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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS


FACULDADE DE ENGENHARIA AGRÍCOLA

www.feagri.unicamp.br

BARRAGENS
Uma Introdução Para Graduandos

Parte I
Introdução
Principais Utilizações
Principais Tipos
Barragens de Terra: Principais Componentes
Desvio do Rio
Investigação do Subsolo
Elementos de Mecânica dos Solos
Bibliografia Básica

PROF. DAVID DE CARVALHO


d33c @ uol.com.br

JUNTAMENTE COM O TEXTO A

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COMPREENSÃO DAS FRASES NO INÍCIO DE CADA
CAPÍTULO E A INTERPRETAÇÃO DO CONTEÚDO DAS
FOTOS E FIGURAS SÃO IMPORTANTES PARA SEREM
ALCANÇADOS OS OBJETIVOS DESTE MATERIAL DIDÁTICO

HOMENAGENS
“Nossas homenagens a cinco Engenheiros e Professores que
conduziram a Geotecnia e a Engenharia de Barragens à
comprovada competência que hoje tem”

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Arthur Casagrande Vitor F.B. De Mello

Karl Terzaghi

Ralph B. Peck Milton Vargas

AGRADECIMENTOS

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Aos colegas que compartilharam suas experiências através
de publicações, palestras, divulgação de fotos e
comunicações verbais, possibilitando o desenvolvimento
deste trabalho

“Learn continuously from experience, personal and vicarious,


and publish meaningful experiences for the betterment of the
profession”
“Karl Terzaghi”

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INTRODUÇÃO

“Engineering is indeed a noble sport, and the legacy of good


engineers is a better physical word for those who follow
them.”
“Ralph Peck”

Neste Capítulo I apresentam-se os seguintes tópicos os quais têm sua


importância para aqueles que iniciam seus estudos em Barragens:

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- Introdução – Etapas de projeto;
- Competência para projeto e construção;
- Segurança de barragens;
- Barragens ao longo da história;
- Bibliografia relativa a barragens;
- Instituições representativas de profissionais de barragens;
- Instituições governamentais relacionadas a barragens;
- Observações pertinentes ao Capitulo I – Introdução
- Questões relativas ao Capítulo I - Introdução
- Figuras relativas ao Capítulo I - Introdução

I-1 – INTRODUÇÃO – ETAPAS DE PROJETO

Elemento vital da vida da sociedade atual, as barragens vêm sendo construídas


desde a antiguidade. Os objetivos de sua construção têm aumentando ao longo das
últimas décadas. Mesmo as pequenas barragens estão ganhando importância
econômica e ambiental, entre as quais a geração de energia elétrica através de
pequenas centrais hidrelétricas, contenção de rejeitos, aqüicultura, etc.

Para ser classificada como Grande Barragem, a barragem deve ter altura maior
ou igual a 15 metros, a partir de seu alicerce, de acordo com a Comissão
Internacional de Grandes Barragens. Se a barragem tiver entre 5 e 15 metros de altura
e seu reservatório tiver capacidade superior a 3 milhões de m3, também é classificada
como Grande Barragem. Partindo-se desta definição, existem hoje no mundo cerca de
50.000 grandes barragens.

As barragens de pequeno porte são freqüentemente construídas, havendo uma


tendência atual de um aumento acelerado no número de empreendimentos a serem
instalados. Isto, devido às suas aplicações como citado e também devido às

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dificuldades de se construir grandes barramentos, tendo em vista a falta de lugares, os
impactos ambientais e também o custo elevado de sua implantação.

A implantação de uma barragem exige a utilização de técnicas de várias áreas


do conhecimento. Dependendo dos objetivos da obra, pode-se necessitar de
conhecimentos específicos. Por exemplo, na implantação de uma PCH (pequena
central hidrelétrica), são necessários conhecimentos eletrotécnicos. No entanto,
independentemente do objetivo da obra, sempre são necessários os conhecimentos
geotécnicos, utilizados na escolha do local de implantação e na construção do maciço
compactado, e também os conhecimentos hidrológicos.

Um empreendimento para chegar ao início da obra de sua implantação deve


passar pelas seguintes etapas de projeto:
- Planejamento
- Viabilidade técnica
- Viabilidade econômica
- Anteprojeto
- Projeto básico
- Projeto executivo

Neste texto, Parte I deste trabalho de barragens, a partir do Capítulo II, são
apresentados primeiramente os principais elementos constituintes de uma barragem
de terra. A seguir são apresentadas as formas de desvio do rio para a construção da
barragem. Concluindo, são apresentados os ensaios geotécnicos básicos, de campo e
laboratório, necessários para as etapas de projeto.
Na parte II deste trabalho serão apresentados os assuntos referentes ao “Fluxo
de Água nos Solos” e “Estabilidade de Taludes”.

I-2- COMPETÊNCIA PARA DESENVOLVIMENTO DE


PROJETO E CONSTRUÇÃO DE BARRAGENS

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No Brasil o Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia) reconhece como competência do Engenheiro Civil, Engenheiro Agrícola
e Engenheiro Agrônomo as atividades de projeto e execução de barragens de terra.

Durante o período de 1988 a 1998, o Confea através de decisão normativa no


031/88 restringiu a competência do Engenheiro Agrícola e Engenheiro Agrônomo,
permitindo na época sua atuação apenas em barragens com até 5 metros de altura.
Atualmente, através da decisão normativa no 61, de 27 de março de 1998, o Confea
revogou a portaria no 031/88.

Essa decisão normativa no 61 encontra-se na integra no Capítulo XIII deste


trabalho.

Ressaltam-se aqui as seguintes colocações dessa decisão normativa:


a- considera que o grau de risco de uma barragem não é dado somente pela
altura de construção, pois o mesmo envolve várias peculiaridades, entre elas a bacia
hidrográfica, solo e outros fatores;
b- considera que o Engenheiro Agrícola é profissional capaz de dar soluções de
engenharia para o meio rural;

c- considera que no currículo mínimo do curso de Engenharia Agrícola existem


várias disciplinas que conferem a plena capacitação para que esses profissionais
desenvolvam esta atividade livremente, quando para fins agrícolas.

I-3- SEGURANÇA DE BARRAGENS

Os aspectos relativos à segurança devem começar durante a construção da


barragem e perdurar durante toda sua existência.

São fundamentos da Política Nacional de Segurança de Barragens que a


segurança de uma barragem deve ser considerada nas suas fases de planejamento,

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projeto, construção, primeiro enchimento e primeiro vertimento, operação,
desativação e de usos futuros. São seus fundamentos também que o empreendedor é o
responsável legal pela segurança da barragem, cabendo-lhe o desenvolvimento de
ações para garanti-la.

As conseqüências do rompimento de uma barragem geralmente são trágicas em


termos de perda de vidas, em termos ambientais e em termos econômicos.

Particularmente no Brasil deve-se dar atenção especial à segurança de


barragens, pois somente nos últimos anos ocorreram mais de 400 acidentes
registrados em obras hídricas. Se acrescentar-se os casos de incidentes e acidentes
com pequenas barragens, como em propriedades rurais, por exemplo, têm-se milhares
de casos.

Do ponto de vista da prevenção, um “acidente” é o evento não desejado que


tenha por resultado uma lesão ou enfermidade a um ser humano ou um dano à
propriedade. Um “incidente” pode ser definido como sendo um acontecimento não
desejado ou não programado que venha a deteriorar ou diminuir a eficiência
operacional do empreendimento. A partir do entendimento do significado desses
conceitos, pode-se dar início aos processos de controle de todas as causas e origens
dos incidentes acidentes.

O Decreto No 7.257, relacionado ao Sistema Nacional de Defesa Civil, de quatro de


agosto de 2010, apresenta as seguintes definições:
I - defesa civil: conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e
recuperativas destinadas a evitar desastres e minimizar seus impactos para a
população e restabelecer a normalidade social;
II - desastre: resultados de eventos adversos, naturais ou provocados pelo
homem sobre um ecossistema vulnerável, causando danos humanos, materiais ou
ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais;
III - situação de emergência: situação anormal, provocada por desastres,
causando danos e prejuízos que impliquem o comprometimento parcial da capacidade
de resposta do poder público do ente atingido;

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Em 20 de setembro de 2010, aprovou-se no Brasil a Lei No 12.334, que


estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) e cria o Sistema
Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB).

A Lei No 12.334 encontra-se na integra no Capitulo XII deste trabalho.

Esta Lei aplica-se a barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer


usos, à disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos
industriais que apresentem pelo menos uma das seguintes características:

I - altura do maciço, contada do ponto mais baixo da fundação à crista, maior


ou igual a 15m (quinze metros);

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II - capacidade total do reservatório maior ou igual a 3.000.000m (três
milhões de metros cúbicos);

III - reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas


aplicáveis;

IV - categoria de dano potencial associado, médio ou alto, em termos


econômicos, sociais, ambientais ou de perda de vidas humanas, conforme definido no
art. 6o. da Lei.

Em seu Art. 17 a Lei No 12.334 estabelece que o empreendedor obriga-se a:

I - prover os recursos necessários à garantia da segurança da barragem;

II - providenciar, para novos empreendimentos, a elaboração do projeto final


como construído;

III - organizar e manter em bom estado de conservação as informações e a


documentação referentes ao projeto, à construção, à operação, à manutenção, à
segurança e, quando couber, à desativação da barragem;

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IV - informar ao respectivo órgão fiscalizador qualquer alteração que possa
acarretar redução da capacidade de descarga da barragem ou que possa comprometer
a sua segurança;

V - manter serviço especializado em segurança de barragem, conforme


estabelecido no Plano de Segurança da Barragem;

VI - permitir o acesso irrestrito do órgão fiscalizador e dos órgãos integrantes


do Sindec ao local da barragem e à sua documentação de segurança (Sindec –
Sistema Nacional de Defesa Civil);

VII - providenciar a elaboração e a atualização do Plano de Segurança da


Barragem, observadas as recomendações das inspeções e as revisões periódicas de
segurança;

VIII - realizar as inspeções de segurança previstas no art. 9o desta Lei;

IX - elaborar as revisões periódicas de segurança;

X - elaborar o PAE, quando exigido (PAE – Plano de Ação Emergencial);

XI - manter registros dos níveis dos reservatórios, com a respectiva


correspondência em volume armazenado, bem como das características químicas e
físicas do fluido armazenado, conforme estabelecido pelo órgão fiscalizador;

XII - manter registros dos níveis de contaminação do solo e do lençol freático


na área de influência do reservatório, conforme estabelecido pelo órgão fiscalizador;

XIII - cadastrar e manter atualizadas as informações relativas à barragem no


SNISB.

Parágrafo único. Para reservatórios de aproveitamento hidrelétrico, a alteração


de que trata o inciso IV também deverá ser informada ao Operador Nacional do
Sistema Elétrico (ONS).

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A bibliografia a respeito de “segurança de barragens” e ampla, em nível
nacional e internacional, constituindo-se de livros, manuais, etc., incluindo-se
também publicações relativas a acidentes em barragens. O tema Segurança de
Barragens será apresentado em mais detalhes na Parte II deste texto.

I-4- BARRAGENS AO LONGO DA HISTÓRIA DA


HUMANIDADE

As barragens vêm sendo construídas desde a antiguidade para atender as


necessidades das populações. A mais antiga que se tem noticia é a barragem de Jawa
construída na Jordânia em cerca de 5600 anos.

Descoberta em 1885 tem-se a Barragem Sadd El-Kafara na Jordânia,


construída há cerca de 4600 anos. Esta barragem tem os espaldares de pedra, como as
pirâmides e provavelmente rompeu por galgamento. Observando-se sua seção
transversal, Figura I-1, percebe-se semelhanças com uma barragem de enrocamento
moderna. Nas Figuras I-2, I-3 e I-4, apresentam-se detalhes desta barragem.

Nas Figuras I-5 e I-6 apresentam-se um histórico de algumas barragens


construídas na antiguidade e seu período de utilização.
Nas Figuras I-7 e I-8 apresentam-se detalhes da Barragem Harbaga na Síria
construída há cerca de 1800 anos, com o objetivo de irrigação.

Nos tempos modernos destacam-se, no Brasil, a Barragem de Itaipú e a


Barragem de Irapê, recém concluída em 2006, sendo a barragem mais alta que se tem
no Brasil, com 208 metros de altura. Esta barragem de Irapê foi construída com
taludes em rocha e núcleo de argila, ou seja, é uma barragem de enrocamento com
núcleo impermeável de argila. Uma imagem desta barragem é apresentada nas
Figuras I-9 e I-10. Nas figuras I-11 E I-12 apresentam-se imagens da barragem de
Itaipú.

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Também, como marcos dos tempos modernos destaca-se a barragem Hoover
nos Estados Unidos e a barragem de Aswan no Egito. Apresentam-se imagens destas
barragens nas Figuras I-13 e I-14.

Schinitter (1994) em seu livro “A History of Dams” apresenta valioso material


relativo à história de barragens construídas pelo ser humano.

I-5- BIBLIOGRAFIA RELATIVA A BARRAGENS

A bibliografia disponível relacionada a barragens é extensa, contemplando


todos os avanços técnicos alcançados pela engenharia relativos aos vários tipos de
barragens. Esta bibliografia abrange desde a fase inicial de estudos preliminares de
uma obra, até a fase de operação e manutenção da barragem.
No Capítulo XV apresentam-se referências bibliográficas disponíveis para
downloads em sites e também referências disponíveis em forma de livros e artigos
técnicos.

Para estudos complementares aos presentes capítulos introdutórios recomenda-


se a bibliografia apresentada no Capitulo XV, destacando-se:
- 100 Barragens Brasileiras – Paulo Teixeira da Cruz – Editora Oficina de
Textos.
- Introdução ao Projeto de Barragens de Terra e Enrocamento – Nélio Gaioto –
USP – São Carlos – Departamento de Geotecnia
- Design of Small Dams – Bureau of Reclamation – USA – Disponível para
Download.
I-6- INSTITUIÇÕES REPRESENTATIVAS DE PROFISSIONAIS
DA ÁREA DE BARRAGENS

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Algumas instituições em nível nacional e internacional representam os
profissionais relacionados ao projeto, construção e manutenção de barragens, das
quais destacamos:
1- CBDB – Comitê Brasileiro de Barragens
Estabelece como missão estimular o desenvolvimento, aplicação e a
disseminação das melhores tecnologias e práticas da engenharia de barragens e obras
associadas. O CBDB é um agente facilitador no processo de assegurar que a
realização e a operação de barragens e hidrelétricas sejam técnica, ambiental e
socialmente adequadas ao máximo benefício da sociedade brasileira.

2- CIGB – Comissão Internacional de Grandes Barragens -


ICOLD – International Commission on Large Dams
Fundada em Paris em 1928, é uma organização não governamental, destinada
a encorajar a troca de informações e de experiências adquiridas em planejamento,
projeto, construção e operação de grandes barragens. A Comissão funciona por
intermédio dos comitês nacionais dos países membros, totalizando hoje 88
(oitenta e oito) comitês instituídos para o desenvolvimento de trabalhos técnicos
ou pesquisas científicas. No Brasil, a CIGB é representada pelo Comitê Brasileiro
de Barragens - CBDB.

3- ABMS – Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e


Engenharia Geotécnica
Fundada em 1950 congrega no Brasil profissionais geotécnicos que atuam
em Mecânica dos Solos, Mecânica das Rochas, Mecânica dos Pavimentos,
Fundações, Barragens, Escavações, Túneis, Mineração, Geossintéticos, Geotecnia
Ambiental, Aterros Sanitários, Geomecânica do Petróleo, e demais atividades da
Engenharia Geotécnica.

4- ISSMGE – International Society for Soil Mechanics and Geotechnical


Engineering
Fundada durante a Primeira Conferência Internacional de Mecânica dos Solos
e Engenharia de Fundações realizada em Harvard em 1936, objetiva promover a

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cooperação internacional entre engenheiros e cientistas para o avanço e divulgação do
conhecimento no campo da Geotecnia, e suas aplicações na engenharia e meio
ambiente

5- ABGE – Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental


Procura congregar todos os que dedicam suas atividades à Geologia de
Engenharia e Ambiental no Brasil, estimulando a pesquisa científica e tecnológica, e
a cooperação entre a Geologia, a Engenharia e outras ciências correlatas. A ABGE
representa no Brasil a IAEG – Associação Internacional de Geologia de Engenharia e
Ambiental. Adota como definição que a Geologia de Engenharia é um dos ramos
aplicados das Geociências, sendo definida como “ciência dedicada à investigação,
estudo e solução de problemas de engenharia e meio ambiente, decorrentes da
interação entre a Geologia e os trabalhos e atividades do homem, bem como à
previsão e desenvolvimento de medidas preventivas ou reparadoras de acidentes
geológicos”.

6- ISRM – International Society for Rock Mechanics


Procura encorajar a colaboração e troca de idéias entre os profissionais de
Mecânica de Rochas, incentivando o ensino, pesquisa e avanço do conhecimento
nesta área. De acordo com seus estatutos o campo da Mecânica de Rochas inclui
todos os estudos relativos ao comportamento mecânico e físico de rochas e massas de
rochas e a aplicação deste conhecimento para o melhor entendimento de processos
geológicos nos campos de engenharia. Filiado à ISRM, tem-se no Brasil o CBRM –
Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas, o qual é um dos comitês da ABMS –
Associação Brasileira de Mecânica dos Solos.

I-7- INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS RELACIONADAS A


BARRAGENS

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O Brasil possui várias instituições vinculadas ao governo federal e governos
estaduais as quais tem dentro de suas atribuições aspectos ligados a barragens.
Dentre elas apresentam-se a seguir:

1- ANA – Agência Nacional de Águas


Vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, tem como missão implementar e
coordenar a gestão compartilhada e integrada dos recursos hídricos e regular o acesso
a água, promovendo o seu uso sustentável em benefício da atual e futuras gerações.
Além disso, a instituição possui outras definições estratégicas centrais.

2- ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica


Vinculada ao Ministério das Minas e Energia, tem como missão proporcionar
condições favoráveis para que o mercado de energia elétrica se desenvolva com
equilíbrio entre os agentes e em benefício da sociedade.

3- ELETROBRÁS
É uma empresa de capital aberto, controlada pelo governo brasileiro, que atua
nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. É composta por
empresas de geração, transmissão, distribuidoras, um centro de pesquisas, uma
empresa de participações e metade do capital de Itaipú. Tem como missão atuar nos
mercados de energia de forma integrada, rentável e sustentável.

4- SECRETARIA DE INFRA-ESTRUTURA HÍDRICA


Vinculada ao Ministério da Integração Nacional, trabalha para a construção de
obras de irrigação e de abastecimento hídrico – barragens, adutoras e canais – e obras
de macro-drenagem, que servem para a condução das águas captadas nas ruas,
sarjetas e galerias. Entre suas competências estão definidas: formular e conduzir a
Política Nacional de Irrigação; orientar e supervisionar a formulação de planos,
programas e projetos de aproveitamento de recursos hídricos; apoiar a operação, a
manutenção e a recuperação de obras de infra-estrutura hídrica.

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5- DAEE – SP - Departamento de Águas e Energia Elétrica
É o órgão gestor dos recursos hídricos do Estado de São Paulo. Através de seu Centro
Técnico atua em assessoria técnica; elaboração de estudos e projetos;
acompanhamento e fiscalização de obras; análise e acompanhamento dos projetos do
Fundo Estadual de Recursos Hídricos e coordenação de convênios com prefeituras.

6- DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra a Seca


Vinculado ao Ministério da Integração Nacional, atua desde 1909 quando então
foi criada a Inspetoria de Obras Contra as Secas.

7- CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São


Francisco e do Parnaíba
Vinculado ao Ministério da Integração Nacional é uma empresa pública que
promove o desenvolvimento e a revitalização das bacias dos rios São Francisco e
Parnaíba com a utilização sustentável dos recursos naturais e estruturação de
atividades produtivas para a inclusão econômica e social. A Empresa mobiliza
investimentos públicos para a construção de obras de infra-estrutura, particularmente
para a implantação de projetos de irrigação e de aproveitamento racional dos recursos
hídricos.

I-8- OBSERVAÇÕES - CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO

1- Mesmo que a obra seja de uma “pequena barragem”, os itens da Lei NO


12.334 que sejam compatíveis podem ser aplicados;

2- No Brasil muitas “pequenas barragens” sofrem acidentes todos os anos. A


garantia de sua duração e operação pelo tempo de vida útil prevista no projeto deve
ser garantida pelo adequando projeto, adequada construção e adequada manutenção.
Estas garantias devem ser dadas pelo engenheiro projetista, pela empresa construtora
e pelo proprietário da obra, cada um na fase específica de sua responsabilidade;

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3- Também para “pequenas barragens” as etapas de projeto referentes a
“planejamento”, “viabilidade técnica” e “viabilidade econômica”, devem ser muito
bem desenvolvidas. Observam-se na prática vários casos “desagradáveis”, em que:
- a obra não pode ser concluída no tempo previsto devido ao erro no cálculo do
custo de sua implantação;
- não se consegue encher o reservatório por falta de água;
- o volume real de água útil armazenada não é suficiente para atender a
demanda do proprietário da barragem;
- há muita perda de água pelo solo da área inundada do reservatório, impedindo
seu enchimento como previsto. Por exemplo, encontra-se na região de Campinas –
SP, até 6m de profundidade, argila não saturada com porosidade de 70%. Em cerca
de metade do Estado de São Paulo e em grandes regiões do sul do país, encontram-se
solos arenosos com porosidade de 50%, até alguns metros de profundidade. Ou seja,
solos com grande permeabilidade, facilitando a infiltração de água;
- perda do volume útil de água antes do previsto devido ao assoreamento do
reservatório.

4- Toda barragem é uma obra em que após sua conclusão e inicio de operação
não pode ser considerada com “concluída”, no sentido de se esquecer dela durante o
tempo previsto para sua vida útil (por exemplo, para um pilar de concreto dentro de
um galpão, pode-se caminhar no sentido de pensar assim).
Uma barragem esta permanentemente exposta ao meio ambiente, estando
sujeita à ação dos agentes atmosféricos, sujeita à ação da fauna e sujeita à ação da
flora.
Por exemplo, a chuva pode provocar erosões. Os animais (formigas, tatus, etc.)
podem fazer buracos nos taludes. A flora crescendo descontrolada pode impedir o
acesso a vistorias e também produzir situações indesejáveis como o crescimento de
árvores nos taludes (indesejáveis porque se a árvore morre, no lugar das raízes ficarão
buracos na barragem).
Também existe a permanente percolação de água pelas fundações, pelos
taludes, pela canalização de fundo (se houver) e pelo vertedouro ou sangradouro, o
que pode ocasionar problemas de erosões.

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Sendo assim, mesmo para “pequenas barragens” são indispensáveis as vistorias
permanentes e a realização de reparos imediatos quando detectados quaisquer tipos
de problemas. Este procedimento já deve ocorrer para as “grandes barragens”,
lembrando-se que deve ser cumprido o estabelecido na Lei de Segurança de
Barragens (Lei No 12.334).

I-9 – QUESTÕES RELATIVAS AO CAPÍTULO I- INTRODUÇÃO

1- Relacionado-a à Geotecnia, como você entende a frase de Francis Bacon:


“A natureza para ser comandada precisa ser obedecida”?

2- Que atividades devem ser desenvolvidas na fase de “planejamento” de uma


barragem?

3- Que atividades devem ser desenvolvidas na fase de estudos de “viabilidade


técnica” de uma barragem?

4- Que atividades devem ser desenvolvidas na fase de estudos de “viabilidade


econômica” de uma barragem?

5- Após o inicio da operação qual o papel do proprietário na manutenção da


barragem?

6- Que itens relativos à segurança devem ser periodicamente verificados na


fase de operação da barragem?

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Figura I-1 – Barragem Sadd El Kafara – Jordânia - Construída a cerca de 4600


anos – altura 14m – largura crista 56m – comprimento 102m - taludes em rocha e
núcleo impermeável de solo (Fonte: Schinitter-1994)

Figura I-2 - Barragem Sadd El Kafara - (Fonte: Schinitter,1994)

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Figura I-3 - Barragem Sadd El Kafara

Figura I-4 - Barragem Sadd El Kafara

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Figura I-5 – Barragens da Antiguidade – (Fonte: Medeiros, 2009)

Figura I-6 – – Barragens da Antiguidade – (Fonte: Medeiros, 2009)

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Figura I-7 – Barragem Harbaga – Siria – Construída a cerca de 1800 anos – altura
21m – comprimento 365 m

Figura I-8 – Barragem Harbaga – Siria

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Figura I-9 – Barragem de Irapê – Cemig – 208 metros de altura – Construída entre
2002 e 2006 – 3 turbinas de 125 MW cada.

Figura I-10- Barragem de Irapê - Taludes em enrocamento e núcleo de argila

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Figura I-11 – Barragem de Itaipú – 196 metros de altura – 18 turbinas – 715 MW


cada

Figura I-12 – Barragem de Itaipú – Condutos forçados

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Figura I-11 – Barragem Hoover – USA – Construída entre 1931 e 1936 – Barragem
com 221 metros de altura e 17 turbinas – 2080 MW instalados.

Figura I-12 – Barragem de Aswan – Egito – Construída entre 1960 e 1970 –


Barragem com 111 metros de altura e 12 turbinas de 175 MW cada

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ÍNDICE

CAPÍTULO PÁGINA
I- INTRODUÇÃO
I-1- Introdução – Etapas do Projeto
I-2- Competência para Desenvolvimento de Projeto
I-3- Segurança de Barragens
I-4- Barragens ao Longo da História
I-5- Bibliografia Relativa a Barragens
I-6- Instituições Representativas de Profissionais
I-7- Instituições Governamentais
I-8- Observações - Capítulo I - Introdução
I-9- Questões Relativas ao Capítulo I

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II- PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES DE BARRAGENS

III- PRINCIPAIS TIPOS DE BARRAGENS

IV- PRINCIPAIS ELEMENTOS DE BARRAGENS


IV-1- CRISTA
IV-2- BORDA LIVRE
IV-3- TALUDES DE MONTANTE E JUSANTE
IV-4- PROTEÇÃO DO TALUDE DE MONTANTE
IV-5- PROTEÇÃO DO TALUDE DE JUSANTE
IV-6- CORTINAS DE VEDAÇÃO
IV-7- DRENAGEM INTERNA
IV-8- DIMENSIONAMENTO DE FILTROS
IV-9- FILTRO VERTICAL
IV-10- FILTRO HORIZONTAL
IV-11- TRANSIÇÕES
IV-12- DRENO DE PÉ
IV-13- POÇO DE ALÍVIO

V- DESVIO DO RIO
V-1- TUBULAÇÃO DE FUNDO
V-2- ENSECADEIRAS
V-3- CANAIS DE DESVIO
V-4- TUNEIS DE DESVIO

VI- INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS

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VI-1- OBTENÇÃO DE AMOSTRAS


VI-2-

VII- ANÁLISE DO SOLO ATRAVÉS DE CLASSIFICAÇÕES

VIII- VOLUME DA ÁREA DE EMPRÉSTIMO

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PRINCIPAL SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA DA CIDADE DE SÃO PAULO - 33m3 / seg – PARA 8,5 MILHÕES DE HABITANTES - SABESP

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PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES

“O consumo de água tem crescido no último século a um ritmo


mais de doze vezes superior ao da população mundial. Por
esse motivo, a gestão sustentável, eficaz e equitativa de
recursos hídricos cada vez mais escassos será o desafio chave
para os próximos cem anos” “FAO – ONU – 1993”

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II- PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES DAS BARRAGENS

Atualmente a construção de barragens serve a diversos fins, dos quais se


destacam:

1- Abastecimento de água para consumo humano e de animais;

2- Abastecimento de água para irrigação;

3- Recreação e paisagismo;

4- Controle da qualidade da água;

5- Controle de enchentes;

6- Garantia mínima de vazão a jusante;

7- Navegação;

8- Aqüicultura;

9- Geração de energia elétrica;

10- Contenção de rejeitos.

Uma barragem com a finalidade de contenção de cheias transforma uma vazão


de pico, que ocorreria na seção do rio se o rio não fosse construído (vazão efluente),
em uma vazão atenuada (vazão efluente), que poderá escoar de maneira controlada,
sem provocar a jusante inundações em áreas habitadas, cultivadas ou utilizadas com
instalações agropecuárias.

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Uma barragem, além de outras finalidades, pode servir também para garantir
uma vazão mínima à jusante, possibilitando uma vazão mínima para o rio ao longo
de todo o ano.

Uma barragem pode ser construída para possibilitar que o rio se torne
navegável, através do aumento da profundidade do reservatório. Nestes casos, se a
embarcação for passar do nível de um reservatório, ao nível de outro reservatório, é
preciso construir uma eclusa, para permitir esta operação.

A barragem para contenção de rejeitos é construída não para armazenar água,


mas sim para armazenar subprodutos de indústrias, como as de extração e
processamento, que são em grande volume de materiais que podem causar problemas
de contaminação física e/ou química se simplesmente lançados ao meio ambiente.
Sendo assim, o rompimento de uma barragem de rejeito, se torna muito mais grave,
que o de uma barragem para armazenamento de água, das mesmas dimensões.

A barragem para geração de energia elétrica é bastante utilizada e são mais


conhecidas as grandes obras. Atualmente, a tecnologia para instalação de pequenas
centrais hidrelétricas (PCH) esta bastante desenvolvida. Com relativamente pequenas
vazões e determinado desnível na topografia (∆H), é possível sua instalação.

A barragem para aqüicultura permite a produção de proteína animal, e tem


sido utilizada principalmente para a produção de peixes, com as técnicas de produção
em tanques-rede.

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Figura X - PCH COM TUBULAÇÃO DE ADUÇÃO – ELETROBÁS (1985)

PCH BURITI – BARRAGEM – CANAL DE ADUÇÃO – CASA DE MÁQUINAS

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PCH BURITI – CANAL DE ADUÇÃO

PCH BURITI – CONDUTOS FORÇADOS

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PCH BURITI – CASA DE MÁQUINAS

PCH BURITI – ENTRADA DE ÁGUA NOS CONDUTOS FORÇADOS

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PCH COM CANAL DE ADUÇÃO – ELETROBRÁS (1985)

PCH – CANAL DE ADUÇÃO - (CERPCH - Centro Nacional de Referência em Pequenas


Centrais Hidrelétricas

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PCH – CONDUTO FORÇADO – CASA DE MÁQUINAS (CERPCH )

PCH – CONDUTO FORÇADO – CASA DE MÁQUINAS (CERPCH )

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PCH – ARRANJO TÍPICO COM CANAL DE ADUÇÃO (Prof. Geraldo L.T. F – CERPCH –
Unifei

O que são PCHs


Pequenas Centrais Hidrelétricas são usinas de geração de energia elétrica a partir do aproveitamento
do potencial hidráulico com capacidade instalada superior a 1 MW e inferior ou igual a 30 MW,
além de reservatório em área menor que 13 km².
Geralmente instaladas próximas ao local de consumo e integradas ao sistema elétrico da região, as
PCHs proporcionam uma maior estabilidade e segurança no abastecimento de energia limpa, além
de economia de investimentos relacionados à redução de perdas de transmissão.

Outra vantagem proporcionada pelas PCHs é a boa qualidade da energia que as localidades
beneficiadas passam a receber, contribuindo significativamente para o bem estar da população e o
crescimento econômico.

Além de aumentar a oferta de energia elétrica, algumas PCHs substituem o abastecimento


proveniente de usinas termelétricas que queimam óleo diesel, altamente poluente ao meio ambiente.

As usinas Garganta da Jararaca e Paranatinga II, por exemplo, geram energia limpa e evitam o
consumo de 18 milhões de litros de óleo diesel por ano, equivalente à emissão de aproximadamente
42 mil toneladas/ano de dióxido de carbono na atmosfera

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CONSTRUÇÃO DO CANAL DE ADUÇÃO – PCH SANTA EDWIGES I

CONSTRUÇÃO DO CANAL DE ADUÇÃO – PCH SANTA EDWIGES I

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PCH SALTO GRANDE – CAMPINAS – JOAQUIM EGÍDEO

PCH SALTO GRANDE – CAMPINAS – JOAQUIM EGÍDEO

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Figura X - Hidrelétrica Henry Borden – São Paulo-Cubatão – Queda de 720m – Construção 1926

Figura X - Hidrelétrica Henry Borden – São Paulo-Cubatão – Queda de 720m – Construção 1926
Ao lado da Usina Hidrelétrica Henry Borden, dentro da montanha, existe uma outra usina, com a
mesma capacidade e em funcionamento. Assim, se a usina externa fosse destruída por um
bombardeio, o abastecimento elétrico do pólo industrial de Cubatão e da capital paulista continuaria
garantido. Mas o complexo ganhou fama internacional também pelo fato de em sua construção ter
sido invertido o curso de um rio, o Pinheiros, para formar uma represa que despejaria suas águas
montanha abaixo, permitindo a geração de energia. A primeira unidade da usina começou a
funcionar em 1926, produzindo 44.437 kw (texto extraído do site Novo Milênio).

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CONTENÇÃO DE CHEIAS – BARRAGEM NORTE – JOSÉ BOITEUX - SC

~CONTENÇÃO DE CHEIAS – BARRAGEM OESTE – TAIÓ - SC

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CONTENÇÃO DE CHEIAS – BARRAGEM OESTE – TAIÓ - SC

CONTENÇÃO DE CHEIAS – BARRAGEM OESTE – TAIÓ -SC

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Tanque para Psicultura

Tanque para Psicultura

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Fig. X – Tanque redondo de distribuição de águra para irrigação - TERRAPLAN

Tomada de fundo para bombeamento de água para irrigação

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Fig. X – Lago Escavado - Em áreas onde o nível do lençol freático é elevado, a simples escavação
do terreno possibilita o acúmulo de água e a formação de um lago - Fazenda da Ressaca –
CCA/UFSC

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PCH SALTO GRANDE – CAMPINAS – JOAQUIM EGÍDEO

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Figura X – Barragem de Rejeito contendo radionuclídeos

Figura X – Rompimento de Barragem de Rejeitos

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Fig.Tanque para decantação de dejetos de confinamento de gado -TERRAPLAN

REVESTIMENTO DE RESERVATÓRIO COM GEOMEMBRANA- é um material geosintético que possui


propriedades elástica e flexíveis. As mais comuns são o PEAD polietileno de alta densidade e o PVC. Eles servem para
ser utilizada como revestimento impermeabilizante podendo ter diversas aplicações como impermeabilização, lagoas
tanques de decantação, reservatórios de água, aterros sanitários, piscultura, lages de cobertura, tanques de decantação,
tanque de captação de água, preservando desta forma o meio ambiente evitando contaminação do solo, próximos.

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Figura X – Barragem de terra-enrocamento para retenção de corridas detríticas em Alma-Ata –


Cazaquistão (N.N.Maslov,1982) (in Dimitry)

Figura X –– Barragem de concreto para retenção de corridas detríticas – Japão (K.Tamada, 2004) (in Dimitry)

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Figura X –– Barragem de concreto para retenção de corridas detríticas – Tanguarena – Venezuela


(J.Lopes – UCV,2000) (in Dimitry)

Figura X – Barragem para retenção de corridas detríticas – Barragem selecionadora vazada, tipo
“crib-wall”, construída com elementos pré-moldados de concreto armado. Rompida em agosto de
1999. Rio Gerkhozhan-Su, a montante da cidade de Tyrnyauz (I.B. Seinova, 1999) (in Dimitry)

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Figura X – Barragem para retenção de corridas detríticas – Vista em 2008 da barragem na cidade de
Tyrnyauz rompida em 1999, com a calha do rio Gerkhozhan-Su em processo de escavação (D.
Znamensky, 2008) (in Dimitry)

Figura X – Estrutura metálica flexível para a contenção de detritos (WSL – Geobrugg)

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SANTO ANTONIO ENERGIA – ARRANJO GERAL


UHE Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho (RO).

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BARRAGENS
PRINCIPAIS TIPOS

- Follow through on every angle and every subtask;


- Don’t oversimplify the site model, its properties, or its
response;
- Assume the worst configuration of properties and
boundary conditions consistent with data from site
investigations;

“Karl Terzaghi”
III- PRINCIPAIS TIPOS DE BARRAGENS
Os principais tipos de barragens normalmente utilizados são os seguintes:
- Barragem de terra homogênea;
- Barragem de terra zoneada;
- Barragem de enrocamento;
- Barragem de gravidade (concreto);
- Barragem de gravidade aliviada (concreto);
- Barragem em arco (concreto armado).

No presente trabalho serão estudadas as barragens de terra homogênea e barragens


de terra zoneada. Também se apresentarão algumas informações sobre barragens de
enrocamento.

A escolha por um ou outro tipo vai depender da disponibilidade de materiais no


local da obra, a qual esta diretamente ligada ao custo final do empreendimento.

As barragens de terra homogênea são as construídas com apenas um tipo de


material. Neste caso, o material da área de empréstimo, quando compactado, deve
apresentar baixo coeficiente de permeabilidade.

As barragens de terra zoneadas são aquelas, em que por falta de área de


empréstimo com material argiloso suficiente para a construção de todo o aterro, prioriza-
se a utilização deste material, no centro (núcleo argiloso). Neste caso, havendo um
núcleo argiloso, os taludes podem ser construídos com material mais permeável.

As barragens de enrocamento são aquelas que são construídas com materiais


rochosos de diversas granulometria. Neste caso, a impermeabilização do maciço é
garantida por um núcleo argiloso impermeável, e/ou parede de concreto construída sobre
o talude de montante.

Apresenta-se nas Figuras III.1 a III.18, detalhes destes três tipos de barragem.
Figura III.1- Barragem de terra homogênea – Barragem de Chiva
(in Cruz, 1996).

Figura III.2- Barragem de terra zoneada – Barragem de Orós


(In Cruz, 1996).
Figura III.3- Barragem de enrocamento – Barragem de Lynn
(in Cruz, 1996)

Figura III.4- Barragem de terra homogênea em construção.


Figura III.5- Barragem de terra homogênea em construção.

Figura III.6- Barragem de terra zoneada. Núcleo impermeável e taludes em construção


Figura III.7- Barragem de terra zoneada. Núcleo impermeável e taludes em construção

Figura III.8- Barragem de terra zoneada. Núcleo impermeável e talude em construção.


Figura III.9- Barragem de terra zoneada. Núcleo impermeável em construção.

Figura III.10- Barragem de terra zoneada. Núcleo impermeável em construção.


Figura III.11- Barragem de enrocamento. Núcleo impermeável e taludes em construção.

Figura III.12- Barragem de enrocamento. Núcleo impermeável e taludes em construção.


Figura III.13- Barragem de enrocamento. Núcleo impermeável e taludes em construção.

Início da construção do núcleo impermeável – PCH Zé Fernando


Construção do aterro de material permeável e do núcleo impermeável – PCH Zé
Fernando
Figura III.14- Barragem de enrocamento. Núcleo impermeável e taludes em construção.

Figura III.15- Barragem de enrocamento. Núcleo impermeável e taludes em construção


Figura III.16- Barragem de enrocamento. Impermeabilização do talude de montante com
concreto.

Figura III.17- Barragem de concreto em arco.


Figura III.18- Barragem de concreto.
Usina Hidrelétrica Mauá - Paraná

Barragem de CCR terá 745 m de comprimento na crista e 85 m


de altura máxima e terá pista de rolagem em sua superfície
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PRINCIPAIS ELEMENTOS

“Nature to be Commanded must be Obeyed”

“A Natureza para ser Comandada precisa ser Obedecida”

“Francis Bacon”

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IV - PRINCIPAIS ELEMENTOS
São os seguintes os principais elementos de uma barragem de terra, os quais
são apresentados na Figura IV.1 e também descritos em detalhes neste capítulo:
1- Crista;
2- Borda livre;
3- Talude de montante;
4- Proteção do talude de montante (rip-rap);
5- Talude de jusante;
6- Proteção do talude de jusante (grama ou outro elemento);
7- Trincheira de vedação;
8- Filtro horizontal;
9- Filtro vertical;
10- Dreno de pé;
11- Cortina de injeção;
12- Poço de alívio;
13- Tapete impermeável;
14- Sistema de drenagem das águas pluviais.

Além destes elementos, para o perfeito funcionamento da barragem, também


fazem parte da estrutura:

1- Sistema de extravasamento (vertedouro ou sangradouro);


2- Comportas.

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Figura IV.1 – Principais elementos de uma barragem de terra – Barragem Zoneada

Figura IV.2 – Principais elementos de uma barragem de terra – Barragem Homogênea

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Figura X – Sangradouro – Caixa de Nível (Monje) - Tubulação de Fundo

Figura X – Barragem de Carpina – Caixa de Nível (Monje) – Tubulação/Descarga de Fundo

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Figura X - Sangradouro – Barragem de Bocainas

Figura X – Sangradouro – Barragem de Nova Olinda

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Figura X – Controle do Nível através de Comporta – Mágino

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Figura X – Comporta de Itaipú (→ Operários)

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Figura X – Barragem de Engenheiro Ávidos

Figura X – Comportas – Barragem Engenheiro Ávido

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Figura X – Samgradouro da Barragem de Estreito em tempo de seca

Figura X – Barragem de Pindobaçu

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Figura X - Barragem de Aimorés – Main Braziliam Dams III – CBDB

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Sangradouro de Pequena Barragem

Sangradouro de Pequena Barragem

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IV .1- CRISTA

A largura da crista é determinada pelas necessidades de tráfego sobre ela, não


devendo ser inferior a 3 metros, mesmo para pequenas barragens. Esta largura
mínima garante condições de acesso para serviços de manutenção e também
colabora na estabilidade do maciço de terra. Em barragens de maior porte, onde há
tráfego freqüente de veículos esta largura geralmente varia entre 6 e 12 metros.
Bureau of Reclamation (2002), recomenda que a largura mínima da crista para
pequenas barragens seja calculada pela fórmula: L = Z/5 + 3 metros, onde Z é a altura
máxima da barragem e L, a largura mínima da crista. Caso seja prevista uma estrada
sobre a crista, a dimensão mínima sempre deverá ser de 5 metros.

São apresentadas na Figura IV.1.1 a crista de uma pequena barragem de terra e


nas Figuras IV.1.2 e IV.1.3 a cristas de duas barragens de maior porte.

A altura da barragem, ou cota da crista, deve ser igual ao nível “máximo


maximorum” da lâmina d’água, acrescido da borda livre (Capítulo V.2) definida
para o reservatório ( cota da crista = NAmáx Max + borda livre ) . O nível “máximo
maximorum” ou “máximo dos máximos” (NAmáx max) é o nível da lâmina d’água
mais elevada que deverá e poderá atingir o reservatório na ocorrência da cheia de
projeto.

Na crista deve haver um sistema de drenagem que permita o escoamento das


águas de chuva de maneira segura, objetivando-se evitar erosões e empoçamento de
água. Pode-se construir canaletas de drenagem, ou construir a crista com uma
inclinação para montante, evitando que as águas de chuva escoem sobre o talude de
jusante. Na Figura IV.1.4 apresenta-se a erosão de um talude de jusante, causada pelo
escoamento de águas de chuva vindas principalmente da crista. Nas Figuras IV.1.5 e
IV.1.6 apresentam-se detalhes de um sistema de drenagem bem executado nos taludes
de uma barragem de terra.

Não havendo tráfego de veículos sobre a pista, a mesma pode ser protegida
com a plantação de grama. Havendo tráfego freqüente de veículos a crista deve ser
protegida de maneira adequada, com a construção de um pavimento. Não havendo
nenhuma proteção superficial na pista, pela ação das águas de chuva e mesmo pela
passagem de poucos veículos, pode haver o desgaste da superfície. Apresenta-se na
Figura IV.1.1 um exemplo deste fato.

Para pequeno volume de tráfego pode-se executar sobre a crista um


Revestimento Primário, como é feito em estradas vicinais. IPT (1988), em seu
trabalho “Estradas Vicinais de Terra”, apresenta: “ O Revestimento Primário
constitui-se em uma camada colocada sobre o reforço do subleito ou diretamente
sobre o subleito. Esta camada é obtida pela compactação de uma mistura (natural ou
preparada) de material argiloso com material granular. A espessura desta camada
deve levar em conta a quantidade e tipo de tráfego do local e as condições de suporte
do subleito, variando, geralmente entre 10 e 20 cm. O objetivo da adição de argila no
material granular é o de atuar como ligante e regularizar a superfície final de
rolamento. O objetivo do uso de material granular é aumentar o atrito da pista com as
rodas dos veículos. A dimensão máxima ideal do material granular é de 2,5 cm. Na
natureza há jazidas que podem ser utilizadas diretamente para a execução do
Revestimento Primário, pois são compostas de uma mistura já em proporções
satisfatórias de materiais granulares e de argila. É o caso das cascalheiras de cava. No
entanto, é mais comum aparecer a necessidade de se proceder a uma mistura
adequada, uma vez que a maior parte das jazidas de materiais granulares é pobre em
argila, como é o caso de cascalhos e pedregulhos de rio e saibros grosseiros de rochas
alteradas. A mistura pode ser executada na própria jazida, no trecho em obras, ou em
qualquer pátio que se mostre adequado. As operações para que a mistura atinja a
necessária homogeneidade são: -secagem e destorroamento da argila; cálculo das
proporções em volume (em torno de 1 de argila para 2,5 de material granular);
mistura com grade de disco, motoniveladora ou pá carregadeira. - - -; regularização e
compactação da camada do subleito ou camada de reforço; escarificação
(arranhamento) do leito; lançamento e espalhamento do material; umedecimento, ou
secagem, se necessário; - - - ; compactação - - -.” Apresentam-se nas Figuras IV.1.7 a
IV.1.14 detalhes deste procedimento. É necessário que durante a compactação se faça
um controle da umidade do material para que o mesmo tenha a umidade de
compactação especificada no projeto. Também é necessário um controle do grau de
compactação do aterro para que o solo alcance a densidade especificada no projeto.
Tanto a umidade ótima de compactação, como a densidade que o solo deve ter após
compactado, são determinadas através do ensaio de compactação Proctor. Este ensaio
é descrito em detalhes no capítulo VI.

Para grande volume de tráfego, deve ser executado um pavimento sobre a


crista que suporte a solicitação imposta. Este pavimento deve ser projetado de acordo
com critérios específicos para estradas. O dimensionamento de pavimentos não é
objetivo deste trabalho, podendo-se obter informações técnicas a respeito em manuais
do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e em livros,
sugerindo-se: “Manual de Técnicas de Pavimentação – Volumes I e II – De Senço,
W. – Editora Pini.”

É importante observar, antes do enchimento do reservatório e antes da


construção do pavimento, se a altura da crista esta condizente com o estabelecido em
projeto, pois dependendo dos tipos de materiais do aterro e da fundação, os recalques
(deslocamentos verticais) podem variar entre 0,2 e 0,4% da altura da barragem, isto
ocorrendo durante e após a construção do aterro. Os recalques que ocorrem após a
construção do maciço, devido às deformações do aterro e da fundação, devem ser
estimados, para que se construa a crista com a devida sobrelevação, evitando-se
assim que a crista fique com altura inferior à projetada. Estes cálculos podem ser
efetuados através do resultado de ensaios de adensamento (Capítulo XX) feitos com
material indeformado da fundação e com solo compactado do aterro, ou, caso haja
esta possibilidade, com base em dados de instrumentação (Capítulo XX) obtidos, em
uma seção da barragem construída antecipadamente.
Figura IV.1-1 – Crista de uma barragem de terra.

Figura IV.1-2 – Crista de uma barragem de terra.


Figura IV.1.3 – Construção do pavimento da crista de uma barragem.

Figura IV.1.4- Erosão no talude causada pelas águas vindas da crista.


ITAIPÚ
Figura IV.1.5- Sistema de drenagem nos taludes.
Figura IV.1.6- Sistema de drenagem nos taludes.
Figura IV.1.7 – Revestimento Primário.

Figura IV.1.8 – Proporção da Mistura.


Figura IV.1.9 – regularização da superfície do aterro.

Figura IV.1.10 – Escarificação (“arranhamento”) do leito.


Figura IV.1.11– Lançamento do material.

Figura IV.1.12 – Espalhamento do material.

Figura IV.1.13 – umedecimento do material.


Figura IV.1.14 – Compactação com rolo compactador.
BORDA LIVRE

“The freeboard must be sufficient to prevent overtopping by waves and


include an allowance for settlement of the foundation and embankment”
“US Army Corps of Engineers-2004”

IV .2- BORDA LIVRE


A borda livre (ou “folga”, “revanche”, “freeboard”) é a distância vertical entre
a crista da barragem e o nível das águas do reservatório e objetiva a segurança contra
o transbordamento, que pode ser provocado pela ação de ondas formadas pela ação
dos ventos, evitando danos e erosão no talude de jusante. Apresenta-se na Figura
IV.2.1 a borda livre de um reservatório.

A borda livre deve ser calculada considerando-se o reservatório com seu nível
máximo de água. Sua determinação baseia-se na previsão da altura e ação das ondas.
A ação das ondas no seu encontro com o paramento da barragem depende do ângulo
de ataque da onda, da inclinação do paramento e da textura da superfície do talude.

A altura das ondas depende da velocidade e da duração do vento, da extensão


do reservatório na direção do vento considerada (“fetch”) e da profundidade do
reservatório.

Figura IV.2.1- Soil-cement Protection and Wave Deflector Concrete


Wall - Barragem de Porto Primavera
Recomenda-se que a borda livre de um barramento, mesmo de pequenas dimensões,
não seja inferior a 0,5 metro. No mínimo, o valor da borda livre deve ser igual à
altura da onda máxima, acrescida de 50%, para compensar a sua corrida sobre o
talude da barragem e, ainda, de um valor correspondente a um fator de segurança,
variável entre 0,60 e 3,00 metros, dependendo da importância da barragem (Gaioto,
2003).

O cálculo da borda livre de uma barragem de terra dever ser realizado de


acordo com a seguinte metodologia:
1- Determinação do nível de água do reservatório que servirá de referência para
o cálculo da borda livre;
2- Análises dos registros de ventos;
3- Como a linha do reservatório pode ser muito irregular, deve-se calcular o
“fetch” efetivo, F, através da fórmula: F = Σ xi cos αi / Σ cos αi, onde αi = ângulo
entre a direção considerada e a direção principal do vento, e xi = extensão do
reservatório na direção αi ; os valores de αi devem ser tomados a cada 30, até 450, em
ambos os lados da direção principal;
4- cálculo das características das ondas;
5- seleção final da borda livre em função dos resultados obtidos em (4), da
declividade do talude da barragem e do tipo de paramento.

Para o cálculo da altura da onda máxima podem ser utilizados ábacos, como o
da Figura IV.2.2 (U.S. Bureau of Reclamation), e tabelas, como a Tabela IV.2.1
(Bordeuax, G.H.R.M. 1980), que foi estabelecida pela análise de diversas fórmulas
empíricas relacionando a altura da onda, o “fetch” efetivo e a velocidade do vento. O
U. S. Bureau of Reclamation recomenda os valores de borda livre para taludes
protegidos com rip-rap apresentados na Tabela IV.2.2 ( in Bordeuax, G.H.R.M.
1980). Para pequenas barragens de terra, o Bureau of Reclamation (2002) recomenda
folgas normalmente aceitáveis, apresentadas na Tabela IV.2.3. Para “fetch” com até
5,0 km e profundidade de água junto à barragem de até 9,0, Eletrobrás (1982) sugere
os valores de borda livre apresentados na Tabela IV.2.4.

Na Tabela IV.2.5 são apresentados valores de borda livre em regime de nível


de água normal e em regime de água em seu nível máximo, de alguns reservatórios
brasileiros de grande porte.
Figura IV.2.2- Determinação da altura máxima da onda (U. S. Bureau of
Reclamation, in Gaioto,N., 2003)

Tabela IV.2.1 – Altura da onda em função do “fetch” e da velocidade do vento


(Bordeuax, G.H.R.M. 1980).
“fetch” Altura da onda Altura da onda Altura da onda
(quilômetros) (metros) (metros) (metros)
Vento: 80 km/h Vento: 120 km/h Vento: 160 km/h
1,6 0,81 0,9 -
4,0 0,96 1,08 1,17
8,0 1,11 1,29 1,44
16,0 1,35 1,62 1,83
Tabela IV.2.2 – Borda livre em função do “fetch” e da velocidade do vento ( U.S.
Bureau of Reclamation , in Bordeuax, G.H.R.M. 1980).
“fetch” Borda livre mínima (metros) com
(quilômetros) reservatório no N.A. Máx.
Maximorum, para ventos de 80 km/h
< 1,6 0,9
1,6 1,2
4,0 1,5
8,0 1,8
16 2,1

Tabela IV.2.3- Borda livre normalmente aceitáveis (Bureau of Reclamation, 2002).


Fetch Borda livre mínima
(quilômetros) (metros)
< 1,5 1,0
1,5 1,2
5,0 1,5
7,5 1,8
15,0 2,0
Tabela IV.2.4- Borda livre em função da extensão do espelho d’água do reservatório
na cota do NA máximo (“fetch”) e da profundidade de água junto à barragem (
Eletrobrás, 2000 ).

Profundidade da “fetch” “fetch” “fetch” “fetch” “fetch” “fetch” “fetch”


água (P) junto à 0,2 m 0,5 m 1,0 m 2,0 m 3,0 m 4,0 m 5,0 m
barragem (m)
P ≤ 6,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,05 1,15 1,25
6,00 < P ≤ 10,00 1,00 1,00 1,00 1,05 1,15 1,25 1,35
Tabela IV.2.5 – Dimensão da Borda Livre de barramentos de grande porte
(Bordeuax, G.H.R.M. 1980)
BARRAGEM Borda Livre (metros) Borda Livre (metros)
N.A. Normal N.A. Máximo
Água Vermelha 4,00 2,70
Atibainha 4,00 2,00
Cachoeira 5,50 2,00
Capivara 5,00 3,00
Emborcação 3,00 2,65
Estreito 6,50 2,36
Foz de Areia 5,00 3,50
Ilha Solteira 4,00 3,00
Itaipu 5,00 2,00
Tucuruí 6,00 4,00
Itumbiara 3,00 1,80
Jaguará 3,50 2,50
Marimbondo 4,20 3,14
Paraíbuna 5,00 2,50
Passo Real 4,00 2,90
Promissão 3,50 2,20
Salto Santiago 4,00 3,00
São Simão 3,00 2,20
Sobradinho 5,00 4,00

Figura IV.2.3- Wave Deflector Wall on the Dam Crest – Section - Barragem de
Porto Primavera
Figura X – Barragem de Rejeito – Borda livre de 1,20m. Dimensionada considerando
os recalques totais previstos e a onda máxima para uma velocidade máxima de
70km/h na direção do fetch máximo
TALUDES DE MONTANTE
E JUSANTE

“Karl Terzaghi em seu discurso de abertura, referindo-se aos


solos residuais brasileiros, disse que os nossos técnicos estavam em
condições de pesquisar e experimentar nas construções tal tipo de
solo, em proveito da técnica universal. No discurso de
encerramento, Terzaghi voltou a referir-se aos engenheiros
brasileiros dizendo que lhes cabia a grande missão de investigar e
descobrir as intrincadas propriedades dos solos residuais, que
ocorriam no Brasil em escala muito maior do que em outros países
onde se praticava a Mecânica dos Solos.“
“II Congresso Internacional de Mecânica dos Solos”
“Rotterdam, 1948”
IV .3- TALUDES DE MONTANTE E JUSANTE

O talude de montante é a parte do maciço que vai ficar diretamente em contato


com a água do reservatório, o que vai exigir considerações especiais na fase de
projeto, no cálculo de sua estabilidade, e cuidados especiais para sua manutenção
durante a fase de operação do reservatório.

A sua inclinação deve ser definida através de cálculos de estabilidade,


considerando-se:
1- As propriedades geotécnicas de resistência (Capítulo XX) e deformabilidade
(Capitulo XX) do solo utilizado em seu estado compactado, em sua condição de
umidade natural e também saturado (fase de enchimento e operação do reservatório);
2- As fases a que o aterro vai ser submetido, que são a fase de construção, a
fase de final da construção, a fase de operação (solo saturado) e, caso venha a
ocorrer, fase de rebaixamento rápido do nível de água do reservatório. O
rebaixamento rápido é uma situação crítica para o talude de montante de uma
barragem, sendo importante sua consideração nos cálculos de estabilidade.
Consideram-se esvaziamentos rápidos para pequenas barragens os que apresentam
velocidades mínimas de descida do nível, de 0,15 metros por dia (Bureau of
Reclamation, 2002).

Os valores das inclinações dos taludes podem ser necessários, como em


anteprojetos para estimativas de custos, quando ainda não se dispõe dos dados
geotécnicos para a realização dos cálculos de estabilidade. Nestes casos é costume se
adotar inclinações para os taludes, com base em dados de experiência de obras
executadas. Diversos autores apresentam sugestões de inclinação, considerando-se
diferentes tipos de solo. Para maciços de pequenas barragens a serem construídos
com solos que dêem uma “boa” compactação e em fundações “estáveis” pode-se
adotar em um anteprojeto a inclinação de 1 na vertical, para 3 na horizontal ( 1 : 3
), para o talude de montante. Para o talude de jusante, considerando-se que o
mesmo não vai estar diretamente em contato com a água do reservatório, razão pela
qual é conhecido como o talude “seco”, para as mesmas condições citadas acima,
pode-se adotar em um anteprojeto a inclinação de 1 na vertical para 2,5 na
horizontal (1: 2,5 ). Por exemplo, para uma barragem com 10 metros de altura, a base
do talude de montante deverá ter 30 metros de largura. Para a largura total da
barragem deve-se acrescentar a largura da crista e a largura do talude de jusante.
Neste exemplo, a base do talude de jusante deverá ter 25 metros de largura. Se
considerarmos uma crista com 5 metros de largura, a largura total da barragem vai ser
de 60 metros.
Para aterros devidamente compactados de acordo com o estabelecido pelas
normas de compactação, Eletrobrás (2000) recomenda para utilização em
anteprojetos de pequenas barragens as inclinações de taludes, apresentadas na Tabela
IV.3.1.
Tabela IV.3.1- Inclinação de taludes ( Vertical : Horizontal ) em função do tipo de
solo e altura da barragem (Eletrobrás, 2000 ). (Valores usuais considerando-se um
adequada compactação do aterro e que o material da fundação não condiciona a
estabilidade do talude – casos nos quais as fundações são mais resistentes que os
maciços compactados das barragens ).
Material do Aterro H ≤ 5,00 metros 5,00 < H ≤ 10 metros
Solos Argilosos Montante - 1 : 2 Montante – 1 : 2,75
Jusante – 1 : 1,75 Jusante – 1 : 2,25
Solos Arenosos Montante - 1 : 2,25 Montante - 1 : 3,00
Jusante – 1 : 2,00 Jusante – 1 : 2,25
Areias e Cascalhos Montante - 1 : 2,75 Montante - 1 : 3,00
Jusante – 1 : 2,25 Jusante – 1 : 2,50
Pedras de mão (barragens Montante – 1 : 1,35 Montante – 1 : 1,50
mistas) Jusante – 1 : 1,30 Jusante – 1 : 1,40

Para a sua construção deve-se procurar uma jazida (Capítulo VI) que forneça
material adequado para o processo de compactação (Capítulo VI) e que após
compactado apresente boas características de impermeabilidade (Capítulo IX),
resistência (Capítulo XX) e de deformabilidade (Capítulo XX).

Para a proteção da parte não submersa do talude de montante, contra a ação das
ondas e da natureza, deve-se adotar procedimentos especiais, os quais são
apresentados no Capítulo IV.4. Para a proteção do talude de jusante também se deve
adotar procedimentos, os quais são apresentados no Capítulo IV.5.

Apresenta-se na Figura IV.3.1 o talude de montante de uma barragem, e na


Figura IV.3.2 o talude de jusante de uma barragem.
Figura IV.3.1- Talude de montante de uma barragem.

Figura IV.3.1- Talude de jusante de uma barragem.


TERRAPLAN
PROTEÇÃO DO TALUDE
DE MONTANTE

IV.4- PROTEÇÃO DO TALUDE DE MONTANTE

Devido à ação das ondas que se formam no reservatório, e também das águas
de chuva que podem vir da crista, o talude de montante deve ser protegido contra a
erosão.
Esta proteção, geralmente é feita com rochas com tamanho suficiente para não
serem arrastadas pelas ondas, denominadas de “rip-rap”. A proteção deve cobrir todo
o trecho do talude, desde o seu topo, até cerca de 1m abaixo do nível de operação do
reservatório. O “rip-rap” pode ser de dois tipos: “rip-rap” lançado ou “rip-rap”
com pedras arrumadas. Apresenta-se na Figura IV.4.1 o talude de montante de uma
barragem protegido por “rip-rap”. Apresenta-se na Figura IV.4.2 a colocação do “rip-
rap” em uma barragem de terra em construção.

Quando não há rocha suficiente para a construção do “rip-rap”, a proteção do


talude pode ser feita através de:
- Solo-cimento;
- Revestimento de concreto;
- Pedras rejuntadas

IV.4.1- RIP-RAP LANÇADO

O “rip-rap” lançado “consiste de uma camada dimensionada de blocos de pedra,


lançada sobre um filtro de uma ou mais camadas, de modo que este atue como zona
de transição granulométrica, servindo como obstáculo à fuga dos materiais finos que
constituem o maciço (Figura IV.4.2). A rocha a ser utilizada deve possuir dureza
suficiente para resistir à ação dos fatores climáticos. As pedras ou blocos utilizados
na construção do “rip-rap” devem ter de preferência o formato alongado, evitando-se,
tanto quanto possível, os blocos de formato arredondado. Assim, as possibilidades de
deslizamentos são menores. A espessura da camada e o tamanho dos blocos é função
do “fetch”. O dimensionamento recomendado do “rip-rap” é apresentado na Tabela
IV.4.1. (Bureau of Reclamation, 2002)”. No Capítulo IV.7 apresentam-se noções de
granulometria, filtros e transições. Na Tabela IV.4.2, apresentam-se as sugestões do
U.S. Army Corps of Engineers, para o diâmetro médio (D50) e espessura da camada
de “rip-rap”, mínimos, em função da altura máxima das ondas. Sob o enrocamento,
deve ser colocada uma camada de transição, de material granular, cuja espessura
também é função da altura da onda (Tabela IV.4.3).

IV.4.2- RIP-RAP COM PEDRAS ARRUMADAS

No “rip-rap” com pedras arrumadas, “as pedras são arrumadas de modo a


constituírem uma camada de blocos bem definida, preenchendo-se os vazios com
pedras menores (Figura IV.4.3). A qualidade da pedra dever ser excelente. A
espessura da camada pode ser a metade da dimensão recomendada no caso de “rip-
rap” lançado. (Bureau of Reclamation, 2002)”.
Figura IV.4.1- Talude de montante protegido por “rip-rap”.

Figura IV.4.2- Construção do “rip-rap” em talude de montante.


Figura IV.4.3- “rip-rap” lançado (Bureau of Reclamation, 2002).

Figura IV.4.4 - “rip-rap”- pedra arrumada (Bureau of Reclamation, 2002).

Tabela IV.4.1- Dimensionamento do “rip-rap” (Bureau of Reclamation,


2002).(inclinação – Horizontal : Vertical).
Inclinação Fetch Espessura Pedra (kg) Pedra (kg) Pedra (kg) Pedra (kg)
Hor. : Vert. (km) (metros) Máximo 40 a 50% 50 a 60% 0 a 10%
3:1 <4 0,80 1.000 > 600 35 a 600 < 35
3:1 >4 1,00 2.000 > 1.000 45 a 1.000 < 45
2:1 qualquer 1,00 2.000 > 1.000 45 a 1.000 < 45
Tabela IV.4.2- Dimensionamento do “rip-rap” (U.S. Army Corps of Engineers, in
Gaito,N. 2003)
Altura máxima da onda Diâmetro médio – D50 Espessura da camada
(metros) (metros) (metros)
0 – 0,60 0,25 0,30
0,60 – 1,20 0,30 0,46
1,20 – 1,80 0,38 0,61
1,80 – 2,40 0,46 0,76
2,40 – 3,00 0,53 0,91

Tabela IV.4.3- Camada de transição sob o “rip-rap” (U.S. Army Corps of Engineers,
in Gaito,N. 2003)
Altura máxima da onda Espessura da camada de transição
(metros) (metros)
0 – 1,20 0,15
1,20 – 2,40 0,23
2,40 – 3,00 0,30

IV.4.3- PROTEÇÃO COM SOLO-CIMENTO

O solo-cimento normalmente é colocado em camadas com largura de 2,5m, em forma


de escada. A espessura mínima recomendada para cada camada é de 0,15m. Para sua
construção devem ser utilizados solos arenosos, com cerca de 10 a 15% passando na
peneira de número 200, com índice de plasticidade menor que 8% (Fell et al, 1992).
Apresenta-se na Figura IV.4.5 um desenho de um revestimento com solo-cimento e
na Figura IV.4.6 a foto do talude de uma barragem, protegido com solo-cimento.

Figura IV.4.5- Revestimento de Solo-Cimento.


Figura IV.4.5- Revestimento do talude de montante com Solo-Cimento.

IV.4.4- PROTEÇÃO COM PEDRAS REJUNTADAS

A colocação de uma camada de pedras rejuntadas com argamassa de cimento


ou asfalto tem sido utilizada como proteção do talude de montante, apesar de não ser
recomendável sua utilização. Não se recomenda esta prática porque a rigidez do
sistema constituído pelas pedras rejuntadas não acompanha as deformações do
maciço de terra. Caso seja utilizada, deve-se prever uma constante vistoria do sistema
para se corrigir possíveis falhas. Optando-se por este sistema, “a camada de pedra é
construída sobre um colchão de areia com características de filtro, possuindo ambas,
no mínimo, espessuras de 0,30m (Bureau of Reclamation, 2002)”.
IV.4.5- PROTEÇÃO COM REVESTIMENTO DE CONCRETO

Em obras de pequeno porte, onde não ocorra um controle rigoroso de sua


construção, em geral, o revestimento de concreto não é recomendável, porque a baixa
elasticidade do material não acompanha os recalques diferenciais que podem ocorrer
no maciço, havendo uma necessidade constante de manutenção do revestimento.
Optando-se por este sistema, “ a espessura mínima recomendada é de 0,15m. A
preferência é para a construção monolítica, embora placas de 2 por 2m venham sendo
utilizadas (Bureau of Reclamation,2002)”. Apresenta-se na Figura IV.4.6, Figura
IV.4.7 e Figura IV.4.8, o revestimento de concreto realizado em uma barragem de
grande porte. Neste caso o revestimento, além da proteção contra as ondas, teve a
função de impermeabilizar a face de montante da barragem.

Apresenta-se na Figura IV.4.9 e Figura IV.4.10 uma barragem em operação, na


qual a proteção com rip-rap foi feita parcialmente e ainda sem obedecer a espessura
mínima necessária de camada de pedras.
Apresenta-se na Figura IV.4.11 e Figura IV.4.12 um pequena barragem na qual
a proteção do talude foi feita com pedras rejuntadas.

Figura IV.4.6- Revestimento do talude de montante com concreto.

Figura IV.4.7- Revestimento do talude de montante com concreto.


Figura IV.4.8- Revestimento do talude de montante com concreto.

Figura IV.4.9- Revestimento inadequado.


Figura IV.4.10- Revestimento sem obedecer a espessura mínima.

Figura IV.4.11- Revestimento com pedras rejuntadas.


Figura IV.4.8- Revestimento com pedras rejuntadas.

TERRAPLAN
TERRAPLAN

TERRAPLAN
Rip rap coberto pela vegetação + árvore nascendo
Preparação do talude de montante
Geotextil + rip – rap

Geotextil + rip-rap

Porto Primavera –
Photo 11 - Soil-cement Protection and Wave Deflector Concrete
Wall
Porto Primavera-

Figure 14
PROTEÇÃO DO TALUDE
DE JUSANTE

IV .5- PROTEÇÃO DO TALUDE DE JUSANTE

O talude de jusante de uma barragem de terra deve ser protegido contra a


erosão, causada pelas águas de chuva, que podem adquirir grandes velocidades, ao
percorrer a distância entre o topo e o pé do talude. Geralmente, utiliza-se a grama
para proteção do talude, podendo também ser usado outro material, como
enrocamento, desde que este material seja economicamente viável. Aliado a esta
proteção, devem ser construídas canaletas de drenagem, para coletar adequadamente
a água. Estas canaletas devem ser dimensionadas de maneira a dar vazão ao máximo
volume de água previsto para a região da implantação da obra. São apresentados nas
Figura IV.5.1 e IV.5.2 o talude de jusante de uma barragem, protegido por grama, e o
talude de jusante de uma barragem protegido por enrocamento. São apresentados nas
Figuras IV.5.3 e IV.5.4 a erosão no talude de jusante de uma barragem causada pelas
águas de chuva.
Nas barragens de terra, a primeira providência consiste em subdividir o talude
em trechos, de altura não superior a 10 metros, por meio da intercalação de bermas,
com cerca de 3 a 5 metros de largura. A superfície das bermas deve apresentar
pequena declividade para montante, a fim de evitar que as chuvas que nelas caem
desçam para o talude inferior. Nessas bermas são instaladas canaletas de concreto,
para coletar as águas que caem no talude do trecho superior e na própria berma,
conduzindo-as, com declividade da ordem de 0,5%, para caixas, também dispostas
nas bermas, a cada 100 metros, aproximadamente. As águas que chegam a essas
caixas são conduzidas através de tubos de concreto, até outras caixas, construídas na
berma inferior e, assim, sucessivamente, até o pé da barragem. No contato da saia do
aterro da barragem com as ombreiras, também deve ser prevista a construção de uma
canaleta de concreto, para captar águas provenientes do talude e das ombreiras
(Gaito, 2003).

Para a preservação do bom estado do talude de jusante, deve ser evitada a


plantação de árvores sobre eles, pois as raízes das mesmas, se as árvores morrerem,
apodrecem e a abertura deixada por elas podem ser a causa de erosões internas, que
podem causar a ruptura da barragem. São apresentadas nas Figuras IV.5.5 e IV.5.6,
árvores nos taludes de jusante de pequenas barragens.

Durante a fase de operação da barragem, periodicamente devem ser feitas


vistorias ao talude de jusante, com o objetivo de sua preservação e observação de
possíveis irregularidades na obra, com trinca nos taludes, afloramento de água, etc.
Nestas vistorias deve-se observar também se animais como formigas, tatu, etc., estão
se instalando no talude, pois, devido aos buracos que fazem, pode-se instalar um
processo de erosão interna do maciço, com possibilidade de ruptura da barragem.
Apresenta-se na Figura IV.5.7 um buraco de tatu no maciço de uma barragem. A
construção de uma cerca é importante para impedir que o gado circule pelo talude de
jusante da barragem, o que pode danificar a grama e também criar caminhos
preferenciais de erosão. Também é importante, deixar um espaço livre no pé do
talude, de maneira que seja possível a circulação de pessoas e de um veículo.
Figura IV.5.1- Proteção do talude de jusante com grama.

Figura IV.5.2- Proteção do talude de jusante com enrocamento.


Figura IV.5.3- Erosão causada pelo escoamento de águas de chuva.

Figura IV.5.4- Erosão causada pelo escoamento de águas de chuva.


Figura IV.5.5- Árvores no talude de jusante.
Figura IV.5.6- Árvores no talude de jusante.

Figura IV.5.7- Buraco de tatu no maciço de uma barragem


GALGAMENTO DO TALUDE
INICIO DE EROSÃO NO TALUDE DE JUSANTE
LOCAL POR ONDE A ÁGUA PASSA SOBRE O MACIÇO
TERRAPLAN
Figura X – Talude de jusante - Proteção com enrocamento
Figura X – Talude de jusante - Proteção com enrocamento
CORTINAS DE VEDAÇÃO

“There is no Glory Attached to the Foundations”


“Karl Terzaghi”

IV .6- CORTINAS DE VEDAÇÃO


Uma barragem de terra nunca fica apoiada sobre um maciço perfeitamente
estanque, existindo sempre um fluxo de água subterrâneo.

Em grandes extensões de área do sul do Brasil, os solos superficiais, até vários


metros de profundidade são não saturados, apresentando um valor de porosidade e
coeficiente de permeabilidade que possibilitam o fácil fluxo de água. Por exemplo, na
região de Campinas - SP, encontram-se solos argilosos com 70% de porosidade (
Volume de vazios / Volume total ) até 6 metros de profundidade. Em cerca de 50%
do interior do Estado de São Paulo, encontram-se solos arenosos com 50% de
porosidade até pelo menos 6 metros de profundidade.

Aliado a esse fato, o solo superficial, até certa profundidade, que pode chegar
a metros, apresenta certa quantidade de matéria orgânica e presença de raízes. É
comum também a presença de buracos de animais, que podem ser de canais menores,
como o de formiga, a buracos maiores, como o de tatu, etc. Esta alta porosidade do
solo superficial, aliada a presença de buracos, facilita a percolação de água sobre a
barragem, podendo conduzir à sua ruptura, devido a subpressões e à erosão interna da
fundação. Mesmo que a barragem seja apoiada em rocha, dependendo do grau de
fraturamento da rocha, pode haver grande volume de fluxo sobre a barragem.
Também pode ocorrer a presença de solos de baixa resistência na fundação da
barragem (“solos moles”, como argilas orgânicas saturadas), exigindo sua remoção
total ou parcial.

Apresenta-se nas Figuras IV.6.1 a IV.6.4 cortes em terrenos onde pode-se


observar o buraco de animais no subsolo. Apresenta-se na Figura IV.6.5, detalhes da
rocha fraturada na fundação de uma barragem.

Havendo um fluxo de água sobre a barragem deve-se analisar pelo menos os


aspectos:
- A vazão, que significa uma perda de água do reservatório, cujo volume
pode ser importante, dependendo da região do país de sua localização;
- O gradiente hidráulico de saída que condiciona a pressão
hidrodinâmica suscetível de provocar a erosão interna do subsolo;
- As subpressões, que estão associadas à estabilidade do maciço de terra.
- As ações físico-químicas, que dependendo do tipo de solo, podem
condicionar a estabilidade do maciço. São exemplos destes solos, os solos colapsíveis
(são solos que sobre a ação de carga e com variação de umidade sofrem colapso de
sua estrutura), os solos expansivos ( com aumento da umidade sofrem aumento de
volume), argilas dispersivas ( sobre a ação do fluxo perdem sua estrutura e são
carreadas pela água), etc.

É necessário garantir que esses quatro aspectos que estão associados ao fluxo
subterrâneo sejam aceitáveis, já que a vazão determina a perda de água que
condiciona a rentabilidade do aproveitamento, o gradiente e as subpressões estão
diretamente associados à segurança, e as ações físico-químicas podem causar efeitos
prejudiciais a longo prazo. De acordo com os tipos de problemas enfrentados, deve-
se geralmente procurar modificar as condições de escoamento de fluxo subterrâneo.
Isto pode ser feito através de um tapete impermeável à montante e/ou um sistema de
drenagem à jusante e/ou uma cortina de vedação sob o corpo da barragem. A
construção da cortina de vedação sobre o corpo da barragem e a construção do tapete
impermeável são objetos deste capítulo sendo a construção do sistema de drenagem
objeto dos capítulos IV.7 (Drenagem Interna), IV.8 (Dimensionamento de Filtros),
IV.9 (Filtro em Chaminé), IV.10 (Filtro Horizontal), IV.11 (Transições), IV.12
(Dreno de Pé) e IV.13 ( Poços de Alívio).

A cortina de vedação sob o corpo de uma barragem visa, portanto a interrupção


do fluxo sobre a mesma, através da construção de uma barreira impermeável. A
cortina pode ser construída de diversas maneiras, das quais destacam-se:
- Cortina preenchida com material argiloso compactado, conhecida
como trincheira de vedação (“cut-off”);
- Diafragama plástico;
- Cortina de concreto;
- Cortina de injeção.
São apresentados nos itens IV.6.1 a IV.6.4 deste capítulo, detalhes deste elementos

Também com o objetivo de diminuir a percolação de água através da fundação


pode ser construído um tapete impermeável à montante conectado à seção
impermeável da barragem. É apresentado no item IV.6.5, detalhes deste elemento.

IV.6.1- TRINCHEIRA DE VEDAÇÃO (“CUT-OFF”)

Mesmo para barragens pequenas e solo da fundação com baixa permeabilidade,


sempre é importante a construção de uma cortina de vedação. Isto porque, sempre
ocorre nesta camada a presença de material orgânico e buracos deixados por raízes e
animais. A escavação de trincheiras atravessando as camadas superficiais, e o seu
preenchimento com materiais argilosos compactados é a forma mais utilizada para
interromper o fluxo de água sob a fundação da barragem.

Apresenta-se nas Figuras IV.6.6 a IV.6.19 detalhes da construção de trincheiras


de vedação.

A execução das trincheiras com solos argilosos compactados têm as seguintes


vantagens:
- “permite uma inspeção visual das paredes de escavação, bem como do
fundo da trincheira;
- permite a boa execução de um preparo superficial da base da trincheira;
- permite o preenchimento da trincheira por materiais impermeáveis
selecionados, compactados em camadas sob controle tecnológico;
- permite o uso dos equipamentos convencionais de escavação e
terraplenagem;
- é relativamente econômica principalmente quando os materiais
escavados da trincheira são utilizáveis para a construção do maciço da barragem
(Bordeaux, 1980).”
A trincheira de vedação deve ser posicionada sob a crista da barragem ou a
montante da mesma, observando-se que:
- em barragens em que há um núcleo impermeável, a trincheira deverá ser
construída diretamente abaixo do núcleo, independentemente de onde este núcleo se
localize;
- em barragens homogêneas (construídas com um tipo apenas de solo), a
trincheira geralmente é construída na parte central da mesma;
- em situações em que a configuração das camadas permeáveis do subsolo é
bastante variável, por razões econômicas, deve-se procurar construir a trincheira o
mais próximo possível da superfície do terreno.

A profundidade da trincheira vai depender do subsolo local, identificado


através de sondagens, e da altura da lâmina de água do reservatório. Esta trincheira
pode ter, desde pequena espessura, até a vários metros de profundidade, dependendo
da condição do subsolo local. A profundidade fica limitada pela viabilidade da
escavação ser executada mecanicamente, por meio de tratores, escavadeiras, etc. A
presença de nível de água no subsolo limita a facilidade de escavação, e caso seja
necessário prosseguir a escavação e necessário realizar o rebaixamento do lençol
freático, com seu conseqüente custo financeiro. Caso seja necessária a utilização de
explosivos para remoção de materiais mais resistentes, isto só pode ser feito em casos
especiais, por meio de fogo controlado, em pontos localizados, de forma a não
danificar o maciço subjacente.

A base da trincheira deve ter, no mínimo, a largura da lâmina do trator de


esteira, devendo-se iniciar a escavação numa largura maior para levar em conta a
inclinação do talude. Esta inclinação deve ser adequada à estabilidade do talude,
sendo que nos casos que trincheira alcance profundidades maiores, um cálculo de
estabilidade deve ser realizado. Não se recomenda a utilização de tabelas, que não
considerem as condições do subsolo local e as características geométricas da
barragem, para a determinação da largura da base, topo e profundidade da trincheira.

A trincheira de vedação deve ser preenchida por aterro, compactado nas


mesmas condições em que o núcleo impermeável da barragem, no caso de barragens
zoneadas. No caso de barragens homogêneas, o material de preenchimento da
trincheira deve ser compactado nas mesmas condições que o maciço compactado da
barragem.

IV.6.2- DIAFRAGMA PLÁSTICO

O diafragma plástico tem a vantagem de poder ser construído até grandes


profundidades, podendo ser construído abaixo do lençol freático. Também tem a
vantagem de não ser um elemento rígido na fundação, o que poderia dar origem a
tensões na zona do aterro sobre o topo da parede. Estas tensões podem ser provocadas
por deslocamentos (recalques) diferenciais, entre o diafragma e a fundação. Camadas
aluvionares de fundação, de até 100 metros de espessura, já foram impermeabilizadas
por paredes diafragama (Gaioto, 2003).
Deve ser executado por empresa especializada e se constituí da escavação de
uma vala com largura pré-determinada (por exemplo, 1 metro) e seu preenchimento
com material plástico (solo-cimento). A estabilidade da escavação é mantida, pois
fica cheia com uma suspensão de argila bentonítica denominada usualmente de lama
de perfuração, com composição e dosagem especificada para cada caso. Esta lama é
progressivamente introduzida dentro da trincheira para compensar o volume de
material retirado bem como as perdas suscetíveis de se produzirem através das
paredes e do fundo da escavação. O material é retirado juntamente com a lama
através de corrente de suspensão que penetra pelas bordas do equipamento de
perfuração (trépano) e sobe no interior de tubos de sucção. Uma vez transportado o
material escavado para a superfície, ele é separado da lama de perfuração que é
retificada e reenviada à trincheira. O material de preenchimento da trincheira deve ser
especificado para cada caso, para que se conseguir uma mistura econômica, que deve
ser essencialmente estanque para impedir a percolação, e deformável para
acompanhar sem fissuração os movimentos verticais e horizontais do terreno
encaixante.

São apresentados nas Figuras IV.6.20 a IV.6.24 detalhes da execução de um


diafragma plástico.

IV.6.3 - CORTINA DE CONCRETO

Cortinas de concreto podem ser utilizadas para a vedação da fundações de


barragens. É importante que se faça as seguintes observações sobre sua utilização:
- a ligação de uma cortina de concreto apoiada sobre rocha sã, com o
núcleo impermeável de uma barragem constitui uma condição delicada a ser
examinada, pois ela é um elemento rígido que pode puncionar a base do núcleo e
criar zonas de tração com eventuais fissuras dentro do mesmo;
- para uma melhor distribuição das solicitações a que é submetida, uma
cortina de concreto só é recomendável quando posicionada ao longo do eixo da
barragem e quando não é muito profunda. Isto para não ser esmagada sob os esforços
criados pelas deformações dos solos adjacentes devido ao efeito do peso da
barragem; uma cortina de concreto construída fora do eixo da barragem irá ser
submetida a momentos fletores de eixo horizontal capaz de rompe-la, a não ser que a
mesma seja fortemente armada;
- acima do lençol freático a cortina de vedação pode ser construía com
facilidade, enquanto que abaixo do lençol freático deve-se recorrer a processos
executivos mais sofisticados, com a utilização de concretagem submersa.

IV.6.4- CORTINA DE INJEÇÃO

Se abaixo da trincheira de vedação a fundação ainda apresentar permeabilidade


elevada para determinado tipo de reservatório, o tratamento pode ser feito por meio
de injeção de nata de cimento ou de outros materiais impermeabilizantes, tais como,
silicatos ou resinas. A cortina de injeção deve ser realizada por empresa especializada
e é constituída por uma ou mais linhas de furos, executados no maciço rochoso por
meio de equipamento rotativo ou roto-percurssivo.
O tratamento do maciço de fundação através de injeção consiste em introduzir
sob pressão, em furos, um líquido capaz de se solidificar nas fissuras, fendas ou
vazios do maciço. Forma-se assim uma cortina capaz de provocar perda de carga
hidrostática e reduzir a percolação d’água. É importante ressaltar que uma cortina de
injeção não é totalmente estanque, pois é praticamente impossível se conseguir
preencher todos os vazios e/ou descontinuidades presentes em um maciço de
fundação.

“As cortinas de injeções conseguem reduzir substancialmente as vazões de


percolação, mas são, muitas vezes, pouco eficientes na redução das subpressões.
Casagrandre, 1961, demonstra que as injeções realizadas em várias barragens de
concreto não conseguiram reduzir substancialmente tais subpressões, chamando a
atenção dos técnicos sobre a importância da drenagem em fundações de barragens, na
luta contra as subpressões, e alertando-os, contra uma confiança demasiada nas
cortinas de injeção. Portanto, é indispensável lembrar que as injeções e a drenagem
são intimamente associadas quando se estuda o tratamento da fundação de uma
barragem; a adoção de um tipo (injeções) ou de outro (drenagem) ou de ambos tipos
de tratamento exige amplos conhecimentos teóricos e experiências práticas da equipe
encarregada de estudos, bem como requer um domínio profundo do condicionamento
geomecânico e geo-hidráulico do maciço a ser tratado e, principalmente, um
percepção intuitiva das eventuais descontinuidades e anomalias presentes, as quais
geralmente comandam toda a tratabilidade do maciço. Tendo em vista que a
percolação em maciços rochosos ocorre através de fissuras e juntas, a eficiência de
uma cortina de injeção dependerá da natureza do sistema de juntas (abertura,
espaçamento, preenchimento) bem como das caldas utilizadas, dos tipos de
equipamentos escolhidos e dos processos tecnológicos adotados.
Existem numerosos fatores a serem levados em consideração na hora de se
decidir se injeções são necessárias e, em caso positivo, até qual nível de intensidade
as mesmas devem ser realizadas. Os principais fatores a serem analisados são:
1- natureza do maciço rochoso, suas fraturas e sua permeabilidade;
2- valor da água: a quantidade de água perdida por percolações
representa um valor tal que justifica despesas de injeções para eliminar ou reduzir tal
percolação?
3- erosão interna: existem riscos de “piping” pela fundação e/ou pelo
material do núcleo em contato com o maciço de fundação, os quais devem ser
eliminados?
4- no caso da barragem ser de terra e enrocamento, qual será o efeito das
injeções sobre as pressões intersticiais dentro do núcleo argiloso?
5- se existe a probabilidade de ocorrência de eventuais defeitos
construtivos dentro do núcleo e/ou dentro dos filtros de transição, deve se prever
injeções na fundação para compensar tais deficiências?
6- quais são as preocupações a serem tomadas para impedir o eventual
carreamento dos finos do núcleo através de fissuras do maciço da fundação?
7- no caso de uma barragem de concreto, as injeções deverão
desempenhar o papel de aliviar o sistema de drenagem profunda a fim de reduzir as
subpressões no maciço da fundação? As injeções são necessárias para consolidar e
reforçar o maciço de fundação?
8- para uma barragem de enrocamento com face de concreto, os
caminhos de percolação reduzidos sob o plinto exigem cuidados especiais?
(Bordeaux, 1980).
São apresentadas nas Figuras IV.6.25 e IV.6.28 a execução de injeções em
fundações de barragens.

IV.6.5- TAPETE IMPERMEÁVEL À MONTANTE

O tapete impermeável à montante é construído com o objetivo de reduzir o


gradiente hidráulico através da fundação, diminuindo assim a vazão, pelo aumento do
caminho que a água tem que percorrer sob a barragem. Como é visto no Capítulo IX,
referente a permeabilidade de solos:
Q = K.i.A, sendo,
Q = vazão;
A = área normal (secção) ao escoamento;
i = gradiente hidráulico = ∆ H / L; representando a perda
de carga que decorreu da percolação da água na distância L.
Desta maneira, aumentando-se a distância L, diminui-se a vazão Q.

Em geral, o tapete é construído com o mesmo material e nas mesmas condições


de compactação da barragem, para barragens homogêneas e com o mesmo material
do núcleo impermeável, para barragens zoneadas.

A espessura e o comprimento do tapete dependem da sua permeabilidade, da


estratificação e da espessura da camada permeável da fundação e da carga do
reservatório. São freqüentes espessuras variando entre 0,60 e 3,00 metros, podendo
alcançar maiores valores na região logo a montante do núcleo, para aumentar a sua
eficiência.

São apresentados nas Figuras IV.6.29 e IV.6.30 tapetes impermeáveis de 2


barragens.
Figura IV.6.1- Buracos de animais no subsolo
Figura IV.6.2- Buracos de animais no subsolo (MAGINO)
Figura IV.6.3- Buracos de animais no subsolo

Figura IV.6.4- Buracos de animais (canalículos) dentro da trincheira de vedação


(marcados em branco)
Figura IV.6.5- Rocha fraturada na fundação de uma barragem.(MAGINO)

CANALÍCULOS EM SOLO ELUVIAL (S1)


SP-99 - KM 72+100
(VAZ,2011)
CANALÍCULOS EM SOLO ELUVIAL (S1)
SP-255, KM 260, AVARÉ, SP
(VAZ,2011)

CANALÍCULOS EM SOLO ELUVIAL (S1)


SP-99 - KM 72+100
(VAZ, 2011)
Figura IV.6.6- Início da construção de uma trincheira de vedação. (MAGINO)

Figura IV.6.7- Trincheira de vedação em construção.


Figura IV.6.8- Trincheira de vedação em construção.(MAGINO)

Figura IV.6.9- Limpeza da base de uma trincheira de vedação.(MAGINO)


Figura IV.6.10- Limpeza da base de uma trincheira de vedação.

Figura IV.6.11- início do preenchimento com solo argiloso compactado.(MAGINO)


Figura IV.6.12- Início do preenchimento com solo argiloso compactado.

Figura IV.13- Regularização de “taludes negativos” com concreto.


Figura IV.6.14- Preenchimento da trincheira com solo argiloso.

Figura IV.6.15- Preenchimento da trincheira com solo argiloso.


Figura IV.6.16- Preenchimento de uma trincheira com solo argiloso.

Figura IV.6.17- Construção de trincheira de vedação


Figura IV.6.18- Construção de trincheira de vedação.

Figura IV.6.19- Construção de trincheira de vedação.


Figura IV.6.20- Construção de diafragma plástico

Figura IV.6.21- Construção de diafragma plástico


Figura IV.6.22- Construção de diafragma plástico

Figura IV.6.23- Construção de diafragma plástico – PCH Garganta da Jararca.


Figura IV.6.24- Construção de diafragma plástico – PCH Garganta da Jararca –
Escavação em arenito.

Figura IV.6.25- Execução de injeção na região do núcleo.


Figura IV.6.26- Execução de injeção.

Figura IV.6.27- Execução de injeção de calda de cimento para vedação das fundações
da barragem. Injeções sendo executadas de dentro da galeria de drenagem da
barragem.
Figura IV.6.28- Cut 0ff executado na Barragem Porto Primavera através de injeção
de calda de cimento (Sitema Rotocret)

Foto Terraplan
TERRAPLAN
Figura IV.6.29- Tapete impermeável na Barragem de Jupiá (SCGBAP, 1983).
Figura IV.6.30- Tapete impermeável na Barragem de Porto Colombia (SCGBAP, 1983)
DRENAGEM INTERNA

“Seepage through the foundation, abutments, and embankment must be


controlled and collected to ensure safe operation. The intent is to prevent
excessive uplift pressures, piping of materials, sloughing removal of
material by solution, or erosion of this material into cracks, joints, and
cavities. In addition, the project purpose may impose a limitation on
allowable quantity of seepage. The design should include seepage control
measures such as foundation cutoffs, adequate and nonbrittle impervious
zones, transition zones, drainage material and blankets, upstream
impervious blankets, adequate core contact area, and relief wells.”
“General Design and Construction Considerations for Earth and Rock-Fill Dams”
“US Army Corps of Engineers-2004”

IV .7- DRENAGEM INTERNA


A drenagem interna deve ser considerada como um dos aspectos mais
importantes da engenharia de barragens, pois a segurança das mesmas esta
diretamente relacionada ao seu desempenho.

Como é impossível a construção de barragens totalmente impermeáveis, tanto


em termos de maciço compactado, como em termos de fundações, sendo inevitável a
ocorrência de certa vazão de percolação, o controle desta vazão passa a ser
fundamental em termos de segurança da obra. Esta vazão pelo maciço compactado e
fundação pode acarretar:
- carreamento de partículas que podem provocar uma erosão interna (“piping”),
conduzindo à ruptura da barragem;
- redução de resistência do solo compactado do maciço de jusante, pelo seu
umedecimento, que geralmente é projetado para trabalhar como maciço não saturado;
- subpressões não desejadas na fundação.

Pela sua importância, o sistema de drenagem interna deve ser dimensionado de


forma conservativa (a favor da segurança), de maneira que não deixe de funcionar
durante o período de vida útil da obra, a fim de captar todas as águas de infiltração
pelo maciço da barragem e pelas fundações, conduzindo-as para jusante de forma
controlada. Na Figura IV.7.1 são apresentadas possíveis inflitrações que podem
ocorrer em uma barragem.

Figura IV.7.1- Infiltrações que podem ocorrem em uma barragem.

Apresenta-se na Figura IV.7.2 o detalhe de um “piping” ocorrido em uma


barragem. Apresenta-se na Figura IV.7.3 o “piping” ocorrido na barragem de
Pampulha. Apresenta-se na Figura IV.7.4, Figura IV.7.5 e Figura IV.8.6, detalhes do
vazamento de água no pé do talude de jusante de uma barragem, devido à ausência de
um sistema de drenagem interna.
Vargas (1977) apresenta: “..., um caso notável de ruptura hidráulica por
retroerosão tubular (“piping”), ocorrido entre nós, foi o da barragem de Pampulha. O
sistema de drenagem nessa barragem, constituído de drenos franceses normais ao
eixo da barragem, espaçados de 7 m entre si, avançava normalmente até muito
próximo do talude de montante, como mostra a Figura IV.7.3. O talude de montante
era revestido por uma placa contínua de concreto armado, o que defendia a barragem
contra uma possibilidade de fluxo violento através dos drenos. Entretanto, 13 anos
depois de construída, a cortina de concreto rompeu-se, talvez devido a recalques
(deslocamentos) das fundações da barragem. Então estabeleceu-se um violento fluxo
d’água entre a fenda da cortina e alguns dos drenos franceses. O fluxo de saída,
visível numa boca de lobo do sistema de drenagem, aumentou progressivamente
durante cerca de 5 dias, carreando cada vez mais material, até que se formou um túnel
ao longo dos drenos. Quando as dimensões deste túnel atingiram proporções
inusitadas, ele desabou formando uma espécie de canal em S, por dentro da
barragem, pelo qual se escoou toda a água do reservatório.”

Figura IV.7.2 – Detalhe de “piping” ocorrido em uma barragem.


Figura IV.7.3 – Detalhe de “piping” ocorrido na barragem de Pampulha ( in Vargas,
1977).

20 DE ABRIL DE 1954 – ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE PAMPULHA

Os principais elementos que são utilizados no sistema de drenagem interna de


uma barragem de terra, são:
1- Filtro em Chaminé;
2- Filtro Horizontal ou Tapete Drenante;
3- Dreno de Pé;
4- Transições entre diferentes tipos de materiais;
5- Trincheira Drenante;
6- Poços de Alívio;
7- Galerias de Drenagem.

São apresentados na Tabela IV.7.1 os dados referentes ao sistema de drenagem


e às vazões previstas e observadas em um total de 16 barragens de terra. Destaca-se
nesta Tabela as vazões específicas observadas variaram geralmente no intervalo 0,2 a
4,0 l/min/metro, mas que no caso da ombreira esquerda da Barragem de Água
Vermelha, devido à ocorrência de uma camada de lava aglomerática altamente
permeável, a vazão específica atingiu 29,0 l/min/m, sem que houvesse qualquer
problema associado ao carreamento de materiais sólidos. Uma análise comparativa
entre as vazões previstas e observadas é apresentada na Tabela, para um total de 16
diferentes barragens, conjuntamente com dados referentes aos materiais de fundação
e ao sistema de drenagem.

Tabela IV.7.1- Vazões de 16 barragens observadas no sistema de drenagem interna


(Silveira, 1983)
Figura IV.7.4– Detalhe de vazamento de água no pé de jusante devido à ausência de
sistema drenagem interna no maciço da barragem.
Figura IV.7.5 – Detalhe de vazamento de água no pé de jusante devido à ausência de
sistema drenagem interna no maciço da barragem.

Figura IV.7.6 – Detalhe de vazamento de água no pé de jusante devido à ausência de


sistema drenagem interna no maciço da barragem.
Foto Feel & Fry (2007)

Foto Feel & Fry (2007)


Barragem de Cataguases – MG (2003)

Barragem da Rio Pomba Mineração – MG (2007)


BARRAGEM DA PAMPULHA – 1940
DIMENSIONAMENTO
DE FILTROS

“Até o meio da barragem faço tudo para a água não


chegar. A partir daí faço tudo para a água sair da
maneira que quero”
“Arthur Casagrande”

IV .8- DIMENSIONAMENTO DE FILTROS

IV.8.1- FILTROS EM GERAL


O projeto de um filtro deve ter como base fundamental a granulometria do
material a ser empregado. Esta granulometria deve ser tal que:
a) As partículas menores se acomodem nos vazios entre as partículas maiores,
de modo que o conjunto atue sempre como camada filtrante, ou seja, o material
sólido deve ser retido e a água consiga percolar com facilidade. Quando tal ocorre, a
água que surge a jusante do filtro se apresenta límpida e isenta de material sólido;
b) O material mais fino seja retido pelo filtro, evitando o carreamento de
partículas sólidas e, conseqüentemente, a formação de erosão regresssiva (“piping”);
c) Os vazios do material do filtro devem ser suficientemente pequenos, de
forma que impeçam a passagem das partículas do solo a ser protegido;
d) os vazios do filtro devem ser suficientemente grandes de forma que
propiciem a livre drenagem das águas e o controle de forças de percolação,
impedindo o desenvolvimento de altas pressões hidrostáticas, isto é, a carga dissipada
no filtro.

IV.8.2- CRITÉRIOS PARA O DIMENSIONAMENTO DE FILTROS

Com o objetivo de atender aos requisitos citados em IV.8.1, com base na sua
experiência profissional, Terzaghi propôs, em 1922, relações entre os diâmetros d15
e d85 do material de base, com o diâmetro D15, do material de filtro, expressas pelas
duas inequações:

D15 / d15 > 4 a 5 e D15 / d85 < 4 a 5,

Denominadas, respectivamente, de relação de permeabilidade e relação de


estabilidade (“piping ratio”).

Outros requisitos foram posteriormente acrescentados aos critérios de


Terzaghi. Por exemplo, o U.S. Bureau of Reclamation limita o tamanho das
partículas do material do filtro a 76 mm, para minimizar a segregação e a formação
de pontes (“bridging”), das partículas grandes durante a colocação. O U.S. Army
Corps of Engineers também requer que seja satisfeita a condição:

D50 filtro / d50 solo < 25,

Para se evitar o movimento de partículas do solo dentro do filtro, e um coeficiente de


uniformidade do filtro não superior a 20, para assegurar que não haja segregação.

Sherard et al (1976) citam outras regras comumente utilizadas:


- a curva granulométrica do filtro deve apresentar, aproximadamente, a mesma
forma da curva do solo protegido;
- quando um solo a ser protegido contém uma grande porcentagem de
pedregulhos, o filtro deve ser projetado com base na curva granulométrica da porção
do material que é mais fino que a peneira de 25,4 mm de abertura. (Gaito, 2003)”
D(ij) e d(ij) correspondem às ordenadas “ij”% do material que passa nas
peneiras. Isso significa que o material possui ij% dos grãos mais finos.

Para pequenas barragens, Bureau of Reclamation (2002) recomenda:


“a) D(15) do filtro / D(15) da base maior ou igual a 5. ( O filtro não deve ter
mais de 5% de grãos passando na peneira No 200 – diâmetro igual a 0,075 mm.);
b) D(15) do filtro / D(85) da base menor ou igual a 5;
c) D(85) do filtro / diâmetro dos furos no tubo de drenagem ( ou da malha do
poço de alívio) maior ou igual a 2;
No anterior, D(ij) corresponde à ordenada “ij”% do material que passa nas
peneiras. Isso significa que o material possui ij% dos grãos mais finos.”

Apresenta-se na Figura IV.8.1 e Figura IV.8.2, detalhes de filtros de


proteção contra “piping”.

Figura IV.8.1- Detalhes de filtros de proteção contra “piping” (in Bordeaux, 1980).
Figura IV.8.2- Detalhes de filtros de proteção contra “piping” (in Vargas, 1977).

Detalhes sobre a curva granulométrica de um solo são apresentados no


Capítulo XX.

Na Figura IV.8.3 apresenta-se um detalhe da faixa de variação granulométrica


de um filtro, adotando-se:
- D15-Filtro < 4 a 5 D85-Solo e
- D15-Filtro > 4 a 5 D15-Solo

Figura IV.8.3- Escolha da faixa de variação granulométrica do filtro (a partir dos


pontos A e B determinados, são traçadas curvas paralelas à curva granulométrica do
solo)
Pinto (2000), utilizando:
- D15-Filtro > 5 D15-Solo e,
- D15-Filtro < D85-Solo,
apresenta a Figura IV.8.4 e faz as seguintes considerações: “No exemplo indicado na
Figura, o material P não é um bom filtro para o solo S, porque não é muito mais
permeável do que ele, enquanto que o material R não é adequado por ser muito mais
grosso e, eventualmente, permitir a passagem de finos do solo S pelos seus vazios. O
material Q é o que satisfaz as duas condições.”

Figura IV.8.4- Materiais para filtros de proteção (in Pinto, 2000).


FILTRO VERTICAL

“Karl Terzaghi na obra da Barragem de Vigário, em Piraí-RJ,


no início da década de 1950, por conta das peculiaridades
regionais do solo, idealizou o dreno vertical, ou filtro chaminé,
como elemento de drenagem interna de barragens de terra
homogêneas. (....) Desde então, sua solução pioneira tem sido
bastante difundida e muitas barragens foram construídas com
o dreno chaminé, tanto no Brasil como no exterior.
“Historia da Engenharia Geotécnica no Brasil, ABMS, 2010”

IV.9- FILTRO VERTICAL


Os filtros em chaminé podem ser verticais ou inclinados, Figura IV.9.1, devendo a
escolha por um desses tipos ser feita criteriosamente no desenvolvimento do projeto
da barragem.

O filtro vertical foi utilizado pela primeira vez no Brasil na barragem do


Vigário em 1948 (Figura IV.9.2), tendo sido projetado por K. Terzaghi.

O filtro vertical representou no Brasil uma evolução no conceito de drenagem,


e a barragem de seção homogênea com dreno vertical e horizontal constitui um
modelo de “Barragem Brasileira” seguido por um grande número de projetos de
barragens em outros paises. Só mais recentemente é que os drenos inclinados (Figura
IV.9.1) vem sendo introduzidos em barragens de maior altura (Cruz, 1995).

Drenos verticais do tipo chaminé somente são recomendados para barragens


até 25 a 30m de altura. Para maiores alturas, o dreno inclinado propicia uma melhor
distribuição de tensões no maciço, evitando a inclusão de uma parede vertical de
areia, de rigidez sempre muito superior a do maciço adjacente, mesmo em se tratando
de enrocamentos (Cruz, 1995).
Figura IV.9.1 – Exemplo de filtro vertical e filtros inclinados.

Os filtros verticais geralmente são projetados em uma espessura variando de


0,9 a 2,0m, sendo que na maioria dos casos, essas espessuras são fixadas por motivos
de ordem construtiva, ou seja, de acordo com as dimensões mínimas dos
equipamentos de construção.

A altura dos filtros verticais geralmente é a altura do nível d’água no


reservatório, podendo ser construídos com alturas menores, isto dependendo das
especificações do projeto, após criteriosa análise das linhas de percolação no maciço
e de sua estabilidade.
Figura IV.9.2- Barragem do Vigário (Sherard et al.,1963) (in Cruz, 1996).

Os filtros devem ser construídos com areia de granulometria previamente


estabelecida, a qual deve ser devidamente compactada durante a execução.
Apresenta-se na Figura IV.9.3 o contato entre o solo de um aterro compactado e a
areia do filtro. Na Figura IV.9.4 apresenta-se um aterro e filtro vertical em
construção.

Figura IV.9.3- Contato entre o solo do aterro e o filtro de areia.


Figura IV.9.4- Aterro e filtro vertical em construção
O filtro em chaminé geralmente é construído com areia grossa, aluvionar,
isenta de finos. Especifica-se uma porcentagem máxima de 5%, em peso, passando na
peneira #200, para que o material não apresente coesão, evitando-se assim a
propagação de trincas de tração dentro do filtro, eventualmente desenvolvidas no
interior do aterro. Este material deve satisfazer, simultaneamente, aos dois requisitos
de filtragem e drenagem da água percolada através da barragem, ou seja, os seus
vazios devem ser suficientemente pequenos, para evitar que as partículas do aterro
sejam carreadas através deles e suficientemente grandes, para proporcionar
permeabilidade adequada para o escoamento da água, evitando o desenvolvimento de
elevadas forças de percolação e de pressões hidrostáticas (Gaioto, 2003).

Os métodos executivos dos drenos verticais podem ser de duas maneiras:

1- Lançamento e compactação de areia acompanhando o avanço da barragem


de terra. Partindo-se da base, sobre o filtro horizontal já construído, executa-se o
filtro vertical com areia até certa altura, na largura especificada pelo projeto, e após
constrói-se o aterro lateralmente, até a altura do filtro. Repete-se o processo até
atingir-se a altura final do filtro, especificada pelo projeto. Apresenta-se na Figura
IV.9.5 (1) e Figuras IV.9.6 a IV.9., detalhes da construção deste filtro.

2- Partindo-se da base, sobre o filtro horizontal já construído, constrói-se


algumas camadas de aterro, e depois, no local do filtro, procede-se à retroescavação
de uma vala no aterro, com a largura especificada para o filtro, até encontrar-se a
camada de areia do dreno horizontal. Dentro da vala, procede-se a limpeza da areia
contaminada com solo no dreno horizontal e, após isto, procede-se o enchimento da
vala com a areia do filtro e executa-se sua compactação. Repete-se o processo até
atingir-se a altura de filtro, especificada no projeto. Na Figura IV.9.5 (2), Figura
IV.9.6 e Figuras IV.9.10 a IV.9.18, são apresentados detalhes da construção do filtro
vertical de uma barragem, através deste procedimento. Na Figura IV.9.19 apresenta-
se um filtro vertical construído junto ao núcleo impermeável. Rosa, 1983, apresenta
a seguinte seqüência para construção do filtro vertical:
a) lançamento da última camada de areia sem compactação;
b) cobertura da areia com material terroso e compactação das duas primeiras
camadas com rolo liso;
c) avanço normal do aterro até a altura pré-determinada (H), com
acompanhamento topográfico deste limite;
d) escavação do aterro com retroescavadeira até chegar no material arenoso.
Normalmente perde-se 20 cm de areia devido a mistura com terra, que é provocada
pelos dentes da caçamba da retro, durante a escavação;
e) e finalmente, o preenchimento do dreno vertical em camadas pré-
estabelecidas, espalhadas manualmente ou mecanicamente, compactadas com
vibradores e jatos d’água.
Quando são necessários grandes volumes de produção diária, o método da
retroescavação do aterro é mais vantajoso, pela sua alta produtividade e maior
eficiência no controle de tráfego dentro da barragem.
Em cada corte do aterro para construção do filtro, obrigatoriamente, uma
camada de areia (≅ 20 cm) é perdida devido ao revolvimento e mistura do material.
Quanto maior o número de cortes, tanto maior serão as perdas em volume de
material. Por exemplo, para cada 100m de comprimento de barragem, para filtro de
3
1m de largura, 20m de areia serão perdidos por corte.
Em termos de quantas camadas se compactar antes de proceder a
retroescavação para construção do filtro vertical, o que se sugere nestes casos
específicos (Rosa, 1983) são testes, efetuados durante o início da obra, a fim de
determinar a altura de corte em função de: tipo de material terroso, umidade ótima
deste material e tipo de equipamento disponível ou a ser adquirido pelo empreiteiro,
para efetuar a retroescavação. Por exemplo, durante a execução da barragem de terra
da usina hidroelétrica de Itumbiara, chegou-se à conclusão que a altura ideal de corte
para o filtro vertical era em torno de 4,00m. Nesta barragem a largura do filtro
vertical foi de 1,50m.
Quanto à compactação das camadas de areia (Rosa, 1983), a experiência
mostra que, o grau de compactação requerido é alcançado mais depressa, com um
número menor de passadas do compactador, por causa do confinamento a que o
material (areia) esta submetido. Dessa maneira, testes para determinação da altura das
camadas e do número de passadas dos compactadores (e seus tipos disponíveis pelo
empreiteiro) devem ser feitos. No próprio aterro experimental, normalmente
executado para determinar os equipamentos e grau de compactação das argilas e
siltes, poderia ser feito o mesmo para as areias, nas valas.

Figura IV.9.5- Detalhes da construção de filtros verticais (Rosa, 1983)


Figura IV.9.6 – Detalhes da construção de filtro vertical (Rosa, 1983)
Figura IV.9.6- Filtro vertical em construção. Lançamento de areira (k ≥ 1 x 10-2)

Figura IV.9.7- Filtro vertical em construção. Lançamento de areira (k ≥ 1 x 10-2)


Figura IV.9.8- Execução de filtro inclinado entre o núcleo impermeável e o espaldar
de jusante (k ≥ 1 x 10-2).

Figura IV.9.9- Filtro vertical em construção. Lançamento de areia (k ≥ 1 x 10-2).


Figura IV.9.10- Escavação do aterro para a construção do filtro.

Figura IV.9.11- Colocação de areia na vala escavada no aterro.


Figura IV.9.12- Colocação de areia na vala escavada no aterro.

Figura IV.9.13- Areia colocada na vala escavada no aterro.


Figura IV.9.14- Preparação da areia para compactação.

Figura IV.9.15- Compactação da areia.


Figura IV.9.16- Areia compactada.

Figura IV.9.17- Areia Compactada.


Figura IV.9.18- Lançamento de água.

Figura IV.9.19- Filtro vertical de areia construído junto a um núcleo impermeável.


FILTRO HORIZONTAL

“In soil mechanics, no evidence can be considered reasonably


adequate until there is sufficient field experience to determine
whether the phenomena observed in the laboratory are indeed
the same as those that operate in the field”
“Ralph Peck”

IV .10- FILTRO HORIZONTAL OU TAPETE DRENANTE


Toda água coletada pelo filtro chaminé e também toda água que percola através
da fundação, deve ser conduzida para o pé de jusante da barragem através do filtro
horizontal, que tem como finalidade transportar água através da barragem e servir de
transição para os materiais mais finos.

As vazões que percolam através das fundações geralmente são bem maiores
que as que percolam através do aterro, devido ao aterro ser construído com material
compactado e a fundação se encontrar em seu estado natural.

É necessário que, no dimensionamento dos tapetes drenantes, se trabalhe com


coeficientes de segurança ainda maiores que os adotados no projeto dos filtros em
chaminé, principalmente levando-se em conta que, no caso de um funcionamento
deficiente do filtro em chaminé, o tapete drenante funciona como defesa adicional;
por outro lado, no caso de um mal funcionamento do tapete drenante, o filtro chaminé
resultará inoperante. Para evitar subpressões elevadas na barragem e manter não
saturada a zona de jusante, os tapetes drenantes devem trabalhar com a menor carga
hidráulica possível, ou seja, com gradiente hidráulico muito baixo. Por este motivo,
se ele for construído com o mesmo material do filtro em chaminé, deverá apresentar
uma espessura excessivamente grande. Para diminuir esta espessura, utiliza-se o
chamado filtro sanduíche, com a introdução de uma ou mais camadas internas de
materiais drenantes, de maior permeabilidade (Gaioto, 2003).

O dreno horizontal deve atender três condições (Rosa, 1983):

1- graduação de materiais, tal que impeça os mais finos, do maciço de jusante (acima
dele) e da fundação (caso dela ser em solo), de serem carreados provocando a erosão
interna (pipping);

2- capacidade suficiente para absorver e transportar todas as águas provenientes do


dreno vertical e fundação;

3- permeabilidade suficiente, para que as águas da fundação percolem livremente,


sem provocar altas pressões de baixo para cima no aterro de jusante.

Apresenta-se na Figura IV.10.1, exemplos de tapete drenante.

Apresenta-se na Figura IV.10.2 exemplo do tapete drenante tipo sanduíche de


uma barragem.

Apresenta-se na Figura IV.10. 3 detalhes dos tipos de tapete drenante utilizados


na barragem de Itumbiara.

Apresenta-se nas Figuras IV.10.4 a Figura IV.10.24, fotos da construção de


tapetes drenantes de barragens.
Figura IV.10.1- Exemplos de Tapete Drenante.

Figura IV.10.2 - Tapete drenante tipo sanduíche (Rosa, 1983).


Figura IV.10.3- Tapetes drenantes da barragem de Itumbiara (Rosa, 1983).
Figura IV.10.4– Lançamento de areia para construção do tapete drenante.

Figura IV.10.5– Lançamento de areia para construção do tapete.


Figura IV.10.6– Lançamento de areia para construção do tapete.

Figura IV.10.7– Lançamento de areia para construção do tapete.


Figura IV.10.8– Umedecimento da areia do tapete drenante.

Figura IV.10.9- Vista aérea de um tapete drenante tipo “Francês”.


Figura IV.10.10- Vista aérea de um tapete drenante tipo “Francês”

Figura IV.10.11- Tapete drenate tipo “Francês”.


Figura IV.10.12- Detalhe do dreno para retirada de água captada pela camada de
areia.

Figura IV.10.13- Detalhe do dreno para retirada de água captada pela camada de
areia.
Figura IV.10.14 –Tapete drenante tipo sanduíche. Camada de brita sendo lançada
sobre camada de areia.

Figura IV.10.15- Barragem de terra – Margem direita – Filtro horizontal.


Figura IV.10.16- Filtro horizontal a jusante do eixo – Ao fundo, início do lançamento
de Saprolito (micaxisto alterado) – camada solta de 25cm.

Figura IV.10.17- Filtro horizontal tipo sanduíche – Lançamento da primeira camada (k


≥1 x 10-2 cm/seg).
Figura IV.10.18- Filtro horizontal tipo sanduíche – Lançamento da primeira camada
sobre a fundação – Areia (k ≥1 x 10-2 cm/seg).

Figura IV.10.19- Filtro horizontal tipo sanduíche – Lançamento da camada de


camada de cascalho lavado (k > 0,50cm/s) sobre a camada de areia – Espessura de
0,60 metros.
Figura IV-9-20- Filtro horizontal tipo sanduíche – Lançamento da camada superior de
areia (k ≥1 x 10-2 cm/seg).

Figura IV-9-21- Início do lançamento do solo de aterro a ser compactado sobre o


filtro horizontal tipo sanduíche já executado.
Figura IV-9-22- Execução de filtro horizontal – Areia com k ≥1 x 10-2 cm/seg –
Espessura acabada de 1,00 metro.

Figura IV-9-23- Execução de filtro horizontal – Areia com k ≥1 x 10-2 cm/seg.


Figura IV-9-24- Lançamento de solo do aterro a ser compactado, sobre o filtro
horizontal já executado.
TRANSIÇÕES

IV.11- TRANSIÇÕES

Para a mudança de um material mais fino, como a areia do dreno horizontal, para
um material de granulometria maior, como “pedras de mão”, é necessário que seja feita
uma transição com materiais de granulometria intermediária. Como o nome indica, as
transições têm por finalidade impedir a passagem dos materiais mais finos através dos
de maior diâmetro, seja pela ação do carreamento dentro do maciço, ou por carreamento
externo, como ondas de reservatório, rebaixamento do nível d’água e chuva.

Estes materiais devem satisfazer as condições necessárias para que um material


seja filtro do outro, impedindo assim o carreamento de partículas. Devem também
satisfazer a condição de permeabilidade, para que possibilite o escoamento das águas
que chegam até eles.

Nas barragens de enrocamento, o aterro não pode ser colocado diretamente em


contato com o enrocamento, pois os problemas de carreamento de partículas de solo,
através dos vazios do enrocamento, aparecem em maiores proporções que os
mencionados no dimensionamento de filtros. Os critérios de filtro entre os dois materiais
adjacentes devem ser respeitados, sempre que o sentido da percolação da água for do
aterro para o enrocamento, o que acontece na transição de jusante. Na transição de
montante, apesar do problema de carreamento de partículas não existir, também devem
ser introduzidas uma ou duas camadas de materiais de granulometria intermediária, para
permitir que se proceda à compactação adequada na faixa de controle de materiais
(Gaito, 2003).

Apresenta-se na Figura IV.11.1 exemplo de transições na barragem de Porto


Primavera.

Apresenta-se na Figura IV.11.2 exemplo de transição em dreno francês na


barragem de Três Irmãos.

Apresenta-se nas Figuras IV.11.3 a IV.11.9, fotos de transições em barragens.

Ávila, J. P. (1983) lista as seguintes providências importantes no projeto de


transições:
1- Os materiais alternativos para utilização em transições precisam ser
pesquisados desde as fases iniciais do projeto, e todas as possibilidades devem ser bem
caracterizadas antes da contratação da construtora;
2- Para os materiais naturais é necessária a pesquisa através de poços e trincheiras
para coleta de amostras realmente representativas. As sondagens não recuperam parcelas
importantes dos materiais. Apesar disto, estas sondagens dão boa indicação da
existência de camada de alteração mesmo sem amostragem representativa;
3- Os materiais existentes acima das linhas de escavação, precisam ser
investigados quanto à aplicabilidade nas transições;
4- Caso se adote as transições com materiais processados, é indispensável prever
nos histogramas de consumo de materiais processados os volumes correspondentes às
transições;
5- É aconselhável que os materiais de transição sejam ensaiados para verificação
da capacidade de retenção dos materiais mais grossos a fim de ser evitada a aplicação
generalizada dos critérios Terzaghi-Bertram como único critério de filtro. Além disto
estes ensaios podem indicar se as espessuras das camadas de transição são suficientes
para promoverem a auto-estabilização do processo de carreamento.

Figura IV.11.1- Barragem de Porto Primavera – Margem direita – Corte típico 1-1 –
Estaca 180 à estaca 280 (in Cruz, 1996).

Figura IV.11.2- Transição em dreno tipo francês na Barragem de Três Irmãos (in Cruz,
1996).
Figura IV.11.3- Transição no dreno tipo francês – Barragem Três Irmãos.

Figura IV.11.4- Transição no dreno tipo francês – Barragem Três Irmãos.


Figura IV.11.5- Transição no dreno tipo francês – Barragem Três Irmãos.

Figura IV.11.6- Transição em Rip-Rap de uma barragem.


Figura IV.11.7- Transição próxima ao núcleo impermeável.

Figura IV.11.8- Núcleo de argila – Filtro vertical de areia – Transições.


Figura IV.11.9- Núcleo de argila – Filtro vertical de areia – Transições.
DRENO DE PÉ
IV .12 – DRENO DE PÉ

O dreno de pé capta todas as águas que percolam através do filtro em chaminé


e do tapete drenante, chegando ao pé de jusante, conduzindo-as de volta ao rio, à
jusante da barragem.

Devido ao grande volume de água que pode chegar ao dreno de pé, para
possibilitar o escoamento, o dreno de pé corresponde a uma seção de enrocamento,
ou seja, construído com rochas, que podem variar de brita a pedras maiores. Para se
chegar do material da granulometria do filtro horizontal a granulometria do
enrocamento, é necessária a utilização de uma transição de materiais, com
granulometrias intermediárias, seguindo-se os critérios estabelecidos para filtros.
Quando as vazões nos drenos de pé são muito grandes, podem ser introduzidos tubos
de drenagem em seu interior, para facilitar o escoamento e reduzir o volume de
enrocamento necessário.

Cruz (1983) recomenda que o dreno de saída ou de pé deva ter altura, no


mínimo, igual a duas vezes a espessura do dreno horizontal, e largura de crista
mínima de 4,0 metros (Ver Figura IV.12.1).

“É recomendável a norma de construção de drenos situados no pé de jusante


das barragens de terra. Juntamente com os tapetes drenantes, desempenham o papel
de coletores de águas freáticas, conduzindo-as ao leito do rio. Deverão ser utilizadas
tubulações furadas, com diâmetro interno mínimo de 0,15m. Dimensionados de
acordo com a área a ser drenada, os drenos aumentam progressivamente da seção até
o coletor de condução das águas ou leito do rio. O dreno deve ser colocado numa vala
de profundidade mínima de 1m, com enchimento de material de filtro (conforme
apresentado no item IV.12.1) para evitar o carregamento dos materiais do maciço
e/ou fundação”.

Apresenta-se nas Figuras IV.12.2 a IV.12.5, detalhes de drenos de pé.


Apresenta-se nas Figuras IV.12.6 a IV.12.9, fotos da construção de drenos de
pé.

Apresenta-se nas Figuraras IV.12.10 a IV.12.14, fotos da água que escoa


através dos sistemas de drenagem de barragens, saindo pelo dreno de pé.
Figura IV.12.1- Drenos de pé de pequenas barragens (Cruz, 1996).
Figura IV.12.2- Dreno de pé da Barragem de Marimbondo (SCGBAP,1983).
Figura IV.12.3- Execução de drenos de pé (Rosa, 1982).

Figura IV.12.4- Exemplo de dreno de pé (Eletrobrás, 2008).


Figura IV.12.5- Seção transversal do tapete drenante tipo sansuiche e dreno de pé de
um trecho da Barragem de Três Irmãos (Gaito, 2003).

Figura IV.12.6- Construção de dreno de pé.


Figura IV.12.7- Construção de dreno de pé.

Figura IV.12.8- Construção de dreno de pé.


Figura IV.12.9- Construção de dreno de pé.

Figura IV.12.10- Água que escoa através de dreno de pé.


Figura IV.12.11- Água que escoa através de dreno de pé.
Figura IV.12.12- Água que chega ao de dreno de pé.

Figura IV.12.13- Água, de parte da Barragem de Itaipú, que escoa pelos sistemas de
drenagem e chega ao dreno de pé. Observar medidor triangular de vazão.
Figura IV.12.14- Água, de parte da Barragem de Itaipú, que escoa pelos sistemas de
drenagem e chega ao dreno de pé. Observar medidor triangular de vazão.
TERRAPLAN
IV .13- POÇOS DE ALÍVIO – TRINCHEIRA DRENANTE –
GALERIAS DE DRENAGEM

IV.13.1- POÇOS DE ALÍVIO

Os poços de alivio são furos de drenagem abertos no terreno, com o


objetivo de reduzir as subpressões desenvolvidas pela percolação de água na
fundação.

Os diâmetros mais usuais dos poços de alívio variam entre 75 e 150 mm.
Quando abertos em rocha sã, não devem ser preenchidos com qualquer material,
mas deixados livres. Quando abertos em solo e rocha alterada, devem ser
preenchidos por material que dê estabilidade ao furo e que sirva de filtro,
permitindo o fluxo da água e impedindo o carreamento de partículas do solo da
fundação. Os materiais de preenchimento podem ser materiais granulares, telas,
geotexteis, etc e tubos perfurados (50 a 100 mm), para aumentar a área de
escoamento da água e, conseqüentemente as vazões drenadas.

Os poços de alívio devem ser executados em uma só linha e com


espaçamento médio de 3,0 m, com uma profundidade definida de acordo com as
condições da fundação da barragem. Geralmente são construídos sob o dreno de
pé, mas podem ser construídos à montante deste, até a base do filtro em chaminé.
Também podem ser construídos à jusante da barragem, quando são detectadas
subpressões excessivas durante o enchimento do reservatório (Gaioto, 2003).
Bureau (2002), para construção de pequenas barragens, apresenta:
“Quando as fundações permeáveis são cobertas por uma camada impermeável de
espessura tal que se torna tecnicamente desaconselhável o uso de valas
drenantes, recomenda-se a construção de poços de alívio. As indicações básicas
para construção são:

a) Os poços devem atravessar a camada impermeável, atingindo a zona


permeável, até uma profundidade tal que não se atinja a condição de levitação
(“uplift”), isto é, o gradiente hidráulico seja inferior ao crítico. É geralmente
satisfatória uma profundidade do poço igual à profundidade do reservatório;

b) O espaçamento entre os poços deve ser tal que intercepte a descarga


freática, drenado-a e, conseqüentemente, aliviando as subpressões. É
recomendável um espaçamento inicial de 15 a 30m;
c) Os poços devem oferecer resistência mínima à descarga freática. O
diâmetro interno mínimo do poço deve ser igual a 0,15m. Assim, asseguram-se
pequenas perdas de cargas na coleta pelo poço de descarga freática. Deve existir
uma camada de, pelo menos, 0,15m de filtro entre a tela do poço de fundação. O
material do filtro deve seguir os critérios:
a) D(15) do filtro / D(15) da base maior ou igual a 5. ( O filtro não deve ter
mais de 5% de grãos passando na peneira No 200 – diâmetro igual a 0,075 mm.);
b) D(15) do filtro / D(85) da base menor ou igual a 5;
c) D(85) do filtro / diâmetro dos furos no tubo de drenagem ( ou da malha
do poço de alívio) maior ou igual a 2;
No anterior, D(ij) corresponde à ordenada “ij”% do material que passa nas
peneiras. Isso significa que o material possui ij% dos grãos mais finos.”

São apresentados nas Figuras IV.13.1 e IV.13.2 exemplos utilização de


poços de alívio em duas barragens.

Figura IV.13.1- Poços de alívio na barragem de Promissão (in SSGBAP, 19823).


Figura IV.13.2- Poços de alívio na barragem de Porto Colombia (in SSGBAP,
19823).

IV.13.2- TRINCHEIRA DRENANTE

A trincheira drenante tem por objetivo a interceptação de fluxos de água


através de camadas permeáveis mais superficiais da fundação. São
particularmente recomendadas quando a permeabilidade na direção vertical
dessas camadas é muito baixa, para garantir o acesso da água ao tapete drenante
ou ao dreno de pé. Sua construção é semelhante ao dreno de pé, com camadas de
areia e transição. Tubos perfurados somente devem ser utilizados quando a
trincheira situa-se próxima ao pé da barragem ou quando escavada em rocha de
baixa deformabilidade, sob a garantia de que não ocorrerão recalques que
possam ocasionar ruptura ou deslocamento dos tubos (Gaioto, 2003).

(Cruz, 1996) recomenda que as trincheiras drenantes na fundação de


ombreiras devem ter largura mínima de 0,8 m e profundidade máxima de 3,0 m.

Alves Filho et al (1980), citam a trincheira construída na ombreira


esquerda da Barragem de Água Vermelha, com 4 metros de largura na base e 5
metros de profundidade. Após o enchimento do reservatório a vazão de água
coletada por essa trincheira era da ordem de 2.300 litros por minuto.

Bureau (2002), para construção de pequenas barragens, apresenta: “No


caso de fundações permeáveis cobertas com uma camada de aluvião
impermeável, que é de ocorrência freqüente, representa uma boa norma escavar a
faixa impermeável, construindo-se, assim, uma vala drenante ao longo do pé do
talude. O enchimento deverá seguir os critérios de filtros (conforme apresentado
no item IV.13.1 deste Capítulo). Esta vala deverá conter um dreno de pé”.

Apresenta-se na Figura IV.13.3 a escavação do solo para a construção de


uma trincheira de drenagem.

IV.13.3- GALERIAS DE DRENAGEM

As galerias de drenagem quando construídas objetivam permitir a


execução de serviços de drenagem e/ou injeção, durante e após a construção da
barragem.

Figura IV.13.3- Escavação para a construção da trincheira de drenagem.

Por apresentar custo elevado, a decisão sobre a construção de uma galeria


na fundação de uma barragem deve ser tomada quando existirem fortes indícios
sobre a possibilidade de ocorrência de subpressões elevadas, que não possam ser
controladas eficientemente por outros meios e que representem problemas
importantes para estabilidade da barragem e/ou sua fundação (Gaito, 2003).

A galeria de drenagem, executada juntamente com um sistema de poços de


alívio nas fundações, permite um maior rebaixamento das subpressões, pois as
saídas dos poços de alívio ficam posicionadas em cotas muito mais baixas que
aquelas em que a água drenada tem que alcançar na superfície do terreno. Para
isso, é preciso que a galeria seja construída com centenas de metros de
comprimento e com dimensões internas que permitam o acesso de equipamentos
para a execução dos furos de drenagem (Gaioto, 2003).

Apresenta-se na Figura IV.13.4 injeção sendo realizada dentro de galeria


de drenagem.

Apresenta-se na Figura IV.13.5 um detalhe da galeria de drenagem da


Barragem de Jupiá, onde pode-se observar o sistema de drenagem sob a
fundação, injeções realizadas e piezômetros instalados.

Figura IV.13.4- Realização de injeção dentro de uma galeria de drenagem


Figura IV.13.5- Galeria de drenagem, sistemas de drenos, injeções e piezômetros
de uma seção em concreto da Barragem de Jupiá.
DESVIO DO RIO

V- DESVIO DO RIO
Já no anteprojeto da obra, é preciso definir os procedimentos a serem adotados
para o desvio do rio para construção da obra, analisando-se criteriosamente todos os
aspectos técnicos e financeiros.

Os procedimentos a serem adotados para o desvio do rio vão depender:


1- do volume de água do rio e de sua largura;
2- da largura do vale na região do eixo da barragem.

São basicamente três os procedimentos adotados para o desvio do rio:


1- Quando o volume de água não é “grande” e há espaço suficiente na
região do eixo da barragem, o desvio pode ser feito através de uma “tubulação de
fundo".
2- Quando o volume de água é “grande” e o rio tem largura suficiente,
pode-se adotar o procedimento de construção de “enscecadeiras”. Constrói-se
primeiramente uma ensecadeira, entrangulando o rio e orientando-o para posições mais
convenientes à construção da obra, no seu próprio leito. Construída a base da barragem
dentro da ensecadeira, onde se instalam galerias de concreto na base, fecha-se o outro
lado do rio com a construção de uma outra ensecadeira, desviando o volume de água do
rio para estas galerias de concreto;
3- Em vales fechados, onde a construção de ensecadeiras não é possível, o
rio deve ser desviado através de “canais” ou “túneis” escavados nas ombreiras.

Apresenta-se no item V.1 deste capítulo, o desvio do rio através de


tubulação de fundo.

Apresenta-se no item V.2 deste capítulo, o desvio do rio através de


ensecadeiras.

Apresenta-se no item V.3 deste capítulo, o desvio do rio através de canais


ou túneis escavados nas ombreiras.
DESVIO DO RIO
TUBULAÇÃO DE FUNDO

V.1- DESVIO DO RIO ATRAVÉS DE TUBULAÇÃO DE FUNDO

A tubulação de fundo, em pequenas barragens, tem com função principal:


1- desviar a água do rio, durante a construção da barragem;
2- permitir a passagem de um volume de água calculado em projeto e
aprovado pelos órgãos legisladores, que garanta um valor mínimo de vazão para o rio à
jusante do aterro, mantendo sua vida, durante e após a construção da barragem;

3- drenar total ou parcialmente o lago após a obra concluída, e atender a


alguma necessidade que tenha surgido durante o período de uso, quer seja para
manutenção, quer seja para implantação de uma nova utilização para a água do
reservatório.

Se possível é bom evitar que a tubulação de fundo trabalhe sob pressão,


como conduto forçado, pois isto facilita a ocorrência de vazamentos na tubulação, o que
é indesejável que ocorra na região em que esta instalada, ou seja, dentro do maciço da
barragem.

DAEE (2008), recomenda a utilização de um diâmetro de um diâmetro de 0,8m,


no mínimo, para a galeria do descarregador de fundo, devido à necessidade de
inspeções visuais internas para identificação de possíveis vazamentos ou problemas
estruturais e para dar mais segurança ao escoamento das vazões do curso d’água na fase
de construção, quando funciona como desvio.

A tubulação de fundo é também conhecida como “extravasor de fundo”, “dreno de


fundo”, “ladrão de fundo”, “desarenador”.

Para sua implantação, em uma cota próxima à superfície do rio, e paralelamente a


ele, prepara-se o terreno da fundação onde vão ser implantadas manilhas de concreto,
tubos de PVC, tubos de ferro fundido ou estruturas pré-moldadas de concreto (galerias)
de maiores dimensões (para maior volume de água no rio). A tubulação de fundo deve
ser instalada na parte de baixo do maciço de terra, bem próximo à parte mais funda da
represa, para permitir que, se necessário, toda a água possa ser retirada de dentro do
reservatório.

A partir de sua instalação, o leito do rio é fechado (geralmente com um aterro), de


maneira que toda a água seja desviada para a tubulação de fundo. Dá-se então
continuidade a obra, com a limpeza e preparação do leito do rio para receber o corpo da
barragem.

Dependendo do volume de água armazenada na represa, do volume de água


mínimo permanente que deve escoar para jusante e do tempo que se pretende esvaziar o
reservatório, caso necessário, pode-se instalar mais de uma tubulação, com registros.

Apresenta-se na Figura V.1 a tubulação de fundo implantada durante a construção


de uma pequena barragem e na Figura V.1.2 uma vista em planta e uma vista em corte
da tubulação de fundo de uma barragem. Na Figura V.1.3 apresentam-se seções
transversais de três barragens construídas no Sri Lanka há mais de dois mil anos, onde
pode-se observar dispositivos de descarga de fundo.

Figura V.1.1- Tubulação de fundo de uma pequena barragem (in Morano, 2006).
Figura V.1.2- Vista em planta e corte da tubulação de fundo de uma barragem (in
DAEE, 2008).
Figura V.1.3- Seções Transversais de três barragens antigas(300AC – 250AC – 80AC)
no Sri Lanka (in Schnitter, 1994).

O controle da vazão pela da tubulação de fundo pode ser feita através de:

1- Registro à jusante.

Lopes (2005) recomenda que este procedimento seja adotado para lâmina d’água
até no máximo três metros, e que a tubulação seja constituída de tubos de PVC
corrugados de alta resistência e que a junção entre eles seja feita com anéis de borracha
flexível, sob pressão. Recomenda ainda a não utilização de tubulação de PVC com mais
de 300mm de diâmetro nominal.
A utilização do registro à jusante tem o inconveniente da tubulação estar
constantemente sob pressão, o que no caso de rompimento nas junções ou em qualquer
parte da tubulação, pode provocar vazamentos indesejáveis dentro do maciço da
barragem.

2- Comporta de ferro fundido ou chapa de aço à montante.


Neste caso, a abertura e fechamento da comporta e feito por meio de volante
metálico, instalado acima da superfície d’água do reservatório, devendo estar em local
de fácil acesso. A utilização de comporta à jusante tem a vantagem da tubulação de
fundo não estar constantemente sendo submetida à pressão d’água em seu interior.

3- Monje
É também conhecido como “caixa de nível” ou “cachimbo”, podendo se
construído tanto dentro como fora do reservatório.
No caso de ser construído dentro do reservatório, além de ter como função
prioritária manter a água do lago na cota N.A.normal, por ocasião das precipitações, ele
auxilia o extravasor de superfície a dar escoamento à vazão de cheia pela tubulação de
fundo que sai monje. Na grande maioria das vezes trabalha como canal aberto sem
nenhuma pressão sobre suas paredes internas (Morano, 2006).
No caso de ser construído fora do reservatório, além de cumprir a função
prioritária que é a de manter a água no lago na cota do N.A.normal, não necessita de
divisão interna, podendo ser construído como uma única caixa, diminuindo dessa forma
o custo da obra e facilitando sua manutenção por estar fora d’água, porém, com a
desvantagem da tubulação de fundo que chega ao monje trabalhar o tempo todo como
canal fechado (Morano, 2006).
Apresenta-se na Figura V.1.3 a vista de uma caixa de nível em perspectiva e na
Figura V.1.4 uma vista em corte.

Apresenta-se na Figura V.1.5 a vista em corte de uma caixa de nível de uma


pequena barragem.

O monge pode ser construído em alvenaria ou concreto, e constituí-se de uma


caixa de seção quadrada ou retangular, com uma parede divisória no meio. Em um lado
da caixa fica uma abertura por onde entra a água, e do outro lado da caixa fica uma outra
abertura, onde esta ligada à tubulação de fundo, que retira a água do reservatório,
conduzindo-a a jusante. No meio, entre estas duas aberturas, é por onde se controla o
nível d’água do reservatório, através da colocação de pranchões de madeira, que podem
ser retirados, ou da construção de uma parede com furos, os quais podem ser tampados
ou abertos, para controlar o nível d’água do reservatório.

Informações detalhadas da construção da tubulação de fundo e da construção da


caixa de nível são apresentadas por Lopes (2006) e Morano (2005).

Apresenta-se na Tabela V.1.1 a relação entre diâmetro de tubos de concreto e


vazão máxima, para tubos assentados com uma declividade de 1%.
Apresenta-se na Tabela V.1.2, a capacidade de vazão de tubos circulares de
concreto, para tubos assentados com declividade ≥ 2%.

Apresenta-se na Figura V.1.6 a galeria de fundo em concreto, utilizada para o


desvio do rio durante a construção da barragem.

Apresenta-se na Figura V.1.7 uma galeria de fundo em concreto utilizada para


manter a vazão mínima estabelecida para a continuidade do rio à jusante
Apresenta-se na Figura V.1.8 um vertedouro tipo tulipa, que permite o controle do
nível d’água no reservatório e mantém a vazão mínima estabelecida para o rio à jusante.

Tabela V.1.1- Relação entre diâmetro do tubo e vazão máxima, para tubos de concreto
assentados com uma declividade de 1%, conforme fórmulas de Manning (in Agrodata,
2008).

DIÂMETRO VAZÃO MÁXIMA


(em centímetros) (em litros/segundo)
30 87
40 181
50 327
60 550
70 802
80 1.150
90 1.620
100 2.080
120 3.490
150 6.330

Tabela V.1.2- Capacidade de vazão de tubos circulares de concreto – Declividade i ≥ 2%


- (Eletrobrás, 1982).
Figura V.1.3- Monge equipado com tubos de PVC: vista em perspectiva (in Lopes,
2005).

Figura V.1.4- Monge equipado com tubos de PVC: vista em corte (in Lopes, 2005).
Figura V.1.5- Vista em corte de um descarregador de fundo de uma pequena barragem
(in DAEE, 2008).

Figura V.1.6- Galeria de fundo para desvio do rio e garantia de vazão mínima para o rio
a jusante, após a construção da barragem.
Figura V.1.7- Galeria de fundo em concreto.

Figura V.1.8- Vertedouro tipo tulipa.


Usina Hidrelétrica Mauá – Paraná
Desvio do rio foi feito por baixo da barragem por meio de dois
condutos que serão fechados após a conclusão da obra

JOSÉ BOITEUX – SC – PROTEÇÃO DO EXTRAVASOR


DESVIO DO RIO
ENSECADEIRAS

V.2- DESVIO DO RIO ATRAVÉS DE ENSECADEIRAS

As ensecadeiras são construídas com material lançado dentro do rio, Figura V.2.1,
com o objetivo de formar uma barreira parcial ao fluxo d’água, transferindo-o e
estrangulando-o, para a parte onde não foi construída a ensecadeira. Desta maneira, na
parte onde foi construída a ensecadeira, procede-se ao esgotamento da água que ficou
em seu interior, para que parte da barragem seja construída, Figura V.2.2.
Figura V.2.1- Construção de ensecadeira – Barragem Flor do Sertão.

A definição de como construir a ensecadeira, deve ser criteriosamente definida,


pois a mesma vai ser implantada, com as águas do rio em movimento. São construídas
utilizando-se materiais de diversas granulometrias, desde grandes pedaços de rocha até
argila.

Apresenta-se na Figura V.2.3, sugestões para construção de uma ensecadeira de


até 5 m de altura (Eletrobrás, 1982). Apresenta-se na Figura V.2.4, seção esquemática da
ensecadeira da Barragem de Itaipu.
Figura V.2.2- Ensecadeira já construída – Barragem Flor do Sertão.

Geralmente são construídas duas ensecadeiras, primeiro uma e depois a outra,


podendo ser em número maior, dependendo da largura do rio.

Na construção do maciço da barragem no interior da primeira ensecadeira, quando


não houver estrutura de concreto nesta parte, uma galeria ou tubulação de concreto
deverá ser construída, com dimensões tais que permita que, quando o outro lado do rio
for fechado para a continuidade da obra, toda a água do rio seja desviada para dentro
desta galeria, que a conduz de volta ao leito do rio, à jusante da obra. Quando houver
uma estrutura de concreto na barragem, na base desta estrutura são construídas as
galerias de maneira que o rio possa ser desviado por ali. Após a conclusão da obra, estas
galerias são fechadas, para que se proceda ao enchimento do reservatório.

Nas Figuras V.2.5 a V.2.8, são apresentadas esquemas, em planta, da implantação


de uma ensecadeira. Na Figura V.2.9 é apresentada a foto do desvio do rio pelo fundo da
primeira ensecadeira.

Nas Figuras V.2.10 a V.2.25, são apresentadas fotos de ensecadeiras de algumas


barragens.
Figura V.2.3- Ensecadeira – Transição (mistura de britas1, 2 e 3) – Vedação (material
argiloso) – Proteção (enrocamento) (Eletrobrás, 1982)

Figura V.2.4- Seção esquemática da ensecadeira da Barragem de Itaipu (in Gaioto,


2003).
Figura V.2.5- Construção da primeira ensecadeira (Eletrobrás, 1982).

Figura V.2.6- Construção da Galeria de Fundo e construção da primeira parte do aterro


(Eletrobrás, 1982).
Figura V.2.7- Desvio do rio pela galeria e construção da segunda ensecadeira
(Eletrobrás, 1982).

Figura V.2.8- Desvio pelo fundo da estrutura de concreto para vertedouro e/ou casa de
máquinas (Eletrobrás).
Figura V.2.9- Desvio do rio pelo fundo da estrutura de concreto, construída dentro da
primeira ensecadeira (Barragem Flor do Sertão).

Figura V.2.10- Primeira ensecadeira – Barragem Flor do Sertão.


Figura V.2.11- Primeira ensecadeira – Barragem Flor do Sertão.

Figura V.2.12- Estrutura de desvio pela base. Barragem Flor do Sertão.


Figura V.2.13- Estrutura de desvio pela base - Barragem Flor do Sertão.

Figura V.2.14- Desvio do rio pela base. Barragem Flor do Sertão.


Figura V.2.15- Ensecadeira construída para reforma de PCH.

Figura V.2.16- Ensecadeira construída para reforma de PCH.


Figura V.2.17- Ensecadeira - Usina Hidrelétrica de Taquaruçú.

Figura V.2.18- Ensecadeira – Usina Hidrelétrica Porto Primavera.


Figura V.2.19- Ensecadeira – Usina Hidrelétrica Tucuruí.

Figura V.2.20- Ensecadeira – Usina Hidrelétrica Tucuruí.


Figura V.2.21- Ensecadeira.

Figura V.2.22- Fechamento de ensecadeira.


Figura V.2.23- Construção de ensecadeira – Itaipu.

Figura V.2.24- Ensecadeira.


Figura V.2.25- Ensecadeira.

Figura V.2.26- Ensecadeira – Usina Hidrelétrica Tucuruí.


Leito do rio dentro da ensecadeira – PCH Zé Fernando

UHE BARRA GRANDE


UHE BARRA GRANDE – DETALHE DO FECHAMENTO DO RIO

UHE CAMPOS N OVOS


UHE SERRA DA MESA – ENSECADEIRAS E TÚNEL DE DESVIO
ESQUEMA DE DESVIO POR TÚNEIS – UHE BARRA GRANDE

UHE MACHADINHO – SEGUNDA ETAPA DE DESVIO


DESVIO DO RIO
CANAIS

V.3- DESVIO DO RIO ATRAVÉS DE CANAIS

Em vales fechados, onde não é possível o desvio através de tubulação de fundo


ou ensecadeiras, o rio deve ser desviado através de canais ou túneis escavados nas
ombreiras. Estes processos podem ter custos bastante elevados e deve-se procurar
otimizar todos os procedimentos, como utilização do material escavado na construção
da barragem, compatibilidade da altura das ensecadeiras com as seções hidráulicas de
desvio, etc.

Apresentam-se nas Figuras V.3.1 a V.3.6, o canal de desvio de Barragens.

Apresenta-se na Figura V.3.7 o túnel de desvio de uma barragem.

Figura V.3.1- Canal de desvio da Barragem de Itaipu.

Figura V.3.2- Canal de desvio da Barragem de Itaipu.


Figura V.3.3- Canal de desvio da Barragem de Itaipu.

Figura V.3.4- Canal de desvio da Barragem de Itaipu.


Figura V.3.5- Canal de desvio da Barragem de Itaipu.

Figura V.3.6- Itaipú – Vista Geral


UHE Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho (RO).
DESVIO DO RIO
TÚNEIS

V.3- DESVIO DO RIO ATRAVÉS DE TÚNEIS


ROCHA,2006

UHE MAUÁ – ROCHA 2006


UHE BARRA GRANDE – ROCHA 2006

ROCHA 2006
UHE CAMPOS NOVOS – DESCIDA DA COMPORTA CORTA FLUXO POR MEIO DE
GUINDASTE
UHE CAMPOS NOVOS – DESCIDA DA COMPORTA GAVETA POR MEIO DE GUINDASTE
INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS
ÁREA DE EMPRÉSTIMO

“Nada substitui o trabalho de pegar o solo com a mão”


“Victor F.B. de Mello”
“Téchne, 2004”

“O melhor material de empréstimo é o que esta mais perto”


“Sherard,J.L.”
VI- INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS NA ÁREA DE EMPRÉSTIMO

Para a construção do aterro, deve-se pesquisar uma ou mais jazidas de solo, o


qual deve ter as seguintes características:

1- Possuir uma proporção entre areia e argila, que permita que o material tenha
uma boa trabalhabilidade no processo de compactação.
Materiais muito argilosos impossibilitam a compactação. Materiais muito
arenosos, não têm estabilidade quando compactados, por falta de material ligante
(argila).
Os materiais argilosos têm como função ser o ligante dos grãos dos materiais
arenosos e também diminuir a permeabilidade do maciço compactado;

2- Quando compactado, apresentar baixa permeabilidade, compatível com o


projeto da barragem a ser executada;

3- Quando compactado, apresentar baixa deformabilidade;

4- Quando compactado, apresentar resistência ao cisalhamento compatível com


o projeto da barragem a ser executada.

Com o objetivo de reduzir custos, a área de empréstimo deve se localizar o


mais próximo possível do local de construção da barragem e em lugar de fácil acesso
a máquinas e caminhões.

No local escolhido como área de empréstimo, após sua utilização, deve ser
feito um projeto de paisagismo, para adequá-lo novamente à paisagem e também
evitar deixar o solo exposto, o qual pode ser erodido pelas águas de chuva. A
localização da área de empréstimo dentro da área a ser inundada, dispensa este
procedimento, além de aumentar o volume de água a ser armazenada.

As jazidas de materiais granulares (areia, pedras) para a construção de filtros e


transições, também devem se situar o mais próximo possível do local da obra. Devem
ter características tais que satisfaçam as condições de granulometria estabelecidas em
projeto.

Antes de decidir por uma jazida cujo solo vai ser utilizado como material de
construção para o aterro de uma barragem, é preciso determinar certas características
geotécnicas do solo e verificar se o mesmo atende as condições necessárias para a
construção do aterro.

É freqüente ter-se a possibilidade de escolha de uma jazida entre mais de uma


disponível. Neste caso, a análise dos resultados dos ensaios geotécnicos de ambas
jazidas permite definir qual a melhor jazida para a obra em questão.
Os primeiros ensaios a serem realizados nas jazidas, através dos quais,
utilizando-se de Sistemas de Classificação de solos, já se podem prever seu
comportamento geotécnico, são:
1- Ensaios granulométricos;
2- Ensaios de Limite de Liquidez e Limite de Plasticidade.

Definindo-se por uma ou mais jazida, com possibilidade de utilização, procede-


se à realização de ensaios mais específicos, os quais permitem definir parâmetros a
serem utilizados no projeto. Definem-se especificações para a construção do aterro,
dimensões dos filtros e inclinação dos taludes. Os seguintes ensaios devem ser
realizados:
1- Ensaio granulométrico;
2- Ensaios de Limite de Liquidez e Limite de Plasticidade;
3- Ensaios para determinação dos Índices Físicos dos Solos;
4- Ensaio de compactação, tipo Proctor;
5- Ensaio de permeabilidade no solo compactado;
6- Ensaio de resistência ao cisalhamento no solo compactado;
7- Ensaio de deformabilidade no solo compactado.

Dependendo o tipo de ensaio, o mesmo deve ser realizado em amostras


deformadas ou indeformadas do solo, obtidas diretamente da área de empréstimo.

Apresenta-se no item VI.1 deste capítulo especificações para a obtenção de


amostras deformadas e indeformadas da área de empréstimo.

Apresenta-se nos itens VI.2 a VI.6 deste capítulo, informações sobre os ensaios
a serem realizados e as propriedades geotécnicas obtidas.
Apresenta-se nas Figuras VI.1 a VI.3, fotos de áreas de empréstimo.
Figura VI.1- Exploração de Área de Empréstimo.

Figura VI.2- Exploração de Área de Empréstimo.


Figura VI.3- Exploração de Área de Empréstimo.
VI.1- OBTENÇÃO DE AMOSTRAS NA ÁREA DE EMPRÉSTIMO

As amostras de solo colhidas na área de empréstimo, dependendo para


qual tipo de ensaio se destinam, podem ser “amostras indeformadas” ou
“amostras deformadas”.

Amostras indeformadas são aquelas em que se mantém a estrutura e


também a umidade do solo.

Amostras deformadas são aquelas em que não se tem a preocupação de


manter a estrutura e a umidade do solo.

As amostras indeformadas podem ser obtidas através da cravação


cuidadosa de um anel metálico ou outro material rígido no solo, ou através da
retirada de blocos indeformados do solo.

No processo da cravação do anel, após a retirada da amostra, a mesma


deve ser cuidadosamente protegida contra a perda de umidade, até se chegar ao
laboratório. Esta proteção pode ser feita, através de uma fina camada plástica.

No processo de retirada de blocos indeformados, os mesmos devem ser


cuidadosamente talhados, e após são protegidos contra perda de umidade e perda
de sua estrutura, através de envolvimento com faixas de pano e “pintura” com
parafina derretida, até que se forme uma camada de alguns milímetros em torno
de todo o bloco.
As amostras indeformadas podem ser obtidas na superfície do terreno e em
profundidade. Quando em profundidade, o que pode interessar na investigação
da área de empréstimo, pode se abrir um poço exploratório, o que, além da
retirada de amostras deformadas e indeformadas , permitem a visualização e
análise contínua das camadas de materiais atravessadas verticalmente.

Também se pode fazer uso de trincheiras, que possibilitam uma


exposição contínua do subsolo, vertical e longitudinalmente, ao longo da seção
de uma área de empréstimo de interesse, permitindo a retirada de amostras
deformadas e indeformadas.

Para investigação da área de empréstimo em profundidade e obtenção de


amostras deformadas é comum a utilização de trados. Este é um processo rápido
e econômico para investigações preliminares, indicando mudanças nos tipos de
materiais atravessados e determinação da posição do nível d’água.
São apresentadas nas Figuras VI.1.1 a V.I.7, fotos de retiradas de amostras
indeformadas através da cravação de anel metálico.

São apresentadas nas Figuras VI.1.8 a V.I.1.16, fotos de retiradas de


amostras indeformadas e deformadas, na superfície e através de poços
exploratórios.
São apresentadas nas Figuras VI.1.17 a VI.1.18, exemplos de trados
utilizados em investigações geotécnicas.

Figura VI.1.1- Anel metálico para retirada de amostra indeformada.


Figura VI.1.2- Cravação de anel metálico para retirada de amostra.

Figura VI.1.3- Anel metálico cravado.


Figura VI.1.4- Retirada do anel metálico cravado.

Figura VI.1.5- Anel metálico retirado com amostra de solo, com as faces já
regularizadas.
Figura VI.1.6- Anel metálico com amostra de solo protegida da perda de
umidade.

Figura VI.1.7- Amostras indeformadas de solo retiradas, já em laboratório


Figura VI.1.8- Retirada de bloco indeformado.

Figura VI.1.9- Bloco indeformado protegido com faixas de tecido e cobertas por
parafina.
Figura VI.1.10- Retirada de amostra indeformada em profundidade (in
Marnagon, Juiz de Fora, MG).

Figura VI.1.11- Retirada de amostra indeformada em profundidade.


Figura VI.1.11- Retirada de amostra indeformada em profundidade.

Figura VI.1.12- Bloco indeformado retirado em molde metálico, já com face


regularizada. Início da impermeabilização com parafina.
Figura VI.1.13- Proteção do bloco indeformado com tecido e parafina.

Figura VI.1.14- Proteção do bloco indeformado com tecido e parafina.


Figura VI.1.15- Proteção do bloco indeformado com tecido e parafina.

Figura VI.1.16- Bloco indeformado protegido com tecido e parafina.


Figura VI.1.17- Retirada de amostra deformada de um poço exploratório.

Figura VI.1.18- Trado utilizado para retirada de amostras deformadas.


Figura VI.1.19- Trados normalmente utilizados
VI.2- ENSAIO DE GRANULOMETRIA DOS SOLOS

De acordo com o tamanho das partículas, classifica-se o solo em areia,


silte ou argila. Existem vários sistemas de classificação de acordo com a
granulometria, não havendo grande variação entre eles. Apresenta-se na Figura
VI.2.1 alguns desses sistemas.

Argila Silte Areia Fina Areia Média Areia Grossa Pedregulho


0,002 0,06 0,2 0,6 2,0 6,0

ABNT (mm)

Argila Silte Fino Silte Médio Silte Grosso Areia Fina Areia M édia Areia Grossa Pedregulho

0,002 0,006 0,02 0,06 0,2 0,6 2,0

MIT (mm)

Argila Silte Areia Fina Areia Grossa Pedregulho


0,002 0,02 0,2 2,0
Internacional (mm)

Argila Silte Areia Pedregulho


0,005 0,05 1,00
USBS (mm)
Figura VI.2.1- Sistemas de Classificação Granulométrica.

Para a determinação do diâmetro das partículas, em laboratório utilizam-se


de dois procedimentos. Para as partículas mais grossas é utilizado o
peneiramento. Para as partículas mais finas, um dos métodos que pode ser
utilizado é do da sedimentação. O resultado da análise granulométrica de um
solo pode ser apresentado em forma de gráfico, sendo a curva conhecida como a
curva granulométrica do solo. Apresenta-se na Figura VI.2.2 a curva
granulométrica de um solo.
Figura VI.2.2- Curva granulométrica de um solo (in Nogueira, 2001).

Como, freqüentemente, os solos são uma mistura de partículas dos mais


diversos tamanhos, costuma-se conduzir conjuntamente os ensaios de
peneiramento e sedimentação, ou seja, faz-se uma análise granulométrica
conjunta, para determinação dos diâmetros e das respectivas porcentagens de
partículas que ocorrem em um solo.

No ensaio de peneiramento se faz passar por uma bateria de peneiras, de


aberturas sucessivamente menores, certa quantidade de solo, determinando-se as
porções retidas em cada peneira. Calcula-se então, em relação à massa total de
solo utilizado no ensaio, as porcentagens de solo que passam e que são retidas
em cada peneira. Apresenta-se nas Figuras IV.3 a IV.4, fotos de ensaios de
peneiramento.

Para as partículas finas do solo, o peneiramento se torna impraticável. Faz-


se então o uso do ensaio de sedimentação, que consiste basicamente em medir
indiretamente a velocidade de queda das partículas em água. No ensaio de
sedimentação, a velocidade de queda da partícula é obtida indiretamente,
determinando-se a densidade da suspensão, em intervalos de tempo espaçados. A
densidade da suspensão é medida através de um densimetro. Apresenta-se nas
Figuras VI.5 e VI.6, fotos do ensaio de sedimentação. Aplica-se a Lei de Stokes,
que diz a velocidade de queda de uma partícula esférica, de peso específico γs,
num fluido de viscosidade µ e peso específico γw proporcional ao diâmetro
dessas partículas, ou seja:

V = ( γs - γw) x D2 / 18 µ

Realizados os cálculos obtém-se os valores de diâmetro D e N,


porcentagem que passa (porcentagem de partículas com diâmetro menor que D)
é possível traçar a curva correspondente à fração fina do solo e que complementa
a curva obtida do peneiramento.

O ensaio de granulometria conjunta é um ensaio rotineiro em laboratórios


de solos e os resultados são apresentados numericamente em tabelas e em forma
de gráfico (curva granulométrica).

Figura VI.2.3- Conjunto de peneiras utilizadas em um ensaio.


Figura VI.2.4- Resultado de um ensaio de peneiramento.

Figura VI.2.5- Tipo de densimetro utilizado em ensaios de sedimentação.


Figura VI.2.6- Ensaio de sedimentação – Proveta com termômetro – Pro veta
com água para o densimetro – Proveta com o solo do ensaio.
VI.3- ENSAIOS DE LIMITE DE LIQUIDEZ E LIMITE DE
PLASTICIDADE DOS SOLOS

Alguns solos, ao serem trabalhados, fazendo variar sua umidade, atingem


um estado de consistência característico denominado estado de consistência
plástica. A plasticidade, portanto, é um estado de consistência circunstancial, que
depende da quantidade de água presente no solo.

Também, em função do argilo-mineral presente, cada solo apresenta


distintas características de plasticidade.

Pode-se dizer que a plasticidade está associada aos solos finos, depende do
argilo-mineral destes solos e da quantidade de água no solo.

Assim, em função da quantidade de água presente no solo, podem-se ter


vários estados de consistência, os quais, em ordem decrescente de teor de
umidade, são:
a- estado líquido: o solo apresenta as propriedades e a aparência de uma
suspensão e, portanto, não apresenta nenhuma resistência ao cisalhamento;
b- estado plástico: no qual ele apresenta a propriedade de plasticidade;
c- estado semi-sólido: o solo tem a aparência de um sólido, entretanto,
ainda passa por variações de volume, ao ser secado;
d- estado sólido: não ocorrem mais variações de volume, pela secagem do
solo.

Apresentam-se nas Figuras VI.3.1 e VI.3.2, representações destes estados.

LÍQUIDO
LL
PLÁSTICO

LP w (%)
SEM I-SÓLIDO
LC
SÓLIDO
Figura VI.3.1- Estados de consistência em função da umidade do solo.
Vo
Sr<100% Sr<100%

volume
Vi estado
liquido
estado
plástico
Vf estado
estado semi-
sólido sólido

LC LP LL
w (%)
Figura VI.3.2- Estados de consistência em função da umidade do solo.

VI.3.1- LIMITE DE LIQUIDEZ (LL)

A fronteira convencional entre o estado líquido e o estado plástico foi


chamado por Atterberg de Limite de Liquidez (LL ou wL) e a sua obtenção foi
padronizada por Casagrande. Apresenta-se na Figura VI.3.3, o aparelho utilizado
no ensaio, chamado de aparelho de Casagrande.
Figura VI.3.3 – Aparelho de Casagrande

A técnica do ensaio consiste em colocar na concha do aparelho uma pasta


de solo, que passou na peneira no 40 (abertura de malha 0,42mm). Faz-se com o
cinzel uma ranhura e, em seguida, gira-se a manivela, à razão de duas revoluções
por segundo, fazendo com que a concha caia em queda livre e bata contra a base
do aparelho. Conta-se o número de golpes para que a ranhura se feche, numa
extensão de 12mm, e em seguida, determina-se o teor de umidade do solo. O
processo é repetido para diferentes teores de umidade. Os valores obtidos são
lançados em um gráfico semilogarítimo em que nas ordenadas se têm os teores
de umidade e nas abscissas o número de golpes. Traça-se a reta média, que passa
por esses pontos, e determina-se o teor de umidade correspondente a 25 golpes, o
qual será o limite de liquidez do solo. Apresenta-se na Figura VI.3.4, a forma de
obtenção do Limite de Liquidez. Apresenta-se nas Figuras VI.3.5 e VI.3.6,
detalhes do ensaio para determinação do Limite de Liquidez.
Figura VI.3.4- Gráfico para obtenção do Limite de Liquidez (in Nogueira, 2001)

Figura VI.3.5 – Aparelho de Casagrande com pasta de solo colocada.


Figura VI.3.6 – Ranhura aberta com o cinzel.
VI.3.1- LIMITE DE PLASTICIDADE (LP)

O teor de umidade que determina a fronteira entre o estado plástico e o


estado semi-sólido é chamado de Limite de Plasticidade (LL ou wp). Para sua
determinação, faz-se uma pasta com o solo que passa na peneira no 40, e em
seguida procura-se rolar esta pasta, com auxílio da palma da mão, sobre uma
placa de vidro esmerilhado, a fim de formar pequenos cilindros.Quando o
cilindro assim formado atingir um diâmetro de 3mm, e começar a apresentar
fissuras, interrompe-se o ensaio e determina-se o teor de umidade do solo
formador do cilindro. Repete-se a operação algumas vezes, para se obter um
valor médio do teor de umidade, o qual será o Limite de Plasticidade do solo
(Vilar&Bueno, 1999). Apresenta-se nas Figuras VI.3.7 a VI.3.9 detalhes da
realização do ensaio de Limite de Plasticidade.
Figura VI.3.7 – Moldagem do cilindro no ensaio de LP.

Figura VI.3.8 – Gabarito em aço com diâmetro 3mm.


Figura VI.3.9 – Cilindro de solo com 3mm de diâmetro.
VI.4- ENSAIOS PARA DETERMINAÇÃO DOS ÍNDICES FÍSICOS
DO SOLO

Para que se possa começar a entender o solo em termos de comportamento


físico, por exemplo, em termos de resistência, deformabilidade e permeabilidade,
é importante que se conheça sua constituição em termos de massa e volume (%
água, % sólidos, % de vazios) e os relacionamentos entre massas e volumes que
ocorrem.

Por exemplo, o solo da Feagri – Unicamp, até uma profundidade de cerca


de 6 metros, apresenta uma porosidade (relação entre volume de vazios e volume
total da amostra) de 70%. Ou seja, em 1 m3 de solo, 0,7m3 ou 70% são vazios. O
que se pode esperar em termos de resistência, deformabilidade e permeabilidade,
de um solo com 70% de vazios? Com certeza, apresentará baixa resistência e alta
deformabilidade.

Desta maneira, conhecendo-se melhor o solo em termos físicos, através de


relações entre massas e volumes, pode-se começar a entender melhor como ele
se comportará perante determinada solicitação.

Uma massa de solo é composta por sólidos, por água e por ar, Figura
IV.4.1.

ar sólidos

Va ar Ma
Vv

água V
Vw água Mw
M

Vs
sólidos Ms

Figura IV.4.1- Composição do solo.

Em termos de massa, considera-se o ar, para efeitos práticos, como tendo


massa zero. Sendo assim, a massa total (MT) de um solo é igual à massa de
sólidos (MS) mais a massa de água (MW), sendo a relação expressa por MT= MS
+ MW.

Em termos de volume, considera-se o volume total (VT), como sendo o


volume de sólidos (VS), mais o volume de água (VW), mais o volume de ar
(VAR), ou seja, VT = VS + VW + VAr. Define-se o volume de vazios (VV) como
sendo a soma do volume de água, mais o volume de ar, ou seja, VV = VW + VAR.

Dada uma massa de solo, ela pode sofrer diversas modificações, devido à
variação da quantidade de água e também devido à variação do volume como um
todo. Porém, é importante salientar que existem duas características de uma
massa de solo que são sempre as mesmas e não variam, que são a massa de
sólidos (MS) e o volume de sólidos (VS).

VI.4.1- ÍNDICES FÍSICOS DOS SOLOS

Os índices físicos utilizados são obtidos de relações entre volumes do


solo, de relações entre massas do solo e de relações entre massas e volumes do
solo.

As relações entre volumes mais utilizadas são a Porosidade(n), o Índice


de Vazios (e) e o Grau de Saturação (Sr):

(a) Porosidade (n): é definida pela relação entre o volume de vazios e o volume
total da amostra.
n = VV / VT 0 < n < 100%

(b) Índices de vazios (e): é definido pela relação entre o volume de vazios e o
volume de sólidos.
e = VV / VS 0 < e < 20

(c) Grau de Saturação (Sr): representa a relação entre o volume de água e o


volume de vazios.
Sr = VW / VV 0 ≤ Sr ≤ 100%
A relação entre as massas mais utilizada é o Teor de Umidade (w), que é a
relação entre a massa de água e a massa de sólidos presentes na amostra:
w = MW / MS 0 ≤ w < 1500%

Esses índices físicos são adimensionais e, com exceção do Índice de Vazios


(e), todos os demais são expressos em termos de porcentagem.

As relações entre massas e volumes mais usuais são a Massa Específica


do Solo ou Massa Específica Natural (γ), a Massa Específica dos Sólidos (γS), a
Massa Específica Seca (γd) e a Massa Específica da Água(γW) :

(a) Massa Específica do Solo ou Massa Específica Natural (γ) é a relação


entre a massa total (MT) de uma amostra e o volume total (VT) dessa amostra
γ = MT / VT 1,0 < γ < 2,5 g/cm3

(b) Massa Específica dos Sólidos (γS) é a relação entre a massa de sólidos de
uma amostra (MS) e o volume total ocupado por esses sólidos:
γS = MS / VTsólidos 2,5 < γs < 3,0 g/cm3

(d) Massa Específica Seca (γd) é a relação entre a massa seca de uma
amostra de solo, ou massa de sólidos (MS) e o volume total desta amostra
(VT) antes de estar seca, ou em seu estado natural: γd = MS / VT

(e) Massa Específica da Água (γw) é a relação entre a massa total de uma
amostra de água (MW) e o seu volume total (VTágua).

γw= MW / VTágua
Para a maior parte dos cálculos, a massa específica da água é considerada
constante e igual a 1,000 g/cm3.Quando houver necessidade de considerar a
variação com a temperatura, como no caso do ensaio de determinação da massa
específica dos sólidos (γS), deve ser consultada uma tabela que forneça os
valores correspondentes a cada temperatura.
VI.4.2- RELAÇÕES ENTRE ÍNDICES FÍSICOS DOS SOLOS

Com o objetivo de tornar o cálculo dos índices físicos mais rápido e,


também diminuir a quantidade e custos de ensaios laboratoriais, utilizam-se
relações entre estes índices, de maneira que com a determinação de alguns
índices, se consiga calcular os outros.

Os índices utilizados, a partir dos quais se calculam os outros, são três:


1- Massa Específica do Solo (γ);
2- Teor de Umidade (w);
3- Massa Específica dos Sólidos (γS).

Atribuindo-se ao volume de sólidos o valor unitário, VS = 1, obtém-se que


o Índice de Vazios (e = VV / VS) é igual a VV e que o volume de água VW é igual
a (Sr . e). A partir destes dados estabelecem-se relações entre os Índices Físicos,
das quais, destacam-se:

(a) Massa Específica Seca: γd = γ / ( 1 + w )

(b) Índice de Vazios: e = ( γS / γd ) – 1

(c) Porosidade: n = e / ( 1 + e )

(d) Grau de Saturação: Sr = ( w . γS ) / ( e . γw )

Pelo exposto, pode-se observar que a partir da Massa Específica do solo,


do Teor de Umidade do solo e da Massa Especifica dos Sólidos, os índices γd ;
e; n e Sr, podem ser determinados. Ou seja, com apenas três ensaios de
laboratório, se determinam os outros índices.

VI.4.3- DETERMINAÇÃO DA MASSA ESPECÍFICA DO SOLO.

Partindo-se de sua definição, γ = MT / VT = (Massa Total) /


(Volume Total), observa-se que no ensaio é preciso determinar a massa de um
volume conhecido, ou determinar-se o volume de uma massa conhecida.

São utilizados em laboratório dois métodos:

1- a partir de um corpo de prova com volume conhecido, determinar sua


massa.
Este é o caso do método da retirada de amostras indeformadas através da
cravação do anel, conforme visto no Capítulo VI.1. Sendo o anel de volume
conhecido (VT), determina-se a massa do solo através de pesagem em balança
(MT).
Também se pode utilizar corpos de prova cilíndricos, talhados de uma
amostra indeformada. Neste caso suas dimensões dever ser medidas através de
paquímetros e sua massa obtida através de pesagem. Apresenta-se na Figura
VI.4.2, um corpo de prova utilizado para este fim.
Figura VI.4.2- Corpo de prova talhado de bloco indeformado.

2- a partir de um corpo de prova de solo com massa conhecida, determina-


se seu volume.
Este é um procedimento comum em laboratório, e é conhecido como
Método da Parafina. De um bloco de solo indeformado, retira-se uma amostra de
forma irregular, que após pesagem, é mergulhada em parafina derretida, de
forma que esta, ao secar, impermeabilize a amostra. Obtém-se a massa do corpo
de prova envolto em parafina e obtém-se também o registro da balança quando
este corpo de prova estiver submerso em água. Desta forma tem-se:
- M1 = Massa do corpo de prova;
- M2 = Massa do corpo de prova mais parafina;
- M3 = Massa do corpo de prova mais parafina, submerso;
A diferença entre M1 e M2 corresponde à massa de parafina, que dividida
pela massa específica da parafina, fornece o volume de parafina (Vp).
A diferença entre M2 e M3 a é massa de água deslocada. A partir da massa
específica da água, determina-se o volume de água deslocado (Vw), que
corresponde ao volume do corpo de prova mais parafina que foi introduzido na
água (Vw= Vcp + Vp). Desta maneira, determina-se o volume do corpo de prova
através de: Vcp = Vw – Vp. Apresentam-se nas Figuras VI.4.3 a VI.4.6, detalhes
deste procedimento.

Em campo, a Massa Especifica do Solo pode ser obtida através do Método


do Frasco de Areia. Este procedimento será apresentado no Capítulo VII, na
parte referente ao controle de compactação do aterro.

Figura VI.4.3- Pesagem do corpo de prova sem parafina.


Figura VI.4.4- Impermeabilização do c.p. com parafina.

Figura VI.4.5- Impermeabilização do c.p. com parafina.


Figura VI.4.6- Pesagem do c.p. com parafina.
VI.4.3- DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE DO SOLO.

Partindo-se de sua definição, w = MW / MS ( Massa de Água / Massa Seca


ou Massa de Sólidos ), observa-se que é preciso obter a massa de água e a massa
de sólidos da amostra. Tirando-se a massa total inicial (MT) de uma amostra,
coloca-se a amostra em estufa, e após o tempo determinado, pesa-se novamente a
amostra, obtendo-se a massa seca (MS). Como MT = MW + MS, obtém-se a massa
de água, igual à MW = MT – MS.

Em laboratório geralmente utiliza-se a estufa convencional para obtenção


da umidade, na qual a amostra permanece por 24 horas. Para casos em que é
preciso determinar-se o Teor de Umidade o mais rápido possível, como no caso
de controle de compactação de aterros, pode-se utilizar a estufa de raios
infravermelhos, desenvolvida pela CESP, sendo um modelo apresentado na
Figura VI.4.7.

Em campo pode-se utilizar o equipamento conhecido como “speed”, para


a determinação rápida da umidade de solos arenosos. Este procedimento será
apresentado no Capítulo VII na parte de controle de compactação do aterro.
Figura VI.4.7- Estufa de raios infravermelhos..

VI.4.3- DETERMINAÇÃO DA MASSA ESPECÍFICA DOS


SÓLIDOS.

Partindo-se de sua definição, γS = MS / VTsólidos ( Massa de Sólidos /


Volume Total do Sólidos ), verifica-se que a massa de sólidos é de fácil
obtenção, bastando para isto, deixar a amostra secar em estufa. A determinação
do volume total de sólidos é o que apresenta mais dificuldade, pois corresponde
à somatória do volume de todas as partículas sólidas da amostra. Para a
determinação deste volume, utiliza-se em laboratório o Método do Picnômetro
(balão volumétrico).

Primeiramente, coloca-se água no Picnômetro até a marca de referência,


Figura VI.4.8. Pesa-se o Picnômetro mais água, medindo-se sua temperatura.
Obtém-se M1 = Mw1 + Mp.
marca de referência

Mp (massa do picnômetro) Mp (massa do picnômetro)

água (Mw) água (M'w)

solo após vácuo (Ms)

Temperatura (ºC) Temperatura (ºC)

M1 = Mw + Mp M1 = M'w + Mp + Ms

Figura VI.4.8- Método do Picnômetro

Em seguida coloca-se solo e água no mesmo picnômetro, ficando o nível


d’água na marca de referência, mede-se a temperatura e pesa-se o Picnômetro,
obtendo-se a M2 = Mw2 + Mp + MS.

A massa de água correspondente ao volume deslocado pelos sólidos será:


M1 – M2 = Mw1 – Mw2 – MS, ou
∆Mw = Mw1 – Mw2 = M1 – M2 + MS

Portanto, o volume dos sólidos corresponde a:


VS = ∆Mw / γw, conduzindo a:

γS = MS / VS = MS . γw / ∆Mw = MS . γw / (M1 – M2 + MS)


Como procedimento do ensaio, o Picnômetro com água e solo, é
submetido a vácuo, objetivando-se retirar o ar presente na água. Também como
procedimento, normalmente são feitas de três a quatro determinações, variando-
se a temperatura da água e acertando o nível de água na marca de referência,
com vistas à obtenção de um valor médio.

Quando se faz necessário estimar valores da Massa Específica dos Sólidos,


para solos arenosos pode-se utilizar γS= 2,67 g/cm3, correspondente ao quartzo,
e para solos argilosos pode-se utilizar γS = 2,75 a 2,90 g/cm3.

Apresentam-se nas Figuras VI.4.9 a VI.4.11, detalhes deste ensaio.


Figura VI.4.9- Picnômetro + Solo + Água.

Figura VI.4.10- Pesagem de Picnômetro + Solo + Água.


Figura VI.4.11- Aplicação de vácuo ao Picnômetro + Solo + Água.
VI.5- ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

Parte fundamental para o bom desempenho de uma barragem, é a


adequada compactação do aterro, de acordo com as especificações determinadas
a partir dos resultados de ensaios de compactação realizados em laboratório.

Com a compactação do solo, objetiva-se uma redução de seu volume,


devido à redução do volume de vazios, tornando-o mais denso, e resultando um
solo com maior resistência ao cisalhamento, menor permeabilidade e menor
compressibilidade.

Em outras palavras, pode-se dizer que com a compactação, se esta


procurando aumentar o volume de massa sólida por unidade de volume.
Conseqüentemente, quanto mais sólidos houver por unidade de volume, mais
denso vai ser o solo, e maior sua resistência e menor sua permeabilidade e
deformabilidade.

Observa-se em laboratório, para uma dada energia de compactação, que a


quantidade de massa sólida que se consegue colocar por unidade de volume, é
função da umidade do solo. Ou seja, para uma mesma energia de compactação,
consegue-se fazer com que o solo fique mais, ou menos, compacto, dependendo
da umidade em que o mesmo foi compactado.

Para quantificar a quantidade de sólidos que esta se colocando por unidade


de volume na compactação de um solo, utiliza-se a Massa Específica Seca γd =
MS / VT, que é a relação entre a massa seca de uma amostra de solo, ou massa de
sólidos (MS) e o volume total desta amostra (VT) antes de estar seca, ou em seu
estado natural.

No laboratório o ensaio de compactação tem a finalidade de determinar a


função de variação da Massa Específica Seca (γd) com o teor de umidade, para
uma dada energia de compactação e que é aplicada ao solo através de um
processo dinâmico. Essa função define um ponto cujas coordenadas, Teor de
Umidade Ótimo x Massa Específica Seca Máxima, são características
reprodutíveis desse solo, para as mesmas condições de ensaio. No resultado do
ensaio, mostrando a curva obtida, geralmente, são também apresentadas algumas
curvas de igual Grau de Saturação, preferencialmente, aquelas que passam
próximo do ponto de máximo da curva de compactação. Apresenta-se na Figura
IV.5.1, o resultado de um ensaio de compactação.

No Brasil o Ensaio de Compactação foi normatizado pela ABNT por meio


da MB-33 e NBR 7182. É conhecido como ensaio Proctor. Pode-se usar três
energias para compactação do solo, que são a energia normal, a energia
intermediária e a energia modificada.

A energia mais utilizada é a energia normal, sendo o ensaio conhecido


como Proctor Normal. Esta energia normal é representativa da energia que as
máquinas comumente utilizadas em obras de pequeno e médio porte, aplicam ao
solo.
Figura VI.5.1 – Curva de Ensaio de Compactação -
Resultados: γdmáximo = 1,726 g/cm3; Wótima = 16,5 % (in Nogueira, 2001)

IV.5.1- ENSAIO PROCTOR NORMAL.

O ensaio Proctor Normal consiste em compactar uma porção de solo em


um cilindro com 1000cm3, com um soquete de 2,5 kg, caindo em queda livre de
uma altura de 30 cm. Apresenta-se na Figura VI.5.2, um detalhe deste cilindro e
do soquete utilizado.
Figura VI.5.2- Cilindro e soquete para o ensaio Proctor Normal.

Para a realização do ensaio, solo deve ser colocado dentro do cilindro, em


três camadas.

Sobre cada camada se aplicam 26 golpes do soquete, distribuídos sobre a


superfície do solo. As espessuras das finais das três camadas devem ser
aproximadamente iguais.

Após a compactação de cada uma delas, a superfície é escarificada com o


propósito de dar uma continuidade entre as camadas. O topo da terceira camada,
após a compactação, deverá estar rasante com as bordas do cilindro.

Este procedimento deve ser repetido 5 vezes, cada uma delas com o solo
em um Teor de Umidade, para que se possa traçar uma curva do tipo apresentada
na Figura VI.5.1. Procura-se que nos ensaios os dois primeiros Teores de
Umidade estejam abaixo da Umidade Ótima esperada para o solo, que um Teor
de Umidade se aproxime da Umidade Ótima prevista, e os outros dois estejam
acima dela.

Para o primeiro ponto a ser ensaiado, recomenda-se que o Teor de


Umidade do solo seja inferior ao Teor de Umidade Ótima prevista, em torno de
5%.

Após a compactação, deve-se obter a massa do corpo de prova e se retirar


três porções do solo, coloca-las em cápsulas e levá-las à estufa para
determinação do Teor de Umidade. Desta maneira, obtém-se os dados para
determinação da Massa Específica Seca, através de:

γd = γ / ( 1 + w )
Em seguida, adiciona-se uma quantidade de água ao solo, calculada de
forma que, em relação ao ponto anterior, o seu Teor de Umidade se eleve em
torno de 2%. Repete-se este procedimento, até a obtenção de 5 valores de Massa
Específica Seca (γd), que com os 5 valores de Teores de Umidade utilizados,
possibilita a construção da curva de compactação do solo.

A partir da curva de compactação, Figura VI.5.1, obtém-se o valor de


Massa Específica Seca Máxima (γdmáx.), a qual tem como correspondente o
Teor de Umidade Ótimo ( wótim.).

O par de valores γdmáx. e wótim., é uma característica de cada solo,


devendo sua determinação ser feita para cada solo a ser compactado. Apresenta-
se na Figura VI.5.3, curvas de compactação de diversos solos brasileiros
Figura VI.5.3- Curvas de compactação de diversos solos brasileiros ( in
Pinto, 2000).

Em campo, o aterro deve ser construído com este Teor de Umidade Ótimo
(w ótim.), procurando-se atingir a Massa Específica Seca Máxima (γd máx.)
obtida no ensaio Proctor Normal.

São traçadas também as curvas de saturação, que podem ser obtidas a


partir da equação:

γd = (γs . Sr . γw) / (Sr . γw + γs . w)


O ensaio pode ser realizado com reuso do solo, ou seja, após
compactado em determinada umidade, o solo é destorroado e
reutilizado na próxima umidade.

Nas Figuras VI.5.5 a VI.5.11, são apresentadas fotos da


realização do Ensaio Proctor Normal.
VI.5.2- ENERGIA DE COMPACTAÇÃO

A energia aplicada pelo ensaio Proctor de Compactação é dada


pela fórmula:
E = (p . L . n . N) / V , em que:

E = energia aplicada ao solo por unidade de volume;


P = peso do soquete;
L = altura de queda do soquete;
n = número de camadas;
N = número de golpes aplicados a cada camada;
V = volume do cilindro.

VI.5.2- ENERGIA DE COMPACTAÇÃO INTERMEDIÁRIA


E MODIFICADA

Com a construção de grandes obras, houve a construção de grandes


máquinas de compactação, conhecidas como “fora de estrada”, as quais
passaram a aplicar uma energia ao solo, maior do que as máquinas comuns
aplicam. Para simular estas energias, desenvolveu-se o ensaio Proctor
Intermediário e o Proctor Modificado. Apresenta-se na Figura VI.5.4, curvas de
compactação de um mesmo solo, compactado com estas energias.

Apresenta-se na Tabela VI.5.1 a características dos equipamentos para


estes ensaios.

Tabela VI.5.1- Dimensões dos equipamentos.


TIPO PROCTOR PROCTOR PROCTOR
NORMAL INTERMEDIÁRIO MODIFICADO
Diâmetro (cm) 10,16 15,24 15,24
Altura (cm) 12,34 11,46 11,46
3
Volume (cm ) 1000 2090 2090
Peso do Soquete (kgf) 2,5 4,5 4,5
Altura de queda (cm) 30 45 45
Diâmetro da base (cm) 5 5 5
Número de camadas 3 5 5
No de golpes / camada 26 26 55
Figura VI.5.4- Curvas de compactação de um solo compactado
com diferentes energias (in Pinto, 2000).

Figura VI.5.5- Equipamentos para compactação.


Figura VI.5.6- Umedecimento e homogeneização do solo.

Figura VI.5.7- Compactação do solo no cilindro.


Figura VI.5.8- Cilindro preenchido com solo compactado
Figura VI.5.9- Pesagem de cilindro + solo compactado.
Figura VI.5.10- Retirada de solo compactado do cilindro.
Figura VI.5.11- Retirada de amostras para determinação do teor de umidade.
ATERRO EXPERIMENTAL – PCH ZÉ FERNANDO
VERIFICAÇÃO DO MATERIAL DO ATERRO – PCH ZÉ FERNANDO
TERRAPLAN

TERRAPLAN

TERRAPLAN
TERRAPLAN
VI.6- ENSAIOS ESPECIAIS COM O SOLO DA JAZIDA

Definindo-se, a partir da análise dos resultados de ensaios citados


anteriormente, nos itens V!.1 a VI.5 deste capítulo VI, que o solo da jazida em
estudo tem boa possibilidade de ser utilizado na construção do aterro, é
necessário a realização de mais três tipos de ensaios, que são chamados de
ensaios especiais.

É necessário que se procure prever o comportamento em termos de


permeabilidade, resistência e deformabilidade do aterro da barragem, a ser
construído com a compactação do solo da área de empréstimo. Para isto, é
necessário que sejam realizados ensaios em corpos de prova compactados em
laboratório, nas condições em que o aterro será construído, ou seja, no Teor de
Umidade Ótimo (wótim) e Massa Específica Seca Máxima (γdmáx.), valores
estes obtidos do ensaio de compactação Proctor Normal. Os ensaios especiais a
serem realizados são:

1- Ensaio de Permeabilidade. Este ensaio será apresentado em detalhes no


Capítulo XX referente a fluxo de água nos solos.;

2- Ensaios de Resistência ao Cisalhamento dos Solos. Estes ensaios se


dividem em Ensaio Triaxial, Ensaio de Cisalhamento e Ensaio de Compressão
Simples. Estes ensaios serão apresentados no Capítulo XX, referente à
resistência ao cisalhamento dos solos;

3- Ensaio de Deformabilidade. Este ensaio será apresentado no Capítulo


XX referente ao adensamento dos solos.

Estes ensaios devem realizados em corpos de prova moldados em


laboratório, antes da construção do aterro. Para a verificação de como estão as
condições do solo compactado no aterro, também é comum a retirada de blocos
indeformados do aterro durante a sua construção, para realização de ensaios de
permeabilidade, resistência ao cisalhamento e deformabilidade.

Apresenta-se na Figura VI.6.1 um corpo de prova moldado em laboratório,


sendo submetido a um ensaio de resistência.
Apresenta-se na Figura VI.6.2, a retirada de um bloco indeformado
durante a construção de um aterro, para a realização de ensaios de
permeabilidade e resistência ao cisalhamento.
Figura VI.6.1- Ensaio de Compressão Simples – Corpo de Prova moldado em
laboratório.
Figura VI.6.2- Retirada de blocos indeformados durante a construção do aterro,
no núcleo impermeável da barragem.
VII- ANÁLISE DA JAZIDA ATRAVÉS DE CLASSIFICAÇÕES DE SOLO

O objetivo das classificações dos solos, sob o ponto de vista da


engenharia, é o de poderem, a partir de propriedades mais simples de um solo,
estimarem propriedades mais complexas deste solo.

Por exemplo, quando se tem possibilidade de utilização de mais de uma


jazida de solo, para a construção do aterro de uma barragem, é importante
concentrar o estudo, naquela, ou naquelas que se julgue que se comportariam
melhor no aterro. Ou seja, é importante que o solo compactado apresente baixa
permeabilidade, baixa deformabilidade e boa característica de resistência ao
cisalhamento. É possível obter-se estas características do solo através de ensaios
laboratoriais específicos, mas, em uma fase preliminar de estudos, em
anteprojetos, estes ensaios demandariam tempo e custos, o que geralmente não
cabe no orçamento desta.

Sendo assim, procura-se nas classificações, através de características mais


simples dos solos, como granulometria, limite de liquidez e limite de
plasticidade, estimar o provável comportamento do solo ou, pelo menos, o de
orientar o programa de investigação necessária para permitir a adequada análise
de uma provável característica mais complexa do solo.

Dentre os vários sistemas de classificação existentes, citamos:


- Classificação por tipo de solos;
- Classificação genética geral;
- Classificação granulométrica;
- Classificação unificada (U.S. Corps of Engineers).

VII.1- CLASSIFICAÇÃO POR TIPO DE SOLO

Nesta classificação utiliza-se apenas a análise táctil-visual, sendo um


sistema descritivo.

Sua utilização é bastante simples e pode trazer informações bastante úteis


na fase inicial de estudos, através da identificação de solos mais arenosos, solos
mais argilosos, solos orgânicos, plasticidade dos solos argilosos, etc. Estas
características já podem indicar o comportamento do solo da área de empréstimo
em termos de trabalhabilidade na compactação, permeabilidade quando
compactado e necessidade de remoção da obra (bota-fora) (solos orgânicos), etc.
Apresenta-se na Tabela VII.1, informações sobre procedimentos para
identificação táctil-visual de solos.

VII.2- CLASSIFICAÇÃO GENÉTICA GERAL

É um sistema de classificação também de natureza descritiva, sendo


necessário para a sua utilização um conhecimento da gênese dos solos, ou de
uma forma que seja mais simples, fazer uma análise de sua macroestrutura, da
cor e da posição da amostra no subsolo.
Tabela VII.1- Identificação de solos – Procedimentos e características
(Bueno&Vilar, 1999).
TIPOS DE SOLOS PROCEDIMENTOS E CARACTERÍSTICAS
Areias e solos arenosos •Tacto → áspero
•Observação visual → incoerente
Areias finas, siltes, •Tacto → pequena resistência do torrão seco (esfarela
areias siltosas ou pouco facilmente).
argilosas. •Torrão seco desagrega rapidamente, quando
submerso.
•Dispersão em água → sedimenta rápido e a água
permanece turva, por pouco tempo.
Argilas e solos argilosos •Tacto → úmido: saponáceos
(com pouca areia ou •Tacto → secas: farinhosas
silte) •Torrão seco bastante resistente e não desagrega
quando submerso.
•Plasticidade
•Mobilidade da água intersticial
Turfas e solos turfosos •Cor → geralmente cinza, castanho-escura; preta.
(solos orgânicos) •Partículas fibrosas
•Cheiro característico de matéria orgânica em
decomposição
•Inflamáveis quando secos
•Pouca a média plasticidade

Na classificação Genética Geral, o solo é dividido em três categorias


(Bueno&Vilar, 1999):

a- Solo Superficial
Solo que constituí o horizonte superficial, normalmente contendo matéria
orgânica. Nesse horizonte concentra-se o campo de estudo da pedologia. Possui
estrutura, cor e constituição mineralógica diferente das camadas inferiores. A
espessura varia de alguns centímetros a alguns metros.

b- Solo de Alteração
Solo proveniente da decomposição das rochas graças aos processos de
intemperismo. Em condições normais, acha-se subjacente ao solo superficial. É
um solo residual e pode, freqüentemente, no Brasil, atingir até dezenas de metros
com a profundidade.

c- Solo Transportado
Solo originado do transporte e deposição de material, por meio dos processos
geológicos de superfície. A granulometria é mais ou menos uniforme, de acordo
com o agente transportador. Em condições normais, pode constituir as camadas
aflorantes ou estar subjacente ao solo superficial. Atinge, por vezes, espessuras
de centenas de metros.

Utilizando-se esta classificação para o solo da área de empréstimo de uma


barragem, pode-se dizer:
- os solos orgânicos devem ser descartados na construção do aterro e
também como base do aterro;
- os solos transportados, por ter uma granulometria mais ou menos
uniforme, possuem uma boa trabalhabilidade como material de compactação,
isto dependendo da proporção entre areia e argila presentes;
- os solos residuais, aqueles que permanecem no lugar onde foram
formados, a partir da rocha matriz, geralmente não tem granulometria uniforme e
sua composição granulométrica varia com o tipo de rocha e com o tempo de
intemperismo sofrido. Em sua composição granulométrica podem ser
encontrados materiais como pedras até argilas. Devido a esta variabilidade
granulométrica, a decisão por sua utilização como solo do aterro da barragem,
deve ser criteriosamente estudada.

VII.3- CLASSIFICAÇÃO GRANULOMÉTRICA

A composição granulométrica do solo, como visto no Capítulo VI.2,


fornece a porcentagem dos diâmetros que compõem o solo.
A sua composição granulométrica, no caso da construção de um aterro,
dependendo da proporção entre argila, silte e presente, já pode indicar como será
o comportamento do aterro, em termos de trabalhabilidade, permeabilidade, etc.
É importante salientar que não é somente a proporção entre os materiais que dita
o comportamento do material, sendo este diretamente relacionado ao tipo de
argila presente.

VII.2- CLASSIFICAÇÃO GENÉTICA GERAL

Esta classificação vem sendo utilizada desde 1942, quando foi proposta
por Arthur Casagrande, fornecendo informações a respeito do comportamento de
aterros, a partir dos resultados da curva granulométrica dos solos e dos limites de
consistência e permeabilidade.

Neste sistema, todos os solos são identificados pelo conjunto de duas


letras: um prefixo e um sufixo. A primeira letra indica o tipo principal de solo e a
segunda letra corresponde a dados complementares dos solos. As cinco letras
que indicam o tipo principal de solo são:
G → pedregulho
S → areia
M → silte
C → argila
O → orgânico
As quatro letras que correspondem a dados complementares do solo são:
W → bem graduado
P → mal graduado
H → alta compressibilidade
L → baixa compressibilidade

A letra Pt é utilizada para turfas.

Sendo assim, por exemplo, um solo SW, corresponde a uma areia bem
graduada, e um solo CH a uma argila de alta compressibilidade.

Para a sua utilização, os solos foram subdividos em subgrupos, os quais


são apresentados nas Figuras VII.1 eVII.2.
Figura VII.2 – Classificação Unificada (in Bueno&Vilar, 1999).
TRABALHABILIDA COMPRESSIBILI
PERMEABILIDA RESISTÊNCIA γd,máx. para wot. CARACTE
DIVISÕES SÍM DE COMO DADE VALOR COMO
SUBGRUPO DE QUANDO COMPACTADA E (Proctor Normal) RÍSTICAS DE
PRINCIPAIS BOLO MATERIAL DE COMPACTADA E FUNDAÇÃO
COMPACTADO SATURADA g/cm3 DRENAGEM
CONSTRUÇÃO SATURADA
Pedregulhos: mistura areia
pedregulho bem graduada; pouco GW Excelente Permeável Excelente Desprezível De 2,00 a 2,20 Excelente
PEDREGULHOSOS

ou nenhum fino
PEDREGULHOS E

Pedregulhos: mistura areia


pedregulho mal graduada; pouco GP Boa Muito desprezível Boa Desprezível De 1,80 a 2,00 Excelente
ou nenhum fino
Pedregulhos siltosos: mistura Semipermeável a Boa a excelente
SOLOS

GM Boa Boa Desprezível De 1,92 a 2,20 Regular a má


pedregulhos - areia - silte Impermeável
Pedregulhosargilosos: mistura
GC Boa Impermeável Regular a Boa Muito pequena De 1,84 a 2,10 Má
pedregulhos - areia - argila
Areias, ou areias pedregulhosas
SOLOS GRANULARES

bem graduadas; pouco ou nenhum SW Excelente Permeável Excelente Desprezível De 1,76 a 2,10 Excelente
fino
AREIAS E SOLOS

Areias, ou areias pedregulhosas


Má a boa – depende do
mal graduadas; pouco ou nenhum SP Regular Permeável Boa Muito pequena De 1,60 a 1,92 Excelente
peso específico
ARENOSOS

fino
Areias siltosas; misturas areias - Semipermeável a
SM Regular Boa Pequena De 1,76 a 2,00 Regular a má
siltes impermeável
Areias argilosas; misturas areias -
SC Boa Impermeável Regular a Boa Pequena De 1,68 a 2,00 Má a boa Má
argilas
Siltes inorgânicos, pó de pedra,
SILTES E ARGILAS

areias finas siltosas ou argilosas; Semipermeável a Muito má; susceptível


ML Regular Regular Média De 1,52 a 1,92 Regular a má
siltes argilosos de baixa impermeável de liquefação
COM LL< 50%

plasticidade
Argilas inorgânicas baixa – média
plasticidade; argilas arenosas; siltes CL Regular a Boa Impermeável Regular Média De 1,52 a 1,92 Má a boa Má
SOLOS FINOS

argilosos; argilas magras


Siltes orgânicos: argilas siltosas de Semipermeável a
OL Regular Baixa Média De 1,28 a 1,60 Má Má
baixa plasticidade impermeável
Siltes inorgânicos, solos micáceos
Semipermeável a
ou diatomáceos de alta MH Má Baixa a regular Alta De 1,12 a 1,52 Má Regular a má
ARGILAS COM

impermeável
compressibilidade
Argilas inorgânicas de alta
SILTES E

LL > 50%

CH Má Impermeável Baixa Alta De 1,20 a 1,68 Regular a má Má


plasticidade; argilas gordas
Argilas orgânicas de média a alta
OH Má Impermeável Baixa Alta De 1,10 a 1,60 Muito má Má
plasticidade; siltes orgânicos
SOLOS Turfa e outros solos altamente
Pt Compactação extremamente difícil; não utilizados como aterro; devem ser removidos das fundações; recalques excessivos; resistência baixa
ORGÂNICOS orgânicos
Figura VII.2 – Classificação Unificada
VIII-– VOLUME DE ÁREA DE EMPRÉSTIMO NECESSÁRIA – NÚMERO
DE VIAGENS DE CAMINHÃO – VOLUME DE ÁGUA A ACRESCENTAR

Após a definição da geometria do aterro, torna-se possível calcular o seu


volume, ou volume de solo compactado.

Partindo-se do volume de solo a ser compacto, e também já se conhecendo


as características da área de empréstimo, obtidas através de ensaios de
laboratório, para efeito da execução da obra, torna-se necessário conhecer:

1- O volume de área de empréstimo necessária, para que o aterro seja


construído com a Massa Específica Seca Máxima (γdmax.), definida no ensaio de
compactação;

2- O volume de água a acrescentar ou retirar, da área de empréstimo, para


que o aterro seja construído no Teor de Umidade Ótima (wotim), definida no
ensaio de compactação;

3- O número de viagens de caminhões basculantes transportando o solo, da


área de empréstimo ao local da construção do aterro.

Para se conhecer o especificado nos itens acima, utiliza-se dos dados do


ensaio de compactação (Proctor Normal ou Modificado) e dos Índices Físicos do
solo natural e do solo compactado.

VIII.1- VOLUME DA ÁREA DE EMPRÉSTIMO NECESSÁRIA

O solo do aterro deve atingir, depois de compactado, a Massa Específica


Seca Máxima (γdmax.), definida no ensaio de compactação Proctor.

Isto significa que o aterro possui, por unidade de volume, uma


determinada massa de sólidos:
γd = MS / VT → MS = γd / VT → Para VT = 1 m3 (por exemplo) →
→ MS = γd → Para unidade de γd em kg/m3 (por exemplo) →
→ MS = γd (kg/m3) → MSaterro = γdaterro (kg)
Sendo assim, é necessário levar uma quantidade de solo da área de
empréstimo que forneça para o aterro a massa de sólidos necessária por unidade
de volume, ou seja, MSaterro = γdaterro (kg).

Por analogia, a massa de sólidos, na área de empréstimo, para um volume


unitário, será igual a Massa Específica Seca da área de empréstimo: MSempréstimo
= γdempréstimo (kg).
Sendo o γdempréstimo < γdaterro, obtém-se a relação conhecida como
Fator de Homogeneização de volumes, utilizada para o cálculo do volume da
área de empréstimo necessário para construir determinado volume de aterro
compactado:

Fh = fp . (γdaterro / γdempréstimo), onde:

fp = fator de segurança para compensar perdas que possam ocorrer


durante o transporte dos solos e possíveis excessos na compactação dos mesmos.
Por exemplo, para 5% de perdas, fp = 1,05;
γdaterro = Massa Específica Seca Máxima, do aterro compactado;
γdempréstimo = Massa Específica Seca Máxima da área de empréstimo.
Desta maneira, o volume de uma área de empréstimo deverá ter o seguinte
volume para possibilitar a construção do aterro:

Vempréstimo = Fh . Vaterro

VIII.2- NÚMERO DE VIAGENS DE CAMINHÕES NECESSÁRIAS

Partindo-se do volume do aterro (Vaterro) e conhecendo-se o volume que


cada caminhão (Vcaminhão) consegue transportar, pode-se obter o número de
viagens de caminhões necessárias à construção do aterro. No entanto, é preciso
que também se considere no cálculo, um outro fator, devido ao “empolamento”.

Empolamento é a característica do solo aumentar de volume, quando é


escavado de uma jazida e lançado sobre a caçamba de um caminhão. O valor
deste aumento de volume deve ser avaliado no início de cada obra, mas para
efeitos de anteprojetos, pode-se considerar um aumento de volume de cerca de
20 a 30%.

Sendo assim, o número de viagens de caminhão é dado por:

n = E . (Vaterro / Vcaminhão), onde:

E = Empolamento. Por exemplo, para aumento de volume de 20% este


fator será: E = 1,20
Vaterro = Volume do aterro a ser construído;
Vcaminhão = Volume que cada caminhão consegue transportar.
Construção da Barragem de Paranoá – 1957 – Brasília

LOCAL DE IMPLANTAÇÃO
PROSPECÇÃO GEOTÉCNICA

“You pay for a site investigation whether you have one or


not”

“Você paga pela investigação geotécnica, quer você tenha


uma, quer você não tenha uma”

“Foundation of Engineering Geology”


“Waltham, A.C.
IX - LOCAL DE IMPLANTAÇÃO A BARRAGEM

Em um projeto de implantação de uma barragem, perante a finalidade da


obra, define-se o volume de água que se espera do reservatório, e também, no
caso da finalidade ser geração de energia elétrica, também se define a altura que
se espera para a barragem.

Sendo assim, os primeiros estudos a serem feitos são os topográficos.


Procura-se encontrar a melhor solução técnico-econômica, de maneira que se
implante a barragem em um lugar em que o vale seja mais estreito, minimizando
assim o volume do aterro.

As condições geotécnicas do local são importantes, pois dependendo


destas condições, os recursos destinados as obras, podem não cobrir
determinados gastos. Por exemplo, obras de maior porte, podem exigir
tratamento da fundação por injeções, trincheira de vedação mais profunda, etc.

A distância de transporte e a qualidade dos materiais de construção são


fatores importantes a se considerar, pois os custos de transporte de material
podem inviabilizar a obra.

O desvio do rio durante o período de construção da barragem pode ser um


fator condicionante para a escolha do local do eixo. Um local muito estreito
requer a construção de túneis, enquanto que em um vale mais aberto é possível a
escavação de um canal ou a construção de galerias de concreto.

Após a consideração dos fatores citados, e definindo-se por um eixo, são


necessários os estudos geotécnicos do eixo, os quais estão diretamente ligados a
ensaios de campo e laboratório com o material do subsolo no eixo da barragem.

Os tipos de ensaios a serem realizados e a quantidade destes ensaios, vão


depender do tamanho e importância da obra, além dos resultados das
investigações preliminares. Por exemplo, podemos ter duas barragens idênticas
de 10m de altura, sendo uma para armazenamento de água em uma propriedade
rural e a outra para contenção de resíduos tóxicos de uma mineradora. Sem
dúvida, apesar das obras serem idênticas, a barragem de rejeitos deve merecer
uma atenção maior, antes e depois da construção.

Desta maneira, torna-se importante a realização de um cuidadoso


programa de prospecção geotécnica no eixo da barragem.
IX.1 – INFORMAÇÕES EXIGIDAS NUM PROGRAMA DE
PROSPECÇÃO

As informações básicas que se busca em um programa de exploração do


subsolo são (Bueno&Vilar, 1999):

a) a área em planta, profundidade e espessura da camada de solo


identificado;

b) a compacidade dos solos granulares e a consistência dos solos coesivos;

c) a profundidade do topo da rocha e as suas características, tais como:


litologia, área em planta, profundidade e espessura de cada extrato rochoso;
mergulho e direção das camadas, espaçamento de juntas, planos de acamamento,
presença de falhas e ação do intemperismo ou estado de decomposição;

d) a localização do nível d’água e a quantificação do artesianismo, se


existir;

e) a colheita de amostras indeformadas, que possibilitem quantificar as


propriedades do solo com que trata a Engenharia: compressibilidade,
permeabilidade e resistência ao cisalhamento.

IX.2 – PRINCIPAIS TIPOS DE PROSPECÇÃO GEOTÉCNICA

Os tipos de prospecção utilizados correntemente na Engenharia Civil são


(Bueno&Vilar, 1999):

IX.2.1 – PROCESSO INDIRETOS


São processos de base geofísica. Não fornecem os tipos de solos
prospectados, mas tão somente correlações entre estes e suas resistividades
elétricas ou suas velocidades de propagação de ondas sonoras. Os ensaios mais
utilizados são:
- Resistividade elétrica;
- Sísmica de refração.

IX.2.1 – PROCESSO SEMIDIRETOS


Fornecem apenas características mecânicas dos solos prospectados (não
retiram amostra de solo). Os valores obtidos, por meio de correlações indiretas,
possibilitam informações sobre a natureza dos solos. Os ensaios mais utilizados
são:
- Vane test;
- Cone de penetração estática;
- Ensaio pressiométrico.

IX.2.1 – PROCESSO DIRETOS

São perfurações executadas no subsolo. Nestas, pode-se fazer uma


observação direta nas camadas, em furos de grandes diâmetros, ou uma análise
por meio de amostras colhidas de furos de pequenas dimensões. Os processos
mais utilizados são:
- Poços;
- Trincheiras;
- Sondagens a trado;
- Sondagens de simples reconhecimento (SPT);
- Sondagens rotativas;
- Sondagens mistas.

Para barragens de pequeno porte, geralmente só se utilizam os processos


diretos na prospecção geotécnica.

Informações detalhadas dos processos diretos e semidiretos citados podem


ser encontradas em Schanaid (2000).

IX.3 – PROPRIEDADES DO SUBSOLO A SEREM INVESTIGADAS NO


EIXO DA BARRAGEM

Primeiramente é importante que se conheça os tipos de solo presentes no


subsolo, abaixo do eixo da barragem. Também é importante que se conheça a
posição do lençol freático (N.A). Estas duas informações podem ser obtidas da
Sondagem a Trado (até certa profundidade) e através da Sondagem de Simples
Reconhecimento (SPT).

As propriedades do subsolo, de resistência, deformabilidade e


permeabilidade, também precisam ser investigadas.
As características de resistência ao cisalhamento devem ser obtidas
através da realização de ensaios específicos em laboratório, como será visto no
Capítulo XI. Para tanto será necessário a retirada de amostras indeformadas do
local. Uma noção desta resistência, muito útil no início das investigações, é a
fornecida indiretamente, através de correlações, pela Sondagem de Simples
Reconhecimento (SPT).

As características de deformabilidade devem ser obtidas em laboratório,


através da realização de ensaios de adensamento, em amostras indeformadas
(Capítulo XII). Para tanto, estas amostradas devem ser retiradas do subsolo do
local.

As características de permeabilidade geralmente são obtidas em


laboratório e através de ensaios de campo. Estes procedimentos são apresentados
no Capítulo X.

IX.3 – OBTENÇÃO DE AMOSTRAS INDEFORMADAS NO EIXO


DA BARRAGEM

Conforme apresentado no Capítulo VI referente à área de empréstimo, as


amostradas indeformadas na região do eixo da barragem, também podem ser
obtidas superficialmente e em profundidade, tomando-se os devidos cuidados
para se conservar sua estrutura e umidade.

O procedimento é retirar-se blocos indeformados (por exemplo, 30x30cm),


pois os ensaios a serem realizados necessitam de corpos de prova com certas
dimensões pré-estabelecidas (por exemplo, cilindro com 5cm de diâmetro x
10cm de altura). Depois de retirados e protegidos, os blocos devem ser mantidos
em câmera úmida, para evitar a perda de umidade.
Apresenta-se nas Figuras IX.1 e IX.2, detalhes da retirada de blocos
indeformados em fundações de barragens.
Foto IX.1- Retirada de bloco indeformado em
fundação de barragem.
Foto IX.1- Retirada de bloco indeformado em
fundação de barragem.

IX.3 – INVESTIGAÇÕES A TRADO NO EIXO DA BARRAGEM

O trado é um equipamento bastante utilizado em investigações geotécnicas


preliminares, principalmente em áreas de empréstimo e no eixo de pequenas
barragens.

A prospecção por trado é de simples execução, rápida e econômica. No


entanto, as informações obtidas são apenas do tipo de solo, espessura de camada
e posição do lençol freático, não fornecendo um índice de resistência do solo. As
amostras obtidas são do tipo deformadas.

Por ser um processo geralmente manual (existem equipamentos


mecânicos) e certos solos serem de difícil perfuração, o equipamento tem suas
limitações. O nível d’água também é um limitante. Geralmente se torna muito
difícil a perfuração a partir de 6m de profundidade, podendo-se chegar a mais de
10m em certos solos.

IX.3 – INVESTIGAÇÕES ATRAVÉS DE POÇOS


A abertura de poços exploratórios permite um exame visual das camadas
do subsolo no eixo da barragem, por meio do perfil exposto em suas paredes.

Permitem a coleta de amostras deformadas e indeformadas, em forma de


blocos, conforme apresentado no Capítulo VI.

Os poços geralmente são perfurados manualmente, com o auxilio de pás e


picaretas.

A profundidade atingida é limitada pela presença do N.A., ou


desmoronamento, quando então se faz necessário revestir o poço.

Apresenta-se na Figura IX.3 um poço aberto, para a coleta de amostras


deformadas e indeformadas.

Figura IX.3- Poço para retirada de amostras

IX.3 – INVESTIGAÇÕES ATRAVÉS DE TRINCHEIRAS


As trincheiras são valas feitas ao longo de um comprimento, geralmente
com o auxílio de uma escavadeira. Permitem um exame visual contínuo do
subsolo, segundo uma direção, e tal como nos poços, permitem a obtenção de
amostras deformadas e indeformadas.

Apresenta-se na Figura IX.4 uma trincheira aberta para investigação do


subsolo.

Figura IX.4- Verificação do subsolo através de trincheira

IX.3 – INVESTIGAÇÕES ATRAVÉS DA SONDAGEM DE SIMPLES


RECONHECIMENTO (SPT).

A Sondagem de Simples Reconhecimento, ou Standart Penetration Test


(SPT) é reconhecidamente a mais popular, rotineira e econômica ferramenta de
investigação em praticamente todo o mundo, permitindo uma indicação da
densidade dos solos granulares, também aplicado à identificação da consistência
de solos coesivos e mesmo de rochas brandas.
O ensaio SPT constitui-se em uma medida de resistência dinâmica
conjugada a uma sondagem de simples reconhecimento. A perfuração é realizada
por tradagem até encontrar-se o N.A., sendo a partir daí, realizada por circulação
de água utilizando-se um trépano de lavagem como ferramenta de escavação.

Amostras representativas do solo são coletadas a cada metro de


profundidade por meio de amostrador padrão, de diâmetro externo de 50mm.

O procedimento de ensaio consiste na cravação do amostrador no fundo da


escavação, a cada metro de profundidade, usando um peso de 65,0 kg, caindo de
uma altura de 750mm. Primeiramente, em cada metro, escava-se 550mm do solo
e então se introduz o amostrador, que é cravado 450mm, até completar um
metro.

Na cravação dos 450mm do amostrador, conta-se o número de golpes


necessários para a cravação de cada 150mm. Cravam-se primeiramente os
150mm iniciais, e ao número de golpes necessários para a cravação dos
últimos 300mm do amostrador, dá-se o nome de Índice de Resistência à
Penetração do ensaio SPT, o que é comumente chamado de NSPT.

Desta maneira, através do ensaio SPT obtém-se:

1- Uma amostra representativa do solo a cada metro de


profundidade;

2- A posição do lençol freático;

3- Um valor numérico, a cada metro de profundidade, que é o Índice


de Resistência à Penetração do solo, ou NSPT, correspondente ao número de
golpes necessários para a cravação dos últimos 300mm do amostrador.

As vantagens do ensaio SPT com relação aos demais são: simplicidade do


equipamento, baixo custo e obtenção de um valor numérico de ensaio que pode
ser relacionado com regras empíricas de projeto. Tem também como vantagem
a facilidade de encontrar empresas que o executam.

Tem como principal desvantagem:

1- Fornece apenas um valor de resistência a cada metro;


2-Muitas vezes, certas empresas não possuem pessoas qualificadas
para sua execução;

3- Muitas vezes, certas empresas não seguem os procedimentos


estabelecidos por Norma, para sua execução.

São apresentadas nas Figuras IX.5 a IX.14 fotos da realização do ensaio


SPT

Figura IX.5- Sondagem SPT sendo executada


Figura IX.6- Amostrador da sondagem SPT.

Figura IX.7- Marcação na haste dos três trechos de 15cm para controle de
cravação do amostrado com 45cm de comprimento.
Figura IX.8- Massa de 75 kg para cravação do amostrador.

Figura IX.9- Retirada do amostrador após cravação.


Figura IX.10- Solo extraído pelo amostrador.

Figura IX.11- Solo extraído pelo amostrador.


Figura IX.12- Solo extraído pelo amostrador.

Figura IX.13- Amostras extraídas pelo amostrador.


Figura IX.14- Colocação de revestimento para passar a utilizar sistema de
perfuração por lavagem (após encontrar o N.A.).
X- INTRODUÇÃO AO FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS

Em um projeto de uma barragem, é importante a análise do fluxo de água


pelas fundações e pelo maciço de terra compactado. Também é importante a
avaliação da infiltração que vai ocorrer em toda a região inundada, pois esta
perda de água pode ser significativa e inviabilizar o empreendimento.

O correto entendimento de como se processa este fluxo e sua


quantificação, vão permitir que os sistemas de proteção da barragem, trincheira
de vedação e sistema de filtros, sejam dimensionados de forma segura e
econômica.

Os estudos devem se iniciar com a determinação da permeabilidade dos


materiais de fundação e do aterro compactado, isto tanto no sentido vertical,
como no sentido horizontal.

De maneira geral, pode-se dizer que o estudo do fluxo de água nos solos é
importante, porque este fluxo influência um grande número de problemas
práticos, que podem ser agrupados em três tipos:

a- No cálculo das vazões, como, por exemplo, na estimativa da quantidade


de água que chega aos filtros de uma barragem, na quantidade de água que se
infiltra em uma escavação, etc.;

b- Na análise de recalques (deslocamentos verticais) de obras, porque,


freqüentemente, os recalques estão associados à diminuição de índice de vazios,
que ocorre pela expulsão de água destes vazios; e

c- Nos estudos de estabilidade, porque a tensão efetiva ( que comanda a


resistência ao cisalhamento do solo) depende da pressão neutra (pressão na
água), que por sua vez, depende das tensões provocadas pela percolação de
água.

X.1- A PERMEABILIDADE DOS SOLOS

O solo é constituído de uma fase sólida e de uma fase fluida (água e/ou
ar). A fase fluída ocupa os vazios deixados pelas partículas sólidas que compõem
o esqueleto do solo.
A água pode estar presente no solo sob várias formas. Nos solos grossos,
essa água se encontra livre entre as partículas sólidas, podendo estar sob
equilíbrio hidrostático ou podendo fluir sob a ação da gravidade, desde que haja
uma carga hidráulica. Para os solos finos, a situação se torna mais complexa,
uma vez que passam a atuar forças de superfície de grande intensidade. Assim,
nestes solos, existe uma camada de água adsorvida, a qual pode estar sujeita a
pressões muito altas, por causa das forças de atração existentes entre as
partículas. O restante de água existente nesses solos finos se encontra livre,
podendo fluir por entre as partículas, desde que haja um potencial hidráulico para
tal.

A maior ou menor facilidade que as partículas de água encontram para


fluir por entre os vazios do solo, constitui a propriedade chamada permeabilidade
do solo.

A permeabilidade dos solos depende principalmente de:

a- Do tamanho e do arranjo dos grãos, pois tanto o diâmetro e a forma dos


canalículos de fluxo dentro do solo, bem como sua tortuosidade dependem disto;

b- Do índice de vazios, pois quanto mais compacto estiver o solo, menor


sua permeabilidade, pois os tamanhos e formas dos canalículos serão menores;

c- Da densidade e viscosidade da água, pois quanto mais pesada e viscosa


for a água, maior será a dificuldade com que atravessará os poros do solo. Como
a viscosidade é função direta da temperatura, a permeabilidade também o será.
Ela cresce com o aumento da temperatura.

Para o entendimento do que ocorre com a presença de água no solo,


apresenta-se inicialmente a Figura X.1, onde não há movimento de água, pois
na bureta que alimenta a parte inferior do permeâmetro, a água atinge a mesma
cota da água no permeâmetro. Nesta situação, tem-se:
Figura X.1- Tensões no solo em um permeâmetro sem fluxo (in Pinto, 2000)

- a pressão total aplicada na base da peneira:


σT = (Z . γW + L . γn);

- a pressão neutra (pressão na água) aplicada na base da peneira:


µ = (Z + L) . γW ;

- a pressão efetiva na base da peneira corresponde à diferença entre σT e


µ, ou ao produto da altura da areia pelo seu peso específico submerso: σE = σT
- µ = L . γSubmerso . Esta é a pressão que a areia transmite à peneira sobre a
qual se apoia. Como será visto no CapítuloXX, em uma massa de solo, a pressão
total será igual a pressão efetiva, mais a pressão neutra: σT = σE + µ.
Em Mecânica dos Solos considera-se que o escoamento de água é laminar,
no qual as partículas dos fluídos se movem em camadas, segundo trajetórias retas
e paralelas. Utiliza-se a Lei de Darcy, válida para escoamento laminar.
Experimentalmente, Darcy, em 1850, verificou que os diversos fatores
geométricos, indicados na Figura X.2, influenciavam a vazão da água,
expressando a equação que ficou conhecida como Lei de Darcy:
Q = k . (∆h / L) . A, onde:
Q = vazão;
A = área do permeâmetro;
k = uma constante para cada solo, que recebe o nome de coeficiente de
permeabilidade.

Figura X.2- Água percolando em um permeâmetro (in Pinto,2000).

A relação ∆h / L = i é chamada de Gradiente Hidráulico, e representa a


perda de carga (h), que decorreu da percolação da água numa distância L. Desta
maneira, a equação geralmente é expressa da forma:
Q=k.I.A

A vazão dividida pela área indica a velocidade com que a água sai do
solo. Esta velocidade, v, é chamada de velocidade de percolação. Em função
dela a Lei de Darcy fica sendo:
v=k.i

X.2- DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE


EM LABORATÓRIO

Em laboratório utilizam-se os permeâmetros que são aparelhos destinados


a medir a permeabilidade dos solos. Utiliza-se a Lei de Darcy, para o cálculo do
Coeficiente de Permeabilidade (k).

Utilizam-se dois tipos de ensaios de permeabilidade em laboratório:

1- Ensaio com carga constante, para solos arenosos e mais


permeáveis;
2- Ensaio com carga variável, para solos mais argilosos e com baixa
permeabilidade.

No ensaio a carga constante, para solos mais permeáveis, o permeâmetro


geralmente se apresenta com a configuração apresentada na Figura X.3. Depois
do corpo de prova saturado (percola-se água de baixo para cima para a
saturação), mantida a carga h durante um certo tempo, a água percolada é
colhida e seu volume é medido. Conhecidas a vazão e as características
geométricas, o coeficiente de permeabilidade é calculado diretamente pela Lei de
Darcy:
K = Q / (i . A)

Nas Figuras X.4 a X.5, são apresentadas fotos de ensaio a carga constante
em laboratório.

Figura X.3- Esquema de permeâmetro de carga constante


(in Pinto, 2000)
Figura X.4- Ensaio de permeabilidade a carga constante.
Figura X.5- Medida da vazão em determinado tempo.

O ensaio a carga variável, a determinação do coeficiente de


permeabilidade (k) pelo permeâmetro de carga constante é pouco precisa.
Realiza-se então o ensaio a carga variável, como esquematizado na Figura X.6.

Verifica-se o tempo que a água na bureta superior leva para baixar da


altura inicial hi à altura final hf. Em um instante t qualquer, a partir do início, a
carga é h e o gradiente h/L. A vazão será:
Q = k . (∆h / L) . A
Figura X.6- Esquema de permeâmetro de carga variável
(in Pinto, 2000).

A vazão da água passando pelo solo igual á vazão da água que passa pela
bureta pode ser expressa como:
Q = (-a . dh) / dt, onde:
a = área da bureta;
-a . dh = volume que escoou no tempo dt.

Igualando-se as duas expressões da vazão, obtém-se a expressão dh/h = -


k . (A / a . L) dt, que integrada da condição inicial (h = hi , t = 0) à condição
final (h = hf, t = tf), obtendo-se a expressão utilizada em laboratório:
K = 2,3 (a . L) / (A . t) .  log (hi / hf) 

Nas Figuras X.7 a X. são apresentadas fotos do ensaio de permeabilidade a


carga constante, e detalhes da montagem de corpos de prova para o ensaio.
Figura X.7- Ensaio de permeabilidade a carga variável.
Figura X.8- Areia no permeâmetro, a ser submetida ao ensaio de permeabilidade
à carga constante.

Figura X.9- Corpo de prova argiloso a ser submetido ao ensaio e permeabilidade


a carga variável. Entre o corpo de prova (centro) e a parede do cilindro, é
colocada argila bentonítica para vedar este espaço.
X.3- DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE
EM CAMPO
Na implantação de uma barragem, torna-se importante se conhecer tanto o
coeficiente de permeabilidade (k) do solo da fundação da barragem, antes da
execução da obra, bem como do aterro compactado, durante sua execução, como
forma de controle de qualidade.

Através de retirada de amostras indeformadas da fundação da barragem,


pode-se determinar o coeficiente de permeabilidade do solo. As amostras
indeformadas para a execução dos ensaios, tanto podem ser retiradas
superficialmente, como em profundidade, através da abertura de poços para este
fim.

Também para o aterro, para verificação se seu coeficiente de


permeabilidade esta de acordo com o previsto, também se pode retirar blocos
indeformados, para obtenção de amostras para realização de ensaios em
laboratório.

Porém, os ensaios de laboratório apesar de serem precisos, em relação à


amostra ensaiada, muitas vezes as amostras não são bem representativas do solo
em uma escala maior. Além disto, a obtenção de muitas amostras em campo e a
realização de ensaios laboratoriais, pode-se tornar onerosa para a obra.

Por outro lado, apesar dos ensaios de campo serem menos precisos que os
de laboratório, eles se realizam no solo em sua situação real, podem ser
realizados facilmente em profundidade, em diversas camadas do subsolo, ou
aterro, e são menos onerosos para obra. Sendo assim, os ensaios para a
determinação do coeficiente de permeabilidade (k) em campo, fazem parte da
rotina das atividades relacionadas à construção de barragens.

Os ensaios de permeabilidade em campo podem ser realizados de diversas


maneiras, das quais destacam-se:
- ensaios em sondagens;
- ensaios em poços;
- ensaios em cava.

Apresenta-se nos itens X.2.1 a X.2.3, informações básicas destes ensaios,


devendo-se buscar informações detalhadas em manuais especializados, como em
ABGE, 1996 (Ensaios de permeabilidade em solos. Boletim 04).

X.3.1- ENSAIOS DE PERMEABILIDADE EM SONDAGENS


Normalmente utiliza-se o equipamento da sondagem de simples
reconhecimento (SPT), ou equipamento de sondagem rotativa, para abertura do
furo e seu revestimento até a profundidade do ensaio. Apresenta-se nas Figuras
X.10 a X.16, detalhes deste ensaio. Pode-se realizar os seguintes tipos de ensaio:

1- Ensaio de infiltração.
Enche-se o furo de água até a boca, tomando-se este instante como tempo
zero. O nível de água no furo deve ser mantido constante, alimentado por uma
fonte apropriada, medindo-se o volume de água introduzido durante um certo
intervalo de tempo (vazão);

2- Ensaio pontual de bombeamento


Começa-se a bombear a água do furo, tomando-se este instante como
tempo zero. Anota-se, na folha do ensaio, o tempo, a variação do N.A. e o
volume d’água retirado do furo, até se estabelecer um rebaixamento constante
(nível d’água no furo, praticamente constante);

3- Ensaio de rebaixamento
Enche-se o furo até a boca, tomando-se este instante como tempo zero.
Interrompe-se o fornecimento d’água, tomando-se este instante como zero, e a
intervalos curtos no início, e mais longos em seguida, acompanha-se o
rebaixamento do nível d’água do furo;

4- Ensaio de recuperação
Bombeia-se a água do furo até se obter um rebaixamento de pelo menos
1m abaixo do nível d’água do terreno, até se atingir condições de fluxo
permanente, ou próximas (vazões constantes).

X.3.2- ENSAIOS DE PERMEABILIDADE EM POÇOS


Os poços de inspeção geotécnica, quando não ultrapassam o nível d’água
do subsolo, permitem apenas a execução de ensaios do tipo infiltração e
rebaixamento. Abaixo do N.A. admitem também ensaios de bombeamento e
recuperação. Apresenta-se na Figura X.17, detalhes deste ensaio.
X.3.3- ENSAIOS DE PERMEABILIDADE EM CAVAS
Matsuo (1953) desenvolveu este tipo de ensaio para cavas regulares,
estabelecendo uma metodologia simples para sua realização. As cavas utilizadas
segundo este método são rasas, de forma regular e de seção trapezoidal. Dada a
divulgação que este ensaio teve, passou a ser conhecido, no meio técnico, por
ensaio Matsuo. Apresenta-se nas Figuras X.18 a X.19, detalhes deste ensaio.

Figura X.10- Ensaio de infiltração em sondagem (ABGE, 1996).

Figura X.11 – Ensaio de permeabilidade em sondagem.


Figura X.12–
Ensaio de

permeabilidade em sondagem.

Figura X.13 – Ensaio de permeabilidade em furo a trado.


Figura X.14 – Ensaio de permeabilidade em furo a trado.
Figura X.15 – Ensaio de permeabilidade em furo a trado.

Figura X.16 – Ensaio de permeabilidade em furo a trado.


ENSAIO DE PERMEABILIDADE NO ATERRO – PCH ZÉ FERNANDO
Figura X.17 – Ensaio de permeabilidade em poço.

Figura X.18 – Ensaio de permeabilidade em cava.


Figura X.19 – Ensaio de permeabilidade em cava.

X.4- VALORES TÍPICOS DO COEFICIENTE DE


PERMEABILIDADE

Dependendo de sua granulometria, e do seu estado de compactação ou


compacidade, pode-se ter uma ordem de grandeza do que esperar do coeficiente
de permeabilidade (k) do solo.

Para as argilas sedimentares, como ordem de grandeza, os seguintes


valores podem ser considerados (Pinto,2000):

SOLO k (m/s)
Argilas <10-9
Siltes 10-6 a 10-9
Areias argilosas 10-7
Areias finas 10-5
Areias médias 10-4
Areias grossas 10-3
pedregulhos >10-3

O coeficiente de permeabilidade do solo mede a resistência “viscosa” ao


fluxo de água e varia numa faixa muito ampla de valores, Figura X.20.
Valores de k (cm/s)

-11 -9 -7 -5 -3 -1 1
10 10 10 10 10 10 10
argilas siltes areias pedregulhos
Figura X.20 – Faixas de valores de coeficiente de permeabilidade (Massad,
2003).

Em casos, como por exemplo, em areias grossas com diâmetro maiores ou


iguais a 2mm, o fluxo é turbulento. O fluxo só é laminar para solos na faixa
granulométrica entre as areias grossas e as argilas, e com gradientes variando de
1 a 5.

X.5- VARIAÇÃO DO COEFICIENTE DE PERMEABILIDADE


DE CADA SOLO

a) Influência do estado do solo


A equação de Taylor correlaciona o coeficiente de permeabilidade com o
índice de vazios do solo. Quanto mais fofo o solo é mais permeável é:
γ e3
k =φ . C
2 w

µ 1+e
onde:
φ = diâmetro da esfera (grãos)
γw = massa específica da água
µ = viscosidade da água
C = coeficiente de forma
e 13
k1
=
(1 + e 1 )
k2 e 23
(1 + e 2 )
b) Influência do Grau de Saturação (Sr)
A percolação de água não remove todo o ar existente num solo não
saturado. Desta forma, o coeficiente de permeabilidade de um solo não saturado
é menor do que ele apresentaria se estivesse totalmente saturado.

c) Influência da Estrutura e Anisotropia


A permeabilidade depende não só da quantidade de vazios do solo, mas
também da disposição dos grãos. Solos residuais apresentam permeabilidades
maiores em virtude do macroporos de sua estrutura. Este é também marcante no
caso de solos compactados.
Os solos não são isotrópicos com relação à permeabilidade. Solos sedimentares
costumam apresentar maiores coeficientes de permeabilidade na direção
horizontal do que na vertical.

d) Peso específico e viscosidade


São propriedades do fluido que exercem influência significativa. Estas
duas propriedades variam com a temperatura.

µT
k20 = .kT
µ20
onde:
k20 = permeabilidade a 20ºC
kT = coeficiente de permeabilidade a temperatura T
µ = viscosidade da água

X.6- FORÇAS DE PERCOLAÇÃO

Havendo um movimento de água através do solo, ocorre uma transferência


da energia da água para as partículas sólidas do solo, por causa do atrito viscoso
que se desenvolve. A energia transferida é medida pela perda de carga e a força
correspondente a essa energia é chamada de força de percolação. Tal força
transfere-se de grão a grão (é, portanto, uma força efetiva) e tem o mesmo
sentido do fluxo d’água.

O conhecimento do mecanismo, e a determinação do valor dessa força são


de fundamental importância para a Engenharia, uma vez que ela é responsável,
muitas vezes, por problemas de instabilidade em cortes, aterros e barragens.
Deve-se ainda a essa força o aparecimento dos fenômenos de “piping” e de areia
movediça, bem como a instabilidade do fundo de escavações em areia (“heave”).

A Figura X.21 permite visualizar como a energia se transmite para as


partículas de solo. A amostra de areia de comprimento (L) e de área (A) esta
submetida à força (P1) graças à carga (h1) do reservatório da esquerda e à força
(P2), em virtude de (h2). As forças P1 e P2 serão:

P1 = γ w . h 1 . A e P2 = γ w . h 2 . A

A força resultante, que deve ser consumida por atrito, sera:

Fp = P1 – P2 = γw . A . (h1 – h2)
NA

∆h

NA
h1

L h2

AREIA A
P1 FP P2

Figura X.21- Aparecimento de forças de percolação

Na Figura X.21, o gradiente hidráulico é:


i = (h1 – h2) / L = ∆h / L

Portanto a força de percolação será:

Fp = γw . i. A . L = γw . i. V ;
a qual é aplicada uniformemente num volume (V) igual a A x L. Dessa forma, a
força por unidade de volume corresponderá a:

fp = i . γw

Surge agora uma nova alternativa para o cálculo do equilíbrio estático de


massa de solo sujeita à percolação de água. Assim, duas opções podem ser
seguidas:

a) utilizar o peso total do elemento de solo combinado com a força neutra


atuante na superfície deste elemento;

b) utilizar o peso efetivo combinado com a força efetiva, por causa da


percolação, aplicada ao elemento de solo, no sentido do fluxo.
DOCUMENTAÇÃO DAEE
No site do DAEE podem ser encontrados formulários para a solicitação de
aprovação de um empreendimento, conforme apresentado no quadro a seguir.
(site: http://www.daee.sp.gov.br/outorgaefiscalizacao/formularios.htm).
Em anexo apresentam-se:
- EVI - ESTUDO DE VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO - DAEE– ANEXO I
- REQUERIMENTO DE OUTORGA DO BARRAMENTO - DAEE– ANEXO III
- REQUERIMENTO – DAEE – Implantação de empreendimentos com
utilização de recursos hídricos - ANEXO III

QUADRO DO SITE O DAEE:


ANEXO I

Requerimento de Outorga de Autorização de Implantação de


Empreendimento, com Utilização de Recursos Hídricos
Requerimento de Outorga de Autorização de Implantação de
Empreendimento, com Utilização de Recursos Hídricos

Ao Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE

1 - DADOS CADASTRAIS DO USUÁRIO/REQUERENTE ANEXO I

Nome/Razão Social
__________________________________________________________________________________

Nome de Fantasia
____________________________________________________________________________________

CGC:_______________________________ CPF:
_________________________________RG:_____________________

CGC (unidade local):__________________________ Atividade:


______________________________________________

Endereço p/ correspondência:
__________________________________________________________________________

Bairro: ______________________________ Município: ___________________________ CEP


___________________

Caixa Postal: ________________________ Fone: (_ _ _ _)_________________________ Fax


____________________

2- CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO

Empreend. Novo Ampliação Novo Uso

2.1 - Localização do empreendimento


Endereço:
_____________________________________________________________________________

Bairro/Distrito_________________________________________
Município________________________

Nome da Propriedade
____________________________________________________________________

Bacia hidrográfica_____________________________________ UGRHI

__________________________

2.2 - Usos pretendidos dos recursos hídricos

perí Coordenadas Coordenadas


-
Vazão UTM UTM
odo

Recurso Hídrico Uso Finalidade (m3/ (h/d KM N KM E M.C.


h) )

Recurso hídrico: nome do rio / nome do aqüífero, etc.

Uso: CA:Captação / LA:Lançamento / BA:Barramento / CN:Canalização / RE:Retificação / TR:Travessia,


etc.
Finalidade: SAN:Sanitário / IND:Industrial / SAN e IND / HID:Hidroagrícola / AGR:Agricultura / etc.

OBSERVAÇÕES:
___________________________________________________________________________
________

___________________________________________________________________________
_______

___________________________________________________________________________
_______

___________________________________________________________________________
_______
Responsabilizo-me, solidariamente ao requerente , pelas informações no Quadro 2 deste requerimento.

____________________________________________________

Assinatura do Responsável Técnico

Nome _______________________________________________

CREA Nº _______________________________

ART Nº ________________________________

Requeiro por este instrumento a outorga de autorização de implantação de empreendimento,


com uso de recursos hídricos, conforme características descritas neste requerimento, de acordo com o
que estabelece a Lei Estadual 7663, de 30/12/91 e seu regulamento

Termos em que ,

P. Deferimento

________________________________,_______ de ________________________ de ________

______________________________________________

Assinatura Proprietário/Requerente

Nome: ________________________________________

RG/CPF: ______________________________________

DOCUMENTOS ANEXOS A ESTE REQUERIMENTO:

OBS: Preenchimento exclusivo do DAEE

Estudo de Viabilidade de Implantação (EVI): completo simplificado

Cronograma de implantação

Cópia da ART do Responsável Técnico

Cópia do CPF e do RG (para pessoa Física) ou cartão do CGC (para pessoa Jurídica).
Comprovante de pagamento da taxa de implantação do empreendimento.

Croqui do empreendimento

ATENÇÃO: Este documento deve ser impresso frente e verso.


ANEXO II

TERMOS DE REFERÊNCIA PARA ELABORAÇÃO DO

ESTUDO DE VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO - EVI


DE EMPREENDIMENTOS QUE DEMANDAM RECURSOS HÍDRICOS
TERMOS DE REFERÊNCIA PARA ELABORAÇÃO DO

ESTUDO DE VIABILIDADE DE IMPLANTAÇÃO - EVI


DE EMPREENDIMENTOS QUE DEMANDAM RECURSOS HÍDRICOS

OBJETIVO

O Estudo de Viabilidade de Implantação - EVI de empreendimentos, públicos e privados, que


demandem a utilização de recursos hídricos, superficiais ou subterrâneos, tem por objetivo servir de
instrumento auxiliar ao DAEE, para análise de solicitações de manifestação prévia do órgão, conforme
o
estabelece o Artigo 9 da Lei Estadual 7.663, de 30 de dezembro de 1991.

CONTEÚDO GERAL

Os Estudos de Viabilidade de Implantação - EVIs deverão conter os estudos de alternativas de


abastecimento de água e de descarte de efluentes líquidos para novos empreendimentos, ou ampliação
dos já existentes, que necessitem de derivações de recursos hídricos próprias, superficiais e/ou
subterrâneas.

Deverão ser caracterizadas todas as possibilidades de aproveitamento de recursos hídricos viáveis


técnica e economicamente ao empreendimento em análise, destacando-se, principalmente, todas as
alternativas estudadas e os motivos que levaram o empreendedor a optar por uma delas.

Também devem constar dos Estudos de Viabilidade de Implantação - EVIs as demandas a serem
atendidas, principalmente aquelas que irão ocorrer dentro do prazo de validade de uma futura outorga
de direito de uso de recursos hídricos.

Será de fundamental importância que o Estudo de Viabilidade de Implantação - EVI contemple as


derivações de recursos hídricos do empreendimento num contexto regional, avaliando as interferências
com outros usuários, as disponibilidades hídricas no local da derivação, a inserção do empreendimento
em planos regionais e o enquadramento das condições previstas para as derivações de recursos hídricos
nos objetivos, diretrizes e critérios fixados pelo órgão regulador e pelos respectivos Comitês de Bacias,
em seus Planos de Bacias Hidrográficas.

Deverão ser esclarecidos que tipos de obras serão executadas, suas características físicas preliminares,
as condições de operação das derivações de recursos hídricos e os usos que se darão às águas derivadas.
Para a elaboração dos Estudos de Viabilidade de Implantação - EVIs os empreendedores poderão
utilizar-se, além de estudos e levantamentos próprios, de dados e informações constantes em todos os
trabalhos desenvolvidos pelo DAEE, para a região de implantação do empreendimento. Além disto,
poderá o empreendedor, consultar os bancos de dados cadastrais e de recursos hídricos (superficiais e
subterrâneos) do DAEE, para a obtenção de informações a serem empregadas no EVI.

APRESENTAÇÃO DO EVI

Os Estudos de Viabilidade de Implantação - EVIS deverão ser apresentados ao DAEE em 1 (uma) via,
facultando-se ao interessado a apresentação de uma segunda via para ser-lhe devolvida com o
protocolo de recebimento. O protocolo do EVI se dará quando do protocolo do requerimento de
autorização de implantação de empreendimento no DAEE.

Os EVIs deverão ser entregues no formato A4 (210 mm x 297 mm), sem encadernação, com suas folhas
numeradas sequencialmente e rubricadas pelo seu Responsável Técnico e pelo requerente da
autorização de implantação, do DAEE. Os desenhos deverão estar dobrados no formato A4 e, sempre
que possível, apresentados em folhas de tamanho menor ou igual ao do formato A1 (840 mm x 594
mm).

Deverá acompanhar o EVI, cópia da ART-Anotação de Responsabilidade Técnica do CREA, do profissional


que o elaborou.

COMPONENTES DO EVI

Os EVIS deverão constituir-se dos seguintes elementos:

CAPA - identificando o requerente, o empreendimento, o local do empreendimento (bacia hidrográfica,


UGRHI, município, propriedade e cursos d’água onde haverá derivação), data da elaboração e o
responsável técnico (nome e registro no CREA) - 1 página.

APRESENTAÇÃO - indicando os objetivos do empreendimento e das derivações de recursos hídricos,


coordenadas UTM e distância da foz das derivações de recursos hídricos; a qualificação completa do
requerente e outras informações de caráter geral - 1 página.

ÍNDICE - indicando cada um dos itens do relatório e o número da página para sua localização - 1 página.
ELEMENTOS DE AVALIAÇÃO - contendo os elementos necessários para análise da implantação do
empreendimento com todas as derivações de recursos hídricos em estudo, de acordo com o disposto no
item CONTEÚDO GERAL, destes Termos de Referência, podendo ser desdobrado em quantos sub-itens o
requerente desejar - máximo de 15 páginas.

CONCLUSÃO - apresentando resumo com a alternativa de implantação adotada, com as derivações de


recursos hídricos necessárias, com a identificação e assinaturas do requerente e do responsável técnico
pela elaboração do EVI - 1 página.

ANEXOS - contendo a cópia da ART do responsável técnico pelo EVI, mapas, gráficos, tabelas e figuras
complementares - máximo de 6 páginas.

Durante a análise do EVI , o requerente, a pedido do DAEE, poderá requerer a inclusão, a alteração e a
exclusão de dados e informações constantes do EVI inicialmente apresentado, mesmo que com isto
sejam ultrapassados os limites de número de páginas aqui fixados. Da mesma forma, o requerente, por
sua iniciativa, poderá requerer modificações ao EVI, desde que sejam devido a:

- por falha na impressão do relatório, constatando-se ausência de partes de informações (números,


unidades, fórmulas, tabelas, frases ou páginas);

- por constatação de erro técnico na elaboração do EVI.

INFORMAÇÕES BÁSICAS PARA COMPOSIÇÃO DO EVI

Deverão constar dos EVIs informações sobre:

- características típicas do empreendimento a ser implantado;

- apresentação das demandas de água e sua evolução no tempo;

- índices indicativos da demanda de água, tais como cotas de consumo de água (por habitante, por
funcionário, por tonelada de produto, por hectare plantado, etc.);

- caracterização das alternativas de abastecimento de água e de descarte de efluentes estudadas;

- descrição e locação das obras necessárias, com base em estudos preliminares;

- levantamento de dados hidrológicos para os estudos de disponibilidade hídrica dos mananciais a serem
explorados;

- estudos comparativos entre disponibilidade hídrica e demanda;

- levantamento de dados de usuários de recursos hídricos que poderão estar sob influência do novo
empreendimento (ou ampliação);
- descrição da utilização da água (períodos de utilização, função da água, destino final da água, etc.) ;

- descrição de possíveis interferências com outros usuários devido às derivações de recursos hídricos a
serem implantadas;

- possibilidades de sistemas alternativos de utilização da água, com seus reflexos na captação, para
situações de emergências, ou para períodos de estiagem;

- cronogramas físicos de implantação do empreendimento e das derivações de recursos hídricos


necessárias;

As informações relacionadas acima deverão ser adaptadas, para inclusão no EVI, de acordo com o tipo
de empreendimento usuário das águas, bem como, poderá, o empreendedor, acrescentar outras,
julgadas importantes, para ilustrar a viabilidade de implantação de seu empreendimento, quanto ao
aspecto relacionado com recursos hídricos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O EVI

Os EVIs foram instituídos para auxiliar, o DAEE, no conhecimento e na avaliação do grau de


interferência, nos recursos hídricos de uma determinada bacia hidrográfica, que se dará com a
implantação de novos, ou ampliação, empreendimentos que demandem a utilização de águas de
domínio do Estado de São Paulo, sendo, portanto, de fundamental importância para a futura obtenção,
pelo empreendedor, da outorga de direito de uso dos recursos hídricos que necessitar. Deste modo, é
de fundamental importância que as informações nele contidas sejam sucintas e bastante claras quanto à
sua compreensão, visando permitir sua análise de modo rápido e preciso.
ANEXO III

Requerimento de Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos

Ao Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE

Tipo: Barramento
Requerimento de Outorga de Direito de Uso de Recursos Hídricos

Ao Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE

Tipo: Barramento

1 - DADOS CADASTRAIS DO USUÁRIO/REQUERENTE ANEXO


XI

Nome/Razão Social
__________________________________________________________________________________

Nome de Fantasia
___________________________________________________________________________________

CGC:_______________________________ CPF:
_________________________________RG:_____________________

CGC (unidade local):_____________________________ Atividade:


__________________________________________

Endereço p/ correspondência:
_________________________________________________________________________

Bairro: ______________________________ Município:____________________________ CEP


___________________

Caixa Postal: _________________________ Fone: (_ _ _ _) ________________________ Fax


____________________

2 - CARACTERÍSTICAS DA OBRA

? Novo ? Regularização ? Desativação


2.1 - Localização do empreendimento:

Endereço:
___________________________________________________________________________
___

Bairro/Distrito: __________________________________ Município:


______________________________

Nome da Propriedade:
____________________________________________________________________

2.2 - Dados do barramento:

Curso d`água
_______________________________________________________
_____________________

Bacia: _____________________________________ UGRHI


_____________________________________

Coordenadas UTM do ponto de cruzamento do eixo da barragem com o eixo do talvegue:

______________ Km N ; _______________ Km E ; MC:_______________

Área de drenagem da Bacia Hidrográfica: ________________ Km2

2.3 - Características da obra:

Vertedouro: Tipo:
_______________________________________________________________________

Largura útil ______________ m ; Cota da Crista (arbitrária): ______________________m

Período de Retorno: T= _____ anos ? Chuva ? Cheia


Maciço: Tipo:
___________________________________________________________________________

Altura Máxima ______________________m; Largura da Crista


________________________m
Inclinação talude de jusante. 1(V) : ______(H); Inclinação talude de montante. 1(V) :
______(H);

Comprimento da Crista _______________m ; Cota do Coroamento(arbitrário)


___________ m

Filtro: vertical + horizontal horizontal de pé de talude de jusante não

tem

2.4 - Caractarísticas da utilização:

Finalidade:
___________________________________________________________________________
________

Reservatório: Volume Total _____________ m3; Volume Útil __________________ m3

Cota NAnormal (arbitrária) ___________ m; Cota Namáx (arbitrária) _______________ m

Área Inundada no NAnormal ____________ m2 ; Vazão Regularizável _____________ m3/h

Período de Retorno da Regularização: T= _________ anos

Vazão mínima para jusante: ____________________ m3/h

Vazão média plurianual ________________________m3/h.


2.5 - Tipo de Estrutura para descarga para jusante:

Não possui dispositivo hidráulico para descarga a jusante

Tubulação/galeria de descarga de fundo com controle (válvula/comporta) a montante

Tubulação/galeria de descarga de fundo com monge a montante

Sifão com válvula de controle

Sifão sem válvula de controle

Outro: especificar:
___________________________________________________________________________

Responsabilizo-me, solidariamente ao requerente , pelas informações no Quadro 2 deste requerimento.

____________________________________________

Assinatura do Responsável Técnico

Nome: ______________________________________

CREA Nº ____________________________________

ART Nº _____________________________________

Requeiro por este instrumento, a outorga de direito de uso de recursos hídricos, conforme
descrito neste requerimento, de acordo com o que estabelece a Lei Estadual 7663, de 30/12/91, e seu
regulamento

Termos em que,

P. Deferimento
___________________________,__________ de _________________________ de ___________

__________________________________________________

Assinatura Proprietário/Requerente

Nome: ____________________________________________

R.G./CPF: _________________________________________

DOCUMENTOS ANEXOS A ESTE REQUERIMENTO:

OBS: Preenchimento exclusivo do DAEE

Cópia do Protocolo de Entrada de Pedido ou do ARF do DEPRN

Cópia da ART do Responsável Técnico

Documento de Posse ou de cessão de uso da área da barragem e do reservatório

Fotos da barragem, estruturas hidráulicas e reservatório, no cado de obra já existente

Cópia do CPF e do RG (para pessoa Física), ou do cartão do CGC (para pessoa Jurídica).

Planta da barragem e do reservatório p/ indicação dos proprietários ribeirinhos (duas vias)

Comprovante de pagamento da taxa de Barramento.

Planta da barragem mostrando os principais dispositivos (descarrega de fundo, vertedouro, etc.)


(duas vias)
ATENÇÃO: Este documento deve ser impresso frente e verso.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.334, DE 20 DE SETEMBRO DE 2010.

Estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens


destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à
disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de
resíduos industriais, cria o Sistema Nacional de Informações
sobre Segurança de Barragens e altera a redação do art. 35 da
Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e do art. 4o da Lei no 9.984,
de 17 de julho de 2000.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

o
Art. 1 Esta Lei estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) e cria o Sistema Nacional de
Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB).

Parágrafo único. Esta Lei aplica-se a barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos, à
disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos industriais que apresentem pelo menos uma das
seguintes características:

I - altura do maciço, contada do ponto mais baixo da fundação à crista, maior ou igual a 15m (quinze metros);

II - capacidade total do reservatório maior ou igual a 3.000.000m³ (três milhões de metros cúbicos);

III - reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas aplicáveis;

IV - categoria de dano potencial associado, médio ou alto, em termos econômicos, sociais, ambientais ou de perda
o
de vidas humanas, conforme definido no art. 6 .

o
Art. 2 Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições:

I - barragem: qualquer estrutura em um curso permanente ou temporário de água para fins de contenção ou
acumulação de substâncias líquidas ou de misturas de líquidos e sólidos, compreendendo o barramento e as estruturas
associadas;

II - reservatório: acumulação não natural de água, de substâncias líquidas ou de mistura de líquidos e sólidos;

III - segurança de barragem: condição que vise a manter a sua integridade estrutural e operacional e a preservação
da vida, da saúde, da propriedade e do meio ambiente;

IV - empreendedor: agente privado ou governamental com direito real sobre as terras onde se localizam a barragem
e o reservatório ou que explore a barragem para benefício próprio ou da coletividade;
V - órgão fiscalizador: autoridade do poder público responsável pelas ações de fiscalização da segurança da
barragem de sua competência;

VI - gestão de risco: ações de caráter normativo, bem como aplicação de medidas para prevenção, controle e
mitigação de riscos;

VII - dano potencial associado à barragem: dano que pode ocorrer devido a rompimento, vazamento, infiltração no
solo ou mau funcionamento de uma barragem.

CAPÍTULO II

DOS OBJETIVOS

Art. 3o São objetivos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB):

I - garantir a observância de padrões de segurança de barragens de maneira a reduzir a possibilidade de acidente e


suas consequências;

II - regulamentar as ações de segurança a serem adotadas nas fases de planejamento, projeto, construção, primeiro
enchimento e primeiro vertimento, operação, desativação e de usos futuros de barragens em todo o território nacional;

III - promover o monitoramento e o acompanhamento das ações de segurança empregadas pelos responsáveis por
barragens;

IV - criar condições para que se amplie o universo de controle de barragens pelo poder público, com base na
fiscalização, orientação e correção das ações de segurança;

V - coligir informações que subsidiem o gerenciamento da segurança de barragens pelos governos;

VI - estabelecer conformidades de natureza técnica que permitam a avaliação da adequação aos parâmetros
estabelecidos pelo poder público;

VII - fomentar a cultura de segurança de barragens e gestão de riscos.

CAPÍTULO III

DOS FUNDAMENTOS E DA FISCALIZAÇÃO

o
Art. 4 São fundamentos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB):

I - a segurança de uma barragem deve ser considerada nas suas fases de planejamento, projeto, construção,
primeiro enchimento e primeiro vertimento, operação, desativação e de usos futuros;

II - a população deve ser informada e estimulada a participar, direta ou indiretamente, das ações preventivas e
emergenciais;

III - o empreendedor é o responsável legal pela segurança da barragem, cabendo-lhe o desenvolvimento de ações
para garanti-la;

IV - a promoção de mecanismos de participação e controle social;


V - a segurança de uma barragem influi diretamente na sua sustentabilidade e no alcance de seus potenciais efeitos
sociais e ambientais.

Art. 5o A fiscalização da segurança de barragens caberá, sem prejuízo das ações fiscalizatórias dos órgãos
ambientais integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama):

I - à entidade que outorgou o direito de uso dos recursos hídricos, observado o domínio do corpo hídrico, quando o
objeto for de acumulação de água, exceto para fins de aproveitamento hidrelétrico;

II - à entidade que concedeu ou autorizou o uso do potencial hidráulico, quando se tratar de uso preponderante para
fins de geração hidrelétrica;

III - à entidade outorgante de direitos minerários para fins de disposição final ou temporária de rejeitos;

IV - à entidade que forneceu a licença ambiental de instalação e operação para fins de disposição de resíduos
industriais.

CAPÍTULO IV

DOS INSTRUMENTOS

o
Art. 6 São instrumentos da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB):

I - o sistema de classificação de barragens por categoria de risco e por dano potencial associado;

II - o Plano de Segurança de Barragem;

III - o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB);

IV - o Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente (Sinima);

V - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental;

VI - o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais;

VII - o Relatório de Segurança de Barragens.

Seção I

Da Classificação

o
Art. 7 As barragens serão classificadas pelos agentes fiscalizadores, por categoria de risco, por dano potencial
associado e pelo seu volume, com base em critérios gerais estabelecidos pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos
(CNRH).

o
§ 1 A classificação por categoria de risco em alto, médio ou baixo será feita em função das características
técnicas, do estado de conservação do empreendimento e do atendimento ao Plano de Segurança da Barragem.

o
§ 2 A classificação por categoria de dano potencial associado à barragem em alto, médio ou baixo será feita em
função do potencial de perdas de vidas humanas e dos impactos econômicos, sociais e ambientais decorrentes da ruptura
da barragem.
Seção II

Do Plano de Segurança da Barragem

o
Art. 8 O Plano de Segurança da Barragem deve compreender, no mínimo, as seguintes informações:

I - identificação do empreendedor;

II - dados técnicos referentes à implantação do empreendimento, inclusive, no caso de empreendimentos


construídos após a promulgação desta Lei, do projeto como construído, bem como aqueles necessários para a operação e
manutenção da barragem;

III - estrutura organizacional e qualificação técnica dos profissionais da equipe de segurança da barragem;

IV - manuais de procedimentos dos roteiros de inspeções de segurança e de monitoramento e relatórios de


segurança da barragem;

V - regra operacional dos dispositivos de descarga da barragem;

VI - indicação da área do entorno das instalações e seus respectivos acessos, a serem resguardados de quaisquer
usos ou ocupações permanentes, exceto aqueles indispensáveis à manutenção e à operação da barragem;

VII - Plano de Ação de Emergência (PAE), quando exigido;

VIII - relatórios das inspeções de segurança;

IX - revisões periódicas de segurança.

o
§ 1 A periodicidade de atualização, a qualificação do responsável técnico, o conteúdo mínimo e o nível de
detalhamento dos planos de segurança deverão ser estabelecidos pelo órgão fiscalizador.

o
§ 2 As exigências indicadas nas inspeções periódicas de segurança da barragem deverão ser contempladas nas
atualizações do Plano de Segurança.

Art. 9o As inspeções de segurança regular e especial terão a sua periodicidade, a qualificação da equipe
responsável, o conteúdo mínimo e o nível de detalhamento definidos pelo órgão fiscalizador em função da categoria de risco
e do dano potencial associado à barragem.

o
§ 1 A inspeção de segurança regular será efetuada pela própria equipe de segurança da barragem, devendo o
relatório resultante estar disponível ao órgão fiscalizador e à sociedade civil.

o
§ 2 A inspeção de segurança especial será elaborada, conforme orientação do órgão fiscalizador, por equipe
multidisciplinar de especialistas, em função da categoria de risco e do dano potencial associado à barragem, nas fases de
construção, operação e desativação, devendo considerar as alterações das condições a montante e a jusante da barragem.

§ 3o Os relatórios resultantes das inspeções de segurança devem indicar as ações a serem adotadas pelo
empreendedor para a manutenção da segurança da barragem.

Art. 10. Deverá ser realizada Revisão Periódica de Segurança de Barragem com o objetivo de verificar o estado
geral de segurança da barragem, considerando o atual estado da arte para os critérios de projeto, a atualização dos dados
hidrológicos e as alterações das condições a montante e a jusante da barragem.
o
§ 1 A periodicidade, a qualificação técnica da equipe responsável, o conteúdo mínimo e o nível de detalhamento
da revisão periódica de segurança serão estabelecidos pelo órgão fiscalizador em função da categoria de risco e do dano
potencial associado à barragem.

o
§ 2 A Revisão Periódica de Segurança de Barragem deve indicar as ações a serem adotadas pelo empreendedor
para a manutenção da segurança da barragem, compreendendo, para tanto:

I - o exame de toda a documentação da barragem, em particular dos relatórios de inspeção;

II - o exame dos procedimentos de manutenção e operação adotados pelo empreendedor;

III - a análise comparativa do desempenho da barragem em relação às revisões efetuadas anteriormente.

Art. 11. O órgão fiscalizador poderá determinar a elaboração de PAE em função da categoria de risco e do dano
potencial associado à barragem, devendo exigi-lo sempre para a barragem classificada como de dano potencial associado
alto.

Art. 12. O PAE estabelecerá as ações a serem executadas pelo empreendedor da barragem em caso de situação
de emergência, bem como identificará os agentes a serem notificados dessa ocorrência, devendo contemplar, pelo menos:

I - identificação e análise das possíveis situações de emergência;

II - procedimentos para identificação e notificação de mau funcionamento ou de condições potenciais de ruptura da


barragem;

III - procedimentos preventivos e corretivos a serem adotados em situações de emergência, com indicação do
responsável pela ação;

IV - estratégia e meio de divulgação e alerta para as comunidades potencialmente afetadas em situação de


emergência.

Parágrafo único. O PAE deve estar disponível no empreendimento e nas prefeituras envolvidas, bem como ser
encaminhado às autoridades competentes e aos organismos de defesa civil.

Seção III

Do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB)

Art. 13. É instituído o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB), para registro
informatizado das condições de segurança de barragens em todo o território nacional.

Parágrafo único. O SNISB compreenderá um sistema de coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de


suas informações, devendo contemplar barragens em construção, em operação e desativadas.

Art. 14. São princípios básicos para o funcionamento do SNISB:

I - descentralização da obtenção e produção de dados e informações;

II - coordenação unificada do sistema;

III - acesso a dados e informações garantido a toda a sociedade.


Seção IV

Da Educação e da Comunicação

Art. 15. A PNSB deverá estabelecer programa de educação e de comunicação sobre segurança de barragem, com
o objetivo de conscientizar a sociedade da importância da segurança de barragens, o qual contemplará as seguintes
medidas:

I - apoio e promoção de ações descentralizadas para conscientização e desenvolvimento de conhecimento sobre


segurança de barragens;

II - elaboração de material didático;

III - manutenção de sistema de divulgação sobre a segurança das barragens sob sua jurisdição;

IV - promoção de parcerias com instituições de ensino, pesquisa e associações técnicas relacionadas à engenharia
de barragens e áreas afins;

V - disponibilização anual do Relatório de Segurança de Barragens.

CAPÍTULO V

DAS COMPETÊNCIAS

Art. 16. O órgão fiscalizador, no âmbito de suas atribuições legais, é obrigado a:

I - manter cadastro das barragens sob sua jurisdição, com identificação dos empreendedores, para fins de
incorporação ao SNISB;

II - exigir do empreendedor a anotação de responsabilidade técnica, por profissional habilitado pelo Sistema
Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) / Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (Crea), dos estudos, planos, projetos, construção, fiscalização e demais relatórios citados nesta Lei;

III - exigir do empreendedor o cumprimento das recomendações contidas nos relatórios de inspeção e revisão
periódica de segurança;

IV - articular-se com outros órgãos envolvidos com a implantação e a operação de barragens no âmbito da bacia
hidrográfica;

V - exigir do empreendedor o cadastramento e a atualização das informações relativas à barragem no SNISB.

o
§ 1 O órgão fiscalizador deverá informar imediatamente à Agência Nacional de Águas (ANA) e ao Sistema
Nacional de Defesa Civil (Sindec) qualquer não conformidade que implique risco imediato à segurança ou qualquer acidente
ocorrido nas barragens sob sua jurisdição.

§ 2o O órgão fiscalizador deverá implantar o cadastro das barragens a que alude o inciso I no prazo máximo de 2
(dois) anos, a partir da data de publicação desta Lei.

Art. 17. O empreendedor da barragem obriga-se a:

I - prover os recursos necessários à garantia da segurança da barragem;


II - providenciar, para novos empreendimentos, a elaboração do projeto final como construído;

III - organizar e manter em bom estado de conservação as informações e a documentação referentes ao projeto, à
construção, à operação, à manutenção, à segurança e, quando couber, à desativação da barragem;

IV - informar ao respectivo órgão fiscalizador qualquer alteração que possa acarretar redução da capacidade de
descarga da barragem ou que possa comprometer a sua segurança;

V - manter serviço especializado em segurança de barragem, conforme estabelecido no Plano de Segurança da


Barragem;

VI - permitir o acesso irrestrito do órgão fiscalizador e dos órgãos integrantes do Sindec ao local da barragem e à
sua documentação de segurança;

VII - providenciar a elaboração e a atualização do Plano de Segurança da Barragem, observadas as


recomendações das inspeções e as revisões periódicas de segurança;

o
VIII - realizar as inspeções de segurança previstas no art. 9 desta Lei;

IX - elaborar as revisões periódicas de segurança;

X - elaborar o PAE, quando exigido;

XI - manter registros dos níveis dos reservatórios, com a respectiva correspondência em volume armazenado, bem
como das características químicas e físicas do fluido armazenado, conforme estabelecido pelo órgão fiscalizador;

XII - manter registros dos níveis de contaminação do solo e do lençol freático na área de influência do reservatório,
conforme estabelecido pelo órgão fiscalizador;

XIII - cadastrar e manter atualizadas as informações relativas à barragem no SNISB.

Parágrafo único. Para reservatórios de aproveitamento hidrelétrico, a alteração de que trata o inciso IV também
deverá ser informada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

CAPÍTULO VI

DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 18. A barragem que não atender aos requisitos de segurança nos termos da legislação pertinente deverá ser
recuperada ou desativada pelo seu empreendedor, que deverá comunicar ao órgão fiscalizador as providências adotadas.

o
§ 1 A recuperação ou a desativação da barragem deverá ser objeto de projeto específico.

o
§ 2 Na eventualidade de omissão ou inação do empreendedor, o órgão fiscalizador poderá tomar medidas com
vistas à minimização de riscos e de danos potenciais associados à segurança da barragem, devendo os custos dessa ação
ser ressarcidos pelo empreendedor.

o
Art. 19. Os empreendedores de barragens enquadradas no parágrafo único do art. 1 terão prazo de 2 (dois) anos,
contado a partir da publicação desta Lei, para submeter à aprovação dos órgãos fiscalizadores o relatório especificando as
ações e o cronograma para a implantação do Plano de Segurança da Barragem.
Parágrafo único. Após o recebimento do relatório de que trata o caput, os órgãos fiscalizadores terão prazo de até
1 (um) ano para se pronunciarem.

Art. 20. O art. 35 da Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, passa a vigorar acrescido dos seguintes incisos XI, XII e
XIII:

“Art. 35. .......................................................................

.............................................................................................

XI - zelar pela implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB);

XII - estabelecer diretrizes para implementação da PNSB, aplicação de seus instrumentos e atuação do Sistema
Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB);

XIII - apreciar o Relatório de Segurança de Barragens, fazendo, se necessário, recomendações para melhoria da
segurança das obras, bem como encaminhá-lo ao Congresso Nacional.” (NR)

o o
Art. 21. O caput do art. 4 da Lei n 9.984, de 17 de julho de 2000, passa a vigorar acrescido dos seguintes incisos
XX, XXI e XXII:

o
“Art. 4 .........................................................................

.............................................................................................

XX - organizar, implantar e gerir o Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB);

XXI - promover a articulação entre os órgãos fiscalizadores de barragens;

XXII - coordenar a elaboração do Relatório de Segurança de Barragens e encaminhá-lo, anualmente, ao Conselho


Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de forma consolidada.

...................................................................................” (NR)

Art. 22. O descumprimento dos dispositivos desta Lei sujeita os infratores às penalidades estabelecidas na
legislação pertinente.

Art. 23. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 20 de setembro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Mauro Barbosa da Silva
Márcio Pereira Zimmermann
José Machado
João Reis Santana Filho

Este texto não substitui o publicado no DOU de 21.9.2010


LEI DE SEGURANÇA DE BARRAGENS – HISTÓRICO

Rogério de Abreu Menescal


Presidência da República

Secretaria de Portos

Departamento de Infraestrutura Portuária


Tel:(61) 3411.3732

Fax:(61) 3326.3025

E-mail: rogerio@menescal.net

rogerio.menescal@planalto.gov.br

POLÍTICA NACIONAL DE SEGURANÇA

Lei de segurança de barragens é sancionada


Qua, 22 de Setembro de 2010 19:46

Depois de sete anos de tramitação a lei que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens foi, finalmente,
sancionada pelo presidente da República, no dia 21 de setembro de 2010. A lei 12.334/2010, que define
responsabilidades e atribuições a respeito do cuidado com a segurança das barragens brasileiras, é uma conquista da
comunidade técnica brasileira e da união formada por algumas das principais entidades técnicas nacionais como ABMS,
CBDB (Comitê Brasileiro de Barragens), ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental), Ibracon
(Instituto Brasileiro do Concreto) e Clube de Engenharia. "O estado de abandono envolvendo centenas de barragens no
Brasil e a inexistência de um Programa Nacional de Segurança de Barragens eram motivos de desapontamento e
movimentação em grande parte da comunidade técnica", lembra Jarbas Milititsky (foto), presidente da ABMS. "Um
grande passo foi dado para que a engenharia e a sociedade brasileiras cuidem, com base em parâmetros estabelecidos,
de suas barragens".
"Foi um processo que envolveu o trabalho e a dedicação de diferentes atores e associações que deram muita força ao
documento", afirma Rogério Menescal (foto), diretor da Secretaria Especial de Portos do Brasil, sócio da ABMS e
ativista do processo de aprovação da lei. Menescal ressalta que a atuação das entidades foi fundamental. "As entidades
trabalharam juntas e foram determinantes no procedimento, por meio de apresentação de documentos públicos e apoio
na confecção do texto substitutivo, proposto pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos à Câmara dos Deputados, na
época da elaboração do texto de lei, que seria proposto ao Senado".

"A dedicação e interesse do setor foi exemplar, além de fundamental para o êxito", afirma Erton
Carvallho (foto), presidente do CBDB. "O Comitê Brasileiro de Barragens agradece a grande
participação e enorme auxilio da ABMS na aprovação deste importante projeto".

O primeiro passo. É dessa forma também que Rogério Menenescal define a aprovação da lei. Segundo o engenheiro, foi
dada a largada para que uma regulamentação efetiva do risco das barragens brasileiras seja colocada em prática. "Não é
o fim, mas sim o começo", afirmou. "Nesse momento, a sociedade brasileira definiu os parâmetros e suas exigências no
assunto segurança de barragens e se inseriu no patamar de países desenvolvidos".

"A partir desse marco, os órgãos fiscalizadores definirão regulamentação e capacitação de pessoal. É
necessário que um processo cultural de mudança aconteça tanto no meio técnico quando no político".

Cerca de 40 países adotam programas de segurança de barragens, entre eles Suécia, Suíça, Canadá, EUA, Reino Unido,
Holanda e Espanha. Nesses países, o índice de acidentes está dentro do considerado tolerável - 1 acidente em 10 mil
barragens por ano. Já no Brasil, país que não adotou nenhuma política de segurança, até agora, ocorre 1 caso para 250
barragens por ano. "Nosso atraso em desenvolver um Programa Nacional de Barragens nos custa um índice dez vezes
maior que o tolerável", lamenta Jarbas Milititsky, presidente da ABMS.

O caminho até a aprovação

Antes de se tornar a lei 12.334/2010, a busca por uma política nacional de segurança de barragens começou na Câmara
dos Deputados, em março de 2003. A proposta passou pelas Comissões de Minas e Energia, Meio Ambiente e
Constituição e Justiça.

"Foi nesse momento que o deputado Leonardo Monteiro, coordenador do projeto de lei, aceitou o
substitutivo proposto pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos, confeccionado com a ajuda dos
especialistas da ABMS e do CBDB", revela Menescal.
Encaminhado para o Senado, o projeto de lei, conhecido como PLC 168, passou pelas Comissões do Meio Ambiente e
Infraestrutura, de onde saiu aprovado em caráter terminativo, em março de 2010.

Segundo Menescal, por se tratar de um assunto técnico, o projeto não foi encaminhado ao Plenário e
seguiu diretamente para a sanção presidencial. "O texto saiu do Senado, em março de 2010, com
aprovação em caráter terminativo e sem nenhuma alteração de mérito".

No dia 21 de setembro de 2010, a sanção do presidente da República, conferiu ao projeto de lei a uniformidade e a
posição de lei que estabelece a política nacional de segurança de barragens.

A atuação das entidades

A participação efetiva das entidades técnicas nacionais, por meio de seus membros, se deu desde a elaboração do texto
proposto para a lei como por meio de um atividade pública de apresentação da necessidade de uma política de
segurança para as barragens nacionais.

Em dezembro de 2008, ao lado de entidades como o Comitê Brasileiro de Barragens, Associação


Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE), Instituto Brasileiro do Concreto
(IBRACON) e Clube de Engenharia, a ABMS elaborou um documento chamado "Considerações de
Interesse Público sobre a Segurança de Barragens no Brasil", mostrando a importância da aprovação
da lei. Tenha acesso ao documento, clicando aqui.

A luta pela aprovação da lei de segurança de barragens é uma constante entre os especialistas que se frustram diante
dos acidentes ocorridos nos últimos tempos nesse tipo de estrutura. Nos dois primeiros meses de 2008, foram mais de
70 acidentes. Um deles, que aconteceu no dia 30 de janeiro daquele ano, chamou a atenção da opinião pública. A
barragem da Usina Hidrelétrica de Espora, no sudoeste de Goiás, rompeu-se parcialmente, causando isolamento de
cidades, alagando fazendas e trazendo prejuízos ambientais e materiais. Outro acidente que teve destaque foi o ocorrido
na pequena Usina Hidrelétrica de Rondon 2 (Apertadinho), em Rondônia. No dia 9 de janeiro de 2008, a barragem da
hidrelétrica sofreu uma ruptura de 60 metros. As consequências foram o alagamento de fazendas e o assoreamento do
rio Comemoração.

Com a nova lei, os engenheiros acreditam que esse problema deve ser solucionado, pois ela
regulamenta os procedimentos relativos à segurança de barragens no Brasil, definindo as
responsabilidades do empreendedor e do órgão fiscalizador.
De Antonio Veiga Pinto (Portugal)

À comunidade Brasileira de Barragens,

Na qualidade de membro do CBDB e pela determinação e trabalho realizado pelos


colegas ligados à Engenharia de Barragens, parabenizo e manifesto o meu enorme
apreço a todos aqueles que contribuíram para a ratificação da Lei 12.334/2010. É um
feito notável. No entanto, ter a lei não é, por si só, suficiente para se alcançar uma
maior segurança em barragens. É o que concluo da minha experiência profissional e
que tentei transmitir no recente 7PCH, realizado em S. Paulo. Tive o privilégio de
colaborar, de um modo muito abrangente na investigação aplicada em 34 grandes
barragens, 18 concluídas anteriormente a 1990, ano de aprovação, em Portugal, do
Regulamento de Segurança de Barragens (RSB). É fácil de provar que, em termos
médios, não se verificou uma melhoria significativa no projeto, construção e nas
acções mitigadoras do risco a jusante nas 16 barragens em que colaborei e que foram
construídas depois de 1990, no âmbito da aplicação do RSB. Uma consulta ao arquivo
Técnico das 34 barragens e uma visita às mesmas permite comprovar este facto.

Estou certo que haverá, a médio prazo, uma significativa melhoria nas condições de
segurança das barragens no Brasil. Prevejo, no entanto, que isto se verificará não tanto
pela existência desta nova legislação, mas mais pelo esforço continuado e sábia
atuação dos colegas de engenharia de barragens. Um dos aspectos que a nova
legislação deve ter em conta, de um modo muito claro, é as atribuições, competências
e sanções que deverão ser atribuídas aos responsáveis no âmbito da segurança de
barragens. Sobretudo separando bem a componente do Estado e a do setor privado. Os
organismos da Administração Pública Central e Local devem ser dotados com as
condições necessárias, em termos de recursos humanos e financeiros, para atuarem
com eficácia na aplicação da nova lei. Se este desiderato não for alcançado, a
existência da legislação poderá ser mais prejudicial do que benéfica pois permite, em
certa medida, desresponsabilizar os empreendedores. Da análise do PLC168 parece-
me haver aspectos interessantes, que também abordei no 7PCH, em que se nota uma
sábia aprendizagem da tecnologia brasileira nos erros próprios e alheios no domínio
da segurança de barragens, o que me permite prever o desejado sucesso na aplicação
da Lei 12.334/2010.

Saudações,
António Veiga Pinto
POLÍTICA NACIONAL DE SEGURANÇA DE BARRAGENS

Aprovada nova lei


Qua, 24 de Março de 2010 20:56

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O primeiro projeto de lei brasileiro sobre segurança de barragens foi aprovado, pela Senado Federal, no dia 4
de março. A aprovação, em caráter terminativo, que dispensa votação em plenário, é resultado de um trabalho que
a ABMS, em conjunto com o CBDB (Comitê Brasileiro de Barragens) e com outras entidades representantes da
engenharia civil nacional, vem desenvolvendo há anos. O empenho das entidades foi marcado pela divulgação de
um documento público, em dezembro de 2008 com o pedido de que a Política Nacional de Segurança de Barragens
fosse colocada em prática.

“A medida já contava com total aprovação da comunidade técnica e científica. Restava apenas aprová-la e
implantá-la”, sustenta o presidente da ABMS Jarbas Milititsky. “Há muitas barragens simplesmente abandonadas,
sem nenhum processo de inspeção ou manutenção regular, oferecendo riscos de acidentes. Finalmente a política de
segurança de barragens foi aprovada”.

O Projeto de Lei Complementar nº 168 (PLC 168) foi aprovado, no último dia 4, pela Comissão de Infraestrutura
do Senado Federal. Agora o PLC segue para a Mesa do Senado e, após cinco dias, se não houver solicitação de
mudanças, vai para sanção presidencial. “A lei define segurança de barragem como a condição que visa manter a
sua integridade estrutural e operacional, a preservação da vida, da saúde, da propriedade e do meio ambiente, além
de definir os atores e suas responsabilidades”, explica Carlos Medeiros, presidente do Núcleo Centro-Oeste da
ABMS (foto).

O caminho até a aprovação

Até chegar à aprovação do PLC, um longe caminho foi percorrido. O documento que circula hoje pelo Senado
Federal é discutido desde 2003. Entidades técnicas como a ABMS e o CBDB (Comitê Brasileiro de Barragens)
participaram das discussões desde o início. “O estado de abandono envolvendo centenas de barragens no Brasil e a
inexistência de um Programa Nacional de Segurança de Barragens eram motivos de desapontamento e
movimentação em grande parte da comunidade técnica”, lembra Jarbas Milititsky, presidente da ABMS.

Em dezembro de 2008, ao lado de entidades como o Comitê Brasileiro de Barragens, Associação Brasileira de
Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE), Instituto Brasileiro de Concreto (IBRACON) e Clube de
Engenharia, a ABMS elaborou um documento chamado “Considerações de Interesse Público sobre a Segurança de
Barragens no Brasil”, mostrando a importância da aprovação da lei. Tenha acesso ao documento, clicando aqui.

A luta pela aprovação da lei de segurança de barragens é uma constante entre os especialistas que se frustram
diante dos acidentes ocorridos nos últimos tempos nesse tipo de estrutura. Nos dois primeiros meses de 2008,
foram mais de 70 acidentes. Um deles, que aconteceu no dia 30 de janeiro daquele ano, chamou a atenção da
opinião pública. A barragem da Usina Hidrelétrica de Espora, no sudoeste de Goiás, rompeu-se parcialmente,
causando isolamento de cidades, alagando fazendas e trazendo prejuízos ambientais e materiais.Outro acidente que
teve destaque foi o ocorrido na pequena Usina Hidrelétrica de Rondon 2 (Apertadinho), em Rondônia. No dia 9 de
janeiro de 2008, a barragem da hidrelétrica sofreu uma ruptura de 60 metros. As consequências foram o
alagamento de fazendas e o assoreamento do rio Comemoração.“Na maioria dos incidentes e acidentes ocorridos
no Brasil, pode-se constatar que prevalecem erros de gestão das diversas etapas de concepção, projeto, construção
e operação”, relata Carlos Medeiros, presidente do Núcleo Centro-Oeste da ABMS.

Com a nova lei, os engenheiros acreditam que esse problema deve ser solucionado, pois ela regulamenta os
procedimentos relativos à segurança de barragens no Brasil, definindo as responsabilidades do empreendedor e do
órgão fiscalizador.

“Barragem é uma das estruturas de maior risco na engenharia que, em caso de acidente, pode ter consequências
significativas, com perdas de vidas, propriedades e danos ao meio ambiente”, contata Medeiros. “Por isso elas
devem ser planejadas, projetadas e construídas tendo como premissa a obtenção de estruturas seguras, sob o ponto
de vista da engenharia e do ambiente; fato que resulta na redução de futuros conflitos”.

Cerca de 40 países adotam programas de segurança de barragens, entre eles Suécia, Suíça, Canadá, EUA, Reino
Unido, Holanda e Espanha. Nesses países, o índice de acidentes está dentro do considerado tolerável – 1 acidente
em 10 mil barragens por ano. Já no Brasil, país que não adotou nenhuma política de segurança, ocorre 1 caso para
250 barragens por ano. “Nosso atraso em desenvolver um Programa Nacional de Barragens nos custa um índice
dez vezes maior que o tolerável”.
REVISTA CREA – RS – OUTUBRO 2010
LEI EM INGLÊS
BRAZILIAN FEDERAL DAM SAFETY LAW 12334 (20 SEP 2010)

CHAPTER I - GENERAL DISPOSITIONS

CHAPTER II - OF THE OBJECTIVES

CHAPTER III - OF THE BASES AND OF SUPERVISION

CHAPTER IV - OF THE INSTRUMENTS

Section I - Of Classification

Section II - Of the Dam Safety Plan

Section III – Of the National Dam Safety Information System

Section IV - Of the Education and Communication

CHAPTER V - OF THE COMPETENCIES

CHAPTER VI - GENERAL AND TRANSITORY DISPOSITIONS

CHAPTER I - GENERAL DISPOSITIONS

Art. 1o This law establishes the National Policy for Dam Safety – PNSB and creates the National Information System on
Dam Safety – SNISB.

Sole paragraph: This law applies to dams destined for the accumulation of water for any uses, for final or temporary
disposition of residues and the accumulation of industrial residues which have at least one of the following characteristics:

I – the height of the dam counting from the lowest point of the foundation to the crest, greater or equal to 15 (fifteen)
meters;

II – total capacity of the reservoir greater or equal to 3,000,000m3 (three million cubic meters).

III – a reservoir containing dangerous residues according to applicable technical norms.


IV – category of associated potential damage medium or high, in economic, social, environmental terms or of the loss of
human lives according to what is defined in art. 6o .

Art. 2o For the effects of this law the following definitions are established:

I – dam: any structure in a permanent or temporary watercourse for the purposes of contention, or accumulation of liquid
substances or mixtures of liquids and solids, comprehending the dam and associated structures;

II – reservoir: a non-natural accumulation of water, of liquid substances or of a mixture of liquids and solids;

III – dam safety: a condition which aims to maintain the structural and operational integrity and the preservation of life,
health, property and of the environment;

IV – entrepreneur: private or public agent with property rights to the lands where the dam and the reservoir are located or
which exploits the dam for its own benefit or that of the public;

V – inspection organ: organ of the public authority responsible for inspection actions of dam safety in its competency;

VI – risk management: actions of a normative character, as well as the application of measures for the prevention, control
and mitigation of risks;

VII – potential damage associated with the dam: damage which can occur due to rupture, leaking, infiltration into the soil,
or caused by malfunctioning of a dam.

CHAPTER II - OF THE OBJECTIVES

Art. 3o The objectives of the National Policy of Dam Safety – PNSB are:

I – to guarantee the observance of dam safety standards in a way to reduce the possibility of an accident and its
consequences;

II – regulate the safety actions to be adopted in the phases of planning, project, construction, first filling, and first spill,
operation, deactivation, and of future uses in the entire national territory;

III – promote the monitoring and follow-up of the safety actions employed by those responsible for the dams;
IV – create conditions so that one can amplify the universe of dam control by the public power with a basis on inspection,
orientation and correction of the safety actions;

V – put together information which provides subsidies for dam safety management by governments;

VI – establish standards of a technical nature which permit one to make an evaluation of the adjustment to the parameters
established by the public power;

VII – advance the culture of dam safety and risk management.

CHAPTER III - OF THE BASES AND OF SUPERVISION

Art. 4o The bases of the National Policy of Dam Safety – PNSB are:

I – the safety of a dam should be considered in its stages of planning, project, construction, first filling and first spill,
operation, deactivation, and of future uses;

II – The population should be informed and stimulated to participate directly or indirectly in the preventive and emergency
actions;

III – the entrepreneur is the person legally responsible for the dam safety, and it is proper for him to develop the actions for
the guarantee of its safety;

IV – the promotion of mechanisms of social participation and control;

V – the safety of a dam directly influences its sustainability and its range of its potential social and environmental effects;

Art. 5o Without prejudice to the inspection actions of the competent organs which make up the National System of the
Environment – SISNAMA, the inspection of dam safety is an attribution of:

I – the entity which granted the right of water resources use, observing the domain of the body of water, of which the
objective is the accumulation of water, except when it is for the purposes of taking advantage of hydroelectric potential.
II – the entity which conceded or authorized the use of hydraulic potential, when it is a matter of use preponderantly for the
purposes of hydroelectric generation;

III – the entity which conceded mineral rights for the purposes of final or temporary disposition of residues, or to whom the
conceding authority delegates these rights.

IV – the entity which furnished the environmental license for installation and operation for purposes of disposition of
industrial residues.

CHAPTER IV - OF THE INSTRUMENTS

Art. 6 o The instruments of PNSB are:

I – the system of dam classification by risk category and by associated potential damage;

II – the Plan of Dam Safety;

III – the National Information System about Dam Safety - SNISB;

IV – the National Information System about the Environment - SINIMA;

V – the Federal Technical Registry of Activities and Instruments of Environmental Defense;

VI – the Federal Technical Registry of Potentially Polluting Activities or Users of Environmental Resources;

VII – the Dam Safety Report.

Section I - Of Classification

Art.7o The dams will be classified by the inspectors by risk category, by associated potential damage and by their volume on
a basis of general criteria established by the National Council of Water Resources.
Section II - Of the Dam Safety Plan

Art. 8o The Dam Safety Plan should include at least the following information:

I – Identification of the entrepreneur;

II – technical data referring to the implantation of the undertaking, including in the case of undertakings constructed after
the promulgation of this law, of the project as constructed, as well as those data necessary for the operation and
maintenance of the dam.

III – organizational structure and technical qualification of the professionals of the dam safety team;

IV – manuals of procedures of the inspection routines of safety and monitoring and reports of dam safety;

V – operational rules of the discharge mechanisms of the dam;

VI – indication of the surrounding areas of the installations and their respective accesses, to be preserved from any uses or
permanent occupations except those indispensible for maintenance and operation of the dam;

VII – Emergency Action Plan – PAE when required;

VIII – reports of safety inspections

IX – periodical safety reviews.

§1o The period of updating, the qualification of the technician responsible, the minimum content and the level of detailing
of the safety plans should be established by the inspecting organ.

§2o The requirements indicated in the periodic inspections of dam safety should be contemplated in the updating of the
Safety Plan.

Art. 9o The regular and special safety inspections will have their periods, the qualification of the team responsible, the
minimum content and the level of detailing defined by the inspection organ according to the risk category and of the
potential damage associated with the dam.
§1o The regular safety inspection will be done by the dam safety team itself, and the report made available to the
inspecting organ and civil society.

§2o The Special Safety Inspection will be done according to the orientation of the inspection organ, by a multidisciplinary
team of specialists according to the risk category and associated potential damage of the dam, in the stages of
construction, operation, and deactivation and the alteration of the conditions upstream and downstream should be
considered.

§3o The resulting reports of the safety inspection should indicate the actions to be adopted by the entrepreneur for the
maintenance of dam safety.

Art. 10o The Periodical Dam Safety Review should be done with the objective of verifying the general state of dam safety,
considering the current state of the art for the criteria of the project, updating of hydrological data and the alterations of
the conditions upstream and downstream from the dam.

§1o The frequency, the technical qualification of the team responsible, the minimum content and the level of detailing of
the periodic safety review will be established by the inspection organ according to the risk category and the potential
damage associated with the dam.

§2o The Periodical Dam Safety Review should indicate the actions to be taken by the entrepreneur for the maintenance of
dam safety, including for this:

I – the examination of all the documentation of the dam, especially the inspection report;

II – The examination of the procedures of maintenance and operation adopted by the entrepreneur;

III – the comparative analysis of dam performance in relation to the reviews done previously.

Art. 11o The inspecting organ can determine the elaboration of the Emergency Action Plan – PAE according to the risk
category and the potential damage associated with the dam, and should always demand that the dam be classified as of
high associated potential damage.

Art. 12o The PAE will establish the actions to be executed by the dam entrepreneur in case of an emergency situation, as
well as identifying the agents to be notified of the occurrence and should contemplate the following at least:

I – Identification and analysis of the possible emergency situations;


II – Procedures for the identification and notification of malfunctioning or potential conditions for dam rupture;

III – Preventative and corrective procedures to be adopted in emergency situations with an indication of the person
responsible for the action;

IV – Strategy and means of disseminating the news and alert for the communities potentially affected in an emergency
situation.

Sole Paragraph. The PAE should be available in the undertaking and in the mayor’s offices involved, as well as being sent
along to the competent authorities and civil defense organisms.

Section III – Of the National Dam Safety Information System

Art. 13o The National Dam Safety Information System – SNISB is instituted for the computerized registry of dam safety
conditions in the entire national territory.

Sole Paragraph. The SNISB will include a system of collection, treatment, storage and recovery of its information, and should
contemplate dams in construction, in operation and deactivated.

Art. 14o The basic principles for the functioning of the SNISB are:

I- The decentralization of the obtaining and production of data and information;

II- unified coordination of the systems;

III- guaranteed access to the data and information for all society.

Section IV - Of the Education and Communication

Art. 15o The PNSB should establish a program of education and communication about dam safety with the objective of
making society aware of the importance of dam safety, which will contemplate the following measures:

I – support and promotion of decentralized actions for consciousness-raising and

development of knowledge about dam safety:

II – elaboration of didactic material;


III – maintenance of a system of dissemination about dam safety in its jurisdiction;
IV– promotion of partnerships with institutions of learning, research and technical
associations related to the engineering of dams and related areas.
V – making available of the annual report of dam safety.
CHAPTER V - OF THE COMPETENCIES

Art. 16o The inspecting organ, in the scope of its legal attributions is obliged to:

I – maintain a registry of dams, with identification of the entrepreneurs, under its jurisdiction for the purpose of
incorporation into SNISB;

II – require of the entrepreneur that an annotation be made by a professional qualified by the System of the Federal Council
of Engineering, Architecture and Agronomy – CONFEA / Regional Council of Engineering, Architecture and Agronomy –
CREA of the studies, plans projects, construction, inspection and remaining reports cited in this law;

III – require that the entrepreneur fulfill the recommendations in the inspection reports and periodical safety review;

IV – articulate with other organs involved with the implantation and the operation of dams in the scope of the hydrographic
basin;

V – require the entrepreneur to register and update the information relative to the dam in the SNISB;

§ 1o The inspection organ should immediately inform ANA and the National System of Civil Defense about any non-
conformity which implies in immediate risk to safety or any accident that has occurred in the dams under its jurisdiction.

§ 2o The inspection organ should implant the dam registry to which Section 1 alludes within a period of 2 (two) years at the
most.

Art. 17o The dam entrepreneur is obliged to:

I – provide necessary resources to guarantee the dam safety;

II – provide the elaboration of the final project as constructed for new undertakings.

III – organize and maintain the information and the documentation referring to the project, the conducting of the
operation, the maintenance, the safety and, when necessary, the deactivation of the dam in a good state of conservation;

IV – Inform the respective inspecting organ of any alternation which could cause the reduction of the dam discharge
capacity or that could affect its safety adversely;
V – maintain a specialized service in dam safety, according to what is established by the Dam Safety Plan;

VI – permit unrestricted access of the inspecting organ and of the organs that make up the National System of Civil Defense
to the location of the dam and its safety documentation;

VII – Provide for the elaboration and updating of the Dam Safety Plan, having observed the recommendations of the
inspections and reviews of safety;

VIII – hold the safety inspections foreseen in art. 9 o of this law;

IX – elaborate the periodic safety reviews;

X – elaborate the PAE, when required;

XI – maintain registries of the reservoirs, with the respective correspondence in a stored volume, as well as the chemical
and physical characteristics of the stored fluid, according to what is established by the inspection organ;

XII – register and maintain the information up to date relative to the dam in SNISB;

Sole paragraph. For reservoirs of hydroelectric use, the alteration of what subsection IV treats, also should be informed to
the National Operator of the Electric System – ONS.

CHAPTER VI - GENERAL AND TRANSITORY DISPOSITIONS

Art. 18o The dam which does not attend the safety requisites in terms of the pertinent legislation should be
recuperated or deactivated by its entrepreneur, who should communicate the measures adopted to the inspection
organ.

§1 The recovery or de-activation of the dam should be the object of a specific project.

§2 In the event of omission or inaction by the entrepreneur, the inspection organ can take measures with a view to
minimizing the risks and potential damage associated to dam safety, and the costs of this action should be paid back by
the entrepreneur.
Art. 19o The entrepreneurs of dams which fit into the sole paragraph of art. 1o of this Law will have a deadline of two years,
counting from the publication of this law, to submit a report specifying the action and the schedule for the
implantation of the Dam Safety Program for the approval of the inspecting organs.

Sole paragraph. After the reception of the report which is treated in the caput, the inspection organs will have a
deadline of 1 (one) year to pronounce on it.

Art. 20o The caput of art. 35 of Law No 9,433 of January 8, 1997, enters into effect with the addition of the following
subsections XI, XII, and XIII:

Art. 35o ……………………………………………………

……………………………………..……………………….

XI – be zealous in the implementation of the National Policy

of Dam Safety – PNSB;

XII – establish guidelines for the implementation of PNSB,

application of its instruments and activity of the National

Information System on Dam Safety – SNISB;

XIII – appreciate the Dam Safety Report, if necessary making

recommendations for the improvement of the safety of the

works, as well as sending the report to the Congress.

Art. 21o The caput of art. 4o of Law No 9,984 of July 17, 2000, begins to enter into effect with the addition of the
following subsections of XX, XXI, and XXII:

“Art. 4o ………………..…………………………………….

………….. …………………………………………………...

XX – organize, implant and manage the National Information

System about Dam Safety – SNISB;

XXI – promote articulation between the dam inspection organs;


XXII – coordinate and elaboration of the Dam Safety Report

and transmit it annually to the National Water Resources Council

– CNRH in a consolidated form. (NR)

Art. 22o The non-compliance with the dispositions of this Law subjects those who commit such infractions to the penalties
established in the pertinent legislation.

Art. 23o This Law enters into effect on the date of its publication. .

Luiz Inácio Lula da Silva

President
SINDEC – SISTEMA NACIONAL DE DEFESA CIVIL

Decreto 7257/10 | Decreto nº 7.257, de 4 de agosto


de 2010
Regulamenta a Medida Provisória no 494 de 2 de julho de 2010, para dispor sobre o Sistema Nacional de Defesa
Civil - SINDEC, sobre o reconhecimento de situação de emergência e estado de calamidade pública, sobre as
transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais
e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, e dá outras providências. Citado por 2

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea "a", da
Constituição, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória no 494, de 2 de julho de 2010, DECRETA:

Art. 1o O Poder Executivo federal apoiará, de forma complementar, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios em
situação de emergência ou estado de calamidade pública, provocados por desastres.

Art. 2o Para os efeitos deste Decreto, considera-se:

I - defesa civil: conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas destinadas a evitar desastres e
minimizar seus impactos para a população e restabelecer a normalidade social;

II - desastre: resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem sobre um ecossistema vulnerável,
causando danos humanos, materiais ou ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais;

III - situação de emergência: situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o
comprometimento parcial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido;

IV - estado de calamidade pública: situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o
comprometimento substancial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido;

V - ações de socorro: ações imediatas de resposta aos desastres com o objetivo de socorrer a população atingida, incluindo
a busca e salvamento, os primeiros-socorros, o atendimento pré-hospitalar e o atendimento médico e cirúrgico de urgência,
entre outras estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional;

VI - ações de assistência às vítimas: ações imediatas destinadas a garantir condições de incolumidade e cidadania aos
atingidos, incluindo o fornecimento de água potável, a provisão e meios de preparação de alimentos, o suprimento de
material de abrigamento, de vestuário, de limpeza e de higiene pessoal, a instalação de lavanderias, banheiros, o apoio
logístico às equipes empenhadas no desenvolvimento dessas ações, a atenção integral à saúde, ao manejo de mortos,
entre outras estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional;

VII - ações de restabelecimento de serviços essenciais: ações de caráter emergencial destinadas ao restabelecimento das
condições de segurança e habitabilidade da área atingida pelo desastre, incluindo a desmontagem de edificações e de
obras-de-arte com estruturas comprometidas, o suprimento e distribuição de energia elétrica, água potável, esgotamento
sanitário, limpeza urbana, drenagem das águas pluviais, transporte coletivo, trafegabilidade, comunicações, abastecimento
de água potável e desobstrução e remoção de escombros, entre outras estabelecidas pelo Ministério da Integração
Nacional;

VIII - ações de reconstrução: ações de caráter definitivo destinadas a restabelecer o cenário destruído pelo desastre, como a
reconstrução ou recuperação de unidades habitacionais, infraestrutura pública, sistema de abastecimento de água, açudes,
pequenas barragens, estradas vicinais, prédios públicos e comunitários, cursos d'água, contenção de encostas, entre outras
estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional; e
IX - ações de prevenção: ações destinadas a reduzir a ocorrência e a intensidade de desastres, por meio da identificação,
mapeamento e monitoramento de riscos, ameaças e vulnerabilidades locais, incluindo a capacitação da sociedade em
atividades de defesa civil, entre outras estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional.

CAPÍTULO I

DO SISTEMA NACIONAL DE DEFESA CIVIL -


SINDEC
Art. 3o O Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC tem como objetivo planejar, articular e coordenar as ações de defesa
civil em todo o território nacional.

Art. 4o Para o alcance de seus objetivos, o SINDEC deverá:

I - planejar e promover ações de prevenção de desastres naturais, antropogênicos e mistos, de maior prevalência no País;

II - realizar estudos, avaliar e reduzir riscos de desastres;

III - atuar na iminência e em circunstâncias de desastres; e

IV - prevenir ou minimizar danos, socorrer e assistir populações afetadas, e restabelecer os cenários atingidos por desastres.

Art. 5o O SINDEC será composto pelos órgãos e entidades da União responsáveis pelas ações de defesa civil, bem como
pelos órgãos e entidades dos Estados, Distrito Federal e Municípios que a ele aderirem.

§ 1o As entidades da sociedade civil também poderão aderir ao SINDEC, na forma a ser disciplinada pelo Ministério da
Integração Nacional.

§ 2o Compete à Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional a coordenação do SINDEC,
ficando responsável por sua articulação, coordenação e supervisão técnica.

§ 3o Para o funcionamento integrado do SINDEC, os Estados, Distrito Federal e Municípios encaminharão à Secretaria
Nacional de Defesa Civil informações atualizadas a respeito das respectivas unidades locais responsáveis pelas ações de
defesa civil em suas jurisdições, de acordo com o art. 2o da Medida Provisória no 494, de 2 de julho de 2010.

§ 4o Em situações de desastres, os integrantes do SINDEC na localidade atingida, indicados nos termos do § 3o, atuarão
imediatamente, instalando, quando possível, sala de coordenação de resposta ao desastre, de acordo com sistema de
comando unificado de operações adotado pela Secretaria Nacional de Defesa Civil.

§ 5o O SINDEC contará com Grupo de Apoio a Desastres - GADE, vinculado à Secretaria Nacional de Defesa Civil, formado
por equipe multidisciplinar, mobilizável a qualquer tempo, para atuar nas diversas fases do desastre em território nacional ou
em outros países.

§ 6o Para coordenar e integrar as ações do SINDEC em todo o território nacional, a Secretaria Nacional de Defesa Civil
manterá um centro nacional de gerenciamento de riscos e desastres, com a finalidade de agilizar as ações de resposta,
monitorar desastres, riscos e ameaças de maior prevalência;

§ 7o A Secretaria Nacional de Defesa Civil poderá solicitar o apoio dos demais órgãos e entidades que integram o SINDEC,
bem como da Administração Pública federal, para atuarem junto ao ente federado em situação de emergência ou estado de
calamidade pública.

§ 8o As despesas decorrentes da atuação de que trata o § 7o, correrão por conta de dotação orçamentária de cada órgão
ou entidade.

§ 9o O SINDEC mobilizará a sociedade civil para atuar em situação de emergência ou estado de calamidade pública,
coordenando o apoio logístico para o desenvolvimento das ações de defesa civil.
Art. 6o O Conselho Nacional de Defesa Civil - CONDEC integra o SINDEC como órgão colegiado, de natureza consultiva,
tendo como atribuição propor diretrizes para a política nacional de defesa civil, em face dos objetivos estabelecidos no art.
4o.

§ 1o O CONDEC será composto por um representante e suplente de cada órgão a seguir indicado:

I - Ministério da Integração Nacional, que o coordenará;

II - Casa Civil da Presidência da República;

III - Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;

IV - Ministério da Defesa;

V - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;

VI - Ministério das Cidades;

VII - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;

VIII - Ministério da Saúde;

IX - Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

§ 2o Além dos representantes previstos no § 1o, comporão, ainda, o CONDEC:

I - dois representantes dos Estados e Distrito Federal;

II - três representantes dos Municípios; e

III - três representantes da sociedade civil.

§ 3o A Secretaria Nacional de Defesa Civil exercerá a função de Secretaria-Executiva do CONDEC, fornecendo o apoio
administrativo e os meios necessários à execução de seus trabalhos.

§ 4o A participação no CONDEC será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada.

§ 5o Os representantes dos Estados, Distrito Federal, Municípios e da sociedade civil, serão indicados e designados na
forma a ser disciplinada pelo Ministério da Integração Nacional.

§ 6o O CONDEC poderá convidar representantes de outros órgãos da administração pública, de entidades privadas, de
organizações não-governamentais, de conselhos e de fóruns locais para o acompanhamento ou participação dos trabalhos.

CAPÍTULO II

DO RECONHECIMENTO DA SITUAÇÃO DE
EMERGÊNCIA E DO
ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA

Art. 7o O reconhecimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública pelo Poder Executivo federal se
dará mediante requerimento do Poder Executivo do Estado, do Distrito Federal ou do Município afetado pelo desastre.
§ 1o O requerimento previsto no caput deverá ser realizado diretamente ao Ministério da Integração Nacional, no prazo
máximo de dez dias após a ocorrência do desastre, devendo ser instruído com ato do respectivo ente federado que decretou
a situação de emergência ou o estado de calamidade pública e conter as seguintes informações:

I - tipo do desastre, de acordo com a codificação de desastres, ameaças e riscos, definida pelo Ministério da Integração
Nacional;

II - data e local do desastre;

III - descrição da área afetada, das causas e dos efeitos do desastre;

IV - estimativa de danos humanos, materiais, ambientais e serviços essenciais prejudicados;

V - declaração das medidas e ações em curso, capacidade de atuação e recursos humanos, materiais, institucionais e
financeiros empregados pelo respectivo ente federado para o restabelecimento da normalidade; e

VI - outras informações disponíveis acerca do desastre e seus efeitos.

§ 2o Após avaliação das informações apresentadas no requerimento a que se refere o § 1o e demais informações
disponíveis no SINDEC, o Ministro de Estado da Integração Nacional reconhecerá, por meio de Portaria, a situação de
emergência ou estado de calamidade, desde que a situação o justifique e que tenham sido cumpridos os requisitos
estabelecidos na Medida Provisória no 494, de 2010, e neste Decreto.

§ 3o Considerando a intensidade do desastre e seus impactos social, econômico e ambiental, o Ministério da Integração
Nacional reconhecerá, independentemente do fornecimento das informações previstas no § 1o, a situação de emergência ou
o estado de calamidade pública com base no Decreto do respectivo ente federado.

CAPÍTULO III

DAS TRANSFERÊNCIAS DE RECURSOS


Art. 8o As transferências obrigatórias da União aos órgãos e entidades dos Estados, Distrito Federal e Municípios para a
execução de ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução, observarão
os requisitos e procedimentos previstos na Medida Provisória no 494, de 2010, e neste Decreto.

Art. 9o Reconhecida a situação de emergência ou o estado de calamidade pública, o Ministério da Integração Nacional, com
base nas informações obtidas e na sua disponibilidade orçamentária e financeira, definirá o montante de recursos a ser
disponibilizado para a execução das ações especificadas nos incisos V, VI e VII do art. 2o.

Parágrafo único. A transferência dos recursos se dará mediante depósito em conta específica do ente beneficiário em
instituição financeira oficial federal.

Art. 10. As transferências de recursos voltadas à execução de ações de reconstrução deverão ser precedidas da
apresentação de Plano de Trabalho pelo ente beneficiário no prazo de até quarenta e cinco dias após o reconhecimento da
situação de emergência ou do estado de calamidade pública.

§ 1o O Plano de Trabalho conterá:

I - levantamento de danos materiais causados pelo desastre;

II - identificação das ações de reconstrução, acompanhadas das respectivas estimativas financeiras;

III - etapas ou fases de execução;

IV - plano de aplicação dos recursos financeiros;

V - cronograma de desembolso; e
VI - previsão de início e fim da execução das ações, bem como da conclusão das etapas ou fases programadas.

§ 2o Independentemente da apresentação do Plano de Trabalho de que trata o § 1o, o Ministério da Integração Nacional
poderá antecipar a liberação de parte dos recursos destinados às ações de reconstrução.

§ 3o As ações implementadas com os recursos antecipados na forma do § 2o deverão estar contempladas no Plano de
Trabalho previsto no caput.

§ 4o No caso de recuperação ou reconstrução de edificações no mesmo local do desastre, tratando-se de posse mansa e
pacífica, poderá ser dispensada a comprovação da propriedade do imóvel pelos respectivos beneficiários.

Art. 11. A utilização dos recursos transferidos nos termos dos arts. 9o e 10 pelo ente beneficiário está vinculada
exclusivamente à execução das ações previstas neste Decreto, além das especificadas pelo Ministério da Integração
Nacional quando da liberação dos recursos.

§ 1o Constatada a presença de vícios na documentação apresentada ou a utilização dos recursos por parte dos Estados,
Distrito Federal e Municípios, em desconformidade com disposto na Medida Provisória no 494, de 2010, e neste Decreto, o
Ministério da Integração Nacional suspenderá a liberação dos recursos até a regularização da pendência, se for o caso.

§ 2o A utilização dos recursos em desconformidade com as ações especificadas pelo Ministério da Integração Nacional
ensejará ao ente federado a obrigação de devolvê-los devidamente atualizados, conforme legislação aplicável.

§ 3o O Ministério da Integração Nacional notificará o ente federado cuja utilização dos recursos transferidos for considerada
irregular, para que apresente justificativa no prazo de trinta dias.

§ 4o Se as razões apresentadas na justificativa do ente federado não demonstrarem a regularidade na aplicação dos
recursos, o Ministério da Integração Nacional dará ciência do fato ao ente federado que deverá providenciar a devolução dos
recursos no prazo de trinta dias.

§ 5o Na hipótese de não devolução dos recursos pelo ente federado notificado, o Ministério da Integração Nacional deverá
comunicar o fato aos órgãos de controle competentes para adoção das medidas cabíveis.

Art. 12. O planejamento e a execução das ações de prevenção previstas no inciso IX do art. 2o são de responsabilidade de
todos os órgãos integrantes do SINDEC e dos demais órgãos da Administração Pública federal, estadual, distrital e
municipal que setorialmente executem ações nas áreas de saneamento, transporte e habitação, bem assim em outras áreas
de infraestrutura.

CAPÍTULO IV

DA PRESTAÇÃO DE CONTAS E DA
FISCALIZAÇÃO
Art. 13. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios beneficiários das transferências de que trata o art. 4o da Medida
Provisória no 494, de 2010, apresentarão ao Ministério da Integração Nacional a prestação de contas do total dos recursos
recebidos.

Art. 14. A prestação de contas de que trata o art. 13 deverá ser apresentada pelo ente beneficiário no prazo de trinta dias a
contar do término da execução das ações a serem implementadas com os recursos transferidos pelo Ministério da
Integração Nacional e será composta dos seguintes documentos:

I - relatório de execução físico-financeira;

II - demonstrativo da execução da receita e despesa, evidenciando os recursos recebidos e eventuais saldos;

III - relação de pagamentos e de bens adquiridos, produzidos ou construídos;


V - extrato da conta bancária específica do período do recebimento dos recursos e conciliação bancária, quando for o caso;

VI - relação de beneficiários, quando for o caso;

VII - cópia do termo de aceitação definitiva da obra ou serviço de engenharia, quando for o caso; e

VIII - comprovante de recolhimento do saldo de recursos, quando houver.

§ 1o A autoridade responsável pela prestação de contas que inserir ou fizer inserir documentos ou declaração falsa ou
diversa da que deveria ser inscrita, com o fim de alterar a verdade sobre o fato, será responsabilizada na forma da lei.

§ 2o Os entes beneficiários manterão, pelo prazo de cinco anos, contados da data de aprovação da prestação de contas de
que trata o art. 13, os documentos a ela referentes, inclusive os comprovantes de pagamentos efetuados com os recursos
financeiros transferidos na forma deste Decreto, ficando obrigados a disponibilizá-los, sempre que solicitado, ao Ministério
da Integração Nacional, ao Tribunal de Contas da União e ao Sistema de Controle Interno do Poder Executivo federal.

Art. 15. O Ministério da Integração Nacional acompanhará e fiscalizará a aplicação dos recursos transferidos na forma do
art. 8o deste Decreto.

Art. 16. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 17. Ficam revogados os Decretos nos 5.376, de 17 de fevereiro de 2005, e 6.663, de 26 de novembro de 2008.

Brasília, 4 de agosto de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Guido Mantega

Paulo Bernardo Silva

João Reis Santana Filho

Este texto não substitui o publicado no DOU de 5.8.2010

Para os efeitos deste Decreto, considera-se:


I - defesa civil: conjunto de ações preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas destinadas a evitar desastres e
minimizar seus impactos para a população e restabelecer a normalidade social;
II - desastre: resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem sobre um ecossistema vulnerável,
causando danos humanos, materiais ou ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais;
III - situação de emergência: situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o
comprometimento parcial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido;
CREA – ENG. AGRÍCOLA – ATRIBUIÇÕES PARA CONSTRUÇÃO DE BARRAGENS E ESTRADAS VICINAIS
From: André Sanches
To: Prof. Dr. Nelson Luis Cappelli
Cc: jose paulo saes
Sent: Thursday, August 06, 2009 8:30 AM
Subject: Re: Consulta sobre atribuições

Bom dia Consº,

Sobre a questão de Estradas Vicinais, não tenho material especifico, mas existem discussões anteriores
que permitem aos Engºs Agrºs. Engºs Agricolas e até Florestais de poderem executar estradas vicinais
sem manta asfáltica, ou seja de terra.

Quanto a questão de Barragens de Terra, tanto o Engº Agrº como o Engº Agricola, podem executar,
conforme definido na Decisão Normativa nº 61 do Confea, inclusive abolindo a questão dos 5 metros.

Eng. Agr. André Sanches


Creasp nº 0601402272
Assistente Técnico GEAT/SUPTEC
Câmara Especializada de Agronomia
----- Original Message -----
From: Prof. Dr. Nelson Luis Cappelli
To: André Sanches
Sent: Wednesday, August 05, 2009 11:48 PM
Subject: Consulta sobre atribuições

Olá André.

Recebí uma consulta com respeito às atribuições do Engenheiro Agrícola para se responabilizarem pelo
projeto de estradas vicinais e, principalmente, para barragens.

Você poderia me ajudar quanto a legislação vigente sobre o assunto??

De antemão, agradeço.

Prof. Dr. Nelson Luis Cappelli


Conselherio CREA-SP
Faculdade de Engenharia Agrícola. CP: 6011. CEP: 13083-970
Universidade Estadual de Campinas. Campinas. SP
Fone/Fax: 55 (19) 3521-1052 e 3521-1055
cappelli@feagri.unicamp.br
www.feagri.unicamp.br
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

REFERÊNCIAS DISPONÍVEIS EM SITES

1- DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica – Secretaria de


Saneamento e Energia do Estado de São Paulo
→ Outorga e Fiscalização → Guia prático
(http://www.daee.sp.gov.br). (→
para projeto de pequenas obras hidráulicas → Projeto de uma Pequena
Barragem + Formulários + etc.)

2- Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (http://www.eletrobras.gov.br).


→ Biblioteca Virtual → Publicações Digitais → Projetos de
(Educação→
Usinas → Diretrizes PCH (Diretrizes para estudos e projetos de
pequenas centrais hidrelétricas) + Manual de Micro Centrais + Manual de
Mini Centrais + etc. )

3- Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do


Parnaíba (http://www.codevasf.gov.br). (→→ Busca → Barragens →
Barragens.pdf + Manual de Segurança e Inspeção de Barragens.pdf + etc.)

4- Comitê Brasileiro de Barragens (http://www.cbdb.org.br).

5- Livro “ DESIGN OF SMALL DAMS “ – Bureau of Reclamation–USA- –


(http://www.usbr.gov/pmts/hydraulics_lab/pubs/manuals/SmallDams.pdf )

6- Livro “ EARTH MANUAL“ – Bureau of Reclamation–USA- –


(http://www.usbr.gov/pmts/writing/earth/index.html)

7- Ministério da Integração Nacional – (www.integração.gov.br) →


Publicações → Diversos Manuais → Secretaria da Infra Estrutura Hidrica
8- A Segurança de Barragens e a Gestão de Recursos Hídricos no Brasil –
Menescal - (www.integração.gov.br) → Publicações → Diversos Manuais
→ Secretaria da Infra Estrutura Hidrica.

9- Diretrizes Ambientais para Projeto e Construção de Barragens e Operação


de Reservatórios – (www.integração.gov.br) → Publicações → Diversos
Manuais → Secretaria da Infra Estrutura Hidrica.

10- Manual de Preenchimento da Ficha de Cadastro de Barragem –


(www.integração.gov.br) → Publicações → Diversos Manuais →
Secretaria da Infra Estrutura Hidrica.

11- Manual de Preenchimento da Ficha de Inspeção de Barragem –


(www.integração.gov.br) → Publicações → Diversos Manuais →
Secretaria da Infra Estrutura Hidrica.

12- Manual de Segurança e Inspeção de Barragens –


(www.integração.gov.br) → Publicações → Diversos Manuais →
Secretaria da Infra Estrutura Hidrica.

13- Companhia Energética de São Paulo (http://www.cesp.com.br).

14- CERPCH – Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais


Hidrelétricas – (www.cerpch.unifei.edu.br)

15- Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - Ministério da


Integração Nacional (http://www.dnocs.gov.br).

16- International Commission of Large Dams - ICOLD –


(http://www.icold-cigb.net/)

REFERÊNCIAS DISPONÍVEIS EM PUBLICAÇÕES


.
1- Alves Filho, A., Silveira, J.F.A., Gaioto, N. e Pinça, R.L., 1980 –
CONTROLE DE SUBPRESSÕES E VAZÕES NA OMBREIRA
ESQUERDA DA BARRAGEM DE ÁGUA VERMELHA – XIII
Seminário Nacional de Grandes Barragens, Tema IV, Rio de Janeiro.

2- Bates, J. (2003) – BARRAGENS DE REJEITOS. Editora Signus

3- Bordeaux, G.H.M. (1980) – BARRAGENS DE TERRA E


ENROCAMENTO – PROJETO E CONSTRUÇÃO – Publicado por
Clube de Engenharia da Bahia.

4- Bueno, B.S. e Vilar, O.M. (1999) – MECÂNICA DOS SOLOS – Vol. I


– Apostila – Escola de Engenharia de São Carlos – USP.

5- Bureau of Reclamation (1987) – DESIGN OF SMALL DAMS. United


States Department of Interior.

6- Carvalho, L.H. (1981) – INSTRUÇÕES A SEREM OBSERVADAS


NA CONSTRUÇÃO DAS BARRAGENS DE TERRA. DNOCS –
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Fortaleza-CE

7- Carvalho, L.H. (1984) – CURSO DE BARRAGENS DE TERRA -


Volumes I, II, III. DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra
as Secas. Fortaleza-CE.

8- Cruz, P.T. (1995) – 100 BARRAGENS BRASILEIRAS. Editora


Oficina de textos.

9- Cruz, P.T.; Materon, B.; Freitas, M. (2009) – BARRAGENS DE


ENROCAMENTO COM FACE DE CONCRETO. Editora Oficina de
Textos.

10-Feel,R. & Fry, J.J. – INTERNAL EROSION OF DAMS AND THEIR


FOUNDATIONS. ISBN: 978-0-415-43724-0 (Hbk) – Editora Taylor
& Francis Group, London, UK.

11-Gaioto, N. (2003) – INTRODUÇÃO AO PROJETO DE


BARRAGENS DE TERRA E DE ENROCAMENTO. USP - Escola de
Engenharia de São Carlos - Departamento de Geotecnia.
12-Lopes, J.D.S. e Lima, F.Z. (2005) – PEQUENAS BARRAGENS DE
TERRA. Editora Aprenda Fácil – Viçosa – MG.

13-Mello, V.F.B (2004) – REVISTA TÉCHNE, No 83, Fev. 2004, pgs 28-
31 – Editora Pini.

14-Molle, F. e Cadier, E. (1992) – MANUAL DO PEQUENO AÇUDE.


Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Recife.

15-Morano, J.R. (2006) – PEQUENAS BARRAGENS DE TERRA.


Edição Codasp – Companhia de desenvolvimento agrícola de São
Paulo.

16-Nogueira, J.B. (2001) – ENSAIOS DE LABORATÓRIO – Apostila –


Escola de Engenharia de São Carlos – USP.

17-Pinto, C.S. (2000) – CURSO BÁSICO DE MECÂNICA DOS SOLOS


– Editora Oficina de Textos.

18-Rosa, A.A.C., Henderson, R.C. e Anders, C.E.(1983) –


CONSTRUÇÃO DE DRENOS E TRANSIÇÕES – Simpósio Sobre a
Geotecnia da Bacia do Alto Paraná – Pg.95 a 112.

19-Sayão, A. (2010) – HISTÓRIA DA ENGENHARIA GEOTÉCNICA


NO BRASIL - ABMS

20-Schnaid, F. (2000) – ENSAIOS DE CAMPO E SUAS APLICAÇÕES


À ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES – Editora Oficina de Textos.

21-Schnitter, N.J. (1994) – A HISTORY OF DAMS – A. A. Balkema.


ISBN – 90.5410.1490.

22-Silveira, J.F.A. (2003)- INSTRUMENTAÇÃO E


COMPORTAMENTO DE FUNDAÇÕES DE BARRAGENS DE
CONCRETO. Editora Oficina de Textos. 313pgs.

23-Silveira, J.F.A. (2006)- INSTRUMENTAÇÃO E SEGURANÇA DE


BARRAGENS DE TERRA E ENROCAMENTO. Editora Oficina de
Textos.
24-SSGBAP (1983)- SIMPÓSIO SOBRE A GEOTECNIA DA BACIA
DO ALTO PARANÁ – Edição ABMS, ABGE, CBMR.

25-Vargas, M. (1977) – INTRODUÇÃO À MECÂNICA DOS SOLOS –


Editora da Universidade de São Paulo – Editora McGraw-Hill do
Brasil.
QUESTÕES E EXERCÍCIOS PARA A PROVA
I – INTRODUÇÃO
1- Quais são as etapas que um projeto deve passar para se chegar a sua forma final?
II – PRINCIPAIS UTILIZAÇÕES DAS BARRAGENS
1- Quais são as principais utilizações das barragens?
2- O que é uma barragem para contenção de rejeitos?
3- O que é uma barragem para contenção de cheias?
III – PRINCIPAIS TIPOS DE BARRAGENS
1- Quais são os principais tipos de barragens?
2- O que é uma barragem de terra zoneada? Quando se adota este tipo de solução?
IV – PRINCIPAIS ELEMENTOS DE UMA BARRAGEM
1- Quais são os principais elementos de uma barragem de terra?
2- Faça um desenho indicando os principais elementos de uma barragem?
IV.1- CRISTA
1- Qual deve ser a largura mínima de uma pequena barragem de terra?
2- Uma pequena barragem de terra terá 10m de altura. Segundo recomendações do
Bureau of Reclamation (2002), qual deverá ser a largura mínima da crista?
3- Uma pequena barragem de terra será construída entre dois bairros de uma cidade.
Haverá transito de veículos nos dois sentidos e também haverá circulação de pedestres.
Faça um desenho apresentando uma seção transversal da crista, com a dimensão de
todos os elementos.
4- Qual o procedimento a se adotar para o escoamento das águas de chuva que caem
sobre a crista?
5- Havendo tráfego de veículos de pequeno porte sobre a crista, de baixa intensidade,
como ela deverá ser construída?
6- Havendo tráfego de veículos de maior porte sobre a pista, como ela deverá ser
construída?
7- Quais são as conseqüências de não se fazer um pavimento adequado ao tráfego que
vai passar sobre a crista?
8- Quais as conseqüências de não se fazer um adequado sistema de drenagem na crista?
VI.2 – BORDA LIVRE
1- O que é a borda livre de uma barragem?
2- Qual o objetivo de se ter uma borda livre?
3- Para uma barragem de pequenas dimensões, qual deve ser a altura mínima da borda
livre?
4- Como deve ser calculada a dimensão da borda livre de uma barragem?
5- O que é o “fetch” em uma barragem?
6- Para uma pequena barragem, com “fetch” de 2km, qual deve ser a altura mínima da
borda livre, segundo Bureau of Reclamation (2002)?
7- A partir do valor da onda máxima que chega à barragem, qual deve ser o valor
mínimo da borda livre?
IV.3 – TALUDES DE MONTANTE E JUSANTE
1- O que é o talude de montante de uma barragem?
2- O que é o talude de jusante de uma barragem?
3- Em um anteprojeto, que valores se podem adotar para a inclinação dos taludes de
montante e jusante?
4- No projeto executivo, como devem ser definida as inclinações dos taludes de uma
barragem?
5- Quais as características principais que o solo da jazida escolhida para construção do
aterro, quando compactado, deve apresentar?
IV.4 – PROTEÇÃO DO TALUDE DE MONTANTE
1- Por que o talude de montante deve ser protegido?
2- Quais os principais tipos de proteção que podem ser utilizados no talude de
montante?
3- O que é o “rip-rap”?
4- Para uma barragem cuja altura máxima de onda prevista é 1,0m, segundo o U.S.
Corps of Engineers, qual a espessura da camada de pedra do “rip-rap”, e qual deve ser o
diâmetro médio das pedras? Para esta situação qual deve ser a espessura da camada de
transição sob as pedras?
5- Para a proteção do talude de montante com solo cimento, qual devem ser a largura e
espessura desta camada?
6- Que tipo de solo deve ser utilizado para o solo cimento a ser usado na proteção do
talude de montante?
7- Por que não se recomenda a proteção do talude de montante, com pedras rejuntadas?
8- Por que não se recomenda a proteção do talude de montante com concreto?
IV.5 – PROTEÇÃO DO TALUDE DE JUSANTE
1- Por que o talude de jusante deve ser protegido?
2- Qual a forma mais utilizada de se proteger o talude de jusante?
3- Por que não devem ser plantadas árvores no talude de jusante?
4- Em barragens de maior altura, por que devem ser construídas bermas?
5- Que recomendações para a construção de bermas devem ser seguidas?
6- Por que durante a fase de operação da barragem, devem ser feitas vistorias periódicas
no talude de jusante de uma barragem?
7- Por que é importante a construção de uma cerca protegendo o talude de montante?
8- Por que é importante deixar um espaço livre no pé do talude de jusante?
9- Quais as conseqüências para o talude de jusante, se não houver um adequado sistema
de drenagem na crista e também no próprio talude?
IV.6 – CORTINAS DE VEDAÇÃO
1- Qual o objetivo de se construir uma cortina de vedação sobre a barragem?
2- Quais são os principais tipos de cortina de vedação?
3- Como deve ser construída uma trincheira de vedação ou “Cut-Off”?
4- O que é o tapete impermeável e qual sua função?
IV.7 – DRENAGEM INTERNA
1- Por que se deve construir um sistema de drenagem interna na barragem?
2- Quais são os principais elementos que podem ser utilizados no sistema de drenagem
interna de uma barragem?
IV.8 – DIMENSIONAMENTO DE FILTROS
1- Quais são as principais características que deve ter uma areia que vai ser utilizada
como filtro?
2- Qual é o critério de Terzaghi para o dimensionamento de filtros?
3- A partir da curva granulométrica de um solo, apresente, segundo o critério de
Terzaghi, a faixa de variação granulométrica do material que pode ser utilizado como
filtro deste solo (Figura IV.8.3).
IV.9 – FILTRO EM CHAMINÉ
1- O que é o filtro em chaminé de uma barragem? Qual o objetivo de sua construção?
2- Como é o processo executivo do filtro em chaminé, constituído por: - lançamento e
compactação de areia acompanhando o avanço da barragem de terra?
3- Como é o processo executivo do filtro em chaminé, constituído por: retroescavação
do aterro?
IV.10 – FILTRO HORIZONTAL
1- Qual é o objetivo de se construir um filtro horizontal?
2- Quais as condições que um dreno horizontal deve atender, segundo Rosa(1983)?
3- O que é um filtro sanduíche e por que ele é utilizado?
IV.11 – TRANSIÇÕES
1- Com qual finalidade se utilizam transições no sistema de drenagem de uma
barragem?
2- Quais as condições que os materiais utilizados nas transições devem ter?
3- Por que se utiliza uma transição entre o “rip-rap” e o maciço compactado da
barragem?
IV.12- DRENO DE PÉ
1- Qual a função do dreno de pé em uma barragem?
2- Quais os materiais utilizados no dreno de pé de uma barragem?
3- Faça um desenho esquemático de um dreno de pé
IV.13 – POÇO DE ALÍVIO – TRINCHEIRA DRENATE – GALERIA DE
DRENAGEM
1- O que são os poços de alívio e qual o objetivo de sua construção?
2- Onde são construídos os poços de alívio em uma barragem?
3- Quais são as indicações básicas para a construção de um poço de alívio?
4- O que é uma trincheira drenante e qual o objetivo de sua construção?
5- O que é uma galeria de drenagem e qual o objetivo de sua construção?
V – DESVIO DO RIO
1- Quais os processos que podem ser utilizados para o desvio do rio, para a construção
da barragem?
2- O que é uma ensecadeira?
3- O que é uma “caixa de nível”, “monje” ou “caximbo”?
4- Faça um desenho esquemático, em planta e em corte, mostrando o desvio do rio
através de uma tubulação de fundo.
4- Qual a desvantagem de se utilizar “registro à jusante”, quando se utilizar tubulação
de fundo para o desvio do rio?
5- Qual o diâmetro que deve ser utilizado para uma tubulação de fundo, para uma vazão
de 1m3 / seg. Com qual inclinação deve ser instalada esta tubulação?
6- Faça um desenho esquemático, em planta, mostrando o desvio do rio através de uma
ensecadeira, na primeira fase de desvio.
7- Faça um desenho esquemático, em planta, mostrando o desvio do rio através de uma
ensecadeira, na segunda fase de desvio.
8- Quando se adota o desvio do rio por túneis ou canais?
VI- INVESTIGAÇÕES GEOTÉCNICAS NA ÁREA DE EMPRÉSTIMO
1- Quais as principais características que um solo deve ter para ser utilizado na
construção do aterro impermeável de uma barragem?
2- Quais os primeiros ensaios que devem ser realizados na pesquisa de jazidas de solo
para construção da barragem, objetivando-se sua utilização em Sistemas de
Classificação de Solos?
3- Definindo-se pela utilização de uma jazida, para realização do projeto executivo da
barragem, quais ensaios devem ser realizados?
VI.1 – OBTENÇÃO DE AMOSTRAS NA ÁREA DE EMPRÉSTIMO
1- O que é uma amostra indeformada de solo?
2- Como pode ser obtida uma amostra indeformada de solo?
VI.2 – ENSAIOS DE GRANULOMETRIA DOS SOLOS
1- O que se obtém do ensaio de granulometria do solo?
2- Como são determinados os diâmetros da parte mais grossa do solo?
3- Como podem ser determinados os diâmetros da parte mais fina do solo?
VI.3 – ENSAIOS DE LIMITE DE LIQUIDEZ E PLASTICIDADE DOS SOLOS
1- O que é o Limite de Liquidez de um solo?
2- O que é o Limite de Plasticidade de um solo?
VI.4 – ENSAIOS PARA DETERMINAÇÃO DOS ÍNDICES FÍSICOS DO SOLO
1- Quais são os principais Índices Físicos dos solos?
2- Qual a definição de cada Índice Físico dos solos?
3- A partir de que Índices Físicos, todos os outros podem ser determinados?
4- Como pode ser determinada a Massa Específica do solo, ou Massa Específica Natural
(γ)?
5- Como pode ser determinada o Teor de Umidade (W) do solo?
6- Como pode ser determinada a Massa Específica dos Sólidos (γS)?
7- Através da cravação de um anel de 100cm3 em uma jazida, obteve-se uma amostra de
solo de 160 gramas. Esta amostra de solo, após seca em estufa, passou a ter massa de
130 gramas. A massa específica dos sólidos, determinada através do ensaio do
picnômetro, foi de 2.67gr/cm3. Calcule os Índices Físicos deste solo.
VI.5 – ENSAIO DE COMPACTAÇÃO
1- O que se objetiva com a compactação de um solo?
2- O que é o ensaio de compactação Proctor Normal?
3- Faça um desenho esquemático do resultado de um ensaio de compactação Proctor
Normal.
4- Que parâmetros, a serem utilizados na construção do aterro, se obtém do ensaio de
compactação Proctor Normal?
VII – ANÁLISE DA JAZIDA ATRAVÉS DE CLASSIFICAÇÕES DE SOLOS
1- Qual o objetivo de se classificar um solo?
2- Que classificações que podem ser utilizadas para obras de terra?
3- A análise granulométrica de um solo apresentou a porcentagem de suas partículas
que passam na peneira número 4 é 60% e a porcentagem que passa na peneira 200 é
14%. O Limite de Liquidez obtido foi de 20% e o Limite de Plasticidade foi de 8%.
Utilizando-se da Classificação Unificada, verifique o potencial deste solo para ser
utilizado como aterro de uma barragem.
VIII – VOLUME DE ÁREA DE EMPRÉSTIMO NECESSÁRIA
1- O aterro de uma barragem com 50.000m3 deve ser construído com Massa Específica
Aparente Seca Máxima (γdmáx.) de 1,63gr/cm3. O solo da área de empréstimo tem
Massa Específica Natural (γ) de 1.65gr/cm3 e Teor de Umidade de 15%. Qual o volume
da área de empréstimo necessária para a construção dos 50.000m3 de aterro?
2- O significa, em obras de terra, o termo “empolamento”?
3- Na construção do exercício 1 anterior, quantas viagens de caminhão com 5m3 cada,
serão necessárias para a construção do aterro?
IX – LOCAL DE IMPLANTAÇÃO DA BARRAGEM
1- Que informações geotécnicas são importantes se obter no eixo da barragem e em suas
proximidades?
2- O que é a sondagem de simples reconhecimento (SPT)?
3- Que informações do subsolo a sondagem SPT fornece?
X- INTRODUÇÃO AO FLUXO DE ÁGUA NOS SOLOS
1- Como pode ser determinado o Coeficiente de Permeabilidade dos solos?
2- Calcule a quantidade de água que escoa por dia (24hs) através da camada arenosa de
0,30m de espessura na fundação da barragem. Faça os cálculos considerando 1m de
comprimento de barragem. O coeficiente de permeabilidade determinado em laboratório
foi: k = 8 x 10-3 cm/seg. (Resposta:
Q = 270 litros/metro)