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Biologia
Biologia

Metabolismo da Vida Microscópica

Magnólia Fernandes Florêncio de Araújo Maria Celeste Melo Nunes Renata de Fátima Panosso

da Vida Microscópica Magnólia Fernandes Florêncio de Araújo Maria Celeste Melo Nunes Renata de Fátima Panosso
da Vida Microscópica Magnólia Fernandes Florêncio de Araújo Maria Celeste Melo Nunes Renata de Fátima Panosso

Metabolismo da Vida Microscópica

Magnólia Fernandes Florêncio de Araújo Maria Celeste Melo Nunes Renata de Fátima Panosso

Biologia
Biologia

Metabolismo da Vida Microscópica

2ª Edição

Celeste Melo Nunes Renata de Fátima Panosso Biologia Metabolismo da Vida Microscópica 2ª Edição Natal –

Natal – RN, 2012

Governo Federal

Presidenta da República Dilma Vana Rousseff

Vice-Presidente da República Michel Miguel Elias Temer Lulia

Ministro da Educação Aloizio Mercadante Oliva

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

Reitora Ângela Maria Paiva Cruz

Vice-Reitora Maria de Fátima Freire Melo Ximenes

Secretaria de Educação a Distância (SEDIS)

Secretária de Educação a Distância Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo

Secretária Adjunta de Educação a Distância Eugênia Maria Dantas

FICHA TÉCNICA

COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Marcos Aurélio Felipe

GESTÃO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luciana Melo de Lacerda Rosilene Alves de Paiva

PROJETO GRÁFICO

Ivana Lima

REVISÃO DE MATERIAIS Revisão de Estrutura e Linguagem Eugenio Tavares Borges Janio Gustavo Barbosa Jeremias Alves de Araújo José Correia Torres Neto Kaline Sampaio de Araújo Luciane Almeida Mascarenhas de Andrade Thalyta Mabel Nobre Barbosa

Revisão de Língua Portuguesa Camila Maria Gomes Cristinara Ferreira dos Santos Emanuelle Pereira de Lima Diniz Janaina Tomaz Capistrano Priscila Xavier de Macedo Rhena Raize Peixoto de Lima

Revisão das Normas da ABNT Verônica Pinheiro da Silva

EDITORAÇÃO DE MATERIAIS Criação e edição de imagens Adauto Harley Anderson Gomes do Nascimento Carolina Costa de Oliveira Dickson de Oliveira Tavares Heinkel Hugenin Leonardo dos Santos Feitoza Roberto Luiz Batista de Lima Rommel Figueiredo

Diagramação Ana Paula Resende Carolina Aires Mayer Davi Jose di Giacomo Koshiyama Elizabeth da Silva Ferreira Ivana Lima José Antonio Bezerra Junior Rafael Marques Garcia

Módulo matemático Joacy Guilherme de A. F. Filho

IMAGENS UTILIZADAS Acervo da UFRN www.depositphotos.com www.morguefile.com www.sxc.hu Encyclopædia Britannica, Inc.

Catalogação da publicação na fonte. Bibliotecária Verônica Pinheiro da Silva.

na fonte. Bibliotecária Verônica Pinheiro da Silva. © Copyright 2005. Todos os direitos reservados a Editora

© Copyright 2005. Todos os direitos reservados a Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – EDUFRN.

Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida sem a autorização expressa do Ministério da Educacão – MEC

Sumário

Apresentação Institucional

 

5

Aula 1

Comparando células procarióticas e células eucarióticas

 

7

Trabalhando no laboratório de Microbiologia

 

Aula 2

 

27

Aula 3

“Vendo” o invisível

 

49

Aula 4

Nutrição e crescimento microbiano

 

73

Aula 5

Obtenção de energia para a vida microbiana

 

91

 
   

Aula 6

Controlando os microrganismos

 

119

A genética dos microrganismos

 

Aula 7

 

141

   

Aula 8

As bactérias se modificam

 

159

A diversidade dos microrganismos

 

Aula 9

 

181

Aula 10

Os microrganismos auxiliam a (re)circulação da matéria no planeta

199

 

Aula 11

 

229

 

Como os microrganismos se relacionam

 

Aula 12

Os microrganismos podem ser nossos aliados!

 

253

Apresentação Institucional

A Secretaria de Educação a Distância – SEDIS da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, desde 2005, vem atuando como fomentadora, no âmbito local, das Políticas Nacionais de Educação a Distância em parceira com a Secretaria de Educação

a Distância – SEED, o Ministério da Educação – MEC e a Universidade Aberta do Brasil –

UAB/CAPES. Duas linhas de atuação têm caracterizado o esforço em EaD desta instituição: a primeira está voltada para a Formação Continuada de Professores do Ensino Básico, sendo implementados cursos de licenciatura e pós-graduação lato e stricto sensu; a segunda volta-se para a Formação de Gestores Públicos, através da oferta de bacharelados e especializações em Administração Pública e Administração Pública Municipal. Para dar suporte à oferta dos cursos de EaD, a Sedis tem disponibilizado um conjunto de meios didáticos e pedagógicos, dentre os quais se destacam os materiais impressos que são elaborados por disciplinas, utilizando linguagem e projeto gráfico para atender às necessidades de um aluno que aprende a distância. O conteúdo é elaborado por profissionais qualificados e que têm experiência relevante na área, com o apoio de uma equipe multidisciplinar. O material impresso é a referência primária para o aluno, sendo indicadas outras mídias, como videoaulas,

livros, textos, filmes, videoconferências, materiais digitais e interativos e webconferências, que possibilitam ampliar os conteúdos e a interação entre os sujeitos do processo de aprendizagem. Assim, a UFRN através da SEDIS se integra o grupo de instituições que assumiram

o desafio de contribuir com a formação desse “capital” humano e incorporou a EaD como modalidade capaz de superar as barreiras espaciais e políticas que tornaram cada vez mais seleto o acesso à graduação e à pós-graduação no Brasil. No Rio Grande do Norte, a UFRN está presente em polos presenciais de apoio localizados nas mais diferentes regiões, ofertando cursos de graduação, aperfeiçoamento, especialização e mestrado, interiorizando e tornando

o Ensino Superior uma realidade que contribui para diminuir as diferenças regionais e o

conhecimento uma possibilidade concreta para o desenvolvimento local. Nesse sentido, este material que você recebe é resultado de um investimento intelectual

e econômico assumido por diversas instituições que se comprometeram com a Educação e

com a reversão da seletividade do espaço quanto ao acesso e ao consumo do saber E REFLETE

O COMPROMISSO DA SEDIS/UFRN COM A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA como modalidade

estratégica para a melhoria dos indicadores educacionais no RN e no Brasil.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA SEDIS/UFRN

5
5

Comparando células procarióticas e células eucarióticas

Aula

1
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Apresentação

U ma vez que você já aprendeu sobre a diversidade dos organismos vivos que habitam

terra na disciplina de Biodiversidade (vegetais, animais, protozoários, algas, fungos

a

e

bactérias), vamos então aprofundar nosso conhecimento a respeito de um desses

organismos, ou melhor, microrganismos que são as bactérias. O mundo microbiano é constituído de bactérias, fungos, protozoários e algumas algas, mas as bactérias especificamente possuem uma relação muito íntima conosco, pois elas estão dentro de nós, sobre nós e em toda parte ao nosso redor. Você sabia que nosso corpo possui mais células bacterianas que as nossas próprias células?

Objetivos

Identificar e comparar as células procarióticas e eucarióticas.bacterianas que as nossas próprias células? Objetivos Reconhecer a estrutura de uma célula procariótica. Aula 1

Reconhecer a estrutura de uma célula procariótica.Objetivos Identificar e comparar as células procarióticas e eucarióticas. Aula 1 Metabolismo da Vida Microscópica 9

e eucarióticas. Reconhecer a estrutura de uma célula procariótica. Aula 1 Metabolismo da Vida Microscópica 9

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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A vida pode ser dividida em dois grandes grupos

G raças ao microscópio eletrônico, foi possível classificar todas as células vivas em dois grupos: procarioto e eucarioto. Essa ferramenta de estudo permitiu a observação de diferenças marcantes nas estruturas internas das células. O termo procarioto é

proveniente das palavras gregas pro (antes) e karyon (núcleo), e o termo eucarioto das palavras eu (verdadeiro) e karyon (núcleo), ou seja, as células eucarióticas possuem uma região interna chamada de núcleo e as procarióticas não possuem esta estrutura. Assim, as bactérias e as arquibactérias (bactérias primitivas) são seres unicelulares e procarióticos, e todos os

outros organismos vivos como vegetais, animais e ainda os protozoários, fungos e algas são eucarióticos – revise as Aulas 7 (Protistas I: Microrganismos produtores), 9 (Fungos: seres especiais), 10 (Biologia das plantas) e 13 (Diversidade animal I) da disciplina Biodiversidade.

O microscópio eletrônico foi desenvolvido em 1932 e permitiu visualizar detalhes internos das células.

foi desenvolvido em 1932 e permitiu visualizar detalhes internos das células. 10 Aula 1 Metabolismo da
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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Atividade 1
Atividade 1

Observe as figuras abaixo representativas de duas células.

Observe as figuras abaixo representativas de duas células. Você percebe diferença entre as duas? Indique que
Observe as figuras abaixo representativas de duas células. Você percebe diferença entre as duas? Indique que

Você percebe diferença entre as duas? Indique que tipo de diferenças você pode observar.

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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Como você deve ter observado, o interior de uma das células é diferente da outra. A célula eucariótica possui muitas estruturas no seu interior, enquanto a outra (procariótica) não. Pois é, as células procarióticas e eucarióticas são similares na sua constituição química, pois ambas são constituídas por carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucleicos; porém, são diferentes em algumas estruturas. Veja um resumo dessas diferenças na tabela abaixo.

Tabela 1 – Principais características que diferenciam as células procarióticas e eucarióticas

que diferenciam as células procarióticas e eucarióticas Esterol um tipo de lipídio. S é uma unidade

Esterol

um tipo de lipídio.

S

é uma unidade usada para medir a velocidade de sedimentação dos ribossomos durante a centrifugação (a letra S é em homenagem ao pesquisador Theodor Svedberg, que inventou um equipamento denominado ultracentrífuga, utilizada para estudar os ribossomos)

Características

Células procarióticas

Células eucarióticas

Membrana plasmática

Lipídios e proteínas sem esteróis

Lipídios e proteínas com esteróis

Material genético (DNA)

Um único cromossoma circular dentro do citoplasma

Vários cromossomas lineares (o número depende da espécie). Por exemplo, a espécie humana tem 46 cromossomos.

Núcleo

Ausente

Presente

Organelas (ex.: retículo endoplasmático, aparelho de Golgi, mitocôndria etc.)

Ausente

Presente

Ribossomos

Presente (70S)

Presente (80S)

Parede celular

Presente (exceto as bactérias chamadas Mycoplasmas)

Presente em vegetais e fúngicas

Reprodução

Assexuada por divisão binária

Sexuada e assexuada

A espécie humana possui 46 cromossomos.

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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula
Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula
Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula
Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula
Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula
Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora Agora que você consegue distinguir uma célula

Conhecendo uma bactéria por dentro e por fora

Agora que você consegue distinguir uma célula procariótica de uma eucariótica, vamos conhecer melhor a estrutura de uma célula procariótica através das bactérias, as quais representam uma célula procariótica típica. As bactérias são delimitadas pela membrana celular ou citoplasmática. Internamente e externamente a essa membrana, existem estruturas importantes para a sua sobrevivência, as quais estão detalhadas logo abaixo.

Por dentro

Membrana Celular: a membrana celular ou membrana plasmática das bactérias possui a mesma estrutura geral da membrana das células eucarióticas. Essa estrutura separa o meio interno (citoplasma) do meio externo. É constituída principalmente por fosfolipídios e proteínas na seguinte proporção: duas camadas de fosfolipídios com as proteínas inseridas no centro (proteínas transmembranas ou intrínsecas) ou mais frouxamente colocadas na superfície interna e externa (proteínas periféricas) da camada de fosfolipídios. Como as proteínas estão inseridas frouxamente e se movem dentro da camada de fosfolipídios, esse arranjo é chamado de mosaico fluido. A principal função da membrana celular é selecionar o que entra e sai da célula. Podemos dizer, então, que a membrana possui uma permeabilidade seletiva ou é semipermeável. Também é importante na digestão de nutrientes e na produção de energia (esse assunto será discutido na Aula 5).

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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Atividade 2
Atividade 2
Observe a figura abaixo. Glicolipídeo Glicoproteína Proteína periférica Proteína intrínseca Molécula de
Observe a figura abaixo.
Glicolipídeo
Glicoproteína
Proteína
periférica
Proteína intrínseca
Molécula de fosfolipídeo

Fonte: <www.netxplica.com>. Acesso em: 23 set. 2009.

Descreva a composição química da membrana plasmática.

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Entre no endereço eletrônico abaixo:

<http://www.territorioscuola.com/youtube/index.php?key=Plasm%C3%A1tica>.

Clique sobre o vídeo Biologia: Membrana Plasmática (Prof Toid). Descreva o que você assistiu.

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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Permeabilidade seletiva - indica que certas moléculas e íons passam através da membrana, mas outros são impedidos de passar através dela.

Internamente à membrana celular encontra-se o citoplasma. O citoplasma é composto principalmente de água e é a região onde se encontram as principais estruturas da bactéria, como o material genético (DNA), ribossomos e alguns grânulos contendo nutrientes de reserva.

Material genético bacteriano: como descrito na Tabela 1, o material genético bacteriano é constituído de uma única molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico) de forma circular, denominada cromossomo. Nessa molécula estão contidas todas as informações que vão determinar como a bactéria vai obter nutrientes, produzir energia, multiplicar-se etc. Ao contrário das células eucarióticas, o cromossoma bacteriano não está separado numa região chamada núcleo, está disperso dentro do citoplasma juntamente com outros componentes numa região denominada nucléolo. Além do cromossoma, algumas bactérias possuem uma molécula extra de DNA chamada de plasmídeo, que confere à bactéria que a possui características adicionais às que ela já possuía como, por exemplo, a capacidade de sobreviver a determinados antibióticos.

Antibióticos substâncias produzidas por alguns microrganismos com capacidade de matar outros microrganismos.

Ribossomo bacteriano: são constituídos de ácido ribonucleico (RNA) e proteína. É nessas estruturas que a bactéria sintetiza suas proteínas. As células eucarióticas também possuem ribossomas, porém, são maiores que os das bactérias. Por isso, os ribossomas procarióticos são denominados 70S e os eucarióticos 80S.

Grânulos de reserva: são locais onde as bactérias armazenam alguns nutrientes para serem usados quando estiverem escassos no ambiente. Exemplos de nutrientes armazenados:

glicogênio, amido, lipídios, enxofre.

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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Atividade 3
Atividade 3

Agora que você já reconhece uma célula procariótica e uma eucariótica, observe as Figuras (a) e (b).

a Citoplasma Membrana plasmática Complexo de Golgi Mitocôndria Núcleo Retículo endoplasmático rugoso
a
Citoplasma
Membrana
plasmática
Complexo
de Golgi
Mitocôndria
Núcleo
Retículo
endoplasmático
rugoso
Retículo
Nucléolo
endoplasmático
liso
Lisossomos
Figura a – céula animal
b 1 3 2 4 5 Figura b – célula bacteriana
b
1
3
2
4
5
Figura b – célula bacteriana

Baseado na leitura acima, indique o tipo de célula nas Figuras (a) e (b) e denomine as estruturas numeradas na Figura (b).

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Aula 1

Figura (a):

Figura (b):

Estrutura 1

Estrutura 2

Estrutura 3

Estrutura 4

Estrutura 5

Metabolismo da Vida Microscópica

E por fora

Externamente à membrana celular, as bactérias possuem um envoltório chamado de parede celular. A principal função da parede é prevenir a ruptura das bactérias quando a pressão da água dentro da célula é maior que fora dela. Por isso, essa estrutura é uma das mais importantes para a bactéria. Ela também serve para manter a forma da bactéria.

A parede é constituída por um composto químico chamado de peptidoglicano, também conhecido como mureína. O peptidoglicano é formado por dois monossacarídeos denominados N-acetilglicosamina e ácido N-acetilmurâmico, unidos por uma ligação glicosídica de forma alternada e ligados ao N-acetilmurâmico, uma cadeia de quatro aminoácidos. São formadas várias camadas dessas estruturas em volta da bactéria e cada camada está ligada uma à outra através dos aminoácidos (veja a Figura 1 a seguir).

Parede Bacteriana N-Acetilmurâmico N-Acetilglicosamina L-alanina D-ácido glutâmico L-lisina D-Alanina Figura 1
Parede Bacteriana
N-Acetilmurâmico
N-Acetilglicosamina
L-alanina
D-ácido glutâmico
L-lisina
D-Alanina
Figura 1 – Composição do peptidoglicano

Fonte: <www.educa.madrid.org>. Acesso em: 23 set. 2009.

Distinguindo as bactérias pela parede celular

De acordo com a estrutura da parede celular, as bactérias podem ser divididas em dois grupos: bactérias Gram positivas e bactérias Gram negativas.

Bactérias Gram positivas: nas bactérias chamadas Gram positivas, a parede é constituída por muitas camadas de peptidoglicano, formando uma estrutura espessa e rígida. Dentro dessa parede encontram-se inseridos dois compostos chamados ácido teicoico e lipoteicoico. Essa estrutura está relacionada com a capacidade que algumas bactérias possuem de causar doenças (veja na Figura 2 a parede celular de uma bactéria Gram positiva).

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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A parede celular das bactérias Gram positivas pode possuir até 40 camadas de peptidoglicano.

positivas pode possuir até 40 camadas de peptidoglicano. Figura 2 – Parede de uma bactéria Gram

Figura 2 – Parede de uma bactéria Gram positiva

Fonte: <www.unb.br/

Acesso em: 23 set. 2009.

A palavra Gram é uma homenagem ao pesquisador Christian Gram, que desenvolveu em 1884 uma técnica de coloração para o estudo de bactérias que é utilizada até hoje.

Bactérias Gram negativas: a parede das bactérias Gram negativas é um pouco diferente. É constituída de poucas camadas de peptidoglicano, formando uma estrutura fina; externamente ao peptidoglicano há uma membrana denominada como membrana externa (não confunda essa estrutura com a membrana celular, vista anteriormente). Na membrana externa

encontram-se inseridos proteínas e um composto denominado de lipopolissacarídeo (lipídios

e polissacarídeos) ou LPS. Essa estrutura, assim como o ácido teicoico da parede das Gram

positivas, está relacionada com a capacidade de causar doença em humanos e animais. Entre

a membrana plasmática e a membrana externa existe um espaço denominado de espaço

periplasmático, local onde a bactéria armazena várias proteínas utilizadas para várias funções, como obtenção de energia e transporte de substância para dentro da célula (veja na Figura 3

a parede celular de uma bactéria Gram negativa).

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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

LPS Porina Lipoproteínas Membrana externa Peptidoglicano Espaço periplasmático Membrana citoplasmática Figura
LPS
Porina
Lipoproteínas
Membrana externa
Peptidoglicano
Espaço periplasmático
Membrana
citoplasmática
Figura 3 – Parede de uma bactéria Gram negativa

Fonte: <www.prof2000.pt/users/biologia/tcolgram.htm>. Acesso em: 23 set. 2009.

Atividade 4
Atividade 4

Observe novamente as diferenças existentes entre a parede celular de uma bactéria Gram positiva e uma Gram negativa nas Figuras 2 e 3. Enumere as diferenças que você observou entre as duas paredes.

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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Externamente à parede, algumas bactérias podem apresentar estruturas que auxiliam sua sobrevivência, como glicocálix, flagelos e fímbrias.

Glicocálix: é um polissacarídeo que recobre a bactéria. Essa estrutura é utilizada para a bactéria se fixar em uma superfície. Se o glicocálix estiver firmemente aderido à parede, ele é chamado de cápsula, e quando está fracamente aderido é chamado de camada limosa.

A bactéria Gram positiva Streptococcus mutans fixa-se na superfície dos nossos dentes através do glicocálix. Essa bactéria é uma das responsáveis pela cárie dentária.

bactéria é uma das responsáveis pela cárie dentária. Pili é uma palavra oriunda do latim que

Pili

é uma palavra oriunda do latim que significa pelo. Pili é o plural de pilus.

Flagelo: É um filamento longo, formado de proteína, utilizado para o deslocamento da bactéria de um ambiente para outro. As bactérias podem ter um, dois ou mais flagelos.

Fímbrias ou pili: São estruturas mais curtas e mais finas que os flagelos, também de natureza proteica, utilizadas para a fixação da bactéria nas superfícies. Essa estrutura também pode ser utilizada para a bactéria fazer um contato físico com outra bactéria, à medida que os pili de uma se ligam à superfície de outra (você verá mais detalhes sobre esse assunto na Aula 8).

(você verá mais detalhes sobre esse assunto na Aula 8). Figura 4 – Célula bacteriana Fonte:

Figura 4 – Célula bacteriana

Fonte: <www.terrebonneonline.com/b2eukpro.htm>. Acesso em: 23 set. 2009.

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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Atividade 5
Atividade 5

Observe a Figura 4. Relacione as estruturas externas à parede celular.

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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As bactérias têm uma forma específica e formam grupos

Geralmente as bactérias possuem algumas formas básicas: esféricas, em forma de bastão e em espiral. Uma bactéria esférica é chamada coco e em bastão é chamada de bacilo. Existem as que possuem uma forma intermediária entre coco e bacilo, que são os cocobacilos. As que têm forma de espiral possuem uma variedade de formas curvas. Por exemplo, a bactéria que tem forma de vírgula é chamada de vibrião; em formato ondulado chama-se espirilo e as com formato de espiral são espiroquetas.

Algumas bactérias não se separam depois que se dividem. As bactérias esféricas (cocos), depois que se multiplicam, podem formar duplas (diplococos) ou cadeias (estreptococos). Podem formar ainda tétrades (4 bactérias juntas), sarcinas (8 bactérias juntas) ou apresentam- se em cachos, chamados estafilococos. Os bacilos também podem formar arranjos como duplas (diplobacilos) ou cadeias (estreptobacilos), ou ainda podem ficar de forma isolada.

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Coco Cocobacilo Vibrião Bacilo Espirilo Espiroqueta Figura 5 – As principais formas bacterianas
Coco
Cocobacilo
Vibrião
Bacilo
Espirilo
Espiroqueta
Figura 5 – As principais formas bacterianas

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Fonte: Black (2002).

a Plano de divisão Diplococos Estreptococos Tétrade Sarcinas Estafilococos
a
Plano de
divisão
Diplococos
Estreptococos
Tétrade
Sarcinas
Estafilococos
b Bacilo único Diplobacilos Estreptobacilos
b
Bacilo único
Diplobacilos
Estreptobacilos

Figura 6 – (a) Os principais arranjos dos cocos; (b) os principais arranjos dos bacilos

Fonte: Tortora, Berdell e Funke (2005).

Atividade 6
Atividade 6

Observe as principais formas e arranjos das bactérias nas Figuras 5 e 6. Tente desenhar as principais formas e arranjos dentro dos círculos abaixo.

6. Tente desenhar as principais formas e arranjos dentro dos círculos abaixo. Aula 1 Metabolismo da
6. Tente desenhar as principais formas e arranjos dentro dos círculos abaixo. Aula 1 Metabolismo da
6. Tente desenhar as principais formas e arranjos dentro dos círculos abaixo. Aula 1 Metabolismo da
6. Tente desenhar as principais formas e arranjos dentro dos círculos abaixo. Aula 1 Metabolismo da

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

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As bactérias mudam para sobreviver em ambientes hostis

Quando os nutrientes essenciais se esgotam em um determinando ambiente, algumas bactérias Gram positivas se transformam em células especializadas chamadas endósporos. É uma forma de “repouso” da célula bacteriana, ou seja, na forma de endósporo ela não metaboliza nutrientes e nem se multiplica. Estruturalmente, os endósporos são formados por uma região central denominada de cerne e camadas mais externas chamadas de córtex e capa. Essas estruturas são formadas dentro da célula e, quando esta se rompe, o endósporo é liberado no meio ambiente e pode sobreviver nessa forma por milhares de anos. A capacidade de permanecer viável por tanto tempo é porque os endósporos são resistentes ao calor, à desidratação, à acidez, à alcalinidade, a certos desinfetantes e até mesmo à radiação. Os endósporos podem germinar, ou seja, voltar a seu estado multiplicativo novamente. Isso é possível quando ocorre uma lesão física ou química no revestimento do endósporo.

Atividade 7
Atividade 7

Faça uma pesquisa na internet sobre a espécie bacteriana produtora de endósporo chamada Clostridium tetani e responda.

a) Qual a doença que essa bactéria causa?

b) Como se adquire essa bactéria?

c) Qual a função do endósporo para a bactéria?

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Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Resumo

Nesta aula, você viu que os seres vivos estão distribuídos em dois tipos de células, procarióticas e eucarióticas, e aprendeu a diferenciá-las. Você viu, também, que a maioria das bactérias se apresenta sob a forma esférica (cocos), em bastão (bacilo) ou espiralada (vibriões, espirilos e espiroquetas) e que as bactérias são classificadas em Gram positivas e Gram negativas. Entendeu que elas podem apresentar externamente estruturas como flagelos, cápsula e fímbrias, e, finalmente, compreendeu que algumas espécies de bactérias podem produzir estruturas denominadas endósporos, que capacitam a bactéria a sobreviver em ambientes desfavoráveis.

Autoavaliação

1
1

Quais são as principais diferenças entre as células procariótica e eucariótica?

2
2

Cite as principais diferenças na parede celular das bactérias Gram positivas e Gram negativas.

3
3

Cite as estruturas externas à parede celular de uma bactéria com sua respectiva função.

Referências

BLACK, J. G. Microbiologia fundamentos e perspectivas. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2002.

PELCZAR, M. J. et al. Microbiologia: conceitos e aplicações. São Paulo: Makon Books, 1996.

TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. I. Microbiologia. 8. ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2005.

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

25
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Anotações

26
26

Aula 1

Metabolismo da Vida Microscópica

Trabalhando no laboratório de Microbiologia

Aula

2
2

Apresentação

A gora que você já tem conhecimento sobre a presença dos microrganismos em

praticamente todos os ambientes, vamos, então, aprender de que forma podemos

manipular e estudar melhor esses seres vivos. Você sabia que é possível cultivarmos

uma bactéria ou um fungo no laboratório? Sim, é possível. Porém, deve ser feito em um ambiente adequado, com segurança e com equipamentos e técnicas específicas. Nesta aula, você conhecerá o laboratório de Microbiologia, ou seja, o ambiente onde podemos cultivar os microrganismos, as condutas de seguranças que devem ser tomadas para se trabalhar em um laboratório e os materiais e equipamentos necessários para a manipulação dos microrganismos com segurança.

Objetivos

1
1

Conhecer as normas de biossegurança para o laboratório de Microbiologia.

2
2

Reconhecer os materiais e equipamentos utilizados no laboratório de Microbiologia.

3
3

Executar manobras assépticas para a manipulação de microrganismos no laboratório.

manobras assépticas para a manipulação de microrganismos no laboratório. Aula 2 Metabolismo da Vida Microscópica 29

Aula 2

Metabolismo da Vida Microscópica

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Trabalhando com segurança no laboratório de Microbiologia Para a manipulação de microrganismos no laboratório, é

Trabalhando com segurança no laboratório de Microbiologia

Para a manipulação de microrganismos no laboratório, é necessário seguir algumas regras básicas para a segurança pessoal, assim como para o ambiente. Veja abaixo algumas normas que devem ser seguidas para qualquer atividade executada dentro do laboratório de Microbiologia.

Os materiais usados para a proteção pessoal são chamados de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Normas para a segurança pessoal

Usar luvas descartáveis. O uso de luvas protege o indivíduo de possíveis contaminações, caso ocorra algum acidente.

Usar jaleco (bata) abotoado de mangas compridas. Protege as roupas do indivíduo, assim como fornece uma proteção adicional ao corpo.

Usar sapato fechado.

Usar óculos de proteção. Protege os olhos de vapores e espirros de produtos químicos e biológicos.

Usar protetor facial (máscaras). Protege a face contra o impacto de partículas sólidas, líquidas, vapores etc.

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Aula 2

Metabolismo da Vida Microscópica

Gorro Óculos Máscara Bata Luvas Sapato Figura 1 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Gorro
Óculos
Máscara
Bata
Luvas
Sapato
Figura 1 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

Todos os EPIs devem ser descartáveis, exceto o jaleco e os óculos de proteção.

Normas gerais de segurança para o laboratório de Microbiologia

Desinfetar a bancada de trabalho no início e no término da atividade.

Não colocar nenhum material sobre a bancada, exceto o de trabalho.

Prender cabelos longos e retirar todos os acessórios pessoais como brincos, anéis, relógios etc.

Alimentos e bebidas não devem ser ingeridos dentro do laboratório.

Se houver acidentes, como o derramamento de microrganismos, deve ser comunicado imediatamente ao professor. O material deve ser coberto com desinfetante durante 15 minutos, e deve-se lavar bem as mãos com água e sabão.

Todo material contaminado deve ser colocado em recipientes adequados. Nunca deve ser deixado sobre a bancada.

Lavar sempre as mãos com água e sabão antes de sair do laboratório.

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Metabolismo da Vida Microscópica

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Atividade 1 Qual a importância da utilização das normas de segurança no laboratório de Microbiologia?
Atividade 1
Qual a importância da utilização das normas de segurança no laboratório de
Microbiologia?
da utilização das normas de segurança no laboratório de Microbiologia? 32 Aula 2 Metabolismo da Vida
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Aula 2

Metabolismo da Vida Microscópica

Materiais e equipamentos utilizados no laboratório de Microbiologia

Uma vez que você já aprendeu as principais regras de segurança para se trabalhar em um laboratório de Microbiologia, vamos conhecer agora os materiais e equipamentos necessários para manipularmos os microrganismos. Como sabemos, os microrganismos estão em toda parte: no solo, no ar, na água, nos alimentos, no corpo humano, nas plantas e nos animais. Isso acontece porque eles encontram nesses diferentes ambientes condições físicas e nutricionais para sobreviver e se multiplicar. Dessa forma, para podermos cultivar os microrganismos no laboratório, precisamos fornecer a eles essas mesmas condições que são encontradas nos seus ambientes naturais, ou seja, temperatura adequada, nutrientes, água etc. Vamos listar a seguir os principais materiais e equipamentos que são utilizados na rotina de um laboratório de Microbiologia.

Para o cultivo dos microrganismos

VIDRARIAS – constituem os materiais de vidro que são utilizados no laboratório de Microbiologia para os mais diversos fins. Por exemplo: tubos de ensaio, béqueres, placas de Petri, erlenmeyers, pipetas, provetas, balões etc. Vejas as fotos abaixo.

pipetas, provetas, balões etc. Vejas as fotos abaixo. Figura 2 – Becker: recipiente com ou sem

Figura 2 – Becker: recipiente com ou sem graduação, utilizado para o preparo de soluções, aquecimento de líquidos etc

para o preparo de soluções, aquecimento de líquidos etc Figura 3 – Balão de fundo chato:

Figura 3 – Balão de fundo chato: frasco destinado a armazenar líquidos

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500ml
500ml

Figura 4 – Erlenmeyer: frasco utilizado para aquecer líquidos, para preparar soluções etc

para aquecer líquidos, para preparar soluções etc Figura 5 – Placas de Petri: recipiente redondo com

Figura 5 – Placas de Petri: recipiente redondo com tampa rasa utilizado para distribuir meios de cultura

com tampa rasa utilizado para distribuir meios de cultura Figura 6 – Tubos de ensaio: utilizados
com tampa rasa utilizado para distribuir meios de cultura Figura 6 – Tubos de ensaio: utilizados

Figura 6 – Tubos de ensaio: utilizados para distribuir meios de cultura ou para efetuar reações químicas em pequena escala

Figura 7 – Proveta graduada: frasco com graduações, destinado a medidas de volumes de líquidos

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Figura 8 – Pipeta graduada: equipamento calibrado para medida precisa de volume de líquidos

Fonte: <www.casadolaboratorio.com.br/vidrar.html>. Acesso em: 23 out. 2009.

MEIO DE CULTURA – é o meio onde estão contidos os nutrientes básicos para os microrganismos se multiplicarem. Podemos dizer que é o “alimento” dos microrganismos. Os meios de cultura podem ser preparados de forma sólida, líquida e semissólida, dependendo

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Aula 2

Metabolismo da Vida Microscópica

da presença ou ausência de uma substância que solidifica o meio de cultura chamada ágar (uma espécie de gelatina), ou seja, quando o meio de cultura é sólido, ele contém cerca de 1,5 a 2% de ágar; quando é semissólido, contém em torno de 0,3 a 0,5% de ágar, e quando líquido, não contém o ágar.

Ágar é um polissacarídeo obtido de algas marinhas que se liquefaz (se torna líquido) a
Ágar é um polissacarídeo obtido de algas marinhas que se liquefaz (se torna
líquido) a uma temperatura acima de 45 °C e fica sob a forma de gel abaixo de
45 °C . Quando o meio é sólido, geralmente ele é distribuído em placas de Petri
(Figura 9) ou em tubos de ensaio; os semissólidos e líquidos são colocados em
tubos de ensaio (Figura 10). Veja as figuras abaixo.
Figura 9 – Meio de cultura em placas de Petri
Figura 10 – Meio de cultura em tubo de ensaio
Fonte: <www.mbiolog.com.br/produto.php?id=43>.
Acesso em: 27 set. 2009.

Às vezes, precisamos usar meios especiais para separar ou reconhecer um microrganismo específico quando ele se encontra misturado com outros. Para isso, usamos os chamados meios de cultura seletivos e meios de cultura diferenciais.

Meios de cultura seletivos – São meios que possuem determinadas propriedades que selecionam apenas o microrganismo desejado e impedem o crescimento de outros. Por exemplo, na nossa pele habitam várias espécies de microrganismos. Se desejar isolar e cultivar no laboratório somente uma espécie, posso passar uma haste flexível (mais conhecida como “cotonete”) na pele e semeá-lo sobre um meio de cultura seletivo para a espécie que desejo cultivar. Dessa forma, só vai crescer nesse meio aquela espécie que eu queria isolar.

Meios de cultura diferenciais – São meios que possuem propriedades na sua constituição as quais permitem observarmos características diferencias de um microrganismo específico quando esse cresce sobre o meio juntamente com outros. Se pensarmos no exemplo do item

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Metabolismo da Vida Microscópica

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anterior sobre os microrganismos da pele, o meio diferencial não inibe nenhuma espécie, mas separa o microrganismo desejado por alguma característica diferencial que ele apresente nesse tipo de meio, como, por exemplo, a cor, a forma etc.

Observação: será marcado um dia no seu polo para revermos esse assunto, oportunidade em que você poderá conhecer diferentes tipos de meios de cultura.

Como se preparam os meios de cultura no laboratório?

Os meios de cultura são encontrados de forma desidratada (em forma de pó) em lojas específicas para materiais de laboratório. Uma quantidade desejada é retirada do frasco (depende da quantidade de meio que você deseja preparar), hidrata-se com água destilada, esteriliza-se para eliminar qualquer organismo contaminante e depois se distribui em placas de Petri ou tubos de ensaio. Veja abaixo a sequência de algumas etapas durante o preparo de um meio de cultura.

de algumas etapas durante o preparo de um meio de cultura. 36 Aula 2 Figura 11
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Aula 2

Figura 11 – Sequência de preparo de um meio de cultura

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Fonte: <www.e-escola.pt/topico.asp?id=275>. Acesso em: 22 set. 2009.

Água destilada é uma água sem impurezas, ou seja, contém somente moléculas de água.

Atividade experimental 1
Atividade experimental 1

Prepare um meio de cultura

Passo 1 – Tente conseguir os seguintes materiais: um tablete de caldo de carne, um pacote de gelatina incolor, 2 copos de água, tampas de pote de café ou margarina, cotonetes.

Passo 2 – Forma de preparar o meio de cultura

Dissolva a gelatina incolor na água conforme as instruções do pacote.

Dissolva o tablete de caldo de carne em um copo de água morna.

Agora, misture a gelatina dissolvida com o caldo de carne.

Distribua dentro de recipientes rasos como uma tampa de pote de café ou tampa de margarina, cobrindo o fundo do recipiente com uma camada rasa do meio.

Cubra as tampas contendo o meio de cultura com um pedaço de plástico e deixe descansar por algumas horas.

Passo 3 – Contaminação do meio de cultura

Passe um cotonete no chão e depois esfregue-o levemente sobre a camada de um dos meios de cultura que você preparou.

Passe outro cotonete do lado de dentro da sua bochecha e contamine outra tampa contendo meio de cultura.

Toque os 5 dedos da sua mão sobre o meio de cultura.

Cubra novamente os meios e guarde por 1 ou 2 dias.

Após esse tempo, abra os meios e descreva o que você observou.

Aula 2

Metabolismo da Vida Microscópica

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Observação – Você pode tentar outras formas de contaminar o meio de cultura. Por exemplo:

tente passar um fio do seu cabelo sobre o meio, tente passar o cotonete na sua mesa, na maçaneta da porta do seu banheiro ou entre os dedos do seu pé. Use a sua imaginação e faça outras experiências.

Importante: DESCARTE AS PLACAS CONTAMINADAS! Após você ter executado essa atividade é importante descartar os meios de cultura contaminados de forma segura. Então, proceda da seguinte forma: coloque os recipientes contendo os meios contaminados dentro de um saco plástico reforçado e que não esteja furado, adicione um pouco de água sanitária sobre os meios e amarre a boca do saco bem forte. Leve o saco até uma lixeira onde ele possa ser recolhido pela companhia de lixo da sua cidade.

ESTUFA – É um equipamento elétrico que fornece a temperatura ideal para a multiplicação do microrganismo. É semelhante a um forno elétrico; porém, na estufa existe um dispositivo onde podemos controlar a temperatura desejada. Para cultivarmos um microrganismo em um meio de cultura, é necessário incubá-lo em uma temperatura apropriada ao seu desenvolvimento. Veja a Figura 12 a seguir.

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Aula 2

ao seu desenvolvimento. Veja a Figura 12 a seguir. 38 Aula 2 Metabolismo da Vida Microscópica

Metabolismo da Vida Microscópica

Figura 12 – Estufa bacteriológica

Você pode construir uma estufa de incubação! Você pode improvisar uma estufa usando uma caixa
Você pode construir uma estufa de incubação!
Você pode improvisar uma estufa usando uma caixa de papelão e uma lâmpada
de 40 ou 60 Watts, como a da figura a seguir.
Figura 13 – Caixa de papelão com lâmpada
Fonte:<http://revistaescola.abril.com.br/ciencias/pratica-pedagogica/
como-ensinar-microbiologia-426117.shtml>. Acesso em: 28 out. 2009.
Observação – caso você tenha disponibilidade de construir a estufa como a da
Figura 13, você pode utilizá-la para incubar os meios que você contaminou na
Atividade Experimental 1, ao invés de incubar à temperatura ambiente.

CÂMARA DE FLUXO LAMINAR – Cabine estéril para a manipulação de microrganismos sem contaminar com os microrganismos do ambiente. Esse equipamento possui uma lâmpada ultravioleta que mata os microrganismos contaminantes de dentro da cabine e um filtro especial que filtra o ar que circula dentro dessa cabine, deixando-a totalmente livre de qualquer microrganismo. Veja as Figuras 14 e 15.

livre de qualquer microrganismo. Veja as Figuras 14 e 15. Figura 14 – Câmara de fluxo

Figura 14 – Câmara de fluxo laminar

as Figuras 14 e 15. Figura 14 – Câmara de fluxo laminar Figura 15 – Técnico

Figura 15 – Técnico trabalhando na câmara de fluxo laminar

Fonte: <www.lupe.com.br/br/mostra_produtos.php?id=93>. Acesso em: 27 set. 2009.

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CÂMARA ASSÉPTICA – É um pequeno quarto fechado com uma lâmpada ultravioleta e uma bancada onde é instalado um bico de Bunsen. A área em volta da chama do bico de Bunsen (Figura 16) fornece uma área chamada de “área de segurança”, onde se pode manipular materiais estéreis sem contaminá-los com microrganismos do ambiente.

estéreis sem contaminá-los com microrganismos do ambiente. Figura 16 – Bico de Bunsen: equipamento ligado a

Figura 16 – Bico de Bunsen: equipamento ligado a um botijão de gás que gera uma área de calor em volta da chama, o que impede a entrada de microrganismos provenientes do ambiente

Fonte: <http://www.vetfacil.com/_/rsrc/1250170894255/Home/microbiologia-1/

Microbiologia-Veterinaria/laboratorio-de-microbiologia/equipamentos/bico-de-

bunsen/Bico%20de%20Bunsen.jpg>. Acesso em: 19 set. 2009.

Você pode improvisar uma câmara asséptica! Abra uma caixa de papelão e retire a tampa.
Você pode improvisar uma câmara asséptica!
Abra uma caixa de papelão e retire a tampa. Coloque a caixa deitada sobre uma
bancada e use uma lamparina ao invés do um bico de Bunsen (Figura 17). Se
você tiver como improvisar uma câmara asséptica como a da Figura 17, você
pode usá-la para distribuir nos recipientes o meio de cultura que você preparou na
Atividade experimental 1. O uso de um ambiente asséptico durante a manipulação
do seu meio de cultura evitará a contaminação com microrganismos do ambiente.
Figura 17 – Câmara asséptica improvisada
Fonte: Laboratório de Bacteriologia (UFRN).
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Atividade 2 Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=312&ordem=2>. Clique na seta para
Atividade 2
Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=312&ordem=2>.
Clique na seta para iniciar a animação e assista.
Cite os materiais utilizados no laboratório de Microbiologia que você observou
na animação.

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Para a esterilização de materiais

AUTOCLAVE – Equipamento elétrico que fornece calor (na forma de vapor) sob pressão e produz uma temperatura mínima de 121°C. A pressão interna é maior que a pressão atmosférica e esse aumento da pressão faz a água entrar em ebulição, a uma temperatura acima de 100°C. No interior da autoclave, na parte inferior, coloca-se água, e logo acima um cesto ou tabuleiro com o material a esterilizar. O tempo de esterilização pode variar de 15 a 30 minutos.

de esterilização pode variar de 15 a 30 minutos . Figura 18 – Autoclave Fonte:

Figura 18 – Autoclave

Fonte: <www.ciencor.com.br/catalogo/paginas/autoclave.htm>. Acesso em:7 out. 2009.

ESTUFA DE ESTERILIZAÇÃO – Diferentemente da autoclave, a estufa de esterilização utiliza calor seco. O calor seco possui um poder de penetração nos materiais menor do que o calor úmido (usado na autoclave) e, dessa forma, é necessário utilizar tempo e temperatura maiores do que na autoclave. Por exemplo, para esterilizar metais, usa-se a temperatura de 160°C por 2 horas.

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42

Aula 2

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por 2 horas . 42 Aula 2 Metabolismo da Vida Microscópica Figura 19 – Estufa de

Figura 19 – Estufa de esterilização

Fonte: <http://br.geocities.com/equipamentosodontolgicos/ estufa.htm>. Acesso em: 16 out. 2009 .

Figura 20 – Estufa de esterilização aberta contendo materiais para esterilizar Fonte:

Figura 20 – Estufa de esterilização aberta contendo materiais para esterilizar

Fonte: <www.estg.ipleiria.pt/website/dep.php?id=321378>. Acesso em: 16 out. 2009.

Para transferência de microrganismos

A transferência de um microrganismo para um meio de cultura é chamada de repique, semeadura ou inoculação. Geralmente, usamos para isso alça (Figura 21) ou agulha (Figura 22) bacteriológica. São constituídas por um filamento de platina ou de níquel-cromo inserido em um cabo.

de platina ou de níquel-cromo inserido em um cabo. F i g u r a 2

Figura 21 Alça bacteriológica

Fonte: Laboratório de Bacteriologia (UFRN).

Figura 22 – Agulha bacteriológica

Fonte: Laboratório de Bacteriologia (UFRN).

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43
Atividade 3 Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=310&ordem=2> Clique na seta para
Atividade 3
Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=310&ordem=2>
Clique na seta para iniciar a animação e observe a semeadura de um microrganismo
em um meio de cultura.
Cite o instrumental que foi utilizado para a semeadura do microrganismo no
meio de cultura.
para a semeadura do microrganismo no meio de cultura. Flambagem Método usado para esterilizar alças e

Flambagem

Método usado para esterilizar alças e agulhas bacteriológicas, deixando-as dentro da chama do bico de Bunsen até ficarem rubras.

Manobras assépticas para a manipulação de microrganismos

Além dos vários materiais e equipamentos que você conheceu, utilizados para a manipulação de microrganismos no laboratório de Microbiologia, é necessário conhecer ainda a forma adequada de manipulá-los para que o material que você está trabalhando não seja contaminado com os microrganismos do ambiente ou até com a sua própria pele. Para isso, utilizamos alguns cuidados, os quais são chamados de “manobras assépticas”.

1)

Trabalhar em áreas previamente submetidas à limpeza e desinfecção.

2)

Trabalhar dentro da “área de segurança” do bico de Bunsen, ou seja, os recipientes estéreis só devem ser manipulados próximo à chama do bico.

3)

Esterilizar por flambagem a alça e agulha antes e após cada inoculação.

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4)

Deixar esfriar alça e agulha antes de obter o inóculo, dentro da área de segurança.

5)

Flamblar rapidamente a boca dos tubos contendo microrganismos ou meio estéril, imediatamente após abri-los, ou antes de fechá-los. A tampa nunca deverá ser colocada sobre a bancada, sendo retirada e mantida segura pelo dedo mínimo da mão durante a inoculação.

a b c d e
a
b
c
d
e

Figura 23 – Sequência de manobras assépticas ao manipular microrganismos: a) esterilização da alça bacteriológica por flambagem na chama do bico de Bunsen; b) abertura da tampa do tubo de ensaio; c) flambagem da boca do tubo de ensaio; d) retirada do microrganismo com a alça bacteriológica; e) fechamento do tubo de ensaio.

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Atividade 4 Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=312&ordem=2>. Clique na seta para
Atividade 4
Acesse o endereço eletrônico <www.e-escola.pt/topico.asp?id=312&ordem=2>.
Clique na seta para ver a animação.
Cite as manobras assépticas que você observou na animação.
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Resumo

Nesta aula, você ficou sabendo que é possível cultivarmos um microrganismo

fora do seu habitat natural, ou seja, no laboratório. Para isso, basta fornecermos

a esse microrganismo condições semelhantes a que ele tinha no seu ambiente

natural, como nutrientes e temperatura adequados. Você viu, ainda, que embora sejam necessários alguns equipamentos específicos para cultivarmos os microrganismos, é possível improvisarmos utilizando materiais simples e um pouco de criatividade. Você aprendeu, também, que para se manipular os microrganismos com segurança no laboratório, é necessário seguirmos algumas normas de biossegurança e algumas manobras assépticas, principalmente para

evitar que a pessoa que está manipulando o microrganismo se contamine ou que

o ambiente venha contaminar o material com o qual se está trabalhando.

Autoavaliação

1
1

Cite as principais normas de segurança utilizadas no laboratório de Microbiologia.

2
2

Defina meio de cultura.

3
3

Defina o termo “área de segurança” do bico de Bunsen e diga qual é a sua utilização.

4
4

Por que é importante a utilização de manobras assépticas na manipulação de microrganismos?

Referências

OKURA, M. H.; RENDE, J. C. Microbiologia roteiros de aulas práticas. Riberão Preto: Editora Tecmedd, 2008.

SILVA FILHO, G. N.; OLIVEIRA, V. L. Microbiologia manual de aulas práticas. 2. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2007.

VERMELHO, A. B. et al. Práticas de microbiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

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Anotações

48
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“Vendo” o invisível

Aula

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3

Apresentação

O s microrganismos são chamados dessa forma porque são tão pequenos que não podem ser visualizados ao olho humano. Uma bactéria, por exemplo, mede entre 0,5 e 2 micrômetros (µµmm). Porém, existem várias estratégias para nos possibilitar

a visualização dos microrganismos, como por exemplo, o uso de corantes para corar os microrganismos e a utilização de lentes de aumento como as dos microscópios. Nesta aula, você conhecerá várias dessas estratégias que possibilitam a visualização dos microrganismos.

que possibilitam a visualização dos microrganismos. 1 µ µm m Milionésima parte do milímetro. Objetivos 1

1 µµmm

Milionésima parte do milímetro.

Objetivos

1
1

Comparar as colorações simples e diferenciais.

2
2

Listar as etapas na preparação da coloração de Gram, descrevendo o aspecto das células Gram-positivas e Gram-negativas após cada etapa.

3
3

Comparar e contrastar a coloração de Gram e a coloração de Ziehl-Neelsen.

Comparar e contrastar a coloração de Gram e a coloração de Ziehl-Neelsen. Aula 3 Metabolismo da

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Preparando os microrganismos para a visualização

Embora as lentes dos microscópios possibilitem a visualização dos microrganismos,

dependendo do que se deseja observar, é necessário criar um contraste entre o microrganismo que será observado e o plano de fundo, pois a maioria dos microrganismos é quase incolor quando observados através de um microscópio óptico padrão. Esse contraste é conseguido através de colorações em que o microrganismo é submetido antes de ser observado ao microscópio. Outro aspecto importante na preparação dos microrganismos para a visualização

é a qualidade do preparo do material a ser visualizado. Por exemplo, é necessário ter um

cuidado especial com a limpeza das lâminas de vidro onde será depositado o microrganismo para visualização. Veja a seguir como se prepara as lâminas de vidro.

Preparo das lâminas de vidro: as lâminas devem estar completamente livres de gordura, e para isso devem ser lavadas com água e sabão, enxaguadas exaustivamente em água e deixadas em um recipiente com etanol a 95%. Antes da utilização, as lâminas devem ser retiradas do recipiente com uma pinça e secas com papel-toalha ou pano bem macio que não solte fiapos.

De uma forma geral, as células microbianas podem ser examinadas a fresco (microrganismo vivo) ou fixadas sobre uma lâmina de vidro (microrganismo morto), dependendo do que se deseja examinar.

Observando o microrganismo vivo

As técnicas de observação do microrganismo vivo é bastante útil para observar a viabilidade do microrganismo e algumas atividades celulares, como a motilidade e a divisão

celular, uma vez que o microrganismo está vivo. E, ainda, possibilita a observação do tamanho

e da forma natural das células microbianas. Veja abaixo como se prepara um exame a fresco, no qual o microrganismo é observado vivo.

exame a fresco, no qual o microrganismo é observado vivo. Cultura microbiana Crescimento de um microrganismo

Cultura microbiana

Crescimento de um microrganismo em um meio de cultura.

Exame a fresco

O exame a fresco consiste na deposição de uma gota de cultura microbiana entre uma lâmina e uma lamínula de microscópio. A visualização microscópica a fresco é difícil devido ao tamanho reduzido dos microrganismos e ao fato de parecerem translúcidos, quando suspensos em um meio aquoso. Porém, é bastante útil para observar a viabilidade do microrganismo.

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Nas preparações a fresco, podem-se utilizar corantes para facilitar a visualização. Veja na Figura 1
Nas preparações a fresco, podem-se utilizar corantes para facilitar a visualização. Veja na Figura 1
o esquema de uma preparação a fresco.
Alça
Bacteriológica
Lamínula
Lâmina
Cultura Microbiana
Cultura Microbiana

Figura 1 – Preparo de uma lâmina para observação a fresco

Fonte: <www.prof2000.pt/users/biologia/ptemporarias.htm>. Acesso em: 23 nov. 2009.

Atividade 1
Atividade 1

Observando microrganismos vivos

Observação – Antes de iniciar essa atividade experimental, faça uma revisão a respeito das normas de segurança e das manobras assépticas na Aula 2, “Trabalhando no Laboratório de Microbiologia”. As Atividades 1, 5 e 6 desta aula são experimentais e devem ser realizadas no seu polo de ensino.

Objetivo:

Preparar lâminas para observação a fresco.

Materiais:

»

Lâminas de microscópio;

»

Lamínulas;

»

Cultura da espécie bacteriana Escherichia coli em meio líquido;

»

Microscópios.

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53

Procedimentos:

1)

Flambe até ficar vermelha uma alça bacteriológica na chama de uma lamparina e deixe-a esfriar próximo à chama.

2)

Abra o tubo de ensaio contendo a cultura bacteriana próximo à chama, retire uma alçada da cultura, deposite no centro da lâmina e então feche o tubo de ensaio; em seguida, flambe a alça novamente antes de guardá-la.

3)

Cubra a gota da cultura com uma lamínula.

4)

Leve a lâmina até o microscópio e observe na objetiva de 40X.

5)

Tente fazer um desenho dentro do círculo do que você observou na sua lâmina.

dentro do círculo do que você observou na sua lâmina. Colorindo os microrganismos O uso de

Colorindo os microrganismos

O uso de corantes para corar os microrganismos é uma estratégia bastante útil, pois faz com que eles se destaquem contra seus planos de fundo, otimizando sua observação.

Tipos de corantes

Em Microbiologia, os corantes mais utilizados são os corantes catiônicos (positivamente carregados) ou básicos e os aniônicos (negativamente carregados) ou acídicos. Os corantes básicos, tais como o azul de metileno, o cristal violeta, a safranina e o verde de malaquita são atraídos pelos componentes celulares que são negativamente carregados como, por exemplo, a membrana plasmática. Já os corantes acídicos como a eosina e o ácido pícrico são repelidos pela carga negativa da superfície dos microrganismos. Nesse caso, o microrganismo não é corado e o corante fica depositado somente na lâmina.

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Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

Atividade 2 Cite as duas categorias de corantes mais utilizados para corar microrganismos e diga
Atividade 2
Cite as duas categorias de corantes mais utilizados para corar microrganismos
e diga o que caracteriza cada tipo.

Tipos de coloração

Em Microbiologia, são utilizados 2 tipos principais de coloração: a coloração simples e a diferencial. Veja abaixo a definição de coloração simples e, mais à frente, a definição de coloração diferenciada.

Coloração simples – utiliza apenas um único corante e revela os formatos básicos das células e seus arranjos (revise sobre as formas e os arranjos bacterianos citados na Aula 1, comparando células procarióticas e células eucarióticas). Alguns dos corantes mais utilizados nesse tipo de coloração são azul de metileno, safranina e o cristal violeta. Esse tipo de coloração pode ser positiva ou negativa.

Coloração simples positiva – Usa-se um corante básico (carregado positivamente), o qual vai impregnar a superfície celular da célula (carregada negativamente). É útil para se constatar a presença de microrganismos em alguma amostra ou substrato. Acompanhe os passos dessa técnica na Figura 2.

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c
c

Figura 2 – Coloração simples positiva. a) Adicionar o corante sobre a lâmina contendo uma alçada de cultura; b) lavar a lâmina com água; c) secar a lâmina com papel toalha

Fonte: Vermelho et al (2006).

Observe na Figura 3 a visualização microscópica do parasita Trypanosoma cruzi corado pelo método da coloração positiva.

cruzi corado pelo método da coloração positiva. Figura 3 – Trypanosoma cruzi corado pelo método da

Figura 3 – Trypanosoma cruzi corado pelo método da coloração positiva

Fonte: Vermelho et al (2006).

Coloração simples negativa usa-se um corante acídico (carregado negativamente), o qual é repelido pelas cargas negativas da superfície da célula. O fundo da lâmina é corado e o microrganismo não, aparecendo mais claro, dando a ideia de um negativo fotográfico. Esse tipo de coloração é muito utilizado para a demonstração das cápsulas bacterianas (revise sobre esta estrutura bacteriana citada na Aula 1). Acompanhe os passos dessa técnica na Figura 4.

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a
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c
b
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d
d

Figura 4 – Coloração simples negativa. a) Adicionar o corante sobre uma das extremidades da lâmina; b) adicionar uma alçada da cultura microbiana sobre o corante; c) colocar uma outra lâmina sobre a cultura e o corante e deixar que o material se espalhe na extremidade da lâmina inclinada; d) deslizar a lâmina inclinada sobre a outra lâmina, espalhando a cultura e o corante de maneira uniforme

Fonte: Vermelho et al (2006)

Observe na Figura 5 a visualização microscópica da cápsula bacteriana corada pelo método da coloração negativa.

bacteriana corada pelo método da coloração negativa. Figura 5 – Cápsula bacteriana corada através da

Figura 5 – Cápsula bacteriana corada através da técnica da coloração negativa

Fonte: <pathmicro.med.sc.edu/Portuguese/chapter_1_bp.htm>. Acesso em: 23 nov. 2009.

Aula 3

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Observando o microrganismo fixo em uma lâmina (morto) Para a observação do microrganismo fixado em

Observando o microrganismo fixo em uma lâmina (morto)

Para a observação do microrganismo fixado em lâmina é necessário o preparo do esfregaço, ou seja, fixar o microrganismo na lâmina de vidro. É nesse momento que os microrganismos são mortos. Veja abaixo como se prepara um esfregaço a partir de uma cultura líquida e de uma sólida.

Esfregaço a partir de uma cultura em meio líquido – com o auxílio de uma alça bacteriológica, retira-se uma ou duas alçadas da cultura líquida e deposita-se sobre o centro de uma lâmina de vidro. É necessário espalhar a cultura ao longo da extensão da lâmina com movimentos circulares.

Esfregaço a partir de uma cultura em meio sólido – Coloca-se previamente 1 a 2 gotas de solução fisiológica estéril sobre a lâmina de vidro e, então, se adiciona uma porção da cultura retirada do meio sólido com o auxílio de uma alça bacteriológica, espalhando o material ao longo da extensão da lâmina.

Fixação do esfregaço pelo calor – Deixe que o material depositado na lâmina seque ao ar totalmente antes de proceder com a fixação. A fixação pelo calor consiste em passar a lâmina contendo o esfregaço 3 vezes sobre a chama do bico de Bunsen ou lamparina. A fixação do esfregaço vai impedir que os microrganismos depositados sobre a lâmina sejam removidos, quando submetidos ao processo de coloração. Veja na Figura 6 a preparação de um esfregaço a partir de uma cultura líquida e de um meio sólido.

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Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

Meio Líquido a
Meio Líquido
a
b
b
c Fixação
c
Fixação
Meio Sólido d
Meio Sólido
d
e
e
f Fixação
f
Fixação

Figura 6 – Preparo do esfregaço para coloração. a e d) Adicionar as células bacterianas sobre o centro da lâmina (quando as células forem provenientes de meio sólido, adicionar antes uma gota de solução fisiológica estéril); b e e) espalhar o material depositado com a alça bacteriológica; c e f) fixação do esfregaço através da chama do bico de Bunsen

Fonte: Vermelho et al (2006).

Atividade 3 Qual é a diferença na realização de um esfregaço a partir de uma
Atividade 3
Qual é a diferença na realização de um esfregaço a partir de uma cultura líquida
e de uma cultura sólida? Qual é a finalidade da fixação do esfregaço?

Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

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Coloração diferencial – utiliza dois ou mais corantes e diferencia dois tipos de organismos. As colorações diferenciais mais comuns são a coloração de Gram e a de Ziehl-Neelsen.

Atividade 4 Revise a Aula 1 a respeito da estrutura da parede celular das bactérias
Atividade 4
Revise a Aula 1 a respeito da estrutura da parede celular das bactérias Gram
positivas e Gram negativas e, após a revisão, descreva as diferenças existentes
entre a parede celular desses dois tipos de bactérias.

Agora que você já relembrou a estrutura da parede celular das bactérias, podemos então estudar a técnica de coloração de Gram e a de Ziehl-Neelsen.

Coloração de Gram – essa técnica de coloração recebeu essa denominação em homenagem ao médico dinamarquês Hans Christian Gram, que desenvolveu esse método em 1884. Essa coloração separa as bactérias em 2 grandes grupos: as bactérias Gram positivas e as Gram negativas. Esse método de coloração é o método de escolha para a identificação de bactérias.

o método de escolha para a identificação de bactérias. Mordente É uma substância que forma um

Mordente

É uma substância que forma um complexo insolúvel quando se liga ao corante

A coloração de Gram consiste em submeter um esfregaço preparado como descrito no texto acima e submetê-lo a 4 reagentes: um corante básico, o cristal violeta; uma solução de iodo e iodeto de potássio (lugol); álcool a 95%; e um segundo corante que pode ser a fucsina ou a safranina. O cristal violeta cora as células de roxo; o lugol liga-se ao cristal violeta, formando um complexo insolúvel (por isso é chamado de mordente); o álcool descora somente alguns tipos de célula e estas células que se descoram são coradas com o segundo corante usado na técnica, que pode ser a fucsina ou a safranina. As bactérias Gram positivas se coram de roxo no fim da coloração e as Gram negativas ficam rosa.

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Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

Essa diferença é em função das diferenças existentes entre a parede celular das bactérias Gram positivas e das Gram negativas. As Gram positivas têm a parede celular mais espessa e, portanto, são mais difíceis de serem descoradas pelo o álcool, e as Gram negativas, como têm uma parede mais delgada, são mais facilmente descoradas quando são lavadas pelo álcool durante o processo de coloração. Lembre-se que você aprendeu as diferenças entre esses dois grupos de bactérias na Aula 1. Observe os reagentes usados nessa coloração na Figura 7 e as etapas da técnica na Figura 8.

coloração na Figura 7 e as etapas da técnica na Figura 8. Figura 7 – Reagentes

Figura 7 – Reagentes da coloração de Gram

Fonte: Laboratório de Bacteriologia – UFRN Violeta de genciana Iodo Álcool Safranina 1 Aplicação de
Fonte: Laboratório de Bacteriologia – UFRN
Violeta
de genciana
Iodo
Álcool
Safranina
1 Aplicação de
violeta de genciana
(corante púrpura)
2 Aplicação de iodo
(mordente)
3 Lavagem com
4 Aplicação de
álcool
safranina
(descoloração)
(contracorante)

Figura 8 – Técnica da coloração de Gram

Fonte: Tortora et al (2005).

Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

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61

Observe na Figura 9 a visualização microscópica de uma bactéria Gram positiva e na Figura 10 uma bactéria Gram negativa após serem coradas pela técnica de coloração de Gram.

após serem coradas pela técnica de coloração de Gram. Figura 9 – Bactéria Gram positiva após

Figura 9 – Bactéria Gram positiva após técnica de coloração de Gram

Fonte: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/08/ Staphylococcus_aureus_Gram.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2009.

Acesso em : 23 nov. 2009. Figura 10 – Bactéria Gram negativa após técnica de

Figura 10 – Bactéria Gram negativa após técnica de coloração de Gram

Fonte: <http://images.suite101.com/180490_e.coli.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2009.

Atividade 5
Atividade 5

Coloração de Gram

Objetivos:

Preparar um esfregaço a partir de uma cultura bacteriana líquida.

Corar o esfregaço através da técnica de coloração de Gram.

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Metabolismo da Vida Microscópica

Materiais:

»

Tubos de ensaio contendo uma suspensão bacteriana (cultura em meio líquido);

»

Lâminas de vidro;

»

Reagentes para a coloração de Gram;

»

Alças bacteriológicas;

»

Óleo de imersão;

»

Microscópios ópticos.

Procedimentos:

Etapa 1 - Preparação do esfregaço

1)

Identifique o lado da lâmina em que você vai depositar a cultura fazendo uma marca com lápis grafite sobre a extremidade fosca da lâmina;

2)

Coloque a lâmina no suporte apropriado que está sobre sua bancada;

3)

Colete uma alçada ou mais da suspensão bacteriana e espalhe bem sobre a superfície da lâmina com a própria alça bacteriológica;

4)

Deixe o material secar sobre a lâmina, deixando-a próximo da chama do bico de Bunsen;

5)

Passe a lâmina 2 a 3 vezes através da chama do bico de Bunsen para fixar o material sobre a lâmina.

Etapa 2- Coloração de Gram

1)

Cubra o esfregaço com cristal violeta e deixe agir durante 1 minuto;

2)

Despreze o excesso de corante no depósito apropriado e adicione lugol e deixe agir por 1 minuto;

3)

Lave com água;

4)

Lave rapidamente com álcool (cerca de 20 segundos);

5)

Lave com água;

6)

Cubra a lâmina com fucsina e deixe agir por 30 segundos;

7)

Lave com água;

Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

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63

8)

9)

Deixe a lâmina secando ao ar ou seque-a com papel toalha;

Pingue uma gota de óleo de imersão sobre o esfregaço corado e observe ao microscópio óptico utilizando a objetiva de 100×;

10)

Faça um desenho dentro do círculo do que você observou na sua lâmina e depois responda às perguntas a seguir.

na sua lâmina e depois responda às perguntas a seguir. 1 A bactéria que você corou
1
1

A bactéria que você corou é Gram positiva ou Gram negativa? Justifique sua resposta.

2
2

Qual é a forma da bactéria que você observou?

3
3

Acesse o endereço eletrônico <http://vudat.msu.edu/gram_stain>. Clique em “Gram Stain Technique” e faça a coloração de Gram de forma virtual.

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Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

Coloração de Ziehl-Neelsen

Esta técnica é utilizada para identificar bactérias do gênero Mycobacterium, como por exemplo as espécies Mycobacterium tuberculosis, agentes causadores da tuberculose, e

a Mycobacterium leprae, que causa a doença conhecida como lepra ou Hanseníase. Esse

gênero bacteriano possui parede celular diferente das bactérias Gram positivas e Gram negativas; assim, a técnica de coloração de Gram não é adequada para corá-las. A parede das micobactérias possui uma espessa camada de lipídeos que evita a penetração de diversos corantes; porém, uma vez coradas, resistem fortemente à descoloração, mesmo com soluções ácidas e álcool absoluto. Por essa característica, essas bactérias são chamadas de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR).

A coloração de Ziehl-Neelsen consiste na aplicação do corante fucsina fenicada (solução

de fucsina e fenol) sobre o esfregaço e aquecê-lo (esse aquecimento do esfregaço permite

a entrada da fucsina através da parede da célula). Em seguida, o esfregaço é lavado com

uma solução de álcool-ácido (etanol e ácido clorídrico a 3%) e então é submetido a outro corante, normalmente, azul de metileno. Após a realização da técnica, as bactérias que forem álcool-ácido resistentes (AAR) não se descoram com a solução de álcool-ácido e permanecem coradas de vermelho (cor da fucsina), e as que não forem AAR se descoram e, depois, se coram de azul (cor do azul de metileno).

Veja na Figura 11 os reagentes usados nessa técnica de coloração, na Figura 12 os passos da técnica e, na Figura 13, a visualização microscópica de bactérias AAR após serem submetidas à coloração de Ziehl-Neelsen.

AAR após serem submetidas à coloração de Ziehl-Neelsen. Figura 11 – Reagentes utilizados na coloração de

Figura 11 – Reagentes utilizados na coloração de Ziehl-Neelsen

Fonte: Laboratório de Bacteriologia – UFRN

Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

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a Placa aquecedora
a
Placa aquecedora
d
d
b
b
e
e
g
g
c
c
f
f

Figura 12 – Coloração de Ziehl-Neelsen. a) Adição da fucsina sobre o esfregaço e aquecimento em uma placa aquecedora; b) lavagem do esfregaço com água; c) adição da solução de álcool-ácido; d) lavagem com água; e) adição do azul de metileno; f) lavagem com água; g) secar com papel de filtro

Fonte: Adaptado de Vermelho et al (2006).

papel de fi ltro Fonte: Adaptado de Vermelho et al (2006). Figura 13 – Mycobacterium tuberculosis

Figura 13 – Mycobacterium tuberculosis coradas pela técnica de Ziehl-Neelsen

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Metabolismo da Vida Microscópica

Fonte: <www.craigleithhill.co.uk/craigleith_house.html>. Acesso em:

23 nov. 2009.

Atividade 6
Atividade 6

Coloração de Ziehl-Neelsen

Objetivos:

Corar um esfregaço através da técnica de coloração de Ziehl-Neelsen;

Entender o mecanismo da técnica de coloração de Ziehl-Neelsen.

Materiais:

» Esfregaços de bactérias álcool-ácido resistentes;

» Reagentes para a coloração de Ziehl-Neelsen;

» Microscópios ópticos;

» Óleo de imersão.

Procedimento:

1)

Coloque o esfregaço sobre o suporte;

2)

Cubra o esfregaço com a solução de fucsina fenicada;

3)

Com o auxílio da chama do bico de Bunsen ou de uma placa aquecedora, aqueça a lâmina pela sua parte inferior até que comece a desprender vapor, não deixando ferver nem secar. Repetir essa operação até completar três emissões sucessivas. Porém, esse procedimento deve demorar em torno de 5 minutos;

4)

Despreze o corante dentro do recipiente apropriado;

5)

Lave a lâmina com a solução de álcool-ácido até não sair mais corante;

6)

Lave com água;

7)

Cubra a lâmina com o azul de metileno e deixe agir por 30 segundos;

8)

Despreze o corante;

9)

Lave com água;

Aula 3

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10)

Deixe a lâmina secar ao ar;

11)

Pingue uma gota de óleo de imersão sobre o esfregaço corado e observe ao microscópio óptico utilizando a objetiva de 100×;

12)

Faça um desenho dentro do círculo do que você observou na sua lâmina e responda às perguntas a seguir.

observou na sua lâmina e responda às perguntas a seguir. sua resposta. Qual é a cor

sua resposta.observou na sua lâmina e responda às perguntas a seguir. Qual é a cor que a

Qual é a cor que a bactéria adquiriu após essa técnica de coloração? Justifique

Qual é a forma da bactéria que você observou?a cor que a bactéria adquiriu após essa técnica de coloração? Justifique 68 Aula 3 Metabolismo

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Aula 3

Metabolismo da Vida Microscópica

Resumo

Nesta aula, você ficou sabendo que, embora os microrganismos não sejam visíveis a olho nu, é possível observá-los com o uso de corantes e microscópios adequados ao que se deseja observar. Você aprendeu, ainda, que existem corantes e técnicas de colorações específicas para a visualização de estruturas microbianas, como por exemplo a cápsula para a detecção de atividades celulares como a motilidade e, ainda, para se observar a forma e o arranjo das células. Você viu que a técnica de coloração de Gram é uma das técnicas mais utilizadas na Microbiologia e é usada para diferenciar as bactérias Gram positivas das Gram negativas, e que a técnica de Ziehl-Neelsen é usada para identificar duas espécies de bactérias importantes como a Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium leprae que causam, respectivamente, as doenças tuberculose e hanseníase no homem.

Autoavaliação

1
1

Diferencie a coloração simples da coloração diferenciada.

2
2

O que caracteriza um corante básico e um ácido?

3
3

Por que as bactérias Gram positivas ficam roxas e as Gram negativas ficam rosas após a coloração de Gram?

4
4

Qual a utilização da coloração de Ziehl-Neelsen?

Aula 3

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Referências

BLACK, Jaquelyn G. Microbiologia fundamentos e perspectivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

OKURA, M. H.; RENDE, J. C. Microbiologia roteiros de aulas práticas. Riberão Preto: Editora Tecmedd, 2008.

SILVA FILHO, G. N.; OLIVEIRA, V. L. Microbiologia manual de aulas práticas. 2. ed. Florianópolis:

Editora da UFSC, 2007.

VERMELHO, A. B. et al. Práticas de microbiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Anotações

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Anotações

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Anotações

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Metabolismo da Vida Microscópica

Nutrição e crescimento microbiano

Aula

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4

Apresentação

N a Aula 1 (Comparando células procarióticas e células eucarióticas), você aprendeu a

caracterizar morfologicamente as células procarióticas. Agora, você irá aprender como

essas células crescem e quais os fatores nutricionais e físicos que determinam esse

evento. Quando falamos em crescimento microbiano, estamos nos referindo ao número e não ao tamanho das células. Portanto, crescimento microbiano significa reprodução, ou seja, os microrganismos se multiplicam e aumentam o número de suas células. Você perceberá que, conhecendo as condições necessárias ao crescimento microbiano, podemos determinar como controlar os microrganismos que causam doenças ou que degradam os alimentos, assunto que você verá com mais detalhes na Aula 6 (Controlando os microrganismos). Podemos também usar essa informação para estimular o crescimento de um microrganismo que estamos particularmente interessados em cultivar. Você estudou o cultivo “in vitro” de microrganismos na Aula 3 (“Vendo” o invisível). Enfim, nesta aula você conhecerá os fatores físicos e químicos necessários para os microrganismos crescerem e se estabelecerem em um dado ambiente.

Objetivos

crescerem e se estabelecerem em um dado ambiente. Objetivos 1 Conhecer as exigências nutricionais para o
1
1

Conhecer as exigências nutricionais para o crescimento microbiano.

2
2

Explicar, em termos gerais, como os elementos químicos são utilizados para o desenvolvimento das células microbianas.

3
3

Descrever como os microrganismos procarióticos se reproduzem.

4
4

Identificar uma curva típica de crescimento microbiano.

5
5

Reconhecer as condições físicas necessárias para o crescimento microbiano.

Aula 4

Metabolismo da Vida Microscópica

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De que os microrganismos se nutrem?

D e todos os organismos vivos, os microrganismos são os mais versáteis e diversificados em suas exigências nutricionais, ou seja, podem utilizar desde compostos químicos simples, como CO 2 , até compostos orgânicos mais complexos, como carboidratos

e proteínas. Para se multiplicarem em um ambiente, os microrganismos devem encontrar

nesse ambiente todas as substâncias requeridas para a geração de energia e para a síntese dos seus componentes celulares (Na Aula 5, Obtenção de energia para a vida microbiana, você aprenderá como os microrganismos produzem energia). Esses elementos requeridos são chamados de nutrientes e existem na natureza em uma grande variedade de compostos inorgânicos e orgânicos.

Basicamente, cada microrganismo utiliza os nutrientes presentes no seu habitat natural. Porém, quando são removidos do seu meio para serem cultivados em laboratório, é necessário que se forneça esses mesmos nutrientes encontrados no ambiente natural. Consegue-se isso através da utilização dos meios de cultivo (reveja a definição de meio de cultivo na Aula 2, Trabalhando no Laboratório de Microbiologia). Veja abaixo os principais elementos químicos necessários para o crescimento microbiano.

Carbono – é um dos elementos químicos mais importantes para o crescimento microbiano.

É o principal constituinte das três maiores classes de nutrientes orgânicos: os carboidratos, os lipídeos e as proteínas. Esses compostos são usados como fonte de energia e servem como unidade básica dos componentes celulares como parede celular, membrana citoplasmática etc. Os microrganismos que utilizam compostos orgânicos e CO 2 como sua principal fonte de carbono são chamados de Heterotróficos e Autotróficos, respectivamente (você conhecerá mais sobre esses termos na Aula 10, Os microrganismos auxiliam a (re)circulação da matéria no planeta).

Nitrogênio – esse elemento é parte essencial dos aminoácidos, os quais formam as proteínas. Ao contrário das células eucarióticas, algumas bactérias podem utilizar nitrogênio gasoso ou atmosférico para a síntese celular por meio de um processo chamado fixação de nitrogênio (você aprenderá mais sobre esse fenômeno na Aula 10). Outras utilizam compostos nitrogenados inorgânicos, tais como nitratos, nitritos ou sais de amônia, e ainda podem utilizar compostos nitrogenados orgânicos, tais como aminoácidos ou peptídeos.

Hidrogênio, Oxigênio, Enxofre e Fósforo – o hidrogênio e o oxigênio fazem parte de

muitos compostos orgânicos como, por exemplo, a glicose. O enxofre é necessário para

a biossíntese dos aminoácidos, como a cisteína, cistina e metionina. Esses aminoácidos

formarão as proteínas. O fósforo é essencial para a síntese de ácidos nucleicos (DNA e RNA)

e para a molécula de ATP. Esse último composto é muito importante para o armazenamento

e transferência de energia para a célula (você verá como os microrganismos sintetizam essa molécula na Aula 5).

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Aula 4

Metabolismo da Vida Microscópica

Oligoelementos – os chamados oligoelementos ou elementos-traço são aqueles que são requeridos em pequena quantidade. Podemos citar, por exemplo, o zinco (Zn +2 ), o cobre (Cu +2 ), o manganês (Mn +2 ), o molibdênio (Mo +6 ) e o cobalto (Co +2 ). O principal papel desses elementos é na ativação de enzimas importantes para o metabolismo dos microrganismos. As vitaminas como o ácido fólico, a B 12 e a vitamina K também são importantes na ativação de enzimas. Alguns microrganismos podem sintetizar algumas vitaminas para seu metabolismo e essas podem inclusive serem utilizadas pelo homem.

A bactéria Escherichia coli, que está presente no intestino humano, beneficia seu hospedeiro produzindo a vitamina K, a qual ajuda na coagulação sanguínea.

Atividade 1 Baseado no que você aprendeu sobre os fatores químicos necessário para o crescimento
Atividade 1
Baseado no que você aprendeu sobre os fatores químicos necessário para o
crescimento microbiano, preencha o quadro a seguir.
ELEMENTO QUÍMICO
FUNÇÃO NO CRESCIMENTO MICROBIANO
CARBONO
NITROGÊNIO
HIDROGÊNIO
OXIGÊNIO
FÓSFORO
OLIGOELEMENTOS

Aula 4

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Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do
Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do
Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do
Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do
Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do
Crescimento microbiano Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do

Crescimento microbiano

Como já foi dito a você, o termo crescimento microbiano é diferente do que usamos na linguagem cotidiana, na qual nos referimos ao aumento de tamanho. As crianças, outros animais e vegetais crescem, ou seja, aumentam de tamanho, mas os organismos unicelulares no máximo dobram de tamanho e logo se dividem em duas novas células. Dessa forma, crescimento microbiano é sinônimo de multiplicação microbiana, ou seja, aumento do número de células, e não de tamanho. Assim como determinados elementos químicos (nutrientes) são exigidos ao crescimento microbiano, determinados fatores físicos também são indispensáveis. Antes de falarmos dessas exigências ambientais, vamos aprender como os microrganismos procarióticos se multiplicam?

Multiplicação das células procarióticas

A divisão celular nas bactérias, diferentemente daquela nos seres eucariontes, ocorre por um processo assexuado, ou seja, sem o envolvimento de células sexuais (gametas). A maioria das bactérias de dividem pelo processo de divisão binária ou às vezes por brotamento.

Divisão binária – processo em que uma célula parental se divide em duas outras células idênticas. Anteriormente à divisão, o conteúdo celular se duplica, e o cromossoma é replicado (você verá detalhes da replicação do cromossoma bacteriana na Aula 7, (A genética dos microrganismos). Nesse momento a célula parental aumenta, a membrana citoplasmática se estende e os cromossomas recém-duplicados se separam. Após esse evento, ocorre uma invaginação, formando um septo na membrana e na parede celular, dividindo a célula parental em duas novas células idênticas. Algumas células não se separam completamente e permanecem acopladas, formando arranjos em forma de cadeia, tétrades, duplas etc. (reveja os diferentes tipos de arranjos que as bactérias podem formar na Aula 1). Veja na Figura 1 as diferentes etapas da divisão celular.

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Metabolismo da Vida Microscópica

Parede celular Membrana plasmática Alongamento da célula e replicação do DNA DNA Início da divisão
Parede celular
Membrana plasmática
Alongamento da célula
e replicação do DNA
DNA
Início da divisão da
parede celular e da
membrana plasmática
Formação das paredes
em torno das regiões
contendo DNA replicado
Separação
das células
Figura 1 – Etapas da divisão de uma célula bacteriana

Fonte: Tortora, Funke e Case (2005).

Brotamento – processo no qual uma pequena protuberância cresce em uma extremidade da célula. Esse brotamento aumenta e se separa da célula parental. As leveduras (fungos unicelulares) também se dividem por brotamento. Veja a Figura 2.

também se dividem por brotamento. Veja a Figura 2. Figura 2 – Brotamento em levedura Fonte:

Figura 2 – Brotamento em levedura

Fonte: <http://blogosferagg.blogspot.com/2009/06/reino-fungi.html>. Acesso em: 10 dez. 2009.

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Cada centímetro da nossa pele hospeda, em média, 100.000 organismos. As bactérias se reproduzem tão rápido que sua população é restaurada dentro de algumas horas após a lavagem.

Atividade 2 Faça um desenho esquemático das etapas da divisão binária de uma célula procariótica
Atividade 2
Faça um desenho esquemático das etapas da divisão binária de uma célula
procariótica e descreva o que acontece em cada etapa.
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Aula 4

Metabolismo da Vida Microscópica

Os microrganismos também passam por fases de crescimento

Quando um microrganismo cresce em um meio de cultivo rico em nutrientes, ele passa por quatro principais fases de crescimento: 1) fase lag, 2) fase log ou logarítmica, 3) fase estacionária e 4) fase de declínio ou de morte. Essas fases formam a curva de crescimento bacteriano.

Fase lag – Essa fase é uma fase de adaptação do microrganismo ao meio. Ele não se multiplica, porém, está em intensa atividade metabólica, ou seja, produzindo energia na forma de ATP, enzimas e várias outras moléculas. Essa fase é também denominada de latência e o tempo de duração depende das condições do meio e da espécie microbiana.

Fase log – É nessa fase que ocorre a divisão celular de fato e a população dobra de tamanho. Cada espécie leva um tempo geneticamente determinado para se dividir e esse intervalo é denominado de tempo de geração. Nessa fase, as células crescem em velocidade exponencial ou logarítmica (log), ou seja, a população dobra a cada tempo de geração. Por exemplo, uma cultura contendo 1.000 organismos com um tempo de geração de 20 minutos conteria 2.000 organismos após 20 minutos, 4.000 após 40 minutos e 8.000 após 60 minutos (1 hora).

Fase estacionária – Fase em que as novas células são produzidas com a mesma velocidade com que as células antigas morrem e assim o número de células vivas permanece constante.

Fase de declínio (morte) – Nessa fase ocorre uma redução do número de células vivas, pois muitas perdem a capacidade de se multiplicar e morrem. Isso ocorre porque o meio de cultivo vai ficando cada vez mais desfavorável à multiplicação, pois os nutrientes se tornam escassos e também há um acúmulo de resíduos tóxicos, originados pelo próprio metabolismo microbiano. Veja na Figura 3 um gráfico representando uma curva de crescimento típica.

Lag Log Estacionária Declínio tempo em horas Log - nº de células
Lag
Log
Estacionária
Declínio
tempo em horas
Log - nº de células

Figura 3 – Etapas da divisão de uma célula bacteriana

Fonte: <http://vsites.unb.br/ib/cel/microbiologia/crescimento/crescimento.html>. Acesso em: 10 dez. 2009.

Aula 4

Metabolismo da Vida Microscópica

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Em condições ideais de crescimento, a espécie bacteriana Escherichia coli possui um tempo de geração de até 12,5 minutos, e a Mycobacterium tuberculosis, agente etiológico da tuberculose, possui um tempo de geração de 13 a 15 horas, ou seja, essa última espécie levará muito mais tempo para ter sua população dobrada de tamanho em um determinado meio.

Atividade 3 Observe o gráfico abaixo de uma curva de crescimento bacteriano e descreva o
Atividade 3
Observe o gráfico abaixo de uma curva de crescimento bacteriano e descreva o
que ocorre em cada fase indicada pelos números 1, 2, 3 e 4.
1
3
2
Nº de
2
células
4
3
1
4
Tempo
82
82

Aula 4

Metabolismo da Vida Microscópica

Fatores físicos que afetam o crescimento microbiano

Como você já sabe, os microrganismos estão praticamente em todos os ambientes da terra, inclusive em ambientes nos quais nenhuma outra forma de vida pode sobreviver. Isso ocorre por causa do seu pequeno tamanho, de serem facilmente dispersáveis, ocuparem pouco espaço e ainda por serem bastante diversificados quanto as suas exigências nutricionais. Assim, para praticamente qualquer substância, há um microrganismo que pode utilizá-la como nutriente e ainda para praticamente qualquer mudança ambiental, há algum microrganismo que pode sobreviver.Diferentes espécies de microrganismos podem crescer em ambientes que podem variar desde extremamente ácidos até os alcalinos, no gelo da Antártida às fontes termais, em água pura ou em pântanos e até mesmo em fendas de vapor fervente no fundo do oceano. Então, cada espécie possui seu crescimento influenciado por um conjunto de características físicas do ambiente como, por exemplo, pH, temperatura, concentração de oxigênio, umidade, pressão osmótica etc. Vamos então entender como esses fatores influenciam no crescimento dos microrganismos.

pH – Esse termo significa “potencial hidrogeniônico”, ou seja, é a quantidade de H + em uma solução e representa a acidez ou a alcalinidade de um meio. Os valores de pH variam de 0 a 14. O valor 7 representa um meio neutro, abaixo desse valor o meio é considerado ácido e acima, básico. De acordo com sua tolerância à acidez ou à alcalinidade, os microrganismos podem ser classificados em: acidófilos (organismos que têm tolerância por meios ácidos; pH de 0,1 a 5,4), neutrófilos (organismos que têm tolerância por meios neutros; pH de 5,4 a 8,5) ou alcalófilos (organismos que têm tolerância por meios alcalinos; pH de 7 a 11,5). As bactérias de um modo geral crescem melhor em pH variando de 4 a 9 e os fungos em pH mais baixos entre 5 e 6.

Atividade 4 De acordo com o que você aprendeu, complete o quadro abaixo. Acidófilo Neutrófilo
Atividade 4
De acordo com o que você aprendeu, complete o quadro abaixo.
Acidófilo
Neutrófilo
Organismos que têm tolerância por meios neutros
Alcalófilo

Aula 4

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Temperatura – Os microrganismos podem variar muito quanto a sua tolerância à temperatura. De acordo com esse fator, os microrganismos podem ser classificados em:

psicrófilos (organismos que gostam do frio; crescem melhor entre 15 e 20˚C), mesófilos (crescem melhor entre 25 e 40˚C) e termófilos (organismos que gostam do calor; crescem melhor entre 50 e 60˚C). Nenhum psicrófilo sobrevive no corpo humano, mas alguns são conhecidos por causarem deterioração em alimentos refrigerados. A maioria das bactérias que causam doença no homem são termófilas, pois crescem a uma temperatura próxima à do corpo humano (37˚C).

Atividade 5 De acordo com o que você aprendeu, complete o quadro abaixo. Psicrófilos Mesófilos
Atividade 5
De acordo com o que você aprendeu, complete o quadro abaixo.
Psicrófilos
Mesófilos
Organismos que crescem melhor entre 25 e 40 0 C
Termófilos

Oxigênio – Estamos acostumados a pensar no oxigênio molecular (O 2 ) como um elemento essencial à vida, mas em algumas circunstâncias esse elemento pode se tornar um gás venenoso, como, por exemplo, pode acontecer com alguns microrganismos. Esses, de acordo com sua tolerância ao oxigênio, podem ser classificados em aeróbios obrigatórios (necessitam de oxigênio para crescer), anaeróbios facultativos (crescem tanto na presença como na ausência de oxigênio), anaeróbios obrigatórios (não sobrevivem na presença de oxigênio) e microaerófilos (crescem na presença de oxigênio, porém, em concentrações inferiores àquelas do ar).

Essa tolerância ao oxigênio é determinada pela capacidade do microrganismo de produzir algumas enzimas que degradam os produtos tóxicos formados no meio composto por oxigênio molecular (O 2 ), como, por exemplo, o radical superóxido (O 2 ), o peróxido de hidrogênio e o radical hidroxila (OH). Os microrganismos que conseguem sobreviver na presença do oxigênio molecular (O 2 ) é porque escapam da toxicidade desses compostos produzindo enzimas que convertem os compostos tóxicos em outros não tóxicos. Essas enzimas são a superóxido dismutase, a catalase e a peroxidase. A superóxido dismutase converte o radical superóxido em peróxido de hidrogênio e oxigênio molecular. Veja a equação abaixo.

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A catalase e a peroxidase convertem o peróxido de hidrogênio em oxigênio e água e somente água, respectivamente. Veja as equações abaixo.

O 2 + O 2 + 2 H +

superóxido dismutase

– + O 2 – + 2 H + superóxido dismutase 2 H 2 O 2

2H 2 O 2 + O 2

Radical

Peróxido de

Oxigênio

superóxido

hidrogênio

2H 2 O 2 Catalase2H 2 O + O 2

2 H 2 O 2   Catalase   2 H 2 O + O 2 Peróxido

Peróxido de

hidrogênio

Água

Oxigênio

H 2 O 2 + 2 H + 2H 2 O Peroxidase Peróxido de Água
H 2 O 2 + 2 H +
2H 2 O
Peroxidase
Peróxido de
Água
hidrogênio
Os anaeróbios obrigatórios não conseguem crescer na presença do oxigênio molecular
(O 2 ) porque não produzem essas enzimas e morrem na presença desses compostos tóxicos.
Veja na Figura 4 o efeito do oxigênio sobre o crescimento dos microrganismos.
a. Aeróbicos
b. Anaeróbicos
c. Anaeróbicos
d. Microaerófilos
obrigatórios
facultativos
obrigatórios
Efeito do oxigênio sobre
o crescimento
Somente crescimento
aeróbico; necessidade de
oxigênio.
Crescimento aeróbico e
anaeróbico; aumento do
crescimento na presença
de oxigênio.
Somente crescimento
anaeróbico; não há
crescimento na presença
do oxigênio.
Somente crescimento
aeróbico; necessidade
de oxigênio em baixas
concentrações.
Tubo de ensaio com
crescimento bacteriano
em meio sólido
Explicação para os padrões
de crescimento
Crescimento somente após
a difusão de altas
concentrações de oxigênio
para o meio de cultura.
Melhor crescimento nas
regiões de maior
concentração de oxigênio,
mas ocorre em todo o meio.
Crescimento nas regiões
onde não há oxigênio.
Crescimento ocorre onde
uma baixa concentração
de oxigênio está difusa
no meio.
Explicações para os efeitos
do oxigênio
Presença das enzimas
catalase e superóxido
dismutase (SOD) permite a
neutralização das formas
tóxicas de oxigênio; pode
usar oxigênio.
Presença das enzimas
catalase e SOD permite a
neutralização das formas
tóxicas de oxigênio; pode
usar oxigênio.
Ausência das enzimas que
neutralizam as formas
tóxicas do oxigênio; não
tolera oxigênio.
Produção de quantidades
letais das formas tóxicas
de oxigênio quando
expostos à atmosfera
normal de oxigênio.

Figura 4 – Efeito do oxigênio sobre o crescimento de diferentes bactérias

Fonte: Tortora, Funke e Case (2005).

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Atividade 6 De acordo com o que você aprendeu, responda: por que alguns microrganismos não
Atividade 6
De acordo com o que você aprendeu, responda: por que alguns microrganismos
não conseguem sobreviver na presença do oxigênio?

Solução isotônica

quando a concentração de solutos é igual dentro e fora da célula.

Solução hipertônica

quando a concentração de solutos do meio é maior do que a do interior da célula.

Hipotônico

Solução hipotônico:

quando a concentração de solutos do meio é menor do que a do interior da célula.

Pressão osmótica – Esse termo é definido como a pressão necessária para impedir o fluxo de água de um meio de maior concentração para um de menor concentração através de uma membrana semipermeável.

Os microrganismos retiram da água, presente em seu meio ambiente, a maioria dos seus nutrientes solúveis. Portanto, eles necessitam de água para seu crescimento e seu conteúdo celular é composto de cerca de 80 a 90% de água. Dessa forma, quando uma célula microbiana está num meio aquoso, não devem existir grandes diferenças na concentração de solutos dentro e fora, ou as células poderiam perder água ou romper-se.

Quando uma célula está em uma solução isotônica, o fluxo de água para dentro e para fora da célula está em equilíbrio e a célula cresce normalmente. Porém, a água presente dentro da célula pode ser removida por elevações na pressão osmótica. Por exemplo, quando uma célula microbiana se encontrar em uma solução hipertônica, ou seja, contendo uma concentração de solutos superior àquela do interior da célula, ocorrerá a passagem de água de dentro da célula para o meio através da membrana plasmática e o crescimento microbiano será inibido. Esse fenômeno de perda de água pela célula é chamado de plasmólise. Ao contrário, quando o meio é hipotônico contendo uma concentração menor de solutos, a água flui para dentro da célula rompendo-a. Veja na Figura 5 uma célula em uma solução isotônica, hipotônica e hipertônica.

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a Parede celular Citoplasma Soluto Membrana plasmática Solução isotônica (isosmótica) - sem movimento total de
a
Parede
celular
Citoplasma Soluto Membrana plasmática
Solução isotônica (isosmótica) -
sem movimento total de água
b Solução hipotônica (hiposmótica) - a água se move para dentro da célula e pode
b
Solução hipotônica (hiposmótica) -
a água se move para dentro da
célula e pode causar sua ruptura se
a parede estiver fraca ou danificada
(liseosmótica)
c Solução hipertônica (hiperosmótica) - a água se move para fora da célula, fazendo sua
c
Solução hipertônica
(hiperosmótica) -
a água se move para fora da célula,
fazendo sua membrana plasmática
encolher (plasmólise)

Figura 5 – Uma célula em uma solução a) isotônica, b) hipotônica e c) hipertônica

Fonte: Tortora, Funke e Case (2005).

Atividade 7 Baseado no que aprendeu, responda: por que você acha que salgando a carne,
Atividade 7
Baseado no que aprendeu, responda: por que você acha que salgando a carne,
ela dura mais tempo, mesmo fora da geladeira?

Entenda que os mesmos fatores que afetam o crescimento microbiano podem ser utilizados como estratégias para controlar os mesmos, desde que você altere as condições ótimas de cada fator. Por exemplo, quando colocamos um alimento na geladeira estamos impedindo que os microrganismos mesófilos cresçam nesse alimento, pois esses microrganismos não crescem na temperatura da geladeira, que é em torno de C.

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Resumo

Nesta aula, você aprendeu que o crescimento microbiano pode ser definido como um aumento no número de células, e não um aumento de tamanho. Você aprendeu, também, que os microrganismos procarióticos se multiplicam por um mecanismo chamado de divisão binária, no qual uma célula parental se parte em duas células idênticas e que algumas espécies podem se multiplicar por outro mecanismo chamado de brotamento. E, ainda, que durante seu crescimento, o microrganismo passa por diferentes fases. Finalmente, você compreendeu que cada espécie microbiana possui exigências próprias com relação a fatores nutricionais e físicos para seu crescimento. Por fim, você compreendeu que os mesmos fatores que afetam o crescimento microbiano podem ser usados para controlar seu crescimento.

Autoavaliação

1
1

Explique o que é crescimento microbiano.

2
2

Qual o significado do crescimento exponencial de uma cultura microbiana?

3
3

Discuta a utilização nutricional do carbono e do nitrogênio pelos microrganismos.

4
4

Descreva como os microrganismos aeróbios, anaeróbios e facultativos crescem em meio de cultivo com ágar de camada alta.

5
5

Se uma espécie microbiana é produtora da enzima superóxido dismutase, o que se pode dizer sobre sua fisiologia?

6
6

Quais as principais condições físicas que devem ser consideradas no cultivo dos microrganismos?

7
7

O que é pressão osmótica e como ela afeta o crescimento das células microbianas?

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Referências

BLACK, J. G. Microbiologia fundamentos e perspectivas. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2002.

PELCZAR, M. J. et al. Microbiologia: conceitos e aplicações. São Paulo: Makon Books, 1996.

TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. I. Microbiologia. 8. ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2005.

Anotações

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Anotações

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Obtenção de energia para a vida microbiana

Aula

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Apresentação

V ocê estudou na Aula 4, Crescendo na diversidade, que o crescimento dos

microrganismos depende das condições ambientais. Dentre essas condições está

o suprimento de energia que os seres necessitam para seu metabolismo. Agora,

você vai se surpreender com a variedade de substratos e modos de obtenção de energia utilizados pelos microrganismos.

Nesta aula, vamos identificar alguns desses substratos. Vamos também descrever e distinguir os processos de obtenção de energia pelos microrganismos, que incluem a fermentação, a respiração aeróbica e a respiração anaeróbica. Outro processo, a fotossíntese, será estudado posteriormente em outra aula. Ao final, você entenderá que os microrganismos apresentam uma diversidade metabólica muito superior à dos organismos macroscópicos, como plantas e animais. Essa diversidade é uma fonte riquíssima de produtos a serem utilizados pelos humanos. Vamos descobrir!

produtos a serem utilizados pelos humanos. Vamos descobrir! Metabolismo conjunto de todas as reações bioquímicas que

Metabolismo

conjunto de todas as reações bioquímicas que ocorrem em uma célula ou organismo.

Substrato

substância ou material que serve de base ou suporte. Nesse caso, substrato é a substância doadora de elétrons no processo de oxidação que fornece energia para a célula.

Objetivos

1
1

Listar os tipos de substratos que podem ser utilizados por microrganismos como fonte de energia.

2
2

Distinguir os diferentes processos de obtenção de energia pelos microrganismos.

3
3

Descrever resumidamente a respiração aeróbica, a respiração anaeróbica e a fermentação.

4
4

Identificar algumas diferenças da respiração aeróbica em procariotos e eucariotos.

algumas diferenças da respiração aeróbica em procariotos e eucariotos. Aula 5 Metabolismo da Vida Microscópica 93

Aula 5

Metabolismo da Vida Microscópica

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93

Os seres vivos estão sempre precisando de energia

Atividade 1 Iniciaremos esta aula refletindo por que os microrganismos precisam de energia. Baseado no
Atividade 1
Iniciaremos esta aula refletindo por que os microrganismos precisam de
energia. Baseado no que você reconhece como funções básicas de todo ser vivo,
liste quais atividades da célula microbiana requerem energia.
quais atividades da célula microbiana requerem energia. Bioluminescência A emissão de luz da cadeia de transporte

Bioluminescência

A emissão de luz da cadeia de transporte de elétrons de certos organismos vivos (a cadeia de transporte de elétrons será vista mais adiante no texto dessa aula).

Sua lista provavelmente contém algumas das seguintes atividades: mobilidade através do movimento de flagelos; transporte de substâncias do meio para o interior da célula (absorção de nutrientes) e da célula para o meio (excreção de resíduos e secreção de substâncias ativas); reprodução; reparo de danos e manutenção da integridade celular; manutenção da pressão osmótica constante na célula; bioluminescência. Além de todas essas atividades, as células precisam de energia para a biossíntese de novas macromoléculas, que é o trabalho de maior demanda energética da célula.

Na biossíntese, moléculas orgânicas complexas são sintetizadas a partir de moléculas mais simples. Exemplos de processos biossintéticos são a formação de proteínas a partir de aminoácidos, ácidos nucleicos a partir de nucleotídeos e polissacarídeos a partir de monossacarídeos. A síntese de macromoléculas é necessária para a formação de componentes celulares, tais como parede celular, membrana citoplasmática, flagelos, citoplasma etc.

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Aula 5

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De onde a célula retira a energia necessária para todas essas atividades? Você já deve ter ouvido falar em um composto chamado adenosina trifosfato ou trifosfato de adenosina, o ATP. A molécula de ATP (Figura 1) acumula ligações de alta energia dentro da célula. Quando

a célula precisa realizar a biossíntese ou outra atividade celular, a energia necessária é cedida pelas moléculas de ATP.

Essas moléculas são formadas por adenina (uma base nitrogenada), ribose (um açúcar com cinco átomos de carbono) e três grupos fosfato. O símbolo “~” representa uma ligação

de “alta energia”, que pode ser prontamente quebrada para liberar energia utilizável pela célula. Quando o ATP se degrada em ADP e fosfato inorgânico, grande quantidade de energia química

é liberada para uso em outras reações químicas. NH 2 Adenina N C C N
é liberada para uso em outras reações químicas.
NH 2
Adenina
N
C
C
N
HC
C
CH
O –
O –
O –
N
N
– O
P
O P
O
P
O
CH
O
~
~
2
O
O
O
H
H
Ribose
H
H
HO
OH
AMP
ADP
ATP

Figura 1 – Molécula de adenosina trifosfato (ATP)

Fonte: Adaptado de Barbosa e Torres (2005).

Atividade 2
Atividade 2

A energia química das ligações de alta energia do ATP é liberada quando o grupo Fonte: Adaptado de Barbosa e Torres (2005). Atividade 2 fosfato terminal é retirado da molécula, resultando

fosfato terminal é retirado da molécula, resultando na formação de outro composto com menos energia. Analise a Figura 1 e descubra qual é esse composto. Depois, escreva seu nome completando a reação abaixo.

ATP

+ fosfato + energia

Agora, descubra qual é a reação geral de formação de ATP. Basta escrever a reação inversa da anterior:a reação abaixo. ATP → + fosfato + energia + fosfato + → ATP Aula 5

+ fosfato +

ATP

Aula 5

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Vamos à produção do ATP

Para saber como o ATP é produzido na célula a partir do ADP, precisamos descobrir de onde vem a energia para essa produção. A maioria dos microrganismos retira do ambiente compostos orgânicos ou inorgânicos que serão as fontes de energia para a produção de ATP. Outros organismos usam a luz. Os microrganismos extraem a energia de uma (ou mais) dessas fontes, e transferem essa energia para o ATP. Por exemplo, muitos microrganismos usam compostos orgânicos, como carboidratos, proteínas ou lipídios como fonte de energia. Primeiro, os microrganismos assimilam esses compostos do ambiente. Em seguida, as células oxidam (veja a Figura 2) esses substratos, extraindo deles a energia para produzir ATP. Dessa maneira, os microrganismos convertem diferentes fontes de energia em uma “moeda energética” única, que é o ATP.

Em eventos de oxidação-redução, um elétron é transferido da molécula A para a molécula B. A molécula A, que perde elétrons, é oxidada. A molécula B, que ganha elétrons, é reduzida. Muitas vezes, a reação de oxidação-redução (também chamada reação redox) produz energia, como é o caso da oxidação biológica.

Redução e – A B A oxidada B reduzida Oxidação Figura 2 – Oxidação-redução
Redução
e –
A
B A oxidada
B reduzida
Oxidação
Figura 2 – Oxidação-redução

Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).

E quais são os processos através dos quais as células oxidam os substratos, extraindo deles a energia que é transferida para o ATP? Os microrganismos produzem ATP oxidando diferentes substâncias através da respiração ou fermentação. Na respiração, que pode ser aeróbica ou anaeróbica, substâncias orgânicas ou inorgânicas podem ser fonte de energia, dependendo do microrganismo. Na fermentação, a energia é retirada apenas de substâncias orgânicas, ao passo que na fotossíntese a fonte de energia é a luminosa.

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Mas, lembre-se de que esses modos de obtenção de energia não acontecem todos em uma mesma célula. Assim como os animais, muitas bactérias, os fungos e os protozoários utilizam a respiração ou também a fermentação para obter ATP. Já as algas e várias bactérias, assim como as plantas, utilizam essencialmente a fotossíntese. A seguir, descreveremos essas formas de obtenção de energia, exceto a fotossíntese, que será estudada em outra aula. Antes de prosseguir, resolva a Atividade 3.