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PI - 2º Semestre.

Tema: Influência religiosa na política cerceia liberdades individuais.

Subtítulos que nortearão o desenvolvimento do trabalho:

1 - Contexto histórico: Visa mencionar a associação da religiosidade à política e ao estado


desde a antiguidade.

2 - Perdas das liberdades individuais​​: Mostra no que acarreta e altera, a interferência e


inclusão dos valores morais religiosos nas políticas públicas, no comportamento e escolhas
dos indivíduos. Como por exemplo essa exaltação “à família tradicional” onde se exclui
outros formatos de famílias negando certos direitos civis, a legalidade do aborto, direitos
LGBTs...

3 - Democracia​​: Pode se desenvolver a forma de como se dá uma democracia onde os


direitos de grupos minoritários são decididos pela maioria, não se caracterizando numa
democracia.

4 - Proposta de solução para o problema apresentado: Pode ser mencionado algumas


possibilidades para dissociação da religião à política, reafirmando a laicidade do estado.

O Milton se propôs a desenvolver o tópico 1 e o Diogo, o tópico 2. Mas vale lembrar


que cada um pode colaborar do modo que se sentir mais apto a desenvolver. O Jailton
comentou que iria se inteirar mais do tema para participar de modo mais efetivo.
Podemos todos ir desenvolvendo o tópico de escolha para posteriormente
compilarmos todos os dados e verificar possíveis pontos fracos, fortes e fazer ajustes.

Contexto histórico
Política e religião sempre tiveram entrelaçado na história da humanidade. Ao ponto
que o homem começou a se organizar em grupos para assim se proteger e sobreviver,
houve a necessidade de se denominar um líder, sendo esse responsável por definir regras
para a convivência desse grupo e assim evitar conflitos internos. Mas essa aglutinação no
decorrer do tempo fez com que surgissem reinos e não havia como um único líder ser
capaz de gerir esses conflitos, assim se inicia a vida política do homem. Mas o homem
também criou, não se sabe quando, aonde e quem, o mito das crenças (religião), que é a fé
em um ser sobrenatural, superior ao homem, que o vigia, pune ou glorifica. Segundo
Brandão (2011) esse estado é o teológico, onde o homem busca explicações sobre
qualquer fenômeno em suas crenças/divindade.
Nos antigos governos havia o conselheiro espiritual, sendo visto, como uma pessoa
que tinha conexão direta com os Deuses/Deus, se tornando imprescindível a religião nos
assuntos políticos. Dessa forma, as decisões eram tomadas de forma empírica, sem
nenhum cunho lógico ou científico. A religião obteve o poder de tal maneira que, endossava
a figura do despotismo, alegando que ele era o escolhido pelo ser divino para governar
aquele povo. Assim a religião regulava o homem, pois quem iria contra o ser supremo. Para
Araujo (2015) a religião é utilizada para subordinação e manutenção do Estado, além disso
tem o poder de unir os cidadãos em torno do rei, das instituições e das leis.
Isso começou a mudar com o surgimento do renascimento, que foi um movimento
cultural burguês, sendo sua principal característica o questionamento do teocentrismo
(Deus no centro de tudo) e colocando o homem no centro do universo (antropocentrismo),
assim ele era responsável por buscar resposta científica sobre os fenômenos naturais,
culturais e político.
Foi nesse cenário que surgiu o pensador Nicolau Maquiavel com o seu livro O
príncipe,​ onde pela primeira vez, foi analisado a política não como deveria ser, envolta de
uma ética e religião, mas sim como ela é. Dessa forma, ele apresentou suas proposições
para governar, liderar, ser bem aceito, conquistar seguidores e aliados, a fim de se manter
no poder.

3 - Análise do objeto.
Ao ​observar a atual situação política brasileira, sobretudo as eleições de 2018,
nota-se um grande número de discursos religiosos com teor conservador cristão. Isso se
deve à grande parcela de religiosos que são eleitos para cargos públicos com a divulgação
de promessas de projetos de lei que misturam políticas públicas com valores religiosos,
formando a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional, grupo conhecido como
Bancada Evangélica.
Esta bancada, reformulada após as eleições de 2018, composta em grande parte
pelos partidos, (em ordem de maior número de cadeiras), PRB - Partido Republicano
Brasileiro, PSL - Partido Social Liberal, PR - Partido da República, PSDB - Partido da Social
Democracia Brasileira, PSD - Partido Social Democrático, PP - Partido Progressista, DEM -
Democratas, PSC - Partido Social Cristão¹, entre outros, articula-se com posicionamentos
que se aproximam da ideologia cristã da população religiosa do Brasil que, segundo IBGE -
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas corresponde a 86,8%, deste, sendo 64,6 %
declarados católicos e 22,2%, evangélicos (2010)².

A pós doc em Ciências Humanas pela PUC/SP e Instituto de Desarrollo Económico y


Social de Buenos Ayres, Maria das Dores Campos Machado nos explica que:

A preocupação com uma atuação parlamentar


alinhada com o ideário cristão também aparece nos depoimentos
de alguns pentecostais que, para além de deslocar pastores/as e
missionários/as para o trabalho de representação política do
grupo (pessoas com conhecimento da doutrina religiosa,
portanto), procuram desenvolver mecanismos de controle do
grupo sobre os atores políticos. Além disso, visam ampliar sua
capacidade de influência nas casas legislativas inserindo-se em
grupos de trabalho de caráter supradenominacional, como a
Frente Parlamentar Evangélica e a Frente Parlamentar em Defesa
da Vida.​³

O debate público sob a ótica exclusiva de determinada religião pode levar à


segregação e discriminação de grupos sociais que não se comportem ou corroborem com
os valores específicos do cristianismo, possivelmente gerando uma sociedade excludente e
preconceituosa para com os demais.
Maquiavel (1469 - 1527) foi um dos primeiros pensadores a considerar a
necessidade de separação da moral pública, pois “sustenta que a vida política tem
exigências próprias, particulares, que não podem subordinar aos imperativos,
pretensamente universais, tanto da moralidade cristã quanto do humanismo estóico (Cícero
e Sêneca)” (KRITSCH, 2001, p. 185).
Não cabe à esfera pública aderir aos sistemas e regras dogmáticas religiosas
transportando suas convicções morais a toda uma sociedade plural e diversa, pois suas leis
e diretrizes tornariam por limitar escolhas e liberdades individuais que são de direito e
interesse público.
A educação, por exemplo, área de suma importância para o desenvolvimento social,
é sempre foco de discussões no que diz respeito a conteúdos e metodologias de ensino.
Por vezes, sofre retaliações ao pretender abordar na proposta curricular, assuntos que são
considerados inadequados por setores religiosos mas que visam soluções de problemas de
uma sociedade diversificada.
Para Émile Durkheim (1858-1917), a educação é uma socialização da geração
jovem pela geração adulta e quanto mais eficiente for o processo, melhor será o
desenvolvimento da comunidade em que a escola esteja inserida.​4
Considerando que a socialização promovida pelo ambiente escolar deve reproduzir a
sociedade em todas as suas formas, problemas, expectativas, culturas e diversidades, e
visando o desenvolvimento nos aspectos de cidadania e ética, é de extrema importância
abordar questões de gênero e sexualidade em sala de aula, promovidas por programas de
políticas públicas, para desde a infância, ilustrar e direcionar o aluno na integração, no
respeito ao diverso e naquilo que lhe é peculiar bem como no conhecimento e
descobrimento de si próprio, desconstruindo preconceitos, discriminações, conceitos e
normatizações sociais tão arraigadas na sociedade.
A discussão em torno da identidade gênero e sexualidade nas escolas sofre forte
influência por parte de magistrados políticos religiosos conservadores que dificultam a
abordagem do assunto no âmbito escolar. Seu ponto de vista sugere que ao deixar o
discente ciente de que as escolhas quanto ao gênero são na realidade imposições culturais
e não escolhas livres do próprio indivíduo, levariam a influenciá-los à homossexualidade,
transgeneralidade, o que são condenáveis aos olhos religiosos.
Em 2011 o programa federal Brasil Sem Homofobia que visava combater o
preconceito e violência física, verbal e simbólica e na defesa das identidades de gênero e
da cidadania homossexual entre a população LGBT+ lançado em 2004, foi suspenso após o
governo ceder à pressão de setores conservadores da sociedade e do Congresso
Nacional.​5
A ausência de projetos que promovam a visibilidade e integração social dos LGBT+
no âmbito escolar em decorrência da interferência religiosa na política, priva a população de
uma educação inclusiva e democrática consciente de sua diversidade.
Para a pós doc em Sociologia pela UAM - Universidade Autônoma de Madri, Cláudia
Pereira Vianna, que trabalha na área de Educação, com ênfase em Política Educacional,
Relações de Gênero e Diversidade Sexual, investigando os seguintes temas: relações de
gênero, diversidade sexual, educação, identidade docente e política educacional:

As relações de poder que determinam os parâmetros


tradicionais que sustentam as relações de gênero em nossa
sociedade ainda limitam as possibilidades de consolidar conceitos
como gênero e diversidade sexual enquanto definidores de políticas
públicas para a educação e de, assim, desestabilizar a
heteronormatividade e, sobretudo, a homofobia.​6

Outro exemplo da privação de direitos que a mistura de valores religiosos com a


política causa, pode ser ilustrado com outra discussão acalorada que trata do aborto, que é
a interrupção espontânea ou provocada da gravidez.
No Brasil, o aborto provocado é crime previsto no Código Penal​7 citado dos Artigos
123º ao 127º, punindo com detenção de um a três anos a gestante que decide abortar, com
detenção de três a dez anos quem realiza o aborto ou quem leva uma gestante para
abortar. As exceções estão contidas no Artigo 128° que são em casos de estupro, casos
que a gravidez representa risco de vida para a mulher ou em casos em que há má formação
do feto onde este não teria condições de sobreviver, condição chamada de anencefalia.
No entanto, muitas mulheres que não estão entre as exceções descritas recorrem a
abortos como forma de planejamento familiar evitando gravidez indesejada, se expondo a
procedimentos abortivos irregulares e inseguros trazendo complicações e riscos à saúde
tornando o caso de saúde pública, (FUSCO; ANDRONI; SILVA, 2007)8

Visando a solução para este problema de ordem pública, alguns projetos de lei
propondo a descriminalização do aborto foram elaborados, dentre eles o Projeto de Lei nº
176/95​9 de autoria do então deputado federal José Genoino Neto filiado ao Partido dos
Trabalhadores, que pretendia não apenas a legalização do aborto sem restrições até a
idade gestacional até 90 dias, mas também que a rede hospitalar pública e conveniada
fosse obrigada a proceder o aborto mediante simples manifestação de vontade da
interessada.
O assunto ganha atenção religiosa por considerar que o aborto é um pecado, como
mostra a antropologia e professora da UnB - Universidade de Brasília, ​Lia Zanotta​, “​A noção
fundamentalista exclusiva de “vida abstrata” advinda de argumentos religiosos sustenta os
direitos absolutos do concepto desde a fecundação. O aborto deveria ser crime (porque
pecado) em qualquer circunstância (sem quaisquer permissivos legais). A análise dos
depoimentos de deputados e religiosos fundamentalistas revela o confronto com a laicidade
do Estado.”​10
Machado conclui que “A atuação desse coletivo (Frente Parlamentar pela Vida)
expressa tensões e controversas em curso na sociedade mais ampla, o que faz com que
qualquer tentativa de modificação da legislação existente no campo da moralidade sexual e
do aborto exija uma grande capacidade de mobilização dos atores políticos favoráveis à
descriminalização do aborto.”
Desta forma, explicita-se as dificuldades das escolhas e exercício das liberdades
individuais quando são influenciadas e determinadas pelas políticas interferidas por valores
religiosos.
(finalizado)

bibliografia

BRANDÃO, R. A postura do positivismo com relação às ciências humanas.


Theoria - Revista Eletrônica de Filosofia. 2011.
Vimerson Araujo de Sousa p.237-266 ​237
A RELAÇÃO ENTRE POLÍTICA E
RELIGIÃO EM MAQUIAVEL Vimerson Araujo de Sousa Mestrando,
Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, Brasi
http://www.revistas.usp.br/espinosanos/article/view/102697/100937

Breve Ensaio Do Livro O Príncipe: Uma Releitura Crítica - Marcos Antônio Duarte Silva,
Andrea Peciauskas De Figueiredo Martins, Eduardo Carvalho Santana - Inserido em
02/12/2014 - Parte integrante da Edição no 1214

¹Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional. Disponível em:


<https://www.camara.leg.br/internet/deputado/frenteDetalhe.asp?id=53658> Acesso em
01/11/2018.

²Agência IBGE Notícias - ​Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos,​
espíritas e sem religião. Disponível em:
<https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/r
eleases/14244-asi-censo-2010-numero-de-catolicos-cai-e-aumenta-o-de-evangelicos-espirit
as-e-sem-religiao> Acesso em 31/10/2018.

3
​MACHADO, Maria das Dores Campos​. Religião e Política no Brasil Contemporâneo: uma
análise dos pentecostais e carismáticos católicos. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-85872015000200045&script=sci_abstract&tlng=
pt> Acesso em 05/11/2018.

4
DURKHEIM, Emile. Uma Introdução a Quatro Trabalhos Principais, Montes de Beverly,
SABIO PUBLICAÇÕES, 1986.

5​
Câmara dos Deputados. RIC 2328/2012 Requerimento de Informação. Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=546301>
Acesso em 01/11/2018.
6​
VIANNA, Cláudia Pereira. O movimento LGBT e as políticas de educação de gênero e
diversidade sexual: perdas, ganhos e desafios. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ep/v41n3/1517-9702-ep-1517-97022015031914.pdf> Acesso em
31/10/2018.

7​
DECRETO-LEI N​o 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940. Código Penal. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm> Acesso em 01/11/2018.

8​
FUSCO, Carmen L. B.; ANDREONI, Solange; SILVA, de Souza e. Epidemiologia do aborto
inseguro em uma população em situação de pobreza Favela Inajar de Souza, São Paulo.
Disponível em: <https://www.scielosp.org/article/rbepid/2008.v11n1/78-88/> Acesso em
01/11/2018.

9​
Projetos de lei sobre aborto em tramitação na Câmara dos Deputados. Disponível em:
<http://bd.camara.gov.br/bd/handle/bdcamara/1437> Acesso em 01/11/2018.

10​
MACHADO, Lia Zanotta​. O aborto como direito e o aborto como crime: o retrocesso
neoconservador. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-83332017000200305&script=sci_abstract&tlng=
pt> Acesso em 01/11/2018.

SALLES, Simone. Comissão de Direitos Humanos avalia primeiro ano do Programa Brasil
Sem Homofobia. Disponível em:
<​http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/ULTIMAS-NOTICIAS/329068--C
OMISSAO-DE-DIREITOS-HUMANOS-AVALIA-PRIMEIRO-ANO-DO-PROGRAMA-BRASIL-
SEM-HOMOFOBIA---(-03-01-).html​> Acesso em 01/11/2018.

MAQUIAVEL, Nicolau. DIscurso sobre a primeira década de Tito Lívio. Brasília: UnB, 1982.
____. O Príncipe. Tradução de Maria Júlia Goldwasser. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2001.

KRITSCH, Raquel. Maquiavel e a construção da política. Disponível em:


<​http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452001000200009&lng=pt
&tlng=pt​> Acesso em 31/10/2018.