e Prevenção ao Aidét ico
(GAPA) Grupo de As
Os primeiros sintomas de Aids podem aparecer muitos anos após a contaminação. Mas
exames de laboratório permitem detectar a presença do vírus no sangue poucos dias depois.
O portador do vírus é chamado HIV-posiÉvo ou soropositivo. Quando a doença se mani-
festa, os sintomas mais comuns são: dores nas articulações e nos músculos, febre, diarréia, manchas vermelhas na pele, fraqueza e perda de peso. Como estes sintomas não são exclusi- vos da Aids, é necessário um exame médico para a confirmação da doença, que envolve exa- mes de sangue para detectar a diminuição da quantidade de linfócitos, destruídos pelo vírus.
A Aids está associada ao apare-
cimento de uma forma de câncer conhecida como sarcoma de
Kaposi.
A Aids é uma doença associada
a um profundo preconceito, o que causa aos doentes um pesa- do sofrimento extra. Somente campanhas de educação e mo- vimentos sociais de conscien- tização poderão mudar esse quadro.
Não existe cura definitiva para a Aids, ainda que muitas pesquisas estejam sendo feitas, na busca de uma vacina. Por enquanto, o que a medicina conseguiu foram medicamentos — como o AZT — que apenas prolongam um pouco mais a vida do doente.
Hepatite
Também causada por vírus, pode ser transmitida da mesma forma que a Aids. A diferença consiste em que o vírus da hepatite ataca células do fígado, prejudicando seu funcionamento e podendo levar à morte. Há também formas de hepatite transmitidas pela água, verduras e frutas, que produzem os mesmos sintomas. Eles começam a aparecer 15 a 40 dias após a contaminação. O prin- cipal sintoma é a icterícia, isto é, a coloração amarelo-esverdeada da pele, acompanhada por mal-estar, febre, dor de cabeça e falta de apetite.
A hepatite pode ser tratada, e até curada, com remédios, repouso e dieta adequada.
Entretanto, deixa, em geral, seqüelas no fígado, impossibilitando abusos no consumo de gor-
duras, pimentas e bebidas alcoólicas.
35
E X
E R
C
Questões de revisão
Í C
I OS
O que é reprodução e qual é a sua importância?
Que órgãos constituem o sistema reprodutor masculino? Qual é o caminho percorrido pelos espermatozóides, desde o momento em que são produzidos
até a fecundação?
Que órgãos formam o sistema reprodutor feminino?
O que é ovulação? E menstruação? Que hormônios provocam esses processos?
Quais são as funções do âmnio e da placenta? Quais são as conseqüências para o organismo do não-tratamento da gonorréia e da sífilis, logo após a contaminação? Como pode ocorrer a contaminação pelo vírus HIV?
A vida humana é constante mudança e desenvolvimento. A cada dia, nossos corpos e men- tes passam por lentas alterações naturais. Mas há certas fases da vida em que as transforma- ções são mais rápidas e drásticas. Uma delas é a adolescência, quando a criança vai-se trans- formando em adulto. A adolescência começa com a puberdade, por volta dos 9-14 anos nas meninas e 10-16 anos nos meninos. Essa fase é marcada pelo amadurecimento das glândulas sexuais, com grandes transformações biológicas e psicológicas, costumeiramente mais acentu- adas nas meninas.
Observando as imagens da página anterior, discuta com seu grupo quais as situações em que vocês se identificam. Elabore uma lista de mudanças corporais e comportamentais que po- dem ser percebidas entre pessoas na mesma faixa de idade que a sua. Complemente sua pesquisa e seu levantamento de dados com a leitura de textos que tratem da adolescência. Como os pais encaram as alterações que ocorrem em seus filhos, na época da adolescência? Que dificuldades de relacionamento surgem normalmente?
Desafios
1. Localize no capitulo os termos abaixo e descubra o seu significado:
erétil
puberdade
descarnação
secreção
nódulo
2. Escreva em seu caderno o nome dos órgãos apontados pelas setas.
A data provável da próxima menstruação de uma mulher é o dia 15 de um determinado mês. Supondo que seu ciclo menstrual seja de 32 dias, qual é o seu período fértil?
Crie uma redação sobre uma aidética inicialmente rejeitada por sua família e colegas de traba- lho. Mostre como ocorre uma mudança na conduta dessas pessoas.
Associe, em seu caderno, os sintomas com as doenças correspondentes. Coceira, ardência, vermelhidão e inchaço na ponta do pênis. Manchas vermelhas por todo o corpo. Pele com coloração amarelo-esverdeada, mal-estar, febre, dor de cabeça e falta de apetite. Ardência no ato de urinar. Nódulo de cor vermelho-escura, com a largura de um lápis, no pênis ou na vulva. secreção de pus. Dores nas articulações e nos músculos, febre, diarréia, manchas vermelhas na pele, fraque- za e perda de peso.
I — Sífilis II — Hepatite
III — Gonorréia
IV — Aids
38
-411,
CAPÍTULO 4
Alimentos e d ig
Quem alguma vez já experimentou jejuar enten- de mais profundamente a importância dos alimentos:
são substâncias essenciais à conservação da vida. É a partir de sua digestão que o organismo obtém os nu- trientes necessários à atividade das células. Cada célula é uma unidade viva, capaz de reali- zar reações químicas e contribuir para o funcionamen- to global do organismo. Todas as células do corpo vivem mergulhadas num caldo chamado líquido extracelular, de onde retiram os materiais de que necessitam e no qual de- positam os restos das suas atividades. Para que as células continuem a viver, é preciso que a composi- ção do líquido extracelular seja mantida. Contribuem para isso praticamente todos os órgãos que formam o corpo humano, tendo papel preponderante os dos sis- temas circulatório, respiratório, digestivo e excretor. O sistema circulatório é responsável pela circu- lação do sangue em todo o corpo. Dissolvidos no san- gue, chegam ao líquido extracelular os nutrientes e o oxigênio, indispensáveis à vida das células. É também o sangue quem retira do líquido extracelular o gás carbô- nico e resíduos de nutrientes ali lançados pelas células. O sistema respiratório encarrega-se da respira- ção. Esta consiste na transferência do oxigênio do ar ao sangue, que o leva aos líquidos extracelulares. São tam- bém os órgãos respiratórios que devolvem ao exterior o gás carbônico recolhido pelo sangue junto às células. O sistema digestivo realiza a digestão, ou seja, a decomposição dos alimentos em partículas menores — os nutrientes.Após serem absorvidos, os nutrientes che- gam ao sangue e são distribuídos ao líquido extracelular. Ao sistema excretor cabe a excreção, que é a remoção dos resíduos de nutrientes que as células lançam no líquido extracelular, de onde eles são re- tirados pelo sangue. Circulação, respiração, digestão e excreção são funções que contribuem para a manutenção da com- posição do líquido extracelular e, portanto, para a vida das células. São chamadas funções de nutrição e se destinam à conservação da vida.
IA,
(Acima) Uma alimentação diária balanceada garante a sobre- vivência do organismo. (Abaixo) Guando é privado de alimentos, o organismo entra em falência e morre.
39
Alimentos
Os alimentos são substâncias essenciais à conser- vação da vida. Da sua digestão, resultam os nutrientes necessários à atividade celular. Os alimentos têm três funções principais: fornecer materiais para a produção de novas células, produzir energia e regular reações e funções químicas que ocor- rem nas células. De acordo com a principal função que executam, os alimentos são classificados como plásti- cos, energéticos e reguladores.
Tipos de nutrientes
Nos alimentos estão armazenados os nutrien- tes, que, durante o processo de digestão, são assimi- lados pelo organismo. Em geral, os nutrientes são substâncias com- plexas; dependendo de suas características quími- cas e de seu papel no organismo, podem ser classifi- cados como: proteínas, carboidratos, lipídios, água, sais minerais e vitaminas.
Proteínas
As proteínas estão presentes em todas as célu- las. Estas precisam de proteínas para fabricar novas estruturas e reparar as já existentes. São fontes de pro- teína tanto os alimentos de origem animal — como a carne, os ovos e os peixes — quanto os de origem vegetal — como as leguminosas (soja e feijão).
40
Alimentos plásticos são os que fornecem mate- rial para a produção de novas células ou para a subs- tituição de estruturas celulares. São os alimentos ri- cos em proteínas: carne, leite, etc. Alimentos energéticos são os que fornecem energia para as atividades celulares. São os alimen- tos ricos em açúcares (ou glicídios) e gorduras (ou lipídios): batatas, doces, etc. Alimentos reguladores são os que atuam em rea- ções químicas celulares e regulam as atividades do or- ganismo. São as verduras, legumes e frutas, isto é, os alimentos que possuem água, sais minerais e vitaminas.
Os alimentos po- dem ser plásti- cos, energéticos e reguladores.
Quimicamente, as proteínas são formadas por uma seqüência de grupos mais simples, chamados aminoácidos. Certos aminoácidos são chamados de essenciais, porque o organismo não é capaz de sintetizá-los, e eles são obtidos somente através da alimentação. Como as células não são capazes de utilizar di- retamente as proteínas, estas são quebradas durante
a digestão, liberando os aminoácidos que as consti-
tuem. Os aminoácidos assim obtidos são absorvidos
e transportados pelo sangue até os líquidos extrace- lulares, de onde passam às células.
Carboidratos ou açúcares
Os açúcares constituem a principal fonte de energia para as células. Nem todos os açúcares são doces. Por exemplo, o amido, encontrado em bata- tas, doces, pão, macarrão, farinha e outros alimen- tos, é uma importante fonte de açúcar. A sacarose, o
4k,
•
único açúcar de sabor doce, é obtida da cana-de-açú- car e da beterraba. Outros açúcares são o glicogênio (presente nos músculos e fígados de animais), a maltose (presente no malte) e a lactose (presente no leite). Nossas células não são capazes de usar direta- mente a maioria dos açúcares que ingerimos. Por isso, os açúcares passam por um processo de digestão, do qual resultam três tipos mais simples: a glicose, a galactose e a frutose. Esses três tipos são capazes de entrar nas células que os utilizam, e são eles que o sangue transporta ao meio extracelular.
Lipídios ou gorduras
Os açúcares — em especial a glicose — são uma fonte energética de uso imediato para as células. As gorduras também são uma fonte energética, porém, após sua digestão são temporariamente armazena- das pelo organismo. Para isso, o organismo dispõe de células especiais, as células adiposas, que são capazes de armazenar gorduras. As gorduras são encontradas numa grande variedade de alimentos: óleos animais e vegetais, manteiga, carnes de boi, porco e peixes, e em se- mentes como nozes, soja, girassol, etc. Como ocorre em relação a outros nutrientes, as células não conseguem usar diretamente as gorduras. O processo de digestão as quebra em ácidos graxos e glicerol, que podem ser utilizados pelas células.
Água
A água é a substância encontrada em maior quan-
tidade no organismo. Entre 65 e 70% do peso do cor- po humano são constituídos por água.
A água é o componente mais abundante tanto
no meio extracelular quanto no interior de quase to- das as células. Ela é essencial para as células. As substâncias que existem em seu interior estão ou dis- solvidas ou em suspensão na água. É em meio aquo- so que ocorrem as reações químicas intracelulares.
Além disso, na água estão dissolvidos os materiais que continuamente entram e saem através da mem- brana celular.
Sais minerais
Os sais minerais que ingerimos se dissolvem na água e formam íons, que permanecem tanto no meio extracelular quanto dentro das células. Os íons participam das reações químicas intracelulares e são
41
indispensáveis ao perfeito funcionamento das cé- lulas. É o caso do sódio e do cloro, encontrados no sal de cozinha. Eles participam do mecanismo de entrada e saída de substâncias nas células. Já o fer- ro — presente em alimentos como o fígado, o es- pinafre e o feijão — é fundamental para a produ- ção dos glóbulos vermelhos do sangue.
A falta de ferro na alimentação provoca anemia, doença que deixa a pessoa pálida e fraca.
Vitaminas
As vitaminas são compostos que, embora existam nos alimentos em pequenas quantidades, são indispensáveis à vida. Certas reações quími- cas celulares só ocorrem na presença de determi- nadas vitaminas. Quase todos os alimentos que consumimos contêm uma ou mais vitaminas. Se consideramos que um só tipo de alimento não possui todas as vi- taminas, torna-se clara a necessidade de uma nu- trição que contenha alimentos variados. Em caso de alimentação deficiente em vitaminas, o organis- mo poderá sofrer perturbações conhecidas como avitaminoses. As vitaminas são nomeadas com letras do alfa- beto —A, B, C, etc. —, de acordo com a ordem em que foram sendo descobertas.
* Vitamina A: é importante para o crescimento de to- dos os tecidos do corpo e para a visão. Sua falta deter- mina atraso no crescimento do organismo e faz com que o epitélio da pele e de outras partes do corpo se torne espesso. Quando isso acontece com a membrana que reveste o globo ocular — a córnea —, esta pode se tor- nar opaca, causando cegueira. Um outro problema rela- cionado à carência de vitamina A é a cegueira noturna, que consiste numa falta de adaptação da visão em locais mal iluminados, um perigo para quem dirige à noite.
Alimentos que possuem vitamina A.
* Complexo B: a designação complexo B refere-se a um conjunto de várias vitaminas. A primeira que foi descoberta recebeu o nome de vitamina B e era obtida de um extrato, do qual, posteriormente, extraíram-se várias vitaminas, dentre as quais vamos estudar a Bi, a Biz e a PP. A vitamina Bi, também chamada tiamina, participa de várias reações químicas no interior das células, particu- larmente das reações que envolvem açúcares. Sua falta afeta, de modo especial, as funções do sistema nervoso, do coração e do sistema digestivo. A carência dessa vi- tamina provoca uma doença chamada beribéri, que se manifesta pela inflamação dos nervos, dilatação do co- ração e mau funcionamento dos órgãos digestivos.
42
Alimentos ricos em vitamina BI.
A vitamina B12 é necessária para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue. Sua carência acarreta a anemia perniciosa, doença em que há uma dimi- nuição do número de glóbulos vermelhos e em que muitos deles aumentam de tamanho.
Vísceras de boi são importantes fontes de vitamina B12.
A vitamina PP, também chamada niacina, forma substâncias importantes para a utilização de nutrien- tes que fornecem energia às células. Sua falta causa a pelagra, uma doença que deixa a pele escurecida, provoca fraqueza muscular e diarréia.
A vitamina PP é encontrada nestes alimentos.
4
* Vitamina C: mantém o equilíbrio das substâncias intercelulares, em todo o corpo. Sua deficiência pro- voca incapacidade de cicatrizar ferimentos e fragili- dade das paredes dos vasos sanguíneos. Em conse- qüência, há sangramento das gengivas, aparecimento de manchas hemorrágicas na pele e muitas anormali- dades internas que caracterizam uma doença conhe-
cida como escorbuto.
Outro papel desempenhado pela vitamina C em nos- so organismo é o de estimular a produção de anticor- pos, isto é, das proteínas que combatem micróbios. Deste modo, é uma vitamina que confere ao organis- mo maior proteção contra infecções, resfriados e gri- pe. Assim, a vitamina C não elimina os vírus, mas cria condições orgânicas para que o corpo consiga defender-se deles.
A vitamina C é encontrada, em maior concentração, nas frutas
cítricas e também em diversos legumes e verduras.
* Vitamina D: é importante para a absorção de cálcio pelo organismo. Na sua falta, ocorre o raquitismo, uma doença em que os ossos se tornam pouco resis- tentes por causa da falta de cálcio.
A vitamina D, também conhecida como calciferol, é produzida
na pele quando esta é estimulada pelos raios solares. Mas, para que isso aconteça, também é necessário o ergosterol, uma gor-
dura encontrada nos alimentos.
Fontes de ergosterol.
* Vitamina E: a falta de vitamina E no organismo hu- mano altera as funções dos organóides citoplasmáticos, como as mitoceedrias e os lisossomos. Em animais — como os ratos, por exemplo —, interfere na produção de células sexuais, causando esterilidade.
Alimentos que fornecem vitamina E.
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* Vitamina K: é necessária para a produção de fatores que participam da coagulação do sangue. Sua carência determina a ocorrência de hemorragias.
Desnutri ão: a doen a da pobreza
Fontes da vitamina K, a vitamina anti-hemorrágica.
Vivemos em plena era tecnológica, em que cada dia traz novas conquistas, novas como- didades. Por outro lado, nunca, em toda a história, tantas pessoas viveram em tão absoluta pobreza, passando fome. Calcula-se que oitocentos milhões de pessoas, ou seja, um terço da população dos países subdesenvolvidos, passem fome. No Brasil, cerca de quarenta milhões de pobres não conseguem consumir a quantidade mínima necessária de alimentos. E a maioria dessas pessoas é de crianças e gestantes! Quando alguém passa fome continuamente, as conseqüências são graves: advém a desnutri- ção, cujos efeitos são mais dramáticos — e até mesmo irreversíveis — se as vítimas são crianças. A desnutrição deixa o organismo debilitado, diminuindo sua resistência; pode prejudicar o desenvolvimento intelectual, bloquear o crescimento. Em crianças com até seis meses de idade, a desnutrição provoca lesões na pele e no fígado, descoramento e ressecamento dos cabelos, e induz a um comportamento apático, triste e retraído. O ventre fica inchado, dando à criança um aspecto balofo e criando a falsa impressão de que ela está gorda por causa do excesso de alimentos. Esses sintomas costumam ser acompanhados por outros, próprios das avitaminoses — doenças que surgem pela falta de vitaminas —, e que sempre ocorrem quando a alimentação é insuficiente e mal balanceada.
EXERCICIO
Questões de revisão
Enumere as três funções básicas dos alimentos. Como são classificados os alimentos? Quais são os tipos de nutrientes? Por que certos aminoácidos são considerados essenciais?
44
As células não são capazes de utilizar os alimentos na forma em que são ingeridos, mas, através da digestão, formam-se nutrientes que são assimilados pelas células. Quais são os nutrientes derivados de proteínas, açúcares e gorduras? Com que finalidade as células os uti- lizam? Qual é a importância da água para o funcionamento celular? Indique o nome das partes do corpo em que atuam as seguintes vitaminas:
A
B12
Reflexão
c)
d)
C
E
Leia com atenção o texto abaixo:
e) K
Desperdício de alimentos no país da fome
Em um país como o nosso, em que milhões de cidadãos padecem de fome, é mais difícil compreender o desperdício de alimentos. Por descuido, falta de informação ou simples precon- ceito, consideramos lixo partes importantes dos alimentos: folhas, cascas e talos. Isso sem con- tar os alimentos "amanhecidos", que não são reutilizados porque muitas vezes não se sabe como requentá-los. A luta contra o desperdício começa na preparação da lista de compras. A primeira dica é planejar as compras escolhendo sempre os alimentos da época, isto é, aqueles cuja safra esteja sendo colhida na ocasião. Assim, terão melhor qualidade e preços menores. O armazenamento correto dos alimentos também contribui para que durem mais. Frutas e legumes guardados na geladeira têm vida mais longa. Massas, cereais e grãos devem ficar em potes fechados e colocados em lugar ventilado e seco. Doces e chocolates nunca devem ficar expostos ao sol. Antes de "limpar" os legumes, lembre-se de que o valor nutritivo das folhas de alguns deles supera o do próprio legume. É o caso, por exemplo, da cenoura e da beterraba. Os talos de diver- sas verduras, como os da couve, por exemplo, contêm muitas vitaminas. A casca do ovo é extremamente rica em cálcio, elemento fundamental para pessoas em crescimento, gestantes ou em recuperação de fraturas. Depois de batida no liquidificado]; a casca de ovo pode ser mistu- rada à farinha ou a outros alimentos, sem alterar-lhes o sabor Outra dica é preparar sopas ou feijão com a água em que foram cozidos legumes.
Forme um grupo e faça um levantamento dos preconceitos que impedem um maior aprovei- tamento dos alimentos. Elabore uma lista de sugestões para reduzir o desperdício de alimentos.
Desafios
1. Localize no texto do capítulo os termos abaixo e descubra o seu significado:
|
jejuar |
d) leguminosas |
|
nutrientes |
e) carboidratos |
|
proteínas |
f) lipídios |
2. Descubra quantos átomos de carbono possuem as moléculas dos seguintes carboidratos: glicose, frutose, galactose, maltose, sacarose, lactose, amido e glicogênio. Onde podem ser encontra- dos?
3. Analise os rótulos de diversos tipos de alimentos matinais (achocolatados e cereais, por exem- plo), onde se enumeram os nutrientes presentes. Qual seria o alimento mais completo?
45
Consulte o "Calendário da economia" e indique qual seria a melhor compra para o verão (janeiro), para o inverno (julho) e para o mês atual.
CALENDÁRIO DA ECONOMIA
Veja a melhor época para comprar cada produto
LEGUMES E
VERDURAS
abobrinha
jan.
fev.
mar. i
abr.
mai.
jun.
alface batata-doce r•inin
beterraba 44 di
cenoura
chuchu
couve
espinafre
mandioca
milho verde
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jul.
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|
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libia,-."0 11 |
ik- L- L1M |
mar.
abr.
mai.
jun.
jul.
ago.
set.
,
out.
nov.
dez.
abacate
abacaxi
banana nanica
figo
goiaba
rdari
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FAI Wgglffl Figf,
Áll
|
laranja |
||
|
limão |
||
|
11 |
||
|
maçã |
||
|
mamão |
‘tk |
|
|
maracujá |
i i |
|
|
melancia |
||
|
morango |
||
|
uva Itália |
||
|
melão |
||
11111.
1111M
Fonte: Folha de S. Paulo, 25/1/94, p. 6-4.
Dê o nome das doenças que são provocadas pela carência das vitaminas Bi, B12, PP, C e D.
46
1
CAPÍTULO 5
Sistema digestivo
Os alimentos que ingerimos contêm, em geral, diferentes tipos de nutrientes em sua composição. O arroz cozido, por exemplo, é constituído por 69,9% de água, 2% de proteína, 0,3% de gordura e 29,6% de açúcar, além de íons cálcio, ferro e fósforo. Como o arroz, os demais alimentos possuem vários componentes que as células não são capazes de aproveitar diretamente. A utilização desses com- ponentes só ocorre após a digestão, um processo em que se formam nutrientes que podem ser aproveita- dos diretamente pelas células, como aminoácidos, glicose, frutose, ácidos graxos e glicerol. A transformação dos alimentos durante a di- gestão é feita pelas enzimas, um grupo especial de
proteínas, capazes de transformar as substâncias que formam os alimentos. As substâncias que as enzimas não são capazes de digerir formam as fezes. A digestão é uma função de nutrição realizada pelo sistema digestivo. Este é formado pelo tubo digestivo e pelas glândulas anexas. O tubo digesti- vo é constituído pelos seguintes órgãos: boca, faringe, esôfago, estômago e intestino. Esses órgãos formam um trajeto contínuo, que é percorrido pelos alimentos enquanto vão sofrendo a ação das enzimas. As glândulas anexas são as glândulas salivares, o fígado e o pâncreas. Sua função é produzir secre- ções que vão sendo lançadas no tubo digestivo, onde participam do processo de digestão.
|
glândulas |
faringe |
|
salivares |
|
|
esôfago |
|
|
pâncreas |
|
|
(atrás do |
|
|
estômago) |
|
|
fígado |
baço |
|
estômago |
|
|
intestino |
|
|
grosso |
intestino |
|
delgado |
|
ânus
47
O sistema digestivo é formado
pelo tubo digestivo e pelas glân-
dulas anexas. O tubo digestivo é o caminho que o alimento per-
corre até a abertura por onde os resíduos da digestão são elimi- nados do organismo. As glându- las anexas, ligadas aos órgãos
do sistema digestivo, fornecem
enzimas e outras substâncias necessárias para o processo de digestão.
Boca
Os alimentos começam a sofrer as transforma- ções da digestão na boca. Nesse órgão, eles vão sendo mastigados e embebidos em saliva. Em seguida, são deglutidos com a ajuda da língua.Assim, na boca ocor- rem fenômenos tanto físicos — envolvendo movimen- tos musculares — como químicos — envolvendo trans- formações de substâncias —, que podemos definir como: mastigação, insalivação e deglutição.
incisivos
caninos
pré-
dares
molares cada dentária supe
Entre os mamíferos, apenas os canívoros têm cani- nos bem desenvolvidos. É com esses dentes que eles prendem suas presas no momento do ataque, impe- dindo que elas lhes escapem da boca. A presença de dentes caninos indica que o ser humano, desde suas origens, inclui carnes em sua dieta. * Insalivação: consiste no umedecimento dos alimen- tos pela saliva, que é produzida pelas glândulas sa- livares. A digestão dos alimentos começa na boca, sob a ação da saliva, que contém uma enzima chamada ptialina ou amilase salivar. Esta enzima age sobre o amido de certos alimentos e o desdobra num açúcar mais simples, denominado maltose. Os alimentos umedecidos pela saliva e triturados pe- los dentes transformam-se numa pasta ou bolo ali- mentar, que é, então, deglutido. * Deglutição: consiste na transferência do bolo ali- mentar da boca para o estômago, passando pela faringe e pelo esôfago. Daí dizermos que a deglutição se faz em três tempos: bucal, faringeo e esofagiano.
48
* Mastigação: é feita pelos dentes, cuja função é cor- tar e triturar os alimentos. Os dentes implantam-se nos bordos livres dos ossos maxilares, distribuindo-
se em forma de arco: são as arcadas dentárias.
Cada arcada dentária possui 16 dentes; quatro incisi- vos, dois caninos, quatro pré-molares e seis molares. Cada tipo de dente tem formato característico, plena- mente adaptado à função que exerce na mastigação:
os incisivos localizam-se na frente e cortam os ali- mentos, os caninos servem para perfurar, os pré- molares e os molares trituram os alimentos.
São ao todo 32 dentes permanen- tes, 16 em cada arcada dentaria. Crianças de até aproximada- mente sete anos possuem vinte dentes de leite: oito incisivos, quatro caninos e oito molares. Esses dentes caem dando lugar à dentição permanente.
A língua é muito importante no tempo bucal. Ela é
um órgão muscular, cujos movimentos auxiliam na mastigação, posicionando corretamente os alimentos e empurrando-os para a faringe. Além disso, a língua possui, em sua superfície, papilas gustativas, respon- sáveis pela percepção dos sabores: salgado, doce, amargo e ácido.
parátidas
sublinguais
submaxilares
Há, na boca, três pares de glândulas salivares: parátidas(loca- lizadas ao lado dos ouvidos), submaxilares (sob o maxilar infe- rior) e sublinguais (sob a língua).
4
f
Faringe
A faringe é um tubo em forma de funil que se liga anteriormente à boca e posteriormente ao esôfago. Por ela passam, em tempos diferentes, os alimentos e o ar. A passagem dos alimentos se faz no momento da de- glutição, e daí eles seguem para o esôfago. Já o ar vem
das fossas nasais, passa pela faringe e entra na laringe, chegando à traquéia, o tubo que o levará aos pulmões. Os alimentos não penetram no sistema respirató- rio, porque a laringe possui em sua parte superior uma cartilagem chamada epiglote. Esta funciona como uma espécie de lingüeta, que se dobra para fechar a entrada da laringe durante a passagem dos alimentos. A epiglo- te se abre para permitir a passagem de ar.
o alimento tem passagem livre parEi o esôfago
fossas
nasais
véu
palatino
alimento
língua
laringe
epiglote
epiglote
abaixada
esôfago
A faringe é um tubo que termina em uma bifurcação. Os alimentos seguem para o esôfago e o ar segue para a laringe, a caminho dos pulmões.
Às vezes, pode ocorrer algum erro de "crono- metragem" da epiglote. É o que acontece, por exem- plo, quando engolimos apressadamente ou tentamos falar e deglutir ao mesmo tempo. Nos dois casos, par- tículas de alimentos podem entrar na laringe; um me- canismo automático é então imediatamente acionado para expulsá-las, por meio de um violento jato de ar. É a tosse, que surge ao engasgar.
Esôfago
Éum tubo de cerca de 25 centímetros que liga a faringe ao estômago. O tempo que os alimentos demo- ram para percorrê-lo é chamado tempo esofagiano da deglutição. Dentro do esôfago, os alimentos são em- purrados graças amovimentos peristálticos, resultan- tes de contrações de músculos das suas paredes.
49
Estômago
O estômago tem a forma de um saco com duas curvaturas: uma côncava e outra convexa. É um ór- gão oco que se comunica com o esôfago pela válvula cárdia e como intestino pela válvula piloro. É a ação dessas duas válvulas que impede o refluxo de alimen- tos. A cárdia abre-se para que os alimentos entrem no estômago. Enquanto os alimentos aí permanecem, as duas válvulas mantêm-se fechadas. No momento em que o estômago se contrai, empurrando os alimentos para o intestino, a cárdia continua fechada, mas o piloro se abre. Para essa passagem dos alimentos con- tribuem os movimentos peristálticos do estômago e do intestino. Em certas circunstâncias, o alimento pode per- correr o caminho inverso, voltando do estômago para
a boca. Isso acontece quando alguma substância irri- tante ou tóxica chega ao estômago, por exemplo. Ten- tando livrar-se dessa substância, o organismo provo- ca contrações nos músculos do abdome e do diafrag- ma, criando ondas para cima. Essas ondas geram, ini- cialmente, a sensação de náusea. Tornando-se mais fortes, conseguem expulsar o conteúdo estomacal atra- vés da boca. É o vômito.
cárdia
piloro
esôfago
intestino
O estômago é separado do esôfago pela cárdia e do intestino
pelo piloro. Essas válvulas são como porteiros que controlam
a passagem do bolo alimentar pelo estômago.
A digestão, iniciada na boca, prossegue no es- tômago, onde são transformados, basicamente, os ali- mentos ricos em proteínas. Para tanto, as células da pa-
rede do estômago fabricam o suco gástrico, que con- tém as seguintes enzimas: a pepsina e a renina, que agem sobre as proteínas, iniciando sua digestão. A renina quase não existe em adultos, estando presente no estô- mago de filhotes de mamíferos em geral porque serve para coagular as proteínas do leite. A pepsina é mais importante na digestão de proteínas e, como ela só fun- ciona em meio ácido, as células do estômago produzem também ácido clorídrico. Sob ação do suco gástrico, o bolo alimentar trans- forma-se numa massa semilíquida chamada quimo, que passa para o intestino quando o piloro se abre. Junto com os alimentos, pode entrar ar no estô- mago. Também podem se formar substâncias gaso- sas, pela ação das enzimas ou pela efervescência de certas bebidas, como refrigerantes. Esses gases acu- mulam-se perto da cárdia e, se exercerem uma pres- são muito grande, essa válvula pode abrir-se para deixá-los escapar. É o arroto. Às vezes, juntamente com o ar, sobe pelo esôfago um pouco de suco gástrico; sendo muito ácido, a pas- sagem do suco gástrico provoca uma sensação de queimação na delicada parede do esôfago: nesse caso, temos a azia.
Intestino
O intestino é um tubo longo, que apresenta duas partes: o intestino delgado e o intestino grosso.
fígado
i-Á—
diafragma
MAIRTNIMiLsiON
baço
vesícula biliar
duodeno
estômago
cólon transverso
cólon
ascendente
50
intestino
delgado
intestino
grosso
Os órgãos digestivos localizam- sena cavidade abdominal, sepa- rada da cavidade torácica por um músculo, o diafragma. O esôfago começa na cavidade torácica, atravessa o diafragma e termina no estômago. Depois dele vem o intestino delgado e, em seguida, o grosso.
Nos mamíferos, a relação entre o comprimento do intestino e o tamanho do indivíduo indica o tipo de alimentação. Os animais exclusivamente herbívo- ros têm uma digestão trabalhosa e demorada; para
que haja melhor absorção dos nutrientes, o bolo ali- mentar precisa permanecer mais tempo no intestino. Por isso, o intestino desses animais é mais longo, com- parado com o dos carnívoros. Nosso intestino, por exemplo, está mais próximo ao das onças do que ao dos bois.
O intestino delgado é um tubo fino, com cerca
de 7 metros de comprimento. Os primeiros 25 centí- metros do intestino delgado constituem o duodeno, e
a parte restante, o jejuno-ileo. O intestino delgado termina no intestino grosso. No intestino delgado, o processo da digestão se
completa, havendo, ao mesmo tempo, um outro pro- cesso: a absorção dos nutrientes pelo organismo. A digestão ocorre sob a ação de enzimas dos sucos entérico e pancreático e da bile.
O suco entérico, fabricado pelas células da pa-
rede do intestino delgado, contém as seguintes enzimas: erepsina, sacarase, lactase, maltase e polipeptidases. A erepsina e as polipeptidases libe- ram aminoácidos das proteínas, completando seu pro- cesso de digestão, iniciado no estômago. A sacarase age na sacarose, quebrando-a em dois açúcares mais
simples: glicose e frutose.A lactase desdobra a lactose (açúcar do leite), quebrando-a em glicose e galactose. Por sua vez, a maltase age sobre a maltose (formada pelo desdobramento do amido pela ptialina), conver- tendo-a em moléculas de glicose.
O suco pancreático é fabricado pelo pâncreas,
uma glândula alongada, que fica entre o estômago e
o duodeno. O pâncreas lança o suco pancreático no
intestino delgado, através do canal de Wirsung. As enzimas do suco pancreático são a tripsina, a amilase pancreática e a lipase pancreática. A tripsina desdo- bra as proteínas que não foram digeridas no estôma-
go. A=Base pancreática encarrega-se do amido que tenha passado intacto pela boca, convertendo-o em maltose. A lipase pancreática ataca as gorduras, que já sofreram a ação da lipase gástrica no estômago, transformando-as em ácidos graxos e glicerol. A bile é produzida pelo fígado, um órgão gran- de situado na parte direita do abdome, logo abaixo do diafragma. Na parte inferior do fígado, localiza-se a vesícula biliar, que armazena a bile e lança-a depois no duodeno, através do canal colédoco.
A bile não contém enzimas. Em compensação,
é constituída por sais biliares capazes de agir sobre as massas de gordura, transformando-as em gotículas.
Isso favorece a ação da lipase pancreática, que ataca mais facilmente partículas pequenas de gordura.
duodeno
canal de wirsung
O pâncreas lança o suco pancreático no duodeno através do
canal de Wirsung.
vesícula biliar
duodeno
O fígado produz a bile, que é armazenada na vesícula biliar e
lançada no duodeno.
51
Absorção
Como resultado da digestão dos alimentos na boca, no estômago e no intestino delgado, forma-se um con- junto de nutrientes. Estes são absorvidos e levados pelo sangue a todas as células do nosso organismo. A absorção ocorre no intestino delgado. Ele pos- sui, internamente, saliências que aumentam a área de contato com os nutrientes e que, portanto, facilitam a sua absorção. Essas saliências são semelhantes aos dedos de uma luva e recebem o nome de vilosidades intestinais.
Intestino grosso
Preso por uma de suas extremidades à porção inicial do intestino grosso está o apêndice cecal — ou simplesmente apêndice. Nos herbívoros, ele é com-
Gastrite e úlcera
prido e contribui para a finalização da digestão, mas, no homem, é atrofiado.
O conteúdo do intestino grosso é formado prin-
cipalmente por água e partes de alimentos que não foram digeridas ao longo do tubo digestivo. Nele, não ocorre digestão, mas há absorção de água e dos sais
minerais que nela estão dissolvidos. O resto dos ma- teriais é transformado em fezes, graças à ação de bac- térias. Do processo de formação das fezes podem re- sultar gases. Dependendo do tipo de alimento consu- mido e das bactérias presentes no intestino grosso, a produção de gases pode ser maior do que a normal, fazendo com que eles escapem pelo ânus. É a flatu- lência. Se não há escape, os gases podem pressionar a parede do intestino, distendendo-a e provocando fortes dores.
A porção terminal do intestino grosso chama-se
reto. É através do reto que as fezes chegam ao ânus, por onde são eliminadas do organismo.
As células da parede do estômago produzem um potente ácido para realizar a digestão. E, para se protegerem dele, fabricam um muco. Se a produção de muco não é suficiente, há irritação da parede do estômago. É a gastrite, cujo sintomas são dores e queimação e que pode se agravar se não for tratada: a irritação transforma-se em ferida, com intensificação das dores e da queimação. Nesse estágio, a gastrite tornou-se uma úlcera (palavra que significa `ferida'). Se a pessoa não se submeter a um tratamento, a ferida pode crescer e tornar-se cada vez mais profunda, até atingir os vasos sanguíneos. Então surge o risco de sangramento. É a úlcera supurada, que exige internação e cirurgia. As causas da gastrite são muito variadas. Suspeita-se até que ela possa ser provocada pelo ataque de um tipo de bactéria. Na realidade, resulta de uma combinação de fatores, como alimentação irregular (baseada em alimentos como lanches e sem horário fixo), nervosismo, ansiedade, abuso de condimentos e uso de goma de mascar. Trata-se de uma doença intima- mente relacionada com o ritmo de vida moderno. O tratamento inclui medicamentos antiácidos, que protegem a parede interna do estô- mago, além da adoção de uma dieta alimentar adequada, suprimindo alimentos ácidos como frutas cítricas, café, refrigerantes e bebidas alcoólicas.
52
Estes são os inimi- gos de quem sofre de gastrite e úlceras.
•
ai
Laureni Fochetto
Cólera
É uma infecção intestinal provocada pelo vibrião colérico. Essa bactéria penetra no
corpo junto com a água e alimentos contaminados, principalmente verduras, legumes e frutas. A transmissão direta da cólera de uma pessoa a outra é muito difícil. Quando a bactéria chega ao intestino delgado, provoca um grave desequilíbrio no processo de absorção dos nutrientes. Há diarréia intensa, na qual as fezes têm aparência de "água de arroz". O organismo perde tanta água e sais minerais que o doente pode morrer em 24 horas, se não receber tratamento adequado rapidamente. A cura pode ser conseguida com a aplicação de
• antibióticos e com a reidratação endovenosa, isto é, injeção de soro fisiológico na veia.
1
Placa de Petri con- tendo cultura do vibrião colérico, bactéria causadora da cólera.
Prisão de ventre e diarréia
As fezes percorrem o intestino com uma velocidade que lhe torna possível a absorção da
quantidade certa de água, que vai então para o sangue. Quando os movimentos peristálticos são muito intensos, as fezes ficam pouco tempo no intestino, não havendo tempo para absor- ver a quantidade normal de água. Por isso as fezes ficam líquidas. É a diarréia. Se, pelo contrário, os movimentos peristálticos são muito lentos, ocorre a prisão de ventre. As fezes ficam muito tempo retidas no intestino e quase toda a água é retirada. Com isso, tornam-se muito ressecadas e sólidas, dificultando sua expulsão do corpo.
A cura da prisão de ventre pode ser conseguida sem medicamentos, apenas com uma
alimentação adequada, rica em vegetais. Eles possuem fibras, que não são digeridas e são capazes de absorver água (do mesmo modo como o algodão, por exemplo), mantendo as fezes
umedecidas.
(CIICiu CpS-
411
Questões de revisão
|
O |
que é digestão? Que nutrientes resultam desse processo? |
|
O |
que são enzimas? Qual é a sua função? |
Que tipo de transformação os alimentos sofrem na boca? Qual é o papel dos dentes no processo da digestão?
Quais são os três tempos da deglutição e o que ocorre em cada um deles? Em que órgãos do sistema digestivo inicia-se a digestão de proteínas, gorduras e açúcares? Em que órgãos ocorrem movimentos peristálticos? Qual é o papel do fígado, do pâncreas e do intestino grosso no processo da digestão?
O que ocorre no intestino delgado, após a digestão dos alimentos? E no intestino grosso?
53
LaureniFochetto
Reflexão
Leia com atenção o texto abaixo:
Saneamento básico e saúde
O sistema digestivo é alvo do ataque de inúmeros parasitas. A maior parte deles são peque- nos vermes e protozoários microscópicos. Geralmente provocam fraqueza e desarranjos intesti- nais, como cólicas (fortes dores) e diarréias. A diarréia é muito perigosa, principalmente para crianças de colo, pois provoca grande perda de líquidos, o que pode levar à desidratação e à morte. Nas fezes da pessoa doente, sempre estão presentes milhares de ovos de vermes e de cistos de protozoários, que podem chegar aos rios e poços, contaminando a água usada para irrigar hortas e pomares. Se alguém consumir a água ou os vegetais contaminados pelos vermes e pro- tozoários, acabará também ficando parasitado. É assim que a doença se espalha. Se o esgoto que carrega as fezes das pessoas doentes fosse devidamente tratado, certamen- te a população estaria protegida dessas parasitoses. Mas não é o que acontece em grande parte do país: a maioria das vítimas dessas doenças vive em locais onde não há saneamento básico. Geralmente, elas habitam favelas, periferias e áreas rurais afastadas.
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Populações que habitam favelas, periferias de cidades e áreas rurais afastadas são vítimas de parasitoses.
54
Pesquise quais são as doenças consideradas parasitoses. Descubra os agentes causadores e como ocorre a transmissão. Analise o problema das parasitoses com o seu grupo e procure elaborar uma lista de medi- das de higiene que podem ajudar a evitar a contaminação pelos parasitas intestinais. Quais des- sas medidas você costuma adotar? O que comunidades carentes poderiam fazer para melhorar as condições de higiene e saneamento?
Desafios
1. Localize no capítulo os termos abaixo e descubra o seu significado:
|
secreções |
d) convexa |
|
percepção |
e) distendendo |
|
côncava |
|
2. Explique o mecanismo de passagem de alimentos e ar pela faringe. Por que não conseguimos falar e engolir ao mesmo tempo? Faça um esquema mostrando o caminho dos alimentos e do ar na região da faringe.
3. Considerando o fato de possuirmos dentes caninos, intestino relativamente curto e apêndice cecal muito reduzido, o que pensar da tese de que os humanos são, por natureza, vegetarianos?
4. Indique o nome dos órgãos representados na figura abaixo.
55
5. Faça uma pesquisa e depois associe corretamente, em seu caderno, as doenças digestivas com o órgão atingido por elas:
|
boca |
I — Cólera |
|
|
faringe |
II |
— Gastrite |
|
estômago |
III — Diabete |
|
|
intestino |
IV — Cárie |
|
|
pâncreas |
V — Faringite |
|
56
VI — Prisão de ventre
VII — Úlcera
VIII — Diarréia
IX — Apendicite
X — Flatulência
CAPÍTULO 6
'siem° r spiralódo
• Alguns dos nutrientes absorvidos no intestino são usados para fornecer a energia necessária ao funciona- mento das células. Chama-se respiração celular o pro- cesso que produz energia no interior das células. A glicose é, entre os nutrientes, a principal fonte de ener- gia para as células, sendo levada até elas pelo sangue. No interior das células, a glicose sofre transforma- ções que só ocorrem na presença de oxigênio e que, além de liberar energia, produzem gás carbônico e água. Chama-se respiração externa ou orgânica o processo pelo qual o organismo obtém oxigênio do
fossas nasais
boca
traquéia
faringe
laringe
ambiente e nele libera gás carbônico. Esse processo se faz segundo dois movimentos corporais: a inspi- ração e a expiração. A inspiração resulta na entrada de ar nos pulmões e a expiração, na saída. A respiração externa é realizada pelos órgãos que constituem o sistema respiratório, formado pelasvias aéreas e pelos pulmões. As vias aéreas são um siste- ma de tubos em cujo interior circula o ar, em suas idas e vindas entre o meio exterior e os pulmões. São constituídas pelos seguintes órgãos: nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios.
4h.
pulmões
brônquios
alvéolos
57
O ar penetra pelas fossas na-
sais e, através de um sistema
de tubos, chega aos pulmões.
Nariz
O nariz compreende o nariz externo, visível na
face, e a cavidade nasal. O nariz externo possui duas aberturas chamadas narinas. No interior das narinas localiza-se a cavidade nasal, que é dividida pelosepto nasal em duas metades: direita e esquerda. O ar pas- sa da cavidade nasal para a faringe pelas coanas. As metades direita e esquerda da cavidade nasal são revestidas internamente pela mucosa nasal, cujas células produzem muco. Este é uma secreção que protege a cavidade nasal, impedindo seu ressecamento, causado pela contínua passagem de ar. Outras funções da mucosa nasal são: a percep- ção de odores e a filtragem e o aquecimento do ar. A percepção dos odores, trazidos pelo ar inspirado, é feita por terminações nervosas existentes na mucosa nasal. A filtragem se faz graças à presença de cílios, "pêlos" microscópicos que formam uma rede capaz de reter as partículas de poeira. O aquecimento é feito pelo sangue, que circula nos numerosos vasos san- guíneos existentes na mucosa nasal.
O ar entra no sistema respiratório pelas narinas,
chega à cavidade nasal e passa à faringe. Também pode- mos respirar pela boca mas, nesse caso, o ar inspirado não é filtrado nem aquecido. Chegando desta forma aos pulmões, prolongadamente, estes podem ser contami- nados pelo ar, resultando em rouquidão ou até doenças. Por isso, os problemas que nos impedem de respirar normalmente pelo nariz devem ser logo resolvidos.
A faringe é, como vimos, um órgão que faz par-
te tanto do sistema digestivo como do sistema respi- ratório, permitindo a passagem de alimentos e do ar. Pela faringe, o ar chega à laringe.
Laringe
A laringe situa-se no pescoço, à frente da faringe.
É um tubo curto, cuja parede é formada por cartila-
gens que lhe dão resistência. Uma dessas cartilagens,
a epiglote, localiza-se na parte superior da laringe, fechando-a quando os alimentos passam da faringe
para o esôfago. Essa mesma cartilagem abre-se du- rante a respiração, permitindo que o ar passe da faringe
à traquéia. Outra cartilagem da laringe é a tireóide, que forma sob a pele do pescoço uma saliência co- nhecida como pomo-de-adão.
A laringe é o órgão da fonação, isto é, da produ-
ção da voz. É um tubo oco que possui, em seu interi- or, pregas chamadas cordas vocais, cuja tensão é con-
58
trolada por vários músculos. Entre as cordas vocais há um espaço, denominado glote, que se estreita pela contração desses músculos. O ar, ao passar pela glote estreitada, faz vibrar as cordas vocais, e essa vibra- ção produz sons que são articulados pela língua e pe- los lábios.
em repouso
em atividade
As cordas vocais funcionam como as cordas dos instrumentos musicais. Conforme elas são mais ou menos esticadas, os sons produzidos mudam de tonalidade.
Traquéia e brânquias
A traquéia é um tubo que vai da garganta até a
parte superior do tórax. Sua parede é reforçada por anéis cartilaginosos, que lhe dão a resistência e a fle-
xibilidade necessárias para que não se feche, deixan- do passar o ar.
A parte inferior da traquéia bifurca-se, originan-
do dois tubos curtos e de paredes cartilaginosas: os
brônquios direito e esquerdo. Estes penetram nos pulmões, onde se ramificam progressivamente, até formar ramos muito finos chamados bronquíolos. Os bronquíolos terminam em pequenos sacos, os alvéo- los pulmonares, cujas paredes delimitam a cavidade alveolar. As paredes dos alvéolos são ricas em vasos sanguíneos muito delgados, denominados capilares.
L
pulmão
direito
/ traquéia
pulmão
esquerdo
Pulmões
Os pulmões são dois órgãos situados na parte superior do tórax. São esponjosos e revestidos por membranas que recebem o nome de pleuras. O pul- mão direito é maior, dividindo-se em três partes, de- nominadas lobos. O esquerdo tem apenas dois lobos, sendo um pouco menor porque divide espaço com o coração.
brônquios
bronquiolos
corte do
pulmão direito
diafragma
59
Pelas vias aéreas, o ar chega aos bronquiolos, desembocando nos alvéolos pulmonares.
Existem cerca de quatrocentos milhões de al- véolos nos dois pulmões. Quando, pela inspiração, o ar entra nas cavidades alveolares, o oxigênio atra- vessa a parede dos alvéolos e penetra no sangue. Simultaneamente, o gás carbônico recolhido nas cé- lulas de todo o organismo também atravessa a pa- rede dos alvéolos, passando para o interior da cavi- dade alveolar e saindo do pulmão por meio da expiração.
caixa
torácica
pulmão
esquerdo
O pulmão é um órgão delicado, fechado dentro da caixa torácica e protegido pelas costelas e por músculos.
Dá-se o nome de hematose ao processo de oxigenação do sangue: o oxigênio atravessa as paredes dos alvéolos e dos capilares e entra nas
ar rico ar rico
em 02
em CO2
»IN
sangue rico em 02
alvéolo
CO2
sangue rico em CO2/
Árap-,
grupo de
alvéolos
Ao chegar aos diferentes tecidos celulares, o oxi- gênio separa-se da hemoglobina penetra em cada uma das células, e é utilizado na respiração celular. O gás carbônico que resulta desse processo passa então ao sangue e, ligado à hemoglobina (muito pouco) ou dis- solvido no plasma (maior parte), é transportado até os pulmões. Quando chega aos capilares pulmonares, o gás carbônico deixa o sangue e passa para a cavidade alveolar. É o momento em que o sangue dos capilares fica livre para uma nova hematose.
Inspiração e expiração
Chama-se ventilação pulmonar o fluxo de ar nos pulmões. Ela ocorre em dois tempos: inspiração (entrada de ar) e expiração (saída de ar). A ventilação pulmonar ocorre graças a um in- tenso trabalho muscular. Desse trabalho participam os músculos intercostais e o diafragma. Os inter- costais são músculos localizados entre as costelas, e o diafrgma é o músculo que separa as cavidades to- rácica e abdominal. No movimento de inspiração, os músculos in- tercostais e o diafragma se contraem. Enquanto a con- tração dos intercostais eleva as costelas, a do diafrag- ma faz com que esse músculo se mova para baixo. Esses movimentos resultam num aumento do volu- me da caixa torácica e na conseqüente expansão do pulmão, que se enche de ar.
hemácias do sangue. Dentro dessas células combina- se com uma proteína vermelha chamada hemoglobina e, ligado a ela, é transportado por todo o organismo.
02 hemácia
capilar
alveolar
células
capilar
dos tecidos
02
CO2
No movimento de expiração, os músculos inter- costais e o diafragma relaxam, reduzindo o volume da caixa torácica. A redução comprime o pulmão, que se esvazia, expulsando o ar.
tubo
cola—
rolha
frasco com fundo 10 .7 cortado
,
|
barbante |
|
|
bexiga |
|
|
interna |
|
|
membrana feita com fundo de bexiga |
|
inspiração
elevação das
costelas' ‘,
expiração
abaixamebto
daEr costelas
|
abaixamento do |
elevação do |
|
diafragma |
diafragma |
Com uma garrafa cortada e montada como mostra a figura, po- demos simular a ventilação pulmonar. Durante a inspiração, o volume interno da caixa torácica aumenta bastante, a pressão interna do ar diminui. Para compensar essa diminuição e equi- librar a pressão, pelo movimento da inspiração o ar entra pe- los pulmões e estufa-os até que ocupem todo o volume da cai- xa torácica. Guando o diafragma e os músculos intercostais voltam à posição original, os pulmões são comprimidos, o que força o ar a sair.
60
A maioria das doenças respiratórias é transmitida pelo ar ou através de talheres e copos
mal lavados. Os agentes causadores — vírus e bactérias — estão nas minúsculas gotas de água que saem dos pulmões de pessoas doentes e ficam flutuando no ar. Por isso, para não contami- nar os outros, pessoas gravemente doentes devem evitar lugares públicos fechados. No Japão, as pessoas gripadas ou resfriadas usam máscaras de pano quando estão em locais públicos,
para não transmitir a doença. Trata-se de um gesto de delicadeza e educação.
e
e
Resfriado e gripe
Ambos são doenças virais, isto é, causadas por vírus. Todo vírus é um parasita celular, que
ataca algum tipo específico de célula, na qual penetra para se reproduzir. No caso do resfriado, o vírus ataca as células da mucosa do nariz e da faringe, provocando congestão nasal (entupimento do nariz), coriza (escorrimento de líquido pelo nariz) e espirros. No caso da gripe, o vírus penetra em células da mucosa da traquéia e dos brônquios, produzin- do efeitos mais sérios e profundos: mal-estar geral, dor de cabeça, febre, catarro e tosse. Esse vírus possui a capacidade de, periodicamente, mudar sua estrutura e forma de ação. Por isso, estão sempre aparecendo novos tipos de gripe, inclusive alguns fatais. Um triste exemplo é a gripe espanhola, que, entre 1918 e 1919, matou cerca de vinte milhões de pessoas. Mas, em geral, a gripe não é uma doença mortal, criando apenas um desconforto passageiro. Nos dois casos, os vírus aproveitam momentos de fragilidade de nosso sistema de defesa (sistema imunológico), provocados por friagem, má alimentação, estafa ou mesmo problemas emocionais. Tanto a gripe quanto o resfriado podem curar-se sem tratamento medicamentoso, apenas com a recuperação do organismo, à base de repouso. Altas doses de vitamina C podem ajudar. Antibióticos, porém, são inúteis, porque são medicamentos que não destroem vírus. Os antitérmicos e analgésicos, por outro lado, apenas combatem os sintomas mais incômo- dos, mas não matam os vírus.
Pneumonia
É uma inflamação aguda dos pulmões, causada por uma bactéria denominadapneumococo.
Provoca febre alta, calafrios, dor no peito ou nas costas, tosse intensa, dificuldade para respirar
e expectoração (catarro) com sangue. Pode começar com uma gripe mal cuidada e tornar-se grave, se o doente não se tratar. O tratamento é feito à base de antibióticos e exige repouso e boa alimentação.
4
Tuberculose
É uma infecção dos alvéolos pulmonares, causada por um tipo de bactéria chamada bacilo de Koch. Começa como uma discreta tosse, que, depois de certo tempo, se torna contínua e é acompanhada de febre noturna, dores nas costas e no peito e falta de apetite, seguida por emagrecimento e fraqueza. No estádio avançado da doença, ocorre sangramento dentro dos pulmões, com o sangue sendo expelido junto com catarro.
A tuberculose pode ser prevenida com o uso da vacina BCG e tratada com antibióticos e
repouso, principalmente em cidades onde o ar seja puro, seco e frio. É uma doença grave, com freqüência mortal se não for tratada. Aparentemente, a tuberculose havia desaparecido, graças aos antibiótiocos inventados no começo do século XX. Mas, no início dos anos 90, essa doen-
ça ressurgiu com toda a força, provocada por bacilos resistentes aos remédios.
Difteria
Causada pelo bacilo da difteria, ataca a faringe e a laringe, destruindo seus tecidos e criando placas brancas de pus. Isso causa dificuldades para falar e engolir. A difteria — conhe- cida também como crupe — começa como uma simples dor de garganta, mas é perigosa, pois
o bacilo produz uma toxina que ataca o coração e pode provocar a morte.
61
A maior parte das vítimas da difteria são crianças com menos de dez anos, principalmen-
te as mais pobres, que moram em regiões afastadas e não tomaram a vacina tríplice (contra difteria, tétano e coqueluche).
Coqueluche
Também conhecida como tosse comprida, é causada pelo bacilo de Bordet e Gengou.
Caracteriza-se por uma tosse típica, guinchosa, interrompida por asfixia e seguida por aspiração forte, que soa como um guincho. Pode ter complicações como pneumonia e surdez permanente.
A coqueluche ocorre mais comumente entre crianças de dois a quatro anos, sendo mais
grave quando a vítima tem menos de um ano.
Enfisema
•
No enfisema, ocorre uma dilatação exagerada dos alvéolos e posterior rompimento deles. Deste modo, a respiração torna-se difícil, produzindo forte sensação de falta de ar. Não é causada por vírus ou bactérias, mas pela agressão de substâncias tóxicas, como a fumaça dos cigarros, a poluição ou o pó de pedra (comum em pedreiras e fábricas de amianto).
É uma doença que não tem cura, mas permite viver por muitos anos, embora com os
pulmões mais sensíveis a infecções.
Asma
É conseqüência de uma forma de alergia do sistema respiratório, que, para defender-se de
algum agente externo, provoca o fechamento das vias respiratórias, criando uma angustiante dificuldade de respiração. Em crises muito agudas, pode ocorrer a morte por asfixia. O agente externo que desencadeia a asma é muito variado; pode ser poeira, pólen de certas flores, pó de giz, fumaça, frio ou até perfumes. Durante as crises de asma, é possível conseguir algum alívio com broncodilatadores. Eles forçam os bronquíolos a se abrir, mas não eliminam as causas do mal. Os tratamentos são variados, tendo eficácia, em alguns casos, o uso de vacinas especialmente criadas para cada doente.
EE XX EE
C d. CC I CO sS
Questões de revisão
Em que se diferenciam a respiração celular e a respiração externa?
Descreva o caminho do oxigênio, desde o momento em que é inspirado até ser utilizado no interior das células.
Descreva o caminho do gás carbônico, desde sua produção na respiração celular até o momen-
|
to |
em que é expirado. |
|
O |
que é fonação e como ela ocorre? |
|
O |
que é hematose? E ventilação pulmonar? |
Como são os mecanismos de inspiração e expiração?
Como é transmitida a maioria das doenças respiratórias?
Descreva os sintomas das seguintes doenças: pneumonia, tuberculose, difteria e asma.
62
Lauren i Fochett
Reflexão
Leia com atenção o texto abaixo:
Poluição atmosférica: a ameaça está no ar
Com o vertiginoso desenvolvimento das indústrias na segunda metade do século XX, acen- tuou-se a poluição atmosférica. É o acúmulo, na atmosfera, de substâncias poluentes como
• poeira e gases prejudiciais aos seres vivos e às construções. Esses poluentes são de vários tipos e têm diferentes efeitos. Os mais perigosos para o sistema respiratório são os gases monóxido de carbono, dióxido de enxofre e dióxido de nitrogênio.
O monóxido de carbono é produzido na queima de todos os combustíveis, mas uma de suas
principais fontes são os veículos, que o lançam ao ar através do cano de escapamento. É uma substância muito perigosa, pois no sangue combina-se com a hemoglobina, impedindo que esta transporte o oxigênio. Se uma pessoa ficar fechada em um ambiente onde um motor de carro lança fumaça pelo escapamento, ela poderá intoxicar-se com monóxido de carbono. No começo, sentirá sono, moleza e confusão mental. Logo desmaiará e, depois, virá a morte, por falta de oxigênio no sangue, já que a hemoglobina estará ligada ao monóxido de carbono. Esta situação é particular- mente perigosa, porque o monóxido de carbono é inodoro, incolor e raramente provoca qualquer reação alérgica. Por tudo isso, sua presença é difícil de ser percebida.
No inverno, os níveis de poluição atmosférica pioram sensivelmente. Seus efeitos são mais notados: olhos verme- lhos, tosse, coriza, etc.
O dióxido de enxofre também resulta da queima de combustíveis, como o petróleo e o
carvão. É um gás que, além de atacar os pulmões, destrói a mucosa nasal e a faringe, levando à perda do olfato. Reage com a água, formando ácido sulfúrico; por isso, ao se misturar com a umidade do ar; o dióxido de enxofre forma esse ácido, que se precipita com a chuva: é o fenôme-
no da chuva ácida, que destrói a vida nos lagos e rios, prejudica a vegetação e corrói constru- ções, principalmente monumentos de mármore.
O dióxido de nitrogênio possui fontes diversificadas: fornos de siderúrgicas, indústrias de
fertilizantes e incineradores. É um gás que irrita as mucosas do sistema respiratório, provocan- do doenças respiratórias.
A quantidade de poluentes jogados no ar pode ser diminuída, desde que medidas adequa- das sejam adotadas, como, por exemplo, a regulagem constante dos motores, o uso de catalisadores ligados ao escapamento e o uso de filtros nas fábricas.
Discuta em grupo como sua cidade está sendo afetada pelo problema da poluição atmosférica. O que está sendo feito para diminuir ou evitar o problema? Reflita também sobre a questão do cigarro. A reunião de muitos fumantes em um ambiente fechado também cria poluição atmosférica?
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Desafios
1. Localize no capítulo os termos abaixo e descubra o seu significado:
mucosa
parasita
estafa
toxina
2. Pesquise com um farmacêutico os medicamentos citados adiante. Procure descobrir seus tipos e nomes comerciais. Leia as bulas para conhecer as contra-indicações e para saber como eles atuam. antibiótico antitérmico analgésico broncodilatador
3. O esquema abaixo resume a respiração celular:
glicose + oxigênio —> gás carbônico + água + energia
Considerando esse processo, responda às questões a seguir:
De onde o organismo obtém a glicose? De onde provém o oxigênio que as células usam? O que ocorre com o gás carbônico produzido? Por que as células precisam de energia?
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