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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU “ALFBETIZAÇÂO DAS CRIANÇAS DAS CLSSES

POPULARES”

Módulo Avaliação – junho/ julho 2018

Professora: Andrea Serpa

Estudante: Wallace Berto

ESTUDO DIRIGIDO
PROPOSTA:

Descrever atividades (quantas julgar pertinentes) de avaliação de uma turma de


Alfabetização (experiência própria ou entrevista/observação) e fazer uma reflexão
teórica - com base nos textos sugeridos no site andreaserpauff.com.br - sobre as práticas
relatadas.

"A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto."


Darcy Ribeiro

Avaliação na Alfabetização
Este seguinte trabalho, pretende apresentar e debater algumas atividades que
envolvem práticas de avaliação em uma turma do 3º ano (Turma 1301) do ensino
fundamental I de 2018, do CIEP Leonel de Moura Brizola, situado no Piscinão de
Ramos na cidade do Rio de Janeiro. A avaliação é um campo muito importante a ser
estudado, é um campo de estudos abrangente, com diferentes sentidos, diferentes
concepções, diferentes funções e consequências.

1- Avaliação Bimestral na Secretaria de Educação da Cidade do Rio de


Janeiro.

A Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro (SME), é o


órgão máximo das decisões sobre a educação na rede de ensino público no município do
Rio. Há muitos anos essa Secretaria determina como as avaliações irão acontecer em
todas as “unidades em funcionamento, que ao total somam 1.537, com número de
matrículas da Rede de 654 mil e 949 estudantes. Sendo que o total de matrículas do
Ensino Fundamental chega a 509 mil e 923 estudantes”1

Vale destacar, que há muitas décadas, a avaliação escolar escolhida pela SME é
homogeneizada pela concepção de avaliações bimestrais. Este processo está organizado
em 4 bimestres, sendo necessário a aplicação de provas padronizadas para todas os
estudantes da rede de ensino e que a cada bimestre cria-se uma média que é aplicada a
um quadro de conceitos que define se o estudante será aprovado ou não. “As avaliações
ganham função reguladora do ensino.” (ESTEBAN, 2012, p. 574). Este quadro de
conceitos esta organizado da seguinte maneira:

 I – INSUFICIENTE (Não atingiu os objetivos mínimos propostos para o


período)
 R - REGULAR (Atingiu parcialmente os objetivos propostos para o período.)
 B - BOM (Atingiu os objetivos propostos para o período, com participação
eventual em atividades específicas de recuperação paralela
 MB - MUITO BOM (Atingiu os objetivos propostos para o período, não tendo
necessitado de atividades específicas de recuperação paralela

Apresentado este quadro conceitual, no ano de 2018, a Secretaria Municipal de


Educação do Rio, convidou uma série de professoras para serem consultoras das
avaliações bimestrais, uma novidade na rede. A SME encaminha para as turmas de 3º
ano das escolas municipais, provas de produção textual (pede-se para o estudante
escrever algum texto baseado em algum gênero textual apresentado anteriormente em
seus cadernos pedagógicos), Prova de escrita (cinco questões para o estudante escrever
com apoio de imagens e frases ditadas pelo professor), Prova de leitura (mais extensa
com pequenos textos de vários gêneros textuais com questões de múltiplas escolha e
Prova de matemática (com 10 questões de múltipla escolha).

No primeiro bimestre de 2018, fomos surpreendidos com as seguintes questões da Prova


de escrita de alfabetação da SME.

Segue a prova para análise:

1
RESOLUÇÃO SME N.º 1123, DE 24 DE JANEIRO DE 2011
As questões de número 1 e 2 pedem para os estudantes escreverem o nome de
dois objetos. Nesta avaliação é atribuído 2 pontos para cada questão, sendo indicado no
Manual de correção, que caso o aluno omitisse uma letra, trocasse um fonema, esta
questão valeria a metade dos pontos. “Avaliar apresenta-se como ato em que se
reconhece o que esta dentro da norma.” (ESTEBAN 2012, p. 574)

Em reflexões com colegas do CIEP, algumas questões apareceram ao


analisarmos esta prova. Qual seria o objetivo desta avaliação? Quais os propósitos que
compõe esta concepção de avaliação? A quem essa prova serve?

Nesta breve análise, esta prova causou estranhamento nos deixando estarrecidos
e indignados. Percebe-se que esta concepção de avaliação oferecida pela SME, esta
completamente desconectada com a vida escolar, com um currículo escolar
comprometido com a alfabetização de qualidade, está longe da vida cultural dos alunos
e desligada da riqueza de possiblidades que o ensino e a aprendizagem podem
promover.

Com o conselho de classe se aproximando, propusemos um debate sobre as


avaliações produzidas pela SME. A conclusão para muitos profissionais foi de que esta
prova apenas serviria para manter ou aumentar os níveis da avaliação externas para a
SME. “Avaliação calcada na definição de metas, que dá visibilidade as políticas
públicas em educação e pode envolver as dimensões qualitativas e quantitativas da
avaliação.” (ESTEBAN 2012).

Entendemos que a avaliação calcada na definição de metas estatísticas, evidência


uma escolha política dos gestores da Educação. Escolha essa que deixa para trás o
potencial dos estudantes, sobrestimando a capacidade dos educandos, menosprezando
todo um trabalho desenvolvido pelo professor no bimestre, limitando da pior forma,
uma possível reflexão sobre a aprendizagem, que poderia ocorrer no momento das
avaliações. Além do mais, a centralidade histórica dessa concepção de avaliação feita
pelos órgãos superiores da Secretaria de Educação, carrega com sigo uma enorme gama
de consequências negativas na vida escolar. Entre as possíveis consequências, podemos
notar alto grau de ansiedade nas crianças no período de provas, avaliações com
conteúdos rebaixados, excesso de questões de múltipla escolha que não contribuem para
reflexões argumentativas dos estudantes e a ideia tradicional de estudar apenas para
realização das provas.

Com esse debate, combinamos de que nossa unidade escolar precisava se debruçar
com mais cuidado para produzir um calendário de avaliações mais amplo e produtivo.
Foi consenso perante o conselho. “Precisamos refletir sobre os sentidos que avaliação
vem adquirindo no contexto das políticas públicas.” (ESTEBAN, 2012, p.576)

2- Experiências de Avaliar

Em contraponto ao quem vem sendo oferecido pela SME, no primeiro bimestre,


pude provocar a turma de 3º ano do ensino fundamental 1 (T. 1301) a refletir sobre o
que iríamos aprender, o que precisávamos aprender, quais os desejos da turma, o que
seria importante fazer na escola, como faríamos, que possíveis dificuldades teríamos,
que tipo de histórias gostaríamos de ler juntos. Com base nisso, tivemos um 1º bimestre
com conteúdos variados. Trabalhamos em sala de aula cerca de 30 gêneros textuais
diferentes, aproximadamente umas 25 Contação de histórias, mais de 50 filmes
(animação, curta-metragem, dança, instrumentais, ente outros), construímos nossa
biblioteca MARIELLE FRANCO 2 (foto anexo 1), a partir de estudo de jornais, com
regras feitas pelas crianças, com empréstimos diários de livros, além de atividades
baseadas em arte, rodas de conversas, leituras compartilhadas e leitura e análise de
obras de artes.

Esse breve resumo do que ocorreu em sala de aula, nos serviu de parâmetro para
mostrar o abismo pedagógico entre a proposta de avaliação feita pela SME de apenas
escrever o nome de dois objetos (CANETA E CADERNO). A prova bimestral está
completamente descontextualizada das experiências que vivenciamos na escola no 1º
bimestre de 2018.

Passado as provas da Prefeitura e o 1º bimestre de 2018, percebemos a necessidade


de ouvir a avaliação dos estudantes depois da realização das provas. Propusemos a
realização de uma Assembléia de avaliação do 1º Bimestre. Em roda de conversa
apresentamos como funciona uma Assembléia e que neste espaço iríamos avaliar e
resolver tudo que precisamos e queríamos. O espanto foi total, os estudantes não
estavam habituados a decidirem sobre os rumos do ensino e aprendizado. Com o
decorrer da conversa, o entendimento sobre a importância daquele espaço foi sendo
ganhando vida.

2
Militante pelos Direitos Humanos da cidade do Rio de janeiro estava vereadora pelo Psol e foi
brutalmente executada.
Abaixo fotos dos cartazes com as nossas resoluções e avaliações do 1º Bimestre de
2018:
A partir desta experiência, as outras turmas de 3º ano resolveram seguir o
exemplo e também realizaram suas assembléias de avaliação do bimestre, que agora
entrou em vigor para todo fim de cada bimestre. Esses pequenos cartazes ficam
expostos do lado de fora da sala de aula e uma turma pode ler as resoluções da outra
turma. Também ocorreram visitas de outras professoras nas salas de terceiro ano para
conversar sobre a realização da Assembléia.

Ampliando esta ideia, conversei com a turma que no dia seguinte da Assembléia
haveria o conselho de classes e que neste momento iriamos avaliar todas as turmas, as
notas, o comportamento, entre outros assuntos. Perguntei a turma que nós professores
iriamos avaliar tudo isso, mas quem iria avaliar os professores? Pensaram, pensaram
até que a solução foi dada pela Milena Fernandez de 9 anos: “ Nos vamos avaliar os
professores e a escola também...” Milena pode ser um retrato da potência sobre o que
pode ser feito com o instrumento da avaliação. “A avaliação tem como foco o
diagnóstico sobre o processo de aprendizagem do aluno, indicando possiblidades de
promover o avanço necessário.” (FETZNER, 2008, p. 144). Solicitei que os
interessados escrevessem em papeis coloridos suas avaliações sobre os professores e
sobre a escola que eu iria apresentar no conselho de classes, e assim o fiz. Ao entregar
os “recados avaliativos” muitos professores e membros da equipe de direção, não
conseguiram esconder certo constrangimento e alguns até pareciam ameaçados. Porém,
outros profissionais se lamentaram que muito do que as crianças escreveram não estava
ao seu alcance, mas que concordavam com as avaliações.

O que acontece quando instalamos uma cultura de avaliação mútua dentro da


escola? A escola aceita ser avaliada? O que pode vir a acontecer quando a avaliação se
transforma em voz ativa e reflexiva? A estrutura escolar consegue acolher as demandas
dos estudantes? Segue algumas solicitações dos alunos encaminhadas para o conselho
de classe. Um destaque foi que estudantes que ainda não estão completamente
alfabetizados enviaram sua avaliação, como é o caso do David..
3- Outro avaliar

Percebemos com estas duas experiências que envolvem avaliação, que as


possibilidades e vivências em sala de aula, a troca de conhecimento, a descoberta de
novos conhecimentos, o amadurecer dos estudantes e do professor regente, não há
espaço para uma prova bimestral tão rebaixada como a oferecida pela SME. A avaliação
bimestral é vista como única forma possível e definidora de avaliação da vida escolar
hoje e que tem sido mantida por décadas. Essa escolha política pedagógica não é por
acaso. “As consequências destas marcações de sucesso ou fracasso, praticadas sobre as
crianças e adolescentes no ensino fundamental, é a negação dos sujeitos históricos, gera
queda do rendimento escolar, desinteresse pelos estudos dificuldades de aprendizagem.”
(FETZNER, 2008, p. 150). Como enfrentar o fracasso escolar tão exposto e anunciado
amplamente na sociedade? Será que a forma de avaliação esta relacionada a este
fracasso? Os índices de aprendizagem resultantes dos gráficos estatísticos dos Órgãos
públicos refletem realmente o que os estudantes aprenderam? Quantas possiblidades de
aprendizagem podem vir antes e depois de se escrever na prova CANETA E
CADERNO na vida escolar de crianças?

Para enfrentar o fracasso escolar, devemos enfrentar o tipo de avaliação


hegemonizada e padronizada que nos impõe. No campo da avaliação se faz urgente “A
reorganização escolar.” Precisamos ampliar o trabalho avaliativo, o planejamento
dialógico e a avaliação emancipatória, coerentes com o projeto educacional. Defender a
avaliação como diálogo entre o ensino proposto e os percursos de aprendizagem dos
alunos.” HOFFMANN,J E ESTEBAN, M.T.,2003. (FETZNER, 2008, p.148).

Para finalizar o breve estudo, busquei profissionais de diferentes áreas para saber
seus entendimentos sobre avaliação ajudando na reflexão sobre a temática. Enviei a
essas pessoas a seguinte pergunta: Para você, o que é avaliação? Segue as respostas:

André Rembond (Advogado e assistente da promotoria do Tribunal de Justiça do Rio de


Janeiro).

“Para mim, avaliar é determinar o resultado de alguma coisa, por exemplo, um


aprendizado, utilizado pelo professor, mas pode ser também, determinar o valor de
alguma coisa, o que me ocorre é isso...”

Ana Mello (Psicóloga)

“Para mim avaliação é análise de um processo, seria a conclusão do processo. Porém


é muito genérico, por que avaliação, pensando na minha área, é diferente da avaliação
da educação, pensando de um modo geral, para mim, avaliar é fechamento de algo,
uma conclusão um resultado. “

Letícia Rodrigues (Estudante do 3º ano do Ensino Médio e Atriz)

“É você se colocar dentro de uma caixinha e de um padrão estabelecido, que foi


estabelecido como alguém, mas que não necessariamente você deveria se colocar nesse
padrão. Ser avaliado como bom, por exemplo, é subjetivo e somos únicos e incríveis de
diversas maneiras. Não necessariamente temos que nos colocar e sermos bons em tudo.
Eu falo isso por que vejo muito alunos atingirem notas, mas sempre há perca do
aprendizado.”

Marcos Campelo (Ativista político e Professor de teatro formado em cinema).

“Olha! Eu acho que avaliação a meu ver, é quando você analisa o trabalho, ou analisa
a performance de alguém e que se leva em conta alguns pontos a respeito daquilo que
você esta avaliando. Vamos supor: uma avaliação artística, vou avaliar a
interpretação, vou olhar e avaliar a expressão corporal, vou ver a dicção, vou ver o
comportamento e como a pessoa se posiciona no palco...”

A intenção de colher os depoimentos, foi para ajudar a entendermos o quanto


avaliar é complexo, é amplo, apresenta várias concepções e é praticada em muitos,
talvez todos, os espaços de interação social. Os breves depoimentos também servem
para verificarmos como que o padrão de avaliação escolar ainda é forte e se faz presente
e recebe status de inquestionável. Mas quem pode avaliar a forma de como a escola esta
avaliando seus alunos? Os entrevistados apresentam algo em comum. Sabem da
importância e da necessidade de se avaliar, porém mostram outras possiblidades de
avaliar. Podem contribuir para a construção de diferentes olhares sobre o ato de avaliar.

Em minha pratica docente, tenho dado maior ênfase ao processo de


aprendizagem do que aos resultados padronizados em si. Tento usar a avaliação como
instrumento diagnóstico para que juntos aos estudantes saber o que precisamos aprender
e como vamos aprender. Infelizmente a marca histórica que as avaliações bimestrais
deixaram nos integrantes do grupo escolar, como professores, diretores, responsáveis e
estudantes, são quase que irreparáveis. Percebo muitos problemas quando uma criança
vai realizar as provas bimestrais. Tenho visto a criação de estresse, de ansiedade, medo,
choro, calafrios, muitas crianças não dormem no dia anterior as provas, criam pavor das
possíveis consequências em suas residências de tirarem a famosa “nota baixa”, percebo
a criação de uma lógica de rechaço social entre as crianças que não tiram as “notas
altas” e a punição com a perca de vantagens que vão ter por causa do resultado “ruim”
nas provas.

Na turma 1301, nosso objetivo é fazer as crianças acordarem com vontade de


irem à escola, por que sabem que poderão ter voz, vão estar num lugar saudável de
aprendizagem, que vão poder errar e aprender com os erros e ter o direito a infância
garantido. Infelizmente o Estado não tem garantido muitos diretos. A educação tem isso
atacada e sucateada. Por fim, não podemos deixar as provas bimestrais ganhar tanta
centralidade na vida escolar causando danos e fracasso escolar. O atual cenário político
tem sido marcado pela perda de diversos direitos. É hora de retomar o que é nosso.
Bibliografia

ESTEBAN, Teresa. O Sentido da Escola. Professora - pesquisadora (Uma práxis em


construção). 1º Edição. Editoras: Nilda Alves e Regina Leite Garcia. Editora SP&A.
Artigo.

________, considerações sobre a poitica de avaliação da alfabetização: pensamento a


partir do dotidiano escolar. Revista Brasileira de Educação. C.17 n.561 set –dez. 2012

FETZNER, Andréa. Ciclo em revista. Avaliação: desejos, vozes, dialogos e


procesos.Volume 4. RJ. Editora wark 2008. Artigo - Da avaliação classificatótira as
praticas avaliativas particpantes: esta migração é possivel?

Resolução SME Nº 1123, DE 24 DE JANEIRO DE 2011 – Estabelece diretrizes para a


avaliação escolar na rede publica do sistema municipal de ensino da cidade do Rio de
Janeiro e dá outras providências.

Sites da Internet

www.andreaserpauff.com.br (série de slides)

http://www.rio.rj.gov.br/web/sme/educacao-em-numeros

https://www.webartigos.com/artigos/a-avaliacao-segundo-
luckesi/31980/#ixzz5N1ULBfJl

ANEXO 1