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Centro Espírita Xangô

Alafim e Agodô

PRIMEIRA APOSTILA
Revisão 2017

CENTRO ESPÍRITA XANGÔ ALAFIM E AGODÔ


Endereço Rua Fleming, 58 - Cônego, Nova Friburgo
E-mail: xango.friburgo@gmail.com
Fundado em 27/08/2008
REGRAS DO CENTRO - REGIMENTO INTERNO

1º) PARA ENTRAR:

Ter autorização do GUIA CHEFE, comunicar essa autorização ao presidente espiritual, tornar-se
sócio do centro e providenciar também com antecedência o uniforme do terreiro e os itens
necessários para o Batismo. (solicitar lista).

2º) UNIFORME

Fazem parte do uniforme, calça e camisa, para homens; saia, anágua, calção e bata para mulheres,
tudo deve ser branco, uma toalha também branca, peças íntimas podem ser branco ou cor da pele,
fica a critério do médium. A roupa branca que deve ser usada no terreiro deverá estar limpa e
passada. É proibido o uso do uniforme para outros fins que não o culto. O uniforme deve sempre ser
lavado separadamente das outras roupas. Na gira de quimbanda é dado o direito de uso de roupa
própria para tal, somente quando autorizado, portanto não insista.

3º) PRECEITO

O preceito é de grande importância e deve ser obedecido com muitíssimo rigor. O médium deve, 24
horas antes de cada sessão, abster-se de bebidas alcoólicas de qualquer tipo ou espécie, ficar atento
para não consumir sólidos que contenham bebidas deste tipo, pois o álcool além de provocar
alterações no campo vibratório ainda exerce grande atração sobre espíritos inferiores.

1. Recomenda-se também abster-se, 24 horas antes de todas as sessões:

1. de todo e qualquer tipo de carne vermelha e derivados diretos da mesma, pois neles ainda residem
restos de vibrações negativas resultantes da morte animal;

2. de relações sexuais ou íntimas com quem quer que seja, devido ao fato de em relacionamentos
íntimos haver uma troca de vibrações entre as partes, e o médium nas sessões deve estar com a sua
vibração original, principalmente para a incorporação;

O médium deve ter bons pensamentos e evitar brigas, discussões, atritos e enfim, tudo o que possa
vir a prejudicá-lo em sua concentração na hora dos trabalhos;

3. Tomar banho de descarrego e acender vela para seu Anjo de Guarda.

4º) O PREPARO e HORÁRIO

O horário será de 20h15min até o termino dos trabalhos às 6ª feiras, podendo o médium com
permissão do guia chefe se retirar do terreiro antes do encerramento e aos sábados de 15 em 15 dias
das 19h30min até às 22h. (salvo as exceções).

Todo médium deverá chegar à casa com um mínimo de 10 minutos de antecedência do inicio da
Sessão, se o médium por motivo de força maior não conseguir chegar até a saudação do Sr. Tranca
Ruas, o mesmo deve colocar sua roupa de santo e aguardar que seja autorizado sua entrada.

Não será permitida a entrada na gira sem o uniforme.

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5º) A CHEGADA

Ao chegar ao terreiro o médium deve passar pelos Assentamentos (estes encontram-se em frente a
porta principal), saudando os mesmos.

6º) COMPORTAMENTO

O médium ao trocar de roupa, deverá se encaminhar para dentro do terreiro, na gira, que já está
sendo formada. Procure iniciar seu processo de concentração, silenciando e entrando em oração.
Aos que tem a tarefa de ogã ou de cambonar, que fique bem claro, que a casa possui uma hierarquia
material e espiritual e que esta deve sempre ser respeitada, que todas as entidades devem ser tratadas
e servidas da mesma forma, sempre com muito respeito e humildade, sem distinção ou diferença de
espécie alguma, principalmente no que se referir ao “Aparelho”. Sempre deixando problemas
particulares e pessoais do portão para fora, pois no terreiro não há parentes, amigos ou inimigos, aqui
somos todos irmãos. Ainda aos que tem a tarefa de ser ogã, que fique bem claro que o terreiro tem o
costume de receber visitantes, dentre os quais outros ogãs, e que todos eles devem ser bem
recebidos, tratados sempre com cordialidade e que a harmonia deve ser a meta, sem qualquer tipo de
disputas. Qualquer tipo de problema ou dúvida deve ser comunicado ao chefe dos trabalhos, junto à
diretoria, para decidir ou resolvê-los. Em caso de faltas, o médium deverá, na medida do possível,
comunicá-las com antecedência.

7º) TRABALHOS DA CASA

1. Não efetuamos matanças e nem utilizamos de carne crua e sangue em nossos trabalhos
espirituais de caridade;
2. Não fazemos trabalhos de amarração e de baixa magia;
3. Praticamos sim, a caridade através dos espíritos, buscando evolução.
4. NÃO COBRAMOS POR NENHUM TRABALHO.

8º) DEVERES

São muitos os deveres de um bom médium, entre esses deveres vamos enumerar alguns:

1. Ter assiduidade, quer dizer, participar se possível de todos os trabalhos.


2. Respeitar a hierarquia e ter disciplina é sinônimo de um bom filho de Umbanda.
3. Mensalmente é recolhida uma taxa de todos os médiuns, a ser pago ao tesoureiro, que tem a
finalidade de cobrir as despesas com materiais de limpeza, taxas, impostos. No caso de
impossibilidade por parte do médium ou de atraso no pagamento, este deve comunicar o fato
à tesouraria, com antecedência. Cada um determina o valor da sua participação.
4. O terreiro recruta seus médiuns para todos os eventos a serem realizados, e todo médium
deve dentro do possível participar.
5. Todo médium deverá trazer para dentro do terreiro todo o material de uso de suas entidades.
6. Estar presente nos dias de sessões de festejo dos orixás.

O intuito desse regulamento é apenas de direcionar todos os filhos para o mesmo sentido de trabalho
e como em toda a organização devem-se ter regras, para que possamos ter ordem é preciso segui-las.

Certos de sua compreensão.

A DIRETORIA

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A UMBANDA

CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS

Caboclo das Sete Encruzilhadas é a denominação da entidade espiritual que fundou a Umbanda.
Este fato ocorreu na sessão da Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro (então sediada em
Niterói), a 15 de novembro de 1908, por intermédio da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes,
no distrito de Neves, em São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro. Naquela ocasião, tendo o
dirigente determinado que Zélio ocupasse um dos lugares à mesa, em determinado momento dos
trabalhos, tomado por uma força desconhecida e superior à sua vontade, contrariando as normas que
impediam o afastamento de qualquer um dos integrantes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui
está faltando uma flor!", retirando-se ato contínuo da sala. Retornou em poucos momentos, trazendo
uma rosa, que depositou no centro da mesa. Esse gesto causou um princípio de polêmica entre os
presentes. Restabelecida a "corrente", manifestaram-se, em vários dos médiuns presentes, espíritos
que se identificaram como de indígenas ou caboclos e de escravos africanos. O dirigente dos
trabalhos convidou esses espíritos a se retirar advertindo-os acerca do seu (deles) atraso espiritual.
De acordo com entrevista do próprio Zélio, nesse momento ele sentiu-se novamente dominado pela
estranha força, que fez com que ele falasse, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz,
perguntando o motivo que levava o dirigente dos trabalhos a não aceitar a comunicação daqueles
espíritos, e porque eram considerados "atrasados" apenas pela diferença de cor ou de classe social
que revelaram ter tido na última encarnação. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela
mesa procuraram doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que estaria incorporado em Zélio,
desenvolvendo uma sólida argumentação. Um dos médiuns videntes perguntou então: "-Afinal,
porque o irmão fala nesses termos, pretendendo que esta mesa aceite a manifestação de espíritos
que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? E qual é o
seu nome, irmão?" A resposta de Zélio, ainda tomado pela misteriosa força, foi: "-Se julgam
atrasados estes espíritos dos pretos e dos índios, devo dizer que amanhã estarei em casa deste
aparelho (o médium Zélio), para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar
a sua mensagem, e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião
que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos,
encarnados e desencarnados. E, se querem saber o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete
Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim." O médium vidente insistiu, com
ironia: "-Julga o irmão que alguém irá assistir ao seu culto?" Ao que a entidade respondeu: "- Cada
colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei!" Ainda de
acordo com o relato de Zélio, no dia seguinte, a 16 de novembro, na residência de sua família, na rua
Floriano Peixoto n° 30, em Neves, ao se aproximar a hora marcada, 20 horas, já ali se reuniam os
membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado na
véspera, alguns parentes mais chegados, amigos, vizinhos, e, do lado de fora da residência, grande
número de desconhecidos. Às 20 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas, declarando
que, naquele momento, se iniciava um novo culto em que os espíritos dos velhos africanos e dos
índios nativos do Brasil poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que
fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. Fundava-se, naquele momento, a Tenda Espírita
Nossa Senhora da Piedade, assim denominada "porque assim como Maria acolhe o filho nos braços,
também seriam acolhidos, como filhos, todos os que necessitassem de ajuda ou conforto". Após
responder, em latim e em alemão, às perguntas de sacerdotes ali presentes, o Caboclo passou à parte
prática da sessão, promovendo a cura de enfermos e fazendo andar aleijados. Antes do término dos
trabalhos, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio. Estava fundada a Umbanda no Brasil..

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A Umbanda é uma religião nova, com cerca de um século de existência. Ela é sincrética e absorveu
conceitos, posturas e preceitos cristãos, indígenas, kardecistas, orientais e afros, pois estas 5 culturas
religiosas estão na sua base teológica e são visíveis ao bom observador. Uma data é o marco inicial
da Umbanda: a manifestação do Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio
Fernandino de Moraes ocorrida no ano de 1908, diferenciando-a do espiritismo e dos cultos de nação
(Candomblé) de então. A Umbanda tem suas raízes nas religiões indígenas, africanas e cristã. Mas
incorporou conhecimentos religiosos universais pertencentes a muitas outras religiões.
Umbanda é o sinônimo de prática religiosa caritativa e não tem a cobrança pecuniária como uma
de suas práticas usuais. Mas observa que é lícito o chamamento dos médiuns e das pessoas que
freqüentam seus templos no sentido de contribuirem para a manutenção dos mesmos ou para a
realização de eventos de cunho religioso ou assistencial aos mais necessitados. A Umbanda Pura não
recorre aos sacrifícios de animais para assentamento de orixás, e não tem nessa prática legítima
do Candomblé um dos seus recursos ofertatórios às divindades, pois recorre às oferendas de flores,
frutos, alimentos e velas quando as reverencia. A Umbanda, quando pura, não aceita a tese
defendida por adeptos dos cultos de nação, e que diz que só com a catulagem de cabeça e só com o
sacrifício de animais é possível às feituras de cabeça (coroação do médium) e o assentamento dos
Orixás pois, para a Umbanda, a fé é o mecanismo íntimo que ativa Deus, suas divindades e os guias
espirituais em benefício dos médiuns e os freqüentadores dos seus templos. A fé é o principal
fundamento religioso da Umbanda e suas práticas ofertatórias, isentas de sacrifícios de animais, são
uma reverência aos Orixás e aos guias espirituais. A Umbanda não é uma seita e sim, uma religião,
ainda meio difusa devido à incorporação massiva de médiuns cujas formações religiosas se
processaram em outras religiões, e cujos usos e costumes vão sendo diluídos muito lentamente para
não melindrar os conceitos e as posturas religiosas dos seus adeptos, adquiridas fora da Umbanda,
mas respeitadas por ela. A Umbanda não apressa o desenvolvimento doutrinário dos seus fiéis, pois
tem no tempo e na espiritualidade dois ótimos recursos para conquistar o coração e a mente dos seus
fiéis. A Umbanda tem na mediunidade de incorporação a sua maior fonte de adeptos, pois a
mediunidade independe da crença religiosa das pessoas e, como a maioria das religiões condenam os
médiuns ou segregam, taxando-os de pessoas possessas ou desequilibradas, então a Umbanda não
tem que se preocupar, pois sempre será procurada pelas pessoas portadoras de faculdades
mediúnicas, principalmente a de incorporação. A Umbanda tem que preparar muito bem os seus
sacerdotes para que estes acolham em seus templos todas as pessoas portadoras de faculdades
mediúnicas e as auxiliem no desenvolvimento delas, preparando-as para a prática da caridade, para
se tornarem mais humanas e, para aqueles que possuem o carma missionário, que futuramente se
tornem, também eles, os seus futuros sacerdotes.

A Umbanda é uma religião espírita e espiritualista: Espírita porque está, em parte, fundamentada na
manifestação dos espíritos-guias. E espiritualista porque incorporou conceitos e práticas
espiritualistas (referentes ao mundo espiritual) tais como magia, cultos aos ancestrais divinos, culto
religioso aos espíritos superiores da natureza, culto aos espíritos elevados ou ascencionados que
retornam como guias-chefes para auxiliar a evolução das pessoas que freqüentam os templos de
Umbanda. A Umbanda por ser sincrética, não alimenta em seu seio, segregacionismo religioso de
espécie alguma, e vê as outras religiões como legítimas representantes de Deus. E vê todas como
ótimas vias evolutivas criadas por ele para acelerarem a evolução da humanidade. A Umbanda não
adota práticas agressivas de conversão religiosa, pois acha estes procedimentos uma violência
consciencial contra as pessoas, preferindo somente auxiliar quem adentrar em seus templos. O
templo e o auxílio espiritual desinteressado ou livre de segundas intenções têm sido os maiores
atratores dos fiéis umbandistas. A Umbanda crê que sacerdotes que exigem a conversão ou batismo
de quem os procuram, pois só assim poderão ser auxiliados por eles e por Deus, com certeza esses
sacerdotes são movidos por segundas intenções e mais dia menos dia, as colocarão para quem se
converteu para serem auxiliados por eles. (vide os famosos e asquerosos pastores mercantilistas
eletrônicos ou alguns sacerdotes de nação que vivem dos “boris” e dos “ebós” que recomendam

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incisivamente aos seus fiéis, tornando-os totalmente dependentes dessas práticas caso queiram algum
auxílio espiritual ou religioso). A Umbanda prega a existência de um Deus único e tem nessa sua
crença o seu maior fundamento religioso, pois não o dispensa em momento algum nos seus cultos
religiosos e, mesmo que reverencie os Orixás, os espíritos da natureza e os espíritos ascencionados,
não os dissocia de Zambi, o nosso Pai Maior e nosso Divino Criador.

Algumas Recomendações ao Médium Umbandista:

1) Não Ter no coração os sentimentos de superioridade, nem desejos de comparações


desnecessárias.

2) Ter, como primordial, a vontade de evoluir espiritualmente;

3) Que os olhos da observação sejam o complemento de seus ideais mediúnicos: a curiosidade


desnecessária atrai longo tempo perdido.

4) Não fazer justiça segundo seus interesses menores, a verdadeira sabedoria é estar vigilante
consigo mesmo.

5) Não ser um ditador de normas e condutas, mas sim um orientador através de exemplos
dados, através de suas atitudes.

6) Ter confiança nas entidades que o cercam, nem sempre se enxerga as verdades com os olhos
da matéria.

7) Não acumular trabalhos desnecessários, nem se sobrecarregar com conversações fúteis.


Guardar o tempo, pois a serenidade tem que ser o principal exemplo, e esse só é
demonstrado com o equilíbrio.

8) Ser umbandista é ser resignado.

9) Ser umbandista é alterar um conceito e um modo de vida.

10) Ser umbandista é evitar os costumes e as atitudes que nos afastam a presença de Deus.

11) Ser umbandista é ter dedicação total, é ter aprimoramento contínuo e vigilância duradoura
contra as atitudes que nos afastam do bem.

12) Ser umbandista é ter como meta a caridade, a bondade, a verdade e o amor divino.

13) Ser umbandista é ter vontade, ter perseverança para dissipar as controvérsias e dificuldades
que tanto nos afastam do caminho justo e luminoso.

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A principal finalidade do culto de Umbanda é o serviço às criaturas humanas e espíritos
humanos encarnados ou desencarnados, seja por meio da doutrinação ou por meio de auxílio
espiritual, nas dificuldades materiais e morais, alivio ou cura das doenças. Esse culto deve ser
prestado com humildade, pureza e caridade, são requisitos indispensáveis à prática da Umbanda.

• Pilares da Umbanda: Fé, Amor, Caridade e União

• A definição da palavra Umbanda é a seguinte:

. UM - significa DEUS ou o Supremo Espírito.


. BANDA – Conjunto, princípio, ligação das leis.

UMBANDA Conjunto das Leis de Deus.

SINCRETISMO

Sincretismo é a correspondência feita entre os Orixás de Umbanda e os santos do Catolicismo. Foi


feito pelos escravos, pois eles eram proibidos de cultuar seus orixás aqui no Brasil pelos portugueses,
então associaram os mesmos aos santos da Igreja Católica.

SANTÍSSIMA TRINDADE DA UMBANDA

Na Trindade da Umbanda, ZAMBI, Deus, representa as energias criadoras da natureza, não tem
imagem material. OXALÁ é o filho de Deus, o Cristo, preside a regeneração, a transformação, o
aperfeiçoamento, o sacrifício, os atos nobres; sua imagem corresponde a Jesus Cristo (sincretismo).
IFÁ corresponde ao Espírito Santo, à revelação, a adivinhação, ao futuro, à vida, não tem imagem
material, é representado pela pomba branca.

Santíssima Trindade da Umbanda:


- Olorum, Obatalá, Zambi (Pai)
- Oxalá (Filho)
- Ifá (Espírito Santo)

DIFERENÇAS: UMBANDA, CANDOMBLÉ E KARDECISMO

Sabemos que Umbanda não é Candomblé e nem Kardecismo. A confusão é grande, pois Candomblé
é religião de culto aos Orixás e Kardecismo é religião de trabalho com os espíritos, ambas calcadas
no fenômeno Mediunidade. Encontramos na Umbanda aspectos das duas, assim como de tantas
outras, para um observador mais atento, mas o fato de ter algo em comum não quer dizer que
podemos adotar por livre e espontânea vontade as práticas e filosofias religiosas das mesmas para
dentro de nosso terreiro, pois a Umbanda possui filosofia e práticas próprias que são observadas e
trazidas à luz através dos espíritos guias. Sim, nós também cultuamos aos Orixás, mas de forma
diferente do ancestral culto africano, pois os vemos sob outro ponto de vista. Se fosse para ser igual
não haveria de se fundar outra religião. Logo, quando surgir uma dúvida, antes de recorrer ao que é
tão funcional dentro do âmbito de “Culto de Nação” espere. Consulte e tenha fé, que seus guias terão
as soluções, dentro e segundo nossas práticas. Quanto ao Kardecismo, a maioria de nós,
umbandistas, têm recorrido a sua vasta literatura para nos esclarecermos quanto ao “mundo dos

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espíritos”. O movimento kardecista esmiuçou e foi a fundo no estudo do fenômeno Mediunidade, o
que nos vale como ponto em comum. Já, a maneira de se trabalhar mediunicamente dentro da
Umbanda, é única, pois ela vai além do “passe e doutrina”. Os guias de Umbanda têm extrema
afinidade e conhecimento das manipulações de elementos da natureza e processos magísticos,
motivo pelo qual possuem toda uma variedade de recursos, como o uso do fumo, das velas, pontos
riscados, ponteiros, otás, pedras e cristais, guias, banhos, defumações e etc. O que, muitas vezes, é
visto como um “atraso religioso”, na verdade, em sua humildade “esconde” toda uma riqueza jamais
imaginada pelo “crítico leigo”.

Diferenças entre Umbanda e Candomblé:

Mais simples é começarmos dizendo o que há em comum entre a Umbanda e o Candomblé, que é a
incorporação mediúnica e o culto aos Orixás. Já as práticas e rituais, são diferentes; enquanto na
Umbanda, as consultas são feitas através dos espíritos de caboclos, pretos-velhos, baianos, exus..., no
Candomblé as consultas são feitas através do “jogo de búzios”ou “Ifá”, não aceitando a comunicação
de espíritos (eguns), sendo, portanto, vetada sua incorporação. Esta é a principal diferença, visto que
as outras mais, são pertinentes à atuação das “entidades guias” em seus trabalhos na Umbanda e aos
rituais internos do Candomblé.

Diferenças entre Umbanda e Kardecismo:

A diferença entre a Umbanda e o Kardecismo é que a Umbanda é um trabalho de resgate das


religiões e tradições naturais, assentada na mediunidade de incorporação e com origem nos próprios
Orixás, onde eles aparecem de forma renovada, como Divindades de Deus, presentes em tudo e em
todos os lugares, por isso são vistos como “Forças de Deus na Natureza”, e tem nos encantados e
naturais, sua manifestação mediúnica. A Umbanda tem muitas faces e facetas, englobando em si,
muitos aspectos e um dos que mais chama a atenção é sua atuação no campo da Magia, visando
combater o mal que a muitos aflige, por conta da magia negativa, manipulada pelo baixo astral. A
Umbanda, assim como o Kardecismo, tem em suas práticas um trabalho caritativo e isento de
cobranças de ordem material.

Na prática, sinteticamente, as semelhanças entre a prática Umbanda e a Doutrina Espírita são:

• a comunicação entre os vivos e os mortos, admitindo ambas, por conseguinte, a


sobrevivência do espírito à morte;
• a evolução do espírito através de vidas sucessivas (reencarnação);
• o resgate das faltas cometidas em anteriores existências.
• a prática da caridade (dar de graça o que recebeu de graça).

Por outro lado, as principais diferenças são a admissão pela Umbanda:

• de cerimônias litúrgicas como o batizado e o matrimônio;


• a presença de imagens em seus cultos;
• o emprego de plantas/ervas em seus cultos.
• a música dos pontos cantados para as entidades.
• da manifestação de espíritos como caboclos e pretos velhos

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MÉDIUM

O médium veio com a responsabilidade e com o compromisso de servir como um instrumento de


guias ou entidades espirituais superiores. Para tanto, deve se preparar através do estudo,
desenvolvendo a sua mediunidade sempre prezando a elevação moral e espiritual, a aprendizagem
conceitual e prática da Umbanda, respeitar os guias e Orixás, ter assiduidade e compromisso com sua
casa, ter caridade em seu coração, amor e fé em sua mente e espírito, e saber que a Umbanda é uma
prática que deve ser vivenciada no dia-a-dia e não apenas no terreiro.
A mediunidade não deve ser vista ou vivenciada como um dom ou poder maior concedido ao
médium ,e sim como um compromisso e uma oportunidade que lhe foi dada antes mesmo da pessoa
reencarnar. Por isso não deve ser encarada como um fardo ou um forma de ganhar dinheiro, mas
como uma oportunidade valiosa para praticar o bem e a caridade.
Existem médiuns que acabam distorcendo o verdadeiro papel que lhes foi dado, e se envaidecem
agindo de forma leviana em suas vidas. O médium deve tangir sua vida como um mensageiro de
Deus, dos Orixás e Guias. Ter um comportamento moral e profissional dígnos, ser honesto e íntegro
em suas atitudes, pois do contrário acaba atraindo forças negativas, obssessores ou espíritos
revoltados que vagam pelo mundo espiritual atrás de encarnados desequilibrados que estão na
mesma faixa vibracional que eles. Por isso, desenvolver a mediunidade é um processo que deve ser
encarado de forma séria e regido através de um profundo estudo da religião e seguido por conceitos
morais e éticos. Ser orientado e iniciado por uma casa que pratica o bem é essencial. As pessoas que
são médiuns devem levar sempre a sério suas missões e ter muito amor e dar valor ao que fazem, ter
sempre boa vontade nos trabalhos de seu terreiro e na vida do dia-a-dia.
O médium deve tomar, sempre que necessário, os banhos de descarrego adequados aos trabalhos que
serão realizados, estar pontualmente no terreiro com sua roupa sempre limpa, saber que a Umbanda é
prática, mas também estudo e conversar sempre com o chefe espiritual do terreiro quando estiver
com alguma dúvida, problema espiritual ou material.
Existem aqueles médiuns que são como "pára-raios" das forças negativas, basta estar uma pessoa
muito carregada no terreiro ou passar por perto de alguém que esteja com alguma demanda ou
obsessor para começar a passar mal. Esses, com o tempo, vão aprendendo a se controlar com a ajuda
dos Guias e sempre acabam resolvendo o problema.
"Deve-se deixar, na medida do possível, seus problemas materiais sempre do lado de fora do
terreiro", ou seja, tentar entrar no terreiro com a cabeça mais arejada e limpa, fazendo com que haja
uma divisão entre o material e o espiritual. Embora pareça difícil, não é impossível de se conseguir
agir assim.
Médium é o intermediário das forças espirituais. E mediunidade é a capacidade que torna o
indivíduo apto a receber comunicações do plano espiritual. A chamada mediunidade de incorporação
se dá através do corpo energético chamado corpo Astral, e o médium de incorporação pode ser de
três tipos:
1- Médium Consciente: é aquele que é ciente de seu dever como médium, mas não
recebe guias espirituais: Cambonos, Ogãs, Diretores...
2- Médium Semi-Consciente: é aquele que invoca o guia e o recebe, porém fica
sabendo de tudo aquilo que acontece a seu redor, não conseguindo porém dominar
sua matéria, pois o corpo fica tomado pelo fluido do guia.
3- Médium Inconsciente: é o médium que incorpora seu guia, mas nada sabe daquilo
que está fazendo ou fez, ficando completamente tomado.

São ao todo 69 tipos de mediunidade existentes, por exemplo: Incorporação, vidência, intuição,
transporte, audição, psicografia, materializações...

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LIVRE ARBÍTRIO E LEI DO CHOQUE E RETORNO

Livre-arbítrio quer dizer livre escolha, livre opção. Em todas as situações da vida, sempre temos
duas ou mais possibilidades para escolher. E a cada momento a vida nos exige decisão. Sempre
temos que optar entre uma ou outra atitude.
Desde que abrimos os olhos, pela manhã, estamos optando entre uma atitude ou outra. Ao ouvir o
despertador podemos escolher entre abrir a boca para lamentar por não ser nosso dia de folga ou
para agradecer a Deus por mais um dia de oportunidades. Ao encontrarmos o nosso familiar que
acaba de se levantar, podemos escolher entre resmungar qualquer coisa, ficar calado, ou desejar, do
fundo da alma, um bom dia.
Quando alguém o ofende, você pode escolher entre revidar, calar-se ou oferecer o tratamento
oposto. A decisão sempre é sua.
O que vale ressaltar é que todas as ações terão uma reação correspondente, como conseqüência. E
essa reação é de nossa total responsabilidade.
E isso deve ser ensinado aos filhos desde cedo. Caso a criança escolha agredir seu colega e leve uns
arranhões, deverá saber que isso é resultado da sua ação e, por conseguinte, de sua inteira
responsabilidade. Tudo na vida está sujeito à Lei de Choque e Retorno, para uma ação positiva,
um efeito positivo, para uma ação infeliz, o resultado correspondente.
Você tem ainda outra possibilidade e escolha: ficar na sua. Todavia, da sua escolha dependerá o resto
do dia. E os resultados lhe pertencem.
Oxalá ensinou que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Pois bem, nós estamos
semeando e colhendo o tempo todo. Se semearmos sementes de flores, colheremos flores, se
plantarmos espinheiros, colheremos espinhos. Não há outra saída. Mas o que importa, mesmo, é
saber que a opção é nossa. Somos livres para escolher, antes de semear. Aí é que está a justiça
Divina. Mesmo as semeaduras que demoram bastante tempo para germinar, um dia darão seus
frutos. São aqueles atos praticados no anonimato, na surdina, que aparentemente ficam impunes.
Um dia, ainda que seja numa existência futura, eles aparecerão e reclamarão colheita. Igualmente os
atos de renúncia, de tolerância, de benevolência, que tantas vezes parecem não dar resultados, um
dia florescerão e darão bons frutos e perfume. É só deixar nas mãos do jardineiro Divino, a quem
chamamos de Zambi.
CARMA

Carma é uma palavrinha muito reverenciada e razoavelmente mal interpretada pelos leigos em geral
- inclusive eu, que sempre a utilizei como sinônimo de "destino”. Quando eu encontrava alguém
pegajoso, que não largava do meu pé e passava o dia inteiro me azucrinando, eu dizia: "Fulano é o
meu carma". Quer dizer, em minha percepção, um poder superior e sobrenatural havia decidido que
eu deveria pagar por algo que não fiz. E a diferença está nessa última frase "pagar por algo que não
fiz". Carma significa exatamente o contrário: "pagar por algo que se fez". Em sua distante origem -
no sânscrito, uma língua ancestral já extinta -, carma queria dizer “ação”, ou, por extenso, "tudo o
que nos acontece é o resultado de algo que fizemos". O nosso carma, então, não é um aleatório jogo
de sorte e azar: é uma simples questão de causa e efeito. Tudo o que está acontecendo agora é o
resultado direto de decisões que tomamos no passado, mesmo que não nos lembremos delas, ou que,
na época, as tenhamos considerado irrelevantes. É a colheita que fazemos da aplicação do nosso livre
arbítrio, através da lei do choque e retorno.

LEI DA EVOLUÇÃO

A Lei da Evolução, aplicada ao Espírito, diz que, através de sucessivas encarnações, o mesmo auto-
aperfeiçoa-se gradativamente nas dimensões intelectual e principalmente moral, deixando sua
condição inicial de "simplicidade e ignorância" para se elevar à condição de pureza espiritual.

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AS LINHAS E FALANGES

Linhas de Umbanda

Para entender um pouco mais a Umbanda devemos conhecer as linhas ou vibrações originais. Uma
linha ou vibração equivale a um grande exército de espíritos que rendem obediência a um "Chefe".
Este "Chefe" representa para nós um Orixá Maior e cabe a ele uma grande missão no espaço.

Vejamos quais são as Sete Linhas da Umbanda:

1. Linha De Oxalá
2. Linha De Yemanjá
3. Linha De Oriente
4. Linha de Xangô
5. Linha De Ogum
6. Linha De Oxossi
7. Linha Das Almas

Estes nomes são sagrados e ancestrais e nomeiam os sete Orixás Maiores da Umbanda. Os Orixás
Maiores não incorporam, eles têm funções de governo planetário nas linhas. Cada um deles estende
suas vibrações e ordenações a mais sete entidades denominadas Orixás Menores (falanges) e estas, cada
uma para mais sete inferiores (sub-falanges) e assim por diante. Os guias que incorporamos são
espíritos que normalmente já encarnaram na Terra e que possuem laços de sangue, proteção ou
afinidade conosco, fazendo parte de nossa banda. Sua nomeação se dá por afinidade a um mistério ou
força comandada por aquela falange específica.
Por exemplo, um espírito que venha a se chamar Ogum Rompe Mato, tem este nome por uma afinidade
dele com os mistérios e as vibrações que representam a linha de Ogum e a falange de Rompe Mato.

Falanges

São as subdivisões das linhas, onde cada falange é composta de uma gama de espíritos orientados
por um guia chefe da mesma.

Exemplo:

Linha de Ogum:

Falange Ogum Megê;


Falange Ogum Beira- Mar;
Falange Ogum Rompe-Mato, etc.

10
ZAMBI – Deus Supremo tem os nomes nos cultos afro-brasileiros de Obatalá, Olorum (Nagô) e
Zambi (Angola e Omolocô). Não há ritual especifico para Deus, porque todas as religiões se
fundamentam na existência do Altíssimo. Todos os trabalhos se dirigem, em primeiro lugar a Zambi.
Saúda-se Zambi - Apongue.

OXALÁ – É o orixá chefe que comanda o Universo logo abaixo de Zambi, sincretizado com Jesus
Cristo, na Lei Católica. Simboliza a fé. Seu dia é a Sexta feira. Saúda-se Epa Baba.

IEMANJÁ – Orixá feminino do mar. A Rainha do Mar, a protetora da família. Essa linha é também
conhecida como Povo d'Água. Iemanjá significa a energia geradora, a divina mãe do universo, o
eterno feminino, a divina mãe na Umbanda. Seus pontos cantados têm um ritmo muito bonito,
falando sempre no mar e em Orixás da dita linha. Sincretizada como Nossa Senhora. Seu dia é o
sábado. Saúda-se Odoiá, Odofeaba

ORIENTE - Essa Linha de trabalho agrega espíritos ligados às antigas civilizações de todos os
continentes. Magos, sacerdotes, intelectuais, cientistas, médicos reúnem-se aqui para atuar nos
trabalhos de Umbanda. É representada por São João Batista (Xangô Caô). Saúda-se Ori Ozorium

XANGÔ – Orixá do raio e do trovão, Xangô representa a justiça. É o Orixá que coordena toda lei
Kármica, o Senhor da balança universal, que afere nosso estado espiritual. Resumindo, Xangô é o
Orixá da Justiça. Seus pontos cantados são sérias invocações de imagens fortes. Sincretizado por São
Jerônimo. Seu dia é a quarta feira. Saúda-se Caô Cabecile.

OGUM - Divindade do ferro, dos ferreiros, dos guerreiros, dos agricultores, de todos os que trabalham
ou utilizam o ferro. Orixá das lutas e das demandas. A vibração de Ogum é o fogo da salvação ou da
glória, o mediador de choques conseqüentes do karma. É a linha das demandas da fé, das aflições, das
lutas e batalhas da vida. É a divindade que, no sentido místico, protege os guerreiros. Suas preces
cantadas traduzem invocações para a luta da fé, demandas, batalhas, etc. Sincretizado em São Jorge.
Seu dia é terça feira. Saúda-se Ogum Iê.

OXOSSI – Orixá da caça, das matas, dos caçadores. Sincretizado em São Sebastião. Seu dia é quinta
feira. Saúda-se Okê Banda Odé. Aos Caboclos saúda-se Okê Banda Oclin.

ALMAS - (Pretos-Velhos) – São espíritos modestos e humildes que perdoam e desculpam as faltas
humanas, estando sempre dispostos a pratica da caridade. Essa linha é composta dos primeiros
espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. São os Orixás
Velhos, verdadeiros magos que velando suas formas kármicas, revestem-se das roupagens de Pretos-
Velhos ensinando e praticando as verdadeiras "mirongas". Eles são a doutrina, a filosofia, o
mestrado da magia, em fundamentos e ensinamentos. Geralmente gostam de trabalhar e consultar
sentados, fumando cachimbo, sempre numa ação de fixação e eliminação através de sua fumaça.
Seus fluídos são fortes, porque fazem questão de "pegar bem" o aparelho e o cansam muito,
principalmente nas costas pernas, conservando-o sempre curvo. Falam compassado e pensam bem
no que dizem. Raríssimos os que assumem a Chefia de Cabeça, mas são os auxiliares dos outros
"Guias"- o seu braço direito. São estes que normalmente assumem a posição de gerente de banda,
justamente por serem o braço direito do chefe de cabeça. Os pontos cantados nos revelam uma
melodia tristonha e um rítmo mais compassado, dolente, melancólico, traduzindo verdadeiras preces
de humildade. Sincretizados em São Cipriano. Seu dia da semana é segunda feira. Saúda-se Adorei
as Almas.

11
LINHA DE OXALÁ

Na Umbanda, a Linha de Oxalá (representado por Jesus Cristo) ocupa o grau maior e, pode-se dizer,
a própria Umbanda, por origem, pertence a ela. Agregam-se aqui os anjos, santos, espíritos
missionários. Administram todas as outras demais Linhas, através de seus guias, manifestando-se na
grandeza dos céus. Irradia amor e paz, união e sabedoria profundas, promovendo a concórdia.

- Falange de Cosme e Damião (Crianças de Oxalá)


- Falange de Santa Rita de Cássia (Jardins de Santa Rita – Encaminhamento dos sofredores)
- Falange de São Francisco de Assis (Tempo - Iroko)
- Falange de Santa Catarina (Povo d’Água na linha de Santo)
- Falange de Santo Expedito (Caboclos na Linha de Santo, traz o ramo e a cruz)
- Falange de São Benedito (Simirombas, frades, rezadores. Devoção dos Pretos Velhos, foi escravo)
- Falange de Santo Antônio (Falange intermediária, atuando com Oxalá, Almas e Exu).

Essa linha representa o princípio, o Incriado, o


reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que
coordena as demais vibrações. As entidades dessa
linha falam calmas, compassado e se expressam
sempre com elevação. Seus pontos cantados são
verdadeiras invocações de grande misticismo,
dificilmente escutados hoje em dia.

Não assumem "Chefia de Cabeça".

O seu campo de atuação preferencial é a religiosidade dos seres, aos quais ele envia o tempo todo
suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de
religiosidade. Fé! Eis o que melhor define o Orixá Oxalá.

A vibração de Oxalá habita em cada um de nós, e em toda parte de nosso corpo, porém velada pela
nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É o Cristo interior, e, ao mesmo tempo, cósmico e
universal; O que jamais deixou sem resposta ou sem consolo um só coração humano, cujo apelo
chegasse até ele.

As atribuições de Oxalá são as de não deixar um só ser sem o amparo religioso dos mistérios da Fé.
Mas nem sempre o ser absorve suas irradiações quando está com a mente voltada para o
materialismo desenfreado dos espíritos encarnados.

Cor: Branco
Algumas ervas para banho: Tapete de Oxalá (Boldo), Saião, Manjericão Branco, Rosa Branca,
Folha de Algodoeiro, Canjica (exige preparo).
Bebidas: água mineral.
Saudação: Epa Babá!

12
LINHA DE IEMANJÁ

Essa linha é também conhecida como Povo d'Água. Iemanjá significa a energia geradora, a divina
mãe do universo, o feminino (muito embora possa assumir perfeitamente a chefia de cabeça de
médiuns do sexo masculino sem com isso interferir em sua sexualidade).
É a divina mãe na Umbanda. As entidades dessa linha gostam de trabalhar com água salgada ou do
mar, fixando vibrações, de maneira serena. Seus pontos cantados têm um ritmo muito bonito,
falando sempre no mar e em Orixás da dita linha. Sua saudação é ODOFEABA!!!
Numa Casa de Santo, Iemanjá atua dando sentido ao grupo, à comunidade ali reunida e
transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e inter-dependência;
proporcionando sentimento de irmão para irmão em pessoas que há bem pouco tempo nem se
conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho e vice-versa, nos casos de
relacionamento dos Babalorixás (Pais no Santo) com os Filhos no Santo. A necessidade de saber se
aqueles que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Yemanjá, que não deixa
morrer dentro de nós o sentido de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho,
filha, pai, mãe, outro parente ou amigo muito querido. É a preocupação e o desejo de ver aquele que
amamos a salvo, sem problemas, é a manutenção da harmonia do lar.
É ela que proporciona boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo
do seu reino. É ela quem controla as marés, é a praia em ressaca, é a onda do mar, é o maremoto.
Protege a vida marinha. Essa força da natureza também tem papel muito importante em nossas vidas,
pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem
debaixo de um mesmo teto. Rege as uniões, os aniversários, as festas de casamento, todas as
comemorações familiares. É o próprio sentido da união por laços consangüíneos ou não.
Suas falanges são:

- Falange das Sereias, chefiadas por Oxum


- Falange das Ondinas, chefiadas por Nanã Buruquê
- Falange das Caboclas do Mar, chefiadas por Indaiá
- Falange das Caboclas dos Rios, chefiadas por Iara
- Falange dos Marinheiros, chefiados por Tarimá
- Falange dos Calungas, chefiados por Calunguinha
- Falange da Estrela Guia, chefiada por Maria Madalena

Cor: Azul Claro


Flores: Rosas brancas, palmas brancas
Banhos das seguintes ervas: Colônia, Abebê, Lágrima de Nossa Senhora, Rosa branca, Alfazema,
Lavanda
Comidas: Peixe, Camarão, Canjica, Arroz, Manjar; Mamão.
Bebidas: Champagne, água mineral.

13
FALANGE DE NANÃ

A mais velha divindade, associada às águas paradas, à lama dos pântanos,


ao lodo do fundo dos rios e dos mares. É tanto reverenciada como sendo a
divindade da vida, como da morte. Nanã é a Divindade Suprema que junto
com Zambi fez parte da criação, sendo ela responsável pelo elemento
Barro, que deu forma ao primeiro homem e de todos os seres viventes da
terra, e da continuação da existência humana e também da morte, passando
por uma transmutação para que se transforme continuamente e nada se
perca.
Orixá que também rege a Justiça, Nanã não tolera traição, indiscrição, nem
roubo.
A senhora do reino da morte é, como elemento, a terra lamacenta que recebe os cadáveres, os
acalenta e esquenta, numa repetição do ventre, da vida intra-uterina, sendo desta vez, para decompô-
los. Muitos são, portanto os mistérios que Nanã esconde, pois nela entram os mortos e através dela
são modificados para poderem nascer novamente. Só através da morte é que poderá acontecer para
cada um a nova encarnação, para um novo nascimento, a vivência de um novo destino – e a
responsável por esse período é justamente Nanã em conjunto com Omulu/Obaluaiê
Nanã é a mãe de Obaluaiê. E enquanto ela atua na decantação emocional e no adormecimento do
espírito que irá reencarnar, ele atua na passagem dos planos.
Ela envolve o espírito que irá fazer a passagem em uma irradiação única, que dilui todos os
acúmulos energéticos, assim como adormece sua memória, preparando-o para uma nova vida na
carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou. É por isso que Nanã é associada à
senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na
sua vida carnal.
Portanto, um dos campos de atuação de Nanã é a "memória" dos seres. E, se Xangô aguça o
raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram com o destino
traçado para toda uma nova encarnação.
Esta grande Orixá, mãe e avó é protetora dos homens e criaturas idosas, tem o domínio sobre os
lagos e o lodo produzido pelas águas paradas.

Características:

Cor Roxa ou Lilás


Ervas Manjericão Roxo, Colônia, Ipê Roxo, Folha da Quaresma, Erva de Passarinho,
Dama da Noite, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá, Peperegum Roxo
Pontos da Natureza Lagos, águas profundas, lama, cemitérios, pântanos.
Flores Todas as flores roxas.
Dia da Semana Sábado
Elemento Água
Saudação Saluba Nanã
Bebida Champanhe
Data Comemorativa 26 de julho
Sincretismo: Nossa Senhora Santana

14
FALANGE DE OXUM

Nome de um rio em Oxogbô, região da Nigéria, em Ijexá. É ele considerado a morada mítica da
Orixá. Apesar de ser comum a associação entre rios e Orixás femininos da mitologia africana, Oxum é
destacada como a dona da água doce e, por extensão, de todos os rios. Portanto seu elemento é a água
em discreto movimento nos rios e, principalmente nas cachoeiras onde costumam ser-lhe entregues as
comidas rituais votivas e presentes de seus filhos-de-santo.
Oxum é conhecida por sua delicadeza, feminilidade, onde sua imagem é quase sempre
associada a maternidade, sendo comum ser invocada com a expressão "Mamãe Oxum". Gosta de jóias,
perfumes, tudo relacionado à vaidade.
À Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade. A
maternidade é sua grande força, tanto que quando uma mulher tem dificuldade para engravidar, é à
Oxum que se pede ajuda. Oxum é essencialmente o Orixá das mulheres, preside a menstruação, a
gravidez e o parto. Desempenha importante função nos ritos de iniciação, que são a gestação e o
nascimento. Orixá da maternidade, ama as crianças, protege a vida e tem funções de cura.
Fecundidade e fertilidade são por extensão, abundância e fartura e num sentido mais amplo, a
fertilidade irá atuar no campo das idéias, despertando a criatividade do ser humano, que possibilitará o
seu desenvolvimento. Oxum é um dos orixás da riqueza.

Características:

Cor Azul
Ervas Colônia, Oripepê, Manjericão Branco, Malva
Pontos da Natureza Cachoeira e rios (calmos)
Flores Lírio, Palmas Brancas.
Dia da Semana Sábado
Elemento Água
Saudação Ora Ieiêu Omim
Bebida Champanhe
Data Comemorativa 25 de Novembro
Sincretismo: Santa Catarina
Qualidades: Apará, Epandá, Abalô, da Mina, da Cobra Coral, dos Rios e da Cachoeira.

ATRIBUIÇÕES:

Ela estimula a união matrimonial, e favorece a


conquista da riqueza espiritual a abundância
material. Atua na vida dos seres estimulando em
cada um os sentimentos de amor, fraternidade,
vaidade e união.

15
LINHA DO ORIENTE

Na linha do Oriente estão as falanges dos hindus, dos árabes, dos japoneses, chineses e mongóis, dos
egípcios, dos gauleses, dos romanos, etc., formadas por espíritos que encarnaram nesses povos e que
ensinam ciências ocultas e praticam caridade. Magos, sacerdotes, intelectuais, cientistas, médicos
reúnem-se aqui para atuar nos trabalhos de Umbanda. É na linha do Oriente que se trabalha para a
cura de doenças. Saúda-se ORI OZORIUM.

- Falange dos Hindus - Chefe Zartu.


- Falange dos Médicos e Cientistas - Chefe José de Arimatéia
- Falange dos Árabes e Marroquinos - Chefe Jimbaruê
- Falange dos Japoneses , Chineses e Mongóis - Chefe Ori do Oriente
- Falange dos Egípcios , Astecas e Incas - Chefe Inhoarairi
- Falange dos Índios Caraíbas - Chefe Itaraiaci
- Falange dos Gauleses , Romanos e outras raças Européias - Chefe Marcus I

As Falanges desta linha estão incumbidas de ensinar aos habitantes da Terra, coisas para eles
desconhecidas. São grandes Mestres do Ocultismo. O Povo do Oriente fala pouco e, quando o faz, o
seu linguajar é perfeito e bastante correto. Não gosta de dar consultas. Sempre demonstra muita
sabedoria e amplos conhecimentos filosóficos e esotéricos. Na Umbanda, os componentes desse
Povo são chamados de Mestres da Linha do Oriente (egípcios, tibetanos, chineses, etc).
Normalmente atuam de forma discreta, intuindo seus médiuns para que entendam o que está se
passando. São importantíssimos na transmissão de mensagens de entidades ou espíritos de nível
hierárquico superior, devido à linha de desenvolvimento mental da qual participam. Também atuam
na destruição de templos e de magias do passado, libertando o espírito. Estimula no médium o
caminho da evolução espiritual através dos estudos, da meditação, do conhecimento das leis divinas,
do amor, da verdade, da ciência, da arte, do belo. Estimula no médium o caminho da ascensão
espiritual, fazendo-o eliminar da sua vida tudo o que é pernicioso.

A influência de tradições orientais na umbanda é bem forte nos centros que cultuam a linha do
oriente. Os elementos orientais mais visíveis são aqueles herdados do budismo, hinduísmo e
confucionismo.

Além da imagem bonachona do mestre Buda, que a todos abençoa com ares enigmáticos, o budismo
se faz presente nos rituais de umbanda através das oferendas de frutas e flores e pela aplicação dos
ensinamentos de amor incondicional e da tranqüila aceitação das mudanças inesperadas
da vida, não apenas como purgação de pecados passados, mas como reveladoras de ensinamentos
espirituais.

Xangô Caô, sincretizado com São João Batista, é também o patrono da linha do oriente, na qual se
manifestam espíritos mestres em ciência ocultas, astrologia, quiromancia, numerologia,
cartomancia... Por este motivo, a linha dos ciganos vem trabalhar também nesta irradiação.

Cor: Rosa
Banhos das seguintes ervas: (escolher 3, 5 ou 7): Canela, cravo, hortelã, miosótis, hortência,
verbena, rosa branca, rosa amarela, rosa cor-de-rosa, gotas de perfumes (de alfazema ou sândalo).
Frutas: Tâmara, pêssego, uvas, maçã, romã, damasco, cerejas.
Bebidas: Champagne, vinho branco doce suave (em taças), vinho rose e água mineral.

16
LINHA DE XANGÔ

Xangô é a ideologia, a decisão, a vontade, a iniciativa. É a rigidez,


organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso, o estudo, a
voz do povo, o levante, a vontade de vencer. É a Justiça. É também o
sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica, autoritária. É o espírito
nobre das pessoas, o poder de liderança. Para Xangô, a justiça está acima
de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena.

Seu campo preferencial de atuação é a razão, o mental,


despertando nos seres o senso de equilíbrio e eqüidade (Justiça), já que só
conscientizando e despertando para os reais valores da vida é que a
evolução se processa num fluir contínuo.

Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis


e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do
raio e do trovão. Xangô age sempre com neutralidade. Seu raio e eventual
castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e
os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Seu Axé, portanto está concentrado nas
formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços. Tudo
que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a
Xangô.

Xangô possui doze falanges principais: (Doze ministros)

- Falange de Iansã - Falange dos Quenguelês


- Falange de Xangô Airá - Falange de Xangô Zambará
- Falange de Xangô Alafim - Falange de Xangô Kaô
- Falange de Xangô Agodô - Falange de Xangô Abomi
- Falange de Xangô Agojô - Falange de Xangô Aganjú
- Falange de Xangô Alufã - Falange de Xangô D’Jacutá

Características:

Cor Marrom
Ervas Erva de São João, Mariana, Erva de Xangô, Negramina.
Pontos Natureza Pedreira, Montanhas, Maciços, Cachoeiras
Flores Lírios, Copo de Leite
Dia da Semana Quarta-Feira
Saudação Caô Cabecile
Bebida Cerveja Preta
Datas: Alafim: 19 de março, Agodô: 29 de junho, Xangô Caô: 24 de Junho, São Jerônimo:
30 de Setembro (Xangô Puro), Aganjú 16 de Outubro.
Sincretismo: São José, São Pedro, Moisés, São João Batista, São Jerônimo, São Paulo, São Judas.
Qualidades: Kaô, Abomi, Agodô, Aganju, Alufã, Airá, Agojô, Alafim, Zambará, e outros

17
FALANGE DE IANSÃ

Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os
mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente
cultuada sob o nome de Oyá. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de
Santa Bárbara.
Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados pelos iorubás, Iansã é a divindade de um
rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Rio Oyá, pelos africanos nagôs, isso, porém, não
deve ser confundido com um domínio sobre a água de rios, território de Oxum. Iansã rege as chuvas,
tempestades, raios e vendavais. Iansã não faz parte do Povo d’água. Iansã é falange de Xangô e seu
elemento é AR.
A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do
panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem,
pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos
cheios de risco e de aventura.
Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla e guia. É ela que servirá
de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o
caminho a ser percorrido por aquela alma. É muitíssimo respeitada pelos exus.
Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Ela é o desejo incontido,
o sentimento mais forte que a razão.
A frase “estou apaixonado”, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos
corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, ousados e
também exagerados. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato
impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte. E não só no amor, é o fazer... “ir em frente”,
“meter a cara”, desbravar.

Características

Cor Amarelo
Ervas Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Santa Bárbara, Para Raio, Rosa Amarela
Banho Água da Chuva
Pontos da Natureza Bambuzal, Chuvas, Tempestades
Flores Amarelas
Dia da Semana Quarta-feira
Saudação Eparrei Oyá
Bebida Champanhe, Vinho Moscatel e Água Mineral
Data Comemorativa 4 de dezembro
Sincretismo Sta. Bárbara
Qualidades Balé (ou Adobalé), Oyá, Yapopo, Abalô, Apará, de Nagô, dos Ventos, etc...

ATRIBUIÇÕES:

Uma de suas atribuições é colher os seres “fora-da-Lei” e, com um de seus magnetismos,


alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de
evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

18
LINHA DE OGUM

Bastante cultuado no Brasil, é associado à luta, à conquista. É a figura do astral que está sempre
transmitindo a idéia de proteção. É sincretizado com São Jorge, tradicional guerreiro dos mitos
católicos, também lutador, destemido e cheio de iniciativa. (Daí estar intimamente ligado com os
militares)
É orixá das contendas, deus da guerra. Seu
nome, traduzido para o português, significa luta,
batalha, briga. Considerado como um orixá
impiedoso e cruel, temível guerreiro, ele até pode
passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e
amável. É a vida em sua plenitude. Ogum,
portanto, é aquele que gosta de iniciar as
conquistas, mas não sente prazer em descansar
sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é
figura imparcial, com a capacidade de calmamente
exercer (executar) a justiça ditada por Xangô.

Ogum é o deus do ferro, a divindade que


brande a espada e forja o ferro, transformando-o
no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se
expandindo para além da luta, sendo o padroeiro
de todos os que manejam ferramentas: ferreiros,
barbeiros, militares, soldados, ferreiros,
trabalhadores, agricultores e, hoje em dia,
mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas
de trem. Assim, Ogum não é apenas o que abre as
picadas na matas e derrota os exércitos inimigos; é
também aquele que abre os caminhos para a
implantação de uma estrada de ferro, que promove
o desenvolvimento, luta não só contra o homem, mas também contra o desconhecido.

É fácil, nesse sentido, entender a popularidade de Ogum: em primeiro lugar, o negro reprimido,
longe de sua terra, de seu papel social tradicional, não tinha mais ninguém para apelar, senão para os
dois deuses que efetivamente o defendiam: Exu (a magia) e Ogum (a guerra); Em segundo lugar, além
da ajuda que pode prestar em qualquer luta, Ogum é o representante no panteão africano não só do
conquistador, mas também do trabalhador manual, do operário que transforma a matéria-prima em
produto acabado: ele é a própria apologia do ofício, do conhecimento de qualquer tecnologia com
algum objetivo produtivo, do trabalhador, em geral, na sua luta contra as matérias inertes a serem
modificadas.

Ogum protege também as portas de entrada das casas, dos comércios e templos. (por isso é tão
comum vermos a imagem de São Jorge nos estabelecimentos comerciais). Ele protege as pessoas em
locais perigosos, dominando a rua com o auxílio de Exú. Se Exú é dono das encruzilhadas, assumindo a
responsabilidade do tráfego, de determinar o que pode e o que não pode passar, Ogum é o dono dos
caminhos em si, das ligações que se estabelecem entre os diferentes locais.

19
As sete falanges de Ogum:

- Falange de Ogum Beira-Mar


- Falange de Ogum Iara
- Falange de Ogum Rompe Mato
- Falange de Ogum de Lei (ou Malei)
- Falange de Ogum Naruê
- Falange de Ogum de Nagô
- Falange de Ogum Megê

Características de Ogum:
Cor Vermelho
Guias Vermelhas
Ervas Espada de São Jorge, Lança de Ogum
Pontos da Natureza Estradas e Caminhos (Estradas de Ferro). O Meio da encruzilhada pertence a Ogum.
Flores Crista de Galo, cravos e palmas vermelhas.
Dia da Semana Terça-Feira
Elemento Fogo
Saudação Ogum Iê
Bebida Cerveja Branca
Data Comemorativa 23 de Abril
Sincretismo São Jorge
Qualidades Iara, Beira-Mar, Guanabara, Matinata, Nagô, Megê, Naruê, de Lei, entre outros...

ATRIBUIÇÕES:

Todo Ogum é aplicador natural da Lei e todos agem com a mesma inflexibilidade, rigidez e
firmeza, pois não permitem uma conduta alternativa.

Onde estiver um Ogum, lá estarão os olhos da Lei. Ogum é avesso às condutas liberais dos
freqüentadores das tendas de Umbanda e sempre está atento ao desenrolar dos trabalhos realizados,
tanto pelos médiuns quanto pelos espíritos incorporadores.

Dizemos que Ogum é, em si mesmo, os atentos olhos da Lei, sempre vigilante, marcial e pronto
para agir onde lhe for ordenado. É quem abre os caminhos e nos ajuda a vencer nossas batalhas.

20
LINHA DE OXOSSI

Divindade das florestas e matas. Seus principais símbolos são o arco


e flecha, chamado Ofá. É o Orixá da caça e está relacionado com as árvores e
os antepassados. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição,
é caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque
das feras.
Tem regência sobre o trabalho juntamente com Ogum..
Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e da
caça. Sendo caçador, domina a fauna e a flora, gera progresso e riqueza ao
homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o
Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossãe, que é a divindade das folhas
medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar,
enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura,
o cultivo, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos
conceitos dos índios brasileiros e talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos
dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o identifiquem não com um negro, como
manda a tradição, mas com um Índio.

As sete falanges de Oxossi:

- Falange do Caboclo Urubatão, chefiada por Caboclo Urubatão


- Falange do Caboclo Araribóia, chefiada por Araribóia
- Falange do Caboclo Sete Encruzilhadas, chefiada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas
- Falange dos Peles Vermelhas, chefiada por Águia Branca (composta de tribos americanas)
- Falange dos Tamoios, chefiados pelo Caboclo Grajaúna
- Falange da Cabocla Jurema, chefiada pela Cabocla Jurema
- Falange dos Guaranis, chefiados pelo Caboclo Araúna

Características:
Cor Verde
Ervas Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Peregum (verde), Espinheira
Santa, Jurema, Jureminha
Pontos da Natureza Matas
Flores Flores do campo, rosas vermelhas
Dia da Semana Quinta-feira
Elemento Terra
Saudação Okê Banda Ode para Oxossi e Okê Banda Oclim para caboclos
Bebida Vinho tinto
Animais Qualquer caça: Tatu, Bambá (veado), Javali, Baé (filhote de porco)
Data Comemorativa 20 janeiro
Sincretismo: São Sebastião

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ATRIBUIÇÕES:

Oxossi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é
o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos
fragilizados tanto nos aspectos da fé. É também o alquimista que manuseia as
ervas, extraindo delas o bálsamo que alivia e cura.

OSSÃE

É fundamental sua importância, porque detêm o reino e poder das plantas e folhas,
imprescindíveis nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos os Orixás através dos
banhos feitos de ervas. Como as folhas estão relacionadas com a cura, Ossãe também está vinculado à
medicina, por guardar escondida na sua floresta a magia da cura para todas as doenças dos homens,
contida nas virtudes de todas as folhas. A cura é invocada no caso de doença, com o auxílio de
Obaluaiê.
Divindade que governa toda a floresta, juntamente com Oxossi, é dono do mistério das folhas e
seu emprego medicinal ou sua utilização mágica. Dono do axé (força, poder, fundamento, vitalidade e
segurança) existentes nas folhas e nas ervas, ele não se aventura nos locais onde o homem cultivou a
terra e construiu casas, evitando os lugares onde a mão do homem poluiu a natureza com o seu
domínio.
É o Orixá da cor verde, do contato mais íntimo e misterioso com a natureza. Seu domínio
estende-se ao reino vegetal, às plantas, mais especificamente às folhas, onde corre o sumo
Graças a esse domínio, Ossãe é figura de extrema significação, pois praticamente todos os
rituais importantes utilizam, de uma maneira ou de outra, o sangue verde escuro que vem dos vegetais,
seja em forma de folhas ou infusões para uso externo ou de bebida ritualística.
Quando os pais de Santo penetram no reino de Ossãe para fazerem as colheitas das ervas
sagradas para os banhos e defumações, devem antes pedir a Ossãe permissão para tal tarefa, pois se não
o fizerem, com certeza todas as folhas que retirarem de seu Reino, não terão os Axés e Magias que
teriam se pedissem a sua permissão, e até dependendo do caso como alguns entram em seu Reino
zombando e sem firmeza de cabeça, suas ervas poderão agir ao contrario, causando muitos distúrbios
naqueles que zombarem de seu Reino e faltarem com o devido respeito ao seu domínio.
As folhas e ervas de Ossãe, depois de colhidas são esfregadas, espremidas e trituradas com as
mãos. Cumpre quebrá-las vivas entre os dedos.
Seja filho de Oriente ou de Nanã, ou de qualquer outro Orixá, uma pessoa sempre tem de
invocar a participação de Ossãe ao utilizar uma planta para fins ritualísticos, pois, a capacidade de
retirar delas sua força energética básica, continua sendo segredo de Ossãe. Por isso não basta possuir a
planta exigida como ingrediente de um prato a ser oferecido ao Orixá, ou de qualquer outra forma de
trabalho mágico. Tem que saber usar.
A Colheita das folhas já é completamente ritualizada, não se admitindo uma folha colhida de
maneira aleatória. Para que um iniciado possa recolher as ervas necessárias ao culto a ser realizado,
deve-se abster de qualquer bebida alcoólica e de relações sexuais na noite que precede a colheita. As
folhas devem ser colhidas na mata virgem, sempre que possível. Antes de penetrar na mata, o iniciado
deve pedir licença a Oxossi e a Ossãe, para isso acender vela na entrada, com o cuidado de limpar a
área onde ficarão as velas. E se possível, deixando um pedaço de fumo de rolo e mel como oferenda a
Ossãe.
Toda vez que queimamos uma floresta, desmatamos, cortamos árvores, ou poluímos as matas,
estamos violando a natureza, ofendendo seriamente o orixá Ossãe. E é por este motivo que devemos
respeitar nossas florestas, bosques, matas, enfim todo espaço em que tenha uma planta, mesmo sabendo
que Ossãe habita as florestas e matas fechadas mas toda planta (toda folha) leva em sua essência o Axé
deste Orixá da cura.
Ossãe é orixá de incorporação e dá sua presença nas giras de Oxossi.

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CABOCLOS QUIMBANDEIROS

VINGANÇA:

São caboclos que embora pertençam a linha de Oxossi, atuam na quimbanda desmanchando feitiços.
São chamados de Caboclos Vingança, pois ainda estão em evolução e por estarem há pouco tempo
na esfera da Umbanda, a índole dos médiuns e consulentes que com eles trabalham podem os levar a
praticar e atender pedidos vãos, sem valor. O nome vingança vem justamente daí, pois quando
tomam ciência daquilo que fizeram, se voltam contra quem fez o mau pedido. Estes caboclos
possuem uma linha na quimbanda chefiada pelo Caboclo Pantera Negra.
Segue abaixo um texto explicativo sobre esse caboclo:

- PANTERA NEGRA:
No rico universo místico da Umbanda, existem entidades pouco conhecidas e
estudadas. Com o tempo, é natural que algumas delas sejam esquecidas por nós.
Uma delas é Pantera Negra, celebrado por uns como caboclo e por outros como
exu. Seu Pantera era mais conhecido pelos umbandistas de antigamente, quando
muito terreiro era de chão batido, caboclo falava em dialeto, bradava alto e
cuspia no chão. Nas sessões ele comparecia sempre sério, voz de trovão,
abraçando bem apertado o consulente que atendia. Não gostava muito de
falatório, queria mesmo é trabalhar. Pantera Negra é chefe de uma Linha de
Caboclos que atuam na Esquerda.
Estes caboclos eram espíritos oriundos de tribos brasileiras muito isoladas e desconhecidas,
ou de tribos vindas das ilhas do Caribe, Venezuela, México e mesmo dos Estados Unidos. Índios
fortíssimos, arredios e alguns até brutos.
Recebem suas oferendas em encruzilhadas na mata, na vizinhança de uma grande árvore.
Podem ser assentados em potes de barro com ervas especiais, terra de aldeia indígena e outros
elementos secretos, que são consagradas por sacerdotes iniciados nos mistérios destes espíritos.
Os caboclos quimbandeiros mais conhecidos, além de Pantera Negra, são: Caboclo Pantera
Vermelha, Caboclo Jibóia, Caboclo Mata de Fogo, Caboclo Águia Valente, Caboclo Arranca-toco,
Caboclo do Monte, Serra Negra, Arranca-Caveira Africano, Arranca-Estrela Africano, etc...

CABOCLOS BUGRE

São geralmente espíritos de civilizações bem primitivas. São caboclos da mata virgem, viveram mais
interiorizados nas matas, sem nenhum contato com outros povos. Viviam em grutas no interior das
matas sem contato com outros índios ou grupos. São brutos, suas armas são rudimentares e pouco
falam. Trabalham ligados à magia e por serem caboclos quimbandeiros, adentram tranqüilamente às
sessões de quimbanda.

O Estalar De Dedos

Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas?

Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos, talvez por
parecer algo de importância mínima. Nossas mãos possuem uma quantidade
enorme de terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de
nosso corpo. O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (parte gordinha
da mão) e dentre as funções conhecidas pelas entidades, está a retomada da
freqüência do corpo astral e a descarga de energias negativas.

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CABOCLOS BOIADEIROS

São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em


fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma
que os Caboclos nas sessões de Umbanda. Gostam de trbalhar com
pontos riscados e rezas.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça
com mel de abelha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro
de palha e charutos. No Terreiro, os Boiadeiros vêm "descendo em seus
aparelhos" como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando,
enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração.

Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e


descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência. Os fortalecendo dentro da
mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores,
assim como os Exus.

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes,


crendices, superstições e fé. Enquanto os "caboclos índios" são quase sempre sisudos e de poucas
palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores.

Os Boiadeiros vêm na linha de Oxossi. Mas também são influenciados por Iansã, tendo recebido da
mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando
encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram
(obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade
não é a consulta como os Pretos-velhos, nem as receitas de remédios como os caboclos, e sim o
"dispersar de energia" aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função
pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa
linha "sempre" atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos).

Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que
entraram no local a se retirar, assim "limpam" o ambiente para que a prática da caridade continue
sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os
mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina.

Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam
elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações
perigosas.

Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais
velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por
exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, do Maranhão, de Pernambuco, etc...

Sua saudação: “Chetruá Boiadeiro”, “Chetruá Corumbachê”

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LINHA DAS ALMAS

PRETOS-VELHOS

A figura do Preto-Velho é um símbolo magnífico. Ela representa o espírito de humildade, de


serenidade e de paciência que devemos ter sempre em mente para que possamos evoluir
espiritualmente.

Os Pretos-velhos são nossos Guias ou Protetores. Usam branco ou preto e branco (carijó). Essas
cores são usadas porque, sendo os Pretos-Velhos almas de escravos, lembram que eles só podiam andar
de branco ou xadrez preto e branco, em sua maioria. Temos também a Guia de lágrima de Nossa
Senhora, semente cinza com uma palha dentro. Essa Guia vem dos tempos dos cativeiros, porque era o
material mais fácil de se encontrar na época dos escravos, cuja planta era encontrada em quase todos os
lugares.

O dia em que a Umbanda homenageia os Pretos-Velhos é 13 de maio, que é a data em que foi
assinada a Lei Áurea (libertação dos escravos). Sua Saudação é ADOREI AS ALMAS.

Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade.


São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e
espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram
submetidos no passado.

Com sua fumaça, fala pausada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que
necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os
seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação.

Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-
Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores
foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar
aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de
Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa forma.

Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Pretos-Velhos (daí
vê-se os quimbandeiros).

Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: "então o
Preto-Velho não é um Preto-Velho, ou é, ou o que acontece?".

Esses espíritos assumem esta forma com o objetivo de manter uma perfeita comunicação com
aqueles que os vão procurar em busca de ajuda.

O espírito que evoluiu tem a capacidade de assumir qualquer forma, pois ele é energia viva e
conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses
espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um Preto-
Velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não
é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se
conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.

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Para muitos os Pretos-Velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros,
são pisicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com
suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus
desfazendo trabalhos. Também combatem as forças negativas (o mal), espíritos obssessores e kiumbas.
São os principais trabalhadores de Umbanda e por conta disto é que normalmente assumem a gerência
da banda de um filho.
Os Pretos-Velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar
uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito
ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem
aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas
entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei
do carma e da causa e efeito.
Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente.
Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao
passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que
carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare
seu destino e os acontecimentos de sua vida. E é assim que eles vão nos doutrinando.

Características:

Linha e Irradiação: Todos os Pretos-Velhos vem na linha das Almas, mas cada um vem na irradiação
de um Orixá diferente, chefe da cabeça de seu médium.
Guias: Muitos dos Pretos-Velhos gostam de Guias com Contas de Lágrimas de Nossa Senhora, alguns
misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda, mas a maioria se utiliza de
contas pretas e brancas.
Roupas: Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na
cabeça e/ou aventais; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha, bengalas, cajados.
Bebida: Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça pura ou com mel (às vezes misturam ervas,
sal, alho e outros elementos na bebida), alguns baianos usam também batidas de coco.

Os médiuns devem sempre atentar que guias, roupas e bebidas só podem ser utilizadas se
autorizadas pelo chefe do terreiro.

Dia da semana: Segunda-feira


Chakra atuante: básico ou sacro
Planeta regente: Saturno
Cor representativa: preto e branco - carijó
Saudação: “Adorei as Almas”
Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.

AS SETE FALANGES DE PRETOS VELHOS

- Falange do Povo da Costa, chefiada por Pai Cambinda


- Falange do Povo do Congo, chefiada por Rei Congo
- Falange do Povo de Angola, chefiada por Pai José D’Angola
- Falange do Povo de Benguela, chefiada por Pai Benguela
- Falange do Povo de Moçambique, chefiados por Pai
Jerônimo
- Falange do Povo de Luanda, chefiados por Pai Francisco de Luanda
- Falange do Povo da Guiné, chefiada por Zum Guiné

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OS CIGANOS NA UMBANDA

Podemos dizer que os ciganos não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual; se apresentam também
em rituais Kardecistas e em outros rituais do tipo mesa branca. Estão na Umbanda por uma
necessidade lógica de trabalho e caridade. Encontraram na Umbanda o toque dos atabaques e
passaram a se identificar com os toques e com os pontos a eles cantados.
Povo muito rico de estórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIV, XV
e XVI. São povos oriundos de países europeus, muito embora sua formação inicial seja hindu
(origem primitiva). Por isso possuem passagem nas falanges do Povo do Oriente (Falange dos
Gauleses, Romanos e outras raças Européias - Chefe Marcus I). Normalmente são traçados e tem
poderes de adentrar a quimbanda.
Dentro da Umbanda, seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas
para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças
de vinho, doces finos, frutas orientais, moedas amarelas e cigarrilhas doces. Trabalham também com
as energias do Oriente, com cristais, pedras energéticas e com os quatro sagrados elementos da
natureza.
Tem em Santa Sarah Kali as orientações necessárias para o bom andamento das missões espirituais.
Não devemos confundir tal fato com Sincretismo, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual
e não como imagem de algum sincretismo. Seu dia é 24 de maio, dia de Santa Sarah Kali.

ANJO DA GUARDA

Espírito que se incumbe da tarefa de amparar um outro espírito na etapa encarnatória - todas as
pessoas possuem um. São designados pela espiritualidade os espíritos afins e simpáticos para
estabelecerem tal relação. Um guia espiritual é, via de regra, um espírito mais evoluído que o seu
protegido, o acompanha oferecendo apoio num momento de sofrimento, esclarecimento numa hora
de dúvida, ajuda num instante de perigo, etc. As pessoas, mesmo sem perceber, estão submetidas à
influência benévola desse guia constantemente e, ao mínimo pensamento feito a ele, o bondoso
espírito se faz presente e exerce sua tarefa caridosa e despretensiosa. Um guia está profundamente
ligado a seu protegido por motivos de afinidade espiritual e sempre executa sua missão com um
sentimento espontâneo de ajuda, porquanto essa ajuda também significa o seu próprio
desenvolvimento e evolução. Essa terminologia de "anjo da guarda", utilizada seriamente por outras
religiões, pode ser tomada "emprestada" pelo Espiritismo, pois se enquadra perfeitamente para esse
espírito missionário: consiste no amigo constante e amoroso que Deus proporciona a todos os
encarnados na difícil etapa carnal.

A IMPORTÂNCIA DOS ANJOS DA GUARDA NA UMBANDA

Os anjos de guarda nos protegem e acompanham a cada dia. E esse acompanhamento também está
nas horas de trabalho (sessões). Sim, porque estamos numa corrente espiritual, onde espíritos sem
luz e perturbados podem vir contra nós. Os Orixás, Guias, Entidades nos protegem, mas a presença
do anjo da guarda antes e depois da incorporação é por demais importante. O Anjo da guarda está
ligado à energia vital de cada pessoa.
Um exemplo: normalmente quando uma pessoa sofre um trabalho de demanda, um trabalho contra o
bem estar dela, a primeiro reflexo que se nota é o enfraquecimento de seu anjo da guarda, tornando-o
distante e deixando a pessoa vulnerável. É comum que os Guias/Entidades do terreiro, quando se

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vêem a frente de uma pessoa com demanda, venham a pedir um "fortalecimento para o anjo de
guarda", ou seja, um reforço para restaurar os laços entre você e seu anjo da guarda. Esse reforço
consiste em trazer ele mais próximo de você, com mais força para te proteger contra os *ataques* da
demanda.
E para os médiuns? Com toda a certeza, para os médiuns, os anjos da guarda são tão importantes
quanto os próprios Orixás e Entidades. Quando o médium vai incorporar, para que o Orixá/Entidade
se aproxime, o anjo de guarda permite a passagem para ocorrer a incorporação. Quando o
Orixá/Entidade está incorporado no médium, o anjo da guarda permanece ao lado, pois o médium
está protegido por energias do Orixá ou Entidade que está ali. Quando há o processo de
desincorporação, o Anjo da Guarda se aproxima mais, para manter o equilíbrio do médium. Portanto,
os médiuns devem ficar atentos para não oferecer resistência na hora da desincorporação desse
Orixá/Entidade, pois existe uma hora certa em que o Orixá deve deixar a matéria e o anjo da guarda
se aproximar, não deixando a matéria desprotegida.
O seu anjo da guarda, sempre anda com você em qualquer lugar que você esteja, pronto a lhe
proteger; embora você não o veja. O que chamamos de intuição, muitas vezes é a manifestação de
nosso Anjo da Guarda que procura sempre o melhor para nós (aquela voz na cabeça que diz, não
faça isso, não vá por esse caminho, etc.). O nosso anjo da guarda é aquele que nos protege a todo
instante de nossas vidas… Por isso, devemos sempre acender uma vela com um copo d'água ao lado
em um local alto, e fazer orações ao anjo da guarda regularmente, pedindo sempre que nos guie
pelos caminhos certos da vida e que nos proteja.
Para quem acredita é muito fácil sentir, ouvir e presenciar a manifestação dos anjos em nossa vida
dando inspiração para algo que ocorrerá em nossos dias, mas para pessoas que não acreditam que os
anjos existam é totalmente difícil manter o anjo próximo dele, esse pensamento negativo é destrutivo
para o anjo, o enfraquece e acaba por distanciá-lo.

- Seu Anjo da Guarda te Chama!

Quando o médium fica meio em transe após a incorporação, alguns dirigentes colocam a mão sobre
o coração do médium e dizem: "_fulano seu anjo da guarda te chama!"
Esta era uma prática de benzedeiras, muito comum antigamente. Elas utilizavam esta frase como
uma pequena oração para pessoas que não se achavam plenamente conscientes por vários motivos
(mediunizadas, epilepsia, desmaio, etc.).
Tal prática talvez tenha sido trazido para a nossa amada Umbanda por alguma Preta Velha, já que é
de pleno conhecimento nosso que muitas delas foram exímias benzedeiras.
O Anjo da Guarda é visto como o Mentor de nossa razão, de nossa consciência; Desta forma este é
um chamado ao restabelecimento da consciência com implicações místicas. Ao fazer referência ao
nosso anjo da guarda, chamando-nos de volta ao domínio das faculdades no corpo físico após o
transe mediúnico, ocorre uma espécie de invocação a nós mesmos.

Banhos: Os banhos com ervas de Oxalá servem para fortalecer a sintonia com nosso Anjo da
Guarda. São elas: Rosa Branca, Boldo (ou Tapete de Oxalá), Saião ou Manjericão.

ARCANJOS

• Primeiro: SÃO MIGUEL – Ligado a Mestre Jesus, representa o PODER

• Segundo: SÃO GABRIEL – Ligado à Virgem Maria, representa o AMOR

• Terceiro: SÃO RAFAEL – Ligado a São José, representa a CURA

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ORAÇÕES PARA O ANJO DA GUARDA

*Santo Anjo do Senhor, Meu zeloso guardador. Se a ti me confiou a Piedade Divina, me governa,
me rege, me guarda e me ilumina. Amém.

*Anjo de Luz, Guardião da minha vida. A Ti fui confiado pela Misericórdia de Deus. Ilumina meu
espírito, guarda-me da maldade, orienta a minha inspiração, fortalece a minha sintonia com a
Espiritualidade Superior e torna-me forte diante das tempestades que venham a afligir meu íntimo.
Lembre-me todos os dias de não julgar nem ferir. Banhe a minha mente de Amor e Harmonia, para
que eu possa tornar o mundo melhor para aqueles que convivem comigo. Quero assim me tornar
digno de sua proteção e amor.

* Senhor Deus Todo Poderoso, Criador do céu e da terra, louvores Vos sejam dados por todos os
séculos dos séculos. Senhor Deus que por Vossa imensa bondade e infinita misericórdia, confiaste
cada alma humana a cada um dos Anjos da Vossa corte celeste, graças Vos dou por essa imensurável
graça. Assim confiante em vós e em meu Santo Anjo da Guarda, a ele me dirijo, suplicando-lhe velar
por mim, nesta passagem de minha alma, pelo exílio da terra. Meu Santo Anjo da Guarda, modelo de
pureza e amor a Deus, sede atento ao pedido que Vos faço. Deus meu Criador, o Soberano Senhor a
quem servis com inflamado amor, confiou a vossa guarda e vigilância a minha alma e meu corpo, a
minha alma, a fim de não cometer ofensas a Deus, o meu corpo, afim de que seja sadio, capaz de
desempenhar as tarefas que a sabedoria divina me destinou, para cumprir minha missão na terra.
Meu Santo Anjo da Guarda, velai por mim, abri-me os olhos, dai-me prudência, em meus caminhos
pela existência. Livrai-me dos males físicos e morais, das doenças e dos vícios, dás más companhias,
dos perigos, e nos momentos de aflição, nas ocasiões perigosas, sede meu guia, meu protetor, e
minha guarda, contra tudo quanto me cause dano físico ou espiritual. Livrai-me dos ataques dos
inimigos invisíveis, dos espíritos tentadores. Meu Santo Anjo da Guarda, protegei-me. (Rezar um Pai
Nosso e uma Ave Maria)

*Oração para Cortar Mentalizações Negativas:

Se me desejas oferecer uma cama de espinhos, te desejo o leito dos anjos;


Se me olhares com maldade, te perdôo por seres fraco;
Se me entregas à força do mal, eu suplico por tua salvação;
Se queres me ver doente, rogo a tua saúde;
Se não és feliz com a minha felicidade, desejo que venças também;
Se mentalizas para que haja desunião em meu lar, desejo que tenhas um lar com muita paz;
Se desejas que meus filhos sofram, desejo que os teus não sofram;
Se desejas que meu lar seja desfeito, desejo que o teu seja eterno;
Se me desejas a morte, desejo que tenhas vida e saúde;
Se me desejas ver na justiça, desejo que nunca tenhas um julgamento.
Se me desejas que eu sofra um acidente, desejo que nunca tenhas dor.
Se te incomodas a minha fé, desejo que saibas orar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Rezo com fé, a ORAÇÃO DA FÉ, retirando tua
mentalização negativa e pedindo com o meu coração iluminando a tua salvação. Deus todo
poderoso, criador do ser humano, se me criaste não há mal que me destrua, pois sou teu filho e tenho
fé, nada fazendo contra os teus mandamentos. O que tenho e causa inveja, foste tu que me destes. E
só tu poderás me tirar.

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AS CRIANÇAS

São a alegria que contagia a Umbanda. Descem nos terreiros simbolizando a pureza, a inocência e a
singeleza. Seus trabalhos se apresentam em brincadeiras e divertimentos. Podemos pedir-lhes ajuda
para os nossos filhos, resolução de problemas, fazer confidências, pedidos pessoais, mas nunca para
o mal, pois não atendem pedidos dessa natureza.

Em sua maioria, foram espíritos que desencarnaram com pouca idade terrena, por isso trazem
características de sua última encarnação, como o trejeito e a fala de criança, o gosto por brinquedos e
doces. É uma falange de espíritos que assumem em forma e modos, a mentalidade infantil. Como no
plano material, também no plano espiritual, a criança não se governa, tem sempre que ser tutelada.
Ibeijada, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis, são esses os vários nomes para essas entidades que se
apresentam de maneira infantil.

Assim como todos os servidores dos Orixás, elas também tem funções bem específicas, e a principal
delas é a de mensageiro dos Orixás, sendo extremamente respeitados pelos caboclos e pelos pretos-
velhos.

É normalmente muito irrequieto, barulhento, às vezes brigão e nas festas se não for contido e
doutrinado pode literalmente botar fogo no oceano, muito embora alguns sejam bem mais tranqüilos
e comportados. Mesmo os mais irrequietos não são desobedientes. Temem Omulú e respeitam por
demais todos os pretos velhos.

As crianças de Umbanda comem bolos, balas, bebidas doces, normalmente guaraná e quando
incorporadas em um médium, gostam de brincar, correr e fazer brincadeiras como qualquer criança.
É necessária muita concentração do médium para não deixar que estas brincadeiras atrapalhem na
mensagem a ser transmitida e principalmente na caridade a ser feita. Uma gira de criança não deve
ser interpretada como uma diversão.

Estas características infantis são sempre formas que eles têm de exercer uma função específica,
como a de descarregar o médium, o terreiro ou alguém da assistência. Nunca deixam de trabalhar.
Gostam das consultas, e em seu decorrer vão trabalhando com seu elemento de ação sobre o
consulente, modificando e equilibrando sua vibração, regenerando os pontos de entrada de energia
do corpo humano. Esses espíritos, mesmo sendo puros, não são tolos, pois identificam muito
rapidamente nossos erros e falhas humanas. E não se calam quando em consulta, pois nos alertam
sobre eles.

São conselheiros e curadores, por isso foram associadas à Cosme e Damião, curadores que
trabalhavam com a magia dos elementos. A festa de Cosme e Damião se dá em 27 de Setembro e é
muito concorrida em quase todos os terreiros do país. Uma curiosidade: Cosme e Damião foram os
primeiros santos a terem uma igreja erguida para seu culto no Brasil. Ela foi construída em Igarassu,
Pernambuco e ainda existe.

As festas para Ibeiji, tem duração de quase um mês, iniciando em 27 de setembro e terminando em
25 de outubro, devido a ligação espiritual que há entre Cosme e Damião e Crispim e Crispiniano.

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Os Marinheiros

Os Marinheiros são espíritos que navegaram e se relacionaram com o mar. Foram militares, piratas,
pescadores, povo do mar...
Os Marinheiros trabalham na linha de Iemanjá (povo d'água), podendo alguns também possuir
ligação com a linha de Ogum. São chefiados por uma entidade conhecida por Tarimá e trazem uma
mensagem de esperança e muita força, nos dizendo que se pode lutar e desbravar o desconhecido, do
nosso interior ou do mundo que nos rodeia se tivermos fé, confiança e trabalho unido, em grupo.
Seu trabalho é realizado em descarregos, consultas, passes, no desenvolvimento dos médiuns e em
outros trabalhos que possam envolver demandas.
O plano espiritual superior os evoca para descarga pesada do templo. A descarga de um terreiro uma
vez efetuada será enviada ao fundo mar com todos os fluidos nocivos que dela provem. Os
marinheiros são destruidores de feitiços, cortam ou anulam todo mal e embaraço que possa estar
dentro de um templo, ou ainda, próximo aos seus freqüentadores.
Quase sempre se apresentam marejados com o balanço das ondas do mar. Suas cores são o branco,
vermelho e azul e bebem a cerveja, rum ou a cachaça.
Sua saudação é SALVE A MARUJADA!!!

Os Baianos

Os baianos da Umbanda são pouco presentes na literatura umbandista. Povo de fácil relacionamento,
se apresentam nas giras de pretos velhos, muito embora pertençam à linha de Oxalá. Conhecem
de tudo um pouco, inclusive a Quimbanda, e por isso podem trabalhar tanto na direita desfazendo
feitiços, quanto na esquerda, adentrando na Tronqueira para algum "trabalho". Possuem forte ligação
com os malandros da quimbanda.
Enfrentam os invasores (kiumbas, obsessores) de frente e buscam sempre o encaminhamento e
doutrinação. Normalmente em vidas passadas exerceram funções de sacerdócio (pais de santo,
monges, frades, freiras) e já tiveram vida no Brasil.
São amigos e gostam de conversar e contar causos, mas também sabem dar broncas quando vêem
alguma coisa errada. Adoram olhar no olho. Nas giras possuem uma alta capacidade de ouvir e
aconselhar, conversando bastante, falando baixo e mansamente, são carinhosos, possuem um
comportamento comedido, xingam pouco (e não gostam muito de xingamentos) e passam segurança
ao consulente que tem fé.
Adoram trabalhar com outras entidades como Erês, Caboclos, Marinheiros, Exus, Iansã...
São grande admiradores da disciplina e organização dos trabalhos.

Características dos baianos:

Comidas: Comidas de preto velho, coco, cocada, inhame...


Bebem: Água de coco, café, cachaça, batida de coco.
Fumam: Cigarro de palha, cigarros, charutos e cachimbos.
Trabalham: Desmanchando trabalhos de magia negra, dando passes, etc. São
portadores de fortes orações e rezas. Alguns trabalham benzendo
com água e dendê.

31
PONTOS VIBRACIONAIS DO TERREIRO

Os Pontos Vibracionais são toda e qualquer forma material de magnetização, em determinado local,
de freqüências adequadas à proteção do ambiente. Se dividem em três grandes grupos: Internos,
Externos e Defesa:

I – Externos

1. Tronqueira ou Ronda de Exú - Firmeza para os Exus guardiões da casa. Em nosso terreiro, o
Exú das Sete Encruzilhadas chefia a ronda. Por se tratar do assentamento de Exú, a Ronda é
o primeiro ponto vibracional que o médium deve saudar ao chegar no terreiro. Lá se pede
pelo bom andamento da sessão, para que as comunicações sejam favorecidas por Exú e
também se pede que Exú descarregue o filho das vibrações negativas, para que o médium
possa trabalhar bem na sessão. Saúda-se Laroiê Exú!

2. Ronda de Ogum - Assentamento de Ogum de Lei. Responsável por barrar fora do terreiro as
influências espirituais negativas. Firmeza onde se pede segurança para os trabalhos e que
nenhuma pertubação possa atrapalhar o andamento da sessão, garantindo a segurança, a
proteção e a integridade do terreiro e de todos os presentes. Saúda-se Ogum Iê.

3. Cruzeiro das Almas - Local destinado às oferendas e orações às Almas, Omulú e Obaluaê. É
aonde são acesas também as velas para os desencarnados. Ponto de firmeza e segurança para
a gira. Lá se pede sabedoria para agir corretamente, boas intuições, firmeza para seus guias
trabalharem na sessão de caridade e firmeza como médium às Santas Almas. Saúda-se
Adorei as Almas!

II – Internos

1. Mastro Central - Coluna de energia localizada no centro do terreiro. Representa a imantação


e a força primordial de Oxalá

2. Gongá - Altar dos Orixás, onde ficam os otás (firmezas), elementos litúrgicos, imagens, etc...
Irradia a força da Umbanda e dos Orixás para todo o terreiro.

3. Atabaques - Responsáveis pela vibração de chamada dos Orixás

4. Cozinha - Onde são feitas as comidas a serem ofertadas aos orixás. Quando a cozinha estiver
sendo usada com esta finalidade, nenhum médium deve entrar sem autorização. O médium,
se convidado a ajudar, deve manter uma atitude de extremo respeito, falando apenas o
estritamente necessário e trajando sua roupa de santo, e Ojá (pano na cabeça) quando lá
entrar. Os médiuns que estiverem próximos devem falar baixo e só se dirigir aos médiuns
que estão na cozinha se estritamente necessário. Antes de começar a ser utilizada com fins
religiosos uma vela deve ser acendida junto a um copo d’água na cozinha em local
apropriado a este fim.

III - Defesa

Para evitar interferência espiritual de visitantes mal intencionados, invasores, etc. Estes estão
colocados em vários locais do centro espírita, sendo de conhecimento apenas da hierarquia mais alta
da casa.

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CUMPRIMENTOS E POSTURAS

Bater Cabeça: Quando se direciona ao gongá no início dos trabalhos, o médium deita-se de barriga
pra baixo e toca com a testa no chão em frente ao Gongá. Bate-se a cabeça no chão em sinal de
respeito e obediência aos Orixás, pois simboliza que nossa cabeça, que nos comanda e nos rege, está
se subordinando ao poder dos Orixás aos quais estamos reverenciando. É uma demonstração de
humildade. É neste momento que também se pede à nossa banda a licença para trabalhar na sessão,
rogando ao nosso chefe de cabeça e ao nosso Anjo da guarda nos dê licença e permaneça conosco
durante os trabalhos. Deve-se ainda reverenciar os orixás do terreiro (Xangôs Alafim e Agodô) e do
Pai de Santo, pedindo a benção a eles.

Bater com as pontas dos dedos, no chão:

o Da mão esquerda, e depois entrecruzando os dedos com as palmas das mãos


voltadas para o solo: Saudando Exu ou saudando a tronqueira;
o Da mão direita, fazendo uma cruz no solo ou fazendo, ou unindo-as e aproximando-
as do peito ou fazendo o sinal da cruz no peito: Saudando os guias de Umbanda ou
adentrando na canjira.

Cumprimento Ombro-a-Ombro: Quando um Guia cumprimenta um consulente ou um assistente


com o bater de ombro, isto é sinal de igualdade, fraternidade e amizade.

Adobalé: Cumprimento que se faz deitado batendo cabeça para o pai de santo em frente ao gongá.

Buxuxú: Cumprimento secreto, feito de pai de santo para pai de santo.

Furabulê: Cumprimento feito entre os guias de umbanda.

Saudação aos Orixás:

Zambi – Zambi Apongue!


Oxalá – Epa Babá, Ea Babá
Oxumarê – Arrobobô!
Iemanjá – Odoiá, Odofeaba
Oxum – Ora Ieieu omim
Nanã – Saluba Nana
Oriente – Ori Ozorium
Xangô – Kaô Cabiecile
Ogum – Ogum Iê
Oxossi – Okê banda Odé
Caboclos – Okê banda Oclim
Boiadeiro – Chetruá Corumbachê
Almas – Adorei as Almas!
Obaluaiê – Ajoberô
Omulú – Atotô
Exu – Anaruê, Laroiê Exu, Exu é o Mojubá
Obá – Obá Xirê!
Ossaim – Ewê Oh!
Iroko – Tempo Oiô!
Todos os Orixás – Adobá!

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VESTUÁRIO
Por que usamos o branco?

Dentre os princípios da Umbanda, um dos elementos de grande significância e fundamento, é o uso


da vestimenta branca. Em 16 de novembro de 1908, data da anunciação da Umbanda no plano físico
e também ocasião em que foi fundado o primeiro templo de Umbanda, Tenda Espírita Nossa
Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade anunciadora da nova
religião, ao fixar as bases e diretrizes do segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos
os sacerdotes e médiuns utilizariam roupas brancas. Mas, por quê?
Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual, serenidade e outros
valores de elevada estirpe. Se não bastasse tudo o que foi dito até agora, vamos encontrar a razão
científica do uso da cor branca na Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton, que provou que
a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes.
Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que lembrar que a religião que
abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que Oxalá, que tem a cor branca como representação,
supervisiona os Orixás restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais
cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura cósmica-astral todas as demais
irradiações (Oxossi, Ogum, Oriente, Xangô, etc.).
A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção aleatória, mas sim pautada em
seguro e inequívoco conhecimento de quem teve a missão de anunciar a Umbanda: O Caboclo das
Sete Encruzilhadas!

A Toalha Branca

Trata-se de um pano branco em formato de toalha (retangular), podendo ser acabado ou não com
renda, fino ou grosso, de tamanho aproximado de 0,40 x 0,80 m. É utilizada para que o médium
possa bater cabeça cumprimentando o gongá ou o pai de santo, para cobrir a cabeça dos médiuns
quando estes recebem banhos rituais ou quando incorporam Obaluaiê ou Omulú, além de estampar
os orixás “chefes” do médium.

Outras Roupas e Apetrechos

Em alguns casos, os guias podem solicitar alguma peça de roupa para que usem durante os trabalhos.
Podem ser: Pretos Velhos: toalhas, chapéus de palha, etc.
Exus: Roupas, lenços, chapéus, jóias, etc.
Caboclos: Cocares, faixas, penas, tiras de couro, chocalhos, etc.
Crianças: Bonés, roupas, laços, toalhas, etc.
OBS: Estas peças de roupa e apetrechos deverão ser autorizadas pelo dirigente ou pelo guia chefe
da casa.

Os Pés Descalços

O solo, chão representa a morada dos ancestrais e quando estamos descalços tocando com os pés no
chão estamos tento um contato com estes antepassados.
Nós costumamos tirar os calçados em respeito ao solo do terreiro, pois seria como se estivéssemos
trazendo sujeira da rua para dentro de nossas casas. É também uma forma de representar a humildade
e simplicidade do Rito Umbandista. Além disso, nós atuamos como pára-raios naturais, e ao
recebermos qualquer energia mais forte, automaticamente ela se dissipa no solo. É uma forma de
garantir a segurança do médium para que não acumule e leve consigo determinadas energias. Em
alguns terreiros, como é nosso caso, é permitido usar calçados (mas calçados que sejam usados
APENAS dentro do terreiro).

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AS GUIAS

Conhecidas também como "Cordão de Santo", “Fio de Contas”, "Colar de Santo" ou simplesmente
"Guias", são ritualisticamente preparadas, ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de
quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.
São compostas de certo número de elementos (contas de cristal ou louça, búzios, Lágrimas de Nossa
Senhora, dentes, palha da costa, etc.), distribuídos em um fio (unidas por Aço, Náilon ou fibra
vegetal), obedecendo a uma numerologia e um estudo de cores adequadas; ou ainda, de acordo com
as determinações de uma entidade em particular.
As contas de louça lembram, por sua composição, a mistura de água e barro, material usado para
criar o mundo e os homens, por isso são as mais usadas.

Para que servem:


•Têm poder de elevação mental. Se utilizadas durante um trabalho espiritual, tem
função de servir como ponto de atração e identificação da vibração principal e/ou
falange em particular, atuante naquele trabalho, servindo assim como elemento
facilitador da sintonia para o médium incorporado. Elas nos auxiliam em nossas
incorporações, pois estas atraem a "energia" particular de cada entidade, captando e
emitindo bons fluidos, formando assim, um círculo de vibrações benéficas ao redor
do médium que as usa.
•Servem como pára-raios. Se há uma carga grande, ao invés desta carga chegar
diretamente no médium, ela é descarregada nas guias, e se estas não agüentarem,
arrebentam.
•Podem ser utilizadas pelo médium, para "puxar" uma determinada vibração, de
forma a lhe proporcionar alívio em seus momentos de aflição.

Que guias utilizar:


Ao ser batizado ou consagrado na Umbanda, o filho de santo recebe a guia de Oxalá.
Ao fazer as demais iniciações, vai recebendo as guias correspondentes.
Existem também as guias "especiais", como por exemplo, a de Ogã, de Cambono, de
Babalorixá, de Pai pequeno ou Mãe Pequena, de Mão de faca, etc., cuja necessidade
e cores, serão determinadas pelo guia chefe da casa.
Devemos entender que a proteção maior encontra-se na guia de Oxalá; guia esta,
normalmente a primeira a ser consagrada ao médium, feita basicamente p/ nossa
proteção e imantação de nossa fé.

As guias devem ser tratadas pelos médiuns com todo carinho e o máximo de respeito, pois elas
representam o Orixá e a segurança do médium.

Confecção:

Dependendo o ritual de cada terreiro deve ser feita uma firmeza (acendendo uma vela, por exemplo)
antes de montar a guia. Para montar uma guia, deve-se estar em ambiente silencioso, com respeito.
As contas, miçangas, etc. são enfiadas ou trançadas uma a uma no fio enquanto se entoa cânticos do
orixá em questão. Toda guia deve ser fechada e cruzada pelo chefe de terreiro, seja pela Mãe/Pai de
Santo ou pelos Guias Espirituais Chefes de seu terreiro. As guias podem ser cruzadas com pemba, ou
com um amaci com as ervas do Orixá, ficando de molho para depois estarem prontas. Ter uma guia
no pescoço, sem esta estar devidamente consagrada e imantada pelo Babalorixá não representa nada,
energeticamente falando, seria apenas mais um colar.

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Abaixo, os materiais, contas e cores principais dos Orixás e entidades:

OXALÁ Contas brancas (leitosa).


OXOSSI Contas verdes.
XANGÔ Contas marrons.
OGUM Contas vermelhas.
YEMANJÁ Contas de cristal puro ou azul claro.
OXUM Contas de cristal azul claro, podendo conter contas verdes.
OXUMARÊ Contas de cristal azul escuro
YANSÃ Contas amarelas.
NANÃ Contas lilás.
OBALUAYÊ Contas carijós (preto e branco) podem incluir búzios (Pode ter roxo)
OMULÚ Contas carijós (preto e branco) podem incluir búzios (Pode ter amarelo e preto)
Contas pretas e brancas, lágrimas de Nossa Senhora, sementes, cruzes, figas
PRETOS VELHOS
(arruda, guiné, azeviche, etc.).
Contas rosas e contas azuis, (podem incluir diversas cores de acordo com a
CRIANÇAS falange que traga o comando). Uma observação é que sempre devem
determinar a irradiação masculina/feminina da entidade
Contas verdes leitosas (podem incluir outras cores), sementes, dentes, penas,
CABOCLOS
etc...
Contas de cristal verde (podem incluir outras cores), sementes, dentes, penas,
CABOCLAS
etc...
Contas verdes (podem incluir outras cores), olho de boi, sementes, dentes,
BOIADEIROS
pedaços de couro, etc.

MARINHEIRO Contas de cristal transparente ou leitosas, azuis, brancas e vermelhas.

BAIANOS Contas pretas, brancas e vermelhas

Contas pretas com contas vermelhas; ou contas pretas com contas brancas;
EXU/POMBO GIRA
além de instrumentos de ferro, aço, etc.

ORIENTE Contas cristal ou rosa

Normalmente as guias são confeccionadas seguindo um "Padrão da Casa”.


Depois de colocada no pescoço a Guia deve, preferencialmente, alcançar até a altura do chacra
umbilical.
Cuidados no Manuseio e Uso: São elementos ritualísticos pessoais, individuais e intransferíveis,
devendo ser manipuladas e utilizadas somente pelo médium a quem se destinam. Deve-se observar
que cada indivíduo e cada ambiente possuem um campo magnético e uma tônica vibracional própria
e individual. A manipulação das guias por outras pessoas, ou ainda, seu uso, em ambientes ou
situações negativas ou discordantes com o trabalho espiritual, fatalmente acarretará uma
"contaminação" ou interferência vibracional. Pelos motivos expostos, o uso de guias pertencentes ou
recebidas de outras pessoas, é uma pratica normalmente desaconselhável a um médium. Somente o
Pai de Santo e as Mães Pequenas podem eventualmente ceder sua guia para uso de algum médium
durante uma sessão específica, caso o mesmo encontre-se sem sua própria guia.

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Como vimos as guias são elementos ritualísticos muito sérios e como tal que devem ser respeitados e
cuidados. Seu uso deve se restringir ao trabalho espiritual, ao ambiente cerimonial (terreiro) e aos
momentos de extrema necessidade por parte do médium. Utilizar a guia em ambientes ou situações
dissonantes com o trabalho espiritual, ou por mera vaidade e exibicionismo, é no mínimo um
desrespeito para com a vibração a qual representam. Lembre-se que as guias são objetos sagrados e
como tal devem ser tratadas.
Um detalhe importante é de tempos em tempos, descarregarmos nossas guias com água do mar,
cachoeira ou da chuva, e depois energizá-las com amaci, buscando sempre o aconselhamento do
dirigente sobre como proceder. Normalmente, em nosso terreiro, o chefe da casa fará esse ritual
anualmente na cachoeira.

ÁGUAS

Sua utilidade é variada. Serve para os banhos de amacis, para cozinhar, para lavar as guias, para
descarregar os maus fluídos, para o batismo. Dependendo de sua procedência (mares, rios, chuvas e
poços), terá um emprego diferente nas obrigações.
A água poderá concentrar uma vibração positiva ou negativa, dependendo do seu emprego.
A Água é um fator preponderante na Umbanda. Ela mata, cura, pune, redime, enfim ela acha-se
presente em todas as ações e reações no orbe terráqueo, inclusive exemplificando com as lágrimas,
que são água demonstrando o sentimento, quer seja positivo ou negativo.
Sabemos que 3/4 do planeta que habitamos, são cobertos por água; 87% do corpo humano é
composto de água; mais ou menos 70% de tudo que existe na Terra leva água, tornando-se desta
forma o fator predominante da vida no Planeta.
Ás vezes, um guia indica: Coloque um copo com água do mar ou água com sal atrás da porta. Qual é
o porquê disto?
Por que a água tem o poder de absorver, acumular ou descarregar qualquer vibração, seja benéfica ou
maléfica. Nunca se deve encher de água, o copo até a boca. Ao rezar-se uma pessoa com um copo de
água, todo o malefício, toda a vibração negativa dela passará para a água do copo, tornando-a
fluidificada com a vibração ruim que estava naquela pessoa. Nunca se deve acender vela para o Anjo
da Guarda, para cruzar o terreiro, para jogar búzios, enfim, sem ter um copo de água do lado. A água
que se apanha na cachoeira é água batida nas pedras, nas quais vibra, crepita e livra-se de todas as
impurezas, assim como a água do mar, batida contra as rochas e as areias da praia. Por isso nunca se
apanha água do mar quando o mesmo está sem ondas, parado.
A água da chuva, quando cai é benéfica, pura, porém, depois de cair no chão, torna-se pesada, pois
atrai à si as vibrações negativas do local.
A importância da água pode ser traduzida numa única palavra: “VIDA!”. Sem água, a vida é
impossível.
A Água está presente em praticamente todos os trabalhos de Umbanda, e sua função é
importantíssima. As águas utilizadas para descarrego, têm funcionamento parecido com a fumaça,
sendo que a fumaça carrega as energias consigo similar ao vento, e a água absorve estas energias.
As águas em copos nas obrigações significam energia vital, e nos copos junto às velas de Anjo da
Guarda ou atrás das portas de entrada, têm a finalidade de atrair para si as energias que por ali
passam, atraídas pela Luz ou passando pela porta. Quando dão bolhas, mostram o quanto de
negatividade absorveram.
Os copos de água utilizados para estes fins (Anjo de Guarda ou atrás das portas) devem ser
descarregadas pelo menos de 7 em 7 dias, pois senão ficarão saturadas e perderão seu poder de
absorção. Esta descarga deve ser feita em água corrente (na pia com a bica aberta, por exemplo), pois
simboliza movimento, necessário para transportar as energias absorvidas por ela.

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Em rituais pode-se usar água de procedência de nove campos sagrados.

- Rocha (mineral): Água detida em saliências nas rochas. Ligada a Xangô, Iansã e Oxalá - entre
suas funções, traz força física, disposição, boa-vontade, sabedoria.
- Mar: Ligada a Iemanjá - imã de energias negativas, anti-séptico e cicatrizante, fertilidade,
calma.
- Mina (Nascente): Ligada a Nanã - força, vitalidade - é a mais indicada para se utilizar em
assentamentos de anjo-de-guarda.
- Chuva: Ligada a Iansã - excelente função de limpeza e descarrego.
- Cachoeira: Ligada a Oxum e Xangô - sentimentos, afeto, força de pensamento, alegria,
jovialidade.
- Rio: Ligada a Oxum (na correnteza) e a Obá (nas margens) - determinação, bons pensamentos.
- Poço: Ligada a Nanã - resistência, sabedoria.
- Lagos e Lagoas: Ligada a Nanã e Oxumarê – inventividade, imaginação.
- Orvalho: Recolhido das folhas, ao alvorecer do dia. - Ligado a Oxalá - calma, paciência,
fecundidade.

Todas podem ser utilizadas em banhos, assim além de portadoras de seus próprios axés, serve de
veículo para o axé dos demais componentes do banho.
Algumas águas não podem e não devem ser armazenadas por muito tempo, pois "água parada
apodrece”. Estejam sempre atentos.

BANHOS

Em qualquer época, nos Centros e Terreiros de Umbanda, os banhos tem sido de grande importância
na fase de iniciação espiritual; por isso, torna-se necessário o conhecimento do uso das ervas, raízes,
cascas, frutos e plantas naturais.

PEQUENO HISTÓRICO SOBRE O USO DOS BANHOS

O banho é a renovação do corpo e da alma, pois quando o corpo se sente bem e se acha refeito do
cansaço, a alma fica também apta a vibrar harmoniosamente. Os antigos hebreus já usavam as
abluções (Ritual de purificação por meio da água, praticado em várias religiões), que não deixavam
de ser banhos sagrados. Moisés, o grande legislador hebreu, impôs o uso do banho aos seus
seguidores. O batismo nas águas ministrado por São João Batista, no Rio Jordão, era um banho
sagrado. O batismo nas águas é o primeiro banho purificador do ser humano nos dias de hoje, pois as
crianças são batizadas ainda pequenas.
Os banhos sempre foram um potente integrante do sentimento religioso, haja vista os povos da Índia
milenar serem levados a banhar-se nas águas do rio sagrado, o Ganges, cumprindo assim parte de um
ritual que, para eles, é indispensável e sagrado.
Há em toda a época antiga um Rio Sagrado, no qual os povos iam se banhar para purificar-se física
ou mentalmente. Na África, a água é tida como de grande poder de força e de magia. E quem nunca
viu ou ouviu falar em lavar com água-de-cheiro as ESCADARIAS DO SENHOR DO BONFIM, em
Salvador na Bahia?
Para nossos índios, hoje os Caboclos da Umbanda, o banho de Rio era alegria, prazer, lazer,
satisfação e descarga. O rio Paraíba é um rio sagrado para os Tupinambás. Nele os índios faziam
seus rituais secretos.

TIPOS DE BANHOS: Basicamente existem dois tipos de banho, de Descarga/ Limpeza e de


Energização/ Fixação/ Imantação

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1- Banhos de Descarga: É o mais conhecido, e como o próprio nome diz, o Banho de Descarga (ou
descarrego) serve para descarregar e limpar o corpo astral, eliminando a precipitação de fluídos
negativos (inveja, ódio, olho grande, irritação, nervosismo, etc). Suprime os males físicos
externamente, adquiridos de outrem ou de locais onde estiverem os médiuns. Este banho pode ser
utilizado por qualquer pessoa, desde que seguindo as recomendações das Entidades/Guias Espirituais
ou do seu Pai ou Mãe de Santo.
Estes banhos servem para livrar o indivíduo de cargas energéticas negativas. Conforme vivemos,
vamos passando por vários ambientes, trocamos impressões com todo o tipo de indivíduo e como
estamos num planeta atrasado em evolução espiritual, a predominância do mal e de energias
negativas são abundantes. Todos estes pensamentos, ações, vão criando larvas astrais, miasmas e
etc., que vão se aderindo à aura das pessoas. Por mais que nos vigiemos, ora ou outra caímos com o
nosso nível vibratório e imediatamente estamos entrando nesta faixa vibratória.

1.1 Banho de Descarga com Ervas: Quando feito com ervas, as mesmas devem ser colhidas por
pessoas capacitadas para tal, em horas e condições exigidas, entretanto, podem ser usadas também as
adquiridas no comércio (frescas), desde que quem vá usá-las, as conheça.
Banhos com essências também devem ser utilizados com cuidado, pois contêm muita vibração,
somente administrados por pessoas capacitadas.
O banho de descarga mais usado é feito com ervas positivas, variando de acordo com os fluídos
negativos acumulados que uma pessoa está carregando, e de acordo com os orixás que a pessoa traz
em sua cabeça. O banho de descarga com ervas deve ser tomado após o banho rotineiro, de
preferência com sabão da costa, sabão neutro ou sabão de coco.
Um banho de descarga não deve ser jogado brutalmente pelo corpo e sim suavemente, com o
pensamento voltado para as falanges que vibram naquelas ervas ali contidas. Ao tomarmos o banho
de descarrego podemos também entoar um ponto cantado, chamando os guias que vibram com
aquelas ervas ali maceradas.
Ao terminarmos o banho de descarga, devemos recolher as ervas e "despachá-las" em algum local de
vibração da natureza como, por exemplo, num Rio (rio abaixo), no mar, numa mata, etc.; Ou até
mesmo em água corrente.
Hoje em dia há banhos de descarga que são comprados prontos, mas não são recomendados, pois
muitos não são preparados com o rigor que deveriam ser. Pois para preparar um banho, devemos
colher as ervas certas, caso contrário, não há efeito positivo e/ou completo.
Após um Banho de Descarga, é aconselhável, que se tome algum Banho de Energização, com ervas
de Oxalá, ou com as ervas do Orixá do médium.

1.2 Banho de Sal Grosso: Este é o banho mais comumente utilizado, devido à sua simplicidade e
eficiência. O sal grosso é excelente condutor elétrico e “absorve” muito bem os átomos eletricamente
carregados de carga negativa, que chamamos de íons. Como, em tudo há a sua contraparte etérica, a
função do sal é também tirar energias negativas aderidas na aura de uma pessoa. Então este banho é
eficiente neste aspecto, já que a água em união como o sal, “lava” toda a aura.
O preparo deste banho é bem simples, basta, após um banho normal, banhar-se de uma mistura de
um punhado de sal grosso, em água morna ou fria. Este banho é feito do pescoço para baixo, não
lavando os dois chacras superiores (coronário e frontal).
Após o banho, manter-se molhado por alguns minutos (uns 3 minutos) e enxugar-se sem esfregar a
toalha sobre o corpo, apenas secando o excesso de umidade. O melhor é não se enxugar, mas vai de
cada um. Algumas pessoas, neste banho, pisam sobre carvão vegetal ou mineral, que também são
excelentes para absorver a carga negativa.
Este banho, não deve ser realizado de maneira intensiva (todos os dias ou uma vez por semana, por
exemplo), pois ele realmente tira a energia da aura, deixando-o muito vulnerável. Existem pessoas
que usam a água do mar, no lugar da água e sal grosso.

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2- Banhos de Energização: São recomendados para ativar e afinizar as forças dos Orixás, Chefes de
Cabeça e do Anjo da Guarda. Seus principais efeitos são ativar e revitalizar as funções psíquicas,
para uma melhor incorporação; melhorar a sintonia com as entidades. Este banho reativa os centros
energéticos e refaz o teor positivo da aura. É um banho que devemos usar quando vamos trabalhar
normalmente nas sessões. Também, podemos usá-lo regularmente, independente de trabalharmos ou
não como médiuns.

2.1 Amaci: É o banho mais conhecido pelas pessoas que começam a freqüentar os Centros de
Umbanda e que somente deve ser indicados por uma Entidade Espiritual ou pelo Guia Chefe do
Terreiro, Pai/Mãe-de-Santo, Zelador(a) do Terreiro, Babalaô ou Chefe de Culto. É o banho que se
toma lavando a cabeça dos médiuns e age como um neutralizador de correntes negativas, e como um
energizador, dando a pessoa força suficiente, para que ela possa sair do estado em que se encontra.

- Em todos os banhos, onde se usam as ervas, devemos nos preocupar com alguns detalhes:

Ao adentrar numa mata para colher ervas ou mesmo num jardim, saudamos sempre Ossãe
que é responsável pelas folhas;
Antes de colhermos as ervas, toquemos levemente a terra, para que descarreguemos nossas
mãos de qualquer carga negativa, que é levada para o solo;
Não utilizar ferramentas metálicas para colher, dê preferência em usar as próprias mãos, já
que o metal faz com que diminua o poder energético das ervas;
Normalmente usamos folhas, flores, frutos, pequenos caules, cascas, sementes e raízes para
os banhos, embora dificilmente usemos as raízes de uma planta, pois estaríamos matando-a;
Colocar as ervas colhidas em sacos plásticos, já que são elementos isolantes, pois até
chegarmos em casa, estaremos passando por vários ambientes;
Lavar as ervas em água limpa e corrente;
Os banhos ritualísticos devem ser feitos preferencialmente com ervas frescas, pois o Prana
contido nelas, vai se dispersando e perde-se o efeito do banho;
A quantidade de ervas, que irão compor o banho, são 1 ou 3 ou 5 ou 7 ervas diferentes e
afins com o tipo de banho.
Banhos feitos com água quente devem ser feitos por meio da abafação e não fervimento da
água e ervas, isto é, esquenta-se a água, até quase ferver, apague o fogo, deposite as ervas e abafe
com uma tampa, mantenha esta imersão por pelo menos 10 minutos antes de usar.
Os banhos não devem ser feitos nas horas abertas do dia (06 horas, 12 horas ou meio-dia, 18
horas e 24 horas ou meia-noite), pois as horas abertas são horas “livres” onde todo o tipo de energia
“corre”. Só realizamos banhos nestas horas, normalmente os descarregos com ervas, quando uma
entidade prescrever.
Não se enxugar, esfregando a toalha no corpo, apenas, retire o excesso de umidade, já que o
esfregar cria cargas elétricas (estática) que podem anular parte ou todo o banho.
Após o banho, é importante saber desfazer-se dos restos das ervas. Retiramos os restos das
ervas que ficaram sobre o nosso corpo, juntamos com o que ficou no chão. E despachamos em algum
local de vibração da natureza como, por exemplo, num Rio (rio abaixo), no mar, numa mata, etc.; Ou
até mesmo em água corrente.

OUTROS BANHOS: Além destes banhos preparados, podemos contar com outros tipos de banhos,
que podem ter algum efeito, dependendo da maneira que os encaremos: Não são apenas os banhos
preparados que são usados para descarga/energização, os banhos naturais são excelentes. Por
exemplo: os banhos de cachoeira, de mar, de água de Mina, de chuva (axé de Iansã), de rio, etc. São
banhos que realizamos em locais de vibração da natureza, onde as energias são abundantes. Neste

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caso, não precisamos nos preocupar em não molhar os chacras superiores (coronal e frontal). Claro
que devemos para isto buscar locais livres da poluição. Dentre eles podemos destacar:

- Banhos de Chuva: O banho de chuva é uma lavagem do corpo associada à Iansã; uma limpeza de
grande força, uma homenagem a este grande orixá.
-
- Banhos de Mar: Ótimos para descarrego e para energização, principalmente sob a vibração de
Yemanjá. Podemos ir molhando os chacras à medida que vamos adentrando no mar, pedindo
licença para o povo do mar e para Mamãe Yemanjá. No final, podemos dar um bom mergulho de
cabeça, imaginando que estamos deixando todas as impurezas espirituais e recarregando os
corpos de sutis energias. Ideal se realizado em mar com ondas e sob o sol.
-
- Banhos de Cachoeira: Com a mesma função do banho de mar, só que executado em águas doces.
A queda d’água provoca um excelente “choque” em nosso corpo, restituindo as energias, ao
mesmo tempo que limpamos toda a nossa alma. Saudemos, pois Mamãe Oxum e todo povo
d’água. Ideal se tomado em cachoeiras localizadas próximas de matas e sob o sol.

CUIDADOS

Nenhum banho deve ser jogado sobre a cabeça, exceto os de ervas ou essências de Oxalá ou dos
Orixás que compõe a Coroa do médium. Os demais banhos devem ser tomados sempre do pescoço
até os pés (Exceto sob determinação específica de um guia, e mesmo neste caso devemos confirmar
se entendemos corretamente o solicitado).

Banhos para sessão de Caridade Banhos para sessão de Desenvolvimento


Espada de São Jorge, Arruda e Guiné Louro, Cravo e Canela
Alecrim, Arruda e Guiné Colônia, Malva e Elevante
Barba de Velho, Rosa vermelha e Arruda Manjericão, Alfazema e Alecrim
Arruda, Alecrim e Erva doce Boldo
Alecrim, Barba de Velho e Salvia Saião
Salvia, Arruda e Rosa Vermelha Anis estrelado
Espada de Santa Barbara, Arruda e Alecrim Malva
Arruda, Espada de São Jorge e Barba de Velho Colônia
Sal grosso Elevante
Pode-se usar também qualquer uma das ervas citadas Em Festas específicas de um orixá, pode-se usar
acima de maneira pura. (Banho de somente 1 erva) um banho com ervas correspondentes a este orixá.
Banhos que devem ser tomados do pescoço para Somente tomar o banho da cabeça aos pés com
baixo ervas de Oxalá ou do Orixá chefe de cabeça.

A DEFUMAÇÃO

A defumação é essencial para qualquer trabalho num terreiro de Umbanda. É também uma das coisas
que mais chamam a atenção de quem vai pela primeira vez assistir a um trabalho.
Em geral a defumação na Umbanda é sempre acompanhada de pontos cantados específicos para
defumação.

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O Que é a Defumação?

Ao queimarmos as ervas, liberamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético


aglutinado em meses ou anos absorvido do solo da Terra, da energia dos raios de sol, da lua, do ar,
além dos próprios elementos constitutivos das ervas. Deste modo, projeta-se uma força capaz de
desagregar miasmas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa
qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, etc.
Existem, para cada objetivo que se tem ao fazer-se uma defumação, diferentes tipos de ervas, que
associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem
reações agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujas auras são agressivas,
repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os
antigos Magos, graças ao seu conhecimento e experiência incomuns, sabiam combinar certas ervas
de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que
tencionavam turbar-lhes o trabalho de magia.
Apesar das ervas servirem de barreiras fluídico-magnéticas para os espíritos inferiores, seu poder é
temporário, pois os irmãos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente por nossos
pensamentos e atos turvos, que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades).
Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e atos.
Existem dois tipos de defumação; a defumação de descarrego e defumação lustral.

Defumação de descarrego

Certas cargas pesadas se agregam ao nosso corpo astral durante nossa vivência cotidiana, ou seja,
pensamentos e ambientes de vibração pesada, rancores, invejas, preocupações, etc. Tudo isso produz
(ou atrai) certas formas-pensamento que se aderem à nossa aura e ao nosso corpo astral, bloqueando
sutis comunicações e transmissões energéticas entre os ditos corpos.
Além disso, os lares e os locais de trabalho podem ser alvos de espíritos atrasados, que penetram
nesses ambientes e espalham fluídos negativos.
Para afastar definitivamente estas entidades do nosso convívio, teremos primeiro que mudar em atos,
gestos e pensamento, afastando de nossas mentes aquela corrente que nos liga a estes seres.

A defumação serve para afastar seres do baixo astral, e dissipar larvas astrais que impregnam um
ambiente, tornando-o pesado e de difícil convivência para as pessoas que nele habitam.
Pois bem, a defumação tem o poder de desagregar estas cargas, através dos elementos que a compõe,
pois interpenetra os campos astral, mental e a aura, tornando-os novamente "libertos" de tal peso
para produzirem seu funcionamento normal.
E por esse motivo, Deus entregou a Ossãe as ervas que, seriam usadas para destruir tais fluídos e
afastar estes espíritos.
Comece varrendo o lar ou o local de trabalho, e acendendo uma vela para o seu anjo de guarda.
Depois, levando em uma das mãos um copo com água, comece a defumar o local da porta dos
fundos para a porta da rua. Vá fazendo a defumação em oração, pedindo proteção e limpeza para o
ambiente.

Defumação Lustral

Além de afastar alguns resquícios que por ventura tenham ficado depois da defumação de
descarrego, ela atrai para estes ambientes, correntes positivas dos Orixás, Caboclos, e Pretos Velhos,
que se encarregarão de abrir seus caminhos. Acenda uma vela para o seu anjo de guarda. Levando
um copo com água, comece a defumar sua casa ou o seu local de trabalho, da porta da rua para
dentro. Não esqueça que a defumação lustral deverá ser feita depois do descarrego.

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Ervas na defumação:

Alecrim: Defesa dos males, tira inveja e olho gordo, protege de magias. Afasta maus espíritos e
ladrões. Felicidade, cura, proteção, purificação e justiça. Ajuda na recuperação e no tratamento de
doenças. Atrai a falange dos Caboclos. Proteção na área profissional. Estimulante para concentração,
adivinhação, memória e estudos.

Alfazema: Limpa o ambiente e atrai prosperidade e bons negócios, bem como pessoas amigas.
Acalma, purifica e traz o entendimento, equilíbrio e harmonia. Amor, sorte e proteção espiritual em
todos os aspectos. Favorece a clarividência

Benjoim: Elimina bloqueios espirituais. Atrai energias positivas e combate energias negativas.
Purifica o ambiente. Harmoniza nosso raciocínio e diminui a nossa agressividade. Destrói as larvas
astrais. Elimina bloqueios espirituais. Para pedidos de ajuda a deus.

Mirra: Facilita o contato com os planos superiores, criando no ambiente uma atmosfera de prece e
oração. Usado para limpeza astral da casa, afasta maus fluidos e estimula a intuição. Poderoso no
equilíbrio das funções do corpo, balanceando o físico e o espiritual. Descarrego forte, afasta maus
espíritos. Boa sorte, meditação, cura e proteção. Incenso sagrado usado para limpar após os rituais e
durante eles. Também é usado quando vai se desfazer alguma demanda ou feitiço. Faz vibrar a
compaixão

Incenso: Limpeza em geral, destrói as larvas astrais. Aliado a outros elementos potencializa os
efeitos dos mesmos.

Louro: Abre caminho, chama dinheiro, prosperidade e dá energia ao ambiente. Negócios,


adivinhação, proteção, força, saúde. Atrai a corrente de caboclo.

Anis Estrelado: Propicia boas amizades, bons caminhos, paz e triunfo. Adivinhação, purificação,
sorte, amor. Atua tanto no nível material quanto no emocional, produzindo estímulo de natureza
positiva. Renova as energias e atrai proteção espiritual contra qualquer mal.

Palha de Alho: Usado para eliminar formas negativas de pensamentos obsessivos. Afasta más
vibrações, afasta maus espíritos.

Incenso e “incenso” - Existe uma resina chamada incenso e os “incensos” em varetas.

O Incenso é uma resina gomosa que brota na forma de gotas da árvore Boswellia Carteri, arbusto
que cresce espontaneamente na Ásia e na África. Durante o tempo de calor e seca são feitas incisões
sobre o tronco e ramos, dos quais brota continuamente a resina, que se solidifica lentamente com o
ar. A primeira exudação para nada serve e é, pois, eliminada; a segunda é considerada como material
deteriorável; a terceira, pois, é a que produz o incenso bom e verdadeiro, do qual são selecionadas
três variedades, uma de cor âmbar, uma clara e a outra branca.

Como defumar e descarregar sua residência e o seu local de trabalho.

Às vezes sentimos que o nosso lar ou nosso local de trabalho, estão pesados, inúmeras brigas e
discussões acontecem a toda hora, nada dá certo, uma impaciência toma conta, do nosso ser. O ar
está carregado com partículas de fluídos negativos que aos poucos vai envolvendo cada um, e
tornando as coisas mais difíceis.

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Temos primeiro que mudar em atos, gestos e pensamento, afastando de nossas mentes aquela
corrente que nos liga a estas energias.
O descarrego destrói as larvas astrais, limpando o ambiente das impurezas, facilitando assim a
penetração de fluídos positivos.
Podem-se usar as ervas em sua forma natural, em pó ou em pequenos pedaços moídos, em forma de
casca miúda, etc. Para se queimar essas ervas, usa-se normalmente um recipiente chamado turíbulo.

- Turíbulos: São recipientes de metal ou barro usados para queimar o incenso.

Na Umbanda, usam-se nas giras ou sessões públicas, o turíbulo. Para queimar as ervas usa-se
normalmente o carvão vegetal. Lembrando sempre que o carvão vegetal deve estar em brasa e nunca
em chamas.

A quantidade de ervas a queimar deve ser proporcional ao tamanho da sala e ao número de pessoas
presentes. Para isso somente através da experimentação descobriremos a quantidade certa. No caso
da defumação, é melhor pecar pela escassez, pois assim poderemos ir adicionando um pouco mais
conforme a fumaça for diminuindo, do que acrescentar e sufocar pelo excesso (e isso pode ser até
perigoso).

ERVAS

Sem Erva não tem Axé. Está aí a regra número um nos cultos de origem afro.“Kosi ewe, kosi
Orisa”, diz um velho provérbio nagô: "sem folha não há Orixá", que pode ser traduzida por "não se
pode cultuar orixás sem usar as folhas", define bem o papel das plantas nos ritos.
Os pajés também utilizavam ervas medicinais e rezas para afastar maus espíritos, esta prática tornou-
se cada vez mais usual, porém com o aumento da população, os Portugueses começaram a enviar
mais missionários e médicos para interromper estas práticas, e a população começou a procurar os
pajés em menor freqüência e as escondidas.
Muitas mulheres desta época se interessaram pelas ervas medicinais que os pajés utilizavam, e por
não conhecer as rezas que eles faziam misturavam rezas de santos Católicos com estas ervas criando-
se assim as famosas rezadeiras e curandeiras do Brasil. Por isso que a influência indígena é tão forte
na Umbanda, com seus Caboclos, entidades representantes destes índios que aqui estavam quando os
colonizadores chegaram.
Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações dos nomes,
fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Axé. Temos que ter muita consciência
de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por energias que são invocadas quando a
maceramos, quando colocamos o sumo da Erva em contato com nosso corpo, quando a colhemos.
Porém folha é para trazer energias boas e positivadas, tirar energias ruins e maléficas em muitos
casos, trazer resposta de algo se é necessário para o individuo que a usa.
As plantas são usadas para lavar e sacralizar os objetos rituais, para purificar a cabeça e o corpo dos
sacerdotes nas etapas iniciáticas, para curar as doenças e afastar males de todas as origens. Mas a
folha ritual não é simplesmente a que está na natureza, mas aquela que sofre o poder transformador
operado pela intervenção de Ossãe, cujas rezas e encantamentos proferidos pelo devoto propiciam a
liberação do axé nelas contido. Há algumas décadas a floresta fazia parte do cenário e as folhas
estavam todas disponíveis para colheita e sacralização. Com a urbanização, o mato rareou nas
cidades, obrigando os devotos a manter pequenos jardins e hortas para o cultivo das ervas sagradas
ou então se deslocar para sítios afastados, onde as plantas podem crescer livremente. Com o passar
do tempo, novas especializações foram surgindo no âmbito da religião e hoje as plantas rituais
podem ser adquiridas em feiras comuns de abastecimento e nos estabelecimentos que comercializam
material de culto.

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O elemento vegetal é muito importante para a manutenção e equilíbrio dos seres vivos. Através de
processos variados os vegetais retiram o Prana da natureza, seja através do Sol, da Lua, dos planetas,
da terra, da água, etc. São, portanto, grandes reservas de éter vital e que através dos tempos, o ser
humano, descobriu estas propriedades. Usamos os vegetais, desde a alimentação até a magia, sempre
transformando a energia vital, através de processos e rituais.

Ervas e Funções: Atentar que existem ervas para banho e outras para defumação

1. Abacate Amor purificação, saúde, felicidade.


2. Abre Caminho Abre os caminhos, atraindo bons fluidos dando força e liderança.
3. Acácia Proteção, contra pesadelos e proteção do sono.
4. Açafrão Purificação, saúde, felicidade.
5. Agrimônia Dissolução de influências negativas e proteção
6. Alecrim Defesa dos males, tira inveja e olho gordo, protege de
magias. Afasta maus espíritos e ladrões. Felicidade, cura, proteção, purificação e
justiça. Ajuda na recuperação e no tratamento de doenças. Atrai a falange dos
Caboclos. Proteção na área profissional. Estimulante para concentração,
adivinhação, memória e estudos.
7. Alfafa Prosperidade, dinheiro, felicidade.
8. Alfazema Limpa o ambiente e atrai prosperidade e bons negócios,
bem como pessoas amigas. Acalma, purifica e traz o entendimento, equilíbrio e harmonia.
Amor, sorte e proteção espiritual em todos os aspectos. Favorece a clarividência
9. Almíscar Afrodisíaco, amor.
10. Amêndoas Dinheiro, prosperidade, sabedoria.
11. Amora Saúde, dinheiro, proteção.
12. Angélica Proteção, purificação, saúde, clarividência.
13. Anis Estrelado Propicia boas amizades, bons caminhos, paz e triunfo. Adivinhação,
purificação, sorte, amor. Atua tanto no nível material quanto no emocional, produzindo
estímulo de natureza positiva. Renova as energias e atrai proteção espiritual contra qualquer
mal.
14. Arnica Clarividência
15. Arroz Fertilidade.
16. Arruda Defende dos males, remove o efeito de feitiços, corta correntes
negativas. Intensifica a força de vontade auxiliando a pessoa que a usa a realizar seus
desejos. Proteção.
17. Assa-Fétida Exorcismo, proteção.
18. Babosa Proteção, sorte e amor.
19. Barbatimão Espiritualidade, purificação.
20. Bardana Saúde, proteção.
21. Baunilha Amor, sedução.
22. Beladona Limpeza de ambientes.
23. Benjoim Elimina bloqueios espirituais Atrai energias positivas e combate
energias negativas. Purifica o ambiente. Harmoniza nosso raciocínio e diminui a nossa
agressividade. Destrói as larvas astrais. Elimina bloqueios espirituais. Para pedidos de ajuda
a deus.
24. Calêndula Proteção, solução de problemas.
25. Camélia Prosperidade, riqueza.
26. Camomila Dinheiro, amor, purificação.
27. Canela Atrai prosperidade. Favorece os negócios, bens materiais, amor,
sucesso. Firma falange do povo do Oriente.

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28. Cânfora Desenvolvimento psíquico, clarividência, saúde.
29. Cardamomo Sedução, amor
30. Cardo Santo Cura, defesa, quebra olho gordo.
31. Carvalho Fertilidade
32. Cascara Sagrada Problemas com a justiça. Dinheiro e proteção.
33. Cavalinha Fertilidade.
34. Cebola Proteção, saúde, dinheiro.
35. Cipó Caboclo Elimina todas as larvas astrais do ambiente.
36. Cipreste Longevidade, saúde.
37. Colônia Atrai fluidos benéficos.
38. Cravo da Índia Protege de pessoas mal intencionadas, pensamentos negativos
subconscientes. É uma das mais poderosas defumações protetoras. Chama dinheiro e dá
força à defumação.
39. Dama da Noite É o incenso do amor. Ajuda a encontrar pessoas com a mesma
afinidade.
40. Erva Cidreira Sucesso, amor.
41. Erva Doce Proteção.
42. Esterco de Vaca Para espantar Eguns. (Somente defumação)
43. Eucalipto Limpeza, energização, cura, saúde, proteção. Atrai a corrente de
Oxossi.
44. Figueira Clarividência, fertilidade
45. Flor de Laranjeira Afasta o pânico. Aumenta a segurança e autoconfiança em assuntos
emocionais e financeiros.
46. Flor de Maçã Calmante.
47. Flor de Pitanga Atua poderosamente na área financeira. Direciona aquisições
materiais e negociações com êxito.
48. Folha de Bambu Afasta espíritos vampiros.
49. Freixo Adivinhação, cura, proteção, prosperidade.
50. Gengibre Dinheiro e sucesso.
51. Gerânio Força e vitalidade, calmante e harmonizante. Alivia tensão nervosa.
52. Ginseng Amor, realização de desejos, beleza, saúde, proteção e poder.
53. Girassol Fertilidade.
54. Guiné Atua como um poderoso escudo mágico contra
malefícios.
55. Hortelã Bom para problemas de saúde e equilíbrio
emocional. Estimula apetite.
56. Incenso Limpeza em geral, destrói as larvas astrais. Aliado a
outros elementos potencializa os efeitos dos mesmos.
57. Jasmim Acalma e ajuda a evitar brigas e desentendimentos,
aclara as idéias. Melhora humor, amor, cura.
58. Laranja Amor, dinheiro.
59. Lavanda Cura, amor.
60. Levante ou Elevante Abre os caminhos do ambiente.
61. Limão Amor.
62. Lótus Antidepressivo, usado no trabalho de resgate do equilíbrio de
energias, calma e paciência.
63. Louro Abre caminho, chama dinheiro, prosperidade e dá energia ao
ambiente. Negócios, adivinhação, proteção, força, saúde.
64. Incenso Madeira Estimula a razão. Aumenta a concentração necessária ao trabalho,
estudo e meditação. (Incenso)

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65. Madressilva Desenvolve a intuição e a criatividade, favorece também a
prosperidade.
66. Manjericão Amor, purificação espiritual, proteção. Chama dinheiro.
67. Maracujá Paz, amizade.
68. Menta Melhora o estado de atenção. Indicado para dores de
cabeça, mas se for usado em demasia pode alterar o sono.
69. Mil Folhas Exorcismo, amor
70. Mirra Facilita o contato com os planos superiores, criando no
ambiente uma atmosfera de prece e oração. Usado para limpeza astral da casa,
afasta maus fluidos e estimula a intuição. Poderoso no equilíbrio das funções do corpo,
balanceando o físico e o espiritual. Descarrego forte, afasta maus espíritos. Boa sorte,
meditação, cura e proteção. Incenso sagrado usado para limpar após os rituais, e durante
eles. Também é usado quando se vai se desfazer alguma demanda ou feitiço. Faz vibrar a
compaixão
71. Morango Amor, sorte.
72. Narciso Cura, sorte, fertilidade.
73. Noz Moscada Adivinhação, fertilidade.
74. Olíbano Cura, purificação.
75. Oliveira Paz, fertilidade e proteção.
76. Palha de Alho Usado para eliminar formas negativas de pensamentos obsessivos.
Afasta más vibrações e maus espíritos. Contra vampirismo
77. Palha de Cana Atrai melhores condições.
78. Patchuli Cura a apatia, estimula o amor. Diminui a confusão e indecisão.
Aguça a inteligência. Clarividência.
79. Pinho Atrair encantos, fertilidade.
80. Pó de Café Contra entidades negativas. Elimina formas pesadas de pensamentos
e pesadelos. Benéfica para doentes em recuperação. Usado em defumação
81. Rosa Vermelha Amor, espiritualidade, adivinhação, fertilidade, atrai bons espíritos
82. Rosa Branca Paz e harmonia
83. Sabugueiro Purificação
84. Sálvia Cura, contra feitiços, sabedoria, realização de desejos.
85. Sândalo Amor, adivinhação, purificação.
86. Sangue de Dragão Purificação.
87. Sésamo Ajuda a atrair amigos, clientes e dinheiro. Estimula a criatividade e
alegria.
88. Trigo Fartura, dinheiro, fertilidade.
89. Urtiga Exorcismo, proteção, saúde.
90. Uva Fertilidade, dinheiro, fartura.
91. Verbena Afasta a tristeza, negatividade e melancolia, libera de energias
negativas trazendo criatividade, desenvoltura, alegria e bom astral. Meditação, amor.
92. Vetiver Aliado para meditação, inspirador e calmante.
93. Violeta Afrodisíaco, meditação, espiritualidade.

Efeito da Lua nas ervas: Os vegetais são diretamente influenciados pela natureza. A lua e o sol são
os astros que muito influenciam a absorção do Prana (Energia da Natureza) e devemos conhecer
estas influências. Dentre as quatro fases lunares, que tem duração de sete dias cada, temos duas fases
que chamamos de quinzena positiva, propícia para a colheita de ervas para rituais diversos na
Umbanda (banhos, defumações, etc.) e nas outras duas temos a quinzena negativa, onde a
concentração de éter, nas folhas, frutos e flores, é muito baixa.

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- Lua Crescente: É a primeira fase da quinzena positiva, pois o éter vital
concentra-se nas folhas, frutos, flores e caules superiores. Período propício para
plantios. Ótimo para transplantar, enxertar e colher ervas e folhas.
- Lua Cheia: É a fase complementar, ou segunda fase da quinzena positiva. O
prana ainda está nas folhas, flores e frutos. Está se dirigindo das extremidades
das plantas para o seu centro. Bom para podar e colher sementes, frutos e folhas.
- Lua Minguante: É a fase que está na quinzena negativa, não sendo o melhor
ciclo para a colheita de ervas, para efeitos ritualísticos, pois o Prana ou éter vital
está no caule principal e dirige-se às raízes, para completar o ciclo. Essa Lua
estimula as partes subterrâneas, pois é quando a luminosidade começa a
diminuir, favorecendo o refluxo da seiva, é o tempo propício ao plantio de tudo
o que dá abaixo do chão, como batata, beterraba, hortaliças e bulbos
ornamentais. Bom período para semear frutos e fazer fertilizações orgânicas.
- Lua Nova: Nesta fase lunar, o Prana concentra-se na raiz, vitalizando-a,
permitindo que ela extraia os nutrientes necessários do solo. Não é uma fase
propícia para a colheita de ervas, pois está na quinzena negativa. Favorável às
partes subterrâneas. É a época certa para adubação e semeadura de ervas
aromáticas e medicinais. Mas cuidado: é tempo de baixa resistência às pragas.

Coleta das ervas:

Se for possível coletar pessoalmente as ervas, o melhor horário será logo ao amanhecer.
Pede-se licença ao Orixá Ossãe e Oxossi, pois esses são, respectivamente, os Orixás das plantas e
ervas medicinais e ritualísticas e o Senhor das matas e florestas em geral.
É importante, que no instante em que forem retirar as ervas, mentalizem e peçam para que, na
finalidade desejada, possam usufruir todas as energias, que estão contidas nestes vegetais.

Observações finais sobre banhos de ervas: As ervas detêm grande quantidade de Axé (Energia
mágico-universal, sagrada) que bem combinadas entre si, detém forte poder de limpeza da aura e
produzem energia positiva. Medicinas como a Ayurvédica (hindu), a chinesa, a tibetana, o
xamanismo, a medicina alopática e a homeopatia fazem uso desses recursos naturais há tempos. O
uso correto e ético opera verdadeiros "milagres da natureza". Podemos usar a energia da natureza
como auxílio no tratamento de depressões, insônia, ansiedade, angústia e uma série de doenças
crônicas. Com bom senso e é claro, com o acompanhamento médico necessário, tratando o espírito e
o corpo (já que as doenças se propagam do perispírito para o corpo físico), nós todos podemos
crescer como médiuns e espíritos mais conscientes, e por isso mesmo, mais abertos e livres.

SACUDIMENTOS E DESCARREGOS:

As ervas também são usadas na forma de ramas e galhos que são “batidos” nas pessoas, residências e
até mesmo objetos, com o objetivo de desprender as cargas negativas e larvas astrais que possam
estar aderidas a estes.
Quando feito numa residência deve ser feito batendo as folhas nos cantos opostos de cada cômodo,
fazendo um “X” no cômodo. Começa-se do cômodo mais interno para o mais externo do imóvel.
Quando feito em uma pessoa ou objeto, faz-se em cruz na ordem: frente, costas, lado direito e lado
esquerdo. As folhas depois de usadas devem ser partidas e despachadas junto a algum lugar de
vibração da natureza, de preferência direto sobre o solo.

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ERVAS DOS ORIXÁS:

De uma forma geral, toda erva, toda folha, pertence à Ossãe! Segundo a mitologia africana, Yansã
achando isso injusto, usou seus ventos para espalhar as ervas e desse modo cada Orixá poderia
apanhar as que lhe interessasse. Contudo o conhecimento sobre o uso de cada uma delas pertence
somente a Ossãe! Ossãe é a folha em si mesma, seus mistérios, seus ingredientes que podem salvar
ou matar, acalmar ou enlouquecer, elucidar ou alucinar. Ossãe é o movimento da inteligência
humana, é o âmago das ciências médicas com suas “folhas” sintéticas, seus aparatos que vão muito
além das possibilidades dos sentidos. Por isso se canta ao se colher folhas na mata, para propiciar nas
folhas o que os olhos não vêem, para lembrar que a mistura de folhas escolhidas é fruto de um ato
pensado. A mata aos olhos do nagô é um convite à reflexão e a purificação e não um objeto de
manipulação. Não se entra na mata sem antes pedir licença e presenteá-la, a mata é, antes de tudo,
um deus vivo e com vontade própria, aliado com o resto da Natureza. Só se encontra na mata aquilo
que a mata mostra, portanto é preciso conversar, dialogar, entrar num acordo. Não se entra na mata
em vão, não se pega mais folhas do que o preciso, não se caça o desnecessário, não se usa vasilha
que não seja feita de folha, não se destrói, não se suja, não se maltrata. A importância de Ossãe é tal
que nenhuma cerimônia pode ser realizada sem sua interferência.

- Exu: Pimenta, capim tiririca, urtiga, garfo de exu, pinhão roxo, folha de mangueira;
- Iansã: Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Folha de Louro, Erva de Santa Bárbara,
Folha de Fogo, Colônia, Mutamba, Folha da Canela, Folha de Alho, Alfavaquinha, Erva Tostão,
Peregum amarelo, Catinga de Mulata, Parietária, Para Raio e bambú;
- Ibeiji: Jasmim, alecrim, rosa, erva doce;
- Nana: Colônia, Manjericão Roxo, Taioba, Ipê Roxo, Erva de Passarinho, Dama da Noite, Folha
da Quaresma, Jarrinha, Parioba, Golfo Redondo, Canela de velho, Salsa da Praia, Manacá.
- Obaluaiê: Canela de Velho, Barba de Velho, Erva de Passarinho, Cinco Chagas, Fortuna, Hera,
Folha de Loko, Taioba, Erva de Bicho, Barba de Milho;
- Ogum: São Gonçalinho, Quitoco, Mariô, Lança de Ogum, Coroa de Ogum, Espada de Ogum,
Canela de Macaco, Erva Grossa, Parietária, Língua de Vaca, Mutamba, Palmeira do Dendê,
Taioba, Alfavaquinha, Bredo, Cipó Chumbo, Aroeira, Pata de Vaca, Carqueja, Losna, Folhas de
Romã, Flecha de Ogum, Cinco Folhas, Macaé, Folhas de Jurubeba.
- Ossãe: Manacá, quebra-pedra, mamona, pitanga, jurubeba, coqueiro, café.
- Oxalá: Tapete de Oxalá (Boldo), Saião, Sândalo, Malva Branca, Colônia, Patchouli, Alfazema,
Manjericão Branco, Folha do Cravo da Índia, Neve Branca, Folha de Algodoeiro, Folha de
Parreira, Rosa Branca, Flor de Laranjeira, hortelã, alecrim e flor de maracujá
- Oxossi: Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Peregum (verde), Espinheira Santa,
Jurema, Jureminha, Folha de Mangueira, Couve, Jurubeba, Bredo sem Espinho, Capela,
Jarrinha, Desata Nó
- Oxum: Colônia, Macaçá, Oriri, Oripepê, Jasmim, Pingo D’água, Agrião, Dinheiro em Penca,
Manjericão Branco, Calêndula, Narciso, Alfavaquinha, Malva Branca, Folha de Fortuna, Rama
de Leite, Folha de Vintém; Vassourinha e Erva de Santa Luzia.
- Oxumarê: Jaqueira e folha de batata doce.
- Xangô: Erva de São João, Erva de Xangô, Nega Mina, Erva de Santa Maria, Jarrinha, Beti,
Elevante, Cheiroso, Mariana, Cordão de Frade, Erva de Bicho, Erva Tostão, Bico de Papagaio,
Alfavaquinha, Mutamba, Mal-me-quer Branco, Caruru, Para raio, Umbaúba prateada.
- Yemanjá: Colônia, Golfo de Baronesa, Pata de Vaca, Rama de Leite, Jarrinha, Abebê, Bredo
sem Espinho, Alfavaquinha, Malva Branca, Capela, Folha de Neve Branca, Manjericão Branco,
Embaúba. (Em algumas casas: aguapé, lágrima de nossa, araçá da praia, flor de laranjeira,
guabiroba, jasmim, jasmim de cabo, jequitibá rosa, malva branca, marianinha - trapoeraba azul,
musgo marinho, nenúfar, rosa branca, folha de leite).
- Oriente: Louro, cravo, canela, rosa amarela, rosa cor de rosa, rosa branca, lírio, jasmim.

49
VELAS

Dentro da magia universal as velas foram sempre utilizadas na maior parte dos rituais
em que se precisa realizar algum contato com forcas superiores ou inferiores, isto,
claro, dependendo da moral de quem vai se utilizar das forças mágicas, já que magia
não pode ser distinta de forma especifica em branca ou negra, pois estes aspectos são
facetas interiores daquele que pretende mobilizar certas forças cósmicas.
Não temos uma noção exata, de quando se iniciou o uso das velas religiosamente,
mas seja em uma vela feita em parafina, cera, ou uma lamparina, esta chama possui
um calor e luz, e faz assim chamar a nossa atenção para irmos de encontro com o
nosso íntimo, buscarmos respostas e entrarmos em sintonia com os seres que nos são afins.
A maioria de nós já fez um primeiro ritual com velas, por volta dos três anos de idade. Lembra-se
dos seus primeiros aniversários? Soprar as velas do bolo e fazer um pedido? Este costume da
infância baseia-se em dois princípios mágicos muito importantes: a concentração e o uso de um
símbolo para focalização.
Em termos simples quer dizer que se você quer que algo aconteça, precisa primeiro se concentrar
(fazer o pedido) e então associar o seu desejo mágico ao ato simbólico de soprar as velas. A força de
sua vontade faz o sonho realizar-se. Técnicas análogas são usadas na magia e no ritual das velas.
A casa do sonho de qualquer arquiteto, o livro de sucesso de qualquer escritor, e a obra-prima de
qualquer pintor foi primeiro concebida na imaginação, na mente do artista. Assim, todo ato
cumprido, todo resultado perfeito do trabalho mágico é primeiro praticado e finalizado na mente do
mago. Os atos rituais que se seguem são destinados a agir como agentes solidificadores para
concretizar uma forma de pensamento projetada e enviada pela mente de quem acende a vela. Em
essência, o ritual age como o impulso que traz o pensamento, desde a imaginação completada até a
manifestação física no plano material.
As velas vieram para a Umbanda por influência do Catolicismo.
Nos terreiros, há sempre alguma vela acesa, são pontos de convergência para que o umbandista fixe
sua atenção e possa assim fazer sua rogação ou agradecimento ao espírito ou Orixá a quem dedicou.
Ao iluminá-las, homenageia-se, reforçando uma energia que liga, de certa forma, o corpo ao espírito.
A função da uma vela, que já foi definida como o mais simples dos rituais, é, no seu sentido básico,
o de simplesmente repetir uma mensagem, um pedido.
Passo fundamental no ritual de acender velas: o PENSAMENTO.
O pensamento mal-direcionado, confuso ou disperso pode canalizar coisas não muito positivas ou
simplesmente não funcionar. Diz um provérbio chinês: "cuidado com o que pede, pois poderá ser
atendido". A pessoa se concentra no que deseja e a função da chama é o de repetir, por reflexo, no
astral, a vontade e o pedido do interessado. Existem diversos fatores dentro da magia no tocante ao
numero de velas a serem acesas e outros detalhes.
O ato de acender uma vela deve ser um ato de fé, de mentalização e concentração para a finalidade
que se quer. É o momento em que o médium faz uma "ponte mental", entre o seu consciente e o
pedido ou agradecimentos à entidade, Ser ou Orixá, em que estiver afinizando.
Muitos médiuns acendem velas para seus guias, de forma automática e mecânica, sem nenhuma
concentração. É preciso que se tenha consciência do que se está fazendo, da grandeza e importância
(para o médium e Entidade), pois a energia emitida pela mente do médium, irá englobar a energia
ígnea (do fogo) e, juntas viajarão no espaço para atender a razão da queima desta vela.
Sabemos que a vida gera calor e que a morte traz o frio. Sendo uma chama de vela cheia de calor, ela
tem amplo sentido de vida, despertando nas pessoas a esperança, a fé e o amor.
Quem usar suas forças mentais com ajuda da "magia" das velas, no sentido de ajudar alguém, irá
receber em troca uma energia positiva; mas, se inverter o fluxo de energia, ou seja, se o seu
pensamento estiver negativado (pensamentos de ódio, vingança, etc.), e utilizar para prejudicar
qualquer pessoa, o retorno será infalível, e as energias de retorno serão sempre maiores, pois voltarão
com as energias de quem as recebeu.

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A intenção de acendermos uma vela gera uma energia mental no cérebro; e é essa energia que a
entidade irá captar em seu campo vibratório. Assim, mais uma vez podemos dizer que: nem sempre a
quantidade está relacionada diretamente à qualidade, a diferença estará na fé e mentalização do
médium. Desta forma, é inútil acreditar que, podemos "comprar favores" de uma entidade,
negociando com um valor maior de quantidade de velas. Os espíritos captam em primeiro lugar, as
vibrações de nossos sentimentos, quer acendamos velas ou não!
Seria bom se ao menos semanalmente acendêssemos uma vela branca (ou sete dias), para nosso Anjo
de Guarda. É uma forma de mantermos um "laço íntimo", de aproximação.
Em contrapartida, aconselhamos que caso se deseje acender velas para um ente querido, já
desencarnado, se faça em um lugar mais apropriado (cruzeiro das almas do terreiro, cemitério,
igreja) e não dentro de suas casas; isto porque, ao mentalizarmos o desencarnado, estamos entrando
em sintonia com ele, fazendo a ponte mental até ele, trazendo este espírito para dentro de nossas
casas. O que não seria o correto, pois estaríamos fazendo com que fique mais "preso" ao mundo
carnal, atrasando assim a sua evolução espiritual. Agora ao fazermos isso em um local apropriado,
estes locais já possuem "equipes de socorristas" e doutrinadores espirituais, os quais irão ajudá-lo na
compreensão e aceitação de seu desencarne (morte).

A cera natural, vinda das abelhas, é impregnada dos fluidos existentes nas flores, em grande
quantidade. Este elemento, vindo da natureza, é utilizado na prática do bem e do mal, como matéria-
prima poderosa para somar-se com os teores dos pensamentos, tornando eficaz o trabalho e o
objetivo ao qual se propõe. Comparada a uma bateria, uma pilha natural, a cera sempre foi utilizada
em larga escala na magia. É considerada, na espiritualidade, como uma das melhores oferendas por
ter, em sua formação, os quatro elementos da natureza ativos, desprendendo energia. O fogo da
chama, a terra e água (através da cera), o ar aquecido queimando resíduos espirituais.

TIPOS DE VELAS: Existem de várias formas, tamanhos e cores, mais qualquer uma delas será
aceita se oferecida de coração puro.

VELAS DOS ORIXÁS E GUIAS:

Caboclos Verde
Exu Preta e Vermelha - de acordo com a origem
Iansã Amarela
Ibeiji Azul e Rosa
Nana Roxa
Obá Vermelha
Obaluaiê Preta e Branca (ou roxa)
Omulu Preta e Branca (ou amarela e preta)
Ogum Vermelha
Ossãe Verde
Oxalá Branca
Oxossi Verde
Oxum Azul
Pretos Velhos Preta e Branca
Xangô Marrom
Iemanjá Azul
Oriente Rosa

• A vela branca pode substituir qualquer uma das acima mencionadas.

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RECOMENDAÇÕES MATERIAIS:

1. Em caso de velas contidas em recipientes de vidro, muita atenção, pois o vidro não é
resistente a temperaturas muito altas. Nunca toque o vidro quente, pois poderá queimar-se ou rompê-
lo e provocar acidentes.
2. As velas que são colocadas dentro de lampiões, lanternas ou luminárias devem estar a uma
distância mínima entre 2,5 a 3 cm das paredes internas da peça para preservar sua forma, já que são
de parafina, e amolecem quando expostas ao calor da chama da vela. Igualmente devem estar dentro
de um suporte de vidro resistente para que a luminosidade possa ser observada em toda sua beleza.
3. As velas mini que são acondicionadas em taças de alumínio permitem que as velas queimem
lentamente, mas igualmente sempre use outro recipiente mais resistente, como a cerâmica, vidro,
latão, ferro para servir de suporte. Nunca as mova enquanto estiverem acesas, pois os riscos de
provocar acidentes e queimaduras são grandes já que a parafina encontra-se "derretida" e a latinha
estará muito quente.
4. Se você costuma comprar grandes quantidades de velas nunca as deixe expostas diretamente
ao sol, podem aquecer-se e perder sua forma tanto como sua cor. A melhor forma de guardá-las,
quando não se usam, é em um lugar escuro, seco e frio, envoltas em papel fino para que não se
toquem umas com as outras. Se suas velas estão opacas basta esfregar com uma meia fina de nylon
ou seda.
5. Coloque a vela acesa sobre uma superfície não inflamável, e nunca a deixe só, ardendo sem
atenção, assim evitará acidentes.
6. Nunca acenda velas perto das janelas com cortinas que podem voar com uma corrente de ar e
provocar um incêndio.
7. Para apagar uma vela que tenha se incendiado, o mais fácil será abafar para cortar o
suprimento de oxigênio.

RECOMENDAÇÕES ESPIRITUAIS:

1. Nunca usar velas quebradas.


2. As velas usadas para um objetivo nunca devem ser usadas de novo, mas devem ser deixadas
queimar. A cada novo objetivo, novas velas.
3. Uma coisa é essencial, e se chama silêncio. A magia das velas requer concentração, e você
não poderá se concentrar com o ruído de fundo perturbando seus pensamentos.
4. Acenda sempre a vela mais alta primeiro. Caso sejam cores variadas acenda sempre a vela
branca antes de todas as outras.
5. Desejos de bem comum em que as velas são acesas por várias pessoas, como em um
casamento, festa de final de ano ou festas coletivas poderão ser acesas uma vela com a luz da outra.
6. Velas acendidas para alcançar desejos individuais, mesmo que estejamos em grupos deverão
ser acesas cada qual com seu fósforo.
7. Antes de acendê-la, segure-a entre as mãos e mentalize precisamente o que deseja. A vela, ao
ser impressa com o seu desejo, torna-se um receptáculo desse desejo.
8. Depois que sua vela terminou de queimar, despache ou atire os restos no lixo
9. Nunca utilize restos de velas que atenderam a um determinado pedido seu para fazer velas
para outras pessoas e vive-versa.
10. Quando acender uma vela, use sempre fósforo, nunca isqueiro, a ação de "riscar" o fósforo é
simbólica.

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FUMO E BEBIDA NA UMBANDA

Questão que gera inúmeras controvérsias na Umbanda é o fato dos guias e entidades que se
manifestam através de seus médiuns utilizarem-se do fumo e de bebidas, o que leva alguns críticos
da religião a classificarem-na como “baixo espiritismo” e estarem os espíritos que nela atuam em
grau evolutivo inferior. Tal assertiva não passa do mais errôneo entendimento do que acontece na
liturgia da Umbanda.
Através de uma análise histórica, pode-se verificar que diversas são as religiões que se
utilizam da bebida em seus fundamentos. Na mitologia Grega, o Deus Zeus juntamente com uma
mortal de nome Semele, deu origem a Dionísio, o Deus do vinho e, os romanos com a expansão de
seus costumes pela Europa inteira, deram fama a Baco, o equivalente romano ao Deus do vinho
grego. Com o Cristianismo, o vinho também mostra sua importância, desde o momento em que Jesus
brindava o amor do Pai Celestial repartindo o vinho com seus apóstolos e seguidores. Até os dias de
hoje a Igreja Católica compartilha o pão e o vinho entre seus fiéis, representativos ambos na
eucaristia do corpo e do sangue do Cristo. Na África, o vinho de palma é usado em diversos cultos,
sendo considerado néctar divino. O mesmo se verifica nos cultos ameríndios e xamânicos, onde os
pajés se utilizam de bebidas para realizarem seus rituais, como o caso da cerimônia da Ayahuasca.
Seguindo a tradição difundida culturalmente entre os povos, a Umbanda não é diferente. O
fato de utilizar o álcool em seus rituais nada tem de inferioridade ou primitivismo, visto que essa
substância tem um significado claro e repleto de fundamentos. O mesmo ocorre com o uso do fumo.
As entidades e guias da Umbanda utilizam-se dos elementos que compõem o álcool e o fumo
para realizarem seus trabalhos de limpeza e purificação, tanto do consulente, como de ambientes. De
que forma fazem isso?
O ÁLCOOL

O álcool, em sua essência, é líquido proveniente da cana-de-açúcar, extremamente volátil,


assemelhando-se ao éter, representando elemento que facilmente transcende do plano material, sendo
excelente auxiliar para desfazer energias negativas impregnadas no períspirito. Além do mais, é
considerado fogo em estado líquido, pela sua facilidade de combustão. Cada linha de trabalho possui
seu próprio “curiador”, ou seja, a bebida correta para cada uma delas:

- Caboclos utilizam vinho


- Preto-velho utiliza café, vinho, marafo (aguardente);
- Crianças utilizam guaraná, suco de frutas, água;
- Baianos utilizam água de coco, batida de coco ou marafo;
- Boiadeiros utilizam vinho doce, traçado.
- Marinheiros utilizam rum, uo cerveja clara;
- Exu utiliza marafo (cachaça), whisky, vinho ou outras bebidas destiladas;
- Pombagira utiliza champagne, sidra, licores ou anis.

O álcool ainda possui a propriedade de ser usado como “contraste”, quando a entidade age
magnetizando a bebida e faz o consulente ingeri-la em pequena quantidade, permitindo-lhes
visualizar o seu organismo, mostrando algum problema que deve ser cuidado. Funciona também,
como elemento antiséptico para limpar e desinfetar regiões que estejam sendo tratadas pelas
entidades em seus atendimentos. Não se pode deixar de citar que o álcool ainda libera no corpo do
médium substâncias ativadoras do cérebro que atuam nos plexos nervosos, aproveitadas pelas
entidades em seu trabalho no plano material. Muitas pessoas condenam o uso do “marafo” (álcool,
aguardente, whisky, destilados) pela falange de Exus e Pombogiras. Dizem que essas entidades estão
extremamente atrasadas evolutivamente e ainda ligadas ao plano terreno, necessitando desse
elemento para satisfazerem seus vícios. Nada mais errado, também. A energia, como já se explicou é
usada e manipulada como pelas demais linhas de trabalho da Umbanda em sua magia.

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Exus e Pombogiras por estarem em faixas vibratórias mais próximas do ambiente terreno
utilizam-se da energia retirada desses elementos para realizarem seus trabalhos magísticos. Usam o
álcool contido nas bebidas para descarregos, retirando energias negativas dos médiuns, do ambiente
ou dos consulentes. A bebida é usada no ponto riscado, na tronqueira, nas ferramentas de Exu, etc.
verifica-se nos terreiros, também, a bebida sendo usada antes de um ponto de fogo, sendo passada
nas mãos dos médiuns para “esquentar” de modo a compatibilizar a vibração do médium com o
trabalho a ser feito. A título de conclusão, deve-se ainda dizer que, quando num local onde há
regramentos, o pouco álcool ingerido pelo médium também é dissipado no trabalho, nunca deixando
o médium em situação de embriaguez.

O FUMO

Por sua vez, o fumo é vegetal que traz o elemento terra e água, em sua composição e, os
elementos ar e fogo quando utilizado na defumação. Conjuga, portanto, quando usado pelas
entidades de Umbanda, os quatro elementos básicos – terra, fogo, ar e água. O fumo é utilizado
como meio de descarrego, agindo sobre os chacras dos consulentes. O fumo é utilizado como
componente para defumação, onde conjuga o fogo e a fumaça para a destruição dos campos
magnéticos negativos, vinculados tanto à obsessões quanto à feitiços realizados contra o consulente.
Assim, o que as entidades da Umbanda fazem é utilizarem ervas, juntamente com os
elementos água, fogo e ar para realizarem suas magias e defumações, desestruturando larvas astrais,
miasmas e desagregando energias negativas e danosas à aura do consulente. O fumo tem suas
características vegetais, tendo através do seu processo de desenvolvimento na natureza
arregimentando as mais diversas energias e substâncias - sais minerais, hidrogênio, oxigênio,
fósforo, potássio, nitrogênio, vitaminais - do solo onde foi cultivado e do meio ambiente, além da
absorção da energia solar e lunar, razão pela qual condensa forte carga energética de impregnações
etéreas que libera durante a sua queima.
Se prestarmos atenção na atitude das entidades incorporadas, veremos que enquanto estas
fumam, estão constantemente jogando baforadas da fumaça de seu cachimbo, charuto, ou cigarro
sobre aquele que com eles se consulta. Não tragam a fumaça, apenas enchem a boca com a fumaça e
a expelem sobre o consulente ou para o ar. Para quem não sabe, nessa hora está sendo realizado
verdadeiro passe, onde a defumação se conjuga com o sopro para realizar a limpeza energética da
aura ou perispírito da pessoa. Pode-se verificar que as entidades podem realizar seu trabalho sem a
utilização desses elementos sem qualquer problema. Mas, se elas existem e comprovadamente têm o
seu significado, por que se abster de usá-las? O que deve ser deixado de lado é a associação de seu
uso como indicativo de inferioridade.
A título de curiosidade, devemos ressaltar que os Guias de Umbanda dependendo da linha
em que realizam seu trabalho, não se utilizam dessas ferramentas, sendo que podemos encontrar a
mesma entidade realizando o mesmo trabalho, mas em outra linha vibratória, sem se valer desses
elementos em situações específicas, mas não deixando de ser a mesma entidade. De uma forma ou de
outra, vai realizar seu trabalho e não vai ser mais ou menos evoluída por isso. O que deve ficar
entendido é que a entidade incorporada quando realiza o sopro da fumaça de seu cachimbo, charuto,
ou cigarro, dando suas baforadas nos consulentes, cria com isso as condições, tanto no plano físico
quanto espiritual, para a realização da magia da Umbanda, tudo sob o aval dos espíritos de luz e dos
Orixás. Só o sopro em si carrega efeitos terapêuticos e espirituais poderosos, mas quando aliados à
erva tem seu efeito potencializado, gerando resultados positivos como se observam nos terreiros de
Umbanda.
A dinâmica, portanto, deve ser entendida como um todo. Alia-se, no trabalho de Umbanda, o
álcool, o fumo, a energia proveniente das entidades e espíritos superiores que orientam os trabalhos,
a energia presente na própria natureza através do trabalho dos elementais, bem como o ectoplasma
retirado dos médiuns durante os trabalhos mediúnicos, possibilitando a cura do consulente
necessitado de ajuda. Entender essa prática como apego dos espíritos incorporantes à matéria passa a

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ser desconhecimento acerca dos trabalhos de magia realizados dentro do ritual da Umbanda. No
contato permanente com as entidades que incorporam na Umbanda, passamos a perceber, inclusive,
sua preocupação com o uso indiscriminado de fumo ou de cigarros que são comercializados, e seus
conselhos para evitarem que seus médiuns tenham seu corpo prejudicado pelo uso de tais
ferramentas.
É comum pedirem cachimbos com filtro para diminuírem ainda mais a assimilação pelo
corpo do médium da nicotina presente em cigarros ou fumo comercializados. Encontramos entidades
que pedem a seus “cavalos” que fabriquem seu fumo com ervas naturais, como alecrim, alfazema e
outras aliadas ao fumo in natura. Até porque a combinação de tais ervas potencializa os efeitos
energéticos, catalisadores, descarregadores e reequilibrantes do perispírito do consulente. Algumas
entidades chegam a cuspir em recipientes adequados, a famosa "caixinha", que fica ao seu lado para
neste ato evitar ao máximo a ingestão da nicotina e de outros elementos que não interessam para o
trabalho e muito do que vêm pela química industrial. Com todo o exposto, pode-se perceber que
tanto o álcool quanto o fumo são verdadeiras, úteis e necessárias ferramentas de trabalho das
entidades que trabalham na Umbanda.
Tal fato deve ser estudado e haver orientação precisa durante a doutrinação dos médiuns e
assistentes das giras de Umbanda a fim de haver um trabalho sério e efetivo de esclarecimento para
evitar entendimentos errados que levem a denegrir a verdadeira caridade prestada pelas entidades e
guias de Umbanda, que utilizando das ferramentas que a natureza lhes oferece, levam aos filhos de fé
um calmante para suas mazelas e dores, na fé de Oxalá.

ENTIDADES E SEUS USOS

Pretos Velhos: Fumam cachimbo, cigarro de palha ou cigarro branco, sendo que alguns raros podem
fazer uso de charuto também. Bebem café, batida de coco, marafo (cachaça) com ervas ou sal grosso,
e usam de copos d’água, velas, incensos...

Oxossi: Os caboclos fumam normalmente charuto e bebem vinho tinto. Alguns não fumam nem
bebem, outros trabalham com água, outros ainda pedem mel puro, mel com cachaça, ou ainda vinho
traçado (boiadeiros). Estes últimos também costumam fumar cigarro de palha ou charuto.

Ogum: Normalmente bebem cerveja branca e fumam charuto. Alguns se utilizam de água e gostam
de trabalhar ainda com espadas de São Jorge.

Xangô: Podem beber cerveja preta e fumar charuto. Alguns não bebem nem fumam, outros
trabalham com água da cachoeira ou pedras.

Iansã: Trabalham com o elemento ar, podem usar incensos. Não fumam. Algumas que são cruzadas
podem usar alguns tipos de águas.

Oriente: Podem beber champanhe, água mineral, vinho rose, vinho branco... Podem fumar
cigarrilhas, cigarro branco... Usam incensos, perfumes, óleos, cristais, sinos, águas de nascente, de
cachoeira, areia e podem trabalhar das mais variadas maneiras.

Iemanjá: Linha que trabalha sempre com as águas. Não fumam. As Iemanjás, sereias e caboclas do
mar usam água do mar.

Oxum usa água de rio e de cachoeira

Nanã pode usar água do poço, de lago ou de lagoa.

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MENORES DE IDADE:

Se o médium for menor de idade, não se deve permitir que o guia use o fumo e a bebida quando
incorporado. Trata-se de respeitar as leis vigentes e evitar que o nome da Umbanda seja associado a
possíveis processos judiciais. O mais indicado seria inclusive ter uma autorização e o
acompanhamento dos responsáveis pelo menor para que ele possa participar dos trabalhos,
especificando os horários de início e término das sessões.

PONTOS CANTADOS

Os pontos cantados são uma das primeiras coisas que afloram a quem vai a um terreiro de Umbanda
pela primeira vez. Os pontos cantados são, dentro dos rituais de Umbanda, um dos aspectos mais
importantes para se efetuar uma boa gira.
Uma das formas encontradas para a reaproximação do homem com o Divino foi a música, onde se
exprime o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os cânticos tornaram-se um
atributo sócio-religioso comum a todas as religiões, onde cada uma delas, com suas características
próprias exteriorizavam sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.
Os pontos cantados servem para impregnar certas energias e desimpregnar outras, de acordo com o
ponto, uma vez que cada linha representa uma imagem, traduz um sentimento inerente à vibração
daquela entidade que o canta, ou que o trás, existindo por trás deles uma freqüência toda especial,
que se modifica de acordo com a Linha Espiritual.
Os Pontos Cantados de Umbanda, ou seja, os cânticos entoados nos templos umbandistas têm
finalidades sequer imaginadas pelos consulentes, e mesmo por muitos médiuns, estando longe de
serem apenas para alegrar ou distrair pela música. São, na verdade capazes de movimentar as forças
sutis da Natureza e mesmo atrair certas entidades espirituais.
São cânticos invocando as Entidades, marcando o início de sua incorporação ou desincorporação,
para criar formas mágicas para determinados trabalhos, para abrir e fechar sessões no Terreiro, para
pedir forças espirituais, para afastar espíritos maus, para pedir maleme (perdão) e outras diversas
finalidades.
Expressam, de maneira sublime, uma mensagem, uma emoção, um sentimento, uma imagem, um
alerta, etc. Como podemos observar ao ouvi-los, além de ativarem o misterioso fogo renovador da fé
e do puro misticismo, movimentam uma linguagem metafísica onde cada um entende, segundo seu
alcance, várias mensagens. Os pontos cantados são verdadeiras preces, quando bem cantados, em
cujas letras realmente há imagens que elevam o tônus vibracional (energético) de todos, facilitando a
atuação das Entidades Espirituais em determinados médiuns e mesmo nos consulentes.
Procure entoar os pontos cantados adequadamente, sentindo-os e não apenas cantando-os. Sinta-os
em sua alma e verá, surpreso, como você canta bem, e principalmente, como você está bem. O ponto
cantado é o caminho vibratório por onde "anda" a gira. É o verbo sagrado, portanto entoe-os
adequadamente, harmoniosamente.
Juntamente com o som dos atabaques, forma-se uma corrente magnética, e quando nos concentramos
para o inicio de uma incorporação, somos envolvidos por esses sons mágicos, fazendo nosso corpo
vibrar em sintonia, facilitando assim, este processo.
Tanto é verdade que médiuns que foram iniciados e condicionados a incorporar, mediante o som dos
atabaques e o canto, ficam "perdidos", quando necessitam incorporar em algum local, onde haja
completo silêncio.
Outro ponto interessante a comentar, são os pontos, normalmente curtos, que quando entoados de
uma forma harmônica e repetitiva, torna-se uma "oração mântrica". Tendo um efeito muito
poderoso, quando vibrado do modo correto.
Em realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas, que dinamizam forças
da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe

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toda uma magia e ciência por trás das curimbas que, se entoadas com conhecimento, amor, fé e
racionalidade, provoca, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de
forças astrais sempre presentes em nossas vidas.
Em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas sem conhecimento,
"puxam" pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado.
Tal fato pode causar transtornos à eficácia do que está sendo feito, uma vez que podem atrair forças
não afeitas àquele trabalho, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual.

Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela


espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente).

Os Pontos de Raiz ou espirituais


jamais podem ser modificados, pois se
constituem em termos harmoniosa e
metricamente organizados, ou seja,
com palavras colocadas em correlação
exata, que fazem abrir determinados
canais de interação físico-astral,
direcionando forças para os mais
diversos fins (sempre positivos).

No que concerne aos Pontos cantados


terrenos, a Espiritualidade os aceita,
desde que pautados na razão, bom
senso e fé de quem os compõem.

PALMAS (PAÔ)

As palmas auxiliam na firmeza da sessão, pois é, juntamente com o tambor, o elemento que promove
o RITMO à melodia (ponto cantado).
É muito importante observar o ritmo que todos estão batendo as palmas para não destoar do grupo.
Se perceber que está batendo palmas de maneira diferente, é preferível que se concentre no cântico e
que ao invés de bater a palma, que cante e dance para o orixá, pois dessa forma não estará causando
interferência no ritmo gerado pelas palmas do grupo e ainda estará agradando ao orixá com a dança
ritual em homenagem a ele(a).

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EXEMPLOS DE PONTOS E SEUS SIGNIFICADOS

Caiu uma folha na mata


Veio o sereno e molhou
E depois veio o sol
Enxugou, enxugou
E a mata
Se abriu toda em flor...

Algo triste ocorreu (a queda da folha) e os filhos choraram (o sereno molhou), mas tudo passa (vem
o sol) e se renova (a mata se abre em flor).

Das matas vim por Oxossi


Pras terras vou caminhar
Matamba me deu poder
Pras almas arrebanhar
Eu sou brasileiro meu pai
Eu sou boiadeiro eu sou
Irmão dos pequenos
Desgarrados de Oxalá

Os Boiadeiros se apresentam como vindos na linha de Oxossi , porém possuem um poder semelhante
ao de Iansã (Matamba), em que podem encaminhar os espíritos, da mesma forma que faziam com os
bois. Colocam-se como entidades fundamente ligadas ao povo brasileiro. E, no final passam uma
lição de humildade, se colocando apenas como irmãos mais velhos destes mesmos espíritos que
auxiliam.

Preto Velho senta no toco e faz o sinal da cruz


É missão de Preto velho ajudar filhos de Jesus
Cada conta do seu rosário,
Preto velho vai rezar
Se não fosse os pretos velhos
Eu não sabia caminhar
É devagar, é devagarzinho
Quem caminha com preto velho
Nunca ficou no caminho

Acorde para as verdades espirituais, se você quer seguir o exemplo dos Pretos-Velhos. A vida é
longa e as coisas importantes são conquistadas com paciência e esforço. Mas quem segue estes
conselhos termina sua encarnação com seus objetivos completados.

Pomba gira você é uma rosa


Que floresceu
Num galho de espinhos
Pomba gira, se tu és uma rosa
E tu és uma rosa...
Abra os meus caminhos

Pombogira é algo bom e belo que veio de um passado difícil. Por isso pedimos a Pombogira que com
sua experiência nos ajude a encontrarmos também a solução para nossos problemas.

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TIPOS DE PONTOS CANTADOS:

Pontos de chegada e partida São cantados para a incorporação e desincorporação


das entidades nos médiuns.

Pontos de vibração São cantados para atrair a vibração de um


determinado Orixá ou Guia para os trabalhos do
terreiro.

Pontos de defumação Para serem usados apenas durante a defumação.

Pontos de descarrego São cantados quando se fazem descarregos.

Pontos de fluidificação São cantados durante os passes, ou em momentos


em que algum elemento esteja sendo energizado no
terreiro. (= Vibração)

Pontos contra demandas São cantados apenas quando solicitados pelo guia
incorporado, ou quando o mesmo julgue necessário.

Ponto de abertura/fechamento São cantados no início e no final das sessões.

Pontos de firmeza São cantados com objetivo de fortalecer um trabalho


que esteja sendo realizado no terreiro. (= Vibração)

Pontos de doutrinação São cantados quando um espírito sofredor está sendo


encaminhado.

Ponto de cruzamento de Linhas e falanges Servem para atrair mais de uma vibração ao mesmo
tempo, com objetivo de que trabalhem em conjunto.

Pontos de cruzamento de terreiro São cantados no momento em que o terreiro esta


sendo cruzado.

Pontos de consagração do Gongá São cantados para homenagear os Orixás e Guias


responsáveis pela Direção da casa espiritual.

Pontos de boas vindas São cantados para saudar o dirigente de outra casa
que esteja presente à sessão, e para convidá-lo a
adentrar o terreiro, caso deseje.

Pontos de Homenagem São cantados para homenagear os Orixás e Guias.

O Ponto Cantado, nunca deve ser interrompido no meio, principalmente por terceiras pessoas. Vimos
pelo acima exposto que as curimbas, por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvo
de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que as utilizam, sendo ferramenta poderosa
de auxílio aos guias que atuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.

PEDIDO DE AGÔ: É um pedido de licença. Serve para que se faça silêncio imediato no terreiro.
Os guias chefes do terreiro e o Babalaô se utilizam desse pedido. E ao fazê-lo, todos se silenciam.
Significa que o ponto que estava sendo cantado não estava condizente com a gira, ou estava errado.

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ATABAQUES

O som é a primeira relação com o mundo, desde o ventre materno. Abre canais de comunicação que
facilitam o tratamento. Além de atingir os movimentos mais primitivos, a música atua como
elemento ordenador, que organiza a pessoa internamente.

A HISTÓRIA DOS TAMBORES

Os tambores começaram a aparecer pelas escavações arqueológicas do período neolítico. Um tambor


encontrado na escavação na Morávia foi datado de 6.000 anos antes de Cristo. Os primeiros
tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco. Estes troncos eram
cobertos nas bordas com peles de alguns répteis, e eram percutidos com as mãos. O Atabaque é de
origem árabe e foi introduzido na África por mercadores que entravam no continente através dos
países do norte, como o Egito.

Atabaques

São três os atabaques em um terreiro, Rum, Rumpi e Lê, sendo o Rum o atabaque maior com som
mais grave, é o atabaque responsável em puxar o toque do ponto que está sendo cantado, no Rum
ficaria o Alabê, Ogã, ou Ogã de Sala, seria o Ogã responsável pelos toques.
O Rumpi seria o segundo atabaque maior, tendo como importância responder ao atabaque Rum, e o
Lê seria o terceiro atabaque onde fica o Ogã que está iniciando ou aprendiz que acompanha o Rumpi.
O Rum também é responsável para dobrar ou repicar o toque para que não fique um toque repetitivo.
Os três atabaques que fazem soar o toque durante o ritual também são responsáveis pela convocação
dos orixás.
Os Atabaques são instrumentos de grande importância dentro da casa e por isso devemos respeitá-los
como se fossem ORIXÁS.
O couro merece cuidados, se passa dendê ou azeite ou sebo de carneiro e deixa-se no sol para que o
couro fique mais esticado, e possa produzir um som melhor no atabaque.
Cada atabaque tem suas obrigações a serem feitas, pois o atabaque representa um orixá. Ele recebe
um ritual equivalente ao feito pelo filho de santo daquele Orixá à que é consagrado.
Caso precise ser retirado do terreiro para manutenção, deve ser levado pelo ogã até o altar, ao mastro
central e aos quatro cantos do terreiro antes de sair do mesmo.
Tais instrumentos possuem um papel essencial nas cerimônias. Eles servem para manter o ambiente
sob uma vibração homogênea e fazer com que todos os médiuns permaneçam em vibração.
Somente o Alabê e seus auxiliares, que tiveram uma iniciação, têm o direito de tocá-los. Nos dias de
festa, os atabaques podem ser envolvidos com tiras de pano, nas cores do Orixá evocado. No caso
em que um desses atabaques seja derrubado ou venha a cair no chão durante uma cerimônia, esta é
interrompida por alguns instantes, em sinal de contrição. Somente o pai de santo o levanta, enquanto
todos se põem de joelhos.
Um Ogã seria como um pai pequeno da casa. Na maioria das vezes seu conhecimento é muito
grande. Para ser um Ogã não basta saber tocar e sim saber o fundamento da casa, saber o canto certo
na hora certa, o que é de grande importância em um terreiro.
Ogã antes de tudo é ser responsável e sério dentro do ritual, sem brincadeiras atrás do atabaque,
cumprindo suas obrigações como Ogã da casa, seguindo os fundamentos da casa com extrema
seriedade e atenção, procurando sempre aprender mais e aperfeiçoar os toques e os pontos, sabendo a
hora certa de usar. Além disso, os Ogãs devem estar sempre de roupas brancas, e com suas guias. O
Ogã é quem deve estar atento ao chefe da gira antes de sua incorporação e, depois dela, deve estar
atento a tudo e a todos, pois ele e o cambono são os únicos que ficam conscientes o ritual inteiro, o
Ogã que esta no Rum puxa os pontos e os demais devem acompanhar para que a energia da gira não

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seja quebrada. Após o chefe de gira incorporar, os Ogãs devem segurar a gira pra que sua vibração
não caia.
Alabê é o chefe dos demais Ogãs do terreiro: é o Ogã que não tem incorporação devendo se dedicar
somente em função dos atabaques. Quando assentado fica no mesmo grau de um médium feito.

ALTAR NA UMBANDA - GONGÁ

É o lugar onde são colocadas as imagens, assentamentos, ferramentas, pedras e firmezas dos orixás e
falanges. É ele o centro da imantação de um templo, pois é dali que emanam todas as Vibrações
através de seus imãs.
A parte onde são colocados os imãs é fechada, pois eles não podem ficar à mostra. Tocar nos imãs
ou assentamentos só é permitido ao Babá, e somente no caso de algum problema com ele poderão
ser tocados pela Mãe ou Pai pequeno.
Os assentamentos do Gongá têm que ser limpos periodicamente. Os filhos de santo da casa têm
obrigação de saudar este altar antes de começar o ritual e no seu término. Aos visitantes e
consulentes a saudação só pode ser feita caso lhes tenha sido dada autorização. Das extremidades do
altar é que partem as vibrações para a corrente mediúnica.

SOBRE O GONGÁ:
Ao chegarmos em um Templo de Umbanda, via de regra observamos na posição frontal
posterior do salão de trabalhos mediúnico-espirituais um ou mais objetos litúrgicos (cruz, imagens,
símbolos, velas etc.), dispostos de modo bem visível e que despertam a atenção dos que ali se fazem
presentes.
A este espaço especificamente destinado a recepcionar um conjunto de peças litúrgico
magísticas, afixadas sobre certas bases, na Umbanda nomeamos de Gongá (Jacutá - Altar- Pegi). O
Gongá possui sentido esotérico e exotérico. Esclarecemos que, embora os dois termos citados sejam
pronunciados da mesma forma, ambos possuem significados diferentes.
Diz-se Esotérico (Eso = Interno, velado, oculto) a todo o objeto, fato, ato, informação ou
procedimento, cuja significação somente é acessível a algumas determinadas pessoas, que por
outorga espiritual e/ou sacerdotal alcançaram tal conhecimento. Sua publicidade é velada, pelo
menos a priori.

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Conceitua-se Exotérico (Exo = Externo, aberto) a todo o objeto, fato, ato, informação ou
procedimento, cuja significação é de conhecimento geral, alcançando a todos, de forma ostensiva,
pública, vale dizer, sem nenhuma restrição quanto a sua razão de ser. A nível Exotérico, o Gongá
funciona como ponto de referência ou lugar de intermediação ou fixação psíquica, para o qual são
direcionadas ondas mentais na forma de preces, rogativas, agradecimentos, meditações etc.
É sabido que as instituições umbandistas recebem pessoas dos mais diferentes degraus
evolucionais, umas dispensando instrumentos materiais para elevarem seus pensamentos ao plano
invisível, e outras tantas, a maioria, necessitando de elos tangíveis de ligação para concentração,
afloramento, e direcionamento do teor mental das mesmas.
No quesito Sugestibilidade, o Gongá, por sua arrumação, beleza, luminosidade, vibração
etc., estimula médiuns e assistentes a elevarem seu padrão vibratório e a serem envolvidas por feixes
cristalinos de paz, amor, caridade e fraternidade, emanados pela Espiritualidade Superior atuante.
Também é através do Gongá que muitas pessoas que adentram pela primeira vez em um
templo umbandista conseguem identificar de pronto quais forças que coordenam os trabalhos
realizados. Para os não-umbandistas é saudável e balsâmico visualizar uma imagem representativa
de Jesus, posicionada em destaque, como que os convidando a fazerem parte desta grande obra de
caridade que é a Umbanda.
Passemos a falar do aspecto Esotérico do Gongá: Imaginem uma Usina de Força. Assim é o
Templo Umbandista. Agora imaginem esta usina com três ou mais núcleos de força, cada qual com
uma ou mais funções neste espaço de caridade. Pois bem, o Gongá é um deste núcleos de força, em
atividade constante, agindo como centro atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e
alimentador dos mais diferentes tipos e níveis de energia e magnetismo.

SACRAMENTOS e OBRIGAÇÕES

A Umbanda trabalha com alguns sacramentos que são parecidos com os da Igreja Católica,
que são: casamento, funeral e batismo.
O casamento é realizado pelo guia chefe da casa ou pelo sacerdote responsável pelo centro, e
não pertence só aos médiuns da casa, qualquer um que deseje casar-se na Umbanda pode pedir este
sacramento.
O funeral é realizado pelo sacerdote do terreiro e sofre alterações de acordo com a condição
do morto, se é iniciado na Umbanda ou não. No caso de um iniciado com obrigações, se chama
Omulufun.
O batismo é realizado pelo guia chefe do terreiro e pode ser para crianças ou adultos e
também não se restringe apenas aos médiuns da casa.
Os outros sacramentos da Umbanda são referentes aos graus de iniciação dos médiuns da
casa, são chamados de Obrigações, são eles:

o CONSAGRAÇÃO OU BATISMO: Corresponde ao batizado do médium:


Entrada no terreiro;
o MÃO DE PEMBA: Primeiro ponto riscado pelas entidades do médium;
o PRIMEIRA OBRIGAÇÃO: Assentamento do chefe de cabeça;
o ORIXALÁ: Assentamento do segundo orixá que compõe a coroa do
médium (segunda grande obrigação)
o MÃO DE FOGO: Assentamento de Exu. Obrigação de quimbanda.
o MÃO DE FACA: Obrigação de quimbanda feita junto do Obori.
o OBORI: Assentamento do terceiro orixá do médium. É o orixá que coroa o
filho. (terceira grande obrigação)

Todos estes rituais são realizados pelo Chefe do terreiro acompanhado pelas mães pequenas da casa.

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Lembramos também que nem todos os médiuns passam por todas as obrigações. Dependendo do
grau mostrado pelo gerente de banda do filho é que serão feitas as obrigações dele. Alguns têm a
missão de ir até a mão de fogo, outros têm a missão de fazer Obori, outros ainda têm a missão de ser
pai ou mãe de santo. Será sempre de acordo com a missão imposta pelo gerente de banda que as
obrigações do filho de santo serão feitas. Nada é dado além ou aquém daquilo que as entidades
determinarem e comprovarem através da pemba. Isso não faz com que um filho seja melhor ou pior
médium que um outro que vá fazer mais obrigações. São reflexos dos diferentes estágios em que
cada espírito se encontra. Nesse aspecto, existem três tipos de planos cármicos:

1- O plano cármico MISSIONÁRIO: médium que nasce com a missão de dirigir um terreiro;
2- O plano cármico EVOLUTIVO: médium que nasce com a missão de evoluir espiritualmente;
3- O plano cármico RESGATIVO: médium que nasce com a missão de resgate de faltas passadas;

PEMBA

A Pemba, de origem africana, é um instrumento Ritualístico de alto significado.


É normalmente utilizada para riscar pontos pelas Entidades e pelo médium, visando estabelecer
Contatos vibratórios com as esferas espirituais. A Pemba praticamente é usada em quase todos os
Rituais de Umbanda. Por carregar o axé, a Pemba é saudada como um Divino instrumento,
dedicando-se até pontos cantados e reverências específicas. O fundamento místico de sua utilização
está relacionado à pedra. A pedra é o próprio elemento terra participando dos trabalhos. Assume
aspecto neutro e, devido a isso, significa Lei e Justiça.
Pela pureza, a Pemba é um dos poucos elementos que pode tocar a cabeça do médium. Confecciona-
se a Pemba com uma substância chamada “caulim” (argila pura de cor branca), importado da África.
Com o tempo, o “caulim” foi substituído, pela dificuldade de importação, pelo “calcário” e pela
”tabatinga”.
Sua confecção é bem simples; Basta misturar uma pequena quantidade do material citado acima
triturado com um pouco de goma arábica diluída em um pouco de água, deixá-la secar um pouco, e
antes que a massa endureça dar a ela o formato desejado. A Pemba é confeccionada em formato
ovóide alongado, e serve para, para ao riscar, estabelecer ritualisticamente o contato vibratório com
as energias cósmicas.

Saudação: Okê pembê!


PONTOS RISCADOS

Os pontos cabalísticos riscados com Pemba de calcário representam uma grafia de símbolos que se
revestem de todo poder mágico que as forças cósmicas lhe oferecem. Todo ponto possui uma
vibração e intenção específica. Um ponto riscado estabelece contatos mágicos. É uma invoação de
energias específicas e afins ao trabalho que está sendo realizado ou ao orixá que esta sendo
confirmado. É por isso que não se pode copiar um ponto.

CONCEITOS DE PONTOS RISCADOS:

Para o Umbandista, o ponto riscado é um instrumento para os trabalhos magísticos efetuados para
entidades, afinal de contas ele possui um grande significado e valor mágico.
Na verdade é o selo, o cartão de visitas, a identificação, o brasão e bandeira da entidade. É uma
espécie de campo de força onde o instrumento utilizado pela entidade em seu efetivo campo de
trabalho é a Pemba.
Pode-se afirmar que a Pemba é um instrumento sagrado da Umbanda, pois nada pode se fazer com
segurança sem os pontos riscados. Os pontos riscados são verdadeiros códigos registrados e sediados

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ao mundo espiritual, eles identificam poderes, tipos de atividades, e os vínculos iniciáticos da
falange. Quando são traçados sem conhecimentos de causas, não projetam sua grafia luminosa e não
passam de rabiscos inócuos.

Riscar um ponto de traz para frente é inverter ou perverter a força da magia. Então não basta ver um
ponto no livro para riscá-lo sem o devido conhecimento. O mau uso do ponto riscado pode levar a
conseqüências imprevisíveis, comparáveis as de um leigo em assuntos de eletricidade, entrando
numa casa de forças e pondo-se a manejar as chaves ou embaralhar os fios.

Um ponto riscado pode ser firmado, dependendo do trabalho ou cerimônia a ser realizada,
utilizando-se a pemba, marafo, fundanga, azeite, ponteiro ou ate mesmo mentalmente, o que requer
muita prática. Mas lembre-se: só se utiliza a pólvora, marafo e ponteiro com autorização superior.

Quanto ao uso da Pemba, estudando o sentido e o valor das cores, só utiliza a Pemba preta aquele
que foi autorizado para tal. Na Umbanda o mais usual é o trabalho com a Pemba branca. Lembrem
mais uma vez que todo ponto riscado é magia, com todo significado da sua grafia e ondas
vibratórias.

É interessante também observar que, quando um filho de Umbanda se apresenta perturbado dentro
de um templo, muitas vezes notamos o Babalorixá cruzar seu corpo com Pemba. Isto representa a
escrita divina através da magia para chamar a razão à entidade obsessora, a fim de que ela possa
conhecer através deste traçado cabalístico, o seu erro e abandonar este filho que ate então obsidiava.

O Ponto Riscado é composto de Linha, Chave e Raiz, onde:

LINHA: É a identificação do guia e mostra a qual das sete linhas de umbanda ele pertence.
Se é um Xangô, um Ogum, uma Iemanjá... Também é chamada de Onda Vibracional.

CHAVE: É a identificação de qual falange das linhas esse guia pertence, por exemplo: se
for um Ogum, pode ser um Iara, um Megê, um Rompe-Mato, dependendo do símbolo
(chave) desenhado no ponto.

RAIZ: É a ligação dele com o médium, são as particularidades do guia e dizem respeito à
sua proximidade com o filho, à época em que viveu, seus planos de atuação. São os segredos
do guia para com o médium dele.

TIPOS DE PONTOS RISCADOS:

1. Ponto de SEGURANÇA: são os pontos de nossos orixás, nosso chefe de cabeça e nosso
Anjo da guarda. São usados para proteção pessoal do médium.

2. Ponto de FIRMEZA: pontos riscados para objetivos específicos. Exemplo: Aquele que o
guia chefe do terreiro risca para firmeza da gira ou, ainda, quando o médium está mal, pode
ser feito um ponto de firmeza maior (Oxalá) ou ponto de cura com Omulu.

3. Pontos de LIMPEZA: Pontos de saída (queima) de Exu ou pontos de saída com Orixás,
para limpeza de ambiente e pessoas.

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MAGIA

Magia é uma ciência que transcende a própria essência dos Senhores das Luz, contida no Universo.
Se divide em duas, de acordo com a índole e as intenções da pessoa que trabalha com ela: Magia
Branca – para o bem; e Magia Negra – para o mal. Existem quatro modalidades de magia:

1. NATURAL: serve-se de atos naturais, como banhos, chás, passes...


2. CERIMONIAL ou RITUALÍSTICA: serve-se de atos doutrinários, obrigações,
invocações, orações, rituais, iniciações na lei...
3. TALISMÂNICA: serve-se do ato da confecção de guias, patuás, amuletos, imagens...
4. CABALÍSTICA: serve-se da Cabala: sinais riscados, numerologia, grafia, astrologia...

Magia, antigamente chamada de Grande Ciência Sagrada pelos Magos, é uma ciência oculta que
estuda os segredos da natureza e a sua relação com o homem, criando assim um conjunto de teorias e
práticas que visam ao desenvolvimento integral das faculdades internas espirituais e ocultas do
Homem, até que este tenha o domínio total sobre si mesmo e sobre a natureza. A origem da palavra
Magia, provém da Língua Persa, magus ou magi, que significa sábio.

CABALA

Cabala é a transmissão espiritual do conhecimento esotérico, uma Ciência Divina. Vem do hebraico
Kabballah, onde Kabbol = transmitir e Allah = Deus, sendo assim a tradução seria Transmissão de
Deus. Significa recebimento, aceitação, herança espiritual. Cabala é a tradução da parte filosófica,
litúrgica e doutrinária de uma religião. É o ensinamento daquilo que é oculto. É a ciência do nome de
Deus, do Universo e a ligação da divindade com o Homem. É a tradição oculta através de símbolos,
letras ancestrais e riscos diversos. Só pode ser assimilada, portanto através de envolvimento
individual, seguro e profundo. Para a cabala, os símbolos, riscos e letras são as potências do mundo
espiritual, o qual rege e governa nosso mundo material, dando origem a um poderoso centro de
energia. O conhecimento da teoria e prática espiritual correta possibilita o conhecimento dos nossos
elos diretos com o Deus. O exercício da cabala é uma forte prática espiritual que necessita preparo,
pois permite ligação direta com nossos mensageiros e protetores. Vem dos quatro elementos: terra,
fogo, água e ar. A cabala conhece a maneira certa de curar, a influência dos astros, os talismãs, os
fenômenos paranormais, as bruxarias, os rituais, os riscos, a numerologia, etc... Faz parte da Magia
Cabalística.

CORPOS ENERGÉTICOS

São sete os corpos energéticos do homem:

• Corpo Físico: Formado pelos elementos necessários para nossa sustentação. É nossa
matéria, feito de carne e osso.

• Corpo Etérico: Cópia energética anatômica e fisiológica direta do corpo físico. Nesse corpo
estão gravadas as impressões das vidas passadas. Nele atuam o passe e as terapias
alternativas, pois eliminando-se disfunções energéticas neste nível, a cura torna-se possível
no nível físico. Receptor, assimilador e transmissor de prana.

• Corpo Astral ou ALMA: Onde se processam as comunicações espirituais. É esse corpo


energético o responsável pelos sonhos e desdobramentos e também é através dele que se dá a
incorporação.

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• Corpo Emocional: corpo energético que identifica a índole da pessoa. Armazena os
sentimentos, emoções, medos, desejos, anseios, etc., os quais, se não resolvidos e liberados,
acarretarão doenças físicas.

• Corpo Mental: Armazena o padrão de personalidade, crenças e modelos de vida. Controla o


intelecto, pensamentos, idéias e os conhecimentos racionais e intuitivos. É o corpo
energético que transforma os pensamentos e raciocínios em algo concreto.

• Corpo Causal: É o corpo da Causa e Efeito, é o corpo relativo ao Carma/Darma. Quando


exercitamos nosso livre-arbítrio, as energias de Deus que qualificamos com harmonia,
elevam-se para o nosso Corpo Causal. Elas são adicionadas à nossa corrente de vida como
"talentos", que podemos aumentar se deles fizermos bom uso, vida após vida. Este é o seu
Banco no Plano Etéreo, é a sua estrela que brilha no céu. É o poder do indivíduo acumulado
de todas as suas vidas passadas.

• Corpo Energético ou Monádico: É o corpo superior do homem. Responsável pela ligação


com o Divino. Sustenta os demais corpos. É o que recebe a energia de Deus e a reflete
alimentando a alma da pessoa.

Estes sete corpos formam um campo eletro-magnético em torno do homem, também conhecido
como Aura.

AURA

A aura é um elemento etéreo, imaterial, que emana e envolve seres ou objetos. Algumas
pessoas vêem a aura de seres vivos, e a forma e a cor da aura refletem o estado físico, mental e
emocional da pessoa. Problemas de ordem física e/ou psicológica, ao alimentar sentimentos
negativos, dão à aura uma cor escura, como o marrom; cores claras significam que a pessoa goza de
boa saúde emocional. A aura é visualizável quando a vibração está dentro do espectro da luz entre o
vermelho e o violeta. Emoções conscientes tendem a modificar a cor da pele da pessoa observada,
dando às vezes uma impressão de alteração da sua textura. Estados emocionais semi-conscientes
teriam maior propensão a projetar um halo luminoso, de uma distância de alguns centímetros até um
metro do corpo, o que cria um efeito de campo detectável por quem esteja próximo, uma explicação
para produção de simpatias ou antipatias, aparentemente gratuitas, mas que são efeitos de um
fenômeno similar à influência de um campo magnético.

Algumas pessoas fotografam a aura por um processo chamado fotografia kirlian ou


kirliangrafia. A aura é um campo energético que envolve o nosso corpo físico. A aura nos dá toda a
leitura emocional do nosso corpo físico. Nossos medos, nossas angústias, nossas raivas, enfim, todo
o emocional. Assim, quando você está de bem com a vida, num estado de espírito muito bom, as
cores da aura são bem vivas e bem fortes. A Aura é o conjunto dos sete corpos energéticos que o
indivíduo possui.

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Significado das cores:

Aura verde: Autoconfiança, capacidade de resolver problemas e de perdoar e de amar a paz;


sensibilidade. Está num momento organizador, planejador e estrategista. A predominância da
cor verde na aura das pessoas indica saúde e vigor. Esse tom costuma aparecer com grande
intensidade na região da cabeça, pois está associado á atividade mental. Nos animais, a aura
verde indica mansidão. Nas plantas, demonstra a emissão de fortes ondas de energia positiva,
sendo muito comum nos vegetais dotados de propriedades curativas. Os objetos de aura verde
são de uma autêntica fonte de positividade.

Aura amarela: Capacidade de dar e receber; ter esperanças; a saúde e a família desempenham
um papel importante. Tem o dom de trabalhar em grupo harmoniosamente. O amarelo é uma
das cores cinestésicas do espectro; isso significa que uma pessoa com aura desta cor tem uma
reação física antes de ter uma resposta emocional ou intelectual. Quando ele entra numa sala
cheia de gente, sabe de imediato se quer permanecer ou não. A predominância da cor amarela
na aura das pessoas indica inteligência, facilidade para se comunicar e para aprender e
supremacia da razão sobre a emoção. Nos animais, pode ser sinal de doença, debilidade física
ou tristeza. Nas plantas significa falta de vitalidade, especialmente se a tonalidade do amarelo
for muito fraca. Já os objetos de aura amarela costumam ser dotados de pouca energia ou
emitir vibrações ruins.

Aura azul: Capacidade de cura através das próprias energias mentais e espirituais; age sobre
os outros de modo agradável e calmante; altos ideais de vida; sinceridade. O Azul personifica
as características do cuidado e do carinho. É a cor da aura que mais se preocupa em ajudar os
outros. Predominância da cor azul na aura das pessoas indica paz interior, harmonia, saúde
equilibrada. Bem estar, descanso e autoconfiança. Geralmente se manifesta com maior
intensidade após um ato sexual satisfatório e durante o sono. Nos animais, a aura azul é sinal
de felicidade e de satisfação com o tratamento que vêm recebendo do dono. Nas plantas, indica
propriedades tranqüilizantes e analgésicas. Nos objetos, pode ser interpretadas como uma
emanação de fluidos positivos.

Aura laranja: Sua busca espiritual é, na verdade, uma busca de um sentido de vida além de si
mesmo. A predominância da cor laranja na aura das pessoas indica capacidade de realização,
sensualidade, boa saúde, versatilidade e dinamismo. Nos animais é sinal de manifestação dos
instintos (fome, sede, desejo sexual). Nas plantas, indica a produção de sementes ou o nascer
das flores. Nos objetos, expressa um grande potencial energético (é comum na aura de sinos e
de objetos religiosos em geral).

Aura dourada: Adora saber como e por que uma determinada coisa funciona, e lança mão de
uma paciência infinita. A espiritualidade, para a pessoa de aura dourada, é o estudo da ordem
superior do universo e de leis e princípios que o governam. Ele quer entender a organização
mental, as leis ou as probabilidades que geraram a ordem no interior do caos espiritual. A
predominância da cor dourada na aura das pessoas indica espiritualidade elevada e
prosperidade. Ela surge com mais intensidade na região do tórax, pois está associada ao amor,
qualidade inerente ao centro energético do coração. Nos animais, o dourado expressa
felicidade. Nas plantas, simboliza suavidade e fluidos positivos. Nos objetos, mostra que foram
tocados por uma pessoa bem intencionada.

Aura Vermelha: Ênfase no modo de vida material; sucesso alcançado através da dedicação
pessoal completa; saúde física estável; tendência à irritabilidade quando contrariada. A
predominância da cor vermelha na aura das pessoas indica vitalidade, excitação coragem e

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forte energia sexual. Porém se estiver muito concentrada num determinado ponto, pode ser
sinal de um distúrbio. Nos animais, exprime instinto e vigor, ao passo que nas plantas está
associado ao crescimento. Nos objetos, indica que eles foram tocados por alguém que estava
entusiasmado ou ansioso e que os deixou impregnado dessa energia.

Aura violeta: Espiritualidade bem desenvolvida; inspirações criativas; capacidade de


transformar os sofrimentos pessoais em fatores positivos para o próprio destino. O violeta é a
cor do espectro mais próxima do equilíbrio psíquico, emocional e espiritual em vigor no
planeta neste momento. A predominância dessa cor na aura das pessoas é expressão de poderes
mediúnicos, capacidade de compreensão, saúde e mentes equilibradas.Quando surge nos
animais, a aura violeta significa satisfação e fidelidade. Nas plantas, é sinal de uma força
positiva tanto que as violetas e as flores de lótus que simbolizam a espiritualidade, costumam
ter a aura dessa cor. Nos objetos, indica uma forte concentração energética, e, geralmente se
manifesta depois que o objeto foi tocado por uma pessoa espiritualmente evoluída.

Aura prateada: Um curandeiro, médium natural. Utiliza energia para transformar luz em
raios que curam, seu maior desafio é aprender a se conhecer e descobrir seus dons especiais.

Aura Anil Índigo: A aguda perspicácia intelectual é um dos aspectos mais gratificantes e mais
exasperantes, é brilhante e inquiridor, com uma inteligência que vai muito além dos conceitos
mais tradicionais.

Aura cristal: A predominância dessa cor (uma espécie de névoa brilhante e branca) na aura
das pessoas indica dons telepáticos, poder de cura, para-normalidade, pureza e bondade.
Costuma se manifestar com maior força nas mãos de massagistas e outras pessoas que lidam
com cura. Nos animais é sinal de capacidade de adaptação. Nas plantas, a aura cristal tanto
pode significar positividade quanto falta de vigor e vulnerabilidade. E, nos objetos, a aura
cristal, expressa o poder de receber e emanar energias.

CHAKRAS (ou Plexos)

São centros de energia localizados no nosso corpo físico. São vários, sendo sete os principais
chacras, dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça e cada um corresponde à
uma das sete principais glândulas do corpo humano. Cada um destes chacras está em estreita
correspondência com certas funções físicas, mentais, vitais ou espirituais. Num corpo saudável,
todos esses pontos giram a uma grande velocidade. Mas se um desses centros começa a diminuir a
velocidade de rotação, o fluxo de energia fica inibido ou bloqueado - e disso resulta o
envelhecimento ou a doença.

O CORPO FÍSICO E CADA UM DOS CHAKRAS

Nosso corpo físico tem uma ligação sutil com o mundo astral. É através do desequilíbrio desta
energia vital que as pessoas adoecem e acabam obstruindo esta ligação com o Divino. Daí, a relação
entre as doenças e as crises emocionais. É muito comum ver pessoas que acabam somatizando e
transformando energias negativas, depressão, raiva, solidão, em doenças físicas, como cânceres e
outras mais graves. Nosso corpo físico tem pontos, que quando ativados, fazem fluir a energia vital,
nos trazendo alegria e, principalmente, saúde. É através dos nadis (meridianos) - caminhos invisíveis
dentro do nosso organismo - que a energia vital (PRANA) caminha por todo o nosso corpo e chega
aos chacras.

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COMO ENERGIZAR OS CHAKRAS

Várias terapias, como o Reiki e a cromoterapia se utilizam dos chakras como base para diagnóstico e
tratamento de males que atingem desde o corpo físico até o espiritual. Através de gestos, que podem
ser incorporados no dia-a-dia é possível ativar estes pontos de energia, buscando a harmonização do
corpo e da alma.

1- Concentrar-se no que está fazendo, pensando na região do chakra já é uma forma de reativá-lo.

2- Procure ficar em um lugar tranqüilo, para que nenhum barulho possa tirar sua concentração,
coloque uma de suas mãos aberta em frente ao chakra, sem tocar no corpo, e faça movimentos
circulares no sentido horário, como se estivesse massageando o local, mas à distância.

3- Sentar-se na posição de lótus - pernas cruzadas, tronco ereto - e fixar o olhar na ponta do nariz
estimula o chakra frontal ou do terceiro olho.

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KUNDALINI

O primeiro chakra, denominado no ocidente como Chakra Base ou Chakra Raiz é o responsável por
manter o fluxo de energia ascendente da terra para o corpo. Emocionalmente ele conecta a pessoa ao
mundo presente sendo o responsável pelo bom ânimo. Esse chakra também exerce forte influência
sobre os demais "bombeando" energia da terra (telúrica) para cima em direção aos demais centros de
energia.
Nos pés há chakras secundários, plantares, que se relacionam diretamente ao Chakra Raiz sendo os
responsáveis pela perfeita troca de energia entre o corpo e a terra. A energia telúrica (da terra)
absorvida por esses três chakras, ao ser modificada pelo Chakra Raiz, em seu caminho ascendente
aos demais chakras recebe o nome de Kundalini. Técnicas orientais e descrições herméticas relatam
o fluxo dessa energia, usando-se a expressão "fogo serpentino", que descreve sua ascensão através
dos nadis.

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OS ELEMENTOS

Os Elementos são forças usadas na magia para determinados rituais. São em número de 7, porém
somente 4 são os mais conhecidos:

• TERRA – FOGO – ÁGUA – AR

Os outros 3 são usados dentro do esoterismo, a parte mais secreta, somente alguns iniciados tem esse
conhecimento

• ÁTOMO – ÉTER – ÍTRIO

• Átomo: Energia purificada, Universal, ligada ao criador, partícula divina;


• Éter: Invólucro (espécie de nuvem transparente); quintessência
• Ítrio: Centelha Prateada (espécie de fagulhas).

São usados para cura de obsessões de modo geral.

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QUIMBANDA

A Quimbanda nunca deve ser confundida com magia negra, pois está presente na Umbanda desde a
sua fundação pelo médium Zélio Fernandino de Morais, já que o mesmo admitiu ter um Exu como
guia por ordens de seus guias. A Quimbanda também é religião e trabalha com a invocação dos seres
em evolução. A lei de Quimbanda, assim como a Umbanda, também possui suas sete linhas e suas
falanges, e assim como a Umbanda tem Oxalá como seu patrono, a Quimbanda tem seu Omulu
como patrono, por ser o dono da Calunga Pequena (Cemitério).

As Sete Linhas da Quimbanda:

1- Linha do Cemitério, chefiada por seu João Caveira


2- Linha dos Caveiras, chefiada por Exú Caveira
3- Linha de Nagô, chefiada por Gererê da Encruzilhada
4- Linha de Malei, chefiada por Exú Rei das Sete Encruzilhadas
5- Linha de Maçurumbi, chefiada por Caminaloá
6- Linha dos Caboclos Quimbandeiros, chefiada por Pantera Negra
7- Linha Mista, chefiada por Exú das Campinas

72
EXU

A Quimbanda é a seara ou plano onde atuam os Exus e Pomba-Giras (também chamados de


Povo de Rua ou de Esquerda), eles fazem uso de forças negativas (isso não significa malignas),
muitas vezes estão presentes em portas de templos religiosos de qualquer espécie, cemitérios,
encruzilhadas, ruas e estradas, bem como em lugares onde possa ter Kiumbas (obsessores - seres
malignos), festas e aglomerações de pessoas onde exista o consumo de álcool e drogas.
São os responsáveis pela segurança das pessoas, eles ajudam na proteção contra espíritos
obsessores, mas dependem das práticas de cada um em evitar o desequilíbrio emocional, o excesso
de bebidas alcóolicas ou consumo de entorpecentes, práticas estas que acabam atraindo esses
obsessores.
Uma entrega para um Exu contém farofa amarela, cebola e pimenta (basicamente), podendo
conter outras ervas e temperos, além de alguma bebida que geralmente é cachaça, uísque ou
conhaque.
Em um terreiro sério, em que há o sério trabalho de guardiões, existe a proteção contra
espíritos malfeitores, obsessores e zombeteiros. Os Exus executam sua função de forma séria e
objetiva sem muitos rodeios, nem excessos como palavrões ou bagunças, pois estão em busca
também da sua evolução. Daí, quanto maior a ajuda aos consulentes, mais eles evoluem também.
Cuidam geralmente de casos relacionados a situações finaceiras, saúde, emprego, e o
afastamento de obsessores do presente e do passado que teimam em obsediar suas vitímas
encarnadas, fazendo com que aceitem as realidades da vida espiritual. Os trabalhos feitos contra
essas vitímas são analisados e geralmente resolvidos.
Buscam em comum a sua evolução espiritual, melhorando seu carma e pagando as divídas
do passado. Os Exus são soldados prontos a nos proteger e assegurar que espíritos malfeitores não
nos façam mal. Para eles não existe o bem ou o mal e sim somente a execução das leis divinas.
Exu é um dos elementos que trabalha na Lei de Quimbanda, ligada ao Astral Inferior, sendo
eles guardiões do Universo, estão encarregados de atrairem para eles toda a sorte de pensamento e
fluido negativo. São seres carmáticos, em estado evolutivo e também são chamados de garis astrais.
Sua força maior está nas trevas e seu elemento principal é a terra. Gostam de receber seus presentas
nas encruzilhadas, cemitérios, caminhos e campinas. Sua saudação é: Anaruê ou Laroiê Exu ou Exú
é o Mojubá!

Algumas definições de termos a respeito de Exu:

Exu Pagão é o exu que aceitou sua condição e também aceitou trabalhar nas leis do alto, mas ainda
está em fase de aprendizado e espiação. O termo pagão reflete ao quanto ele é neutro, podendo tanto
fazer o bem quanto o mal, (dependendo da índole de quem o faz os pedidos) e por isso deve-se tomar
cuidado com exu pagão. (Não confundir com o Exú que tem o nome de Exú Pagão).

Exu Batizado é mais evoluído que o pagão. Só faz o bem, aceita e crê na existência das leis de Deus
e pratica a caridade para evoluir. (São os que normalmente fazem parte da banda dos médiuns).

Exu Chefe de Falange ou Coroado é o que possui exus sob seu comando, ou seja, ele é um
guardião das leis divinas e tem seus centuriões que fazem os trabalhos e prestam contas a ele, que
são os chamados Exus Menores.

Como mensageiro do astral, Exú tudo sabe, não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele
transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exú
trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço, sejam outros orixás, ou
encarnados. O que o distingue de todos os outros orixás é seu caráter de transformador: Exú é aquele
que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a

73
mudança. Não é pois de se estranhar que seja considerado perigoso e temido, posto que se trata daquele
que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites e, assim, tudo o
que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exú carrega
qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento da
normalidade, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e
reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, dotado de caráter
instável e turbulento.
As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses. Exú tem este
encargo, de transportador. Também é preciso saber as mensagens que os Orixás têm para os seres
viventes. Exú propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. Exú é o portador das
orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses. Exú faz a ponte entre este mundo e mundo dos orixás,
especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo,
incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho
de intermediário do mensageiro e transportador Exú. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem
mesmo uma repetição.
Exú deve então receber suas oferendas, deve ser propiciado, sempre que algum orixá recebe oferenda.
Sempre que um orixá é interpelado, Exú também o é, pois a interpelação de todos se faz através dele. É
preciso que ele receba oferenda, sem a qual a comunicação não se realiza. Por isso é costume dizer que
Exú não trabalha sem pagamento, o que acabou por imputar-lhe, quando o ideal cristão do trabalho
desinteressado da caridade se interpôs entre os santos católicos e os orixás, a imagem de mercenário,
interesseiro e venal.
Foi sem dúvida o processo de cristianização de Oxalá e de outros orixás que empurrou Exú para o
domínio do inferno católico, como um contraponto requerido pelo molde sincrético. Pois, ao se ajustar
a religião dos orixás ao modelo da religião cristã, faltava evidentemente preencher o lado satânico do
esquema deus-diabo, bem-mal, salvação-perdição, céu-inferno, e quem melhor que Exú para o papel do
demônio? Sua fama já não era das melhores e mesmo entre os seguidores dos orixás, sua natureza, que
não se ajusta aos modelos comuns de conduta, e seu caráter não acomodado e autônomo já faziam dele
desviante e marginal, como o diabo. Foi exatamente a cristianização dos orixás que “transformou”
Oxalá em Jesus Cristo, Iemanjá em Nossa Senhora, outros orixás em santos católicos, e Exú no diabo.
Exu não é santo nem demônio, é o orixá mensageiro que detém o poder da transformação e do
movimento, que vive na estrada, domina as encruzilhadas e cemitérios e guarda a porta das casas e dos
templos, trazendo proteção contra perigos e inimigos.

Características:

Cor Preto e Vermelho


Ervas Pimenta, tiririca, urtiga, garfo de exu, figueira, avelós...
Pontos da Natureza Encruzilhadas, passagens, caminhos, cemitérios
Flores Cravos Vermelhos, rosas vermelhas
Dia da Semana Segunda-feira
Saudação Laroiê Exu, Exu ê, Exu é o mojubá, Anaruê Exu!
Bebida Cachaça, conhaque, whisky

Atribuições:

Vigia as passagens, abre e fecha os caminhos. Por isso ajuda a resolver problemas da vida fora de
casa e a encontrar caminhos para progredir, além de proteger contra perigos e inimigos. É o
responsável por levar e trazer mensagens do mundo astral e descarregar as pessoas das energias,
pensamentos e fluidos negativos que Exú atrai para si.

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OMULÚ - OBALUAIÊ

Em termos mais estritos, Obaluaiê é a forma jovem do Orixá, enquanto Omulu é sua forma
velha. Trata-se do mesmo orixá manifestado de maneiras diferentes. Jovem em alguns médiuns ou
velho em outros. É o patrono da Quimbanda, pelo fato de ser dono dos cemitérios. São também comuns
as variações gráficas Obaluaê e Abaluaê.
É um Orixá sombrio, tido entre o povo nagô como severo e terrível, caso não seja devidamente
cultuado, porém Pai bondoso e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de gestos
humildes, honestos e leais.
Nanã decanta os espíritos que irão reencarnar e Omulú/Obaluaiê estabelece o cordão energético
que une o espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno.
Ele é um dos mais temidos Orixás. Comanda as doenças e, conseqüentemente, a saúde. Assim
como Nanã, tem profunda relação com a morte. Tem o rosto e o corpo cobertos de palha da costa. Seu
fetiche é o Xaxará - um feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios. Na Umbanda não utiliza a
palha, mas a própria toalha branca de seus médiuns para se cobrir, quando incorporado.
A figura de Omulu/Obaluaiê, assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e
dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído o controle sobre todas as doenças,
especialmente as epidêmicas. É uma divindade da terra dura, seca e quente. É às vezes chamado "o
velho", com todo o prestígio e poder que a idade representa. Está ligado ao Sol, propicia colheitas e
saúde. Com seu Xaxará, cetro ritual de palha da Costa, ele expulsa a peste e o mal.
Esta Grande Potência Astral Inteligente tem sob seu comando incontáveis legiões de espíritos,
trabalhadores do Grande Laboratório do Espaço e verdadeiros cientistas, médicos, enfermeiros etc., que
preparam os espíritos para uma nova encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.
Atuam também no plano físico, junto aos profissionais de saúde, trazendo o bálsamo necessário para o
alívio das dores daqueles que sofrem.
O Senhor da Vida é também Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria.
Assim, na hora do desencarne, são eles, os falangeiros de Omulu, que vêm nos ajudar a desatar nossos
fios de agregação astral-físico (cordão de prata), que ligam o espírito ao corpo material. Os
comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos locais pré e pós
morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo
de força fluídica.

Características:

Cor Preto e branco, amarelo e preto ou roxo


Ervas Canela de Velho, Erva de Bicho, Erva de Passarinho, Barba de Milho, Barba de
Velho, Cinco Chagas, Fortuna, Hera.
Pontos da Natureza Cemitério, grutas, praia deserta
Flores Monsenhor branco, pipocas (flores)
Dia da Semana Segunda-feira
Elemento Terra
Saudação Atôtô - Omulu, Ajoberô – Obaluaiê (Significam “Silêncio, Respeito”)
Bebida Água mineral (vinho tinto)
Data Comemorativa 16 de Agosto (S. Roque – Obaluaiê) e 17 de Dezembro (S.Lázaro – Omulú)
Sincretismo: São Roque, São Lázaro e São Braz.

Atribuições: Muitos associam Obaluaiê ou Omulú apenas com o Orixá curador, que ele realmente é,
pois cura mesmo! Mas Obaluaiê – Omulú é muito mais do que já o descreveram. Ele é o "Senhor das
Passagens" de um plano para outro, de uma dimensão para outra, e mesmo do espírito para a carne e
vice-versa. É o dono dos cemitérios e Patrono da Quimbanda. Reina atrás dos cruzeiros.

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PERGUNTAS E RESPOSTAS

1) O que é Umbanda?

Umbanda é uma Religião Litúrgica, Filosófica e Doutrinária, que trabalha com as invocações de
seres espirituais e com Leis Mágicas Universais.

2) Quais os seus dois sentidos?

a) Sentido Exotérico: Litúrgico (culto público e oficial), Filosófico (Ensinamentos públicos,


palestras). É tudo aquilo que está à mostra.
b) Sentido Esotérico: Doutrinário (ensinamentos cabalísticos), Ritualizado, as iniciações secretas
(tudo aquilo que é oculto)

3) Como se focaliza seu culto?

Seu culto se focaliza nos fenômenos espirituais, rituais e rítmicos.

4) Quais os temas usados pelos Umbandistas (Pilares)?

Fé, Amor, Caridade e União.

5) Quem é o Senhor do Universo, e como o chamamos na Umbanda?

É o nosso Pai Maior, Deus, que na Umbanda chamamos de Zambi.

6) Quem é seu filho, e qual o seu nome na Umbanda?

O seu filho é Jesus, seu nome na Umbanda é Oxalá.

7) Qual é a terceira pessoa da Santíssima Trindade e como se chama na Umbanda?

É o Espírito Santo, e na Umbanda é Ifá.

8) Quais as leis que regulam a Umbanda?

As Leis da Evolução, da Encarnação, do Carma, do Livre Arbítrio e do Choque e Retorno

9) O que nos diz a Lei da Evolução?

É a lei a que todos os espíritos estão subordinados.Trata da progressão do espírito, desde a criação e
passagem pelos reinos mineral, vegetal, animal, humano até alcançar a esfera angelical. O tempo de
evolução de cada um depende do progresso moral do espírito. Tomando em consideração isso, é
correto dizer que todos nós chegaremos um dia a sermos divinos, fazendo parte da energia maior que
é Deus, retornando a ele.

10) O que é Encarnação? E reencarnação?


Quando o indivíduo vem pela primeira vez a um corpo físico. Reencarnação é quando o indivíduo
vem pela segunda vez ou mais a um corpo físico.

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11) O que é Lei de Livre Arbítrio?

É a lei que dá direito ao indivíduo de escolher seu próprio destino, tomar as suas próprias decisões a
assumir a responsabilidade sobre elas.

12) O que é Lei de choque e retorno?

É a Lei divina que nos diz que aquilo que fizermos, recebemos em troca, é também chamada de a Lei
da Devolução. Para uma ação positiva, um efeito positivo, para uma ação infeliz, o resultado
correspondente.

13) O que vem a ser Carma?

É o nosso elo de ligação de vidas passadas, é a causa e o efeito de nossos atos já praticados, bem-
feitos ou malfeitos. É o resultado do nosso livre arbítrio através da Lei do Choque e Retorno. Numa
definição mais esotérica quando negativo, no sentido de "conjunto de deméritos acumulados", este se
chama Carma; porém quando positivo, como num "conjunto de méritos acumulados" (virtudes), este
se chama Dharma.

14) Como o indivíduo pode eliminar seu Carma?

Por meio de encarnações, ou ainda pelo processo de evolução espiritual, permitido pela mediunidade
e praticado através da caridade.

15) Quais são os três tipos de Carma existentes?

- Carma Missionário: Médium que nasce com a missão de dirigir.


- Carma Evolutivo: Médium que nasce somente com esta missão.
- Carma Resgativo: Médium que nasce com a missão de resgate.

16) O que são Linhas da Umbanda?

São faixas vibratórias, também chamadas de vibrações originais. Uma linha ou vibração, eqüivale a
um grande exército de espíritos que rendem obediência a um "Chefe". Este "Chefe" representa para
nós um Orixá e cabe a ele uma grande missão no espaço.

17) Em quantas Linhas se divide a Umbanda, quais são elas?

São em número de sete; São elas: Oxalá, lemanjá, Oriente, Xangô, Ogum, Oxossi e Almas.

18) O que são Falanges?

São as subdivisões das linhas, onde cada falange é composta de uma gama de espíritos orientados
por um guia que chefia a mesma. Exemplo: Linha de Ogum > Falanges: Megê, Iara, Malei, Nagô.

19) O que é Anjo de Guarda? E em que hora devemos nos comunicar com eles?

Guardião individual de cada ser humano. Espírito que se incumbe da tarefa de amparar um outro
espírito na etapa encarnatória. A comunicação com nossos Anjos da Guarda deverá ser feita a
qualquer hora.

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20) Como são regidos?
.
Sagrado Coração de Jesus, Oxalá, Virgem Maria, Nossas Senhoras, São Jorge, São Miguel, São
Rafael, São Sebastião, etc... Essa regência significa a vibração na qual ele possui afinidade e busca
forças para trazer guarda e proteção ao filho. São normalmente nomes de santos, anjos e arcanjos.

21) O que são Orixás?

Orixás são seres da escala Divina, denominada de mensageiros.

22) Onde militam esses Orixás?

Em ondas vibratórias, também chamadas de Vibrações Originárias ou Linhas.

23) Para que os Orixás usam seus apetrechos?

Para defesa pessoal e material do Médium, bem como instrumentos para seus trabalhos de caridade.

24) Quantos são os centros energéticos atuando no ser humano?

São vários porem sete se destacam. São denominados de Chakras.

25) Quais são suas características e sua forma?

São circulares, multicoloridos e formados de pétalas.

26) Como são chamados, onde estão situados, suas pétalas (número) suas cores?

7) Coronário: situado no alto da cabeça: consciência: 1000 pétalas, cor violeta, elemento
Universal. Ligado ao Sol e a Oxalá
6) Frontal: situado entre as sobrancelhas: intelecto: 96 pétalas, cor azul escuro, elemento
Unificador. Ligado à Lua e a Iemanjá
5) Cervical ou Laringe: situado na zona do pescoço: Audição: 16 pétalas, cor azul, elemento
Éter. Ligado a Mercúrio e Ibeji
4) Cardíaco: situado na zona do coração: Tato: 12 pétalas, cor verde, elemento ar. Ligado ao
planeta Jupiter e Xangô
3) Solear ou Umbilical: situado na zona do umbigo: Visão: 10 pétalas, cor Amarelo, elemento
fogo. Ligado ao planeta marte e a Ogum
2) Esplênico: situado no baço: Paladar : cor rosa choque, 6 pétalas, elemento água. Ligado ao
planeta Vênus e a Oxossi
1) Sacro ou Raiz Base: situado na espinha dorsal. Olfato: 4 pétalas, cor laranja, elemento terra.
Ligado ao planeta Saturno e àos Pretos Velhos, a Omulu e Exú.

27) O que vem a ser Magia? Como pode ser?

Magia é uma ciência que transcende a própria essência dos Senhores da Luz, contida no Universo.
Estuda os segredos da natureza e suas relações com o homem. Pode ser: Magia Branca ou Magia
Negra, dependendo da índole e das intenções de quem com ela trabalha.

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28) Quais os tipos de magia existentes?

- Magia Natural: serve-se de atos naturais: banhos, chás, passes etc...


- Magia Cerimonial ou Ritualística: serve-se de atos doutrinários, obrigações, invocações,
orações, rituais, iniciações na lei.
- Magia Talismânica: serve-se de atos das confecções: guias, patuás, amuletos, imagens etc...
- Magia Cabalística: Serve-se da Cabala: sinais riscados, numerologia, grafia, astrologia, etc...

29) O que é Cabala? E onde é encontrada?

Cabala é a transmissão espiritual do conhecimento esotérico, uma ciência Divina, vem do hebraico e
significa TRANSMISSÃO DE DEUS. É o ensinamento daquilo que é oculto. É a ciência do nome
de Deus, do Universo e a ligação com o Homem. É a tradição oculta através de símbolos, letras
ancestrais e riscos diversos. Só pode ser assimilada, portanto através de envolvimento individual,
seguro e profundo.

30) O Médium de incorporação só possui esta mediunidade? Dê exemplo:

Não, o mesmo poderá ter várias outras. Depende exclusivamente do seu desenvolvimento espiritual.
Pode desenvolver a mediunidade de visão, audição, psicografia...

31)Dentro da mediunidade existem três categorias para médiuns, quais são elas, explique cada
uma delas?

- MÉDIUM CONSCIENTE: é aquele que é ciente do seu dever como médium, não recebe
Guias, exemplos: Cambono, Ogã, etc.
- MÉDIUM SEMI CONSCIENTE: é o que invoca o Guia e o recebe, mas fica sabendo de
tudo o que se passa ao seu redor, porém não consegue dominar o fluído.
- MÉDIUM INCOSCIENTE: é o que incorpora seu Guia e nada sabe daquilo que está
fazendo, fica totalmente tomado.

32) Quais são os três fatores dentro da Vibração Mental da Mediunidade?

1) Psíquico: Transforma a capacidade de nossa Alma, onde se dá a incorporação.


2) Sensorial: Transforma nossa mente, se junta em nossa Alma onde se dá a comunicação.
3) Motor: Transforma o corpo físico, onde o médium é o veiculo.

33) O que é ser Médium, todos são Médiuns, como devemos saber se somos Médium?

Médium é um intermediário das forças espirituais. Para sabermos se somos Médiuns, devemos
procurar uma pessoa capacitada (guia) e esta nos dirá a respeito.

34) O que quer dizer mediunidade?

Mediunidade é a capacidade que torna o indivíduo apto a receber comunicações com seres
espirituais.

35) Como se dá a chamada mediunidade de incorporação?

Por meio do corpo astral.

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36) Quantos corpos possuem os Guias, explique?

Possuem seis corpos, menos o corpo físico, e é por este motivo que necessita do Médium para a sua
comunicação.

37) Todos são Médiuns de incorporação, porque?

Não, porque cada um possui sua mediunidade e esta pode ser de vários tipos diferentes.

38) Quais são as mediunidades existentes, cite algumas?

São 69. Exemplos:


- Incorporação Os que recebem os Guias.
- Videntes Os que vêem os Espíritos.
- Intuição Que recebe e ouve a voz dos Espíritos em pensamento.
- Transporte Que pega os objetos e os transporta
- Audição Os que ouvem a voz dos Espíritos
- Psicógrafo São os que escrevem.
- Materialização Que possuem capacidade de materializar objetos.

40) O que significa fluído e como devemos agir com relação ao mesmo?

É uma generalidade, princípio elementar em diversas formas espirituais transformando e agindo com
influência no indivíduo, deixando-o sem capacidade de controlar o corpo físico. Ex: (calor, frios,
temores, dores, tremores, etc...)

41) O que é fluido Ódico?

É o fluido individual característico da cada pessoa. É a energia que cada um emana.

42) O que são fluídos negativos?

São aqueles que transmitem carga energética oposta ao elemento positivo, afastando o ser das
virtudes.

43) Quais são os espíritos que trabalham com fluídos negativos?

Sofredores, obsessores, kiumbas e larvas astrais.

44) Como devemos expulsar os fluídos negativos?

Recorrendo-se a um Guia ou uma pessoa capacitada. A obrigação que confere plenamente essa
capacidade é a mão de fogo.

45) Porque se cantam curimbas nos Terreiros? Qual o valor da música no ritual de Umbanda?

São invocações de chamada aos Guias. A música possui o sentido esotérico, com seu campo
magnético, ela exerce uma Atração, formando uma sonoridade ritmada para se juntar ao Astral,
chamando assim Orixás e Protetores.

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46) Qual a diferença de Obrigação, Oferenda e Entrega?

- Obrigação: é uma forma de iniciação a religião e possui o sentido esotérico.


- Oferenda: é uma espécie de oferta que se faz a um Orixá, Guia ou Protetor, tanto na Umbanda,
como na Quimbanda.
- Entrega: é uma oferta que se faz em troca de um favor obtido, está ligado ao Elemento Exu.

47) O que é a Quimbanda?

A Quimbanda é a seara ou plano onde atuam os Exus e Pomba-Giras. Também é uma religião, só
com invocações dos espíritos em evolução. Depende exclusivamente da índole de quem trabalha
com ela.

48) Quais são as 7 Linhas da Quimbanda?

1- Linha do Cemitério, chefiada por seu João Caveira


2- Linha dos Caveiras, chefiada por Exú Caveira
3- Linha de Nagô, chefiada por Gererê da Encruzilhada
4- Linha de Malei, chefiada por Exú Rei (Sete Encruzilhadas)
5- Linha de Maçurumbi, chefiada por Caminaloá
6- Linha dos Caboclos Quimbandeiros, chefiada por Pantera Negra
7- Linha Mista, chefiada por Exú das Campinas

49) Dê algumas Falanges de Exus:

Exus: Tranca Rua das Almas, Tranca Rua de Embaré, Exu 7 Montanhas, Exu do Lodo, Exu das
Campinas, Exu Vira Mundo, Exu Marabô, Exu Pinga Fogo, Exu Lalu, Exu Lonan, Exu das 7
Encruzilhadas, Exu Veludo, Rei de Ganga e muitos outros, uma infinidade deles.

50) Porque não se deve trabalhar com a Quimbanda para o mal?

Porque acima de nós existe a justiça do ser Divino, e a Lei do choque e retorno.

51) Quais são os espíritos que trabalham com fluídos negativos?

Sofredores, obsessores, kuiumbas e larvas astrais.

52) Como devemos expulsar os fluídos negativos?

Recorrendo-se a um Guia ou uma pessoa capacitada.

53) Como chamamos o Chefe ou Maioral da Quimbanda?

Chamamos de Exú Rei, Exú Lúcifer ou Maioral.

54) Quem é o Patrono da Quimbanda?

Seu Omulú.

81
55) Exu só trabalha para fazer o mal? Por quê?

Não. Porque são seres totalmente carmáticos, depende dos seres humanos, seu estado evolutivo.

56) Qual a maior força dos Exus?

A maior força dos Exus está nas trevas. E seu elemento maior é a terra.

57) E onde eles gostam que se entreguem os presentes?

Nas Encruzilhadas, Cemitérios, nas Campinas, Caminhos...

58) Fale sobre Exu:

Exu é um dos elementos que trabalha na Linha de Quimbanda, ligado ao Astral Inferior, sendo eles
guardiões do Universo, estão encarregados de atraírem para eles toda forma de Pensamento negativo,
são seres totalmente carmáticos, estão em estado evolutivo, também são chamados de garis astrais.

59) O que é um Exu Coroado ou Maior? E exu comum ou menor?

Exu Coroado é o exu chefe de falange, que possui exus sob seu comando, ou seja, ele é um guardião
das leis divinas e tem seus comandados que também executam trabalhos e prestam contas a ele, estes
são os chamados Exus Menores ou Comuns.

60) De que tipo podem ser?

Podem ser de dois tipos:

- Pagãos, que não tem nada a ver com o Exu Pagão, apenas significa que ainda estão necessitando
de doutrina, pois se predispõem a fazer o mal em troca de “presentes”. (Normalmente ainda
estão no estágio de obsessores)
-
- Batizados: Exus que trabalham com os médiuns prestando caridade, trazendo mensagens e que
não aceitam fazer o mal de modo a não regredir na Luz que já obtiveram.

61) Que tipo de exus incorporam nos médiuns?

Todos eles podem incorporar. A qualidade dos trabalhos de caridade vai ser sempre diretamente
ligada ao grau de doutrina e esclarecimento que o espírito já recebeu.
Alguns exemplos: Exu Kaminaloá: Pelo nome da falange é Coroado. Pela Luz, doutrina e
esclarecimento espiritual ele, ainda assim pode ser um pagão, como pode ser batizado.
Exu Arranca Toco: Pelo nome da falange é um exu menor (comum) que pode ser pagão ou batizado
de acordo com a história espiritual dele, sua Luz, sua doutrina.
Ambos podem incorporar nos médiuns advindos de uma puxada, como podem fazer mesmo parte da
banda de um médium. Sejam eles batizados ou pagãos. As condições de cada um dependem da
doutrina que eles já tiveram; e a evolução e o crescimento de cada um deles - e até a mudança da
condição de pagão para batizado - dependerá da postura do dirigente da casa em doutrinar e fazer
aquele espírito crescer também.
Sofredores e pagãos (obsessores) ainda conseguem se ligar a médiuns por conta de ligações
sanguíneas ou cármicas. O mesmo não ocorre com quiumbas, e larvas atrais, pois estes espíritos
ainda se encontram em estágios espirituais e evolucionais muito atrasados.

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