AULA 4:
Considerações introdutórias
Proposições categóricas
Quadro de oposições
CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS:
o 2) Universal negativa (E): Nenhum F é G.
o 3) Particular afirmativa (I): Algum F é G.
o 4) Particular negativa (O): Algum F não é G.
o Diagramas de Venn (método de representação espacial e de decisão para a silogística categórica):
o O quadrado de oposição ajuda a negar corretamente proposições das quatro formas dadas. Por
exemplo, a negação de uma universal afirmativa (A) é uma particular negativa (O) e não uma
universal negativa (E), como pode parecer a alguns.
Ex: a negação de A (“Toda verdade é relativa”) é O (“Alguma verdade não é relativa”) e
não E (“Nenhuma verdade é relativa”).
Ex2: Para negar ‘Todo mineiro é atleticano’, que por sinal é falsa, precisamos de pelo
menos um indivíduo que seja mineiro e não seja atleticano, isto é, precisamos afirmar a
sentença ‘Algum mineiro não é atleticano’, que de fato é uma sentença verdadeira. Note
que a negação não é a sentença ‘Nenhum mineiro é atleticano’, que também é falsa. Note
que, se uma sentença é falsa sua negação deve ser verdadeira.
Na lógica clássica isso fica mais fácil de ser percebido, pois basta colocar o
operador de negação à frente da afirmação. Por exemplo, a negação de A [∀x (Fx
→ Gx)] é O [¬∀x (Fx → Gx)], que é a mesma coisa que ∃x (Fx ∧ ¬Gx). Da
mesma forma, a negação de E [∀x (Fx → ¬Gx)] é I [¬∀x (Fx → ¬Gx)], que é a
mesma coisa que ∃x (Fx ∧ Gx), e não A [∀x (Fx → Gx)].
o Com o quadro de oposição podemos mais facilmente inferir a verdade ou falsidade de algumas
proposições:
o O quadrado de oposições permite também perceber que as afirmações subalternas podem ser
ambas verdadeiras, ainda que, intuitivamente, tendamos a considerar a afirmação particular
falsa. Por exemplo, dado que “Todos os homens são mortais”, é correto afirmar que “Alguns
homens são mortais”, assim como é verdadeiro afirmar que há 4 pessoas na sala quando há 10 (o
que se quer dizer é que há pelo menos alguns homens mortais ou 4 pessoas na sala).
Isso é contra-intuitivo, pois contraria uma máxima conversacional segundo a qual se
deve transmitir toda a informação disponível (e se eu sei que todos os homens são
mortais, é enganador dizer que alguns homens são mortais, pois o interlocutor pressupõe
que alguns homens não são mortais – pressuposição esta que não é logicamente válida).
AULA 5:
Teoria do silogismo
Importante notar que a premissa maior não é definida em função da posição que
ocupa, mas sim como a premissa que contém o termo maior (que, por definição, é
o termo predicado da conclusão). O mesmo ocorre com a premissa menor, que é
definida por conter o termo menor (o termo sujeito da conclusão).
Aristóteles conseguiu com bastante sucesso determinar as formas válidas de silogismo. Existem 256
tipos de silogismos, sendo 24 coerentes e 19 válidos (o resto é falácia).
o Alguns exemplos:
Silogismo A – A – A Todo crente em Deus merece ser salvo
Os cristãos são crentes em Deus.
Os cristãos merecem ser salvos.
Para que um argumento em forma silogística seja válido, ele deve obedecer a um conjunto de regras
mais ou menos intuitivas, que são as seguintes (cf. MARGUTTI, Breve Resumo das Regras do
Silogismo Aristotélico):
o 1ª Regra: somente três termos (menor, médio e maior).
O silogismo completo deve ter exatamente três termos. O menor é ligado ao maior
através do médio.
O desrespeito a essa regra conduz à falácia dos quatro termos (quaternio terminorum).
Falácia dos quatro termos: não é um silogismo, pois não possui um termo médio.
o Ex: Quem guarda gado é pastor.
Quem é pastor é sacerdote protestante.
Quem guarda gado é sacerdote protestante.
o Ex2: O cão ladra.
Aquele grupo de estrelas é o cão.
Logo, aquele grupo de estrelas ladra.
o 2ª Regra: os termos maior e menor nunca devem ter maior extensão na conclusão do que nas
premissas.
Os termos do silogismo podem ser entendidos como designando classes de objetos. Neste
caso, temos de prestar atenção à extensão em que tais classes foram tomadas. Com efeito,
se uma dessas classes for tomada, numa das premissas, em apenas em parte de sua
extensão e, na conclusão, em toda a sua extensão, estaremos diante duma falácia: teremos
passado indevidamente da parte para o todo. Não é difícil identificar a extensão do
sujeito das proposições aristotélicas, pois esta já vem indicada através dos
quantificadores utilizados. Assim, em ‘todo homem é mortal’, o termo ‘homem’ foi
tomado universalmente; em ‘algum médico é pediatra’, o termo ‘médico’ foi tomado
particularmente.
Regra para determinar a extensão do conceito que ocupa a posição de predicado:
o Sentença afirmativa: predicado tomado particularmente
o Sentença negativo: predicado tomado universalmente
Ex: ‘Todos os arianos [u] estão fadados a dominar o mundo [p].
Ora, nenhum chinês [u] é ariano [u].
Logo, nenhum chinês [u] está fadado a dominar o mundo [u]’.
o 3ª Regra: o termo médio nunca deve aparecer na conclusão.
Se o termo médio aparecer na conclusão, ele não terá desempenhado a sua função de
ponte entre dois conceitos e não permitirá uma inferência silogística. Esta regra é
suficientemente intuitiva para dispensar exemplos.
o 4ª Regra: o termo médio deve ser tomado universalmente ao menos uma vez.
Versão simplificada (6ª Regra): de duas premissas particulares nada se conclui.
Com efeito, se as premissas forem particulares, o termo médio não terá sido
tomado universalmente ao menos uma vez e não haverá inferência válida. Esta
regra permite que, em alguns casos, sejamos capazes de determinar a validade de
um silogismo sem ter que examinar a extensão dos termos envolvidos.
Se o termo médio for tomado particularmente nas duas premissas, não haverá garantia de
que a parte da extensão do termo médio na premissa maior é a mesma parte da extensão
do termo médio na premissa menor. Neste caso, ele não poderá funcionar como ponte
entre os termos maior e menor e a inferência não será válida.
Ex: Alguns políticos são ladrões.
Ora, alguns padres são políticos.
Logo, alguns padres são ladrões.
Forma: Algum A é B.
Algum C é A.
Logo, algum C é B.
o 5ª Regra: de duas premissas negativas nada se conclui.
Se as premissas são negativas, elas simplesmente estão excluindo uma classe da outra.
Isto não permite que o termo médio funcione como ponte e, desse modo, a inferência não
pode ser válida.
Ex: Nenhum padre é ladrão.
Nenhum ladrão é honesto.
Logo, Nenhum padre é honesto.
Forma: Nenhum A é B.
Nenhum B é C.
Logo, nenhum A é C.
A conclusão não decorre das premissas, pois o fato de as classes ‘A’ e ‘C’ estarem
excluídas da classe ‘B’ nada nos autoriza a dizer sobre a relação entre A e C.
o 6ª Regra: (vide regra 4)
o 7ª Regra: a conclusão segue sempre a pior premissa.
Aqui, a palavra ‘pior’ tem a ver com o fato das sentenças envolvidas serem particulares
ou universais, afirmativas ou negativas. Desse modo, se houver uma premissa particular
no argumento, a conclusão deverá também ser particular; se houver uma premissa
negativa no argumento, a conclusão deverá também ser negativa; se houver uma
premissa simultaneamente particular e negativa, a conclusão deverá também ser
particular negativa.
o 8ª Regra: se as premissas são sentenças afirmativas, a conclusão não pode ser negativa.
Se as premissas são afirmativas, elas incluem classes umas nas outras (não há qualquer
exclusão de classes); em virtude disso, a conclusão também deverá incluir uma classe na
outra, não podendo haver qualquer exclusão aqui também.
AULA 6:
Diagramas de Venn
o Método de decisão para a silogística categórica: Para verificar se um silogismo é ou não válido
mediante o método dos diagramas de Venn, é necessário representar ambas as premissas em um
diagrama, o que se faz por meio de 3 círculos que se interceptam, cada qual representando um
dos termo (maior, menor e médio) presentes nas premissas.
Tomemos então as seguintes classes:
S: termo menor
P: termo maior
M: termo médio
o Ex1:
Para diagramar a proposição “Todo M é P”, sombreamos toda a parte de M que não se
sobreponha a P (não está contida em P, o que inclui as áreas S-PM e -S-PM). Ou seja:
o
Para diagramar a proposição “Todo S é M”, sombreamos toda a parte de S que não se
sobreponha a M (não está contida em M, o que inclui as áreas S-P-M e SP-M). Ou seja:
o
Agora, podemos diagramar as duas proposições ao mesmo tempo, ou seja: “Todo M é P”
e “Todo S é M”, o que dá:
o
Este diagrama acima representa espacialmente o silogismo AAA:
Todo M é P.
Todo S é M.
Logo, todo S é P.
o Ex2:
Para representar um silogismo com uma premissa particular. Seja:
Todos os artistas são egoístas.
Alguns artistas são pobres.
Logo, alguns pobres são egoístas.
Começa-se representado a premissa universal (Todos os artistas são egoístas) e depois
inserimos um x para diagramar a premissa particular (Alguns artistas são pobres). Assim,
temos:
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