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Fev.Mar.2018
ISSN: 1645-443X - Depósito Legal: 86929/95
P r a ç a1645-443X
ISSN: D . A f o n s o- V , n º 8 6 , Legal:
Depósito 4 1 5 0- 086929/95
24 P o r t o - P O R TU G A L Ano XLIX- nº 390
Praça D. Afonso V, nº 86, 4150-024 Porto - PORTUGAL
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A PÁSCOA 2018
LAICADO DOMINICANO

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa! dos e refugiados – frequentemente rejeita-


Jesus ressuscitou dos mortos. dos pela cultura atual do descarte – das víti-
Ressoa na Igreja, por todo o mundo, este mas do narcotráfico, do tráfico de pessoas e
anúncio, juntamente com o cântico do Ale- da escravidão dos nossos tempos.
luia: Jesus é o Senhor, o Pai ressuscitou-O e E nós, hoje, pedimos frutos de paz para o
Ele está vivo para sempre no meio de nós. mundo inteiro, a começar pela amada e
O próprio Jesus preanunciara a sua mor- martirizada Síria, cuja população se encon-
te e ressurreição com a imagem do grão de tra exausta por uma guerra sem um fim à
trigo. Dizia: «Se o grão de trigo, lançado à vista. Nesta Páscoa, a luz de Cristo Ressusci-
terra, não morrer, fica ele só; mas, se mor- tado ilumine as consciências de todos os
rer, dá muito fruto» (Jo 12, 24). Foi isto mes- responsáveis políticos e militares, para que
mo que aconteceu: Jesus, o grão de trigo se ponha imediatamente termo ao extermí-
semeado por Deus nos sulcos da terra, mor- nio em curso, respeite o direito humanitário
reu vítima do pecado do mundo, permane- e proveja a facilitar o acesso às ajudas de que
ceu dois dias no sepulcro; mas, naquela sua têm urgente necessidade estes nossos irmãos
morte, estava contida toda a força do amor e irmãs, assegurando ao mesmo tempo con-
de Deus, que se desencadeou e manifestou dições adequadas para o regresso de quantos
ao terceiro dia, aquele que celebramos hoje: foram desalojados.
a Páscoa de Cristo Senhor. Frutos de reconciliação, imploramos para
Nós, cristãos, acreditamos e sabemos que a Terra Santa, ferida, também nestes dias,
a ressurreição de Cristo é a verdadeira espe- por conflitos abertos que não poupam os
rança do mundo, a esperança que não de- indefesos, para o Iémen e para todo o Mé-
cepciona. É a força do grão de trigo, a do dio Oriente, a fim de que o diálogo e o res-
amor que se humilha e oferece até ao fim e peito mútuo prevaleçam sobre as divisões e
que verdadeiramente renova o mundo. Esta a violência. Possam os nossos irmãos em
força dá fruto também hoje nos sulcos da Cristo, que muitas vezes sofrem abusos e
nossa história, marcada por tantas injustiças perseguições, ser testemunhas luminosas do
e violências. Dá frutos de esperança e digni- Ressuscitado e da vitória do bem sobre o
dade onde há miséria e exclusão, onde há mal.
fome e falta trabalho, no meio dos desloca- (continua na pág.2)
Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

(continuação da pág.1) falte hospedagem nem assistência.


Frutos de esperança, suplicamos neste dia para Frutos de vida nova, Cristo Ressuscitado dê às
todos aqueles que anseiam por uma vida mais digna, crianças que, por causa das guerras e da fome, cres-
especialmente nas regiões do continente africano cem sem esperança, privadas de educação e assistên-
atormentadas pela fome, por conflitos endémicos e cia sanitária; e também aos idosos descartados pela
pelo terrorismo. A paz do Ressuscitado cure as feri- cultura egoísta que põe de lado aqueles que não são
das no Sudão do Sul: abra os corações ao diálogo e à «produtivos».
compreensão mútua. Não esqueçamos as vítimas Frutos de sabedoria, imploramos para aqueles
daquele conflito, sobretudo as crianças! Não falte a que, em todo o mundo, têm responsabilidades polí-
solidariedade em prol das inúmeras pessoas forçadas ticas, a fim de que respeitem sempre a dignidade
a abandonar as suas terras e privadas do mínimo humana, trabalhem com dedicação ao serviço do
necessário para viver. bem comum e garantam progresso e segurança aos
Frutos de diálogo, imploramos para a península seus cidadãos.
coreana, para que os colóquios em curso promovam Queridos irmãos e irmãs!
a harmonia e a pacificação da região. Aqueles que Também a nós, como às mulheres que acorreram
têm responsabilidades diretas ajam com sabedoria e ao sepulcro, é-nos dirigida esta palavra: «Porque bus-
discernimento para promover o bem do povo corea- cais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; res-
no e construir relações de confiança no âmbito da suscitou!» (Lc 24, 5-6). A morte, a solidão e o medo
comunidade internacional. já não são a última palavra. Há uma palavra que
Frutos de paz, pedimos para a Ucrânia, a fim de vem depois e que só Deus pode pronunciar: é a pala-
que se reforcem os passos a favor da concórdia e vra da Ressurreição (cf. João Paulo II, Palavras no
sejam facilitadas as iniciativas humanitárias de que final da Via-Sacra, 18/IV/2003). Com a força do
necessita a população. amor de Deus, ela «afugenta os crimes, lava as cul-
Frutos de consolação, suplicamos para o povo pas, restitui a inocência aos pecadores, dá alegria aos
venezuelano, que vive – escreveram os seus Pastores tristes, derruba os poderosos, dissipa os ódios, esta-
– como que em «terra estrangeira» no seu próprio belece a concórdia e a paz» (Precónio Pascal).
país. Possa, pela força da Ressurreição do Senhor
Jesus, encontrar a via justa, pacífica e humana para Feliz Páscoa para todos!
sair, o mais rápido possível, da crise política e huma-
nitária que o oprime e, àqueles dentre os seus filhos Papa Francisco
que são forçados a abandonar a sua pátria, não lhes Vaticano, 1 de Abril de 2018

(continuação da pág.3) Embora respeitando a identidade de cada ramo


Somos convidados a estudar, a aprofundar a pala- da Família Dominicana, os seus membros devem
vra, a assimilá-la, para a anunciar com palavras, e sentir, que estão unidos, solidários, e dinamizados
com a vida. Mas também devemos ser pessoas que pelo mesmo espírito, que sempre guiou Domingos,
sabem escutar os problemas dos homens de hoje, nosso Pai. Todos somos convidados a sermos profe-
ouvi-los, tomá los a sério. Devemos, igualmente, sa- tas da esperança e da alegria e não da desgraça. Terá
ber ler os sinais dos tempos à luz da fé, e saberemos que haver uma maior informação entre nós, para
responder aos desafios que nos são postos. Tal como que tenhamos conhecimento das actividades de cada
São Domingos, devemos ser pessoas que sabem dia- ramo, e colaborarmos mais e melhor
logar com os de dentro e fora da igreja, com pessoas Além da colaboração que já fazemos, a nível de
de diferentes culturas e religiões, em todos os conti- Família Dominicana, penso que num dos campos
nentes. A Família Dominicana é convidada e desafi- em que deveríamos trabalhar mais ainda, era na ela-
ada, a colaborarmos juntos nesta missão de pregado- boração da Revista Rosário de Maria. E Esta deveria
res. Requer que estudemos juntos, rezemos juntos, ter maior colaboração dos vários Ramos da Família
dialoguemos, que colaboremos juntos, como o faze- Dominicana, em que cada Ramo pudesse mandar
mos já, na comissão Justiça e Paz, na pastoral da Ju- noticias ou artigos, para a Revista.
ventude, na Peregrinação do Rosário, na realização
de retiros, etc. Porto, 13 de Fevereiro, dia de São Jordão de Saxonia
Frei Pedro Fernandes, op

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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

FIEIS ÀS ORIGENS E À MISSÃO DE PREGADORES


Actas, que este Capitulo Geral “convida-nos a fazer
deste Ano de celebração do Jubileu dos 800 Anos da
Ordem, e do Jubileu Extraordinário da Misericór-
dia, a primeira etapa de um caminho de renovação
da nossa vocação de pregadores.
O nosso Mestre Geral, ao aprovar as Actas do
nosso Capitulo Provincial, louva a província por se
debruçar também sobre o apostolado com os jovens,
dizendo-nos “ o Capitulo Provincial faz especial refe-
rência ao apostolado com os jovens em feliz coinci-
dência com a convocatória feita por Sua Santidade,
o Papa Francisco, para o próximo Sínodo que se
realizará em Outubro de 2018, dedicado aos Jovens,
a Fé e o discernimento vocacional; que, por sua vez,
está em sintonia com as conclusões e perspectivas do
nosso recente Congresso Jubilar para a missão. Este
apostolado com as novas gerações é parte importan-
te da nossa missão na Igreja...”O Fr. Bruno Cadoré
lembra-nos como é importante o apostolado junto
dos mais novos, que serão o futuro da Igreja.
Sim, não nos esqueçamos que o Ministério da
Como já foi anunciado, no dia 5 de Fevereiro de pregação foi entregue à nossa Ordem, desde o come-
2018 a Província Portuguesa dos Dominicanos cele- ço, numa altura em que a pregação era exclusiva dos
brou os 600 Anos da sua existência, e os 800 Anos Bispos. Somos dominicanos pela graça e misericór-
do primeiro convento em Portugal. Foi uma oportu- dia. Estando todos nós, como Famílias Dominicana,
nidade para celebrarmos esta efeméride, em Cristo ao serviço do evangelho, em união com a igreja, a
Rei, com a Família Dominicana e com muitos ami- nossa Ordem recebeu a missão de proclamar a Boa
gos, que frequentam a nossa igreja, e que se sentem Nova do Reino, proclamando que Jesus Cristo Mor-
próximos dos dominicanos, e que quiseram associar- to e Ressuscitado, é a nossa Salvação. E não há salva-
se a nós, nesta Acção de Graças, e todos tomarmos ção em nenhum outro.
consciência dos novos desafios, que hoje nos são A Missão da pregação dos dominicanos é uma
postos. obrigação.
É verdade que na Província Portuguesa somos São Paulo o afirmou referindo-se a si e à missão,
poucos, mesmo contando com os membros do Vica- que lhe fora confiada: “ Ai de mim se não evangeli-
riato de Angola. Graças a Deus, o Vicariato está a zar” ( I Cor.9,6). A evangelização é também a missão
crescer bastante, o que agradecemos ao Senhor. To- dos dominicanos, ao longo de todos estes 800 Anos.
davia, mesmo assim, não deixamos de nos interro- Todos os membros da Família Dominicana têm a
gar: Estamos a ser fieis às Origens? Estamos a seguir mesma missão: anunciar o evangelho aos homens de
as pegadas de Domingos? hoje. São Domingos o Varão Apostólico deu o
Este aniversário foi uma ocasião para reflectir- exemplo aos seus seguidores. Tal como Domingos
mos sobre as origens e a missão da Ordem domini- devemos ser homens da Palavra, que acolhemos no
cana; foi uma tomada de consciência, que fora o coração, a ela aderimos, a contemplamos, dela nos
Espírito Santo que inspirou Domingos a fundar alimentamos, para a anunciarmos aos que a desco-
uma Ordem que teria por missão a Pregação, em nhecem ainda. Não nos esqueçamos que o mundo
Ordem à Salvação. de hoje está saturado de palavras, mas talvez tenha
Já no último Capitulo Geral, celebrado em Bolo- fome da Palavra, que gera vida nova e salva
nha em Julho de 2016, foi lembrado, pelo Mestre
Geral, Bruno Cadoré, na carta da promulgação das (continua na pág.2)

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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

Passeio da Família Dominicana


21 de Abril - Aveiro

13h00 Almoço partilhado **


Tempo livre

16h00 Eucaristia
Despedida

** (no Jardim ou Salão Paroquial, dependen-


do do sol ou da chuva)

11h00 Acolhimento
(no largo, junto ao Museu de Jesus/ Sugere-se que as Comunidades e Fraternida-
Museu de Aveiro) des Leigas, se organizem por zona, para se des-
11h30 Inicio da visita guiada ao Museu locarem no meio de transporte que for mais
de Jesus favorável.
(Guia: Dr. José António Cristo)

Jornadas Provinciais dos Dominicanos


25 de Abril—Fátima
Caros irmãos e irmãs, 14,30 - Estudo de textos da Ordem sobre a
as habituais Jornadas Provinciais dos Dominica- «Formação permanente» (grupos e plenário)
nos realizam-se, este ano, no próximo dia 25 de 16,30 - Fim das Jornadas
Abril, em Fátima, com a temática da «Formação
permanente» - a qual, por interessar a todos os ra-
mos, leva a abrir as Jornadas a toda a Família Domi-
nicana.
Nesse sentido, buscando a melhor logística pos-
sível, indicamos agora o programa desse dia:

LOCAL : Casa das Irmãs DSCS, em Fátima.

10h - Acolhimento e conferência do fr.Bento Saudações em NPSD,


Domingues,op fr.José Nunes
12 - Eucaristia
NOTA: Os leigos que desejem participar deve-
13h - Almoço (é necessário cada um/uma mar- rão contactar a secretária provincial, Lurdes San-
tos, afim de se ter uma previsão do nº de partici-
car-se para o almoço junto das Irmãs; preço: 10 eu- pantes do ramo das fraternidades.
ros.)
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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

NOTÍCIAS DAS FRATERNIDADES

FRATERNIDADE DE S.DOMINGOS to de entreajuda fraterna, mesmo durante a doença,


DE ELVAS sempre de espírito aberto.
Que o Nosso Pai São Domingos te leve em seus bra-
ços e te apresente ao Pai Eterno para te possa perdoar
todas as tuas faltas e te recompense por todo o bem
que fizeste.
Vamos ter muitas saudades tuas.
Até á eternidade, Xico Penetra, descansa em paz.

Fraternidade Leiga de São Domingos de Elvas.

FRATERNIDADE
Quis o Nosso Deus e Pai, chamar a Si o nosso Ir- DA PAREDE
mão Leigo Dominicano da Fraternidade Leiga de São
Domingos de Elvas, Francisco Orlando Martinho No passado dia 17 de Março, na Fraternidade da
Penetra, op, com 72 anos de idade. O nosso irmão Parede, decorreu a eleição para o novo conselho, que
Xico Penetra, como era mais conhecido, fez a sua ad- ficou constituído pelos seguintes 5 elementos:
missão como simpatizante na Fraternidade em 12-05- Presidente: Maria de Jesus Neves
1975, a admissão em 13-11-1976, a promessa tempo- Vice-presidente: Maria de Lurdes Santos
rária em 26-10-1978 e a promessa definitiva em 27-10 Formador: Luís Manuel Santos
-1979. Secretária: Maria do Céu Alves da Silva
Durante estes anos foi secretário, e vogal por varias Administradora: Anabela Lopes Dias
vezes e responsável pela decoração da igreja, presente-
mente era acólito e estava responsável pelo jardim da Demos graças a Deus Pai por esta eleição, que S.
abside da igreja de São Domingos. Domingos de Gusmão seja luz no caminho destes
A nossa Fraternidade ficou mais pobre, pois era um elementos nos próximos 3 anos.
dos elementos com muita vivacidade e alegria em tu-
do o que fazia sempre com muita disposição e espíri- Maria de Lurdes Santos,o.p.

JOSÉ
Ensina-nos, José, a simples e difícil arte de cuidar
Que aceitemos ser guardadores em vez de donos
Disponíveis para um amor sem cálculo nem usura

Ensina-nos a beleza dos gestos essenciais


A força das coisas de nada que depois são quase tudo
O silêncio e a palavra, o tempo da presença e o riso

Ensina-nos a permanecer ao lado, sem protagonismos


A esperar que o outro dê o passo servindo-lhe de corrimão
Naquela forma de fidelidade que percebemos em Deus
José Tolentino de Mendonça
(padre , orientador do retiro quaresmal do Papa em 2018)
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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

COMPROMISSO COM A JUSTIÇA


A opção pela justiça, na Família Dominicana, inte- et Spes, n.º 21).
gra-se na realização da compaixão dominicana. A Justiça consiste na vontade de dar a Deus e ao
O compromisso com a justiça é um compromisso próximo o que lhes é devido.
obrigatório para todo o cristão em qualquer vocação Respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer,
e estado da vida cristã. nas relações humanas, a harmonia que promove a
Daí a necessidade de uma nova sensibilidade pe- equidade em relação às pessoas e ao bem comum
rante o compromisso com a justiça. (Catecismo da Igreja Católica, n.º 1807).
O desenvolvimento da Doutrina Social da Igreja e A justiça define-se e constrói-se a partir da dignida-
a urgência do compromisso cristão com a justiça tem de da pessoa humana.
a ver com as interpelações vindas de fora da Igreja. A justiça traduz, por isso, o reconhecimento, a
As críticas ao cristianismo obrigaram a teologia defesa, e a promoção da dignidade que caracteriza a
cristã a repensar o lugar da justiça na vida cristã. natureza da pessoa humana e a expressa como valor
Os evangelhos associam o Reino de Deus com a absoluto.
justiça. Em S. Tomás de Aquino, a dignidade da pessoa
“Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justi- torna-se num valor capaz de travar quaisquer compor-
ça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo” (Mateus tamentos humanos que a agridam, quer venham de
6, 33). Por conseguinte, onde está ausente a justiça, meros particulares, quer do estado contra o cidadão.
está também ausente o Reino de Deus. A injustiça é S. Paulo diz-nos: “Senhores, dai aos escravos o que
a ausência do reino de Deus. A justiça do Reino é for justo e equitativo, sabendo que também vós ten-
uma justiça nova. des um Senhor no Céu” (Col. 4, 1).
“Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não supe- “A justiça mostra-se particularmente importante
rar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no contexto atual, em que o valor da pessoa, da sua
no Reino do Céu.” (Mateus 5, 20). dignidade e dos seus direitos, a despeito das procla-
A continuação desta afirmação coloca precisamen- mações de intentos, é seriamente ameaçada pela ge-
te a reinterpretação do decálogo por parte de Jesus, neralizada tendência para recorrer exclusivamente
segundo as novas exigências do Reino de Deus, que aos critérios da utilidade e do ter”.
anuncia. “O que é justo não é originariamente determina-
A dimensão cristã e evangélica da justiça é, pois, do pela Lei, mas pela identidade profunda do ser hu-
elemento essencial e irrenunciável da vida cristã e da mano” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n.º
missão evangelizadora da Igreja. 202).
Quem pratica a justiça e luta pela causa da justiça “Embora entre os homens haja justas diferenças, a
milita pela causa de Deus, que por sua vez é a causa igual dignidade pessoal postula, no entanto, que se
da humanidade. chegue a condições de vida mais humanas e justas.
Onde reina a injustiça fracassou a criação e a hu- Com efeito, as excessivas desigualdades económi-
manidade, fracassou o plano de Deus, a vontade de cas e sociais entre os membros e povos da única famí-
Deus. lia humana provocam o escândalo, e são obstáculo à
O novo testamento associa a Justiça ao reino de justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa hu-
Deus. mana e, finalmente, à paz social e internacio-
O Reino torna-se presente na medida em que se nal” (Gaudium et Spes, N.º 29).
pratica a justiça, a justiça que se ajusta à vontade de Como cristãos e dominicanos devemos dar o nos-
Deus, a justiça que Deus quer. so testemunho do evangelho nas opções concretas
E a vontade de Deus é sempre que todos os seus que fazemos ao longo da nossa vida.
filhos e filhas tenham vida e dignidade em abundan- A vida do dia-a-dia é o primeiro lugar em que nos
cia. devemos comprometer para que reine a justiça e paz,
No dizer da Doutrina Social da Igreja, a Fé deve para desenvolver o respeito pelas pessoas e para criar
manifestar a sua fecundidade, penetrando toda a vida solidariedades.
dos fiéis, movendo-os à justiça e ao amor (Gaudium (continua na pág.7)
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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

RETIRO DA FRATERNIDADES LEIGAS DOMINICANAS


Realizou-se no passado António Caimoto, orientou as palestras que tive-
fim de semana de 2 a 4 ram como tema “Justiça e Paz”.
de Março, na casa Nossa Como é habitual, o ambiente foi muito fraterno
Senhora do Carmo, em e caloroso, sendo que o local a isso ajudou, de um
Fátima, o retiro quares- modo especial a Capela do
mal das Fraternidades Espírito Santo, onde se re-
Leigas Dominicanas. zou e celebrou .
Estiveram presentes
Na Eucaristia final, dado
membros das fraternida-
que o frei Pedro teve que
des de S. Domingos de
regressar ao Porto no sába-
Benfica, Parede, Macedo
do, tivemos a alegria de ter
de Cavaleiros, Elvas, Estremoz e Porto.
o frei Geraldes connosco.
Esteve também presente o Promotor Provincial, Cristina Busto ,o.p.
frei Pedro Fernandes que, juntamente com o José

Os caminhos são diversos e numerosos; há que que um dia em conversa me disse ter recusado patro-
descobrir a possibilidade de fazer algo para construir cinar um processo de divórcio.
um mundo melhor: Respondi qua as coisas não se podem ver sempre
- Promover a justiça social nas relações humanas; de forma tão linear.
- Colocar os problemas do nosso tempo nas nossas Concordou comigo, mas que, em matéria de di-
orações: a bíblia numa mão e o jornal na outra; vórcio, dizia às pessoas que o contactavam para esse
- Ser portador de uma esperança, de um projecto fim que procurassem outro advogado.
de justiça e de uma vida de qualidade. Dei este exemplo, não que concorde com a posi-
O convite fundamental que nos é feito é tentar ção, mas para exemplificar a influência que os valores
fazer alguns gestos para que haja um pouco menos de cristãos devem ter na nossa vida.
pobreza e de sofrimento, menos violência, menos E, para terminar com uma palavra de esperança,
discriminação sexual e étnica, menos injustiça, para faço uma citação de Dom Manuel Linda:
que a criação seja respeitada em todas as suas dimen- “E se é verdade que os cristãos nem sempre têm
sões. sabido ou querido introduzir essa esperança, também
A nossa comunidade, a nossa família e o local de é certo que, apesar de tudo, o mundo vai avançando
exercício da nossa atividade laboral é o lugar onde se e se vai generalizando a aspiração à realização dos
experimenta a justiça e onde cada um pode sentir-se grandes valores típicos do Reino de Deus, um dos
a ir mais além. quais, e certamente dos mais basilares, é a justiça.
Cada um tem de começar por si a viver as exigên- Quanto mais se acumulam os males e ameaças de
cias da justiça e vivê-la com os que lhe são mais próxi- males, tanto mais cresce a esperança. O mal existe.
mos. Mas, por vezes, a sua existência até pode possuir va-
Descendo às Fraternidades Leigas, a Fraternidade lor pedagógico: como não é possível valorizar a justi-
deve ser, para os seus membros e para aqueles que a ça que não seja observando a sua falta ou injustiça
rodeiam, uma escola de justiça. grassante, assim, no meio do mal, é que o homem é
Devemos ser coerentes entre as opções de justiça e capaz de sonhar outra possibilidade e outra realida-
a vida quotidiana, seja nas opções politicas que faze- de, portanto, de alimentar o princípio da esperança,
mos, nos relacionamentos que criamos, nos cami- certeza da oportuna instauração da justiça no tem-
nhos que seguimos, etc.. po” (Manuel da Silva Rodrigues Linda, Andragogia
As nossas opções diárias a todos os níveis da nossa Politica em Dom António Ferreira Gomes, pág. 388).
vida devem refletir os valores evangélicos.
Tive um colega e amigo católico, que já faleceu, Fátima, 1 de Dezembro de 2017
José António de Guimarães Caimoto
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Laicado Dominicano Fev.Mar.2018

DOMINGO DE PÁSCOA

Desde as primeiras horas da manhã, o repicar dos assumida no seguimento de Jesus Cristo, traz implí-
sinos nas igrejas, depois “o compasso”, a Cruz flori- cita esta possibilidade de recomeço, de renascimento
da a anunciar a Boa Nova da Ressurreição, a água- para uma vida renovada. O caminho de aperfeiçoa-
benta, a alegria irrequieta e juvenil do pequeno gru- mento cristão não se traduz, assim, numa norma de
po de acólitos que vai enchendo os bolsos de amên- conduta, num código de proibições, num conjunto
doas, a menina mais crescida, geralmente do grupo de regras do comportamento. É, isso sim, um apelo
de escuteiros, que traz a bolsa onde, em cada casa, se à liberdade, mas uma liberdade inseparável da res-
deposita o contributo dentro de um envelope. Em ponsabilidade individual (para connosco mesmos) e
cima da mesa da sala, posta a preceito com uma toa- social (para com os outros). É um desafio a vivermos
lha de linho do tempo das avós, flores a dizerem que um processo de descentração do Eu e de centração
já é Primavera, pão-de-ló e vinho fino. nos outros. Esta descentração do Eu, ou libertação
O itinerário pascal, que se inicia com a surpre- do nosso egocentrismo, não resulta da alienação da
sa do túmulo vazio (Jo.20:1-9), é um percurso nunca nossa liberdade, mas sim da radicalidade do Amor
acabado de aperfeiçoamento cristão. A Páscoa da de Cristo – “ninguém tem maior amor do que
Ressurreição, na manhã do primeiro dia da semana Aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo.15:13).
(Jo.20:1), é o ponto de partida para uma vida nova,
a partir do Amor e do perdão. A identidade cristã, José Carlos Gomes da Costa,o.p.

F i c h a T é c n i c a
Jornal bimensal Administração: Maria do Céu Silva (919506161)
Publicação Periódica nº 119112 / ISSN: 1645-443X Rua Comendador Oliveira e Carmo, 26 2º Dtº
ISSN: 1645-443X 2800– 476 Cova da Piedade
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Maria do Carmo Silva Ramos (966403075)
Os artigos publicados expressam apenas
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Colaboração: Maria da Paz Ramos