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LIVRO ESPECIAL

Agricultura Pura

1
Editorial
A agricultura pura é um método simples e lógico de cultivo do solo, baseado na
Lei da Natureza. Foi transmitido a Meishu Sama por revelação Divina.

A primeira vez que o Mestre falou sobre esse assunto foi em 1949 quando expôs
publicamente o princípio básico da agricultura pura ao defender a preservação da
fertilidade natural do solo, condenando a interferência de qualquer tipo de fertilizante
ou inseticida na vitalidade própria da terra, ou seja, na sua energia espiritual que é o
verdadeiro fator determinante do desenvolvimento de todas as plantas.

Com base na revelação de Deus e observando o que os agricultores faziam com o


solo, Meishu Sama procurou por todos os meios alertar que os fertilizantes agem
como exterminadores não só da energia espiritual da terra, mas também como
formadores de vários tipos de toxinas que se infiltram nas plantações. Além disso
causam também o aparecimento de pragas e insetos.

Conforme é do conhecimento de todos, para combater os elementos daninhos à


agricultura sempre foram usados inseticidas. Na verdade, não passam de venenos que
contaminam drasticamente o solo criando as inúmeras toxinas presentes nos produtos
agrícolas os quais, uma vez ingeridos como alimentos pelo homem, tornam-lhe o
sangue impuro. Em conseqüência a vibração energética enfraquece, formam-se muitas
nuvens no corpo espiritual e surgem doenças de toda espécie, num círculo vicioso
interminável.

Como atualmente está havendo, nos diversos setores da sociedade, uma


progressiva consciência do perigo da ingestão de alimentos contaminados por
produtos químicos, estamos levando ao conhecimento dos nossos leitores, através
desta edição especial da Revista Kototama, o Ensinamento de Meishu Sama sobre a
agricultura pura por ele denominada a Ciência do Criador.

Também faz parte desta edição uma coletânea de reportagens especiais,


divulgadas pelo Jornal “Folha de São Paulo”, em 03/03/98 que confirma a
preocupação de Meishu Sama com o uso do solo. Além disso alerta para atual situação
das lavouras brasileiras altamente contaminadas. Chama também a atenção do
consumidor para o fato de não haver no País um órgão controlador dos resíduos de
agrotóxicos nos alimentos, o que leva o brasileiro a não saber, de fato, o que está
comendo.

Esperamos que tanto os Ensinamentos, quanto as reportagens lhes tragam muita


Luz e discernimento.

Os Editores

2
Capítulo
I

Ensinamentos
de
Meishu Sama

3
I - AGRICULTURA PURA

Para que todos possam entender como se realiza o cultivo


sem o uso de fertilizantes, vou, primeiramente, expor a parte
principal da minha teoria no que concerne ao conceito de solo.

1. O que é Solo ?

Devo, em primeiro lugar, reiterar que é um elemento da


Criação Divina destinado à germinação e desenvolvimento das
plantas, tendo em vista a manutenção da vida do ser humano
na face da Terra.

O solo, como obra de Deus, tem uma origem misteriosa e


sutil cuja essência e poder até hoje a ciência materialista não
conseguiu atingir.

Ignorando essa verdade, os métodos tradicionais de


plantação sempre andaram por caminhos errados. Daí
preconizarem que o perfeito crescimento das plantas necessita
do uso de fertilizantes orgânicos ou químicos.

Com tão equivocado conceito, os agricultores foram, na


verdade, abafando a energia natural do solo e, pouco a
pouco, enfraquecendo o seu imenso poder generativo natural.

Por isso, ainda hoje, iludidos pela idéia de que a má


colheita provém exclusivamente da falta de adubos, os
agricultores empregam todo tipo de resíduos animais ou
vegetais e também substâncias químicas, tornando o solo a tal
ponto enfraquecido que, atualmente, em várias partes do
mundo, não há terras férteis.

2. Composição e
Capacidade do Solo

O solo é composto, como todas as demais Obras Divinas,


de dois elementos: um físico, que é a parte visível; outro
espiritual ou o lado invisível.

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Embora ainda não explorado pela ciência materialista, o
lado espiritual consiste no verdadeiro nutriente e fator de
crescimento das plantas. É nele que reside o poder da natureza
o qual se fortalece à medida que o solo vai sendo utilizado.
Ocorre algo semelhante ao que acontece com o ser humano:
torna-se mais forte e saudável, quanto mais exercita o corpo.

É por isso também que terras abandonadas perdem a


energia e enfraquecem.

Importa ainda saber que um solo sem contaminação se


adapta às característica das plantas nele cultivadas. Assim,
quanto maior número de vezes se produzir uma única espécie
no mesmo lugar, mais apto se torna esse solo àquela cultura em
particular.

3. Princípios Básicos da Agricultura Pura

O fundamental é manter o solo tão puro quanto possível.


Por motivo nenhum, usar fertilizantes e inseticidas de qualquer
espécie. Só assim a terra poderá manifestar a sua verdadeira
força produtiva, representadas por elementos nutritivos de
origem Divina, que lhe são inerentes. Neste aspecto, a
característica essencial do solo é profundamente misteriosa e
obscura, razão pela qual até hoje, a ciência materialista não
conseguiu atingi-la.

Espero que esse conceito fique bem claro em todas as


mentes, pois não se trata de mera teoria. Pela prática, qualquer
pessoa ficará maravilhada com os resultados obtidos. Por essa
razão, insisto que a terra deve ser reverenciada e amada. Não
se pode, de forma alguma, acrescentar-lhe substâncias
venenosas que lhe tirem a força vital.

5
II- FERTILIZANTES E
INSETICIDAS ARTIFICIAIS

Como já disse, o solo puro está repleto de fertilizantes


naturais, resultantes da energia espiritual a qual provém de uma
bola de fogo que se encontra no centro da Terra. Desse ponto,
ultrapassando a crosta terrestre, irradia um calor especial, não-
físico, porém extremamente poderoso, semelhante à Luz do
Johrei.

Essa energia específica acumula-se normalmente no ar e,


por ocasião das chuvas, se o solo não estiver contaminado,
envolve-o, gerando um calor característico que age como fator
de fertilidade. Esse fenômeno nada mais é do que a
manifestação da presença, no solo, do nitrogênio puro. 1

O desconhecimento da existência do Espírito da Terra,


tornou o homem obcecado pela idéia de que fertilizantes de
qualquer espécie são necessários para manter a vitalidade do
solo.
Entretanto, mesmo que se obtenham resultados
satisfatórios nos estágios iniciais, o emprego, aparentemente
bom, de fertilizantes sempre provoca efeitos perniciosos.
Conduzem as plantas a certo estado de “vício”, fazendo-as,
perderem a própria capacidade de absorver o nutriente
espiritual do solo. Acabam por desenvolver uma característica
oposta que as leva a exigir cada vez mais fertilizantes, tal como
pessoas viciadas em drogas.

1. Conseqüências do Uso de Fertilizantes e Inseticidas

1.1 - Aumento e variedade de pragas e insetos

Atualmente os agricultores têm sido vítimas do aumento e


da variedade de pragas e insetos causadores de danos às
plantações.

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Recentemente os cientistas extraíram o nitrogênio do ar e o transformaram em fertilizante. Neste
caso, trata-se apenas do lado físico do produto, sem a correspondente energia espiritual. Pode até
funcionar temporariamente, mas, num futuro próximo, com certeza o solo ficará saturado e o
equilíbrio da natureza, comprometido.
6
É de se notar também que os agrônomos não se
preocupam em descobrir a causa do aparecimento desses
seres maléficos; apenas pensam em como exterminá-los.

Na verdade, insetos e pragas resultam do uso de adubos


orgânicos e químicos, bem como de inseticidas que se infiltram
no solo e se transformam em agentes produtores de novas
espécies nocivas.

De acordo com a Lei da Natureza, sempre que se


acumularem substâncias impuras ou duvidosas em qualquer
ambiente, uma ação purificadora ocorre automaticamente
como um método corretivo. Da mesma forma, quando
fertilizantes artificiais ou inseticidas são lançados ao solo, as
plantas os absorvem e se tornam tóxicas. Espontaneamente
aparecem insetos nocivos que vão aumentando em
quantidade e espécie, de acordo com a variedade dos
produtos químicos empregados. Assim acontece porque, na
verdade, os elementos tóxicos nada mais são que alimentos
próprios para insetos. Daí o aparecimento deles em grande
quantidade nas plantações como se fora uma atividade
purificadora, para restaurar o equilíbrio.

1.2 - Debilidade das Plantas

As plantas que medram num solo fertilizado artificialmente,


embora atinjam grandes alturas, são fracas e doentias;
quebram-se sem dificuldades sob a ação do vento ou da
chuva; suas flores caem facilmente, impedindo uma frutificação
abundante. Os cereais, por sua vez, apresentam uma casca
grossa e baixo teor nutritivo porque ficam encoberto pelas
próprias folhas demasiadamente desenvolvidas.

1.3 - Prejuízos à Saúde

Em qualquer tipo de fertilizante químico ou orgânico, há


uma carga elevadíssima de substâncias tóxicas que são
absorvidas pelas plantas.

Quando o homem ingere alimentos contaminados por


produtos como, por exemplo, o sulfato de amônia, presente em
adubos de origem animal e em todos os fertilizantes químicos,
automaticamente se intoxica. Mesmo em pequena quantidade,
essa substância penetra no sangue e produz toxinas que se
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acumulam no corpo, ao longo dos anos. Em conseqüência,
tornam-se também nuvens na parte espiritual e lentamente a
saúde vai sendo abalada.

1.4 - Sacrifícios impostos aos trabalhadores

Pulverizar inseticidas e lançar adubo ao solo exige muito


cuidado e mão-de-obra especializada. Tem havido muitos
casos de intoxicação e até morte por envenenamento como
resultado desse perigoso trabalho.
Além disso, ainda se acrescenta ao mal causado por tais
produtos, o problema do custo que é bastante elevado,
exigindo do agricultor uma soma considerável de dinheiro para
adquiri-los.

1.5 - Aumento das nuvens espirituais do solo e diminuição do


seu poder produtivo

Quanto maior for a quantidade de substâncias artificiais


utilizadas, mais nublada se torna a energia espiritual do solo e,
conseqüentemente, o seu poder produtivo enfraquece. Daí
aparecem inúmeros insetos e uma variedade incrível de pragas
cada vez mais potentes. Esse fato conduz ao emprego, em
quantidades cada vez maiores, de venenos cuja ação
perniciosa sobre o solo o torna
progressivamente sem vida.

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III - VANTAGENS DA AGRICULTURA PURA

1. Aumento de Lucros

É uma conseqüência óbvia, uma vez que muitas despesas


com fertilizantes e inseticidas deixam de existir.

2. Percepção do Sabor Autêntico dos Alimentos

Hoje, acredito que ninguém saiba qual é o verdadeiro


sabor, dado pelo Céu, a cada alimento porque todos são
produzidos com fertilizantes orgânicos ou químicos.

Se, ao contrário, fosse permitido que a planta absorvesse


naturalmente a nutrição do próprio solo, como seria, por
exemplo, saborosa uma verdura... Para mim, desde que
conheci o gosto de um alimento sem fertilizantes, aumentou a
felicidade e a minha alegria de viver.
3. Maior Proteção à Vida do Agricultor

O não-emprego de fertilizante evita vários transtornos ao


trabalhador como, por exemplo, sentir o odor desagradável
exalado pelos adubos ou correr o risco de intoxicação e até
mesmo de uma doença grave.

4. Eliminação das Pragas

Como já foi visto, o aparecimento de pragas e insetos


provém do uso de adubos e inseticidas. Não ocorrendo o
emprego desses venenos, é claro que, não haverá ambiente
favorável para que eles surjam.

5. Aumento da Vitalidade da Terra

A principal força para o crescimento das plantas é o


Espírito da Terra, constituído de um poder trino: fogo, água e
terra. Portanto todos os bons resultados da agricultura provêm
dessa energia.

Então, a condição fundamental para o cultivo é o


fortalecimento da vitalidade da terra, através da repulsa ao uso
de qualquer tipo de substância artificial que possa contaminar e
enfraquecer o solo que tem em si uma poderosa força de
germinação.
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Pode-se, pois, afirmar que um dos maiores erros da
agricultura atual é a poluição imposta ao solo pela crença de
que, para uma boa colheita, é preciso empregar fertilizantes
artificiais. Indubitavelmente, durante um curto período, obtêm-
se bons resultados. Contudo, com o passar do tempo, a terra
enfraquece e as colheitas diminuem.

IV - O Poder da Natureza

O mundo invisível está envolto por uma camada de


energia impregnada de intenso poder propulsor da vida de
todos os seres.

De acordo com a revelação que recebi de Deus, essa


energia vital é composta de três elementos: terra, fogo e água
que se fundem numa unidade perfeita e harmoniosa,
produzindo o Poder da Natureza, ou seja, a energia criativa.

Vou aprofundar um pouco mais a minha explicação para


que não fiquem dúvidas.

A fonte de energia da Terra é representada por uma bola


de fogo existente no seu interior, cujo calor penetra na crosta
terrestre e preenche o espaço entre o planeta e a atmosfera.
Esse fenômeno, a qual se dá o nome de DOSSO (elemento
terra) tem um aspecto físico, cientificamente chamado de
nitrogênio e outro espiritual, ainda não explorado pela ciência.

Por outro lado, o Sol emite também um tipo de energia,


correspondente ao elemento fogo e denominado KASSO, cujo
lado físico é representado pelas sensações de luz e calor. A
parte espiritual ainda permanece desconhecida.
A Lua, por sua vez, é o elemento água, identificado como
SUISSO cuja parte física manifesta-se pelo orvalho das noites
enluaradas. O lado espiritual ainda não foi investigado.
Há, pois, três elementos de ordem espiritual que se fundem
num todo e constituem o Grande Poder do qual deriva toda a
Criação.

Portanto, embora não seja percebível pelos cinco sentidos


do homem, esse Poder é uma fonte inexaurível de fertilidade de
onde se origina tudo o que existe na universo. Por isso, também
a agricultura se fundamenta nele.
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Aceitando, então, o princípio de que terra, fogo e água,
constituem os elementos essenciais para o cultivo do solo,
certamente os agricultores obterão colheitas extraordinárias
quando não mais contaminarem o solo e plantarem em locais
ensolarados, acrescidos de água abundante.

Essa é a única forma verdadeiramente correta de lidar


com a terra. Sabendo utilizá-la, ter-se-á encontrado a solução
definitiva para todos os problemas referentes à agricultura.

V - O Aumento da Luz e Agricultura Pura

À medida que a Era do Dia se aproxima, começa a ser


valorizada mais intensamente a agricultura pura.

A razão dessa mudança de comportamento está na


intensificação do elemento fogo (Kasso) no mundo espiritual.
Daí resulta uma purificação mais forte que coloca em evidência
todos os erros e máculas da humanidade, inclusive os referentes
ao mau uso do solo. Por outro lado, todas as coisas que estejam
em conformidade com as Leis da Natureza começam a
prosperar. Assim é natural que produtos cultivados sob a ação
de Dosso, Kasso e Suisso se desenvolvam e atinjam grande
sucesso.

Também é notório que, embora não seja tão evidente na


matéria, o fogo espiritual gera um efeito maior que o calor físico,
além do fato de ser transmitido ao mundo material por meio de
fios espirituais. É por essa razão que a temperatura das fazendas
e campos pertencentes aos membros apresenta cerca de dois
graus a mais em relação as outras, exatamente por que
recebem as vibrações dos donos. Inclusive, por isso, se obtêm
melhores colheitas.

É importante notar ainda que os chamados danos


causados pelo frio resultam não apenas de baixas
temperaturas, mas também da falta de Luz espiritual. Tem-se
observado que, mesmo em regiões frias, as fazendas dos
membros são protegidas contra grandes violências, exatamente
por que a vibração aí é mais alta. De fato menos nuvens
espirituais as encobrem; reina, com mais intensidade, a Luz.

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Transportando esse fato para a vida humana, pode-se
notar a existência de pessoas um tanto frias, enquanto outras
mais calorosas. Na verdade são os seus corpos que estão
impregnados de maior ou menor quantidade de Kasso. Por isso,
o sentimento de amor que expressam varia de intensidade.

Então, pode-se concluir acertadamente que, se


determinadas regiões sofrem danos na época do frio, é por que
a maioria das pessoas aí residentes é egocêntrica.

A vista disso, dá para saber inclusive que o calor espiritual,


irradiado pelo amor humano exerce uma influência marcante
sobre todos os seres existentes no universo.

VI - Considerações Finais

É bom ter bem claro que, ao se praticar a agricultura pura


num local anteriormente cultivado com adubos, vão acontecer
algumas transformações necessárias. Assim, durante, dois ou três
anos, não haverá resultados excelentes porque o solo ainda
está contaminado pelos agrotóxicos. É tal como no caso de um
bêbado ou de um fumante que, ao se absterem do vício
repentinamente, ficam, por algum tempo, aturdidos ou perdem
o ânimo.

Contudo, caso se espere pacientemente que esse tempo


decorra e com ele as toxinas desapareçam, o solo volta a
manifestar a sua poderosa força . Se além disso, ainda for
purificado pelo Johrei, o resultado será extraordinário.
Concluindo, reafirmo: basicamente para se realizar
agricultura pura não é necessário fé. Basta fortalecer o Espírito
da Terra.

VI - Agricultura Pura e Johrei

Nos últimos tempos, vem-se registrando um repentino


aumento de pragas na agricultura. E a situação se agrava a
cada ano com o surgimento de novas espécies. Na verdade,
essa proliferação desordenada de pragas nada mais é do que
uma ação purificadora intensificada pelo aumento do espírito
do fogo.

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Outro fator determinante do aparecimento cada vez
maior desses seres nocivos às plantas é o emprego abusivo de
agrotóxicos. Quando elementos artificiais são lançados ao solo,
as plantas os absorvem e acumulam as toxinas que deles
decorrem. É justamente por causa desse tipo de impureza que
os insetos atacam as lavouras, pois, na verdade, vão à procura
de algo que os sustente. Acontece que, ao buscarem o próprio
alimento, as pragas consomem também a planta inteira que,
em conseqüência, adoece e morre. Por outro lado, o solo fica
privado de sua vitalidade natural pelo fato de ter sido
envenenado.
Daí ser importante ministrar Johrei, quando se inicia a
prática da Agricultura Pura, numa terra onde foram aplicados
anteriormente fertilizantes ou inseticidas. Assim, à medida que o
solo for sendo purificado, recupera a sua vitalidade original,
concedida por Deus e começa a gerar produtos livres de
quaisquer elementos estranhos à sua essência.

Também em relação às sementes, devem os agricultores


tomar o mesmo cuidado. Caso tenham sido contaminadas por
agrotóxicos, é necessário que lhes seja aplicado Johrei antes da
semeadura. Dessa forma, eliminam-se as toxinas nelas contidas
e anula-se a vibração dos venenos. Além disso, ficam
energizadas pela Luz Divina o que lhes assegura melhores
resultados durante o período de germinação.

Um processo semelhante ao das plantas, ocorre


também com o corpo humano. À medida que novos
medicamentos vão sendo inventados, outros tipos de doença
começam a surgir. De modo análogo ao que acontece em
conseqüência dos agrotóxicos nas plantações, os vírus e
bactérias atacam o corpo humano para se alimentar, pois as
toxinas, oriundas dos remédios ingeridos são nutrientes
indispensáveis à vida desses microorganismos. Não adianta,
pois, combatê-los com antibióticos. É preciso, sim, queimar as
máculas espirituais e eliminar as impurezas da parte física
através do recebimento freqüente do Johrei. Assim, purificados,
corpo e espírito, ficarão imunes ao ataque de vírus e bactérias,
pois jamais encontrarão ali o alimento de que necessitam.

É por isso que, como sempre estou alertando, onde quer


que existam toxinas, vai surgir uma ação purificadora para

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eliminá-las, seja provocada por pragas, seja por vírus ou
bactérias.

Tais processos de limpeza estão ficando cada dia mais


acelerados devido ao aumento do espírito do fogo. Embora
seja essa uma energia própria do mundo espiritual, manifesta-se
também intensamente na Terra como conseqüência da Lei
segundo a qual o espírito precede a matéria.

Então, qualquer ação purificadora deve ser entendida


como um dos princípios fundamentais que regem as Obras
Divinas e manifestam a vontade do Criador.

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Capítulo
II

Salmos de Meishu
Sama
sobre Agricultura Pura
(fazer uma pequena introdução sobre os salmos de Meishu Sama)

15
Agricultura Pura
Agradecidos
os agricultores derramam lágrimas.
Farturas nas colheitas sem adubos nem pragas!

Como poderá
a ciência inventada pelo homem
entender o mistério da terra criada por Deus?

O homem tentou
orgulhosamente dominar o solo.
Acabou conquistado pela grande natureza.

Para do pobre
cego os olhos abrir, eu irradio
a intensa Luz da sabedoria divina.

Não poderia
jamais ter Deus deixado sem alimentos
o ser humano, fruto do Seu infinito amor.

Grande tolice
buscar o profundo mistério da terra,
através de uma ciência tão superficial!

Enraizado
está no coração dos agricultores,
como uma superstição, o vício do adubo.

16
Agricultura Pura
Que ignorância!
O adubo tira a pureza do solo,
inestimável tesouro da vida humana.

Nobre trabalho
do Messias: esclarecer a lógica
da sabedoria divina ao mundo todo!

Pela Luz de Deus,


abrirei olhos cegos e incapazes
de perceber a clara inversão da verdade.

Chegou agora
o tempo. Vou salvar os agricultores,
homens valorosos, outrora dignificados.

Ato magnífico!
Deus vai purificar as terras do mundo,
totalmente contaminadas pelos venenos.

A causa busquei;
na ignorância encontrei a origem
de todo o sofrimento da humanidade.

Sabedoria
não ter, eis a verdadeira escassez
de alimentos que afeta a vida do povo.

17
Agricultura Pura
A medicina,
mesmo parecendo lógica, não cura.
O Johrei, sim, à verdadeira saúde conduz.

Num grandioso
trabalho, representando Deus Supremo
nos três reinos, os espíritos todos salvarei.

O poder de Deus
usando, quero purificar este mundo
envenenado pela toxinas dos adubos.

Até agora
toda a salvação foi efetuada
pela interferência da fraca luz da Lua.

Eu manifesto
a grande força da energia solar.
Deste mundo, as trevas irão desaparecer.

18
Agricultura Pura
É Vontade de Deus:
sementes puras num solo purificado;
imensa gratidão por abundantes colheitas.

Quanta tolice:
coração, corpo e solo maculados!
sofrimentos incalculáveis semeados.

Muita tristeza
sinto, cada vez que ouço argumentos
de pequenos insetos de nariz empinado.

Dia a dia,
mais avança a implacável transição,
embora invisível a humanos olhos.

Vai a Mão de Deus


reconstruir esta cultura atual
criada por atos de entidades negativas.

19
Capítulo
III

Palestras do
Reverendo Nakahashi
(elaborar pequena introdução)

20
SABOR E NUTRIÇÃO (Kototama 6)

Nesse mesmo sentido, enfocando a agricultura pura, percebem-se coisas


bastante interessantes. Os produtos cultivados sem adubos e agrotóxicos, têm muito
mais sabor e aroma. Quando se joga veneno, aumenta a produção, mas os alimentos
perdem o sabor. Parece que estamos comendo palha. Acho que a diferença entre
quantidade e qualidade do alimento é nesse sentido. O alimento que tem sabor é mais
nutritivo.

Vejamos, por exemplo, a culinária japonesa que prima pela beleza e não pela
quantidade. Seus pratos agradam a vista. São bonitos. Isso ocorre porque o Japão,
antigamente, era um país muito pobre com muita escassez de alimentos. Em
decorrência disso, esforçava-se o máximo possível para satisfazer o apetite das
pessoas. Ainda que em pequena quantidade, o alimento é bem preparado e apetitoso.
Os pratos são tão bonitos que dá até pena de comê-los.

Os pratos bonitos abrem o apetite e ativam as glândulas do corpo humano as


quais de tão importantes, sob o aspecto científico, são consideradas a medicina do
século XXI. Existem muitas coisas que desconhecemos sobre elas e sobre a sua
atuação no organismo. Por exemplo, quando vemos algo que nos parece gostoso, a
glândula se abre liberando hormônios em abundância. Nós, no entanto, invertemos
essa situação comendo apenas para satisfazer a gula e encher a barriga, sem apreciar
e saborear os alimentos. Esse é um dos erros que cometemos à mesa.

A agricultura pura desenvolve-se não pela quantidade, mas sim pela busca da
qualidade, tornando os alimentos mais saborosos e consequentemente mais
nutritivos. Recentemente plantamos e colhemos arroz através desse método. Este ano
(1995) houve uma grande quebra na safra. Não colhemos nem a metade do que foi
conseguido no ano passado. A quebra, porém, foi geral devido ao excesso de chuva e
à instabilidade climática que atingiu diretamente a lavoura. Mesmo assim os
alimentos deste ano estão bem mais saborosos do que os do ano passado. Estão
sublimes. Não foi possível colher muito arroz, mas, pouco a pouco, estamos nos
esforçando não só na produção de arroz, como também na de feijão, legumes,
verduras, cultivando-os da maneira mais pura possível. Se pudermos, forneceremos
também leite puro.

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OS PRÓPRIOS AGRICULTORES NÃO COMEM O QUE PRODUZEM

Encontramos grande dificuldade pelo modo como desenvolvemos a


agricultura pura. Não é fácil. Por isso muitas pessoas desistem logo no primeiro ano.
É realmente muito trabalhoso. Só quem planta sabe. Quando o arroz é semeado, por
exemplo, logo deve ser capinado para que o mato não tome conta de tudo. Por isso,
quase 100% dos produtores utilizam venenos para matar o mato. Em poucas horas
tudo fica limpo, sem necessidade de capinar sob o forte calor de verão. Hoje em dia,
ninguém quer entrar dentro do brejo do arrozal. Os agrotóxicos jogados nos campos
penetram nos alimentos e, ao comê-los, acabamos também ingerindo veneno. As
pragas tomam conta das plantações e estão por toda a parte. Para eliminá-las, jogam-
se agrotóxicos em quantidade excessiva. Com isso, a cada ano que passa, as pragas
adquirem mais resistência, exigindo agrotóxicos ainda mais potentes que, de tão
venenosos, até os próprios agricultores e produtores se recusam a comer os alimentos
que eles mesmos cultivaram. Sabem que é veneno. Vocês podem ter uma idéia disso
na produção do tomate e do pepino. Esses alimentos recebem agrotóxicos duas vezes
ao dia porque, se assim não for feito, acham que não será possível produzir. Mesmo
com tudo isso, são vendidos e consumidos. É puro veneno .

Muitos dos nossos membros, graças ao Johrei, já não tomam remédios. No


entanto, através de alimentos impuros, ainda ingerem quantidade considerável de
toxinas. Esta é a triste realidade.

ÁGUA POLUÍDA

Em decorrência desses fatos, estamos procurando aumentar a área de


produção. O arroz, normalmente, é plantado à beira dos rios. Infelizmente, a maioria
deles está contaminada, há poucos peixes, pois muitas fábricas despejam produtos
químicos e venenos. Mesmo sabendo disso, os agricultores irrigam o arrozal com
essa água poluída. Nós não podemos fazer isso. Precisamos de terrenos que tenham
água de mina natural em quantidade suficiente para abastecer os campos de arroz, o
que torna muito difícil a agricultura pura. Isso limita as nossas possibilidades e nos
traz muitas dificuldades. Queríamos colher milhares de sacos para abastecer mais e
mais pessoas, mas pelos motivos expostos, é praticamente impossível. Graças a
Deus, em nossas fazendas experimentais, existem minas naturais com água suficiente
para fazer o plantio. Para aumentarmos a produção de cereais e verduras, é
necessário que muitos despertem e procurem alimentos naturais. Seria um incentivo
para o nosso trabalho.

Na verdade, porém, poucos se interessam por produtos naturais e puros. Não


vêem tanto problema para a saúde comer o que compram na feira e no supermercado.
Para quem conhece, no entanto, é muito difícil ingerir tais produtos. A maioria, por
desinteresse ou desconhecimento, não sabe como são cultivados esses alimentos; por
isso ainda os consumem. Se soubessem, não comeriam de jeito nenhum.

COMO SERÁ QUE ESTÃO O LEITE E A CARNE?

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O que dão de veneno para o gado é espantoso. O clima tropical é propício ao
surgimento de bernes, germes e carrapatos que atacam a carne do gado. Para
combatê-los, os criadores aplicam injeções violentas no animal. O veneno das
injeções entra na corrente sanguínea e mata todos os parasitas, mas também
contamina a carne, a gordura e principalmente o leite. Ao comermos desses produtos
envenenados, também nos envenenamos.

A situação está cada vez pior. Nunca pensei que fosse tão drástico criar uma
vaca leiteira. O primeiro problema que tivemos foi muito grave. A vaca tinha diarréia
exclusivamente de sangue. A vizinhança achava que ela iria morrer. Diziam que era a
“peste negra” e que não tinha mais jeito. Ministrando Johrei e mais Johrei, ia-se
recuperando, mas logo surgia um outro problema mais sério. Descobrimos que
através de gerações a carne da vaca ficou intoxicada e fraca. Os medicamentos que
são utilizados facilitam o surgimento de carrapatos e bernes que são atraídos pela
carne praticamente podre. É muito difícil de acreditar neste fato.

Mesmo assim, por causa dessas pragas, os criadores de animais utilizam


muitos remédios. Ao nascer, o gado é vacinado e todos os meses os veterinários são
chamados para tratá-lo. Todos os animais estão praticamente doentes.

EM RELAÇÃO AO FRANGO, NÃO É MUITO DIFERENTE

A situação do frango que consumimos também é muito séria. A ração que


comem é quimicamente manipulada - contém hormônios, vitaminas, etc. Tem uma
cor marrom, quase preta, e, ao examiná-la, constata-se um cheiro estranho de
remédio. Com essa ração, o frango cresce rapidamente e, em torno de 40 a 50 dias, já
é adulto. Com dois ou três meses a galinha começa a botar um ou dois ovos por dia,
por causa dos hormônios e da nutrição artificial que recebe. Quando é tratada
somente com milho, demora de 7 a 8 meses, pois esse é o processo natural. Os
criadores, porém, não se utilizam do processo natural, pois vendem por quilo.
Mesmo que inchado ou com água retida, quilo é quilo. Quando a galinha ou o frango
ficam inchados, isso decorre do mau funcionamento dos rins. Não é gordura, é
inchaço provocado por doença. Os criadores acham que é bom, abatem e logo
colocam no mercado. Antes disso, para conservar a carne, colocam dentro de uma
solução de água com antibióticos dissolvidos e vendem assim mesmo. A carne fica
branquinha, branquinha. Dá para perceber que não tem sabor algum. A cada ano está
pior. Para ter algum sabor, e se conseguir comê-lo, o frango tem que ser muito bem
temperado.

ENTÃO, O QUE FAZER?

Temos de evitar esses alimentos e nos dedicarmos à produção de alimentos


puros. Para isso, é preciso a colaboração de muitas pessoas. Caso contrário, os
alimentos puros não serão suficientes para abastecer muitas famílias. Quanto às
despesas, a produção natural é cara. Por isso os produtores se viram obrigados a
adotar o sistema que só dá importância a grandes quantidades. Sai mais barato e a
produção é mais rápida. No mercado de consumo em que vivemos, o alimento custa
pouco, mas não tem qualidade.

23
Quando forem ao interior, recomendo-lhes que observem os agricultores, o
que estão plantando, como produzem, para vocês saberem o que as pessoas
normalmente comem.

O Johrei é muito importante, principalmente hoje em dia, mas não basta.


Comemos coisas erradas. A qualidade da água é péssima. Estamos cercados por
coisas que ameaçam a nossa vida e a nossa saúde. Os próprios fenômenos sociais que
estão acontecendo nos dias de hoje, como o excesso de violência, a agitação, e a
agressividade do ser humano, acho que têm ligação com a própria alimentação. Os
cientistas alertam que os alimentos químicos afetam os nervos e o cérebro do ser
humano. A pessoa acaba ficando muito nervosa, irritada e agressiva, e tudo isso afeta
a tranqüilidade da sociedade no mundo inteiro.

O ser humano tem que ter o pensamento mais amplo. Não se satisfazer
apenas com o conforto na vida cotidiana. Não é esse o objetivo de nossas vidas. O
objetivo maior é o de ajudar as outras pessoas. Para divulgar os ensinamentos de
Meishu Sama, não basta o lado espiritual. Precisamos de muitas coisas para
concretizar a parte material. Se buscarmos apenas o lado espiritual, nós nos
desenvolveremos só espiritualmente. Dessa forma, nem alimentação haveria. Por
isso, devemos trabalhar e cultivar alimentos puros.

(palestra proferida em fevereiro de 1995)

24
Agricultura Pura (Kototama 10)

É outro trabalho árduo, mas já temos alguns produtos como o arroz, legumes
e verduras que vocês poderão consumir. São ainda quantidades pequenas. Dá,
contudo, para vocês experimentarem uma alimentação melhor.

O nosso ideal é, num futuro próximo, oferecer a vocês um abastecimento


completo de cereais, verduras, leite, carne.

Embora sejam grandes as dificuldades, agora estamos entrando nos eixos. Por
exemplo, o arroz já está no quarto ano de produção e não apresenta mais problemas
de caruncho, como na fase inicial, o que nos leva a afirmar que já ficou livre de
qualquer impureza. Está, pois, ocorrendo exatamente o que Meishu Sama ensina:
sem toxina, o nosso arroz não interessa mais aos carunchos. Dura muito tempo.
Quando cozido, fica até uma semana, como se estivesse sido preparado na hora. Isso
acontece porque é um produto plantado sem agrotóxicos, nem adubos. Desenvolve-
se apenas sob a ação da terra, da água, do ar e do sol. É um método bem diferente
daquele usado pelos demais agricultores para o plantio de alimentos. Não sei se
vocês conhecem os métodos agrícolas atuais. Talvez se imaginassem a quantia de
veneno empregado, não comeriam coisa alguma. Até com o arroz é usado esse
mesmo processo. Após a colheita, vai para um depósito onde permanece sob a ação
de um veneno para matar os carunchos. Caso contrário, o arroz fica oco, pois as
pragas o devoram por dentro. No nosso caso, nos primeiros anos, tiramos os
carunchos com a mão. Avaliem o sacrifício. Agora, porém, já estamos livres desse
trabalho.

Outro ponto interessante de ser observado é com relação ao farelo de arroz


que é usado no Japão, numa mistura com água e sal, para fazer conservas. Embora
seja um processo bem antigo, sempre apresentou o problema de cheiro forte. Por
isso, especialmente no interior do Japão, os depósitos dessas conservas são
construídos bem distantes das casas para evitar o odor podre que exalam.

Entretanto as conservas feitas com o farelo do nosso arroz não têm cheiro
algum e podem ser guardadas dentro da própria casa. Agora, quando vou ao Japão,
meu presente é farelo de arroz puro, produto que não existe quase por lá e é
intensamente procurado.

Então, vocês podem deduzir que a diferença entre um e outro produto está na
maneira como foram produzidos. O cheiro podre advém do emprego de adubos
colocados na terra e absorvidos pelo arroz.

Esse fato comprova também a veracidade dos Ensinamentos de Meishu Sama


quanto à agricultura pura. Qualquer produto cultivado exclusivamente com terra,
água, sol e ar se fortalece e fica imune a toxinas. Por exemplo, a alface plantada na
nossa fazenda tem uma raiz grossa porque, como não usamos adubos, a planta
precisa fazer todo o esforço para procurar os elementos nutritivos na terra. Com isso
cresce resistente e se conserva por mais tempo, ao contrário das compradas na feira
que murcham logos nos primeiros dias. No Japão, uma alface comprada na quitanda
e colocada na conserva, derrete depois de dois dias.

25
Vejam o que a gente está comendo. São produtos carregados de veneno e
coisas negativas. Por isso só será possível salvar a humanidade através da prática dos
Ensinamentos de Meishu Sama que nos permitirão ir, passo a passo, produzindo
alimentos puros e nutritivos. Não existe outra possibilidade.

26
Agricultura Pura (kototama 30)

O que Meishu Sama ensinou sobre a Agricultura Pura é algo realmente


revolucionário por ser exatamente o oposto de tudo o que pregam as teorias
existentes.

A compreensão total dessas verdades que nos foram transmitidas por Meishu
Sama, sobre o cultivo do solo, é bastante difícil, mas vale, mesmo assim, serem
analisados tais princípios.

Hoje em dia, é muito comum a gente ouvir, no Brasil, os agricultores


reclamando do governo pelo fato de não ter liberado verbas para o plantio.

Se todos os plantadores seguissem os Ensinamentos de Meishu Sama,


lucrariam muito mais com poucas despesas, pois os quase 50% do orçamento gastos
na compra de adubos e praguicidas seriam economizados. Na verdade, só teriam que
fazer alguns investimentos na compra de sementes, trator, caminhão e outros
instrumentos necessários ao trabalho na terra.

Entretanto, continua a idéia fixa de que só o solo, a água, o Sol e o vento não
são suficientes; é preciso acrescentar-lhes algo. É um pensamento que predomina na
civilização materialista atual, não só no que diz respeito à agricultura, mas também
quanto à alimentação. Embora sejam consumidos cereais e verduras, a maioria acha
indispensável um complemento vitamínico para que o corpo não se enfraqueça.
Todos esses conceitos errôneos bombardeiam a mente humana através da
mídia, fazendo as pessoas agirem de maneira incorreta.

Foi por isso que Meishu Sama se empenhou tanto em transmitir a verdade a
respeito do cultivo da terra, procurando mostrar que "solo é adubo. Este, por sua vez,
nada mais é que o próprio solo".

Contudo os agricultores e as pessoas em geral mantêm a convicção de que,


inicialmente, a terra é forte, mas vai enfraquecendo com o uso. Daí ser necessário
acrescentar-lhe algo. Assim é que foram ensinados a pensar a respeito da agricultura.

Meishu Sama, todavia, ensina o contrário. Para plantar, basta limpar o terreno
e lançar a semente ou dispor as mudas. Após a colheita, repetir, no local, o mesmo
tipo de cultura, seja ela de arroz, verduras ou legumes.

Mas qual o fundamento do plantio repetido?

O princípio lógico, escondido atrás dessa técnica é o mesmo que se aplica ao


ser humano. Por exemplo, se uma pessoa se especializa num determinado assunto, é
claro que será capaz de transmiti-lo aos outros com grande facilidade ou mesmo
entendê-lo em maior profundidade. Algo semelhante acontece também em relação a
um profissional qualquer, que, ao exercer repetidas vezes a mesma tarefa, vai se
tornando cada vez mais hábil, chegando até a um ponto em que sua capacidade se
torna quase ilimitada.

27
Com a terra, o processo é idêntico. Quando se planta, por exemplo, alface
num local, ao repetir o plantio, a terra já sabe que esse mesmo vegetal já foi
cultivado ali.

É exatamente essa técnica que estamos usando na nossa fazenda e as verduras


só desenvolvem cada vez com maior facilidade, além de não serem atingidas pelos
insetos.

De acordo com o Ensinamento de Meishu Sama, a planta só é atacada pelos


bichinhos quando existe nela alguma toxina ou veneno, substâncias estas que lhes
servem de alimento.

Normalmente os insetos são atraídos pelo cheiro dos elementos essenciais à


sua subsistência. Quando, porém, as plantas estão mais puras e, por isso, nada têm a
oferecer como alimento, os insetos não se aproximam delas. Esta realidade é o ponto
focal, a chave da Agricultura Pura.

O que sempre ocorre é, com o aparecimento de insetos, serem espalhados


venenos para combatê-los. Então o agente químico empregado penetra dentro da
própria planta, entra no solo onde apodrece com o calor, gerando uma espécie de
toxina que provoca o aparecimento de novas pragas. Estas, na verdade surgem para
se alimentar dessas impurezas. Ao mesmo tempo realizam um processo de limpeza
seguindo a lei natural que determina o surgimento de seres humanos onde existiam
impurezas a serem eliminadas.

Dessa forma, o princípio fundamental da Agricultura Pura é a manutenção da


pureza do solo. E foi desejando a compreensão da essência dessa verdade que
Meishu Sama escreveu vários Ensinamentos sobre o assunto.

Além disso, é importante também atentar para a diferença de sabor


apresentada pelos produtos cultivados segundo o método da Agricultura Pura.

Hoje em dia, é muito comum as pessoas não gostarem de verduras por serem
pouco saborosas. Se, contudo, sentissem o gosto dos vegetais produzidos pela
Agricultura Pura, muitos iriam deliciar-se, pois, quando se fala de alimentos, o sabor
é essencial. E quanto mais agradável ao paladar, melhor será para a saúde, porque as
glândulas são ativadas mais facilmente. Se ao contrário, o corpo entrar em contato
com alguma coisa de gosto ruim, não reage. Daí ser errada a idéia de que
determinados alimentos, embora tenham um sabor desagradável, são bons para a
saúde.

É, pois, importante que sejam ingeridos apenas produtos cujo sabor cause
prazer. Desse modo as glândulas do corpo humano trabalharão mais e a sáude das
pessoas ficará cada vez melhor.

Então, à vista de tais evidências, nada mais urgente se faz que a


conscientização profunda, especialmente dos agricultores para que produzam cada
vez mais alimentos sem agrotóxicos, cujo sabor é incomparável. É preciso atingir a
condição de vida expressa na oração Zenguen Sanji (Prece de Louvor a Deus) em
que "fartas colheitas" de Agricultura Pura "abarrotarão os armazéns".
28
Assim, mesmo que a população triplique, haverá abundância de produtos sem
contaminação e a humanidade viverá plenamente feliz.

Um outro ponto ao qual é preciso atenção diz respeito ao uso de adubos


orgânicos. Muitas vezes, as pessoas entendem o perigo causado pelos agrotóxicos,
mas mesmo assim, acham necessário empregar adubos orgânicos e, com essa atitude,
fazem permanecer a idéia de ter que nutrir a terra. Daí o cuidado para não perder o
caminho. Nunca a terra pode ser vista só como barro, mas como um ser que respira,
tem vida própria e uma energia especial que determina o crescimento das plantas.

Além disso, não se deve esquecer que o funcionamento dos seres vivos é
dinâmico: quanto mais usado, mais forte se torna. É por isso que se, numa terra for
plantado sempre o mesmo produto em plantios repetidos somente no mesmo lugar,
após uns sete anos, nem dá para imaginar como vai ficar esse solo tal a força
produtiva que adquire.

Gostaria, por isso de ver, num futuro próximo, um grande número de


agricultores praticando Agricultura Pura.

No Brasil, a experiência ainda é muito recente. No Japão, contudo, existem


agricultores que já empregam esse método, há mais de trinta e cinco anos, desde que
ouviram as explicações de Meishu Sama sobre Agricultura Pura. Cultivam arroz,
verduras e chá, além de outros produtos.

O sucesso é tão grande, que os próprios agrônomos, quando pesquisam esse


solo, acham-no o melhor do mundo, mas não conseguem entender que a causa de tão
alta vitalidade é o plantio de um tipo idêntico de produto repetido sempre no mesmo
lugar. Com a aplicação dessa técnica que não usa fertilizantes nem germicidas, a
terra vai ficando extremamente poderosa forte e viva.

Convido, portanto, a todos os leitores para que meditem sobre essas verdades
e procurem incentivar o desenvolvimento da Agricultura Pura. Assim estarão
contribuindo não só para a valorização da saúde pessoal, mas também de toda a
humanidade.

29
Agricultura Pura (Kototama 24)

Tudo o que Meishu Sama nos ensinou sobre agricultura pura, saúde e
remédios são conceitos revolucionários.

Em relação às plantas dois pontos básicos devem ser levados em


consideração: a pureza do solo e a determinação de áreas específicas de plantio para
cada tipo de produto a ser cultivado.

Quanto à integridade do solo, o mais importante é saber que, uma vez em seu
estado natural, oferece condições ao desenvolvimento perfeito de qualquer produto
que a ele se adapte, bem como não permite o aparecimento de qualquer tipo de praga.

O outro aspecto que deve merecer especial atenção do agricultor é a escolha


de locais próprios para o plantio repetido do mesmo produto. Por exemplo,
determinar uma área só para plantar arroz, outra só para alface, para tomate, para
milho e assim por diante.

Esse procedimento, entretanto, por ser inédito (especialmente aqui no Brasil),


entra em choque com velhos hábitos agrícolas até agora seguidos.

De um modo geral, os técnicos e agricultores acham que a terra enfraquece à


medida que vão sendo repetidos os plantios e retirados os produtos. É por isso que, a
cada nova plantação, colocam-se adubos e nutrientes artificiais.

A nossa experiência, contudo, fundamentada nos Ensinamentos de Meishu


Sama, comprova exatamente o contrário: quanto mais se repete o plantio do mesmo
produto num mesmo local, sem colocar nada no solo, maior será a sua capacidade
produtiva e mais aumentam os elementos nutritivos e a força reprodutiva da terra.

Nesse caso ocorre com o solo um processo idêntico ao que acontece com o
ser humano que sempre escolhe entre as várias profissões uma na qual se especializa
para exercê-la como um profundo conhecedor do assunto. Do mesmo modo a terra,
que é também um ser vivo, ao receber nas vezes subseqüentes o mesmo produto, já
sabe como agir, que tipo de esforço empreender a fim de propiciar o
desenvolvimento correto da planta. Dá-se uma adaptabilidade perfeita entre a ação
reprodutiva do solo e aquele tipo de cultura em particular. Em outras palavras o solo
se torna mais habilidoso para o desenvolvimento de determinada planta da mesma
forma que um profissional se torna cada vez mais hábil à medida que vai executando
repetidamente um mesmo trabalho.

Imaginem, então, o sofrimento de uma terra que a cada plantio é obrigada a


mudar de “profissão”, além de sofrer compulsivamente a ação destruidora de agentes
artificiais como adubos e agrotóxicos. Neste aspecto também ocorre com as plantas
algo parecido ao que acontece com o corpo humano, que ao contrair um doença
torna-se um campo propício ao aparecimento de vírus os quais se alimentam de pus e
sangue impuro.

Do mesmo modo que os vírus e bactérias são atraídos pela impurezas


presentes no organismo, os insetos encontram na terra contaminada por fertilizantes e

30
agrotóxicos um ambiente adequado ao seu desenvolvimento. Dessa constatação
pode-se concluir que a causa de tantas pragas nas plantações está no emprego de
venenos chamados de adubos.
O comportamento do índio (Kototama 24)

Assisti, há poucos dias, a um programa da televisão japonesa sobre a vida do


índio.

Hoje, alguns descendentes indígenas, estão estudando a cultura e as tradições


de seus antepassados de três mil anos atrás.

Com base nessas pesquisas, conta-se uma história interessante: um índio foi
pescar salmão. No mesmo local havia dois ursos, um preto e um branco, caçando.

Para que os animais não percebessem a sua presença, o índio escondeu-se


atrás de uma árvore até que os ursos fossem embora e não se sentissem perturbados.
Assim poderiam caçar e alimentar-se tranqüilamente.

Explicando a sua atitude, o indígena diz que cada criatura de Deus tem um
lugar e uma utilidade na natureza e, por isso, devem coexistir pacificamente.
Comportamento exemplar!! Só que a maioria dos seres humanos não sabe que, de
fato, existe uma ligação profunda entre vegetais, minerais, pedras, águas, ventos,
chuvas, Sol. Tudo faz parte da criação divina. Poucos, porém, entendem essa
realidade; por isso, quando aparece alguma coisa diferente, querem jogar veneno,
matar, destruir.

Então, a atitude correta seria procurar a razão profunda, mais misteriosa


daquela existência; nunca agredir a natureza. A gente deve seguir o mesmo exemplo
daquele antepassado indígena de reverência e compreensão pela Obra de Deus.

O que se vê hoje, no entanto, é a civilização materialista destruindo o


sentimento de respeito e de amor pelas criaturas divinas.

31
Agricultura Pura - Palestra Culto Inaugural da AAP - Kototama 25

Agradecimentos

“Agradecidos
os agricultores derramam lágrimas.
Fartura nas colheitas sem adubos nem pragas”.

Esta primeira parte está mais relacionada ao futuro da maioria dos


agricultores. Na verdade, irão agradecer muito a Deus pela produção, pelas colheitas
abundantes, porque estarão entendendo que a ajuda verdadeira, a força maior vêm de
Deus Criador. Deverá, no futuro, ser este o ideal que norteará o trabalho junto à terra:
plantar, colher, receber todos os produtos com profunda gratidão.

É interessante lembrar que essa atitude já norteou a atividade agrícola até fins
do século XIX e começo do XX. Quando fazíamos, há pouco, a oração, veio à minha
mente a pintura de Millet (Jean-François Millet, 1814-1875) cujos motivos eram
agricultores colhendo trigo ou cereais em atitude de oração. Esses quadros
transmitem, muito bem, o sentimento de gratidão através de um trabalho feito como
se fosse uma prece. Era um ato sagrado, de mistério, de emoção profunda. Hoje esse
comportamento desapareceu, a agricultura tornou-se profana.

Faz-se necessários, pois, retornar àquelas atitudes de reverência com a


natureza, reviver valores esquecidos, reavivar a emoção de poder sentir, por
exemplo, as mudanças do clima, a ação do vento, da chuva, do Sol; observar o
desenvolvimento de uma pequena semente tão cheia de mistério contendo,
programada, toda a essência de uma vida que despontará após alguns meses de ter
sido lançada ao solo.

Eu creio que antigamente não só os agricultores, mas também as pessoas em


geral viviam mais perto de Deus e da Natureza. Por isso emocionavam-se ao
observar o crescimento e a beleza das flores; ao sentir o sabor das frutas e a
grandiosidade das colheitas. Hoje, porém, a atenção está exclusivamente voltada para
o lucro excessivo, para métodos de como produzir mais a fim de obter um ganho
maior.

Atualmente está bem distante do agricultor o verdadeiro conceito de cultivo


da terra. É preciso retroceder um pouquinho e ir ao encontro da origem do real
sentido de agricultura que está expresso nos Ensinamentos de Meishu Sama. Através
deles, o Mestre nos ensina que a própria natureza oferece o adubo em forma de Sol,
luz lunar, água, chuvas, ventos. São esses elementos naturais que contêm toda a
energia geradora da vitalidade que faz desabrochar a vida de dentro de uma semente.

Todos esses conhecimentos estão bastante esquecidos. Até o paladar, os seres


humanos estão perdendo. Hoje, normalmente a comida serve para “matar a fome” ou
“encher a barriga”. Poucos têm a sensibilidade necessária para perceber o verdadeiro
sabor dos alimentos.
É necessário, então, promover a elevação do nível espiritual. Só assim as
pessoas se tornarão mais sensíveis a ponto de começar até a entrar em sintonia com o
32
sentimento de amor, com a sinceridade da dedicação de todos aqueles que plantaram
e cuidaram da terra para que ela nos desse alimentos vitais.

Como conseqüência desse processo natural de plantio, vão surgir as fontes


mantenedoras da nossa vitalidade espiritual. Por outro lado, como todos ficam mais
fortalecidos, fortifica-se também a força para o trabalho, para o enfrentamento de
todos os problemas do dia-a-dia. Com novo ânimo, cresce o amor no coração e
aumenta a fé no Criador.

Portanto, o alimento dado por Deus, resultante da Agricultura Pura, não


alimenta só o lado material, mas também fortalece o espírito. Temos, pois, que comer
para adquirir força tanto na parte visível, física quanto na invisível. É desta última
que advém o grande poder norteador das nossas vidas.

O que, contudo, está acontecendo é uma intensa agressividade contra a


natureza. A cada dia, vem sendo mais prejudicada, judiada. Ninguém mais confia na
força da terra o que, por sua vez, leva os homens a não acreditarem mais em Deus.

Como resultado dessas atitudes avassaladoras, vai-se intensificando o


materialismo. Cria-se, então, um círculo vicioso: o homem descrente, joga veneno na
terra fazendo com que a planta perca a força para crescer e produzir, tornando-a
vulnerável ao surgimento de inimigos como pragas e insetos que, ao se alimentarem,
vão produzindo máculas e contaminando a planta. Por sua vez, para combatê-los,
jogam-se venenos e assim forma-se uma corrente interminável de agressão à
natureza.

Portanto, acho que está na hora de pararmos por aqui, buscarmos os


Ensinamentos de Meishu Sama para voltarmos ao estágio original, porque não
poderá jamais “a ciência inventada pelo homem entender o mistério da terra criada
por Deus”.

Na verdade ninguém sabe nada. Meishu Sama, muitas vezes afirmou isso e
ainda acrescentou: “se os cientistas conseguissem criar pelas próprias mãos e com o
avanço tecnológico de que dispõem, algum tipo de semente ou solo, aí então
mereceriam toda a confiança. Entretanto as próprias pesquisas comprovam que o
conhecimento humano é restrito, infinitamente pequeno. Mesmo assim o homem tem
a ousadia de querer saber tudo, achando que já conquistou o universo. Chego mesmo
a pensar que as criaturas estão supondo que Deus falhou; não fez com perfeição nem
o corpo, nem a terra, nem a semente. Acham, por isso, que devem reformar os seres
criados por Deus, colocando adubo na terra, lutando contra a natureza, para poderem
abastecer o mundo com alimentos em profusão. É claro que essa é uma atitude
reveladora da profunda ignorância, especialmente dos cientistas com relação à
essência divina presente na terra, isto é, o “mistério da terra criada por Deus”.

33
O orgulho humano

“O homem tentou
orgulhosamente dominar o solo.
Acabou conquistado pela grande natureza.”

É assim que o homem realmente pensa. Acha que, pela sua maneira
irreverente de cultivar a terra, a está dominando. Entretanto não consegue nem
desvendar uma pequena parte dos mistérios que a envolvem. Quando realiza alguma
tentativa nesse sentido, acaba sendo dominado pela Grande Natureza que expressa,
na sua essência, a imagem de Deus. Então, é preciso que o homem entenda que o
Criador lhe outorgou poderes apenas para governar todo universo de acordo com a
vontade divina. No momento em que deixa de reverenciar a presença divina na
natureza, perde a faculdade de dirigir e se torna inteiramente materialista, deixando
de participar da presença do Criador, em nível mais elevado.

Abrir os olhos

“Para do pobre
cegos os olhos abrir, eu irradio
a intensa luz da sabedoria divina”.

Meishu Sama, observando o comportamento do homem diante da natureza,


procurou, através da irradiação da Luz Divina, despertar as mentes e os corações,
para os grandes erros no trato com a terra. Parece, contudo, estar falando à gente
cega e surda que continua cometendo as mesmas falhas.

Eu acredito que a Era do Dia, à qual estamos sempre nos referindo é, na


verdade, a Era da Manifestação do poder criador de Deus, da Sua infinita sabedoria
expressa naquilo que Ele planejou para o estabelecimento do Reino do Céu na Terra.
Se o ser humano procurar seguir o caminho do criador, vai compreender a força
misteriosa da Grande Natureza e muitos milagres acontecerão.

Na época de Meishu Sama e até atualmente, têm acontecido alguns prodígios


dignos de nota. Eu me lembro de que certa vez, ao fazer uma ikebana (arranjo de
flores ao qual o Mestre gostava de se dedicar) ele colocou uma flor já meio murcha
no vaso, mas olhou tão fixo para ela, que imediatamente a folha começou a levantar.
Acho que fez isso para mostrar aos seus auxiliares o poder criador da natureza, pois
olhou para todos que se encontravam ao redor dele, não falou nada e foi embora.

Até aqui, no nosso Templo, já aconteceu algo semelhante. Embora não


tenhamos tanta força quanto Meishu Sama, muitas vezes, ministrando-se Johrei em
flores um pouco murchas, elas revivem. Esse é realmente o poder da Luz de Deus
que está sendo emanado para o universo inteiro.

Precisamos, pois, aprender canalizar a Luz Divina. Para tanto é necessário em


primeiro lugar corrigir o pensamento, elevando preces a Deus a fim de que a nossa fé
se aprimore. Temos de pedir humildemente ajuda ao Pai, o verdadeiro detentor do
poder. Se assim for feito, com certeza, o auxílio virá a todos os que buscam
compreender a vontade de Deus.
34
Confiança em Deus

“Não poderia
jamais ter Deus deixado sem alimentos
o ser humano, fruto do seu imenso amor”.

Se fosse ao contrário, Deus nos teria criado órfãos. Acontece que, segundo a
história da criação, Deus colocou primeiro na terra os alimentos, os vegetais, os
frutos, as sementes. Só depois, o homem.

É interessante também observar que, no início, havia pouquíssima gente no


mundo. Então os alimentos surgiam em menor quantidade. Sabe-se, por exemplo,
que uma espiga de arroz que hoje produz mais de duzentos grãos, em tempos
remotos, só continha, no máximo, de cinco a dez grãos.

Então, dá para concluir que, de acordo com o aumento dos habitantes sobre a
terra, a produção de alimentos foi-se desenvolvendo e acompanhando o crescimento
da humanidade. Portanto, daqui para o futuro, não será diferente. A Grande Natureza
acompanhará o aumento da população e, se a gente não fizer besteira, nunca vai
faltar nada a ninguém, pois Deus é o supremo provedor de tudo. A escassez é sempre
conseqüência da desarmonia entre a vontade de Deus e o pensamento do ser humano.

A base de tudo, então, é a fé irrestrita no poder divino. Como poderá o


criador permitir que seus filhos sofram privações, se até os pais carnais se preocupam
com o bem-estar de sua prole? Não têm sentido algum, idéias que contrariem a lógica
divina.

A grande tolice

“Grande tolice
buscar o profundo mistério da terra
através de uma ciência tão superficial!”

A gente tem de entender que o nível de conhecimento do ser humano é ainda


bastante superficial. Embora muitas vezes enganado pela propaganda, ou achando-se
o máximo, o homem não chega sequer a atingir um por cento da capacidade divina.

Até os cientistas afirmam que o cérebro humano está adormecido, mesmo


sendo um extraordinário computador, que não pode ser comparado aos existentes na
atualidade. Para desenvolvê-lo, seria preciso algo bem maior que o globo terrestre e,
talvez, assim mesmo não fosse atingida a totalidade do cérebro humano. Profundo
mistério da ciência divina! Que enorme distância entre o finito e o infinito!

Não há, pois, parâmetros comparativos entre o divino e o humano. São


dimensões totalmente diferentes. Daí a grande tolice de querer explicar o mistério da
terra, uma força divina, através de conceitos materialistas.

35
O vício do adubo

“Enraizado
está no coração dos agricultores
como uma superstição, o vício do adubo”.

O vício do adubo seria o ponto focal em relação à Agricultura Pura. É ele que
a diferencia de qualquer outro tipo de cultivo da terra.

Hoje em dia, é corrente entre os agricultores a idéia de que, ao se plantar, por


exemplo, arroz, este se sustenta de elementos nutritivos fornecidos pela terra, a qual,
no ano seguinte, não as terá mais porque lhe foram tirados por uma plantação
anterior.

Meishu Sama, entretanto, diz que pensar assim não passa de uma grande
superstição, pois caso essa noção correspondesse à verdade, a terra não passaria de
um elemento morto, sem vida própria.

Basta, contudo, observar a natureza para perceber o contrário: a terra é um ser


repleto de energia vital que está se renovando a cada instante. Então, quanto mais se
plantar e quanto menos interferência da materialista inteligência humana, mais fértil
ela ficará. Esse é o conceito de Meishu Sama, cujos resultados podem ser
comprovados.

Outro ponto interessante a ser destacado na Agricultura Pura é o


relacionamento entre a terra e o homem. Há solos que após cinco, dez ou vinte anos
de cultivo ficam mais ricos e produzem com mais abundância, enquanto as chamadas
“terras virgens” não apresentam a mesma vitalidade. Esse fato resulta do contato que
se estabelece entre a terra e o homem que a cultiva. Dá-se um intercâmbio de amor
entre ambos, parecendo até que a energia humana penetra na terra e ela corresponde
ficando cada vez mais forte e produtiva.

É, pois, por essa razão, que um solo já trabalhado por um agricultor é bem
melhor e a cada ano apresenta a sua energia vital melhorada e a capacidade
reprodutiva sempre mais aprimorada!

Nós, aqui no Brasil, ainda não temos muitos elementos para comprovar essa
verdade. Estamos ainda bastante atrasados. No Japão, contudo, existem agricultores
que já praticam Agricultura Pura há mais de quarenta anos e, com isso, demonstram
que não há contradição nos Ensinamentos de Meishu Sama. Lá os plantadores de
arroz, por exemplo, retiram do solo, após a colheita, tudo o que sobra: raízes, palhas,
folhas, galhos. Não deixam nada e plantam no mesmo lugar, o mesmo tipo de arroz
cultivado no ano anterior. É notável como, a cada safra, o produto fica melhor.

Hoje, cientistas e agrônomos que examinam todo ano esse solo, garantem
tratar-se de um dos mais férteis do mundo.

36
Eis a razão pela qual Meishu Sama considera o adubo um vício pernicioso
que impede o desenvolvimento natural das plantações.

Eu gostaria de que esses pontos ficassem bem claros para todos. Para tanto,
nada melhor do que as preciosas experiências dos nossos agricultores que já estão se
dedicando à Agricultora Pura e, por isso, podem prestar uma valiosa ajuda a todos
que desejam seguir os Ensinamentos de Meishu Sama.

Também quero lembrar que o objetivo do Culto em Prol da Agricultura Pura


é pedir bastante proteção a Deus, impedindo assim qualquer interferência negativa a
fim de que os agricultores possam prosperar. Dessa forma estarão beneficiando a
humanidade inteira.

Como todos sabem, o processo agrícola mundial chegou ao 0,99 do domínio


do mal. A Agricultura Pura representa, no momento o 0,01 da força do bem. É uma
alternativa que se apresenta como uma forma de salvar o solo, tornando-o produtivo
sem a interferência de nutrientes artificiais.

Vamos, pois, rezar bastante para que Deus e Meishu Sama permitam um
grande avanço da Agricultura Pura entre nós.
Kototama 26 - página 22

Ação perniciosa de elementos químicos

A gente pode observar que houve uma mudança muito grande desde a época
em que Meishu Sama vivia entre nós, até hoje. Já se passaram quarenta e quatro anos
e quase nada melhorou. Na realidade, o mundo está caminhando para a
desintegração. Embora seja um processo evidente, poucas pessoas percebem. Em
toda parte, contudo, há indícios de destruição: conflitos, desentendimentos, guerras.
A meu ver, entretanto, a pior coisa que está acontecendo diz respeito à saúde do ser
humano, diretamente afetada pela contaminação de agrotóxicos. Na época em que
Meishu Sama estava entre nós, Ele criticava os adubos químicos muito mais em
evidência que os venenos para combater pragas.

Há poucos dias, a televisão estatal japonesa fez uma reportagem sobre a


contaminação dos peixes dos Grandes Lagos, situados na divisa entre Canadá e
Estados Unidos.

Segundo esse relato, ecologistas e cientistas conseguiram, com grande


esforço, purificar a água, mas estão ocorrendo outros fatos inexplicáveis causados
pelo excesso de elementos de decomposição química que está sendo lançado no
mundo inteiro. Segundo a reportagem, chega a cinqüenta e sete mil itens e a cada ano
mais sete mil novos elementos químicos são inventados, a partir dos produtos
espalhados pelo mundo.
Agora, há um laboratório enorme pesquisando esses milhares de elementos
químicos. Para se chegar a uma conclusão final, vai demorar muito, mas já se sabe
que um dos problemas é a alteração do sistema hormonal do ser humano.

Pesquisas realizadas em peixes, estão mostrando que as glândulas


responsáveis pela produção de hormônios apresentam seu tamanho alterado: muito
maior, parecendo um inchaço.
37
Em decorrência da alimentação, esse problema de desequilíbrio hormonal
pode afetar também o ser humano, por ocasião do desenvolvimento do feto. Isso por
que o hormônio da tireóide ajuda a formação do cérebro. Se acontecer algum
distúrbio no funcionamento da tireóide, o cérebro da criança será automaticamente
afetado. Então, segundo essa mesma reportagem, os cientistas alegam que hoje em
dia nascem tantas crianças com problemas físicos e psíquicos devido à ação de
elementos químicos soltos no ar e na água por inúmeras razões. Por isso, os cientistas
estão fazendo pesquisas sérias com respeito a esses problemas.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos, descobriu uma doença causadora de
intranqüilidade nas crianças que não conseguem concentrar-se nos estudos e ficam
andando agitadas o dia inteiro, gerando sempre muitas situações conflituosas. Esse
tipo de sintoma está ficando cada vez mais freqüente.

Para encontrar a causa dessa doença, os cientistas estão fazendo uma


experiência com ratos, os quais são submetidos à ação de alguns elementos químicos
que alteram o hormônio da tireóide. Então os ratos se comportam de maneira
semelhante à das crianças: ficam andando sem parar de um lado para o outro. E o
pior é que a quantidade da química da qual sofrem a interferência é na proporção de
um para um bilhão; portanto pior que toxina.

A vista disso, hoje alguns médicos estão aconselhando mães gestantes a não
comerem certos tipos de peixe.

Os cientistas que estudam esse fenômeno sentem-se perdidos, não sabem


como recuperar a humanidade. É, pois, um problema realmente sério. Daí a razão
pela qual devemos dar mais atenção à Agricultura Pura e também à criação natural
de peixes e animais.

Meishu Sama já previa, há mais de cinqüenta anos, a ocorrência desses


fenômenos. Sempre alertava, mas poucos se interessaram pelo assunto.

Essa reportagem nos incentiva também a querer conhecer a revelação de


Deus Supremo a Meishu Sama. Devemos mudar totalmente. Deixando de ser
materialistas, é preciso procurarmos a direção certa das coisas perfeitas dadas a nós
pelo Criador.
Desinteresse pela saúde do ser humano

Vocês podem ver que os produtores em geral não demonstram interesse com
a saúde, nem com o futuro da humanidade. Preocupa-lhes apenas o ganhar mais
dinheiro, o aumento de capital. Antigamente essa atitude era ainda meio camuflada;
agora é clara.

Vejam, por exemplo, a semente transgênica terminal, cujo único objetivo é o


aumento dos lucros, pois se presta apenas a uma semeadura, devendo o agricultor
adquirir outras para um segundo plantio.

38
Na verdade o que está evidente é a atuação do negativo que se manifesta em
todas as formas de atividade humana. Mesmo essa guerra que aconteceu em Kosovo,
tem atrás de si a indústria de armamento; cada bomba custa milhões. Com a venda,
aumentarão também as ações certamente.

Usando essa fortuna, quanta coisa poderia ser feita em prol da Agricultura
Pura! A gente não a tem, entretanto, o que significa que o próprio dinheiro, os bens
materiais estão do lado do Mal. Quem domina economicamente, não está pensando
na vida do ser humano.

Embora haja algumas pessoas bastante conscientes, são afetadas na sua


sobrevivência e nada podem fazer.

Há poucos dias, estivemos em Santa Catarina e fomos a São Bento do Sul


procurar agricultores que têm semente de batata inglesa. Encontramos aí um casal de
velhinhos que, há vinte anos, está produzindo sem agrotóxicos. Contou-nos que no
Ceasa não dera nenhum valor ao seu produto porque a batata era pequena; claro que
por ser natural, não apresentava aquele tamanho exagerado das batatas híbridas
grandes e vistosas, mas sem gosto. Estas alcançam até R$ 25,00 o saco enquanto
aquela, por ser pequena, não vale R$ 12,00. Por isso então ficou desiludido, não as
colheu mais, deixou-as apodrecer na terra. Pena que não soubemos antes; iríamos
comprá-las todas.

A realidade é essa: o consumidor está sendo enganado pela aparência,


enquanto um produto puro, nutritivo e saudável perde-se por falta de preço.

Procuramos também semente de milho não-híbrido. É difícil encontrá-la.

Na verdade, o pequeno agricultor está sendo abafado pelo poder econômico.


Embora derrame o suor, trabalhando com amor e respeito à terra, na hora de vender,
o seu produto é desvalorizado pela aparência. Tem chances somente aquele cheio de
agrotóxicos.

Sentimento de Gratidão dos Agricultores

Também do ponto de vista da Agricultura Pura, o certo seria que cada


agricultor, ao lançar a semente ao solo, já estivesse pensando que parte do produto
resultante desse seu trabalho será oferecido a Deus em agradecimento. O plantador,
deve, pois, pedir no momento da semeadura que Deus o ajude a fazer o melhor, uma
vez que lhe foi dada a oportunidade de cultivar o solo com respeito. Não se trata
então, apenas, de plantar, colher, vender, ganhar dinheiro. O mais importante é a
sinceridade e devotamento com que cada agricultor deve lidar com a terra e o
sentimento de gratidão pela oportunidade de conseguir realizar um trabalho
grandioso que vai beneficiar muita gente.

39
Capítulo
IV

Experiências e
Pesquisas sobre
Agricultura Pura

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A – NO JAPÃO
I – Arroz integral sem adubo
Desde 1951, a Sra.Kazue Tanaka, do município de Shiga, no Japão, tem
plantado arroz na sua propriedade de mil e quinhentos metros quadrados, de acordo
com o método da Agricultura Pura. Sem usar nenhum tipo de adubo ou agrotóxicos,
empregando somente irrigação contínua, possui uma plantação resistente a pragas
ou intempéries. Tem uma produção estável de arroz marrom, tipo Beniasahi, na
média de 40 kg por are, o que equivale a 70% da produção normal dessa região.

II – Pesquisas
Os cientistas da Faculdade de Agricultura da Universidade Kinki, localizada
na cidade de Higashi (Osaka, Japão), sob a orientação do Professor Hiroshi
Hasegawa vêm conduzindo uma pesquisa nos campos da Sra. Tanaka desde 1974,
usando um campo próximo, adubado, onde se planta também arroz para servir como
elemento comparativo na experiência.

Esse grupo de cientistas já chegou a algumas conclusões. Entre elas:

1 – Características do arroz Beniasahi

Quando comparado com o arroz produzido no campo de controle, o


Beniasahi plantado segundo os princípios da Agricultura Pura apresenta as
seguintes particularidades:

a) os grãos permanecem firmes e resistentes após o beneficiamento;


b) a casca que recobre o grão e se transforma em farelo através do polimento solta-
se com muita facilidade;
c) o sabor é muito especial;
d) a qualidade comestível não se deteriora mesmo passados dois anos.

2 – Presença de ervas daninhas de inverno

Foi verificado, após pesagem das ervas daninhas secas, que o campo de
controle continha maior quantidade quando comparado ao sem adubo.

Essa observação mostrou que uma terra sem agrotóxicos tem menos
nutrientes durante o inverno que um campo fertilizado artificialmente.

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Verificou-se ainda que mesmo tendo sido espalhadas palhas de arroz picadas,
para restringir o seu aparecimento, as parasitas proliferaram abundantemente durante
o inverno, no campo adubado.

3 – Desenvolvimento da plantação

No primeiro mês após o plantio, (que na região de Osaka é no início de maio)


o crescimento do arroz é bastante lento devido à pouca quantidade de nutrientes na
terra. Porém, assim que a temperatura sobe em julho (no Japão), a proporção de
nitrato de amônia liberado pelo solo aumenta e acelera o desenvolvimento da planta e
a coloração das folhas se torna mais nítida.

Por outro lado, verifica-se que as raízes continuam a crescer no solo sem
adubo enquanto no adubado ficam estagnadas.

Então, conclui-se que em solo de Agricultura Pura as raízes são mais largas e
fortes do que nos fertilizados artificialmente. A plantação demonstra uma
extraordinária vitalidade e, na época do amadurecimento, todas as folhas estão rijas e
eretas o que permite à planta maior exposição ao Sol, acelerando, ao mesmo tempo, o
desenvolvimento do grão (do arroz neste caso específico).

4 – Resistências às pragas

Os vários testes realizados pelos cientistas da Universidade Kinki (Osaka-


Japão) demonstraram que o arroz, plantado em terras sem adubos tem uma
capacidade maior de resistir a doenças e pragas ao longo do seu crescimento.

Foi comprovado também que o arroz cultivado em solo puro, sem


fertilizantes artificiais, apresenta elevada porcentagem de células de silicato que
reduz consideravelmente a ocorrência de ferrugem e outros problemas.

Há ainda um outro fato que comprova essas observações. Em 1969, no Japão,


muitas plantações foram completamente devastadas por uma invasão maciça de
insetos, mas as áreas cultivadas sem agrotóxicos pouco sofreram. Quando o
problema se repetiu em 1982, os cientistas de Kinki efetuaram um estudo cuidadoso
nos arrozais não-adubados da região e comprovaram que não foram realmente
afetados pelas pragas.

5 – Verduras e legumes em terrenos sem adubo

Não existe ainda uma pesquisa extensiva sobre o assunto. À vista disso, serão
relatadas algumas experiências já realizadas, especialmente no Japão, por um
agricultor chamado Shigesaku Ueda no distrito de Yamashina (Kioto). Em 1971, o
Sr. Ueda começou a cultivar tomates, pepinos, batata-doce, cebola, rabanetes,
berinjelas e outros legumes. Seguindo os princípios da Agricultura Pura, não usou
nenhum fertilizante artificial, nem orgânico. Além disso, dividiu a sua horta em
canteiros especializados para que pudesse repetir o plantio de cada produto sempre
no mesmo lugar.

42
Infelizmente não foi organizado, nas adjacências, um espaço com terreno
adubado para que pudesse ser feito um controle através de dados comparativos.
Entretanto, na terra do Sr. Ueda ocorreu o que normalmente acontece quando se
pratica a Agricultura Pura: inicialmente a produção em solo sem adubo é inferior à
de uma terra adubada. Contudo, qualitativamente os produtos da Agricultura Pura
são muito superiores quanto ao teor alimentício e também em relação ao sabor.
(Sabe-se de casos de pacientes em situação crítica os quais não suportam comer mais
nada, cujo organismo aceita com relativa facilidade produtos provenientes da
Agricultura Pura).

Observou-se também um brilho mais acentuado na casca dos rabanetes e


nabos bem como uma raiz (parte comestível) mais vigorosa. O mesmo aconteceu
com a batata-doce proveniente de campos sem adubo: não só a aparência era melhor
como também apresentava um sabor mais agradável.

O feijão cultivado pelo Sr. Ueda ganhou prêmio num concurso regional.
Eram vagens brilhantes e grãos bem maiores do que os produzidos com fertilizantes
artificiais. Também as ervilhas chamaram a atenção pelo tamanho e sabor. As
berinjelas ficaram mais resistentes às pragas e intempéries. Até repolho bem
compacto com folhas finas o Sr. Ueda conseguiu produzir nos seus campos.

Esses relatos têm como objetivo despertar a atenção dos leitores para a
necessidade e a importância da prática da Agricultura Pura.

B – NO BRASIL

Já existem algumas experiências realizadas no Brasil, embora a comprovação


seja ainda precária por falta de registros adequados e pesquisas mais aprofundadas.

Através da Revista Kototama, estamos apresentando alguns relatos de


experiências dos nossos agricultores em plantios sem o uso de adubos ou qualquer
tipo de agrotóxicos.

43
Testemunhos do Sr. João Pereira Lima Neto
Kototama 21

“Testemunho sobre Agricultura Pura dado pelo Sr. João Pereira Lima
Neto, Engenheiro Civil, cafeicultor, residente na cidade de Mococa,
no Estado de São Paulo”.

Sempre fomos cafeicultores na região de Mococa, Gaxupé e Caconde.

Desde o início das nossas atividades, plantávamos o café seguindo os


métodos tradicionais: pés bem espaçados, com mais ou menos quatro metros de
distância, um do outro.

Também não se usava muito veneno. Apenas BHC para combater a Broca
(um tipo de praga) e o óxido de Cobre contra a Ferrugem (outra espécie de praga).

A partir da década de sessenta, começou-se a colocar mais fertilizantes na


terra para fortalecê-la. Essa era a opinião dos agrônomos e a minha também.
Achávamos que, em virtude de se plantar café na região, desde 1820, a

terra ficava cansada. Então colocávamos o adubo para dar-lhe mais força.

Hoje eu já enxergo diferente. De fato não era a produção que deixava a terra
cansada, mas os maus-tratos que lhe eram dados, pois geralmente plantava-se morro
abaixo e bem distanciado um pé do outro; capinava-se a terra. Com a chuva, ocorria
aquela erosão carregando tudo para baixo. Não era, portanto, a extração do café que
deixava a terra sem força, mas a maneira errada de tratá-la. Por isso, a partir de 1970,
começamos a mudar um pouco o nosso modo de lidar com o solo.

Como era uma região muito acidentada, cheia de pedras, estava havendo
problema para competirmos com o pessoal que tinha lavoura mecanizada. Então,
através da orientação de outros agricultores da Costa Rica e da Colômbia,
começamos a plantar o café mais adensado, isto é, a mais ou menos um metro de
distância um pé do outro. Isso, na década de setenta, era considerado um absurdo.
Aconteceu, porém, que esse tipo de plantio determinou o aparecimento de sombra; a
terra foi sendo protegida contra ação direta dos raios solares e da chuva; assim o
mato foi diminuindo e conseqüentemente o uso de venenos. Continuávamos ainda
usando adubos.

44
Havia, contudo, ainda um outro problema sério que era a Broca, uma espécie
de besourinho que entra no café. Como existia em grande quantidade, eu usava um
produto chamado Thiodam para eliminá-la. Aí, um dia, Dr. Jorge Abraão, agrônomo
do Instituto Biológico de Campinas, pediu-me para visitar a nossa fazenda e
acompanhar aquele trabalho inédito que estávamos realizando para o cultivo do café.
Depois de ter andado pelo cafezal, observando os insetos com uma lupa, ele me disse
que, se eu deixasse de usar Thiodam, não iria mais enfrentar problemas com Brocas.
Segundo a opinião dele, o meu café tinha um ambiente favorável ao aparecimento
dessa praga, pois criava uma umidade semelhante à de uma floresta, mas, ao mesmo
tempo, era também propício ao surgimento dos inimigos da Broca, tais como fungos,
bactérias (Boverias e Metarizos) vespas, aranhas. Então quando eu aplicava o
Thiodam matava não só a Broca, mas também todos os seus inimigos naturais. Dessa
forma, como o ambiente era muito adequado, a Broca voltava e se instalava. Assim,
sem os opositores, tomava conta do cafezal.

De fato, em 1989, parei de usar o veneno Thiodam. Por dois anos ainda
enfrentei a Broca seriamente. No terceiro ano começou a haver um declínio. Hoje,
praticamente é difícil encontrá-la. Não que tenha acabado em definitivo, entretanto
não atinge mais a plantação.

Comecei, então, a partir daí, a produzir um café sem veneno, embora ainda
empregasse adubo.

Em 1994, tendo acontecido a grande geada, enfrentei sérios problemas


financeiros, além de outros. Por isso, comecei a usar cada vez menos adubos. Nessa
mesma época, conheci o Robson (membro do Templo Luz do Oriente) que me deu o
Ensinamento de Meishu Sama sobre Agricultura Pura. Eu lia e não conseguia
entender como poderia produzir uma planta sem adubo. Chegava até ter muita dor de
cabeça para tentar compreender como as plantas germinariam (sem Nitrogênio,
Fósforo, Potássio, Cálcio, Magnésio, Boro, Zinco, Ferro, Cobre, Mocibidênio no
solo). Duvidei por certo tempo até que alguns compradores de café me pediram o uso
de adubo orgânico para produzir um café sem agrotóxicos, diferente do SAT, que é
cultivado com adubo químico.

(Sr. João Pereira Lima Neto)

FOTO

45
Entre 1992 e 1993, lutei muito para produzir o café orgânico. Empregava
composto, esterco de galinha. Revirava a terra e punha esses adubos e nada de
resultados. O café amarelava, sentia, caía a produção. Em 1994, porém, quando
conheci os Ensinamentos de Meishu Sama, lendo-os pude entender o que estava
acontecendo com o meu café. Conforme diz o Ensinamento, quando a gente vem
tratando uma terra com adubo e, de repente, deixa de colocá-lo, é natural que a planta
se ressinta e decaia muito. É verdade. Até parece que vai morrer. Fica amarela,
desfolhada, sem ramos. Depois melhora.

Agora já faz trinta e poucos meses que eu não ponho mais nada de adubo na
fazenda e realmente a produção caiu muito, mas está melhorando dia a dia. Eu até
estou surpreso com os resultados. O pessoal que trabalha comigo, meu
administrador, os fiscais ficam espantados com o que estão vendo porque eles
também não concordavam com um plantio sem adubos.

Situação da Agricultura Atual


Reverendo Nakahashi quer que eu fale também sobre a maneira como os
demais agricultores lidam com a terra.

É um absurdo. O primeiro controle das ervas daninhas é feito com herbicidas


fortes para não deixar o mato nascer, ou quando surge, para queimá-lo, torrá-lo
impedindo-o de se desenvolver. Depois colocam-se fertilizantes e mais fertilizantes
de todos os tipos: sólidos, líquidos. Há uns chamados de quelatizados, macro e
micro. São empregados à vontade e em todos os tipos de dosagens.

Usa-se, portanto, veneno, veneno, cada vez mais. É impressionante! Hoje em


dia há deles para toda espécie de praga e já estão procurando outros.

Recentemente apareceu uma nova praga no café chamada Amarelinho e já se


busca um produto para controlar o seu desenvolvimento. Hoje se usa um veneno
chamado Baisisten. É um agrotóxico sistêmico que, ao se colocar na terra, entra pela
raiz da planta para controlar a ferrugem na folha, sem atingir o grão. Eu, na verdade,
não entendo isso. Se me explicarem como o veneno não chega ao grão, vou ficar
muito satisfeito. Fazendo-se uma análise química, como se realiza no Japão, por
exemplo mais minuciosa (parte por bilhões), com certeza vão ser detectados resíduos
deste agrotóxico nos grãos, além de outros. Na casca sempre permanecem em maior
quantidade, mas, no grão ficam menos. Não é tão perceptível; contudo é impossível
não estar presente.

Hoje existem tantos produtos diferentes para controlar o aparecimento de


cigarras, bicho mineiro, ferrugem, berne de raiz... Se eu fosse enumerar aqui todos os
tipos de pragas existentes e os venenos para combatê-las ficaria quase uma hora
citando-os só para as lavoura de café, sem contar as outras. É uma verdadeira
violação do solo. Todo agrotóxico que é pulverizado ou jogado na terra atinge
também os rios, através das enxurradas e mata os peixes.

Eu tenho um vizinho que cria peixe e vende para “Pesque e Pague”. Outro
dia, da lavoura dele, correu resíduo de adubo e agrotóxico e matou uma quantidade
enorme de peixes. E os que não morreram? Será que não estão contaminados?
46
Então, cada vez que a gente vê essas barbaridades pelo interior, fica mais
convencido da importância de se praticar a Agricultura Pura.

Antigamente, quando eu usava o Rhandap, por exemplo, para controlar o


mato, o agrônomo me dizia que não haveria problema algum porque o rótulo era
verde e, ao penetrar na terra, tornar-se-ia inerte. E eu ficava convencido de que não
faria mal mesmo. Muitas vezes cheguei a pegar naquelas caldas para preparar o
veneno; mexia com a mão para mostrar aos empregados que não havia perigo. Assim
o produto ia entrando não só na terra, mas também no corpo da gente inclusive.

Então, agora eu me sinto muito feliz com o trabalho que estamos realizando.
Ainda vamos melhorar bastante. Nossas lavouras apresentam um defeito grande:
poucas árvores. Isso se deve ao nosso antigo conceito de agricultura. Agora estou
querendo introduzir dentro das lavouras um pouco mais de árvores. Já venho
notando, há algum tempo, que, nos lugares onde elas existem em maior quantidade, a
Agricultura Pura se desenvolve melhor. É um trabalho que nós estamos realizando e
vai ficar muito bonito. Vamos proporcionar às nossas plantas, não apenas sol, mas
uma sombra controlada, através das árvores mais amigas do café. Já as estamos
pesquisando para colocá-las nas lavouras. Por exemplo, agora sabemos que há
algumas de cuja sombra o café gosta muito. Entre elas um tipo de seringueira, de
paineira e de abacateiro. Há, porém, outras que o café detesta, como, por exemplo,
uma árvore chamada Copaíba e outra denominada Flamboyant.

Portanto, pouco a pouco, estamos pesquisando e mesclando de árvores a


nossa plantação, tentando assim produzir um café cada vez mais puro.

Já fazemos isso há trinta meses. É claro, como bem disse o Reverendo


Nakahashi, estamos no início. Entretanto, tenho uma fazenda em Caconde (SP),
chamada Serra Azul, numa região bastante alta (1200 m de altitude). Aí encontrei
muitos pés de café, no meio da mata, que foram plantados pelos passarinhos. Uma
quantidade enorme nasceu sozinha e produziu muito bem, sem nunca termos
colocado adubo, ou capinado o mato. Meu administrador afirma que nessa fazenda
nós temos mais de um milhão de pés de café nativos. É muita coisa!

Tanto é que agora, vendo esse café espontâneo, resolvemos simplesmente


jogar a semente, realizando um processo oposto ao que fazíamos antes, quando
preparávamos as muda num saquinho plástico (todos devem conhecer esse processo).
Em seguida limpávamos o terreno todinho através do fogo ou com o trator. Daí
fazíamos as covas e transplantávamos as mudas. A seguir íamos acompanhando o
desenvolvimento do café, capinando o solo, adubando, matando as pragas. Era um
trabalho penoso. Agora tudo é muito simples.

Parece até brincadeira, não é? Os outros cafeicultores e os agrônomos acham


um verdadeiro absurdo.

Atualmente eu já tenho germinando e crescendo muito bem um café cuja


semente foi jogada há 14 meses. Nosso trabalho é só de acompanhamento, limpando
um galho de árvore aqui, outro ali. Vamos apenas conduzindo o desenvolvimento do
cafezal.
47
Quero ainda acrescentar que este ano jogamos 480 sacos de semente,
distribuídas nas diversas áreas que temos.

Acho também que muita gente vai seguir esse caminho. Inclusive outros
agricultores já estão jogando semente no meio do pasto e das capoeiras.

É um método muito simples, diferentes de outros que exigem adubação e


preparo antecipado do solo. De acordo com esse processo, a gente apenas joga a
semente, vira as costas e depois volta para colher. Reduz acentuadamente o trabalho
e muda o ritmo de uma fazenda.

Depois, se vocês quiserem, tenho algumas fotografias para mostrar-lhes.

Sinto-me, de fato, muito contente e orgulhoso com a experiência de


Agricultura Pura que estou conseguindo realizar.

Muito obrigado!

48
Kototama 25

“Testemunho sobre Agricultura Pura dado pelo Sr. João Pereira


Lima Neto, Engenheiro Civil, cafeicultor, residente na cidade
de Mococa, no Estado de São Paulo”.

Há um ano, estive aqui falando com vocês sobre a minha experiência no


cultivo de café sem agrotóxicos.

Como lhes relatei naquela época, comecei a trabalhar com Agricultura Pura,
sem colocar absolutamente nada de adubo, depois que conheci o Reverendo
Nakahashi e o Robinson que me orientaram, colocando-me em contato com os
Ensinamentos de Meishu Sama. Também, foi de suma importância o meu próprio
entender e a experiência dos meus antepassados que já plantavam café sem usar
adubos, inseticidas ou fungicidas.

Relembrando a situação dos meus ancestrais, dá para perceber que eles


levavam uma vida muito mais saudável. Como diz o Reverendo Nakahashi, tinham
mais satisfação de viver, eram menos materialistas. Não se dedicavam com tanta
avareza à parte monetária e conseguiam realizar grandes coisas.

A partir de 1960-70 com o aumento do uso de adubos, inseticidas e


fungicidas, os agricultores foram ficando mais apáticos. Preocupados cada vez mais
em correr atrás de adubos, de novos inseticidas ou agrotóxicos, foram empobrecendo
progressivamente, pois as dívidas foram aumentando à medida que se compravam
mais adubos. Além disso, começaram a colocar à disposição dos consumidores um
produto de qualidade, a cada ano, mais inferior. Conforme a observação do
Reverendo Nakahashi, hoje são alimentos que a gente não consegue comer, nem
sentir-lhes o sabor. Também não nos fornecem energia porque já vêm sem a força
vital da natureza, pois estão contaminados.

À medida que os anos passam e a gente vem realizando o plantio do café


segundo o método da Agricultura Pura, dá para perceber claramente as várias
mudanças que vêm ocorrendo nos cafezais, as quais comprovam os princípios desse
método revolucionário. Às vezes, eu fico até perplexo com as enormes
transformações que acontecem. Não dá para explicar. Parece que a planta está
agradecendo, pois as folhas apresentam um brilho específico, o fruto é diferente. É
inacreditável, especialmente para quem estava acostumado com a agricultura
convencional, feita com adubos.

Quando a gente comenta com outros agricultores, ninguém acredita.

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É interessante que, conforme já falou o Reverendo Nakahashi, quando a gente
pára de colocar adubo acontece um declínio muito grande na produção, seguido de
um aumento vertiginoso. Foi o que se deu com os nossos cafezais. Entre os anos de
1994 e 1995, houve uma queda acentuada nas colheitas. Agora os cafezais estão se
reerguendo e a gente fica surpreso com a velocidade com que vem melhorando o
vigor da planta. Se, por exemplo, a gente fizer uma análise da folha do cafeeiro para
verificar o teor de nitrogênio, fósforo, cálcio e potássio verá que o resultado vai ser
muito mais completo e equilibrado, quando se estabelece uma comparação com os
níveis obtidos pela agricultura convencional que coloca elementos artificiais.

Outros fatos notáveis dizem respeito à vida das folhas, que é completamente
diferente, e também à maciez do solo a qual vai ficando cada vez mais visível, a tal
ponto de até os nossos auxiliares, que trabalham conosco há anos, não acreditarem.
Eles ainda trazem na cabeça aquele antiga convicção de que, quando se tira um
nutriente do solo para produção de uma, duas ou mais safras, ele vai faltar para as
seguintes, até acabar um dia. Na verdade, porém, não é assim.

Hoje os nossos funcionários estão surpresos com os resultados. Eles que, no


início, me diziam que o método não ia dar certo, agora são os primeiros a falar
comigo sobre a exuberância de determinadas áreas de plantio. Ficam admirados com
a melhora e o aumento da carga produtiva, ou quando não, falam da beleza das
folhas, da força da vegetação de outros pés que estão soltando galhos para o ano
seguinte.

Todos esses fatos são muito gratificantes não só para mim, mas também para
os meus empregados. Sentir hoje a satisfação que eles têm de trabalhar, de participar
dessa experiência e de ver os resultados é algo que me comove bastante.

Também dos nossos consumidores estamos recebendo elogios em cima de


elogios. Eles estão sentindo, dia-a-dia a melhora da qualidade do nosso produto.

É, pois, algo muito gratificante para nós, ter começado a praticar a


Agricultura Pura. Estamos muito felizes com os resultados e com o bem-estar de
todos aqueles que trabalham conosco.

Outro fato que merece destaque são os comentários dos nossos vizinhos de
cerca. Dizem eles que o nosso sucesso se deve à terra que é diferente. Estranho, não
é? Além disso, não plantamos só em Caconde, mas também em Mococa e Paraíso. É
muito difícil explicar que só essas partes onde estão as nossas fazendas sejam
diferentes. Hoje, porém, alguns já estão começando a olhar o nosso trabalho com
outros olhos e, com isso, se Deus quiser, vai aumentar o número dos praticantes da
Agricultura Pura.

Espero, daqui a um ano estar novamente entre vocês, relatando outras


experiências com o coração ainda mais satisfeito do que se encontra hoje.

50
TESTEMUNHO - Kototama 26

“Testemunho sobre Agricultura Pura dado pelo Sr. João Pereira


Lima Neto, Engenheiro Civil, cafeicultor, residente na cidade
de Mococa, no Estado de São Paulo”.

I - A prática da Agricultura Pura

A Agricultura Pura é uma prática de plantio e tratamento do solo


completamente diferente das demais realizadas no Brasil ou no mundo, as quais
buscam uma planta padrão, modelo que as outras devem seguir de tal forma que,
todas as plantas fiquem iguais, dando a impressão de serem produzidas em série,
como nas fábricas. Esse não é o tipo de agricultura que a gente está tentando fazer.
Nós buscamos a Agricultura Pura que, no meu modo de ver, apresenta uma
individualidade, pois cada planta vai adquirindo o seu jeito específico de ser, para
poder produzir frutos sempre mais personalizados.

Conforme eu estava dizendo agora pela manhã, quando uma semente é


lançada no solo, ao germinar, cada planta tem um comportamento próprio: algumas
nascem primeiro, bem fortes ou fracas; outras surgem mais tarde. Por exemplo, há
algum tempo, joguei sementes de café num determinado local de uma de minhas
fazendas. O resultado é que alguns pés de café já estão produzindo grãos, enquanto
outros apenas começam a nascer. Isso, porém, não significa que aquele já grande seja
o melhor. Na verdade, cada pé tem a sua personalidade própria: um é diferente do
outro e esse conjunto de características particulares de cada planta é que vai gerar a
energia, o sabor, aquele "algo mais" tão específico da Agricultura Pura que estamos
procurando fazer.

De fato, essa maneira de lidar com a terra nos coloca cada vez mais juntos da
natureza e também mais próximos de Deus. Eu entendo que essas diferenças são
exatamente a energia do Criador manifestada nas plantas para que elas possam
transmiti-la a nós que nos alimentamos delas.

Assim, a cada dia surge uma novidade. A todo momento, a gente vai tendo
novas explicações sobre a Agricultura Pura e passa a ver o trabalho com a terra de
modo diferente. Eu, por exemplo, estou começando. Realizo essa experiência inédita
há apenas quatro anos, mas muito me espanta quantas coisas estou aprendendo nesse
curto espaço de tempo. É tudo tão gratificante, deveras bonito!

Por outro lado, muitos ainda não aceitam esse novo método, especialmente os
técnicos das agriculturas convencionais. O que eles querem é uma planta fabricada,
segundo a idéia deles, com perfeição, sem nenhum furinho, nem machucadura, ou
qualquer outro tipo de defeito aparente. Não importa, contudo, o que haja dentro,
51
desde que seja bonita por fora. Comparando, pode-se dizer que é uma bela caixa de
bombons estragados. Infelizmente essa é a verdade para os técnicos convencionais.

Nós, às vezes, queremos comprar um produto puro e não o conseguimos


devido às normas impostas ao mercado pela mídia ou pelos comerciantes. Eis a razão
por que essa batatinha (da qual o Reverendo Nakahashi nos falou), produzida em
Santa Catarina, embora sendo pura, não chega às bancas: ela não está de acordo com
o padrão comercial pré-estabelecido.

Também a crítica que o nosso trabalho com Agricultura Pura recebe dos
técnicos convencionais é muito grande. Eles têm medo de quê? Por quê?

Acredito que seja por tratar-se de um processo de extrema simplicidade e as


coisas simples assustam por serem óbvias; não há como contestar. Daí o medo de
ficarem sem argumentos. Então, um trabalho quanto mais complexo, maiores
oportunidades oferece para a explanação de idéias complicadas, ou a exposição de
supostos conhecimentos técnicos, com certos termos difíceis, previamente estudados,
que até nos deixam pasmos.

A prática da Agricultura Pura não requer nenhuma complicação. É um


processo simples. Basta deixar o solo puro, a semente germinar, a planta crescer e
produzir naturalmente. Quanto menos interferência humana houver maior será o
aprendizado.

Os técnicos da agricultura convencional querem, contudo, outro


comportamento diante da terra: arar, colocar muito veneno, bastante adubo, um
trabalho imenso para tornar a planta dependente. É o que acontece quando a gente
lança, por exemplo, o café em uma cova afofada artificialmente onde foi colocado
uma imensidão de adubos e fertilizantes. A planta está, de fato, sendo enganada
porque logo ao soltar as primeiras raízes estará sendo alimentada por produtos não-
naturais. Então, ao deixar a cova e aprofundar-se na terra, não vai encontrar mais
esses recursos químicos que pareciam fazer parte de sua vida. O mesmo se dá com
respeito à irrigação totalmente artificial: na época da seca de agosto a setembro, o
café vai sentir. Se, ao contrário, a gente tivesse colocado a semente, deixando-a
nascer sem interferência alguma, a planta já ia, desde novinha, acostumando-se a
enfrentar problemas como a concorrência do mato vizinho, ou de outras árvores, ou
de pragas, ou de plantas inimigas. Estaria apta a ir buscar o alimento na terra em que
iria permanecer por toda a vida. Por outro lado, muitas pragas ao nascerem junto,
tornar-se-iam companheiras por estarem convivendo no mesmo solo. Esse fato é que
faz a gente conseguir produtos de melhor qualidade, mais saborosos e energéticos.

Também os técnicos da agricultura convencional quando vão à fazenda para


conversarmos, ficam assustados porque se depararam com resultados totalmente
desconhecidos nos laboratórios deles. Não encontram explicações. Como
justificativa, limitam-se a dizer que minha terra é diferente.

O interessante, porém, é que não planto só em Caconde, mas também em


Mococa, Guaxupé, Paraíso e Guananésia. Além do mais, a do meu vizinho de cerca,
não é a mesma terra?

52
Entre as pessoas comuns, há também muitas que não praticam Agricultura
Pura pela simplicidade dela. É uma atitude mais ou menos normal do ser humano não
valorizar as coisas simples, achando que não produzem grandes resultados. Daí
necessitarem de arar a terra, adubá-la, colocar-lhe veneno para obterem produtos em
abundância. Muitas vezes lhes digo que eu também pensava assim. Não tenho,
porém, hoje a pretensão de estar fazendo o certo, mas quero, se Deus quiser, chegar
aqui amanhã e falar a vocês de coisa que aprendi, ou estou aprendendo.

Mesmo agora, olhando o que eu fazia antes, percebo uma mudança da água
para o vinho. Antigamente pensava que para obter grande produção deveria trabalhar
muito, lutar, fazer isto e mais aquilo. Não é assim. A gente tem de deixar as coisas
acontecerem normalmente, com simplicidade e ir colhendo os frutos delas.

II - Intoxicação por Agrotóxicos

Numa fazenda vizinha à minha, faz três meses que faleceu um trabalhador
intoxicado por Baysiston.

Após mais ou menos sessenta dias foi feita a exumação do corpo e verificou-
se que estava perfeito. De tão contaminados que estavam, os órgãos ficaram
mumificados e nenhum verme ou bactéria conseguiu destruí-los. Esse acontecimento
causou grande espanto, deixando muita gente assustada.

O problema de intoxicação dos trabalhadores está ficando cada vez mais


freqüente no interior e em dimensões progressivamente maiores. Existe já um medo
muito grande (e com razão) de se trabalhar nas lavouras convencionais porque, a
cada ano, surge um novo veneno mais forte para tentar combater pragas que estão se
tornando dia-a-dia mais resistentes a qualquer tipo de praguicida.

Em decorrência, também os consumidores são indiretamente afetados,


embora os primeiros a se contaminar sejam aqueles que estão em contato direto com
os agrotóxicos.

Por essa razão, um grande número de pessoas tem manifestado o desejo de


trabalhar em outros campos e muitos nos procuram querendo ficar nas nossas
fazendas onde o ar é mais puro, o clima diferente e não há problemas com
intoxicação.

Outro fato que comprova a ação perniciosa dos agrotóxicos é o seguinte: num
dia destes, um agrônomo, meu amigo, visitando a sua fazenda, me ligou, preocupado,
perguntando-me se eu podia fornecer-lhe um pouco de fungos e bactérias,
microorganismos que promovem a decomposição de folhas, pois as dos seus pés de
café caíam e não se decompunham mais. Ele já estava com folhas acumuladas na
altura de mais ou menos um metro. Respondi-lhe que poderia ir buscar o que
quisesse, mas também disse-lhe não tratar-se de falta de fungos e bactérias o
problema que enfrentava. Na verdade, a causa estava no emprego excessivo de
agrotóxicos os quais haviam intoxicado as folhas impedindo a ação dos
microorganismos.

53
Esse conceito ficou claro para mim quando eu mudei da agricultura SAT
(feita com adubo químico, mas sem veneno) para a Pura. Na anterior, eu tinha muito
mais folhas no chão do que agora. Essa diferença pode ser chamada de absurda. Na
Agricultura Pura, a velocidade de decomposição das folhas e galhos que caem no
chão é muito mais rápida. Mesmo nas culturas pelo método SAT (sem veneno), o
processo de decomposição é bem mais veloz do que o convencional, mas comparado
ao da Agricultura Pura, a diferença é ainda da água para o vinho. Acontece assim
porque as folhas não estão mais intoxicadas por nenhum tipo de agrotóxico.

III - Outras vantagens da Agricultura Pura

Uma delas é a facilidade com que o solo fica fofo. Não precisa fazer covas,
ou revolver a terra com enxadas e picaretas. Os próprios microorganismos fazem
esse trabalho para nós.

Hoje, minha única tarefa é percorrer as fazendas com uma varinha de ferro
bem fininha para avaliar a porosidade da terra, conforme a facilidade com que a
varinha penetra no solo. E eu já posso dizer que está ficando um trabalho cada vez
mais fácil.

Num dia desses, um amigo meu realizou essa experiência para certificar-se
do que eu lhe havia falado. Com a varinha em punho, foi enfiando-a na terra. No
começo encontrou alguma dificuldade porque, às vezes, esbarrava numa pedrinha.
Num dado momento, porém, ele foi com tudo para o chão. De tão profunda que
estava a porosidade, a varinha penetrou de uma só vez no solo e meu amigo perdeu o
equilíbrio e caiu. Apesar disso, ainda comentou que era naquele lugar que o solo
estava macio. Para certificar-se, testou outros pontos e então verificou que fungos e
bactérias não trabalham apenas num local, pois toda a região apresentava um solo
bem poroso. É claro que a fazenda inteira não está ainda assim; além de ser uma área
muito grande, há lugares em processo de formação.

Eu pedi, há algum tempo, aos agrônomos para medirem o nível de porosidade


desse solo, montando inclusive um campo de pesquisa, sob a orientação da faculdade
de agronomia, para que eles pudessem examinar, do ponto de vista técnico, o que
realmente está acontecendo.

A Universidade da Lavras já propôs, há tempo, instalar um campo


experimental na fazenda, mas ficou só nos planos. Agora a Universidade de
Machado tem um projeto semelhante, visando a descobrir o que está acontecendo
com o nosso solo, ou por que é tão diferente.
IV - O consumidor

É muito gratificante quando a gente produz e o comprador elogia o produto


ou o trabalho que a gente realiza.

Nosso café, por exemplo, é vendido para o Japão desde 1992. Os


consumidores estão espantados com a melhoria da qualidade de ano para ano.

Recentemente esteve visitando a fazenda o Sr. Hasegawa, torrador de café no


Japão. Ele vem anualmente ao Brasil para ver como estão as plantas, os produtos,

54
como será a nova safra, a fim de poder comunicar aos consumidores japoneses qual é
a situação do plantio do café e qual o comportamento das fazendas.

Na época dessa visita, andamos quatro dias pelos cafezais e o Sr. Hasegawa
ficou espantado de ver a mudança ocorrida do ano passado para o atual. Ainda não
dá para testar a nova safra porque os grãos estão verdes. E é preciso também um
período de descanso antes do teste. Mesmo assim o Sr. Hasegawa tem quase certeza
de que vamos ter uma melhora extraordinária na qualidade do nosso produto. Ele
está muito animado.

Um provador de café no Japão, chamado Sr. Hayashi, pertencente à firma


"Café Paulista", tem reclamado muito ultimamente da queda de qualidade do café no
mundo inteiro.
Esse especialista participa anualmente, nos Estados Unidos, da Feira "Special
Coffee" (Café Especial) para onde são enviados cafés do mundo inteiro a fim de
serem degustados, comparados e analisados. Pelo fato de o Sr. Hayashi ser um antigo
provador de café, tem grande experiência no ramo e, por isso, percebe facilmente a
perda da qualidade do produto.

Há alguns tipos de café que são famosos no mundo como o da marca KONA,
produzido na Ilha do Hawai que conta com um marketing muito grande. Outro é o
BLUE MALT, café jamaicano internacionalmente conhecido, bem como o
KILIMANJARO da África.

Todos esses tipos de café, segundo a opnião do Sr. Hayashi, eram produtos
excepcionais, enquanto produzidos por métodos mais naturais, nos seus locais de
origem, mas, com a entrada dos adubos e depois dos agrotóxicos, a qualidade vem
caindo dia-a-dia.

Disse-me, ainda, o Sr. Hayashi que na última Feira "Special Coffee" provou
mais ou menos dez amostras dos melhores cafés do mundo. Analisou também as
nossas, das Cooperativas de Serrado, Patrocínio e Guaxupé, ao todo mais ou menos
cinco amostras do Brasil inteiro. Entre elas, o nosso café, o Florestal, destacou-se por
ser totalmente diferente dos demais. Além disso, em uma mesa com os melhores do
mundo, puderam verificar a incontestável pureza e o paladar inigualável do "Café
Florestal".

Ter o nosso produto destacado a nível de valor mundial, é algo muito


gratificante para nós.

Tanto o Sr. Hayashi como o Sr. Hasegawa acham que nós vamos ter uma
melhora de qualidade muito mais marcante este ano (1999). Hoje (24/04/99), estão
os dois voltando ao Japão levando ótima impressão do nosso trabalho, o que muito
nos comove.

V - Um fato curioso

Quando foi para lançar a marca do nosso café no Japão, eu sugeri "Café
Florestal" porque as nossas plantações se parecem com uma floresta.

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Nesta sua última viagem ao Brasil o Sr. Hasegawa me disse ter sido notável a
minha idéia, pois hoje o nome "Florestal" goza de credibilidade em Tóquio. Tanto
assim que outros produtos como cacau, chá preto, chá verde, água mineral levam o
nome "Florestal".

Recentemente uma companhia que constrói embarcações pediu-lhes o direito


de usar o nome "Florestal" em um de seus produtos também.

Isso prova que a marca "Florestal" passou a usufruir do respeito de todos os


consumidores.

Todos esses acontecimentos nos deixam cada vez mais felizes e com uma
vontade maior de voltar correndo para a fazenda a fim de produzir e ter contato com
a natureza, achar coisas novas, ir constantemente adiante.

É muito bonito encontrar sempre algo diferente. Assim a vida não fica tão
monótona.

Eu, particularmente, me sinto um privilegiado por estar produzindo pelo


método da Agricultura Pura. Dou graças a Deus por ter conseguido inovar com esse
trabalho inédito. Além de tudo, a nossa experiência está sendo útil à humanidade
inteira.

VI - Uma brisa suave

Há poucos dias, recebi visitas de fazendeiros de Alfenas. Andamos pelos


campos e depois, à tarde, sentamo-nos na varanda para conversar sobre o nosso
passeio. Então soprou aquela brisa fresca, agradável. Meus visitantes comentaram a
respeito dizendo que na minha região era bem mais fresco que em Alfenas. Eu lhes
informei que ali estávamos a uma altitude de mais ou menos novecentos metros. Eles
acrescentaram que em Alfenas a altitude era a mesma. Nesse momento, então, lhes
disse que, se parassem de usar venenos, iriam ter também nas suas fazendas essa
mesma brisa suave, além de seus ajudantes sentirem-se bem dispostos, fato que lhes
traria um lucro extraordinário.

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Kototama 27

PROCURA POR ALIMENTOS PUROS

“Testemunho sobre Agricultura Pura dado pelo Sr. João Pereira


Lima Neto, Engenheiro Civil, cafeicultor, residente na cidade
de Mococa, no Estado de São Paulo”.

Está a cada dia mais freqüente a procura de alimentos não-contaminados. O


Reverendo Nakahashi tem falado bastante sobre o assunto.
Eu, por enquanto, estou percebendo que a busca maior é pelos chamados
alimentos biológicos ou orgânicos. De fato, as pessoas ainda não tomaram
consciência de que o alimento puro é algo mais. Conforme Meishu Sama sempre
falou, um produto com pureza absoluta possui uma energia de origem divina que vai
fortalecer o nosso espírito.
Como Meishu Sama diz, com a aproximação da Era do Dia, a dissolução das
toxinas vai ficando mais fácil. Então as toxinas existentes nos produtos orgânicos e
biológicos também estão sendo liberadas com maior facilidade. Daí se notar uma
necessidade crescente no mundo inteiro pela busca de alimentos cada vez mais puros.
Recentemente houve na Europa um congresso sobre o aparecimento de
tumores linfáticos e sua correlação com a alimentação. A partir de uma experiência
feita concomitantemente nos Estados Unidos, em Israel e na Europa, chegou-se à
conclusão de que o uso de adubos e principalmente de herbicidas nas plantações tem
uma correlação direta com o surgimento de tumores linfáticos.
Além dessa constatação, a procura por alimentos mais puros é uma
necessidade do nosso espírito que precisa ser fortalecido pela energia divina de onde
se originam todas as coisas criadas, inclusive as plantas. Então, conseguir produtos
com essa característica só é possível através da Agricultura Pura, uma prática
extremamente simples.
É pena que dificilmente a gente perceba que, ao criar a planta, Deus a
colocou para comer da terra e não adubos orgânicos ou químicos, ou ainda outro
aditivo qualquer. E, alimentando-se da terra pura via ter, com certeza, mais
condições de fortalecer o nosso espírito.
Já está dando para o povo perceber que, ao comer um alimento puro, o sabor
e a reação do organismo são diferentes. Assim acontece porque as nuvens espirituais
começam a ser dissipadas.

A reação dos Agrônomos

Com relação aos agrônomos, o que posso lhes dizer é o seguinte: até 1983,
tínhamos uma plantação de café adensado, pouco comum, até então, entre os
cultivadores do produto.
Um pouco mais tarde o IAC de Campinas juntamente com o Campus
Experimental de Mococa me procurou para fazer uma experiência na fazenda sobre
57
nutrição de café adensado. Não ofereci nenhum problema e cedi uma área para a
referida pesquisa. Assim os técnicos realizaram a experiência até a geada de 1994.
Logo depois estiveram na fazenda os agrônomos do IAC e do Experimental
de Mococa para comentar a experiência, segundo eles muito contraditória, pois
chegaram à conclusão de que o nitrogênio é extremamente depressivo à produção de
café, ao contrário do que eles esperavam. Segundo eles, a adubação com nitrogênio
deveria aumentar a produção e ocorreu exatamente o contrário. Quanto ao potássio,
não houve diferença; com relação ao fósforo, cálcio e magnésio também não
ocorreram resultados positivos.
Além disso, os agrônomos estranharam demais o fato de a minha plantação
sem nenhum tipo de adubo especial sempre produzir mais que os ensaios, ficando
mais uma vez comprovada a potencialidade da Agricultura Pura.
Essa pesquisa da qual lhes estou falando vai ser publicada na revista do IAC a
ser lançada no final deste mês (junho/99).
Na verdade, com esse experimento, os agrônomos do IAC não chegaram à
conclusão alguma. Obtiveram uma resposta contrária à esperada. Foi, por isso, que
desde a geada de 1994 até hoje (1999) a pesquisa ficou sem prosseguimento.
Recentemente eles voltaram à fazenda e, tendo comprovado a minha prática
da Agricultura Pura, me perguntaram se tal atitude teria sido resultado dos
experimentos deles. Na realidade, eu nem sabia quais tinham sido as suas
observações. Coincidentemente, porém, foi em 1994 que conheci o Robinson e o
Reverendo Nakahashi e comecei a fazer Agricultura Pura.
Sei também que os agrônomos, a partir das observações que fizeram,
deveriam incentivar a prática da Agricultura Pura, mas, pela formação que
receberam, não a aceitam ainda.
Estão, contudo, começando a implantar campos experimentais de plantio com
adubo orgânico em Mococa e Pindorama. Paralelamente vão criar uma área para
Agricultura Pura porque ficaram espantados com os inesperados resultados obtidos
nos experimentos realizados na minha fazenda.

Intoxicação de Agricultores

Um problema grave que os agricultores estão constantemente enfrentando é o


da intoxicação cada vez mais freqüente e com maior intensidade.
Como dia a dia aumenta o número e a diversidade das pragas, os agricultores
acham que, colocando inseticidas mais violentos, poderão controlá-las. Com isso, os
trabalhadores estão enfrentando um risco incalculável de contaminação, além de
muitos estarem ficando doentes e até morrendo, vítimas de tais venenos.

Os Transgênicos

Agora está surgindo o problema dos transgênicos.


Os pesquisadores vêem nesse novo tipo de semente a solução para o
desaparecimento de pragas. O que de fato vai acontecer será o surgimento de outras
mais potentes para purificar essa toxina transgênica, causando mais estragos à
natureza.
Vamos esperar para ver até onde nossos pesquisadores vão chegar com suas
"brilhantes idéias", tentando consertar danos que eles mesmos causaram.
Tudo, porém, é tão simples de ser resolvido. Basta deixar as plantas entregues
à sabedoria da natureza que num prazo de dois a três anos o solo estará inteiramente

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purificado. Então, qualquer plantação, por mais intoxicada que se encontre, volta,
depois de três anos, revitalizada formando quase uma floresta, o que significa dizer
que a natureza nos está ensinando como agir.
Portanto, é urgente que a deixemos trabalhar sem a nossa interferência. Dessa
forma, aproveitaremos muito mais e melhor os frutos que ela nos fornece.

Kototama 29

“Testemunho sobre Agricultura Pura dado pelo Sr. João Pereira


Lima Neto, Engenheiro Civil, cafeicultor, residente na cidade
de Mococa, no Estado de São Paulo”.

Ouvindo o Reverendo Nakahashi falar sobre o vento, fiquei relembrando da


nossa propriedade. De fato, percebo que, após quatro ano praticando agricultura pura,
a brisa que sopra na nossa fazenda é bem diferente daquela que se propaga em outros
lugares. Como é gratificante poder falar sobre uma sensação de bem-estar que brota
do coração e nos torna cheios de profunda gratidão a Deus por estarmos dedicando-
nos à terra sem contaminá-la pelos agrotóxicos.

Há um mês, eu estava fazendo, aqui em São Paulo, uma palestra sobre o


cultivo sem fertilizantes e praguicidas na Associação de Agricultura Orgânica. Todos
os ouvintes acharam o meu trabalho muito estranho e diferente daquele praticado
pelos outros agricultores, em relação ao uso da terra.

Após ter explicado a nossa maneira de lidar com o solo, bem como a
evolução do nosso trabalho, foi a vez de um amigo, cafeicultor orgânico da cidade de
Machado, Minas Gerais, expor o seu método. Como não tinha argumento
convincente, e percebendo que o processo da agricultura pura é muito mais simples,
disse apenas que as minhas terras serviam de adubo para todas as outras. Não é,
porém, bem assim. Quer dizer: então, só a minha terra é boa em Mococa, em
Caconde, Paraíso e Jacuí? Na verdade, o que os demais agricultores sentem é medo
de se dedicar a outro método de plantio. Não têm ainda convicção suficiente de que a
agricultura pura produz resultados satisfatórios. Por isso ficam buscando razões para
continuar no processo convencional.

Outra coisa que está acontecendo, e também nos chama a atenção, é o fato de
alguns compradores de café para exportação, especialmente da região de Guaxupé, já
não quererem mais os produtos que tenham sido cultivados com muito agrotóxico,
como por exemplo, o Thiodam, usado para combater a broca. Esse café não está
mais conseguindo um bom preço no mercado exportador. Embora tenha uma boa
aparência, a aceitação internacional é fraca.

Mais um fato digno de nota: atualmente estamos passando por uma estiagem
muito grande, mas durante esse período, é que a gente pode perceber perfeitamente a
diferença entre a agricultura pura e as demais.

Na semana passada, pedi ao Robinson (membro do Templo Luz do Oriente,


residente em Caconde) que convidasse alguns cafeicultores para uma visita à minha
fazenda, a fim de testemunharmos juntos a diferença entre o café que cultivamos sem
59
adubos nem fertilizantes e o das outras fazendas vizinhas à nossa, que plantam sem
veneno, mas com adubo (cultura SAT), bem como pelo método convencional que
emprega fertilizantes e praguicidas.

Foi então, que passaram uma tarde, na fazenda, o Robinson, o Frank


(jornalista de Caconde) e dois cafeicultores da região: Hamilton e Júlio.

Percorrendo os cafezais, pudemos observar a diferença de comportamento de


uma planta para outra. Realmente, nos vizinhos, elas estavam muito castigadas pela
seca. Entretanto, depois de alguns passos, entramos no café puro da minha fazenda.
Vimos, então, folhas brilhantes, abertas, totalmente limpas e o aspecto do cafeeiro
satisfatório. Parecia até que estavam sendo irrigados.

Talvez a Maria José (membro do Templo e cafeicultora de Varginha) não


perceba tanto essa diferença, em período de seca, nos cafezais de sua fazenda,
quando os compara aos das propriedades vizinhas, por causa da altitude. É certo,
porém, que ela nota o brilho intenso das folhas e sente a energia que emana de uma
plantação efetuada pelo método da agricultura pura.

Na nossa região, localizada a oitocentos metros de altitude, a planta sente


mais o efeito da seca.
Por outro lado, quando cultivadas em solo envenenado por fertilizantes ou
inseticidas, as folhas nascem desnorteadas, enroladas parecendo um parafuso. Isso
acontece devido ao trato artificial dado a elas, o qual as torna incapazes de enfrentar
uma estiagem ou, em outras situações, aproveitar a umidade.
Vejamos um exemplo: num dos últimos fins de semana, tivemos uma chuva,
boa até, de vinte milímetros, mais ou menos. As plantas da agricultura convencional
e da SAT, que estavam sofrendo muito com a seca, não conseguiram absorver a
água, e por isso, não se notou nelas nenhuma mudança até agora. Na verdade, elas
estão de tal modo sem o instinto próprio, que não foram capazes de aproveitar a
umidade tão necessária ao seu desenvolvimento.
Outro fato importante a ser considerado diz respeito à floração. As culturas
convencionais e SAT, por terem sido forçadas a uma grande produção, através de
fertilizantes, geraram flores em quantidades bem maiores que as apresentadas pelas
plantas da agricultura pura. Em compensação, o abortamento dos frutos foi quase
total. Isso mostra que a planta foi forçada a realizar algo anormal, além de sua
capacidade germinativa.
De outra parte, em conseqüência da chuva que ocorreu, estão acontecendo,
nas plantações de agricultura pura, floradas, uma após outra, todas muito boas. Além
disso, a penca não vai ficar estressada, quer dizer, todas as flores conseguirão
transformar-se em frutos. Enquanto isso, nas culturas convencionais e SAT, não se
vê uma flor aparecendo até agora.
Gostaria também de comentar um pouco sobre a atitude dos meus
funcionários que estão até mais surpresos do que eu.
Confesso para vocês que, ao começar a prática da agricultura pura, não
esperava obter resultados tão surpreendentes.

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Então, quando tecemos comentários sobre a ação da estiagem, os meus
auxiliares são os primeiros a me chamarem a atenção sobre como está a fazenda de
fulano ou de sicrano; ou ainda observam atitudes de algum outro agricultor que, ao
tentar, através do adubo, lutar contra a seca, deixa a sua plantação mais perdida
ainda. Com isso, eu percebo o quanto eles estão entusiasmados e felizes vendo todas
essas transformações, ao mesmo tempo em que vão observando os resultados de um
método tão simples, mas realmente extraordinário.
Todas essas inovações estão causando um grande impacto nos cafeicultores
que visitam a minha fazenda. Hamilton e Júlio (de quem já lhes falei) puderam
testemunhar que o café deles, cultivado em Caconde, região alta, que não sente tanto
a seca, não apresentava aquele mesmo brilho, aquele viço, aquela vida demonstrada
pela nossa plantação. Frank, o jornalista de Caconde, num arroubo de entusiasmo,
comparou as transformações da agricultura pura a uma revolução, a uma bomba de
Hiroshima, tal a profundidade das mudanças constatadas.
Outra coisa interessante que aconteceu na última semana foi o recebimento de
um telefonema de um pessoal que ouviu uma palestra minha no Parque da Água
Branca, aqui em São Paulo. São plantadores de frutas, por processos naturais,
conforme dizem, na região de Montes Altos. Queriam visitar a minha fazenda. Eu os
recebi, passamos uma tarde juntos conversando sobre o método da agricultura pura.
Em certo momento, eles me perguntaram se eu, de fato, agia, nas minhas terras,
exatamente como havia exposto na palestra da Água Branca. Respondi-lhes,
reafirmando que na minha fazenda só entrava sol, chuva e vento. Mais nada. Então
concluíram que o processo usado por eles não era tão puro ainda, pois acrescentavam
alguns ingredientes artificiais. Embora o trabalho deles seja um comecinho, uma
tentativa válida, puderam concluir com acerto que, na minha fazenda, o processo é
realmente natural, puro. Mesmo assim, ficaram com um pouco de medo de passarem,
em definitivo, à prática da Agricultura Pura.
É, como vêem, aquele velho problema: achar que a terra é fraca. Contudo,
incentivei-os bastante, procurando mostrar-lhes que todo solo tem sua energia
peculiar, com potencial próprio e uma vida muito particular. Disse-lhes ainda que, no
início, poderia acontecer de eles não conseguirem cinco caixas de laranja por pé.
Talvez duas ou três, mas depois de algum tempo, seriam muitas a mais. É preciso
tentar. É preciso começar. Sugeri-lhes que começassem numa pequena área, como
experiência. Dei-lhes também exemplares do Kototama. Vou enviar-lhes depois
Ensinamentos de Meishu Sama sobre Agricultura Pura.
Espero sinceramente que os nossos, agora, amigos de Montes Altos se
tornem, o mais rápido possível, os novos plantadores de acordo com o método da
Agricultura Pura.

Ainda um outro fato digno de nota é o que está acontecendo com os meus
vizinhos fazendeiros. Estão tremendamente surpresos com aquilo que inicialmente
achavam ser a maior loucura, um verdadeiro absurdo, da minha parte.

Eu estava andando pela fazenda, apanhando algumas flores para trazê-las


para cá, para o Templo. Foi, então, que encontrei alguns deles olhando estupefatos
para os meus cafezais, com um ponto de interrogação na cabeça, procurando
entender o que realmente está acontecendo. Ao constatarem a exuberância de vida
61
das minhas plantações, ficam confusos, pois vêem indo por água abaixo tudo o que
eles aprenderam com os agrônomos e continuam pondo em prática. Já não se sentem,
porém, tão seguros. Estão começando a perceber que as teorias deles se opõem a
tudo o que nós fazemos em Agricultura Pura e com resultados surpreendentes. Esse
método simples e natural, que respeita e reverencia a terra, é uma verdadeira bomba
de Hiroshima, de acordo com o dizer de Frank, nosso amigo e jornalista de Caconde.

Testemunho - Kototama 28

Agricultura Pura
Testemunho

(Testemunho da Sra. Anna Cynthia Lima, mãe dos gêmeos Maria Fernanda e Luiz Henrique,
sobre os benefícios do Leite Puro).
São Paulo, 02 de setembro de 1999.

Tenho um casal de gêmeos com dois anos e cinco meses. Desde abril, os dois
estavam com um problema de tosse e eu não sabia mais o que fazer. Já haviam tomado
vários tipos de xarope e nada de conseguir algum alívio.

Essa tosse atingia o seu ponto culminante à noite, entre duas e três horas da
manhã. Como resultado dessa situação, vinha o vômito que, no meu caso era em dose
dupla... Mal eu acabava de trocar toda a roupa de um, começava o outro.

Com o passar das noites, o cansaço foi batendo e o nervosismo também.

Certa manhã, acordei tão desesperada, que resolvi sair à procura de ajuda. Pedi a
Deus que me mostrasse um meio de as crianças melhorarem e qual não foi a minha
surpresa quando, junto com meus filhos, passei pela porta do Templo. Estando a
observar os horários de atendimento, uma senhora veio imediatamente ao nosso
encontro, convidando-nos para entrar e conhecer melhor o Templo. Já estava, naquele
momento, recebendo de Deus a graça de que tanto necessitava. Não tive dúvidas. Entrei.
As crianças e eu recebemos Johrei.

Nesse mesmo dia, foi-me dada para ler uma reportagem alertando sobre o mal
que o leite contaminado pelo excesso de inseticidas, usado no gado, vinha causando às
pessoas, especialmente às crianças. "O inseticida penetra na pele do gado, entra na
corrente sangüínea e contamina o leite".

Voltei para casa pensando no assunto daquela reportagem que, há pouco, havia
lido. Conversei com o meu marido a respeito desse assunto, a fim de decidirmos sobre a
possibilidade de experimentarmos do leite puro (que é oferecido pelo Templo Luz do
Oriente) e também de voltarmos mais vezes para receber Johrei.

Após trocarmos algumas idéias, optamos pela aceitação integral da ajuda que
estávamos recebendo de Deus.

Foi assim que, com o passar dos dias, o Johrei juntamente com o uso do Leite
sem contaminação, foi transformando a vida das nossas crianças e proporcionando ao
meu marido e a mim muita alegria.

62
Aos poucos, as crianças foram melhorando de uma tal forma que, hoje parecem
curadas daquela tosse impertinente que não nos dava sossego.

Atualmente só estou usando o Leite Puro Integral, numa média de dez litros por
semana, adquiridos na própria Sede do Templo Luz do Oriente. Nunca mais utilizei os
leites industrializados que se encontram à venda no mercado.
A não ser o leite, nada mais foi alterado no que diz respeito à alimentação dos meus
gêmeos e eles continuam melhorando a olhos vistos.

Afirmo, por isso, com muita convicção, que o Johrei e o uso do Leite Puro nos
trouxeram enormes benefícios e muita paz.

Sinto-me profundamente agradecida a Deus por ter-me socorrido num momento


de grande ansiedade.

Já comecei a divulgar a enorme vantagem do uso de um leite sem contaminação.


Quero que outras pessoas também usufruam da mesma felicidade que vivo hoje, vendo
meus filhos crescerem saudáveis.

Espero com este testemunho, que acho de extrema importância, estar


contribuindo para o bem da nossa tão sofrida humanidade.

Mais uma vez, quero expressar meu profundo sentimento de gratidão ao Pai
Criador que, em todos os momentos, está proporcionando recursos para que seus filhos
sejam cada vez mais felizes.

63
CAPÍTULO
V

AAP
(Associação de Agricultura Pura)
(fazer pequena introdução)

64
FUNDAÇÃO DA AAP

AAP – Associação de Agricultura Pura

1. INFORMAÇÕES GERAIS

1.1 A AAP foi criada em 30 de janeiro de 1999, em São Paulo, com sede no
“Templo Luz do Oriente”.

1.2 Os princípios da AAP fundamentam-se nos Ensinamentos de Meishu Sama,


segundo os quais “a terra deve ser constantemente reverenciada e amada e não se
pode, de forma alguma, acrescentar-lhe substâncias venenosas que lhe tirem a força
vital”.

1.3 A AAP tem como objetivo o desenvolvimento da Agricultura Pura, com


plantio e cultivo sem qualquer espécie de adubos químicos ou orgânicos, defensivos
agrícolas ou outros tipos de agrotóxicos.

1.4 A AAP visa, de modo especial, a promover a preservação do solo e a


conscientização de todos para a necessidade urgente de serem ingeridos, o mais
possível, alimentos saudáveis e nutritivos para o fortalecimento do corpo espiritual e
físico do ser humano.

1.5 Como se trata de um processo de renovação das técnicas agrícolas,


inicialmente cada associado da AAP será um grande incentivador do novo método
que está sendo proposto.

1.6 Embora, no início, os produtos da Agricultura Pura sejam ainda em pequena


quantidade, no futuro, cada associado usufruirá de todas as vantagens oferecidas pelo
consumo de alimentos sem contaminação.

2. DIREITOS DO ASSOCIADO

2.1 O associado receberá uma carteirinha que lhe dará direito a comprar os
produtos de Agricultura Pura com 10% de desconto.

2.2 O associado, periodicamente, receberá um Boletim que o manterá sempre


informado a respeito das descobertas e pesquisas mais recentes sobre o assunto, bem
como do desenvolvimento dessa nova técnica de cultivo da terra.

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2.3 O associado terá direito à participação em todos os eventos a serem
realizados na sede do Templo Luz do Oriente, no último sábado de cada mês.

3. ADESÃO E DEVERES DO ASSOCIADO

3.1 Para associar-se à AAP, basta preencher a proposta de adesão mediante uma
taxa de R$ 10,00, mais a primeira mensalidade de R$ 26,00, perfazendo um total de
R$ 36,00 que deverão ser pagos no ato da inscrição.

3.2 Mensalmente o associado contribuirá com um valor correspondente a 20% do


salário mínimo (hoje equivalente a R$ 26,00).
3.3 O pagamento será feito através de um boleto bancário que o associado
receberá todos os meses.

3.4 Com o não-pagamento de três mensalidades consecutivas, o associado será


excluído da AAP.

4. MENSAGEM ESPECIAL AS LEITORES

Gostaríamos imensamente de que os nossos leitores se tornassem sócios da


AAP, pois é uma forma de promover o bem estar pessoal e de toda a humanidade.

Ao colaborarem no desenvolvimento de um projeto tão grandioso, estarão, de


fato, incentivando um número cada vez maior de agricultores a se dedicarem ao
plantio sem agrotóxicos.

Estamos sempre pedindo humildemente a Deus e Meishu Sama que inunde de


Luz a mente dos nossos leitores a fim de sentirem, no fundo de seus corações, quão
valiosa é a contribuição de cada um em prol da Agricultura Pura, para que todos
possam usufruir de uma alimentação digna e saudável.

Eis o motivo pelo qual contamos com a adesão de um grande número de


associados. Dessa forma, juntos, formaremos uma equipe valorosa trabalhando pelo
estabelecimento do Reino do Céu na Terra.

66
Capítulo
VI

Reportagens

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BRASIL USA E ABUSA DOS AGROTÓXICOS
(artigo “escaneado” do Jornal Folha de São Paulo,
03/03/98,Suplemento Agrofolha, página 1)

Com medo de perder a guerra contra as pragas e as


doenças, os agricultores brasileiros costumam despejar
nas lavouras uma overdose de agrotóxicos, contaminando os
alimentos e o meio ambiente e colocando em risco a sua
saúde e a de seus empregados.

Documento da FAO (Organização das Nações Unidas para


Agricultura e Alimentação) aponta o Brasil como um dos
países que mais exageram na aplicação de pesticidas nas
lavouras, principalmente na horticultura.

"No Brasil se aplicam até 10 mil litros de


agrotóxicos por hectare na horticultura", relata a FAO.

O consumo de pesticidas no país cresceu 44% em dez


anos, saltando de 1 kg/ha, em 83, para 1,44 kg/ha, em 93,
segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa).

O estudo da Embrapa traz conclusões preocupantes:

1-apesar do aumento expressivo do uso de agrotóxicos, as


perdas atribuídas a pragas e doenças não sofreram uma
redução drástica, e os ganhos de produtividade fora
restritos.

2-os problemas com a contaminação de alimentos e do meio


ambiente e os casos de intoxicação de agricultores
cresceram significativamente.

Pelos cálculos da Embrapa, os agricultores


despejaram nas lavouras 61.845 t de ingredientes ativos
em 1993, o que eqüivale a cerca de 260 mil t de
agroquímicos.

De lá para cá, o país perdeu a conta sobre o volume


de venenos lançado por ano no campo. As empresas de
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pesticidas deixaram de informar a quantidade de produtos
que comercializam.

O faturamento do setor, porém, sinaliza que o


consumo continua em alta. Entre 93 e 97, as vendas de
agrotóxicos cresceram 104%, de US$ 1,050 bilhão para US$
2,161 bilhões.

O aumento dos casos de intoxicação por pesticidas é


outro indicador da utilização exagerada.

De 93 a 95, as intoxicações por agrotóxicos


cresceram 18% ao ano, segundo dados do Sinitox (Sistema
Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas).

Nesse período, os 24 centros de assistência


toxicológica que compõem a rede Sinitox registraram
12.866 casos.

Embora sirvam como referência; os números do Sinitox


estão bem longe da realidade.

"Os casos de intoxicação por agrotóxicos no Brasil


devem ultrapassar 200 mil por ano, em uma estimativa
conservadora", diz Eduardo Garcia, pesquisador da
Fundacentro, órgão de pesquisas do Ministério do
Trabalho.

Para chegar a esse número, Garcia utilizou a


metodologia do Departamento de Agricultura da Califórnia
(EUA).

"Lá, os técnicos estimam que apenas entre 1% e 2%


das intoxicações por pesticidas sejam notificadas", diz
Garcia.

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PAÍS NÃO CONTROLA
RESÍDUOS NOS ALIMENTOS
(artigo “escaneado” do Jornal Folha de São Paulo,
03/03/98,Suplemento Agrofolha, página 5)

O consumidor brasileiro não sabe o que está


comendo. Quinto maior mercado de agrotóxicos do mundo, o
Brasil não controla os resíduos de agrotóxicos em
alimentos como frutas, legumes e verduras.

Apenas o laboratório do Instituto Biológico (IB),


da Secretaria da Agricultura de São Paulo, analisa,
esporadicamente, amostras de alimentos colhidas no
Ceagesp.

As análises permitem identificar a presença de


resíduos de pesticidas nos alimentos, se o agricultor
respeitou o prazo de carência estipulado para o produto
(período mínimo entre a aplicação do agrotóxico e a
colheita) e se utilizou produtos permitidos para aquela
cultura.

Embora seja o mais moderno do país, o laboratório


do IB não tem capacidade para realizar um monitoramento
sistemático dos resíduos de pesticidas em alimentos e nem
de identificar todos os agrotóxicos disponíveis no
mercado.
"Podemos cobrir 80 dos 280 ingredientes ativos
comercializados no Brasil", diz a pesquisadora Marilene
da Silva Ferreira, do IB.

Na Europa, o monitoramento de resíduos é um


procedimento de rotina, segundo o engenheiro alemão
Helmut Seltzer, especialista em química ambiental.

"Na Alemanha, os próprios supermercados são


responsáveis pela qualidade dos alimentos e mandam fazer
análises. Há também controle oficial. O Ministério da
Indústria e Comércio colhe amostras no mercado e as envia
para os laboratórios", diz o engenheiro.

Desde 91, Seltzer coordena o programa Terra Viva,


um convênio entre a Sociedade Alemã de Cooperação Técnica
(GTZ) e a Secretaria de Agricultura de São Paulo, que

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visa oferecer aos agricultores tecnologias alternativas
para redução ou eliminação do uso de agrotóxicos.

Segundo ele, a rede de laboratórios que monitora a


qualidade dos alimentos na Alemanha cobre todo o país.
Existe 1 laboratório para cada 3 ou 4 milhões de
habitantes.

Enio Marques, secretário de Defesa Agropecuária do


Ministério da Agricultura, diz que o governo pretende
montar um sistema de monitoramento de resíduos para a
área vegetal, a exemplo do que ocorre para produtos como
carne e derivados.

RESULTADO DAS ANÁLISES DE RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS


(1978 - 1995).

Alimentos Nº de Com Com Com


mais Amostras Resíduo Resíduo Resíduo
críticos de Não Acima
Agrotóxico% Permitido% do
Limite%
Morango 480 58,3 19,4 2,5

Pêssego 201 37,8 4,5 1,0

Goiaba 217 29,5 12,4 1,8

Agrião 45 28,9 2,2 6,7

Maçã 303 28,4 9,2 0,3

Caqui 132 25,0 1,5 -

Couve 121 22,3 1,7 -


Brócolis 50 20,0 - 2,0

Cenoura 264 19,3 8,0 -

Pimentão 115 18,3 9,6 2,6

Pepino 91 17,6 8,8 -

Couve-Flor 68 16,2 - -

Figo 107 14,0 11,2 -

Limão 115 13,9 1,7 -

Tomate 292 12,7 3,4 1,0

Fonte: Instituto Biológico (extraído do Jornal Folha de São


Paulo,03/03/98, Suplemento Agrofolha, página 5).

71
Kototama 27

“Freqüência de tumores duplica por causa dos pesticidas”


(extraído do Jornal Alemão Neue Zürcher Zeitung, 07/06/1999)
Congresso de Oncologia em Lugano
Lugano, 5 de junho. (sda) Substâncias químicas podem ser os responsáveis
por cada vez mais pessoas adoecerem de tumores linfáticos. Respectivos resultados
foram apresentados no congresso oncológico internacional em Lugano que terminou
sábado. Os resultados provisórios de três projetos de pesquisa de Israel, Canadá e
EUA demonstraram que os pesticidas, mas também o benzol contido em solventes e
combustíveis, como ainda os herbicidas, incentivam a formação destes tumores. Com
o peso nos pesticidas, nos EUA pesquisar-se-à em maior escala.
"Assustador nos resultados é principalmente que o contato com tais
substâncias provocou mudanças na substância genética também em pessoas sadias",
disse Franco Cavalli, especialista em oncologia e organizador do congresso de
Lugano, no sábado. Se estas pessoas adoecerão alguma vez, a ciência ainda não sabe.
Cavalli demonstrou-se confiante que até o próximo congresso, no ano de 2002,
haverá respostas para este assunto. Nos últimos 20 anos, duplicou o número das
pessoas que mundialmente adoeceram de tumores linfáticos. "A forma mais
freqüente desta doença é o câncer das glândulas linfáticas", explicou Cavalli.

72
Kototama 29

“Alimentos no Rio têm excesso de agrotóxicos”


(extraído do Jornal "Folha de São Paulo"; 26/11/1999)
Supermercados e feiras livres do Estado do Rio estão vendendo frutas,
legumes e verduras contaminadas com agrotóxicos acima do índice aceitável. A
conclusão é do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj), que analisou 40 amostras de produtos, a pedido da Comissão de Meio
Ambiente da Assembléia Legislativa (Alerj)
No caso do brócolis e do morango, o nível de agrotóxicos é quatro vezes
maior do que o tolerável. Os alimentos estudados foram produzidos em São Paulo,
no Rio Grande do Sul e na região serrana do Rio.
Os pesquisadores buscaram indícios dos pesticidas organofosforados e
carbamatos, que atuam sobre o sistema nervoso central, provocando tremores,
convulsões e taquicardia. "É considerado tolerável até 0,2 parte por milhão (ppm) de
agrotóxicos", explica a bióloga Cláudia de Melo Moura, que participou da pesquisa.
No morango e no brócolis, o estudo encontrou índice de 0,8 ppm. Os outros
alimentos considerados impróprios para o consumo foram vagem (0,6 ppm), agrião
(0,5 ppm) e figo (0,4 ppm). Alface e chuchu estão próximos do nível considerado
tolerável. "A população não sabe a qualidade do alimento que está consumindo", diz
a bióloga.
É a segunda vez que a Uerj faz levantamento dos legumes, verduras e frutas
consumidas no Estado, a pedido da Comissão do Meio Ambiente da Alerj. Há um
ano e meio, quando foi feito o primeiro estudo, o tomate era considerado impróprio.
"Foi feito um trabalho de conscientização com os produtores de Paty do Alferes (no
centro-sul fluminense) e a concentração de agrotóxico diminuiu", afirmou o
presidente da comissão, deputado Carlos Minc (PT). "O índice de contaminação nos
morangos de Friburgo também caiu; o mais contaminado agora é o paulista."
Segundo Cláudia Moura, há pouco o que fazer para diminuir o impacto do
agrotóxico no organismo. "Há estudos em desenvolvimento na Uerj que indicam que
o bicarbonato de sódio teria efeito importante para reduzir a quantidade de
agrotóxico, principalmente organofosforado", afirma. A bióloga aconselha tirar a
casca das frutas. "Mas o que está dentro do fruto não se consegue tirar, por isso é
importante respeitar os limites."
A Comissão de Meio Ambiente levantou que 32 agrotóxicos são usados no
Estado. Dezessete seriam mais nocivos à saúde. Desses, oito são proibidos em outros
países.
"Pedi a impugnação do registro desses pesticidas ao Ministério da
Agricultura", afirmou Minc. A partir da pesquisa, o deputado conseguiu a promessa
dos secretários de Agricultura, Noel de Carvalho, e do Meio Ambiente, André
Correa, de reativar o Conselho Estadual de Controle de Agrotóxicos e Biocidas
(Cecab), que até 1993 fazia o controle dos alimentos consumidos no Estado.

73
Kototama 23

LEITE SOB SUSPEITA


Pesquisador da Unesp mostra que excesso de inseticida usado no gado
contamina o alimento
(artigo “escaneado” da Revista Isto É, 23/09/98)

Um tipo de inseticida muito utilizado no rebanho brasileiro está ameaçando a


qualidade do leite. Trata-se dos piretróides, uma substância sintética que combate
pragas como carrapato e mosca-dos-chifres. Uma pesquisa realizada pelo professor
Igor Vassilieff, Supervisor do Centro de Toxicologia do Instituo de Biociência da
Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, mostrou que esse inseticida
penetra na pele do gado, entra na corrente sangüínea e contamina o leite. Basta um
litro por dia para aparecerem sintomas como irritação, insônia, dor de cabeça,
hipersensibilidade à luz e aumento da temperatura corporal. Por isso, muitas vezes
esses sinais são confundidos com uma gripe. A descoberta aconteceu por acaso.
Depois de atender alguns casos de intoxicação em mulheres da zona rural, Vassilieff
teve a idéia de analisar o nível de toxicidade no leite de vaca.

O monitoramento de dez vacas mostrou que, nos 14 dias seguintes à


aplicação do inseticida, a quantidade do produto era absurda. No primeiro dia de
coleta foram constatados 437 microgramas do inseticida por litro de leite (segundo a
Organização Mundial da Saúde, o ser humano pode tolerar até 50 microgramas). Na
prática, se uma criança de dez quilos ingerir um litro desse leite poderá apresentar
um quadro de intoxicação. O leite contaminado também pode sensibilizar o
organismo gradativamente até que, com uma dose pequena, dispare as reações na
pessoa.

A lei nacional não obriga os fabricantes a fornecerem os resultados de testes


toxicológicos, que diagnosticam metais pesados e inseticidas. Mas em alta
concentração o piretróide interfere em várias reações químicas. Ele bloqueia uma
enzima que reduz a atividade do cálcio, mineral que produz excitação em excesso.
Quanto mais cálcio disponível, portanto, maior a irratibilidade. A excitação por sua
vez aumenta a temperatura, causa edemas e dor de cabeça. “O gado precisa de
inseticidas, mas em quantidades corretas para não prejudicar o homem”, diz o
professor. O ideal seria que o produtor desprezasse o leite retirado durante 14 dias
depois de pulverizar o inseticida e as autoridades exigissem laudos de toxicidade.

74
Kototama 18

“Existe algo no fim do arco-íris”

(artigo escrito por João Mellão Neto, extraído do Jornal “O Estado de São Paulo”, dia
13/02/98).

Uma das mais sublimes páginas da recente literatura universal, curiosamente, não foi
redigida por nenhum dos eruditos pensadores de nossa civilização euro-ocidental. Quem a
ditou foi um inculto e desconhecido indígena, em meados do século passado. Valeu-se para
tanto tão-somente de sua intuição...

Não almejava a glória nem sequer o reconhecimento. Seu nome só nos é familiar
porque foi emprestado a uma famosa metrópole. Mas, por sua inigualável profundidade e
sabedoria, as palavras de Seattle - chefe das tribos Duwamish - merecem ser sempre e
sempre transcritas e repetidas. Elas não representam apenas as nossas abissais diferenças de
cultura. Mais do que isso, são um chamamento à canção mágica do universo. Há um sentido
de espiritualidade que as ciências e o utilitarismo acabaram por bloquear no homem
moderno.

Em 1852, Millard Fillmore, então presidente dos EUA, oficiou uma proposta a
Seattle para adquirir as terras de suas tribos, para efeitos de colonização. Pagaria em dinheiro
e lhe oferecia, em troca, outro território onde alojar sua gente. O chefe indígena,
respeitosamente, respondeu-lhe. E o fez numa carta cujo teor, para os padrões anglo-
saxônicos, era, no mínimo, desconcertante:

“O presidente, em Washington, informa que deseja comprar nossa terra.


Mas como é possível comprar ou vender o céu ou a terra? A idéia nos é estranha. Se
não possuímos o frescor do ar a vivacidade da água, como vocês poderão comprá-los?
Cada parte desta terra é sagrada para meu povo. Cada arbusto brilhante do pinheiro, cada
porção de praia, cada bruma na floresta escura, cada campina, cada inseto que zune, todos
são sagrados na memória e na experiência do meu povo.
Conhecemos a seiva que circula nas árvores como conhecemos o sangue que circula
em nossas veias. Somos parte da terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas
irmãs. O urso, o gamo e a grande águia são nossos irmãos. O topo das montanhas, o húmus
das campinas, o calor do corpo do pônei e o homem pertencem todos à mesma família.
A água brilhante que se move nos rios e riachos não é apenas água, mas o sangue
de nossos ancestrais. Se lhes vendermos nossa terra, vocês deverão lembrar-se de que ela é
sagrada. Cada reflexo espectral nas claras águas dos lagos de eventos e memórias na vida
do meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai.
Os rios são nossos irmãos. Eles saciam nossa sede, conduzem nossas canoas e
alimentam nossos filhos. Assim, é preciso dedicar aos rios a mesma bondade que se
dedicaria a um irmão.
Se lhes vendermos nossa terra, lembrem-se de que o ar é precioso para nós, o ar
partilha seu espírito com toda a vida que ampara. O vento, que deu ao nosso avô seu
primeiro alento, também recebe seu último suspiro.
Ensinarão vocês às vossas crianças que a terra é nossa mãe?
O que acontece à terra acontece a todos os filhos da terra...
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O que sabemos é isto: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra.
Todas as coisas estão ligadas, assim como o sangue nos une a todos.
O homem não teceu a rede da vida, é apenas um dos fios dela. O que quer que ele
faça à rede o fará a si mesmo.
Uma coisa sabemos: nosso Deus é também o seu Deus.
A terra é preciosa para ele e magoá-la é acumular contrariedades sobre o seu
criador (...).”

Em Washington, ninguém entendeu nada. Na verdade, ninguém dedicou o mínimo


esforço a fazê-lo. Uma vez que, mesmo com ressalvas, o chefe concordara com a oferta do
governo, o mais não tinha importância. Para Fillmore e seu staff, era mais cômodo atribuir
aquelas palavras ao obscurantismo. Um misticismo típico de culturas primitivas...

Sua atitude, àquela época, era bem compreensível. Vivia-se - como se viveu até
tempos recentes - sob os padrões do racionalismo estrito e da suposta objetividade científica.
Não havia como conciliar visões de mundo tão distintas.

No entanto, Seattle, antecedendo-se em mais de um século, havia sintetizado todos


os pressupostos - físicos e filosóficos - que viriam a alicerçar a moderna ciência ecológica.

Seria ele uma visionário? Com certeza, não. Nada tinha em comum com seu
contemporâneo Júlio Verne: em Seattle não havia interesse em antever o futuro. Mas o fazia,
involuntariamente, ao relembrar o passado.
Não acumulava conhecimentos obtidos em livros. Mas detinha a sabedoria implícita
no conhecimento dos mitos.

E o que são os mitos senão parábolas que retratam a natureza humana e os seus
dramas existenciais? Os dilemas que vivemos e as respostas que nossa alma lhes dá?

Karl Jung, o criador da psicologia analítica, dedicou sua vida à compreensão da


mitologia e de seu papel na existência humana. Entre outras coisas, descobriu que, qualquer
que seja a cultura, onde quer que tenham existido no tempo e no espaço, os mitos obedecem
a padrões recorrentes e universais. Sua simplicidade é apenas aparente: na verdade, somente
reforça a sua profundidade.

Deixando de lado a nomenclatura científica (arquétipos, inconsciente coletivo,


psique, etc.), o que se pode afirmar é que, na verdade, os mitos são as vozes da nossa alma.

Eles habitam as profundezas de nossa mente, onde jamais a consciência será capaz
de chegar. E, ao contrário do que as ciências do comportamento sempre defenderam, é esse
lado inconsciente de nosso cérebro que modela o nosso modo de ser e estar no mundo.

As mitologias tratam de questões eternas, universais, existências:

Quem sou eu?


O que é o universo?
O que representa a vida ?
O que de fato o existir me exige?
Quais são os valores que devo cultivar?

Tudo isso diz respeito à alma. Temas que a ciência e os seus métodos não alcançam
nem dispõem de instrumentos para analisar.

Seattle, aquele enigmático indígena - tão sábio e profundo quanto inculto e selvagem
-, só pode ser compreendido assim. Já é chegado o tempo de os homens entenderem que,
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dentro de sua mente, existe algo maior, mais sagrado e transcendente do que os neurônios e
as ligações “racionais” que eles estabelecem entre si. Se nos aflige, não podemos defini-lo.
Chamemos esse algo de alma...

E, já que nos estamos reportando a Seattle, vale realçar que, não satisfeito com as
reflexões que fez, ele tratou de concluir sua carta ao presidente Fillmore com uma profética e
severa advertência:

“O destino de vocês é um mistério para nós...


O que acontecerá quando os cantos da floresta forem ocupados e a vista dos montes
for bloqueada?
Onde estarão as matas? Sumiram!
Onde estará a águia? Desapareceu!
Será o fim da vida e o início da sobrevivência...
Estas praias e florestas ainda estarão aí?
Cuidem delas como as temos cuidado!
Amem-nas, como nós as temos amado.
Assim como somos parte da terra, vocês também são parte da terra.
E nenhum homem, vermelho ou branco, poderá viver apartado dela...”

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