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PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL

APELAÇÃO Nº 74245/2018 - CLASSE CNJ - 417 COMARCA DE


RONDONÓPOLIS
RELATOR: DES. PAULO DA CUNHA

APELANTE: GEFFSON BARBOSA DO NASCIMENTO


APELADO: MINISTÉRIO PÚBLICO

Número do Protocolo: 74245/2018


Data de Julgamento: 23-10-2018

EMENTA
RECURSO DE APELAÇÃO CRIMINAL – CRIME DE
LESÃO CORPORAL COMETIDO NO ÂMBITO DOMÉSTICO (ART.
129, § 9º, DO CÓDIGO PENAL) – PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO EM
RAZÃO DO RECONHECIMENTO DE EXCLUDENTE
DE LEGÍTIMA DEFESA – IMPOSSIBILIDADE - DOSIMETRIA –

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PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL QUANTO ÀS
CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS - CULPABILIDADE – MOTIVO E
CONSEQUÊNCIAS DO CRIME - FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA –
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Lesões corporais produzidas na ex-companheira. Vestígios do


crime comprovados por laudo pericial, dando conta das lesões sofridas pela
ofendida. Depoimentos prestados pela ofendida que se ajustam ao teor da
perícia médica. Harmonizando-se as declarações da vítima às lesões
corporais referidas pela prova pericial, e revestindo-se a palavra da vítima de
relevante valor probatório, é de ser mantida a condenação.
Para que haja o reconhecimento da legítima defesa, como causa
de excludente de ilicitude, faz-se imprescindível a produção de prova
absoluta e inequívoca de sua caracterização, ônus que a defesa não se
desincumbiu de promover. Não havendo qualquer prova de que o acusado
teria agido sob o domínio de violenta emoção, inviável a aplicação da causa

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de diminuição da pena prevista no art. 129, § 4º, do CP.


Para a majoração da pena-base é necessário que as decisões
judiciais sejam rigorosamente fundamentadas, devendo ser explicitado, de
modo concreto as razões que dão amparo para a incidência e valoração das
circunstâncias judiciais, o que não ocorreu, no caso, em relação à
culpabilidade, motivos e consequências do crime.

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APELANTE: GEFFSON BARBOSA DO NASCIMENTO


APELADO: MINISTÉRIO PÚBLICO

RELATÓRIO
EXMO. SR. DES. PAULO DA CUNHA
Egrégia Câmara:
Trata-se de apelação interposta por GEFFSON BARBOSA DO
NASCIMENTO contra decisão proferida pelo Juízo da Vara Especializada de Violência
Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Rondonópolis-MT, que julgou
parcialmente procedente a denúncia para condenar o réu à pena 03 (três) meses e 15
(quinze) dias de detenção pelo crime de lesão corporal (Artigo 129, § 9º do CP), a ser
cumprida em regime aberto, fls. 79/84-TJMT.

Nas razões recursais acostadas às fls. 98-102-TJMT, a

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Defensoria Pública postula pela absolvição por ter o recorrente agido em legítima
defesa, e alternativamente, requer o reconhecimento da causa de diminuição de pena,
prevista no art. 129, § 4º do Código Penal, e por fim pleiteia o redimensionamento da
pena-base, para o mínimo legal, consoante fls. 98/102-TJMT.

Em sede de contrarrazões, fls. 103-105-TJMT, o representante


do Ministério Público requer o improvimento do recurso interposto.

A Procuradoria-Geral de de Justiça manifestou-se às fls.


112-116-TJMT,pelo desprovimento do apelo.

É o relatório.

P A R E CER (ORAL)
SR. DR. JOSÉ DE MEDEIROS
Ratifico o parecer escrito.

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VOTO
EXMO. SR. DES. PAULO DA CUNHA (RELATOR)
Egrégia Câmara:
A defesa visa, em síntese, a absolvição de GEFFSON
BARBOSA DO NASCIMENTO por ter agido em legítima defesa, e subsidiariamente
o redimensionamento da pena.

Consta da denúncia que, fls. 04/05, in verbis:


“(...)

“1) Em 21/10/2.015, por volta das 16h30min, na


residência da vítima, localizada na Rua Guanabara, 308, Vila Valéria, em
Rondonópolis/MT, com consciência e vontade, com um soco, puxões de
cabelo e apertões, ofendeu a integridade corporal e a saúde da

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ex-companheira Luana Rafaela da Silva Barbosa, provocando equimoses
nas regiões orbitária esquerda, malar esquerda, masseterina esquerda e
braço direito, conforme BOPJC 2015.3 15666 de fis. 4/5, laudo de lesão
corporal 2494.A.15 de fis. 19/21 e declarações vitimárias de fis. 7/8.”

A materialidade do delito de lesão corporal está consubstanciada


no Laudo de Lesão Corporal de fls. 24/27-TJMT, descrevendo que a ofendida
apresentava: “Esquimoses na regiões: orbitária esquerda, malar esquerda, masseterina
esquerda, face posterior do terço superior do braço esquerdo.”, bem como
depoimentos colhidos da vítima.

Por outro lado, a defesa postula sua absolvição por ter o


recorrente agido em legítima defesa, uma vez que no dia dos fatos, estava tomando
banho com a porta do banheiro trancada, ocasião que a vítima começou a bater na porta
com um capacete, tentando arrombá-la, isso porque a vítima teria encontrado mensagens

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de outra mulher no celular do réu, e após conseguir abrir a porta começou agredi-lo
com o capacete, momento que reagiu a injusta agressão, com um soco na vítima.

Em seu interrogatório, perante a autoridade judicial, consoante


mídia de fls. 74-TJMT, o apelante negou ter agredido a vítima, contudo, na ocasião da
briga no banheiro, confessou ter dado um soco boca da vítima, para se defender, pois
estava sendo agredido por ela com um capacete. Além do mais, nega ter desferido um
soco no olho da vítima, tampouco na costas, e no seu entender, acredita que no momento
em que a ofendida bateu o capacete contra a porta do banheiro, ele tenha retornado e
atingido o seu olho, uma vez que estava realmente lecionado.

Embora o réu tenha negado as agressões físicas perpetradas


contra a vítima (conforme se depreende do interrogatório – mídia fl. 74), dizendo apenas
ter se defendido, esta confirma haver sido agredida fisicamente pelo apelante (mídia de

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fl. 74). Diz a ofendida que as agressões consistiram em soco no olho esquerdo e aperto
no braço, causando-lhe lesões corporais.

A versão apresentada pela ofendida é corroborada pelo relato


da testemunha Olinda Minato da Silva, genitora da vítima que, ainda que não tenha
presenciado as agressões, visualizou a vítima com o rosto machucado, pois acredita
que o recorrente desferiu um soco nela.

No que concerne à palavra da vítima, está vem amparada pelo


exame pericial que apurou a existência de lesões corporais, onde se pode verificar que
ditas lesões se coadunam com as agressões a que foi submetida a ofendida. Esses fatos se
mostram suficientes a definir a autoria do crime de lesões corporais, em especial diante
do fato de que à palavra da ofendida, uma vez harmônica com o contexto da prova, é de
se conferir relevante valor probatório para o deslinde de que questões penais abrangidas
pela Lei Maria da Penha.

Ademais, não há divergência nas declarações da ofendida, uma


vez que, quando ouvida em Juízo, relatou haver sido agredida mediante soco pelo

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acusado, prestando relato no mesmo sentido do que apresentou na investigação policial.

No que concerne à legítima defesa invocada pelo denunciado,


através de sua defesa técnica, é de ser considerado que o fato dos autos diz respeito ao
crime de lesões corporais praticadas em razão das relações domésticas, e de lesões
produzidas por um homem contra uma mulher, em que naturalmente há em favor do
agressor imensa superioridade física, de modo a impor maior rigor o exame dos
requisitos e pressupostos da legítima defesa, insertos no art. 25 do CP. No caso dos
autos, ditos requisitos e pressupostos não foram comprovados, e se embasam apenas e
exclusivamente em alegações do apelante. E a improbabilidade da versão trazida pelo
apelante, consiste, em verdade, na ausência de demonstração de que ele tenha sofrido
qualquer tipo de lesão.

Não prospera, também, o pedido de redução da pena por força


do parágrafo 4º do artigo 129 do Código Penal, pois não restou demonstrado que o réu
estava impelido por violenta emoção.

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De outra banda, quanto a irresignação da Defesa em relação à
pena substitutiva aplicada, tenho que merece ele acolhimento

A magistrada fixou à pena em 03 (três) meses de detenção, e 15


(quinze) dias multas, considerando o que se segue:
“ (...)
II - Verifica-se que a culpabilidade do acusado foi acentuada,
possuindo total consciência da ilicitude do fato cometido, era imputável e
deveria ter agido com conduta diversa da que teve.
II - No tocante aos antecedentes, o acusado não os ostenta, ante
o teor da Súmula 444 do Superior Tribunal de Justiça.
III - Em relação à conduta social e a personalidade do acusado
não há dados para análise e laudo específico.
IV - No que tange o motivo do crime este não lhe favorece, vez
que lesionou a vítima, sem qualquer motivação aparente, demonstrando a
banalidade da ação, causando-lhe sofrimento físico e mental.
V - As circunstâncias são inerentes ao tipo penal.

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VI - As consequências são graves, vez que a vítima foi obrigada


a registrar a ocorrência, além de lhe causar transtornos e angústias de toda
ordem.
VII - Quando ao comportamento da vítima, em nada contribuiu
para a consecução da conduta criminosa.
Diante da análise das circunstâncias judiciais, sopesando-as
uma a uma, sendo algumas delas desfavoráveis ao acusado, a pena-base
deve ser fixada acima do mínimo legal, ou seja, em 03 (três) meses e 15
(quinze) dias de detenção.”

Como se verifica a pena-base foi exasperada tendo em vista a


valoração negativa da culpabilidade, motivos e consequências do crime, o qual
afastou-se do mínimo legal em mês e 15 (quinze) dias.
A culpabilidade não pode ser considerada para o incremento da
pena-base, ao argumento que o acusado tinha “total consciência da ilicitude do fato
cometido, era imputável e deveria ter agido com conduta diversa” de forma que tais

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elementos não justifica o aumento do grau de censurabilidade da conduta, a ponto de
elevar a pena-base, tal qual como procedido na sentença condenatória.
Sabe-se que a culpabilidade, para fins do art. 59 do CP, deve ser
compreendida como juízo de reprovabilidade sobre a conduta, apontando maior ou
menor censurabilidade do comportamento do réu. Não se trata de verificação da
ocorrência dos elementos da culpabilidade, para que se possa concluir pela prática ou
não de delito, mas, sim, do grau de reprovação penal da conduta do agente, mediante
demonstração de elementos concretos do delito, o que não ocorreu in casu. Assim, a
fundamentação utilizada para avaliar negativamente a "culpabilidade" mostra-se
inidônea.
Da mesma forma, deve ser afastadas as circunstâncias negativas
dos motivos e consequências do crime, pois inerente ao próprio tipo, de forma que não
houve a indicação de elementos idôneos para subsidiar o incremento da pena-base. Por
esta razão, mantenho a pena-base no mínimo legal.
Portanto, imprescindível o decote no quantum da pena-base

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para 03 (três) meses de detenção, o qual transformo em definitivo, devido a ausência de


circunstâncias agravantes ou atenuantes, bem como causas de aumento e de diminuição
de pena.
Por tais fundamentos, dou parcial provimento à apelação,
somente para reduzir a pena corporal para 03 (três) meses de detenção. Mantida, nos
demais termos a sentença recorrida.
É como voto.

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ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a PRIMEIRA
CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sob a
Presidência do DES. PAULO DA CUNHA, por meio da Câmara Julgadora, composta
pelo DES. PAULO DA CUNHA (Relator), DES. MARCOS MACHADO (1º Vogal) e
DES. ORLANDO DE ALMEIDA PERRI (2º Vogal), proferiu a seguinte decisão: À
UNANIMIDADE, PROVEU PARCIALMENTE O RECURSO.

Cuiabá, 23 de outubro de 2018.

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DESEMBARGADOR PAULO DA CUNHA - RELATOR

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