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ERGONOMIA PREVENTIVA COMO ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL

Rodrigo Mendes Wiczick (CEFET-PR) rodrigomw@bol.com.br Luciene Ferreira Schiavoni Wiczick(CEFET-PR) lutifsw@cefetpr.br Luiz Alberto Pilatti, Dr. (CEFET-PR) pilatti@pg.cefetpr.br Antonio Augusto de Paula Xavier, Dr. (CEFET-PR) augustox@cefetpr.br

Resumo. Este artigo tem como objetivo analisar a ergonomia preventiva utilizada como ferramenta a serviço do empregador e do empregado, e ainda apresenta possíveis soluções para estimular seu uso, como

as tecnologias apropriadas, organização estratégica, cultura organizacional, e soluções conhecidas como ginástica laboral e análise de equipes interdisciplinares.

Palavras-chave: ergonomia, prevenção, tecnologias apropriadas, ginástica laboral.

1. INTRODUÇÃO

A ergonomia pretende, em sua fundamentação e conceito, que o meio seja adaptado ao homem, para

garantir o bem-estar e a integridade física do trabalhador. Segundo LEPLAT, J (1972), a ergonomia é uma tecnologia e não uma ciência, cujo objeto é a organização dos sistemas homens-máquina. GRANDJEAN, E. (1968) considera a ergonomia uma ciência interdisciplinar. Ela compreende a

fisiologia e a psicologia do trabalho. O objetivo prático da ergonomia é a adaptação do posto de trabalho, das máquinas, dos horários, dos instrumentos, do meio ambiente às exigências do homem. A realização

de tais objetivos, em nível industrial, propicia uma facilidade do trabalho e um rendimento do esforço

humano. SELF considera que a ergonomia reúne conhecimentos da fisiologia e psicologia, e das ciências

vizinhas aplicadas ao trabalho humano, na perspectiva de uma melhor adaptação ao homem dos métodos, meios e ambientes de trabalho. Esses profissionais juntos podem diagnosticar a situação e seus pontos críticos, bem como recomendar ações corretivas e sugestões para minimizar ou neutralizar tais riscos ergonômicos.

A ergonomia é considerada por alguns autores como ciência, geradora de conhecimentos. Outros autores

a enquadram como tecnologia, por seu caráter aplicativo, de transformação, sendo assim, passível de

fornecer dados e fatos para que seja feita uma gestão consolidada da situação e das inovações tecnológicas aplicáveis, para então, aceitar e enfrentar o desafio da pesquisa e utilização prática da ergonomia no Brasil que começou a ser evocada na USP, nos anos 60 pelo Professor Sergio Penna Khel, mas que até hoje é colocada em segundo plano em detrimento do bem estar dos trabalhadores.

A pressão psicológica e o estresse diário potencializam o risco ergonômico, uma vez que as atividades são

exigidas em tempos recordes e na maioria das vezes executadas por uma única pessoa, sendo que tal tarefa necessitaria, de fato, mais envolvidos, interferindo de maneira significativa na postura e não

realização de paradas estratégicas para descanso. Quanto ao estresse, GRANDJEAN (1998) considera “o estado emocional, causado por uma discrepância entre o grau de exigência do trabalho e os recursos disponíveis para gerenciá-lo”.

O trabalho muscular estático é desgastante devido ao consumo maior de energia, freqüências cardíacas

maiores e períodos de restabelecimento mais longos (GRANDJEAN, 1998). As lesões podem incidir sobre as articulações, tendões, discos intervertebrais e outros tecidos envolvidos. Quando essas lesões são

consideradas de 1° grau, são reversíveis, e caracterizam-se pelo desaparecimento da dor ao término do

trabalho. Quando a dor se prolonga, a lesão pode ser de 2° grau podendo originar processos inflamatórios degenerativos dos tecidos sobrecarregados em função da má postura. A postura do corpo deveria ser tal que permitisse o uso dos músculos mais fortes, sendo essa a maneira mais rápida de reduzir a carga do músculo para o limite de 8% da força máxima possível, uma vez que o uso de 15 a 20% da força máxima executada por semanas leva o surgimento de dolorosos sinais de fadiga, irracionais e exaustivos (GRANDJEAN, 1998).

É evidente que os postos de trabalho precisam de novas tecnologias para suprir as necessidades imediatas, numa tentativa de controlar afastamentos pelas condições do meio ambiente de trabalho, e ainda melhorar

o desempenho dos trabalhadores, fato esse já comprovado por estudos que estabelecem que a

produtividade aumenta significativamente conforme o trabalhador tem melhores condições de exercer suas funções como prova o Estudo da Cornell University - BRANCHBURG, NJ (1999) – “During the summer in 1999, Cornell University and New Century Global, an insurance company for professional entertainment industries, took part in an independent research program that may forever alter how people work at their computer. The research study, requiring employees to follow the prescriptions of Magnitude EMS for good posture, strategically placed 30-second breaks, and stretching exercises, resulted in at least a 13% improvement in accuracy and a measurable increase in productivity.” Citação disponível em http://www.keensystem.com.br/produtiv.htm (25/05/2005 - 12:10h).

Outro aspecto relevante é a humanização do ambiente que estimula a convivência social entre os funcionários. Muitas empresas que estão adotando políticas neste sentido vêm obtendo um aumento significativo de produtividade. Citação disponível em http://www.ergonomia.com.br/ (25/05/2005 -

12:57h).

De maneira geral, pretende-se que a conscientização tenha início a partir da alta direção dos estabelecimentos, da necessidade da avaliação, do diagnóstico e da pesquisa e implantação de novas tecnologias. O objetivo da ergonomia preventiva é ocultar o máximo possível a complexidade do trabalho real, sendo utilizada de forma apropriada na humanização e melhoria contínua das condições ambientais para os trabalhadores.

Prevenção Prevenção pode ser definida simplesmente como “ato de evitar o acontecimento ou algo a alguém”. O ato preventivo é a continuidade da ação de prevenção. Podem-se distinguir três níveis: o secundário e o terciário, que tratam respectivamente de atuação quando o organismo se encontra alterado, e quando o organismo já porta uma enfermidade, não serão aqui abordados.

O nível primário, que é objeto desse estudo, refere-se à atuação preventiva no estado pré-acontecimento.

Prevenção em saúde refere-se em abordar o indivíduo nos três níveis, tendo como objetivo principal a preservação da integridade fisiológica de seu organismo, sendo o nível primário o estado pré-patogênico,

ou seja, antes de haver doença. A promoção de saúde também se refere a prevenção primária, pois trata de

antecipar um aumento dos níveis de saúde com o objetivo de evitar doenças. Segundo DELIBERATO (2002), a saúde ocupacional ou profissional implica na soma de todos os esforços para melhorar a saúde dos trabalhadores, tanto em seu ambiente de trabalho como na comunidade. O objetivo básico é a prevenção em todos os níveis, empregando todos os tipos de esforços e estratégias visando a atingir a satisfação laboral plena do trabalhador. Segundo COUTY e RODGHER (in DELIIBERATO 2002), as doenças e lesões ocupacionais são, em princípio, previsíveis e plenamente

sujeitas à prevenção.

Paradas entre 5 a 10 minutos por hora, causam um impacto extremamente positivo ao corpo humano, impedindo que ele entre em processo de fadiga e diminuindo em muito, o risco de doenças ocupacionais, evitando DORT ou LER, síndromes relatadas desde 1700 quando RAMAZZINI - o pai da medicina do trabalho - a descreve como "doença dos escribas e notórios". O problema se amplia a partir de 1980, quando a doença torna-se um fenômeno mundial, devido a grande evolução do trabalho humano e o aumento do ritmo na vida diária. Hoje, a síndrome, que é mais associada ao trabalho informatizado, já representa quase 70% do conjunto das doenças profissionais registradas no Brasil.

A prevenção foi e continua sendo a melhor forma de combate as LER/DORT. A adoção de posturas e

ritmos de trabalho mais adequados (com a adoção de pausas ao longo da jornada de trabalho) é fundamental. Mudanças na organização do trabalho, melhoria nos locais de trabalho e das condições ergonômicas, eliminação da repetitividade associadas à ginástica laboral, rodízio das tarefas, além das

pausas de recuperação são consideradas intervenções estratégicas preventivas de fadiga, monotonia, racionalização do trabalho e aumento de produtividade.

Alternativa Uma alternativa eficiente para solucionar o problema é o uso de tecnologias inovadoras, ou mais eficazes do que as atuais. A conscientização do problema pode resultar na adoção de Tecnologias Apropriadas - TA, adequadas, que faz uso de potenciais criativos, conduzindo à autonomia e descentralização, destinada a servir ao ser humano, sendo superior às tecnologias primitivas, mas ao mesmo tempo simples, mais barata e mais livre do que a alta tecnologia (KRÜGER, 2000).

Baseando-se no fato de que as tecnologias apropriadas enfocam aspectos econômicos, políticos, sociais e ambientais, pode-se facilmente notar que o aspecto político é o que mais retarda a ramificação das TA’s, pois depende da boa vontade dos governantes (KRÜGER, 2000). Sendo assim, a ergonomia preventiva deve ser considerada em todos os níveis hierárquicos de uma organização, como um investimento em ferramenta básica para estabelecimento do bem-estar real dos envolvidos, elevando, como conseqüência natural, satisfação e produção.

O planejamento estratégico para adequação ergonômica de um ambiente pode ter início com o projeto

conceitual, como sugere HATAKEYAMA e HEEMANN (in KRÜGER, 2000) “é um momento chave na atividade projetual onde a decisão correta pode evitar uma série de problemas conseqüentes, mudar muitos destinos, diminuir ou até eliminar inúmeros ônus ambientais, através da racionalização no uso da tecnologia já disponível”. A estratégia utilizada pela ergonomia para apreender a complexidade do trabalho é decompor a atividade em indicadores observáveis (postura, exploração visual, deslocamento). VOLPATO e CIMBALISTA (2002) afirmam que se tem que levar em consideração as desigualdades humanas (peculiaridades individuais) quer pareça ou não conveniente para o ambiente organizacional. Portanto, sob o ponto de vista da administração estratégica, a conotação do trabalho e da motivação deve estar em sintonia com o sistema e valores estabelecidos pela cultura da organização. “Cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos que um grupo assimilou e a medida em que resolveram os seus problemas da adaptação externa e interna e que, por ter sido suficientemente eficaz, foi considerado válido e repassado (ensinado) aos demais (novos) membros como maneira correta de perceber, pensar e sentir em ralação àqueles problemas” (SCHEIN, 1997, in VOLPATO e CIMBALISTA, 2002). Nota-se assim o quanto é importante entender as sinalizações advindas dos grupos de trabalho nas organizações, a cultura organizacional pode ser um fator facilitador ou bloqueador da criatividade.

Ressalta-se assim que todas as ações preventivas e corretivas tomadas devem ter acompanhamento de equipe formada por fisioterapeutas, psicólogos, engenheiros de segurança do trabalho e ergonomistas, para garantia de um bom resultado, através do planejamento estratégico.

A ergonomia preventiva reúne de maneira simples e eficiente os pontos supracitados, por possibilitar a

conscientização do problema, considerando as peculiaridades individuais e podendo ser executada harmonizando o trabalho e a cultura da organização, em especial se a atividade projetual envolver de

forma efetiva e interdisciplinar os profissionais que atuam na gestão organizacional e na ação preventiva,

e, portanto, uma alternativa estratégica funcional e altamente fadada ao sucesso.

Conclusão

A situação da cultura da ergonomia preventiva no Brasil é realmente crítica, mais ainda pelo fato de

evidenciar a falta de preocupação com a mesma. Mas a solução é simples e pode ser imediata, desde que

seja efetivamente formada uma equipe para o planejamento estratégico, e que haja um comprometimento com as partes envolvidas.

Presume-se que esse seja o maior desafio da ergonomia preventiva no Brasil: a quebra de paradigmas, a resistência com relação à prevenção e à própria ergonomia, o descaso que tais fatores afetem a produtividade, o descrédito que o custo é, de fato, investimento, e em especial a cultura organizacional, limitada a tecnologias ultrapassadas.

O jornal folha de São Paulo, do dia 03 de março de 2000, traz uma reportagem citando a progressão no

número de casos de LER/DORT no Brasil:

“O único item a apresentar evolução é o que diz respeito às doenças profissionais. Entre 1970 e 1985 existiam dois casos de doenças — a LER (Lesão por Esforço Repetitivo) representa 90% deste total — para um grupo de 10 mil trabalhadores. De 1986 a 1992, esse número pulou para 4 casos em 10 mil. Hoje, a proporção é de 14 casos a cada 10 mil funcionários”.

O detalhe, tais casos seriam passíveis de regressão ou até de não se manifestarem, se a prevenção fosse

utilizada pura e simplesmente como ferramenta básica de trabalho.

Espera-se que a partir desse artigo, haja um incentivo à criação de uma equipe para gestão dessa tecnologia chamada ergonomia e de um planejamento estratégico para otimizar a capacidade de processamento de informações visando incentivar as ergonomias preventivas, adaptando-se o meio ao homem, depositando confiança e respeito em trabalhadores mais motivados e satisfeitos, elevando os níveis de saúde e prevenindo cada vez mais as LER/DORT. Certo é que a partir do momento que a ergonomia, como tecnologia, for apreendida pelos profissionais da área de saúde do trabalho e dos próprios trabalhadores, a aplicação da mesma poderá atingir objetivos mais claros e eficazes, proporcionando um círculo de ações ilimitado e com garantia de sucesso para todos.

Por meio da gestão da tecnologia pela identificação, seleção, aquisição, proteção e exploração do melhor modelo de base tecnológica, aproveitando habilidades e competências de pessoas que possam combinar inovação e o modo mais efetivo de fornecer valores aos usuários da mesma, e com conscientização do bem–estar e a melhor qualidade de vida laboral, é certo que o desafio da ergonomia preventiva no Brasil será vencido, passando a ser uma estratégia organizacional, e enfim poder-se-ia condicionar o posto de trabalho ao homem efetivamente, e com o desenvolvimento da tecnologia, a carga de trabalho dos músculos será transferida para a responsabilidade dos sentidos e da atenção.

REFERÊNCIAS

Bastos et al. Capacitação Tecnológica e Competitividade – O Desafio Para A Empresa Brasileira. IEL/PR. Curitiba, 2002.

Conceição, P. et al. Ciência, Tecnologia e Política da Inovação – Livros De Quorum – Westport, Conn. 2000 disponível no site http://info.greenwood.com. Acesso em 25 de Maio de 2005.

Deliberato, P.C.P. Fisioterapia Preventiva. Manole, São Paulo, 2002.

Grandjean, E. Manual de Ergonomia. 4ª ed. Editora Bookman Porto Alegre, 1998. Kruger et al. Tecnologias Apropriadas. Cefet. Curitiba, 2000. p

Manuais De Legislação Atlas – Segurança E Medicina Do Trabalho. 56ªed. Atlas. São Paulo, 2005. p

236-239

Política Sustentável Integrando Desenvolvimento e Industria – Conselho da União Européia, 1999 – Bruxelas disponível no site http://www.ee/baltic21 em 25 de Maio de 2005.

Probert, D. et al. Getting Value From Technology – A Guide To Technology Management - Cambridge Centre for Technology Management – University of Cambridge – Mill Lane, Cambridge

Volpato, M.; Cimbalista, S. O processo de motivação como incentivo à inovação nas organizações. Rev. FAE, Curitiba, v.5, n.3, p.75-86, set./dez. 2002

http://www.keensystem.com.br/produtiv.htm - Acesso em 25 de Maio de 2005

http://www.ergonomia.com.br/ Acesso em 25 de Maio de 2005

http://www2.uol.com.br/prevler/biblioteca.htm Acessado dia 25 de Maio de 2005