You are on page 1of 4

As Cimeiras Internacionais do Ambiente (1972 a 2002)

1ª Conferência Mundial das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, Estocolmo, 5 a


16 de Junho, 1972
Esta Conferência constitui a iniciativa mais importante tomada até então em termos de
conservação do ambiente. A Conferência evidenciou opiniões divergentes entre os países
do norte (desenvolvidos) e os países do sul (em desenvolvimento):
1. Os países do norte mostraram-se preocupados com a deterioração do ambiente e o
rápido esgotamento dos recursos do planeta, tendo reconhecido que o maior perigo
provém da divisão do mundo em ricos e pobres.
2. Os países do sul consideraram que o principal problema era o desenvolvimento da sua
economia e que os problemas ambientais eram apenas preocupações e
responsabilidade dos países ricos; além disso, para estes países, a Convenção apenas
serviu para resolver os problemas (ambientais) dos países do Norte.
A declaração da Conferência de Estocolmo pede que governos e cidadãos exerçam
esforços conjuntos para a preservação e melhoria do ambiente humano, para benefício de
todos.
Nesta convenção, o dia 5 de Junho de cada ano foi proclamado o Dia Mundial do
Ambiente, tendo sido também criado o PNUA (Programa das Nações Unidas
para o Ambiente), que visa providenciar à comunidade internacional
conhecimentos ambientais, através do desenvolvimento e disseminação de
ferramentas apropriadas e instrumentos políticos.
Conferência das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD), Rio de
Janeiro, 1992
A CNUAD, ou Conferência do Rio, abordou as várias componentes do desenvolvimento e as
suas inter-relações com o ambiente, reafirmando a declaração da Conferência de
Estocolmo e tendo sido elaborados diversos documentos importantes:
- Agenda 21, que engloba um conjunto de estratégias, visando inverter o processo de
deterioração ambiental; esta constitui um plano global de acção, a implementar a
nível global, nacional e local em todas as áreas em que haja impacte do Homem
sobre o ambiente;
- A Declaração do Rio, constituída por 27 Princípios com vista a garantir a manutenção
do equilíbrio ecológico do planeta e do desenvolvimento sustentável global;
- Convenções Internacionais: sobre Alterações Climáticas e sobre Biodiversidade;
- Compromisso de elaboração de uma terceira convenção, a da Desertificação
(acordada posteriormente, em 1994).
- Declaração oficial de princípios, sobre a gestão, conservação e desenvolvimento
sustentáveis de todos os tipos de floresta, conhecida por “Princípios Florestais”,
juridicamente não vinculativa, por impossibilidade de consenso quanto a uma
Convenção sobre Florestas;
- Compromisso de financiamento de assistência ao desenvolvimento.
Nesta Conferência, as diferenças de discursos entre países do sul e do norte continuavam
notórias.
Mais de 6000 comunidades em todo o mundo implementaram a sua Agenda 21 local. Em
Portugal, estão já em elaboração várias agendas locais 21, como nafreguesia de Mindelo
(Vila do Conde) e no concelho de S. João da Madeira.
Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, Joanesburgo,26 de Agosto a 4
de Setembro, 2002
As esperanças eram muitas por parte dos ambientalistas relativamente aos resultados que
iriam sair da Convenção de Joanesburgo. No entanto, os documentos redigidos no âmbito
desta Convenção ficaram muito aquém do esperado.
A Convenção de Joanesburgo gerou dois documentos importantes: a Declaração de
Joanesburgo em Desenvolvimento Sustentável e o Plano de Implementação (PI). O
primeiro assume diversos desafios inter-relacionados e associados ao desenvolvimento
sustentável e especifica vários compromissos gerais como a promoção do poder das
mulheres e uma melhor participação democrática nas políticas de desenvolvimento
sustentável. O segundo identifica várias metas como a erradicação da pobreza, a
alteração de padrões de consumo e de produção e a protecção dos recursos naturais.
O PI inclui ainda dois capítulos dedicados exclusivamente um ao continente africano e
outro aos pequenos estados-ilha em desenvolvimento, evidenciando a grande
sensibilidade social, económica e ambiental nestes sentida.
O problema é que os governos deram poucas indicações de como se poderiam atingir as
metas estipuladas no PI, deixando-as como promessas ambíguas. De facto, face à grande
oposição dos EUA e de outros países ao estabelecimento de metas, no decurso desta
Cimeira, foi considerada bastante satisfatória a aceitação de algo vago parecendo-se com
metas, como a redução para metade, até 2015, da proporção de pessoas sem acesso a
saneamento básico.
As metas impostas mais significativas incluem 5 áreas:
AGRICULTURA – aumentar a produtividade agrícola, recuperar e proteger os solos
agrícolas, controlar a expansão urbana em áreas florestais, prados e zonas húmidas;
ÁGUA – melhorar a eficiência do uso da água, promover a gestão por bacias hidrográficas
e reduzir as perdas nas infraestruturas, reduzir a metade a proporção de população sem
acesso a água potável e saneamento até 2015;
BIODIVERSIDADE – restaurar os stocks mundiais de peixes até 2015, travar a pesca ilegal e
não sustentável e o abate ilegal de árvores, reduzir a perda de biodiversidade até 2010;
ENERGIA – assegurar o acesso a fontes de energia, aumentar as fontes de energias
renováveis, melhorar a eficiência energética e eliminar subsídios e taxas perversas;
SAÚDE – controlar a poluição do ar e as doenças transmitidas por via hídrica, reduzir os
resíduos, promover a produção de químicos não nocivos para a saúde humana e o
ambiente até 2020, reduzir até 2015 as taxas de mortalidade infantil e das crianças com
menos de 5 anos em dois terços e da mortalidade maternal em três quartos,
relativamente à taxas respectivas em 2000.
Como sucessos evidenciados nesta Cimeira destacam-se:
- Recuperação da camada do ozono (2050), por diminuição da produção de CFCs
- Participação pública, através de ONGs
- Responsabilidade social e ambiental do sector empresarial
- Disponibilização e acesso à informação
- Implementação do Protocolo de Quioto
- Integração do desenvolvimento sustentável nas políticas sectoriais e em iniciativas
locais
- Instrumentos internacionais para controlo dos riscos dos químicos e da biotecnologia
Acrescenta-se aos sucessos o facto de, pela primeira vez, na Cimeira das Nações Unidas
do Ambiente, vários países do Sul terem reconhecido a relação íntima entre rios límpidos
e a viabilidade económica dos pobres. A maior contribuição desta Cimeira deveu-se não
aos documentos redigidos mas às mais de 300 parcerias estabelecidas entre governos,
indústria e ONGs de forma a cumprir estas metas. Espera-se que estas parcerias permitam
a integração de incentivos económicos no sector privado e na capacidade de coordenação
dos governos de tratar desafios específicos de desenvolvimento sustentável.
Mesmo assim, os insucessos desde a Conferência do Rio foram muitos:
- Défice de implementação do “acordo do Rio”
- Aumento da disparidade na distribuição da riqueza
- Padrões insustentáveis na produção e consumo
- Défice de aplicação de instrumentos económicos (princípio do poluidor-pagador)
- Proliferação do terrorismo e dos conflitos armados
- Extinção crescente de espécies e destruição de habitats
- Aumento das pressões sobre os recursos hídricos
A UE tem assumido um papel de liderança em acordos internacionais importantes para a
protecção do ambiente, visando reforçar o compromisso político assumido na Cimeira de
Joanesburgo, em conjunto com a sociedade civil, instituições e o sector privado, de
melhorar o acesso a água potável e saneamento no contexto de redução da pobreza, a
melhoria da coordenação e cooperação na implementação de actividades relacionadas
com a água, nomeadamente a nível regional e subregional e incluindo a escala da bacia
hidrográfica, como se constata na Directiva-Quadro da Água.
Além disso, a UE tem procurado pressionar os Estados que ainda não ratificaram
o Protocolo de Quioto, especialmente a Rússia, para que o venham a fazer o mais
brevemente possível, assim como tem intensificado a adopção de modelos de produção e
consumo sustentáveis, designadamente no domínio das tecnologias ambientais –

Fonte:
http://www.confagri.pt/Ambiente/AreasTematicas/DomTransversais/Pages/TransvCimIntAmb
19722002.aspx, Em 14-05-2013

Em síntese:

Principais Cimeiras Internacionais e Resoluções

Conferência de Estocolmo (1972)


A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio
Ambiente Humano foi o primeiro grande encontro internacional (113 países)
com representantes de diversas nações para discutir os problemas
ambientais.
Conferência de Belgrado (1975)
“Colóquio sobre Educação Ambiental", organizado pela UNESCO e pelo
Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), em Belgrado, em
1975, no seguimento das recomendações da Conferência de Estocolmo.
Desse encontro saiu a "Carta de Belgrado", documento concetual de
referência no âmbito da educação ambiental.

Conferência de Tbilisi na Geórgia, 1977


Conferência organizada pela UNESCO e pelo Programa das Nações Unidas
para o Ambiente (PNUA), em Tbilisi (Geórgia, antiga URSS), em 1977.
Fortemente inspirada pela Carta de Belgrado e exclusivamente centrada na
temática da Educação Ambiental, este evento contribuiu decisivamente para
o Programa Internacional de Educação Ambiental.

Eco-92 (1992)
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
(Eco-92) ocorreu no Rio do Janeiro. Foi a segunda grande reunião das
Nações Unidas sobre o meio ambiente e reuniu 178 países.

Desta Conferência resultaram importantes resoluções tais como: a


Convenção sobre Mudanças Climáticas, a Convenção sobre a Diversidade
Biológica, a Declaração do Rio, a Declaração sobre Florestas e a Agenda
XXI.

Conferência de Joanesburgo (2002)- (Rio+10)


A Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) teve
como objetivo reavaliar e implementar as conclusões e diretrizes acordadas
na conferência Rio-92.Teve ainda como objetivo a aprovação de diretrizes
relacionadas com as mudanças climáticas e o crescimento da pobreza de
forma a reduzir as enormes diferenças entre os padrões de vida das
populações com o fim de elaborar uma estratégia para alcançar um
desenvolvimento sustentável.

Rio+20 (2012)
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
(CNUDS), conhecida como Rio+20, realizou-se no Rio de Janeiro e teve
como objetivo principal a renovação do compromisso político sobre
desenvolvimento sustentável.

Fonte: http://www.dgidc.min-edu.pt/educacaocidadania/index.php?s=directorio&pid=154, em
14-05-2013