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MANUAL

DE
,,,/1'

HIDRAULICA
Formação e queda de uma gota de água (Cortesia do Departamen to
de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, US P)

"Se tens de lidar com água, consulta


primeiro a experiência, e depois a razão."
Leonardo da Vinci
(1452 - 1519)

"A H idráulica é a ciência das


constantes variáveis."
Desconhecido

"Mais fácil me fo i encontrar as leis com que


se movem os corpos celestes, que estão a
m ilhões de qu ilômetros, do que definir as
leis do movimento da água,
que escoa fre nte aos meus o lhos."
Gali leu Ga lilei
(1564 - 1 642)
PROF. ENG. JOSÉ MARTINIANO DE AZEVEDO NETTO
(1918 - 1991)
Engenheiro Civil pela Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo em 1942

MIGUEL FERNÁNDEZ Y FERNÁNDEZ


Engen heiro Civi l pela Esco la de Engenharia da
Un iversidade Federal do Rio de Janeiro em 1970

MANUAL
DE ~

HIDRAULICA
9ª EDI ÇÃO

Blucher
Manual de Hidráulica
© 2015 José Martiniano de Azevedo Netto
Miguel Fernández y Ferná ndez
9ª edição - 2015
2ª reimpressão - 201 7
1ª ed ição digital - 2018
Editora Edgard Blücher Ltda.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Blucher Angé lica llacqua CRB-8/7057

Rua Ped roso Alvarenga, 1245, 4º andar Azevedo Netto, José M. de 0osé Martiniano de),
04531 -934 - São Paulo - SP - Brasil Manual de hid rá ulica [livro eletrônico] / José Martiniano
Te l. : 55 11 3078-5366 de Azevedo Netto, Miguel Fernández y Fernández. - 9. ed. -
contato@blucher.com.br São Paulo: Blucher, 2018.
www.blucher.com.br
632 p. ; PDF.

Segundo o Novo Acordo Ortográfico, conforme 5. ed. Bibliografia


do Vocabulário Ortográfico da Ungua Portuguesa, ISBN 978-85 -212-0889-1 (e-book)
Academ ia Bras ileira de Letras, março de 2009.

1. Hidráulica 2. Engenharia hid ráulica 1. Tít ulo


li. Fernández, Mig uel Fe rnández y

É pro ibida a reprodução tota l ou parc ial por quaisquer


me ios sem autorização escrita da edito ra. 15-0154 CDD 627

Todos os direitos reservados pela Ed itora Edgard Blüc her lida.


Índices para catálogo sistemático:
1. Hidráulica
APRESENTAÇÃO DA 9ª EDIÇÃO

Em 1987 o Prof. Azevedo Netto procurou-me (e honrou-me) com a intenção de


que o ajudasse na atualização e continuação do seu Manual de Hidráulica, tão útil na
engenharia brasileira, com milhares de exemplares vendidos desde a primeira edição,
em 1954, há 61 anos!
Sem risco de contestação (embora não haja registros a respeito de outras obras),
pode-se afirmar que é o livro de engenharia mais vendido no Brasil, tanto no total
quanto ao longo dos anos. Com uma t radução ao espanhol editada no México (esgota-
da), é uma das poucas obras técnicas brasileiras que mereceu tal empenho.
Nas conversas e reuniões com o prof. Azevedo Netto para a feit ura da então
8ª edição, ficou patente seu desejo de que assumisse a tarefa de, através de atualiza-
ções e melhorias periódicas e com coautores que, no futuro escolheriam outros parcei-
ros, se buscasse perenizar a obra.
Entre as diretrizes transmitidas pelo prof. Azevedo Netto, lembro-me bem da ên-
fase de que, sem prejuízo de uso acadêmico no ensino dos estudantes de engenharia,
o livro devia ser, acima de t udo, um Manual de Hidráulica, para uso do profissional
no seu dia a dia de engenheiro ao longo de sua vida, quer como consultor-projetista,
quer con10 construtor, quer como supervisor ou fiscal, quer como operador, quer como
usuário, além de servir de consulta e aprendizado aos diversos especialistas de outras
áreas que, por algum motivo, interagem com a hidráulica: engenheiros eletricistas e
mecânicos, calculistas estruturais, arquitetos, agrônomos, enfim.
Durante algum tempo, premido pelos afazeres do dia a dia, vinha adiando essas
obrigações morais assumidas. Instado pelo editor, engº Edgard Blücher e seu filho
Eduardo Blücher, para fazer a 9ª edição, voltei à tarefa de atualizar o livro, sempre com
o cuidado de, alterando par tes, não descaracterizá-lo.
Para esta 9" edição foi feita uma "releitura" do livro, página por página, item por
item, reescrevendo coisas, introduzindo anotações compiladas de diversas fontes e
aquelas feitas pelo autor desta revisão, desde o lançamento da 8ª edição (algumas já
introduzidas nas reimpressões havidas desde então) .
Alteração maior foi feita nos antigos capít ulos 14, 15 e 16, sobre canais, reorgani-
zados e reunidos em um só Capítulo A-14.
8 Manual de Hidráulica

Quanto à organização, não há mais distinção na identificação e numeração entre


quadros e tabelas, o mesmo ocorre com as figuras, ilustrações e fotos. A identificação
("numeração") de ambos conjuntos passou a ser pelo item em que aparecem. "Exem-
plos e Problemas" formam um outro conjunto, este numerado pelo capítulo em que se
encontre.
Aos leitores : ficarei muito agradecido a quem comunicar opiniões e sugestões sobre o
livro, assim como sobre eventuais erros ou enganos. Para isso, comunicar-se com a edito-
ra Blucher ou usar o endereço eletrônico miguelfernandezyfernandez@gmail.com.

Miguel Fernández y Fernández,


Engenheiro consultor
Julho de 2014

DEDICATÓRIA

Ao Edgard Blücher, pessoa importantíssima para este livro, que aprendi a gostar
e admirar pelas diversas virtudes que vejo nele, das quais destaco a perseverança e o
foco, e que para o bem da tecnologia e da nossa sociedade, embora formado em enge-
nharia derivou para competente e dedicado editor de livros técnicos.
A todos aqueles com quem convivi profissionalmente e com quem tanto aprendi
(ver capítulo Agradecimentos),
dedico esta edição.

Miguel Fernández y Fernández


Prof. Eng. José Martiniano de Azevedo Netto (foto de 1956)
61 ANOS

Como responsável pelas publicações do Centro Acadêmico, tive a oportunidade de


conviver com o Prof. José Martiniano de Azevedo Netto.
Ótimo professor e comunicador. Qualidades notadas em suas apostilas e que lhes
conferiram rápida aceitação entre os estudantes levaram-me a imaginar que seria inte-
ressante e útil publicá-las como livro. Diante disso, procurei o Prof. Azevedo Netto, que,
aprovando a ideia, possibilitaria a edição do primeiro livro da Editora Edgard Blücher.
A proposta foi aceita de imediato.
Por indicação do professor, procurei a gráfica das Escolas Profissionais Salesianas
para a publicação do livro. Assim, há 61 anos, em 1954, tive o prazer de entregar ao
Prof. Azevedo Netto o pr imeiro exemplar do seu Manual de Hidráulica.
Sendo o Prof. Azevedo Netto uma pessoa de mente aberta, convidou, em edições
subsequentes, colegas seus para, em parceria, dar ao Manual de Hidráulica um
conteúdo mais amplo e diversificado .
Neste ano de 2015, publicamos a 9ª edição graças aos significativos esforços e à
profunda dedicação do Eng. Miguel Fernández y Fernández.
Termino dizendo que nunca esqueci o meu mestre e amigo :
Prof. Eng. José Martiniano de Azevedo Netto.

Edgard Blücher
Março de 2015
,
CONTEUDO

PARTE A CONCEITUAL

A-1 Princípios Básicos, 15


A-2 Hidrostática, 35
A-3 Equilíb1io dos Corpos Flutuantes, 51
A-4 Hidrodinâmica, 57
A-5 Orifícios, Bocais e Tubos Curtos, 71
A-6 Vertedores, 91
A-7 Escoamento em Tubulações, 109
A-8 Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão, 139
A-9 Condutos Forçados, 193
A-10 Acessórios de Tubulações, 217
A-1 1 Bombeamentos, 255
A-12 Golpe de Aríeteflransiente Hidráulico, 293
A-13 Sistemas de Tubulações, 309
A-14 Condutos Livres ou Canais, 327
A-15 Hidrometria, 371
12 Manual de Hidráulica

PARTE B HIDRÁULICA APLICADA

B-I Sistemas Urbanos, 405


B-1.1 Sistemas Urbanos de Abastecimento de Água, 407
B-1.2 Sistemas Urbanos de Esgotos Sanitários, 445
B-1.3 Sistemas Urbanos de Drenagem Pluvial, 468
B-II Instalações Prediais, 497
B-11.1 Instalações Prediais de Água, 499
B-11.2 Instalações Prediais de Esgotos, 511
B-II.3 Instalações Prediais de Águas Pluviais, 519
B-IIJ llidráulica Aplicada à Irrigação, 529
B-HI. l Uso da Água pelas Culturas Agrícolas, 531
B-III.2 Características do Solo, 535
B-IJJ.3 Métodos de Irrigação, 537
B-111.4 Elaboração de Projeto - Dimensionamento, 548
B-IV Diversos, 567
B-IV.l Bombas e Casas de Bombas, 569
B-IV.2 Medições - Indicações e Cuidados na Medição de Vazões, 583

PARTE C ANEXOS

C-1 Sistema Internacional de Unidades (SI), 601


C-1.1 Apresentação, 601
C-1.2 Unidades do Sistema Internacional, 602
C-1.3 Outras Unidades, 603
C-1.4 Observações, 604
C-1.5 Relações de Medidas e Conversões de Unidades, 605
C-2 Convenções e Notações, 609
C-3 Índice Remissivo, 615
C-4 Bibliografia, 621
C-5 Alfabeto Grego, 627
C-6 Informatização e Acessibilidade, 629
C-7 Agradecimentos, 631
PARTE A

CONCEITUAL
Capítulo A- 1

Princípios Básicos
A-1.1 CONCE ITO DE HIDRÁULICA-SUBDIVISÕES

A-1.2 EVO LUÇÃO DA H IDRÁU LI CA

A-1.3 SÍMBOLOS ADOTADOS E UNIDADES USUAIS

A-1.4 PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, CONCEITOS


A-1.4.1 Definições- Fluidos: Líquidos e Gases
A-1.4.2 Massa Específica, Densidade e Peso Específico
A-1.4.3 Compressibilidade
A-1.4.4 Elasticidade
A-1.4.5 Líquidos Perfeitos
A-1.4.6 Viscosidade/Atrito Interno
A-1.4.7 Atrito Externo
A-1.4.8 Coesão, Adesão e Tensão Superficial
A-1.4.9 Solubilidade dos Gases
A-1.4.10 Tensão de Vapor

A-1.5 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO


A-1.5.1 Aceleração de Coriolis
Capítulo A-1

Princípios Básicos

, ~
A-1.1 CONCEITO DE HIDRAULICA - SUBDIVISOES
O significado etimológico da palavra Hidráulica é "condução de água" (do grego hydor,
água e aulos, tubo, condução).
Entretanto, atualmente, empresta-se ao termo Hidráulica um significado muito
mais lato: é o estudo do comportamento da água e de outros líquidos, quer em repouso,
quer em movimento.
A Hidráulica pode ser assim dividida:
• Hidrául ica Geral ou Teórica
o Hidrostática
o Hidrocinemática
o Hidrodinâmica
• Hidráulica Aplicada ou Hidrotécnica

A Hidráulica Geral ou Teórica aproxima-se muito da Mecânica dos Fluidos.


A Hidrostática trata dos fluidos em repouso ou em equilíbrio. A Hidrocinemática
estuda velocidades e trajetórias, sem considerar forças ou energia. A Hidrodinâmica re-
fere-se às velocidades, às acelerações e às forças que atuam em fluidos em movimento.
A Hidrodinârrúca, em face das características dos flu idos reais, que apresentam
grande número de variáveis físicas, o que tornava seu equacionamento altamente com-
plexo, até mesmo insolúvel, derivou para a adoção de certas simplificações tais como a
abstração do atrito interno, trabalhando com o denorninado "fluido perfeito", resultando
em uma ciência matemática com aplicações práticas bastante lin1itadas.
Os engenheiros, que necessitavam resolver os problemas práticos que lhes eram
apresentados, voltaram-se para a experimentação, desenvolvendo fórmulas empíricas
que atendiam suas necessidades.
Com o progresso da ciência, e impulsionada sobretudo por alguns ramos onde se
necessitaram abordagens mais acadêmicas, e onde houve disponibilidade de recur-
sos para aplicação em pesquisa, e principalmente com o advento dos computadores,
18 Manual de Hidráulica

que permitiram trabalhar com sistemas de equações de • eclusas


grande complexidade, em pouco tempo a Hidrodinâmica • enrocamentos
desenvolveu-se e é hoje instrumento não apenas teórico- • flutuantes
-matemático, mas de valor prático indiscutível. • medidores
A Hidráulica Aplicada ou Hidrotécnica é a aplica- • orifícios
ção concreta ou prática dos conhecimentos científicos • poços
da Mecânica dos Fluidos e da observação criteriosa dos • reservatórios
fenômenos relacionados à água, quer parada, quer em • tubos e canos
movimento. • turbinas
As áreas de atuação da Hidráulica Aplicada ou Hi-
• válvulas
drotécnica são: • vertedores
• etc.
• Urbana:
o Sistemas de abastecimento de água
-
A-1 .2 EVOLUÇAO DA HIDRAULICA
,
o Sistemas de esgotamento sanitário
o Sistemas de drenagem pluvial Obras hidráulicas de certa importância remontam à An-
o Canais tiguidade. Na Mesopotâmia existiam canais de irrigação
• Rural: construídos na planície situada entre os rios Tigre e Eu-
frates e, en1 Nipw· (Babilônia), existiam coletores de es-
o Sistemas de drenagem gotos desde 3750 a.e.
o Sistemas de irrigação
o Sistemas de água potável e esgotos Importantes empreendin1entos de irrigação também
foram executados no Egito, 25 séculos a.e, sob a orienta-
• Instalações prediais: ção de Uni. Durante a XII dinastia, realizaram-se impor-
o Industriais tantes obras hidráulicas, inclusive o lago artificial Méris,
o Comerciais destinado a regularizar as águas do baixo Nilo.
o Residenciais O primeiro sistema público de abastecimento de
o Públicas água de que se tem notícia, o aqueduto de Jerwan, foi
• Lazer e paisagismo construído na Assíria, em 691 a.e .
• Estradas (drenagem)
Alguns princípios de Hidrostática foram enuncia-
• Defesa contra inundações
• Geração de Energia dos por Arquimedes()), no seu "Tratado Sobre Corpos
• Navegação e Obras Marítimas e Fluviais Flutuantes", em 250 a.e.
• Dragagens/Aterros Hidráulicos A bomba de pistão foi idealizada pelo físico grego Cte-
sibius e construída pelo seu discípulo Hero, em 200 a.C.
Os instrumentos utilizados para a atividade profis- Grandes aquedutos romanos foram construídos em
sional de Hidrotécnica são: várias partes do mundo, a partir de 312 a.C. No ano 70
• analogias a.C. Sextus Julius Frontinus foi nomeado Superintenden-
• cálculos teóricos e empíricos te de Águas de Roma.
• modelos reduzidos físicos No século XVI, a atenção dos filósofos voltou-se para
• modelos matemáticos de simulação os problemas encontrados nos projetos de chafarizes e
• hidrologia/estatística fontes monumentais, tão em moda na Itália. Assim foi que
• arte Leonardo da Vinc/2) apercebeu-se da importância das
observações nesse setor. Um novo tratado publicado em
Os acessórios, materiais e estruturas utilizados na
1586 por StevinC3) e as contribuições de GalileuC'1), Tor-
prática da Engenharia Hidráulica ou Hidrotécnica são:
ricelliC5) e Daniel Bernoulli (6) constituíram a base para o
• aterros novo ramo científico.
• barragens
• bornbas Devem-se a Euler<7) as primeiras equações gerais
• cais de portos para o movimento dos fluidos. No seu tempo, os conhe-
• canais cimentos que hoje constituem a Mecânica dos Fluidos
• comportas apresentavam-se separados em dois campos distintos: a
• diques Hidrodinâmica Teórica, que estudava os fluidos perfeitos,
• dragas e a Hidráulica Empírica, e m que cada problema era inves-
• drenos tigado isoladamente.
A-1 - Princípios Básicos 19

A associação desses dois ramos iniciais, constituindo As investigações de ReynoldsC9), os trabalhos de


a Mecânica dos Fluidos, deve-se principalmente à Aero- Pranctt1C10) e as experiências de FroudeC11) forneceram a
dinâmjca. base científica para esse progresso, 01iginando a Mecâni-
ca dos Fluidos moderna.
Convém ainda mencionar que a Hidráulica sempre
constituiu fértil campo para as investigações e análises As usinas hidrelétricas começaram a ser construídas
matemáticas, tendo dado lugar a estudos teóricos que no final dos anos 1800 (século XIX). Aos laboratórios de
frequentemente se afastavanl dos resultados experi- Hidráulica devem ser atribuídas as investigações que pos-
mentais. Várias expressões assim deduzidas tiveram de sibilitaram os desenvolvimentos mais recentes.
ser corrigidas por coeficientes práticos, o que contribuiu Estes e outros acontecimentos marcantes para o es-
para que a Hidráulica fosse cognominada a "ciência dos tudo da hidráulica podem ser observados nas Tabelas
coeficientes". As investigações experimentais tornaram A-1.2-a eA-1.2-b.
famosos vários físicos da escola italiana, entre os quais
VenturiC8) e Bidone. 1
< >Arqu imedes (287-212 a.C.)
<2> Leonardo da Vinci (1452-1519)
Apenas no século XIX, com o desenvolvimento da 3
< >Simão Stevin (1548-1620)
produção de tubos de ferro fundido, capazes de resistir <4> Galileu Gali lei (1564-1642)
<5> Evangeli sta Torricelli (1608-1647)
a pressões internas relativamente elevadas, com o cresci- <6> Dan iel Bern oull i (1700-1783)
mento das cidades e a in1portância cada vez maior dos ser- <71 Leonardo Euler (1707-1783)
0
viços de abastecimento de água e, ainda, em consequên- < > Giovanni 13attista Venturi (1746-182 2)
<9>Osborne Reynolds (1842- 1912)
cia do emprego de novas máquinas hidráulicas, é que a CIO) Ludwig Prandtl (1875-1953)
Hidráulica teve um progresso rápido e acentuado. 11 1
>W illiam Froucle (1810-1879)

Tabela A-1.2-a Eventos históricos


Invenções "Autores" Ano País
Esgotos 3750 a.e. Babilônia
Drenagem Empédocles 450 a.e. Grécia
Parafuso de Arqu imedes Arquimedes 250 a.e. Grécia
Bomba de p istão Ctesibius/Hero 200/120 a.e. Grécia
Aquedutos romanos 150 a.e. Roma
Termas romanas 20 a.e. Roma
Barômetro E.Torrice! li 1643 Itália
Compressor de ar Otto von Gueriche 1654 A lemanha
Tubos de ferro fundido moldado Johan Jordan 1664 França
Bomba centrífuga Johan Jordan 1664 França
Máquina a vapor Denis Papin 1680 França
Vaso sanitário Joseph Bramah 1775 Inglaterra
Turbina hid ráulica Benoit Fourneyron 1827 França
Prensa hidráulica S. Stevin/J .Bramah 1600/1796 Holanda/Inglaterra
Emprego de hélice John Ericson 1836 Suécia
Manilhas cerâmicas extrudadas Francis 1846 Inglaterra
Tubos de concreto armado J. Monier 1867 França
Usina hidrelétrica H. J. Rogers (Thomas Edison) 1882 EUA
Turbina a vapor A. Parsons/De Lava 1884/1890 Inglaterra/Suécia
Submarino J. P. Holland 1898 EUA
Tubos de ci mento amianto A. Mazza 1913 Itália
Tubos de ferro fundido centrifugado Arens/de Lavaud 1917 Brasil
Propulsão a jato Frank Whittle 1937 Inglaterra
Tubos de PVC 1936 Alemanha
20 Manual de Hidráulica

O processamento de dados com o auxilio de compu- onde a aceleração da gravidade é maior, não esquecendo
tadores, além de abreviar cálculos, tem contribuído na que a aceleração da gravidade também varia com a lati-
solução de problemas técnico-econômicos para o projeto tude (Tabela A -1.3- d), e até com a posição da lua em
e in1plantação de obras hidráulicas. Propicia a montagem relação à TeITa (exemplo visível: as marés) .
de modelos de simulação que permitem a previsão e aná-
Entre a força (F) e a massa (M) de um corpo existe
lise de fenômenos dinãmicos que eram até então imprati-
uma relação expressa pela equação:
cáveis ou feitos com tão significativas simplificações, que
comprometiam a confiabilidade ou a economicidade. F=kxMxa (2ª lei de Newton)
onde:
k é uma constante;
Tabela A-1.2-b Eventos históricos no Brasil
a é a aceleração a que o corpo está submetido .
Eventos Ano Cidade
Primeiro sistema de
1723 Rio de Janeiro - RJ Há dois sistemas de unidades que tornam a constante
abastecimento de água
Primeira cidade com rede de k igual a l (um) : o SI (Sistema Internacional), ou "absolu-
1864 Rio de Janeiro - RJ to", e o "gravitacional". No "absoluto", k é igual a l (um)
esgotos
pela definição da unidade de força e, no "gravitacional",
Primeira hidrelétri ca (para
1883 Diamantina - MG pela definição da unidade de massa, ou seja:
mineração)
Primeira hidrelétri ca (para
1889 Juiz de Fora - MG
abastecimento público) SISTEMA ABSOLUTO - a unidade de força é aquela que,
ao agir sobre um corpo com a massa de um quilogra-
n1a, ocasiona uma aceleração de um metro por se-
, gundo por segundo, e se denomina "nev.rton". A uni-
A-1.3 SIMBOLOS ADOTADOS dade de massa nesse sistema é correspondente a um
E UNIDADES USUAIS bloco de platina denominado quilograma-protótipo,
guardado em Sevres (França) .
As grandezas físicas são comparáveis entre si através de
medidas homogêneas, ou seja, referidas à mesma unidade. SISTEMA GRAVITACIONAL - a unidade de força é igual
Os núrneros apenas, sern dimensão de n1edida, nada à unidade de massa por unidade de comprimento por
inforrnam em termos práticos: o que é maior, 8 ou 80? segundo, logo, a unidade de massa neste sisterria é
A pergunta carece de sentido porque não há termo de igual a g quilogramas. Como g varia de lugar para
comparação. Evidentemente que 8 m3 é mais que 80 litros lugar, especialmente com a latitude e a altitude, g só
(80 dm3). Poderia ser de outra forma: 8 kg e 80 kg ou é constante em um mesmo local.
80 kg e 80 litros.
As unidades de grandezas físicas (dimensões de um Melhor explicando, o Sistema Gravitacional torna o
corpo, velocidade, força, trabalho ou potência) permitem k igual à unidade pela definição da unidade de massa.
organizar o trabalho científico e técnico, sendo que com "Se um corpo de peso unitário cai livremente, a força
apenas sete grandezas básicas é possível formar um siste- unitária atuará e a aceleração será g"; logo, para que a
ma que abranja todas as necessidades. força unitária produza uma aceleração unitária, a unida-
de de massa será equivalente ag unidades de peso.
Tradicionalmente a engenharia, logo a Hidráulica
também, usava o denominado sistema MKS (metro, qui-
lograma, segundo) ou CGS (centímetro, grama, segundo)
ou Sistema Gravitacional, cujas unidades básicas (MKS)
Tabela A-1.3-a (Sistema mks) Grandezas e unidades
são mostradas na TabelaA-1.3-a.
físicas tradicionais
Entretanto, observou-se que esse sistema estabele- Símbolo Dimen sional
cia uma certa confusão entre as noções de peso e massa,
que do ponto de vista físico são coisas diferentes. A massa Comprimen to metro m L
de um corpo refere-se à sua inércia, e o peso de um corpo quilograma-
Força kgf MLT-2
refere-se à força que sobre esse corpo exerce a acelera- -força
ção da gravidade g . É evidente que uma mesma massa de Tempo segundo s T
água, digamos um litro em determinada temperatura, tem
"pesos" diferentes ao nível do mar ou a 2.000 m acima
dele. Essa mesma massa é mais "pesada" ao nível do mar,
A-1 - Princípios Básicos 21

Tabela A-1.3-b Grandezas básicas do S. I. dência de nomenclatura entre a antiga unidade de peso
e a atual de massa, evitando-se assim as confusões daí
Grandeza Símbolo
advindas, infelizmente tão frequentes. O SI é composto
Comprimento metro m por sete grandezas básicas (TabelaA-1.3-b) .
M assa q uilograma kg
Cabe registrar que, para os fins usuais de engenharia
Tempo segundo s hidráulica, não interessa muito a diferença entre os con-
Intensidade corrente elétrica ampere A ceitos de massa e quantidade de matéria, que vai interes-
Temperatura termodinâmica kelvin K sar à física e à quírnica pw·as. Um "mo!" é a quantidade
de matéria (ou quantidade de substância, nos EUA) de
1ntensidade luminosa candeia cd
uma amostra ou sistema contendo tantas entidades ele-
Quantidade de matéria mo l mol mentares quantos átomos existem em 0,012 quilograma
Havendo ainda as denominadas unidades comRlementares: de carbono 12.
 ngulo plano radiano rad Neste livro, será adotado o Sistema Internacional
 ngulo sólido esterradiano sr (SI) de Unidades, sem abandonar os "usos e costumes"
dos técnicos da área, a quem o livro se destina, estabe-
lecendo também uma "ponte" entre aquele que se inicia
No sistema métrico seria : no ofício e o veterano, entre o acadêmico e o profissional
1 kgf = unidade de massa x 1 m/s 2, do dia a dia.
logo As unidades derivadas do SI são estabelecidas atra-
vés de tratamento algébrico ou dimensional das grande-
unidade de massa = 1 (kgf)/1 (m/s 2) = g (kg)
zas físicas básicas.
Em outras palavras, a força gravitacional comunica à
Apresenta-se na Tabela A-1.3-c as grandezas "deri-
massa de 1 kg a aceleração g:
vadas" mais frequentes, com suas respectivas unidades
1 kgf = g l kg. para os cálculos relacionados com as atividades da hi-
dráulica.
O importante é entender que o peso de um corpo
pode se reduzir a zero ao sair da gravidade terrestre,
mas sua massa permanecerá a mesma. Tabela A-1.3-c Grandezas "derivadas" do S.I.
Evidentemente, a definição de massa pecava Relação com
Dimensio-
Grandeza Símbolo Unidade as unidades
por variar em função da aceleração da gravidade, o básicas
nal
que não corresponde à realidade física da grandeza
Á rea m2 L2
massa. Entretanto, as aproximações são boas o sufi-
ciente para, de maneira geral, em problemas pouco Volume m3 L3
sensíveis à variação desse tipo de grandeza, conti- Velocidade LT- 1
m/s
nuarem a ser usadas. Isso ocorre pelo hábito e pelas
facilidades advindas principalmente do fato de que, Ace leração m/s2 LT- 2
a grosso modo: M assa específica kglm3 M L-3
Frequência Hz hertz çl T-1
1 dm3 de H2 0 (um litro de água) = 1 kgf,
Força N newton Kg x m/s2 M LT·2
gerando a unidade prática de pressão conhecida
como metro de coluna d 'águ a (m.c.a.), tão difundida Pressão Pa pascal N/m 2 M L-1 T-2
entre os técnicos. Energia j oule Nx m M L2 r-2

Por convenção internacional de 1960, foi criado Potênc ia w watt J/s M L2 T- 3


o Sistema Internacional de Unidades (SI), também Viscosidade
conhecido por Sistema Absoluto, legalmente em vi- d inâmica
p po ise o,1 N x s/m2 ML- 1 T- 1

gor no Brasil e na maioria dos países do mundo. O SI Viscosidade


é do tipo MLT (massa, comprimento, tempo) e não St stokes 1 0-4 x m2/s L2T-1
ci nemática
FLT (força, comprimento, tempo), como era o Siste- M omento de
ma Gravitacional. m4 L4
inércia
As unidades básicas desse sistema são o quilo- Tensão MT-2
N/m
grama (neste caso seria um quilograma-massa), o superfic ial
metro e o segundo. Deve-se atentar para a coinci- Peso específico N/m3 M L-2T-2
22 Manua l de Hidráulica

Tabela A-1.3-d Aceleração da gravidade g e pressão atmosférica Pa


Latitude Altitu de Aceleração da Pressã o atmosférica aproximada
Cidade
(graus) (m) gravidade (m/s2 ) atm N/cm2 m.c.a. mmHg
Quito o 3 .000 9,77100 0,69 6,94 7, 1O 517
Mana us 3S 80 9,780 68 0,99 1o, 13 10,3 1 753
La Paz 17 S 4.000 9,77236 0,65 6,75 7,00 515
Rio de Janeiro 23 S 1 9,78814 1,00 1o,134 10,33 760
São Paulo 24 S 800 9,78637 0,92 9, 14 9,32 685
Bue nos Aires 35 S 1 9,79729 1,00 1o, 134 10,33 760
New Yo rk 42 N 1 9,80345 1,00 1o,134 10,33 760
Paris 49 N 150 9,80700 0,98 10,00 10,29 745
il has Malvinas 53 S 1 9,8133 1 1,00 1o, 134 10,33 760

Observação: vapores, indistintamente, com o conceito de substância


aeriforme.
Para calcular o valor de g (cm/s2) em qualquer situação
geográfica (latitude e altitude), abstraindo as distor - Os líquidos têm uma superfície livre, e uma deter-
ções provocadas pela falta de homogeneidade da massa minada massa de um líquido, a uma mesma temperatLu-a,
do planeta Terra, pode-se utilizar a fórmula (Gamow, ocupa só um determinado volume de qualquer recipiente
1° vol, p. 38): em que caiba sem sobras. Os líquidos são pouco comp res-
síveis e resistem pouco atrações e muito pouco a esforços
g = 980,616- 2,5928 x cos 2cp + 0,0069 x (cos 2cp)2-
cortantes (por isso se movem facilrr1ente).
- 0,3086 H,
onde: Os gases, quando colocados em um recipiente, ocu-
cp = latitude em graus pam todo o volun1e, independente de sua massa ou do ta-
H = altitude em quilômetros manho do recipiente. Os gases são altamente comp ressí-
veis e de pequena densidade, relativamente aos líquidos.
Na Tabela A-1 .3-d apresentam-se valores de g cal- O estudo do escoamento de gases (ou vapores) na
culados para diversas localidades pela fórmula de Gamow Hidráulica praticamente só está presente nos problemas
mencionada anteriorn,ente. de enchimento e esvaziamento de tubulações e reservató-
rios fechados, quando há que se dar passagem ao ar atra-
Portan to, para as latitudes brasileiras e altitudes an-
vés de dispositivos tais como ventosas e respiradores, ou
dinas, parece que a melhor aproximação para o valor de
ainda na análise de problemas de descolamento de coluna
g é 9,79 ou 9,80 e não o 9,81 citado nas bibliografias eu-
líquida em tubulações por fenômenos transitórios hidráu-
ropeia e norte-americana. Neste livro, sempre que for o
licos (golpe de aríete) .
caso, ser á utilizado o valor g = 9,80 m/s 2.
A forma como um líquido responde, na prática, às
No itemA-1.5.1 (Aceleração de Coriolis) esse assun-
várias situações de solicitação depende basicamente de
to é aprofundado.
suas propriedades físico-químicas, ou seja, de sua estru-
tura molecular e energia interna. A menor partícula de
água, objeto da Hidráulica, é uma molécula composta por
A-1.4 PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio . Entretanto,
CONCEITOS uma molécula de água não forma o que em engenharia hi-
dráulica se designa como tal. São necessárias muitas mo-
A-1.4 .1 Definições - Fluidos: líquidos e gases léculas de água juntas para que se apresentem as carac-
terísticas práticas desse composto. A proximidade dessas
Fluidos são substâncias ou corpos cujas moléculas ou par- moléculas entre si é função da atração que umas exercem
tículas têm a prop1iedade de se mover umas em relação às sobre as outras, o que varia com a energia interna e, por -
outras sob a ação de forças de mínima grandeza. tanto, com a temperatw·a e com a pressão.
Os fluidos se subdividem em líquidos e aeriformes Os estados físicos da água (sólido, líquido e gasoso)
(gases, vapores) . Em virtude do pouco uso da expressão são resultado da maior ou menor proximidade e do arran-
aeriforme, serão utilizados neste livro os termos gases ou jo entre essas moléculas e, portanto, da energia presen-
A-1 - Princíp ios Básicos 23
te em forma de pressão e de temperatura. A medida de Denomina-se "pressão de vapor" (ou "tensão deva-
energia é o "joule", a de calor a "caloria" e a de pressão o por") de um líquido a "pressão" na superfície quando o
"pascal". Uma caloria é a energia requerida para aquecer líquido evapora (ver item A-1.4.10). Essa "pressão deva-
um grama de água, em um Kelvin (ou um grau Celsius). por" varia com a temperatura. A Tabela A-1. 4.1-a mos-
tra a variação da pressão de vapor da água conforme a
Para passar de um estado físico para outro (ou de
temperatw·a. Observe-se que a pressão de vapor iguala a
uma fase para outra), a água apresenta uma característica
pressão atmosférica normal a 100 ºC e que, havendo uma
própria, que é a quantidade de calor requerida, sem cor-
diminuição de pressão (por exemplo em sucção de bom-
respondente variação de temperatura, denominada calor
bas), a pressão de vapor pode chegar a ser ultrapassada
latente de vaporização (líquido - vapor) e calor latente
(para baixo) e a água passa ao estado de vapor brusca-
de cristalização (sólido - líquido). Ao nível do mar, a 45°
de latitude e à temperatura de 20ºC, a pressão atmosfé- mente, criando o denominado efeito de "cavitação".
rica é de 0,1 MPa (1,033 kgf/cm 2). Nessas condições, se
a temperatura de uma rnassa líquida for elevada à tem- Tabela A-1.4.1-a Tensão de vapor (pressão do vapor) da
peratura de l00ºC e aí mantida, ela evapora segundo o água a várias temperaturas, para g = 9,80 m/ s2 (ao nível do
fenômeno da ebulição ou fervura. Em altitudes acima do mar)
nível do mar, a pressão atmosférica é menor e a água eva-
pora a temperaturas também menores (Figura A-1. 4.1-a tv
e TabelaA-1.4.1-b) . (ºC ) (N/m2 ) (kgf/ m2 ) (kgf/m 2 ) (m.c.a.)

o 62 0,00620 0,062

Solidificação Pressão 1 67 0,00669 0,067


de vapor 3 77 0,00772 0,077
Líquido 4 813 83 0,00830 0,083

liquefação 5 89 0,00889 0,089


o
'"'.,,.,, 10 1.225 125 0,01251 o, 125
~
Q. 15 174 0,01737 o, 174
Sólido 20 2.339 239 0,02383 0,239
25 323 0,03229 0,323
Gasoso
30 4.490 458 0,04580 0,458
35 573 0,05733 0,573
40 752 0,07520 0,752
o 100 Temperatu ra (ºC) 45 977 0,09771 0,977
Calor
especifico do vapor 50 12 .300 1.258 o, 12580 1,258
55 1.695 o, 16050 1,695
Calor
específico 60 2.03 1 0,2031 O 2,031
10
daágua - 65 2.550 0,25500 2,550
"'~ 70 3.1 78 0,3 1780 3, 178
~ Calor Tcalor latente
w 75 3.93 1 0,3931 O 3,93 1
especifico ~e cristalização
do gelo 80 47.300 4.829 0,48290 4,829
85 5.894 0,58490 5,894
90 7149 0,71490 7, 149
o 100 Temperatura (ºC)
95 85 19 0,86190 8,619
Figura A-1.4.1-a - Variação da pressão e energia da água 100 101.200 10.332 1,03320 10,332
conforme a tempera tura. Fonte: Bib. A983.

Tabela A-1.4.1-b Ponto de ebulição da água conforme a altitude


ALTITUDE (m ) O 500 800<SãoPaulo> 1.000 1.500 2.000 3 .000(Qu;IO) 4 .000(La Pa1.)
(ºCl 100 98 97 96 95 93 91 89
24 Manual de Hidráulica

A-1.4.2 Massa específica, densidade e peso A-1 .4.3 Compressibilidade


específico
Compressibilidade é a propriedade que têm os corpos de
A massa de um fluido em uma unidade de volume é de- reduzir seus volumes sob a ação de pressões externas.
nominada densidade absoluta, também conhecida como Considerando-se a lei de conservação da massa,
massa específica (kg/m 3) (density). um aumento de pressão corresponde a um aumento de
O peso específico de um fluido é o peso da unidade massa específica, ou seja, uma diminuição de volume.
de volume desse fluido (N/m 3) (unit weight) . Assim,
Essas grandezas dependem do número de moléculas dV = -ax V x dp Equação (1.1)
do fluido na unidade de volume. Portanto, dependem da
temperatura, da pressão e do arranjo entre as moléculas. onde:
a é o coeficiente de compressibilidade
A água alcança sua densidade absoluta máxima a uma V é o volume inicial
temperatw·a de 3,98 ºC (Tabela A-1.4.2-a). Já o peso es- dp é a variação de pressão
pecífico da água nessa mesma temperatura tambén1 será
igual à unidade em locais onde a aceleração da gravidade
seja de 9,80 m/s2 e à pressão de 1 atm (760 mmHg, 10,33 O inverso de a és (s = lia), denominado módulo de
m.c.a. ou 0, 1 MPa). elasticidade de volume. Porém, a massa (m) vale
Chama-se densidade relativa de um material a rela- m = p x V = constante
ção entre a massa específica desse material e a massa es-
pecífica de um outro material tomado como base. No caso onde p é a massa específica. Derivando, tem-se
de líquidos, essa substância normalmente é a água a 3,98 dV
ºC. Tratando-se de gases, geralmente adota-se o ar nas p X dV + V X d p = O, V =-px -
dp
CNTP [Condições Normais de Temperatura (0 ºC) e Pres-
são (1 atm) ]. Assim, a densidade relativa do mercúrio é e substituindo o valor de V na Equação ( 1. 1) tem-se:
13,6 e da água salgada do mar ern torno de 1,04 (nún1eros
adimensionais) (specific gravity). l dV
dV = -x px-x dp
s dp
Na literat ura, há quem faça distinção entre CNTPN Equação (1.2)
(condições normais, considerando a temperatura a25 ºC) s dp
- =-
e CNTPp (condições padrões, T "' OºC) . Por tanto, a tem- p dp
peratura considerada deve ser sempre informada (per-
guntada) . Verifica-se diretamente da Equação ( 1.2) que o mó-
dulo de elasticidade de volume tem dimensões de pressão
Em termos práticos, pode-se dizer que a densidade
e é dado, geralmente, em kgf/cm2 ou kgf/m2 (mks) e em
da água é igual à unidade e que sua massa específica é
N/m2 ou Pa (SI) x (1 kgf = 9, 8N) .
igual a 1 kg/C e seu peso específico é 9,8 N/.C.
Para os líquidos, ele varia muito pouco com a pres-
são, mas varia apreciavelmente com a temperatura. Os
gases têm s muito variável com a pressão e com a tem-
Tabela A-1 .4.2-a Variação da massa específica da água peratura (Tabela A-1.4. 3-a) .
doce com a temperatura

Temperatura
Massa -
Temperatura
- Massa
(ºC)
específica
(ºC)
específica Tabela A-1.4.3-a Variação de s e a da água doce com a
1 (kg/m 3) (kglm3) 1 temperatura
o 999,87 40 992,24 Tempera- s a
2 999,97 50 988 tura (N/ m2) (m 2/ N))
ºC X 108 X 1O-l0
4 1.000,00 60 983
5 999,99 70 978 o 19,50 5, 13 1,99 50,2
10 999,73 80 972 10 20,29 4,93 2,07 48,2
15 999, 13 90 965 20 21,07 4,75 2, 15 46,5
20 998,23 100 958
30 21,46 4,66 2, 19 45,6
30 995,67
A-1 - Princíp ios Básicos 25

Suponha-se que cer ta transformação de um gás se Na água, a 10 ºC e pressão atmosférica ao nível do


dê a uma temperatura constante e que obedeça à lei de mar, e = 1.425 m/s.
Boyle. Então,
Só se pode considerar p constante ou d p = Ose dp = O
p ou e= oo.
-= constante;
p
Nos fenômenos do golpe de aríete não se pode consi-
daí, derar p constante, pois dp ,. O e e é um valor finito.
dp p
- = - Pode-se, entretanto, considerar p constante nos fe-
dp p
nômenos que envolvem pequenas massas de fluidos, onde
Pela Equação (1.2) tem-se se considera e = oo, ou em fenômenos em que p varia mui-
to gradualmente, onde se considera dp = O.
e =p Equação (1.3)
Chamando-se de número de Mach (Ma) a relação en-
O resultado da Equação (1.3) pode ser assim escri- tre a velocidade de um escoamento "v'' e a celeridade de
to: "quando um gás se transforn1a segundo a lei de Boyle, propagação do som no mesmo fluido ,
o seu módulo de elasticidade de volume iguala-se à sua V
Ma = -
pressão, a cada instante". c
Para os líquidos, desde que não haja grandes varia- Chamando de K a constante da t ransformação adia-
ções de temperatura, pode-se considerar E constante. En- bática, pode-se deduzir a seguinte r elação :
tão, a Equação (1 .2) pode ser assim in tegrada:
1
p 1
ln- = - x (P - Po) Equação (1.4)
P = Po x [1+ K; 1x Ma2 ]1-K
Po e
onde p0 é a massa específica para v = O.
A Equação (1.4) expressa a variação de p com p .
Como essa variação é muito pequena, pode-se escrever a Para Ma = 0,3 e um escoamento de ar (I( = 1,4) com
expressão aproximada: velocidade de 100 m/s, tem-se:
p = 0,967 x Po
P-Po =ax (P - Po),
Po Nesse caso, igualando-se p a p0 , comete-se um erro
de onde vem de aproximadamente 4%.
p = Po x [1 + a x (p - Po)] O critério, portanto, para se considerar um gás com-
Nos fenômenos em que se pode desprezar a, tem-se pressível ou não depende do erro que se permita cometer
p = Po, que é a condição de incompressibilidade. nos cálculos. No exemplo acima, o erro foi de 4% , que
muitas vezes é inferior aos erros com que se tomam os
Normalmente, em termos práticos, a compressibilida-
dados do problema. Portanto, o critério de compressibili-
de da água é considerada apenas nos problemas de cálculo
dade a adotar é o bom senso do engenheiro.
de golpe de aríete (transitórios hidráulicos sob pressão).
A água na natureza e nas CNTP é cerca de 100 vezes
Por esses motivos, não se pode prescindir da com-
mais compressível que o aço comum.
pressibilidade de um líquido, ou, em outro extremo, po-
de-se prescindir da compressibilidade de um gás (movi-
mento uniforme com baixas velocidades). A-1.4.4 Elasticidade
Chamando de "e" a celeridade de propagação do som
Berthelot, em 1850, descobriu essa propriedade que têm os
no fluido, sabe-se (Newton) que:
líquidos de aumentar seu volume quando se lhes diminui a
pressão. Para os gases, a propriedade já era bem conhecida.
C =~
Em seguida, Worthington provou que o aumento de
ou, substitu indo pela Equação (1 .2). volume devido a uma certa depressão tem o mesmo valor
absoluto que a diminuição do volume para uma compres-
C= @i são de igual valor absoluto. Isto é, os módulos de elastici-
\jcip dade são iguais à depressão e à compressão.
Portanto, a compressibilidade de um fluido está inti- Os gases dissolvidos afetam essa propriedade quan-
mamente relacionada com a celeridade. do se trata de grandes pressões.
26 Manual de Hidráulica

A-1.4.5 Líquidos perfeitos ~ V


F=Jt x A x - Equação (1.5)
Um fluido em repouso goza da propriedade da isotropia, ~n
isto é, em torno de um ponto os esforços são iguais em
todas as direções. Onde "7,1," é um coeficiente característico do fluido,
em determinada temperatura e pressão, que se denomi-
Num fluido em movimento, devido à viscosidade, há
na coeficiente de viscosidade dinâmica ou viscosidade. A
anisotropia na distribuição dos esforços.
Equação ( 1.5) também é conhecida como "equação da
Em alguns problemas particulares, pode-se, sem gra- viscosidade de Newton".
ve erro, considerar o fluido sem viscosidade e incompres-
A viscosidade varia bastante com a temperatura e
sível. Essas duas condições servem para definir o que se
pouco com a pressão.
chama líquido perfeito, em que a densidade é uma cons -
tante e existe o estado isotrópico de tensões em condi- O coeficien te de viscosidade dinâmica ou absoluta,
ções de movimento. ou simplesmente viscosidade, tem a dimensional
O fluido perfeito não existe na prática, ou seja, na ML- 1 T- 1 no (SI), e FL- 2 T no (mks)
natw·eza, sendo portanto uma abstração teórica, mas ern No sistema (SI), a unidade de "7,1," denomina-se
um grande número de casos é prático considerar a água pouiseuille, abreviatura "PC"; e, no sistema (mks), de-
como tal, ao menos para cálculos expeditos. nomina-se poise, abreviatura "P".
1 PC= 1 N s/m 2
1 P = 0,1 N s/m 2
A-1.4.6 Viscosidade/ Atrito interno
100 centipoise = 1 P = 1 g/cm x s
Quando um fluid o escoa, verifica-se um movimento rela - Para a água a 20 ºC e 1 atm, tem-se
tivo entre as suas partículas, resultando um atrito en tre
elas. Atrito interno ou viscosidade é a propriedade dos "7,1," = 1o-3 N x s/m2 = 1 centipoise
fluidos responsável pela sua resistência à d eformação. Por essa facilidade de ter a viscosidade igual à uni-
Pode-se definir ainda a viscosidade como a capacida- dade nas CNTP, a água é usada como padrão de viscosi-
de do fluido em converter energia cinética em calor, ou a dade, exprimindo-se em relação a ela a viscosidade de
capacidade do fluido em resistir ao cisalhamento (esfor- outros fluidos.
ços cortantes) . Dividindo o valor da viscosidade "7,1," pela massa es-
A viscosidade é diretamente relacionada com a coe- pecífica do fluido " p", obtem-se a "viscosidade cinemáti-
são entre as partículas do flu ido . Alguns líquidos apresen- ca,, "v cn " ·
tam essa propriedade com maior intensidade que outros.
Assim, certos óleos e certos lodos pesados escoam mais
lentamen te que a água ou o álcool.
Ao se considerarem os esforços internos que se Essas grandezas têm a vantagem de não depender da
opõem à velocidade de deformação, pode-se partir do unidade de massa.
caso mais simples, represen tado pela Figura A-1.4. 6-a . A unidade de viscosidade cinemática no (SI) tem a
No interior d e um líquido, as partículas contidas em d uas dimensional [L2 T- 11 e exprime-se e m m2/s; e no (mks),
lâminas paralelas de área (A) movem-se à distância (6n), tem a mesma dimensional, exprin1indo-se e m cm2/s, e
com velocidades diferentes ( v) e ( v + 6 v). denomina-se "stoke", abreviação "St".
A segunda lâmina tenderá a acelerar a p rimeira e a Os fluidos que obedecem a essa equação de propor-
primeira a retardar a segunda. cionalidade da Equação (1.5), ou seja, em que há uma
relação linear entre o valor da tensão de cisalhamento
A força tangencial (F) decorrente dessa diferença
aplicada e a velocidade de deformação resultante, quer
de velocidade será proporcional ao gradiente de veloci-
dizer, a viscosidade dinâmica "vc 0 " constante, são deno-
dade (igual à velocidade de deformação angular).
minados fluidos newtonianos, incluindo a água, líquidos
finos assemelhados e os gases de maneira geral.
A -----,.---.....v---1•. , _ - - A Entretanto, não devem ser esquecidos os fluidos de-
nominados não newtonianos, que não obedecem a essa lei
8 _ ____.J._ó.
_n_____v_+_t:J._v-1•.,_- B de proporcionalidade e são muito encon trados nos pro-
blemas reais de engenharia civil, tais como lamas e lodos
em geral. Os fluidos não newtonianos apresentam uma re-
Figura A-1.4.6-a - Representação para estudo da viscosidade.
A-1 - Princípios Básicos 27

lação não linear entre o valor da tensão de cisalhamento


aplicada e a velocidade de deformação angular. Basica-
mente, há três tipos de fluidos não newtonianos: Pl ástico
ideal
Tipo (1) - a viscosidade não varia com o estado de agita-
ção. Embora não obedeça à proporcionalidade linear
da Equação (1.5), obedece a equações semelhantes
em que, por exemplo, o coeficiente de viscosidade Fluido não
cinemática está elevado a uma potência. newtoniano
Tipo (2) - "tixotrópicos", em que a viscosidade cai com
o aumento da agitação. Em bombeamentos, podem
ser tratados como newtonia nos desde que intro-
duzidos no sistema a par tir de certa velocidade ou
agitação. Exemplo: lodos adensados de estações de QJ .8
tratan1ento de esgotos. -o e
o QJ

Tipo (3) - "dilatantes", em que a viscosidade aumenta '"' E


V,
"'
CQ
com o aumento da agitação. Exemplo: algumas pas- ~~
QJ

tas industriais, o melado da cana de açúcar.


Velocidade de deformação
A Figura A-1 .4.6-b iJustra melhor o assunto. Fluido ideal

Como se pode observar pelas Tabelas A-1.4. 6-a e Figura A-1.4.6-b - Diagrama Cisalhamento x Deformação.
A-1 .4.6-b, a viscosidade varia consideravelmente com a

Tabela A -1.4.6-a Variação da viscosidade ",u" da água temperatura e, portanto, essa é urna variável irnportan-
doce com a temperatura tíssima a ser levada em consideração nos cálculos. A bi-
bliografia registra a diminuição de capacidade de vazão
µ, ,U
Temperatura Temperatura de poços da ordem de até 30% quando a temperatura da
(N X s/m 2) X (N X s/m 2) X
ºC
10-6
ºC
10-6 água se aproxinla dos 4 ºC. Situação facilmente entendida
se observarmos que o escoamento em meio poroso (lami-
o 1.791 40 653 nar e com muita superfície de contato), como é o caso da
2 1.674 50 549 maioria dos aquíferos subterrâneos, é sobremaneira afe-
4 1.566 60 469 tado pela viscosidade.
5 1.517 70 407 De maneira geral, para os líquidos, a viscosidade cai
10 1.308 80 357 e, para os gases, sobe com o aume nto da temperatura.
15 1.1 44 90 317 O atrito in terno pode ser evidenciado pela seguinte
20 1.008 100 284 experiência: imprimindo-se a um cilindro contendo um
líquido urn movimento de rotação em torno do seu eixo,
30 799
dentro de pouco tempo, todo o líquido passa a partici-

- -- 2
Vcn -
Tabela A-1.4.6-b Variação da viscosidade cinemática "vcn" da água doce com a temperatura
Temperatura Temperatura Vcn Temperatura V cn Temperatura - Vcn
ºC (m /s) x 10-9 ºC (m2 /s) x 10- 9 ºC (m2 /s) x 10-9 ºC (m2/s) x 10- 9 1

o 1.792 14 1. 172 28 839 60 478


2 1.673 15 1.146 30 804 70 41 6
4 1.567 16 1.11 2 32 772 80 367
5 1.519 18 1.059 34 741 90 328
6 1.473 20 1.007 36 713 100 296
8 1.386 22 960 38 687
10 1.308 24 917 40 657
12 1.237 26 876 50 556
28 Manual de Hidráulica

Tabela A-1.4.6-c Viscosidade cinemática "vcn" e peso específico de alguns fluidos


Gasolina Ó leo combustível Ar (na pressão atmosférica)
Temperatura
ºC Peso específico Vcn Peso específico Vcn Peso específico Vcn
kgf/m 3 (m 2/s) x 10- 9 kgf/m 3 (m 2/s) X 1 o-
9 kgf/m3 (m2 /s) x 10-9
5 737 757 865 5.980 1,266 13.700
10 733 710 861 5 .1 60 1,244 14.100
15 728 681 858 4.480 1,222 14.600
20 725 648 855 3.940 1,201 15.100
25 720 621 852 3.520 1, 181 15.500
30 716 596 849 3. 130 1,162 16.000

par do mesmo movin1ento, assumindo a forma parabólica.


A bomba centrífuga utiliza-se desse princípio. Veja-se a
FiguraA-1.4.6-c e a Figura A-1.4.6-d, a seguir.

A-1 .4.7 Atrito externo


Chama-se atrito externo à resistência ao deslizamento de
fluidos ao longo de superfícies sólidas.
Quando um líquido escoa ao longo de uma superfície
sólida, junto a ela existe sempre uma camada fluida, ade-
rente, que não se movimenta.
Nessas condições, entende-se que o atrito externo
é uma consequência da ação de freio exercida por essa
camada estacionária sobre as demais partículas em mo-
vimento.
Na experiência anterior (FiguraA-1.4 .6-c), o movi-
mento do líquido é iniciado graças ao atrito externo que
Figura A-1.4.6-c - Representação de experiência para estudo da se verifica junto à parede do recipiente.
viscos idade.
Um exemplo importante é o que ocorre com o es-
coamento de um líquido em um tubo. Forma-se junto às
paredes uma película fluida que não participa do movi-
E mento. Junto à parede do tubo, a velocidade é zero, sendo
máxima na parte central (Figura A-1.4. 7-a). Em conse-
quência dos atritos e, principalmente, da viscosidade, o
escoamento de um líquido numa canalização só ocorre
com certa perda de energia, perda essa designada por
"perda de carga" (FiguraA-1.4. 7-b).

V= O

V= O
Figura A-1.4.6-d - Esquema de bomba centrífuga.
A) Eixo e entrada; B) Rotor; C) Líquido em aceleração; Figura A-1.4.7-a - Velocidades em seção transversal de
D) Carcaça (voluta); E) Saída. escoamento em tubo.
A-1 - Princípios Básicos 29

perficiais atraídas para o interior do líquido tenderem a


(a)
tornar a área da superfície um mínimo. É o fenômeno da
=.:. tensão superficial. As propriedades de adesão, coesão e
tensão superficial são responsáveis pelos conhecidos fe-
nômenos de capilaridade (Figura A-1.4.8-a) .
A elevação do líquido, num tubo de pequeno diâme-
tro, é inversan1ente proporcional ao diâmetro. Como tu-
bos de vidro e de plástico são frequentemente emprega-
(b) dos para n1edir pressões (piezômetros), é aconselhável
---~~~------
-- ~-------- ---------
-- -
-- ...... ~1-+-
,_ Perda
o emprego de tubos de diâmetro superior a 1 cm, para
-- -- -- -- - de
que sejam desprezíveis os efeitos de capilaridade. Num
tubo de 1 mm de diâmetro, a água pode subir 35 cm nas
carga
CNPT.
A tensão superficial r tem dimensional [MT- 2) no
(SI), exprime-se em N/m e varia com a temperatura. A
Tabela A-1.4.8-a mostra os valores da tensão superficial
para a água doce normal a diferentes temperaturas.
Figura A-1.4.7-b - (a} Sem escoamento, princípio dos vasos
com unicantes; (b} com escoamento, perda de ca rga. Esses valores variam ainda com o material even-
tualmente dissolvido na água. Por exemplo, os sais mi-

A-1 .4.8 Coesão, adesão e tensão superficial


Tabela A-1.4.8-a Variação de r da água doce com a
A primeira propriedade (coesão) permite às partículas
temperatura
fluidas resistirem a pequenos esforços de tensão (tração) .
1
A formação de urna gota d'água deve-se à coesão. Temperatura T Temperatura T

Quando um líquido está em contato com um sólido,


a atração exercida pelas moléculas do sólido pode ser
- ºC
o
- (N/m) X

7,5 13
10- 2 ºC
50
(N/m}
6,778
X 10- 2

maior que a atração existente entre as moléculas do pró- 2 7,515 60 6,622


prio líquido. Ocorre então a adesão. 10 7,375 70 6,453

Na superfície de um líquido em contato com o ar, há 20 7,230 80 6, 260


a formação de uma verdadeira película elástica. Isso ocor- 30 7,069 90 6,070
re porque a atração entre as moléculas do líquido é maior
40 6,91 1 100
que a atração exercida pelo ar e porque as moléculas su-

DN I DN I
2,5
' '
~

~, t
~
E ,--,
V ' . ·--·· ....h -
o
.o
2,0
~ ~
t -l ;;
::,
..,
o "6 ~ Mercúrio 1
-o Mercúr,io Aqua
o 1,5
..,
~
'9.
~
"' ""-
QJ ls.: .,.,_ Agua de aôastefim~nto,:20 •~
E ~ ~ ~~

Água ciestil~da, 120 ºCi:


'"'
O 1,0
Q.
'- ,.......
z
o
0,5
' ' ..._ '
~
-....
i ' ..,___
o 0,05 o,1O o, 15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50
h: Elevação ou depressão da coluna, cm
Capilaridade: A água molha o v idro (adesão maior), elevando-se.
O mercúrio não molha o vidro (coesão maior), reba ixando-se

Figura A-1.4.8-a - Capilaridade em tubos c ilíndricos de v idro (Bib. S790, p. 17).


30 Manual de Hidráulica

nerais normalmente aumentam a tensão superficial, e onde


compostos orgânicos, como o sabão e o álcool, além dos -r é a tensão superficial (N/m) x 10-2
ácidos em geral, diminuem a tensão superficial da água a é o ângulo de contato (adesão)
que os dissolve. y é o peso específico da água (N/m3)
Quanto à adesão de um líquido a um sólido, esta pode
ser "positiva" (sólidos hidrófilos) ou "negativa" (sólidos O equilíbrio naFiguraA-1.4.8-c se dá quando o peso
hidrófobos), conforme aFiguraA-1.4.8-b. (P) da coluna líquida deslocada igualar as forças de coe-
A adesão da água com a prata é praticamente neutra, são e adesão.
sendo a = 90º nas CNTP. A capilaridade dos solos finos A água elevada em um capilar está abaixo da pressão
é bastante conhecida e deve-se às características de seus atmosférica, daí ser impossível pretender que ela possa
compostos, sendo a adesão de tal forma forte que só se verter de alguma forma, o que, aliás, criaria um moto-
separa a água por evaporação. -contínuo (o que é inconcebível) .
O cálculo da altura h (cm) que um líquido sobe ou
desce em um capilar de diâmetro interno DN (m) (Figu-
ra A-1.4.8-c), suficientemente pequeno para desprezar- A-1.4.9 Solubilidade dos gases
-se o volume de água acima ou abaixo do plano de tangên-
Os líquidos dissolvem os gases. Em particular, a água dis-
cia do menisco, é feito da seguinte forma:
solve o ar, em proporções diferentes entre o oxigênio e
h = 4 x -r x sena nitrogênio, pois o oxigênio é mais solúvel.
yxd
O volume do gás dissolvido é proporcional à pressão
do gás, e o volume é o mesmo que o gás ocuparia no es-
tado livre (não dissolvido), mas sujeito à mesma pressão
Ar (Henry).
Gota de água
Em outras palavras, o volume de gás dissolvido em
um determinado volume de água é constante se não
houver variação de temperatura, pois um incremento de
pressão diminui o volume de gás dissolvido e passa a ser
Sólido hidrófobo, a> 90º
por exemplo: parafina (a" 107°) possível dissolver mais gás. Ao dimi nuir a pressão, ocor-
re o inverso, liberando-se gás.
Essa propriedade é uma causa do desprendimento
de ar e o aparecimento de bolhas de ar nos pontos altos
das tubulações.
Nas CNTP, a água dissolve o ar em até cerca de 2%
Sólido hidrófilo, a< 90º de seu volume (TabelaA-1.4.9-a) .
por exemplo: vidro (a"' 25º)

Figura A-1.4.8-b - Adesão de uma gota de água a materia is.

Tabela A-1.4.9-a Coeficiente de solubilidade de gases


na água doce, em m3 de gás por m3 de água, ao nível
DN Adesão do mar
0ºC 20 ºC
Ar 0,03
Ácido clorídrico 5,60
Plano tangente
h Ácido sulfídrico 5,00
ao "menisco"
NA Cloro 5,00
Gás carbônico (C0 2) 1,87 0,92
Hidrogên io 0,023 0,020
Monóxido de carbono (CO) 0,04
Oxigênio 0,053 0,033

Figura A-1.4.8-c - Representação da capila ridade em um tubo.


Nitrogênio 0,026 0,017
A-1 - Princíp ios Básicos 31

Na Tabela A-1.4.9-b é apresentada a saturação de para leste ou para oeste, o somatório das forças agindo
oxigênio na água para diferentes temperaturas. sobre ela se altera, para mais ou para menos. Isto quer
dizer que, se a energia de que esteja imbuída a partícula
na posição inicial não é a mesma na posição final, algo
Tabela A-1.4.9-b Saturação de oxigênio, em mg/C ocorre. O que ocorre?
ºC O 5 1O 15 20 25 30 Supondo que uma partícula de água esteja na super-
Água doce 14,6 12,8 11,3 10,2 9,2 8,4 7,6 fície de uma lagoa interligada ao mar, ou seja, no nível do
mar, e que uma tubulação no fundo dessa lagoa, digamos
Águadornar 11 ,3 10,0 9,0 8, 1 7,4 6,7 6, 1
a 10 m de profundidade, de um sistema de refrigeração in-
Fonte: Bib. L185. dustrial comece a succionar água da lagoa, a massa liquida
no entorno é atraída para o ponto de sucção, inclusive a
partícula da superfície em observação, que vai descer até
A-1.4.1 OTensão de vapor o tubo. Nesse trajeto de descida, nossa partícula tende a
fazer um caminho helicoidal, formando um vórtice (visível
Dependendo da pressão a que está submetido, um liquido ou não a "olho nu"), ou seja, vai fazer um caminho mais
entra em ebulição a determinada temperatura; variando a longo, para dissipar a diferença de energia de que está im-
pressão, varia a temperatura de ebulição. Por exemplo, a bLúda na superfície à que terá a 10 m de profundidade. São
água entra em ebulição à temperatw·a de 100 ºC quando forças muito pequenas, que só são observadas em deter-
a pressão é de 1,0332 kgf/cm2 (1 atm), mas também pode minadas circunstâncias e só produzem efeito nos fluidos
ferver a temperaturas mais baixas se a pressão também devido à baixa viscosidade da água e do ar, mas com as
for menor. quais temos com que nos preocupar em engenharia civil,
Então, todo líquido tem temperaturas de saturação mecânica, aeronáutica, naval e neste livro.
de vapor Ctv) (quando entra em ebulição), que correspon- Quando uma partícula muda de posição em relação à
dem biunivocamente a pressões de saturação de vapor Terra, subindo ou descendo, ou caminhando pela superfí-
ou simplesmente tensões de vapor CPv) - cie em qualquer direção, sua velocidade absoluta aumen-
Essa propriedade é fLmdamental na análise do fenô- ta ou diminui, já que cada partícula no pia.neta gira junto
meno da cavitação (Capítulo A-11), pois, quando um li- com o planeta e, portanto, tem uma velocidade angular
quido inicia a ebulição, inicia-se também a cavitação (ver (tangencial) do local em que se encontra. Se, ao mudar
Tabela A-1.4.1-a). de posição, o raio de seu movimento de rotação aumenta
ou diminui, haverá energia a dissipar ou a absorver. Note
que mudanças sobre os paralelos (leste-oeste ou oeste-
-leste) embora não alterem o raio de giração, alteram a
A-1.5 EXEMPLOS DE APLICAÇÃO velocidade de giração (seria como andar sobre uma estei-
ra err1movirr1ento) .
A-1 .5.1 Aceleração de Coriolis No equador (latitude zero), ao nível do mar, a veloci-
Exemplo para a percepção de vários fenômenos citados dade tangencial (vteq ou v,.o) de uma partícula do planeta
neste capítulo é a denominada "aceleração de Coriolis" terra devido à sua rotação (1 volta a cada 24 horas em um
(Gustave-Gaspard Coriolis, França, 1835), presente nos círculo com 6.370 km de raio) é
vórtices que se fo rmam em corpos de água quando há es- 2 x TC x R eq 2 x Jt x 6.370
coamento na direção vertical. É um fenômeno facilmen-
vt = = =
1_667 666 km/h
eq 24 24 ' '
te observado no sentido de cima para baixo, girando no
hemisfério sul em um sentido e no hemisfério norte em bem maior que a velocidade do som, que, ao nível do mar,
sentido oposto. É o mesmo fenômeno que forma os "re- é de 1.225 km/h.
demoinhos" no ar, conhecidos por tornados, fazendo com
No paralelo a 30º de latitude, a velocidade absoluta
que as correntes marinhas e os ventos girem predominan-
de uma partícula na superfície do oceano (vt30°) seria:
temente na direção "descrita" por essa força (ver Figura
A-1 .5.1-b e item A-5.1. 7). vt30º = 2 x TC x R eq cos30 = 2x ,ex 6.370 x 0,87 =

Com efeito, no item A-1.3, já se percebeu que, de- 24 24


pendendo da latitude e da altitude de uma partícula em = 6,2832 x 5.542 km = 1.450, 898 km/h.
relação ao eixo da Terra, embora sua massa seja a mesma, 24
o "peso", ou seja, a força que age sobre essa partícula,
varia. Então, se essa partícula muda de lugar, subindo ou Se uma partícula no paralelo 30º "afundar" 10 m
descendo, ou se deslocando para o norte ou para o sul, (H = 10 m) (por exemplo, uma partícula na superfície
32 Manual de Hidráulica

sobre uma tomada de água afogada a 10 m de profundi-


dade), o raio de giração passa de 5.542 km para

5.542.000 rn - cos e x 10 rn = 5.542.000 - 8,4 =


= 5 .541.991,60 rn = 5.541,99 km
então:
= 2 X 1C X 5.541,99 = l 450 km/h
vt30°-10 m · ,893 ·
24
PLANTA Superfície mar
(cota zero)
É urna diferença significativa!
Corno se vê, são mudanças quase imperceptíveis
(1.450,898 - 1.450,893 = 0,005 km/h), mas não desprezí-
4 Polo Norte

veis, que cada vez mais pertencem ao interesse do ramo Paral elo N60
da engenharia pelas aplicações cada vez mais ousadas
e detalhadas, como as simulações por métodos numéri-
cos de escoan1entos da natureza (modelos matemáticos)
ou de perfurações de petróleo a mais de 3.000 rn de pro- Equador
fundidade no mar. Qualquer resíduo de movimento na Leste
água pode ser mais forte do q ue essas forças "sutis" e fa-
zer com que a rotação se inicie na outra direção. Por isso,
quando d estapamos a pia para ver a formação do vórtice, Superfície mar
pode não girar sempre na mesma direção esperada. , (cota zero)

Os movimen tos convectivos (provocados por alte-


Polo Sul
1, Requador
:i, 1CORTE
1
1
rações de temperatura, logo de densidade) dos oceanos 1
1
(e da atmosfera), por mudar a posição das partículas de 1
1
1
água e d e ar, introduzen1 uma aceleração de "Coriolis" 1
1
1
que se reflete claramente nos movimentos predominantes
das correntes marítimas e dos ventos.
Para uma partícula movimentando-se em relação - - - +.. +- - Ponto 530,
(P530)
ao planeta (na s uperfície), o efeito da aceleração de Co-
riolis é máximo no equador ( 8 = Oº, cos O= 1) e tende a
Para lelo 53cr
zero nos polos, onde ( e= 90º, cos 90 = O). Para urna par-
Superfície mar
tícula movimentando-se para cima ou para baixo, o pro- (cota zero)
PLANTA
duto vetorial que gera o movimento no hemisfério Norte (vista pelo sul)
para um lado e no hemisfério Sul para o outro lado, tende
Norte
a zero no equador e a tendência à rotação pode dar-se em
um ou em outro sentido (equilíbrio indiferente).
A Figura A-1 .5.1-a mostra duas partículas, uma no
hemisfério Norte, sobre o paralelo 60 (no ponto PN6o), e
outra no hemisfério Sul, sobre o paralelo 30 (no ponto
Ps30), e, depois, H m abaixo (cota - Zl , sem escala) , res-
.............
pectivamente nos pontos PN60-H e Ps30-H·

\
\
!
Legenda para a Figura A-1.5. 1-a -
rNG0 - Ra io de giração em relação ao eixo da esfera
\\
R - Ra io do p laneta em relação ao centro da esfera \
'• X
·•••• i,jj
H - Distância na vertical (eixo Z) ·-.
PN6o - Pon to na superfície (NAma,l
Sul
PNO-H - Pon to sob a superfície a uma profundidade H
No Equador: R =r Figura A-1.5 .1-a - Aceleração de Cori olis (desenho
e - Ângulo do eixo Z em relação do plano do equador esquemático, sem escala).
A-1 - Princípios Básicos 33

~"\-~~"7:=--'~'-"-'-cr....:~'-'-"""-"'--j Condiç~ oo mk de janeiro <om b.l!e


tm registros de 30ano~ segundoo
Departamen loOceanográfico da
Marinhados EUA.

Figura A-1.5.1-b - Corren tes marinhas. (Fonte: http://www.learner.org/j north/trn/tulips/OceanExp.htrnl/).

Exercício A-1-a
Qual a densidade da água a 1.000 m de profundidade? Con- Sendo
siderar a água a uma temperatura uniforme de 20° (massa
específica de 998 kg/m 3 , com módulo de elasticidade volu- m e dV = m - m
V =-
métrico de 2,15 x 108 kgf/m 2 ou 21,07 x 108 N/m 2. Desprezar Po P Po
o efeito ela compressão gradativa da água com o aumento da
profundidade.
Solução:
A essa profundidade, a pressão ela água é de 99,80 kgf/cm 2 sendo
(978 N/cm 2) . Calculando a massa específica ela água e essa 998 3
pressão, a diferença ele pressão pode ser entend ida como a 2 65
p = (1 - 0,004642) = l.00 ' kg/m
força do peso por unidade de á rea, logo:
F m V portanto, houve wn acréscimo de densidade de 0,47%:
dp = - = - x g =p0 x - x g
A A A (1 .002,65/998 = 1,00466).
3 2
dp = 998 (kg/m ) x 1.000 (m) x 9,80 (m/s ) Da mesma forma, sob uma coluna ele água de 200 m, wn li-
dp = 9.780.400 (N/m 2) tro de água nas CNTP reduz-se a 999 crn3 de água na mesma
ternperatw·a.
da Equação (1 .1) A água é cerca ele 100 vezes mais compressível que o aço (va-
dV dV dp riando com o tipo ele aço) .
= dp =-E XV ' V= - -;-
d V = -( 9.780.400 ) = -O 004642
V 21,07 x 108 '
34 Manua l de Hidráuli ca

Sifão invertido na adutora Hampaturi (barrage m-captação, NA 4.203 m.s.n.m.) a


Pampahasi (ETA, NA chegada 3.840 m.s.n.m.), que abastece La Paz (Bolívia) por
gravidade. Tubulação em FFD, JE, PN 40, DN 800, 13,8 km, implantada em 1991 a 1992.
(No ponto mais baixo passa na cota 3.632 m, após uma quebra de pressão). Projeto
MFyF.
Capítulo A-2

Hidrostática
Pressões e Empuxos

A-2.1 CONCEITOS DE PRESSÃO E EMPUXO


A-2.2 LEI DE PASCA L
- ,
A-2.3 LEI DE STEVIN: PRESSAO DEVIDA A UMA COLUNA LI QUIDA
A-2.4 INF LU ÊNCIA DA PRESSÃO ATMOSFÉRICA
A-2.5 MEDI DA DAS PRESSÕES
A-2.6 EMPUXO EXERCIDO POR UM LÍQUIDO SOBRE UMA SUPERFÍCIE
PLANA IMERSA
A-2.6.1 Grandeza e Direção do Empuxo
A-2.6.2 Determinação do Centro de Pressão
A-2.7 APLICAÇÃO: CÁLCULO DE PEQUE NOS MUROS DE RETENÇÃO
E BARRAGENS
A-2.8 EMPUXO SOBRE SUPERFÍCIES CURVAS
Capítulo A-2

Hidrostática
Pressões e Empuxos

A-2.1 CONCEITOS DE PRESSÃO E EMPUXO


Quando se considera a pressão, implicitamente relaciona-se uma força à unidade de
área sobre a qual ela atua.
Considerando-se, no interior de certa massa líquida, uma porção de volume V,
limitada pela superfície A (Figura A-2.1-a), se dA representar um elemento de área
nessa superfície e dF a força que nela atua (perpendicularmente), a pressão será :
dF
p =-
dA
Considerando-se toda a área, o efeito da pressão produzirá uma força resultante
que se chama empuxo, sendo, às vezes, chamada de pressão total. Essa força é dada
pelo valor da seguinte integral:

E=f p x dA
A

Se a pressão for a mesma em toda a área, o empuxo será E = p x A .

dF
A

Figura A-2.1-a - Representação do conceito de pressão.


Manual de H idráulica
38

A-2.2 LEI DE PASCAL(1 > Para a direção Y,

Enuncia-se : L Fy = O

Py X dx = Ps X ds X cose+ d y =
"Em qualquer ponto no interior de um
yx dx x dy
líquido em repouso, a pressão é a mesma = Ps xds x cos0+-'-----"-
em todas as direções." 2
Corno o prisma tem dimensões elementares, o últi-
Para demonstrá-lo, pode-se considerar, no interior mo termo (peso), sendo diferencial da segunda orderr1,
de un1 líquido, um prisma imaginário de dimensões ele- pode ser desprezado.
mentares : largura dx, altura dy e comprimento unitário. Assim, sendo cos e = dxlds,
A Figura A-2.2-a mostra as pressões nas faces perpen- dx
p y x dx = p s x ds x -
ds= p s x dx
diculares ao plano do papel.
Logo,
Py = Ps
e, portanto,
Px = Py = Ps
A prensa hidráulica, tão conhecida, é uma impor-
tante aplicação (FiguraA-2.2-b).
A
F2 = F1 x --1.
A1
onde
F 1 = esforço aplicado
F 2 = força obtida
A 1 = seção do êmbolo menor (rr x Dy/4)
A 2 = seção do êmbolo maior (rr x D~/4) .

A-2.3 LEI DE STEVIN: PRESSÃO DEVIDA


Figura A-2.2-a - Pressões em um prisma submerso em um
líquido.
A UMA COLUNA LÍQUIDA
Imaginando-se, no interior de um líquido em repouso,
um prisma ideal e considerando-se todas as forças que
O prisma estando em equilíbrio, o somatório das for-
atuam nesse prisma (Figura A-2.3-a) segundo a ver ti-
ças na direção de X deve ser nulo.
cal, deve-se ter

Logo, e, portanto,
Px X dy = Ps X ds X sene (p 1 x A) + ( y x h x A ) - (p2 x A ) = O
Como sen e = dylds, ve1u que (-y é o peso específico do líquido), obtendo-se
dy Pz - P1 = y x h
Px x dy = Ps x ds x ds
lei que se enuncia:
e, portanto,
•~ diferença de pressões entre dois pontos
Px = Ps da massa de um líquido em equilíbrio é
igual à diferença de profundidade mul-
11>Estabelecida por Leonardo da Vinci
tiplicada pelo peso especifico do líquido."
A-2 - Hidrostática 39

F, F.

! r
li
-~------
,f
1
xA -- --

1 h
Ufi L,
yxhxA
1

1
1
-- }- - -- X

D, Di F
I
f
,t F

i,,-
Posição A
f

F, F. fp xA
r
2

! z
Figura A-2.3-a - Esforços em um prisma imerso em um líquido.

- -~- - - - - - - ~ - - - J~2
L,

--
D, Di
i,.- .
Pos1çao B

Figura A-2.2-b - Princípio da prensa hidráulica (vantagem


mecânica similar a uma alavanca com braços d iferentes ou
engrenagens de raios diferentes). Supondo os cil indros 1 e 2 com
diâmetros D 1 e D 2 , aplicando o esforço F1 no êmbolo l(menor),
a "pressão" p na superfície do êmbolo em contato com o líquido ' ;tíU11' 1
será p = F1/(n: x D?/4). Suponhamos a força 50 kgf em 5 cm 2, a
"pressão" será 1O kgf/cm 2. Como a pressão se distribui no líquido
em todos os sentidos, uma mesma pressão se distribuirá sobre
a superfície do êmbolo 2 em conta to com o líquido. Entâo, a
força F2 será igual a p x x x D J/4. Suponhamos que a área de
,i '. 1 JJllf ~ - ~

1l1,\ l1!1~1 ~
D 2 seja 20 cm2, a força F2 será igual a 20 x 5 = 100 kgf/cm2 .
Note que, como não há "criação" de energia, o percurso L1 é
proporcionalmen te maior do que L2, de forma que o trabalho
. r
em ambos os êmbolos seja igual e o volume V 1 é igual ao
., ~~"'r.-~. ' t~~
volumeV 2 .

Para a água, Ya = l kgf/drn3 = 104 N/m 3


Portanto, o número de decíme tros da dife re nça de
profundidades equivale ao número de quilogramas for-
ça por decímetro quadrado da diferença de pressões.

Prensa hidráulica para 450 toneladas (estamparia de chapas de


aço) (Cortesia de máquinas Piratin inga S.A. São Paulo).
40 Manual de Hidráulica

A ~
A-2 .4 INFLUENCIA DA PRESSAO Em muitos problemas relativos às pressões nos líqui-
dos, o que geralmente interessa conhecer é a diferença
ATMOSFÉRICA de pressões. A pressão atmosférica, agindo igualmente
A pressão na superfície de um líquido é exercida pelos em todos os pontos, muitas vezes não precisa ser consi-
gases que se encontram acima, geralmente à "pressão derada. Seja, por exemplo, o caso mostrado na Figura
atmosférica" ( p;) . A -2.4-c, no qual se deseja conhecer a pressão exercida
pelo líquido na parede de um reservatório.
Levando-se em conta a pressão atmosférica, tem-se
(FiguraA-2.4-a),
P1 = Pa + y x h
Pz = P1 + Y x h' = Pa + y x (h + h')
Ponto A
A pressão atmosférica varia com a altitude, corres-
pondendo, ao nível do mar, a uma coluna de água de
10,33 m. A coluna de mercúrio seria 13,6 vezes n1enor, ou P. + (y X h)
seja, 0,760 m (FiguraA-2.4-b).

Figura A-2.4-c - Pressão sobre parede de um reserva tó rio.


Pa
De ambos os lados da parede, atua a pressão atmos-
! ! ! ------
!-----
!! férica, anulando-se no ponto A. Nessas condições, não
----
---- será necessário considerar a pressão atmosférica para a
solução do problema.
h
Entretanto, é importante lembrar que, nos proble-
mas que envolvem o estudo de gases, a pressão atmosfé-
rica sempre deve ser considerada.

A-2.5 MEDIDA DAS PRESSÕES


Figura A-2.4-a - Pressões em um líquido. O dispositivo mais sin1ples para medir pressões é o tubo
piezométrico ou, simplesmente, piez6metro. Consiste
na inserção de um tubo transparente na canalização ou
/Z:2 ✓ Vácuo recipiente onde se quer medir a pressão.
Jt O líquido subirá no t ubo piezométrico a uma altura
h correspondente à pressão interna (FiguraA-2.5-a).
Nos piezômetros com mais de l cm de diâmetro, os
efeitos da capilaridade são desprezíveis.
Um outro dispositivo é o tubo em U, aplicado, van-
h = 10,33 m tajosamente, para medir pressões muito pequenas ou
demasiadamente grandes para os piezômetros (Figura
A-2.5-b).
Para medir pequenas pressões, geralmente se em-
pregam a água, tetracloreto de carbono, tetrabrometo de

L
acetileno e benzina como líquidos indicadores, ao passo
que o mercúrio é usado, de preferência, no caso de pres-
sões elevadas.
No exemplo indicado (Figura A-2.5-b), as pressões
absolutas seriam:
em A,Pa
Figura A-2.4-b - Barômetro de água. em B, Pa + y' x h
A-2 - Hidrostática 41

em e, Pa + y' X h
em D, Pa + y' x h - y x z
onde
y= peso específico do líquido em D;
y' = peso específico do mercúrio ou do líquido indi-
cador. h
Para a determinação da diferença de pressão, em-
pregam-se manómetros diferenciais (FiguraA-2. 5-c) .
Pc = PA + h1 x Y1 + h3 x Y3 = Po = PE + hz x Y2

,', Pe - PA = Jii x y, + h 3 x y3 - hz x r2

Para a medida de pressões pequenas pode-se ern- Figura A-2.5-a - Tubo piezométrico.
pregar o manômetro de tubo inclinado, no qual se obtém
uma escala ampliada de leitura (Figura A-2.5-d) .
A
Na prática, empregam-se frequentemente manôme-
tros metálicos (Bourdon) para a verificação e controle de
pressões. As pressões indicadas geralmente são as locais y'- -•
e se denominam manométricas. h

Não se deve esquecer essa condição, isto é, que os


manômetros indicam valores relativos, referidos à pres-
são atmosférica do lugar onde são utilizados (pressões
C
J:_ B
manométricas).
Assim, por exemplo, seja o caso de uma canaliza-
ção em cujo ponto 1 (FiguraA-2.5-e) a pressão medida
iguala 15 m de coluna de água (valor positivo) em r elação Figura A-2.5-b - Manômetro tubo em U .
à pressão atmosférica an1biente. Se a pressão atmosféri-
ca no local corresponder a 9 m.c.a., a pressão absoluta
naquela seção da canalização será de 24 m.c.a.
A pressão atmosférica normal ao nível do mar equi-
vale a 10 ,33 m.c.a., sendo menor nos locais mais elevados.
Por exemplo, na cidade de São Paulo, a cerca de 800 m
de altitude, a pressão atmosférica local é aproximada-
mente igual a 9,5 n1.c.a. Y3-._
O ponto 2 (Figura A -2.5-e), situado no interior de
um cilindro, está sob vácuo parcia l.
A pressão r elativa é inferior à atmosférica local e a D
indicação manométrica seria negativa. Entretanto, nesse
ponto, a pressão absoluta é positiva, correspondendo a
alguns metros de coluna de água.
Figura A-2.5-c - Manômetro diferencial.
As unidades usuais de pressão são as seguintes :
= =
1 atm 10,33 m.c.a. 1 kgf/cm 2 =
= =
9,8 x 104 N/m 2 0,098 MPa ''
11

1 atm "" 105 N/m 2 "" 0,1 MPa


'-'- - - - - - - - -
11

Figura A-2.5-d - Manômetro de tubo inclinado.


42 M anual de H idráulica

A força agindo em dA será


PM
• 1 Pressão manometrica positiva dF = p x dA = y x h x dA = y x y x sen0 x dA
:/ Pressão atmosférica normal
PAN ,/Ir
' Cada uma das forças dF será normal à respectiva
''
PAL
---------- - - _ J __ J:.reJSj~
ro
a1n:ioi~ isaJosal __ área.
.... A resultante ou o ernpuxo (total) sobre toda a área,
1 atmosfera ' :::,
Vácuo parcial
760 mm m ercúrio
o
V, também normal, será dado por
..o
10,33 m.c.a. > ro V
1 kgf/ cm 2
0,1 MPa
o
,ro
V,
V,
V
Leitura
barométrica
Vácuo completo
2
F = JdF = Jy xyx sen0 x dA = y x sen0 x J y x dA
A A
~
local
' Q.
I
{ y x dA é o momento da área em relação à interseção O; por-
Figura A-2.5-e - Diagrama de pressões absolutas e relativas. tanto,
Jy x dA = A x y
A-2.6 EMPUXO EXERCIDO POR A

UM LÍQUIDO SOBRE UMA Expressão onde y é a distância do centro de gravi-


SUPERFÍCIE PLANA IMERSA dade da área até O, e A a área total.
F = y x y x sen0 x A
Frequentemente, o engenheiro encontra problemas rela-
tivos ao projeto de estruturas que devem resistir às pres- como
sões exercidas por líquidos. Tais são os projetos de com- y x sen0 = 'fi
portas, registros, barragens, tanques, canalizações etc.
F =yxh x A Equação (2.1)
O problema será investigado em duas par tes (A-2.6.1
eA-2.6.2) . O empuxo exercido sobre uma superfície plana imer-
sa é uma grandeza tensorial perpendicular à superfície e
é igual ao produto da área pela pressão relativa ao centro
A-2.6.1 Grandeza e direção do empuxo de gravidade da área.
AFiguraA-2.6.1-a mostra uma área de forma irregular, A resultante das pressões não está aplicada no cen-
situada em um plano que faz um ângulo ecom a superfí- tro de gravidade CG da Figura A-2.6.1-b, porém um
cie livre do líquido com peso específico y. pouco abaixo, num ponto denominado centro de pressão
(CP) .
Para a determinação do empuxo que atua em um dos
lados da mencionada figura, essa área será subdividida em
elementos dA, localizados à profundidade genérica h e a
uma distância y da interseção O.

+
1
1
----------------~
------------- -
· -------------
---------
- -- - ---
-- ---
-- - - --
---
''
''
-- -
A

ih h /
/
''
1
A A / '' -
h / - >-CG
'' -
dA dF '' _F
_ _ _ _ _ _ _+-11-CP

8 8 Figura A-2.6.1-b - Ind icação do


centro de gravidade (CG) e do
centro de pressão (CP).

Figura A-2.6.1 -a - Representação da força que um líquido exerce de um lado de uma superfície
plana inclinada. (Atenção: o CG e o CP não estão obrigatoriamente em um mesmo eixo com A e B.)
A-2 - H idrostática 43

A-2.6.2 Determinação do centro de pressão


A posição do centro de pressão pode ser determinada
aplicando-se o teorema dos momentos, ou seja, o mo-
mento da resultante em relação à interseção Odeve igua-
lar-se aos momentos das forças elementares dF (Figura
A-2.6.2-a).

F x yp = f dF x y
Na dedução anterior,
Figura A-2 .6.2-a - Força que um líquido exerce de um lado de
dF = y X y seno X dA
X
uma superfície plana inclinada.
F =y X y X seno X A
~ ,,
Substituindo,
A-2.7 APLICAÇAO: CALCULO DE
PEQUENOS MUROS DE
y x y x seno x A x Yp = f y x y x seno x dA x y RETENÇÃO E BARRAGENS
A

= y x seno x fy 2
x dA Seja, por exemplo, o pequeno paramento vertical de al-
venaria de pedra (y') e de forma retangular da Figura
A
A-2.7-a, sujeito apenas a ton1bamento.
Logo,
a) Cálculo do empuxo
f y2 x dA
l
F = Yci x y x A
Yp = A A X -y =
Axy

expressão em que l é o momento de inércia em relação


ao eixo-interseção. Mais comumente, conhece-se o mo- b) Determinação do ponto de aplicação
mento de inércia relativo ao eixo que passa pelo centro
_ 1 h ex h3
de gravidade, sendo conveniente a substituição. y = y + -0 - = - + - - - -.- =
P A x Y 2 12 x e x h x h
l = 10 + A x y 2 (teorema de Huygens) 2
2 h h 4xh 2
= 10 + A x y . = _ + 10 = - +- = -- = - x h
Yp A - .. Yp y A - Equação (2.2) 2 6 6 3
xy xy
c) Dim.ensionamento do muro
2
Corno lo/ A= 1( , quadrado do raio de giração (da
área relativa ao eixo, passando pelo centro de gravida- O muro deve resistir ao empuxo da água. Como se
de), tem-se, ainda, trata de alvenaria que não deve trabalhar à tração, a
resultante das forças F e P deve cair no terço méd io
- K2 da base ( ô = (2/3) x b). Tomando os momentos com
Yp = y +--=- relação ao ponto O,
y

O centro de pressão está sempre abaixo do centro


de gravidade e a uma distância igual a K 2 /y medida no N.A.
plano da área. -- - -=====-
-----
- -- -- -- -
Na Tabela A-2. 6.2-a estão indicadas as expressões
correspondentes aos momentos de inércia das principais
h 'la
figuras .
F
o
1 R

Figura A-2.7-a - Esforços em um muro de retenção.


44 Manual de Hidráulica

Tabela A-2.6.2-a Momentos de inércia (/0), Área (A) e centros de gravidade (CG) das principais figuras(*)

- Tipo Figura

~-b-~
lo A CG

Retângulo
;;l~,
.t...........
.!.x b x d 3
12
bx d
X =-x b
2
y =-x d
2
l

Tri ângulo isósceles r·~ r.


,
.t......
O
~-- -b ---~
O·r
.
I..x b x d 3
36
1
-x b x d
2
1
X =-x b
2
y =- x d
l
3

Círculo r:· :a ,
t. .............
:n:x d 4
64
:n; x d
4
2
X =y =-
2
d

d
CG X =-
~······r 4 :n: x d 2 2
Semicírculo , d 0,00686 X d
0,424 x-r 8 d
d ......t y = O4244 x-
' 2

r···········
CG
Semicírculo
:,
1
.... J .. :n:x r 4
eixo ve1tical
:Jl: X r2 x =r

.t.' 8 2 y = 0,4244 x r
A

A~----- b-----~ 8 b
-r· X =-
:n:x b x h 2
Parábola
CG 4 2
y =-x h
5
.t. ............--..-~

(3 x b)
3 X=
' bxh bxh 8
Meia parábola 1

:h
- -
42 6 (3 x h)
1
1 y= lO
.t.... ··········

Elipse 0
E 2tb0 ° n x a3 x b
4
n:x a xb
X=b
y=a

1 a
1- - b - -..j
a 1
B +b
X =--
d3 B 2 +(4 x B x d) +b2 B +b x d 4
Trapézio isósceles - X ----''-----'---

1 ºTr 36 B +d 2 d x (B +2 x b)
y = - ~ - -~
3 x (B +b)
1----- 8------1
(*) relati vos aos eixos Q. Q ou A·B, ind icados (eixos neutros)
A- 2 - Hidrostática 45

b h
P x - +F x - = M e _ _.,
2 3 ------~c ------1 0
--=-=-=-=-=-=----
---::..-:;:..-:;:..-:;:- - 1
P = b x c xhx y' --=--· 1 w
y' = peso específico de alvenaria
F
2
F = c x h x ra
1
2
A' 8
Ya= peso específico da água
2 3 Figura A-2.8-a - Barragem com superfície curva.
M = b x C x h x y' + C x h x Ya =
2 6
2
= 6x R = x b xbx c x h x y'
3
b2 X y' h2 X Yci 2 b2 1
------ + -------"- = - X X y
2 6 3
2 1 h2 x y
- X b2 X y' - - X b2 X y' = ª
3 2 6

b =h x {Tu
V7
,
A-2.8 EMPUXO SOBRE SUPERFICIES
CURVAS
Figura A-2.8-b - Vista geral da Usina Jup iá, do comp lexo do
Nos casos práticos de Engenharia, quando se estuda o Urubupungá, no r io Paraná, próximo às cidades de A ndrade e
empuxo exercido sobre superfícies cu rvas, frequente- Três Lagoas, entre SP e MT. Inaugurada em 1968, tem potência
mente é mais conveniente considerarem-se os compo- instalada de 1.400 MW. Sua barragem tem 5.495 m de com-
nentes horizontais e ver ticais das forças. Consideremos, primento, 43 m de altura e seu reservatóri o 330 km 2 de área
inundada. Conta com 14 tu rb inas tipo Kapla n, cada uma com
por exemplo, o caso da barragem indicada na Figura
aproximadamente 100 MW de potência e 400 m 3/s de engoli-
A-2.8-a. Geralmente, a equação da curva do paramento mento nominal e o vertedor para 50.000 m 3/s (Centra is Elétricas
interno é desconhecida, pois se adota um perfil prático. de São Paulo - CESP. Bib. M 175).
Nessas condições, é preferível considerarem-se as
componentes F e W do empuxo (igual e de sentido con-
trário a R). Para isso, basta considerar o volume de líqui-
do ACD. O peso W, aplicado no centro de gravidade de
ACD, pode ser facilmente determinado.
O empuxo F, que age sobre AC, pode ser calculado
pela expressão
F =yx h x A
onde A é a área.
A combinação dessas duas forças (F e W) pode ser
obtida pelos princípios da Mecânica.

Figura A-2.8-c - Ve rtedor e casa de força da usina de Xava ntes,


no Rio Paranapanem a, entre SP e PR. Inaugurada em 1970 e
tem potência instalada de 41 4 MW. Sua barragem tem 92 m
de altura e 500 m de comprimento e o reservatório tem área
inundada de 430 km 2 . Possui 4 turbinas tipo Francis eixo vertica l
com 162 rn 3/s de engolimento nominal e cerca de 100 MW de
potênc ia cada uma (Centrais Elétricas de São Paulo - CESP. Bib .
M 175).
46 Manual de Hidráulica

Exercício A-2-a
·:::::::::1::::::- Qual o empuxo exercido pela água e m urna comporta ver-
::::::::;i:::::·
--:-:-:-:-:-:-:-c:-:-:-r·. Lical, de 3 x 4 m, cujo Lopo se enconLra a 5 m de profundi-
·::::::i::· dade? Figura A-2-a.
-----_-_,.-
- - - ·1
Solução:
Y« = 9,8 x 103 N/m 3 (água)
F = y x hxA
F = 9,8 x 10 3 x 6,5 x 12 = 764.400 N

• •1
----------
--------
-- -- -- ----- ·
15
+ h 1
A 1 +
1 1
1
-
'
- - - - - - 198 00 - - - - - - • .,J
, '
------~3
Figura A-2.8-d - Exemplo de perfi l de urna grande barragem 4
co m a composição das forças, usando as dimensões e a forma
aproximada da Barragem de Boulder (Colorado River, USA). Figura A-2-a
Dimensões em metros.

Exercício A-2-b
Determinar a posição do centro de pressão para o caso da bxd 3
comporta indicada no exercício A-2-a (Figiira A-2-a). l o =-1-
2-
Solução:
Logo,
y = y- + -"--
lo
p Axy - 1 x 4 x 33
9
Yv = 6,501 12 = 6,50 +-= 6,515 m
Da 1'abelaA-2.6.2-a 3 x 4x 6,5 78

Exercício A-2-c
Numa barragem de concreto está instalada uma comporta
circula r de ferro fund ido com 0,20 m de ra io, à profund idade
indicada (Figura A-2-c) . Calcular a força sobre a comporLa.
Solução:
F = Y« X h X A; 4,00
Y« = 1.000 kgf/m3;
h = 4,20;
A = n: x 0,202 = 0,1257 m 2 ; ---] --
0,20
F = l.000 x 4,20 x 0,1257 =528 kgf =5.172 N. ---- ---

Figura A-2-c
A-2 - Hidrostá tica 47

Exercício A-2-d
Uma caixa de água de 800 litros mede 1,00 x 1,00 x 0,80 m.
DeLerminar o empuxo que alua em uma de s uas paredes laLe-
rais e o seu ponto de aplicação (FiguraA-2-d) .
Solução:
F = Ya X hXA = 103 X 0,40 X 1,00 X 0,80 = 320 kgf = 3.136 N

y = -y + -
lo -
~li
p Axy
,, ,
onde y = 0,40 m , b = l ,00 me d= 0,80 m .
Logo,
..!_ X b X d 3
l x 1,00 x 0,803
y = O40+ 12 = 0,40+ - - - - - - - - =
P ' bxdx0,40 12 X 0,80 X 0,40 X 1,00

= O 40 +
' 3840
º•
5 12
= O533 m
'
Figura A-2-d
'

Exercício A-2-e
Cálculo de uma pequena barragem d e concreto simples com Portanto, substituindo-se os valores de P e F
seção t riangular. 2
b X b X -h y' h X Ya X e X h
= ----'-"---
a) Cálcu lo do empuxo X CX
2 2
Solução:
9 b2 = h 2 x y" .-. b = h x rr;:
F = h x e x y,. x h = h- x y,. x e
2 2
Ya = peso específico)
(da água r· v7
b) DeLerrn inação do ponto de aplicação F
Solução:
3
- 1 h ex h h h 2
y = y + - 0- = - + = - +- = - x h
P A x Y 2 12 x e x h x h 2 6 3
2
c) Peso do muro
Solução:
y' = peso específico do concreto ) p
P = bx h x e x y' simples ou_al:7ena1ia de pedra ou
2 ( concreto c1clop1co
8 D
d) Dimensionamento do muro.
Figura A-2-e(1)
Solução:
Para não have r esforços de t ração na alvenar ia, a res ultante
R deverá cair no Lerço médio, isto é, no máximo em B (Figu-
ras A-2-e(l) e (2)).
Do triângulo de forças, tem-se
-- --=-=--=--::.
- -~-
( AB = ~} F = BD; P = CGD. --
Como h
F

( CG do triângulo)

F b b
-=- OU Px b = F x h
p h Figura A-2-e(2)
48 Manual de Hidráulica

- Exercício A-2-f
1 Numa fazenda deseja-se construir uma pequena barragem Solução:
retangular de pedra, assentada sobre rocha. Altura da barra-
gem e profundidade da água: 1,20 m. Determinar a espessura y = 2.250 kgf/m3 (alvenraria de pedra)
de modo a satisfazer as condições de estabilidade.
b = 120 x 'V[f.õõõ
225Õ =1,20 x '-/0,44
ÍÃAÃ
= 1,20 x 0,66 = 0,80 m
b=hx
v{r::
7

Exercício A-2-g
Deseja-se executar uma pequena barragem de concreto sim- Solução:
ples sobre uma camada de rocha. Calcular a largura mínima
da base para que a barragem resista pelo seu próprio peso ao Conforme calculado no Exercício A-2-e :

= l ,30 x ✓ 1.000
tombamento devido ao empuxo da água. Altura da barragem !i',;('j
e profundidade da água: 1,30 m. b=h x = 1,30 x '-/0,42 = 0,84 m
2.400

Exercício A-2-h
Na seção mostrada na Figura A-2-h, efetuar o cálculo de B' CASO B) p = O, isto é, h = O
núnimo sem esforços de tração. (y' = peso específico do ma-
p- 1
terial cio muro; 'Ya = peso específico ela água) - ✓-a 2 +a + l
EC=h, EB=H.
Dessa relação, resulta a TabelaA-2-h(2).
Solução:
Procedendo de forma semelhante ao que foi visto no Exercí- CASO C) p = 1, isto é, h = H
cio A-2-e, tem-se
/3 = 1 e b = B' (seção retangula1)
Conclusão: Observando os diversos casos para cálculo de /3,
pode-se concluir que, considerando f3 = 1, o erro introduzido
sendo que os valores de /3 são fixados da seguinte forma: é pequeno e o cálculo de /3 (mínimo) é feito a favor da segu-
rança. Daí a fórmula para o cálculo ela largura da base de pe-
p = Hh' o s p s l; n =!?.. X
h
rz
vr::
quenos mu ros (sejam quaisquer as formas das seções) resulta:

com n .. l para que seja


B' = H x
vfl::7
b ;;, h x ir;: condição para )
v7 (estabilidade da cabeça F b E

b
a = B', Os a s 1, (O s b s B')
H
CASO A) O< p < l

/3 = -n X p X (1 + 3 x p) + ✓n 2 X p 2 X (p 2 + 10 X p + 5) + 4 X (1- p)
2 X (1 - p)
A J_ __ ...;8'-'-- :8
onde o produto b x p s 1 (para que n s B ' ).
Figura A-2-h
Daí resulta a Tabela A-2-h(l).
A-2 - Hidrostá tica 49

Exercício A-2-h (continuação)

Tabela A-2-h(l) Valores de f3 para os seguintes valores de p

n 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9


1,0 0,990 0,966 0,934 0,905 0,886 0,881 0,892 0,917 0,954

1,1 0,985 0,956 0,922 0,895 0,883 0,888 0,910 0,947 0,995
1,2 0,980 0,946 0,912 0,889 0,885 0,900 0,933 0,981

1,3 0,974 0,938 0,904 0,886 0,891 0,916 0,960


1,4 0,970 0,930 0,898 0,886 0,899 0,936 0,990
,
15 0,965 0,923 0,894 0,889 0,911 0,958

Tabela A-2 -h (2)

a 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0
p 1,000 0,958 0,929 0,909 0,898 0,894 0,898 0,909 0,929 0,958 1,000

Exercício A-2-i
Um segmento parabólico ACD de base 2 x b e de altura a está O centro de pressão encontra-se a uma profundidade Yv.
imerso em água, em posição vertical, coincidindo a sua base
com a superfície SS' do líquido. Determinar o empuxo e o a2X b 2 r,: 32 X i'. X b X a3
centro de pressão.
F x yp = ra x
I D
r::: x (a-x)
-v a
Xv X X dx = ,.
105
Solução: Como
BD.LAC; AC= 2 x b; BD=a. 4
F=~xy0 xbx a 2 , y.,, =-x a
Considere-se uma faixa de espessura fina elementar dx, com- 15 7
primento LN e área dA. Fazendo DM = x, LN estará a urna
profundidade a-x .
S'
------
-- ---
dA = (LN)x dx --
-..,_---=--=-...-
--
------·

De acordo com urna das propriedades da parábola,


a
LN- = DM . LN2 = AC- x DM = 4 xb - x x
- · - · ?
X
AC 2 DB . . DB a '

LN = 2xbJã,
x./x , dA = 2xbJã,
x./x x dX, F = Ya x
f nx dA,
a
2x b r.:: 8 , Figura A-2-i
F = ya x
f "ª
0
r::: x (a - x) x-v x x dx =-xya x b x a-
15
Manual de Hidráulica
50

Exercício A-2-j
Uma barragem com 4 m de allu ra e 10 m de exte nsão (L) • { P = centro de pressão
apresenta um perfil parabólico a montante. Calc ular a resul- CG semJparábo1a S = centro de gravidade figuraACD
tante da ação das águas.
"S" é o centro de gravidade deACD, pela Equação (2.1).
Solução: --,,------ -
~ e
- .......---,,...-=-=-=-=--=-=-=--:-=-==--::-
------
--- -- -- --
P,. = Ya X h x A = 1.000 x 2 x 4 x 10 = 80.000 kgf; º Yo

P,, = Y(, x A ACD x L = 1.000 x -2 x ( 4 x 1,5) x 10 = 40.000 kgf; 4,00


., ,-------,,---,,- 3
R = ✓40. 000 2 +80.000 2 = 89.400 kgf;
2
Yv =
3 x 4,00 = 2,67 m;
5 5
x0 = x IX= x 1 50 = O 94 m·
8 8 ' ' '
Yo = 0,4 x 4 = 1,60 m. Figura A-2-j

Altu ra sobre as fundações e formato de algumas barragens Terra (T), Enrocamento (E), Concreto (C), Mista (M)
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ~ " " " ' = - - - - - - - ---..250 m

fl.j----ll- ).-- -f'• 50 ffi


25m
,,c......_ __,.,::__-1---~--~-....,c.~~,.:::::...--+--...,...:::._---~-__;!,,_~~""--J__::::i,...;:3.+__::i1---4=-~..l........1-~ o
Capítulo A-3

Equilíbrio dos Corpos


Flutuantes
A-3.1 CORPOS FLUTUANTES - CARENA
A-3.2 EQU ILÍBR IO ESTÁVEL
A-3.3 POSIÇÃO DO METACENTRO
Capítulo A-3

Equilíbrio dos Corpos


Flutuantes

"Um corpo imerso em um fluido sofre uma força de baixo para cima, denominada empu-
xo, igual ao peso do volume do fluido deslocado. Quando o 'empuxo' é maior que o peso
do corpo, este flutua." Arquimedes (287 a.C.)

A-3.1 CORPOS FLUTUANTES - CARENA


Corpos flutuantes são aqueles cujos pesos são infer iores aos pesos dos volumes de líqui-
do que eles podem deslocar. Pelo teorema de Arquimedes, eles sofrem um impulso igual
e de sentido contrário ao peso do líquido deslocado, permanecendo na superfície líquida.
Em outras palavras, para que um corpo flutue, sua densidade aparente média deve
ser menor que a do líquido: o peso total do corpo iguala-se ao volume submerso
multiplicado pelo peso especifico do líquido.
Chama-se carena ou querena à porção imersa do flu tuante.
O centro de gravidade da parte submersa, que se denon1ina centro de carena (C),
é o ponto de aplicação do empuxo.
Nos navios, geralmente C encontra-se de 20 a 40% do calado (medido do NA para
a quilha) .
Define-se calado corno sendo a distância entre a quilha do navio e a linha de flu-
tuação h (FiguraA-3.1-a) .

, ,
A-3.2 EQUILIBRIO ESTAVEL
Diz-se que um corpo está em equilíbrio estável quando qualquer mudança de posição,
por menor que seja, introduz forças ou momentos tendentes a fazer o corpo retornar à
sua posição primitiva.
O equilíbrio sempre será estável no caso dos cor pos flutuantes cujo centro de gra-
vidade (G) ficar abaixo do centro de carena, o que pode acontecer no caso de corpos
tarados, lastreados ou não homogêneos.
54 Manual de Hidráulica

Entretanto, o equilíbrio estável não se verifica ape- b) Equilíbrio instável. Quando M está abaixo de G, sis-
nas no caso indicado, havendo ainda outras condições de tema instável de forças;
equilíbrio estável, mesmo com o centro de gravidade aci-
c) Equilíbrio indiferente. No caso em que o metacen-
ma do cent ro de carena.
tro coincide com o centro de gravidade do corpo.
Se, em consequência de uma ação qualquer (ventos,
vagas etc.), o flutuante sofrer uma pequena oscilação, o
centro de carena também se deslocará; pois, embora ovo- A-3.3 POSIÇÃO DO METACENTRO
lume da parte submersa do corpo permaneça o mesrno, a
sua forma variará mudando o seu centro de gravidade - os Para ângulos pequenos (até cerca de 15º), a posição de M
volumes AA'O e BB'O (Figura A-3.1-a) se equivalem. varia pouco, sendo a sua distância MG praticamente cons-
Supondo-se que o corpo tenha sofrido uma oscilação tante.
de ângulo e, o centro de carena deslocar-se-á de C para C'. A altura metacêntrica é, pois, uma medida de esta-
A vertical que passa por C' interceptará a linha primitiva bilidade, constituindo uma impor tante característica de
(linha de centro) em um ponto M. Para valores pequenos qualquer emba rcação ou estrutura flu tuante.
de e,M é denominado metacentro.
Valores muito altos da altura metacêntrica não são
O ponto M representa o limite acima do qual G não desejáveis, porque correspondem à oscilação muito rá-
deve passar (daí a sua denominação, pois significa meta= pida das embarcações e estruturas flutuantes (períodos
limite) . O metacentro é o centro de curvatura da trajetó - cur tos de balanço). Em navios, esse movimento rápido,
ria de C no momento em que o corpo começa a girar. além de trazer condições de desconforto, pode prejudi-
Podem ser consideradas três classes de equilíbrio car as estruturas.
para os corpos flu tuantes: Por outro lado, valores muito baixos de MG devem
a) Equilíbrio estável. Quando M está acima do centro
ser evitados, uma vez que pequenos erros na distribuição
de gravidade G. Nessas condições, qualquer oscila- de cargas ou a presença de água nas embarcações podem
ção provocada por força externa estabelece o biná rio provocar condições de instabilidade.
peso-empuxo, que atuará no sentido de fazer o flu- Na prática, a altura metacêntrica geralmente é man-
t uante retornar à posição primitiva; tida entre 0,30 a 1,20 m.
Alguns valores práticos da altura metacêntrica (m) :
Transatlânticos (passagei ros) 0,3 0 a 0,60
Torpedeiros 0,40 a 0,60
Cruzadores 0,80 a 1,20
lates e veleiros 0,90 a 1,20

A posição do metacentro pode ser determinada pela


expressão aproximada de Duhamel:
- I
i'vfC = -
V

onde
I = mornento de inércia da área que a superfície livre
do líquido intercepta no flutuante (superfície de flu-
t uação), sendo relativo ao eixo de inclinação (eixo
sobre o qual se supõe que o corpo possa virar);
V= volume de carena (porção imersa).
Para que o equilíbrio de um flutuante seja estável, é
preciso que MC > CG.
,'--_ Além do metacentro considerado na seção tra nsver-
0 sal, há o metacentro no sentido do comprimento, de me-
nos importância, CL\ja determinação é análoga.
Figura A-3.1-a - Seção transversal de embarcação tipo.
A-3 - Equil íbrio dos Corpos Flutua ntes 55

Exercício A-3-a
Seja um prisma retangular de madeira com as dimensões in- Desse modo o corpo não flutuará em condições esláveis na
dicadas naFiguraA-3-a, de densidade 0,82. Pergunta-se se posição indicada. O prisma tombará, passando para uma po-
o prisma flutuará ou não, em condições estáveis, na posição sição estável (base 0,20 x 0,28 e altura 0,16).
mostrada na figura.
Solução :
Calcula-se o volume de carena,
V= 0,20 x 0,16 z
Da mesma forma, o peso do prisma,
0,28 rn h
p = 0,20 X 0,16 X 0,28 X 0,82
V x 1,00 =P,
1,00 X 0,20 X 0,16 Z = 0,20 X 0,16 X 0,28 X 0,82
0,20 rn
Logo,
Z = 0,28 X 0,82 = 0,2296
0,20 rn
CG = h _ z = h - z = 0,28 - 0,2296 = O0252 m·
2 2 2 2 ' '
............................ - - - - - - -~ .........................
--•:!~~.!~r - , ' "'~!.!.•- ~ --
I =_!_xbx d 3 = _.!._ x O20 x O163· --~:~-- G --===--
12 12 ' ' '
0,28 rn - -• -
z
"/2 •
e ---
J\.1C = ,I = 0,20 x 0,163 = 0,0093 m.
,
Portanto
V 12 x 0,20 x 0,16 x 0,2296
---------
Figura A-3-a
Z/2

- --

Exercício A-3-b
Considere-se um pequeno bote, com uma pessoa e um para-
lelepípedo de granito, flutuando dentro de uma pequena pis-
Sit ua ção 51
cina isolada. Chame-se esse arranjo de situação Sl (Figura
A-3-b(l)).
"'z
<(

Marque o nível da água MNAPl na parede da piscina e mar- :i:


que um MNABl no costado do pequeno bote. o Barco 2
0,S /bote NAP
1,0MNABl - -V 3MNAP1
1,S
2,0 4
2.5
3,0 5
3.S
4,0 6

Figura A-3-b (l )
56 Manual de Hidráulica

Exercício A-3-b (continuação)


EnLão, considere-se que a pessoa no inLerior do bole jogou Primeiro:
o paralelepípedo na água e que, esLe sendo de graniLo, foi a) MNAPl está acima de MNAP2.
ao fundo. Chame-se este arranjo: piscina, água, bote com a b) MNAPl está abaixo de MNAP2.
pessoa dentro do bote e o granito no fundo, de situação S2. c) MNAPl está na mesma altu ra que MNAP2.
Volte a marcar o nível da água nos dois referenciais: parede Por quê?
da piscina e costado do bote, desta vez chamando as marcas
Segundo:
de MNAP2 e de MNAB2.
d) MNABl está acima de MNAB2.
Responda: entre as d uas siLuações Sl e S2: e) MNABl está abaixo de MNAB2.
f) MNABl está na mesma altura que MNAP2.
Por quê?

~~
o ~

~, ,,,...
"'"" ' i -.r,,_ '
1,0WNA.8l N•P 3MNAPI o )fJNAPI
MNA820 - - -V MNIUE fJNAP2A
MNAP>A
zo
'
• l .0MNA81

zs
s
,,,
lS


s
'·º
M

,,,
lS


,,,,s
'
8

oi -.r,,_
os
• 1.0M-fA81
1.5MNAB20 .,...~-r-::.....-
NAP
-1 - v ' '
,,, MNA 28
lMNAPl 1,0MNA81
MNA2S
lMNAPl

,.,,, ,,,
lS lS
4 4

.,, s ,,,
lS
s

• .,,
lS

Situação S2-(b)+(d)
Situação S2-(b)+ (e) '
• •

' '
) MNAP2C•
MNAPI
zs 4
,,,•s 4


'·º
M

Situação S2-(c)+(d)
s


,,,,s
.,,
lS
s


'
• Situação S2-(c) +(e) 8

9 9

Figura A-3-b(2)
Capítulo A-4

Hidrodinâmica
Princípios Gerais do Escoamento dos Fluidos.
Teorema da Energia de Bernoulli
A-4.1 ESCOAMENTO DOS FLU IDOS PERFE ITOS
A-4.2 VAZÃO OU DESCARGA
A-4.3 CLASS IFI CAÇÃO DOS MOVIMENTOS
A-4.4 REGIMES D E ESCOAMENTO
A-4.5 LIN HAS E TUBOS DE CORRENTE
A-4.6 EQUAÇÕES GERAIS DO MOVIMENTO
A-4.7 EQUAÇÃO DA CO NTINU IDA DE
A-4.8 EQUAÇÃO COMPLEMENTAR (relativa ao estado do fluido)
A-4.9 MOVIMENTO PERMANENTE
A-4.10 CASO PARTICU LA R: FLU IDO EM REPOUSO
A-4.11 TEOR EMA DE BERNOULLI PARA LÍQU IDOS PERFE ITOS
A-4.12 DEMO NSTRAÇÕES EXPERI MENTAIS DO TEO REMA DE BE RN OU LLI
A-4.13 EXTENSÃO DO TEO REMA DE BERN O UL LI AOS CASOS PRÁT ICOS
Capítulo A-4

Hidrodinâmica
Princípios Gerais do Escoamento dos Fluidos.
Teorema da Energia de Bernoulli

A-4.1 ESCOAMENTO DOS FLUIDOS PERFEITOS


A Hidrodinâmica tem por objeto o estudo do movimento dos fluidos.
Consideremos um fluido perfeito em movimento, referindo as diversas posições dos
seus pontos a um sistema de eixos ortogonais Ox, Oy, Oz.
O movimento desse fluido ficará perfeitamente determinado se, ern qualquer instan-
te t, forem conhecidas a grandeza e a direção da velocidade v relativa a qualquer ponto
ou, então, o que vem a ser o mesmo, se forem conhecidas as componentes vx, vy, vz, dessa
velocidade, segundo os três eixos considerados.
Além disso, há a considerar os valores da pressão p e da massa específica p, que
caracter izam as condições do fluido em cada ponto considerado.
O problema relativo ao escoamento dos fluidos perfeitos compor ta, portanto, cinco
incógnitas, "'.i:, vy, Vz, p e p, que são funções de quatro variá.veis independentes, x, y, z e t.
A resolução do problema exige, pois, um sisterna de cinco equações.
As cinco equações necessárias compreendem: as três equações gerais do movimen-
to, relativas a cada um dos três eixos; a equação da continuidade, que expr ime a lei de
conservação das massas; e uma equação complementar, que leva em conta a natureza
do fluido.
São dois os métodos gerais para a solução desse problema: o niétodo de Lagrange,
que consiste em acompanhar as partículas em movimento ao longo das suas trajetórias,
e o de Euler, que estuda, no decorrer do tempo e em determinado ponto, a variação das
grandezas mencionadas.
O método de Euler é o adotado neste manual, por nos parecer mais simples e cô-
modo.
60 Manual de Hidráulica

A-4.2 VAZÃO OU DESCARGA O movimento permanente é uniforme quando ave-


locidade média permanece constante ao longo da cor-
Chama-se vazão ou descarga, nun1a determinada seção rente. Nesse caso, as seções transversais da corrente
transversal ao fluxo, o volume d e líquido que atravessa são iguais. No caso con trário, o movimento permanen te
essa seção na unidade de tempo. pode ser acelerado ou retardado.
Na prática a vazão é expressa em m3/s ou em outras Um rio pode servir para ilustração. Há t rechos re -
unidades múltiplas ou submúltiplas. Assim, para o cál- gulares em que o movimento pode ser considerado per-
culo de canalizações, é comum empregarem-se lit ros por rnanente e uniforme . Em outros trechos (estreitos, cor-
segundo; os perfuradores de poços e fornecedores de redeiras etc.), o movimento, e mbora permanente (vazão
bombas costumam usar litros por hora. Neste livro será constante), passa a ser acelerado. Durante as enchentes
usado litros por segundo ou metro cúbico por segundo. ocorre o movimento não permanente: a vazão altera-se.

A-4.3 CLASSIFICAÇÃO DOS A-4.4 REGIMES DE ESCOAMENTO


MOVIMENTOS
A observação dos líquidos em movimento leva-nos a dis-
uniforme ti nguir dois tipos de movimento (FiguraA -4.4 -a) :
pe1manente acelerado a) regime laminar (tranquilo ou lamelar);
Movimento não unifo1me {
não acelerado b) regime turbulento (agitado ou hidráulico) .
não pe1manente
Com o r egime laminai~ as trajetórias das partículas
Movimen to permanente é aquele cujas característi- em movimen to são bem definidas e não se cruzam .
cas (força, velocidade, pressão) são função exclusiva do O regime turbulento caracteriza-se pelo movimento
ponto e independem do tempo. Com o movimento per- d esordenado das partículas.
manente, a vazão é constante em um ponto da corrente .
As características do movimento não permanente,
além de muda rem de ponto para ponto, variam de ins -
tante em instante, isto é, são função do tempo.
Regime laminar
A classificação de movimentos está ilustrada na Fi-
gura A-4.3-a.

( 1)
Regime turbulento

(2)

Figura A-4.4-a - Regimes de escoamento.


2

(3)
A-4.5 LINHAS ETUBOS DE CORRENTE
Em um líquido em movimento, consideram-se linhas de
Figura A-4.3-a - Classificação de movimentos de flu idos.
(1) Uniforme O, = 0 2 : A, = A2; v, =v2 .
corrente as linhas orientadas segundo a velocidade do lí-
(2) Acelerado O, = Qi : A1 ,= A2; v1 ,= v2 • quido e que gozam da propriedade de não serem atraves-
(3) Não permanente 0 1 ;,é 02 : A1 ;,é A2; v, ;,é v2. sadas por partículas do fluido.
A-4 - H idrodinâmica 61

Em cada ponto de uma corrente passa, em cada ins-


tante t, uma partícula de fluido, animada de uma veloci- z
dade v. As linhas de corrente são, pois, as curvas que, no
mesmo instante t considerado, mantêm-se tangentes em D
todos os pontos à velocidade v. Pelo próprio conceito, es- dz
sas curvas não podem cor tar-se. p+ i)p xdx
iix
Admitindo que o campo de velocidade v seja contí- p
nuo, pode-se considerar um tubo de corrente corno urna
figura imaginária, limitada por linhas de corrente (Figu- B dx
ra A-4. 5-a).
'r-- - - - - - - - - -- x

Figura A-4.6-a - Cubo elementar.

suas componentes ax, ay e az, relativas à unidade de


massa;
b) as que estão relacionadas à superfície das seis faces
do cubo e que são devidas à pressão exercida pelo
fluido externo.

Figura A-4.5-a - Tubos de corrente. Designando por p a pressão sobre a face normal a
Ox (ABCD), a pressão sobre a face oposta seria igual a p
Os tubos de corrente, sendo formados por linhas de mais a sua di ferencial relativa ao deslocamento d x (va-
corrente, gozam da propriedade de não poderem ser atra- riação de p na di reção x) :
vessados por partículas de flui do : as suas paredes podem
ser consideradas impermeáveis.
Um tubo de corrente, cujas dimensões transversais
sejam infinitesimais, constitui o que se chama filete de As ações exter nas sobre as faces normais a Ox e de
corrente ou "filete fluido". superfície dy dz são opostas, dando uma resultante:
i) p
Esses conceitos são de grande utilidade no estudo do - - x dx x d y x dz
escoamento de líquidos. iix

Sendo ma massa de urna partícula em movimento,


a a sua aceleração e F a força atuante, pode-se escre-
A-4.6 EQUAÇÕES GERAIS DO ver:
MOVIMENTO mxa = F

Seja um cubo elementar, de dimensões infinitamente pe- Com relação ao eixo Ox., apresenta-se a segu inte
quenas, dx, dy e dz, situado no interior da massa de um equação geral :
fluido em movimento, sendo as suas arestas paralelas aos
eixos cartesianos (Figura A-4.6-a).
A massa do fluido contida nesse cubo imaginário
d 2x
será px dx x dy x dz x - 2 =
dl
p x dx x dy x dz = m
= px dx x ~ x dz x ~ - ~ x dx x ~ x dz
As forças externas que atuam sobre essa massa flui- àx
da são:
onde o primeiro membro representa a inércia; o primeiro
a) as que dependem do volume considerado, como, por ter mo do segundo membro, a ação da força F; o segundo
exemplo, o peso, e que podem ser expressas pelas ter mo do mesmo membro, a resultante da ação da pressão.
62 Manual de Hidráulica

Ou, simplificando e estendendo aos outros eixos Oy


e Üz : -1 x -
ê! p= ax - ( Vx x-+
àv x v y xê!v-·x +vz x -ê!v·x +-ê!v·x )
p ê!x éix éiy ê!z éil

d·x
9
1 éi p
-= a - -x-
2. X éip = a -(v X éiv y + V X ~+ V X éiv y + éiv y)
dt2 x p éix' p ê!y Y x àx Y ê!y " ê!z ê!t

d 2z 1 éip 1 ê) p ( ê!v z ê!v. àvz ê!v z )


-:;-;z = a - - x - p X é)z = ª" - VX X éix + Vy X éiy + Vz X é)z + Tt
dt z p éiz
Equação (4.2)
que são as equações gerais do movimento, onde que são as três equações de Euler.
Para a solução do problema restam, ainda, duas
equações, dadas nos itens a seguir.

são as componentes ou projeções da aceleração da partí-


cula considerada. A-4.7 EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE
Admitindo que a massa específica p do fluido, que atra-
Essas três projeções são as derivadas totais das três vessa o cubo elementar (Figura A-4.6-a), varia com o
componentes da velocidade (vx, vy, vz) em relação ao tempo l, a massa que, em determinado instante, é igual a
tempo t:
p x dx x dy x dz
2
d x dv.x após um intervalo de tempo dt altera-se. Então :
dt 2 =dt ê)
- ( px dx x dy x dz) x dt
éil
pois
ou, ainda,
2
dx d X dvx
V =-. --=-
:,: dt .. dt 2
-
dt ' éip x (dx x dy x dz x dl) Ex pressão (4.3)
éit

Por outro lado, pode-se considerar que, em um in-


tervalo de tempo dt, ent ra pela face ABCD do cubo ele-
E, como V.-i: = f(x, y, z, t), pode-se exprimir mentar a massa
px vx x dy x dz x dl Expressão (4.4)
dvx éivx éivx dx éivx dy àvx dz
- · =- · +- · x - + - · x - + - · x -
dt éit àx dt ày dt àz dt saindo pela face oposta uma outra massa:

ou dy x dz x[px vx + :(px vx ) x dx ]x dl Ex pressão (4.5)


0
2
d x éiv . éi v.. éi v.. éiv .
- 2= - ·· +v ·· +v x -
x- ·· +v x -
·· A diferença algébrica das Ex pressões (4.4) e (4.5)
dt éit :r: éix Y éiy z éiz
dará, para essas faces,
ê)
Nessas condições, as equações gerais do movimento - - ( p x v ~) x dx x dy x dz x dl
podem ser apresentadas. éix

éi v éiv éiv àv l àp Analogamente, para as faces normais a Oy e a Üz, as


---2i. +v x ---2l. +v x ---2l. +v . x ---2l. = a - - x - diferenças algébricas resultam, respectivamente, em
éil :r: éix Y éiy ~ éiz :r: p éix
é)
éi v,, +v. x éiv1, +v x é/vi, +v x éiv11 = a _.!._ x éip - - ( p x vu) x dx x dy x dz x dl
éit "' éix Y éiy z àz Y p ày éiy
ê!vz àvz ê)vz ê)vz l ê!p é)
- + ~ x-+ v y x-+ ~ x - = ~ - - x - - - ( px v . ) x dx x dy x dz x dt
éil éix ê!y éiz p ê!z ê!z -
Equação(4.1)
Comparando-se esses resultados com a Expressão
ou, ainda, (4 .3), encontra-se que
A-4 - Hidrodinâmica 63

iJ P x dx x dy x dz x dt + A-4.8 EQUAÇÃO COMPLEMENTAR


i)t
(re lativa ao estado do fluido)
i)
+-
ax x ( px vx)
. x dx x dy x dz x dt + A última equação da Hidrodinâmica, necessária ao siste-
i) ma de cinco equações, é obtida considerando uma carac-
+-x ( px vy) x dx x dy x dz x dt + terística par ticular do fluido.
iJy
i) Assim, por exemplo, no caso dos fluidos homogêneos
+- x (p x V z) x dx x dy x dz x dt = O e incompressíveis,
iJz
p = constante.
ou, simplificando:
Para os gases perfeitos, tem-se a equação geral:
õp + à( px vx) + o(px vy) + o(px vz) =o
õt õx õy õz
P x g x R x T = constante
p
Equação (4.6) onde,
que é a equação da continuidade, que exprime a lei da p = pressão
conservação das massas. p = peso específico
g = aceleração da gravidade
Para os líquidos incompressíveis, p = constante. R = constante dos gases perfeitos
T = temperatura
iJv x + iJvY + iJv z =O
iJx iJy az
Equação (4.7)
Entretanto, essa última equação introduziria uma
sexta variável: a temperatura.
Considerando-se o trecho de um tubo de corrente,
indicado na Figura A-4.5-a, com as seções A I e A 2 e Para evitar nova incógnita, pode-se recorrer a uma
velocidades respectivas v1 e v2, a quantidade de líquido equação que defina apenas uma condição especial do
de n1assa específica p que passa pela primeira seção, na fluido em movimento.
unidade de tempo, será:
No caso de um gás perfeito, por exemplo, poder-se-
dmi -ia admitir a temperatura constante, resultando:
- - = Pi X Vi X Ai
dt P = constante Equação (4.8)
p
Pa ra a outra seção, teríamos
dm9
dt ~ = P 2 X V 2 X A2
A-4.9 MOVIMENTO PERMANENTE
Tratando-se de movimento permanente, a quan- As Equações (4.2) podem ser escritas da seguinte forma:
tidade de líquido entrando na seção A 1 iguala-se à que l õp dvx
sai por A2, px õx =ax- d t
Pi x Ai x v 1 = pz x A2 x v2 l õp dvy
-x-= a - - · Equação (4.9)
E, ainda, praticamente, se o líquido for considerado p ay Y dt
incompressível, Pi = P.2- l
- x-
õp dv.,,
=a - -
p iJz z dt
De um modo geral,
Q = A 1 x v 1 = A2 x v 2 = A x v = constante Multiplicando-se as Equações (4.9) por dx, dy e dz,
Q =A xv respectivamente, e somando-se, obtém-se :
1
onde, - x dp = ax x cL-r: + ay x dy + az x dz -
P Equação (4.10)
Q = vazão (m3/s); - (vx xd v_,. +vy x dvy +v.,, xd v.,,)
v = velocidade média na seção (rn/s);
A = área da seção de escoamento (m 2). Ou, ainda,

Essa equação é de grande impor tância em todos os Equação (4.11)


problemas da Hidrodinâmica.
64 Manual de Hidráulica

que é a equação de Euler, escrita de forma diversa das A Figura A-4.11-a mostra parte de um tubo de cor-
Equações (4.2) e para movimento permanente. rente, no qual escoa um líquido de peso específico y. Nas
duas seções indicadas, de áreasA 1 eA 2,atuam as pressões
Observa-se, aqui, que a transformação das (4.9)
p 1 e pz, sendo as velocidades, respectivamente v1 e vz.
para (4.10) só foi possível porque foram desprezadas as
variações de "'.v , vy, Vz com o tempo, isto é,
A1 A'1
av avy av z
:l;
- -,-
at at
e-
at ---
---
Ou seja, porque o movimento foi, por hipótese, con-
--- .
siderado permanente. ---
---
Diz-se que um movime nt o é permane nte quan-
do as partículas que se sucedem em um mesmo ponto
--- 1-1
ds 1
apresentam, nesse ponto, a mesma velocidade, possuem
a mesma massa específica e estão sujeitas à mesma pres-
são (ver A-4.3).

A-4.10 CASO PARTICULAR: FLUIDO Plano de referência


EM REPOUSO Figura A-4.11-a - Tubo de corrente.
Fazendo-se v = O, encontra-se As partículas, inicialn1ente em A 1 num pequeno in-
.!. x dp = a., x d.x +ay x dy +az x dz Equação (4 .12) tervalo de tempo, passam a A '1, enquanto que as de A 2
p movem-se para A '2. Tudo ocorre como se, nesse intervalo
de tempo, o líquido passasse de A I A '1 para A 2 A '2.
que é a equação fundamental da Hidrostática.
Serão investigadas apenas as forças que produzem
trabalho, deixando-se de considerar aquelas que atuam
normalmente à superfície lateral do tubo, de acordo com
A-4.11 TEOREMA DE BERNOULLI o teorema das forças vivas: "a variação da força viva em
PARA LÍQUIDOS PERFEITOS um sistema iguala o trabalho total de todas as forças que
agem sobre o sistema".
O teorema de Bernoulli decorre da aplicação da equação
de Euler aos fluidos sujeitos à ação da gravidade (líqui- Assim, considerando a variação da energia cinética
dos), em rnovimento permanente. (c1/2) X m X v2)

Nessas condições, l 2 1 2 1 2 -
x 11'½ x v2 - x m, x v, = x m x v Equaçao (4.13)
2 2 2
ay = O,
Sendo o líquido incompressível,
Resultando, para o movimento, da Equação (4.11): A 1 x ds 1 = A2 x ds2 = V
l v2
-x dp = -g x dz-d - onde V = volume do líquido e a soma dos trabalhos das
P z forças externas (empuxo e gravidade, pois não há atrito
Dividindo por g, por se tratar de líquido perfeito) será
2 P, x A1 x ds1 - p2 x A2 x ds2 + r x V x (Z, -Z2 ) Equação (4.14)
dz +-dp- +d ( -v -) = 0
pxg 2x g Igualando a Equação (4.13) e a Equação (4.14) te-
rnos:
Como p x g = y (peso específico), dividindo todos os
termos por ds(dx, dy, dz), obtém-se l 2 l 2
x m 2 x v2 - x m 1 xv 1 =
2 2
= p 1 x A1 x ds 1 - p2 x A2 x ds2 +yx Vx(Z 1 -Z2 )

2 .!. x L x V x ( v? - vf) = V x (P, - p 2 ) + y x V x {Z1 - Z2 )


z + P + _v_ = constante 2 g
y 2x g de modo que, simplificando,
A-4 - Hidrodinâmica 65

Esse é o conhecido e importantíssimo teorema de


Bernoulli, que pode ser enunciado:

"Ao longo de qualquer linha de corrente é constan-


te a soma das alturas:
• cinética ,r/(2 x g),
• piezométrica (p!y) e
• geométrica (Z)."
Figura A-4.11 -b - Esquema de roda de água.

O teorema de Bernoulli não é senão o princípio da


conservação da energia. Cada um dos termos da equação
representa uma forma de energia: A-4.12 DEMONSTRAÇÕES
,r/(2 x g) = energia cinética (força viva para o peso EXPERIMENTAIS DO TEOREMA
unitário); DE BERNOULLI
ply = energia de pressão ou piezométrica;
Z = energia de posição ou potencial. Em 1875, Froude apresentou interessantes experiências
ilustrativas do teorema de Bernoulli.
Uma delas consiste numa canalização horizontal
Cada um desses termos pode ser expresso em me- e de diâmetro variável, que parte de um reservatório
tros, constituindo o que se denomina carga: (vaso) de nível constante (Figura A-4.12-a).
vz m 2 /s2
-- = -+ m
2xg m/s 2
(carga de velocidade ou dinâmica);
p kgf/m 2
y = kgf/mJ -+ m (carga de pressão);
-----+---· f------ -----

'' -- ~---- '


(carga geométrica ou de posição) ' --
H
~ -- , \

' - -
'
Há máquinas hidráulicas que aproveitam essas dife- 'P3
rentes formas de energia em conjunto ou separadamen- - ---- - - - - - --- -- - - - - -- --- - -~ - - ---- - - - - -~'----- --- ..
_ __• _-_.. _. y
__...._"'!
I
te. As rodas de água com admissão por cima (Figura
2 3
A-4.11-b) aproveitam a energia de posição (carga geomé-
A1 A2 A3
trica) . Já nas rodas Pelton utiliza-se a energia cinética p, p2 P3
mediante a ação dejatos que incidem sobre as pás.
Figura A-4.12-a - Experiência de Froude.

Instalando-se piezômetros nas diversas seções, ve-


rifica-se que a água sobe a alturas diferentes; nas seções
de menor diâmetro, a velocidade é maior e, portanto,
também é maior a carga cinética, resu ltando menor car-
ga de pressão.
Como as seções são conhecidas, podem-se verificar
a distribuição e a constância da carga total (soma das
alturas).
66 Manual de Hidráulica

Outra experiência curiosa consiste nos vasos que A-4.13 EXTENSÃO DO TEOREMA
ainda levam o nome de seu idealizador: Vasos de Froude.
DE BERNOULLI AOS CASOS
Dois vasos providos de bocais são justapostos, com a
água passando do primeiro para o segundo vaso (Figura
PRÁTICOS
A-4.12-b) . Na dedução do teorema de Bernoulli foram feitas várias
hipóteses :
a) o escoamento do líquido se faz sem atrito : não foi
considerada a influência da viscosidade;
b) o movimento é pern1anente;
c) o escoamento se dá ao longo de um tubo de corrente
(de dimensões infinitesimais);
d) o líquido é incompressível.
H
A experiência não confirma rigorosamente o teore-
ma de Bernoulli; isto porque os fluidos reais (naturais)
se afastam do modelo perfeito. A viscosidade e o atrito
externo são os principais responsáveis pela diferença;
em consequência das forças de atrito, o escoamento só
ocorre com uma perda de energia: a perda de carga (a
energia se dissipa sob a forma de calor).
Por isso se introduz na equação de Bernoulli um ter-
rno corretivo hI (perda de carga) (Figura A-4. 13-a) :
2 2
Pi z V2 Po r.
-V1- +-+ i =--+-'"-+Z2+ hf
2xg y 2x g y

Figura A-4.12-b - Vasos de Froude.


},ir ---
Vi
A pressão exercida pelo líquido na seção (2) é dada 2xg
pela altura h 2 e, na seção (1), admite-se que corresponda
a uma altura h 1• EL
- l -.
Pelo teorema de Bernoulli, tomando-se o eixo dos
bocais como referência,
v2 v2
~ 1- +hi = 2 +~ = H Datum
2xg 2xg
Figura A-4.1 3-a - Diagrama energético.
Construindo-se a seção (1) de maneira que
2
V1 =H Além da correção acima, uma outra deve ser mencio-
2xg nada: a dedução foi feita para um t ubo de corrente consi-
derando determinada velocidade para cada seção.
(isto é, a seção (1) pode ser tal que toda a carga H seja
reduzida à energia cinética), resultará h 1 = Oe a pressão, Na prática, porém, o que se verifica é a variação de
nesse ponto, será a atmosférica. velocidade de ponto para ponto numa mesma seção (Fi-
gura A-4.13-b). Nessas condições, o que se tem não é
Nessas condições, os vasos poderão ser apenas jus- uma velocidade única, mas sim uma distribuição de velo-
tapostos, sem vedação, a água continuará a passar de um cidades. Daí uma correção para o termo v2/(2 x g):
vaso para o outro, sem escapar para o exterior, nem ad-
mitir ar. Na prática, o fenômeno sempre apresenta algu-
ma imperfeição e há perda de água.
onde
A-4 - Hidrodinâmica 67
a= coeficiente de correção (coeficiente de Coriolis) O enunciado geral do teorema de Bernoulli fica sen-
v 1 = velocidade média na seção igual a QIA 1 do, portanto:
O valor de a varia entre 1 e 2; será 1 quando houver
uma velocidade única na seção, e 2 quando, em uma cana-
lização, a velocidade variar parabolicamente de Ojunto às ''Para um escoamento continuo e permanente, a
paredes do tubo, até o seu valor máximo no centro. Comu- carga total de energia em qualquer ponto de uma
mente, o valor desse coeficiente está próximo da unidade, linha de corrente é igual à carga total em qual-
sendo, por isso, omitido em muitos problemas da prática. quer ponto a jusante da mesma linha de corren-
te, mais a perda de carga entre os dois pontos."

-V A adoção no enunciado acima da "linha de corren-


te" visa minimizar a necessidade da introdução do coefi-
v máx.
ciente de correção a acima explicado. Ou seja, medindo
sen1pre as energias no centro do tubo, por exemplo, se o
diãrnetro e a rugosidade forem iguais, não é necessário
o coeficiente a.

Figura A-4.13-b - Diagrama de velocidades em uma seção.

Exercício A-4-a
Verificou-se que a velocidade econômica para uma extensa li- No mercado encontram-se os seguintes diâmetros comerciais:
nha de recalque é 1,05 m/s. A vazão necessária a ser fornecida
pela bombas é de 450 m 3/h. Determinar o diâmetro da linha. 350 mm, A= 0,0962 m 2
400 mm, A= 0,1257 m 2
Solução: 450 mm, A= 0,1590 m 2 .
450 3 Adotando-se 400 mm (16"), a velocidade resultará em
Q = m /h =0125 m 3 /s ou 125 C/s,
60 rninfh X 60 S/min '
V = Q = 0,125 ,. 1 0 rn/s
Q = A x v .-. A = Q = 0,125 m3 /s = 0,119 m2 A 0,1257 '
v l,05 rn/s
É o diâmetro que mais se aproxima da condição econômica.
..!. x Jr x D2 = 0,119 m 2 .-. D = J4 x º• 119 = 0,39 m Se fosse adotado o diâmetro imediatamente inferior (350
mm), a velocidade se elevaria para 1,30 m/s, aumentando a
4 Jr
potência das bombas e o consumo de eletricidade.

Exercício A-4-b
Em um edifício de 12 pavimentos, a vazão máxima provável, Solução:
devida ao uso de d iversos aparelhos, em uma coluna de distri- 3
buição de 60 mm de diâmetro, é de 7,5 lit ros/s. Q = A x v .-. v = Q = 0,00 75 m ~s = 2 65 rn/s
A 0,00283 m 2 '
Determinar a velocidade de escoamento.
NOTA: Verificar se a velocidade encontrada está dentro
da norma técnica ABNT NBR 5626/98.
68 Manual de Hidráulica

Exercício A-4-c
A água escoa pelo lubo indicado na Figura A-4-c, cuja seção Q=A 1 xv1 =A2 xv2 : , v2 =2xv1
varia do ponlo 1 para o ponto 2, de 100 cm 2 para 50 cm2 . Em 1,
a pressão é de 0,5 kgf/cm2 e a elevação 100 m, ao passo que, no Substituindo,
ponto 2, a pressão é de 3,38 kgf/cm 2 na elevação 70 m. Calcular
=✓
23 52
a vazão em litros por segundo. V1
3 = .J7,84 = 2,8 rn/S

Solução:
Q = A 1 x v1 = 0,0100 rn 2 x 2,8 rn/s = 0,028 rn3 /s (ou 28 C/s)
v2 p v2 p
_ 1_+_1 + Z1 = -2-+ ~ +Z2
2xg y 2xg y
1 -A 1 = 100 cm 2
vf 5.000 kgf/m 2 + 100 m = - vi-- + -33.800
- - + ----"--- - - "
kgf/m 2
' - - + 70 m ,----. p 1 = O,Skgf/cm 2
2 x g l.000 kgf/m 3 2x g l.000 kgf/m 3
v2 v2
- 1-+ 5 + 100 = - 2-+ 33,8 + 70
2xg 2xg 2 -A 2 = 50cm 2
p 2 = 3,38kgf/cm 2
v2 v2 100,00 m
- 2- - -1- = 105 - 103 8 = 1 2
2x g 2xg ' '
70,00m
v 22 -v12 = 2 x 9,8 x 1,2 = 23,52

Corno a seção no ponto 1 tem urna área duas vezes maior que
a do ponto 2, com a mesma vazão, a velocidade no ponto 2 será Figura A-4-c
duas vezes maior. De acordo com a equação da continuidade,

Exercício A-4-d
De urna pequena barragem, parte urna canalização de 250 mm Da mesma forma, calcula-se a altura de água.
de diâmetro, com poucos metros de extensão, havendo depois p v2
uma redução para 125 mm; cio tubo de 125 mm, a água pas- H = - 1 + - 1- = 3 48 + O 23 = 3 71 rn
y 2x g ' ' '
sa para a atmosfera sob a forma de jato. A vazão foi medida,
encontrando-se 105 C/s. Determina-se, por sua vez, a potência bruta do jato.
Calcular a pressão na seção inicial da tubulação de 250 mm; a - . Q x H 105 x 3,71
Pot enc1a = - - = - - ~ - = 52 cv
altura ele água H na barragem; a potência bruta cio jato. 75 75 '
Solução:
2
-V1- +-Pi + zI = - V9--2 P?
+-=+ 2, z
2xg y 2xg y -t - V~

2 .2 - - 2xg
P? = O (descarga na atmosfera) E!. = _!L - -2::L
y 2xg 2xg H
Como 250 mm
1
Q 0,105 0,105 - -- ~ ---
V = v1 = --'-- = 2 14 m/s V9 = ---'-- = 8 53 m/s
A' 00491 ' ' - 001227 '
' '
Logo, a pressão é calculada como sendo
532 2 142
E!.= 8 • - • = 3 71 -0 23 = 3 48 m Figura A-4-d
y
19 '
6 19 '
6 ' ' '
A-4 - Hidrod inâmica 69

Exercício A-4-e
Uma tubulação ver Lical de 150 mm de diâmetro apresenta, em
um pequeno trecho, uma seção contraída de 75 mm, onde a
pressão é de 1 atm. Três metros acima desse ponto, a pressão
eleva-se para 14,7 m.c.a. (Figura A-4-e). Calcular a velocida- 1
de e a vazão. -- -- - --- Pi= 14,7 m.c.a.

Solução:
Se a velocidade na tubulação propriamente dita for v1, a velo-
cidade v2 , na garganta, será muito superior. 3,00m 75 mm

2
v2 v2
-- ----- P2 = 1 atm =10,3 m.c.a.
- 1- + - - P1 + z1 -_- 2- + -P2- + z2
2xg y 2xg y '

-
y-
1
?

- + 147 + 3 =
(4 X V
I
t
?

+10 3 +0
2xg ' 2xg '
2
vf
+ 17,7 = 16 x vf + 10,3, 15 x v1 =
74
2xg 2xg 2x g ' '
2 x 9,8 x 7,4 = 3 lOm/s

V2
15
= 4 X \li = 12,4 m/S,
' ' ~SOm~1
Figura A-4-e
Q = A1 x v 1 = 0,0177 x 3,10 = 0,055 m 3 /s

Exercício A-4-f
E m um canal de concreto, a profundidade é de 1,20 m e as 1
ág uas escoam com uma velocidade méd ia de 2,40 m/s, até um
certo ponto onde, dev ido a uma queda, a velocidade se eleva
a 12 m/s, reduzindo-se a profundidade a 0,60 m (FiguraA-4 -
:f) . Desprezando as possíveis perdas por atrito, determinar a
dife rença de nível entre as duas partes do canal.
Solução:
2 2
V1
2g + y
P1
+
z 1
V2 P2 z
= 2g + y+ 2,
v2 v2
-
1
+ O+(y +l,20) - J. + 0 + 0,60 Figura A-4-f
2g 2g

2,402 + l 20 + = 12,002 + O 60
19 6 ' y 19 6 '
' '
Logo,
0,30 + 1,20 + y = 7,40 + 0,60
y = 8,00 - 1,50 = 6,50 m
70 Manual de Hidráulica

Exercício A-4-g
Neste exercício informam-se as perdas de carga (arbi-
tradas) porque a forma de encontrá-las é descrita em ca-
v~
- - +-PA· +ZA
r. vt
= - - +-PB + hJAB
pítulo posterior. A perda de carga nesse problema seria 2x g y 2x g y
função do diãmetro (conhecido), do comprimento (não 2
0 + 0 +0 = 7 ,0 + Pa +1,8 + 0,75
informado) e da rugosidade interna do tubo (não infor- 19,6 y
mado).
p 8 = - 5,05 m.c.a.

Observe-se que o limite de pressão negativa possível é o de


Tome-se o sifão da Figura A-4-g. Retirado o ar da tubulação rompime nto da coluna líquida, ou seja, o da formação ele vapor
por algum meio mecânico ou estando a tubulação cheia, abrin- ou tensão ele vapor, que nas CNTP é de 1 atm (-10,33 m.c.a.) .
do-se (C) pode-se estabelecer condições de escoamento, ele Nas condições reais não é bom aproximar-se desse valor, q ue
(A) para (C), por força ela pressão atmosférica. Supondo a tu- só se alinge leoricamenle, pois vibrações ou LemperaLuras
bu lação com diâmetro ele 150 mm, calcular a vazão e a pressão acima elas normais podem impedir o funcionamento de um
no ponto (B), admitindo que a perda de carga no trecho AB é sifão assim calculado.
0,75 m e no lrecho BC é 1,25 m.
Se, por acaso, verifica-se que um sifão calculado com pressão
2 2
-VA- +-PA + zA = -Vc- +-Pc + ze + 1iJAC, relativa negativa em seu ponto mais alto (pressão absoluta
2xg y 2xg y abaixo de 10,33 m.c.a., nas CNTP) funciona assim mesmo, de-
2 ve-se observar que a saída cio sifão (extremidade de jusante)
O+0 +4,5 = ~ +0 +0 + (0,75 + 1,25), não trabalha à seção plena, portanto, a perda de carga não
19,6 é a de cálculo nessa velocidade e, logo, nem a vazão. Nesse
V~ = 2,5 X 2 X 9,8 = 49, caso, o sifão funciona por acaso. A condição de funcionar com
vç = 7 m/s pressão negativa absolula abaixo ele -10,33 m.c.a. é impossível
de ser aLendida.
A velocidade lerá o mesmo valor em qualquer ponlo do lrecho
(A) - (C), já que o diâmetro é eonstanle.
B
Q = A x v = lt x (O,l 5)2 x 7 = 0,123 m 3 /s NA -r, -------
4
7 +1·ª m
Para determinar a pressão em (B), pode-se aplicar Bernoulli
entre os pontos (A) e (B).
4,S m

.__ _ _ _ _ _ _ _ _ __,e - - - - - - - - t,,e


Figura A-4-g
Capítulo A-5

Orifícios, Bocais
e Tubos Curtos
A-5.1 ESCOAMENTO EM ORIFÍC IOS (FORONOM IA)
A-5.1.1 Classificação dos Orifícios
A-5.1.2 Orifícios Pequenos em Paredes Delgadas: Teorema de Torricelli
A-5.1.3 Fenômeno da Inversão do Jato
A-5.1.4 Orifícios Afogados Abertos em Paredes Verticais Delgadas
A-5.1.5 Orifícios de Grandes Dimensões. Orifícios sob Cargas Reduzidas
A-5.1.6 Contração Incompleta da Veia
A-5.1.7 Vórtice ou Vórtex
A-5.1.8 Perda de Carga nos Orifícios
A-5.1.9 Escoamento com Nível Variável

A-5.2 ESTUDO DOS BOCAIS


A-5.2.1 Classificação dos Bocais
A-5.2.2 Vazão nos Bocais
A-5.2.3 Bocais Cilíndricos
A-5.2.4 Bocais Cônicos
A-5.2.5 Bocais, Agulhetas, Requintes, Canhões
A-5.2.6 Experiência de Venturi
A-5.2.7 Subdivisão de Carga em um Bocal. Perda de Carga
A-5.2.8 Comparação entre a Perda de Carga em um Bocal Normal e a
Perda em um Bocal com Entrada Arredondada

A-5.3 TUBOS CURTOS SUJEITOS À DESCARGA LIVRE


A-5.3.1 Natureza do Problema
A-5.3.2 Tubos Muito Curtos
A-5.3.3 Perda de Carga nos Orifícios e Bocais
A-5.3.4 Perdas nas Tubulações Retilíneas
A-5.3.5 Condições de Entrada nos Tubos
A-5.3.6 Escoamento em Regime Laminar
A-5.3.7 Escoamento em Regime Turbulento
A-5.3.8 Processo Expedito de Cálculo da Vazão
A-5.3.9 Descarga de Bueiros
Capítulo A-5

Orifícios, Bocais
e Tubos Curtos

,
A-5.1 ESCOAMENTO EM ORIFICIOS (FORONOMIA)
A-5 .1.1 Classificação dos orifícios
"Orifícios" são perfurações, geralmente de forma geométrica definida, feitas abaixo da
superfície livre do líquido err1 paredes de reservatórios, tanques, canais ou canaliza-
ções (Figura A-5.1.1-a). As aber turas que alcançam a superfície do líquido se enqua-
dram como "vertedores" (FiguraA-5.1.1-b).
Os orifícios podem ser assim classificados:
• quanto à forma - circulares, retangulares etc.;
• quanto às dimensões relativas - pequenos e grandes;
• quanto à natureza da parede - em parede delgada e em parede espessa.

A parede é considerada delgada quando o jato líquido apenas toca a perfuração


em uma linha que constitui o perímetro do orifício, FiguraA-5.1.1-c (l).

N.A.

N.A.

A2, V2,P2
h y--(Vena contracta)
1
Q - --

_ _AU2 1
A1,V1,P1 _ __, ~ b
(no orifício)
Corte BB Vista AA )lo B

Figura A-5.1.1 - a - Esquema de um orifício.


74 Manual de Hidráulica

Assíntota do NA A- ~
j____ N.A.1
N.A.2

Corte BB A ---' Vista AA L_B


Figura A-5.1.1-b - Esquema de um vertedor.

Numa parede espessa, verifica-se a aderência do A-5.1.2 Orifícios pequenos em paredes


jato, FiguraA-5.1.1-c (3). delgadas: teorema de Torri celli
Os orifícios em parede delgada são obtidos err1 cha-
No caso de orifícios "pequenos", pode-se admitir, sem
pas finas ou pelo cor te em bisei. O acabamento em bisei
erro apreciável, que todas as partículas atravessam o
não é necessário se a espessura e da chapa é inferior
orifício, animadas da mesma velocidade, sob a mesma
a 1,5 vez o diâmetro nominal (DN) do orifício suposto
carga h.
circular (ou à menor dimensão, se o orifício tiver outra
forma, (Figura A-5.1.1-c (2)). São considerados pequenos os orifícios cujas dimen-
sões são muito menores que a profundidade em que se
Ao contrá rio, se e for maior que uma vez e meia o di-
encontram . Então, pode-se admitir que as velocidades na
âmetro nominal, o jato poderá se colar ao interior da pa-
parte superior e na par te in ferior do orifício são iguais.
rede, classificando-se o orifício como em parede espessa.
Na prática da engenharia isso corresponde a um diâme-
Se o valor de e estiver compreendido entre 2 e 3 ve- tro inferior a 1/10 da profundidade h. Caso o orifício não
zes o diâmetro DN, teremos o caso de um "bocal" (em seja circular, faz-se urna analogia pela área equivalente.
inglês, nozzel) .
Experimentalmente, constata-se que os filetes líqui-
O jato que sai de um orifício chama-se veia líquida. dos tocam as bordas de um orifício e continuam a con-
Sua trajetória é parabólica (como a de todo corpo pesado vergir depois de passarem por este até urna seção A 2 ,
animado de velocidade inicial). na qual o jato tem área sensivelmente menor que a do
orifício. Essa seção A2 é denominada seção contraída
(vena contracta) (FiguraA-5.1.1-c (1)).
Costuma-se designar por coeficiente de contração
- -+1e 1 + - - - -...ie i + - - --+i e i+-- Cc da veia a relação entre a área da seção contraída e a
área do orifício:

C = A2
Vena e A
r contracta
O valor médio prático de Cc é 0,62 (TabelaA-5.1.2-a).
Tratando-se de água em orifícios circulares, a seção
contraída encontra-se a uma distância da face interna do
orifício aproximadamente igual à metade do diâmetro do
orifício.
Adicionando à água urna substância que permita
( 1) (2) (3) mostrar a t rajetória das partículas líquidas, verifica-se
Detalhe que os fil etes, a princípio convergentes, tornam-se para-
vena contracta
lelos ao passar pela seção contraída.
Figura A-5.1.1-c - (1) Parede delgada b iselada; (2) Parede Aplicando o teorema de Bernoulli às seções 1 e 2
delgada: e< 1,5 DN; (3) Parede espessa: e> 1,5 DN .
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 75

(FiguraA-5.1.1-a) e tomando-se o eixo do orifício como então


referência,

v3 + Pa + h = vf
+ P1 = v~ + P2
2xg y 2xg y 2xg y (fór mula geral para pequenos orifícios),
Tomando a velocidade de aproximação do fluido a sendo :
montante do orifício como sendo muito pequena em re- h = carga sobre o centro do orifício (m)
lação à velocidade no orifício, despreza-se a "carga de A = área do orifício (m 2)
velocidade" (o mesmo que considerar a seção A 2 do ori- Cd = coeficiente de descarga
fício muito pequena em relação à seção de aproximação g = aceleração da gravidade (m/s 2)
do recipiente onde está o orifício) : Q = vazão (m 3/s)

v~ = 2xg x(h + Pr, ~ p 2 )


Tabela A-5.1.2-a Coeficientes de CONTRAÇÃO "C/'(*)
Orifícios circulares em paredes delgadas
v2 = ✓2 x g x(h+ Pa ~ Pz ) Carga h
(m)
Diâmetro do orifício (m)
0,050
No caso rr1ais comum em que a veia líquida se escoa 0,20 0,565 0,621 0,617
na atmosfera,
0,40 0,681 0,646 0,625 0,619 0,616
P2 = Pa,
0,60 0,676 0,644 0,623 0,618 0,615
0,80 0,673 0,641 0,622 0,617 0,615
expressão do conhecido teorema de Torricelli. 1,00 0,670 0,639 0,621 0,621 0,615
Cada partícula, ao atravessar a seção contraída, te- 1,50 0,666 0,637 0,620 0,617 0,615
ria uma velocidade idêntica à da queda livre, desde a su-
perfície livre do reservatório até o plano de referência, 2,00 0,665 0,636 0,620 0,617 0,615
passando pelo centro do orifício. 3,00 0,663 0,634 0,620 0,616 0,615
v2 é a velocidade teórica, que não leva em conta 5,00 0,663 0,634 0,619 0,616 0,614
as perdas sempre existentes. Na realidade, a velocidade 10,00 0,662 0,633 0,617 0,615 0,614
real, v2 R, é menor do que a velocidade teórica:
' (*) O valor médio de Cc sugerido para cálculos expeditos é 0,62.
Vz,R < Vz,

e por isso se introduz um coeficiente de correção, o coe-


Tabela A-5.1.2-b Coeficientes de VELOCIDADE "Cv''(*)
ficiente de redução de velocidade :
Orifícios circulares em paredes delgadas
C = Vz,R Carga h
V
V2 Diâmetro do orifício (m)
(m)
0,020 0,030 0,040 0,050 0,060
sempre menor que a unidade.
0,20 0,954 0,964 0,973 0,978 0,984
O valor médio de Cv é 0,985 (Tabela A-5.1. 2-b).
0,40 0,956 0,967 0,976 0,981 0,986
1'2 = C., x v2 =Cv x .J2 x g x h .
0,60 0,958 0,971 0,980 0,983 0,988
A vazão será, então, dada por 0,80 0,959 0,972 0,981 0,984 0,988
Q =A x V= A2 x V2 •R 1,00 0,958 0,974 0,982 0,984 0,988
e, substituindo A2 e v2 ,R, 1,50 0,958 0,976 0,984 0,984 0,988
Q = A1 X Cc X Cv .J2 X g X h . 2,00 0,956 0,978 0,984 0,984 0,988
3,00 0,957 0,979 0,985 0,986 0,988
Designando-se por coeficiente de descarga ou de
vazão ao produto C0 x C"' 5,00 0,957 0,980 0,987 0,986 0,990

Ca = Cc X e,,.., 10,00 0,958 0,981 0,990 0,988 0,992


(*) O valor médio de C,, sugerido para cá lcu los exped itos é 0,985.
76 Manual de Hidráulica

Na prática, é adotado o valor médio de Cd dado na -se chamar de "adufa" (de fundo ou de parede) os dis-
Tabela A-5.1.2-c. positivos que fecham/abrem axialmente contra o orifício
(FiguraA -5.1.2-a) . Por outro lado, costuma-se chamar
Para orifícios em geral,
de "comporta" aqueles dispositivos colocados contra as
cd = Cc x Cv = 0,62 x 0,985 = 0,61 paredes que fecham/abrem tangencialmente ao orifício
(Figura A-5.1.2-a). Ambos são normalmente colocados
Cd = 0,61
pelo lado de montante, de forma que a pressão da água
A TabelaA-5.1.2-c apresenta valores de Cd para pe- ajude a vedar. Também fecham/abrem as válvulas gaveta
quenos orifícios, aplicáveis em questões que envolvem e borboleta, que podem ser vistas no itemA-10.2.
maior precisão.
Adufas e comportas podem ser consideradas como
orifícios. No caso de comportas com contração completa,
Tabela A-5.1.2-c Coeficientes de DESCARGA "C/' (*) o coeficiente Ca equivale a 0,61; já nas comportas com
contração incompleta, por influência do fundo ou das
Orifícios circulares em paredes delgadas
paredes laterais, o coeficiente varia de 0,65 a 0,70, po-
Diâmetro do orifício {m) dendo atingir valores ainda mais elevados em condições
0,020 0,030 0,040 0,050 0,060 favoráveis . O valor prático usual de Ca é 0,67. Para cer-
tas adufas, pode-se aplicar um coeficiente ligeiramente
0,20 0,653 0,632 0,609 0,607 0,607 maior: 0,70.
0,40 0,651 0,625 0,610 0,607 0,607
0,60 0,648 0,625 0,610 0,607 0,608
A-5.1.3 Fenômeno da inversão do jato
0,80 0,645 0,623 0,610 0,607 0,608
1,00 0,642 0,622 0,610 0,607 0,608 É um fenômeno curioso que ocorre com a formados jatos
(seção transversal). A forma dos jatos passa por estágios
1,50 0,638 0,622 0,610 0,607 0,608
que se sucedem a partir da seção contraída.
2,00 0,636 0,622 0,610 0,607 0,608
Assim, por exemplo, se o orifício tiver urna forma
3,00 0,634 0,62 1 0,611 0,607 0,608 elíptica, o jato deixará o orifício com essa forma; numa
5,00 0,634 0,62 1 0,611 0,607 0,608 seção posterior, o jato passará a ter a forma circular e,
10,00 0,634 0,62 1 0,611 0,607 0,609 mais adiante, voltará a assumir a seção elíptica, porém
com o eixo maior em correspondência ao eixo primitiva-
(*) O valor médio de Cd sugerido para cálcu los expeditos é 0,61.
mente menor (FiguraA -5.1.3-a) .
Adufas e comportas são dispositivos para fechar/ A Figura A -5.1.3-b mostra seções de jatos produzi-
abrir orifícios e permitir o controle do fluxo da água nes- dos por orifícios de forma triangular e quadrada.
sas estruturas hidráulicas. De maneira geral, costuma-

Fechada Aberta

Figura A-5.1.2-a - Adufa de fu ndo.


A-5 - Ori fíc ios, Bocais e Tubos Curtos 77

A-5.1.5 Orifícios de grandes dimensões.


Orifícios sob cargas reduzidas
Tratando-se de orifícios grandes, já não se pode admi-
tir que todas as partículas que os atravessam estejam
animadas da mesma velocidade, porquanto não se pode
considerar uma carga única (h) . A carga é variável de
faixa para faixa (FiguraA-5.1.5-a) .
O estudo pode ser feito considerando-se o grande
orifício como dividido em um grande número de peque-

- nas faixas horizontais, de altura infinitamente pequena,


para as quais pode ser aplicada a expressão estabelecida
para os orifícios pequenos.
Sendo b a largura do orifício e h a carga sobre um
Figura A-5.1.3-a - Seções de jatos. trecho elementar de espessura dh, a carga para esse tre-
cho elementar será
dQ = Ca x b x dh x .J2 x g x h

A descarga de todo o orifício será obtida integrando-


-se essa expressão entre os limites h 1 e h 2 (cargas cor-
respondentes ao topo e à base do orifício) .

Q= f h11i cax b x dh x .J2 x g x h


2
=

= Ca x b x .J2 x g x f h,hi JFi x dh


Figura A-5.1.3 -b - Seções de j atos (detalhes).
Q = ~ x Ca x b x .J2 x g x (Jif2 - Jii312 )
A-5.1.4 Orifícios afogados abertos em paredes
verticais delgadas Substituindo o valor

Diz-se que um orifício está afogado quando a veia escoa


em massa líquida (Figura A-5.1.4-a) . Nesse caso, ocor-
re, ainda, o mesmo fenômeno de contração da veia.
obtém-se
A expressão de Torricelli pode ser mantida, porém a
carga h deve ser considerada como a di ferença entre as 2 ~- h 312 /ii3l2
Q = - x Ca x A x .J2 x g x 2 -
cargas de montante e jusante (h 1 - hz) . 3 hz -hi
Os coeficientes de descarga serão ligeiramente in fe-
riores aos indicados para orifícios com descarga livre. Em
muitos problemas práticos, essa diferença é desprezível.

- -
--
~

+
·- h

h1 ·-I½
-
'

Figura A-5.1.4-a - Orifíc io afogado (seção longi tudinal). Figura A-5.1.5-a - O ri fício de grandes dimensões.
78 Manual de Hidráulica

A-5.1.6 Contração incompleta da veia A-5.1.7 Vórtice ou vórtex


Para posições particulares dos orifícios, a contração da O vórtex é o redemoinho que se observa quando um lí-
veia pode ser afetada, modificada, ou mesmo suprimida, quido escoa por um orifício aberto no fundo de um tan-
alterando-se a vazão (pelo aumento da pressão) . que raso (Figura A-5.1. 7-a) .
Para que a contração seja completa, produzindo-se O primeiro investigador a descrever o fenômeno foi
em todo o contorno da veia, é preciso que o orifício es- Venturi.
teja localizado a uma distância do fundo ou das paredes
O vórtex (FiguraA -5.1. 7-b) se forma quando a pro-
laterais pelo menos igual a duas vezes a sua menor di- fundidade (carga) é inferior a cerca de três vezes o diâ-
mensão.
metro do orifício.
No caso de ori fícios aber tos, junto ao fundo ou às
É curioso notar que o sentido de movimento é di-
paredes laterais, é indispensável uma correção. Nessas
ferente para cada hemisfério, sendo o de ponteiros de
condições, aplica-se um coeficiente de descarga C'a cor-
relógio para o hemisfério sul (desprezada a influência de
rigido.
causas per turbadoras).
Para orifícios retangulares,
A formação de vórtice é inconveniente para o esco-
C'a = Ca x (1 + 0, 15 x k), amento, pois o arraste de ar causado pelo redemoinho,
além de reduzir a vazão, provoca ruídos e posterior acú-
onde
mulo de ar em pontos altos das canalizações, prejudican-
k = perimetro da parte em que há supressão do também o funcionamento de event uais bombas insta-
perímetro total do orifício ladas a seguir (a jusante) . Sobre o assunto, ver também o
itemA-1.5.1, a respeito da aceleração de Coriolis.
A Figura A-5.1.6-a inclui os seguintes casos :
k= b k= a +b k = 2 x a +b
2x(a+b)' 2 x (a+b)' 2 x (a +b)

Para orifícios circulares,


C'a = Ca x (1 + 0,13 x k) .
Para orifícios junto:
• a uma parede lateral, k = 0,25;
• ao fundo, k = 0,25;
• ao fundo e a uma parede lateral, k = 0,50;
• ao fundo e a duas paredes laterais, k = 0,75.
Figura A-5.1.7-a - Representação da form ação de um vórtice.

-
~

....... ..::::.~
~ - • .. - -. .._'kit . .

- - ~
- - ~

li
"ª 1 j~a a
b b b

Figura A-5.1.6-a - Orifícios junto ao fundo e/ou paredes. Figura A-5 .1.7-b - Fotografia de um vórtice.
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 79
A-5.1.8 Perda de carga nos orifícios V= Ca x A x ./2 x g x h x dt (V = Q X t)
Se não existissem perdas nos orifícios, a velocidade real
Nesse mesmo intervalo de tempo, o nível de água
do jato v 2 R igualar-se-ia à velocidade teórica vt (Torri-
• no reservatório baixará de dh, o que corresponde a um
celli) .
volume de líquido.
A perda de carga que ocorre na passagem por um V=Anxdh
orifício corresponderá, portanto, à diferença de energia
As duas expr essões que dão o volume são iguais:
cinética
2 2 An x dh = Ca x A x .j2 x g x h x dt,
h _ v 1, _ _v _
2,R
_
1 -2 x g 2xg dt = An x dh
Ca x A x .,)2 x g x h
Como
v2 Vz2R Integrando-se a expressão acima, entre dois níveis
hf =
e; X
2,R
2xQ
- -
2xQ
'- ,
h 1 e h 2,

1 -1 ) x ~ - ,
hl = ---r. vf
( e; 2xg

expressão da perda de carga, aplicável também aos orifí-


cios com adu fas e comportas.
Para o esvaziamento completo h 2 = Oe h 1 =h,
No caso de comportas, o valor do coeficiente, em
geral, se inclui entre 0,6 e 0,8. Admitindo-se usar 0,7
t= 2 x An x .Jii
como um valor adequado para cálculos e aproximações Ca x A x ..J2 x g
expeditas, encontra-se para cálculo da perda de carga
em comportas : expressão aproximada, uma vez que depois de cer to
v2 tempo de escoamento o orifício deixaria d e ser "peque -
h - ---Y!_
f - 2 xg no". Substituindo-se os valores :

A vazão é dada pela expressão comum: Ca = 0,61


Q = 0,7 x V2 x g x h .j2 x g = 4,43
encontra-se :
(onde h é a altura do nível da água em relação ao centro
A
da comporta) . No caso de comportas afogadas, h é a di- t = 0,74 X -11., X .Jii
ferença entre os níveis da água de montante e de jusante . A

A-5.1.9 Escoamento com nível variável


Nos casos já considerados, a carga h foi admitida inva- A-5.2 ESTUDO DOS BOCAIS
riável. Se não for mantido o nível constante, a altura h
passará a diminuir com o tempo, em consequência do A-5.2.1 Classificação dos bocais
próprio escoamento pelo orifício. Com a redução da car-
Os bocais são constituídos por peças especiais adapta-
ga, a descarga através do orifício também irá decrescen-
das aos orifícios ou extremidades de tubos/mangueiras.
do. O problema que se apresenta na prática consiste em
Servem para dirigir o jato. O seu comprimento costuma
se determinar o tempo necessário para o esvaziamento
estar compreendido entre vez e meia (1,5) e três (3) ve-
de um recipiente ou de um tanque.
zes o seu diâmetro nominal DN. A partir daí, e de um
Sendo : modo geral, para comprimentos maiores, de 3 a 500 DN
A = a área do orifício; conside ram-se como tubulações muitos curtas; de 500 a
An = a área do reservatório (superfície); 4.000 DN como tubulações curtas; e acima de 4.000 DN
t = o tempo necessário para o seu esvaziamento, em corno tubulações longas.
segundos.
O estudo d e orifícios em parede espessa é feito do
Num pequeno intervalo dt, a vazão será mesmo modo que o estudo dos bocais.
Q = Ca x A x .j2 x g x h (pequenos 01ifícios) Os bocais costumam ser classificados de acordo com
a TabelaA-5.2.1-a.
e o volume de líquido descarregado,
Manual de Hidráulica
80
É interessante observar que o bocal reentrante de
Tabela A-5.2 .1-a Classificação dos bocais
borda corresponde à menor vazão: coeficiente de des-
Interiores ou Reentrantes (Figura A -5.2. 7-a) carga 0,51 (teoricamente encontra-se Cd = 0,5 para veia
Cilíndricos livre) .
Exteriores (Figura A-5.2. 7-a ou b)
~==~ O bocal cilíndrico externo, com veia aderente, eleva
Convergentes
Interiores ou Reentrantes a vazão : Cd = 0,82.
Divergentes

Cônicos Convergentes
(Figura A-5.2.1-c) A-5.2.4 Bocais cônicos
Exteri ores
D ivergentes Com os bocais cônicos aumenta-se a vazão. Experimen-
(Figura A -5.2. 1-d) talmente, verifica-se que, nos bocais convergentes, a
descarga é máxima para 8 = 13°30': Cd = 0,94.
Os t ubos divergentes com a pequena seção inicial
Denomina-se bocal-padrão o bocal cujo compri-
convergente, conforme mostra a Figura A -5.2.4-a, de-
mento é igual a 2,5 vezes o seu diâmetro nominal, e bocal
nontinam-se Venturi, por terem sido estudados pelo in-
de borda ao bocal reentrante de comprimento padrão.
vestigador italiano. As experiências de Venturi demons-
A-5.2 .2 Vazão nos bocais tram que um ângulo de divergência de 5° combinado com
o comprimento do tubo igual a cerca de nove vezes o
Aos bocais aplica-se a fórmula geral, deduzida para os diâmetro da seção estrangulada permite os mais altos
orifícios pequenos: coeficientes de descarga.

Q = cd x A x J 2 x g x h

A-5.2.3 Bocais cilíndricos


A contração da veia ocorre no interior dos bocais cilín-
dricos.
Nos bocais-padrão, a veia pode colar-se ou não às
suas paredes. Fechando-se o tubo de modo a enchê-lo,
fazemos com que a veia fiqu e colada, resultando um jato
"total" (ocupando inteiramente a seção de saída).
Figura A-5.2.4-a - Bocais cô nicos convergen te e divergente.

NA = .,
NA - A-5.2.5 Bocais, agulhetas, requintes, canhões
h h Na prática, os bocais são construídos para várias fina-
----·--- 1 . ·--·---- 1
lidades: combate a incêndios (requintes), operações de
limpeza, serviços de construção, aplicações agrícolas
1 r 1
(aspersores), tratamento de água, máquinas hidráulicas
1 1

1, L ,1 1, L ,1 (agulha das rodas Pelton), chafarizes etc.

Figura A-5.2.1-a Figura A-5.2.1-b Quatro tipos usuais como requintes de canhões de
água e extremidade de mangueiras de combate a incên-
dio acham-se mostrados na FiguraA-5.2.5-a.
-
-
N.A. NA
O coeficiente de descarga (CJ geralmente está com-
preendido entre 0,95 e 0,98.
-- ~

Os bocais de incêndio normalmente têm diâmetro


de saída de 25 a 37,5 mm.
r
~

Recentemente, desenvolveu-se tecnologia en, mini e


em microbocais a alta pressão para corte de peças usan-
Figura A-5.2.1-c Figura A-5.2.1-d do água (peças em metal, plástico, tecidos etc.) usando
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 81

bocais especialmente desenvolvidos para cada fim, es- Tabela A-5.2.5-a Bocais: coeficientes médios
culpidos em materiais específicos para resistir às pres-
sões e cavitações. 1"1/2 Cv

- -- -- -- -- - Valores médios
-..:-.=c..!I~,: -
(1) Bocal cônico simples ' ·------., para orifícios
0,62 0,985 0,61
- ,,.... ·-.......:..... comuns em
parede delgada
D

-
(2) Bocal cônico com extremidade cilíndrica
::--...1
,:;:..,==--
-----::::: 0,52 0,98 0,5 1 Veia livre
- º·1•ª 1,8xD1 --
D lli
'-----' ==~~~--------
..---=--,
.... -- -~ -----
1,00 0,75 0,75 Veia colada
(3) Bocal convexo --

-
-
',, 1
D D1 ...... Veia I ivre (valores
0,62 0,985 0,61
-
-----r:::-.-.-.: médios)

(4) Bocal tipo Rouse


- ,. 30º
D ,'J/. _[ ~-~
D1 1,00 0,82 0,82 Veia colada
V) •
......',
,

Figura A-5.2.5-a - Bocais para jato de água de incêndio ou


Bordas
similares.
arredondadas
,,-:--,-
-, , ,,,,
,
- - - ----
1,00 0,98 0,98 acompan hand o
os filetes líquidos
Chafarizes ornamentais também desenvolveram bo-
cais específicos patenteados para efeitos especiais.
Tabela A-5.2.5-b Alcance máximo dos jatos com bocais
São áreas de conhecimento específico a serem de- (Bib. A725) em metros
senvolvidas fora do contexto deste livro. Pressão em m.c.a.
As tabelas A-5.2.5-a e b apresentam informações 14 20 42 56
úteis ao assunto.
1"
o:, 11 ,3 16,8 20,5 32,2
25 mm
o:, E "iõ--o
o
A-5.2.6 Experiência de Venturi -
e
u ..... u
e~
0 N
O
O·- 1 "1/4
N M
·- N"""'
·- o 11 ,9 18,9 22,8 25,6
Parece paradoxal o fato de a vazão se elevar com a adi- 0 32 mm
õ õz
ção de um bocal, pois, com o bocal, novos pontos para I:J
tl()
..c a
e: 1 "1 /2
perda de energia são criados. A explicação foi dada por <O:S
12,2 20, 1 24,4 26,9
38mm
Venturi numa célebre experiência.
A pressão média existente na coroa de depressão, 1"
o:, 10,7 19,5 24,0 27,2
que envolve a veia líquida dentro do bocal, é menor que a 25 mm
pressão atmosférica. Isso foi verificado por Venturi, que E
o o:,u
·-
o
-
C'tS u -
e ,_
introduziu naquela parte um tubo de vidro, conforme mos- u o '+-
1 "1 /4
·-- 55 o·.::: 11 ,0 19,8 25,6 28,7
tra a Figura A-5.2.6-a. Observa-se que o valor 0,75 x h 1 ai ·- oN
32mm
> o õz
tem um limite teórico de 1 atm (10 m.c.a.) . :::i
tl()
..e a
e: 1 "1/2
<O:S
Nessas condições, a descarga, que num orifício 38 mm
11 ,3 21,0 26,6 29,3
ocorreria contra a pressão atmosférica, com a adição de
82 Manual de Hidráulica

um bocal, passa a ser feita contra uma pressão menor, Essa perda ce13) X h) é equivalente à metade de h 1
elevando-se a vazão. A existência do bocal permite a for- h 1 = (2/3) x h, sendo, portanto, igual a
mação e manutenção da coroa de depressão. 2
0,5 X ( V )
2x g

- Designando-se por hf a perda de carga,


h1 = h - h 1,
Como, conforme o item A -5.1.2, o coeficiente Cv ex-
pressa a relação entre a velocidade real v e a velocidade
- ,...._--:1..,J!, teórica vt , temos:

-
logo
0,75xh1
h - vf - v2 = v2 v2
f - 2X g 2X g C; X 2X g 2xg

então
Figura A-5.2.6-a - Experiência de Venturi.
hf = (..;.-1)x _v_z_
e; 2xg
A-5.2.7 Subdivisão de carga em um bocal.
expressão da perda de carga nos bocais idêntica a dos
Perda de carga
orifícios.
Da carga total h, que atua sobre um bocal cilíndrico, cer-
ca de 2/3 se converte em velocidade, correspondendo o
terço restante à energia despendida na entrada do bocal.
Considerando, por exemplo, o caso ilustrado na Fi- ---------. ---------------- v2
gur aA-5.2. 7-a de um tanque com uma altura de água de M1 = k X - -
--------- ------------------ 2 X g
10,0 m em relação ao eixo de um bocal, cujo comprimen- h v2
to de 0,30 m iguala-se a três diâmetros (DN = 0,10 m). h1 = - -
2xg
Q = Ca x A x .J2x g x h -- --------------·----- ~:.---..-<• ----------------------

Ca = 0,82
2
1 1·0,30m .i
A = 0,00785 m
Figura A-5.2.7-a - Representação de carga em um bocal.
Q = 0,82 x 0,00785 x .J2x 9,8 x 10 = 0,090 m 3 /s
Logo
A-5.2.8 Comparação entre a perda de carga
V = Q = 0,0 90 = 11 46 m/S
A 0,00785 ' em um bocal normal e a perda em um
A carga h 1 correspondente a essa velocidade será
bocal com entrada arredondada
Para os bocais comuns, (FiguraA-5.2.8-a (1)), em que
hi = v2 = 11,462 = 6 70 m o valor médio de C v é 0,82, a perda na entrada vem a ser
2xg 2x9,8 '

Comparando-se esse valor de h 1 com a carga inicial- h1 =(--;.-1)x


e; v2 =(
2x g
"-l)x2v2x g "'
o,s2~
1
mente disponível (h = 10 m), verifica-se que cerca de
dois terços de h (66,6% ou, aproximadamente, 6,70 m) v2 v2
converte-se em velocidade, enquanto que o terço restan- "' (1,5 -1) X -- = 0,50 X - -
2x g 2xg
te (33,3% ou 3,30 m) corresponde à energia despendida
na entrada do bocal.
A-5 - Ori fíc ios, Bocais e Tubos Curtos 83

v2
ou seja, 50% de
2xg

Empregando-se bocais com bordas bem arredondadas


(FiguraA-5.2.8-a (2)) consegue-se elevar o valor de Cv
até 0,98, resultando
2 v2
1 ) v 1( 1 x--,
hf = ( c; -l x 2 x g = 0,98 2 ) 2 xg
v2 v2
(1,04 - 1) X-- = 0,04 X - -
2xg 2xg

ou apenas cerca de 4% da carga de velocidade, o que


mostra a conveniência de haver melhores condições de
entrada.
Figura A-5.2.8-b - Pseudoesfera.

.... - A
\
.... -

o
(1) (2) (3)
Tratriz
Figura A-5.2.8-a - Entradas de bocais. Considere o segmento rígido BC, de comprimento fixo.
Tratriz é a curva formada pela trajetória da extremidade B
desse segmento a partir de A, quando a extremidade C é tras-
A forma geométrica ideal de um bocal é a de uma ladada desde O ao longo de uma linha reta x, e a posição de B
pseucloesfera (Figura A-5.2.8-b), que é a rotação de é decrescente em relação a y .
uma curva tratriz en, torno de um de seus dois eixos Figura A-5 .2.8-c - Tratriz.
(FiguraA-5.2.8-c) .
Na prática, porém, urna curvatura ideal constitui um '
refinamento que raramente pode ser realizado. Entretan- A-5.3 TUBOS CURTOS SUJEITOS A
to as condições podem ser bastante melhoradas nos casos DESCARGA LIVRE
de t ubulações, empregando-se na sua extremidade inicial
uma peça de redução de diâmetro (Figura A-5. 2. 8-a (3)) . A-5.3.1 Natureza do problema
Um problema que se apresenta ao engenheiro com re-
lativa frequência é o que diz respeito à determinação
da vazão de tubos relativamente curtos com descarga
livre. Para citar os exemplos mais comuns, basta men-
cionar cer tos tipos de extravasores, canalizações para
o esvaziamento de tanques, descargas de canalizações,
bueiros, instalações industriais, descargas de lodos de
decantadores etc.
Muito embora esse problema não exija tratamento
complexo, a sua solução nem sempre tem sido bem co-
locada pelos profissionais que dele se ocupam. Observa-
84 Manual de Hidráulica

-se frequentemente a aplicação de fórmulas estabele- A influência das diversas perdas nas tubulações em
cidas para as tubulações (encanamentos longos) sem função da relação comprimento/diâmetro (L/D) pode
os cuidados exigidos pela particularidade do caso em ser evidenciada pela Tabela A-5.3.2-a, de valores mé-
questão. dios calculados para tubos de 0,30 m de diâmetro, com
urna carga inicial de 30 m.
Conforme a Figura A-5.3.1-a, classificam-se assim:
• para L = O, orifícios; para L = DN, orifícios;
• para L = 2 DN, bocais; para L = 3 DN, bocais.
Tabela A-5.3.2-a Influência das perdas em tubulações
de descarga livre
Quando o comprimento L ultrapassa um grande nú- Comprimento expresso em diâmetros
mero de vezes o diâmetro DN, encontra-se o caso das
tubulações 5 10.000
L >n x DN
Carga de
62% 41% 29% 5% 0,5%
Teoricamente, o valor de n não deve ser inferior a veloc idade*
40 nos casos mais favoráveis, devendo exceder 250 nos Perda na entrada 32% 20% 15% 2% 0,3%
casos mais comuns. Merriman considerava o compri-
mento 500 x DN como limite inferior para as tubulações Perda nos tubos 6% 39% 56% 93% 99,3%
propriamente ditas. •Em termos da carga disponível h.

A-5.3.3 Perda de carga nos orifícios e bocais


No caso de um orifício similar àFiguraA-5.1.1-a, a car-
L 1
ga total equivale à energia de velocidade do jato acresci-
h 1 da da perda na saída:
----------------- -------------------------------------- DN ----------- : v2 v2
h= - - +kx - -
2xg 2 x g'

Figura A-5.3.1-a - Representação de tubo cu rto.


v 2 + k x v2 = 2 x g x h v= kl+ k
x .J2 x g x h

E, como
A-5.3.2 Tubos muito curtos e -
V = Cv X .J2 X g X h, v - .J1i+ k'
De qualquer maneira, verifica-se a existência de certa 2
1
ó.h1 = -1 - 1) x -v -,
gama de valores, compreendida entre 3 x DN e n x DN,
que excede os bocais e cujas condições não caracterizam
k =-
c2- 1,
V
( e: 2x g
as tubulações normais.
conhecida expressão que permite o cálculo da perda de
Geralmente consideram-se "tubos muito curtos" carga em um orifício, em um bocal ou na entrada de uma
aq ueles cujo comprimento s upera o dos bocais (3 x DN) canalização.
e não excede o das tubulações curtas (500 x DN) .
Tomando-se o valor prático para bocais, Cv= 0,82,
As fórmulas gerais para as tubulações são aplicáveis
aos tubos ou tubulações de comprimento superior a 100 ó.fii = ( 1 -1) x _v_z_"' 0,50 x _v_z_
x DN, devendo-se considerar as perdas de entrada e de 0,82 2 2xg 2xg
velocidade para as tubulações cujo comprimento seja in-
ferior a cerca de 4.000 x DN. Para essa zona podem ser
definidas as tubulações curtas.
A-5 .3.4 Perdas nas tubulações retilíneas
Erros grosseiros podem resultar da aplicação des-
cuidada de fórmulas obtidas para canalizações de gran- Tratando-se, porém, de um tubo ou de uma simples tu-
de comprimento aos tubos muito cur tos. Enquanto que bulação retilínea, além da perda localizada na entrada
naquelas predominam os atritos ao longo das linhas, (0,5 x v2)/(2 x g) e da carga correspondente à velocidade
nestes prevalecem a energia convertida em velocidade e (v2/(2 x g)) existe ainda a perda por atrito ao longo das
as perdas localizadas, entre as quais a de entrada. peças (hr).
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 85

vz vz dade de se considerar os dois casos que ocorrem na prá-


h = 0,5 x + - - + hf, tica: o escoamento em regime laminar e o escoamento
2xg 2xg
em regime turbulento.
}1, -- l , 5 X v2 f x Lx v2 Nenhuma das fórmulas práticas estabelecidas para
+ ,
2xg DN x 2 x g tubu lações, a rigor, poderia ser aplicada para as condi-
ções que prevalecem nesse trecho inicial.
(fórmula Universal - veja Capítulo A-8)
onde,
f = coeficiente de atrito A-5 .3.6 Escoamento em regime laminar
L = comprimento da canalização (m)
DN = diâmetro nominal Nesse caso, se a seção de entrada no tubo for bem arre-
v = velocidade média (m/s) dondada, de modo a evitar contrações, todas as partí-
culas do líquido entrarão no tubo e começarão a escoar
por ele com a mesma velocidade, exceção feita para uma
camada muito pequena junto às paredes do t ubo, que
2x g x h=(1,5 + x :N )x v
f
2
:. v=
2x g x h
l,5 + f x -
L
sofrerá a sua influência.
DN De início, portanto, as partículas vão escoar prati-
camente com a mesma velocidade v, sendo v2/(2 x g) a
2 xg x h energia cinética da massa.
Q=Axv=A x
L
l, 5 + j x - À medida que as partículas forem escoando ao longo
DN
do tubo, os filetes que ocupam a parte central vão tendo
que também poderá ser escrita da forma o seu movimento acelerado, ao passo que as partículas
mais próximas das paredes ficam retardadas. Como se
A
Q =✓ L x .j2 x g x h trata de regime laminar, o perfil normal de velocidades
l ,5 + j x - é parabólico e as condições de equilíbrio, teoricamen-
DN te, somente seriam atingidas após uma distância infinita
Como (Figura A-5.3. 6-a) .

Q = Ca x A x .J2x g x h
Ca = -=----
L
1
1

-c-2+ f x -D-N
V

1 2 3 4
Os valores do coeficiente de atrito J variam com a '-...
velocidade média do líquido e com o diâmetro da cana-
lização, para as mesmas condições de temperatura e de
- '/
rugosidade das paredes. O aumento de velocidade cor-
responde a um decréscimo no valor def
No caso de tubos muito curtos, com descarga livre, a Figura A-5.3.6-a - Escoamento em regime laminar em um tubo
de descarga.
dificuldade reside na fixação do valor adequado def, não
somente porque, ao se procurar determinar a vazão, a
velocidade é desconhecida, como também devido ao fato Praticamente, Prandtl e Tietjens indican1 que o per-
de não se contar com valores experimentais correspon- fil de equilíbrio é obtido após um percurso,
dentes às grandes cargas e velocidades elevadas. L = 0,13 X R e X DN
ParaRe = 1.800 (número de Reynolds), por exemplo:
A-5 .3.5 Condições de entrada nos tubos L = 234 x DN
Examinando-se as condições de entrada nos t ubos sob Com o escoamento laminar, isto é, com a distribui-
o ponto de vista teórico, verifica-se que o regime normal ção parabólica de velocidades, a energia cinética no eixo
de escoamento somente é atingido após um cer to per- do tubo será igual a
curso inicial. Ao fim desse trecho de t ransição é que se v2
pode encontrar uma distribuição de velocidades capaz 2x--
2xg
de caracterizar um regime de escoamento. Daí a necessi-
86 Manual de Hidráulica

No percurso mencionado, a energia cinética no filete A determinação da vazão de tubos muito curtos su-
do eixo passará, portanto, de jeitos à descarga livre pode ser feita aplicando-se a ex-
2 2 pressão geral de descarga nos bocais; assim:
V
a 2x v
2xg 2x g Q = Ga x A x .J2 x g x h
onde :
Q = vazão, em mª/s;
A-5.3.7 Escoamento em regime turbulento A = seção de escoamento (área útil do tubo), em m2 ;
g = 9,8 m/s2 ;
Com o escoamento turbulento, as condições de regime h = carga inicial disponível, em m.
serão alcançadas mais rapidamente que no caso anterior.
Teoricamente, admite-se que, a partir da aresta de
entrada (0), constitui-se uma camada em que o escoa- O coeficiente de descarga Gel (ou coeficiente de velo-
mento é laminar, camada essa que vai se tornando mais cidade Gv) dependerá do comprimento relativo do tubo,
espessa até um valor crítico z, a partir do qual a espes- isto é, de L/ DN.
sura se r eduz repenti namente a um valor relativamente Para orifícios em paredes delgadas,
peq ueno (ô), que se n,antém constante (filme laminai).
L
Em z, origina-se uma camada que limita o escoa- DN < o,5 Gd = 0,61
mento turbulento em regime, cuja espessura aumenta
muito rapidamente. Para os bocais, esse valor se eleva,
No ponto e m que convergem essas novas camadas L
(considerando o perfil de um tubo conforme mostrado 2<- <3 Gd = 0,82
DN
no Figura A-5.3. 7-a), as condições de regime são atin-
gidas em toda a seção de escoamento. As condições de Para os tubos muito curtos, o valor de Gd vai decres-
equilíbrio nesse caso são alcançadas após um percurso cendo, à med ida que se eleva a relação L/DN, em con-
muito menor que no caso anterior, podendo-se estimar sequência da influência dos atritos internos e externo
em 20 a 40 diâmetros, a contar da borda de entrada . (parede dos tubos) .
Devido à curvatu ra acentuada do tr echo z-t, o regime Eytelwein obteve os seguintes resultados com tubos
se estabelece muito mais rapidamente do que se verifi- novos de ferro fundido, de 0,30 de diâmetro, ensaiados
caria para z-t'. com uma carga inicial de 30 m:
L
- - = 10
DN
Ca = 0,77

..!::....= 20 Cd = 0,73
DN
1
' ..!::.._ = 30 Ca = 0,70
i t ---..--•--..--............._ DN
: Turbulento ·····::::::::=•·· t'
---.:-::-~-:--:,c~-----··1·--··
1
. i Filme laminar
- ---------- -

..!::.._ = 40 Gd = 0,66
Laminar i •ô 1
o DN
:
L '
1 1
L
- = 60 Cd = 0,60
DN
- Outras pesquisas foram conduzidas por Bazard e
Figura A-5.3.7-a - Escoamento em regime turbu lento em um Fanning há muitos anos.
tubo.
Na Tabela A-5.3.8-a, estão compa rados os valores
práticos disponíveis para o coeficiente Gel·
A-5.3 .8 Processo expedito de cálculo da vazão
Em vista das dificuldades que se apresentam para o tra-
tamento do problema com o máximo rigor teórico, torna-
-se vantajoso para o engenheiro o processo expedito de
cálculo, que se considera a seguir.
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 87

Tabela A-5.3.8-a Valores práticos de Cd


A-5.3.9 Descarga de bueiros
Azevedo Os bueiros são condutos relativamente curtos e geral-
L/ D Bazard Eytelwein··· Fanning••
Netto• mente trabalham afogados.
300 0,33 0,38 As experiências da Universidade de Iowa, EUA, indi-
200 0,39 0,44 cavam que o coeficiente de descarga é função da relação
comprimento/diâmetro (LIDN) .
150 0,42 0,48
100 0,47 0,50 0,55 Para os bueiros de concreto, com até 15 m de com-
primento, recomendam-se os valores para Cd dados na
90 0,49 0,52 0,56
Tabela A-5.3.9-a.
80 0,52 0,54 0,58
O item B-I.3 deste livro trata do dimensionamento
70 0,54 0,57 0,60
de bueiros, considerando outras variáveis.
60 0,56 0,60 0,60 0,62
50 0,58 0,63 0,63 0,64
40 0,64 0,66 0,66 0,67
30 0,70 0,70 0,70 0,70
20 0,73 0,73 0,73 0,73
15 0,75 0,75 0, 75
10 0,77 0,77 0,77
• Va lores obtidos com tubos de pequeno diâmetro
•• Va lores obtidos com tubos de ferro fund ido de DN = 0,30 m
••• Com tubos DN 300 mm e 30 m.c.a. de carga na entrada

Tabela A-5.3.9-a Coeficientes de descarga para bueiros de concreto


Diâmetro {m)
Comprimento
Bueiro
L {m)
0,30 0,45 0,60 0,90 1,20 1,50 1,80

3,0 0,86 0,89 0,91 0,92 0,93 0,94 0,94


6,0 0,79 0,84 0,87 0,90 0,91 0,92 0,93
Bueiros
entrada 9,0 0,73 0,80 0,83 0,87 0,89 0,90 0,91
chanfrada
12,0 0,68 0,76 0,80 0,85 0,88 0,89 0,90
15,0 0,65 0,73 0,77 0,83 0,86 0,88 0,89
3,0 0,80 0,81 0,80 0,79 0,77 0,76 0,75

Bueiros 6,0 0,74 0,77 0,78 0,77 0,76 0,75 0,74


com
9,0 0,69 0,73 0,75 0,76 0,75 0,74 0,74
entrada
v iva 12,0 0,65 0,70 0,73 0,74 0,74 0,74 0,73
15,0 0,62 0,68 0,71 0,73 0,73 0,73 0,72
88 Manual de Hidráulica

Exercício A-5-a
Em uma fábrica encontra-se a instalação indicada no es-
quema (Figura A-5-a), compreendendo dois tanques de lt x d2 = 0,007 :. d =~4 x0,007 =.J0,0089
chapas metálicas, em comunicação por um orifício circu- 4 1t
lar de diâmetro DN = "d", seguido de uma descarga para d = 0,094 m (9,4 cm)
a atmosfera através de um orifício quadrado com lado de
0,1 m, rente ao fundo. Determinar o valor máximo de "d" para
que não haja transbordamento no segundo tanque.
Solução: CORTE

Orifício quadrado (com supressão em uma face):


Q = c;1 x A x ..;2 x g x h, r

Cá = Ca x (l +0,15 x k),
2,60
k = b = 0,10 = O 25 0,60
2x(z+b) 2 x (0,10+0,10) ' ' 0,80
----------- •r------- -------
Cá = 0,61 x (1 + 0,15 x 0,25) = 0,633, 0,30 1
Q = 0,633 x 0,10 2 x.J2x9,8 x0,85 =

= 0,00633x 4,08 = 0,026 m 3 /s (26 C/s) PLANTA


-
Ori fício circular (afogado) :
Q = cd x A x .J,....
2_x_ i hi_) =
g_x_(h___

= 0,61 x A x .J2 x 9,8 x (2,6 - 0,6) o ----- - oV)


o d o, 10 -
Sendo assim:
r-J ----
0,026 = 0,61 x A x .J2x9,8 x (2,6 - 0,6) D
Logo, - 2,00 2,00
A= 0,026 = 0,026 = O 007 m 2 . .

0,61 X .J39,2 3,82 > >


Figura A-5-a

Exercício A-5-b
Em uma estação de tratamento de água, existem dois decan- Q = 0,62 X 0,09 X .J2 X 9,8 X 3,35 =
tadores de 5,50 x 16,50 m e 3,50 m de profundidade (Figura
A-5-b) . Para limpeza e reparos, qualquer uma dessas unida- = 0,452 m 3 /s = 452 C/s
des pode ser esvaziada por meio de uma comporta quadrada
de 0,30 m de lado, insLaladaj unLo ao fundo do decanLador. A que é a vazão inicial na comporta. Vejamos o tempo neces-
espessura ela parede é de 0,25 m. sário:
Calcular a vazão inicial na comporta e determ inar o tempo x An 'h
necessário para esvaziamento cio decantador. t = -:--2- -?:= = X V,,,.,
cd x A x ..f2 x g
Solução:
t = ---- 2 x-90,75
- , -- - X <oJ~u,uD
3"
Q = cd x A x .J2 x g x h 0,62x0,09x .J2 x 9,8 '
cd = 0,62 t = 1.345 s,
A = 0,30 x 0,30 = 0,09 m 2 ou seja, cerca de 22,5 minutos (solução aproximada) .
A-5 - Orifícios, Bocais e Tubos Curtos 89

Exercício A-5-b (continuação)

16,50

5,50

.,.__ _ Comporta

Figura A-5-b

Exercício A-5-c
Qual será o efeito (momento) dos jatos que deixam um distri-
buidor rotativo de 4 braços de 60 cm, com bocas de l cm de F=1-xQxv=R
g
diâmetro? Pressão de trabalho= 20 m.c.a. (FiguraA-5-c).
Solução: R= pxQx v =IxQxv
g
Q = Ca x A x ✓2 x g x h
Como
2
Q = 0 61 X n X O,O} X ✓2 X 9 8 X 20 = V = ✓2 x g x h
' 4 '
1.000 ~---
= 0,001 rn 3 /s ou 1,0 C/s R = - - X 0,001 x .J2 x 9,8 x 20 = 2 kgf
9,8
M = 4 x2x 0,60 = 4,8 kgfxm

Jato

•______.li ~
R- - - -

Figura A-5-c
90 Manual de Hidráulica

Exercício A-5-d
Considere uma lata conforme a Figura A-5-d. Foram reali- Pergunta-se: Se a lata estiver cheia de água e o nível da água
zados 3 furos idênticos, ali nhados em uma ver tical e equidis- for mantido cons tante, qual o comportamento dos jatos de
tantes entre si. água provenientes dos furos realizados?
Alternativa "a)" ou "alternativa "b)"?

N.A. N.A.

H1 H1
1 1
H2 H2
H3 H3
2 2
H H

3 3

Alternativa (a) Alternativa (b)


Figura A-5-d

UHE Furnas, no rio Grande, MG. Com bacia drenada de 52.000 km 2, descarga máxima de 4.130 m3 /s, 1.450 km2 de área inundada,
22.000 x 106 m3 de volume útil do lago, 80 m de desnível, 127 m de altura, capacidade do vertedor: 13.000 m3 /s, vazão turbinável total
(engolimento) de 1.340 m3/s, 7 turbinas tipo Francis e potência nominal total de 160.000 kVA. Inaugurada em 1963, foi durante algum
tempo a maior hidrelétrica da América Latina. Seu grande reservatório permitiu a regularização que viabilizou o desenvolvimento do
potencial do rio em várias usinas a jusante (Bib. M175).
Capítulo A-6

Vertedores
A-6.1 DEFINIÇÃO, APLI CAÇÕES

A-6.2 TERMINOLOGIA

A-6.3 CLASSIFICAÇÃO DOS VERTEDORES

A-6.4 VERTEDORES RETANGULARES DE PAREDE DE LGADA E SEM


CONTRAÇÕES
A-6.4.1 Fórmu las Práticas
A-6.4.2 Influência das Contrações
A-6.4.3 Influência da Velocidade de Chegada da Água
A-6.4.4 Influência da Forma da Veia
A-6.4.5 Vertedor Trapezoidal de Cipolletti

A-6.5 VERTEDORES TRIANGULARES

A-6.6 VERTEDOR C IRCULAR (EM PAREDE VERTICAL)

A-6.7 VERTEDORES TUBULARES, TUBOS VERTI CAIS LIVRES

A-6.8 VERTEDORES DE PAREDE ES PESSA

A-6.9 EXTRAVASORES

A-6.10 VERTEDORES PROPORCIONAIS

A-6.11 VERTEDORES EXPONENCIA IS


A-6.11.1 Relação entre os Expoentes n e p
A-6.11.2 Fator de Forma
A-6.11.3 Relação entre os Expoentes me n
Capítulo A-6

Vertedores

A-6.1 DEFINIÇÃO, APLICAÇÕES

Os vertedores podem ser definidos como simples paredes, diques ou aberturas sobre as
quais um líquido escoa. O termo aplica-se, também, a obstáculos à passagem da corrente
e aos extravasares das represas. Alguns exemplos de vertedores podem ser observados
nas Figuras A-6.1-a e A-6.1-b.
Os vertedores são, por assim dizer, orifícios sem a borda superior.
Há rnuito que os vertedores têm sido utilizados, intensiva e satisfatoriamente, na
medição de vazão de pequenos cursos de água e condutos livres, assim como no con-
trole do escoamento em galer ias e canais, razão por que o seu estudo é de grande
impor tância.
No Capítulo A-15 volta-se a abordar o assunto "medidores" por vertedores.

Figura A-6.1-a - Exemplo de vertedor.


94 M anual de H idráulica

l. Forma :
a) simples (retangulares, trapezoidais, triangula-
res etc.);
b) compostos (seções combinadas) .

2. Altura relativa da soleira:


a) vertedores completos ou livres (p > p');
b) vertedores incompletos ou afogados (p < p') .

3. Natureza da parede:
a) vertedores em parede delgada (chapas ou ma-
deira chanfrada);
b) vertedores em parede espessa (e > 0,66 x H)
(FiguraA-6.3-a) .

4. Largura relativa (FiguraA-6.3-b) :


Figura A-6.1-b - Vertedor de uma pequena barragem de
elevação de n íve l.
a) vertedores sem contrações laterais (L = b);
b) vertedores contraídos (L < b) (com uma con-
t ração e com duas contrações) . É considerado
A-6.2 TERMINOLOGIA contraído o ver tedor cuja la rgura é menor que a
do canal de acesso.
A borda, normalmente horizontal, denomina-se crista ou
soleira (FiguraA-6.2-a). As bordas ascendentes ver ticais
5. Forma da lâmina vertente :
ou inclinadas constituem as faces do ver tedor. A carga do
a) de lâmina livre (ou ventilada) (Figura A-6.1-a);
ver tedor, H, é a altura atingida pelas águas, a contar da
b) de lâ mina alterada (ou aderida ou deprimida);
cota da soleira do vertedor. Devido à depleção (abaixamen-
c) de lâmina aderida (Figuras A-6.1-b eA-6.4.4-a
to) da lâmina vertente junto ao vertedor, a carga H deve (3)).
ser medida a montante, no ponto M, a uma distância igual
ou superior a 10 x H (Ver notas da Tabela A-6.4.1.1-a) . 6. Perfil da soleira:
Exatamente sobre a soleira do vertedor (ponto C), a altu- a) arredondados;
ra da água é h . b) de crista viva.

7. Posição da parede (das bordas) :


A-6.3 CLASSIFICAÇÃO DOS a) de parede vertical;
VERTEDORES b) de parede inclinada (Figura A-6.3-c) .

Assumindo as mais variadas formas e disposições, os 8. Posição do vertedor em relação à corrente :


ver tedores apresentam compor tamentos diversos, sendo a) normais ou perpendiculares;
muitos os fatores que podem servir de base à sua classi- b) laterais ou paralelos;
ficação . c) esconso (oblíquo).

A
b Ml<l------~d~~~l~O~H
-'-----+IC

,... ,...
Face ) Veia ou lâmina vertente
NA 1 NA 1

~
~

L 1
E H

Corte AA LE Cri sta ou soleira Corte EE


A

Figura A-6.2-a - Esquema de vertedor.


A-6 - Vertedores 95

9. Perfil do fundo: A-6.4 VERTEDORES RETANGULARES


a) em nível;
b) em degrau. DE PAREDE DELGADA E SEM
CONTRAÇÕES
10. Normalização :
a) padrão ou standard; As Figuras A-6.4-a e A-6.4-b mostram um vertedor re-
b) particulares (não padronizados) . tangular de paredes delgadas com contrações e outro sem
contrações.
Examinando o escoamento (trajetória das partícu-
las) da água em um vertedor (FiguraA-6.1-a), observa-
-se que os filetes inferiores, a montante, elevam-se, to-
cam a crista do ver tedor e sobrelevam-se ligeiramente
a seguir. A superfície livre da água e os filetes próximos
baixam. Nessas condições, verifica-se um estreitamento
da veia, como acontece com os orifícios.
Para os orifícios de grandes dimensões (ver item
A-5.1. 5), foi deduzida a seguinte fórmula :
Figura A-6.3-a - Vertedor de parede espessa e soleira
arredondada.

Fazendo h 1 = Oe h2 = H, então
l V
Vertedor l Q = -2 x Ca x L x ✓2
,---
xgx H
%'

2,
3
/
1 " 1

Figura A-6.4-a - Vertedor retangular de paredes delgadas com


contração.
L'

Figura A-6.3-b - Vertedores sem co ntração, com uma


co ntração, com duas co ntrações e esconso.

NA
v--_ _ _ _ _ ___

Figura A-6.4-b - Vertedor retangular de paredes delgadas sem


Figura A-6.3-c - Vertedor de parede incli nada. contração.
96 Manual de H idráulica

e Tabela A-6.4.1 .1-a Vertedores retangulares , sem


Q = K x L x H* , contração. Vazão por metro linear de soleira.
(Para os vertedores com largura menor ou maior que um
metro, multiplicam-se os valores da vazão pela largura real.
onde
- Vazão Q
- Vazão Q
-
Altura H (C/s) Altura H (C/s)
(cm) (cm)
(*1) li (*2) (*1) li (*2)
Para o valor médio Cd = 0,62
3,0 9,6 8,8 25,0 230,0 212,5
f{ = -2 X 0,62 X 4,43 = },83 4,0 14,7 13,6 30,0 302,3 279,3
3
5,0 20,6 19,0 35,0 381, 1 253,0
6,0 27, 1 25,0 40,0 465,5 430, 1
A-6.4.1 Fórmulas práticas
7,0 34,0 31,5 45,0 555,5 513,2
Encontra-se um grande número de fór mulas propostas 8,0 41,6 38,5 50,0 650,6 601 ,0
para os ver tedores retangulares . Serão indicadas apenas
as mais us ua is. 9,0 49,7 45,9 55,0 750,5 693,4

Essas fórmulas são válidas para os vert edor es, nos 10,0 58, 1 53,8 60,0 855,2 790, 1
quais atua a pressão atmosfér ica sob a lâ mina vertente 11 ,0 67, 1 62,0 65,0 964,2 890,9
(espaço W ocupado pelo ar, Figura A-6.2- a) . Na fórmula
de F rancis está desprezada a velocidade de chegada da 12,0 76,5 70,7 70,0 1.077,7 955,6
ág ua. 13,0 86,2 79,7 75,0 1.1 95, 1 1.1 04,2
14,0 96,3 89, 1 80,0 1.316,5 1.216,4
A -6.4.1.1 Fórmula de Francis 15,0 106,9 98,8 85,0 1.442,0 1.332,2

Q = 1,838 X L X 11 312 18,0 140,4 129,8 90,0 1.571,0 1.451,5


20,0 164,5 152, 1 100,0 1.838,0 1.700,0
sendo Q dada em m 3/s e L e H em metros (ver Tabela
A-6.4. 1.1-a). (*1 ) Parede delgada (Fórmula d e Francis)
(*2) Parede espessa (Fórmula de Torricell i)
Notas :
a) Q uanto mais afastado da soleira, ma is correta será a medição do H .
A-6.4.1.2 Fórmula da Sociedade Suíça de b) Antes de instalado o vertedor, não se sabendo a vazão, não se saberá
Engenheiros e Arquitetos (unidades no SO o H ("H" é incógnita ). Na prática, resolve-se arbitrando va lores e,
posterio rmente, verificando se as aprox imações foram boas.
c) A bibliogra fia recomenda med ir a ma is de .5 x H. O autor sugere mais

= (1,816 +- - - - -)x l +0,5 x (- -)2]x Lx H


1,816 H ½ delOxH.
Q
1.000x H +1,6 [ H +p d) Em situações o nde se requeira mais precisão, sugere-se como
local adequado para med ir H onde se observe que o NA apresenta
grad iente menor que 0,5% (ou sej a, quand o em 1 mo NA ca ir menos
A-6.4.1.3 Fórmula de Bazin (unidades no SI) que 5 mm), ad miti ndo-se que a partir daí a curva de decaimento do

ri
NA assintota o gradiente do canal de aproximação.
e) Para vertedores retangulares com contração: ver Tabela A-15.8.3.5-a.
Q = (0,405 + O,~S) x [l + 0,55 x ( H ~p xL xH .J2x g x H
Segundo F rancis, deve-se considerar na aplicação
da fórmula um valor corrigido para L proporcional à a l-
tura da águ a em relação à soleira do ver tedor, ou seja, em
A-6.4.2 Influência das contrações relação à "carga" no vertedor
As contrações ocorrem nos ver tedores cuja largura é infe- L' = L - 0,l x H
r ior à do canal em que se encontram instalados (L < b) -
Para duas contrações,
ver Figura A-63-b e o itemA-15 .8 .3 .5 .
Francis, após muitas experiências, concluiu que
L' = L - 0,2 x 1-1
tudo se passa como se no ver tedor com contrações a la r- Para o caso de duas contrações (FigurasA -6.3- b/A-
gura fosse redu zida. 6.4- a) a fórmula de Francis passa a ser:
A-6 - Vertedores 97

Q
( 2)%- ( v 2)%
= 1,838 x L x H + _v_
2x g 2x g
(sem levar em conta a velocidade de chegada da água) . Para
que os resultados obtidos com a aplicação dessa fórmula onde v é a velocidade no canal.
se aproximem dos valores reais, é preciso que 1-llp < 0,5
e que 1-IIL < 0,5. Em muitos casos, na prática, essa influência é des-
prezada. Ela deve ser considerada nos casos em que a
As correções de Francis também têm sido aplicadas velocidade de chegada da água é elevada, nos trabalhos
a outras expressões, incluindo-se entre essas a própria em que se requer grande precisão e sempre que a área
fórmula de Bazin. molhada da seção t ransversal do canal de acesso (Ame)
As Figuras A-6.4. 2-a e b apresentam um vertedor for s uperior a 6 vezes a área de escoarnento (Aev) no ver-
com duas contrações. tedor (Aev = L x H).

A-6.4.4 Influência da forma da veia


Nos vertedores em que o ar não penetra no espaço W (Fi-
gura A- 6.2-a), abaixo da lâmina vertente pode ocorrer
uma "depleção" (abaixamento), modificando a posição da
veia e alterando a vazão.
Essa influência pode ocorrer em vertedores sem
contrações ou em vertedores contraídos, como o indica-
do na Figura A-6.4-a, no qual o prolongamento das fa-
ces encerra totalmente a veia vertente, isolando o espaço
W Nessas condições, a lâmina líquida pode tomar uma
das seguintes form as :
1. lâminas deprimidas : o ar é arrastado pela água,
ocorrendo um vácuo parcial em W, que modifica a
Figura A-6.4.2-a - Instalação permanente de um vertedor de posição da veia (Figuras A-6.4.4-a ( 1) e (2)).
parede delgada, bem ventilada e com duas contrações. 2. lâmina aderente: ocorre quando o ar sai totalmente
ou quando a velocidade é insuficiente para a lâmina
de água ver tente afastar-se (Figura A-6.4.4-a (3)).

Em qualquer desses casos, a vazão é superior à pre-


vista ou dada pelas fórmulas indicadas.

... 3. lâmina afogada: quando o nível de água a jusante


é s uperior ao da soleira (Figura A-6.4.4-a (4)) ou
seja, quando p' > p .

Quando se en-1prega um vertedor para medir vazões,


deve-se evitar a ocorrência dessas condições particula-
res.
Nos vertedores afogados, a vazão diminui à n-1edida
Figura A-6.4.2-b - Detalhe do vertedor.
que aumenta a submergência.
De acordo com os dados do U.S. of Board Water-
A-6.4.3 Influência da velocidade de chegada
ways, a vazão desses vertedores pode ser estimada com
da água base nos valores relativos à descarga dos vertedores li-
A fórmula de Francis que leva em conta a velocidade da vres, aplicando-se um coeficiente de redução (Tabela A-
água no canal de acesso é a seguinte: -6.4.4-a) .
98 Manual de Hidráulica

Sendo h a altura da água acima da soleira, medida


Tabela A-6.4.4-a Coeficiente para vertedores afogados
a jusante.
h!H Coeficiente h!H Coeficiente
h = p' -p
0,0 1,000 0,5 0,937
AFiguraA-6.4.4-b mostra, em foto, a depressão e a
o,1 0,991 0,6 0,907 aderência da veia líquida.
0,2 0,983 0,7 0,856
0,3 0,972 0,8 0,778
...
0,4 0,956 0,9 0,62 1

_______ ,
=====::::-
H
t=====
=====::::::=::::':--..
-------~~:::-.
=====' :::3 ,-,-::::.w~~~~
. ~~:,.;:
= = =::::-;:; ,~,,,,
p = = =::::::;:;
----✓'
\,\'\\ \\
-::; 'l
- - - - ::::: "' 1~\ ::::: - -
- - :d-J}
1

2
M 14
_ J_ d_;,:_1_o_H_ _,,~1e
_

Fotografia d e laboratório mostrando a


Figura A-6.4.4-b -
depressão e a aderência da veia líquida.

A-6.4.5 Vertedor trapezoidal de Cipolletti


Cipolletti procurou determinar um vertedor trapezoidal
(Figura A -6.4.5-a) que compensasse o decréscimo de
3
vazão d evido às contrações nos vertedores retangulares:
Q = Qz + 2 X Ql

A inclinação das faces foi estabelecida de modo que


a descarga através das partes "triangulares" do vertedor
corr espondesse ao decréscimo de descarga, devido às
contrações laterais, com a vantagem d e evitar a correção
nos cálculos.
Para essas condições, o talude resulta 1:4 (1 hori-
zontal para 4 ver tical) .

Figura A- 6.4.4-a - Esquemas de vertedores com depleção. Figura A-6.4 .5-a - Seção vertedor trapezoidal de Cipolletti.
A-6 - Vertedores 99

A-6.5 VERTEDORES TRIANGULARES A Tabela A- 6.5-a inclui as vazões j á calculadas para


as cargas mais comuns.
Os vertedores triangulares (Figuras A-6.5-a e b) pos-
sibilitam maior precisão na medida de cargas correspon-
dentes a vazões reduzidas. São geralmente trabalhados
Tabela A-6.5-a Vertedores triangulares para paredes
em chapas metálicas. Na prática, só são empregados os de
delgadas e lisas. Fórmula de Thompson
forma isósceles, sendo mais usuais os de 90º.
Altura H Vazão Q Altura H Vazão Q
Para esses vertedores, adota-se a fórmula de Thompson, (cm) (cm)
(C/s) (C/s)
Q = 1,4 X J-f>IZ
3 0,22 17 16,7
onde Q é a vazão, dada em m3/s, e H, a carga, dada em m.
4 0,42 18 19,2
O coeficiente dado (1,4), na realidade, pode assumir
5 0,80 19 22,0
valores entre 1,40 e 1,46. Para Q em C/s e H em cm,
Q = 0,014 X J-f>fZ 6 1,24 20 25,0
7 1,81 21 28,3

8 2,52 22 31,8

9 3,39 23 35,5
10 4,44 24 39,5
11 5,62 25 43,7
12 6,98 30 69,0
13 8,54 35 101,5
14 10,25 40 141,7

15 12, 19 45 190, 1

16 14,33 50 247,5

A-6.6 VERTEDOR CIRCULAR (EM


PAREDE VERTICAL)
O vertedor de seção circular (Figura A-6.6-a), embora
Figura A-6.5-a - Nos vertedores triangulares n ão existe soleira
pouco empregado, por não apresentar vantagens hidráuli-
hori zontal; a i nfluência da velocidade de chegada da água é cas (só construtivas), também não requer nivelamento de
desprezível, sendo perfei ta a ventilação da lâmi na vertente. soleira preciso.

A-+-
M~----~d~2~l~O~H-'-----+IC

Corte AA Corte BB
B A

Figura A-6.5-b - Vertedor triangular.


100 Manual de Hidráulica

Experiências levadas a efeito na Universidade de Cor-


nell mostram que n = 1,42 e que o coeficiente J{ depende
do diâmetro do tubo.
Para os valores deH, compreendidos entre (1/5) x De e
3 x De, o tubo funciona como orifício, com interferências
provocadas pelo movimento do ar (formação de vór tice).
H
Os tubos verticais, instalados em reservatórios de
concreto ou de aço para funcionar como ladrões, apre-
sentam as seguintes descargas para essas condições da
lâmina ver tente (Tabelas A-6 7-a e b) :
Figura A-6. 6-a - Vertedor circular.

Tabela A-6.7 -a Tabela A-6.7-b


A equação de vazão de um vertedor circula r é a se-
De K
De Q
guinte: (mm) (mm Us
Q = 1,518 x Do,693 x s 1,so1
175 1,435 200 12 a 54
onde 250 1,440 300 32 a 154
Q em m3/s;
Demm; 350 1,455 400 64 a 320
Hemm. soo 1,465 soo 108 a 530

700 1,51 S 600 174a870

A-6.7 VERTEDORES TUBULARES,


TUBOS VERTICAIS LIVRES No item B-II.3. 7 deste livro há informações sobre
t ubos ver ticais funcionando como condutores de água
Os tubos verticais instalados em tanques, reservatórios,
pluvial.
caixas de água etc. podem funcionar como ver tedores de
soleiras curvas, desde que a carga seja inferior à quinta Nas represas, é usual encontrar vertedores "Tulipa"
parte do diâmetro externo (FiguraA-6.7-a) . que nada mais são do que tubos verticais com formato
de sino invertido, de forma que a borda vertedora tenha
I-J < De maior perímetro (Figura A-6.7-b) .
5

Nesse caso, aplica se uma fórmula do tipo


Q = KxLxl-fl-
600
?' #' 1,1 li
onde ki' /#
L = ;r; x De
E 500
E
/ li I< ,9'
19'
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..,.,
i,,,~ À
--------
'! :• Q) ~ ~
E 150 ~
""
O 100 . •

15 20 30 40 50 70 100 150 200 300 500 700 1000


Descarga l/s
De
Figura A-6.7-b - Capacidade de extravasores tubula res na
Figura A- 6.7-a - Vertedor tubular. vertica l (tipo Tulipa).
A-6 - Vertedores 101

A-6.8 VERTEDORES DE PAREDE A-6.9 EXTRAVASORES


ESPESSA No traçado da seção transversal dos extravasores (ou
Um vertedor é considerado de parede espessa quando a vertedores ou sangradouros) das represas, no estudo do
soleira é suficientemente espessa para que na veia ade- perfil das próprias barragens que funcionam afogadas,
rente se estabeleça o paralelismo dos fi letes (ver Figura nos canais, enfim, em diversas circunstâncias, procura-se
A-6.3-a e Figura A-6.8-a). adotar para a estrutura a forma mais adequada ao escoa-
mento da lâmina vertente.
Aplicando a expressão de Torricelli,
A forma ideal é aquela que favorece a vazão ou descar-
v = .Jzx 9 x (H - h) ga e que, ao mesmo tempo, impede a ocorrência de efeitos
nocivos à estrutura, tais como o vácuo parcial (e daí ca-
e vitações), as pulsações da veia (e daí vibrações), veloci-
Q =Lx h x .J2x g x (H - h) Equação (6.1) dades excessivas (e daí erosões) etc. Essa forma "ideal" é
aquela que a lâmina vertente teria se caísse livre, portanto
ou, para a largura unitária L = 1, o que se busca é uma aderência entre a estrutura e a lâmi-
na vertente. Como a cada vazão corresponde um perfil de
Q = '12 x g x ( H x h 2 - h 3 ) "aderência", o problema não é de solução imediata, preva-
lecendo a experiência, o empirismo e o refazimento da su-
No princípio da vazão máxima, de Bélanger, "h se perfície do vertedor ao final de cada temporada de cheias.
estabelece de forma a ocasionar uma vazão máxima".
Com essa base pode-se pesquisar o valor máximo de Q. Uma das soluções mais usadas é o chamado "Perfil
Creager", em que, nota-se, o desenho corresponde ao lado
Derivando (H x h 2 - h 3) e igualando a zero, de baixo de uma lâmina vertente (Figura A-6.9-a) .
2 x H x h - 3 x h 2 = 0, De acordo com as experiências de Creager e Es-
2x H = 3xh cande, podem ser adotados os valores da Tabela A-6.9-
-a para uma carga H = 1 m. Para outros valores de H,
Substituindo esse valor na Equação (6.1), basta multiplicar as coordenadas indicadas por eles. Nas
condições ideais de projeto, pode-se aplicar a seguinte
h =(! ) x H, expressão:
Q :::: 2,2 x L x H 312
x H ✓ x g x H,
2 2
Q=Lx
3 3
Tabela A-6.9-a Perfil Creager
Q=~ x ~ x L x f/%
3 vs X y X y X y
0,0 o, 126 0,6 0,060 1,7 0,870
Q = 1,71 x L x 1-1%
o, 1 0,036 0,8 0,142 2,0 1,220
expressão confirmada na prática. 0,2 0,007 1,0 0,257 2,5 1,960
0,3 0,000 1,2 0,397 3,0 2,820
0,4 0,007 1,4 0,565 3,5 3,820

0,397 - - - - - - - - - - - -

Figura A-6.8-a - Vertedor de parede espessa (cortesia do Centro y


Tecnológico de H idráulica de São Paulo).
Figura A-6.9-a - Perfi l Creager para extravasores.
102 Manual de Hidráulica

O traçado da crista é normalmente feito para a va- Tabela A-6.10-a Vertedor Sutro
zão máxima esperada e verificado para outras vazões
(mínima, média etc.) . Dependendo da responsabilidade y!a x!L yla x/L x! L
da estrutura, é necessário ensaiar em modelo reduzido, o, 1 0,805 1,0 0,500 10,0 o, 195
onde essas verificações são feitas.
0,2 0,732 2,0 0,392 12,0 o, 179
0,3 0,681 3,0 0,333 14,0 o, 166
A-6.1 O VERTEDORES PROPORCIONAIS 0,4 0,641 4,0 0,295 16,0 0,156
Os vertedores proporcionais são executados com uma for- 0,5 0,608 5,0 0,268 18,0 0,147
ma especial para a qual a vazão varia, proporcionalmente,
com a altura da lâmina líquida (primeira potência de H). 0,6 0,580 6,0 0,247 20,0 o, 140
São, por isso, também denominados vertedores de equa- 0,7 0,556 7,0 0,230 25,0 o, 126
ção linear.
0,8 0,536 8,0 0,216 30,0 o, 115
Aplicam-se vantajosamente em alguns casos de con-
trole das condições de escoamento em canais, particu- 0,9 0,517 9,0 0,205 35,0 o, 107
larmente em canais de seção retangular, em estações de
t ratamento de esgotos etc.
Vertedor Di Ricco (forma aproximada) (Figura
A -6.10-b)
Vertedor Sutro (FiguraA-6.10-a)

Q=2,74x ✓a x L x (H - (~))
0,14xL
onde ' --------------- ·
Q = vazão, m3/s
a = altura mínima, m NA
L = largura da base, m ~-~
H = altura da água, m

A forma das paredes do vertedor é dada por H


--
),19xL
--------------~
d

-x = 1 - -2 l .
..0,26xl ---------- ..,.,d X

~1
arctg -
L x
x
a J 0,43xL \
.
A Tabela A -6.10-a apresenta os valores de x !L para - dt
alguns valores de yla . '
L
Figura A-6.10-b - Ve rtedor Oi Ricco, vis to de frente.

A
d .!: lOH
Mi.-- - - --=-=:...:...:-'-'-- - - --.tC

--
H y
a
H
K h

Corte AA
8
Corte 88
A_J
Fig u ra A-6.1 O-a - Vertedor Sutro.
A-6 - Vertedores 103

Expressão válida para lâminas compreendidas en-


tre 2,5 x a e 10 x a e para
10 L
- :s - < 25
3 a
sendo L, H e a dados em metros. H
y
Os valores deK são apresentados na TabelaA-6.10-b.

Tabela A-6.10-b Valores de K (Di Ricco)


10 ------
15
Figura A-6.1 1-b - Vertedor exponencial.

K 2,094 2,064 2,044 2,022 1,997 1,978


Considerando uma faixa de altura infinitamente pe-
quena (Figura A-6.11-b), a vazão elementar será:
A-6.11 VERTEDORES EXPONENCIAIS
dQ = Ca x (2 x x x dy) x .J2x g x ( H - y);
Consideram-se vertedores "exponenciais" aqueles para os e a vazão total:
quais a forma da soleira é expressa por
y=CxxP Q= eª x 2 x .j2 x g x 1f0Hx x .JcH - y) x dy

Variando o valor do expoente p, varia a forma do Substituindo x pelo seu valor na Equação (6.3) vem:
vertedor.
_ 2 x Ca x ../2 x g H C3t2l+(llp)
Para p = l, tem-se o vertedor triangular. Q- Úllp X X
Para p = 2, resulta a forma parabólica.
y )1/2
Na Figura A-6.11-a foram considerados os valores x
y l/p (
f H ...;;...,.,,- x 1- - x d ( -y )
mais comuns de p. Jo H P I1 H H
e fazendo

Equação geral de vazão .JL = z


H
Seja urn vertedor de forrna
y=CxxP Equação (6.2)
Q =
2
X cªcr: 2
X g X H<312>+(1/p) X Equação (6.4)

Equação (6.3)
x J: z 11 P x (1- z)
112
x dz

integral euleriana de primeira espécie, ou função beta


(*l), que pode ser relacionada à função gama,
y N 8 N

2 x Ca x ✓2 x g xr(i+ ½) xr(%) x H (3/2)+(1/p)


li li li
e.. e.. e.. Q=
c I1
P r(%+ ½)
(*l)
A integral euleriana de primeira espécie ou
junção beta é expressa por

/3(a,b) =
f l xª- 1 x (l- x )b-1 x dx
10
sendo a e b constantes.
A função gama é definida por
1 2 3 (u > O)
Figura A-6.11-a - Gráfi cos y = C x xP.
104 Manual de Hidráulica

Entre as funções (3 e r subsiste a relação


A-6.11.1 Relação entre os expoentes n e p

f:J (a,b) = r (a) xr(b) Comparando as Equações (6.4) e (6.5) resulta:


r (a + b)
Equação (6.6)

Os valores de r podem ser calculados, baseando-se Para n = l e p = -2, é o caso do vertedor proporcional,
nas propriedades: para o qual Q varia com a primeira potência de H.
r (u + 1) = u x r (u), para u > O Os vertedores podem ser projetados de forma a re-
sultar, para Q, uma variação segundo qualquer potência
r (u + 1) = u!
de H. Na prática, porém, não se toma para n valor infe-
Alguns valores de u! são apresentados na Tabela rior ou exatamente igual à unidade, pois, nesse caso, a
A -6.11-a . largura da base do vertedor assumiria valor infinito.
Por exemplo, o cálculo de r (2,75) seria feito assim: Contudo, como é particularmente interessante e de-
r (2,75) = r(l+l,75) = 1,75 x r x (l,75) =
sejável tomar n praticamente igual à unidade, de modo
a resultar para a vazão uma variação linear com a pro-
= 1,75 X 0,920 = 1,61. fundidade H, costumam-se empregar formas ajustadas
do vertedor proporcional. Com esse objetivo pode-se
substituir a área compreendida sob a curva, a partir de
Tabela A-6.11-a Valores de u! um certo valor de x, pela área equivalente, cortada sob
a soleira teórica. É uma forma aproximada, conhecida
u u+1 r(u + 1) = u! como vertedor Rettger (FiguraA-6.11.1-a) .
0,0 1,0 1,000 Tais vertedores têm tido emprego generalizado para
o, 1 1,1 0,95 1 controlar a velocidade em canais, particularmente em
caixas de areia de estações depuradoras, para manter as
0,2 1,2 0,918 descargas desejáveis de certos equipamentos para a do-
0,3 1,3 0,898 sagen1 e aplicação de produtos químicos, onde as vazões
afluentes sofrern variações constantes e onde se deseja
0,4 1,4 0,887 regularizar essas vazões.
0,5 1,5 0,886
0,6 1,6 0,893
0,7 1,7 0,909
0,8 1,8 0,93 1 1
'
0,9 1,9 0,962 -1
, -
1,0 2,0 1,000 1

:t
-' .
A fórmula geral, que dá a vazão dos vertedores, pode
ser escrita assim:
:r·-
l-
'
Equação (6.5) h 1
'
onde 1
'
2 x C4 x ✓2 x g xr (1 + ,½)x r (%) 1
'

lei = e½ x r(% + ½) 1

sendo C4 o coeficiente de descarga, cujo valor médio é Soleira


0,61. efetiva

Figura A-6. 11 .1-a - Vertedor Rettger.


A-6 - Vertedores 105

A-6.11 .2 Fator de forma A-6.11.3 Relação entre os expoentes m e n


A área ocupada pela lâmina vertente pode ser expressa por: A relação de escoamento sendo
A =k 2 x}F' Equação (6. 7) V= k3 X H 112 Equação (6.8)
em que m é denominado fator de forma. e, comparando as Equações (6.7) e (6.8) com a Equação
(6.5), chega-se a:
Pa ra valores de m superiores a 2, resultarão verte-
dores com soleiras convexas (TabelaA-6.11.2-a). Q=A x v .-. lei x H n = k2 x ka x H m+l!Z .-. m = n - ~
Tabela A-6.11.2-a Equação (6.9)
Vertedores Forma p então
NA
k, = k 2 x k3
Retangular .
...
1 1,5 00
. . Teoricamente, portanto, o valor de n deve superar
0,5, condição necessária para que haja a luz do vertedor.
Triangular ~ 2 2,5 1
V
Proporcional
N.A.r l 0,5 1 -2
./:•~o•
N.A

Parabólico -. 1,5 2 2

Semicúbico ~ 2,5 3 2/3


V
Exercício A-6-a
EsLude o abastecimento de água para uma granja que conLa Dada a insuficiência e o cusLo da energia eléLrica no local e à
com 10 pessoas, 5 cavalos, 15 vacas e 200 galinhas. abundância de água, pretende-se instalar um aríete hidráu-
lico ("carneiro hidráulico") para elevar as águas. Admite-se
Nas imediações exisLe um pequeno córrego, cujas ág uas, urna eficiência de 60% para esse aparelho (perda de 40%).
analisadas por laboratório acreditado, foram consideradas
satisfatórias. Como a sede se encontra em nível mais elevado, A vazão do córrego foi determinada por meio de um vertedor
precisa-se instalar um equipamento mecânico para elevar as triangular, cuja carga (H' ) igualou-se a 5,5 cm.
águas (ver FiguraA-6-a).

___ e 127,00

Córrego desviado até


100,00 (12 X h)

~ 97,00
r-
_ _ s_a_l0
_ x_Ji_ _ _ 1 Antigo curso do córrego

Figura A-6-a
106 Manua l de Hid ráulica

Exercício A-6-a (continuação)


Solução: Resu!La: aparelho nº 5, canos de carga: 50 mm, canos de
descarga: 25 mm, vazão para o "carneiro" funcionar:
a) Quantidade de água a ser consumida
35 C/min (2.100 C/h = 0,58 C/s), vazão elevada: 88 C/hora
10 pessoas x 100 C/dia = 1.000 (1,47 C/minulo = 0,02 C/s) .
5 cavalos x 40 C/d ia = 200
O rendimenLo será dado por
15 vacas x 40 C/dia = 600
e
200 galinhas x 10/100 /dia= 20 TJ= q x H = 10 x q = l0 x 88 = 42 %
Qx h Q 35 x 60
Tola! = 1.820 C/dia (= 75,83 C/hor a = 0,02 C/segu ndo)
b) Qiiantidade de água necessária para funcionamento
do aparelho d) Verificação da quantidade disponível de água
H l Resta verificar se o regato tem u ma vazão suficiente para
Q = q x -x-
h 11 o emprego do aparelho selecionado. Para tanto, foi ins-
talado no curso ele água um vertedor triangular tipo
127 97 1 Thompson que acusa H' = 0,055 m, então Q = 1,4 x J-I5 12 ,
Q = 75,9 (C/h) x - ( m) x - - = 1.265 (C/h)
100 - 97 (m) 0,60 logo
Q =1,4 x 0,055512 =1,4 x 0,0007 =1 (Is ou 60 .C/min,
e) Escolha do carneiro mais do que suficiente para cobrir a demanda.
Pelo catálogo de um fabricante (Tabela A-11 .6-a) encon-
tra-se para!-l/h = 30/3 = 10/1, a proporção 10:1.

Exercício A-6-b
Está sendo projetado o serviço de abas tecimento de água Solução:
para uma cidade do interior. A população atual é ele 3.200 ha-
Calculando o volu me ele água per capita no dia de maior
bitantes; a futura (de a lcance do projeto), 5.600 habitantes.
consumo:
O consumo médio ele ág ua por hab itante ficará constante e é
de 200 C/dia, sendo 25% o aumento de consumo previsto para 200 X 1,25 = 250 C/ciia
os dias de maior consumo.
Sendo o número de habitantes 5.600 e com base no resultado
Pensa-se capt ar as águas de um córrego que passa nas proxi- do cálculo anterior, determina-se o volume total necessário
midades da cidade e, para isso, procurou-se deter minar a sua num dia de maior consumo:
descarga numa época de estiagem (período de vazões rrúni-
mas cio ano), tendo sido empregado um vertedor re tangular, 5.600 habitantes x 250 dia= 1.400.000 dia, ou seja, 16 C/s
executado em madeira chanfrada e com 0,80 m ele largura A vazão cio manancial medida é :
(largura média do córrego= 1,35 m) . A água elevou-se 0,12 m
acima do nível da soleira do vertedor e esse valor perma neceu Q = 1,838 (L - 0,2 X J-l) x J-I312 = 1,838 X (0,80 - 0,2
X X 0,12)
estável durante as poucas med ições, du ran te poucos d ias. 0,12312 ==0,059 m3/s =59 .C/s
Verifique se esse manancial é suficiente, adotando um coefi- Esse córrego, mesmo com um coeficiente ele segurança 3,
ciente de segura nça igual a 3, pelo fato ele terem sido feitas tem a vazão necessária para abastecer tal cidade.
poucas medições de vazão e e m um único a no.
A-6 - Vertedores 107

Exercício A-6-c
Achar a eq uação da solei ra de um vertedor para o qual n =
1,75 e H = 0,305, sendo Q = 22, 7 C!s.
Cl /4 = 2 x O,6 x J2xg X 0,305 1•75 X ¼)xr(%)
r (l +
0,0227 r(% + ¼)
Sol ução:
1 75
c114 = 2 x o,6 x 4,43 x o,3O5 • x r (1 + O,25) x r (1 + O,5O)
Aplicando a equação(4) com os valores dados e Cd = 0,6.
0,0227 f (l + 1, 75)
cl/4 = 1,2 X 4,43 X 0,1252 X 0,908 X 0,886 =
14 65
Q = 2 x Cd x ~ x H (%}+(½,) xr(1+ ¼) xr(½) 0,0227 1,61 '
e =46.ooo
c 11 P x r (% + ¼)
Então, se y = C x xP y= 46.000 x x4, qu e é a equação da
n = ½+ ½=1,75 p =4 soleira.

Exercício A-6-d
Determinar a equação da curva de um vertedor exponencial Para que haja igualdade,
de vazão equivalente à de um vertedor circular de diâmetro
0,457 m. 1,807 = ½+¾ :. p = 3,26
Solução: 2 x Cdx✓2 x g x r (1 + ½P) x (%)
1 5 18 X O4570,6l)$ = ~
A equação de vazão de um ver tedor circ ular, em unidades
métricas, é
' ' c 11v x r (% + ¼)
Q = 1,518 X D0,693 X Hl,807 O _ 2 X 0,6 X 4,43 X 0,898 X 0,886
8824
' - co,Joo/ X 1,687
Q = 1 518 x O457º· 693 x H 1•8º 7 c 0,307 = 1,20 X 4,43 X 0,898 X 0886 =
' ' 2 2841
e a equa ção que dará um vertedor exponencial é 0,8824 X 1,687 '

- 2 x cd x ~ x H<s12>•<•1p) x r ( 1 + ¼ x r (¾)
Q- c
11
P r % +½ Então, se y = ex x 1',
y = 30 X x 3•26,
Igualando as equações,
que é a equação procurada.
1, 518 x o, 457º· 693
x º
H 1•8 1 = 2 x ed x v ~~ x. g
y x

H<312>•<•1v) r(1 + ¼) x r (¾)


X X Cl/p xr(% + ½)
108 Manual de Hidráulica

nte de inspeção
!

1
1
e 1·
.,
'"
~
j

819,00

810,00

795,00

Vertedouro O 5 10m
SPILWAY Escala

Vista aérea e corte transversal de um vertedor tulipa com cerca de 25 m de diâmetro na borda, para uma descarga de projeto de 718
m3/s, da hidroelétrica de Graminha (Caconde) - localizada no rio Pardo, em SP. Na foto, o vertedor tulipa está operando (observar a
"nuvem" de vapor d'água). O vertedor tulipa é um vertedor tubu lar vertical com formato de sino invertido. A usina possui capacidade
instalada de 83,4 MW, barragem de terra de 640 m de comprimento, duas turbinas tipo Francis - eixo vertical, com engolimento
nominal de 39 m3/ s cada uma e altura geométrica de operação entre 50 e 60 m (Bib. M175 e M176).
Capítulo A-7
Escoamento em Tubulações
Análise Dimensional e Semelhança Mecânica
A-7.1 INTRODUÇÃO, DEF INI ÇÕES
A-7.2 EXPERIÊNCIAS DE REYNOLDS: MOVIMENTOS LAMINAR E
TUR BULENTO
A-7.3 CO NCE ITO GENERALIZADO DO NÚM ERO DE REYNOLDS
A-7.4 REG IME DE ESCOAMENTO NOS CASOS CO RRENTES
A-7.5 PERDAS DE CARGA: CONCEITO E NATUREZA
A-7.6 CLASS IFICAÇÃO DAS PERDAS DE CARGA
A-7.7 PERDA DE CARGA AO LONGO DAS CA NALIZAÇÕES/RES ISTÊNC IA
AO ESCOAMENTO
A-7.7.1 Natureza das Paredes dos Tubos: Rugosidade
A-7.7.2 Influência do Envelhecimento dos Tubos
A-7.7.3 Problemas Práticos em Tubulações
A-7.8 PERDAS DE CARGAS LOCALIZADAS
A-7.8.1 Perda de Carga Devida ao Alargamento Bru sco de Seção
A-7.8.2 Expressão Geral das Perdas Localizadas
A-7.8.3 Perda de Carga na Entrada de uma Canal ização (Saída de
Reservatório)
A-7.8.4 Perda de Carga na Saída das Canalizações (Entrada em Reservatórios)
A-7.8.5 Perda de Carga em Curvas
A-7.8.6 Perda de Carga em Válvulas de Gaveta
A-7.8.7 Perda de Carga em Válvula-Borboleta
A-7.8.8 Perda de Carga Devida ao Estreitamento de Seção
A-7.8.9 Perda de Carga Devida ao Alargamento de Seção
A-7.8.10 Perda de Carga em Tês e Junções
A-7.8.11 Método dos Comprimentos Virtuais
A-7.8.12 Valores Práticos
A-7.8.13 Nova Simplificação
A-7.8.14 Importância Relativa das Perdas Localizadas
A-7.8.15 Cuidados no Caso de Velocidades Muito Elevadas
A-7.9 ANÁLISE DIMENS IONAL
A-7.9.1 Teorema de Buckingham
A-7.9.2 Aplicação do Teorema de Buckingham ao Caso Geral de um Fluido
que se Movimenta Relativamente a uma Superfície Sólida
A-7.9.3 Perda de Carga em Tubos. Movimento Uniforme
A-7.9.4 Expressão de R1 . Fórmula Universal
A-7.9.5 Fómula de Chézy
A-7.9.6 Fórmula de Chézy com Coeficiente de Mann ing
A-7.9.7 Fórmula de Hazen-Wi lliams
A-7.9.8 Fórmula de Poiseuille (Para Movim entos Laminares)
A-7.10 SEMELHANÇA MECÂNICA
A-7.10.1 Tipos de Semelhança
A-7.10.2 Semel hança Geométrica
A-7.10.3 Semel hança Cinemática
A-7.10.4 Semel hança Dinâmica
A-7.10.5 Forças Gravitacionais Predom inantes - Froude
A-7.10.6 Forças Viscosas Predominantes - Reynolds
A-7.10.7 Forças de Tensão Superficial Predominantes - "Weber"
Capítulo A-7

Escoamento em Tubulações
Análise Dimensional e Semelhança Mecânica

A-7.1 INTRODUÇÃO, DEFINIÇÕES


A maioria das aplicações da Hidráulica na Engenharia diz respeito à utilização de tubos.
Tubos são condutos usados para transporte de fluidos, geralmente de seção transver-
sal circular. Quando funcionando com a seção cheia (seção plena), em geral estão sob
pressão maior que a atmosférica e, quando não, funcionam como canais com superfície
livre, assunto a ser tratado em capítulos posteriores. Em ambos os casos, as expressões
aplicadas ao escoamento têm a rnesma forma geral, como se verá adiante .

........_! _........__
Press~·-........._
.......
__.....
_ ....
__.....
_ ....
_ _-1

A-A

Figura A-7.1 -a - Conduto forçado.

pa

E9
8- B

Figura A-7 .1-b - Conduto I ivre.


112 Manual de Hidráulica

Considera-se "forçado" o conduto no qual o líquido Tubo: uma só peça, geralmente cilíndrica e de comp1imen-
escoa sob pressão diferente da atmosférica. A canaliza- to limitado pelo tamanho de fabricação ou de trans-
ção funciona, sempre, totalmente cheia e o conduto é porte. De um modo geral, a palavra tubo aplica-se ao
sempre fechado (FiguraA-7.1 -a). material fabricado de diâmetro não muito pequeno.
Exemplo: tubos de ferro fundido , tubos de concreto,
Os condutos livres apresentam, em qualquer ponto
tubos de aço, tubos PVC, tubos de polietileno.
da superfície livre, pressão igual à atmosférica (Figura
A-7.1-b). Nas condições-limite, em que um conduto livre Cano: o mesmo que tubo, mas é um termo mais usado
funciona totalmente cheio, na linha de corrente junto em instalações prediais, em diâmetros pequenos e
à geratriz superior do tubo, a pressão deve igualar-se à por pessoal mais leigo.
pressão atmosférica (Figura A-7. 1-c) . Funcionam sem- Tubulação: conduto constituído de tubos (várias peças)
pre por gravidade.
ou tubulação contínua fabricada no local. É o termo
usado para o trecho de um aqueduto pronto e aca-
bado. Sinônimos : canalização, encanamento, tubu-
lagem, tubagem.
Convém ainda registrar a palavra "rede", que vem
a ser um conjunto de tubulações interligadas em várias
direções.

Figura A-7 .1-c

Na prática, as canalizações podem ser projetadas


e executadas para funcionar como condutos livres ou
como tubulações forçadas.
Os condutos livres são executados corn declividades
preestabelecidas, exigindo nivelan1ento cuidadoso.
As canalizações de distribuição de água nas cida-
des, por exemplo, sempre devem funcionar corno condu-
tos forçados. Nesse caso, os tubos são fabricados para
resistir à pressão interna estabelecida.
Os rios e canais constituem o melhor exemplo de
condutos livres. As t ubulações de esgoto normalmente
Antigo aqueduto do Rio de Janeiro, concluído em 1750. Por
também funcionam como condutos livres, "coletando" os esse conduto livre eram aduzidas as águas do rio Carioca
esgotos. para o abastecimento da cidade. Posteriorm ente, essa obra foi
Os condutos forçados incluem: aproveitada como pon te para a passagem de bondes -
os Arcos da lapa.
encanamentos, canalizações ou tubulações sob
pressão, canalizações ou tubulações de recalque,
canalizações ou tubulações de sucção, sifões verda-
deiros, sifões inver tidos, colunas ou shafts, canaliza-
ções forçadas das usinas hidrelétricas (penstocks),
barriletes de sucção ou descarga etc.
Os condutos livres compreendem:
canaletas, calhas, drenos, interceptores de esgoto,
pontes-canais, coletores de esgoto, galerias, túneis-
-canais, canais, cursos de água naturais etc.

Travessias do Sistema Adutor M etropolitano da Grande São


Para fins de terminologia, visando à comunicação Paulo, em tubulações de aço, em forma de arco, sobre o canal
mais precisa entre os técnicos, convém distinguir tubo do rio Ti etê, construídas entre 1971 e 1973 pela COMASP
de tubulação: (posteriormente SABESP).
A- 7 - Escoamento em Tubulações 113

A-7.2 EXPERIÊNCIAS DE REYNOLDS:


MOVIMENTOS LAMINAR E lriJ
TURBULENTO ..
Osborne Reynolds (1883) procurou observar o compor-
tamento dos líquidos em escoamento. Para isso, empre- -------
----------
- :-:--.:-.:--:-:-- -
gou um dispositivo semelhante ao esquema apresentado
nas Figuras A-72-a e A-72-b, que consiste em um tubo B
A
tra nsparente (A) inserido em um recipiente com paredes •
de vidro (B). A entrada do tubo, alargada em forma de
1
sino, evita turbulências parasitas.
Nessa entrada localiza-se um ponto de introdução de
e
um corante.
Figura A-7.2-b - Experiênc ia de Reynol ds.
A vazão pode ser regulada pela válvula existente na
sua extremidade (C).
Abrindo gradualmente a válvula, primeiramente po-
de-se obser var a for mação de um filamento colorido retilí- A velocidade para a qual essa transição ocorre de-
neo (FiguraA-72-c (1)) . Com esse tipo de movimento, as nomina-se velocidade crítica inferior, e é menor que a
partículas fluidas apresentam trajetórias bem definidas, velocidade na qual o escoamento passa de laminar para
que não se cruzam. É o regime definido como laminar ou t urbulento.
lamelar (no interior do líquido podem ser imaginadas lâ- Reynolds, após suas investigações teóricas e experi-
minas ou lamelas em movimento relativo). mentais, trabalhando com diferentes diâmetros e tempe-
Abrindo mais a válvula, eleva-se a descarga (vazão) e raturas, concluiu que o melhor critério para se determinar
a velocidade do líquido. O filamento colorido pode chegar o tipo de movimento em uma canalização não se prende
a difundir-se na massa líquida, em consequência do movi- exclusivamente ao valor da velocidade, mas ao valor de
mento desordenado das partículas. A velocidade apresenta uma expressão sem dimensões, na qual se considera, tam-
em qualquer instante uma componente transversal. Tal re- bém, a viscosidade do líquido :
gime é denominado turbulento (FiguraA-72-c (2) e (3)). R = vx D
e
Revertendo o processo, isto é, fechando gradual- Vcn
mente o registro, a velocidade vai sendo reduzida gra-
dativamente; existe um certo valor de "v" para o qual o que é o número de Reynolds, onde
escoamento passa de turbulento para laminar, restabele- v = velocidade do fluido (m/s)
cendo-se o filete colorido e regular. D = diâmetro da canalização (m)
2
Vcn= viscosidade cinemática (m /s)

Qualquer que seja o sistema de unidades emprega-


das, o valor de Re será o mesmo.
Se o escoamento se verificar com R 0 superior a
4.000, o movimento nas condições correntes, em tubos
comerciais, sempre será turbulento. Em condições ideais
de laboratório, já se observou o regime laminar com va-
lores de Re superiores a 40.000; entretanto, nessas condi-
ções, o regime é muito instável, bastando qualquer causa
perturbadora, por pequena que seja, para modificá-lo. Na
prática, admite-se que tais causas per turbadoras sempre
estão presentes (FiguraA-7.2-d).
Para as tubulações, o escoamento em regime lami-
nar ocorre e é estável para valores do número de Reynol-
ds inferiores a 2.000. Entre esse valor e 4.000 encontra-
-se uma zona crítica, na qual não se pode determinar
Figura A- 7.2-a - Reynolds realizando uma de suas experi ências. com segurança a perda de carga nas canalizações.
114 Manual de Hidráulica

No caso de escoamento em tubos de seção circu-


1) Re < 2.000 lar (canalizações, tubulações), considera-se o diâ metro
como dimensão típica, resultando a expressão já indica-
da anteriormente,
_vxD
2) Re -
Vcn

Para as seções não circulares, pode-se tomar


R _ 4 x RH x v
3) Re > 4.000 e -
Vcn

sendo RI! o raio hidráulico (veja Capítulo A-14).


Tratando-se de canais ou condutos livres, conside-
Figura A-7.2-c - Escoamento lam inar a turbulento .
ra-se a profundidade como termo linear, assim,
R =vx H
e
Vcn

Nesse último caso, o valor crítico inferior de Re é,


aproximadamente, 500.
...
1
1. .-----...s:-...-----------~-. A-7.4 REGIME DE ESCOAMENTO NOS
CASOS CORRENTES
t ~~4, Na prática, o escoamento da água, do ar e de outros fluidos
pouco viscosos se verifica em regime turbulento, como é
fácil demonstrar.
~ r:~ A velocidade média de escoamento em canalizações
de água geralmente varia entre 0,5 e 2 m/s. Seja atempe-
ratura média da água admitida 20 ºC. Para essa tempe-
Figura A-7 .2-d - Fotografias mostrando filamentos coloridos para
d iversos valores do número de Reynolds.
ratura, a viscosidade cinemática é
Vcn = 0,000001 m 2/s (1 x 10-6)

Nas condições práticas, o movimento da água em ca- Em uma canalização de diâmetro relativamente pe-
nalizações é sempre turbulento. queno como, por exemplo, 50 mm, tería mos
Os casos práticos de escoamento "laminar" são em Re = Vx D= 0,90 x 0,05 = 45 _000
meios porosos ou quando forçadamente se aumenta o pe- Vcn 0,000001
rímetro molhado. É o caso de decantadores "tubulares"
ou de "colmeia" ou de "placas". Valor bem acima de 4.000. Para diâmetros maiores,
os valores de Re seria m bem superiores.
O contrá rio se verifica quando se trata de líquidos
muitos viscosos, como óleos pesados etc.
A-7.3 CONCEITO
, GENERALIZADO DO
NUMERO DE REYNOLDS
O número de Reynolds é um parâmetro que leva em conta A-7.5 PERDAS DE CARGA: CONCEITO
a velocidade entre o fluido que escoa e o material que o E NATUREZA
envolve, uma dimensão linear típica (diâmetro, profundi-
dade etc.) e a viscosidade cinemática do fluido : A adoção do chamado "fluido perfeito" para modelar a água
não introduz erro apreciável nos problemas da Hidrostáti-
R =v x L ca. Ao contrário, no estudo dos fluidos em movimento não
e
Vcn se pode prescindir da viscosidade e seus efeitos.
A- 7 - Escoamento em Tubulações 115

No escoamento de óleos, bem como na condução da A-7.6 CLASSIFICAÇÃO DAS PERDAS


água ou mesmo do ar, a viscosidade é importante fator a
ser considerado. DE CARGA
Por exemplo, quando um líquido flui de (1) para (2) Na prática, as canalizações não são constituídas exclusi-
na canalização indicada na Figura A-75-a, parte da vamente por tubos retilíneos e de mesmo diâmetro. Usu-
energia inicial se dissipa sob a forma de calor. almente, incluem ainda peças especiais e conexões que,
pela forma e disposição, elevam a turbulência, provocam
Em (2), a soma das três cargas (teorema de Ber- atritos e causam o choque de par tículas, também dando
noulli) não se iguala à carga total em (1). A diferença origem a perdas de carga. Além disso, apresentam-se nas
hf, que se denomina perda de carga, é de grande impor- canalizações outras singularidades, como válvulas, re-
tância nos problemas de engenharia e, por isso, tem sido gistros, medidores etc., também responsáveis por perdas
objeto de muitas investigações. dessa natureza.
A resistência ao escoamento no caso do regime lami- Com o objetivo de sistematizar o estudo das perdas,
nar é devida inteiramente à viscosidade. Embora essa per- considerou-se o seguinte :
da de energia seja comumente designada como perda por
fricção ou por atrito, não se deve supor que ela seja devida a) Perdas por resistência ao longo dos condutos. Ocasio-
a uma forma de atrito como a que ocorre com os sólidos. nadas pelo movimento da água na própria tubulação.
Junto às paredes dos tubos não há movimento do fluido. A Admite-se que essa perda seja uniforme en1 qualquer
velocidade se eleva de zero até o seu valor máximo junto trecho de uma canalização de dimensões constantes,
ao eixo do tubo. Pode-se assim imaginar uma série de ca- independentemente da posição da canalização. Por
madas em movimento, com velocidades diferentes e res- isso também podem ser chamadas de perdas contí-
ponsáveis pela dissipação de energia. nuas (ver itemA-7.7).

Quando o escoamento se faz em regime turbulento, b) Perdas localizadas ou acidentais. Provocadas pelas
a resistência é o efeito combinado das forças devidas à peças especiais e demais singula ridades de uma
viscosidade e à inércia. Nesse caso, a distribuição de velo- instalação. Essas perdas são relativamente impor-
cidades na canalização depende da turbulência, maior ou tantes no caso de canalizações curtas com peças
menor, e esta é influenciada pelas condições das paredes. especiais; nas canalizações longas, o seu valor fre-
Um tubo com paredes r ugosas causaria maior turbulência. quentemente é desprezível, comparado ao da perda
pela resistência ao escoamento (ver item A-78) .
A experiência tem demonstrado que, enquanto no
regime laminar a perda por resistência é uma função da
primeira potência da velocidade, no movimento turbulen-
to ela varia, aproximadamente, com a segunda potência da
A-7.7 PERDA DE CARGA AO
velocidade. LONGO DAS CANALIZAÇÕES/
RESISTÊNCIA AO ESCOAMENTO
Pl ano de carga absoluto Poucos problemas mereceram tanta atenção ou foram tão
investigados quanto o da deter minação das perdas de car-
1 atm ga nas canalizações. As dificuldades que se apresentam
Plano de carga efet ivo ao estudo analítico da questão foram tantas que levaram
os pesquisadores às investigações experimentais. Assim

:(2~~::· Linha

Linha ·
energética

P1ezornétrica
:::1~~· Vz
foi que, após inúmeras experiências conduzidas por Darcy
e outros investigadores com tubos de seção circular, con-
cluiu-se que a resistência ao escoamento da água é:
Pi - - ~~g a) diretamente proporcional ao comprimento da cana-
y • lização (;r: x D x L);

_.. _.. ___


P2
- A - - --- Canalização
y b) inversamente proporcional a uma potência do diâ-
.. metro (1/Dm);

Z1
1 -- ------ :-11--
2
c) função de uma potência da velocidade média (vi);
Z2 d) variável com a natureza das paredes dos tubos (r u-
Plano de referênci a gosidade), no caso do regime turbulento(k');
QI =Q2 V1 = V2 D1 =D2 e) independente da posição do tubo;
f) independente da pressão interna sob a qual o líqui-
Figura A-7.5-a - Concei to de perda de carga. do escoa;
116 Manual de H idráulica

g) função de uma potência da relação entre a viscosi- Cha mando (k" x 2 x g) de "f" ou coeficiente de atr ito,
dade e a densidade do flu ido (.ul p)r_ obtém-se a fórmula de cálculo de tubulações conhecida
como fór mula de Darcy-Weisbach ou ainda "fórmula Uni-
Para uma tubulação, a perda de carga pode ser ex- versal":
pressa como L x v2
hf = f x--- Equação (74)
1 Dx 2 xg
h 1 = k 1 xnx D x L x - - x vn x( •u )•·
D'n p
que já tem aplicabilidade p rática ao exprimir a perda de
carga em função da velocidade na tubulação, e ter homo-
Simplificando ao fazer m = p + 1:
geneidade dimensional.
En tretanto, a fó rmula de "Darcy" apresenta dificul-
dades:
a) Em escoamento t urbulento, que ocorre quase sem-
Fazendo p re na p rática, a perda de carga não varia exatamen-
te com o quadrado da velocidade, mas sim com uma
potência que varia normalmente de 1,75 a 2 . Para
contornar essa dificuldade, corrige-se o valor de "f',
de forma a compensar a incorreção na fórmula .
então
b) Considerando que v = QIA, v = Q!n x (D 2/4), e se
Equação (71) "Q", "f' e "L" for em conhecidos, tem-se que a Equa-
ção(74) resulta em h1 = a!D 5 , ou seja, a perda de
carga é inversamente proporcional à 5ª potência do
sendo essa a equação básica para a perda de carga ern tu-
diâmetro, o que não se verifica na p rática, pois as
bulações, considerando desprezíveis na prática (ou inclu-
experiências demonstram que o expoente de (D) é
ídos no coeficiente "k") os efeitos das variações de densi-
na p rática de 5,25. Tal d ificuldade é n1ais u ma vez
dade e viscosidade da água nas condições usuais. ajustada no valor de ''f'.
A Equação(? 1) também pode ser escrita assim: c) O coeficien te de atrito ''f', que pelo visto acaba sen-
do uma função da r ugosidade do tubo, da viscosida-
-h1 x DP = k x v n Equação (72) de e da densidade do líquido, da velocidade e do d i-
L
âmetro, apesar de todas as pesquisas a respeito, não
Designando h1 !L por J, isto é, a perda de carga uni- teve seu valor estabelecido através de u rna fórmula .
tária (por metro de canalização), vem: Assim, seu valor será sempre obtido de tabelas e
gráfi cos, onde são a notados pontos observados na
DP x J = k x 0 ou D x J = q,(v) p rática e por experiências, e onde são interpolados
O coeficiente k considera as condições dos tubos os valores intermediários, com a limitação de que
(questão complexa) . As fórmulas empíricas propostas cor respondem a determinada situação de tempera-
para determinadas condições e a fórmula Universal tura, rugosidade etc., difíceis de se reproduzirem
substituem, na prática, essa expressão ger al. exatamente.

Para que a Equação(? 1) e a Equação(? 2) tenham


aplicação prática, é necessário conhecer "k", "p" e "n". Tais dificuldades, no entanto, não devem ser to-
Foi Chezy, por volta de 1775, que observou que a perda madas como invalidação do método, que atende muito
de carga pela passagem de água sob pressão em tubos bem às necessidades normais da engenharia, mas como
variava mais ou menos com o quadrado da velocidade campo aberto à pesquisa e desenvolvimento, para que se
da água, ou seja, atr ibuiu o valor "2" para "n". Posterior- chegue a resultados teóricos os mais próximos da reali-
mente, por volta de 1850, Darcy e Weisbach sugeriram dade, ampliando a aplicação da hid ráulica.
u m novo aprimoramento para a Equação(7.l), conside-
rando "p" igual a "l", e multiplicando numerador e deno-
minador por "2 x g": A-7 .7 .1 Natureza das paredes dos tubos:
rugosidade
L x v2
h f = (k" x 2 x g ) x - - - Equação (7 3)
Dx2x g Analisando a natureza ou rugosidade das paredes, devem
ser considerados:
A-7 - Escoamento em Tubulações 117

a) o material empregado na fabricação dos tubos;


b) o processo de fabricação dos tubos;
c) o comprimento de cada tubo e número de jun-
tas na tubulação;
d) a técnica de assentamento;
e) o estado de conservação das paredes dos tubos;
f) a existência de revestimentos especiais;
g) o emprego de medidas protetoras durante o
funcionamento.

Assim, por exemplo, um tubo de vidro (teórico) é


mais liso e oferece condições mais favoráveis ao escoa- Figura A-7.7 .1-b - Incrustações decorrentes de certas impurezas
mento que um tubo de ferro fundido. Uma canalização de água (dureza) .
de aço rebitado opõe maior resistência ao escoamento
que uma tubulação de aço soldado.
Por outro lado, os tubos de ferro fundido ou de aço,
por exemplo, quando novos, são mais lisos e oferecem
resistência menor ao escoamento que após alguns anos
de uso. Com o tempo, esses tubos são atacados por fenô-
menos de natureza química relativos aos minerais pre-
sentes na água, e na sua superfície interna podem surgir
protuberâncias "tubérculos" (Figuras A-7.7.1-a (4) e A-
-7.71-c) ou reentrâncias (fenômeno da corrosão) . Essas
condições agravam-se com o tempo (Figura A-771-a Figura A-7.7.1-c - Tubulação de ferro de grande diâmetro
(3)) . Moder namente, têm sido empregados revestimen- mostrando os efeitos da "tuberculização".
tos internos especiais com o objetivo de eliminar ou mi-
norar esses fenômenos .
A-7 .7 .2 Influência do envelhecimento dos tubos
Outro fenômeno que pode ocorrer nas canalizações
é a deposição progressiva de s ubstâncias contidas nas Com o decorrer do tempo e em consequência dos fatores
águas e a formação de camadas aderentes - incr ustações já apontados, a capacidade de transporte de água das tu-
- que reduzem o diâmetro útil dos tubos e alteram a sua bulações vai diminuindo.
rugosidade (FigurasA-771-a (2) eA-7.7.1-b) . Essas in- De acordo com as observações de Hazen e Williams,
crustações verificam-se no caso de águas muito duras, a capacidade decresce de acordo com os dados médios
com teores elevados de certas impurezas. O mais comum apresentados na Tabela A-772-a (as observações e da-
é a deposição progressiva de cálcio em águas calcáreas. dos organizados são mais abundantes para os materiais
Os fatores apontados devem ser considerados quan- mais antigos, normalmente de aço e de ferro fundido).
do se projetam instalações hidráulicas.

Tabela A-7.7.2-a Capacidade de vazão das canalizações


em porcentagem em relação ao tubo novo (tubos de
ferro ou de aço sem revestimento permanente interno)
Diâmetros N ominais
Tempo de
funcionamento 100 150 250 ·1 400 500 750
(mm)
Tubo novo Incrustação -Tubos novos 100
-(mm)
-
100
(mm)

100
(mm)
-
100
(m m)

100
-
(mm)

100

Após 10 anos 81 85 85 86 86 87

Após 20 anos 68 74 74 75 76 77

Após 30 anos 58 65 65 67 68 69

Corrosão Tuberculização Após 40 anos 50 58 58 61 62 63

Após 50 anos 43 54 54 56 57 59
Figura A-7.7.1-a - Al terações na superfície intern a do tubo.
118 Manual de H idráulica

Os tubos não metálicos costumam apresentar capa- No tipo V a solução pode ser por tentativas ou pela
cidade mais constante ao longo do tempo, exceto em caso equação de resistência.
de algum fenômeno de incrustação específica, o mesmo
No sexto tipo de problema pode-se calcular D com a
ocorrendo com os tubos de cobre e também com os t ubos
equação da continuidade, recaindo-se no segundo caso.
metálicos ferrosos com revestimento permanente.
Ver soluções desses problemas no item A -9.8.

A-7.7 .3 Problemas práticos em tubulações A-7.8 PERDAS DE CARGAS


Nos problemas de cálculo de tubulações são quatro os ele- LOCALIZADAS
mentos hidráulicos: Essas perdas são denominadas locais, localizadas, aci-
1. o diâmetro D (dimensional L, normalmente ex- dentais ou singulares, pelo fato de decorrerem especifi-
presso em m ou em mm); camente de pontos ou partes bem determinadas da tu-
2. a perda de carga J (dimensional LIL, normal- bulação, ao contrário do que acontece com as perdas em
mente expressa em mim); consequência do escoamento ao longo das tubulações.
3. a velocidade v (dimensional LIT, normalmente
expressa em m/s);
4. a vazão Q (dimensional L 3JT, nor malmente ex- A-7.8.1 Perda de carga devida ao alargamento
pressa em m3/segundo) . brusco de seção
É clássica a dedução da expressão relativa à perda de car-
As equações disponíveis são duas : ga devida ao alargamento brusco, partindo-se do teorema
de Bernoulli e considerando-se o impulso das forças que
1. equação da continuidade: Q = A x v;
atuam nas seções tranversais e a variação da quantidade
2. equação da resistência : D x J = q,(v) (represen- de movimento.
tada na prática por uma fórmula empírica).
A Figura A-7.8.1-a mostra, esquematicamente, um
Sendo quatro as variáveis e duas equações, o problema alargamento br usco de seção t ransversal. A velocidade
será determinado se forem dados dois elementos hidráuli- v 1 na seção menor será bem n1aior que a velocidade v2 ,
cos. havendo, por tanto, par tículas fluidas mais velozes (ani-
Os tipos de problemas a resolver estão organizados madas com velocidade v1) que se chocam com partícu-
na TabelaA-7.7.3-a. las mais lentas de velocidade v2 . Na parte inicial da se-
ção alargada forma-se um anel de turbilhões que absorve
energia.

Tabela A-7 .7 .3-a Problemas de cálculo de tubulações Geralmente considera-se que na parte inicial do tre-
cho alargado ainda atue a pressão P1, admitindo que a
Tipos Dados Incógnitas Observações pressão p 2 seja medida a jusante da zona de turbilhões.
D Q Considerando essas seções e aplicando o teorema de
J V
Bernoulli,
li D Q J V Calc ula-se v = QIA
v2 2
111 D V J Q Calcula-se Q = A/v P1 + 1 + z = P2 + V 2 + z + h,
y 2x g y 2xg J
IV J Q D V

V J V D Q

VI Q V D J Calc ula-se A= Q!v : A, Turbil hão


Í P1
:: v1
/
Nos três primeiros tipos de problemas em que é co- i ~~:=====l
2
nhecido D, a solução é imediata.
O quarto tipo de problema (tipo IV) é par ticularmen-
te importante: é o caso das linhas adutoras etc., para as (D h~---_--:_-_,. ;
quais Q é fo rnecida por dados estatísticos e J decorre da
topografia. Nesses problemas calcula-se D com a equação
Figura A-7 .8.1-a - Alargamento brusco em uma seção transversal.
de resistência, D x J = q,(v) .
A- 7 - Escoamento em Tubulações 119

expressão de onde se obtém a perda de carga h1, A-7 .8.2 Expressão geral das perdas localizadas

h = v 12 _ v 22 _ ( Pz _ Pi ) Equação (75) Corno


J 2xg 2x g r r
Considerando urna unidade de tempo, a q uantidade
de fluido que escoa é Q (vazão). A resultante que atua da pode-se substituir o valor de v2 em função de vi na Equa-
direita para a esquerda será: (p 2 - Pi) x A 2 , e a variação ção(77):
da quantidade de movimento:

Q x r x (v i - vz)
h
J
=(vi2-xvz)2
g
=(1- Ai
A
)2x vf
2xg
2
g
então
Igualando essas duas expressões (a variação da vz
quantidade de movimento deve igualar-se ao impulso hf = K x i
2xg
das forças),
De um modo geral, todas as perdas localizadas po-
(Pz - Pi ) x A2 = Q x r x (vi - v 2 )
g dem ser expressas sob a forma

A 2 x v 2 x r (Vi - vz )
( Pz - Pi ) x Az = --=---=---'-x
g

Equação (76) equação geral para a qual o coeficiente K pode ser obtido
experimentalmente para cada caso.

Substituindo esse valor naEquação(75), Esse trabalho experimental vem sendo realizado, há
vários anos, por engenheiros interessados na questão,
2
h - Vi v~ 2 x v2 x (vi - v 2 ) por fabricantes de conexões e válvulas e por laboratórios
J - 2xg 2x g 2 xg de Hidráulica.
2 Verificou-se que o valor de K é pr aticamente cons-
h _ vf - (2 x vi x v 2 ) + vi _ (v i - v2 ) tante para valores do número de Reynolds superiores a
Equação (77)
J - 2xg - 2xg 50.000. Conclui-se, por tanto, que para fins de aplicação
prática pode-se considerar constante o valor de K para
expressão que entre nós é conhecida como o teorema de determinada peça, desde que o escoan1ento seja tu rbu-
Borda-Bélanger, em homenagem a Borda, grande hidráu- lento, independente do diâmetro da tubulação e da velo-
lico do século XVIII que deduziu essa expressão (1766), cidade e natureza do fluido .
e a Bélanger, que retomou esses estudos e expôs a sua
teoria ( 1840) : A Tabela A-78.2-a apresenta valores aproximados
de I( para as peças e perdas mais comuns na prática. É
urna tabela elaborada pelo autor a par tir de diversos da-
dos bibliográficos. O autor entende que sua aplicação deve
''Em qualquer alargamento brusco de seção,
ater-se ao intervalo de diâmetros entre 100 e 1.000 mm .
há uma perda de carga local medida pela al-
tura cinética correspondente à perda de velo-
cidade."
A-7.8.3 Perda de carga na entrada de uma
canalização (saída de reservatório)
Registre -se q ue a Equação (77) leva a resultados No itemA-5.2.8 já se tratou deste assunto: a perda de car-
ligeiramente inferiores aos experimentais, razão por ga que se verifica na entrada de uma canalização (saída
que Saint-Venant propôs um termo corretivo comple- de reservatórios, tanques, caixas etc.) dependerá bastan-
mentar, com base nos dados experimentais de Borda. te das condições que caracterizam o tipo da entrada.
Posteriormente, Hanok, Archer e outros investigadores
propuseram correções mais lógicas e exatas que, por A d isposiçã.o mais comum, denomin ada normal, é
ir re levantes do ponto de vista prático, nem sempre são aquela em que a canalização faz um ângulo de 90º com
consideradas. as paredes ou com o fu ndo dos reservatórios, constituin-
do uma a resta viva (Figura A-78.3-a (1)) . Para essas
condições, o valor de K é bem determinado, podendo ser
tomado ig ual a 0,5.
120 Manual de Hidráulica

Tabela A-7 .8.2-a Valores aproximados de K para cálculo expedito das perdas localizadas em tubulações.
Para velocidades usuais em tubulações de água: entre 0,5 e 2,5 m/s.
Em reduções ou expansões, usar a maior velocidade, exceto no Venturi, quando se usa a velocidade na tubulação.
Peça K Peça K

Amp liação gradual: A2 /A 1 < 1,6 e 20 1 < L < 202 O, 1O a 0,30 Vá lvu la de gaveta aberta 100% 0,02 a 0,04

Amp liação brusca (90°) (1 - v2 /v 1) 2 1,00 a 2,00 Válvu la borboleta aberta 100% 0,30 a 0,50

Redução gradual: A 2 /A 1 < 1,6 e 201 < L < 202 0, 15al,25 Válvu la de ângulo aberta 100% 5,00

Redu ção Brusca (90°) 0,01 < (0 210 1) 2 < 0,8 O, 15 a 0,50 Válvu la de disco (globo) aberta 100% 10,00

Bocais 0,5 < 0 i/0 1 < 0,8 (ver item A-5.2.3/A-5.2.7) 2,75 a 5,00 Válvu la contro ladora de vazão 2,5 a 10,00

Curva 90º longa O, 15 a 0,40 Válvu la de pé 100% aberta 4,00 a 5,00

Cu rva 90º raio curto (cotovelo) 0,90 a 1,20 Válvu la retenção portinhola ou disco, sem mola 2,50 a 12,0

Curva 45° longa 0, 13a0,28 Crivo 3,00 a 6,00

Curva 45° curta 0,30 a 0,50 Saída (chegada) aérea (pressão atmosférica) 1,00

Cu rva 22,5 O, 1O a 0,20 Saída (chegada) afogada em reservatório 0,90a l ,00

Tê passagem direta DN 1 (saída lateral fechada) 0,50 a 0,70 To mada (entrada normal), Figura A-7.8.3-a (1) 0,45 a 0,55

Tê passagem + saída lateral < 20% 0 1, 0 2 < 0 1 1,30a l ,60 To mada (entrada reentra nte), Figura A -7.8.3-a (2) 0,80 a 1,20

Tê bifurcação simétri ca 1,50 a 2,00 Tomada (entrada em sino), Figura A-7.8.3-a (3) 0,04 a 0,80

Pequenas derivações (tipo ferrule) 0,05 < 0 if0 1 < 0,25 0,03 a 0,05 Tomada (entr. redução cônica), Figura A-7.8.3-a (4) 0,09 a O, 11

Junção a 45°, tipo barrilete 0,35 a 0,50 M edidor Venturi 2,50

Consultar catálogo fabri ca ntes - Dados das válvulas considerando-as 100% abertas. NOTA: considerar o intervalo de diâmetros
entre 100 e 1.000 mm como o de melhor aprox imação.

No caso de tubulação reentrante, constituindo a en- 0,05 sempre que for obedecida a forma de sino. A entrada
trada clássica de Borda (FiguraA-78.3-a(2)), as condi- arredondada ideal teria a forma de uma tratriz (K = 0,04).
ções são mais desfavoráveis ao escoamento e K"' 1.
Na prática, sempre que as proporções da obra justifi-
Se as entradas forem arredondadas (FiguraA-78.3- carem, poderão ser melhoradas as condições da entrada,
-a (3)), o valor de J( cairá sensivelmente, da ordem de instalando-se uma redução no início da tubulação (Fi-
guraA-78.3-a (4)), quando então K ., 0,1.

-----L
...:--------
---- ---
-- --
- -----L
----------
-- ---
--- - --
-
A-7 .8.4 Perda de carga na saída das
canalizações (entrada em reservatórios)
__r :::::::+

1 Duas situações podem ocorrer no ponto de descarga das


canalizações (FiguraA -7 8.4-a). Se a descarga for feita ao
=
1)/{ 0,50 2)/{ = 1,00
(entradas rasas) ar livre, haverá um jato na saída da canalização, perdendo-
-se precisamente a energia de velocidade: K = 1. Se a cana-

~~~~-?L
:...._____r-r- 1-=-=-=-~-~-~ =
4) k = O, 1O a 0,20 V - ~ -:::.· ====
.-..= = = = = :.: --- -
Figura A-7.8.3-a - Entradas afogadas, em tubos c ilíndricos, com 1 -.
iiiiliiiliioiioii - -

subm ergência maior que 3,5 DN para minimizar ocorrência de


vórtices (ver Tabela A -7.8.2-a). (1) Normal; (2) reentrante ou
t
borda; (3) sino; (4) redução cônica. Figura A-7 .8.4-a - Pontos de descarga de ca nalizações.
A-7 - Escoamento em Tubulações 121

lização entrar em um reservatório, caixa ou tanque, haverá


um alargamento de seção, caso em que a perda correspon-
derá a um valor de K compreendido entre 0,9 e 1.

A-7.8.5 Perda de carga em curvas


Um erro comum é a falsa concepção de que todos os coto-
velos ou curvas de raios mais longos sempre causam per-
das menores do que os de raio mais curto. Na realidade,
existe um raio de curvatura e um desenvolvimento ótimos
para cada curva e cada velocidade (veja TabelaA-78.5-a) .
Figura A-7.8.6-a - Válvula gaveta.

Tabela A-7.8.5-a Valores de K para curvas de 90º A-7.8.7 Perda de carga em válvula-borboleta

Re lação R/D As válvulas-borboleta (Figura A-78.7-a) são de aplica-


ção cada vez mais generalizada ern obras hidráulicas cor-
Va lores de K 0,48 0,36 0,27 0,2 1 0,27 0,36 rentes.
O valor de J{ dependerá do ângulo ó, de abertura, sen-
do aplicáveis os valores da TabelaA-78.7-a.
A-7.8.6 Perda de carga em válvulas de gaveta
As válvulas de gaveta (Figura A -78.6-a), tambérn co-
nhecidas como "registros" (ver itemA-10.2.1), oferecem Tabela A-7.8.7-a Valores de K para válvu las-borboleta
resistência ao escoamento. Mesmo quando totalmente parcialmente abertas
abertas, haverá uma perda de carga sensível devido às ó K ó a/A* K
características de sua própria construção (reentrâ ncias
nas quais desliza a gaveta e a par te de baixo da gaveta, 5º 0,913 0,24 40° 0,367 10,80
uma vez totalmente aberta, não tem a forma do cilindro 10° 0,826 0,52 45° 0,293 18,70
do tubo onde se insere, deixando outras reentrâncias va-
zias) . 15° 0,741 0,90 50° 0,234 32,60

Para as válvulas de gaveta totalmente abertas, o va- 20° 0,658 1,54 55° o, 181 58,80
lor de K pode variar desde 0,02 até 0,04. 25° 0,577 2,51 60° o, 134 118,00
Na Tabela A-78.6-a estão registrados resultados de 30° 0,500 3,91 65° 0,094 256,00
experiências de Weisbach para diversas aber turas de uma
válvula de gaveta, formando a chamada "curva da válvu- 35° 0,426 6,22 70° 0,060 750,00
la", em que a cada abertura corresponde um K . *a/A é a relação de áreas efetivas da abertu ra de passagem (a) e
da secção tra nsversal do c il indro inte rn o da tu bulação (A ).
N ota: Os valores de K aqu i apresentados são merame nte
Tabela A-7.8.6-a Valores de K para válvulas de gaveta ind icativos, variando com o desenho do fabricante.
parcialmente abertas
0 210 1 a/A* K

7/8 0,948 0,07


6/8 0,856 0,26
D
5/8 0,740 0,81
4/8 0,609 2,06
3/8 0,466 5,52
2/8 0,3 15 17,00
1/8 O, 159 97,80
Figura A-7.8.7-a -Vista esquemática válvula de bo rboleta. A
*a/A é a relação de áreas efetivas da abertura de passagem (a) e válvula está fec hada qua ndo ó = 90° (a/A- O). Ver também o
da secção transversal do cilindro interno da tubulação (A). itemA-10.2. 1.2 .
122 Manual de Hidráulica

A-7.8.8 Perda de carga devida ao


Tabela A-7.8.1 O-a
estreitamento de seção - Relação de
- -
A perda decorrente da redução brusca de diâmetro, de Esquema Kd Ks
vazões
uma seção A I para uma seção A 2, é dada por:

sendo
h =l(x
f 2xg
2
V?
~
- -
Q-q
Kd

q
t
Q
q= Q/3
q= Q/2
q = 2xQ/3
q=Q
0,25
0,40
0,50
0,05
0,30
0,55
0,90

!( = 4
9
X(1 - A2)
A1

Se a redução de diâmetro for gradual, a perda será


- 9; -
Q~Qq
q = Q/3
q = Q/2
q = 2xQ/3
q=Q
0,00
0,01
o, 12
0,90
0,92
1,00
1,30

menor. Na Tabela A-78.2-a, são apresentados valores


sugeridos para cálculos expeditos. Em casos de transi-
ção muito suave, o valor de !( pode chegar a ficar com-
preendido abaixo de 0,15. - -
Q-q
- Kd
Q
q= Q/3
q= Q/2
q = 2xQ/3
q=Q
o, 18
o, 11
0,04
Desprezível
0,11
0,26
0,38

- -
q= Q/3 Desprezível 0,55
A-7.8.9 Perda de carga devida ao alargamento
Q ~ Qq
q= Q/2 0,02 0,45
de seção
~ 45'
q = 2xQ/3 o, 12 0,32
q=Q 0,40
Verifica-se, experimentalmente, que os valores de K de- ~

pendem da relação entre os diâmetros de montante e de


jusante, bem como do comprimento da peça. Para as pe-
ças usuais, encontra-se que:

h =l(x(v ,- v2)2 A-7 .8.11 Método dos comprimentos virtuais


f 2xg
Um método alternativo para levar em conta as perdas
Na Tabela A-7.8.9-a, são apresentados os valores singulares ou localizadas é o dos comprimentos virtuais.
paraK, dados pelo Prof. C. F. Pimenta, em função do ân- Uma tubulação que compreende diversas peças especiais
gulo de ampliação da peça (Figura A-78.9-a) . e outras singularidades, sob o ponto de vista de perdas de
carga, equivale a urna tubulação retilínea de comprimen-
to maior. É nessa simples ideia que se baseia o método,
Tabela A-7.8.9-a Valores de K para alargamento de seções de grande utilidade na prática para a consideração das
perdas singulares.
fJ 40° 60° 120°
O método consiste em adicionar à extensão da tubu-
K o, 13 o, 17 0,42 o,90 1, 1O 1,08 1,05 lação, para simples efeito de cálculo, comprimentos tais
que correspondam à mesma perda de carga que causa-
riam as peças especiais existentes na tubulação. A cada
peça especial corresponde um cer to compr imento fictício
'
V1
e adicional. Levando em consideração todas as peças es-
peciais e demais causas de perdas singulares, chega-se a
um comprimento virtual de canalização.
As perdas de carga ao longo das canalizações po-
Figura A-7 .8.9-a -Alargamento de seção. dem ser determinadas pela fórmu la de Darcy-Weisbach
(itemA-7.7) :

, f x L x v2
A-7.8.10 Perda de carga em tês e junções 1
1,f = D x 2 x g

A TabelaA-7.8.10-a apresenta os valores de K para


tês e junções de acordo com o esquema da peça e a rela- Para determinada tubulação, L e D são constantes
ção de vazões. e, como o coeficiente de atrito f não tem dimensões, a
A- 7 - Escoamento em Tubulações 123

perda de carga será igual ao pr oduto de um número puro A-7 .8.13 Nova simplificação
pela carga de velocidade v2!(2 x g):
Considerando os comprimentos L apresentados na Tabe-
v2 la A-78.12-a, para determinar perdas e dividindo esses
h'.r = m x - -
2xg comprirnentos pelos diâmetros das tubulações, verifica-se
que os resultados apresentam uma variação relativamen-
Por outro lado, as perdas acidentais têm a seguinte te pequena. Assim é que os dados relativos às perdas em
expressão geral: cotovelos de 90º, de raio médio, levam a valores de L!D
v2 variando desde 26 (para DN 300) até 31 (para DN 20).
h1 = I{ x - -
2x g Nessas condições, as informações contidas na Ta-
bela A-78.12-a podem ser condensadas tomando-se os
Observa-se, portanto, que a perda de carga na pas- comprimentos equivalentes expressos em diâmetros das
sagem por conexões, válvulas etc., varia com a mesma canalizações. A Tabela A-78.13-a inclui os dados reco-
função da velocidade existente para o caso de resistên- mendados por Azevedo Netto.
cia ao escoamento em trechos reti líneos de tubulações.
É devido a essa feliz identidade que se pode exprimir as
perdas localizadas em função de compr imentos retilíne- A-7.8.14 Importância relativa das perdas
os de canalização. Pode-se obter o comprimento vir tual localizadas
de canalização, que cor responde a u rna perda de carga
equivalente à perda localizada, fazendo: As perdas localizadas podem ser desprezadas nas tubula-
h1 = h 1 ções longas cujo comprimento exceda cerca de 4.000 ve-
zes o diâmetro (itemA-5.3.2). São ainda desprezíveis nas
2 2
f x L x v = l{ x v canalizações em que a velocidade é baixa e o número de
Dx 2x g 2xg peças especiais não é grande.
Assim, por exemplo, o engenheiro, usando sua per-
cepção (sua arte), saberá se vale a pena sair calculando
as perdas localizadas ou se estas podem ser embutidas em
um coeficiente de segurança ou no coeficiente de rugosi-
dade e não ser levadas em conta nos cálculos de linhas
adutoras, redes de distribuição etc.
A-7 .8.12 Valores práticos
Tratando-se de canalizações curtas, bem como de
A Tabela A-78.12-a inclui valores para os comprimentos tubulações que incluem grande número de peças espe-
fictícios correspondentes às perdas em peças e acessórios ciais, é impor tante consider ar as perdas acidentais. Tal
mais frequentes nas tubulações. Os dados apresentados é o caso das instalações prediais e industria is, dos enca-
for am en1grande par te calculados pelo prof. Azevedo Net- namentos de recalque e dos condutos forçados das usi-
to, com base na fórrnula de Darcy-\~leisbach em sua apre- nas hidrelétricas.
sentação americana, tendo sido adotados valores precisos
de J{. Em parte eles se baseiam também em diversos tra-
balhos de profissionais do ramo e catálogos de fabricantes A-7 .8.15 Cuidados no caso de velocidades
que ensaiaram suas peças. muito elevadas
Os comprimentos equivalentes, embora tenham sido
É importan te assinalar que, no caso de tubulações fun-
calculados para tubulações de ferro e aço, poderão ser
cionando com velocidades elevadas, as perdas de carga
apl icados com aproximação razoável ao caso das tubula-
localizadas passam a ter valores que chegam a ultrapassar
ções de outros materiais.
os valores das perdas ao longo das linhas.
As imprecisões e discrepâncias resultantes do em-
prego generalizado desse método e dos dados apresenta-
dos são, provavelmente, menos consideráveis que as in-
determinações relativas à rugosidade interna dos tubos
e r esistência ao escoamento, assim como à sua variação
na prática.
O ábaco incluso, original da Crane Co., foi convertido
ao sistema métrico e publicado por cortesia daquela com-
panhia (FiguraA-78.12-a) .
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Tabela A-7.8.12-a Comprimentos equivalentes a perdas localizadas (expressos e m metros de canalização reti líne a *1) N
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2,6
ª
3,6
~
0,4 1, 1 1,8

20 17 0,9 1,1 1,3 0,5 0,3 0,8 0,8 2,3 2,5 o, 1 6,7 3,6 5,6 0,5 1,6 2,4

25 22 1,0 1,2 1,4 0,7 0,4 0,9 0,9 2,4 2,6 0,2 8,2 4,6 7,3 0,7 2, 1 3,2

32 28 1,2 1,5 1,8 0,9 0,5 1, 1 1,2 3, 1 3,3 0,2 11,3 5,6 10,0 0,9 2,7 4,0

40 35 1,4 2,0 2,6 1,0 0,6 1,2 1,5 4,6 4,8 0,3 13,4 6,7 11,6 1,0 3,2 4,8

50 44 2,0 3,2 4,4 1,3 0,8 1,5 2,2 7,3 7,5 0,4 17,4 8,5 14,0 1,5 4,2 6,4

60 53 2,4 3,4 4,6 1,5 1,0 1,9 2,3 7,6 7,8 0,4 21,0 10,0 17,0 1,9 5,2 8, 1

75 67 2,8 3,7 4,7 1,7 1,2 2,2 2,4 7,8 8,0 0,5 26,0 13,0 20,0 2,2 6,2 9,7

85 76 3,2 3,9 5,0 1,8 1,5 2,6 2,5 8,0 9,0 0,6 30,0 15,0 2 1,0 2,7 6,3 11,4

100 90 3,6 4, 1 6,0 1, 9 2,0 3,2 2,6 8,2 10,0 0,7 34,0 17,0 23,0 3,2 6,5 12,9

11 0 98 4,0 4,3 7,0 2,0 2,5 4,0 2,7 8,4 11,0 0,9 43,0 21,0 30,0 4,0 10,4 16, 1

150 136 4,5 5,2 8,0 2,3 3,0 5,0 3,4 10,0 12,0 1, 1 51,0 26,0 39,0 5,0 12,5 19,3

200 182 5,0 5,5 9,0 3,0 4,0 6,0 4,3 13,0 14,0 1,4 67,0 34,0 52,0 6,0 16,0 25,0

250 228 6,0 6,7 10,0 3,8 5,0 7,5 5,5 16,0 18,0 1,7 85,0 43,0 65,0 7,5 20,0 32,0
~
300 275 7,0 7,9 11,0 4,6 6,0 9,0 6, 1 19,0 2 1,0 2, 1 102,0 51,0 78,0 9,0 24,0 38,0 "'e:,
350 320 8,0 9,5 12,0 5,3 7,0 11 ,0 7,3 22,0 25,0 2,4 120,0 60,0 90,0 11 ,0 28,0 45,0 "'
Q.
ro
I
* Os valores indicados para vá lvu las de disco (globo) aplicam-se também às "torneiras", vá lvulas para chuveiros e vá lvu las de descarga.
Tabela adaptada pelo autor (MFF) a parti r de norm as e tabelas de uso corrente para tubos e conexões novos ou materiais não oxidáveis e não incrustantes e plásticos,
...
Q.

para fi ns de cá lcu los expeditos e avaliações.


"''
e
Q
A-7 - Escoamento em Tubulações 125

Tabela A-7.8.1 3-a Perdas localizadas expressas em diâmetros de canalização retilínea (comprimentos equivalentes)
1
Comprimento Comprimento
Peça em número Peça em número
de diâmetros de diâmetros 1

Ampliação gradual:
12 Válvula de gaveta aberta 100% 8
A2IA1 < 1,6 e 20 1< L < 20 2

Ampliação brusca (90º) 20 Válvula borboleta aberta 100% 40

Redução gradual: A 2/A 1 < 1,6 e 20 1 < L < 20 2 6 Válvula de ângulo aberta 100% 170

2
Redução brusca (90°) 0,01 < (0 / 0 7) > 0,8 10 Válvula de d isco (globo) aberta 100% 350

Bocais 0,5 < 0 210 1 < 0,8


6 Válvula controladora de vazão aberta 100% 350
(ver item A -5 2.3/A-5 2.7)

Curva 90º lo nga 30 Válvula de pé 100% aberta 100

Curva 90º raio curto (cotovelo) 45 Válvula retenção portinho la o u disco, sem mola 100

Curva 45º longa 15 Crivo 150

Curva 45º curta 20 Saída (chegada) aérea (pressão atmosférica) 35

Curva 22,5 15 Saída (chegada) afogada em reservatório 5

Tê passagem direta DN 1 (saída lateral fechada) 20 Tomada (entrada norm al), Fig ura A -7.8.3-a(1) 17

Tê passagem + saída lateral < 20% Q 1, 0 2 < 0 1 50 Tom ada (entrada reentrante), Fig ura A -7.8.3-a(2) 35

Tê b ifurcação simétr ica 65 Tom ada (entrada em sino), Fig ura A -7.8.3-a(3) 10

Pequenas derivações (tipo ferrule) Tomada (entrada redução cônica),


40 12
0,05 < 0 2ID 1 < 0,25 Fig ura A -7.8.3-a(4)

Junção a 45°, tipo barrilete 30 M edidor Venturi 18

Curva 30° aço, segmentada 2 gomos 7 Curva 45° aço, segmentada 2 gomos 15

Curva 45° aço, segmentada 3 gomos 10 Curva 60° aço, segmentada 2 gomos 25

Curva 60º aço, segmentada 3 gomos 15 Curva 90° aço, segmentada 2 gomos 65

Curva 90° aço, segmentada 3 gomos 25 Curva 30° aço, segmentada 4 gomos 15

Notas:
01 - Consu ltar ca tálogos de fabrica ntes.
02 - Em aço, considerar peças novas e tub ulação nova; sendo toda em plástico, cobre etc., supõe-se sempre nova.
03 - Dados das válvulas considerando-as 100% abertas.
04 - No caso de reduções e ampliações, usar o d iâmetro de jusante.
05 - Valores compulsados e interpolados de forma expedita para fins de avaliações.
Consulta r catá logo fabri ca ntes - dados das vá lvulas considerando-as 100% abertas.
126 Manual de H idráulica

Registro de globo

• ·tÊl·· L
40"
36"
D
1000 mm
900mm
Tê, saída bilat era l 100,0 m
30" 750mm

24" 600mm
50,0m
40,0m
Registro de ângulo 20· 500mm
30,0m
--~ -- 16" 400mm
20,0m 14" 350mm
Entrada de Borda 12" 300mm
10,0m 10· 250mm
Tê, saída lateral
ou cotovelo reto s· 200mm

·= P··• 5,0m
4,0m
3,0m
6" 150mm

Tê red uzido 1/ 2
---- - Entrada normal
2,0m

4"
125mm

100mm
ou cotovelo 90'
1,0m
3" 75mm

2 1h" 63mm
Cotovelo 45' 0,Sm
0,4m 2" 50mm
Tê red uzido 1/ 4
ou cotovelo 90' , raio méd io 0,3m
38mm
0,2m 32mm

1· 25mm
0,1 m
o o
Tê passagem direta ou 19mm
cotovelo d e 90', raio longo
Reg istro de gaveta
'h" 13mm

Figura A-7 .8.12-a - Perdas de carga localizadas (Crane Co.).

A-7.9 ANÁLISE DIMENSIONAL A-7 .9.1 Teorema de Buckingham


A interpretação de vários fenômenos comuns à Hidráuli- A Análise Dimensional repousa sobre o seguinte teorema,
ca, a análise dos modelos reduzidos e a comparação entre que recebeu o nome de teorema de Buckingham (ou teo-
experimentos realizados no passado, tais como deter- rema dos 11;) :
mi nação da perda de carga em tubos e canais, fica gran- Sejam n grandezas físicas e constantes dimensio-
demente facilitada pela Análise Dimensional. A Análise nais e k o número total de grandezas fundamentais, em
Dimensional conduz à for ma adequada de uma equação, termos das quais se exprimem aquelas n grandezas. Se
mas não leva a resultados numéricos. um fenômeno físico puder ser considerado como uma
função:
F(G1 G2, ..., Gn) = O
'
A-7 - Escoamento em Tubu lações 127

das n grandezas Gi interdependentes, também poderá ser Tabela A-7.9.2-a Análise Dimensional
considerado como uma função adimensional
F L T
</)(1C1 , ]½, · · ·, lCn-k) = Ü
de n-k coeficientes (parâmetros) adimensionais JC;, inde- R1 1 -2 o
pendentes, quaisquer, da forma: pªl ª1 -4a1 2a1

Jri = l..l.i
A X Gª
I ' X Gª2
2 X ••• X aam
?n v"2 o ª2 -a2
oa3 o a3 o
onde ~i é um número puro.
Observa-se aqui que só o teorema dos Jt não dá a
relação entre os vários adimensionais. Entretanto, co- Desse modo, igualando os expoentes das grandezas
nhecendo os adimensionais de um certo fenômeno, a básicas,
experiência pode dar esses adimensionais em números
puros que, devidamente apr esentados, podem fornecer a ª1 = 1
relação procurada. - 4x a 1 +a 2 + a3 = -2 a3 = 4 x a 1- a 2 - 2
2 X al - a 2 = Ü .'. a2 = 2 X al

A-7.9.2 Aplicação do teorema de Buckingham Portanto,


ao caso geral de um fluido que se a1 = 1, a2 = 2, a3 = O
movimenta relativamente a uma
Então o adimensional do R 1 será
superfície sólida
R1
Jt1 = 2
Neste caso, o fenômeno depende das seguintes grandezas pxv
dimensionais:
também chamado número índice de resistência ou Wie-
R1 resistência (atrito) da parede sólida à passagem do
derstandzahl.
fluido (kgf/ni2);
,u viscosidade do fluido (kgfs/m 2); Da mesma forma, encontram-se os adimensionais
dados a seguir:
p massa específica do fluido (kg/m 3 ou kgfs 2/m 4);
R _px v x D
v velocidade relativa entre o fluido e a superfície sóli- e- µ (da viscosidade, Reynolds)
da (m/s);
e
D dimensão linear característica da superfície sólida; (da rugosidade)
D
define a forma geométrica (m); v2
e grandeza linear característica rugosidade superfície Fr= - - (da aceleração da gravidade, Froude)
gxD
sólida - altura das asperezas (m); B
(do módulo de elasticidade)
g aceleração local da gravidade (m/s 2); px v 2
s módulo de elasticidade de volume (kgf/m 2); a
(da tensão superficial)
a tensão superficial (kgf/m). px v 2 x D

Escolhem-se aqui as grandezas p, v, D como gran- Assim, o fenômeno e m questão, que poderia ser des-
dezas fundamentais, em termos das quais se exprimirão crito por uma relação entre nove grandezas dimensio-
nove grandezas dimensionais. Assim, nais:
R1 -_ A
u. l X pªI X
vª2 X
Dª3 F(R 1, ,u, p, v, D, e, g, s, a) = O,
poderá também ser descrito por uma relação entre seis
Como o primeiro e o segundo termos têm as mesmas grandezas adimensionais:
dimensões de força , comprimento e tempo, podem-se
ig ualar essas dimensões. 2
,1, = ( R1 p x v x D .!, v B a )=0
.,, 2
pxv ' J,t 2 2
'D' g x D' p x v 'p x v x D
A Tabela A-79.2-a faci lita esse trabalho.
128 Manual de H idráulica

A-7.9.3 Perda de carga em tubos. Movimento Contudo, pelo teorema de Ber noulli (Capítulo A-4),
uniforme a perda de carga é :

A experiência mostra que a perda de carga em tubos, vei- 1 2


hf = ~h = (~ + z 1)-( ~ + Zz )
culando um fluido incompressível com movimento uni for-
me (caso par ticular da aplicação do teorema dos w, feita
aqui), pode ser expressa apenas em função das seguintes Assim,
grandezas dimensionais: R 2, µ, p, v, D, e. A ~h
R1 = y x - x - -
Então, a perda de carga em questão poderá ser ex- Pm L
pressa através dos números adimensionais: R 1/(p x v2),
(p x v x D)l,u e e/D. Ao valor A m!Pm dá-se o nome de raio hidráulico RH
Podendo-se expressar a perda de carga em tubos vei- ou raio méd io,
culando fluido incompressível em movimento uniforme,
por:

R1= t/) X ( p X V x D '!!....)


2 Equação (7.8) No caso do movimento uniforme, o valor MIL rece-
px v Jt D
be a designação de declividade piezométrica J:
J = ~h = h1
A-7.9.4 Expressão de R1 • Fórmula Universal L L
Seja um duto cilíndrico veiculando uma vazão constante Então,R 1 = y xR11 x J, ou R 1 = p xg xR1-1xJ
de fluido incompressível (FiguraA-7.9.4-a), sendo D o di-
Substituindo-se na Equação (7.8) o valor de R 1 dado
âmetro; Am a área da secção transversal do tubo; e Pm o
acima vem:
perímetro molhado da face interna do tubo.
2
A = -Jt_x_D_ g x Ru xJ =t/)( px v x D,!!....) Equação (7. 9)
m 4 v2 µ D

Por equilíbrio das forças que agem sobre o fluido, ou, com
tem-se (na direção do movimento) :
À= g x R~ x J Equação (7. 1O)
(P1 - P2) x Am + y x Am x L x sena = R I x P m x L v-
Mas
resulta
Z1 - Z2
sena = -----=-
L À = q,(P X V X D ,!!.... )
,u D
então
expressão geral adimensional que relaciona declividade
piezométrica (J) e, portanto, a perda de carga (M = J x L)
com Re e com e/D.

? .--...-:::=----------------, Pode-se dizer que praticamente todas as fórmulas


V'j - - - - .. experimentais para o cálculo de perdas de cargas podem
2-X(J. - - - - --- - - 6.h
----- derivar daí.
pl
y
-----
- - - .. - . .
- ---- -----
.__.?.
~
2xg A chamada fórmula Universal deriva dessa expres-
P2 são.
y
Da Equação (7.10) vem:
l v2
J = Â x-x-
Rll g

Para tubos de seção circula r, Ru = D/4, lembra ndo


que:
Figura A- 7.9.4-a - Duto cil índrico veicu lando uma vazão
constante de flu ido incompressível.
A- 7 - Escoamento em Tubulações 129

tem-se: vem:
L v2
D.h = 8 x à x - x - -
D 2x g

Ora, fazendof = 8 x À, tem-se a chamada fórmula Uni-


versal: A-7.9.7 Fórmula de Hazen-Williams
L x v2 Fórmula ) Das experiências de Hazen-Williams tem-se a seguinte
h 1 = D.h = f x - - - ( Universal
D x 2x g expressão para a Equação (7 9):
1 3
onde Qf,85 = ~ 1~ x D-4t,? (Hazen-Williams)

A fórmula de Hazen-Williams tem sido a mais usada


e é a que dispõe de mais observações ao longo do tempo,
Os valores de j são, em geral, dados por diagramas com os valores de C organizados en1 tabelas, cor relacio-
e ábacos, tais como o diagrama de Ivloody e o ábaco de nados ao material e tempo de uso das tubulações.
Rousse (Capítulo A-8), provenientes também da Análi-
se Di mensional. Como a atribuição do coeficiente C a determinado
projeto em deter minadas épocas, presentes ou futuras, é
uma das tarefas a cargo da "arte" do engenheiro, dispor
de dados do que ocorreu na realidade em situações simi-
A-7.9.5 Fórmula de Chézy lares passadas e em operação transmite mais segurança
do que usar apenas ilações teóricas.
DaEquação(710) vem:

v=Jf x.JRu x J A-7.9.8 Fórmula de Poiseuille (para


movimentos laminares)
Fazendo:
Para movimentos laminares (Re < 2.000), o valor de À,
tanto experimental como deduzido teoricamente, é
À = ~ = 8 x 1,t
vem: Re px v x D
v = C x .JRH x J (Chézy) Equação (711)
Substituindo na Equação (710), vem :
que é a fórmula de Chézy, de caráter tão geral quanto a 8 x ,u _ gx DxJ
fór mula Universal, com a vantagem de o coeficiente de p x v x D - 4 x v2 '
Chézy ter sido obtido por inúmeros experimentadores,
entre os quais : Manning, Ganguillet e Kutter, que expri- J = 32 x /.t x v? (Poiseuille)
miram a rugosidade não só pela altura das asperezas (e), y x D-
mas pelo seu efeito global.
Observa-se que a fórm ula de Poiseuille é válida para
Re < 2.000; mas, devido a perturbações que causam tur-
bulência no movimento, ela deve ser aplicada com maior
A-7.9.6 Fórmula de Chézy com coeficiente de segurança para R e < 1.000.
Manning
Manning, adotando o coeficiente de r ugosidade de Gan-
guillet e Kutter, chegou à seguinte expressão para o coe- A-7.1 O SEMELHANÇA MECÂNICA
ficiente C de Chézy:
A "matemática" da Hidráulica só se aplica na prática
1 1/6
C = -x RH mediante comparação com dados experimentais, pois a
n complexidade dos fenômenos nem sempre permite a sua
Substituindo naEquação (7 11) e len1brando a equa- perfeita interpretação por equações ou métodos numéri-
ção da continuidade, cos. A for ma de comparar experimentos e experiências
de uma escala para outra é a principal aplicação deste
Q=Axv; tema.
130 Manual de Hidráulica

Com efeito, modelos reduzidos são construídos para Em alguns modelos, a semelhança geométrica abso-
avaliar como vão funcionar protótipos em escala 1:1 (ta- luta (mesmas escalas na horizontal e na vertical) pode
manho "real" ou "verdadeiro") e as comparações não são resultar em dimensões, ou variações dos fenômenos por
diretas, necessitando diversas considerações matemáti- observar no modelo, muito pequenas (normalmente na
cas e físicas . O mesmo ocorre por exemplo na compa- vertical). Para melhor observar o modelo, fazem-se, en-
ração de rotores de bombas de diversos diâmetros (ver tão, modelos com escalas ditas "distorcidas", quando a
itemA-11.4) . dimensão na escala vertical é mais próxima do protótipo
do que na horizontal, levando-se isso em consideração
Se, por um lado, grandezas geométricas simples
nas observações.
como as dimensões das coisas são proporcionais às esca-
las, outras grandezas não podem ser variadas no experi- A proporcionalidade (razão) das quantidades (em
mento como, por exemplo, a aceleração da gravidade, a valores) das três formas de semelhança hidráulica pode
densidade específica de um grão de areia ou o tamanho ser deduzida das unidades em que se expressam as
da molécula da água. Para resolver, simplificar ou pelo quantidades.
menos aproximar a solução dessas questões, diversos re -
Chamando de :
cursos foram engenhosamente desenvolvidos e são uma
especialidade da Hidráulica. Dm a dimensão do modelo;
Dp a dimensão do protótipo;
Há muito tempo as obras hidráulicas importantes
Dnz a "razão" ou "proporção" entre modelo e protó-
são construídas após uma análise em modelo reduzido.
tipo.
Portos, quebra-ondas, barragens (extravasores-vertedo-
res, canais de aproximação e de fuga) precisam desses
importantes instrumentos de auxílio aos projetos. É por Normalmen te essa "razão" é expressa em fração,
meio desses modelos que se busca entender como as es- por exemplo : um modelo que tenha todas as suas dimen-
trut uras funcionarão depois de prontas. O advento da sões dez vezes rnenores que o protótipo (10% do protóti-
computação permitiu que diversas questões passassern po) , diz-se que é um n,odelo de "razão" 1/10 do protótipo.
a ser r espondidas pelos "modelos matemáticos". Como E, nos estudos com rnodelos hidráulicos, norrnalmente
exemplo da predominância dos modelos matemáticos, se usa a "razão" de todas as quantidades envolvidas em
tome-se um instituto mundialmente importante que no função da "razão" das escalas geométricas.
ano de 1990 tinha 5 galpões com modelos reduzidos fí-
sicos, e que já no ano 2000 tinha transformado 4 deles
em escritórios para atividades predominantemente de A-7 .10.2 Semelhança geométrica
modelagem matemática computacional. Entretanto, esse
galpão que restava para a modelagem física continuava Podem ser assim apresentadas:
existindo em 2010 e tudo indica que vai permanecer por De longitudes (comprimentos):
muito tempo, pois muitas questões ainda precisam de
modelagem física, especialmente quando fenômenos tri- Ln = Lm Equação (7.12)
dimensionais são relevantes. z Lp

De áreas:
A-7.10.1 Tipos de semelhança
LZR = L~ = Am Equação (713)
A "semelhança" entre um modelo e um protótipo pode z L'I, A
p p
ser de 3 tipos :
De volumes:
A - SEMELHANÇA GEOMÉTRICA (semelhança de for-
ma - homotetia-, dimensões, áreas, volumes.) 3
L3R = I.;,,. = Vm Equação (7.14)
B - SEMELHANÇA CINEMÁTICA (movimentos simi- z Lp
3 Vp
lares : se as trajetórias de partículas homólogas em
movimento são geometricamente similares e se a
razão entre as diversas partículas homólogas no mo-
delo e no protótipo forem iguais.) A-7 .10.3 Semelhança cinemática
C - SEMELHANÇA DINÂMICA (similaridade de forças : Introduz o fator TEMPO junto ao de DIMENSÃO. A "ra-
protótipo e modelo são semelhantes dinamicamente zão" ou proporção (Rz) entre os tempos necessár ios para
se forem cinematicamente similares e se a relação que duas partículas, uma no modelo e outra no protótipo,
entre as massas homólogas em movimento e as for- percorram duas trajetórias homólogas uma no modelo e
ças que produzem o movimento são iguais.) outra no protótipo é:
A- 7 - Escoamento em Tubulações 131

Uma vez que "Força" é "massa (m) x aceleração (a)"


TRz = Tm Equação (7.15)
TP (Newton) :
F
As "grandezas" cinemáticas nor malmente usadas Fnz = ....!!!:. =
Fp Equação (7.23)
em trabalhos de modelagem são:
• a velocidade e a aceleração linear ; Como F = m x a é a denominada "força de inércia" ou
• a vazão; "força inercial", a equação F Rz define a relação das forças
• a velocidade e a aceleração angular; inerciais entre modelo e protótipo . Além disso, conside-
• a velocidade "v" pode ser expressa como com- rando " p" como densidade ou massa específica, Massa=
primento por unidade de tempo : p x Volume e, então, a equação anterior pode ser trans-
for mada em (onde A é área) :
-vm =----""-'
Lm/Tm Lm/ Lp L,?z
---=- =--'-~ =- - Equação (7.16) 2
vp Lv/ Tv Tm/ Tv Tnz LRz
FRz = (PRz X L3Rz ) x~=pRz x L2Rz X -LRz
- =
TRz ( TRz )
• a aceleração linear "a" pode ser expressa como
comprimento por unidade de tempo ao quadra-
do: Equação (7.24)

am Lm/ T;, Lm/ L p Lnz também conhecida como "lei de semelhança de Newton"
- = 2 = ? 9 = - 2- Equação (7.17) e que define a lei geral de semelhança dinâmica entre
ªv Lv/ Tv T.;;,j T; Tnz
modelo e protótipo. A partir dessa equação pode-se es-
• a vazão "Q" é volume por unidade de tempo: crever:
3 / 3 3
Qm = VolumenJTm = 1.Jm Lv = LRz Equação (7.25)
QP Volumev/Tv T/ Tv Tnz
Equação (7.18) Então:
• a velocidade angular "e.o" (ern radianos por uni- • Trabalho: Trabalho = Força x Distância, e a
dade de tempo é igual à velocidade linear na proporcionalidade de trabalho entre modelo e
tangente de raio R): protótipo feita por forças homólogas é:
Wm-= vm / Rm = vni/ vp = Lnz/ Tnz
- = -
1
Trabalhom _ Fm x Lm _ F L
'Wp vv / R p Rm/ RP Ll?z Tnz - - Rz x Rz Equação (7 26)
Trabalhov FP x Lv
Equação (7. 19)
Considerando "N" a medida de velocidade angula r • Potência é o tempo em que se faz o trabalho (ou
em rotações por unidade de tempo (por exemplo, rota- a rapidez com que se faz o t rabalho), então :
ções por minuto): Potênciam = Fm X Lm/Tm = Fnz X LRz
Nm
- - =1- Equação (7.20)
PotênciaP FP x Lv/ Tv Tnz
Np Tnz Equação (7.27)
• sendo a aceleração angular "a " em radianos por • Gravidade: o peso unitário "<p" é a força de atra-
unidade de tempo ao quadrado e considerando ção do planeta sobre cada unidade de volume
a equação da velocidade angular: de água:
a,.,,, 1 <fJm Fm/ Volumem Fm/ Fp FRz
- =- -z Equação (7.21) - = = =-;r
ªv TRz <fJp Fp/ VolumeP Vm/ Vv Lnz
Equação (7. 28)

A-7.10.4 Semelhança dinâmica Finalmente, como a densidade " p" (de massa) é a
massa por unidade de volume:
Para haver semelhança dinâmica, é necessário que a re-
lação entre as forças homólogas do modelo e do protótipo Pm - (Fm, X r! /
Lp)/ volumem, - FRz X Tiz
sejarrt proporcionais (constantes) segundo uma razão Rz: Pp - (Fm X r ; / Lv )/ vo1umep - Li?z
F Equação (7.29)
....!!!:. = FJ?z Equação (7.22)
FP
132 Manual de Hidráulica

A-7.10.5 Forças gravitacionais predominantes Como "g" é igual para modelo e para protótipo,
- Froude "gRz" = 1, e então a Equação (734) será:

Podendo admitir que as "forças" que comandam um mo- Tnz =.JLnz


vimento são as de inércia e as de gravidade, a relação de
Substituindo Tnz por VLnz nas Equações (712) até
forças que atuam sobre partículas "homólogas" do mode-
(729), essas equações serão função da proporção das
lo e do protótipo pode ser definida tanto pela Equação
dimensões longitudinais LRz e da proporção dos "pesos
(7.23) quanto pelo fato de que a força de gravidade que
específicos (f}Rz" (TabelaA-710.5-a).
atua sobre um elemento de massa é igual ao "peso" "P"
desse elemento de massa. Por consequência, para ele- Considerando que a relação das densidades da água
mentos homólogos: (peso específico) tanto no modelo quanto no protótipo é
igual à unidade (como costuma ocorrer), as proporções
P,n <pm x L~n L3 (razões) das grandezas consideradas na semelhança di-
F Rz =p = L3 = (f}nz x Rz Equação (7.30)
p (f} p X p nâmica tanto no modelo quanto no protótipo também
podem ser expressas em função de LRz·
Então, como
Substituindo TRz na Equação (716) pelo valor de
Massa = <plg TRz na Equação (734), a relação de velocidades entre
Volume modelo e protótipo fica sendo:
a Equação(723) pode ser assim apresentada:
vm = Lnz = .JLnz x Qnz = .JLmx Om =
<p Rz r3 vp TRz .JLP x gP
mRz = - - X unz Equação (731)
gRz
Equação (735)
e então :
Fn = (f}uz x L~ Equação (732) Essa forma de equação v/VL x g é uma adimensio-
z Tz
Onz Rz nal (ou "um adimensional") que se denomina "Número
de Froude".
e igualando "Fnz" nas Equações(730) e (7.32):
A demonstração de que é um adimensional pode ser
<p x I} Rz
x L3 = ---1k. feita por "análise dimensional", substituindo os fatores
<p Rz Rz -;:;:;rT, Equação (733)
gRz Rz (v, L e g) pelas unidades:

Que é o mesmo que: m/s = m/s = m/s = 1


✓ m x m/s .Jm2/s2 m/s
TRz -_ ✓LRz
-- Equação (734)
0Rz Dentre outras maneiras de apresentar o número de
Froude (NF), a mais freq uente deve ser v2!(L x g).
conhecida como Lei de Froude para modelos e que se
aplica à maioria dos ensaios com modelos de estruturas Se o número de Froude é o mesmo para o modelo e
hidráulicas, principalmente naqueles com grande perda para o protótipo, é porque existe uma semelhança com-
de energia, como ondas de s uperfície quebrando e/oure- pleta entre modelo e protótipo (quando predominam as
fletindo e/ou refratando em portos e praias, em barra- forças gravitacionais e de inércia).
gens (descargas, vertedores etc.) .

Tabela A-7 .10.5-a Razões de escala para Leis de Modelo de Froude quando g, = 1
Semelhança Geométrica Semelhança Cinemática Semelhança Dinâmica

Tempo Ll/2
r Peso unitário w,
Longitude L,
Ve locidade LY2 Densidade de massa w,
Aceleração 1 Força w,L~
Á rea L~
Descarga L~t2 Massa w,L~
Veloc idade angular L;l /2 Trabal ho w,L:
Volume LJr
Aceleração angular L;l Potência w,L?
A- 7 - Escoamento em Tubulações 133

A-7.10.6 Forças viscosas predominantes - Substituindo na Equação (716) o valor de T Rz da


Reynolds Equação (737) chega-se à seguinte expressão, para a
proporção de velocidades entre modelo e protótipo:
Podendo-se admitir que as "forças" de viscosidade que
v,n LRz LRz x VRz V Rz
influem no movimento ou ação do fluido (no caso água)
são tão importantes que possam ser consideradas predo- Vp TRz L1z TRz
minantes sobre as forças gravitacionais, a viscosidade e a = v m/vp = vm x Lm = V P x LP
inércia comandarão o movin1ento de qualquer partícula Equação (739)
Lm/ Lp Vm Vp
do fluido.
EmA-1.4.6 viu-se que a força cortante unitária resul- Nessa forma (v x Llv) a equação não tem dimensões,
tante da resistência viscosa de um fluido em movimento é um "adimensional"; é o conhecido "Número de Reynolds"
sobre uma área A pode ser assim expressa: (Re) que aparece em diversos locais deste livro.
dv Por exen-1plo, no escoamento em tubulações, a me-
F =px A x - Equação (7.36) dida linear (longitudinal) característica é o diâmetro.
dn
A equação que demonstra que o número de Reynolds é
Então a proporção (Rz) entre forças viscosas homó- uma adimensional pode ser:
logas no modelo e no protótipo pode ser assim: (metro/segundo) x (metro)=
1
Fnz = J.l.m(dvm/dnm)A,n = ( metro 2/segundo)
Pv (dvv/ dnµ)AP
Nos modelos em que as forças de viscosidade e de
,u,n(L,n/ (T.,n x Lm))L;n L~
Equação (7.37) inércia predominam na indução e controle do movimen-
= ,Ltp(Lµ/ (Tp x Lp))L;, =,Llnz x TRz
to, o "Número de Reynolds" tem importância significati-
va. Se o número de Reynolds é o mesmo tanto para o mo-
Igualando com (723) e substituindo mRz por PRZ x delo quanto para o protótipo, pode-se dizer que há uma
LY?z, vem: sen1elhança completa entre um e outro. É o que ocorre
com modelos de escoarnento de fluidos (água) em tubos,
Equação (7.38) em canais, em córregos e rios, ou em objetos in1ersos em
líquidos em movimento (o pilar de uma ponte) ou objetos
Que, explicitando para TRz : em movimento em líquidos tais como um navio ou um
2 2 avião (fluido ar) (desde que as velocidades sejam abaixo
0 0
T Rz = Rz = Rz Equação (739) de determinados valores) .
,LL1?z / P Rz V Rz

conhecida como Lei de Modelagem de Reynolds. A-7.10.7 Forças de tensão superficial


Substituindo TRz por Liz lVRz nas Equações (712) predominantes - "Weber"
a (729), a proporção Rz das quantidades das diversas
grandezas envolvidas encontra-se na Tabela A-7.10.6-a. Normalmente os modelos são em escala menor do que
E se for usado o mesmo fluido no modelo e no protótipo, os protótipos, daí o nome "modelo reduzido". Ora, nos
de forma que WRz = PRz =1 e V Rz =1, todas as proporções modelos reduzidos, por serem menores, algumas forças
Rz podem ser expressas pela proporção de longit udes como a tensão superficial podem passar a ter importân-
(*comprimentos). cia maior. Em escoamentos com pequenas lâminas a

Tabela A-7 .1 0.6-a Razões de escala para Leis de Modelo de Reynolds quando g, = 1
Semelhança Geométrica Semelhança Cinemática Semelhança Dinâmica

Tempo l~lv, Peso unitário p, x v~ll}


Longi tude L,
Velocidade v/L, Densidade de massa P,
Aceleração V,ll~ Força P, X V~
Área L2
' Descarga L, X v, Massa p,x q
Velocidade angular v,ll; Trabal ho p, X V~ X L,
Volu me l3
' Aceleração angular V,ll: Potência p, X ,?,!L,
134 Manual de Hidráulica

tensão superficial pode predominar. É o que pode ocor- Considerando o mesmo fluido no modelo e no protó-
rer em um vertedor ao começar a escoar, ou próximo ao tipo, vem que PRz = l e ª Rz = l , então:
fim de uma descarga maior, em trechos rasos, em peque-
nas ondas etc. T Rz = Lll2
!à; Equação (7.42)

A tensão superficial, já abordada neste livro, é repre- e, substituindo na Equação (740) :


sentada por "d' e medida em força por unidade de compri-
mento. Portanto, a força da tensão superficial é F = a x L. vm LRz a m/ Lm x Pm
vp ~:JL~ xP1à: /aRz = a m/ Lv xPp
Então, a proporção (razão) das forças homólogas de
tensão superficial entre um modelo e um protótipo, segui- Equação (743)
da de uma igualdade dessa relação de forças de tensão
que, transformada também pode ficar:
superficial à relação de forças de inércia, resulta em:
2
Vm x Lm x Pm = VP X
2 LP x Pp
Fm O'm X L,n L Lt~
- = L = ª Rz x Rz = PRz x T2~ Equação (740)
FP a px P Rz

E então pode-se escrever: Essa fórmula: (v2 x L x p)laé um adimensional co-


nhecido como "Número de \1/eber" (Nw), importante no
3 estudo de modelos onde as forças de tensão superficial e
LRz x PRz
TRz = Equação (741) de inércia são predominantes.

Exercício A-7-a
Uma tubulação em aço, nova, com 10 cm de diâmetro interno, Q 0,00880
conduz 757 m3/dia de óleo combustível pesado à temperatu- Q = A x v :. v = - = --'--- = 1 10 rn/s
A 0,00785 '
ra de 33 ºC. Pergunta-se: o regime de escoamento é laminar
ou turbulento? Informa-se a viscosidade do óleo pesado para
33 ºC: Vcn = 0,000077 m 2/s.
R = 1,10 x 0,10., 1.400
e 0,000077
Solução:
Portanto, o movimento é laminar.
3 757 3
Q = 757 m /dia = = 0,0088 m /s
86.400
A = Jt x D2 = Jt x 0,0102 = O00785 m2
4 4 '

Exercício A-7-b
Uma tubulação de ferro dúctil com 1.800 mele comprimento e quanto as perdas localizadas representam da perda por atri-
300 mm de diâmetro nominal descarrega em um reservatório to ao longo da tubulação (em %). Há na linha apenas 2 cur-
60 C/s. Calcular a diferença ele nível entre a represa e o re- vas de 90º, 2 de 45º e 2 válvulas de gaveta (aber tas).
servatório, considerando todas as perdas ele carga. Verificar

-------
------ R

Figura A-7-b

Solução: Q 0,060
v =- = --'-- = O85 m/s
A velocidade na canalização é A 0,0707 '
A-7 - Escoamento em Tubulações 135

Exercício A-7-b (continuação)


portanto, A perda de carga total será a diferença de nível entre a repre-
sa e o reservatório,
_v_2_ = 0,852 = O037 m
2x g 2 x 9,8 ' /::;. = 0,121 + 7,38 = 7,501 m

As perdas de carga acidentais serão determinadas em função Para essa tubulação, as perdas localizadas representarão
vz
I-h1 x 100 = 0,121 x 100 = l 64%
de 2 x g h1 7,38 '
Calculando a entrada na tubulação:
isto é, cerca de 2% da perda por atrito. Em casos como esse,
v2 O85 2 de canalizações relativamente longas com pequeno nú mero
K x - - = 1x ' = O 037 m de peças especiais, fu ncionando com velocidades baixas, as
2xg 2 x 9,8 '
perdas locais são desprezíveis em face da perda por atrito.
As 2 curvas de 90° (sendo de FFD, pressupõe-se tipo longas):
A própria variação do valor perdido por atrito, segundo as
2 X 0,40 X 0,037 = 0,030 m
diferentes fórmulas que poderiam ser adotadas para o seu
As 2 curvas de 45°: cálculo, justificaria tal afirmação. Se, por exemplo, ao invés
2 X 0,20 X 0,037 = 0,015 m da fórmula de Hazen-Williams, fosse adotada a fórmula Uni-
versal, resultaria para e= 1,50 mm logo
As 2 válvulas de gaveLa aberLas:
2 X 0,02 X 0,037 = 0,0015 m J = 0,0038 (TabelaA-8.4-b)
A saída da tubulação = 1 x 0,037 m h '.r = J x L = 0,0038 x 1.800 = 6,84 m
As perdas localizadas corresponderiam apenas a :
Somatório: ~ h1 = 0,121 m
Portanto, essas perdas localizadas não atingem 13 cm. 0,121 X 100 = l 77%
6 84 '
A perda por atrito ao longo da tubulação pode ser encontrada '
na Tabela A-8.4-a (Fórmula de Hazen-Williams) : para Q = No caso de instalações prediais, o número de peças espe-
60C/s, DN 300 mm, e considerando C = 100, vem: ciais é significativo, costumando causar perdas localizadas
consideráveis.
J = 0,41 m/100 m =0,0041 mim
h1 = J x L = 0,0041 x 1.800 = 7,38 m

Exercício A-7-c
Analisar as perdas localizadas no ramal de 20 mm que abas- 0,35 + 1,10 + 1,65 + 1,50 + 0,50 + 0,20 = 5,30 m
tece o chuveiro de uma instalação pred ial. Verificar qual a
porcentagem dessas perdas em relação à perda por atrito ao ............................
longo do ramal. Ver FiguraA-7-c. -------------
Reservatório
,_...;;.
º•~5.;.
o_ 8
Solução:
Aplicando o método dos comprimentos equivalentes a essas 1½" 1,5 0
perdas localizadas ou singulares pela Tabela A-7.8.12-a:
1 0,35
2
....
,I I , , l \ \

(1) Tê, saída do lado: 2,5 m de canal ização R 7


R R 3
(2) Curvas raio curto, 90º: 1,3 m
1,1O
(3) Válvula ele gaveta aberta: 0,1 m 1½" 4
(4) Curvas raio curto, 90º: 1,3 m
(5) Tê, passagem direta: 0,8 m
(6) Curvas raio curto, 90°: 1,3 m Figura A-7-c
(7) Válvula de gaveta aberta: 0,1 m Como as perdas localizadas equivalem à perda e m 10 rn de
(8) Curvas raio curto, 90°: 1,3 m
tubulação retilínea, são mais elevadas do que as perdas ao
(9) Curvas raio curto, 90º: 1,3 m
Total: 10 m longo dos 5,30 m de canalização.

Portanto, as perdas localizadas correspondem ou equivalem J.Q._ =187%


a um comprimento virtual adicional de tubulação de 10 m. 5,30
A perda por atrito é devida ao comprimento real da canali- As perdas singulares representa.rn, pois, 187% das perdas
zação, isto é : por atrito.
136 Manual de H idráulica

Exercício A-7-d
Um conduto forçado com 1.200 mm de diâmetro nominal e
150 m de extensão parte de uma câmara de extravasão para
conduzir 4,5 m3/s ele água extravasada para um rio cujo nível
está 6,50 m abaixo do nível máximo que as águas poderão
atingir na câmara. Na linha existem 4 curvas ele 90º e con- 6,SO m
10 m
sidera-se que o coeficiente de rugosidade "C" para a fórmula CORTE l 1
de Hazen-\:Villiams é 100. Verificar as condições hidráulicas.
2 3 4
Solução:
São, portanto conhecidos: diâmetro DN, Comprimento L, a
carga disponível h e a rugosidade C.
Tem-se a vazão Q mínima a transportar. Consu ltando a Tabe-
la A-8.4-a encontra-se: PLANTA
Velocidade para a vazão desejada:

v
v2
= 3,98 m/s; - - = 0,807; J = 1,41 m/100 m (C = 100)
2xg
l1
L 4
l
As perdas localizadas são: "'.i. f( = 4 x 0,4 + 0,5 + 1 = 3,1 Figura A-7-d
(1 entrada + 4 curvas + 1 saída)
h'1= 3,1 x 0,807 = 2,50 m (54%)
Perda ao longo ela linha:
h1 = 1,41 mim x 1,5 m = 2,12 m (46%)
Perdas totais: 2,50 + 2,12 = 4,62 m
Como é menos do que a altura disponível (6,50 m), o diâme-
tro é satisfatório.

Exercício A-7-e
Deseja-se ensaia r um vertedor de uma barragem de 100 m de O número-índice selecionado será o número ele Froude (Fr),
altura através ele um modelo em escala 1:50. Pretende-se sa- sendo que o valor de e/D será aproximado o máximo possível
ber se a lâmina vertente no protótipo age com pressão maior pela confecção de superfícies tão lisas quanto for realizável
que a atmosférica sobre o vertedor. Dar a vazão do modelo. em laboratório.
A vazão do protótipo é de 1.000 m3/s.
Assim, as escalas desejadas são a de vazão, d 512 , e a de pres-
sões, d. Mas:
Solução:
1
De acordo com o tratamento geral feito no item A-7.10, os d =- =020 d 51z = 5 ,66 x 10-5
adirnensionais que influem nesse caso (movimento relativo 50 ' '
entre fluido e s uperfície sólida) são: Daí
e e a
À, Re, F,, D, , e Q2 = d 512 x Q1 = 5,66 x 10-5 x 1.000 = 0,0566 m 3 /s
px v- px V 2 x D
Q 2 = 56,6 C/s
Os adimensionais mais importanLes, devido à grande predo- p 1 = 50 x P2
minância das forças de peso em relação às forças de viscosi-
dade, de tensão superficial etc., são: Conhecendo as pressões p 2 do modelo, tem-se as pressões
e p 1 do protótipo.
Fr e -D
A altura cio modelo será 2 m (1:50).
A-7 - Escoamento em Tubul ações 137

Exercício A-7-f
Uma t ubulação AC, DN 75 mm, Lem 160 m de compr imento (Fi- Calcule a perda de carga no LrajeLo AD por dois métodos de
guraA -7-f). No trecho inicial AB transporta 8,9 Us de ág ua de cálc ulo das perdas localizadas.
A para B. Exatamente no meio dessa tubulação (no ponto B),
1) Usando o método de cálculo da equação geral das perdas
portanto, a 80 m do início, há um tê de saída lateral com DN 50
de carga (Kx v2 )!(2 x g) .
mm, onde se inicia outra tubulação DN 50 mm, comprimento
80 m, e, quando se abre a válvula, D recebe 3,5 Cls . 2) Usando o método dos comprimentos virtuais.

Solução:
Método do Coeficiente K Método dos comprimentos virtuais
Coeficiente de Coeficiente de
Perda de carga Perda de carga
perda de carga perda de carga
.,,
~
.,,
~

,...
~
E o
..., E
*
~

o
"' e "'
-o ~ "'
-o "' ~E
-o
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-o "' E
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N '"'
·c:Ê

<.J ~ t;; X
::.::::::::. uE"' ::> ~ o E
...J ~ Q::=, uZ "'
uE ::> ~
o E
...J ~ O:::.
DN (mm) 75
<li
"' ...,e
-o Q (C/s) 8,9
(1) (1)
A .... !:;
..., e 1,00 0,2069 2,63 135 0,059 o, 1548
e <li v (m/s) 2,01
w <li
....
v2/(2 X g) (m) 0,21
DN (mm) 75
o
'"''-"' Q (C/s) 8,9
AB "'::; 135 0,059 4,72 80 135 0,059 4,72
.D v (m/s) 2,01
~
v2/(2 X g) (m) 80
o DN (m m) 50
-o
"' Q (C/s) 3,5
B
<(li
1- -o
Q)
1,45 0,2348 2,50 135 0,08 o, 189
v (m/s) 1,78
"'
-o
,_
:}l V-/(2 X g) (m) o, 16
DN (mm) 50
o
'"''-" Q (C/s) 3,5
BD "'::; 135 0,076 6,05 80 135 0,076 6,05
.D v (m/s) 1,78
~
L (m) 80
DN (mm) 50
- "' B
Q) 3,5
::; > Q (C/s)
D1 > (1) 0,04 0,0064 0,40 135 0,08 0,030
> -o
'"' 01)
Q) v (m/s) 1,78
V-/(2 X g) (m) o, 16
DN (mm) 50
Q) 1(1)
o
-o '-"' Q (C/s) 3,5
D2 -o-
" ' (1)
, _ ::; 1,00 o, 1619 1,75 135 0,08 o, 1323
(1) .D v (m/s) 1,78
V) ::;
...,
V-/(2 X g) (m) o, 16
Somatório 0,6100 10,7666 0,5064 10,7666
Perda de carga total (m) 11,3766 11,273
(*1) De acordo co m a Tabela A -7.8.2-a .
(*2) De acordo co m a Tabela A-7.8. 73-a .
(continua)
138 Manua l de Hidráulica

Exercício A-7-f (continuação)

DN 75mm
L = 500 m
C= 100
NA Q =5,4 C/s

L=500m
C = 100
0 = 8,9 C/ s
DN50mm
L = 500m
C= 100
Q = 3,5 C/s
Figura A-7-f

Usina Hidroelétrica de Estreito, 1.050 MW, construída entre 1964 e 1969, 140 km a jusante da Usina Hidroelétrica de Furnas, no Rio
Grande (MG/ SP). Descarga máxima de projeto: 13.000 m3/ s; área inundada: 46 km 2; altura máxima sobre fundações: 92 m. Seis
turbinas ti po Francis para 175.000 kw e engolimento nominal da ordem de 315 m 3/ s cada; altura nominal sobre as turbinas: 60 m.c.a.
(Bib. M175).
Capítulo A-8

Cálculo do Escoamento em
Tubulações sob Pressão
A-8.1 INTRODUÇÃO

A-8.2 O MÉTODO EMPÍRICO E A MU LTIPLICIDADE DE FÓRMULAS


A-8.2.1 Critério para a Adoção de uma Fórmula
A-8.2.2 Fórmula de Darcy
A-8.2.3 Outras Fórmulas para Tubulações e seus Limites de Apl icação
A-8.2.4 Comparação de Algumas Fórmulas Práticas
A-8.2.5 Inconven ientes das Primei ras Fórmu las
A-8.2.6 Contribuição da Estatística. Uma Fórmula Méd ia
A-8.2.7 Fórmula de Hazen-Williams
A-8.2.8 Vantagens da Fórmula de Hazen-Williams
A-8.2.9 O envelhecimento das Tubulações e Outras Alterações com o
Tempo nas Fórmulas "Empíricas"
A-8.2.10 Escolha Criteriosa do Coeficiente C
A-8.2.11 Fórmulas Empíricas para Tubulações de Pequeno Diâmetro

A-8.3 O MÉTODO CIENTÍFI CO. A " FÓRMU LA UN IVERSAL"


A-8.3.1 Considerações sobre a Fórmula
A-8.3.2 O Coeficiente de Atrito f
A-8.3.3 Natureza da Perda de Carga
A-8.3.4 Camada Limite, Zona de Turbulência e Filme Laminar
A-8.3.S Tubos Lisos e Tubos Rugosos
A-8.3.6 Experiências de Nikuradse
A-8.3.7 Regime Laminar, Re < 2 000
A-8.3.8 Regime Turbulento
A-8.3.9 Diagramas de Stanton, Rouse e Moody
A-8.3.10 Problemas-Tipo
A-8.3.11 Observações sobre o Emprego da Fórmu la Universal
A-8.3.12 Envel hecimento das Tubulações e a Rugosidade na Abordagem das
Fórmulas de Colebrook
A-8.3.13 Condições de Entrada nas Canalizações
A-8.3.14 Escoamento de Líquidos com Viscosidade Diferente da Água
A-8.3.15 Escoamento de Gases

A-8.4 TABELAS PARA AS FÓRMULAS DE HAZEN-W ILLIAMS E UNIVERSAL


(COLEBROOK)
Capítulo A-8

Cálculo do Escoamento em
Tubulações sob Pressão

A-8.1 INTRODUÇÃO
No projeto de uma tubulação, a questão principal é determinar a quantidade de energia
necessária para "empurrar" a quantidade de água desejada entre um ponto e outro dessa
tubulação.
Engenheiros e pesquisadores que se ocuparam da questão buscaram sempre en-
contrar uma fórmula prática que permitisse a solução desse problema.
Normalmente, em um abastecimento de água por gravidade, os dados conhecidos
são a carga disponível e a vazão desejada, e a incógnita é o diân,etro do tubo. Mas
qualquer combinação de parâmetros conhecidos ou por determinar é frequente no dia
a dia dos engenheiros.
Por exemplo, em geração hidrelétrica é comum conhecer a vazão necessária para
a turbina, a altura geométrica entre o nível de água a montante e a jusante e a perda de
carga máxima admissível, sendo a incógnita novamente o diâmetro.

A-8.2 O , MÉTODO EMPÍRICO E A MULTIPLICIDADE DE


FORMULAS
Conforme visto no itemA-7.7, a fórmula de Darcy-Weisbach ou fórmula Universal apre-
senta o inconveniente de precisar de aferição de um coeficiente j que nem sempre é
transladável de uma situação para outra, o que torna sua utilização problemática.
Assim, diversos engenheiros e pesquisadores dedicaram-se a lançar os dados obser-
vados na prática em gráficos e tentar desenvolver equações empíricas a partir destes.
A fórmula empírica consagrada pelo uso é a fórmula de Hazen-Williams (ou
Williams-Hazen), que, pela tradição de bons resultados e simplicidade de uso via
tabelas, há de permanecer em uso por muito tempo no meio dos engenheiros, em que
pese a campanha pelo abandono das fórmulas empíricas e tentativas de obrigatoriedade
do uso do método científico. Tal colocação de obrigatoriedade de fórmula, já incluída
em diversas normas brasileiras, nos parece ser exigência desnecessária que extrapola
os objetivos de normatização.
142 Manual de Hidráulica

As fórmulas empíricas normalmente só se aplicam Tabela A-8.2-a Algumas fórmulas empíricas (práticas)
ao líquido em que foram ensaiadas, e a temperaturas se-
Ano Autor País
melhantes, uma vez que não incluem termos relativos às
propriedades físicas do líquido (fluido) . 1 1775 Chézy França

Também é importante anotar que tais fórmulas assu- 2 1779 Dubuat França
mem que o escoamento é sempre turbulento, que é o que 3 1791 Woltmann A lemanha
ocorre na prática, com raríssimas exceções, para as quais 4 1796 Eytekweub A lemanha
o leitor deverá estar atento.
5 1800 Coulomb França
As fórmulas empíricas são fórmulas monômias, por 6 1802 Eisenmann A lemanha
isso facilmente calculadas e tabeladas.
7 1804 Prony França
O grande número de fórmulas existentes para o O'aAubuisson França
8 1825
cálculo de canalizações cer tamente impressiona e põe
em dúvida aqueles que se iniciam nesse setor da Hi- 9 1828 Tadini Itália
dráulica aplicada. 10 1845 We isbach A lemanha

Desde a apresentação da fórmula de Chézy, em 1775, 11 1851 Saint Venant França


que representou a primeira tentativa para exprimir alge- 12 1854 Hagen A lemanha
bricamente a resistência ao longo de um conduto, inúme- 13 1855 Dupuint França
ras foram as expressões propostas para o mesmo fim, mui-
14 1855 Leslie Inglaterra
tas das quais ainda hoje são reproduzidas e encontradas
nos manuais de Hidráulica. No preparo deste capítulo fo- 15 1855 Darcy França
ram compulsadas numerosas fórmulas, podendo-se dizer 16 1867 Ganguillet-Kutter Suíça
que existam mais de cem.
17 1867 Levy França
Parece mesmo ter havido época em que todos os 18 1868 Bresse França
engenheiros hidráulicos - uns mais, outros menos -
19 1868 Gauckler França
preocupavam-se no sentido de apresentar fórmulas
próprias, ou, pelo menos, de prestigiar fórmulas "na- 20 1873 Lampe A lemanha
cionais". Como curiosidade, mantém-se nesta edição a 21 1877 Fanning Estados Unidos
Tabela A -8. 2-a, a seguir, onde se listam as supostas 40
22 1877 H amilton Smith Estados Unidos
fórmulas principais.
23 1878 Colombo França
24 1878 Darrach Estados Unidos

A-8.2 .1 Critério para a adoção de uma fórmula 25 1880 Ehrmann A lemanha


26 1880 lben Alemanha
Evidentemente, uma expressão não deve ser adotada sim-
plesmente por motivos de simpatia pelo nome do autor, 27 1881 Franc k A lemanha
pela sua escola ou país de origem, ou, ainda, pelo fato de 28 1883 Reyno lds Inglaterra
a fórmula j á ter sido empregada com "bons resultados". 29 1884 Thrupp Inglaterra
Raramente as canalizações, depois de postas em serviço,
são ensaiadas de modo conveniente para a determinação 30 1886 U nwi n Estados Unidos
das suas características hidráulicas; mesmo assim os re- 31 1887 Stearbs-Brusch Estados Unidos
sultados do seu funcionamento, invariavelmente, são clas- 32 1889 Geslain França
sificados corno bons.
33 1889 Tutton Inglaterra
Corno os resultados obtidos com o emprego de fór- 34 1890 Manning Irlanda
mulas diferentes chegam a variar em 100%, Fanning, em
seu tratado, ponderou: "Graves erros podem provir do 35 1892 Flamant França
uso pouco racional e inconveniente das fórmulas. O bom 36 1896 Lang A lemanha
conhecimento da origem de uma fórmula é essencial 37 1898 Fornié França
para a segura aplicação prática".
38 1902 Hiram-mills Estados Unidos
No presente capítulo serão feitas algumas conside-
39 1903 Christen Estados Unidos
rações, como contribuição para o melhor esclarecimento
do assunto e fixação de critérios mais racionais para a 40 1903(*1) H azen-Wil liams Estados Unidos
escolha de uma fórmula. (* 1 ) Fórmula verificada e atualizada em 1920 e em 1994.
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 143

A-8.2.2 Fórmula de Darcy os oficiais de Napoleão já usassem réguas para a solução


rápida dos problemas de balística, só em 1859 surgiu a
Darcy teve o grande mérito de ter sido o primeiro investi- régua logarítmica de Manhcim).
gador a considerar a natureza e o estado das paredes dos
tubos, isto é, foi quem primeiro apresentou uma fórmula Um fato pouco conhecido e que demonstra o bom
moderna na atual acepção da palavra. senso e o espírito cuidadoso de Darcy é que os seus da-
dos e observações geralmente se referiam a tubos novos,
Foi Darcy um verdadeiro gênio da Hidráulica; com rnas ele soube admitir, com critério razoável, o fenôn,eno
base em apenas duzentas observações, obteve uma fór- do envelhecimento dos tubos, dobrando os seus coefi-
mula cuja utilidade e aplicação têm sido reconhecidas e cientes.
asseguradas há cerca de 150 anos.
Analisando os próprios dados do antigo diretor da A-8.2.2.1 Apresentação alemã da Fórmula de Darcy
Repar tição de Águas de Paris, verifica-se que, para ele, o (Forcheimer)
expoente n da velocidade na expressão geral:
vn
Com relação à expressão geral de resistência oposta ao es-
J =k x- coamento (itemA-7.7) D x J = q:i(v), Darcy admitiu: q:i(v) =
D f( X v2.
está compreendido entre 1,76 e 2. Entretanto, em sua Então, a fórmula de Darcy pode ser escrita assim:
fórmula, Darcy, como os demais pesquisadores de sua
J = /( x Q2 Equação (8.l ci)
época, adotou o expoente 2. Considerando que aquele
hidráulico tinha em vista estabelecer uma fórmula prá- 2
tica, para uso generalizado, e que no seu tempo eram
_ v_ = J(' x Q2 Equação (8.lb)
2x g
desconhecidas as réguas de cálculo e a Nomografia, as-
sim como eram praticamente inexistentes as tabelas, a li = /(" X Q Equação (8.lc)
orientação tomada por Darcy veio a seu crédito (embora

Tabela A-8.2.2.1-a Valores para os coeficientes" K" na fórmula de Darcy-Forcheimer para tubos de ferro e de aço, sem
revestimento permanente, conduzindo água fria
Diâmetros K (*1)
K' K"
(mm)
- - Tubos usados _JL Tubos novos
- -
10 11 6.785 .000,0000 58.392 .500,0000 8.263 .800,0000 12 .732,0000
20 2 .338.500,0000 1.1 69.250,0000 516.490,0000 3.1 83,0000
30 250.310,0000 125.1 55,0000 102 .022,0000 1 .414,7000
40 52 .560,0000 26.280,0000 32 .281,0000 795,8000
50 15.874,0000 7.937,0000 13 .222,0000 509,3000
60 6.02 1,0000 3.011,0000 6.376,4000 353,6800
75 1.990,0000 995,0000 2.730,0000 230,0000
100 412,0000 206,2000 826,3800 127,3200
125 133,0000 66,5000 344,0000 81,9000
150 50,6400 25,3200 163,2400 56,5900
200 11 ,5700 5,7900 51,6490 31,8310
250 3,7050 1,8530 21, 1550 20,3720
300 1,4680 0,7340 10,2020 14,1470
350 0,6704 0,3852 5,5070 10,3940
400 0,3413 o, 1707 3,2280 7,9580
450 o, 1880 0,0940 2,0150 6,2880
500 o, 11 04 0,0552 1,3220 5,0930
550 0,0683 0,0342 0,9030 4,2100
600 0,0440 0,0220 0,6380 3,5370
(*1) Para tubos usados considerar o dobro do valo r de K.
144 Manual de Hidráulica

A TabelaA-8.2.2.1-a apresenta os valores de J{, J{' e A-8.2.3 Outras fórmulas para tubulações e
!{". O Exercício A-8-a exemplifica o uso da Tabela Darcy- seus limites de aplicação
-Forcheimer.
Cada fórmula de resistência costuma ser apresentada com
a indicação dos limites para a sua aplicação fixando-se,
A-8.2.2.2 Apresentação americana da Fórmula de geralmente, os diâmetros e/ou as velocidades mínimas e
Darcy máximas. Esses valores, algumas vezes estabelecidos pe-
los próprios autores das expressões, foram outras vezes
Modernamente apresenta-se a expressão de Darcy com a fixados pelos engenheiros interessados na s ua aplicação.
seguinte forma:
Tais lirnites, entretanto, não têm o significado abso-
h = f x L x v2 luto que frequentemente lhes é atribuído e, sobretudo,
1 Dx 2x g Equação (8.2) não são comparáveis. Enquanto algumas fórmulas foram
estabelecidas com base em poucas dezenas de dados, ou-
onde : tras decorreram da análise de alguns milhares de obser-
vações. Prony, por exemplo, baseou-se em 51 experiên-
h1 = perda de carga (m);
cias; Weisbach, em 63; Darcy, em 200; Flamant, em 552;
f = coeficiente de atrito (Tabelas A-8.2.2.2-a e b);
enquanto Hazen e Williams serviram-se de alguns mi-
L = comprimento da canalização (m);
lhares de dados. Entre os limites fixados para a fórmula
v = velocidade média (m/s);
de Darcy estariam compreendidos dados compulsados
g = aceleração da gravidade ( ~9,8 m/s 2)
por Hazen e \1/illiams, num total muito superior a 200.
O Exercício A-8-b é um exemplo de aplicação da Flamant baseou-se em observações fe itas com t ubos de
fórmula de Darcy na apresentação americana. até 90 cm de diâmetro; não obstante, a sua fórmula tem

Tabela A-8.2.2.2-a Valores do coeficiente de atrito "f" na fórmula de Darcy (apresentação americana), para tubos
novos de ferro fundido e de aço (lisos), conduzindo água fria

DN Velocidade média em m/s


(mm) 0,40 0,80 1,50 2,00 3,00
0,20 0,60 1,00

13 0,041 0,037 0,034 0,032 0,03 1 0,029 0,028 0,027


19 0,040 0,036 0,033 0,03 1 0,030 0,028 0,027 0,026
25 0,039 0,034 0,032 0,030 0,029 0,027 0,026 0,025
38 0,037 0,033 0,031 0,029 0,029 0,027 0,026 0,025
50 0,035 0,032 0,030 0,028 0,027 0,026 0,026 0,024
75 0,034 0,031 0,029 0,027 0,026 0,025 0,025 0,024
100 0,033 0,030 0,028 0,026 0,026 0,025 0,025 0,023
150 0,031 0,028 0,026 0,025 0,025 0,024 0,024 0,022
200 0,030 0,027 0,025 0,024 0,024 0,023 0,023 0,021
250 0,028 0,026 0,024 0,023 0,023 0,022 0,022 0,020
300 0,027 0,025 0,023 0,022 0,022 0,02 1 0,02 1 0,019
350 0,026 0,024 0,022 0,022 0,022 0,02 1 0,02 1 0,018
400 0,024 0,023 0,022 0,02 1 0,02 1 0,020 0,020 0,018
450 0,024 0,022 0,021 0,020 0,022 0,020 0,020 0,017
500 0,023 0,022 0,020 0,020 0,019 0,019 0,019 0,017
550 0,023 0,021 0,019 0,019 0,018 0,018 0,018 0,016
600 0,022 0,020 0,019 0,018 0,018 0,017 0,017 0,015
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 145

Tabela A-8.2.2.2-b Va lores do coeficiente de atrito " f" na fórmula de Darcy (apresentação americana), para tubos
usados de ferro fundido e de aço sem revestimento permanente e para tubulações de concreto (ásperos), conduzindo
água fria
Tubos de aço e ferro Tubos de concreto
Com 10 anos de uso Velhos Novos ou velhos
DN
(mm) Velocidade média em m/s
""""""
0,50 li 1,00 li 1,50 li 3,00 qualquer 0,50 u 1,00 u 1,50

25 0,054 0,053 0,052 0,05 1 0,071


50 0,048 0,047 0,046 0,045 0,059
75 0,044 0,043 0,042 0,041 0,054
100 0,041 0,040 0,039 0,038 0,050
150 0,037 0,036 0,035 0,034 0,047
200 0,035 0,034 0,033 0,032 0,044
250 0,033 0,032 0,03 1 0,030 0,043
300 0,031 0,031 0,030 0,029 0,042 0,030 0,029 0,027
350 0,030 0,030 0,029 0,028 0,041 0,028 0,027 0,026
400 0,029 0,029 0,028 0,027 0,040 0,027 0,026 0,025
450 0,028 0,028 0,027 0,026 0,038 0,026 0,025 0,024
soo 0,023 0,027 0,026 0,025 0,037 0,025 0,024 0,023
550 0,026 0,026 0,025 0,024 0,035 0,025 0,023 0,022
600 0,025 0,024 0,023 0,022 0,032 0,024 0,022 0,02 1
Obs.: para mangueiras de borracha adotar 0,02 < f < 0,03.

sido recomendada para tubulações de maior diâmetro. Tabela A-8.2.4-a Algumas fórmulas práticas e a relação
As investigações conduzidas por Hazen e Willia ms inclu- entre os expoentes de "v" e 11 D11
íram dados sobre condutos desde 25 rrim de diâmetro até
cerca de 4.500 mm. Fórmula Expoentes de Soma dos
Autor<·2>
(aspecto geral) V D expoentes

Darcy J = k, x(v2/0) 2,00 1,000 3,0001•1>


A-8.2.4 Comparação de algumas fórmulas Levy-Vallot J= k2x (v2/01 ,33) 2,00 1,330 3,330
prática
Ma nning J = k3x (v2/01 ,33) 2,00 1,330 3,330
Seja a expressão geral para perda de carga unitária: Flamant j = k4x (v1,7S;o1 ,33) 1,75 1,250 3,000
Biegeleisen- J = k5x(v1,9;o1,1) 1,90 1, 100 3,000
-Bukowsky
Lawford J = k6 x(v1 ,s710 1, 127) 1,87 1, 127 2,997
• para movimento laminar: n = l e p = 2;
Scobey J = k7x(v2101 ,2s) 2,00 1,250 3,250
• para movimento francam ente turbulento : n = 2
ep = 1 Fair, Whi pple J = kax (v1,aa 1,12)
10 1,88 1, 120 3,000
e Hsiao
Hazen- J = k9x (v1,ss101,17) 1,85 1, 170 3,020
Na Tabela A-8.2.4-a, estão comparadas sob esse as- -Williams
pecto (relação entre os expoentes de "v'' e "D") algumas <'O Na expressão de Darcy, a variação k 1 com O está em torno de 7%.
das expressões propostas : <' 2>Apenas as fórmulas empíricas mais consagradas pelo uso ou por seu
va lor histórico.
146 Manual de Hidráulica

A-8.2.5 Inconvenientes das primeiras fórmulas Com base nessas considerações e no que indica a
análise dimensional, conclui-se que uma fórmula "racio-
A fórmula de Darcy há muitos anos completou seu cente- nalizada" para a determinação da perda de carga nas tu-
nário; a de Levy é apenas 10 anos mais nova; a de Man- bulações seria:
ning resultou de uma simplificação da expressão de Gan-
vi•.~
guillet-Kutter, fórmula essa que remonta a 1867. J = k x D2-x
No decorrer de tantos anos a indústria dos materiais
e a técnica de fabricação dos tubos evoluíram bastante. onde, para o movimento 100% turbulento, o valor experi-
A superfície interna dos tubos apresenta-se mais homo- mental de x seria 1,00 e, para as condições correntes, com
gênea e mais favorável ao escoan1ento (mais lisa). Evolu- movimento turbulento, oscilaria de 0,70 a 1,00; tomando
íram os processos de revestimento e, ainda mais, com a para o último caso o valor médio de x = 0,85, resulta a
produção de t ubos mais longos reduziu-se o número de seguinte expressão:
juntas. Vl,85
Por outro lado, definiram-se melhor as característi- J=kx - 11•
D·º
cas das águas a transportar, tornou-se mais conhecido o
fenômeno da corrosãolincrustração e pôde-se controlar
a agressividade das águas.
A-8.2.7 Fórmula de Hazen-Williams
Essas considerações mostram as inconveniências do
emprego de muitas das fórmulas estabelecidas há muito Em 1903, dois pesquisadores norte-americanos, após cui-
tempo. O en1prego das primeiras fórmulas está condicio- dadoso exame estatístico de dados obtidos por mais de
nado à classificação das canalizações em uma de duas trinta investigadores, inclusive os de Darcy e os decor-
classes: tubos novos e tubos usados. Os resultados ge- rentes de pesquisas próprias, propuseram uma fórmula
ralmente variam de 1 para 2, isto é, os coeficientes para prática que pode ser assim escrita:
tubos em uso são duas vezes maiores do que os para tu- 1,85
V
bos novos. Resta perguntar quando um tubo deixa de ser J = kx Dl ,17 Equação (8.3)
novo e se uma tubulação de 10 anos é velha. O número
limitado de observações não permitia uma classificação
melhor ou uma apreciação mais precisa do fenômeno co- É a denominada fórmula de Hazen-Williams (Al-
nhecido como o "envelhecimento dos tubos". len Hazen, engenheiro civil e sanitarista, e Gardner S.
Williams, professor de Hidráulica) que goza de grande
Registre-se que tais inconvenientes, atribuídos aceitação, devido ao amplo uso, às confirmações experi-
à velha expressão de Darcy, são removidos quando se
mentais e ao banco de dados daí resultante.
considera a nova apresentação de sua fórmula, mais co-
nhecida corno apresentação americana ou fórmula de A fórmula de Hazen-Williams, com o seu fator numé-
Darcy-Weisbach. rico em unidades SI, é a seguinte:
J = 10,643 x Q 1•85 x c- 1•85 x D-4m Equação (8.4)
A-8.2.6 Contribuição da estatística. Uma
fórmula média onde:
O tratamento estatístico dos inúmeros dados existentes Q m3!s - vazão;
sobre o assunto ao longo do tempo (observações e experi- D m - diâmetro;
mentações realizadas pelos diversos investigadores) mos- J mim - perda de carga unitária;
tra que o expoente de v varia entre - 1,7 e 2,0. Um valor C (adimensional) - rugosidade paredes internas
médio pode ser assumido em torno de 1,85. tubulação (Tabela A-8.2. 7-a) .
As próprias experiências de Darcy levam a valores A fórmula também pode ser escrita explicitando-se
de n compreendidos entre 1,76 e 2,00. Reynolds, que teve a vazão ou a velocidade:
a primazia de investigar as velocidade-limite entre os
regimes de escoamento laminar e turbulento, chegou à Q = 0,219 x ex D 2•63 x Jº·54 Equação (8.5)
conclusão de que o expoente n assume o valor da unida-
de para o movimento laminar e que, para os movimentos E, como:
turbulentos que ocorrem na prática, n depende da rugo-
sidade da parede dos tubos, oscilando entre 1,73 e 2,0. JCX D2
Q= A x v = - - x v
4
Para os tubos muito lisos, n é cerca de 1,75, ao passo
que, para tubos muito "enrrugados", n tende a 2,00. substituindo em (8.5) tem-se:
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 147

Tabela A-8.2.7-a Valor do coeficiente C sugerido para a fórmula de Hazen-Williams para águas a -20 ºC, pouco
incrustantes, pouco corrosivas (corrigidas)
Usados Usados
1 Tubulações compostas por tubos de Novos

Aço soldado, revestimento não permanen te (betuminoso), até DN 125


---- 135
--
± 10 anos
107,5
--
± 20 anos
85
Aço soldado, revestimento não permanente (betuminoso), 125 < DN < 550 137,5 11 0 90
Aço soldado, revestimento não permanente (betuminoso), 550 < DN < 1.500 142,5 11 7,5 95
Aço soldado, revestimento permanen te (epóxi), até DN 125 130 120 110
Aço soldado, revestimento permanente (epóxi), 125 < DN < 550 140 130 120
Aço soldado, revestimento permanente (epóxi), 550 < DN < 1.500 145 135 130
Concreto<·5> 750 < DN < 1.250 135 132,5 130
Concreto<·5> 1.050 < DN < 2 .000 140 135,5 135
Ferro fundido sem revestimento permanente, até DN 125 120 100 90
Ferro fundido sem revestimento permanente, 125 < DN < 550 125 105 95
Ferro fundido sem revestimento permanente, 550 < DN < 1.500 130 11 0 100
Ferro fundido dúctil revestido argamassa cimento, até DN 125 125 11 5 110
Ferro fundido dúctil revestido argamassa cimento, 125 < DN < 550 130 120 115
Ferro fundido dúctil revestido argamassa cimento, 550 < DN < 1 .500 135 125 120
Ferro fundido dúctil revestimento permanente (epóxi), até DN 125 125 120 115
Ferro fundido dúctil revestimento permanente (epóxi), 125 < DN < 550 135 130 125
Ferro fundido dúctil revestimento permanente (epóxi), 550 < DN < 1.500 140 137,5 135
PVC ou resina com fibra, juntas tipo PB ou luva, até DN 125 137,5 135 132,5
PVC ou resina com fibra, juntas tipo PB ou luva, 125 < DN < 550 140 137,5 135
PVC ou resina com fi bra, juntas tipo PB ou luva, 550 < DN < 1.500 142,5 140 137,5
PEAD, polipropileno outros termoplásticos, juntas soldadas, DN até 125 mm 140 137,5 135
PEAD, polipropileno outros termoplásticos, juntas soldadas, 125 < DN < 550 142,5 140 137,5
PEAD, polipropileno outros termop lásticos, juntas soldadas, 550< DN até 1.500 145 142,5 140
Material usado eventualmente ou em desuso:
Aço ("ferro doce") galva nizado roscado, até DN 125 mm 125 100 75
Aço corrugado (chapa ondulada) 60
Aço rebitado 11 O 90 80
Chumbo 130 120 120
Cobre, latão, bronze, aço inox, até DN 125 mm 140 138 135
Cimento-amianto 140 135 125
Madeira, em aduelas (tanoaria) 120 120 110
Mangueiras de incêndio emborrachadas internamente 135
Manilhas de barro vidrado (tubos cerâm icos) com 3 m, 125 < DN < 750 130 127,5 125
Tijolos, condutos muito bem executados em concreto in loco etc. 11 5 11 0 105
Vidro (laboratório) 145 145 145
Compilação de diversas fontes, ajustada pelo autor, para fins de cá lculos e avaliações expeditas, constan tes da Tabela A-8.27-a.
Observações:
(*1) os revestimentos indicados referem-se à superfície interna dos tubos. As juntas "ponta-e-bolsa", para fins de perdas equivalem às
juntas tipo "luva" e às " roscadas". O termo "juntas soldadas" foi reservado para as "soldas de topo".
(*2) o engenheiro projetista, ao adotar um coefic iente C, deve levar em conta e precaver-se contra valores abaixo daqueles aqui indicados.
Ocorre que muitas vezes os va lores indicados nos catálogos e em referências bibliográficas costumam ser obtidos em condições de
laboratório, para um tubo reto, e, na prática, outros fatores intervêm, tais como o efeito das juntas, falta de alinhamento na montagem,
irregularidades ou reca lques no terreno, qualidade da água etc.
(*3) para avaliar o "C" em tubos metálicos logo após serem raspados internamente com equipamento tipo "pig', considera r um va lor
entre 1O e 20 anos. Para tubos recuperados intern amente com algum tipo de revestimento permanente, considerar o valor médio das
co lunas "Novos" e " 1Oanos" e o novo diâmetro interno.
(*4) FFD - Ferro Fundido Dúctil. Até os anos 1965 essa linha de tubos era em " ferro fundido ci nzento". Dos anos 1970 em diante
passaram a ser fabricados em liga metálica denominada Ferro Fundido Dúctil. Cada tubo tem compr imento útil aproximado de 6 m e,
internamente, os diversos tipos de juntas disponíveis são equivalentes para este fim.
(*5) concreto pré-fabricado, muito bom acabamento, juntas tipo ponta-e-bolsa, mínimo 3 a 6 m por tubo.
148 Manua l de Hid ráuli ca

V = o,355 X e n°tJS
X X J º•54
Os expoentes da fórmula foram estabelecidos de ma-
Equação (8. 6) neira a resultarem as menores variações do coeficiente
numérico C para tubos de mesmo grau de rugosidade. Em
onde : v = velocidade (m/s)
consequência, o coeficiente C é, tanto quanto possível e
No final deste capítulo (itemA-8.4), estão apresen- praticável, uma função quase que exclusiva da natureza
tadas as Tabelas A-8.4 -a com o resultado dos cálculos das paredes.
pela fórmula de Hazen-Williams para os diâmetros co -
A grande aceitação que teve a fórmula permitiu que
merciais e velocidades us uais e para diferentes valores
fossem obtidos valores bem determinados do coeficiente C.
do coeficiente C.
Nessas condições, pode-se estimar o envelhecimento dos
tubos.
Tabela A-8.2.7-b Valores aproximados de f (fórmula Uni- É uma fórmula que pode ser satisfatoriamente apli-
versal) para C=l 00 da expressão de Hazen-Williams
- DN
V
- cada a qualquer tipo de conduto e de material: canais
(condutos livres) ou condutos forçados . Usa-se em água,
esgotos e irrigação. Os seus limites de aplicação são os
0,50 1,00 1,50 mais largos : diâmetros de 50 a 3.500 mm e velocidades até
mm m/s m/s m/s 3 n1/s, ou seja, praticamente todos os casos do dia a dia aí
se enquadram.
50 0,049 0,044 0,042
A disposição dos vários aspectos da fórmula, tal
100 0,043 0,039 0,037 como está apresentada na TabelaA-8.2.8-a, é de grande
150 0,040 0,036 0,034 conveniência.

200 0,038 0,034 0,032


0,036 0,032 0,030
Tabela A-8.2.8-a Fórmula de Hazen-Williams no
300
sistema SI
400 0,034 0,03 1 0,029
V= 35,5 X Dº•63 X .fl•5 4
500 0,033 0,030 0,028 Q = 27,88 X D2 •63 X .fl•
54

600 0,032 0,029 0,027 Vl,852


Para C = 100 J = 0,00135 X
D1167
·
A-8.2.8 Vantagens da fórmula de Vl,852

Hazen-Wi lliams J = 0,0021 X D4 f,1

É uma fórmula que resultou de um estudo estatístico


J CN ( l ºº)1,852
considerando dados experimentais disponíveis, obtidos
J c-100 = CN
anteriormente de um grande número de fontes, e de ob-
servações dos próprios autores, em materiais tão distintos
quanto tubos de aço, de ferro fundido, de concreto, de al- De . - (C:::.J:L.)o.as
venaria, de madeira, de latão (bronze), chumbo e de vidro. Relações para C qua lquer: Dc.ioo 100
C=N
A expressão de Hazen-Williams é teoricamente cor-
reta: a soma dos expoentes "p" e "n", que é 3,02, apre-
senta uma diferença insignificante sobre o valor teórico
(variações provocadas pela variação de temperatura da QcN CN
=-
água normalmente provocam alterações maiores nos re- Qc.100 100
sultados) .
Tabela A-8.2.7-c Correspondência aproximada entre os coeficientes C de Hazen-Williams e n de Manning, K de
Strickler e y de Bazin
e 40 60 80 90 100 110 120 130 140
n 0,031 0,021 0,016 0,014 0,013 0,012 0,011 0,01O 0,009
K 35 50 60 70 75 85 90 100 11 0
y 1,75 1,30 0,45 0,23 0,20 o, 17 o, 12 0,06 0,04
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 149

A-8.2.9 O envelhecimento das tubulações e Entretanto, cada vez mais os tubos se parecem
outras alterações com o tempo nas internamente, pois os fabricantes dos tubos metálicos
vêm aplicando internamente camadas de tintas tipo
fórmulas "empíricas"
epóxi, ar madas por fibras ou não e outros recursos em
Ensaios e verificações feitos em Iin has de aço e de ferro que, na prática, as paredes internas também fi cam re-
fundido, muito bem executadas e em que foram empre- vestidas de material plástico, sucetíveis a menos arra-
gados tubos de boa qualidade, sem revestirr1ento inter no, nhões ou acidentes, mas estrut uralmente são mais re-
mostraram que, para o início de fu ncionamento, o coefi- sistentes.
ciente C assume valores nas vizinhanças de 140. Pouco A Tabela A-8.2.9-a foi construída pelo autor com
depois, entretanto, esse valor cai para 130 e, com o de- fins didáticos e para servir de base para avaliações, no
correr do tempo, passa a valores cada vez mais baixos, entendimento da evolução da rugosidade dos tubos, com
A tendência de o ferro entrar em solução e a presença aplicações práticas, especialmente quando for importan-
de oxigênio dissolvido na água - fatores primordiais da te avaliar a evolução da rugosidade, por exemplo quando
corrosão - são responsáveis pela fo rmação de tubérculos se calculem custos de energia ao longo dos anos em ca-
na superfície interna dos tubos. Da redução da seção e do nalizações de cer ta importância. Na Figura A-8.2.9-a
aumento da rugosidade resultam a diminuição da capaci- estão representados os valores indicados na Tabela A-
dade de transpor te da canalização e o decréscimo de C. -8.2.9-a.
Tal fenômeno da tuberculização, que se caracteriza Par te-se do princípio de que as águas consideradas
por formações esponjosas duras que crescem como se serão de condições médias e não tratadas quimicamente
fossem corais e que, uma vez bem secas, se "esfarelam" e de que o coeficiente "C" varia com a rugosidade e com
com relativa facilidade, é algumas vezes erroneamente o raio hidráulico, ou seja, os diâmetros maiores apresen-
designado por incrustação. tam um "C" maior do que os diâmetros menores para
O termo incr ustação deve ser reser vado ao fenôme- uma mesma r ugosidade.
no da constituição de camadas ou crostas devidas a cer-
tas substâncias presentes em quantidades excessivas na
150
água, que vão se depositando ou aderindo às paredes dos DN 1.500
145
tubos, especialmente os tubos metál icos, diminuindo o • • • • • DN 900
140 ,, • DN 600
diâmetro inter no do tubo. O caso típico de incr ustação 135
• 1• 1• 1• 1

ocorre quando a água transpor tada pelo tubos apresenta 130 •• ,!> ~ •••••••••• DN 300
~ •• ~ •' ... • ••••••• DN 150
elevados teores de cálcio, por exemplo. Em águas de ter- 125
1~ •• ·' ~
~

renos calcários, incrustações são bastante frequentes . 120


11 5
I' •• ·• ~ .... "' ..
' .,
~
Entre os vários fato res que afetam as paredes in- 110
., ,...
~, ~

- ~"- .

ternas dos tubos metálicos, o pH e a dureza têm uma 105
~ • ,. ""' I""
influência marcante. Outros fatores que afetam as pa- e 100 • -, ,
'l
·- r--

~- ·--. .. - ... ,..


95 ., •• -
redes inter nas dos tubos são : o potencial de oxidação 90 r,,
do material (entropia), sobretensão, oxigênio dissolvido, "l ,. "'
85 ,~Í"',
gás carbônico (C0 2), alcalinidade, presença de substân- 80
' I'>.

"'I
•,

,.. -
cia inibidoras ou capazes de for mar películas, homoge- 75
?t. "' • •• ...
neidade da superfície dos t ubos, temperatura, existência 70
65
-~ • ••
.
de resíduos de sulfato de alumínio, cloro etc. ' Clt,
-

60
55
-... ~
• •
Também a velocidade da água nos tubos tem efeito -~

direto sobre as incrustações: velocidades maiores aju-


50
o 10 20 Anos 30 40
"'50
dam a manter as paredes dos tubos mais lisas (ajudam
a manter um C maior por rr1ais tempo). Portanto, velo- Figura A-8.2.9-a - Evolução do coeficiente C para tubos de ferro
cidades muito baixas não são recomendáveis em t ubos fundido sem revestimento inte rno .
metálicos.
Mesmo t ubos não metálicos (plásticos) apresentam A-8.2.1 O Escolha criteriosa do coeficiente C
caimentos de "rendimento", ou seja, perdem capacidade
de condução, por motivos não plenamente explicados, A fórmula de Hazen-Williarns é das mais perfeitas e fáceis
mas certamente relacionados a fenômenos tais como de usar n1as, negligenciada a escolha criteriosa do coefi-
ciente C, corno a fixação de um valor médio invariável, pode
ovalizações, reações fís ico-químico-bacteriológicas que
levar a fracassos (nem sempre percebidos na inauguração
vão lentamente alterando tudo, como por exemplo as ca-
de uma tubulação quando o coeficiente C é máximo) .
racterísticas dos plásticos, enrijecendo-os etc.
150 Manual de Hidráulica

Tabela A-8.2.9-a Evolução do coeficiente C para a fórm ula de Hazen-Williams, para tubos de ferro fundido sem
revestimento interno(*)

Idade DNs
(anos)
100

o 130 131 132 133 134 135 136 137 137 137 138 138 138 138 139 139 139 140 140 141 142
5 118 119 120 122 123 124 125 126 127 127 127 128 128 129 129 129 130 130 131 132 133
10 107 108 110 11 1 112 11 4 115 11 6 11 7 117 11 8 118 119 120 120 121 121 122 123 123 124
15 97 99 100 102 103 105 106 107 108 109 11 O 110 111 11 2 113 11 3 114 115 116 116 117
20 88 90 91 93 95 97 98 100 101 102 103 104 105 106 107 107 108 109 110 11 1 112
25 79 81 83 85 87 89 91 92 94 95 96 97 98 99 100 102 103 104 105 106 107
30 70 72 74 76 78 81 83 85 86 88 89 90 92 93 95 96 97 99 100 102 103
35 62 64 66 69 71 73 76 77 79 81 83 84 86 87 89 91 92 94 96 97 99
40 57 59 61 64 66 68 71 73 75 76 78 80 82 83 85 87 89 91 92 94 96
45 53 55 57 60 62 64 66 68 71 72 74 76 78 80 82 84 85 87 89 91 93
50 50 52 54 56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 82 84 86 88 90
Notas: <' 1>: Para tubulações de aço sem revestimento interno com: a) Juntas soldadas: tomar como valores de C os valores indicados
para tubos de ferro fundido 5 anos mais novos; b) Junta tipo luva (lock-bar, victaulic etc.), adotar mesmos coeficientes indicados para
os tubos de ferro fundido; c) Com revestimentos especiais, admitir 130.

Como visto, o coeficiente C, na p rática, é uma fun- bem próximas das investigações de Carter, são bastan-
ção do tempo, de modo que o seu valor deve prever a vida te razoáveis, não constituindo condições extremas, mas,
útil que se espera na canalização, especialmente para os bem ao contrá rio, dados médios.
tubos metálicos, mais influenciáveis por essas mudanças
O aumento de rugosidade, a red ução de diâmetro e
de rugosidade interna e muito duráveis.
as dimensões relativas dos tubérculos maiores para os
Para avaliações expeditas, no século XX costumava-se tubos de menor diâmetro causam, para estes, um enve-
usar, para tubos metálicos, C = 100. Hoje, no século XXI, com lhecimento mais rápido.
os revestimentos internos reportados anteriormente, talvez
seja mais con eto fazer a conta usando um Centre 115 e 120.
Tais valores conespondem, aproximadamente, à situação da e
tubulação em quinze a vinte anos, portanto dentro de qual- 130

quer vida útil esperada, quando uma tubulação ainda deverá ~ --..
estar funcionando para as vazões de cálculo. 120
\ ' l'¾.
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O desempenho pode ser melhorado se periodica- 110 · ·9r.
'- "- %,,_
mente for feita urna "limpeza" na tubulação. Tal lirnpeza
periódica é muito pouco usual na América Latina, até
100 ' "' ' ~
\. ..,.¾S. <>s '»(Sct,,
('ilrt, 'qs

...~,,.:},_
....,_ <>r .,_' 1-f,,
porque os projetos não a preveem e depois passa a ser 90 '-
muito difícil fazê-la, pois não são instalados os acessó-
rios necessários para facilitar a operação, especialmente 80
,~ ,."
\_

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--,,,,_ -

a colocação e retirada do "pig" de limpeza. Menos usual '9,,,Ss·,.,


~ ~ -
70
ainda é a recomposição do revestimento interno. Tam- ~ -,v
bém pouco se faz em termos de controle de qualidade ~~soe.
60
~
eficaz para a corrosividade da água.
50
Na Figura A-8.2.10-a estão comparados os dados o 5 1O 15 20 25 30 35 40 45 50
Anos
d isponíveis de d iversos investigadores, relativos ao en-
velhecimento de t ubulações de ferro fundido. Pode-se Figura A-8.2.10-a -Evolução do coeficiente "C" ao longo do
notar que as condições adotadas por Hazen e Williams, tempo para tubulações de ferro fundido.
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 151

Portanto, note-se que, para uma mesma rugosidade A norma brasileira para instalações prediais (NBR
de parede interna do tubo, na fórmula de Hazen-Willia- 5626/98 Bib. A045) recomenda as fórmulas de Fair-Whi-
ms, um tubo de maior diâmetro deverá ter um coeficien- pple-Hsiao, considerando:
te C ligeiramente maior que o de um tubo de diâmetro
Q em Cls, D em mm e J em mim,
menor. Isso significa que, ao estudar alternativas de diâ-
metros diferentes usando Hazen-Williams, para ser ri- nas seguintes formas:
goroso o engenheiro deve atribuir a tubos de diâmetros 1) Para tubos hidraulicamente rugosos (aço carbono
diferentes valores diferentes de C, valendo-se para isso galvanizado ou não):
de sua experiência.
J = 20,2 X 10 6 X Q 1•88 X D-'1,88
2) Para tubos hidraulicamente lisos (plástico, cobre ou
A-8.2.11 Fórmulas empíricas para tubulações ligas de cobre):
de pequeno diâmetro
J = 8,69 X 106 X Q 1•75 X D- 4 J 5
A fórmula de Hazen-Williams tem sido preconizada para Outra fórmula também bastante usada para tubula-
tubulações acima de 50 mm de diâmetro. ções de pequeno diâmetro é a de Flamant (1892):
Para "canos" de pequeno diâmetro (12 a 50 mm) ,
D x J = b x •{7
Fair-\1/hipple-Hsiao, por volta de 1930, após um grande
número de experiências, propuseram fórmulas especiais 4 VD
do tipo da fórmula de Hazen-Williams, que têm sido acei- ou
tas con10 satisfatórias.
J = 4Xb X v1•75 X D- 1,25,
Foram experimentados tubos de cobre, latão, metal
admiralty, aço/ferro galvanizado, aço e ferro nu, tanto com vem m/s, D em m e J em mim, sendo:
para água fria como para água quente. b = 0,000230 para canos de ferro ou de aço usados;
O saudoso engenheiro Eduardo Eurico de Oliveira, b = 0,000185 para canos de ferro e aço novos;
no estudo que fez de um projeto de regulamento para as b = 0,000140 para canos de chumbo;
instalações domiciliares de abastecimento de água do Rio b = 0,000130 para canos de cobre;
de Janeiro, já havia recomendado a fórmula de Fair-Whi- b = 0,000120 para canos de plástico (PVC etc.).
pple-Hsiao, tendo qualificado os trabalhos experimentais
dos seus autores como a "melhor orientação prática".
A TabelaA-8.2 .11-a é para b = 0,00023. Para outros
Para tubulações de aço galvanizado e água fria, e materiais basta multiplicar J por (b/0,00023) .
sendo Q em m3 /s, D em m e J em mim, a fórmula é a
seguinte:
Ql,&'l A-8.3 O MÉTODO
,,
CIENTÍFICO.
J = 0,002021 X 4 S8
D• A "FORMULA UNIVERSAL''
ou As abordagens científicas referentes às relações físicas
Q = 27,113 x J0,532 xD2,596
que regem o escoamento em tubulações datam de meados
Para tubos de cobre ou latão e água fria , as fórmulas do século XVIII, com Chezy e, depois, no século XIX, com
de Fair-Whipple-Hsiao são: Darcy e Weisbach, conforme abordado no itemA -77, re-
sultando na fórmu la:
Q l ,75
J = 0,000874 X 7< 2
D4 , " h = f x Lx v Equação (8. 7)
J Dx2xg
ou
Q = 55,934 x D 2,714 xJ0,571
A-8.3.1 Considerações sobre a fórmula
e para água quente:
Convém observar que na Equação (8. 7), o coeficiente
Q = 63,28 X D2,714 X J0,571
de atritof não tem dimensões, sendo função do número de
ou Reynolds. Como L/D é urna relação entre duas quantida-
Q l,75 des de dimensões lineares, ela também constitui um nú-
J = 0,000704 X <l mero adimensional.
D ·75
152 Manual de Hidráulica

Tabela A-8.2.11-a Fórmula de Flamant - Tubos pequenos diâmetros - ferro e aço galvani zado usados
[vmáximo < 14-VO, em metros]

Q 19 mm (¾") 25 mm (1") 32 mm (1¼") 38 mm (1½")


(C/s)
v (mls) J (mi m) v (ml s) J (mi m) v (m/s) / (mi m) v (mls) / (mi m)
0,02 0,071 0,0012 0,041 0,0003 0,025 0,0001 0,018 0,00005
0,04 O, 141 0,0041 0,081 0,001 1 0,050 0,0003 0,035 0,00015
0,06 0,212 0,0084 o, 122 0,0023 0,075 0,0007 0,053 0,00031
0,08 0,282 0,0139 o, 163 0,0038 0,099 0,0012 0,071 0,00052
o, 1O 0,353 0,0206 0,204 0,0056 o, 124 0,0017 0,088 0,00077
o, 12 0,423 0,0283 0,244 0,0077 o, 149 0,0024 o, 106 0,00105
o, 14 0,494 0,0371 0,285 0,0101 o, 174 0,0031 o, 123 0,00138
o, 16 0,564 0,0469 0,326 0,012 7 o, 199 0,0039 o, 141 0,00174
o, 18 0,635 0,0576 0,367 0,0156 0,224 0,0048 o, 159 0,00214
0,20 0,705 0,0693 0,407 0,0188 0,249 0,0058 o, 176 0,00257
0,22 0,776 0,0818 0,448 0,0222 0,274 0,0069 o, 194 0,00304
0,24 0,846 0,0953 0,489 0,0259 0,298 0,0080 0,2 12 0,00354
0,26 0,917 o, 1096 0,530 0,0298 0,323 0,0092 0,229 0,00407
0,28 0,988 o, 1248 0,570 0,0339 0,348 0,0105 0,247 0,00464
0,30 1,058 o, 1408 0,611 0,0382 0,373 0,011 8 0,265 0,00523
0,32 1, 129 O, 1577 0,652 0,0428 0,398 0,0133 0,282 0,00586
0,34 1, 199 o, 1753 0,693 0,0476 0,423 0,0147 0,300 0,00652
0,36 1,270 O, 1938 0,733 0,0526 0,448 0,0163 0,3 17 0,00720
0,38 1,340 0,2130 0,774 0,0578 0,472 0,0179 0,335 0,00792
0,40 1,411 0,2330 0,8/15 0,0633 0,497 0,0196 0,353 0,00866
0,42 1,481 0,2538 0,856 0,0689 0,522 0,02 13 0,370 0,00943
0,44 1,552 0,2753 0,896 0,0748 0,547 0,02 13 0,388 0,01023
0,46 1,622 0,2976 0,937 0,0808 0,572 0,0231 0,406 0,011 06
0,48 1,693 0,3206 0,978 0,0871 0,597 0,0250 0,423 0,011 91
0,50 1,763* 0,3443 1,019 0,0935 0,622 0,0269 0,441 0,01280
0,55 1,940 0,4068 1,120 0,11 05 0,684 0,0289 0,485 0,01512
0,60 2, 116 0,4737 1,222 0,1286 0,746 0,0342 0,526 0,01760
0,65 2,293 0,5449 1,324 0,1480 0,808 0,0398 0,573 0,02025
0,70 2,469 0,6204 1,426 0,1685 0,870 0,0458 0,617 0,02306
0,75 2,645 0,7000 1,528 o,1901 0,933 0,0522 0,661 0,02601
0,80 2,822 0,7837 1,630 0,2128 0,995 0,0588 0,705 0,02913
0,85 2,998 0,8714 1,732 0,2366 1,057 0,0659 0,749 0,03239
0,90 3,174 0,963 1 1,833 0,2615 1,11 9 0,0733 0,794 0,03579
0,95 1,935 0,2875 1,181 0,081O 0,838 0,03934
1,00 2,037* 0,3145 1,243 0,0890 0,882 0,04304
1, 1O 2,241 0,3716 1,368 0,0974 0,970 0,05085
1,20 2,445 0,4327 1,492 o, 1150 1,058 0,05921
1,30 2,648 0,4978 1,616 o, 1339 1,146 0,06812
1,40 2,852 0,5677 1,741 o, 1541 1,234 0,07755
1,50 3,956 0,6394 1,865 o, 1754 1,323 0,08750
1,60 1,989 o, 1979 1,411 0,09797
1,70 2,1 14 0,22 16 1,499 o, 10893
1,80 2,238 0,2474 1,587 o,12039
1,90 2,362 0,2723 1,675 o, 13234
2,00 2,487* 0,2994 1,763 o, 14477
2, 1O 2,611 0,3275 1,852 o, 15767
2,20 2,735 0,3567 1,940 o, 17104
2,30 2,860 0,3869 2,028 o, 18488
2,40 2,984 0,4182 2, 11 6 o, 19917
2,50 3,108 0,4505 2,204 0,2 1392
2,60 0,4839 2,293 0,22912
2,70 2,381 0,24476
2,80 2,469 0,26085
2,90 2,557 0,27737
3,00 2,645* 0,29432
3, 1O 2,733 0,3 11 71
3,20 2,822 0,32951
3,30 2,9 1O 0,34774
3,40 2,998 0,36639
3,50 3,086 0,38546
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 153

Portanto, essa equação exprime o fato de a perda de Com valores superiores a 4.000, o escoamento passa a
carga em determinada tubulação ser igual ao produto de regime turbulento. Entretanto, essa mudança de regime
um número puro pela carga de velocidade (v2-/(2 x g)). não é exatamente nesses dois limites (2.000 e 4.000) .
A fórmula de Darcy-\~7eisbach é aplicável aos pro- Entre esses dois valores, encontra-se a denomi nada
blemas de escoamento de qualquer líquido (água, óleos, "zona crítica". O regime completamente turbulento só é
gasolina etc.) em tubulações. Com restrições, ela se apli- atingido com valores ainda mais elevados do número de
ca também às questões que envolvem o movimento de Reynolds, existindo, portanto, uma segunda zona inter-
fluidos aeriforrnes, como se verá adiante. rnediária, conhecida como zona de transição (Figura
A-8.3.2-a).
A Equação (8.7) também pode ser apresentada em
função da vazão Q (m3/s), fazendo-se a substituição de Os valores do coeficiente de atrito f são obtidos em
Q2 Q2
função do número de Reynolds e da rugosidade relativa,
2 tendo em vista o regime de escoamento.
v • A' • ( ''".V')'
Então:
''
''
'' ,
', Turbulento
''

e, portanto:

I1,J -- o' 0827 X f X L X Q2


5 Equação (8.8)
D
-, ,
' ,,
A perda de pressão em kgf/m 2 (tubulação horizon-
tal) seria: Instável

2
P1 - P2 -- o,0827 x y X f XLX Q
05 Equação (8.9)
R,,x v7 - -

sendo: Figura A-8.3.2-a H arpa de N ikuradse.


P1 = pressão inicial, em kgf/m 2 ;
P2 = pressão final, em kgf/m 2 ;
y = peso específico do fluido, em kgf/m 3 .
A-8.3.3 Natureza da perda de carga

A-8.3.2 O coeficiente de atrito f O fato de algumas vezes designar-se a "perda de carga"


por "perda por atrito", ou, ainda, por resistência oferecida
O coeficiente de atrito 1, sem dimensões, é função do nú- pela tubulação ao escoamento, tem levado a interpreta-
mero de Reynolds e da rugosidade relativa. A espessura ções não muito corretas. A perda de carga não deve ser
ou altura "e" das asperezas (rugosidade) dos tubos pode suposta ou imaginada como sendo uma espécie de atrito
ser avaliada determinando-se valores para e/D. semelhante ao que se verifica quando dois sólidos em con-
tato se deslocam um sobre o outro.
Nos problemas de escoamento de fluidos em cana-
lizações, considera-se como valor de "e" a rugosidade Ao contrário, não há movimento ou deslocamento do
equivalente, isto é, a rugosidade correspondente ao mes- fluid o em contato com as paredes dos tubos, mesmo por-
mo valor d ef que se teria para asperezas constituídas por que, junto a essas paredes, estabelece-se uma camada
grãos de areia, tais como os experimentados por Nikurad- aderente estacionária.
se com valores elevados do número de Reynolds (ver item No regime de escoamento laminar, o que se verifica
A-8.3.6 adiante). é tão somente uma deformação contínua da massa fluida,
Conforme já visto no item A -72, o número de Rey- sendo a viscosidade ou atrito interno do fluido responsá-
nolds classifica o regime de escoamento em "laminar", em vel pela perda de carga.
"turbulento" ou em "transição".
No caso do escoamento t urbulento, o movimento é
O escoamento em regime laminar ocorre e é estável agitado, complexo e de difícil descrição. As par tículas no
para valores do número de Reynolds inferiores a 2.000. seu movimento irregular ocupam as mais variadas po-
154 Manual de Hidráulica

sições numa seção do tubo; verifica-se, continuamente,


a mistura de toda a massa fluida. A resistência ao es- Cam ada limite
coamento turbulento é devida ao efeito combinado das
forças relativas à inércia e à viscosidade do fluido.
Turbulência

A-8.3.4 Camada limite, zona de turbulência e


filme laminar
Quando um fluido escoa sobre uma superfície, observa-se Figura A-8.3.4-a - Escoamento de um flu ido ao longo de uma
a existência de uma camada de fluido contígua (e, pode- chapa.
-se dizer, aderente) a essa superfície, onde se verifica a
variação de velocidade do flu ido para a superfície. Essa
camada foi concebida por Ludwig Prandtl (1904) e nota-
da pela primeira vez por Hele-Shaw, tendo sido designada
por camada limite.
A Figura A-8.3.4-a mostra o escoamento de um
fluido ao longo de uma chapa. A partir da aresta inicial
--- -· --·
da chapa, constitui-se uma camada de escoamento la- Laminar
minar (camada limite) que vai aumentando em espessu-
ra até um ponto crítico. À medida que aumenta a espes-
sura da camada limite, decresce a sua estabilidade, até
um ponto T, de transição, onde o seu equilíbrio se rompe. _________ ,-·
..,__ ____ _
------------ ~--------- ,....
-----
V
A partir desse ponto crítico, a espessura da camada
laminar se reduz a um valor ó, que se mantém aproxima-
,~·------ -· ~------ --- ---- -
damente constante (subcamada laminar ou fi lme lami- T urbulento
nar). No ponto T, tem início uma camada t urbulenta, cuja
espessura vai aumentando rapidamente. Figura A-8.3.4-b - Formação de ca mada laminar.
A espessura da camada limite pode ser definida como
sendo a dimensão correspondente a 99% do seu limite as-
A-8.3.5 Tubos lisos e tubos rugosos
sintótico. É nessa camada que se verifica a maior parte da
deformação viscosa. Na realidade, não existe uma superfície perfeitamente
No caso das tubulações, também prevalecem condi- lisa. Qualquer superfície examinada sob um bom micros-
ções análogas à descrita. Se o escoamento na tubulação cópio mostra uma certa rugosidade.
for laminar, o fluido percorrerá uma distância relativa- Entretanto, diz-se que uma superfície é aerodina-
mente grande, até que o perfil normal das velocidades seja micamente lisa quando as asperezas que caracterizam
atingido. Isso porque é necessá1io que a camada limite a sua r ugosidade não se projetam além da camada lami-
(mostrada na Figura A-8.3.4-a, de O a T) continue au- nar (desenho (a) da Figura A-8.3.5-a).
mentando até atingir as vizinhanças do eixo do tubo.
Quando as superfícies são de tal forma r ugosas que
Tratando-se de escoamento turbulento, o ponto críti- apresentam protuberâncias que ultrapassam o filme la-
co T ocorre a uma pequena distância da entrada; a partir minar e se projetam na zona turbulenta, elas provocam o
desse ponto, a espessura da camada turbulenta aumenta aumento desta, resultando daí uma perda mais elevada
tão rapidamente que o perfil normal de velocidade é obtido para o escoamento (desenho (b) da Figura A -8.3.5-a).
a uma distância relativamente curta (FiguraA-8.3.4-b).
Se as rugosidades forem muito menores que a espes-
Por tanto, no escoamento de fluidos em canalizações, sura da camada, não afetarão a resistência ao escoamen-
existe sempre uma camada laminar, mesmo no caso de to. Todas as superfícies que apresentarem essas condi-
regirnes t urbulentos. A espessura dessa camada depende ções poderão ser consideradas igualmente lisas.
do número de Reynolds, sendo mais fina para os valores
É por isso que, na prática, tubos feitos com certos
mais elevados de Re-
materiais, tais como vidro, chumbo e latão, podem apre-
A camada laminar é de grande importância nas ques- sentar as mesmas perdas de carga, perdas essas idên-
tões relativas à rugosidade dos tubos, assim como nos pro- ticas às que seriam obtidas no caso de superfícies lisas
blemas referentes ao escoamento de calor. ideais. Conclui-se, também, que não há interesse em se
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 155

da disposição (arranjo), do espaçamento, da forma, da


Limite da rigidez, enfim, de uma série de fatores das asperezas.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - camada

~
laminar

A-8.3.7 Regime laminar, Re < 2 000


(a)
O escoamento é calmo, regular; os filetes, retilíneos. O
vL--,•Í\ ,.....
1:;:::::,'
. . ._, , . .__,, '--' _J
Limite da
'ç ; ,.,,..._ \],.....,_.\7 ---""'~-1-- camada
laminar
perfil das velocidades tem a forma paraból ica; a veloci-
dade máxima no centro é igual a duas vezes a velocidade
média (Figura A-8.3.7-a).
(b)

Figura A-8.3.5-a - Superfícies lisas e rugosas.

- -
......

fazer com que as superfícies internas dos tubos sejam


'
V
~ ......
mais lisas do que um certo limite. ----- .......
Define-se como rugosidade absoluta "e" a medida ~ 1
Escoamento laminar R0 1.500
das saliências da parede do tubo, ou seja, se houver pro-
tuberâncias de 1 mm, essa é a r ugosidade absoluta.
A rugosidade relativa é a divisão da rugosidade ab-
\

- -
......
soluta pelo diâmetro do tubo: e/D.
O problema prático que surge da aplicação desses
'
......
conceitos é que a r ugosidade absoluta nunca é única, V
_/ .......
sendo as saliências dos tubos de diversos tamanhos e
distribuições, e esse número acaba sendo obtido por uma
conta de trás para frente, onde se chega a um valor mé-
Escoamento turbulento fie = 10.000 1

dio para a rugosidade absoluta, o que acaba tendo preci- Figura A-8.3.7-a - Perfil de ve locidade de um escoamento
são científica só para as condições de medição. líquido em um tubo.

Para o escoamento com movimento ou regime la-


A-8.3.6 Experiências de Nikuradse minar, aplica-se a equação conhecida como de Hagen-
-Poiseuille :
Em 1933, J. Nikuradse divulgou, na Alemanha, os resul-
h _ 128 xvcn x LxQ
tados de uma série de investigações que marcaram um Equação (8.10)
J - Jr x D 4 x g
passo decisivo na moderna mecânica dos fluidos .
Utilizando tubos de três diâmetros diferentes, Niku- determinada, ex perimentalmente, por Hagen (1839) e, inde-
radse produziu neles uma rugosidade artificial, cimen- pendentemente, por Poiseuille (1840) . A sua dedução analí-
tando, na superfície interna, g rãos de areia de tamanho tica foi feita posteriormente por \~liedermann, em 1856.
conhecido e obtendo a mesma rugosidade relativa para os Verifica-se que, para o "escoamento lanü nar", a per-
três tubos. Pôde, então, veri ficar que, para um determi-
da de carga é propor cional à primeira potência da veloci-
nado valor do número de Reynolds (RJ, o coeficiente de dade. Substituindo na Equação (8. 10) o valor:
resistência (j) era idêntico para as três tubulações. As ex-
periências foram repetidas para cinco valores da r ugosi- Jr X
Q = A x v= - - - x v
D2
dade relativa. Elas vieram a provar que é válido o conceito 4
de r ugosidade relativa e que é correta a expressão resulta:
2
h = 64 x V cn x L/ V = 64 x V cn x Lxv
J 2 x g x D~ Dx v Dx 2x g
para o tipo de rugosidade ensaiado. Comparando a expressão acima com a fórmula de
Experiências posteriores conduzidas pelo Instituto Darcy-Weisbach (Equação 8. 7), verifica-se que:
Tecnológico de Illinois, com tubos de rugosidade artifi- f = 64 x Vcn
cial (roscas), n1ostraran1 que "f' é também uma função Dxv
156 Manual de Hidráulica

então Para a região compreendida entre as condições pre-


cedentes, isto é, entre o caso de tubos lisos e a zona de
j = 64
Equação (8.11) turbulência completa, C. F. Colebrook propôs, em 1938,
Rc
uma equação semiempírica:
Observa-se que essa fórmula não envolve fatores
i7 + R • JJ]
empíricos ou coeficientes experimentais de qualquer na- 25
= - 2 x log [ e Equação (8.14)
tureza; só inclui dados relativos às propriedades do flui- vf 3,7 x D ex
do (viscosidade, peso específico).
Essa equação tende para a Equação (8.12) dos tu-
A Equação (8.11) mostra, ainda, que a perda por bos lisos quando "e/(3,7 D)" torna-se muito pequeno, as-
atrito nesse caso é independente da rugosidade das pa- sim como tende para a Equação (8.13) quando se reduz
redes dos tubos. As experiências comprovam isso. o valor de 2,51/(Re x Vf) .
O regime laminar raramente ocorre na prática, ex- Nessas condições, quando a espessura do filme la-
ceção feita para o escoamento de certos fluidos bastante minar for grande, con1parada à altura das saliências ru-
viscosos, tais corno determinados óleos pesados, mela- gosas, a perda na tubulação será a mesma que resultaria
ços e caldas, ou, então, para o caso de tubos capilares ou se a canalização fosse muito lisa.
escoamento em meios porosos. O escoamento do sangue
nos tecidos do organismo constitui um exemplo interes-
sante de escoamento em regime laminar. A-8.3.9 Diagramas de Stanton, Rouse e Moody
A Equação (8.10) também pode ser escrita:
A equação de Colebrook pode ser convenientemente re-
J = 32 x ,U X V presentada num diagrama, tomando-se, nos eixos, valores
px g x D 2 def (ou de 1/Vf e Re x Vf) e os valores de D/e apa-
recem como uma família de curvas [Harpa de Nikuradse
outra forma da equação de Poiseuille. (Figura A-8.3.2-a)]. Diagramas desse tipo foram publi-
cados por Hunter Rouse e L. F. Moody. Outro diagrama
semelhante foi originalmente divulgado por Stanton.
A-8.3.8 Regime turbulento
NaFiguraA-8.3.9-a , encontra-se o diagrama de Rou-
O escoamento é agitado e o comportamento com tubos se e, na Figurei A-8.3.9-b, o de Moody, úteis na solução ge-
lisos é diverso daquele que se verifica com tubos rugosos. ral dos problemas de escoamento em tubos, especialmente
Em 1930, Theodore Von Kármán estabeleceu uma quando não se tiver à mão máquinas de calcular.
fórmula teórica, relacionando os valores de "f' de "Re" A viscosidade cinemática da água pode ser obtida na
para os tubos lisos: Tabela A-1.4.6-b.

Jy = 2 x log(Re x .fJ)- 0,8 Equação (8.12)


Ao final deste capítulo (item A-8.4), estão apre-
sentadas as Tabelas A-8.4-a e b, com o resultado dos
cálculos pela fórmula Universal (Colebrook) e por Ha-
Essa equação é válida para os tubos lisos e para zen-Williams, para diâmetros comerciais e velocidades
qualquer valor de Rc compreendido entre o valor crítico usuais e para diferentes valores de rugosidade absoluta.
e oo (j = O) . É teoricamente correta e os seus resultados
têm sido con1provados experimentalmente.
A-8.3.1 O Problemas-tipo
Para os tubos r ugosos funcionando na zona de tur-
bulência completa, Nik uradse encontrou: Solução com o emprego dos diagramas de Rouse e de
Moody.
i7 = 1,74 + 2 x log(...!2_)
vf 2x e
Equação (8.13) A Tabela A-8.3.10-a auxilia o encaminhamento dos
vários tipos de problemas. Consideram-se como conheci-
dos os dados complementares relativos à natureza e con-
Os valores de "j" obtidos para tubos rugosos são
dições do fluido que permitam conhecer a sua viscosidade
maiores do que os obtidos pela Equação (8.12).
(Vcn), bem como as características da tubulação: compri-
Convém notar que a Equação (8.13) não inclui o nú- mento (L), material, estado e aspereza (e).
mero de Reynolds e que, portanto, para uma certa tubu-
Os E xercícios A-8-J, A-8-g, A-8-h e A-8-i servem de
lação de determinado diâmetro D, o valor def dependerá
apenas da rugosidade. exemplo do uso dos diagramas.
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 157

Re- -•
4 6 8 10 3
2 4 6 8 10 4
2 4 6 8 ,o s 2 4 6 8 10 6 2
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Re X'VÍ • 10s

Figura A-8.3.9-a - D iagrama de Rouse.

A-8.3.11 Observações sobre o emprego da "científicas" sobre as empíricas, pois a ordem de grande-
fórmula Universal za das imprecisões remetem ambos os métodos a uma
mesma faixa de soluções.
O emprego da fórmula Universal tem-se ampliado, embora
A normatização brasilei ra prefere indicar o uso da
ainda não exista um conhecimento satisfatório a respei-
fór mula Universal para o cálculo de adutoras em sis-
to da variação dos valores dos coeficientes de rugosidade
temas de distribuição de água. Esse é um assunto que
(e). Muitos engenheiros não se sentem seguros principal-
transcende os objetivos de un1a norn1alização técnica e
mente quando consideran1 o caso de tubulações sujeitas à
que deve ficar a critério do projetista, uma vez que a me-
tuberculização ou a incr ustações internas.
todologia de t rabalho e de cálculo é da alçada do enge-
A maioria dos dados divulgados sobre esses coe- nheiro autor do projeto e, como visto anteriormente, na
ficientes corresponde a tubos novos ou a canalizações prática as imprecisões do uso de fórmulas empíricas não
não sujeitas ao fenômeno do "envelhecimento", e por isso alteram a ordem de grandeza em relação às imprecisões
muitos técnicos têm sido levados a cometer enganos na dos parâmetros a adotar na fórmula Universal; e o uso
avaliação do comportamento hidráulico de tubulações, das fór mulas empíricas é mais ágil. No Capítulo B-1. 1,
pois, ao longo do tempo surgem diferenças sensíveis. este assunto é novamente abordado neste livro.
A Tabela A-8.3.11-a apresentada a seguir revela a
grande variabilidade de valores para o coeficiente "e",
mostrando ao mesmo tempo os valores sugeridos.
Na prática, essas incertezas sobre as temperaturas
a adotar e as r ugosidades reais a encontrar anulam em
grande par te as vantagens teóricas do uso das fórmulas
...,
O<iº
....
VI
e
ii1 00
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00
w
<D Escoamento Zona
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o- .-----•1• li 14---------------------->scoamentoturbulento - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 1•

1
laminar crítica

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Número de Reynolds Re
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Tabela A-8.3.1 O-a Emprego dos diagramas de Rouse e Moody 1
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~
n
e
Problema-tipo li Dados li Incógnitas li 1° passo li 2° passo li 3° passo li 4° passo 1 5° passo 1
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a.
o
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Com valores de "'
n
Calcular o
Calcular Calcular Determinar ""3
e (1)

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Q e f - Dx 2xg
V =- Re = - (1)
:,
~
A Vcn D
encontrarf no 2
O'"
diagrama (Moody) (Darcy) e
""O•
-n
(1)

Com os valores de "'


Calcular "'
o
O'"
Determinar Calcular

~.
7J
D Calcular ~
(1)
Re xlJ = Re xlJ = ede - "'
II D,h1 V, Q e e hr x D x 2 x g
3 - V= o
2 x g x h1 x D Q=Axv
= 1
D f xL
· 2
L x v cn encontrarf no
diagrama (Rouse)

Comf1 calcular Calcular Determinar


Assumir um
III h1, Q D, V primeiro valor 2 Com esses
paraf:f1 Di = / J x 8 x ~ x Q Re = 4xQ -e valores, encontrar
f h1 X Jr2 X g :rc x D1 x Vcn D1 um novo valor
paraf:f2,
repetir as
Comf1 calcular Calcular Determinar operações até que
Assumir um Í n +I =fn
IV h1, v D,Q primeiro valor D _ f x Lx v 2 e (Moody)
R = v x D1 -
paraf :f, 1 -
h1 x 2 x g e V D,
cn

Calcular
Conhecido D,
V v,Q D,hf o problema recai
V=Q no tipo I
A

Conhecido Q,
Calcular
VI v, D h1, Q o problema recai
Q =A X V
no tipo I .....
(.ri
~
160 Manual de H idráulica

Tabela A-8.3.11-a Valores de "e" (em mm) para a rugosidade das tubulações para a fórmula "Universal" para águas a
~20 ºC, pouco incrustantes, pouco corrosivas (corrigidas) [v ~ 1,5 m/s]
Usados Usados
Tubulações compostas por tubos de Novos
± 10 anos ± 20 anos
Aço soldado, revestimento não permanente (betuminoso) 0,250 1,250 3,000
Aço soldado, revestimento intern o permanente (epóxi) 0,020 0,032 o, 100
Concreto 0,750 1,250 2,500
Ferro fundido dúctil/aço PB revestido argamassa cimento 0,020 1,000 2,500
Ferro fundido dúctil/aço PB revestimento permanente (epóxi) 0,0175 0,0325 0,0750
PVC ou resina com fibra, juntas tipo PB ou luva 0,0050 0,0200 0,0400
PEAD, polipropileno outros termoplásticos, j unta soldada 0,0025 0,0100 0,0200
Material em desuso ou usado eventualmente:
Aço ("ferro doce") galvanizado roscado, até DN 125 mm 0,20 1,50 5,00
Aço corrugado (chapa ondulada) 8,00
Aço rebitado 2,00 4,00 6,00
Chumbo 0,01 0,02 0,03
Cobre, latão, bronze, aço inox, até DN 125 mm 0,01 0,01 0,02
Cimento-amianto 0,02 o, 10 0,20
Ferro fundido/aço PB ou luva, sem revestimento permanente 0,300 2,500 4,000
Madeira, em aduelas (tanoaria) 0,20 0,65 1,00
Mangueiras de Incêndio emborrachadas intern amente 0,02
M anilhas de barro vidrado (tubos cerâmicos) com 3 m, 125 < DN < 750 1,50 2,50 3,50
Tijolos, condutos muito bem executados em concreto in loco etc. 0,75 1,00 1,05
Vidro (laboratório) 0,01 0,01 0,01
Compilação de diversas fontes, ajustada pelo autor, para fins didáticos e para cálculos e avaliações expeditas
Observações: (*1 )Valem todas as observações feitas para a Tabela A·8.2.7·a; (*2) ver também a Tabela A·8.3.11·b

Tabela A-8.3.11-b Coeficientes de rugosidade "e"em mm para a fórmula Universal


Tubos em serviço (Azevedo
Valores recomendados para projeto (pesquisa da literatura internacional)
Netto)

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Tubos de ferro fundido
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~ :l i ~ ..o
..=8:!ll!J ..= especial especial ..=~ ~
~

..=-6.; ..=
Câmara Sindical Nacional (SCNHP) França o, 1 o, 1
Dégremont, M. Techinique de léau (1978) o, 1 0,2 a 0,5 0,2 O, 1 0,1 0,01 0,03 a O, 1 1,0
Lamont, Peter, IWSA, 3° Congresso (1955) 0,06 0,25 a 0,50 0,25 o, 125 0,025 0,125
Manual of British Water Engineering
Pratice, IWE, (1961)
o,125 0,04 o, 125 0,03
Chemical Engineers Handbook, R. H. Perry,
4' ed. (1963)
0,05 0,3 0,26 o,1S
Internai Flow, British Hydromechanics
Research Association
0,025a0,SO o, 1
Pipping Handbook, King e Croker (1967) 0,05 0,12
Fair, Geyer e Okun (1 966) 0,03 a 0,09 0,3 a 3,0 0,06 a 0,12 0,06 a 0,24 < 0,03
R. W. Powell (citado Azevedo Netto) (1951) 0,5 a 1,2 0,3 a 1,0 2, 1 3
Hydraulic lnstitute (1979) 0,05 0,14 o,17
A. Lencastre 0,06a0,15 0,06 a 0,5
Linsley & Franzine (1978) 0,3 a 3,0 0,26 0,12 o, 15 0,02
PNB 591 (1977) 0,08a0,12 0,08 a 0,66 O,14 a 0,20 O,14 a 0,20 0,08 a O, 12
Azevedo Netto o,125 0,30 0,25 o, 125 0,05 o,15 0,02 0,1 1,5
Obs.: A experi ência francesa recomendada é de e= O, 1 mm para tubos e para tubos não sujeitos à corrosão e incrustação e e= 2 mm para tubos
sujeitos sujeitos a esse fenômeno de deterioração.
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 161

A-8.3.12 Envelhecimento das tubulações e Também é justo considerar variações em função do


a rugosidade na abordagem das tipo de aço ou de ferro fundido considerado. Por outro
fórmulas de Colebrook lado, os fenômenos de corrosão relacionados com a dife-
rença de eletronegatividade dos terrenos cruzados pela
No itemA-8.2.9, trata-se deste tema com a abordagem de tubulação, correntes elétricas parasitas etc., normal-
Hazen-Williams, e este item deve ser lido tendo presente mente combatidos pela proteção externa do tubo e pela
o que se tratou naquele item. proteção catódica, não apresentam relação direta com o
aumento da rugosidade das tubulações.
As tubulações estão sujeitas ao fenômeno do enve-
lhecimento. Em geral, após algum tempo, as tubulações Outros critérios existem e são igualmente válidos,
vão se tornando mais rugosas, por diversos motivos, es- como os de Langelier; entretanto, nenhum superará o
pecialmente os ferrosos (ferro dúctil e aço) sem reves- estudo real das características da água, a observação de
timento permanente, por causa de efeitos de corrosão situações correlatas na região em estudo e o acompa-
ou de incrustações nas paredes internas. Mas todas as nhamento da tubulação em questão ao longo dos anos.
tubulações, de quaisquer materiais, costumam apresen-
tar variações com o tempo, inclusive desalinhamentos,
ovalizações etc., enterradas ou não.
Tabela A-8.3.12-a Aumento da rugosidade fun ção
Para levar em conta o aumento da rugosidade com do pH da água (tubulações ferro fundido sem
o tempo, Colebrook e White estabeleceram uma relação revestimento - aproximação inglesa)
linear que pode ser expressa por:
pH a pH a
e= e0 + a x t, (mm/ ano) (mm/ ano)
5,5 0,00305 7,5 0,00038
onde:
e0 = altura das rugosidades nos tubos novos (m); 6,0 0,00203 8,0 0,00020
e = altura das rugosidades nos tubos após t anos 6,5 0,001 13 8,5 0,00011
(m); 7,0 0,00063 9,0 0,00006
t = tempo, em anos;
a = taxa de crescimento das asperezas, em m/ano.

A-8.3.1 3 Condições de entrada nas canalizações


Tratando-se de canalizações de água, a taxa de cres- As fórmu las apresentadas para o escoamento em regi-
cimento a depende consideravelmente da qualidade da me laminar (Equação (8.11)) e em regime turbulento
água e, portanto, varia com as condições locais. (Equação (8.13) e Equação (8.14)) não são válidas para
Nos Estados Unidos da América foram determinados a parte inicial das tubulações. No caso de regime laminar,
alguns valores para a: por exemplo, em uma tubulação que parta de um reserva-
tório, se a entrada na canalização for bem feita, de modo a
• de 0,0006 a 0,00006 m/ano para a região dos Gran-
evitar contrações, todas as partículas do fluido tenderão,
des Lagos;
inicialmente, a escoar com a mesma velocidade, exceto
• de 0,0006 a 0,00006 m/ano (idem) para a Bacia do aquelas de urna camada muito fina, junto às paredes. Nes-
Mississipi; se primeiro instante, o perfil das velocidades é uma reta e
• de 0,002 a 0,0004 m/ano para a parte leste dos EUA. a energia cinética é dada por V'/(2 x g).
À medida que o escoamento vai se processando ao
longo da tubulação, as partículas mais próximas das pa-
Azevedo Netto anotou que, na falta de dados segu- redes vão sendo retardadas, enquanto que as mais cen-
ros para correlação, os ingleses desenvolveram, basea- trais vão tendo o seu movimento acelerado até que seja
dos em sua experiência, para tubos de ferro fundido atingido o perfil de equilíbrio (parábola), como se vê na
sem revestimento e para condições médias, a seguinte FiguraA-8.3.4-b.
expressão :
Na prática, a distância necessária para atingir as
2 x Ioga= 6,6 -pH, condições de equilíbrio pode ser estimada pela relação
onde o coeficiente "a" é em mm/ano. x = 0,58 x Re x D e, geralmente, supera 50 diâmetros.
Essa expressão evidencia a importância do pH da A perda suplementar nesse trecho é aproximadamen-
água no fenômeno da corrosão (Tabela A-8.3.12-a). te igual a 1,16 x ,?/(2 x g) .
162 Manual de Hidráulica

No caso de escoamento turbulento, o equilíbrio se es- constante a pressão absoluta cair para a metade (50%)
tabelece a uma distância muito menor, a cerca de 10 a 30 do valor inicial, o peso específico do gás também será
diâmetros da entrada na tubulação: reduzido à metade (50%) e, consequentemente, a veloci-
X= 0,8 x Rg· 25 xD dade deverá elevar-se ao dobro.
Sempre que a variação de pressão de um ponto para
A-8.3.14 Escoamento de líquidos com outro não for elevada, a alteração de peso específico será
pequena, podendo-se aplicar as expressões gerais de
viscosidade diferente da água resistência, estabelecidas para o escoamento de fluidos
É importante determinar o número de Reynolds para ve- incompressíveis.
rificar o regime de escoamento (laminar ou tu rbulento) . Esse é um caso que frequentemente se verifica em
O número de Reynolds (RJ é dado por: canalizações curtas ou em condutos de baixa velocidade,
onde :
V
Re =D x -
Vcn
p 2 > 0,90 ou P2 > 0,90
onde: Pi

D = diâmetro da canalização (m); Com maior rigor poderia ser limitada a variação de
v = a velocidade média do fluid o (m/s); pressão a apenas 4% [p 2 > 0,96 x p 1], o que traria um
2
V cn = viscosidade ci nemática (m /s) . erro da ordem de 2% nos resultados.
Em tais condições, a linha de carga é admitida como
Na Tabela A-1.4.6-c encontram-se valores da vis- sendo retilínea (FiguraA-8.3.15-a), sendo aplicável a fór-
cosidade cinemática para diversos fluidos em diferentes mula Universal do escoamento de fluidos incompressíveis.
temperaturas. Deve-se atentar para o caso de escoamen- Os problemas nesse caso são resolvidos de maneira
to de.fluido não newtoniano, quando a teoria desenvol- idêntica à que se adota para as questões relativas ao es-
vida neste capítulo não se aplica. Ver itemA-1. 4.5 e, para coamento de líquidos, podendo-se admitir o peso especí-
maiores detalhes, consultar bibliografia (Daugher ty and fico constante e, se for desejada maior precisão, levar em
Franzini etc.). conta o seu valor médio.
O Exercício A-8-j. e o Exercício A-8-k, ao final O valor de h1 (Equação (8. 7)) será dado em metros
deste capítulo, servem para exemplificar este assunto. de coluna de um líquido imaginário, de peso específico
idêntico ao do gás. A rugosidade relativa será a mesma
A-8.3.15 Escoamento de gases indicada para o movimento dos líquidos nas tubulações,
mantendo-se praticamente constantes os valores de Re e
O peso específico dos gases varia diretamente com a pres- def (itemA -8.3.2). Os diagramas de Rouse e de Moody
são a que estão submetidos e inversamente com a tempera- aplicam-se tanto aos fluidos compressíveis como aos in-
tura absoluta, de acordo com a equação dos gases perfeitos : compressíveis.
p Se, ao contrário do que vem sendo admitido, a queda
y = RxT
de pressão for acentuada, as expressões da Hidráulica
onde : não poderão mais ser aplicadas, exigindo o problema um
'I = peso específico (kgf/m3); tratamento mais complexo. Nesse caso, a linha de carga
T = temperatura absoluta (t ºC + 273º); será representada por uma curva (Figura A-8.3.15-b) .
p = pressão (kgf/m 2); Tal é o caso das tubulações em que a perda de car-
R = constante do gás. ga (p 1 -P2) representa uma porção importante da pres-
são inicial p 1, o que geralmente ocorre nos condutos
longos e nas canalizações com pressões e velocidades
O escoamento de gases praticamente sempre é elevadas.
acompanhado de variação de pressão e, consequente-
mente, de alteração do peso específico . Para os gases, a Para a solução desse problema, a tubulação em ques-
equação da continuidade deve ser escrita em termos de tão poderia ser subdividida em trechos, para efeito de
peso ou massa: cálculos, para os quais pudesse ser aplicado o critério
precedente. Isso corresponderia à substituição da curva
Y1 X A1 X Vi = )2 X A2 X V2 representativa da linha de carga por inúmeros trechos re-
Constata-se portanto que, se em um conduto de se- tos. Em cada um desses trechos, seria admissível adotar
ção circular com diâmetro uniforme e sob temperatura valores médios para o peso específico e para a velocidade
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 163

a. a.
1 1
o o
'"'
V,
V,
(1J
'"'~
~
o.. ~
o..

Distância ao longo da tubulação - L


Distância ao longo da tu bulação - L
Figura A-8.3.15-a - Linha de carga de escoamento de fluido
incompressível. Figura A-8.3.15-b - Linha de carga de escoamento de fluido
compressível.

média de escoamento. Esse método de cálculo, contudo, Deve-se observar que, para a gama de pressões cor-
além de ser aproximado, poderá se tornar bastante traba- rentes a que estão s ubmetidos os gases, o coeficiente de
lhoso no caso de tubulações de grande extensão. viscosidade absoluta é praticamente constante. Como a
velocidade varia inversamente com o peso específico, o
O estudo geral do escoamento de gases, sob o ponto
número de Reynolds permanece constante ao longo das
de vista teórico, abrange dois casos extremos:
tubulações e, consequentemen te, o coeficiente de atritof
a) Escoamento isotérmico. T ubulações não protegi- mantém-se com igual valor ao longo dos condutos. A vis-
das termicamente, onde prevalece a temperatura cosidade cinemática varia inversamente com as pressões.
ambiente, considerada uniforme.
O escoamento em condições adiabáticas ocorre, na
b) Escoamento adiabático. Tubulações perfeitamen- prática, somente nos casos ern que se torna conveniente
te protegidas, onde não ocorrem trocas de calor. o isolamento térrnico das tubulações. Os casos mais co-
muns são os dos condutos de vapor de água e de fluidos
refrigerantes, como, por exemplo, a amônia.
Na prática, o escoamento de gases aproxima-se mais
Como na maioria dos casos correntes as t ubulações
das condições isotérmicas, uma vez que as tubulações
são r elativamente c urtas, as perdas de pressão são redu-
metálicas são instaladas sem proteção especial. Admi-
zidas, podendo-se mais uma vez aplicar as expressões já
tindo, portanto, a expansão isotérmica, pode-se deduzir
mencionadas. Todavia, há casos em que esse tratamento
a expressão seguinte (Bib. P590) :
simplificado do problema não pode ser admitido. Uma
2
h = Pi - P2 = f x L x v x 2 x Pi análise simples, porém bem feita, das condições de es-
f y D x 2 x g Pi + P2 coamento em tais casos, encontra-se em Mecânica dos
Fluidos, de R. C. Binder ( Bib. B330) .
Essa expressão difere da anterior apenas pelo fator:
A rigor, o escoamento de um gás pode não ser adia-
2 x P1
bático e nem realmente isotérmico. Para que as cond ições
P1 + P 2 fossem isotérmicas, seria necessário que as trocas de calor
A partir dela podem-se verificar as diferenças que se fizessem com urna determinada velocidade e de acor-
resultariam da aplicação da primeira expressão aos pro- do com uma lei preestabelecida. As condições da prática
blemas em consideração. aproximam-se mais do escoamento isotérmico, quando a
temperatura ambiente excede a temperatura do fluido.
Pa ra :
Assim como existem para as questões de escoamento
2 x P1 = l 02
p 1 + 0,96 x p 1 '
da água fórmulas práticas simplificadas, para os condutos
de gás foram propostas e têm sido aplicadas, diversas ex-
erro de 2 % , e para: pressões. Incluem-se entre essas a fórmula de Biel:
2xp, =1 05 0 0637 X V O,JS,i
f
Pi + 0,90 x Pi ' = ' Q l,125
cn

erro de 5%. onde Q está em m3/s, assim como a fórmula de Aubery


(para escoamento de gás de iluminação, em canaliza-
164 Manual de Hidráulica

ções de ferro fundido): A-8.4 TABELAS PARA AS FÓRMULAS


1.625 X Ql,85 DE HAZEN-WILLIAMS E
hr = D4,92
UNIVERSAL (COLEBROOK)
onde: A Tabela A-8.4-a apresenta o resultado dos cálculos
h1 é em mm de água/km; pela fórmula de Hazen-\1/illiams para os diâmetros co-
3
Q em m /h ·
' ' merciais e velocidades usuais e para diferentes valores
D, em cm . do coeficiente "C".
A Tabela A-8.4-b apresenta (rnarcado ern cinza)
A Cia. de Gás de São Paulo, SP (Comgás) adota a o resultado dos cálculos pela fórmula Universal (Cole-
fórmula do Dr. Fole para os cálculos relativos às canali- brook) para os mesmos diâmetros comerciais e mesmas
zações de baixa pressão da rede de distribuição: velocidades usuais e para diferentes valores de "e" (ru-
gosidade absoluta) .
✓ Dd xx Lh
5
Q = O 6659 x Optou-se por calcular a tabela à temperatura de 4 ºC
' (densidade e viscosidade máximas da água), porque as-
onde: sim se estará a favor tanto da segurança quanto da capa-
Q = vazão de gás, em m3/hora; cidade dos tubos. E nos mais diversos locais, mesmo em
d = densidade do gás em relação ao ar;
países tropicais, há dias ou noites em que é justo esperar
D = diâmetro da tubulação, em cm; temperaturas dessa ordem para a água.
L = extensão da canalização, em m; Apresentadas entrelaçadas (lado a lado), as tabelas
h = perda de carga, em m.c.a. proporcionam ao usuário imediata comparação dos re-
sultados obtidos pela fórmula empírica largamente utili-
zada de Hazen-Williams e a fórmula Universal.
Além disso, o usuário da fórmula de Hazen-Williams
poderá inferir dessa comparação desvios do coeficiente
C, em função do diâmetro e da velocidade, conforme já
explicado noitemA-8.2.10.
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 165

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) DN 50mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,002 m2 )
Coeficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams]
Rugosidade em mm
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
[Colebrook]

Vazão Vel. v 2/(2xg)


(tis) (m/s) (m)

0,4 0,20 0,0021 0,39 0,35 0,28 0,28 0,25 0,23 0,22 0,20 0,18 o,1 7 0,14 0,14 0,14 o,13
0,6 0,31 0,0048 0,87 0,75 0,63 0,60 0,56 0,49 0,49 0,41 0,40 0,35 0,30 0,30 0,28 0,27
0,8 0,41 0,0085 1,54 1,27 1, 12 1,02 0,99 0,84 0,85 0,71 0,69 0,60 0,50 0,52 0,47 0,45
1,0 0,51 0,0132 2,40 1,92 1,74 1,55 1,54 1,27 1,33 1,07 1,06 0,91 0,76 0,78 0,71 0,68
1,2 0,61 0,0190 3,45 2,70 2,49 2, 17 2,21 1,78 1,90 1,50 1,5 1 1,27 1,07 1, 1O 0,99 0,96
1,4 0,71 0,0259 4,70 3,59 3,39 2,89 3,01 2,37 2,58 1,99 2,05 1,69 1,43 1,46 1,31 1,27
1,6 0,81 0,0338 6, 13 4,60 4,42 3,70 3,92 3,04 3,36 2,55 2,66 2, 1 7 1,83 1,87 1,68 1,63
1,8 0,92 0,0428 7,75 5,72 5,59 4,60 4,95 3,78 4,24 3, 17 3,36 2,70 2,29 2,33 2,08 2,03
2,0 1,02 0,0529 9,57 6,95 6,69 5,59 6, 11 4,60 5,22 3,85 4,13 3,28 2,80 2,83 2,5 4 2,46
2,2 1, 12 0,0640 11,57 8,29 8,33 6,67 7,38 5,48 6,31 4,60 4,99 3,91 3,36 3,37 3,03 2,94
2,4 1,22 0,0761 13,77 9,74 9,91 7,83 8,78 6, 44 7,50 5,40 5,92 4,60 3,96 3,96 3,57 3,45
2,6 1,32 0,0894 16, 16 11,30 11 ,62 9,08 10,30 7,47 8,80 6,26 6,93 5,33 4,62 4,60 4,14 4,01
2,8 1,43 o, 1036 18,73 12,96 13,48 10,42 11,94 8,57 1o, 19 7, 18 8,03 6, 12 5,33 5,27 4,77 4,60
3,0 1,53 o, 1190 21,50 14,72 15,46 11,84 13,70 9,74 11,69 8, 16 9,20 6,95 6,09 5,99 5,43 5,22
3,2 1,63 o, 1354 24,46 16,59 17,59 13,34 15,58 10,98 13,29 9,20 10,46 7,83 6,89 6,75 6,13 5,89
3,4 1,73 o, 1528 27,61 18,56 19,85 14,93 17,58 12,28 15,00 10,29 11 ,79 8,76 7,75 7,55 6,88 6,59
3,6 1,83 o, 1713 30,95 20,64 22,25 16,59 19,70 13,65 16,81 11,44 13,21 9,74 8,65 8, 40 7,67 7,32
3,8 1,94 o, 1909 34,48 22,81 24,78 18,34 21,94 15,09 18,72 12,65 14,71 10,77 9,61 9,28 8,50 8,09
4,0 2,04 0.21 15 38,20 25,08 27,46 20, 17 24,31 16,59 20,73 13,91 16,28 11,84 10,61 10,21 9,37 8,90
4,2 2, 14 0,2332 42, 11 27,46 30,26 22,08 26,79 18, 16 22,85 15,22 17,94 12,96 11,67 11 , 17 10,28 9,74
4,4 2,24 0,2559 46,22 29,93 33,21 24,06 29,40 19,80 25,07 16,59 19,67 14, 12 12,77 12, 18 11,24 10,62
4,6 2,34 0,2797 50,51 32,49 36,29 26,13 32, 12 21,49 27,39 18,02 21,49 15,34 13,92 13,22 12,24 11,53
4,8 2, 44 0,3046 54,99 35, 16 39,51 28,27 34,97 23,26 29,81 19,49 23,39 16,59 15, 13 14,31 13,27 12,47
5,0 2,55 0,3305 59,67 37,92 42,87 30,49 37,94 25,08 32,34 21,03 25,36 17,90 16,38 15,43 14,36 13,45
5,2 2,65 0,3575 64,53 40,78 46,36 32,79 41,03 26,97 34,97 22,61 27,42 19,24 17,68 16,59 15,48 14,46
5,4 2,75 0,3855 69,59 43,73 49,99 35, 16 44,24 28,93 37,71 24,25 29,55 20,64 19,03 17,79 16,64 15,51
5,6 2,85 0,4146 74,83 46,78 53,75 37,61 47,57 30,94 40,5 4 25,94 31,77 22,08 20,43 19,03 17,85 16,59
5,8 2,95 0,4447 80,27 49,92 57,65 40, 13 51,02 33,02 43,48 27,68 34,07 23,56 21,88 20,31 19,09 17,71
6,0 3,06 0,4759 85,90 53, 15 61,69 42,73 54,59 35, 16 46,52 29,47 36,45 25,08 23,38 21,63 20,38 18,85
6,2 3, 16 0,5082 91,71 56,48 65,87 45,41 58,28 37,36 49,67 31,32 38,90 26,65 24,93 22,98 21,71 20,03
6,4 3,26 0,5415 97,72 59,90 70, 18 48, 16 62, 10 39,62 52,92 33,21 41,44 28,27 26,53 24,37 23,09 21,25
6,6 3,36 0,5759 103,92 63,41 74,63 50,98 66,03 41,95 56,27 35, 16 44,06 29,93 28, 18 25,80 24,50 22,49
6,8 3,46 0,6113 11 0,31 67,02 79,22 53,88 70,09 44,33 59,72 37, 16 46,76 31,63 29,88 27,27 25,96 23,77
7,0 3,57 0,6478 116,89 70,71 83,94 56,85 74,27 46,78 63,28 39,21 49,53 33,37 31,63 28,77 27,45 25,08
7,2 3,67 0,6853 123,66 74,50 88,80 59,90 78,57 49,28 66,94 41,31 52,39 35,16 33,43 30,32 28,99 26,43
7,4 3,77 0,7239 130,63 78,38 93,80 63,02 82,98 51,85 70,70 43,46 53,33 36,99 35,27 31,89 30,57 27,80
7,6 3,87 0,7636 137,78 82,35 98,93 66,2 1 87,52 54,47 74,56 45,66 58,35 38,86 37, 17 33,51 32, 19 29,21
7,8 3,97 0,8043 145, 12 86,41 104,20 69,47 92, 18 57,16 78,53 47,91 61,45 40,78 39, 11 35,16 33,86 30,65
8,0 4,07 0,8461 152,65 90,55 109,61 72,81 96,97 59,90 82,60 50,21 64,63 42,73 41 , 11 36,85 35,56 32, 12
8,2 4, 18 0,8889 160,38 94,79 11 5, 15 76,2'1 101,87 62,70 86,77 52,56 67,88 44,73 43, 16 38,57 37,31 33,62
166 Manual de H idráulica

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 60 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,003 m2)
Coe ficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams)
Rugosidade em mm
[Colebrook]
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 o,10 0,05

Vazão Vel. v2/(2xg)


(C/s) (m/s) (m)

0,6 0,21 0,0023 0,32 0,31 0,24 0,25 0,21 0,20 0,19 o, 1 7 o, 15 0,15 0,12 o,13 o, 12 o, 11
0,8 0,28 0,0041 0,57 0,52 0,42 0,42 0,37 0,35 0,33 0,29 0,27 0,25 0,20 0,21 o, 19 0,19
1,0 0,35 0,0064 0,88 0,79 0,65 0,64 0,58 0,52 0,50 0,44 0,41 0,37 0,3 1 0,32 0,29 0,28
1,2 0,42 0,0092 1,27 1, 11 0,93 0,89 0,83 0,73 0,72 0,62 0,58 0,52 0,43 0,45 0,40 0,39
1,4 0,50 0,0125 1,72 1,48 1,26 1, 19 1, 13 0,98 0,98 0,82 0,79 0,70 0,57 0,60 0,53 0,52
1,6 0,50 0,0163 2,25 1,89 1,65 1,52 1,47 1,25 1,27 1,05 1,02 0,89 0,73 0,77 0,68 0,67
1,8 0,64 0,0207 2,85 2,35 2,08 1,89 1,86 1,56 1,60 1,30 1,29 1, 11 0,91 0,96 0,85 0,83
2,0 0,71 0,0255 3,51 2,86 2,57 2,30 2,29 1,89 1,97 1,59 1,59 1,35 1, 11 1, 16 1,03 1,01
2,2 0,78 0,0309 4,25 3,41 3, 1O 2,74 2,77 2,26 2,38 1,89 1,91 1,61 1,33 1,39 1,22 1,21
2,4 0,85 0,0367 5,05 4,01 3,69 3,22 3,29 2,65 2,83 2,22 2,26 1,89 1,57 1,63 1,44 1,42
2,6 0,92 0,0431 5,93 4,65 4,33 3,74 3,86 3,07 3,32 2,58 2,65 2,19 1,83 1,89 1,67 1,65
2,8 0,99 0,0500 6,87 5,33 5,02 4,29 4,47 3,53 3,84 2,96 3,06 2,52 2, 11 2, 17 1,92 1,89
3,0 1,06 0,0574 7,88 6,06 5,76 4,87 5, 13 4,01 4,41 3,36 3,51 2,86 2,40 2,47 2, 18 2, 15
3,2 1, 13 0,0653 8,97 6,83 6,55 5,49 5,83 4,52 5,01 3,79 3,99 3,22 2,72 2,78 2,46 2,42
3,4 1,20 0,0737 1o, 12 7,64 7,39 6, 14 6,58 5,05 5,65 4,24 4,49 3,61 3,05 3, 11 2,76 2,7 1
3,6 1,27 0,0826 11,35 8,49 8,28 6,83 7,37 5,62 6,33 4,7 1 5,03 4,01 3,40 3,46 3,97 3,01
3,8 1,34 0,0921 12,64 9,39 9,22 7,55 8,21 6,21 7,05 5,20 5,60 4,43 3,78 3,82 3,40 3,33
4,0 1,41 o, 1020 14,00 10,32 10,21 8,30 9,09 6,83 7,81 5,72 6,20 4,87 4,17 4,20 3,74 3,66
4,2 1,49 o, 1125 15,44 11,30 11,26 9,08 10,02 7,47 8,60 6,26 6,83 5,33 4,58 4,60 4, 1O 4,01
4,4 1,56 o, 1234 16,94 12,31 12,35 9,90 10,99 8, 15 9,43 6,83 7,49 5,81 5,01 5,01 4,48 4,37
4,6 1,63 o, 1349 18,51 13,37 13,50 10,75 12,01 8,84 10,31 7,41 8, 17 6,31 5,45 5,44 4,87 4,74
4,8 1,70 o, 1469 20, 15 14,47 14,69 11,63 13,07 9,57 11,22 8,02 8,89 6,83 5,92 5,89 5,28 5,13
5,0 1,77 o, 1594 21,87 15,60 15,94 12,55 14, 18 10,32 12, 17 8,65 9,64 7,36 6,41 6,35 5,71 5,54
5,2 1,84 o, 1724 23,65 16,78 17,24 13,49 15,33 11, 1O 13, 16 9,30 10,42 7,92 6,91 6,83 6, 15 5,95
5,4 1,91 o, 1859 25,50 17,99 18,59 14,47 16,53 11,90 14, 18 9,98 11,23 8,49 7,44 7,32 6,60 6,38
5,6 1,98 o, 1999 27,42 19,25 19,99 15,48 17,78 12,73 15,25 10,67 12,07 9,08 7,98 7,83 7,08 6,83
5,8 2,05 0,2145 29,41 20,54 21,44 1 6,51 19,07 13,59 16,35 11,39 12,94 9,69 8,5 4 8,36 7,57 7,29
6,0 2, 12 0,2295 31,48 21,87 22,94 1 7,58 20,40 14,47 17,50 12,13 13,85 10,32 9,12 8,90 8,07 7,76
6,2 2, 19 0,2451 33,61 23,24 24,49 18,69 21,78 15,37 18,68 12,89 14,78 10,97 9,72 9,46 8,60 8,24
6,4 2,26 0,2611 35,81 24,65 26,09 19,82 23,2 0 16,30 19,90 13,67 15,74 11,63 10,34 10,03 9,13 8,74
6,6 2,33 0,2777 38,08 26,09 27,75 20,98 24,67 17,26 21, 16 14,47 16,73 12,31 10,98 10,62 9,69 9,26
6,8 2,41 0,2948 40,42 27,58 29,45 22, 17 26, 19 18,24 22,45 15,29 17,75 13,01 11,64 11 ,22 10,26 9,78
7,0 2,48 0,3124 42,83 29, 10 31,20 23,40 27,75 19,25 23,79 16,13 18,81 13,73 12,31 11,84 10,84 10,32
7,2 2,55 0,3305 45,31 30,66 33,01 24,65 29,35 20,28 25, 16 17,00 19,89 14,47 13,01 12,47 11,44 10,87
7,4 2,62 0,3 491 37,86 32,25 34,87 25,93 31,00 21,33 26,58 17,88 21,00 15,22 13,72 13, 12 12,06 11 ,44
7,6 2,69 0,3683 50,48 33,88 36,77 27,24 32,69 22,41 28,03 18,79 22,15 15,99 14,46 13,79 12,70 12,02
7,8 2,76 0,3879 53, 17 35,55 38,73 28,59 34,43 23,52 29,52 19,71 23,32 16,78 15,21 14,47 13,,35 12,61
8,0 2,83 0,4080 55,93 37,26 40,74 29,96 36,22 24,65 31,05 20,66 24,52 17,58 15,98 15, 16 14,01 13,22
8,2 2,90 0,4287 58,76 39,01 42,80 31,36 38,05 25,80 32,61 21,63 25,76 18,41 16,77 15,87 14,70 13,84
8,4 2,97 0,4499 61,66 40,79 44,91 32,79 39,92 26,98 34,22 22,61 27,02 19,25 17,58 16,60 15,39 14,47
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 167

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) ON 75 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,005 m2 )
Coeficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams]
Rugosidade em mm
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
[Colebrook]
Vazão Vel. v 2/(2 xg)
(tis) (m/s) (m)

1,2 0,27 0,0038 0,38 0,37 0,28 0,30 0,25 0,25 0,22 0,21 0,18 o, 18 0,14 0,15 0,1 4 o, 13
1,4 0,32 0,0051 0,51 0,50 0,38 0,40 0,34 0,33 0,30 0,28 0,25 0,24 o,19 0,20 0,18 o, 18
1,6 0,36 0,0067 0,66 0,64 0,50 0,51 0,45 0,42 0,39 0,35 0,32 0,30 0,24 0,26 0,23 0,23
1,8 0,41 0,0085 0,84 0,79 0,63 0,64 0,56 0,52 0,49 0,44 0,40 0,37 0,30 0,32 0,28 0,28
2,0 0,45 0,0104 1,04 0,96 0,77 0,78 0,69 0,64 0,60 0,53 0,49 0,46 0,37 0,39 0,3 4 0,34
2,2 0,50 0,0126 1,25 1, 15 0,93 0,93 0,84 0,76 0,73 0,64 0,59 0,5 4 0,44 0, 47 0,41 0, 41
2,4 0,54 0,0150 1,49 1,35 1, 11 1,09 0,99 0,89 0,86 0,75 0,70 0,64 0,51 0,55 0,48 0, 48
2,6 0,59 0,0177 1,75 1,57 1,30 1,26 1, 17 1,04 1,01 0,87 0,82 0,74 0,60 0,64 0,55 0,56
2,8 0,63 0,2005 2,03 1,80 1,51 1,45 1,35 1, 19 1, 17 1,00 0,95 0,85 0,68 0,73 0,64 0,64
3,0 0,68 0,0235 2,32 2,04 1,73 1,64 1,55 1,35 1,34 1, 13 1,09 0,96 0,78 0,83 0,72 0,72
3,2 0,72 0,0267 2,64 2,30 1,96 1,85 1,76 1,52 1,53 1,28 1,23 1,09 0,88 0,94 0,81 0,82
3,4 0,77 0,0302 2,98 2,58 2,21 2,07 1,98 1,70 1,72 1,43 1,39 1,22 0,99 1,05 0,91 0,91
3,6 0,81 0,0338 3,34 2,86 2,48 2,30 2,22 1,89 1,93 1,59 1,55 1,35 1, 1O 1, 17 1,01 1,02
3,8 0,86 0,0377 3,72 3, 17 2,76 2,55 2,4 7 2,09 2, 14 1,76 1,73 1,49 1,22 1,29 1, 12 1, 12
4,0 0,91 0,04 18 4, 12 3,48 3,06 2,80 2,74 2,30 2,37 1,93 1,9 1 1,64 1,34 1,42 1,23 1,23
4,2 0,95 0,0461 4,55 3,81 3,37 3,06 3,02 2,52 2,61 2,11 2, 11 1,80 1,47 1,55 1,35 1,35
4,4 1,00 0,0506 4,99 4,15 3,70 3,34 3,31 2,75 2,87 2,30 2,31 1,96 1,61 1,69 1,4 7 1,47
4,6 1,04 0,0553 5,45 4,51 4,04 3,63 3,62 2,98 3, 13 2,50 2,52 2, 13 1,75 1,84 1,60 1,60
4,8 1,09 0,0602 5,94 4,88 4,40 3,92 3,94 3,23 3,41 2,71 2,74 2,30 1,90 1,99 1,73 1,73
5,0 1, 13 0,0653 6,44 5,26 4,77 4,23 4,27 3,48 3,70 2,92 2,97 2,48 2,05 2, 14 1,86 1,87
5,2 1, 18 0,0706 6,96 5,66 5,16 4,55 4,62 3,74 4,00 3,14 3,21 2,67 2,21 2,30 2,01 2,01
5,4 1,22 0,0761 7,51 6,07 5,57 4,88 4,98 4,01 4,31 3,37 3,46 2,86 2,38 2,47 2,15 2, 15
5,6 1,27 0,0819 8,07 6,49 5,98 5,22 5,35 4,29 4,63 3,60 3,71 3,06 2,55 2,64 2,3 1 2,30
5,8 1,31 0,0878 8,66 6,93 6,42 5,57 5,74 4,58 4,96 3,84 3,98 3,27 2,73 2,82 2,46 2,46
6,0 1,36 0,0940 9,27 7,38 6,87 5,93 6, 14 4,88 5,31 4,09 4,26 3,48 2,91 3,00 2,63 2,62
6,2 1,40 0,1004 9,89 7,84 7,33 6,30 6,56 5,19 5,67 4,35 4,54 3,70 3,1O 3,19 2,79 2,78
6,4 1,45 o, 1070 10,54 8,31 7,81 6,68 6,99 5,50 6,04 4,61 4,84 3,92 3,29 3,38 2,97 2,95
6,6 1,49 o, 1138 11,21 8,80 8,30 7,08 7,43 5,82 6,42 4,88 5,14 4, 15 3,50 3,58 3,14 3, 12
6,8 1,54 o, 1208 11,90 9,30 8,81 7,48 7,88 6, 15 6,81 5, 16 5,45 4,39 3,70 3,78 3,33 3,30
7,0 1,58 o, 1280 12,61 9,81 9,34 7,89 8,35 6,49 7,22 5,44 5,77 4,63 3,92 3,99 3,51 3,48
7,2 1,63 o, 1354 13,34 10,34 9,88 8,31 8,83 6,84 7,63 5,73 6, 11 4,88 4,13 4,21 3,71 3,67
7,4 1,68 o, 1430 14,09 10,88 10,43 8,75 9,33 7,20 8,06 6,03 6, 45 5, 13 4,36 4,43 3,90 3,86
7,6 1,72 o, 1508 14,86 11,43 11,00 9, 19 9,84 7,56 8,50 6,34 6,80 5,39 4,59 4,65 4, 11 4,05
7,8 1,77 o, 1589 15,65 11,99 11 ,59 9,64 10,36 7,93 8,95 6,65 7, 16 5,66 4,83 4,88 4,31 4,25
8,0 1,81 o, 1671 16,46 12,57 12, 19 1o, 1O 10,90 8,3 1 9,41 6,97 7,52 5,93 5,07 5, 11 4,53 4,46
8,2 1,86 o, 1756 17,30 13, 16 12,80 10,58 11,45 8,70 9,89 7,29 7,90 6,21 5,32 5,35 4,75 4,67
8,4 1,90 o, 1843 18, 15 13, 76 13,44 11,06 12,01 9,10 10,37 7,63 8, 29 6,49 5,57 5,60 4,97 4,88
8,6 1,95 o, 1931 19,02 14,37 14,08 11,55 12,59 9,51 10,87 7,97 8,69 6,78 5,83 5,85 5,20 5, 1O
8,8 1,99 0,2022 19,92 14,99 14,74 12,06 13, 18 9,92 11,38 8,31 9,09 7,08 6, 10 6, 10 5,43 5,32
9,0 2,04 0,2 11 5 20,83 15,63 15,42 12,57 13,78 10,34 11,90 8,67 9,51 7,38 6,37 6,36 5,67 5,54
168 Manual de H idráulica

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 100 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,008 m2)
Coe ficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams)
Rugosidade em mm
[Colebrook]
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 o,10 0,05

Vazão Vel. v2/(2xg)


(C/s) (m/s) (m)

2,5 0,32 0,0052 0,34 0,36 0,26 0,29 0,23 0,24 0,21 0,20 o, 17 0,17 0,13 o, 15 o, 13 0,13
3,0 0,38 0,0074 0,49 0,50 0,37 0,40 0,33 0,33 0,29 0,28 0,24 0,24 0,19 0,20 o, 18 0,18
3,5 0,45 0,0101 0,66 0,67 0,50 0,54 0,45 0,44 0,40 0,37 0,33 0,32 0,25 0,27 0,23 0,24
4,0 0,51 0,0132 0,86 0,86 0,65 0,69 0,59 0,57 0,52 0,48 0,42 0,40 0,32 0,35 0,30 0,30
4,5 0,57 0,0167 1,09 1,07 0,82 0,86 0,74 0,71 0,65 0,59 0,53 0,50 0,40 0,43 0,37 0,38
5,0 0,64 0,0207 1,34 1,30 1,02 1,04 0,92 0,86 0,80 0,72 0,66 0,61 0,48 0,53 0,45 0,46
5,5 0,70 0,0250 1,63 1,55 1,23 1,24 1, 11 1,02 0,97 0,86 0,79 0,73 0,58 0,63 0,53 0,55
6,0 0,76 0,0297 1,93 1,82 1,46 1,46 1,32 1,20 1, 15 1,01 0,94 0,86 0,68 0,74 0,63 0,64
6,5 0,83 0,0349 2,27 2, 11 1,71 1,69 1,54 1,39 1,35 1, 1 7 1, 1O 0,99 0,79 0,86 0,73 0,75
7,0 0,89 0,0405 2,63 2,42 1,99 1,94 1,79 1,60 1,56 1,34 1,27 1, 14 0,91 0,98 0,84 0,86
7,5 0,95 0,0465 3,02 2,75 2,28 2,21 2,05 1,82 1,79 1,52 1,46 1,30 1,04 1, 12 0,95 0,97
8,0 ·1,02 0,0529 3,43 3, 1O 2,59 2,49 2,33 2,05 2,04 1,72 1,65 1,46 1, 1 7 1,26 1,07 1, 1O
8,5 1,08 0,0597 3,87 3,46 2,92 2,78 2,63 2,29 2,30 1,92 1,86 1,63 1,3 1 1,41 1,20 1,23
9,0 1, 15 0,0669 4,34 3,85 3,28 3, 1O 2,95 2,55 2,57 2,13 2,09 1,82 1,4 7 1,57 1,34 1,37
9,5 1,21 0,0746 4,84 4,26 3,65 3,42 3,29 2,82 2,86 2,36 2,32 2,01 1,63 1,73 1,48 1,5 1
10,0 1,27 0,0826 5,36 4,68 4,04 3,76 3,64 3,1O 3,17 2,59 2,57 2,21 1,79 1,90 1,63 1,66
10,5 1,34 0,0911 5,91 5, 12 4,46 4,12 4,01 3,39 3,49 2,84 2,83 2, 42 1,97 2,08 1,79 1,82
11,0 1,40 o, 1000 6,48 5,58 4,89 4,49 4,40 3,69 3,83 3, 1O 3, 1O 2,64 2,15 2,27 1,95 1,98
11,5 1,46 o, 1093 7,08 6,06 5,34 4,87 4,81 4,01 4, 19 3,36 3,39 2,86 2,35 2,47 2, 12 2, 15
12,0 1,53 o, 1190 7,71 6,56 5,82 5,27 5,23 4,34 4,58 3,64 3,69 3, 1O 2,55 2,67 2,30 2,33
12,5 1,59 o, 1291 8,37 7,07 6,31 5,69 5,68 4,68 4,94 3,92 4,00 3,34 2,76 2,88 2,49 2,51
13,0 1,66 0,1396 9,05 7,61 6,82 6, 12 6, 14 5,03 5,34 4,22 4,32 3,59 2,97 3, 1O 2,68 2,70
13,5 1,72 o, 1506 9,76 8, 16 7,36 6,56 6,62 5,40 5,76 4,52 4,66 3,85 3,20 3,32 2,88 2,89
14,0 1,78 o, 1619 10,49 8,73 7,91 7,02 7, 12 5,77 6, 19 4,84 5,00 4, 12 3,43 3,55 3,08 3, 1O
14,5 1,85 o, 1737 11,25 9,31 4,84 7, 49 7,63 6, 16 6,64 5, 16 5,36 4,40 3,67 3,79 3,30 3,30
15,0 1,91 o, 1859 12,04 9,92 9,08 7,97 8, 17 6,56 7,1O 5,50 5,74 4,68 3,92 4,04 3,52 3,52
15,5 1,97 o, 1985 12,86 10,54 9,69 8,47 8,72 6,97 7,58 5,84 6, 12 4,97 4,18 4,29 3,74 3,74
16,0 2,04 0,21 15 13,70 11, 18 10,32 8,99 9,29 7,39 8,08 6,20 6,52 5,27 4,45 4,55 3,98 3,96
16,5 2, 1O 0,2250 14,57 11,83 10,98 9,51 9,87 7,83 8,59 6,56 6,93 5,58 4,72 4,81 4,22 4,20
17,0 2, 16 0,2388 15,47 12,50 11,65 10,05 10,48 8,27 9, 12 6,93 7,36 5,90 5,00 5,09 4,46 4,44
1 7,5 2,23 0,2530 16,59 13, 19 12,35 10,61 11 , 1O 8,73 9,66 7,32 7,79 6,23 5,29 5,37 4,72 4,68
18,0 2,29 0,2677 1 7,34 13,90 13,06 11, 18 11,75 9, 19 10,22 7,71 8,24 6,56 5,59 5,66 4,98 4,93
18,5 2,39 0,2828 18,31 14,62 13,80 11,76 12,41 9,67 10,79 8, 11 8,70 6,90 5,90 5,95 5,25 5, 19
19,0 2,42 0,2983 19,31 15,36 14,55 12,35 13,09 1o, 16 11,38 8,52 9, 17 7,25 6,2 1 6,25 5,52 5,45
19,5 2,48 0,3142 20,34 16, 12 15,33 12,96 13,78 10,66 11,98 8,94 9,66 7,61 6,53 6,56 5,81 5,72
20,0 2,25 0,3305 21,40 16,89 16, 12 13,58 14,50 11, 18 12,60 9,37 1o,16 7,97 6,86 6,87 6, 10 5,99
20,5 2,61 0,3472 22,48 17,69 16, 12 14,22 15,23 11,70 13,24 9,81 10,67 8,35 7,20 7,20 6,39 6,27
21,0 2,67 0,3644 23,59 18,49 17,77 14,87 15,98 12,23 13,89 10,25 11, 19 8,73 7,55 7,52 6,69 6,56
21,5 2,74 0,3819 24,73 19,32 18,62 15,53 16,75 12,78 14,58 10,71 11,73 9, 12 7,90 7,86 7,00 6,85
22,0 2,80 0,3990 25,89 20, 16 19,50 1 6,21 17,53 13,33 15,24 11,18 12,28 9,51 8,27 8,20 7,32 7, 15
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 169

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 150 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,018 m2 )
Coeficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams]
Rugosidade em mm
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
[Colebrook]
Vazão Vel. v 2/(2xg)
(tis) (m/s) (m)

5,0 0,28 0,0041 o, 15 o, 18 o, 12 o,14 o, 11 0,12 o, 1O o,10 0,08 0,08 0,06 0,07 0,06 0,06
6,5 0,37 0,0069 0,25 0,29 0,20 0,2 4 o, 18 o, 19 o,16 o, 16 o, 13 0,14 0,10 o, 12 0,10 0,10
8,0 0,45 0,0104 0,38 0,43 0,30 0,35 0,27 0,28 0,2 4 0,24 0,20 0,20 0,15 o, 17 o,15 0,15
9,5 0,54 0,0147 0,54 0,59 0,42 0,47 0,38 0,39 0,34 0,33 0,28 0,28 0,21 0,24 0,20 0,21
11,0 0,62 0,0197 0,72 0,77 0,56 0,62 0,51 0,5 1 0,45 0,43 0,37 0,37 0,28 0,32 0,26 0,27
12,5 0,71 0,0255 0,93 0, 98 0,72 0,70 0,65 0,65 0,58 0,5 4 0,48 0,46 0,35 0,40 0,33 0,35
14,0 0,79 0,0320 1, 17 1,21 0,90 0,97 0,82 0,80 0,72 0,67 0,60 0,57 0,44 0,49 0,41 0,43
15,5 0,88 0,0392 1,43 1, 46 1, 1O 1, 18 1,00 0,97 0,88 0,81 0,73 0,69 0,53 0,60 0,49 0,52
17,0 0,96 0,0472 1,72 1,74 1,33 1,40 1,20 1, 15 1,06 0,96 0,87 0,82 0,64 0,71 0,59 0,62
18,5 1,05 0,0559 2,04 2,03 1,57 1,63 1,43 1,34 1,25 1, 13 1,03 0,96 0,75 0,83 0,69 0,72
20,0 1, 13 0,0653 2,38 2,34 1,84 1,89 1,66 1,55 1,46 1,30 1,21 1, 11 0,87 0,95 0,80 0,83
21,5 1,22 0,0754 2,75 2,68 2, 12 2, 16 1,92 1,77 1, 69 1,49 1,39 1,27 0,99 1,09 0,9 1 0,95
23,0 1,30 0,0863 3, 14 3,04 2,42 2,44 2,20 2,01 1,93 1,68 1,59 1,43 1,13 1,24 1,03 1,08
24,5 1,39 0,0980 3,57 3,41 2,75 2,75 2,49 2,26 2, 19 1,89 1,80 1,61 1,28 1,39 1, 17 1,21
26,0 1,47 o, 1103 4,02 3,81 3, 1O 3,06 2,81 2,52 2,47 2, 11 2,02 1,80 1,43 1,55 1,30 1,35
27,5 1,56 o, 1234 4,49 4,23 3,46 3,40 3,14 2,80 2, 76 2,3 4 2,26 2,00 1,60 1,72 1,45 1,50
29,0 1,64 o,1373 5,00 4,67 3,85 3,75 3,49 3,09 3,07 2,59 2,51 2,20 1,77 1,90 1,60 1,66
30,5 1,73 o, 1518 5,52 5, 12 4,26 4, 12 3,86 3,39 3,39 2,84 2,78 2,42 1,95 2,08 1,77 1,82
32,0 1,81 o, 1671 6,08 5,60 4,69 4,50 4,25 3,70 3,73 3, 1O 3,06 2,64 2, 14 2,28 1,93 1,99
33,5 1,90 o, 1832 6,66 6, 10 5,13 4,90 4,65 4,03 4,09 3,38 3,35 2,88 2,34 2,48 2, 11 2, 16
35,0 1,98 o,1999 7,27 6,61 5,60 5,31 5,08 4,37 4,46 3,67 3,65 3, 12 2,55 2,69 2,30 2,34
36,5 2,07 0,2174 7,91 7, 14 6,09 5,74 5,52 4,73 4,85 3,96 3,97 3,37 2,76 2,91 2,49 2,53
38,0 2, 15 0,2357 8,57 7,70 6,60 6, 19 5,98 5,09 5,25 4,27 4,30 3,63 2,99 3, 13 2,69 2,73
39,5 2,24 0,2547 9,26 8,27 7, 13 6,65 6,46 5,47 5,67 4,59 4,64 3,90 3,22 3,37 2,89 2,93
4 1,0 2,32 0,2744 9,98 8,86 7,68 7, 12 6,96 5,86 6, 11 4,91 5,00 4, 18 3,46 3,61 3, 11 3, 14
42,5 2,41 0,2948 10,72 9, 47 8,26 7,61 7,48 6,26 6,57 5,25 5,37 4,47 3,72 3,85 3,33 3,36
44,0 2,49 0,3160 11 ,49 1o, 1O 8,85 8, 12 8,02 6,68 7,04 5,60 5,75 4,77 3,98 4, 11 3,56 3,58
45,5 2,57 0,3379 12,29 10,75 9,46 8,64 8,57 7, 11 7,52 5,96 6,15 5,07 4,2 4 4,37 3,79 3,81
47,0 2,66 0,3605 13, 11 11 ,41 10,09 9, 17 9, 14 7,55 8,02 6,33 6,56 5,39 4,52 4,64 4,04 4,05
48,5 2,74 0,3839 13,96 12,09 10,75 9,72 9,74 8,00 8,54 6,71 6,98 5,71 4,81 4,92 4,29 4,29
50,0 2,83 0,4080 14,83 12,80 11 ,42 10,29 10,35 8,46 9,08 7,10 7,41 6,04 5,10 5,21 4,55 4,54
51,5 2,91 0,4329 15,74 13,52 12, 12 10,87 10,98 8,94 9,63 7,49 7,86 6,38 5,41 5,50 4,82 4,79
53,0 3,00 0,4585 16,67 14,26 12,83 11,46 11,62 9,43 10,20 7,90 8,32 6,73 5,72 5,80 5,09 5,06
54,5 3,08 0,4848 17,62 15,01 13,57 12,07 12,29 9,93 10,78 8,32 8,80 7,08 6,04 6, 11 5,37 5,32
56,0 3, 17 0,5 11 8 18,60 15,79 14,32 12,69 12,97 10,44 11,38 8,75 9,29 7,45 6,37 6,42 5,66 5,60
57,5 3,25 0,5396 19,61 16,58 15, 1O 13,33 13,68 10,97 12,00 9,19 9,79 7,82 6,71 6,75 5,96 5,88
59,0 3,34 0,568 1 20,65 17,39 15,90 13,98 14,40 11,50 12,63 9,64 10,31 8,21 7,06 7,08 6,26 6,17
60,5 3,42 0,5974 21,71 18,21 16,71 14,64 15, 14 12,05 13,28 1o, 1O 10,83 8,60 7,41 7,41 6,5 7 6,46
62,0 3,51 0,6274 22,80 19,06 17,55 15,32 15,90 12,61 13,94 10,57 11 ,37 8,99 7,78 7,76 6,89 6,76
63,5 3,59 0,6581 23,92 19,92 18, 41 16,02 16,67 13, 18 14,63 11,05 11 ,93 9,40 8,15 8, 11 7,22 7,07
170 Manual de H idráulica

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 200 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,031 m2)
Coe ficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams)
Rugosidade em mm
[Colebrook]
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 o,10 0,05

Vazão Vel. v2/(2xg)


(C/s) (m/s) (m)

14,0 0,45 0,0101 0,25 0,30 0,20 0,24 o, 18 0,20 0,16 o, 1 7 o, 13 0,14 0,1 O o,12 o, 10 o, 11
16,0 0,51 0,0132 0,32 0,38 0,25 0,31 0,23 0,25 0,21 0,2 1 o, 17 o, 18 0,13 o, 16 o, 13 0,14
18,0 0,57 0,0167 0,41 0,48 0,32 0,38 0,29 0,31 0,26 0,26 0,22 0,22 0,17 o, 19 o, 16 o, 17
20,0 0,64 0,0207 0,51 0,58 0,40 0,46 0,36 0,38 0,32 0,32 0,27 0,27 0,20 0,24 o,19 0,20
22,0 0,70 0,0250 0,61 0,69 0,48 0,55 0,44 0,46 0,39 0,38 0,32 0,33 0,2 4 0,28 0,23 0,24
24,0 0,76 0,0297 0,73 0,81 0,57 0,65 0,52 0,54 0, 46 0,45 0,38 0,38 0,29 0,33 0,27 0,29
26,0 0,83 0,0349 0,85 0,94 0,67 0,75 0,61 0,62 0,54 0,52 0,45 0,44 0,33 0,38 0,31 0,33
28,0 0,89 0,0405 0,99 1,08 0,77 0,87 0,71 0,71 0,63 0,60 0,52 0,51 0,39 9,44 0,36 0,38
30,0 0,95 0,0465 1, 13 1,22 0,89 0,98 0,81 0,81 0,72 0,68 0,60 0,58 0,44 0,50 0,41 0,43
32,0 1,02 0,0529 1,29 1,38 1,01 1, 11 0,92 0,91 0,82 0, 76 0,68 0,65 0,50 0,56 0,46 0,49
34,0 1,08 0,0597 1,46 1,54 1, 14 1,24 1,04 1,02 0,92 0,86 0,76 0,73 0,56 0,63 0,52 0,55
36,0 ·1, 15 0,0669 1,63 1,72 1,28 1,38 1, 16 1, 13 1,03 0,95 0,85 0,81 0,62 0,70 0,57 0,61
38,0 1,21 0,0746 1,82 1,90 1,42 0,52 1,30 1,25 1, 15 1,05 0,95 0,89 0,69 0,77 0,64 0,67
40,0 1,27 0,0826 2,02 2,09 1,58 1,68 1,44 1,38 1,27 1, 16 1,05 0,98 0,76 0,85 0,70 0,74
42,0 1,34 0,0911 2,22 2,28 1,74 1,83 1,58 1,51 1,40 1,27 1, 16 1,08 0,84 0,93 0,77 0,8 1
44,0 1,40 o, 1000 2,44 2,49 1,91 2,00 1,74 1,65 1,53 1,38 1,27 1, 17 0,92 1,01 0,84 0,88
46,0 1,46 o, 1093 2,66 2,70 2,08 2, 17 1,90 1,79 1,68 1,50 1,39 1,27 1,00 1, 1O 0,91 0,96
48,0 1,53 o, 1190 2,90 2,92 2,27 2,35 2,06 1,93 1,82 1,62 1,51 1,38 1,08 1, 19 0,99 1,04
50,0 1,59 o, 1291 3, 15 3, 15 2,46 2,53 2,24 2,09 1,98 1,75 1,64 1,49 1, 1 7 1,28 1,07 1, 12
52,0 1,66 o, 1396 3,40 3,39 2,66 2,73 2,42 2,24 2, 14 1,88 1,77 1,60 1,26 1,38 1, 15 1,20
54,0 1,72 o, 1506 3,67 3,63 2,87 2,92 2,61 2,40 2,31 2,02 1,91 1,72 1,36 1,48 1,24 1,29
56,0 1,78 o, 1619 3,95 3,89 3,08 3,13 2,81 2,57 2,48 2,16 2,05 1,83 1,46 1,58 1,32 1,38
58,0 1,85 o, 1737 4,23 4, 15 3,31 3,34 3,01 2,74 2,66 2,30 2,20 1,96 1,56 1,69 1,42 1,47
60,0 1, 91 o, 1859 4,53 4,42 3,54 3,55 3,22 2,92 2,85 2,45 2,35 2,09 1,67 1,80 1,51 1,57
62,0 1,97 o, 1985 4,84 4,69 3,78 3,77 3,44 3, 11 3,04 2,60 2,51 2,22 1,78 1,91 1,61 1,67
64,0 2,04 0,21 15 5, 15 4,98 4,02 4,00 3,66 3,29 3,24 2,76 2,67 2,35 1,89 2,03 1,71 1,77
66,0 2, 1O 0,2250 5,48 5,27 4,28 4,24 3,90 3,49 3,44 2,92 2,84 2,49 2,01 2, 14 1,81 1,87
68,0 2, 16 0,2388 5,82 5,57 4,54 4,48 4, 13 3,69 3,65 3,09 3,01 2,63 2,13 2,27 1,92 1,98
70,0 2,23 0,2530 6, 16 5,88 4,81 4,73 4,38 3,89 3,87 3,26 3, 19 2,77 2,25 2,39 2,03 2,09
72,0 2,29 0,2677 6,52 6, 19 5,09 4,98 4,83 4, 1O 4,09 3,43 3,37 2,92 2,38 2,52 2, 14 2,20
74,0 2,36 0,2828 6,89 6,52 5,38 5,24 4,89 4,31 4,32 3,61 3,56 3,07 2,5 1 2,65 2,26 2,31
76,0 2,42 0,2983 7,26 6,85 5,67 5,50 5, 16 4,53 4,56 3,80 3,76 3,23 2,64 2,79 2,37 2,43
78,0 2,48 0,3142 7,65 7, 18 5,97 5,77 5,44 4,75 4,80 3,98 3,96 3,39 2,78 2,92 2,50 2,55
80,0 2,55 0,3305 8,05 7,53 6,28 6,05 5,72 4,98 5,05 4, 1 7 4, 16 3,55 2,92 3,06 2,62 2,67
82,0 2,61 0,3472 8,45 7,88 6,60 6,34 5,01 5,21 5,30 4,37 4,37 3,72 3,06 3,21 2,75 2,80
84,0 2,67 0,3644 8,87 8,24 6,92 6,62 6,30 5,45 5,56 4,57 4,58 3,89 3,2 1 3,35 2,88 2,92
86,0 2,74 0,3819 9,30 8,61 7,26 6,92 6,61 5,69 5,83 4,77 4,80 4,06 3,36 3,50 3,01 3,05
88,0 2,80 0,3999 9,74 8,98 7,60 7,22 6,92 5,94 6, 11 4,98 5,03 4,24 3,5 1 3,65 3, 15 3, 19
90,0 2,86 0,4183 1o, 18 9,36 7,95 7,53 7,23 6, 19 6,39 5, 19 5,26 4,42 3,67 3,81 3,29 3,32
92,0 2,93 0,4371 10,64 9,75 8,30 7,84 7,56 6,45 6,67 5,41 5,49 4,60 3,83 3,97 3,43 3,46
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 171

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 250 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,049 m2 )
Coeficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams]
Rugosidade em mm
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
[Colebrook]
Vazão Vel. v 2/(2xg)
(tis) (m/s) (m)

10,0 0,20 0,0021 0,04 0,05 0,03 0,04 0,03 0,04 0,03 0,03 0,02 0,03 0,02 0,02 0,02 0,02
14,0 0,29 0,0041 0,08 0,10 0,06 0,08 0,06 0,07 0,05 0,06 0,04 0,05 0,03 0,04 0,03 0,04
18,0 0,37 0,0069 o, 12 0,16 0,10 o, 13 0,09 o, 11 0,08 0,09 0,07 0,08 0,06 0,07 0,05 0,06
22,0 0,45 0,0102 o, 18 0,23 0,15 o, 19 0,13 o, 15 o,12 o, 13 o, 1O o, 11 0,08 0,09 0,08 0,08
26,0 0,53 0,0143 0,26 0,32 0,20 0,25 o,19 0,2 1 o,17 o,18 o, 14 o, 15 o, 11 0,13 0,10 o, 11
30,0 0,61 0,0190 0,3 4 0,41 0,27 0,33 0,25 0,27 0,22 0,23 o, 19 o, 19 0,14 0,17 0,14 0,15
34,0 0,69 0,0245 0,44 0,52 0,35 0,42 0,32 0,34 0,28 0,29 0,24 0,25 o, 18 0,21 0,17 0,18
38,0 0,77 0,0305 0,55 0,64 0,43 0,51 0,40 0,42 0,35 0,35 0,30 0,30 0,22 0,26 0,2 1 0,23
42,0 0,86 0,0373 0,67 0,77 0,53 0,62 9,49 0,51 0,43 0,43 0,36 0,36 0,27 0,31 0,25 0,27
46,0 0,94 0,0448 0,80 0,91 0,64 0,73 0,58 0,60 0,52 0,5 1 0,43 0,43 0,32 0,37 0,30 0,32
50,0 1,02 0,0529 0,95 1,06 0,75 0,85 0,69 0,70 0,61 0,59 0,51 0,50 0,38 0,43 0,35 0,38
54,0 1, 1O 0,0617 1, 11 1,23 0,87 0,99 0,80 0,81 0,71 0,68 0,59 0,58 0,44 0,50 0,4 1 0,43
58,0 1, 18 0,0712 1,28 1,40 1,01 1, 13 0,92 0,93 0,82 0,78 0,68 0,66 0,50 0,57 0,46 0,50
62,0 1,26 0,0813 1,46 1,58 1, 15 1,27 1,05 1,05 0,94 0,88 0,78 0,75 0,57 0,64 0,53 0,56
66,0 1,34 0,0921 1,65 1,78 1,30 1,43 1, 19 1, 18 1,06 0,99 0,88 0,84 0,64 0,72 0,59 0,63
70,0 1,43 o,1036 1,86 1,98 1,47 1,59 1,34 1,31 1, 19 1, 1O 0,99 0,94 0,72 0,81 0,66 0,70
74,0 1,51 o, 11 58 2,08 2,20 1,64 1,77 1,50 1,45 1,33 1,22 1, 11 1,04 0,80 0,89 0, 74 0,78
78,0 1,59 o, 1287 2,31 2,42 1,82 1,95 1,66 1,60 1,48 1,34 1,23 1, 14 0,89 0,99 0,81 0,86
82,0 1,67 o, 1422 2,55 2,66 2,01 2, 14 1,84 1,76 1,63 1,47 1,36 1,25 0,98 1,08 0,89 0,94
86,0 1,75 o, 1564 2,80 2,90 2,2 1 2,33 2,02 1,92 1,79 1,61 1,49 1,37 1,07 1, 18 0,98 1,03
90,0 1,83 o, 1713 3,07 3, 16 2,42 2,54 2,21 2,09 1,96 1,75 1,63 1,49 1, 17 1,28 1,07 1, 12
94,0 1,91 o, 1869 3,35 3,42 2,64 2,75 2,41 2,26 2, 14 1,90 1,78 1,62 1,28 1,39 1, 16 1,21
98,0 2,00 0,2031 3,64 3,70 2,87 2,97 2,62 2,45 2,33 2,05 1,93 1,74 1,38 1,50 1,25 1,31
102,0 2,08 0,2201 3,94 3,98 3, 11 3,20 2,84 2,63 2,52 2,2 1 2,09 1,88 1,49 1,62 1,35 1,41
106,0 2, 16 0,2377 4,26 4,28 3,36 3,44 3,07 2,83 2,72 2,37 2,26 2,02 1,61 1,74 1,46 1,52
110,0 2,24 0,2559 4,59 4,58 3,62 3,68 3,30 3,03 2,93 2,5 4 2,43 2, 16 1,73 1,86 1,57 1,62
114,0 2,32 0,2749 4,93 4,89 3,88 3,93 3,55 3,24 3, 15 2,71 2,61 2,31 1,86 1,99 1,68 1,74
118,0 2,40 0,2945 5,28 5,21 4,16 4,19 3,80 3,45 3,37 2,89 2,79 2,46 1,98 2, 12 1,79 1,85
122,0 2,49 0,3148 5,46 5,55 4,45 4,46 4,06 3,67 3,60 3,08 2,99 2,62 2, 12 2,26 1,91 1,97
126,0 2,57 0,3358 6,02 5,89 4,74 4,73 4,33 3,90 3,84 3,26 3, 18 2,78 2,26 2,40 2,03 2,09
130,0 2,65 0,3575 6,40 6,2 4 5,05 5,02 4,61 4,13 4,09 3,46 3,39 2,94 2,40 2,5 4 2, 16 2,21
134,0 2,73 0,3798 6,80 6,24 5 .05 5,02 4,61 4,13 4,09 3,46 3,39 2,94 2,40 2,54 2, 16 2,21
138,0 2,81 0,4028 7,22 6,97 5,69 5,60 5, 19 4,61 4,60 3,86 3,82 3,29 2,69 2,84 2,42 2,47
142,0 2,89 0,4265 7,64 7,35 6,02 5,91 5,50 4,86 4,87 4,07 4,04 3,47 2,85 2,99 2,56 2,61
146,0 2,97 0,4509 8,08 7,74 6,36 6,22 5,81 5, 12 5, 15 4,29 4,27 3,65 3,01 3, 15 2,70 2,74
150,0 3,06 0,4759 8,52 8,13 6,72 6,54 6,13 5,38 5,44 4,5 1 4,50 3,84 3, 17 3,31 2,84 2,88
154,0 3, 14 0,5017 8,98 8,54 7,08 6,87 6,46 5,65 5,73 4,73 4,75 4,03 3,34 3,47 2,99 3,03
158,0 3,22 0,5281 9,46 8,95 7,45 7,20 6,80 5,92 6,03 4,96 4,99 4,23 3,51 3,64 3,14 3,18
162,0 3,30 0,5551 9,94 9,38 7,83 7,54 7, 15 6,20 6,34 5,20 5,25 4,43 3,69 3,82 3,30 3,33
166,0 3,38 0,5829 10,44 9,81 8,22 7,89 7,51 6,49 6,65 5,44 5,51 4,63 3,87 3,99 3,46 3,48
172 Manual de H idráulica

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 300 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,071 m2)
Coe ficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams)
Rugosidade em mm
[Colebrook]
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 o,10 0,05

Vazão Vel. v2/(2xg)


(C/s) (m/s) (m)

20,0 0,28 0,0041 0,06 0,08 0,05 0,06 0,04 0,05 0,04 0,04 0,03 0,04 0,03 0,03 0,03 0,03
25,0 0,35 0,0064 0,09 o,12 0,07 o, 10 0,07 0,08 0,06 0,07 0,05 0,06 0,04 0,05 0,04 0,04
30,0 0,42 0,0092 o, 13 o, 17 o, 10 o, 14 o, 10 o, 11 0,09 0,09 0,07 0,08 0,06 0,07 0,06 0,06
35,0 0,50 0,0125 o, 18 0,23 o,14 o, 18 o, 13 o, 15 o,12 o, 13 o,10 0,11 0,08 0,09 0,07 0,08
40,0 0,57 0,0163 0,23 0,29 o,18 0,23 o, 17 o, 19 o, 15 o, 16 0,13 o, 14 0,1 O o, 12 0,09 o, 10
45,0 0,64 0,0207 0,29 0,36 0,23 0,29 0,21 0,24 0,19 0,20 o, 16 0,17 0,12 o,15 0,12 0,13
50,0 0,71 0,0255 0,36 0,44 0,29 0,35 0,26 0,29 0,23 0,24 0,20 0,21 0,15 o,18 0,1 4 0,16
55,0 0,78 0,0309 0,43 0,52 0,34 0,42 0,32 0,35 0,28 0,29 0,24 0,25 0,18 0,21 o, 17 0,19
60,0 0,85 0,0367 0,51 0,61 0,41 0,49 0,38 0,41 0,34 0,34 0,28 0,29 0,2 1 0,25 0,20 0,22
65,0 0,92 0,0431 0,60 0, 71 0,48 0,57 0,44 0,47 0,39 0,39 0,33 0,34 0,25 0,29 0,23 0,25
70,0 0,99 0,0500 0,70 0,82 0,56 0,66 0,51 0,54 0, 46 0,45 0,38 0,39 0,29 0,33 0,27 0,29
75,0 '1,06 0,0574 0,80 0,93 0,64 0,75 0,59 0,61 0,52 0,5 1 0,44 0,44 0,33 0,38 0,30 0,33
80,0 1, 13 0,0653 0,91 1,04 0,73 0,84 0,67 0,69 0,59 0,58 0,50 0,49 0,37 0,43 0,34 0,37
85,0 1,20 0,0737 1,03 1, 17 0,82 0,94 0,75 0,77 0,67 0,65 0,56 0,55 0,42 0,48 0,38 0,41
90,0 1,27 0,0826 1, 16 1,30 0,92 1,04 0,84 0,86 0,75 0,72 0,63 0,61 0,46 0,53 0,43 0,46
95,0 1,34 0,0921 1,29 1,44 1,02 1, 15 0,94 0,95 0,84 0,80 0,70 0,68 0,52 0,58 0, 47 0,5 1
100,0 1,41 o, 1020 1,43 1,58 1, 13 1,27 1,04 1,04 0,93 0,88 0,78 0,75 0,57 0,64 0,52 0,56
105,0 1,49 o, 1125 1,57 1,73 1,25 1,39 1, 15 1, 14 1,02 0,96 0,85 0,82 0,62 0,70 0,57 0,61
110,0 1,56 o, 1234 1,73 1,88 1,37 1,51 1,26 1,25 1, 12 1,04 0,94 0,89 0,68 0,77 0,63 0,67
115,0 1,63 o, 1349 1,89 2,05 1,50 1,64 1,37 1,35 1,22 1, 13 1,02 0,97 0,74 0,83 0,68 0,73
120,0 1,70 o, 1469 2,05 2,21 1,63 1,78 1,50 1,46 1,33 1,23 1, 11 1,04 0,81 0,90 0,74 0,79
125,0 1,77 o, 1594 2,23 2,39 1,77 1,92 1,62 1,58 1,44 1,32 1,21 1,13 0,88 0,97 0,80 0,85
130,0 1,84 o, 1724 2,41 2,57 1,92 2,06 1,75 1,70 1,56 1,42 1,30 1,21 0,94 1,04 0,86 0,91
135,0 1, 91 o, 1859 2,60 2,75 2,07 2,21 1,89 1,82 1,68 1,53 1,41 1,30 1,02 1, 12 0,93 0,98
140,0 1,98 o, 1999 2,80 2,95 2,22 2,37 2,03 1,95 1,81 1,63 1,51 1,39 1,09 1,20 0,99 1,04
145,0 2,05 0,2145 3,00 3,14 2,38 2,53 2, 18 2,08 1,94 1,74 1,62 1,48 1, 1 7 1,28 1,06 1, 1 1
150,0 2, 12 0,2295 3,21 3,35 2,55 2,69 2,33 2,21 2,08 1,86 1,73 1,58 1,25 1,36 1, 13 1, 19
155,0 2, 19 0,2451 3,43 3,56 2,72 2,86 2,49 2,35 2,22 1,97 1,85 1,68 1,33 1,45 1,21 1,26
160,0 2,26 0,2611 3,65 3,77 2,90 3,03 2,66 2,49 2,36 2,09 1,97 1,78 1,41 1,53 1,28 1,34
165,0 2,33 0,2777 3,88 3,99 3,08 3,21 2,82 2,64 2,51 2,2 1 2,09 1,88 1,50 1,62 1,36 1,42
170,0 2,41 0,2948 4,12 4,22 3,27 3,39 3,00 2,79 2,67 2,34 2,22 1,99 1,59 1,72 1,44 1,50
175,0 2,48 0,3124 4,37 4,45 3,47 3,58 3, 18 2,95 2,82 2,47 2,35 2, 10 1,68 1,81 1,52 1,58
180,0 2,55 0,3305 4,62 4,69 3,67 3,77 3,36 3, 1O 2,99 2,60 2,49 2,21 1,78 1,91 1,61 1,66
185,0 2,62 0,3491 4,88 4,93 3,87 3,97 3,55 3,26 3, 16 2,74 2,63 2,33 1,88 2,01 1,69 1,75
190,0 2,69 0,3683 5, 15 5,18 4,09 4, 17 3,74 3,43 3,33 2,87 2,77 2,45 1,98 2, 11 1,78 1,84
195,0 2,76 0,3879 5,42 5,44 4,30 4,37 3,94 3,60 3,50 3,02 2,92 2,57 2,08 2,21 1,87 1,93
200,0 2,83 0,4080 5,70 5,70 4,53 4,58 4, 14 3,77 3,69 3, 16 3,07 2,69 2,18 2,32 1,97 2,02
205,0 2,90 0,4287 5,99 5,97 4,76 4,80 4,35 3,95 3,87 3,31 3,22 2,82 2,29 2,43 2,06 2, 12
210,0 2,97 0,4499 6,29 6,24 4,99 5,02 4,57 4, 13 4,06 3,46 3,38 2,95 2,40 2,54 2, 16 2,21
215,0 3,04 0,4715 6,59 6,52 5,23 5,24 4,79 4,31 4,26 3,61 3,54 3,08 2,52 2,65 2,26 2,31
A-8 - Cálculo do Escoamento em Tubulações sob Pressão 173

Tabela A-8.4-a Fórmula de Hazen-Williams e Tabela A-8.4-b Fórmula Universal (4 ºC) (continuação) DN 350 mm
Perdas de carga em metros por 100 metros (0,096 m2 )
Coeficiente C
80 90 100 110 120 130 140
[Hazen-Williams]
Rugosidade em mm
4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
[Colebrook]
Vazão Vel. v 2/(2 xg)
(tis) (m/s) (m)

20,0 0,21 0,0022 0,03 0,04 0,02 0,03 0,02 0,03 0,02 0,02 0,02 0,02 0,01 0,02 0,01 0,01
30,0 0,31 0,0050 0,06 0,08 0,05 0,06 0,04 0,05 0,04 0,04 0,03 0,04 0,03 0,03 0,03 0,03
40,0 0,42 0,0088 o,10 o, 14 0,08 o, 11 0,07 0,09 0,07 0,08 0,06 0,06 0,05 0,06 0,04 0,05
50,0 0,52 0,0138 o,16 0,21 0,13 o, 17 o,12 o, 14 o,10 0, 11 0,09 o, 1O 0,07 0,08 0,07 0,07
60,0 0,62 0,0198 0,23 0,29 0,1 8 0,23 o,17 o, 19 o,15 o, 16 0,13 o, 14 o,10 o, 12 0,09 o, 10
70,0 0,73 0,2700 0,31 0,39 0,25 0,31 0,23 0,25 0,20 0,21 0,17 0,18 o,13 0,16 0,12 0,1 4
80,0 0,83 0,0352 0,40 0,49 0,32 0,40 0,30 0,33 0,26 0,27 0,22 0,23 o,17 0,20 0,16 0,17
90,0 0,94 0,0446 0,51 0,61 0,41 0,49 0,37 0,41 0,33 0,34 0,28 0,29 0,21 0,25 0,2 0 0,22
100,0 1,04 0,0551 0,63 0,75 0,50 0,60 0,46 0,49 0,41 0,41 0,35 0,35 0,26 0,30 0,2 4 0,26
110,0 1, 14 0,0666 0,76 0,89 0,61 0,72 0,56 0,59 0,50 0,49 0,42 0,42 0,31 0,36 0,29 0,32
120,0 1,25 0,0793 0,90 1,04 0,72 0,84 0,66 0,69 0,59 0,58 0,50 0,49 0,37 0,43 0,3 4 0,37
130,0 1,35 0,0931 1,06 1,21 0,85 0,97 0,78 0,80 0,69 0,67 0,58 0,57 0,43 0,49 0,40 0,43
140,0 1,46 o, 1079 1,23 1,39 0,98 1, 12 0,90 0,92 0,80 0,77 0,68 0,66 0,50 0,57 0,46 0,49
150,0 1,56 o, 1239 1,41 1,58 1, 13 1,27 1,03 1,04 0,92 0,88 0,77 0,75 0,57 0,64 0,52 0,56
160,0 1,66 o, 14 1O 1,60 1,78 1,28 1,43 1, 18 1, 18 1,05 0,99 0,88 0,84 0,64 0,72 0,59 0,63
170,0 1,77 o, 1591 1,81 1,99 1,44 1,60 1,33 1,32 1, 18 1, 1 O 0,99 0,94 0,72 0,81 0,66 0,71
180,0 1,87 o, 1784 2,03 2,21 1,62 1,78 1,49 1,46 1,33 1,23 1, 11 1,04 0,80 0,90 0,74 0,79
190,0 1,97 o, 1988 2,26 2,45 1,80 1,97 1,66 1,62 1,48 1,36 1,24 1, 1 5 0,90 1,00 0,82 0,87
200,0 2,08 0,2202 2,50 2,69 2,00 2, 16 1,83 1,78 1,64 1,49 1,37 1,27 0,99 1, 1O 0,90 0,95
210,0 2, 18 0,2428 2,76 2,95 2,20 2,37 2,02 1,95 1,80 1,63 1,51 1,39 1,09 1,