até dois anos
(art. 4º, I, g).
A par do princípio da igualdade, trazido nas razões recursais, vigora no
ordenamento jurídico brasileiro o princípio da legalidade tributária (CF/1988,
art. 150, I). A cobrança de taxas decorre de previsão legal, no caso específico
de prestação de serviço público aos estrangeiros em situação regular ou não no
País.
Pretender a isenção de tais cobranças importaria em conceder benefícios
sem autorização legal para tanto.
Acerca da questão ora apreciada, trago o julgado que segue:
“CONSTITUCIONAL – ESTRANGEIRO – ISENÇÃO DE TAXAS – ART. 131 DA
LEI Nº 6.815/1980
1. A emissão da segunda via do Registro Nacional de Estrangeiro – RNE e o rece-
bimento de pedido de naturalização demandam o pagamento das taxas indicadas
no anexo da Lei nº 6.815/1980.
2. Não existe previsão legal para a isenção dessas taxas caso não possa o estran-
geiro realizar seu adimplemento.
3. Inaplicáveis, à hipótese, os incisos LXXVI e LXXVII do artigo da Constituição
Federal, bem como suas normas regulamentares.
4. Sentença mantida.”
(TRF 3ª R., AMS 00064187720054036104, 6ª T., Rel. Des. Fed. Mairan Maia,
J. 09.12.2010, DJF3 15.12.2010, p. 528)

Diante do exposto, nego provimento ao agravo de instrumento.
É o voto.

Antonio Cedenho
Desembargador Federal

Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra
10985

Tribunal Regional Federal da 4ª Região
DE publicado em 09.07.2014
Apelação Cível nº 0022279-50.2013.404.9999/SC
Relator: Des. Fed. Jorge Antonio Maurique
Apelante: Círculo S/A
Advogado: Patrick Scalvim e outro
Apelado: União Federal (Fazenda Nacional)
Procurador: Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional

EMENTA
TRIBUTÁRIO – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – ADESÃO AO PARCELAMENTO DA
LEI Nº 11.941/2009 – AUSÊNCIA DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA OU DE RENÚNCIA AO
DIREITO EM QUE SE FUNDA A AÇÃO – CONSEQUÊNCIAS NA ESFERA ADMINISTRATIVA –
PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO DE EMBARGOS – POSSIBILIDADE
1. A mera adesão ao programa de parcelamento da Lei nº 11.941/2009,
sem pedido expresso de desistência ou de renúncia ao direito em que
se funda a ação, não implica na desistência ou renúncia tácitas.
2. A opção pelo parcelamento da dívida implica confissão irretratável
dos fatos, mas não exclui a possibilidade de discussão dos aspectos
jurídicos da exação, considerado o princípio da inafastabilidade da
jurisdição, ressalvado à autoridade administrativa o exame quanto
aos requisitos para adesão válida e permanência no programa, conso-
ante os termos da legislação especial.

ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, deci-
de a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimi-
dade, dar provimento à apelação para determinar o retorno dos autos à origem,
nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte
integrante do presente julgado.
Porto Alegre, 26 de junho de 2014.

Des. Fed. Jorge Antonio Maurique
Relator

e) ilegalidade da contribuição ao Sebrae....... com resolução do mérito. inclusive dos embargos à execução fiscal e que tampouco é o caso de se considerar que o pedido de desistência implicaria.. em síntese: a) decadência/prescrição.. 159 RELATÓRIO Círculo Ltda.00.. é possível o questionamento judicial da obrigação tributária..... A questão da possibilidade da discussão judicial de débitos incluídos em programas de parcelamentos especiais dos moldes das leis do Refis..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA.... motivo pelo qual o julgador não poderia ter extinguido o feito. c) inconstitucionalidade do salário-educação.... a posição atual é de que o prosseguimento da discussão judicial dos aspectos jurídicos da exação não é incompatível com a adesão aos programas especiais de parcelamento e recuperação fiscal.. automaticamente.. tem sido amplamente debatida no âmbito das Cortes pátrias.. Paex e da Lei nº 11. b) inexigibilidade da con- tribuição ao Incra.. f) inaplicabilidade da taxa Selic.. fixados em R$ 500. aduzindo... para efeitos de adesão ao parcelamento.. 2..... com base no art.941/2009. O entendimento majoritário atual é no sentido de que não se pode presumir a desistência tácita das deman- das judiciais.... Nesse sentido. Ressalta que é necessária a renúncia expressa da parte para somente então se operar a renúncia sobre o qual se funda a ação. d) ilegalidade do SAT... Manifestação de vontade em aderir a parcelamento.. conhecido por Refis IV...... Presentes as contrarrazões.... 269. É o relatório.. A confissão da dívida.. cabendo à auto- ridade fiscal tomar as providências que julgar cabíveis no caso de considerar que não foram atendidas as condições e requisitos legais para manutenção no parcelamento. opôs embargos à execução fiscal movida pela União Fede- ral.. sustentando que não requereu desistência da ação.. No que se refere aos aspectos jurídicos do tributo.. do CPC.. Neste diapasão. VOTO Extinção do feito sem julgamento do mérito... Paes. Sobreveio sentença julgando extintos os embargos.. na renúncia ao direito. V.. condenando a embargante ao paga- mento de honorários advocatícios....... refere-se à matéria de fato. Apela a executada.. Mencionou que foram violados diversos princípios constitucionais. Reconhecida pelo .. colaciono arestos desta Corte Regional e do STJ: TRIBUTÁRIO – AÇÃO ORDINÁRIA – REFIS – CONFISSÃO IRREVOGÁVEL E IRRETRATÁVEL – DISCUSSÃO JUDICIAL – POSSIBILIDADE QUANTO AOS AS- PECTOS JURÍDICOS – CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS – SAT – SEBRAE – INCRA – TAXA SELIC – 1..

Castro Meira..71. Rel.2013) TRIBUTÁRIO – REPETIÇÃO DO INDÉBITO – PARCELAMENTO – CONFISSÃO DE DÍVIDA – DISCUSSÃO JUDICIAL – POSSIBILIDADE 1. (TRF 4ª R.2014 Apelação Cível nº 0022279-50. Apelação Cível nº 2002. Rel. 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 8/2008. somente poderão ser reapreciados se ficar comprovado vício que acar- rete a nulidade do ato jurídico. p/ o Ac.941. J. todavia.027/SP. qualifica-se como contribuição interventiva no domínio econômico.. destinada ao Incra. Rel. DJe 17.2%. não necessitando de referibilidade direta para com o sujeito passivo para ser validamente exigível.2011) Ante o exposto. Min. Fed. A contri- buição de 0. 3.2011.133.7208. p/ Ac. Otávio Roberto Pamplona. 3. Fed..11. Rômulo Pizzolatti. DE 18. 4..404. 01. o que permite a adoção da Taxa Selic. § 1º. (AgRg-REsp 1202871/RJ.941.404.00. DE 26. 161. pendente de publicação. Min. Os fatos. Posição consolidada no julgamento do REsp 1. por unanimidade. Rel. Luiz Fux. dos juros moratórios.06.2011. Mauro Campbell Marques. (TRF 4ª R.160 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA E. de 2009 não importa renúncia ou desistência tácita de ação anulatória de débito fiscal.09... Jorge Antonio Maurique Relator EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 26.03. 2ª T. Agravo regimental não provido. É pacífica a orientação do STJ no sentido de que o art.03. AC 5000011-16.2009) AÇÃO ANULATÓRIA – PARCELAMENTO – LEI Nº 11.2010. conforme firmado pelo STJ.9999/SC Origem: SC 00041007020068240025 Relator: Des. por lei diversa. Des. voto por dar provimento à apelação para determinar o retorno dos autos à origem para que seja examinado o mérito dos presentes embargos à execução fiscal. Jorge Antonio Maurique Presidente: Maria de Fátima Freitas Labarrère .10. 1ª S. A confissão de dívida para fins de parcelamento dos débitos tributários não impede sua posterior discussão judicial quanto aos aspectos jurídicos. 13. 2ª T. 2.2013. J. do CTN autoriza a previsão. 2ª T. Fed. DE 2009 – DE- SISTÊNCIA TÁCITA – IMPOSSIBILIDADE – A adesão ao parcelamento da Lei nº 11. Des. STF a constitucionalidade das parcelas referentes ao Sebrae e SAT. Min. submetido ao regime do art. não existindo qualquer vício na sua incidência.046642-7.

decidiu dar provimento à apelação para determinar o retorno dos autos à origem para que seja examinado o mérito dos presentes embargos à execução fiscal. Ricardo Luis Lenz Tatsch Apelante: Círculo S/A Advogado: Patrick Scalvim e outro Apelado: União Federal (Fazenda Nacional) Procurador: Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional Certifico que este processo foi incluído na Pauta do dia 26...... o Ministério Público Federal e as demais Procuradorias Federais.. Jorge Antonio Maurique Desª Fed... Jorge Antonio Maurique Votante(s): Des..2014...2014..... Fed..06......... na sequência 486.06.. Certifico que o(a) 1ª Turma... em sessão realizada nesta data.. disponibilizada no DE de 13.. por unanimidade.......... Relator Acórdão: Des.... Joel Ilan Paciornik Leandro Bratkowski Alves Diretor de Secretaria .RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA...... 161 Procurador: Dr. Fed... ao apreciar os autos do processo em epígra- fe..... da qual foi intimado(a) União Federal (Fazenda Nacional)..... Maria de Fátima Freitas Labarrère Des........ proferiu a seguinte decisão: A turma.. Fed..

por unanimidade.05. Apelo provido. Vistos. voto e notas taquigráficas constantes dos autos.4. Nessa linha. Hipótese em que a execução fiscal foi extinta.: Produtos Rick Ltda. expurgada a parcela inexequível através de simples cálculo aritmético. razão pela qual há de ser afastada a extinção e determinado o prosseguimento. 26 de junho de 2014.: Fazenda Nacional Apdo. fundamento que confronta com o entendimento assentado no paradigma supra.8311) Apte. sem necessidade de emenda ou substituição da CDA. O eg. acordam os Desembargadores Federais da Pri- meira Turma do TRF da 5ª Região. concluiu aquela eg.2013. relatados e discutidos estes autos de AC 570887/PE.Parte Geral – Jurisprudência – Acórdão na Íntegra 10986 Tribunal Regional Federal da 5ª Região Apelação Cível nº 570887/PE (0000306-32. assentou que a inexigibilidade parcial do título executivo é passível de ser afastada mediante simples cálculo aritmé- tico para expurgo da parcela indevida da CDA. em dar provimento à ape- lação. em que são partes as acima mencionadas. no tocante à parcela rema- nescente não fulminada pela prescrição. do CPC. STJ./Proc. nos termos do relatório. Recife. no julgamento do REsp 1115501/SP. 2. . Corte que. 3. a despeito de a de- cadência haver atingido apenas parte dos débitos inscritos na CDA que aparelha o feito. sob o regime do art. 4.: sem advogado/procurador Origem: Juízo da 29ª Vara Federal de Pernambuco (Jaboatão dos Guararapes) Relator: Desembargador Federal Manoel de Oliveira Erhardt ACÓRDÃO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – CDA – INEXIGIBILIDADE PARCIAL – ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA – RECURSO PROVIDO 1. 543-C. remanesce a exigi- bilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa. que ficam fazendo parte do presente julgado. ME Adv.

I c/c 269. 3.... VOTO 1.. Sobre a matéria....115. Trata-se de Apelação Cível interposta pela União (Fazenda Nacio- nal) contra sentença proferida pelo Douto Magistrado da 29ª Vara Federal de Pernambuco que extinguiu o processo. 4.. 3. 618. Sem contrarrazões.. a fim de que seja anulada a sentença do juízo de primeiro grau.... a apelante alega que em razão do grande número de processos recebidos. do CPC. 163 Manoel de Oliveira Erhardt Relator RELATÓRIO 1. nos termos do art... 2. a eg.... En- tretanto.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA..... sem resolução de mérito. 618. A questão devolvida a este Colegiado versa sobre a impossibilidade de extinção do feito executivo. 267. Este é o relatório. do CPC. IV... IV c/c art........ ora apelante..... 2.. esta execução fiscal foi enviada a outro setor do órgão.. ao meu modesto sentir. julgado sob o rito do art.. que seja dado provimento ao presente recurso de apelação.. Segue a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTRO- VÉRSIA – ART. 5... com arrimo no art.. o qual por descuido peticionou de forma contraria a pretendida.. sem que isso implique nulidade do título executivo..... 543-C. Em suas razões recursais. DO CPC – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – CERTI- DÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) ORIGINADA DE LANÇAMENTO FUNDADO ..667.... nas hipóteses em que a inexigibilidade parcial do título executivo é passível de ser afastada mediante simples cálculo aritmético para expurgo da parcela indevida da CDA. Requer.647-0.501/SP..... determinando-se o prosseguimento da execução com o recebimento da nova certidão de dívida ativa. cumpre destacar o entendimento esposado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.. por fim.. O pleito da Fazenda Nacional..... Na ocasião. 4... 543-C do CPC... merece prosperar. Corte assentou a viabilidade do ajuste no valor da CDA mediante simples cálculos aritméticos. a Fazenda Nacional reconhece o próprio erro cometido e informa que já tomou as medidas cabíveis a fim de excluir a competência 02/2002 da CDA 40..

precedeu à declaração inciden- tal de inconstitucionalidade formal das normas que alteraram o critério quan- titativo da regra matriz de incidência tributária.045. do CPC: REsp 1.1995. DJe 18.164 E��������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA EM LEI POSTERIORMENTE DECLARADA INCONSTITUCIONAL EM SEDE DE CONTROLE DIFUSO (DECRETOS-LEIS NºS 2. pelo Senado Federal. 5. Min. PROFERIDA NOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. Rel. entre outras. O caso sub judice amolda-se no disposto no caput do art. quando se tratar de correção de erro material ou formal.472/BA. que reconhe- ceu o excesso cobrado pelo Fisco.449/1988. em 19.10.445/1988 e 2. a modificação do sujeito passivo da execução (Súmula nº 392/STJ) ou da norma legal que. In casu. os Decretos-Leis nºs 2.. do Codex Tributário. 2º. tenha servido de fundamento ao lançamento tributário (Precedente do STJ submetido ao rito do art. do CTN. prenuncia que o poder-dever de auto- tutela da Administração Tributária.11. uma vez que o ato de formalização do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação (DCTF). em sede de controle difuso. insculpido no art. J.449/1988. Luiz Fux. e desde que não ultimada a extinção do crédito pelo decurso do prazo decadencial quinquenal. ainda que posteriormente modificada ou revogada. utilizando-se da base de cálculo estipulada pelos Decretos-Leis nºs 2. 145.2009).445/1988 E 2.12.2009. por equívoco. § 8º. 3.”). encampado por desnecessário ato admi- nistrativo de lançamento (Súmula nº 436/STJ). não se cuida de correção de equívoco. quais sejam. 149.449/1988) – VALI- DADE DO ATO ADMINISTRATIVO QUE NÃO PODE SER REVISTO – INEXIGI- BILIDADE PARCIAL DO TÍTULO EXECUTIVO – ILIQUIDEZ AFASTADA ANTE A NECESSIDADE DE SIMPLES CÁLCULO ARITMÉTICO PARA EXPURGO DA PARCELA INDEVIDA DA CDA – PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL POR FORÇA DA DECISÃO. vedada. em homenagem ao princípio da proteção à confiança do contribuinte (encartado no art. consubstanciado na possibilidade de revisão do ato administrativo constitutivo do crédito tributário. 144. a fortiori. O princípio da imutabilidade do lançamento tributário. O prosseguimento da execução fiscal (pelo valor remanescente daquele cons- tante do lançamento tributário ou do ato de formalização do contribuinte funda- do em legislação posteriormente declarada inconstitucional em sede de controle difuso) revela-se forçoso em face da suficiência da liquidação do título executivo. é certo que a Fazenda Pública pode substituir ou emendar a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos (art. sobressaindo a higidez do ato de constituição do crédito tributário. consubstanciado na sentença proferida nos embargos à execução. 25. da Lei nº 6. o que.830/1980). posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. dispensa a emenda ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). QUE DECLAROU O EXCESSO E QUE OSTENTA FORÇA EXECUTIVA – DESNECESSI- DADE DE SUBSTITUIÇÃO DA CDA 1. 1ª S.445/1988 e 2. somente pode ser exer- cido nas hipóteses elencadas no art. contudo. uma vez que a autoridade admi- nistrativa procedeu ao lançamento do crédito tributário formalizado pelo contri- buinte (providência desnecessária por força da Súmula nº 436/STJ). 543-C. 2. . tendo sido expedida a Resolução nº 49. do CTN (“O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. Deveras. 4. 146) e no respeito ao ato jurídico perfeito.

11. (REsp 1115501/SP.. ultrapassada a questão da nulidade do ato constitutivo do crédito tri- butário.033. salvo a existência de valor remanescente relativo a débitos legalmente exigíveis... [.. entretanto.... [.. não ilide a inexigibilidade do débito fiscal.] § 2º Os autos das execuções fiscais dos débitos de que trata este artigo serão arquivados mediante despacho do juiz.... Diante do exposto.. tendo em vista a desnecessidade de revisão do lançamen- to. para determinar o retorno dos autos ao Juízo de origem. [.... relativamente: [.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – JURISPRUDÊNCIA – ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA. 475-N e 475-I... e do Decreto-Lei nº 2. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacio- nal autorizada a não contestar.. máxime tendo em vista que a sentença proferida no âmbito dos embargos à execução. 8... atualmente.. sem necessidade de emenda ou substituição da CDA (cuja liquidez permanece incó- lume).. para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário.. In casu.. a inscrição como Dívida Ativa da União. preceituado nos arts. dispensa-se novo lançamento tributário e. verbis: “Art. 8.]” Art. do CPC). emen- da ou substituição da certidão de dívida ativa (CDA). perfilhando tal orientação. ciente o Procurador da Fazenda Nacional. o ajuizamento da respectiva execução fiscal.. DJe 30. inclusive. da Lei nº 10. de ser liquidado para fins de prosseguimento da execução fiscal (arts...449. de 2004) I – matérias de que trata o art..033... 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. de 29 de junho de 1988. para que se dê continuidade à execução das parcelas referentes a período posterior a dezembro de 2002.. ...... Luiz Fux.. de 7 de setembro de 1970. 475-H.. Rel.. encontra-se. é título executivo passível.... de 21 de julho de 1988.. conforme o caso.. Assim. 165 6.. na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.. 19.2010.] VII – à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decreto-Lei nº 2. a fortiori. o que impõe a reforma da sentença. que reconhece o excesso. exegese que..... encartado no título executivo extrajudicial. 10. a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento.. por si só.11. o que. na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7..522/2002.. desde que inexista outro fundamento relevante. 61/62).... Ficam dispensados a consti- tuição de créditos da Fazenda Nacional. J.. na parte referente ao quantum a maior cobrado com espeque na lei expurgada do ordenamento jurídico. não alcançando os débitos vencidos posterior- mente... 18. Acórdão submetido ao regime do art.. bem assim cancelados o lançamen- to e a inscrição.445. É como voto. subsiste a constituição do crédito tributário que teve por base a legislação ulteriormente declarada inconstitucional... Min. remanesce a exigibilidade parcial do valor inscrito na dívida ativa. observo que o reconhecimento da decadência diz respeito apenas às parcelas referentes ao período anterior a dezembro de 2002 (fls.. a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto. 18 e 19. (Redação dada pela Lei nº 11.. 18. 7..].... e alterações posteriores. 475-B. Consectariamente. 1ª S. Recurso especial desprovido...2010) 6. dou provimento à apelação. Consequentemente... 9. de 2004)” 7.. § 5º Na hipótese de créditos tributários já constituídos..

Não ocorrência.” (TJES – AI 0046767-74. Rel. vê-se que os recursos arrecadados têm por fim o fomento do desenvolvimento nacional. ainda. bem como a imunidade constitucional disposta no § 3º do art. 170 da Constituição. 1.04. Suspensão da eficácia da inscrição. STF. nos termos do art. Suspensa a exigibilidade do crédito em razão de recurso administrativo. O princípio isonômico preceitua que os desiguais serão tratados desigualmente na medida de sua de- sigualdades.3900/PA.1997). por sua vez.08. A instituição da referida Cide (FNDCT) se deu pela Lei nº 10. em nada interfere na exigência desta. Além disso. 6.Cív. Sentença mantida. de 16 de julho de 1997.052/2000. Tribunal Pleno. tributo com o qual não se confundem as contribuições de intervenção no domínio econômico. fomentar a geração de empregos e promover o acesso de pequenas e médias empresas a recursos de capital. não havendo lesão ao princípio da isonomia.168/2000 e. sendo diversa a incidência. mediante programas de pesquisa científica e tecnológica co- operativa entre universidades.0024 – 1ª C. Des.168/2000. as contribuições de intervenção no domínio econômico não exigem vinculação direta entre o contribuinte e a aplicação . Crédito tributário.2014 – DJES 16. da redução das desigualdades regionais e sociais.052/2000 e 10. que a Cide FNDCT não lhe pode ser exigida porque a Cide Funttel foi instituída previamente com mesma finalidade aplicativa e sobre a mesma base de cálculo. Não acolhida a alegação de que empresa impetrante já é contribuinte de Cide destinada ao desenvolvimento tecnológico. não havendo que se pleitear a aplicação do princípio isonômi- co em relação às empresas que não atuam no mesmo ramo da apelante. 2. Trata- -se apelação interposta contra Telemig Celular S/A (Vivo Participações S/A) contra a sentença de fls. 08. centros de pesquisa e o setor produtivo. A Cide é um tributo destina- do a viabilizar a intervenção estatal na economia para organizar e desenvolver setor essencial. Apelação improvida. Em suas razões. Assim. 3. o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel). p. Isonomia.472. 1. 4. 347/353. enquanto que a contribuição sobre os royalties tem por objetivo o desenvolvimento tecnológico brasileiro como um todo.2013. 576). 4.137-2.04. Certidão positiva com efeitos de negativa. 5ª Tur- ma Suplementar. 3. Imunidade tributária. Juiz Federal Wilson Alves de Souza. não ocorre bis in idem. Contribuições de intervenção no domínio econômico. haja vista que esta exação possui fato gerador e destinação diversos da Cide instituída pela Lei nº 10. entendendo o Juízo a quo não haver identidade de finali- dade dos fundos Funttel e FNDCT. A Lei nº 10. Recurso conhecido e desprovido. que não possa ser desenvolvido com eficácia no regime de competição de liberdade de iniciativa (RE 177. 77 da Lei nº 9. Ilmar Galvão. qual seja. fls. 358/392. realizado mediante a tributação da importa- ção da tecnologia com a reversão destes recursos para programas que tornem viáveis a produção destes conhecimentos no próprio País. 5. assim. O Funttel destina-se especificamente ao ramo das teleco- municações. cuidou da instituição do Funttel cujo objetivo é estimular o processo de inovação tecnológica. A imunidade constante no § 3º do art. nem da destinação dos recursos das Cides instituídas pelas Leis nºs 10. portanto. Recurso conhecido e desprovido. deve ser fornecida a certidão positiva de débitos com efeito de ne- gativa ao contribuinte.Parte Geral – Ementário de Jurisprudência 10987 – Certidão de débitos – positiva com efeitos de negativa – crédito tributário suspenso – fornecimento devido “Agravo de instrumento em mandado de segurança. instituído pela Lei nº 10. 7. estão sujeitas a ambas contribuições. a base de cálculo e a finalidade. e-DJF1 de 22.2002. voto do Min.2013.8. Precedente do STJ. todas as empresas de telecomunicações. que denegou a segurança. incentivar a capacitação de recursos humanos. como no caso em espécie. de modo a ampliar a competitividade da indústria brasileira de telecomunicações. alega. 2.4. em síntese. 155 da CF alcança tão somente os impostos. Fornecimento devido.052/2000. Bis in idem. Apelação desprovida’ (AC 0003892-18. Recurso administrativo pen- dente de julgamento. Alega. ‘1. FNDCT e Funttel.168/2000. que a exigência da exação fere a isonomia tributária.04. Sem identidade.03. DJ 18. em evidente concretização do objetivo colimado pelo inciso VII do art.2014) 10988 – Cide – FNDCT e Funttel – bis in idem – não ocorrência – isonomia – imunidade tribu- tária – apelação improvida – sentença mantida “Tributário. 155 da CF e a irretroatividade da lei. – Rel. como bem asseverado pela apelante.01. 2. William Couto Gonçalves – J.

afastou a ilegalidade da IN 247/2002. 5. a fim de verificar se a recorrente faz jus à isenção prevista na MP 2... Contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins).. Humberto Martins – DJe 02. Negativa de prestação jurisdicional. 1365) . – AC 2002. A instrução normativa apenas conceitua os atos que são próprios da entidade contemplada na MP 2. Min.158/2001... Dispensa de lei complementar. Cofins. § 2º.525 – (2012/0117687-4) – 2ª T. 535 configurada. Humberto Martins – DJe 02..09.05. 3... não obstante contrária à pretensão da agravante. que fundamentou o acórdão re- corrido. nos termos do art..10. anular o acórdão embargado e determinar a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 47. da Lei nº 8. ensejando assim a isenção da Cofins. Repercussão geral do tema reconhecida no Recurso Extraordinário nº 599.2013 – p. Min.. 535.10. 6. Não houve negativa de prestação jurisdicional ou falta de motivação no decisum. 18 da Lei nº 10. Receitas derivadas de atividade própria. Precedentes.2006.” (STF – AgRg-AI 831.05. analisando a questão. Segunda Turma. Apelação improvida.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA...158/2001. nos termos dos artigos legais apontados como violados no recurso especial. Incidência sobre a loca- ção de imóveis. 2.....12..168/2000. RE 451.684/2003). Min. porque em seu art.. que se ateve tão somente à análise da legalidade da IN/SRF 247/02.915 AgRg/PR. 1... – Rel. É assente a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal de que é constitucional a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10. Impossibilidade. Agravo regimental improvido. A Corte de origem... Agravo regimental improvido. tendo a recorrente interposto o presente recurso por ofensa ao art.” (TRF 1ª R. bem como a vincula- ção direta entre os benefícios dela decorrentes e o contribuinte... Dias Toffoli – DJe 13.. Isenção.. Cármen Lúcia – DJe 14.2013 – p.09. Resta saber se as verbas às quais a recorrente pleiteia o direito à isenção configuram receitas pró- prias aptas a ensejar a isenção prevista na referida medida provisória. Gilmar Mendes. 1317) 10991 – Cofins – locação de imóveis – incidência “Segundos embargos de declaração no segundo agravo regimental no recurso extraordinário. J. Juiz Fed.. a majoração da alíquota da Cofins (art. tenho como necessário o debate acerca de tais pontos. mediante decisão suficientemente fundamentada. Fundação Unimed.. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que as Sociedades Corretoras de Seguros..014959- 2/MG – Rel.. Embargos de declaração acolhidos para..376.157 – Relª Min. 22..” (STJ – AgRg-AG-REsp 482.. inciso II. Rel.” (STJ – AgRg-AgRg-REsp 1. 14) 10990 – Cofins – corretora de seguros – majoração de alíquota – impossibilidade “Tributário.168/2000. p.38.... DJ 01....00... responsáveis por intermediar a captação de interessados na rea- lização de seguros. Tri- butário... Assim.658.... não podem ser equiparadas aos agentes de seguros privados (art. atribuindo-lhes efeitos infringentes. 14.. 30) 10992 – Cofins – receitas derivadas de atividade própria – Fundação Unimed – isenção – restri- ção – exegese “Tributário e processual civil. 18 da Lei nº 10. 717) 10989 – Cide – instituição – lei ordinária – constitucionalidade “Agravo regimental no agravo de instrumento.. 2. Empresas corretoras de seguros. 5.. X. Dessa forma. Grigorio Carlos dos Santos – DJe 20.. – Rel. 93).444 – (2014/0047154-6) – 2ª T.. uma vez que a jurisdição foi prestada...350 – Rel... Cofins... Majoração da alíquota (art.212). 1. Dada a natureza jurídica da entidade ora recorrente. teria restringido a isenção prevista na MP acima referida. 543-B do Código de Processo Civil... 3..... questão que não foi analisada pela Corte de origem.. de 3% para 4%. Lei nº 10. O cerne do recurso refere-se à ilegalidade da Instrução Normativa da SRF nº 247/2002. Violação do art.. 4. do CPC. 1... não alcança as corretoras de seguro.. Min. e em face da relevância da questão suscitada. Cide. 2. somente poderia ser realizada por lei.2014 – p. 167 dos recursos arrecadados (STF.2013 – p....2006. § 1º.. Retorno dos autos à origem.... em razão de ser dispen- sável a edição de lei complementar para a instituição dessa espécie tributária.” (STF – EDcl-AgRg-RE 701.684/2003).. e que tal restrição..... Agravo regimental não provido.. necessária se faz a análise do seu estatuto constitutivo para determinar a natureza das verbas em discussão. no caso.2014 – p. 17.

Compensação.].) – DJF-1 31. ante a inexistência de identidade entre devedor e credor. Rel.2013. inovou no ordenamento jurídico. mesmo quando este não era o seu credor originário. 70) 10994 – Compensação – dívida tributária – precatórios de titularidade do devedor – possibili- dade “Amortização de dívida tributária com precatórios de titularidade do devedor. a utilização..168 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 10993 – Compensação – débitos federais – pessoas jurídicas distintas – impossibilidade “Tributário. Juiz Fed. que impõe tal impedimento. Segunda Turma. Min. Negado provimento ao agravo de instrumento. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011. Agravo regimental no agravo em recurso especial. o título passa a ser do adquirente e. nos termos das normas que regem tal alienação. A Lei nº 12. 2. caso dos autos.4. 7º da Lei nº 11. Rel. Agravo regimental no agravo em recurso especial.2013. Compensação com débitos oriundos de tributos federais. 78.2014) 10995 – Compensação – lei local autorizativa – necessidade – precatório devido por pessoa jurídica distinta – impossibilidade de extinção do crédito tributário – compensação de créditos tributários federais com créditos oriundos de precatórios devidos por Estado- -membro – impossibilidade “Tributário. ao restringir a expressão ‘de titularidade do devedor’ aos credores originários do precatório. 78 do ADCT. nos termos do art. o qual confere poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora.. – Rel. Impossibilidade. e AgRg- -AREsp 338. 7. é inviável compensar débitos tributários com precatório de entidade pública diversa [. 42. 5.431/2011. 170 do CTN que autorize a compensação de tributos com precatório de ente diverso. Nesse contexto. É vedada a utilização a utilização de precatórios de natureza alimentícia. Ilegalidade da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011. Possibilidade. A inexistência de identidade entre o devedor do precatório e o credor do tributo afasta a incidência do Dispositivo . Indevida restrição a credor originário do precatório. Pessoas jurídicas distintas. 5. 1.533 – (2013/0288285-9) – 1ª T. § 2º.” (TRF 1ª R. Precedentes do STJ. ao permitir a amortização de dívida tributária com precatórios de titularidade do devedor. Julgado em 13. 78 do ADCT.08. 43 da Lei nº 12.09. na amortização de dívida consolidada com a Fazenda Nacional. Na falta de previsão expressa. Necessidade. Revogada decisão de fls. Arnaldo Esteves Lima. conforme texto expresso do seu art. caso o novo proprietário pretenda utilizá-lo na amortização de seus débitos.2013. Art. Esta Corte pacificou seu entendimento no sentido de que não se pode compensar precatórios estaduais com dívidas oriundas de tributos federais. Julgado em 05.941/2009 e do art. Agravo regimental a que se nega provimento. Impossibilidade. está inserida no âmbito da liquidação de precatórios prevista no art. Primeira Turma.2013). Compensação de créditos tributários federais com créditos oriundos de precatórios devidos por Estado-membro.2013 – p.04.770/RS (Rel.08.03. A partir do momento em que há uma transferência de titularidade do precatório. 43 da Lei nº 12. na amortização prevista no art.” (STJ – AgRg-AG-REsp 388. Precatório estadual. impondo uma restrição não prevista em lei. 300/304. Precatório devido por pessoa jurídica distinta.2013. – AI 0077264.2013. Lei local autorizativa. 3. do ADCT. Rodrigo de Godoy Mendes (conv. Impos- sibilidade.431/2011. não fez qualquer restrição a impor que tal contribuinte fosse apenas o credor originário do precatório. 43 da Lei nº 12.431/2011. Min. uma vez ausente norma regulamentar do art. ao julgar o AgRg-EREsp 987. Sérgio Kukina – DJe 11. DJe de 25. Precedentes do STJ. não se aplica a sistemática do art. Tal conclusão não sofreu abalo com o advento da EC 62/2009. 4. 170 do CTN. DJe 20. Precedentes: AgRg-AREsp 337.01. Vedação no art. 1. Castro Meira. Mauro Campbell Marques. Min.10. Art. Utilização de precatórios de natureza alimentícia.74. II – Nos termos da jurisprudência desta Corte.431/2011. pessoas jurídicas manifestamente distintas. DJe 17. 6. Impossibilidade de extinção do crédito tributário. I – A Corte Espe- cial do STJ. pois esta norma legal.0000/DF – Rel.800/RS. não pode ser considerado como um ‘devedor de precatório de terceiros’. procla- mou que as Turmas de Direito Público e a Primeira Seção deste Tribunal já decidiram ser ilegítima a compensação de créditos tributários de um ente público com precatórios devidos por entidade pública diversa.09. Cabível.792/RS. de precatório federal de titularidade do devedor. Precedentes. Min. ‘a extinção do crédito tributário me- diante compensação somente é possível se houver Lei autorizativa na esfera do Estado.

Min. Quinquênio a ser observado do ajuizamento da ação. Herman Benjamin. nem exime as pessoas jurídicas referidas no inciso I da obrigação de reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora.. IV – Agravo Regimental improvido. não procede a pretensão da agravante de compensação de créditos tributários federais com créditos oriundos de precatório devido pelo Estado do Rio Grande do Sul. II – Tanto os titulares como os cessionários dos créditos contidos nos precatórios têm direito à atualização monetária automática antes da compensação tributária. II – os que provarem insuficiência de recursos e os beneficiários da assistência judiciária gratuita.. ante à impossibilidade de compensação dos créditos de natureza tributária. Apelação cível..... ora autor da demanda.2013 – p.... A ilegitimidade da empresa concessionária de energia elétrica é medida que se impõe. Automática. Des. relativamente à sua quota parte de participação da receita esta- dual.. ressalvada a hipótese de litigância de má-fé. Assusete Magalhães – DJe 05.... O quinquênio previsto no art. 1º-F da Lei nº 9...” (STJ – AgRg-AG-REsp 436... por não se constituir matéria inerente aos embargos de declaração.. Já encontra-se devidamente delimitado no julgado a proibição de retenção de qualquer crédito do ICMS do montante partível devido ao ente público municipal.. os Municípios... III – No caso. Impõe-se a majoração de honorários advocatícios porquanto a diferença entre o montante arbitrado e o valor da causa não apresentam fundamento justificante. § 9º. não fazem distinção entre os titulares de precatórios e os cessionários de créditos neles inse- ridos. IV – Negou-se provimento ao recurso e à remessa oficial. Embargos conhecidos e parcialmente acolhidos. Retenção indevida de crédito tributário.. nas ações civis públicas e nas ações coletivas de que trata o Código de Defesa do Consumidor... Precató- rio. Custas.. A correção monetária e os juros a serem apurados sobre o crédito perseguido deverá sê-lo em sede de liquidação de sentença. Fausto Moreira Diniz – DJe 22.. 6º. AgRg-AREsp 125. A isenção prevista neste artigo não alcança as entidades fiscalizadoras do exercício profissional... Segunda Turma.. 174 do Código Tributário Nacional.04.... Reembolso..02...760/2009.... relativamente aos créditos objeto da ação.... IV – os autores nas ações populares.05.Cív. 20100112355510 – (711285) – Rel. Prescrição.. em seu art.... deverão observar a data do ajuizamento da mesma. Des.. Rel...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA.. os quais devem incidir com observação do disposto na Lei nº 11. DJe de 15... 5. Cessionário. 4º São isentos de custas.494.952 – (2013/0388420-6) – 2ª T. 4. III – O Decreto-Lei nº 500/1969 isenta o Distrito Federal do pagamento das custas na justiça local. Imediata sus- pensão.. Compensação de créditos. Entretanto. José Divino de Oliveira – DJe 17.... Parágrafo único.. Mandado de segurança.” 10997 – Compensação – retenção indevida de crédito tributário – compensação com conces- sionária de energia elétrica – impossibilidade “Embargos de declaração. os Territórios Federais. III – o Ministério Público. 1529) Transcrição RET Lei nº 9.. que alterou o art. Possibilidade. – Relª Min. Refaz. o parágrafo único do art. Compensação tributária com a concessionária de energia elé- trica... 299) . devendo ser imediata esta intromissão... Atualização monetária. – Rel.... 1. 6º.196/RS... Deixo de conhecer a insatisfação estatal quanto ao conceito de ‘receita’.” (TJGO – EDcl 200992138000 – 6ª C..2014 – p.” (TJDFT – Proc.09.2014 – p. 6. de 10 de setembro de 1997.. 4º da Lei nº 9. no art..289/1996 não o desobriga de reembolsar as despesas eventualmente feitas pela parte ven- cedora.. Distrito Federal. o Distrito Federal e as respec- tivas autarquias e fundações.. I – A Lei Complementar nº 781/2008. os Estados. 3. § 8º.960/2009.... 2309) 10996 – Compensação – Refaz – precatório – atualização monetária – automática – possibili­ dade “Direito tributário.289/1996: “Art.2013)...... Definição de receita e honorários advocatícios.. Impossibilidade. I – a União. Correção monetária e juros. 2.. de modo que ambos podem utilizá-los para a compensação de débitos tributários. 169 Constitucional’ (STJ. e o Decreto Distrital nº 30.

Relação e vinculação entre os contribuintes da exação e os beneficiários de sua arre- cadação.02. – AC 0049359-27. Há somente cópias de várias alterações contratuais e extrato do andamento do Processo Admi- nistrativo nº 11762. Contribuição para o Sebrae.10.2005 (fls.1. o depósito de documentos para serem apreciados pelo credor. Irregularidade da escrita fiscal somente em relação à parte dos empregados.” (TRF 1ª R. Ação anulatória.” 10999 – Contribuição ao Sebrae – natureza jurídica – Cide – exegese “Tributário. ainda que mais valiosa’.10. não outra.2005. preceitua não ser o credor ‘obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. 3. uma quinta-feira. Multa. não outra. com término em 03. Natureza jurídica de intervenção no domínio econômico. Apelação não conhecida. 313. mediante o depósito da quantia ou da coisa devida. 336 do NCC). – AC 2005. Limi- tes. mediante o depósito da quantia ou da coisa devida. não exige também a edição de lei complementar para a sua instituição. para propor a consignação em pagamento. a consignação em pagamento visa a exonerar o devedor de sua obrigação. da Lei nº 8. No caso. 149 da Constituição Federal. E o Código Civil. Inaplicabilidade do princípio da referibilidade. modo e tempo. ‘a coisa’. 1. Agravo retido e apelação da impetrante a que se nega provimento.10. 08. que constitui o objeto da obrigação. Especializada – Rel. 788). Contribuição previdenciária. a coisa.” (TRF 2ª R. 2. como regulado no art. Fed.720012/2011-10. e. Petição inicial in- deferida. José Ferreira Neves Neto – J. 33.2005. para propor a consignação em pagamento. com previsão constitucional no art. 2. vez que apresentada após o prazo em dobro (30 dias) a que tem direito. Precedentes. todavia. deve ser a coisa devida. Honorário. correta a sentença.720012/2011-10. 04. E o Código Civil. Maria do Carmo Cardoso – DJe 12. 313. ao objeto. Os autos foram remetidos à União em 04. Redução.170 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 10998 – Consignação em pagamento – IR – declaração – obrigação acessória – inadequação “Tributário e processual civil. assim não preenchidos os requisitos para o arbitramento. No caso.11. em seu art. Sucumbência mínima. não há espaço para desconsideração de toda a escrita fiscal. todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento (art. e só poderá ter força de pagamento se concorrerem em relação às pessoas.2012. e só poderá ter força de pagamento se concorrerem ‘em relação às pessoas. Ação de consignação em pagamento. Des- necessidade.11. Intempestividade da apelação da União: realmente. se o Fisco permaneceu nos recintos da empresa examinando sua escrita fiscal por oito meses. 05. todavia. Dessa forma. como inexiste qualquer alusão à dificuldade de aceso a quaisquer documentos ‘que não aqueles que deram origem ao crédito impugnado’.5101/RJ – 4ª T.212/1991. modo e tempo. Precedentes. Arbitramento.2013) 11000 – Contribuição previdenciária – arbitramento – limites “Tributário e processual civil. ao objeto. Ora. – Relª Desª Fed. deve ser a coisa devida. ao indeferir a petição inicial. em seu art. Em direito tributário. §§ 3º e 6º. 787). portanto após o prazo.07. 148 do CTN c/c art. preceitua não ser o credor ‘obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. é intempestiva a apelação da União. relativos a determinados empregados. qual seja.00. .10.011647-8/BA – 8ª T. com início o prazo no dia seguinte.2005 (fls. ainda que mais valiosa’. Remessa oficial: não merece reparo a sentença. Em direito tributário. Lei complementar.2013 – p. uma quarta-feira. Impossibilida- de de se desconsiderar toda ela.4. a parte autora sequer juntou aos autos os documentos que diz querer consignar. Ação que se mostra inadequada para o fim pretendido pelo devedor. 336 do NCC).2013 – DEJF 22. O recurso só foi interposto no dia seguinte. que constitui o objeto da obrigação. Por ser de intervenção no domínio econômico. Mandado de segurança.33. Des. A contribuição para o Sebrae não exige referibilidade. Recurso desprovido. todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento’ (art. Precedentes. Descabimento da pretensão. Há somente cópias de várias alterações contratuais e extrato do andamento do Processo Administrativo nº 11762. 72) Observação RET Do voto do relator destacamos o trecho a seguir: “Ora. Agravo retido do indeferimento da liminar. A consignação em pagamento visa a exonerar o devedor de sua obrigação. a parte autora sequer juntou aos autos os documentos que diz querer consignar.

e a partir da intimação deste julgamento. na espécie. por ocasião do julgamento do REsp 1. Min.. Não incidência. preleciona o art. 171 3... 20.. do CPC. 190/197.. A Primeira Seção. nos termos da lei. é quanto à natureza jurídica dessa verba.. remessa oficial improvida. Adicional de 1/3 de férias... da Constituição Federal: “Art.03. Apelação pro- vida.. dos Estados. num universo de mais de 1.000. Dessa forma. ela ficou vencida em parcela mínima. A respeito da questão. Ministro Mauro Campbell Marques..000. 7..2014 – p. mediante recursos provenientes dos orçamentos da União. pois.].000... a quantidade de documento relativa ao número de empregados... da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei.334. nem sobre o terço constitucional de férias. Humberto Martins – DJe 05.. 6. da relatoria do Sr.... A respeito da redução da multa. apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente..... 2320) Comentário RET Deve incidir contribuição previdenciária sobre a verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença? Essa foi a questão central do acórdão ora vergastado... a.. 21 do CPC.... Precedentes.... remessa oficial improvida. principalmente.... § 4º. Conclusão: apelação da União não conhecida. Descumprido o indispensável exame da incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso-prévio indenizado pelo acórdão recorri- do. do Distrito Federal e dos Municípios. A seguridade social será financiada por toda a sociedade..” Nesse mister.” (STJ – AgRg-REsp 1. incide. Atento à equitatividade reclamada no art. apelação da par- te autora provida (fixação de honorários em R$ 18. O acórdão ora comentado é oriundo de agravo regimental interposto pela União contra de- cisão que negou provimento ao agravo em recurso especial que decidiu pela não incidência .. DJe 18. 1105) 11001 – Contribuição previdenciária – aviso-prévio indenizado – prequestionamento – ausên- cia – auxílio-doença – primeiros 15 dias de afastamento – adicional de 1/3 de férias – não incidência “Tributário e processual civil..... I.05. à pessoa física que lhe preste serviço........ a qualquer título. 2. considerando..10. deve mesmo a União arcar sozinha com os ônus da sucumbência. – Ap-RN 2003.00 (dezoito mil reais).. de redução da referida multa moratória de 24. 1.230...365 – (2012/0147321-2) – 2ª T.000. 40 ou 60% para 20%......00 (dois milhões de reais) em junho de 2003. 5.38. Ausência de prequestionamento. a análise a ser feita. sob o regime do art.00 (dezoito mil reais))..00.2014... Agravo regimental improvido. [. Grigório Carlos dos Santos – DJe 11.2013 – p. ou seja.. 195..] I – do empregador. que houve agravo de instrumento..029394-1/MG – Rel... Apelação da parte autora: tem razão a parte autora em sua pretensão de melhor fixação dos ônus da sucumbência..] a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.. sobretudo ante a ausência de oposição dos cabíveis embargos declaratórios a fim de suprir a omissão do julgado. incidentes sobre: [. de forma direta e indireta. 195..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA.” (TRF 1ª R. os ditames das Súmulas nºs 282 e 356/STF.. Assim..500 (um mil e quinhentos) empregados e ex-empregados o crédito foi mantido somente relação a 10 (dez) deles. Aviso-prévio indenizado. Primeiros 15 dias de afastamento.. mesmo sem vínculo empregatício. o valor da causa superior a R$ 2. já que. Auxílio-doença. Corretos os fundamentos da sentença. para que se verifique a incidência ou não da contribuição previdenciária.. se salarial ou não... Não oposição de embargos de declaração. porque este TRF1 vem entendendo no mesmo sentido.... vão os honorários advocatícios fixa- dos em R$ 18.. Juiz Fed... Correção pelo Manual de Cálculos da Justiça Federal. com efeito. – Rel. que resultou na determinação para que o arbitramento pre- valeça somente em relação aos 10 (dez) empregados constantes do relatório fiscal de fls.957/RS.. Contribuição previdenciária.. e das seguintes contribuições sociais: [. também não merece reparo a sentença. 4. reiterou o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre as quantias pagas pelo empregador ao empregado nos primeiros quinze dias que antecedem o recebimento do auxílio-acidente.. o trabalho desempenhado. 543-C do CPC..... nos termos do art.

032/1995 E 9. motivo pelo qual integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. colacionou os seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – SALÁRIO-MATERNIDADE – INCIDÊN- CIA – AUXÍLIO-DOENÇA – PRIMEIROS QUINZE DIAS – NÃO INCIDÊNCIA – 1. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Min. Ao analisar a questão. O entendimen- to sedimentado nesta Corte Superior é o de que o salário-maternidade possui natureza sala- rial. por não se caracterizar verba salarial. DA LEI Nº 8.540/1992.09. porém. Art.04. Pessoa física. 149.172 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA da contribuição previdenciária sobre a verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença. Rel. o Ministro Relator entendeu pela manutenção da decisão do acórdão recorrido. 1. ainda que o empregado não tenha trabalhado efetivamente. 2006. Pessoa jurídica. Produtor rural empregador. Tributário. Min. 1º da Lei nº 8. Para embasar tal afirmação. Por outro lado. Contribuição previdenciária sobre a aquisição de produção rural. concluímos este comentário com as lições de Leandro Paulsen a respeito: “Nos termos dos arts.213/1991.2009) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUXÍLIO-DO- ENÇA – PAGAMENTO RELATIVO AOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO – NÃO INCIDÊNCIA – VALORES RECEBIDOS DO EMPREGADOR A TÍTULO DE ‘QUEBRA DE CAIXA’ – O AUXÍLIO-DOENÇA – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – ART. Basta.256/2001 (c/c EC 20/1998). sem julgamento do mérito em relação .2011) Por essa razão. Apelação parcialmente provida. 1ª T. não possui natureza remuneratória a quantia paga a título de auxílio-doença nos 15 primeiros dias do benefício. 470/476 que julgou extinto o processo. 15. atentar para as férias remuneradas e para o décimo terceiro salário. p. 59 e 60 da Lei nº 8. Luiz Fux. J.05. 25 da Lei nº 8. Comercialização da produção por meio de coopera- tiva.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. há. Art. Cuida-se de apelação da sentença de fls. não exime o empregador da obrigação tributária relativamente à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários. mas de salário. respaldando na jurisprudência vigente o entendimento de que não incide contribui- ção previdenciária sobre a verba paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença. Até então. Inconstitucional (STF). Incidência da contribui- ção.” (AgRg-REsp 1115172/RS.212/1991 – LIMITAÇÕES INSTITUÍDAS PELAS LEIS NºS 9. Alega a União que deve incidir a contribuição previdenciária sobre tal valor. transcritos na inicial. não vislumbro forte fundamento de direito a amparar a pretensão da impetrante.. tem a empresa a obrigação de prosseguir pagamento o salário do empregado. de fato. negou provimento ao agravo. p/o Ac. Ato cooperativo típico. DJe 30. O fato de ser custeado pelos cofres da Autarquia Previdenciária. sendo devido a partir do 16º dia. 2. Para corroborar seu posicionamento. porquanto não constitui salário. Nota-se. 514/515) 11002 – Contribuição previdenciária – cooperativa – aquisição de produção rural – inconstitu- cionalidade “Processual civil. a garantia ao pagamento do salário em várias situações específicas de repouso e de licenças sem que reste descarac- terizada tal verba. Ausência de comprovação de que a venda tenha sido realizada dire- tamente para pessoa situada no exterior. Assim.870/1994). I. esse tem sido o posicionamento prevalente tanto na jurisprudência quanto na dou- trina.2009. Humberto Martins. o direito ao auxílio-doença surge quando da incapacidade para o trabalho por mais de quinze dias conse- cutivos. Min.2011. 89. em razão da inexistência da prestação de serviço no período.129/1995 – POSSIBILIDADE – RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. § 3º. aliás. De fato. DJe 25. Rel.09. Coo- perativa. Rel.” (REsp 942. § 2º. da Constituição Federal. ed. 26. considerando que nos primeiros quinze dias da incapacidade o empregador é obrigado a manter o pagamento do salário e que não tem ele a natureza previdenciária pró- pria do benefício de auxílio-doença concedido posteriormente pelo INSS. Lei nº 10. J. Não ‘constitucionalização’.. 2ª T. de fato. na relação empregatícia. que o montante pago pela empresa não o é a título de benefício previdenciário. Aliás. em razão da inexistência da prestação de serviço no período. 8.365/SC. Teori Albino Zavascki. Agravo regimental improvido. Imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação (art.

. 2ª T.018664-6/GO – Rel. A imunidade prevista no art.. Castro Meira. AgRg-EDcl-REsp 1040653/SC.. já que.. Benedito Gonçalves – DJe 15. DJe 15..540/1992 e 9. Férias e respectivo terço constitucional.. Min.256/2001’ (EDcl-AgRg-REsp 572..230.. não vieram acompanhadas da documentação fiscal da operação de exportação... Mauro Campbell Marques. – Rel.. 1.03. a apelante alega a necessidade de lei complementar para criação de contri- buições sociais atípicas... Grigório Carlos dos Santos – DJe 11. esta Corte vem decidindo que estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. em seguida foi instituída outra contribuição. Alega.870/1994.27% da produção pecuária recebida dos cooperados destinam-se à exportação... 7..870/1994 (contribuição do empregador rural pessoa jurídica sobre sua comercialização rural). amparada na redação conferida pela Lei nº 10..00.528/1997 e aborda somente as obrigações sub-rogadas da empresa adquirente... por meio da Lei nº 8. Em suas razões. que não se confunde com a do Funru- ral.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA.. Min...10.09. I. 1090) 11003 – Contribuição previdenciária – folha de salários – férias e terço constitucional – não incidência – salário-maternidade – incidência “Tributário... 1º da Lei nº 8... 543-C do CPC... Nada obstante.. 25 da Lei nº 8.540/1992 e 8. além de produzidas unilateralmente.. 2.2013 – p. DJe 21.05. decidiram que a alteração introduzida pelo art.. Agravo regimental no agravo em recurso especial.540/1992 infringiu o § 4º do art. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal. Salário-maternidade.. ainda. A 1ª Seção. Recurso Especial Repeti- tivo nº 1. Em sendo assim. 4... como bem decidiu o Juízo a quo.852.213/1991. por ocasião do julgamento do REsp 1. 6.2010.. pessoa natural (sub-ro- gação). Ministro Mauro Campbell Marques. 1753) ...870/1994. 1ª T. Consoante jurisprudência do STJ. decidiu-se pela incidência do tributo sobre o salário-maternidade. 456-7 não se prestam a comprovar receita com venda de produtos no mercado externo. Min.2011. porquanto pratica ato cooperado típico. Juiz Fed.. Contribuição previdenciária.. 149..35... 42 demonstra que 42. dispositivo sobre o qual milita a presunção de constitucionalidade das leis.. DJe 05. terá direito à imunidade de que trata o aludido art.. Rel. fls.. em 03. sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto.230. da Carta Magna. – AC 2004.252/RS.. Segunda Turma. 480/490.10... Precedentes: AgRg-Ag 1424039/DF.. Agravos regimentais não providos. 2. pois cons- tituiu nova fonte de custeio da Previdência Social. ‘a contribuição ao Funrural incidente sobre o valor comercial dos produtos rurais foi extinta a partir da vigência da Lei nº 8. da relatoria do Sr. sob o regime do art. tampouco indicam quais os cooperados atuam no mercado externo... que a planilha de fls. fixou o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre as quantias pagas a título de terço constitucional de férias..... 173 ao pedido de imunidade tributária e denegada a segurança quanto ao pedido de não incidência de contribuição social sobre a receita bruta resultante da comercialização da produção rural.. devida pelas empresas produtoras rurais sobre o valor da comercialização de sua produção. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda nº 20/1998...2010). A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis nºs 8. Folha de salários.27% da produção foi destinada à exportação no período no período de 01/2003 a 09/2004. quando exporta diretamente a produção de seus associados. 3. Rel....... Min.. § 2º.” (TRF 1ª R....2014 – p.957/RS. Não obstante a impetrante afirmar que 42. consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente da produção do empregador rural pes- soa física (grifo nosso). Essa cobrança subsiste até hoje...957/RS.... I...201 – (2011/0282909-5) – 1ª T.04. informando os países importadores e seu peso percentual nos negócios internacionais.. por ocasião da comercialização da produção rural entre a impetrante e o produtor rural. Arnaldo Esteves Lima. O julgamento do STF não declarou a inconstitucionalidade do art. ao apreciarem o RE 363. 3.02. inconstitucionalidade das Leis nºs 8. da Constituição Federal é relativa às receitas oriundas de operações de exportação e direciona-se apenas às chamadas exportações diretas. a Cooperativa.. DJe 18. agindo em nome dos produtores rurais e alienando os produtos para pessoa física/jurídica situada no exterior.. as planilhas de 42 e de fls...” (STJ – AgRg-Ag-REsp 87. Rel. A respeito dos valores pagos a título de férias.2014.2011.. 5.. 149. § 2º. Apelação parcialmente provida para declarar a inexigibilidade da contribuição questionada.. Na mesma ocasião.

Fed. para fins desta incidência. O salário-educação é exigido apenas das empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social.5% sobre o total de remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados. isto é. 2005. que deu nova redação aos arts. Autarquia Federal. o Relator Desembargador trouxe à baila a legislação sobre a matéria.09. 1. 1. Produtor rural pessoa física. – Rel. 2. – AC 0029231-34. O pleno do STF (RE 566621/RS. IV. com fins lucrativos ou não (Lei nº 9. Produtor rural pessoa física. 12.621). não sujeitar-se a esse tributo. I e II. 1995. Se o autor é produtor rural pessoa física. 2010. Acórdão.3500/GO – 7ª T. e. Matéria constitucional. observada a decadên- cia quinquenal. 5. Salário-educação. 1º da Lei nº 8. não inscrito no CNPJ. 03. 9. Peças liberadas pelo Relator. 8.” (TRF 1ª R. O FNDE. da LC 118/2005. Contribuição previdenciária. Ação ajuizada posteriormente à vigência da LC 118/2005. e 30. aquela pessoa inscrita no CNPJ (REsp 1.01. trânsito em julgado em 27. aplicável a decadência quinquenal. Relª Min. para publicação do acórdão.02. Decadência quinquenal (RE 566. de forma objetiva. por não se enquadrar no conceito de empresa. de 26 dez. 25. porque posteriores a 31 dez.003/2006). Brasília. Ajuizada a demanda em 8 jun. 2.09. Des. Legi- timidade do FNDE para o polo passivo.2014 – p.4.003/2006. que concede ao precedente extraordinária eficácia vinculativa que impõe sua adoção em casos análogos. urbana ou rural. Luciano Tolentino Amaral – J. Processual civil. pessoa física. 7. 1773) Comentário RET No caso em comento. portanto. que especi- fica os contribuintes do salário-educação: empresas em geral e entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social (entendendo-se como tais quaisquer firmas . O recurso foi oriundo de um produtor rural após a improcedência em primeira instância de seu pedido para se eximir do pagamento do salário-educação sobre sua produção rural.2013 – DJF1 13.424/1996. da Lei nº 8.636).242. 3. reconheceu a inconstitucionalidade do art. Lei nº 9. A questão controvertida tra- ta de matéria eminentemente constitucional.003/2006. – Rel. sob pena de violação da competência atribuída ao STF. Alegou o recorrente a ilegalidade da cobrança. Exigência da contribuição apenas de empresas com ins- crição no CNPJ.174 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 11004 – Contribuição previdenciária – produtor rural – pessoa física – comercialização da pro- dução – análise “Tributário. a teor da Lei nº 9. 1925) 11005 – Contribuição previdenciária – salário-educação – produtor rural – não incidência “Tributário e processual civil. entendeu como contribuinte do salá- rio-educação. mantido o FNDE no polo passivo. poste- riormente à vigência da LC 118/2005. Agravo regimental não provido. qual seja a declaração de inconstitucionalidade do art. a saber.668 – (2013/0301785-3) – 2ª T. considerando aplicável a decadência quinquenal às ações repetitórias ajuizadas a partir de 9 jun.2013 – p. De ofício. Incompetência do STJ. Sobre os indébitos. entendendo-se como tais.424/1996 e Decreto nº 6. É inviável sua apreciação em recurso especial.250/1995. tem legitimidade para estar no polo passivo de demanda que discuta sobre a legalidade ou não do salário-educação. que afasta a correção monetária e os juros.04.121/1991 e tornou inexigível a contribuição incidente sobre receita bruta proveniente de co- mercialização de produção rural de empregadores pessoas físicas. estando decadentes os indébitos anteriores a 8 jun. ainda que sua defesa se faça pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Apelação do autor provida em parte: pedido procedente em parte: afastado salário-educação sobre sua produção rural. O STJ. 6. e também o Decreto nº 6. 1995. Herman Benjamin – DJe 15. Ao julgar o recurso. Comercialização da produção. Min. Lei nº 9. é isento do pagamento de salário- -educação. segunda parte. pois destinatário da exação. que determina que o salário-educação devido pelas empresas é calculado com base na alíquota de 2.424/1996 e Decreto nº 6. V e VII. em jurisprudência sobre o assunto. 543-B do CPC. 3. incidirá somente a Taxa Selic. não se lhe pode exigir o salário-educação sobre sua produção rural. Ellen Gracie. 2005. 3 de setembro de 2013. a Sétima Turma do TRF da 1ª Região consignou o entendimento que produtor rural sem cadastro no CNPJ. Ação ordinária. sob o signo do art. por inexistência de previsão legal para tanto. qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica. 4º.540/1992.” (STJ – AgRg-REsp 1.402.2010. 4.2012).

colacionamos os seguintes julgados: “PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO LEGAL – ART. 79) 11006 – Contribuição Sindical Rural – base de cálculo – ITR – bitributação – impossibilidade “Processual civil.2013.. 4.. Entendeu essa Turma Nacional que. Relª Min. com atividade de cultivo de cana-de-açúcar em diversos Municípios de São Paulo. No caso específico dos autos.2013. não há fundamento para utilizar as referidas normas para qualificar o produtor rural pessoa física como contribuinte em relação à obrigação prevista na Lei nº 9. equiparado à empresa e. DEJF 23. p.212/1991. Esta Turma Nacional uniformizou interpretação reconhecendo a inexigibili- dade do pagamento de salário-educação de produtor rural pessoa física que emprega mão de obra de terceiros (Pedido de Uniformização nº 2010.. Des. desde que sobre o tema recorrido exista jurisprudência dominante dos tribunais superiores e do respectivo Tribunal.004167-6. 24. Tributário.781/RS..56. Súmula nº 396/STJ.. 175 individuais ou sociedades que assumam o risco de atividade econômica.09. jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que entende como contribuinte somente a pessoa inscrita no CNPJ. ainda.781/RS).2010.... por tal razão... o que viabiliza a cobrança da CSR . 6..... AL-AC 0012639- 15.. 557 do Código de Processo Civil autoriza o julgamento monocrático de qualquer recurso.. Fed. tem cabimento o incidente de uniformização. 2.... não se enquadra no conceito de empresa (firma individual ou sociedade)... Legitimidade da Confederação Nacional da Agricultura... 2. 12.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. Assim. não se enquadra no conceito de empresa. ha- vendo precedentes deste STJ no sentido de seu reconhecimento. André Carvalho Monteiro. Comprovadas a similitude e a divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 842.. J. 3. Incidente de uniformização conheci- do e provido para reconhecer a inexigibilidade do salário-educação ao produtor rural pessoa física que emprega mão de obra de terceiros.03. como a cobrança do salário-educação não está prevista na Lei nº 8.. sujeito ao recolhimento da contribuição ao salário-educação.. Rel. 557.. e também da remessa oficial. 5. Recurso Especial nº 711. No mesmo sentido.. aproximadamente.166/PR e REsp 842. bem assim a sociedade de economia mista.72.. p.. Rel.. Ademais... Ele analisou.. para fins de incidência do salário-educação. Eliana Calmon)..05.. urbana ou rural. Bitributação por identidade de base de cálculo com o ITR. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL – SALÁRIO-EDUCAÇÃO – PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – CULTIVO DE CANA- -DE-AÇÚCAR EM DIVERSOS MUNICÍPIOS – APELAÇÃO JULGADA MONOCRATICAMENTE – RECURSO DESPROVIDO – 1. o autor encontra-se cadastrado na Receita Federal como contribuinte individual como demonstram os documentos de fls. com fins lucrativos ou não. Impossibilidade. O produtor rural pessoa física não se enquadra no conceito de empresa.166/PR...166/1971 pelo art. destacou o Magistrado que apenas empresas e entidades vinculadas ao RGPS são sujeitas ao recolhimento do salário-educação. nos termos da Súmula nº 253 do col. 28/123...56.. 980) “TRIBUTÁRIO – SALÁRIO-EDUCAÇÃO – PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – MÃO DE OBRA DE TERCEIROS – INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA – PROVIMEN- TO – 1.2013). § 1º.09.72. Denise Arruda. Contribuição Sindical Rural.... da Lei nº 8.08. 1. Juiz Fed. há de se manter a sentença de primeiro grau a qual admitiu que o autor está. É o caso dos autos. empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público..847/1994.424/1996 – já diversas vezes alterada e destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 2010... Johonsom Di Salvo.002316-9/SC. Cobrança junto com o ITR.. sendo inadmitido a incidência de salário- -educação (REsp 711.4.. por expressa previsão legal. Proc. Inexistência de elementos novos capazes de modificar o entendimento adotado por este Relator no momento em que proferida a decisão monocrática.. O art... que dispõe sobre a organização da Seguridade Social – e nem se destina à Previdência Social –.. 5º do De- creto-Lei nº 1. CNA.....2013. 90 filiais.. Porém. A discussão quanto à legitimidade da CNA para a cobrança da Contribuição Sindical Rural – CSR é de ordem infraconstitucional. § 2º.. apresentando CNPJ da matriz e de.. razão pela qual o produtor rural pessoa física. DOU 16.....6100/SP... há entendimento pacificado também no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o produtor rural pessoa física. STJ.. 3. 4... Revogação do art.... da Constituição).. nos termos do art. Rel. Juiz Flores da Cunha... Sexta Turma. Tema constitucional. Relª Min...” (TRF 3ª R.. Agravo legal improvido.. desprovido de registro no Cadastro. I.... julgamento em 17. 173.” (TNUJEF. não constituído como pessoa jurídica com registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

voltadas a novo lança- mento. 24. A competência de administração das seguintes receitas.315.04. contudo o tema da coincidência das bases de cálculo da CSR e do ITR foge à competência deste STJ em sede de recurso especial. 154. provido. Crédito não tributário. Título judicial. e afastou a exigibilidade da dita contribuição por considerar que sua base de cálculo é idêntica à do ITR.022. Luiz Fux. A jurisprudência do STJ reconhece que o indeferimento pelo Fisco da compensação tributária efetuado pelo contribuinte enseja sua notificação para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade. I – A declaração realizada pelo contribuinte constitui o crédito tributário e dispensa providências administrativas suplementares.882 – (2013/0294264-2) – 2ª T. Precedentes: REsp 755. Min. 74. Cinco anos. Manifestação de inconformidade pendente de julgamento. 535 do CPC. I. Humberto Martins. Mauro Campbell Marques – DJe 15. I.910/1932.” (STJ – AgRg-Ag-REsp 445. Decreto nº 20.166. Exigibilidade do crédito tributário suspensa. é desnecessária a prévia constituição administrativa do crédito. Segunda Turma.10.2007. inciso III. REsp 884.430/1996.10.020224-5 – Ac. recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário.176 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA em momento distinto da cobrança do ITR. 3º da Lei nº 8. A legitimidade há de ser reconhecida pelo STJ.00. No que se refere à suposta violação do art. Constituição administrativa. da Constituição Federal de 1988.2013 – p. II – Se o título ju- dicial transitado em julgado determina recolhimento de parcela não paga. 143) 11009 – Crédito tributário – execução fiscal – prescrição – prazo “Execução fiscal. julgado em 12. Compensação. . § 11. 24. Herman Benjamin – DJe 15. Min. Prazo prescricional. III – Agravo de instrumento provido. havendo bitributação constitucionalmente vedada pelo art. Rel. 1. – Rel.834 – 6ª T. da Lei nº 9. Castro Meira. pois enquadra- -se na hipótese prevista no art. já que esse pode ser apurado por simples cálculos na fase de cumprimento de sentença. o julgado recorrido não padece de omissão. 3. e art. 3.2007. Dis- pensável.” (TJDF – Rec 2013. 5º do Decreto-Lei nº 1. Nesse sentido a Súmula nº 396/STJ: ‘A Confederação Nacional da Agricultura tem legitimidade ativa para a cobrança da contribuição sindical rural’. da Lei nº 8. 535 do CPC não configurada.03.Cív. Segunda Turma.” (STJ – REsp 1. Pagamento de valor inferior. Julgado em 19. 4º do Decreto-Lei nº 1. do CTN e no art. 2.2013 – p.741/SP.2006. não podendo ser considerado nulo apenas por ser contrário aos interesses da parte.166/1971 pelo art. de 12 de abril de 1990. 580 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. REsp 733. nessa parte. Crédito tributário. 723. 151. de 15 de abril de 1971. Homologação parcial.2. 1844) 11008 – Crédito tributário – constituição administrativa dispensável – título judicial – simples cálculos “Cumprimento de sentença.10.2014 – p. 2. II – Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR.06. Julgado em 15. cessará em 31 de dezembro de 1996: I – Contribuição Sindical Rural. Violação ao art. 1º da Lei nº 8. já que revogado o art. Min. – Relª Desª Vera Andrighi – DJDFTE 23. atualmente arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal por força do art. Recurso especial parcialmente conhecido e. porquanto decidiu fundamentadamente a quaes- tio trazida à sua análise. Simples cálculos. Primeira Turma. decorrentes do pagamento parcial. de 23 de dezembro de 1991. Rel. – Rel. Ajuizamento da execução fiscal após o decurso do lustro prescricional. Min.401. prevista no item VII do art. O acórdão proferido pela Corte de Origem reconheceu a ilegitimidade da Confederação da Agricultura e Pe- cuária do Brasil – CNA para a cobrança da contribuição sindical rural. para cobrança de eventuais diferenças.860/SP. devida à Confederação Nacional da Agricultura – CNA e à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG. de acordo com o art. Rel.847/1994. Crédito. 936) Transcrição RET “Art. Agravo regimental não provido.” 11007 – Crédito tributário – compensação – homologação parcial – manifestação de inconfor- midade – suspensão do crédito – limites “Tributário e processual civil. Princípio da isonomia. Min.960/SP.145 – (2013/0401808-5) – 2ª T.

.. Ratificação de seus fundamentos. II.33...” (TJSP – Ap 0071092- 75.04. da Lei nº 9. fixando os honorários advocatícios em R$ 1... lhe teria sido imputado por equívoco. 1. Base de cálculo.. 177 Manutenção da sentença extintiva.0114 – Campinas – 18ª CDPúbl. Direito líquido e certo não com- provado de plano.10.2009.017856-9 que a apelação da ora requente foi desprovida.... que.. abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária (regidas pela Lei nº 6..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. Oferecimento de bens para suspensão da exigibilidade do crédito tributário. submetido ao rito dos recursos repetitivos. 252 do Regimento Interno deste Tribunal. nos termos do art.00.. o que também está plasmado na Súmula nº 112 do STJ (o depósito suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro)..... Juiz Conv. na hipótese em que a soma do valor dos créditos tributários exceda a 30% (trinta por cento) de seu patrimônio conhecido e. 1. Rel. Limite previsto no art. Wilson Alves de Souza – DJF1 23. vez ser expresso o art.00 (um mil e quinhentos reais).. Da mesma forma. no julgamento REsp 1.. em razão do INSS a ter considerado sucessora da real empresa devedora. Correção a partir intimação deste julgamento e pelos índices do Manual de Cálculos do Conselho da Justiça Federal...065/SC. Nega-se provimento ao recurso... 2. Suplementar – Rel.2013) 11011 – Crédito tributário – suspensão da exigibilidade – oferecimento de bens à penhora – cautelar incidental – improcedência “Tributário.. Contudo. 3.. no valor de R$ 53.. IRPJ e CSLL. tendo em conta o trabalho desempenhado pelos procuradores. Grigorio Carlos dos Santos – DJe 11. em cumprimento à equitatividade reclamada no art. – APL 0030716-23. pois seu rito não comporta dilação probatória exigida para o enfrentamento desse ponto. o tempo de duração do processo... Improcedência. Cofins.532/1997.. 5.... assim patenteando a ausência de fumus boni iuris. tal alegação não pode ser apreciada em sede de mandado de segurança.. Ação cautelar originária incidental em mandado de segurança..019/1974 e pelo Decreto nº 73..000. § 4º. – Relª Beatriz Braga – DJe 30..500..93. § 7º.. 2.2002.10. da Lei nº 9. simultaneamente.532/1997... Pos- sibilidade. Com efeito. 4.... Juiz Fed. do CPC. independentemente do regime nor- mativo aplicável. comprovação de plano do suposto direito líquido e certo à desconstituição do arrolamento realizado... Além disso.040190-1/BA – Rel. nos termos em que é o depósito do montante integral que suspende a suspensão da exigibilidade do crédito. A Primeira Seção do STJ. for superior a R$ 500.. inclusive após embargos declaratórios.. Prece- dentes do STJ e desta Corte. Não houve.. § 7º... consolidou o enten- dimento segundo o qual a base de cálculo do PIS e da Cofins.. Min...2014 – p.328. 1083) 11012 – CSLL – PIS/Cofins – agenciamento de mão de obra temporária – base de cálculo – exe- gese “Tributário. Arrolamento de bens..328. Luiz Fux.. 1897) 11010 – Crédito tributário – recurso administrativo pendente – arrolamento de bens – possibi- lidade – limite “Tributário. o que se evidenciou na espécie....841/1974). Não há sinal do bom direi- to a amparar o pleito da requerente.” (TRF 1ª R. a simplicidade da causa.. Recurso administrativo pendente..01. do CTN.. O arrolamento de bens e direitos do devedor.2013 – p. Empresa prestadora de serviços de agenciamento de mão de obra temporária. as empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não ..758.. 1.8.. segundo in- formações prestadas pela própria impetrante. verifica-se em consulta ao andamento do Mandado de Segurança nº 2003.4. Mandado de segurança. 2. 3. Remessa oficial e apelação providas.. Condenação do requerente nos ônus da sucumbência. portanto. – MCI 2003..00. 64. Pedido julgado improcedente..26. a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários.. 64... No que tange à alegação de não observância do limite previsto no art. bastando para sua efetivação que os créditos tributários estejam devidamente constituídos.. no curso do processo foi iden- tificado outro débito de nº 35..041-0. não se encontra condicionado à conclusão de eventuais processos pendentes na via administrativa ou judicial. 20.00. Valores destinados ao pagamento de salários e demais encar- gos trabalhistas dos trabalhadores temporários. de valor não identificado nos autos... deve ser ressaltado que o débito da apelada não se limita ao DEBCAD 35. 4. 151..01.3800/MG – 5ª T...040-2..141...” (TRF 1ª R..

Entender de modo contrário seria mesclar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido). Rodrigo de Godoy Mendes – DJe 04.431/2011. 4.04. Vedação no art.2011). 42. III. Revogada decisão de fls. Negado provimento ao agravo de instrumento. ao permitir a amortização de dívida tributária com precatórios de titularidade do devedor. a utilização.” (TRF 1ª R. inovou no ordenamento jurídico. 5. 43 da Lei nº 12. caso o novo proprietário pretenda utilizá-lo na amortização de seus débitos. A Lei nº 12. ao restringir a expressão ‘de titularidade do devedor’ aos credores originários do precatório. Conv. A partir do momento em que há uma transferência de titularidade do precatório.431/2011. de precatório federal de titularidade do devedor. 1. Segunda Turma.01. Após a antecipação da tutela requerida e apresentação de contraminuta pela Fazenda Nacio- nal. restringirem-se apenas aos em que o ora devedor era o credor originário. Possibilidade. impondo uma restrição não prevista em lei. ao arrepio da lei (REsp 963. caso dos autos. pelo limite do direito creditório. 43 da Lei nº 12. o título passa a ser do adquirente e. Min. ao argumento de haver pendência de um procedimento administrativo.2013. Art.02. 300/304. tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. conforme texto expresso do seu art. Ilegalidade da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011.196/PR. na amortização de dívida consolidada com a Fazenda Nacional. para efeitos de habilitação em licitações. nos termos das normas que regem tal alienação. Agravo regimental improvido. por conta do entendimento demonstrado pelo Fisco Federal. 43 da Lei nº 12.06. 2. Alegou a empresa que atua no ramo do transporte coletivo de passageiros que. – Rel. requereu amortização de seus débitos fiscais e requereu por tutela antecipada a fim de evitar o não processamento ou rejeição.0000 – Rel. Ressalto que o ponto controvertido se atém sobre a possibilidade de precatórios. na amortização prevista no art.372. que impõe tal impe- dimento.941/2009 e do art. até o limite do crédito judicial. não fez qualquer restrição a impor que tal contribuinte fosse apenas o credor originário do precatório. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011. 7. o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Cabível. com a utilização de crédito advindo de precatório judicial cedido por terceiro.” (STJ – AgRg-REsp 1. É vedada a utilização de precatórios de natureza alimentícia. 7º da Lei nº 11. Juiz Fed. que passou a ser ti- tular de direito creditório referente a Precatório Federal. DJe 08.431/2011. nos termos do art. com suspensão da exigibilidade dos tributos. 43 da Lei nº 12. Argumentou que a amortização tem natureza jurídica de compensação de créditos. nos termos da Emenda Constitucional nº 62/2009 e do art. mesmo quando este não era o seu credor originário.737/PE – (2013/0066887-3) – 2ª T. Rel.431/2011. não pode ser considerado como um ‘devedor de precatório de terceiros’. 78 do ADCT.2013) 11013 – Débito fiscal – amortização de dívida – precatório de titularidade de terceiros – possi- bilidade – efeitos “Amortização de dívida tributária com precatórios de titularidade do devedor. – AI 0077264-74. está inserida no âmbito da liquidação de precatórios prevista no art. 43 da Lei nº 12. Impos- sibilidade. 151. Humberto Martins – DJe 28. O texto é o seguinte: . ou se abrangeriam também os que foram objeto de cessão. com o valor a que faz jus. 6.431/2011. do qual passou a ter a titularidade. do Có- digo Tributário Nacional. pois esta norma legal. cujo processamento daria causa à suspen- são da exigibilidade dos créditos alcançados. nos termos do art. É importante verificar a redação do art. 3. precisa ter assegurada sua regularidade fiscal.2014 – p. Manifestou-se o Juiz Federal Convocado como Relator do acórdão nos seguintes termos: “A questão central do presente agravo é a possibilidade de análise do pleito da agravante pela administração tributária federal. 78 do ADCT. Utilização de precatórios de natureza alimentícia.178 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA podem excluir da sua base de cálculo os referidos valores. Mauro Campbell. Min. por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011. de titularida- de do devedor. em sede de agravo de instrumento. de que o cessionário de crédito judicial não é credor originário da obrigação contida no precatório. e que.431/2011. com a consequente suspensão da exigibilidade dos créditos tributários.4. Indevida restrição a credor originário do precatório. 1239) Comentário RET No caso ora comentado. concedeu a antecipação de tutela no sentido de permitir a amortização de dívida fiscal federal de empresa.

ex vi do art..03. cuja titularidade lhe pertence e.. 567 do CPC.. da Lei nº 9.. Recurso ordinário em mandado de segurança desprovido. DJ 16. 74.453/DF... ROMS 200901206811.’ (STJ. que há entendimento jurisprudencial sólido no sentido de que...431/2011.533/1951. o título passa a ser do adquirente e. impondo uma restrição não prevista em lei... investindo-se o cessionário em todos os direitos inerentes ao crédito cedi- do. Precedente: RMS 16... A Primeira Turma desta Corte decidiu que. inovou no ordenamento jurídico. Plenário.. promover-lhe a execução..53. 179 ‘Art. poderá ser utilizado. 19 da Lei nº 11. DJ de 29.. A meu ver. O cessionário pode desde logo exercer atos conservatórios do direito cedido. o col. prevê expressamente a possibilidade de cessão dos respectivos créditos. pois existiria um saldo remanescente no valor de R$ 188..941. e-DJF3 Judicial 1 data: 15.. 5º. O mandado de segurança.03.034/PR...430/1996.. Segurança concedida. nos termos das normas que regem tal alienação. 1ª T.431/2011 quis impedir – e aí não houve a inclusão de termos desnecessários em lei – foi a amortização de dívidas próprias com precatórios que sejam. indicado para a proteção de direito líquido e certo... investindo-se o cessionário em todos os direitos inerentes ao crédito cedido. Quanto à necessidade de certidão de regularidade fiscal para fins de levantamento de valores.12. LXIX. 7º da Lei nº 11.... com a transferência do crédito a ser pago me- diante precatório... 43.... em que todas as cessões realizadas foram devidamente homologadas em juízo. unânime. Importante enfatizar que..2007. MS 00698010820054030000. Cármen Lúcia.... 4.033/2004. com pro- cedimento regulado pela Lei nº 1. por depender de dilação probatória.. de terceiros...11. Min.... DJe data: 20. 3.. a parte cedente sequer tem legitimidade para discutir o crédito. Decorre de tal fato que a parte cedente passa a não ter mais legitimidade para discutir o valor do crédito. 2ª S. a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 09/2011.’ (TRF3. Rel. Francisco Falcão. 78 do ADCT introduzido na Constituição Federal por meio da EC 30/2000.’ Entendo.510. na data do encontro de contas.. ainda. não pode ser examinada em sede de mandado de segurança. sobretudo na hipótese dos autos.. ao estabe- lecer as hipóteses de pagamento parcelado de precatórios judiciais.. Ao contrário do defendido pela Fazenda Nacional. não pode ser considerado como um ‘devedor de precatório de terceiros’. transmite-se também a titularidade na relação jurídica que o cedente manti- nha com o devedor.. da Constituição Federal. não se permitindo dilação probatória. da análise do texto legal. § 12.. 19 DA LEI Nº 11. Vejamos os seguintes julgados: ‘PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – IMPE- TRAÇÃO CONTRA DECISÃO DO PRESIDENTE DO TRIBUNAL NO PROCESSAMENTO DE PRECATÓRIO – CESSÃO DE CRÉDITO – ILEGITIMIDADE DA PARTE CEDENTE 1.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. nos termos do art. com a transferên- cia do crédito a ser pago mediante precatório. Vejo.. Desª Federal Marli Ferreira.. que a Lei nº 12.. inclusive aquele expedido anterior- mente à Emenda Constitucional nº 62.... com vedação à compensação também prevista no art... por óbvio... de 9 de dezembro de 2009... Denise Arruda... 2. mais ainda.. Precedentes do STJ. ao restringir a expressão ‘de titularidade do devedor’ aos credores originários do precatório.... ao permitir a amortização de dívida tributária com precatórios de titularidade do devedor. Supremo Tribunal Federal. que deve ser comprovado de plano... é ação de natureza sumária. previsto no art... para amortizar a dívida consolidada..2011) ..... Relª Min.. de 27 de maio de 2009.033/2004 – INCONSTITUCIONALIDADE O art. caso o novo proprietário preten- da utilizá-lo na amortização de seus débitos. 1ª Turma. entendo que a expressão ‘de titularidade do devedor’ foi incluída na lei para deixar claro que não haveria possibilidade de amortização com precatório de titularidade de terceiros.. A alegação do recorrente de que o crédito não foi cedido na sua integralidade. O precatório federal de titularidade do devedor... declarou a inconstitucionalidade do art.2004.. Por tais decisões. a partir do momento em que há uma transferência de titularidade do precatório. no julgamento da ADIn 3.. não fez qualquer restrição a impor que tal contribuinte fosse apenas o credor originário do precatório.. 5... transmite-se também a titularidade na relação jurídica que o cedente mantinha com o devedor. II. O que a Lei nº 12..2009) ‘PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – CESSÃO DE CRÉDITOS – PRECA- TÓRIO – POSSIBILIDADE – CERTIDÕES DE REGULARIDADE FISCAL – ART.

dentro da esfera de seu poder discricionário. caput. 74 da Lei nº 9. por isso não se aplicando a regra genérica dos processos de conhecimento do art. 74.180 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA ‘DIREITO PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO DE INSTRUMENTO – CESSÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS – POSSIBILIDADE PARA FINS DE RESTITUIÇÃO MEDIANTE PRECATÓRIO – COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA COM CRÉDITOS DE TERCEIROS – INSTRUÇÕES NORMA- TIVAS SRF Nº 21/1997 E 41/1997 – LEI Nº 9. II. V – Examinando-se os termos em que a compensação tributária está prevista no Código Tribu- tário Nacional e na legislação que a regulamentou.1997). pois a compensação somente poderia efetivar-se após requerimento à autoridade fiscal. § 1º. para o fim de impedir o exercício desta cessão de créditos. ainda que tenha adquirido tais créditos de terceiros em data anterior. não havendo.03. É inoponível. 1º da Instrução Normativa SRF nº 41/2000 (DOU 10.430/1996. art. a regra do art. Na sequência. diante dos documentos de fls. entende-se que o art. a ato jurídico perfeito. então. IV – Todavia. 165 do Código Tributário Nacional. não se cogita de ofensa a direito adquirido. a referida compensação foi vedada expressamente pelo art. por outro lado aplicando-se à pretensão executiva a disposição expressa no art. mas também pelo cessionário. mantida porém a cessão dos créditos e a substituição das partes para fins de execução do indébito mediante precatório. 81/90 e 91/93 deste agravo). em sua redação originária. a pretensão de compensação com créditos da autora cedente foi manifestada nos autos da ação originária aos 11. quando a referida compensação estava vedada expressamente pelo art.1997). pois se trata de direito assegurado no art. I. direito adquirido ou ato jurídico perfeito. para fins de restituição de indébito tributário mediante precatório. nem ao direito de proprie- dade.’ . nem ainda aos princípios da moralidade da administração. 5º. 15 c/c 17 da Instrução Normativa SRF nº 21/1997 (DOU 11. 74. 42. à pessoa jurídica de Fá- brica de Papel e Papelão Nossa Senhora da Penha S/A. ao objetivo maior do Estado Brasileiro de construir uma sociedade justa (Constituição Federal de 1988. na redação dada pela IN SRF nº 73/1997 (DOU 19.430/1996. não há qualquer ilicitude no procedimento. do art. mas se tal compensação foi pleitea- da apenas após a revogação desta possibilidade pela IN SRF nº 41/2000. a. VI – Se pleiteada e efetivada a compensação à época em que estava prevista pela IN SRF nº 21/1997. 567. XXII – ofensa ao direito de propriedade. para afastar o deferimento à compensação. pela autora vencedora na demanda a terceiros.2005. X – Agravo de instrumento parcialmente provido. 384/390 e 394/396 daqueles autos originários (fls.03. sem que haja impedimento legal a tal cessão. A – PODER DISCRICIONÁRIO DA ADMINISTRAÇÃO – AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO I – A pretensão formulada pela agravada nos autos originários. incluído pela Lei nº 11. inclusive decorrente de processo judicial. II – Há possibilidade de cessão de créditos. 5º.04. não havendo direito do contribuinte a tal forma de compensação. do mesmo estatuto processual. determinando a substituição daquela por esta última quanto à fase executiva do feito originário. VII – Tratando-se de possibilidade sujeita ao poder discricionário da administração pública.04. houve proibição legal de compensação com créditos de terceiros. previu que a Administração poderia autorizar a compensação com créditos de terceiros. não há direito do contribuinte em que seja efetivada a compensação de créditos de terceiros. art. 3º. 37). III – A possibilidade de compensação de débitos de um contribuinte com créditos de outro. que exige a con- cordância da parte contrária para substituição da parte. mas apenas alterar o titular do direito ao crédito a ser ressarcido ao contribuinte. Parcial reformada da decisão agravada.2000). § 12. do Código de Processo Civil. II. pelo que se aplica a vedação legal à compensação pleiteada nestes autos. art.09. que permite que a execução seja promovida não apenas pelo credor.2000). no § 12. IX – No caso dos autos. art. VIII – Precedentes do Colendo Superior Tribunal de Justiça. se for manifestada esta pretensão pela interessada. pois não se trata de ‘modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias’. 123 do Código Tributário Nacional. consiste em não apenas deferir a cessão de créditos feita pela coautora Costa Café Comércio. XXXVI. que foi deferida pela decisão agravada. também deferindo a pretensão da cessionária consistente em promover à compensação dos créditos que lhe foram cedidos pela coautora Costa Café com os seus débitos particulares. 1º da Instrução Normativa SRF nº 41/2000 (DOU 10. estava prevista e regulada nos arts.051/2004. ART. Exportação e Importação Ltda. II.

Precedentes. como é também a impossibilidade de utilização de precatórios de natureza alimentícia. Im- possibilidade de ajuizamento da execução fiscal.. 317) Ora. 78 do ADCT. pacificou . Agravo regimental no recurso especial. 78 do ADCT es- taria suspenso pelo Supremo Tribunal Federal.....431/2011.. com as motivações cabíveis e necessárias. deverá ser efetuada em âmbito administrativo. deve analisá-lo e. Juiz Convocado Souza Ribeiro. Portanto. A suspensão foi por motivos que concernem à pro- teção do devedor (violação dos princípios do direito adquirido do beneficiário do precatório. por decisões nas Medidas Cautelares pro- feridas nas ADIns 2356 e 2362. natureza alimentar. Portanto. É importante pontuar.. Assim... 3ª T. 42 e. No mesmo sentido. que. não há como retirar do cessionário... que a amortização prevista no art.431/2011 faz referência expressa ao art. 181 (TRF3... Primeiro porque a Lei nº 12... Tal interpretação seria equivalente a negar vigência ao art. obviamente.. Diz que. sem qualquer controvérsia.2008).332/SP (Relª Min.. Verifico que há escritura pública de cessão de direitos creditórios oriundos de processo judicial transitado em julgado.. indeferir o pleito de amortização. a utilização. Ressalto... 7º da Lei nº 11. Como também asseverado na decisão de antecipação de tutela.2009.... tam- bém o art.431/2011. 1. verifico que possui razão a União em um dos pontos que aborda na sua manifestação de fls. 78 do ADCT..431/2011.. ao singelo argumento de que o art.... 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) o valor líquido do precatório a ser pago ao beneficiário. AI 00899228620074030000.. 43 da Lei nº 12... 78 do ADCT. 199/203. Apesar de toda a fundamentação acima. ainda. nos termos do art. Não possui razão... como se verifica no art. 43 da Lei nº 12.. do ato jurídico perfeito. como se pode verificar na redação desta própria norma legal. não deveria produzir efeitos. após tais decisões. de precatório federal de titularidade do devedor... na amortização de dívida consolidada com a Fazenda Nacio- nal.. p. com base no qual formula sua pretensão. Somente será objeto do parce- lamento de que trata o art.. o precatório que a agravante pretende utilizar possui. anterior ao que se baseia a agravante (‘Art.08.. como se depreende facilmente de uma simples leitura na escritura pública de cessão de direitos creditórios oriundos de processo judicial transitado em julgado (fls.... se fosse o caso de desconsiderá-los.. 337/358. 78 do ADCT. ao apreciar os EREsp 850.. Crédito com exigibilidade suspensa.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA... colacionamos as seguintes ementas: “EXECUÇÃO FISCAL – CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – IMPOSSIBILIDADE – Tributário... e a análise sobre sua legitimidade.. na presente apelação. Afirma a agravante que seria impertinente a alegação de impossibilidade de compensação com créditos de natureza alimentícia.431/2011 somente veio à lume considerando os preceitos do art. o novo titular do crédito. Após o recebimento....” Com base em tais argumentos. Segundo.. se o cedente do precatório não pode sequer discutir o seu valor... se entender que o precatório é inidôneo.. A Constituição Federal veda a utilização de precatórios de natureza alimentícia nas formas de liquidação derivadas no art. A Primeira Seção/STJ.941/2009 e do art.. não se pretende adentrar no mérito sobre se o precatório é idôneo.. do qual a agravante quer se utilizar. da mesma maneira como já enfatizado de forma categórica na decisão antecipatória de tutela.11.... pois qualquer contribuinte tem o direito constitucional de petição. está claro que a Lei nº 12. 42.. se a cessão foi regularmente autorizada pelos titulares do direito material envolvido ou mesmo se é referente a valores efetivamente devidos pela União.. 78 do ADCT não têm qualquer ligação com a vedação à utilização de precatórios de natureza alimentícia em compensações...431/2011. 43. se foi objeto de fraude. da coisa julgada e da independência do Poder Judiciário). no período decor- rente entre o protocolo do pedido e uma eventual decisão administrativa de indeferimento.. A suspensão da exigibilidade somente ocorreria. porquanto não é objeto desta lide.. a Fazenda Nacional não pode se negar a receber o pedido de amortização... está inserida no âmbito da liquidação de precatórios prevista no art... DJe de 12. a possibilidade de utilizar o precatório na quitação de dívidas tributárias. mesmo quando este não era o seu credor originário. e-DJF3 Judicial 1 data: 24. 43 da Lei nº 12. 43 da Lei nº 12. de pronto verifica-se a impossibilidade de utilizá-lo para os efeitos pretendidos pela agravante. como se vê em seu art... após abatimento dos valores compensa- dos com os créditos da Fazenda Pública Federal e das correspondentes retenções tributárias’). é cabível.. se for o caso... Eliana Calmon. foi editado o art... Na hipótese em exame.... 199/203). negou provimento ao agravo de instrumento.. com cópia às fls. os motivos invocados pelo Supremo Tribunal Federal para a suspensão de eficácia do art.

” (STJ.2013 – p. Rel. 515. o desembaraço fora obstado pela ausência do documento denominado manifesto de carga. Rel. (2013/0082102-3). de exame próprio pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário. Devo- lução mediante conversão em ações na forma do art. Agravo regimental não provido. § 2º. 458.00. 3. Benedito Gonçalves. Mauro Campbell Marques. 1. ITCMD. sim.39. ainda que o pedido de compensação refira-se a créditos de precatório. 33 e 78 do ADCT. II. Tributário. Art. pois a pretensão mandamental não se respalda no poder liberatório para pagamento de tributos de precatório vencido e não pago. 2.10. 2. No caso dos autos. 226) “ITCMD – COMPENSAÇÃO – PRECATÓRIO ALIMENTAR – POSSIBILIDADE – Tributário. bastando fundamentar suficientemente o decidi- do. A Lei paranaense nº 14.. Desembaraçado o bem pela liminar. ao fundamento de que a EC 62/2009 derrogou os regimes especiais dos arts. 1ª T. O direito da Eletrobrás de converter os créditos em ações.” (STJ.543/2002. Não havendo indícios de que a conduta irregular da empresa importadora vi- sava lesionar o Fisco ou obter vantagem ilícita.617. encontra amparo no art. isto é. não sendo suficiente para caracterizar o seu exercício abusivo o fato de o valor patrimonial da ação (valor considerado na con- versão) ser superior a seu valor de mercado (valor pelo qual as ações foram vendidas pelos particula- res no mercado).002949-8/PA – Rel. § 6º. Min.2013.014187-0/BA. compensação com precatório alimen- tar.470/2004 autori- za a compensação de débito de Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) com crédito de precatório alimentar cedido por terceiro. Desembaraço aduaneiro. 2. Mandado de segurança. e 535. Min. 31. 3º do DL 1. Re- curso ordinário em mandado de segurança. quando não há alternativa para aquele que exerce o seu direito .181/1983.. 5. Grigorio Carlos dos Santos – DJe 11. Juiz Federal Wilson Alves de Souza. na sistemática de devolução do empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica.11. O advento da EC 62/2009 não constitui fundamento jurídico válido para indeferir esse pedido de compensação.181/1983. A alegada violação ao art. previsto no art. p. TRF 1ª Região. 170 do CTN. em lei local específica que permite o encontro de contas pretendido. do ADCT. da CF/1988 não merece conhecimento em sede de recurso especial. 3. AgRg-REsp 1. 4º da Lei nº 7. Valor patrimonial da ação comparado ao valor de mercado. Empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica.” (TRF 1ª R. A via adequada para a cobrança de tributo após a expedição do auto de infração consiste na propositura da devida ação de cobrança e não a apreensão coercitiva das mercadorias do contribuinte. é de se manter a sentença concessiva da segurança. (2013/0283985-0). Ausência de lesão aos cofres públicos ou obtenção de vantagem indevida.2012. – Ap-RN 2003. Não há como restar caracterizado o abuso de direito quanto existe somente uma forma para o seu exercício.10. a retenção e a possibilidade de aplicação de pena de perdimento afiguram-se excessivas. 170 do CTN. 1. Juiz Fed. 4. 151. 4. porque eventual cobrança do tributo somente pode se dar pelas vias ordi- nárias (Súmula nº 323 do STF) (AMS 2001. mas.] 4. Inocorrência de abuso de direito. DJe 11. restando demonstrado nos autos que a conduta da impetrante não visava lesionar o Fisco ou obter qual- quer vantagem ilícita. 3. do CTN. III.00. 1087) 11015 – Empréstimo compulsório – energia elétrica – conversão em ações “Processual civil. 2. Encontro de contas autorizado por lei local específica. 2ª T.182 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA entendimento no sentido de que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento suspendem a exigibilidade do crédito tributário. do CPC. 4º da Lei nº 7. DJe 16. impõe-se a extinção do feito executivo. 165. Considerando que o crédito tributário estava com a sua exigibilidade suspensa quando do ajuizamento da execução fiscal. 1.375.512/1976 e no art. 39 e 40 do Decreto nº 4. 78. ‘[. Possibilidade. na forma prevista no art. Recurso ordinário provido.2013. em razão da impossi- bilidade de sua propositura.33. e-DJF1 23. Rel.030. O Poder Judiciário não está obrigado a enfrentar todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes.. II e III. Retenção e perdimento indevidos. 1245). Manifesto de carga. p. p.10. nos termos do art.. Ausente a violação aos arts. 1057) 11014 – Desembaraço aduaneiro – manifesto de carga – lesão aos cofres públicos – ausência – efeitos “Tributário e administrativo. cuja apre- sentação compete ao transportador nos termos dos arts. Remessa oficial improvida. posto tratar-se de matéria constitucional. Recurso ordinário em mandado de segurança impetrado contra decisão que indeferiu pedi- do de compensação. 5ª Turma Suplemen- tar. RMS 43. § 1º.

julgados em 12. Rel... da Lei nº 8. Não merece reforma. a própria decisão que determinou a comprovação do depósito do valor remanescente já com a incidência da multa de 50% de que trata 98. 4. 933) Transcrição RET Lei nº 7. Humberto Martins – DJe 05.2012.2013 – p.08. § 6º. dividido pelo número de ações em circulação. de ofício. e será efetuada pelo valor patrimonial das ações. visto que esta forma é a legalmente prevista e a empresa está sujeita ao princípio da legalidade vinculante à Administração Pública. 98...09. Humberto Martins. da Lei nº 8.g.. o que poderia configurar pagamento extemporâneo. significa dizer que o lícito é ilícito.... as quais preveem a incidência de multa de 50% do valor das parcelas não adimplidas no vencimento (art. poderá ser parcial ou total conforme deliberar sua Assembléia- -Geral....02... Min..212/1991 reconhece que todas as 60 parcelas mensais foram adimplidas pela recorrida e que o saldo devedor apurado pela Contadoria Judicial refere-se. que prevê a aplicação de multa sobre o saldo devedor. 694.592/RS.10.003... na realidade. Min... O Tribunal de origem firmou entendimento de que o aludido dispositivo não tem aplicação no caso dos autos. mediante a inserção de dados irreais no balanço patrimonial). Orientação pacificada no STJ consoante os seguintes precedentes: AgRg-AREsp 254406/PR..” (STJ – REsp 1. Mauro Campbell Marques – DJe 15...... Quitação. 2... 98. da Lei nº 8..2012. Min. Mauro Campbell Marques. Diferença a menor que não configura falta de pagamento do preço arrema- tado.. portanto.... na forma da legislação em vigor... Relª Min... Saldo rema- nescente referente a diferenças de atualização monetária (Selic).. Parcelamento.... à diferença decorrente da errônea atualização monetária das parcelas.. Considerar aqui o abuso significa impedir o exercício do próprio direito. nessa parte.212/1991. Recurso especial improvido. o que não se discute nos presentes autos. 5.” (STJ – REsp 1.762 – (2013/0278832-1) – 2ª T. do art. Primeira Seção.413. 98.. Herman Benjamin. diferenças de valores decorrentes da aplicação da Taxa Selic sobre as parcelas.2013. Segunda Turma. Impossibilidade de subsunção do fato à norma. será considerado reserva de capital...05.. que o direito inexiste já que de impossível exercício.. Min.. da Lei nº 8. Arrematação. 2332) .. sob pena de imiscuir-se indevidamente na atividade adminis- trativa.. in casu... porquanto.. sim e apenas. julgado em 02. 6. § 1º.. – Rel.727 – (2013/0217346-3) – 2ª T.. o entendimento firmado pelo Tribunal de origem quando afirma a impossibilidade de subsunção do caso às normas que ora se entende por afrontadas.. do CPC). na hipótese de o arrematante deixar de pagar qualquer das parcelas do parcelamento. Recurso especial parcialmente conhecido e... REsp 1264398/PR.... A verificação da ausência de abuso de direito no presente caso não exclui a possibilidade de se responsabilizar a Ele- trobrás ou seus dirigentes por eventual manipulação do valor de mercado ou do valor patrimonial de suas ações (v.2014 – p. Aplicação da multa de 50% prevista no art.. 4º A conversão dos créditos do empréstimo compulsório em ações da Eletrobrás... situações que não se configuraram.181/1983: “Art..028. Com efeito. não houve falta de pagamento do preço da arrematação. Rel. além de não caber ao Juízo da Execução sua aplicação ex officio. EDcl-AgRg-AREsp 311954-PR.. Segunda Turma.12..” 11016 – Execução fiscal – arrematação – parcelamento – quitação – saldo remanescente – Selic – diferenças apuradas pelo contador do juízo – aplicação da multa de 50% – falta de pagamento do preço arrematado – não configuração – efeitos “Processual civil e tributário. mas não inadimplemento.399. A pretensão recursal reside na reforma do acórdão regional que afastou a aplicação. O valor da conversão que exceder à quantia determinada pelo capital social... § 6º. Execução fiscal. no intuito de realizar a conversão com prejuízo aos contribuintes.... § 6º. tendo sido reconhecida a licitude do procedimento nos recursos representativos da controvérsia: REsp 1. quando exerce o direito de conversão em ações.. 3. apurado em 31 de dezembro do ano anterior ao da conversão. mas. Julgado em 18.955/RS e REsp 1. Parágrafo único.. 1.... – Rel.. não tem alternativa ao valor patrimonial da ação... § 6º. Eliana Calmon.. não provido. Min. Rel.212/1991) e a possibilidade de tornar sem efeito a arrematação caso não haja pagamento do preço (art. 7. 183 de fazê-lo de outra forma que gere prejuízo menor à outra parte. isto é. julgado em 17..2009. Segunda Turma.. A Eletrobrás..212/1991. Intimação de ofício a comprovar diferenças apuradas pelo contador do juízo.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA.

332/SP (Relª Min. portanto.184 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 11017 – Execução fiscal – crédito com exigibilidade suspensa – impossibilidade “Tributário. patrimônio da União Federal. anoto que.4. Pro- priedade fiduciária.03. Em consonância com o disposto no § 3º do art.” (STJ – AgRg-REsp 1. pacificou entendimento no sentido de que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento sus- pendem a exigibilidade do crédito tributário. Considerando que o crédito tributário estava com a sua exigibilidade suspensa quando do ajuizamento da execução fiscal. Relª Des. conforme preceitua o art. órgão desconcentrado do Poder Executivo Federal. Dessa forma. Mauro Campbell Marques – DJe 11.4. melhor analisando a questão. A princípio.10. Impos- sibilidade de ajuizamento da execução fiscal. e. Crédito com exigibilidade suspensa.030 – (2013/0082102-3) – 2ª T. Eliana Calmon.188/2001. 2º da Lei nº 10.2013) Comentário RET O acórdão ora comentado é oriundo de agravo de instrumento interposto pela Caixa contra decisão que rejeitou exceção de pré-executividade. e TRF3. pois o imóvel que gerou os débitos fiscais é de propriedade do PAR. os imóveis albergados pelo Programa de Arrendamento Residencial são ‘mantidos sob a propriedade fiduciária da CEF’. tendo em vista a incidência da imunidade constitucional recíproca. 1º da Lei nº 10. Exceção de pré-executivida- de.188/2001. A questão debatida nos presentes autos refere-se ao Programa de Arrendamento Resi- dencial – PAR.6182. Precedentes. Processual civil.08.2013 – DEJF 23. na forma prevista no art. ainda que o pedido de compensação refira-se a créditos de precatório. . Tributário. Em consonância com o disposto no § 3º do art. A Primeira Seção/STJ. – Rel. Execução fiscal.2013. 226) 11018 – Execução fiscal – exceção de pré-executividade – Programa de Arrendamento Residen- cial – IPTU – imunidade “Agravo de instrumento. e-DJF3 21. Alegou a Caixa que foi ajuizada contra si execução fiscal exigindo o pagamento de IPTU e da Taxa de Lixo de imóvel integrante do PAR. em razão da impossibilidade de sua propositura. revejo o posicionamento anteriormente exarado. Agravo de ins- trumento parcialmente provido para afastar o recolhimento do IPTU. Rel. foi deferido o pedido de efeito suspensivo para reconhecer a ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal. Caixa Econômica Federal. É de rigor o reconhecimento da legitimidade passiva da Caixa Econômica federal para figurar na execução fiscal originária. intimamente ligado à União Federal.0000/SP – 4ª T. – Relª Desª Fed. é de rigor o reconhecimento da legitimidade passiva da Caixa Econômica Fede- ral para figurar na execução fiscal originária. oposto com o fim de ver reconhecida sua ilegitimidade passiva para o pagamento do IPTU e da Taxa de Lixo devidas com relação a imóvel de propriedade do Programa de Arrendamento Residencial – PAR.2013. e que tal execução não procede. 2. e-DJF3 19. DJe de 12.00.10.10.2008). Federal Alda Basto. Federal André Nabarrete.007380-9.2009. Quanto à questão da responsabilidade tributária para o recolhimento do IPTU. portanto.2013 – p. AI 2013. Agravo regimental no recurso especial. manifestou-se o Relator nos termos a seguir: “Inicialmente. em última instância. 2º da Lei nº 10. Marli Marques Ferreira – J. PAR – Programa de Arrendamento Residencial. 10. É evidentemente que os referidos bens são gravados pela imunidade consti- tucional e. ao apreciar os EREsp 850. IPTU imunidade. delegando a si apenas o atributo de agente operacional. AC 0020629-39. sendo mera agente operadora. 1. e que refe- rido programa mantém a União Federal na propriedade dos imóveis.07. Ao analisar o caso. – AI 0007128-95. Des. Precedentes desta 4ª Turma: TRF3.03.03. III.03. impõe-se a extinção do feito executivo. que se destina ao atendimento da população de baixa renda. sob a forma de arrendamento residencial com opção de compra. do CTN. Legitimidade.” (TRF 3ª R. os imóveis albergados pelo Programa de Arrendamento Residencial são mantidos sob a propriedade fiduciária da CEF. 151.375.188/2001. mantém-se o entendimento de que programa vincula-se ao Ministério das Cidades.2013. Min. embora tenha deferido o pedido de efeito suspensivo para declarar a ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal para figurar na execução fiscal originária. Agravo regimental não provido.

.. sendo que o imóvel adquirido. segundo o § 2º do art. conceitua fundo especial no art... 185 No entanto.. sequer mesmo foi demonstrado que o imóvel foi arrendado. INCISO VI...]’ . quanto à questão da responsabilidade tributária para o recolhimento do IPTU. portanto. 4º da Lei nº 10.188/2001 são claros quanto à propriedade dos bens adquiridos pertencer a esse fundo financeiro (caput do art... que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e con- trole dos orçamentos e balanços da União.. que está autorizada a criar um fundo destinado à segregação patrimonial e contábil dos haveres financeiros e imobiliários a ele destinados.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. que possui direitos e obrigações próprias. inciso VIII. Ressalte-se que este dispositivo constitucional é norma geral.. patrimônio da União Federal.. bem como seus títulos e rendimentos serão mantidos sob a propriedade fiduciária da Caixa Econômica Federal – CEF e não se comunicam com o patrimônio desta [. colho julgado desta 4ª Turma: ‘PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AGRAVO DE INSTRUMENTO – PROGRAMA DE AR- RENDAMENTO RESIDENCIAL (PAR) – LEI Nº 10. que é caracterizada pela igualdade político-jurídica dos entes que a compõe. no que couber. é imprópria e não tem nenhuma ligação com os arts... conforme os arts.... de que sofre as limitações decorrentes da garantia da imunidade tributária recíproca. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 – AU- SÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA CEF O Programa de Arrendamento Residencial destina-se ao atendimento da população de baixa renda.. mantém-se o entendimento de que Programa vincula-se ao Ministério das Cidades. dos Municípios e do Distrito Federal.. na qualidade de sua representante. 30.320/1964. relativamente ao IPTU. o próprio fundo é responsável pelos compromissos advindos dos bens que lhe pertencem e a recorrente.. é a certidão de registro de imóvel. bem como a erradicação de favelas e submoradias. o Ministério das Cidades.188/2001)... Portanto.. conforme preceitua o art....514/1997 e 1.. é evidentemente que os referidos bens são gravados pela imunidade consti- tucional e. os bens adquiridos no âmbito do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) pertencem ao Fundo de Arrendamento Residencial... nos termos do art.188/2001..... dos Estados. Na linha dos fundamentos anteriormente explicitados. na relação que mantém com o fundo. 1º da Lei nº 10. 2º da Lei nº 10. O Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). adequado ordenamento territorial.. é um fundo especial que está indissociavelmente ligado a um órgão da Administração.. a empresa pública agirá em nome do fundo.. Esclareça-se que a denominação de proprietária fiduciária conferida à recorrente.188/2001). 23 da Lei nº 9. 32/33.. ao dispor expressamente ‘que o imóvel objeto desta matrícula compõe o patrimônio do fundo financeiro a que se refere a Lei nº 10. e não possui relação com o PAR.. do parcelamento e da ocupação do solo urbano.. deve figurar no polo passivo das ações que os envolvam. ratifique-se.... e. 150. acostada às fls.... não têm o condão de justificar a alegada ilegitimidade passiva da empresa pública.. 2º-A... eis que. 3º-A e 4º..... portanto.. órgão desconcentrado do Poder Executivo Federal... Os §§ 3º e 4º do art. terá direitos e obrigações próprias e.. previsto no art.. Assim. 6º da Constituição Federal. ALÍNEA A. segundo a qual compete aos Municípios promover.. 2º da Lei nº 10. é vedada a instituição de impostos sobre o patrimônio.245 do CC..188/2001 – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – LEGITIMIDADE PASSIVA – IPTU – INCIDÊNCIA DE IMUNIDADE RECÍPROCA – INTELI- GÊNCIA DO ART.. Das características anteriormente explicitadas decorre a consequência.. pois a lei expres- samente assim determina (inciso VI do art. a renda . cuja lei de regência não prevê a participação dos Municípios na sua consecução.. A Lei nº 4. sob a forma de arrendamento residencial com opção de compra... 173... inciso VI. No sentido exposto. respon- derá por suas obrigações até o limite dos bens e direitos integrantes de seu patrimônio e é representado pela agravante... 2º). nos termos da Lei nº 4. em última instância. Sua gestão compete ao Ministério das Cidades e sua ope- racionalização à Caixa Econômica Federal. isento de atividade econômica.. mediante planeja- mento e controle do uso. Em conclusão..320/1964. Os argumentos de que o escopo do programa em referência é a concretização de um direito social. 71. da Constituição Federal... a fim de viabilizar a operacionalização do programa e o patrimônio de ambas não se comunicam (§ 3º do art. em apoio às políticas municipais de habitação. in casu.... tipificada pelo mesmo diploma no art.. o qual.. portanto. que o representa. cuja exigibilidade ora se questiona. que instituiu o PAR – Programa de Arrendamento Residencial.. confia seus bens à CEF.. intimamente ligado à União Federal..188/2001. No caso dos autos.. Por conseguinte... o qual.

2009).. Logo. para reconhecer a ausência de responsabilidade da agravante quanto ao recolhimento do IPTU. Recurso provido.04.188/2001. Execução fiscal. a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 1ª S.2009. por serem os imóveis do Fundo de Arrendamento Residencial patrimônio da União. . Suple- mentar. 6ª T. Tra- tando-se de imóvel pertencente ao Programa de Arrendamento Residencial. acarreta a condenação na verba honorária’ (EDcl-AgRg-REsp 1275297/SC. Ônus da Fazenda Pública de comprovar alguma das situações previstas no art. a.03. conforme segue: ‘TRIBUTÁRIO – EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – IMÓVEL DO PROGRAMA DE ARREN- DAMENTO RESIDENCIAL – PAR – IMUNIDADE RECÍPROCA – IPTU INDEVIDO – 1. como expressamente disposto pela legislação reguladora do tema. AI 2013. Honorários de advogado. os imóveis destinados ao PAR constituem patrimônio da União. instituído pela Lei nº 10. 1. para afastar o recolhimento do IPTU. 150. 135 do Código Tributário Nacional. Além disso. os bens imóveis afetos ao Programa integram o patrimônio da União. da CF/1988. Relª Desª Federal Alda Basto. Denise Arruda. 2. Federal André Nabarrete. No caso dos autos..01.4.3800/MG.2013) Com base nesses argumentos.’ (TRF 1ª R. 34 do CTN.] (REsp 1104900/ES. 2. se o nome do sócio não consta na CDA. 25. contrato social ou estatutos’ [. 135 do CTN. 135 do CTN. A col. 135 do CTN. Demonstrada a incidência da imunidade recíproca. sendo esse o regramento apli- cável quanto a tais recursos. e-DJF3 19.2013) ‘PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – IMÓVEL AFETO AO PROGRAMA DE ARRENDAMENTO RESIDENCIAL – CEF – IPTU – IMUNIDADE I – Legitimidade da Caixa Econômica Federal reconhecida pela Quarta Turma.2009.4. 150. Órgão descon- centrado do Poder Executivo Federal. VI.2005.’ (TRF3. se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica. apenas desta- cado para afetação à finalidade pública preconizada pela citada Lei nº 10. de propriedade da União Federal. DJe 01. Apelação não provida. inegável que incide a regra imunizante prevista no citado dispositivo constitucional. III – Os bens e direitos da União são insuscetíveis de tributação. Conv. ainda que revertidos na aquisição dos bens imóveis pela gestora. se a Fazenda Pública não logrou comprovar quaisquer das situações mencionadas no art. alínea a. uma vez em nenhum momento haver seu destacamento do patrimônio da União.6182.03. AC 0020629-39. por conta da imunidade recíproca. entendo que a decisão que determinou a responsabilização da recorrente.’ (TRF3. como assegura o art. AC 0000413-21. incumbe à Fazen- da Pública exequente o ônus de provar alguma das situações previstas no art. ou seja. É de ser reconhecida a ilegitimidade ad causam passiva do sócio executado cujo nome não consta na certidão de dívida ativa.03. Rel.188/2001 infere-se que o Ministério das Cidades.2013)” 11019 – Execução fiscal – exceção de pré-executividade – responsabilidade tributária – certi- dão de dívida ativa “Agravo de instrumento. deve ser reformada sob esse aspecto.07.188/2001. No mesmo sentido. da Constituição Federal. II – Da análise da Lei nº 10. mas o nome do sócio consta da CDA. encontramos julgados do TRF da 1ª Região.186 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA e os serviços uns dos outros. IV – Portanto.. Objeção de pré-executividade. V – Apelação parcialmente provida.. e-DJF3 21.07. 150. Miguel Angelo de Alvarenga Lopes.00. nos termos do art. inciso VI. sendo ilegítima a cobrança posta quanto ao IPTU. DJF1 31. inciso VI. foi dado parcial provimento ao agravo de instrumento. em razão da imunidade recíproca prevista no art. 3. Agravo de instrumento parcialmente provido. não é legítima a cobrança do IPTU. Responsabilidade tribu- tária. é o gestor do Programa de Arrendamento Residencial. Certidão de dívida ativa sem menção aos sócios. Rel. J. face à imunidade prevista no art.03. da Constituição Federal. Relª Min. a. Juiz Fed. ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor. Precedente. Des.007380-9. Superior Tribunal de Justiça firmou orientação ‘no sentido de que. não houve a prática de atos ‘com excesso de poderes ou infração de lei. O colendo Superior Tribunal de Justiça já proclamou que nele ‘é firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de pré-executividade. a CEF. 1ª Seção do eg.

... Execução fiscal. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacificada no sentido de que o disposto no art... o bloqueio eletrônico de depósitos ou aplicações financeiras deixou de ser providência excepcional e passou a figurar como medida preferencial na ordem de penhora. Recurso conhecido e não provido.. Direito processual civil.. Humberto Martins.. 08..... Art... no bojo dos embargos.. 1. posto que não se trata.2014 – p.04... Ônus da prova. Luiz Antonio Soares – DEJF 22. 1.006290-5 – Rel... Nome do sócio constante da CDA.. 1.. resulta na obrigatoriedade do executado embargante arcar com os ônus processuais. DJe 10. Possibilidade.” (TJDFT – AgRg-AI 20140020064922 – (781442) – Relª Desª Simone Lucindo – DJe 30... Cir- cunstância análoga ao reconhecimento do pedido.. Ilegitimidade da parte. – Rel... 2. 2. Des... Recusa pelo credor. Recurso provido.0001. 2.. Des. Ofereci- mento de bem de difícil ou improvável alienação... 6º do CC/2002) não sendo possível a substituição da certidão de dívida ativa. 3.. 543-C do Código de Pro- cesso Civil. Ausência de previsão legal. Recurso provido para refor- mar em parte a decisão impugnada e reconhecer a ilegitimidade ad causam passiva do agravante..” (TJES – AI 0030960-39. não havendo mais necessidade de que o exequente demonstre não haver outros bens passíveis de constrição.... de simples correção de erro material ou formal. 03.12.” (TRF 2ª R.8. que permite a emenda ou substituição da CDA até a decisão de primeira instância...Esp. Extinção... goza de presunção relativa de certeza . Inviabilidade.. considerando que a morte extingue a personalidade civil da pessoa natural (art. tem sua apli- cação limitada às hipóteses de simples correção de erro material ou formal que não determine a alteração do lançamento.. Decisão mantida. 135 do CTN.. Fed.. – AC 0520497-23.. 4. 2ª T. Intimação do devedor para ofertar outro bem. Tratando-se de bem de difícil ou improvável alienação.. Responsabilidade pelo débito.2014 – p. que implica na extinção do processo.. Execução fiscal e embargos do devedor.. § 8º. 15) 11022 – Execução fiscal – penhora – oferecimento de bem de difícil ou improvável alienação – recusa – possibilidade “Agravo regimental no agravo de instrumento. da Lei nº 6.” (TJPI – AC 2013.... Sabe-se que a Certidão de Dívida Ativa. cabendo a ele a demons- tração de que não incorreu nas hipóteses do art. in casu.2014 – DJES 16.. 4..Cív. Execução fiscal.... Falecimento do executado antes do ajuizamento da ação.....2014 – p. Condenação do executado embargante nos ônus da sucumbência.. Extinção pelo pagamento da dívida.. não havendo obrigatoriedade de que o juiz intime o executado para indicar outros bens.5101/RJ – 4ª T... Penhora de numerário. Impossibilidade de substituição da CDA. firmada em julgamento de recurso submetido ao rito do art.4.... Sócio. 1. Destarte.. a responsabilidade deste pelo débito é presumida. Execução fiscal.. 68) 11021 – Execução fiscal – pagamento da dívida – extinção – ônus processuais – executado “Apelação cível.2013).04. Dair José Bregunce de Oliveira – J. Determinação para que o Estado com- prove a responsabilidade do sócio. A extinção da execução e dos embargos do devedor pelo pagamento espontâneo do crédito tributário constante do título. 135 do CTN. J. como o pagamento das custas e ho- norários advocatícios em favor da parte contrária. possível a recusa do credor. sem resolução do mérito. do CPC...2014) 11020 – Execução fiscal – falecimento do executado antes do ajuizamento da ação – efeitos “Tributário.2011.08. Conforme já assentado pelo Superior Tribunal de Justiça....830/1980.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. 73) 11023 – Execução fiscal – responsabilização dos sócios – determinação para que o Estado com- prove – inviabilidade “Processual civil. 267. Agravo regimental conhecido e improvido. 3. 2º. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.02. nos termos do art. a Fazenda Pública deveria ter executado o espólio de Nelson Pereira Ribeiro.04. que corresponde ao título executivo que aparelha a ação de execução fiscal. – Rel. 187 Rel. constando o nome do sócio na certidão de dívida ativa – CDA. Observância da ordem legal. Min.. IV.0048 – 3ª C. Agravo de instrumento...04.04. Des.2013.. Ônus do sócio de demonstrar não ter incorrido nas hipóteses do art. 135 do Código Tributário Nacional.2013.. Recurso improvido.. mas ausência de pressuposto de existência da relação processual.12... Raimundo Nonato da Costa Alencar – DJe 11.

parágrafo único. Sendo assim. mas sim o ISS. Depósitos judiciais convertidos em renda. a teor do art. .2014 – p. 2. 142.8. não deve incidir o ICMS. § 1º.2014) 11024 – ICMS – diferencial de alíquota – aquisição de medicamentos – hospitais e clínicas – não incidência – suspensão da exigibilidade – efeitos “Agravo de instrumento. da Lei nº 6. Djalma Lofrano Filho – DJe 05.830/1980 é categórico ao afirmar a presunção de certeza da dívida ativa regularmente inscrita.04. 7. a quem aproveite’. da Lei nº 6. o que dificultará.2014. Recurso parcialmente pro- vido. – Rel. O processo administrativo em que se funda a dívida ativa é mantido. não podendo ser objeto de decisão judicial que obrigue o Fisco a deixar de exercê-lo quando identificada a situação fática prevista na hipótese de incidência do tributo. justificando-se a requisição judicial apenas se comprovado óbice a tal acesso. uma vez que não constitui documento essencial à propositura da ação executiva. 135 do CTN. 3º da Lei nº 6. que dispõem que a dívida ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. 6. casas de saúde. para infirmar a presunção relativa de certeza e liquidez do débito constante na Certidão de Dívida Ativa compete ao sócio cujo nome conste no referido título como responsável tributário o ônus de provar a ausência dos requisitos previstos no art. 135 do CTN. Recurso de apelação não conhecido e reexame necessário não provido.Cív. 3º. expressando que tal presunção. 08. haja vista a regulamentação destas atividades pela Lei Complementar nº 116/2003. Provimento em parte. 6º. a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. Tributário.08. O reexame de matéria de prova é inviável em sede de recurso especial (Súmula nº 7/STJ). Des. 1. Execução fiscal.” (TJSP – Ap 0600331-37. e formalizada na CDA – Certidão de Dívida Ativa. 3.” (TJES – AI 0043850-82. sob sua perspectiva.01. mas o nome do sócio consta da CDA. se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica.05. nos termos do art. não pode o contribuinte ser compelido a pagar o diferencial de alíquotas. Álvaro Manoel Rosindo Bourguignon – J. 4. Débito integralmente quitado. STJ.2013. 4. Extinção da ação executiva em razão do pagamento das par- celas referentes ao crédito tributário.188 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA e liquidez. não houve a prática de atos ‘com excesso de poderes ou infração de lei. 2. caput.2013. na repartição competente. 41. O lançamento tributário é atividade administra- tiva plenamente vinculada e obrigatória conforme se depreende da redação literal do art. 204 do CTN. ou seja.Cív. Parcelamento. O parágrafo único do art. hospitais. sanatórios e congêneres.0000 – (805) – 2ª C. 1299) 11026 – ICMS – execução fiscal – exceção de pré-executividade – prescrição “Processual civil. pois se proceder de modo contrário estará assumindo para si o ônus da prova. com- binado com o art. ICMS. – Rel. Não ocorrendo a hipótese de incidência do ICMS. cabendo à parte interessada examiná-lo e extrair as cópias que entender necessárias à sua defesa. o Estado sempre incluirá o nome dos sócios na Certidão de Dívida Ativa. em conformidade com o art. ICMS. Cobrança de diferencial de alíquotas de ICMS na aquisição de medicamentos para desenvolvimento de atividades médico-hospitalares.04.830/1980. Prescrição afastada com base no disposto na Súmula nº 106/STJ. embora decorrente da lei. Resta evidente que. – Relª Desª Regina Ferrari – DJe 24.04.0024 – 2ª C.830/1980 – Lei de Execuções Fiscais e do art. 5. o recebimento do crédito que entende possuir.26. Suspensão da exigibilida- de de créditos tributários. 3º da Lei nº 6.2014 – p. Exceção de pré-executividade. Sentença mantida. 14) 11025 – ICMS – embargos à execução fiscal – pagamento das parcelas – extinção “Embargos à execução fiscal. Entendimento do col. A orientação da 1ª Seção do STJ firmou-se no sentido de que. Reexame de prova. Sobre a aquisição de medicamentos para uso em atividade médico-hospitalar própria das clínicas médicas. a cargo do executado ou de terceiro. Tributário. ‘pode ser elidida por prova inequívoca.2014 – DJES 16.8. a partir do entendimento que tem sido adotado pelo STJ.0014 – São Paulo – 13ª CDPúb. Recurso conhecido e provido para determinar o prosseguimento da execução. 3.830/2080. 1.” (TJAC – AI 1000050-20. contrato social ou estatutos’.8. ambos do Código Tributário Nacional. Inexistência de protocolo que comprova a tempestividade do recurso. Agravo regimental no recurso especial. Recurso de apelação interposto.

por sua natureza indi- reta. Ausência de comprovação do não repasse....803 – (2014/0035223-9) – 2ª T.. posteriormente... 1265) 11028 – ICMS – restituição – exegese “Apelação cível. não merecendo ser conhecida.. Recurso provido. há a transferência do respectivo encargo financeiro. Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.Cív.2012.. 1. o imposto devido.... a deter legitimidade ativa ad causam..2014 – p. Alegada usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal.. Tributário.. Agravo regimental a que se nega provimento.2014 – p. 92/154). do CPC). não vislumbro qualquer indício de prova de que houve a assunção do encargo financeiro pela empresa autora (contribuinte de direito).... cópias dos documentos de pagamento do tributo ora em análise (fls. em tese pago indevidamente. a empresa aérea não demonstrou não ter repassado o valor do ICMS para os serviços que prestou durante o período suscitado.. Com- pete aos juízes e tribunais. Agravo . Improcedência.26. 13) 11029 – IPI – crédito prêmio – aproveitamento – análise “Agravo regimental na reclamação.. 3. assim.. consoante o acima disposto. 1465) 11027 – ICMS – internamento de mercadorias – Zona Franca de Manaus – exegese “Tributário. Com o acolhimento da preliminar de ilegitimidade ativa da Varig S/A (Via Aérea Rio-Grandense). exercer o controle difuso de constitucionalidade. 4.. tão somente.. caso o tenha transferido a terceiro. 1. Nuncio Theophilo Neto – DJe 05. 267. aos cofres públicos o imposto já pago pelo consumidor de seus produtos. razão pela qual somente poderá ocorrer a restituição do tributo.” (TJSP – Ap 0014144-97.05. – Rel. Como é sabido.. sem que isso implique usurpação da competência desta Corte. – Rel.....436. 3.. Des. tendo em vista que o contribuinte real é o consumidor da mercadoria objeto da operação (contribuinte de fato) e a empresa (contribuinte de direito) repassa.. nesse momento. Aplicação do art. 267.Esp. Processo extinto sem resolução do mérito (art. A apelação de fls. Na demanda em análise. Preliminar de ilegitimidade ativa ad causam acolhida. Insuficiência dos conhecimentos de transporte e dos livros de entrada de mercadorias do adquirente. VI. além de inexistir prova de que a empresa autora tenha assumido sozinho o ônus de pagar as quantias relati- vas à cobrança do ICMS incidente sobre transporte aéreo doméstico e internacional em geral... Nesse sentido. a agravante alega a usurpação da competência desta Corte em razão de o Superior Tribunal de Justiça ter decidido pela extinção do benefício fiscal relativo ao aproveitamento do crédito-prêmio do IPI com supedâneo no art. Destarte. 189 2. recolhendo.. Comprovação que de- pende da Certidão de Internamento ou do parecer exarado pela Superintendência da Zona Fran- ca de Manaus (Suframa) e Secretaria da Fazenda do Estado do Amazonas em Pedido de Vistoria Técnica....004447-14 – 1ª C. Mauro Campbell Marques – DJe 02. 166 do CTN.. ICMS. não há expressa comprovação de que não tenha sido transferido a terceiro referido encargo..... Ônus da prova do contribuinte de direito (art. a quem comprove haver assumido citado encargo ou..04. na apreciação das lides que lhes são postas.. o que se vislumbra é que a empresa apelante não provou ter assumido sozinha o encargo relativo ao ICMS sem ter repassado ao contribuinte de fato respectivo valor. o ICMS é um imposto indireto..0053 – São Paulo – 11ª CDPúb. inciso I.8. Assim. Decisão. Haroldo Oliveira Rehem – DJe 11. do CPC). do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.. no preço da mer- cadoria. Superior Tribunal de Justiça.. Extinção. 333. Internamento na Zona Franca de Manaus. Restituição de imposto indireto (ICMS). Recurso conhecido e provido... 41... eis que se limitou a juntar.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. Crédi- to-prêmio.. VI. passando. 6.. Contudo. § 1º.2014 – p.... interposta por Varig S/A (Via Aérea Rio-Grandense) não efetuou o seu preparo.. do CPC). Min. Agravo regimental não provido.. Mercadorias..... In casu....... 5. 277/306... extinguindo-se o processo sem resolução do mérito (art.... apre- ciando o acervo probatório colacionado aos autos. deixo de analisar o mé- rito. esteja por este expressamente autorizado a recebê- -lo.. não possuindo..05. maio de 1989 a julho de 1994...” (STJ – AgRg-REsp 1.. quando da exigência do pagamento do imposto do ICMS o contribuinte de direito (empresa) não assume tal ônus financeiro em razão da substituição legal no cumprimento da obrigação (repercussão do tributo). No caso do ICMS. 2. – Rel.” (TJPI – AC 2010. razão pela qual. a empresa autora legitimidade ativa....0001. 2... Processo civil e tributário.

32 do CTN trata do fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana. de isenção do tributo que recai sobre o bem. o art.2014 – p.2013. Min. os tributos a que se aplica e. Min.2013. – Rel. REsp 1247788/SC..435. 3.2013. inexiste possibilidade. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. Fatos geradores. Nos termos da jurisprudência do STJ. Improvimento do recurso. Violação do art. Rel.2013. II. 1.04. ainda. os produtos importados estão sujeitos à nova incidência de IPI na operação de revenda (saída do estabelecimento importador).651/2012). à falta de regramento normativo. Instrumentalidade recursal. ao contrário. Isenção de IPTU.282 – (2014/0029179-9) – 2ª T. Desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento comerciante. de competência dos Municípios. In casu.2014 – p. Humberto Martins – DJe 05. Min. Conforme consignado. localizado na zona urbana do Município. IPVA. 33) 11030 – IPI – importador comerciante – fato gerador – desembaraço aduaneiro e saída do esta- belecimento comerciante – bitributação – inocorrência “Processual civil. Eliana Calmon. localizado na zona urbana.0001 – (733) – 2ª C. Inafastável a incidência da Súmula nº 284/STF ao caso dos au- tos. J. Notificação. 4. DJe 29. Humberto Martins. Tratando-se de imóvel inserido totalmente dentro de APP. eis que não há legislação para tanto.2012. a cobrança do tributo – IPTU é legítima porquanto inexistente legisla- ção que conceda ao apelante a isenção pretendida. Segunda Turma. 535 do CPC. em 22. Luiz Fux – J. sendo caso. Importador comerciante. [. Impossibilidade do exercício pleno de propriedade. Recurso improvido. Incidência da Súmula nº 284/STF. ante a ocorrência de fatos geradores distintos. Min. Segunda Turma. Súmula nº 83/STJ. Precedentes.” (STJ – EDcl-REsp 1.05.900/AL – 1ª T. IPI. Primeira Seção.” 11032 – IPVA – execução fiscal – lançamento de ofício – prescrição quinquenal – termo a quo – notificação – precedentes “Tributário e processual civil. A isenção. bastando ter o domínio útil ou a posse e. Não ocorrência. Precedente: EDcl-RCL 5. sobre a propriedade predial e territo- rial urbana tem como fato gerador a propriedade.2013. Rel. julgado em 03.. Tributário.2014 – DJe 22. Ausência de legislação.2014 – p.2011.932/SP.” (STF – Rcl-AgRg 6. DJe 24. Rel. estar localizado na zona urbana do Muni- cípio. Segunda Turma. Para que ocorra a isenção de determinado tributo. Execução fiscal.2013. 1.04. Imóvel localizado em área urbana e encravado totalmente em área de preserva- ção permanente. 176 do Código Tributário Nacional. DJe 11.190 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA regimental a que se nega provimento. AgRg-REsp 1384179/SC. da Lei nº 12. Lançamento de ofício. 3º. O imposto. 3. 176. 2. 32. em que pese a área correspondente está em sua totalidade em Área de Preservação Permanente e não poder ser utilizada pelo proprietário (art.10. como definido na lei civil.Cív. deve esta ser prevista em lei.10.01. Relª Min. Mauro Campbell Marques. DJe 29.09. 2340) 11031 – IPTU – imóvel em área urbana encravado em APP – exercício pleno de propriedade – impossibilidade – isenção – legislação regulamentadora – necessidade “Apelação cível.9. Mauro Campbell Marques.” (TJAC – Ap 0014342- 29. aplica-se ao .10. 535 do CPC. Min. Termo a quo. a teor do art. o recorrente limitou-se a alegar genericamente ofensa ao art. Bitributação. Precedentes: REsp 1385952/SC. mas improvido. 01. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física. julgado em 15.] Art. sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido. – Rel. é sempre decorrente de lei que es- pecifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão. 1. ainda quando prevista em contrato. 2. Assim. – Relª Desª Waldirene Cordeiro – DJe 02.04. o prazo de sua duração. quando nítido o caráter infringente.05.8.10. em homenagem à fungibilidade recursal e à economia processual. É possível receber os embargos de declaração como agravo regimental. Cobrança tributária legítima. 18) Transcrição RET Código Tributário Nacional: “Art. Prescrição quinquenal.

– Rel.2014 – p. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. nos termos do art.. – Rel. 174 do Código Tribu- tário Nacional. 3.570/MG. Incidência da Súmula nº 83/STJ. no caso.... Lei nº 7... No caso dos autos..2005 aplica-se o art.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. com efeitos infringentes.2014 – p. o termo a quo para a contagem do prazo prescricional quinquenal para a execução fiscal. 543-C do CPC..836 – (2013/0408147-0) – 2ª T... a cobrança diz respeito ao lançamento do IPVA relativo ao exercício de 2007. 20/21).. 1.. Tributário.2014 – p. concluindo-se que.. se obtém os valores dos rendimentos auferidos pela autora.. mesmo que seja considerada existência do parcelamento. Representativo de controvérsia. da Constituição Federal.859. em último caso. Recurso Especial nº 1. Prazo prescricional. não houve consideração por parte da Receita Federal do Imposto de Renda retido na fonte.... cuja execução fiscal somente foi ajuizada pela Fazenda Pública Estadual em outubro de 2012.713/1988.570/MG. O IPVA é imposto cujo lançamento se opera de ofício.. § 1º. como no caso do IPVA e IPTU.. uma vez que cabe ao judiciário dizer... Desse modo. 1... 191 caso. a constituição do crédito tributário aperfeiçoa-se com a notificação ao sujeito passivo.269. a partir desta. em razão da inexistência da dívida. quando a parte provar que deixou de suscitar questões de fato perante o órgão a quo por motivo de força maior (art. Desse modo.” (STJ – AgRg-REsp 1.” (STJ – EDcl-REsp 988. em sede recursal. Humberto Martins – DJe 02. 1331) 11035 – IR – desconstituição do lançamento – exegese “Tributário. Nos tributos sujeitos a lançamento de ofício. quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia’. Às ações ajui- zadas a partir de 09. Recurso não provido. Embargos de declaração acolhidos. pois...434. a parte autora apurou.. Prescrição configurada nos termos do art. 5... Execução fiscal. 150. 517 do CPC). 2...586 – (2007/0221706-7) – 2ª T. Segundo o que se constata... analisando-se as declarações de ajuste anual referentes a 2005/2006 e 2006/2007....... 3. 1528) 11034 – IR – complementação de aposentadoria – isenção “Processual civil. Art. 3. julgado sob a sistemática do art. só agora..8. pois...26. Agravo regimental improvido.91.. tal fato não impediria que o contribuinte ajuizasse a presente ação. constata-se que as informações declaradas a título de rendimentos auferidos e imposto de renda retido correspondem à informações fornecidas pelo órgão administrativo ao contribuinte... Og Fernandes – DJe 02... se o lançamento tributário deve ser considerado nulo. Min. 1463) 11033 – IPVA – lançamento de ofício – Constituição – exegese “Apelação cível. iniciando.. Isso decorre do princípio da inafastabilidade da jurisdição. 2.05... contido no art.0278 – Itaquaquecetuba – 3ª CDPúb.04. Precedente: REsp 1. o disposto na Súmula nº 284/STF: ‘É inadmissível o recurso extraordinário.. Desconstituição de lançamento. – Rel.. Ronaldo Andrade – DJe 22. fato este (se existente) que já era do seu conheci- mento desde o momento do oferecimento da contestação e a respeito do qual se manteve silente.. Imposto de Renda. 3º da LC 118/2005. o ius novorum é admitido. contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. pelo que se encontram prescritas as parcelas anteriores a 25 de agosto de 2000. do CTN. de forma que sua constituição se dá com a notificação recebida pelo contribuinte no início de cada ano. quando já ultrapassado o quinquênio legal...2011. IPVA relativos aos anos de 2001 a 2006.. para fins de apuração do valor do imposto devido e que está sendo cobrado na execução fiscal. fato. mas o imposto retido totalizou . 23/30..” (TJSP – Ap 0018390-77. Isenção.. 2..06. imposto devido no valor de R$ 5. 174 do Código Tributário Nacional.... o valor do Imposto de Renda retido na fonte... através dos comprovante de rendimento anual (fls. no ano-base de 2005.. mas apenas excepcionalmente.05. Por outro lado. Imposto de Renda. XXXV. como a ação foi ajuizada em 25 de agosto de 2005... exsurge o obstáculo da inovação em sede de razões da apelação... a ré sustenta a existência pedido de parcelamento dos débitos.. aplica-se a nova regra de contagem do prazo prescricional de indébito tributário instituída pela LC 118/2005.. 543-C do CPC e Resolução nº STJ 08/2008. nos termos da Lei nº 11. com efeito...941/2009.. o valor correspondente à devolução do Imposto de Renda.269. 4. Art. Os documentos apresentados pela parte autora são suficientes à demonstração do seu direito. Complementação de aposentadoria. Min... 5º... mutatis mutandis.. às fls.. No caso. a partir da análise dos mes- mos...

3. da Lei nº 4. – Rel. Jurisprudência uniformizada no REsp 1. Processual civil.10.192 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA R$ 8. do Código de Processo Civil. Mauro Campbell Marques. 16. Luiz Antonio Soares – DEJF 22. 2. Jurisprudência uniformizada no recurso representativo da contro- vérsia REsp 1. posteriormente.25. Min. da Lei nº 4. Caso de juros de mora decorrentes de benefícios previdenciários pagos em atraso. cumpre des- tacar que os valores informados pela autora a título de imposto devido. VII. De acordo com o que consta dos autos. contudo. manifestando-se nos autos do Agravo de Instrumento nº 2010. para o ano-base de 2006. 7. incide Imposto de Renda sobre juros de mora a teor do art.25. 13. a União Federal age de má-fé.80. XI e parágrafo único. Segunda exceção: são isentos do Imposto de Renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. no valor de R$ 2.506/1964: ‘Serão também classifi- cados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo’. Teori Albino Zavascki. Cesar Asfor Rocha. à restituição do imposto pago a maior. Jurisprudência uniformizada no REsp 1. 9. concordou com os argumentos da autora. a autora apurou imposto devido de R$ 5. fazendo jus. 16. Rel. portanto. vale dizer. 6.2010.24. Imposto de Renda da pessoa física. afirmou em agravo de instrumento interposto em face de decisão proferida nestes autos que não lhe restava outra medida a não ser concordar com o pleito da autora. Extrair a correção monetária do cálculo significaria fazer incidir o Imposto de Renda sobre uma base de cálculo corroída pela ausência de correção monetária.088. julgado em 10. não pode o fisco cobrar do contribuinte duplamente o mesmo imposto. 16. conforme consignado neste voto.089.01.088.01. apresenta apelação com alegações totalmente inconsistentes. Primeira Seção. Tributário. Quanto ao pedido de restituição do Imposto de Renda apurado em suas declarações de ajuste anual. Rel. Primeira Seção. para os fins do disposto no . uma vez que não cabe ao juízo da execução fiscal decisão acerca de tal pleito.506/1964. 10. de modo que. em sua contestação deixou claro que não foram entregues as DIRFs para os anos-base de 2005 e 2006. XI e parágrafo único. Embora em sua apelação a união não tenha feito qualquer questionamento acerca da legalidade da cobrança. 12. Des. mas à fonte pagadora.713/1988. Min. Rel. Primeira Seção. sem. mas o imposto retido totalizou R$ 7. o que ora lhe imponho.506/1964. desse modo.91 e R$ 5. parágrafo único. 5. porque. Rel.55. concluindo que não resta a Fazenda Nacional outra me- dida a ser adotada que não concordar com o pleito formulado pela ora agravante e informar que as providências internas serão solicitadas.227. A lei não confere ao contribuinte a responsabilidade pela entrega da DIRF. da Lei nº 4. 11.Esp. o desconto na fonte e o lançamento de ofício. Portanto.2011. da Lei nº 7. 63) 11036 – IR – pessoa física – incidência sobre juros de mora – verba indenizatória – benefícios previdenciários atrasados – natureza jurídica “Agravo regimental em agravo em recurso especial. caracterizando. a apelante. Primeira exceção: não incide Imposto de Renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas trabalhistas pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho consoante o art. o recurso como meramente protelatório. Art. fazendo jus à restituição de R$ 2. Min. na forma do art. Do mesmo modo. Regra geral de incidência sobre juros de mora. ante- riormente à apresentação de sua apelação. IRPF. Min. 4. Caso concreto em que se discute a incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora decorrentes de verbas previdenciárias pagas em atraso. se esta não cumpri com a sua obrigação.496.720-RS. julgado em 10. Julgado em 28. conforme a regra do accessorium sequitur suum principale.02.02. Mauro Campbell Marques.089. Regra geral. Remessa necessária e apelação improvidas.09. e.133/RS.” (TRF 2ª R.2014 – p. Fed. o que é inadmissível. razão de não terem sido considerado os valores do imposto retido na fonte. Com efeito. do CTN (‘Não constitui majoração de tributo. Incidência da regra geral constante do art.584.5101/RJ – 4ª T. inciso V. quais sejam: R$ 5. correspondem exatamente aos valores cobrados pela Fazenda Nacional e inscritos na CDA questionada nestes autos. mesmo em se tratando de verba indenizatória.720/RS.859. 17.4. tem razão o juízo a quo.011555-0.470. questionar o mérito da questão.55. a União Federal merece ser apenada com multa de 1% (um por cento) do valor corrigido da causa. – AC 0506970-38. 8. interposto pela apelada em face de decisão proferida nestes autos.610. § 2º. p/o Ac. 97.04.2012.2012.10. 1. a teor do art. pela sua postura nos autos. 6º. requerendo a improcedência do pedido. não tendo havido a revogação do dispositivo ou sua declaração de inconstitu- cionalidade.

.12. nenhum posicionamento sobre o tema discutido. nos termos do art.. Mauro Campbell Marques. não são tributados pelo Imposto de Renda...05.. accessorium sequitur suum principale. Mauro Campbell Marques – DJe 02.. b) os juros mora recebidos em decorrência de rescisão do contrato de trabalho por perda de empre- go. no mesmo sentido... sempre e reiteradamente.280/RN.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA...2013).. é possível decidir com base no art.. 3.2014 – p.. Ainda que não haja precedente da 1ª Turma..... caput e parágrafo único.393... Cabimento. o qual concede autorização para que o Re- lator negue seguimento a recurso cuja pretensão confronta com a jurisprudência dominante do res- pectivo Tribunal do STF ou de Tribunal Superior. ocorrido em 10. firmou orientação de que. Mandado de segurança. ... ICMS na base de cálculo.2014 – p. seguem a mesma sorte da verba principal... 2.... Lucro presumido. REsp 1... não procede a arguição de ofensa ao art. Agravo regimental improvido..11..291/1968 e da Lei Complementar nº 731/1993 (art. 1943) Comentário RET O acórdão em comento é oriundo de agravo regimental contra decisão que negou seguimento a recurso especial que contestara a integração do ICMS na base de cálculo da contribuição do PIS e da Cofins.. Policial civil.. 1...423..720 – (2014/0034847-0) – 2ª T...863 – (2014/0047704-0) – 2ª T.436.. DJe 07. inclusive quando recebidos em virtude de reclamatória trabalhista.2012. pois destinada a servido- res que exercem atividades em condições especiais e se incorpora aos vencimentos para todos os efeitos legais Exegese da Lei Estadual nº 10.. Regime Especial de Trabalho Policial (RETP). e.. 1.05. Osvaldo de Oliveira – DJe 05. Legalidade. Recurso não provido.. 2. desnecessário submeter-lhe. – Rel. a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo’).. ressalvadas duas hipóteses: a) os juros de mora.024/RS.506/1964.05. – Rel.” (STJ – AgRg-REsp 1.8.26. Min. Processual civil.. Possibilidade. 557 do Código de Processo Civil por não ter.. Humberto Martins. 16.. Rel. Min..439.. Se o Relator conhece a orientação de seu órgão Colegiado. sendo verba acessória. com acórdão publicado em 28... 43 do Código Tributário Nacional Denegação da ordem. a mesma controvérsia.. Reclamatória trabalhista.. No regime do lucro presumido. combinadas com o art. 3... a configuração de jurisprudência dominante prescinde de que todos os órgãos competentes em um mesmo Tribunal tenham proferido deci- são a respeito do tema...2014 – p...2014 – p. apesar de sua natureza indeniza- tória. 6. DJe 16.10. da relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques. tratou a questão do IRPJ e a CSLL calculados sobre o lucro presumido. Agravo regimental não provido. Humberto Martins – DJe 05. – Rel. 3º). em regra. 1.160 – (2013/0394596-9) – 2ª T.720/RS.. na 1ª Turma do STJ.. porquanto a 2ª Turma do STJ possui entendimento reiterado e uniforme sobre a matéria em questão. Min. Rel. 2. Hipótese em que se aplica a regra geral segundo a qual incide o IRPF sobre os juros de mora. Discute-se nos autos a incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora decorrentes de pagamento de verbas trabalhistas feito a destempo e acumuladamente.04. Verba de natureza remuneratória.” (TJSP – Ap 0043595-41.2010. Incidência de IR. afinal.. Herman Benjamin – DJe 15.....312.. 2ª T. incide Imposto de Renda sobre os juros de mora. Juros de mora...089..” (STJ – AgRg-REsp 1. 4.. Agravo regimental não provido. 2348) 11038 – IR – regime especial de trabalho policial – incidência “Apelação cível.. Min..0053 – São Paulo – 12ª CDPúb.. o ICMS compõe a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (AgRg-REsp 1. Min. Preliminarmen- te. 2ª T.. da Lei nº 4. – Rel.. no julgamento do REsp 1... indiferentemente da natureza da verba principal.. e que a receita bruta para apuração do lucro presu- mido não compreende os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador.2012.. Manu- tenção da sentença.2013. Incidência de Imposto de Renda. 557 do CPC.. 557 do CPC.05... IRPJ e CSLL.. 1285) 11039 – IRPJ – CSLL – lucro presumido – ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins – legalidade “Tributário. Alegou a agravante que o recurso não poderia ter sido julgado nos termos da sistemática prevista no art. 1464) 11037 – IR – reclamação trabalhista – juros de mora – incidência “Tributário.. A Primeira Seção desta Corte. 193 inciso II deste artigo.” (STJ – AgRg-REsp 1.

desnecessário submeter-lhe. do STF ou de Tribunal Superior. 557 do CPC. 4.312. Mauro Campbell Marques.2014 – p. Carlos Alberto Franca – DJe 30. que regulamenta o referido diploma. ICMS) forma a denominada ‘receita líquida’. com base em tais argumentos. manifestou-se o Ministro Relator nos seguintes termos: “Preliminarmente. Quisera o contribuinte deduzir os tributos pagos... Ao analisar a questão.981/1995 e o art. A ‘receita bruta’ desfalcada dos valores correspondentes aos impostos incidentes sobre vendas (v.2013)” E. 11040 – Isenção – portador de necessidade especiais – aquisição de veículo – ICMS – IPVA – cabimento “Mandado de segurança. o ICMS compõe a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. regulamento do Código Tributário Estadual. (REsp 1. O contribuinte de direito do ICMS quando recebe o preço pela mercadoria ou serviço ven- didos o recebe integralmente. 96) . no mérito.Cív. 02. foi negado seguimento ao agravo regimental. Rel.194 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA não representando o ICMS faturamento. de modo que demonstrada a aludida condição do impetrante nos autos. Isenção dos impostos ICMS e IPVA.. e. assim conceituada pela legislação que apura o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido. Confiram-se: [. Min. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apurados pelo lucro presumido têm por parâmetro a aplicação de determinado percentual sobre a ‘receita bruta’ e não sobre a ‘receita líquida’.04. art. Direito líquido e certo demonstrado. a concessão da segurança é medida que se impõe. 344 do RIR/1999 (Decreto nº 3. a preliminar suscitada. 5. O Convênio ICMS nº 03/2007. J. Segurança concedida. que com a ‘receita bruta’ não se confunde. o Có- digo Tributário Estadual e o Decreto nº 4. 1.105.000/1999). mediante prova pré-constituída.000/1999).981/1995 e art. 2ª T. 2ª T. no regime do lucro presumido. a configuração de jurisprudência dominante prescinde de que todos os órgãos compe- tentes em um mesmo Tribunal tenham proferido decisão a respeito do tema. Min.” (TJGO – MS 201490447598 – 2ª C. é possível decidir com base no art. a mesma con- trovérsia. no caso o ICMS. sempre e reiteradamente. da Lei nº 8. A 2ª Turma do STJ possui entendimento reiterado e uniforme sobre a matéria em questão.852/1997. 41 da Lei nº 8. XIV. não deveria integrar a base de cálculo.598. Mauro Campbell Marques. 280 do RIR/1999 (Decreto nº 3. 31 DA LEI Nº 8. A norma é inspirada nos princípios da economia processual e da razoável duração do processo e tem por finalidade a celeridade na solução dos litígios. 279 do RIR/1999 (Decreto nº 3. o recebe como receita sua o valor da mercadoria ou serviço somado ao valor do ICMS (valor total da operação). Aquisição de veículo por portador de necessidades especiais. Se o Relator conhece a orientação de seu órgão colegiado.00 (setenta mil reais) – Anexo IX. do Decreto-Lei nº 1.g.12.2010). DJe 07. portanto.000/1999).816/PR. 31. limitado o valor do veículo ao importe de R$ 70.. por não ser receita própria da empresa vendedora. afinal. § 1º. – Rel. 12.05. onde tal é possível. ou seja. Ainda que não haja precedente da 1ª Turma. por se tratar de produto da venda dos bens. a teor do art.000. Afastada. Esse valor.] TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SO- CIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – LUCRO PRESUMIDO – INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO – POSSIBILIDADE – APLICAÇÃO DO ART. de 1977 e art. transita pela sua contabilidade como ‘receita bruta’.024/RS. não procede a arguição de ofensa ao art. notadamente o art. Recurso especial não provido. ‘Não é possível para a empresa alegar em juízo que é optante pelo lucro presumido para em seguida exigir as benesses a que teria direito no regime de lucro real. mas sim ônus fiscal. 557 do CPC. reitero a jurisprudência pacificada nesta 2ª Turma. autorizam a concessão de isenção dos impostos IPVA e ICMS para a aquisição de veículo automotor por por- tador de deficiência física. deveria ter feito a opção pelo regime de tributação com base no lucro real. Des. mesclando os regimes de apuração’ (AgRg-EDcl-AgRg-Ag 1. 3. 7º.981/1995. o qual concede autorização para que o Relator negue seguimento a recurso cuja pretensão confronta com a jurisprudência dominante do respectivo Tribunal. 2. no sentido de que. a teor do art. Rel.

Eliana Calmon.. 1. Agravo regimental não provido.953/ES.11.. motivo pelo qual tem legitimidade ativa para postular o reconhecimento de imunidade tributária. II. (AgRg-AREsp 380. Alegou o agravante que o Tribunal a quo decidira que caberia ao Município a prova da des- tinação ou não dos imóveis à finalidade precípua da igreja e este não teria se desincumbido desse ônus.. efetivamente. 195 11041 – ISS – substituição tributária – exegese “Apelação cível. ‘o ônus da prova incumbe ao réu. Imunidade tributária... Há interesse processual da impetrante.2014 – p. Fundação Cesgranrio.05.... De acordo com o inciso II do art.. Responsabilidade subsidiária.. 1828) Comentário RET O acórdão ora comentado debateu o alcance da imunidade tributária.. inciso II. como pontuado na decisão recorrida. inciso VI... é de que o ônus de comprovar a finalidade é da igreja. quanto à existência de fato impeditivo.. art. Confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – IMPOSTO PREDIAL E TER- RITORIAL URBANO – ENTIDADE RELIGIOSA – IMUNIDADE – ALEGAÇÃO DE DESVIO DE FINALIDADE – ART... do CPC. c e CTN.. Demonstrado nos autos. manifestou-se o Ministro Relator: “[. nos termos do art... o debate girou em torno da imunidade com relação ao ITBI na compra de terreno por igreja. Art.. 150.” (STJ – AgRg-Ag-REsp 417..964 – (2013/0357211-4) – 2ª T... INCISO II. Legitimidade. Herman Benjamin – DJe 15... 333. 333 do CPC... 4. Recurso especial... Mandado de segurança preven- tivo.... mediante prova pré-constituída. cabendo àquele demonstrar que os imóveis pertencentes a essas entidades estão desvinculados da destinação institucional. 150. DJe 14. art. Sendo a recorrida entidade religio- sa... 333. Des... DO CPC – ÔNUS DO ENTE MUNICIPAL. Imunidade tributária. sendo a recorrida entidade assisten- cial. há presunção relativa de que o terreno adquirido para construção do templo gerador do débito é revertido para suas finalidades essenciais... O acórdão foi gerado de agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou seguimento ao recurso especial discutindo a questão..2014 – p. reconhece-se o direito da impetrante à imunidade tributária (CF.04. na medida em que o regime de substituição tributária instituído pelo Dis- trito Federal impõe ao substituído a responsabilidade subsidiária pelo recolhimento do ISS sobre o serviço prestado.... Assim é que caberia à Fazenda Pública.. 2. Interesse processual. O substituído... DO CPC – ÔNUS DA PROVA .. do CPC.. o preenchimento dos requisitos legais. 2.... 2ª T. 1. 3. Sérgio Rocha – DJe 05. 1. Entidade religio- sa.. e que o posicionamento prevalente. Ônus da prova.. Cobrança de ISS. Agravo regimental no agravo. 2. Constitucional e tributário. 333.. – Rel.. No caso. Impõe-se ao Município o ônus de apresentar prova impeditiva.... Tributário... Ao analisar a questão.. Min. modificativo ou extintivo do direito do autor’. Assim é que caberia à Fazenda Pública. 333.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. apresentar prova de que o terreno em comento estaria desvinculado da destinação institucional.. 333. nos termos do art... da CR/1988. apresentar prova de que o terreno em comento estaria desvinculado da destinação institucional. modificativa e extintiva ao gozo da imunidade constitucional assegurada às entidades religiosas. Reexame necessário. é quem vai arcar... Negou-se provimento ao apelo e à remessa oficial....... com o ônus tributário.2013) PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – IPTU – ENTIDADE ASSISTENCIAL – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – ART. 14).. II. Agravo regimental não provido.... de acordo com o art. há presunção relativa de que o terreno adquirido para construção do templo gerador do débito é revertido para as suas finalidades essenciais. prevista constitucional- mente a templos e entidades religiosas. do CPC.. inclusive perante o STF. ITBI... alínea c..] Isso porque. VI.” (TJDFT – AC 20130110623035 – (783109) – Rel. Relª Min. 3. no regime de substituição tributária...... 165) 11042 – ITBI – aquisição de terreno – entidade religiosa – imunidade tributária – alcance – fi- nalidade “Processual civil. inciso II. na tutela de seu interesse patrimonial.

conforme documentos acos- tados às fls.. Min. DJe 19.2010. Agravo regimental não provido. inciso VI. Humberto Martins. 3.184. nos termos do art. ‘o ônus da prova incumbe ao réu. [. destaco trecho do acórdão do Tribunal a quo: Consta nos autos que o Município da Serra teria cobrado da Igreja Maranata Cristã o recolhi- mento do ITBI – Imposto de Transferência inter vivos de Bens Imóveis referentes a imóveis adquiridos nos bairros Divinópolis. 2ª T.] Considerando que as entidades religiosas possuem a imunidade tributária.. IV. O imóvel objeto do lançamento é utilizado para o desenvolvimento das atividades educa- cionais.2011.05. Municípios e Dis- trito Federal instituir impostos sobre templos de qualquer culto. Assim é que caberia à Fazenda Pública. (AgRg-AREsp 239. 333 do CPC. ante o óbice da Súmula nº 7/STJ: ‘A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial’. 2. A jurisprudência já firmada nesta Corte Superior impõe ao município o ônus de apresentar prova impeditiva.. 1. 3. J. está destinado à finalidade essencial da instituição. AgRg-Ag 849285/MG. Rel. Rel. a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nela mencionadas. Humberto Martins. quando vinculados as finalidades religiosas’.. desde que ligados às sua atividade essencial. Denise Arruda. todo o patrimônio da entidade religiosa está abrangido pela imunidade tributária. 2ª T.2007. DJ 17. Herman Benjamin. as rendas (decorrentes da prática do culto) e os serviços. DJe 04. DJ 17.2011) Com esse mesmo entendimento.2010) Agravo regimental improvido. Min. quanto à existência de fato impeditivo.713/DF.2010. Dispõe o art. Além disso. alínea c. 1ª T.268/MG. Denise Arruda. De acordo com o inciso II do art. da Constituição. qual seja a filantropia. Rel. Estados. de acordo com o art.04. verifica-se que a análise da controvérsia demanda o necessário reexame do contexto fático-probatório.100/RJ. da CR/1988. Tratando-se a recorrida de entidade assistencial. b e § 4º do CFRB que é vedado à União. 150. caberia ao Mu- nicípio demonstrar que o patrimônio adquirido encontra-se desvinculado às suas atividades essenciais. conseqüentemente. Rel. Relª Min. o que não ocorreu no presente caso.02.04. ‘O STJ firmou o entendimento de que recai sobre o Município o ônus de provar que o patri- mônio da Autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais e. isto é. . o cerne da questão é verificar a incidência da imunidade tributária sobre os imóveis descritos. a instância de origem decidiu a controvérsia com fundamento no suporte fático- -probatório dos autos. 2ª T. Portanto. 150. 2ª T. Mauro Campbell Marques. Sobre o dispositivo constitucional citados.2007) TRIBUTÁRIO – IPTU – ENTIDADE AUTÁRQUICA – IMUNIDADE – PREVISÃO CONSTITUCIO- NAL – DESVIRTUAMENTO DO USO – ÔNUS DA PROVA AO MUNICÍPIO – PRECEDENTES. Rel. Min.05. DJe 12. apresentar prova de que a renda em comento estaria desvinculada da destinação institucional. (AgRg-Ag 849285/MG. 1. além do local da prática do culto. modificativo ou extintivo do direito do autor’..2012) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – IMPOSTO PREDIAL E TERRITO- RIAL URBANO – INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS – IMÓVEL VAGO – DIREITO À IMUNIDADE TRIBUTÁRIA COMPROVADO. 1ª T. Relª Min. não é abrangido pela imunidade tributária prevista no art.. Jardim Tropical e Barcelona. Eduardo Sabbag em Manual de Direito Tributário... do CPC.196 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA 1. 2. 2009. compreendendo somente o patrimônio.’ (REsp 1. 2ª T. e AgRg-REsp 1215119/RJ. DJe 19.12. 150. Agravo regimental desprovido. § 2º. menciona que ‘o perceptivo que desonera alcança o patrimônio mobiliário e imobiliário dos templos. Portanto. inciso II. Mauro Campbell Marques. 333.04. 35/56. modificativa e extintiva ao gozo da imunidade constitucional assegurada às autarquias. Min. 2. o que é inviável no Superior Tribunal de Justiça. cabendo àquele demonstrar que os imóveis pertencentes à entidade estão desvin- culados da destinação institucional. Precedentes: AgRg-AgRg-REsp 799. 13. DJe 04. (AgRg-REsp 1215119/RJ..5. há presunção relativa de que a renda auferida com o aluguel do imó- vel gerador do débito é revertida para as suas finalidades essenciais. Desse modo. Min.

. 197 Dessume-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribu- nal Superior. Ilegitimidade passiva. No que se refere à alegada afronta ao disposto no art....2013.... à razão de 100% sobre o tributo devido. o que é obstado a este Tribunal Superior... 535. porquanto decidiu fundamentadamente a qua- estio trazida à sua análise... utilizando-se os instrumentos de cru- zamento de dados precedentes jurisprudenciais. quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida’.. Súmula nº 7/STJ. Revisão da verba honorária..” E. da Constituição Federal de 1988.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. 123. – Rel.. 535 não configurada.05. Multa. Reexame do contexto fático-probatório dos autos. de doação. Apelação parcialmente provida. Min. o princípio estabelecido na Súmula nº 83/STJ: ‘Não se conhece do recurso especial pela divergência.. Neste particular há que se levar em considera- ção que a boa-fé se presume e a má-fé reclama prova ou fortes indícios’’ (fl. Precedente do eg.. Mandado de segurança. Exegese do disposto no art. nomeada de mútuo consideração. a análise da controvérsia é inviável no Superior Tribunal de Justiça. 4. Agravo regimental não provido.. Salvo disposições de lei em contrário.04. 3. Secre- tário de Estado da Fazenda.2010.... 105. ITCMD.. Regularidade procedimental quanto à fiscalização e lançamento do tributo. conforme determina a Súmula nº 7/STJ: ‘A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial’.8. verifico que o julgado recorrido não padece de omissão.06.... Doação caracterizada. não podem ser opostas à Fazenda Pública. 213.” 11045 – Mandado de segurança – autuação fiscal – autoridade coatora – Secretário de Estado da Fazenda – ilegitimidade passiva “Tributário e processual civil. de avenças e negócios jurídicos realizados entre par- ticulares..653 – (2014/0006206-0) – 2ª T...889/DF... Multa por litigância de má-fé.” (TJSP – Ap 0013164-19... Violação ao art. com isso... Min..” (STJ – AgRg-Ag-REsp 461.0053 – São Paulo – 5ª CDPúb. e-STJ).. Autoridade coatora.. deve estar presentes fortes indícios de atuação dolosa ou culposa da parte e prejuízo processual para a aparte contrária. a Corte local entendeu ‘a má-fé processual não restou caracterizada. para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Autuação fiscal. 11043 – ITCMD – litigância de má-fé – não caracterização – indícios – ausência “Processual civil e Tributário. aplicar posicionamento distinto do proferido pelo aresto confrontado implica reexame da matéria fático-probatória... negou provimento ao agravo regimental. O Secretário de Estado da Fazenda do Estado . Dessa forma. não podendo ser considerado nulo tão somente porque contrário aos interesses da parte. ante o óbice da Súmula nº 7/STJ: ‘A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial’... neste ponto que..... Desse modo.. 1.. Quanto à aplicação da multa por litigância de má-fé.. Cumpre ressaltar que a referida orientação é aplicável também aos recursos interpos- tos pela alínea a do art. Nesse sentido: REsp 1. Não oposição.. relativas à res- ponsabilidade pelo pagamento de tributos........... inciso II. razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Rel. do CPC. Caráter confiscatório.186. Possibilidade.. 2. Fermino Magnani Filho – DJe 05.26.2014 – p. 1.. o reexame das razões de fato que conduziram a Corte de origem a tais conclusões significaria usurpação da competência das instâncias ordinárias... Herman Benjamin – DJe 15. Caracterização. pelo Fisco. ao Fisco. 123 do Código Tributário Nacional. o que não se configura neste caso. in casu. Supremo Tribunal Federal Redução ao importe de 20% sobre o tributo devido.. Assim. Sanção co- minada pelo Fisco. DJ de 02.. Castro Meira.. – Rel. Cabe ressaltar.....2014 – p.. 1876) 11044 – ITCMD – mútuo consideração – incidência – possibilidade “ITCMD incidência de imposto sobre transação efetivada entre particulares. O STJ atua na revisão da verba honorária somente quando esta tratar de valor irrisório ou exorbitante.. as convenções particulares.... 2ª T.. Incide. III..... com a finalidade de simulação ou dissimulação. ‘para configuração da litigância de má-fé.. 1246) Transcrição RET Código Tributário Nacional: “Art...

XIII. principalmente aquelas que asseguram a liberdade de exercer atividade econômica lícita (arts. Isenção da Fazenda Pública.” (STJ – AgRg-AREsp 467.2014 – p. e não meios indiretos. 2. do Regulamento Estadual do ICMS.” (TJES – RN 0044389-82.2014) 11048 – PIS/Cofins – importação – base de cálculo – ICMS – exclusão “Constitucional e tributário. Min. c. Base de cálculo. Súmula nº 7/STJ. DJ 17. Suspensão de inscrição estadual. na forma do art. Des. não há débito prescrito. As contribuições sociais questionadas. do art. Interrup- ção. sendo a dívida exigível. PIS e Cofins. Rel. – Rel. 2.2014) 11047 – Parcelamento – débitos prescritos – exclusão “Processual civil e tributário. de 19 de dezembro de 2003. Importação. 3. – Rel. que volta a correr no dia em que o devedor deixa de cumprir o acordo.198 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA de Minas Gerais não possui legitimidade passiva para figurar como autoridade coatora em mandado de segurança que discute incidência de ICMS e apreensão de mercadorias pelo não pagamento do tributo. reexame de fatos e provas. Parcelamento. Ex- clusão do ICMS. 5º. ensejando a suspensão das execuções fiscais. Min.Cív.2014 – DJES 16. da Constituição . por todo o estudado. da Constituição Estadual.04. Agravo regimental não provido. a condenação da Fazenda Pública é cabível apenas no caso de ter havido adiantamento pelo autor. obstado pelo teor da Súmula nº 7/STJ.038.. 1ª T. PIS e Cofins-Importação. 3. 1. possuem base constitucional – foram instituídas a partir das alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 42. Herman Benjamin – DJe 22. a decisão monocrática do Relator mantida pela Corte local asseverou que ‘assim. pois indébito não existiu’.04. não se cogitando. Agravo regimental não provido. que possibilitam suspender a ins- crição estadual daquelas empresas em débito junto ao Fisco capixaba.122. que acrescentou o inciso IV ao art. Castro Meira. já declarou a incompatibilidade vertical.865 – (2014/0019787-9) – 2ª T. Precedentes do STJ. autor já procedeu a vários parcelamentos e reparcelamentos dos débitos em questão. nos Autos do Incidente de Inconstitucionalidade nº 100. 2014/0023473-9/RJ – 2ª T. 2ª T. do CTN. 381 do Código Civil). E. 240. Min.8.976/SP. 170. desde a década de 1990. ainda.” (STJ – AgRg-Rec-MS 44. como regra. 51. Afastada a legiti- midade passiva do Secretário para figurar como autoridade coatora.04. 4. O simples fato de a ação fiscal estar eventualmente pautada em norma infralegal editada pelo Secretário da Fazenda não o torna legitimado passivo para os mandados de segurança que discutem a ilegalidade da autuação (RMS 13.000/2001. Custas remanescentes.792 – Proc. 08. Lei nº 10. Álvaro Manoel Rosindo Bourguignon – J. 3. Meio indireto de cobrança de tributo. frente à Constituição Federal.050. ambos da Carta Magna). Min. o que impossibilita a aplicação da teoria da encampação. Violação ao princípio constitu- cional da livre iniciativa. e do art. 195. 1.0024 – 2ª C.865/2004. 1450) 11046 – Mandado de segurança – crédito tributário – inscrição estadual – suspensão – meio indireto de cobrança de tributo – impossibilidade “Remessa necessária. Herman Benjamin – DJe 22. O Tribunal Pleno desta Corte Estadual. 4. Tributário e processo civil. A Fazenda Pública deve utilizar mecanismos judiciais e extrajudiciais legais para a cobrança dos tributos devidos pelos contribuintes. 2.08.04. – Rel. p. Remessa conhecida e provida em parte.2012. Benedito Gonçalves. Remessa necessária conhecida e provida em parte. 151. Parcelamento não pode compreender débitos já atingidos pela pres- crição. não sendo devido o recolhimento das custas processuais remanescentes.04. o Tribunal de Justiça local deixa de ser competente para o julgamento do feito.270/MS. consoante o art. 106. da fluência do respectivo prazo prescricional’. respeitando as regras garantidoras dos direitos fundamentais. Rel. I.. Necessidade de reexame de matéria fático-probatória. Mandado de segurança. 1.2003. portanto. VI. 4. tampouco a repetição do indébito.11. Sob pena de caracterizar o fenômeno obrigacional da confusão (art. não ha- vendo que se falar em ilegalidade apta a ensejar a anulação do ato praticado. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário e interrompe o prazo prescricional. DJe 22. Impossibilidade.2013). Rever tal entendimento implica. Hipótese em que o Tribunal a quo consignou que ‘os argumentos apresenta- dos pelo agravante (autor) não prosperam e isso porque. 43 da Lei Estadual nº 7. I. RMS 37. Prescrição.

a.. 6. Contribuição para o PIS e a Cofins.485/2002.6100/SP – 4ª T.. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos na totalidade e da Fiat Automóveis S/A acolhidos. por violação do art. 199 Federal. não tendo o condão de alcançar outros estabelecimentos comerciais ligados às empresas autoras.2012.04. Rel.... 04. Embargos de declaração em apelação/reexame necessário. da Lei nº 9. 4..09.. 20100110368479 – (778051) – Rel. 3. Ainda que o comando sentencial tenha feito equivocada remissão a ‘matriz e filiais’ da empresa autora. reforma-se a decisão do Relator anterior que autorizava o levantamento de depósito judicial antes do trânsito em julgado do acórdão... 543-B do Código de Processo Civil. AgRg-MC 19. mas que tenham CNPJs diferentes e não foram elencados na inicial. 04.. Alegação da parte autora de descumprimento de acórdão desta Corte que se rejeita... Rel. Min... Recurso desprovido... 1.... Des. Pedido de levantamento de depósito judicial antes do trânsito em julgado do acórdão. J. reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins-Importação. 2ª T. O Supremo Tribunal Federal. PIS e Cofins. ao julgar recentemente o RE 559. 2ª T. O levantamento de depósito judi- cial de tributo se sujeita ao trânsito em julgado da decisão que reconheceu ou afastou a legitimi- dade da exação. Fed... quando da edição de normas infra- constitucionais. § 2º. J.06. Rel. Des. Vedação prevista no art..07...113/SP... No caso concreto. Min. inciso I.. DJe 01..2014 – p. 1.2013.. 2. – Rel.. acrescido pela EC 33/2001’.2014) . 7º. AgRg-AREsp 210. 1º... 1ª T. da Lei nº 10. 149.. – Relª Desª Fed.... Ilega- lidade não constatada. Não há como se imputar omissão ao julgado embargado que expressamente se manifestou sobre a questão em relação à qual alegadamente teria silenciado. Lei nº 10.38.03. Min.. 107) 11050 – PIS/Cofins – substituição tributária – crédito tributário – pedido – levantamento de depósito judicial – antes do trânsito em julgado do acórdão – impossibilidade “Processual civil.036106- 0/MG – 7ª T.. Marli Ferreira – DJe 14.703/1998.554/SP. Apelação a que se dá parcial provimento. § 3º.4.. 25. Alegação de descumprimento do julgado que se rejeita. Herman Benjamin.. J.. Não fere a legalidade o repasse ao consumidor..2012..485/2002) não implica desistência tácita do direito de pleitear a execução provisória do julgado.2004. Recurso do autor desprovido.865/2004: ‘Acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS inci- dente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições’.. nas faturas de energia elétrica. nos seguintes termos: ‘Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. – AC 0014813-07..04. Antoninho Lopes – DJe 14...” (TRF 1ª R. É omisso o acórdão que deixa de examinar o pedido de levantamento de depósito judicial de tributo controverso (cujo valor já supera R$ 82 milhões de reais) antes do trânsito em julgado da sentença. Precedentes do STJ: AgRg-AREsp 274.. em parte. dos valores referentes às contribuições sociais de PIS e Cofins...09. 2.. o voto condutor do acórdão embargado consignou que o fato de as empresas autoras terem concordado com a realiza- ção do depósito judicial da parte controversa do tributo (PIS e Cofins – regime monofásico da Lei nº 10.04... nos termos do disposto no art..2012.. Arnaldo Esteves Lima...” (TRF 3ª R.. 472 do CPC. O sistema constitucional tributário deve ser examinado em sua inteireza. 3. – Ap 2004.... § 3º. III..2013. 4.09.. da Lei nº 9. Alegação que se rejeita. da CF. resultando a integração do texto constitucional de imperiosa observância... Sentença mantida... Como consequência do vício processual sanado. 2. em sede de controle difuso. Repasse ao consumidor na tarifa de energia elétrica.937/RS. Omissão que se sana.. Omissão em relação a suposta preclusão do direito da parte autora de pleitear a execução provisória do julgado..565/RJ. a coisa julgada no processo subjetivo somente gera efeitos inter partes... DJe 28..2012.” (TJDFT – Proc. Cobrança monofásica de responsabilidade exclusiva das montadoras de veículos. 7...00.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA.703/1998.09.. 52) 11049 – PIS/Cofins – repasse ao consumidor – tarefa de energia elétrica – legitimidade “Tributário. 1º.. sob o regime previsto no art. DJe 11....... sob a ótica da proibição contida no art..2014 – p. 5.. apenas para sanar omissão no tocante à proibição de levantamento de depósito judicial antes do trânsito em julgado do acórdão. Reynaldo Fonseca – e-DJF1 04. Mauro Campbell Marques. nem tampouco em preclusão lógica. temporal ou pro judicato. Legitimidade.

antes do trânsito em julgado da sentença.703/1998. 413. 471 do Código de Processo Civil). mais especificamente à fl. da lavra do então Relator Desembargador Federal Antônio Ezequiel. o que contraria o art. As omissões ora apontadas no acórdão de fls. afirmara. no caso de vir a ser julgado improcedente o pedido das autoras. hoje aposentado.342 restringem-se a dois pontos básicos: a) A ocorrência de preclusão do direito das empresas autoras de pleitear que a montadora de veículos emita nota fiscal com o desconto de 5. quando a então Relatora consignou: ‘Primeiramente. na qualidade de substituta tributária com relação ao recolhimento das contribuições para o PIS e para a Cofins devidas pelas empresas autoras. § 3º. O acórdão adveio de embargos de declaração opostos tanto pela Fazenda Nacional. quanto por fábrica de veículos.13% da Nota Fiscal referente ao recolhimento do PIS e da Cofins. por terem elas supostamente alterado o pedido veiculado na petição inicial desta ação ordinária quando concordaram com a realização de depósito judicial dos valores controversos. 1º. o acórdão embargado teria olvidado que.13%). a Fazenda Nacional impugnou os embargos opostos pela fábrica de veículos. da Lei nº 9. não existe a alegada omissão. 32.342/1. da Lei nº 9. ocorrida em 31 de julho de 2012 (cf. 727 – v. pois a questão foi expressamente tratada no voto condutor do acórdão embargado. Alegou ainda a Fazenda Nacional em seus embargos que o acórdão embargado foi omis- so quanto a ilegitimidade do levantamento dos depósitos antes do trânsito em julgado do acórdão. 183 e 473 do Código de Processo Civil). 3) – que reputava constitucional e legal a sistemática de substituição tributária prevista na Lei nº 10. consignando configurar-se alteração do pedido inicial (arts. 1º. no bojo de sua fundamentação. pois restou decidida novamente questão judicial já decidida na presente demanda”. a 7ª Turma do TRF da 1ª Região decidiu pela impossibilidade do levantamento de depósito judicial antes do trânsito em julgado do acórdão que se reconheceu ou afastou a legitimidade da cobrança tributária.830/1980. a alegação de preclusão não merece prosperar.’ Com efeito.13% referente ao PIS e à Cofins. alegando que o acórdão não foi omisso quanto à preclusão lógica e temporal ao manter a determinação de dedução dos valores relativos ao PIS e Cofins da nota fiscal de saída (per- centual de 5.328. que. § 2º. que a concordância das autoras com o pedido de depósito judicial formulado pela Fiat Automóveis S/A (empresa montadora de veícu- .485/2002 e julgava improcedente o pedido veiculado na inicial -. au- sência de manifestação desta Corte sobre o disposto no art. do Código Tributário Nacional. sob o argumento que não era o meio adequado para reabrir discussão sobre tema jurídico já apreciado pelo julgador no mérito. e b) No tocante ao levantamento dos depósitos antes do trânsito em julgado da sentença. 1. Quanto ao primeiro ponto. embora este Relator concorde integralmente com o entendi- mento constante no voto vencido do Juiz Federal Saulo Casali Bahia (fls. ao admitir o levantamento dos depósitos ju- diciais realizados pela embargante. da Lei de Execuções Fiscais. da Lei nº 6. Ao analisar a questão. e nem quanto a levantada hipótese de ilegalidade da incidência monofásica do PIS e da Cofins. 32. 3). en passant.200 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA Comentário RET No caso ora comentado. bem como pro judicato (art. 151. § 3º. assim. inicialmente. alegou a embargante que o acórdão foi omisso quanto a manifestação sobre a ocorrência de preclusão lógica e temporal. para fins de pre- questionamento. contra acórdão que negou seguimento a outros embargos de declaração. e o art. Além disso. 707/717 – v. a questão não admite mais rediscussão em sede de embargos de declaração. nos termos do art. 1. rece- bidos como agravo regimental. No entanto. revendedoras de automóveis. pois a apelada “anuiu com a realização dos depó- sitos judiciais e não se insurgiu em face da decisão que a deferiu. § 2º. pois foi completamente exaurida e examinada na sessão de julgamento da 7ª Turma Suplementar deste TRF. o acórdão embargado não fez nenhuma referência ao trecho da decisão de fl. requereu a manifestação da Turma julgadora sobre tais pontos. assim como sobre o art. II. acórdão de fl. e que. o Desembargador Relator manifestou-se nos seguintes termos: “Registro. O pedido inicial da autora era do desconto dos 5. afirmando que tais depósitos não teriam como destinatária final a União. E. nas operações com veículos novos.703/1998. os depósitos judiciais se- rão convertidos em renda da União. que.

. o que foi feito no caso concreto.. nem tampouco em preclusão pro judicato. na qualidade de sujeito passivo do PIS e da Cofins indicado pelo art. a ‘uma alteração do pedido feito na inicial’ (fl.. § 2º Os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional.. no entanto. porque o depósito judicial é providência cautelar que... que a autorização para o depósito judicial dos valores controver- sos teria gerado as seguintes consequências jurídicas: a) o reconhecimento de um direito particular seu de se precaver contra futura execução que a Fazenda Nacional pudesse mover contra si.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA... inclusive seus acessórios. substituindo-a pelo levantamento de parte ou da totalidade do valor controverso ao final do processo. 1º da Lei nº 10.. 201 los.... o valor do depósito. 1º da Lei nº 10. acrescido de juros... pois a questão não foi examinada sob a ótica do art.13%. por todos os ângulos que se veja a questão.. 413 ao qual se apega a Fiat Automóveis S/A não tem o condão de fazer coisa julgada formal sobre a questão.... § 3º Mediante ordem da autoridade judicial ou..485/2002. mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais – Darf.. de valores referentes a tributos e contribuições federais. De mais a mais. após o encerramento da lide ou do processo litigioso.. tem por objetivo resguardar o resultado útil do processo para as partes envolvidas e não para terceiros interessados que não chegaram sequer a ser incluídos na lide. aos débitos provenientes de tributos e contri- buições inscritos em Dívida Ativa da União.. e alterações posteriores... será: I – devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal... A duas. não ocorre. em síntese. no mesmo prazo fixado para recolhimento dos tributos e das contribuições federais. Assim sendo. administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. não havendo que se falar. no prazo máximo de vinte e quatro horas.. referente ao valor indevido do PIS e Cofins embutido na cobrança monofásica’ [fl.. em preclusão do direito das autoras de pleitear a execução provisória do julgado... ou II – transformado em pagamento definitivo..... § 1º O disposto neste artigo aplica-se. somente se poderia considerar a possibilidade de uma desistência tácita de parte do pedido na medida em que houvesse nítida incongruência entre o pedido formulado na inicial e a realização do depósito dos valores controversos.703/1998. desistência tácita da execução provisória do julgado na for- ma pleiteada na petição inicial.. que não aconteceram.. No entanto. serão efetuados na Caixa Econômica Federal. ademais de poder ser modifi- cada segundo a alteração das circunstâncias fáticas que geraram a sua necessidade. como quer fazer crer a Fiat Automóveis S/A.. independentemente de qualquer formalidade. por decorrência.. inclusive... em dinheiro. na forma estabelecida pelo... Isso. pois o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos elencados pelas partes desde que apresente fundamentos suficientes para embasar sua decisão. quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. no entanto.. proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição... Já no que diz respeito à segunda omissão apontada. na prática.. porque as autoras não desistiram expressamente da execução provisória do julgado na forma indicada na inicial.... têm razão ambas as embargantes..... não chega a configurar omissão. o trecho específico da decisão de fl. da Lei nº 9.... inclusive seus acessórios. no caso de depósito extrajudicial... sem contar que exigiria prévia anuência da parte ré e homologação do juízo.. o que se pode deduzir é que. 1º Os depósitos judiciais e extrajudiciais. nem tampouco de impedir a execução provisória do julgado na forma pleiteada na petição inicial.. 1º.. A uma.. 413)..... indicada como sujeito passivo do PIS e da Cofins pelo art. De outro lado.... 264 do CPC.. Isso.. tal solicitação seria incompatível com a vedação constante no parágrafo único do art. corresponderia... § 3º. da auto- ridade administrativa competente....485/2002. (grifei) . que figura neste processo como terceiro interessado). quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for... e b) uma concordância tácita das empresas autoras em abrir mão da execução provisória do julgado na forma pleiteada na inicial – qual seja: determinação de que a FIAT ‘deduza do preço total da Nota Fiscal emitida contra as autoras o percentual de 5. Sustenta a Fiat. 18] e que equivale à carga atribuída às concessionárias e revendedoras de veículos -. a concordância da parte autora com a realização do depósito judicial não implica. como se verá a seguir. que assim dispõe: Art.. específico para essa finalidade...

6) reconheceu que a autorização para levantamento de depósito judicial antes do trânsito em julgado contrariava a jurisprudência assentada do STJ sobre o assunto.291 (v. não tendo o condão de alcançar outros estabelecimentos comerciais ligados às empresas autoras. 265/290 (v. correta a Fiat ao limitar o cumprimento da sentença às empresas com CNPJ 16. Assim sendo. 6). ao final do pleito. máxime quando a relação examinada reporta ao nascimento da obrigação tributária que deve ter em vista cada fato gerador específico ao qual se relaciona um estabelecimento com CNPJ específico. nos termos do disposto no art. 1. que. na realidade. dos depósitos realizados nos Autos do Processo de nº 2004. 11051 – Processo administrativo tributário – ação declaratória – mesma causa de pedir da ex- ceção de pré-executividade – possibilidade “Processo tributário. ajuizada ação cautelar pela Fiat Automóveis S/A junto ao Superior Tribunal de Justiça (Medida Cautelar nº 20364/MG – 2012/0263915-7).202 E������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA Secundando a orientação expressa da lei. Ressalta nítido. Embora tal medida cautelar tenha sido.245/1.620. pela empresa Roma Automóveis e Serviços Ltda..620. O ordenamento jurídico pátrio previu a ação declaratória no art. por consequência.114/0004-17 e 16. Tanto é assim que. também a jurisprudência do e. Possibilidade.485/2002 (regime monofásico). decidiu por acolher parte dos embargos opostos pela fabricante de veículos e acolheu os embargos de declaração opostos pela Fazen- da Nacional para vedar o levantamento dos valores depositados em Juízo antes do trânsito em julgado da sentença. [. Ação declaratória ajuizada com mesma causa de pedir da exceção de pré- -executividade.2012. Ainda que o comando sentencial tenha feito equivocada remissão a ‘matriz e filiais’ da empresa autora.. Automóveis e Serviços Ltda. por aplicá-lo apenas às duas filiais qualificadas na petição inicial. a liminar nela concedida (cópia às fls.0000/MG.. mas que tenham CNPJs diferentes e não foram elencados na inicial. [.01. os valores depositados pela Fiat Automóveis S/A correspondiam aos ‘futuros créditos tributários objeto da presente demanda. da lavra da então relatora. julgada prejudicada. apenas após o trânsito em julgado. 1.293/1. por acórdão que tran- sitou em julgado em 2 de julho de 2013. 472 do CPC. quando.342 (v.] Ora. Informam as autoras que a montadora Fiat Automóveis S/A estaria descumprindo o coman- do judicial constante na sentença de fls. com base em todos os argumentos anteriores. 1. e. Meios de defesa que não impedem discussão da matéria em ação ordinária. Desembar- gadora Federal Maria do Carmo Cardoso. have- rá certeza sobre o destinatário da verba depositada. 6).. gerando-se obrigações tributárias diversas para cada uma delas. ‘para que não seja autorizado o levantamento.246). ou vice- -versa.” E.298 – v. a depender do mês. como se vê na certidão de fl. conforme se lê na decisão de fls. Reforça esse entendimento a jurisprudência do STJ no sentido de que cada estabelecimento de uma empresa deve ser considerado uma unidade autônoma e independente nas relações jurídico-tributárias com o Fisco. 1.] O princípio da autonomia entre matriz e filiais no momento do surgimento da obrigação tribu- tária tem em conta o fato de que uma filial pode realizar mais vendas que a matriz.114/0005-06. Tal depósito tinha por objetivo eximir a montadora de veículos de eventuais efeitos da mora.. fosse considerada devida a exação na forma e no montante previsto na Lei nº 10. caso as au- toras viessem a ter seu pedido julgado improcedente. e que levou em conta o fato de a mesma medida ter sido concedida por esta Corte nos autos do MS 0077831-42. referentes ao desconto sobre as notas fiscais atinentes a veículos zero quilômetro’ (fl. ao final.036106-0/MG’. 2) e no acórdão de fls.38. a coisa julgada no processo subjetivo somente gera efeitos inter partes. Sem razão as autoras no ponto.4. foi concedida liminar. o comando sentencial teria reconhecido expressamente que o direito pleiteado na inicial se estenderia tanto à matriz quanto às filiais da Roma. portanto. 4º do CPC. Da petição informando suposto descumprimento de decisão judicial. 1.341/1. Art.00. 4º do Código de Processo Civil (CPC) como instrumento processual de busca de uma manifestação do . Superior Tribunal de Justiça veda o levantamento de depósitos judiciais antes do trânsito em julgado da sentença.248.

01. acarretará em conexão das ações... A via eleita pelo autor. Honorários sucumbenciais..2014 – p... o valor fixado em sentença se mostra excessivo... 1. analisando os critérios estabelecidos no § 3º do art.. Recurso parcialmente provido. sendo adequada sua fixação em R$ 500..04.2014) . Redução.. com pedido de retirada de seu nome da própria certidão de dívida ativa. Rejeita-se a preliminar de carência de ação uma vez que a confecção do rol de empresas que estão cadastradas no sistema interno da empresa Redecard é meramente ato intrínseco à formação do objeto da ação ajuizada. Recurso de apelação parcialmente provido. modificar ou extinguir fato jurídico tributário. verifica-se o interesse processual do autor à medida que requer a declaração de inexistência de relação jurídica com a dívida tributária cobrada em sede de execução fiscal.04.. 68) 11052 – Quebra de sigilo – Fisco Municipal – pedido de informações sobre contribuinte – Rede- card – cautelar de exibição de documento – recusa da empresa – dever de cooperação “Processual civil e tributário... Ação cautelar de exibição de documento. pretensão que não alcança a quebra de sigilo de informação. Apelação cível. entre outros) pelo contribuinte.2010.5101/RJ – 4ª T. de uma relação jurí- dica. Recurso parcialmente provido. 203 Poder Judiciário a respeito da existência.. em regra. – Rel...4... ou acerca da autenticidade ou da falsidade de um documento... tão somente deverão ser compilados e transformados de arquivo eletrônico para documento físico...00 (quinhentos reais)..518777-7. Com efeito...02. Dever de cooperação da empresa na tarefa de fiscalização. inclusive.” (TJES – APL 0096555-29... No caso concreto... ou da inexistência. tanto é assim que foi apresentado oportunamente. Preliminar de carência de ação.. 4. uma vez que não alcançam a quebra de sigilo das transações efetuadas pelos estabelecimentos ou a sua movimenta- ção financeira... admitir a ação declaratória e dar regular prosseguimento ao processo ordinário.08. 3. visto que potencial sentença favorável influirá na decisão definitiva da execução fiscal conexa. a fim de superar um estado de incerteza/insegurança..... Necessidade de confecção da relação pretendi- da. 01.... exceção de pré-executividade... uma vez previstos os requisitos legais para tanto.2014 – DJES 16. 20 do CPC... atrai o julgamento das causas conexas à execução fiscal que nele tramita. Fed.. visto que a interposição dos meios de defesa (embargos à execução. Carlos Simões Fonseca – J. para posterior análise do mérito. determinando a conexão desta ação à Execução Fiscal nº 2000.. Des.2011.04.” (TRF 2ª R. em sua fase instrutória.... para anular a sentença recorrida. como a ação executiva fiscal já havia sido proposta quando do ajuizamento da presente ação declaratória...51. é adequada ao direito pretendido.... Des.. ora apelante..Cív.. Não é legítima a recusa da empresa apelante em prestar as informações solicitadas pelo Fisco Municipal..0035 – 2ª C.. – Rel. mas tão somente a relação dos estabelecimentos que se encontram credenciados à apelante... 2. Dessa forma.8. de modo de ser.. não suspendem ou impedem o ajuizamento de ações ordinárias precipuamente previstas no ordenamento jurídico pátrio para constituir... Irrelevância.... – AC 0516670-04.Esp..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA. No caso em exame. Mérito... Importante denotar que a competência do juízo especializado em execuções fiscais é de caráter absoluto e. por essa razão. Luiz Antonio Soares – DEJF 22... tendo em vista a mesma causa de pedir e objeto..... Inadequação da via eleita. Referido rol já existe nos registros da em- presa apelante.. impedir o processamento da ação declaratória implica em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa do autor. para a fixação dos honorários sucumbenciais......

” (TARFDF – REsp 081/2012(127. 54 da Lei nº 6.01.2014) 11058 – Obrigação acessória – multa – identificação do adquirente no livro fiscal eletrônico – concessão de créditos – programa nota legal – obrigatoriedade “Multa acessória. Recurso especial que se desprovê. 40.07.” (CCMG – Rev 40.2014) 11054 – ICMS – aproveitamento de créditos – documento fiscal ideologicamente falso – efeitos “Crédito de ICMS. 13.010136044-65 – (20.006. Nota legal. Decisão unânime. para reduzir a multa isolada a 50% (cinquenta por cento) do seu valor. A isenção do IPVA. Exigências de ICMS e das multas de revalidação e isolada previstas. concedida aos adquirentes de veículos novos no Distrito Federal. X. 9) 11057 – Obrigação acessória – arquivo eletrônico – entrega em desacordo com a legislação – Sintegra – efeitos “Obrigação acessória. conforme previsão nos arts.171/2007) – (147/2014) – TP – Relª Consª Maria Helena L. realizadas por es- taleiro naval brasileiro – por serem tais atividades equiparadas à operação de exportação para todos os efeitos legais e fiscais – pode ser excluída da base de cálculo da Contribuição Previdenciária so- bre a Receita Bruta (CPRB). art. Acionado o permissivo legal.” (TARFDF – REsp 019/2013(124. entre outras premissas.060136088-81 – (4. Imputação fiscal de aproveitamento indevido de crédito de ICMS destacado em nota fiscal declarada ideolo- gicamente falsa nos termos do art. II. Valor dos bens deixados em herança superior ao limite para gozo do benefício. conservação. de arquivos eletrônicos referentes à totalidade das operações de entrada e de saída de mercadorias ou bens e das aquisições e prestações de serviços realizadas. P. Antônio Alves do Nascimento Neto – DOE 01. Aproveitamento indevido. É obrigatória a inser- .763/1975.Parte Geral – Ementário de Jurisprudência Administrativa 11053 – Contribuição previdenciária – receita bruta – exclusão da base de cálculo – construção – reparos – embarcações – equiparação – exportação “A receita bruta decorrente das atividades de construção.2014) 11055 – IPVA – aquisição de veículo – contribuinte inscrito na dívida ativa – parcelamento em andamento – isenção – requisitos “Isenção do IPVA.474/14) – 2ª CJ – Rel. é condicionada à inexistência de débitos inscritos em dívida ativa.414/2012) – (015/2014) – TP – Rel. de Oliveira – DOE 18.2014 – p. Não faz jus à isenção do ITCD a herdeira que. 56. inciso II. modernização e reparo de embarcações pré-registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB). condicionado a que seja sanada a irregularidade e efetuado o pagamento integral no prazo de trinta dias.804/2006. Reconhecimento do direito. da Lei nº 6. Sintegra.” (RFB – Cosit – Coordenação Geral do Sistema de Tributação – Solução de Consulta nº 43/2014 – Data da Decisão: 19. Inserção da identificação do adquirente no livro fiscal eletrônico.763/1975. Quitação do débito na mesma data. contado da publicação da decisão irrecorrível do órgão julgador administrativo.763/1975. inciso XXXI.06. Documento fiscal ideologicamente falso. da Lei nº 3. ambos da Lei nº 6.804/2006.2014 – DOU 22. com parcelamento em andamento. Arquivo eletrônico. § 4º.04. ambos do Anexo VII do RICMS/2002. Guilherme Henrique Baeta da Costa – J.006. Lei nº 3.06. tendo em vista que esta era casada em regime de comunhão universal de bens. possuir patrimônio em valor superior ao previsto no art. respectivamente. no prazo e na forma legal. inciso II. Isenção. Entrega em desacordo com a legislação. Obrigatoriedade. na transmissão causa mortis. relativos à emissão de documentos fiscais e à escrituração de livros fiscais. Cons. Existindo parcelamento de dívida ativa em andamento. nos arts. mas quitados os débitos respectivos na mesma data de aquisição do veículo. 53. Cons- tatada a entrega em desacordo com a legislação. Lançamento procedente. §§ 3º e 13 da citada lei. Contribuinte inscrito em dívida ativa na data de aquisição do veículo.2014 – p. Exigência da multa isolada prevista no inciso XXXIV do art. quando solicitada a inclusão do CPF na nota/cupom fiscal. e 55.06. Recurso de revisão conhecido à unanimidade e provido por maioria de votos. 18. 6º.269/14) – CE – Rel. 6) 11056 – ITCMD – isenção – herança superior ao limite de gozo do benefício – efeitos “ITCD. 39. Reformada a decisão recorrida. 10 e 11. Sauro Henrique de Almeida – J.” (CCMG – Imp. há que ser reconhecido o direito à isenção.

ao calcular o imposto devido.... da Lei nº 6. inciso II.763/1975.. Sebastião Hortêncio Ribeiro – DOE 01.. para que ele possa exercer o direito aos créditos concedidos pelo programa nota legal... desde que solicitada a inclusão de seu CPF no documento fiscal respectivo... bem como atestar a correção do procedimento adotado pelo contribuinte....... Exige-se ICMS e multa de revalidação prevista no art..2014 – p....... da Lei nº 6.000. Constata- do que a autuada promoveu o recolhimento a menor do ICMS/ST. Descumprida a obrigação acessória. 18.” (TARFDF – RVol 130/2012(045... Mera alegação..... para possibilitar ao órgão gestor do programa verificar a proce- dência da reclamação do consumidor.... deduziu.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – PARTE GERAL – EMENTÁRIO DE JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Cons.. – Rel... 1º da Lei Complementar nº 24/1975 e o art. Recurso voluntário que se desprovê... inciso I. Antônio César Ribeiro – J.06.2014) . uma vez que.. Ausência de escrituração do documento fiscal na forma prevista na legislação.080/2010) – (037/2014) – 2ª C. 56.. a escrituração individualizada do documento fiscal deve ser feita na forma da legislação. valor esse objeto de incentivo fiscal na origem.. Recolhimento a menor de ICMS/ST. quando previamente notificado para se manifestar quanto à reclamação do consumidor. mormente.... Dificuldades de ordem tecnológica. procede a aplicação da multa prevista para a espécie. Ainda que dificuldades de ordem tecnológica impeçam a identificação do adquirente de produtos e serviços no livro fiscal eletrônico.. a título de ICMS operação própria do remetente. 205 ção da identificação do adquirente de produtos e serviços no livro fiscal eletrônico. 40.010135685-74 – (20.. §§ 5º e 7º..” (CCMG – Imp. 7) 11059 – Substituição tributária – benefício fiscal – recolhimento a menor – irregularidade “Substituição tributária.07... o valor integral des- tacado nas notas fiscais. Decisão unânime.763/1975.. o contribuinte omite-se de fazê-lo. Benefício fiscal irregular. contrariando o art.. não ratificado mediante convênio...471/14) – 2ª CJ – Rel. Lançamento procedente... 28.

em manifesta violação ao art. por intermédio de seus eminentes advogados Fernando Loeser e Miguel Ângelo Salles Manente. Não é a Dimensão da Sociedade e o Número de Profissionais que Definem o Regime de Tributação do ISS. do CIEE/O Estado de São Paulo. as sociedades consulentes foram autuadas no período compreendido entre dezembro de 2004 e dezembro de 2009 porque. Mas o Tipo de Serviço Prestado. Fundador e Presidente Honorário do Centro de Extensão Universitária – CEU/Instituto Interna- cional de Ciências Sociais – IICS. Professor Honorário das Uni- versidades Austral (Argentina). no entender do Município de São Paulo. Doutor Honoris Causa das Universidades de Craiova (Romênia) e da PUC-Paraná e Catedrático da Uni- versidade do Minho (Portugal). Presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio/SP. 146 do CTN. a fiscalização pode a qualquer tempo verificar que não estão presentes os requisitos para a tributação . Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região. Unifmu. No entanto. a seguinte consulta: Primeiramente. Sustentamos a impossibilidade do desenquadramento administrativo do Muni- cípio de São Paulo retroagir para alcançar fatos pretéritos e. CONSULTA Formulam-me empresas de contabilidade e de consultoria econômica. em 17 de dezembro de 2009. agradecemos a sua disponibilidade em nos atender quanto ao nosso pedido de emissão de parecer. San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia).Seção Especial – Parecer Sociedades Prestadoras de Serviços de Contabilidade e Consultoria Econômica. após os desenquadramentos publicados no Diário Oficial do Mu- nicípio de São Paulo. Isso porque não houve qualquer alteração legislativa ou fática que justificasse o desenquadramento administrativo das sociedades consulentes que desde sua ins- tituição no Município de São Paulo foram enquadradas como sociedades unipro- fissionais e recolhiam o ISS calculado sobre o número de sócios e profissionais habilitados. das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Unip. consequentemente. Unifieo. Incidência por Alíquota Proporcional em Função do Número de Profissionais e Não pelo Movimento Econômico IVES GANDRA DA SILVA MARTINS Professor Emérito das Universidades Mackenzie. para exigir o ISS sobre o faturamento.

I. 100 do CTN. Subsidiariamente. Ante os fatos expostos.... sustentamos ser manifesta a arbitrariedade na imposição de multa de ofício de 50% retroativamente sobre o ISS supostamente devido. nos quais o ISS era calculado anualmente com base no número de profissionais.... 207 diferenciada das sociedades uniprofissionais e lançar o passado dentro do prazo decadencial. a qual... a decisão administrativa de primeira instância e o nosso Recurso Ordinário que aguarda julgamento pelo Conselho Municipal de Tributos. a que as sociedades uniprofissionais. porque sempre foram cobradas pela Prefeitura através de emissão de boletos. portan- to. a nossa Impugnação com todos os argumentos de defesa deduzidos.. somada à multa de mais 50% por descumprimento de emissão de docu- mentos fiscais. o Parecer do Professor Ayres Barreto..... emitido no passado a pedido do Ibracon......... não poderia ser cobrado com juros e multa... inclusive...... há que se considerar que inúmeras foram as alterações de Contrato So- cial das sociedades consulentes que ocorreram durante todo o período autuado.... da classificação que sempre foi adotada...... a regra do art.. 173.... A cumulação de multas à razão de 100% é confiscatória de acordo com a juris- prudência do Supremo Tribunal Federal e.....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER.... RESPOSTA Examinei os fundamentos decisórios do processo de desenquadramento de ofício da Secretaria Municipal de Finanças. Segue.. as sociedades consulentes sem- pre recolheram tempestivamente o ISS como sociedade uniprofissional e..... a teor do art............ portanto........... Segue em anexo............. para tanto.. também faz parte de nossa defesa administrativa... cópia do processo administrativo de de- senquadramento e cópia de uma das autuações contra uma das sociedades con- sulentes (que é igual para todas as demais)..... que aborda de forma mais genérica a impossibilidade da retroativida- de da alteração de critério jurídico pelo Município de São Paulo..... a título de ilustração... a toda evidência..... como contribuinte de boa-fé.. ainda. não esta- vam obrigadas a cumprir. Ademais. Em nossas alegações de defesa. emitia boletos para recolhimento do ISS pelo número de profis- .. solicitamos seu parecer se os argumentos deduzidos em nossas defesas administrativas são procedentes e se é possível obtermos o cance- lamento da exigência retroativa do ISS exigido entre 2004 e 2009. com pleno conhecimento e aprovação da Prefeitura de São Paulo...... ainda que fosse devido o ISS sobre o faturamento.. utilizando.... alterações essas que sempre foram levadas a registro na Prefeitura do Município de São Paulo e que nunca ressalvou a qualidade de uniprofissional das socieda- des consulentes (não há como se alegar desconhecimento das atividades desen- volvidas pelas consulentes durante todos esses anos no Brasil e em São Paulo). do CTN..

Gilberto Kassab – Prefeito. quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução’.701. na interpretação do art. a seguir. posteriormente. que ‘as Súmulas a que se refere o inciso II deste artigo.12. São Paulo. equivocada. em leitura. impondo sua observância a todos os órgãos da Administração centralizada’. aliás.” 4 “Uma das próprias sociedades do contribuinte – na época Finance S/C Ltda.” ..2010. de modo consentâneo com as normas tributárias superiormente traçadas. s. passarão a vigorar. com maiores pormenores. em respeito à clareza do art. Analisei também a orientação da própria Secretaria dos Negócios Jurídicos2 sobre súmulas administrativas para desenquadramento. com base no art. 375/377 que o cristalizou. e publicação no ‘Diário Oficial’ do Município. determinando que apenas a partir daquela nova exegese deveriam ser os contribuintes obrigados a cumpri-la. II. (as súmulas) deverão ser observadas pela Administração nos termos do art.208 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER sionais contadores ou técnicos em contabilidade ou consultores econômicos1. 146 do CTN. tentou enquadramento como SUP pelo PA 2000 e recurso (PA). Desse modo. por serem empresas não exclusivamente de profissionais – foi que antiga decisão do 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo4 desenquadrara uma das sociedades (Finance S/C Ltda. 12 do Decreto nº 27. encaminhe-se à SNJ para as providências subsequentes. em função da dúvida levantada. do referido intérprete. como se pode verificar da decisão do 1º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo (Acórdão dos Embargos Infringentes).” 3 “Os desenquadramentos do regime especial de recolhimento do ISS realizados pela Administração Tributária deverão ser precedidos de regular processo administrativo tributário. ‘uma vez homologadas e publicadas. a meu ver. os autos de infração lavrados apenas em 2013 e respectiva impugnação. o que foi negado. é de se concluir que o entendimento administrativo consubstanciado nas súmulas atinentes às sociedades uniprofissionais deverá ser aplicado a partir de 1º de janeiro de 2011. pois quatro das empresas recolhem o ISS pelo movimento econômico. não bastando à análise do contrato social e declaração cadastral. de 24 de dezembro de 2003. 29.) do regime das demais – seu objeto era distinto (Finance) – e que o entendimento de um autor (Cesar Grifthin).321/1988 assinala. era 1 Notificação do Município: “Encaminhamos este comunicado com o objetivo de instruir quanto ao pagamento do imposto sobre serviços de qualquer natureza – ISS devido pelas sociedades de profissionais referente ao exercício de 2008. adotadas pelo Prefeito de São Paulo3. após homologação do Prefeito. 370 consta a advertência desta Procuradoria-Geral do Município de que. Tratarei perfunctoriamente dos diversos aspectos relacionados a ambos os processos para me deter. 146 do CTN.” (grifos meus) 2 “O § 1º do art. impugnação ao despacho oficial. Examinei. aprovadas pelo Secretário de Negócios Jurídicos. ainda.m.j. em relação a um mesmo sujeito passivo. 146 do CTN’ – vale dizer. tentou o mesmo enquadramento judicialmente. O singelo fundamento do desenquadramento das nove empresas – oito de contabilidade e uma de economia. 15 da Lei nº 13. se as so- ciedades de profissionais de grande envergadura deveriam ser consideradas em- presas. Bem por isso. constando todos os elementos que comprovem o serviço especializado praticado pela sociedade e sua organização. hoje com a razão social alterada para Empresa de Contabilidade e de Consultoria Econômica. dia seguinte à publicação do Despacho de fls. e o parecer do eminente Professor Aires Fernandino Barreto. a observância de seus termos ‘somente pode ser efetivada. e. devido ao caráter empresarial da sociedade. Publique-se.. às fls. observado o princípio do contraditório.

... 3º As organizações contábeis sob a forma de sociedade serão integradas por Contadores e Técnicos em Contabilidade.... § 1º e § 3º. 17.... no sentido de assegurar e reconhecer o direito daquela sociedade civil de profissionais liberais... de recolher o ISSQN nos termos do que determina o art.... ... bem como aqueles próprios de economistas.. nem aquele que declare que. desde que estejam registrados nos respectivos órgãos de fiscalização. 4.... que pretendia o mesmo desenquadramento que São Paulo ora determinou..08.06. § 1º Na associação prevista no caput deste artigo. art. É de se lembrar que os Tribunais de Alçada Civis e Penais não mais exis- tem e que sobre a matéria de desenquadramento já há inúmeras decisões do STF e STJ. 4. A autoridade limita-se a concluir que. § 6º. da CF. § 1º e § 3º..701/2003: “Art. sendo permitida a associação com profissionais de outras profissões regulamentadas...12. 5. 9º...... do Decreto nº 406/1968.” 6 Nas palavras dos ilustres consulentes: “Cabe ressaltar que o egrégio Supremo Tribunal Federal proferiu acórdão favoravelmente à empresa consulente.. em função do tamanho da sociedade que o preste... pela CF/1988.. devendo constar do contrato a discriminação das atribuições técnicas de cada um dos sócios” (destacamos).11.. 4. do STF..... (CF. 1º.. 17.. estabelecendo-se como receita bruta mensal o valor de R$ 800..16...... 4....] § 3º Os prestadores de serviços de que trata este artigo ficam dispensados da emissão e escrituração de documentos fiscais” (grifos meus). §§ 1º e 3º. 8 A Resolução CFC nº 868/1999 declara: “Art.. como é exatamente o caso da impugnante. conforme se verifica da ementa do referido acórdão a seguir transcrito: ‘EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR – CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL – CONSTITUCIONAL – TRIBUTÁRIO – ISS – SOCIEDADES PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS – BASE DE CÁLCULO – DL 406/1968.. deve ela ser considerada uma empresa e não uma sociedade de prestação de serviços...... forem prestados por sociedade constituída na forma do § 1º deste artigo. 5 “O trabalho feito de forma empresarial sempre despersonaliza a prestação de serviços.. 4..... 9º. não a entidades empresariais.02... [. mas aos Conselhos Regionais de Contabilidade e de Economia8. especificamente para uma das empresas consulentes6..14.. dispositivo do DL 406/1968 ou da LC 116/2003 que permita que a mesma atividade exercida pelo mesmo tipo de profissional em sociedade possa ser ou não atividade profissional..... 15.... o mesmo serviço possa ser ora profissional. III – Precedentes..... Conversão dos embargos em agravo regimental.13. 17.18 da lista do caput do art. 7.... será sempre do contabilista a responsabilidade técnica dos serviços que lhes foram privativos.. DL 406/1968. Adotar-se-á regime especial de recolhimento do imposto quando os serviços descritos nos subitens 4. Não-provimento deste’”. A sociedade mencionada pela fiscalização não era de contabilidade nem de consultoria econômica.. 4.. (Redação dada pela Resolução CFC nº 892/2000). 9º. O mais curioso na decisão é que não cita... 7 Lei Municipal nº 13...01. 150.13.... afastando idêntico e incorreto entendimento da Prefeitura do Rio.. I – Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. a autoridade administrativa... do art.. 209 no sentido de que sociedades que prestem trabalhos de forma empresarial não são sociedades de prestação de serviços5. ora empresarial7. 6º).. redação da EC 3/93....00 (oitocentos reais) multiplicado pelo número de profissionais habilitados. 150.. 4....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER... II – Recepção.. nada obstante não estar registrada na junta comercial e sim no registro de sociedades civis e responder profissionalmente. sem alteração pela EC 3/93....15... apenas pelo tamanho da organiza- ção e sua exposição pública.. sendo uma delas..01. IV – Embargos de Declaração convertidos em agravo regimental.01 (exceto paisagismo). 4... buscando-se a reciprocidade dessas profissões.. art... em nenhum momento. art.

agentes fiscais. mas apenas um é o responsável pelos serviços pú- blicos ou privados prestados. o que vale dizer. Todos os trabalhos de auditoria. como aquela que promoveu o desenquadramento. quando não quis. auto- ridades julgadoras. calou). não havendo na lei nenhuma proibição de que assim ajam os profissionais sujeitos a regime especial de tributação pelo ISS (ubi lex non distinguere. própria de execução profissional. 525). 2) Existência do mesmo nome (marca ou logotipo) nas diversas socie­ dades Nada na lei veda tal utilização. . Diversos profissionais são utilizados. ao bom exercício profissional. ou mantêm suas próprias filiais. utilizam-se de es- pecialistas não bacharéis para a realização de perícias destinadas a esclarecer a matéria fática. desde que o responsável pelo serviço seja o profissional que presta. nada no DL 406/1968 ou na LC 116/2003 impõe um número limite de funcionários para que uma sociedade de profissionais seja transforma- da em sociedade empresarial. Nada na lei impede que isto ocorra. o mesmo ocorrendo com os advogados. 3) Utilização de pessoas diversas no desempenho de suas funções Tampouco existe fundamento legal que impeça que se utilizem serviços variados para a consecução de uma tarefa. na defesa de seus clientes. Martins Fontes. economistas. Tal delegação. no mundo moderno. que ou têm correspondentes. ele é o único responsável pelo trabalho delegado. Esse é um “brocardo” medieval anônimo que ainda pertence ao patrimônio comum do direito: pretende impedir que se faça a lei dizer o que não quis. 1996. como ocorre com os grandes escritó- rios de advocacia. magistrados. contadores. Os magistrados. não nos cabe fazê-las (Dicionário de sentenças latinas e gregas. para bem julgar. é inerente à eficiência do serviço. por exemplo. ubi noluit tacuit” (quando a lei quis falar.210 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER Sem reportar-se a nenhum dispositivo legal que autorize tal inteligência. quando a lei não faz distinções. seja de advogados. Há semelhança em “ubi lex non distinguit nec nostrum est distinguere”. falou. a autoridade arrola sete frágeis fundamentos: 1) Excesso de profissionais No entanto. e que dela seja feita uma interpretação – extensiva e não rigorosamente restritiva. em uma sociedade complexa como a nossa. 9 Renzo Tosi esclarece: “1147 Ubi ex voluit dixit. contabilidade e consul- toria só podem ter como responsáveis aquele prestador de serviços habilitado nos respectivos Conselhos. tanto público como privado. A delegação de tarefas é inerente.9 4) O fato de manterem sucursais O próprio desenvolvimento do mundo moderno exige que as maiores sociedades profissionais tenham sucursais. distinguere non debemus). p.

Marilene Talarico M..... Ocorre que cada sociedade é uniprofissional e exerce uma única atividade.. intitulado: ISS – Do direito à tributação mitigada. No Brasil. acompanham este desenvol- vimento.. Se o legislador quisesse distinguir uma sociedade de prestação de servi- ços de uma sociedade empresarial. Sacha Calmon e Samantha Pflug..... ou seja.. Não há interpretação restritiva de princípios implícitos10. Antonio Carlos R.. que dispositivo legal teria prescrito esse limite? Realmente.... Ivette Senise Ferreira. a restrição de direitos só pode decorrer de determinações constitucionais ou legais explícitas. não pelo serviço prestado.... Ney Prado. qual seria o ‘número’ limite para desqualificar uma sociedade de pessoas? Dez? Vinte? Cem? Mil profissionais? Ainda... é que estes profissionais estejam todos devidamente habilitados para executar o mesmo tipo de atividade.. Restrição de direitos decorrem de princípios expressos não implícitos. 7) Distintas atividades profissionais O ato de desenquadrar considerou as sociedades como um todo. Antonio Jorge Pereira Jr. Ives Gandra Martins. Cássio Mesquita Barros.. O número de profissionais de uma sociedade não foi eleito pelo legislador complementar para indicar quais sociedades de pessoas têm direito à tributação diferenciada” (parecer que me foi cedido... Manoel Gonçalves Ferreira Filho... Rony Vainzof. quase sempre de- corrente do próprio prestígio do profissional. ... pro domo sua substituir-se ao legislador11.. Agostinho Tavolaro.... em uma sociedade de profissionais.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER....... mas pelo tama- nho... Bernardo Cabral... não há. Em uma sociedade de advogados... 2012). O que interessa. em uma sociedade cada vez maior e mais complexa..... do Amaral.. necessariamente. As sociedades de profissionais.. de nada importa se uma sociedade é formada por dois ou por centenas de profissionais..... com participação diferenciada.. Marcos Bitelli. Maria Garcia.. repetidas vezes o tema foi tangenciado. mistura de atividades... Gastão Toledo..... Na teoria do Direito. Luís Antonio Flora. assim teria disposto expressamente.... com os seguintes autores: Adilson Abreu Dallari... (contabilidade e auditoria e consultoria econômica).. 11 Aires Fernandino Barreto lembra: “Deveras... haja pro- fissionais com participação distinta na formação do capital...... Mas não o fez! Não cabe... ao intérprete oficial. Antonio Penteado Mendonça... já há escritórios de advocacia com mais de duas ou três cente- nas de advogados... Américo Lacombe.. intitulado Princípios constitucionais relevantes (Lex/Magister e Fecomércio/SP. Carla Barbieri..... Se a lei pretendesse eleger o critério de participações desiguais como causa de de- senquadramento de profissionais liberais.. Dirceo Torrecillas.. o advogado professor titular da Universidade terá. sendo progressivamente maiores.. assim o teria feito..... 6) Tamanho da sociedade Outra limitação não constante de lei.. diversa do preço do serviço. José Renato Nalini. 211 5) Os sócios terem participações distintas Nada na lei impede que.. Roberto Rosas.. como ocorre com as grandes empresas ou auditorias. Ricardo Castilho. Ruy Altenfelder. para efeito da tributação especial... Porto Alegre. Misabel Derzi.. 10 No livro que coordenei. das sociedades de profissionais liberais contadores e auditores independentes membros do Ibracon)... Luís Fernando Barzotto.. em cada uma...... Renato Opice Blum.. pois.. maior re- levância que o recém-admitido na OAB.. Rodrigues.. Luiz Gonzaga Bertelli... qual seja a exercida e indicada como objeto da sociedade...

Invalidação. Direito civil. um elemento que merece ser considerado. (grifos meus) Ora. . 1. no concernente aos desenquadramentos em curso. quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A norma transcrita deriva do princípio da proteção à confiança e do respeito ao ato jurídico perfeito (STJ. em relação a um mesmo sujeito passivo. 15 da Lei nº 13. e que “deveria ser aplicado (tal entendi- 12 Maria Helena Diniz escreve: “Anulação. houve por bem decidir. Ato da administração decorrente de decreto. todavia.11. REsp 1115501. ato de tornar nulo ou anulável algum negócio. 1998. não têm sustentação lógica. circunstância que afasta a eventual aplicação retrospectiva da nova compreensão administrativa. A modificação introduzida.12.212 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER Por todos estes fundamentos. p. a meu ver equivocados. Em face dos inúmeros procedimentos em curso sobre a matéria. 4. declarando-o insubsistente para produzir efeitos ex nunc. portaria ou regulamento. somente pode ser efetivada. Direito processual civil. em razão de violação de lei ou de cláusula contratual. A Prefeitura de São Paulo estabeleceu critérios. v. São Paulo. comporta ratificação mediante ato ulterior. a) Decretação judicial da anulabilidade de um ato jurídico. 146. apesar de conter um vício. segundo afirmado às fls. declarando desfeito certo ato que apresente algum defeito ou seja considerado inoportuno ou prejudicial. quanto ao mesmo tipo e atividade entre mera sociedade de prestação de serviços profissionais e sociedade empre- sarial. eivado de vício suscetível de invalidá-lo. ampliam o rol do § 2º do art. tal desenquadramento é ilegal. o mesmo tipo e prestação de serviços. 382. para desenquadrar. nem jurídica. a) Ato de tornar anulável certo negócio que. b) ação proposta para invalidar ato anulável” (Dicionário Jurídico.2010). b) perda da validade ou do efeito jurídico de um ato ou contrato. indaga a Secretaria de Finanças se os critérios nelas estabelecidos se submeteriam à disciplina do art. I. nos termos do art. 146 do Código Tributário Na- cional. A hipótese aqui trata- da diz efetivamente respeito à definição de critérios jurídicos para valoração de situações fáticas. Saraiva. “uma vez homologadas as súmulas. assim expresso: Art. o fato de haver divergências na própria administração sobre que critérios deveria seguir. em 31. 3. emitidos por órgão competente.701/2003. de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial. tendo sido levantada dúvida sobre se estaria ou não havendo alteração de critério jurídico. 217 – grifos meus). nos critérios jurídicos adotados pela autoridade admi- nistrativa no exercício do lançamento. sendo anulados os seus efeitos12. deverão ser observadas pela Adminis- tração. 2. pois carente de fundamentação legal no que diz respeito a distinguir onde a lei não distingue. o governo municipal: Dada a consolidação interna do entendimento externado nas referidas súmulas – as quais. Tais critérios para distinguir. Tal desenqua- dramento foi revogado pela própria administração. levando a Secretaria de Negócios Jurídicos a afirmar que.2010. DJe 30. Direito administrativo. 146 do CTN”. que descreve situações excludentes do regime especial de recolhimento do imposto–. Há.

. À luz do art. que acolho. [... é absolutamente irrelevante. em face das manifestações de fls. 15... Se houver mudança na valoração jurídica dos dados ou elementos de fato que informam a autoridade administrativa no exercício da atividade do lançamento..052-6. da lei 13. 146 do Código Tributário Nacional e.....j... Ives Gandra da Silva (Coord.. a matéria ainda era regulada pelo entendimento anterior... o Procurador-Geral do Município. por ser novo. aquele que passou a vigorar internamente na pre- feitura com respeito ao art..)..12. s. 146 do CTN: “Confirma este artigo o princípio geral da imutabi1idade do lançamento.01. com ou sem decisões finais. tal mudança só poderá ser considerada quanto a fatos geradores ocorridos após a introdução dessa modificação” (MARTINS...” 14 Américo Masset Lacombe assim interpreta o art. O fato de haver um desenquadramento anterior em relação às consu- lentes que adotara o entendimento que depois veio a prevalecer nas súmulas mencionadas...01.. .... no processo de desenquadramento das consulentes..2010. que desenquadrou de ofício o contribuinte do regime especial das sociedades uniprofissionais. para perío- dos pretéritos.. 7. Comentários ao CTN. que tratam da incidência do ISS sobre a atividade das Sociedades Uniprofissionais – de observância obrigatória a todos os órgãos da administração centralizada nos termos do § 1º do art........ prevalece a inteligência anterior..499-4 entre as quais consta indagação realizada por DEJUG em fls.. São Paulo: Saraiva...2011.701/2003.2011...... entendemos. por estar o desenquadramento da consulente contido em incisos da homologação de súmulas das atividades das sociedades uniprofissionais de 31. 213 mento) a partir de 1º de janeiro de 2011”... assim se manifestou: “Secretaria dos Negócios Jurídicos Senhor Secretário Encaminho o presente a Vossa Excelência com a manifestação da Assessoria Jurídico-Consultiva desta Procuradoria Geral do Município... qualquer ato administrativo – mesmo em procedimento que tenha adotado....217. ed. 15 É de se lembrar que.....321/1988..... sem as distinções – não constantes em lei – criadas pelas Súmulas14..12....... 331)........ v.01.. demonstra que. 12 do Decreto nº 27.. 386/390 remetendo à data de 01.. que os dispositivos e orientações devem ser empregados no presente processo” (grifos meus). tal desenquadramento foi automaticamente revogado e anulados seus efeitos.. inciso II.118... emitiu o diretor de divisão o seguinte despacho: “Trata-se de recurso ao despacho administrativo proferido no Processo nº 2009-0...... previsto no art. Celso Augusto Coccaro Filho... 378/394 do Processo nº 2010-0. cuja conclusão é a de que o entendimento administrativo consubstanciado nas súmulas atinentes às sociedades uniprofissionais deverá ser aplicado a partir de 10 de janeiro de 2011. O novo entendimento..201115.... Relativamente aos fatos anteriores a essa data.. 381/382 com consequente aclaramento e advertência feitos pela Secretaria dos Negócios Jurídicos às fls.. pois a matéria ainda estava sujeita à controvérsia administrativa. p.. dia seguinte à publicação do Despacho de fls........m.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER...... a diferenciação posteriormente esposada pelas súmulas – perdeu eficácia.. A citada publicação determina sua aplicabilidade e observância a partir de 01..2011 para aplicação dos novos critérios então editados. 06....... São Paulo.] Solicitamos especial atenção por estar o assunto diretamente relacionado ao conteúdo das súmulas de jurisprudência administrativa publicadas no DOE de 30. ao encaminhar a consulta à SNJ.2010. 13 Aliás. até aquele momento. 146 do CTN.01.. 375/377 que o cristalizou. visto que as súmulas foram solicitadas exatamente por ter sido modificada exegese então vigente13..2010.. Ora. Ou seja: para todos os atos praticados abrangendo fatos ocorridos até 01.04.. só ganhou eficácia a partir de 01.01. 2. 2013.. prevalecendo o novo entendimento apenas a partir de 01.2011.

apesar de contrariarem a orientação do STF (nota 6 deste parecer). Impetrante: empresa de contabilidade e consultoria econômica. . revogou o desenquadramento de 2009. para o caso. após a edição das súmulas. automaticamente. posto que a lei nacional não distingue (e nem a lei local. (Vide Lei nº 3. 2º. por decorrência lógica da dependência que os subordina ao regime jurídico discutido. com prejuízo da exigibilidade do crédito tributário decorrente da falta de recolhimento do tributo e do descumprimento das obrigações acessórias ou instrumentais” (Processo – Classe. Impetrado: Diretor da Secretaria Municipal de Finanças da Prefeitura do Município de São Paulo/SP. Anote-se que a lei nacional. a valer para São Paulo.11. Assim. inclusive. cuja dicção é a seguinte: Art. defiro a liminar e concedo a ordem para determinar à autoridade impetrada e à administração municipal que observe o efeito suspensivo da reclamação administrativa ofertada pela impetrante. o entendimento das con- sulentes era absolutamente correto. mas não subordina o contribuinte ao regime procedimental existente. de rigor.214 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER Assim. dado que evidente o perigo de aguardar-se o trânsito em julgado. mormente levando-se em consideração que: 1) foram lavrados em 2013. não confere competência local para a restrição à garantia da suspensão da exigibilidade do crédito nela prevista. Os deveres instrumentais ou acessórios. já que não se afirma a inexistência da reclamação ou sua intempestividade. nitidamente os autos de infração perderam também seu significa- do. em face das no- vas súmulas. de 1966) § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare. de 1961) (Vide Lei nº 5. têm o mesmo destino. Prevalece. Pelo exposto.201116. sem validade ou eficácia o desenquadramento. não pode a administração pública opor qualquer obstáculo com base em distinção estabelecida na natureza do objeto controvertido. naquilo que ensejam a cobrança de multa. Ora. em face da inteligência da prefeitura. com revisão do indeferimento da liminar. 16 Há decisão judicial do TJ de São Paulo. 3) desconsideraram que sempre os boletos para recolhimento do ISS foram emitidos pela própria prefeitura. 146 do CTN.991. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tra- tava a lei anterior.144. Juiz de Direito: Dr. o princípio exposto no art. § 1º. só passaram estes. a ordem deve ser deferida.. nem no art. sendo incontroverso que existe reclamação em tramitação na esfera administrativa. a rigor). Organização Político-Administrativa I Administração Pública. anulando seus efeitos. Assunto: Mandado de Segurança. válido para as leis e para as determinações administrativas. [. ao referir aos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. da LICC. o que não é controvertido na espécie. suspendendo a exigibilidade de qualquer de suas exigências sobre a consulente: “Logo.] Se a decisão do prefeito alterou critérios – e os critérios anteriores sempre foram seguidos pela Administração Municipal.. Luís Fernando Camargo de Barros Vidal). até 2009 –. A decisão do prefeito. a partir de 01. 2) não consideraram o determinado nas súmulas. se. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. 2º Não se destinando à vigência temporária.

.. 109 e 110 do CTN.. o conteúdo e o alcance de institutos...” 20 “Art. pelas Constituições dos Estados. 100.... 7) aplicaram legislação inaplicável à consulente. expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado. A consulente é entidade registrada não na Jun- ta Comercial..... II – as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa.. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos. será ele de cinco anos. 173. fraude ou simulação... que as sociedades de presta- ção de serviços uniprofissionais não são. do imposto de renda.. 19 “Art.... Parágrafo único.. [...... considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.. a que a lei atribua eficácia normativa.. mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.. períodos já alcançados pela decadência.... 6) tampouco foi respeitada a norma do art........ do CTN19.... com a falsa inteligência de que seria esta regida pelo art. do § 4º do art.. III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. hoje rara. eis que adotaram dis- posições de sociedades empresariais. 8) tributaram.... e responde perante os Conselhos Regionais de Contabilidade e Economia. salvo se comprovada a ocorrência de dolo.... expressa ou implicitamente. IV – os convênios que entre si celebrem a União. que não permitem que institutos.. 9) não definiram bases de cálculo para multas.... 142 do CTN21.. aplicável apenas para a hipótese.. São normas complementares das leis. para justificar a autuação.. 110..... 173... [.. assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação ......... ferindo o art... conceitos e formas. Art.. 215 4) desconsideraram as decisões do STF a favor da consulente e a ju- risprudência dos Tribunais Superiores. principalmente para os tributos indiretos.. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição..].. mas nos Registros de Sociedades Civis.. o Distrito Federal e os Municípios. a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo” (grifos meus). e não pelo sistema que se tornou comum.] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação.. pela Constituição Federal. princípios e normas de direito civil sejam alterados pela legislação tributária..... 142... 109.. 17 Estão assim redigidos os referidos artigos: “Art. A lei tributária não pode alterar a definição.. à época em que o lançamento era feito posteriormente à de- claração... 150... 18 Tem a seguinte dicção o dispositivo: “Art. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento.. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios.. para definir ou limitar competências tributárias” (grifos meus).. manifestamente contrária às súmulas.. que proíbe aplicação de penalidades. a contar da ocorrência do fato gerador.... do conteúdo e do alcance de seus institutos.... utilizados. 15020.. os Estados... dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER.... inciso I..... nos casos de reiterada orientação do po- der tributante em determinado sentido18.... conceitos e formas de direito privado.. 5) desrespeitaram os arts. em 2013.. 100 do CTN. conforme a lei civil. o que não foi levado em conta pela autoridade desen- quadradora17.” 21 “Art...

citadas nas duas impugnações e recursos. 5º. cuja estabilidade deve ser preservada e. impede a aplicação retroativa do novo entendimento. perceberam que se tratava de empresas. exclusivamente. do princípio de que não houve alteração de crité- rios jurídicos. 1999. inclusive na enunciação da jurisprudência dos Tribunais Superiores a favor da consulente. ao dispor que a modificação introduzida nos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento só pode ser efetivada quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. justificando-se. com imprescritibilidade da ação de regresso contra os servidores públicos. 37.. escreve: “No entanto. propor a aplicação da penalidade cabível. publicidade e eficiência e. sendo caso.” (grifos meus) 23 “XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido. sobre o art.]. a examinar o ponto central dos autos lavrados e do revogado despacho de desenquadramento. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. à segurança e à propriedade. servidor ou não.” (grifos meus) 26 Zuudi Sakakihara. Partem. Passo. ter-se-á uma situação jurídica consolidada. Vladimir Passos de (Coord.. sem exceção.. que pagavam o ISS pelo regime de uma alíquota proporcional ao número de profissionais que a constituíam ou nela trabalhavam. inclusive. passando. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. a aplicação das sanções do § 6º do art. Código Tributário Nacional Comentado. a modificação destes não mais poderá afetar a situação jurídica que se criou para esse mesmo sujeito passivo. inciso XXXVI)23. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. a dedicar-me. à igualdade. querendo dizer que. calcular o montante do tributo devido. correspondente. determinar a matéria tributável.. 146 do CTN. ao art. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. nessa qualidade. assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. moralidade. identificar o sujeito passivo e.]. p. nos termos seguintes: [. apenas em relação a um mesmo sujeito passivo. sob pena de responsabilidade funcional. 5º Todos são iguais perante a lei. [. pois. se o crédito tributário já tiver sido constituído segundo os critérios anteriormente adotados..). à liberdade. Como tais matérias foram exaustivamente tratadas pelos advogados da consulente e pelo brilhante parecerista Aires Fernandino Barreto. caput)22 irretroatividade (art. ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19. dos Estados. causarem a terceiros. É por isso que este art. moralidade (art. Parágrafo único. 37 contra a Administração Pública24. que causem prejuízos ao Erário. por isso. de 1998) [. 37. e não de várias sociedades de prestação de serviços26. sociedades autônomas e independentes. subscrevo todos os argumentos de todas as peças. de acordo com determinados critérios. 37). mas que.” (grifos meus) 22 “Art.. agora. 5º.” 24 “Art. 146.” (grifos meus) 25 “§ 5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente. também. ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. para responde- rem pela sanção que venha a ser aplicada ao Ente Público (art. 574 – grifos meus) . as autoridades. § 5º)25.” (FREITAS. via site e visita nas diversas empresas de contabilidade e consultoria econômica.] § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. 146 do CTN e ao princípio da irretroatividade.216 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER 10) macularam os princípios constitucionais de segurança jurídica (art. se o crédito tributário referente a um sujeito passivo já foi constituído pelo lançamento. sem distinção de qualquer natureza. impessoalidade. traz a regra implícita da irretroatividade da nova interpretação decorrente da modificação dos mencionados critérios. Revista dos Tribunais.

.... sem os quais a sociedade estará obrigada a recolher o ISS com base na sistemática geral..684/RJ. até porque os fatos já eram. em relação a um mesmo sujeito passivo. Assim.. Tanto isso é verdade que todos os boletos para recolhimento do ISS con- tinham as informações mencionadas.. que os mesmos fatos – dos quais a administração já tinha conhecimento – foram reavaliados de nova forma.. qualquer informação necessária à confor- mação da relação tributária que não tivesse sido levada ao conhecimento da prefeitura27.. 28 Nos Embargos de Divergência do RE 724. do DL 406/1968 estabelece alguns requisitos.... sobre o valor do seu faturamento. as decisões dos Tribunais Superiores TRF...... que está implícita na norma. as autoridades... toda a fun- damentação é de alteração de critérios jurídicos.. para tanto buscando apoio de uma decisão de Tribunal de Alçada..... 146 do CTN da orientação para a hipótese das súmulas da pre- feitura quanto aos novos critérios jurídicos... Vale dizer. todavia...... como já antes comentei. Veda a aplicação retroativa da nova interpretação (novos critérios) para modificar o crédito tributário já constituído” (idem. desde a constituição das sociedades........... amplamente conhecidos pela municipalidade...... Para justificar tal conclusão. é corolário da anterior. A terceira regra.. por outro lado.. em caso rigorosamente idêntico ao do desenquadramento28. o número de profissionais – únicos res- ponsáveis pela prestação de serviços que as consulentes prestavam – e o ISS a recolher...... nada obstante entenderem que não havia mudança de critério jurídico... os novos critérios só serão aplicáveis a fatos geradores ocorridos após a introdução das modificações.. levando à conclusão da existência de sociedades empresariais. Informam... em relação ao sujeito passivo a quem foram aplicados os critérios anteriormente adotados..... de resto. Não levaram em consideração.. proferida em relação à empresa com objetivo distinto das demais empresas consulentes.......2008... 146 do CTN: “A segunda. isto é. no site das referidas sociedades de profissionais... não tendo. sua inscrição no cadastro municipal e atos modificativos de sua cons- tituição..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER... foram sempre apresentadas à municipalidade.. §§ 1º e 3º. o processo foi encami- nhado para exame. lê-se: “O art..... Não sem razão. ibidem – grifos meus)...... que fundamentaram a qualificação societária adotada em 2009..... apesar de negarem ter havido alteração... e de um autor isolado (opinião jurídica)...... toda sua fundamentação foi de alteração de critérios jurídicos.. no despacho de desenquadramento.. vale dizer. desde a constituição das so- ciedades. DJe 16.06... Relator Ministro Benito Gonçalves... que é a regra explicitamente posta no artigo. e não fáticos. foram obrigadas a buscar o entendi- mento de um autor – não é a opinião da esmagadora maioria dos especialistas em ISS – e uma decisão de Tribunal extinto.. 217 É de se lembrar que todas as informações. nitidamente.. hoje extinto... prevê que.. para se saber sobre a aplicação ao mesmo o art... São . STJ e principalmente do STF para uma das empresas consulen- tes.. 27 É ainda Zuudi Sakakihara que lembra sobre a exegese do art. 9º... para justificar o desen- quadramento..

Os autos abrangem. válida para todos os contribuintes de São Paulo. cit. In: Comentários ao CTN. v. mas – e principalmente – o próprio critério da decisão no caso concreto. porque nada na lei autoriza tal restrição.01. b) que os profissionais nela associados ou habilitados prestem serviços em nome da sociedade. da base de cálculo ou da penalidade. pelo princípio do exclusivismo torna aquela situação fática distinta de qualquer outra. p. como reconhece que ela ape- nas obriga os contribuintes de São Paulo. Como bem acentua Sainz de Bujanda (Hacienda y derecho. o ato de desenquadramento perdeu eficácia e validade a partir daquela determinação do senhor prefeito para casos rigorosamente idên- ticos – repito – ao das consulentes. 1974. para concluir. 138). 146 do CTN. 57/58). 5ª Coletânea. que determina a fixação da medida da obrigação tributária e os fatores dessa medida. pelo princípio da seleção. Bushatsky. 154). Desta forma. ao dizer (ob. a saber: a quantificação exata da alíquota. 1963. e que tal nova orientação. Yonne Dolácio de Oliveira. p. Madrid. pelo princípio da determinação conceitua de forma precisa e objetiva o fato imponível. peculiar à reserva formal da lei. 1973. Secção 2. sempre ofertaram ao Fisco todas as informações que estão no site. p. In: NOGUEIRA. . predeterminando o conteúdo de seu comportamento’. período anterior ao permitido pelo despacho do alcaide paulistano. tipo legal tributário. não se limitam a autorizar o órgão de aplicação do direito a exercer. no que encontra respaldo nas obras de Hamilton Dias de Souza (Direito Tributário. só ganhara validade após 01. sempre que seu corolário consequente seja o princípio da tipicidade. 1973) e Gerd W. a reserva da lei no direito tributário não pode ser apenas formal. Bushatsky. não só a nova orientação tributária municipal faz ex- pressa e específica menção ao art. Direito Tributário. em direito tributário. O princípio da reserva da lei formal permitiria uma certa discricionariedade. pelo princípio do numerus clausus veda a utilização da analogia. impossível de admitir-se. antes do ato desenquadrador. É evidente. O argumento de que prestariam serviços para o exterior – embora aque- les serviços enquadrados no regime especial de recolhimento do ISS – é outra das razões sem base legal. acresce-se da lex stricta. Bushatsky. os autos de infração foram lavrados. v. O certo é que o princípio da legalidade. em obra por nós coordenada (Legislação tributária. seja no direito penal. embora sob responsabilidade pessoal”. 3.. v. alude ao princípio da estrita legalidade para albergar a reserva absoluta da lei. 2. antes lhe impõem o critério da decisão concreta. só é possível estudar o princípio da legalidade através da compreensão de que a reserva da lei formal é insuficiente para a sua caracterização.218 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER Por fim. declarou que a reformulação concei­ tual de enquadramento da sociedade com expressivo número de profissionais e organização compatível a este número seria uma nova forma de orientação jurídica adotada pelo município. seja no direito tributário. a administração. a partir de 01. 1980)” (op. em direito tributário permite a segurança jurídica necessária. 29 Escrevi: “Com efeito. p. cit. Ruy Barbosa (Coord. É Alberto Xavier quem esclarece a proibição da discricionariedade e da analogia. 39): ‘E daí que as normas que instituem sejam verdadeiras normas de decisão material (Sachentscheidungsnormen).1. com proibição absoluta às normas elásticas (Resenha Tributária 154:779-82. 2. que a decorrência lógica da aplicação do princípio da tipicidade é que. própria da reserva absoluta. devendo a lei conter não só o fundamento. que. Como se percebe. p. por mais próxima que seja: e finalmente.). as bases do comportamento. entretanto. ao contrário do que sucede nas normas de ação (handlungsnormen). inclusive as empresas consulentes.01. que. suficientes para co- eles: a) que a sociedade seja uniprofissional. Rothmann (O princípio da legalidade tributária. a norma tributária elege o tipo de tributo ou da penalidade. um poder. após manifestação da má- xima autoridade municipal. 166).. através da reserva absoluta de lei.2011. mas deve ser absoluta.2011. seguindo orientação da Secretaria especia- lizada em Direito (Negócios Jurídicos). na terminologia de Werner Flume. Fere nitida- mente o princípio da legalidade29. mais ou menos livremente. À exigência da lex scripta. porque.

além de outros espalhados pelo texto supremo... à igualdade.. Em um Estado em que não há segu- rança jurídica. Um deles é o da segurança jurídica... à liberdade.. inciso II: Art... à liberdade. à propriedade e à igualdade! Aliás.... teriam tratamento diferenciado... Javier. Como dizia Javier Hervada32. repetindo-se. 146 do CTN30.. Só nas ditaduras não há segurança.. em relação a um mesmo sujeito passivo... 32 HERVADA. de ‘assegurar o exercício dos direitos. não reproduz senão princípios basilares de um Es- tado Democrático de Direito.... pois não há senão a ordem imposta pelo ditador.. porque a vis inquietativa impede o homem de agir” (Comentários à Constituição 1988. Garantir a segurança é. explicita: “Comentamos. Miguel. sociais e individuais.... 31 José Cretella Jr.. a segurança jurídica foi erigida pelo constituinte como princípio tão relevante como o direito à vida........ de rigor.......... 150.. Lembro que há cinco princípios fundamentais que regem os demais 78 princípios enunciados no art. Direito é a “ordem social justa” e a segurança jurídica é a base desta ordem social.. 25. que ‘a Constituição assegura a inviolabilidade dos direitos concernentes à segurança’. não há direito.. Nos dois passos da Constituição.... v. Com efeito..... Tais fatos estão a demonstrar a procedência dos argumentos constantes das peças de defesa das consulentes e das decisões judiciais que lhe asseguram a nitidez de sua exegese de que o ato desenquadrador feriu o art. 5º da Lei Suprema.... 5º Todos são iguais perante a lei.. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida..... Este artigo... 219 nhecimento de suas atividades.. 6º. ao Distrito Federal e aos Municípios: [..]”31 (grifo meu).. pois duas sociedades que prestam o mesmo serviço. em dicção que repito: “Art. 1... podemos observar os vocábulos ‘assegurar a segurança’. sem distinção de qualquer natureza.. neste livro. sendo uma pequena e outra grande. de fato.. quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. p..... no art... 150. 185 – grifos meus).. aos Estados. p. nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada..... à segurança e à propriedade. A modificação introduzida.] 30 Repito o artigo: “Art.. 1989..... expresso no Preâmbulo.... garantir o exercício das demais liberdades.. v. com ferimento ao art... de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER... . a meu ver. 5º..... EUNSA. I.. que são os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei ou de ato administrativo que a regulamente. é vedado à União.. nos termos seguin- tes: [.... Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte.... como a segurança’. o que reflete a falta de cuidado com a linguagem e o estilo do diploma mais importante e significativo da Nação Brasileira. 146. Ora.. Forense Universitária.. é ferido pelo ato revogado e anu- lado em seus efeitos. agora. o ideal dos constituintes. e que passaram a ter tratamento diferente do imposto.... Compêndio de Derecho Natural.... reza o caput do art. o direito à igualdade.. pelo referido e revogado ato administrativo. IZQUIERDO....

a proteger todos os contribuintes contra o tratamento desigual. quando se inscreveram na Secretaria de Finanças. independentemente da denominação jurídica dos rendimentos. b) servisse a redução legislativa do princípio da igualdade como forma de tratamento aplicável às perseguições fiscais em relação a setores. Este dispositivo tem por objetivo dar segurança e certeza às relações jurídicas. certamente levou o constituinte a amarrar os poderes tributantes (três sobre o mesmo ‘pagador de tributos’) aos grilhões seguros do princípio da igualdade. mas apenas a igualdade na equiparação de elementos (peso. também.). Os desiguais. da CF. seja naquele objetivo. pelo princípio da equivalência. mas para situações equiparadas. Foi. evitando simultaneamente: a) que. em situação de aproximação. seja em seu aspecto subjetivo. gravemente tisnada. II é concluído com a afirmação de que a situação equivalente será detectada independentemente da denominação jurídica dos rendimentos. não podem ser tratadas diversamente. 5º. Reza o art. visto que a igualdade absoluta. exigindo que este tratamento deva ser igual não apenas para situações iguais. que tem na essência o princípio de ‘maiores tributos. os mesmos serviços. ao pretender o município dar efeito retroativo à mudança de critério – reconhecida pela própria municipalidade – buscando. em relação ao princípio da igualdade. No convívio diuturno com outros homens. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”34. vieram estas a ser atingidas pela mudança de critério.220 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER II – instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situa- ção equivalente. quaisquer que sejam os fatos imponíveis. proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida. com decisão já citada assecuratória do STF contra a Prefeitura do Rio – foi manifestamente abalada pelo ato desenquadrador. Compreende-se assim por que o discurso do inc. Entendo ter sido esta a razão fundamental que levou o constituinte. inciso XXXVI. devem ser tratados.]. Em outras palavras. quaisquer que sejam os contribuintes. de forma desigual. em que o ISS foi recolhido como manda a lei e como determinava a municipalidade com a emissão de boletos para seu recolhimento. para proteção dos contribuintes. com núcleo comum de identidade.33 (grifos meus) A segurança jurídica. valor etc. A igualdade exige absoluta consonância em todas as partes. tendo sido respeitada no Rio de Janeiro. o que não é da estrutura do princípio da equivalência. com meridiana clareza. consequentemente aos direitos assumidos pelos indivíduos na vida social. de forma igual em matéria tributária. – e no caso das consulentes. equivalentes. com fornecimento de boletos indicando como deveriam as consulentes recolher o seu tributo. o tratamento isonômico se impõe.. 33 Escrevi sobre o princípio o seguinte: “Equivalente é um vocábulo de densidade ôntica mais abrangente do que ‘igual’. É de se lembrar que as consulentes executavam. atingir períodos de 2004-2009. com o mesmo regime de trabalho que exercem até hoje e que exerciam quando do ato desenquadrador. 19/21). afastando a tese de que os desiguais devem ser tratados. a título de tratamento desigual dos desiguais. Situações iguais na equipolência. vedando ao Poder Tributante adoção de técnica diversa? A tradição brasileira de pouco respeito aos direitos dos cidadãos em matéria tributária – o Presidente Collor acaba de pedir ao Congresso a redução dos direitos dos contribuintes para fazer uma reforma tributária. necessariamente. p. Qual foi a razão para tal elasticidade ofertada pelo constituinte. na equivalência não existe. títulos ou direitos. 34 Manoel Gonçalves Ferreira Filho comenta o dispositivo: “Segurança. menores direitos’ –. vedada qualquer forma de atuação discriminatória” (Caderno de Pesquisas Tributárias nº 17. que– “a lei não prejudicará o direito adquirido. cada um pratica atos jurídicos dos quais lhe resultam direitos . em 2013. [. que.. se multiplicassem as hipóteses de situações diversas para neutralização do princípio da igualdade. todavia. títulos ou direitos dos contribuintes. depois de muitos anos. mas diferentes na forma. que estivessem em conflito com os governos. A equivalência estende à similitude de situações a necessidade de tratamento igual pela política impositiva.

6º.. nos au- tos lavrados em 2013. que é a razão principal de ser da irretroatividade... sobre esta delicada matéria.. após a decisão de 30.. os que já podiam ser exercidos por seu titular... desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. 146 do CTN. . Rubens Limongi França. ed.... com muito mais razão um mero ato administrativo alterador de critérios..... reposta em discussão... 6º. Nem contestará ato jurídico perfeito........RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER.... quando seja expressamente interpretativa. 2000. c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática....35 Tal referido artigo deveria ter sido seguido pela municipalidade... determina..... Ives Gandra. 209/210 – grifos meus). p. a ameaçar os próprios fundamentos da vida social... 3..... Tal ocorreria se se admitissem leis retroativas. ‘o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou’ (Lei de Introdução.. ou seja. se tais atos pudessem ter sua validade.. p. ‘a decisão judicial de que já não caiba recurso’ (Lei de Introdução. art.. se a existência dos direitos fosse a cada passo renegada.. não desfará direitos adquiridos. O preceito em estudo prescreve (exceto no caso da lex mitior.. produzirão efeitos apenas para o futuro..2010. retroativas... pode em determinadas hipóteses retroagir no passado sem quebra de segurança para o indivíduo. 106. art. Comentários à Constituição do Brasil. embora produtora de efeitos imediatos... II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração.. até hoje não definitivamente julgados.. § 3º). Saraiva.... MARTINS.. Vamos encontrar a mesma acolhida ao princípio da retroatividade benéfica no direito tributário” (BASTOS... O CTN só permite a retroatividade para beneficiar o contribuinte.... 1. com inaudita clareza. Consequentemente. v. ou seja.. 6º.. é plenamente razoável e justo que seja essa lei mais leve aquela a se impor. Contra a retroação benéfica não há insurgência. excluída a apli- cação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados... como se lê no art.. isto é.... Se alguém praticou no passado um crime que se cometido hoje mereceria pena mais branda. Saraiva..... que.. inc.. Esse dispositivo do CTN. em respeito ao art.... se a decisão dos tribunais sempre pudesse ser impugnada e reimpugnada. cf... Direito intertemporal brasileiro)” (Comentários à Constituição Brasileira de 1988.......12.... Celso Ribeiro.. ou por disposição constitucional ou por estatuição da lei ordinária. § 1º). 54/55 – grifos meus)...... ou já teriam começo de exercício prefixado em termo inalterável ou em condição imutável. Destarte. 2004.. Haverá de respeitar a coisa julgada. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso.... até então. art. § 2º.... o que faz com que as leis se tornem. Haveria gravíssima insegurança... XL) a retroatividade das leis. da lei mais benigna em matéria penal – v. em redação que reitero: e obrigações e litiga nos tribunais a propósito de tais direitos ou obrigações. a qualquer tempo.. Ela parece responder mesmo a um princípio de justiça ou ao menos a uma necessidade de atualizar a lei ante as novas realidades sociais. eram adotados pela muni- cipalidade. ao arbítrio de outrem (Lei de Introdução.. a lei não poderá repor em discussão o que já tenha sido definitivamente decidido pelo Judiciário... 2. v. 35 Celso Ribeiro Bastos ensina: “Isso significa dizer que a lei nova. b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.. 106 do CTN: Art.. Tal fato ocorre todas as vezes que a lei aligeirar essas penas no caso de já previstas... 221 Se a própria lei não pode retroagir.. Os atos normativos primários não podem aplicar-se a fatos e atos já passados. pois em todo o período anterior àquela data foi considerado como prevalecendo a interpretação jurídica anterior....

Desta forma. mostrei. e conheço as preocupações que tiveram. 193). Rio de Janeiro: Inst. na minha tese de doutoramento. 37 Embora outros países tenham um Código de Defesa do Contribuinte. ao contrário de Cóssio. nos critérios jurídicos adotados pela autoridade admi- nistrativa no exercício do lançamento. A modificação introduzida. A sanção é que assegura ao Estado a certeza . quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. para quem. É que. nas relações do Fisco e contribuinte. Não sem razão. 38 Escrevi: “As denominadas leis naturais na moderna concepção de direito natural. para preservar o direito do contribuinte contra a mudança da interpretação fiscal. o excelente projeto em tramitação há anos no Congresso não prospera. visto que o brilho das normas primárias ou de comportamento por si só assegura a força de sua aplicação e aceitação pela comunidade. incentivando a confiança do cidadão no ente estatal e fazendo prevalecer uma relação de fidalga convivên- cia entre Fisco e contribuinte –. p. quanto às normas de aceitação social. somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo. exercendo pressão indevida e antidemocrática sobre o Parlamento. embora seja um princípio teórico o de que cabe ao Fisco orientar e ter no contribuinte o colaborador maior do Estado – razão pela qual deveria ser sempre considerado com especial tratamento. O mesmo não acontece quanto às normas de rejeição social.222 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER Art. ao definirem o lançamento. Bras. 172: “Quando se trata de imposto indireto. como longe estamos deste quase utópico princípio constitucional37. Para tais normas. Cóssio tem razão. 36 No anteprojeto de Rubens Gomes de Souza discutido por Comissão dos pais do direito tributário. O tributo. O art. tendo livros escritos com alguns deles (Gilberto de Ulhôa Canto. sem sanção provavelmente não seria cumprida. lê-se a sugestão do Doutor Tito Rezende ao art. compreende-se que as normas sancionatórias sejam secundárias. ao considerar primária a norma de comportamen- to e secundária a de sanção (endo e perinorma)38. percebe-se pelas inúmeras ações fiscais que não prosperam em juízo. Sou dos poucos sobreviventes entre aqueles que conviveram com os pais do moderno Direito Tributário brasileiro. Nestas. mesmo que não houvesse sanção. Vale dizer. tinha razão. quase sempre. normas de aceitação social. é uma norma. 146. única capaz de fazer cumprir a norma de rejeição social. que o tributo é uma norma de rejeição social – com o que Kelsen tinha razão ao considerar a norma sancionatória primária e secundária a de compor- tamento. há quase 40 anos. entendia eu. sendo a norma sancionatória mero apêndice de aplicação restrita aos desajustados sociais. sócio à época de Rubens Gomes de Souza). O respeito ao direito à vida é típica norma de comportamento. pois as autoridades fiscais das três esferas de governo para atalhá-lo resolveram alcunhá-lo de “Código de Defesa do Sonegador”. quanto às normas de aceitação social. Carlos da Rocha Guimarães. como o quer Paulo de Barros Carvalho. de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial. É uma norma de rejeição social. de Direito Financeiro. uma modificação de interpretação não pode ser aplicada a período passado” (Codificação do Direito Tributário. que não se choca com o direito positivo. 1955. são. 146 reflete esta preocupação para ofertar a segurança jurídica ne- cessária. visto que há normas que o Estado apenas reconhece e outras que cria. Alcides Jorge Costa. quase sempre vinculada à inteligência das autoridades no exercício da formulação exegética36. que seria cumprida pela maior parte da população em qualquer parte do mundo. prevalece a necessidade da norma sancionatória.

. visto que a carga desmedida que implica traz. (Vide Lei nº 3.. São Paulo: Saraiva. que. na decisão do Conselho de Contribuintes... É que todos os contribuintes sabem que pagam mais do que deveriam pagar para atender às necessidades maiores do Estado e às necessidades menores dos detentores do poder..... 18.... Tanto assim é que um contribuinte que seria incapaz de matar alguém....06... pois.. tratados e decretos integrantes da “legislação tributária”.. no projeto discutido no Congresso Nacional.. RTJ. que em res­posta à consulta... Monteiro. evidentemente. a assecuratória de norma tributária” (O sistema tributário na Constituição. predominante ao tempo da tributação..... de 1961) (Vide Lei nº 5.. Forense... de 1966) de que o tributo será recolhido.. desde que tenham eficácia normativa e as práticas reiteradamente observadas por aquelas autoridades.... .. 2º. 2ª T.. no plano interno e nas relações internacionais do Brasil. 14/16). por bem. 451.. E tal entendimento vale para as consulentes.. o prefeito de São Paulo... 6. Rel.... em 30... declarara não caber o tributo (Caso da Dis­tribuidora da Lote- ria do Paraná versus União)” (grifos meus). pois. só o fazendo em face do receio de que a norma sancionatória lhe seja aplicável. Repito a redação: Art. no direito privado. B.. 1ª T... as decisões dos órgãos singulares ou coletivos. § 1º.. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. 223 Exatamente..991.... 1969.. o STF decidiu que havia coisa julgada adminis­trativa. muitas vezes é tentado a não pagar tributos... enten- der que.. em se tratando de normas relativas ao lançamento. 34/542. recebeu sua redação definitiva e que mereceu de Aliomar Baleeiro.39 Houve. teria havido mudança de critérios jurídicos.. E no RE 68... p.. 96 a 100 do CTN......144..2011.. o STF...... Três rápidas palavras sobre o art. No Agravo Inst. nº 29. da LICC de 1942. que agiu de acordo com o critério anterior. 146 do CTN.. como consequência.... para situações idênticas às constantes das súmulas vinculantes...... parece-me que a teoria kelseniana tem maior propriedade. p. 2007......... incluem-se também os atos normativos das autoridades administrativas. o desejo popular de descumpri-la. mesmo que não houvesse norma sancionatória. eficácia e va- lidade da norma. Sobrevivem as situações constituídas anteriormente e que são definitivas. Mas essas “normas complementares” também podem ser substituídas por outras ou modificadas em seu alcance ou nos seus efeitos. 2º Não se destinando à vigência temporária. que até hoje rege o direito intertemporal e as relações espaciais de vigência.. a inovação só se aplicará ao mesmo contribuinte se ocorrer fato gerador posteriormente à modi- ficação.. a seguinte consideração: MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS – Já vimos que entre as normas complementares das leis....603/RS.. o comando do art...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER.12.. no que diz respeito às normas de rejeição social. por força desta realidade é que surgiu o art... seu relator congressual. tal como está conceituada nos arts... Nesses casos. Rio de Janeiro.... 39 Direito Tributário Brasileiro. ed.. visto que a norma sancionatória é.....253/PR... 1970.. aplicando-se-lhes. 146..1965.. Assim sendo.. decidira já que a mudança de critério ou orientação da autoridade fiscal não pode prejudi- car o contribuinte. R..

no tem- po. o art. com muito mais razão vale para o ato administrativo de caráter normativo41. . (grifo meu) Em palestra com Haroldo Valadão. por ser o autor do anteprojeto. expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se te- nha pronunciado. inspirado na legislação do imposto sobre a renda de 1943. inciso I. 60/61).. 41 Escrevi: “De rigor. p. Belém-Pará: Cejup. não haverá necessidade de fazer expressa revogação do preceito anterior. o regime do art. por ter disposto de forma diversa sobre a matéria. considera-se homologado o lançamento e definitivamente ex- tinto o crédito. se a nova norma determinar. pela incompatibilidade das disposições. não prejudica a clareza do comando legislativo. já que há autores que defendem a explicitação. E. 1986. 40 Arquivos do Ministério da Justiça nº 156/1989. fraude ou simulação. tal redundância. claramente. 2º. Em ambos os casos há a antecipação do recolhimento do tributo ou a solvência de seu pagamento no prazo predeterminado. como no regime das alíquotas proporcionais e únicas. pois sobre ela manifestou-se o prefeito. 173. não seguindo. 138 a 150 (Ives Gandra). prevalecendo a nova conformação legislativa. com edição de outra de teor contrário. a declaração no exercício seguinte. a contar da ocorrência do fato gerador. a alteração parcial. que ministramos em Belo Horizonte. § 4º. que. tanto o recolhimento de ISS sobre a movimentação econômica. 150. efeitos prospectivos à nova situação jurídica. em se a admitindo. o qual esclarece que em algumas hipóteses ocorre a revogação. ao que respondeu que nem ele imaginava viesse a durar tanto tempo40. ainda pressupunha o encerramento do ano fiscal. ou seja. que sua eficácia só valerá para o futuro. por sua extensão vernacular. pois. dando. inclusive a derrogação. [. A segunda breve consideração é que. 2º permite ao intérprete a adoção dos critérios maiores para conhecimento da permanência normativa.. É que o art. o que vale para a lei. informando que uma lei vigora até que seja revogada ou modificada por outra. E. será ele de cinco anos. faz menção à perda de eficácia de norma. 113 a 126 (Haroldo Valadão). todos os participantes elogiaram-no. Se se pode discutir a eventual redundância dos verbos utilizados ‘modificar’ e ‘revogar’. abrange qualquer forma de afastamento do direito anterior. do CTN. p. revogado está o desenquadramento anterior. a decadência segue o disposto no art. e pela inteira regulação da lei anterior” (Direito Econômico e Empresarial..] [. posto que a explicação do § 1º demonstra que a revogação. em 1979. p. pela sua perenidade. 150. com o lançamento realizado apenas após a declaração. assim redigido: Art.. pois. Assim é que a cabeça do artigo delimita o aspecto temporal. inclusi- ve em sua eficácia. Desta forma.] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação.224 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que trata- va a lei anterior. a saber: de forma expressa. salvo se comprovada a ocorrência de dolo.

. mesmo que incorreta a ação do contribuinte – que..... Centro de Extensão Universitária e Revista dos Tribunais.. como também entendendo. Noé Winkler.. Carlos da Rocha Guimarães. Francisco de Assis Praxedes.. Paulo de Barros Carvalho. Rafael Moreno Rodrigues.. pois... Eduardo Junqueira Coelho. Hugo de Brito Machado Segundo.. Edvaldo Brito. quando as sociedades de prestação de serviços passaram a ser consideradas pela prefeitura sociedades empresariais. Sacha Calmon Navarro Coelho. não só reafirmando idêntica inteligência das impugnações apresentadas.... Hugo de Brito Machado. a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. No presente caso.... Jorge de Oliveira Vargas. se se admitisse não aplicável o art...... José Eduardo Soares de Melo. Schubert de Farias Machado e Vittorio Cassone (Pesquisas Tributárias – Nova Série 13.. por sua autoridade maior...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER. tendo os dois livros sido escritos pelos seguintes autores: (1) Ives Gandra da Silva Martins. 100... res- tando poucas hipóteses para sua adoção42... José Carlos Graça Wagner. inciso III e parágrafo único: Art.. Fábio Fanucchi.... (2) André L. coed. Por fim.. 1).......... por haver. o § único do art. caracteriza essa hipótese.. sem que o contribuinte nada escondesse do regime que adotava. Bernardo Ribeiro de Moraes.. Roberto Oscar Freytes.. 146..] Parágrafo único. Fernanda Guimarães Hernandez... argumentando pelo absurdo.. v.. dos acórdãos dos Tribunais Superiores.. dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [. Edison Carlos Fernandes. este parecer.. pela permanente aceitação oficial. [. não é –. Leonardo de Faria Galiano. Sebastião de Oliveira Lima e Ylves José de Miranda Guimarães (Decadência e Prescrição..... Concluo... Marilene Talarico Martins Rodrigues.. A observância das normas referidas neste artigo exclui a im- posição de penalidades.... o lançamento de 2013 só poderia retroagir cinco anos corri- dos... na dúvida.. Carlos Henrique Abrão. declarado que houve mudança de critério jurídico...... a própria administração.. A norma referida afasta juros e sanções quando o contribuinte segue pro- cedimentos reiterados das autoridades administrativas.. Aires Fernandino Barreto. e do eminente Jurista Aires Fernandino Barreto nos argumentos expendi- dos. A emissão de boletos para as consulentes. São Paulo. Fátima Fernandes Rodrigues de Souza.. Humberto Martins.] III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas... 100. Leonel de Andrade Velloso...... o art.... Caderno de Pesquisas Tributárias..... Desta forma... Ives Gandra da Silva Martins. Rubens Approbato Machado.... Octavio Campos Fischer.. não abrangendo períodos de movimentação econômica ou incidência pro- porcional ao número de profissionais – o que se admite como mero exercício de argumentação – superiores a cinco anos.. Resenha Tributária/Centro de Extensão Universitária.. São normas complementares das leis.. Ricardo Lobo Torres. no caso..... Coed. com o que aplicou o comando nor- 42 Coordenei dois Simpósios Nacionais sobre Decadência e Prescrição.. tendo o assunto sido exaustivamente debatido em 1976 e 2007. inclusive STF.... 225 sistema que a própria legislação do Imposto Renda praticamente revogou. . 2007)...... Costa- Corrêa. Kiyoshi Harada. 100 deveria ser necessariamente aplicado........

j. Certa vez. 28 de abril de 2014.11. como tal novo regime só poderia ser aplicado. A expressiva imagem do Ministro Rezek bem se aplica ao presente caso. . com ênfase. por força do ato sumular do prefeito.m. que não é. S.2011. declarou. se devido fosse. a partir de 01. Assim sendo. que a fumaça do bom direito quanto à violação da norma constitucional era de tal ordem. São Paulo. 146 do CTN. que ele sequer conseguia enxergar os cinco ministros postados em frente à sua bancada. pe- rante a clara violação à norma constitucional perpetrada por lei ordinária cuja arguição de inconstitucionalidade estava sendo pleiteada em medida cautelar. o Ministro Rezek.226 E�������������������������������������������������������������������������������������������������������������� RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – SEÇÃO ESPECIAL – PARECER mativo do art. não só o ato de desenquadramento perdeu validade. em um julgamento a que eu assistia.

Mais recente programa de refinanciamento. veio o Parcelamento Ex- cepcional (Paex). O prazo para pagamento do Refis da Crise já foi estendido.964 não esta- belecia um prazo final para o pagamento. era preciso re- consolidar a dívida e entrar no novo programa com novos débitos. quem quiser aderir.941/2009. a Medida Provi- sória (MP) nº 638 pretende ampliar o Programa de Refinanciamento das Dívidas Tributárias com a União (Refis) para o parcelamento de débitos fiscais com a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) até dezembro do ano passado – antes era apenas até 2008 – e instituir o pagamento antecipado de uma parte do valor devido. tinha inconsistências. de ter de obedecer ao período de adesão.249.973. do primei- ro Refis ou do Paes. o prazo para pagamento à vista e/ou parcelamentos com os benefícios instituídos pela Lei nº 11. uma nova discussão se apropria do nome do evento mais discutido nos últimos tempos e começa a ganhar corpo. é claro. A grande discussão em torno da prorrogação do Refis da Crise. A Medida Provisória nº 638/2014. desta vez terá de antecipar ao governo 10% do valor devido quando o montante for de até R$ 1 milhão e 20% quando superar esse patamar. Clipping Jurídico Refis da Copa busca recuperar as contas do governo e sanar dívidas empresa- riais Depois das obras do Mundial. além do aumento do prazo dos débitos para até o final de 2013. de 11 de junho de 2010. por exemplo. além. e. a medida traz mudanças relevantes. Fabio Lozano Pinheiro. A Lei nº 12. O primeiro Programa de Refinanciamento foi lançado em 2000 e. que baliza a defesa do Refis da Copa. reabriu. Depois. de 27 de maio de 2009. Aprovada em 28 de maio deste ano. Ainda tratado por alguns como uma ampliação do Refis da Crise. esta prorrogação não diz respeito a um novo Refis e não abrange os pontos tratados na MP 638. que institui o novo programa. de 2009. é o período de abrangência dos débitos. independente do nome adotado. o que faz com que até hoje haja dúvidas no que diz respeito à consolidação dos débitos das empresas. um programa que trazia restrições e par- celamento da dívida em até 180 vezes.941. como todo modelo-piloto. várias empresas que já pagaram a dívida estão tendo alguma dificuldade com a Receita Federal para obter a consolidação e certificação de que foi efetivamente pago. em 2006. Os programas especiais de parcelamento das dívidas não são novidade. Para isso. e oferece prazos maiores e deduções específicas. a medida foi prorrogada um ano depois por meio da Lei nº 12. Segundo o advogado e sócio do Escritório Martinelli Advogados. Uma das alter- nativas adotadas pelo governo federal no intuito de aumentar a arrecadação e sanar os déficits orçamentários. a verdade é que.973. No entanto. de 13 de maio de 2014. o Refis vai além das negociações ordinárias oferecidas pela Receita Federal. se o contribuinte fosse excluído. havia a possibilidade de “reparcelar” os débitos anteriores. com parcelamento em até 60 vezes. dos protestos contra a competição e antes mesmo dos jogos começarem. Trata-se de uma tentativa de parcelamento das dívidas com a União com mais segurança para o Executivo e benefícios aos contribuintes. A Lei nº 9. o Refis da Crise foi instituído pela Lei nº 11. foi criado o chamado parcelamento especial (Paes). Assim. mais recentemente. no mesmo formato do anterior e instituído pela Medida Provisória nº 303/2006. poderia repassar os débitos ao Paex. Após. prevê a inclusão de dívidas contraídas . A principal e mais polêmica delas é que. Em todos esses programas. até 31 de ju- lho de 2014. Com débitos a serem parce- lados até outubro de 2013. através da Lei nº 12.

Se aprovada e convertida em lei. sai governo. Qual a vantagem de ter o nome limpo por apenas 30 dias e entrar na lista de devedores de novo depois?”. como trâmites de importação. utilizado por alguns para obter a certidão negativa e solucionar questões bem pontuais. No entanto. obtenção de financiamento via BNDES ou para resolver uma questão na Junta Comercial. o contribuinte deverá aguardar a regulamentação da RFB e a dis- ponibilização do sistema de adesão. Conforme Pinheiro. vale a pena desistir e colocar no parcelamento. questiona. porque já está em execução e o processo é único”. “Até porque essa certidão negativa tem prazo de um mês. Segundo Pinheiro.9 bilhões em parcelas atrasadas. O advogado Fá- bio Pinheiro adverte que. A última estimativa da Receita Federal (de 17 de dezembro de 2013) apon- tava que o número de pessoas físicas e jurídicas passíveis de exclusão do Refis em voga – da Crise – chegava a 124 mil parcelamentos. Para Berti. A cobrança de uma entrada com valor considerável é interpretada como uma solução plausível à flagrante inadimplência dos contribuintes logo após a emissão da Certidão Negativa de Débito (CND) – benefício gozado pelas organizações logo após a adesão ao Refis. um total de R$ 11. O contador Mário Berti. mas isso não foi incorporado no texto. pre- sidente da Fenacon. com a dis- posição de reduzir pela metade esses percentuais. teoricamente. mas entra governo. é possível fazer uma desistência parcial do processo. O prazo para sanção ou veto se esgota em 18 de junho. o advogado afirma que “o governo sempre diz que vai ser o último Refis. A pressão de empresários fez com que a Presidente Dilma Rousseff pedisse ao Ministério da Fazenda que analisasse a possibilidade. Empresas podem começar a se programar para adesão. O advogado Fábio Pinheiro completa que. até 30 de agosto de 2014. sim. Além disso. o Refis da Copa traz maior segu- rança à União a partir do momento em que prevê o pagamento inicial de 10% ou 20% da dívida em até cinco vezes e ao contribuinte quando estabelece redutores da dívida. o parcelamento ex- traordinário é. “No julgamento administrativo. enquanto no judicial isso já fica mais difícil de fazer. o refinanciamento é uma grande oportunidade para colocar em dia os débitos. Porém. O governo federal acenou. e são feitos programas de parcelamento”. provavelmente através do portal e-CAC da Receita Federal. Aqueles que quiserem aderir deverão manifestar interesse. O prazo está mais apertado do que nas edições anteriores. na semana passada. A MP 638 já foi encaminhada para sanção da presidente. Alta parcela de entrada representa segurança para a União e entrave para o contribuinte.228 E����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO até dezembro de 2013 e o repasse de todos os saldos remanescentes dos parcela- mentos anteriores à legislação recente. os contadores e advogados devem se ater aos vários itens que compõem o proces- so administrativo e avaliar quando é vantajoso ingressar no Refis. a decisão dificulta que pessoas jurídicas com contas no vermelho honrem totalmente a dívida. sustenta que as empresas não honram o acordo com a União por causa dos altos valores devidos e não pela conquista da certidão negativa. O Programa de Re- financiamento das Dívidas Tributárias com a União é interessante principalmente a quem tem algum processo em discussão no âmbito administrativo. quando se nota que a jurisprudência de um processo em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não está favorável para a discussão. Confiante na sanção da presidente Dilma Rousseff. a alegação . clientes do Escritório Martinelli Advogados já estão analisando a adesão ao Refis da Copa e fazendo simulações do valor das parcelas e das deduções possíveis de serem aplicadas. diz.

Para o advogado tributarista Pedro Gomes Miranda e Moreira. sonegava... com seus ativos e passivos. Com a operação. Segundo o processo.. Os conselheiros da Câmara Superior...... trata-se de uma operação lícita. do Celso Cordeiro de Almeida e Silva Advogados........... diz. caracterizando-se do ponto de vista tributário uma sucessão ampla”. é um importante precedente para empresas que foram autuadas pelo mesmo motivo....... surtindo seus efeitos e transferindo a uma outra sociedade todo um fundo de comércio. “os ...... aquelas que pagam já geram arrecadação de recursos”. 229 de inadimplência é comodista porque dá trabalho à Receita Federal fazer o Refis. a decisão é importante por confirmar que “é ônus do próprio Fisco provar cabalmente fraude em operação societária. que resultou na autuação à HP em 2009..... porque ele apresentou os documentos e está devendo já que não pode pagar. Segundo Moreira.. é realmente crescente o número de autuações fiscais em que se questiona o propósito negocial das operações”. “não se poderia pressupor que a única intenção da empresa seja fraudar a legislação referente aos créditos de ICMS”... De acordo com a decisão da 1ª Câmara.... a pes- soa que entra no refis não é um sonegador.... Esse dispositivo estabelece que “a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo”... “Por isso... porém... Fonte: Jornal do Comércio/RS.... deve ser comprovada a existên- cia de fraude pelo Fisco para que a operação seja cancelada.. que envolve planejamento tributário”. A Fazenda tem cancelado operações dessa natureza com base no parágrafo único do art.. segundo os conselheiros. A Fazenda paulista argumentou que a operação societária teria sido implementada com a finalidade de burlar a proibição legal de transferência de cré- ditos de ICMS.... Nessas situações.. em muitos casos..... Por esse motivo. portanto....... mas não é o caso”.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO..... Entenderam. segundo advogados. “a incorporação do estabelecimento seguiu procedimentos da legislação de direito societário.... Parte foi incorporada pela HP Brasil. Para os conselheiros do tribunal administrativo.. 116 do Código Tributário Nacional (CTN). as empresas que compõem o grupo HP passaram por uma reformulação societária que resultou na cisão par- cial da HP Computadores...... Segundo Moreira... cancelou a transferência.. Por essa razão.. que havia transferido créditos de ICMS para uma empresa do grupo ao fazer uma reestruturação societá- ria.... defende.. autuou e aplicou multa no valor de 50% do crédito recebido.. “porém. De acordo com o advogado... Fisco deve comprovar fraude em autuação A Câmara Superior do Tribunal de Impostos de Taxas (TIT) do Estado de São Paulo cancelou uma autuação fiscal aplicada à HP Computadores..... assim como sua ilicitude”.. o julgamento servirá de paradigma para outros con- tribuintes perante o TIT...... A decisão.... segundo o advogado...... que nada de ilícito poderia ser presumido da operação... Se ele não quisesse pagar imposto. pode dar margem para que o fiscal autue a empresa...... foi realizada a transferência de créditos de ICMS. a fiscalização tem ficado atenta a essas alterações na estrutura societária....... para a qual o Fisco não comprovou a ocorrência de fraude na operação. mantiveram a decisão unâ- nime da 1ª Câmara do TIT. “Mesmo que todas as empresas devedoras não consigam honrar o parcelamento... Como os conselheiros não podem reanalisar provas.... cancelaram a autuação. como esse artigo é amplo. “Eu insisto.

“que tem evoluído nas discussões sobre o planejamento tributário”. “Esse julgamento pavimenta o caminho para um resultado favorável às empresas”. Dessa forma. Porém. a assessoria de imprensa da HP informou que a recente decisão da Câma- ra Superior do TIT do Estado de São Paulo “reconhece a legalidade de uma efetiva reestruturação organizacional realizada pela empresa no país e reforça as práticas da companhia”. do Homero Costa Advogados. de 1997. a decisão do TRF da 2ª região é a primeira de segun- da instância que se tem notícias. como ocorre no caso. Medeiros & Kiralyhegy Ad- vogados. a HP afirma “possuir práticas corretas e que respeitam as normas vigentes referentes ao reconhecimento de lucros. faturamento e ao pagamento de impostos e taxas governamentais nos mercados em que a empresa opera”. A Receita Federal. Por nota. diz. Até 2006. exige para conceder a benesse a comprovação da inexistência de produtos similares nacionais. o § 6º do art. As companhias alegam que a Lei nº 8.493. A Fazenda Nacional. de 1990. que teve um auto de infração anulado. que trata de isenção do Imposto de Importação. atualmente. argumenta no processo que a determinação para a comprovação de que não existem produ- . segundo Ana Carolina. Porém. a análise dos tribunais sobre os plane- jamentos tributários adotados pelas empresas simplesmente avaliavam a licitude ou não do procedimento adotado. deram vitória aos contribuintes. Decisões recentes do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Re- gião.032. ao analisar outros tributos. porém. não exigem a comprovação de inexistência de produto similar nacional. desde que preencham certos requisitos. 150 da Constituição é claro ao dizer que a isenção de imposto só será concedida mediante lei específica. segundo a advogada Ana Carolina Barbosa. A empresa tinha importado em janeiro de 2012 dois resfriadores de fabricação holandesa para serem instalados em uma embarcação brasileira. e da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). A decisão está na mesma linha do entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Procurada pelo Valor. De acordo com a nota. em Florianópolis (SC).230 E����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO tribunais têm analisado se há sustância econômica nessa estrutura”. foi autuada pela Receita Federal. Segundo a defesa das companhias. e a Lei nº 9. essas mercadorias pos- suem direito à isenção. segundo o advogado Eduardo Kiralyhegy. por sua vez. Fonte: Valor. Por lei. que é a verificação da realização do negócio planejado. foi mantida a sentença favorável a um estaleiro naval. com sede no Rio de Janeiro. que concede isenção do IPI. do escritório Negreiro. foi intimada a comprovar a inexistência de produto similar nacional para obter a licença de importação emitida pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex). A decisão dos desembargadores foi unânime para negar provimento ao recurso da União. De acordo com ele. Sem comprova- ção. um ponto importante tem sido levado em consideração. Decisões liberam peças importadas de tributação Companhias de navegação e estaleiros têm obtido importantes precedentes na Justi- ça e em tribunais administrativos para afastar a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação (II) relativa a peças e componentes importados destinados ao reparo de embarcações. a assessoria de imprensa da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo não retornou até o fechamento desta reportagem. São precedentes rele- vantes porque companhias do setor têm sofrido autuações milionárias.

Gaede & Asso- ciados. “Essa condição de inexistência de produto similar nacional nunca existiu........ para impedir que a Receita imponha essa condição para a liberação de mercadorias importadas.... a decisão ainda está em vigor e o processo está concluso para sentença... Até porque é o reco- nhecimento da própria Receita Federal de que não há que se falar em similaridade porque a legislação específica não previu”. 10... Em consequência dessa discussão............... Para ter direito ao benefício. deverão ser examinadas as providências processuais adequadas. para onde são encaminhados todos os processos que envolvam tributos sobre o comércio exterior... Silva.... que também representa o sindicato....... as ações adquiridas por inves- tidores em ofertas primárias dessas companhias não pagarão imposto. o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma).. 118 do Regulamento Aduaneiro ao tratar das isenções previstas no Decreto-Lei nº 37.... Me- dida Provisória sobre o pacote lançado em meados de junho para incentivar o mer- cado de capitais por meio de isenção de Imposto de Renda sobre ganhos obtidos com ações de pequenas e médias empresas..... Fonte: Valor. Neste último caso... 231 tos nacionais semelhantes está expressa no art. Em julgamento ocorrido em abril. Os contribuintes ainda ganharam um caso favorável na 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Florianópolis (SC)........ uma vez que não se pode fazer ressalvas...... A decisão contudo....... os autos de infração ficam com efeitos suspensos até decisão definitiva. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informou por nota que ainda não foi intimada da decisão do TRF..RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO. Para o advogado da companhia. diz. de 1966. “Após a devida intimação.... Segundo Kiralyhegy. O tributarista Eduardo Kiralyhegy ressalta que por se tratar de uma decisão da DRJ de Florianópolis. “a decisão deve servir de paradigma para outros casos.. em setembro de 2012.. a PME deve ter no momento do IPO valor de mercado não superior a R$ 700 milhões e receita bruta do exercício anterior a aber- ... Ou seja. Procurada pelo Valor. manteve parte da autuação sofrida pela empresa porque a companhia não conseguiu comprovar que a mercadoria importada foi usada exatamente na embarcação alegada....... não sendo descartada a interposição dos recursos cabíveis”. Na recente decisão da 4ª Turma do TRF-2.......... do Gaia.... Governo publica MP de Incentivos ao Mercado de Capitais O governo federal publicou nesta quinta-feira. o relator...... todos foram unânimes a favor do cancelamento de uma autuação de cerca de R$ 6 milhões sofrida por uma empresa do setor....... O incentivo também vale para fundos de investimento constituídos com no mínimo 67% dessas ações.. Marcelo Carvalho Pereira... diz a nota....... Contudo. Até que a Receita Federal mudou seu entendimento e as empresas passaram a conviver com o fantasma de poderem ser autuadas pelas suas importações”. as companhias continuam sendo autuadas por fatos que ocorreram antes e depois da obtenção da liminar... com sede em Brasília. Desembargador Luiz Antonio Soares... entendeu que “não há necessidade de comprovação de inexistir similar no mercado nacional para fins de não incidência do imposto de importação. “Sob esse aspecto tem sido mais penoso produzir essas provas”.... no Diário Oficial da União. quando a própria lei que concede a isenção não o faz”... diz... “as chances de decisões similares em casos ainda pendentes de análise são muito grandes”. que reúne 48 empresas do setor... obteve liminar no TRF da 1ª Região..

programa de parcelamento de débitos tributários. R$ 3. Segundo ele. “Agora. serão beneficiadas as debêntures emitidas por empresas dos setores de educação. Oliveira rela- tou ainda que de R$ 11. existe um escalonamento a depender do tamanho da dívida. disse. R$ 1. viabilizando os projetos de infraestrutura”. “Esse incentivo busca fomentar captações via mercado e a desoneração vai no sentido de diminuir o custo dessas captações. O governo federal abriu a possibilidade para que contribuintes que já possuam parcelamentos ativos possam utilizar créditos tributários de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL para quitação do parcelamento. disse. disse. 15%. O se- cretário explicou ainda que houve alteração para o prazo de adesão. R$ 4. Segundo ele. Refis. Há . para favorecer a adesão e para que eles possam usufruir desse beneficio. Para dívidas de R$ 1 milhão. “As debêntures carregam esse benefício”.232 E����������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO tura de capital de até R$ 500 milhões. O secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda.2 em ferrovias e mais R$ 600 milhões em aeroportos. Antes era exigida entrada de 10% ou 20% do valor da dívida e que. “Além de todos esses condicionantes. saúde e infraestrutura ambiental. e acima de R$ 20 milhões. para dívida entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões. Só muda o escalonamento para pagamento à vista”. fica sem necessidade de publicação de documentos em diário oficial ou jornal de grande circulação”. disse Carlos Alberto Freitas Barreto.4 bilhões foram para petróleo e gás. “A gente não espera que todas abram capital de imediato. Debêntures. desconversou quando questionado se isso era para facilitar o processamen- to dos recursos no caixa do Tesouro ainda em agosto. “O objetivo é equalizar a situação das empresas que têm crédito e débito com o governo”. houve um escalonamento. da Fazenda. entrada de 10%. afirmou Barreto. “Não fazemos expec- tativa para esse programa porque ele depende das decisões dos emissores e dos investidores. agora.4 bilhões captados nos últimos dois anos. Também terão de apurar o IR pelo regime de lucro real. “As demais condições estão mantidas”. do último dia útil de agosto para 25 de agosto. Ele afirmou que as medidas buscam redução de custos produtivos. que agora tem de ser recolhido à vista”. porém. entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões.2 bilhões em rodovias. Cavallari tam- bém afirmou que medidas complementares foram adotadas no sentido de reduzir custos. condicionado ao pagamento mínimo em espécie de 30% do saldo. incentivam crescimento da indústria e a melhoria da competitividade da nossa economia. defendeu que as ações con- templadas na MP divulgada hoje são coerentes com o que o governo federal tem feito ao longo do tempo. 20%. Dyogo Henrique de Oliveira. secretário da Receita Fe- deral. explicou Oliveira. O governo espera arrecadar R$ 15 bilhões neste ano com o Refis e com a possibilidade de quitação antecipada de débitos. afirmou. também foi reaberto. a entrada é de 5%. projetou. Isso deve ocorrer ao longo dos próximos anos”. Ele. R$ 2 bilhões em energia. Mateus Cavallari. “O que veio é uma facilitação dos percentuais dos valores de entrada. para favorecer empresas de menor porte. “A estimativa é que a própria bolsa faz é de abertura de 200 empresas potenciais”. O Refis. os relatórios e outras publicações que são obrigatórias para as outras empresas que atuam no mercado de capitais deverão ser divulgados no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no site da empresa. afirmou o secretário adjunto de Políticas Macroeconômicas do Minis- tério da Fazenda. O que temos ouvido é que há grande interesse dos investidores. A MP também prorroga a isenção para debêntures de infraestrutura até 31 de dezembro de 2020.

. que é aceita em acordos internacionais....... não haveria incidência de imposto.. Têm crescido esses empréstimos e havia insegurança jurídica que pode- ria levar à cobrança de tributo e o responsável não faria esse recolhimento”. Não é uma arrecadação relevante.. Oliveira disse que uma parte do mercado. Minha Casa Minha Vida.... A nova edição do Reintegra começará a valer para exportações feitas a partir de agosto.. “Viemos tomando conjunto grande de medidas......... A MP modifica regras do Programa Nacional de Habitação Urbana e do Fundo Garantidor de Habitação Po- pular (FGHab)... O programa terá alíquota de 0.. explicou... a medida “pacifica” a questão. expli- cou. entendia que se uma pessoa física alugasse uma ação para o fundo.0%.. Então.. Para 2014. A medida esteve em vigor até o ano passado. no entanto....3%..” Reintegra. “Nossa intenção.... conforme anunciou no mês pas- sado o ministro da Fazenda. da Receita Federal. para os próximos períodos. argumentou Oliveira...... a renúncia fiscal estimada pela equipe econômica é de R$ 200 milhões. disse. “A legislação tributária gera retenção de créditos em determinados pon- tos da cadeia produtiva que não são passíveis de devolução dentro da compensação do próprio tributo.. o governo estabelece que o “FGHab concederá garantia para até 2 milhões de financiamentos imobiliários contratados exclusivamente no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida”. 233 espaço para colocações e os promotores dos projetos devem estar analisando as me- lhores fontes e custos para as suas captações”... “Na nossa visão sempre ocorreu a tributação. Paulo. Nos cálculos dele.07.. com a alíquota de 0... ponde- rou que a MP tem como objetivo determinar a incidência tributária nessa operação e o responsável pelo recolhimento. antes. poderia ser feita neste ano... “O mercado está muito dinâmico nessas operações.... cuja alíquota é de 15%....... pois estamos recriando o programa e precisamos de tempo para analisar questões de diferenciação por bens. A vigência depende de uma regulamentação que ainda será divulgada. ainda.. Fechamento da Edição: 11.. o administrador do fundo terá que recolher o tributo..1% a 3...RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – CLIPPING JURÍDICO... Barreto... é uma ação consistente do governo nessa direção do financiamento de longo prazo por meio do mercado de capitais. desde a criação dos títulos do mercado imobiliário.... é de ter alíquota linear neste momento.. mas não quis fazer previsões. “Aluguel de ações.2014 .. que a diferenciação por bens. A medida também disciplina a incidência e recolhimento de Imposto de Renda no aluguel de ações........ a necessidade de financiamento de investimento no País ainda é elevada... como ficou a confusão estamos esclarecendo... classificou.. lembrou que o Reintegra é um programa que visa incentivar exportações por meio da compensação de créditos tributários que são retidos ao longo da cadeia produtiva..3% neste ano e.. o Reintegra faz essa devolução para o exporta- dor”..... com alíquota de 3.. pode variar de 0... Fonte: O Estado de S...... Segundo ele..0%... Guido Mantega......... dentro da linha de desoneração das exportações.... Oliveira afirmou ainda que há um grande conjunto de projetos já aprovados.. Nesse item... Vai permitir clareza para que o mercado possa operar com mais tranquilidade”.. Em sua visão. “É um programa bastante exitoso”..... da Fazenda. do ponto de vista legal. A MP esclare- ce que há o imposto e que a alíquota é de 15%.. Oliveira..... O secretário esclareceu....

no valor de R$ 5.000.394. – CDURP os imóveis que especifica. Lei nº 13.A. de 20 de dezembro de 1996.06.07. de 09. sob a responsabilidade tributária na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimento por meio da entrega de ativos financeiros.2014 Autoriza o Banco Central do Brasil a alienar à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro S.006.06. Lei nº 13. para obrigar a exibição de filmes de produção nacional nas escolas de educação básica.Resenha Legislativa MEDIDAS PROVISÓRIAS Medida Provisória nº 651.431.2014 Dispõe sobre os fundos de índice de renda fixa. prorroga o prazo de que trata a Lei nº 12. por meio de doação.2014 – Edição extra Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. de 25.06.2014 – Publicada no DOU de 27.07.2014 Abre crédito extraordinário. de 24 de junho de 2011.2014 – Publicada no DOU de 10. de 05. sobre a isenção de imposto sobre a renda na alienação de ações de empresas pequenas e médias. Medida Provisória nº 649. .07.741. de 16. de 26. de 16. Lei nº 13. de 8 de dezembro de 2012.005. e dá outras providências. para os fins que especifica.2014 – Publicada no DOU de 17.000.06. em favor do Ministério da Defesa e de Operações Oficiais de Crédito.06.2014 – Publicada no DOU de 27.06.2014 Altera a Lei nº 12.00.2014 – Publicada no DOU de 17.07. sobre a tributação das operações de empréstimos de ativos financeiros.2014 – Publicada no DOU de 06.2014 Autoriza a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD a alie- nar. imóvel à Fundação Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul – UEMS.2014 – Publicada no DOU de 26. que dispõe sobre as medidas de esclarecimento ao consumidor quanto à carga tributária incidente sobre mer- cadorias e serviços LEIS Lei nº 13. de 26.06. que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.011.06.2014 Acrescenta § 8º ao art.100.012.07. 26 da Lei nº 9.07.007. Lei nº 13.

782.806...249. de 2 de julho de 2003.. de 24 de julho de 1985. de 25 de maio de 2011. 12...... 8.....696..2014 – Edição extra Dispõe sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária. 9. de 27 de novembro de 1998... de 10 de setembro de 2013. de 30 de novembro de 1964..2014 Altera as Leis nºs 12.. e 10. de 17 de setembro de 2012..... de 18.06.167. 11... de 20 de fevereiro de 2006. 1º..347.629..2014 – Publicada no DOU de 25. de 5 de junho de 2001.06. de 24 de outubro de 2013...2014 Altera as Leis nºs 12....RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – RESENHA LEGISLATIVA.599.. 12.. de 25 de fevereiro de 1993..096.281.. de 15 de junho de 2007.233. e 12.844.718. e dá outras providências. 11. 235 Lei nº 13. 10. de 17 de setembro de 2008. de 17 de dezembro de 1975.350. 12... Lei nº 13.. de 30 de abril de 2004. 12. Lei nº 13... 12... de 11 de junho de 2010..... a proteção do patrimônio público e social.995.996. e dá outras providências.. de 9 de outubro de 2013..2014 – Publicada no DOU de 20. concede remissão nos casos em que especifica.....402.. e dá outras providências.. 12..... de 20 de junho de 2011..2014 – Publicada no DOU de 20. 11. e 12... de 24..2014 Altera os arts.....06.. de 19 de julho de 2013...429.000. 11..818.001..06.. e 10..... que institui o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veícu- los Automotores – Inovar-Auto..409.. de 23 de março de 2012. altera a legislação tributária federal. 11.859.. de 18....06.2014 – Publicada no DOU de 23. 12. que autoriza a concessão de subvenção econômica sob a modalidade de equalização de taxas de juros pela União.868.06.004. de 16 de janeiro de 1991.....649. entre as finalidades da ação civil pública.488.. de 14 de julho de 1994. de 17 de maio de 2012.196...775.546. de 24 de novembro de 2009. altera as Medidas Provisórias nºs 2..918. 12.... Lei nº 12. 4. de 20.. 5. ... de 27 de maio de 2009. e dá outras providências... de 2 de maio de 2011.. de 5 de janeiro de 2007.. autoriza a União a conceder empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES..715. de 21 de novembro de 2005.. de 14 de dezembro de 2011.06. 12.06..442.158-35. 12.. 12.. 10... Lei nº 12... de 26 de janeiro de 1999. que autoriza o Fundo de Compen- sação de Variações Salariais – FCVS a assumir direitos e obrigações do Seguro Habitacional do Sistema Financeiro da Habitação – SH/SFH. e 2.. autoriza a União a conceder subvenção econômica às unidades produtoras de etanol na região Nordeste..833..199-14.437.. de 12 de dezembro de 1972. 9.. de 24 de agosto de 2001.06. 9. de 20 de dezembro de 2010. altera as Leis nºs 8.865..2014 – Publicada no DOU de 20. de 18...941. revoga dispositivos do Decreto-Lei nº 1.873... e das Leis nºs 11.. 4º e 5º da Lei nº 7.865.. de 29 de dezembro de 2003.. de 24 de agosto de 2001... altera as Leis nºs 8.06.2014 Prorroga o prazo para a destinação de recursos aos Fundos Fiscais de Investimen- tos.502. de 23 de agosto de 1999. de 7 de maio de 2013. para incluir.

803.537.06.07.2014 – Publicado no DOU de 04.06. que dispõe sobre o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins.2014 – Publicado no DOU de 27.2014 – Publicado no DOU de 06.2014 – Edição extra Discrimina ações do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC a serem executadas por meio de transferência obrigatória. que regulamenta a admi- nistração das atividades aduaneiras e a fiscalização.989. aprovada pelo Decreto nº 7.759.271 de 26.266 de 16. de 21 de dezembro de 2000.2014 Reabre o prazo para requerimento da moratória e do parcelamento previstos no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies) e altera as Leis nºs 12. de 06.286 de 04.06.06. e 5. Decreto nº 8.06.2014 Altera a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi.2014 – Publicado no DOU de 01. Decreto nº 8. previsto nos arts.2014 – Publicado no DOU de 20. Decreto nº 8. Decreto nº 8.2014 – Publicado no DOU de 01. Decreto nº 8. de 23 de dezembro de 2011.2014 – Publicado no DOU de 17.2014 Discrimina ações do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC a serem executadas por meio de transferência obrigatória. Decreto nº 8.06.06.2014 Altera o Decreto nº 6.2014 – Publicada no DOU de 10.06. de 8 de dezembro de 2012.660.660.07. de 18 de julho de 2012.279 de 30.2014 Regulamenta a Lei nº 12. 3º e 4º da Lei nº 10.741. que dispõe sobre as medidas de esclarecimento ao consumidor quanto à carga tributária incidente sobre mercadorias e serviços.07.147. de 21 de novembro de 1968. de 5 de fevereiro de 2009.06.264 de 5. .07.06. o controle e a tributação das operações de comércio exterior.688.06.267 de 18.2014 Altera a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi. aprovada pelo Decreto nº 7. de 23 de dezembro de 2011.06. de 24 de abril de 2001. DECRETOS Decreto nº 8.280 de 30.236 E������������������������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – RESENHA LEGISLATIVA Lei nº 12.2014 Altera o Anexo ao Decreto nº 3.

..2014 .06....893.................2014 Regulamenta dispositivos da Lei nº 10.. e dá outras providências......... 237 Decreto nº 8. Decreto nº 8.......... de 14 de dezembro de 2007.........257 de 29..07.......05...06...... que regulamenta o Im- posto sobre Operações de Crédito.........2014 – Publicado no DOU de 30.........306.RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – RESENHA LEGISLATIVA. de 13 de julho de 2004......... que dispõe sobre o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante – AFRMM e o Fundo de Marinha Mercante – FMM..2014 Altera o Decreto nº 6.2014 – Publicado no DOU de 04...... Fechamento da Edição: 21....... ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF...05.... Câmbio e Seguro.....................263 de 03..

....................................................Índice Alfabético e Remissivo Índice por Assunto Especial • ITBI – base de cálculo – exegese............................ 63 • Fato Gerador do ITBI à Luz da Lei Municipal nº 9..............767/2012 à Luz da Jurisprudência do STJ ....................................................................767/2012 à Luz da Jurisprudência do STJ (Rodrigo Figueira Silva).......... 10971.............. 35 • O Imposto sobre Grandes Fortunas (Artigo 153............................ 51 • ITBI – bem arrematado em hasta pública – base de cálculo......... com situação migratória irregular no país... 44 • Processual civil e tributário – Agravo de instrumen- to – Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal – Pretensão que objetiva o forneci- EMENTÁRIO mento gratuito para os estrangeiros de baixa renda............ 63 Assunto Rodrigo Figueira Silva ITBI – Questões Controvertidas • O Protesto Indevido de Certidão de Dívida Ativa • Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e o Dano Moral: Consequências Lógicas da Lei ... 54 Kiyoshi Harada • ITBI – Recepção Parcial dos Dispositivos do CTN IGF ............... § 4º.................................................. 9 nº 12. 52 Souza Barbosa Neto).................133/2006 e Jurisprudência do STJ e STF .................................. 22 Autor Luiz Fernando Maia RESPOSTA À CONSULTA • O Imposto sobre Grandes Fortunas (Artigo 153......... 10982......... 35 Assunto Autor CDA Carlos Eduardo Makoul Gasperin • O Protesto Indevido de Certidão de Dívida Ativa • Imunidade ao ITBI em Reorganizações Societárias e o Dano Moral: Consequências Lógicas da Lei – Recepção do Artigo 37....... 10972.................................... 22 • ITBI – pessoa jurídica – incorporação imobiliária ao • Imunidade ao ITBI em Reorganizações Societá............................ da CF/1988) e os Arremedos para sua Instituição... seu patrimônio – integralização de capital – imu- rias – Recepção do Artigo 37....... Agravo de instrumento a que se nega provimento bimento............................ 40 nº 12......................... 52 Assunto • ITBI – integralização de capital – transferência de imóvel – imunidade – possibilidade........................................................ 10973.. Ação civil pública vimento.133/2006 e Jurisprudência do STJ e STF (Paulo efeitos............. VII............ da CF/1988) e os Arremedos para sua Instituição Paulo Souza Barbosa Neto (Luiz Fernando Maia)..... 9 • ITBI – Recepção Parcial dos Dispositivos do CTN Doutrina (Kiyoshi Harada).. 144 inconstitucionalidade – Excepcionalidade não de- monstrada – Agravo regimental ao qual se nega pro.. 52 ITBI – Questões Controvertidas • ITBI – integralização de capital social – receita ope- • Fato Gerador do ITBI à Luz da Lei Municipal racional – atividade preponderante – imobiliária – nº 9......................)... 51 DOUTRINA • ITBI – incorporação – sociedade empresária – imu- nidade tributária – requisitos................... 10984.... do CTN ............ § 4º..... 10970..... VII......................................... 54 ACÓRDÃO NA ÍNTEGRA JURISPRUDÊNCIA Assunto Assunto ITBI – Questões Controvertidas Ação anulatória de débito tributário • Agravo regimental no recurso extraordinário – Tribu..................... 10978......................... • Processual civil e tributário – Ação anulatória de dé- tário – Contribuição previdenciária para custeio de bito tributário – Inscrição indevida – Comprovação assistência médico-hospitalar – Restituição devida – do pagamento na data do vencimento (TRF 1ª R..... 10976............... 53 Eduardo Makoul Gasperin)....................................... 49 (TRF 3ª R.......... 10977. do CTN (Carlos nidade – requisitos........... os pro- Assunto cedimentos e atos necessários para regularização de sua permanência no Brasil – Impossibilidade ITBI – Questões Controvertidas – Incidência do princípio da legalidade tributária – • Imunidade – ITBI – atividade imobiliária – desca.......... 154 ............................... 10974..................................................) Pretensão à modulação de efeitos da declaração de .. 10975........

......542/1973)........... 543-C determina a suspensão dos de- dos lucros para a empresa controladora na data do mais processos que tratem do mesmo assunto – Co- balanço no qual tiverem sido apurados............... para conceder a segurança...... 10994...................... 10989. em parte (STJ) ção – Entendimento firmado no REsp 1......... 10983....157-35/2001 – Disponibilização de que o art........... 10980.. 166 Dinamarca (Decreto nº 75...................................106/1974) e o principa- na segunda sessão subsequente – Tempo razoável – do de Luxemburgo (Decreto nº 85.239 Compensação IR • Tributário – Compensação de débitos de ICMS • Recurso especial tributário e processual civil – Man- com precatórios vencidos – Fato superveniente – dado de segurança denegado na origem – Apelação Emenda Constitucional nº 62/2009 – Mandado de – Efeito apenas devolutivo – Precedente – Nulidade segurança prejudicado (STJ)..)....................... a – Publicidade – Adiamento – Julgamento realizado Dinamarca (Decreto nº 75......... 158 • Compensação – lei local autorizativa – necessida- • Tributário – Execução fiscal – FGTS – Ausência de – precatório devido por pessoa jurídica distinta de CNPJ – Citação não efetuada até o momento – – impossibilidade de extinção do crédito tributá- Prescrição (TRF 2ª R............ 74........ 72 Fundação Unimed – isenção – restrição – exegese ............ 10995.........)....................... 10996......... excluído • Cofins – corretora de seguros – majoração de alí- o resultado da contrapartida do ajuste do valor do quota – impossibilidade........... 10993............ 10985.......................230................................. • Compensação – Refaz – precatório – atualização cela indevida – Recurso provido (TRF 5ª R........................... 167 caput da MP 2.. 127 dos acórdãos recorridos por irregularidade na con- vocação de juiz federal – Não prequestionamento Contribuição previdenciária – Súmulas nºs 282 e 356/STF – IRPJ e CSLL – Lucros obtidos por empresas controladas nacionais sedia- • Tributário – Embargos de declaração no recurso das em países com tributação regulada – Prevalên- especial – Contribuição previdenciária – Salário- cia dos tratados sobre bitributação assinados pelo -maternidade e férias usufruídas – Processo pautado Brasil com a Bélgica (Decreto nº 72. 168 de parcial – Iliquidez afastada ante a necessidade de simples cálculo aritmético para expurgo da par........941/2009 – Ausência • Compensação – débitos federais – pessoas jurídicas de pedido de desistência ou de renúncia ao direito distintas – impossibilidade... Cide das em países com tributação regulada – Prevalên..051/1980) – Em- Desnecessidade de reinclusão em pauta – Parte que presa controlada sediada nas Bermudas – Art.. 10981... 10986... 162 monetária – automática – possibilidade..... 167 provido.. em parte (STJ) • Cofins – receitas derivadas de atividade própria – .. • Cide – instituição – lei ordinária – constitucionali- presa controlada sediada nas Bermudas – Art.. sob o rito do art.................. 10979.. 10987.. 72 Rel.............. Mauro Campbell Marques............................. 147 rio – compensação de créditos tributários federais com créditos oriundos de precatórios devidos por • Tributário e processual civil – CDA – Inexigibilida- Estado-membro – impossibilidade....................................... 133 CSLL Assunto • Recurso especial tributário e processual civil – Man- Certidão de débitos dado de segurança denegado na origem – Apelação – Efeito apenas devolutivo – Precedente – Nulidade • Certidão de débitos – positiva com efeitos de ne- dos acórdãos recorridos por irregularidade na con..051/1980) – Em.........RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ÍNDICE ALFABÉTICO E REMISSIVO.... Min.... 168 em que se funda a ação – Consequências na esfera • Compensação – dívida tributária – precatórios de titu- administrativa – Prosseguimento da ação de embar......... para conceder a segurança................ 167 investimento pelo método da equivalência patrimo- nial – Recurso especial conhecido e parcialmente • Cofins – locação de imóveis – incidência... 10990. • Cide – FNDCT e Funttel – bis in idem – não ocor- cia dos tratados sobre bitributação assinados pelo rência – isonomia – imunidade tributária – apelação Brasil com a Bélgica (Decreto nº 72........157-35/2001 – Disponibilização dos lucros para a empresa controladora na data do Cofins balanço no qual tiverem sido apurados... dade.. .................................... 10992.... 168 gos – Possibilidade (TRF 4ª R............................ 74.. 169 .........)........ laridade do devedor – possibilidade... 167 Execução fiscal Compensação • Tributário – Embargos à execução fiscal – Adesão ao parcelamento da Lei nº 11............. 166 – Súmulas nºs 282 e 356/STF – IRPJ e CSLL – Lucros obtidos por empresas controladas nacionais sedia..106/1974) e o principa- do de Luxemburgo (Decreto nº 85......... gativa – crédito tributário suspenso – fornecimento vocação de juiz federal – Não prequestionamento devido............ 10991........ não pode alegar surpresa – Omissão quanto à tese caput da MP 2. a improvida – sentença mantida. 10979.............. excluído mando legal dirigido apenas aos tribunais de segun- o resultado da contrapartida do ajuste do valor do da instância – Precedentes – Pedido de desistência investimento pelo método da equivalência patrimo- parcial homologado – Incidência da contribuição nial – Recurso especial conhecido e parcialmente previdenciária – Nova orientação da primeira se- provido... 543-C do CPC – Possibilidade de atribuição de efeitos infringentes aos embargos – Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos. com JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL efeitos infringentes (STJ).. 10988....................542/1973)........957/RS......................

.......... 11001................ 11032... 11008. 11028....... 178 • IPVA – execução fiscal – lançamento de ofício – prescrição quinquenal – termo a quo – notificação – Desembaraço aduaneiro precedentes..... ônus processuais – executado . 170 quitação – saldo remanescente – Selic – diferenças Contribuição ao Sebrae apuradas pelo contador do juízo – aplicação da mul- ta de 50% – falta de pagamento do preço arremata- • Contribuição ao Sebrae – natureza jurídica – Cide do – não configuração – efeitos........................................... 186 • Contribuição previdenciária – cooperativa – aqui- sição de produção rural – inconstitucionalidade • Execução fiscal – falecimento do executado antes ... 187 Contribuição Sindical Rural ICMS • Contribuição Sindical Rural – base de cálculo – ITR • ICMS – diferencial de alíquota – aquisição de medi- – bitributação – impossibilidade. 11029.................. 11020......... 175 camentos – hospitais e clínicas – não incidência – suspensão da exigibilidade – efeitos....... 170 • Execução fiscal – exceção de pré-executividade – Programa de Arrendamento Residencial – IPTU – • Contribuição previdenciária – aviso-prévio indeni................................... 183 – exegese.. 11026. 169 versão em ações....................................240E�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ÍNDICE ALFABÉTICO E REMISSIVO • Compensação – retenção indevida de crédito tribu......... 10997. baraço aduaneiro e saída do estabelecimento co- tal – improcedência ............ 11030............................... 11007.............. 11015.... 11022...................... 11018................. 11012.............. 173 • Execução fiscal – penhora – oferecimento de bem • Contribuição previdenciária – produtor rural – pes.......................... 11023.......... imunidade.. 182 Consignação em pagamento Execução fiscal • Consignação em pagamento – IR – declaração – • Execução fiscal – arrematação – parcelamento – obrigação acessória – inadequação... 187 ..... 170 • Execução fiscal – crédito com exigibilidade sus- Contribuição previdenciária pensa – impossibilidade..................... 11009............. 188 parcial – manifestação de inconformidade – sus............................... 184 zado – prequestionamento – ausência – auxílio-do- ença – primeiros 15 dias de afastamento – adicional • Execução fiscal – exceção de pré-executividade de 1/3 de férias – não incidência.............................. 11019................................................ 190 CSLL IPTU • CSLL – PIS/Cofins – agenciamento de mão de obra • IPTU – imóvel em área urbana encravado em APP temporária – base de cálculo – exegese........... 10998........................................... 182 gese...... 188 • Crédito tributário – constituição administrativa dis........................................................ 177 ....... 187 -maternidade – incidência................................................ 11005....... 10999..... 190 • Desembaraço aduaneiro – manifesto de carga – le... 176 dade – prescrição.. 184 • Contribuição previdenciária – arbitramento – limites ............ 191 ........................................ • Execução fiscal – pagamento da dívida – extinção – rias e terço constitucional – não incidência – salário.................................. 11003.......................................... 187 • Contribuição previdenciária – folha de salários – fé.... 188 Crédito tributário • ICMS – embargos à execução fiscal – pagamento das • Crédito tributário – compensação – homologação parcelas – extinção.... 11004....... 11017......... Empréstimo compulsório tário – compensação com concessionária de ener....................................... 176 ca de Manaus – exegese..................... 11002..................................................... 189 • Crédito tributário – suspensão da exigibilidade – • IPI – importador comerciante – fato gerador – desem- oferecimento de bens à penhora – cautelar inciden.............................................. 11025..................... 171 – responsabilidade tributária – certidão de dívida ativa. 11033...... 11016..... 190 • Débito fiscal – amortização de dívida – precatório IPVA de titularidade de terceiros – possibilidade – efeitos .... 189 • Crédito tributário – execução fiscal – prescrição – • ICMS – restituição – exegese.......... 11021.................................... 177 merciante – bitributação – inocorrência.......... 11013......... 11000................................................... 189 prazo. 11024............. 11006.......................... 11027....... 11010....... • ICMS – execução fiscal – exceção de pré-executivi- pensão do crédito – limites................ • ICMS – internamento de mercadorias – Zona Fran- pensável – título judicial – simples cálculos........ 11031............................................ • Empréstimo compulsório – energia elétrica – con- gia elétrica – impossibilidade... 11014.. de difícil ou improvável alienação – recusa – pos- soa física – comercialização da produção – análise sibilidade......................................................... 11011............... 174 bilidade...... 174 • Execução fiscal – responsabilização dos sócios – • Contribuição previdenciária – salário-educação – determinação para que o Estado comprove – invia- produtor rural – não incidência........ • IPVA – lançamento de ofício – Constituição – exe- são aos cofres públicos – ausência – efeitos................ 177 – exercício pleno de propriedade – impossibilidade – isenção – legislação regulamentadora – necessi- Débito fiscal dade..................... 176 IPI • Crédito tributário – recurso administrativo penden- te – arrolamento de bens – possibilidade – limite • IPI – crédito prêmio – aproveitamento – análise ... 172 do ajuizamento da ação – efeitos...........................................

................................................. 11038.......... 11057....... 11044.... de e Consultoria Econômica..................................................... 241 RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ÍNDICE ALFABÉTICO E REMISSIVO............ 204 • IRPJ – CSLL – lucro presumido – ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins – legalidade.......................... 11039.... 11053.. 192 Assunto • IR – reclamação trabalhista – juros de mora – inci- dência............. 11034.. 199 Tributação do ISS... 199 Autor Processo administrativo tributário Ives Gandra da Silva Martins • Processo administrativo tributário – ação declara.......... Número de Profissionais que Definem o Regime de gia elétrica – legitimidade.... 197 • Substituição tributária – benefício fiscal – recolhi- mento a menor – irregularidade............ 191 • IR – pessoa física – incidência sobre juros de mora JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA – verba indenizatória – benefícios previdenciários atrasados – natureza jurídica......................... 11048......... 11042... 198 Parte Especial Parcelamento • Parcelamento – débitos prescritos – exclusão Parecer ............................. Mas o Tipo de Serviço Prestado................ 204 • Mandado de segurança – autuação fiscal – auto- Substituição tributária ridade coatora – Secretário de Estado da Fazen- da – ilegitimidade passiva........ 11050................... 11059........... 197 efeitos......... 11055................... 11040............................ 198 Assunto PIS/Cofins ISS – Sociedades Prestadoras de Servi- • PIS/Cofins – importação – base de cálculo – ICMS ços de Contabilidade e Consultoria – exclusão...... 197 quirente no livro fiscal eletrônico – concessão de créditos – programa nota legal– obrigatoriedade Mandado de segurança ..... 194 • IPVA – aquisição de veículo – contribuinte inscri- ISS to na dívida ativa – parcelamento em andamen- to – isenção – requisitos..................................................... 198 • Econômica............... do Número de Profissionais e Não pelo Movi- tário – pedido – levantamento de depósito judi................................................. 11037......... Incidência por Alíquota Proporcional em Função • PIS/Cofins – substituição tributária – crédito tribu............ 205 • Mandado de segurança – crédito tributário – inscri- ção estadual – suspensão – meio indireto de cobran- ça de tributo – impossibilidade....................... 204 aquisição de veículo – ICMS – IPVA – cabimento IPVA .............................. • Obrigação acessória – multa – identificação do ad- sibilidade........................... 195 ITCMD ITBI • ITCMD – isenção – herança superior ao limite de • ITBI – aquisição de terreno – entidade religiosa – gozo do benefício – efeitos................................ 193 ICMS Isenção • ICMS – aproveitamento de créditos – documento fis- • Isenção – portador de necessidade especiais – cal ideologicamente falso – efeitos...... 191 formações sobre contribuinte – Redecard – cautelar de exibição de documento – recusa da empresa – • IR – desconstituição do lançamento – exegese dever de cooperação.................................. 11036..................................................... 11058.................. 11047. 11043................................... 11056. 202 Sociedade e o Número de Profissionais que Defi- ................................................................................ 206 cial – antes do trânsito em julgado do acórdão – impossibilidade................... 203 .... Não é a Dimensão da Sociedade e o • PIS/Cofins – repasse ao consumidor – tarefa de ener... 11052..... 11049.... • Contribuição previdenciária – receita bruta – ex- dência..... 204 • ISS – substituição tributária – exegese......... 195 Obrigação acessória ITCMD • Obrigação acessória – arquivo eletrônico – en- • ITCMD – litigância de má-fé – não caracterização – trega em desacordo com a legislação – Sintegra – indícios – ausência.................... 11041............... 11054....... mento Econômico (Ives Gandra da Silva Martins).......... 204 imunidade tributária – alcance – finalidade................. 204 • ITCMD – mútuo consideração – incidência – pos.......................... 193 clusão da base de cálculo – construção – reparos – embarcações – equiparação – exportação............................ 11045..... • Sociedades Prestadoras de Serviços de Contabilida- tória – mesma causa de pedir da exceção de pré. Não é a Dimensão da -executividade – possibilidade.......... IR Quebra de sigilo • IR – complementação de aposentadoria – isenção • Quebra de sigilo – Fisco Municipal – pedido de in- ............... 193 Contribuição previdenciária • IR – regime especial de trabalho policial – inci. 11051................................. 11046................................... 11035....

.263 de 03......... de 06... Mas o Tipo • Lei nº 13........... 236 • Lei nº 13....................06..2014.........2014...06......2014 – Edição extra.... 235 • Lei nº 13.........06....07....2014... de 26.....................280 de 30......2014 – Publicada no DOU Capitais... Incidência por Alíquota Pro.....06...2014......06........2014.....06......266 de 16...............005.. 235 porcional em Função do Número de Profissionais e • Lei nº 13........................271 de 26...2014......... 235 • Refis da Copa busca recuperar as contas do governo • Lei nº 12....................06..07....06....2014..............05...............06.... 237 • Lei nº 13.06.......... 237 .06...........2014...2014................06.. 234 DOU de 06.........2014 – Publicado no Medidas Provisórias DOU de 04..............2014 – Publicada no DOU de 10.......2014..2014 – Publicado no de 27.. 235 • Fisco deve comprovar fraude em autuação... de 18.....................................006....2014...................2014 – Publicada no DOU • Decreto nº 8......06..2014 – Publicado no de 27............07......................................... 234 DOU de 20.....................06........2014 – Publicado no Leis DOU de 27......... 234 DOU de 30.............007............06......2014 – Publicada no DOU CLIPPING JURÍDICO de 20..2014 – Publicada no DOU • Decreto nº 8.................2014 – Publicada no DOU Não pelo Movimento Econômico...06..... 229 • Governo publica MP de Incentivos ao Mercado de • Lei nº 12...................................011............. 231 de 20..............................06.06....06.004...06... de 25..........................2014 – Publicada no DOU • Decreto nº 8....06..2014.........................2014 – Publicado no de 26.............................................2014 – Publi.. 234 DOU de 01........07...06....06.........................2014 – Publicado no de 17...06............. 236 e sanar dívidas empresariais..2014...2014 – Publicado no de 17..012................. de 05.2014 – Edição extra...06....... de 18....07......2014......2014 – Publicado no cada no DOU de 06....2014 – Publicada no DOU • Decreto nº 8........ 236 • Medida Provisória nº 649.....2014 – Edição extra.......242E�����������������������������������������������������������������������������������������������������������RET Nº 98 – Jul-Ago/2014 – ÍNDICE ALFABÉTICO E REMISSIVO nem o Regime de Tributação do ISS..... • Decreto nº 8.......2014 – Publicado no cada no DOU de 10........ de 16...07................05......06........... 234 DOU de 04..............264 de 5..257 de 29.....07......... • Decreto nº 8.2014...............07......2014.............. de 16................................................000.. de 09.. 230 • Lei nº 12......996.....989.......06..2014 – Publicada no DOU de 20..07.2014....................2014 – Publicada no DOU de Serviço Prestado.............. de 26......995...06.06.......2014........... 206 de 23.. de 25........... 236 • Decret-o nº 8.. de 24......... 234 DOU de 01..001..........06............. 234 DOU de 17.............................279 de 30. 227 Decretos RESENHA LEGISLATIVA • Decreto nº 8........................... 236 • Lei nº 13....... 236 • Medida Provisória nº 651... de 20.....2014 – Publi......286 de 04............ 235 • Decisões liberam peças importadas de tributação. de 18......06........ 236 • Lei nº 13.....2014 – Publicada no DOU • Decreto nº 8............07.....267 de 18.2014..........06... 236 • Lei nº 13...........