You are on page 1of 283

KE-31-11-047-PT-N

RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE — Guia de prevenção e boas práticas
Riscos de segurança
e saúde no trabalho
no setor da saúde
Guia de prevenção e boas práticas

As publicações da Direção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais


e da Inclusão interessam-lhe?

Pode descarregá-las ou assiná-las gratuitamente em linha no endereço


http://ec.europa.eu/social/publications

Pode subscrever gratuitamente o boletim informativo eletrónico


da Europa Social da Comissão Europeia no endereço
http://ec.europa.eu/social/e-newsletter

http://ec.europa.eu/social www.facebook.com/socialeurope

doi:10.2767/78438 A Europa Social


A presente publicação é apoiada pelo Programa da União Europeia para o Emprego e a Solidariedade
Social — PROGRESS (2007-2013).

O programa é executado pela Comissão Europeia. Foi criado para financiar a realização dos objetivos da
União Europeia nas áreas do emprego, dos assuntos sociais e da igualdade de oportunidade e, deste modo,
contribuir para a concretização dos objetivos da estratégia «Europa 2020» nestes domínios.

Previsto para sete anos, o programa dirige-se a todos os intervenientes aptos a contribuir para a elaboração
de legislação e a adoção de medidas políticas apropriadas e eficazes em matéria social e de emprego na
EU-27, nos países EFTA-EEE e nos países candidatos e pré-candidatos à UE.

Para mais informações, consultar: http://ec.europa.eu/progress


Riscos de segurança e saúde
no trabalho no setor da saúde

Comissão Europeia

Direção-Geral do Emprego, dos Assuntos Sociais e da Inclusão

Unidade B3

Original concluído em novembro de 2010


Nem a Comissão Europeia nem qualquer pessoa que atue em seu nome são responsáveis pelo uso que possa ser feito com
as informações contidas nesta publicação.

© Fotografias da capa: iStock

Para qualquer utilização ou reprodução das fotos não abrangidas pelos direitos de autor da União Europeia, deve ser
solicitada autorização diretamente ao(s) detentor(es) dos direitos de autor.

O presente guia foi elaborado por:

Bundesanstalt fur Arbeitsschutz und Arbeitsmedizin (BAuA — Instituto Federal de Segurança e Saúde no Trabalho);
Berufsgenossenschaft für Gesundheitsdienst und Wohlfahrtspflege (BGW — Instituição de Seguros e Prevenção de
Acidentes nos Serviços de Saúde e Proteção Social); Contec Gesellschaft für Organisationsentwicklung mbH; Deutsches
Netz Gesundheitsfordernder Krankenhäuser gem. e.V. (DNGfK — Rede Alemã de Hospitais Promotores de Saúde); BAD/
Team Prevent GmbH

Europe direct é um serviço que responde


às suas perguntas sobre a União Europeia

Linha telefónica gratuita (*):

00 800 6 7 8 9 10 11
(*) Alguns operadores de telefonia móvel não permitem o acesso aos números iniciados por 00 800 ou cobram
essas chamadas

Encontram-se disponíveis outras informações sobre a União Europeia na rede Internet, via servidor Europa (http://europa.eu)

Uma ficha catalográfica e um resumo figuram no final desta publicação

Luxemburgo: Serviço das Publicações da União Europeia, 2012

ISBN 978-92-79-26836-6

doi:10.2767/78438

© União Europeia, 2012

Reprodução autorizada mediante indicação da fonte


Índice
Preâmbulo 7

Introdução e visão 11

1. A prevenção e promoção da saúde como tarefa de gestão 13


Descrição de boas práticas empresariais 21

2. Como realizar uma avaliação dos riscos? 23


2.1. Introdução 24

2.2. Funções e responsabilidades 24

2.3. Que aspetos se devem ter em conta antes de iniciar a avaliação dos riscos? 28

2.4. Como iniciar a avaliação dos riscos? 28

2.5. Inclusão dos aspetos relacionados com o género na avaliação dos riscos 34

2.6. Descrição de boas práticas empresariais 35

2.7. Ligações 40

2.8. Diretivas da União Europeia aplicáveis 43

2.9. OiRA: Instrumento interativo de avaliação dos riscos em linha da EU-OSHA 43

2.10. Bibliografia 43

2.11. Exemplo de uma avaliação dos riscos baseada na movimentação manual dos doentes 44

2.12. Exemplo de uma avaliação dos riscos baseada na desinfeção de superfícies 45

3. Riscos biológicos 49
3.1. Introdução 50

3.2. Avaliação geral dos riscos de possível exposição profissional a infeções 51

3.3. Avaliação específica dos riscos biológicos 69


3.3.1. Risco de infeções transmissíveis por via sanguínea 69
3.3.2. Risco de infeções transmissíveis por via aerógena 80
3.3.3. Risco de infeção por contacto direto e indireto 84
3.3.4. Descrição de boas práticas empresariais: 88
— Gestão das infeções por contacto
— Medidas preventivas no serviço de ambulâncias 90
3.3.5. Infeções especiais 92

3
3.4. Gravidez 101

3.5. Diretivas da União Europeia aplicáveis 102

3.6. Ligações 103

3.7. Bibliografia 105

4. Riscos músculo-esqueléticos 107


4.1. Riscos de desenvolvimento de lesões músculo-esqueléticas 108
4.1.1. Introdução 108
4.1.2. Natureza do risco 109
4.1.3. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica para a prevenção de lesões músculo-esqueléticas 112
4.1.4. Situações laborais com maior exposição 116
4.1.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança 121
4.1.6. Medidas de prevenção e proteção 124
4.1.7. Comportamento em situações críticas: recomendações para os trabalhadores 132
4.1.8. Principais mensagens e conclusões 136
4.1.9. Diretivas da União Europeia aplicáveis 137
4.1.10. Descrição de boas práticas empresariais 139
4.1.11. Ligações 151
4.1.12. Bibliografia 156

4.2. Prevenção de acidentes causados por escorregões, tropeções e quedas 157


4.2.1. Introdução 157
4.2.2. Natureza do risco 158
4.2.3. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica para a prevenção de acidentes causados
por escorregões, tropeções e quedas 159
4.2.4. Situação laboral com maior exposição 160
4.2.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança 161
4.2.6. Medidas de prevenção e proteção 161
4.2.7. Equipamentos de proteção individual 164
4.2.8. Comportamento em situações críticas: recomendações para os trabalhadores 166
4.2.9. Principais mensagens e conclusões 166
4.2.10. Diretivas da União Europeia aplicáveis 166
4.2.11. Ligações 168
4.2.12. Bibliografia 170

5. Riscos psicossociais 171


5.1. Introdução 172

5.2. Stresse e esgotamento profissional (burnout) 176


5.2.1. Natureza do risco em causa 176
5.2.2. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica 176
5.2.3. Situações laborais com maior exposição 182

4
5.2.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança 182
5.2.5. Medidas gerais de prevenção e proteção 183
5.2.6. Descrição de técnicas e procedimentos de prevenção específicos 184

5.3. Prevenção e monitorização da violência e do assédio moral


(coação e terrorismo psicológico) no local de trabalho 186
5.3.1. Natureza do risco em causa 186
5.3.2. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica 188
5.3.3. Situações laborais com maior exposição 192
5.3.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança 192
5.3.5. Medidas gerais de prevenção e proteção 193
5.3.6. Descrição das técnicas e dos procedimentos de prevenção específicos 194
5.3.7. Exemplos de boas práticas empresariais 194
5.3.8. Comportamentos adequados em situações críticas 194
5.3.9. Conhecimentos e conclusões mais importantes 195

5.4. Horários de trabalho 196


5.4.1. Natureza do risco em causa 196
5.4.2. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica 196
5.4.3. Descrição das situações laborais com maior exposição 198
5.4.4. Descrições dos efeitos sobre a saúde e a segurança 198
5.4.5. Medidas gerais de prevenção e proteção 200
5.4.6. Descrição das técnicas e procedimentos de prevenção específicos 201
5.4.7. Exemplos de boas práticas empresariais 201
5.4.8. Comportamentos adequados em situações críticas 202
5.4.9. Conhecimentos e conclusões mais importantes 202

5.5. Abuso de drogas 203


5.5.1. Natureza do risco em causa 203
5.5.2. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica 203
5.5.3. Situações laborais com maior exposição 205
5.5.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança 205
5.5.5. Medidas gerais de prevenção e proteção 205
5.5.6. Técnicas e procedimentos de prevenção específicos 205
5.5.7. Comportamentos adequados em situações críticas 206
5.5.8. Conhecimentos e conclusões mais importantes 207

5.6. Diretivas da União Europeia aplicáveis 208

5.7. Descrição de boas práticas empresariais 209


5.7.1. Entrevista na Havelland Clinics Nauen sobre os riscos psicossociais 209
5.7.2. Entrevista no hospital St. Elisabeth de Tilburg sobre os riscos psicossociais 211

5.8. Ligações 213

5.9. Bibliografia 215

Anexo 217

5
6. Riscos químicos 219
6.1. Introdução 220

6.2. Natureza do risco em causa: riscos específicos atribuídos às substâncias


e preparações perigosa 221

6.3. Critérios básicos para avaliar os riscos químicos 221


6.3.1. Avaliação dos riscos 225

6.4. Medidas gerais de prevenção e proteção: aplicação de medidas


de proteção tendo em conta a avaliação dos riscos 227
6.4.1. Medidas de proteção 227
6.4.2. Fornecimento de informações/instruções aos trabalhadores 229
6.4.3. Monitorização da eficácia das medidas 230

6.5. Trabalhos de limpeza e desinfeção 230


6.5.1. Descrições das situações de trabalho com maior exposição 231
6.5.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde e a segurança 232
6.5.3. Técnicas e procedimentos de prevenção específicos 233

6.6. Medicamentos citostáticos/citotóxicos 234


6.6.1. Descrição das situações laborais com maior exposição 234
6.6.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde e a segurança 236
6.6.3. Técnicas e procedimentos de prevenção específicos 236

6.7. Atividades envolvendo gases anestésicos 241


6.7.1. Descrição dos trabalhos com exposição máxima 242
6.7.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde e a segurança 242
6.7.3. Técnicas e procedimentos de prevenção específicos 244

6.8. Atividades envolvendo substâncias tóxicas para a reprodução 247

6.9. Diretivas da União Europeia aplicáveis 250

6.10. Descrição de boas práticas empresariais 251


6.10.1. Entrevista no Hospital Geral de Viena (AKH de Viena) sobre a segurança no trabalho em atividades de desinfeção 251
6.10.2. Segurança no trabalho com medicamentos citostáticos 254

6.11. Ligações 258

6.12. Bibliografia 263

Impressão 265

Anexos 269
Anexo 1: Lista de abreviaturas e acrónimos 270

Anexo 2: Peritos envolvidos na elaboração do presente guia «Hospitais» 273

6
Preâmbulo
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Aproximadamente 10% dos trabalhadores da União Europeia pertencem ao


setor da saúde e da proteção social, e muitos trabalham em hospitais, podendo
estar expostos a uma grande variedade de riscos. A legislação da União Europeia
em matéria de segurança e saúde no trabalho já cobre a maioria destes riscos,
mas a sua grande diversidade, associada à circunstância de poderem ocorrer em
simultâneo e de forma combinada, e o facto de este ser claramente um setor de
alto risco suscitaram um debate sobre a necessidade de adotar uma abordagem
específica para proteger melhor a saúde e a segurança do pessoal hospitalar a
nível da União.

Todas as considerações tecidas e as eventuais medidas indicadas com este intuito


podem ser alargadas aos trabalhadores do setor da saúde em geral.

Contexto

Em novembro de 2001, realizou-se uma primeira reunião com os representantes dos


governos dos Estados-Membros para debater a situação existente nos respetivos paí-
ses e as suas posições preliminares sobre a eventual adoção de medidas comunitá-
rias destinadas a melhorar a segurança e a saúde no trabalho no setor hospitalar. Tais
contactos foram iniciados por se considerar importante dispor de uma panorâmica
específica da segurança e saúde no trabalho nos estabelecimentos de saúde da União
Europeia e da aplicação das disposições comunitárias em vigor neste domínio.

Na reunião, os participantes manifestaram grande satisfação com a iniciativa da


Comissão de lançar o debate sobre a situação existente num setor que emprega uma
percentagem elevada da população ativa da União Europeia e em que os trabalha-
dores estão expostos a muitos e diversos tipos de riscos concomitantes (infeções,
agentes químicos, agentes cancerígenos, lesões músculo-esqueléticas, acidentes,
radiação, etc.). Foi consensual que, apesar de não se afigurar necessário adotar novas
disposições legislativas comunitárias específicas para o setor hospitalar, a adoção de
outras medidas, de caráter não legislativo, tais como recomendações, e a produção a
nível da União de guias de boas práticas para o setor, seria uma ação muito positiva e
necessária. Os participantes também conferiram particular importância à difusão de
informações e ao intercâmbio de experiências neste domínio, designadamente atra-
vés da Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA), sedeada
em Bilbau.

Consideraram igualmente que a criação de um grupo ad hoc sobre «Segurança e


saúde no setor hospitalar» no âmbito do Comité Consultivo permitiria continuar a ana-
lisar as eventuais medidas comunitárias num contexto tripartido. Esse grupo ad hoc
foi incumbido de elaborar um projeto de parecer dirigido ao Comité Consultivo sobre
possíveis medidas da União para melhorar a proteção da segurança e saúde dos traba-
lhadores no setor hospitalar.

O grupo de trabalho aprovou um projeto de parecer que foi apresentado para debate
e posteriormente aprovado pelo Comité, que considerou haver várias iniciativas susce-
tíveis de serem tomadas a nível da União. Tendo debatido as várias opções disponíveis,
o comité concluiu que todos os riscos profissionais para a segurança e a saúde no setor
da saúde já estão adequadamente cobertos pela diretiva-quadro, a Diretiva 89/391/
/CEE do Conselho, de 12 de junho de 1989, relativa à aplicação de medidas destinadas
(1) JO L 183 de 29.6.1989, a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores no trabalho (1), e
p. 1 a 8. por outras diretivas relativas à segurança e saúde no trabalho.

8
PREÂMBULO

Além disso, decidiu que se devia dar prioridade à produção, a nível comunitário, de um
guia de prevenção e boas práticas para os trabalhadores hospitalares, centrado nos
riscos mais significativos do setor, designadamente:

a) agentes biológicos;

b) lesões músculo-esqueléticas;

c) perturbações de ordem psicossocial; e

d) agentes químicos.

Estes grupos de risco são abordados, no presente guia, do ponto de vista da segurança
e saúde no trabalho (SST), sem atender a quaisquer considerações de saúde pública,
exceto quando estas têm implicações para a SST. Alguns riscos potenciais foram exclu-
ídos por já estarem abrangidos pelo âmbito de aplicação de outras disposições legis-
lativas da União Europeia em vigor.

O guia de prevenção e boas práticas foi concebido e produzido como um instrumento


muito prático e fácil de compreender, que pode servir de base a ações de formação
inicial e periódica para o pessoal hospitalar. Tem designadamente em conta os mais
recentes conhecimentos técnicos e científicos no domínio da prevenção, bem como
os guias e materiais de boa qualidade já existentes a nível nacional, juntamente com
as informações disponibilizadas através da EU-OSHA.

Na descrição das medidas aplicáveis, o guia segue os métodos de prevenção hierar-


quizados enunciados na Diretiva 89/391/CEE do Conselho.

Os grupos vulneráveis que trabalham no setor: trabalhadoras grávidas, trabalhadores


jovens, idosos e migrantes, merecem especial atenção, sendo mencionadas, sempre
que necessário, medidas de prevenção e proteção especificamente direcionadas para
esses grupos.

9
Introdução
e visão
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

O presente guia de prevenção e boas práticas no setor da saúde tem o objetivo de


melhorar as normas de segurança e saúde aplicadas nas instituições de saúde da
União Europeia.

As questões de segurança e saúde no trabalho representam uma parte importante da


gestão da qualidade, da gestão dos riscos e da responsabilidade social das empresas
(RSE). Em consequência, os aspetos de SST devem estar integrados em todos os pro-
cessos de desenvolvimento da gestão, isto é, na estratégia empresarial, nos recursos
humanos e no desenvolvimento organizacional.

A visão de locais de trabalho melhores, mais saudáveis e mais competitivos baseia-


-se na criação de uma cultura empresarial em que os gestores e os trabalhadores
(enquanto peritos sobre os seus próprios locais de trabalho) debatam os processos de
trabalho em conjunto, numa dinâmica de melhoramento contínuo que inclua todos
os riscos associados e eventuais medidas de aperfeiçoamento. Essa cultura empresa-
rial positiva é essencial para o desenvolvimento sustentável e bem sucedido das insti-
tuições de saúde.

O presente guia apresenta os alicerces sobre os quais se poderão construir sistemas


de segurança e saúde adequados. Oferece orientações sobre o âmbito de ação a não
especialistas neste domínio, mas sem aprofundar os conhecimentos sobre determi-
nadas medidas e métodos de prevenção. No fim de cada capítulo, uma lista de liga-
ções Internet remete para informações complementares e mais pormenorizadas, bem
como para instrumentos específicos. O guia dirige-se tanto aos empregadores como
aos trabalhadores do setor da saúde e visa esclarecer uns e outros sobre os riscos pro-
fissionais existentes.

O utilizador encontrará informações sobre a natureza dos riscos e os métodos utili-


zados na sua avaliação, assim como recomendações sobre as medidas e opções de
formação destinadas a prevenir os efeitos prejudiciais para a saúde. Além disso, o pre-
sente guia fornece aos trabalhadores e aos empregadores informações claras sobre as
boas práticas que visam prevenir os riscos analisados.

O guia baseia-se nas diretivas da União Europeia de aplicação obrigatória em todos


os Estados-Membros e, por isso, os seus utilizadores não devem esquecer que podem
existir regulamentações mais rigorosas a nível nacional, que também devem ser toma-
das em consideração.

12
1
A prevenção
e promoção
da saúde como
tarefa de gestão
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Os distúrbios de saúde, lesões e doenças profissionais causam grande sofri-


mento humano e impõem pesados encargos, tanto às pessoas afetadas como à
sociedade em geral. As medidas de segurança e saúde no trabalho, e a promoção
da saúde no local de trabalho, visam precisamente evitar a sua ocorrência. No
entanto, para além de proteger os trabalhadores de quaisquer danos, o presente
guia pretende mostrar aos gestores do sistema de saúde como podem fazer
com que o seu hospital ou outro estabelecimento promova a saúde segundo a
definição que desta faz a Organização Mundial de Saúde (OMS): um estado de
completo bem-estar físico, mental e social, bem como a capacitação das pessoas
para utilizarem o seu próprio potencial em termos de saúde e para responderem
eficazmente às exigências do seu ambiente.

Só será possível que os trabalhadores usufruam de uma tão grande capacidade em


matéria de saúde se a empresa tiver uma cultura de prevenção que integre sistema-
ticamente os aspetos relativos à saúde em todas as questões empresariais. A direção
da empresa não só é responsável pela aplicação de medidas de promoção da saúde,
no sentido de uma prevenção circunstancial, como deve, acima de tudo, dar o exem-
plo em termos da sua própria conduta. Tem, por isso, um impacto decisivo na cultura
empresarial e introduz mudanças comportamentais entre os trabalhadores.

A segurança e saúde no trabalho deve ser, assim, encarada como um importante obje-
tivo empresarial da organização, par a par com a qualidade, a satisfação dos clientes,
a produtividade, o crescimento e a rentabilidade. A melhor forma de proporcionar aos
trabalhadores condições de trabalho seguras e saudáveis é integrar a SST num sistema
de gestão da qualidade. A avaliação dos riscos é um processo contínuo, que tem de ser
repetido com frequência, devendo os seus resultados ser documentados e integrados
pela direção do estabelecimento no seu planeamento estratégico.

Definição de segurança e saúde no trabalho (2)


Em 1950, o Comité Misto da OIT/OMS sobre saúde no trabalho afirmou que
«a saúde no trabalho tem como objetivos a promoção e manutenção do mais alto
grau de bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores em todas as profissões;
a prevenção dos desvios de saúde causados pelas condições de trabalho; a pro-
teção dos trabalhadores no local de trabalho contra os riscos resultantes de fato-
res adversos à saúde; a colocação e manutenção do trabalhador num ambiente
de trabalho adaptado às suas capacidades fisiológicas e psicológicas». Em suma:
«a adaptação do trabalho ao homem e de cada homem à sua atividade».

Especificações obrigatórias da União Europeia

Nos termos do artigo 153.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, «a


União apoiará e completará a ação dos Estados-Membros nos seguintes domínios:

a) melhoria, principalmente, do ambiente de trabalho, a fim de proteger a saúde e a


segurança dos trabalhadores;

(2) Stellman, J. M. (ed.), b) condições de trabalho;


ILO Encyclopaedia
of Occupational Health
and Safety, c) segurança social e proteção social dos trabalhadores;
volume 1:16.1-16.62,
Organização d) proteção dos trabalhadores em caso de rescisão do contrato de trabalho;
Internacional
do Trabalho, Genebra,
1998. e) informação e consulta dos trabalhadores...».

14
1 A PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE COMO TAREFA DE GESTÃO

A Diretiva 89/391/CEE do Conselho relativa à aplicação de medidas destinadas a pro-


mover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores no trabalho estabeleceu
os preceitos mínimos destinados a promover a melhoria, nomeadamente, das condi-
ções de trabalho, a fim de assegurar um melhor nível de proteção de segurança e da
saúde dos trabalhadores (3). Os requisitos específicos da diretiva serão pormenoriza-
damente referidos nas secções seguintes do guia. Esta diretiva foi transposta para as
legislações nacionais, as quais podem prever requisitos adicionais.

As entidades patronais são obrigadas a avaliar os riscos e a adotar medidas práticas


para proteger a segurança e a saúde dos seus trabalhadores, manter registos dos aci-
dentes, fornecer informações e formação, consultar os trabalhadores e cooperar e
coordenar as medidas com as empresas contratantes.

As medidas de prevenção e proteção devem ser aplicadas pela seguinte


ordem de prioridade (4):
• eliminação do perigo/risco;
• controlo do perigo/risco na fonte, através da utilização de controlos de enge-
nharia ou de medidas organizativas;
• minimização do perigo/risco através da conceção de sistemas de trabalho segu-
ros, que incluam medidas de controlo administrativo;
• caso subsistam perigos/riscos residuais que não possam ser controlados pelas
medidas coletivas, fornecimento pela entidade patronal de equipamentos de
proteção individual adequados, incluindo vestuário, a título gratuito, e adoção
(3) Diretiva 89/391/CEE
de medidas para garantir a sua utilização e manutenção.
do Conselho, de 12 de
junho de 1989, relativa
A aplicação das medidas de segurança e saúde no trabalho não é uma obrigação à aplicação de medidas
destinadas a promover
exclusiva dos empregadores: os trabalhadores também têm o dever de cooperar nesta a melhoria da seguran-
matéria (mediante a participação nos cursos de formação disponibilizados e a colabo- ça e da saúde dos traba-
ração dos seus representantes e responsáveis pela segurança). O artigo 13.º, n.º 1, da lhadores no trabalho,
JO C, 29.6.1989,
Diretiva 89/391/CEE dispõe o seguinte: p. 1 a 8.

«Cada trabalhador deve, na medida das suas possibilidades, cuidar da sua segurança e (4) Guidelines on occupa-
saúde, bem como da segurança e saúde das outras pessoas afetadas pelas suas ações tional health and safety
management systems,
ou omissões no trabalho, de acordo com a sua formação e as instruções dadas pela sua OIT-SST, Genebra, 2001,
entidade patronal». p. 11.

15
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Uma abordagem de gestão estruturada garante uma avaliação exaustiva dos riscos
e a introdução e prossecução de métodos de trabalho seguros e análises periódicas
para assegurar que estas medidas se mantêm adequadas. Descreve-se, a seguir, um
modelo de gestão típico (5).

• Política: estabelece um compromisso claro e define os objetivos, responsabilidades


e procedimentos da organização.

• Planeamento: identifica e avalia os riscos decorrentes das atividades profissionais,


bem como a forma como podem ser controlados. Entre as atividades incluídas no
processo de planeamento, figuram as seguintes:
»» avaliar os riscos e identificar as medidas preventivas;
»» identificar as modalidades de gestão e organização necessárias para os controlar;
»» identificar as necessidades de formação;

»» assegurar que há conhecimentos, competências e especialistas em matéria de


segurança e saúde no trabalho disponíveis.

• Aplicação e funcionamento: trata-se de pôr os planos em prática, o que pode


implicar uma alteração da organização e dos processos de trabalho, bem como do
ambiente de trabalho, dos equipamentos e produtos utilizados; a formação da ges-
tão e do pessoal, e a melhoria da comunicação.

• Verificação e medidas corretivas: o desempenho deve ser monitorizado. Essa


monitorização pode ser reativa — utilizando, por exemplo, os registos de acidentes
— ou proativa, baseando-se, por exemplo, nas informações obtidas em inspeções e
auditorias e nos inquéritos ao pessoal. As investigações dos acidentes devem iden-
tificar as causas imediatas e subjacentes aos mesmos, incluindo as deficiências de
gestão, com o objetivo de assegurar o bom funcionamento dos sistemas e procedi-
mentos e de tomar imediatamente as medidas corretivas necessárias.

• Análise e auditoria da gestão: permite verificar o desempenho global do sistema de ges-


tão. As circunstâncias externas podem ter mudado (por exemplo, pode ter sido adotada
nova legislação) e estas atividades também constituem uma oportunidade de prever
circunstâncias futuras, por exemplo, alterações da estrutura empresarial, o desenvolvi-
mento de novos produtos ou a introdução de novas tecnologias. A análise dos acidentes
permite extrair ensinamentos a nível da gestão e as auditorias verificam se a política, a
organização e os sistemas em vigor estão realmente a atingir os resultados devidos.

Os sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho


devem ter as seguintes componentes
• Participação constante dos trabalhadores na determinação dos objetivos e medidas de
segurança e saúde no trabalho: os trabalhadores são peritos no que respeita aos seus
próprios locais de trabalho!

• Consultas sobre experiência dos trabalhadores relativamente aos riscos para a saúde
existentes.

• Ideias para melhorar a atribuição de funções, as sequências dos processos e as con-


dições de trabalho concretas em cada atividade e nos locais de trabalho.

Os objetivos de segurança e saúde no trabalho devem ser mensuráveis e programa-


dos, e têm de respeitar os princípios acima mencionados. A organização deve fornecer
os recursos necessários para a sua aplicação, designando, nomeadamente, as pessoas
(5) http://osha.europa.eu/
en/topics/accident_ com funções no domínio da segurança e saúde no trabalho (dispensando-as, inclusi-
prevention. vamente, de outras funções).

16
1 A PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE COMO TAREFA DE GESTÃO

Todas as organizações devem registar os seguintes elementos por escrito:

a) os fatores que levam à determinação e identificação de um perigo;

b) a forma como os perigos são determinados e os riscos avaliados;

c) a forma como os resultados são avaliados;

d) a forma como as medidas necessárias são estabelecidas e aplicadas;

e) a forma como a eficácia das medidas tomadas é verificada.

A segurança e saúde no trabalho não é apenas afetada por fatores internos: importa
assegurar igualmente que os produtos comprados e utilizados pela empresa cum-
prem os requisitos de segurança e saúde no trabalho estabelecidos. Além disso, o
modo como as substâncias perigosas devem ser manipuladas nas rotinas quotidianas
da empresa deve ser registado por escrito.

A organização deve recolher, registar e avaliar dados suficientes para determinar a


conveniência e a eficácia das medidas de segurança e saúde no trabalho em vigor e
poder melhorá-las no momento oportuno.

Segurança e saúde no trabalho: uma parte integrante das tarefas e funções de gestão

A segurança e a saúde incluem


– a proteção contra as lesões
e doenças profissionais
– a promoção da saúde

A segurança e saúde abrangem


todos os fatores A segurança e a saúde têm como
– físicos destinatários todos os trabalhadores,
Visão diferenciando-os em função
– químicos
holística – do género
– biológicos
– corporais da segurança – da idade
– mentais e saúde – da capacidade de desempenho/
– sociais /deficiência, e abrangem todas
do processo de trabalho as atividades

A segurança e a saúde exigem


– uma conceção do sistema
de trabalho (T-O-P)
– a gestão integrada da segurança
Fonte: Departamento do Comércio e Indústria
e saúde no trabalho de Baden-Württemberg, Centro de informação
– a participação dos trabalhadores para a proteção do ambiente a nível das empresas (IBU).

Qualquer avaliação das medidas de segurança e saúde no trabalho deve ter em conta
as seguintes informações:

a) as críticas e sugestões dos trabalhadores e dos parceiros externos no domínio da


segurança e saúde no trabalho;

b) os resultados da comunicação com os trabalhadores;

c) as reações à mudança que podem afetar a integração da segurança e saúde no tra-


balho na gestão da qualidade;

d) os resultados dos exercícios de determinação e avaliação dos perigos;

e) a avaliação dos relatórios de acidentes, os registos de casos de primeiros socorros,


as notificações de suspeitas de problemas e de doenças profissionais.

17
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Utilidade e valor económicos da segurança e saúde no trabalho


para a competitividade dos estabelecimentos
É importante melhorar a segurança e saúde no trabalho não só em termos humanos,
para reduzir a dor e o sofrimento dos trabalhadores, mas também como forma de
assegurar o sucesso e a sustentabilidade das empresas, bem como a prosperidade das
economias a longo prazo. Segundo a EU-OSHA, morrem, por ano, 142 400 pessoas na
União Europeia em consequência de doenças profissionais, e os acidentes de trabalho
vitimam outras 8 900. Os dados publicados pelo Eurostat a partir do ano 2000 revelam
que todos os anos se perdem, nos Estados-Membros da EU-15, cerca de 150 milhões
de dias de trabalho devido a acidentes e 350 milhões por outros problemas de saúde
causados pelo trabalho (6).

O número de acidentes de trabalho no setor da saúde é bastante elevado em compa-


ração com outras atividades:

Acidentes de trabalho por tipo de atividade, EU-15, 2002

Pesca (estimativa) 8 592

Construção 6 913

Agricultura, produção animal, 5 208


caça e silvicultura

Saúde e ação social (estimativa) 4 738

Transportes, armazenagem
4 056
e comunicações

Indústrias transformadoras 3 911

Alojamento e restauração
3 280
(restaurantes e similares)
Comércio por grosso e a retalho; 2 469
reparações por 100 000 pessoas empregadas

(6) The social situation in Fonte: Eurostat — Estatísticas europeias 0 2 000 4 000 6 000 8 000 10 0000
the European Union de acidentes no trabalho (ESAW).
2005-2006, p. 114,
http://bookshop.
europa.eu/en/the- Não estão disponíveis informações sistemáticas sobre os custos dos acidentes e outros
social-situationin-the-
problemas de saúde relacionados com o trabalho. Por conseguinte, o Eurostat realizou
europeanunion-2005-
2006-pbKEAG06001/. um estudo com o intuito de desenvolver um modelo-piloto para calcular os custos dos
acidentes de trabalho, que no ano 2000 terão ascendido, segundo as estimativas, a 55
(7) Statistical analysis of mil milhões de euros na EU-15. Este valor refere-se apenas aos custos indicados pelas
socio-economic costs of
accidents at work in the
empresas e deveu-se maioritariamente (88%) a tempo de trabalho perdido (custos
European Union, http:// laborais), não tendo sido contabilizados os custos relativos às vítimas (7).
epp.eurostat.ec.europa.
eu/cache/ITY_OFFPUB/
KS-CC-04-006/EN/KSCC-
Um estudo alemão concluiu que os custos das doenças induzidas pelo trabalho se
04-006-EN.PDF poderiam estimar, no mínimo, em 28 mil milhões de euros por ano (estimativa base-
ada em dados relativos a 1998). Esses custos foram calculados por baixo, apenas com
(8) Bödeker, W., H. Friedel, base nos problemas causados pelas cargas físicas, e incluíam custos diretos no mon-
Chr. Röttger and
A. Schröer, Kosten tante de 15 mil milhões de euros (tratamento de doenças) e custos indiretos no valor
arbeitsbedingter de 13 mil milhões de euros (perda de anos de trabalho devido a incapacidade para o
Erkrankungen trabalho). Os fatores mais significativos neste domínio são a dificuldade em levantar
in Deutschland,
Wirtschaftsverlag cargas e a restrição dos movimentos. Os custos mais elevados são imputáveis às doen-
NW Verlag für ças do sistema músculo-esquelético e do aparelho digestivo, bem como aos acidentes
neue Wissenschaft, de trabalho (8).
Bremerhaven, 2002
(Série de publicações
do Instituto Federal de Alguns estudos posteriormente publicados, sobretudo nos Estados Unidos, analisam
Segurança e Saúde no a eficiência comercial da prevenção e promoção da saúde no local de trabalho, tendo
Trabalho: Relatório de
Investigação, Fb 946), concluído que foi nos custos com as doenças e o absentismo por elas provocado que as
ISBN: 3-89701-806-3. empresas registaram economias mais significativas. A rendibilidade do investimento

18
1 A PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE COMO TAREFA DE GESTÃO

na eliminação desses custos varia, segundo os estudo publicados, entre 1 para 2,3 e 1 (9) Kreis, J. e W. Bödeker,
Gesundheitlicher
para 1,59 (isto é, por cada dólar investido na proteção da saúde numa empresa há um
und ökonomischer
retorno de 2,3 a 5,9 dólares dos Estados Unidos para a empresa) (9). Nutzen betrieblicher
Gesundheitsförderung
und Prävention.
Os estudos realizados por Chapman (10) demonstraram que, em média, as medidas de
Zusammenstellung
promoção da saúde no local de trabalho permitem reduzir em 26,1% os custos com as der wissenschaftlichen
doenças e em 26,8% os do absentismo por doença. Evidenz, IGA- Report 3,
in: Kramer, I. e outros.
(2008).
Nem todas as medidas de promoção da saúde no local de trabalho são igualmente
eficazes. As medidas de prevenção que se limitam à comunicação de conhecimento e (10) Chapman, L. S.,
informação sob a forma de instruções pouco ou nada contribuem para reduzir as quei- «Metaevaluation
of worksite health
xas de saúde e, consequentemente, o absentismo. Os programas multicomponentes promotion economic
de eficácia comprovada combinam as medidas de prevenção de caráter comporta- return studies: 2005
mental (cursos de formação, programas de exercícios) com as intervenções de caráter update», The Art of
Health Promotion 6 (6):
ergonómico (prevenção circunstancial), por exemplo ajudas técnicas para levantar e 1-10, in: Kramer, I. e
transportar cargas ou alterações da organização do trabalho (11). outros (2008).

Os programas específicos de cessação do tabagismo, prevenção do alcoolismo e pre- (11) Ver Kramer, I. (2008),
p. 70 a 72.
venção dos riscos psicossociais também se revelaram particularmente vantajosos em
termos de custo-eficácia no que respeita ao problema do absentismo. (12) Lueck, P., G. Eberle e
D. Bonitz, Der Nutzen
des betrieblichen
Os resultados de um inquérito a empresas alemãs com muitos anos de experiência
Gesundheits-
na promoção da saúde no local de trabalho mostraram claramente que «um sistema managements aus der
empresarial de gestão sustentada da saúde não só melhora o estado de saúde dos Sicht von Unternehmen,
in Badura, B. e outros
trabalhadores como também afeta positivamente a rentabilidade e a competitividade
(2008), p. 77 a 84.
da empresa. A chave do êxito, neste caso (…) é melhorar a informação interna, a par-
ticipação e a cooperação aos vários níveis, ou seja os processos fulcrais do sistema de
gestão da saúde de uma empresa» (12).

19
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Nota importante Em conclusão: numa empresa moderna, a política de saúde no trabalho é indispensável não só
por motivos relacionados com o direito do trabalho, mas também do ponto de vista da concor-
rência, e deve tornar-se parte integrante da gestão empresarial.

Bibliografia
Badura, B., H. Schröder e C. Vetter (eds), Fehlzeiten-Report 2008 — Betriebliches
Gesundheitsmanagement: Kosten und Nutzen, Springer Medizin Verlag, Heidelberg,
2008, p. 65 a 76) (ISBN 978-3-540-69212-6).

Comissão Europeia, The social situation in the European Union 2005-2006, Serviço das
Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2007.

Comissão Europeia, Statistical analysis of socioeconomic costs of accidents at work in


the European Union, Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias,
Luxemburgo, 2004 (ISBN 92-894-8168-4).

Comissão Europeia, Work and health in the UE — A statistical portrait, Serviço


das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2004 (ISBN
92-894-7006-2).

Kramer, I., I. Sockell, e W. Boedeker, Die Evidenzbasis für betriebliche Gesundheits­


förderung und Prävention — Eine Synopse des wissenschaftlichen Kenntnisstandes, in
Badura, B. e outros 2008, p. 65 a 76.

Outras ligações
Sítio web sobre a segurança e saúde no trabalho e a responsabilidade social das empre-
sas (referências a numerosos sítios web e fontes nacionais): http://osha.europa.eu/en/
topics/business/csr/initiatives.stm/.

20
1 A PREVENÇÃO E PROMOÇÃO DA SAÚDE COMO TAREFA DE GESTÃO

Descrição de boas práticas empresariais

A segurança e saúde no trabalho conquistou um lugar de


destaque na estratégia política do hospital St. Elisabeth

Na década de 1990, o hospital St. Elisabeth (St. Elisabeth Ziekenhuis, EZ) de Til-
burg, Países Baixos, procurou afirmar-se como um bom empregador e oferecer
condições de trabalho seguras e saudáveis aos seus trabalhadores. Na sequência
das alterações legislativas introduzidas em meados da década de 1990 o EZ deci-
diu, assim, incorporar a segurança e saúde na sua política empresarial.

Boas práticas
Foi por isso criado um novo cargo de coordenador em matéria de segurança e saúde,
tendo este sido nomeado com a incumbência de proceder à gestão sistemática das
atividades abrangidas pela sua esfera de competências.

Em 1998, o hospital foi completamente reorganizado e a sua direção globalmente res-


ponsabilizada por todas as operações empresariais (gestão integrada), facto que esti-
mulou ainda mais a responsabilidade e a importância conferidas à segurança e saúde
na gestão operacional.

Há anos que a direção estava ciente da importância de prevenir o absentismo e, em


comparação com outros hospitais de relevo, o EZ já apresentava bons resultados, com
um absentismo médio na ordem de 5% (enquanto a média nacional variava entre 6%
e 8%). Para manter esta taxa de absentismo num nível baixo, aumentou-se a atenção
dada à prevenção e realizaram-se alguns investimentos avultados, que produziram
resultados positivos. A taxa de absentismo continuou a diminuir e, simultaneamente,
os trabalhadores estavam mais satisfeitos. Em sondagens nacionais sobre a satisfação
dos trabalhadores, os empregados do EZ classificaram as suas condições de trabalho
como favoráveis.

As chefias diretas passaram a solicitar com mais frequência aconselhamento e apoio


para melhorar a segurança e a saúde nos departamentos hospitalares. Foi por isso que,
em 2002, o hospital optou por assumir ele próprio a responsabilidade pela gestão da
segurança e saúde no trabalho. Anteriormente, todos os serviços obrigatórios eram
contratados a nível externo, mas a partir desse momento, o EZ foi aumentando os
lugares relacionados com a segurança e a saúde no seu quadro de pessoal e atual-
mente conta com um médico do trabalho, um terapeuta ocupacional, um especialista
em segurança, um responsável pela previdência profissional e pessoal médico auxiliar
(que efetua exames, administra vacinas e presta apoio em matéria de absentismo).
Este serviço de segurança e saúde no trabalho a nível interno aconselha e apoia aos
quadros de gestão e os trabalhadores aos níveis estratégico, tático e operacional.

Nos últimos anos, a segurança e saúde no trabalho adquiriu uma posição proeminente
nas atividades do hospital e as preocupações neste domínio estão agora explicita-
mente incluídas não só nos processos de compra, reconstrução e novas obras, mas
também na própria estratégia política, tendo levado, por exemplo, à aquisição de bal-
cões ergonómicos, à criação de postos de trabalho seguros nos laboratório e à utiliza-
ção de mobiliário ergonómico. Os investimentos têm prioridade sobre os custos: o EZ
tem plena consciência deste facto e demonstra-o, já estando acreditado desde 2006.

Todos os anos é submetido a auditorias de qualidade, que incluem explicitamente as


matérias relativas à segurança e saúde e às condições de trabalho, sendo, por exemplo,
realizados testes periódicos para verificar se essas políticas foram aplicadas em todos
os departamentos.

21
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

As medidas de segurança e saúde têm vindo a melhorar. Em concertação com um


organismo de investigação externo e a Universidade de Tilburg, o EZ trabalhou no
desenvolvimento de um novo método para investigar a satisfação e a forma física dos
seus trabalhadores. Em 2009 realizou, pela primeira vez, uma investigação sistemática
e conjunta dos níveis de satisfação e forma física dos trabalhadores (efetivos), em que
são testadas as condições de trabalho e se obtêm dados quantitativos sobre os efeitos
na saúde física e psicológica dos trabalhadores. Como essa investigação está integrada
nos ciclos das políticas, a aplicação de medidas que facilitem as melhorias também se
encontra assegurada.

Desde 2008 que, nos Países Baixos, é obrigatório cuidar sistematicamente da segu-
rança dos doentes, sendo o EZ um dos poucos hospitais neerlandeses que incluem os
Boas práticas
trabalhadores nesse compromisso, atendendo ao facto de a segurança das condições
de trabalho e a segurança dos doentes serem coincidentes, por exemplo, quando se
utilizam medicamentos citostáticos ou é necessário levantar os doentes.

Em 2009, o EZ decidiu investigar e expandir a questão dos cuidados de saúde humani-


zados, acreditando que um trabalhador saudável, em boa forma e satisfeito contribui
para que os doentes sejam tratados de forma humana.

O hospital St. Elisabeth é um hospital universitário de média dimensão, que presta cui-
dados de saúde altamente especializados. Este importante hospital oferece programas
de ensino e pedagógicos em sentido lato, prestando cuidados de elevada qualidade
aos doentes e desempenhando um papel importante na investigação médico-cientí-
fica aplicada, organizando programas de doutoramento para médicos especialistas já
formados e em formação.

O hospital serve os 435 000 habitantes da sua zona. Por ano, passam 347 000 doentes
pelas suas consultas externas, 44 000 são internados, e 30 000 registados no serviço de
urgências. O hospital tem 3 100 trabalhadores e 559 camas.

Para mais informações, ver: http://www.elisabeth.nl

22
2
Como realizar
uma avaliação
dos riscos?
2.1. Introdução
2.2. Funções e responsabilidades
2.3. Que aspetos se devem ter em conta antes de iniciar a avaliação
dos riscos?
2.4. Como iniciar a avaliação dos riscos?
2.5. Inclusão dos aspetos relacionados com o género na avaliação dos riscos
2.6. Descrição de boas práticas empresariais
2.7. Ligações
2.8. Diretivas da União Europeia aplicáveis
2.9. OiRA: Instrumento interativo de avaliação dos riscos em linha da EU-OSHA
2.10. Bibliografia
2.11. Exemplo de uma avaliação dos riscos baseada na movimentação manual
dos doentes
2.12. 
Exemplo de uma avaliação dos riscos baseada na desinfeção
de superfícies
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

2.1. Introdução
O presente guia de prevenção e boas práticas nos hospitais e no setor da saúde está
centrado nos riscos mais significativos existentes no setor, designadamente:

–– agentes biológicos;

–– lesões músculo-esqueléticas;

–– perturbações de ordem psicossocial; e

–– agentes químicos.

Outros riscos potenciais foram excluídos do guia por já estarem abrangidos


pelo âmbito de aplicação de outras disposições legislativas da União Europeia
em vigor.

Em relação a cada um destes quatro grupos serão apresentados os diferentes tipos de


riscos associados à execução de diversas tarefas no local de trabalho. Para facilitar uma
compreensão clara do significado desses riscos, descrevem-se os seus efeitos sobre
a segurança e a saúde dos trabalhadores. A aplicação da regulamentação da União
Europeia aplicável aos hospitais e ao setor da saúde é explicada em relação aos grupos
de risco e especificada para o setor. Em cada grupo de risco, são destacados alguns
aspetos específicos da avaliação dos riscos e as respetivas medidas de prevenção.
Os leitores poderão identificar os riscos existentes na sua própria unidade de saúde,
com o auxílio de alguns instrumentos e recomendações. Os conhecimentos técnicos
e organizativos atualizados, bem como os exemplos de boas práticas utilizadas em
unidades de saúde europeias, mostrarão como é possível obter uma qualidade de tra-
balho boa e saudável.

2.2. Funções e responsabilidades


A segurança e saúde no trabalho é uma tarefa de gestão! Nos termos do artigo 6.º
da Diretiva 89/391/CEE do Conselho, as entidades patronais são obrigadas a tomar
as medidas necessárias à defesa da segurança e da saúde dos trabalhadores. Nessas
medidas incluem-se as atividades de prevenção dos riscos profissionais, de informação
e de formação, bem como a criação de um sistema organizado e de meios necessários.

  01 Uma base de dados


pode ajudar a
recolher e a organizar
as informações para
a avaliação dos riscos

24
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

A responsabilidade global pela determinação e a avaliação dos riscos no local de tra-


balho incumbe às entidades patronais, que devem assegurar a correta execução des-
sas atividades. Se elas próprias não possuírem os conhecimentos necessários, devem
obter aconselhamento especializado a nível interno, através de especialistas em segu-
rança e saúde no trabalho e de médicos do trabalho, ou externamente, através do
recurso a serviços externos.

Avaliação dos riscos — Funções e responsabilidades das entidades


patronais
Nos termos dos artigos 5.º a 12.º da Diretiva 89/391/CEE do Conselho, as entidades
patronais são obrigadas a:

• assegurar a segurança e a saúde dos trabalhadores em todos os aspetos relaciona-


dos com o trabalho;

• dispor de uma avaliação dos riscos para a segurança e a saúde no trabalho, incluindo
os respeitantes aos grupos de trabalhadores sujeitos a riscos especiais;

• tomar as medidas adequadas para que os trabalhadores e/ou os seus representan-


tes recebam todas as informações necessárias, de acordo com as legislações e/ou
práticas nacionais;

• consultar os trabalhadores e/ou os seus representantes e possibilitar a sua participa-


ção em todas as questões relativas à segurança e à saúde no local de trabalho;

• determinar as medidas de proteção a tomar e, se necessário, o material de proteção


a utilizar;

• tomar as medidas necessárias à defesa da segurança e da saúde dos trabalhadores;

• aplicar as medidas necessárias com base nos princípios gerais de prevenção a seguir
enunciados, ver caixa de texto «Diretiva-Quadro 89/391/CEE, artigo 6.º, n.º 2», p. 26;

• garantir que cada trabalhador receba uma formação simultaneamente suficiente e


adequada em matéria de segurança e de saúde, nomeadamente sob a forma de
informações e instruções (por ocasião da sua contratação, de qualquer transferência,
da utilização de um novo equipamento de trabalho ou de uma nova tecnologia);

• tomar as medidas adequadas para que as entidades patronais dos trabalhadores


dos estabelecimentos exteriores intervenientes no seu estabelecimento recebam
efetivamente, de acordo com as legislações e/ou práticas nacionais, instruções ade-
quadas a respeito dos riscos para a segurança e a saúde durante a sua atividade no
seu estabelecimento;

• documentar, acompanhar e analisar a avaliação dos riscos e as medidas tomadas.

Para as obrigações adicionais da entidade patronal, ver Diretiva 89/391/CEE do Conselho.

Avaliação dos riscos — Funções e responsabilidades dos trabalhadores

A participação dos trabalhadores é não só um direito que lhes assiste, mas também
fundamental para conferir eficácia e eficiência à gestão da segurança e saúde no tra-
balho por parte dos empregadores. Os trabalhadores conhecem não só os problemas
mas também os recursos necessários, quando executam as suas tarefas ou atividades.

A sua participação também aumenta grandemente a aceitação e a eficácia a longo


prazo das medidas de prevenção tomadas.

25
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Diretiva-Quadro 89/391/CEE, artigo 6.º, n.º 2

2. A entidade patronal aplicará as medidas previstas no primeiro parágrafo do número anterior com
base nos seguintes princípios gerais de prevenção:

a) evitar os riscos;

b) avaliar os riscos que não possam ser evitados;

c) combater os riscos na origem;

d) adaptar o trabalho ao homem, especialmente no que se refere à conceção dos postos de traba-
lho, bem como à escolha dos equipamentos de trabalho e dos métodos de trabalho e de produ-
ção, tendo em vista, nomeadamente, atenuar o trabalho monótono e o trabalho cadenciado e
reduzir os efeitos destes sobre a saúde;

e) ter em conta o estádio de evolução da técnica;

f ) substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;

g) planificar a prevenção com um sistema coerente que integre a técnica, a organização do trabalho,
as condições de trabalho, as relações sociais e a influência dos fatores ambientais no trabalho;

h) dar prioridade às medidas de proteção coletiva em relação às medidas de proteção individual;

i) dar instruções adequadas aos trabalhadores.

Nos termos da Diretiva 89/391/CEE do Conselho, artigo 6.º, os trabalhadores têm


os seguintes direitos e obrigações:

• serem consultados na avaliação dos riscos e participarem


em todas as questões relativas à segurança e à saúde no local
de trabalho, o que também significa que a avaliação dos riscos
deve ter em conta os grupos sujeitos a riscos especialmente
sensíveis, os quais devem ser protegidos contra os perigos
que os afetam especificamente. É o caso, entre outros, dos
riscos que afetam especificamente os trabalhadores do sexo
masculino e do sexo feminino, os trabalhadores mais jovens
e mais velhos, as trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactan-
tes, os trabalhadores de nacionalidades e línguas diferentes, e
os trabalhadores de estabelecimentos ou empresas exteriores;

• apresentarem propostas;

• terem uma participação equilibrada de acordo com as legis-


lações e/ou práticas nacionais;

• serem informados dos riscos para a sua segurança e saúde e


das medidas necessárias para eliminar ou reduzir esses riscos;

  02 A avaliação dos riscos • serem envolvidos no processo de decisão das medidas de prevenção e de proteção
deve ter em conta os
a adotar;
grupos particular-
mente sensíveis
• receberem informações e formação simultaneamente suficientes e adequadas em
matéria de segurança e saúde, nomeadamente sob a forma de informações e instru-
ções específicas para o seu local de trabalho.

26
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

Os trabalhadores devem:

• cuidar, na medida das suas possibilidades, da sua segurança e saúde, bem como da
segurança e saúde das outras pessoas afetadas pelas suas ações ou omissões no
trabalho, de acordo com a sua formação e as instruções dadas pela sua entidade
patronal;

• de acordo com a sua formação e as instruções dadas pelo seu empregador:

»» utilizar corretamente as máquinas, aparelhos, instrumentos, substâncias perigo-


sas, equipamentos de transporte e outros meios,

»» utilizar corretamente o equipamento de proteção individual posto à sua disposi-


ção e, após a sua utilização, arrumá-lo no lugar que lhe corresponde,

»» não desligar, mudar ou deslocar arbitrariamente os dispositivos de segurança


próprios, designadamente das máquinas, aparelhos, instrumentos, instalações e
edifícios, e utilizar corretamente os dispositivos de segurança,

»» comunicar imediatamente à entidade patronal e/ou aos trabalhadores que


desempenham uma função específica em matéria de proteção da segurança e
da saúde dos trabalhadores qualquer situação de trabalho relativamente à qual
tenham um motivo plausível para pensar que apresenta um perigo grave e ime-
diato para a segurança e a saúde, bem como qualquer defeito registado nos sis-
temas de proteção,

»» contribuir, de acordo com as práticas nacionais, pelo período de tempo que for
necessário, para permitir que a entidade patronal assegure que o posto de traba-
lho e as condições de trabalho sejam seguros e isentos de riscos para a segurança
e a saúde dentro do seu campo de atividade.

  03 Os trabalhadores
devem respeitar as
instruções dadas pela
entidade patronal

27
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

2.3. Que aspetos se devem ter em conta antes


de iniciar a avaliação dos riscos?
Antes de identificarem os riscos e perigos potencialmente existentes no local de traba-
lho, os empregadores devem preparar cuidadosamente o processo completo de ava-
liação dos riscos, definindo quem deve ser incluído, quais são as diferentes funções e
responsabilidades e em que consistirão as diversas etapas da avaliação.

Segundo as informações fornecidas pela EU-OSHA, os empregadores elaborar, para o


efeito, um plano de ação para a eliminação ou o controlo dos riscos.

O plano de ação deve incluir:

• a encomenda, a organização e a coordenação da avaliação;

• a nomeação das pessoas competentes para efetuar as avaliações; a avaliação dos


riscos pode ser realizada pelas próprias entidades patronais, por trabalhadores por
estas designados, ou por avaliadores e prestadores de serviços externos;

• a consulta dos representantes dos trabalhadores sobre as disposições relativas à


nomeação das pessoas que irão realizar as avaliações, de acordo com a legislação e
as práticas nacionais;

• o fornecimento de informações, formação, recursos e apoio necessários aos avalia-


dores que sejam trabalhadores da própria entidade patronal;

• o envolvimento da direção e o incentivo à participação dos trabalhadores;

• a garantia de que a avaliação dos riscos é documentada;

• a informação e a consulta dos trabalhadores e/ou dos seus representantes sobre os


resultados da avaliação dos riscos e as medidas que devem ser adotadas;

• a garantia de que as medidas de prevenção e proteção têm em conta os resultados


da avaliação;

• o acompanhamento e a revisão das medidas de proteção e prevenção para assegu-


rar que continuam a ser eficazes.

2.4. Como iniciar a avaliação dos riscos?


Caso o estabelecimento possua um organigrama, deve começar-se por uma descrição
geral de todas as áreas de trabalho envolvidas, registando-se por escrito as tarefas
nelas realizadas, como a movimentação dos doentes ou a limpeza de superfícies. As
tarefas comuns a áreas de trabalho diferentes podem ser descritas em conjunto para
não serem registadas duas vezes. As tarefas realizadas no estabelecimento constituem
o ponto de partida para a identificação dos perigos ou riscos relacionados com a sua
execução e para a identificação dos trabalhadores que a eles podem estar expostos.

Segundo as informações facultadas pela EU-OSHA, as entidades patronais podem


organizar adequadamente a avaliação dos riscos de acordo com as cinco etapas a
seguir indicadas.

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos

28
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

81
EN
E u r o p e a n A g e n c y f o r S a f e t y a n d H e a l t h a t W o r k

ISSN 1681-2123
Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P Risk assessment — the key to healthy workplaces
Why carry out a risk How to assess the risks?
assessment? For most businesses, a straightforward five-step (4) approach to
Ever y few minutes risk assessment should work well. However, there are other
somebody in the EU methods that work equally well, particularly for more complex

Etapa 4 — Adoção de medidas


dies from work-related risks and circumstances.
causes. Furthermore,
every year hundreds of The five-step approach to risk assessment
thousands of employ-
ees are injured at work; Step 1. Identifying hazards and those at risk
others take sickness
leave to deal with stress, Remember: a hazard can be anything —
work overload, muscu- whether work materials, equipment,
loskeletal disorders or work methods or practices —

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


other illnesses related to that has the potential to cause harm.
the workplace. And, as
well as the human cost Here are some tips to help identify the hazards that matter:
for workers and their ■ walk around the workplace and looking at what could cause
families of accidents and
harm;
illnesses, they also ■ consult workers and/or their representatives about problems
stretch the resources of healthcare systems and affect business
they have encountered;
productivity. ■ consider long-term hazards to health, such as high levels of
Risk assessment is the basis for successful safety and health management, noise or exposure to harmful substances, as well as more
and the key to reducing work-related accidents and occupational complex or less obvious risks such as psychosocial or work
diseases. If it is implemented well, it can improve workplace safety and organisational risk factors;

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas


health — and business performance in general. ■ look at company accident and ill-health records;
■ seek information from other sources such as:
— manufacturers’ and suppliers’ instruction manuals or data
What is risk assessment? sheets;
Risk assessment is the process of evaluating risks to workers’ safety — occupational safety and health websites;
and health from workplace hazards. It is a systematic examination — national bodies, trade associations or trade unions;
— legal regulations and technical standards.

em risco
of all aspects of work that considers:
■ what could cause injury or harm, For each hazard it is important to be clear about who could be
■ whether the hazards could be eliminated and, if not, harmed; it will help in identifying the best way of managing the
■ what preventive or protective measures are, or should be, in risk. This doesn’t mean listing everyone by name, but identifying
place to control the risks (1). groups of people such as ‘people working in the storeroom’ or
‘passers-by’. Cleaners, contractors and members of the public may
Employers have a general duty to ensure the safety and health of
also be at risk.
workers in every aspect related to work and to carry out a risk
assessment. The EU framework directive (2) highlights the key role Particular attention should be paid to gender issues (5) and to
played by risk assessment and sets out basic provisions that must groups of workers who may be at increased risk or have particular
be followed by every employer. Member States, however, have the requirements (see box). In each case, it is important to identify
right to enact more stringent provisions to protect their workers how they might be harmed, i.e. what type of injury or ill health
(please check the specific legislation of your country) (3). may occur.

Como já foi dito, a avaliação dos riscos baseia-se nas tarefas realizadas nas
(1) Guidance on risk assessment at work, Luxembourg: Office for Official Publications of the European Communities, 1996.
(2) Council Directive 89/391/EEC of 12 June 1989 on the introduction of measures to encourage improvements in the safety and health of workers at work.
(3) Ireland: www.hsa.ie; Malta: www.ohsa.org.mt; United Kingdom: www.hse.gov.uk/risk/index.htm
(4) Whether the risk assessment process in your country is divided into more or fewer steps, or even if some of the five steps are different, the guiding principles should
be the same.

diversas áreas de trabalho. Os documentos relativos às substâncias perigo-


(5) Factsheet 43, including gender issues in risk assessment: http://osha.europa.eu/publications/factsheets

HEALTHY WORKPLACES GOOD FOR YOU. GOOD FOR BUSINESS.

sas, às escalas de serviço, aos perfis profissionais, aos aparelhos de trabalho,


http://hw.osha.europa.eu

etc., proporcionam uma primeira impressão dos eventuais riscos e perigos   04  As cinco etapas de
relacionados com essas tarefas. Paralelamente a estes documentos, as informações uma avaliação dos
mais importantes podem ser fornecidas pelos trabalhadores, que devem ser inquiri- riscos são descritas
na ficha técnica 81 da
dos sobre a sua segurança e saúde no trabalho, e os seus locais de trabalho visitados EU-OSHA
para se obter uma perceção direta das condições de trabalho existentes. É importante
que lhes seja perguntado o que pode ser melhorado para melhorar a organização do
trabalho e torná-la mais segura e mais saudável.

Os riscos biológicos, músculo-esqueléticos, psicossociais e químicos são riscos e perigos pro- Nota importante
fissionais bem conhecidos no setor da saúde. Entre os riscos específicos que importa abordar,
figuram, por exemplo:
• a manipulação de sangue e produtos derivados de sangue, incluindo agulhas e outros obje-
tos cortantes;
• a exposição a agentes químicos e substâncias perigosas, incluindo agentes de limpeza e
desinfetantes;
• a pressão provocada por fatores temporais, volume de trabalho elevado e conflitos interpes-
soais;
• a coação ou a violência no local de trabalho;
• o trabalho por turnos, em fins de semana e noturno;
• a movimentação manual de doentes e o levantamento, impulsão e tração de cargas;
• a conceção ergonómica dos locais de trabalho.

Ferramentas e instrumentos para a avaliação dos riscos

Podem utilizar-se listas de controlo, instrumentos de análise ou outras ferramentas


e recomendações fornecidas por diversas associações e seguros de responsabilidade
civil para obter uma perspetiva geral dos potenciais riscos e perigos. Por exemplo, os
riscos psicossociais no trabalho podem ser analisados em função da carga de trabalho
mental. Contudo, as listas de controlo ou os instrumentos de análise só podem ser uti-
lizados no âmbito de uma análise dos perigos e riscos profissionais, e nunca de forma
exclusiva, mas sempre acompanhados de outras fontes de informação.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Nem todos os riscos e perigos identificados terão a mesma importância ou poderão
ser resolvidos ao mesmo tempo. É aconselhável definir prioridades entre os perigos e
riscos e decidir quais deles deverão ser combatidos em primeiro lugar. A melhoria das
condições de trabalho deve ser encarada como um processo de aperfeiçoamento con-
tínuo do estabelecimento, partindo dos riscos e perigos mais urgentes e avançando
continuamente para outros temas conexos de modo a criar um ambiente de trabalho
seguro, saudável e produtivo.

29
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

  05 Os locais de trabalho


concebidos de forma
Como avaliar os riscos?
ergonómica contri-
buem para prevenir Há que examinar cada um dos riscos identificados em relação às tarefas desempenha-
as lesões músculo-
-esqueléticas
das e determinar se é necessário tomar medidas. Os riscos poderão ser classificados,
por exemplo, em três categorias.

Serão eles:

a) Negligenciáveis?
b) Aceitáveis por algum tempo?
c) Inaceitáveis?

A resposta depende da probabilidade e da gravidade dos potenciais acidentes ou pro-


blemas de saúde causados pelo risco. Se um risco for inaceitável, será necessário tomar
medidas imediatas. Em contrapartida, se um risco for aceitável por algum tempo,
poderá ser resolvido posteriormente.

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P


Depois de identificar e hierarquizar os riscos existentes no estabelecimento, a etapa
seguinte consiste na identificação das medidas adequadas para eliminar ou controlar
os riscos. Nos termos da Diretiva 89/391/CEE, artigo 6.º, n.º 2, as medidas de prevenção
obedecem a uma hierarquia (ver p. 26). Se possível, um risco deve ser evitado em vez
de ser reduzido, por exemplo, uma substância química perigosa deverá ser substituída
por outra menos perigosa. Além disso, as medidas de prevenção têm de respeitar a
seguinte hierarquia: em primeiro lugar, devem ser consideradas as soluções técnicas, a
seguir as medidas organizativas e, finalmente, as medidas de caráter pessoal/individual.

Medidas técnicas (T)

Medidas organizativas (O)

Medidas de caráter pessoal/individual (P)

30
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

É melhor fornecer aos trabalhadores mesas de altura regulável do que ministrar- Exemplo:
-lhes formação sobre o modo de descontraírem os músculos das costas, quando
sofrem contraturas por estarem todo o dia sentados a uma secretária demasiado
alta ou baixa.

Medidas técnicas Medidas organizativas Medidas de caráter pessoal/


Se possível, os riscos devem Uma boa organização do tra- /individual
ser reduzidos por meio de aju- balho e acordos escritos a nível São necessárias instruções, bem
das e equipamentos técnicos, organizativo sobre as sequências como medidas de formação e,
ou de medidas no domínio da de trabalho podem evitar ou sobretudo, de reciclagem, a nível
construção. reduzir os riscos. individual para obter efeitos sus-
tentáveis na segurança e saúde
dos trabalhadores.

Importa considerar a forma como as medidas técnicas, organizativas e de caráter Nota importante
pessoal/individual podem funcionar em conjunto.

Etapa 4 — Adoção de medidas


As medidas de prevenção e proteção devem ser aplicadas de acordo com o plano de hie-
rarquização e os trabalhadores informados sobre os resultados da avaliação dos riscos e
as melhorias previstas. A aplicação a longo prazo das medidas no trabalho quotidiano
depende muito da participação dos trabalhadores e da sua aceitação das medidas. Os
especialistas de segurança e saúde no trabalho e gestão da qualidade devem comparar
e coordenar as suas atividades, e criar um sistema integrado de gestão da qualidade, da
segurança e da saúde.

As melhorias necessárias indicadas pela avaliação dos riscos devem ser planeadas à luz Nota importante
do que deve ser feito para eliminar ou controlar os riscos, das pessoas que devem executar
essas ações e dos prazos a cumprir, devendo fixar-se um calendário em conjunto com todas
as pessoas envolvidas.

Plano de hierarquização
Prioridade Tarefa Risco Medidas Quem Prazo Data
executada identificado adequadas é responsável? de controlo/
(T-O-P) /revisão

1.

2.

3.

4.

31
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

  06 É importante que os


trabalhadores partici-
pem na tomada de de-
cisões, bem como no
processo de aplicação

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


Documentação

A avaliação dos riscos deve ser documentada. A documentação deve incluir as con-
clusões da análise dos riscos, as melhorias efetuadas e os resultados da avaliação
das melhorias. Que riscos para os trabalhadores foram identificados? Quão elevado
é o perigo da exposição a esses riscos? O risco é negligenciável, aceitável por algum
tempo ou inaceitável? Que medidas foram tomadas e que medidas estão previstas
para o futuro? Quem é responsável pela aplicação das medidas? Até quando deverão
elas ser tomadas e como será a sua eficácia avaliada?

Acompanhamento

As medidas de prevenção tomadas devem ser acompanhadas e avaliadas, podendo ser


necessário proceder a outras mudanças, se essas medidas não produzirem os resultados
esperados. Além disso, a alteração da organização ou do ambiente de trabalho também
pode alterar o nível de risco, devendo a avaliação dos riscos ser atualizada nesses casos.

As medidas aplicadas também devem ser acompanhadas e revistas para assegurar que são
Nota importante
eficazes e não criam riscos adicionais. Por exemplo, por um lado a utilização de desinfetantes
protege os trabalhadores de riscos biológicos como bactérias, mas por outro lado aumenta o
risco de problemas cutâneos, sendo necessárias medidas complementares, por exemplo uma
proteção apropriada da pele.

Os quadros de gestão, como os chefes de equipa e os diretores de departamentos, são


responsáveis pelo acompanhamento e a revisão das avaliações dos riscos, em consulta
com os trabalhadores e os seus representantes. São igualmente responsáveis pela
documentação do processo de revisão.

Revisão

A avaliação deve ser revista periodicamente. A documentação da avaliação dos riscos


deve incluir uma data pré-estabelecida para rever as medidas tomadas e reavaliar os
riscos no trabalho. A avaliação dos riscos tem de ser revista sempre que ocorrerem
alterações significativas, designadamente:

1. alterações na organização do trabalho ou nas sequências do trabalho;

2. utilização de novas tecnologias;

3. utilização de um novo produto químico, como agentes de limpeza ou desinfetantes;

32
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

4. um aumento do número de dias de ausência por doença;

5. um aumento do número de acidentes;

6. a adoção de nova legislação ou regulamentação ou alteração das existentes.


O processo de revisão deve determinar se:

• as medidas de prevenção escolhidas foram aplicadas como planeado;

• as medidas de prevenção escolhidas estão a ser utilizadas, e de forma correta, por


exemplo, dispositivos de elevação;

• as medidas preventivas estão a ser aceites pelos trabalhadores e incluídas no seu


trabalho quotidiano;

• os riscos avaliados foram eliminados ou reduzidos pelas medidas;

• as medidas preventivas geraram novos problemas;

• ocorreram novos problemas.

Os riscos e perigos profissionais devem ser atualizados anualmente. A segurança e


saúde no trabalho é um processo de melhoria contínua num estabelecimento e, sendo
parte integrante da estratégia da empresa e do sistema de gestão da qualidade, con-
tribui para o êxito empresarial. Debater as medidas tomadas em reuniões de equipa
frequentes ajuda a integrá-las no trabalho quotidiano, uma vez que os trabalhadores
conhecem melhor que ninguém as razões para que algo funcione ou não e podem
fornecer informações imediatas a esse respeito.

A combinação de medidas de segurança e saúde no trabalho (SST) com a gestão e a estratégia


de qualidade contribui para o êxito do hospital ou estabelecimento de saúde. Para as medidas Nota importante
de SST terem efeitos positivos na qualidade dos cuidados e na situação económica do hospital,
os critérios descritos na gestão da qualidade devem ser combinados com os dados de SST. As
medidas preventivas para reduzir os tropeções e quedas também poderão reduzir o número
de quedas de doentes e a melhoria das medidas de higiene diminuirá o número de infeções
bacterianas, etc.

A comunicação à administração dos resultados das medidas preventivas tomadas é a


última etapa de uma avaliação dos riscos integrada na estratégia do hospital ou esta-
belecimento de saúde. Como já foi dito, os resultados podem ser comunicados no con-
texto dos dados relativos à qualidade dos cuidados e à situação económica do hospital
ou estabelecimento de saúde.

07 A tecnologia pode
ser utilizada para me-
lhorar as condições
de trabalho, mas será
que também causa
novos problemas?

33
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

2.5. Inclusão dos aspetos relacionados


com o género na avaliação dos riscos
Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco
• Inquirir tanto os homens como as mulheres sobre os problemas com que se con-
frontam no trabalho.

• Evitar fazer suposições prévias sobre o que pode ser «trivial».

• Encorajar as mulheres a assinalar fatores que, em sua opinião, podem afetar a sua
segurança e saúde no trabalho, bem como os problemas de saúde que possam estar
relacionados com o trabalho.

• Ter em conta o conjunto dos trabalhadores, incluindo o pessoal da limpeza, os rece-


cionistas e o pessoal que trabalha a tempo parcial.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


• Envolver as mulheres na avaliação dos riscos; considerar a utilização de círculos de
saúde, com membros de diversos grupos profissionais, hierarquias, faixas etárias, etc.

• Fornecer informações suficientes sobre as questões de género e de diversidade.

• Verificar se os instrumentos e as ferramentas utilizados na avaliação incluem ques-


tões pertinentes para homens e para mulheres.

• Informar os eventuais avaliadores externos de que devem adotar uma abordagem


que tenha em conta a dimensão do género.

• Incluir o assédio, os fatores de stresse emocional e os riscos para a saúde reprodutiva.

• Considerar com espírito crítico o peso das cargas a movimentar e a frequência com
que são movimentadas.

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P


• Selecionar o equipamento de proteção de acordo com as necessidades individuais.

• Envolver as mulheres no processo de tomada de decisões.


F A C T S
E u r o p e a n A g e n c y f o r S a f e t y a n d H e a l t h a t W o r k
43

Etapa 4 — Adoção de medidas


ISSN 1681-2123

Including gender issues in risk assessment


Continuous efforts are needed to improve the working conditions real work circumstances shows that both women and men can
of both women and men. However, taking a ‘gender-neutral’ face significant risks at work. In addition, making jobs easier for
approach to risk assessment and prevention can result in risks to women will make them easier for men too. So it is important to
female workers being underestimated or even ignored altogether. include gender issues in workplace risk assessments, and
When we think about hazards at work, we are more likely to think ‘mainstreaming’ gender issues into risk prevention is now an

• Envolver as trabalhadoras na aplicação de soluções.


of men working in high accident risk areas such as a building site objective of the European Community ( 1). Table shows some
or a fishing vessel than of women working in health and social examples of hazards and risks found in female-dominated work
care or in new areas such as call centres. A careful examination of areas.

Table 1. Examples of hazards and risks found in female-dominated work


Work area Risk factors and health problems include:
Biological Physical Chemical Psychosocial
Healthcare Infectious diseases, e.g. Manual handling and Cleaning, sterilising and ‘Emotionally demanding work’;

• Garantir às mulheres, tal como aos homens, informações e


bloodborne, respiratory, etc. strenuous postures; ionising disinfecting agents; drugs; shift and night work; violence
radiation anaesthetic gases from clients and the public
Nursery workers Infectious diseases, e.g. Manual handling, strenuous ‘Emotional work’
particularly respiratory postures
Cleaning Infectious diseases; dermatitis Manual handling, strenuous Cleaning agents Unsocial hours; violence, e.g.
postures; slips and falls; wet if working in isolation or late

formação em matéria de segurança e saúde no trabalho.


hands
Food production Infectious diseases, e.g. Repetitive movements, e.g. Pesticide residues; sterilising Stress associated with
animal borne and from in packing jobs or agents; sensitising spices and repetitive assembly line work
mould, spores, organic dusts slaughterhouses; knife wounds; additives
cold temperatures; noise
Catering and restaurant work Dermatitis Manual handling; repetitive Passive smoking; cleaning Stress from hectic work,
chopping; cuts from knives agents dealing with the public,
and burns; slips and falls; violence and harassment
heat; cleaning agents
Textiles and clothing Organic dusts Noise; repetitive movements Dyes and other chemicals, Stress associated with
and awkward postures; including formaldehyde in repetitive assembly line work
needle injuries permanent presses and stain
removal solvents; dust
Laundries Infected linen, e.g. Manual handling and Dry cleaning solvents Stress associated with
in hospitals strenuous postures; heat repetitive and fast pace work

Etapa 5 — Documentação,
Ceramics sector Repetitive movements; Glazes, lead, silica dust Stress associated with
manual handling repetitive assembly line work

  08 Factsheet 43 «Integrar


‘Light’ manufacturing Repetitive movements, e.g. Chemicals in microelectronics Stress associated with
in assembly work; awkward repetitive assembly line work
postures; manual handling
Call centres Voice problems associated Poor indoor air quality Stress associated with dealing
with talking; awkward with clients, pace of work and

a dimensão do género
postures; excessive sitting repetitive work
Education Infectious diseases, e.g. Prolonged standing; voice Poor indoor air quality ‘Emotionally demanding

acompanhamento e revisão
respiratory, measles problems work’, violence
Hairdressing Strenuous postures, repetitive Chemical sprays, dyes, etc. Stress associated with dealing
movements, prolonged with clients; fast paced work

na avaliação dos ris-


standing; wet hands; cuts
Clerical work Repetitive movements, Poor indoor air quality; Stress, e.g. associated with
awkward postures, backpain photocopier fumes lack of control over work,
from sitting frequent interruptions,
monotonous work

cos», EU-OSHA, 2003


Agriculture Infectious diseases, e.g. Manual handling, strenuous Pesticides
animal borne and from postures; unsuitable work
mould, spores, organic equipment and protective
dusts clothing; hot, cold, wet
conditions

(http://osha.europa.
eu/pt/publications/
• Garantir que as mulheres participem no processo de revisão.
(1) ‘Adapting to change in work and society: A new Community strategy on health and safety at work, 2002–06’. Communication from the European Commission, COM(2002) 118 final

EN

factsheets/43/)
h t t p : / / a g e n c y . o s h a . e u . i n t

34
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

• Manter-se atualizado sobre as questões que se prendem com o género na saúde no


local de trabalho.

2.6. Descrição de boas práticas empresariais


O hospital St. Elisabeth em Tilburg, Países Baixos, é um hospital com 180 anos
de história. Inicialmente era uma casa
de repouso, mas atualmente conta
com 3  100 trabalhadores e regista
44 000 internamentos por ano, além
de tratar 347  000 doentes nas con-

Boas práticas
sultas externas. Na entrevista que se
segue, Christel van Neerven, diretora
do departamento de segurança e
saúde no trabalho, e Monique Pullen,
consultora em matéria de segurança
e saúde no trabalho, descrevem o
processo de avaliação dos riscos em
vigor no hospital.
Christel van Neerven, Monique Pullen, consul-
diretora do departamento tora em matéria de segu-
Entrevistador: Como avaliam os riscos Segurança e Saúde no rança e saúde no trabalho
Trabalho
no local de trabalho? Realizam uma ava-
liação dos riscos todos os anos ou de
forma frequente?

Christel van Neerven: Tínhamos um


método de avaliação frequente dos riscos, que era realizada com poucos anos de
intervalo, mas este ano vamos lançar um novo sistema, com um novo tipo de inqué-
rito. Para além dos riscos no local de trabalho, este conterá perguntas sobre a saúde,
a lealdade e a satisfação dos nossos empregados no trabalho. O novo inquérito tam-
bém inclui perguntas sobre as exigências da sua vida privada e familiar. A avaliação
terá lugar de dois em dois anos, em todos os departamentos, o que nos permitirá
obter uma avaliação frequente dos riscos no local de trabalho, incluindo o ambiente
circundante.

Entrevistador: Quem participa na avaliação? A direção está envolvida?

Christel van Neerven: Organizamos a avaliação dos riscos e verificamos se os instru-


mentos utilizados são adequados. A direção, o departamento de recursos humanos
e os trabalhadores dos diversos departamentos colaboram connosco e os chefes de
equipa dos departamentos são os «proprietários» da avaliação dos riscos, competindo-
lhes tomar medidas quando recebem um relatório. É uma responsabilidade deles.
Antes de iniciarmos uma avaliação dos riscos, elaboramos um projeto de plano. O que
vamos fazer? Por que razão? Quem é responsável pelo quê? E a administração tem
de nos dar a sua aprovação antes de começarmos. Eu apresento o projeto de plano
à direção e aos representantes dos trabalhadores e, quando todos estão de acordo,
começamos. Depois, pedimos chefes dos departamentos e aos chefes de equipa que
marquem a data do inquérito. Informamo-los do objetivo geral e dos meios que vão
ser utilizados. Eles têm de nos dar a sua aprovação e entender a importância da ava-
liação dos riscos para obterem informações que lhes permitam melhorar o local de
trabalho para o pessoal. A gestão em matéria de segurança e saúde no trabalho está
incluída na estratégia do hospital. A segurança e a saúde fazem parte da qualidade dos
cuidados. A direção considera que cuidar bem dos trabalhadores é uma responsabili-
dade sua e insere a gestão neste domínio na estratégia de gestão, sendo mesmo um
dos elementos principais da estratégia política do hospital.

35
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Entrevistador: Quem tem de aprovar as medidas preventivas?

Christel van Neerven: As medidas devem ser tomadas pelos chefes de equipa e pelos
Boas práticas
diretores dos departamentos, inscrevendo-os nos planos executivos, que incluem um
calendário de acompanhamento com o conselho de administração do hospital. Ao
fim de um ano, têm de apresentar relatórios sobre a aplicação ou não aplicação dos
planos.

Entrevistador: Os trabalhadores são incluídos na avaliação dos riscos?

Monique Pullen: Os trabalhadores participam de duas maneiras. Em primeiro lugar,


pedimos-lhes que respondam a um questionário, o nosso inquérito. Em segundo lugar,
procedemos a uma inspeção no local de trabalho e falamos com eles diretamente.

Christel van Neerven: Quando formulamos uma política relativa a qualquer assunto,
também pedimos sempre aos trabalhadores que têm de a aplicar para observarem
determinadas regras. As informações que nos fornecem sobre essa aplicação são
importantes para nós.

Monique Pullen: Nós dependemos das informações que eles nos facultam, uma vez
que estão no terreno e enfrentam os riscos. Podem fornecer-nos informações corretas
e, muitas vezes, dão-nos sugestões excelentes. Após a avaliação dos riscos, elabora-
mos um relatório e debatemo-lo com o chefe de equipa ou com o chefe de secção,
sugerindo-lhes sempre que o debatam com os seus subordinados. Na realidade, é
obrigatório que o façam, mas também o sugerimos. Às vezes, vamos explicar os resul-
tados depois de efetuada a avaliação dos riscos.

Christel van Neerven: No caso de riscos especiais, como os riscos músculo-esquelé-


ticos ou os riscos químicos, também realizamos entrevistas de duas horas com dois
trabalhadores de cada grupo. Pedimos aos chefes de equipa que designem dois tra-
balhadores com quem possamos falar. Há uma grande variedade de funções e espe-
cialidades, por isso temos de falar com cada um deles para ficarmos com uma ideia
correta dos riscos.

Entrevistador: Essas entrevistas não estão subordinadas a um guião, ou são coloca-


das perguntas específicas?

Monique Pullen: Há um método específico. Perguntamos que tipo de atividades exe-


cutam, por exemplo, um enfermeiro lava o doente ou ajuda-o a tomar duche, outras
vezes realiza algum trabalho administrativo.

Entrevistador: Então as entrevistas são orientadas em função das tarefas. Têm uma
lista dos riscos relacionados com as tarefas?

36
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

Monique Pullen: Temos. Primeiro realizamos a entrevista e depois acompanhamo-


-los e observamos no local de trabalho quanto tempo demoram a executar as diver-
sas atividades. Avaliamos a duração da atividade, a sua frequência e se têm queixas a

Boas práticas
apresentar.

Entrevistador: Qual é a origem da lista de riscos? É fornecida pelo hospital ou por uma
agência externa? Quem define o método?

Monique Pullen: Existem orientações governamentais. Este método permite-nos obter


uma perspetiva muito completa de onde se encontram os verdadeiros problemas: que
cargas os trabalhadores têm de movimentar e se também suportam uma grande carga
de trabalho mental, por exemplo se referem ter muitas coisas em que pensar.

Entrevistador: Prestam uma atenção especial às diferenças de género?

Monique Pullen: Damos mais atenção às diferentes faixas etárias. Os trabalhadores


mais velhos são mais propensos a terem problemas dorso-lombares ou a necessita-
rem de mais tempo para recuperarem. O nosso pessoal está a envelhecer. A média
de idades é superior a 40 anos. Utilizamos os resultados da avaliação dos riscos para
formular uma política dirigida aos trabalhadores mais velhos, por exemplo para asse-
gurar que não têm de fazer turnos noturnos. Também não têm de trabalhar sozinhos
e não devem fazer muitos turnos consecutivos. Além disso, procuramos alcançar um
equilíbrio entre os turnos que acabam tarde e os que começam cedo e evitar dificultar
demasiado o trabalho. Os trabalhadores não têm de transferir os doentes sozinhos:
incentivamo-los a utilizar dispositivos de elevação e outras ajudas técnicas. Investimos
mais nesse material e também na reconstrução do hospital. Estamos presentemente
a reconstruir algumas partes para os trabalhadores terem mais espaço para trabalhar
com os doentes.

Entrevistador: Registam essas políticas por escrito?

Monique Pullen: Registamos, e também damos aconselhamento aos trabalhado-


res, mas estes também têm a responsabilidade de falar com o chefe de equipa. Com
base na nossa avaliação dos riscos, também examinamos quais são os maiores riscos
e debatemo-los com eles, para ver como podem preveni-los? Temos igualmente traba-
lhadores com uma formação específica, os «instrutores de ergonomia», em cada sec-
ção, que se ocupam da prevenção dos riscos músculo-esqueléticos, aconselhando os
seus colegas, por exemplo sobre a forma de transferir os doentes da forma correta. Os
trabalhadores têm uma carga de trabalho muito elevada e querem fazer muita coisa,
mas às vezes é preferível pedir ajuda a um colega.

Entrevistador: Pode descrever um exemplo de medidas de prevenção bem sucedidas


no seu hospital?

Christel van Neerven: Estamos a fazer muitas obras de reconstrução e vêm aqui tra-
balhar muitos tipos de empresas. Observamos, com frequência, que elas não tomam
precauções suficientes e que podem ocorrer acidentes. Nesses casos, estabelecemos
acordos com o departamento de equipamentos sobre o que temos de fornecer para

37
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Boas práticas
esses trabalhadores poderem trabalhar num ambiente seguro. Também tivemos mui-
tas quedas acidentais na cozinha devido a um novo pavimento. A nossa cozinha é
muito grande e o pavimento era muito escorregadio. Tentámos descobrir a causa e o
que podíamos fazer para a remediar. Tínhamos de mudar o pavimento ou o método
de limpeza? Se tudo isso for feito e subsistirem riscos, fornecemos às pessoas calçado
seguro. Outro exemplo foi um acidente com medicamentos citostáticos. Temos uma
política em relação a esses medicamentos, mas há dois anos tivemos alguns aci-
dentes com a bomba de citostáticos e alguns incidentes em que estes explodiram,
espalhando-se por todo o lado e atingindo o enfermeiro. As bombas eram demasiado
velhas. Investigámos a questão a fundo e comprámos bombas novas para todo o hos-
pital. Este é um bom exemplo dos acidentes ocorridos, mas também de como fun-
ciona este estabelecimento. Os nossos conselhos são levados a sério.

Entrevistador: Que experiência têm tido na aplicação das medidas? Tiveram apoio da
administração ou depararam com dificuldades?

Christel van Neerven: A administração participa no inquérito e na formulação de


recomendações, por isso, nunca fica surpreendida com os conselhos que damos.

Entrevistador: Nunca deparam com a resistência dos chefes de equipa ou dos


trabalhadores?

Monique Pullen: Não, e isso também se deve à nossa forma de atuar. Muitas coisas já
funcionavam muito bem e por isso dissemos-lhes que as mantivessem, porque esta-
vam muito bem. Também obtivemos uma perspetiva melhor falando com eles sobre
as medidas adicionais que podiam tomar e aconselhámo-los sobre as atividades que
poderiam melhorar.

Entrevistador: Fizeram isso intencionalmente, isto é, começaram por lhes dizer o


estão a fazer bem? Porque esse é um método muito bom para obter maior aceitação.

Christel van Neerven: Sim, damos muita importância à comunicação.

Entrevistador: Qual consideram ser a base para uma boa relação de respeito mútuo?

Christel van Neerven: O nosso ponto forte é a comunicação. Concentramo-nos


na comunicação. Não só no tema em causa, mas na forma como transmitimos a
mensagem. O nosso objetivo é mudar a atitude ou o comportamento das pessoas.
Estabelecemos contacto a esse nível e creio que isso torna o nosso trabalho bom.

Entrevistador: Como estabeleceram essa boa comunicação? Como começaram?

Christel van Neerven: Demorámos alguns anos a chegar à situação atual.

38
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

Monique Pullen: É necessário escutar quando os chefes de equipa nos descrevem os


problemas, interessarmo-nos por aquilo que eles fazem. O que estão a fazer? Qual é a
sua principal tarefa? Onde têm problemas? Quais são os aspetos positivos?

Christel van Neerven: Queremos ser um parceiro atento na comunicação. Havia


alguns preconceitos em relação à segurança e saúde no trabalho. Diziam: «Custa
muito dinheiro, mas não serve para nada». Por isso, fizemos um esforço para lhes mos-
trar os resultados constantemente, para provar que é algo positivo, e a atitude mudou.
Quisemos dar à segurança e saúde no trabalho um rosto que todos conhecessem, para
poderem falar com o gabinete de segurança e saúde se tivessem dúvidas ou proble-
mas. Dar-lhe um rosto e mostrar resultados, privilegiando os pequenos resultados em
relação à política. A política também é importante, mas nessa fase, os resultados con-
cretos eram mais relevantes. Esse era o nosso objetivo e resultou.

Boas práticas
Entrevistador: Lembra-se de um desses pequenos resultados?

Christel van Neerven: Foram pequenas coisas. Portas que não fechavam bem.
Problemas com o pavimento. Problemas com os computadores. Deu muito trabalho,
mas ao fim de um ano ouvi alguém dizer: «Liguei para o gabinete de segurança e
saúde no trabalho porque o meu colega me disse que é para lá que temos de ligar se
queremos ver resultados». E pensei: «Era isto que eu queria». É a partir desse ponto que
se cresce. Essa foi a primeira fase.

Entrevistador: Isso é muito interessante. É uma abordagem diferente do que muita


gente faz, e talvez por isso funciona tão bem no vosso caso. As pessoas começam fre-
quentemente a aplicar a estratégia e não falam diretamente com as pessoas. Pode-se
escrever muitas coisas no papel sem que ninguém compreenda realmente o que se
está a fazer. Como verificam a eficácia das medidas que tomaram?

Christel van Neerven: Através das auditorias internas de gestão da qualidade. Temos
uma auditoria externa com intervalos de poucos anos. A auditoria interna é realizada
anualmente.

Monique Pullen: Também avaliamos a eficácia falando informalmente com os chefes


de equipa. Perguntamos-lhes: As coisas mudaram? Conseguem fazer o que é preciso?
Necessitam de mais assistência nossa? Podemos ajudar em alguma coisa?

Entrevistador: Como atualizam a avaliação dos riscos ou como garantem a sustenta-


bilidade das medidas tomadas? Já mencionaram a reavaliação dois anos após a ado-
ção das medidas e também as suas conversas com os chefes de equipa.

Christel van Neerven: E observamos, nós próprios, o trabalho no terreno.

Entrevistador: Como alteram as medidas? Com base nas conversas com os chefes de
equipa?

Monique Pullen: Sim, e em conjunto com os trabalhadores. Inquirimos por que razão
não utilizam qualquer coisa e tentamos averiguar que medidas se adequam à secção
em causa. De outro modo poderão nunca as aplicar, tentamos ter isso em consideração.

Christel van Neerven: Também organizamos reuniões internas de ligação em rede,


por exemplo para os instrutores de ergonomia, duas vezes por ano.

Monique Pullen: Eles podem formar redes e colocar perguntas. Às vezes, desenvol-
vem algo numa secção que pode ser útil noutra secção. Também temos períodos em
que experimentamos instrumentos e é necessário que os trabalhadores os avaliem.
Nós podemos aconselhá-los, mas eles também têm responsabilidade nessa matéria.

39
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

2.7. Ligações

N.º  Título País Conteúdo/fonte

1 E-fact 18 — Risk EU-OSHA Este artigo descreve os fatores de risco específicos do setor da saúde e as etapas
assesment in concretas da avaliação dos riscos.
health care http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact18

2 Factsheet 43 EU-OSHA A abordagem neutra em termos de género na avaliação dos riscos e na prevenção
— Integrar pode fazer com que os riscos incorridos pelas mulheres sejam subestimados ou
a dimensão mesmo ignorados. Num quadro, são ilustrados alguns exemplos de perigos e riscos
do género na nas chamadas áreas de trabalho feminino.
avaliação dos http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/43
riscos

3 Factsheet 80 EU-OSHA A segurança e a saúde dos trabalhadores são protegidas na Europa através de uma
— Avaliação de abordagem baseada na avaliação e na gestão dos riscos. Mas para que seja possível
riscos: funções efetuar uma avaliação eficaz dos riscos no local de trabalho, todos os interessados
e responsabili- devem conhecer bem o contexto jurídico, os conceitos, o processo de avaliação
dades dos riscos e as funções que competem aos principais agentes que participam no
processo.
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/80

4 Factsheet 81 EU-OSHA A avaliação de riscos constitui a base de uma gestão eficaz da segurança e da saúde
— Avaliação de e é fundamental para reduzir os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Se
riscos: a chave for bem realizada, esta avaliação pode melhorar a segurança e a saúde, bem como,
para locais de de um modo geral, o desempenho das empresas.
trabalho segu- http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/81
ros e saudáveis

5 Risk assessment EU-OSHA Esta publicação contém listas de controlo relativas a uma vasta gama de perigos para
essentials ajudar a avaliar os riscos no local de trabalho, designadamente os riscos causados
pelas substâncias químicas, o stresse e as superfícies escorregadias.
http://osha.europa.eu/en/campaigns/hwi/about/material/rat2007

6 Diretiva 89/391/ EU Diretiva 89/391/CEE do Conselho, de 12 de junho de 1989, relativa à aplicação de


/CEE do medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhado-
Conselho res no trabalho.
http://eurlex.europa.eu/Result.do?T1=V1&T2=1989&T3=391&RechType=RECH_
naturel&Submit=Search

7 E-fact 20 — EU-OSHA Os laboratórios envolvem uma maior variedade de perigos do que a maioria dos
Checklist for locais de trabalho. A presente e-fact debruça-se especificamente sobre a segurança
the prevention nos laboratórios químicos e biológicos, descrevendo a legislação da União Europeia
of accidents in aplicável à segurança laboratorial, com destaque para os perigos químicos e bioló-
laboratories gicos, às trabalhadoras grávidas e aos trabalhadores jovens. Resume os perigos com
que os trabalhadores dos laboratórios se podem confrontar e apresenta exemplos
de acidentes graves que poderiam ter sido evitados com a adoção de medidas de
segurança adequadas. Conclui com um conjunto de listas de controlo para ajudar os
trabalhadores dos laboratórios a avaliarem os eventuais riscos e a monitorizarem os
processos de segurança.
http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact20

8 E-fact 28 — EU-OSHA As lesões músculo-esqueléticas (LME) constituem um grave problema entre os funcio-
Técnicas de nários hospitalares, em especial, o pessoal de enfermagem. As lesões dorso-lombares
mobilização e as lesões nos ombros constituem as principais preocupações, podendo ser ambas
de doentes extremamente debilitantes. A profissão de enfermeiro tem-se revelado como uma das
para prevenir profissões de maior risco no que respeita a dores dorso-lombares. A causa principal
lesões músculo- de LME está relacionada com as tarefas de mobilização de doentes, como o levante, a
-esqueléticas transferência e o posicionamento de doentes. Este artigo apresenta recomendações e
na prestação exemplos destinados ao pessoal de enfermagem e pretende ajudar a reduzir o número
de cuidados de e a gravidade de LME resultantes de atividades de mobilização de doentes.
saúde http://osha.europa.eu/pt/publications/e-facts/efact28

40
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

9 Relatório: EU-OSHA Este relatório resume um workshop realizado em 15 de junho de 2004 em Bruxelas.
Mainstreaming O seminário tinha por objetivos trocar informações sobre as questões específicas de
gender into género, nomeadamente sobre uma abordagem que tenha em conta a dimensão do
occupational género e a sua integração na segurança e saúde, e promover o debate e o intercâm-
safety and bio de pontos de vista sobre essas questões entre a União Europeia, as autoridades
health nacionais, os parceiros sociais e os peritos. O relatório inclui propostas para o desen-
volvimento das questões de género no domínio da segurança e saúde no trabalho.
http://osha.europa.eu/en/publications/reports/6805688

10 Safety and EU-OSHA Boas práticas para as empresas, os parceiros sociais e as organizações. Apresentação
health at work da iniciativa «Local de trabalho saudável», para proporcionar às entidades patro-
is everyone’s nais e aos trabalhadores um acesso fácil a informações de qualidade sobre saúde e
concern: Good segurança.
practice for http://osha.europa.eu/en/publications/other/brochure2007
enterprises,
social partners
and organisa-
tions

11 Relatório: EU-OSHA A concretização da igualdade entre homens e mulheres em todos os aspetos do


Gender issues emprego é, presentemente, uma prioridade europeia fundamental. Trata-se de uma
in health and questão não só de direitos, mas também de boa política económica. O relatório
safety at work realça a importância de considerar, por um lado, a dimensão do género na pre-
venção dos riscos e de incluir, por outro lado, a segurança e saúde no trabalho nas
atividades de promoção da igualdade de género no emprego. A cooperação entre
estes dois domínios políticos é crucial, desde o nível europeu ao nível de cada local
de trabalho, para promover uma melhor prevenção dos riscos profissionais tanto
para as mulheres como para os homens.
http://osha.europa.eu/en/publications/reports/2009

12 Factsheet 42 EU-OSHA Existem diferenças substanciais nas condições de trabalho das mulheres e dos
— Problemá- homens que se repercutem nas respetivas saúde e segurança no trabalho. Um dos
tica do género objetivos de «A estratégia comunitária de saúde e segurança no trabalho» é a inte-
na segurança gração da dimensão do género nas atividades de segurança e saúde no trabalho.
e saúde no Para apoiar este objetivo, a Agência elaborou um relatório de análise das diferenças,
trabalho em função do género, da ocorrência de ferimentos e da prevalência de doenças de
origem profissional e da falta de conhecimentos e das respetivas implicações para a
melhoria da prevenção dos riscos.
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/42

13 Factsheet 29 EU-OSHA Segundo dados europeus, a taxa de acidentes de trabalho no setor da saúde é 34%
— Em linha: superior à média da União Europeia. Além disso, o setor da saúde apresenta uma
boas práticas elevada taxa de incidência de distúrbios músculo-esqueléticos relacionados com o
em matéria de trabalho, apenas precedido do setor da construção. Esta ficha técnica é uma intro-
segurança e dução básica à segurança e saúde ocupacionais no setor da saúde, e indica como
saúde para o aceder a informações relacionadas com o setor no sítio web da Agência.
setor da saúde http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/29

14 Factsheet 53 EU-OSHA As pessoas com deficiência devem receber igual tratamento no trabalho, o que
— Garantir a inclui a igualdade em termos de segurança e saúde no trabalho. As pessoas com
segurança e deficiência são abrangidas pela legislação europeia em matéria de anti-discrimina-
a saúde dos ção e de segurança e saúde no trabalho. Tal legislação, transposta pelos Estados-
trabalhadores -Membros para a legislação e disposições nacionais, deve ser aplicada no sentido de
com defici- facilitar o emprego de pessoas com deficiência, e não de as excluir.
ência http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/53

15 Trabalhadores EU-OSHA Entre as questões de segurança e saúde no trabalho que mais preocupam os traba-
idosos lhadores idosos figuram as lesões músculo-esqueléticas, as características psicosso-
ciais da atividade desenvolvida e as modalidades de organização do trabalho (por
exemplo, rotação dos turnos).
http://osha.europa.eu/pt/priority_groups/ageingworkers

41
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

16 Trabalhadores EU-OSHA Entre as questões relacionadas com a segurança e saúde no trabalho dos trabalha-
migrantes dores migrantes figuram as elevadas taxas de emprego destes trabalhadores em
setores de alto risco, as barreiras linguísticas e culturais à comunicação e à formação
em SST e o facto de trabalharem, com frequência, muitas horas extraordinárias e/ou
terem problemas de saúde, sendo, por conseguinte, mais suscetíveis de sofrerem de
lesões e doenças profissionais.
http://osha.europa.eu/pt/priority_groups/migrant_workers

17 Pessoas com EU-OSHA A EU-OSHA compilou vários recursos relacionados com a segurança e saúde no
deficiência trabalho e com as pessoas com deficiência. O sítio web pretende fornecer ligações a
informações práticas sobre as questões de SST relativas à integração e retenção de
pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
http://osha.europa.eu/pt/good_practice/priority_groups/disability

18 Jovens EU-OSHA A Agência compilou vários recursos e ligações a fontes de informação relacionadas
com a segurança e saúde no trabalho dos jovens.
http://osha.europa.eu/pt/good_practice/priority_groups/young_people

19 Factsheet 69 EU-OSHA Esta ficha técnica apresenta uma panorâmica da situação de emprego dos trabalha-
— Jovens dores jovens e das funções que desempenham, sobretudo no setor dos serviços e
trabalhadores em postos de trabalho manual pouco qualificados. Esta distribuição tem implicações
importantes para a segurança e a saúde no trabalho dos jovens devido ao conjunto
específico de condições potencialmente negativas (nomeadamente baixos salários,
sazonalidade, condições de emprego deficientes, horários de trabalho atípicos, tra-
balho por turnos, noturno e aos fins-de-semana, e trabalho com desgaste físico).
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/69

20 Factsheet 70 EU-OSHA Esta publicação procura fornecer uma análise dos perigos a que os trabalhadores
— Jovens jovens estão expostos no trabalho e quais são as consequências dessa exposição
trabalhadores a curto e a longo prazo. Muitos dos setores e atividades em que os jovens estão
empregados caraterizam-se por um elevado risco de acidentes e pela exposição a
numerosos perigos no local de trabalho. É necessário tomar medidas específicas e
direcionadas em matéria de ensino e formação, bem como nas práticas quotidianas
no local de trabalho.
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/70

42
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

2.8. Diretivas comunitárias aplicáveis


1. Diretiva 89/391/CEE do Conselho, de 12 de junho de 1989, relativa à aplicação de
medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalha-
dores no trabalho (13).

2. Diretiva 89/654/CEE do Conselho, de 30 de novembro de 1989, relativa às prescri-


ções mínimas de segurança e de saúde para os locais de trabalho (14).

3. Diretiva 92/85/CEE do Conselho, de 19 de outubro de 1992, relativa à implemen-


tação de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde das
trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactantes no trabalho (15).

2.9. OiRA: Instrumento interativo de avaliação


dos riscos em linha da EU-OSHA
A Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho está a desenvolver uma
ferramenta de avaliação dos riscos em linha que ficará ao dispor dos utilizadores em
2011 (http://osha.europa.eu/). Esta ferramenta é constituída por páginas web sobre
a avaliação dos riscos que podem ajudar as micro e pequenas organizações a criar
um processo de avaliação dos riscos: começando pela identificação e a avaliação dos
riscos no local de trabalho, passando pela tomada de decisões sobre as ações preven-
tivas e a adoção de medidas, até ao acompanhamento e à elaboração de relatórios.

2.10. Bibliografia
Berufsgenossenschaft für Gesundheitsdienst und Wohlfahrtspflege (BGW), Alemanha,
8 de julho de 2009 (www.bgw-online.de).

Berufsgenossenschaft für Gesundheit und Wohlfahrtspflege, Alemanha.


Gefährdungsbeurteilung in Kliniken, 2005 (http://www.bgwonline.de/inter-
n e t / g e n e rato r / I n h a l t / O n l i n e I n h a l t / M e d i e nt y p e n / b g w _ c h e c k / T P- 4 G B _
Gefaehrdungsbeurteilung_in_Kliniken,property=pdfDownload.pdf ).

Diretiva 89/391/CEE do Conselho, de 12 de junho de 1989, relativa à apli-


cação de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da
saúde dos trabalhadores no trabalho (http://eurlex.europa.eu/Result.
do?T1=V1&T2=1989&T3=391&RechType=RECH_naturel&Submit=Search).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «Factsheet — 80 Avaliação


de riscos: funções e responsabilidades» (http://osha.europa.eu/pt/publications/
factsheets/80/).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «Factsheet 43 — Integrar a


dimensão do género na avaliação dos riscos» (http://osha.europa.eu/pt/publications/
factsheets/43/).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, Avaliação dos riscos


(http://osha.europa.eu/en/topics/riskassessment).
(13) JO L 183 de 29.6.1989,
p. 1 a 8.
(14) JO L 393, 30.12.1989,
p. 1 a 12.
(15) JO L 348, 28.11.1992,
p. 1 a 8.

43
44
2.11. Exemplo de uma avaliação dos riscos baseada na movimentação manual dos doentes
Área de trabalho: Unidade de cuidados 2B
Grupo profissional: Todos os trabalhadores envolvidos na prestação de cuidados aos doentes
Tarefa: Movimentação de doentes

Tarefa Perigo e pessoas Classificação Objetivo Medidas preventivas Medidas até quando e responsáveis? Acompanhamento/
em risco do risco (T-O-P) /data de revisão

Ajudar um Esforço físico das 2 Eliminação da Camas elétricas reguláveis Nos próximos dois anos para todas as unida-
doente a zonas da coluna, carga física para des de cuidados
sentar-se ombros e pes- o prestador de
na cama e coço, bem como cuidados Direção, departamento de compras
a deitar-se das articulações
de novo da mão e do Redução da Pessoal suficiente no turno para que No prazo de seis meses
braço para todos carga física para seja possível o trabalho ser feito por dois
o prestador de colegas Direção e enfermeiro-chefe
os prestadores de
cuidados envol- cuidados
Tempo suficiente que permita trabalhar de Imediatamente
vidos, devido ao
forma respeitadora da coluna vertebral e
peso e à capaci- Enfermeiro-chefe
orientada para os recursos dos doentes
dade funcional
do doente, e ao Imediatamente
Revisão da organização do fluxo de
espaço insu- trabalho
ficiente para Direção clínica e enfermeiro-chefe
circular em redor
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Inexistência de camas suplementares nos Imediatamente


da cama quartos dos doentes
Todos os membros da unidade de cuidados
Espaço suficiente nos quartos dos doentes,
por exemplo, remoção de mobiliário des-
necessário, reorganização do mobiliário

Informação Informação sobre a conduta segura Nas próximas seis semanas para todo o pes-
sobre os perigos soal de todas as unidades de cuidados
Formação sobre o manuseamento de
Eliminação da camas elétricas Enfermeiro-chefe, responsável pela segurança
carga física para
o prestador de Formação em formas de trabalhar respeita- No prazo de 8 semanas
cuidados doras da coluna vertebral e orientadas para
os recursos dos doentes Responsável pelos dispositivos médicos

Nos próximos dois anos, ações de formação


básicas para todo o pessoal,

Nos próximos quatro anos acompanha-


mento de todo o pessoal
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

2.12. Exemplo de uma avaliação dos riscos


baseada na desinfeção de superfícies
Área de trabalho: Medicina interna

Grupo profissional: Pessoal de enfermagem

Tarefa: Desinfeção de grandes superfícies como atividade de rotina (em que as super-
fícies são esfregadas e limpas com desinfetantes)

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco


Exemplo: Informações fornecidas pelas fichas de segurança, a escala de serviço e
os aparelhos de trabalho — Como se podem recolher informações, incluindo sobre
quem pode ser afetado e como?

Na desinfeção de rotina das superfícies, estas são esfregadas e limpas com uma solu-
ção desinfetante diluída, aquosa, que pode conter substâncias perigosas. Os desinfe-
tantes de superfícies concentrados são normalmente diluídos em água para obter a
solução de aplicação à razão de aproximadamente 0,25% a 3%, consoante o tipo e a
concentração das substâncias ativas. O consumo da solução de aplicação varia entre
mais de 50 ml/m2 e menos de 100 ml/m2 da superfície de pavimento básica, mas pode
elevar-se a vários litros, no total, dependendo da amplitude da desinfeção. Esta ati-
vidade é frequente nas unidades de serviço e pode levar minutos (por exemplo, no
caso das enfermeiras) ou horas (no caso dos auxiliares de enfermagem ou do pessoal
de limpeza). Os acessórios, as superfícies de trabalho, as camas, os equipamentos e as
máquinas, etc., são desinfetados.

Os trabalhadores estão expostos a vários riscos, designadamente:

• riscos músculo-esqueléticos devido à permanência prolongada na mesma posição


ou a posições penosas, ou ao levantamento e transporte de cargas pesadas (por
exemplo, colchões, acessórios);

• riscos de infeção (risco de infeção típico dos hospitais);

• riscos químicos devido à ação de várias substâncias de limpeza e desinfeção, bem


como trabalhos prolongados com líquidos que podem causar empolamento da
pele, dermatoses de desgaste e sensibilização da pele.

A rotulagem das substâncias perigosas fornece, normalmente, ao utilizador informa-


ções suficientes sobre os riscos decorrentes do produto. As diluições normais que os
utilizadores produzem a partir dos concentrados desinfetantes contêm frequente-
mente substâncias ativas inferiores a 0,1g/100g e, por conseguinte, inferiores a 0,1%
nas soluções de trabalho. A rotulagem destas últimas é, normalmente, dispensável,
mas os desinfetantes diluídos continuam a causar riscos.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Exemplo: Nem todos os riscos identificados têm a mesma importância — Como ava-
liar que riscos devem ser prioritários e combatidos em primeiro lugar?

Os riscos cutâneos são causados pelo contacto direto com o desinfetante ou por salpi-
cos, devendo esta situação ser acautelada, sobretudo no caso de certos ingredientes
críticos que, por exemplo, podem causar sensibilização em contacto com a pele (R43).
As frases de risco aplicáveis aos ingredientes constam da secção 2 da ficha de segurança.

45
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Os riscos de inalação são originados pela evaporação dos ingredientes. Os produtos


inflamáveis podem causar riscos de incêndio e de explosão, mas as soluções de aplica-
ção normalmente utilizadas não são inflamáveis.

Se o desinfetante for utilizado em conformidade com as instruções não há produtos


de reação. Os produtos com divisores de formaldeído, como por exemplo, o 1,6-di-
-hidroxi-2,5-dioxahexano (CAS n.º 3586-55-8) constituem um caso especial, em que o
formaldeído não é adicionado como ingrediente durante a produção, mas sim resul-
tante de uma reação química no concentrado. O utilizador fica, assim, confrontado
com um desinfetante que contém formaldeído embora esse facto não seja evidente.

Risco cutâneo

A exposição cutânea pode ser evitada em todas as atividades de desinfeção, indepen-


dentemente dos ingredientes dos desinfetantes, mediante a utilização de luvas de pro-
teção adequadas. O uso de luvas de proteção impermeáveis, principalmente durante
mais de duas horas por turno, é um dos riscos especiais do «trabalho com humidade».

Risco de inalação

É possível afirmar, de forma sucinta, em relação ao risco de inalação, que este é nor-
malmente negligenciável, salvo no caso dos aldeídos.

Os desinfetantes são classificados em grupos de produtos distinguidos em função dos


ingredientes.

Grupo de produtos: compostos de amónio quaternário e biguanidinas

A exposição por inalação é insignificante no caso dos produtos com compostos de


amónio quaternário e biguanidinas, desde que não se formem aerossóis.

Grupo de produtos: produtos com aldeídos

Normalmente, os aldeídos podem ser sensibilizantes e o formaldeído tem até um


potencial cancerígeno (C3 segundo a UE; C1 segundo o Centro Internacional de
Investigação do Cancro, CIIC). Mesmo que os valores-limites estejam subestimados,
não é possível excluir a existência de um risco para a saúde causado pelas substâncias
sensibilizantes, se estas sensibilizarem as vias respiratórias (R42).

Grupo de produtos: álcoois

A exposição ao álcool por inalação é negligenciável no caso dos produtos que contêm
álcool com concentrações máximas iguais ou inferiores a 10g/100g na forma concen-
trada e, portanto, que não excedem 50 mg/100g na solução de aplicação a 0,5%.

Grupo de produtos: outros ingredientes (derivados do fenol)

Os desinfetantes de superfícies podem conter outras substâncias ativas para além dos
ingredientes supramencionados, por exemplo, derivados do fenol. O risco específico
da substância deve ser determinado caso a caso, se esses produtos forem utilizados.

Risco de incêndio/explosão

Só existe risco de explosão (incêndio) se os concentrados ostentarem no rótulo o sím-


bolo da chama ou a menção R10 (inflamável). As outras concentrações de aplicação
diluídas não apresentam qualquer risco de incêndio ou explosão. Os produtos com um
teor alcoólico mais elevado não são desinfetantes adequados para grandes superfícies
devido ao risco de incêndio/explosão.

46
2 COMO REALIZAR UMA AVALIAÇÃO DOS RISCOS?

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas T-O-P


Exemplos de medidas adequadas para certos riscos (primeiro medidas «técnicas»
depois medidas «organizativas» e depois medidas «pessoais»)

Substituição

Devem fazer-se controlos regulares para determinar se basta limpar em vez


de desinfetar, sendo o trabalho de desinfeção necessário estipulado no plano de
higiene.

Existem à venda muitos produtos de desinfeção de superfícies que não têm ingredien-
tes voláteis ou que contêm substâncias com menos propriedades críticas.

A adequação de um produto menos crítico deve ser analisada. Importa ter os riscos
seguintes em conta, nomeadamente quando os desinfetantes são substituídos:

• o potencial de sensibilização dos ingredientes (R42, R43);

• os produtos que contenham aldeídos, em especial formaldeído e glutaraldeído, só


devem ser usados em casos devidamente justificados, devido à sua volatilidade e ao
potencial risco subsistente, mesmo que sejam utilizadas soluções diluídas;

• na desinfeção de grandes superfícies deve utilizar-se a limpeza «a pano» e não méto-


dos de pulverização com nebulizadores.

Técnicas

• Deve partir-se do princípio de que é necessária ventilação técnica em caso de con-


centrações de aplicação superiores a 1% e com ingredientes voláteis (exceto álcoois).

• A ventilação deve renovar suficientemente o ar e a manipulação do desinfetante


deve ser efetuada com meios auxiliares para minimizar o contacto cutâneo.

• Os aerossóis devem ser evitados na medida do possível. Por exemplo, diminuindo


a pressão, pode reduzir-se a formação de aerossóis na abertura de descarga, bem
como a velocidade de impacto das partículas líquidas e, por conseguinte, o volume
do aerossol produzido (isto é importante, por exemplo, na desinfeção das casas de
banho de hospitais e casas de repouso com chuveiros).

Organizativas

• O trabalho de desinfeção necessário é estipulado e os trabalhadores instruídos


sobre a forma de trabalhar adequadamente antes de iniciar as atividades. As especi-
ficações sobre a produção da concentração de aplicação e o tempo de contacto são
respeitadas.

• Durante a desinfeção, deve ser assegurada uma boa ventilação, se possível cruzada,
mediante a abertura de portas e janelas.

• Se existirem instalações de ventilação técnica, devem ser postas em funcionamento


durante a desinfeção.

• A aplicação de desinfetantes em superfícies quentes deve ser evitada porque as


substâncias ativas se evaporam mais rapidamente e a ação de desinfeção deixa de
se produzir (tempo de contacto insuficiente). Além disso, as substâncias evaporadas
também causam um risco grave, que normalmente seria negligenciável à tempera-
tura ambiente (por exemplo, desinfeção a quente).

47
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Pessoais/individuais

• No que respeita às medidas de proteção individual, as indicações da secção 8 da


ficha de segurança em causa devem ser sempre respeitadas.

• Devem utilizar-se luvas adequadas, como é normalmente o caso das luvas de bor-
racha nitrílica. Tendo em conta a variedade de produtos utilizados, não podem ser
fornecidas no presente guia informações definitivas sobre as luvas de proteção. A
secção 8 da ficha de segurança em causa contém sempre indicações.

• Deve usar-se uma proteção corporal adequada, quando for previsível que o vestuá-
rio ou o calçado possam ficar ensopados.

Etapa 4 — Adoção de medidas


Os trabalhadores têm de ser informados acerca dos resultados da avaliação dos riscos.
Quanto à aplicação das medidas, é necessário planear o que deve ser feito, por quem e
em que prazos, e estabelecer-se um calendário em conjunto com todos os envolvidos.
O envolvimento de trabalhadores de diferentes grupos profissionais e com necessida-
des diferentes, como os trabalhadores mais jovens e mais velhos, os trabalhadores do
sexo masculino e do sexo feminino e outros grupos de trabalhadores, na aplicação das
medidas propicia a aceitação das mesmas e o seu êxito a longo prazo.

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


Documentação

A avaliação dos riscos tem de ser documentada e essa documentação deve incluir os
resultados da análise dos riscos, as medidas aplicadas e os resultados da avaliação das
medidas.

Acompanhamento

Os resultados das medidas têm de ser acompanhados e avaliados, podendo ser neces-
sárias alterações adicionais se elas não produzirem os resultados esperados. As medi-
das aplicadas serão acompanhadas por um ou mais trabalhadores, que responderão
perante o diretor responsável do seu departamento e/ou do hospital. É ao chefe de
equipa ou ao diretor do departamento que compete acompanhar e rever a avaliação
dos riscos.

Revisão

A avaliação deve ser revista regularmente e sempre que haja alterações importantes.
Os riscos e perigos profissionais devem ser atualizados anualmente, instituindo-se
um processo de melhoria contínua. A data fixada para rever as medidas tomadas e
reavaliar os riscos é indicada na documentação. Idealmente, os gestores responsáveis
comunicam à administração se o objetivo de prevenção ou redução de um risco foi ou
não atingido.

48
3
Riscos biológicos

3.1. Introdução
3.2. Avaliação geral dos riscos de possível exposição profissional a infeções
3.3. Avaliação específica dos riscos biológicos
3.3.1. Risco de infeções transmissíveis por via sanguínea
3.3.2. Risco de infeções transmissíveis por via aerógena
3.3.3. Risco de infeção por contacto direto e indireto
3.3.4. Descrição de boas práticas empresariais: gestão das infeções por contacto
3.3.5. Infeções especiais

3.4. Gravidez
3.5. Diretivas da União Europeia aplicáveis
3.6. Ligações
3.7. Bibliografia
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

3.1. Introdução
O pessoal do setor da saúde está mais sujeito ao risco de contrair infeções, para o
que contribuem significativamente numerosos agentes patogénicos, que podem
ser bastante díspares. Em regra, o risco é inesperado ou pouco evidente, o que
torna a avaliação dos riscos particularmente difícil.

Uma nova forma de avaliar os riscos

É essencial fazer uma avaliação dos riscos para prevenir as infeções entre o pessoal que
trabalha em áreas de alto risco. Uma avaliação dos potenciais riscos deve ter em conta
os seguintes aspetos:

1. a virulência natural do agente patogénico;

2. a sua capacidade de sobreviver no meio ambiente;

3. a gravidade da doença;

4. a dose ou o nível de exposição necessário para causar doença ou infeção;

5. o modo de transmissão;

6. os fatores epidemiológicos.

Classificação da Diretiva 2000/54/CE do Parlamento Europeu e do Conselho


relativa à proteção dos trabalhadores contra riscos ligados à exposição a
agentes biológicos durante o trabalho

Quatro grupos de risco, conforme o nível de risco infecioso:

• Grupo 1
Agente biológico com baixa probabilidade de causar doenças no Homem.

• Grupo 2
Agente biológico que pode causar doenças no Homem e constituir um perigo
para os trabalhadores; é escassa a probabilidade da sua propagação na coletivi-
dade e, regra geral, existem meios de profilaxia ou tratamento eficazes.

• Grupo 3
Agente biológico que pode causar doenças graves no Homem e constituir um
grave risco para os trabalhadores; é suscetível de se propagar na coletividade,
(16) Ver artigo 2.º da
Diretiva 2000/54/CE do muito embora se disponha geralmente de meios de profilaxia ou tratamento
Parlamento Europeu eficazes.
e do Conselho, de 18
de setembro de 2000,
relativa à proteção • Grupo 4
dos trabalhadores Agente biológico que causa doenças graves no Homem e constitui um grave
contra riscos ligados risco para os trabalhadores; pode apresentar um risco elevado de propagação
à exposição a agentes
biológicos durante o na coletividade; regra geral, não existem meios de profilaxia ou de tratamento
trabalho (sétima diretiva eficazes (16).
especial nos termos do
n.º 1 do artigo 16.º da
Diretiva 89/391/CEE)

(JO L 262 de 17.10.2000, Associado aos grupos de risco está um conjunto de medidas de proteção classificado
p.21 a 45). O anexo III que permite uma reação geral aos diversos níveis de perigo. No entanto, com este sis-
contém uma lista dos
agentes biológicos tema não é fácil dar uma resposta específica a uma situação conjuntural, visto que os
classificados pela União. perigos podem mudar rapidamente no setor da saúde.

50
3 RISCOS BIOLÓGICOS

  01 A
entidade patronal
O sistema europeu de avaliação dos riscos exige é responsável pela
uma avaliação do potencial de risco de todos avaliação dos riscos
os agentes patogénicos suscetíveis de serem
encontrados, a divisão desses agentes em gru-
pos de risco e a definição de precauções basea-
das na análise e no agrupamento dos riscos. Se
estiverem presentes agentes patogénicos de
diversos grupos de risco, deve aplicar-se o con-
junto de precauções referentes à categoria de
risco mais elevada. Embora esta abordagem seja
eficaz, é igualmente demorada e complexa, e a
determinação das medidas de proteção a utilizar
é abstrata.

Para que a avaliação dos riscos seja significativa, é


estrategicamente mais razoável agregar os agen-
tes patogénicos em grupos, em vez de os consi-
derar individualmente. A classificação em função
do modo de transmissão constitui uma solução
adequada, porque as medidas de proteção estão diretamente relacionadas com ele.

No contexto do setor da saúde, há três modos de transmissão relevantes:

1. infeções transmitidas por via sanguínea;

2. infeções transmitidas por via aerógena;

3. infeções por contacto.

As infeções por via fecal-oral também constituem um risco, mas podem ser prevenidas
da mesma forma que as infeções por contacto.

Os procedimentos de análise e avaliação dos riscos devem ser desenvolvidos separa-


damente para cada um dos modos de transmissão definidos e as respetivas medidas
de proteção estipuladas em conformidade.

Em alguns casos, é necessário prestar especial atenção a questões ou aspetos especí-


ficos relacionados com determinados agentes patogénicos ou atividades do setor da
saúde, que são a seguir referidos.

3.2. Avaliação geral dos riscos de possível


exposição profissional a infeções
Os trabalhadores envolvidos nas diversas áreas ou atividades dos serviços de saúde
estão expostos a tipos de riscos de infeção bastante diferentes.

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco


Os livros de medicina do trabalho (ver bibliografia) também fornecem informa-
ções sobre os riscos causados pelos agentes biológicos. Podem ser obtidas ins-
truções relativas à situação atual nesta matéria nas bases de dados nacionais,
por exemplo nos estudos epidemiológicos alemães sobre as situações de epide-
mia realizados pelo Instituto Robert Koch. A entidade patronal deve recorrer aos
serviços de um médico especialista em medicina do trabalho e realizar a análise
dos riscos em conjunto com este.

51
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

São áreas de risco (lista não exaustiva):


• os blocos operatórios;
• unidades de cuidados de agudos;
• unidades de cuidados intensivos;
• serviços de emergência e transporte de doentes;
• diálise;
• laboratórios;
• geriatria, sobretudo quando existe exposição a sangue e produtos derivados de
sangue, dispositivos e instrumentos potencialmente perigosos, ou tratamento de
doentes agressivos;
• patologia, anatomia e medicina legal (exceto laboratórios);
• bancos e centros de doação de sangue e plasma.

Atividades com potencial risco de infeção:


• exames clínicos de seres humanos;
• colheita de amostras de sangue, fluidos corporais ou outras amostras clínicas, por
exemplo, esfregaços;
• intervenções cirúrgicas;
• pensos/tratamento de feridas;
• cuidados a doentes incapazes de cuidarem de si próprios;
• assistência a seres humanos ou a animais em risco por ação de outros ou de si
próprios;
• trabalho com animais.

As atividades seguintes também podem apresentar riscos de infeção:


• trabalhos de limpeza, desinfeção, reparação e manutenção, bem como transporte e
eliminação de resíduos em áreas contaminadas e/ou com equipamentos e objetos
contaminados;
• contacto com áreas em que há suspeita de infeção, por exemplo, materiais contami-
nados em lavandarias (zona da roupa suja);
• manipulação/movimentação de aparelhos de limpeza ou desinfeção;
• manipulação de instrumentos ou equipamentos pontiagudos ou cortantes.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Avaliação específica dos riscos biológicos
Esta avaliação baseia-se em conhecimentos empíricos sobre os agentes pato-
génicos que estão normalmente presentes. Complementarmente, os estudos
epidemiológicos fornecem dados pormenorizados sobre a frequência das infe-
ções e instruções relativas à avaliação dos riscos. As informações sobre as situa-
ções de evolução rápida [em algumas circunstâncias, surtos pandémicos como a

52
3 RISCOS BIOLÓGICOS

síndrome respiratória aguda grave (SRAG) ou a gripe suína] são transmitidas aos
meios de comunicação social.

A avaliação deve:

• considerar os agentes patogénicos mais comuns (situação epidemiológica);

• considerar os agentes patogénicos que apresentam um possível risco de exposição


(grupo de risco);

• considerar os meios de transmissão existentes;

• considerar se a situação de trabalho envolve ou não pressões de tempo e responsa-


bilidade ou níveis de stresse elevados;

• analisar os riscos que exigem um plano de atenuação;

• definir medidas concretas para reduzir o risco;

• promover a aplicação de medidas de segurança e saúde.

  02 O sangue causa um


risco elevado nos
blocos operatórios

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P


Precauções gerais — Medidas de higiene normais

Trata-se de medidas que devem ser tomadas no contacto com todos os doentes
para evitar a transmissão de agentes patogénicos aos doentes e aos trabalha-
dores da saúde, a fim de reduzir o risco de infeções nosocomiais. Essas medidas
prendem-se principalmente com a desinfeção higiénica das mãos, mas também
com a correta utilização de barreiras de precaução, em função das circunstâncias:

• utilização de luvas (ver infra);

• utilização de vestuário de proteção (ver infra);

• utilização de máscaras filtrantes (ver infra);

• desinfeção e limpeza de superfícies e objetos visivelmente contaminados e manu-


tenção regular dos produtos médicos, como importante medida de higiene normal.

53
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Medidas técnicas e instalações dos edifícios

Os métodos de prevenção a seguir descritos estão relacio-


nados com os métodos gerais e básicos de higiene e trata-
mento dos doentes, mas são igualmente relevantes para a
segurança e saúde dos trabalhadores, pelo que devem ser
mencionados. A entidade patronal é obrigada a assegurar
a adoção das medidas técnicas e higiénicas necessárias
para evitar potenciais riscos. Em algumas situações, a utili-
zação de métodos de proteção pessoal/individual também
  03 Exemplo de uma me- é adequada e deve estar prevista. Os métodos específicos
dida técnica: devem prescritos dependem da situação ou das condições de tra-
utilizar-se equipa- balho concretas e, se necessário, devem ser alargados ou
mentos seguros
alterados de modo a terem em conta os materiais e os cri-
térios existentes no local de trabalho.

Medidas de higiene das mãos

Desinfeção higiénica das mãos

A desinfeção higiénica das mãos é essencial se houver uma contaminação microbiana


real, ou mesmo possível, das mesmas. Em caso de suspeita de contaminação ou de
contaminação provável, deve utilizar-se uma preparação bactericida, fungicida e anti-
vírica fiável, para a qual existam resultados de ensaio válidos (por exemplo, unidade de
isolamento, serviço de pediatria, suspeita de infeção ou infeção claramente transmis-
sível). A desinfeção higiénica deve ser realizada de modo a eliminar o mais possível a
flora contaminante ainda existente nas mãos.

A preparação à base de álcool é esfregada em todas as zonas das mãos secas, com
especial atenção às superfícies internas e externas, incluindo os pulsos, as zonas entre
os dedos, as pontas dos dedos, os rebordos das unhas e os polegares, que devem ser
mantidos húmidos durante todo o tempo de exposição.

A desinfeção higiénica das mãos é necessária:

• antes de a pessoa em causa entrar no lado esterilizado da câmara de desinfeção


do pessoal nos serviços de cirurgia, nos departamentos de esterilização ou noutras
zonas esterilizadas;

• antes de procedimentos invasivos, mesmo que se usem luvas (esterilizadas ou não


esterilizadas) (por exemplo, inserção de um cateter venoso ou uma algália, angio-
grafia, broncoscopia, endoscopia, injeções, punções);
  04 A desinfeção das
mãos tem prioridade
sobre a sua lavagem.
Se estiverem visivel-
mente sujas, devem
ser primeiramente
lavadas e depois
desinfetadas.

54
3 RISCOS BIOLÓGICOS

• antes do contacto com doentes sujeitos a um risco de infeção particularmente elevado


(por exemplo, doentes de leucemia, doentes politraumatizados, doentes que tenham
estado expostos a radiação ou com outras doenças graves, doentes com queimaduras);

• antes de atividades que envolvam um risco de contaminação (por exemplo, adminis-


tração de infusões, mistura de infusões, preparação terapêutica para administração);

• antes e após qualquer contacto com feridas;

• antes e após qualquer contacto com os pontos de inserção de cateteres, drenos, etc;

• após contacto com materiais potencial ou comprovadamente infeciosos (sangue,


secreções ou excrementos) ou com zonas infetadas do corpo;

• após contacto com objetos, líquidos ou superfícies potencialmente contaminados


(sistemas de colheita de urina, arrastadeiras, ventiladores, máscaras de ventilação,
tubos endotraqueais, drenos, roupa suja, resíduos, etc.);

• após contacto com doentes que possam ser uma fonte de infeção ou portadores de
agentes patogénicos especialmente relevantes para a higiene hospitalar [por exem-
plo, Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA)];

• depois de remover as luvas de proteção, caso tenha ou possa ter havido contacto
com agentes patogénicos ou uma grande sujidade.

Antes de procedimentos asséticos (por exemplo, no tratamento de doentes com quei-


maduras), poderá ser necessário lavar as mãos antes de as desinfetar, como no caso da
desinfeção cirúrgica das mãos.

Nas situações a seguir indicadas, é necessário optar entre a desinfeção higiénica das
mãos ou a lavagem das mãos, de acordo com o risco envolvido:

• antes de preparar e distribuir os alimentos;

• antes e depois de prestar cuidados de enfermagem ou outros a doentes em relação aos


quais não se aplicam as indicações relati-
vas à desinfeção higiénica das mãos;

• depois de utilizar as instalações sani-


tárias (se a pessoa sofrer de diarreia é
muito provável que haja uma grande
descarga de agentes patogénicos virais,
bacterianos ou parasitários com uma
dose infetante extremamente baixa
— rotavírus, vírus pequenos de estru-
tura redonda, Escherichia coli enterohe-
morrágica (EHEC), Clostridium difficile
e Cryptosporidia — e, por isso, as mãos
devem ser desinfetadas primeiramente);

• depois de assoar o nariz (em caso de


rinite, há uma grande probabilidade de   05 A utilização de uma
infeção viral com maior descarga consecutiva de Staphylococcus aureus e, por isso, escova para lavar as
as mãos devem ser desinfetadas primeiramente). mãos é dispensável
porque a escova pode
danificar a pele
A desinfeção higiénica das mãos é uma atividade frequentemente repetida e come-
tem-se erros frequentes durante a sua execução, os quais contribuem para dificultar a
determinação da percentagem (não diminuta) de infeções nosocomiais e de doenças

55
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

relacionadas com o trabalho (doenças profissionais) entre os trabalhadores da saúde.


O empregador é responsável pelo reforço do cumprimento das regras, em especial no
que diz respeito à desinfeção das mãos, através de campanhas (por exemplo, campa-
nhas de limpeza das mãos) ou de inspeções: medição do consumo de desinfetantes ou
observação dos trabalhadores (sem o conhecimento destes) enquanto desempenham
funções que impliquem uma desinfeção obrigatória.

Lavagem das mãos

Antes de iniciar o trabalho e depois de o terminar, basta lavar as mãos uma vez.

Devido, sobretudo, à sua reduzida eficácia, a lavagem higiénica das mãos não é uma
alternativa à desinfeção higiénica das mãos. Se, para além desta última, a lavagem
for necessária, só deve ser realizada após a desinfeção, salvo nos casos seguintes. Se
as mãos estiverem muito sujas são, primeiramente, cuidadosamente enxaguadas e
depois lavadas, devendo ter-se o cuidado de não salpicar a área circundante e o vestu-
ário (por exemplo, em caso de sujidade causada por sangue).

Se for necessário, a área contaminada deve ser seguidamente desinfetada e o vestuário de


proteção trocado. Depois, as mãos devem ser desinfetadas. Se a sujidade estiver circuns-
crita a alguns sítios, pode ser removida com um lenço de papel, celulose ou um material
semelhante embebido em desinfetante das mãos, desinfetando-se a mão a seguir.
  06 Lavagem das mãos
antes e depois do
trabalho e quando as
mãos estão sujas

Proteção e cuidado da pele

O cuidado da pele das mãos e dos antebraços é um dever profissional, visto que as
mais pequenas gretas ou microtraumas são potenciais reservatórios de agentes pato-
génicos e não é possível desinfetar fiavelmente uma pele mal cuidada. Quando se
fornecem produtos para cuidar da pele e agentes para desinfetar e lavar as mãos, é
importante não só demonstrar que eles são eficazes e estão disponíveis a um preço
aceitável, mas também que o pessoal os aceita bem, o que se irá refletir no grau de
cumprimento de todas as medidas de higiene das mãos.

Os produtos para cuidar da pele devem ser retirados de distribuidores ou de tubos e


serão preferencialmente usados durante as pausas do trabalho ou depois deste, dada
a menor eficácia da desinfeção das mãos quando os produtos têm de ser preparados,
caso o fabricante não dê instruções de utilização bem fundamentadas.

Quando a pele estiver em risco devido ao trabalho em ambientes húmidos, devem


ser utilizadas luvas impermeáveis, devem assegurar-se cuidados de saúde profissional

56
3 RISCOS BIOLÓGICOS

controlados a título de precaução, produzir-se um manual de instruções e elaborar-


-se um plano de proteção da pele. Os trabalhos executados com luvas impermeáveis
durante mais de duas horas também são considerados trabalhos com humidade.

Basicamente, são aplicáveis os seguintes princípios:


Quando as mãos estão muito, ou visivelmente, sujas devem ser primeiramente
lavadas.
Quando se suspeita ou se sabe que as mãos estão contaminadas, deve dar-
se prioridade à sua desinfeção, uma vez que esta reduz mais eficazmente os
micróbios e a lavagem frequente das mãos danifica a barreira cutânea.
Todos os trabalhadores devem ter acesso a lavatórios com água corrente
quente e fria, distribuidores de desinfetante das mãos, produtos de proteção e
cuidado da pele adequados, e toalhetes descartáveis.
Também devem existir instalações sanitárias separadas para os trabalhado-
res, a que os doentes não tenham acesso, salvo no caso do setor doméstico. As
superfícies (por exemplo, pavimentos, planos e superfícies de trabalho, super-
fícies de aparelhos e equipamentos) devem ser fáceis de limpar e resistentes a
eventuais danos causados pelos agentes de limpeza e desinfetantes utilizados.
Nas áreas de trabalho onde se realizam atividades com maior risco de infeção,
os lavatórios devem estar equipados com torneiras que sejam acionadas sem
contacto das mãos.

Medidas organizativas

A entidade patronal só deve confiar tarefas a pessoas adequadamente qualificadas


numa profissão do setor da saúde, a menos que trabalhem sob a instrução e a super-
visão de um membro do pessoal adequadamente qualificado, cuja formação e experi-
ência lhe permitam identificar os riscos de infeção e aplicar as medidas de prevenção
corretas (por exemplo, médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, parteiras e especia-
listas em desinfeção, bem como pessoal médico, dentário e veterinário devidamente
formado, pessoal das ambulâncias, paramédicos e prestadores de outros cuidados de
saúde). Considera-se que o requisito de supervisão se encontra preenchido quando
o supervisor estiver convencido de que não é necessário prosseguir com a vigilância
e que a tarefa ou função em causa pode ser executada sem supervisão, estando, no
entanto, prevista a realização de controlos in loco para verificar se o trabalho está a ser
realizado de forma adequada e segura.

A entidade patronal não pode confiar tarefas que impliquem um possível risco de infe-
ção a trabalhadores jovens, ou a trabalhadoras grávidas ou lactantes, a não ser que se
tomem precauções para garantir que não são expostos a um risco para a saúde. A enti-
dade patronal é responsável pela elaboração de uma lista de medidas escritas (plano de
higiene) referente a uma área de trabalho e a um risco de infeção específicos, nomeada-
mente desinfeção, limpeza e esterilização, aprovisionamento e eliminação de resíduos.

O pessoal não deve consumir nem armazenar alimentos ou bebidas em áreas de tra-
balho onde haja perigo de contaminação por agentes biológicos. Os empregadores
devem disponibilizar, por isso, salas de estar/áreas de repouso do pessoal separadas
para esse fim. No caso das atividades em que as mãos têm de ser desinfetadas por moti-
vos de higiene, o pessoal deve ser informado de que não pode usar joias nem relógios
nas mãos e nos antebraços, e de que não são permitidos brincos nem outras joias.

Após o contacto com doentes e a exposição a materiais infeciosos ou potencialmente


contaminados, o pessoal deve desinfetar e/ou lavar as mãos, tendo em conta a avalia-
ção dos riscos dos casos específicos.

57
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Proteção pessoal/individual

Entende-se por vestuário de proteção qualquer tipo de roupa especificamente desti-


nada a proteger os trabalhadores de potenciais perigos e riscos decorrentes da situa-
ção de trabalho, ou a proteger o seu vestuário de trabalho normal ou o seu vestuário
pessoal da contaminação com agentes patogénicos. O vestuário de proteção usado
deve ser mantido à parte do restante vestuário, devendo a entidade patronal disponi-
bilizar vestiários separados para o efeito.

Os empregadores devem fornecer ao pessoal vestuário de proteção adequado e todos


os outros equipamentos de proteção individual (EPI) em quantidade suficiente, sobre-
tudo luvas finas, impermeáveis e hipoalérgicas.

Devem assegurar, igualmente, que esses materiais são regularmente desinfetados,


limpos e, quando for caso disso, remendados ou reparados. Os representantes dos
trabalhadores devem ser consultados antes da adoção de qualquer medida sobre
a utilização de equipamentos de proteção (artigo 8.º  da Diretiva 89/656/CEE do
Conselho (17). Se as roupas de trabalho ficarem contaminadas, devem ser trocadas e
depois desinfetadas e limpas pela entidade patronal. O pessoal é obrigado a usar o
vestuário e os equipamentos de proteção disponibilizados, não devendo ser autori-
zado a levar o vestuário de proteção para casa a fim de ser lavado. Também não é per-
mitida a entrada de trabalhadores que estejam a usar vestuário de proteção nas salas
de estar, zonas de repouso e refeitórios.

  07 É indispensável usar


uma proteção ade-
quada do rosto nas
operações em que há
risco de salpicos

  08 As viseiras podem


evitar a contaminação
dos olhos

A entidade patronal também deve fornecer ao pessoal os seguintes artigos de prote-


ção individual adicionais:
(17) Diretiva 89/656/CEE
do Conselho, de
30 de novembro • luvas hipoalérgicas duradouras e impermeáveis, para usar aquando da desinfeção e
de 1989, relativa às limpeza de instrumentos, equipamentos e superfícies utilizados, que não devem ser
prescrições mínimas
afetadas pelos desinfetantes aplicados;
de segurança e de
saúde para a utilização
pelos trabalhadores • luvas hipoalérgicas impermeáveis para os trabalhos de limpeza, compridas (luvas
de equipamentos de
de cano alto) e que possam ser metidas para dentro, a fim de evitar que os fluidos
proteção individual
no trabalho (terceira contaminados escorram para o seu interior;
diretiva especial, na
acepção do n.° 1 do
• luvas de algodão para usar por dentro das outras em atividades que impliquem um
artigo 16.° da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393, uso prolongado;
30.12.1989, p. 18 a 28.

58
3 RISCOS BIOLÓGICOS

• aventais ou batas impermeáveis sempre que haja uma possibilidade de o vestuário


se molhar;

• calçado impermeável para as condições de trabalho em que o piso possa ficar molhado.

Deve ser disponibilizada proteção ocular e facial contra as gotículas de aerossóis e os


salpicos de materiais ou fluidos contaminados ou potencialmente contaminados, se
as medidas técnicas não assegurarem uma proteção suficiente. Poderá acontecer nas
seguintes situações:

• intervenções cirúrgicas, por exemplo, em cirurgia vascular e operações ortopédicas (ser-


rar osso);

• endoscopias;

• punções de diagnóstico e terapêuticas;

• entubação, extubação e gestão de tubos endotraqueais;

• inserção, limpeza e remoção de cateteres permanentes;

• tratamentos dentários, por exemplo remoção de cálculos dentários por meio de


ultrassons;

• cuidados a doentes com tosse ou expetoração;

• limpeza manual ou por ultrassons de instrumentos contaminados;

• trabalho em morgues, por exemplo, aquando da utilização de dispositivos portáteis


ou em caso de compressão da cavidade torácica dos corpos, quando são levantados
e transportados.

Entre os equipamentos adequados para proteger os olhos e o rosto incluem-se os


seguintes:

• óculos de segurança com proteção lateral, incluindo com lentes corretivas;

• óculos de proteção sobreponíveis a óculos graduados;


  09 Proteção ocular nos
tratamentos dentários

59
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• óculos de segurança descartáveis com proteções laterais;

• proteção para a boca combinada com viseira (descartável).

O pessoal é obrigado a usar os equipamentos de proteção individual prescritos.

Luvas para uso médico: requisitos que devem respeitar

Requisitos de qualidade mínimos aplicáveis às luvas descartáveis para uso


médico no serviço de saúde

As luvas devem ser fabricadas em conformidade com a norma EN 455, isto é, devem
respeitar a espessura estipulada (norma de qualidade aceite: AQL > 1,5) e outros crité-
rios. Atendendo ao número relativamente elevado de trabalhadores da saúde alérgicos
ao látex, as luvas descartáveis em látex natural devem cumprir as orientações relativas
aos materiais perigosos e estar, por isso, isentas de pó de talco e ser hipoalérgicas.

Uso de luvas de proteção

O denominado «plano de gestão das luvas», que estabelece as diretrizes aplicáveis ao


tipo de luvas que deve ser usado, por quem e para que fim, constitui, frequentemente,
uma ajuda valiosa na tomada de decisões. Esse plano não só reduz a possibilidade de
erro no que respeita à adequação de uso como também permite reduzir os custos. O
ideal é ser o comité de segurança e saúde do estabelecimento a tomar a decisão sobre
a escolha das luvas, assegurando assim, muito provavelmente, uma maior aceitação
por parte dos trabalhadores (ver quadro 3.1, p. 62).

No bloco operatório, é aconselhável usar luvas cirúrgicas de látex natural, sem pó de


talco, uma vez que, presentemente, nenhum outro material lhe é comparável em ter-
mos de conforto, ajustamento, aderência e resistência. Os departamentos de cirurgia
devem decidir internamente em que situações é necessário usar luvas duplas ou luvas
com um sistema indicador de perfurações, que pode ser útil nas intervenções cirúrgi-
cas prolongadas, com várias horas de duração, e nas intervenções com maiores riscos
de perfuração (por exemplo, em cirurgia traumatológica ou ortopédica) ou com um
risco de infeção específico (por exemplo, VIH/sida).

Quanto ao uso de luvas de proteção não esterilizadas, há pelo menos três tipos dife-
rentes recomendáveis, que devem ser disponibilizados.

• Em atividades não clínicas, designadamente nas cozinhas e nos serviços técnicos


ou de limpeza (desde que não estejam envolvidos materiais infeciosos ou poten-
cialmente contaminados), podem utilizar-se luvas de PVC ou polietileno; as luvas de
proteção para uso médico (testadas segundo as normas EN 455) não são necessárias.

• Para tarefas simples de prestação de cuidados aos doentes, em que o controlo da


preensão ou a sensibilidade ao tato não são particularmente importantes, as luvas
em materiais sintéticos, como o PVC ou o polietileno, são, em geral, suficientes.

• Em contrapartida, as luvas de látex são preferíveis para todas as atividades que


envolvam um esforço mecânico excecional ou que exijam o uso de luvas durante
períodos mais longos. Nas tarefas que exijam um elevado grau de sensibilidade ao
tato e um forte controlo da preensão, é essencial usar luvas de látex.

É aconselhável armazenar luvas em todos os locais de trabalho porque a necessi-


dade de as procurar constitui um obstáculo à sua utilização e, para o utilizador, põe
termo a uma eventual atitude irrefletida e descuidada em relação às luvas. No futuro,
a importância e a função das luvas devem merecer maior atenção, devendo a direção

60
3 RISCOS BIOLÓGICOS

assegurar que esse tema é integrado nas instruções a seguir no local de trabalho, as
quais devem fazer parte da formação de base, dos cursos de reciclagem e da formação
complementar.

Se os trabalhadores se queixarem de reações alérgicas ou de sensibilidade devido


ao contacto com luvas para uso médico, devem escolher-se produtos alternativos
(em colaboração com o médico do trabalho ou com o especialista em saúde e segu-
rança). Após consulta a todos os departamentos é, geralmente, possível selecionar
um conjunto de luvas que satisfaçam os diversos conjuntos de requisitos. As alergias
ou reações adversas associadas ao uso de luvas médicas devem ser levadas a sério e
desencadear processos de diagnóstico (incluindo um diagnóstico dermatológico, se
necessário).

Erros relacionados com o uso de luvas médicas

• Os desinfetantes são, normalmente, concentrados que se diluem numa solução. Ao


utilizar essas soluções, é necessário usar luvas apropriadas para manipular produtos
químicos, a fim de proteger eficazmente a pele (maior resistência à permeação, em
conformidade com a norma EN 374). As luvas para uso médico (em látex, PVC ou
polietileno) não são adequadas para este tipo de trabalho.

• O trabalho nos serviços de urgência e de emergência médica exige o uso de luvas


particularmente resistentes, que sejam fortes, duráveis e difíceis de rasgar. É fre-
quente não se dar suficiente atenção a este aspeto (ver PVC).

• Tem sido observado, em muitas ambulâncias (e consultórios médicos), que os paco-


tes de luvas são incorretamente armazenados, expondo-as, por exemplo, ao calor ou
à radiação ultravioleta (lâmpadas fluorescentes, luz do sol). A luz e o calor provocam
oxidação, que reduz efetivamente a resistência e a elasticidade dos produtos em
látex natural.

• As luvas são calçadas com as mãos ainda molhadas de resíduos de desinfetante e,


uma vez cobertas, as soluções desinfetantes à base de álcool não se podem evapo-
rar, causando sintomas semelhantes a queimaduras. Ainda não foi determinado se
os desinfetantes com extratos adicionais provocam sequelas.

• As luvas cirúrgicas são frequentemente usadas para tarefas e procedimentos assé-


ticos, embora as luvas para exame esterilizadas (normalmente muito menos caras)
sejam inteiramente adequadas para esses fins. Em função da tarefa ou atividade, as
luvas esterilizadas em pacotes individuais são perfeitamente suficientes, por exem-
plo para a aspiração endotraqueal dos doentes ligados a ventiladores.

Como princípio básico, a escolha dos equipamentos de proteção individual deve ter
cabalmente em conta o risco e a atividade em causa (o objetivo de proteção). São a
seguir apresentados três quadros com instruções relativas ao uso de luvas e vestuário
de proteção.

61
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Luva Material Utilização Exemplos

Não esterilizada Luva descartável de polietileno Trabalho com baixa carga mecâ- Despejo de urina
nica

Luva para uso doméstico Trabalho com carga mecânica Em contacto com a sujidade
elevada

Luva para exame em látex Para atividades médicas Remoção de pensos, eliminação
de materiais sujos
Trabalho com sensação tátil

Luva para exame (sem látex, por Trabalho com soluções desinfe- Trabalho com sensação táctil
exemplo, em PVC) tantes/de limpeza Trabalho com soluções desin-
e em caso de alergia ao látex fetantes de superfícies e instru-
mentos

Luva de proteção em nitrilo ou Amplo espetro de utilização com Com irritações cutâneas, incom-
material semelhante exposição a substâncias perigosas patibilidade, em operações gran-
(citostáticos) des, boas propriedades tácteis

Luva de pano (por exemplo, luvas Quando se usam luvas de prote- Com irritações cutâneas, incom-
de algodão sem costuras) ção durante longos períodos patibilidades

Se for caso disso, também é aceitável usar luvas esterilizadas

Luvas cirúrgicas Luva descartável em polietileno Quando se trabalha em condi- Com cateter permanente, aspira-
esterilizadas ções de esterilidade e com baixas ção traqueal, luvas forradas em
cargas mecânicas caso de possível intolerância ao
látex

Luva de látex esterilizada para uso Quando se trabalha em condições Tratamento de feridas, inserção
em intervenções cirúrgicas de esterilidade e com elevadas de cateteres, operações
cargas mecânicas

Luva sem látex Ver supra Ver supra


Caso tenha sido confirmada uma
alergia no doente ou no pessoal

Quadro 3.1 — Materiais


das luvas, utilizações
especiais para essas luvas
e exemplos da aplicação
de luvas de proteção no
serviço de saúde

Fonte: Deutsche
Gesellschaft für
Krankenhaushigiene.

62
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Vestuário A usar… Troca

Vestuário de trabalho Em áreas de trabalho com baixos requisitos A frequência com que o vestuário é trocado
higiénicos (por exemplo, psiquiatria, lares de depende das circunstâncias existentes no local
terceira idade, etc.) de trabalho; em caso de contaminação, deve
Caso exista risco de contaminação, vestuário ser imediatamente trocado
de proteção disponibilizado pela entidade
patronal Normalmente, diária

Vestuário próprio de cada área Em áreas definidas, como as cirúrgicas Deve ser despido quando se sai dessa área
Afetação a uma determinada e funcionais
área de trabalho

Vestuário de proteção Sobre o vestuário de trabalho, da área Imediatamente após ter sido visivelmente sujo
Avental e bata ou pessoal
Proteção do vestuário Depois de concluída a atividade
de trabalho/serviço Deve ser despido durante as refeições
e intervalos de descanso

Proteção do cabelo Proteção da cabeça da contaminação com Produto descartável, eliminação direta após
material infecioso utilização
(por exemplo, durante procedimentos invasi- Desinfeção higiénica subsequente das mãos
vos)

Proteção ocular Proteção dos olhos contra a contaminação cau- Eliminação do material descartável
sada por materiais infeciosos ou substâncias/ Desinfeção/limpeza de material reciclável em
/operações químicas perigosas caso de contaminação

Proteção da boca e do nariz Proteção do doente contra a contaminação, Eliminação direta dos produtos descartáveis
(máscara) os aerossóis exalados e cuspidos Deve ser retirada após a conclusão do trabalho
Desinfeção higiénica subsequente das mãos

Proteção respiratória Quando se produzem aerossóis infeciosos, Produto descartável com desinfeção higiénica
Filtra o ar respirado para reter os ou há infeções transmissíveis por via aerógena subsequente das mãos
aerossóis infeciosos Não há reutilização

Quadro 3.2 —
Equipamentos
de proteção: requisitos
de utilização e troca

Fonte: Deutsche
Gesellschaft für
  10 O vestuário próprio
Krankenhaushigiene.
de cada área não
satisfaz os requisitos
aplicáveis ao vestuá-
rio de proteção, que
deve ser utilizado por
cima dele

63
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Vestuário de Vestuário de proteção Proteção do Proteção ocular Proteção da boca e do nariz


trabalho cabelo

Hospital Vestuário de Vestuário de proteção Departamentos Quando há risco de Áreas de cirurgia/funcionais


trabalho a esterilizado, por exem- cirúrgicos/fun- salpicos na manipula- Risco de contaminação para
disponibilizar plo, para procedimentos cionais ção de fluidos os doentes
pela empresa/ invasivos No caso de corporais e de concen-
Sempre que seja relevante em
/entidade Vestuário de proteção intervenções trados desinfetantes/
caso de isolamento
patronal esterilizado se houver cirúrgicas em /de limpeza e outras
substâncias químicas No caso de doentes imunode-
risco de contaminação e que haja risco
primidos
em caso de isolamento de contamina-
ção Máscara respiratória para pro-
teger o pessoal quando trata
doenças transmissíveis por via
aerógena

Clínicas Vestuário de Vestuário de prevenção Em caso de Quando há risco Por exemplo, no caso de
de reabili- trabalho a esterilizado para interven- procedimentos de contaminação determinados procedimentos
tação disponibilizar ções cirúrgicas/invasivas invasivos Quando se manipulam invasivos
pela empresa/ Vestuário de proteção concentrados desin- –– Caso haja risco de contami-
/entidade não esterilizado se houver fetantes/de limpeza nação
patronal risco de contaminação e outras substâncias –– Quando for relevante em
químicas caso de isolamento
–– Quando for relevante com
doentes imuno-deprimidos
Máscara respiratória
Isolamento/tratamento de
doenças muito contagiosas

Serviços Vestuário de Vestuário de proteção não No caso de Se houver risco Como proteção dos doentes
de enfer- trabalho a esterilizado no caso de procedimentos de contaminação em caso de procedimentos
magem disponibilizar procedimentos invasivos invasivos invasivos
pela empresa/ Vestuário de proteção
/entidade esterilizado se houver Se houver risco de contamina-
patronal risco de contaminação e ção para doentes infeciosos,
em casos de isolamento Quando se manipulam
para reduzir os aerossóis
concentrados desin-
infeciosos
fetantes/de limpeza
e outras substâncias Em casos de isolamento
químicas

Cuidados Vestuário de Vestuário de proteção Não aplicável Não aplicável Para determinados
ambulató- trabalho esterilizado para deter- procedimentos invasivos
rios minados procedimentos
invasivos
Vestuário de proteção não
Se houver risco
esterilizado (avental) se
de contaminação
houver risco de contami-
nação para vestuário de
manga curta
Bata comprida se houver Quando relevante com
risco de contaminação doentes imunodeprimidos
do antebraço/quando a Ver «Serviços de enfermagem»
manga está arregaçada

Quadro 3.3 — Uso de


diverso vestuário de pro-
teção em várias áreas do
serviço de saúde

Fonte: Deutsche
Gesellschaft für
Krankenhaushigiene.

64
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Limpeza, desinfeção, esterilização

Ao limpar os instrumentos utilizados, devem adotar-se medidas de proteção adicio-


nais, em conformidade com o modo de transmissão em causa. São necessárias medi-
das de proteção especiais quando o pessoal procede à limpeza e esterilização de
instrumentos que tenham estado em contacto com doentes que tenham a doença de
Creutzfeldt-Jakob (CJD), uma nova variante dessa doença, uma encefalopatia espongi-
forme comparável ou nos casos em que haja suspeitas dessas doenças.

O risco de infeção é maior quando se estão a preparar os instrumentos para a lim-


peza, visto ainda estarem contaminados com sangue, fluidos ou tecidos corporais e o
risco de ferimento ser relativamente elevado. Os desinfetantes reduzem eficazmente
o número de bactérias, diminuindo muito o risco de infeção após a desinfeção, mas
subsiste um evidente risco de ferimento durante a limpeza manual dos instrumentos.
Importa ainda dar atenção aos efeitos dos materiais químicos potencialmente alérgi-
cos e perigosos que são utilizados nesses procedimentos.

Se os instrumentos, dispositivos, equipamentos ou materiais infeciosos ou poten­


cialmente contaminados forem manipulados numa unidade central, é essencial que
a zona de entrada (não limpa ou contaminada) e a zona de saída (limpa/esterilizada)
estejam rigorosamente separadas, tanto em termos de organização como de locali-
zação propriamente dita. A zona de entrada deve ser suficientemente espaçosa para
poder armazenar os artigos sujos que chegam durante um curto período, antes de
serem efetivamente tratados. Antes de sair da zona contaminada, o pessoal deve reti-
rar todos os equipamentos de proteção individual (EPI) e desinfetar as mãos. Se os
instrumentos forem limpos e esterilizados numa unidade central, a avaliação dos ris-
cos deve ter em conta todos os potenciais agentes patogénicos geralmente presentes.

Quando se limpam instrumentos utilizados em situações médicas de alto risco, deve


ter-se um cuidado e uma atenção especiais à incidência acrescida de microrganismo
específicos dessa situação e aos riscos especiais que são previsíveis. A desinfeção e
a limpeza de instrumentos deve ser preferencialmente realizada num sistema auto-
mático fechado, a fim de reduzir o risco de ferimento ou contaminação e proteger os
trabalhadores do contacto com desinfetantes. Devem ser tomadas medidas técnicas
ou organizativas para não ser necessário reembalar os instrumentos contaminados
antes de serem limpos.

A limpeza manual de instrumentos contaminados deve ser limitada a um mínimo


absoluto. Contudo, se não for possível evitar a preparação manual dos instrumentos,
esta deve ser levada a cabo numa sala separada e bem ventilada, que não seja utilizada
para outros fins, nomeadamente para o armazenamento de artigos abertos, por exem-
plo um vestiário ou uma área de lazer ou de repouso.

  11 Os equipamentos de
proteção individual
devem ser colocados
antes da atividade
que envolve o risco de
infeção

65
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Durante a limpeza manual dos instrumentos, o pessoal deve usar luvas de proteção
compridas, proteções na boca e no nariz e óculos de proteção, bem como um avental ou
uma bata impermeável para proteger a pele e as membranas mucosas do contacto com
materiais infeciosos. Se a pessoa que efetua a limpeza manual trabalhar por detrás de
uma divisória e estiver eficazmente protegida, a proteção da boca e do nariz e a proteção
ocular podem ser dispensadas. As luvas de proteção escolhidas devem ser adequadas
para trabalhar com desinfetantes e proteger contra materiais potencialmente infeciosos.

É importante evitar produzir aerossóis ou gotículas transportadas pelo ar durante a


limpeza inicial dos instrumentos, sobretudo se for necessário remover materiais pega-
josos ou secos. Por isso, os instrumentos não devem ser colocados sob um jato de
água forte nem pulverizados. Se os instrumentos contaminados forem colocados num
banho de limpeza por ultrassons, o banho deve ser coberto durante a utilização e os
aerossóis extraídos por aspiração.

Devem tomar-se todas as precauções necessárias para evitar ferimentos ao manipu-


lar instrumentos afiados, pontiagudos e cortantes concebidos para a limpeza manual.
Para o efeito, devem tomar-se previamente várias medidas de precaução, por exemplo
no bloco operatório ou na sala de tratamentos.

• Todos os artigos que não se destinem a ser reutilizados, tais como instrumentos
descartáveis, zaragatoas, compressas, toalhetes e toalhas, devem ser removidos do
crivo ou contentor por meio de pinças ou de um instrumento semelhante.

• As lâminas de bisturi, agulhas e cânulas também devem ser (sempre que possível)
manipuladas com pinças ou um instrumento semelhante. Os instrumentos ou par-
tes de instrumentos cortantes ou pontiagudos devem ser colocados separadamente
  12 Deve ter-se o cuidado
num crivo ou numa bacia reniforme.
de escolher luvas de
proteção resistentes • Todas as máquinas e equipamentos que tenham
para os trabalhos de
limpeza
de ser processados manualmente devem ser manipu-
lados separadamente e com cautela. Acessórios como
brocas e dispositivos cortantes devem ser removidos.

• Os instrumentos cirúrgicos minimamente invasi-


vos, que seja necessário separar antes do processa-
mento, devem ser mantidos à parte e (se possível)
colocados num carro de esterilização próprio ao
mesmo tempo que são desmontados.

• Deve evitar-se que as mangueiras, tubos e cabos se


emaranhem mantendo-os separados desde o início.

Manuseamento de roupa suja

A roupa branca utilizada quando exista um elevado risco de contaminação com agen-
tes patogénicos e materiais infeciosos deve ser retirada e imediatamente depositada,
no local de utilização, em recipientes robustos e fechados, prontos para serem reco-
lhidos. A roupa suja deve ser transportada de forma a não expor o pessoal a agentes
biológicos em recipientes claramente rotulados.

São aplicáveis as seguintes precauções à recolha de roupa branca:

• manipulação separada das roupas infeciosas;

• manipulação separada da roupa molhada (muito suja com excreções corporais);

• separação em função do método de lavagem e limpeza.

66
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Um sistema adequado de recolha de roupa suja utiliza:

• sacos de material têxtil em tecido tão compacto e denso que seja praticamente impenetrável;

• sacos de plástico, por exemplo sacos em polietileno, para ensacar a roupa suja.

Para controlar as infeções, há que respeitar as seguintes indicações de manipulação e


transporte dos sacos de roupa suja cheios:

• os sacos devem estar fechados durante o transporte, não devem ser arremessados,
empilhados ou comprimidos uns contra os outros;

• deve ser possível colocar o seu conteúdo na máquina de lavar ou no sistema de lavandaria.

Medidas de precaução

Nas profissões em que existe um risco de infeção elevado, os trabalhadores devem ser
regularmente examinados com respeito ao trabalho que executam. É particularmente
importante realizar controlos e exames de medicina do trabalho, se houver exposição
profissional a microrganismos que possam causar doenças infetocontagiosas.

Os exames médicos e de segurança e saúde devem ajudar a identificar os problemas preco-


cemente e, idealmente, a prevenir problemas de saúde resultantes de infeções transmissíveis.

A entidade patronal, normalmente em concertação com o médico ou com o respon-


sável pela segurança e saúde designado, seleciona as pessoas e os grupos de tra-
balhadores para as consultas médicas. No setor da saúde, a contratação dos novos
trabalhadores está sujeita a um exame médico.

Para além dos exames médicos, a medicina do trabalho ocupa-se da avaliação e gestão dos
riscos de saúde no trabalho (incluindo recomendações sobre as precauções e as medidas de
proteção adequadas). Também inclui a formulação de recomendações de segurança e saúde
sobre as condições de trabalho e a melhoria contínua das normas de segurança e saúde no
trabalho mediante a aplicação dos ensinamentos adquiridos com a experiência e com a for-
mação e o aconselhamento continuamente facultados ao pessoal e à direção. Poderá ser
necessário administrar vacinas no decurso das consultas médicas, se a avaliação dos riscos
indicar que a vacinação é adequada para controlar os agentes patogénicos infeciosos.

Uma das funções principais da medicina do trabalho é a prestação de informações


e aconselhamento. Quando os trabalhadores estão expostos a riscos causados por
agentes biológicos (agentes patogénicos), os aspetos médicos são muito importan-
tes para a saúde no trabalho. Por exemplo, se existirem antecedentes de uma doença
específica que possa enfraquecer a imunidade, poderá haver maiores riscos de infe-
ção. Também é necessário conhecer os modos de transmissão, os sintomas e a profi-
laxia após a exposição, em primeiro lugar para determinar as precauções necessárias
para prevenir e controlar as infeções e, em segundo lugar, para assegurar uma res-
posta rápida e correta às exposições críticas (por exemplo, ferimentos com seringas).
Atendendo ao que precede, o aconselhamento em matéria de saúde no trabalho e o
controlo dos riscos deve ser dirigido tanto à direção como ao pessoal.

Geralmente, os trabalhadores são aconselhados sobre as questões de medicina do


trabalho quando fazem os seus exames médicos, devendo o aconselhamento e as
informações prestados incidir sobre o seu estado de saúde pessoal. No entanto, como
os intervalos entre os exames médicos tendem a ser bastante longos, é conveniente
fornecer a todos os trabalhadores instruções e conselhos de caráter geral sobre as
questões de segurança e saúde no trabalho, pelo menos uma vez por ano. Neste caso,
o objetivo é recordar-lhes os riscos para a saúde associados ao seu trabalho, sobretudo
quando a imunidade fica enfraquecida, e incentivá-los a aceitar a ajuda disponível.

67
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Vacinação

As vacinas constituem um elo importante na cadeia de medidas preventivas. É a seguir


apresentada uma lista indicativa de doenças que podem ser prevenidas por meio da
vacinação. As Diretivas 2000/54/CE (18) e 2010/32/UE (19) contêm disposições relativas
às vacinas. A vacinação não é obrigatória
  13 É aconselhável forne-
cer a todos os traba-
lhadores instruções e
conselhos genéricos
sobre as questões de
segurança e saúde no
trabalho pelo menos
uma vez por ano

Diretiva 2000/54/CE, artigo 14.º, n.º 3:


«A avaliação referida no artigo 3.º deve identificar os trabalhadores para os quais possam ser ne-
cessárias medidas de proteção especiais.
Quando necessário, vacinas eficazes devem ser postas à disposição dos trabalhadores ainda não
imunizados contra os agentes biológicos a que estão ou possam vir a estar expostos.
Ao pôr à disposição as vacinas, a entidade patronal terá em conta o código de conduta recomen-
dado constante do anexo VII.»
Anexo VII. (3): «A vacinação proporcionada aos trabalhadores não deve acarretar encargos finan-
ceiros para estes.»
A Diretiva 2010/32/UE, de 10 de maio de 2010, que executa o acordo-quadro relativo à prevenção
de ferimentos provocados por objetos cortantes nos setores hospitalar e da saúde celebrado pela
HOSPEEM e pela EPSU dispõe na cláusula 6 do seu anexo:
«3. Se a avaliação referida na cláusula 5 (18) revelar que existe um risco para a segurança e saúde dos
trabalhadores devido ao facto de estarem expostos a agentes biológicos contra os quais existem
vacinas eficazes, a possibilidade de vacinação deverá ser-lhes proporcionada.»

Lista indicativa das doenças que podem ser evitadas pela imunização

Difteria Gripe Infeções pneumocócicas

Hepatite A Sarampo Rubéola

Hepatite B Papeira Tétano

Vírus do papiloma humano Tosse convulsa


Quadro 3.4 — Doenças que
Etapa 4 — Adoção de medidas podem ser evitadas pela
imunização

As medidas de prevenção das infeções devem ser aplicadas em consulta com a


comissão responsável pela higiene (ou um médico responsável pelas questões de
higiene) e com um médico especialista em medicina do trabalho. Devem realizar-
-se controlos bacteriológicos para evitar quaisquer riscos para os trabalhadores.

Etapa 5 — Acompanhamento e revisão


As medidas de acompanhamento das infeções devem ser regularmente sujeitas a
inspeção. Se ocorrer um surto, são necessárias investigações especiais e mais vas-
(18) A cláusula 5 diz respeito tas. A integração de um sistema de gestão da qualidade pode proporcionar um
à avaliação dos riscos. apoio eficaz aquando da aplicação das medidas de acompanhamento das infeções.

68
3 RISCOS BIOLÓGICOS

3.3. Avaliação específica dos riscos biológicos

3.3.1. Risco de infeções transmissíveis por via sanguínea

Infeções transmissíveis por via sanguínea:


• vírus da hepatite B, C, D;
• vírus da imunodeficiência humana (VIH).

Manipulação de sangue

Estes vírus são transmitidos por via parentérica (transmissão de sangue para sangue).
Entram na corrente sanguínea do trabalhador de saúde através do contacto com os
fluidos corporais infetados de um portador do vírus (principalmente sangue e pro-
dutos derivados de sangue) e são transmitidos através da membrana mucosa ou de
lesões existentes na pele do profissional de saúde.

Os riscos para a saúde no trabalho são colocados por:

• ferimentos com cânulas contaminadas, lancetas ou utensílios semelhantes;

• lesões cutâneas (que muitas vezes passam despercebidas) quando o plasma san-
guíneo, o soro sanguíneo ou fluidos semelhantes penetram através de lesões cutâ-
neas não obstante a inexistência de ferimentos causados por objetos cortantes ou
seringas.

Áreas de exposição especial

Estas áreas incluem: os serviços de saúde; as instituições de saúde mental e os serviços


prisionais; os cuidados a idosos e os serviços de cuidados ambulatórios, sobretudo
quando o pessoal manipula sangue e produtos derivados de sangue, ou utensílios e
equipamentos potencialmente perigosos, ou ainda quando tratam de doentes agres-
sivos, designadamente:

• blocos operatórios e unida-   14 A colocação de uma


infusão é um
des de anestesia; momento crítico,
com elevado risco
• unidades de cuidados de ferimentos
intensivos;

• serviços de urgência e de
transporte de doentes;

• bancos e centros de doação


de sangue e plasma;

• áreas de aprovisionamento
e de eliminação de resíduos
ou outras áreas que apoiam
o funcionamento e a manu-
tenção das áreas acima
mencionadas;

• as unidades de cuidados
dentários.

69
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Entre as atividades com potenciais riscos de infeção incluem-se as seguintes:

• exame clínico de seres humanos;

• colheita de amostras de sangue, fluidos corporais ou outras amostras clínicas, como


esfregaços;

• intervenções cirúrgicas;

• pensos/tratamento de feridas;

• cuidados a doentes incapazes de cuidarem de si próprios;

• cuidados a seres humanos em risco por ação de outros ou de si próprios.

Além disso, as atividades seguintes também podem apresentar um risco de infeção:

• trabalhos de limpeza, desinfeção, reparação e manutenção, e trabalhos de trans-


porte e de eliminação de resíduos em áreas contaminadas e/ou com equipamentos
e objetos contaminados;

• manipulação de materiais infeciosos ou em que há previsão ou suspeita de conta­


minação (zona de roupa suja);

• acionamento de aparelhos de limpeza ou desinfeção;

• manipulação de instrumentos ou equipamentos pontiagudos ou cortantes;

• manipulação de resíduos clínicos.

O sangue é o fluido corporal com maior risco de infeção para o pessoal de saúde.

Regras básicas de higiene

Os fluidos corporais, as excreções e secreções devem ser sempre manipulados como


se fossem infeciosos. Por conseguinte, as precauções mais eficazes devem ser constan-
temente aplicadas de forma rigorosa e coerente para proteger os doentes e o pessoal.

15 16 Devem ser disponi-


bilizados recipientes
de tamanho adequa-
do para os instru-
mentos cortantes no
local de trabalho

70
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Precauções técnicas

Avaliação dos riscos e ferimentos com seringas: instrumentos cortantes seguros

Para reduzir o risco de os trabalhadores se ferirem com instrumentos médicos cortan-


tes, os instrumentos tradicionais devem ser substituídos (com base nos resultados, se
uma avaliação dos riscos assim o indicar e na medida em que tal seja tecnicamente
possível) por equipamentos mais seguros e modernos, que apresentem um menor
risco de causar ferimentos.

Os equipamentos e utensílios seguros devem ser utilizados nas áreas em que haja um
risco elevado de infeção e/ou ferimento, tais como:

• cuidados e tratamento de doentes com infeções transmissíveis por via sanguínea;

• tratamento de doentes que constituam uma ameaça para outras pessoas;

• serviços de transporte de doentes e de emergência e serviços de urgência;

• serviços hospitalares prisionais

Por norma, devem utilizar-se equipamentos seguros em todas as atividades em que


haja possibilidade de transmitir quantidades relevantes de matérias infeciosas através
dos fluidos corporais, em especial aquando:

• da colheita de amostras de sangue;

• da colheita de outros fluidos corporais (punções minimamente invasivas).

A seleção de equipamentos seguros deve obedecer a vários critérios, nomeadamente:


serem adequados para o fim a que se destinam, fáceis de operar e manusear, e acei-
táveis pelo pessoal que os irá utilizar. As práticas e os métodos de trabalho devem
ser adaptados para incorporar os sistemas seguros e as boas práticas. A direção é res-
ponsável por assegurar que os trabalhadores são capazes de os utilizar corretamente,
informando-os sobre os equipamentos e a forma como devem ser utilizados.

  17 Há soluções técnicas


muito diversas para
evitar os ferimentos
com cânulas

71
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

O êxito das novas medidas deve ser objeto de acompanhamento.

Os equipamentos e utensílios seguros destinados a proteger o pessoal dos ferimentos


causados por seringas e instrumentos cortantes não devem apresentar quaisquer ris-
cos para os doentes.

Além disso, têm de preencher os critérios seguintes:

• o mecanismo de segurança deve estar integrado no sistema e ser compatível com os


outros instrumentos e acessórios;

• deve poder ser ativado com uma só mão;

• deve poder ser ativado imediatamente após a utilização;

• o mecanismo de segurança deve impedir que continue a funcionar;

• o produto de segurança não deve exigir alterações ao processo de aplicação;

• o mecanismo de segurança deve emitir um sinal claro (tátil ou auditivo).

É conferida à utilização de equipamentos seguros a mesma importância que é dada


aos processos que facilitam a recolocação das seringas nos invólucros protetores utili-
zando uma só mão, de que são exemplo a anestesia local na medicina dentária ou as
canetas para injetar medicamentos.

  18 Os ferimentos com


seringas podem ser
evitados mediante a
utilização de produ-
tos seguros. Após a
injeção, uma cápsula
de proteção perma-
nece na extremidade
da agulha para evitar
ferimentos

Eliminação dos instrumentos pontiagudos e cortantes

Uma vez que os objetos cortantes e contaminados com sangue constituem, prova-
velmente, o maior risco para os trabalhadores, é essencial que objetos como as serin-
gas e as cânulas sejam imediatamente depositados em recipientes impenetráveis e
inquebráveis, no local em que foram utilizados. O pessoal deve fazer-se acompanhar
de um desses recipientes sempre que realize um procedimento invasivo (por mínimo
que seja) e devem ser colocados recipientes em todas as áreas de trabalho onde tais
instrumentos e objetos são frequentemente utilizados.

72
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Contentores de resíduos

O pessoal deve ter acesso e utilizar contentores antiperfuração e inquebráveis para


a recolha de instrumentos cortantes e pontiagudos. Esses recipientes devem ter as
seguintes características:

• poderem ser fechados e serem descartáveis;

• terem capacidade para reter o seu conteúdo, mesmo que sofram pancadas, sejam
colocados sob pressão ou tombem;

• serem impermeáveis e impenetráveis;

• a sua solidez não seja prejudicada pela humidade;

• serem adequados para os resíduos em questão, no que respeita à dimensão/capaci-


dade e ao tamanho da abertura;

• o mecanismo de segurança não ser desativado quando são eliminados;

• serem claramente identificáveis como contentores de resíduos através da sua cor,


forma e rotulagem.

  19 Os objetos cortantes


e pontiagudos devem
ser imediatamente
eliminados após a sua
utilização

As medidas organizativas devem incluir:

• a colocação imediata dos instrumentos cortantes em recipientes inquebráveis e


impenetráveis, no próprio local onde são utilizados;

• higiene e cuidados regulares e de rotina das mãos e da pele;

• desinfeção, limpeza e esterilização dos instrumentos e superfícies de trabalho con-


taminados com sangue;

73
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• publicação regular de um boletim informativo sobre a regulamentação da segu-


rança e saúde no trabalho.

Proteção individual

Devem usar-se luvas e outros equipamentos de proteção:

• quando se executam tarefas em que o contacto com sangue, componentes do san-


gue, fluidos corporais, excreções ou secreções seja previsível;

• incluindo vestuário de proteção (sobre o uniforme ou o vestuário de trabalho) e,


sempre que necessário, aventais impermeáveis;

• durante todas as tarefas em que a contaminação do vestuário através de sangue,


fluidos corporais, excreções ou secreções seja previsível;

• para proteger as vias respiratórias e os olhos [com proteções faciais filtrantes (FFP2)
e proteções oculares] quando seja previsível a formação de aerossóis ou gotículas,
ou a ocorrência de salpicos de sangue, fluidos corporais ou excreções/secreções,
por exemplo na entubação de bronquioscópios, aspiração, tratamentos dentários e
intervenções transuretrais.

Precauções de saúde no trabalho, imunização (vacinação)

A hepatite B é a única forma de hepatite para a qual existe uma vacina eficaz. A enti-
dade patronal deve oferecer a imunização sem encargos para os trabalhadores e ins-
tar todos aqueles que estão expostos a esse risco que nela colaborem ativamente.
A vacina contra a hepatite B também protege contra o vírus da hepatite D. Antes da
imunização primária, deve aferir-se o estado de imunidade do trabalhador, a fim de
determinar se já existem anticorpos da hepatite B (HB). Se não existir imunidade, a
imunização ativa é indicada. Se os testes relativos aos anticorpos HBc forem positivos,
deve averiguar-se por meio de testes se existe antigénio HBs e anticorpos contra o
antigénio de superfície do vírus da hepatite B (anti-HBs), sendo necessário consultar
um médico de clínica geral ou um médico especialista, para obter mais indicações.

Pessoas que não reagem à vacinação

Aproximadamente 5% das pessoas vacinadas não desenvolvem imunidade à HB,


ou apresentam uma imunidade insuficiente a seguir à primovacinação. Quando isto
acontece, uma nova inoculação intramuscular, ou mesmo a administração de uma
dose dupla nos dois braços (músculos deltoides) pode proporcionar a proteção dese-
jada. O mesmo se aplica à combinação da vacina com outras (por exemplo, da hepatite
A ou da gripe). Os profissionais de saúde que se considere não terem reagido à vacina,
isto é, que não tenham imunidade e continuem a estar desprotegidos após a vacina-
ção, devem ser informados de que estão expostos a um maior risco profissional e da
profilaxia pós-exposição (imunização passiva). É conveniente documentar por escrito
os casos em que o trabalhador recuse a vacinação.

Calendário da vacina da hepatite B

A imunização inicial deve ser administrada com intervalos de 0,1 e seis meses: quatro
semanas após a primeira imunização, deve fazer-se um teste à eficácia da vacinação.
Se o valor dos anticorpos contra o antigénio de superfície do vírus da hepatite B for
superior a 100 IE/litro, deve administrar-se um reforço da vacina (uma dose) em regra
10 anos após a primeira imunização ter sido completada.

74
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Se os valores anti-HBs forem inferiores a 100 IE/L, deve administrar-se uma nova vacina
(uma dose) no prazo de um ano e proceder ao rastreio dos anticorpos ao fim de quatro
semanas. Se os valores dos anticorpos da HB forem inferiores a 10 IE/L, a vacinação
deve ser imediatamente repetida. Com as vacinas adicionais, 60% a 75% das pessoas
que não reagem ou apresentam uma reação fraca produzem um número de anticor-
pos suficiente. Será, por conseguinte, necessário efetuar testes serológicos em casos
específicos.

Medidas imediatas após contacto com materiais infeciosos

Os agentes patogénicos podem entrar na corrente sanguínea através de lesões percu-


tâneas (por exemplo, cortes, ferimentos com seringas).

Devem tomar-se medidas, mesmo que a pele contaminada pareça estar intacta:

• limpar o sangue o mais rapidamente possível; enxaguar a pele com água e desinfe-
tar a zona com um desinfetante da pele;

• em caso de salpicos e gotículas de sangue/fluidos corporais sobre pele intacta, lavar


com água e sabão, desinfetando depois essa zona com desinfetante da pele;

• em caso de contaminação das membranas mucosas (boca, nariz, olhos), enxaguar


bem com água ou soro fisiológico (Aquadest ou cloreto de sódio esterilizado a
0,9%), ou com uma solução de iodo diluído a 1:4 (boca, nariz);

• em caso de salpicos e gotículas de sangue/fluidos corporais sobre pele com lesões,


limpar o sangue e os fluidos corporais e desinfetar com um desinfetante da pele
mais PVP-iodo;

• a ocorrência deve ficar devidamente documentada.

Vacinação pós-exposição?

Tem de ser determinado se deve administrar-se ou não uma vacina contra a hepatite
B após a exposição:

• se o trabalhador estiver imunizado (tiver sido infetado com hepatite B no passado)


ou adequadamente protegido por uma vacinação anterior (anti-HBs > 100 IE/L nos
últimos 12 meses ou vacina bem sucedida nos últimos cinco anos), não são neces-
sárias outras medidas;

• se o doador (fonte de infeção) apresentar resultados negativos para o antigénio HBs,


não são necessárias mais medidas, embora o trabalhador deva ser vacinado contra a
hepatite B (para o proteger contra incidentes semelhantes no futuro) se não estiver
imunizado ou suficientemente protegido pela vacinação.

75
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Diretiva 2010/32/UE que executa o acordo-quadro relativo à prevenção de ferimentos


provocados por objetos cortantes nos setores hospitalar e da saúde celebrado pela
HOSPEEM e pela EPSU (19)

Em novembro de 2008, as organizações europeias de parceiros sociais HOSPEEM (Associação


Europeia de Empregadores Hospitalares e de Saúde, uma organização setorial que representa
os empregadores) e EPSU (Federação dos Sindicatos Europeus do Serviço Público, uma orga-
nização sindical europeia) informaram a Comissão do seu desejo de encetar negociações, nos
termos do artigo 138.º, n.º 4, e do artigo 139.º do Tratado que institui a Comunidade Europeia
(«Tratado CE»), com o intuito de celebrar um acordo-quadro relativo à prevenção de ferimen-
tos provocados por objetos cortantes nos setores hospitalar e da saúde.

Em 17 de julho de 2009, os parceiros sociais europeus subscreveram o texto do acordo-quadro


relativo à prevenção de ferimentos provocados por objetos cortantes nos setores hospitalar
e da saúde e informaram a Comissão do seu pedido de apresentação do acordo ao Conselho
para adoção de uma diretiva.

O acordo-quadro tem por objetivo proteger os trabalhadores expostos ao risco de ferimentos


causados por material médico cortante e perfurante (incluindo seringas) e prevenir esse risco.
Prevê uma abordagem integrada em matéria de avaliação e prevenção dos riscos, formação,
informação, sensibilização e monitorização, bem como a adoção de procedimentos de res-
posta e acompanhamento. O acordo contribuirá para alcançar um ambiente de trabalho o
mais seguro possível no setor hospitalar e da saúde.

O Parlamento Europeu aprovou, em 11 de fevereiro de 2010, uma resolução em apoio da pro-


posta de diretiva do Conselho apresentada pela Comissão em outubro de 2009. A Diretiva
2010/32/UE que executa o acordo-quadro foi adotada pelo Conselho em 10 de maio de 2010,
devendo os Estados-Membros pôr em vigor as disposições legislativas, regulamentares e admi-
nistrativas necessárias para lhe dar cumprimento ou assegurar que os parceiros sociais introdu-
zem as disposições necessárias por meio de acordo até 11 de maio de 2013, o mais tardar.

O acordo-quadro executado pela diretiva supramencionada é composto por um pre-


âmbulo e 11 cláusulas, contendo os seguintes elementos principais:

Cláusula 1: objetivo

Esta cláusula estabelece o objetivo global do acordo (alcançar um ambiente de traba-


lho o mais seguro possível, evitar aos trabalhadores ferimentos causados por todo o
material médico cortante e perfurante, incluindo seringas, e proteger os trabalhado-
res em risco). Para este fim, prevê a criação de uma abordagem integrada, estabele-
cendo políticas em matéria de avaliação e prevenção dos riscos, formação, informação,
sensibilização e monitorização, bem como a adoção de procedimentos de resposta e
acompanhamento.

Cláusula 2: âmbito de aplicação

Esta cláusula esclarece que o acordo se aplica a todos os trabalhadores do setor hos-
pitalar e da saúde e a todos os que se encontram sob a autoridade e a supervisão de
gestão dos empregadores.

Cláusula 3: definições

O acordo utiliza vários termos: trabalhadores, locais de trabalho, empregadores, mate-


rial médico cortante, hierarquia de medidas, medidas preventivas específicas, repre-
sentantes dos trabalhadores, representantes dos trabalhadores em matéria de saúde
(19) JO L 134 de 1.6.2010, e segurança e subcontratantes. A cláusula 3 define o significado desses termos na ace-
p. 66 a 72. ção do acordo.

76
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Cláusula 4: princípios

Esta cláusula estabelece os princípios que devem ser observados quando se tomam
medidas ao abrigo do acordo.

O ponto 1 aponta para o papel essencial de uma mão-de-obra do setor da saúde bem
formada, dotada de recursos adequados e segura para evitar os riscos. Afirma igual-
mente que a prevenção da exposição é a estratégia-chave para eliminar e minimizar o
risco de ferimentos e infeções.

O ponto 2 refere-se ao papel dos representantes da saúde e da segurança em matéria


de prevenção e proteção contra os riscos.

O ponto 3 estabelece o dever do empregador de assegurar a segurança e a saúde dos


trabalhadores em todos os aspetos relacionados com o trabalho.

O ponto  4 responsabiliza cada trabalhador por cuidar da sua própria segurança e


saúde, bem como da segurança e saúde das outras pessoas afetadas pelas suas ações
no trabalho.

O ponto 5 trata da participação dos trabalhadores e seus representantes no desenvol-


vimento de práticas e de políticas de saúde e segurança.

O ponto  6 explica que o princípio das medidas preventivas específicas consiste em


nunca supor a inexistência do risco. Define igualmente que é aplicável a hierarquia de
medidas referentes à proteção da segurança e da saúde dos trabalhadores, tal como
prevista na diretiva comunitária relevante, ou seja, evitar os riscos, avaliar os riscos que
não possam ser evitados, combater os riscos na origem e reduzir ao mínimo os riscos.

O ponto  7 refere-se à colaboração entre os empregadores e os representantes dos


trabalhadores para eliminar e impedir riscos, proteger a saúde e segurança dos traba-
lhadores e criar um ambiente de trabalho seguro.

O ponto 8 reconhece a necessidade de ações que impliquem informação e consulta


em conformidade com a legislação nacional e/ou acordos coletivos.

O ponto 9 trata da eficácia das medidas de sensibilização.

O ponto  10 sublinha a importância de uma combinação de diversas medidas para


alcançar um ambiente o mais seguro possível no local de trabalho.

O ponto 11 indica que os procedimentos de notificação de incidentes se devem con-


centrar em fatores sistémicos e não em erros individuais e que a notificação sistemá-
tica deve ser considerada como o procedimento aceite.

Cláusula 5: avaliação dos riscos

O ponto  1 indica que os procedimentos de avaliação dos riscos devem ser execu-
tados em conformidade com as disposições relevantes das Diretivas 2000/54/CE
e 89/391/CEE.

O ponto 2 estipula o que deve ser incluído nas avaliações dos riscos e especifica situa-
ções potencialmente perigosas a serem abrangidas por essas avaliações.

O ponto 3 enumera os fatores a ter em conta nas avaliações dos riscos, com vista a
identificar possíveis formas de eliminar a exposição e a estudar possíveis sistemas
alternativos.

77
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Cláusula 6: eliminação, prevenção e proteção

Os pontos 1 e 2 enumeram diversas medidas a adotar para eliminar o risco de ferimen-


tos causados por material cortante e/ou de infeção e para reduzir o risco de exposição.

Os pontos 3 e 4 tratam de situações em que existe um risco para a segurança e saúde


dos trabalhadores devido à sua exposição a agentes biológicos para os quais existem
vacinas eficazes. Nestas circunstâncias deve ser proposta a vacinação aos trabalha-
dores, que deve ser realizada em conformidade com a legislação e/ou prática nacio-
nais. Além disso, os trabalhadores devem receber informação sobre os benefícios e
os inconvenientes quer da vacinação quer da não-vacinação. A vacinação tem de ser
gratuita.

Cláusula 7: informação e sensibilização

Na medida em que o material médico cortante é considerado equipamento de traba-


lho nos termos da Diretiva 89/655/CEE, esta cláusula estabelece diversas medidas de
informação e sensibilização a adotar pelo empregador, para além do fornecimento de
informação e de instruções escritas, em conformidade com o artigo 6.° dessa diretiva.

Cláusula 8: formação

Esta cláusula estipula que os trabalhadores devem receber formação sobre certas
políticas e procedimentos associados a ferimentos causados por material cortante,
incluindo os enumerados. Esta formação é suplementar às medidas estabelecidas no
artigo 9.° («Informação e formação dos trabalhadores») da Diretiva 2000/54/CE relativa
à proteção dos trabalhadores contra riscos ligados à exposição a agentes biológicos
durante o trabalho (20)

A cláusula impõe igualmente várias obrigações aos empregadores no que se refere à


formação e estipula que a formação é obrigatória para os trabalhadores.

Cláusula 9: notificação

O ponto 1 estipula que os procedimentos existentes para a notificação de acidentes


envolvendo ferimentos devem ser adaptados e revistos conjuntamente com os repre-
sentantes em matéria de saúde e segurança e/ou os representantes pertinentes dos
empregadores e dos trabalhadores. Os procedimentos de notificação devem incluir
dados técnicos com vista a melhorar a recolha de dados sobre este tipo de perigo (que
é subestimado) a nível local, nacional e europeu.

O ponto 2 impõe aos trabalhadores a obrigação de notificar imediatamente qualquer


acidente ou incidente envolvendo material médico cortante.

Cláusula 10: resposta e acompanhamento

Esta cláusula trata das políticas e dos procedimentos que devem estar em vigor
quando se verificar um ferimento causado por material cortante. Em particular, espe-
cifica diversas medidas que devem ser tomadas, como o fornecimento de profilaxia
pós-exposição e dos exames médicos necessários, a vigilância adequada da saúde, a
investigação das causas e circunstâncias do acidente, o registo do acidente e o acon-
selhamento aos trabalhadores. A cláusula declara ainda que deve ser respeitada a con-
fidencialidade do ferimento, do diagnóstico e do tratamento.

Cláusula 11: aplicação


( ) JO L 262 de 17.10.2000,
20

p. 21 a 45. Esta cláusula prevê várias disposições em relação à execução do acordo.

78
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Contém uma cláusula de «normas mínimas», que indica que o acordo não prejudica as
disposições nacionais e comunitárias em vigor e futuras, que sejam mais favoráveis à
proteção dos trabalhadores contra ferimentos causados por material médico cortante.

Indica que a Comissão poderia submeter a interpretação do acordo às partes signa-


tárias, que emitirão o seu parecer, sem prejuízo do respetivo papel da Comissão, dos
tribunais nacionais e do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Programa de testes e exames após ferimentos causados por seringas


e material médico cortante
Análise dos riscos

Na base de quaisquer medidas que venham a ser tomadas está a determinação de que existe
um risco real. Antes de se chegar a esta conclusão, é necessário avaliar fatores essenciais,
como o estado de imunidade da pessoa ferida, o tipo e a gravidade do ferimento causado
pelo material médico cortante ou pela seringa e a quantidade de sangue contaminado.

Análises ao sangue

Se a análise dos riscos não puder excluir um risco de infeção, devem realizar-se as análi-
ses seguintes: anti-HBs, anti-HBc, anti-VHC e anti-VIH. Estas análises devem ser repetidas a
intervalos de seis, 12 e 26 semanas após a primeira análise. Caso se saiba ou se suspeite de
que o doente índice tem uma infeção, é possível obter mais informações com base numa
análise única imediata aos anti-HBs, anti-HBc, anti-VHC e anti-VIH.

Hepatite B — Precauções

Se a pessoa exposta não tiver ficado suficientemente imunizada com a imunização ante-
rior, deverá proceder-se imediatamente a uma vacinação ativa contra a hepatite B. Se no
ferimento estiver envolvida uma contaminação comprovada com sangue positivo para a
hepatite B, a vacinação deve ser seguida, no prazo de seis horas, por imunização passiva.

Hepatite C — Precauções

Duas a quatro semanas após o contacto com sangue de uma pessoa identificada como
positiva para a hepatite C, recomenda-se uma dosagem da proteína C reativa (PCR) para o
VHC, a fim de facilitar o diagnóstico e o tratamento precoces. Independentemente disso,
as análises aos anticorpos do VHC devem ser realizadas com a periodicidade indicada no
calendário supramencionado.

VIH — Medidas e precauções

Após contacto com sangue de uma pessoa potencialmente infetada com VIH, a infecio-
sidade do doente índice pode ser determinada por uma análise rápida ao VIH (teste de
anticorpos). Se o contacto tiver sido com sangue de uma pessoa seropositiva, a profila-
xia médica pós-exposição está indicada e atinge a eficácia máxima se for iniciada até duas
horas depois do ferimento, podendo evitar a infeção mesmo que o vírus tenha entrado na
corrente sanguínea. Contudo, devido aos graves efeitos secundários da medicação, a deci-
são de iniciar essa profilaxia deve ser tomada por um especialista.

Documentação do ferimento e relatório do acidente

Os ferimentos devem ser bem documentados para que os acidentes possam ser analisados
e as medidas preventivas registadas.

79
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

3.3.2. Risco de infeções transmissíveis por via aerógena

Infeção transmitida por via aerógena, incluindo:

• papeira • tuberculose

• gripe • sarampo

• rubéola • SRAG

Introdução

Os agentes patogénicos transmissíveis por via aerógena são quase exclusivamente


transmitidos de uma pessoa para a outra (transmissão entre seres humanos). Quando
os doentes com uma infeção dos órgãos respiratórios (pulmões, brônquios ou laringe)
tossem, espirram ou falam, formam-se aerossóis e são, deste modo, libertadas no ar
exalado gotículas minúsculas e núcleos de gotículas sob a forma de uma névoa fina. A
dimensão dos aerossóis varia, visto estarem sujeitos a diversos fatores aerodinâmicos.

Avaliação dos riscos

A infeciosidade dos aerossóis depende da dimensão e da densidade das partículas, da


densidade dos agentes patogénicos contidos em cada partícula, do tempo necessário
para a inalação e do volume inalado. As partículas pequenas (núcleo de gotícula <5μm)
são particularmente perigosas, se os núcleos e os aerossóis de gotículas permanecerem
na atmosfera durante tempo suficiente para serem inalados em quantidade suficiente e
depositadas nos alvéolos pulmonares. Pode concluir-se que as secreções corporais que
não levam à formação de aerossóis (por exemplo, urina e pus) apresentam um menor
risco de infeção. O mesmo se aplica aos aerossóis que formam um sedimento na super-
fície dos objetos e pavimentos, os quais não são, em geral, considerados particular-
mente perigosos, desde que se observem as precauções de higiene normais.

Áreas de exposição especial, nomeadamente:

• unidades de tratamento da tuberculose;


• unidades hospitalares especializadas em infeciologia;
• serviços de pediatria;
• cuidados geriátricos.

Atividades com potencial risco de infeção, nomeadamente:

• extubação/entubação;
• cuidados dentários;
• broncoscopia;
• gastroscopia;
• cuidados de emergência/primeiros socorros;
• reanimação
• reanimação boca-a-boca;
• entubação.

80
3 RISCOS BIOLÓGICOS

O risco de infeção é maior se o pessoal estiver   20 As máscaras


respiratórias que
exposto à tosse de um doente — o que, muitas
filtram o ar e retêm os
vezes, é inevitável (por exemplo, nas broncoscopias, agentes patogénicos
em períodos prolongados de contacto próximo, protegem contra as
infeções transmissí-
como acontece nos exames físicos, nos cuidados de
veis por via aerógena
enfermagem e no tratamento de doentes não coo-
perantes) —, quando são previsíveis concentrações
elevadas de aerossóis (caso das infeções agudas),
ou quando está exposto a microrganismos trans-
missíveis pelo ar. Tanto nos cuidados ambulatórios
como nas unidades de internamento, os doentes
infetocontagiosos que necessitam de ser diagnos-
ticados e sujeitos a medidas terapêuticas imedia-
tas expõem o pessoal a especiais riscos, muito em
especial porque nessa fase não existe, muitas vezes, um diagnóstico claro.

Existem vários perigos: uma infeção não detetada em doentes que recebem tera-
pia respiratória; doentes de cuidados continuados que podem estar incapacitados
e necessitar de assistência adicional e doentes que não cooperam, designadamente
os que são transportados em ambulância. O risco de contrair uma infeção é com-
provadamente maior quando há maior exposição às secreções traqueobronquiais
(broncoscopia, endoscopia, respiração, análises à expetoração). Outras áreas profis-
sionais associadas a uma maior exposição e, logo, a um maior risco de infeção, são
os laboratórios de anatomia patológica, bem como os laboratórios microbiológicos
e virológicos.

Medidas de proteção
Gerais

Todas as medidas de precaução destinadas a combater as infeções transmissíveis por


via aerógena devem procurar romper a cadeia de transmissão e impedir a sua pro-
pagação. As precauções de controlo das infeções devem centrar-se primordialmente
nas estratégias para evitar o risco de inalação de aerossóis infeciosos, sobretudo dos
núcleos de gotículas.

Todos os aerossóis são constituídos por uma mistura de gotículas grandes e núcleos
de gotículas, que são respiráveis e, por isso, podem ser infeciosos. Uma vez que, no
tratamento quotidiano de doentes infetocontagiosos, não há como distinguir a pre-
sença ou não de aerossóis respiráveis/infeciosos, quando se formam aerossóis, a
utilização de máscaras respiratórias filtrantes é invariavelmente recomendada, por
exemplo semimáscaras em contacto direto com o rosto (FFP2).

Neste contexto, é especialmente importante reduzir a exposição à tosse produtiva dos


doentes infetocontagiosos, ou seja, uma parte essencial do controlo das infeções con-
siste em informar os doentes a respeito de medidas básicas, como a cobertura da boca
e do nariz, ou em fornecer máscaras aos doentes.

Técnicas

É importante assegurar uma boa ventilação e normas de higiene adequadas (desinfe-


ção) no local de trabalho. Nas medidas técnicas de proteção incluem-se os seguintes
elementos: arquitetura das instalações; divisão das salas; medidas de ventilação (fluxo
de ar direcionado, renovação do ar, pressão negativa); medidas de filtragem [sistemas
de filtros de partículas de alta eficiência (HEPA), controlo da saída de ar]; e medidas de
esterilização [EN 1946 (parte 4)].

81
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Organizativas

Um controlo eficaz das infeções exige que se faça um diagnóstico rápido e se pro-
ceda de imediato ao isolamento dos doentes infetocontagiosos, iniciando o mais cedo
possível um tratamento eficaz e competente. Além disso, uma boa higiene e medidas
técnicas de precaução como a proteção contra a inalação de aerossóis infeciosos, aju-
dam a reduzir o risco de infeção para os outros doentes, as pessoas que contactem
com os doentes infetocontagiosos e o pessoal de saúde.

• Os doentes devem compreender a importância das boas práticas higiénicas, isto é,


não tossirem para cima do pessoal de enfermagem ou de outras pessoas, absterem-se
de fazer coisas que estimulem a tosse e a produção de aerossóis e cobrirem sempre
a boca quando tossem, de preferência com uma máscara que cubra a boca e o nariz.

• Os trabalhadores da saúde devem receber instruções para manterem uma certa dis-
tância (aproximadamente 1,5m) dos doentes com tosse.

• Muitas doenças infetocontagiosas podem ser evitadas pela imunização e as vacinas


(ver lista de doenças evitáveis por vacinação).

• Deve prestar-se atenção aos antecedentes de imunização do pessoal e das pessoas


contactadas.

• O pessoal exposto, os outros doentes e as pessoas que contactem com o doente


devem receber informações completas (compreensíveis para um leigo) sobre os
possíveis riscos de infeção, os modos de transmissão e as precauções necessárias.

Proteção individual

É importante observar as normas gerais de higiene, mas quando existe um risco pro-
fissional é igualmente relevante utilizar um equipamento de proteção individual ade-
quado (máscaras faciais filtrantes), bem como facultar formação sobre boas práticas a
todos trabalhadores. Os controlos de segurança e saúde e as inspeções a nível interno
são essenciais.

Máscaras respiratórias

• A escolha da máscara facial adequada exige conhecimentos de epidemiologia e uma


avaliação especializada do risco em geral e no local de trabalho em particular — ou
do risco de contacto profissional com doentes potencialmente infetocontagiosos.

• A classificação das semimáscaras filtrantes disponíveis obedece às normas euro-


peias (EN 149/filtering face piece = FFP). Os sufixos «S» (sólido: aerossóis e partículas
aquosos) e «SL» (sólido e líquido: aerossóis e partículas aquosos e oleosos) fornecem
informações complementares sobre a utilização desses produtos. Os produtos tes-
tados em conformidade com as novas normas EN 149 a partir
  21 A máscara respira- de 2001 protegem contra as partículas de poeira fina (S) e os
tória só é eficaz se aerossóis líquidos (SL), não havendo, por isso, uma distinção
estiver em contacto
com o rosto
significativa entre S e SL. As máscaras também estão disponí-
veis com uma válvula de exalação, para reduzir a resistência
respiratória. (N.B.: os doentes infetocontagiosos não devem
usar este tipo de máscara.)

• A fuga total de uma máscara é calculada como a fuga cau-


sada por um ajustamento imperfeito (entre o rosto e a más-
cara), a fuga da válvula de exalação (caso exista) e a fuga do
próprio filtro. A tolerância de fuga total no caso das máscaras
da classe FFP1 não pode exceder 25%, no caso das máscaras

82
3 RISCOS BIOLÓGICOS

FFP 2 é exigido que a fuga não ultrapasse 11% e a das máscaras FFP 3 não deve ser
superior a 5%. A fuga média total é, no máximo, de 22% para as classes da classe 1,
de 8% para as da classe 2 e de 2% para as de classe 3 — considerando-se um diâme-
tro médio das partículas de 0,6 μm. As máscaras têm de ser usadas de acordo com
as instruções de utilização individual dadas pelos fabricantes, não devendo ser par-
tilhadas com outros utilizadores nem ser utilizadas se estiverem danificadas, sujas,
húmidas ou de algum modo contaminadas.

• As máscaras respiratórias não asseguram, só por si, uma proteção total, devendo ser
também previstas medidas técnicas e organizativas.

Outras medidas de proteção individual

• A tradicional cobertura da boca e do nariz ou máscara cirúrgica (dobrável ou mol-


dada) não proporciona a mesma proteção que uma máscara respiratória. Devido à
sua taxa de fuga muito superior, oferece uma proteção contra a inalação de aeros-
sóis infeciosos muito inferior à de uma máscara respiratória FFP. No entanto, reduz a
libertação de gotículas infeciosas para o ambiente.

• As máscaras respiratórias FFP 2 e FFP 3 proporcionam maior proteção contra as


infeções, mas essa proteção depende, em grande medida, de a máscara estar ade-
quadamente ajustada. O seu bom ajustamento é afetado por fatores como a forma
e a dimensão do rosto do utilizador. O uso de barba também pode impedir que a
máscara fique bem ajustada. Consequentemente, as máscaras respiratórias devem
ser disponibilizadas em vários tamanhos e o empregador deve garantir que todo o
pessoal recebe instruções sobre a aplicação e o uso corretos das máscaras.

• A experiência demonstrou que a aceitação das máscaras depende de outros fato-


res fundamentais: a segurança e proteção que se espera que elas proporcionem; os
custos; o conforto; o manuseamento; os efeitos sobre a fala (comunicação); a forma
como se ajustam ao rosto e a oclusão do mesmo. As máscaras só terão suficiente
aceitação se estes critérios forem satisfeitos.

• Se existir um caso suspeito ou confirmado de infeção transmissível por via aerógena


é aconselhável pôr todas as medidas supramencionadas em prática, para minimizar
o risco de infeção entre as pessoas que contactem com o doente. Os doentes devem
usar, pelo menos, uma cobertura convencional da boca e do nariz (máscara cirúrgica,
de preferência moldada, visto assegurar um melhor ajustamento) quando saírem do
quarto de isolamento, uma vez que ela reduz a quantidade de aerossóis exalados.
A máscara também serve de aviso para os doentes e o pessoal, recordando-lhes as
medidas de controlo de infeções. Estas máscaras também são simples de colocar, o
seu uso é relativamente confortável e podem ser usadas pelo doente enquanto se
mantiverem totalmente funcionais, ou seja, enquanto não ficarem húmidas devido
ao uso prolongado.

• Em situações que apresentam um baixo risco de infeção (por exemplo, pouco tempo
de contacto ou inexistência de contactos próximos) é suficiente que o pessoal use
uma máscara FFP.

• As máscaras FFP 3 devem ser usadas quando é importante reduzir radicalmente o


risco de propagação da infeção (baixa dose infetante do(s) respetivo(s) agente(s)
patogénico(s) e risco elevado).

• Fora do quarto de isolamento e noutras situações especiais (por exemplo, transporte


de doentes) os doentes que constituam um risco especial para os outros devem
receber mais proteção (devido à proximidade com outras pessoas), para minimizar
o risco de infetarem as pessoas que com eles contactem (máscara FFP 2/3 sem aber-
tura de exalação) e evitar a contaminação do ambiente.

83
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Teste de ajustamento

A eficácia das máscaras respiratórias e respiradores depende não só da escolha cor-


reta do equipamento, mas também, em grande medida, da sua correta utilização e
aplicação (ou seja, do seu ajustamento). A colocação das semimáscaras filtrantes deve
respeitar rigorosamente as instruções dos fabricantes, sendo essencial que a máscara
fique bem ajustada ao rosto (sobretudo em redor da parte moldada sobre o nariz).
É recomendável realizar um exercício prático para verificar se a máscara proporciona
uma boa cobertura, o denominado teste de ajustamento, que permite detetar eventu-
ais fugas importantes aspirando fortemente o ar com as duas mãos colocadas sobre a
zona do filtro. Os homens com barba têm mais dificuldade em ajustar bem as másca-
ras, que ficam mais suscetíveis a fugas.

Medidas de precaução

A maioria das doenças infetocontagiosas transmitidas por via aerógena pode ser evitada
através da imunização, devendo os exames de medicina do trabalho determinar o his-
torial de vacinação do pessoal. Se a vacinação não tiver proporcionado uma cobertura
total, recomenda-se uma dose de reforço única da vacina adequada, cujos custos devem
ser suportados pelo empregador. Durante as consultas de medicina do trabalho, os tra-
balhadores devem ser informados da importância de usarem máscaras faciais filtrantes.

3.3.3. Risco de infeção por contacto direto e indireto

Infeção transmitida por via fecal-oral, nomeadamente:

• vírus da hepatite A • shigelose

• estafilococos • ameba

A propagação de agentes patogénicos infeciosos invisíveis, desconhecidos ou ainda


não diagnosticados constitui uma importante preocupação de saúde para os trabalha­
dores do setor e os doentes.

Avaliação dos riscos

O principal risco decorre da propagação das infeções através de mãos contaminadas. A


avaliação dos riscos e a determinação das medidas de controlo de infeções adequadas
devem ser realizadas de forma sistemática.

Áreas de exposição especial, nomeadamente:

• unidades de internamente especializadas em infetologia

• unidades de cuidados intensivos

• unidades de internamento e receção de doentes cirúrgicos

• cuidados geriátricos.

Atividades com potencial risco de infeção, nomeadamente:

• mudança de pensos

• cuidados de enfermagem

84
3 RISCOS BIOLÓGICOS

• posicionamento de doentes

• utilização de equipamentos próximos de doentes com infeções por contacto.

Transmissão por contacto

O contacto direto envolve a transmissão a partir da pele (ou superfície corporal) de


uma pessoa infetada para a superfície corporal de um recetor suscetível (neste con-
texto, outro doente ou um membro do pessoal). A transmissão pode ocorrer, por
exemplo, quando o pessoal trata os doentes (mudando pensos ou cateteres).

O contacto indireto verifica-se quando se toca em superfícies povoadas por microrga-


nismos, que foram contaminadas, por exemplo, por mãos sujas ou luvas contaminadas.

A transmissão por via percutânea ou permucosa (pele ou membranas mucosas) veri-


fica-se através de:

• feridas e lesões;

• pele debilitada, não intacta;

• salpicos que atingem os olhos.

Origem

Os doentes, o pessoal e os visitantes podem ser uma fonte de micro-organismos infe-


ciosos. O hospedeiro (origem) pode estar ativamente infetado, a doença ainda pode
estar em fase de incubação ou o hospedeiro pode ser um portador crónico. A origem
também pode estar em superfícies contaminadas.

  22 Vários agentes


patogénicos podem
sobreviver durante
muito tempo em
superfícies inertes;
daí a importância
de uma desinfeção
meticulosa após cada
utilização

Grau de imunidade

A resistência ou imunidade varia muito de pessoa para pessoa, sendo influenciada


por fatores como a idade, o tratamento médico (por exemplo, antibióticos, corticos-
teroides e medicamentos imunossupressores), a radiação ou uma doença grave. A
imunização prévia (vacinação) proporciona uma resistência ótima. Os trabalhadores
com sistemas imunitários debilitados devem procurar aconselhamento médico com
urgência ou sujeitarem-se a exames de medicina do trabalho frequentes.

85
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Medidas de proteção

Precauções básicas

Para reduzir o risco de infeção por contacto, os trabalhadores da saúde suscetíveis


(com pouca resistência) devem ser fisicamente separados (afastados) da fonte de infe-
ção. Todos os doentes devem ser tratados como se fossem infetocontagiosos.

Medidas técnicas

No local de trabalho devem tomar-se as seguintes precauções, quando se manipula ou


se trabalha com agentes biológicos:

• as superfícies de trabalho e as superfícies dos equipamentos, aparelhos e outros dis-


positivos devem ser fáceis de limpar;
• devem introduzir-se medidas para evitar a produção de aerossóis e poeiras;
• devem ser disponibilizadas instalações de lavagem suficientes;
• os vestiários do pessoal devem ser mantidos separados das áreas de trabalho;
• devem disponibilizar-se recipientes adequados para a recolha de resíduos com
agentes biológicos.

Medidas organizativas

• Limpeza diária das superfícies


• Existência de dispositivos de limpeza em armazém
• Existência de equipamentos de proteção individual adequados em armazém
• Plano de higiene
• Instruções dos fabricantes
• Supressão da desinfeção com pulverizadores

Medidas de proteção individual

A desinfeção adequada das mãos é a medida primordial para evitar a propagação de infe­
ções por contacto. As mãos devem ser lavadas quando estão visivelmente sujas. Em muitos
casos, a desinfeção da pele é suficiente e, devido aos efeitos cutâneos nocivos da lavagem
das mãos, as lavagens devem ser reduzidas ao mínimo. No entanto, devem ter lugar:
• antes do contacto com o doente;
 23 As superfícies de tra-
balho e as superfícies
de equipamentos,
aparelhos e outros
dispositivos devem
ser fáceis de limpar

86
3 RISCOS BIOLÓGICOS

• antes de uma intervenção;


• após uma intervenção ou um risco de exposição a um fluido corporal;
• após contacto com o doente;
• após contacto com o espaço onde o doente se encontra.

Entre os equipamentos de proteção individual essenciais incluem-se as luvas de


proteção, o vestuário de proteção, os óculos de proteção e as máscaras/respiradores. O
uso de luvas é essencial quando existe um contacto direto com material contaminado.
A escolha do vestuário de proteção depende do tipo de atividade de enfermagem ou
médica e do risco de contaminação concomitante, bem como da virulência (ou even-
tual resistência) do microrganismo e do seu modo de transmissão.

As luvas utilizadas quando se manipulam ou se está em contacto com agentes bio-


lógicos devem preencher os critérios de ensaio da norma EN 455, segundo a qual é
importante que as luvas de látex não contenham pó de talco e que o látex seja hipoa-
lérgico. O tipo de luva escolhido depende da tarefa para a qual as luvas são exigidas e
as propriedades do material. Importa recordar que as luvas de látex nem sempre são
adequadas para trabalhar com produtos químicos. As luvas devem ter punhos que se
sobreponham ao punho da bata ou outro vestuário de proteção.

Deve ser usado vestuário de proteção, por exemplo batas e aventais (geralmente
impermeáveis), sobre os uniformes ou as roupas de trabalho. A direção é responsável
pela disponibilização desse vestuário, que os trabalhadores são obrigados a usar.

Utilização de equipamento de proteção individual (EPI)

• As luvas devem ser usadas sempre que haja probabilidade de exposição a sangue,
secreções ou excreções (por exemplo, quando se mudam pensos ou se manipulam
sistemas de drenagem da urina).

• Os aventais impermeáveis devem ser usados quando há probabilidade de sujar ou


contaminar as roupas de trabalho/uniformes com sangue, secreções ou excreções
(por exemplo, mudança de pensos, manipulação de sistemas de drenagem da urina).

• As batas de proteção (mangas longas com punhos) devem ser usadas caso se afigure
provável haver contaminação dos braços ou do vestuário (uniforme) com maté-
ria infeciosa (por exemplo, tratamento de doentes incontinentes ou com diarreia,
pensos de feridas grandes e infetadas ou presença de bactérias resistentes).

Medidas de precaução

O pessoal deve fazer exames médicos no âmbito dos compromissos em matéria de segu-
rança e saúde no trabalho assumidos pela entidade patronal, que deve suportar os respe-
tivos custos. A submissão a um exame médico é uma condição determinante do emprego.

Imunização (vacinação)

Os trabalhadores devem ser vacinados contra as doenças infetocontagiosas relevan-


tes, devendo a entidade patronal suportar os custos da vacinação.

Transporte de doentes

O transporte de doentes infetocontagiosos pode originar riscos de contaminação de


um ambiente anteriormente livre de infeções. O pessoal responsável pelo transporte
deve receber instruções prévias sobre os procedimentos e medidas adequados. A
mesma regra se aplica ao pessoal de saúde do serviço ou unidade para onde o doente
é transferido.

87
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

3.3.4. Descrição de boas práticas empresariais:


gestão das infeções por contacto

Em 2005, o Hospital Distrital de Schramberg, na Floresta Negra (Alemanha), apli-


cou um conceito que corresponde essencialmente às medidas neerlandesas e
escandinavas para reduzir as infeções por contacto, em especial o MRSA. Conse-
guiu, assim, uma acentuada diminuição desse tipo de infeções.

Christian Friz, médico-chefe, explica os procedimentos adotados no hospital.

Entrevistador: Que instrumentos utiliza a direção do seu hospital para controlar as


Boas práticas
infeções?

Christian Friz: No nosso hospital, há um sistema de gestão da qualidade para com-


bater as infeções, incluindo um manual operacional para a gestão das infeções por
contacto.

Entrevistador: Há controlos (vigilância) no que respeita à desinfeção das mãos?

Christian Friz: Sim, o especialista em higiene efetua controlos no local. Para além
disso, o consumo de desinfetantes é medido anualmente. Até agora, não se registou
qualquer aumento.

Entrevistador: O uso de vestuário de proteção também é monitorizado?

Christian Friz: Sim, esse aspeto também é sujeito a controlos aleatórios, serviço a ser-
viço, pelo especialista em higiene e o médico-chefe.

Entrevistador: Quando são os doentes isolados?

Christian Friz: Os doentes são isolados quando se suspeita ou se confirma que têm
uma doença muito infeciosa (por exemplo, norovírus, clostridium difficile, MRSA,
tuberculose). Também há isolamento por coorte (isolamento de vários doentes que
apresentam o mesmo quadro clínico). Os trabalhadores recebem uma formação inten-
siva sobre o modo de gerir as medidas de higiene necessárias.

Entrevistador: O consumo de luvas (descartáveis) é medido como indicador de


higiene, a fim de verificar o cumprimento das normas?

Christian Friz: Sim, esse aspeto é registado num relatório dos resíduos, que descreve
as quantidades exatas de resíduos, incluindo o número de luvas eliminados.

88
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Outro indicador que registamos uma vez por ano é o consumo de desinfetantes de
superfícies. Também neste caso houve um aumento evidente.

Entrevistador: Têm medido o consumo de antibióticos?

Christian Friz: Sim, o dispensário fornece números exatos sobre o consumo de anti-
bióticos, que é baixo e tem permanecido relativamente constante de ano para ano.
Invulgarmente baixo é o consumo de vancomicina e de linezolida.

Entrevistador: O vosso hospital procede a um intercâmbio contínuo de informações

Boas práticas
especializadas sobre as doenças infetocontagiosas com outros hospitais?

Christian Friz: Sim, o nosso hospital é membro da MRSA Netzwerk Baden-


Wurttemberg, em cujo âmbito debatemos o êxito das medidas de proteção e os últi-
mos resultados da investigação.

Boas práticas de prevenção de infeções por contacto:

1. As medidas de prevenção fazem parte do sistema de gestão da qualidade.

2. A desinfeção das mãos e o uso de vestuário de proteção são monitorizados.

3. Sempre que se suspeite ou se confirme que existe uma doença muito infeto-
contagiosa, é obrigatório verificar se os doentes têm de ser isolados.

4. Os trabalhadores recebem formação intensiva sobre a gestão das medidas de


higiene necessárias.

5. O consumo de luvas (descartáveis) é medido como indicador de higiene e para


verificar o cumprimento das normas.

6. Para evitar os agentes patogénicos multirresistentes, só são administrados anti-


bióticos se existir uma indicação estrita nesse sentido.

7. O hospital faz parte de uma rede com outros hospitais para trocar informações
especializadas sobre as doenças infetocontagiosas.

89
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Medidas preventivas no serviço de ambulâncias


O médico-chefe Jens Reichel, diretor da Faculdade de Emergência Médica do
Hospital Universitário de Jena, descreve as medidas preventivas que foram apli-
cadas no serviço de ambulâncias para enfrentar os riscos biológicos.

Entrevistador: Existem procedimentos escritos para evitar os ferimentos com serin-


gas e para fazer face aos ferimentos com seringas que tenham ocorrido?

Jens Reichel: Sim, em conformidade com a regulamentação, temos normas de con-


duta claras e, nos documentos de gestão da qualidade, também estão previstos pro-
Boas práticas
cedimentos relativos à manipulação dos instrumentos e à conduta do pessoal em caso
de ferimentos com seringas.

Entrevistador: Que melhorias esperam obter dos produtos seguros?

Jens Reichel: Com os atuais mecanismos de proteção, um ferimento com seringa


do tipo dos que aqui ocorriam comummente até há dois anos é hoje impossível. Os
instrumentos não seguros deixaram de estar disponíveis. No que respeita ao cateter
venoso periférico, com o grupo de materiais que temos ao nosso dispor, não observei
quaisquer diferenças entre o tempo que agora é necessário e o que era necessário
anteriormente.

Entrevistador: Como eliminam os resíduos perigosos? A manipulação segura dos


resíduos está assegurada para todas as pessoas que entram em contacto com eles,
designadamente médicos, enfermeiros e pessoal da limpeza?

Jens Reichel: Temos caixas de resíduos adequadas — caixas descartáveis onde os resí-
duos são depositados em conformidade com os requisitos do regulamento relativo
aos agentes biológicos. Não temos problemas nessa matéria.

Entrevistador: O depósito imediato em recipientes inquebráveis e antiperfuração, no


local de utilização, é sempre possível?

Dr. Reichel: Temos sempre pequenos recipientes para o material médico cortante em
todas as mochilas e malas, que também são rotineiramente utilizados. No serviço de
emergência, têm recipientes maiores para o material médico cortante.

Entrevistador: São ministrados cursos de formação regulares sobre os ferimentos


com seringas, a proteção da pele ou os riscos de infeção?

Jens Reichel: Sim, os colegas fazem um curso de reciclagem uma vez por ano.
Contudo, esse curso é sempre ministrado em conjunto com outras medidas, designa-
damente um curso de reciclagem sobre a utilização dos equipamentos. Na secção de
ambulâncias, temos um responsável pela higiene, que recebeu formação em cursos
certificados e dá instruções a esse pessoal.

90
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Entrevistador: Como avaliam a presença de riscos? Quem trata


dessa avaliação, um especialista em segurança ou um médico
do trabalho?

Jens Reichel: Temos um centro de medicina do trabalho no


hospital. A situação no local de trabalho é avaliada uma vez por
ano. Os resultados relativos à situação e as medidas tomadas são
transmitidos à entidade patronal.

Entrevistador: Chamam a atenção do pessoal e dos colegas

Boas práticas
para a questão da higiene das mãos e dos cuidados com a pele? Jens Reichel, diretor da
Faculdade de Emergência
Médica do Hospital
Dr. Reichel: Essa questão é tratada nas sessões de formação. Universitário de Jena

Entrevistador: Que equipamentos de proteção individual se encontram disponíveis?

Jens Reichel: Batas, máscaras faciais, das diversas classes de perigo, de acordo com
as necessidades. A utilização dos equipamentos de classe 2 é normal (MRSA) e os de
classe 3 só são utilizados no caso de doentes muito infetocontagiosos (H5N1, vírus
ébola), mas só se ocorrer algo desse género. Os equipamentos incluem sapatos ade-
quados ou cobre-sapatos com atacadores, para botas, que devem proporcionar total
proteção. São utilizados óculos de proteção de diversos graus, no caso dos doentes
muito infetocontagiosos.

Entrevistador: Quando são os trabalhadores informados acerca dos regulamentos


aplicáveis em matéria de segurança e saúde?

Jens Reichel: Recebem formação inicial quando assumem funções e frequentam cur-
sos de reciclagem anuais. No manual de gestão da qualidade também são especifica-
das medidas de proteção e de prevenção.

91
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

3.3.5. Infeções especiais

Em regra, o cumprimento das medidas de proteção e controlo das infeções acima


descritas proporciona aos trabalhadores da saúde uma proteção adequada e
reduz os riscos de infeção próprios do setor. No entanto, há vários riscos de infe-
ção profissionais que exigem especial atenção, nomeadamente:

• infeções tuberculosas;

• escabiose (sarna);

• bactérias nosocomiais multirresistentes, como o MRSA e as pseudomonas


multirresistentes;

• gripe sazonal.

1. Tuberculose

Avaliação dos riscos

Os trabalhadores da saúde estão expostos a um risco acrescido se trabalharem, por


exemplo, em laboratórios onde se fazem análises do Mycobacterium tuberculosis, ou
no tratamento médico ou de enfermagem de doentes de tuberculose (TB) em unida-
des especializadas.

Áreas de exposição especial, nomeadamente:

• unidades de tratamento da tuberculose;

• áreas especiais de cuidados geriátricos.

A incidência de casos notificados de tuberculose ativa e de doentes em tratamento tende


a ser maior entre as camadas mais idosas da população, o que aponta para uma maior
incidência da tuberculose latente entre o pessoal que presta cuidados geriátricos e, con-
sequentemente, para um risco profissional acrescido nessas áreas da saúde. Na verdade, a
prevalência da tuberculose latente é visivelmente menor entre os trabalhadores da saúde
mais jovens do que entre os mais idosos. Este facto pode ser, em parte, atribuído ao maior
período de exposição a riscos profissionais, mas também se pode dever à exposição à
tuberculose habitualmente relacionada com a idade, na comunidade em geral.

Atividades com potencial risco de infeção

Estas atividades envolvem um contacto estreito com os doentes tuberculosos, e incluem:

• atividades de apoio ou ginástica respiratória;

• inspeção oral, ou exames dentários ou de otorrinolaringologia;

• estimulação da expetoração, aspiração de secreções do nariz, da boca ou da faringe


em sistema aberto, medidas de reanimação e broncoscopia;

• autópsia;

• permanências superiores a 40 horas com um doente com tuberculose aberta numa


sala ou meio de transporte fechados.

92
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Medidas de precaução

O pessoal que trabalha em atividades que envolvem um risco de infeção acrescido


deve ser regularmente monitorizado. Esses exames médicos relativos à tuberculose
devem circunscrever-se às pessoas que têm um contacto próximo com doentes com
tuberculose ativa (ver infra), incluindo os trabalhadores das unidades especializadas
e dos laboratórios onde habitualmente se realizam análises relativas a essa doença.

Nos países onde a doença tem uma baixa incidência, o diagnóstico precoce e a qui-
mioterapia profilática para a infeção de tuberculose latente são elementos essenciais
da estratégia de controlo e eliminação da doença. Esta abordagem reduz substancial-
mente o risco de progressão da infeção de tuberculose latente para tuberculose ativa,
bem como o risco de transmissão. O êxito desta estratégia de saúde pública depende
obviamente da fiabilidade do método de teste utilizado.

A codificação do genoma do Mycobacterium tuberculose criou a possibilidade de


desenvolver um novo teste de biologia molecular específico para o diagnóstico da
infeção tuberculosa latente.

  24 As máscaras faciais


que cobrem a boca
não são adequadas
para proteger a respi-
ração

Método de rastreio

Dois desses testes de libertação do interferão-gama (interferon gamma realease


assay, IGRA) são o QuantiFeronR-TB-Gold In-Tube e o T SPOT-TB™. Estes dois novos
procedimentos de teste ex vivo oferecem uma alternativa promissora ao teste epidér-
mico de tuberculina Mendel-Mantoux na deteção da infeção de tuberculose latente.
Entretanto, foram realizados testes de libertação do interferão-gama em muitos estu-
dos do pessoal de saúde, tendo-se constatado que o IGRA era mais exato na determi-
nação da presença de uma infeção tuberculosa. Além disso, não foram comunicadas
reações-cruzadas com a vacina BCG (que em alguns países já não é recomendada) ou
com as micobactérias ambientais. Um teste IGRA positivo indica que é necessário fazer
uma radiografia torácica.

Se os testes IGRA forem positivos, a terapia é indicada em termos opcionais, se os tra-


balhadores trabalharem com poucos riscos. A consulta e a terapia têm de ser conduzi-
das por um especialista.

93
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Quem deve ser sujeito a análise?

As pessoas que tenham tido contacto com tuberculose aberta e foram expostas a um
risco de infeção ou afeção devem ser identificadas. A inclusão das pessoas que tenham
contactado de perto (ver supra) com o doente índice durante o período infecioso, ou
nos últimos dois a seis meses, é recomendada.

Perguntas após contacto com a tuberculose aberta sim não

Prestou cuidados de enfermagem ao doente? o o

Realizou ginástica respiratória? o o

Procedeu a um exame/inspeção oral ou otorrinolaringológica? o o

Efetuou uma aspiração traqueal? o o

O doente foi reanimado por si? o o

Realizou uma broncoscopia no doente? o o

O doente tossiu para cima de si? o o

Efetuou a autópsia do doente? o o

Esteve numa sala com o doente durante mais de 40 horas? o o

Observações

Perguntas sobre o risco pessoal sim não

Tem mais de 50 anos de idade? o o

Toma medicamentos? o o

Sofre de diabetes? o o

Fez uma ressecção do estômago? o o

Tem antecedentes de tuberculose? o o

Foi vacinado(a) contra a tuberculose? o o

Alguma vez teve um teste epidérmico positivo para a tuberculose? o o

Já sofreu de sintomas semelhantes aos da tuberculose (perda de peso, o o


suores noturnos, tosse, perda de apetite, exaustão, febres baixas)?

Observações

2. Escabiose (sarna)

A escabiose é um problema para o pessoal hospitalar e as suas famílias, bem como


para as pessoas que trabalham em lares e instituições comunitárias. O embaraço, os
mal-entendidos, as medidas higiénicas não exaustivas e, às vezes, a sua inadequada
calendarização tornam o combate a esses indesejados parasitas uma tarefa difícil para
todos os envolvidos.

Nas áreas de exposição especial incluem-se:

• unidades de internamento;

94
3 RISCOS BIOLÓGICOS

• cuidados geriátricos;

• instalações para pessoas com deficiência.

Nas atividades com potencial risco de infeção incluem-se:

• atividades que envolvam contacto corporal, como os cuidados de enfermagem a doentes;

• mudança de pensos;

• posicionamento dos doentes;

• cuidados de enfermagem em regime ambulatório.

Basicamente, todos os que cuidam ou tratam de uma pessoa infetada estão sujeitos ao
risco de infestação, a não ser que consigam evitar um contacto próximo com o doente,
o que nem sempre é possível devido ao tipo de tarefa em causa (por exemplo, ajudar
na higiene pessoal, apoiar o doente para este se pôr de pé, caminhar, sair ou entrar na
cama). Por exemplo, uma infestação de scabies norvegica, que produz erupções nas
áreas de pele afetadas, contém grandes concentrações de ácaros.

As condições de vida em ambientes confinados e com falta de higiene, bem como


a existência de problemas de saúde facilitam a propagação da escabiose. Contudo,
os ácaros também podem ser transmitidos através da partilha de peças de vestuário
ou de vestuário sujo ou mal lavado, roupa de cama e colchões, tapetes, cobertores,
peluches, almofadas, toalhas, termómetros, aparelhos de medição da pressão arterial
e artigos têxteis.
  25 Todos os que cuidam
Antes do tratamento ou tratam de uma
pessoa infetada
correm o risco de
Tomar banho e lavar o corpo inteiro infestação
(antes de aplicar um creme ou loção aca-
ricida). Antes da aplicação, a pele deve
estar seca e fresca (temperatura corporal
normal, ou seja, pelo menos uma hora
antes de iniciar o tratamento). As unhas
devem ser cortadas antes do tratamento.
O banho não é necessário, se for utili-
zado um pulverizador acaricida (com o agente ativo S-Bioaletrina).

3. MRSA

O Staphylococcus aureus é responsável pela maioria das infeções contraídas nos hospi-
tais e casas de saúde de todo o mundo e os peritos consideram que o Staphylococcus
aureus resistente à meticilina (MRSA) é um problema que está a surgir na Europa. O MRSA
não reage, frequentemente, ao tratamento com antibióticos e, por isso, apresenta uma
elevada taxa de morbilidade e mortalidade. Na última década, a incidência do MRSA
aumentou na maioria dos países europeus, tendo também aumentado o risco para o
pessoal de saúde, sendo, por conseguinte, necessário adotar uma nova estratégia de
prevenção e um conjunto de medidas de precaução em matéria de segurança e saúde.
As bactérias são muito resistentes a condições secas e quentes, podendo sobreviver em
ambientes inorgânicos (por exemplo, batas, ar, superfícies de equipamentos, instrumen-
tos, dispositivos médicos, acessórios hospitalares) durante vários meses.

Nas áreas de exposição especial incluem-se:

• as unidades de cuidados intensivos (UCI);

95
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• as áreas com elevada rotação de antibióticos;

• as unidades de internamento;

• os cuidados geriátricos.

Nas atividades com potencial risco de infeção incluem-se

• atividades que envolvam contacto corporal, como os cuidados de enfermagem;

• mudança de pensos;

• posicionamento dos doentes;

• cuidados de enfermagem em regime ambulatório.


  26 Antes de iniciar os
cuidados médicos,
são necessários pre-
parativos minuciosos
incluindo o uso de
equipamentos de
proteção adequados

Quadro clínico

A colonização é assintomática pois o MRSA não interfere com o corpo, uma vez que
vive à sua superfície.

Contudo, se as bactérias penetrarem no corpo, transformam-se num agente patogé-


nico, podendo manifestar-se sob a forma de furúnculos, antraz, piodermites, abcessos
(também nos órgãos), feridas infetadas e infeções introduzidas por corpos estranhos,
empiema e septicemia (taxa de mortalidade: 15%).

Modo de transmissão/imunidade

O MRSA coloniza a pele sem causar infeção ou alterações físicas observáveis no hos-
pedeiro, ao contrário de outras bactérias infeciosas, que entram no corpo e causam
infeções. Em consequência, a colonização dos seres humanos através do MRSA não é
considerada patológica e essas bactérias vivem como uma colónia saprófita na pele —
em coexistência com o hospedeiro.

As estirpes alogénicas podem ser responsáveis por uma colonização intermitente ou


permanente (infeção exógena). A transmissão faz-se, muitas vezes, por contacto, em
especial com as mãos, ou por contaminação através de excreções das feridas e das vias
respiratórias, de pele ou sangue intertriginosos (bacteriemia) ou de equipamentos
médicos. A transmissão por via aerógena, apesar de ser possível, é quase insignificante.

96
3 RISCOS BIOLÓGICOS

A diminuição da resistência celular predispõe para a infeção (por exemplo, diabetes


mellitus, doentes em diálise). Do mesmo modo, os implantes de materiais artificiais
(por exemplo, cateteres venosos, substituição de articulações), a imunossupressão,
os danos celulares causados por vírus (portas de entrada da infeção, por exemplo,
gripe A) e a deterioração das barreiras físicas (por exemplo, danos da pele e das muco-
sas) podem facilitar a colonização, a qual não induz uma imunidade eficaz.

Risco para o pessoal devido ao MRSA

Devido ao contacto com doentes colonizados por MRSA, o pessoal também pode ser
colonizado (sem dar por isso), sobretudo nas unidades de cuidados intensivos, mas
também nas unidades de cuidados geriátricos.

A colonização pode ser evitada através de uma aplicação coerente das medidas de
proteção descritas na secção relativa às infeções por contacto (ver p. 84).

Há indícios de que os trabalhadores da saúde também podem contrair infeções com


MRSA e os dados existentes realçam a importância das medidas de proteção para evitar
a colonização. Os trabalhadores que tenham um sistema imunitário fraco ou que este-
jam colonizados devem obter aconselhamento em termos de medicina do trabalho.

A falta de dados epidemiológicos impossibilita uma avaliação definitiva do risco.

Descolonização dos portadores de MRSA

• Se os trabalhadores da saúde estiverem colonizados com MRSA, deve utilizar-se uma


terapia de erradicação com agentes antibacterianos de eficácia clínica comprovada.

• Para erradicar a colonização nasal com MRSA, recomenda-se uma aplicação do


creme nasal à base de mupirocina (três vezes por dia durante, pelo menos, três dias,
em ambas as narinas). Depois de a descolonização nasal produzir efeito, a coloniza-
ção das outras partes do corpo também fica, geralmente reduzida.

• Caso a infeção mostre resistência à mupirocina, as preparações com agentes antissé-


ticos ou outros antibióticos de aplicação tópica têm-se mostrado eficazes.

• Se a pele estiver intacta, o sabão e as loções antisséticas para lavar o corpo e o cabelo são
recomendadas como um método eficaz para combater a colonização da pele com MRSA.

• Para evitar a recolonização, recomenda-se que, durante o tratamento de erradicação,


a roupa da cama, o vestuário e todos os artigos de higiene pessoal (por exemplo, luvas
de banho, toalhas) sejam mudados diariamente, em especial após as lavagens do corpo
com antisséticos. Objetos pessoais como os óculos, as máquinas de barbear e as escovas
de dentes devem ser mantidos no quarto do doente e desinfetados ou substituídos.

• As pessoas que estão em contacto próximo com o trabalhador afetado (parceiro,


membros da família) devem ser examinadas e, quando indicado, devem tomar-se
medidas para erradicar as bactérias.

• Devem realizar-se testes de controlo durante um período de, pelo menos, seis meses
para verificar se o tratamento foi bem sucedido (por exemplo, ao fim de três dias, de
uma semana e de um, três e seis meses).

• Os resultados devem ser documentados (genotipagem).

A descontaminação com creme nasal à base de mupirocina e colutórios antisséticos


não deve prolongar-se por mais de cinco a sete dias e também pode considerar-se a
utilização de gel antissético para lavar o corpo. Se noutros locais (outro hospital, clínica

97
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

ou lar) tiverem sido utilizados métodos de erradicação adequados e estes não tiverem
surtido efeito, geralmente não vale a pena fazer novas tentativas. O MRSA tende a
reaparecer em pessoas como os doentes/residentes de lares com lesões cutâneas cró-
nicas colonizadas ou os doentes sujeitos a terapias invasivas prolongadas.

A colonização em pessoas hospitalizadas (infeções nosocomiais) é atribuída à pres-


crição arbitrária de antibióticos de largo espetro, sendo responsável por uma colo-
nização rápida e assintomática das pessoas que contactam com os doentes. O MRSA
possui as mesmas propriedades biológicas que o staphylococcus aureus.

Redução do risco para os trabalhadores

Todas as medidas que podem ser tomadas para evitar a colonização ou infeções por
MRSA nos doentes também reduzem o risco de colonização ou de infeção dos tra-
balhadores da saúde. Por conseguinte, é necessário proceder a uma monitorização
rigorosa das infeções relativamente ao MRSA.

4. Gripe sazonal

A gripe é uma doença viral altamente contagiosa, que normalmente se apresenta sob a
forma epidémica durante os meses frios. Trata-se de uma infeção respiratória que pode
incluir sintomas como febre, tosse, dores e debilidade. Os surtos anuais de gripe devem-
-se a pequenas alterações do vírus, que lhe permitem escapar à imunidade desenvolvida
pelos seres humanos após infeções anteriores ou em resposta a vacinas. Anualmente,
são afetados cerca de 100 milhões de pessoas na Europa, Japão e Estados Unidos.

Possibilidades de prevenção

A transmissão tem lugar através de uma infeção por gotículas, pelo que se devem
tomar todas as medidas de proteção que podem prevenir a transmissão (ver infeção
por via aerógena/por gotículas, p. 80).

A imunização também é eficaz e deve ser realizada anualmente porque o inventário gené-
tico dos vírus da gripe está constantemente a mudar. Um estudo demonstrou que os tra-
balhadores da saúde não estão expostos a um maior risco de contrair a infeção quando a
gripe está moderadamente ativa, mas não se sabe se isto é aplicável caso a gripe se torne
muito ativa e tenha de ser admitido um grande número de doentes infetados nos hospitais.

O risco de gripe sazonal para os trabalhadores do setor hospitalar é determinado pela


exposição no meio familiar e não pela exposição profissional, segundo os resultados de um
estudo de coorte prospetivo realizado em Berlim, Alemanha (Williams, C. J., B. Schweiger,
G. Diner, F. Gerlach, F. Haamann, G. Krause, A. Nienhaus e U. Buchholz; em revisão).

Verifica-se uma pandemia de gripe quando o vírus da gripe sofre uma mudança radi-
cal. No último século, houve três pandemias, pois essa mudança é tão radical que os
seres humanos afetados não têm imunidade contra o novo vírus. Com a maior mobi-
lidade das pessoas e os grandes aglomerados urbanos, é provável que as epidemias
causadas pelo surgimento de um novo vírus da gripe se propaguem rapidamente por
todo o mundo e acabem por gerar uma pandemia, sendo, por isso, importante que nos
preparemos para essa eventualidade. A experiência recente com a gripe suína mostra
como a nova forma do vírus A H1N1 conseguiu propagar-se a nível internacional.

98
3 RISCOS BIOLÓGICOS

Planos de emergência para a gestão de pandemias

Introdução

Uma pandemia de gripe pode sobrecarregar rapidamente os serviços de saúde,


levando-os a um ponto de rutura e, para evitar o colapso da prestação de serviços
médicos devido à propagação de agentes patogénicos excecionalmente infeciosos,
é essencial que exista um plano de emergência.

O princípio básico de um plano médico de emergência contra as pandemias consiste


em prestar e manter os doentes de gripe em tratamento ambulatório pelo período
mais longo possível, internando apenas os casos mais graves, e dar alta hospitalar aos
doentes, para que voltem aos cuidados ambulatórios, também o mais rapidamente
possível. Os casos que não possam ser tratados em regime ambulatório devem ser
encaminhados para hospitais designados a nível local e equipados para cuidar de
doentes com complicações que ponham a sua vida em perigo. Contudo, os hospi-
tais e consultórios que não estejam à partida afetados por esse plano de emergência
também devem rever o seu estado de preparação, durante a fase interpandémica, e
elaborar planos para preparar a sua instituição e cada um dos seus serviços ou depar-
tamentos para uma pandemia. É essencial adotar os planos de emergência antes que
a pandemia surja, para evitar desperdícios de tempo desnecessários, que ponham em
risco a segurança e a saúde do pessoal e dos doentes e aumentem o absentismo dos
trabalhadores, o qual impossibilitaria, por sua vez, um planeamento eficaz. Sem um
planeamento prévio, também seria praticamente impossível obter os recursos adicio-
nais necessários para aplicar a proteção e a profilaxia médica.

Um plano de emergência contra pandemias deve determinar questões como a res-


ponsabilidade e as principais tarefas, o isolamento físico e/ou o transporte ou o tra-
tamento separados dos doentes infetados (ou seja, quarentena), a comunicação e a
informação a nível interno e externos, as medidas de higiene, de diagnóstico e tera-
pêuticas adicionais, as precauções de segurança e saúde no trabalho, o armazena-
mento interpandémico de materiais e equipamentos, e a informação dos doentes.

Pandemia de gripe

Uma pandemia de gripe ocorre quando surge um novo vírus de gripe (um subtipo do
vírus da gripe A), contra o qual a população humana não possua imunidade proporcio-
nada por epidemias anteriores ou pela vacinação e que cause uma epidemia mundial
com elevadas taxas de mortalidade.

Segundo a OMS, o risco de pandemia de gripe a nível mundial é hoje maior do


que nunca.

Planos de gestão de pandemias

Desde 1999 que a OMS vem tentando convencer os governos a participarem no seu
plano de preparação a nível mundial, que define as seis fases de uma pandemia:

• Fase 1 e 2 (período interpandémico)


Não foram detetados novos subtipos do vírus da gripe em seres humanos.

• Fases 3 e 4 (período de alerta de pandemia)


Isolamento de um novo subtipo de gripe em seres humanos (3).
Existência de um pequeno agregado infecioso, mas a propagação está muito loca-
lizada (4).

• Fase 5 (período de alerta de pandemia)


Há agregados maiores de transmissão localizada entre seres humanos.

99
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• Fase 6 (pandemia)
Transmissão acrescida e sustentada na população em geral.
São prescritas medidas específicas em relação a cada fase, as quais devem ser apli-
cadas conforme for adequado.

Exemplo de um plano de emergência hospitalar

Em cada departamento e unidade hospitalar deve ser elaborado e acordado um plano


de preparação contra pandemias, de modo a formar um plano coordenado. Por exem-
plo, devem adotar-se disposições organizativas para isolar os doentes de gripe dos
outros doentes à entrada, nas ambulâncias, nas salas e instalações de tratamento, nas
enfermarias e na unidade de cuidados intensivos, e orientações para determinar se e
de que forma se realiza uma cirurgia programada.

Um plano hospitalar contra pandemias a nível interno deve incluir as medidas seguintes:

• criação de uma equipa de gestão das crises em caso de pandemia, incluindo a


nomeação dos respetivos membros;

• atribuição de responsabilidades pelos planos de emergência e pela aplicação das


medidas em caso de pandemia;

• elaboração de um plano que determine a afetação de zonas/salas e/ou um calendá-


rio para a utilização das infraestruturas (por exemplo, se ou quando um bloco ope-
ratório pode ser utilizado para doentes com gripe, ou, pelo contrário, para doentes
não afetados pela gripe);

• um plano de emergência em matéria de higiene a respeitar durante uma pandemia;

• indicação das medidas de precaução, para os trabalhadores e os doentes;

• elaboração de um plano de comunicação (interno e externo);

• elaboração de um plano de aquisições (assegurando a existência de suficientes equi-


pamentos de proteção individual para o pessoal, desinfetantes e materiais de desin-
feção, máscaras faciais para os doentes e o pessoal, medicamentos profiláticos);

• um plano de diagnóstico e terapêutico;

  27 Devem ser disponibi- • orientações sobre o ensino e a formação


lizados equipamentos
de proteção individu- do pessoal, incluindo documentação;
al adequados em caso
de pandemia • compilação e preparação de informações
suficientes para os doentes;

• revisão e monitorização regulares do


plano de gestão de pandemias.

Uma vez que a fase interpandémica pode


durar vários anos, recomenda-se que a for-
mação e instrução anual do pessoal inclua
uma análise da situação existente (fase ou
período) e da pertinência/adequação do
plano pandémico. É claro que a instrução e
a informação do pessoal de saúde devem
refletir esse período ou fase.

100
3 RISCOS BIOLÓGICOS

3.4. Gravidez

Proteção das trabalhadoras grávidas (Diretiva 92/85/CEE) (21)

As mulheres grávidas que trabalham nos setores da saúde e da proteção social estão expostas
a um risco de infeção superior à média, que pode ter efeitos graves ou mesmo crónicos na
saúde do feto, para não falar das consequências potencialmente prejudiciais das medidas
terapêuticas eventualmente necessárias. É uma prática corrente evitar-se que as trabalhado-
ras grávidas tenham contacto com doentes febris, nos casos em que a causa desse sintoma
não tenha sido determinada por um diagnóstico claro, o mesmo acontecendo com os doen-
tes que sofrem de diarreia. Se o doente tiver uma infeção diagnosticada, deve decidir-se caso
a caso se o contacto é perigoso ou admissível, atendendo à natureza da infeção, ao seu modo
de transmissão e à imunidade e ao estado de saúde geral da trabalhadora grávida.

A legislação da União Europeia, obriga as entidades patronais a avaliarem a segurança no


local de trabalho no que respeita aos potenciais riscos para as trabalhadoras grávidas ou
lactantes e a adotarem as medidas de precaução adequadas para garantir que a vida e a
saúde da mãe e da criança não são ameaçadas por riscos profissionais.

O empregador tem as seguintes obrigações:

• Avaliação do local de trabalho em termos dos potenciais riscos para a segurança e


a saúde das trabalhadores grávidas e das trabalhadoras que estejam a amamentar
(ver artigo 4.º da Diretiva 92/85/CEE, bem como o anexo 1).

No que respeita aos riscos biológicos, o empregador deve avaliar a natureza, o grau e a
duração da exposição para toda e qualquer atividade que envolva agentes biológicos
dos grupos de risco 2, 3 e 4, na aceção do artigo 2.º, n.os 2, 3 e 4, da Diretiva 2000/54/
/CE, na medida em que saiba que estes agentes ou as medidas terapêuticas por eles
exigidas põem em perigo a saúde das mulheres grávidas e do nascituro e se ainda não
constarem do anexo II (ver infra).

Se os resultados da avaliação revelarem riscos, o empregador tomará as medidas


necessárias para evitar a exposição dessa trabalhadora àqueles riscos, adaptando tem-
porariamente as condições de trabalho e/ou o horário de trabalho da trabalhadora
em questão. Com base na análise dos riscos no local de trabalho, o empregador pode
elaborar uma lista das funções e atividades que as trabalhadoras grávidas podem reali-
zar sem risco (por exemplo, trabalho administrativo). Uma lista dessas atividades pode
ajudar a reduzir ou a eliminar os riscos profissionais para as trabalhadoras grávidas.

Se a adaptação das condições de trabalho e/ou do horário de trabalho não for técnica
e/ou objetivamente possível ou não constituir uma exigência aceitável, por razões
devidamente justificadas, o empregador tomará as medidas necessárias para garantir
uma mudança de posto de trabalho à trabalhadora em causa. (21) Diretiva 92/85/CEE
do Conselho,
de 19 de outubro
Caso a mudança de posto de trabalho não seja técnica e/ou objetivamente possível ou de 1992, relativa à
não constitua uma exigência aceitável, por razões devidamente justificadas, a traba- implementação de
lhadora em questão será dispensada do trabalho durante todo o período necessário à medidas destinadas a
promover a melhoria da
proteção da sua segurança ou saúde, em conformidade com as legislações e/ou práti- segurança e da saúde
cas nacionais (ver artigo 5.º da Diretiva 92/85/CEE). das trabalhadoras
grávidas, puérperas ou
lactantes no trabalho
Está proibida a exposição aos seguintes agentes biológicos: (décima diretiva
especial na acepção do
• toxoplasma, n.º 1 do artigo 16.º da
Diretiva 89/391/CEE)
(JO L 348 de 28.11.1992,
• vírus da rubéola, p. 1 a 8).

101
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

salvo se existirem provas de que a trabalhadora grávida, pelo seu estado imunitário,
se encontra suficientemente protegida contra esses agentes (ver artigo 6.º e anexo II
A da Diretiva 92/85/CEE).

Em alguns países, como a Dinamarca e a Finlândia, a exposição ao parvovírus e ao vírus


da varicela está igualmente proibida.

As mulheres grávidas que trabalham no setor da saúde estão sujeitas às seguintes res-
trições das práticas laborais, que devem ser estritamente respeitadas:

• ausência de contacto direto com materiais potencialmente infeciosos;

• interdição da manipulação de instrumentos que possam causar ferimentos por


corte, picada de agulhas ou perfuração, sobretudo se houver alguma probabilidade
de contacto com fluidos corporais em virtude de equipamento de proteção indivi-
dual (por exemplo, luvas de proteção) não proporcionar uma proteção suficiente.

As trabalhadoras grávidas não devem, por conseguinte:

• colher amostras de sangue;

• dar injeções (incluindo injeções intramusculares e subcutâneas);

• participar na eliminação de instrumentos de corte, injeção ou perfuração contaminados;

• tratar ou fazer pensos em feridas infetadas;

• fazer a barba aos doentes com lâminas de barbear;

• contactar com doentes comprovadamente infetocontagiosos;

• trabalhar em laboratórios médicos, se esse trabalho envolver contactos com fluidos


corporais, tecidos ou secreções/excreções infeciosos.

Em geral: As trabalhadoras grávidas não podem executar tarefas que um médico


ateste constituírem um risco para a saúde ou a vida da mãe ou da criança.

3.5. Diretivas da União Europeia aplicáveis


Diretiva 2000/54/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 18 de setembro de
2000, relativa à proteção dos trabalhadores contra riscos ligados à exposição a agentes
biológicos durante o trabalho (sétima diretiva especial nos termos do n.° 1 do artigo
16.° da Diretiva 89/391/CEE) (22)

Diretiva 2010/32/UE do Conselho, de 10 de maio de 2010, que executa o acordo-qua-


dro relativo à prevenção de ferimentos provocados por objetos cortantes nos setores
hospitalar e da saúde celebrado pela HOSPEEM e pela EPSU (23)

Diretiva 92/85/CEE do Conselho, de 19 de outubro de 1992, relativa à implementação


de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde das trabalha-
doras grávidas, puérperas ou lactantes no trabalho (décima diretiva especial na aceção
do n.º 1 do artigo 16.º da Diretiva 89/391/CEE) (24)

(22) JO L 262 de 17.10.2000, Outros instrumentos da União Europeia:


p. 21
(23) JO L 134 de 1.6. 2010, Diálogo social europeu: acordo-quadro relativo à prevenção de ferimentos provocados
p. 66
(24) JO L 348 de 28.11.1992, por objetos cortantes nos setores hospitalar e da saúde, de 17 de julho de 2009 (http://
p. 1 a 8. ec.europa.eu/social/main.jsp?langId=en&catId=89&newsId=558&furtherNews=yes).

102
3 RISCOS BIOLÓGICOS

3.6. Ligações

N.° Título País/região Conteúdo/Fonte

1 Nosocomial infec- Países Baixos Uma empresa dos Países Baixos que se dedica à conceção, ao desenvolvi-
tions, a worldwide mento, ao fabrico e à comercialização de tecnologias de desinfeção respeita-
problem doras do ambiente.
www.infectioncontrol.eu

2 Health in Europe: A UE Infeções associadas aos cuidados de saúde e resistência antimicrobiana. As


strategic approach infeções associadas aos cuidados de saúde, ou infeções nosocomiais, que
afetam um número excessivo de doentes internados em estabelecimentos de
cuidados agudos e continuados ou em lares, constituem uma enorme causa
de morbilidade e um pesado encargo financeiro com a saúde e a deficiência.
Cada vez há menos terapias eficazes para estas infeções devido à acumulação
de bactérias multirresistentes nos ambientes de prestação de cuidados de
saúde e ao seu rápido surgimento entre a população em geral.
http://ec.europa.eu/health/ph_overview/strategy/docs/R-077.pdf

3 Infection Control Reino Unido Controlo de infeções para reduzir o risco de infeção relacionado com os
at the Hillingdon cuidados de saúde através da adoção de estratégias de prevenção e gestão
Hospital (Londres) bem fundamentadas.
http://www.thh.nhs.uk/Departments/Infection_Control/infection_control.htm

4 Sítio web do Centro UE O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (CEPCD) foi criado
Europeu de Pre- em 2005, como uma agência da União Europeia destinada a reforçar as
venção e Controlo defesas da Europa contra as doenças infetocontagiosas. Está sedeado em
das Doenças Estocolmo, Suécia.
www.ecdc.europa.eu

5 Annual epidemio- UE Relatório epidemiológico anual sobre as doenças transmissíveis na Europa,


logical report on 2008.
communicable http://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/0812_SUR_Annual_Epi-
diseases in Europe, demiological_Report_2008.pdf
2008

6 IPSE work UE A rede IPSE (Improving Patient Safety in Europe) tem por objetivo solucionar
packages as diferenças que subsistem na Europa no que respeita às várias práticas e
resultados da prevenção das infeções nosocomiais e da resistência aos anti-
bióticos. Esta informação contém uma revisão dos pacotes de trabalho (WP)
da IPSE:
WP-1: formação europeia para médicos e enfermeiros de controlo de infeções
em associação com o Grupo de Estudo sobre Infeções Hospitalares (ESCMID);
WP-2: normas e indicadores da UE para a vigilância da saúde pública e orien-
tações técnicas para o controlo das infeções e da resistência antimicrobiana
(RAM);
WP-3: alerta de ocorrências e intercâmbio rápido de informações sobre as
infeções nosocomiais e a RAM;
WP-4: apoio técnico para manter e alargar a vigilância da rede HELICS sobre
as infeções nosocomiais e o controlo das mesmas e da RAM;
WP-5: melhoria da vigilância e do controlo da resistência aos antibióticos nas
unidades de cuidados intensivos;
WP-6: fornecimento de instrumentos complementares para o estudo e o
controlo da RAM nas unidades de cuidados intensivos;
WP-7: estudo de viabilidade da vigilância de infeções nosocomiais nas casas
de saúde dos Estados‑Membros da União Europeia.
http://helics.univ-lyon1.fr/index.htm

7 Action plan to fight UE Plano-quadro de ação contra a tuberculose na União Europeia.


tuberculosis http://ecdc.europa.eu/pt/publications/Publications/0803_SPR_TB_Action_
plan.pdf

103
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

8 Inaktivierung und Alemanha Inativação e remoção de priões na preparação de medicamentos.


Entfernung von http://www.rki.de/cln_091/nn_200238/DE/Content/Infekt/Krankenhaushigiene/
Prionen bei der Erreger_ausgewaehlt/CJK/CJK_pdf_04,templateId=raw,property=
Aufbereitung von publication File.pdf/CJK_pdf_04.pdf
Medizinprodukten

9 Antibiotic resis- Alemanha A vigilância da resistência aos antibióticos na Alemanha, que prevê a criação
tance de um sistema de vigilância representativo a nível nacional, abrangendo
tanto o setor de tratamento em regime de internamento como o de trata-
mento ambulatório.
http://www.rki.de/cln_091/nn_206122/DE/Home/homepage_node.html?_
nnn=true

10 Tuberculosis infec- OMS O controlo da infeção da tuberculose na era da expansão dos cuidados e do
tion control tratamento do VIH — Adenda às orientações da OMS para a prevenção da
tuberculose nas unidades de saúde em contextos com recursos limitados.
http://www.who.int/tb/publications/2006/tbhiv_infectioncontrol_
addendum.pdf

11 SARI Irlanda SARI — Uma estratégia de controlo da resistência antimicrobiana na Irlanda.


Relatório do Subgrupo do Scientific Advisory Committee do National Disease
Surveillance Centre
http://www.hpsc.ie/hpsc/A-Z/MicrobiologyAntimicrobialResistance/
StrategyforthecontrolofAntimicrobialResistanceinIrelandSARI/
KeyDocuments/File,1070,en.pdf

12 Exposure of Estados Medidas preventivas contra a exposição dos trabalhadores a infeções noso-
employees to com- Unidos comiais ou existentes na comunidade, designadamente ao Staphylococcus
municable diseases aureus resistente à meticilina (MRSA).
http://www.osha.gov/SLTC/etools/hospital/hazards/infection/infection.html

13 Interim guidance Estados Orientações provisórias sobre o planeamento da utilização de máscaras


on planning for Unidos cirúrgicas e respiratórias em contextos de prestação de cuidados de saúde
the use of surgical durante uma pandemia de gripe.
masks and respira- http://pandemicflu.gov/professional/hospital/
tors in healthcare
settings during an
influenza pandemic

14 Use of blunt-tip Estados Este boletim tem o objetivo de (1) descrever o perigo de ferimentos percu-
suture needles to Unidos tâneos que as agulhas de sutura de bico afiado representam para o pessoal
decrease percuta- cirúrgico; (2) apresentar provas da eficácia das agulhas de ponta romba na
neous injuries to diminuição desses ferimentos, sobretudo quando utilizadas para suturar
surgical person- músculos e fáscias e (3) realçar a exigência da Agência Europeia para a Segu-
nel: Health and rança e a Saúde no Trabalho e a recomendação do NIOSH sobre a utilização
safety information de dispositivos médicos mais seguros — neste caso, agulhas de sutura de
bulletin ponta romba — sempre que seja clinicamente adequado.
http://www.cdc.gov/niosh/docs/2008-101/default.html

15 Empfehlungen Alemanha Recomendações alemãs sobre os procedimentos gerais de imunização


der Standigen http://www.rki.de/cln_091/nn_199596/DE/Content/Infekt/Impfen/STIKO/
Impfkommission stiko_node.html?_nnn=true
(STIKO) am Robert
och-Institut

16 Multidrugresistant Estados Informação da Administração de Segurança e Saúde no Trabalho sobre os


organisms Unidos organismos multirresistentes MRSA. Este auxiliar eletrónico (eTool) fornece
MRSA informações para ajudar a travar a propagação do MRSA entre os trabalhado-
res da saúde e de outras indústrias.
http://www.osha.gov/SLTC/etools/hospital/hazards/mro/mrsa/mrsa.html

17 Liste der sicheren Alemanha Lista de produtos seguros, Alemanha.


Produkte http://www.bgw-online.de/internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/Medientypen/
bgw_20themen/M612-613-Li-Liste-sichere-Produkte,property=pdfDownload.pdf

104
3 RISCOS BIOLÓGICOS

18 E-fact 40 — Ava- EU-OSHA A saúde dos trabalhadores, em especial dos setores da saúde e da proteção
liação de riscos (Agência social, corre riscos decorrentes da exposição, no local de trabalho, a agentes
e ferimentos por Europeia para patogénicos transmitidos pelo sangue, frequentemente através de um feri-
picada de agulha a Segurança mento. Este e-fact fornece informações sobre os riscos e perigos relacionados
e a Saúde no com os ferimentos por picada de agulha e sobre a avaliação desses riscos.
Trabalho) http://osha.europa.eu/pt/publications/e-facts/efact40

19 E-fact 41 — Clea- EU-OSHA A Agência tem vindo a produzir uma série de fichas técnicas centradas na
ners and dange- (Agência comunicação de informações de segurança e saúde no trabalho relativas às
rous substances Europeia para substâncias perigosas, incluindo agentes biológicos.
a Segurança http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact41
e a Saúde no
Trabalho)

20 Report — EU-OSHA Os agentes biológicos estão por toda a parte e, em muitos locais de trabalho,
Expert forecast on (Agência os trabalhadores enfrentam riscos biológicos muito perigosos. A estratégia
Emerging Biolo- Europeia para comunitária para 2002-2006 exortava a Agência a criar um «observatório dos
gical Risks related a Segurança riscos» para antecipar «riscos novos e emergentes». Este relatório apresenta
to Occupational e a Saúde no os resultados da previsão dos riscos biológicos emergentes para a segurança
Safety and Health Trabalho) e a saúde no trabalho, a segunda previsão de riscos emergentes realizada
neste contexto.
http://osha.europa.eu/en/publications/reports/7606488

21 FrameworkA- Diálogo social Os empregadores e os sindicatos do setor da saúde assinaram, em 17 de


greement on da UE julho de 2009, um acordo a nível da União Europeia destinado a prevenir os
prevention from ferimentos causados por seringas e outros objetos cortantes. O acordo visa
sharp injuries in criar um ambiente de trabalho o mais seguro possível para os trabalhadores
the hospital and do setor e proteger os trabalhadores em risco, evitar os ferimentos causados
healthcare por todo o tipo de material médico cortante e perfurante, incluindo seringas,
e criar uma abordagem integrada em matéria de avaliação e prevenção dos
riscos, bem como de formação e informação dos trabalhadores.
http://ec.europa.eu/social/main.jsp?langId=en&catId=89&newsId=
558&furtherNews=yes

3.7. Bibliografia
Baka, A., H. R. Brodt, P. Brouqui, P. Follin, I. E. Gjørup, R. Gottschalk, M. M. Hannan, R.
Hemmer, I. M. Hoepelman, B. Jarhall, K. Kutsar, H. C. Maltezou, M. C. Marti, K. Ott, R.
Peleman, C. Perronne, G. Sheehan, H. Siikamäki, P. Skinhoj, A. Trilla, N. Vetter, P. Bossi,
W. Powderly e K. Mansinho, «Framework for the design and operation of high-level
isolation units: consensus of the European Network of Infectious Diseases», The Lancet
Infectious Diseases, 9(1), Janeiro de 2009, p. 45 a 56.

Bronzwaer, S. L., O. Cars and U. Buchholz, «A European Study on the relationship


between antimicrobial use and antimicrobial resistance», Emerging Infectious Diseases,
8, 2002, p. 278 a 282.

Recomendação do Conselho, de 15 de novembro de 2001, relativa à utilização pru-


dente de agentes antimicrobianos na medicina humana (2002/77/CE), JO L 34 de
5.2.2002 p. 13 a 16.

Comissão Europeia, Comunicação relativa a uma estratégia de luta contra a resistência


antimicrobiana; COM(2001) 333 final, volume I.

Fock, R., H. Bergmann, H. Busmann, G. Fell, E.-J. Finke, U. Koch, M. Niedrig, M.


Peters, D. Scholz e A. Wirtz, «Management und Kontrolle einer Influenzapandemie.
Bundesgesundheitsblatt», Gesundheitsforschung — Gesundheitsschutz, 10, 2001,
p. 969 a 980.

105
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Furlow, B., «Preventing drug-resistant infections in healthcare», Radiologic Technology,


80(3), janeiro-fevereiro 2009, p. 217 a 237.

Gill, G. e N. Beeching, Lecture notes on tropical medicine, Wiley & Sons, 2009.

Influenzapandemieplan des Landes Hamburg, Alemanha. 2006


(http://www.hpg-ev.de/download/Influenzapandemieplan.pdf ).

Perrella, A., S. Grattacaso, A. d’Antonio, L. Atripaldi, C. Sbreglia, M. Gnarini, P. Conti, J.


Vecchiet e O. Perrella, «Evidence of hepatitis C virus-specific interferon gammapositive
T cells in healthcare workers in an infectious disease department», American Journal of
Infection Control, 37(5), 2009, p. 426 a 429.

Rethwilm, A., «Vogelgrippe und Gripe-Variabilität», Higiene & Medizin, 31, 2006, p. 530
a 533.

Robert Koch Institute, «Higiene Requirements in terms of construction, functional


design and apparatus for endoscopia units, Recomendações of the Commission for
hospital hygiene and infection prevention at the Robert Koch Institute», Federal Health
Gazette, 45, 2002, p. 412 a 414.

Robert Koch Institute, «Expertengruppe Gripe-Pandemieplanung: Nationaler


Pandemieplan Teil I Gemeinsame Empfehlungen des Bundes und der Länder», 2004
( h t t p : / / w w w. r k i . d e / c l n _ 1 6 0 / n n _ 2 2 3 8 7 6 / D E / C o n t e n t / I n f A Z / I / G r i p e /
influenzapandemieplan_I,templateId=raw,proper ty=publicationFile.pdf/
influenzapandemieplan_I.pdf ).

Robert Koch Institute, «Expertengruppe Gripe-Pandemieplanung: Nationaler


Pandemieplan Teil II Analysen und Konzepte für Deutschland», 2005
( h t t p : / / w w w. r k i . d e / c l n _ 1 6 0 / n n _ 2 2 3 8 7 6 / D E / C o n t e n t / I n f A Z / I / G r i p e /
influenzapandemieplan_II,templateId=raw,property=publicationFile.pdf/
influenzapandemieplan_II.pdf ).

Robert Koch Institute, Expertengruppe Gripe-Pandemieplanung:


Nationaler Pandemieplan Teil III Aktionsplan von Bund und Ländern, 2005
( h t t p : / / w w w. r k i . d e / c l n _ 1 6 0 / n n _ 2 2 3 8 7 6 / D E / C o n t e n t / I n f A Z / I / G r i p e /
influenzapandemieplan_III,templateId=raw,property=publicationFile.pdf/
influenzapandemieplan_III.pdf).

Robert Koch Institute. Anhang zum Nationalen Influenzapandemieplan, 2007


( h t t p : / / w w w. r k i . d e / c l n _ 1 6 0 / n n _ 2 2 3 8 7 6 / D E / C o n t e n t / I n f A Z / I / G r i p e /
Influenzapandemieplan_Anhang,templateId=raw,property=publicationFile.pdf/
Influenzapandemieplan_Anhang.pdf ).

Wallace, P. e G. Pasvol, Atlas of tropical medicine and parasitology, Elsevier Mosby,


St Louis MO, 2006.

Organização Mundial de Saúde (OMS), «Tuberculosis Factsheet No 104 — Global and


regional incidence», março de 2006 (http://www.who.int/mediacentre/factsheets/
fs104/en/).

106
4
Riscos músculo-
-esqueléticos
4.1. Riscos de desenvolvimento de lesões músculo-esqueléticas
4.1.1. Introdução
4.1.2. Natureza do risco
4.1.3. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica para a prevenção de lesões músculo‑
-esqueléticas
4.1.4. Situações laborais com maior exposição
4.1.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança
4.1.6. Medidas de prevenção e proteção
4.1.7. Comportamento em situações críticas: recomendações para os trabalhadores
4.1.8. Principais mensagens e conclusões
4.1.9. Diretivas da União Europeia aplicáveis
4.1.10. Descrição de boas práticas empresariais
4.1.10.1. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas no St.Elisabeth Hospital de Tilburg, Países Baixos
4.1.10.2. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas no Berufsgenossenschaftliches Unfallkrankenhaus Hamburg (BUKH), República
Federal da Alemanha
4.1.10.3. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas nos Serviços Sociais da Derby City Council, Grã-Bretanha
4.1.11. Ligações
4.1.12. Bibliografia

4.2. Prevenção de acidentes causados por escorregões, tropeções e quedas


4.2.1. Introdução
4.2.2. Natureza do risco
4.2.3. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos específica para a prevenção de acidentes causados por
escorregões, tropeções e quedas
4.2.4. Situação laboral com maior exposição
4.2.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança
4.2.6. Medidas de prevenção e proteção
4.2.7. Equipamentos de proteção individual
4.2.8. Comportamento em situações críticas: recomendações para os trabalhadores
4.2.9. Principais mensagens e conclusões
4.2.10. Diretivas da União Europeia aplicáveis
4.2.11. Ligações
4.2.12. Bibliografia
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.1. Riscos de desenvolvimento


de lesões músculo-esqueléticas
4.1.1. Introdução
As lesões músculo-esqueléticas (LME) são o problema de saúde de origem profis-
sional mais comum na Europa, afetando milhões de trabalhadores. As LME sus-
citam preocupação não só devido aos efeitos sobre a saúde do trabalhador em
causa, mas também devido ao impacto económico na empresa, bem como aos
custos sociais para os países europeus. Em alguns deles, as LME são responsáveis
por 40% dos custos das compensações pagas aos trabalhadores e chegam a atingir
1,6% do produto interno bruto (PIB) do próprio país (25). As LME reduzem a rendibi-
lidade das empresas e contribuem para os custos sociais suportados pelo Estado.

O setor da saúde é um dos maiores da Europa. Aproximadamente 10% dos trabalha-


dores da União Europeia trabalham no setor da saúde e da proteção social, boa parte
deles em hospitais (26). O Health and Safety Executive do Reino Unido (HSE) refere que
um em cada quatro enfermeiros já teve de se ausentar por doença devido a uma lesão
dorso-lombar sofrida no trabalho  (27) e também que são anualmente comunicadas
mais de 5 000 lesões causadas por movimentação manual de cargas nos serviços de
saúde. Cerca de metade destas lesões ocorre durante a movimentação dos doentes,
que é uma das suas causas principais, mas não a única. O pessoal auxiliar também
pode sofrer lesões relacionadas com a movimentação manual de cargas. As tensões e
os esforços resultantes de posições incómodas ou estáticas durante o tratamento dos
doentes também podem originar problemas (28). Alguns trabalhadores podem ter de
(25) Agência Europeia para a adotar e manter posições incómodas no exercício das suas funções, como é o caso dos
Segurança e a Saúde no operadores de ultrassons e o pessoal dos blocos operatórios.
Trabalho, «Work-related
musculoskeletal: Pre-
vention report», Serviço
das Publicações Oficiais O quarto inquérito europeu sobre as condições de trabalho (2005) concluiu que no
das Comunidades setor da saúde (29):
Europeias, Luxemburgo,
2008.
• as mulheres constituem a maioria dos trabalhadores (79%);
(26) OSHA, «E-fact 18: Risk
assessment in healthcare».
• as exigências diretas de outras pessoas determinam o ritmo de trabalho (80%);
(27) HSE, Musculoskeletal
disorders in health and • 61,8% trabalham a um ritmo muito acelerado;
social care.

(28) HSE, Musculoskeletal • 48,7% referem ter de trabalhar em posições penosas ou fatigantes;
disorders in health and
social care.
• 43,4% têm de levantar ou mobilizar doentes;
(29) Fundação Europeia
para a Melhoria das • 27,7% têm de transportar ou movimentar cargas pesadas;
Condições de Vida e de
Trabalho, quarto inqué-
rito europeu sobre as • quase 80% afirmam trabalhar de pé ou em andamento;
condições de trabalho,
Serviço das Publicações
Oficiais das Comu- • 26,3% queixam-se de lombalgias;
nidades Europeias,
Luxemburgo, 2005. • 24,3% queixam-se de dores musculares.
( ) Fundação Europeia
30

para a Melhoria das


Condições de Vida e de Comparando as diferenças entre trabalhadores, as entrevistas realizadas pela Agência
Trabalho, quarto inqué-
rito europeu sobre as Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA) mostraram que (30):
condições de trabalho, • os trabalhadores qualificados e os não qualificados estão igualmente em risco;
Serviço das Publicações
Oficiais das Comu-
nidades Europeias,
• as mulheres correm mais riscos de sofrer lesões nos membros superiores do que os
Luxemburgo, 2005. homens;

108
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

• os trabalhadores mais velhos queixam-se mais frequentemente de lesões (31) Ver secção 4.1.9. «Dire-
tivas da União Europeia
músculo-esqueléticas. aplicáveis», p. 137.

O desafio dos problemas de saúde relacionados com o trabalho, incluindo LME, foi (32) Fundação Europeia
para a Melhoria das
reconhecido e tratado a nível europeu através da adoção de várias diretivas, estraté- Condições de Vida e de
gias e políticas do Conselho (31), bem como da criação de organismos específicos da Trabalho, «Musculoske-
União Europeia, como a EU-OSHA, para apoiar as atividades de segurança e saúde no letal disorders and
organisational change:
trabalho em toda a Europa. Por exemplo, o Observatório Europeu das Condições de Conference report»,
Trabalho da Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, Lisboa, 11 e 12 de
em cooperação com a presidência portuguesa da União Europeia, organizou uma outubro, 2007.

conferência em Lisboa sobre as lesões músculo-esqueléticas e as mudanças organi- (33) Fundação Europeia
zativas em outubro de 2007, tendo sido concluído que não existem soluções igual- para a Melhoria das
mente boas para todos, mas que é necessário procurar encontrar soluções que a todos Condições de Vida e de
Trabalho, quarto inqué-
beneficiem (32). rito europeu sobre as
condições de trabalho,
Tendo em conta os resultados das duas fases da consulta dos parceiros sociais euro- Serviço das Publicações
Oficiais das Comu-
peus, realizada ao abrigo do artigo 154.º do Tratado sobre o Funcionamento da União nidades Europeias,
Europeia, e as conclusões do estudo preparatório sobre o impacto socioeconómico de Luxemburgo, 2005.
várias opções políticas possíveis, destinadas a melhorar a prevenção das LME relacio-
nadas com o trabalho a nível da União Europeia, a Comissão tenciona propor agora
uma nova iniciativa legislativa que aborde todos os fatores de riscos significativos para
as lesões músculo‑esqueléticas relacionadas com o trabalho e estabeleça os requisitos
mínimos de segurança e saúde para proteger os trabalhadores da exposição a esses
fatores de risco em todos os locais de trabalho.

4.1.2. Natureza do risco


Um risco pode ser originado por qualquer coisa (materiais e equipamentos de traba-
lho ou métodos e práticas de trabalho) que seja suscetível de causar danos. Os traba-
lhadores correm o risco de sofrer LME em praticamente todos os locais de trabalho e
no setor da saúde esse risco está relacionado com os seguintes aspetos do trabalho.

Entre os fatores técnicos figuram:

• a má conceção ergonómica do edifício;

• um ambiente de trabalho adverso (por exemplo, calor, frio, correntes de ar causadas


pelo ar condicionado);

• espaço insuficiente para as atividades, que pode levar à adoção de posições incómo-
das e a uma deslocação insegura de objetos;

• conceção ergonómica inadequada do local de trabalho, designadamente a sua


organização, altura e espaço livre;

• pavimento irregular, instável ou escorregadio, que pode aumentar o risco de acidentes.

Os fatores organizativos podem incluir:

• tarefas excessivamente exigentes, por exemplo, demasiado frequentes ou prolonga-


das, ou em que os trabalhadores estão demasiado tempo sem fazer pausas;

• rotação inadequada dos turnos (ver capítulo 5);

• pressão do tempo; 56% dos trabalhadores europeus sentem-se pressionados pelo


tempo (33);

109
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

(34) Diretiva 90/269/CEE • falta de equipamentos (por exemplo, ajudas mecânicas como elevadores, carrinhos
do Conselho, de 29 de
maio de 1990, relativa
ou camas elétricas) ou fornecimento de equipamentos inadequados;
às prescrições mínimas
de segurança e de • deficiente manutenção dos equipamentos;
saúde respeitantes à
movimentação manual
de cargas que compor- • falta de formação inicial e complementar;
tem riscos, nomeada-
mente dorso-lombares,
para os trabalhadores
• número insuficiente de trabalhadores para o trabalho a executar;
(quarta diretiva especial
na acepção do n.º 1 do • má conceção do fluxo de trabalho;
artigo 16°. da Diretiva
89/391/C), JO L 156,
21.6.1990, p. 9–13. • processos de informação deficientes;
(35) Agência Europeia para
a Segurança e a Saúde
• não disponibilização de equipamentos de proteção individual adequados, por
no Trabalho, «Factsheet exemplo calçado e luvas de trabalho.
73 — Perigos e riscos
associados à movimen-
tação manual de cargas
Os fatores devidos à tarefa em causa incluem:
no local de trabalho».
• a movimentação manual de cargas realizada por um ou mais trabalhadores, desig-
(36) Agência Europeia para nadamente elevar, sustentar, baixar, empurrar, puxar, transportar ou deslocar car-
a Segurança e a Saúde
no Trabalho), «Factsheet gas (34). A carga pode ser inanimada, como é o caso de uma caixa de roupa suja ou
73 — Perigos e riscos de uma mesa rolante, ou animada (uma pessoa ou um animal). Os critérios para ava-
associados à movimen- liar os riscos de uma movimentação manual de cargas que possa comportar riscos
tação manual de cargas
no local de trabalho». dorso-lombares estão claramente definidos no anexo I da Diretiva 90/269/CEE do
Conselho (35). O risco de LME aumenta se a carga for:

»» demasiado pesada: não existe exatamente um limite de peso que seja seguro (um
peso de 20 a 25 kg é pesado para a maioria das pessoas levantarem),

»» demasiado grande: se a carga for grande, não é possível seguir as regras básicas
de elevação e transporte (como manter a carga o mais próxima possível do corpo),
levando a que os músculos se cansem mais rapidamente,

»» difícil de agarrar: o que pode levar a que o objeto escorregue e cause um acidente; as
cargas com arestas cortantes ou materiais perigosos podem ferir os trabalhadores,

»» desequilibrada ou instável: carregando os músculos de forma desigual e causando


fadiga por o centro de gravidade do objeto ficar afastado da cintura do trabalhador,

»» difícil de alcançar: tentar agarrar a carga com os braços estendidos, ou mediante


uma flexão ou torção do tronco, exige maior força muscular,

»» de uma forma ou dimensão que tape a visão do trabalhador, aumentando, assim,


a possibilidade de este escorregar, tropeçar, cair ou chocar com algo;

• a movimentação manual dos doentes, que abrange todas as atividades em que o


peso ou parte do peso do doente seja levantado, empurrado, puxado, transferido ou
transportado. O risco de LME aumenta se o doente for (36):

»» demasiado pesado: não existe exatamente um limite de peso que seja seguro (um
peso de 20 a 25 kg é pesado para a maioria das pessoas levantarem; numa época
em que há cada vez mais doentes bariátricos, o peso desempenha um papel ainda
mais importante na avaliação dos riscos),

»» demasiado grande: se as dimensões dos doentes forem demasiado amplas (por


exemplo, doentes altos ou bariátricos), não é possível seguir as regras básicas para
levantar e transportar (como manter o doente o mais próximo do corpo possível)
e, por isso, os músculos cansam-se mais rapidamente,

110
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

»» difícil de alcançar, por não haver espaço suficiente ou devido às dimensões do


doente: tentar agarrá-lo com os braços estendidos, ou mediante uma flexão ou
torção do tronco, exige maior força muscular;

• posições ou movimentos penosos, como fletir e/ou torcer o corpo, manter os bra-
ços levantados, dobrar os pulsos, esticar excessivamente os braços ou fazer esforços
excessivos;

• atividades/movimentos repetitivos (pouco comuns no setor da saúde);

• permanência de pé durante longos períodos, por exemplo no bloco operatório


ou na cozinha, muitas vezes com o corpo inclinado para a frente ou noutra posição
incómoda;

• posição sentada durante o trabalho administrativo e de documentação, muitas


vezes conjugada com o trabalho com visores.

Entre os fatores de caráter pessoal mais relevantes figuram os seguintes:

• falta de experiência, formação ou familiaridade com a tarefa (37);

• comportamento individual: stresse, agitação, fadiga, distração, irresponsabilidade,


descuido ou hábitos suscetíveis de levar a uma conduta perigosa (por exemplo, a
não utilização de ajudas técnicas, a carga excessiva, o uso de vestuário, calçado ou
outros objetos pessoais inadequados);

• aptidão física para desempenhar a tarefa: na avaliação dos riscos deve considerar-se
se o trabalhador tem condições físicas para o trabalho em causa; o trabalhador pode
correr maiores riscos, se:

»» for fisicamente incapaz de desempenhar a tarefa em questão (devido às dimen-


sões e capacidade físicas, designadamente a altura, o peso ou a força),

»» tiver uma certa idade: o risco de LME é elevado para os trabalhadores muito jovens
e aumenta com a idade e o número de anos de trabalho,

»» já tiver antecedentes de LME: se o trabalhador tiver um problema de saúde (por


exemplo, uma lesão dorso-lombar) ou uma deficiência, a probabilidade de ficar
lesionado ainda é mais acentuada.

Nos fatores psicológicos e psicossociais incluem-se:

• as elevadas exigências profissionais, instruções e responsabilidades contraditó-


rias, pressão do tempo e falta de controlo sobre o próprio trabalho, que são fatores
importantes para desencadear e agravar as LME;
(37) Artigos 5.º e 6.º da
• as relações interpessoais, que desempenham um papel importante: a falta de res- Diretiva 90/269/CEE
do Conselho, de 29 de
peito e de apoio, a falta de assistência, os conflitos interpessoais e o assédio podem maio de 1990, relativa
ter consequências físicas; a libertação de hormonas de stresse, por exemplo, pode às prescrições mínimas
causar uma contração dos músculos e problemas musculares. de segurança e de
saúde respeitantes à
movimentação manual
Estas categorias são apresentadas em pormenor no capítulo 5, «Riscos psicossociais», de cargas que compor-
p. 171. tem riscos, nomeada-
mente dorso-lombares,
para os trabalhadores
(quarta diretiva especial
na acepção do n.º 1 do
artigo 16°. da Diretiva
89/391/C), JO L 156 de
21.6.1990, p. 9 a 13.

111
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.1.3. Critérios básicos de uma avaliação


dos riscos específica para a prevenção
de lesões músculo-esqueléticas
Os empregadores são obrigados a avaliar os riscos para a segurança e a saúde dos
trabalhadores resultantes dos perigos para o sistema músculo-esquelético existentes
no local de trabalho. Recomenda-se que nessa avaliação sejam incluídos os visitantes,
contratantes, elementos da população e doentes.

A avaliação dos riscos ajuda a identificar as pessoas em risco e a tomar decisões sobre
as medidas de prevenção e monitorização dos riscos adequadas. A Diretiva-Quadro
89/391/CEE da União Europeia realça o papel fundamental da avaliação dos riscos e
estabelece as disposições básicas que devem ser respeitadas por todos os emprega-
dores (38). Todavia, os Estados-Membros têm o direito de adotar disposições mais rigo-
rosas para proteger os seus trabalhadores (é necessário verificar a legislação específica
de cada país).

Nota importante A avaliação dos riscos deve basear-se numa abordagem holística que inclua os fatores técnicos,
organizativos e pessoais/individuais (T-O-P) e tomar em consideração a carga total suportada
pelo corpo, bem como os aspetos psicossociais, designadamente o stresse, os conflitos inter-
pessoais e as formas de agressão (por exemplo, assédio).

A avaliação dos riscos não é uma ação única, mas sim um processo contínuo com, pelo
menos, cinco etapas.

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco


Determine quem poderá ficar lesionado e como. Quem entra no local de trabalho?
Essas pessoas estão em risco? Tem algum controlo sobre elas? Analise os riscos de LME,
com especial atenção às atividades de movimentação manual (cargas ou doentes),
à permanência prolongada em posição sentada ou de pé e às ações repetitivas. No
caso das LME, é importante visitar os locais de trabalho para examinar o que pode
causar perigos, bem como para consultar e envolver os trabalhadores, sem esquecer
os perigos a longo prazo e os riscos menos evidentes, como os fatores organizativos
e os fatores psicossociais que possam estar ocultos. Deve prestar-se especial atenção
às questões de género e aos grupos específicos de trabalhadores que podem correr
um maior risco ou ter necessidades especiais (por exemplo, trabalhadores migrantes,
mulheres grávidas ou lactantes, trabalhadores muito jovens ou idosos, trabalhadores
sem formação e trabalhadores com deficiências funcionais). Além disso, importa ter
(38) Diretiva 89/391/CEE
do Conselho, de em conta fatores como a dignidade, a segurança e outros direitos dos doentes, bem
12 de junho de 1989, como a necessidade de manter ou recuperar as capacidades funcionais do doente e
relativa à aplicação de
as indicações médicas. As listas de controlo e os protocolos relativos aos acidentes
medidas destinadas a
promover a melhoria da podem ser úteis para obter informações complementares, mas lembre-se de que uma
segurança e da saúde avaliação dos riscos nunca deve basear-se apenas nessas listas, pois estas podem levar
dos trabalhadores no
ao esquecimento de potenciais perigos que nelas não figurem. Encontrará informa-
trabalho, JO L 183 de
29.6.1989, p. 1 a 8. ções pormenorizadas sobre a identificação dos riscos nas secções «Natureza do risco»,
p. 109, e «Situação laboral com maior exposição», p. 116.
(39) Royal College of
Nursings (RCN), «Guide
for manual handling
Para obter ajuda nas avaliações da movimentação manual em hospitais ver também
assessments in hospitals «Nursing Guide for manual handling assessments in hospitals and the community»
and the community». (Guia de enfermagem para as avaliações das movimentações manuais nos hospitais
e na comunidade) publicado pelo Royal College of Nursing do Reino Unido  (39) e a
(40) USA-OSHA, «The ergo-
nomics guidelines for obra «The ergonomics guidelines for nursing homes» da USA-OSHA (40), que contêm
nursing homes». listas de controlo para avaliar e controlar os riscos, formas de avaliação e sugestões

112
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

de medidas. Além disso, o Comité dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho (41) Comité dos Altos
Responsáveis da
(CARIT) formulou recomendações para a avaliação dos riscos quando as cargas são Inspeção do Trabalho
movimentadas/empurradas/puxadas (41). (SLIC), «Lighten the
load, Recommendations
for the risk assessment
Importa ainda prestar atenção às diversas formas como as atividades de movimen- in the case of manual
tação manual são executadas, tanto mais que a movimentação manual de doentes, handling of loads».
em especial, envolve frequentemente várias atividades combinadas. A duração e a fre-
quência da movimentação de doentes ou da movimentação de cargas podem variar (42) Jäger, M., e outros,
«Biomechanical analysis
muito em função do tipo de ação, pelo que o esforço físico delas resultante depende of patient-transfer acti-
em grande medida do método de trabalho, uma vez que nem todas as técnicas de vities for the prevention
movimentação têm a mesma eficiência. of spine-related hazards
of healthcare workers»,
in Healthcare Systems
Ergonomics and Patient
Estudo de investigação Safety HEP 08,
Estrasburgo, 2008.

Carga lombar durante as atividades de movimentação dos doentes (42)

Foram realizadas investigações laboratoriais a respeito da carga biomecânica sobre


a coluna lombar dos trabalhadores da saúde durante as atividades de movimenta-
ção de doentes que presumivelmente impõem cargas lombares elevadas ao pessoal
de enfermagem. O objetivo do estudo era descrever quantitativamente a carga lom-
bar suportada pelos trabalhadores através de vários indicadores, para avaliar o risco
de sobrecarga da coluna lombar, apoiar a avaliação dos pré-requisitos relacionados
com o trabalho na avaliação das doenças profissionais, analisar as medidas de conce-
ção do trabalho e calcular as potencialidades da prevenção baseada na biomecânica
envolvendo o local, o método ou o equipamento de trabalho. Os resultados do estudo
mostram que é possível reduzir a carga lombar através de um modo de execução oti-
mizado (forma de trabalhar respeitadora da coluna vertebral e orientada para os recur-
sos dos doentes). Recomenda-se vivamente a utilização complementar de pequenas
ajudas mecânicas, como as estruturas ou pranchas de transferência, para obter uma
redução essencial da carga imposta à coluna lombar, sobretudo quando enfermeiros
mais idosos executem atividades que os obriguem a suportar cargas pesadas.

  01 M
odo de execução
otimizado com uma
estrutura de transfe-
rência antiderrapan-
te: transferência para
a cabeceira da cama

  02 Modo de execu-


ção convencional:
transferência da
posição deitada para
a posição sentada na
beira da cama

  03   Modo de execução


convencional:
transferência para a
cabeceira da cama

  04  Modo de execução


otimizado: transfe-
rência da cama para a
cadeira sanitária

113
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Avaliação da carga lombar

Força de compressão sobre o


disco inferior da coluna lombar (L5-S1) em kN

convencional otimizado pequenas ajudas mecânicas

idade
(anos)

m
f

n=

levantar mudar para mover levantar inclinar colocar deslocação da levantar


da posição a cabeceira de lado a perna a cabeceira pequenas beira da cama do chão
deitada para da cama a partir dos pés da cama ajudas para a cadeira
a posição a partir do lado da cama
sentada
levantar para mudar dos pés levantar levantar ambas colocar uma transferência levantar colocar
a posição da cama para a perna as pernas arrastadeira de cama do assento na banheira
sentada na a cabeceira a partir para cama
beira da cama da cama do lado

mulheres (f) kN
critério de referência MDD (BK) de acordo
com o modelo de Doses Mainz-Dortmund homens (m) kN

Recomendações de Dortmund
idade anos
limites específicos em função da idade
e do género para a força de compressão mulher kN
máxima sobre as vértebras lombares homem kN

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Como se avaliam e hierarquizam os riscos de desenvolvimento de LME? Um modelo
prático e bem aceite consiste em avaliar o risco em função da sua probabilidade e
gravidade (43), considerando cada perigo detetado individualmente e determinando
se devem ou não tomar-se medidas preventivas. Por outras palavras, trata-se de deter-
minar se um perigo potencial poderá ser ignorado, aceitável ou decididamente ina-
ceitável. O grau de aceitabilidade do risco depende a) da probabilidade de surgir uma
situação perigosa, um acidente ou um esforço físico violento e b) da gravidade das
possíveis consequências do risco aceite. Para decidir se uma situação de risco é aceitá-
vel, importa considerar três classes de riscos:

• os riscos de classe 1 compreendem situações que são geral e normalmente aceitá-


veis, tais como situações de rotina (mas potencialmente perigosas) que ocorrem na
vida quotidiana;
• os riscos de classe 2 incluem todos os riscos que devem, a longo prazo, ser reduzi-
dos ou totalmente eliminados;
(43) Berufsgenossenschaft
für Gesundheitsdienst • os riscos de classe 3 são completamente inaceitáveis e exigem medidas de prote-
und Wohlfahrtspflege
(BGW), «Gefährdungs-
ção imediatas. Em casos extremos, pode ser necessário pôr termo ao trabalho assim
beurteilung» que o risco é detetado.

114
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Avaliação dos riscos através da sua análise

Classe de risco 1 Classe de risco 2 Classe de risco 3

O risco é aceitável
O risco é negligenciável O risco não é aceitável
a curto prazo

Medidas a médio
Não são necessárias medidas Medidas imediatas
e longo prazo

Seguro Perigoso

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P


Analise os riscos e estabeleça metas para a sua melhoria. O estabelecimento de metas
tem a vantagem de tornar mais claras as medidas de prevenção necessárias que devem
ser determinadas e também possibilita a realização de controlos e revisões sistemáticos.

Para iniciar o processo de análise dos riscos e de estabelecimento de objetivos, defina


os objetivos de prevenção por escrito, determinando quando se deve utilizar, por
exemplo, um elevador e em que altura se deve recorrer a uma estrutura de transferên-
cia. Através da descrição da situação atualmente existente (T-O-P) é fácil reconhecer os
défices existentes em comparação com a situação desejada.

Para estabelecer os objetivos, examine primeiramente as diretivas relevantes, para


determinar as metas de prevenção mínimas, sem esquecer também as normas técnicas.
Verifique se as precauções já tomadas são adequadas para fazer face aos riscos e, se não
forem adequadas, decida se podem ser melhoradas ou que outras medidas de precaução
é necessário tomar. Não esqueça que as medidas técnicas têm prioridade sobre as medidas
organizativas e que as medidas organizativas têm prioridade sobre as medidas referentes
aos fatores pessoais/individuais (ver também «Medidas de prevenção e proteção», p. 124).

Etapa 4 — Adoção de medidas


Aplique as medidas preventivas de acordo com o seu plano de hierarquização das
prioridades. O que deve ser feito, por quem e até quando, ou de acordo com que
calendário? Quem deve estar envolvido?

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


Documente as conclusões e ações preventivas e reveja e atualize regularmente a avaliação.
O número de dias de ausência por doença está a diminuir? Estão a ser identificados menos
perigos potenciais nas inspeções de segurança? O número de acidentes está a diminuir? Se
novos trabalhadores começarem a trabalhar, se ocorrerem alterações significativas, como
a introdução de novos equipamentos ou processos, ou se houver um acidente, importa
assegurar que as medidas de precaução e os mecanismos de gestão já existentes para
prevenir as LME no trabalho continuam a ser adequados para combater os riscos.

115
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Nota importante A Diretiva 90/269/CEE do Conselho (44) estabelece as prescrições mínimas de segurança e


saúde respeitantes à movimentação manual de cargas que comportem riscos, nomeadamente
dorso-lombares, para os trabalhadores.
Em conformidade com o disposto no artigo 3.º:
1) a entidade patronal deve tomar as medidas organizativas adequadas, ou utilizar os meios
apropriados, nomeadamente equipamentos mecânicos, para evitar a necessidade de movi-
mentação manual de cargas pelos trabalhadores;
2) quando não se possa evitar a necessidade de movimentação manual de cargas pelos traba-
lhadores, a entidade patronal tomará as medidas organizativas apropriadas, utilizará os meios
adequados ou fornecerá esses meios aos trabalhadores, a fim de reduzir o risco incorrido
durante a movimentação manual dessas cargas, tendo em conta o disposto no anexo I. (Para
mais informações, ver http://eur-lex-europa.eu)

4.1.4. Situações laborais com maior exposição


As situações laborais com maior exposição ao risco são as atividades de movimentação
manual como levantar, sustentar, transportar, empurrar e puxar cargas. Uma modalidade
específica é a movimentação manual de doentes. O grau de exposição depende da carga
em causa (por exemplo, peso, dimensões, condições de preensão), a postura corporal
e a sequência de movimentos necessários para realizar a atividade de movimentação
(por exemplo, vertical, torcida, fletida, agachada), a duração e a frequência (repetição)
da tarefa a executar, e a conceção ergonómica do local de trabalho (por exemplo, pavi-
mento bem nivelado, espaço suficiente para a movimentação, sem obstáculos físicos).

Além disso, a permanência de pé ou em posição sentada durante longos períodos são


situações de elevada exposição comuns nos serviços de saúde (ver também «Efeitos
sobre a saúde e a segurança», p. 121).

Movimentação manual: levantar, sustentar e transportar cargas

As atividades no setor da saúde comportam uma vasta gama de situações de movi-


mentação manual de cargas. Quotidianamente, é necessário movimentar malas de
médicos, sacos de roupa suja, grades de garrafas de água, artigos descartáveis, dis-
positivos médicos, equipamentos de limpeza e muitos outros objetos. Quase todos
os grupos de trabalhadores estão envolvidos: pessoal médico, de enfermagem, dos
serviços, de apoio, de cozinha, de limpeza, de lavandaria e dos fornecedores.

Existem condições de exposição particularmente elevada nas seguintes situações:

• quando a carga é demasiado pesada e/ou as suas dimensões são demasiado gran-
des (por exemplo, malas de médicos não adaptadas à capacidade do trabalhador
que executa a tarefa);

(44) Diretiva 90/269/CEE


• quando a atividade de movimentação exige a torção ou flexão do corpo ou que a
do Conselho, de 29 carga esteja afastada do corpo;
de maio de 1990,
relativa às prescrições • quando não há espaço suficiente para o trabalhador poder movimentar-se sem res-
mínimas de segurança
e de saúde respeitantes
trições durante a tarefa;
à movimentação
manual de cargas que • quando for necessário remover e depositar objetos acima da altura do ombro ou
comportem riscos, abaixo do nível dos joelhos;
nomeadamente dorso-
-lombares, para os
trabalhadores (quarta • quando for necessário movimentar a carga com luvas (por exemplo, más condições
diretiva especial na de preensão, substâncias tóxicas ou irritantes, produtos químicos);
acepção do n.º 1 do
artigo 16.° da Diretiva • quando não houver tempo para fazer pausas suficientes ou uma rotação adequada
89/391/C), JO L 156 de
21.6.1990, p. 9 a 13 das tarefas, o que leva a um esforço contínuo sem que haja recuperação do mesmo.

116
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Todas estas situações sujeitam o sistema músculo-esquelético a um esforço elevado,


sobretudo a nível dorso-lombar e na zona dos ombros e braços, podendo causar
fadiga precoce e lesões músculo-esqueléticas nas áreas correspondentes.

Movimentação manual: empurrar e puxar cargas

Empurrar e puxar cargas é outro tipo de operação de movimentação manual regu-


larmente executada no setor da saúde, incluindo empurrar e puxar camas, carrinhos,
equipamentos de diagnóstico e terapia e máquinas de limpeza. Há uma grande varie-
dade de pessoas envolvidas, desde os enfermeiros aos médicos, e do pessoal dos ser-
viços aos trabalhadores dos transportes, pessoal das ambulâncias, pessoal auxiliar, etc.
O grau de exposição depende do peso da carga (transportador mais objetos trans-
portados), dos níveis de esforço necessários para acelerar ou abrandar, das condições
técnicas do veículo (rodas, carretilhas, bloqueios), das sequências de movimento com-
plexas durante as operações de empurrar e puxar e das dificuldades imprevisíveis
(necessidade de paragens súbitas, mudanças de direção, etc.).

A situações seguintes implicam uma exposição excecionalmente elevada:

• utilização de equipamentos inadequados (transportadores demasiado pequenos ou


demasiado grandes, rodas gastas ou defeituosas, ausência de bloqueios, bloqueios
defeituosos, altura de movimentação inadequada);

• carga demasiado pesada e/ou objeto demasiado grande (elevados níveis de esforço
para iniciar o movimento e para o parar, falta de estabilidade, visão limitada, neces-
sidade de empurrar com uma mão e estabilizar o objeto com outra mão numa posi-
ção incómoda);

• rampas, pavimento irregular, superfície macia (carpete), espaços confinados, portas


e soleiras das portas (níveis de esforço elevados, aceleração e desaceleração, arran-
ques e paragens repetidos);

• obstáculos imprevistos que causam mudanças de direção súbitas ou paragens


abruptas (níveis de esforço elevados para parar, reiniciar e dirigir o movimento);

• distância, duração, frequência e direção da tarefa (transporte a longa distância, de


longa duração, em subidas ou descidas) com efeitos claros.

As atividades de empurrar e puxar afetam principalmente o sistema músculo-esquelé-


tico dorso-lombar, os joelhos, as ancas e a região da mão/braço/ombro. As dificuldades
surgem de soluções imperfeitas ou incompletas, que podem causar uma sobrecarga
permanente do sistema músculo-esquelético. Além disso, há muitas possibilidades de
ocorrerem acidentes por os transportadores ficarem «fora de controlo».

Movimentação manual: mobilização de doentes

As atividades no setor da saúde envolvem uma repetida movimentação dos doentes,


sendo tais tarefas variáveis, dinâmicas e de natureza imprevisível, além de complexas.
A transferência de um doente implica numerosas fases, que são difíceis de identifi-
car ou que não podem ser descritas e calculadas com os processos disponíveis. Além
disso, há que ter em conta fatores como a dignidade, a segurança e outros direitos dos
doentes, bem como a necessidade de manter ou recuperar as capacidades funcionais
dos doentes e de seguir as indicações médicas.

Para além do pessoal de enfermagem, há muitos grupos profissionais do setor da saúde


envolvidos na movimentação dos doentes. Entre eles figuram os terapeutas ocupacio-
nais, os fisioterapeutas, os prestadores de serviços de diagnóstico (por exemplo, radio-
grafia), o pessoal dos blocos operatórios e o pessoal de transporte em ambulâncias.

117
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Os riscos podem ser sobretudo originados pelos fatores seguintes:

• o doente ou a parte do corpo a mobilizar ser demasiado pesado e/ou demasiado


grande;
• a atividade de movimentação exigir a torção ou a flexão do corpo, a sujeição do
mesmo a um esforço ou a uma tensão excessivos, ou a movimentação da carga a
grande distância do corpo;
• o método de trabalho/a sequência de movimentos (por exemplo, com um sola-
vanco, impulso, ponto de apoio, trabalho com os ombros erguidos, com os joelhos
fletidos num ângulo superior a 90°);
• não haver espaço suficiente para os movimentos poderem ser efetuados sem restri-
ções durante a tarefa;
• ser necessário utilizar luvas (por exemplo, más condições de preensão);
• não haver tempo para fazer pausas suficientes ou uma rotação adequada das tare-
fas, o que leva a um esforço contínuo sem que haja recuperação do mesmo;
• a movimentação ser feita com muita frequência ou durante longos períodos.

Verificam-se situações com um nível de exposição elevado em atividades como:

• mobilizar um doente na cama (por exemplo, para a profilaxia da pneumonia e das


escaras ou para inserir apoios);
• lavagem e higiene pessoal (na cama, no lavatório, na cadeira de duche, no banho);
• vestir/despir um doente;
• mudar os materiais de continência ou introduzir/remover uma arrastadeira;
• tratamento (por exemplo, mudança de ligaduras);
• elevar/baixar a cabeceira ou os pés da cama;
• reposicionar um doente numa cadeira/cadeira de rodas (para a frente ou para trás);
• inserir/remover materiais como lençóis, almofadas, calhas ou estruturas de transferência;
• transferir um doente da cama (por exemplo, para uma cadeira/cadeira de rodas,
maca ou outra cama) e para a cama;
• levantar um doente do chão para uma cadeira/cama;
• ajudar nas idas à casa de banho;
• ajudar um doente a caminhar e a levantar-se/sentar-se.

  05 Movimentação de
doentes no bloco
operatório

  06 Cadeira de duche


elétrica regulável

118
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

As atividades enumeradas são apenas alguns exemplos, podendo a lista ser alargada
consoante o grupo profissional envolvido. As condições são, geralmente, agravadas no
caso dos doentes imobilizados e dos doentes bariátricos, ou quando o trabalhador cal-
cula mal o peso do corpo ou das partes do corpo do doente. O risco aumenta quando a
organização do ambiente de trabalho e/ou as condições organizativas são desadequa-
das. Podem existir restrições de espaço (edifício, mobiliário) que entravem a atividade de
movimentação, ou o nível de assistência necessário para a movimentação dos doentes
pode não estar garantido. As ajudas à movimentação adequadas (ajudas técnicas como
as camas elétricas reguláveis, os elevadores e pequenos acessórios como as estruturas e
as pranchas de transferência, rolantes e deslizantes) influenciam muito o grau de expo-
sição (45). Por último, mas não menos importante, a capacidade e a disponibilidade do
doente para compreender e cooperar, bem como as condições médicas que influenciam
a escolha do método de movimentação afetam claramente o nível de exposição.

  07 08 Doentes bariátricos

Longos períodos de pé ou de pé com o corpo fletido/ em posições incómodas

Estar durante muito tempo de pé ou de pé numa posição curvada/fletida faz parte


da rotina quotidiana no setor da saúde, sendo comum, por exemplo, nos blocos ope-
ratórios e nas cozinhas, bem como nas operações com ultrassons e na fisioterapia.
O grau de exposição depende principalmente da duração e da frequência da tarefa.
Além disso, as condições médicas também influenciam muito a quantidade de vezes
que é preciso fletir ou torcer o corpo, ou adotar outras posições penosas, e a conceção
ergonómica do local de trabalho tem grande impacto no desenvolvimento de LME.

A exposição é particularmente elevada nas condições seguintes:

• longos períodos de pé à mesa de operações, muitas vezes combinados com carga


estática dos músculos do braço e dos ombros devido à sustentação de ganchos ou
outros instrumentos;
• longos períodos de pé com o corpo fletido para a frente durante os procedimentos tera-
pêuticos ou de diagnóstico (massagem, atividades de lavagem, exames ultrassónicos); (45) Jäger, M. e outros,
«Biomechanical
• longos períodos de pé durante tratamentos demorados, com manobras como a analysis of patient-
aplicação ou a mudança de ligaduras, a administração de infusões intravenosas e a transfer activities for
the prevention of
alimentação (geralmente com a fixação do braço ou da perna, ou do corpo inteiro spine-related hazards
do doente, numa determinada posição); of healthcare workers»,
in Healthcare Systems
• longos períodos de pé por parte do pessoal de cozinha durante a preparação das Ergonomics and
Patient Safety HEPS 08,
refeições; Estrasburgo, 2008 (ver
figura «Carga lombar
• longos períodos de pé e a andar por parte do pessoal da limpeza durante o seu na transferência dos
trabalho; doentes» na secção
4.1.3).

119
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• atividades prolongadas à cabeceira dos doentes, envolvendo períodos de pé para os


enfermeiros, o pessoal médico e o pessoal dos serviços (sobretudo se não houver a
possibilidade de mudar de posição e de alternar o apoio entre uma perna e outra);
• atividades de rotina quotidianas com planos de trabalho a alturas inadequadas
(cama, mesa, bancada de trabalho, bancada de laboratório), que obrigam a traba-
lhar com o corpo fletido, com os ombros erguidos ou noutras posições incorretas.
09 De pé no bloco
operatório

Longos períodos na posição sentada

Os serviços de saúde implicam uma quantidade crescente de trabalho administrativo,


que é maioritariamente executado à secretária ou em frente de um computador. Além
disso, os atuais equipamentos de diagnóstico e terapêuticos são configurados com moni-
tores que exigem uma posição sentada. Há uma grande variedade de pessoas envolvidas
nestas tarefas, incluindo enfermeiros (sobretudo enfermeiros-chefes), pessoal médico e
de diagnóstico, pessoal laboratorial e administrativo e trabalhadores que introduzem
dados. À primeira vista, pode parecer que a posição sentada é confortável porque as
pernas e os pés não suportam qualquer carga, mas enquanto uma pessoa está concen-
trada no trabalho, o corpo vai sofrendo cada vez mais. A coluna vertebral desloca-se da
sua forma natural e dobra-se encurvando as costas e os ombros, o que causa dores de
cabeça ou de costas. A beira do assento pode pressionar a coxa, restringindo a circulação
sanguínea nas pernas. A compressão dos órgãos digestivos pode causar problemas de
digestão e a compressão do coração e dos pulmões faz com que o corpo não receba
oxigénio suficiente, provocando uma deterioração do desempenho e fadiga.

A exposição é particularmente elevada devido às condições seguintes:

• permanência na posição sentada durante muitas horas sem intervalos de descanso


nem interrupções para o desempenho de outras tarefas (trabalho de escritório, admi-
nistrativo, tratamento de dados, tarefas laboratoriais, trabalho ao microscópio, etc.);
• longos períodos na posição sentada com o tronco fletido ou torcido durante a pres-
tação de cuidados (apoio na alimentação, nas idas à casa de banho) e durante os
atos de diagnóstico ou terapêuticos;
• cirurgias ou diagnósticos endoscópicos demorados, principalmente quando exigem
a adoção de posições incómodas;
• má conceção ergonómica do local de trabalho (plano de trabalho demasiado alto
ou demasiado baixo, pouco espaço para o trabalhador se sentar, má organização
do espaço dificultando o acesso aos objetos, falta de espaço para pôr os pés, visão
limitada para o visor, má iluminação);
• cadeira de trabalho inadequada (altura e profundidade do assento, apoios dos bra-
ços e costas não adaptáveis às necessidades do utilizador).

120
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

 10 Balcão concebido


ergonomicamente

4.1.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança


O presente capítulo debruça-se sobre as LME relacionadas com o trabalho, que podem
ser causadas ou intensificada por este e pelas circunstâncias em que é realizado.
Frequentemente, também pode haver outras atividades envolvidas, como o trabalho
doméstico ou o desporto, mas nem sempre é possível fazer uma diferenciação clara.

O termo lesões músculo-esqueléticas (LME) refere-se aos problemas de saúde do sis-


tema de locomoção, que, no contexto do trabalho, se tornam complexos devido à sua
etiologia multifatorial, aos vários fatores de riscos e às suas combinações. Trata-se de
perturbações de estruturas corporais como os músculos, as articulações, os tendões,
os ligamentos, os nervos, os ossos ou um sistema de circulação sanguínea localizado,
primordialmente causadas ou agravadas pelo desempenho do trabalho e pelos efei-
tos do ambiente imediato em que este é realizado. As LME são, na sua maioria, per-
turbações cumulativas, cujos sintomas podem ir desde o desconforto e a dor até à
diminuição das funções corporais e à invalidez.

Quando as cargas ou os doentes são mobilizados ou quando se executam outros tipos


de trabalho físico, dá-se a interação de três sistemas do corpo humano que, ideal-
mente, deverão estar em harmonia:

1. os músculos geram a força necessária;

2. os ossos, ligamentos e articulações transferem a força aplicada para movimentar a


carga/doente;

3. a circulação cardíaca e a respiração garantem o fornecimento de energia.

Cada um destes sistemas pode ficar sobrecarregado se for repetidamente exposto a


cargas elevadas, ou a cargas de baixa intensidade durante um longo período, ou se o
método de trabalho for inadequado. Surgem problemas, em especial, se a carga mecâ-
nica for superior à capacidade que os componentes do sistema músculo-esquelético
têm de suportar a carga. As lesões dos músculos e tendões, ligamentos e ossos são
consequências comuns, mas também podem verificar-se inflamações na inserção
dos músculos e tendões e nas bainhas tendinosas, bem como limitações funcionais e
degeneração precoce dos ossos e cartilagens.

121
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Há dois tipos fundamentais de lesões. Um é agudo e doloroso, o outro crónico e pro-


longado, com uma dor contínua que vai aumentando. O primeiro tipo é causado por
uma carga mecânica inadequada de curta duração mas considerável, que provoca
uma falha súbita da estrutura e da função, como por exemplo:

• rutura dos músculos devida ao levantamento de uma carga pesada;


• fratura dos ossos devida a um esforço súbito;
• bloqueio de uma articulação vertebral devido a um movimento violento;
• protusão/deslocação de um disco vertebral devido a uma flexão anterior do tronco
ou ao levantamento de uma carga pesada.
O segundo tipo de lesão resulta de uma sobrecarga contínua, que leva a queixas cres-
centes e à deterioração das funções, como por exemplo:

• desgaste dos discos intervertebrais;


• degeneração das articulações ou das vértebras;
• fraturas dos processos espinhais;
• estiramento excessivo dos ligamentos;
• tendosinovite;
• tensão muscular.
As lesões dorso-lombares são as LME predominantes. Na EU-27, cerca de 25% dos
trabalhadores queixam-se de lombalgias e aproximadamente 23% referem ter dores
musculares. As LME são a principal causa de ausência do trabalho em praticamente
todos os Estados-Membros, havendo um número significativamente maior de traba-
lhadores (38,9%) afetados nos novos Estados-Membros (46).

O sistema cardiovascular também pode ser prejudicado pelo esforço físico excessivo.
O trabalho fisicamente exigente, sobretudo quando combinado com uma tensão psi-
cológica e psicossocial contínua, pode causar hipertensão.

Além disso, a permanência de pé durante longos períodos faz desviar o sangue para
as pernas, sobrecarregando o sistema venoso (ao caminhar, a contração dos músculos
apoia o refluxo do sangue das pernas para o coração). Os distúrbios circulatórios, a dila-
tação das veias e a varicose são consequências possíveis e o risco de trombose aumenta
visivelmente. Outra consequência de se estar continuamente de pé é o aumento da
pressão sobre os músculos, os tendões e os ligamentos dos pés, cuja sobrecarga pode
levar ao achatamento da arcada plantar e ao desenvolvimento de pé chato ou pé plano.

O abdómen também pode ser prejudicado pelo trabalho físico exigente. Levantar,
transportar ou empurrar uma carga pesada e outras atividades fisicamente exigentes

  11 12 As lesões dos múscu-


los, tendões, ligamentos e os-
sos são consequências comuns
da sobrecarga do sistema
músculo-esquelético

(46) Fundação Europeia


para a Melhoria das
Condições de Vida e de
Trabalho, quarto inqué-
rito europeu sobre as
condições de trabalho,
Serviço das Publicações
Oficiais das Comu-
nidades Europeias,
Luxemburgo, 2005.

122
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

contribuem para um aumento considerável da pressão intra-abdominal, que pode


levar ao aparecimento de hérnias. Os homens, em particular, correm o risco de ter uma
hérnia inguinal e as mulheres de um prolapso do útero.

Fornecimento de informações e formação:

No último nível da hierarquia de prevenção, encontram-se as medidas de caráter pes-


soal/individual. O comportamento humano é regido pelo conhecimento, a capaci-
dade e a motivação. Neste caso, entende-se por conhecimento o nível cognitivo, por (47) Diretiva 90/269/CEE
do Conselho, de 29 de
capacidade o nível psicomotor e por motivação o nível afetivo-emocional. O conheci- maio de 1990, relativa
mento é obtido pela informação, a capacidade é atingida pela prática e a experiência às prescrições mínimas
e a motivação surge através da emoção. O conhecimento e a capacidade determinam, de segurança e de
saúde respeitantes à
em grande medida, a ação. Quanto maiores são o conhecimento e a capacidade, mais movimentação manual
provável é a motivação. de cargas que compor-
tem riscos, nomeada-
mente dorso-lombares,
É muito frequente as ações de prevenção estarem restringidas ou serem iniciadas ao para os trabalhadores
nível pessoal/individual. Estas ações pretendem induzir os trabalhadores a terem um (quarta diretiva especial
comportamento seguro e que respeite a coluna vertebral. No entanto, a eficácia das na acepção do n.º 1 do
artigo 16°. da Diretiva
medidas de caráter pessoal/individual, tomadas isoladamente, é baixa e a sua sus- 89/391/C), JO L 156 de
tentabilidade tem custos muito elevados. Por isso, só quando todas as possibilidades 21.6.1990, p. 9 a 13.
aos níveis técnico e organizativo forem esgotadas se devem iniciar as ações ao nível
pessoal/individual: (48) Diretiva 90/269/CEE
do Conselho, de 29 de
maio de 1990, relativa
• devem ser fornecidas informações sobre os riscos das LME. Por exemplo, o pessoal às prescrições mínimas
deve receber formação para conhecer melhor os fatores ergonómicos, bem como de segurança e de
saúde respeitantes à
para reconhecer e evitar as condições de trabalho inseguras. Além disso, há que
movimentação manual
persuadir os trabalhadores a apoiarem a prevenção e fazê-los compreender as con- de cargas que compor-
sequências de negligenciarem as medidas de prevenção, informando-os também tem riscos, nomeada-
mente dorso-lombares,
dos benefícios de adotarem práticas de trabalho seguras para reduzir o sofrimento para os trabalhadores
e evitar perdas salariais; (quarta diretiva especial
na acepção do n.º 1 do
• todos os trabalhadores devem receber formação sobre os métodos de trabalho pre- artigo 16°. da Diretiva
ventivos e respeitadores da coluna vertebral; 89/391/C), JO L 156 de
21.6.1990, p. 9 a 13.
• deve ser facultada uma formação regular sobre a utilização dos equipamentos e
(49) Diretiva 93/42/ CEE
das técnicas corretas e respeitadoras da coluna vertebral para movimentar cargas do Conselho, de 14
inanimadas. Cada tarefa e cada carga exige uma conduta individual orientada para de junho de 1993,
as circunstâncias próprias do local de trabalho, por exemplo, para a movimentação relativa aos dispositivos
médicos, JO L 169 de
manual de cargas e a deslocação de camas e cadeiras de rodas (47); 12.7.1993, p. 1 a 43.

• os trabalhadores da saúde e outro pessoal que mobilize os doentes devem receber


formação sobre métodos preventivos de movimentação que respeitem a coluna
vertebral (48);
• os trabalhadores da saúde e outro pessoal que mobilize os doentes devem receber
uma formação regular sobre a utilização de dispositivos de movimentação (ajudas
mecânicas e de deslocação) (49).
  13 Calçado adequado

123
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

(50) Associação Internacio- • Os trabalhadores da saúde e outro pessoal que mobilize os doentes devem receber
nal da Segurança Social
(AISS), «Back-protecting
formação para promoverem os recursos dos doentes e permitir que estes partici-
work practices in pem mais ativamente no processo de deslocação. O esforço físico para o trabalhador
healthcare: training and de saúde pode ser, assim reduzido, e o princípio básico de cuidar de um doente esti-
prevention concepts
in Europe», Experts’
mulando e utilizando o mais possível os seus recursos será retomado. Esse método
Workshop, Paris, 2002. de movimentação dos doentes também cumpre o objetivo de preservar os seus sen-
timentos de dignidade e controlo de si próprios (50).
(51) Diretiva 89/656/CEE,
de 30 de novembro
de 1989, relativa às • Devem ser fornecidos equipamentos de proteção individual. A utilização de calçado
prescrições mínimas de adequado (ver também «Prevenção de acidentes causados por escorregões, trope-
segurança e de saúde ções e quedas», p. 157) e de equipamento de proteção como as luvas de trabalho
para a utilização pelos
trabalhadores de equi- deve ser assegurada (51).
pamentos de proteção
individual no trabalho • A saúde dos trabalhadores deve ser objeto de uma vigilância adequada em função
(terceira diretiva
especial, na acepção do dos riscos para a sua segurança e saúde no local de trabalho, de acordo com as legis-
n.º 1 do artigo 16.º da lações e/ou práticas nacionais. As medidas introduzidas serão de molde a permitir
Diretiva 89/391/CEE), que, caso o deseje, cada trabalhador possa submeter-se a um controlo de saúde a
JO L 393 de 30.12.1989,
p. 8 a 28. intervalos regulares (52).

(52) Artigo 14.º, n.º 1, da


Diretiva 89/391/CEE
do Conselho, de
4.1.6. Medidas de prevenção e proteção
12 de junho de 1989,
relativa à aplicação de As diretivas da União Europeia responsabilizam os empregadores e os gestores pela
medidas destinadas a
promover a melhoria da
gestão da segurança e da saúde, incluindo a avaliação e a prevenção dos riscos, a con-
segurança e da saúde sulta dos trabalhadores (homens e mulheres) e a coordenação com os contratantes
dos trabalhadores no em matéria de segurança, dando prioridade às medidas coletivas para eliminar os ris-
trabalho, JO L 183 de
29.6.1989, p. 1 a 8.
cos e disponibilizando informação e formação.

Nota importante Nos termos das Diretivas 89/391/CEE do Conselho e 90/269/CEE, as entidades patronais devem
velar por que os trabalhadores recebam informações sobre os riscos em que incorrem durante
o trabalho, quando, por exemplo, movimentam cargas e mobilizam doentes, em especial
se essas atividades não forem executadas de maneira tecnicamente correta. Além disso, a
entidade patronal deve informar os trabalhadores sobre as medidas de proteção adequadas
e providenciar no sentido de que os trabalhadores recebam uma formação adequada sobre a
forma de trabalharem de forma segura e respeitadora da coluna vertebral (para informações
pormenorizadas, ver também a p. 123).
A informação e a formação devem ser facultadas antes de o trabalhador iniciar o trabalho, sen-
do recomendado que as atividades de informação e todas as atividades de formação tenham
lugar pelo menos uma vez por ano para promover a sustentabilidade e a eficiência.

(53) Artigo 6.º, n.º 2, da


Diretiva 89/391/CEE Ao procurar resolver os problemas de LME relacionados com o trabalho, é necessário
do Conselho, de 12 considerar uma ampla gama de soluções (técnicas, organizativas e pessoais/individu-
de junho de 1989, ais) e respeitar uma hierarquia de princípios de prevenção (53). Devido à sua maior efi-
relativa à aplicação de
medidas destinadas a cácia, as medidas técnicas têm prioridade sobre as medidas organizativas e estas sobre
promover a melhoria da as medidas de caráter pessoal/individual (relacionadas com o comportamento). Para
segurança e da saúde obter efeitos sustentados, a prevenção deve ser concebida de forma holística, abar-
dos trabalhadores no
trabalho, JO L 183 de cando medidas dos três níveis acima mencionados, e dar prioridade às medidas de
29.6.1989, p. 1 a 8. proteção coletivas sobre as medidas de proteção individuais. A estratégia empresarial

14 15 Conceção ergonómica
do local de trabalho:
lavatório regulável

124
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

do estabelecimento de saúde deve incluir uma política de prevenção global coerente,


pois só uma cultura organizativa global, que valorize a prevenção dos riscos e a pro-
moção da saúde (e, consequentemente, a gestão da segurança e saúde no trabalho)
tem algumas perspetivas de êxito. Isto implica claramente que esse conceito seja apli-
cado e patrocinado a nível da gestão e que envolva os trabalhadores.

Como as lesões músculo-esqueléticas têm múltiplas causas, as medidas de prevenção


no local de trabalho não as podem evitar todas e, por isso, continua a ser essencial
incentivar a comunicação dos sintomas numa fase inicial. No caso dos trabalhadores
que já têm LME, o desafio é conservar a sua empregabilidade, mantê-los a trabalhar
e, se necessário, reintegrá-los no trabalho. A reabilitação e a reintegração profissional
dos trabalhadores com LME devem fazer parte integrante da política em matéria de
LME relacionadas com o local de trabalho.

Medidas técnicas

Para prevenir as LME e assegurar a sustentabilidade dessa prevenção, bem como, se


possível, a sua eliminação é necessário:

• analisar se um risco (por exemplo, a movimentação manual de cargas/de doentes)   16 Cama elétrica
regulável em altura
pode ser evitado;
  17 Apoio elétrico para
empurrar uma cama
• verificar se é verdadeiramente necessário mover a carga /o doente;
  18 Elevador montado
no teto
• ponderar a mecanização, por exemplo portas de aber-
tura automática, nos locais onde os artigos ou os doen-
tes têm de ser transportados;
• melhorar a organização do local de trabalho, por exem-
plo para evitar que os trabalhadores executem tarefas
que os obriguem a exercer muita força ou a adotar
posições incómodas ou estáticas, a situação de esforço
físico pode ser mantida dentro de limites aceitáveis
através da conceção adequada do local de trabalho.

Se não for possível evitar o risco de lesão/esforço, é


necessário reduzi-lo:

• combater os riscos de LME na fonte e analisar até que


ponto devem ser reduzidos;
• adaptar o trabalho à pessoa, em especial, a conceção
dos locais de trabalho (por exemplo, altura de trabalho
ergonómica, planos de trabalho reguláveis, varões de
apoio) e a escolha do equipamento de trabalho;
• adaptar ao progresso técnico: devem ser disponibili-
zados dispositivos (ajudas mecânicas) como as camas
elétricas reguláveis em altura, os elevadores, as macas,
os carrinhos e os elevadores a vácuo ou os equipamen-
tos de movimentação mecânica nos armazéns ou no
bloco operatório. As ajudas mecânicas devem ser obri-
gatoriamente disponibilizadas se os riscos identifica-
dos na avaliação puderem ser reduzidos ou eliminados
dessa forma, devendo ter-se ainda em conta a evolu-
ção tecnológica. Os pequenos dispositivos (ajudas à
movimentação) para reduzir ou aumentar a fricção (por
exemplo, pranchas de transferência, cintos de transfe-
rência, estruturas de transferência) são essenciais na movimentação dos doentes, tal
como as ajudas e os elevadores elétricos para auxiliar a sentar e a levantar, devendo
dar-se preferência a elevadores montados no teto.

125
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Medidas organizativas

Estas medidas só devem ser consideradas se não for possível eliminar ou reduzir os
riscos de LME.

São medidas organizativas:

• disponibilizar pessoal suficiente para o trabalho a executar;

• assegurar a conceção ergonómica do fluxo de trabalho através do planeamento do


trabalho ou da utilização de sistemas de trabalho seguros;

• assegurar o equilíbrio entre a carga mecânica e a capacidade individual do sistema


músculo-esquelético dos trabalhadores para suportar cargas;

• verificar de que forma podem reduzir-se as pressões de tempo;

• reduzir as exigências físicas do trabalho diminuindo a força que é necessário exer-


cer, a repetição e as posições incómodas, o que obriga, frequentemente, a utilizar
dispositivos de movimentação ou camas e mesas reguláveis em altura e a escolher
métodos de trabalho ergonómicos. O pessoal deve receber formação sobre o modo
de enfrentar emergências em caso de avaria dos equipamentos e têm de ser assegu-
rados programas de manutenção adequados;

• aplicar um conceito de formação sistemático para as atividades de movimentação


manual, atendendo às normas de formação em vigor em cada país (54);

• assegurar a sustentabilidade utilizando «multiplicadores» que forneçam formação


e aconselhamento (ver também «Uma história de sucesso: a utilização de líderes
interpares para promover métodos de trabalho que respeitem a coluna vertebral»,
p. 131);

• ponderar a rotação de funções para redistribuir as tarefas entre os trabalhadores, de


modo a reduzir os longos períodos de pé ou, por exemplo, a flexão ou a torção do
(54) Associação Internacio- corpo no bloco operatório;
nal da Segurança Social
(AISS), «Back-protecting • aplicar um sistema de rotação de turnos razoável, fazer uma rotação progressiva e
work practices in
healthcare: training and prever folgas suficientes;
prevention concepts
in Europe» [Práticas de • prever alguma variedade nos trabalhos a executar;
trabalho que protegem
a região dorso-lombar
no setor da saúde: • dar espaço às decisões individuais sobre a forma e o momento em que as tarefas
conceitos de formação devem ser executadas;
e prevenção na Europa],
Workshop de peritos,
Paris, 2002. • introduzir intervalos de descanso suficientemente longos.

  19 As pausas para


descontrair e repor
as energias são indis-
pensáveis

126
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Um exemplo da prevenção de lesões dorso-lombares


entre o pessoal de enfermagem

Desde 1998 que o Grupo de Trabalho sobre Ergonomia da Associação Internacional da


Segurança Social (AISS), secção dos Serviços de Saúde, tem vindo a analisar a questão
da prevenção das lesões dorso-lombares no setor da saúde. Num workshop realizado em
2006, foram acordados princípios básicos de prevenção das doenças dorso-lombares
relacionadas com o trabalho que podem ser aplicados em toda a Europa (55).

1. Recomendações relativas à conceção ou à reformulação


das instalações (medidas técnicas):
• o titular do projeto deve explicitar os requisitos ergonómicos do projeto no início do
programa de construção;

• devem realizar-se amplas consultas entre os arquitetos e os futuros utilizadores


durante a fase de conceção e construção;

• para evitar as lombalgias entre o pessoal de saúde, os responsáveis pela conceção


das instalações de saúde devem prestar especial atenção à disposição de algumas
áreas críticas, como os quartos dos doentes, as casas de banho, os espaços de arma-
zenamento, os corredores e os elevadores, na zona central do serviço;

• deve proceder-se a uma avaliação depois de serem introduzidas alterações no


âmbito da melhoria contínua das condições de trabalho.

2. Recomendações relativas às medidas de prevenção


de caráter organizativo:
• deve definir-se um processo de prevenção no domínio da ergonomia. A prevenção
dos problemas dorso-lombares no âmbito da segurança e saúde no trabalho, em
particular, deve estar inscrita na declaração de missão de todos os estabelecimentos
de saúde;

• deve ser criado um cargo associado à gestão dos riscos e da qualidade que assuma
a responsabilidade pelo processo;

• o processo de prevenção no domínio da ergonomia deve ser aplicado a todas as


áreas e departamentos da mesma forma. As necessidades especiais do serviço de
urgência e do bloco operatório também devem merecer especial atenção;

• deve realizar-se uma avaliação dos riscos ergonómicos em todas as áreas e departa-
mentos. Quando necessário, as estruturas e os procedimentos organizativos devem
ser adaptados de modo a permitirem uma evolução a nível da organização. O número
de efetivos, os rácios e as escalas de serviço devem ser previstos em conformidade;

• depois de as estruturas e os procedimentos serem analisados, o processo a definir (55) Grupo de Trabalho
deve ser subdividido e tratado em projetos independentes, com a participação de sobre Ergonomia da
Associação Internacio-
especialistas, para assegurar uma gestão participativa. Os responsáveis pelo desen- nal da Segurança Social
volvimento e a gestão do projeto devem prestar contas ao departamento de gestão (AISS), «Recommen-
dos riscos e da qualidade; dations: Prevention of
low-back pathologies in
healthcare professions»,
• a análise de riscos ergonómica deve ser efetuada por um especialista; 2006.

127
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• o pessoal deve receber formação no domínio da ergonomia, sempre que necessário,


dando-se especial atenção ao pessoal dos subcontratantes;

• os fornecedores de formação ou responsáveis pela ergonomia, em conjunto com a


elaboração de relatórios regulares, assegurarão a criação de uma rede entre todos
os departamentos;

• devem definir-se critérios e indicadores a nível interno para o processo de preven-


ção no domínio da ergonomia, os quais terão de ser regularmente monitorizados;

• a existência de condições ótimas no que respeita aos equipamentos é um fator


essencial na conceção ergonómica das estruturas e dos procedimentos;

• devem ser disponibilizados recursos financeiros suficientes para levar a cabo uma
prevenção eficaz no domínio da ergonomia.

3. Recomendações relativas aos equipamentos técnicos/ajudas


mecânicas e à movimentação (medidas organizativas)
As ajudas mecânicas e à movimentação são indispensáveis para os trabalhado-
res da saúde, os terapeutas e os doentes, constituindo uma parte importante do
sistema global de saúde no trabalho.

• As ajudas mecânicas e à movimentação devem estar disponíveis em número e qua-


lidade adequados. O pessoal de saúde deve receber uma formação adequada sobre
a sua correta utilização, bem como sobre a forma de enfrentar uma emergência se os
equipamentos avariarem. Há que assegurar programas de manutenção adequados
e garantir uma melhor aceitação desses dispositivos por todos os setores profissio-
nais. Os pré-requisitos que permitem a aceitação, a utilização adequada e segura das
ajudas mecânicas e à movimentação devem ser cumpridos. As camas elétricas ou
hidráulicas adaptáveis, com uma cabeceira elétrica regulável em altura, constituem
a base dos cuidados ergonomicamente eficientes. As camas totalmente elétricas são
preferíveis às camas hidráulicas.

  20 21 Transferência da
cama para uma cadeira de
rodas com a ajuda de uma
prancha de transferência

128
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

• A elevação deve ser evitada sempre que possível, mas se for a única solução utilize
um elevador. As ajudas mecânicas apoiam a mobilidade dos doentes e reduzem,
assim, eficazmente as cargas suportadas pelos trabalhadores da saúde. As prescri-
ções mínimas em cada serviço devem ser determinadas pelas necessidades de cui-
dados, mas todos devem dispor, como equipamento básico, de duas unidades dos
seguintes artigos: estrutura antiderrapante, estrutura de transferência, prancha de
transferência e cinto de transferência.

 22 23 24 25 26 27
Passo a passo: movimen-
tação de um doente com a
ajuda de uma estrutura de
transferência

4. Recomendações relativas ao ensino profissional e à formação


contínua sobre práticas de trabalho que protejam as costas
(medidas organizativas):
• a formação deve ser integrada numa cultura de segurança da organização. A avalia-
ção dos riscos é fundamental;

• para convencerem a gestão da importância da formação, os formadores devem


conhecer os fatores negativos e positivos. Os resultados da formação devem ser
medidos em termos quantitativos e qualitativos;

• o formador deve conhecer o nível de formação dos trabalhadores da saúde e o seu


ambiente de trabalho. É necessário prestar um apoio adicional no terreno para que
os conhecimentos adquiridos sejam aplicados;

• a formação inicial e contínua deve incluir os seguintes cinco princípios básicos:

1. formação sobre a avaliação dos riscos individual da situação de prestação de cui-


dados (tarefa, doente, ambiente, ajudas),

2. formação sobre a proteção dorso-lombar durante a movimentação manual e a


utilização de ajudas técnicas,

3. formação sobre a resolução de problemas em situações difíceis de movimenta-


ção de doentes,

129
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4. análise e formação das capacidades psicomotoras dos doentes e dos trabalhado-


res da saúde,

5. desenvolvimento profissional contínuo;

• a formação inicial deve incluir conhecimentos básicos sobre os métodos de trabalho


que protegem as costas e permitir que os doentes sejam movimentados de forma
segura tanto para eles como para o pessoal de enfermagem;

• a formação contínua deve incluir o aperfeiçoamento, a consolidação e a extensão


dos conhecimentos e competências de base, bem como o desenvolvimento de
competências em matéria de resolução de problemas, e deve estar integrada num
processo de desenvolvimento profissional contínuo;

• a fim de evitar a elevação e o deslocamento na vertical sem estruturas de transfe-


rência, são necessários conhecimentos sobre a utilização das ajudas técnicas e uma
análise dos recursos do doente.

5. Recomendações para os trabalhadores da saúde:


princípios básicos da movimentação de doentes
e medidas comportamentais pessoais/individuais):
• antes de qualquer atividade de prestação de cuidados, o enfermeiro deve proceder
a uma avaliação individual dos riscos no que respeita às situações de carga física.
Antes de realizar uma transferência, deve analisar a forma de reduzir a carga e definir
um procedimento adequado, tendo as suas próprias limitações em conta. Uma vez
terminada a atividade de cuidados, deve rever-se a sua eficiência e modificar-se a
estratégia utilizada na sua resolução, se necessário. O intercâmbio de pontos de vista
com os colegas é outra possibilidade de melhorar o procedimento;

• a segurança do pessoal de enfermagem e dos doentes tem sempre prioridade


sobre os objetivos de ações de cuidados que promovam ou ativem os recursos dos
doentes;

• devem utilizar-se ajudas sempre que a atividade de prestação de cuidados não


possa ser concebida sem riscos;

• o enfermeiro deve obter informações sobre todas as aptidões (mentais e físicas) do


doente para as explorar e promover em todas as atividades de enfermagem, a fim
de aliviar a sua própria carga;

• o pessoal de enfermagem deve atualizar constantemente os seus conhecimentos e


competências e manter-se física e mentalmente apto;

• o pessoal de enfermagem deve usar vestuário que facilite os movimentos e sapatos


seguros que lhe deem estabilidade (fechados à frente e atrás, com solas antiderra-
pantes), a fim de poder trabalhar de uma forma que respeite a coluna vertebral e
sem correr o risco de quedas.

130
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Uma revisão sistemática dos dados científicos sobre a eficácia das medidas preventivas Nota importante
revelou (56) o seguinte:
• há fortes indícios de que as medidas técnicas ergonómicas podem reduzir a carga suportada
pela região dorso-lombar e os membros superiores, e indícios moderadamente seguros de
que essas medidas também podem reduzir a ocorrência de LME;
• há bastantes indícios de que uma conjugação de vários tipos de intervenções (abordagem
multidisciplinar), que incluam medidas técnicas, organizativas e pessoais/individuais, é
melhor do que as medidas isoladas;
• há alguns indícios de que uma abordagem participativa que inclua os trabalhadores no
processo de mudança contribui para o sucesso de uma intervenção;
• o treino físico (incluindo exercício vigoroso pelo menos três vezes por semana) também
pode reduzir a recorrência das lombalgias e das dores no pescoço e nos ombros;
• há fortes indícios de que a formação sobre métodos de trabalho utilizados na movimenta-
ção manual não é eficaz se for utilizada como única medida para prevenir as lombalgias.

Uma história de sucesso: a utilização de líderes interpares Nota importante


para promover métodos de trabalho que respeitem a coluna vertebral
Nos países europeus, há vários conceitos que visam assegurar a sustentabilidade das formas de
trabalho respeitadoras da coluna vertebral (57). Nos Países Baixos, os instrutores de ergonomia
(ErgoCoaches) são bem conhecidos e estão presentes nos locais de trabalho de todo o país. O
governo apoia financeiramente esta iniciativa, que tem sido muito bem sucedida. Na Bélgica,
Alemanha ou França, os conhecimentos vêm sendo transferidos para cada grupo de trabalha-
dores através da formação de «líderes interpares», de acordo com as necessidades específicas
das empresas e tomando em consideração as tarefas em causa, há mais de dez anos. Como
nesses países não existe apoio estatal, os progressos são muito mais lentos, mas, mesmo assim,
há cada vez mais peritos em prevenção de lesões dorso-lombares e ergonomia (Alemanha),
Animateur/Animatrice pour la manutention des malades/des charges (França, Bélgica) a iniciar
o desempenho dessa função. Os líderes interpares são trabalhadores com formação específica e
conhecimentos aprofundados em matéria de ergonomia, métodos de trabalho respeitadores da
coluna vertebral e equipamentos adequados. Vão dando instruções aos seus colegas ao longo da
rotina de trabalho diária, enquanto trabalham juntos, ajudando assim a promover uma conduta
de trabalho segura. Além disso, aconselham os colegas e os chefes de equipa sobre a forma de
prevenir as LME ou os acidentes e ajudam a assegurar uma conceção ergonómica dos postos de
trabalho ou a tomar decisões sobre os equipamentos mais adequados.

O conceito de líderes interpares aplica-se ao setor da saúde, bem como a outras profissões em
que existe grande necessidade de promover métodos de trabalho respeitadores da coluna
vertebral.
Para mais informações, ver:
www.ergocoaches.nl
www.backexchange.eu
www.inrs.fr
www.backexchange.eu (que contém aconselhamento sobre a contratação de peritos nacionais)

Outra abordagem de prevenção das LME é o Back Care Advisor, no Reino Unido, que é um
perito externo que presta aconselhamento destinado a promover o desenvolvimento das
organizações no sentido de prevenir as LME. Para mais informações, ver www.nationalbackex-
change.org/roles_of_a_back_care_advisor/index.html

(56) Agência Europeia para a Segu-


rança e a Saúde no Trabalho,
«Work-related musculoskele-
tal: Prevention report», Serviço
das Publicações Oficiais das
Comunidades Europeias,
Luxemburgo, 2008.

(57) Ver também: Associação


Internacional da Segurança
Social (AISS), «Back-protecting
work practices in healthcare:
training and prevention
concepts in Europe», Experts’
Workshop, Paris, 2002.

131
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.1.7. Comportamento em situações críticas:


recomendações para os trabalhadores

Levantar, segurar, transportar, pousar uma carga:


técnicas de movimentação recomendadas
Antes de levantar uma carga, é necessário planear e preparar-se para essa tarefa. Será
realmente necessário levantar a carga? Pode evitar fazê-lo? Pode obter ajuda? Se não
for possível evitar o levantamento, certifique-se de que:

• sabe para onde vai;

• a zona onde se movimenta está livre de obstáculos;

• consegue agarrar bem a carga (luvas adequadas);

• as suas mãos, a carga e as eventuais pegas não estão escorregadias;

• se estiver a fazer o levantamento com outra pessoa, certifique-se de que ambas


sabem o que vão fazer antes de começarem.

Deve utilizar a técnica seguinte ao levantar uma carga:

• criar e manter uma base estável;

• colocar os pés de cada lado da carga, com o seu corpo por cima (se isso não for pos-
sível, tente aproximar o seu corpo o mais possível da carga);

• inicie o levantamento com a coluna lombar, a bacia e os joelhos moderadamente


fletidos;

• utilize os músculos das pernas ao fazer a elevação;

• endireite as costas, tente não torcer o corpo nem incliná-lo para o lado;

• aproxime a carga o mais possível do seu corpo;

• levante e transporte a carga com os braços esticados e virados para baixo;

• faça movimentos suaves;

• pouse a carga e depois ajuste a sua posição;

• movimente os artigos armazenados acima do nível dos olhos utilizando uma escada
ou um escadote.
  28 Carga próxima do
corpo
  29 Técnica correta

132
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Empurrar e puxar cargas: técnicas de movimentação recomendadas

É importante que:

• qualquer esforço para empurrar e puxar seja efetuado utilizando o próprio peso
do corpo; coloque os pés paralelos um ao outro e incline-se para a frente quando
empurra e para trás quando puxa;

• empurre os equipamentos em vez de os puxar, sempre que possível;

• mantenha os braços próximos do corpo e empurre com o corpo inteiro e não apenas
com os braços;

• certifique-se de que tem boa visibilidade e de que a carga está estável;

• remova os objetos desnecessários para reduzir o peso;

• evite os obstáculos que possam causar paragens abruptas;

• tenha suficiente aderência ao chão para se poder dobrar para a frente e para trás
(calçado adequado?) (ver também «Prevenção de acidentes causados por escorre-
gões, tropeções e quedas», p. 157);

• evite torcer ou dobrar as costas;

• evite empurrar, de forma incómoda, com uma mão e segurar os equipamentos sol-
tos com a outra;

• as rodas tenham a dimensão adequada;

• todos os equipamentos sejam objeto de uma manutenção regular, para que os dis-
positivos de movimentação sejam convenientemente mantidos e funcionem sem
dificuldades nem percalços;

• retire os equipamentos defeituosos de serviço;

• os pavimentos sejam duros, nivelados e limpos.

  30 Alinhar uma cama


  31 Empurrar uma cama

Movimentação de doentes: técnicas recomendadas


Recorde-se de que não existem regras fixas para uma movimentação ótima dos doen-
tes. As normas só vão até um certo ponto, uma vez que a movimentação ótima dos
doentes pode ter um significado diferente em cada situação, em relação a cada doente
ou trabalhador da saúde e para cada tipo de cuidado de saúde. No entanto, há alguns
princípios básicos que devem ser tidos em conta.

133
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Princípios básicos para uma movimentação dos doentes respeitadora da coluna


vertebral

Antes de mobilizar um doente, faça sempre uma revisão rápida da atividade de


movimentação que vai efetuar. É necessário que planeie e se prepare para a tarefa.
Certifique-se de que reduz o esforço suportado pelo seu sistema músculo-esquelético:

• organize o seu ambiente de modo a ter espaço suficiente e uma altura ergonómica
(da cama, por exemplo);
• certifique-se de que os bloqueios da cama, do carrinho ou da cadeira de rodas estão
adequadamente colocados;
• reduza a carga, utilize ajudas à movimentação e trabalhe com dois ou mais colegas;
• se trabalhar com dois colegas ou mais, é absolutamente necessário comunicarem sobre
a ação de movimentação, coordenarem o processo e informarem também o doente;
• movimente o doente o mais próximo possível do seu corpo e mantenha este o mais
vertical possível;
• não faça movimentos súbitos e bruscos nem trabalhe com os ombros erguidos;
• dobre os joelhos em vez das costas e inicie os movimentos em pé com os pés para-
lelos e transferindo o seu peso de uma perna para a outra;
• se o esforço for excessivo, experimente outra solução, utilize uma ajuda técnica e/ou
trabalhe com duas ou mais pessoas.
  32 Posição dos pés:
Transferência de
peso

  33 Transferência de um
doente paralisado
com a ajuda de um
elevador montado no
teto

Princípios básicos para um método de trabalho orientado para os recursos do doente

Um método de trabalho orientado para os recursos do doente pode reduzir ainda mais o
esforço do prestador de cuidados, equilibrando os eventuais défices funcionais do doente
e reduzindo o risco de serem causados danos ao doente e ao prestador de cuidados:

• o padrão de movimento e a sua velocidade devem ser induzidos pelo doente, ajus-
tando-se o prestador de cuidados à forma como este se move;
• a interação entre o doente e o prestador de cuidados deve ser concebida de forma
harmoniosa, para induzir orientação e controlo por parte do doente;
• dar pequenos passos permite que o doente aja por sua própria iniciativa, reduzindo,
assim, o esforço do prestador de cuidados;
• sempre que possível, deve manter-se o peso do doente dentro das suas próprias
estruturas corporais e mover o doente transferindo o peso passo a passo de acordo
com o padrão de movimento natural, em vez de levantar o peso;
• o apoio deve ser oferecido utilizando os padrões de movimento naturais;
• é essencial usar um contacto seguro e por impulsos com o doente e nunca o agarrar
pelas articulações.

134
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

  34 Um contacto seguro,


por impulsos, com o
doente.

Longos períodos de pé ou de pé em posições curvadas/incómodas:


comportamento recomendado
  35   A secretária, a ca-
A conceção ergonómica do local de tra- deira e o microscópio
balho (altura ergonómica, planos de tra- podem ser adaptados
balho reguláveis, utilização de apoios), às necessidades do
utilizador
bem como as posições de trabalho res-
peitadoras da coluna vertebral permitem
reduzir o esforço suportado pelo sistema
músculo-esquelético e, por conseguinte,
têm um impacto positivo.

Para aliviar a zona dorso-lombar, devem


observar-se os princípios seguintes:

• a altura de trabalho ergonómica, isto é, o plano de trabalho, deve estar aproximada-


mente 5 cm abaixo da altura do cotovelo de alguém que esteja de pé na vertical; são
preferíveis os planos de trabalho que possam ser regulados individualmente;

• o esforço das atividades executadas de pé deve ser, sempre que possível, reduzido
por meio de um apoio, que deve ser regulável e adaptado à altura do utilizador;

• o uso de meias de descanso pode ser uma medida importante para apoiar o sistema
venoso nos casos de exposição prolongada ao trabalho de pé;

• o uso de calçado adequado previne o desenvolvimento de pé chato ou pé plano.

 36 37 38 Altura de
trabalho ergonómica

135
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Longos períodos na posição sentada: comportamento recomendado


  39 Assento, costas, pés, Não há muitas regras fixas para uma posição sentada
apoio dos braços, se-
cretária e microscópio ótima, uma vez que este conceito pode significar uma
reguláveis coisa diferente em cada situação e para cada tipo de
trabalho: uma liberdade máxima de movimentos ou
uma visibilidade perfeita do visor e dos ficheiros, por
vezes até um relaxamento propositado. O objetivo
deverá consistir em evitar o mais possível os efei-
tos adversos causados por essa posição, principal-
mente quando é mantida durante longos períodos.
Qualquer pessoa que se sente para telefonar, tenha
uma conversa breve ou uma pausa de curta duração
dificilmente sofrerá efeitos físicos e mentais negativos
relacionados com a posição sentada — nesses casos,
trata-se simplesmente de uma questão de conforto. No entanto, ao fim de cerca de
meia hora, podem surgir sensações desagradáveis.

Para se evitarem os efeitos negativos, deve fazer-se uma curta pausa aproximada-
mente de meia em meia hora e mudar de posição o mais frequentemente possível.
A cadeira de trabalho deve ser individualmente adaptada ao utilizador, com a ajuda
de vários ajustamentos, os mais importantes dos quais são a altura, a inclinação e a
profundidade do assento, a altura dos apoios para os braços, a altura e a inclinação das
costas, bem como a regulação dinâmica das costas.

A relação entre a altura do plano de trabalho e a altura do assento é igualmente


importante. Numa posição de trabalho normal, os antebraços devem estar paralelos
às coxas. Os antebraços e as mãos devem estar confortavelmente pousados no tampo
da mesa sem que os ombros estejam erguidos. Se as solas dos pés não estiverem em
contacto total com o chão, é necessário usar um apoio para os pés de altura regulável
ou, se possível, deve baixar-se a altura do plano de trabalho. O posto de trabalho deve
ser suficientemente espaçoso (58).

  40 Posição sentada:


documentação num
serviço de enferma-
gem

  41 Plano de trabalho


regulável

(58) Diretiva 90/270/CEE


do Conselho, de 29 de
maio de 1990, relativa
às prescrições mínimas
de segurança e de saúde
respeitantes ao trabalho
com equipamentos
dotados de visor (quinta
directiva especial na
acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Directiva
89/391/CEE), JO L 156 de
21.6.1990, p. 14 a 18.
4.1.8. Principais mensagens e conclusões

Nota importante As condições de trabalho devem ser de molde a não pôr a saúde dos trabalhadores em perigo.
Os recursos dos trabalhadores saudáveis devem ser reforçados, os trabalhadores em risco de-
vem ser apoiados por medidas de proteção e os trabalhadores que já tenham LME devem ser
ajudados a regressar ao trabalho. Uma abordagem participativa é particularmente promissora,
sendo também muitas vezes necessário interligar as medidas de prevenção dos riscos e de
promoção da saúde para alcançar os objetivos.

136
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

4.1.9. Diretivas da União Europeia aplicáveis


As prescrições estabelecidas nas diretivas europeias relevantes para a prevenção de
LME incluem as seguintes responsabilidades dos empregadores:

1. seguir um enquadramento geral de gestão da segurança e saúde que abranja a


avaliação e a prevenção dos riscos; dar prioridade a medidas coletivas destinadas
a eliminar os riscos; fornecer informações e formação, consultar os trabalhado- (59) Diretiva 89/391/CEE
res (homens e mulheres) e coordenar os contratantes em matéria de segurança do Conselho, de 12
(Diretiva 89/391/CEE do Conselho) (59); de junho de 1989,
relativa à aplicação de
medidas destinadas a
2. consultar os trabalhadores é um imperativo; recorrer aos seus conhecimen- promover a melhoria da
tos ajuda a assegurar a deteção correta dos riscos e a aplicar soluções viáveis; segurança e da saúde
dos trabalhadores no
garantir uma abordagem neutra em termos de género (Diretiva 89/391/CEE do trabalho, JO L 183 de
Conselho) (60); 29.6.1989, p. 1 a 8.

3. a Diretiva 90/270/CEE do Conselho relativa às prescrições mínimas de segurança (60) JO L 183 de 29.6.1989,
p. 1 a 8.
e de saúde respeitantes ao trabalho com equipamentos dotados de visor contém
referências pormenorizadas à conceção dos postos de trabalho onde são utili- (61) Diretiva 90/270/CEE
zados visores (61); do Conselho, de 29 de
maio de 1990, relativa
às prescrições mínimas
4. assegurar a boa manutenção dos locais de trabalho (Diretiva 89/654/CEE do de segurança e de
Conselho) (62); saúde respeitantes ao
trabalho com equipa-
mentos dotados de
5. assegurar que, na medida do possível, os locais de trabalho recebem suficiente visor (quinta directiva
luz natural e estão equipados com uma iluminação artificial adequada para prote- especial na acepção do
ger a segurança e a saúde dos trabalhadores (Diretiva 89/654/CEE do Conselho) (63); n.º 1 do artigo 16.º da
Directiva 89/391/CEE),
JO L 156 de 21.6.1990,
6. disponibilizar equipamentos de trabalho ergonómicos adequados com uma p. 14 a 18.
abordagem sensível à dimensão do género para reduzir/evitar os perigos (64);
(62) Diretiva 89/654/CEE
do Conselho, de 30 de
novembro de 1989,
relativa às prescrições
mínimas de segurança e
de saúde para os locais
de trabalho (primeira
diretiva especial, na
acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
de 30.12.1989, p. 1 a 12.

(63) JO L 393, 30.12.1989,


p. 1 a 12.

(64) Diretiva 2009/104/CE


do Parlamento Europeu
e do Conselho, de 16
de setembro de 2009,
relativa às prescrições
mínimas de segurança e
de saúde para a utiliza-
ção pelos trabalhadores
de equipamentos de
trabalho no trabalho
(segunda diretiva
especial, na acepção do
n.º 1 do artigo 16.º da
Directiva 89/391/CEE
— Codificação da Direti-
va 89/655/CEE, alterada
pelas Diretivas 95/63/CE
e 2001/45/CE); JO L 260
de 3.10.2009, p. 5 a 19 e
JO L 156 de 21.6.1990,
p. 9 a 13.

137
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

7. a Diretiva 90/269/CEE do Conselho estabelece as prescrições mínimas de segu-


rança e de saúde respeitantes à movimentação manual de cargas que com-
portem riscos, nomeadamente dorso-lombares, para os trabalhadores (65);
(65) Diretiva 90/269/CEE
do Conselho, de 29 de
maio de 1990, relativa 8. disponibilizar equipamentos de proteção individual (por exemplo, calçado de
às prescrições mínimas proteção, luvas de trabalho que permitam uma boa preensão) apropriados para
de segurança e de
saúde respeitantes à
os riscos envolvidos e quando estes não possam ser evitados por outros meios. O
movimentação manual equipamento deve ser confortável, adequado ao portador, devidamente mantido
de cargas que compor- e não deve aumentar outros riscos (Diretiva 89/656/CEE do Conselho relativa às
tem riscos, nomeada-
mente dorso-lombares,
prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização pelos trabalhado-
para os trabalhadores res de equipamentos de proteção individual no trabalho) (66);
(quarta diretiva especial
na acepção do n.º 1 do
artigo 16°. da Diretiva
9. o artigo 14.º, n.º  1, da Diretiva 89/391/CEE do Conselho trata da vigilância da
89/391/C), JO L 156 de saúde dos trabalhadores (67);
21.6.1990, p. 9 a 13.
10. a Diretiva 93/42/CEE regula todos os aspetos relativos ao funcionamento dos dis-
(66) Diretiva 89/656/CEE
do Conselho, de 30 de
positivos médicos (68);
novembro de 1989,
relativa às prescrições 11. a manutenção de condições de trabalho seguras e saudáveis não é apenas respon-
mínimas de segurança e
de saúde para a utiliza-
sabilidade da gestão, os trabalhadores também têm deveres (Diretiva 89/391/
ção pelos trabalhadores /CEE do Conselho) (69):
de equipamentos de
proteção individual
no trabalho (terceira
»» respeitar os sistemas de trabalho adequados estabelecidos para a sua segurança,
diretiva especial, na
acepção do n.º 1 do »» utilizar adequadamente os equipamentos disponibilizados para a sua segurança,
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
de 30.12.1989, »» cooperar com a entidade patronal em questões de segurança e saúde,
p. 18 a 28.

»» seguir as instruções de acordo com a formação que receberam,


(67) JO L 183 de 29.6.1989,
p. 1 a 8.
»» informar a entidade patronal se identificarem atividades de movimentação peri-
(68) Diretiva 93/42/CEE gosas ou outros riscos de LME,
do Conselho, de 14
de junho de 1993,
relativa aos dispositivos »» assegurar que as suas atividades não põem outras pessoas em risco.
médicos, JO L 169 de
12.7.1993, p. 1 a 43.
N.B.: As prescrições mínimas previstas nas diretivas do Conselho foram transpostas
( ) JO L 183 de 29.6.1989,
69 para a legislação nacional que, por sua vez, pode conter prescrições complementares,
p. 1 a 8. que é necessário verificar.

138
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

4.1.10. Descrição de boas práticas empresariais

4.1.10.1. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas


no Hospital St. Elisabeth, Tilburg, Países Baixos
O hospital St. Elisabeth, em Tilburg, tem 180 anos. Começou por ser uma casa de saúde
gerida por freiras, mas atualmente conta com 3  100 trabalhadores e presta cuidados
a 44 000 doentes em regime de internamento, 347 000 doentes em consultas externas
(incluindo cuidados em regime ambulatório) e 16 000 doentes no hospital de dia, por ano.
Numa entrevista, Christel van Neerven, chefe do departamento de segurança e saúde no
trabalho, e Monique Pullen, consultora de segurança e saúde no trabalho, descrevem as
atividades do hospital no domínio da prevenção dos riscos músculo-esqueléticos e de que-

Boas práticas
das, nomeadamente a aplicação do sistema de «ErgoCoaches» (instrutores de ergonomia).

O que vos levou a debruçarem-se sobre a questão das LME e dos acidentes
causados por quedas?

A análise dos nossos números sobre a incapacidade para o trabalho e dos dados forneci-
dos pelo nosso médico do trabalho revelou que os problemas dorso-lombares, bem como
os das cervicais e dos ombros, são as principais causas de incapacidade para o trabalho.
Por isso, foram os nossos próprios números que nos alertaram para a necessidade de resol-
vermos este assunto e constatámos, pelo inventário e o inquérito sobre os riscos que levá-
mos a cabo, que as queixas físicas são predominantes. Além disso, obtivemos informações
complementares dos trabalhadores que retomaram a atividade depois de uma licença
por incapacidade para o trabalho. Recomenda-se que os quadros de gestão realizem esse
tipo de debates para obterem informações e este ano tencionamos realizar novas ações
de formação e de desenvolvimento da gestão a eles destinadas sobre esta matéria.

Com base em todas essas informações reunidas, decidimos direcionar um esforço


acrescido para a questão das LME, procurando obter o máximo conhecimento possível
sobre as áreas em que estão os verdadeiros problemas. Para isso, realizamos entrevis-
tas de duas horas, em cada serviço, a dois trabalhadores nomeados pelos chefes de
equipa responsáveis. Devido à grande diversidade de funções e especializações, as
perguntas são orientadas para as atividades, incidindo, por exemplo, sobre as tarefas
desempenhadas, o tipo de atividades, a sua duração, a carga mental que implicam, etc.,
e baseiam-se nas orientações governamentais referentes aos riscos subjacentes a essas
atividades. Depois, acompanhamos os entrevistados ao local de trabalho, com o intuito
de compararmos as informações fornecidas com uma observação objetiva do mesmo.

Como procedem? Formam grupos de projeto? Qual é o calendário adotado?

Utilizamos um inventário básico dos riscos, que abrange todos os riscos existentes no
setor da saúde, complementado pelo nosso procedimento específico para os riscos
músculo-esqueléticos (entrevistas e observação). Começamos por elaborar um projeto
de plano. O que vamos fazer e porquê? Quem é responsável pelo quê? O plano é apre-
sentado à direção e aos representantes dos trabalhadores para eles darem o seu acordo.
Posteriormente, os diretores dos departamentos e os chefes de equipa são contactados
para marcar o inquérito, sendo-lhes facultadas informações adicionais sobre os objeti-
vos e os métodos. Os trabalhadores não estão diretamente envolvidos nesse trabalho,
mas quando formulamos uma política nesta matéria consultamo-los sempre, porque
são eles que trabalham com os riscos e podem fornecer informações muito úteis.

Uma vez concluído o inquérito, elaboramos um relatório e debatemo-lo com os che-


fes de equipa e os chefes de serviço. Os chefes de equipa são obrigados a debatê-lo
com todos os trabalhadores. A equipa de investigação apoia esse debate e fornece
as explicações que forem necessárias. O chefe de serviço decide quais das medidas

139
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

recomendadas serão adotadas e, por vezes, é a administração que decide se as medi-


das também serão aplicadas noutros departamentos, ou em todo o hospital.

Que objetivos estabeleceram em relação às medidas músculo-esqueléticas?


Como avaliam a consecução dos objetivos? Essa avaliação está integrada num
sistema de gestão da qualidade?

Os objetivos consistem em melhorar as condições de trabalho, aumentar a satisfação


profissional e melhorar a qualidade do trabalho, integrando este tema nos procedi-
mentos gerais. Outros objetivos são a melhoria da qualidade dos cuidados de enfer-
magem, o desenvolvimento pessoal e a redução do número de dias de absentismo
por incapacidade para o trabalho. Verificamos se os objetivos foram alcançados atra-
vés dos dados que recolhemos e das perguntas específicas que inserimos no inquérito
Boas práticas
que fazemos. As verificações são repetidas de dois em dois anos de maneira idêntica
para ver se a situação melhorou. Ainda não foram incluídos critérios externos como as
quedas de doentes, as complicações que surgem (por exemplo, infeções bacterianas)
ou outros indicadores da melhoria da qualidade dos cuidados, mas tencionamos fazê-
-lo. Além disso, realizamos ações de formação específicas sobre temas músculo‑esque-
léticos. Os trabalhadores que recebem essa formação são «ErgoCoaches» (instrutores
de ergonomia) que aconselham os colegas e os chefes de equipa em questões de
ergonomia e conceção do trabalho. Realizamos, ainda, inspeções para averiguar se
estamos a cuidar eficazmente da saúde profissional dos nossos trabalhadores. Todas
estas medidas fazem parte do sistema de gestão da qualidade aplicável aos hospitais
dos Países Baixos (MYAZ), que conjuga as medidas de segurança e saúde no trabalho
com uma boa gestão da qualidade. Anualmente, realizam-se auditorias numa secção
do hospital e nós indicamos os assuntos ou tópicos que devem ser incluídos.

Pode explicar o sistema dos ErgoCoa-


ches de forma mais pormenorizada?

Os ErgoCoaches são trabalhadores com for-


mação específica em ergonomia e métodos
de trabalho respeitadores da coluna vertebral.

Que medidas tomam para além dos


ErgoCoaches? Têm medidas a nível téc-
nico, organizativo e pessoal?

As atividades têm lugar a todos esses níveis.


Ao nível técnico/estrutural adotamos
medidas como a remodelação das salas, a   42 Balcão concebido ergonomicamente no serviço de pediatria
conceção ergonómica dos locais de traba-
lho, a alteração da disposição e conceção estrutural (localização, soleiras das portas,
armazenamento de materiais, portas automáticas, etc.). A conceção ergonómica dos
balcões, que antes eram mais baixos e originavam muitos problemas nas cervicais e
nos ombros, ou as mesas de altura regulável nos postos de trabalho com microscópios,
no laboratório, as quais permitem que os trabalhadores trabalhem sentados ou de pé,
são alguns dos elementos específicos atualmente adotados. Também temos técnicos
que ajudam os trabalhadores a regular a mesa e a cadeira para a altura correta.

A nível organizativo, tomamos medidas para adaptar o sistema de cuidados de enfer-


magem, melhorar os processos de trabalho, aumentar a cooperação entre grupos
profissionais, adquirir equipamentos ergonómicos, testar e comprar ajudas mecâni-
cas (instrumentos de apoio e ajudas técnicas) e elaborar um programa de formação
contínua para os enfermeiros, integrado no manual de gestão da qualidade. Os traba-
lhadores da limpeza e o pessoal da cozinha também estão incluídos e recebem instru-
ções sobre o modo de organizarem o seu trabalho de forma ergonómica. A formação

140
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

fornecida aos ErgoCoaches e a formação em ergonomia relacionada com os serviços


são elementos importantes neste aspeto. Os chefes de equipa têm a responsabilidade
de verificar e assegurar que toda a gente recebe uma formação frequente, devendo
apresentar, uma vez por ano, um programa completo dos cursos de formação de que
irão necessitar no ano seguinte.

A nível pessoal, realizamos muitos cursos de formação e aplicamos muitas medidas de


desenvolvimento dos recursos humanos (formação contínua, acesso a conceitos, quali-
ficação dos multiplicadores ou mentores, qualificação dos formadores) e promovemos
a utilização de equipamentos de proteção individual (vestuário e calçado de trabalho),
pequenos apoios e ajudas técnicas, medidas de promoção da saúde e autocuidados. A
formação é sobretudo realizada a nível interno e está a cargo dos chefes de equipa e dos
ErgoCoaches. São regularmente disponibilizados instrumentos de apoio (estruturas de

Boas práticas
transferência, pranchas de transferência, elevadores) e formação sobre a sua utilização.
Quanto aos sapatos de trabalho, sugerimos alguns requisitos, mas estes não são obriga-
tórios, apenas sendo obrigatório usar sapatos de trabalho especiais no bloco operatório,
no serviço de urgência e para o transporte de doentes. No que respeita a ofertas relacio-
nadas com o bem-estar físico, temos uma parceria com um ginásio e centro desportivo
que oferece descontos ao nosso pessoal. Também temos aulas de ioga a nível interno e
uma aula de meditação orientada por uma das nossas enfermeiras dos cuidados intensi-
vos. Muitas equipas do hospital participam na corrida de 10 milhas de Tilburg.

Onde encontram os conhecimentos especializados necessários? Têm parceiros


externos? Como financiam as diversas medidas?

Fazemos parte de uma rede de hospitais de elevada qualidade e de uma rede de traba-
lhadores em matéria de segurança e saúde no trabalho (SST) com as quais partilhamos
conhecimentos e informações. Reunimo-nos três vezes por ano e desenvolvemos e
utilizamos artefactos em comum. A rede foi criada há nove anos, por ideia nossa, com
apenas cinco ou seis colegas, mas agora já conta com 23 hospitais. Também temos
acordos com parceiros externos, designadamente fornecedores de mobiliário e ele-
vadores, com o objetivo de adequar melhor os produtos à sua utilização no hospital.
Além disso, existe uma rede de ErgoCoaches em Tilburg e nas aldeias circundantes.

Quanto ao financiamento, cada departamento tem o seu próprio orçamento. O depar-


tamento de SST também possui o seu, que pode utilizar para realizar projetos em todo
o hospital, como é o caso da formação dos ErgoCoaches. Parte do nosso orçamento foi
gasto na contratação de um novo membro do pessoal que depois deu formação aos
ErgoCoaches. O orçamento global do hospital financia as medidas que abrangem o
hospital inteiro, como as obras de construção e remodelação.

Como tem corrido a aplicação das medidas? Recebem apoio da administração?


Há dificuldades?

Nós concentramo-nos na comunicação. Em primeiro lugar, envolvemos a direção no


inquérito e no processo de formulação de recomendações, e por isso ela nunca é apa-
nhada de surpresa pelos nossos conselhos. Em segundo lugar, fornecemos-lhe informa-
ções sobre o que está a fazer bem. Falamos com os diretores para que essas coisas sejam
mantidas como estão e debatemos com eles as medidas adicionais que é possível tomar
e em que áreas podem agir diferentemente. Obtemos, assim, uma grande aceitação para
os procedimentos que propomos. Também falamos com os trabalhadores e os chefes
de equipa para compreender o que motiva as suas eventuais queixas. Por vezes, os tra-
balhadores sentem que uma atividade é muito difícil, mas a avaliação mostra que, na
realidade, não é assim tão difícil. Por isso, uma queixa pode ter causas diferentes.

Quando lançamos uma medida há sempre algumas pessoas dispostas a utilizá-la.


Começamos com um grupo pequeno e essas pessoas podem ajudar a convencer as

141
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

outras. Também estabelecemos acordos com os chefes de equipa, por exemplo, para
assegurar que toda a gente tem tempo suficiente para utilizar essa medida, ou come-
çamos por um serviço que esteja interessado em fazer algo novo.

No início do nosso trabalho, havia um preconceito em relação à segurança e saúde


no trabalho, diziam: «custa muito dinheiro, mas não leva a lado nenhum». Por isso,
fizemos um esforço para mostrar constantemente os resultados e para conferir à
segurança e saúde no trabalho um rosto com quem todos pudessem falar. As peque-
nas coisas (como as portas que não fecham bem, os problemas com pavimentos ou
com computadores) têm prioridade sobre a formulação de políticas. Estas também
são importantes, mas nessa fase os resultados concretos eram mais importantes. Esta
abordagem era diferente daquilo que muitos outros fazem. Começam com a estraté-
gia e não contactam diretamente com as pessoas, pondo muita coisa no papel, mas
Boas práticas
sem que ninguém perceba bem o que está a ser feito.

Avaliam a eficácia das medidas? Como é que asseguram a sua sustentabilidade?

Realizamos auditorias de gestão da qualidade interna, anualmente, e somos objeto de uma


auditoria externa com poucos anos de intervalo. Além disso, vamos fazendo avaliações
através de conversas informais com os chefes de equipa. Perguntamos-lhes: as coisas estão
a mudar? Conseguem fazer o que é necessário? Necessitam de mais assistência? Podemos
ajudar de algum modo? Além disso, examinamos os números do absentismo e o número
de trabalhadores que se foram embora devido a problemas de saúde relacionados com o
trabalho, com o objetivo de lhes encontrarmos outra função que possam desempenhar.

A sustentabilidade assenta no acompanhamento regular da avaliação dos riscos efe-


tuada de dois em dois anos. São incluídas no inquérito perguntas relacionadas com as
medidas tomadas e os resultados mostram as medidas que foram eficazes e as que o
não foram. Além disso, falamos com os chefes de equipa e fazemos as nossas próprias
observações. Se as medidas não funcionam bem, tentamos modificá-las, debatendo o
problema com o chefes de equipa e com os trabalhadores. Inquirimos os motivos por
que não estão a utilizar alguma coisa, para descobrirmos o que se adequa a determi-
nado serviço, e introduzimos alterações tendo em conta o que nos dizem. Se não o
fizéssemos, a medida não seria utilizada.

Duas vezes por ano, organizamos reuniões de instrutores de ergonomia, que consti-
tuem uma oportunidade para formar redes, trocar ideias, etc. Às vezes, desenvolvem-
-se soluções num serviço que também são úteis para outros serviços e nós ajudamos a
transferir as informações. Quando introduzimos novos instrumentos ou ajudas técni-
cas, temos períodos de experimentação antes de os comprar, porque é necessário que
os trabalhadores avaliem os instrumentos. Podemos aconselhá-los, mas eles também
têm responsabilidade.
(70) Esta é uma trans-
crição de uma 4.1.10.2. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas
entrevista efetuada
em alemão, pelo no Berufsgenossenschaftliches Unfallkrankenhaus
que pode não estar
perfeita do ponto de
Hamburg (BUKH), Alemanha (70)
vista linguístico. O BUKH  (71) tem 1  637 trabalhadores, no total, e em 2000 foi iniciado um projeto a
(71) Berufsgenossenschaf-
tliches Unfallkranke-
longo prazo para promover a contínua melhoria da sua segurança e saúde no traba-
nhaus Hamburg lho. O projeto arrancou no setor da enfermagem, que conta com cerca de 600 traba-
(BUKH), República lhadores, com um inquérito ao pessoal. Esse inquérito revelou uma elevada exposição
Federal da Alemanha
(http://www.buk-
física neste setor e também o desejo dos enfermeiros de poderem continuar a exercer
-hamburg.de). a sua profissão durante o máximo tempo possível. Os círculos de saúde ajudaram a
(72) Berufsgenossens- colocar os problemas em termos concretos e a formular as soluções iniciais.
chaft für Gesun-
dheitsdienst und
Wohlfahrtspflege Pretendia-se encontrar uma maneira de conceber o ambiente e os fluxos de trabalho de
(BGW) (http://bgw- forma mais ergonómica, comprar dispositivos de apoio à movimentação adequados (72)
-online.de).

142
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

e elevar o nível de qualificação do pessoal de enfermagem. Deu-se especial atenção ao (73) Forum fBB, Hamburg
(http://www.forumfbb.
objetivo de tomar medidas sustentáveis para reduzir os dias de trabalho perdidos por
de).
doença, prevenir as doenças profissionais, melhorar a qualidade dos cuidados e aumen-
tar a satisfação profissional e o bem-estar do pessoal de enfermagem. Para o efeito, elabo- (74) Hamburgische
rou-se um pacote de medidas coordenado, baseado na avaliação dos riscos, na seleção e Arbeitsgemeinschaft für
Gesundheitsförderung
compra de dispositivos de apoio à movimentação e na formação inicial dos quadros exe- e.V. (http://hag-
cutivos e dos trabalhadores da saúde. Todos os intervenientes na segurança e saúde no gesundheit.de).
trabalho, ou seja, o pessoal executivo, o médico do trabalho, o especialista em segurança
e saúde no trabalho, o representante da promoção da saúde e o representante do pes- (75) Ergonomico Concept,
Forum fBB, Hamburg
soal, bem como o representante da gestão da qualidade e os responsáveis pelo desen- (http://www.forumfbb.de).
volvimento dos recursos humanos, participaram no processo, com o apoio de peritos
externos [Berufsgenossenschaft fur Gesundheitsdienst und Wohlfahrtspflege (Instituição
de Seguros e Prevenção de Acidentes nos Serviços de Saúde e Proteção Social)] e do

Boas práticas
Forum fBB Hamburg (73). Em 2007, o BUKH foi galardoado com o prémio de promoção da
Saúde de Hamburgo pelas suas medidas de promoção da saúde no local de trabalho (74).

Numa primeira fase, a avaliação dos riscos foi aperfeiçoada através de análises aprofun-
dadas da situação e dos círculos de saúde subsequentes. Foram escolhidas sete unidades
de serviço como unidades-modelo e o pessoal de enfermagem recebeu uma formação
básica de ergonomia, durante três dias, sobre a movimentação de doentes segundo o
conceito «Ergonomico» (75) [formação inicial e contínua nos termos da portaria alemã
sobre a movimentação de cargas (Lastenhandhabungsverordnung) baseada na Diretiva
90/269/CEE do Conselho]. Para atingir os objetivos estabelecidos, tinha sido decidido
adotar uma abordagem integrativa no conceito do seminário [interligando segurança e
saúde no trabalho (movimentação preventiva dos doentes/ respeitadora da coluna ver-
tebral) com orientação dos doentes — métodos de trabalho orientados para os recursos
dos doentes com utilização de dispositivos de ajuda à movimentação]. A fim de integrar
a aprendizagem feita na prática de enfermagem quotidiana, os participantes receberam
simultaneamente apoio prático e instruções, nas unidades de serviço. Os dispositivos de
apoio à movimentação foram testados, selecionados, comprados e adaptados às carac-
terísticas e necessidades de cada secção.

O segundo inquérito ao pessoal (2004) já tinha deixado bem claro que as medidas
introduzidas estavam a produzir exatamente os efeitos positivos que pretendíamos.
Então, o projeto foi alargado a outros serviços e secções. Por um lado, todas as sec-
ções de enfermagem foram incorporadas no programa e, por outro, procedeu-se ao
desenvolvimento e à administração, bem sucedida, de uma formação em ergonomia,
designadamente no bloco operatório, no serviço de urgência, nos setores de armaze-
namento e transporte, no serviço de ambulâncias, no serviço de limpeza, na esteriliza-
ção a nível central, na documentação médica, nos serviços administrativos, no serviço
de refeitório e no infantário para os filhos dos trabalhadores do hospital.

Em 2004, deu-se início à fase seguinte na secção de enfermagem: a sustentabilidade da


aplicação de métodos de trabalho ergonómicos e da utilização de dispositivos de apoio
à movimentação seria promovida posteriormente. Com o apoio externo do fórum fBB,
desenvolveu-se e aplicou-se o conceito de aumento da qualificação do pessoal de enfer-
Dirk Greunig, representante Susanne Hoser, porta-voz magem com aptidões e interesse em especiali-
para a segurança e a saúde dos peritos em prevenção zar-se na prevenção de lesões dorso-lombares.
profissional e o sistema de das lesões dorso-lombares
gestão da qualidade
Esses especialistas promovem métodos de tra-
balho orientados para os recursos dos doentes
e respeitadores da coluna vertebral, bem como
a utilização de dispositivos de apoio à movi-
mentação, no âmbito da sua função de multi-
plicadores e instrutores colegiais.

Os especialistas em prevenção de lesões


dorso-lombares elaboraram orientações

143
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

destinadas a apoiar essa função e formularam uma política de movimentação segura


dos doentes com base nas especificações da Lastenhandhabungsverordnung. O pro-
jeto foi integrado na gestão da qualidade através da produção de instruções proces-
suais adequadas para a aplicação da Lastenhandhabungsverordnung na prestação de
cuidados e na movimentação dos doentes.
Em 2007, 93% do pessoal de enfermagem já tinham frequentado a formação básica
para a movimentação de doentes segundo o conceito «Ergonomico». Um inquérito ao
pessoal, realizado em 2008, mostrou que 93% dos trabalhadores sabem trabalhar de
uma forma respeitadora da coluna vertebral, 83% consideram estar bem equipados
com os dispositivos de movimentação necessários, 76% receberam instruções sobre a
utilização desses dispositivos e 77% dos trabalhadores que receberam formação afir-
mam ter diminuído as suas queixas relacionadas com o esforço físico.
Boas práticas
Nos excertos da entrevista realizada no BUKH, a seguir apresentados, podem encon-
trar-se mais informações.
Entrevistador: O que levou o seu estabelecimento a ocupar-se desta questão, naquela
altura?
Dirk Greunig: Em primeiro lugar, tínhamos taxas de absentismo relativamente eleva-
das na secção de enfermagem. Em segundo lugar, o médico do trabalho corroborou
esses dados, afirmando que se estava a passar qualquer coisa nessa secção. Em terceiro
lugar, analisámos a evolução demográfica há alguns anos e constatámos que temos na
secção de enfermagem um nível relativamente elevado de trabalhadores mais velhos,
com uma média de idades de 44/45 anos. Nessa altura, ainda tínhamos um círculo
diretor para a promoção da saúde, no qual participaram vários trabalhadores de todos
os níveis hierárquicos e grupos profissionais. Este comité desenvolveu um conceito de
prevenção das lesões dorso-lombares com apoio externo (BGW e fórum fBB). O repre-
sentante para a promoção da saúde geriu e moderou todo o projeto, desenvolvendo o
sistema em conjunto com os peritos em prevenção de lesões dorso-lombares.
Entrevistador: Disse há pouco: «ainda tínhamos um círculo diretor para a promoção
da saúde», isso significa que ele deixou de existir?
Dirk Greunig: Já não existe porque optámos por juntar tudo. Queremos fundir os dois
grupos, o comité diretor para a promoção da saúde e o comité de segurança e saúde
no trabalho, de modo a criar um comité conjunto de segurança e saúde no trabalho.
Entrevistador: E assim, de facto, o modelo pretendido consiste em ligar a segurança
e saúde no trabalho clássica à promoção da saúde. Então no seu estabelecimento não
se tratou de enfrentar o problema da forma clássica e formar depois um círculo dire-
tor que tratasse da saúde em geral, criando depois um subprojeto relativo à preven-
ção dos problemas dorso-lombares. Que objetivos se pretendia atingir nessa altura?
Reduzir os dias de trabalho perdidos por doença? Aumentar a satisfação do pessoal?
Dirk Greunig: Tínhamos esses objetivos, sem dúvida, e também o de nos prepararmos
para as mudanças demográficas. Queríamos manter os trabalhadores ativos durante o
máximo tempo possível, porque não era possível substituí-los, pura e simplesmente,
mas também velar pela qualidade dos cuidados prestados aos doentes. A transferên-
cia de um doente de uma cama para outra utilizando um elevador é mais suave e
segura do que se um trabalhador tiver de dobrar as costas.
Entrevistador: Mais uma vez,
esse é um aspeto crucial: as
medidas são tomadas não só
para beneficiar os doentes ou os
trabalhadores, mas também por-
que têm aspetos positivos para
ambos os grupos.

144 O Berufsgenossenschaftliches
Unfallkrankenhaus, Hamburgo
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

Dirk Greunig: E também há o aspeto do desenvolvimento dos recursos humanos.


Construímos o sistema em conjunto com os especialistas em prevenção de lesões
dorso-lombares, para quem o local de trabalho constitui uma motivação fantástica.
São necessários e levados a sério. Têm um domínio onde podem pôr em prática os seus
conhecimentos especializados exatamente da forma que pretendem, o que é extrema-
mente bom para o seu profissionalismo, e fomenta a lealdade ao estabelecimento. Estão
ligados à sua equipa e os outros aceitam-nos melhor, quando chamam a atenção para
determinado aspeto, durante o trabalho quotidiano, do que quando alguém chega de
fora, dá uma olhadela por alguns minutos, faz uma sugestão e volta a desaparecer.
Entrevistador: Essa é uma experiência que também tenha tido, Susanne Hoser?
Susanne Hoser: Às vezes, sim. Frequentemente, vejo as diferenças quando os espe-
cialistas em prevenção de lesões dorso-lombares não se ofereceram voluntariamente

Boas práticas
para essa função, mas sim nomeados para a desempenhar. Nesses casos, há dificulda-
des. Mas em princípio as coisas funcionam assim, o que é muito compensador para os
peritos e também nos proporciona uma formação complementar.
Entrevistador: O que envolve isso em termos de formação complementar?
Basicamente, é um modelo em duas etapas. Por um lado, os trabalhadores recebem for-
mação e, por outro, existe a função de peritos em prevenção de lesões dorso-lombares.
Susanne Hoser: Fizemos formação ergonómica para a movimentação de doentes de
acordo com o conceito «Ergonomico», em seminários básicos e avançados, bem como
formação sobre dispositivos de apoio à movimentação para mobilizar e posicionar
os doentes, cinestesia, seminários básicos e avançados, um seminário básico sobre
o método de Bobarth e um seminário centrado na formação e instrução dos colegas,
todos com três dias de duração. Quatro dos especialistas em prevenção de lesões dorso-
-lombares também participaram num seminário sobre moderação e apresentação, para
desempenharem essas tarefas de forma independente, no âmbito do grupo de trabalho
de peritos nesta matéria, que se reúne regularmente. Na qualificação desses peritos está
também incluída a frequência da formação básica em ergonomia para a movimenta-
ção de doentes ou de outros seminários de qualificação. Isto significa que, depois dos
seminários para obter qualificações, há novamente a possibilidade de reciclar os conhe-
cimentos e competências, bem como de experimentar coisas sob supervisão, enquanto
peritos na prevenção de lesões dorso-lombares. Participamos regularmente em seminá-
rios de reciclagem sobre o conceito «Ergonomico» e em seminários com diversas priori-
dades temáticas como, por exemplo, o posicionamento dos doentes.
Entrevistador: Adquiriram muitos conhecimentos e competências. Os trabalhadores
também costumam frequentar esses seminários?
Susanne Hoser: Sim, eles participam cada vez mais e com mais frequência, mas isso tam-
bém varia. Os meus colegas constatam que essa análise da questão também promove
alterações e colocam questões bastante específicas num contexto quotidiano. Também há
diferentes procedimentos nas diversas unidades de serviço. O objetivo é ir dando instru-
ções de seguimento, criando uma pequena unidade de formação, no período de transição,
sobre certos temas em que todos os trabalhadores adquirem conhecimentos, que depois
aplicam e incorporam no trabalho quotidiano. O mesmo acontece quando os especialistas
na prevenção de lesões dorso-lombares estão no local e trabalham em conjunto com as
outras pessoas, são-lhes então colocadas questões e experimentam-se soluções.
Entrevistador: O aspeto fundamental, neste caso, é que os especialistas em preven-
ção de lesões dorso-lombares são trabalhadores que costumam trabalhar nas unida-
des de serviço e, por isso, estão frequentemente acessíveis.
Susanne Hoser: O sistema permite que nos sentemos juntos e conversemos sobre a
movimentação de doentes ou os casos de doentes específicos, para analisar se esta-
mos a agir da forma mais aconselhável ou se faz sentido reconsiderar a execução de
uma tarefa para sermos mais eficazes. Por exemplo, utilizar outro dispositivo de apoio

145
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

à movimentação para que a mobilização do doente se torne mais suave e agradável


para este, e não apenas para o pessoal de enfermagem. Um aspeto reconfortante é
o facto de nós, enquanto especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares, não
estarmos sozinhos. Em regra, há dois peritos por unidade de serviço e também no
bloco operatório, no recobro e no serviço de urgência.
Contudo, também considero que esta situação comporta uma ligeira dificuldade. Como
é natural, desempenhamos várias tarefas decorrentes das instruções processuais e,
devido ao facto de termos escalas de serviço ligadas ao volume de trabalho habitual,
falta-nos alguma liberdade para criarmos espaço e tempo livres para fazermos algumas
coisas na unidade de serviço e dizermos, por exemplo, vou fazer isto ou aquilo, ler umas
atas ou preparar uma apresentação para os meus colegas. Isso é, muitas vezes, algo pro-
blemático, mas claro que os benefícios são claramente superiores às desvantagens.
Boas práticas
Entrevistador: Também mencionou a instrução processual. Todo o sistema está firme-
mente enraizado no estabelecimento sob a forma de instruções processuais, incorpo-
radas na gestão da qualidade, para as atividades dos especialistas em prevenção de
lesões dorso-lombares, incluindo a questão da instrução.
Susanne Hoser: Incluindo a questão da instrução e da cooperação com outros grupos
profissionais.
Entrevistador: E quanto a outras medidas? Por exemplo, mencionaram os dispositi-
vos de movimentação.
Dirk Greunig: Não há nenhuma secção que não tenha, pelo menos, um ou dois ele-
vadores móveis. Em muitas secções também há, normalmente, elevadores de teto.
Fizemos grandes adaptações no estabelecimento, neste aspeto.
Susanne Hoser: Devido ao facto de existir um grupo de trabalho de especialistas em pre-
venção de lesões dorso-lombares — reunimos seis vezes por ano, durante um dia inteiro
— e de haver um contacto intensivo entre os peritos, é claro que há consultas perma-
nentes. Sabemos quem tem os diversos dispositivos e emprestamo-los uns aos outros.
Também há cooperação ao nível dos peritos. Os elevadores são os dispositivos mais
visíveis mas há outros mais pequenos, como as estruturas de transferência, as estruturas
antiderrapantes, as pranchas de transferência e os materiais especiais para apoiar o posi-
cionamento dos doentes, que são utilizados e cada vez mais aceites pelos meus colegas.
Dirk Greunig: Há um grupo de trabalho de especialistas em prevenção de lesões dorso-
-lombares que testou e escolheu novas camas para os doentes, efetuando análises interdisci-
plinares para determinar as que eram ou não adequadas. Por exemplo, agora só compramos
camas elétricas reguláveis em altura e com vários outros elementos elétricos que apoiam um
trabalho respeitador da coluna vertebral. Um outro grupo procedeu ao ensaio e à seleção de
dispositivos para ajudar a posicionar os doentes e fazer profilaxia das escaras.
Entrevistador: Existe um efeito de bola de neve? Constatam, a nível interno, que
outros grupos profissionais ou departamentos começam a prestar mais atenção?
Susanne Hoser: Sim, temos constatado isso. Os trabalhadores do departamento de
terapia ocupacional, que também trabalham com dispositivos de apoio à movimenta-
ção, vêm fazer-nos perguntas. Também existem desacordos, claro, porque eles traba-
lham de uma forma diferente da nossa.
Entrevistador: Então todos estão a unir esforços?
Susanne Hoser: Nós estávamos cientes de que tínhamos de trabalhar todos em con-
junto e que é aconselhável promover essa atitude. No entanto, também há, certa-
mente, muitas possibilidades de coordenação dos nossos esforços, boas abordagens,
e unidades de serviço em que essa coordenação funciona bem.
Entrevistador: Porém, isso tem, mais uma vez, dois sentidos. Quando penso no
doente, é mais agradável para ele que todos os profissionais que o contactam pensem

146
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

e atuem da mesma maneira. E o mesmo se aplica, evidentemente, ao pessoal. Que


outras medidas tomaram? Já mencionámos os dispositivos de apoio à movimentação
e a melhoria da cooperação com outros grupos profissionais. Que mais há?
Dirk Greunig: Os equipamentos de escritório em geral. Agora só compramos secretárias
eletricamente reguláveis em altura, para a posição sentada e de pé. O novo balcão da
receção também está concebido de forma a promover um funcionamento dinâmico. Do
ponto de vista técnico, estamos a tentar beneficiar muito os trabalhadores. Essa questão
foi acordada por escrito com o departamento do compras, que já não pode escolher
outras opções. Além disso, desenvolvemos instrumentos de apoio. Por exemplo, esta-
mos a criar uma base de dados que mostra o número de doentes que o nosso hospital
pode atender: o nosso problema era termos mais doentes bariátricos e não sabermos
que pesos os nossos materiais suportavam. Presentemente, há uma base de dados que

Boas práticas
mostra o que o nosso material aguenta, desde a mesa de operações até ao elevador. Por
exemplo, estamos a re-equipar os blocos operatórios de modo a podermos tratar doen-
tes com 300 kg. O facto de todos os processos de compras terem de ser apresentados
pelo departamento de compras ao departamento de segurança e saúde no trabalho é
igualmente importante. Os peritos deste departamento examinam cada equipamento
previamente, para ver se é adequado ou se irá criar problemas ou riscos adicionais para
os utilizadores. Este procedimento está inscrito nas instruções de trabalho escritas, de
acordo com as ordens do diretor-geral e com o manual de qualidade.
Também temos, por exemplo, trabalhadores que necessitam de um apoio especial.
Neste caso, desenvolvemos um processo de seleção de dispositivos de movimentação
adaptados a cada indivíduo, que foi objeto de uma instrução de serviço assinada pelo
diretor-geral. Em termos mais claros, trata-se de responder à pergunta: «Quando tenho
um problema de saúde no trabalho, como é que este será resolvido?». Atualmente,
essa questão está regulamentada de forma muito precisa, bem como a pessoa a quem
os trabalhadores em causa se devem dirigir. A pessoa responsável tem o direito de
indicar que esse trabalhador necessita de luvas especiais, uma cadeira especial ou
outra coisa qualquer.
Entrevistador: Acabou de dizer que há uma pessoa que deve ser especificamente
contactada.
Dirk Greunig: No nosso hospital, é o médico do trabalho.
Entrevistador: Talvez possamos falar agora do trabalhador a nível individual. Foram
adotadas medidas a esse nível? A formação em ergonomia é obrigatória para todos
os trabalhadores e todos devem participar. Há outras medidas para os trabalhadores?
Susanne Hoser: Também dispomos de formação em exercício para o desenvolvi-
mento dos recursos humanos, na qual podem participar todos os trabalhadores e
multiplicadores interessados, por exemplo os mentores.
Dirk Greunig: Estabelecemos objetivos de qualidade para que todos possam ver aquilo
que temos feito, indicando, por exemplo, a quantos trabalhadores demos formação.
Todos podem ver estes dados e que a direção quer que façamos este trabalho. Este
aspeto é muito importante para os trabalhadores, que podem dizer às chefias: «É isto
que o diretor-geral quer».
Entrevistador: Outra questão importante é a do calçado adequado para os enfermei-
ros. O que fizeram a esse respeito?
Dirk Greunig: No fim do ano passado, organizámos um dia extraordinário sobre o cal-
çado. Convidámos vários fornecedores de calçado adequado e todos os trabalhadores
puderam obter informações sobre o que é um calçado verdadeiramente seguro para
usar num hospital, a começar por aquele que é comprado pelo hospital, para o bloco
operatório, por exemplo. Neste caso, estamos a tentar alterar as orientações aplicáveis
às compras para que a situação fique mais clara.

147
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Susanne Hoser: Essa iniciativa também provou a muitas pessoas que um sapato bem
ajustado é mais confortável para trabalhar. Em muitos serviços, os trabalhadores foram
sensibilizados pelos especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares e pelo semi-
nário de formação em ergonomia e agora sabem que sapatos devem usar. Há serviços
onde todos trabalhadores usam calçado adequado para a profissão de enfermagem.
Entrevistador: O BGW (instituição de seguros de acidentes e prevenção no serviço
de segurança e saúde no trabalho) também se pronunciou claramente sobre este
assunto. Em que medida segue o vosso hospital essas recomendações?
Susanne Hoser: Elas fazem parte do seminário de formação em ergonomia e também
constam das orientações dos especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares.
Está a ser elaborada uma instrução de serviço.
Entrevistador: Que experiência têm tido em termos de aplicação das medidas com o
Boas práticas
apoio de formadores/consultores externos?
Susanne Hoser: Considerei muito útil a cooperação com formadores/consultores
externos, que trouxeram a experiência de outros estabelecimentos e projetos. Este é
um aspeto a favor dos elementos externos, porque assim o aspeto da ligação em rede
também produz o seu impacto.
Dirk Greunig: Um elemento externo também conhece mais soluções, que já viu noutros
sítios. Nem todas as soluções servem a todos os estabelecimentos. É necessário adaptá-las.
Susanne Hoser: Quando se trabalha há muito tempo num hospital, fica-se com uma
visão algo afunilada e deixamos de colocar algumas perguntas. Os elementos exter-
nos podem olhar para as coisas sem preconceitos.
Dirk Greunig: Um elemento externo também tem a vantagem de poder dizer coisas
que podem causar atritos e ir-se embora novamente.
Entrevistador: Essa é a grande vantagem dos elementos externos. E às vezes também
são mais escutados.
Susanne Hoser: Se alguém me perguntar algo que não sei, pergunto a outra pessoa,
ou seja, ao perito externo que estiver disponível na altura.
Entrevistador: O projeto também custa dinheiro. Foi completamente financiado
pelos vossos próprios fundos?
Dirk Greunig: O departamento de proteção da saúde tem um orçamento fixo, que
aumenta todos os anos.
Entrevistador: Conhecem-se as experiências positivas, mas o que aconteceu quando algo
não resultou? Disseram que um ou outro dos especialistas em prevenção de lesões dorso-
-lombares foi empurrado para exercer essa função e não a exercia por motivação própria.
Susanne Hoser: É uma dificuldade, mas qualquer pessoa que não se sinta à vontade com
o cargo pode dizer: «Desculpem, isto não é para mim, demito-me». Já há um número cres-
cente de especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares que exercem a função por
convicção e que estão cientes de que ela nem sempre é fácil. Além disso, há o grupo de
trabalho de especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares. Considero que essa rede
é extremamente importante porque, em situações de crise, ajuda-nos conhecer colegas de
outros serviços e podermos dizer «Não consigo fazer progressos, como agem vocês nesta
situação?». É muito importante integrar essa rede na segurança e saúde no trabalho. Já
houve problemas a nível hierárquico. Claro que existe a instrução processual, mas ela é ape-
nas uma entre muitas que chegam às secretárias dos diretores de serviços e departamentos.
Neste caso, seria útil que alguém viesse em nosso auxílio e dissesse: «Sim, é isso que nós
queremos» e nos desse mais apoio. Contudo, também há serviços onde temos todo o apoio.
Dirk Greunig: O grande problema que estamos agora a tentar resolver é a possibili-
dade de as pessoas serem dispensadas das suas funções para se poderem preparar,
por exemplo, antes de apresentarem comunicações ou participarem em seminários.
Essa dispensa não foi possível durante muito tempo. É um problema que afeta, por

148
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

exemplo, os especialistas em prevenção de lesões dorso-lombares e as instruções rela-


tivas à prevenção de incêndios e à gestão de emergências. Para controlarmos esta situ-
ação, no ano passado definimos, em conjunto com a direção do hospital um catálogo
de cursos de formação com os códigos de tempo correspondentes e os grupos-alvo
que deverão participar. O catálogo inclui cursos obrigatórios, cursos não obrigatórios
e cursos que são importantes para o hospital. Deste modo, agora podemos exigir esses
períodos de tempo nas negociações relativas à organização do tempo de trabalho.
O objetivo é esse: que sejam imediatamente afetados recursos suficientes quando
se planeiam os postos de trabalho. Anteriormente, as formações internas e externas
tinham sempre um caráter complementar, como uma atividade voluntária, e quere-
mos substituir essa situação por outra em que se defina que formações necessitamos,
que formações queremos e quanto custam em tempo e dinheiro. Queremos que esses
períodos sejam incorporados na próxima planificação do trabalho para que os traba-

Boas práticas
lhadores possam ter disponibilidade para as suas tarefas suplementares.
Entrevistador: Em consequência, essas atividades são equiparadas às funções nor-
malmente desempenhadas nas unidades de serviço. Para além do inquérito ao pes-
soal, há instrumentos para verificar a eficácia dessa atitude?
Dirk Greunig: Avaliámos o projeto de prevenção de doenças dorso-lombares e há
muito que o transferimos para as práticas normais.
Entrevistador: Quais foram os aspetos mais importantes? Que conselhos daria a
outros estabelecimentos?
Dirk Greunig: O mais importante é: nunca desistir! O que hoje não resulta poderá
ter um aspeto completamente diferente daqui a três meses. As coisas, muitas vezes,
parecem bloqueadas no início, mas ao fim de seis meses as pessoas habituaram-se à
ideia e ela funciona. Uma boa gestão da informação é absolutamente essencial, desig-
nadamente garantir que todos recebem a mesma informação (por exemplo, através
da intranet) e podem entendê-la. Por exemplo, recorrer a boletins informativos regu-
lares, o mais sucintos possível, pois, se tiverem mais de uma página, ninguém os lê.
Nós concluímos que os eventos que repetimos várias vezes para acentuar temas como
a segurança e a saúde não produzem grandes resultados. O volume de trabalho nas
unidades de serviço é tão grande que ninguém se pode afastar. Em vez disso, vamos
a reuniões do pessoal, por exemplo, para informar a equipa, ou organizamos forma-
ções curtas no local para os trabalhadores. Possuímos um sistema eletrónico por meio
do qual podemos organizar ações de formação para todos os trabalhadores, determi-
nando, relativamente a cada trabalhador novo, qual a formação de que este necessita.
O trabalhador tem um cartão onde ficam inscritas as ações de formação que frequen-
tou e quando, podendo ser alertado se ainda tiver uma formação em falta, ou quando
acontece algo grave ficamos a saber quem necessita de formação subsequente. Este
sistema é muito útil para gerir o desenvolvimento dos nossos recursos humanos.
Entrevistador: Mencionou também que os chefes de serviços nem sempre estão con-
vencidos e por isso recorrem à administração.
Susanne Hoser: Sem dúvida. Nesse caso, também necessitamos de saber como inte-
grar estas medidas nos objetivos empresariais e deixar claro que elas são exigidas, que
não acontecem isoladamente e que não funcionam sem esforço.
Dirk Greunig: E os executivos são colocados em condições de as gerirem através de uma
formação própria. Muitos executivos desconhecem, na verdade, o papel que desempe-
nham em matéria de segurança e saúde no trabalho. O que ele envolve. Os executivos
devem assumir uma posição de liderança (!) para que cada pessoa saiba exatamente o que
deve fazer. A gestão dos processos é extremamente importante neste caso. Destina-se a
todos os trabalhadores, desde a administração até ao mais simples trabalhador. E também
importa determinar quem é o conselheiro ou instrutor e quem tem a responsabilidade.
Entrevistador: Obrigado pela entrevista e desejo-vos grande êxito nas próximas
medidas que tomarem.

149
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.1.10.3. Prevenção das lesões músculo-esqueléticas nos Serviços


Sociais de Derby City Council, Grã-Bretanha
Os Serviços Sociais de Derby City Council empregam 1 800 pessoas, que prestam ser-
viços de assistência em contextos residenciais e comunitários. No início, houve muitos
problemas, designadamente práticas de movimentação manual deficientes, trabalha-
dores descontentes, baixa prioridade conferida pela gestão e um número excessivo
de acidentes. A Handling Movement and Ergonomics Ltd (HME) (76) presta formação
especializada em movimentação e mobilização. A HME e a câmara municipal de Derby
(Derby City) já colaboram desde 1999 no desenvolvimento e aplicação de um pro-
grama que transformou as competências dos trabalhadores e a prestação de serviços,
tendo obtido um prémio nacional no domínio de formação em 2007.
Boas práticas
A HME aconselhou a Derby City a aplicar um programa baseado nas orientações do
Health and Safety Executive (77) do Reino Unido (figura 43, infra) e nas normas nacio-
nais de prestação de cuidados (78), uma vez que se trata de prescrições legais.

O êxito desta abordagem baseia-se no envolvimento de toda a organização e não


(76) http://www.hse. apenas na formação dos trabalhadores. Após a introdução dos sistemas de avaliação
gov.uk dos riscos e de boa gestão, foram organizados cursos de formação adequados para os
(77) http://www.opsi.
diretores de serviços, chefias diretas e trabalhadores. Esses cursos baseavam-se nas
gov.uk normas estabelecidas no Reino Unido pelo National Back Exchange (79) e pelo All Wales
National Health Service Manual Handling Passport and Information Scheme  (80). Os
(78) http://www.nation- seus custos foram mantidos aos níveis anteriores, equivalentes a 1,5 lugares de for-
albackexchange.org
madores, e o aumento da eficiência permitiu introduzir formações suplementares e
(79) http://www.wales. melhorar as instalações e os materiais.
nhs.uk/documents/
NHS_manual_han- As auditorias mostram agora que a boa gestão da movimentação e mobilização pas-
dling_passpor.pdf
sou a ser a norma. Os quadros de gestão mantêm dossiês com todos os registos neces-
(80) Exemplo de boas sários, incluindo avaliações dos riscos e planos de movimentação, e tomam medidas
práticas fornecido imediatas quando são identificadas práticas incorretas.
por Rosemary
Rogers, diretora
da Handling at Os trabalhadores já conhecem bem as suas responsabilidades e seguem planos de
Movement and Er- movimentação individualmente elaborados para cada utilizador dos serviços. Os aci-
gonomics Ltd (HME).
dentes causados pela movimentação manual foram reduzidos de 70 em 1999 para 34
(81) Para obter uma
em 2005.
cópia, contacte
Darren.allsobrook@ A câmara municipal de Derby estabeleceu um parâmetro de referência para as
derby.gov.uk
outras organizações e esta abordagem está a ser utilizada noutros serviços de saúde
(82) http://www.hme- e proteção social, tendo-se revelado adaptável tanto a organizações grandes como
limited.com pequenas (81).

  43 Foi constituído um


Grupo de Direção
Política (MHSG), que reviu a
Moving and Handling
Policy (82), elaborando
um sistema global
de gestão da movi-
Organização
mentação e mobili-
zação, bem como um
plano de formação
exaustivo
Auditoria Planeamento
e aplicação

Avaliação
do desempenho

Análise
do desempenho

150
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

4.1.11. Ligações
N.º Título País/Região Conteúdo/Fonte

1 Preventing back Estados Unidos Breve guia para a prevenção das lesões dorso-lombares no setor da saúde.
injury in health- O guia conclui que as lesões podem ser evitadas eliminando as tarefas que
care exigem a elevação de cargas.
http://www.afscme.org/issues/1320.cfm

2 Schwere Arbeit — Áustria Esta orientação baseia-se numa avaliação das instalações austríacas de
leicht gemacht, prestação de cuidados levada a cabo em 2004. Apresenta recomendações
ein Leitfaden für e exemplos de boas práticas que ajudarão a reduzir a carga física suportada
die stationäre pelos trabalhadores da saúde.
Altenpflege http://www.arbeitsinspektion.gv.at/NR/rdonlyres/7F88360F-B923-4DF3-
98DF-6CB4D1920EBE/0/altenpflege.pdf

3 Arbeitsplätze für Alemanha Esta publicação presta aconselhamento sobre os requisitos ergonómicos
Behinderte und específicos que os locais de trabalho devem ter para os trabalhadores com
Leistungsgewan- deficiências físicas.
delte http://www.baua.de/de/Publikationen/Broschueren/Gesundheitsschutz/
Gs03.html?nn=667406

4 The Ups and Alemanha O tempo decorrido entre o momento em que nos sentamos e aquele em que
Downs of Sitting nos levantamos tem vindo a aumentar constantemente na sociedade moderna
e estar várias horas sem sair dessa posição, como cada vez mais pessoas são
obrigadas a estar, mesmo no local de trabalho, constitui um problema. Ao fim e
ao cabo, as pessoas estão naturalmente preparadas para se moverem e a falta de
movimento não só afeta o sistema cardiovascular, como também e, muito em
especial, faz degenerar o aparelho locomotor e de sustentação. As possibilidades
de introduzir mais movimento e dinamismo na rotina diária do trabalho de escri-
tório são muitas e variadas, indo desde o mobiliário de escritório regulável e as
conceções de escritórios móveis até uma organização do trabalho que dispense
cada vez mais a cadeira de escritório. Algumas dessas possibilidades são apresen-
tadas nesta brochura com a recomendação de que sejam imitadas
http://www.baua.de/nn_21604/de/Publikationen/Broschueren/A66,xv=vt.pdf?

5 Standing until you Alemanha Muitos trabalhadores ainda são forçados a estar de pé durante todo o seu dia
drop? — When de trabalho. Há estudos que demonstram que estar continuamente de pé
work keeps you on impõe uma carga desequilibrada ao organismo humano e causa numerosas
your toes perturbações do sistema cardiovascular e do aparelho músculo-esquelético.
Esta brochura apresenta possibilidades de aliviar a carga suportada pelos
trabalhadores em profissões que os obrigam a estar de pé e a organizar o
trabalho de modo a torná-lo mais saudável, mais humano e mais produtivo
http://www.baua.de/de/Publikationen/Broschueren/A60.pdf?_
blob=publicationFile&v=7

6 Up and down, up Alemanha Esta brochura tem o objetivo de fazer com que os leitores se ponham,
and down — How literalmente, de pé e não apenas enquanto a estão a ler, mas várias vezes por
dynamic sitting dia. O seu tema central é o «escritório dinâmico», ou seja, faculta informações
and standing can básicas sobre o modo de conceber o escritório através de uma organização
improve health in adequada do trabalho e com mobiliário «dinâmico» que facilite o movimento
the office http://www.baua.de/cae/servlet/contentblob/717578/publication-
-File/48508/A65.pdf

7 BGW-Leitfaden: Alemanha Um guia para reduzir as LME nos lares de terceira idade, através da integra-
Prävention von ção de medidas técnicas, de organização e pessoais.
Rückenbeschwer- http://www.bgw-online.de/internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/
den in der statio- Medientypen/bgw_20forschung/EP-LRue-11_Leitfaden_Praevention_von_
nären Altenpflege Rueckenbeschwerden_stat_Altenpflege,property=pdfDownload.pdf

8 Bewegen von Alemanha Um guia para reduzir as LME no setor da saúde.


Patienten — http://www.ukgm.de/
Prävention von
Rückenbeschwer-
den im Gesun-
dheitsdienst

151
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

N.º Título País/Região Conteúdo/Fonte

9 BGW Themen: Alemanha Este guia mostra como se devem integrar as medidas técnicas, de organiza-
Spannungsfeld ção e pessoais para prevenir as LME.
Rücken http://www.bgw-online.de/internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/
Medientypen/bgw_20themen/M655_Spannungsfeld_20R_C3_
BCcken,property=pdfDownload.pdf

10 Preventing OMS versões em As lesões do sistema músculo-esquelético constituem uma das princi-
Musculoskeletal inglês, francês e pais causas de absentismo no trabalho e impõem custos consideráveis
Disorders in the espanhol ao sistema de saúde público. As lesões específicas do sistema músculo-
Workplace -esquelético podem estar relacionadas com as diversas regiões do corpo e
as diferentes atividades profissionais. Por exemplo, as lesões lombares estão
frequentemente relacionadas com o levantamento e o transporte de cargas
e com a exposição a vibrações. O objetivo deste documento sobre a preven-
ção de LME é fornecer informações sobre os fatores de risco e influenciar as
ações dos empregadores e o comportamento dos trabalhadores de modo
a evitar ou diminuir os riscos causados pelas cargas físicas, perigosas para a
saúde e desnecessariamente fatigantes.
http://www.who.int/occupational_health/publications/muscdisorders/en/

11 Back in care — Pre- Nova Zelândia Um folheto bem ilustrado dirigido aos trabalhadores que resume outra
venting back pain publicação mais extensa e oferece conselhos práticos sobre a forma de
and back injuries in cuidar das costas.
caregivers http://www.osh.dol.govt.nz/order/catalogue/29.shtml

12 Back in care — Nova Zelândia Esta publicação apresenta uma abordagem global à gestão dos riscos de
Preventing muscu- lesões dorso-lombares no setor da saúde, incluindo as fases de identifica-
loskeletal injuries ção, avaliação e controlo dos perigos, e subsequente avaliação da eficácia.
in staff in hospitals http://www.osh.dol.govt.nz/order/catalogue/261.shtml
and residential
care facilities

13 L’Association pari- EU-OSHA (Agên- O que é a ASSTSAS? Uma associação setorial paritária exclusivamente dedicada
taire pour la santé cia Europeia à prevenção em matéria de saúde e segurança no trabalho no setor da saúde.
et la sécurité du para a Segu- http://osha.europa.eu/data/provider/oshinfo_463/?searchterm=
travail du secteur rança e a Saúde
affaires sociales no Trabalho)
(ASSTSAS).

14 E-fact 9: Work- EU-OSHA (Agên- Entre os fatores que contribuem para as LME incluem-se o uso da força,
-related mus- cia Europeia o trabalho repetitivo, o trabalho em posições incómodas, as vibrações, o
culoskeletal para a Segu- trabalho em ambientes frios e os longos períodos na posição sentada ou
disorders (MSDs): rança e a Saúde de pé. Elas são igualmente influenciadas pelos níveis de stresse, autonomia
an introduction no Trabalho) e apoio dos colegas, os antecedentes clínicos, a aptidão física e a idade das
pessoas, bem como por fatores sociais como as atividades de lazer. Estes
fatores podem atuar isoladamente ou em conjunto. Os empregadores são
obrigados a avaliar os riscos que os seus trabalhadores enfrentam, incluindo
o risco de desenvolver LME, e tomar as medidas necessárias.
http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact09

15 E-fact 11 — Euro- EU-OSHA (Agên- Este resumo publicado na internet fornece informações sobre os requisitos
pean legal requi- cia Europeia jurídicos europeus aplicáveis às LME, incluindo convenções e normas inter-
rements relating para a Segu- nacionais, diretivas e normas europeias, e exemplos da legislação específica
to work-related rança e a Saúde dos Estados-Membros.
musculoskeletal no Trabalho) http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact11
disorders (MSDs)

16 E-fact 15 — EU-OSHA O ritmo de trabalho é uma das principais causas de doenças profissionais e
Work-related (Agência os dados disponíveis mostram que está a ficar cada vez mais acelerado. Este
musculoskeletal Europeia para resumo publicado na internet fornece informações sobre a relação entre o
disorders (MSDs) a Segurança ritmo de trabalho e as LME, bem como sobre a forma de o controlar.
and the pace of e a Saúde no http://osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact15
work Trabalho)

152
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

N.º Título País/Região Conteúdo/Fonte

17 Gestão do equi- EU-OSHA O equipamento de apoio à movimentação manual de doentes é essencial


pamento/apoio (Agência para a prevenção de lesões músculo-esqueléticas nos trabalhadores hospi-
à movimentação Europeia para talares.
manual de doen- a Segurança http://osha.europa.eu/data/case-studies/management-of-equipment-aids-
tes e a Saúde no -for-the-manual-movement-of-patients-pt?set_language=pt
Trabalho)

18 EUR-LEX EU A EUR-LEX é o sítio web que contém todas as informações jurídicas relativas
à União Europeia e às diretivas relevantes para a segurança e saúde no
trabalho em vigor na União Europeia.
http://eur-lex.europa.eu/

19 Factsheet 10 EU-OSHA Esta ficha técnica destaca os principais resultados apresentados num rela-
— Distúrbios (Agência tório da Agência. O relatório refere-se apenas aos distúrbios sacrolombares,
sacrolombares Europeia para embora alguns resultados possam ser aplicados a outros tipos de proble-
relacionados com a Segurança mas nas costas causados por motivos profissionais.
o trabalho e a Saúde no http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/10
Trabalho)

20 Factsheet 29 — EU-OSHA O setor da saúde e da proteção social apresenta a segunda maior taxa de
Em linha: boas (Agência incidência de LME relacionadas com o trabalho. A presente ficha técnica
práticas em maté- Europeia para é uma introdução básica à segurança e saúde no trabalho e indica como
ria de segurança e a Segurança aceder a informações relacionadas com o setor no sítio web da Agência.
saúde para o Setor e a Saúde no http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/29
da Saúde Trabalho)

21 Factsheet 4 EU-OSHA Conselhos sobre a prevenção de LME relacionadas com o trabalho.


— Prevenir as (Agência http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/4
Perturbações Europeia para
músculo-esquelé- a Segurança
ticas relacionadas e a Saúde no
com o trabalho Trabalho)

22 Factsheet 71 — EU-OSHA As LME são o problema relacionado com o trabalho mais comum na Europa.
Introdução às (Agência Perto de 24% dos trabalhadores da EU-25 dizem sofrer de lombalgias e 22%
lesões músculo- Europeia para queixam-se de dores musculares.
-esqueléticas a Segurança http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/71
e a Saúde no
Trabalho)

23 Factsheet 72 EU-OSHA Muitos trabalhadores, em muitas profissões, desenvolvem lesões das cer-
— Lesões das (Agência vicais e dos membros superiores relacionadas com o trabalho, que consti-
cervicais e dos Europeia para tuem a doença profissional mais comum na Europa, representando mais de
membros superio- a Segurança 45% do total das doenças profissionais.
res relacionadas e a Saúde no http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/72
com o trabalho Trabalho)

24 Factsheet 75 — EU-OSHA Esta ficha técnica destaca as principais conclusões do relatório «Regressar
Lesões músculo- (Agência ao trabalho» («Back to work»). O relatório está dividido em duas partes:
-esqueléticas de Europeia para uma análise bibliográfica sobre a eficácia das intervenções ocupacionais
origem profissio- a Segurança e uma descrição geral das iniciativas políticas tomadas na Europa e a nível
nal: Regresso ao e a Saúde no internacional.
trabalho Trabalho) http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/75

25 Factsheet 78 — EU-OSHA (Agên- As principais conclusões do relatório sobre prevenção da Agência dividem-
Lesões músculo- cia Europeia -se em duas partes: uma análise da literatura de investigação relativa às
-esqueléticas de para a Segu- intervenções de prevenção dos riscos de LME relacionadas com o trabalho
origem profissional: rança e a Saúde e 15 estudos de casos demonstrando como foram resolvidos os problemas
Relatório sobre pre- no Trabalho) a nível do local de trabalho.
venção. Síntese. http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/78

153
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

N.º Título País/Região Conteúdo/Fonte

26 Magazine 10 — EU-OSHA (Agên- As LME são o mais comum dos problemas de saúde relacionados com o
Lighten the Load cia Europeia trabalho notificados na União Europeia. A movimentação manual de cargas,
para a Segu- o trabalho em posições prolongadas e/ou incómodas e os movimentos
rança e a Saúde repetitivos são fatores de risco de LME, tal como fatores não biomecânicos
no Trabalho) como o stresse. Esta «magazine» inclui artigos dos Estados‑Membros, das
partes interessadas e dos especialistas em LME sobre várias questões com
estas relacionadas — como estudos de casos, intervenções no local de
trabalho, campanhas, estatísticas, inquéritos e artigos de opinião.
http://osha.europa.eu/en/publications/magazine/10

27 Report — Work- EU-OSHA (Agên- As LME são o mais comum dos problemas de saúde relacionados com o
-related mus- cia Europeia trabalho na Europa e para as combater é necessário adotar medidas no local
culoskeletal para a Segu- de trabalho. Em primeiro lugar, devem tomar-se medidas preventivas, mas no
disorders: Back to rança e a Saúde caso dos trabalhadores que já tem LME, o desafio é manter a sua empregabi-
work no Trabalho) lidade, mantê-los a trabalhar e, se necessário, reintegrá-los no local de traba-
lho. Este relatório debruça-se sobre a retenção, a reintegração e a reabilitação
dos trabalhadores com LME. Divide-se em duas partes: uma análise bibliográ-
fica sobre a eficácia das intervenções ocupacionais e uma descrição geral das
iniciativas políticas tomadas na Europa e a nível internacional.
http://osha.europa.eu/en/publications/reports/7807300

28 Report — Preven- EU-OSHA (Agên- As LME são o problema de saúde relacionado com o trabalho mais comum
ting musculoske- cia Europeia na Europa, afetando milhões de trabalhadores. A campanha «Alivie a
letal disorders in para a Segu- carga!» incluiu os prémios de boas práticas, que reconhecem as organiza-
practice rança e a Saúde ções que contribuíram de forma notável e inovadora para o combate às
no Trabalho) LME. Os prémios promovem e incentivam soluções práticas nos locais de
trabalho e partilham essas boas práticas por toda a Europa. Esta publicação
contém os resumos de 20 exemplos concretos da maneira como as empre-
sas e as organizações da União Europeia tomaram medidas contra as LME.
http://osha.europa.eu/en/publications/reports/TE7606536ENC

29 E-fact 42 — Lista EU-OSHA (Agên- As lesões dos membros inferiores (LMI) de origem profissional são lesões
de controlo para cia Europeia de estruturas orgânicas como tendões, músculos, nervos, articulações ou
a prevenção de para a Segu- bolsas sinoviais, causadas ou agravadas principalmente pela atividade
lesões dos mem- rança e a Saúde profissional e pelos efeitos das condições imediatas em que essa atividade
bros inferiores no Trabalho) tem lugar. Podem afetar as extremidades inferiores, principalmente a anca,
o joelho e o pé. Esta lista de controlo relaciona-se com os riscos de lesões
ou perturbações dos membros inferiores e dirige-se aos responsáveis pela
identificação dos riscos no local de trabalho. São também apresentados na
lista de controlo exemplos de medidas preventivas que podem contribuir
para reduzir os riscos de lesões dos membros inferiores (LMI) de origem
profissional.
http://osha.europa.eu/pt/publications/e-facts/efact42

30 Méthode d’analyse França A movimentação manual dos doentes é uma das tarefas mais exigentes que
des manutentions os trabalhadores da saúde têm de executar. Esta publicação contém méto-
manuelles dos de avaliação dos riscos que essa movimentação coloca aos trabalhado-
res da saúde e propõe medidas de prevenção.
http://www.inrs.fr/inrs-pub/inrs01.nsf/intranetobject-accesparreference/
ED%20862/$file/ed862.pdf

31 Muskuloskeletal Reino Unido Este relatório de investigação debruça-se sobre as lesões músculo-esque-
health of cleaners léticas e o trabalho do pessoal de limpeza que utiliza máquinas de polir o
pavimento ou esfregonas, e executa outras tarefas repetitivas.
http://www.hse.gov.uk/research/crr_pdf/1999/crr99215.pdf

32 Getting to grips Reino Unido Este breve guia fornece orientações sobre os problemas associados à
with manual movimentação manual e apresenta boas práticas para a sua resolução. Os
handling conselhos dirigem-se aos gestores de pequenas empresas ou organizações
semelhantes, mas muitos dos princípios gerais são pertinentes para todos
os locais de trabalho, independentemente da sua dimensão.
www.hse.gov.uk/pubns/indg143.pdf

154
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

33 Musculoske- Reino Unido As informações facultadas nestas páginas web ajudarão os empregadores
letal disorders a compreenderem o que poderão ter de fazer para cumprir a legislação
— Advice for relativa às LME e à movimentação manual, como podem proteger de lesões
employers os seus trabalhadores e as pessoas de quem eles cuidam e a melhor forma
de ajudarem os trabalhadores que sofrem de lombalgias ou outras LME.
http://www.hse.gov.uk/healthservices/msd/employers.htm

34 Leitfaden zur Alemanha Estas orientações destinam-se principalmente aos quadros de gestão, aos
erfolgreichen peritos em SST, aos médicos do trabalho e a outros interessados das empresas,
Durchführung von e aconselham sobre a forma de prevenir as lesões músculo-esqueléticas no
Gesundheitsförde- trabalho. Inclui exemplos de avaliação dos riscos, listas de controlo e métodos
rungsmaßnahmen utilizados pelos peritos na avaliação do esforço físico entre os trabalhadores.
im Betrieb http://www.inqa.de/Inqa/Redaktion/Zentralredaktion/PDF/Publikationen/
inqa-3-leitfaden-muskel-skeletterkrankungen,property=pdf,bereich=inqa,
sprache=de,rwb=true.pdf

35 BGW Forschung: Alemanha Esta brochura apresenta os resultados do trabalho de um grupo de peritos
Sachmittelauss- para reduzir as diversas cargas nos lares de terceira idade.
tattung in der http://www.bgw-online.de/internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/Medien-
stationären und typen/bgw_20forschung/EP-SPfl_Sachmittelausstattung_20in_20der_20station_
ambulanten C3_A4ren_20und_20ambulanten_20Altenpflege,property=pdfDownload.pdf
Altenpflege

36 A back injury Estados Unidos Os trabalhadores da saúde lesionam as costas quando levantam, transferem ou
prevention guide mobilizam de outras formas os doentes ou residentes. Os custos são enormes.
for healthcare Os custos diretos da indemnização dos trabalhadores, do seu tratamento e da
providers reabilitação profissional são muito elevados. Na Califórnia, as lesões dorso-lom-
bares são responsáveis pela maior parte dos prejuízos suportados pelo sistema
de compensação dos trabalhadores. Esta brochura destina-se a fornecer orien-
tações gerais a empregadores e trabalhadores. As suas sugestões práticas são
direcionadas para o pessoal de enfermagem e auxiliar, bem como para outras
pessoas que levantem e mobilizem os doentes e residentes de lares.
http://www.dir.ca.gov/dosh/dosh_publications/backinj.pdf

37 Ziehen und Schie- Alemanha Empurrar e puxar cargas também pode impor um grande esforço ao apare-
ben ohne Schaden lho músculo-esquelético. Esta brochura oferece conselhos práticos sobre a
forma de evitar esforços físicos ao empurrar ou puxar cargas e prevenir os
acidentes de trabalho.
http://www.baua.de/de/Publikationen/Broschueren/A25.pdf?_
blob=publicationFile

38 Heben und Tragen Alemanha A movimentação manual de cargas é uma das causas mais comuns de
ohne Schaden lesões músculo-esqueléticas. Esta brochura oferece conselhos práticos
sobre a forma de evitar esforços físicos durante a movimentação manual de
cargas.
http://www.baua.de/de/Publikationen/Broschueren/A7.pdf?_
blob=publicationFile

39 UK-Drop «inappro- Reino Unido Boas práticas: Reino Unido.


priate» footwear http://www.tuc.org.uk/newsroom/tuc-15188-f0.cfm
codes and reduce
back and foot pro-
blems, says TUC

40 Rückengesund — Alemanha Guia para os empregadores e os trabalhadores sobre a prevenção das LME
Fit im OP no bloco operatório.
http://www.unfallkasse-berlin.de/res.php?id=10155

41 Nurses’ Early Exit Alemanha O estudo NEXT pretendia investigar as razões, as circunstâncias e as conse-
Study quências do abandono precoce da profissão de enfermagem. A questão de
saber que consequências tem esse abandono para a pessoa em causa, para a
instituição de saúde onde trabalha e para o setor da saúde em geral, tinha um
interesse particular. As conclusões podem ser descarregadas do sítio web.
http://www.next.uni-wuppertal.de/

155
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.1.12. Bibliografia
Berufsgenossenschaft für Gesundheitsdienst und Wohlfahrtspflege,
«Gefährdungsbeurteilung», 2009 (http://xlurl.de/3rG9P1).

Ergonomics Working Group of the International Social Security Association,


«Recommendations: Prevention of low-back pathologies in healthcare professions»
(também disponível em alemão e francês), 2006 (http://www.issa.int/).

Ergonomics Working Group of the International Social Security Association, «Low back
pain in the health care profession» (também disponível em alemão e francês), 1998
(http://www.issa.int/).

Ergonomics Working Group of the International Social Security Association,


«Backprotecting work practices in healthcare: training and prevention concepts in
Europe», Experts’Workshop, Paris, 2002 (versão alemã e francesa incluídas no CD-ROM).
O CD pode ser encomendado em: http://www.issa.int/Resources/Resources/Back-
protecting-Work-Practices-in-Health-Care-Training-and-Prevention-Concepts-in-
Europe).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «E-fact 18 — Risk asses-


sment in health care», 2007 (http://www.osha.europa.eu/en/publications/e-facts/
efact18).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «Factsheet 73 — Perigos


e riscos associados à movimentação manual de cargas no local de trabalho», 2007
(http://www.osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/73).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «Work-related musculoske-


letal disorders: prevention report», 2008 (http://www.osha.europa.eu/en/publications/
reports/TE8107132ENC).

Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho,


«Muscoloskeletal disorders and organisational change», Conference Report, Lisboa,
2007 (http://www.eurofound.europa.eu/pubdocs/2007/114/en/1/ef07114en.pdf ).

Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho, quarto


inquérito europeu sobre as condições de trabalho, Serviço das Publicações Oficiais
das Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2007 (http://www.eurofound.europa.eu/
pubdocs/2006/98/en/2/ef0698en.pdf ).

Comité dos Altos Responsáveis da Inspeção do Trabalho, «Alivie a carga!» (disponível


em várias outras línguas), 2008 (http://www.handlingloads.eu/en/site).

Health and Safety Executive of the Government of the UK, Musculoskeletal disorders in
health and social care, (http://www.hse.gov.uk/healthservices/msd).

Jäger, M., C. Jordan, S. Kuhn e outros, Biomechanical analysis of patient-transfer, activi-


ties for the prevention of spine-related hazards of healthcare workers, 2008 (http://www.
heps2008.org/abstract/data/PDF/JAEGER.pdf ).

Occupational Safety & Health Administration (USA-OSHA), «The ergonomics gui-


delines for nursing homes», 2009 (http://www.osha.gov/ergonomics/guidelines/
nursinghome/final_nh_guidelines.pdf ).

156
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

4.2. Prevenção de acidentes causados


por escorregões, tropeções e quedas (83)
4.2.1. Introdução
Por que razão é tão importante combater os riscos resultantes dos escorregões e tro-
peções? Porque é frequente estes provocarem quedas. Os escorregões, tropeções e
quedas são a maior causa de acidentes em todos os locais de trabalho. Os Estados-
-Membros da União Europeia identificaram-nos como a principal causa de acidentes
que ocasionam ausências do trabalho superiores a três dias (84). O Health and Safety
Executive (HSE) do Governo do Reino Unido, por exemplo, chega a notificar 2 000 casos
de lesão de trabalhadores da saúde atribuídos a escorregões e tropeções, por ano (85);
o Allgemeine Unfallversicherungsanstalt da Áustria (AUVA) refere que 30% dos aciden-
tes de trabalho se devem a escorregões, tropeções ou quedas (86). Segundo a Agência
Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA), os riscos de acidentes são
maiores para os trabalhadores das pequenas e médias empresas, sobretudo das que
têm menos de 50 trabalhadores (87). Nos hospitais, os enfermeiros são os profissionais
que mais sofrem este tipo de acidentes e os médicos os menos sujeitos aos mesmos (88).

O custo dos acidentes devidos a escorregões e tropeções é enorme. Estima-se que


em 2003 custaram aos empregadores do Reino Unido mais de 500 milhões GBP
(585,3 milhões de euros) e à sociedade em geral mais de 800 milhões GBP (936,4 milhões
(83) «Quedas» refere-se a
de euros) (89), tendo esse custo ascendido na Áustria a 122,1 milhões de euros (90). «pequenas quedas» de
menos de dois metros.
Os escorregões e tropeções são a forma mais comum de acidente grave que afeta os
(84) Agência Europeia para a
enfermeiros, governantas, prestadores de cuidados, pessoal das ambulâncias e pes- Segurança e a Saúde no
soal de limpeza/doméstico (91). E não são apenas os trabalhadores que escorregam ou Trabalho, «The state of
tropeçam; os elementos da população (que incluem os doentes) também estão em occupational health and
safety in the European
risco, sendo quase 62% das lesões graves causadas por escorregões e tropeções (92). Union — Pilot study»,
2000.

(85) HSE, «Slips and trips in


the health services».

(86) AUVA, «Verhütung


von Sturzunfällen am
Boden/mit Leitern’.

(87) Agência Europeia para


a Segurança e a Saúde
no Trabalho, «Factsheet
14 — Prevenção de
escorregões e tropeções
relacionados com o
exercício de uma profis-
são».

(88) BGAG-Report 1/05,


«Entstehung von
Stolper-, Rutsch und
Sturzunfällen».

(89) HSE, «Workplace News-


letter: Slips and trips».

(90) AUVA, «Verhütung


von Sturzunfällen am
  44 Escadarias: superfí-
Boden/mit Leitern».
cies adequadas em
boas condições, corri-
mãos contínuos e uma (91) HSE, «Workplace News-
iluminação ótima são letter: Slips and trips».
pré-requisitos para
evitar os acidentes (92) HSE, «Workplace News-
causados por escorre- letter: Slips and trips».
gões e tropeções

157
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.2.2. Natureza do risco


Os acidentes causados por escorregões e tropeções podem ocorrer por várias razões.
Quase sempre há vários fatores que se combinam para criar um perigo, distinguindo-
-se quatro tipos de causas de acidentes.

Os fatores técnicos incluem:

• o pavimento (por exemplo, superfícies inadequadas ou em mau estado, em que


tenham sido derramados líquidos, que estejam molhadas ou escorregadias, ou vias
de passagem em más condições);
• obstáculos, que são uma causa comum dos acidentes causados por tropeções,
podendo resultar de obras, desníveis, cabos soltos, etc.;
• rampas;
• escadarias: ausência ou defeitos nos corrimãos, revestimentos antiderrapantes e marcas
no rebordo dos degraus, que podem causar escorregões e tropeções nas escadarias;
• iluminação (natural ou artificial): iluminação deficiente, dificultando uma visão clara
de todas as áreas do pavimento e de potenciais perigos, como os obstáculos, as
soleiras das portas e os líquidos derramados;
• entradas sem cobertura;
• máquinas com fugas de líquidos.

Os fatores ambientais incluem:

ruídos altos ou pouco familiares (distrações súbitas), condições meteorológicas (chuva,


neve, geada, vento), humidade, condensação ou areia.

Os fatores organizativos incluem:

• sistemas insuficientes de gestão e/ou limpeza das instalações;


• gestão inadequada da manutenção;
• falta de equipamentos ou disponibilização de equipamentos inadequados;
• falta de sinalização de segurança;
• manutenção deficiente dos equipamentos;
• não disponibilização de equipamentos de proteção individual adequados (por
exemplo, calçado de segurança com solas antiderrapantes e aderência suficiente).

Entre os fatores criados pelo trabalho incluem-se os seguintes:

• tarefas (por exemplo, transportar caixas grandes ou empurrar contentores) que


reduzam o campo de visão e, por isso, possam causar acidentes; ou
• tarefas que possam contaminar o pavimento [com fluidos (agentes desinfetantes,
medicamentos), aparas, migalhas, comida ou bebida, cartão].

Os fatores pessoais/individuais têm especial relevância e incluem:

• aspetos pessoais: muitos acidentes são causados por falha humana;


• atributos físicos: se os trabalhadores tiveram um problema físico que os impeça de
ver, ouvir, ou caminhar normalmente, esse facto pode aumentar as probabilidades
de acidente (por exemplo, visão, equilíbrio, idade, deficiência que afete a marcha e a
capacidade de caminhar).

158
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

4.2.3. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos


específica para a prevenção de acidentes
causados por escorregões, tropeções e quedas
Os empregadores são obrigados a avaliar os perigos e riscos para os trabalhadores que
possam ser afetados pelo seu trabalho e esta obrigação, para além de ser uma exigên-
cia regulamentar, ajuda a descobrir o que é necessário fazer para controlar o risco (93).

A avaliação dos riscos não é uma ação única, devendo ser efetuada como um processo
contínuo com, pelo menos, cinco etapas.

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco


Determine quem poderá ficar lesionado e como. Quem entra no local de trabalho? Essas
pessoas estão em risco? Tem algum controlo sobre elas? Analise os riscos de escorre-
gões, tropeções e quedas; concentre-se nos perigos que rodeiam o local de trabalho.
Inclua as pessoas exteriores ao mesmo (visitantes, contratantes, elementos da popu-
lação) e os doentes que possam ser afetados. Para identificar as áreas problemáticas
é importante visitar o local de trabalho, incluindo as áreas exteriores. Veja o que pode
causar perigo e consulte e envolva os trabalhadores. Identifique áreas fundamentais
como os pavimentos irregulares ou defeituosos, as escadarias sem revestimento anti-
derrapante, a iluminação insuficiente, os cabos soltos que atravessem as vias de acesso
pedonal, as obstruções, os derramamentos e os pavimentos molhados na sequência
de limpezas. Não se esqueça de tomar em consideração os perigos a longo prazo e os
riscos menos evidentes, como os fatores organizativos e os fatores psicossociais poten-
cialmente ocultos. Uma abordagem holística (incluindo os fatores técnicos/ambientais,
organizativos e fatores pessoais/individuais) é a que permite identificar os riscos de
forma mais eficiente. Deve prestar-se especial atenção às questões de género e aos
grupos especiais de trabalhadores que possam correr um risco acrescido ou ter exigên-
cias especiais (por exemplo, trabalhadores com deficiências, trabalhadores migrantes,
grávidas, pessoas muito jovens ou idosas, pessoal sem formação).

Inclua as conclusões das investigações sobre os casos de quase-acidente na sua aná-


lise: as listas de controlo (94) e os protocolos de acidentes (que monitorizam os por-
menores relativos, por exemplo, ao que aconteceu, à sua causa, às medidas tomadas
pela direção, ao absentismo devido à ocorrência, etc.) podem constituir uma ajuda
adicional para identificar os potenciais fatores de risco.

Ver sugestões pormenorizadas sobre a identificação dos riscos em «Natureza do risco»,


p. 158, e «Situações laborais com maior exposição», p. 160.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Esta etapa abrange a avaliação dos riscos identificados na etapa 1. O procedimento
consiste em determinar a probabilidade de causar um acidente, a sua possível dimen-
são, a frequência com que poderá ocorrer e o número de trabalhadores que podem (93) Diretiva 89/391/CEE
ser afetados. Com base nos resultados, os riscos devem ser hierarquizados em função do Conselho, de 12
de junho de 1989,
da sua importância. A eliminação dos riscos ocupa o primeiro lugar na hierarquia de relativa à aplicação de
prevenção. Pode encontrar-se uma descrição pormenorizada da etapa 2 em «Critérios medidas destinadas a
básicos de uma avaliação dos riscos específica», p. 159. promover a melhoria da
segurança e da saúde
dos trabalhadores no
trabalho, JO L 183 de
Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas: T-O-P 29.6.1989, p. 1 a 8.

(94) AUVA, «Verhütung


Analise os riscos e estabeleça metas para a sua melhoria. O estabelecimento de metas von Sturzunfällen am
tem a vantagem de tornar clara a determinação das medidas de prevenção necessárias. Boden/mit Leitern».

159
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Dessa forma, o acompanhamento e a revisão também se tornam sistematicamente


exequíveis.

A fim de dar início ao processo de identificação dos riscos e dos objetivos, defina os
seus objetivos de prevenção por escrito determinando exatamente o que é necessário
fazer, quando e por quem. A descrição da situação atualmente existente (T-O-P) permite
reconhecer facilmente os défices existentes em comparação com a situação desejada.

A fim de estabelecer os seus objetivos, comece por examinar as diretivas indicadas


para determinar os objetivos de prevenção mínimos. Além disso, não esqueça as nor-
mas técnicas. Verifique se as medidas de precaução já tomadas são adequadas para
fazer face aos riscos. Se não forem, decida se podem ser melhoradas ou que medidas
de precaução adicionais é necessário tomar. Lembre-se de que as medidas técnicas
têm prioridade sobre as medidas organizativas e que as medidas organizativas têm
prioridade sobre as medidas relativas aos fatores pessoais/individuais (ver também
«Medidas de prevenção e proteção», p. 161).

Etapa 4 — Adoção de medidas


Aplique as medidas de prevenção de acordo com o seu plano de hierarquização das
prioridades. O que deve ser feito por quem e até quando? Qual o calendário? Quem
deve estar envolvido?
  45 Corredor com super-
fície intacta e limpa,
sem obstáculos e com
boa iluminação de
todas as áreas

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


Reveja e atualize regularmente a avaliação. Verifique se o número de acidentes está
a diminuir. Estão a ser identificados menos perigos potenciais durante as inspeções
de segurança? Se houver mudanças significativas como a introdução de novos equi-
pamentos ou procedimentos, ou se acontecer um acidente, certifique-se de que as
medidas de precaução e os mecanismos de gestão existentes para prevenir os escor-
regões e tropeções no trabalho ainda são adequados para fazer face aos riscos. Se a
resposta for negativa, decida se podem ser melhorados ou que precauções adicionais
é necessário tomar.

4.2.4. Situação laboral com maior exposição


Em quase todas as situações de trabalho, seja na cozinha, na gestão dos espaços ou na pres-
tação de cuidados, bem como no bloco operatório ou no armazenamento e no transporte
de artigos, podem ocorrer acidentes devido a escorregões e tropeções. Os relatórios indicam
que mesmo os trabalhadores da área administrativa correm o risco de sofrer esses acidentes.

160
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

As principais causas subjacentes a tais acidentes no setor da saúde são:

• escorregões numa superfície molhada ou contaminada com outra substância;

• tropeções num obstáculo;

• escorregões ou tropeções em superfícies como degraus, rampas, passeios e estradas;

• tropeções num pavimento com superfície irregular.

4.2.5. Efeitos sobre a saúde e a segurança


Os escorregões, tropeções e quedas são as causas mais comuns dos acidentes de
trabalho graves. Ocorrem em quase todos os locais de trabalho, resultando 95% dos
casos graves em ossos fraturados. As consequências variam muito e as lesões afetam
principalmente os ossos, as articulações e os músculos. Os resultados dos acidentes
variam desde as pequenas lesões, como uma entorse do tornozelo, até ao trauma-
tismo cranio-encefálico. A longo prazo, as LME são um resultado frequente, devendo
considerar-se também outros efeitos adversos, como as infeções ou as lesões cutâneas.

Os escorregões e tropeções durante a movimentação de cargas podem causar acidentes


graves. Durante a movimentação de doentes, podem causar lesões ao pessoal de enferma-
gem e os doentes também podem ser afetados devido à falta de estabilidade desse pessoal.

4.2.6. Medidas de prevenção e proteção


Uma vez que há muitas medidas de prevenção e de segurança no domínio organiza-
tivo e do comportamento pessoal/individual, a diminuição da ocorrência de escorre-
gões e tropeções pode ser frequentemente obtida com poucos ou nenhuns custos.
O empregador e os supervisores devem assegurar um ambiente e uma manutenção
seguros dos locais de trabalho e das vias de passagem. Os especialistas em segurança
e saúde e os responsáveis pela segurança têm um papel essencial na prevenção dos
acidentes devidos a escorregões, tropeções e quedas. Devem prestar aconselhamento
sobre a construção e a manutenção dos locais de trabalho, das vias de passagem e
das instalações sanitárias, e de outras salas auxiliares. Estes especialistas devem acon-
selhar o empregador e, se for necessário, os arquitetos e projetistas dos edifícios em
conformidade com a regulamentação. Devem insistir também na adoção de medidas
organizativas e na disponibilização de equipamentos adequados, como os escadotes
e escadas necessários para prevenir os riscos de tropeções e escorregões, e devem
sobretudo insistir em que haja a máxima ordem no local de trabalho.

Devem respeitar-se os fatores que se seguem.

Medidas técnicas

• pavimentos: a superfície dos pavimentos deve ser verificada com regularidade para
detetar possíveis estragos e, sempre que necessário, deve fazer-se manutenção. A
superfície do pavimento deve ser adaptada ao tipo de atividade/trabalho a execu-
tar. São necessários diferentes tipos de pavimentos para as instalações sanitárias, as
enfermarias, os blocos operatórios, as cozinhas ou os átrios dos hospitais;

• escadarias: os corrimãos, os revestimentos de degraus antiderrapantes, uma visibili-


dade muito boa e marcações antiderrapantes das esquinas dos degraus, bem como
uma iluminação suficiente, podem ajudar a evitar os acidentes nas escadarias;

• devem evitar-se ainda outros desníveis do pavimento, como as rampas. Quando


estas forem inevitáveis (por exemplo, para cadeiras de rodas, carrinhos ou mesas

161
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

rolantes) devem estar devidamente assinaladas, com uma utilização correta da sina-
lização de segurança, uma vez que, muitas vezes, não são claramente visíveis (95);

• iluminação: devem assegurar-se bons níveis de iluminação, o funcionamento e o posi-


cionamento das luzes para uma distribuição homogénea da iluminação em toda a
superfície dos pavimentos e para que todos os potenciais riscos, nomeadamente obs-
truções e derramamentos, sejam bem visíveis. Os níveis de iluminação devem permitir
uma passagem segura pelas instalações. A iluminação exterior pode ser necessária
porque os locais de trabalho no exterior devem estar adequadamente iluminados.

Medidas ambientais

Nem sempre é possível eliminar as influências ambientais, mas podem tomar-se medi-
das de precaução adequadas aos níveis técnico, organizativo e pessoal/individual.

Medidas organizativas

• As responsabilidades pela segurança e a saúde nas diversas áreas de trabalho devem


ser claramente definidas;

• os controlos são essenciais para assegurar que as práticas e os processos de trabalho


são corretamente executados;

• devem manter-se registos de atividades como os trabalhos de limpeza e de manutenção;


  46 Os métodos de limpe-
za adequados man-
têm os pavimentos
limpos e arrumados

  47 Aviso após limpeza


com água

• boa ordem das instalações: o ambiente de trabalho deve ser mantido limpo e arru-
mado, com os pavimentos e as vias de acesso isentos de obstáculos;

• os equipamentos devem estar colocados de maneira a não haver cabos soltos nas
vias de acesso pedonal. A utilização de calhas para cabos ajuda a fixá-los às superfí-
(95) Diretiva 89/654/CEE cies. As obstruções devem ser removidas e, se isso não for possível, devem utilizar-se
do Conselho, de 30 de
novembro de 1989,
barreiras e/ou avisos de perigo;
relativa às prescrições
mínimas de segurança e • limpeza e manutenção: devem estabelecer-se métodos de limpeza adequados (por exem-
de saúde para os locais
de trabalho (primeira
plo, práticas de limpeza dos corredores em que só é limpa uma metade de cada vez, mate-
diretiva especial, na riais que permitam limpar a seco ou com água) e identificar-se as melhores alturas para a
acepção do n.º 1 do fazer (por exemplo, no início da manhã). Uma limpeza e manutenção regulares permitem
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
minimizar os riscos. Os resíduos devem ser removidos regularmente e as áreas de trabalho
de 30.12.1989, p. 1 a 12. devem estar desobstruídas. Os líquidos derramados devem ser imediatamente limpos e
os métodos e equipamentos de limpeza têm de ser adequados para a superfície tratada.
(96 ) Diretiva 89/654/CEE Durante os trabalhos de limpeza e
do Conselho, de 30 de
novembro de 1989, manutenção, há que ter cuidado para
relativa às prescrições não provocar novos perigos de escor-
mínimas de segurança e regões e tropeções, devendo utilizar-
de saúde para os locais
de trabalho (primeira -se avisos quando o pavimento está
diretiva especial, na molhado ou escorregadio (por exem-
acepção do n.º 1 do plo, humidade ou areia)  (96). Sempre
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393 que necessário, devem arranjar-se vias
de 30.12.1989, p. 1 a 12. de passagem alternativas;
48 Práticas de limpeza
49 Os métodos de
limpeza devem estar
162 adaptados à superfí-
cie a tratar
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

• é necessário escolher equipamentos como escadotes e escadas adaptados aos locais (97) Diretiva 89/656/CEE
do Conselho, de 30 de
de trabalho e tarefas de modo a evitar ou controlar os perigos; novembro de 1989,
relativa às prescrições
• calçado: os trabalhadores devem dispor de calçado adequado ao seu ambiente e às mínimas de segurança e
de saúde para a utiliza-
suas condições de trabalho (97) (ver também «Equipamentos de proteção individual», ção pelos trabalhadores
p. 164). Os trabalhadores têm de fazer a manutenção do calçado e manter as solas de equipamentos de
livres de contaminação. Os sapatos devem ser regularmente substituídos, antes de proteção individual
no trabalho (terceira
ficarem gastos (consoante o trabalho em causa, geralmente duas vezes por ano, no diretiva especial, na
mínimo). Quando são necessários cobre-sapatos, devem usar-se, sempre que pos- acepção do n.º 1 do
sível, cobre‑sapatos reutilizáveis de boa qualidade, e limpá-los entre utilizações. Os artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
cobre-sapatos descartáveis podem ser escorregadios e rasgam-se com facilidade; de 30.12.1989, p. 18
a 28.
• informações e instruções: os trabalhadores devem ser regularmente informados
dos riscos de acidente e receber instruções sobre os comportamentos seguros, que
devem ser supervisionados e impostos pelas chefias diretas;

• devem definir-se os procedimentos a seguir pelos visitantes e os doentes.

Medidas relativas ao comportamento pessoal/individual

A forma como as pessoas atuam e se comportam no seu ambiente de trabalho pode


influenciar grandemente a ocorrência de escorregões e tropeções. A entidade patro-
nal é obrigada a garantir a máxima ordem no local de trabalho, para eliminar as causas
desses acidentes na origem e manter um comportamento seguro. Os trabalhadores
têm a responsabilidade de cooperar com a entidade patronal.
Sempre que possível, o objetivo consiste em eliminar os riscos na origem (por exemplo, utilizar Nota importante
materiais adequados no pavimento, nivelar pavimentos irregulares). A segunda opção preferida
consiste na substituição (por exemplo, utilizar um método alternativo de limpeza dos pavimentos),
seguida pela separação (por exemplo, utilizar barreiras para afastar os trabalhadores dos pavimen-
tos molhados). A medida de prevenção seguinte é a proteção (por exemplo, usar calçado com solas
antiderrapantes). A medida final é o fornecimento de informações aos trabalhadores. A utilização
dos equipamentos de proteção individual e o fornecimento de informações devem ser a última
forma de proteção após se terem esgotado todas as medidas de caráter organizativo e técnico.

Incluir num sistema de gestão:

Planear

Trabalhe com os seus trabalhadores (amostra representativa dos homens, mulheres, ido-
sos e trabalhadores com deficiência) e eventualmente com os doentes e os visitantes para
identificar as potenciais áreas problemáticas e estabelecer metas para a sua melhoria.

Formar

Faculte aos seus trabalhadores os conhecimentos necessários para identificarem e


tomarem medidas em relação aos potenciais riscos.

Organizar

Responsabilize os trabalhadores por áreas específicas, incluindo o pessoal da limpeza


e contratado, na medida em que isso seja razoável e legal.

163
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Controlar

Assegure que as práticas e os processos de trabalho estão a ser adequadamente exe-


cutados e mantenha um registo de todos os trabalhos de limpeza e manutenção.

Acompanhar e rever

Fale com os seus trabalhadores (amostra representativa de homens, mulheres, pessoal


mais idoso e com deficiências) e eventualmente com os doentes e os visitantes, para
que estes possam informá-lo sobre os resultados das medidas adotadas. Se necessário,
tome novas medidas
  50 Os escadotes permi-
tem trabalhar com
segurança

  51 A adequação do calça-


do varia em função da
tarefa e do ambiente

(98) Diretiva 89/656/CEE


do Conselho, de 30 de
novembro de 1989, 4.2.7. Equipamento de proteção individual
relativa às prescrições
mínimas de segurança e Na seleção do calçado adequado para as diferentes tarefas da prestação de cuidados,
de saúde para a utiliza-
ção pelos trabalhadores há que ter em conta o tipo de trabalho (por exemplo, cozinha, movimentação manual
de equipamentos de de cargas, bloco operatório, prestação de cuidados), o tipo de pavimento, as condi-
proteção individual ções em que este se encontra (por exemplo, molhado, escorregadio, gorduroso), as
no trabalho (terceira
diretiva especial, na propriedades antiderrapantes das solas e o conforto individual, a durabilidade e quais-
acepção do n.º 1 do quer outras características de segurança necessárias, como a proteção ou sustentação
artigo 16.º da Diretiva dos dedos dos pés (98). Os aspetos relativos ao género devem ser contemplados ao
89/391/CEE), JO L 393
de 30.12.1989, selecionar os equipamentos de proteção em função das necessidades individuais. A
p. 18 a 28. escolha final pode ter de resultar de um compromisso.

  52 Exemplo de calçado


adequado para os
enfermeiros

164
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

• Especifique as superfícies e os contaminantes mais suscetíveis de causarem riscos e escorre- Sugestões


gões no seu local de trabalho e procure aconselhar-se com o seu fornecedor sobre o calçado principais
adequado. Algum calçado antiderrapante pode não ser adequado em condições que têm
exigências específicas; por exemplo, o calçado que mostra um bom desempenho em super-
fícies molhadas (casa de banho) pode não ser adequado em superfícies gordurosas (cozinha)
ou quando se enfiam pedaços de comida pegajosos nos sulcos das solas (cozinha).
• Verifique com o seu fornecedor se a resistência antiderrapante do calçado em que está inte-
ressado foi testada; em caso afirmativo, os valores dos testes do coeficiente de atrito devem
estar disponíveis. Quanto mais elevado for esse coeficiente, melhor é a resistência antider-
rapante. Procure resultados superiores aos requisitos mínimos estabelecidos no anexo A
da norma EN ISO 20345/6/7:2004 (A1:2007), a norma aplicável ao calçado de segurança, de
proteção e profissional. O calçado testado e certificado ostenta a marcação CE. Os fabrican-
tes fornecem informações aos utilizadores indicando a que aplicações o calçado se adequa.
• Pode encomendar a realização de testes antiderrapagem adicionais através do fornecedor,
por exemplo, em superfícies/contaminantes existentes no seu local de trabalho.
• Considere a possibilidade de pedir ao fornecedor que disponibilize pares de sapatos experi-
mentais para o ajudar a fazer a escolha correta e não escolha o calçado apenas com base nas
descrições de brochuras ou nos resultados de ensaios laboratoriais.
• Os ensaios do calçado devem envolver uma amostra representativa dos trabalhadores (ho-
mens e mulheres, eventualmente trabalhadores com problemas nos pés) e ter uma duração
suficiente para produzirem resultados significativos.
• Certifique-se de que compra o calçado adequado para a atividade em causa (não será neces-
sariamente o mais barato, mas poderá ser mais confortável ou atraente), assegurando assim
que o pessoal o usa e que pode durar mais tempo.
• Adote um sistema para inspecionar e substituir o calçado antes de este ficar gasto e perigoso.

A entidade patronal deve disponibilizar calçado para todas as situações de trabalho


em que seja identificado um risco específico (99), por exemplo, na cozinha, nas ativida-
des de transporte, no bloco operatório ou no setor da limpeza.

Contudo, de um modo geral, não se considera que o calçado do pessoal de enferma-


gem faça parte do equipamento de proteção individual. Ainda assim, deve cumprir
certos requisitos para evitar acidentes causados por escorregões, tropeções ou quedas
e assegurar condições de trabalho respeitadoras da coluna vertebral, à semelhança de
qualquer outro calçado profissional ou de segurança e proteção individual.

• O modelo de piso da sola e a composição da mesma são dois aspetos importantes


para a resistência antiderrapagem. De um modo geral, uma sola mais macia e um
modelo de piso da sola mais compacto funcionam bem com os contaminantes líqui-
dos e num ambiente interior. Um modelo de piso mais aberto funciona melhor no
exterior ou com os contaminantes sólidos. As propriedades de resistência antider-
rapagem podem mudar com o uso; algumas solas podem deteriorar-se, sobretudo
quando os seus sulcos ficam desgastados.
(99) Diretiva 89/656/
• Um sapato fechado à frente protege a ponta do pé de lesões. /CEE do Conselho,
de 30 de novembro
de 1989, relativa às
• Um sapato fechado atrás, com o calcanhar reforçado, garante uma estabilidade ele- prescrições mínimas
vada, protegendo o calcanhar do pé, os tendões, os ligamentos e as articulações, e de segurança e de
saúde para a utilização
sustentando o pé lateralmente. O calçado almofadado previne as lesões de todas as pelos trabalhadores
partes do pé eventualmente em risco, como o tendão de Aquiles. de equipamentos de
proteção individual
no trabalho (terceira
• A largura do sapato deve ser adaptável ao pé para o sapato ficar bem ajustado e o diretiva especial, na
pé não ficar a «nadar». acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
• Uma palmilha anatomicamente concebida apoia a arcada plantar, absorvendo os de 30.12.1989,
choques/impactos. p. 18 a 28.

165
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• Um sistema de absorção dos choques reduz o efeito dos impactos aliviando o


esforço das articulações e da coluna vertebral.
• O sapato deve ter salto raso: um salto com 2 cm de altura no máximo beneficia a
estática corporal (postura e equilíbrio). A superfície de contacto do sapato deve ser
o mais ampla possível.
• O material dos sapatos deve ser hidrófugo, resistente e fácil de limpar. Os materiais
que permitem a respiração da pele, como o cabedal ou outros materiais, absorvem
a humidade da pele e transmitem-na para o exterior. O uso de meias feitas de mate-
riais transpiráveis (por exemplo, microfibras ou lã) tem um efeito de apoio.
• São aplicáveis outros critérios, consoante os locais de trabalho.

4.2.8. Comportamento em situações críticas:


recomendações para os trabalhadores
Apoie as medidas de prevenção.
Vá limpando à medida que suja.
Evite a contaminação.
Adote a atitude de arrumar o que vir fora do sítio no que respeita à boa ordem das
instalações.
Não ignore nem retire os avisos de segurança do seu lugar.
Caminhe de forma adequada às circunstâncias.
Habitue-se a manter um comportamento seguro e cauteloso em situações críticas.
Comunique imediatamente qualquer perigo que detete (por exemplo, contamina-
ção), se não puder intervir pessoalmente.
Respeite as instruções de segurança, incluindo o uso de calçado adequado.
Mantenha o seu calçado em boas condições.
Ajude as outras pessoas.

4.2.9. Mensagens e conclusões principais


As condições de trabalho não devem pôr em perigo a saúde dos trabalhadores. Os trabalhado-
Nota importante res saudáveis devem assim manter-se e os seus recursos devem ser reforçados. Os trabalhado-
res em risco devem ser apoiados por medidas de proteção.
Os trabalhadores que tenham sofrido um acidente provocado por escorregões ou tropeções
devem ser auxiliados a regressar aos sistemas de trabalho.
Uma abordagem participativa tem mais probabilidades de ser bem sucedida. Muitas vezes, é
necessário interligar as medidas de prevenção dos riscos e de promoção da saúde para elas
serem eficazes.

4.2.10. Diretivas da União Europeia aplicáveis


(100) Diretiva 89/391/CEE As prescrições das diretivas europeias com relevância para a prevenção dos escorregões,
do Conselho, de 12 tropeções e quedas incluem as seguintes responsabilidades das entidades patronais:
de junho de 1989,
relativa à aplicação de
medidas destinadas a 1. seguir um enquadramento geral de gestão da segurança e da saúde que abranja
promover a melhoria da a avaliação e prevenção dos riscos; dar prioridade às medidas coletivas destina-
segurança e da saúde das a eliminar os riscos; fornecer informações e formação, consultar os trabalha-
dos trabalhadores no
trabalho, JO L 183 de dores (homens e mulheres), coordenar os contratantes em matéria de segurança
29.6.1989, p. 1 a 8. (Diretiva 89/391/CEE do Conselho) (100);

166
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

2. consultar os trabalhadores é um imperativo. Recorrer aos seus conhecimentos


ajuda a assegurar a deteção correta dos riscos e a aplicar soluções viáveis. Assegurar
uma abordagem neutra em termos de género (Diretiva 89/391/CEE do Conselho) (101);

3. assegurar que os locais de trabalho estejam devidamente mantidos e limpos


(Diretiva 89/654/CEE do Conselho) (102);

4. assegurar que, na medida do possível, os locais de trabalho recebam luz natural


suficiente e estejam equipados com luz artificial adequada à proteção da segu-
rança e saúde dos trabalhadores (Diretiva 89/654/CEE do Conselho) (103);

5. assegurar que os pavimentos dos locais de trabalho estejam isentos de saliên-


cias, buracos ou planos inclinados perigosos e que estejam fixos, estáveis e que (101) JO L 183 de 29.6.1989,
não escorreguem (Diretiva 89/654/CEE do Conselho) (104); p. 1 a 8.

6. fornecer sinalização de segurança e/ou saúde sempre que os riscos não pos- (102) Diretiva 89/654/CEE
do Conselho, de 30 de
sam ser evitados ou suficientemente limitados por medidas preventivas (Diretiva novembro de 1989,
89/654/CEE do Conselho) (105); relativa às prescrições
mínimas de segurança e
de saúde para os locais
7. disponibilizar equipamentos de trabalho ergonómicos adequados, com uma de trabalho (primeira
abordagem sensível à dimensão do género, para reduzir/evitar os riscos (Diretiva diretiva especial, na
89/655/CEE do Conselho) (106); acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 393
8. fornecer equipamento de proteção individual (nomeadamente, calçado de pro- de 30.12.1989, p. 1 a 12.
teção) adequado aos riscos a prevenir e sempre que não puderem ser evitados
(103) JO L 393 de 30.12.1989,
por outros meios. Deve ser confortável, corretamente ajustados ao utilizador e p. 1 a 12.
em boas condições, não devendo implicar um aumento de outros riscos (Diretiva
89/656/CEE do Conselho) (107); (104) JO L 393 de 30.12.1989,
p. 1 a 12.

9. manter um ambiente de trabalho seguro e saudável não é apenas uma responsa-


(105) JO L 393 de 30.12.1989,
bilidade da direção. Os trabalhadores também têm responsabilidades (Diretiva p. 1 a 12.
89/391/CEE do Conselho) (108):
(106) Diretiva 89/655/CEE
do Conselho, de 30 de
• seguir os sistemas de trabalho adequados estabelecidos para a sua segurança, novembro de 1989,
relativa às prescrições
• utilizar corretamente os equipamentos fornecidos para sua segurança, mínimas de segurança e
de saúde para a utiliza-
ção pelos trabalhadores
• cooperar com o seu empregador em matéria de segurança e saúde, de equipamentos de
trabalho no trabalho
(segunda diretiva
• seguir as instruções em conformidade com a formação ministrada, especial, na acepção do
n.º 1 do artigo 16.º da
• informar o empregador se identificarem atividades perigosas ou outros riscos de Diretiva 89/391/CEE),
JO L 393 de 30.12.1989,
escorregões, tropeções e quedas, p. 13 a 17.

• ter cautela para garantir que as suas atividades não põem outras pessoas em risco. (107) Diretiva 89/656/CEE
do Conselho, de 30 de
novembro de 1989,
As prescrições mínimas previstas nas diretivas europeias foram transpostas para relativa às prescrições
a legislação nacional que, por sua vez, pode conter prescrições complementares, mínimas de segurança e
que é necessário verificar. de saúde para a utiliza-
ção pelos trabalhadores
de equipamentos de
• As características de segurança, incluindo a resistência antiderrapagem, são testa- proteção individual
das em conformidade com um conjunto de normas de ensaio europeias inscritas na no trabalho (terceira
diretiva especial, na
norma EN ISO 20344:2004 (A1:2007). acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva
• As especificações de desempenho constam de um conjunto associado de normas 89/391/CEE), JO L 393,
30.12.1989, p. 18 a 28.
aplicáveis aos equipamentos de proteção individual (EPI), nomeadamente: EN ISO
20345:2004 (A1:2007) para o calçado de segurança; EN ISO 20346:2004 para o calçado (108) JO L 183 de 29.6.1989,
de proteção e (A1:2007) EN ISO 20347:2004 (A1:2007) para o calçado profissional. p. 1 a 8.

167
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.2.11. Ligações
N.º Título País/ Conteúdo/Fonte
Região
1 Cleaning activities Reino Este projeto de investigação analisa as operações de limpeza enquanto fator que
and slip and trip Unido contribui para os acidentes causados por escorregões e tropeções. Foram entrevis-
accidents in NHS tados funcionários de cinco NHS Acute Trusts para obter uma compreensão inicial
Acute Trusts — a que permitisse cumprir os objetivos da investigação.
scoping study www.hsl.gov.uk/research/hsl_pdf/2006/hsl0680.pdf
2 E-fact 37 — Slips, EU- Esta ficha técnica analisa as razões por que o pessoal da limpeza está particu-
trips, falls and OSHA larmente em risco de sofrer estes tipos de acidentes e descreve as medidas que
cleaners podem ser tomadas para evitar a sua ocorrência. Também apresenta a legislação
aplicável em matéria de proteção do pessoal de limpeza.
www.osha.europa.eu/en/publications/e-facts/efact37
3 Factsheet 14 — EU- Aconselhamento para a prevenção de escorregões e tropeções relacionados com o
Prevenção de Escor- OSHA trabalho em empresas de todos os tipos e dimensões.
regões e Tropeções http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/14
Relacionados com
o Exercício de uma
Profissão
4 Portal na internet: EU- Página do portal sobre escorregões e tropeções da autoridade executiva do Reino
Preventing slips and OSHA Unido. A página abrange a avaliação das quedas, as suas causas e outros recursos.
trips in the workplace http://osha.europa.eu/data/links/osh_link.2007-01-30.4725634453/view
5 Employers — Reino Informação dirigida às entidades patronais sobre a hierarquia das medidas para
Preventing slips Unido controlar os riscos de escorregões e tropeções. Aborda principalmente a contami-
and trips — risk nação do pavimento, os efeitos ambientais adversos, as condições do pavimento e
assessment do calçado, para avaliar os riscos de escorregões, e o controlo das vias de acesso, a
boa ordem dos espaços e a sua manutenção para avaliar os riscos de tropeções. São
indicadas ligações a outras fontes de informação sobre as causas dos escorregões e
tropeções, a limpeza, o calçado e a legislação e regulamentação aplicáveis.
http://www.hse.gov.uk/slips/employersriskas.htm
6 What can I do to Reino Uma lista de controlo útil para os trabalhadores melhorarem a segurança no local
prevent slips and Unido de trabalho no que respeita à prevenção dos escorregões e tropeções. São indica-
trips? —Workers das ligações a outras fontes de informação sobre a avaliação dos perigos de quedas
por estas causas, a limpeza e a prevenção dos escorregões no trabalho.
www.hse.gov.uk/slips/workers.htm
7 «Shattered Lives» Reino Página inicial da campanha «Shattered Lives».
campaign Unido www.hse.gov.uk/shatteredlives
8 Procuring slip- Reino Sugestões sobre a escolha do calçado de trabalho no que respeita à resistência
-resistant footwear Unido antiderrapagem. São apresentadas sugestões essenciais e as principais questões
for use at work relativas às solas e às superfícies dos pavimentos. Entre as informações complemen-
tares figuram as ligações a estudos de casos sobre o calçado, a resultados de testes
de calçado e às normas correspondentes.
www.hse.gov.uk/slips/footprocure.htm
9 Providing suitable Reino Informações destinadas aos fornecedores e fabricantes sobre o papel fundamental que
slip-resistant foo- Unido desempenham no fornecimento de calçado adequado, estudos de casos sobre a sua
twear for work correta utilização em diversos ambientes, métodos de ensaio da resistência antiderra-
pagem, e informações que devem ser fornecidas para indicar que o calçado preenche
os requisitos específicos. São sugeridas ligações para a aquisição de calçado antiderra-
pante, bem como a estudos de casos e a resultados de outros ensaios de calçado.
www.hse.gov.uk/slips/manufactfoot.htm
10 Slips and trips — Reino Informações básicas sobre o que é necessário fazer em termos de avaliação dos ris-
Where do I start? Unido cos e de gestão da segurança e saúde. Explicação do processo de avaliação dos ris-
cos em cinco etapas e identificação dos elementos que um bom sistema de gestão
deve envolver. Contém ligações aos sítios web relativos às causas dos escorregões e
tropeções e às medidas de prevenção.
www.hse.gov.uk/slips/start.htm

168
4 RISCOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS

N.º Título País Conteúdo/Fonte

11 Watch your Reino Página de apresentação relativa aos escorregões e tropeções.


step Unido www.hse.gov.uk/watchyourstep

12 Architects/ Reino Informações sobre os livros e orientações práticas para os responsáveis pela conce-
/designers Unido ção, a aquisição e a gestão de pavimentos em edifícios, a fim de tornar os pavimen-
tos seguros contra os escorregões. Ligações aos documentos em causa.
www.hse.gov.uk/slips/architects.htm

13 Role of manu- Reino Conselhos aos empregadores sobre a forma de testarem e interpretarem os dados
facturers and Unido facultados pelo fabricante sobre a resistência antiderrapagem dos materiais usados
suppliers of nos pavimentos, a fim de escolherem o produto certo para desempenhar a função a
flooring que se destina e adequado para prevenir os escorregões e tropeções.
Ligações a avaliações da resistência antiderrapagem e a estudos de casos de escorre-
gões e tropeções.
www.hse.gov.uk/slips/manufactfloor.htm

14 Stop slips in Reino Informações sobre as campanhas de sensibilização e informação sobre os escorre-
kitchens — Get Unido gões e tropeções. As duas últimas campanhas, intituladas «Shattered Lives» (Vidas
a grip despedaçadas) e «Stop slips in kitchens» (Pare os escorregões nas cozinhas) são
apresentadas de forma mais pormenorizada. É indicada uma lista de ligações que
permitem obter informações complementares sobre campanhas atuais e passadas.
http://www.hse.gov.uk/slips/kitchens/footwearguide.pdf

15 What causes Reino Informações sobre as múltiplas causas de acidentes relacionados com escorregões
slips and trips? Unido e tropeções. O pavimento, a contaminação, os obstáculos, a limpeza, as pessoas ou
os fatores humanos, o ambiente e o calçado são elementos analisados, cada um
deles com uma descrição pormenorizada e a apresentação de casos de estudo. Um
modelo relativo ao potencial de ocorrência de escorregões e tropeções destaca o
papel que os diversos fatores podem desempenhar num desses acidentes. Uma
lista de 31 ligações permite obter informações complementares sobre as causas dos
escorregões e tropeções.
www.hse.gov.uk/slips/causes.htm

16 Les chutes de França Relatório sobre um estudo em curso sobre os acidentes causados por escorregões,
plain-pied en tropeções e quedas ao mesmo nível. Em consequência de estes acidentes ocorrerem
situation pro- em situações variadas e raramente serem objeto de uma análise aprofundada, a
fessionnelle primeira fase do trabalho concentra-se na análise pormenorizada dos acidentes, a
fim de caracterizar as situações que os produzem. A segunda fase incluirá estudos
sobre as estratégias de regulação do equilíbrio adotadas pelas pessoas, no âmbito de
um sistema que modela a situação de trabalho, e a aplicação dos conhecimentos no
contexto dos projetos de prevenção. São apresentados resultados parciais dos anos
de 2003 a 2005.
http://www.inrs.fr/inrs-pub/inrs01.nsf/IntranetObject-accesParReference/ND%20
2206/$File/ND2206.pdf

17 BGW Themen: Alemanha Esta brochura mostra a importância de usar vestuário, calçado e equipamentos de
Dresscode segurança individual adequados. Muitas vezes, os trabalhadores não estão motiva-
Sicherheit dos para os usarem.
http://www.bgw-online.de/Internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/Medientypen/
bgw_20themen/M658_Dresscode_20Sicherheit,property=pdfDownload.pdf

18 BGW Themen: Alemanha Esta brochura mostra as causas dos escorregões e tropeções e sugere formas de
Vorsicht Stufe reduzir esses acidentes.
http://www.bgw-online.de/Internet/generator/Inhalt/OnlineInhalt/Medientypen/
bgw_20themen/M657_Vorsicht_20Stufe,property=pdfDownload.pdf

169
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

4.2.12. Bibliografia
Allgemeine Unfallversicherungsanstalt (AUVA), «Verhütung von Sturzunfällen
am Boden/mit Leitern», 2006 (http://esv-sva.sozvers.at/mediaDB/MMDB109668_
Sturzunf%C3%A4lle%20Lista de controloen.pdf ).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, «Factsheet 14 — Prevenção


de Escorregões e Tropeções Relacionados com o Exercício de uma Profissão», 2001
(http://www.osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/14).

Hauptverband der gewerblichen Berufsgenossenschaften (HVBG), «BGAG-Report


1/05:Entstehung von Stolper-, Rutsch und Sturzunfällen», 2005 (http://www.dguv.de/
iag/de/publikationen/_dokumente/report2005_01.pdf ).

Health and Safety Executive of the Government of the UK, «Workplace newsletter:
Slips and trips», 2004 (http://www.hse.gov.uk/slips/index.htm).

Health and Safety Executive of the Government of the UK, «Slips and trips in the health
services», 2003 (http://www.hse.gov.uk/pubns/hsis2.pdf ).

170
5
Riscos
psicossociais
5.1. Introdução 5.4.4. Descrições dos efeitos sobre a saúde
e a segurança
5.2. Stresse e esgotamento 5.4.5. Medidas gerais de prevenção e proteção
profissional (burnout) 5.4.6. Descrição das técnicas e procedimentos
de prevenção específicos
5.2.1. Natureza do risco em causa
5.4.7. Exemplos de boas práticas empresariais
5.2.2. Critérios básicos de uma avaliação
dos riscos específica 5.4.8. Comportamentos adequados em situações
críticas
5.2.3. Situações laborais com maior exposição
5.4.9. Conhecimentos e conclusões
5.2.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança
mais importantes
5.2.5. Medidas gerais de prevenção e proteção
5.2.6. Descrição de técnicas e procedimentos de 5.5. Abuso de drogas
prevenção específicos
5.5.1. Natureza do risco em causa
5.3. Prevenção e monitorização 5.5.2. Critérios básicos de uma avaliação
da violência e do assédio moral dos riscos específica
(coação e terrorismo psicológico) 5.5.3. Situações laborais com maior exposição
5.5.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança
no local de trabalho
5.5.5. Medidas gerais de prevenção e proteção
5.3.1. Natureza do risco em causa
5.5.6. Técnicas e procedimentos de prevenção
5.3.2. Critérios básicos de uma avaliação dos específicos
riscos específica
5.5.7. Comportamentos adequados em situações
5.3.3. Situações laborais com maior exposição críticas
5.3.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança 5.5.8. Conhecimentos e conclusões mais
5.3.5. Medidas gerais de prevenção e proteção importantes
5.3.6. Descrição das técnicas e procedimentos 5.6. Diretivas da União Europeia aplicáveis
de prevenção específicos 5.7. Descrição de boas práticas empresariais
5.3.7. Exemplos de boas práticas empresariais 5.7.1. Entrevista na Havelland Clinics Nauen sobre
5.3.8. Comportamentos adequados em situações os riscos psicossociais
críticas 5.7.2. Entrevista no hospital St. Elisabeth de
5.3.9. Conhecimentos e conclusões mais Tilburg sobre os riscos psicossociais
importantes
5.8. Ligações
5.4. Horários de trabalho
5.4.1. Natureza do risco em causa 5.9. Bibliografia
5.4.2. Critérios básicos de uma avaliação dos
riscos específica Anexo
5.4.3. Descrição das situações laborais com maior
exposição
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.1. Introdução
Para garantir uma prestação de cuidados de boa qualidade, o pessoal de saúde
deve sentir-se seguro e saudável no local trabalho, bem como muito motivado
para fazer um bom trabalho. Além disso, segundo a definição de saúde da Orga-
nização Mundial de Saúde (OMS), deve estar num estado de completo bem-estar
físico, mental e social, e sentir-se capaz de utilizar o seu próprio potencial em
termos de saúde para responder eficazmente às (elevadas) exigências do seu tra-
balho. Mas será efetivamente assim?

Uma das conclusões do estudo NEXT (nurses’ early exit — saída precoce dos enfermei-
ros) (109) foi de que os enfermeiros não estão satisfeitos com o seu trabalho. Segundo o
estudo, 15,6% dos enfermeiros europeus ponderam com frequência (várias vezes por
mês) e seriamente abandonar a profissão antes da idade da reforma.

O estudo NEXT também mostra que não é a profissão propriamente dita que suscita
esse desejo de a abandonar, mas sim a qualidade do trabalho no local onde é exercida.
Os trabalhadores da saúde necessitam de um ambiente de trabalho onde se sintam
seguros, saudáveis e capazes de responder eficazmente às exigências quotidianas do
seu trabalho. Quando alguém gosta e se orgulha daquilo que faz, consegue responder
mais facilmente às exigências do seu ambiente.

As poucas perspetivas de progressão na carreira, os horários de trabalho difíceis, os


salários baixos e o esforço e o desgaste físicos e mentais elevados são algumas das
razões que atualmente impedem a profissão de ser atrativa.

As elevadas taxas de absentismo e de reforma antecipada resultam possivelmente


deste estado de coisas. Para além do sofrimento pessoal das pessoas afetadas, há
que evitar ou reduzir as repercussões negativas na situação económica dos estabe-
lecimentos de saúde e a perda de competências especializadas, através de medi-
das corretivas, ou seja, retrospetivas, a nível da organização e do desenvolvimento
pessoal.

O presente capítulo descreve os diversos riscos psicossociais no trabalho, bem como


o conceito de esforço mental. Serão apresentadas recomendações gerais e instrumen-
tos práticos para reduzir os riscos psicossociais no trabalho e construir a base de um
ambiente de trabalho seguro, em conformidade com a definição da OMS.

O modelo seguinte visa descrever de forma simples a relação entre os fatores de


esforço objetivamente existentes no trabalho e as reações dos trabalhadores. Os esfor-
ços não suscitam automaticamente as mesmas reações em todos eles. Características
como a idade, o sexo, o
apoio social e os dife-
Modelo de stresse-desgaste
rentes estilos de fun-
cionamento levam a
desgastes diferentes.
+
Esforço Desgaste
• O esforço engloba
Totalidade das influências Consequências
todas as influências
externas, como o
externas registáveis
(causa)
+, – individuais
para as pessoas (efeito)
ambiente de trabalho,
a tarefa em si, a orga-
nização do trabalho e
Recursos
as relações sociais.
pessoais
• Durante os proces- moderador
(109) http://www.next.
uniwuppertal.de/EN/ sos de trabalho, há Fonte: Richter 2000,
Cox e outros 2000, Harrach 2000.
index.php?next-study. recursos pessoais que

172
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

influenciam positiva ou negativamente as atitudes face à tarefa, como o apoio dos


colegas, ou a falta dele, e os fatores pessoais (fatores de resistência).

• Há ainda o stresse a nível individual, como o esgotamento profissional e o abuso do álcool.

Os fatores de risco psicossociais podem surgir em todos os grupos profissionais do


setor da saúde, incluindo enfermeiros, médicos, pessoal da limpeza e técnicos dos ser-
viços de medicina. São riscos psicossociais bem conhecidos:

• a pressão do tempo;

• estruturas hierárquicas rígidas;

• falta de gratificação e recompensa;

• liderança pessoal inadequada;

• falta de informações relevantes;

• falta de apoio dos quadros de gestão;

• esforços relacionados com o trabalho (trabalho por turnos, trabalho noturno, horá-
rios irregulares);

• conflitos sociais, assédio, coação, violência e discriminação;

• dificuldades no domínio da comunicação e da interação, incluindo a incapacidade


de compreender a linguagem corporal;

• uma organização do trabalho que não é ideal (disposições relativas ao horário de


trabalho ).

No presente capítulo, os riscos psicossociais serão identificados e avaliados, as inter-


venções possíveis realçadas e os exemplos de boas práticas descritos.

É importante referir que o stresse está muitas vezes associado a sintomas psicosso-
máticos. A apresentação dos fenómenos psicossociais que a seguir fazemos não se
baseia na sua atribuição teórica a situações de esforço objetivas ou a consequências
do desgaste subjetivamente sentido, mas sim na situação efetivamente existente em
muitas clínicas e lares. Por exemplo, o esgotamento profissional ou o abuso de drogas
é consequência de uma situação de esforço a nível pessoal, enquanto o stresse, ou
mesmo o tempo de trabalho mal organizado, tende a ser um fator de esforço sentido a
nível subjetivo. Este procedimento parece-nos ser razoável porque os sintomas «nega-
tivos» dos trabalhadores indicam sempre
um trabalho mal concebido.

Horário
de trabalho Coação Para uma intervenção ser bem sucedida há que
analisar primeiramente a situação, por exem-
plo no âmbito de uma avaliação dos riscos.

Stresse
Riscos Violência Determinar os riscos no âmbito
psicossociais
da avaliação dos riscos
Na avaliação dos riscos, procede-se a uma
Esgotamento
Abuso
de drogas
análise sistemática das condições de traba-
profissional lho existentes, com base em critérios rela-
cionados com os riscos da situação laboral
(ver supra), em cinco etapas.

173
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Etapa 1 — Identificação dos perigos e das pessoas em risco


A análise da situação laboral, para avaliar os eventuais riscos psicossociais existentes
no local de trabalho, pode ser baseada em perguntas-chave: o tipo de procedimento
escolhido no presente guia.

A utilização de perguntas-chave é apenas um dos processos que permitem uma pri-


meira abordagem da matéria, dando uma mera orientação inicial no domínio dos
riscos psicossociais. Foram elaboradas com base na bibliografia e têm uma orienta-
ção teórica, mas não representam uma teoria única, assentando antes no conceito
de esforço-desgaste (ver supra) e nas relações teóricas com o stresse. As perguntas-
-chave foram elaboradas desta forma porque provaram ser indicadores informativos
em vários estudos.

A utilização e a avaliação das perguntas-chave são simples. As características aplicáveis


são assinaladas e as respostas agrupadas por risco. A avaliação é realizada segundo o
princípio do semáforo (ver quadro 5.1).

Quadro 5.1 — Sistema de


avaliação das perguntas- risco inexistente risco elevado alto risco
-chave relativas aos riscos
psicossociais 1 a 5 características 6 a 10 características 11 a 15 características
assinaladas assinaladas assinaladas

Necessidade de medidas Análises de conceção e Análises de conceção e


em relação a características rastreio recomendadas rastreio urgentemente
individuais necessárias
N.B.: Para uma matriz de aplicação complementar, ver o anexo do capítulo 5 (p. 217).

O horário de trabalho constitui uma exceção. Neste caso, devem respeitar-se os deno-
minados «critérios knock-out» (de exclusão).

No entanto, há critérios relativos aos outros domínios que devem funcionar como
«critérios knock-out». Por exemplo, as pressões de tempo muito elevadas podem indi-
car uma intensificação excessiva do trabalho. Importa ter, por isso, em conta que as
perguntas-chave não substituem uma entrevista aos trabalhadores sobre os eventuais
volumes de trabalho especiais. É possível que também seja necessário adotar medidas
de segurança e saúde no trabalho em relação às características incluídas na área verde.

As áreas-chave nos estabelecimentos e os grupos de pessoas em risco podem ser


identificados, na medida em que se insiram nas áreas vermelha e/ou amarela, com
vários riscos psicossociais.

Nos quadros exemplificativos seguintes, a avaliação é efetuada em relação ao risco


psicossocial stresse em função dos grupos profissionais, das unidades de serviço ou
das áreas dos lares, que podem ser adaptados de modo a adequar-se às designações
utilizadas em cada estabelecimento. Além disso, é possível fazer uma diferenciação,
classificando os médicos, por exemplo, de acordo com a sua especialização.

Os quadros oferecem uma perspetiva geral dos eventuais indícios existentes em cada
estabelecimento de:

• problemas psicossociais;

• áreas em que eles poderão existir;

• quais poderão ser as áreas principais;

• onde poderá haver maior necessidade de tomar medidas.

174
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Se as perguntas-chave indicarem possíveis problemas de conceção, deverão prever-se


novas medidas para melhorar a situação em diálogo com os trabalhadores. Poderá ser
necessário recorrer aos conhecimentos de peritos, nesta fase.

Etapa 2 — Avaliação e hierarquização dos riscos


Os riscos existentes são caracterizados utilizando os quadros em relação a cada risco
psicossocial e local de trabalho ou grupo profissional (ver supra). Além disso, com-
parando os quadros, podem determinar-se as questões fundamentais utilizando o
número de caixas vermelhas e amarelas. As medidas devem ser formuladas e aplica-
das, em primeiro lugar, para o grupo profissional ou o risco psicossocial com mais cai-
xas vermelhas.

As perguntas-chave não constituem um inquérito aos trabalhadores. Para esse efeito, seriam Nota importante
necessários outros pré-requisitos, como a garantia de anonimato ou a criação de medidas des-
tinadas a fomentar a confiança, nos estabelecimentos, unidades de serviço ou áreas dos lares.
No domínio científico, é habitual formular as características de forma positiva, mas no presente
guia poderá não ser sempre assim por a avaliação seguir o princípio do semáforo.

Nas análises no domínio do trabalho estabelece-se uma diferenciação entre os pro-


cedimentos de orientação, de rastreio e periciais. Em regra, só os procedimentos peri-
ciais fornecem indicações sobre a precisão das suas medições. Um procedimento com
dados metodológicos e que também pode ser utilizado de forma prática no local de
trabalho é o Questionário Psicossocial de Copenhaga (abreviado para COPSOQ), dis-
ponível em muitos países europeus nas respetivas línguas nacionais.

Etapa 3 — Decisão sobre medidas preventivas


As medidas de conceção do local de trabalho (prevenção circunstancial) e/ou mudança
do comportamento dos trabalhadores (prevenção comportamental) devem ser for-
muladas em função do risco. A aceitação por parte dos trabalhadores é maior se forem
envolvidos enquanto especialistas no seu próprio trabalho, visto que frequentemente
conhecem com exatidão os problemas de trabalho e a melhor forma de os resolver.

Etapa 4 — Adoção de medidas


Para se tomarem medidas, há que clarificar as áreas de responsabilidade. A elaboração
de um calendário e de um plano de custos ajuda todos os intervenientes na aplicação
das mesmas (ver capítulo 2, p. 31).

Etapa 5 — Documentação, acompanhamento e revisão


A avaliação dos riscos deve ser repetida a intervalos regulares (de dois em dois anos,
aproximadamente), concentrando-se numa revisão da eficácia das medidas e na aná-
lise das alterações técnicas, organizativas e relativas ao pessoal.

Os estabelecimentos podem ser muito beneficiados pelo tratamento profissional da


avaliação dos riscos. Por um lado, é possível evitar os prejuízos resultantes de atritos,
ações inadequadas, conflitos, etc. Por outro lado, a motivação e a satisfação profissio-
nal dos trabalhadores aumentam, o que também é bom para os doentes, os residentes
nos lares e os seus familiares.

175
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.2. Stresse e esgotamento profissional (burnout)

5.2.1. Natureza do risco em causa

Stresse O stresse é algo pesado, desagradável e ameaçador. É possível descrever as causas (a situação
é «stressante»), as consequências (sinto-me «stressado») e o próprio processo (é isto que me
acontece quando estou sob «stresse»). Pode entender-se por stresse um estado de tensão in-
tenso e desagradável numa situação muito adversa, ameaçadora e subjetivamente duradoura,
vista como algo que é essencial evitar. As condições (de stresse) mencionadas até à data estão
relacionadas não só com acontecimentos «muito importantes» e raros, mas principalmente
com incómodos menores e quotidianos. No local de trabalho, os fatores de stresse do dia-a-dia
têm, quase sempre, mais importância na génese do stresse do que os acontecimentos negati-
vos raros e de grande dimensão.

Esgotamento O esgotamento é uma perturbação do bem-estar que reflete uma alteração negativa dos senti-
profissional mentos, atitudes e expectativas e que tem consequências adversas quando se cuida de outras
(burnout) pessoas. Tem características em comum com a experiência do stresse, as quais têm principal-
mente a ver com a exaustão emocional e a fadiga excessiva, mas existem diferenças no que
respeita à despersonalização, à preocupação consigo próprio e à realização pessoal.
Além disso, o esgotamento descreve uma deterioração duradoura do bem-estar e do desem-
penho que é típica do grupo profissional.

5.2.2. Critérios básicos de uma avaliação dos riscos


específica
Stresse

Os elementos causadores de stresse são denominados «fatores de stresse».


Encontram-se em setores diferentes.
Os fatores de stresse suscitados pelo trabalho são os seguintes

• exigências qualitativas e quantitativas excessivamente rigorosas (doentes, residen-


tes, quadros clínicos);

• pressão do tempo e dos prazos;

• sobrecarga de informação;

• instruções de trabalho contraditórias provenientes dos médicos, dos enfermeiros-


-chefes, da direção do serviço de enfermagem ou do lar;

• interrupções e perturbações constantes por parte dos colegas, dos doentes, dos
residentes ou dos seus familiares.

  01 P
ressão do tempo
num hospital

176
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Entre os fatores de stresse decorrentes da função profissional incluem-se os


seguintes:

• aptidão insuficiente, falta de experiência profissional;

• demasiada responsabilidade;

• repartição pouco clara das tarefas;

• falta de apoio e assistência;

• falta de reconhecimento.

Entre os fatores de stresse decorrentes do ambiente material incluem-se os


seguintes:

• influências ambientais desfavoráveis, como o ruído, as descargas elétricas, o frio, o


calor e as correntes de ar;

• substâncias tóxicas, agentes biológicos e picadas de agulhas;

• sistemas técnicos complexos: sobrecarga da capacidade humana para pensar e


tomar decisões, ou de assimilar e processar as informações;

• falta de ajudas.

Entre os fatores de stresse decorrentes do ambiente social incluem-se os seguintes:

• mau ambiente de trabalho;

• pouca ou má comunicação;

• conflitos com os superiores e os colegas;

• mudanças constantes de ambiente, de colegas e de área de trabalho;

• mudanças estruturais na empresa;

• falta de informação (por exemplo, em caso de mudança de turno);

• insuficiente importância dada à compatibilidade entre a vida familiar e profissional:

• falta de pessoal.

Entre os fatores de stresse decorrentes da integração no local de trabalho («defi-


nição de comportamentos») incluem-se os seguintes:

• estar sozinho no local de trabalho (por exemplo, durante a noite ou ao fim de semana);

• longas distâncias ou corredores desconexos e semelhança entre unidades de ser-


viço, áreas ou pisos do lar.

Entre os fatores de stresse decorrentes do sistema pessoal incluem-se os seguintes:

• receio das tarefas, das censuras e das sanções;

• medo de cometer erros;

177
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• falta de competências sociais e de comunicação;

• estilos de ação ineficazes;

• conflitos familiares

Perguntas-chave sobre o stresse


Assinale as características de trabalho aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área de lar resi-
dencial ou departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-o na última linha!
Características do trabalho Aplicável Não aplicável

1. Há uma responsabilidade excessiva? o o

2. Há frequentes pressões de tempo ou dos prazos? o o

3. Há perturbações ou interrupções frequentes? o o

4. A execução do trabalho está sujeita a especificações rigorosas? o o

5. É necessário tomar decisões sem informações adequadas nem ajudas à tomada o o


de decisões suficientes?

6. Há exigências contraditórias (por exemplo, conflitos entre o cumprimento de prazos e o o


a qualidade do trabalho)?

7. Existe falta de apoio dos colegas e dos superiores? o o

8. Há falta de reconhecimento do trabalho dos funcionários? o o

9. Os trabalhadores são excluídos dos processos de planeamento e tomada de decisões? o o

10. Os erros cometidos no trabalho não são discutidos? o o

11. O ambiente de trabalho é mau? o o

12. Há muito absentismo? o o

13. Existem influências ambientais desfavoráveis? o o

14. As distâncias são muito longas ou complexas? o o

15. Há falta de competências sociais e de comunicação entre o pessoal de enfermagem? o o

Total

risco inexistente risco elevado alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

178
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Esgotamento

O esgotamento é causado pela interação entre os fatores externos, internos e pesso-


ais. Entre os fatores externos contam-se, juntamente com as exigências do trabalho, a
organização do trabalho e a situação profissional.

Exigências do trabalho

Uma exigência do trabalho específica que envolva a necessidade constante de se


ocupar ou dar atenção às pessoas em tratamento gera, com frequência, um desgaste
excessivo, devido ao elevado grau de concentração necessário e à manutenção de
uma atitude permanentemente amistosa.

O trabalho também pode ser monótono, deixar pouco espaço de manobra em ter-
mos da atividade e ser difícil de prever ou de influenciar. Qualquer pressão de tempo
reduzirá as possibilidades de prestar atenção às pessoas em tratamento. A falta de
reconhecimento e de retribuição reforça estas tendências. Os horários de traba-
lho desfavoráveis afetam negativamente a conciliação entre a vida familiar e a vida
profissional.

As exigências do trabalho acima mencionadas, que são apenas alguns exemplos, são
frequentemente resultantes de uma organização do trabalho deficiente.

Organização do trabalho

Os obstáculos burocráticos tornam difícil aplicar na prática a atitude ideal face aos
utentes dos serviços.

A organização também define as áreas de competência e de responsabilidade, deter-


mina a transparência das regras de informação e comunicação, influencia o compor-
tamento dos quadros de gestão e promove ou reduz as possibilidades de introduzir
inovações no estabelecimento.

A presença de fatores de stresse clássicos na conceção do trabalho também promove


a ocorrência de casos de esgotamento.

  02 Pressão do tempo:


neste caso, nos cuida-
dos ambulatórios

179
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Situação profissional

Os empregos no domínio dos serviços são, muitas vezes, pouco atrativos. Para além dos
baixos salários praticados em muitos setores, as interferências no tempo de lazer dos
trabalhadores e a falta de perspetivas de progressão geram situações de esgotamento.
As obrigações extra-profissionais, como cuidar dos filhos ou de familiares necessitados
de cuidados, não são tidas em conta na configuração da organização do trabalho.

Acresce ainda que, apesar das necessidades crescentes, os recursos financeiros são
frequentemente limitados.

Fatores pessoais/individuais
Para além dos fatores relacionados com as condições de trabalho, as pessoas contri-
buem de diversas formas para inibir ou promover a ocorrência do esgotamento atra-
vés da sua situação e dos seus desejos pessoais. Entre os diversos contributos, figuram
os seguintes:

• as atitudes pessoais face ao trabalho (dilema do prestador de cuidados, ética


profissional);

• falta de possibilidades ou possibilidades deficientes de fazer face ao trabalho;

• o trabalho ser a coisa mais importante da vida;

• as necessidades pessoais ficarem em segundo plano;

• o equilíbrio mental pessoal não ser atingido.

Aos fatores decorrentes das exigências e condições do trabalho que levam ao esgota-
mento, há diversos fatores de stresse que promovem o seu surgimento, estando, por
isso, estreitamente relacionados com ele. As condições que, globalmente, promovem
o esgotamento são:

• a pressão do tempo;

• as interrupções constantes;

• as instruções contraditórias;

• as escassas possibilidades de decidir por si mesmo;

• as insuficientes possibilidades de obter apoio social;

• o tempo insuficiente para dar atenção emocional às outras pessoas;

• o confronto diário com o sofrimento ou a morte dos doentes;

• os conflitos com os doentes ou os seus familiares;

• a escassa cobertura em termos de recursos humanos;

• a falta de formação;

• a ausência de equilíbrio entre a atenção prestada e as reações obtidas;

• a falta de apreço.

180
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Perguntas-chave sobre o «Esgotamento»


Assinale as características aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área
de lar residencial ou departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-
-o na última linha!
No trabalho existe Aplicável Não
aplicável

1. Uma pressão do tempo permanente? o o

2. Interrupções constantes? o o

3. Instruções contraditórias? o o

4. Escassas possibilidades de decidir por si mesmo? o o

5. Insuficientes possibilidades de obter apoio social? o o

6. Tempo insuficiente para obter atenção emocional dos colegas? o o

7. Um confronto diário com o sofrimento ou a morte dos doentes? o o

8. Conflitos com os doentes ou com os familiares? o o

9. Uma obrigação de se mostrar amistoso? o o

10. Obstáculos burocráticos? o o

11. Um excesso de zelo por parte de algumas pessoas? o o

12. Necessidade frequente de horas extraordinárias? o o

13. Pouca cobertura em termos de recursos humanos? o o

14. Deficiências de qualificação? o o

15. Os serviços não são reconhecidos? o o

Total

risco inexistente risco elevado alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

181
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.2.3. Situações laborais com maior exposição


Quando tiver completado as listas de perguntas-chave em relação a várias áreas
(segundo a fórmula indicada no anexo), pode utilizar o esquema de avaliação para
determinar em que situações laborais ou em que unidades da organização (por exem-
plo, enfermarias ou áreas dos lares), áreas de atividade (por exemplo, enfermagem e
limpeza) e grupos profissionais (por exemplo, médicos ou outras categorias do pes-
soal) encontra maior exposição ao risco de stresse ou esgotamento.

5.2.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança


As consequências do stresse incluem a debilitação da saúde e a redução do desem-
penho, bem como os distúrbios do comportamento social e do desenvolvimento pes-
soal, tendo sido ainda observados impactos no comportamento extra-profissional.

O stresse é responsável por um grande número de doenças não específicas, em toda a


Europa. A sua relação com as doenças cardíacas é hoje motivo de especial preocupa-
ção, visto que as perturbações e os danos cardiovasculares se tornaram a causa natural
mais comum de doença e morte. O stresse de longa duração impõe enormes custos de
acompanhamento no domínio da saúde.

O stresse no local de trabalho é apontado como uma importante causa de situações


críticas, erros de tratamento, incidentes ou acidentes.

Para além das consequências negativas do desgaste relacionado com o stresse, é


possível observar problemas de saúde característicos associados ao esgotamento. Os
sinais típicos de alerta são os seguintes:

• o desenvolvimento rápido de fadiga ou exaustão; mesmo as atividades mais sim-


ples passam a constituir um esforço; em paralelo com sinais de ligeira irritação e
impaciência, há uma tendência para censurar os colegas, os superiores e os doentes/
/residentes;

• a constatação pelo próprio trabalhador de uma baixa eficiência no seu trabalho;


além disso, sente dificuldade crescente em sentir empatia com os utentes;

• tendência a reagir com indiferença às pessoas em tratamento.

  03 Como combater


o desespero?

182
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.2.5. Medidas gerais de prevenção e proteção


Para evitar, na medida do possível, o desenvolvimento de fatores de stresse no local de
trabalho e proteger melhor os trabalhadores do surgimento de esgotamentos, deve
fazer-se um acompanhamento contínuo da situação laboral. Estão disponíveis, para
esse efeito, diversos instrumentos e procedimentos, a utilizar em função das condi-
ções gerais da empresa:

• análise dos dados relativos à incapacidade para o trabalho;

• avaliação dos riscos;

• análise da situação laboral;

• círculos de saúde;

• inquéritos aos trabalhadores;

• entrevistas aos trabalhadores.

As medidas organizativas disponíveis para a prevenção circunstancial incluem:

• a conceção da organização do trabalho;

• a criação de graus de autonomia;

• as possibilidades de apoio social;

• a apresentação de comentários, críticas e sugestões sobre o fluxo de trabalho e os


resultados obtidos.

A manutenção de boas relações sociais e de comunicação com outros grupos profis-


sionais também é importante.

São medidas úteis a nível pessoal:

• a formação contínua e complementar;

• a formação em competências sociais e de comunicação;

• a gestão do tempo;

• a resistência ao stresse.

Os melhores resultados são obtidos por uma combinação de medidas organizativas e


pessoais.

183
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.2.6. Descrição de técnicas e procedimentos


de prevenção específicos
É aconselhável adotar técnicas e procedimentos de prevenção em várias áreas para
reduzir os fatores de stresse no local de trabalho e prevenir o esgotamento. Nessas
técnicas e procedimentos incluem-se a melhor organização do trabalho e o reforço
dos recursos individuais.

Fatores de stresse potenciais que podem ser reduzidos por medidas organizativas

• A criação de graus de autonomia para os objetivos individuais no desempenho das


tarefas diminui a pulsação e a pressão arterial, além de reduzir a depressão e as quei-
xas psicossomáticas.

• A disponibilização de apoio social quando existe uma forte presença de potenciais


fatores de stresse reduz o número de queixas psicossomáticas

• A conceção das atividades laborais de modo a estruturar as tarefas o melhor possível


leva à prevenção e à redução do stresse

• O aumento da autonomia dos trabalhadores em termos de tempo melhora a conci-


liação entre a vida profissional e a vida privada

O reforço dos recursos individuais inclui:

• a formação inicial e contínua em domínios especializados;

• a aprendizagem de estratégias adequadas para resistir ao stresse através do planea-


mento atempado de reservas e da busca de parceiros de cooperação e comunicação;

• a alteração da avaliação das exigências por parte do trabalhador mediante a aquisição


de métodos de controlo da ansiedade e do medo (formação em autorrelaxamento);

• a consciencialização das pessoas e a correção das hierarquias de valores pessoais


que dão prioridade a benefícios unilaterais e exclusivamente orientados para a
competição, ou que são equivalentes a uma autoexploração ou autoimposição de
esforços excessivos.

  04 Uma boa organização


dos contactos sociais
promove o bem-estar
dos doentes e dos
trabalhadores

184
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Há várias características relacionadas com a organização que previnem


o esgotamento.
A nível da empresa:

• pessoal suficiente, parcialmente ou ligeiramente reforçado;

• horários de trabalho e regime de turnos socialmente aceitáveis;

• criação de oportunidades de especialização e promoção;

• formação dos quadros de gestão;

• cumprimento das medidas de bem-estar obrigatórias (nomeadamente, quando há


um número elevado de horas extraordinárias).

A nível das tarefas:

• assegurar a diversidade das tarefas (por exemplo, através dos cuidados holísticos);

• facilitar o espaço de manobra no exercício das atividades, no tocante ao tempo e ao


conteúdo, criando oportunidades para o trabalhador estabelecer os seus próprios
objetivos e decisões;

• introdução do trabalho de grupo (por exemplo, incluindo comités da qualidade ou


círculos de saúde).

A nível pessoal/individual:

• debates em grupo regulares sobre os problemas existentes no trabalho;

• oferta de facilidades de qualificação para aumentar as competências especializadas,


as competências sociais e emocionais e as estratégias de resistência, através da for-
mação contínua e complementar, da formação em gestão do tempo, da formação
comportamental e da formação em gestão do medo;

• fornecimento de instalações para a prática de técnicas de relaxamento, como o


treino autogénico, o ioga e os exercícios de ginástica.
  05 As reuniões regulares
são importantes para
o bem-estar

185
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.3. Prevenção e monitorização da violência


e do assédio moral (coação e terrorismo
psicológico) no local de trabalho
A gestão da agressão e da violência por parte dos doentes, dos utentes ou das pes-
soas assistidas confronta os trabalhadores das profissões médica, de enfermagem e de
proteção social com desafios especiais. Há vários estudos que apresentam resultados
impressionantes sobre este tema:

• o estudo NEXT revelou, em relação à Alemanha, que um em cada quatro enfermei-


ros de lares de idosos e casas de saúde afirma estar constantemente confrontado
com doentes agressivos e inamistosos (110);

• um estudo realizado por Elston e outros  (111) concluiu que 70% dos 697 médicos
inquiridos no Reino Unido tinham sido vítimas de violência verbal e 10% de violên-
cia física.

As instituições e o seu pessoal nem sempre têm a preparação ou a formação adequa-


das para fazer face a tais situações. Para além das lesões físicas, também há muitas
vezes o risco de as pessoas afetadas ficarem com sequelas a nível mental. Como é que
os estabelecimentos e os trabalhadores poderão impedir a ocorrência de agressões?

5.3.1. Natureza do risco em causa


O tema da violência no local de trabalho não é unidimensional. As possíveis agressões
verbais ou físicas que os trabalhadores sofrem por parte dos doentes constituem ape-
nas uma das faces da violência; os trabalhadores que se assediam mutuamente, os
superiores que assediam os trabalhadores (o chamado bossing) e, inversamente, os
trabalhadores que assediam os superiores (situação normalmente designada por sta-
ffing), podem transformar o local de trabalho num «campo de batalha». Os possíveis
efeitos são:

• elevadas taxas de doença entre os trabalhadores;

• elevada rotação do pessoal;

• mau ambiente de trabalho;


(110) Simon, M., P. Tacken-
berg, H.-M. Hassselhorn,
A. Kümmerling, A.
• fraco desempenho.
Büscher e B.H. Müller,
«Auswertung der ersten Na Europa, são utilizados diversos termos linguísticos para o fenómeno da violên-
Befragung der NEXTS-
tudie in Deutschland»,
cia psicológica, sendo as diferenças de significado meramente marginais, em alguns
Universität Wuppertal, casos. Os fenómenos do assédio moral (mobbing), da coação (bullying) e do assé-
2005 (http://www.next. dio (harassment) são a seguir apresentados sucintamente, com base numa definição
uni-wuppertal.de).
formal.
(111) Elston, M. A., J. Gabe,
D. Denney, R. Lee, e
M. O’Beirne, «Violence
against doctors: a medi-
cal(ised) problem? The
case of National Health
Service general practi-
tioners», in: Sociology
of Health and Illness,
vol. 24, n.° 5, 2002,
p. 575 a 598 (http://
onlinelibrary.wiley.
com/doi/10.1111/1467-
9566.00309/pdf ).

186
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

O que é a violência no trabalho?

O conceito de violência no local de trabalho vinda do exterior abrange normalmente insul-


tos, ameaças ou agressão física ou psicológica por parte de pessoas exteriores à organiza-
ção, incluindo clientes e utentes, contra alguém que está a trabalhar, pondo em risco a sua
saúde, segurança e bem-estar. A violência poderá conter uma vertente racial ou sexual.
Os atos de agressão ou violência assumem a forma de:

• comportamento descortês: falta de respeito pelos outros;

• agressão física ou verbal: intenção de magoar;

• ataque: intenção de prejudicar a outra pessoa.

Uma forma específica de violência no local de trabalho é o assédio moral. O pioneiro da inves- Assédio moral
tigação sobre a coação no local de trabalho, Heinz Leymann, definiu o terrorismo psicossocial,
ou assédio moral, na vida profissional como «uma comunicação hostil e contrária à ética,
dirigida de forma sistemática por uma ou mais pessoas sobretudo contra outra pessoa que,
devido ao assédio moral, é empurrada para uma posição de impotência e desproteção, na qual
é mantida por meio de ações continuadas. Estas ações ocorrem muito frequentemente (defini-
ção estatística: pelo menos uma vez por semana) e durante um longo período
(definição estatística: pelo menos seis meses)» (112) (113).

Por coação no local de trabalho entende-se um comportamento injustificado e continuado


Coação
para com um trabalhador ou grupo de trabalhadores, suscetível de constituir um risco para a
saúde e a segurança.
Nesta definição:
• «comportamento injustificado» significa o comportamento que, de acordo com o senso
comum, atendendo às circunstâncias, considere suscetível de vitimizar, humilhar, ameaçar
ou comprometer a autoestima e a autoconfiança de uma pessoa;
• «comportamento» abrange todos os atos praticados por indivíduos ou por um grupo de
indivíduos. Um sistema de trabalho pode ser usado como meio de vitimização, humilhação,
ameaça ou diminuição da autoestima;
• «risco para a saúde e segurança» abrange os riscos para a saúde mental ou física do trabalha-
dor;
a coação envolve, frequentemente, o uso indevido ou o abuso de poder, em situações em que
as pessoas visadas têm dificuldade em defender-se.

O termo «assédio» refere-se à hostilidade indesejável ou a comportamentos ofensivos e Assédio


também pode incluir o assédio sexual. Qualquer forma de assédio no local de trabalho é uma (incluindo
forma de discriminação explicitamente proibida por lei (ver Food + Drug Administration; US assédio sexual)
Department of Health & Human Services, 2008).

(112) Leymann, H., ‘Mobbing (113) Leymann, H., ‘The content


and psychological terror and development of
at workplaces,’ in: Violence mobbing at work,’ European
and Victims, No 5, 1990, Journal of Work and Orga-
pp. 119–126 (http://www. nisational Psychology, Vol.
mobbingportal.com/ 5, No 2, 1996, pp.165–184
LeymannV&V1990%282 (http://www.tandfonline.
%29.pdf ). com/doi/abs/10.1080/
13594329608414853).

187
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.3.2. Critérios básicos de uma avaliação


dos riscos específica
No presente capítulo estabelece-se uma distinção entre a agressão contra os trabalha-
dores e o assédio moral entre o pessoal dos hospitais e casas de saúde.

Violência exercida pelos doentes contra o pessoal

Normalmente, nada justifica os ataques ao pessoal de enfermagem, mas na maioria


dos casos o ataque tem antecedentes e, por isso, desencadeia um ciclo de violência.
Não é incomum que a falta de comunicação, a comunicação deficiente, ou a compre-
ensão inadequada da linguagem corporal gerem mal-entendidos.

No que respeita às razões relacionadas com os doentes, há diversos registos patológi-


cos, doenças neurológicas e mentais ou situações de toxicodependência associados à
violência contra o pessoal. Por vezes, os doentes sentem que algumas medidas toma-
das pelo pessoal são violentas e reagem com agressividade. Entre os comportamentos
dos trabalhadores que podem desencadear a violência dos doentes, figuram a arro-
gância e a rigidez.

Também há razões estruturais para o surgimento da violência, como as normas institu-


cionais rígidas, a restrição das possibilidades de movimento, a burocracia ou a falta de
pessoal. A falta de proteção preventiva num estabelecimento pode ser demonstrada
pela ausência de planos de emergência, a inexistência de saídas de emergência e a
presença de recantos escuros, difíceis de vigiar.

Em termos de prevenção, é importante prever as situações em que a violência pode


ocorrer e estar preparado para elas (por exemplo, na hospitalização de emergência).
Tem de haver um plano de emergência nessas situações.

  06 A boa organização


do trabalho é um
recurso

188
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Perguntas-chave sobre a «violência»


Assinale as características aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área
de lar residencial ou departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-
-o na última linha!

Características do trabalho Aplicável Não aplicável

1. Na sua área de trabalho há com frequência «utentes difíceis»? o o

2. Até à data já sofreu insultos, agressões verbais e ameaças por parte dos doentes, o o
em relação com o seu trabalho?

3. Até à data já sofreu ameaças ou ataques físicos por parte dos doentes, o o
em relação com o seu trabalho?

4. Se ocorrer um ataque, não se prevê no seu estabelecimento a realização o o


de uma consulta de acompanhamento (incluindo uma reunião de equipa)?

5. Em caso de ataques por parte dos doentes, não pode contar com a ajuda imediata o o
dos seus superiores e colegas?

6. Não está disponível um sistema pessoal de chamadas de emergência o o


(por exemplo, um botão para chamadas de emergência no telefone ou telefone móvel)?

7. Não há saídas de emergência adequadas em caso de agressão física por parte o o


de um doente.

8. As situações criticamente agressivas não foram sistematicamente documentadas. o o

9. Não foram previstos mecanismos para lidar com os doentes quando possa o o
haver dificuldades de comunicação ou compreensão (programação das consultas,
intérpretes, outros acompanhantes, etc.)?

10. Os doentes têm acesso a objetos perigosos (por exemplo, objetos cortantes, o o
pontiagudos, pesados ou amovíveis) na sua área de trabalho?

11. Em caso de discussão com doentes agressivos ou potencialmente violentos o o


é difícil conseguir apoio de outro colega devido à falta de pessoal.

12. No seu departamento não existem orientações sobre a forma de lidar com doentes o o
agressivos.

13. Os locais do edifício em que pode haver riscos de violência não o o
estão bem iluminados ou não podem ser facilmente vigiados.

14. Não há formação em técnicas de redução da tensão. o o

15. Restringe a sua liberdade de ação no trabalho para evitar eventuais confrontos o o
com os doentes?

Total

risco inexistente risco elevado alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

189
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Assédio moral
O assédio moral entre os trabalhadores ou na sua relação com os superiores manifesta-
-se de várias formas, sendo, por isso, difícil de detetar. Está normalmente associado à
perceção de um elevado nível de stresse causado por fatores resultantes de questões
organizativas, por exemplo de uma liderança empresarial insatisfatória. No que res-
peita às medidas organizativas, o assédio moral pode assumir as seguintes formas:

• trabalhos degradantes;

• isolamento social;

• ataques pessoais e à vida pessoal do trabalhador;

• agressão verbal e física;

• disseminação de boatos.

No que se refere aos protagonistas do assédio moral, há categorias bastante diferen-


tes. É possível diferenciar entre:

• bossing: assédio moral exercido por um chefe (também: coação dos subordinados);

• staffing: terrorismo psicológico exercido pelos subordinados sobre os chefes (tam-


bém: coação dos superiores);

• tiranizar os trabalhadores do mesmo nível hierárquico.

Diagrama sobre a forma


como o assédio moral pode
surgir
O assédio moral como ponta do icebergue

ASSÉDIO
MORAL

Propagação
Posições irredutíveis
Atos em vez de diálogo
Ressentimento inicial
Conflitos não resolvidos
Fonte: BGW: www.bgw-online.de.

190
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Perguntas-chave sobre o «assédio moral»


Assinale as características aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área
de lar residencial ou departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-
-o na última linha!

Características do trabalho Aplicável Não aplicável

1. Sente que tem um grande volume de trabalho? o o

2. Está frequentemente exposto a conflitos? o o

3. A cooperação no trabalho não é facilmente possível? o o

4. Sofre de problemas de saúde o o


(dores de cabeça, nervosismo, problemas de estômago, insónias)?

5. Sente-se globalmente desconfortável no seu local de trabalho? o o

6. Sente-se injustamente tratado no seu local de trabalho? o o

7. Os seus colegas dizem coisas desagradáveis a seu respeito? o o

8. Tem frequentemente a impressão de o mandarem fazer trabalhos degradantes? o o

9. Mudou de local de trabalho várias vezes nos últimos dois anos? o o

10. Há uma grande rotação de pessoal no seu departamento? o o

11. Pode expressar as suas opiniões livremente, por escrito ou verbalmente, o o


sem ser reprimido pelo seu superior?

12. Acontece-lhe os seus colegas não lhe prestarem atenção? o o

13. Consegue recompor-se verdadeiramente depois do trabalho? o o


Não consegue deixar de pensar no dia de trabalho, depois de este terminar?

14. Já foi ameaçado de violência física no trabalho? o o

15. Pensa com frequência em mudar de local de trabalho devido ao comportamento o o


dos seus colegas ou chefes?

Total

risco inexistente risco elevado alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

191
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.3.3. Situações laborais com maior exposição


Os estudos existentes mostram que o assédio moral é sobretudo fomentado por con-
dições e formas de organização do trabalho específicas. Para além de uma estrutura
hierárquica rígida, essas condições incluem a dispersão da responsabilidade, a falta de
sistemas de feedback claros e um comportamento deficiente das chefias. A lista mostra
que alguns destes aspetos tendem a não ser suficientemente tidos em conta, sobre-
tudo na organização do trabalho de muitos estabelecimentos de saúde.

5.3.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança


As possibilidades de reação dos trabalhadores a situações laborais em que a violência
ou o assédio moral fazem parte da rotina quotidiana podem ser diferentes, mas há um
subconjunto comum

Os efeitos da violência sobre os trabalhadores incluem

• lesões físicas;

• (e sobretudo) consequências a nível mental; sintomas frequentes como a perturba-


ção dos padrões de sono, a irritabilidade, a ansiedade e a perda de apetite;

• padrões de perturbações possíveis, como a depressão, os estados de ansiedade, a


amnésia na ausência de danos cerebrais, a dor não atribuível a causas físicas e o
abuso de substâncias.

Entre os efeitos do assédio moral sobre os trabalhadores incluem-se os seguintes:

• sintomas de stresse (hipertensão e pulsação elevada, aumento da frequência


respiratória);

• efeitos de stresse (tensão dos músculos interósseos, perturbação das funções sexu-
ais, formação de úlceras no estômago);

• distúrbios psicossomáticos, absentismo por doença e intenções suicidas, como rea-


ção extrema a uma situação considerada dramática.

 07 Campanha contra


o assédio moral

192
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.3.5. Medidas gerais de prevenção e proteção


Em princípio, as medidas de prevenção podem dividir-se em «conceção do local de
trabalho» e «alteração do comportamento dos trabalhadores». No caso do problema
da «violência», as medidas de prevenção pessoais/individuais consistiriam, por
exemplo, no reforço das competências dos trabalhadores e da sua autoconfiança.

A nível da empresa: desenvolver estratégias de prevenção (por exemplo, exis-


tem rastreios eticamente aceitáveis dos doentes?).

A nível da tarefa: comunicação adequada sobre a transferência de doentes


potencialmente violentos, dentro do hospital.

A nível individual: deteção precoce dos sinais de alerta.

A distinção entre a prevenção relacionada com a conceção e as medidas preventivas


prioritariamente orientadas para o comportamento da pessoa também pode consti-
tuir assédio moral.

As medidas de proteção relacionadas com as circunstâncias incluem:

• desenvolvimento e aplicação quotidiana de normas de conduta;

• desenvolvimento de equipas;

• introdução e/ou desenvolvimento constante de uma avaliação dos riscos;

• SOAS-R (Staff Observation Aggression Scale-Revised — Escala revista de observa-


ção das agressões ao pessoal): caso se verifiquem ataques frequentes por parte dos
doentes é aconselhável registá-los de forma sistemática para formular medidas pre-
ventivas posteriormente.

A otimização do comportamento inclui os seguintes aspetos:

• aprender métodos de autoafirmação;

• permitir que as críticas e os conflitos sejam discutidos;

• saber dizer «não»;

• enfrentar as situações de modo a reduzir a tensão e permitir a autoproteção;

• praticar formas de lidar com as críticas e de fazer críticas construtivas;

• discutir a nível do conteúdo e não a nível da relação.

O contexto social adquire particular importância quando promove fatores que impe-
dem o assédio moral, sendo, por isso, importante conceber positivamente os contac-
tos sociais, a interação social e a cultura.

A nível da empresa: nas orientações e na rotina quotidiana, aplicar constante-


mente o princípio de que o assédio moral não pode ser tole-
rado em circunstância alguma.

A nível da tarefa: criar sequências de trabalho com responsabilidades e áreas


de competências claramente definidas.

A nível individual: aprender técnicas de gestão de conflitos e de comunicação


(também sob a forma de formação complementar da empresa).

193
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.3.6. Descrição das técnicas e dos procedimentos


de prevenção específicos
Os instrumentos de segurança e saúde no trabalho mais suscetíveis de influenciar
positivamente a cooperação dentro da empresa baseiam-se, numa primeira fase, na
análise da situação (ver também secção 5.1.6). Esta pode incluir os procedimentos
seguintes, em função das condições gerais existentes na empresa:

• análise dos dados relativos à capacidade para o trabalho;

• avaliação dos riscos;

• análise da situação de trabalho;

• um círculo de saúde;

• inquéritos aos trabalhadores;

• consultas dos trabalhadores.

5.3.7. Exemplos de boas práticas empresariais


• Formação de formadores em técnicas de redução da tensão.

Por exemplo, um curso de formação interna, com doze dias de duração, sobre a rela-
ção entre a violência, a agressão, o medo, a autoestima e a redução da tensão.

As técnicas de redução da tensão verbal fazem parte da formação em técnicas de


defesa e fuga, incluindo a respetiva metodologia e didática. Esta formação promove a
reflexão sobre os estímulos que desencadeiam a agressão e o impacto que os mesmos
têm em idosos e pessoas com demência, indicando também comportamentos alter-
nativos para reduzir a agressividade:

• reflexão sobre os fatores estruturais da violência e a melhor forma de lidar com os


doentes e seus familiares;

• realização de uma avaliação dos riscos;

• definição de um modelo para fazer face à violência;

• gestão das queixas de doentes e familiares;

• debates de acompanhamento aos casos de agressão, nomeadamente no âmbito da


equipa.

5.3.8. Comportamentos adequados


em situações críticas
A criação de um «sistema de alerta precoce» para as situações de crise tem-se revelado
muito útil na prática, devendo para o efeito a sensibilidade a alterações de situação ser
sistematicamente registada. Quando uma situação é considerada crítica, deve acionar-
-se um plano de emergência, ou seja, um plano especial e normalizado, desenvolvido
de forma contínua e debatido na equipa, de modo a que os trabalhadores saibam o
que devem fazer a cada momento. Este processo deve ser inserido num processo de
melhoria contínua.

194
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.3.9. Conhecimentos e conclusões mais importantes


A violência e a agressão no setor da saúde devem ser abertamente debatidas para se
poderem formular medidas destinadas a conter e controlar o problema.

A administração deve afirmar explicitamente que o assédio moral é inaceitável (na


declaração de missão, etc.) e, complementarmente ao restante know-how transmitido
aos trabalhadores, é necessário que o princípio de que o assédio moral não é aceitável
em nenhuma circunstância fique bem claro em todas as áreas de trabalho

  08 O assédio moral não


deve ser tolerado

© 123rf

195
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.4. Horários de trabalho


A organização dos horários de trabalho tem grande influência nos fatores de esforço
com que os trabalhadores estão confrontados e refere-se não só à duração do
tempo de trabalho, que está na origem do esforço, mas também à sua organização e
distribuição.

5.4.1. Natureza do risco em causa


O efeito dos fatores de esforço fica mais claro se examinarmos a duração do tempo
de trabalho diário. É evidente que a fadiga aumenta com essa duração, ao passo que
a concentração diminui, e a mesma relação se aplica ao tempo de trabalho semanal e
mensal. A «acumulação» de horas de trabalho ao longo desses períodos tem influência
na exaustão, na possibilidade de regeneração e também na conciliação entre a vida
profissional e a vida familiar, aspetos que também são muito afetados pela organiza-
ção e a distribuição do tempo de trabalho. Sobretudo nos hospitais, onde o dia de tra-
balho tem efetivamente 24 horas, o trabalho é realizado a horas fora do habitual numa
rotina normal. O pessoal das casas de saúde também tem de estar disponível durante
a noite e de trabalhar em domingos e dias feriados.

5.4.2. Critérios básicos de uma avaliação


dos riscos específica
Para avaliar os riscos resultantes da duração, da organização ou da distribuição do
tempo de trabalho, é necessário analisar a estrutura dos horários de trabalho tendo
em conta os agregados de horas de trabalho que podem constituir um risco. Para esse
efeito, aplicam-se os critérios seguintes sob a forma de perguntas-chave.

  09 O trabalho por turnos


como fator de esforço

196
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Perguntas-chave sobre o «Tempo de trabalho»


Assinale as características aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área
de lar residencial ou departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-
-o na última linha!

Características do trabalho Aplicável Não aplicável

1. Trabalha, em média, mais de 48 horas semanais? o* o

2. A escala de serviço prevê períodos de serviço regulares com mais de 10 horas o o


de duração?

3. O regime de turnos inclui trabalho noturno? o o

4. O regime de turnos não contempla os intervalos de descanso obrigatórios? o* o

5. É costume não ser possível gozar as pausas para descanso acordadas, o* o


durante o trabalho diário?

6. O intervalo de descanso entre os períodos de serviço é inferior a 11 horas? o* o

7. Trabalha regularmente ao domingo? o o

8. Existem períodos com deveres de permanência? o o

9. Existem períodos com deveres de permanência de 24 horas? o o

10. Na prática, a duração prevista para os períodos com deveres de permanência o o
é excedida?

11. O período de repouso após um período de trabalho noturno é inferior o o


a 24 horas?

12. Há mais de quatro períodos com deveres de permanência por mês? o o

13. É frequente a escala de serviço ser alterada com pouco tempo o o


de antecedência?

14. É frequente haver horas extraordinárias? o o

15. Há conflitos frequentes entre a vida profissional e a vida privada devido o o
ao tempo de trabalho?

Total

(*) Trata-se de critérios knock-out (de exclusão), estabelecidos pela Diretiva relativa ao tempo de trabalho da União
Europeia. Uma resposta afirmativa implica, por isso, a necessidade de se tomarem medidas imediatas.

Risco inexistente Risco elevado Alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

197
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.4.3. Descrição das situações laborais


com maior exposição
Nos hospitais e casas de saúde, o trabalho tem de ser executado noite e dia, obrigando os
trabalhadores a trabalharem, para além do trabalho diurno «normal», em alturas em que
os seus corpos estão mais predispostos a «descansar» por razões fisiológicas. Este esforço
suplementar relativamente à atividade normal é maior durante a noite, mas o trabalho
executado ao fim da tarde e início da noite também é mais duro por restringir as oportu-
nidades de convívio social. Esse peso, que é típico desta área profissional, pode ser agra-
vado por vários aspetos da organização do trabalho e dos horários. O risco para a saúde
e também o risco de cometer erros aumenta ainda mais quando, para além do trabalho
por turnos é necessário fazer horários prolongados, uma situação que se verifica frequen-
temente no domínio médico, em que os longos períodos com dever de permanência
combinados com os horários «normais» ainda são regra em muitos locais de trabalho.

Existem disposições de proteção específicas para as trabalhadoras grávidas, puérperas


ou lactantes e os Estados-Membros devem tomar as medidas necessárias para assegu-
rar que essas trabalhadoras não são obrigadas a trabalhar de noite, sendo, por conse-
guinte, transferidas para o trabalho diurno. Devem evitar-se eventuais discriminações
resultantes desta situação.

5.4.4. Descrições dos efeitos sobre a saúde


e a segurança
Horários de trabalho excessivamente longos:
queixas cardiovasculares e do sistema nervoso

Os problemas de saúde normalmente referidos quando se fala de horários de trabalho


excessivamente longos são as doenças cardiovasculares.

Os horários de trabalho prolongados estão frequentemente associados a outros fato-


res de risco para a saúde. Os horários excessivamente prolongados, o trabalho por
turnos, o stresse no local de trabalho e um estilo de vida desfavorável andam muitas
vezes a par. Um inquérito realizado pelo Ministério do Trabalho japonês mostra que
65% dos trabalhadores com horários longos afirmaram sentir-se fisicamente exaustos,
57% disseram sentir ansiedade e uma sensação de stresse e 48% referiram estar men-
talmente exaustos. A síndrome de burnout (esgotamento) também está associada a
horários de trabalho prolongados.

De um modo geral, pode concluir-se dos resultados disponíveis que a relação entre os
problemas de saúde e os horários de trabalho prolongados se faz sistematicamente
acompanhar por fatores que frequentemente constituem um esforço adicional, como
a pressão do tempo, a pressão da carreira profissional e a escassez de recursos huma-
nos. A função «amortecedora» da motivação apenas tem um efeito limitado sobre as
reações fisiológicas do corpo.

Maior risco de acidentes

Vários estudos europeus confirmam que o risco de acidentes aumenta consideravel-


mente ao fim de nove horas de trabalho, sendo este efeito ainda maior no trabalho por
turnos e no trabalho nocturno.

Trabalho por turnos

Os dados científicos indicam que o trabalho realizado em períodos variáveis e «anor-


mais» aumenta, a longo prazo, o risco de problemas de saúde e sociais. O trabalho por

198
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Risco de acidente em função da duração do tempo de trabalho


Resumo de vários estudos

[Valor Z]

Horário de trabalho

turnos e o trabalho noturno a longo prazo, muito comum no setor da saúde, geram
um risco individual. Os principais efeitos do trabalho noturno e por turnos são os
seguintes:

• cansaço, problemas de sono persistentes e fadiga crónica;

• problemas de saúde: psicovegetativos e gastrointestinais;

• risco de acidentes;

• dessincronização social;

• incapacidade para realizar trabalhos precisos e/ou de qualidade (trabalho noturno


duradouro).

Os diversos sintomas podem manifestar-se consoante a propensão de cada indivíduo.

Para além do facto de o trabalho vinte e quatro horas por dia ser uma característica
inevitável da atividade nos hospitais e casas de saúde, as mulheres que têm filhos para
cuidar em casa tendem a preferir o trabalho noturno a longo prazo, porque lhes per-
mite conciliar a vida profissional com a vida familiar. Muitas vezes, os trabalhadores
não estão bem cientes de que o trabalho noturno tem elevados riscos para a saúde e
que o facto de fazerem o turno da noite durante grande parte da sua vida profissional
pode levar à sua desqualificação. É frequente as mulheres que, durante anos, só traba-
lharam de noite, deixarem de conseguir suportar o ritmo frenético do serviço em horas
«normais», o que constitui um grande problema sobretudo para os trabalhadores mais
idosos. Com o aumento da idade, as possibilidades de recuperação para suportar o
esforço do trabalho por turnos diminuem e, se o nível de qualificação também for
limitado, é frequente surgirem problemas na mudança para o regime de turnos diários
«normais».
(114) http://monographs.iarc.
Alguns estudos mostraram que o trabalho por turnos está associado a um risco acres- fr/ENG/Monographs/
cido de vir a ter cancro (114). PDFs/index.php

199
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.4.5. Medidas gerais de prevenção e proteção


Existem possibilidades de prevenção a diversos níveis. Em primeiro lugar, a organiza-
ção do tempo de trabalho deve basear-se em conhecimentos sólidos e atualizados.
Os estudos realizados nos últimos 40 anos demonstraram, sem margem para dúvidas,
que os regimes de trabalho por turnos apresentam grandes diferenças no tocante aos
potenciais riscos para a saúde (ver secção 4.2).

Nos últimos anos, o impacto da iluminação muito forte na adaptação ao trabalho por
turnos tem vindo a ser debatido, visto que essa iluminação inibe a produção de mela-
tonina e, por isso, reduz o cansaço.

A gestão do esforço pode ser positivamente influenciada a nível organizativo e as dis-


posições aplicáveis ao trabalho noturno são fundamentais nesse aspeto. As organiza-
ções devem disponibilizar luz e alimentos saudáveis durante o período da noite.

A nível individual é possível amortecer os efeitos negativos do trabalho noturno e por


turnos através de medidas comportamentais, incluindo:

• atividade desportiva;

• alimentação saudável;

• melhorias a nível do sono.

O artigo 9.º, n.º  1, da Diretiva 2003/88/CE  (115) relativa ao tempo de trabalho prevê,
entre outras disposições, que os trabalhadores noturnos, antes da sua colocação e,
seguidamente, a intervalos regulares devem beneficiar de um exame gratuito desti-
nado a avaliar o seu estado de saúde.

  10 Saúde dos doen-


tes — E a saúde dos
trabalhadores?

(115) Directiva 2003/88/CE


do Parlamento Europeu
e do Conselho, de 4
de novembro de 2003,
relativa a determinados
aspetos da organização
do tempo de trabalho,
JO L 299 de 18.11.2003,
p. 9 a 19.

200
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.4.6. Descrição das técnicas e procedimentos


de prevenção específicos
Recomendações de conceção:

1. reduzir o número de turnos noturnos na medida do possível;

2. não programar mais de dois a quatro turnos noturnos consecutivos (116);

3. rotação progressiva: da manhã para a tarde e para a noite;

4. evitar a acumulação de horas de trabalho;

5. na medida do possível, programar dois dias de folga consecutivos no fim de semana;

6. o turno da manhã não deve começar cedo de mais;

7. o turno da noite não deve terminar excessivamente tarde;

8. deve haver previsibilidade na programação dos turnos.

5.4.7. Exemplos de boas práticas empresariais


O trabalho por turnos e o trabalho noturno representam, só por si, um grande esforço
para os trabalhadores e, por isso, é muito importante incluí-los na elaboração das esca-
las de serviço. As preferências individuais e os interesses pessoais devem ser tidos em
conta na medida do possível. A fiabilidade das escalas de serviço também é impor-
tante, porque os trabalhadores devem poder confiar no cumprimento das escalas ela-
boradas para planearem a sua vida privada. Isto não significa que a troca de turnos
entre trabalhadores, após consulta, deixe de ser possível, mas sim que não se devem
fazer trocas sem que os trabalhadores deem claramente o seu acordo. Por conseguinte,
quando se elaboram as escalas também é importante prever alguns reforços para as
férias e as licenças por doença dos trabalhadores.

  11 Desporto como


contrapeso para
a vida profissional

(116) Wedderburn, A. (ed.),


Continuous shift
systems, Serviço das
Publicações Oficiais
das Comunidades
Europeias, Luxembur-
go, 1998 (http://www.
eurofound.europa.eu/
pubdocs/1998/02/en/1/
ef9802en.pdf ).

Os trabalhadores devem ser envolvidos no processo de programação e decisão das escalas Nota importante
de serviço.

201
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.4.8. Comportamentos adequados


em situações críticas
Se a análise do sistema de tempo de trabalho, realizada com base nas perguntas-
-chave, revelar que há um risco acrescido, ou que um critério de exclusão (knock-out) é
preenchido, deve analisar-se a possibilidade de introduzir alterações. A pessoa respon-
sável pela organização dos horários deve ser chamada à atenção e devem elaborar-se
escalas de serviço alternativas.

5.4.9. Conhecimentos e conclusões mais importantes


O trabalho por turnos é absolutamente necessário e um pré-requisito indispensável
para o funcionamento do setor da saúde, mas tem, sobretudo no caso do trabalho
noturno, consequências graves para a vida social, sobretudo para a família e a saúde.
Foram, por isso, desenvolvidas numerosas medidas destinadas a evitar ou, pelo
menos, a atenuar os seus efeitos nocivos. A programação dos turnos deve ter, assim,
em conta, por um lado, as medidas técnicas e organizativas disponíveis e, por outro
lado, as medidas de caráter médico, os tratamentos para acelerar a adaptação e os
comportamentos pessoais

  12 Uma boa conceção


das escalas de serviço
é um alívio para todo
o departamento

202
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.5. Abuso de drogas


Os trabalhadores de todas as classes sociais estão confrontados com inúmeras depen-
dências, seja por serem pessoalmente afetados por elas ou por terem colegas nessa
situação. Os toxicodependentes não só prejudicam a própria saúde, como represen-
tam um risco acrescido de acidentes para toda a gente. Os problemas de dependência
são frequentemente originados pela incapacidade de resolver os problemas e para
encontrar uma saída desse círculo vicioso é necessário esforço (também no trabalho).

5.5.1. Natureza do risco em causa


O abuso de drogas descreve o consumo regular de substâncias causadoras de dependência Abuso de drogas
física ou mental, com o consequente aumento da tolerância às mesmas, a longo prazo.
Entende-se por abuso de drogas o consumo excessivo de substâncias como o álcool, a nico-
tina, as drogas ou os medicamentos, independentemente de existir ou não dependência (ver
«Abuso do álcool», infra). No caso das dependências que não estão relacionadas com substân-
cias (por exemplo, vício do jogo, distúrbios alimentares, trabalho compulsivo — workaholism)
é necessário controlar o comportamento pessoal, mas a abstinência não é possível porque o
comportamento não pode cessar por completo.

O termo «abuso do álcool» é utilizado quando alguém consome uma quantidade crescente
Abuso do álcool
de álcool e apresenta sintomas de abstinência se não beber.
O modelo de semáforo da OMS descreve o processo de desenvolvimento da dependência,
utilizando o álcool como base dos padrões de consumo:
• fase verde: consumo de baixo risco = tudo está bem, há um consumo responsável de álcool
e um baixo risco para a saúde;
• fase amarela: consumo prejudicial, com riscos = alerta! Cuidado! Risco elevado para a saúde,
o risco de dependência aumenta com a duração do consumo e a quantidade de álcool
consumida;
• fase vermelha: consumo com dependência = em risco! Pare! Já existe dependência, é neces-
sário procurar ajuda e pôr termo ao consumo da substância causadora de dependência.
No entanto, para além do nível de consumo da substância, há outros fatores que influenciam
o desenvolvimento de uma dependência (incluindo o estado mental e físico da pessoa, os
processos de aprendizagem, a experiência no seio da família e no círculo de amigos).

5.5.2. Critérios básicos de uma avaliação


dos riscos específica
O potencial de risco ou de abuso é normalmente avaliado com base na intensidade do
consumo de substâncias, que se refere, principalmente, a substâncias como o tabaco,
o álcool ou os medicamentos. Não há números concretos disponíveis sobre a percen-
tagem de pessoas afetadas ou em risco nos hospitais e casas de saúde, mas é sabido
que existem clínicas de tratamento específicas para profissionais de medicina. Quanto
ao consumo de nicotina, a percentagem de trabalhadores de hospitais e casas de
saúde que fumam é consideravelmente superior à média da população.

203
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Perguntas-chave sobre as «drogas»


Assinale as características aplicáveis ao seu estabelecimento, unidade de serviço, área de lar residencial ou
departamento. Calcule o total de respostas afirmativas e inscreva-o na última linha!

Características do trabalho Aplicável Não aplicável

1. No seu estabelecimento, o abuso de drogas ou medicamentos e o alcoolismo o o


não são mencionados?

2. No seu estabelecimento há trabalhadores com problemas de abuso o o


de drogas ou medicamentos?

3. Drogas como o álcool ou os medicamentos estão fácil e livremente acessíveis o o


(por exemplo, no refeitório)?

4. Os trabalhadores afetados do seu estabelecimento não têm ninguém o o


a quem recorrer.

5. No seu estabelecimento, não há quaisquer ofertas de controlo do consumo o o


individual (cursos para deixar de fumar, programas para «beber menos»).

6. Há tensões e conflitos sociais nos grupos de trabalho do seu estabeleci- o o


mento?

7. Não há apoio das chefias no seu estabelecimento. o o

8. Os quadros de gestão não receberam formação, ou receberam uma formação o o


inadequada, sobre o tema da «dependência»?

9. No seu estabelecimento não se realizam palestras educativas e progressivas o o


sobre assuntos como o bem-estar?

10. Não foram criados círculos de saúde no seu estabelecimento? o o

11. Não há medidas de prevenção das dependências no seu estabelecimento? o o

12. Não há gestão do stresse e/ou dos conflitos no seu estabelecimento? o o

13. No seu estabelecimento, ninguém sabe o que fazer com um trabalhador o o
que esteja afetado?

14. Os sinais de abuso de drogas são desconhecidos no seu estabelecimento? o o

15. O tema das drogas ilegais não é mencionado no seu estabelecimento? o o

Total

Risco inexistente Risco elevado Alto risco

1 a 5 características assinaladas 6 a 10 características assinaladas 11 a 15 características assinaladas

Necessidade de medidas em relação Análises de conceção e rastreio Análises de conceção e rastreio


a características individuais recomendadas urgentemente necessárias

204
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.5.3. Situações laborais com maior exposição


É de supor que haja maior probabilidade de abuso de álcool e de drogas em áreas com
grande potencial de stresse e pouco apoio social das chefias e dos colegas. Para além
dos fatores relacionados com o local de trabalho, não se devem esquecer as condições
de vida pessoais, sendo particularmente importante que as chefias incluam a interface
entre a vida profissional e a vida privada (conciliação entre a profissão e a vida pessoal)
na avaliação dos riscos.

O consumo de álcool e drogas deve ser analisado em conexão com a exposição ao


stresse e com a ausência de estratégias para o suportar.

Quanto ao tabagismo nas clínicas e lares, a pausa para fumar é muitas vezes a única
oportunidade de «ir descansar». O respeito pelos períodos de pausa seria uma medida
de organização do trabalho suscetível de influenciar positivamente o consumo de
tabaco. Na Alemanha, há cada vez mais hospitais empenhados na prevenção do con-
sumo de tabaco e o rótulo «hospital sem fumo» tem vindo a ganhar prestígio.

Um problema dos hospitais, no que toca ao abuso de drogas, é a facilidade com que os
medicamentos podem ser obtidos pelos trabalhadores, devido às funções que exer-
cem, o que pode suscitar a tentação de consumir sedativos ou anfetaminas quando o
esforço é elevado.

5.5.4. Efeitos sobre a saúde e a segurança


As consequências do abuso de álcool e de drogas devem ser analisadas de forma dife-
renciada em função do grau de dependência, visto existirem diversos estádios, desde
as limitações do desempenho e a deterioração do estado de saúde geral até à ocorrên-
cia de danos graves para a saúde.

5.5.5. Medidas gerais de prevenção e proteção


De um modo geral, os recursos pessoais para suportar situações de esforço intenso
devem ser melhorados, quer esses esforços sejam resultantes da organização do
trabalho ou de condições de trabalho penosas, quer se prendam com situações de
coação ou violência no local de trabalho. O consumo imoderado de drogas também
resulta, frequentemente, da coação existente no local de trabalho. De um modo geral,
o risco será reduzido pelo reforço da autoestima e pela melhoria das estratégias de
resistência.

5.5.6. Técnicas e procedimentos de prevenção


específicos
• Conversas progressivas.

• Abordagem adequada por parte dos chefes e colegas, juntamente com ofertas de
ajuda concretas que induzam as pessoas afetadas a mudar o seu comportamento.

205
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.5.7. Comportamentos adequados


em situações críticas

Por exemplo, «Como posso ajudar o meu colega a vencer o alcoolismo»?

• Diga-lhe da forma mais exata possível as mudanças que notou nele e que supõe
serem devidas a um problema de alcoolismo (poderá obter aconselhamento prévio
sobre a forma de tocar no assunto).

• Diga-lhe abertamente que está extremamente preocupado e que gostaria que ele
voltasse a ser o colega que era dantes.

• Incentive o seu colega a contactar um centro de apoio externo.

• Mantenha a sua atitude de colega e exprima a preocupação que sente devido ao


comportamento dele. Fale com a pessoa em causa e não a seu respeito. Não assuma
o papel de médico ou terapeuta.

• Encare a eventual dependência como uma doença e a conduta dela resultante como
um sintoma, mas não encubra nem esconda o mau comportamento da pessoa em
causa. Não faça o seu trabalho nem a proteja das consequências dos seus erros.

• Só os próprios dependentes podem resolver o seu problema.

• Se o desejar, ofereça-se repetidamente para conversar com a pessoa em causa, mas


não assuma o problema como sendo seu.

• Se não houver nenhuma alteração, consulte a chefia, o gabinete de apoio ao pes-


soal, o comité de empresa ou do pessoal, ou um centro de aconselhamento externo
para o pessoal.

Para as chefias: utilize um guia sobre a condução de conversas progressivas.

206
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.5.8. Conhecimentos e conclusões mais importantes


Quando tiver determinado e avaliado o risco, pode elaborar uma síntese utilizando o quadro
seguinte. Introduza os totais determinados e assinale as caixas vermelha, amarela ou verde Nota importante
correspondentes.

Riscos psicossociais Total determinado Risco

inexistente elevado alto

Stresse o o o
Esgotamento o o o
Assédio moral o o o
Horário de trabalho (*) o o o
Violência o o o
Abuso de drogas o o o
(*) Se for aplicável um critério de exclusão, é essencial tomar medidas corretivas!

A partir do quadro é possível estabelecer as áreas fulcrais. Os valores incluídos na área verme-
lha implicam uma necessidade de medidas urgentes. Na área amarela a adoção de medidas é
recomendada. Na área verde deve analisar-se se é desejável introduzir alterações relativamen-
te a características individuais.
A hierarquização das medidas deve ser estabelecida em colaboração com a direção da insti-
tuição e com os trabalhadores, podendo debater-se nesse âmbito a viabilidade das mesmas.
Além disso, é necessário especificar os prazos e as áreas de responsabilidade pela execução.
Se forem introduzidas alterações na organização, por exemplo, devido a fusões ou reorgani-
zação, os riscos psicossociais devem ser revistos. As mudanças nos quadros de gestão ou as
alterações/inovações técnicas também podem ter impacto sobre esses riscos.
A aplicação das medidas deve ser revista ao fim de 1 a 2 anos.
São situações laborais com uma exposição potencialmente elevada a riscos psicossociais:
Uma organização desfavorável do trabalho, por exemplo com picos de trabalho, pressão do
tempo, problemas de trabalho em equipa, compra de materiais ineficientes, excesso de docu-
mentação e áreas de responsabilidade pouco claras. São fatores adicionais:
1. uma informação e comunicação deficientes. A má comunicação gera, com frequência,
conflitos sociais entre os trabalhadores e a forma hierárquica como as pessoas são tratadas
num hospital pode intensificar esses conflitos;
2. problemas de colaboração entre os diversos grupos profissionais;
3. falta de envolvimento dos trabalhadores;
4. alterações frequentes, e anunciadas com pouca antecedência, da escala de serviço;
5. falta de orientação do trabalhador por parte do superior;
6. horários de trabalho pesados, por exemplo, grande quantidade de horas extraordinárias e
deveres de permanência no serviço médico;
7. insuficiente tomada em consideração, na organização dos horários de trabalho, dos dese-
jos individuais resultantes, por exemplo, de obrigações pessoais específicas;
8. ter de suportar situações e doentes difíceis;
9. exigências contraditórias (discrepância entre os objetivos do trabalho e as condições em
que é executado, por exemplo, cuidados de enfermagem ativos prestados sob uma eleva-
da pressão do tempo).
Os grandes esforços físicos, como os de levantar e transportar repetidamente os doentes, ace-
leram a experiência de stresse e fadiga mental, podendo levar ao esgotamento, a longo prazo.
No sistema de saúde, mas sobretudo no setor da enfermagem, é necessário que, na avaliação
dos riscos, se tomem simultaneamente medidas para reduzir os riscos psicossociais e físicos, a
fim de manter e promover a saúde dos trabalhadores.

207
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

5.6. Diretivas da União Europeia aplicáveis


1. Diretiva 89/391/CEE do Conselho, de 12 de junho de 1989, relativa à aplicação de
medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalha-
dores no trabalho (117).

2. Diretiva 92/85/CEE do Conselho, de 19 de outubro de 1992, relativa à implemen-


tação de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde das
trabalhadoras grávidas, puérperas ou lactantes no trabalho (118).

3. Diretiva 93/104/CE do Conselho, de 23 de novembro de 1993, relativa a determina-


dos aspetos da organização do tempo de trabalho (119).

4. Diretiva 2000/34/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de junho de


2000, que altera a Diretiva 93/104/CE do Conselho relativa a determinados aspetos
da organização do tempo de trabalho, a fim de abranger os setores e atividades
excluídos dessa diretiva (120).

Outros instrumentos comunitários

Diálogo social europeu: acordo-quadro relativo ao assédio e à violência no trabalho


de abril de 2007
http://osha.europa.eu/data/links/
framework-agreement-on-harassment-andviolence-at-work

Diálogo social europeu: acordo-quadro relativo ao stresse relacionado com o trabalho


http://www.etuc.org/IMG/
pdf_Framework_agreement_on_work-related_stress_EN.pdf

(117) JO L 183 de 29.6.1989,


p. 1 a 8.

(118) Diretiva 92/85/CEE do


Conselho, de 19 de ou-
tubro de 1992, relativa
à implementação de
medidas destinadas a
promover a melhoria
da segurança e da
saúde das trabalhadoras
grávidas, puérperas ou
lactantes no trabalho
(décima diretiva
especial na acepção do
n.º 1 do artigo 16.º da
Diretiva 89/391/CEE),
JO L 348 de 28.11.1992,
p. 1 a 8.

(119) JO L 307 de 13.12.1993,


p. 18 a 24.

(120) JO L 195 de 1.8.2000,


p. 41 a 45.

208
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.7. Descrição de boas práticas empresariais

5.7.1. Entrevista na Havelland Clinics Nauen


sobre os riscos psicossociais
Nesta entrevista, Babette Dietrich, porta-voz da direção da Havelland Clinics em
Nauen, apresenta as medidas de prevenção adotadas para evitar os riscos psicos-
sociais no seu estabelecimento.

Entrevistador: Quantas horas trabalham por semana?

Boas práticas
Babette Dietrich: O número médio máximo de horas de traba-
lho é 40.

Entrevistador: Há quartos de vigilância noturna permanente?

Babette Dietrich: Temos um quarto de vigilância noturna e


escalas de serviço.

Entrevistador: Os períodos de pausa podem ser respeitados?


Babette Dietrich, porta-voz
da direção do Havelland
Clinics Nauen Babette Dietrich: Em princípio, sim.

Entrevistador: O tempo de dever de permanência é seguido por um período de descanso?

Babette Dietrich: Não há períodos de serviço superiores a 24 horas mais uma pausa
de 45 minutos.

Entrevistador: Que duração tem o período de descanso?

Babette Dietrich: Pelo menos 11 horas; numa das unidades há um modelo de serviço
de permanência em que o período de descanso é encurtado nos termos da lei relativa
ao tempo de trabalho.

Entrevistador: Há troca de turnos de trabalho a nível interno?

Babette Dietrich: Há.

Entrevistador: Existem discrepâncias importantes entre a escala de serviço definida


no início do mês e a que é efetivamente cumprida?

Babette Dietrich: Há algumas diferenças entre as escalas de serviço previstas e as


efetivamente cumpridas, que não consideramos importantes. A escala de serviço é
elaborada com dois meses de antecedência.

Entrevistador: No seu estabelecimento, quem é o responsável pelo planeamento das escalas?

Babette Dietrich: Os chefes dos departamentos de enfermagem (50 a 120 trabalha-


dores em cada um dos casos) e os médicos responsáveis pelos serviços clínicos.

Entrevistador: Os trabalhadores são incluídos no planeamento?

Babette Dietrich: São.

Entrevistador: Que assistência prestam aos trabalhadores afetados por esgotamento?

209
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Babette Dietrich: Apoio psicológico. Se o


período de incapacidade para o trabalho
for mais longo, conversas com as pessoas
que regressam à vida ativa e sua reintegra-
ção de acordo com o modelo de Hamburgo.

Entrevistador: No seu estabelecimento,


que medidas mostraram ter êxito na pre-
venção do esgotamento?

Babette Dietrich: Oferecemos regularmente cursos de formação complementar sobre


a profilaxia do esgotamento, técnicas de relaxamento e gestão do tempo. Também
organizamos conversas entre os trabalhadores e as chefias.
Boas práticas
Entrevistador: Se algum dos vossos funcionários sofrer um ataque físico, é possível ter
uma consulta de seguimento no seu estabelecimento (também para toda a equipa)?

Babette Dietrich: São oferecidas consultas de supervisão e de seguimento tanto a


cada trabalhador, individualmente, como às equipas.

Entrevistador: As situações de agressividade graves são documentadas?

Babette Dietrich: Ficam registadas nas fichas dos doentes.

Entrevistador: No seu estabelecimento são oferecidos seminários de comunicação e


cursos de formação sobre técnicas de redução da tensão?

Babette Dietrich: Organizamos seminários regulares sobre comunicação, gestão de


conflitos e técnicas de redução da tensão.

Entrevistador: Quais considera ser as causas de stresse no seu estabelecimento?

Babette Dietrich: A intensificação do trabalho, em parte causada pela escassez de recur-


sos humanos e pela taxa de renovação rápida (por exemplo, na documentação), mas
também pela inovação e re-estruturação a nível interno. Esta situação por vezes causa
incerteza sobre a responsabilidade e as tarefas de cada pessoa e as dos outros (O que
se espera de mim? Quem é responsável e pelo quê? A quem me posso dirigir?). Devido
à pressão competitiva são iniciados demasiados projetos e com excessiva rapidez, sem
um planeamento minucioso dos objetivos, dos recursos e da sequência de tarefas.

Entrevistador: O que fizeram até agora no seu estabelecimento para combater o stresse?

Babette Dietrich: Avaliações das situações de esforço físico e mental inadequado, no


âmbito de um projeto realizado em cooperação com uma universidade, registo regular
do volume de trabalho no serviço de permanência; introdução de novos modelos de
organização do tempo de trabalho; a reflexão no âmbito de conversas entre os trabalha-
dores e as chefias; cursos de formação sobre trabalho em equipa; definição das normas
de qualidade e otimização dos fluxos de trabalho, e alargamento da gestão de projetos.
Estamos a tentar prevenir o stresse através de uma boa organização do trabalho, com
explicações claras, por escrito, inscritas no manual de organização, e uma descrição clara
dos processos e dos fluxos de trabalho. As medidas organizativas são aplicadas sob a
forma de uma orientação conjunta e obrigatória. Um ou dois anos depois, é fixada uma
data para a revisão e a atualização das medidas. As chefes de equipa ou os gestores do
departamento de enfermagem são responsáveis pela aplicação das medidas e é nome-
ada uma pessoa da gestão da qualidade para assegurar que as datas são cumpridas. A
direção do hospital garante o caráter necessariamente vinculativo das medidas pondo-
-as em prática e aprovando os relatórios de controlo da sua aplicação.

Entrevistador: Que medidas previram para prevenir o stresse no futuro?

210
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Babette Dietrich: A sua expansão, no sentido de uma aplicação geral dos instrumen-
tos existentes. Além disso, queremos manter no estabelecimento um ambiente que
impeça que esse tema se torne tabu, e tencionamos realizar outro inquérito ao pessoal.

Entrevistador: O abuso de drogas e medicamentos é abertamente debatido no seu


estabelecimento?

Babette Dietrich: Sim, mas é raro acontecer. Temos um serviço de tratamento da


toxicodependência.

Entrevistador: Que ajuda oferecem aos trabalhadores afetados?

Babette Dietrich: Conversas com o departamento de recursos humanos, que podem


incluir as chefias e o conselho de empresa. O pessoal do departamento de psiquiatria

Boas práticas
está disponível para fazer aconselhamento e consultas.

Entrevistador: A quem podem os trabalhadores afetados recorrer?

Dr.ª Dietrich: Às suas chefias, ao conselho de empresa, ao departamento de psiquia-


tria e aos serviços sociais.

Entrevistador: Como tencionam fazer face ao abuso de drogas e de medicamentos


no seu estabelecimento, no futuro?

Babette Dietrich: Há um manual de instruções sobre a forma de fazer face às drogas,


que também visa prevenir eventuais consumos por parte dos trabalhadores.

5.7.2. Entrevista no hospital St. Elisabeth de Tilburg


sobre os riscos psicossociais
Nesta entrevista, Christel van Neerven, chefe do departamento de segurança e
saúde no trabalho, e Monique Pullen, consultora sobre segurança e saúde no tra-
balho, descrevem as medidas para prevenir os riscos psicossociais no Hospital St.
Elisabeth, Tilburg, Países Baixos.
Entrevistador: Existem normas ou regula-
mentos internos específicos para fazer face aos
diversos tipos de atos de agressão?

Monique Pullen: Há normas internas que


foram recentemente atualizadas e ainda têm
de ser aprovadas pela direção e pelo conse-
lho de empresa. Atualmente, observamos um
aumento das agressões e da violência e, para
enfrentarmos esse problema adotámos uma
regulamentação interna clara sobre a forma À esquerda: Christel van À direita: Monique
de comunicar corretamente entre nós e com Neerven, chefe do depar- Pullen, consultora sobre
os doentes para evitar os atos de agressão. tamento de segurança e
saúde no trabalho
segurança e saúde no
trabalho
Estamos a trabalhar numa política de comu-
nicação e interação pessoal, que inclui um elevado nível de afabilidade com os utentes.
A nossa experiência demonstrou que, depois de darmos formação aos trabalhadores das
consultas externas sobre a maneira de serem mais afáveis com os utentes, constatámos
uma diminuição da agressividade por parte destes. Nesta política relativa à regulamen-
tação interna, definimos as formas de trabalharmos respeitosamente uns com os outros
e de interagirmos com os doentes. A política entrará em vigor no final do ano e depois
iniciaremos ações de formação para os trabalhadores e os chefes de equipa, que terão
sempre como base a promoção do respeito mútuo no nosso relacionamento. Também
aconselhamos e damos formação às pessoas no sentido de exprimirem claramente o que

211
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

podem ou não tolerar, indicando-lhes o que podem fazer a esse respeito. Consideramos
importante que os nossos trabalhadores conheçam os seus próprios limites e que os
possam comunicar.

Entrevistador: Há pessoas que possam ser especificamente contactadas em casos de


coação e agressão, ou quando há atos de violência na sua organização?

Monique Pullen: Os trabalhadores podem contactar o assistente social da empresa


ou um consultor confidencial, mas a primeira pessoa com quem devem falar é sem-
pre o chefe de equipa ou o diretor do departamento. Também temos uma «pessoa
de confiança» a nível externo (com formação em assistência social) que os trabalha-
dores podem contactar, por exemplo, se tiverem problemas com o chefe de equipa.
Contudo, a prática habitual é contactarem o chefe de equipa e, se isso não for possível,
Boas práticas
também podem dirigir-se ao diretor do departamento ou ao seu superior imediato.

Entrevistador: Que medidas tomaram para prevenir o esgotamento?

Monique Pullen: Estamos a tentar medi-lo nos estudos sobre a vitalidade. As ques-
tões de segurança e saúde no trabalho são tratadas em reuniões regulares entre o
médico do trabalho, o diretor do departamento e o consultor de recursos humanos,
que discutem medidas gerais e casos individuais. Por exemplo, reorganizaram o traba-
lho numa unidade de serviço.

Entrevistador: Em caso de agressões físicas, os trabalhadores podem receber ajuda


imediata dos colegas e superiores ou de outras pessoas (por exemplo, serviço de segu-
rança, porteiro, rececionistas)?

Monique Pullen: Sim, dos colegas, do chefe de equipa, do diretor de departamento


e também da segurança. Os trabalhadores podem chamar a segurança e, em alguns
casos, esta tem de chamar a polícia. Além disso, fica registado que o doente causou
problemas e, no futuro, pode ser-lhe recusado o acesso ao hospital.

Entrevistador: No seu estabelecimento, há consultas de seguimento após um ataque,


incluindo para toda a equipa?

Monique Pullen: Sim, a consulta é realizada pelo chefe de equipa, pelo diretor do
departamento e/ou por colegas. Se for necessária mais ajuda, há a possibilidade de
contactar o médico do trabalho e o assistente social.

Entrevistador: No seu departamento, há orientações ou algum acordo sobre a forma


de lidar com os doentes agressivos?

Monique Pullen: Está a ser elaborado e incluirá medidas como pedir ajuda a um
colega e informar a segurança e o diretor do departamento. Também prevê a dis-
cussão posterior dos incidentes, a nível do departamento, e debates sobre a melhor
maneira de gerir a situação futuramente, bem como a possibilidade de falar com o
médico do trabalho, se necessário, consoante o abalo que o incidente tenha provo-
cado no trabalhador.

Entrevistador: No seu estabelecimento, realizam seminários sobre comunicação e


formação em técnicas de redução da tensão?

Monique Pullen: Sim, mas não são obrigatórios. Normalmente, os trabalhadores fre-
quentam esses seminários após a ocorrência de um incidente. No futuro, tencionamos
dialogar mais sobre as medidas que podem ser tomadas, principalmente com os che-
fes de equipa, e informá-los dos seminários disponíveis. Todos os anos, informaremos
os chefes de equipa sobre as questões de segurança e saúde, aconselhando-os sobre
aquilo que podem fazer e recordando-lhes que lhes compete garantir a segurança e
saúde no trabalho nos respetivos departamentos.

212
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.8. Ligações
N.º Título País/Região Conteúdo/Fonte

1 Relatório — Pre- EU-OSHA O stresse no trabalho pode ocorrer em qualquer setor e em empresas de todas
venção de riscos as dimensões. Pode afetar toda a gente em todos os níveis.
psicossociais no http://osha.europa.eu/pt/publications/reports/104
local de trabalho

2 Framework agre- UE-Diálogo O respeito mútuo pela dignidade dos outros, a todos os níveis, no local de
ement on harass- social trabalho é uma das principais características das organizações bem sucedidas.
ment and violence É por isso que o assédio e a violência são inaceitáveis.
at work http://osha.europa.eu/data/links/framework-agreement-on-harassment-and-
-violence-at-work

3 Framework agre- UE-Diálogo O objetivo do acordo é aumentar a consciência e a compreensão dos empre-
ement on work- social gadores, dos trabalhadores e dos seus representantes no que respeita ao
-related stress stresse relacionado com o trabalho e chamar a sua atenção para os sinais
indicativos de problemas nesse domínio.
http://www.etuc.org/IMG/pdf_Framework_agreement_on_work-related_
stress_EN.pdf

4 Working time Its Organização Já existem dados substanciais que apontam para uma diversificação cada vez
impact on health Internacional maior dos horários de trabalho entre os trabalhadores. Os diversos regimes
and safety do Trabalho de horário de trabalho que estão a surgir (diferentes tipos de turnos, horários
mais flexíveis, diferentes estatutos de emprego, etc.) impõem crescentes desa-
fios aos métodos tradicionais de organização e regulamentação do emprego.
http://www.ilo.org/travail/whatwedo/publications/lang-en/doc-Name-
WCMS_TRAVAIL_PUB_25/index.htm

5 The development Reino Unido O índice de fadiga/risco é um instrumento para medir o nível de fadiga dos
of a fatigue/risk trabalhadores, tendo sido especificamente desenvolvido para os trabalhado-
index for shif- res por turnos. Relatório de investigação.
tworkers http://www.hse.gov.uk/research/rrpdf/rr446.pdf

6 Managing shif- Eurocontrol O relatório apresenta os resultados de um estudo de viabilidade sobre a ges-
twork in European tão do trabalho por turnos na gestão do tráfego aéreo europeu. O documento
ATM: Literature resume os resultados da investigação que estão disponíveis sobre as necessi-
Review dades de saúde e sociais dos trabalhadores, a segurança, o desempenho e a
produtividade/eficiência nos ambientes de trabalho por turnos.
http://www.eurocontrol.int/humanfactors/gallery/content/public/docs/
DELIVERABLES/M27%20MSEA%20Literature%20Review%20_
Ed%201.0%20-%20Released-withsig.pdf

7 Arbejdstilsynet: DK Relatório da autoridade dinamarquesa para o ambiente de trabalho sobre as


Workplace assess- novas prioridades nessa matéria.
ment checklists http://www.at.dk/~/media/AT/at/Engelsk-pdf/Andre-informationsmaterialer/
Future-working-environment%20pdf.ashx

8 «Work-related Eurofound/ O Eurostat fornece dados sobre as diferentes situações existentes nos países
health problems in /Eurostat europeus. A informação é classificada por setor, língua e país.
the EU in 1998- http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_OFFPUB/KS-NK-01-017/EN/KS-
1999» -NK-01-017-EN.PDF

9 Agência Europeia EU-OSHA A Semana Europeia 2002 é uma campanha de informação que tem por
para a Segurança objetivo tornar a Europa um local de trabalho seguro e saudável, através da
e a Saúde no promoção de atividades de redução do stresse e dos riscos psicossociais rela-
Trabalho: Semana cionados com o trabalho.
Europeia «Contra o http://osha.europa.eu/pt/campaigns/ew2002/about
Stresse no Trabalho,
Trabalhe contra o
Stresse» 2002

10 Factsheet 22 — EU-OSHA O stresse relacionado com o trabalho faz-se sentir quando as exigências colo-
Stresse relacionado cadas pelo ambiente de trabalho excedem a capacidade dos trabalhadores
com o trabalho para as suportarem (ou controlarem).
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/22

213
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

N.º Título País Conteúdo/Fonte

11 Factsheet 23 EU-OSHA Esta ficha informativa contém informação e sugestões destinadas àqueles que dese-
— O assédio jam adotar medidas de caráter prático com vista a resolver os problemas do assédio
moral no local moral no local de trabalho.
de trabalho http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/23

12 Factsheet 24 EU-OSHA A violência no trabalho é uma causa importante de stresse relacionado com o traba-
— Violência lho. A secção com informações adicionais no final da ficha informativa fornece porme-
no trabalho nores relativamente às fontes de apoio utilizadas pela Agência, incluindo outras fichas
informativas.
http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/24

13 Factsheet EU-OSHA Na União Europeia, mais de um em cada quatro trabalhadores é afetado por proble-
32 — Como mas de stresse no trabalho.
enfrentar os http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/32
riscos psicos-
sociais e redu-
zir o Stresse
no Trabalho

14 Magazine EU-OSHA As implicações são claras: o stresse relacionado com o trabalho pode causar sofrimento
«Working on às pessoas, tanto no trabalho como em casa, e afeta significativamente os objetivos de
Stress» uma organização. Por conseguinte, há muitas razões para tomar medidas.
http://osha.europa.eu/publications/magazine/5?language=de

15 How to Tackle EU-OSHA Nas últimas décadas, o mercado de trabalho tem sido caracterizado por mudan-
Psychosocial ças significativas: alteração das tarefas, dos papéis e das funções, flexibilidade no
Issues and emprego e na produção, organizações horizontais e delegação da gestão. Esta
Reduce Work- re-estruturação, juntamente com a evolução das tecnologias da informação e a globa-
-related Stress lização, gera novos desafios para as organizações e para cada um dos trabalhadores.
Estas mudanças estão em curso por toda a Europa e são frequentemente seguidas
por um aumento de problemas como o stresse relacionado com o trabalho.
http://osha.europa.eu/publications/reports/309

16 «Risk assesse- EU-OSHA Como realizar uma avaliação dos riscos?


ment Essen- http://hwi.osha.europa.eu/about/material/rat2007
tials»

17 Stresse e EU-OSHA Esta secção do sítio web da EU-OSHA fornece informações atualizadas sobre as boas
riscos psicos- práticas de segurança e saúde no que respeita ao stresse no trabalho.
sociais http://osha.europa.eu/good_practice/topics/stress

18 Health and Reino Este documento fornece conselhos práticos que ajudam a averiguar se a violência é
Safety Execu- Unido um problema para os trabalhadores de um estabelecimento e, em caso afirmativo,
tive: Violence como deve ser resolvida.
at work http://www.hse.gov.uk/pubns/indg69.pdf

19 COPSOQ: Dinamarca, O Questionário COPSOQ (Questionário Psicossocial de Copenhaga) é um instrumento


Copenhagen Espanha, de análise para registar o esforço e o desgaste mental excessivo no trabalho.
Psychosocial Alemanha 1. Ligação ao documento: um questionário sobre as condições de trabalho, a saúde e
Questionnaire o bem-estar psicossociais em três versões
http://www.arbejdsmiljoforskning.dk/upload/english_copsoq_2_ed_2003-pdf.pdf
2. Ligação: os valores de referência das 21 escalas ou dimensões psicossociais
(73 elementos) do questionário de avaliação dos riscos psicossociais COPSOQ ISTAS21
são calculados a partir de uma amostra representativa da população assalariada
em Espanha
http://www.scielosp.org/pdf/resp/v82n6/original3.pdf
3. Ligação: a versão alemã do questionário foi elaborado com base no Questionário
Psicossocial de Copenhaga em dinamarquês e inglês e testado numa ampla amostra
de 2 561 trabalhadores, em 2003-2004
http://www.copsoq.de

20 NEXT Study UE O estudo NEXT investiga as razões, as circunstâncias e as consequências do abandono


precoce da profissão de enfermagem.
http://www.next.uni-wuppertal.de/EN/index.php?next-study

214
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

5.9. Bibliografia
Cox, T., A. Griffiths, e E. Rial-Gonzalez, Research on work-related stress, Serviço das
Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2000.

Denis, F., S. Stordeur e W. D’Hoore, «Une enquête sur le stress occupationnel en milieu
hospitalier, Medecine du travail et ergonomie», Arbeidsgezondheidszorg en ergonomie,
vol. 37, n.° 4, 2000, p. 169 a 178.

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, Prevenção de riscos psicosso-


ciais no local de trabalho, Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias,
Luxemburgo, 2002 (http://osha.europa.eu/pt/publications/reports/104).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho, Working on stress, Serviço


das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2002 (http://osha.
europa.eu/en/publications/magazine/5?language=de).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (editor): How to tackle


psychosocial issues and reduce work-related stress, Serviço das Publicações Oficiais das
Comunidades Europeias, Luxemburgo, 2002 (http://osha.europa.eu/en/publications/
reports/309).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (editor): O assédio moral no


local de trabalho, Bilbau, 2002 (http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/23).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (editor): Violência no traba-


lho, Bilbau, 2002 (http://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/24).

Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho (editor): Como enfrentar os


riscos psicossociais e reduzir o Stresse no Trabalho, Bilbau, 2002 (http://osha.europa.
eu/pt/publications/factsheets/32).

Harrach, A. «Arbeitswissenschaftliche Psychosomatik — Arbeitsbedingte psychische


und psychosomatische Störungen», in: Teske, U. e B. Witte (eds): Prävention arbeitsbeding-
terErkrankungen. Band 2: Gesundheitliche Auswirkungen und Erkrankungsschwerpunkte,
VSA, Hamburgo, 2000, p. 51 a 103.

Hasselhorn, H.-M., B. H. Müller, P. Tackenberg, A. Kümmerling, e M. Simon,


Berufsausstieg bei Pflegepersonal. Arbeitsbedingungen und beabsichtigter Berufsausstieg
bei Pflegepersonal in Deutschland und Europa, BAuA, Dortmund/Berlin/Dresden, 2005.

International Social Security Association, «Guide for risk assessment in small and
medium enterprises: Mental workload. identification and evaluation of hazards;
Taking measures», 2009 (http://www.issa.int/Resources/Resources/Mental-Workload/
(language)/eng-GB). (22.7.2009)

Kompier, M. A. J., S. A. E. Geurts, R. W. M. Gründemann, P. Vink, e P. Smulders, «Cases


in stress prevention: the success of a participative and stepwise approach», Stress
Medicine, 14/1998, p. 155 a 168.

Mauranges, A. «Stress, souffrance et violência en milieu hospitalier: Manuel a l’usage


des soignants», Mutuelle nationale des hospitaliers et des professionnels de la sante et
du social/La collection MNH, 2009 (3.ª edição).

Nübling, M., U. Stösel, H.-M. Hasselhorn, M. Michaelis, e F. Hofmann, «Methoden zur


Erfassung psychischer Belastungen», BAuA, Dortmund, Berlin, Dresden, 2005.

215
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Schambortski, H., Mitarbeitergesundheit und Arbeitsschutz, Gesundheitsförderung als


Führungsaufgabe, Elsevier, Munique, 2008.

Siegrist, J. «Adverse health of high effort — Low reward conditions at work», Journal of
Occupational Health Psychology, 1/1996, p. 27 a 43.

Spencer, M. B., K. A. Robertson, e S. Folkard, The development of a fatigue/risk index for shif-
tworkers, HSE Books, Norwich, 2006 (http://www.hse.gov.uk/research/rrpdf/rr446.pdf ).

Spurgeon, A., Working time: Its impact on health and safety, Organização Internacional
do Trabalho (disponível junto do programa «Conditions of work and employment»),
Seúl, 2003.

Tabanelli, M. C., M. Depolo, R. M. T. Cooke, G. Sarchielli, R. Bonfiglioli, S. Mattioli, F. S.


Viloant, «Available instruments for measurement of psychosocial factors in the work
environment», International Achieves of Occupational Environmental Health, 82, 2008,
p. 1 a 12.

Organização Mundial de Saúde, «Prima-EF: Guidance on the European framework for


psychosocial risk management: A resource for employers and worker representatives»,
OMS Protecting Workers’ Health Server, n.° 9 (http://prima-ef.org/guide.aspx).

216
5 RISCOS PSICOSSOCIAIS

Anexo
Nos quadros exemplificativos seguintes, a avaliação do risco psicossocial «stresse» é
realizada em função dos grupos profissionais, das unidades de serviço ou das áreas
dos lares, que podem ser adaptados às designações que lhes são dadas em cada esta-
belecimento. Além disso, é possível alguma diferenciação, por exemplo, os médicos
podem ser classificados de acordo com a sua especialização.

Os quadros apresentam uma síntese da existência ou não, em cada estabelecimento;

• de problemas psicossociais;

• de áreas em que podem existir;

• das áreas fulcrais;

• das áreas em que a necessidade de agir poderá ser maior.

A necessidade de agir poderá resultar das medidas de segurança e saúde no trabalho


adotadas e exigir que se tome uma decisão sobre a utilização de procedimentos de
rastreio ou periciais a validar antes da reformulação dos locais de trabalho.

Quadro exemplificativo 5.1:


Grupos profissionais Risco Maior exposição ao stresse
por grupos profissionais,
inexistente elevado alto por exemplo

1. Pessoal de enfermagem o o o
2. Gestão doméstica o o o
3. Limpeza o o o
4. Pessoal de cozinha o o o
5. Médicos o o o
6. Pessoal de emergência o o o

Quadro exemplificativo 5.2:


Unidade organizativa/Áreas de atividade Risco Maior exposição ao stresse
por unidades de serviço
inexistente elevado alto

1. Unidade de cuidados intensivos o o o


2. Medicina interna o o o
3. Cirurgia o o o
4. Urologia o o o
5. Ginecologia o o o

217
6
Riscos químicos
6.1. Introdução 6.6.3.1. Preparação de medicamentos citostáticos
6.6.3.2. Trabalho preparatório e aplicação
6.2. Natureza do risco em causa: 6.6.3.3. Embalagem e transporte
Riscos específicos atribuídos 6.6.3.4. Trabalhos de limpeza
às substâncias e preparações 6.6.3.5. Medidas complementares
perigosas
6.7. Atividades envolvendo gases
6.3. Critérios básicos para avaliar os anestésicos
riscos químicos 6.7.1. Descrição dos trabalhos com exposição
6.3.1. Avaliação dos riscos máxima
6.7.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde e a
6.4. Medidas gerais de prevenção e segurança
proteção: aplicação de medidas 6.7.3. Técnicas e procedimentos de prevenção
de proteção tendo em conta a específicos
avaliação dos riscos 6.7.3.1. Atividades com gases anestésicos em blocos
operatórios (e outras salas de cirurgia)
6.4.1. Medidas de proteção 6.7.3.2. Salas de recobro
6.4.2. Fornecimento de informações/instruções 6.7.3.3. Outras atividades com gases anestésicos
aos trabalhadores
6.7.3.4. Medidas complementares
6.4.3. Monitorização da eficácia das medidas

6.5. Trabalhos de limpeza 6.8. Atividades envolvendo


e desinfeção substâncias tóxicas
6.5.1. Descrição das situações laborais com maior
para a reprodução
exposição 6.9. Diretivas da União Europeia
6.5.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde
e a segurança
aplicáveis
6.5.3. Técnicas e procedimentos de prevenção 6.10. Descrição de boas práticas
específicos
empresariais
6.6. Medicamentos citostáticos/ 6.10.1. Entrevista no Hospital Geral de Viena
/citotóxicos (AKH de Viena) sobre a segurança
no trabalho em atividades de desinfeção
6.6.1. Descrição das situações laborais com maior 6.10.2. Segurança no trabalho com medicamentos
exposição citostáticos
6.6.2. Descrição dos efeitos sobre a saúde e a
segurança 6.11. Ligações
6.6.3. Técnicas e procedimentos de prevenção
específicos 6.12. Bibliografia
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

6.1. Introdução
  01 Muitos trabalhadores No âmbito da avaliação dos riscos, as
dos serviços de saúde
entidades patronais são obrigadas
têm de trabalhar com
substâncias perigosas a avaliar os riscos originados pelas
substâncias químicas  (121) (122). Uma
análise das atividades dos serviços
de saúde revelou que importa consi-
derar, em especial, as atividades que
envolvem o trabalho com as substân-
cias a seguir enumeradas:

1. agentes de limpeza e desinfeção;

2. medicamentos anestésicos;

3. medicamentos citostáticos/cito-
tóxicos;

4. 
substâncias perigosas para a
reprodução, em especial determi-
nadas substâncias farmacêuticas.

Para além destas substâncias e grupos de substâncias, há muitos outros produtos quí-
micos que podem ser utilizados no serviço de saúde (por exemplo, solventes e outras
substâncias químicas laboratoriais, álcool cirúrgico, conservantes), mas que não são
examinados no presente guia de forma aprofundada. Na avaliação dos riscos, também
é importante não esquecer que o acesso a estupefacientes e medicamentos é muito
mais fácil nos serviços de saúde do que noutras profissões (ver também capítulo 5).

Algumas substâncias químicas acima mencionadas têm propriedades tóxicas para a


reprodução (ver secção 6.8).

A avaliação dos riscos das substâncias químicas no setor da saúde apresenta vários
problemas específicos:

(121) Diretiva 89/391/CEE


do Conselho, de 12
• enquanto as substâncias perigosas convencionais são classificadas e assinaladas
de junho de 1989, como tal, os medicamentos perigosos não estão abrangidos pelas disposições de
relativa à aplicação de rotulagem obrigatória das diretivas europeias aplicáveis às substâncias perigosas.
medidas destinadas a
promover a melhoria da
A sua classificação e rotulagem apenas obedece às especificações da legislação
segurança e da saúde aplicável aos medicamentos e, por isso, os trabalhadores não conseguem, muitas
dos trabalhadores no vezes, identificar os riscos específicos desses produtos. É o caso, por exemplo, dos
trabalho, JO L 183 de
29.6.1989, p.1 a 8.
anestésicos, dos medicamentos citostáticos, de outros fármacos e dos produtos
desinfetantes;
(122) Diretiva 98/24/CE do
Conselho, de 7 de abril • as medidas de higiene exigem, frequentemente, que sejam utilizados desinfetan-
de 1998, relativa à pro-
teção da segurança e da tes químicos e agentes de limpeza, cujos riscos devem ser tomados em considera-
saúde dos trabalha- ção: a maior utilização de produtos químicos pode reduzir o risco de infeção mas
dores contra os riscos também aumenta o risco químico;
ligados à exposição a
agentes químicos no
trabalho (décima-quar- • as sequências de trabalho primordialmente destinadas a assistir os doentes podem
ta directiva especial gerar riscos para os trabalhadores, se a rapidez da sua execução tiver a primazia
na acepção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva sobre a proteção destes últimos (por exemplo, num bloco operatório ou num ser-
89/391/CEE), JO L 131 viço de traumatizados).
de 5.5.1998, p. 11 a 23.

220
6 RISCOS QUÍMICOS

O objetivo do presente capítulo é descrever os riscos típicos da manipulação de subs- (123) Diretiva 67/548/CEE
do Conselho, de 27 de
tâncias perigosas no serviço de saúde, analisar os métodos de avaliação dos riscos e junho de 1967, relativa
apresentar as principais medidas de proteção em certas atividades que envolvem a à aproximação das
utilização dessas substâncias. disposições legislativas,
regulamentares e admi-
nistrativas respeitantes
à classificação, emba-
lagem e rotulagem das

6.2. Natureza do risco em causa: riscos específi- substâncias perigosas,


JO 196 de 16.8.1967,

cos atribuídos às substâncias e preparações p. 1 a 98.

perigosas
A legislação europeia em matéria de substâncias perigosas, como a Diretiva 67/548/
/CEE do Conselho, define como «perigosas» as substâncias e preparações que apre-
sentem uma ou mais das propriedades a seguir descritas, também designadas por
características de perigo (123).

Riscos tóxicos Riscos físico-químicos Riscos ecotóxicos

muito tóxicas explosivas perigosas para o ambiente

tóxicas comburentes

nocivas extremamente inflamáveis

corrosivas facilmente inflamáveis

irritantes inflamáveis

sensibilizantes

cancerígenas

tóxicas para a reprodução

mutagénicas

cronicamente nocivas
sob outros aspetos

As substâncias com as propriedades referidas que só se produzem aquando da mistura


de substâncias químicas, ou durante a utilização de substâncias, preparações ou produtos, Nota importante
também podem ser substâncias perigosas, como é o caso, por exemplo,
das partículas produzidas quando se trituram materiais num laboratório dentário.

Nas substâncias perigosas também se incluem outros agentes químicos perigosos, na


aceção do artigo 2.º, alínea b), da Diretiva 98/24/CE (124). São exemplos de agentes com
outras propriedades químicas/físicas o azoto (asfixiante), o gelo seco (extremamente
frio), o vapor (quente) e os gases comprimidos (pressão elevada).
(124) Diretiva 98/24/CE do
Conselho, de 7 de abril
de 1998, relativa à pro-

6.3. Critérios básicos para avaliar os riscos teção da segurança e da


saúde dos trabalha-

químicos dores contra os riscos


ligados à exposição
a agentes químicos
Ao determinar e avaliar os riscos das substâncias perigosas, devem seguir-se as etapas no trabalho (décima
seguintes: quarta diretiva especial
na aceção do n.º 1 do
artigo 16.º da Diretiva
1. recolha de informações sobre as substâncias, as preparações e os produtos 89/391/CEE), JO L 131
utilizados; de 5.5.1998, p. 11 a 23.

221
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

2. determinação das substâncias perigosas e das substâncias com propriedades des-


conhecidas ou insuficientemente conhecidas;

3. ensaio da utilização de processos e substâncias substitutos;

4. determinação do grau, da natureza e da duração da exposição tendo em conta


todas as vias de exposição;

5. avaliação dos riscos;

6. aplicação de medidas de proteção tendo em conta a avaliação dos riscos;

7. verificação da eficácia (por exemplo, verificação das medidas tomadas);

8. conclusões dos exames de medicina do trabalho preventivos realizados.

Recolha de informações sobre as substâncias, as preparações


e os produtos utilizados
Classificação das substâncias perigosas pelo fabricante
Os fabricantes devem classificar as substâncias e as preparações perigosas que intro-
duzem no mercado e embalá-las e rotulá-las em conformidade com essa classificação.
Os medicamentos, incluindo medicamentos prefabricados, estão incluídos nas subs-
tâncias dispensadas dessa rotulagem obrigatória (artigo 1.º da Diretiva 67/548/CEE do
Conselho).

Os símbolos e avisos de
MG/8:/27/27:/GP/E

perigo, as frases R (por exem- 1SBDUJDBMHVJEFMJOFT


plo «Tóxico por inalação»), $IFNJDBMBHFOUTEJSFDUJWF
%#

chamam a atenção para as


propriedades perigosas. As
1SBDUJDBMHVJEFMJOFTo$IFNJDBMBHFOUTEJSFDUJWF‰&$

frases S constituem recomen-


dações de segurança (como
«Não respirar os gases/vapo-
res/fumos/aerossóis») (ver
figura). São fornecidas infor-
mações mais pormenoriza-
das sobre as frases R e S na
publicação «Diretrizes práti-
cas de caráter não obrigató- Gwtqrgcp"Eqookuukqp

rio sobre a proteção da saúde 22a4227a37;;aeqxgtaGP0kpff"""3 35/32/4228"""34<78<54

  02 Os reagentes utiliza-   03 Publicação «Diretri-


e da segurança dos trabalha- dos nos laboratórios zes práticas: Diretiva
dores contra os riscos ligados médicos são frequen- 98/24/CE relativa aos
à exposição a agentes quími- temente designados agentes químicos»
como substâncias
cos no trabalho» (125). perigosas

(125) Comissão Europeia,


«Diretrizes práticas de Em alguns casos, o próprio trabalhador deve aplicar marcações, por exemplo quando
carácter não obrigatório as substâncias perigosas ou que tenham de ser obrigatoriamente rotuladas são trans-
sobre a proteção da feridas do recipiente do fabricante para outros recipientes e armazenadas dessa forma.
saúde e da segurança
dos trabalhadores Os rótulos podem ser comprados no comércio especializado.
contra os riscos ligados
à exposição a agentes O sistema de rotulagem acima mencionado será substituído nos próximos anos em
químicos no trabalho,
parte I», Serviço das resultado da introdução de um sistema mundial de rotulagem e informação total-
Publicações Oficiais mente novo. O «sistema mundial harmonizado» (GHS) será utilizado numa fase de
das Comunidades transição (até 2015, o mais tardar) em paralelo com o sistema de rotulagem antigo
Europeias, Luxemburgo,
2006 e substituí-lo-á paulatinamente. Na secção 6.11 são indicadas fontes de informação
(ISBN 92-894-9651-7) complementares sobre o sistema GHS.

222
6 RISCOS QUÍMICOS

Fichas de segurança

As fichas de segurança complementam a rotulagem, apresentando informações porme-


norizadas do fabricante sobre as propriedades do produto e os perigos concomitantes.
As fichas de segurança devem estar o mais atualizadas possível e as versões mais recen-
tes podem ser solicitadas ao fabricante ou fornecedor. Grande parte da obrigação de
informação já fica satisfeita se todos os produtos tiverem fichas de segurança disponí-
veis, a que os trabalhadores deverão ter acesso (artigo 8.º da Diretiva 98/24/CEE) (126).

Se para avaliar o risco forem necessárias informações complementares, estas podem


ser solicitadas ao fabricante. No caso dos agentes químicos que não possuam fichas de
segurança, como os medicamentos e medicamentos pré-fabricados, devem ser forneci-
das informações adequadas, mediante pedido. Alguns fabricantes fornecem voluntaria-
mente fichas de segurança em relação a estas substâncias. No caso dos medicamentos
pré-fabricados, também estão disponíveis informações farmacêuticas que descrevem as
suas propriedades e efeitos, mas apenas no que se refere ao seu uso terapêutico.

Verificação das substâncias substitutas (127) (128)

A entidade patronal deve assegurar que as medidas estabelecidas na avaliação dos


riscos eliminam ou reduzem a um mínimo os riscos das substâncias perigosas para (126) Diretiva 98/24/CE do
Conselho, de 7 de abril
os trabalhadores no local trabalho. Para cumprir esta obrigação, deve, de preferên- de 1998, relativa à pro-
cia, substituir as atividades que envolvem substâncias perigosas, ou as próprias subs- teção da segurança e da
tâncias, por processos e substâncias, preparações ou produtos, isentos de perigo ou saúde dos trabalha-
dores contra os riscos
menos perigosos para a segurança e a saúde dos trabalhadores, nas condições de ligados à exposição
utilização relevantes. Caso não se proceda a uma substituição possível, as respetivas a agentes químicos
razões devem ser indicadas na documentação da avaliação dos riscos . no trabalho (décima
quarta diretiva especial
na aceção do n.º 1 do
Ainda que nos estabelecimentos de saúde a verificação das substâncias substitutas artigo 16.º da Diretiva
e dos processos alternativos tenha de ser limitada, devido à liberdade terapêutica e 89/391/CEE), JO L 131
de 5.5.1998, p. 11 a 23.
às normas de higiene, importa assinalar que os trabalhadores não podem ser expos-
tos a substâncias perigosas. Os processos que causem emissões elevadas devem ser (127) Artigos 5.º e 6.º da
verificados, antes da sua utilização, no que respeita à respetiva engenharia e forma de Diretiva 98/24/CE do
aplicação, para determinar se o objetivo pretendido não pode ser atingido por formas Conselho, de 7 de abril
de 1998, relativa à pro-
de aplicação menos perigosas. teção da segurança e da
saúde dos trabalha-
O resultado das decisões tomadas aquando da verificação das substâncias substitutas dores contra os riscos
ligados à exposição
e dos processos alternativos deve ser documentado nos termos da legislação nacional a agentes químicos
e, se for caso disso, apresentado às autoridades competentes mediante pedido. Nos no trabalho (décima
estabelecimentos de saúde, esta obrigação documental tem de ser satisfeita relativa- quarta diretiva especial
na aceção do n.º 1 do
mente a cada processo ou substância, por exemplo no que diz respeito: artigo 16.º da Diretiva
89/391/CEE), JO L 131
• à escolha dos processos de desinfeção, terapêuticos e anestésicos; de 5.5.1998, p. 11 a 23.

(128) Artigo 4.º da Diretiva


• à introdução de novos medicamentos e desinfetantes que possam apresentar riscos 2004/37/CE do Parla-
para os trabalhadores. mento Europeu e do
Conselho, de 29 de abril
de 2004, relativa à pro-
Deve verificar-se periodicamente se os resultados da aplicação da substância substi- teção dos trabalhadores
tuta e dos processos alternativos estão atualizados. contra riscos ligados
à exposição a agentes
cancerígenos ou
mutagénicos durante o
Determinação do grau, da natureza e da duração da exposição trabalho (sexta diretiva
especial nos termos do
tendo em conta todas as vias de exposição n.º l do artigo 16.° da
Manipulação dos produtos Diretiva 89/391/CEE do
Conselho) (versão codi-
Para além das propriedades das substâncias ou dos produtos químicos, importa ficada) (texto relevante
para efeitos do EEE),
conhecer a manipulação precisa desses produtos, para garantir uma avaliação dos ris- JO L 158 de 30.4.2004,
cos diligente, nos termos do artigo 6.º da Diretiva 89/391/CEE do Conselho. p. 50 a 76.

223
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

• Os produtos são utilizados tal como são fornecidos na sua embalagem ou são
modificados e, por exemplo, diluídos (como acontece com os concentrados de
desinfetantes)?

• Há fases de preparação especiais (por exemplo, manipulação de concentrações mais


elevadas) que devam ser tidas em conta quando se avalia a exposição?

• Há fases complementares, como a limpeza dos instrumentos?

A natureza do produto utilizado e do processo específico influencia a natureza da via


de exposição e, logo, da própria exposição.

Via de exposição por inalação

Com a manipulação aberta de substâncias voláteis como os solventes e os gases anes-


tésicos, a via de exposição por inalação pode ser particularmente importante. Esta via
é determinada na segurança e saúde no trabalho em termos de concentração de uma
substância na atmosfera do local de trabalho, sobretudo através de medições do ar,
(129) Diretiva 91/155/CEE mas também de comparações com outros locais de trabalho (conclusões por analogia)
da Comissão, de 5 de
março de 1991, que
ou com base em estimativas aproximadas da exposição. O valor determinado só pode
define e estabelece, nos ser adequadamente avaliado se tiver um valor-limite de concentração atmosférica
termos do artigo 10.º da associado como critério de avaliação. Atualmente, os valores-limite são sobretudo
Diretiva 88/379/CEE
do Conselho, as moda-
nacionais.
lidades do sistema de
informação específico
Via de exposição cutânea
relativo às preparações
perigosas, JO L 76 de
22.3.1991, p. 35 a 41. No caso da manipulação aberta de substâncias pouco voláteis ou não voláteis, como
alguns agentes desinfetantes específicos, é a exposição cutânea que desempenha o
( 130) Regulamento (CE) papel principal.
n.º 1907/2006 do
Parlamento Europeu
e do Conselho, de 18 Esta via de exposição pode decorrer de várias atividades, como a imersão das mãos em
de dezembro de 2006, soluções químicas de aplicação (por exemplo, soluções de limpeza), o contacto com
relativo ao registo,
avaliação, autorização e superfícies acabadas de pintar/desinfetar que ainda estejam húmidas ou o humede-
restrição de substâncias cimento da pele por pulverização (quando esta é o processo utilizado). Ao contrário
químicas (REACH), que das exposições por via aerógena, para as quais existem valores-limite de concentração
cria a Agência Europeia
das Substâncias atmosférica, não há valores-limite aplicáveis à exposição cutânea. No entanto, é mui-
Químicas, que altera a tas vezes possível decidir, com base nas classificações dos produtos (frases R), se uma
Directiva 1999/45/CE e exposição cutânea é admissível (por exemplo, no caso dos fluidos combustíveis) ou se
revoga o Regulamento
(CEE) n.° 793/93 do Con- deve ser evitada por completo (por exemplo, no caso das substâncias sensibilizantes
selho e o Regulamento ou corrosivas).
(CE) n.º 1488/94 da
Comissão, bem como a
Directiva 76/769/CEE do Quando se manipulam substâncias muito ativas, a via de exposição oral pode, ainda
Conselho e as Directivas que raramente, ter algum papel quando as vias de exposição por inalação e cutânea
91/155/CEE, 93/67/CEE, são estreitamente controladas. Independentemente da via de exposição, a monitori-
93/105/CE e 2000/21/CE
da Comissão, JO L 396 zação biológica permite registar a absorção das substâncias pelo corpo sob a forma de
de 30.12.2006, p.1 a 849. um valor total.

Nota importante Em muitos casos, é possível avaliar os riscos das substâncias perigosas com o auxílio dos
dados constantes das fichas de segurança, nos termos da Diretiva 91/155/CEE (129) ou, mais
recentemente, do Regulamento (CE) n.º 1907/2006 (130). Dado que os fármacos, em particular,
são fornecidos sem ficha de segurança, é útil cumprir as indicações de segurança, as informa-
ções especializadas e as instruções de utilização apresentadas pelo fabricante do produtos,
e recorrer a outras fontes de informação. Em caso de dúvida, é possível pedir informações ao
fabricante.

224
6 RISCOS QUÍMICOS

6.3.1. Avaliação dos riscos


  04 O trabalho em locais
histopatológicos cau-
sar exposição cutânea
e por inalação

Os perigos de inalação, cutâneos e físico-químicos (perigo de incêndio e de explosão)


envolvidos devem ser avaliados separadamente, com base nas informações apuradas
sobre os riscos relacionados com os produtos utilizados e a natureza das atividades
previstas, e seguidamente combinados na avaliação dos riscos (131) (132).

A utilização de agentes de limpeza à base de álcool pode causar uma exposição


intensiva por inalação, devido à evaporação rápida dos solventes, a qual poderá ser
atenuada utilizando os valores-limite de concentração atmosférica aplicáveis aos álco-
ois comuns (etanol, 2-propanol etc.). Simultaneamente, o elevado teor alcoólico do
agente de limpeza pode reduzir a gordura da pele e aumentar a absorção cutânea
se não forem tomadas medidas para proteger a pele. Além disso, os produtos com
grande concentração de álcool podem constituir um risco de incêndio, que obriga
a adotar medidas de proteção específicas na manipulação e no armazenamento dos
produtos. Todos estes aspetos devem ser tidos em conta na avaliação dos riscos de
cada agente de limpeza à base de álcool.

Na publicação «Diretrizes práticas de caráter não obrigatório sobre a proteção da (131) Artigos 4.º e 5.º da
saúde e da segurança dos trabalhadores contra os riscos ligados à exposição a agentes Diretiva 98/24/CE do
químicos no trabalho» são fornecidas informações mais pormenorizadas sobre o pro- Conselho, de 7 de abril
de 1998, relativa à pro-
cedimento a adotar na avaliação dos riscos. teção da segurança e da
saúde dos trabalha-
dores contra os riscos

Perigos de inalação, cutâneos e físico-químicos ligados à exposição


a agentes químicos
Exposições da pele (exposições por via cutânea) no trabalho (décima
quarta diretiva especial
na aceção do n.º 1 do
Se a pele entrar frequentemente em contacto com a humidade, pode ficar irritada artigo 16.º da Diretiva
e danificada, o que estimula o desenvolvimento de sensibilização (alergias). Se as 89/391/CEE), JO L 131
mãos forem diariamente expostas à humidade durante várias horas é previsível que de 5.5.1998, p. 11 a 233.

os danos se acumulem.
(132) Comissão Europeia,
«Diretrizes práticas de
A utilização ininterrupta ou inadequada de luvas de proteção impermeáveis pode cau- carácter não obrigatório
sar irritações e danos na pele. sobre a proteção da
saúde e da segurança
dos trabalhadores
A exposição da pele à humidade é o principal perigo potencial porque enfraquece a contra os riscos ligados
resistência da pele a substâncias irritantes ou sensibilizantes. Deve prestar-se, por isso, à exposição a agentes
químicos no trabalho,
uma atenção especial aos estagiários e ao pessoal auxiliar para que não sejam expos- parte I», Serviço das
tos a uma humidade excessiva. Publicações Oficiais
das Comunidades
Europeias,
Os agentes de limpeza e os desinfetantes podem irritar e sensibilizar a pele (alergias), se Luxemburgo, 2006
entrarem frequentemente em contacto com esta ou forem utilizados de forma inadequada. (ISBN 92-894-9651-7).

225
RISCOS DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NO SETOR DA SAÚDE

Exposições das vias respiratórias (inalação)

A formação de produtos voláteis e a utilização de pulverizadores podem expor as vias


respiratórias a vapores e/ou aerossóis.

Além disso, em algumas atividades e processos podem surgir nanopartículas, isto é,


partículas de diâmetro inferior a 0,1μm (quadro 6.1).

Os estudos demonstraram, todavia, que quando se utilizam desinfetantes à base de


álcool, como é habitual neste setor, não há razões para recear que os valores-limite de
concentração atmosférica dos seus componentes (por exemplo, etanol, 2-propanol)
sejam excedidos.

Quadro 6.1: Atividades no


setor da saúde que podem Atividade/Intervenção Processo
produzir nanopartículas
(exemplos) Cirurgia a laser Pirólise de músculos, gordura, etc.

Utilização de cauterizadores elétricos Pirólise de tecidos

Moxabustão no âmbito da Medicina Pirólise de ervas aromáticas (artemísia)


Tradicional Chinesa

Utilização de pulverizadores Produção de resíduos de pulverização não voláteis

Exposição a substâncias (risco de incêndio e de explosão)

A utilização de desinfetantes e de solventes à base de álcool (por exemplo, álcool


cirúrgico e produtos químicos laboratoriais), a sua manutenção nas prateleiras das
lojas [por exemplo, no comércio a retalho de produtos farmacêuticos (farmácias)] e a
sua acumulação ou armazenamento podem aumentar consideravelmente o risco de
incêndio no local de trabalho ou nas instalações em causa. O mesmo se aplica a todas
as embalagens de aerossóis (embalagens pulverizadoras) que utilizem um gás propul-
sor facilmente ou muito inflamável (por exemplo, propano ou butano).

Avaliação dos riscos

Depois de determinar o tipo e o nível de exposição química existente, a entidade patro-


nal deve avaliar o risco para a segurança e a saúde dos trabalhadores e tomar as medi-
das adequadas de proteção, prevenção e acompanhamento nos termos dos artigos
6.º, 7.º e 10.º da Diretiva 98/24/CE do Conselho. As diretrizes práticas relativas à Diretiva
98/24/CE (secção 1.2) contêm notas pormenorizadas sobre a avaliação dos riscos de
incêndio e/ou de explosão e dos riscos por inalação, absorção cutânea e ingestão.

A exposição dos trabalhadores a substâncias presentes no ar que respiram pode ser


medida, em relação a muitas substâncias, mas não todas, através da comparação
com um valor-limite de concentração atmosférica [ver Diretiva 98/24/CE (artigo 3.º e
anexo I); Diretiva 2004/37/CE (anexo III); Diretiva 2000/39/CE e Diretiva 2006/15/CE].

Para além dos limites de exposição profissional (LEP) criados a nível europeu, a avalia-
ção deve ter em conta os valores-limite nacionais respetivos. O quadro 6.2 apresenta
alguns LEP de substâncias relevantes para o setor da saúde.

No entanto, também é importante recordar que, em muitas situações laborais, há


exposições prolongadas a substâncias que apresentam um nível de concentração
muito baixo e em relação às quais não é possível fixar valores-limite baseados nos
seus efeitos [por exemplo, cancerígeno, mutagénico, tóxico para a reprodução (CMR)].
Nestes casos, é particularmente difícil avaliar as consequências da «exposição prolon-
gada a baixas doses».

226
6 RISCOS QUÍMICOS

Quadro 6.2: Limites de


EG-N.º CAS-N.º Agente LEP (mg/m³) exposição profissional (LEP)
previstos nas diretivas da
8h Curto prazo União Europeia

200-659-6 67-56-1 Metanol 260 — (133) Diretiva 89/391/CEE


do Conselho, de 12 de
203-625-9 108-88-3 Tolueno 192 384 junho de 1989, relativa
à aplicação de medidas
204-696-9 124-38-9 Dióxido de carbono 9000 — destinadas a promover a
melhoria da segurança e
231-959-5 7782-50-5 Cloro – 1.5 da saúde dos trabalhado-
res no trabalho, JO L 183
200-467-2 60-29-7 Éter dietílico 308 616 de 29.6.1989, p. 1 a 8.

200-662-2 67-64-1 Acetona 1210 — (134) Artigos