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EXCELENTISSÍMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 5ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE ...

AUTOS Nº ...

Lucas ..., nacionalidade..., estado civil ..., profissão ..., titular do CPF de
nº..., inscrito sob o número de RG..., residente e domiciliado ..., por intermédio
de seu advogado que ao final assina, inscrito na OAB nº..., com escritório
profissional no endereço..., onde recebe intimações, conforme procuração
anexa, vem perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 396 do Código de
Processo Penal, apresentar:

RESPOSTA À ACUSAÇÂO

Conforme os fatos e fundamentos jurídicos assim expostos:

1) Síntese Fática:

Consta da denúncia que o acusado teria, em tese, cometido o crime de


extorsão qualificada pelo emprego de arma de fogo, pois teria ido até o
restaurante da suposta vítima em posse de uma pistola e o teria ameaçado
para que saldasse imediatamente uma dívida de R $20 mil reais que ele
contraiu com o acusado, dívida essa que teve o pagamento prometido e não
realizado por duas vezes, havendo duas testemunhas das cobranças
realizadas pelo telefone, Joaquim e Manoel, dívida esta que até o momento
não foi paga.
Rodrigo afirma que na mesma noite em que sofreu as supostas
ameaças comunicou os fatos à polícia, e consta dos autos, ainda, que os fatos
acima citados pela denúncia foram confirmados pelo acusado em sua
integralidade na oitiva realizada no inquérito.

2) Do Direito:
A verdade dos fatos é que a conduta típica realizada pelo réu não é a
pelo qual ele foi denunciado e deve ser desclassificada, pois verifica-se a
possibilidade de emendatio libelli, conforme o previsto no artigo 383 do Código
de Processo Penal:

Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou


queixa, poderá atribuir-lhe definição jurídica diversa, ainda que, em
consequência, tenha de aplicar pena mais grave.

Tal conduta, ainda, deveria ter sido reclamada mediante queixa, sendo
ilegítimo o Ministério Público e, por isso, prejudicada a punibilidade que deverá
ser extinta pela decadência. Portanto, deve ser declarada a absolvição sumária
do réu, conforme será demonstrado a seguir:

2.1) Da Descaracterização da Conduta:


Lucas foi denunciado pela prática, em tese, do crime de extorsão, mas
segundo a própria denúncia do Ministério Público, os relatos da vítima, bem
como o depoimento do acusado confirmam que a dívida era devida, não sendo
o caso do que prescreve o Código de Penal para o crime de extorsão:

Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com


o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a
fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa:

É cristalino dos autos que não houve nem a tentativa e nem a


consumação de obtenção de vantagem econômica indevida, visto que
existente e não paga a dívida.

2.2) Da Desclassificação da Conduta:


A conduta ora classificada como extorsão qualificada por emprego de
arma de fogo, art.º158, parágrafo primeiro do Código Penal, deve ser
desclassificada para a conduta prevista no art.º 345 do Código Penal,
“exercício arbitrário das próprias razões”, senão vejamos:

Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão,
embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena


correspondente à violência.

É fato que a conduta realizada por Lucas foi no sentido de satisfazer sua
pretensão legítima de receber o valor que lhe é, ainda, devido, bem como o
modo que foi feita essa intimidação se coaduna perfeitamente à expressão de
“justiça pelas próprias mãos”, pois não foi a maneira correta e lícita de se
cobrar uma dívida.

2.3) Da Legitimidade Ativa:

Partindo do exposto, o delito pelo qual Lucas deveria ter sido acusado é
o disposto no art.º 345 do Código Penal, “exercício arbitrário das próprias
razões”, e tal crime, na forma do parágrafo único, é de ação penal privada e
não de ação penal pública, tendo como peça inaugural a queixa:

Art. 345 – (...)

Parágrafo único - Se não há emprego de violência, somente se procede


mediante queixa.

Porém, o que é essencial notar é que como não houve violência


empregada no cometimento da conduta, a acusação de Lucas não poderia ter
sido feita por denúncia do Ministério Público, mas apenas por queixa e esta
peça seria de iniciativa exclusiva do ofendido ou de quem tivesse qualidade
para representá-lo.

2.4) Da Decadência do Direito:

Diante de todo o exposto, de acordo com a conduta cometida pelo réu a


peça inicial deveria ter sido apresentada na forma de queixa pelo ofendido,
ou seu representante legal com qualidade para tal, e no prazo disposto no
artigo 38 do Código de Processo Penal, ou seja, 6 meses:
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante
legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer
dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o
autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo
para o oferecimento da denúncia.

Assim também está disposto no artigo 103 do Código Penal Brasileiro:

Art. 103 - Salvo disposição expressa em contrário, o ofendido decai do


direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6
(seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime,
ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o
prazo para oferecimento da denúncia.

Assim sendo, é fato que já resta transpassado o prazo estabelecido em


lei para que tivesse havido a realização da queixa pelo ofendido, visto que
entre a data do fato, 24 de Maio de 2015, e a data limite para a apresentação
da queixa, 23 de Novembro de 2015, não houve a apresentação de tal peça
acusatória.

2.5) Da Extinção de Punibilidade:

Conforme prescreve o artigo 107, inciso IV do Código Penal Brasileiro,


extingue-se a punibilidade pela decadência:

Art. 107 - Extingue-se a punibilidade:

(...)

IV - pela prescrição, decadência ou perempção;

(...)

É, portanto, necessária que seja decretada a extinção da punibilidade do


crime cometido por Lucas, uma vez que já está totalmente escoado o prazo
para a prestação de queixa pelo ofendido.

2.6) Da Absolvição Sumária:


Uma vez declarada a extinção da punibilidade do crime cometido por
Lucas, é necessário que em decorrência deste ato haja, também, a absolvição
sumária do acusado, pois presente o requisito elencado no artigo 397, inciso IV
do Código de Processo Penal:

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos,


deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando
verificar:

(...)

IV - extinta a punibilidade do agente.

(...)

3) Dos Pedidos:

Em decorrência dos fatos apresentados, requer-se:

a) O reconhecimento da descaracterização da conduta de extorsão


qualificada;
b) A desclassificação da conduta disposta no artigo 158, parágrafo
primeiro, para a conduta prevista no artigo 345, parágrafo único;
c) Seja declarada a ilegitimidade ativa do Ministério Público;
d)

Curitiba, 28 de Janeiro de 2016