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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

PEDRO LIMA E SILVA

DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMA COMPUTACIONAL


PARA ESTIMATIVA DE RECALQUE ELÁSTICO DE
ESTACAS

NATAL-RN
2017
Pedro Lima e Silva

Desenvolvimento de programa computacional para estimativa de recalque elástico de estacas

Trabalho de Conclusão de Curso na modalidade


Monografia, submetido ao Departamento de
Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte como parte dos requisitos
necessários para obtenção do Título de Bacharel em
Engenharia Civil.

Orientador: Prof. Dr. Yuri Daniel Jatobá Costa

Natal-RN
2017
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN
Sistema de Bibliotecas – SISBI
Catalogação da Publicação na Fonte - Biblioteca Central Zila Mamede
Silva, Pedro Lima e.
Desenvolvimento de programa computacional para estimativa de
recalque elástico de estacas / Pedro Lima e Silva. - 2017.
92 f. : il.

Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do


Norte, Centro de Tecnologia, Curso de Engenharia Civil. Natal, RN, 2017.
Orientador: Prof. Dr. Yuri Daniel Jatobá Costa.

1. Estaca – Monografia. 2. Recalque imediato – Monografia. 3.


Software – Monografia. 4. Linguagem de programação – Monografia. 5.
Prova de carga – Monografia. I. Costa, Yuri Daniel Jatobá. II. Título.

RN/UF/BCZM CDU 624.154


Pedro Lima e Silva

Desenvolvimento de programa computacional para estimativa de recalque elástico de estacas

Trabalho de conclusão de curso na modalidade


Monografia, submetido ao Departamento de
Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte como parte dos requisitos
necessários para obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil.

Aprovado em 01 de dezembro de 2017:

___________________________________________________
Prof. Dr. Yuri Daniel Jatobá Costa – Orientador

___________________________________________________
Profa. Dra. Carina Maia Lins Costa – Examinador interno

___________________________________________________
Esp. Thiago Adelino de Melo – Examinador externo

Natal-RN
2017
DEDICATÓRIA

“A mind needs books as a sword needs a whetstone, if it’s to keep its edge”

George R. R. Martin

Aos meus pais, cujos ensinamentos fundamentaram todo o trajeto até aqui.
AGRADECIMENTOS

A todos que me auxiliaram nesse projeto, direta e indiretamente, expresso aqui meus
sinceros agradecimentos.
Ao meu orientador Prof. Dr. Yuri Costa pela constante prontidão a compartilhar seus
conhecimentos e ideias.
Aos meus pais, Orildo e Cida, por me ensinarem o valor do pensamento próprio e a
quem devo tudo que construí de conhecimento e senso crítico durante minha vida inteira.
Às minhas irmãs, Brisa, Morena e Bel, por me mostrarem que produtividade e barulho
às vezes têm que caminhar juntos.
Ao meu irmão Felipe, por ministrar a minha primeira aula de programação e por me
deixar um quarto inteiro de herança após a mudança pra França.
À comunidade Stackoverflow, por mostrar o poder do trabalho coletivo em prol da
construção e compartilhamento de conhecimento.
A Thiago Adelino, que se disponibilizou prontamente a me ajudar e esteve lá para
discutir programação comigo sempre que solicitado.
Aos amigos do IFRN: Geísa, Marina, Yasmin, Bárbara, Juliana, Vinícius, Rodrigo,
Arthur e Diego, pelas risadas e pelas memórias que me mantém são nos momentos difíceis.
A Raquel Dantas, pelo carinho especial, e por sofrer comigo e lanchar comigo mais
vezes do que se pode contar ao longo deste trabalho.
A Juliana Caroline por compartilhar o mesmo entusiasmo em discutir programação e
ferramentas do Excel, e pela ajuda na revisão dos códigos do programa.
A todos os amigos da INFRA, especialmente Raquel, Juliana, Guztavo, Bárbara,
Marcio e Rosemary de Ross, por nos inspirar com suas frases diárias.
Aos amigos da UFRN, com tantos nomes e tantas memórias, pelos estudos em grupo
e pelas descontrações ao longo curso.
A todos os outros amigos e familiares não nomeados aqui, mas que sabem a
importância que representam no dia-a-dia.
Às empresas locais que disponibilizaram seus dados gratuitamente e de bom grado
para ajudar na validação deste trabalho, mas, a pedidos, permanecerão sem nome.
RESUMO

Desenvolvimento de programa computacional para estimativa de recalque elástico de


estacas

O presente trabalho tem por objetivo a implementação de um programa computacional na


linguagem Visual Basic para a estimativa de recalque imediato de estacas verticais de seção
circular, submetidas a cargas verticais de compressão. A análise capacidade de carga do sistema
solo-estaca é feita pelo método de Décourt e Quaresma (1978), tendo como dados de entrada
valores de resistência à penetração obtidos de sondagem SPT. O cálculo dos recalques segue o
método de Aoki e Lopes (1975), o qual emprega as equações da Teoria da Elasticidade de
Mindlin (1936) para cálculo de tensões no subsolo. O cálculo dos recalques inclui também a
proposição de Steinbrenner (1934). O programa desenvolvido possibilita a análise do recalque
de estacas isoladas ou a análise dos recalques em grupos de estacas. Os recalques podem ser
obtidos em qualquer posição do maciço de solo. Para uma estaca isolada, o programa também
possibilita o traçado de uma curva carga-recalque. A validação do programa foi feita através de
comparações com resultados de provas de carga realizadas com estacas escavadas a seco e
hélice continua em diferentes perfis de subsolo. O programa computacional desenvolvido gerou
previsões muito próximas dos resultados experimentais, mesmo considerando o meio como
elástico e linear.

Palavras-chave: Recalque imediato. Estaca. Software. Linguagem de programação. Prova de


carga.
ABSTRACT

Title: Development of a Software for estimating elastic settlement of piles.

This work aims at developing a computer program in Visual Basic for estimating the
immediate settlement of vertical piles with circular cross-section, under vertical compression
loads. The bearing capacity of the soil-pile system is calculated with the method put forward
by Décourt and Quaresma (1978), which is based on penetration resistance values from SPT
tests. Settlement calculations follow the method proposed by Aoki and Lopes (1975), which
uses the equations of the Theory of Elasticity proposed by Mindlin (1936) for calculating
stresses within the soil mass. Settlement calculations also include the method of Steinbrenner
(1934). The computer code developed under this framework allows analysis of settlements of
a single pile or settlements for a group of piles. Settlements can be calculated in any position
within the soil mass. In addition, the code can yield the predicted load-settlement curve of an
isolated pile. Validation of the software was achieved through comparison of the numerical
results with experimental results from compression load tests performed in drilled shafts in dry
conditions and on continuous flight auger (CFA) piles embedded in different soils. The
computer program provided very close predictions to experimental results, even considering
the soil as a linear elastic mean.

Keywords: Immediate settlement. Pile. Software. Programing language. Pile load test.
ÍNDICE GERAL

CAPÍTULO PÁGINA

INDICE DE FIGURAS ..................................................................................................... 11


ÍNDICE DE TABELAS .................................................................................................... 13
INDICE DE QUADROS ................................................................................................... 14

SIMBOLOGIA .................................................................................................................. 15

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 17
1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................................... 17
1.2 JUSTIFICATIVA ......................................................................................................... 17
1.3 OBJETIVOS ................................................................................................................. 18
OBJETIVO GERAL .................................................................................................18
OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................18
1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO ................................................................................. 19

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................... 21


2.1 TRANSFERÊNCIA DE CARGA NO SISTEMA ESTACA - SOLO .......................... 21
MODELO DE EQUILÍBRIO ESTACA – SOLO .....................................................21
CAPACIDADE DE CARGA ....................................................................................22
MÉTODO DE DÉCOURT-QUARESMA ................................................................23
RESISTÊNCIA MOBILIZADA ...............................................................................25
2.2 RECALQUE EM FUNDAÇÕES POR ESTACAS ...................................................... 26
RECALQUE ELÁSTICO DO FUSTE .....................................................................27
RECALQUE DO MACIÇO DE SOLO ....................................................................28
2.3 PARÂMETROS DE DEFORMABILIDADE DO SOLO ............................................ 28
MÓDULO DE DEFORMABILIDADE (Es).............................................................29
COEFICIENTE DE POISSON (νs) ...........................................................................32
2.4 EQUAÇÕES DE MINDLIN ........................................................................................ 34
2.5 PROCEDIMENTO DE STEINBRENNER .................................................................. 36
2.6 MÉTODO DE AOKI E LOPES .................................................................................... 38
3. METODOLOGIA DE FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA ............................. 43
3.1 ENTRADA DE DADOS .............................................................................................. 44
ENTRADA DE PROPRIEDADES DAS ESTACAS ...............................................44
ENTRADA DE PROPRIEDADES DO TERRENO.................................................46
ENTRADA DE PARÂMETROS DE INTEGRAÇÃO NUMÉRICA ......................49
3.2 VISUALIZAÇÃO DOS RESULTADOS E EMISSÃO DE RELATÓRIO DE
RESULTADOS ................................................................................................................... 50
3.3 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA MOBILIZADA ........................................................ 52
CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CARGA .........................................................53
3.4 CÁLCULO DO RECALQUE DEVIDO À DEFORMAÇÃO ELÁSTICA DO FUSTE54
3.5 CÁLCULO DO RECALQUE DEVIDO À DEFORMAÇÃO DO SOLO .................... 55
SUB-ROTINA PRINCIPAL (MÉTODO DE AOKI E LOPES (1975)) ...................55
MÉTODO DE STEINBRENNER.............................................................................59
SUB-ROTINA PARA EQUAÇÕES DE MINDLIN ................................................60
3.6 GERAÇÃO DAS CURVAS CARGA-RECALQUE ................................................... 61

4. VALIDAÇÃO DO PROGRAMA E DISCUSSÃO DE RESULTADOS.................. 64


4.1 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS EM LIVROS DIDÁTICOS ........................................ 64
Cintra e Aoki (2010) .................................................................................................64
Alonso (2012)............................................................................................................65
4.2 PROVAS DE CARGA ESTÁTICA ............................................................................. 66
Estacas hélice contínua em solo arenoso ...................................................................67
Estacas escavadas a seco em solo silto-arenoso ........................................................69
Estacas hélice contínua em solo areno-argiloso ........................................................71

5. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 72

6. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ...................................................... 73

7. REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 75

ANEXO A ………………………………………………………………………………78
ANEXO B ………………………………………………………………………………85
INDICE DE FIGURAS

FIGURA PÁGINA

Figura 2.1 - Diagrama de transferência de esforços estaca - solo ................................... 22


Figura 2.2 - Parcelas do recalque de uma estaca vertical ................................................ 27
Figura 2.3 - Parâmetros das equações de Mindlin. .......................................................... 34
Figura 2.4 - Metodologia de Steinbrenner para solos estratificados ............................... 37
Figura 2.5 - Parcelamento da base da estaca para integração numérica .......................... 39
Figura 2.6 - Divisão da base em subáreas ....................................................................... 39
Figura 2.7 - Divisão do fuste em subáreas ...................................................................... 41

Figura 3.1 - Workspace de entrada de propriedades das estacas ..................................... 44


Figura 3.2 - Exemplo de disposição de estacas plotadas na planta de locação
automaticamente .............................................................................................................. 45
Figura 3.3 – Fluxograma de funcionamento do workspace de Entrada das
Propriedades das Estacas ................................................................................................. 46
Figura 3.4 - Workspace de entrada de propriedades do terreno ...................................... 47
Figura 3.5 - Fluxograma de funcionamento do workspace de Entrada das
Propriedades do Terreno.................................................................................................. 49
Figura 3.6 - Workspace entrada de subdivisões para integração numérica e análise
de recalques ..................................................................................................................... 50
Figura 3.7 - Resultado típico obtido para a análise de um grupo de estacas sob forças
fixadas.............................................................................................................................. 51
Figura 3.8 - Resultado típico obtido na análise de uma estaca isolada sob uma força
crescente .......................................................................................................................... 51
Figura 3.9 – Exemplo de relação carga-recalque estimada bilinear ................................ 61
Figura 3.10 - Exemplo de relação carga-recalque estimada trilinear .............................. 62
Figura 3.11 - Retas tangentes utilizadas para suavização da curva estimada .................. 63
Figura 3.12 - Configuração final da curva após a suavização ......................................... 64
Figura 4.1 - Curva carga-recalque para exercício resolvido de Cintra e Aoki (2010)
......................................................................................................................................... 65
Figura 4.2 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 01. Estaca tipo hélice
contínua, com diâmetro de 400 mm e comprimento de 15 m ......................................... 68
Figura 4.3 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 02. Estaca tipo hélice
contínua, com diâmetro de 400 mm e comprimento de 17 m ......................................... 68
Figura 4.4 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 03. Estaca tipo hélice
contínua, com diâmetro de 500 mm e comprimento de 15 m ......................................... 69
Figura 4.5 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 04. Estaca tipo escavada
a seco, diâmetro = 500 mm e comprimento = 12 m. ....................................................... 70
Figura 4.6 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 05. Estaca tipo escavada
a seco, diâmetro = 500 mm e comprimento = 12 m ........................................................ 70
Figura 4.7 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 06. Estaca tipo hélice
contínua, diâmetro = 600 mm e comprimento = 13 m .................................................... 71
Figura 4.8 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 07. Estaca tipo hélice
contínua, diâmetro = 700 mm e comprimento = 12 m. ................................................... 72
ÍNDICE DE TABELAS

TABELA PÁGINA

Tabela 2.1 - Coeficiente característico C do solo .............................................................. 24


Tabela 2.2 - Valores dos fatores α e β em função do tipo de estaca e do tipo de solo ...... 24
Tabela 2.3 - Valores de α = Es/qc....................................................................................... 30
Tabela 2.4 - Valores da relação K = qc/Nspt ....................................................................... 30
Tabela 2.5 - Valores orientativos de Módulos de Deformabilidade (drenado e não-
drenado) e Coeficiente de Poisson para solos arenosos e argilosos. ................................. 31
Tabela 2.6 - Valores orientativos de Módulo de Deformabilidade para diferentes tipos
de solo. ............................................................................................................................... 31
Tabela 2.7 - Valores típicos de módulos de deformabilidade (em MPa) por vários
autores................................................................................................................................ 32
Tabela 2.8 - Valores típicos de coeficiente de Poisson na situação drenada. .................... 33
Tabela 2.9 - Valores típicos de coeficiente de Poisson (Teixeira e Godoy) ...................... 33
Tabela 2.10 - Valores empíricos de coeficiente de Poisson .............................................. 34

Tabela 3.1 - Valores orientativos para módulo de elasticidade de estacas ........................ 45


Tabela 3.2 - Valores interpolados e estimados para ν e α ................................................. 48
Tabela 3.3 - Valores limites para estimativa de módulo de deformabilidade pelo
programa ............................................................................................................................ 48
INDICE DE QUADROS

QUADRO PÁGINA

Quadro 3.1 - Algoritmo da função de cálculo da resistência mobilizada ........................ 53


Quadro 3.2 - Algoritmo para cálculo da capacidade de carga por Décourt-Quaresma ... 53
Quadro 3.3 - Algoritmo de cálculo da deformação elástica da estaca ............................. 54
Quadro 3.4 - Algoritmo da sub-rotina principal .............................................................. 56
Quadro 3.5 - Considerações iniciais de Steinbrenner (1934) no algoritmo principal ..... 59
Quadro 3.6 - Considerações finais de Steinbrenner (1934) no algoritmo principal ........ 59
Quadro 3.7 - Algoritmo para resolução das equações de Mindlin (1936)....................... 60
SIMBOLOGIA

SÍMBOLO SIGNIFICADO

ROMANOS

A Área da seção da estaca


Ap Área da ponta da estaca
B (x, y, z) Ponto onde se quer calcular o recalque
C Distância entre o ponto de aplicação da força e a superfície do solo
C Coeficiente característico do solo por Décourt-Quaresma
ck Profundidade onde atua a carga Pi , k
D Diâmetro
D1 Profundidade superior do trecho da estaca em estudo
D2 Profundidade inferior do trecho da estaca em estudo
Ee Módulo de elasticidade da estaca
Es Módulo de deformabilidade do solo
f1 Atrito / unidade de comprimento na profundidade D1 do trecho da
estaca
f2 Atrito / unidade de comprimento na profundidade D2 do trecho da
estaca
fRm1 Fator de resistência mobilizada no fuste
fRm2 Fator de resistência mobilizada na ponta
G Módulo de elasticidade transversal
i , j, k Índices para indicar a posição de cada sub-área
K Coeficiente característica do solo em MPa
L Comprimento da estaca, antes do carregamento
n1 Número de divisões na circunferência da estaca
n2 Número de divisões no raio da base da estaca
n3 Número de divisões no trecho do fuste da estaca, entre as
profundidades D2 – D1
NL Valor médio de Nspt em um dado intervalo
Np Média entre os 3 Nspt referentes à ponta da estaca: nivelado, anterior
e posterior
Nspt Número de golpes para penetração padrão de um ensaio SPT
N(z) Esforço normal na profundidade z da estaca
Fp Carga atuante na base da estaca
Ff (js) Carga atuante na camada js do fuste
P Carga atuante no topo da estaca; Carga pontual vertical no interior do
sólido semi-infinito
Pij Força pontual aplicado na sub-área na base da estaca
Pik Força pontual aplicado na sub-área no fuste da estaca
Q Carga pontual horizontal no interior do sólido semi-infinito
qc Resistência de ponta no ensaio CPT
Q(z) Atrito lateral local (força / unidade de comprimento)
rL Tensão resistente no fuste
rp Tensão resistente na ponta
ri∞ Recalque de uma massa semi – infinita ao nível da aplicação da carga
rh∞ Recalque de uma massa semi – infinita na profundidade onde existe o
“indeformável”
RL Carga de ruptura lateral no fuste da estaca – solo
RP Carga de ruptura na base da estaca – solo
RT Carga de ruptura entre estaca – solo
Rb Raio na base da estaca
Rf Raio no fuste da estaca
Ri Distância projetada entre os pontos de aplicação de carga Pi,k e o
ponto B
Ri,j Distância projetada entre os pontos de aplicação de carga Pi ,j e o
ponto B
R Distância projetada entre o centro da base da estaca e o ponto B
R1 Distância no espaço, entre o ponto de aplicação de carga P e o ponto
B
R2 A distância entre o ponto B onde se quer o recalque e a projeção
acima da superfície do ponto de aplicação
U Perímetro da seção transversal da estaca
we Recalque devido à deformação elástica do fuste
ws Recalque no maciço de solo
wsp Recalque no maciço de solo devido à ação da ponta
wSl Recalque no maciço de solo devido à ação do fuste
ZA Profundidade z no centro da base da estaca.
ZB Profundidade z onde se quer calcular o recalque
GREGOS

α Coeficiente de Décourt-Quaresma para resistência de ponta;


coeficiente para estimativa de módulo de deformabilidade
β Coeficiente de Décourt-Quaresma para resistência de fuste
βi Ângulo dos n1 setores circulares em que a estaca é dividida
Δz Comprimento do fuste referênte ao esforço N(z)
ν Coeficiente de Poisson
φrel Ângulo de atrito relativo
φtc Compressão triaxial
ρij Distância entre o eixo da estaca e a subdivisão i,j.
Θ Ângulo entre a direção do deslocamento radial e a direção x
17

1. INTRODUÇÃO

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O sistema estrutural de edifícios tem seu equilíbrio garantido graças à ação das
seguintes partes: a) A superestrutura (pilares, vigas, lajes, etc.); b) a infraestrutura ou estrutura
de fundação (blocos, sapatas, estacas, etc.) e c) o maciço de solo. As ações aplicadas ao edifício
são recebidas pela superestrutura, transferidas ao longo destas para as fundações, e estas,
descarregam-nas no maciço de solo, responsável por absorver todas as ações. O estudo da
interação que ocorre desde o recebimento de cargas pelas fundações e sua seguinte dissipação
no terreno, é o objeto de interesse da Engenharia de Fundações.
A Engenharia de Fundações é ao mesmo tempo uma arte e uma ciência, como coloca
Coduto (2001). É uma arte quando necessita uma visão subjetiva e criativa quanto à modelagem
do maciço de solo. É uma ciência quando se foca em realizar atividades experimentais,
observacionais e analíticas daqueles fenômenos envolvidos no campo da engenharia. A
Engenharia de Fundações é uma das mais visíveis áreas da Geotecnia, pois suas obras ocorrem
com grande frequência e inegável importância desenvolvimentista e econômica. O engenheiro
geotécnico deve, então, engajar-se na evolução das ferramentas que usa para constituir seus
modelos de suporte e comportamento das fundações.

1.2 JUSTIFICATIVA

A engenharia de estruturas seguiu há várias décadas, a hipótese simplificada de que os


edifícios estariam apoiados sobre vínculos rígidos, adotando os recalques do solo como
constantes ou de diferenças desprezíveis em todas as fundações e desconsiderando os esforços
proveniente desses recalques. Essa abordagem simplista era altamente dependente da
experiência e senso crítico do engenheiro para garantir a validade das hipóteses, mas era aquilo
que se tinha antes da popularização e avanço dos microcomputadores.
Adotar fundações como vínculos indeslocáveis é uma hipótese que conduz a esforços
e deslocamentos calculados muito discrepantes da situação real de comportamento observado
da estrutura. Isso é evidente quando se argumenta que essa hipótese estaria adotando como
iguais os esforços solicitantes em duas estruturas idênticas independentemente do tipo de solo
sobre o qual são construídas.
18

Constantemente novas pesquisas evidenciam o quanto a adoção de apoios elásticos por


meio da análise da interação solo – estrutura conduz a esforços diferentes daqueles calculados
para apoios rígidos. Pode-se citar, por exemplo, os trabalhos publicados por Chamecki (1956);
Gusmão (1990; 1994), Holanda Júnior et al. (2000), Iwamoto (2000), Mota (2009), Moura
(1995), e Souza e Reis (2008).
Observa-se, contudo, que a consideração da interação solo – estrutura é um problema
complexo e requer auxílio computacional para processar as várias iterações inerentes aos
métodos propostos na literatura. O problema de recalque de estacas, como argumenta Alonso
(2012), por si só já se mostra complexo e uma tentativa de se acomodar e utilizar métodos
simplificados não condiz com a realidade da engenharia. Thomaz (2002), por exemplo, ainda
aponta a imprecisão na previsão do recalque diferencial como uma das principais falhas em
projeto causadoras de patologias em edifícios.

1.3 OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

O objetivo geral do trabalho é conceber um programa computacional capaz de analisar


recalques elásticos de estacas isoladas ou em grupos, inseridas em um terreno com dado perfil
geológico-geotécnico. O programa tem como base o método de Aoki e Lopes (1975).
.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Os objetivos específicos do trabalho são:


 Avaliar modelos de transferência de cargas estaca-solo;
 Implementar o método de Aoki e Lopes (1975), com as equações de Mindlin
(1936), em conjunto com a metodologia de Steinbrenner (1934) e o método de
Décourt e Quaresma (1978), em um programa elaborado em Visual Basic;
 Construir uma ferramenta de estimativa de curvas carga-recalque em estacas
isoladas;
 Construir uma ferramenta de estimativa de recalque causado por estacas
vizinhas;
19

 Avaliar os resultados obtidos através do programa computacional


confrontando-os com resultados de provas de carga realizadas em campo.

1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO

No Capítulo 2 descreve-se a revisão da literatura referente a fundações por estacas.


Nesse contexto, exploram-se: a) o modelo de transferência de carga no sistema estaca-solo,
revisando a forma como se dá o equilíbrio de uma estaca que recebe um carregamento vertical;
b) os conceitos de capacidade de carga e metodologias para sua estimativa; e c) avalia-se um
modelo simplificado para determinação dos diagramas de esforços solicitantes em uma estaca.
Em seguida revisam-se os mecanismos responsáveis pelo recalque imediato em
estacas e como analisam-se separadamente as deformações que surgem na estaca como sólido
deformável e no maciço de solo.
Posteriormente faz-se uma rápida revisão sobre métodos de estimativa de parâmetros
de elasticidade do solo, como o módulo de deformabilidade e o coeficiente de Poisson, os quais
são necessários às metodologias do programa e podem ser estimados de acordo com essas
diretrizes na falta de dados experimentais.
Fechando o capítulo, explicam-se os três principais trabalhos que estruturam a
metodologia de estimativa de recalques: A solução fundamental da elasticidade feita por
Mindlin (1936), a adaptação para solos estratificados proposta por Steinbrenner (1934) e o
método de integração numérica concebido por Aoki e Lopes (1975).
Compondo o Capítulo 3, surgem a explanações sobre metodologias utilizadas pelo
programa, descrevendo a forma como o programa interpreta os conceitos estabelecidos na
revisão bibliográfica. Descrevem-se as áreas de trabalho do programa e suas funcionalidades,
de forma a atestar pela fácil utilização e lógica de organização da interface do usuário.
Apresentam-se as lógicas de programação utilizadas pelas principais sub-rotinas do
programa, contextualizadas com a revisão bibliográfica que justifica seu uso, enquanto
percorrem-se os algoritmos para capacidade de carga, resistência mobilizada, deformação do
fuste, recalque do solo e traçado das curvas carga-recalque.
No quarto capítulo, apresentam-se resultados obtidos pelo programa em conjunto com
a validação discutida por meio da comparação com valores experimentais medidos em provas
de carga, e valores calculados em exercícios resolvidos na literatura através de outros métodos
de cálculo.
20

Por fim, discutem-se as conclusões gerais do trabalho, bem como críticas e sugestões
para trabalhos futuros.
21

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 TRANSFERÊNCIA DE CARGA NO SISTEMA ESTACA - SOLO

Como posto por Cintra e Aoki (2010), uma estaca sem estar contida em um subsolo
não é uma fundação, por isso uma fundação por estaca define-se como o sistema formado pela
estaca como elemento estrutural e o maciço de solo que a envolve. Campos (2015) caracteriza
estacas como elementos estruturais esbeltos, cravados ou perfurados, cuja transferência de
cargas para o solo se dá por meio de sua extremidade inferior (resistência de ponta) e/ou do
atrito/adesão lateral da estaca com o solo (resistência de fuste).
Os mecanismos mobilizados na transferência de carga da estaca para o solo variam de
acordo com o tipo de carregamento ao qual a estaca está submetida. Sejam as cargas axiais,
transversais, de flexão, de torsão ou alguma combinação destas, quanto mais complexo for o
sistema de carregamento, mais complexo será o mecanismo de resistência da fundação. No
presente trabalho, consideram-se apenas as cargas axiais de compressão aplicadas a estacas
verticais.

MODELO DE EQUILÍBRIO ESTACA – SOLO

Considere uma estaca vertical (Figura 2.1) de comprimento L, diâmetro D, e submetida


a uma carga axial de compressão P. Conforme a aplicação gradativa dessa carga, mobilizam-se
tensões resistentes no fuste (rL), provenientes da adesão lateral (argilas) ou atrito lateral (areias)
entre o solo e o fuste da estaca Q(z), acompanhadas também por tensões normais na ponta da
estaca (rp) que comprime o solo abaixo de si.
Essas tensões acumulam-se ao longo da estaca, que apresenta um diagrama de esforços
normais N(z) decrescente ao mesmo passo.
22

Figura 2.1 - Diagrama de transferência de esforços estaca - solo

Fonte: Autor

CAPACIDADE DE CARGA

Em análise do problema da capacidade de carga de uma fundação por estaca, constata-


se o desenvolvimento de tensões resistentes resultantes em duas parcelas para o equilíbrio de
forças na estaca, a resistência de ponta (RP) e a resistência de fuste (RL), de forma que a equação
do equilíbrio se escreve:
𝑅 =𝑅 +𝑅 ( 2.1 )

Essas parcelas resistentes são obtidas pela distribuição das tensões que as geram sobre
as áreas nas quais são desenvolvidas, escrevendo-se então:
𝑅 = 𝑟 ∙ 𝐴 + 𝑈 ∙ ∑𝑟 ∆ ( 2.2 )
Onde,
Ap é a área da ponta;
U é o perímetro do fuste;
e ΔL é o comprimento considerado onde se desenvolve cada tensão no fuste.

Dessa forma, estabelece-se que o problema é a determinação das tensões


desenvolvidas pelo conjunto estaca – solo, as quais são estudadas a partir das informações
23

originadas da investigação do solo (geralmente o Standard Penetration Test – SPT ou o Cone


Penetration Test – CPT).
Cintra e Aoki (2010) reconhecem que a determinação das capacidades resistentes do
solo constitui um vasto capítulo da engenharia de fundações. As pesquisas são feitas teórica e
empiricamente, somando-se em um imenso repertório de metodologias.
Aqueles desenvolvidos em métodos teóricos, os autores argumentam, devem sua
diversidade justamente à dificuldade de se ajustar bons modelos físico-matemáticos ao
problema, tornando essas equações pouco aplicáveis com grande variabilidade dos resultados.
Campos (2015) e Velloso e Lopes (2010), por sua vez, lembram que os métodos
puramente empíricos estimam a capacidade de carga baseados na classificação das camadas
atravessadas pela sondagem e representam uma estimativa particular para um dado local.
Nesse contexto, os métodos semiempíricos, os quais associam resultados empíricos a
teorias bem desenvolvidas, são os mais utilizados em escritórios de engenharia há bastante
tempo, com destaque para aqueles desenvolvidos por Aoki-Velloso (1975), Decourt-Quaresma
(1978; 1996) e Teixeira (1996).
Para uso no funcionamento do programa, optou-se pelo método de Décourt-Quaresma
(1978; 1996), sendo descrito a seguir.

MÉTODO DE DÉCOURT-QUARESMA

A estimativa da tensão de adesão ou de atrito lateral (rL) é feita com o valor médio do
índice de resistência à penetração do SPT ao longo do fuste (NL).
No cálculo do NL adotam-se os limites 3 ≤ Nspt ≤ 50 (ou no máximo 15 para estacas
Strauss).
N
r = 10β +1 (kPa) ( 2.3 )
3

A capacidade de carga junto à ponta ou base da estaca (rp) é estimada de acordo com
o coeficiente característico C do solo ajustado de provas de carga e tabelado pelos autores
(Tabela 2.1).
r =α∙C∙N (kPa) ( 2.4 )
24

Em que, Np é a média entre os 3 índices de resistência à penetração do ensaio SPT na


ponta, correspondentes a: o nível da ponta, a camada imediatamente anterior e a camada
imediatamente posterior.

Tabela 2.1 - Coeficiente característico C do solo

Tipo de solo C (kPa)


Argila 120
Silte argiloso 200
Silte arenoso 250
Areia 400

Fonte: Décourt (1978)

Os coeficientes α e β foram acrescentados pelos autores em 1996 para abranger uma


quantidade maior de tipos de estacas, mas mantém-se α = β = 1 para estacas cravadas e tipo
Franki, e são apresentados na Tabela 2.2:

Tabela 2.2 - Valores dos fatores α e β em função do tipo de estaca e do tipo de solo

Tipo de estaca
Escavada Escavada c/ Hélice Injetada sob
Tipo de solo
Cravadas em geral bentonita Contínua Raiz altas pressões
Argilas 1,0 0,85 0,85 0,3 0,85 1,0
α Solos intermediários 1,0 0,6 0,6 0,3 0,6 1,0
Areias 1,0 0,5 0,5 0,3 0,5 1,0

Argilas 1,0 0,8 0,9 1,0 1,5 3,0


β Solos intermediários 1,0 0,65 0,75 1,0 1,5 3,0
Areias 1,0 0,5 0,6 1,0 1,5 3,0

Fonte: Adaptado de Decourt e Quaresma (1978, 1996)

Dessa forma, concebe-se a equação para a capacidade de carga total da fundação por
estaca:
N
R = α ∙ C ∙ N ∙ A + 10U ∙ β + 1 ∆L ( 2.5 )
3
25

RESISTÊNCIA MOBILIZADA

O problema da interação solo-estaca apresenta elevado grau de hiperestaticidade, uma


vez que as reações de apoio são continuamente distribuídas ao longo do fuste e da base da estaca
(AOKI, 1997).
A transferência de cargas entre um grupo de estacas e o solo se desenvolve por
complexos mecanismos de interação, e é afetada por fatores como a técnica de execução das
estacas com consequente perturbação do solo, contribuição da rigidez do bloco de coroamento,
e a variação tensão-deformação-tempo do contato com o maciço de solo. Esses fatores
configuram a determinação da resistência mobilizada como um problema altamente
indeterminado.
É proposto por Cintra e Aoki (2010), bem como por Campos (2015), a simplificação
de que a resistência de ponta em fundações por estacas é mobilizada após o esgotamento da
resistência de fuste, então para cargas abaixo da resistência de fuste, considera-se a resistência
mobilizada de ponta como nula.
O modelo que surge dessa proposta se estabelece da seguinte forma:
 Para cargas abaixo da resistência máxima de fuste, admite-se uma mobilização
parcial dessa resistência na interface fuste-solo, enquanto a força na ponta da
estaca mantém-se igual a zero;
 Quando a carga atinge o valor máximo da resistência lateral, admite-se toda a
resistência lateral mobilizada, mas a ponta continua a não contribuir com a
resistência.
 Para valores de carga além desse ponto, considera-se constante a contribuição
do fuste, e a força na ponta mobiliza-se parcialmente até a carga atingir o valor
de ruptura da estaca.
Segundo Aoki (1979)1 apud IWAMOTO (2000), uma vez aceito esse modelo, o
problema passa a ser determinado desde de que se conheçam a carga aplicada e o diagrama de
ruptura da estaca, o qual é determinado conforme métodos semelhantes ao descrito no item
2.1.3 deste trabalho.

1
AOKI, N. Considerações sobre projeto e execução de fundações profundas. In: SEMINÁRIO DE
FUNDAÇÕES DA SOCIEDADE MINEIRA DE ENGENHARIA. Belo Horizonte: Sociedade Mineira de
Engenharia. 1979.
26

2.2 RECALQUE EM FUNDAÇÕES POR ESTACAS

Seguindo o modelo adotado no tópico 2.1 deste trabalho para uma estaca vertical
submetida a uma carga axial, analisa-se em sequência o desenvolvimento dos recalques
naturalmente decorrentes da absorção dessa carga pelo conjunto estaca – solo.
Admita-se uma estaca inserida em um maciço de solo, com comprimento L e distância
M de sua ponta até o nível considerado indeslocável (Figura 2.2). Por indeslocável, considera-
se aquele ponto sob o qual o solo é rígido o suficiente para desprezar-se os seus deslocamentos,
geralmente caracterizado por um topo rochoso ou camada arenosa com pedregulhos e alta
densidade. De acordo com Cintra e Aoki (2010), a aplicação de uma carga vertical P no topo
dessa estaca provocará dois tipos de deformações:

a) O encurtamento elástico da própria estaca, como peça estrutural submetida a


compressão, o que equivale a um recalque de igual magnitude da cabeça da
estaca, we, mantida imóvel a sua base;
b) As deformações verticais de compressão dos estratos de solo subjacentes à base
da estaca, até o indeslocável, o que resulta em recalque ws da base.

Determinadas as parcelas do recalque referentes a esses dois fenômenos, escreve-se


para o recalque total:
𝑤 =𝑤 +𝑤 ( 2.6 )
27

Figura 2.2 - Parcelas do recalque de uma estaca vertical

Fonte: Autor

RECALQUE ELÁSTICO DO FUSTE

Alonso (2012) descreve a determinação da deformação do fuste como uma direta


aplicação da lei de Hooke.
Primeiro desenha-se o diagrama de esforços normais N(z) ao longo do fuste, o qual
começa igual à carga P aplicada no topo da estaca e decresce conforme esses esforços são
transferidos para o solo em forma de resistência de fuste. Esse diagrama é ilustrado na Figura
2.1 e possibilita o desenvolvimento da seguinte expressão:

1
𝑤 = 𝑁(𝑧)𝛥𝑧 ( 2.7 )
𝐴∙𝐸
Em que,
A é a área da seção transversal do fuste;
Ee é o módulo de elasticidade da estaca;
e Δz é o comprimento do fuste referente ao esforço normal N(z).
28

RECALQUE DO MACIÇO DE SOLO

De maneira geral os modelos utilizados na prática da geotecnia consideram três tipos


de recalques: recalque imediato ou elástico; recalque por adensamento primário, que ocorre
devido à expulsão de água dos vazios do solo, e recalque por adensamento secundário, devido
à fluência do esqueleto sólido após a dissipação de todas as pressões neutras (REIS, 2000).
Para propósitos deste trabalho, considera-se no maciço de solo apenas o recalque
imediato.
Considerando forças verticais aplicadas pela ponta da estaca ao solo, um acréscimo de
tensões se propaga nas camadas subjacentes que se deformam proporcionalmente. De maneira
análoga, as reações geradas no fuste, constituem forças que também se propagam em forma de
tensões distribuídas no maciço de solo.
Vesić (1975) mostra que é possível computar separadamente o recalque devido às
tensões geradas pela resistência de ponta (wsp) e o recalque devido às tensões geradas pela
resistência de fuste (wsL), e sobrepô-los, podendo-se escrever:
𝑤 =𝑤 +𝑤 ( 2.8 )

Para se estimarem os recalques devidos à deformação imediata do maciço de solo, usa-


se neste trabalho o método proposto por Aoki e Lopes (1975) baseados nas equações de Mindlin
(1936), os quais consideram o recalque do solo como elástico e são abordados respectivamente
nos itens 2.6 e 2.4 deste trabalho.

2.3 PARÂMETROS DE DEFORMABILIDADE DO SOLO

A análise de todos os problemas geotécnicos requer a adoção de um modelo


comportamental do solo, completo com todas as suas propriedades relevantes.
A caracterização completa do solo em um local específico requereria um elaborado e
oneroso programa de testes, bem além da abrangência de muitos orçamentos de projetos. Em
alternativa, o engenheiro projetista deve contar com informações mais limitadas do solo,
momento em que que as correlações do solo se tornam mais úteis. Entretanto, cautela deve
sempre ser exercida ao usar correlações amplas e generalizadas de parâmetros tabelados ou
resultados de testes in-situ (KULHAWY e MAYNE, 1990).
29

No estudo de recalques, assim como é reforçado pelas equações de Mindlin (1936)


(detalhadas no item 2.4 deste trabalho), dois principais parâmetros destacam-se: o módulo de
deformabilidade (i.e. o módulo de Young), Es, e o Coeficiente de Poisson, νs. É de senso geral,
entretanto, que a variabilidade desses fatores geram forte incerteza na modelagem mecânica do
subsolo, especialmente em fundações profundas, nas quais a extração de amostras indeformadas
ou não-perturbadas do solo é simplesmente uma meta não realística para obras de engenharia.
Para estacas em areias ou solos não-saturados, o recalque final pode ser considerado
como de ocorrência imediata à aplicação da carga, de forma que os valores de Es e νs usados no
cálculo devem ser os valores drenados, Es’ e νs’. Por outro lado, para estacas em argilas
saturadas, um recalque imediato ocorre sob condições não-drenadas seguidos de um
adensamento ao longo do tempo. O recalque imediato deve ser estimado por soluções teóricas
usando o módulo de Young e o coeficiente de Poisson não-drenados (POULOS e DAVIS,
1980).
Idealmente, a estimativa de recalques em fundações seria elaborada com resultados de
ensaios de laboratório e/ou provas de carga em obras vizinhas para calibrar os parâmetros das
camadas de solo componentes do terreno da obra, mas, em falta destes, pode-se recorrer a
algumas correlações dispostas na literatura, como as apresentadas a seguir.

MÓDULO DE DEFORMABILIDADE (Es)

Para melhor correspondência com o comportamento de uma estaca, na sua condição


de fundação profunda, Teixeira e Godoy (1998) sugerem a correlação entre o módulo de
deformabilidade e a resistência de ponta qc medida no ensaio de penetração de cone (CPT), sob
a forma da seguinte equação:
𝐸 =𝛼∙𝑞 ( 2.9 )

A Eq. 2.9 desenvolve-se na Eq. 2.10, relacionando-se ao ensaio padrão de penetração


(SPT) com o uso do coeficiente K:
𝐸 =𝛼∙𝐾∙𝑁 ( 2.10 )
Sendo,
Es o módulo de deformabilidade não drenado do solo;
α o coeficiente que relaciona Es e qc ;
Nspt o valor médio de número de golpes no ensaio SPT para camada considerada;
30

K o coeficiente que relaciona qc e Nspt

O coeficiente α que rege a correlação é levantado na literatura técnica por inúmeros


pesquisadores e variando entre 1,5 e 8, de acordo com o tipo de solo. Valores sugeridos por
Teixeira e Godoy (1998) apresentam-se na Tabela 2.3:

Tabela 2.3 - Valores de α = Es/qc

Solo α
Areia 3
Silte 5
Argila 7
Fonte: Teixeira e Godoy (1998)

Esses valores de α são citados por Cintra e Aoki (2010) acompanhados da sugestão de
uma interpolação para solos intermediários a estes três tipos.
Já o fator K, que possibilita o uso de valores obtidos em ensaio SPT, é tabelado para
uma gama mais detalhada de tipos de solo, por Teixeira (1993) na Tabela 2.4:

Tabela 2.4 - Valores da relação K = qc/Nspt

Solo K (MPa)
Areia com pedregulhos 1,10
Areia 0,90
Areia siltosa 0,70
Areia argilosa 0,55
Silte arenoso 0,45
Silte 0,35
Silte argiloso 0,25
Argila arenosa 0,30
Argila siltosa 0,20
Fonte: Teixeira (1993)
31

Cunha (2016) relaciona solos de areia siltosa na região de Lagoa Nova em Natal-RN,
com valores de K entre 0,31 e 0,54 MPa, com coeficiente de determinação (R²) de 0,67 a 0,92.
Marangon (2009) apresenta tabelas para parâmetros elásticos do solo:

Tabela 2.5 - Valores orientativos de Módulos de Deformabilidade (drenado e não-drenado) e


Coeficiente de Poisson para solos arenosos e argilosos.

a) Areias e Solos Arenosos b) Argilas e Solos Argilosos


Compacidade Es (MPa)   Consistência Es’ (MPa) 
Fofa 1-5 Muito Mole 0,3 – 1,2
Pouco Compacta 5 - 14 Mole 1,20 – 2,80
Medianamente Compacta 14 - 40 0,3 a 0,4 Média 2,80 - 5 0,4 a 0,5
Compacta 40 - 70 Rija 5 - 15
Muito Compacta > 70 Dura > 15
Fonte: Marangon (2009)

Tabela 2.6 - Valores orientativos de Módulo de Deformabilidade para diferentes tipos de solo.

Solo Es (MPa)
1. Argila
Muito mole 0,3 - 3
Mole 2-4
Média 4-9
Dura 7 - 20
Arenosa 30 – 42,5
2. Areia
Siltosa 5 - 20
Fofa 10 - 25
Compacta 50 - 100
3. Areia e pedregulho
Compacta 80 - 200
Fofa 50 - 140

4. Silte 2 - 20
Fonte: Marangon (2009)

Alguns valores típicos do módulo de deformabilidade encontrados na literatura técnica


são fornecidos por Teixeira e Godoy (1998) na Tabela 2.7.
32

Tabela 2.7 - Valores típicos de módulos de deformabilidade (em MPa) por vários autores

CONSISTÊNCIA BOWLES SHERIF KÉDZI TEIXEIRA


SOLO OU & KONIG & GODOY
COMPACIDADE (1977)2 (1975)3 (1975)4 (1998)
muito mole 0,3 - 3 - 0,35 - 3 1
mole 2-4 1 - 2,5 2-5 2
média 4,5 - 9 - 4-8 5
Argila
rija - 2,5 - 5 - 7
muito rija - 5 - 10 - 8
dura 7 - 20 - 7 - 18 15
fofa - - - 5
pouco compacta 10 - 25 20 - 50 10 - 25 20
Areia median. compacta - 50 - 100 - 50
compacta 50 - 100 - 50 - 80 70
muito compacta - - - 90
Areia com pouco compacta 50 - 140 - - 50
pedregulhos compacta 80 - 200 - 100 - 200 120
Argila arenosa - 30 - 42,5 - 30 - 40 -
Silte - 2 - 20 3 - 10 - -
Areia Siltosa - - - 7 - 20 -
Fonte: Teixeira e Godoy (1998)

COEFICIENTE DE POISSON (νs)

Estudos de correlações com o coeficiente de Poisson têm poucas afirmações apuradas


ou firmes sobre seus valores em função do seu tipo. Simons e Menzies (1981) observam a
inconstância de νs, e advertem sobre sua variação conforme a situação do solo muda entre
drenado e não-drenado. Contudo, nota-se que esse coeficiente apresenta uma pequena margem
de variabilidade, mantendo-se usualmente entre 0 e 0,5.
Numa situação não drenada para um carregamento aplicado sobre argila saturada, a
variação do volume é nula e, portanto, o coeficiente de Poisson é, por definição, igual a 0,5
nesses casos.

2
BOWLES, J. E. Foundation Analysis and Design. 2. ed. New York: Mc Graw Hill Ltda, 1977.
3
SHERIF, G.; KONIG, G. Raft and beams on compressible subsoil. 1. ed. Berlin: Springer-Verlag, 1975.
4
KÉDZI, A. Pile Foundations. In: WINTERKORN, H. F.; FANG, H. Y. Foundation Engineering Handbook. 1.
ed. New York: Van Nostrand Reinhold Co, 1975. p. 556-600.
33

Trautmann e Kulhawy (1987)5 apud Kulhawy e Mayne (1990) aproximam o valor


desse coeficiente na situação drenada pela equação:
𝜈 ≈ 0,1 + 0,3𝜑 ( 2.11 )

Com,
𝜑 − 25°
𝜑 = ( 2.12 )
45° − 25°
Na qual,
ϕrel é o ângulo de atrito relativo e;
ϕtc é a compressão triaxial.
Para valores típicos de coeficiente de Poisson na situação drenada, Kulhawy e Mayne
(1990) disponibilizam os seguintes intervalos:

Tabela 2.8 - Valores típicos de coeficiente de Poisson na situação drenada.

Solo νs’
Argila 0,2 - 0,4
Areia compacta 0,3 - 0,4
Areia fofa 0,1 - 0,3
Fonte: Kulhawy e Mayne (1990)

Teixeira e Godoy (1998) listam também os valores típicos de coeficiente de Poisson


conforme a Tabela 2.9:

Tabela 2.9 - Valores típicos de coeficiente de Poisson (Teixeira e Godoy)

Solo νs
Areia pouco compacta 0,2
Areia compacta 0,4
Silte 0,3 - 0,5
Argila saturada 0,4 - 0,5
Argila não-saturada 0,1 - 0,3
Fonte: Teixeira e Godoy (1998)

Marangon (2009), por sua vez, fornece valores condizentes com os de Teixeira e
Godoy (1998):

5
TRAUTMANN, C. H.; KULHAWY, F. H.; LONGO, V. J. CUFAD: A Computer Program for
Compression and Uplift Foundation Analysis and Design. In: Foundation Engineering: Principles and
Practices, USA, v. 2, 1a ed., 1987
34

Tabela 2.10 - Valores empíricos de coeficiente de Poisson

Solo νs
Argila saturada 0,4-0,5
Argila não-saturada 0,1-0,3
Argila arenosa 0,2-0,3
Silte 0,3-0,35
Areia compacta 0,2-0,4
Areia grossa 0,15
Areia fina 0,25
Fonte: Marangon (2009)

2.4 EQUAÇÕES DE MINDLIN

Da teoria da elasticidade, Mindlin (1936) propõe as equações para análise de cargas


pontuais aplicadas em um espaço semi-infinito. As tensões e os deslocamentos são calculados
para uma força vertical ou horizontal aplicada no ponto A, de coordenadas conhecidas em
relação à superfície do solo, em relação ao ponto B, no qual desejam-se conhecer essas tensões
e deformações. Esta solução de um problema fundamental da elasticidade aplica-se ao solo
desde que a escala e condições do problema permita sua consideração como meio elástico-
linear, homogêneo e isótropo.

Figura 2.3 - Parâmetros das equações de Mindlin.

Fonte: Adaptada de REIS (2000)


35

Analisando a geometria do problema, ilustrada na Figura 2.3, e considerando-se as


coordenadas do ponto A, de aplicação da força, como sendo (0,0,c) e do ponto B, onde se quer
estudar os efeitos, como sendo (x,y,z), Mindlin deduz as seguintes expressões para os
deslocamentos no solo:

a) Para a força P perpendicular à superfície (vertical):

𝑃𝑟 𝑧 − 𝑐 (3 − 4𝜈)(𝑧 − 𝑐) 4(1 − 𝜈)(1 − 2𝜈) 6𝑐𝑧(𝑧 + 𝑐)


𝑤 = + − + ( 2.13 )
16𝜋𝐺(1 − 𝜈) 𝑅 𝑅 𝑅 (𝑅 + 𝑧 + 𝑐) 𝑅

3 − 4𝜈 8(1 − 𝜈) − (3 − 4𝜈) (𝑧 − 𝑐)
⎡ + + +⎤
𝑃 ⎢ 𝑅 𝑅 𝑅 ⎥
𝑤 = ⎢
16𝜋𝐺(1 − 𝜈) (3 − 4𝜈)(𝑧 + 𝑐) − 2𝑐𝑧 6𝑐𝑧(𝑧 + 𝑐) ⎥ ( 2.14 )
⎢ + + ⎥
⎣ 𝑅 𝑅 ⎦

𝑤 = 𝑤 𝑠𝑒𝑛𝛩 ( 2.15 )

𝑤 = 𝑤 cos 𝛩 ( 2.16 )

b) Para a força Q paralela à superfície (horizontal):

3 − 4𝜈 1 𝑥 (3 − 4𝜈)𝑥 2𝑐𝑧 3𝑥 ( 2.17 )


⎡ + + + + 1− +⎤
𝑄 ⎢ 𝑅 𝑅 𝑅 𝑅 𝑅 𝑅 ⎥
𝑤 = ⎢ ⎥
16𝜋𝐺(1 − 𝜈) 4(1 − 𝜈)(1 − 2𝜈) 𝑥
⎢ + 1− ⎥
⎣ 𝑅 +𝑧+𝑐 𝑅 (𝑅 + 𝑧 + 𝑐) ⎦

𝑄𝑥𝑦 1 3 − 4𝜈 6𝑐𝑧 4(1 − 𝜈)(1 − 2𝜈)


𝑤 = + − − ( 2.18 )
16𝜋𝐺(1 − 𝜈) 𝑅 𝑅 𝑅 𝑅 (𝑅 + 𝑧 + 𝑐)

𝑄𝑥 𝑧 − 𝑐 (3 − 4𝜈)(𝑧 − 𝑐) 6𝑐𝑧(𝑧 + 𝑐) 4(1 − 𝜈)(1 − 2𝜈) ( 2.19 )


𝑤 = + − +
16𝜋𝐺(1 − 𝜈) 𝑅 𝑅 𝑅 𝑅 (𝑅 + 𝑧 + 𝑐)
36

Nas equações ( 2.13 ) até ( 2.20 ) define-se as variáveis por:


wr é o deslocamento radial (paralelo à direção da reta que liga os pontos A e B);
wx é o deslocamento na direção x;
wy é o deslocamento na direção y;
wz é o deslocamento na direção z (recalque);
Θ é o ângulo entre a direção do deslocamento radial;
ν é o coeficiente de Poisson;
E é o módulo de elasticidade longitudinal;

G é o módulo de transversal, relacionado por G =


( )
;
P é a força vertical aplicada;
Q é a força horizontal aplicada;
e
𝑟= 𝑥 +𝑦 ; 𝑅 = 𝑟 + (𝑧 − 𝑐) ; 𝑅 = 𝑟 + (𝑧 + 𝑐)

Para propósitos deste trabalho, no qual se busca o recalque no solo devido a forças
verticais transmitidas pela ponta e pelo fuste das estacas ao solo, ignoram-se os efeitos de cargas
horizontais. Contudo, é importante citar que uma metodologia para fazer uso completo dessas
equações, mediante o estudo dos diagramas de momentos fletores ao longo das estacas
(possibilitando até a análise de estacas inclinadas), é disponibilizada por Mota (2009).
Substituindo a relação entre os módulos de elasticidade longitudinal (E) e transversal
(G), a equação resolvida durante a integração numérica dos recalques no solo, wz, é:

3 − 4𝜈 8(1 − 𝜈) − (3 − 4𝜈) (𝑧 − 𝑐)
⎡ + + +⎤
𝑃(1 + 𝜈) ⎢ 𝑅 𝑅 𝑅 ⎥
𝑤 = ⎢ ( 2.20 )
8𝜋𝐸(1 − 𝜈) (3 − 4𝜈)(𝑧 + 𝑐) − 2𝑐𝑧 6𝑐𝑧(𝑧 + 𝑐) ⎥
⎢ + + ⎥
⎣ 𝑅 𝑅 ⎦

2.5 PROCEDIMENTO DE STEINBRENNER

Posto que as equações de Mindlin necessitam um meio elástico-linear, homogêneo,


isótropo e semi-infinito, depara-se então com um novo problema. Embora a consideração do
solo como elástico-linear seja razoável para maciços devidamente confinados e níveis limitados
37

de tensão, Pinto (2006) ressalta o quão incoerente pode ser a sua consideração como material
homogêneo.
A primeira dificuldade se refere à grande variação dos módulos de deformabilidade
conforme a tensão aplicada e em função do nível de confinamento do solo. Até quando a
granulometria é constante, o módulo cresce ao longo da profundidade, já que o confinamento
também cresce. Outro aspecto observado é sobre como a sua ocorrência natural resulta em
maciços frequentemente estratificados, com variadas composições e granulometrias,
caracterizando perfis de solo com camadas de diferentes compressibilidades.
Como solução a esse problema, Aoki e Lopes (1975) sugerem o procedimento de
Steinbrenner (1934). Este, propõe que o efeito em uma camada finita possa ser obtido pelo
estudo desse efeito para um meio infinito ao topo da camada e subtraí-lo pelo efeito para um
meio infinito ao fim da mesma camada.

Figura 2.4 - Metodologia de Steinbrenner para solos estratificados

Fonte: Iwamoto (2000)

O artifício aplicado em um perfil de duas camadas como ilustrado na (Figura 2.4)


segue da seguinte maneira:
 Calcula-se o recalque ri∞ no topo da camada 2, considerando E2 e ν2;
 Calcula-se o recalque rh∞ no nível indeslocável, considerando E2 e ν2;
 Subtrai-se ri∞ por rh∞ para obter o recalque ri referente à camada 2;
 Calcula-se o recalque ri∞ no topo da camada 1, considerando E1 e ν1;
 Calcula-se o recalque rh∞ na base da camada 1, considerando E1 e ν1;
38

 Subtrai-se ri∞ por rh∞ para obter o recalque ri referente à camada 1;


 O recalque total no topo do solo é a soma dos recalques ri calculados.

Esse artifício pode ser generalizado para perfis de solo com várias camadas acima do
indeslocável seguindo o mesmo raciocínio, e percorrendo o perfil desde o indeslocável até a
base da fundação, acumulando-se os recalques de cada camada de forma que se pode
generalizar o conceito de:
𝑟 =𝑟 −𝑟 ( 2.21 )

Poulos e Davis (1980) ressalvam que essa proposição deve ser usada para camadas
sucessivas cuja relação entre módulos de deformabilidade seja menor do que 10, caso contrário,
sua validade pode ser desafiada.

2.6 MÉTODO DE AOKI E LOPES

Segundo Aoki e Lopes (1975), um grupo de estacas cujas cargas são transmitidas ao
solo pela base e/ou pelo fuste podem ter essas forças decompostas em um sistema equivalente
de forças concentradas, cujos efeitos são superpostos para determinar o recalque do conjunto
em determinados pontos. Esse método faz uso das equações de Mindlin (1936), reescritas de
forma a possibilitar a integração numérica de seus efeitos.
A força distribuída na base da estaca é admitida uniforme e subdividida em várias
parcelas iguais formando um sistema equivalente de forças concentradas atuantes nas n1*n2
parcelas de área constante, sendo n1 o número de divisões da circunferência e n2 o número de
divisões do raio da base Rb (Figura 2.5).
39

Figura 2.5 - Parcelamento da base da estaca para integração numérica

Fonte: Autor

Distribui-se assim força Fp equivalente à resistência de ponta mobilizada na estaca, de


maneira que cada subárea aplica:

Pi,j = aplicado no ponto Ii,j na profundidade c = ZA ; sendo i e j os índices que


identificam a fatia radial (i) e o anel (j) de cada subárea (Figura 2.6)
Figura 2.6 - Divisão da base em subáreas

Fonte: Aoki e Lopes (1975)

A distância R1 entre o ponto de aplicação da força Pi,j e o ponto B onde se quer o


recalque é:

𝑅 = 𝑅 , + (𝑧 − 𝑧 ) ( 2.22 )
40

A distância R2 entre o ponto B onde se quer o recalque e a projeção acima da superfície


(Figura 2.3) do ponto de aplicação da força Pi,j é:

𝑅 = 𝑅 , + (𝑧 + 𝑧 ) ( 2.23 )

Ri,j é a projeção de R1 no plano XY:

𝑅, = 𝑅 + 𝜌 − 2𝑅 ∙ 𝜌 𝑐𝑜𝑠𝛽 ( 2.24 )

R0 é a distância entre o centro da ponta da estaca (A) e o ponto B onde se quer o


recalque:
𝑅 = (𝑋 − 𝑋 ) + (𝑌 − 𝑌 ) ( 2.25 )

ρij é a distância entre o centro (A) da estaca e o centro de gravidade da parcela


considerada da ponta:
2𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑅
𝜌 = 𝑗 𝑗 − (𝑗 − 1) 𝑗 − 1 ( 2.26 )
3𝜃 √𝑛

βi é o ângulo formado pelo triângulo BÂPij:


180° 𝜋
𝛽 = (2𝑖 − 1) = (2𝑖 − 1) 𝑟𝑑 ( 2.27 )
𝑛 𝑛

E, finalmente, θ é a metade do ângulo de um setor de círculo resultado da subdivisão


circunferência da ponta em n1 fatias:
360° 𝜋
𝜃= = 𝑟𝑑 ( 2.28 )
2𝑛 𝑛
A força no fuste da estaca gerada pelo atrito com solo é admitida com distribuição
linear. A circunferência de raio Rs é dividida em n1 partes iguais, e o trecho do fuste entre as
profundidades D1 e D2 é subdividido em n3 partes iguais. Os índices i,k correspondem à posição
de cada subárea na superfície do fuste (Figura 2.7).
41

Figura 2.7 - Divisão do fuste em subáreas

Fonte: Aoki e Lopes (1975)

A força Pik aplicada na subárea do fuste, é dada por:


𝐷 −𝐷 2𝑘 − 1
𝑃 = 2𝑓 − (𝑓 − 𝑓 ) ( 2.29 )
2𝑛 ∙ 𝑛 𝑛

Onde f1 e f2 são as cargas distribuídas ao longo do fuste (i.e. kN/m) nas profundidades
D1 e D2 respectivamente.

A profundidade ck onde Pik é aplicada, é expressa por:


𝐷 −𝐷 1 − 3𝑘
𝐷 −𝐷 𝑛 𝑓 + (𝑓 − 𝑓 ) 3𝑛
𝑐 =𝐷 + (𝑘 − 1) + ( 2.30 )
𝑛 2𝑘 − 1
2𝑓 − (𝑓 − 𝑓 ) 𝑛

A distância R1 entre o ponto aplicado Pik na profundidade ck e o ponto B onde se quer


o recalque é:

𝑅 = 𝑅 + (𝑧 − 𝑐 ) ( 2.31 )

Ri é a projeção horizontal da distância R1, e é calculada da seguinte forma:

𝑅 = 𝑅 + 𝑅 − 2𝑅 ∙ 𝑅 𝑐𝑜𝑠𝛽 ( 2.32 )
42

Uma vez estabelecidos os particionamentos de Aoki e Lopes (1975) para a integração


numérica, o recalque em um ponto de estudo B(x, y, z) devido à ação de múltiplas estacas é
obtido mediante a expansão da equação ( 2.8 ), originada do trabalho de Vesić (1975), da
seguinte forma:
. .

𝑤 = 𝑤 + 𝑤
( 2.33 )
43

3. METODOLOGIA DE FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA

O objetivo geral do programa é calcular os recalques de todas as estacas pertencentes


ao problema considerando um dado perfil de sondagem SPT. Nesse contexto, pode-se dividir
seu funcionamento em seis principais funcionalidades:
I. Entrada dos dados do problema;
II. Validação dos dados inseridos;
III. Cálculo da capacidade de carga e resistências mobilizadas para cada estaca;
IV. Cálculo do recalque para forças constantes definidas para uma estaca isolada
ou grupo de estacas;
V. Geração de curvas carga-recalque;
VI. Emissão do relatório de cálculo e resultados.

Observa-se, contudo, uma necessidade de verificação dos dados durante a entrada dos
mesmos, deixando os limites entre as primeiras três funcionalidades do programa um pouco
menos delineável. Isso se deve ao fato da validação dos dados requerer um processamento em
tempo real. Um bom exemplo desse tipo de verificação seria a carga aplicada em uma estaca
frente à sua capacidade de carga, já que uma carga acima desse valor representaria,
teoricamente, deslocamentos excessivos e plásticos no solo, falhando assim em manter-se
dentro dos limites que validam a utilização das equações de Mindlin (1936).
Essas seis funcionalidades estão distribuídas no programa e organizadas numa
interface de usuário dividida em três áreas de trabalho (workspaces):

I. Entrada das propriedades das estacas;


II. Entrada das propriedades do terreno e cálculo da capacidade de carga;
III. Entrada de Parâmetros de Integração Numérica e visualização de resultados.

Inicialmente, a linguagem de programação escolhida foi C++, por ser largamente


utilizada nos programas atuais e ter uma grande gama de programadores que a conhecem.
Contudo, durante a elaboração do programa observou-se a necessidade de uma
estrutura mais eficiente e amigável ao usuário para facilitar a entrada de dados. Neste ponto,
decidiu-se por Visual Basic, uma linguagem naturalmente associada ao ambiente do Microsoft
44

Office, no qual se pode fazer uso dos recursos visuais e da estrutura de planilha de células do
software MS Excel, facilmente acomodável à programação orientada por objetos.

3.1 ENTRADA DE DADOS

ENTRADA DE PROPRIEDADES DAS ESTACAS

A janela de entrada de propriedades das estacas fornece uma estrutura para registro da
geometria, locação e características da estaca. O programa tem algoritmos para fazer um
mapeamento em tempo real e posicionar linhas de eixo para cotar e plotar a disposição das
estacas no plano do terreno. A Figura 3.1 apresenta a workspace de entrada das propriedades
da estaca. Nesse espaço se identificam os dfuste e dponta referentes ao diâmetro do fuste e diâmetro
da ponta respectivamente em milímetros; o L como comprimento da estaca em metros; o tipo
da estaca; as coordenadas no plano xy, bem como a cota z de seu topo em metros; o
carregamento P em kN em cada estaca; e por fim o módulo de elasticidade Ee do material que
a compõe. Note-se que para seções vazadas, uma redução no valor de Ee pode ser adotada para
compensar essa redução da rigidez.

Figura 3.1 - Workspace de entrada de propriedades das estacas

Fonte: Autor
45

Figura 3.2 - Exemplo de disposição de estacas plotadas na planta de locação automaticamente

Fonte: Autor

As validações executadas nesse espaço verificam a existência de dados faltosos, a


pertinência dos dados inseridos, garantem que as estacas estão inseridas no maciço de solo e
respeitam as distâncias mínimas entre si.
Nos casos em que o usuário não possuir dados sobre o módulo de elasticidade do
material da estaca, o programa possui estimativas pré-definidas baseadas nos valores fornecidos
por Cintra e Aoki (2010) e adaptados na Tabela 3.1:

Tabela 3.1 - Valores orientativos para módulo de elasticidade de estacas

Tipo de estaca Ee (MPa)


Escavada a seco 18.000
Escavada com fluido 18.000
Franki 21.000
Hélice contínua 21.000
Injetada sob alta pressão 21.000
Metálica 210.000
Pré-moldada 28.000
Raiz 21.000
Strauss 18.000
Fonte: Adaptado de Cintra e Aoki (2010)
46

O fluxograma do típico funcionamento desta área de trabalho do programa é


apresentado na Figura 3.3:

Figura 3.3 – Fluxograma de funcionamento do workspace de Entrada das Propriedades das


Estacas

Fonte: Autor

ENTRADA DE PROPRIEDADES DO TERRENO

A janela de entrada de propriedades do terreno fornece uma estrutura para registro das
cotas das camadas, bem como seus respectivos tipos de solo, módulo de deformabilidade e
coeficiente de Poisson. Fornece também o espaço para entrada dos valores de Nspt para cada
metro de solo. O programa executa, em tempo real, algoritmos como os descritos em 3.3.1,
porém reescritos em forma de fórmulas de células do Excel, para estimar a capacidade de carga
47

pelo método de Décourt-Quaresma. Essa metodologia permite a disponibilização dos resultados


desses cálculos ao usuário assim que o último valor de NSPT for preenchido na coluna. A Figura
3.4 apresenta a workspace de entrada das propriedades do terreno. Identificam-se como Es e νs
o módulo de deformabilidade o coeficiente de Poisson do estrato de solo respectivamente.
Conforme o usuário insere os valores de NSPT a cada metro, o programa retorna um gráfico que
mostra o traçado da variação da resistência a penetração. Similarmente, conforme identificam-
se as cotas de cada camada, o programa separa-as por cores de forma a assinalar seus limites
no detalhe do perfil de sondagem.

Figura 3.4 - Workspace de entrada de propriedades do terreno

Fonte: Autor

As validações executadas nesse espaço verificam a existência de dados faltosos, a


pertinência dos dados inseridos, garantem a continuidade das camadas, o preenchimento
completo dos valores de Nspt, a ocorrência de estacas com pontas cotadas além do nível
impenetrável e possíveis estacas com carregamentos além da sua capacidade de carga.
Nos casos em que o usuário não possuir dados sobre os parâmetros de deformabilidade
de uma ou mais camadas de solo, o programa possui estimativas baseadas e interpoladas para
aqueles valores orientativos discutidos no item 2.3 deste trabalho.
O programa estima o módulo de deformabilidade (Es) através da expressão proposta
por Teixeira e Godoy (1998), Es = α K Nspt, porém impedindo-o que ultrapassem os limites
geralmente observados para cada tipo de solo.
48

Para o coeficiente de Poisson, faz-se a simples consulta à tabela.


Os valores utilizados pelo programa são apresentados na Tabelas 3.2 e 3.3.

Tabela 3.2 - Valores interpolados e estimados para ν e α

Tipo de solo ν α
Argila 0,500 7,0
Argila arenosa 0,450 5,5
Argila siltosa 0,450 6,0
Silte argiloso 0,450 5,5
Silte 0,400 5,0
Silte arenoso 0,400 4,0
Areia siltosa 0,350 3,5
Areia argilosa 0,350 4,0
Areia 0,350 3,0
Fonte: Autor

Os valores limites de módulo de deformabilidade adotados pelo programa são


baseados nas Tabelas Tabela 2.5, Tabela 2.6 e Tabela 2.7.

Tabela 3.3 - Valores limites para estimativa de módulo de deformabilidade pelo programa

Es máx
Tipo de solo
(MPa)
Argila 20
Argila arenosa 42,5
Argila siltosa 20
Silte argiloso 20
Silte 20
Silte arenoso 30
Areia siltosa 50
Areia argilosa 50
Areia 100
Fonte: Autor

Essa ferramenta de estimativa de parâmetros do solo segue inserida no programa, mas


o seu uso requer grande cuidado, a ponto de representar desaconselho ao uso desses dados
calculados na prática da engenharia. Desta forma, não se pode facilmente dispensar o uso de
dados experimentais laboratoriais obtidos com amostras do solo ou ainda em campanhas de
sondagens em campo.
O fluxograma do típico funcionamento desta área de trabalho do programa é
apresentado abaixo na Figura 3.5.
49

Figura 3.5 - Fluxograma de funcionamento do workspace de Entrada das Propriedades do


Terreno

Fonte: Autor

ENTRADA DE PARÂMETROS DE INTEGRAÇÃO NUMÉRICA

Nesse espaço, o usuário é contemplado com o pedido pelo número de subdivisões


usadas na integração numérica para a ponta (n1 x n2) e para cada camada do fuste (n1 x n3). A
descrição do que cada subdivisão representa é encontrada no item 2.6 deste trabalho.
50

Uma vez inseridos esses valores, libera-se o uso dos botões para análise dos recalques
e posterior impressão do relatório de cálculo. A Figura 3.6 apresenta a workspace de entrada
das subdivisões para integração numérica e análise de recalques.

Figura 3.6 - Workspace entrada de subdivisões para integração numérica e análise de


recalques

Fonte: Autor

Dois tipos de análises de recalques podem ser feitas. A primeira análise refere-se ao
estudo da estaca (ou grupo de estacas) e seus recalques para uma força (ou grupo de forças)
específica. A segunda análise considera cada estaca como um elemento isolado sujeito a uma
força crescente e desenha uma curva carga-recalque para a mesma.
Recomenda-se o uso da primeira análise quando se quer saber o efeito, em relação aos
recalques, que cada estaca causa em cada uma de suas vizinhas para um conjunto de forças
conhecidas. Já a segunda, é recomendável quando se quer estimar o comportamento de uma
estaca ao longo do aumento da sua solicitação.

3.2 VISUALIZAÇÃO DOS RESULTADOS E EMISSÃO DE RELATÓRIO DE


RESULTADOS

A visualização dos resultados para cada uma das análises é apresentada neste ambiente
do programa. A Figura 3.7 mostra um típico resultado calculado pela avaliação de um grupo de
estacas, enquanto que a Figura 3.8 exibe uma típica curva carga-recalque estimada para uma
estaca isolada, para a qual nota-se uma configuração bi-linear suavizada. Uma discussão mais
aprofundada sobre o seu traçado é encontrada no item 3.6 desse trabalho.
51

Figura 3.7 - Resultado típico obtido para a análise de um grupo de estacas sob forças fixadas

Fonte: Autor

Figura 3.8 - Resultado típico obtido na análise de uma estaca isolada sob uma força crescente

Fonte: Autor

Uma vez elaborados os cálculos desejados, o programa permite a impressão de um


relatório de resultados. Este contém todos os dados de entrada utilizados em estudo, as
capacidades de carga (de fuste e de ponta) para todas as estacas bem como as resistências
mobilizadas (também para o fuste e para a ponta). O relatório lista os parâmetros utilizados na
integração numérica e a tabela de recalques parciais e totais e finaliza com as curvas carga-
recalque geradas. No ANEXO B deste trabalho, encontra-se um exemplo de relatório de
resultados emitido pelo programa.
52

3.3 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA MOBILIZADA

Conforme discutido no tópico 2.1 deste trabalho, e melhor aprofundado no tópico


2.1.4, para a análise do recalque causado por uma força P de valor conhecido, necessita-se
conhecer o diagrama de esforços gerados por essa força na estaca. Descobre-se tal informação
por meio do estudo da resistência mobilizada.
A lógica de cálculo seguida pelo programa inicia-se pela determinação do diagrama
de ruptura da estaca, o qual configura um diagrama de esforços para uma carga P de magnitude
igual à capacidade de carga da estaca RT. Faz-se o cômputo desse diagrama por meio de uma
sub-rotina de cálculo pelo método de Décourt e Quaresma (1978, 1996).
Uma vez determinado o diagrama de ruptura, segue-se para o cálculo dos fatores de
resistência mobilizada fRm1 e fRm2, os quais representam os percentuais das forças mobilizadas
respectivamente no fuste e na ponta da estaca, ambos variando de 0 a 1,0. Assim, escreve-se:
𝑃
𝑓 = 𝑚í𝑛 ; 1,0 ( 3.1 )
𝑅

𝑚á𝑥(𝑃 − 𝑅 ; 0)
𝑓 = ( 3.2 )
𝑅
Onde,
P é a carga solicitante na estaca;
Máx() é uma função que retorna o máximo valor de um conjunto;
Mín() é uma função que retorna o mínimo valor de um conjunto;
RL é a resistência de fuste da estaca e;
RP é a resistência de ponta da estaca.
Tendo como base a hipótese simplificadora de que a resistência de ponta só é
mobilizada após o esgotamento da resistência de fuste, pode-se concluir que fRm2 mantém-se
nulo até fRm1 atingir seu valor máximo de 1,0.
Após a determinação dos fatores de resistência mobilizada, calculam-se as reações
mobilizadas no fuste e na ponta devido à carga P, de forma que:
𝑅 , =𝑓 𝑅 e, 𝑅 , =𝑓 𝑅

A função que determina a resistência mobilizada escreve-se na lógica apresentada no


Quadro 3.1:
53

Quadro 3.1 - Algoritmo da função de cálculo da resistência mobilizada

Função Resistência Mobilizada

Início da função resistência mobilizada


Chamada da sub-rotina de Décourt-Quaresma

𝑓 = 𝑚í𝑛 ; 1,0

𝑚á𝑥(𝑃 − 𝑅 ; 0)
𝑓 =
𝑅
Dependendo dos dados de entrada retorna uma das seguintes:
Ffi (força numa camada i do fuste)
Ff(z) (força numa cota z do fuste)
Fp (força na ponta da estaca)
Fim da função resistência mobilizada
Fonte: Autor

CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CARGA


O algoritmo responsável por determinar a capacidade de carga do sistema solo-estaca
segue a rotina de cálculo do método de Décourt e Quaresma (1978; 1996) discutido no tópico
2.1.3 deste trabalho, segue detalhado no Quadro 3.2.
Quadro 3.2 - Algoritmo para cálculo da capacidade de carga por Décourt-Quaresma

Sub-rotina de Décourt-Quaresma
Início da sub-rotina de Décourt-Quaresma
Para s = 1 até número de camadas do fuste
Para z = cota da camada (s) até a cota da camada (s+1)
Chamada da função Nspt para cota z
Próximo z
NL = média dos Nspt lidos
ΔL = comprimento da camada s

R (s) = 10Uβ + 1 ΔL

Próximo s
s = camada da ponta
Chamada da função Nspt para as três cotas em torno da ponta
54

Np = média dos três Nspt da ponta


Rp = αsCsNp
RT = Rp + ΣRLs
Fim da sub-rotina de Décourt-Quaresma
Fonte: Autor

3.4 CÁLCULO DO RECALQUE DEVIDO À DEFORMAÇÃO ELÁSTICA DO


FUSTE
Como estabelecido na seção 2.2.1 deste trabalho, o recalque devido à deformação
elástica do fuste (we) é calculada por uma direta aplicação da lei de Hook. O algoritmo presume
variação linear do diagrama de esforços em cada camada do fuste. Como ilustrado na Figura
2.1, o diagrama começa no topo com esforço normal igual à força P solicitante e decresce
conforme carga é transferida para o solo em cada camada do fuste. Na sua ponta, o diagrama
termina com valor igual à resistência mobilizada na ponta. O Quadro 3.3 apresenta o algoritmo
necessário ao cálculo dessa deformação.
Quadro 3.3 - Algoritmo de cálculo da deformação elástica da estaca

Sub-rotina de Deformação Elástica do Fuste


Início da sub-rotina de Deformação Elástica do Fuste
we = 0
NL = P
𝜋𝐷
𝐴 =
4
Para s = 1 até o número de camadas do fuste da estaca
Chamada da função Resistência Mobilizada
(retornando Ff(s) )
𝐹 (𝑠)
𝑁 = 𝑁–
2
𝑁 𝛥𝐿
𝑤 =
𝐸𝐴
𝐹 (𝑠)
𝑁 = 𝑁–
2
Próximo s
Retorna we
Fim da sub-rotina de Deformação Elástica do Fuste
Fonte: Autor
55

3.5 CÁLCULO DO RECALQUE DEVIDO À DEFORMAÇÃO DO SOLO


A sub-rotina que calcula o recalque devido à deformação do solo (ws) é a sub-rotina
principal. Ela faz uso e engloba todas as outras funções e sub-rotinas necessárias à resolução
do problema; inclusive é responsável por chamar os algoritmos que calculam a deformação
elástica da estaca como elemento estrutural.
Seus principais aspectos são:
 A integração dos efeitos de cada subdivisão proposto no método proposto por
Aoki e Lopes (1975);
 A consideração de Steinbrenner e;
 A resolução das equações de Mindlin.

SUB-ROTINA PRINCIPAL (MÉTODO DE AOKI E LOPES (1975))

Inicia-se lendo as variáveis entradas pelo usuário nas áreas de trabalho (workspaces)
do programa, depois segue-se contando o número de camadas acima da estaca, o número de
camadas que interceptam o fuste da estaca, e o número de camadas abaixo da ponta. Essas são
as variáveis que definem os contornos e limites das estacas em relação ao solo, em especial o
último, o qual alicerça toda a utilização da consideração de Steinbrenner. Esse processo é
repetido para todas as estacas.
Uma vez computados esses limites, segue-se para a abertura dos loops que ditam qual
estaca está sofrendo o recalque e qual está causando, indicados respectivamente pelas variáveis
contadoras a e b, assim designadas para fazer coincidência com a nomenclatura das ilustrações
dos tópicos 2.4 e 2.6 deste trabalho.
Em seguida abre-se o loop regente da camada de solo para qual se considera a
deformação abaixo da ponta. A variável contadora desse loop é indicada pela letra s em alusão
a Steinbrenner cuja proposição é o intuito do seu uso. Essa abertura vem acompanhada de um
algoritmo que computa a cota do topo da respectiva camada s e trunca seu valor na cota da
ponta da estaca quando sua camada for aquela em análise.
Junto do cálculo de variáveis geométricas do problema, mais dois loops seguem
abrindo, sendo que estes governam qual sub-divisão da ponta da estaca terá seu efeito
computado. As variáveis contadoras são o i e o j, as quais indicam respectivamente a fatia radial
e o anel da seção transversal considerados. Novamente, essas variáveis são assim definidas para
coincidir com a nomenclatura das ilustrações do tópico 2.6 deste trabalho.
56

Dentro dessa estrutura, chama-se a sub-rotina de Mindlin duas vezes, uma para somar
o resultado das equações no topo da camada s, e outra para subtrair no fundo da camada s, em
obediência à metodologia de Steinbrenner.
Fechado o loop j, mantem-se aberto o loop i, e segue-se abrindo um loop js para ditar
qual camada do fuste está fornecendo a força causadora do recalque. Essa abertura acompanha
o cálculo das cargas f1 e f2 de atrito por comprimento de estaca no fuste (definidas no item 2.6
e ilustradas na Figura 2.7).
O loop k aberto em seguida varia de 1 até n3 para indicar a fatia do fuste na qual a
subdivisão atuante está contida, e no interior deste, a profundidade ck é calculada, seguida da
intensidade da força Pik, e ambos alimentam uma nova chamada, em dupla, da sub-rotina de
Mindlin, adicionando o topo e subtraindo o fundo.
Computadas as parcelas de recalque calculadas, os loops k, js, i, s e a são fechados e
antes de fechar o loop mais externo (b), o programa chama a sub-rotina de Recalque Elástico
para computar essa deformação na estaca indicada por b.
O corpo da sub-rotina principal é mostrado pelo Quadro 3.4.

Quadro 3.4 - Algoritmo da sub-rotina principal

Sub-rotina Principal
Início da Sub-rotina Principal
Chamada de função leitora de variáveis
(Lê todos os dados inseridos e validados na planilha)
//Função contadora de camadas para cada estaca:
Para i = 1 até Núm.Estacas
Para s = 1 até Núm.Camadas
Se Camada(s) estiver acima da estaca i
N.Acima(i) = N.Acima(i) + 1
Se Camada(s) estiver abaixo da estaca i
N.Abaixo(i) = N.Abaixo(i) + 1
Se Camada(s) interseccionar o fuste da estaca i
Camadas.Fuste(i) = Camadas.Fuste(i) + 1
Próximo s
Próximo i
57

//Algoritmo para integração numérica


𝜋
𝜃=
𝑛
Para b = 1 até Núm.Estacas (estaca que sofre o recalque)
Para a = 1 até Núm. Estacas (estaca que causa o recalque)
Wa,b = 0
𝑅 = (𝑋 − 𝑋 ) + (𝑌 − 𝑌 )
Para s = Núm.Camadas até a camada da ponta da estaca (passo -1)
(para usar o artifício de Steinbrenner)
Se Camada(s) = camada da ponta da estaca
Zb = Zp(b) (cota da ponta da estaca b)
Senão
Zb = Zs(s) (cota da camada s)
//Ação da ponta
Chamada da função Resistência Mobilizada para calcular a força na ponta
b da Estaca(a) → Retorna Fp
𝐹
a 𝑃 =
𝑛 𝑛

s
Para i = 1 até n1
𝜋
𝛽 = (2𝑖 − 1)
𝑛
Para j = 1 até n2
2𝑠𝑒𝑛𝜃 𝑅
𝜌 = 𝑗 𝑗 − (𝑗 − 1) 𝑗 − 1
3𝜃 √𝑛

𝑅, = 𝑅 + 𝜌 − 2𝑅 𝜌 𝑐𝑜𝑠𝛽

Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o topo da camada(s)


(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b + M
Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o fundo da camada(s)
(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b – M
Próximo j
58

b //Ação do fuste

a Para js = 1 até Número de camadas que cortam o fuste

s Chamada da função Resistência Mobilizada para calcular força para

i um metro de fuste profundidade D1 para a Estaca(a) → retorna Ff (D1 ,


a)

𝑓 =𝐹 ( , )

Chamada da função Resistência Mobilizada para calcular resistência


de fuste entre D1 e D2 para a Estaca(a) → retorna Ff (js , a)
2𝐹 ( , )
𝑓 = −𝑓
𝐷2 − 𝐷1

𝑅 = 𝑅 + 𝑅 − 2𝑅 𝑅 𝑐𝑜𝑠𝛽

Para k = 1 até n3
𝐷 −𝐷 2𝑘 − 1
𝑃 = 2𝑓 − (𝑓 − 𝑓 )
2𝑛 𝑛 𝑛
𝐷 −𝐷 1 − 3𝑘
𝐷 −𝐷 𝑓 + (𝑓 − 𝑓 )
𝑛 3𝑛
𝑐 =𝐷 + (𝑘 − 1) +
𝑛 2𝑘 − 1
2𝑓 − (𝑓 − 𝑓 ) 𝑛

Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o topo da camada(s)


(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b + M
Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o fundo da camada(s)
(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b – M
Próximo k
Próximo js
Próximo i
Próximo s
Próximo a
Chamada da Sub-rotina de Deformação Elástica do Fuste
Próximo b
Fim da Sub-rotina Principal
Fonte: Autor
59

MÉTODO DE STEINBRENNER
O método de Steinbrenner (1934) é considerado dentro da Sub-rotina principal
(Aoki-Lopes).
Apresenta-se entrelaçada à integração numérica na forma de um loop (laço) adicional
que governa a camada da qual serão utilizadas as propriedades (módulo de deformabilidade e
coeficiente de Poisson), com uma condicionante para determinar as profundidades do topo e do
fim das camadas abaixo do fuste. Sua estrutura aparece inicialmente contida no trecho recortado
no Quadro 3.5:
Quadro 3.5 - Considerações iniciais de Steinbrenner (1934) no algoritmo principal

Primeira consideração de Steinbrenner (1934)


[…]Para s = Núm.Camadas até a camada da ponta da estaca (passo -1)
(para usar o artifício de Steinbrenner)
Se Camada(s) = camada da ponta da estaca
Zb = Zp(b) (cota da ponta da estaca b)
Senão
Zb = Zs(s) (cota da camada s)
[…]
Fonte: Autor

Depois, na resolução duplicada das equações de Mindlin (1936), quando se adicionam


os recalques nos topos das camadas subjacentes e subtraem-se os recalques nos fins, tem-se o
Quadro 3.6:
Quadro 3.6 - Considerações finais de Steinbrenner (1934) no algoritmo principal

Segunda consideração de Steinbrenner (1934)


[…]
Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o topo da camada(s)
(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b + M
Chamada da Sub-rotina de Mindlin para o fundo da camada(s)
(retorna o resultado M das equações)
Wsa,b = Wa,b – M
[…]
Fonte: Autor
60

Dessa forma, os recalques das camadas finitas subjacentes são computados de baixo
para cima e somam-se até o nível da ponta da estaca(b) para a qual se quer calcular no recalque.

SUB-ROTINA PARA EQUAÇÕES DE MINDLIN

A equação ( 2.20 ) pode ser dividida em parcelas de forma a evitar repetição


desnecessária do cálculo de algumas delas, as quais se mantém constantes para certos
intervalos. Seguindo-se essa diretriz, no Quadro 3.7, escreve-se o algoritmo para a sub-rotina
da resolução das equações de Mindlin (1936):

Quadro 3.7 - Algoritmo para resolução das equações de Mindlin (1936)

Sub-rotina de Mindlin (1936)


Início da Sub-rotina de Mindlin
Leitura das variáveis utilizadas

𝑅 = 𝑅 , + (𝑧 − 𝑐)

𝑅 = 𝑅 , + (𝑧 + 𝑐)

3 − 4𝜈
𝑀 =
𝑅
8(1 − 𝜈) − (3 − 4𝜈)
𝑀 =
𝑅
(𝑧 − 𝑐)
𝑀 =
𝑅
(3 − 4𝜈)(𝑧 + 𝑐) − 2𝑐𝑧
𝑀 =
𝑅
6𝑐𝑧(𝑧 + 𝑐)
𝑀 =
𝑅
𝑃(1 + 𝜈)
𝑀= (𝑀 + 𝑀 + 𝑀 + 𝑀 + 𝑀 )
8𝜋𝐸(1 − 𝜈)
Fim da sub-rotina de Mindlin
Fonte: Autor
61

3.6 GERAÇÃO DAS CURVAS CARGA-RECALQUE

Para traçar as curvas carga-recalque, a lógica de programação requer apenas a múltipla


execução da sub-rotina principal descrita na seção 3.5.1 deste trabalho, com algumas simples
modificações:
I. O loop a é removido, já que a estaca atuante será sempre aquela que sofre o
recalque;
II. Fazem-se os contadores a e b sempre iguais;
III. Um novo loop é adicionado dentro do loop b, para variar a carga solicitante P
de zero até a capacidade de carga da estaca.

As equações obtidas por Mindlin (1936), como já discutido anteriormente, consideram


um meio elástico linear. As hipóteses simplificadoras discutidas em 2.1.4 e 3.3, quando
observadas em conjunto com a equação ( 2.20 ), levam à conclusão de que, a direta aplicação
desses dois conceitos, gera uma relação carga-recalque de formato bilinear. O primeiro trecho
correspondente à proporcional mobilização da resistência lateral na estaca, e o segundo ao
máximo valor da resistência lateral com a também proporcional mobilização da resistência de
ponta. A Figura 3.9 ilustra um exemplo de relação bilinear estimada por essa aplicação direta.

Figura 3.9 – Exemplo de relação carga-recalque estimada bilinear

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16

Fonte: Autor
62

Faz-se necessário observar, porém, que as curvas carga-recalque usuais na situação


real não possuem essa forma, mas apresentam trajetória curva, condizente com a não-
linearidade do comportamento de um material como o solo e com a hiperestaticidade do sistema
estaca-solo.
Nesse contexto, depara-se com a necessidade de uma melhor calibração dessa
configuração bi retilínea, visando obter uma aproximação mais fiel ao comportamento real de
uma estaca. Propõe-se, assim, uma reconfiguração da ferramenta de traçado da curva carga-
recalque, de modo que apresente uma configuração mais próxima da realidade enquanto se
mantém fiel às metodologias inicialmente adotadas para esse trabalho.
Observa-se nas provas de carga estática analisadas, uma tendência das curvas a falhar
em coincidir com aquelas estimadas pelo programa, para cargas em torno de 5/6 da resistência
de fuste calculada. Com isso em mente, pode-se melhorar a previsão, gerando 6 pontos de
intervalo fixo, equivalentes ao crescente valor de P de zero até 5/6 de RL depois mais 6 pontos
equivalentes ao crescente valor de P de RL + RP/6 até RT. Seguindo essa metodologia, o
programa retorna uma relação carga-recalque trilinear, a qual se mostra mais bem ajustada às
curvas experimentais. Na Figura 3.10, observa-se o equivalente trilinear ao exemplo bilinear da
Figura 3.9.

Figura 3.10 - Exemplo de relação carga-recalque estimada trilinear

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16

Fonte: Autor
63

Com esses valores, uma suavização dessa configuração trilinear pode ser feita
mediante o equacionamento de três retas tangentes, cujos traçados e sucessão de inclinações
representam uma variação suave da inclinação da curva carga-recalque desejada, conduzindo-
a, gradativamente, desde o primeiro trecho retilíneo até o segundo. A Figura 3.11 ilustra um
exemplo de traçado das retas tangentes para suavização.

Figura 3.11 - Retas tangentes utilizadas para suavização da curva estimada

Fonte: Autor

A interpolação da curva a partir dos pontos calculados pode ser feita por uma função
polinomial cúbica. A Figura 3.12 demonstra o resultado para a suavização do exemplo ilustrado
nas Figuras Figura 3.9 e Figura 3.10, o qual apresenta uma configuração do trecho suavizado
com traçado quase que circular.
64

Figura 3.12 - Configuração final da curva após a suavização

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16

Fonte: Autor

4. VALIDAÇÃO DO PROGRAMA E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

De forma a validar os resultados fornecidos pelo programa, optou-se por duas


metodologias. A primeira consiste em equiparar os valores calculados pelo programa com
exercícios resolvidos em fontes bem estabelecidas na literatura disponível. A segunda constitui
em comparar as curvas carga-recalque geradas pelo software, com aquelas obtidas em provas
de cargas disponibilizadas. Essa última metodologia permite avaliar a precisão dos recalques
estimados para vários níveis de carga e fornecer um vantajoso parecer global sobre as
capacidades do programa proposto.

4.1 EXERCÍCIOS RESOLVIDOS EM LIVROS DIDÁTICOS

Cintra e Aoki (2010)

Os exercícios resolvidos de 1 a 4 em Cintra e Aoki (2010) fornecem o diagrama de


ruptura da estaca pelo método de Aoki-Velloso (1975), calculam o recalque para uma carga P
= 500 kN, e estimam a curva de carga-recalque pela expressão de Van Der Veen (1953). O
recalque calculado pelo exemplo considera o solo abaixo da ponta da estaca como um meio
65

elástico. A tensão no solo é calculada de uma forma simplificada, considerando-se seu


espraiamento com a profundidade na proporção 2v:1h. Nesse contexto, optou-se por alimentar
ao programa as capacidades de carga calculadas manualmente pelo método de Aoki-Velloso
em vez de usar o cálculo por Décourt-Quaresma (1978) já programado no software, visando
obter uma comparação mais pertinente.
Os valores obtidos foram bem próximos, para uma carga P = 500kN, o programa
obteve um recalque elástico do fuste we = 1,6 mm, idêntico ao exemplo do livro. Já para o
recalque do solo, a estimativa do programa foi ws = 3,7 mm, somando uma diferença de 0,8
mm em relação aos 4,5 mm calculados no livro. A curva gerada pelo programa e a comparação
com a curva de Van Der Veen (1953) calculada no livro são mostradas na Figura 4.1.

Figura 4.1 - Curva carga-recalque para exercício resolvido de Cintra e Aoki (2010)

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35
VAN DER VEEN w (P = 500kN) PROGRAMA

Fonte: Autor

Alonso (2012)

Nos exercícios resolvidos no Capítulo 7 de Alonso (2012), o autor não fornece um


perfil de sondagem, de forma que a comparação dos resultados deve ser feita manipulando-se
a estrutura do programa para inserir manualmente a resistência mobilizada na ponta e as cargas
cisalhantes f1 e f2 na face do fuste em cada camada. Isso impossibilita a geração de uma curva
carga-recalque pelo programa, mas ainda permite a análise do recalque devido a uma força (ou
grupo de forças) específica.
66

Tendo em vista que os exercícios resolvidos 1 e 2 (capítulo 7) são resolvidos utilizando


um programa escrito com o mesmo método daquele usado neste trabalho, os resultados foram
idênticos para ambos.

4.2 PROVAS DE CARGA ESTÁTICA

Todas as provas de carga estática (PCE) foram obtidas acompanhadas de perfis de


sondagem associados, os quais podem ser consultados no ANEXO A deste trabalho, associados
conforme a numeração das provas de carga (e.g. PCE-01 corresponde ao SPT-01).
Alimentaram-se ao programa as informações do respectivo perfil, junto das propriedades das
estacas. Como parâmetros de integração numérica, utilizou-se n1 = n2 = n3 = 50, os quais foram
verificados como valores suficientes para a convergência de estacas com geometrias
convencionais.
De forma geral, as curvas estimadas apresentaram boa previsão dentro da faixa de
carregamentos que mais interessa, aqueles inferiores à carga admissível, e esse fato sozinho já
atesta pela utilidade aceitável das ferramentas que consistem no programa.
A previsão da curva carga-recalque feita pelo programa sempre se apresenta
subestimada no trecho de incidência da curva quando ela aumenta sua declividade, ‘descendo’
de forma mais íngreme. Como discutido anteriormente no Capítulo 3, esse trecho da curva
representa o esgotamento da capacidade de carga do fuste e início da mobilização das reações
na ponta da estaca. Isso mostra como, mesmo com a suavização dessa passagem, (proposta
neste trabalho no item 3.6 para uma análise mais gradativa desse fenômeno) a hipótese
simplificadora de que as forças na ponta seriam mobilizadas somente após o total esgotamento
da resistência de fuste (para mais detalhes, ler item 2.1.4), pode não ser representativa da
condição de campo. Para os resultados obtidos nesse programa, esse trecho tem início com
valores de carga em torno de 60 a 90% da resistência de fuste, variando conforme o tipo de
estaca e conforme o tipo do solo.
Deve-se ter em mente a ressalva de que, ao contrário das comparações com os
exercícios resolvidos, todas essas previsões para as PCEs foram feitas apenas com a geometria
das estacas e os perfis SPT correspondentes. Todas as estimativas aqui apresentadas estão
sujeitas às incertezas inerentes a diversos aspectos, como os parâmetros de elasticidade (módulo
de deformabilidade e coeficiente de Poisson) adotados para cada camada do terreno, a
investigação do subsolo e as deficiências do modelo matemático utilizado.
67

Estacas hélice contínua em solo arenoso

Foram analisados os resultados de três provas de carga realizadas na região


metropolitana de Natal – RN, em estacas do tipo hélice contínua com diâmetro de 400 mm e
comprimento de 15 m ou 17 m. As Figuras Figura 4.2 a Figura 4.4 mostram as comparações
entre os resultados medidos em campo e os previstos pelo programa computacional.
Para esse grupo de provas de carga, o programa mostrou ótima capacidade de previsão
dos recalques. Observa-se grande proximidade entre ambas as curvas para todas as três provas
de carga. O bom alinhamento das curvas na PCE-01 para baixos carregamentos, atesta pelo
comportamento que se aproxima bem do linear dos estratos de solos arenosos (Figura 4.2). As
divergências entre recalques medidos e previstos começam a surgir em torno de 500 kN para a
PCE-01, já para as PCEs 02 e 03, as curvas começam com recalques estimados um pouco
superestimados. A partir de 800 kN para a PCE-02 e 1100 kN para a PCE-03, há uma inversão
de tendências, quando as estimativas dos recalques se tornam subestimadas. Essa subestimação
é associada ao início da mobilização de reações na ponta da estaca.
Em maiores carregamentos, os valores previstos de recalque tornam-se inferiores aos
experimentais, como se pode observar nas Figuras Figura 4.2 e Figura 4.4, correspondentes às
PCE’s 01 e 03. Esta tendência torna-se mais evidente com o aumento da carga. Observa-se,
para esses altos carregamentos, a falha da consideração do solo como material elástico-linear.
A PCE-02 foi interrompida para um baixo valor de carregamento, o que impossibilita uma
análise mais completa da sua estimativa.
68

Figura 4.2 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 01. Estaca tipo hélice contínua, com
diâmetro de 400 mm e comprimento de 15 m

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16
PCE - 01 PROGRAMA

Fonte: Autor

Figura 4.3 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 02. Estaca tipo hélice contínua, com
diâmetro de 400 mm e comprimento de 17 m

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16
PCE - 02 PROGRAMA

Fonte: Autor
69

Figura 4.4 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 03. Estaca tipo hélice contínua, com
diâmetro de 500 mm e comprimento de 15 m

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500
0

4
Recalque (mm)

10

12

14

16
PCE - 03 PROGRAMA

Fonte: Autor

Estacas escavadas a seco em solo silto-arenoso

As previsões foram realizadas para duas provas de carga em estacas escavada a seco
com trado mecanizado (PCE 04 e PCE 05), com diâmetro de 500 mm e comprimento de 12 m.
As estacas foram instaladas em solo silto-arenoso. Nestas provas de carga, os recalques foram
levados a valores de maior magnitude em comparação com os ensaios apresentados no item
4.2.1.
Para cargas de baixa intensidade, até 1500 kN, as estimativas pelo programa foram
muito próximas aos dados de campo para ambas as estacas. Novamente pode-se constatar a
tendência dos resultados previstos e experimentais a divergirem em maiores carregamentos.
Particularmente, o resultado da PCE-04 apresenta uma contribuição importante para a
validação do presente programa computacional, visto que exibe alta tendência a fugir do regime
elástico para cargas elevadas, e evidencia as limitações de uma análise linear do comportamento
mecânico do conjunto estaca-solo.
70

Figura 4.5 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 04. Estaca tipo escavada a seco,
diâmetro = 500 mm e comprimento = 12 m.

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500
0

10
Recalque (mm)

15 PCE - 04
PROGRAMA
20

25

30

35

Fonte: Autor

Figura 4.6 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 05. Estaca tipo escavada a seco,
diâmetro = 500 mm e comprimento = 12 m

Carga (kN)
0 1000 2000 3000 4000
0

5
Recalque (mm)

10 05
PCE - 04
PROGRAMA
15

20

25

Fonte: Autor
71

Estacas hélice contínua em solo areno-argiloso

As previsões foram realizadas para duas provas de carga em estacas hélice contínua
(PCE 06 e PCE 07) em um perfil de camadas areno-argilosas. A estaca da PCE 06 possui
diâmetro de 600 mm e comprimento de 13 m, enquanto que a estaca da PCE 07 possui diâmetro
de 700 mm e comprimento de 12 m. Nestas provas de carga, os recalques também foram levados
a valores de elevada magnitude, acima de 30 mm.
O programa computacional permitiu grande precisão na previsão do comportamento
destas provas de carga, como mostram as Figuras 4.7 e 4.8. Nestes casos, a previsão gerou
resultados muito próximos aos experimentais não somente para pequenos carregamentos, mas
em toda a faixa de carregamentos testada, evidenciando a validação do programa computacional
desenvolvido.

Figura 4.7 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 06. Estaca tipo hélice contínua,
diâmetro = 600 mm e comprimento = 13 m

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35
PCE - 06 PROGRAMA

Fonte: Autor
72

Figura 4.8 - Estimativa de curva carga-recalque para PCE 07. Estaca tipo hélice contínua,
diâmetro = 700 mm e comprimento = 12 m.

Carga (kN)
0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35

40
PCE - 07 PROGRAMA

Fonte: Autor

5. CONCLUSÃO

Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um programa computacional em


linguagem Visual Basic para o cálculo de recalques elásticos de estacas isoladas ou em grupos.
Os resultados obtidos com a utilização do programa foram validados através de resultados de
provas de carga a compressão realizadas em estacas do tipo hélice contínua e escavadas a seco
com trado helicoidal, construídas em solos arenosos e siltosos.
A implementação de rotinas de programação adequadas geradas a partir da união de
análises efetuadas com os modelos de Aoki e Lopes (1975), Mindlin (1936), Steinbrenner
(1934) e Décourt e Quaresma (1978, 1996) resultaram em um programa computacional com
interface de usuário instintiva e limpa.
Estimativas bastante acuradas do recalque imediato de fundações por estacas
submetidas a provas de carga de compressão em campo foram obtidas a partir do código
computacional desenvolvido, validando-se assim o seu desempenho. Isso foi observado mesmo
sob a perspectiva de que os dados de entrada do programa incorporam incertezas de diversas
naturezas, como as limitações dos modelos matemáticos utilizados e imprecisões dos dados
73

oriundos da investigação do subsolo. Não obstante, ressalta-se que uma gama bem maior de
dados experimentais é necessária para uma validação mais completa do código computacional
criado.
A implementação computacional de conceitos estudados na Engenharia Civil permite
uma imensa melhora na compreensão dos próprios conceitos que compõem os modelos. Tal
prática deve ser encorajada vigorosamente como ferramenta de aprendizagem e análise crítica
dos conteúdos estudados.

6. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Como sugestão para aperfeiçoamento das metodologias de análise do programa e


desenvolvimento posterior da pesquisa, sugere-se:
 Validar o programa com uma maior variedade de provas de carga estática, as
quais devem testar todos os tipos de estaca aceitos pelo programa, inseridos em
todos os tipos de solo aceitos pelo programa.
 Utilizar resultados experimentais de parâmetros de deformabilidade para uma
análise mais aprofundada dos métodos numéricos executados ao longo dos
algoritmos principais.
 A implementação de outros métodos de estimativa da capacidade de carga,
como os de Aoki-Velloso (1975) e Teixeira (1996), para avaliar se estes
apresentariam resultados mais condizentes com a realidade, e dar ao usuário o
poder de decisão sobre qual se aplicaria melhor à análise por ele pretendida;
 Fazer retro análise com maior banco de dados de provas de carga para propor
melhorias às hipóteses simplificadoras que governam o diagrama de equilíbrio
da estaca.
 Ampliar o banco de dados de entrada de informações do subsolo, de forma a
permitir a consideração de múltiplos perfis de terreno, fazendo uso de conceitos
estudados na geoestatística;
 Reestruturar programa para permitir análises de carregamentos outros além dos
verticais de compressão, mas também de momentos fletores concentrados,
carregamentos transversais distribuídos e momentos torçores. Esta
74

reestruturação requererá implementação de discretização das estacas e


resolução de análises matriciais;
 Adicionar modelos que considerem uma variação na deformabilidade do solo
e da estaca para possibilitar a análise de problemas com considerações da não-
linearidade física dos materiais e do contato entre si;
 Implementar rotinas para estacas de seções vazadas, retangulares, e perfis I, H
ou trilhos de trem;
 Considerar melhor caracterização do solo, tornando possível a entrada da
compacidade ou consistência do solo, bem como a condição de drenagem.
 Comparar resultados do programa com softwares mais sofisticados de análise
em método dos elementos finitos ou elementos de contorno.
75

7. REFERÊNCIAS

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by the Theory of Elasticity. In: Proceedings, 5th Pan American CSMFE. Buenos Aires: _.
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HOLANDA JÚNIOR, O. G. E. A. Comportamento de um edifício de concreto
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IWAMOTO, R. K. Alguns aspectos dos efeitos da interação solo – estrutura em
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MOTA, M. M. C. Interação solo-estrutura em edifícios com fundação profunda:
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MOURA, A. R. L. U. Interação solo-estrutura em edifícios. Dissertação (Mestrado
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SIMONS, N. E.; MENZIES, B. K. Introdução à Engenharia de Fundações. 1. ed.
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77

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VESIĆ, A. S. Principles of pile foundation designs. Durham: Duke University, 1975.
78

ANEXO A

Perfis de sondagem SPT associados às provas de carga estática utilizadas na validação do


programa.

Os perfis de sondagem estão enumerados de acordo com a respectiva prova de carga


associada (e.g. PCE-02 está associado ao SPT-02).
79
80
81
82
83
84
85

ANEXO B

Exemplo de relatório de resultados emitido pelo programa.


86
87
88
89
90
91
92