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Servir e Seguir

Depois de entrarem na Terra para onde tinham caminhado durante 40 anos, Josué faz um desafio que parece
mesmo uma provocação aos seus irmãos… Ou guardam a memória daquela saída libertadora e do caminho de
Aliança que o Deus de Israel tinha feito com eles, ou se viravam para outras divindades, os deuses dos outros povos
que entretanto tinham conhecido.

Também Jesus, no evangelho que escutamos hoje, depois do grande discurso do Pão da Vida, do Maná do Novo
Êxodo, ao ver que muitos se iam embora pergunta aos que ainda ficavam: “Também ides? Ou ficais comigo?...”

Quais são as palavras-chave nestes dois momentos? No Antigo Testamento, é SERVIR. No Novo Testamento, é
SEGUIR.

A Fé não é a simples pertença cultural aos ritos de uma religião. Não é isso que Josué pergunta aos seus
contemporâneos, nem Jesus aos seus discípulos. Josué não lhes pergunta por qual religião é que eles escolhem, mas
a Quem querem Servir! E Jesus pergunta aos seus se o querem Seguir, se querem Escutar e Acolher o seu
Ensinamento. O que está em causa não é uma “crença”, não é ser desta ou daquela religião, simplesmente, mas a
Quem Servimos e a Quem Seguimos. A idolatria, na história bíblica, tem sempre a ver com a recusa da Liberdade:
Servir quem rouba a vida em vez de a dar e Seguir aqueles que levam a acções injustas. A Conversão é a
redescoberta de que Servir o Deus da Vida é pôr-se ao Serviço da Vida e do Bem, e que Seguir os Seus eleitos é fazer
parte de um futuro de Salvação a construir-se em favor de toda a Humanidade.

Para mim, hoje, tornam-se muito importantes estas perguntas… A quem Servimos? A quem Seguimos?

É claro que temos fé, vamos à missa, fazemos as nossas orações e tudo isso. Mas no concreto da nossa vida, dos
nossos dias, estamos ao Serviço de quê? Estamos ao Serviço de quem? Quem é que pode contar connosco? Na
primeira leitura de hoje, acreditar em Deus é Servi-lo. O que significará Servir a Deus? Ele precisa dos nossos
Serviços?! Ou precisa de nós como instrumentos ao Serviço do que Ele quer fazer em tantos irmãos nossos? Ter Fé é
Servir a Deus… Não Servi-lo como se Deus precisasse de criados, mas Servir para Deus, Servir-lhe para alguma coisa,
como um instrumento serve àquele que o usa para fazer o que é preciso… E Louvá-lo nesse Serviço, e Bendizê-lo
nesse Serviço, e Celebrar essa Vida que, estando ao nosso Serviço por Amor, nos põe também ao Serviço dos
irmãos.

E a quem seguimos? É claro que escutamos o evangelho de Jesus, conhecemos as suas palavras… mas, na hora das
decisões, dos projectos, quais são os critérios que nos guiam? Quais são os valores em nome dos quais optamos?
Quais são as palavras que mais nos habitam o coração e a mente, quais são as que mais dizemos? Quem Seguimos
de verdade, a quem procuramos assemelhar-nos cada vez mais? A Jesus?

São apenas perguntas, mas as leituras de hoje deixam-me com várias destas a pairar na cabeça… Ter Fé é Servir e
Seguir…

No pedaço da carta do Apóstolo Paulo que hoje lemos, ele dá um exemplo concreto de Seguir Jesus, de procurarmos
assemelhar-nos cada vez mais a ele. E fala nisso no caso muito concreto do casamento. Muitas noivas não gostam
desta leitura, porque Paulo, com a linguagem própria da sua cultura, usa palavras como “submetei-vos em tudo” e
“o marido é a cabeça da mulher”. Mas é importante ler o resto… “Maridos amai as vossas esposas!” E, ainda por
cima, como se não bastasse isto, coloca a fasquia em “Como Jesus amou a Igreja”. “Amai as vossas esposas como ao
vosso próprio Corpo, como Cristo à Igreja, que é o seu Corpo”. Toda a linguagem da “submissão” e de “um ser a
cabeça do outro” está dentro deste mistério de Amor inesgotável revelado em Jesus de Nazaré. Não tem nada a ver
com domínio, com poder, com supremacia. Tudo isso é contrário ao Evangelho e toda a espécie de violência ou
submissão agressiva dentro do casal é contrária à vontade de Deus. Amar como Jesus é dar-se até ao fim, entregar-
se sem medida e nunca procurar o próprio interesse. Assim, “ser submisso” não é uma imposição nem uma coisa má
mas o próprio desejo de quem se sabe amado e quer responder a esse amor.

Não deixa de ser estranho que, nas estatísticas que se vão fazendo, o maior número de casos de violência doméstica
coincidem sempre com as regiões do país tradicionalmente católicas! Ao menos nisto, os que se dizem discípulos de
Jesus podiam aprender alguma coisa do Mestre, nem que mais não fosse a amar bem…