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FILOSOFIA – 11º ANO

A LÓGICA COMO ESTUDO DAS CONDIÇÕES DE COERÊNCIA


DO PENSAMENTO E DO DISCURSO

[...] o hábito filosófico de raciocinar nasce na Grécia Juntamente com as instituições políticas
da democracia [...] Raciocinar exige, consequentemente, a universalidade humana da razão,
e não excluir ninguém do diálogo em que se argumenta. De tal modo que a razão esteve na
Grécia sempre à frente do seu próprio sistema social e está sempre a frente dos sistemas
sociais desiguais que conhecemos, em direcção à verdadeira comunidade de todos os seres
pensantes. No fim de contas, a disposição para filosofar consiste em decidir-se a tratar dos
outros como se tossem também filósofos: oferecendo-lhes razões, escutando as suas e
construindo a verdade, sempre num quadro de raciocínio, a partir do encontro entre umas e
outras.
[...] Na sociedade democrática, as opiniões de cada um não são fortalezas ou castelos onde
se encerram como forma de auto-afirmação pessoal. «Ter» uma opinião não é ter uma
propriedade que ninguém tem direito a tirar-nos. Oferecemos a nossa opinião aos outros
«onde estamos e quem somos». E desde logo nem todas as opiniões são igualmente
válidas: valem mais as que tenham melhores argumentos a seu favor e as que melhor
resistem à prova de fogo do debate com as objecções que lhes são colocadas.

Fernando Savater, As perguntas da Vida

A lógica
As premissas são o ponto de partida, ou o que se aceita ou presume, no que respeita ao
argumento. Um argumento pode ter uma ou varias premissas. A partir das premissas, os
argumentos derivam uma conclusão. Se estamos a reflectir sobre um argumento, talvez por
termos relutância em aceitar a sua conclusão, temos duas opções. Em primeiro lugar,
podemos rejeitar uma ou mais das suas premissas. Em segundo lugar, podemos também
rejeitar o modo como a conclusão é extraída das suas premissas. A primeira reacção e que
uma das premissas não é verdadeira. A segunda é que o raciocínio não e valido. É claro que
o mesmo argumento pode estar sujeito a ambas as críticas: as premissas não são
verdadeiras e o raciocínio aplicado é inválido. Mas as duas críticas são distintas (e as duas
expressões «não é verdadeira» e «não e válido», marcam bem a diferença).
No dia-a-dia, os argumentos também são criticados noutros aspectos. As premissas podem
não ser muito sensatas. É uma tolice apresentar um argumento intrincado a partir da
premissa de que eu vou ganhar a lotaria da próxima semana se não houver qualquer
hipótese de isso acontecer. E muitas vezes inapropriado recorrermos a premissas que sejam,
elas mesmas, controversas. Não revela qualquer tacto nem é de bom gosto argumentar a
favor de certas coisas em certas circunstâncias. Mas «lógico» não é sinónimo de «sensato».
A lógica interessa-se em saber se os argumentos são validos, e não se são sensatos. E vice-
versa, muitas das pessoas a que chamamos «ilógicas» podem até usar argumentos válidos,
mas que são patetas por outros motivos.
A lógica só tem uma preocupação: saber se não há outra maneira de as premissas serem
verdadeiras e a conclusão falsa.
Simon Blackburn, Pense: uma Introdução à Filosofia

A argumentação
Argumento Argumentar e produzir considerações destinadas a apoiar uma conclusão.
Argumentar é quer o processo de fazer isso (e, neste sentido, argumentação pode ser uma
discussão acalorada ou prolongada), quer o seu produto, i.e., o conjunto de proposições
aduzidas (as premissas), o padrão da inferência e a conclusão alcançada. Um argumento
pode ser dedutivamente válido, caso em que a conclusão se segue das premissas, ou ser
persuasivo de outras maneiras. A lógica é o estudo das formas válidas e inválidas dos
argumentos.
Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia

Olívia Duarte Dimensão


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FILOSOFIA – 11º ANO

Filosofia e argumentação
Nem todos os pontos de vista são iguais. Algumas conclusões podem ser defendidas com
boas razões e outras com razões menos boas. No entanto, não sabemos na maioria das
vezes quais são as melhores conclusões. Precisamos, por isso, de apresentar argumentos
para sustentar diferentes conclusões e, depois, avaliar tais argumentos para ver se são
realmente bons.
Neste sentido, um argumento é uma forma de investigação.
Os argumentos também são essenciais por outra razão. Uma vez chegados a uma
conclusão baseada em boas razões, os argumentos são a forma pela qual a
explicamos e defendemos. Um bom argumento não se limita a repetir as conclusões.
Em vez disso, oferece razões e dados suficientes para que as outras pessoas possam
formar a sua própria opinião. Ter opiniões fortes não é um erro. O erro é não ter mais
nada.
Anthony Weston, A Arte de Argumentar, Edições Gradiva, Lisboa. 1 996, pp. 14-15

O que são argumentos?


Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus argumentos de uma
forma nova. É por isso que muita gente considera que argumentar é desagradável e inútil,
confundindo argumentar com discutir. Dizemos por vezes que discutir é uma espécie de luta
verbal. Contudo, argumentar não é nada disso.
[...]“Argumentar” quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou
oferecer dados favoráveis a uma conclusão. Argumentar não é apenas a afirmação de
determinado ponto de vista nem uma discussão. Os argumentos são tentativas de sustentar
certos pontos de vista com razões. Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na
verdade, são essenciais.

Regras para escrever um argumento


1.ª regra: O primeiro passo para redigirmos um argumento é perguntarmos: que desejamos
provar? qual a conclusão? É preciso não esquecer que a conclusão é a afirmação para a
qual estamos a fornecer razões. As afirmações que fornecem razões chamam-se premissas.
Consideremos a seguinte observação de Winston Churchill: “Seja optimista. Não serve de
muito ser outra coisa qualquer.” Isto é um argumento porque Churchill está a fornecer uma
razão para que se seja optimista: a sua premissa é a de que “não serve de muito ser outra
coisa qualquer”. A premissa e a conclusão de Churchill são suficientemente óbvias, mas as
conclusões de alguns argumentos podem não ser óbvias até ao momento em que são
apontadas.
2.ª regra: Os argumentos curtos escrevem-se normalmente em um ou dois parágrafos.
Coloque a conclusão primeiro, seguida das suas razões, ou apresente as suas premissas
primeiro e retire a conclusão no fim. Em qualquer dos casos, apresente as suas ideias pela
ordem que mais naturalmente revele o seu raciocínio.
Anthony Weston, A Arte de Argumentar,
Edições Gradiva, Lisboa, 1996, pp. 19-21 (adapt.)

Olívia Duarte Dimensão


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