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LIÇÃO 6

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 6ª LIÇÃO DO 4º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 11 DE NOVEMBRO DE 2018

SINCERIDADE E ARREPENDIMENTO DIANTE


DE DEUS
Texto áureo

“E o que a si mesmo se exaltar


será humilhado; e o que a si
mesmo se humilhar será
exaltado.” (Mt 23.12)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – Lucas 18.9-14.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Distinto e caro Amigo Leitor, que o estudo desta presente Lição lhe seja como
um guia para o verdadeiro sentido da oração e como se comportar diante dos
homens com sinceridade e, sobretudo, diante de Deus com humildade.

Deste modo, nesta 6ª lição veremos como Interpretar Diligentemente a


Parábola do Fariseu e do Publicano; Apontar os Males do Farisaísmo e da
Hipocrisia; e, Contrastar a Postura do Publicano em Relação à do Fariseu.

Logo, prezado amigo leitor - boa leitura e bons estudos!

I – INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

Alguns intérpretes no assunto propuseram nesta parábola uma profecia da


rejeição dos judeus e da recepção dos gentios, por intermédio da Graça de Deus.
Eles veem naquele fariseu um judeu, que se gloria de seu mérito próprio, e que, por
causa deste orgulho, desta justiça própria, não obtêm a verdadeira justiça; já o

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gentio, que reconhece humildemente sua indignidade, e se arrepende de seus
pecados, obtêm a graça que é recusada aos judeus.

Contudo, as palavras introdutórias desta parábola (v.9) [... uns que confiavam
em si mesmos, crendo que eram justos...], não são na verdade para os fariseus, mas
para qualquer um que fizer certo progresso espiritual em sua trajetória cristã, e que,
infelizmente, ainda está na iminência de cair em delitos e pecados tal qual era
notório entre a maioria dos fariseus. Era, portanto, necessário mostrar este perigo. O
Senhor havia descoberto que alguns de seus discípulos apresentavam alguns
sintomas do fardo do pecado, e suspiravam por um Libertador. Na verdade, Cristo
queria que seus discípulos atentassem para o fato de que um homem humilde está
mais próximo do Reino de Deus do que aquele orgulhoso fariseu.

Como bem destacou o comentarista da Lição “... as coisas que o fariseu dizia
fazer não eram, em si mesmas, erradas, mas a motivação com que ele agia, isto
sim, era algo altamente arrogante e mesquinho”, e eu diria: puramente religiosa e
ritualística, muito diferente da postura daquele discriminado publicano.

Deixe-me exemplificar, com um exemplo bíblico sobre a prática exaustiva e


rigorosamente tradicional – deste grupo de pessoas, os fariseus – à época de Jesus,
no tocante às questões ritualísticas, sem peso espiritual algum e, de fato, sem
nenhuma indicação de um digno e verdadeiro arrependimento.

Em Mateus 15. 1,2, assim está escrito: “(v.1) Então chegaram a Jesus uns
fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram: (v.2) Por que
transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos,
quando comem pão.”

Pois bem, aqui, nesta passagem, nos encontramos com toda a concepção do
puro e o impuro. Contudo, devemos ter bem presente que esta concepção de pureza
e impureza não tem nada a ver com a limpeza física nem com a higiene, exceto de
maneira muito remota. Trata-se de uma questão puramente cerimonial.

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Pois bem, como é sabido entre os estudiosos neste assunto:

“Estar limpo ou puro significava estar em um estado em que se podia adorar


e aproximar-se de Deus. Ser impuro significava encontrar-se em um estado
em que tal adoração e aproximação eram impossíveis. Esta impureza se
contraía ao tocar certas pessoas ou ao tocar ou comer certas coisas. Uma
mulher era impura, por exemplo, se tinha um fluxo de sangue, embora tal
fluxo fosse o seu período menstrual normal. Era impura durante um tempo
determinado depois de ter dado à luz um filho. Todo corpo morto era
impuro, e tocar um cadáver significava converter-se em impuro. Tudo gentio
era impuro.” Esta impureza era transmissível, quer dizer, era algo assim
como infecciosa. Se um camundongo tocava uma vasilha de barro, por
exemplo, essa vasilha se convertia em algo impuro. Se não fosse lavada e
limpada, seguindo um ritual determinado, tudo o que se introduzia nela era
impuro. Como resultado disto, qualquer um que tocasse na vasilha ou que
comesse ou bebesse seu conteúdo se tornava impuro. Por sua vez,
qualquer um que tocasse a pessoa que se tinha feito impura, também se
convertia em impuro. Esta idéia não pertence aos judeus com exclusividade.
Também é encontrada em outras religiões. Para um hindu de uma casta
superior qualquer um que não pertence à mesma casta é impuro; se essa
pessoa se fizer cristã, é ainda mais impura. (The Gospel of Matthew.
BARCLAY, William.)

E este mesmo autor continua:

A fim de combater esta impureza se elaborou um complicado sistema de


lavacros. Esses lavacros foram complicando-se cada vez mais. A princípio
houve uma lavagem de mãos ao levantar-se pela manhã. Logo se
desenvolveu um complexo sistema de lavagens que no começo só
concernia aos sacerdotes no templo. Antes de comer a parte do sacrifício
que lhes correspondia, devia passar por estes lavados. Logo os mais
estritos entre os judeus ortodoxos empregaram e exigiram para si estas
lavagens complicadas; também as empregaram todos os que afirmavam ser
realmente religiosos.

Em The Life and Time of Jesus the Messiah, Edersheim resume as lavagens
mais complicadas.

Mantinham-se jarros com água para serem usados antes da comida. A


quantidade mínima de água que se devia empregar era um quarto de log
(um log equivale a meio litro), que se define como suficiente para encher
uma casca e meia de ovo. Primeiro jogava a água sobre ambas as mãos
que se mantinham com os dedos para acima, e devia correr até o punho.
Devia cair de volta de fora do punho porque agora a água mesma era
impura já que havia tocado as mãos impuras, e se voltava a correr pelos
dedos voltaria a convertê-los em impuros. O procedimento se repetia com
as mãos na posição contrária, com os dedos para abaixo. Por último se
lavava cada mão esfregando cada uma delas com a palma da outra. Um
judeu realmente estrito repetia isto não só antes de cada refeição, mas
também entre um prato e outro. De maneira que a pergunta dos líderes
ortodoxos judeus a Jesus é: “Por que não observam seus discípulos as leis
sobre lavar as mãos que estabelece nossa tradição?”
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Logo, pensar e agir como aquele fariseu é assemelhar-se a um verdadeiro
hipócrita, isto é, agir como que se anunciasse a bondade própria a todos quantos
pudessem ouvi-lo. Em contrapartida, agir como aquele publicano é reconhecer seus
pecados e clamar a Deus por misericórdia.

1. O fariseu.

Quem eram esses homens?

No século I, na Palestina, surgiram alguns grupos entre a população judaica


como consequência das diversas interpretações sobre as fontes e os modos de viver
a religião de Israel. Nos tempos de Jesus, os mais apreciados pela maioria do povo
eram os fariseus. Seu nome, em hebreu perushim, significa “os segregados”, “os
separados” . Dedicavam sua maior atenção às questões relativas à observância das
leis de pureza ritual, inclusive fora do templo.

Como bem observou Henri Daniel-Rops, “os fariseus sem dúvida possuiam
uma fé profunda, firme e exigente – uma fé intransigente, que não fazia concessões.
A palavra “fariseu” é com frequência usada com o significado de “palhaço” ou
“hipócrita”, mas isto é um erro.” Claro que este respeitado escritor está se referindo
ao fato de que nem todos os fariseus eram como o da parábola, pois existiam
aqueles que de fato temiam a Deus e amavam a Ele. Contudo, todos nós nos
lembramos das palavras duras e terríveis do capítulo 23 de Mateus (vv 13-33).

Lembro-me, neste exato momento em que escrevo estas linhas, de um


Provérbio Talmúdico, em que lá assim está escrito: “Existem sete tipos de fariseus: o
“que proveito tiro disso”; o “faço a minha parte”; o “ó, minha pobre cabeça”, que
aonda com a cabeça baixa para não ver as mulheres e que bate na parede; o fariseu
“mão de pilão”, que anda tão curvo que parece um pilão com a mão dentro; o “qual é
o meu dever para que possa fazê-lo?”; o “faço uma boa obra todo dia”; e por último o
único e verdadeiro fariseu, aquele que é fariseu porque teme a Deus e tem amor por
ele”. Evidentemente que esta é uma bela sátira e idealiza cada tipo de personagem,
dando-nos também uma ideia melhor das críticas do Senhor.

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2. O publicano.

Eis, mais uma vez, uma boa pergunta: Quem eram esses homens?

Como escrevi na lição passada:

Havia duas categorias de cobradores de pedágios ou coletores de impostos:


a primeira era os denominados publicanos, que eram comumente os
cavaleiros romanos, encarregados de arrecadar os impostos; eles eram
constituídos em virtude do povo. E a segunda era os chamados corretores,
homens de uma condição inferior que se postavam nas fronteiras, às portas
das cidades, próximos aos rios, nos portos, etc. Eram desprezados devido à
rudeza de ação, das fraudes que praticavam; eles se ligavam aos Romanos
por amor aos ganhos ou lucros.

Pois bem, a palavra publicano no Novo Testamento traduz o grego telones e


significa basicamente “cobrador de taxas e impostos” ou “arrendatário”. Na verdade
desde antes de 200 a.C., existia em Roma os publicani romanos, que devem ser
diferenciados dos publicanos que aparecem no Novo Testamento.

Essa classe de homens, os ordo publicanorum, geralmente vivia na capital do


império e era responsável por arrendar em leilões promovidos pelo governo romano
os direitos de arrecadação das rendas públicas de províncias e regiões, mediante o
pagamento de uma quantia de repasse ao tesouro público, ou seja, um publicano
romano se comprometia a entrar para o tesouro publico, isto é, in publicum, e por
isso receberam esse nome.

Os publicanos romanos podiam vender parte dos direitos de arrecadação que


recebiam em determinada província, ou empregar vários agentes de coleta
subordinados a eles, a fim de se encarregarem das cobranças. Esses publicanos
geralmente estavam relacionados à ordem equestre romana, que era uma das
classes aristocráticas de Roma. Já seus subordinados, os coletores ou subcoletores
que eram contratados para realizarem a cobrança nas próprias províncias, podiam
ser nativos das regiões onde as taxas e impostos seriam cobrados.

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Os homens chamados de “publicanos” que aparecem no Novo Testamento
são especialmente esses coletores subordinados aos contratadores, e por isso
geralmente eram nativos da própria região.

Portanto, a classe dos publicanos no Novo Testamento era extremamente


odiada pelos judeus, pois além dessa má fama, eles também eram considerados
traidores de seu próprio povo ao servirem voluntariamente seus opressores, nesse
caso, os romanos. Além disso, eles eram desprezados por questões religiosas, pois
como seu trabalho exigia contatos frequentes com povos gentios, eles eram
considerados impuros cerimonialmente, e os rabinos geralmente ensinavam seus
alunos que deveriam evitar a qualquer custo sentar à mesa com eles ou manter
qualquer tipo de contato social.

3. A oração.

Como nos é conhecido, na Palestina os devotos oravam três vezes por dia: às
nove da manhã, ao meio dia, e às três da tarde. Considerava-se que a oração era
especialmente eficaz se fosse oferecida no templo, de modo que nessas horas
muitos foram aos átrios do templo a orar. Ainda hoje os mulçumanos têm a sua
oração ritualística bem presente, pois eles oram cinco vezes ao dia, ao seu deus
Alah.

Há uma oração escrita, de certo rabino, que diz assim: ”Agradeço-te, ó Deus,
meu Senhor, que me separaste com aqueles que se sentam na academia, e não
com aqueles que o fazem nas esquinas. Porque eu me levanto cedo, e eles
também; eu o faço para as palavras da lei, e eles para as coisas vãs. Eu trabalho, e
eles também o fazem. Trabalho e recebo uma recompensa; eles trabalham e não
recebem nada. Eu corro, e eles também; eu corro para a vida vindoura, e eles
correm para o abismo da destruição.”

Eis o que uma vez disse o rabino Simeão Ben Jochai: “Se só houvesse dois
homens retos neste mundo, seríamos meu filho e eu; se só houvesse um, esse seria
eu!” Portanto, aquele fariseu realmente não foi orar, foi informar a Deus a respeito de

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quão bom era ele. Como bem escreveu alguém: “Nenhum orgulhoso pode orar. A
porta do céu é tão baixa que ninguém pode entrar a não ser ajoelhado.”

II – A HIPOCRISIA DO FARISEU

1. A postura do fariseu no momento da oração.

Como se depreende do texto da parábola, o fariseu não foi ao Templo para


orar a Deus, mas para declarar publica e abertamente a sua própria bondade e
compaixão a todos os ouvintes presentes no templo àquela hora prevista. Como se
vê, foi de uma hipocrisia descarada, em certo modo.

Logo, a hipocrisia é perigosa. Leva ao orgulho, faz com que as pessoas


menosprezem as outras e as impeçam de aprender algo com Deus. Fujamos dessa
atitude repreensível.

2. Uma “oração comum.”

A lei judaica prescrevia um jejum (e oração) obrigatório, o do dia da Expiação.


Mas aqueles que queriam alcançar um mérito especial jejuavam também às
segundas-feiras e as quintas-feiras.

Devemos notar que estes eram os dias de feira em que Jerusalém estava
cheia de gente do campo. Aqueles que jejuavam e oravam branqueavam suas caras
e vestiam roupas desordenadas, e procuravam que a maior quantidade possível de
gente os visse. Os levitas recebiam o dízimo de todos os produtos (Números 18.21;
Deuteronômio 14.22). Mas este fariseu dizimava tudo, até aquilo que não era
obrigação dizimar. Sua atitude era característica do pior farisaísmo

3. A oração arrogante.

Ninguém que menospreze a seus semelhantes pode orar. Na oração não nos
elevamos acima de nossos semelhantes. Recordamos que somos um do grande
exército da humanidade pecadora, que sofre e está contrita, ajoelhados todos
perante o trono da misericórdia de Deus. A verdadeira oração brota da aproximação
de nossas vidas a de Deus. Sem dúvida tudo o que o fariseu dizia era verdade.
Jejuava; dava meticulosamente, o dízimo; não era como os outros homens; sem
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dúvida não era como o coletor de impostos. Mas a pergunta não é: “Sou tão bom
como meus semelhantes?” A pergunta é: “Sou tão bom como Deus?” Pensemos,
pois, nisso.

Tudo, na verdade, depende de como nos compararemos. E quando pomos


nossas vidas ao lado da maravilhosa vida de Jesus, e da santidade de Deus, tudo o
que fica por dizer é: “Senhor, tem misericórdia por mim, o pecador.”

III – A SINCERIDADE DO PUBLICANO

1. A oração do publicano.

Ele era um coletor de impostos. Este se mantinha afastado, e nem sequer


elevava os olhos a Deus. As versões comuns não fazem justiça à sua humildade,
pois em realidade sua oração foi: “Deus, sê propício a mim – o pecador”, como se
não fosse meramente pecador, e sim o pecador por excelência. Jesus disse: “E foi
sua oração penitente, depreciativa, a que ganhou a aceitação de Deus.”

A oração do cobrador de impostos deve ser a nossa também, porque todos


nós precisamos de misericórdia de Deus todos os dias. Não permitamos que o
orgulho por nossas “grandes” e mesquinhas conquistas nos afastem de Deus.

2. Sinceridade e arrependimento (Lc 23.39-43).

Tal qual aquele publicano, assim foi o ladrão na cruz. Aquele ladrão estava
prestes a morrer, mas voltou-se a Cristo em busca de perdão. O publicano voltou-se
a Deus, em busca de misericórdia. Jesus aceitou o gesto daquele ladrão,
semelhantemente, Deus aceitou a conduta do publicano.

Isto demonstra que as nossas obras não nos salvam; e sim a nossa fé sincera
em Cristo. Nunca é tarde demais para nos voltarmos para Deus. Mesmo em meio à
aflição. Em meio a tantos dissabores. O nosso Deus é a salvação. É hora de
retroceder e confiar somente em Deus Criador.

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3. A oração aceita (Lc 14.11).

Aquele publicano agiu conforme o texto supramencionado. Como podemos


nos humilhar?Alguns procuram ter uma aparência de humildade, a fim de manipular
os demais. Outros pensam que ser humilde significa colocar-se em posições muito
baixas.

As pessoas verdadeiramente humildes se guiam pelo exemplo de Cristo,


percebem sua pecaminosidade e suas limitações, mas também reconhecem seus
dons e virtudes, e estão dispostas a usá-los como Cristo quiser. A humildade não é
autodegradação; é uma avaliação pessoal honesta e um compromisso realista de
servir.

CONCLUSÃO

Assim, como bem escreveu o comentarista da Lição: “Quem se humilhando,


curvar-se até o pó, será amorosamente conduzido ao coração do Pai” (Sl 51.17).

Logo, com muito júbilo, louvemos ao Senhor com este lindo coro –– extraído
do hino de número 118 – da nossa Harpa Cristã.

Face a face, espero vê-lo;


No além do céu de luz;
Face a face em plena glória,
Hei de ver o meu Jesus.

[Jairo Vinicius da Silva Rocha. Professor. Teólogo. Tradutor. Bacharel em


Biblioteconomia – Presbítero, Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia
de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 10 de novembro de 2018.