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GOVERNANÇA

DA INFORMAÇÃO

NO TRANSPORTE
RODOVIÁRIO DE CARGA
SUMÁRIO
1 – Nota Fiscal (NF) de Entrada: ............................................................... 03
2 – Nota Fiscal Não Eletrônica – Modelos 1 e ........................................... 03
3 – Nota Fiscal de Anulação de Valor: ....................................................... 04
4 – Prazo de validade das Notas Fiscais para o Transporte ..................... 05
5 – Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e): ....................... 07
6 – Carta de Correção Eletrônica (CC-e): .................................................. 08
7 – Entrega em local diverso: .................................................................... 09
8 – Reversão de Frete: .............................................................................. 09
9 – Notas fiscais de Mostruário, Demonstração e Treinamento: ............... 10
10 – Recusa Total e Parcial e Dev. através de CT-e com aglutinação de
nota fiscal: .................................................................................................. 11
11 – Nova Tentativa de Entrega (Reentrega): ........................................... 18
12 – Manifestação do Destinatário: ........................................................... 19
13 – Vantagens para o remetente e destinatário pelo não agrupamento de
DANFEs (Nota Fiscal): ............................................................................... 22

Versão 2/2016 (Novembro)


 1. Nota Fiscal (NF) de Entrada:

Somente é válido o procedimento de utilizar NF de entrada para acompanhar


o transporte em caso de devolução, quando o remetente da mercadoria
estiver dispensado da emissão de nota fiscal, na condição de não
contribuinte, nas operações dentro do próprio Estado.

Quando se tratar de uma operação interestadual, ou seja, quando o cliente


estiver localizado em UF diferente da UF do estabelecimento emissor de nota
fiscal, não poderá utilizar a NF de entrada para acobertar o transporte,
portanto, o procedimento correto, é a emissão de uma Nota Fiscal Avulsa
ou outro documento hábil autorizado pelo Estado em que está se iniciando
a operação, porém esse procedimento não o desobriga de emitir a NF de
entrada quando da chegada da mercadoria ao seu estabelecimento, para fins
de regularização dos estoques e da sua escrituração fiscal.

No caso de contribuintes do imposto é obrigatória a emissão de NF de


Devolução para acobertar a operação de retorno:

Exceções: Nos estados de SP, RS, RJ e PR é permitindo o transporte


utilizando declaração em caso de Não Contribuintes nas operações
internas.

(Fundamentação Legal: RJ - art 35 do Decreto 45.756, de16/09//2016; SP


- Respostas às Consultas nº 499/87, 833/02 e 131/06; Artigo 54 do
Convênio S/Nº de 15/12/1970)

2. Nota Fiscal Não Eletrônica


Modelos 1 e 1A:

Na devolução (Logística Reversa) para contribuintes do ICMS é


obrigatória a emissão de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)

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Desde 01/09/2015, ficou proibida à emissão de Nota Fiscal não eletrônica
(Modelo 1 ou 1A), nas operações interestaduais para os contribuintes
exclusivamente varejistas, nos CFOP 6.201, 6.202, 6.208, 6.209, 6.210,
6.410, 6.411, 6.412, 6.413, 6.503, 6.553, 6.555, 6.556, 6.661, 6.903, 6.910,
6.911, 6.912, 6.913, 6.914, 6.915, 6.916, 6.918, 6.920, 6.921.
Exceção: Notas Fiscais Avulsas autorizadas pelo fisco.

(Fundamentação Legal: Protocolo 44 de 16/06/2015)

3. Nota Fiscal de Anulação de Valor:

O procedimento de anulação de valores não se aplica as hipóteses de erros


passíveis de correções mediante carta de correção e/ou CT-e Complementar,
sendo seu uso aplicado unicamente para erros devidamente comprovados de
valor superior ao do frete combinado e, que já não é mais possível efetuar o
cancelamento do mesmo.

O tomador do serviço de transporte contribuinte do ICMS deverá emitir


nota fiscal própria, pelo valor total do serviço, com destaque do imposto,
consignando como natureza da operação "Anulação de valor relativo à
aquisição de serviço de transporte", informando o número do CT-e emitido com
erro, os valores anulados e o motivo, devendo ser enviado o DANFE, bem
como o XML da NF-e de anulação para o transportador.

O transportador de posse da nota de anulação, deverá emitir outro CT-e


Substituto, referenciando o CT-e original emitido com erro, consignando a
expressão "Este documento está vinculado ao documento fiscal n.º ..... e data
..... em virtude de (especificar o motivo do erro)", baixar o CT-e emitido
incorreto no Contas a Receber e/ou Faturamento.

O tomador do serviço de transporte não contribuinte do ICMS deverá


emitir declaração mencionando o número e data de emissão do CT-e emitido
com erro, bem como o motivo do erro.

Após receber a declaração acima, o transportador deverá emitir CT-e de


anulação para o CT-e emitido com erro, pelo valor total do serviço, com
destaque do imposto, consignando como natureza da operação "Anulação de

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valor relativo à prestação de serviço de transporte", informando o número do
CT-e emitido com erro e o motivo, após emissão do CT-e de anulação,
deverá emitir outro um CT-e substituto, referenciando o emitido com erro e
consignando a expressão "Este documento substitui o CT-e número... e data
... em virtude de (especificar o motivo do erro)”, baixar o CT-e emitido
incorreto no Contas a Receber e/ou Faturamento.

A Nota fiscal de Anulação de valor não corrige o pagador do frete;


Os Códigos Fiscais de Operaçôes e Prestações (CFOP) para emissão
das NF de Anulação são: 5206 (Operação Intermunicipal) e 6206
(Operação Interestadual);
O CT-e Substituto não deverá ser manifestado (MDF-e).
(Fundamentação Legal: Ajuste SINIEF 04/2009)

4. Prazo de validade das Notas Fiscais


para o Transporte:

MG – Até às 24 horas (meia-noite) do dia seguinte da data de saída


informada na NF-e, para percorrer os primeiros 100 km.

De três (3) dias, a contar do dia seguinte da data de saída informada na NF-e,
quando se tratar de mercadoria com destino a estabelecimento situado acima
de 100 km da sede do emitente, observando-se que, para o percurso dos 100
km iniciais, o prazo de validade será até às 24 horas do dia seguinte da saída
da mercadoria; FL: Art. 58 do Anexo V do RICMS MG

SP – Não há prazo estabelecido na legislação, porém o fisco orienta a


acatar o prazo de no máximo cinco (5) dias;

RJ – 3 (três) dias corridos, quando o remetente e o destinatário estiverem


localizados no mesmo município ou em municípios limítrofes; 7 (sete) dias
corridos nos demais casos, inclusive nas remessas feitas por contribuintes
localizados em outra unidade da Federação, a contar da data do ingresso da
mercadoria no território deste Estado, consignada no Registro de Passagem ou
na ausência, no dia do início indicado no documento fiscal correspondente à
data da saída da mercadoria ou, na sua falta, a data da emissão do documento
fiscal. FL: Anexo 1, Art. 21 do Decreto 44.584/14 RJ

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ES – Não há prazo estabelecido na legislação, porém o fisco orienta seguir
o prazo de no máximo três (3) dias;

PR – Não há prazo estabelecido na legislação, porém o fisco orienta seguir


o prazo de no máximo três (3) dias;

SE – O prazo estabelecido na legislação é de cinco dias (5) dias a partir da


efetiva saída do estabelecimento; FL: Art. 191 –A, inciso I do RICMS SE

BA – Não há prazo estabelecido na legislação, porém o fisco orienta seguir


o prazo de no máximo três (3) dias;

RS – Não há prazo estabelecido na legislação, porém o fisco orienta seguir


o prazo de no máximo três (3) dias;

SC – Até o dia seguinte da emissão ou da data de saída efetiva do


documento fiscal, ou seja, se não tiver data de saída o prazo começa a contar
a partir da emissão; FL: Art. 137, Inciso IV do RICMS SC

CE – Para transporte dentro do próprio Estado a nota fiscal terá validade de


sete (7) dias a partir da data da sua emissão para circulação e entrega ao
destinatário. Para operações interestaduais, conforme o fisco aplica-se o
princípio da razoabilidade; FL: Art. 428 do RICMS CE

PE – Quando o destinatário estiver localizado no


mesmo município o prazo de validade da NF, bem
como CT-e, é de até cinco (5) dias. Nas demais
hipóteses o prazo de validade é de quinze (15) dias.
FL: Art. 85 § 21 do RICMS PE

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NF-e com ausência da data, hora e início da Saída:

Em MG – Nos casos em que o Documento Auxiliar da Nota Fiscal


Eletrônica (DANFE), não constar a data de saída, existe possibilidade de
solicitar ao remetente que utilize ferramenta disponível no SIARE
(disponível em: https://www2.fazenda.mg.gov.br/sol/) onde se informa a
data efetiva saída da mercadoria. Caso não tenha sido informada no
DANFE e nem no SIARE, será considerada a data de emissão para fins
de emissão do CT-e.
No RS - As indicações referentes ao transportador e a data da efetiva
saída da mercadoria do estabelecimento podem ser feitas mediante a
utilização de qualquer meio gráfico indelével. FL: Livro II, Artigo 187,
Parágrafo 2º RICMS RS
Demais Estados da Federação – Nos casos em que o Documento
Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (DANFE), não constar a data de saída,
será considerado a data de emissão como da efetiva saída.
Quanto aos prazos de Nota Fiscal para SP, ES, PR, BA e RS, é de
extrema importância ressaltar que o prazo em dias apresentado como de
razoável aceitação pelo fisco, não decorre de fixação legal como já
informado. Porém, apresenta-se como prazo razoável dentro do critério de
bom senso demonstrado pelo agente de fiscalização. (Art. II, Livro II)

5. Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais


(MDF-e):

Nas operações interestaduais de carga fracionada é obrigatório a emissão


do MDF-e, desde 2 de janeiro de 2014, para as transportadoras emissora de
CT-e previstas no anexo inciso 1 da clausula 24ª do ajuste SINIEF 09/2007.

O MDF-e deverá ser emitido nas operações normais do transporte de carga


fracionada, ou seja, na transferência entre os CDs da transportadora,
devendo ser encerrado ou remanifestado em cada destino e/ou na inclusão de
novas mercadorias.

Também deverá ser emitido nas situações em que haja transbordo,


redespacho, subcontratação, ou substituição do veículo, do motorista, de
contêiner, ou inclusão de novas mercadorias ou documentos fiscais, bem
como na hipótese de retenção imprevista de parte da carga transportada.
(MG e SP intermunicipal tem obrigatoriedade de MDF-e)

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Em se tratando de transporte de carga própria, devido a não
obrigatoriedade de emissão de CT-e, o documento a ser informado no
MDF-e será a NF-e utilizada para fins do transporte.

Após a sua autorização, poderá ser solicitado o seu cancelamento,


desde que não tenha iniciado o transporte.
O mesmo deverá ser encerrado após o final de cada percurso
descrito no documento e nas situações supramencionadas.
(Fundamentação Legal: Ajuste SINIEF 21/2010, 15/2012 e Portaria
CAT 102/2013 SP, Decreto 50397/13 RS e Item 4 da NPF CRE 96/13
PR)

6. Carta de Correção Eletrônica (CC-e):

A partir de 01/06/2014 passou a ser obrigatório a emissão de CC-e para


corrigir erros no CT-e, sendo vedada a utilização da Carta de Correção
não eletrônica para sanar erros de qualquer espécie no CT-e (Ajuste
SINIEF 7/2014).

A CC-e é utilizada para regularização de erro ocorrido na emissão de CT-


e, desde que o erro não esteja relacionado com (Art. 58B do Convenio
SINIEF 06/89 e Ajustes SINIEF 7/2014):

As variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de


cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da prestação;
A correção de dados cadastrais que implique mudança do emitente,
tomador, remetente ou do destinatário;
A data de emissão ou de saída.

Lembrando ainda que existem diferenças entre as correções permitidas por


carta para NF-e em relação às do CT- e, a saber:

A CC-e da NF-e não poderá ser utilizada para sanar erros relacionados
(Ajuste SINIEF 10/2011):

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As variáveis consideradas no cálculo do valor do imposto, tais como:
valor da operação ou da prestação, base de cálculo e alíquota;
A dados cadastrais que impliquem alteração na identidade ou no
endereço de localização do remetente ou do destinatário;
A data de emissão da NF-e ou à data de saída da mercadoria.

Após emissão de CC-e para o CT-e, este não poderá ser mais
cancelado.

7. Entrega em local diverso:

Não é permitida a entrega de mercadoria em endereço fiscal diverso do


destinatário. Exceto para:

1) Destinatário não contribuinte do imposto (Em domicilio próprio ou de


terceiros);
a. desde que a entrega seja realizada no mesmo estado, e
b. desde que a informação do endereço de entrega, esteja citado no campo
específico do documento fiscal (NF-e). Fundamentação Legal: Ajuste
SINIEF 1/2014.

2) O material adquirido por empresa de construção civil que poderá ser


entregue diretamente no local da obra, desde que na documentação fiscal
emitida constem o nome, o endereço e o número de inscrição do
estabelecimento adquirente e a indicação do local onde deverá ser entregue
o material.

3) Contribuintes dos Estados do RJ e do ES.


Desde que a mercadoria seja entregue a estabelecimento da mesma
empresa adquirente (Matriz/Filial).

4) Contribuintes do estado de São Paulo. Quando:


a. 1 - ambos os estabelecimentos do adquirente, bem como, o fornecedor
estiver situado neste Estado;
b. 2 - constarem no documento fiscal emitido pelo remetente os endereços e
os números de inscrição de ambos os estabelecimentos do adquirente, bem
como a indicação expressa do local da entrega da mercadoria.
Fundamentação legal: § 4º, inciso V do Artigo 125 RICMS/SP, Decreto
45.490/2000.

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Nota: O Local diverso no CT-e será informado no campo
“RECEBEDOR”

8. Reversão de Frete:

Não é possível reverter o pagador do frete, após o prazo para o


cancelamento de CT-e e após manifestação da carga, pois a
reversão implicaria em alterações de informações que impactam no
valor da prestação, base de cálculo e imposto.

O Fisco está estudando um mecanismo parecido com o da Nota de


Anulação de Valor para permitir essa correção nas hípoteses acima.

A Nota fiscal de Anulação de valor não corrige o pagador do


frete.

9. Notas fiscais de Mostruário,


Demonstração e Treinamento:
Considera-se demonstração a operação pela qual o contribuinte remete
mercadorias a terceiros, em quantidade necessária para se conhecer o
produto, desde que retornem ao estabelecimento de origem em 60 dias.

Considera-se operação com mostruário a remessa de amostra de


mercadoria, com valor comercial, a empregado ou representante, desde que
retorne ao estabelecimento de origem em 90 dias, mesmo prazo de remessa
para treinamento.

Não se considera mostruário aquele formado por mais de uma peça com
características idênticas, tais como, mesma cor, mesmo modelo, espessura,
acabamento e numeração diferente.

Na hipótese de produto formado por mais de uma unidade, tais como, meias,
calçados, luvas, brincos, somente será considerado como mostruário se
composto apenas por uma unidade das partes que o compõem.

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Nota: O prazo previsto no caput poderá ser prorrogado, por igual período, a
critério da unidade federada de origem da mercadoria.

O trânsito de mercadoria (remessa e retorno) destinada a demonstração,


mostruário e utilizada em treinamento, em todo território nacional, deverá ser
efetuada com a mesma nota fiscal, desde que a mercadoria retorne nos
prazos previstos acima. Fundamentação Ajuste SINIEF 08/2008

10. Recusa Total e Parcial e Devolução através


de CT-e com aglutinação de nota fiscal:

Orientações sobre como proceder fiscalmente em relação às seguintes


operações:

1) Recusa Integral
Cenário real da Prestação:

No Retorno de Mercadoria não entregue ao Destinatário, como a própria


identificação do processo sugere, não temos aqui a tradição da mercadoria
efetivada (entrega). Este procedimento é reconhecido pelo fato do
destinatário não aceitar a tradição, ou seja, ele destinatário não reconhece a
devida operação como a acordada com o remetente. Deste modo, o
destinatário manifesta no verso do documento que acompanha a circulação
da mercadoria o motivo do não reconhecimento da operação, informando
que procederá a recusa da mesma, devendo a mercadoria retornar ao

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remetente pelo “desacordo” apresentado. A recusa dessa mercadoria pelo
destinatário pode ser motivada por desacordo com o pedido, horário
posterior ao acordado, entre diveros outros motivos. Também existem
situações em que o termo de recusa deverá ser realizado pelo transportador
que está encarregado de efetuar a entrega, essa situação é passiva em
situações em que o destinatário alegado termina por não ser encontrado ou
tenha se mudado, ou não pode ser localizado.

Reforça-se que caso haja a impossibilidade da entrega ou o não aceite do


produto pelo destinatário (independentemente do motivo) ocorre o seu
retorno, ficando novamente em poder do estabelecimento remetente. O
referido motivo pelo qual a mercadoria não foi entregue será
obrigatoriamente indicado, no verso da nota fiscal ou DANFE emitida por
ocasião da saída, pelo destinatário ou pelo transportador. Portanto, se a
mercadoria não foi entregue ao destinatário, não há o que se falar em nova
saída, pois, a única que ocorreu até este momento foi a do remetente, sendo
que, torna-se indiscutível a inexistência de uma nova circulação da
mercadoria, ou seja, uma nova emissão de NF-e, uma vez que, a
mercadoria irá retornar ao remetente com a mesma NF-e (DANFE), com a
recusa efetuada no verso pelo destinatário ou pelo próprio transportador,
sendo que, o DANFE com a recusa no verso será o documento hábil para
acompanhar o transporte de retorno dessa mercadoria ao remetente.

Embasamento legal – Ajuste SINIEF 06/89 – Art.72 – No retorno de


mercadoria ou bem, por qualquer motivo não entregue ao destinatário, o
conhecimento de transporte original servirá para acobertar a prestação de
retorno ao remetente, desde que observado o motivo no seu verso.

Cumpre-nos destacar que, no caso da prestação de serviço de transporte


para efetuar o retorno dessa mercadoria ao remetente no caso de
“mercadoria não entregue ao destinário”, não ocorre o mesmo entendimento
relacionado à circulação (mesma DANFE acompanhar o transporte de
retorno) por parte dos Estados, uma vez que, mesmo sem ter ocorrido a
tradição (fim da prestação principal), mesmo ficando claro que não há troca
de tomador, ou seja, não é um novo contrato de prestação, pois, tomador,
mercadoria, prestador são os mesmos, apenas retornando ao remetente
pela sua não entrega, o Estado interpreta que há o início de uma nova
prestação, pois, nesse caso no seu entendimento já ocorreu a tradição, ou
seja, o fim da prestação original (origem/destino) constante do CT-e emitido
sobre à NF-e/DANFE da mercadoria recusada.

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Esse entendimento de início de uma nova prestação de serviço de transporte,
o qual sujeita o contribuinte (transportadora) à emissão de um novo CT-e
“normal/Normal”, tendo o mesmo documento originário (NF-e/DANFe
recusada), apresenta um novo cenário de emissão, uma vez que, a
existência de mais um CT-e Normal/Normal atrelado a uma mesma NF-e,
revela uma situação de “anormalidade operacional” ou de “exceção”, sendo
que, ao emitir o documento de circulação principal da maneira tradicional será
verificada a prestação de envio da carga pelo remetente ao destinatário
(situação normal), já o segundo documento emitido retratará a prestação de
exceção com percurso inverso e a indicação de expedidor e recebedor
envolvidos no cenário de recusa de mercadoria não entregue ao destinatário.

Portanto, no CT-e “Normal/Normal”, que será emitido pelo transportador para


acompanhar o retorno da mercadoria, constará nos campos de remetente e
destinatário os dados indicados na NF-e (DANFE) recusada, que está
acompanhando o retorno da carga, e que figurará como documento originário
nesse CT-e, sendo que, no campo de expedidor os dados cadastrais
completos de onde ele está apanhando a carga, ou seja, os dados cadastrais
da pessoa que figurou como destinatário da carga na circulação principal e
como recebedor o local onde ele estará entregando a carga, ou seja, o
remetente da circulação principal, que passa a figurar na exceção como
recebedor da carga não entregue ao destinatário. Desta forma, o
transportador se coloca em situação regular frente ao cenário de transporte
que esta prestes a realizar, sendo que, informará no CT-e como origem da
prestação a cidade que ele informou no expedidor e como destino da
prestação a cidade que ele mencionou como Recebedor.

Reforçando o entendimento de que não poderá haver simplesmente a


inversão dos dados do remetente e destinatário no documento que acoberta a
prestação de serviço de transporte apresentamos o Art. 58-A, Incisos I e II,
Parágrafo 1º do Convênio Sinief 06/89, que nos apresenta de maneira clara
que o remetente e destinatário devem ser os apresentados conforme
indicados na nota fiscal. Lembramos que o Ajuste Sinief 09/2007 que instituiu
o Conhecimento de Transporte Eletrônico, apresenta em sua cláusula
vigésima segunda que caberá no que couber a aplicação das normas do
Convênio Sinief 06/89.

Art. 58-A. Para efeito de aplicação desta legislação, em


relação à prestação de serviço de transporte, considera-se:

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I - remetente, a pessoa que promove a saída inicial da carga;
II - destinatário, a pessoa a quem a carga é destinada;
§ 1º O remetente e o destinatário serão consignados no documento fiscal
relativo à prestação do serviço de transporte, conforme indicado na Nota
Fiscal, quando exigida.

Cabe observar ainda que a presente situação coloca a prestação de


recusa de mercadoria não entregue ao destinatário, como fato gerador
(ICMS) na UF do destinatário. Portanto, temos a destacar que, caso o
transportador tenha unidade inscrita na UF do destinatário, ou seja, onde
ocorreu a recusa, deve emitir o documento fiscal de transporte (CT-e) de
retorno da mercadoria ao remetente, por essa unidade evitando assim que
a prestação seja qualificada como iniciada em UF em que o prestador não
esteja inscrito, ensejando para este caso a emissão de GNRE e
recolhimento do ICMS antecipado através de guia. Gerando o
conhecimento pela unidade da empresa de transporte situada na
localidade do destinatário a empresa recolherá o ICMS devido “nesta nova
prestação” em conta gráfica normal, sem a necessidade de utilização de
GNRE e nem a emissão de CT-e em série separada.

1.1) Recusa com efeito de Devolução

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A Recusa Parcial de uma carga movimentada não trata-se de um cenário
tributário vigente, pois, esta situação não é concebida como uma hipótese
tributária isolada. Desta forma não há um dispositivo que a regule. Porém é
possivel diagnosticar seu efeito pratico nas operações diarias de transporte,
por encontramos na regulamentação do Imposto Sobre Mercadorias e
Serviços de Transportes e Comunicação - (ICMS) a sua não existência. As
exeções a regra prevista no critério material de uma hipótese tributária, por
excelência sempre será descrita pelo legislador. Para esta identificação é
necessário que a interpretação dos conceitos legais vigentes sejam de
forma literal como previsto no artigo 111 do Código Tributário Nacional -
(CTN) e compreendam todos os requisitos de análise exigidos pelo cenário.
Desta forma a exceção a regra como é o caso da recusa parcial, surgirá
não como uma situação não prevista. Mas como uma situação,
contemplada pela regra geral da hipótese tributaria devidamente regulada,
mas com efeito prático não noninado no regulamento por tratar-se de
situação distinta pertencente ao universo do conceito de operação e não ao
conceito da prestação.

De forma objetiva, não há recusa parcial. O que existe na prática é a


recusa total evidenciada pela manifestação do destinatário por não
reconhecer a operação de uma referida NF-e.

Na interpretação literal da norma vigente no artigo 72 do Convênio SINIEF


06/89, somente possibilita o retorno da carga não entregue ao destinatário
quando a recusa é total. Essa afirmação está correta e diz respeito ao
cumprimento da regra acessória, em relação ao retorno da carga ser
acompanhada dos respectivos documentos originários (NF-es e CT-e) que
acobertaram a movimentação de ida, desde que com a respectiva ressalva
da manifestação de recusa no verso dos documentos. O que deve ficar
claro é que esta é a regra geral e que deve ser obedecida por todos.
Porém, há a flexibilidade da movimentação da recusa parcial de uma NF-e
contida em um CT-e agrupado.

Deste modo, o que ocorre no cenário da suposta existência de uma


recusa parcial é a manifestação divergente de confirmação e não
confirmação da operação, para cada NF-e individualmente. Cabendo
desta forma a ressalva no CT-e que acompanhou a carga para evidencia
do fato gerador registrando que algumas das notas ali referenciadas foram
recebidas pelo destinatário e outras não. Situação que descredencia esse
documento (CT-e) para acobertar o retorno da carga. Sendo plenamente
possível o retorno de carga não recebida pelo destinatário, acobertada
com a mesma NF-e que motivou a recusa, porém acompanhada com
outro conhecimento de transporte e não do mesmo que acobertou a
movimentação de ida.

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Situação em que uma vez procedida e devidamente declarada no verso
do DANFE e eletronicamente no CT-e. A carga somente poderá
retornar ao Remetente e não mais poderá ser entregue ao
destinatário.

Nota: É necessário que o cliente receba a carga toda, para


logo em seguida fazer a recusa nos documentos (NF-e) em
desacordo, encerrando assim nossa prestação e
possibilitando a baixa do nosso CT-e, por isso o nome,
recusa com efeito de devolução.

1.2) Devolução

A Devolução somente ocorre quando o destinatário recebe a carga a ele


destinada, e após o efetivo recebimento e assinatura do conhecimento
sem ressalva, atesta que tanto a circulação da mercadoria (venda) e
transporte se encerrou. Dando origem a uma nova circulação e uma
nova prestação, acobertadas por novos documentos fiscais.

Observem que para solucionar o problema ocasionado por recusas


parciais de carga (notas) elencadas em um único conhecimento, o
destinatário deverá aceitar a carga toda e efetuar a devolução apenas da
mercadoria que encontra-se em desacordo. Desta forma, não se trata
mais de recusa parcial, mas sim devolução de produto.

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2. Frete CIF x FOB – “Reversão de Frete”.

Não existe previsão legal para a emissão de CC-e (Carta de correção-


eletrônica) e nem da utilização do processo de “anulação de valores.

O recurso utilizado, por enquanto, até que se tenha uma orientação


explícita e legal, é a emissão de novo CT-e com o tomador do serviço
correto.
Se feita a denúncia espontânea junto ao fisco e adotado esse procedimento
na empresa, deverá a área contábil ser informada para orientar e instruir
sobre a elaboração do processo administrativo fiscal pertinente junto ao
Estado.

11. Nova Tentativa de Entrega (Reentrega).

Um determinado Remetente / tomador do serviço, contrata uma empresa de


transporte de cargas para executar a movimentação do ponto de origem até
um ponto de destino qualquer, nesta oportunidade acorda com o prestador o
valor da remuneração para a execução do seguinte serviço: apanhar a carga
no Remetente (origem do percurso) e entregá-la ao Destinatário indicado no
documento originário (Fim do percurso);

O transportador contratado, concorda com a remuneração para executar o


referido serviço e disponibiliza um determinado veículo para executar a coleta,
gera o documento de transporte de cargas com a remuneração e percurso
contratado, inicia o transito para o destino. Chegando ao destino da carga,
identifica que o participante por um motivo qualquer manifesta interesse em
receber a carga, mas não pode fazê-lo no momento em que a transportadora
apresentou-se para entregá-la. O transportador visando atender plenamente a
necessidade do cliente, entende que poderia desempenhar um serviço
acessório a prestação original, movendo esta carga para uma base operacional
situada na mesma localidade da entrega e efetuar novamente esta entrega em
data previamente acordada com o destino;

Essa situação apresenta-se como um novo evento no acordo feito entre


transportador e remetente/tomador, ensejando um “reajuste” de
remuneração devido a um aumento do serviço prestado, esta situação não se
converte em um novo fato gerador de tributo, devido a prestação de serviço
não se encerrar quando o prestador chegou no destinatário, a mesma somente
se encerra quando existe a comprovação da entrega, ou seja, o transportador
foi contratado para entregar a carga ao destino, no caso de uma recusa ou

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outro tipo de evento o mesmo não estaria autorizado a fazer nada mais do que
retornar com a mesma ao remetente, mas diante da possibilidade de entregar a
mesma em outra oportunidade que não aquela apresentada, cabe ao
transportador identificar com o tomador a situação que se apresenta e revelar
ao mesmo, que pode efetuar uma nova tentativa de entrega na data “x” mas a
mesma terá um reajuste no preço contratado.

Para este procedimento ser feito dentro dos padrões legais, cabe ao
transportador verificar na localidade de entrega se há alguma restrição de data
para entrega de carga recebida, caso haja, e o tempo solicitado para a nova
tentativa de entrega seja superior ao mesmo, o procedimento estaria invalidado
e deveria ser feita a recusa no verso do documento e efetuar o retorno da
mesma ao Remetente.

O documento hábil para efetuar a tentativa de entrega é o próprio


documento de transporte emitido originalmente para isso, lembrando que o
mesmo não cumpriu o ciclo operacional que é efetuar a entrega ao destino e
receber a comprovação da mesma, através da assinatura do destino;

Para a efetiva cobrança do “reajuste” do frete acordado entre as partes, deve


ser emitido um complemento de frete, conforme os padrões legais
estabelecidos.
Fundamentação Legal: Inciso I do art. 4º do Convênio SINIEF 6/1989.

12. Manifestação do Destinatário.

O que é a Manifestação do Destinatário?

É um conjunto de eventos, que permite que o destinatário da NF-e possa se


manifestar sobre a sua participação comercial descrita na NF-e, confirmando as
informações prestadas pelo seu fornecedor e emissor do respectivo documento
fiscal. Este processo é composto de quatro eventos:

1. Ciência da Emissão
2. Confirmação da Operação
3. Registro de Operação não Realizada
4. Desconhecimento da Operação

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Atividades Obrigadas:
• Cigarros;
• Bebidas Alcóolicas, incluindo cerveja e chopp;
• Refrigerantes e água mineral.
• Postos de Combustíveis e empresas que trabalham como revendedores
retalhistas;
• Toda Nota Fiscal que ultrapassa R$ 100.000,00, independente da
atividade na qual a empresa emissora exerce;
• Operações com uso de álcool para fins não combustíveis.

DOS PRAZOS PARA O REGISTRO DE EVENTOS:

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Se a Manifestação do Destinatário ainda não é obrigatória, por que as
empresas devem adotar este processo? R: Para saber quais são as NF-
e que foram emitidas, em todo o país, tendo a empresa como
destinatária:

• Para evitar o uso indevido de sua Inscrição Estadual, por parte de emitentes de
NF-e que utilizam inscrições estaduais idôneas;
• Para acobertar operações fraudulentas de remessas de mercadorias para
destinatário diverso do indicado na documentação fiscal;
• Para poder obter o XML das NF-e, que não tenham sido transmitidas pelo
respectivo emitente;
• Para obter segurança jurídica no uso do crédito fiscal correspondente, pois
uma nota confirmada não poderá ser cancelada pelo seu emitente;
• Para registrar junto aos seus fornecedores que a mercadoria foi recebida e
constituir formalmente o vínculo comercial que resguarda juridicamente as
faturas comerciais, sem a necessidade de assinatura no canhoto impresso no
DANFE.

FL: Clausula 15ª A do Ajuste SINIEF 07/2005.

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13 – VANTAGENS PARA O REMETENTE E DESTINATÁRIO
PELO NÃO AGRUPAMENTO DE DANFES (NOTA FISCAL):

1. Facilidade de 8. Facilidade quando


recebimento por parte do houver casos de avarias
destinatário, quando ele ou faltas de produtos, ou
estiver com problemas seja, não se condena o
com falta de espaço ou lote todo;
motivo de força maior;
9. Facilidade na solução,
2. Facilidade no quando houver extravio de
atendimento aos DANFEs (Nota Fiscal) nas
agendamentos; barreiras fiscais
interestaduais, ou seja,
3. Maior rapidez no não se condena o lote
recebimento e conferência todo;
na entrega;
10. Facilidade e agilidade
4. Maior rapidez nos em caso de pendências,
trâmites internos dos quando esta, precisa ser
destinatários (verificar se devolvida a origem;
os pedidos estão
lançados no sistema do 11. Enquadramento legal
cliente); ao ajuste SINIEF 06/89 –
Art. 16 e 17 – INC. VI e IX
5. Solução mais rápida em ao qual determina que
caso de recusas; todo CT-e deve ter seu
serviço integral, ou seja, o
6. Redução drástica nos destinatário deverá
Comprovantes Retidos receber todas as DANFEs
para conferência (Nota Fiscal) ou recusar
posterior; todas as DANFEs (Nota
Fiscal) com seus
7. Rapidez nos casos de respectivos volumes.
entregas com produtos
distintos ou quando as
entregas são separadas e
segregadas por: cor,
tamanho ou referência;

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