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TRIBUNAL DE JUSTIÇA
COMARCA DE MACEIÓ
5º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA CAPITAL - PROJUDI

Av. Major Cícero de Góes Monteiro, 2107, Mutange,Maceió - AL - Fone: 2126-9777.

Classe Processual: Procedimento do Juizado Especial Cível


Assunto Principal: Substituição do Produto
Processo nº: 0001074-45.2011.8.02.0205

Autor(s): Emerson Loureiro Santos


Réu(s): LOJAS INSINUANTE LTDA

DECISÃO

Analisando os autos, verifica-se que o demandante requereu execução da sentença que estipulou multa
por descumprimento da obrigação imposta à demandada, tendo sido efetuado cálculos no evento nº 42.

A parte demandada requereu a conversão da obrigação de fazer em perdas e danos em 17/10/2011(evento


nº31), tendo a parte demandante concordado em 07/03/2012 (evento nº 35).

Contudo, observando o prazo de descumprimento, considerando desde o trânsito em julgado da sentença


em 20/09/2011, até a data do cálculo em 10/09/2012 (evento nº 42), contou-se 357 dias de
descumprimento, o que que totalizou um montante de R$35.700,00 (trinta e cinco mil e setecentos reais),
relativo à multa.

Em relação a multa, esta não guarda qualquer relação com o valor da obrigação principal, não servindo
este como critério de limitação ou parâmetro. É importante salientar que tendo a sentença transitada em
julgado, estamos na fase da execução, pelo sincretismo processual, não havendo como recorrer desta
decisão.

Em reforço a este entendimento, veja-se o voto do ilustre Magistrado Eugênio Facchini Neto, por ocasião
do julgamento do RI n. 71002408698, citado no voto do Dr. Edson Jorge Cechet, relator do recurso
inominado Nº 7100279764, julgado na Primeira Turma Recursal Cível:

“ É sabido que as astreintes constituem instrumento de direito processual para


prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da justiça (art. 125, III,
do CPC), funcionando como medida coercitiva ao cumprimento dos comandos
sentenciais, sem caráter indenizatório. É, como tal, reprimenda para o ato da
parte litigante que resiste ao cumprimento de uma decisão judicial.

Atendendo a tais características, esse órgão julgador costumava reduzir os


valores das astreintes, quando constatado que o valor das mesmas havia sido

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consolidado em valores muito elevados. A redução era feita com base no art.
645, parágrafo único, e art. 461, § 6º, do CPC.

Todavia, a experiência dos últimos anos tem sido no sentido de que a ré,
confiando na redução das astreintes simplesmente adotou como norma o
descumprimento de liminares. É óbvio que não há qualquer vantagem para a ré
em tal postura, pois mesmo quando as multas são reduzidas, há valores
significativos a pagar, sem qualquer bônus para a ré Brasil Telecom. Tal atitude
de reiterado descaso para com as ordens judiciais são fruto apenas de uma
absurda desorganização interna da empresa e uma total ausência de controle
interno, pois fora desse cenário, simplesmente não se compreende como a ré
continua a optar por pagar multas diárias, cujos valores somados chegam aos
milhões, em vez de simplesmente se organizar e cumprir rapidamente as
liminares, evitando, com isso, ter de pagar multas. O custo para se organizar
certamente seria inferior ao custo das multas que tem de pagar.

Pois bem, como a política de redução das multas não está surtindo efeitos,
acarretando transtornos aos consumidores e desnecessária sobrecarga de
trabalho aos já atribulados cartórios judiciais, com a necessidade de
reexpedição de mandados de cumprimento, é hora de se alterar a postura para
enfrentar o fenômeno. As multas, conquanto elevadas, serão mantidas. Se não
por respeito às ordens judiciais, ao menos por zelo egoístico do patrimônio da
empresa, alguém da requerida há de perceber a absurda irracionalidade interna
de sua (des) organização”.

Há de se ressaltar que o STJ ainda não uniformizou suas decisões em relação a se ter um valor limite para
as astreintes em sede de Juizados Especiais. Havendo em suas Turmas decisões para limitar ao teto - 40
(quarenta) salários mínimos, e outras que não impõe limite, devendo ser observado os princípios da
razoabilidade e proporcionalidade.

Entendo que não se deve limitar, todavia, deve-se ter coerência na sua aplicação e moderação, momento
em que incidi o princípio da proporcionalidade. Não há então que se falar em enriquecimento sem causa.
Neste sentido:

"CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA SEÇÃO

Número Registro: 2012/0022014-8 PROCESSO ELETRÔNICO Rcl 7.861 / SP

Número Origem: 8045120118269000

PAUTA: 28/08/2013 JULGADO: 11/09/2013

Relator Exmo. Sr. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO

Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro RAUL ARAÚJO

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. PEDRO HENRIQUE TÁVORA


NIESS

Secretário Bel. DIMAS DIAS PINTO

AUTUAÇÃO

RECLAMANTE : TELEFÔNICA BRASIL S/A

ADVOGADO : LUIZ OTAVIO BOAVENTURA PACIFICO E OUTRO(S)

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RECLAMADO : OITAVA TURMA CÍVEL DO COLÉGIO RECURSAL DO


ESTADO DE SÃO

PAULO

INTERES. : FLAVIA ALESSANDRA NAVES DA SILVA

ADVOGADO : DEMIS ROBERTO CORREIA DE MELO

ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Responsabilidade Civil - Indenização por Dano


Moral

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia SEGUNDA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na


sessão

realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

Preliminarmente, a Seção, por maioria, conheceu da reclamação nos termos do


voto do Sr.

Ministro Relator, vencidos os Srs. Ministros Nancy Andrighi, João Otávio de


Noronha, Sidnei

Beneti e Paulo de Tarso Sanseverino. Acompanharam o voto do Sr. Ministro


Relator os Srs.

Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas
Cueva e Marco

Buzzi.

No mérito, a Seção, por maioria, julgou parcialmente procedente a reclamação


para fixar

o valor da multa a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), mas sem a limitação do teto dos
Juizados

Especiais.

Vencidos os Srs. Ministros Paulo de Tarso Sanseverino, Nancy Andrighi e Sidnei


Beneti.

Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas
Bôas

Cueva, Marco Buzzi e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro
Relator, com ressalvas

desse e daquela quanto à limitação do teto dos Juizados Especiais.

Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo Filho."

Considerando o art. 461, § 6º do CPC, o juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da
multa, caso verifique que se tornou excessiva ou insuficiente.

Por todo o exposto, entendendo ser razoável, reduzo o valor da multa de R$35.700,00(trinta e cinco

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mil e setecentos reais) para R$5.000,00(cinco mil reais), o que passo a determinar a expedição de
dois alvarás: 01 em nome do demandante no valor de R$5.567,16 (cinco mil, quinhentos e sessenta e
sete reais e dezesseis centavos); e outro, do valor restante de R$30.000,00 (trinta mil), em nome da
demandada Lojas Insinuante, conforme documento de trânsferência do evento nº 58.

Intimem-se as partes desta decisão.

Maceió, 21 de fevereiro de 2014

Nelson Tenório de Oliveira Neto

Juiz de Direito
pn

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