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COLEÇÃO

Educação
FINANCEIRA
na escola

AJUDE SEU FILHO


A USAR, GERAR,
E TER DINHEIRO

Brasília 2015
Editora Oficina
Copyright@2015 by Oficina das Finanças
Todos os direitos desta edição são reservados à Oficina das Finanças.

Telefone (61) 3051 1285


editora@oficinadasfinancas.com.br
www.oficinadasfinancas.com.br

Autores
Carolina Simões Lopes Ligocki
Silvana Maria Silva Iunes

Produção de Conteúdo
Ana Luiza Marinho Carneiro
Carolina Simões Lopes Ligocki
Silvana Maria Silva Iunes

Editora
Editora Oficina

Projeto Gráfico e Editoração


Maylena Clécia - Link Design

L726a Ligocki, Carolina Simões Lopes.


Ajude seu filho a usar, gerar e ter dinheiro [recurso eletrônico] /
Carolina Simões Lopes Ligocki, Silvana Maria Silva Iunes. – 1. ed.
– Brasília : Oficina, 2015.
41 f. : il. – (Educação financeira na escola. Oficina das
finanças. Livros digitais ; v. 1)

ISBN 978-85-68651-09-4 (obra completa).

1. Educação financeira. 2. Economia doméstica. 3. Finanças –


Economia – Educação. I. Iunes, Silvana Maria Silva. II. Título.
III. Série.

CDU 64.011.4

Índices para catálogo sistemático:


1. Educação financeira: 64.011.4

2. Finanças: Economia: Educação 336:37


Introdução
Este livro foi elaborado como suporte para os pais e faz parte do programa
Educação Financeira na Escola da Oficina das Finanças, que introduz o assunto
finanças na vida dos alunos brasileiros do primeiro ao nono ano do ensino
fundamental. Família e escola caminham juntas na educação das crianças, e
na educação financeira: a coerência e parceria são decisivas porque envolvem
questões comportamentais e éticas vivenciadas diariamente.
O dinheiro faz parte da nossa vida, e desenvolver a inteligência financeira
das pessoas, desde a infância, permite que usufruam do dia a dia, valorizem
as coisas realmente essenciais, superem desafios financeiros e aproveitem
oportunidades com mais segurança e conforto ao longo da vida, possibilitando
ainda independência financeira a partir de atitudes simples e conscientes.
Esta coleção é a realização de um sonho de uma equipe que acredita no poder
da educação financeira com foco na reflexão sobre valores e ética, superação
de limites pessoais, no poder da ação, desenvolvimento de habilidades e
preparação para o novo momento da economia mundial.
Independente de quanto dinheiro a família tem, de como se organiza e
consome, se existe ou não o uso da mesada, este livro poderá contribuir para
o diálogo e educação financeira de todos os envolvidos.
Caso a escola em que seu filho estuda não esteja adotando o programa,
você pode levar até eles o nosso contato para que analisem a proposta de
adoção e também conhecer e adquirir os livros da coleção de Educação
Financeira em Casa, com atividades práticas para serem feitas em família
com crianças e com jovens.
Conversar sobre o dinheiro com seu filho, pode parecer ainda mais
desafiador quando a criança tem pouca idade, mas o que estamos
propondo é que seja favorecido às crianças a possibilidade e oportunidade
de desenvolverem habilidades que serão construídas de forma contínua
e significativa, ao longo de toda a infância e adolescência. Esse tema é,
geralmente, carregado de preconceitos e normalmente fala-se pouco no
assunto, o que dificulta ainda mais a compreensão e desenvolvimento
de habilidades. Você, como responsável, se apropriará nas próximas
páginas de informações úteis para serem discutidas nas experiências do
dia a dia com seu filho no ambiente familiar.
Lembre-se de que você não precisa ser perfeito, ninguém o é, e que seu filho,
por estar em processo de desenvolvimento fisiológico e cognitivo, precisará de
exemplos, repetições, experimentações e vivências para construir e absorver
os conceitos ao longo do tempo. Na prática, crianças a partir dos cinco anos
começam a desenvolver a compreensão do tempo, e até os oito anos podem
não ter ainda a capacidade de relacionar numerais às quantidades que eles
representam, e a partir dos nove anos já tiveram a oportunidade de utilizar
as quatro operações (soma, subtração, divisão e multiplicação).

Por isso paciência é fundamental!


SUMÁRIO

CONHECENDO O DINHEIRO 6
Por que existe? 6

USANDO O DINHEIRO 9
Por que aprender a usar o dinheiro é necessário? 10
Necessidades nas diferentes etapas da vida 11
Desejos x Necessidades 12
Desejos da sua família 14
Descobrindo e realizando seus desejos 15
Fluxo do dinheiro na sua casa. Regulando as torneiras 16
Contribuindo com o controle e direcionamento do
dinheiro da casa 18
Caro X Barato 19
Consumismo prejudica a natureza 20

GERANDO DINHEIRO

Como gerar dinheiro? 22


Quem leva dinheiro para sua casa? 25
A ética como limite 26
Aprender a poupar 27

DEPOIMENTOS 32
5
Instruções para utilização
As ideias aqui evidenciadas poderão contribuir para a mediação de conceitos
esclarecedores de finanças pessoais em casa e nas atividades do dia a dia da
família, contribuindo com o trabalho que está sendo feito na escola.
Os pais que se sentirem motivados poderão realizar, com os filhos, as tarefas
dos livros de atividades da coleção Educação Financeira em Casa da Oficina
das Finanças, de acordo com a idade atual do filho. Os livros da coleção de
Educação Financeira na Escola foram elaborados de forma que os temas
possam ser ampliados ao longo dos anos pois cada atividade tem objetivos
bem específicos e colocará os alunos em contato com situações ímpares
para o desenvolvimento de habilidades em cada fase da vida. Algumas
atividades foram estrategicamente elaboradas para serem realizadas em
casa, pois entendemos que a sustentabilidade financeira de uma família é
conseguida com a participação e contribuição de todos e a ampliação do
diálogo sobre finanças e uso do dinheiro em casa é fundamental e cria um
elo de conexão que potencializa os resultados.
Ao adotar o Programa da Oficina das Finanças os professores e coordenadores
da escola recebem apoio pedagógico e de finanças pessoais durante todo
o ano letivo, e os resultados do trabalho são monitorados por pesquisa de
impacto anual.
6

CONHECENDO O
DINHEIRO

Por que existe?

Para que serve o dinheiro?


REFLITA
O que o dinheiro pode comprar?

Uma pessoa com dinheiro tem mais opções de escolha.


O DINHEIRO NÃO COMPRA saúde, mas compra alimentos de boa qualidade,
consulta com bons médicos, remédios e possibilidade de fazer atividade
física.
O DINHEIRO NÃO COMPRA uma boa noite de sono, mas compra bom
colchão, lençóis, travesseiros e a possibilidade de climatizar o ambiente do
quarto.
O DINHEIRO NÃO COMPRA amigos, mas compra tempo livre, transporte
para encontrar pessoas queridas ao redor do mundo e a possibilidade de
reunir grupos. Felicidade não é uma questão que resolvemos com dinheiro.
Mas conforto, alimento, moradia, lazer podem ser comprados.

É fundamental que as crianças entendam de onde surgiu a necessidade


de ter e usar dinheiro na nossa sociedade, e para isso reunimos algumas
informações que poderão ser utilizadas no bate-papo.
Antigamente, as pessoas não usavam o dinheiro, cada uma desenvolvia sua
produção no campo ou serviço e quando precisavam de coisas ou alimentos
que não produziam, trocavam com outras pessoas. Essa transação de troca
de bens e/ou serviços por outros bens e/ou serviços com a concordância entre
as partes é chamada de escambo.
7
À medida que as comunidades iam crescendo e aumentando as trocas, os
objetos de troca foram se modificando e sendo representados por conchas,
peles de animais, chás, até chegar aos metais preciosos que, por seu valor
próprio, eram referências para as negociações e depois foram gradativamente
evoluindo para valores com números impressos. Sabe-se que na China, mais
de mil anos antes de Cristo já usavam conchas como moeda de troca. As
primeiras moedas de metal surgiram na Turquia no século VII antes de Cristo,
e a Casa da Moeda da Bahia, a primeira do Brasil, começou a fabricar moedas
em ouro e prata em 1695, com metal vindo de Portugal.
Com o aumento da quantidade e volume de negociações o saco de
moedas de ouro foi ficando pesado e perigoso, pelo risco de ser roubado,
e veio a necessidade de depositá-lo em casas de pessoas confiáveis que se
encarregavam de cuidar para o dono em troca de algumas moedas. Por
garantia, o guardador emitia um recibo referente ao valor de ouro depositado,
quando o dono quisesse reaver o valor poderia trocar o recibo pelo ouro.
Esses recibos acabaram sendo negociados e se transformaram nas primeiras
cédulas a serem trocadas, nascendo assim o dinheiro em papel e os bancos.
Na década de 1970 os Estados Unidos aboliram a referência ao padrão-ouro,
o chamado “lastro”, e o papel moeda passou a valer por si só.
Para saber o valor de cada dinheiro, ao redor do mundo, é necessário um
conhecimento das notas e moedas, observando os numerais marcados nelas,
pois esse foi um padrão adotado por todos os países.
Atualmente, além das cédulas e moedas, cheques, temos o dinheiro invisível,
que são cartões de débito ou crédito. Eles vêm sendo cada vez mais utilizados
pelas pessoas. Nessas operações, o dinheiro propriamente dito não aparece,
e as transações são feitas também pela internet.
Muitas crianças começam contando as notas assim: “um dinheiro, dois di-
nheiros, três dinheiros” e só depois, com a vivência e a idade, começam a
perceber que cada moeda ou nota de dinheiro tem um valor diferente.
Você já parou para pensar que uma cédula
de 1.000 em um país pode comprar muitas
coisas, e que em outro, a cédula com o Cada CASA D
número 1.000 pode comprar apenas 1 maçã? A MOEDA, de
país, fabrica um cada
tipo diferente
Por exemplo, em 2013, você precisaria de nheiro, por isso de di-
existem cédula
aproximadamente dezoito milhões de Pesos edas tão variad s e mo-
as ao redor do
Aqui no Brasi mundo.
Colombianos para comprar um carro de vinte l, a nossa moe
da
ma Real, e se se cha-
mil Reais no Brasil. Levar em consideração você reparar
de dinheiro, ca nas notas
da valor tem um
apenas o número escrito na nota não nos dá um animal esta a cor e
mpado. Nem se
informações suficientes sobre o real valor da assim, ele já te m pre foi
ve vários nom
tes como: Mil- es diferen-
cédula ou moeda. Cada país tem um Banco Réis, Cruzeiro
Cruzeiro Real... , Cruzado,
Central que define a quantidade de dinheiro , e as cédulas
já tiveram
cores e desenh
que a Casa da Moeda deve fabricar para ficar os bem variad
os.
circulando entre as pessoas. Normalmente
quanto mais dinheiro é produzido menos
8
ele começa a valer. Imagine que esteja muito frio, e muitas pessoas precisem
comprar casacos, e se houver poucos casacos nas lojas para serem vendidos,
provavelmente o preço vai subir, pois os lojistas vão aproveitar que têm
pouca quantidade para ganhar mais dinheiro em cada casaco vendido. Isso
acontece muito com os alimentos. Quando está na época de colher manga,
existe muita quantidade de manga disponível para ser vendida, e o preço
dela fica mais barato, essa é a lei da oferta e da procura.
Além do valor de um produto determinado pela lei da oferta e da
procura, ele também pode passar a valer mais por ser associado à imagem
de prosperidade, ser sinônimo de bom gosto ou de qualquer coisa que a
sociedade esteja valorizando.
O número de coisas que uma mesma quantidade de dinheiro pode
comprar vai mudando ao longo do tempo, por exemplo, se hoje você
consegue comprar 1 kg de açúcar + 1 litro de leite + 10 pães com R$ 10,00,
provavelmente daqui a um ano conseguirá comprar apenas 1 kg de açúcar
+ 1 litro de leite + 2 pães.

CHAMAMOS ESSA
VARIAÇÃO DO
PODER DE COMPRA
DO DINHEIRO DE
INFLAÇÃO.

Simbolicamente podemos explicar para as crianças que o dinheiro é como o


gelo que, ficando fora da geladeira, derrete ao longo do tempo. O dinheiro
em casa, ou investido, com rendimentos abaixo do índice da inflação, também
vai perdendo o seu valor, vai derretendo e acabando. Por isso é necessário
levar em consideração o valor da inflação ao fazer investimentos e evitar ao
máximo deixar seu dinheiro parado na conta corrente ou guardado em casa.
Os bancos são lugares onde guardamos o dinheiro com mais segurança,
fazemos o dinheiro “crescer” com investimentos, e “compramos dinheiro”,
fazendo empréstimos. Pagamos taxas de manutenção de compras para
manter o dinheiro guardado no banco.
9
USANDO O
DINHEIRO

Conseguiremos ajudar um número maior de


REFLITA
pessoas tendo dinheiro?

O DINHEIRO POTENCIALIZA NOSSO PODER DE AÇÃO. Uma pessoa


competente, boa, caridosa, amiga e com dinheiro poderá ajudar muito
mais pessoas do que uma pessoa competente, boa, caridosa e amiga, que
não tenha dinheiro.
A ideia em abordar esse tema é ajudar você a conversar com as crianças para
que percebam onde o dinheiro é necessário nas atividades do dia a dia.
Quando acendemos uma lâmpada, há um relógio que mede o consumo
de eletricidade. Quanto mais tempo essa lâmpada estiver acesa, mais o
medidor de eletricidade vai girar, e maior será a conta no fim do mês. Da
mesma forma, quando a gente abre uma torneira em casa, a quantidade de
água que sai da torneira está sendo medida por outro relógio que mede o
quanto a família consome de água ao longo de um mês. Por isso, quando
alguém deixa a torneira aberta sem necessidade, não está desperdiçando
apenas água, está desperdiçando dinheiro.
Se você está em uma cadeira agora, isso só aconteceu porque alguém comprou
essa cadeira. Se a cadeira for destruída, haverá desperdício de dinheiro para
comprar uma cadeira nova, concorda? Seguindo a mesma ideia, se a pessoa
cuida do caderno ou do lápis e de tudo mais que tem, está cuidando do
dinheiro também. Assim, em vez de gastar mais dinheiro comprando novos
materiais escolares, essa economia pode ser usada para realizar outras coisas
que a família deseja.
Se vocês fizerem esse exercício em todos os locais em que costumam ir,
começarão a perceber a presença do dinheiro onde não enxergavam: nos
alimentos que comem, e compram no mercado, nas roupas que vestem,
nos produtos de higiene pessoal que usam para escovar os dentes ou tomar
banho, nas brincadeiras ou jogos, e por aí vai.
10
Até mesmo nos serviços que parecem gratuitos
como escolas e bibliotecas públicas, parques,
praças e shows da sua cidade, o dinheiro é
necessário para manutenção, produção e cuidados,
e é pago pelos IMPOSTOS, que é um dinheiro
que todos os cidadãos pagam para o Governo ao
comprar produtos ou receber dinheiro. Se você
fizer um trabalho e receber R$ 200,00 por ele,
precisará deixar uma parte com o Governo, como
pagamento de impostos.
Os cidadãos pagam por qualquer tipo de rendimento um percentual para o
Governo, mesmo na transferência ou doação de bens que um pai faz para
um filho, em vida ou após a morte, existem cobranças de impostos. Todos nós
contribuímos mensalmente para que o reservatório do Governo fique cheio
e é por isso que precisamos estar atentos às torneiras onde os governantes
estão utilizando esse dinheiro.
Outro ponto importante é perceber que existem produtos que compramos e
que tiram dinheiro do nosso bolso. Por exemplo: quem compra um aparelho
celular precisará pagar, além do valor do produto, uma conta mensal de
serviços de telefonia, ou pagar por créditos sempre que quiser falar ou enviar
mensagem. Temos que pagar pela manutenção ou serviços valores além do
preço do produto.

POR QUE APRENDER A USAR O DINHEIRO É NECESSÁRIO?


Ao compreender que ter ou não ter dinheiro é uma questão de como se
usa o dinheiro, independente de quanto dinheiro recebe todos os meses, as
crianças descobrirão a importância de aprender a usar o dinheiro.
Você já ouviu falar de alguma pessoa que ganhou muito dinheiro na loteria,
mas gastou tudo e voltou a ficar sem dinheiro?
E de uma pessoa que não tinha dinheiro, mas conseguiu ter muito dinheiro?
Qual é a diferença entre essas duas pessoas?
A diferença é que a primeira não soube usar de forma inteligente o próprio
dinheiro, enquanto a outra pessoa que acabou com muito dinheiro, mesmo
quando ganhava pouco, usou o dinheiro com INTELIGÊNCIA e sabia o que
fazer com ele.
Vamos ver que o que faz uma pessoa ter ou não ter dinheiro não é definido
por quanto ela ganha, mas pela maneira como ela utiliza esse dinheiro.
É possível aprender a USAR o dinheiro de forma inteligente e conseguir
realizar mais coisas com ele.

Devemos evitar usar termos como riqueza e pobreza porque são termos
subjetivos, e as pessoas costumam usá-los com julgamento de valor, riqueza
11
de saúde, de amigos, e quando falamos de finanças não estamos tratando
disso, apenas queremos abordar o fato de a pessoa ter ou não ter dinheiro,
independente se ela é boa, má, generosa ou egoísta. O dinheiro apenas
potencializa suas ações, ele não faz você mudar de caráter. Precisamos
entender que pessoas boas, amigas e generosas poderão fazer muito mais
pela sociedade, ajudar muito mais pessoas, se tiverem dinheiro.

NECESSIDADES NAS DIFERENTES ETAPAS DA VIDA


Compreender que as necessidades mudam ao longo do
tempo ajudará as crianças a planejar, pensar também
no futuro e conciliar as realizações no presente com a
segurança do futuro.
Ao conversar sobre metas a longo prazo e aposenta-
doria, muitos adultos falam:
- Guardar para o futuro? E se eu morrer antes?
Acreditamos que o problema maior seria não morrer e ter que garantir rendi-
mentos com limitações maiores de saúde, em decorrência da idade avançada.
Cada pessoa tem uma necessidade, e elas variam também de acordo com a
sua fase de vida: Um bebê é frágil, não sabe falar, não tem dentes, precisa
apenas do leite materno para se alimentar. Quando começa a crescer pode
comer frutas e papinhas e só depois, com quase um ano de idade é que
poderá comer a comida normal da casa como arroz, feijão e carnes.
Uma criança em fase escolar precisa de uniforme, material escolar, tênis ou
um calçado confortável para brincar. Além disso, precisa de alimentos que
favoreçam um crescimento saudável e de produtos de higiene pessoal como
sabonete, escova e pasta de dente, shampoo etc. Se possível, é bom que esse
shampoo não arda no olho ou não cause alergias, não é verdade? Como
podemos ver, existem produtos criados especialmente para crianças.
Um jovem, ainda em fase escolar, também precisará de material, mas os livros
e cadernos serão diferentes dos indicados para uma criança. Assim como todo
mundo, ele também precisa de roupas e sapatos, mas de um tipo diferente
das roupas infantis. Se ele faz algum esporte ou toca algum instrumento
musical, precisará de roupas esportivas ou de um instrumento para treinar o
que aprende nas aulas.
Um adulto precisará de roupas e sapatos próprios para trabalhar.
Se tiver uma família, precisará de uma casa, um meio de transporte
e, se tiver filhos, pode ser que precise de ajuda para cuidar deles e
da casa enquanto trabalha.
Um idoso, por sua vez, muitas vezes precisa de remédios, óculos,
uma atividade física regular, sapatos mais confortáveis, entre outros
produtos que são recomendáveis de acordo com a sua necessidade.
12
Além das etapas da vida, as necessidades podem variar de acordo com a
região, cidade e país onde a pessoa mora, por fatores culturais ou necessidades
especiais de cada indivíduo.
Convivemos e conviveremos sempre com pessoas diferentes de nós, e é
interessante e valioso refletir, conhecer e entender as necessidades de cada
uma delas.
Em termos de dinheiro e estrutura financeira, uma pessoa em fim de carreira
precisa de uma reserva financeira que possa proporcionar uma segurança
bem maior do que um jovem que está iniciando sua vida. Quem tem pessoas
dependentes, seja por problemas de saúde ou por incapacidade de gerar
renda, também precisa garantir certas reservas e fontes de rendimentos mais
seguras.
Ao longo da nossa vida acontecerão mudanças, podemos nos preparar para
elas e usufruir melhor de cada momento.

DESEJO X NECESSIDADE
Conseguir identificar e diferenciar os desejos das necessidades ao longo da
vida possibilitará às crianças fazer escolhas com mais consciência e qualidade.
Acompanhe os próximos parágrafos e veja como poderá abordar o tema de
forma simples e eficaz.
Você já fez uma lista de desejos? Quem já fez, sabe que é fácil colocar no
papel as coisas que a gente deseja e alguns sonhos que temos. Um desejo é
algo que você tem vontade de ter ou realizar. Quem cuida bem do próprio
dinheiro tem muito mais chances de realizar desejos muito especiais. Vamos
entender agora a diferença entre um desejo e uma
necessidade, pois esse é um passo fundamental para
que você possa fazer suas escolhas ao longo da vida.
Você concorda que precisa de água e de alimentos?
Sem isso, você não sobreviveria. Você também precisa
de roupas, sapatos e produtos de higiene, para tomar
banho, escovar os dentes, ter as suas roupas lavadas e
a sua casa limpa. Um estudante precisa de cadernos,
livros e material escolar em geral. Está claro que é
necessário ter comida, roupas, sapatos, produtos
de higiene e material escolar, mas até mesmo esses
produtos podem representar necessidades ou desejos,
de acordo com a situação. Imagine agora duas cestas,
sendo que cada uma tem um tipo de comida. Na
primeira cesta tem arroz, feijão, verduras e frutas.
Na segunda cesta temos chicletes, balas, chocolates e
vários bolinhos que parecem bem gostosos.
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Qual das duas cestas representa uma NECESSIDADE e qual cesta representa
um DESEJO?
Vejamos outro exemplo: uma pessoa pode precisar de roupa, mas ela também
pode ter o desejo de que essa roupa tenha a estampa de um personagem da
televisão ou de sua história em quadrinhos favorita. A roupa com estampa
do personagem representa uma necessidade ou um desejo?
Vamos pensar mais sobre essa diferença entre necessidade e desejo?
Uma pessoa pode ter a necessidade de comprar um caderno, mas também
pode ter o desejo de ter um caderno com a imagem de um personagem de
desenho animado.
Um sapato é necessidade para uma pessoa, mas pode ser que ela tenha o
desejo de ter um tênis de uma marca especial. Uma pessoa tem necessidade
de transporte, mas pode desejar ter um carro.
Uma criança precisa brincar para aproveitar essa fase da vida, mas pode desejar
ter uma boneca que fala, um carrinho de controle remoto ou um videogame.
Já vimos que um mesmo tipo de produto pode representar uma necessidade
ou desejo. Agora vamos entender a diferença entre necessidade e desejo de
uma forma diferente. Viajar para a praia é uma necessidade ou um desejo?
E comprar o material escolar e os livros para estudar? Ganhar um brinquedo
novo é uma necessidade ou desejo? E comprar um gibi? Ter um álbum de
figurinhas é uma necessidade ou desejo? Ir ao cinema é uma necessidade ou
um desejo? E comer pipoca enquanto vê o filme? Beber água todos os dias,
é uma necessidade ou um desejo?
Agora vamos pensar na seguinte situação: ter uma bicicleta é uma necessida-
de ou um desejo? Se essa bicicleta for para você se divertir, ela é um desejo,
mas sabia que para algumas pessoas ela pode representar uma necessidade?
Imagine um ciclista profissional: ele precisará da bicicleta para treinar e com-
petir, pois o trabalho dele exige isso. Também é possível que um adulto que
não tenha carro utilize a bicicleta como meio de transporte para trabalhar
e levar os filhos, na garupa, para a escola. Nesse caso, a bicicleta será uma
necessidade, entende? Agora, mesmo assim, nada impede que o ciclista ou
esse adulto tenham vontade de uma bicicleta mais
moderninha. Assim, a bicicleta nova será um desejo.
Avaliar os desejos e as necessidades que se tem ao
longo da vida, percebendo a diferença entre eles, é
uma ferramenta fundamental para fazer escolhas
conscientes e aproveitar grandes oportunidades.
Temos que estabelecer prioridades, realizar o que
é mais importante, necessário, só depois, o que é
menos importante.
14
DESEJOS DA SUA FAMÍLIA
Para uma criança, entender que ela faz parte de um grupo, compreender
que as pessoas ao redor também ter desejos e aprender a conciliá-los, dará
a ela habilidades fundamentais para compartilhar interesses com respeito e
coletividade que a vida saudável em sociedade necessita.
Em uma família, temos a união de pessoas diferentes, com necessidades e
desejos diferentes e também sonhos em comum. É importante conhecê-los e
procurar definir, juntos, as estratégias para as realizações.
Viver com conforto, morando em uma casa quentinha quando está frio lá
fora, poder passear em lugares bonitos, usar roupas confortáveis e bonitas,
comer comidas gostosas, tomar banho em piscinas nos dias de sol, brincar
com animais de estimação que estão saudáveis e limpos, participar de jogos
divertidos, viajar para lugares diferentes e conhecer novas culturas, ajudar
outras pessoas, é o desejo de muitos adultos e crianças. Quando se aprende
a usar bem o dinheiro, fica mais fácil realizar esses desejos e muitos outros.
Para que isso seja possível, é preciso usar o dinheiro para realizar o que é
prioritário e, só depois, o que é menos importante. O que é mais importante:
atender a uma necessidade ou realizar um desejo?
Na vida de uma família, as necessidades devem vir sempre em primeiro
lugar. Somente depois que as NECESSIDADES estão GARANTIDAS,
partimos em busca da realização dos desejos. Dessa forma, o dinheiro
que a família recebe tem que ser suficiente para pagar a conta de água, a
conta de luz, as despesas de alimentação, moradia, produtos de higiene,
produtos de limpeza, material escolar, vestuário, transporte e tudo mais
que é necessário. Além disso, o ideal é realizar também os desejos, como
atividades de lazer, brinquedos ou jogos, viagem em família, entre outros
tantos desejos que a gente tem.
Nem sempre e fácil conciliar desejos individuais e coletivos, mas é um desafio
que pode gerar ótimos frutos. Conversar sobre esses sonhos, planejar e
buscar caminhos para a realização pode ser um processo muito prazeroso e
de grande aprendizado.

Entender que todos


da sua família
possuem desejos
e necessidades ou
seja, não querer
tudo só para você:
é fundamental!
15
DESCOBRINDO E REALIZANDO OS SEUS DESEJOS
Estimular o diálogo, reflexão e a definição de estratégias para realização
de objetivos permitirá que as crianças desenvolvam habilidades empreende-
doras, não sejam abatidas tão facilmente pelas dificuldades do caminho e
desenvolvam iniciativa e poder de automotivação.
Falar para as crianças: “Isso é muito caro, não tenho dinheiro, não vou
comprar!” pode gerar o sentimento e a ideia de que não podemos ter coi-
sas caras e sonhar com elas, sendo que o mais interessante seria estimular a
busca de estratégias e formas para realizar os sonhos caros. Isso é possível
mudando o discurso para: “Puxa, que bom que quer isso, coloque na sua
lista de desejos e vamos pensar em formas de realizar”. Precisaremos de
uma estratégia porque esse desejo é muito caro, precisa de bastante dinhei-
ro para ser realizado. Temos que pensar sobre o que abriremos mão, sobre
como faremos o dinheiro necessário e planejar qual será o melhor momento
para fazer isso. Coloque na lista! Dessa forma, a mente ficará ativa e aberta
para as oportunidades.
Todo progresso e desenvolvimento dependem de pessoas
sonhadoras que colocam a mão na massa e realizam seus projetos
superando os desafios.
Graças a pessoas empreendedoras hoje temos a internet, os aviões, a cura
de muitas doenças... Elas não conquistam os resultados por acaso ou sorte.
A realização de projetos na vida depende de desejo, planejamento e ação.
Saber o que se quer ter e fazer, definir uma meta ajudará a criança a focar
no que quer e não ser desviada facilmente do caminho por pressões sociais,
propagandas ou desejos momentâneos e passageiros.
Existem desejos que precisam ser comprados, como, por exemplo: um
computador, uma bicicleta, uma viagem, outros devem ser executados,
como: escrever um livro, pintar um quadro, fazer um filme... Em todos
eles o dinheiro está envolvido e será necessário. Dependendo do que
queremos realizar, precisaremos fazer cursos, contratar profissionais es-
pecíficos e dedicar tempo.
É recomendável listar os desejos em uma folha
de papel, pensar sobre o que é realmente prio-
ridade e buscar formas de realizá-los. Quem tem
uma lista de desejos consegue saber com mais
clareza tudo o que quer.
Assim, quando chega o aniversário, o Natal, en-
tre outras datas especiais, a pessoa pode olhar
para a lista e escolher aquele presente que tem
mais vontade de possuir, de acordo com o di-
nheiro disponível.
16
Uma lista de desejos é eficiente quando é dinâmica e ajuda a avaliar
constantemente o que deve continuar, ser excluído, ser substituído e
acompanhar os procedimentos e as ações para as realizações.
Você vai ver que, mesmo uma criança ou adolescente, poderá realizar muitos
desejos sem ter que ficar pedindo esses presentes para os pais, avós, tios ou
amigos adultos. Ela pode montar o próprio cofrinho e, pouco a pouco, ir
juntando o total de que precisa para comprar o presente que considera mais
importante, ou ajudar a pagar por ele.
Toda vez que seu filho quiser, ou achar que quer uma coisa, estimule-o a
escrever num caderninho de desejos, assim ele terá tempo de pensar, avaliar
se é mesmo importante e buscar formas e estratégias de realizar o desejo.
É fundamental estabelecer uma estratégia e começar a agir, dar os primeiros
passos na direção definida. Quando uma criança coloca R$ 1,00 em um co-
frinho, ela está R$ 1,00 mais próxima de realizar o desejo estabelecido. Mais
importante do que a quantidade de dinheiro acumulado nos cofrinhos, é
o processo por que a criança passa de refletir sobre seus desejos, definir as
prioridades, definir uma estratégia e começar a fazer algo para realizar.
Aprender o processo é fundamental. Constantemente reavaliar as priori-
dades e os desejos, substituir os que deixam de ser interessantes e acrescen-
tar novos desejos na lista é um aprendizado muito importante.

FLUXO DO DINHEIRO NA SUA CASA. REGULANDO AS

TORNEIRAS
Usando a imagem da caixa d’água para
exemplificar o fluxo do dinheiro de uma família,
as crianças conseguem perceber de forma mais
concreta o limite do dinheiro, independente da
quantidade. São capazes de perceber o poder que
temos de regular os gastos, de priorizar uma coisa
em detrimento de outras, de evitar desperdícios
e vazamentos, entender o poder de acumular
em baldes e cofrinhos o dinheiro para objetivos
específicos, além de ser lúdico, interessante e
muito proveitoso para toda a família!
Imagine que o dinheiro que a sua família recebe todos os meses entra em um
reservatório de dinheiro. Imagine, também, que cada despesa, seja ela uma
necessidade ou um desejo, funcione como uma torneirinha. A renda familiar,
ou seja, todo o dinheiro que a sua família recebe ao longo de um mês vai
enchendo esse reservatório e é usada na sua casa para pagar várias coisas, sai
por várias torneiras.
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O dinheiro que a sua família recebe pode vir de várias formas, como veremos
em breve, mas, em resumo, podemos dizer que ele pode vir de um salário,
de vendas de produtos, de um lucro, doação, ajuda financeira ou presentes.
Quanto mais dinheiro entra, mais esse reservatório fica cheio.
Nesse reservatório temos diversas torneiras de necessidades e desejos.
Existem torneiras para comida, conta de água, de luz, de telefone, educação,
roupas e sapatos, brinquedos, jogos, viagens, equipamentos eletrônicos e
é importante também acumular dinheiro das torneiras em baldes, para
objetivos específicos de segurança, conforto e independência financeira.
Por exemplo, um balde para a aposentadoria é muito útil, pois é uma
reserva necessária para ter dinheiro quando não estiver mais trabalhando.
Como você pode ver, o reservatório de dinheiro é um só e tem limite. Repare
que se você começar a usar muito dinheiro em uma torneira, pode ser que
falte recursos para pagar o que é necessário em outra. Já pensou, comprar
um videogame e não ter dinheiro para pagar a conta de luz? Além de não ser
correto deixar de cumprir um compromisso para realizar um desejo, a pessoa
nem conseguiria usar o videogame nesse caso.
Ter disciplina e controle são valores muito importantes na vida, sen-
do criança, adolescente ou adulto. Quando falta dinheiro no reservatório
para suprir os gastos das torneiras, muitas pessoas “compram” dinheiro que
são os vazamentos nesse fluxo, pois precisará pagar JUROS além de devolver
o dinheiro emprestado.
Repare que é possível regular a abertura da torneira. De acordo com o
movimento que fazemos, ela pode liberar uma quantidade pequena ou
jorrar grande quantidade de dinheiro. Da mesma forma, uma pessoa pode
usar uma quantidade pequena, média ou grande de dinheiro para realizar
uma necessidade ou desejo. Quanto mais a torneira estiver aberta, mais
rapidamente o dinheiro sairá do reservatório. Já pensou gastar um tantão
do reservatório apenas em uma torneira, deixando faltar nas outras, que
também são importantes?
Com a metodologia da Oficina das Finanças vocês poderão ter uma estratégia
para usar melhor o dinheiro e construir uma vida financeira sustentável, isto
é, ter dinheiro suficiente para atender as necessidades e desejos atuais e
futuros, colocando também o dinheiro para gerar renda passiva.

Quem tem Inteligência financeira, abre a torneira na medida


certa e aproveita para encher baldes de segurança, conforto e
independência financeira ao longo do tempo.
18
Em outras palavras, numa casa em que o dinheiro é bem administrado,
o reservatório nunca fica vazio, pois as torneiras são abertas com mais
consciência. Assim que o dinheiro entra no reservatório, a família organiza
todas as despesas e já sabe o valor que será utilizado em cada necessidade.
Algumas ficarão estrategicamente pingando ao longo do tempo nos baldes,
acumulando dinheiro e garantindo a realização de coisas muito importantes
sem atrapalhar o dia a dia.
Fazer um controle de receitas e despesas é dar nome às suas torneiras para
enxergar onde está gastando seu dinheiro e poder avaliar que ajustes
precisa e quer fazer. É um hábito que trará grandes benefícios no futuro, e
as crianças já podem começar a praticar.
Precisamos estar atentos a algumas ideias:
Cada pessoa tem o poder de controlar quanto dinheiro gastará em cada
1. torneira reduzindo ou aumentando os fluxos;
O dinheiro do reservatório é finito e, independente da quantidade, se
2. deixamos as torneiras abertas ele vai acabar;

Fazer compras parceladas, pegar empréstimos, pagar o valor mínimo do


3. cartão de crédito são formas de “comprar dinheiro”, e isso funciona, na
prática, como uma rachadura que gera desperdícios prejudiciais para a
saúde financeira;

4. Colocar baldes em algumas torneiras é uma ótima opção para acumular


dinheiro para coisas importantes e valiosas;

5. Ter reservas também para imprevistos e gastos extras garante


controle sobre situações inesperadas que podem acontecer.
maior

É possível fazer o dinheiro trabalhar e também gerar renda adicional,


6.
é o que chamamos de renda passiva. Parte do dinheiro é direcionada
para investimentos e com isso a família passa a ter a tão desejada
“árvore de dinheiro”.

CONTRIBUINDO COM O CONTROLE E DIRECIONAMENTO


DO DINHEIRO EM CASA
Cada membro da família pode sugerir reduções de despesas da casa para
permitir que sobre mais dinheiro no reservatório para a realização dos
desejos. Quando os pais estão no supermercado, e os filhos pedem para
eles comprarem muitos biscoitos recheados, balinhas, chicletes e outras
guloseimas, o dinheiro para comprar tudo isso sai do reservatório da família,
ou seja, se diminuírem a quantidade de guloseimas, pode sobrar um pouco de
dinheiro para outras necessidades ou desejos. De que outra forma cada um
pode colaborar? Apagando a luz que está acesa sem necessidade, evitando
tomar banhos demorados ou ficando menos tempo com a televisão ligada.
19
Além disso, evitando o desperdício de alimento, água ou energia, estarão
evitando o desperdício de dinheiro. Como vimos que existe o DINHEIRO
INVISÍVEL por detrás de cada coisa, pode aproveitar esse conhecimento para
deixar o reservatório da família mais cheio.
Isso não lhe parece INTELIGENTE? Se você economiza dinheiro para realizar
as necessidades da casa, será mais fácil ter dinheiro para realizar os desejos.
Em resumo, INTELIGÊNCIA FINANCEIRA é o conhe-
cimento que permite aproveitar melhor o di-
nheiro do seu reservatório. E como a maioria das
pessoas quer ter esse reservatório sempre cheio, va-
mos ver adiante as maneiras de se gerar dinheiro.

CARO X BARATO
Entender o que compõe o preço de um produto e conseguir avaliar quais os
reais benefícios que estamos comprando e adquirindo dará às crianças mais
poder na decisão de consumo e capacidade de se protegerem de propagandas.
Não é certo ou errado comprar produtos mais caros ou mais baratos, mas ter
consciência do que se está comprando, por que está comprando e do que
está abrindo mão para fazer essa compra.
Para que um produto chegue à prateleira de uma loja, ele precisa ser
pensado, desenhado, fabricado, embalado, transportado, divulgado etc.
Tudo isso vai sendo somado e acaba definindo o preço final de um produto.
Além disso, alguns produtos tornam-se desejos de multidões e são vendidos
ainda mais caros.
O que é mais caro: um caderno comum ou um caderno com capa de um
personagem de desenho da televisão? Não é errado desejar um caderno mais
caro, mas aconselhável saber disso para decidir o que você prefere. Vamos
supor que o caderno com capa de personagem custe R$ 20,00, e na mesma
papelaria você encontre outro caderno que atende à sua necessidade, com
capa comum, que custe R$ 8,00. Com os R$ 20,00 que compraria o primeiro
caderno, você consegue comprar o caderno com capa comum, além de
lápis, caneta, borracha, lápis de cor, entre outras possibilidades.
Na próxima vez que você sair com os seus filhos para um supermercado,
uma papelaria ou qualquer outra loja, aproveite para observar os preços
com eles. Observando os preços eles começarão a perceber que um mesmo
produto pode ter valores diferentes em cada uma das lojas.
Será que seus filhos já perceberam, por exemplo, que um
refrigerante tem um preço diferente no supermercado,
na lanchonete ou em uma padaria? Em um restaurante
mais sofisticado ou em um hotel, as chances do preço ser
caro, serão maiores ainda.
20
A seguir algumas dicas para conseguir fazer melhores compras.
PRIMEIRA DICA
Pesquisar preços em lugares diferentes e conhecer as diferen-
tes opções de um mesmo tipo de produto.
Não dá para dizer se um produto está caro ou barato sem
comparar o preço dele em várias lojas. Hoje a internet possui
vários sites que informam os preços dos produtos. Se você
tiver acesso à internet, aproveite para fazer essa pesquisa e
mostrar para os filhos, pois além de as lojas oferecerem preços
diferentes, um mesmo produto pode ter várias marcas, e cada
marca terá uma faixa de preço diferente.
SEGUNDA DICA
Juntar o dinheiro todo e negociar o desconto.
Quando você tem todo o dinheiro necessário para comprar um produto é
muito mais fácil conseguir um desconto. Assim, ele sairá muito mais barato.
Quem tem pressa em comprar, muitas vezes tem que parcelar o produto
em muitos meses, e ele acaba saindo mais caro, pois para receber de forma
parcelada as lojas cobram mais dinheiro, e caso parcele, as lojas cobram
percentuais a mais, os juros.

CONSUMISMO PREJUDICA A NATUREZA


É necessário também que as crianças entendam que o impacto de uma
compra ou descarte de algum objeto que não se quer mais, não afeta apenas
o bolso das pessoas, mas que interferem também na qualidade do ar, do
solo, da água e no equilíbrio de todo o ambiente que temos a nossa volta. Se
desejamos ter saúde e qualidade de vida, precisamos pensar e agir de forma
que possibilite isso.
Para que um produto seja produzido são usados materiais retirados na
natureza, materiais já processados, energia elétrica, água, combustíveis,
tempo e energia de vida de pessoas que trabalham nessa fabricação e
distribuição. Quando deixamos de usar um produto até o fim, utilizamos
apenas uma parte do caderno, um pedaço da folha de papel, ou compramos
coisas que não precisamos e vamos acumulando nos armários e gavetas
da nossa casa, estamos causando grandes desperdícios de dinheiro e
destruindo a natureza.
O consumo exagerado prejudica a vida de uma pessoa, pois ela gasta o
dinheiro de forma descontrolada e às vezes tem dificuldade de pagar pelas
coisas que comprou. Além disso, o consumismo também prejudica o meio
ambiente, pois quanto mais a pessoa compra, mais lixo é gerado e mais
matéria-prima está sendo retirada da natureza para fabricar mais e mais
produtos. Percebeu o quanto esse assunto é importante?
21
Uma forma de ver se o consumismo está presente
na sua casa é observar o desperdício: seu filho
tem mais brinquedos do que está usando de fato?
Já aconteceu de alguém jogar comida fora na sua
casa porque ela passou do prazo de validade?
Para controlar essa situação, as pessoas devem
evitar as compras por impulso e refletir se essas
compras favorecem ou prejudicam a realização
de objetivos prioritários na sua vida. Por exemplo,
imagine uma pessoa que trocou a televisão antiga
por uma nova, mas assumiu o compromisso de
pagar uma parcela que ela não dá conta. Vai
complicar a sua vida financeira. Por mais que a
televisão tenha sido comprada numa promoção,
o barato pode ter saído caro.
Transformamos matérias-primas em produtos o tempo todo, mas nem
sempre os produtos finais são usados e descartados corretamente após
o uso. Cada material leva tempo para se decompor na natureza, alguns
podem levar centenas e milhares de anos, ficam poluindo até que isso
aconteça. Além do dinheiro que é desperdiçado estamos também destruindo
desnecessariamente a natureza.
Consumir é muito prazeroso, e cada dia somos estimulados a comprar
novidades. Podemos aumentar nosso conforto, nosso lazer e bem-estar, mas...

....se não nos controlarmos,


passamos a agir com
consumismo, que é o
comportamento de
comprar produtos ou
serviços sem consciência,
sem antes avaliar se
realmente são necessários.
22
GERANDO
DINHEIRO

Como gerar dinheiro?

REFLITA É necessário ter dinheiro para fazer mais dinheiro?

Uma pessoa que tenha uma ótima ideia de negócios e a ofereça para um
empresário, poderia gerar dinheiro? Alguém que faça a intermediação de
uma venda poderia gerar dinheiro?
Normalmente as crianças começam a vida ganhando dinheiro das pessoas,
na forma de mesadas ou presentes, à medida que vão crescendo, terão
que aprender a gerar dinheiro. Isso será muito valioso para que não se
coloquem em posição vítima de sua situação financeira e passem a ter mais
poder de realização.
Ouvimos muitas pessoas que trabalham e dizem: “eu ganho muito pouco,
por isso não me dedico e não faço as coisas de forma melhor. Elas não estão
conseguindo perceber que se fizerem melhor, com mais dedicação, gerando
melhores resultados, ao longo do tempo se tornarão necessárias e com isso,
inevitavelmente serão melhor recompensadas financeiramente.
Existem muitas formas de se gerar dinheiro. Uma delas é o EMPREGO.
Quem tem um emprego troca as horas de trabalho por um salário. Como o
valor do salário não costuma mudar muito de um mês para o outro, a pessoa
trabalha e já sabe quanto receberá no seu “reservatório” a cada mês.
Outra maneira de gerar dinheiro é TER UM NEGÓCIO PRÓPRIO. Vamos supor
que uma pessoa seja dona de uma loja de roupas: ela compra a mercadoria
em grande quantidade e vende por um preço maior do que comprou. Dessa
forma, gera mais dinheiro, depois que paga as despesas de manutenção
dessa loja, ainda sobra uma quantia que é o LUCRO. O lucro é a diferença de
dinheiro que vai para o reservatório dela. Há pessoas que não têm uma loja,
mas trabalham vendendo produtos da mesma forma. Em outras palavras,
existem muitos tipos de vendedores.
23
Outra maneira é por meio da PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Tem gente que
não tem um emprego fixo, mas tem habilidade e ajuda outras pessoas com
seu trabalho. Por exemplo, existem muitos pedreiros ou marceneiros que não
têm um emprego com salário fixo. Eles fazem um serviço para uma família
e, geralmente, quando esse trabalho é bem-feito, são indicados para fazer
serviços para outras famílias e, mesmo sem ter um emprego, nunca ficam
sem trabalho. Por isso, fazer um trabalho bem-feito é uma forma de atrair
mais oportunidades de encher o reservatório de dinheiro. Existem muitos
outros tipos de serviço. Tem gente que ganha dinheiro ministrando palestras,
restaurando obras de arte, criando programas de computador, dando aula
de reforço escolar, entre tantas outras atividades. Em geral, quanto mais se
estuda e se especializa em um assunto mais caro será esse serviço. Dedicação,
criatividade e boa vontade também fazem toda a diferença na hora de
conseguir mais clientes e, portanto, mais dinheiro.
O dinheiro não precisa ser gerado apenas com o
trabalho, existem muitos tipos de investimentos
para escolher, mas para isso precisa desenvolver sua
inteligência financeira. É possível gerar dinheiro
com INVESTIMENTOS financeiros. A explicação é
simples: um investimento é uma maneira de fazer
o dinheiro gerar mais dinheiro. Um exemplo pode
ser o aluguel. Quem recebe aluguel de um imóvel
primeiro juntou o dinheiro para comprar uma casa
ou apartamento para somente depois receber o
aluguel. Essa pessoa poderia ter gastado o dinheiro
comprando muitas coisas, mas escolheu comprar
um imóvel que dará um dinheiro de aluguel todos
os meses. Em outras palavras, a pessoa conseguiu
acumular um dinheiro que agora gera mais dinheiro
para ela. Podemos dizer, então, que um investimento
é uma forma de usar o dinheiro para gerar mais
dinheiro. É ter uma árvore de dinheiro!
Quando uma pessoa guarda o dinheiro em casa, ela não ganha nada com
isso. Quando ela resolve colocar o dinheiro em um investimento no banco,
ganhará todo mês um pouquinho a mais de dinheiro nesse reservatório que
é o investimento.
Por exemplo: vamos supor que você deposite R$ 100,00 na poupança
rendendo, aproximadamente, 0,6% ao mês. Quando esse dinheiro completar
um mês na conta, o banco irá depositar aproximadamente mais R$ 0,60 no
seu reservatório. Se você tivesse guardado o dinheiro em casa, continuaria
com R$ 100,00. Como resolveu deixar na poupança, depois de um mês terá
R$ 100,60. Quanto mais dinheiro a pessoa deixa na poupança, maior será o
valor que o banco depositará a cada mês. Da mesma forma, quanto maior
o tempo que esse dinheiro ficar na poupança, mais dinheiro entrará no
24
reservatório como forma de rendimento ou juros. Lembrando sempre que o
rendimento do investimento deverá estar sempre acima da taxa de inflação,
que é a desvalorização do dinheiro.
E o que são juros, afinal? Para deixar esse assunto mais fácil de ser conver-
sado com as crianças, vamos contar a história de dois irmãos.
Arthur sabia que o irmão tinha dinheiro e pediu um valor emprestado para
comprar um sorvete. O irmão de Arthur aceitou a proposta, mas disse “se
você não me devolver esse dinheiro em até um mês, além do dinheiro do
sorvete, você terá que me dar um chocolate, tudo bem? O chocolate foi um
“algo a mais”, além do dinheiro do sorvete, assim como os juros também
representam um “algo a mais” em relação ao dinheiro.
Quando a pessoa vai a um banco e escolhe guardar o dinheiro lá, o gerente
oferece muitas possibilidades de investimento, CDB, Fundos de renda fixa,
Fundos de renda variável, Planos de previdência, poupança... Se você deixar
o dinheiro aplicado em um investimento, a cada mês você receberá um
dinheiro a mais chamado juros ou rendimento. No exemplo acima, os R$ 0,60
representam os juros, da mesma forma que o chocolate representou um algo
a mais no acordo entre os dois irmãos.
Quem deposita dinheiro na poupança está, de certa forma,
emprestando dinheiro para o banco que, como recompensa, deposita
esses juros, esse algo a mais a cada mês. É muito interessante ter
o hábito de poupar, pois uma pequena economia depositada na
poupança todos os meses pode se tornar uma grande quantia em
dinheiro ao longo dos anos, deixando o seu reservatório mais cheio e
aumentando as suas chances de realizar os seus sonhos.
Sua prosperidade financeira independe de onde você está hoje, é possível
desenvolver habilidades, estudar, aprender a gerar dinheiro e construir a
sua própria realidade.
Agora vamos dar exemplos de crianças que tiveram ideias criativas para
ganhar dinheiro ou utilizar o dinheiro de uma forma mais inteligente.
Marcelo tem um monte de gibis. Ele resolveu alugar as revistinhas para
os amigos por um preço muito barato e, de centavo em centavo, acabou
juntando uma boa quantia para colocar na poupança.
Mariana aprendeu a fazer biscoitos com a sua mãe, e Júlia aprendeu a fazer
colares de miçangas com a sua tia. Agora elas vendem seus produtos para
os amigos, professores, vizinhos e também estão juntando dinheiro para
comprar brinquedos novos.
Rafael recebe toda semana um dinheiro dos pais para comprar figurinhas
para o álbum que ele está completando. Em vez de usar o dinheiro todo, ele
aproveita para trocar as figurinhas repetidas e economiza parte do dinheiro
25
porque quer comprar um skate.
Joana recebe uma mesada, mas nunca usa o dinheiro todo de uma vez. Agora
ela está separando todos os meses R$ 10,00 da sua mesada, até conseguir
comprar uma bicicleta com cestinha.

QUEM LEVA DINHEIRO PARA SUA CASA?


Colocar as crianças em contato com a trajetória profissional das pessoas que
geram dinheiro para a família fará com que percebam que é necessário esforço,
tempo, dedicação, conhecimento..., que as coisas não chegam prontas e irá
prepará-las para compreender, assumir e vivenciar o próprio crescimento.
Muito jovens no Brasil saem da faculdade, arrumam o primeiro trabalho,
casam, e já querem ter o mesmo padrão de vida dos pais, morar no mesmo
bairro, comprar a casa própria... fazem dívidas enormes e perdem muitas
oportunidades de crescimento com investimentos financeiros, porque estão
focados em começar a vida de onde partiram, e não do começo deles, o que
seria mais produtivo e traria melhores resultados.
Todas as famílias precisam controlar e administrar um reservatório de dinheiro.
Será que seu filho sabe de onde vem o dinheiro que abastece o reservatório
da sua casa? As pessoas que geram dinheiro têm um emprego? Prestam
serviços para outras pessoas? É uma vendedora? Uma empreendedora?
O dinheiro que entra no reservatório pode vir de várias fontes de renda,
de vários trabalhos. Encher o reservatório não é uma tarefa fácil, exige
dedicação, esforço e inteligência financeira, por isso controlar as torneiras é
tão importante para evitar desperdícios.
Além das atividades que geram renda para a manutenção de uma
família, existem trabalhos e atividades que não geram dinhei-
ro, mas também são estratégicos para a construção da estrutura
familiar. Normalmente para que pessoas da família trabalhem e
gerem renda, alguém precisa realizar serviços domésticos como
lavar, passar e cozinhar, ajudar a cuidar dos filhos, ficar na cidade
enquanto o outro viaja a trabalho...
Manter uma casa limpa, organizada, com comida saudável na mesa é fundamental
para a qualidade de vida e dá um montão de trabalho. Além disso, ter alguém
em casa fazendo tudo isso pode gerar uma grande economia, pois, por exemplo,
comer em restaurantes pode ser muito mais caro, além de pior para a saúde.
Depois de descobrir de onde vem o dinheiro que abastece a casa, aprenderá
um detalhe muito importante! Uma criança não precisa saber quanto a
família ganha por mês, mas precisa saber que esse dinheiro tem um limite.
26
Entender esse limite é essencial, pois não é possível e nem inteligente sair
comprando um monte de coisas sem parar. Se há um limite nos ganhos, também
haverá um limite nos gastos, independente da quantidade de dinheiro.
Pense sobre isso: o limite de dinheiro que existe no reservatório da sua família,
é um motivo para usar a inteligência financeira e a criatividade para aproveitar
bem o dinheiro da sua casa. Quando a criança percebe que também participa do
consumo de água, eletricidade, alimentação e todas as demais despesas da casa,
ela consegue colaborar muito mais para manter o reservatório sempre cheio.
Algumas famílias gostam da ideia de premiar os filhos com dinheiro pelas
contribuições em casa. É necessário apenas ter o cuidado para que os filhos
aprendam a contribuir com a família e sociedade, e trabalhar de graça, pois
isso será muito valioso na vida deles.

A ÉTICA COMO LIMITE


Muitos jovens têm decidido seguir uma carreira profissional com foco apenas no
retorno financeiro que ela gera e isso pode ser muito prejudicial a longo prazo.

J
Sabemos que a satisfação, prazer e motivação diárias são fundamentais
para uma vida plena e feliz, perceber-se como pessoa útil para a sociedade e
família, também geram benefícios para o equilíbrio psicológico do ser humano.
Decisões precipitadas, sem reflexão e visão dos impactos a médio e longo prazo,
motivadas apenas pelo ganho imediato, podem gerar resultados péssimos
para saúde, vida pessoal e familiar, para a comunidade...
Vimos alguns exemplos de como se pode gerar
dinheiro, mas é fundamental que esse dinheiro venha
de uma forma correta, ética, isto é, que ele seja
realmente um direito seu. Ser ético significa fazer a
coisa certa. Explicando de forma simples: se você vê
um chocolate cair da mochila do seu colega, por mais
que você esteja com vontade de comer um docinho,
você sabe que a atitude correta é devolver o chocolate
para o dono. Podemos dizer que ser ético é agir da
maneira correta, fazendo o que é certo, estar atento
para não prejudicar outras pessoas.
Quando a gente dá esse recado, está dizendo que é louvável SER e isso
possibilitará o TER. Quem é ético e correto consegue ajudar mais pessoas, não
coloca em risco os bens materiais que possui e vive com mais tranquilidade.
Por isso, uma dica que serve para todos é ser uma pessoa melhor a cada dia,
valorizar o que você já tem, agir com honestidade e ajudar as pessoas com
o que você faz. Essa atitude o ajudará a encher mais o seu reservatório de
recursos, além de lhe proporcionar mais momentos alegres, amizades e bons
sentimentos que fazem parte de uma vida plena e feliz.
27
Viver em sociedade não é fácil, conviver dividindo espaços e oportunidades
com pessoas diferentes, respeitar as diferenças, impactar e ser impactado
pelas decisões e atitudes das pessoas a nossa volta, é realmente desafiador.
Para conviver com mais harmonia e felicidade, precisamos ter em mente que
as nossas atitudes também afetam outras pessoas, e por isso devemos tomar
nossas decisões tendo uma visão mais ampla dos efeitos e consequências que
estaremos causando.
Com nossas ações e atitudes estamos constantemente impactando a vida de
outras pessoas a nossa volta. Nem sempre temos como controlar todos os
resultados, mas podemos controlar como vamos agir. Por exemplo, se um
pedreiro fizer o trabalho com preguiça e malfeito, pode colocar em risco
muitas vidas e se fizer bem-feito e com cuidado poderá garantir qualidade
de vida e conforto para muitas pessoas.
O dinheiro é apenas uma parte da recompensa que
recebemos por realizar uma atividade e desempenhar uma
profissão. Quando escolhemos um caminho a seguir pensando
em gerar dinheiro, devemos enxergar e pensar também quais
os outros resultados dessa atividade, para o que mais ela
contribui, quem ela prejudica e quem ela ajuda, avaliar se ela
nos satisfaz como pessoa.

APRENDER A POUPAR
Estimular que a criança pratique o ato de poupar desde pequena ensinará a
ela um hábito que aumentará muito seu potencial de realizações ao longo da
vida. Que ela saiba o porquê de poupar, de abrir mão de um prazer imediato,
para ter algo no futuro, e este será um aprendizado que irá se tornando mais
fácil ao longo do tempo. Pesquisas mostram que crianças até quatro anos
têm muita dificuldade de abrir mão de algo no presente para realizá-lo no
futuro, mas até os doze anos desenvolvem esta habilidade.
Uma das chaves para a tranquilidade financeira é não gastar tudo o
que se ganha. Recomenda-se manter uma reserva para imprevistos e uma
reserva para colocar o dinheiro para trabalhar e gerar renda. Uma pessoa
equilibrada financeiramente sempre tem reservas, ou seja, um dinheiro
que está sempre à disposição para usar quando quiser ou precisar. Outro
conhecimento significativo é que não é necessário ganhar na Mega Sena
para ter muito dinheiro, pois uma pessoa pode acumular grandes quantias a
partir de valores menores, depositados e investidos mês a mês.
Você gostaria de ajudar pessoas que passam fome, estão doentes ou são
muito talentosas e não tiveram ainda uma oportunidade de patrocínio?
Pessoas boas, caridosas, com bom coração e dinheiro podem ajudar mais
pessoas do que pessoas com as mesmas qualidades, mas sem dinheiro.
28
Poupar é um hábito que pode ser aprendido e desen-
volvido, é como colocar baldes embaixo de algumas tor-
neiras e separar dinheiro para suas prioridades, para extras,
para imprevistos e para a independência financeira. Permite
realizações no presente sem colocar em risco o futuro e a
sustentabilidade financeira.
Quando a pessoa sai comprando um monte de coisas para realizar os desejos
de forma exagerada e sem planejamento, corre o risco de não sobrar
dinheiro no seu reservatório para as necessidades e garantir uma reserva.
Quando a criança sabe que o reservatório da família tem um limite, ela
pode aprender a lidar com isso de uma forma colaborativa, como veremos.
Uma forma de colaborar é juntar o dinheiro primeiro para depois gastá-lo.
Como assim? Você já viu na televisão uma promoção de eletrodomésticos,
mostrando que é possível parcelar um produto em 24 vezes? Quando a
pessoa parcela uma compra, ela está comprometendo uma parte do dinheiro
que ainda não recebeu. Além disso, o produto parcelado custa MUITO mais
caro. A loja nem sempre diz isso, mas quando ela parcela um produto em
muitas vezes, acaba aumentando o valor dele para permitir o parcelamento.
É só pensar: se você tivesse um emprego, iria gostar de receber o seu salário
em doze vezes sem juros? Ninguém gostaria, e é por isso que a loja precisa
trabalhar com uma margem de lucro maior para poder oferecer ao cliente
a comodidade de dividir o preço em vários meses, entendeu? Dessa forma,
quando você consegue juntar o dinheiro todo e comprar à vista, ou seja, pagar
tudo de uma vez só, é mais fácil negociar um desconto e o produto sairá mais
barato. Saindo mais barato, sobrará dinheiro no reservatório da sua família.
Você pode se perguntar: por que devo guardar, poupar dinheiro se eu
poderia usá-lo agora? Porque assim é possível ter mais opções:
Podemos juntar mais dinheiro e conseguir realizar sonhos mais
1. interessantes, ou seja, realizar desejos maiores, que custam muito mais
do que a renda recebida todos os meses;

2. Podemos estar melhor preparados no caso de imprevistos e mudanças;

3. Podemos gerar mais dinheiro através de investimentos; e

Podemos ter mais opções quando surgem boas oportunidades na


4. nossa vida.

Da mesma forma que aprender a nadar permite que você aproveite melhor,
com mais liberdade, as idas à piscina, ao mar, aos lagos e cachoeiras, sem ter
que ficar apenas molhando os pés ou limitado por uma boia, saber poupar
também permitirá você fazer mais coisas durante a vida, ter mais opções.
29
Enquanto crianças, poupando conseguimos realizar sonhos mais bacanas
e legais, ou seja, poderemos ir assistir a um desenho no cinema, comprar
coisas quando viajamos ou passeamos, mas quando ficamos maiores, saber
poupar somado à inteligência financeira possibilitará uma vida com menos
riscos e mais realizações.
Acontece que muitas pessoas acham difícil poupar. Tem gente que até começa
o processo e junta dinheiro nos primeiros meses, mas logo depois gasta todo
o dinheiro que vinha juntando. Por que isso acontece?

Vamos conhecer algumas dicas para aprender a poupar e usar o


dinheiro de uma forma melhor, que você poderá compartilhar
com seu filho

A primeira dica: ESCOLHER UM OBJETIVO


O primeiro passo para ter vontade de juntar dinheiro é escolher
um objetivo. Escolha um objetivo motivante, em resumo, escolha
algo muito especial e que você valoriza, mas que também não
seja muito caro porque será mais fácil de juntar. No caso de uma
criança pode ser, por exemplo, que ela tenha vontade de ter uma
bicicleta, um videogame, uma bola ou um brinquedo qualquer.
Também pode ser que o desejo dela seja visitar um parque
de diversões ou fazer um passeio divertido com a família. O
importante é definir o desejo. Ela pode começar com um objetivo
mais barato e, depois de realizá-lo, partir para objetivos maiores.
Ajude seu filho a escolher um objetivo!

Para não se esquecer dele, você pode estimulá-lo até a fazer um


cofrinho, desde que as moedinhas fiquem por pouco tempo lá.
Afinal, agora vocês já sabem que ter o dinheiro em investimentos
no banco é muito melhor do que guardá-lo em casa. Sem contar que
as moedinhas foram feitas para circular. Já imaginou se todo mundo
guardasse suas moedas em um cofrinho? Não sobrariam moedas
para os comerciantes darem o troco, e isso não é bom para um país.
Por isso, você deve conversar com a criança e levar o dinheiro para
aplicar em investimentos no banco. Outras dicas:
Colar no cofrinho um papel com o objetivo escrito. A pessoa que
economiza precisa saber o motivo de estar juntando aquele dinheiro,
não pode juntar por juntar. Assim, sempre que der vontade de usar
o dinheiro guardado, ela vai se lembrar do objetivo e verá que vale
a pena esperar mais um pouco até que junte o total necessário
para realizar o desejo tão precioso. É indicado ter vários cofrinhos
ao mesmo tempo, um para cada desejo!
30
A segunda dica é: VALORIZAR O POUQUINHO.
Tem gente que não tem o hábito de poupar porque
acha que não sobra dinheiro suficiente para começar
uma poupança. O engano, nesse caso, é não valorizar
o pouquinho, saber que é possível começar com cinco,
dez, quinze reais por mês.
Se a sua família não tem o hábito de poupar, proponha
um desafio: cada um deverá guardar R$ 5,00 por mês
para objetivos de lazer. Talvez algumas pessoas digam
“R$ 5,00 é muito pouco”, mas o que conta não será
o valor economizado, mas o novo hábito que será
formado a partir de então. Criando o hábito, será
mais fácil juntar quantias maiores todos os meses.
A terceira dica é: EVITAR COMPRAS POR IMPULSO.
Consumismo é uma palavra que serve para descrever o consumo exagerado,
que prejudica a vida financeira das pessoas e a natureza. Nem sempre é fácil
se livrar do consumismo: a todo momento a televisão mostra propagandas de
produtos que a gente tem vontade de ter. Na internet também não é muito
diferente: existe muita propaganda que tenta convencer você a comprar um
objeto que na verdade não é uma necessidade na sua vida.
Por exemplo, imagine que a criança há muito tempo
esteja querendo uma bicicleta. Ela espera um bom tempo
até que os seus pais consigam o dinheiro para lhe dar
uma bicicleta, mas um pouco antes de ganhar o seu
tão desejado presente, a televisão começa a mostrar a
propaganda de um brinquedo ou um jogo que parece
muito divertido, e agora você já fica na dúvida se quer a
bicicleta ou esse novo brinquedo da propaganda, e muitas
vezes as pessoas acabam adquirindo coisas que nem usam
direito. Em outras palavras, é preciso parar para pensar
antes de comprar, para evitar o desperdício de dinheiro.
Como adultos e crianças podem agir para aprender a
focar naquilo que realmente desejam ter?
Bicicleta
A dica é, novamente, fazer uma lista dos desejos. Quem tem uma lista
Celular
e de tempos em tempos olha para ela e pensa no que realmente quer, tem
Skate
mais clareza sobre os próprios desejos e sabe escolher melhor. E os desejos
Livro
ainda podem ser ordenados colocando-se uma sequência de números para
definir aqueles que considera mais importantes.
Quando for compreendendo o funcionamento do dinheiro, a criança poderá
pensar sobre a melhor forma de usá-lo e contribuir em casa.
31
Dar ou não mesada para as crianças é uma decisão da família, e o impor-
tante é que, se ela existir, que seja usada como oportunidade de a criança
experimentar os conceitos que foram trabalhados até aqui e ir assumindo as
consequências das decisões do uso do dinheiro.
Quem recebe mesada, poderá aproveitá-la melhor aprendendo a:

1. Separar uma quantia para não gastar tudo o que tem todos os meses.
2. Definir o motivo da economia: quais os desejos e necessidades que
quer realizar?

3. Pensar em um investimento para depositar dinheiro e receber o


rendimento dos juros, que é um dinheirinho a mais que entrará na conta.

4. Sempre que for gastar o dinheiro, refletir sobre os motivos da compra:


eu quero porque todos querem, do que estarei abrindo mão para
comprar isso, que outras opções eu tenho...

5. Perceber que o dinheiro acaba. Quando o dinheiro da mesada acabar,


os pais não devem emprestar ou adiantar mais dinheiro.

Quem não recebe mesada terá a oportunidade de usar as dicas para quando
receber algum dinheiro, por menor que seja.

SEMPRE É HORA DE APRENDER!

Contribuir para que seu filho desenvolva a inteligência


financeira desde a infância dará a ele mais chances de viver
uma financeira sustentável, feliz, equilibrada e cheia de
desejos realizados.

Afinal, aprendendo a controlar as torneiras, o fluxo de dinheiro, e com ética,


empreendedorismo, cidadania e sustentabilidade, usar o dinheiro durante a
infância e adolescência permitirá que cresça com mais consciência, será um
jovem com mais oportunidades, um adulto com mais poder de realização e
um idoso com mais conforto e segurança.
Parabéns pela sua iniciativa e por ter levado ao fim a leitura deste livro. Desejamos
muito sucesso na desafiadora e recompensadora caminhada de educar!

Contem com a equipe da Oficina das Finanças e conheça também outras


ferramentas e programas que disponibilizamos.
www.oficinadasfinancas.com.br
Telefone: (61) 3257 1958
32
Depoimentos de educadores sobre os livros de atividades da
coleção Educação financeira na escola da Oficina das Finanças:
“Eis que chega uma obra que trabalha a educação financeira na escola, e
que deve igualmente ser lida pelos pais. Concebido por dupla formada por
especialistas em formação financeira junto com matemática com décadas em
formação de alunos e professores, a obra dá mostras da competência no
tema e de primor didático. Ela representa um apoio essencial para o desen-
volvimento dessa faceta da educação. Na obra, o tema articula-se natural-
mente à ética, insere-se na interdisciplinaridade e é um forte componente da
formação para a cidadania.”
Nilza Eigenheer Bertoni – Educadora Matemática - Doutora Honoris
Causa pela Universidade de Brasília - UnB.

“A presente proposta pedagógica de Educação Financeira na Escola, uma


importante inovação na educação brasileira, que vem ao encontro de de-
mandas altamente significativas, apresenta propostas práticas, atrativas,
desafiantes e de forma gradativa, introduzindo novos conceitos, ampliando
outros, aprofundando percepções, sempre em contextos de significado para
cada fase de desenvolvimento. A proposta é concebida, elaborada e difun-
dida por um grupo de educadores de alta competência e experiência neste
campo de conhecimento. Aprender a sonhar, planejar, realizar, se projetar no
espaço das potencialidades humanas, onde o dinheiro é somente um instru-
mento simbólico, constitui alicerce primordial da proposta. “
Professor Dr Cristiano Alberto Muniz - Educador Matemático FE-UnB,
Presidente da Sociedade Brasileira de Educação Matemática.

“Os livros são M A R A V I L H O S O S. Trabalho na formação de professores,


aqui em Brasília e em vários estados, e jamais tinha visto nada igual, nem
semelhante. Impressionou-me a lógica, a progressão da linguagem adequan-
do-a à sequência das séries, a criatividade das situações-problema, das ilus-
trações, o desenvolvimento das competências transversais.”
Professor Reinaldo De Lima Reis ( Mestre em linguística pela PUC-Rio
revisor dos livros de atividades)

“Os livros ficaram lindísissimos! Me sinto orgulhosa de ter feito parte do iní-
cio desse desafio. Tenho aprendido muito com esse trabalho e me sinto feliz
por ter o privilégio de realizá-lo com meus alunos e tenho procurado exercer
coisas em minha vida pessoal.
Karina Nazario Moschkowich – Professora que participou do projeto
piloto em 2012
33
Depoimentos de pais cujos filhos participaram do Programa de
Educação Financeira na Escola da Oficina das Finanças em 2014

“Fiquei muito satisfeita com esse projeto financeiro, minha filha começou
a participar das finanças da casa, em saber dos gastos mensais, em como
economizar e poupar.”

“Aprovo esse tipo de trabalho, e acho de muita valia para o futuro não só do
meu filho, como de toda uma geração, consumista sem limites, por simples
falta de educação financeira.”

“Excelente iniciativa, quando mais cedo começarmos a introduzir as noções


de administração do dinheiro aos nosso filhos, eles tem uma probabilidade
de errar menos no futuro em relação as suas conquitas, necessidades e
finanças. Parabéns.”

“Achei um ótimo trabalho e minha filha, está mais atenciosa em como usar
o dinheiro, muito obrigada esse projeto vai ser essencial para a vida futura
de minha filha.”

“Meu filho passou a acompanhar as finanças da família. Ele está atento e faz
observações constantemente.”

“É um projeto muito bom, pois auxilia em casa a conhecer os custos e como


devemos nos disciplinar com os gastos, os filhos passam, a conhecer melhor
os gastos que os pais têm, valorizando aquilo que conquista.”
A coleção EDUCAÇÃO FINANCEIRA NA ESCOLA DA OFICINA DAS
FINANÇAS é o sonho de uma equipe que acredita no poder da educação
financeira com foco na reflexão sobre valores e ética. Muito mais do
que informações sobre nosso sistema monetário, precisamos aprender a
desenvolver prosperidade financeira, usando o dinheiro com responsabilidade
e empreendedorismo, levando em consideração aspectos éticos e ambientais.

A Oficina das Finanças é uma empresa que trabalha com educação financeira
desde 2008 e tem por objetivo ajudar as pessoas a transformarem sua
vida financeira. Desenvolveu seu próprio método, que ajuda as pessoas
a simplificarem o assunto finanças e colherem resultados rapidamente.

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