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NOÇÕES DE DIREITO

ADMINISTRATIVO
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Princípio da Moralidade:
Tal princípio vem expresso na Constituição Federal no caput
1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: do artigo 37, que trata especificamente da moral administrativa,
CONCEITO E PRINCÍPIOS. onde se refere à ideia de probidade e boa-fé.
A partir da Constituição de 1988, a moralidade passou ao sta-
tus de principio constitucional, dessa maneira pode-se dizer que
um ato imoral é também um ato inconstitucional.
A falta da moral comum impõe, nos atos administrativos a
Conceito presença coercitiva e obrigatória da moral administrativa, que se
A Administração Pública é a atividade do Estado exercida constitui de um conjunto de regras e normas de conduta impostas
pelos seus órgãos encarregados do desempenho das atribuições ao administrador da coisa pública.
públicas, em outras palavras é o conjunto de órgãos e funções ins- Assim o legislador constituinte utilizando-se dos conceitos da
tituídos e necessários para a obtenção dos objetivos do governo. Moral e dos Costumes uma fonte subsidiária do Direito positivo,
A atividade administrativa, em qualquer dos poderes ou esfe- como forma de impor à Administração Pública, por meio de juízo
ras, obedece aos princípios da legalidade, impessoalidade, mora- de valor, um comportamento obrigatoriamente ético e moral no
lidade, publicidade e eficiência, como impõe a norma fundamental exercício de suas atribuições administrativas, através do pressu-
do artigo 37 da Constituição da República Federativa do Brasil de posto da moralidade.
1988, que assim dispõe em seu caput: “Art. 37. A administração A noção de moral administrativa não esta vinculada às con-
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos vicções intimas e pessoais do agente público, mas sim a noção de
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos prin- atuação adequada e ética perante a coletividade, durante a gerência
cípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e da coisa pública.
eficiência e, também, ao seguinte”.
Princípio da Publicidade:
Princípios Constitucionais Expressos: Diante de tais princí- Por este principio constitucional, temos que a administração
pios expressos constitucionalmente temos: tem o dever de oferecer transparência de todos os atos que praticar,
Princípio da Legalidade: e de todas as informações que estejam armazenadas em seus ban-
Este é o principal conceito para a configuração do regime ju- cos de dados referentes aos administrados.
rídico-administrativo, pois se justifica no sentido de que a Admi- Portanto, se a Administração Pública tem atuação na defesa e
nistração Pública só poderá ser exercida quando estiver em con- busca aos interesses coletivos, todas as informações e atos pratica-
formidade com a Lei. dos devem ser acessíveis aos cidadãos.
O administrador não pode agir, nem mesmo deixar de agir, Por tal razão, os atos públicos devem ter divulgação oficial
senão de acordo com o que dispõe a lei. Para que a administração como requisito de sua eficácia, salvo as exceções previstas em lei,
possa atuar, não basta à inexistência de proibição legal, é neces- onde o sigilo deve ser mantido e preservado.
sária para tanto a existência de determinação ou autorização da
atuação administrativa na lei. Os particulares podem fazer tudo o Princípio da Eficiência:
que a lei não proíba, entretanto a Administração Pública só pode Por tal principio temos a imposição exigível à Administração
fazer aquilo que a lei autorizar. Pública de manter ou ampliar a qualidade dos serviços que presta
Importante ainda esclarecer que a administração pública está ou põe a disposição dos administrados, evitando desperdícios e
obrigada, no exercício de suas atribuições, à observância não ape- buscando a excelência na prestação dos serviços.
nas dos dispositivos legais, mas também em respeito aos princí- Tem o objetivo principal de atingir as metas, buscando boa
pios jurídicos como um todo, inclusive aos atos e normas editadas prestação de serviço, da maneira mais simples, mais célere e mais
pela própria administração pública. econômica, melhorando o custo-benefício da atividade da admi-
nistração pública.
Princípio da Impessoalidade: O administrador deve procurar a solução que melhor atenda
Por tal princípio temos que a Administração Pública tem que aos interesses da coletividade, aproveitando ao máximo os recur-
manter uma posição de neutralidade em relação aos seus admi- sos públicos, evitando dessa forma desperdícios.
nistrados, não podendo prejudicar nem mesmo privilegiar quem
quer que seja. Dessa forma a Administração pública deve servir a Princípios Administrativos Implícitos: Diante de tais prin-
todos, sem distinção ou aversões pessoais ou partidárias, buscando cípios tidos como expressamente constitucionais, decorrem ou-
sempre atender ao interesse público. tros, implícitos, de igual importância para a regulamentação das
Impede o princípio da impessoalidade que o ato administrati- atividades públicas senão vejamos:
vo seja emanado com o objetivo de atender a interesses pessoais
do agente público ou de terceiros, devendo ter a finalidade exclu- Princípio da Supremacia do Interesse Público:
sivamente ao que dispõe a lei, de maneira eficiente e impessoal. Tal Princípio, muito embora não se encontre expresso no
Ressalta-se ainda que o princípio da impessoalidade tem es- enunciado do texto constitucional é de suma importância para a
treita relação com o também principio constitucional da isonomia, atividade administrativa, tendo em vista que, em decorrência do
ou igualdade, sendo dessa forma vedada perseguições ou benesses regime democrático adotado pelo Brasil, bem como o seu sistema
pessoais. representativo, temos que toda a atuação do Poder Público seja
consubstanciada pelo interesse público e coletivo.

Didatismo e Conhecimento 1
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Assim, para que o Estado possa atingir a finalidade principal Trata-se, portanto, de um poder-dever, no sentido de que a
que lhe foi imposta pelo ordenamento jurídico, qual seja, o inte- Administração Pública deve agir, na medida em que os poderes
resse público, é assegurado a administração pública uma série de conferidos ao Estado são irrenunciáveis. Entende-se dessa manei-
prerrogativas, não existente no direito privado, para que se alcance ra a noção de deveres administrativos oriundos da obrigação do
a vontade comum da coletividade. Poder Público em atuar, utilizando-se dos poderes e prerrogativas
Assim, a supremacia do interesse público deve se sobressair atribuídos mediante lei.
sobre os direitos particulares dos administrados, pois decorre deste O dever de agir está ligado à própria noção de prerrogativas
princípio que, na hipótese de haver um conflito entre o interesse públicas garantidas ao Estado, que enseja, por consequência, ou-
público e os interesses de particulares, é evidente e lógico que a tros deveres: dever de eficiência, dever de probidade, dever de
vontade comum e o interesse coletivo deve prevalecer, respeitados prestar contas, dever de dar continuidade nos serviços públicos,
os princípios do devido processo legal, e do direito adquirido. entre outros.
Os poderes que a Administração possui classificam-se em po-
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público:
der Vinculado, Discricionário, Hierárquico, Disciplinar, Regula-
Em decorrência do princípio da indisponibilidade do interesse
mentar e de Polícia.
público são vedados ao administrador da coisa pública qualquer
ato que implique em renúncia a direitos da administração, ou que
de maneira injustificada e excessiva onerem a sociedade. Poder Vinculado
Dessa maneira, a administração pública deve ter sai ação con- O poder da Administração Pública ocorre por meio de força
trolada pelo povo, por meios de mecanismos criados pelo Estado vinculante que lhe é imposta e garantida pela Constituição Federal
para esta finalidade, visto que o interesse público não pode ser de 1988, mais precisamente em seu artigo 37, onde há vinculação
disponível. dos atos administrativos ao princípio da legalidade, ou seja, à força
do enunciado das leis editadas pelo Estado.
Princípio da Autotutela: A Administração Pública pode corri- O conhecido Poder Vinculado é aquele de que dispõe a admi-
gir de oficio seus próprios atos, revogando os irregulares e inopor- nistração pública para a prática de atos administrativos em que é
tunos e anulando os manifestamente ilegais, respeitado o direito mínima ou então inexistente a possibilidade de atuação do admi-
adquirido e indenizando os prejudicados, cuja atuação tem a carac- nistrador público, em outras palavras é o poder de que ela se utiliza
terística de autocontrole de seus atos, verificando o mérito do ato quando esta diante de uma situação em que a lei previamente já
administrativo e ainda sua legalidade; vinculou uma única forma de atuação.
Dessa maneira, no tocante aos atos vinculados, não é possível
Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade: A Adminis- a administração pública formular considerações de oportunidade e
tração deve agir com bom senso, de modo razoável e proporcional; conveniência, sendo certo que sua atuação está limitada nos estri-
tos conteúdos legais.
Princípio da Continuidade: Os serviços públicos não podem Analisadas as considerações iniciais sobre o Poder Vincula-
parar, devendo manter-se sempre em funcionamento, dentro das do, é possível então concluir que não se trata especificamente de
formas e períodos próprios de sua regular prestação; uma prerrogativa, assim entendida como poder, mas sim como um
dever da administração em cumprir e vincular-se ao que dispõe a
Princípio da Especialidade: Por tal principio aplica-se mais as lei, quando não se verifica liberdade do administrador de escolhas.
autarquias, não podem elas ter outra função, além daquelas para as Assim, temos que o poder vinculado da Administração Públi-
quais foram criadas. ca obriga ao administrador obedecer ao principio da legalidade,
e dessa forma, somente poderá emanar o ato, desde que esteja de
acordo com o que dispõe a lei, não havendo flexibilidade sobre a
2. PODERES ADMINISTRATIVOS. execução do ato, tendo em vista que está diretamente vinculado a
lei.

Poder Discricionário
Dos Poderes Administrativos Temos pelo Poder Discricionário aquele mediante o qual o
A Administração é dotada de poderes ou prerrogativas instru- administrador tem a liberdade de praticar a ação administrativa,
mentais que garantem o efetivo desempenho de suas atribuições escolhendo por parâmetros de conveniência, necessidade, oportu-
que lhe são legalmente definidas. nidade e conteúdo do ato, mas dentro dos limites impostos pela lei.
Os poderes administrativos são o conjunto de prerrogativas A conveniência se identifica quando o ato interessa, convém
que a Administração Pública possui para alcançar os fins almeja- ou satisfaz ao interesse público. Há oportunidade quando o ato é
dos pelo Estado, tais poderes são inerentes à Administração Pú- praticado no momento adequado à satisfação do interesse público.
blica para que esta possa proteger o interesse público. Encerram São juízos subjetivos do agente competente que levam a autorida-
prerrogativas de autoridade, as quais, por isso mesmo, só podem de a decidir, nos termos da lei, que se incumbe de indicar quando
ser exercidas nos limites da lei. é possível essa atuação.
Muito embora a expressão poder pareça apenas uma faculda- O Poder Discricionário tem como base a autorização legal
de de atuação da Administração Pública, o fato é que os poderes conferida ao administrador público decida, nos limites da lei, so-
administrativos envolvem não uma mera faculdade de agir, mas bre a conveniência e oportunidade da prática do ato discricionário,
sim um dever de atuar diante das situações apresentadas ao Poder bem como de escolher seu conteúdo, sendo passível de análise so-
Público. bre o mérito administrativo.

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A discricionariedade atribuída à Administração trata-se efeti- O poder disciplinar é exercido como faculdade punitiva in-
vamente de uma prerrogativa, um poder conferida pela lei à Admi- terna da Administração Pública e por isso mesmo só abrange as
nistração, entretanto, não remete ao livre arbítrio para o exercício infrações relacionadas com o serviço público.
de suas atribuições, cabendo, contudo, à Administração a análise Em se tratando de servidor público, as penalidades disciplina-
livre da conveniência e da oportunidade para a prática de qualquer res vêm definidas dos respectivos Estatutos.
ato, obedecidas as regras vinculativas definidas pelo direito posi- Cumpre ressaltar que a atuação do Poder Disciplinar deve
tivo. A discricionariedade encontra limites na lei, nos princípios obedecer necessariamente aos princípios informativos e constitu-
gerais de direito e nos preceitos de moralidade administrativa. cionais da Administração, entre eles o principio da legalidade e o
principio da motivação, aos quais se anexa ao principio da ampla
Poder Hierárquico defesa, do contraditório e do devido processo legal.
O Poder Hierárquico é o poder de que dispõe o Executivo para
distribuir e escalonar as funções de seus órgãos e a atuação de seus Poder Regulamentar
agentes, estabelecendo assim a relação de subordinação. O Poder Regulamentar é o poder inerente e privativo do Chefe
do Poder Executivo, indelegável a qualquer subordinado, trata-se
Importante esclarecer que hierarquia caracteriza-se pela exis-
do poder atribuído ao chefe do Poder Executivo para editar atos,
tência de níveis de subordinação entre órgãos e agentes públicos,
com o objetivo de dar fiel cumprimento ás leis.
sempre no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Assim, podemos
Temos por regulamento como ato normativo, expedido atra-
verificar a presença da hierarquia entre órgãos e agentes na esfe-
vés de decreto, com o fim de explicar o modo e a forma de execu-
ra interna da Administração Direta do Poder Executivo, ou então ção da lei, ou prover situações não disciplinadas em lei, importante
hierarquia entre órgãos e agentes internamente de uma fundação destacar que o regulamento não tem a capacidade e a competência
pública. de inovar o direito previsto em lei, não cria obrigações, apenas
Caracterizam-se pelo poder de comando de agentes adminis- explica e detalha o direito, e sobretudo, uniformiza procedimentos
trativos superiores sobre seus subordinados, contendo a prerrogati- necessários para o cumprimento e execução da lei.
va de ordenar, fiscalizar, rever, delegar tarefas a seus subordinados. O regulamento, portanto, constitui-se em um conjunto de nor-
É o poder que dispõe o Executivo para distribuir e organizar mas que orientam a execução de uma determinada matéria.
as funções de seus agentes e órgãos, estabelecendo relação de su- Diante de tais conceitos podemos concluir que o regulamen-
bordinação entre seus servidores, tal subordinação, vale destacar, to é a explicitação da lei em forma de decreto executivo, não se
é de caráter interno, somente é aplicável dentro da própria Admi- inscrevendo como tal os decretos autônomos, até porque não há
nistração Pública. em nosso ordenamento jurídico o instituto dos regulamentos au-
A hierarquia estabelece uma ordem de importância gerando tônomo com força de lei, cuja competência de edição fica sob a
forma às relações de coordenação e de subordinação entre os agen- responsabilidade do Chefe do Poder Executivo.
tes públicos, adquirindo assim uma relação de subordinação esca-
lonada objetivando a ordem das atividades administrativas. Poder de Polícia
Para a preservação do principio hierárquico é indispensável É sabido que a partir da Constituição Federal e das leis em
mencionar que o descumprimento de ordem de superior hierárqui- nosso ordenamento jurídico, foi conferido uma série de direitos
co constitui-se em ato ilícito, passível de punição administrativa e aos cidadãos, que por sua vez, tem o seu pleno exercício vinculado
penal. Assim o servidor público subalterno deve estrita obediência com o bem estar social.
às ordens e demais instruções legais de seus superiores. Assim, é por meio do Poder de Polícia que a Administração
limita o exercício dos direitos individuais e coletivos com o obje-
Poder Disciplinar tivo de assegurar a ordem pública, estabelecendo assim um nível
O Poder Disciplinar é o poder de punir internamente não só as aceitável de convivência social, esse poder também pode ser deno-
minado de polícia administrativa.
infrações funcionais dos servidores, sendo indispensável à apura-
É o poder deferido ao Estado, necessário ao estabelecimento
ção regular da falta, mas também as infrações de todas as pessoas
das medidas que a ordem, a saúde e a moralidade pública exigem.
sujeitas à disciplina dos órgãos e serviços da Administração.
O principio norteador da aplicação do Poder de Polícia é a predo-
Decorre da supremacia especial que o Estado exerce sobre to-
minância do interesse público sobre o interesse privado.
dos aqueles que se vinculam à Administração. O Poder de Polícia resume-se na prerrogativa conferida a Ad-
O Poder Disciplinar não pode ser confundido ainda com o ministração Pública para, na forma e nos limites legais, condiciona
Poder Hierárquico, porém a ele está vinculado e é correlato. Pelo ou restringe o uso de bens, exercício de direitos e a pratica de ati-
descumprimento do poder hierárquico o subalterno pode ser puni- vidades privadas, com o objetivo de proteger os interesses gerais
do administrativa ou judicialmente. É assim a aplicação do poder da coletividade.
disciplinar, a faculdade do hierarca de punir administrativamente Assim, é a atividade do Estado que consiste em limitar o exer-
o subalterno, dentro dos limites legais, dessa faculdade de punir cício dos direitos individuais em benefício do interesse público.
verifica-se a existência, mesmo que mínima, da discricionariedade Mesmo sendo considerado como poder discricionário da Ad-
administrativa, pois há análise de conveniência e oportunidade. ministração, o Poder de Polícia é controlado e limitado pelo orde-
Também não se confunde com o poder punitivo do Estado, namento jurídico que regulam a atuação da própria Administração,
que é realizado através do Poder Judiciário e é aplicado com fina- isto porque o Estado deve sempre perseguir o interesse público,
lidade social, visando à repressão de crimes e contravenções devi- mas sem que haja ofensa aos direitos individuais garantidos por
damente tipificados nas leis penais. lei.

Didatismo e Conhecimento 3
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Dessa forma, podemos concluir que o Poder de Polícia é um
poder de vigilância, cujo objetivo maior é o bem-estar social, im- 3. ATOS ADMINISTRATIVOS.
pedindo que os abusos dos direitos pessoais possam ameaçar os 3.1 CONCEITO. 3.2 ATRIBUTOS.
direitos e interesses gerais da coletividade. 3.3 REQUISITOS. 3.4 CLASSIFICAÇÃO.
Decorre, portanto do Poder de Polícia, a aplicação de sanções 3.5 EXTINÇÃO.
para fazer cumprir suas determinações, fundamentadas na lei, e
assim, diversas são as sanções passiveis de aplicação, previstas
nas mais variadas e esparsas leis administrativas, que podem ser
Conceito
aplicadas no âmbito da atividade de polícia administrativa.
Atos administrativos são espécies do gênero “ato jurídico”, ou
Importante esclarecer que o poder de polícia administrativa
seja, são manifestações humanas, voluntárias, unilaterais e desti-
incide sobre atividades e sobre bens, não diretamente sobre os ci-
nadas diretamente à produção de efeitos no mundo jurídico.
dadãos, haja vista que não existem sanções aplicadas decorrentes De acordo com os ensinamentos do jurista Celso Antônio
do poder de polícia administrativa que impliquem em restrição ao Bandeira de Mello, ato administrativo pode ser conceituado como:
direito de liberdade das pessoas como detenção e prisão. “declaração do Estado (ou de quem lhe faça às vezes – como, por
Assim, várias são as sanções decorrentes do poder de polícia, exemplo, um concessionário de serviço público), no exercício de
tais como: multa administrativa; demolição de construções irregu- prerrogativas públicas, manifestada mediante providências jurí-
lares; apreensão de mercadorias com entrada irregular no território dicas complementares da lei a título de lhe dar cumprimento, e
nacional; interdição de estabelecimento comerciais que estão em sujeitas a controle de legitimidade por órgão jurisdicional”.
desacordo com a lei; embargos administrativos a obras, entre ou- Segundo o conceito formulado por Hely Lopes Meirelles, te-
tras. mos que: “ato administrativo é toda manifestação unilateral de
Por fim, importante mencionar que, via de regra, prescreve vontade da Administração Pública que, agindo nessa qualidade,
em 05 (cinco) anos as ações punitivas decorrentes do exercício do tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar,
poder de polícia. extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administra-
dos ou a si própria”.
Abuso de Poder Para Maria Sylvia Di Pietro, ato administrativo pode ser de-
O exercício ilegítimo das prerrogativas conferidas pelo or- finido como: “a declaração do Estado ou de quem o represente,
produz efeitos jurídicos imediatos, com observância da lei, sob
denamento jurídico à Administração Pública caracteriza de modo
regime jurídico de direito público e sujeita a controle pelo Judi-
genérico, o denominado abuso de poder.
ciário”.
Dessa maneira, o abuso de poder ocorre diante de uma ilegiti-
Dessa forma, temos que é por meio do ato administrativo que
midade, ou, diante de uma ilegalidade, cometida por agente públi- a função administrativa se concretiza, sendo toda a exteriorização
co no exercício de suas funções administrativas, o que nos autoriza da vontade do Estado, executada pelos agentes públicos, objeti-
a concluir que o abuso de poder é uma conduta ilegal cometida vando alcançar o interesse coletivo.
pelo agente público, e, portanto, toda atuação fundamentada em Concluindo então, ato administrativo é a manifestação ou de-
abuso de poder é ilegal. claração da Administração Pública, editada pelo Poder Público,
Importante destacar que é plenamente possível o abuso de através de seus agentes, no exercício concreto da função adminis-
poder assumir tanto a forma comissiva, quanto à omissiva, ou seja, trativa que exerce, ou de quem lhe faça às vezes, sob as regras de
o abuso tanto pode ocorrer devido a uma ação ilegal do agente direito público, com a finalidade de preservar e alcançar os interes-
público, quanto de uma omissão considerada ilegal. ses da coletividade, passível de controle Jurisdicional.
O abuso de poder pode ocorrer de duas maneiras, quais sejam:
excesso de poder ou desvio de poder. O primeiro, excesso de po- Requisitos e elementos do ato administrativo
der, ocorre quando o agente público atua fora dos limites de sua A doutrina administrativa é pacifica em apontar cinco requisi-
competência, enquanto o segundo desvio de poder, ocorre quando tos básicos, ou elementos dos atos administrativos: competência,
a atuação do agente é pautada dentro dos seus limites de compe- finalidade, forma, motivo e objeto.
tência, mas contraria a finalidade que determinou ou autorizou a Além, naturalmente, dos requisitos gerais de todos os atos ju-
sua atuação. rídicos perfeitos, como agente capaz, objeto lícito e forma prescri-
ta ou não proibida em lei.
Trata-se de requisitos fundamentais para a validade do ato
administrativo, pois o atos que for editado ou praticado em desa-
cordo com o que a lei estabeleça para cada requisito, será, via de
regra, um ato nulo.

Competência:
A definição de competência é o poder legal conferido ao agen-
te público para o desempenho regular e específico das atribuições
de seu cargo. É a competência a condição primeira de validade do
ato administrativo, onde deve haver uma análise sobre a incidên-
cia ou não da capacidade específica e legalmente definida para a
prática do ato.

Didatismo e Conhecimento 4
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Importante observar que a noção de competência do agente, Existe em dois sentidos, no amplo e no estrito. Em sentido
na esfera do Direito Administrativo, alcança, além do agente, tam- amplo é o procedimento previsto em lei para a prática regular do
bém o órgão do Estado que ele representa, dessa forma, conclui-se ato administrativo. Seu sentido estrito refere-se ao conjunto de re-
que a competência é prerrogativa do Estado, exercitada por seus quisitos formais que devem constar no próprio ato administrativo,
agentes, respeitada a hierarquia e distribuição constitucional de de acordo com suas formalidades próprias.
atribuições.
A competência é um elemento, ou requisito, sempre vincula- Motivo:
do, ou seja, não há possibilidade de escolha na determinação da O motivo é a causa imediata do ato administrativo, é a si-
competência para a prática de um ato, tendo em vista que tal vin- tuação fática, ou jurídica, que determina ou possibilita a atuação
culação decorre de lei. administrativa, razão pela qual todo ato administrativo deve ser
Para os estudos sobre o requisito da competência do ato ad- motivado, assim temos que o motivo é elemento integrante do ato.
ministrativo, se mostra necessário e oportuno mencionar a exis- O motivo do ato administrativo não se traduz apenas como um
tência das figuras da avocação de competência e a delegação de
elemento, mas também como um pressuposto objetivo do ato em
competência.
si, a motivação do ato administrativo tornou-se regra jurídico-ad-
Nos casos em que houver avocação ou delegação de compe-
ministrativa obrigatória.
tência não se verifica a transferência da titularidade da competên-
cia, apenas o seu exercício. Importante salientar que o ato de dele- Destaca-se que, de acordo com a teoria dos motivos deter-
gação ou avocação de competência é discricionário e revogável a minantes, que consiste em explicitar que a administração pública
qualquer momento. está sujeita e passiva de controle administrativo e/ou judicial, dian-
A avocação é o ato mediante o qual o superior hierárquico traz te do controle de legalidade e legitimidade, relativo a existência e
para si o exercício temporário de certa competência atribuída por a pertinência dos motivos, fáticos e legais, que a declarou como
lei a um subordinado, devendo ser medida excepcional e de caráter causa determinante para a prática do ato.
precário, sendo que a avocação não será possível quando se tratar Dessa maneira, caso seja comprovada a não ocorrência da si-
de competência exclusiva do subordinado. tuação declarada como determinante para a prática do ato, ou então
A delegação, doutro modo é o ato mediante o qual o superior a inadequação entre a situação ocorrida e o motivo descrito na lei,
hierárquico delega para seu subordinado ou a outro órgão, compe- o ato será nulo.
tência que lhe pertence, também tem a característica de ser tempo- A Teoria dos Motivos Determinantes aplica-se tanto a atos
rário e revogável a qualquer momento, devendo seguir os limites vinculados quanto a atos discricionários, mesmo aos atos discri-
previstos em lei, cionários em que , embora não fosse obrigatória, tenha havido
Quando o agente público ou órgão atua fora, ou além, de sua motivação.
esfera de competência, temos presente então uma das figuras de
abuso de poder, ou excesso de poder, que, nem sempre esta fadado Objeto:
a anulação do ato, visto que o vício de competência admite conva- O objeto é o próprio conteúdo material do ato. O objeto do ato
lidação, salve se tratar de competência em razão da matéria ou de administrativo identifica-se com o seu conteúdo, por meio do qual
competência exclusiva. a administração manifesta sua vontade, ou simplesmente atesta si-
tuações preexistentes.
Finalidade: De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, o objeto do
Ao editar determinado ato administrativo, o Poder Público ato administrativo “é aquilo que o ato dispõe, isto é, o que o ato
deve perseguir o interesse público. É o objetivo principal que a decide, enuncia, certifica, opina ou modifica na ordem jurídica”
Administração Pública pretende alcançar com a prática do ato ad- Pode-se dizer que o objeto doa ato administrativo é a própria
ministrativo.
alteração na esfera jurídica que o ato provoca, é o efeito jurídico
Dessa maneira a finalidade do ato deve ser sempre o interesse
imediato que o ato editado produz.
da coletividade e a finalidade específica prevista em lei para aquele
ato da administração.
Sendo requisito de validade do ato, é nulo qualquer ato prati- Atributos do Ato Administrativo
cado visando exclusivamente o interesse privado, ou seja, o desa- Entende-se por atributos dos atos administrativos as qualida-
tendimento a qualquer das finalidades do ato administrativo con- des ou características dos atos administrativos, uma vez que re-
figura vício insanável, com a obrigatória anulação do ato. O vício quisitos dos atos administrativos constituem condições que devem
de finalidade é denominado pela doutrina como desvio de poder, obrigatoriamente ser observadas para a sua validade, os atributos
configurando em uma das modalidades do abuso de poder. podem ser entendidos como as características dos atos adminis-
trativos.
Forma: Os atributos dos atos administrativos citados pelos principais
A forma é o modo de exteriorização do ato administrativo. autores são: presunção de legitimidade; imperatividade; autoexe-
Todo ato administrativo, em principio, deve ser formal, e a forma cutoriedade e tipicidade.
exigida pela lei quase sempre é escrita, em atendimento inclusive
ao principio constitucional de publicidade. Presunção de Legitimidade:
A forma, ou formalidade é o conjunto de exterioridades que A presunção de legitimidade, ou legalidade, é a única caracte-
devem ser observadas para a regularidade do ato administrativo, rística presente em todos os atos administrativos.
assim, temos que todo ato administrativo é formal, pelo que sua Assim, uma vez praticado o ato administrativo, ele se presume
falta resulta, necessariamente, na inexistência do ato administra- legítimo e, em princípio, apto para produzir os efeitos que lhe são
tivo. inerentes, cabendo então ao administrado a prova de eventual vício

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do ato, caso pretenda ver afastada a sua aplicação, dessa maneira Neste sentido, oportuno esclarecer a expressão “Mérito Admi-
verificamos que o Estado, diante da presunção de legitimidade, nistrativo”. Mérito do ato administrativo não é considerado requi-
não precisa comprovar a regularidade dos seus atos. sito para a formação do ato, mas tem implicações com o motivo
Dessa maneira, mesmo quando eivado de vícios, o ato admi- e o objeto do ato, e consequentemente, com as suas condições de
nistrativo, até sua futura revogação ou anulação, tem eficácia plena validade e eficácia.
desde o momento de sua edição, produzindo regularmente seus O mérito administrativo consubstancia-se, portanto, na valo-
efeitos, podendo inclusive ser executado compulsoriamente. ração dos motivos e na escolha do objeto do ato, feitas pela Ad-
ministração incumbida de sua prática quando autorizada a decidir
Imperatividade: sobre a conveniência, oportunidade e justiça do ato a realizar.
Pelo atributo da imperatividade do ato administrativo, temos O merecimento é aspecto pertinente apenas aos atos admi-
a possibilidade de a administração pública, de maneira unilateral, nistrativos praticados no exercício de competência discricionária.
criar obrigações para os administrados, ou então impor-lhes res- Nos atos vinculados não há que se falar em mérito, visto que toda
trições.
a atuação do Executivo se resume no atendimento das imposições
Importante esclarecer que nem todos os atos administrativos
legais. Quanto ao mérito administrativo a Administração decide
são revestidos de imperatividade, mas, da mesma forma que ocor-
re relativamente à presunção de legitimidade, os atos acobertados livremente, e sem possibilidade de correção judicial, salvo quando
pela imperatividade podem, em princípio, ser imediatamente im- seu proceder caracterizar excesso ou desvio de poder.
postos aos particulares a partir de sua edição.
Atos Gerais e Atos Individuais:
Autoexecutoriedade: Os atos administrativos gerais caracterizam-se por não possuir
O ato administrativo possui força executória imediatamente a destinatários direitos e determinados, apresentam apenas situações
partir de sua edição, isso ocorre porque as decisões administrativas normativas aplicáveis a todos os administrados e hipóteses fáticas
trazem em si a força necessária para a sua auto execução. Os atos que se enquadrem nesses casos descritos de forma abstratos. As-
autoexecutórios são aqueles que podem ser materialmente imple- sim, é possível dizer que tais atos possuem como característica a
mentados pela administração, de maneira direta, inclusive median- generalidade e abstração.
te o uso de força, caso seja necessário, sem que a Administração Os atos administrativos individuais são aqueles que possuem
Pública precise de uma autorização judicial prévia. destinatário final certo e determinado, produzindo seus efeitos de
A autoexecutoriedade dos atos administrativos fundamenta-se maneira direta e concreta e de forma individualizada, seja consti-
na natureza pública da atividade administrativa, em razão desta, tuindo ou declarando situações jurídico-administrativa particula-
atendendo o interesse público, assim, a faculdade de revestimento res. O ato individual pode ter um único destinatário – ato singular
do ato administrativo pela característica da autoexecução de seus – ou então diversos destinatários, desde que determinados e iden-
próprios atos se manifesta principalmente pela supremacia do in- tificados – atos plúrimos.
teresse coletivo sobre o particular.
Atos Internos e Atos Externos:
Tipicidade: Atos administrativos internos, são aqueles destinados a produ-
Para a Profª. Maria Sylvia Di Pietro, a tipicidade é: “o atribu- zir efeito somente no âmbito da Administração Publica, atingindo
to pelo qual o ato administrativo deve corresponder a figuras de- de forma direta e exclusiva seus órgãos e agentes.
finidas previamente pela lei como aptas a produzir determinados Atos administrativos externos são os que atingem os cidadãos
resultados”. administrados de forma geral, criando direitos ou obrigações ge-
Visando a segurança jurídica aos administrados, o atributo da
rais ou individuais, declarando situações jurídicas. Para esses atos
tipicidade garante que o ato administrativo deve corresponder a
é necessário que haja a publicação em imprensa oficial, como con-
figuras previamente estabelecidas pelo ordenamento jurídico vi-
gente. dição de vigência e eficácia do ato.

Classificação dos Atos Administrativos Atos Simples, Complexo e Composto:


Atos Vinculados e Atos Discricionários: Ato administrativo simples é aquele que decorre de uma única
Os atos vinculados são os que a Administração Pública pratica manifestação de vontade, de um único órgão, unipessoal ou me-
sem qualquer margem de liberdade de decisão, tendo em vista que diante apreciação de colegiado. Assim, o ato simples esta comple-
a lei previamente determinou a única medida possível de ser ado- to somente com essa manifestação, não dependendo de outra, seja
tada sempre que se configure a situação objetiva descrita em lei. concomitante ou posterior, para que seja considerado perfeito, não
Os atos discricionários são aqueles que a Administração Pú- dependendo ainda de manifestação de outros órgãos ou autorida-
blica pode praticar com certa liberdade de escolha e decisão, sem- des para que possa produzir seus regulares efeitos.
pre dentro dos termos e limites legais, quanto ao seu conteúdo, Ato administrativo complexo é o que necessita, para sua for-
seu modo de realização, sua oportunidade e conveniência admi- mação e validade, da manifestação de vontade de dois ou mais
nistrativa. órgãos, ou autoridades, diferentes.
Dessa maneira, na edição de um ato vinculado a administra- Ato administrativo composto é aquele cujo conteúdo resulta
ção Pública não dispõe de nenhuma margem de decisão, sendo que de manifestação de um só órgão, mas a sua edição ou a produção
o comportamento a ser adotado pelo Administrador está regula- de seus regulares efeitos dependem de outro ato que o aprove. A
mentado em lei, enquanto na edição de um ato discricionário, a le- atribuição desse outro ato é simplesmente instrumental, visando
gislação outorga ao agente público uma certa margem de liberdade a autorizar a prática do ato principal, ou então conferir eficácia
de escolha, diante da avaliação de oportunidade e conveniência da a este. Ressalta-se que o ato acessório ou instrumental em nada
pratica do ato. altera o conteúdo do ato principal.

Didatismo e Conhecimento 6
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Ato Válido, Ato Perfeito e Ato Eficaz: assunto, constantes de registros, processos e arquivos públicos,
Ato válido é o que esta em total conformidade com o ordena- sendo sempre, por isso, vinculados quanto ao motivo e ao con-
mento jurídico vigente, atendendo as exigências legais e regula- teúdo.
mentares impostas para que sejam validamente editadas, não con- Segundo Hely Lopes de Meirelles temos que “aos atos enun-
tendo qualquer vício ou defeito, irregularidades ou ilegalidades. ciativos embora não contenham uma norma de atuação, nem or-
Ato administrativo perfeito é o qual esta pronto, acabado, que denem a atividade administrativa interna, nem estabeleçam uma
já esgotou e concluiu o seu ciclo, foram exauridas todas as etapas relação negocial entre o Poder Público e o particular, enunciam,
de formação, já esgotaram todas as fases necessárias para a sua porém, uma situação existente, sem qualquer manifestação de
produção. vontade da Administração”.
Ato administrativo eficaz é aquele que já está disponível e Não há, no ato enunciativo, o estabelecimento de uma relação
apto a produzir seus regulares efeitos, sendo capaz de atingir sua jurídica, justamente por não conter uma manifestação de vontade
plenitude e alcance. do Poder Público, mas sim enunciando um fato ja existente.
São atos enunciativos: a certidão; o atestado e o parecer.
Espécies de ato administrativo
Segundo a doutrina majoritária administrativa, podemos agru- Atos punitivos:
par os atos administrativos em 5 cinco espécies: São aqueles que contêm uma sanção imposta pela lei e aplica-
Atos normativos: da pela Administração, visando a punir as infrações administrati-
São aqueles que contém um comando geral do Executivo vas e condutas irregulares de servidores ou de particulares perante
visando ao cumprimento de uma lei. Podem apresentar-se com a a Administração.
característica de generalidade e abstração (decreto geral que re- Possuem o objetivo, de acordo com os ensinamentos de Hely
gulamenta uma lei), ou individualidade e concreção (decreto de Lopes de Meirelles “de unir e reprimir as infrações administra-
nomeação de um servidor). tivas ou a conduta irregular dos servidores ou dos particulares
São atos normativos: o decreto; o regimento; e a resolução. perante a Administração”.
1.1 Atos ordinatórios: Pode-se concluir então que os atos punitivos podem ser ex-
São os que visam a disciplinar o funcionamento da Adminis- ternos, quando aplicados aos administrados; e internos, quando
tração e a conduta funcional de seus agentes. São ordinatórios os aplicados aos servidores da própria administração.
atos administrativos que disciplinam e regram o funcionamento São atos punitivos externos: multa; interdição de atividades;
dos órgãos da Administração Pública e orientam os procedimentos destruição de coisas; demolição administrativa; a cassação e o con-
adotados pelos agentes públicos. fisco.
De acordo com Hely Lopes de Meirelles: “são aqueles que São atos punitivos internos: o afastamento preventivo de ser-
só atuam no âmbito interno das repartições e só alcançam os ser- vidor investigado; advertência; suspensão; demissão e a cassação
vidores hierarquizados à chefia que os expediu. Não obrigam aos de aposentadoria.
particulares, nem aos funcionários subordinados a outras che-
fias.” Extinção dos Atos Administrativos
Emanam do poder hierárquico, isto é, podem ser expedidos O ato administrativo vigente permanecerá produzindo seus
por chefes de serviços aos seus subordinados. Logo, não obrigam efeitos no mundo jurídico até que algo capaz se alterar essa con-
aos particulares. dição ocorra. Uma vez publicado e, eivado de ou não, terá plena
São atos ordinatórios: as instruções; as circulares; os avisos; vigência e devera ser cumprido, em atendimento ao atributo da
as portarias; as ordens de serviço; os ofícios e os despachos. presunção de legitimidade, até o momento em que ocorra formal-
mente a sua extinção.
Atos negociais: O desfazimento do ato administrativo poderá ser resultante
São todos aqueles que contêm uma declaração de vontade da do reconhecimento de sua ilegitimidade, de vícios em sua forma-
Administração apta a concretizar determinado negócio jurídico ou ção, ou então poderá ser declarada a falta de necessidade de sua
a deferir certa faculdade ao particular, nas condições impostas ou validade.
consentidas pelo Poder Público. Assim, o ato administrativo é considerado extinto quando
Muito embora apresentem interesses de ambas as partes, ex- ocorrer as principais formas de extinção: Revogação, Anulação e
ternando a manifestação de vontades entre a administração e o Cassação.
administrado, o ato administrativo negocial possui natureza uni-
lateral, visto que são editados pela Administração Pública, sob as Revogação:
normas do direito público, assim, a vontade do destinatário não A revogação é modalidade de extinção de ato administrativo
é relevante para a formação do ato negocial, visto que necessita que ocorre por razões de oportunidade e conveniência. A Adminis-
apenas de provocação, e depois a aceitação da vontade externada tração Pública pode revogar um ato quando entender que, embora
pelo Poder Público. se trate de um ato válido, que atenda a todas as prescrições legais,
São atos negociais: a licença; autorização; permissão; aprova- não está de acordo com, ou não atende adequadamente ao interesse
ção; admissão; homologação e a dispensa. público no caso concreto.
Assim, temos que a revogação é a retirada, do mundo jurídico,
Atos enunciativos: de um ato válido, mas que, por motivos de oportunidade e conve-
São todos aqueles em que a Administração se limita a certifi- niência (discricionariedade administrativa), tornou-se inoportuno
car ou a atestar um fato, ou emitir uma opinião sobre determinado ou inconveniente a sua manutenção.

Didatismo e Conhecimento 7
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Importante esclarecer que a medida de revogação de ato ad- de seus agentes públicos, ou seja, são simples conjuntos de com-
ministrativo é ato exclusivo e privativo da Administração Pública petência, sem personalidade jurídica própria, resultados de uma
que praticou o ato revogado. Assim, o Poder Judiciário em hipó- técnica de organização administrativa conhecida como “descon-
tese alguma poderá revogar um ato administrativo editado pelo centração”
Poder Executivo ou Poder Legislativo. Tal imposição decorre do Os órgãos públicos formam a estrutura do Estado, mas não
Princípio da Autotutela do Estado em revogar seus próprios atos, têm personalidade jurídica, uma vez que são apenas parte de uma
de acordo com sua vontade. estrutura maior, essa sim detentora de personalidade.
O ato revogatório não retroage para atingir efeitos passados Como parte da estrutura superior, o órgão público não tem
do ato revogado, apenas impedindo que este continue a surtir efei- vontade própria, limitando-se a cumprir suas finalidades dentro da
tos, assim, temos que a revogação do ato administrativo opera com competência funcional que lhes foi determinada decorrente da or-
o efeito “ex nunc”, ou seja, os efeitos da revogação não retroagem, ganização estatal.
passando a gerar seus regulares efeitos a partir do ato revogatório.
Classificação dos Órgãos Públicos:
Anulação: Quanto à posição estatal:
Anulação ocorre quando um ato administrativo estiver eivado - Órgãos independentes- São os definidos na Constituição
de vícios, relativos a legalidade ou legitimidade. Pode a Adminis- e representativos dos Poderes do Estado. Não possuem qualquer
tração anulá-lo de ofício ou por provocação de terceiro, ou então subordinação hierárquica e somente são controlados uns pelos ou-
pode o judiciário anulá-lo também, entretanto não pode agir de tros. Ex.: Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Fe-
oficio, deve aguardar provocação. deral, Chefias do Executivo, Tribunais e Juízes, Ministério Público
Seu controle de legitimidade ou legalidade deverá ocorrer em e Tribunais de Contas.
sua forma, nunca em relação ao mérito do ato administrativo. - Órgãos autônomos - São os subordinados diretamente à
Um vício de legalidade ou legitimidade pode ser sanável ou cúpula da Administração. Têm ampla autonomia administrativa,
insanável. Assim, quando se verificar que trata-se de um vício in- financeira e técnica, caracterizando-se como órgãos diretivos, com
sanável, a anulação do ato deve ser obrigatória, entretanto, quando funções de planejamento, supervisão, coordenação e controle das
se tratar de um vício sanável, o ato poder ser anulado ou convali- atividades que constituem sua área de competência. Seus dirigen-
dado, de acordo com a discricionariedade imposta à Administração tes são, em geral, agentes políticos nomeados em comissão. São os
Ministérios e Secretarias, bem como a AGU (Advocacia-Geral da
Pública, que irá efetuar um juízo de oportunidade e conveniência
União) e as Procuradorias dos Estados e Municípios.
da manutenção dos efeitos do ato administrativo.
- Órgãos superiores - Detêm poder de direção, controle, deci-
A anulação age retroativamente, ou seja, todos os efeitos pro-
são e comando dos assuntos de sua competência específica. Repre-
vocados pelo ato anulado também são nulos, daí surge o denomi-
sentam as primeiras divisões dos órgãos independentes e autôno-
nado efeito “ex tunc”, que significa dizer justamente que, com a
mos. Ex.: Gabinetes, Coordenadorias, Departamentos, Divisões,
anulação, os efeitos do ato retroage desde a sua origem.
etc.
- Órgãos subalternos - São os que se destinam à execução dos
Cassação: trabalhos de rotina, cumprindo ordens superiores. Ex.: portarias,
É a extinção do ato administrativo quando o seu beneficiário seções de expediente, etc.
não cumpri fielmente os requisitos que deveria permanecer cum- Quanto à estrutura:
prindo, como forma de exigência para a manutenção do ato e de - Órgãos Simples: são também conhecidos por unitários, ou
seus regulares efeitos jurídicos. unos, são aqueles que possuem apenas um centro único de compe-
A Cassação pode ser também entendida como forma de san- tência, sua característica fundamental é a ausência de outro órgão
ção para o particular que não cumpriu as exigências pré estabeleci- em sua estrutura, para auxiliá-lo no desempenho de suas funções
das para a manutenção de um determinado ato. - Órgãos Compostos: São queles os quais detém estruturas
compostas por outros órgãos menores, seja com desempenho de
função principal seja de auxilio nas atividades, as funções são dis-
4. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. tribuídas em vários centros de competência, sob a supervisão do
órgão de chefia, respeitadas as ordens hierárquicas.
4.1 ÓRGÃOS PÚBLICOS: CONCEITO E
- Órgãos Federais: São os órgãos ligados a administração
CLASSIFICAÇÃO. 4.2 ENTIDADES ADMI-
pública central localizada na esfera federal, a Caixa Econômica
NISTRATIVAS: CONCEITO E ESPÉCIES.
Federal (CEF) é uma das empresas.
Quanto à atuação funcional:
- Órgãos Singulares: são aqueles que decidem e atuam por
meio de um único agente, o superior hierárquico. Os órgãos singu-
Órgãos Públicos: lares possuem vários agentes auxiliares, mas sua característica de
É uma unidade estatal com atribuição específica dentro da singularidade é expressa pelo desenvolvimento de sua função por
organização do Estado. É composto por agentes públicos que di- um único agente, em geral o titular.
rigem e compõem o órgão, voltado para o cumprimento de uma - Órgãos Coletivos: são aqueles que decidem pela manifesta-
atividade a ser desenvolvida pelo Estado. ção de vários membros, de forma conjunta e por maioria de votos,
Em outras palavras, os órgãos públicos são unidades integran- sem a prevalência da vontade de um chefe previamente determi-
tes da estrutura administrativa de uma mesma pessoa jurídica nas nado. A vontade da maioria é imposta de forma legal, regimental
quais são agrupadas as competências a serem exercidas por meio ou estatutária.

Didatismo e Conhecimento 8
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Teoria do Órgão: É ainda importante destacar que as autarquias possuem bens
Pela Teoria do Órgão, amplamente adotada por nossa doutrina e receita próprios, assim, não se confundem com bens de proprie-
e jurisprudência administrativa, presume-se que a pessoa jurídica dade da Administração direta à qual estão vinculadas. Igualmente,
de direito público manifesta suas vontades por meio dos seus ór- são responsáveis por seus próprios atos, não envolvendo a Admi-
gãos, que são partes integrantes da própria estrutura da Adminis- nistração central, exceto no exercício da responsabilidade subsi-
tração Pública ou centros de competências criados para expressar a diária.
vontade do Estado, de tal modo que, quando os agentes que atuam
nestes órgãos manifestam sua vontade, considera-se que esta foi Empresa Pública:
manifestada pelo próprio Estado. Trata-se da entidade dotada de personalidade jurídica de direi-
A Teoria do Órgão é muito utilizada para justificas a validade to privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União,
dos atos praticados por agentes públicas, quando atuam no exercí- criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Go-
cio regular de suas atribuições, pois considera-se que o ato pratica- verno seja levado a exercer por forca de contingência ou de conve-
do pelo agente público é ato emanado do órgão ao qual atua e está niência administrativa podendo revestir-se de qualquer das formas
vinculado, assim, é considerado como ato administrativo. admitidas em direito.
Deve-se esclarecer que não é qualquer ato que será imputa- Sendo considerada como pessoa jurídica de direito privado,
do à Administração Pública. É necessário que o ato revista-se, ao cuja administração fica sob responsabilidade exclusivamente pelo
menos, de aparência de ato jurídico público legítimo e seja pra- Poder Público, instituído por um ente estatal, com a finalidade de-
ticado por alguém que se deva presumir ser um agente público finida em lei específica e sendo de propriedade única do Estado.
devidamente investido no cargo. Fora desses casos, o ato não será A finalidade pode ser de atividade econômica ou de presta-
considerado ato do Estado. ção de serviços públicos. Trata-se de pessoa jurídica que tem sua
Assim, para que possa haver a imputação, a pessoa que pratica criação autorizada por lei, como instrumento de ação do Estado,
o ato administrativo deve fazê-lo em uma situação tal que leve o dotada de personalidade de direito privado mas submetida a certas
administrado a presumir regular sua atuação. regras decorrente da finalidade pública, constituídas sob qualquer
das formas admitidas em direito, cujo capital seja formado por ca-
Entidades Administrativas pital formado unicamente e exclusivamente por recursos públicos
- Administração Direta de pessoa de administração direta ou indireta. Pode ser Federal,
municipal ou estadual.
É o conjunto de órgãos que integram as pessoas políticas do
Estado (União, estados, municípios e Distrito Federal), aos quais
Sociedade de Economia Mista
foi atribuída competência para o exercício, de maneira centraliza-
É a entidade dotada de personalidade jurídica de direito priva-
da, de atividades administrativas, é composta por órgãos ligados
do, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a
diretamente ao poder central, seja na esfera federal, estadual ou
forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto per-
municipal.
tençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração
Indireta.
- Administração Indireta Trata-se de uma sociedade na qual há colaboração entre o Es-
É o conjunto de pessoas jurídicas – desprovidas de autonomia tado e particulares ambos reunindo e unificando recursos para a
política – que, vinculadas à Administração Direta, têm a compe- realização de uma finalidade, sempre de objetivo econômico. A
tência para o exercício, de maneira descentralizada, de atividades sociedade de economia mista é uma pessoa jurídica de direito pri-
administrativas. São composta por entidades com personalidade vado e não se beneficia de isenções fiscais ou de foro privilegiado.
jurídica própria, que foram criadas para realizar atividades de O Estado poderá ter uma participação majoritária ou minoritária;
Governo de forma descentralizada. São exemplos as Autarquias, entretanto, mais da metade das ações com direito a voto devem
Fundações, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. pertencer ao Estado. A sociedade de economia mista é do gênero
de sociedade anonima, e seus funcionários são regidos pela Con-
Autarquias: solidação das Leis Trabalhistas – CLT.
É o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurí-
dica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas Fundação Pública:
da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcio- É a entidade dotada de personalidade jurídica de direito pri-
namento, gestão administrativa e financeira descentralizada. vado, sem fins lucrativos, criada em virtude de autorização legis-
Trata-se de pessoa jurídica de direito público, o que significa lativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam exe-
dizer que tem praticamente as mesmas prerrogativas e sujeições da cução por órgãos ou entidades de direito público, com autonomia
administração direta. O seu regime jurídico pouco se diferencia do administrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos órgãos
estabelecido para os órgãos da Administração Direta, aparecendo, de direção, e funcionamento custeado por recursos da União e de
perante terceiros, como a própria Administração Pública. Difere da outras fontes.
União, Estados e Municípios (pessoas públicas políticas) por não As fundações públicas são organizações dotadas de persona-
ter capacidade política, ou seja, o poder de criar o próprio direito, lidade jurídica de direito público ou de direito privado, sem fins
é pessoa pública administrativa, porque tem apenas o poder de au- lucrativos, criadas para um fim específico de interesse coletivo,
toadministração, nos limites estabelecidos em lei. como educação, cultura e pesquisa, sempre merecedoras de um
Desta forma, temos que a autarquia é um tipo de administra- amparo legal. As fundações públicas são autônomas administra-
ção indireta e está diretamente relacionada à administração central, tivamente, patrimônio próprio, e funcionamento custeado, princi-
visto que não pode legislar em relação a si, mas deve obedecer à palmente, por recursos do poder público, mesmo que sob a forma
legislação da administração à qual está subordinada. de prestação de serviços.

Didatismo e Conhecimento 9
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
- Agentes Honoríficos: são os indivíduos requisitados ou
AGENTES PÚBLICOS: ESPÉCIES. designados para colaborarem com o Poder Público (de maneira
transitória) para a prestação de serviços específicos, levado em
consideração sua condição cívica, de sua honorabilidade ou en-
tão pela sua notória capacidade profissional. Via de regra não são
remunerados e não possuem qualquer vinculo profissional com a
Conceito: Administração Pública. Ex: jurados, mesários eleitorais, etc.
Considera-se “Agente Público” ou toda pessoa física que
exerça, mesmo que de maneira temporária e transitória, com ou - Agentes Delegados: são os particulares que recebem a atri-
sem remuneração, mediante eleição, nomeação, designação, con- buição de exercerem determinada atividade, obra ou serviço pú-
tratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, man- blico, fazendo-o em nome próprio e por sua conta em risco, sob a
dato, cargo, emprego ou função pública. fiscalização permanente do poder delegante. Ressalta-se que não
Conforme se pode observar do conceito de Agente Público, possuem caráter de servidores públicos, nem mesmo atuam em
seu sentido é amplo, englobando todas as pessoas físicas que, de nome da administração pública, são colaboradores que se sujei-
qualquer modo e a qualquer título, exercem uma função pública, tam, durante a prestação dos serviços públicos a responsabilidade
mediante remuneração ou gratuita, permanente ou temporária, po- civil objetiva. Ex: concessionárias e permissionárias de serviços
lítica ou administrativa, atuando em nome do Estado. públicos, leiloeiros, tradutores públicos etc.
Assim, temos que o Agente Público é a pessoa natural me-
diante o qual a Administração Pública se manifesta e atua, são
competentes para exteriorizar as vontades do Estado, em razão de 5. REGIME JURÍDICO DO MILITAR ES-
vínculos jurídicos existentes entre o Poder Público e o individuo TADUAL: ESTATUTO DOS POLICIAIS
que está exercendo função pública.
MILITARES DO ESTADO DA BAHIA (LEI
Espécies:
ESTADUAL NO 7.990, DE 27 DE
A doutrina identifica e classifica em categorias os integrantes
DEZEMBRO DE 2001).
do gênero ‘Agente Público’, as seguintes espécies:
- Agentes Políticos: são os integrantes dos mais altos graus do
Poder Público, aos quais incumbe a elaboração das diretrizes de
Dispõe sobre o Estatuto dos Policiais Militares do Estado
atuação do governo, e das funções de direção, orientação e fiscali-
zação geral da atuação da Administração Pública. da Bahia e dá outras providências.
São Agentes Políticos: os chefes do Poder Executivo, em suas
diferentes esferas (Presidente da República, governadores e prefei- O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber
tos), seus auxiliares imediatos (Ministros e secretários estaduais ou que a Assembleia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
municipais), bem como os membros do Poder Legislativo (senado-
res, deputados e vereadores); TÍTULO I –
GENERALIDADES
- Agentes Públicos: são todos aqueles que exercem atividade CAPÍTULO I –
pública com natureza profissional e de forma remunerada, subme- DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
tidos ao poder hierárquico funcional e ao regime jurídico estabele-
cido pelo ente federado ao qual esta vinculado. Art. 1º - Este Estatuto regula o ingresso, as situações institu-
Serão ocupantes de cargos públicos, empregos públicos e fun- cionais, as obrigações, os deveres, direitos, garantias e prerrogati-
ções públicas atuantes na Administração Direta ou Indireta, que vas dos integrantes da Polícia Militar do Estado da Bahia.
assim classificam-se:
Art. 2º - Os integrantes da Polícia Militar do Estado da Bahia
- Servidores Públicos: são os agentes administrativos subme- constituem a categoria especial de servidores públicos militares
tidos ao regime jurídico de caráter estatutário, titulares de cargos estaduais denominados policiais militares, cuja carreira é integra-
públicos de provimento efetivo e de provimento em comissão; da por cargos técnicos estruturados hierarquicamente.

- Empregados Públicos: são os ocupantes de empregos pú- Art. 3º - A hierarquia e a disciplina são a base institucional da
blicos, submetidos ao regime jurídico contratual regido pela Con- Polícia Militar.
solidação das Lei Trabalhistas (celetistas), tendo sua contratação § 1º - A hierarquia policial militar é a organização em carreira
devidamente formalizada mediante ‘contrato de trabalho’. da autoridade em níveis diferentes, dentro da estrutura da Polícia
Militar, consubstanciada no espírito de acatamento à sequência de
- Agentes Temporários: são aqueles indivíduos contratados autoridade.
pelo Poder Público para atuar por tempo determinado visando o § 2º - Disciplina é a rigorosa observância e o acatamento inte-
atendimento das necessidades temporárias e excepcionais de in- gral das leis, regulamentos, normas e disposições que fundamen-
teresse público, tendo sua contratação devidamente formalizada tam o organismo policial militar e coordenam seu funcionamento
mediante ‘contrato de direito público’. Assim, não são agentes pú- regular e harmônico, traduzindo-se pelo perfeito cumprimento do
blicos celetistas, nem mesmo estatutários propriamente ditos, mas dever por parte de todos e de cada um dos componentes desse or-
estão vinculados a Administração Pública por regime funcional ganismo.
específico de direito público.

Didatismo e Conhecimento 10
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 3º - A disciplina e o respeito à hierarquia devem ser ob- Parágrafo único - Ao ser promovido ou nomeado ao primei-
servados e mantidos em todas as circunstâncias da vida, entre os ro posto, o Oficial prestará compromisso, em solenidade
policiais militares. especial, nos seguintes termos: “Perante as Bandeiras do
Brasil e da Bahia, pela minha honra, prometo cumprir os
Art. 4º - A situação jurídica dos policiais militares é definida deveres de Oficial da Polícia Militar do Estado da Bahia e
pelos dispositivos constitucionais que lhe forem aplicáveis, por dedicar-me inteiramente ao seu serviço”.
este Estatuto e por legislação específica e peculiar que lhes outor-
guem direitos e prerrogativas e lhes imponham deveres e obriga- CAPÍTULO III -
ções. DA HIERARQUIA POLICIAL MILITAR
SEÇÃO I -
CAPÍTULO II - DA ESCALA HIERÁRQUICA
DO INGRESSO NA POLÍCIA MILITAR
SEÇÃO I - Art. 9º - Os postos e graduações da escala hierárquica são os
DOS REQUISITOS E CONDIÇÕES PARA O INGRESSO seguintes:
I - Oficiais:
Art. 5º - São requisitos e condições para o ingresso na Polícia a) Coronel PM;
Militar: b) Tenente Coronel PM;
I - ser brasileiro nato ou naturalizado; c) Major PM;
II - ter o mínimo de dezoito e o máximo de trinta anos de d) Capitão PM;
idade; e) 1º Tenente PM.
III - estar em dia com o Serviço Militar Obrigatório; II - Praças Especiais:
IV - ser eleitor e achar-se em gozo dos seus direitos políticos; a) Aspirante-a-Oficial PM;
V - possuir idoneidade moral, comprovada por meio de folha b) Aluno-a-Oficial PM;
corrida policial militar e judicial, na forma prevista em edital; c) Aluno do Curso de Formação de Sargentos PM;
VI - aptidão física e mental, comprovada mediante exames d) Aluno do Curso de Formação de Cabos PM;
médicos, testes físicos e exames psicológicos, na forma prevista e) Aluno do Curso de Formação de Soldados PM.
em edital;
VII - possuir estatura mínima de 1,60 m para candidatos do Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
sexo masculino e 1,55 m para as candidatas do sexo feminino; de 2009. 
VIII - possuir a escolaridade ou formação profissional exigida Redação original: “II - Praças Especiais: a) Aspirante a Ofi-
ao acompanhamento do curso de formação a que se candidata, na cial PM; b) Aluno a Oficial PM; c) Aluno do Curso de Formação
forma prevista em edital. de Sargentos PM; d) Aluno do Curso de Formação de Soldados
IX - possuir Carteira Nacional de Habilitação válida, catego- PM.”
ria B.
III - Praças:
Inciso IX acrescido pelo art. 6 da Lei nº 11.356, de 06 de ja-
a) Subtenente PM;
neiro de 2009.
b) 1º Sargento PM;
c) Cabo PM;
Art. 6º - O ingresso na Polícia Militar é assegurado aos apro-
d) Soldado 1ª Classe PM.
vados em concurso público de provas ou de provas e títulos, me-
Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
diante matrícula em curso profissionalizante, observadas as con-
dições prescritas nesta Lei, nos Regulamentos e nos respectivos de 2009. 
editais de concurso da Instituição. Redação original: “III - Praças: a) Sargento PM; b) Soldado
PM 1ª Classe.”
SEÇÃO II -
DO COMPROMISSO POLICIAL MILITAR Art. 10 - Posto é o grau hierárquico do Oficial, conferido por
ato do Governador do Estado e registrado em Carta Patente; Gra-
Art. 7º - Todo cidadão, após ingressar na Polícia Militar, pres- duação é o grau hierárquico do Praça conferido pelo Comandante
tará compromisso de honra, no qual afirmará a sua aceitação cons- Geral da Polícia Militar.
ciente das obrigações e dos deveres policiais militares e manifesta- § 1º - A todos os postos e graduações de que trata este artigo
rá a sua firme disposição de bem cumpri-los. será acrescida a designação «PM».
§ 2º - Quando se tratar de policial militar dos Quadros Com-
Art. 8º - O compromisso a que se refere o artigo anterior terá plementar e Auxiliar, o posto será seguido da designação policial
caráter solene e será prestado pelo policial militar na presença da militar e da abreviatura da especialidade.
tropa, no ato de sua investidura, conforme os seguintes dizeres: § 3º - Sempre que o policial militar da reserva remunerada ou
“Ao ingressar na Polícia Militar do Estado da Bahia, prometo re- reformado fizer uso do posto ou graduação, deverá fazê-lo com as
gular a minha conduta pelos preceitos da moral, cumprir rigorosa- abreviaturas indicadoras de sua situação.
mente as ordens legais das autoridades a que estiver subordinado e
dedicar-me inteiramente ao serviço policial militar, à manutenção
da ordem pública e à segurança da sociedade mesmo com o risco
da própria vida”.

Didatismo e Conhecimento 11
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
SEÇÃO II – § 2º - São competentes para dar posse o Governador do Estado
DA PRECEDÊNCIA e o Comandante Geral da Polícia Militar.

Art. 11 - A precedência entre policiais militares da ativa, do Art. 14 - A reversão é o ato pelo qual o Policial Militar retorna
mesmo grau hierárquico, é assegurada pela antiguidade no posto ao serviço ativo e ocorrerá nas seguintes hipóteses:
ou graduação e pelo Quadro, salvo nos casos de precedência fun- I - quando cessar o motivo que determinou a sua agregação,
cional estabelecida em Lei. devendo retornar à escala hierárquica, ocupando o lugar que lhe
§ 1º - A antiguidade em cada posto ou graduação é contada competir na respectiva escala numérica, na primeira vaga que
a partir da data da assinatura do ato da respectiva promoção ou ocorrer;
nomeação, salvo quando for fixada outra data. II - quando cessar o período de exercício de mandato eletivo,
§ 2º - No caso do parágrafo anterior, havendo igualdade, a devendo retornar ao mesmo grau hierárquico ocupado e mesmo
antiguidade será estabelecida: lugar que lhe competir na escala numérica no momento de sua
a) entre policiais militares do mesmo Quadro, pela posição, transferência para a reserva remunerada.
nas respectivas escalas numéricas ou registros existentes na Ins- § 1º - O Policial Militar revertido nos termos do inciso II,
tituição; deste artigo, que for promovido, passará a ocupar o mesmo lugar
b) nos demais casos, pela antiguidade no posto ou graduação na escala numérica, observado o novo grau hierárquico, sendo tal
anterior se, ainda assim, subsistir a igualdade, recorrer-se-á, suces- previsão aplicada, tão somente, à primeira promoção ocorrida após
sivamente, aos graus hierárquicos anteriores, à data de praça e à a reversão.
data de nascimento para definir a precedência, sendo considerados § 2º - A competência para a reversão será:
mais antigos, respectivamente, os de data de praça mais antiga e I - da mesma autoridade que efetuou a agregação, nos termos
de maior idade; do art. 26, desta Lei;
c) entre os alunos de um mesmo órgão de formação de poli- II - da autoridade competente para efetuar a transferência do
ciais militares, de acordo com o regulamento do respectivo órgão, Policial Militar para a reserva remunerada, nos termos da legisla-
se não estiverem especificamente enquadrados nas alíneas “a” e ção vigente.
“b” deste parágrafo. § 3º - Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, o retorno
§ 3º - Nos casos de nomeação coletiva por conclusão de cur- ao serviço ativo deverá ocorrer no primeiro dia útil imediatamente
so e promoção ao primeiro posto ou graduação, prevalecerá, para subsequente ao término do mandato eletivo.
efeito de antiguidade, a ordem de classificação obtida no curso. § 4º - Não poderá haver interrupção entre o momento da trans-
§ 4º - Em igualdade de posto ou graduação, os policiais milita- ferência do Policial Militar para a inatividade, em razão do exercí-
res da ativa têm precedência sobre os da inatividade. cio de mandato eletivo, e o seu posterior retorno à Corporação, em
§ 5º - Em igualdade de posto ou graduação, a precedência en- face do disposto no inciso II deste artigo.
tre os policiais militares de carreira na ativa e os convocados é de- § 5º - O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos Poli-
finida pelo tempo de efetivo serviço no posto ou graduação destes. ciais Militares que tenham exercido ou que se encontrem no exer-
§ 6º - Em igualdade de posto, os Oficiais do Quadro de Segu- cício de mandato eletivo estadual no momento da edição desta Lei,
rança terão precedência sobre os Oficiais do Quadro de Oficiais vedado o pagamento, em caráter retroativo, de diferenças remu-
Auxiliares da Polícia Militar e estes terão precedência sobre os neratórias de qualquer natureza em decorrência da aplicação do
Oficiais do Quadro Complementar de Oficiais Policiais Militares. disposto neste parágrafo.
§ 7º - A precedência entre os Praças Especiais e aos demais é § 6º - Para fins de reversão, prevista no inciso II deste artigo, é
assim regulada: obrigatório que o Policial Militar não tenha atingido a idade limite
a) o Aspirante Oficial é hierarquicamente superior aos praças; de 60 (sessenta) anos.
b) o Aluno Oficial é hierarquicamente superior aos Subtenentes; Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de
c) o Aluno do Curso de Formação de Sargentos é hierarquica- junho de 2010.
mente superior ao Cabo. Redação original: “Art. 14 - A reversão é o ato pelo
qual o policial militar agregado retorna à escala hierár-
TÍTULO II -
CAPÍTULO I quica, tão logo cesse o motivo que determinou a sua
DAS FORMAS DE PROVIMENTO agregação, ocupando lugar que lhe competir na respectiva
escala numérica, na primeira vaga que ocorrer. Parágrafo único - A
Art. 12 - São formas de provimento do cargo de policial mi- competência para a reversão é da mesma autoridade que efetuou a
litar: agregação, nos termos do art. 26 desta Lei.”
I - nomeação; Art. 15 - A reintegração é o retorno do policial militar demiti-
II - reversão; do ao cargo anteriormente ocupado ou o resultante de sua transfor-
III - reintegração. mação, quando invalidado o ato de afastamento pela via judicial,
por sentença transitada em julgado, ou pela via administrativa, nos
Art. 13 - A nomeação far-se-á em caráter permanente, quando termos do art. 91 desta Lei.
se tratar de provimento em cargo da carreira ou em caráter tempo-
rário, para cargos de livre nomeação e exoneração.
§ 1º - A investidura nos cargos dar-se-á com a posse e o efetivo
exercício com o desempenho das atribuições inerentes aos cargos.

Didatismo e Conhecimento 12
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
CAPÍTULO II - VI - os Alunos do Curso de Formação de Soldados.
DAS SITUAÇÕES INSTITUCIONAIS DA POLÍCIA MILITAR § 1º - Equiparam-se aos Alunos do Curso de Formação de
Oficiais do Quadro de Oficiais Policiais Militares, os Alunos do
Art. 16 - O policiais militares encontram-se organizados em Curso de Formação de Oficiais do Quadro de Oficiais Bombeiros
carreira, em uma das seguintes situações institucionais: Militares realizados na Polícia Militar da Bahia ou em outras Ins-
I - na ativa: tituições militares.
a) os de carreira; § 2º - Durante o período de realização do curso profissiona-
b) os convocados; lizante, os alunos oficiais receberão, a título de bolsa de estudo, o
c) os praças especiais. equivalente a 30% (trinta por cento) os do 1º ano, 35% (trinta e
d) os agregados; cinco por cento) os do 2º ano e 40% (quarenta por cento) os do 3º
e) os excedentes; ano, da remuneração do posto de 1º Tenente.
f) os ausentes e desertores; Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de
g) os desaparecidos e extraviados. junho de 2010. 
II - na inatividade: Redação original: “§ 2º - Durante o período de realização
do curso profissionalizante, o Aluno Oficial receberá, a título de
a) os da reserva remunerada;
bolsa de estudo, o equivalente a 30% (trinta por cento) da remu-
b) os reformados.
neração do posto de Tenente e o Aluno a Soldado o equivalente
III - os da reserva não remunerada.
a um salário mínimo.”
§ 3º - Na hipótese de ser policial militar de carreira, o Aluno
Art. 17 - O policial militar de carreira é aquele que se encontra
poderá optar pela percepção da bolsa de estudo de que trata o pa-
no desempenho do serviço policial militar a partir da conclusão
rágrafo anterior ou pela remuneração do seu posto ou graduação,
com aproveitamento, do respectivo curso de formação.
acrescida das vantagens pessoais.
Art. 18 - O policial militar da reserva remunerada, por conve- Art. 21 - A agregação é a situação na qual o policial militar da
niência da Administração, em caráter transitório e mediante aceita- ativa deixa de ocupar vaga na escala hierárquica de seu Quadro,
ção voluntária, poderá ser convocado para o serviço ativo, por ato nela permanecendo sem número.
do Governador do Estado.
§ 1º - O Policial Militar convocado nos termos deste artigo Art. 22 - O policial militar será agregado e considerado, para
terá os direitos e deveres dos da ativa de igual situação hierárquica, todos os efeitos legais, como em serviço ativo, quando:
exceto quanto à promoção, a qual não concorrerá, fazendo jus ao I - nomeado para cargo policial militar ou considerado de na-
respectivo acréscimo no seu tempo de serviço e a uma indenização tureza policial militar, estabelecido em Lei, não previsto no Qua-
no valor de 50% (cinquenta por cento) dos seus proventos, en- dro de Organização da Polícia Militar;
quanto perdurar a convocação. II - estiver aguardando sua transferência, a pedido ou “ex offi-
Redação de acordo com o art. 2º da Lei nº 10.957, de 02 de cio”, para a reserva remunerada, por ter sido enquadrado em quais-
janeiro de 2008. quer dos requisitos que a motivarem.
Redação original: “§ 1º - O policial militar convocado nos § 1º - A agregação do policial militar, no caso do inciso I, é
termos deste artigo terá os direitos e deveres dos da ativa de igual contada a partir da data de posse no novo cargo até o regresso à
situação hierárquica, exceto quanto à promoção, a que não con- Polícia Militar ou à transferência «ex officio” para a reserva remu-
correrá, fazendo jus ao respectivo acréscimo no seu tempo de nerada.
serviço e a uma indenização no valor de 30% (trinta por cento) § 2º - A agregação do policial militar, no caso do inciso II
dos seus proventos, enquanto perdurar a convocação.” deste artigo, é contada a partir da data indicada no ato que a torna
§ 2º - A convocação de que trata este artigo terá a duração pública.
necessária ao cumprimento da atividade ou missão que lhe deu ori-
gem e deverá ser precedida de inspeção de saúde, vedado o exercí- Art. 23 - O policial militar será agregado quando for afastado,
cio de cargo ou função de comando, direção e chefia. temporariamente, do serviço ativo por motivo de:
§ 3º - Não implicará em convocação a nomeação para cargo I - ter sido julgado incapacitado, temporariamente, para o ser-
em comissão. viço policial militar e submetido a gozo de licença para tratamento
de saúde própria, a pedido ou ex officio, ou por motivo de acidente;
Art. 19 - Os Praças Especiais são os Aspirantes a Oficial, Alu- II - ter ultrapassado doze meses em licença para tratamento
nos dos diversos cursos de formação. de saúde própria;
III - ter entrado em gozo de licença para tratar de interesse
Art. 20 - Integram a categoria dos Praças Especiais: particular ou para acompanhar cônjuge ou companheiro;
I - os Aspirantes a Oficial; IV - ter ultrapassado seis meses contínuos em gozo de licença
II - os Alunos do Curso de Formação de Oficiais do Quadro de para tratar de saúde de pessoa da família;
Oficiais Policiais Militares; V - ter sido julgado incapaz definitivamente, enquanto tramita
III - os Alunos do Curso de Formação de Oficiais do Quadro o processo de reforma;
Complementar; VI - ter sido considerado oficialmente extraviado;
IV - os Alunos do Curso de Formação Oficiais Auxiliares; VII - ter-se esgotado o prazo que caracteriza o crime de de-
V - os Alunos do Curso de Formação de Sargentos; serção previsto no Código Penal Militar, se oficial ou praça com
estabilidade assegurada;

Didatismo e Conhecimento 13
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
VIII - ter, como desertor, se apresentado voluntariamente, ou I - tendo cessado o motivo que determinou sua agregação, seja
ter sido capturado e reincluído a fim de se ver processar; revertido ao respectivo Quadro, estando o mesmo com seu efetivo
IX - se ver processar administrativamente ou através de pro- completo;
cesso judicial, após ficar exclusivamente à disposição da Justiça; II - seja promovido por bravura, sem haver vaga;
X - ter sido condenado a pena restritiva de liberdade superior III - sendo o mais moderno da respectiva escala hierárquica,
a seis meses, por sentença transitada em julgado, enquanto durar ultrapasse o efetivo de seu Quadro, em virtude da promoção de
a execução, incluído o período de sua suspensão condicional, se outro policial militar em ressarcimento de preterição;
concedida esta, ou até ser declarado indigno de pertencer à Polícia IV - tendo cessado o motivo que determinou sua reforma por
Militar ou com ela incompatível; incapacidade, retorne ao respectivo Quadro, estando este com seu
XI - ter sido condenado à pena de suspensão do exercício do efetivo completo.
posto, graduação, cargo ou função prevista no Código Penal Mili- § 1º - O policial militar, cuja situação é de excedente, ocupará
tar ou em outros diplomas legais, penais ou extra-penais; a mesma posição relativa, em antiguidade, que lhe cabe na escala
XII - ter passado à disposição de órgão ou entidade da União, hierárquica e receberá o número que lhe competir, em consequên-
de outros Estados, do Estado ou do Município, para exercer cargo cia da primeira vaga que se verificar.
ou função de natureza civil; § 2º - O policial militar, na situação de excedente, é conside-
XIII - ter sido nomeado para qualquer cargo, emprego ou fun- rado para todos os efeitos como em efetivo serviço e a ele se apli-
ção público civil temporário, não eletivo, inclusive da administra- cam, respeitados os requisitos legais, em igualdade de condições e
ção indireta; sem nenhuma restrição, as normas para indicação para cargo poli-
XIV - ter se candidatado a cargo eletivo, desde que conte dez cial militar, curso ou promoção.
ou mais anos de serviço; § 3º - O policial militar, excedente por haver sido promovido
XV - permanecer desaparecido por mais de trinta dias, na for- por bravura sem haver vaga, ocupará a primeira vaga aberta, des-
ma do art. 30 desta Lei. locando o critério de promoção a ser seguido para a vaga seguinte.
Parágrafo único - A agregação do policial militar é contada da
seguinte forma: Art. 28 - É considerado ausente o policial militar que, por
a) nos casos dos incisos I, II e IV, a partir do primeiro dia após mais de vinte e quatro horas consecutivas:
I - deixar de comparecer à sua organização policial militar
os respectivos prazos e enquanto durar o evento;
sem comunicar motivo de impedimento;
b) nos casos dos incisos III, V, VI VII, VIII, IX, X, XI e XV,
II - ausentar-se, sem licença, da organização policial militar
a partir da data indicada no ato que tornar público o respectivo
onde serve ou do local onde deva permanecer;
evento;
III - deixar de se apresentar no lugar designado, findo o prazo
c) nos casos dos incisos XII e XIII, a partir da data da posse no
de trânsito ou férias;
cargo até o regresso à Polícia Militar ou transferência “ex officio”
IV - deixar de se apresentar à autoridade competente após a
para a reserva; cassação ou término de licença ou agregação ou ainda no momento
d) no caso do inciso XIV, a partir da data do registro como em que é efetivada mobilização, declarado o estado de defesa, de
candidato até sua diplomação ou seu regresso à Polícia Militar, se sítio ou de guerra;
não houver sido eleito. V - deixar de se apresentar a autoridade competente, após o
término de cumprimento de pena.
Art. 24 - O policial militar agregado fica sujeito às obrigações § 1º - É também considerado ausente o policial militar que
disciplinares concernentes às suas relações com outros policiais deixar de se apresentar no momento da partida de comboio que
militares e autoridades civis, salvo quando titular de cargo que lhe deva integrar, por ocasião de deslocamento da unidade em que
dê precedência funcional sobre outros policiais militares ou mili- serve.
tares mais graduados ou antigos. § 2º - Decorrido o prazo mencionado neste artigo, serão ado-
tadas as providências cabíveis para a averiguação da ausência,
Art. 25 - O policial militar agregado ficará adido, para efeito observando-se os procedimentos disciplinares previstos neste Es-
de alterações e remuneração, ao órgão de pessoal da Instituição, tatuto e/ou criminais.
continuando a figurar no respectivo registro, sem número, no lugar
que até então ocupava. Art. 29 - O policial militar é considerado desertor nos casos
Parágrafo único - O policial militar agregado, quando no de- previstos na legislação penal militar.
sempenho de cargo policial militar, ou considerado de natureza
policial militar, concorrerá à promoção, por qualquer dos critérios, Art. 30 - É considerado desaparecido o policial militar na ati-
sem prejuízo do número de concorrentes regularmente estipulado. va, assim declarado por ato do Comandante Geral, quando no de-
sempenho de qualquer serviço, em viagem, em operação policial
Art. 26 - A agregação se faz: militar ou em caso de calamidade pública, tiver paradeiro ignorado
I - por ato do Governador do Estado ou da autoridade por ele por mais de oito dias.
delegada, quanto aos Oficiais; Parágrafo único - A situação de desaparecimento só será con-
II - por ato do Comandante Geral ou da autoridade por ele siderada quando não houver indício de deserção.
delegada, quanto aos praças.
Art. 31 - O policial militar que, na forma do artigo anterior,
Art. 27 - Excedente é a situação transitória a que, automatica- permanecer desaparecido por mais de trinta dias, será oficialmente
mente, passa o policial militar que: considerado extraviado e agregado na forma do art. 23, inciso XV.

Didatismo e Conhecimento 14
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 32 - O policial militar da reserva remunerada é aquele j) a tradição.
afastado do serviço que, nessa situação, perceba remuneração do II - do profissional:
Estado, ficando sujeito à ação disciplinar da Instituição e à presta- a) a eficiência e a eficácia;
ção de serviços na ativa, nos termos do art. 18 deste Estatuto. b) o espírito profissional;
c) a aparência pessoal;
Art. 33 - O policial militar reformado é o que está dispensado d) a auto-estima;
definitivamente da prestação do serviço ativo, percebendo remu- e) o profissionalismo;
neração pelo Estado e permanecendo sujeito ao controle discipli- f) a bravura;
nar da Instituição. g) a solidariedade;
h) a dedicação.
Art. 34 - O oficial militar da reserva não remunerada é aquele
ex-integrante do serviço ativo exonerado na forma do art. 186. Art. 38 - São manifestações essenciais dos valores policiais
Parágrafo único - O oficial da reserva não remunerada não militares:
está sujeito à ação disciplinar da Instituição nem a convocação. I - o sentimento de servir à sociedade, traduzido pela vontade
de cumprir o dever policial militar e pelo integral devotamento à
CAPÍTULO III - preservação da ordem pública e à garantia dos direitos fundamen-
DA ESTABILIDADE tais da pessoa humana;
II - o civismo e o respeito às tradições históricas;
Art. 35 - O policial militar, habilitado em concurso público III - a fé na elevada missão da Polícia Militar;
e nomeado para cargo de sua carreira, adquirirá estabilidade ao IV - o orgulho do policial militar pela Instituição;
completar três anos de efetivo exercício, desde que seja aprovado V - o amor à profissão policial militar e o entusiasmo com que
no estágio probatório, por ato homologado pela autoridade com- é exercida;
petente. VI - o aprimoramento técnico-profissional.

Art. 36 - O estágio probatório compreende um período de SEÇÃO II -


trinta e seis meses, durante o qual serão observadas a aptidão e DA ÉTICA POLICIAL MILITAR
capacidade para o desempenho do cargo, observados, entre outros,
os seguintes fatores: Art. 39 - O sentimento do dever, a dignidade policial militar
I - assiduidade; e o decoro da classe impõem a cada um dos integrantes da Polícia
II - disciplina; Militar conduta moral e profissional irrepreensíveis, tanto durante
III - observância das normas hierárquicas e ética militar; o serviço quanto fora dele, com observância dos seguintes precei-
IV - responsabilidade; tos da ética policial militar:
V - capacidade de adequação para cumprimento dos deveres I - amar a verdade e a responsabilidade como fundamento da
militares; dignidade pessoal;
VI - eficiência. II - exercer com autoridade, eficiência, eficácia, efetividade e
§ 1º - A autoridade competente terá o prazo improrrogável de probidade as funções que lhe couberem em decorrência do cargo;
trinta dias para a homologação do resultado do estágio probatório. III - respeitar a dignidade da pessoa humana;
§ 2º - O período em que o praça especial encontrar-se no curso IV - cumprir e fazer cumprir as Leis, os regulamentos, as ins-
de formação será computado para o estágio probatório de que trata truções e as ordens das autoridades competentes, à exceção das
este artigo. manifestamente ilegais;
V - ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na aprecia-
TÍTULO III - ção do mérito dos subordinados;
DA DEONTOLOGIA POLICIAL MILITAR VI - zelar pelo preparo moral, intelectual e físico próprio e dos
CAPÍTULO I - subordinados, tendo em vista o cumprimento da missão comum;
DAS OBRIGAÇÕES POLICIAIS MILITARES VII - praticar a solidariedade e desenvolver permanentemente
SEÇÃO I - o espírito de cooperação;
DOS VALORES POLICIAIS MILITARES VIII - ser discreto em suas atitudes e maneiras e polido em sua
linguagem falada e escrita;
Art. 37 - São valores institucionais: IX - abster-se de tratar de matéria sigilosa, de qualquer nature-
I - da organização: za, fora do âmbito apropriado;
a) a dignidade do homem; X - cumprir seus deveres de cidadão;
b) a disciplina; XI - manter conduta compatível com a moralidade adminis-
c) a hierarquia; trativa;
d) a credibilidade; XII - comportar-se educadamente em todas as situações;
e) a ética; XIII - conduzir-se de modo que não sejam prejudicados os
f) a efetividade; princípios da disciplina, do respeito e do decoro policial militar;
g) a solidariedade; XIV - abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para
h) a capacitação profissional; obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para encami-
i) a doutrina; nhar negócios particulares ou de terceiros;

Didatismo e Conhecimento 15
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
XV - abster-se, na inatividade, do uso das designações hierár- Parágrafo único - Aplica-se aos Comandantes de Operações
quicas quando: Policiais Militares e de Bombeiros Militares, Comandantes de Po-
a) em atividade político-partidária; liciamento Regional e Comandante de Policiamento Especializa-
b) em atividade comercial ou industrial; do, à Direção, à Coordenação, à Chefia de Organização Policial
c) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a res- Militar, no que couber o estabelecido para o comando.
peito de assuntos políticos ou policiais militares, excetuando-se os Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
de natureza exclusivamente técnica, se devidamente autorizado; de 2009. 
d) no exercício de funções de natureza não policiais militares, Redação original: “Parágrafo único - Aplica-se à direção,
mesmo oficiais. à coordenação e à chefia de organização policial militar, no que
XVI - zelar pelo bom conceito da Polícia Militar; couber, o estabelecido para o comando.”
XVII - zelar pela economia do material e a conservação do
patrimônio público. Art. 43 - A subordinação é o respeito ao princípio da hierar-
quia, em face do qual as ordens dos superiores, salvo as manifesta-
Art. 40 - Ao policial militar da ativa é vedado comerciar ou mente ilegais, devem ser plena e prontamente acatadas.
tomar parte na administração ou gerência de sociedade ou dela ser Parágrafo único - A subordinação não afeta, de modo algum, a
sócio ou participar, exceto como acionista ou quotista, em socieda- dignidade pessoal do policial militar e decorre, exclusivamente, da
de anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. estrutura hierarquizada da Polícia Militar.
Parágrafo único - No intuito de aperfeiçoar a prática profissio-
nal é permitido aos oficiais do Quadro Complementar de Oficiais Art. 44 - As funções de comando, de chefia, de coordenação e
Policiais Militares o exercício de sua atividade técnico-profissio- de direção de organização policial militar são privativas dos inte-
nal no meio civil, desde que compatível com as atribuições do seu grantes do Quadro de Oficiais Policiais Militares.
cargo e com o horário de trabalho, respeitadas as limitações cons- § 1º - Compete aos Oficiais Auxiliares do Quadro de Oficiais
titucionais. Auxiliares da Polícia Militar - QOAPM e do Quadro de Oficiais
Auxiliares Bombeiros Militares - QOABM o exercício de ativida-
TÍTULO IV - des operacionais e administrativas, excetuando-se o comando de
Unidades e Subunidades e o subcomando de Unidades.
DO REGIME DISCIPLINAR
Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de
CAPÍTULO I -
junho de 2010. 
DOS DEVERES POLICIAIS MILITARES
Redação original: “§ 1º - Os integrantes do Quadro de Ofi-
SEÇÃO I -
ciais Auxiliares da Polícia Militar exercerão funções auxiliares
CONCEITUAÇÃO
e complementares de Comando, de Chefia, de Coordenação e de
direção de organização policial militar.”
Art. 41 - Os deveres policiais militares emanam de um con-
§ 2º - Aos integrantes do Quadro Complementar de Oficiais
junto de vínculos morais e racionais, que ligam o policial militar à Policiais Militares cabe, ao longo da carreira, o exercício das fun-
pátria, à Instituição e à segurança da sociedade e do ser humano, e ções técnicas de suas respectivas especialidades.
compreendem, essencialmente:
I - a dedicação integral ao serviço policial militar e a fidelida- Art. 44-A - O Quadro de Oficiais Auxiliares da Polícia Militar
de à Instituição a que pertence; - QOAPM e o Quadro de Oficiais Auxiliares Bombeiros Milita-
II - o respeito aos Símbolos Nacionais; res - QOABM serão integrados por policiais militares oriundos do
III - a submissão aos princípios da legalidade, da probidade, círculo de praças, cujo acesso ocorrerá por promoção, preenchidos
da moralidade e da lealdade em todas as circunstâncias; os requisitos previstos neste Estatuto e em regulamento de con-
IV - a disciplina e o respeito à hierarquia; clusão e aprovação no respectivo Curso de Formação previsto em
V - o cumprimento das obrigações e ordens recebidas, salvo as regulamento.
manifestamente ilegais; § 1º - O maior grau hierárquico do Quadro de Oficiais Auxilia-
VI - o trato condigno e com urbanidade a todos; res da Polícia Militar - QOAPM e do Quadro de Oficiais Auxilia-
VII - o compromisso de atender com presteza ao público em res Bombeiros Militares - QOABM é o Posto de Major.
geral, prestando com solicitude as informações requeridas, ressal- § 2º - Somente poderão concorrer à promoção ao posto de Ma-
vadas as protegidas por sigilo; jor do QOAPM e do QOABM os Capitães que possuam graduação
VIII - a assiduidade e pontualidade ao serviço, inclusive quan- em curso de nível superior reconhecido pelo Ministério da Educa-
do convocado para cumprimento de atividades em horário extraor- ção, preenchidos os demais requisitos legais, inclusive conclusão
dinário. com aproveitamento do Curso de Especialização no Serviço Públi-
SEÇÃO II – co - CESP promovido pela Polícia Militar.
DO COMANDO E DA SUBORDINAÇÃO Art. 44-A acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de
junho de 2010.
Art. 42 - Comando é a soma de autoridade, deveres e res-
ponsabilidades de que o policial militar é investido legalmente, Art. 45 - Os graduados auxiliam e complementam as ativi-
quando conduz seres humanos ou dirige uma organização policial dades dos Oficiais no emprego de meios, na instrução e na admi-
militar, sendo vinculado ao grau hierárquico e constitui uma prer- nistração da Unidade, devendo ser empregados na supervisão da
rogativa impessoal, em cujo exercício o policial militar se define e execução das atividades inerentes à missão institucional da Polícia
se caracteriza como chefe. Militar.

Didatismo e Conhecimento 16
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Parágrafo único - No exercício das suas atividades profissio- Ver também: Decreto nº 9.201, de 25 de outubro de 2004,
nais e no comando de subordinados, os Subtenentes, 1º Sargentos e - Disciplina o procedimento sobre as consignações em folha de
Cabos deverão impor-se pela capacidade técnico-profissional, pelo pagamento dos servidores públicos dos órgãos da administração
exemplo e pela lealdade, incumbindo-lhes assegurar a observância direta, das autarquias e fundações do Poder Executivo Estadual de
minuciosa e ininterrupta das ordens, das regras de serviço e das que tratam os arts. 57 e 58, da Lei nº 6.677, de 26 de setembro de
normas operativas, pelos Praças que lhes estiverem diretamente 1994, art. 4º, da Lei nº 6.935, de 24 de janeiro de 1996, art. 50, §
subordinados, bem como a manutenção da coesão e do moral da 1º, “a”, da Lei nº 7.990, de 27 de dezembro de 2000, e dá outras
tropa, em todas as circunstâncias. providências.
Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro b) tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o po-
de 2009.  licial militar perante a Fazenda Pública, em ação regressiva, de
Redação original: “Parágrafo único - No exercício das suas iniciativa da Procuradoria Geral do Estado.
atividades profissionais e no comando de subordinados, os Sargen- § 2º - A responsabilidade penal abrange os crimes militares,
tos deverão impor-se pela capacidade técnico-profissional, pelo bem como os crimes de competência da Justiça comum e as con-
exemplo e pela lealdade, incumbindo-lhes assegurar a observância travenções imputados ao policial militar nessa qualidade.
minuciosa e ininterrupta das ordens, das regras de serviço e das § 3º - A responsabilidade administrativa resulta de ato omis-
normas operativas, pelos praças que lhes estiverem diretamente sivo ou comissivo, praticado no desempenho de cargo ou função
subordinadas, bem como a manutenção da coesão e do moral da capaz de configurar, à luz da legislação própria, transgressão dis-
tropa, em todas as circunstâncias.” ciplinar.
§ 4º - As responsabilidades civil, penal e administrativa pode-
Art. 46 - Os soldados poderão, excepcional e temporariamen- rão cumular-se, sendo independentes entre si.
te, exercer o comando de fração de tropa em locais e situações que § 5º - A responsabilidade administrativa do policial militar
assim o exijam. policial militar sujeita-se aos efeitos da elisão e da prescrição na
seguinte forma:
Art. 47 - Aos praças especiais, em curso de formação, cabe a a) será elidida no caso de absolvição criminal que negue a
rigorosa observância das prescrições dos regulamentos que lhes existência do fato ou de sua autoria;
são pertinentes, exigindo-se-lhes inteira dedicação ao estudo e ao b) prescreverá:
aprendizado técnico-profissional, ficando vedado o emprego em 1. em cinco anos, quanto às infrações puníveis com demissão;
atividade operacional ou administrativa, salvo em caráter de ins-
2. em três anos, quanto às infrações puníveis com sanções de
trução.
detenção;
3. em cento e oitenta dias, quanto às demais infrações.
CAPÍTULO II -
c) o prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato
DA VIOLAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES E DOS DEVERES
se tornou conhecido;
POLICIAIS MILITARES
d) sendo a falta tipificada penalmente, prescreverá juntamente
SEÇÃO I -
DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADES. com o crime;
e) a abertura de sindicância ou a instauração de processo dis-
Art. 48 - O policial militar em função de comando responde ciplinar interrompe a prescrição até a decisão final por autoridade
integralmente pelas decisões que tomar, pelas ordens que emitir, competente.
pelos atos que praticar, bem como pelas consequências que deles
advierem.
§ 1º - Cabe ao policial militar subordinado, ao receber uma SEÇÃO II -
ordem, solicitar os esclarecimentos necessários ao seu total enten- DAS TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES
dimento e compreensão.
§ 2º - Cabe ao executante que exorbitar no cumprimento de or- Art. 51 - São transgressões do policial militar:
dem recebida, a responsabilidade pessoal e integral pelos excessos I - não levar ao conhecimento da autoridade competente, no
e abusos que cometer. mais curto prazo, falta ou irregularidade que presenciar ou de que
tiver ciência e couber reprimir;
Art. 49 - A violação das obrigações ou dos deveres policiais II - deixar de punir o transgressor da disciplina;
militares poderá constituir crime ou transgressão disciplinar, se- III - retardar a execução de qualquer ordem, sem justificativa;
gundo disposto na legislação específica. IV - não cumprir ordem legal recebida;
V - simular doença para esquivar-se ao cumprimento de qual-
Art. 50 - O policial militar responde civil, penal e administra- quer dever, serviço ou instrução;
tivamente pelo exercício irregular de suas atribuições. VI - deixar, imotivadamente, de participar a tempo à autorida-
§ 1º - A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou co- de imediatamente superior, impossibilidade de comparecer ä OPM
missivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo do erário ou ou a qualquer ato de serviço;
de terceiros, na seguinte forma: VII - faltar ou chegar atrasado injustificadamente qualquer ato
a) a indenização de prejuízos causados ao erário será feita por de serviço em que deva tomar parte ou assistir;
intermédio de imposição legal ou mandado judicial, sendo descon- VIII - permutar serviço sem permissão da autoridade compe-
tada em parcelas mensais não excedentes à terça parte da remune- tente;
ração ou dos proventos do policial militar; IX - abandonar serviço para o qual tenha sido designado;

Didatismo e Conhecimento 17
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
X - afastar-se de qualquer lugar em que deva estar por força de Art. 55 - A detenção será aplicada em caso de reincidência em
disposição legal ou ordem; faltas punidas com advertência e de violação das demais proibi-
XI - deixar de apresentar-se à OPM para a qual tenha sido ções que não tipifiquem infração sujeita a demissão, não poden-
transferido ou classificado e às autoridades competentes nos casos do exceder de trinta dias, devendo ser cumprida em área livre do
de comissão ou serviços extraordinários para os quais tenha sido quartel.
designado;
XII - não se apresentar, findo qualquer afastamento do serviço Art. 56 - A penalidade de advertência e a de detenção terão
ou ainda, logo que souber que o mesmo foi interrompido; seus registros cancelados, após o decurso de dois anos, quanto à
primeira, e quatro anos, quanto a segunda, de efetivo exercício, se
XIII - deixar de providenciar a tempo, na esfera de suas atri-
o policial militar não houver, nesse período, praticado nova infra-
buições, por negligência ou incúria, medidas contra qualquer irre-
ção disciplinar.
gularidade de que venha a tomar conhecimento; Parágrafo único - O cancelamento da penalidade não produzi-
XIV - portar arma sem registro; rá efeitos retroativos.
XV - sobrepor ao uniforme insígnia ou medalha não regula-
mentar, bem como, indevidamente, distintivo ou condecoração; Art. 57 - A pena de demissão, observada as disposições do art.
XVI - sair ou tentar sair da OPM com tropa ou fração de tropa, 53 desta Lei, será aplicada nos seguintes casos:
sem ordem expressa da autoridade competente; I - a prática de violência física ou moral, tortura ou coação
XVII - abrir ou tentar abrir qualquer dependência da OPM contra os cidadãos, pelos policiais militares, ainda que cometida
fora das horas de expediente, desde que não seja o respectivo chefe fora do serviço;
ou sem sua ordem escrita com a expressa declaração de motivo, II - a consumação ou tentativa como autor, coautor ou par-
salvo em situações de emergência; tícipe em crimes que o incompatibilizem com o serviço policial
XVIII - deixar de portar o seu documento de identidade ou de militar, especialmente os tipificados como:
exibi-lo quando solicitado. a) de homicídio (art. 121 do Código Penal Brasileiro);
XIX - deixar deliberadamente de corresponder a cumprimento 1. quando praticado em atividade típica de grupo de extermí-
de subordinado ou deixar o subordinado, quer uniformizado, quer nio, ainda que cometido por um só agente;
em traje civil, de cumprimentar superior, uniformizado ou não, 2. qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV e V do Código Penal
neste caso desde que o conheça ou prestar-lhe as homenagens e Brasileiro).
b) de latrocínio (art. 157, § 3º do Código Penal Brasileiro, in fine);
sinais regulamentares de consideração e respeito;
c) de extorsão:
XX - dar, por escrito ou verbalmente, ordem ilegal ou clara-
1. qualificado pela morte (art. 158, § 2º do Código Penal Bra-
mente inexequível, que possa acarretar ao subordinado responsa- sileiro);
bilidade ainda que não chegue a ser cumprida; 2. mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput e
XXI - prestar informação a superior hierárquico induzindo-o §§ 1º, 2º e 3º do Código Penal Brasileiro).
a erro, deliberadamente. d) de estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput
SEÇÃO III - e parágrafo único, ambos do Código Penal Brasileiro);
DAS PENALIDADES e) de atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação
com art. 223, caput e parágrafo único do Código Penal Brasileiro);
Art. 52 - São sanções disciplinares a que estão sujeitos os po- f) de epidemia com resultado morte (art. 267, § 1º do Código
liciais militares: Penal Brasileiro);
I - advertência; g) contra a fé pública, puníveis com pena de reclusão;
II - detenção; h) contra a administração pública;
III - demissão; i) de deserção.
IV- cassação de proventos de inatividade. III - tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
Inciso IV acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro IV - prática de terrorismo;
de 2009. V - integração ou formação de quadrilha;
Parágrafo único - Decorrerão da aplicação das sanções disci- VI - revelação de segredo apropriado em razão do cargo ou
função;
plinares, a que forem submetidos os policiais militares, submis-
VII - a insubordinação ou desrespeito grave contra superior
são a programa de reeducação, suspensão de férias ou licenças em
hierárquico (art. 163 a 166 do CPM);
gozo ou desligamento de curso, conforme decisão da autoridade VIII - improbidade administrativa;
competente, constante do ato de julgamento. IX - deixar de punir o transgressor da disciplina nos casos
previstos neste artigo;
Art. 53 - Na aplicação das penalidades, serão consideradas a X - utilizar pessoal ou recurso material da repartição ou sob a
natureza e a gravidade da infração cometida, os antecedentes fun- guarda desta em serviço ou em atividades particulares;
cionais, os danos que dela provierem para o serviço público e as XI - fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades
circunstâncias agravantes e atenuantes. pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios parti-
culares ou de terceiros;
Art. 54 - A advertência será aplicada, por escrito, nos casos de XII - participar o policial militar da ativa de firma comercial,
violação de proibição e de inobservância de dever funcional pre- de emprego industrial de qualquer natureza, ou nelas exercer fun-
vistos em Lei, regulamento ou norma interna, que não justifiquem ção ou emprego remunerado, exceto como acionista ou quotista
imposição de penalidade mais grave. em sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada;

Didatismo e Conhecimento 18
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
XIII - dar, por escrito ou verbalmente, ordem ilegal ou clara- § 3º - O processo disciplinar sumario destina-se a apuração de
mente inexequível, que possa acarretar ao subordinado responsa- falta que, em tese, seja aplicada a pena de advertência e detenção.
bilidade, ainda que não chegue a ser cumprida; § 4º - O processo administrativo disciplinar será instaurado
XIV - permanecer no mau comportamento por período supe- quando, em tese, sobre a falta se aplique a pena de demissão, me-
rior a dezoito meses, caracterizado este pela reincidência de atitu- diante a nomeação pela autoridade competente da Comissão do
des que importem nas transgressões previstas nos incisos I a XX, Processo Administrativo Disciplinar.
do art. 51, desta Lei.
Parágrafo único - Aos policiais militares da reserva remune- SEÇÃO II -
rada e reformados incursos em infrações disciplinares para qual DO PROCESSO DISCIPLINAR
esteja prevista a pena de demissão nos termos deste artigo e do
artigo 53 será aplicada a penalidade de cassação de proventos de Art. 61 - O processo disciplinar sumário desenvolver-se-á
inatividade, respeitado, no caso dos Oficiais, o disposto no art. 189 com as seguintes fases:
deste Estatuto. I - publicação da portaria, com descrição do fato objeto da
Parágrafo único acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de apuração e indicação do dispositivo legal supostamente violado,
janeiro de 2009. além da nomeação de um ou mais policiais militares que conduzi-
rão o processo, bem como o presidente dos trabalhos na hipótese
CAPÍTULO III – de mais de um policial militar na comissão apuradora;
DA APURAÇÃO DISCIPLINAR II - citação, defesa inicial, instrução, defesa final e o relatório;
III - julgamento.
Art. 58 - A autoridade que tiver ciência de irregularidade no § 1º - O policial militar ou a Comissão escolherá livremente o
serviço é obrigada a promover a sua imediata apuração mediante secretário para os trabalhos, observada a hierarquia.
sindicância ou processo disciplinar. § 2º - O prazo para a conclusão do processo disciplinar será
Parágrafo único - Quando o fato narrado não configurar evi- de trinta dias, prorrogável pela metade do período mediante ato da
dente infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia será arquiva- autoridade competente.
da por falta de objeto.
§ 3º - Para garantir a celeridade da instrução no curso do pro-
cesso disciplinar sumario, o policial militar ou a comissão apura-
Art. 59 - Como medida cautelar, e a fim de que o policial mi-
dora poderá ficar dispensados dos demais trabalhos regulares.
litar acusado do cometimento de falta disciplinar não interfira na
§ 4º - O policial militar ou a comissão apuradora deverá iniciar
apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo
seus trabalhos, no prazo máximo de trinta dias, contados da sua
disciplinar poderá, fundamentadamente, de ofício ou por provo-
instauração, só podendo ultrapassar o período de trinta dias, na
cação de encarregado de feito investigatório, requerer ao escalão
hipótese de pedido motivado e despacho fundamentado da autori-
competente o seu afastamento do exercício do cargo ou da função,
dade competente, desde que comprovada a existência de circuns-
pelo prazo de trinta dias, sem prejuízo da remuneração, devendo
permanecer à disposição da Instituição para efeito da instrução da tância excepcional.
apuração da falta. § 5º - O processo disciplinar sumario não poderá ser conduzi-
Parágrafo único - O afastamento deverá determinar a proibi- do por cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguí-
ção temporária do uso de uniforme e arma e ser prorrogado por neo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau.
igual prazo, findo o qual cessarão os seus efeitos, ainda que não § 6º - Aplicam-se, no que couber, ao presente processo as re-
concluído o processo de apuração regular da falta. gras previstas nas Seções III, IV, V e VI deste Capítulo.

SEÇÃO I - Art. 62 - O processo administrativo disciplinar destina-se a


DA SINDICÂNCIA apurar responsabilidade do policial militar por infração praticada
no exercício de suas funções ou relacionada com as atribuições do
Art. 60 - A sindicância será instaurada para apurar irregulari- seu cargo, inclusive conduta irregular do mesmo, verificada em
dades ocorridas no serviço público, identificando a autoria e mate- sua vida privada, que tenha repercussão nas atribuições do cargo
rialidade da transgressão, dela podendo resultar: ou no serviço público.
I - arquivamento do procedimento; § 1º - Para a apuração prevista no caput deste artigo, a autori-
II - instauração de processo disciplinar sumario; dade competente nomeará a Comissão Processante que observará
III - instauração de processo administrativo disciplinar; as normas previstas neste Capítulo.
IV - instauração de inquérito policial militar; § 2º - O processo administrativo disciplinar somente será pre-
V - encaminhamento ao Ministério Público, quando resultar cedido de sindicância quando não houver elementos suficientes
provado o cometimento de ilícito penal de competência da Justiça para a constatação da materialidade do fato ou identificação da
Comum. autoria.
§ 1º - A sindicância poderá ser conduzida por um ou mais po-
liciais militares, que poderão ser dispensados de suas atribuições Art. 63 - O processo administrativo disciplinar desenvolver-
normais, até a apresentação do relatório final. se-á com as seguintes fases:
§ 2º - O prazo para conclusão da sindicância não excederá I - instauração, com a publicação da portaria do ato que cons-
trinta dias, podendo ser prorrogado por metade deste período, a tituir Comissão Processante responsável pelo feito;
critério da autoridade competente. II - lavratura do termo de acusação;

Didatismo e Conhecimento 19
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
III - citação, defesa inicial, instrução, defesa final e relatório; Art. 69 - Os termos serão lavrados pelo secretário da Comis-
IV - julgamento. são e terão forma processual.
§ 1º - A autoridade competente, mediante portaria, designará a § 1º - A juntada de qualquer documento aos autos será feita
Comissão, composta por três policiais militares de hierarquia igual por ordem cronológica de apresentação, devendo o presidente ru-
ou superior à do acusado, determinará que esta lavre o termo de bricar todas as folhas.
acusação, descrevendo detalhadamente os fatos imputados ao po-
§ 2º - Constará dos autos do processo a folha de antecedentes
licial militar além indicar o dispositivo legal supostamente violado
e as penalidades a que o acusado estará sujeito. funcionais do acusado.
§ 2º - A cópia do termo mencionado no parágrafo anterior in- § 3º - As reuniões da Comissão serão registradas em atas cir-
tegrará o ato de citação, sendo peça indispensável, sob pena de cunstanciadas.
nulidade da citação. § 4º - Todos os atos, documentos e termos do processo serão
§ 3º - Na portaria será indicado também o membro que será o extraídos em duas vias ou reproduzidas em cópias autenticadas,
presidente da Comissão, permitindo livremente a escolha por este formando autos suplementares.
do secretário dos trabalhos.
§ 4º - O prazo para a conclusão do processo disciplinar será de Art. 70 - A citação do acusado será feita pessoalmente ou por
sessenta dias, prorrogável por igual período pela autoridade com- edital e deverá conter:
petente. I - a descrição dos fatos e os fundamentos da imputação;
§ 5º - Sempre que necessário, e mediante requerimento funda-
II - data, hora e local do comparecimento do acusado, para
mentado à autoridade que instaurou o feito, os membros da Comis-
são dedicarão tempo integral aos seus trabalhos, ficando dispensa- apresentação da defesa e interrogatório;
dos de suas funções, até a entrega do relatório final. III - a obrigatoriedade do acusado fazer-se representar por ad-
§ 6º - A Comissão deverá iniciar seus trabalhos, no prazo de vogado;
cinco dias, contados da data de sua instauração, só podendo ultra- IV - a informação quanto à continuidade do processo indepen-
passar o período previsto nesta Lei para sua conclusão na hipótese dentemente do não comparecimento do acusado.
de pedido motivado pelo seu Presidente e despacho fundamentado § 1º - A citação pessoal será feita, preferencialmente, pelo se-
da autoridade competente, desde que comprovada a existência de cretário da Comissão, apresentando ao destinatário o instrumento
circunstância excepcional. correspondente em duas vias, devidamente assinadas pelo Presi-
§7º - A Comissão, ao emitir o seu relatório final, indicará se a dente e acompanhadas do termo de acusação.
falta praticada torna o Praça ou o Oficial indigno para permanecer
§ 2º - O comparecimento voluntário do acusado perante a Co-
na Polícia Militar ou com a Instituição incompatível.
missão supre a citação.
Art. 64 - Não poderá participar de comissão cônjuge, compa- § 3º - Quando o acusado se encontrar em lugar incerto ou não
nheiro ou parente do indiciando, consanguíneo ou afim, em linha sabido ou quando houver fundada suspeita de ocultação para frus-
reta ou colateral, até o terceiro grau. trar a diligência, a citação será feita por edital.
§ 4º - O edital será publicado, por uma vez, no Diário Oficial
Art. 65 - O policial militar da reserva remunerada e o refor- do Estado e em jornal de grande circulação da localidade do último
mado poderão ser também submetidos a Processo Disciplinar, po- domicílio conhecido, se houver, e fará remissão expressa ao termo
dendo ser apenados com sanções compatíveis com sua situação de acusação.
institucional. § 5º - Recusando-se o acusado a receber a citação, deverá o
fato ser certificado à vista de duas testemunhas.
Art. 66 - O processo administrativo disciplinar de que possa
resultar a indignidade ou incompatibilidade do Oficial para perma- § 6º - A designação da data para apresentação da defesa inicial
nência na Polícia Militar será julgado pelo Tribunal de Justiça do e o interrogatório do acusado respeitará o interstício mínimo de
Estado da Bahia para decisão quanto a perda do posto e da patente. cinco dias contados da data da citação.

Art. 67 - Os membros da Comissão exercerão suas atividades SEÇÃO IV –


com independência e imparcialidade, assegurado o sigilo necessá- DA INSTRUÇÃO
rio à elucidação do fato ou quando exigido pelo interesse publico,
sob pena da responsabilidade. Art. 71 - A instrução respeitará o princípio do contraditório,
Parágrafo único - As reuniões e as audiências da Comissão assegurando-se ao acusado ampla defesa, com meios e recursos a
terão caráter público, excetuando-se as sessões de julgamento e ela inerentes.
os casos em que o interesse da disciplina assim não o recomende.

SEÇÃO III - Art. 72 - Os autos da sindicância, se realizada, integrarão o


DOS ATOS E TERMOS PROCESSUAIS processo disciplinar como peça informativa.

Art. 68 - O presidente da Comissão, após nomear o secretário, Art. 73 - A Comissão promoverá o interrogatório do acusado,
determinará a autuação da portaria e das demais peças existentes e a tomada de depoimentos, acareações e a produção de outras pro-
instalará os trabalhos, designando dia, hora e local para as reuniões vas, inclusive a pericial, se necessária.
e ordenará a citação do acusado para apresentar defesa inicial e § 1º - No caso de mais de um acusado, cada um será ouvido
indicar provas, inclusive rol de testemunhas com no máximo de separadamente podendo ser promovida a acareação, sempre que
cinco nomes. divergirem em suas declarações.

Didatismo e Conhecimento 20
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 2º - A designação dos peritos recairá, preferencialmente, em Parágrafo único - Havendo dois ou mais acusados, o prazo
policiais militares com capacidade técnica especializada, e na falta será comum de vinte dias, correndo na repartição.
deles, em pessoas estranhas ao serviço público estadual, com a
mesma capacidade técnica específica para a investigação a ser pro- Art. 82 - A ausência do policial militar acusado, regularmente
cedida, assegurado ao acusado a faculdade de formular quesitos. citado, não importará no reconhecimento da verdade dos fatos.
§ 3º - O presidente da Comissão poderá indeferir pedidos con- Art. 83 - Apresentada a defesa final, a Comissão elaborará re-
siderados impertinentes, meramente protelatórios ou de nenhum latório minucioso, no qual resumirá as peças principais dos autos
interesse para o esclarecimento dos fatos. e mencionará as provas em que se basear para formar a sua con-
Art. 74 - A defesa do acusado será promovida por advogado vicção e será conclusivo quanto à inocência ou responsabilidade
por ele constituído ou por defensor público ou dativo. do policial militar, indicando o dispositivo legal transgredido, bem
§ 1º - Caso o acusado, regularmente intimado, não compareça como a natureza e a gravidade da infração cometida, os anteceden-
sem motivo justificado, o presidente da Comissão designará defen- tes funcionais, os danos que dela provierem para o serviço público
e, em especial, para o serviço policial militar propriamente dito,
sor público ou dativo.
além das circunstâncias agravantes e atenuantes.
§ 2º - Nenhum ato da instrução poderá ser praticado sem a
§ 1º - A Comissão apreciará separadamente as irregularidades
prévia intimação do acusado e do seu defensor. que forem imputadas a cada acusado.
§ 2º - A Comissão poderá sugerir providências para evitar
Art. 75 - Em qualquer fase do processo poderá ser juntado reiteração de fatos semelhantes aos que originaram o processo e
documento aos autos, antes do relatório. quaisquer outras que lhe pareçam de interesse público.
Art. 76 - As testemunhas serão intimadas através de ato expe- Art. 84 - A Comissão terá o prazo de vinte dias, prorrogável
dido pelo presidente da Comissão, devendo a segunda via, com o por mais dez, para entregar o relatório final à autoridade compe-
ciente delas, ser anexada aos autos. tente que a instituiu, a contar do término do prazo de apresentação
§ 1º - Se a testemunha for policial militar, a intimação poderá da defesa final.
ser feita mediante requisição ao chefe da repartição onde serve,
com indicação do dia, hora e local marcados para a audiência. Art. 85 - O processo disciplinar, com o relatório da Comissão,
§ 2º - Se as testemunhas arroladas pela defesa não forem en- será remetido para julgamento pela autoridade que determinou a
contradas e o acusado, intimado para tanto, não fizer a substituição instauração.
dentro do prazo de três dias úteis, prosseguir-se-á nos demais ter-
mos do processo. SEÇÃO V -
DO JULGAMENTO
Art. 77 - O depoimento será prestado oralmente e reduzido a
termo, não sendo lícito à testemunha trazê-lo por escrito. Art. 86 - No prazo de trinta dias, contados do recebimento
§ 1º - As testemunhas serão inquiridas separadamente. do processo, a autoridade que o instaurou, investida no papel de
§ 2º - Antes de depor, a testemunha será qualificada, não sendo julgadora, proferirá a sua decisão.
compromissada em caso de amizade íntima ou inimizade capital § 1º - Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da auto-
ou parentesco com o acusado ou denunciante, em linha reta ou ridade instauradora do processo, este será encaminhado à autorida-
colateral até o terceiro grau. de competente, que decidirá em igual prazo.
§ 2º - Havendo acusados pertencentes a unidades diversas e
pluralidade de sanções, o julgamento caberá à autoridade compe-
Art. 78 - Quando houver dúvida sobre a sanidade mental do
tente para a imposição da pena mais grave.
acusado, a Comissão proporá à autoridade competente que ele seja
§ 3º - Se a penalidade prevista for a demissão, a sanção, no
submetido a exame por Junta Médica oficial, da qual participe,
tocante aos Oficiais, caberá ao Governador do Estado.
pelo menos, um médico psiquiatra, que emitirá o respectivo laudo, § 4º - Reconhecida pela Comissão a inocência do policial
facultada ao acusado a indicação de assistente técnico. militar, a autoridade instauradora do processo determinará o seu
Parágrafo único - O incidente de insanidade mental será pro- arquivamento.
cessado em autos apartados e apensos ao processo principal, fican-
do este sobrestado até a apresentação do laudo, sem prejuízo da Art. 87 - O julgamento acatará, ordinariamente, o relatório da
realização de diligências imprescindíveis. Comissão, salvo quando contrário às provas dos autos.
§ 1º - Quando o relatório contrariar as evidências dos autos,
Art. 79 - O acusado que mudar de residência fica obrigado a a autoridade julgadora poderá, motivadamente, discordar das con-
comunicar a Comissão o local onde será encontrado. clusões do colegiado, e, fundamentadamente, com base nas provas
intra-autos, agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou isentar o
Art. 80 - Compete à Comissão tomar conhecimento de novas policial militar de responsabilidade.
imputações que surgirem, durante o curso do processo, contra o § 2º - Se constatado que a Comissão laborou propositada-
acusado, caso em que este poderá produzir novas provas objeti- mente em erro, de modo a conduzir as conclusões no sentido da
vando a defesa. absolvição ou da condenação, será imposta a seus membros pe-
nalidade disciplinar correspondente à transgressão e na medida de
Art. 81 - Ultimada a instrução, intimar-se-á o acusado, através sua culpa, mediante procedimento disciplinar próprio, com as ga-
de seu defensor, a apresentar defesa no prazo de dez dias, assegu- rantias constitucionais a este inerente, em especial o contraditório
rando-lhe vista do processo. e a ampla defesa.

Didatismo e Conhecimento 21
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 3º - O julgamento fora do prazo legal não implica nulidade c) a percepção de remuneração;
do processo, ressalvada a hipótese de procrastinação intencional. d) a alimentação, assim entendida as refeições ou subsídios
com esse objetivo, fornecido aos policiais militares durante o ser-
Art. 88 - A autoridade julgadora que der causa à prescrição de viço;
que trata o art. 50, § 5º será responsabilizada na forma do Capítulo e) o fardamento, constituindo-se no conjunto de uniformes ne-
II, do Título IV, deste Estatuto. cessários ao desempenho de suas atividades, incluindo-se as rou-
pas indispensáveis no alojamento;
Art. 89 - Quando a transgressão disciplinar também estiver ca- f) indenização de transporte;
pitulada como crime, o processo disciplinar será remetido ao Mi- g) indenização de diárias;
nistério Público para instauração da ação penal, ficando os autos h) auxílio transporte, devido ao policial militar nos desloca-
suplementares arquivados na repartição. mentos da residência para o trabalho e vice-versa, na forma e con-
dições estabelecidas em regulamento;
Art. 90 - O policial militar submetido a processo disciplinar i) honorário de ensino, observado o disposto em regulamento;
só poderá ser exonerado a pedido ou passar, voluntariamente, para j) a promoção;
a reserva, após a conclusão do processo e o cumprimento da pena- k) a transferência, a pedido, para a reserva remunerada;
lidade, acaso aplicada. l) as férias, os afastamentos temporários do serviço e as li-
cenças;
SEÇÃO VI - m) a exoneração a pedido;
REVISÃO DO PROCESSO n) adicional de férias correspondente a um terço da remune-
ração percebida;
Art. 91 - O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer o) redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de nor-
tempo, a pedido ou de ofício, quando se aduzirem fatos novos ou mas de saúde, higiene e segurança;
circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência do punido ou a p) adicional de remuneração para as atividades penosas, insa-
inadequação da penalidade aplicada. lubres ou perigosas, na mesma forma e condições dos funcionários
Parágrafo único - Da revisão do processo não poderá resultar
públicos civis;
agravamento de penalidade.
q) adicional noturno;
r) adicional por serviço extraordinário;
TÍTULO V -
s) o auxílio-natalidade, licença-maternidade e paternidade,
DOS DIREITOS E PRERROGATIVAS DOS POLICIAIS
garantindo-se à gestante a mudança de função, nos casos em que
MILITARES
houver recomendação médica, sem prejuízo de seus vencimentos
CAPÍTULO I -
e demais vantagens do cargo, posto ou graduação;
DOS DIREITOS
t) seguro contra acidentes do trabalho;
SEÇÃO I -
ENUMERAÇÃO u) estabilidade econômica pelo exercício de cargo comissio-
nado.
Art. 92 - São direitos dos Policiais Militares: VI - o policial militar acidentado em serviço, que necessite de
I - a garantia da patente e da graduação, em toda a sua pleni- tratamento especializado, recomendado por Junta Médica Oficial,
tude, com as vantagens, prerrogativas e deveres a ela inerentes; terá garantido os recursos médico-hospitalares, medicamentos e
II - os proventos calculados com base na remuneração integral próteses necessários à sua recuperação conforme dispuser o regu-
do seu posto ou graduação quando, não contando com trinta anos lamento;
de serviço, for transferido para a reserva remunerada ex officio por VII - outros direitos previstos em Lei.
ter atingido a idade limite de permanência em atividade no posto
ou na graduação; SEÇÃO II -
III - os proventos calculados com base na remuneração inte- DOS DEPENDENTES DO POLICIAL MILITAR
gral do posto ou graduação imediatamente superior quando, con-
tando com trinta anos ou mais de serviço, for transferido para a Art. 93 - Consideram-se dependentes econômicos do policial
reserva remunerada; militar:
IV - os proventos calculados com base na remuneração inte- I - para efeito de previdência social:
gral do seu próprio posto ou graduação acrescida de 20% (vinte a) cônjuge ou o(a) companheiro(a);
por cento) quando, contando com trinta e cinco anos ou mais de b) os filhos solteiros, desde que civilmente menores;
serviço, for ocupante do último posto da estrutura hierárquica da c) os filhos solteiros inválidos de qualquer idade;
Corporação no seu quadro e, nessa condição, seja transferido para d) os pais inválidos de qualquer idade.
a reserva remunerada; II - para efeito de fruição dos serviços de assistência à saúde:
V - nas condições ou nas limitações impostas na legislação e a) cônjuge, ou o(a) companheiro(a);
regulamentação peculiares: b) os filhos solteiros, menores de 18 anos;
a) o uso das designações hierárquicas; c) os filhos solteiros inválidos com dependência econômica.
b) a ocupação de cargo correspondente ao posto ou à gradua- § 1º - A dependência econômica das pessoas indicadas nas
ção, satisfeitas as exigências de qualificação e competência para o alíneas «a» e «b», dos incisos I e II, é presumida e a das demais
seu exercício; deve ser comprovada.

Didatismo e Conhecimento 22
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 2º - Equiparam-se aos filhos, nas condições dos incisos I e § 1º - Para o exercício do direito de que trata este artigo, é
II deste artigo, os dependentes nos termos da legislação previden- assegurada vista do processo ou documento na repartição, e cópia,
ciária estadual. esta última mediante o ressarcimento das respectivas despesas,
§ 3º - É considerado companheiro(a), nos termos do inciso I ressalvado o disposto na Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994.
deste artigo, a pessoa que, sem ser casado(a), mantém união es- § 2º - Se não houver pronunciamento da autoridade compe-
tável com o policial militar solteiro(a), viúvo(a), separado(a) ju- tente no prazo de trinta dias, considerar-se-á indeferido o pedido.
dicialmente ou divorciado(a), ainda que este(a) preste alimentos § 3º - Preclui, em trinta dias, a contar da publicação, ou da
ao ex-cônjuge, e desde que resulte comprovada vida em comum. ciência, pelo policial militar interessado, do ato, decisão ou omis-
§ 4º - Considera-se dependente econômico, para os fins desta são, para apresentar pedido de reconsideração ou interpor recurso.
Lei, a pessoa que não tenha renda, não disponha de bens e tenha
suas necessidades básicas integralmente atendidas pelo policial Art. 95 - Cabe pedido de reconsideração à autoridade que hou-
militar. ver expedido o ato ou proferido a primeira decisão, não podendo
ser renovado, devendo ser apresentado em quinze dias corridos, a
§ 5º - Perdurará até vinte e quatro anos de idade, para efei-
contar do recebimento da comunicação oficial ou do efetivo co-
tos previdenciários a condição de dependente para o filho solteiro,
nhecimento pelo interessado, quanto a ato relacionado com a lista
desde que não percebam qualquer rendimento, na forma do pará-
de composição para acesso.
grafo anterior, e sejam comprovadas, semestralmente, suas matrí-
Parágrafo único - Em caso de deferimento do requerimento
culas e frequência regular em curso de nível superior ou a sujeição ou provimento do pedido de reconsideração, os efeitos da decisão
a ensino especial, nas hipóteses previstas no art. 9º, da Lei Federal retroagirão à data do ato impugnado.
nº 5.692, de 11 de agosto de 1971.
§ 6º - Dos dependentes inválidos exigir-se-á prova de não se- Art. 96 - Caberá recurso, nas hipóteses de indeferimento ou
rem beneficiários, como segurados ou dependentes, de outros se- não apreciação do pedido de reconsideração, sendo competente
gurados de qualquer sistema previdenciário oficial, ressalvada a para apreciar o recurso a autoridade hierarquicamente superior à
hipótese do parágrafo seguinte. que tiver expedido o ato ou proferido a decisão.
§ 7º - No caso de filho maior, solteiro, inválido e economica- § 1º - Entende-se indeferido, para todos os efeitos, o recurso
mente dependente, admitir-se-á a duplicidade de vinculação previ- que não for examinado pela autoridade competente, no prazo de
denciária como dependente, unicamente em relação aos genitores, trinta dias do seu encaminhamento pelo policial militar interes-
segurados de qualquer regime previdenciário. sado.
§ 8º - A condição de invalidez será apurada por Junta Médica § 2º - Acolhido o recurso, os efeitos da decisão retroagirão à
Oficial do Estado ou por instituição credenciada pelo Poder Públi- data do ato impugnado.
co, devendo ser verificada no prazo nunca superior a seis meses § 3º - O recurso poderá ser recebido com efeito suspensivo, a
nos casos de invalidez temporária. juízo da autoridade competente, em despacho fundamentado.
§ 9º - A perda da qualidade de dependente ocorrerá:
a) para o cônjuge, pela separação judicial ou pelo divórcio, Art. 97 - O direito de requerer prescreve em cinco anos, quan-
desde que não lhe tenha sido assegurada a percepção de alimentos, to aos atos de demissão e de cassação de inatividade ou que afetem
ou pela anulação do casamento; interesse patrimonial e créditos resultantes da relação funcional e
b) para o companheiro(a), quando revogada a sua indicação nos demais casos em cento e vinte dias.
pelo policial militar ou desaparecidas as condições inerentes a essa Parágrafo único - O prazo de prescrição será contado da data
qualidade; da publicação do ato impugnado ou da ciência, pelo policial mili-
c) para o filho e os referidos no § 2º, deste artigo, ao alcança- tar, quando não for publicado.
rem a maioridade civil, ressalvado o disposto no § 5º, do mesmo
Art. 98 - O pedido de reconsideração e o recurso, quando
artigo, ou na hipótese de emancipação;
cabíveis, suspendem a prescrição administrativa, recomeçando a
d) para o maior inválido, pela cessação da invalidez;
correr, pelo restante, no dia em que cessar a causa da suspensão.
e) para o solteiro, viúvo ou divorciado, pelo casamento ou
concubinato; Art. 99 - São fatais e improrrogáveis os prazos estabelecidos
f) para o separado judicialmente com percepção de alimentos, neste capítulo, salvo quando o policial militar provar evento im-
pelo concubinato; previsto, alheio à sua vontade, que o impediu de exercer o direito
g) para os beneficiários economicamente dependentes, quan- de petição.
do cessar esta situação;
h) para o dependente em geral, pela perda o posto ou gradua- Art. 100 - A administração deverá rever seus atos a qualquer
ção aquele de quem depende. tempo, quando eivados de ilegalidade.
§ 10 - A qualidade de dependente é intransmissível.
SEÇÃO IV -
SEÇÃO III – DOS DIREITOS POLÍTICOS
DO DIREITO DE PETIÇÃO
Art. 101 - Os policiais militares são alistáveis como eleitores
Art. 94 - É assegurado ao policial militar o direito de requerer, e elegíveis segundo as regras seguintes:
representar, pedir reconsideração e recorrer, dirigindo o seu pedi- I - se contar com menos de dez anos de serviço, deverá afas-
do, por escrito, à autoridade competente. tar-se da atividade;

Didatismo e Conhecimento 23
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
II - se contar mais de dez anos de serviço será, ao se candi- Art. 103 - O policial militar terá direito a perceber, pelo exer-
datar a cargo eletivo, três meses antes da data limite para realiza- cício do cargo de provimento temporário, gratificação equivalente
ção das convenções dos partidos políticos, agregado ex officio e a 30% (trinta por cento) do valor correspondente ao símbolo res-
considerado em gozo de licença para tratar de interesse particular; pectivo ou optar pelo valor integral do símbolo, que neste caso,
se eleito, passará, automaticamente, no ato da diplomação, para a será pago como vencimento básico enquanto perdurar a investidu-
inatividade, fazendo jus a remuneração proporcional ao seu tempo ra ou ainda pela diferença entre este e o soldo respectivo.
de serviço. Parágrafo único - O policial militar substituto perceberá, a
Parágrafo único - Enquanto em atividade, os policiais milita- partir do décimo dia consecutivo, a remuneração do cargo do subs-
res não podem filiar-se a partidos políticos. tituído, paga na proporção dos dias de efetiva substituição, sendo-
lhe facultado exercer qualquer das opções previstas neste artigo.
SEÇÃO V -
DA REMUNERAÇÃO Art. 104 - Ao policial militar que tiver exercido, por dez anos
contínuos ou não, cargo de provimento temporário, é assegurada
estabilidade econômica, consistente no direito de continuar a per-
Art. 102 - A remuneração dos policiais militares é devida em
ceber, no caso de exoneração ou dispensa, como vantagem pes-
bases estabelecidas em legislação peculiar, compreendendo:
soal, retribuição equivalente a 30% (trinta por cento) do valor do
I - na ativa: símbolo correspondente ao cargo de maior hierarquia que tenha
1. vencimento constituído de: exercido por mais de dois anos ou a diferença entre o maior valor
a) soldo; e o vencimento do cargo de provimento permanente.
b) gratificações. § 1º - O direito à estabilidade econômica constitui-se com a
2. Indenizações. exoneração ou dispensa do cargo de provimento temporário, sendo
II - na inatividade, proventos constituídos das seguintes par- o valor correspondente fixado neste momento.
celas: § 2º - A vantagem pessoal por estabilidade econômica será
a) soldo ou quotas de soldo; reajustada sempre que houver modificação no valor do símbolo
b) gratificações incorporáveis. em que foi fixada, observando-se as correlações e transformações
§ 1º - São gratificações a que faz jus o policial militar no ser- estabelecidas em Lei.
viço ativo: § 3º - O policial militar beneficiado pela estabilidade econô-
a) pelo exercício de cargo de provimento temporário; mica que vier a ocupar outro cargo de provimento temporário de-
b) natalina; verá optar, enquanto perdurar esta situação entre a vantagem pes-
c) adicional por tempo de serviço, sob a forma de anuênio; soal já adquirida e o valor da gratificação pertinente ao exercício
d) adicional por exercício de atividades insalubres, perigosas do novo cargo.
ou penosas; § 4º - O policial militar beneficiado pela estabilidade eco-
e) adicional por prestação de serviço extraordinário; nômica que vier a ocupar, por mais de dois anos, outro cargo de
f) adicional noturno; provimento temporário, poderá obter a modificação do valor da
g) adicional de inatividade; vantagem pessoal, passando esta a ser calculada com base no valor
h) gratificação de atividade policial militar; do símbolo correspondente ao novo cargo.
i ) honorários de ensino. § 5º - o valor da estabilidade econômica não servirá de base
j) Gratificação por Condições Especiais de Trabalho – CET; para cálculo de qualquer outra parcela remuneratória.
Alínea “j” acrescida pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
de 2009. Art. 104-A - No caso de policiais militares transferidos, com-
pulsoriamente, para a reserva remunerada em razão de diplomação
k) Gratificação pelo Exercício Funcional em Regime de Tem-
para cargo eletivo, previsto no art. 14, § 8º, II da Constituição Fe-
po Integral e Dedicação Exclusiva – RTI.”.
deral, o tempo de exercício do cargo eletivo será computado, ao
Alínea “k” acrescida pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
final do exercício e a partir de então, para revisão dos respectivos
de 2009. proventos de reservistas, inclusive quanto ao adicional por tempo
§ 2º - São indenizações devidas ao policial militar no serviço de contribuição.
ativo: § 1º - O tempo de serviço prestado no cargo eletivo será conta-
a) ajuda de custo; do para todos os efeitos legais, inclusive para integralização do de-
b) diária; cênio aquisitivo do direito à vantagem prevista no art. 104 da Lei
c) transporte; nº 7.990, de 27 de dezembro de 2001, cuja fixação do valor será
d) transporte de bagagem; feita, no caso de permanência neste cargo por mais de 02 (dois)
e) auxílio acidente; anos, no símbolo correspondente ao cargo de provimento tempo-
f) auxílio moradia; rário da Polícia Militar que mais se aproxime do valor percebido
g) auxílio invalidez; no cargo eletivo e o período decenal.
h) auxílio fardamento. § 2º - A eficácia das disposições deste artigo e seus parágrafos
§ 3º - O policial militar fará jus, ainda, a seguro de vida ou é garantida àqueles que estiverem em exercício de mandato eletivo
invalidez permanente em face de riscos profissionais custeado in- a partir da publicação desta Lei e fica condicionada ao recolhimen-
tegralmente pelo Estado. to, pelo interessado, durante o exercício do cargo eletivo, de con-
tribuição mensal para o FUNPREV, sobre a diferença entre o valor
dos proventos de reservista percebidos e aquele dos vencimentos
de que trata este artigo.

Didatismo e Conhecimento 24
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Artigo 104-A e §§ 1º e 2º acrescidos pelo art. 6º da Lei nº § 2º - Haverá permanente controle da atividade
11.356, de janeiro de 2009. do policial militar em operações ou locais considerados in-
salubres, perigosos ou penosos.
Art. 105 - A gratificação natalina corresponde a 1/12 (um doze § 3º - A policial militar gestante ou lactante será afastada, en-
avos) da remuneração a que o policial militar ativo fizer jus, no quanto durar a gestação e lactação, das operações, condições e lo-
mês de exercício, no respectivo ano, considerando a fração igual cais previstos neste artigo, para exercer suas atividades em locais
ou superior a quinze dias como mês integral, não servindo de base compatíveis com o seu bem-estar, sendo-lhe assegurada a licença
para cálculo de qualquer parcela remuneratória. -maternidade de 180 (cento e oitenta) dias.
§ 1º - A gratificação será paga no mês de dezembro de cada Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de
ano, ficando assegurado o seu adiantamento no mês do aniversário junho de 2010.
do servidor policial militar, em valor não excedente à metade da Redação original: “§ 3º - A policial militar gestante ou lactante
remuneração mensal percebida, salvo opção expressa do benefi- será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, das opera-
ciário manifestada com a antecedência mínima de trinta dias da ções, condições e locais previstos neste artigo, para exercer suas
atividades em outros locais.”
data do seu aniversário para percepção da vantagem no ensejo das
suas férias ou época em que o funcionalismo público em geral a Art. 108 - O serviço extraordinário será remunerado com
perceba. acréscimo de 50% (cinquenta por cento) em relação à hora normal
Redação do § 1º do art. 105 de acordo com o art. 1º da Lei nº de trabalho, incidindo sobre o soldo e a gratificação de atividade
8.639, de 15 de julho de 2003.  policial ou outra que a substitua, na forma disciplinada em regu-
Redação original: “§ 1º - A gratificação será paga até o dia lamento.
vinte do mês de dezembro de cada ano ou no ensejo das férias do Parágrafo único - Somente será permitida a realização de ser-
policial militar, sempre que este requerer até trinta dias antes do viço extraordinário para atender situações excepcionais e temporá-
período de gozo, não podendo exceder à metade da remuneração rias, respeitado o limite máximo de duas horas diárias, podendo ser
por este percebida no mês.” elevado este limite nas atividades que não comportem interrupção.
§ 2º - Ao policial militar inativo, com exceção da reserva não
remunerada, será devida a gratificação natalina em valor equiva- Art. 109 - O serviço noturno, prestado em horário compreen-
lente aos respectivos proventos. dido entre vinte e duas horas de um dia e cinco do dia seguinte,
§ 3º - Ao policial militar exonerado ou demitido será devida a terá o valor-hora acrescido de cinquenta por cento sobre o soldo na
gratificação na proporcionalidade dos meses de efetivo exercício, forma da regulamentação correspondente.
calculada sobre a remuneração do mês do afastamento do serviço. Parágrafo único - Tratando-se de serviço extraordinário, o
§ 4º - Na hipótese de ter havido adiantamento do valor supe- acréscimo a que se refere este artigo incidirá sobre a remuneração
prevista no artigo anterior.
rior ao devido no mês da exoneração ou demissão, o excesso será
devolvido, no prazo de trinta dias, findo o qual, sem devolução,
Art. 110 - A gratificação de atividade policial militar será con-
será o débito inscrito na dívida ativa. cedida ao policial militar a fim de compensá-lo pelo exercício de
suas atividades e os riscos dele decorrentes, considerando, conjun-
Art. 106 - O policial militar com mais de cinco anos de efetivo tamente, a natureza do exercício funcional, o grau de risco inerente
exercício no serviço público terá direito por anuênio, contínuo ou às atribuições normais do posto ou graduação e o conceito e nível
não, à percepção de adicional calculado à razão de 1% (um por de desempenho do policial militar.
cento) sobre o valor do soldo do cargo que é ocupante, a contar do § 1º - A gratificação será escalonada em referências de I a V,
mês em que o policial militar completar o anuênio. com fixação de valor para cada uma delas sendo concedida ou al-
§ 1º - Para efeito desta gratificação, considera-se de efetivo terada para as referências III, IV ou V em razão, também, da remu-
exercício o tempo de serviço prestado, sob qualquer regime de tra- neração do regime de trabalho de quarenta horas semanais a que o
balho, na administração pública estadual, suas autarquias, funda- policial militar ficará sujeito.
ções, empresas públicas e sociedades de economia mista. § 2º - O Policial Militar perderá o direito a gratificação quan-
§ 2º - Para o cálculo do adicional não serão computadas quais- do afastado do exercício das funções inerentes ao seu posto ou
quer parcelas pecuniárias, ainda que incorporadas ao vencimento graduação, salvo nas hipóteses de férias, núpcias, luto, instalação,
para outros efeitos legais. trânsito, licença gestante, licença paternidade, licença para trata-
§ 3º - O policial militar beneficiado pela estabilidade econô- mento de saúde, cumprimento de sentença penal condenatória não
mica na forma do art. 104 desta Lei, terá o adicional por tempo de transitada em julgado e licença prêmio por assiduidade, esta última
se a gratificação vier sendo percebida há mais de 06 (seis) meses.
serviço a que faça jus calculado sobre o valor do símbolo do cargo
Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de
em que tenha se estabilizado, quando for este superior ao soldo do
junho de 2010. 
posto ou graduação que ocupe. Redação original: “§ 2º - O policial militar perderá o direito
a gratificação quando afastado do exercício das funções inerentes
Art. 107 - Os policiais militares que trabalharem com habi- ao seu posto ou graduação, salvo nas hipóteses de férias, núpcias,
tualidade em condições insalubres, perigosas ou penosas farão jus luto, instalação, trânsito, licença gestante, licença paternidade, li-
ao adicional correspondente, conforme definido em regulamento. cença para tratamento de saúde e licença prêmio por assiduidade,
§ 1º - O direito aos adicionais de que trata este artigo cessa esta última se a gratificação vier sendo percebida há mais de seis
com a eliminação das condições ou dos riscos que deram causa à meses.”
concessão.

Didatismo e Conhecimento 25
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 3º revogado pelo art. 6 da Lei nº 11.920, de 29 de junho de I - compensar o trabalho extraordinário, não eventual, presta-
2010. do antes ou depois do horário normal;
§ 4º - A Gratificação de Atividade Policial Militar incorpora- II - remunerar o exercício de atribuições que exijam habilita-
se aos proventos de inatividade quando percebida por 05 (cinco) ção específica ou demorados estudos e criteriosos trabalhos téc-
anos consecutivos ou 10 (dez) interpolados, sendo fixada na Refe- nicos;
rência de maior valor percebida por, pelo menos, 12 (doze) meses III - fixar o servidor em determinadas regiões.
contínuos, ou a média destes, sendo assegurada a melhor opção de Parágrafo único - O Conselho de Políticas de Recursos Huma-
maior vantagem que se apresente ao Policial Militar. nos – COPE expedirá resolução fixando os percentuais da Gratifi-
Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de cação por Condições Especiais de Trabalho - CET.
junho de 2010. Artigo 110-B acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de ja-
Redação original: “§ 4º - A gratificação de atividade policial neiro de 2009.
militar incorpora-se aos proventos de inatividade quando perce-
bida por cinco anos consecutivas ou dez interpolados, calculados Art. 110-C - A Gratificação por Condições Especiais de Tra-
pela média percentual dos últimos doze meses imediatamente balho – CET e a Gratificação pelo Exercício Funcional em Regime
anteriores ao mês civil em que for protocolado o pedido de ina- de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva - RTI incidirão sobre o
tivação ou àquele em que for adquirido o direito à inatividade.” soldo recebido pelo beneficiário e não servirão de base para cálcu-
§ 5º - Fica assegurada aos atuais policiais militares a incorpo- lo de qualquer outra vantagem, salvo as relativas à remuneração de
ração, aos proventos de inatividade, da gratificação de atividade férias, abono pecuniário e gratificação natalina.
policial militar, qualquer que seja o seu tempo de percepção. Parágrafo único - Quando se tratar de ocupante de cargo ou
§ 6º - Na hipótese de nomeação para exercício de cargo de função de provimento temporário, a base de cálculo será o valor
provimento temporário, o pagamento da gratificação somente será do vencimento do cargo ou função, salvo se o militar optar expres-
mantido se o cargo em que esta se efetivar for estabelecido em samente pelo soldo do posto ou graduação.
Lei, como sendo policial militar ou de natureza policial militar e Artigo 110-C acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de ja-
na hipótese de substituição de cargo de provimento temporário o neiro de 2009.
policial militar perceberá, durante tal período, a gratificação do
substituído. Art. 110-D - Incluem-se na fixação dos proventos integrais
§ 7º - O cálculo previsto no § 4º deste artigo será efetuado ou proporcionais as Gratificações por Condições Especiais de Tra-
observando-se o quanto fixado no art. 92, incisos III e IV, deste balho – CET e pelo Exercício Funcional em Regime de Tempo
diploma legal. Integral e Dedicação Exclusiva - RTI percebidas por 5 (cinco) anos
§ 7º acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de junho consecutivos ou 10 (dez) interpolados, calculados pela média per-
de 2010. centual dos últimos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao
mês civil em que for protocolado o pedido de inativação ou àquele
§ 8º - Na reforma por incapacidade definitiva decorrente da
em que for adquirido o direito à inatividade.
hipótese prevista no inciso I do art. 179 desta Lei, a gratificação de
§ 1º - Na incorporação aos proventos de inatividade dos poli-
atividade policial militar será incorporada aos proventos de inati-
ciais militares somam-se indistintamente os períodos de percepção
vidade, independentemente do tempo de percepção, na referência
da Gratificação pelo Exercício Funcional em Regime de Tempo In-
de maior valor percebida.
tegral e Dedicação Exclusiva - RTI e a Gratificação por Condições
§ 8º acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de junho
Especiais de Trabalho - CET.
de 2010.
§ 2º - Na reforma por incapacidade definitiva, as gratificações
incorporáveis integrarão os proventos de inatividade independen-
Art. 110-A - A Gratificação pelo Exercício Funcional em Re-
temente do tempo de percepção.
gime de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva - RTI poderá ser
§ 3º - Fica assegurada aos policiais militares a contagem de
concedida aos policiais militares com o objetivo de remunerar o
tempo de percepção das vantagens recebidas a título de gratifi-
aumento da produtividade de unidades operacionais e administra-
cações por Condições Especiais de Trabalho e pelo Regime de
tivas ou de seus setores ou a realização de trabalhos especializados.
Tempo Integral e Dedicação Exclusiva, no período anterior a 1º
§ 1º - A gratificação de que trata este artigo poderá ser con- de janeiro de 2009.
cedida nos percentuais mínimo de 50% (cinquenta por cento) e Artigo 110-C acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de ja-
máximo de 150% (cento e cinquenta por cento), na forma fixada neiro de 2009.
em regulamento.
§ 2º - O Conselho de Políticas de Recursos Humanos – COPE Art. 111 - A ajuda de custo destina-se a compensar as despe-
expedirá resolução fixando os percentuais da Gratificação pelo sas de instalação do policial militar que, no interesse do serviço,
Exercício Funcional em Regime de Tempo Integral e Dedicação passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domicílio,
Exclusiva – RTI. ou que se deslocar a serviço ou por motivo de curso, no país ou
Artigo 110-A acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de ja- para o exterior.
neiro de 2009. § 1º - Correm por conta da administração as despesas de trans-
porte do policial militar e sua família.
Art. 110-B - A Gratificação por Condições Especiais de Tra- § 2º - É assegurada aos dependentes do policial militar que
balho - CET somente poderá ser concedida no limite máximo de falecer na nova sede, a ajuda de custo e transporte para a locali-
125% (cento e vinte e cinco por cento) na forma que for fixada em dade de origem dentro do prazo de cento e oitenta dias, contados
regulamento, com vistas a: do óbito.

Didatismo e Conhecimento 26
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 3º - A ajuda de custo não poderá exceder a importância cor- § 2º - Para continuidade do direito ao recebimento do auxílio-
respondente a quinze vezes o valor do menor soldo pago, exce- invalidez o policial militar ficará obrigado a apresentar, anualmen-
tuando da regra a hipótese de curso no exterior, com- te, declaração de que não exerce qualquer atividade remunerada
petindo a sua fixação ao Governador do Estado. pública ou privada e, a critério da administração, submeter-se pe-
§ 4º - Não será concedida ajuda de custo: riodicamente, a inspeção de saúde de controle.
a) ao policial militar que for afastado para servir em outro § 3º - No caso de oficial ou praça mentalmente enfermo, a
órgão ou entidade dos Poderes da União, de outros Estados, do declaração de que trata este artigo deverá ser firmada por 2 (dois)
Distrito Federal e dos Municípios; oficiais da ativa da Polícia Militar.
b) ao policial militar que for removido a pedido; § 4º - O auxílio-invalidez será suspenso automaticamente pela
c) a um dos cônjuges, sendo ambos servidores estaduais, autoridade competente, se for verificado que o policial militar nas
quando o outro tiver direito à ajuda de custo pela mesma mudança. condições deste artigo, exerça ou tenha exercido, após o recebi-
mento do auxílio, qualquer atividade remunerada, sem prejuízo de
Art. 112 - O policial militar ficará obrigado a restituir a aju- outras sanções cabíveis, bem como for julgado apto em inspeção
da de custo quando, injustificadamente, não se apresentar na nova de saúde a que se refere o parágrafo anterior.
sede no prazo de trinta dias. § 5º - O policial militar de que trata este capítulo terá direito
Parágrafo único - Não haverá obrigação de restituir a ajuda de ao transporte dentro do Estado, quando for obrigado a se afastar de
custo nos casos de exoneração de ofício ou de retorno por motivo seu domicílio para ser submetido à inspeção de saúde, prevista no
de doença comprovada. § 2º deste artigo.
§ 6º - O auxílio-invalidez não poderá ser inferior ao valor do
Art. 113 - Ao policial militar que se deslocar da sede em ca- soldo do posto de Sargento PM.
ráter eventual ou transitório, no interesse do serviço, serão conce-
didas, além de transporte, diárias para atender às despesas de ali- Art. 116 - O adicional de inatividade será calculado e pago
mentação e hospedagem, desde que o deslocamento não implique mensalmente ao policial militar na inatividade, incidindo sobre o
desligamento da sede.
soldo do posto ou graduação e em função da soma do tempo de
§ 1º - O total de diárias atribuídas ao policial militar não pode-
efetivo serviço, com os acréscimos assegurados na legislação em
rá exceder a cento e oitenta dias por ano, salvo em casos especiais
expressamente autorizados pelo Chefe do Poder Executivo. vigor para esse fim, nas seguintes condições:
§ 2º - O policial militar que receber diárias e não se afastar da I - de 30% (trinta por cento), quando o tempo for de 35 (trinta
sede, sem justificativa, fica obrigado a restituí-la integralmente e e cinco) anos;
de uma só vez, no prazo de cinco dias. II - de 25% (vinte e cinco por cento), quando o tempo compu-
§ 3º - Na hipótese do policial militar retornar à sede em prazo tado for de 30 (trinta) anos;
menor do que o previsto para o seu afastamento, restituirá as diá- III - de 5% (cinco por cento), quando o tempo computado for
rias recebidas em excesso, no prazo de cinco dias do seu retorno. inferior a 30 (trinta) anos.
§ 4º - Os valores das diárias de alimentação e hospedagem Parágrafo único - O adicional de inatividade de que trata este
serão fixadas em tabela própria, considerando os diversos postos e artigo será devido exclusivamente aos policiais militares que te-
graduações que deverão ser agrupados segundo critérios estabele- nham ingressado na Instituição até a data da vigência desta Lei
cidos em regulamento.
Art. 117 - A remuneração e proventos não estão sujeitos a pe-
Art. 114 - Conceder-se-á indenização de transporte ao policial nhora, sequestro ou arresto, exceto em casos previstos em Lei.
militar que realizar despesas com a utilização de meio próprio de
locomoção para execução de serviços externos, na sede ou fora Art. 118 - O valor do soldo de um mesmo grau hierárquico é
dela, no interesse da administração, na forma e condições estabe- igual para o policial militar da ativa e da inatividade, ressalvado o
lecidas em regulamento. disposto no inciso II, do art. 92, desta Lei.

Art. 115 - O policial militar da ativa que venha a ser reforma- Art. 119 - Por ocasião de sua passagem para a inatividade, o
do por incapacidade definitiva e considerado inválido, impossibili- policial militar terá direito a tantas quotas de soldo quantos forem
tado total e permanentemente para qualquer trabalho, não podendo os anos de serviço, computáveis para a inatividade até o máximo
prover os meios de sua subsistência, fará jus a um auxílio-inva- de trinta anos, ressalvado o disposto do inciso II, do art. 92, desta
lidez no valor de 25% (vinte e cinco por cento) do soldo com a Lei.
gratificação de tempo de serviço, desde que satisfaça a uma das Parágrafo único - Para efeito de contagem dessas quotas, a
condições abaixo especificada, devidamente declaradas por junta
fração de tempo igual ou superior a cento e oitenta dias será con-
oficial de saúde:
siderada um ano.
I - necessitar de internamento em instituição apropriada, poli-
cial militar ou não;
II - necessitar de assistência ou de cuidados permanentes de Art. 120 - A proibição de acumular proventos de inatividade
enfermagem. não se aplica aos policiais militares da reserva remunerada e aos
§ 1º - Quando, por deficiência hospitalar ou prescrição médica reformados quanto ao exercício de mandato eletivo, observado o
comprovada por Junta Policial Militar de Saúde, o policial militar que dispõe a Constituição Federal.
em uma das condições previstas neste artigo, receber tratamento
na própria residência, também fará jus ao auxílio-invalidez.

Didatismo e Conhecimento 27
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 121 - Os proventos da inatividade serão revistos na mes- IV - “post mortem”;
ma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remune- V - ressarcimento de preterição.
ração dos policiais militares em atividade, sendo também estendi- § 1º - Promoção por antiguidade é a que se baseia na prece-
dos aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente dência hierárquica de um oficial PM sobre os demais de igual pos-
concedidos aos policiais militares em atividade, inclusive quando to, dentro de um mesmo Quadro, decorrente do tempo de serviço.
decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou fun- § 2º - Promoção por merecimento é a que se baseia no conjun-
ção em que se deu a aposentadoria, na forma da Lei. to de atributos e qualidades que distinguem e realçam o valor do
Parágrafo único - Ressalvados os casos previstos em Lei, os policial militar entre seus pares, avaliados no decurso da carreira
proventos da inatividade não poderão exceder à remuneração per- e no desempenho de cargos e comissões exercidos, em particular
cebida pelo policial militar da ativa no posto ou graduação corres- no posto que ocupa.
pondente aos seus proventos. § 3º - A promoção por bravura é a que corresponde ao reco-
nhecimento, pela Instituição, da prática, pelo policial militar, de
Art. 121-A - Aos policiais militares que exerçam atribuição ato ou atos não comuns de coragem e audácia, em razão do serviço
de motorista e motociclista de viatura fica concedida isenção de que, ultrapassando os limites normais do cumprimento do dever,
pagamento das taxas devidas ao Departamento Estadual de Trân- representem feitos indispensáveis ou úteis às operações policiais
sito para renovação e mudança na categoria da Carteira Nacional militares, pelos resultados alcançados ou pelo exemplo positivo
de Habilitação. deles emanados, observando-se o seguinte:
Art. 121-A acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de a) ato de bravura, considerado altamente meritório, é apurado
junho de 2010. em sindicância procedida por um Conselho Especial para este fim
designado pelo Comandante Geral;
SEÇÃO VI - b) na promoção por bravura não se aplicam as exigências esti-
DA PROMOÇÃO puladas para promoção por outro critério previsto nesta Lei;
Subseção I - c) será concedida ao oficial promovido por bravura, quando
GENERALIDADES for o caso, a oportunidade de satisfazer as condições de acesso ao
posto ou graduação a que foi promovido, de acordo com o regula-
Art. 122 - O acesso na hierarquia policial militar, fundamen- mento desta Lei.
tado principalmente no desempenho profissional e valor moral, é § 4º - A promoção post mortem é a que visa expressar o reco-
seletivo, gradual e sucessivo e será feito mediante promoções, de nhecimento do Estado ao policial militar falecido no cumprimen-
conformidade com a legislação e regulamentação de promoções to do dever, ou em consequência deste, em situação em que haja
de modo a obter-se um fluxo ascensional regular e equilibrado de ação para a preservação da ordem pública, ou em consequência de
carreira. ferimento, quando no exercício da sua atividade ou em razão de
Parágrafo único - O planejamento da carreira dos policiais mi- acidente em serviço, doença, moléstia ou enfermidades contraídas
litares é atribuição do Comando Geral da Polícia Militar. no cumprimento do dever ou que neste tenham tido sua origem.
a) os casos de morte por ferimento, doença, moléstia ou enfer-
Art. 123 - A promoção tem como finalidade básica o preenchi- midades referidos neste artigo, serão comprovados por atestado de
mento de vagas pertinentes ao grau hierárquico superior, com base origem ou inquérito sanitário de origem, quando não houver outro
nos efetivos fixados em Lei para os diferentes quadros. procedimento apuratório, sendo utilizados como meios subsidiá-
Parágrafo único - A forma gradual e sucessiva da promoção rios para esclarecer a situação os termos relativos ao acidente, à
resultará de um planejamento organizado de acordo com as suas baixa ao hospital, bem como as papeletas de tratamento nas enfer-
peculiaridades e dependerá, além do atendimento aos requisitos marias e hospitais e os respectivos registros de baixa;
estabelecidos neste Estatuto e em regulamento, do desempenho sa- b) no caso de falecimento do policial militar, a promoção por
tisfatório de cargo ou função e de aprovação em curso programado bravura exclui a promoção post mortem que resulte das conse-
para os diversos postos e graduações. quências do ato de bravura.
§ 5º - Em casos extraordinários, poderá haver promoção em
Art. 124 - Os Alunos Oficiais que concluírem o Curso de For- ressarcimento de preterição, outorgada após ser reconhecido, ad-
mação de Oficiais serão declarados Aspirantes a Oficial pelo Co- ministrativa ou judicialmente, o direito ao policial militar preterido
mandante Geral da Policia Militar. à promoção que lhe caberia, observado o seguinte:
a) caracteriza-se essa hipótese e o seu direito à promoção
Art. 125 - Os alunos dos diversos cursos de formação de Pra- quando o policial militar.
ças que concluírem os respectivos Cursos serão promovidos pelo 1. tiver solução favorável a recurso interposto;
Comandante Geral às respectivas graduações. 2. tiver cessada sua situação de desaparecido ou extraviado;
3. for absolvido ou impronunciado no processo a que estiver
Subseção II - respondendo, quando a sentença transitar em julgado;
DOS CRITÉRIOS DE PROMOÇÕES 4. for considerado não culpado em processo administrativo
disciplinar.
Art. 126 - As promoções serão efetuadas pelos critérios de: b) a promoção em ressarcimento de preterição será conside-
I - antiguidade; rada efetuada segundo os critérios de antiguidade, recebendo o
II - merecimento; policial militar promovido o número que lhe competia na escala
III - bravura; hierárquica, como se houvesse sido promovido na época devida.

Didatismo e Conhecimento 28
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 127 - As promoções são efetuadas: pontos de vista da Pré-qualificação para a Promoção(Lista de Pré-
I - para as vagas de Coronel PM, somente pelo critério de qualificação - LPQ), do critério de Antiguidade (Lista de Acesso
merecimento; por Antiguidade - LAA) , do critério de Merecimento (Lista de
II - para as vagas de Tenente Coronel PM, Major PM, Capitão Acesso por Merecimento - LAM) e dos concorrentes finais à ele-
PM, 1º Tenente PM, e 1º Sargento PM, pelos critérios de antigui- vação (Lista de Acesso Preferencial - LAP).
dade e merecimento, de acordo com a seguinte proporcionalidade § 1º - A Lista de Pré-qualificação (LPQ) é a relação dos Ofi-
em relação ao número de vagas; ciais e Praças concorrentes que satisfazem às condições de acesso
III - para o posto de Tenente Coronel - uma por antiguidade e e estão compreendidos nos limites quantitativos de antiguidade,
quatro por merecimento; fixados no Regulamento de Promoções.
IV - para o posto de Major PM - uma por antiguidade e duas § 2º - A Lista de Acesso por Antiguidade (LAA) é a relação
por merecimento; dos Oficiais e Praças pré-qualificados, concorrentes ao acesso por
V - para o posto de Capitão PM - uma por antiguidade e uma esse critério, dispostos em ordem decrescente de antiguidade.
por merecimento; § 3º - A Lista de Acesso por Merecimento (LAM) é a relação
VI - para o posto de 1º Tenente PM - somente pelo critério de dos Oficiais e Praças pré-qualificados e habilitados ao acesso, por
antiguidade; pontuação igual ou superior à média do total de pontos dos con-
VII - para a graduação de Subtenente PM – uma por antigui- correntes em face da apreciação do seu desempenho profissional,
dade e três por merecimento; mérito e qualidades exigidas para a promoção.
Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro § 4º - A Lista de Acesso Preferencial (LAP) é o elenco de
de 2009. Oficiais e Praças pré-qualificados e habilitados segundo o número
Redação original: “VII - para a graduação de 1º Sargento e espécie de vagas existentes sob cada critério.
PM - uma por antiguidade e duas por merecimento.”
VIII - para a graduação de 1º Sargento PM – uma por antigui- Art. 129 - As Listas de Acesso serão organizadas na data e na
dade e duas por merecimento; forma da regulamentação da presente Lei.
Inciso VIII acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro § 1º - Os parâmetros para a avaliação do desempenho utili-
de 2009. zados para a composição das Listas devem considerar, além dos
IX - para a graduação de Cabo PM - somente pelo critério de requisitos compatíveis com as características profissiográficas do
antiguidade. posto e graduação visados:
Redação de acordo com o art. 3 da Lei nº 11.920, de 29 de a) a eficiência revelada no desempenho de cargos e comissões;
junho de 2010. Redação anterior de acordo com o art. 6º da Lei b) a potencialidade para o desempenho de cargos mais ele-
nº 11.356, de janeiro de 2009, que acrescentou este inciso ao art. vados;
127: “IX - para a graduação de Cabo PM – uma por antiguidade c) a capacidade de liderança, iniciativa e presteza nas deci-
e uma por merecimento;” sões;
X - para a graduação de Soldado 1ª Cl PM – somente pelo d) os resultados obtidos em cursos de interesse da Instituição;
critério de antiguidade. e) realce do oficial entre seus pares;
Inciso X acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro f) a conduta moral e social;
de 2009. g) satisfatório condicionamento físico, apurado em teste de
§ 1º - Quando o policial militar concorrer à promoção por am- aptidão física.
bos os critérios, o preenchimento da vaga de antiguidade poderá § 2º - O mérito e as qualidades consideradas para fins de pon-
ser feito pelo critério de merecimento, sem prejuízo do cômputo tuação são aferidos a partir dos itens constantes de fichas de infor-
das futuras quotas de merecimento. mações, elaboradas e tabuladas pelas Subcomissões de Avaliação
§ 1º acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro de de Desempenho.
2009.
§ 2º revogado pelo art. 6 da Lei nº 11.920, de 29 de junho de Art. 130 - O Oficial e o Praça não poderá constar da Lista de
2010. § 2º acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro de Pré-qualificação, quando:
2009. I - não satisfizer aos requisitos de:
a) interstício;
Art. 127-A - Para ser promovido à graduação de Cabo é in- b) aptidão física; ou
dispensável que o Soldado de 1ª Classe esteja incluído na Lista de c) as peculiaridades inerentes a cada posto ou graduação dos
Acesso por Antiguidade, tenha bom comportamento e que sejam diferentes quadros.
observados os demais requisitos legais. II - for considerado não habilitado para o acesso, em caráter
Art. 127-A acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de provisório, a juízo da Subcomissão de Avaliação de Desempenho
junho de 2010. (SAD), por incapacidade de atendimento aos requisitos de:
a) desempenho profissional;
Subseção III - b) conceito moral.
DAS LISTAS DE ACESSO III - encontrar-se preso por motivação processual penal ou
penal;
Art. 128 - Listas de Acesso à promoção são relações de Ofi- IV - for denunciado ou pronunciado em processo crime, en-
ciais e Praças dos diferentes Quadros, organizadas por postos e quanto a sentença final não transitar em julgado;
graduações, objetivando o enquadramento dos concorrentes sob os V - estiver submetido a processo administrativo disciplinar;

Didatismo e Conhecimento 29
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
VI - estiver preso preventivamente, em virtude de inquérito Art. 133 - A inabilitação do Oficial ou Praça para o acesso,
policial militar ou instrução penal de quaisquer jurisdições; em caráter definitivo, somente resultará de ato do Governador do
VII - encontrar-se no cumprimento de sentença penal transita- Estado, para o primeiro e, do Comandante Geral da PMBA, em
da em julgado por crime de jurisdição penal militar ou comum, en- decorrência de processo administrativo disciplinar.
quanto durar o cumprimento da pena, devendo, no caso de suspen-
são condicional, ser computado o tempo acrescido à pena original; Subseção IV -
VIII - estiver licenciado para tratar de interesse particular; DAS CONDIÇÕES BÁSICAS PARA A PROMOÇÃO
IX - for condenado à pena de suspensão do exercício do posto
ou graduação, cargo ou função prevista no Código Penal Militar ou Art. 134 - Para ser promovido pelo critério de antiguidade ou
em legislação penal ou extra-penal extravagante, durante o prazo de merecimento, é indispensável que o policial militar esteja in-
de suspensão; cluído na Lista de Pré-qualificação.
X - for considerado desaparecido; § 1º - Para ingressar na Lista de Pré-qualificação, é necessário
XI - for considerado extraviado; que o Oficial ou Praça PM satisfaça os seguintes requisitos essen-
XII - for considerado desertor; ciais, estabelecidos para cada posto ou graduação:
XIII - estiver em débito para com a Fazenda Estadual, por a) condições de acesso;
alcance; b) interstício;
XIV - estiver cumprindo pena acessória de interdição para o c) aptidão física;
exercício de função pelo dobro do prazo da pena aplicada por con- d) as peculiaridades dos diferentes quadros, reconhecidas
denação por crime de tortura; através da aprovação em Curso preparatório para o novo posto ou
XV - estiver cumprindo sanção administrativa de suspensão graduação.
do cargo, função ou posto ou graduação, ou pena de impedimento e) conceito profissional;
de exercício de funções no município da culpa, por condenação em f) conceito moral.
processo por abuso de autoridade. § 2º - Interstício, para fins de ingresso em Lista de Pré-qua-
§ 1º - Na hipótese do inciso II deste artigo o Oficial ou Praça lificação, é o tempo mínimo de permanência em cada posto ou
será submetido a Processo Administrativo Disciplinar. graduação:
§ 2º - Recebido o relatório da Comissão, instaurado na forma a) no posto de Tenente-Coronel PM – trinta meses;
do parágrafo anterior, o Governador do Estado ou o Comandante b) no posto de Major PM – trinta e seis meses;
Geral decidirá sobre a inabilitação para o acesso. c) no posto de Capitão PM – quarenta e oito meses;
§ 3º - Além das hipóteses previstas neste artigo, será excluído d) no posto de 1º Tenente PM – quarenta e oito meses;
de qualquer Lista de Acesso o Oficial ou Praça que: e) na graduação de Aspirante-a-Oficial PM – doze meses;
a) nela houver sido incluído indevidamente; f) na graduação de 1º Sargento PM – oitenta e quatro meses;
b) houver sido promovido; g) na graduação de Cabo PM – noventa e seis meses;
c) houver falecido; h) na graduação de Soldado 1ª Cl PM – cento e vinte meses.
Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
d) houver passado para a inatividade.
de 2009.
Redação original: “§ 2º - Interstício, para fins de ingresso em
Art. 131 - Será excluído da Lista de Acesso por Merecimento
Lista de Pré-qualificação é o tempo mínimo de permanência em
(LAM) já organizada, ou dela não poderá constar, o Oficial ou Pra-
cada posto ou graduação: a) para o posto de Coronel PM - trinta
ça que estiver ou vier a estar agregado:
meses; b) para o posto de Tenente Coronel PM - trinta e seis me-
I - por motivo de gozo de licença para tratamento de saúde de
ses; c) para o posto de Major PM - quarenta e oito meses; d) para
pessoa da família, por prazo superior a seis meses contínuos;
o posto de Capitão PM - quarenta e oito meses; e) para o posto de
II - em virtude de exercício de cargo, emprego ou função pú- Tenente PM - sessenta meses; f) para a Aspirante Oficial PM - doze
blica de provimento temporário, inclusive da administração indi- meses; g) para a graduação de Sargento PM - sessenta meses.”
reta; § 3º - É, ainda, condição essencial ao ingresso na Lista de Pré-
III - por ter passado à disposição de órgão do Governo Fe- qualificação para promoção ao posto de coronel do QOPM o exer-
deral, do Governo do Estado ou de outro Estado ou do Distrito cício de função arregimentada, como oficial superior, por vinte e
Federal, para exercer função de natureza civil. quatro meses, consecutivos ou não, sendo pelo menos doze meses,
Parágrafo único - Para ser incluído ou reincluído na Lista de na chefia, comando, direção ou coordenação ou no exercício de
Acesso por Merecimento (LAM), o Oficial ou Praça a que se refere cargo de direção e assessoramento superior, exercido na atividade
este artigo deve reverter ao serviço ativo da Instituição, pelo me- policial militar ou de natureza policial militar no âmbito da admi-
nos noventa dias antes da data de reunião da Comissão de Promo- nistração pública estadual.
ções para avaliação dos concorrentes à promoção para o período § 4º - O regulamento de promoções definirá e discriminará
ao qual se referir. as condições de acesso, de arregimentação, as unidades com au-
tonomia administrativa e os procedimentos para a avaliação dos
Art. 132 - O Oficial ou Praça que deixar no posto ou gradua- conceitos profissional e moral.
ção, de figurar por três vezes consecutivas ou não, em Lista de § 5º - Os períodos de interstício e de serviço arregimentado
Acesso por Merecimento (LAM) por insuficiência de desempe- previstos nesta Lei, só poderão ser reduzidos pelo Governador do
nho, se cada uma delas foi integrada por oficial com menos tempo Estado quando justificada a modificação em face da necessidade
de serviço no posto, é considerado inabilitado para a promoção ao excepcional do serviço policial militar.
posto imediato pelo critério de merecimento.

Didatismo e Conhecimento 30
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 135 - A promoção pelo critério de antiguidade competirá Art. 139 - As promoções serão coordenadas e processadas pela
ao policial militar que, estando na Lista de Acesso, for o mais an- Comissão de Promoções de Oficiais, com base no exame de mérito
tigo da escala numérica em que se achar. procedido pelas Subcomissões de Avaliação de Desempenho.
Parágrafo único - A antiguidade para a promoção é contada no § 1º - Integram a Comissão de Promoções de Oficiais as se-
posto ou graduação, deduzido o tempo relativo: guintes Subcomissões de Avaliação de Desempenho:
a) ausência não justificada; a) Subcomissão “A” - para avaliação de desempenho de Te-
b) prisão disciplinar com prejuízo do serviço; nentes constituída por dois Majores e dois Tenentes Coronéis, e
c) cumprimento de pena judicial privativa da liberdade; presidida por um Coronel, designados pelo Comandante Geral;
d) suspensão das funções, por determinação judicial ou admi- b) Subcomissão “B” - para avaliação de desempenho de Capi-
nistrativa; tães constituída por quatro Tenentes Coronéis e presidida por um
e) licença para tratar de assunto particular; Coronel designados pelo Comandante Geral;
f) agregação, como excedente, por ter sido promovido inde- c) Subcomissão “C” - para avaliação de desempenho de Ma-
vidamente; jores e Tenentes Coronéis, constituída por quatro Coronéis desig-
g) afastamento para realização de curso ou estágio, custeado nados pelo Comandante Geral e presidida pelo Diretor de Admi-
pelo Estado, em que não tenha logrado aprovação. nistração.
d) Subcomissão “D” - para avaliação de desempenho de Sub-
Art. 136 - O policial militar que se julgar prejudicado em seu tenentes, 1ºs Sargentos e Cabos, constituída por cinco Tenentes
direito à promoção em consequência de composição de Lista de Coronéis ou Majores Comandantes de Unidades Operacionais, o
Acesso poderá impetrar recurso ao Comandante Geral da Institui- Coordenador de Operações e o Diretor do Departamento de Pes-
ção, como primeira instância na esfera administrativa, conforme soal, que a presidirá;
previsto no art. 96 desta Lei. Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
Parágrafo único - Os recursos referentes à composição de Lis- de 2009.
ta de Acesso e à promoção deverão ser solucionados no prazo de Redação original: “d) Subcomissão “D” - para avaliação
15 (quinze) dias, contados da data de seu recebimento. de desempenho de Sargentos constituída por cinco Tenentes Co-
ronéis ou Majores Comandantes de Unidades Operacionais, o
Subseção V - Coordenador de Operações e o Diretor de Administração, que a
DO PROCESSAMENTO DAS PROMOÇÕES presidirá;”
e) Subcomissão “E” - para avaliação de desempenho de Sol-
Art. 137 - O ato de promoção dos Oficiais é consubstanciado dados constituída por seis Tenentes Coronéis ou Majores Coman-
por decreto do Governador do Estado, sendo o das Praças efetiva- dantes de Unidades Operacionais, o Comandante de Policiamento
do por ato administrativo do Comandante Geral. da Capital, o Comandante de Policiamento do Interior e o Diretor
§ 1º - O ato de nomeação para o posto inicial de carreira, bem de Administração, que a presidirá.
como o de promoção ao primeiro posto de oficial superior, acarreta § 2º - A Comissão de Promoções de Oficiais, de caráter per-
expedição de Carta Patente, pelo Governador do Estado. manente, presidida pelo Comandante Geral da Instituição é cons-
§ 2º - A promoção aos demais postos é apostilada à última tituída de membros natos e efetivos sob as seguintes condições:
Carta Patente expedida. a) são membros natos da Comissão de Promoções de Oficiais
o Comandante Geral, o Subcomandante Geral e o Diretor do De-
Art. 138 - Nos diferentes Quadros, as vagas que se devem partamento de Pessoal;
considerar para a promoção serão provenientes de: Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
I - promoção ao posto ou graduação superior; de 2009.
II - agregação; Redação original: “a) são membros natos da Comissão de
III - passagem à situação de inatividade; Promoções de Oficiais o Comandante Geral, o Subcomandante
IV - demissão; Geral e o Diretor do Departamento de Administração; «
V - falecimento; b) os membros efetivos da Comissão são 04 (quatro) Coro-
VI - aumento de efetivo. néis do Quadro de Oficiais Policiais Militares (QOPM), designa-
§ 1º - As vagas são consideradas abertas: dos pelo Governador do Estado, pelo prazo de 01 (um) ano, que
a) na data da assinatura do ato que promover, passar para a estejam em exercício de cargo da Polícia Militar previsto em QO,
inatividade, demitir ou agregar o policial militar; podendo haver recondução para igual período.
b) na data do óbito do policial militar; Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro
c) como dispuser a Lei, no caso de aumento de efetivo. de 2009.
§ 2º - Cada vaga aberta em determinado posto ou graduação Redação original: “b) os membros efetivos da Comissão
acarretará vaga nos postos ou graduações inferiores, sendo esta são quatro Coronéis do Quadro de Oficiais Policiais militares
sequência interrompida no posto ou graduação em que houver (QOPM), designados pelo Comandante Geral da Instituição,
preenchimento por excedente. pelo prazo de um ano, que estejam em exercício de cargo da Po-
§ 3º - Serão também consideradas as vagas que resultarem das lícia Militar previsto em QO, há mais de seis meses, podendo
transferências “ex officio” para a reserva remunerada já previstas, haver recondução para igual período.”
até a data da promoção, inclusive por implemento de idade. § 3º - A Comissão de Promoções de Praças, de caráter perma-
§ 4º - Não preenche vaga o policial militar que, estando agre- nente, presidida pelo Subcomandante Geral da Instituição é cons-
gado, venha a ser promovido e continue na mesma situação. tituída de membros natos e efetivos sob as seguintes condições:

Didatismo e Conhecimento 31
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
a) são membros natos da Comissão de Promoções de Praças nar de natureza grave e em caso de internamento hospitalar, terá o
o Subcomandante Geral, o Diretor do Departamento de Adminis- policial militar interrompido ou deixará de gozar na época prevista
tração, o Coordenador de Operações, e o Diretor do Instituto de o período de férias a que tiver direito, registrando-se o fato nos
Ensino e o Chefe de Gabinete da Casa Militar; seus assentamentos.
b) os membros efetivos 03 (três) Oficiais Superiores, Co- § 5º - Na impossibilidade de gozo de férias no momento opor-
mandantes de Unidade Operacional da Capital e 03 (três) Oficiais tuno pelos motivos previstos no parágrafo anterior, ressalvados os
Superiores, Comandantes de Unidade Operacional do Interior, casos de cumprimento de punição decorrente de transgressão dis-
designados pelo Comandante Geral da Instituição, pelo prazo de ciplinar de natureza grave, o período de férias não usufruído será
um ano, que estejam, há mais de seis meses, podendo haver recon- indenizado pelo Estado.
dução para igual período. § 6º - Independentemente de solicitação será pago ao policial
§ 4º - As Subcomissões de Avaliação têm como finalidade militar, por ocasião das férias, um acréscimo de 1/3 (um terço) da
subsidiar o processo promocional através da indicação dos poli- remuneração correspondente ao período de gozo.
ciais militares aptos à elevação por excelência de desempenho, § 7º - As férias serão gozadas de acordo com escala organiza-
sendo constituídas sob as seguintes condições: da pela unidade administrativa ou operacional competente.
a) os membros serão designados pelo Comandante Geral da § 8º - É facultado ao policial militar converter 1/3 (um terço)
Instituição, dentre os Oficiais que estejam no exercício de cargo do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, desde
em Unidade Administrativa ou Operacional da Polícia Militar pre- que o requeira com antecedência mínima de sessenta dias.
vista no QO há mais de seis meses; § 9º - No cálculo do abono pecuniário será considerado o va-
b) o mandato é de um ano sem direito à recondução no posto. lor do acréscimo de férias previsto no § 6º deste artigo, sendo o
§ 5º - A critério do Comandante Geral poderão ser criadas, pagamento dos benefícios efetuado no mês anterior ao do início
em cada Unidade Administrativa ou Operacional, órgãos colegia- das férias.
dos, de composição compatível como o seu efetivo, denominados
Subcomissões Setoriais de Avaliação de Desempenho, destinados Art. 141 - Obedecidas as disposições legais e regulamenta-
a subsidiar o processo de avaliação. res, o policial militar tem direito, ainda, aos seguintes períodos de
§ 6º - As subcomissões de que trata o parágrafo anterior serão afastamento total do serviço sem qualquer prejuízo, por motivo de:
integradas pelo Comandante, Chefe ou Diretor, Subcomandante, I - núpcias: oito dias;
Subchefe, e Subdiretor, Chefe da UPO, Chefe da UAAF e um re- II - luto: oito dias;
presentante eleito pela unidade, do posto ou graduação avaliado. III - instalação: até dez dias;
§ 7º - O regulamento de Promoções definirá as atribuições e IV - trânsito: até trinta dias;
o funcionamento das Comissões de Promoções de Oficiais e de V - amamentação;
Praças e, das Subcomissões de Avaliação de Desempenho. VI - doação de sangue: um dia, por semestre.
§ 1º - O afastamento por luto é relativo ao falecimento de côn-
SEÇÃO VII – juge, companheiro(a), pais, padrasto ou madrasta, filhos, enteados,
DAS FÉRIAS E DOS AFASTAMENTOS TEMPORÁRIOS menor sob guarda e tutela e irmãos, desde que comprovados me-
DO SERVIÇO diante documento hábil.
§ 2º - O afastamento para amamentação do próprio filho ou
Art. 140 - O policial militar fará jus, anualmente, a trinta dias adotado, é devido até que este complete seis meses e consistirá
consecutivos de férias, que, no caso de necessidade do serviço, em dois descansos na jornada de trabalho, de meia hora cada um,
podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, sob as con- quando o exigir a saúde do lactente, este período poderá ser di-
dições dos parágrafos seguintes: latado, a critério da autoridade competente, em despacho funda-
§ 1º - Para o primeiro período aquisitivo serão exigidos doze mentado
meses de exercício; para os demais, o direito será reconhecido após § 3º - Preservado o interesse do serviço e carga horária a que
cada período de doze meses de efetivo serviço, podendo ser goza- está obrigado o policial militar, poderá ser concedido horário es-
das dentro do exercício a que se refere, segundo previsão constante pecial ao policial militar estudante, quando comprovada a incom-
de Plano de Férias, de responsabilidade da Unidade em que serve. patibilidade do horário escolar com o da Unidade, sem prejuízo
§ 2º - Serão responsabilizados os Comandantes, Diretores, do exercício do cargo e respeitada a duração semanal do trabalho,
Coordenadores e Chefes que prejudicarem, injustificadamente, a condicionada à compensação de horários.
concessão regular das férias.
§ 3º - A concessão de férias não será prejudicada pelo gozo Art. 142 - As férias e outros afastamentos mencionados nos
anterior de licença para tratamento de saúde, licença prêmio por arts. 140 e 141 são concedidos com a remuneração do respectivo
assiduidade, nem por punição anterior, decorrente de transgressão posto ou graduação, cargo e vantagens deste decorrentes e compu-
disciplinar, pelo estado de guerra, de emergência ou de sítio ou tados como tempo de efetivo serviço para todos os efeitos legais.
para que sejam cumpridos atos de serviço, bem como não anula o
direito àquelas licenças.
§ 4º - Somente em casos de interesse da segurança nacional,
de grave perturbação da ordem, de calamidade pública, comoção
interna, transferência para a inatividade ou como medida adminis-
trativa de cunho disciplinar, seja por afastamento preventivo ou
para cumprimento de punição decorrente de transgressão discipli-

Didatismo e Conhecimento 32
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
SEÇÃO VIII - § 5º - O direito de requerer licença prêmio por assiduidade não
DAS LICENÇAS prescreve nem está sujeito a caducidade.
Subseção I - § 6º - Uma vez concedida a licença prêmio por assiduidade, o
GENERALIDADES policial militar, dispensado do exercício das funções que exercer,
ficará à disposição do órgão de pessoal da Polícia Militar.
Art. 143 - Licenças são autorizações para afastamento total do § 7º - Não se concederá licença prêmio por assiduidade a po-
serviço, em caráter temporário, concedidas ao policial militar em licial militar que no período aquisitivo:
consonância com as disposições legais e regulamentares que lhes a) sofrer sanção disciplinar de detenção;
são pertinentes. b) afastar-se do cargo em virtude de:
1. licença para tratamento de saúde de pessoa da família;
Art. 144 - As licenças poderão ser interrompidas a pedido ou 2. licença para tratar de interesse particular;
nas condições estabelecidas neste artigo. 3. condenação a pena privativa de liberdade, por sentença de-
Parágrafo único - A interrupção da licença prêmio por assidui- finitiva;
dade e da licença para tratar de interesse particular poderá ocorrer: 4. autorização para acompanhar cônjuge ou companheiro.
a) em caso de mobilização e estado de guerra;
b) em caso de decretação de estado de defesa ou estado de Art. 147 - Licença para tratar de interesse particular é a auto-
sítio; rização para o afastamento total do serviço, concedida ao policial
c) para cumprimento de sentença que importe em restrição da militar com mais de dez anos de efetivo serviço que a requerer com
liberdade individual; aquela finalidade, pelo prazo de até três anos, sem remuneração e
d) para cumprimento de punição disciplinar, conforme regula- com prejuízo do cômputo do tempo de efetivo serviço.
do pelo Comando Geral; § 1º - O policial militar deverá aguardar a concessão da licen-
e) em caso de denúncia ou de pronúncia em processo criminal ça em serviço.
ou indiciamento em inquérito policial militar, a juízo da autoridade § 2º - A licença para tratar de interesse particular poderá ser
que efetivou a denúncia ou a indiciação.
interrompida a qualquer tempo, a pedido do policial militar ou por
motivo de interesse público, mediante ato fundamentado da auto-
Subseção II -
ridade que a concedeu.
DAS ESPÉCIES DE LICENÇA
§ 3º - Não será concedida nova licença para tratar de interesse
particular antes de decorridos dois anos do término da anterior,
Art. 145 - São licenças do serviço policial militar:
salvo para completar o período de que trata este artigo.
I - prêmio por assiduidade;
§ 4º - A licença para tratar de interesse particular fica condi-
II - para tratar de interesse particular;
III - para tratamento de saúde de pessoa da família; cionada à indicação, pelo beneficiário, do local onde poderá ser
IV - para tratamento da própria saúde; encontrado, para fins de mobilização ou interrupção, respondendo
V - por motivo de acidente; omissão, falsidade ou mudança não comunicada de domicilio à
VI - por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro; Administração.
VII - para o policial militar atleta participar de competição
oficial; Art. 148 - Licença para tratamento de saúde de pessoa da fa-
VIII - à gestante; mília é o afastamento total do serviço que poderá ser concedido ao
IX - paternidade e à (o) adotante . policial militar, mediante prévia comprovação do estado de saúde
do familiar adoentado por meio de junta médica oficial.
Art. 146 - Licença prêmio por assiduidade é a autorização § 1º - A interrupção de licença para tratamento de saúde de
para o afastamento total do serviço, concedida a título de reconhe- pessoa da família para cumprimento de pena disciplinar que im-
cimento da Administração pela constância de frequência ao expe- porte em restrição da liberdade individual, será regulada pelo Co-
diente ou às atividades da missão policial militar, relativa a cada mando Geral.
quinquênio de tempo de efetivo serviço prestado, sem qualquer § 2º - A licença para tratamento de saúde de pessoa da famí-
restrição para a sua carreira ou redução em sua remuneração. lia será sempre concedida com prejuízo da contagem de tempo de
§ 1º - A licença prêmio por assiduidade tem a duração de três efetivo serviço e a remuneração durante seu gozo obedecerá aos
meses, a ser gozada de uma só vez quando solicitada pelo interes- termos do parágrafo 6º deste artigo.
sado e julgado conveniente pela autoridade competente, poderá ser § 3º - Pessoas da família para efeito da concessão de que trata
parcelada em períodos não inferiores a trinta dias. o caput deste artigo são:
§ 2º - O período de licença prêmio por assiduidade não inter- a) o cônjuge ou companheiro(a);
rompe a contagem de tempo de efetivo serviço. b) os pais, o padastro ou madrasta;
§ 3º - Os períodos de licença prêmio por assiduidade não go- c) os filhos, enteados,
zados pelo policial militar são computados em dobro para fins ex- d) menor sob guarda ou tutela;
clusivos de contagem de tempo para a passagem à inatividade e, e) os avós;
nesta situação, para todos os efeitos legais. f) os irmãos menores ou incapazes.
§ 4º - A licença prêmio por assiduidade não é prejudicada pelo § 4º - A licença somente será deferida se a assistência direta do
gozo anterior de licença para tratamento de saúde própria e para policial militar for indispensável e não puder ser prestada simul-
que sejam cumpridos atos de serviço, bem como não anula o direi- taneamente com o exercício do cargo, o que deverá ser apurado
to àquelas licenças. através de sindicância social.

Didatismo e Conhecimento 33
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 5º - É vedado o exercício de atividade remunerada durante § 9º - A licença para tratamento de saúde será concedida sem
o período da licença, constituindo a constatação de burla motivo prejuízo da remuneração, sendo vedado ao policial militar o exer-
para a sua cassação e apuração de responsabilidade administrativa. cício de qualquer atividade remunerada, sob pena de cassação da
§ 6º - A remuneração da licença para tratamento de saúde de licença, sem prejuízo da apuração da sua responsabilidade funcio-
pessoa da família será concedida: nal.
a) com remuneração integral - até três meses; § 10 - A modalidade de licença compulsória para tratamento
b) com 2/3 (dois terços) da remuneração - quando exceder a de saúde será aplicada quando restar verificado que o policial mili-
três e não ultrapassar seis meses; tar é portador de uma das moléstias graves enumeradas nos diver-
c) com 1/3 (um terço) da remuneração - quando exceder a seis sos incisos deste parágrafo cujo estado, a juízo clínico, se tornou
e não ultrapassar doze meses. incompatível com o exercício das funções do cargo ou arriscado
§ 7º - O policial militar não poderá permanecer de licença para as pessoas que o cercam:
para tratamento de saúde de pessoa de família, por mais de vinte e a) tuberculose ativa;
quatro meses, consecutivos ou interpolados. b) hanseníase;
c) alienação mental;
Art. 149 - Licença para tratamento da própria saúde é o afasta- d) neoplasia maligna;
mento total do serviço, concedido ao policial militar até o período e) cegueira posterior ao ingresso no serviço público;
máximo de dois anos, a pedido ou compulsoriamente, de oficio, f) paralisia irreversível e incapacitante;
com base em perícia realizada por junta médica oficial, sem pre- g) cardiopatia grave;
juízo do cômputo do tempo de serviço e da remuneração a que h) doença de Parkinson;
fizer jus: i) espondiloartrose anquilosante;
§ 1º - Para licença até quinze dias, a inspeção poderá ser feita j) nefropatia grave;
por médico de setor de assistência médica da Polícia Militar, Mé- k) estado avançado da doença de Paget (osteite deformante);
dico Oficial ou credenciado sob as seguintes condições: l) síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS);
a) sempre que necessário, a inspeção médica será realizada m) esclerose múltipla;
na residência do policial militar ou no estabelecimento hospitalar n) contaminação por radiação;
onde ele se encontrar internado; o) outras que a Lei indicar, com base na medicina especiali-
b) inexistindo médico da Instituição ou vinculado a sistema zada.
oficial de saúde no local onde se encontrar o policial militar, será
Art. 150 - Licença por motivo de acidente é o afastamento
aceito atestado fornecido por médico particular, com validade
com remuneração integral e sem prejuízo do cômputo do tempo
condicionada a homologação pelo setor de assistência de saúde
de serviço a que faz jus o policial militar acidentado em serviço
da Instituição.
ou em decorrência deste que for vitimado em ocorrência policial
§ 2º - Durante os primeiros doze meses, o policial militar será
militar de que participou ou em que foi envolvido, estando ou não
considerado temporariamente incapacitado para o serviço; decor- escalado, oficialmente, de serviço.
rido esse prazo, será agregado na forma do inciso I do art. 23 desta § 1º - Equipara-se a acidente em serviço, para efeitos desta
Lei. Lei:
§ 3º - Decorrido um ano de agregação, na forma do parágrafo a) o fato ligado ao serviço, dele decorrente ou em cuja etiolo-
anterior, o policial militar será submetido a nova inspeção médica gia, de qualquer modo se identifique relação com o cargo, a função
e, se for considerado física ou mentalmente inapto para o exercí- ou a missão do serviço policial militar, que, mesmo não tendo sido
cio das funções do seu cargo, será julgado definitivamente incapaz a causa exclusiva do acidente, haja contribuído diretamente para a
para o serviço e reformado na forma do inciso II, do art. 177, desta provocação de lesão corporal, redução ou perda da sua capacidade
Lei. para o serviço ou produzido quadro clínico que exija repouso e
§ 4º - Se for considerado apto, na inspeção médica a que se re- atenção médica na sua recuperação;
fere o parágrafo anterior, para o exercício de funções burocráticas, b) o dano sofrido pelo policial militar no local e no horário do
o policial militar deverá ser a elas adaptado. serviço, dele decorrente ou em cuja etiologia, de qualquer modo,
§ 5º - Contar-se-á como de prorrogação o período compreen- exista relação de causa e efeito com o serviço, em consequência
dido entre o dia do término da licença e o do conhecimento, pelo de:
interessado, do resultado de nova avaliação a que for submetido se 1. ato de agressão ou sabotagem praticado por terceiro;
julgado apto para reassumir o exercício de suas funções; 2. ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo
§ 6º - Verificada a cura clínica, o policial militar voltará à ati- de disputa relacionada com o serviço e não constitua falta discipli-
vidade, ainda quando, a juízo de médico oficial deva continuar o nar do policial militar beneficiário;
tratamento, desde que as funções sejam compatíveis com suas con- 3. ato de imprudência, negligência ou imperícia de terceiro;
dições orgânicas. 4. desabamentos, inundações, incêndios e outros sinistros;
§ 7º - Para efeito da concessão de licença de ofício, o policial 5. casos fortuitos ou decorrentes de força maior.
militar é obrigado a submeter-se à inspeção médica determinada c) a doença proveniente de contaminação acidental do policial
pela autoridade competente para licenciar. No caso de recusa in- militar no exercício de sua atividade por substância tóxica e/ou
justificada, sujeitar-se-á às medidas disciplinares previstas nesta ionizante ou radioativa;
Lei. d) o dano sofrido em deslocamento ou viagem para o servi-
§ 8º - O policial militar poderá desistir da licença a pedido ço ou a serviço da polícia militar, independentemente do meio de
desde que, a juízo de inspeção médica, seja julgado apto para o locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do policial
exercício. militar.

Didatismo e Conhecimento 34
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 2º - Não é considerada agravação ou complicação de aciden- § 1º - Ao policial militar que adotar ou obtiver guarda judicial
te em serviço a lesão superveniente absolutamente independente, de criança de até um ano de idade serão concedidos cento e vinte
resultante de acidente de outra origem que se associe ou se super- dias de licença, para ajustamento da criança, a contar do dia em
ponha as consequências do anterior. que este chegar ao novo lar.
§ 2º - Na hipótese do parágrafo anterior, em se tratando de
Art. 151 - Licença por motivo de afastamento do cônjuge ou criança com mais de um ano de idade, o prazo será de sessenta
companheiro (a) é o afastamento do serviço, com prejuízo da re- dias.
muneração e do cômputo do tempo de serviço, de possível conces-
são ao policial militar que necessitar acompanhar companheiro ou CAPÍTULO II -
DAS PRERROGATIVAS
cônjuge, policial militar público estadual, que for deslocado para
SEÇÃO I -
outro ponto do Estado, do País ou do exterior, para realização de
CONSTITUIÇÃO E ENUMERAÇÃO
curso, treinamento ou missão ou para o exercício de mandato ele-
tivo dos Poderes Executivo e Legislativo. Art. 155 - As prerrogativas do policial militar são constituídas
Parágrafo único - Ocorrendo o deslocamento no território pelas honras, dignidades e distinções devidas aos graus hierárqui-
estadual o policial militar poderá ser lotado provisoriamente em cos e aos cargos.
Unidade Administrativa ou Operacional, desde que para exercício Parágrafo único - São prerrogativas do policial militar:
de atividade compatível com posto ou graduação. a) uso de títulos, uniformes, distintivos, insígnias e emblemas
da Polícia Militar do Estado, correspondentes ao posto ou à gra-
Art. 152 - Licença para o policial militar atleta participar de duação;
competição oficial é o afastamento do serviço concedível ao pra- b) honras, tratamento e sinais de respeito que lhes sejam asse-
ticante de desporto amador oficialmente reconhecido, durante o gurados em Leis e regulamentos;
período da competição oficial. c) cumprimento das penas disciplinares de prisão ou detenção
Parágrafo único - A licença para participação de competição somente em organização policial militar cujo Comandante, Coor-
desportiva será concedida sem prejuízo da remuneração e do côm- denador, Chefe ou Diretor tenha precedência hierárquica sobre o
puto do tempo de serviço. preso ou detido;
d) julgamento em foro especial, nos crimes militares;
Art. 153 - Licença à gestante é o afastamento total do serviço, e) o porte de arma, na conformidade da legislação federal per-
tinente.
sem prejuízo da remuneração e do cômputo do tempo de serviço,
concedido à policial militar no período de 120 dias consecutivos
Art. 156 - Somente em caso de flagrante delito ou em cumpri-
depois do parto.
mento de mandado judicial, o policial militar poderá ser preso por
§ 1º - Para os fins previstos neste artigo, o início do afastamen- autoridade policial civil, ficando esta obrigada a entregá-lo ime-
to da policial militar será determinado por atestado médico emitido diatamente à autoridade policial militar mais próxima, só podendo
por órgão oficial, observado o seguinte: retê-lo em dependência policial civil durante o tempo necessário à
a) a licença poderá, a depender das condições clínicas, ter iní- lavratura do flagrante.
cio no nono mês de gestação, ou antes, por prescrição médica; § 1º - Cabe ao Comandante Geral da Polícia Militar a iniciati-
b) no caso de nascimento prematuro, a licença terá início na va de responsabilizar a autoridade policial que não cumprir o dis-
data do parto; posto neste artigo e que maltratar ou consentir que seja maltratado
c) no caso de natimorto, a licença terá início na data do parto; preso policial militar, ou não lhe der o tratamento devido.
§ 2º - Em casos excepcionais, os períodos de repouso antes § 2º - O Comandante Geral da Polícia Militar providenciará
e depois do parto poderão ser aumentados de mais duas semanas junto às autoridades competentes os meios de segurança do poli-
cada um, mediante justificativa constante de atestado médico, ob- cial militar submetido a processo criminal na Justiça comum ou
servado o seguinte: militar, em razão de ato praticado em serviço.
a) no caso de natimorto, a policial militar será submetida, trin-
ta dias após o evento, a exame médico para verificação de suas Art. 157 - O policial militar da ativa no exercício de funções
condições para reassunção das funções; policiais militares é dispensado do serviço do júri na Justiça Co-
b) em se tratando de aborto não criminoso, devidamente ates- mum e do serviço na Justiça Eleitoral, na forma da legislação com-
petente.
tado por médico oficial, a policial militar terá direito a trinta dias
de repouso;
Art. 158 - O porte de arma é inerente ao policial militar, sendo
c) em caso de parto antecipado, a mulher conservará o direito impostas restrições ao seu uso apenas aos que revelarem conduta
a 120 dias consecutivos previstos neste artigo. contra-indicada ou inaptidão psicológica para essa prerrogativa.
§ 1º - Os policiais militares somente poderão portar arma de
Art. 154 - Licença à paternidade é o afastamento total do ser- fogo, desde que legalmente registrada no seu nome ou pertencente
viço pelo prazo de cinco dias consecutivos, e imediatos ao nasci- à Instituição, nos limites do Território Federal , na forma da legis-
mento do filho ou acolhimento do adotado, destinado ao apoio do lação específica.
policial militar à sua família por ocasião do nascimento ou adoção § 2º - As aquisições e transferências de arma de fogo deverão
de filho, sem prejuízo da remuneração e do cômputo do tempo de ser obrigatoriamente comunicadas ao órgão próprio da Instituição,
serviço. para registro junto ao órgão competente.

Didatismo e Conhecimento 35
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
§ 3º - Somente em relação aos policiais militares de bom com- § 2º - São equivalentes as expressões na ativa, da ativa, em
portamento presume-se a aptidão para adquirir armas, nas condi- serviço ativo, em serviço na ativa, em serviço, em atividade, em
ções e prazos fixados pela legislação federal. efetivo serviço, atividade policial militar ou em atividade de natu-
§ 4º - A cédula de Identidade Funcional da Polícia Militar é, reza policial militar, quando referentes aos policiais militares no
para todos os efeitos legais, documento comprobatório do porte desempenho de encargo, incumbência, missão ou tarefa, serviço
de arma. ou atividade policial militar, nas organizações policiais militares,
§ 4º acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de junho de bem como em outros órgãos do Estado, desde que previstos em Lei
2010. ou Regulamento.
§ 5º - Havendo contra-indicação para o porte de arma, em
conformidade com o caput deste artigo, o comando da corporação Art. 163 - A carreira policial militar é caracterizada pela ativi-
adotará medidas para substituir a cédula de identidade funcional dade continuada e inteiramente devotada às finalidades da Institui-
por outra em que conste a restrição. ção denominada atividade policial militar e pela possibilidade de
§ 5º acrescido pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de junho de ascensão hierárquica, na conformidade do merecimento e antigui-
2010. dade do policial militar.
Parágrafo único - A carreira policial militar inicia-se com o
Subseção Única - ingresso e obedece à sequência de graus hierárquicos, sendo priva-
DO USO DOS UNIFORMES tiva do pessoal da ativa.
Art. 159 - Os uniformes da Polícia Militar, com seus distinti- Art. 164 - O ingresso na carreira de oficial PM é feito no posto
vos, insígnias, emblemas, são privativos dos policiais militares e de Tenente PM, satisfeitas as exigências legais, mediante curso de
simbolizam as prerrogativas que lhes são inerentes. formação realizado na própria Instituição.
§ 1º - A posição hierárquica do oficial PM no posto inicial
Art. 160 - O uso dos uniformes com seus distintivos, insígnias resulta da sua classificação no curso de formação.
e emblemas, bem como os modelos, descrição, composição, peças § 2º - A ascensão aos demais postos dependerá de aprovação
acessórias e outras disposições são estabelecidos na regulamenta- em curso programado para habilitar o Oficial à assunção das res-
ção peculiar.
ponsabilidades do novo grau, cujo acesso dar-se-á mediante teste
Parágrafo único - É proibido ao policial militar o uso de uni-
seletivo de provas ou de provas e títulos, respeitada a antiguidade.
formes:
§ 3º - A reprovação em dois cursos, consecutivos ou não, im-
a) em manifestação de caráter político-partidária, desde que
plicará em presunção de inaptidão para a continuidade na carreira
não esteja de serviço;
policial militar, sujeitando o Oficial PM à apuração da sua aptidão
b) em evento não policial militar no exterior, salvo quando
para permanência na carreira, assegurados o contraditório e ampla
expressamente determinado ou autorizado;
c) na inatividade, salvo para comparecer a solenidades poli- defesa.
ciais militares e a cerimônias cívicas comemorativas de datas na- § 4º - O ingresso na carreira de Oficial PM no Quadro Auxi-
cionais ou a atos sociais solenes de caráter particular, desde que liar de Segurança é privativo de policial militar, dar-se-á, mediante
autorizado pelo Diretor de Administração. curso de formação realizado na própria Instituição, na forma esta-
belecida neste artigo.
Art. 161 - É vedado a pessoas ou organizações civis de qual- § 5º - O processo de seleção para o ingresso na carreira de
quer natureza usar uniformes, mesmo que semelhantes, ou osten- Oficial observará o disposto em regulamento.
tar distintivos, insígnias ou emblemas que possam ser confundidos
com os adotados na Polícia Militar. Art. 165 - O ingresso na carreira de Praça da Polícia Militar
Parágrafo único - São responsáveis civil, penal e administrati- ocorrerá na graduação de soldado PM 1ª classe, mediante curso
vamente pela infração das disposições deste artigo, além dos comi- de formação realizado na própria Instituição, observadas as exi-
tentes, os proprietários, gerentes, diretores ou chefes de repartições gências previstas nesta Lei e no respectivo edital convocatório do
das referidas organizações. concurso.
§ 1º - O acesso à graduação de 1º Sargento, privativo de po-
TÍTULO VI – licial militar de carreira, dar-se-á mediante curso de formação
DO SERVIÇO POLICIAL MILITAR realizado na própria Instituição e será precedido de avaliação de
CAPÍTULO I – desempenho dos candidatos à matrícula no referido curso, sob res-
DO SERVIÇO E DA CARREIRA POLICIAL MILITAR ponsabilidade de Comissão especialmente designada pelo Coman-
dante Geral, com mandato de dois anos, permitida a recondução.
Art. 162 - O serviço policial militar consiste no desempenho § 2º - O processo de seleção de que trata o parágrafo anterior
das funções inerentes ao cargo policial militar e no exercício das observará o disposto em regulamento.
atividades inerentes à missão institucional da Polícia Militar, com-
preendendo todos os encargos previstos na legislação peculiar e
específica relacionados com a preservação da ordem pública no
Estado.
§ 1º - A jornada de trabalho do policial militar será de 30 (trin-
ta) horas semanais ou de 40 (quarenta) horas semanais, de acordo
com a necessidade do serviço.

Didatismo e Conhecimento 36
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
CAPÍTULO II - Art. 169 - Dentro de uma mesma organização policial militar a
DO CARGO E FUNÇÃO POLICIAIS MILITARES sequência de substituições bem como as normas, atribuições e res-
SEÇÃO I - ponsabilidades a elas relativas, são as estabelecidas na legislação
DO CARGO POLICIAL MILITAR peculiar, respeitadas as qualificações exigidas para o cargo ou para
o exercício da função.
Art. 166 - Cargo policial militar é o conjunto de atribuições,
deveres e responsabilidades cometidos a um policial militar em Art. 170 - O policial militar ocupante de cargo provido em
serviço ativo, com as características essenciais de criação por Lei, caráter efetivo permanente ou temporário gozará dos direitos cor-
denominação própria, número certo e pagamento pelos cofres pú- respondentes ao cargo, conforme previsto em dispositivo legal.
blicos, em caráter permanente ou temporário.
§ 1º - O cargo policial militar a que se refere este artigo é o que SEÇÃO II -
se encontra especificado no Quadro de Organização e legislação DA FUNÇÃO POLICIAL MILITAR
específica.
§ 2º - As obrigações inerentes ao cargo policial militar devem Art. 171 - Função policial militar é o exercício das atribuições
ser compatíveis com o correspondente grau hierárquico e definidas inerentes ao cargo policial militar.
em legislação peculiar.
§ 3º - A competência para a nomeação dos ocupantes dos car- Art. 172 - As obrigações que, pela generalidade, peculiarida-
gos de provimento temporário da estrutura da Polícia Militar, sím- de, duração, vulto ou natureza não são catalogadas como posições
bolo DAS-1 a DAI-4, é do Governador do Estado, competindo ao tituladas em Quadro de Organização ou dispositivo legal, são cum-
Comandante Geral prover os demais. pridas como encargo, incumbência, serviço, comissão ou atividade
policial militar ou de natureza policial militar.
Art. 167 - Os cargos policiais militares são providos com pes- Parágrafo único - Aplica-se, no que couber, ao encargo, in-
soal que satisfaça os requisitos de grau hierárquico e de qualifica- cumbência, serviço, comissão ou atividade policial militar ou de
ção exigidos para o seu desempenho. natureza policial militar, o disposto neste Capítulo para o cargo
§ 1º - O desempenho a que se refere o caput deste artigo será policial militar.
avaliado por uma Comissão Especial, cuja composição, competên-
cia, organização e atribuições serão regulamentadas. CAPÍTULO III -
§ 2º - O objetivo da avaliação de desempenho em razão do DO DESLIGAMENTO DO SERVIÇO ATIVO
cargo é verificar a efetividade do cumprimento das metas do pla- SEÇÃO I -
nejamento estratégico da Instituição, bem como da adequação do DOS MOTIVOS DE EXCLUSÃO DO SERVIÇO ATIVO
avaliado aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e aos parâmetros de eficiência e economicidade no tra- Art. 173 - A exclusão do serviço ativo e o consequente desli-
to com a coisa pública. gamento da organização a que estiver vinculado o policial militar,
§ 3º - A constatação, pela Comissão, de rendimento insatis- decorrem dos seguintes motivos:
fatório no exercício do cargo ensejará, sem prejuízo das medidas I - transferência para a reserva remunerada;
administrativas cabíveis, o afastamento do seu titular, assegurados II - reforma;
o contraditório e a ampla defesa. III - demissão;
IV - perda do posto, da patente e da graduação;
Art. 168 - A vacância do cargo policial militar decorrerá de: V - exoneração;
I - exoneração; VI - deserção;
II - demissão; VII - falecimento;
III - inatividade; VIII - extravio.
IV - falecimento;
V - extravio; Art. 174 - O policial militar da ativa, enquadrado em um dos
VI - deserção. incisos I, II e V do artigo anterior, ou tendo requerido exoneração
§ 1º - Ocorrendo vaga, considerar-se-ão abertas, na mesma a pedido, continuará no exercício de suas funções até ser desligado
data, as vagas decorrentes de seu preenchimento. da organização policial militar em que serve.
§ 2º - A exoneração de policial militar ocupante de cargo de § 1º - O desligamento do policial militar da organização em
provimento temporário, dar-se-á a seu pedido ou por iniciativa da que serve deverá ser feito após a publicação em Diário Oficial, ou
autoridade competente para a nomeação. boletim de sua organização policial militar, do ato oficial corres-
§ 3º - A demissão de policiais militares será aplicada exclusi- pondente e não poderá exceder a 45 (quarenta e cinco) dias da data
vamente como sanção disciplinar. desse ato.
§ 4º - A data de abertura de vaga por extravio é a que for ofi- § 2º - Ultrapassado o prazo a que se refere o parágrafo ante-
cialmente considerada para os efeitos dessa ocorrência. rior, o policial militar será considerado desligado da organização a
§ 5º - A data de abertura de vaga por deserção é aquela assim que estiver vinculado, deixando de contar tempo de serviço, para
considerada pela legislação penal militar. fins de transferência para a inatividade.

Didatismo e Conhecimento 37
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
SEÇÃO II - § 1º - A transferência para a reserva remunerada não se pro-
DA PASSAGEM PARA A RESERVA REMUNERADA cessará quando o policial militar for enquadrado nos incisos I, «a»,
e II deste artigo, encontrar-se exercendo cargo de Secretário de
Art. 175 - A passagem do policial militar à situação de inativi- Estado ou equivalente, Subsecretario, Chefe de Gabinete de Secre-
dade, mediante transferência para a reserva remunerada, se efetua: taria de Estado ou outro cargo em comissão de hierarquia igual aos
I - a pedido; já mencionados, enquanto durar a investidura.
II - “ex officio”. § 2º - Para efeito do disposto neste artigo, a idade do policial
Parágrafo único - A transferência para a reserva remunerada militar considerada será a consignada para o ingresso na Institui-
pode ser suspensa na vigência do estado de sítio, estado de defesa ção, vedada qualquer alteração posterior.
ou em caso de mobilização, calamidade pública ou perturbação da § 3º - Os oficiais do último e penúltimo posto, referidos no
ordem pública. inciso II deste artigo, que estiverem na ativa quando da entrada
em vigor desta Lei, somente serão transferidos para a reserva re-
Art. 176 - A transferência para a reserva remunerada, a pedi-
munerada, ex-officio, se ultrapassarem 08 (oito) e 12 (doze) anos
do, será concedida mediante requerimento escrito, ao policial mi-
de permanência no posto, respectivamente, desde que, também,
litar que contar, no mínimo, trinta anos de serviço.
contem 30 (trinta) ou mais anos de serviço.
§ 1º - No caso de o policial militar haver realizado qualquer
§ 3º acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro de 2009.
curso ou estágio de duração superior a seis meses, por conta do
Estado, em outra Unidade da Federação ou no exterior, sem que
hajam decorridos três anos de seu término, deverá informar no seu Art. 177-A - Com o fim de manter a renovação, o equilíbrio e
pedido tal fato, para que seja calculada a indenização de todas as a regularidade de acesso ao posto superior dos Quadros de Oficiais
despesas correspondentes à realização do referido curso ou está- definidos na Lei de Organização Básica, haverá anualmente um
gio. número de vagas à promoção, nas proporções a seguir indicadas:
§ 2º - A falta de pagamento da indenização das despesas refe- I - QOPM, QOBM e QOSPM:
ridas no parágrafo anterior determinará a inscrição na dívida ativa a) Coronel – 1/12 do efetivo fixado em lei;
do débito. b) Tenente Coronel – 1/12 do efetivo fixado em lei.
§ 3º - Não será concedida transferência para a reserva remune- II - QCOPM
rada, a pedido, ao policial militar que: a) Tenente Coronel – 1/12 do efetivo fixado em lei.
a) estiver respondendo a processo criminal, processo civil por III - QOAPM e QOABM
abuso de autoridade ou processo administrativo; a) Capitão – 1/8 do efetivo fixado em lei.
b) estiver cumprindo pena de qualquer natureza. § 1º - As frações que resultarem da aplicação das proporções
previstas neste artigo serão aproximadas para o número inteiro
Art. 177 - A transferência para a reserva remunerada, “ex offi- imediatamente superior, computando assim vagas obrigatórias
cio”, verificar-se-á sempre que o policial militar incidir em um dos para promoção, observado o disposto no § 2º deste artigo.
seguintes casos: § 2º - Quando o resultado da aplicação das proporções for
I - atingir a idade-limite de 60 anos para Oficiais e Praças; inferior a 01 (um) inteiro, serão adicionadas as frações obtidas
II - terem os oficiais ultrapassado 06 (seis) anos de perma- cumulativamente aos cálculos correspondentes dos anos seguintes,
nência no último posto ou 09 (nove) anos de permanência no pe- até completar-se 01 (um) inteiro para obtenção de uma vaga para
núltimo posto, previstos na hierarquia do seu Quadro, desde que, promoção obrigatória.
também, contem 30 (trinta) ou mais anos de serviço; § 3º - Quando o número de vagas fixado para promoção na
Redação de acordo com o art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro forma deste artigo não for alcançado com as vagas ocorridas du-
de 2009. 
rante o ano-base, aplicar-se-á a quota compulsória.
Redação original: “II - terem ultrapassado, os oficiais, oito
§ 4º - Os critérios e requisitos para a aplicação da quota com-
anos de permanência no último posto previsto na hierarquia do
pulsória serão estabelecidos em regulamento.
seu Quadro, desde que, também conte trinta ou mais anos de con-
Artigo 177-A acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janei-
tribuição.”
III - ser diplomado em cargo eletivo, na forma do inciso II, do ro de 2009.
§ 1º do art. 48, da Constituição Estadual;
IV - for o oficial considerado não habilitado para o acesso em SEÇÃO III -
caráter definitivo, no momento em que vier a ser objeto de aprecia- DA REFORMA
ção para o ingresso em Lista de Acesso;
V - tomar posse em cargo ou emprego publico civil perma- Art. 178 - A reforma dar-se-á “ex officio” e será aplicada ao
nente; policial militar que:
VI - permanecer afastado para exercício de cargo, emprego ou I - atingir as seguintes idades-limite para permanência na re-
função publica civil ou temporária não eletiva, ainda que da admi- serva remunerada:
nistração direta por mais de dois anos, contínuos ou não. a) se oficial superior, 64 anos;
VII - for o Oficial alcançado pela quota compulsória e conte b) se oficial intermediário ou subalterno, 60 anos;
com 30 (trinta) anos de efetivo serviço. c) se praça, 56 anos.
Inciso VII acrescido pelo art. 6º da Lei nº 11.356, de janeiro II - for julgado incapaz definitivamente para o serviço ativo
de 2009. da Polícia Militar;

Didatismo e Conhecimento 38
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
III - estiver agregado por mais de um ano, por ter sido julgado Art. 183 - O policial militar reformado por incapacidade de-
incapaz temporariamente, mediante homologação de Junta de Saú- finitiva que for julgado apto em inspeção pela Junta de Saúde ou
de ou Junta Médica credenciada; Junta Médica credenciada, em grau de recurso ou revisão, poderá
IV - for condenado à pena de reforma, prevista no Código Pe- retornar ao serviço ativo ou ser transferido para a reserva.
nal Militar, por sentença passada em julgado, por decisão da Justi- § 1º - O retorno ao serviço ativo ocorrerá se o tempo decorrido
ça Estadual em consequência do Conselho da Justificação para os na situação de reformado não ultrapassar dois anos devendo ser
Praças e Oficiais. procedido na forma do disposto no §1º, do artigo 27, desta Lei.
Parágrafo único - O policial militar reformado só readquirirá a § 2º - A transferência para a reserva remunerada, observado
situação policial militar anterior: o limite de idade para a permanência nessa situação, ocorrerá se o
a) se Oficial, na hipótese do inciso I, letra “c”, do caput deste tempo transcorrido como reformado ultrapassar de dois anos.
artigo, por outra sentença da justiça Militar ou do Tribunal de Jus-
tiça do Estado e nas condições nela estabelecidas; Art. 184 - O policial militar reformado por alienação mental,
b) se a reforma decorrer de subsunção à hipótese do inciso I,
enquanto não ocorrer a designação judicial de curador, terá sua re-
letra “a”, do caput deste artigo, em se tratando de moléstia curável
muneração paga aos seus beneficiários ou responsáveis, desde que
responsável por afastamento durante período inferior a dois anos,
o tenham sob sua guarda e responsabilidade e lhe dispensem trata-
houver recuperado a saúde, segundo laudo de junta de inspeção.
mento humano e condigno, até sessenta dias após o ato de reforma.
Art. 179 - A incapacidade definitiva pode sobrevir em conse- § 1º - O responsável pelo policial militar reformado provi-
quência de: denciará a sua interdição judicial, demonstrando a propositura da
I - ferimento recebido em operações policiais militares ou na ação, sob pena de suspensão da respectiva remuneração até que a
manutenção da ordem pública ou enfermidade contraída nessa si- medida seja providenciada.
tuação ou que tenha nela sua causa eficiente; § 2º - A interdição judicial do policial militar e seu interna-
II - acidente em serviço ou em decorrência do serviço; mento em instituição apropriada, policial militar ou não, deverão
III - qualquer doença, moléstia ou enfermidade adquirida, ser providenciados pela Instituição quando não houver beneficiá-
com relação de causa e efeito às condições inerentes ao serviço; rio, parente ou responsável pelo mesmo ou, possuindo, não adotar
IV - qualquer das doenças constantes do § 10, do art. 149 deste a providência indicada no caput deste artigo, no prazo de 60 (ses-
Estatuto; senta dias).
V - acidente ou doença, moléstia ou enfermidade sem relação § 3º - Os processos e os atos de registro de interdição de poli-
de causa e efeito com o serviço. cial militar terão andamento sumário, serão instruídos com laudo
§ 1º - Os casos de que tratam os incisos I, II e III deste artigo proferido pela Junta de Saúde ou Junta Médica credenciada e isen-
serão comprovados por atestado de origem ou Inquérito Sanitário tos de custas.
de Origem, sendo os termos do acidente, baixa a hospital, papele-
tas de tratamento nas enfermarias e hospitais e os registros de bai- SEÇÃO IV -
xa utilizados como meios subsidiários para esclarecer a situação. DA EXONERAÇÃO
§ 2º - O policial militar julgado incapaz por um dos motivos
constantes do inciso IV deste artigo, somente poderá ser reforma- Art. 185 - A exoneração de policiais militares e consequente
do após a homologação, por Junta de Saúde ou Junta Médica cre- extinção do vínculo funcional e o desligamento da Instituição se
denciada, de inspeção que concluir pela incapacidade definitiva, efetuará:
obedecida a regulamentação especial da Polícia Militar. I - a pedido;
II - “ex officio”.
Art. 180 - O policial militar da ativa, julgado incapaz definiti-
vamente por um dos motivos constantes dos incisos I, II, III e IV
Art. 186 - A exoneração, a pedido, será concedida mediante
do artigo anterior, será reformado com qualquer tempo de serviço.
requerimento do interessado.
§ 1º - A exoneração a pedido não implicará indenização aos
Art. 181 - O policial militar da ativa, julgado incapaz defini-
tivamente por um dos motivos constantes do inciso I, do art. 179, cofres públicos pela preparação e formação profissionais, quando
desta Lei, será reformado com a remuneração integral. contar o policial militar com mais de cinco anos de carreira, res-
§ 1º - Aplica-se o disposto neste artigo aos casos previstos salvada a hipótese de realização de curso ou estágio com ônus para
nos incisos II, III e IV, do art. 179, desta Lei, quando, verificada a a Instituição;
incapacidade definitiva, for o policial militar considerado inválido, § 2º - Quando o policial militar tiver realizado qualquer curso
impossibilitado total e permanentemente para qualquer trabalho. ou estágio, no País ou Exterior, não será concedida a exoneração
§ 2º - Ao benefício previsto neste artigo e seus parágrafos po- a pedido antes de decorrido período igual ao do afastamento, res-
derão ser acrescidos outros relativos à remuneração, estabelecidos salvada a hipótese de ressarcimento das despesas correspondentes.
em Lei, desde que o policial militar, ao ser reformado, já satisfaça § 3º - O policial militar exonerado, a pedido, passa a integrar
às condições por ela exigidas. o contingente da reserva não remunerada, sem direito a qualquer
remuneração, sendo a sua situação militar definida pela Lei do Ser-
Art. 182 - O policial militar da ativa, julgado incapaz defi- viço Militar.
nitivamente por um dos motivos constantes do inciso V, do art. § 4º - O direito à exoneração, a pedido, poderá ser suspenso na
179, desta Lei, será reformado com remuneração proporcional ao vigência do estado de defesa, estado de sítio ou em caso de mobili-
tempo de serviço. zação, calamidade pública ou grave perturbação da ordem pública.

Didatismo e Conhecimento 39
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 187 - A exoneração “ex officio” será aplicada ao policial Art. 192 - Perderá a graduação o Praça que incidir nas situa-
militar nas seguintes hipóteses: ções previstas nos incisos II e III, do artigo anterior.
I - por motivo de licença para tratar de interesses particulares,
além de três anos contínuos; SEÇÃO VI -
II - quando não satisfizer as condições do estágio probatório; DA DEMISSÃO
III - quando ultrapassar dois anos contínuos ou não, em licen-
ça para tratamento de saúde de pessoa de sua família; Art. 193 - A demissão será aplicada como sanção aos policiais
IV - quando permanecer agregado por prazo superior a dois militares de carreira, após a instauração de processo administra-
anos, contínuos ou não, por haver passado à disposição de órgão tivo em que seja assegurada a ampla defesa e o contraditório nos
ou entidade da União, do Estado, de outro Estado da Federação ou seguintes casos:
de Município, para exercer função de natureza civil. I - incursão numa das situações constantes do art. 57 desta
§ 1º - As hipóteses previstas neste artigo serão examinadas em Lei ;
procedimento administrativo regular, devendo a autoridade com- II - quando assim se pronunciar a Justiça Militar ou Tribunal
petente fundamentar o ato que dele resulte. de Justiça, após terem sido condenados, por sentença transitada
§ 2º - O policial militar exonerado «ex officio” passa a integrar em julgado, a pena privativa ou restritiva de liberdade individual
o contingente da reserva não remunerada, não terá direito a qual- superior a dois anos;
quer remuneração, sendo a sua situação militar definida pela Lei III - que incidirem nos casos que motivarem a apuração em
do Serviço Militar. processo administrativo disciplinar e nele forem considerados cul-
pados.
Art. 188 - Não se concederá exoneração a pedido: Parágrafo único - O policial militar que houver sido demitido
I - ao policial militar que esteja em débito com a Fazenda Pú- a bem da disciplina só poderá readquirir a situação policial militar
blica; anterior :
II - ao policial militar agregado por estar sendo processado no a) por sentença judicial, em qualquer caso;
foro militar ou comum ou respondendo a processo administrativo b) por outra decisão da autoridade julgadora do processo ad-
ministrativo disciplinar na hipótese de revisão do mesmo.
disciplinar.
Art. 194 - Será do Governador do Estado a competência do ato
SEÇÃO V -
de demissão do Oficial.
DA PERDA DO POSTO, DA PATENTE E DA GRADUA-
Parágrafo único - A competência para o ato de demissão do
ÇÃO
Praça é do Comandante Geral da Polícia Militar.
Art. 189 - O Oficial só perderá o posto e a patente se for decla-
Art. 195 - A demissão do Oficial ou Praça não o isenta das
rado indigno para a permanência na Polícia Militar ou tiver condu-
indenizações dos prejuízos causados ao Erário.
ta com ela incompatível, por decisão do Tribunal de Justiça do Es-
Parágrafo único - O Oficial ou Praça demitido não terá direito
tado da Bahia, em decorrência de julgamento a que for submetido. a qualquer remuneração ou indenização e a sua situação será defi-
Parágrafo único - O Oficial declarado indigno do oficialato, nida pela Lei do Serviço Militar.
ou com ele incompatível, condenado à perda do posto e patente
só poderá readquirir a situação policial militar anterior por outra SEÇÃO VII –
sentença judicial e nas condições nela estabelecidas. DA DESERÇÃO
Art. 190 - O Oficial que houver perdido o posto e a patente Art. 196 - A deserção do policial militar acarreta a interrupção
será demitido sem direito a qualquer remuneração e terá a sua si- do cômputo do tempo de serviço policial militar e a consequente
tuação militar definida pela Lei do Serviço Militar. demissão “ex officio”.
§ 1º - A demissão do policial militar desertor, com estabilidade
Art. 191 - Ficará sujeito à declaração de indignidade para o assegurada, processar-se-á após um ano de agregação, se não hou-
oficialato e para permanência na Instituição por incompatibilidade ver captura ou apresentação voluntária antes desse prazo.
com a mesma, o Oficial que: § 2º - O policial militar, sem estabilidade assegurada, será
I - for condenado, por tribunal civil ou militar, em sentença automaticamente demitido após oficialmente declarado desertor,
transitada em julgado a pena privativa de liberdade individual su- mediante devido processo legal.
perior a dois anos, após submissão a processo administrativo dis- § 3º - O policial militar desertor que for capturado ou que
ciplinar; se apresentar voluntariamente, depois de haver sido demitido será
II - for condenado, em sentença transitada em julgado, por reintegrado ao serviço ativo e, a seguir, agregado para se ver pro-
crimes para os quais o Código Penal Militar comina a perda do cessar.
posto e da patente como penas acessórias e por crimes previstos na § 4º - O Oficial desertor terá sua situação definida pelos dispo-
legislação especial concernente à Segurança Nacional; sitivos que lhe são aplicáveis pela legislação penal militar.
III - incidir nos casos previstos em Lei, que motivam o julga- § 5º - O policial militar desertor não fará jus a qualquer remu-
mento por processo administrativo disciplinar e neste for conside- neração, exceto na hipótese prevista no parágrafo anterior restrita
rado culpado. esta, todavia, ao soldo.

Didatismo e Conhecimento 40
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
SEÇÃO VIII – b) o tempo de serviço em campanha é computado pelo dobro,
DO FALECIMENTO E DO EXTRAVIO como tempo de efetivo serviço, para todos os efeitos.
c) não serão deduzidos do tempo de efetivo serviço os pe-
Art. 197 - O policial militar da ativa que vier a falecer será ríodos em que o policial militar estiver afastado do exercício de
excluído do serviço ativo e desligado da organização a que estava suas funções em gozo de licença prêmio à assiduidade nem nos
vinculado, a partir da data da ocorrência do óbito. afastamentos previstos nos arts. 141, incisos I a VI, 145 incisos IV,
V, VIII e IX desta Lei.
Art. 198 - O extravio do policial militar da ativa acarreta in- d) ao tempo de efetivo serviço de que trata este artigo, apurado
terrupção da contagem do tempo de serviço policial militar, com e totalizado em dias, será aplicado o divisor trezentos e sessenta e
o consequente afastamento temporário do serviço ativo, a partir cinco, para a correspondente obtenção dos anos de efetivo serviço,
da data em que o mesmo for oficialmente considerado extraviado. até uma casa decimal arredondável para mais;
§ 1º - A exclusão do serviço ativo será feita seis meses após a e) o tempo correspondente ao desempenho de mandato eletivo
agregação por motivo de extravio. federal, estadual, municipal ou distrital será computado para todos
§ 2º - Em caso de naufrágio, sinistro aéreo, catástrofe, cala- os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento.
midade pública ou outros acidentes oficialmente reconhecidos, Alínea “e” acrescida pelo art. 4 da Lei nº 11.920, de 29 de
o extravio ou o desaparecimento do policial militar da ativa será junho de 2010.
considerado, para fins deste Estatuto, como falecimento, tão logo § 2º - Anos de serviço é a expressão que designa o tempo de
sejam esgotados os prazos máximos de possível sobrevivência ou efetivo serviço a que se refere o parágrafo anterior, com o acrés-
quando se dêem por encerradas as providências de busca e salva- cimo do tempo de serviço público federal, estadual ou municipal,
mento. prestado pelo policial militar anteriormente ao seu ingresso na Po-
lícia Militar.
Art. 199 - O policial militar reaparecido será submetido a pro-
cesso administrativo disciplinar, por decisão do Comandante Ge- Art. 202 - O acréscimo a que se refere o § 2º, do art. 198, desta
ral, se assim for julgado necessário. Lei será computado para a transferência para a inatividade.
Parágrafo único - O reaparecimento de policial militar extra-
viado, já excluído do serviço ativo, resultará em sua reintegração e Art. 203 - Não é computável, para efeito algum, o tempo:
nova agregação, pelo tempo necessário à apuração das causas que I - decorrido por prazo superior a doze meses, em gozo de
deram origem ao extravio. licença para tratamento de saúde de pessoa da família;
II - passado em licença para tratar de interesse particular ou
CAPÍTULO IV - para acompanhamento de cônjuge;
DO TEMPO DE SERVIÇO III - passado como desertor;
IV - decorrido em cumprimento de pena de suspensão de exer-
Art. 200 - O policial militar começa a contar tempo de serviço cício do posto, graduação, cargo ou função, por sentença passada
a partir da data de sua matrícula no respectivo curso de formação. em julgado;
§ 1º - O policial militar reintegrado recomeça a contar tempo V - decorrido em cumprimento de sanção disciplinar que in-
de serviço na data de sua reintegração. terfira no exercício;
§ 2º - A contagem do tempo de serviço é feita dia a dia, ex- VI - decorrido em cumprimento de pena privativa de liberda-
cluídos os períodos em que não houve efetiva prestação de serviço de, por sentença transitada em julgado, desde que não tenha sido
nem tenham sido assim considerados por força desta Lei. concedida suspensão condicional da pena, caso as condições esti-
§ 3º - Quando, por motivo de força maior, oficialmente reco- puladas na sentença não o impeçam.
nhecido, como nos casos de inundação, naufrágio, incêndio, sinis-
tro aéreo e outras calamidades, faltarem dados para contagem do Art. 204 - Entende-se por tempo de serviço em campanha o
tempo de serviço, após processo administrativo onde se recolherão período em que o policial militar estiver em operações de guerra.
todos os indícios existentes, caberá ao Comandante Geral da Polí- Parágrafo único - O tempo de serviço passado pelo policial
cia Militar decidir sobre o tempo a ser computado, para cada caso militar no exercício de atividades decorrentes ou dependentes de
particular, de acordo com os elementos disponíveis. operações de guerra, será regulado em legislação específica.

Art. 201 - Na apuração do tempo de serviço do policial mili- Art. 205 - O tempo de serviço dos policiais militares benefi-
tar será feita a distinção entre tempo de efetivo serviço e anos de ciados por anistia será contado na forma estabelecida no ato legal
serviço. que a conceder.
§ 1º - Tempo de efetivo serviço é o espaço de tempo compu-
tado dia a dia entre a data do ingresso e a data limite estabelecida Art. 206 - A data limite estabelecida para final de contagem
para sua contagem ou a data do desligamento do serviço ativo, dos anos de serviço, para fins de passagem para a inatividade, será
mesmo que tal espaço de tempo seja parcelado, devendo ser obser- a do desligamento da Unidade a que pertencia o policial militar,
vadas as seguintes peculiaridades: em consequência da exclusão do serviço ativo.
a) será também computado como tempo de efetivo serviço
o tempo passado dia-a-dia pelo policial militar da reserva remu- Art. 207 - Na contagem dos anos de serviço não poderá ser
nerada que for convocado para o exercício de funções policiais computada qualquer superposição de tempo de serviço público fe-
militares. deral, estadual e municipal.

Didatismo e Conhecimento 41
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
CAPÍTULO V - Art. 214 - É vedado o uso, por organização civil, de designa-
DAS RECOMPENSAS E DAS DISPENSAS DO ções, símbolos, uniformes e grafismos de veículos e uniformes que
SERVIÇO ATIVO possam sugerir sua vinculação à Polícia Militar.
Parágrafo único - Excetuam-se da prescrição deste artigo as
Art. 208 - As recompensas constituem reconhecimento dos associações, clubes, círculos e outras organizações que congre-
bons serviços prestados pelo policial militar. guem membros da Polícia Militar e que se destinem, exclusiva-
§ 1º - São recompensas: mente, a promover intercâmbio social e assistencial entre os po-
a) os prêmios de Honra ao Mérito; liciais militares e suas famílias e entre esses e a sociedade civil.
b) as condecorações por serviços prestados;
c) os elogios, louvores e referências elogiosas individuais ou Art. 215 - A Polícia Militar organizará e manterá um programa
coletivos; de readaptação, a ser regulamentado, destinado à reciclagem dos
d) as dispensas de serviço. valores morais, éticos e institucionais dos policiais militares que
§ 2º - As recompensas serão concedidas de acordo com as nor-
revelem conduta caracterizada por:
mas estabelecidas nos regulamentos da Polícia Militar.
I - insensibilidade às medidas correicionais;
II - violência gratuita;
Art. 209 - As dispensas de serviço são autorizações conce-
didas ao policial militar para o afastamento total do serviço, em III - envolvimento em episódios de confronto armado em ser-
caráter temporário. viço que resultem em morte;
§ 1º - As dispensas de serviço podem ser concedidas ao poli- IV - vícios de embriaguez alcoólica e/ou de dependência de
cial militar: substâncias entorpecentes;
a) como recompensa; V - desvios de conduta, caracterizados por reiterada inadapta-
b) para desconto em férias. ção aos valores policiais militares;
§ 2º - As dispensas de serviço serão concedidas com a remu- VI - uso indevido de arma de fogo;
neração integral e computadas como tempo de efetivo serviço. VII - baixo desempenho funcional;
VIII - ingresso no mau comportamento.
TÍTULO VII -
DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS E REGRAS DE Art. 216 - Integram o Quadro Complementar de Oficiais, os
TRANSIÇÃO profissionais da área de saúde que ingressarem na Policia Militar
CAPÍTULO ÚNICO DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓ- após a vigência desta Lei.
RIAS E FINAIS
Art. 217 - Integram o Quadro de Oficiais Policiais Militares
Art. 210 - A assistência religiosa à Polícia Militar será regula- para todos os efeitos legais os oficiais que concluíram e que vierem
da por legislação específica. a concluir com aproveitamento do Curso de Formação de Oficiais
Bombeiros Militares em outras corporações por designação do Co-
Art. 211 - Aos Oficiais do Quadro de Oficiais Policiais Milita- mando Geral da Polícia Militar.
res e do Quadro de Oficiais Auxiliares, portadores ou que venham
a adquirir diploma de nível superior nas modalidades profissionais Art. 218 - A antiguidade dos oficiais de que trata o parágrafo
contempladas pelas especialidades do Quadro Complementar de anterior será definida pela data de promoção ao primeiro posto,
Oficiais é assegurado o direito de transferirem-se para este, sem sendo, em caso de nomeação coletiva, efetuada com base na ordem
submissão a curso de adaptação, havendo conveniência para o ser- de classificação obtida pelas médias finais nos respectivos cursos.
viço, respeitado o posto e a patente e condicionado o ingresso no
posto inicial do referido Quadro.
Art. 219 - Após a entrada em vigor do presente Estatuto serão
Parágrafo único - Aos Oficiais do Quadro Complementar de
ajustados todos os dispositivos legais e regulamentares que com
Oficiais Policiais Militares é assegurada a matrícula em Curso de
Formação de Oficiais Policiais Militares, observadas a conveniên- ele tenham ou venham a ter pertinência devendo as normas com
cia para o serviço. implicações disciplinares ser editadas em cento e oitenta dias a
contar da publicação desta Lei.
Art. 212 - Aos policiais militares que se incapacitem para o § 1º - Até que sejam devidamente regulamentados, os Con-
serviço policial militar e que, á juízo de junta médica oficial, reú- selhos de Justificação e Disciplinares em andamento e os que ve-
nam condições de serem readaptados para o exercício de ativida- nham a ocorrer até a promulgação de sua normatização definitiva,
des administrativas, fica assegurada a faculdade de optarem pela deverão ser concluídos sob os aspectos procedimentais não con-
permanência no serviço ativo e, nesta condição, prosseguirem na templados por esta Lei, observadas as prescrições legais em vigor.
carreira. § 2º - Os atuais oficiais-capelães passam a integrar o Quadro
Complementar de Oficiais Policiais Militares, nos postos em que
Art. 213 - Aos Praças da Policia Militar possuidores ou que se encontram.
venham adquirir diploma de nível superior nas modalidades pro- § 3º - O Quadro Suplementar de Oficiais Bombeiros Militares
fissionais contempladas pelas especialidades do Quadro Comple- será extinto à medida em que ocorrer a vacância dos respectivos
mentar é assegurada a matrícula no Curso de Formação de Oficiais postos.
respectivos, mediante processo seletivo, observada a conveniência § 4º - Os integrantes do Quadro de Oficiais Especialista pas-
do serviço. sam a compor o Quadro de Oficiais Auxiliares da Polícia Militar.

Didatismo e Conhecimento 42
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
Art. 220 - Até que sejam extintas as graduações de Subtenente 04. (Advogado Nossa Caixa Desenvolvimento – FCC 2011).
PM e Cabo PM, na forma prevista na Lei nº 7.145, de 19 de agosto Dentre outros, são exemplos de atos administrativos insuscetíveis
de 1997, serão as mesmas consideradas como integrantes da escala de revogação:
hierárquica a que se refere o art. 9º, desta Lei, exclusivamente para (A) licença para exercer profissão regulamentada em lei; certi-
os efeitos nela previstos. dão administrativa de dados funcionais de servidor público.
(B) ato de concessão de aposentadoria, mesmo que ainda não
Art. 221 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
preenchido o lapso temporal para a fruição do benefício; ato de
adjudicação na licitação quando já celebrado o respectivo contrato.
Art. 222 - Revogam-se as disposições em contrário.
(C) edital de licitação na modalidade tomada de preços; ates-
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 27 tado médico emitido por servidor público médico do trabalho.
de dezembro de 2001. (D) ato que declara a inexigibilidade de licitação; autorização
para uso de bem público.
CÉSAR BORGES (E) autorização para porte de arma; ato que defere férias a
Governador servidor, ainda que este não tenha gozado de tais férias.
Sérgio Ferreira
Secretário de Governo 05. (Analista de Controle Área Jurídica TCE/PR – FCC 2011).
Kátia Maria Alves Santos Determinada empresa privada, concessionária de serviço público,
Secretária da Segurança Pública está sendo acionada por usuários que pleiteiam indenização por
Ana Benvinda Teixeira Lage prejuízos comprovadamente sofridos em razão de falha na presta-
Secretária da Administração ção dos serviços. A propósito da pretensão dos usuários, é correto
concluir que
Bibliografia
(A) depende de comprovação de dolo ou culpa do agente, eis
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito admi- que as permissionárias e concessionárias de serviço público não
nistrativo descomplicado. 19. Ed. São Paulo: Método, 2011. estão sujeitas à responsabilização objetiva por danos causados a
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 22. terceiros na prestação do serviço público.
ed. São Paulo: Atlas. 2009. (B) atinge a empresa concessionária, independentemente de
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo. 32. ed. São comprovação de dolo ou culpa, porém é afastada quando não com-
Paulo: Malheiros, 2006. provado o nexo de causalidade, bem como quando comprovada
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito admi- culpa exclusiva da vítima.
nistrativo. 29. Ed. São Paulo: Malheiros, 2012. (C) atinge apenas o concedente do serviço, o qual possui res-
ponsabilidade extracontratual de natureza objetiva por danos cau-
EXERCÍCIOS sados a terceiros na prestação do serviço concedido.
(D) atinge a concessionária apenas se comprovada conduta
01. (TRT 23ª Região – FCC/2012) No que concerne ao requi-
dolosa ou culposa, a qual, uma vez condenada, possui o direito de
sito competência dos atos administrativos, é correto afirmar que
(A) admite, como regra, a avocação, pois o superior hierár- regresso em face do poder concedente.
quico sempre poderá praticar ato de competência do seu inferior. (E) atinge apenas o concedente do serviço, que somente será
(B) não admite, em qualquer hipótese, convalidação. condenado em caso de comprovação de dolo ou culpa da empresa
(C) se contiver vício de excesso de poder, ensejará a revoga- concessionária e terá contra a mesma o correspondente direito de
ção do ato administrativo. regresso.
(D) é sempre vinculado.
06. (Analista de Controle Área Jurídica TCE/PR – FCC 2011).
02. (TRT 11ª Região – FCC/2012) O motivo do ato adminis- Inserem-se entre as entidades integrantes da Administração públi-
trativo ca indireta, além das empresas públicas, as
(A) não interfere na sua validade. (A) sociedades de economia mista, as fundações públicas e
(B) pode ser vinculado. as Organizações Sociais ligadas à Administração por contrato de
(C) quando viciado, permite a sua convalidação. gestão.
(D) se inexistente, acarreta a sua revogação.
(B) autarquias, fundações e sociedades de economia mista,
(E) é a exposição dos fatos e do direito que serviram de funda-
que são pessoas jurídicas de direito público.
mento para a prática do ato.
(C) sociedades de economia mista exploradoras de atividade
03. (TRT 11ª Região – FCC/2012) A ideia de que a Adminis- econômica, que se submetem ao mesmo regime jurídico das em-
tração tem que tratar todos os administrados sem discriminações, presas privadas e aos princípios aplicáveis à Administração Pú-
traduz o princípio da blica.
(A) legalidade. (D) fundações e autarquias, excluídas as sociedades de eco-
(B) indisponibilidade. nomia mista.
(C) impessoalidade. (E) sociedades de economia mista, exceto as que operam no
(D) publicidade. domínio econômico em regime de competição com as empresas
(E) unicidade. privadas.

Didatismo e Conhecimento 43
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
07. (Analista de Controle Externo Coord. Jurídica TCE/SE – 10. (FCC – TRE ACRE - Analista Judiciário - 2010) A respei-
FCC 2011). Com base em entendimento sumulado do Supremo to das entidades políticas e administrativas, considere:
Tribunal Federal a respeito dos atos administrativos, é correto afir- I. Pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura
mar que constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos.
(A) a Administração pode revogar seus próprios atos quando II. Pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza mera-
eivados de vícios que os tornam ilegais. mente administrativa, criadas por lei específica, para realização de
(B) a revogação de atos administrativos pela própria Adminis- atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal
tração produz efeitos retroativos à data em que estes foram emi- que as criou.
tidos. III. Pessoas jurídicas de Direito Privado que, por lei, são auto-
(C) atos retirados do mundo jurídico pela Administração, por rizadas a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coleti-
motivo de conveniência e oportunidade, não poderão ser aprecia- vo ou público, mas não exclusivos do Estado.
dos judicialmente. Esses conceitos referem-se, respectivamente, a entidades
(A) autárquicas, fundacionais e empresariais.
(D) a revogação de atos administrativos pelo Poder Judiciário
(B) estatais, autárquicas e paraestatais ou de cooperação.
deve ater-se à análise dos aspectos de conveniência e oportunidade
(C) estatais, paraestatais ou de cooperação e fundacionais.
destes.
(D) paraestatais ou de cooperação, autárquicas e estatais.
(E) a revogação de atos administrativos pela própria Adminis-
(E) estatais, empresariais e fundacionais.
tração enseja o respeito aos direitos adquiridos.
11. (FCC - TRE DE ALAGOAS - Analista Judiciário - 2010)
08. (Analista de Controle Externo Coord. Jurídica TCE/SE – É mencionado expressamente no «caput» do artigo 37 da Consti-
FCC 2011). Agente da Prefeitura do Município de Aracaju, tendo tuição Federal de 1988, o princípio da
constatado que um bar na cidade funcionava sem alvará nem ha- (A) efetividade.
bite-se, e em claro desacordo com determinadas normas exigidas (B) eficiência.
pela municipalidade no tocante a tratamento acústico e acessibili- (C) eficácia.
dade do estabelecimento, resolve aplicar multa. Trata-se, no pre- (D) proporcionalidade.
sente caso, de modo de manifestação de poder da Administração (E) razoabilidade.
conhecido na doutrina como poder
(A) hierárquico. 12. (FCC – TRE AC - Técnico Judiciário - Área - 2010) Sobre
(B) regulamentar. a anulação do ato administrativo, considere:
(C) disciplinar. I. A anulação é a declaração de invalidação de um ato admi-
(D) de polícia. nistrativo ilegítimo ou ilegal, feita pela própria Administração ou
(E) de autoridade. pelo Poder Judiciário.
II. Em regra, a anulação dos atos administrativos vigora a par-
09. (FCC – TRT 9ª Região - 2010) Analise as seguintes as- tir da data da anulação, isto é, não tem efeito retroativo.
sertivas acerca dos princípios básicos da Administração Pública: III. A anulação feita pela Administração depende de provoca-
I. O princípio da eficiência, introduzido pela Emenda Cons- ção do interessado.
titucional no 19/1998, é o mais moderno princípio da função ad- Está correto o que se afirma APENAS em
ministrativa e exige resultados positivos para o serviço público (A) I.
e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de (B) I e II.
seus membros. (C) II.
II. Todo ato administrativo deve ser publicado, só se admitin- (D) II e III.
(E) III.
do sigilo nos casos de segurança nacional, investigações policiais,
ou interesse superior da Administração a ser preservado em pro-
13. (FCC – TRT 9ª Região - Analista Judiciário - 2010) No
cesso previamente declarado sigiloso.
que concerne ao tema sociedades de economia mista e empresas
III. Quanto ao princípio da motivação, não se admite a chama-
públicas, é INCORRETO afirmar:
da motivação aliunde, consistente em declaração de concordância (A) O pessoal das empresas públicas e das sociedades de eco-
com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões nomia mista são considerados agentes públicos, para os fins de
ou propostas. incidência das sanções previstas na Lei de Improbidade Adminis-
IV. A publicidade é elemento formativo do ato administrati- trativa.
vo, ou seja, sua divulgação oficial para conhecimento público é (B) As sociedades de economia mista apenas têm foro na Jus-
requisito imprescindível à própria formação do ato e consequente tiça Federal quando a União intervém como assistente ou opoente
produção de efeitos jurídicos. ou quando a União for sucessora da referida sociedade.
Está correto o que consta APENAS em (C) Ambas somente podem ser criadas se houver autorização
(A) I, II e IV. por lei específica, cabendo ao Poder Executivo as providências
(B) I e II. complementares para sua instituição.
(C) I e IV. (D) No capital de empresa pública, não se admite a partici-
(D) II e III. pação de pessoa jurídica de direito privado, ainda que integre a
(E) II, III e IV. Administração Indireta.

Didatismo e Conhecimento 44
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
(E) As empresas públicas podem adotar qualquer forma socie- 18. (FCC – TRE/PR 2012) Com relação à conceituação da
tária, inclusive a forma de sociedade “unipessoal”. Administração Pública, considere as afirmativas a seguir:
I. É o conjunto de órgãos constitucionais responsáveis pela
14. (FCC - TRT 8ª REGIÃO - Analista Judiciário - 2010) A função política do Estado, ou seja, compreende as atividades típi-
liberdade de escolha quanto à oportunidade e conveniência do ato cas dos três Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário.
administrativo praticado nos limites da lei insere-se no âmbito da II. A Administração não pratica atos de governo; pratica tão
(A) arbitrariedade. somente atos de execução, com maior ou menor autonomia funcio-
(B) discricionariedade. nal, segundo a competência dos órgãos e de seus agentes.
(C) vinculação. III. Administração Pública abrange as atividades exercidas
(D) imperatividade. pelas entidades, órgãos e agentes incumbidos de atender concreta-
(E) regulamentação. mente às necessidades coletivas.
IV. Os poderes da Administração Pública são eminentemente
15. (FCC –TRE DO AMAZONAS - Analista Judiciário -
instrumentais, ou seja, são instrumentos conferidos à Administra-
2010) Considere os conceitos abaixo, sobre os poderes adminis-
ção e utilizados exclusivamente com a finalidade de satisfazer o
trativos.
interesse público.
I. Poder que o Direito concede à Administração, de modo ex-
V. À Administração Pública faculta-se agir somente de acor-
plícito ou implícito, para a prática de atos administrativos com li-
do com a Lei ou maneira a não afrontá-la, isto é, pode fazer tudo
berdade na escolha de sua conveniência e oportunidade.
II. Poder de que dispõe o Executivo para distribuir e escalonar aquilo que a Lei não proíbe.
as funções de seus órgãos e ordenar a atuação dos seus agentes, Está correto o que se afirma em
estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores do seu (A) II e V, apenas.
quadro de pessoal. (B) I, III e IV, apenas.
III. Faculdade de punir internamente as infrações funcionais (C) II, III e IV, apenas.
dos servidores e demais pessoas sujeitas à disciplina dos órgãos e (D) I, III, IV e V, apenas.
serviços da Administração. (E) I, II, III e IV, apenas.
Os conceitos acima se referem, respectivamente, aos poderes
(A) regulamentar, vinculado e disciplinar. 19. (PC/MG – 2011 – Delegado de Polícia) Sobre a extinção
(B) arbitrário, disciplinar e de polícia. dos atos administrativos, é INCORRETO afirmar que:
(C) vinculado, subordinado e hierárquico. a anulação promovida pela própria Administração decorre do
(D) de polícia, disciplinar e hierárquico. exercício de sua prerrogativa de autotutela;
(E) discricionário, hierárquico e disciplinar. a revogação é forma de extinção do ato administrativo válido,
de caráter vinculado ou discricionário;
16. (FCC – TRE ACRE - Analista Judiciário - 2010) Acerca a validade ou não do ato de revogação é passível de exame
dos poderes e deveres do administrador público, é correto afirmar pelo Poder Judiciário.
que incabível a revogação dos atos cujos efeitos produzidos já res-
(A) o dever de prestar contas aplica-se apenas aos ocupantes taram consolidados.
de cargos eletivos e aos agentes da administração direta que te-
nham sob sua guarda bens ou valores públicos. 20. (FCC - 2011 - TRE-PE - Técnico Judiciário - Área Admi-
(B) o agente público, mesmo quando despido da função ou nistrativa) Analise o seguinte atributo do ato administrativo:
fora do exercício do cargo, pode usar da autoridade pública para O atributo pelo qual o ato administrativo deve corresponder
sobrepor-se aos demais cidadãos. a figuras definidas previamente pela lei como aptas a produzir de-
(C) o poder tem, para o agente público, o significado de dever terminados resultados. Para cada finalidade que a Administração
para com a comunidade e para com os indivíduos, no sentido de
pretende alcançar existe um ato
que, quem o detém está sempre na obrigação de exercitá-lo.
definido em lei.
(D) o dever de eficiência exige que o administrador público,
(Maria Sylvia Zanello Di Pietro, Direito Administrativo)
no desempenho de suas atividades, atue com ética, honestidade e
boa-fé.
Trata-se da
(E) o dever de probidade traduz-se na exigência de elevado
padrão de qualidade na atividade administrativa. Presunção de Legitimidade
Tipicidade.
17. (FCC – TRE/PR 2012) Quando o agente público atua fora Imperatividade.
dos limites de sua competência ele comete Autoexecutoriedade
(A) desvio de poder. Presunção de Veracidade.
(B) omissão.
(C) improbidade administrativa. 21. (FCC - 2011 - TCE-SP - Procurador) O ato administrativo
(D) excesso de poder. distingue-se dos atos de direito privado por, dentre outras razões,
(E) prevaricação. ser dotado de alguns atributos específicos, tais como:

Didatismo e Conhecimento 45
NOÇÕES DE DIREITOS ADMINISTRATIVO
autodeterminação, desde que tenha sido praticado por autori- GABARITO:
dade competente, vez que o desrespeito à competência é o único
vício passível de ser questionado quando se trata deste atributo 01 D
autoexecutoriedade, que autoriza a execução de algumas me- 02 B
didas coercitivas legalmente previstas diretamente pela Adminis-
tração 03 C
presunção de legalidade, que permite a inversão do ônus da 04 A
prova, de modo a caber ao particular a prova dos fatos que aduz 05 B
como verdadeiros.
imperatividade, desde que tenha sido praticado por autoridade 06 C
competente, vez que o desrespeito à competência é o único vício 07 E
passível de ser questionado quando se trata deste atributo. 08 D
presunção de veracidade, que enseja a presunção de conformi-
09 B
dade do ato com a lei, afastando a possibilidade de dilação proba-
tória sobre a questão fática. 10 B
11 B
22. (FCC - 2011 - TCM-BA - Procurador Especial de Contas)
12 A
A respeito da desconstituição dos atos administrativos, a Admi-
nistração: 13 D
pode anulá-los, observado o correspondente prazo decaden- 14 B
cial e desde que preservados os direitos adquiridos. 15 E
pode revogá-los, quando discricionários, e anular apenas os
vinculados, preservados os direitos adquiridos 16 C
está impedida de anular seus próprios atos, cabendo o controle 17 D
de legalidade ao Judiciário. 18 C
está impedida de revogar seus atos, exceto quando sobrevier
alteração de fato ou de direito que altere os pressupostos de sua 19 B
edição. 20 B
pode revogá-los, por razões de conveniência e oportunidade, 21 B
preservados os direitos adquiridos, e anulá-los por vício de legali-
dade, ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 22 E

ANOTAÇÕES

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