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“DECISÕES ENTRE VIDAS E VIDAS”

Shimshon Bisker
NOTA IMPORTANTE O objetivo deste livro não é estabelecer leis

em um tema tão
proporcionar complicado para
ferramentas e decisivo quanto este, ee osim
o entendimento
desenvolvimento dos pensamentos de

nossa Torá; com o desejo e a berachá que este tema siga sempre na teoria e não na prática.
Porém em caso de necessidade deve-se consultar uma entidade rabínica confiável.

Autor: Shimshon Bisker


Projeto gráfico,
editoração eletrônico: Israel B.A. Design
Imagem da capa: Primeira edição do livro (Gilberto Duobles Design, © Istokphoto / dny59)
Agradecimento: Rabino Shlomo Safra - Makom
©
Todos os direitos reservados 5775
– 2014
Primeira edição: 5752 - 2011

Para qualquer assunto em relação ao livro entre em contato: shbisker@gmail.com

Temas
PALAVRA INICIAL
CAPÍTULO I

CONCEITOS NECESSÁRIOS PARA O ENTENDIMENTO E DESENVOLVIMENTO DOS TEMAS QUE SERÃO TRATADOS NO
LIVRO

C ONCEITOS:
1. ASSASSINATO
2. SUICÍDIO
3. MATAR A UMA PESSOA QUE, DE QUALQUER MANEIRA , JÁ ESTÁ PARA MORRER— SERIA CONSIDERADO ASSASSINATO?

4. ESTARIA PERMITIDO TIRAR A VIDA DE UMA PESSOA QUE ESTÁ PERSEGUINDO A OUTRA -PARA LA? MATÁ
5. A OBRIGAÇÃO DE SALVAR UM COMPANHEIRO QUE SE ENCONTRA EM SITUAÇÃO DE PERIGO
6. UMA PESSOA DEVE PREOCUPAR-SE COM SEUS PERTENCES E COM SUA VIDA ANTES DE SE PREOCUPAR COM OS PERTENCES E COM A VIDA
DE SEU SEMELHANTE
7. NOS SALVAR ATRAVÉS DOS BENS DE OUTRA PESSOA
8. SERIA PERMITIDO SALVAR NOSSA PRÓPRIA VIDA ÀS CUSTAS DA VIDA DE NOSSO COMPANHEIRO ?

CAPÍTULO II

QUANDO AMBOS ESTÃO PERSEGUINDO — UM AO OUTRO — SIMULTANEAMENTE

C ASOS:
“ESCOLHA ENTRE O FETO E A MÃE ”
A PRÓPRIA MÃE PODERIA TIRAR A VIDA DO FETO PARA SE SALVAR
?

O MÉDICO ANUNCIOU: “SE NÃO MATAR UM, OS DOIS PERECERÃO” CAPÍTULO III
TIRAR A VIDA DE UM “PERSEGUIDOR INOCENTE”

C ASOS:
POR ENGANO ELE CAUSARIA A MORTE DE UM INOCENTE
O PILOTO ESTAVA SE POSICIONANDO PARA ATACAR A BASE DO PRÓPRIO EXÉRCITO

CAPÍTULO IV
SALVAR VÁRIAS PESSOAS ÀS CUSTAS DE POUCAS
C ASOS:
“ESCOLHA DEZ PESSOAS OU ENTÃO NÓS MATAREMOS 50” UMA DIFÍCIL DECISÃO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO
“O MOTORISTA TINHA UM SEGUNDO PARA DECIDIR”

CAPÍTULO V
A PRIORIDADE DE SALVAR A PRÓPRIA VIDA

C ASOS:
DUAS PESSOAS CAMINHAVAM E NÃO HAVIA ÁGUA SUFICIENTE PARA OS DOIS QUANDO AMBOS FOREM PROPRIETÁRIOS DA GARRAFA
“ELE RESOLVEU ENTREGAR A SUA METADE PARA QUE, PELO MENOS, O SEU AMIGO CONTINUASSE VIVENDO”
“ELE POSSUÍA UMA PEQUENA QUANTIDADE DE ÁGUA, SUFICIENTE PARA SALVAR SOMENTE A VIDA DE UM DELES ...”
“ABRIR MÃO ” DA ÁGUA PARA SALVAR O PRÓPRIO FILHO

CAPÍTILO VI

COLOCAR A PRÓPRIA VIDA EM RISCO PARA SALVAR O SEU COMPANHEIRO


CASOS:
O INCÊNDIO NO ORFANATO
O RABINO ARRISCOU A VIDA PARA SALVAR TODOS OS SEUS ALUNOS CORTAR UM ÓRGÃO DO
CORPO PARA SALVAR O SEU COMPANHEIROCAPÍTULO VII
ENTREGAR A VIDA PARA SALVAR O SEU COMPANHEIRO

C ASOS:
“ELE OFERECEU O SEU PRÓPRIO CORAÇÃO...” — UMA PESSOA QUE DECIDE SALVAR UM COMPANHEIRO ÀS CUSTAS DE SUA PRÓPRIA VIDA
“PAPUS E LULIANOS” ENTREGAR A VIDA PARA SALVAR A COMUNIDADE “O SOLDADO DE 21 ANOS CORTOU A CORDA DE SEU PARAQUEDAS
PARA SALVAR O OFICIAL DO GRUPO”
“MATEM A MIM E DEIXEM O SÁBIO EM VIDA ”
TRABALHAR COMO GUARDA-COSTAS– ENTREGAR A VIDA PELA VIDA DE OUTRO

CAPÍTULO VIII

SALVAR A COMUNIDADE CAUSANDO A MORTE DE INOCENTES

C ASOS:
ENTREGUE A UM OU MATAREMOS A TODOS (ANÁLISE TEÓRICA)
OS INIMIGOS ANUNCIARAM: “CASO O SUSPEITO NÃO SEJA ENTREGUE, NÓS CASTIGAREMOS AOS LÍDERES DA COMUNIDADE ...”
O CONHECIDO CASO DOS AVIÕES QUE DERRUBARAM AS TORRES GÊMEAS NOSESTADOS UNIDOS
“EXPLODIR O CAMPO DE EXTERMÍNIO AUSHWITS– JUNTO COM TODOS QUE SE ENCONTRAVAM ALI”
“O TERRORISTA AGARROU UM REFÉM E ESTAVA ATIRANDO NO PÚBLICO ” O ELETRICISTA PARA SE SALVAR CAUSARIA A MORTE DE UM
INOCENTE ELE PODERIA ESCAPAR , PORÉM OS ASSALTANTES MATARIAM A OUTRO REFÉM EM SEU LUGAR
APÓS MATAR UMA PESSOA , O ASSASSINO PERGUNTOU AO SÁBIO“FIZ BEM EM MATÁ- LO?”
CAPÍTULO IX
TEMAS
ASSASSINATO

U M DOENTE EM ESTADO GRAVE

SERIA NECESSÁRIO ALONGAR A VIDA DE UMA PESSOA QUE SE ENCONTRA EM GRANDES SOFRIMENTOS?
UMA PESSOA EM COMA
PARA QUE PACIENTE DAR A PREFERÊNCIA
DOIS PACIENTES CHEGAM NO HOSPITAL SIMULTANEAMENTE
OS MÉDICOS NÃO SABEM COMO CURÁ-LO
NÃO TOMAR DECISÕES EM UM TEMA COMO ESTE SEM CONSULTAR UMA ENTIDADE RABÍNICA CONFIÁVEL

ABORTO
OM

ÉDICO QUE É ABORDADO PARA PRATICAR UM ABORTO


ENVERGONHAR UMA PESSOA EM PÚBLICO
SUICÍDIO

CASO 1: A MORTE DO REI SHAUL


CASO 2: UMA PESSOA SOFRIDA QUE SE MATOU
CASO 3: O SUICÍDIO DE 400 CRIANÇAS
CASO 4: SE MATOU PARA NÃO SER TORTURADO

CUIDAR DA VIDA
CASO 1: C

OMO RABI CHANINA COLOCOU O CALCANHAR NO‘BURACO DA COBRA’? CASO 2: A CASA QUE
ESTAVA DESMORONANDO
CAPÍTULO X
O BRIT MILÁ – “MAZAL TOV”
A CIRCUNCISÃO, A SAÚDE E A RELIGIÃO
A “ALIANÇA COM OCRIADOR” EM UM OLHAR MAIS PROFUNDO ...
“A CONEXÃO DO MUNDO ESPIRITUAL EM NOSSO MUNDO FÍSICO ATRAVÉS DO PINTOR , DO PINCEL
E DE UMA TELA!”
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Rabino Eliahu Bahbout Shlita por ter se dedicado em ler e analisar todo o livro, me enviando em seguida as
suas observações. Como frutos de sua participação foram acrescentados no livro novos esclarecimentos e observações.
Que seja a vontade do Criador que seus dias– e dos integrantes de sua família – se alarguem sempre crescendo no estudo
da Torá e no “zikui Harabim” (proporcionando benefício ao público).

Agradeço ao Rabino Shlomo Safra Shlita – diretor do Makom– pela dedicação na publicação deste e de outros livros
dentre vários outros projetos, sempre preocupando-se em levar a Luz da Torá para todos os integrantes de nosso povo;
também proporcionando condições favoráveis para o cumprimento de Suas leis. Que seja a vontade do Criador que
sempre possua os meios necessários para que possa seguir – cada vez mais– proporcionando ao público se juntar a este
verdadeiro caminho de Torá e mitsvót; que seus dias– e de sua família– se alarguem com muita Torá, saúde e berachá em
tudo o que for necessário.

CARTA DO RABINO ELIAHU BAHBOUT SHLITA (TRADUÇÃO)

Chegou em nossa
português– presença
uma obra o importante
do caro livro
Avrech Harav “Decisões
Shimshon entre. Percebe-se
Bisker vidas e vidas” – em
nitidamente que
uma grande obra foi realizada por ele, com sabedoria e entendimento, pois foram
levantados neste trabalho temas, dentre os sérios temas, relacionados ao “rodef” (o
perseguidor); resumiu, organizou e compilou os temas com bom gosto e sabedoria. Que a
sua força cresça na Torá!

O próprio escritor, com modéstia, já se preocupou em comunicar para o público, que a sua
intenção não foi a de estabelecer leis em temas tão sérios como estes, pois a aptidão para
estabelecer leis nestes casos é unicamente dos grandes sábios, e cada caso na prática deve
ser analisado especificamente; o objetivo do escritor foi demonstrar também para os
integrantes de nosso povo – que todavia não tiveram acesso aos nossos livros– que a Torá
de Hashem é profunda, sem limites, que experimentem e vejam que é valiosa; "os que a
experimentam adquirem vida", e perceberão que Hashem já introduziu em Sua Torá, as
soluções para qualquer possível pergunta que surgisse no futuro até o final de todas as
gerações. Assim, o escritor tomou uma boa iniciativa, pois o nome do Criador será
engrandecido por ele. Já foi citado pelo Maharal zt”l que o único caminho – e não existe
outro fora dele – de adquirir amor ao Criador, é através da reflexão nas maravilhas de Sua
Torá.

Porém, todavia nos foi dada a permissão de desenvolver raciocínios através de perguntas e
análises – como de costume – no estudo da Torá; como está escrito (em relação a Torá) que
é mais profunda e larga do que o mar. E portanto, modestamente, enviei ao escritor
algumas análises sobre a sua obra; e que dele e de mim o nome de Hashem seja
engrandecido nos olhos das pessoas.

Me resta somente desejar a berachá, de uma pessoa simples, que o seu estudo se propague
por todo o Povo de Israel, que tenha sucesso em todos os seus afazeres. Junto com ele, o
Rabino Shlomo Safra Shelita, sendo melhor duas pessoas juntas (mais do que uma
sozinha) para engrandecer a nossa Torá. Que seus dias se alarguem com saúde, com os
filhos e netos, e tudo de bom “amen ky''r”.
Quem escreve em honra da Torá,

Eliahu Bahbout S.T.

Palavra Inicial
Deus Criou o mundo e suas criaturas para beneficiá-las; Ele deseja que o mundo se
encontre em boas condições para proporcionar um bom assentamento para os seus
habitantes oferecendo um cenário propício para o ser-humano ocupar-se no cumprimento
de sua função durante os seus anos de vida– conquistando desta forma – todo o bem que
Ele deseja nos proporcionar.

Muitos mandamentos da Torá estão relacionados com este tema– habitar o mundo e
proporcionar
mandamento de boas
noscondições
frutificar;para asas
todas Suas
leiscriaturas [citaremos
relacionadas alguns
entre uma exemplos:
pessoa e o seuo
semelhante (não roubar, dar caridade, várias maneiras de ajudar e se preocupar, pagar o
salário e as dívidas no momento correto, etc.); se preocupar em não ser miserável — ou
seja — se preocupar em não chegar a um nível de pobreza que dependerá de outras
pessoas; não cortar árvores frutíferas ou estragar pertences de forma geral; etc...]; Deus
está interessado em que vivamos e nos ordenou preocupar-nos com nossas vidas (como
está escrito: “Ve chai bahem”);

Uma pessoa deve se preocupar por sua vida – está obrigada a retirar qualquer obstáculo
que possa causar perigo de vida; tampouco deverá se colocar em situações de perigo; com
muito mais razão – está claro que o suicídio está proibido.

Devemos também nos preocupar pela vida de nossos semelhantes – fomos ordenados
salvar uma pessoa que se encontra em perigo de vida; não ser apático, esperando
passivamente, pela provável morte de um companheiro; com muito mais razão – está claro
que o assassinato está proibido.

De todas formas, uma pessoa deve preocupar-se em salvar a sua própria vida antes de se
preocupar em salvar a vida de uma outra pessoa. Portanto, em uma situação onde não for
possível salvar o seu companheiro sem se colocar em perigo – não estaremos ordenados a
salválo [existem exceções e “casos limites” que serão tratados no decorrer do livro (ver
capítulo 6)].

Porém, mesmo que em geral, uma pessoa deve preocupar-se em salvar a própria vida antes
de se preocupar em salvar a vida de seu companheiro– está proibido tirar a vida de outra
pessoa para salvar a própria vida [existem exceções e “casos limites” que serão tratados no
decorrer do livro].

Caso uma pessoa esteja perseguindo a outra para matá-la, o perseguido poderá se salvar–
mesmo que– tirando a vida do perseguidor, quando não houver outra maneira de salvar-se.
Inclusive uma terceira pessoa deverá salvar a vida do perseguido
– mesmo que, quando necessário – às custas da vida do perseguidor.
CAPÍTULO I
Conceitos necessários para o entendimento e desenvolvimento
dos temas que serão tratados no livro
Conceitos:

1. Assassinato
2. Suicídio
3. Matar a uma pessoa que — de qualquer maneira já está para morrer — seria
considerado assassinato?
4. Estaria permitido tirar a vida de uma pessoa que está perseguindo a outra para
matá-la?
5. A obrigação de salvar um companheiro que se encontra em situação de perigo
6. Uma pessoa deve preocupar-se com seus pertences e sua vida antes de se
preocupar com os pertences e a vida de seu semelhante
7. Nos salvar através dos bens de outra pessoa 8. Seria permitido salvar a nossa
própria vida às custas da vida de nosso companheiro?

1. Assassinato
O assassinato está proibido. Fonte na Torá: “Quem derramar o sangue de um homem,
(também) pelo homem o seu sangue será derramado, pois o homem foi criado com a
Imagem de Deus” (Bereshit 9, 6); “Não assassinarás” (Shemot 20, 13)— No capítulo “Temas;
assassinato” os versículos supracitados serão analisados de forma mais profunda.

Deus criou o mundo e nos ordenou “...frutifiquem -se e multipliquemse...” (Bereshit 9, 7),
também nos ordenou a não destruir a Sua criação. Quem assassina uma pessoa está indo
contra a vontade do Criador (Chinuch, mitsvá 34).

Também está proibido causar a morte de nosso semelhante de forma indireta. Está escrito:
“...da mão de todo animal (selvagem) a requererei...” (Bereshit 9, 5)– para incluir a pessoa
que coloca a outra perante um animal selvagem para matá-la indiretamente. Também ao
contratar uma outra pessoa para matá-la será cobrada pelo assassinato, está escrito na
continuação do versículo: “da mão do seu irmão requererei” — para incluir a pessoa que
mata uma outra através de um intermediário.

O aborto e envergonhar uma pessoa em público também são comparados pelos nossos
sábios com o assassinato [estes assuntos serão tratados no capítulo “Temas”].

2. Suicídio

O suicídio está proibido; fonte na Torá: “...o sangue de suas almas requererei...” (Bereshit 9,
5); Assim disse Deus: Mesmo que Eu permiti tirar a vida de um animal — “o sangue de suas
almas”, ou seja, de quem tirar a própria vida — “requererei” (Rashi; ver Ramban).
O Rambam compara o suicídio com o assassinato – a alma da própria pessoa foi colocada
no mundo pelo Criador [veja mais detalhes no capítulo “ Temas; Suicídio”].

Existem casos onde o ato de tirar a própria vida não será considerado uma transgressão;
também existem situações onde será digno de fazê-lo – este assunto será tratado no
capítulo “Temas; Suicídio”.

3. Matar
para a uma
morrer pessoa
— seria que, de qualquer
considerado maneira, já está
assassinato?

Está proibido causar a morte de uma pessoa — mesmo que lhe reste somente uns poucos
momentos de vida; inclusive quando seja necessário para salvar a vida de uma outra
pessoa — “de vida completa” — está proibido (Noda Biyhuda Ch”m (t) 59). Eis que,
inclusive está permitido desrespeitar o Shabat, para salvar uma vida temporária.
Portanto desligar as máquinas antecipando a morte de uma pessoa doente é considerado
pela Torá assassinato – mesmo quando as intensões forem boas (ver Igrót Moshe Ch”m
parte 2, 74, 4).
4. Estaria permitido tirar a vida de uma pessoa que está
perseguindo a outra para matá-la?
Existe um mandamento da Torá de salvar uma pessoa que está sendo perseguida das mãos
de seu perseguidor. Não devemos ter piedade do perseguidor (Chinuch 600 e 601).

Mesmo que seja proibido assassinar, caso uma pessoa esteja perseguindo outra para
assassiná-la é uma mitsvá (obrigação) salvar o perseguido, mesmo que para isso seja
necessário matar o perseguidor (caso não haja outra maneira de salvá-lo), assim consta no
Shulchan Aruch (Ch”m 425, 1).

Fonte na Torá — Este ensinamento aprendemos pela proximidade entre o caso de uma
jovem comprometida que foi violentada, onde a Torá nos permite salvá-la mesmo às custas
da vida do delinquente, e o caso de uma pessoa que se levanta para matar o seu
semelhante. A forma
o outro. Desta Torá aproximou
aprendemos os que
doisassim
casos como
para que possamos
no caso estudar
da jovem as leis de
violentada estáum para
permitido salvá-la às custas da vida do delinquente, também podemos salvar o perseguido
mesmo às custas da vida do perseguidor (Meirat Einaim).

Um dos motivos deste mandamento — explica o Chinuch — é proporcionar condições


básicas de vida para as pessoas salvando os mais fracos das mãos dos mais fortes. Deus
Criou o Mundo e deseja que ele se encontre em boas condições para os seus habitantes
(pois, desta forma, será possível nos dedicar para o cumprimento de Seus mandamentos).

Portanto no caso de uma mulher que está dando luz e o parto está pondo a sua vida em
risco, está permitido tirar a vida do feto para salvar a vida de sua mãe. Pois neste caso o
feto está atuando, mesmo que inconscientemente, como um perseguidor, logo, está
permitido salvar o perseguido às custas de sua vida (Rambam, Leis Rotseach 1, 9).

Porém esta lei rege somente quando o feto todavia não retirou a cabeça ou a maior parte do
corpo para fora do corpo de sua mãe, pois caso contrário, o feto já é considerado como uma
pessoa independente, e assim como ele está pondo em risco a vida de sua mãe, da mesma
forma, a sua mãe está pondo em risco a sua vida, portanto será proibido matar a qualquer
um deles para salvar o outro (Mishná Ohalót 7, 6; Shulchan Aruch Ch”m 425, 2).
Consta no livro Chidushei Rabi Chaim Halevi (1, 9)— Mesmo que não podemos salvar uma
vida às custas de outra, existe um decreto da Torá que permite salvar o perseguido das
mãos do perseguidor — mesmo às custas de sua vida; o mesmo se aplica no caso do feto
que, somente para salvar a mãe (ou seja, o perseguido), existe uma permissão de matar o
feto — sempre que não for considerado “nascido” — para salvá-la; porém, em relação as
outras leis, o feto é considerado uma vida como outra qualquer.
5. A obrigação de salvar um companheiro que se encontra
em situação de perigo

Está escrito na Torá: “...não sejas apático (em relação) ao sangue de seu companheiro”,
Rashi explica – Não veja a morte de seu companheiro passivamente — quando você possa
salválo de alguma maneira; fomos ordenados a salvar uma pessoa que se encontra em
perigo de vida; “não ser apático” — esperando passivamente a provável morte de seu
companheiro; [casos onde a pessoa terá que entrar em perigo de vida para salvar o seu
companheiro serão tratados no capítulo 6].
Devemos ajudar também no sustento de nossos semelhantes necessitados – este
mandamento aprendemos do versículo: “...e viverá teu irmão contigo” (Vaikrá 25, 36; ver
Targum Yehonatan e Rashi em Ketuvót 15b)– devemos preocupar-nos em mantê-lo vivendo.
Quando as pessoas se esforçam para salvar — uma a vida da outra– todos serão
beneficiados, melhorando as condições de assentamento para a população em geral.
Estaremos, desta maneira, cumprindo com o desejo do Criador – colaborando em oferecer
um cenário propício para o ser-humano ocupar-se no cumprimento de sua função durante
os seus anos de vida (Chinuch).
6. Uma pessoa deve preocupar-se com seus pertences e com sua vida antes de se
preocupar com os pertences e com a vida de seu semelhante

Caso uma pessoa esteja em uma situação onde terá que optar entre recuperar um de seus
pertences ou recuperar um pertence de outra pessoa— os seus próprios pertences têm
prioridade— mesmo quando se trate de seu pai ou de seu rabino. Aprendemos este
conceito do versículo “...não haverá entre vocês miseráveis”, para evitar que uma pessoa
chegue à miséria ela foi orientada: “Os seus pertences têm prioridade aos pertences de seu
semelhante” (Guemará Baba Metsia 33a).
Concluiu Rabi Yehuda: “Todos os que agem desta forma no final chegarão à miséria”, isto é,
uma pessoa deve atuar com bom coração — “por cima” da lei — e não ser mesquinha em
todos os casos — pelo fato de seus próprios pertences terem prioridade— somente em
perdas significantes. Uma pessoa mesquinha estará se isentando de fazer o bem e a
caridade com os seus semelhantes e no final acabará necessitando da ajuda alheia (Rashi).

A partir deste conceito aprendemos que o sustento da própria pessoa tem prioridade ao
sustento desuas
suprir com outras pessoas,
próprias portanto uma
necessidades pessoa
estará quedenão
isenta possuicaridade
praticar meios suficientes para
com os demais
(Ramá Yore Dea 251, 3; Biur Hagrá).
7. Nos salvar através dos bens de outra pessoa

Uma pessoa pode se salvar às custas dos bens de outra pessoa (mesmo sem a sua
permissão) – e assim estará obrigada a fazê-lo; porém, quando possível, terá que
reembolsá-la. Está escrito na Guemará (Ketuvót 19) que, em um caso de vida ou morte,
inclusive falsificar a assinatura de seu companheiro está permitido. Portanto com muito
mais razão será permitido causar danos em seus bens para salvar a própria vida ou de
outras pessoas, porém sempre com a intenção de reembolsá-lo (Igrót Moshe Y”d(2), 60).

8. Seria permitido salvar nossa própria vida às custas da


vida de nosso companheiro?

Mesmo que uma pessoa deva preocupar-se em salvar a própria vida antes de se preocupar
em salvar a vida de seu companheiro, está proibido salvar-se às custas da vida de outra
pessoa. Nós não temos parâmetros para avaliar qual das duas vidas é a mais importante.
Em três ocasiões – que serão citadas em seguida — uma pessoa deve entregar a própria
vida para não transgredir um mandamento da Torá (três ocasiões em geral, porém existem
outras ocasiões específicas) — um indivíduo deve abdicar de sua vida para não causar a
morte de outra pessoa, praticar idolatria ou relações ilícitas.
CAPÍTULO II
Quando Ambos Estão Perseguindo— Um ao Outro —
Simultaneamente
Casos:
Caso 1. “Escolha entre o feto e a mãe”
Caso 2. A própria mãe poderia tirar a vida do feto para se salvar?
Caso 3. O médico anunciou: “Se não matar um, os dois perecerão”

CASO 1
“Escolha entre o feto e a mãe”

O marido esperava ansiosamente o nascimento de seu primeiro filho. O médico lhe chamou
e declarou: “Somente um deles sobrevirá, você terá que escolher entre a sua esposa e o seu
filho!” O que fazer?

Poderíamos pensar...

jáTalvez teríamos
nasceria órfão eque
nãodeixar a mãe
haveria em vida
alguém que –cuidasse
ela poderá
deletrazer novos adequada
da maneira filhos. Também
(comooafilho
sua
mãe o faria). Porém este argumento pode ser retrucado. A Torá nos proíbe tirar a vida de
uma pessoa para salvar a vida de outra– mesmo que ela se encontre em piores condições.
Não podemos matar um órfão ou uma pessoa com certas limitações para salvar a outra que
se se encontra em melhores condições. Nós não temos parâmetros para avaliar qual das
duas vidas é mais importante (como foi explicado no capítulo Conceitos Iniciais, 8).

Consta na Mishná (Ohalót 7, 6)— Uma mulher que está dando a luz e o parto está pondo a
sua vida em risco, está permitido tirar a vida do feto para salvar a vida de sua mãe. E assim
é correto fazer.
Porém esta lei rege somente quando o feto todavia não retirou a cabeça ou a maior parte de
seu corpo para fora do corpo de sua mãe, pois caso contrário, o feto já é considerado como
uma pessoa independente; e assim como ele está pondo em risco a vida de sua mãe, da
mesma forma, a sua mãe está pondo em risco a sua vida — portanto será proibido matar a
qualquer um deles para salvar o outro (Shulchan Aruch Ch”m 425, 2).
Se o feto é considerado uma vida mesmo antes de nascer, como poderia estar permitido
matá-lo para salvar a mãe? [Já sabemos que está proibido matar uma pessoa para salvar a
outra!?]
Portanto explica o Rambam (Leis Rotseach 1, 9) que, neste caso o feto está atuando—
mesmo que inconscientemente— como um perseguidor e, portanto, está permitido salvar o
perseguido mesmo às custas de sua vida.
Todavia nos resta esclarecer...
Assim como o feto está colocando a vida da mãe em perigo, da mesma forma a mãe está
colocando a vida do feto. Por que ela tem a prioridade de continuar vivendo (e não o feto)?

Resposta:
Mesmo que a mãe também está colocando a vida do feto em perigo, ela tem prioridade,
pois sempre que o feto se encontra dentro do ventre de sua mãe, todavia não é totalmente
considerado que ele
estão em ‘disputa’ estáé:em
(isto vidadecomo
a vida alguém que
um depende já nasceu.
da morte Ou seja,a vida
do outro), quando duas que
daquele vidasjá
nasceu tem prioridade à vida daquele que ainda não nasceu. (Nota: Mesmo que matar um
feto seja considerado assassinato, de todas formas, não se aplica a mesma pena como em
um assassinato de uma pessoa que já nasceu – onde, em certas condições – recai sobre ele a
pena de morte).

O feto não é considerado um perseguidor

Como citamos anteriormente, após o feto já ser considerado nascido, está proibido matar a
um deles (o feto ou a mãe) para salvar o outro, pois o feto não é considerado um
perseguidor – uma vez que ele não tem a intenção de causar danos a sua mãe. Assim foi
criada a natureza, ou seja, esta situação aconteceu casualmente — nenhum dos dois lados
teve a intenção de colocar o outro em perigo (Rambam).
Surge a seguinte pergunta:
Qual é a diferença entre este caso (onde o feto já retirou a cabeça para fora do corpo de sua
mãe– estando proibido salvar a mãe às custas de sua vida) e o caso do feto que ainda não é
considerado nascido (onde está permitido salvar a mãe às custas de sua vida)?
a. Também estando o feto dentro da barriga de sua mãe, não teve a intenção de colocá-la
em perigo. Assim aconteceu casualmente; assim foi criada a natureza!? Sendo assim, ele
não é considerado um perseguidor; então, por que seria permitido matá-lo para salvar a
sua mãe?

b. Se está permitido tirar a vida de um feto para salvar a sua mãe— pois ele é considerado
um perseguidor — em qualquer situação onde estiver colocando a sua mãe em risco seria
considerado um perseguidor – mesmo depois de nascido. Então por que não seria
permitido matá-lo? Eis que está permitido matar um perseguidor para salvar o
perseguido!? (Tossafot Rabi Akiva Eiguer).

Resposta:
Quando duas pessoas se encontram casualmente, em uma situação onde uma coloca a vida
da outra em perigo (como no caso do feto), cada um será considerado, em relação ao outro,
um perseguidor (pois cada um deles está perseguindo a vida do outro) e estará proibido
interferir a favor de um deles. Este conceito será verdadeiro sempre que os dois são
considerados “perseguidores de mesma proporção”. Porém quando um deles for
considerado um perseguidor de maior proporção em relação ao outro, então somente ele

será considerado perseguidor e o seu companheiro será considerado o perseguido; neste


caso será permitido interferir a seu favor. Seguindo este princípio, o feto que todavia não
nasceu será considerado perseguidor, pois a sua vida não está completa como a vida de sua
mãe (como citamos anteriormente); portanto a sua mãe está colocando uma vida não-
completa em perigo; e ele está colocando a vida de sua mãe
– uma vida completa – em perigo. Porém ao ser considerado “nascido” — após retirar a
cabeça ou a maior parte de seu corpo para fora do corpo de sua mãe— os dois serão
considerados perseguidores de mesma proporção, logo será proibido interferir (Igrót
Moshe Y”d(2), 60).
Em resumo...

Na verdade, em um caso como este, onde uma pessoa coloca outra em perigo, certamente
ela seria considerada um perseguidor; mesmo que– em contrapartida– ela também está
sendo colocada em perigo pelo seu companheiro. Somente pelo fato do feto não ter
intenção de causar danos a sua mãe– pois assim foi criada a natureza, ou seja, o nascimento
é um acontecimento natural e nenhum dos dois lados teve a intenção de colocar o outro em
perigo– ele não receberá o título de “perseguidor” por completo – ambos serão
considerados, de certa forma, perseguidores – um em relação ao outro. Porém quando um
lado for considerado um perseguidor de maior proporção em relação ao outro, então
somente ele será considerado “o perseguidor” e o seu companheiro será considerado “o
perseguido”.
CASO 2
A própria mãe poderia tirar a vida do feto para se salva r?
Após o feto retirar a cabeça de dentro do corpo de sua mãe, foi
anunciado:“Somente um dos dois viverá!”

Uma vez que o feto já é considerado nascido, está proibido matar a um para salvar o outro –
como já foi explicado no caso anterior (mais adiante analisaremos uma situação onde– caso
não interferirmos tirando a vida de um deles – ambos morrerão).

Porém, surge a seguinte pergunta: Haveria alguma permissão para a própria pessoa se
salvar matando a quem lhe está colocando em risco (mesmo que de forma inconsciente,
como em nosso caso — que o feto está colocando em risco a vida de sua mãe
inconscientemente)?

O Meiri (em seus comentários sobre A”Z 72b) escreve que, neste caso, tampouco a própria
mãe poderia retirar a vida do feto que lhe está colocando em risco — pois está proibido se
salvar às custas da vida de uma outra pessoa. Porém, ele cita também a opinião dos “Sábios
das gerações anteriores” que permitem — neste caso— a própria mãe se salvar mesmo às
custas da vida de seu filho, pois é ele quem está pondo a sua vida em risco; portanto, apesar
do feto não ser considerado um perseguidor (“rodef”), pois assim ocorreu de forma natural
– de todos modos
– em relação à própria mãe ele é considerado como um perseguidor [assim consta na
Guemará (San’hedrin 82a) que, caso Zimri se voltasse contra Pinchas e o antecedesse e o
matasse, não seria considerado um assassino, pois em relação a ele, Pinchas era considerado
como um perseguidor (mesmo que, na verdade, para todo o povo ele era considerado um
salvador)].
Portanto, provavelmente, em nosso caso existe uma possibilidade de permitir a própria
pessoa se salvar— como a opinião dos “sábios das gerações anteriores” citado no Meiri.

CASO 3
O médico anunciou: “Se não matar um, os dois perecerão”
Um feto, após ter retirado a cabeça ou a maior parte de seu corpo de dentro do corpo de
sua mãe, ou seja, ao ser considerado como uma pessoa em vida, estava pondo a vida dos
dois — dele e de sua mãe— em perigo. Um médico perito anunciou:“Se não tirar a vida de
um, com certeza os dois perecerão” . O que fazer?

O Tossafot Rabi Akiva Eiguer traz em seus comentários (na Mishná) em nome de um sábio
(Panim Meirót) que, neste caso, está permitido salvar a mãe, mesmo às custas da vida de
seu filho. Porém conclui o Rabi A. Eiguer que todavia esta sentença não está clara.

Assim explica o comentarista Boaz na Mishná que, somente será proibido matar um feto
(quando já for considerado nascido) para salvar a mãe, quando exista alguma possibilidade
do fetonão
(caso (oumatar
de ambos) continuar
um deles), em vida. Porém,
possivelmente quando inevitavelmente
será permitido matar o feto paraambos
salvarperecerão
a mãe;
pois, de qualquer maneira, lhe resta somente um curto período de vida (pois ambos estão
para perecer); portanto podemos nos basear no fato de que um feto é considerado uma
“vida em dúvida” (safek nefel)– pois, em alguns casos, o seu corpo todavia não está pronto
para seguir vivendo e de qualquer forma perecerá. [Consta na Shita Mekubetset em nome
do Rosh – um feto é considerado uma “vida em dúvida” – está permitido salvar uma vida
através de uma “vida em dúvida”]

Todavia nos resta trazer as palavras do Meiri – mesmo em uma situação onde ambos
perecerão, somente será permitido “entregar” — ou seja— causar indiretamente a morte
de um para salvar a vida de outro. Porém causar com as próprias mãos
– não está permitido.

Como seria em nosso caso?


A própria mãe também teria que fazê-lo de forma indireta?
CAPÍTULO III
Tirar a Vida d e Um “Perseguidor Inocente”
Casos:
Caso 1. Por engano ele causaria a morte de um inocente Caso 2. O piloto estava se
posicionando
CASO 1 para atacar a base do próprio exército
Por engano ele causaria a morte de um inocente

Um assassino estava perseguindo outra pessoa para matá-la. Um policial que se encontrava
naquele local querendo salvá-la, agarrou a sua arma e, por engano, apontou para o
perseguido ao invés de apontá-la para o assassino. Ele estava pronto para atirar. Um
cidadão armado que passava por ali, compreendeu o que sucederia e pensou na
possibilidade de atirar no policial para salvar a vida do perseguido inocente. O que ele
deveria fazer? Neste caso o policial seria considerado um perseguidor?
Resposta:
Quando uma pessoa tem a intenção de salvar a outra, não é considerada um perseguidor,
mesmo que— por equívoco— está lhe colocando em perigo; provavelmente estará
proibido a uma outra pessoa interferir para matá-la (Rav Zilbershtein em nome do Rav
Eliashiv Shelita).
Também no caso relatado pelo Chatam Sofer (Or Hachaim, 177) onde uma senhora que ao
ver a sua serva desmaiar correu para salvá-la derramando água em sua boca, porém pelo
desespero, ao invés de trazer água trouxe óleo (petróleo) e derramou em sua boca. Como
toda a intenção dela foi a de salvá-la, não seria considerada uma perseguidora, portanto,
estaria proibido para uma outra pessoa interferir para salvar a vida da serva às custas da
vida desta senhora (Rav Zilbershtein).

[Veja a nota no final do capítulo]

CASO 2 O piloto estava se posicionando para atacar a base do próprio exército


O Rav Zilbershtein analisa este conceito em um caso onde um piloto de certo exército foi
ordenado a destruir uma base de terroristas e, por engano, lhe orientaram atacar o local
onde se encontrava uma base com dezenas de soldados de seu próprio exército. Uma vez
que este piloto está cumprindo com a sua função e a sua intenção é de salvar as vidas de
seus companheiros (matando os terroristas), ele não tem o título de perseguidor e,
provavelmente, estaria proibido interferir para salvar as vidas dos soldados às custas da
vida do piloto.

Será que haveria alguma maneira de permitir detê-lo para


salvar os outros soldados? [Veja a nota no final do capítulo]
Poderia o próprio perseguido matá-lo?
Nos casos supracitados, o indivíduo que, com a intenção de ajudar, está colocando em risco
a vida de seus companheiros — não recebe o título de perseguidor. Porém, seria permitido
para as próprias pessoas que estão sendo colocadas em risco se salvarem às custas de sua
vida? Para os próprios perseguidos este indivíduo seria considerado um perseguidor?

Este caso se parece com o caso do feto (após de ser considerado “nascido”) que está
colocando a vida de sua mãe em perigo – analisado anteriormente– onde provavelmente
será permitido,
opinião somente
dos sábios para a própria
das gerações mãe,
anteriores tirar a vida
relatado de seu
no Meiri, filho para
porém se salvar
o próprio Meiri(como a
discorda desta ideia).

Poderíamos questionar...
No caso do feto, assim como a mãe está colocando a vida do feto em perigo, da mesma
forma, o feto está colocando a vida da mãe. Portanto os dois estão perseguindo um ao outro
simultaneamente. Talvez somente em um caso como este– segundo a opinião dos sábios
(citada no Meiri) – seria permitido para a mãe se salvar matando o feto. Porém em nosso
caso, quem estaria colocando a vida do piloto em risco? (Porém, facilmente é possível
retrucar este argumento)
[ Nota: Para pensar... Vemos que, quando uma pessoa tem a intenção de salvar o seu amigo,
mesmo que inconscientemente está lhe colocando em perigo, não recebe o título de
“perseguidor”. O que define um “perseguidor”? O fato de estar colocando out ra pessoa em
perigo ou a intenção de persegui-la?
Caso seja a intensão de persegui-la que define o título de “perseguidor”, então por que
consideramos o feto, em determinadas condições (antes “perseguidor” – ninguém?
Caso seja o fato de estar colocando outra pessoa em perigo que define o título de
“perseguidor”, então o que nos importa a sua intenção? O fato de querer salvá -la modifica a
realidade do perigo que lhe está causando?
de ser considerado nascido), como um
Eis que ele não tem a intenção de perseguir Na verdade esta aparente contradição se
encontra nas próprias palavras do Rambam que, no caso do feto que não é considerado
nascido, chama o feto de “perseguidor” – pois de fato – está colocando a sua mãe em perigo; e
no caso do feto que já é considerado nascido, explica que não é um perseguidor, pois é algo
natural (não dependendo da realidade de colocar a sua mãe em perigo).
Para esclarecer a intenção do Rambam (e assim seria a explicação do Shulchan Aruch que
estabelece a lei usando as palavras do Rambam), uma parte dos sábios concluíram que, o feto
– onde todavia não é considerado nascido – foi chamado de “perseguidor” pois, de certa forma
ele está agindo como um perseguidor – colocando a sua mãe em perigo, porém ele não se
enquadra nas leis de um perseguidor, pois o fato de colocar alguém em perigo
inconscientemente não é suficiente para considerá-lo um perseguidor por completo (Shvut
Yair, Achiezer, e outros; portanto a permissão de salvar a mãe às custas de sua vida – segundo

o Rambam
- seria pelo fato de ainda não ser considerado uma vida completa como explicou o Rashi em
San’hedrin 72b, e o Rosh que se encontra na Shita Mekubetset, Arachin 7a; ou pelo fato do feto
ser considerado como um membro do corpo de sua mãe, sempre que não nasceu, como
explicou o Achiezer).
Outros sábios concluíram que, em relação ao feto – onde todavia não é considerado nascido –
o Rambam se expressou como “perseguidor” pois realmente se enquadrará nas leis de um
perseguidor,
vida pois
(entre eles mesmo
o Igrót que inco
Moshe, Beitnsciente, de fatoBiyhuda,
Halevi, Noda está colocando
Tossafotoutra
Rabi pessoa em perig
Akiva Eiguer naso de
Mishnayot; veja no capítulo 2 (no final do caso 1) como o Igrót Moshe esclareceu a aparente
contradição que se encontra no Rambam).
Provavelmente, também a sentença em nosso caso, dependerá das opiniões supracitadas (de
como esclarecer as palavras do Rambam). Se o fato de uma pessoa estar colocando outra em
perigo – inconscientemente – não é suficiente para dar- lhe o título de “perseguidor” (como a
primeira opinião), pois a essência do ato determinará se ele é um perseguidor, assim também
será em nosso caso, onde a pessoa tem a intenção de salvar– estará proibido matála para
salvar a outra – como concluiu o Rav Eliashiv. Pois a essência do ato é determinado pela
intenção. Mesmo quando estiver de fato colocando o seu amigo em perigo – uma vez que todo
o ato da pessoa é um ato para salvar – não pode ser que lhe dê o título de perseguidor. Porém
se o fato de uma pessoa estar colocando outra em perigo – mesmo que inconscientemente –
seja suficiente para intitulála “perseguidor” (como a segunda opinião), também em nosso
caso – provavelmente – ela seria considerada “um perseguidor” e seria permitido matá -la
para salvar o perseguido.
Será que em um caso como este, onde existe dúvida de como entender a lei, seria correto atuar
passivamente, ou seja, não interferir? Pois ao tirar a vida de uma pessoa que não seja
considerada um perseguidor pela Torá, seria um assassinato!?
Será que haveriam casos extremos onde poderíamos nos apoiar na opinião de que, a realidade
de estar colocando outra pessoa em perigo – mesmo que inconscientemente – é suficiente
para intitulá-lo “perseguidor”? Para responder estas perguntas seria necessário consultar um
grande sábio da Torá, cada caso especificamente].
CAPÍTULO IV
Salvar Várias Pessoas às Custas de Poucas
Casos:

Caso 1. “Escolha dez pessoas ou então nós mataremos 50” — Uma difícil decisão no
campo de concentração
Caso 2. “O motorista tinha um segundo para decidir”

CASO 1
“Escolha dez pessoas ou então nós mataremos 50” Uma difícil decisão no campo de
concentração

Estive no museu do holocausto em Jerusalém e escutei o depoimento de um sobrevivente


de um dos campos de concentração que presenciou o seguinte caso:

Uma pessoa tentou fugir do campo de concentração e foi recapturada por um soldado
nazista, ele a regressou ao campo e, para castigá-lo, lhe ameaçou perante os demais

prisioneiros: “Escolha dez pessoas para serem mortas ou nós mataremos 50” .
O pobre homem sem saber o que fazer, se voltou para um estudioso de Torá que se
encontrava lá, entre os demais prisioneiros, e lhe perguntou:“Não seria melhor eu escolher
dez pessoas para serem executadas e desta forma sa lvar a vida de outras 40?”
O estudioso de Torá se calou. O fugitivo capturado concluiu: “Entendo que você está de
acordo”. O estudioso retrucou: “Não foi o que eu disse”. O pobre homem sem saber o que
fazer, escolheu dez pessoas entre as demais e entregou-as ao nazista. [Tentei escrever o
depoimento exatamente como escutei, porém possivelmente ocorreram algumas pequenas
mudanças].
Qual seria a visão da Torá em um caso como este? Seria melhor entregar a dez pessoas

para salvar
causaria váriasde
a morte outras,
50 (emouvez
nãodeser cúmplice na execução dessas dez, mesmo que isto
10)?
Na Mishná (Terumot 8, 12) está escrito que em um caso onde outro povo nos ameaça
exigindo entregar uma de nossas mulheres para ser violentada e, caso contrário, tomarão a
todas as mulheres, não devemos entregar com nossas próprias mãos uma mulher de nosso
povo para ser violentada.

O Talmud Yerushalmi (Terumot 4) em relação a esta Mishná nos ensina este mesmo
princípio em relação a um grupo de pessoas de nosso povo que caminhavam em uma certa
trilha e foi abordado por uma quadrilha de um outro povo e os ameaçaram exigindo
entregar uma pessoa de dentro do grupo para ser executada, pois caso contrário, matariam
a todos. O Talmud conclui: “é preferível que executem a todos, porém não devemos
entregar com nossas próprias mãos a vida de uma pessoa”. [Nota: a. entregar uma mulher
de nosso povo para estar com um indivíduo de outro povo, mesmo que a deixaria em vida e a
regressaria após o ato, é comparado pelo Talmud com o caso de entregar uma pessoa para
ser executada, pois a alma de uma mulher do Povo de Israel se danifica através da relação
com uma pessoa de outro povo (Ta”z, ver HaRav Bartenura que compara este caso com o
tema de entregar a alma e não com o tema de relações ilícitas); b. Mesmo que, segundo uma
lógica simples, nós poderíamos pensar que seria preferível entregar uma única pessoa para
evitar a morte de todas as demais, este pensamento está influenciado por estarmos
acostumados a sentir equivocadamente, que o controle do Mundo está em nossas mãos,
portanto poderíamos “organizá-lo” e causar mortes segundo a nossa vontade, da forma que
nos aparentar ser mais correta. Porém, a Torá nos revela que não é bem assim, a Criação não
é nossa; e a vida alheia tampouco é de nossa propriedade para fazermos livremente o que nos
parecer. Portanto nós não temos a permissão de matar uma pessoa inocente mesmo
que,segundo os nossos “cálculos”, nos pareça digno fazê -lo. Somente em relação a um
perseguidor a Torá nos revelou que está permitido – um mandamento especial ditado pelo
Criador – somente neste caso – e não em outro]
Continua o Talmud, caso eles especificarem um determinado integrante de dentro do grupo
para ser executado é permitido entregá-lo; porém, existe uma discussão. Para Reish Lakish,
somente será permitido caso esta pessoa haja cometido anteriormente uma grave
transgressão que, de qualquer maneira, já recaia sobre ele a pena de morte; contudo, Rabi
Yochanan permite entregá-lo mesmo sem esta pré-condição (O Ramá, no Shulchan Aruch
Yore Dea 157, trouxe estas duas opiniões).

O Beit Yossef traz em seus comentários (Yore Dea 157) que certos Sábios estabeleceram a
lei como Rabi Yochanan, isto é, se eles especificarem um determinado integrante de dentro
do grupo para ser executado é permitido entregá-lo, na sequência, nos conta o Beit Yossef
um caso relatado no Talmud Yerushalmi, sobre um sábio que agiu desta forma e foi
repreendido, portanto entendemos que mesmo estando — em um caso como este —
permitido entregá-lo, é melhor evitar, a não ser que esta pessoa haja cometido
anteriormente uma grave transgressão que, de qualquer maneira, já recaia sobre ele a pena
de morte, com explicou Reish Lakish. O comentarista Turei Zahav (Ta”z) nos aconselha,
neste caso (em que especificaram uma determinada pessoa), não interferir deixando o
povo decidir como lhe parecer.
Portanto, em nosso caso (do campo de concentração), onde a pessoa tem em suas mãos o
poder de decidir e escolher entre os prisioneiros quais serão executados, aparentemente
ela não deve fazê-lo, pois estaria entregando com suas próprias mãos a vida dessas pessoas.

Por outro lado vemos certos casos que, possivelmente, o correto seria optar pelo sacrifício
de uma minoria para salvar uma maioria, como traremos em seguida.
CASO 2
“O motorista tinha um segundo para decidir”
Um motorista foi fechado por um caminhão e, em alta velocidade, estava para atropelar um
grande número de pessoas. A única opção de salvá-los era desviando o volante para o lado
direito onde se encontravam umas poucas pessoas. Ele tinha um segundo para decidir.

Os nossos sábios analisaram um caso parecido com este, onde uma flecha (ou um míssil) se
dirigia para um local onde se encontravam várias pessoas. Não havia como pará-la ou
destruíla, somente havia a possibilidade de desviá-la para atingir um outro local, porém lá
se
de encontravam
ser permitidoumas
salvarpoucas pessoas.
a um grupo Ish (Yoreuma
O Chazondesviando
de pessoas Dea 69) levanta
flecha a possibilidade
para outro lado
mesmo que isto causaria a morte de um indivíduo. Portanto, provavelmente também no
caso do motorista, segundo este pensamento, o correto seria desviar o carro para evitar a
morte de várias pessoas, mesmo que isto causaria a morte de outras poucas. [Porém o
Chazon Ish não determinou a lei definitivamente (como este pensamento) pois, no final de
contas, pode-se considerar que esta pessoa está causando a morte de inocentes com as
próprias mãos e, neste caso, não encontramos uma permissão explícita no Talmud]
Qual a diferença entre este caso e o casos analisados anteriormente onde explicamos que
está proibido causar a morte de uma pessoa mesmo quando necessário para salvar a
muitas outras?

Resposta:
A essência do ato dará a resposta para a questão. Quando o ato de entregar ou tirar a vida
de uma pessoa for considerado como resultado de uma ação de salvação, será permitido
realizálo para salvar a vida de uma maioria; porém quando o ato em si for uma ação de tirar
a vida, mesmo que indiretamente causará a salvação de outras várias pessoas, estará
proibido. Vamos agora analisar cada caso em separado.

No caso do motorista que foi fechado pelo caminhão, todo o objetivo dele ao desviar o carro
— podendo causar a morte de umas poucas pessoas— foi a de salvar o grande grupo de
pessoas que se encontravam lá, o ato em si é considerado uma ação de salvação, sua
essência foi salvar, ele não teve a intenção de desviar o carro em direção as poucas pessoas
que se encontravam no outro lado da rua e sim de desviá-lo do grande grupo.

Porém entregar uma pessoa para salvar as demais está proibido, pois o ato em si é
considerado uma ação de entregar a vida — mesmo que o objetivo deste ato seria salvar
várias outras vidas — de todas formas, a essência do ato em si é de entregar uma vida.
Assim sendo, o caso do campo de concentração também estará solucionado, o prisioneiro
deveria se abster de entregar as pessoas.

[Nota: Um oficial do exército, antes de sua viajem para ajudar no resgate de possíveis vítimas
após um desmoronamento de prédios no Líbano, perguntou ao Rav Zilbershtein a seguinte
questão: “Para salvar vidas” – disse ele,“é necessário passar com o trator sobre os destroços, e,
quem sabe, o trator acabe causando, D’us me livre, a morte de algum suposto sobrevivente
subterrado... Sendo assim, eu poderia participar do resgate ou, para não vir a causar danos é
melhor eu me abster?”. O Sábio respondeu que, uma vez que para salvar vidas é necessário
passar sobre os destroços com trator, esta é uma ação de salvação, isto é, o motivo de passar
com o trator sobre os destroços é unicamente para salvar (e também, não necessariamente o
trator causará a morte de alguém), portanto, é permitido participar do resgate das possíveis
vítimas.]
CAPÍTULO V
A Prioridade de Salvar a Própria Vida
Casos:

Caso 1. Duas pessoas caminhavam e não havia água suficiente para os dois
Caso 2. Quando ambos forem proprietários da garrafa
Caso 3. “Ele resolveu entregar a sua metade para que, pelo menos, o seu amigo
continuasse vivendo”
Caso 4. “Ele possuía uma pequena quantidade de água, suficiente para salvar
somente a vida de um deles...”
Caso 5. “Abrir mão” da água para salvar o próprio filho

CASO 1 Duas pessoas caminhavam e não havia água suficiente para os dois

Na Guemará (Baba Metsia 62a) está escrito o seguinte caso: Dois indivíduos caminhavam
(em um local desértico); a água estava terminando – na posse de um deles encontrava-se
uma pequena garrafa de água. Não era suficiente para salvar os dois; caso eles dividissem –
ambos morreriam
um deles, de sede. chegar
possibilitando-o Havia somente a quantidade
em um local habitado enecessária para sustentar
seguir vivendo (porém oaseu
vida de
companheiro inevitavelmente faleceria).

Qual seria a atitude correta?


O Sábio Ben Petora explicou — o correto seria que ambos tomassem desta água mesmo
que não seria suficiente para salválos e, no final, ambos pereceriam.
Até que chegou Rabi Akiva e concluiu: “...e viverá teu irmão contigo” (Vaikrá 25, 36)— A
sua própria vida tem prioridade sobre a vida de seu companheiro — portanto o correto
seria que o proprietário da água tomasse tudo sozinho. E a lei foi estabelecida como Rabi
Akiva, ou seja, o proprietário da água tem a obrigação de tomá-la sozinho para se salvar,
pois a sua própria vida tem prioridade(Igrót Moshe Y”D-1, 145, assim consta na Guemará
Nedarim 80a, Rosh em B”M folha 62).

Qual é o ponto de discussão entre Ben Petora e Rabi


Akiva?

Apesar de que a lei foi estabelecida como Rabi Akiva, como podemos entender a sentença
de Ben Petora? Uma pessoa teria que doar a sua própria vida para que seu companheiro
viva alguns momentos a mais? Onde vimos que uma pessoa deve fazer caridade às custas
de sua própria vida?

Para entender esta questão seria necessário entender um pouco mais a fundo qual é o
motivo do mandamento que obriga a uma pessoa entregar a sua própria vida para não
matar o seu semelhante.
Além de tirar a vida de seu companheiro para se salvar, a pessoa estará cometendo uma
transgressão (“não assassinarás”), ou seja, estará causando duas perdas: a vida de uma
pessoa e uma transgressão, portanto ela deve entregar a sua própria vida e desta forma
haverá somente uma perda: a vida de uma pessoa porém não haverá uma transgressão
(Rashi).
Em nosso caso, onde uma das duas pessoas não tem água para tomar, recai sobre o seu
companheiro
destinada paraa salvá-lo,
obrigaçãoporém
de ajudálo — desta
também sobreforma é considerado
o seu amigo que a águadeestá
recai a obrigação salvá-lo,
logo eles terão que dividir.

Caso ele decidir tomar toda a água sozinho, além de estar causando a perda da vida de seu
companheiro também estará se abstendo do cumprimento de uma mitsvá. Portanto
segundo a opinião de Ben Petora os dois terão que tomar desta água— acrescentando
alguns momentos de vida para cada um deles — e logo perecerão.
Rabi Akiva, por sua vez, ensinou que não existe a obrigação de fazer caridade através de um
objeto onde o proprietário necessite de seu uso da mesma forma que outra pessoa o
necessite, pois a pessoa deve se preocupar primeiramente com as suas próprias
necessidades. Portanto ao tomar sozinho toda a água que se encontra em sua posse, não
estará se abstendo do cumprimento de um mandamento. Mesmo estando causando —
indiretamente — a morte de seu companheiro, de todos os modos, salvar a própria vida
tem prioridade.

CASO 2
Quando ambos forem proprietários da garrafa

Qual seria a atitude correta em um caso onde ambos são proprietários da água? Seria
melhor que um dos dois tomasse tudo sozinho e se salvasse ou que os dois tomassem –
acrescentando alguns momentos extras de vida para cada um deles? Seria permitido que
um deles tomassem da água para se salvar mesmo contra a vontade de seu companheiro?
Mesmo que em condições normais isto seria considerado um roubo, nestas circunstâncias –
onde o seu companheiro já está para morrer dentro de alguns momentos — seria
permitido?
O Maharshá explicou em seus comentários que, quando ambos forem proprietários da água
provavelmente, inclusive para Rabi Akiva, seria proibido que um deles tomasse tudo para
si. Podemos entender esta sentença segundo o conceito explicado anteriormente, pois ao
tomar toda a água sozinho, além de causar a perda da vida de seu companheiro, também
estará transgredindo a um mandamento ao tomar sem permissão a parte de seu amigo
(Igrót Moshe).
Por um lado temos o mandamento de viver (“Vechai bahem”), ou seja, em caso de
necessidade – onde certa transgressão seja uma condição para que possamos continuar
vivendo, a Torá nos comandou transgredir os Seus mandamentos para que continuássemos

em vida. Por outro lado este mandamento possui limitações.


Uma pessoa pode salvar-se através dos bens de outra pessoa mesmo sem a sua permissão
(como citamos no capítulo Conceitos Iniciais). Porém em nosso caso, cada um dos amigos
tem o direito de tomar a sua porção — mesmo que seria suficiente somente para lhe
acrescentar alguns minutos de vida; pois uma pessoa deve se preocupar em salvar a sua
própria vida
– mesmo que temporariamente– antes de salvar a vida de seu companheiro. Portanto, ao
roubar a porção de água de seu companheiro, estará lhe roubando a vida (Chazon Ish
likutim B”m, 20).
Em certos casos nós devemos que inclusive entregar as nossas vidas para não transgredir
um mandamento (veja mais detalhes sobre este tema no capítulo Conceitos Iniciais). É
proibido assassinar alguém para nos salvar; mesmo que, em geral, a nossa vida tem
prioridade sobre a vida de nosso companheiro — tirar a vida de outra pessoa é distinto —
pois uma pessoa não sabe avaliar qual das duas vidas é mais importante (“Como você sabe
que o seu sangue é mais vermelho do que o sangue de seu companheiro?” — “Maí chazit”).

Apesar de que, ao tomar a quantidade de água correspondente ao seu amigo, não o matou
com as suas próprias mãos, de qualquer maneira, foi ele quem causou — de maneira
indireta — a sua morte. Também de forma indireta está proibido matar uma outra pessoa,
mesmo quando seja necessário para salvar-se da morte.
CASO 3
“Ele resolveu entregar a sua metade para que, pelo menos,
o seu amigo continuasse vivendo”

Porém todavia nos resta analisar:


Seria permitido a um dos dois “abrir mão” de sua metade para que, pelo menos, o seu
amigo continue a viver? Nós temos o mandamento de viver (como foi citado
anteriormente), ao “abrir mão” de sua metade ele estará diminuindo o tempo de sua vida;
será que neste caso seria permitido?

Talvez poderíamos concluir que seria permitido. Mesmo que, em geral, uma pessoa deve
preocupar-se em salvar a própria vida antes de salvar a vida de seu companheiro — neste
caso é diferente – pois “abrindo mão” de uns poucos minutos de vida poderia proporcionar
vários anos de vida ao seu amigo. Porém, podemos retrucar – assim como tirar a vida de
uma pessoa para salvar outra está proibido — mesmo que lhe restem uns poucos
momentos de vida (ver Conceitos Iniciais) – também quando se trata de nossa própria vida
— estaria proibido abdicar de uns poucos momentos para salvar outra pessoa.

Porém, será que neste caso haveria diferença entre matar uma
outra pessoa e entregar a própria vida?!

Será que abdicar de uns poucos momentos de vida para salvar muitos momentos de vida de
seu companheiro seria comparado com alguém que abdica de sua vida para salvar várias
outras – que está permitido e digno de fazê-lo?
CASO 4
“Ele possuía uma pequena quantidad e de água, suficiente
para salvar somente a vida de um deles...”

Duas pessoas caminhavam em um local desértico em um dia de muito calor. A água


terminou antes do tempo esperado e eles já estavam desidratados. Encheram-se de
esperança ao encontrar ali duas outras pessoas caminhando. A felicidade terminou
rapidamente aopara
água suficiente se inteirarem que naaposse
salvar somente deum
vida de umdeles.
delesEstava
havia uma
claropequena quantidade
para todos que, se de
dividissem a água entre os dois, nenhum deles poderia sobreviver – morreriam
desidratados no meio do caminho.

O dono da água sem saber o que fazer, decidiu dividir a água entre os dois.
O seu amigo, que se encontrava em sua proximidade repreendeu-o — argumentando que o
correto seria dar toda a água para um deles e, desta forma salválo; exclamou: “Se você não
pode salvar os dois, pelo menos escolha um para salválo!”
Ele retrucou:“Prefiro mais dar um pouco de vida para os dois, do que dar vida para um e
tirar a vida do outro por complet o”.
Quem tem razão?

Poderíamos pensar...
Mesmo que em nosso caso, o proprietário da água não está em risco de vida – portanto não
recai sobre ele a obrigação de preocupar-se pela própria vida antes de se preocupar pela
vida de seu companheiro; poderíamos pensar que ele deveria se preocupar pela vida de
ambos da mesma forma dividindo a água entre os dois.
Porém...
O Chazon Ish explica que ele deveria dar toda a água para um deles. E, provavelmente,
assim estaria obrigado a fazer. Uma vez que, em um caso onde só um deles possui água na
quantidade necessária para salvar a própria vida, ele tem a obrigação de tomar toda a água
e se salvar; mesmo que se encontre com ele outras duas pessoas (e, caso ele dividisse a
água entre eles, acrescentaria para ambos alguns momentos extras de vida e logo
morreriam) – ou seja – a Torá nos revelou que é preferível salvar uma vida completa ao
invés de salvar outras duas temporárias– portanto, também em nosso caso, ele deveria
preocupar-se em salvar um deles por completo ao invés de acrescentar para ambos alguns
momentos extras de vida.
CASO 5
“Abrir mão” da água para salvar o próprio filho

No caso em que só um deles possui água na quantidade exata para se salvar, existe a
prioridade de salvar a própria vida
– como citamos anteriormente. Porém, caso o seu companheiro — que não possui água—
for uma pessoa muito querida ou admirada, por exemplo, o seu próprio filho; poderia ele
“abrir mão” da água para salvá-lo?
O Yavets (Migdal Oz, Even Habochen 1, 85) explica— “uma pessoa não está permitida
entregar a própria vida para salvar uma outra pessoa por vontade própria — pelo
verdadeiro amor que sente por ela... Mesmo que seja o seu único e amado filho, não poderia
entregar a própria vida para salválo”.

Qual seria a lei em um caso onde o seu companheiro seja mais importante para o público,
ou um sábio de Torá? Neste caso seria permitido “abrir mão” de sua água para salvá-lo, ou
seja, “abrir mão” de sua vida, para salvar a vida de seu companheiro?
Esta questão será analisada mais adiante – no caso do soldado de 21 anos que cortou as
cordas de seu paraquedas para salvar o seu oficial (capítulo 7, 3).
CAPÍTILO VI
Colocar a Própria Vida em Risco Para Salvar o Seu Companheiro
Casos:
Caso 1. O incêndio no orfanato

Caso 2. O Rabino arriscou a vida para salvar todos os seus alunos


Caso 3. Cortar um órgão do corpo para salvar o seu companheiro

CASO 1 O incêndio no orfanato

Após um curto-circuito, rapidamente o fogo se espalhou no primeiro andar de um orfanato.


Em torno de quinze crianças estavam comendo no refeitório que se encontrava no segundo
andar. Junto com as crianças somente dois adultos; um dos responsáveis do orfanato e o
cozinheiro; a fumaça começou a tomar conta do local, o cozinheiro falou: “Não estou
aguentando, mais um minuto aqui e eu me asfixiarei”; logo escapou para se salvar deixando
todas as crianças e o responsável do orfanato para trás.

O responsável
arriscando dovida,
a sua orfanato sabia lado
por outro que cada segundo
– caso que permanecesse
ele escapasse ali, estaria
– todas as crianças certamente
morreriam asfixiadas. Ele decidiu arriscar a sua vida e finalmente salvou a todos por uma
escada de emergência.
Quem agiu corretamente – o cozinheiro ou o responsável do
orfanato?

Deveria uma pessoa salvar as vidas de outras pessoas às custas de uma possível – e até
provável – morte por asfixia, ou se preocupar em salvar a sua própria vida?

Poderíamos pensar...
Talvez o cozinheiro agiu corretamente, pois uma pessoa deve preocupar-se em salvar a
própria
do vida“fala”
coração anteso de se preocupar
oposto. em salvar adeixar
Como poderíamos vida de outras
todas pessoas.morrendo
as crianças Porém o sentimento
sem tentar
salvá-las?!

Salvar a uma pessoa pondo a própria vida em risco

O Shulchan Aruch (329, 8) nos ensina — alguém que observa o naufrágio de um barco onde
um de seus companheiros se encontra, ou qualquer outra situação de perigo de vida,
devemos salvá-lo mesmo que para isso seria necessário desrespeitar o Shabat. Porém,
acrescenta a Mishná Berurá (siman katan 19), caso tal salvamento implicar perigo para a
pessoa, ela estará isenta desta obrigação. Uma pessoa deve preocupar-se primeiramente
com a sua própria vida.
A pessoa deverá fazer uma análise sincera, se realmente estará pondo a vida em risco por
salvar o seu companheiro; e não descartar a possibilidade de salvá-lo por um nível mínimo
de perigo e, se assim o fizer, assim também farão à ele (Mishná Berurá na continuação).

Ao deixar de salvar uma vida, a pessoa estaria transgredindo um preceito da torá (“Ló
tamód al dam reecha”) e, assim como em relação as demais transgressões — não estamos
obrigados a evitá-las colocando nossas vidas em risco.

Portanto não poderíamos condenar o cozinheiro por ter se preocupado em escapar


deixando as crianças para trás, ele sentiu que estava em perigo e estaria colocando a sua
vida em risco caso continuasse ali– mesmo que por uns momentos – para ajudar. Agora nos
resta analisar o comportamento do responsável do orfanato – poderia ele ter se arriscado
para salvar as crianças?

Em uma situação onde a pessoa não necessita se colocar


em risco para salvar o seu companheiro – seria permitido
fazêlo?

Existe uma diferença entre as demais transgressões e a proibição de “deixar de salvar um


companheiro que se encontra em perigo”.

Mesmo sendo proibido arriscar a vida para não transgredir uma lei da Torá (exceto em
certas situações), de todas formas, esta lei não se aplica quando se trata de salvar uma vida;
será permitido se colocar em perigo para não transgredir a proibição de “deixar de salvar
uma vida” — portanto poderá salvá-la. Qual é a diferença?
Para entender esta questão seria necessário analisar um pouco mais a fundo o motivo que
uma pessoa deve entregar a sua própria vida para não matar o seu semelhante.

Além de tirar a vida de seu companheiro para se salvar, a pessoa estará cometendo uma
transgressão (“não assassinarás”), ou seja, estará causando duas perdas: a vida de uma
pessoa e uma transgressão, portanto ela deve entregar a sua própria vida e desta forma
haverá somente uma perda— a vida de uma pessoa porém não haverá uma transgressão
(Rashi).
Vemos, a partir deste conceito, que a vida de uma pessoa tem o mesmo valor que a vida de
seu companheiro — uma vez que não temos meios para avaliar qual das duas vidas é a
mais importante. Portanto em um caso, onde ao colocar-se em perigo salvaria o seu
companheiro, estaria permitido arriscar a sua própria vida para salvá-lo; pois, de qualquer
maneira, uma vida seria salva. É propício permitir uma vida ser colocada em dúvida
enquanto, por outro lado, uma outra vida com certeza seria salva (Igrót Moshe Y”d(2), 174,
4).
Inclusive segundo a opinião do Radvaz (Pitchei Tshuvá Y”d 157, 15)– que, um indivíduo ao
se colocar em perigo para salvar o seu amigo é considerado um “benevolente tolo” — pois
uma pessoa deve se preocupar em salvar-se antes de se preocupar em salvar o seu amigo –
escutei em nome do Rav Zilbershtein que em um caso (como o nosso) onde ambos já se
encontravam em perigo (ele não entrou em perigo em especial para salvar o seu amigo;
uma vez que já se encontrava dentro do perigo) poderia continuar ali para salvar outras
pessoas – portanto, inclusive segundo a opinião do Radvaz, provavelmente seria permitido
e inclusive digno de fazê-lo!
CASO 2 O Rabino arriscou a vida para salvar todos os seus
alunos
Está escrito no livro “Vearev Na” do Rav Zilbershtein Shelita— o caso de um rabino que se
arriscou, no meio de um atentado, para salvar os seus alunos. Quem não se lembra do
terrível atentado que ocorreu em Jerusalém – Yeshivat Merkaz Harav– no ano 5768 (2008
e.c.), onde oito alunos foram mortos na biblioteca da Yeshivá e outros vários foram feridos
pelos terroristas. No salão principal de estudo, encontrava-se um grupo de alunos
estudando com um rabino. Ao ouvir os tiros, o Rabino instruiu os alunos pular pela varanda
do salão de estudo para o pátio da yeshivá. O Rabino – arriscando a sua vida – somente
saltou após o último aluno ter saltado.
Como já citamos no caso anterior, o Rabino agiu de forma digna– mesmo que ele poderia
preocupar-se em salvar a própria vida deixando os alunos para trás– ele se arriscou para
salválos.
Porém acrescenta o Rav Zilbershtein que, em situação de guerra, não somente é digno de se
arriscar para salvar os nossos companheiros – assim devemos atuar. Mesmo que em um
caso isolado não estamos obrigados a entrar em perigo para salvá-lo, em uma situação de
guerra estamos obrigados a fazê-lo. Assim o Rav Zilbershtein citou em nome do Rabino
David Pardo (Sifrei D'bei Rav, parashá Ki Tetse)– Quem observar um inimigo vindo matar a
seu companheiro em uma guerra, não poderá “fechar os olhos”, deverá tentar s alvá-lo, mesmo
colocando a própria vida em perigo.
Todavia nos resta esclarecer...
Como poderíamos obrigar alguém a arriscar a própria vida para salvar o seu companheiro
pelo fato de estarem em guerra? Como já citamos anteriormente, caso tal salvamento
implicar perigo para a pessoa, ela estará isenta desta obrigação. Uma pessoa deve
preocupar-se primeiramente com a sua própria vida. Eis que a torá nos isentou desta
obrigação mesmo para salvar várias pessoas!?

Provavelmente poderíamos responder...


Todos os soldados que partem para guerrear estão se colocando em perigo para salvar o
resto do povo, então por que ele não deveria se arriscar também para salvar o seu
companheiro que está lhe ajudando a salvar todo o povo?– Toda a guerra é uma situação de
perigo – Deveríamos então isentar todos os soldados da guerra?!
CASO 3
Cortar um órgão do corpo para salvar o seu companheiro
Nossos sábios discutiram em um caso onde a única maneira de salvar a vida de seu
companheiro seria amputando um órgão de seu corpo. O Rabi Moshe Finstein [Igrót Moshe
Y”d(2), 174, 4] conclui que uma pessoa está isenta de fazê-lo. Como citamos anteriormente,
ao deixar de salvar uma vida, a pessoa estaria transgredindo um preceito da torá e, assim
como em relação as demais transgressões, não estamos obrigados a evitá-las às custas de
um órgão de nosso corpo. Porém uma pessoa que decide entregar um de seus órgãos para
salvar o seu companheiro será digna de louvores (Igrót Moshe em nome do Pitchei Tshuvá).

Para não transgredir uma proibição da torá, devemos entregar todos os nossos pertences
(Ramá 157, 1). Porém a lei não foi estabelecida quando o “preço” necessário para salvar-se
de uma transgressão seja a perda de um órgão. Portanto está permitido cometer uma
transgressão quando a única maneira de evitá-la seja perdendo um órgão (Shach). Assim
também em nosso caso, não estamos obrigados a salvá-lo às custas de um órgão. [Nota: De
qualquer maneira, está proibido curar-se através de uma proibição da Torá, mesmo às custas
de um órgão. Qual é a diferença? Não fomos ordenados a entregar um órgão para evitar uma
transgressão, porém quando o órgão já está em perigo, ou seja, a doença já se encontra em
determinado órgão, estará – como sempre– proibido cometer uma transgressão; inclusive
para salvá-lo (Igrót Moshe na continuação)].
CAPÍTULO VII
Entregar a Vida Para Salvar o Seu Companheiro
Casos:
Caso 1. "Ele ofereceu o seu próprio coração...”

Caso 2. “Papus e Lulianos” — Entregar a vida para salvar a comunidade


Caso 3. “O soldado de 21 anos cort ou a corda de seu paraquedas para salvar o oficial
do grupo”
Caso 4. “Matem a mim e deixem o sábio em vida”
Caso 5. Trabalhar como guarda-costas – entregar a vida pela vida de outro
CASO 1 “Ele ofereceu o seu próprio coração...” — Uma pessoa que decide salvar um
companheiro às custas de sua própria vida

Chegou no hospital um caso de emergência onde, para salvar o paciente, seria necessário
realizar imediatamente um transplante de coração. Ao seu lado um grande amigo que o
acompanhava, sentindo muita aflição pela vida de seu companheiro ofereceu que
implantassem o seu próprio durante
ele lhe havia proporcionado coração em
todaseu amigo.
a sua vida.Desta forma retribuiria todo o bem que

Seria permitido salvar um indivíduo em uma situação onde, para salvá-lo, a pessoa teria
que— obrigatoriamente — entregar a sua vida? Em outras palavras, nós temos o direito de
causar a nossa própria morte pela vida de uma outra pessoa?
Assim com estamos proibidos matar a uma pessoa para nos salvar, pois não possuímos
meios para avaliar qual das duas vidas é mais importante, o mesmo se aplica quando se
trata de nossa própria vida, uma vez que ela pode ser mais importante do que a vida de seu
companheiro, não devemos entregá-la para salvá-lo. Mesmo que uma entre as duas pessoas
seja considerada mais importante em nossos olhos, de qualquer maneira não temos como
distinguir [Igrót Moshe Y”d(2) 175, 4]. Está proibido entregar a própria vida mesmo para
salvar o único e amado filho [como citamos anteriormente em nome do Yavets no c aso “abrir
mão da água para salvar o próprio filho”].

Porém vemos em certos casos onde nossos sábios entregaram a vida ou louvaram a
pessoas que entregaram as suas próprias vidas para salvar a outras pessoas...

CASO 2
“Papus e Lulianos” - entregar a vida para salvar a
comunidade

Rashi nos relata (Taanit 18b) que, Papus e Lulianos foram dois justos que se encontram em
um compartimento tão especial no mundo das almas onde ninguém pode se encontrar ali.
O que eles fizeram para merecerem tantos méritos? Segundo uma opinião, a princesa do
local onde eles viviam foi encontrada morta, e acusaram falsamente aos hebreus daquele
povoado de a terem assassinado. Decretaram a pena de morte para todos os judeus (caso
não revelassem o culpado do crime). Papus e Lulianos resolveram se entregar
voluntariamente para salvar o Povo de Israel. Como pode ser que eles entregaram as suas
vidas para salvar a outras pessoas e foram vangloriados?

Aprendemos daqui um novo conceito:


Quando se trata da salvação de uma comunidade do Povo de
Israel, está permitido entregar a vida, e também lhe será atribuído um grande mérito como
citamos anteriormente — que eles estão em um local tão especial onde ninguém pode se
encontrar ali(Igrót Moshe Y”d 174, 4; Rav Zilbershtein). [Nota: Mesmo que poderíamos
questionar – Eis que, de qualquer maneira, Papus e Lulianos também estavam incluídos no
decreto de extermínio; talvez, somente alguém em uma situação parecida poderia se entregar
para salvar a comunidade!? De todas formas, explicou o Rav Moshe Finstein que, segundo a
explicação do Rashi (ver também Rashi no Tratado B”B 10b), parece que Papus e Lulianos
não estavam incluídos no decreto; portanto, aprendemos daqui este conceito para todas as
situações]
Vemos este conceito também no Livro de Yona (O Profeta Jonas), que pediu aos passageiros
do navio que o lançassem ao mar para se salvarem do provável naufrágio. Como poderia
Yona pedir para que o jogassem ao mar, não seria considerado como suicídio? Está escrito
no Midrash (Yalk.Sh. parte 1, 393), quando Yona falou: "Me lancem ao mar" estava
entregando a sua vida, e assim fizeram nossos antepassados e profetas (que estavam
prontos a entregar a vida para salvar o povo de Israel). Esta foi a intenção de Yona, que
estava disposto a perder a vida e não cumprir com a profecia que recebeu, para não causar
uma acusação ao povo de Israel, pois Yona sabia que os habitantes de Nineve aceitariam
suas palavras e se arrependeriam de seus atos — isto causaria uma acusação ao povo de
Israel — que não estava escutando as palavras dos profetas (como foi explicado no Livro de
Yona capítulo 1, comentário 1; e no cap. Perguntas e Respostas, 3).
Seria permitido entregar a própria vida para salvar uma
pessoa que o público necessita dela?
CASO 3
“O soldado de 21 anos cortou a corda de seu paraquedas
para salvar o oficial do grupo”

Esclarecemos que uma pessoa não pode entregar a própria vida para salvar o seu
companheiro, porém para salvar o público em geral, está permitido e inclusive digno de
fazê-lo. Seria permitido entregar a própria vida para salvar uma única pessoa, porém, todo
o público necessita dela?

No ano 5766 (2006 e.c.) foi publicado nos jornais israelenses o caso de dois paraquedistas
(um oficial e seu aluno) que se enroscaram no ar; na altura de 300 pés o soldado Yossi
Gudman Z”l, um dos paraquedistas, de 21 anos, cortou as cordas de seu paraquedas para
salvar a vida de seu oficial (o responsável de todo o grupo de paraquedistas no qual ele se
encontrava). Ele se chocou na terra e faleceu, porém o oficial de seu grupo aterrissou em
paz.

Como analisar a este caso segundo a visão da Torá? Deveria o soldado agir desta maneira?
Lhe seria permitido cortar as cordas do paraquedas de seu oficial para se salvar?

O Rav Zilbershtein Shelita, em uma de suas aulas trouxe o caso de um paraquedista, oficial
do exército
estava de Israel,
instruindo que saltou doestava
(provavelmente avião junto com umaparaquedista
se referindo iniciante,
este mesmo caso). o qual
As redes dos
dois paraquedas se enroscaram e não podiam abri-los. Dentro de alguns momentos eles se
chocariam no solo. A única maneira existente para cada um se salvar era cortando as
cordas do paraquedas de seu companheiro. Desta forma se salvaria da morte, porém
causaria a morte de seu companheiro. O que fazer?

Anteriormente analisamos o caso do feto que estava colocando a vida de sua mãe em risco.
A partir do momento em que o feto já é considerado nascido, está proibido matar um para
salvar o outro. Porém, existe uma permissão para a própria pessoa se salvar matando a
quem lhe está colocando em risco, mesmo que de forma inconsciente, como no caso do feto
(segundoa opinião dos “sábios das gerações anteriores” que citou o Meiri; veja capítulo 2,
caso 2).

Portanto – possivelmente – em nosso caso existe a possibilidade de permitir a cada um dos


paraquedistas se salvar
– como a opinião dos “sábios das gerações anteriores”. Podemos acrescentar que, em nosso
caso, inclusive o próprio Meiri (que discorda da opinião dos “sábios das gerações
anteriores”; isto é, segundo a sua opinião – que– mesmo a própria pessoa não pode se
salvar tirando a vida de seu companheiro quando está lhe colocando em risco
inconscientemente) concordará que estará permitido para um dos cordas do paraquedas
diferença?
paraquedistas se salvar cortando as

de seu companheiro. Qual seria a

No caso do feto que está colocando a sua mãe em risco, a salvação da mãe está dependendo
do assassinato direto do feto; ela teria que matá-lo para se salvar. Porém no caso dos
paraquedistas, o ato de salvação, ou seja, o ato de cortar as cordas do paraquedas de seu
companheiro, não é considerado um ato de assassinato; o ato não está direcionado a matá-
lo, ele está ocupado em se salvar (e não em matar o seu companheiro) e, simplesmente,
estará tirando, indiretamente, a chance de seu amigo se salvar (da mesma forma como ele o
fez– cortando as cordas do paraquedas de seu companheiro); também é importante frisar
que, não é o ato de cortar as cordas que colocará o seu companheiro em perigo — ele já se
encontrava nesta situação anteriormente.

Uma vez que, estando permitido se salvar — cortando as cordas do paraquedas de seu
companheiro — uma pessoa teria que se preocupar em salvar-se, pois devemos nos
preocupar em salvar a nossa própria vida antes de nos preocupar em salvar a vida de nosso
companheiro.

Porém caso o seu companheiro seja uma pessoa que o público depende dela, estará
permitido entregar a própria vida para salvá-la. Pois, uma vez que o público necessita dela,
seria como entregar a vida para salvar o público de forma geral — um ato digno de
louvores. Portanto, segundo este conceito — mesmo não estando obrigado— o soldado
agiu
todoscorretamente ao sacrificar
os paraquedistas, a sua própria
pois o público vida
necessita para(Rav
dele salvar o oficial responsável
Zilbershtein Shelita). por
CASO 4
“Matem a mim e deixem o sábio em vida”

Da mesma forma, consta no Sêfer Chassidim (698)— uma pessoa normal que entregar a
sua própria vida para salvar a vida de um sábio da Torá estará cumprindo uma Mitsvá, ou
seja, será um ato digno de louvores. Como pode ser? anteriormente esclarecemos que não
se deve entregar a vida para salvar uma outra pessoa mesmo que ela nos pareça ser mais
importante, então por que seria digno entregar a própria vida para salvar a vida de um
sábio da Torá? No final das contas ele é somente uma única vida?

Podemos entender esta questão nos baseando em uma passagem do Talmud (San’hedrin
99b) onde a Guemará analisa casos especiais de pessoas que não terão uma porção no
Mundo Vindouro. Uma delas “o apikoros”. Quem é considerado um “apikoros”?

Segundo a opinião de Rabi Yossef, um “apikoros” é quem se expressa em relação aos


estudiosos da Torá da seguinte maneira: “De que nos adianta essas pessoas que estudam
Torá todo o tempo, somente trazem benefícios para elas mesmas (porém não trazem
benefícios para osdemais)”. E qual é o erro deste pensamento? Muito simples, é um erro
básico que provém de um distúrbio total no entendimento da Torá e de nossa função neste
mundo (portanto é considerado tão grave). Através do estudo da Torá, fortifica-se a
conexão entre o Criador e a criação. Toda a criação é beneficiada. Portanto explica o Rashi
— essa pessoa que despreza os estudiosos da Torá não reconhecem que eles sustentam o
mundo inteiro (ou seja, estão desprezando a importância do estudo da Torá). [Abaie, outro
sábio do Talmud, acrescenta – uma pessoa que se expressa desta forma – é todavia mais
grave – ela está deturpando os ensinamentos da Torá; está escrito: “Assim disse Deus, se
não fosse pelo meu pacto (o estudo da torá) dia e noite, Eu não haveria estabelecido as leis
dos Céus e da terra” — portanto um sábio que estuda Torá continuamente, está
beneficiando toda a humanidade].

Agora está claro, quem abdica de sua própria vida para salvar a vida de um sábio que se
dedica ao estudo da Torá, está na verdade salvando a uma pessoa que todo o público
necessita dela. Portanto está permitido e inclusive digno de fazê-lo.

Qual seria o limite? Como saberíamos se o nosso companheiro é suficientemente sábio para
entregarmos a nossa vida para salvá-lo?
O Yavets explica – sempre que a pessoa saiba claramente que o seu companheiro é mais
sábio em Torá e mais justo (em seu cumprimento) do que ele – poderá abdicar de sua vida
para salvá-lo (Migdal Oz, Even Habochen, 85).

CASO 5
Trabalhar como guarda-costas – entregar a vida pela vida
de outro

Ofereceram para um indivíduo ser guarda-costas de uma pessoa importante, onde ele teria
que se comprometer inclusive a entregar a vida para salvá-la – por exemplo – caso perceba
que alguém está para atirar nesta pessoa importante, ele deveria protegê-la com o seu
próprio corpo; seria permitido receber este trabalho?

Segundo como analisamos anteriormente, somente quando a vida de outras pessoas


dependem desta pessoa importante será permitido entregar a vida para salvá-lo, porém,
caso contrário, será proibido fazê-lo (Rav Zilbershtein).

Seria permitido trabalhar como segurança ou policial? Quanto


poderíamos nos arriscar para conseguir sustento?
CAPÍTULO VIII
Salvar a Comunidade Causando a Morte de Inocentes
Casos:

Caso 1. Entregue a um ou mataremos a todos (análise teórica)


Caso 2. Os inimigos anunciaram: “Caso o suspeito não seja entregue, nós
castigaremos os líderes da comunidade...”
Caso 3. O conhecido caso dos aviões que derrubaram as torres gêmeas nos Estados
Unidos
Caso 4. Explodir o campo de extermínio Aushwits – junto com todos que se
encontravam ali
Caso 5. O terrorista agarrou um refém e estava atirando no público
Caso 6. O eletricista para se salvar causaria a morte de um inocente
Caso 7. Ele poderia escapar, porém os assaltantes matariam a outro refém em seu
lugar
Caso 8. Após matar uma pessoa, o assassino perguntou ao sábio “fiz bem em matá -
lo?”

CASO 1
Entregue a um ou mataremos a todos (análise teórica)

Devido à complexidade do tema, primeiro traremos uma análise conceitual teórica, e logo,
analisaremos casos específicos para facilitar um entendimento prático – sempre tendo em
mente que o objetivo deste livro não é estabelecer leis em um tema tão complicado e decisivo
quanto este, e sim proporcionar ferramentas para o entendimento e o desenvolvimento dos
pensamentos de nossa Torá
Um povoado hebreu foi ameaçado pelo reinado local: “Entregue-nos um de seus
integrantes para ser executado ou nós mataremos a todos” . Em um caso, onde não
determinaram uma pessoa em especial, não podemos entregar alguém contra a sua
vontade. [Apesar de estar permitido a uma pessoa se entregar voluntariamente, e também
seria digno de fazê-lo para salvar todo o público — porém não podemos entregá-la contra a
sua vontade]. Pois cada um poderá argumentar “Por que eu e não outro? Eis que não
sabemos determinar qual entre duas pessoas é a mais importante!”. Porém analisaremos o
caso onde os inimigos revelaram o interesse de executar uma determinada pessoa em
especial de dentro do grupo.

Citamos anteriormente o caso do Talmud onde um grupo de pessoas de nosso povo que
caminhavam em uma trilha e foram abordadas por uma quadrilha de um outro povo e os
ameaçaram exigindo entregar uma pessoa de dentro do grupo para ser executada— pois
caso contrário — matariam a todos (Ver Cap.4, caso 1). O Talmud conclui: “é preferível que
executem a todos, porém não devemos entregar com as nossas próprias mãos a vida de
uma pessoa”. Porém, caso eles especificarem um determinado integrante de dentro do
grupo para ser executado é permitido entregá-lo. Para Reish Lakish, somente será
permitido se esta pessoa já estava previamente condenada à morte; Rabi Yochanan, porém,
permite entregá-lo mesmo sem esta précondição.

Por que em um caso onde especificaram uma pessoa de dentro do grupo seria permitido
entregá-la? [Para Reish Lakish com a pré-condição supracitada]; O que difere este caso de
um caso onde não especificaram (que segundo todas as opiniões está proibido entregá-la)?

Poderíamos pensar...
Não seria esta pessoa (que foi especificada) considerada um perseguidor? Não estaria ela
colocando a vida de todo o grupo em perigo?— Portanto deveríamos entregá-la!? Talvez—
por um outro ângulo — poderíamos pensar que, de qualquer maneira, ela seria morta
(pois, se não for entregue, todos serão mortos); portanto seria melhor entregar a vida dela
para salvar várias outras; porém sabemos que está proibido matar — mesmo a uma pessoa
com o tempo de vida limitado — para salvar outras vidas!?
Analisaremos o tema a partir de sua fonte;
Está escrito no Livro Shmuel b' (20, 21-22)— quando Yoav, o ministro do exército,
perseguia a Sheva ben Bichri (pois ele havia se rebelado contra o rei) ameaçou derrubar a
muralha e atacar toda a cidade onde ele se encontrava. Havia ali uma mulher que, com a
sua sabedoria, convenceu os habitantes daquela cidade a executar Sheva ben Bichri;
salvando o resto do público.

Uma vez – não estando permitido salvar uma vida às custas de outra– como puderam
entregar vida de Sheva Ben Bichri para salvar as outras vidas? (Rashi, San’hedrin 72b)
Trouxemos uma explicação mais detalhada em nota (no final
do capítulo), por agora, traremos uma explicação resumida.

Para Rabi Yochanan , ao especificarem Sheva ben Bichri de dentro do grupo, ele recebe o
título de perseguidor (“rodef”), pois, mesmo sem intenção, ele coloca a vida de todo o grupo
em perigo. (Confira mais detalhes em relação ao entendimento de Rabi Yochanan e a
comparação deste caso com o caso do feto que coloca sua mãe em perigo – em nota – no final
do capítulo)
Para Reish Lakish, encontramos duas formas de explicar:

1. Uma vez que Sheva Ben Bichri já estava condenado à morte, foi permitido salvar o
público às custas de sua vida. Pois, segundo a opinião de Reish Lakish, mesmo quando
especificam uma pessoa de dentro do grupo, não está permitido entregá-la para salvar as
outras, somente quando a pessoa já estava previamente condenada à morte.

2. Segundo outra opinião, Reish Lakish concorda ser permitido entregar a pessoa escolhida
em um caso o qual certamente todos morrerão. Contudo, em um caso onde existe a
possibilidade do público se salvar, não é permitido entrega-la, pois, mesmo nos abstendo
de entrega-la, talvez, no final das contas, todos se salvarão. De acordo com esta opinião,
somente quando a morte de todos seja indiscutível, Reish Lakish concorda que é permitido
entregar a pessoa escolhida.

O Beit Yossef traz em seus comentários (Yore Dea 157) que certos Sábios estabeleceram a
lei como Rabi Yochanan – onde especificaram uma pessoa de dentro do grupo — é
permitido entregá-la; O Rambam, por sua vez, estabeleceu a lei como Reish Lakish –
somente quando já recaía sobre ele a pena de morte é permitido; na sequência, o Beit
Yossef nos contae foi
Rabi Yochanan umrepreendido,
caso relatadoportanto
no Talmud Yerushalmi,
entendemos quesobre
mesmoumestando
sábio que
ematuou como
um caso
como este permitido entregá-la, é melhor evitar (a não ser que esta pessoa já estava
condenada à morte). O Ramá trouxe estas duas opiniões. [O comentarista Turei Zahav
(Ta”z) nos aconselha, neste caso (em que especificaram uma determinada pessoa), não
interferir deixando o povo decidir como lhe parecer].

Quando um dos lados de qualquer maneira morrerá

Em uma situação onde duas pessoas simultaneamente estão colocando a vida— uma da
outra — em perigo e, de qualquer maneira, o tempo de vida de uma delas está limitado, ou
seja, em breve perecerá independentemente de que forma atuarmos – dependerá dos dois
pontos de vista supracitados.

Segundo Rabi Yochanan seria permitido salvar a vida de um às custas da vida temporária
do outro – pois ele é considerado um perseguidor (como foi explicado anteriormente).

Para Reish Lakish dependerá das diferentes explicações; segundo a segunda explicação
supracitada (Lechem Mishná) também será permitido [e assim é a opinião do Panim Meirót
— citada no caso do feto que já é considerado nascido e ambos, ele e a sua mãe, certamente
perecerão — que permite salvar a mãe às custas da vida do feto]; Segundo a primeira
explicação supracitada (Igrót Moshe) seria proibido – somente onde ele fosse considerado
um perseguidor seria permitido [e assim é a opinião do Kessef Mishná– mesmo quando
ambos perecerão – para Reish Lakish está proibido entregar um para salvar os demais].

Quando a pessoa que foi determinada conhecia uma


maneira de escapar e continuar em vida
Os inimigos declararam: “Caso não nos entreguem a 'fulano', mataremos a todos”. 'Fulano'
sabia como fugir ou se esconder dos inimigos. Porém, ele estaria pondo todo o público em
perigo.

Se existe a possibilidade da pessoa que foi especificada pelos inimigos fugir e continuar em
vida, não está permitido entregá-la para salvar o resto do público. Uma vez que o tempo de
sua vida não está limitado (pois ele pode fugir e viver normalmente), ele está em uma
situação de igualdade em relação ao resto do grupo– assim como ele está colocando vidas
completas em perigo, também o público está colocando a vida dele em perigo (como já
analisamos anteriormente), portanto ele não é considerado um perseguidor de maior
proporção em relação ao público (Chazon Ish, San’hedrin 25). [Caso ele se entregue por
livre e espontânea vontade para salvar o resto do público, seria um ato digno de ser
louvado – como foi analisado anteriormente – no caso de Papus e Lulianos (Cap.7, caso 2)]

Caso ele já estava sendo perseguido pelo povo inimigo e, mesmo assim, fugiu para uma
determinada cidade sabendo que, possivelmente, eles ameaçariam a todos os seus
habitantes (para que o entregassem) — ele é considerado um perseguidor, pois
conscientemente colocou outras pessoas em perigo de vida. Neste caso mesmo que haja
uma possibilidade
pensou que poderiadefugir
fugirdos
e seinimigos
salvar, está
sempermitido entregá-lo.
colocar a vida [De em
do público todas formas,
perigo caso ele
— mesmo
que no final o perigo veio à eles — sempre que existe a possibilidade de se salvar, está
proibido entregá-lo]

Alguém que atuou contra a lei do reinado pondo a vida de toda a comunidade em risco –
por exemplo, falsificando dinheiro – é permitido entregá-lo; ele é considerado um
perseguidor, pois atuou com negligência.
Agora analisaremos alguns casos baseados nos princípios
supracitados.
CASO 2
Os inimigos anunciaram: “Caso o suspeito não seja
entregue, nós castigaremos aos líderes da comun idade...”
Um integrante do Povo de Israel foi falsamente acusado — talvez por ter roubado uma
estátua
condenado à morte. Quando estava
dos idólatras – e foi sendo levado à morte
entregou uma bolsa para um de seus companheiros. Após de efetuada a execução, os
idólatras voltaram para procurar a pessoa que recebeu a sacola, pois desconfiaram que o
ídolo roubado se encontrava ali. Logo ameaçaram: “Caso o suspeito não seja entregue, nós
castigaremos os líderes da comunidade judaica em seu lugar”.

Os nossos sábios explicaram que, neste caso, está permitido entregá-lo – mesmo que existe
a possibilidade deste acusado escapar ou se esconder (Chazon Ish, San’hedrin 25, em nome
do Ba"ch).
Citamos anteriormente que está proibido entregar alguém – mesmo que foi especificado
pelo inimigo – quando existe a possibilidade dele fugir e continuar em vida. Por que neste
caso foi permitido entregá-lo?
Poderíamos pensar...
Talvez para salvar os líderes do povo fosse permitido!? Pois sem os líderes, o povo, de
qualquer maneira se dispersaria. Porém, já explicamos anteriormente que, quando a
pessoa não for considerada um perseguidor, está proibido entregá-la — mesmo quando
seja para salvar várias vidas!?
Ou pensaríamos...

Talvez a acusação dos idólatras seja verdadeira e, desta forma, seria considerado que esta
pessoa colocou conscientemente todo o público em perigo – portanto ele seria considerado
um perseguidor!?

Porém...
Os nossos—sábios
entregar mesmo explicaram da seguinte
a uma pessoa maneira: Mesmoquando
que foi determinada— que emexiste
geralaestá proibido dela
possibilidade
escapar, em nosso caso devemos entregá-la. Pois, caso o suspeito não seja entregue,
despertará a raiva nos idólatras e, certamente, matariam os líderes do povo. Porém ao
entregar o suspeito eles se acalmariam, averiguariam o caso e, provavelmente, não
condenariam ninguém. Portanto, neste caso, ao entregá-lo estaríamos evitando uma
situação de morte provável (Chazon Ish).

CASO 3
O conhecido caso dos aviões que derrubaram as torres
gêmeas nos Estados Unidos

Todos nós sabemos da grande desgraça que aconteceu nos Estados Unidos – onde
terroristas derrubaram incríveis construções, através de aviões sequestrados, matando
milhares de pessoas. A conhecida pergunta surgiu: “Seria permitido derrubar os aviões –
matando os tripulantes e os passageiros inocentes que se encontravam dentro dele – para
evitar a morte de outras várias pessoas que se encontravam nos prédios?”

Esta pergunta já foi analisada nos livros Shimru Mishpat (do Rabino Shlomo Zafrani
Shelita) e Vearev Na (do Rabino Itschak Zilbershtein Shelita). Utilizaremos de ambos os
livros e dos conceitos supracitados — e também coletados de outros casos — para
analisarmos esta complexa questão.

Derrubar os aviões

Está proibido salvar uma vida ás custas de outra vida. Como poderíamos salvar as pessoas
que se encontram no prédio matando inocentes que se encontram dentro do avião?
Porém, em um segundo pensamento, concluiríamos que os passageiros que se encontram
dentro do avião de qualquer maneira estão para morrer, lhes restam somente alguns
minutos de vida; então qual seria o problema derrubar o avião um pouco antes e assim
salvar milhares de pessoas?

A questão não é tão simples quanto aparenta ser; como já citamos no capítulo Conceitos
Iniciais, está proibido causar a morte de uma pessoa — mesmo que lhe reste somente uns
poucos momentos de vida— inclusive quando seja necessário para salvar a vida de uma
pessoa completa (Noda Biyhuda Ch”m (t) 59).
Nos resta perguntar, seria permitido salvar vidas de pessoas causando a morte de
outras que, de qualquer maneira, já estão para morrer?

Aparentemente, isto dependerá das opiniões citadas no caso 1 — “entregue a um ou


mataremos todos” — onde o perseguido de qualquer maneira perecerá em breve, e nossos
sábios discutiram se seria permitido entregá-lo para ser executado e assim salvar o resto
do público – isto é– em uma situação onde duas pessoas simultaneamente estão colocando
aestá
vida — uma ou
limitado, da seja,
outra—em em perigo
breve e, de qualquer
perecerá, maneira,
independente o tempo
de que formade vida de uma delas
atuarmos;

Segundo Rabi Yochanan seria permitido salvar a vida de um às custas da vida temporária
do outro – pois ele é considerado um perseguidor (como foi explicado anteriormente).

Para Reish Lakish dependerá das diferentes explicações; segundo a explicação que
trouxemos em nome do Lechem Mishná também será permitido [e assim é a opinião do
Panim Meirót — citada no caso do feto que já é considerado nascido e ambos, ele e a sua
mãe, certamente perecerão — que permite salvar a mãe às custas da vida do feto]; contudo,
uma vez que o Rambam estabelece a lei como Reish Lakish, os sábios se preocuparam em
analisar o caso de forma compatível também com a sua opinião.

Se baseando na opinião do Lechem Mishná e Panim Meirót


– O Rav Zilbershtein concluiu que provavelmente seria correto e inclusive uma obrigação
derrubar o avião para salvar o grande público da tragédia. Porém, acrescentou: “é muito
difícil estabelecer a lei em casos de vida ou morte tãocomplicados”.

O Rav Shlomo Zafrani argumenta que o nosso caso não se parece com os outros casos
citados — onde simultaneamente um está colocando a vida do outro em perigo – somente
nesta situação podemos considerar um dos lados perseguidor. Em nosso caso, os
terroristas e o avião em si estão colocando o público em perigo. Porém, os passageiros que
se encontram no avião, não estão acrescentando — tampouco colocando ninguém em
perigo; simplesmente se encontram passivamente no avião.

O Meiri (San’hedrin 72b) – mesmo tendo estabelecido a lei como Rabi Yochanan, ou seja,
que estaria permitido entregar uma vida temporária para salvar uma vida completa–
conclui que somente estaria permitido “entregálo” para salvar os demais – ou seja, através
de uma morte indireta— porém não permite que lhe matem com as próprias mãos.
O Rav Zafrani, se baseando no Meiri, afirma estar proibido derrubar o avião, pois estariam
matando os passageiros inocentes com as próprias mãos.

Somente no caso da mãe e o feto que estão colocando em risco um ao outro – onde ambos
são considerados perseguidores
– encontramos uma possibilidade de permitir que a mãe se salve tirando a vida do feto.
Porém, em nosso caso, os passageiros não são considerados perseguidores, portanto,
inclusive as pessoas que se encontram no prédio não poderiam derrubar o avião.
Aparentemente poderíamos retrucar este argumento utilizando a hipótese que trouxe o
Chazon Ish, levantando a possibilidade de salvar um grupo de pessoas às custas de vidas
particulares quando o ato em essência seja um ato de salvação [como citamos
anteriormente no caso “o motorista tinha um segundo para decidir” (Cap.4, 2)].

Existe uma diferença essencial entre o caso que se referiu o Meiri e o nosso caso. No caso
do Meiri— onde os inimigos ameaçaram executar uma determinada pessoa – o ato em
essência
morte deéforma
um ato de tirara auma
indireta vida, portanto
pessoa comele permitiu
vida somente
temporária, paraentregar – causando
salvar outras a
pessoas
com vidas completas
– porém não permitiu matar com as próprias mãos. Em nosso caso, o ato de derrubar o
avião, em essência é um ato de salvação – impedir que o avião se choque com os prédios —
o fato de passageiros inocentes se encontrarem ali, não está relacionado com a essência do
ato, é um fator casual — o ato não está diretamente direcionado à eles. Neste caso o Meiri
poderia estar de acordo em derrubar o avião.

Encontrei outros casos parecidos em nome do Rav Zilbershtein que vão nos trazer novos
conceitos e ajudar no aprimoramento da análise em nosso caso. Eles serão escritos em
seguida...

CASO 4
“Explodir o campo de extermínio Aushwits – junto com
todos que se encontravam ali”

Carta do Sábio Michael Dov Waissmendel z”l (publicada no livro Min Hametsar, 218)
suplicando ao governo americano para explodir as câmaras de gás, os crematórios do
campo de extermínio e a estrada de ferro que levava para Aushwits: “Por que vocês ficam
quietos? Por que vocês não fazem nada? Por que essas estradas de ferro não são
destruídas? Aushwits todavia se encontra de pé. As câmaras de gás e crematório continuam
trabalhando; facilmente seria possível desativá-los e explodir com tudo isso. Milhares de
olhos estão voltados para o céu na esperança... Por que vocês não vêm ajudar e explodir os
inimigos e suas construções de extermínio?

Ao explodir as construções nazistas, com certeza morreriam também judeus inocentes que
se encontravam ali aprisionados. O sábio desejava com o seus pedidos terminar com o
genocídio. Poderia o sábio pedir para atacarem os campos de extermínio – para evitar
futuras mortes – mesmo às custas das vidas inocentes que todavia viviam a esperança de
seguir vivendo?

O Rav Zilbershtein explica que em uma situação de guerra é distinto. Provavelmente estaria
permitido, pois todo o povo está em perigo. Como vemos no Livro Shmuel b' (11, 25)—
chegou ao Rei David uma mensagem relatando a preocupação com as mortes ocorrentes ao
atacar uma certa cidade— o Rei David incentivou-os para que continuassem firmes.
Portanto entendemos que em uma situação de guerra seria permitido atacar os inimigos,
mesmo causando a morte de certas pessoas inocentes, para salvar o povo.
Também o caso dos aviões que estão sendo levados para atingir as torres gêmeas, poderia
ser considerado um caso de guerra. Esta é a intenção dos terroristas; não foi um acidente
casual. Todavia, para um melhor entendimento do caso do avião, traremos outro caso...

CASO 5
“O terrorista agarrou um refém e estava atiran do no
público”

O terrorista utilizava pessoas inocentes como escudohumano e atirava nos soldados.


Seria permitido atirar nos terroristas matando também os reféns?

Consta no livro Damessek Eliezer (na introdução)— uma pessoa que está sendo perseguida
e ao lado do perseguidor encontra-se uma pessoa inocente. Para o perseguido salvar-se do
perseguidor seria necessário matá-lo; porém, também a pessoa inocente que se encontrava
ali morreria. Uma vez que o perseguido não tem a intenção de matá-lo, somente que, o ato
necessário para matar o perseguidor, também causaria a morte do inocente – estaria
permitido.

O Rav Zilbershtein baseando-se no livro Damessek Eliezer tende a permitir atirar no


terrorista mesmo às custas das vidas dos reféns — a intenção dos soldados é de atirar
contra os terroristas e indiretamente também os reféns morrerão.
Porém, existe uma diferença – podemos ver cada tiro separadamente– o tiro que atingiu o
refém não é o mesmo tiro que atingiu o terrorista. O tiro que matou o refém foi diretamente
direcionado à ele – uma morte direta.
O próprio Rav Zilbershtein questiona, eis que – mesmo em um caso onde ambos os lados de
qualquer maneira morrerão – o Meiri (citado anteriormente)permite somente “entregar”,
ou seja, causar uma morte indireta – e não com as próprias mãos.

Também, o Damessek Eliezer só permitiu matar o perseguidor quando, o mesmo ato


necessário para matá-lo, causaria também a morte de inocentes – por exemplo jogando
uma granada– porém, em nosso caso, o tiro que matou o refém não foi o mesmo tiro que
matou o terrorista – são atos independentes. Poderíamos então pensar que estaria proibido
atirar em sua direção – pois desta forma estaria matando diretamente os reféns inocentes
de forma independente.

De qualquer maneira, o Rav Zilbershtein tende a permitir atirar em direção ao terrorista


mesmo que causaria a morte dos reféns; ele trouxe três motivos que distinguem o nosso
caso de outros.
a. O ato de atirar não foi com intenção de assassinar inocentes, todo o objetivo foi matar os
terroristas – um ato de salvação (como esclareceu o Damessek Eliezer, mesmo que em
nosso caso poderíamos retrucar este pensamento, pois o tiro que matou o refém não foi o
mesmo que matou o terrorista; por outro lado poderíamos considerar todos os tiros como
um único ato necessário para salvar – onde a essência de todos eles é salvar).
b. Uma pessoa nas mãos dos terroristas já é considerada uma pessoa praticamente morta,
sendo assim, seria mais fácil permitir atirar nos terroristas — mesmo que possivelmente
também os reféns morreriam [o Rav Zilbershtein acrescentou que– lhe parece– assim tende
a opinião do Rav Eliashiv Shelita].

c. Em caso de guerra, provavelmente, as regras são diferentes; é permitido atacar os


inimigos (que querem nos exterminar) mesmo que cause a morte de inocentes.

De todas maneiras ele deixa a questão em aberto.


Podemos utilizar destes conceitos também no caso dos aviões sequestrados que
estão sendo levados para derrubar as torres gêmeas:

a. A essência do ato – destruir o avião– é salvar e não matar. O Damessek Eliezer permite
matar um perseguidor onde através do mesmo ato também inocentes perecerão – como no
caso do avião – onde, o mesmo ato que destruirá o perseguidor, causará a morte de
inocentes [o Rav Zilbershtein somente questionou quando o tiro que atingiu o refém foi um
tiro em particular, onde poderíamos pensar que seria um ato independente, porém quando o
mesmo tiro, necessário para matar o perseguidor, também atingir um inocente – como no
caso do avião – segundo a opinião do Damessek Eliezer está permitido].
b. Uma pessoa nas mãos dos terroristas já é considerada
praticamente morta.
c. Um caso de guerra é diferente; o caso do avião também poderia ser considerado um caso
de guerra– esta é a intenção do terrorismo.

CASO 6
O Eletricista para se salvar causaria a morte de um
inocente

Escutei em nome do Rav Zilbershtein o caso de um eletricista que durante o seu trabalho
sentiu que estava sendo eletrocutado. A única maneira de se salvar seria desligando a chave
geral
estavadeconectada
eletricidade
comdeum
todo o local.de
aparelho Naquela casa se
respiração, encontrava
caso desligasseuma pessoa doente
a eletricidade, que
no mesmo
momento ela morreria. Poderia o eletricista desligar a chave geral para se salvar—
causando a morte de um inocente?

Poderíamos pensar...
Talvez seria proibido – pois não podemos nos salvar às custas da vida de outra pessoa; por
outro lado– talvez seria permitido – como analisamos no caso do feto (onde já era
considerado nascido) que, quando está pondo a vida de sua mãe em perigo, existe a
possibilidade da própria mãe se salvar às custas da vida do feto. Porém em nosso caso é a
eletricidade que lhe está colocando em perigo– e não o doente. Portanto estaria proibido de
se salvar às custas de sua vida.
Porém...
Segundo a opinião do Damessek Eliezer (que se encontra no caso anterior)– seria permitido
matar o perseguidor mesmo quando, o ato necessário para matá-lo, causaria também a
morte de inocentes; também em nosso caso, a eletricidade é considerada um perseguidor,
portanto estaria permitido se salvar desativando-a, mesmo que o mesmo ato causaria a
morte de um inocente.
Somente quando o ato de tirar a vida de seu companheiro seja um ato cuja essência é a de
matar, seria proibido salvar-se às custas da vida de seu companheiro; no caso do
eletricista– a essência do ato foi a de se salvar, somente que– indiretamente – estaria
causando, com o mesmo ato, a morte do enfermo inocente.

Portanto seguindo este pensamento, seria permitido desligar a chave de luz para se salvar.
De todas formas, o Rav Zilbershtein não estabeleceu a sentença de forma definitiva,
argumentando que todavia seria necessário analisar melhor o caso.
Caso 7
Ele poderia escapar, porém os assaltantes matariam a
outro refém em seu lugar

Uma quadrilha estava assaltando um banco e todos os clientes e funcionários que se


encontravam ali foram tomados de reféns. A polícia fez um cerco ao banco. Os assaltantes
resolveram a “tal hora” matar um dos reféns para acelerar as negociações. Um dos clientes
foi escolhido e separado para o sacrifício. Ele percebeu que havia uma possibilidade de
escapar (quebrando uma pequena janela que se encontrava— meio que escondida — no
quarto onde foi colocado). Porém, ele sabia que, caso escapasse, matariam outra pessoa em
seu lugar.

Poderia um de seus amigos tentar salvá-lo – mesmo sabendo que causaria a morte de outra
pessoa?
Ele poderia tentar escapar sozinho?

Antes de especificarem um dos reféns para ser executado, seria permitido salvar um deles
em especial. Porém, após de terem determinado um refém – provavelmente estaria
proibido tentar salvá-lo, pois os assaltantes escolheriam outro em seu lugar. Uma vez que—
ao ser escolhido um — a situação de perigo já foi retirada dos outros reféns, estaria
proibido renovála; não podemos salvar uma vida às custas de outra. De todas formas, caso
existisse alguma possibilidade de que, ao salvá-lo, já não escolheriam outro refém em seu
lugar, estaria permitido salvá-lo – pois não devemos deixar de salvar uma vida por uma
situação de dúvida (Pitchei Tshuvá Y”d 157, 13 em nome do Noda Biyhuda).

Ele próprio poderia tentar escapar; ele não está matando ninguém diretamente,
simplesmente está ocupado em se salvar; portanto, ele poderia tentar fugir mesmo que a
sua fuga causaria indiretamente a morte de outra pessoa (Livro Bekol Nafshechá em nome
do Shut do R. S. Eiguer Y”d ktavim 11). [Nota: Esta explicação se parece com a opinião dos
“Sábios das gerações anteriores” trazida pelo Meiri. ‘Ele próprio pode se salvar apesar de
causar indiretamente a morte de outra pessoa’]
Porém, caso ele tenha sido escolhido por algum motivo pessoal, possivelmente estaria
proibido – ele seria a causa da morte de outra pessoa – pois o perigo veio dele próprio.

[Nota: Consta na Mishná (Guitin 45a): Não é permitido salvar o prisioneiro (...) (por que?
Resposta:) Segundo a primeira opinião da Mishná, não é permitido salvar o prisioneiro para
que (os inimigos) não venham a maltratar (e matar) os próximos prisioneiros que forem
capturados. Segundo a outra opinião da Mishná, isto é para que não venham a maltratar (e
matar) quando
pessoa os prisioneiros restantes.
esta ação Portanto,
vier causar a mortaprende-se
e de outras,da Mishná
porém, que não
é claro queseo deve salvar uma
próprio
prisioneiro pode tentar fugir (Chevat Yair 213). Outros comentaristas deduzem que o próprio
prisioneiro pode tentar fugir a partir da própria linguagem da Mishná. Está escrito: “Não é
permitido salvar(...)”, porém, não está escrito que é proibido fugir. Portanto, a própria pessoa
pode se preocupar em fugir para se salvar.]
CASO 8
Após matar uma pessoa, o assassino perguntou ao sábio
“fiz bem em matálo?”

Duas pessoas de um certo povo viajavam junto com um sábio (conhecido como R.Úla), no
meio do caminho um deles se parou e matou o seu companheiro e logo perguntou ao sábio:
“Fiz bem em matá-lo?”
O sábio respondeu: “Sim, você fez bem”. E acrescentou:
“Continue feri-lo(para que pereça mais rápido)”.

Ao chegar na cidade destinada, se encontrou com Rabi Yochanan e lhe contou o caso; logo
perguntou preocupado: “Talvez, Deus me livre, eu seja considerado cúmplice desse
assassinato?”

Rabi Yochanan respondeu: “Você simplesmente salvou a sua vida”. Pois na verdade o
assassinato já havia sido realizado e, caso ele houvesse falado de outra maneira, o assassino
poderia matá-lo em sua raiva descontrolada. Uma pessoa deve se preocupar em seguir
vivendo.

***

[ Nota: Trouxemos o caso de Sheva ben Bichri, que se encontra no Livro Shmuel b' (20, 21-
22)— quando Yoav, o ministro do exército, o perseguia (pois ele havia se rebelado contra o
rei) ameaçou derrubar a muralha e atacar toda a cidade onde ele se encontrava. Havia ali
uma mulher que, com a sua sabedoria, convenceu os habitantes daquela cidade a executar
Sheva ben Bichri; salvando o resto do público.
Perguntamos: Uma vez – não estando permitido salvar uma vida às custas de outra – como
puderam entregar vida de Sheva Ben Bichri para salvar as outras vidas? (Rashi, San’hedrin
72b).
Trouxemos no texto do livro uma resposta resumida, agora, em nota, traremos uma
explicação mais detalhada.
O Rashi trouxe duas respostas para esta questão:
Resposta 1
Uma vez que — de qualquer maneira — ele morreria, pois caso não fosse entregue
todos seriam mortos (inclusive ele), seria melhor que somente a vida dele fosse
perdida ao invés da vida de todo o público. [Assim consta na Tossefta (Terumot, final
cap.7, segundo a primeira opinião) – a mulher com sua sabedoria argumentou: “Uma vez que,
de qualquer maneira,
habitantes), ele morrerá
é melhor entregá- lo e,(pois
destaosforma,
soldados do os
salvar reidemais”.
entrarãoPorém
aqui ecaso
matarão a todos os
ele p udesse
escapar de alguma maneira, seria proibido; pois não podemos entregar uma vida às custas de
outra ou outras vidas]. Portanto, segundo a opinião de Rabi Yochanan, após uma pessoa ser
escolhida — está permitido entregála.
Porém todavia nos resta analisar – uma vez que está proibido entregar uma vida — mesmo
que limitada— para salvar outras vidas, como poderíamos entregá-lo?
Para Rabi Yochanan, ao especificarem uma pessoa de dentro do grupo para ser entregue, ela
recebe o título de perseguidor — “rodef”, pois ele está sendo o motivo da morte de todo o
grupo – mesmo não tendo a intenção de perseguir— como o feto que coloca a vida de sua
mãe em perigo inconscientemente (analisado anteriormente).
Qual seria a diferença entre este caso e o caso do feto que já retirou a cabeça para fora do
corpo de sua mãe (quando já é considerado como uma pessoa nascida). Por que no caso do
feto não podemos interferir – mesmo sendo ele o motivo da morte de sua mãe e, em nosso caso
— onde especificaram um indivíduo – podemos interferir e entregá-lo para ser executado?
Também nos resta entender– como justificaríamos a permissão de entregá-lo pelo fato de seu
tempo de vida estar limitado? Eis que está proibido matar uma pessoa mesmo que lhe reste
uns poucos momentos de vida. Então por que em nosso caso seria permitido entregá-lo?
Resposta: Quando ambos estão colocando a vida um do outro em perigo, devemos analisar
relativamente se ambos estão em posição de igualdade – colocar uma vida que está no final
em risco em comparação a colocar uma vida completa em risco – não está em um grau de
igualdade. Uma vez que nenhum dos lados pretendia perseguir o outro – assim aconteceu
casualmente– porém, a salvação de um se dará às custas da vida do outro, caso eles se
encontrem em uma situação de igualdade, será considerado que os dois estão perseguindo um
ao outro em mesmas proporções – portanto será proibido interferir.
No caso do feto, não somente que — tanto ele quanto a sua mãe estão perseguindo um ao
outro simultaneamente — também são considerados perseguidores de mesma proporção
(como citamos anteriormente), portanto está proibido interferir matando um deles para
salvar o outro. Porém, em nosso caso, o tempo de vida desta pessoa— que foi escolhida pelo
povo inimigo para ser executada – está no final (pois mesmo ela não sendo entregue, todos
seriam mortos pelos inimigos – inclusive ela). Portanto, ele é considerado um perseguidor de
maior proporção — pois está causando a perda de vidas completas – ou seja, de pessoas que
podem seguir vivendo normalmente (caso entreguem a pessoa escolhida); e, o público de
forma geral, está causando a perda de um curto período de vida que resta a esta pessoa
determinada (pois, ela não tem como escapar). Desta forma, consideramos esta pessoa um
perseguidor em relação ao grupo, pois ela é um perseguidor de maior proporção. Assim
entendemos a opinião de Rabi Yochanan que permite entregá-la.
Resposta 2
Rashi trouxe uma segunda resposta (para explicar o motivo pelo qual entregaram a Sheva
Ben Bichri para salvar outras vidas) – Uma vez que Sheva Ben Bichri já estava condenado
à morte,
Rabi foi permitido
Shimon explica quesalvar o público
o argumento delaàsfoicustas de no
baseado suafato de [Assim
vida. que eleconsta narebelado
havia se Tossefta—
contra o rei e, de qualquer forma, já recaía sobre ele a pena de morte— portanto seria
permitido entregá-lo para salvar o resto do público]; assim, segundo a opinião de Reish
Lakish, mesmo que especificaram uma pessoa de dentro do grupo está proibido entregá-la
para salvar as outras. O fato de especificarem uma pessoa não lhe coloca o título de
perseguidor, uma vez que ela não estava previamente condenada à morte – simplesmente
decidiram executar, aleatoriamente, uma pessoa de dentro do grupo – para despertar o medo
do público em geral; se não fosse ele, talvez seria uma outra pessoa qualquer de dentro do
grupo – não é esta determinada pessoa a causa da perseguição. Portanto estaria proibido
entregá-la (mesmo que, de qualquer maneira, ele morrerá junto com os demais). Já que ele
não é considerado um perseguidor, regressamos a conhecida regra — que está proibido
salvar a vida de uma pessoa às custas de outra — mesmo que lhe reste um curto tempo de
vida (Igrót Moshe Y”d(2), 60, 3).

Ou poderíamos entender o pensamento de Reish Lakish (que proíbe entregá-lo) em um outro


âmbito. Ele também concorda que — quando os dois lados certamente morrerão — está
permitido entregar uma vida temporária para salvar uma vida completa, porém em nosso
caso
– para Reish Lakish– existe uma possibilidade do público se salvar; portanto não podemos
entregar uma pessoa mesmo que tenha sido determinada, pois mesmo nos abstendo de
entregá-la, talvez todos se salvarão. De todos modos, caso a morte seja indiscutível, Reish
Lakish concorda que está permitido entregá-la (Lechem Mishna).]
CAPÍTULO IX
TEMAS
Temas:

1. Assassinato
2. Aborto
3. Envergonhar a Uma Pessoa em Público
4. Suicídio
5. Cuidar da Vida

TEMA 1 ASSASSINATO
Está escrito na Torá: “Quem derramar o sangue de um homem, (também) pelo homem o
seu sangue será derramado, pois o homem foi criado com a Imagem de Deus” (Bereshit 9,
6).
Como poderíamos entender que o homem foi criado com a Imagem de Deus?— Todos nós
sabemos que um dos princípios básicos do judaísmo é que Deus não tem imagem!?
O homem foi criado com a “Imagem” de Deus – pois no serhumano se encontra a expressão
dos métodos de atuação de Deus (Ramchal); e nos foi dado a inteligência, o entendimento
(Rashi); e o poder de decisão (Rambam, O Guia dos Perplexos) ; através de nossas decisões
nós influenciamos nos acontecimentos de nosso mundo (Nefesh Hachaim); portanto, ao
assassinar— a pessoa estaria diminuindo a Imagem de Deus em nosso mundo (Midrash
Rabá, Noach 34, 13).
Uma vez que a Torá já nos proíbe derramar o sangue de um homem, ou seja, o assassinato,
por que deveria novamente nos ordenar – mais adiante – “Não assassinarás” (Shemot 20,
13)?

Explica o Ramban, a Torá retornou a escrever o mandamento “não assassinarás” para


aproximar do mandamento de honrar os pais [Está escrito “Honrarás a teu pai e a tua mãe...
não assassinarás”]. Devemos honrar os nossos pais, pois Deus os colocou como sócios na
formação do feto – o pai e a mãe colaboram com o corpo físico e Deus coloca a alma –
portanto tome cuidado para não destruir a minha criação – derramando o sangue de uma
pessoa. Assim como devemos tomar cuidado em não matar uma pessoa por ser uma
criação especial de Deus, devemos ter cuidado em respeitar os nossos pais por terem
colaborado nesta criação.
Também aprendemos pela proximidade dos dois mandamentos o seguinte ensinamento –
uma pessoa que se encontra em uma posição financeira favorável – com possibilidades de
beneficiar os seus pais quando já estão idosos
– e não o faz, é comparado com um assassino (Seder Eliahu Rabá 24).
O assassino será condenado também por todos os descendentes que poderiam gerar a
pessoa assassinada. Quando Kain matou Hevel a Torá expressa: “Os sangues de seu irmão
estão gritando...” – por que a Torá se expressa “os sangues” (no plural) ao invés de “o
sangue” (no singular) – pois está se referindo ao sangue dele e de seus futuros
descendentes. Portanto, no princípio somente um homem foi criado, para nos ensinar que,
quem mata uma pessoa é como se estivesse matando o mundo inteiro; e quem mantém (ou
salva) a vida de uma pessoa, é como se estivesse mantendo o mundo inteiro (San’hedrin
37a).
A alma de uma pessoa assassinada suplica à Deus para se vingar do assassino. Deus atende
as súplicas (Midrash Asseret Hadibrót “Não Assassinarás”).

Um doente em estado grave

Como já foi citado no Capítulo 1 – Está proibido causar a morte de uma pessoa – mesmo
que lhe reste somente uns poucos momentos de vida; inclusive quando seja necessário
para salvar a vida de uma outra pessoa — “de vida completa” — está proibido (Noda
Biyhuda Ch”m (t) 59). Portanto desligar as máquinas antecipando a morte de uma pessoa
doente é considerado pela Torá assassinato – mesmo quando as intensões forem boas (ver
Igrót Moshe Ch”m parte 2, 74, 4).

Inclusive uma pessoa muito idosa que adoeceu, e ela própria já se expressa que deseja
falecer – estamos obrigados a tratá-la com todos os recursos necessários – como no
tratamento de uma pessoa jovem (Idem 75, 7).
Seria necessário alongar a vida de uma pessoa que se
encontra em grandes sofrimentos?

Uma pessoa que se contagiou com uma grave doença e se encontra em um estado que já
não existem recursos medicinais para tratá-la – somente para mantê-la em vida por um
curto tempo – talvez alguns meses; será que seria necessário tratá-lo mesmo que todo o
tempo acrescentado será para ele um sofrimento?

Neste caso, devemos comunicar ao paciente e perguntá-lo se está interessado em receber o


tratamento; caso ele esteja interessado neste tempo extra de vida – mesmo estando neste
estado de sofrimento – deveremos tratá-lo; caso ele não esteja interessado, não será
necessário.

Porém, se este acréscimo de vida for necessário até a chegada de um médico mais
especializado, ou outro médico que desejamos escutar também a sua opinião, devemos
tratá-lo – pelo menos por este período – mesmo que contra a sua vontade (idem 75, 1);

De todas formas está proibido adiantar a sua morte através de algum medicamento ou
através de qualquer outro meio que causará o encurtamento de sua vida, inclusive por um
único segundo; pois quem o fizer será considerado que lhe tirou a vida. Portanto quando o
paciente não desejar que lhe acrescente
– nestas condições de sofrimento – um curto tempo de vida, o máximo que se pode fazer é
isentá-lo do tratamento, porém nunca acelerar a sua morte.

Quando não houver possibilidade de perguntá-lo a sua preferência, pode-se basear no fato
de que– em geral – as pessoas preferem que não lhe acrescentem um curto tempo de vida
nessas condições de grande sofrimento.

Uma pessoa em coma


Em um caso onde o paciente possa seguir vivendo por mais tempo, existe a obrigação de
tratá-lo, mesmo quando se trata de uma pessoa em coma ou com limitações (idem 73, 1).

Para que paciente dar a preferência

Quando um médico é chamado para atender dois pacientes simultaneamente e, um deles,


está com a vida contada– ou seja, os médicos especialistas não lhe dão mais de um ano de
vida – ele deverá dar preferência ao paciente que não está com a vida contada (idem).

Dois pacientes chegam no hospital simultaneamente

Dois pacientes chegam no hospital em estado grave, no departamento de emergência do


hospital, somente um leito disponível. Um dos pacientes está em estado terminal – somente
seria possível alongar a sua vida em alguns dias e apaziguar as suas dores; o segundo
paciente– de acordo com a opinião dos médicos especialistas – pode ser salvo, porém não
obrigatoriamente será necessário para o seu tratamento os recursos oferecidos pelo leito
do departamento de emergência. Quem deve ser colocado no leito de emergência?

O paciente que não está em estado terminal deverá receber a preferência; porém, caso o
paciente que se encontra em estado terminal já foi levado para o leito, e o seu tratamento já
começou
– não poderemos interrompê-lo para tratar do outro, pois o próprio doente não tem a
obrigação – e possivelmente está proibido – de salvar outra pessoa com a sua própria vida,
mesmo que ela esteja contada. Porém caso ele ainda não foi levado para o leito, o outro
paciente– queonão
hospital após seuestá com a vidacom
companheiro; contada– terá a preferência,
uma condição – que não mesmo tendo ao
seja revelado chegado no
primeiro
paciente– através desta “troca” – a sua verdadeira situação, pois ao entender que os
médicos estão desistindo de salvá-lo estaríamos antecipando a sua morte– como citaremos
em seguida (idem).
Os médicos não sabem como curá-lo
No hospital se encontra um paciente em estado grave, e os
médicos não sabem como curá-lo. O que deve ser feito?

De todas formas os médicos devem se preocupar em oferecê-lo as melhores condições para


um paciente que se encontra nessas condições. Também, para que o paciente não desista
de viver, os médicos deverão tratá-lo e oferecer algum tipo de medicamento – pois a
desistência é o maior dano que se pode causar ao doente – não existe uma dor maior do
que a dor de ver que os médicos já desistiram dele; porém deverá ser um medicamento
que, sem a menor dúvida, não causará danos para o paciente; e também, com a condição
que já não seja possível conseguir um médico que entenda melhor do problema no qual ele
se encontra (idem 75, 6).
Não tomar decisões em um tema como este sem consultar
uma entidade rabínica confiável
Estabelecer leis neste tema tão complexo e importante – cada caso em particular – exige
uma grande sabedoria e responsabilidade; é necessário uma análise profunda dos grandes
sábios da Torá em conjunto com médicos especialistas para esclarecerem a situação real do
paciente e as possibilidades de tratamento (idem 73, 2).

TEMA 2
ABORTO
Somente quando o feto (antes de ser considerado “nascido”, ou seja, antes de retirar a
cabeça ou a maior parte de seu corpo de dentro do corpo de sua mãe) está colocando a vida

da mãe
(veja emdetalhes
mais risco e, anoúnica maneira
capítulo de salvá-la,
2). Consta seria
no livro matando
Chidushei o feto,
Rabi estáHalevi
Chaim permitido
(1, 9)matá-lo

Mesmo que não podemos salvar uma vida às custas de outra, existe um decreto da Torá que
permite salvar o perseguido das mãos do perseguidor — mesmo às custas de sua vida; o
mesmo se aplica no caso do feto que, somente para salvar a mãe (ou seja, o perseguido),
existe uma permissão de matar o feto — sempre que não for considerado “nascido” — para
salvá-la; porém, em relação as outras leis, o feto é considerado uma vida como outra
qualquer. Portanto o aborto está totalmente proibido. Retirar a vida de um feto está
incluído na proibição de assassinato.
Está escrito no Zohar – Alguém que mata o seu filho, ou seja, o feto que se encontra no
ventre de sua esposa – através do aborto – está destruindo a construção do Criador (ver
Berachot 10a— Deus formou o feto dentro do ventre de sua mãe, colocou o espirito dentro
dele, etc.; uma construção impressionante). Existem pessoas que matam a outras pessoas,
porém esta pessoa (que aborta) está matando o próprio filho. Com este ato a pessoa está
causando três males insuportáveis, causando lentamente a destruição da criação (pelos
decretos oriundos de seu ato) e acrescenta uma desconexão entre Criador e a criação;
vários males veem ao mundo como consequência deste ato; estes são os males: Está
matando o próprio filho; está destruindo a construção do Criador; está causando um
distanciamento entre o Criador e a criação. Portanto desperta a força de acusação e o
mundo sofrerá novos decretos que recairão sobre ele. “Pobre desta pessoa, seria melhor
que não houvesse sido criada” (Zohar Shemot; com Matok Midvash).

O Médico que é abordado para praticar um aborto


Não é permitido apoiar uma mulher que queira realizar um aborto – independentemente
de que povo ou religião ela pertença – pois a proibição do assassinato foi ditada pelo
Criador para toda a humanidade.

Uma pessoa, ao ajudá-la nesta prática, estará transgredindo outro mandamento – de não
colocar uma obstáculo perante o cego – que inclui dar um conselho desfavorável ou ajudar
alguém a concretizar uma transgressão.

Portanto um médico que for abordado para realizar um aborto deverá falar que não deseja
participar no assassinato do feto.

TEMA 3
ENVERGONHAR UMA PESSOA EM PÚBLICO
Envergonhar uma pessoa em público também é comparado
pelos nossos sábios com o assassinato.

A vergonha causa um grande sofrimento, portanto a Torá nos proíbe envergonhar a uma
pessoa (Chinuch, Mitsvá 240); este sofrimento é mais amargo do que o sofrimento da morte
(Rabeinu Yona).
Nossos sábios, conhecendo a gravidade real do tema, expressaramse: “É preferível atirar-se
em um forno ardente à envergonhar uma pessoa em público”. [Aprendemos de Tamar – que
estava disposta a ser atirada na fogueira para não envergonhar Yehuda em público (Sotá
10b)].
Em certo aspecto os sábios expressaram-se — em relação ao tema de envergonhar uma
pessoa em público — de forma mais rígida do que em relação ao tema do próprio
assassinato. [“...e quem envergonha o seu companheiro em público... (mesmo que adquiriu
muitos méritos)... não receberá uma porção no Mundo Vindouro (isto é, caso não se
arrependa de forma correta)” (Pirkei Avót cap.3)].

Como entender que envergonhar uma pessoa em público seja mais grave que matá-la. Se
perguntássemos a qualquer pessoa: “O que você preferiria – ser morta ou ser
envergonhada em público?”; com certeza todos responderiam que prefeririam ser
envergonhadas, pois a vergonha passará e ela continuará vivendo. Portanto como poderia
ser mais grave?

O Rambam (Mishnayot San’hedrin cap.10) explica– óbvio que o ato de matar é mais grave
do que o ato de envergonhar. Porém ao envergonhar o seu companheiro em público — a
pessoa está simplesmente revelando que possui uma alma de nível muito baixo; uma alma
que não está propícia para o Mundo Vindouro. Em seguida entenderemos este conceito de
forma mais profunda.

Ao envergonhar o seu companheiro em público, a pessoa está desprezando de forma

máxima o Semblante do Criador que se encontra nele. Ele não está valorizando o Semblante
de Deus. Da mesma maneira ele será julgado — ou seja — através de sua avaliação
estabelecerá o valor de seu próprio Semblante no Mundo Vindouro. Uma vez que ele
desprezou de forma máxima
– não valorizando em absoluto o Semblante de seu companheiro
– também o seu Semblante não terá nenhum valor; desta maneira ele não terá existência
no Mundo Vindouro.

“Quem
escrito é...todos
considerada umahonrarem
os que Me pessoa honrada ? Quem honra
Eu os honrarei...” o seu
(Pirkei companheiro;
Avót c ap.4). como está

Para provar que uma pessoa honrada é quem honra o seu companheiro, trouxeram – na
Ética dos Pais – uma fonte onde Deus está anunciando“todos os que Mehonrarem...” — qual
é a relação entre honrar o companheiro e honrar a Deus. Segundo o princípio supracitado
— a conexão está clara– honrando o seu companheiro, a pessoa está valorizando o
Semblante de Deus que se encontra nele; da mesma forma ela será julgada, ou seja, através
de sua avaliação ela está valorizando o seu próprio Semblante; portanto ela realmente é
uma pessoa honrada.

TEMA 4
SUICÍDIO
O suicídio está proibido (veja a fonte no capítulo “Conceitos Iniciais”).
Nossos sábios ensinaram: “Uma pessoa que se suicida não receberá uma porção no Mundo
Vindouro” (Yavets em nome da Tossefta; ver Tiferet Israel San’hedrin 10, 2). [Está escrito
“...estarão os seus pecados sobre os seus ossos...” (Icheskel 32, 27)— explica o Maharit (Ktuvót
103b)– este versículo se refere a uma pessoa que se suicida – que não terá uma porção no
Mundo Vindouro].
CASO 1: A morte do Rei Shaul
O Rei Shaul ao ver que a batalha com os filisteus estava perdida, tomou a espada e lançou-
se sobre ela para se matar (ver Shmuel a' 31, 4); Como pôde o Rei Shaul causar a própria
morte
– isto é suicídio!?
Consta no Shulchan Aruch (Y”d 345, 3) – Uma pessoa que se matou por forças maiores,
como ocorreu com o Rei Shaul – que se matou ao ver que seria torturado pelos
inimigos(Sha”ch)
– o seu ato não é considerado suicídio.

CASO 2: Uma pessoa sofrida que se matou


Uma pessoa passava por grandes dificuldades financeiras, não havia nenhuma esperança
de melhorias; a fome e a preocupação dominava o seu lar. Ela já não aguentava mais viver–
e se matou.
Está escrito no livro Bessamim Rosh – uma pessoa que se mata devido ao grande
sofrimento causado pela situação que se encontra vivendo, mesmo estando totalmente
proibido fazê-lo – não será considerado um ato de suicídio – pois somente pelos grandes
sofrimentos e preocupações atuou desta maneira (contra a sua vontade real); e assim
também consta no livro Shvut Yakov. É claro que está totalmente proibido atuar desta
forma para fugir dos problemas, somente que, segundo as opiniões supracitadas, esta
pessoa não será intitulada “suicida”, ou seja, não se aplicará nela as leis referentes a um
suicida– em relação ao seu enterro, luto, etc., pois não foi uma decisão totalmente lúcida
devido aos sofrimentos que vivenciava. Porém o Chatam Sofer discorda deste ponto de
vista, argumentando que sofrimentos não justificam o suicídio; portanto, segundo a sua
opinião, esta pessoa será considerada um suicida (Pitchei Tshuvá Y”d 345, 3).

CASO 3: O suicídio de 400 crianças


400 Crianças, meninos e meninas foram capturados por um reinado inimigo – elas sabiam
para onde estavam sendo levadas
– para centros de prostituição. Todas as meninas resolveram se atirar no mar, preferiram a
morte! E logo os meninos também se atiraram no mar (Guitin 57b). Nossos sábios louvaram
a atitude dessas crianças.
Como poderiam ser louvados pelos Sábios por cometer o suicídio? Eis que estamos
ordenados a prosseguir vivendo mesmo que seja necessário transgredir os mandamentos
da Torá (exceto em certas condições)!?
Em uma situação onde — através da morte – elevará o nome de Deus, fortificando o
coração das pessoas no cumprimento de Seus mandamentos, estará permitido entregar a
vida (Beit Yossef, Bedek Habait Y”d 157). E inclusive digno de fazê-lo (TossafotA”z 18a).
CASO 4: Se matou para não ser torturado
Uma pessoa foi ameaçada pelos idólatras: “Caso você não deixe o judaísmo será torturado”.
Ela sabia que, neste caso, estamos obrigados a entregar a vida – esta é uma das situações
onde nós fomos ordenados a abdicar da vida e não transgredir um mandamento da Torá.
Porém ela temia que não aguentaria passar por um sofrimento tão grande sem se render às
exigências dos idólatras. Ela então resolveu se matar para não vir a transgredir este
mandamento. Ela poderia ter agido desta maneira?
Quando uma pessoa sente que não aguentará passar pelos sofrimentos que lhe estão
ameaçando— caso não aceite abdicar do cumprimento da Torá– e acabará se rendendo às
ameaças – por exemplo – quando idólatras ameaçam com torturas uma pessoa que não
aceite as suas práticas idólatras (como na inquisição) – estará permitido se matar para
salvar a sua alma, não necessitando esperar passar por todos os sofrimentos até à morte;
inclusive será digno de fazê-lo (Tossafot; Rav Asher Waiss Shelita – Minchat Asher, Shemot
11). Neste caso será considerado que morreu para elevar o Nome de Deus (Maharshá A”z
18a).
Causar a própria morte para salvar várias outras pessoas está permitido, inclusive digno de
fazê-lo. Este tópico já foi tratado no caso “Papus e Lulianos” (Capítulo 7, Caso 2) — que
foram louvados por terem se entregado para salvar o resto da comunidade. Também
citamos que está permitido entregar a vida para salvar um Sábio da Torá ou outra pessoa
que a vida do público dependa dela [ver casos “O soldado de 21 anos cortou a corda de seu
paraquedaspara salvar o oficial do grupo”; “Matem a mim e deixem o sábio em vida” (no Cap.
7)].
Somente poderemos considerar uma pessoa que se matou como um suicida, quando ela
afirmou previamente
depois foi encontradaque iriaSegundo
morta. se matarcertas
– por exemplo,
opiniões, em
nãoum momento
bastará de raiva–
a afirmação da epessoa.
logo
Sempre que ela não foi vista colocando-se em posição de suicídio não poderemos
considerá-la um suicida (shulchan Aruch Y”d 345, 2; ver Sha”ch). Somente quando estiver
claro que a pessoa se matou conscientemente, poderemos considerar que suicidou-se. Caso
não esteja claro, não temos como saber realmente o motivo de sua morte, portanto não
podemos considerá-la um suicida– porém, de todas maneiras, no mundo espiritual ela será
julgada segundo as suas motivações reais.

O Rambam (Leis Rotseach 2, 2) compara uma pessoa que se suicida com um assassino.
Como entender esta comparação? A vida é dele, por que ele não pode se matar? À quem
está prejudicando?

O Homem foi criado com a Imagem de Deus, portanto assim como ao assassinar uma outra
pessoa estará diminuindo a Sua Imagem no mundo, da mesma forma o fará ao suicidar-se–
mais detalhes sobre este assunto se encontram no tema “Assassinato” (e também no tema
“Envergonhar uma Pessoa em Público” — que está desprezando o Semblante de Deus que
se encontra na pessoa).

Como já citamos anteriormente (no tema “Assassinato”) — O assassino será condenado por
todos os descendentes que poderiam gerar a pessoa assassinada. Da mesma maneira, uma
pessoa que se suicida, estaria matando consigo, toda a sua descendência em potencial (veja
ali mais detalhes).

TEMA 5
CUIDAR DA VIDA
Está escrito na Torá: “Cuidem muito de suas almas”; em duas ocasiões a Torá nos adverte
para cuidarmos de nossas almas (Dvarim cap.4 vers. 9 e 15); Na primeira ocasião nos
adverte para não esquecer os ensinamentos de Torá adquiridos; na segunda ocasião, nos
adverte para não praticar idolatria. Porém o Talmud (Shvuót 36a) acrescenta um outro
ensinamento contido nestas palavras — “cuidem muito de suas almas” — estamos
ordenados a cuidar de nossas vidas; não nos colocar em uma situação de perigo de vida
(ver Maharshá, Shvuót 36a).
Também fomos ordenados a retirar qualquer obstáculo que possa causar perigo de vida. A
Torá nos ordenou a construir uma proteção no terraço de nossas casas – para evitar uma
possível queda– está lei inclui colocar grades de proteção nas janelas de um apartamento
onde moram ou visitam crianças; também a preocupação de retirar qualquer outro
obstáculo que possa por a vida de alguém em perigo (Shulchan Aruch Ch”m 427).
CASO 1: Como Rabi Chanina colocou o calcanhar no ‘buraco da cobra’?
Em certo local havia uma criatura perigosa (chamada “arod”) que atacava e matava as
pessoas com o seu veneno. Rabi Chanina Ben Dossa propositalmente colocou o seu
calcanhar na saída do buraco onde esta criatura vivia. Ela saiu, mordeu-o, e no final, foi ela
quem
mortemorreu.
não é o Rabi
arodeChanina colocoutransgressões”
sim as nossas a criatura em (Berachot
seus ombros eanunciou: “Quem causa a
33a).
Como poderia Rabi Chanina se colocar em perigo de vida? Não
estaria ele confiando em um milagre?

Rabi Chanina sabia que a salvação da comunidade dependia dele – e como vimos
anteriormente (cap.7, caso 2)– está permitido entregar a vida para salvar o público. E este
mérito se juntou a ele que se salvou da mordida do arod (Yun Yakov).
CASO 2: A casa que estava desmoronando
O Sábio Nachum Ish Gam Zú se encontrava de cama, dentro de sua casa, que estava para
desabar. Os seus alunos queriam salvá-lo retirando a sua cama para fora da casa. Ele
repreendeuos: “Primeiro retirem a todos os objetos e depois retirem-me – pois, todo o
tempo que eu estiver dentro de casa ela não cairá”.

Como poderia o Sábio permanecer em situação de perigo propositalmente para salvar os


objetos? Como poderia confiar em um milagre?
Para explicar este caso faremos uma outra pergunta: “Se tudo depende da Vontade de Deus,
por que deveríamos tomar cuidado com o perigo? Não é Ele Quem decide se alguém
prosseguirá vivendo ou não?

O Chinuch (Mitsvá 546) explica– Mesmo que tudo depende da vontade de Deus, Ele decidiu
atuar de acordo com as normas da natureza que Ele mesmo estabeleceu. Ele determinou
que uma grande pedra ao cair na cabeça de uma pessoa romperá o seu crânio; se uma
pessoa cair de um alto terraço, ela morrerá; por outro lado Ele nos presenteou com um
corpo e a sabedoria necessária para protegê-lo – dentro do possível – de qualquer dano
natural, pois nós também estamos subordinados às regras da natureza; portanto não
devemos desprezá-las.

Existem pessoas muito especiais que chegaram a um nível espiritual muito elevado — não
somente deixaram de estar subordinados às leis da natureza– as próprias leis da natureza
passaram a estar subordinadas à eles. Uma vez que a grande maioria das pessoas não se
encontram neste nível, a Torá nos ordenou atuar de forma natural; nos proteger de perdas
e danos prováveis e não confiar em possíveis milagres. Todos os que se colocam em perigo
intencionalmente confiando em um milagre
– provavelmente não ocorrerá para ele um milagre. Mesmo quando o Povo de Israel se
encontrava em guerra por uma ordem direta de Deus, se preocupavam e desenvolviam
estratégias lógicas baseadas nas leis naturais. Assim devemos atuar. [Ao nos preocupar em
seguir vivendo, nos protegendo de eventuais perigos– não estaremos somente nos
salvando de perdas e danos – também receberemos uma recompensa por estarmos
cumprindo com a Vontade de Deus – “...Seu fruto é doce ao meu paladar” (Cântico dos
Cânticos 2, 3) — existe algo mais doce do que isso?(Ta”z, Ch”m 427)].
Porém o Sábio Nachum Ish Gam Zú, através de acontecimentos que se passaram em sua
vida,
que sesabia que nãodiretamente
encontrava estava subordinado aos acontecimentos
subordinado naturais.
aos decretos Divinos; Ele estava
portando, emconsciente
casos de
necessidade, ele pôde colocar-se em situação de perigo — pois para ele não era
considerado perigo — os seus decretos não seriam modificados por estar atuando contra
as leis da natureza. Assim também podemos entender o caso anterior do Rabi Chanina Ben
Dossa — uma vez que a Guemará nos relata vários acontecimentos comprovando que ele
não estava subordinado às leis da natureza.

Analisaremos este tema em um nível mais profundo [baseado


no livro Pele Yoets; Refuá].
Uma pessoa ao ser atacada por alguma enfermidade, o decreto que recai sobre ela pode se
enquadrar em um dos três tipos que serão explicados em seguida:

a. Quando já foi decretado que esta pessoa continuará vivendo – talvez por possuir muitos
méritos – neste caso, independentemente de como atuar, ou seja, mesmo não se tratando –
ignorando a situação de saúde que se encontra– de qualquer maneira seguirá vivendo.
b. Quando já foi decretado que esta pessoa falecerá; neste caso, mesmo se empenhando em
todos os tratamentos de saúde existentes, não poderá seguir vivendo.
c. Quando o decreto foi deixado em aberto, subordinado às leis da natureza– por exemplo –
uma pessoa intermediária, que pelas suas faltas está subordinada às leis naturais, neste
caso, se as medidas de saúde necessárias forem tomadas, ela prosseguirá vivendo; caso
contrário, perecerá. Todas as pessoas devem suspeitar pertencer à este grupo.

Se tudo depende de Deus, como o nosso esforço determinaria


o decreto?

Uma pessoa que se preocupa em seguir vivendo está cumprindo com um mandamento da
Torá— “Cuide muito de sua alma” — por este mérito será decretado que prosseguirá
vivendo; porém uma pessoa que não se preocupa em continuar vivendo, ou seja, não toma
as medidas de saúde necessárias para se curar – estará transgredindo o mandamento da
Torá, desprezando a vida que Deus lhe deu, portanto, provavelmente será decretado que
deixará este mundo. Caso – por algum milagre– ela continue vivendo, será às custas dos
méritos de suas boas ações. Ela já não será recompensada no Mundo Vindouro pelos
méritos que foram necessários na realização deste milagre.
“Não podemos nos colocar em situação de perigo confiando em um milagre, quem nos
garante que será realizado um milagre? E, mesmo se ocorrer um milagre será às custas de
nossos méritos” — Guemará Taanit 20b.

Está escrito no Zohar – Para uma pessoa que, por algum motivo, foi decretado a perda de
uma determinada quantia de dinheiro (pode ser que...) ficará doente – não encontrará a
cura até que perca a quantia determinada (Pele Yoets).

Por que Deus foi tão exigente quanto as nossas vidas? Por que deveria haver um
mandamento de nos preocupar em seguir vivendo? Uma pessoa que não se preocupa com a
própria vida, o problema não seria dela própria?!

Cada momento que a pessoa vive é uma oportunidade de conquistar novas posições e
níveis espirituais que lhe trarão benefícios eternos. Ao partir deste mundo – o mundo das
provas e decisões – ela já não terá oportunidade de conquistar novos méritos. Ao desprezar
o seu tempo de vida, a pessoa está demonstrando um desprezo de todo o objetivo da
criação – transformar cada momento de sua vida em eternidade.

“É preferível um momento de v ida neste mundo bem utilizado — realizando uma boa ação,
ou arrependendo-se de algum erro cometido – do que todo o Mundo Vindouro” (Pirkei Avót
4). Como pode ser um momento neste mundo melhor que o Mundo Vindouro? Explica o
Rabeinu Yona, pois em um momento neste mundo pode-se adquirir um nível maior no
Mundo Vindouro — proporcionando um prazer incrível para toda a eternidade. Porém,
quanto a futura recompensa está escrito: “É preferível um momento de prazer no Mundo
Vindouro do que toda a vida – ou seja – que todos os prazeres vivenciados durante toda a
vida — neste mundo”.
Capítulo X
O BRIT MILÁ– “MAZAL TOV”

Finalizaremos o livro com um tema voltado à vida; analisaremos sobre o primeiro


mandamento que cumprimos em nosso corpo: O Pacto do Berit-milá– “Ót Berit Kodesh”!

Para um maior benefício traremos como introdução a matéria publicada no Livro de Yona
(capítulo Torá e Ciência) escrita por Chaim (Fernando) Bisker.
A CIRCUNCISÃO, A SAÚDE E A RELIGIÃO

“A circuncisão é um mandamento da Torá cumprido até hoje pela maioria dos judeus no
mundo. Mesmo aqueles que não são judeus praticantes, que nem mesmo em Yom Kipur vão às
sinagogas e não jejuam, fazem questão que seus filhos sejam circuncidados.
Nas últimas décadas, uma grande quantidade de nãojudeus, no mundo inteiro, já no hospital
fazem a circuncisão nos seus filhos após o nascimento.
A Torá comanda que todos os judeus façam a circuncisão, mas, no entanto, não o explica por
motivos médicos, nem tampouco para benefícios da saúde. Porém, deixa clara a suma
importância de realizá-lo.
Com o desenvolvimento da ciência e da medicina, foi comprovado que a circuncisão protege, e
protege muito.
Um estudo feito pelo Instituto de Saúde dos Estados Unidos (NIH) (U.S. Centers for Disease
Control and Prevention), publicado em um “site” do próprio Governo Americano, afirma, e até
recomenda, que seja feita a circuncisão, e que este procedimento diminui em 44% o risco de se
contaminar com AIDS, e muitas outras doenças, que não estamos citando aqui; por esta e
outras razões, atualmente nos Estados Unidos 79% dos homens fazem a circuncisão.
Para concluir,
religioso, e que gostaria de explicar
hoje em dia sabemosque
quepara
tem os
umjudeus,
carátera circuncisão é um Pelo
médico também. procedimento
judaísmo, e
pelo misticismo judaico, existem dezenas de explicações espirituais ligadas à nossa alma.
[Nota: O motivo de uma mitsvá – mandamento da Torá – está muito além da razão
fisiológica. Através de uma mitsvá nos conectamos com o Criador para toda eternidade.
Porém, mais uma vez, vemos a compatibilidade entre o nosso organismo e os mandamentos
da Torá]
O simples procedimento médico não cumpre com a mitsvá de berit milá. Portanto, aqueles
que fizeram a cirurgia de fimose, sem um acompanhamento rabínico, devem procurar um
rabino que conheça os procedimentos da Torá para fazer a parte religiosa, mesmo
retroativamente. Mas não há motivo para preocupar-se, pois só necessitará ser feito o
complemento religioso. E, para aqueles que são judeus, e estão para decidir como fazer o
procedimento, não custa nada fazê-lo de uma maneira que inclua as questões médicas, mas
também cumprindo com a parte religiosa. "Aquele" que escreveu a Torá há milhares de anos,
e incluiu toda esta sabedoria médica de uma forma oculta, também criou muita sabedoria
espiritual e energética, que mesmo não sendo vista, podemos acreditar que nela existe algo de
bom para nos beneficiar”.

***

Pelo grande
vários mérito
benefícios emdonossas
cumprimento do beritem
vidas e também milá, seguindo
nossas a lei da
pós vidas, Torá,
como receberemos
está escrito no
Zohar e nos Midrashim. No Talmude (Tratado Nedarim 31b, na Mishná) , está escrito que
através do berit milá nós fazemos 13 tipos de alianças com Hashem, entre outras
expressões de grandeza existentes nesta mitsvá.

A “aliança com o Criador” em um ol har mais profundo...

O nosso patriarca Avraham foi a primeira recebeu o mandamento da circuncisão – ele


considerado uma pessoa completa após o seu cumprimento (Tratado 31b). Agora estaria
pronto para uma conexão mais profunda com o Criador.
pessoa que

somente foi
O Tur (Y”d 260) explica extensamente sobre as grandezas existentes nesta mitsvá, e
acrescentou uma informação muito interessante– que pelo mérito do berit-milá, seremos
salvos de possíveis duras sentenças no mundo espiritual. De fato, assim está escrito no
Midrash (M.Rabá 48, 8) que, o nosso patriarca Avraham – com a sua presença espiritual –
salvará as pessoas de duras sentenças pelo mérito do berit-milá.

Porém, o que acontecerá com uma pessoa circuncisa que cometeu várias transgressões e
que, na realidade, não seria adequado salvá-la de suas duras sentenças?

Segue o Midrash com uma explicação bem oculta... Alguém que transgrediu
demasiadamente, o patriarca Avraham retirará o prepúcio dos nenéns que faleceram antes
de terem
Assim realizado
como o berit-milánão
este transgressor para
foicolocar nestascom
leal à Quem pessoas.
ele fezEntão conclui
a aliança o Midrash... o
– desrespeitando
pacto – automaticamente ele (o pacto) foi cancelado, portanto o “outro lado”, ou seja, O
Criador, já não faz parte desta aliança. [Pois o Criador colocou em nossas mãos decidir o
nível de conexão que teremos com Ele; de acordo com a conexão que a pessoa desejar viver
com o Criador, assim também ele se conectará com ela]
Como poderíamos entender este Midrash? Como seria possível retirar o prepúcio de
alguém que faleceu e colocar em outra pessoa que também já não se encontra aqui
conosco?

É claro que o entendimento deste Midrash não é superficial...


Para esclarecê-lo, levantaremos uma outra questão:

Se o berit-milá é tão importante, por que não está escrito dentre os dez mandamentos?
Antes da Torá citar os dez mandamentos, está escrito: “Se vocês escutarem a Minha voz e
cuidarem de Meu pacto...”, ali o berit-milá já foi lembrado (Midrash Tanchuma), pois este
pacto é o “selo” que demostra a submissão ao Criador – portanto ele foi citado como uma
introdução aosque
uma situação dezantecede–
mandamentos, e não
ou seja, umajunto com eles.
preparação Estaro subordinado
– para cumprimentoaodos
Criador
outrosé
mandamentos (Alshich, Torat Moshe, Shemot 12, 43).

Poderíamos concluir...
Uma pessoa que já demonstrou não estar subordinada ao Criador, o prepúcio se encontra
em sua própria essência – ele já não está digno de levar consigo o pacto entregue ao
patriarca Avraham. O “selo” que demonstra esta conexão já não está de acordo com a sua
realidade.
Com o que isto se parece?
Com um selo de “cashrut” colocado na embalagem de um produto que está escrito “carne
suína”. Todos percebem o equívoco e o “selo” já não causa nenhuma impressão.
Assim também em nosso caso, mesmo tendo de fato praticado a mitsvá do berit-milá em
seu corpo, em sua essência já não deixou nenhuma impressão. Esta conexão já não se
encontra em sua alma. Portanto este “selo”, ou seja, a influência criada pela realização do
mandamento em seu corpo físico – que já não está compatível com a sua realidade– será
transferido para um neném que faleceu antes da realização do berit-milá em seu corpo;
portanto, inclusive esta influência (do “selo”) já não levará consigo, desconectando-se
totalmente do pacto do beritmilá; como relata o Midrash que, para certos transgressores –
mesmo que realizaram berit-milá em seus corpos – o Criador “puxará” o prepúcio (de
regresso) e já não serão salvos de suas duras sentenças (Tanchuma).
Está escrito no Shulchan Aruch que, no mandamento do berit-milá, existe uma certa
grandeza maior do que em outros mandamentos (Y”d 260). Uma conexão especial, a aliança
que nos conecta diretamente com todas as promessas e méritos conquistados pelos nossos
ascendentes – a conexão com o nome Israel – que é formado, no hebraico bíblico, por uma
junção de duas palavras: “Iashar E-l” – “Diretamente (conectado com) Deus”.

Portanto devemos cumprir com este mandamento de forma completa, ou seja, preocupar-
nos que se realize o berit-milá no dia correto e de forma correta – segundo as leis da Torá;
também mantê-lo existente em nossa essência – nos casando no momento correto e
cumprindo as leis da “pureza do lar” para evitar transgressões que afetam a nossa aliança
com o Criador.

E as mulheres? Como elas participarão deste pacto? Está escrito no Talmud (Kidushin 29a)
que a mulher– em sua formação natural – já é considerada circuncisa, pois ela já foi criada
com esta conexão; portanto, como citamos anteriormente, ao atuar de forma que
demonstre estar subordinada ao Criador – cumprindo os Seus mandamentos – esta
impressão será fixada em sua alma e, automaticamente ela permanecerá nesta aliança; o
“selo” do pacto com o Criador já se encontra em sua essência.

PALAVRA FINAL
Felizmente o estudo de Torá está florescendo. Por outro lado, infelizmente, todos nós
estamos influenciados pelas definições populares deturpadas dos conceitos espirituais
causando um entendimento equivocado, limitado e– muitas vezes – a ‘ridicularização’ de
conceitos profundos e verdadeiros.

Na verdade, praticamente todos os conceitos estão popularmente incompletos e


deturpados. Portanto o estudo é essencial para retificarmos a verdadeira imagem do
judaísmo que, por sua vez, também foi deturpada pelas influências de outras culturas.
O judaísmo estimula o desenvolvimento do entendimento e análise de cada canto da vida.
Outra vez, o contrário da imagem popular deturpada, onde em várias ocasiões, escutamos
pessoas se expressarem – em relação aos que cumprem a Torá– com o termo “robô”; e, de
fato, eles não sabem que – em grande maioria – são eles próprios que vivem seguindo os
critérios ditados pela sociedade, sem pensar para onde estão sendo levados e o que levarão
com eles para toda a eternidade– atuam realmente como verdadeiros “robô”.
O Talmud foi escrito de forma didática, com perguntas e respostas – verdadeiras discussões
– para desenvolver e esclarecer os temas de forma completa; vários pensamentos são
levantados, nos proporcionando ferramentas para uma nova visão do mundo, muito mais
profunda e bonita, criando também uma felicidade espiritual e um verdadeiro amor ao
Criador, como já foi citado pelo R. Eliahu Bahbout (em sua carta no princípio do livro) em
nome do Maharal zt”l que o único caminho – e não existe outro fora dele – de adquirir amor
ao Criador, é através da reflexão nas maravilhas de Sua Torá.

Este seria o motivo básico da necessidade do estudo – esclarecer os conceitos corretamente


e saber como aplicá-los em nossas vidas. Porém existe também um motivo mais oculto...

Dentre todas as influências emanadas pelo Criador, existe uma especial – a mais elevada e
preciosa que se encontra em toda a existência. Em paralelo, Deus criou as palavras da Torá
e conectou nelas esta influência, de forma que, ao pronunciá-las, a pessoa receberá uma
emanação desta influência – com a condição que obedeça certos requisitos – a. Estudar com
reverência; b. o aperfeiçoamento dos atos – pois toda a força da Torá se deve ao fato de
Deus ter conectado nela a sua preciosa influência; sem esta conexão, o estudo da Torá seria
como um outro estudo natural qualquer que, simplesmente, traria a sabedoria do tema
estudado. A força da emanação que a pessoa receberá através do estudo será proporcional
ao nível de reverência colocado e a vontade de aprimorar-se.

Outro fator também determinará o nível de influência que o estudo proporcionará. Quanto
mais a pessoa adquirir o conhecimento e o entendimento, maior será o nível de emanação
extraído e absorvido por ela; o nível de influência que receberá alguém que entendeu o
significado simples de um versículo não será o mesmo nível de alguém que entendeu
também a intenção “por trás” do versículo que, por sua vez, não será igual ao nível da
emanação que receberá alguém que se aprofundou ainda mais em seu entendimento;
porém, qualquer nível de estudo, de alguma forma, trará certa conexão com esta influência
preciosa e especial.

O estudo – além desta conexão pessoal, que dependerá do nível de dedicação e esforço de
cada um – também proporcionará uma influência necessária para completar o objetivo da
Criação de forma geral.
Como pode ser?
Cada parte da Criação está correlacionada com uma parte da Torá, ao estudá-la, a pessoa
estará proporcionando a conexão desta respectiva parte da Criação com a incrível
influência extraída pelo estudo desta parte da Torá. Através do estudo, uma certa parte
dentro de toda a Criação será completada.
Cada tipo de estudo proporcionará influência para outro campo da criação. A influência
causada pelo estudo dos versículos da Torá escrita (Tanach – Torá, Profetas e Escritos) não
é a mesma causada pelo estudo das Mishnayot (a base da Torá Oral) que, por sua vez, não é
a mesma influência causada pelo estudo da Guemará– cada um deles proporcionará que
uma parte distinta da Criação seja completada. [Baseado no Livro Derech Hashem 4, 2]
Dentro do estudo do Talmud se encontram todos eles – análises dos versículos da Torá,
Profetas e Escritos, Mishnayot e Guemará– que também inclui “hagadót” (onde o estudo de
pensamentos filosóficos e místicos podem ser extraídos) e halachót (as leis da Torá); um
estudo complexo desenvolvendo e desvendando o significado profundo no entendimento
de todos esses campos da Torá. Portanto, com certeza, através dele a pessoa estará criando
uma forte emanação e conexão pessoal com esta influência preciosa e especial; também,
graças ao seu estudo, todos os campos da Criação de alguma maneira estarão sendo
completados; no futuro a pessoa receberá méritos por tudo o que o seu estudo influenciou
em todos os campos da Criação.

Sendo assim, seguir frequentando aulas que desenvolvem o estudo do Talmud é de


fundamental importância para todos os integrantes do Povo de Israel.

“Feliz é aquele que se ocupa com o estudo da Torá e sabe os caminhos do Criador sem se
desviar dele para direita ou para esquerda... Como está escrito: “Os caminhos de Deus são
retos, os justos o seguirão...” (Zohar Behaalotchá 151b)
“...A Torá é a árvore da vida, através dela a pessoa adquire vida tanto neste mundo quanto no
próximo...” (Idem 148b)

“Com Israel Eu estabelecerei o Meu pacto –diz o Eterno. Mesmo na longa diáspora... as
palavras da Torá que Eu coloquei em tua boca para serem (estudadas e) ensinadas – jamais
serão esquecidas. Não se apartarão de tua boca, nem da boca de toda a tua descendência –
diz o Eterno – desde agora até o final de todas as gerações” (baseado em Yeshaiáhu 59, 21
com Rashi e Metsudat David). A promessa de que os ensinamentos da torá prosseguirão de
geração em geração – até a última geração – já existe! Porém está nas mãos de cada um a
opção de participar dessa corrente...
OUTRAS OBRAS DO AUTOR
Por de Trás da Mística

O Místico
“Não Brinque com Fogo”
Em busca de ocupar seu tempo com algo interessante, ou procurando algum
preenchimento espiritual, ou ainda por curiosidade somente, um indivíduo em
determinado momento pode buscar algum tipo de experiência sobrenatural. Experiências
estas que podem incluir conexão com espíritos através de incorporações ou através do
“jogo do copo”, viagem astral, magia, manipulação de energias, investigação acerca do
futuro, ou a tentativa de desvendar informações ocultas. Não obstante, muitas vezes esta
pessoa se esquece de perguntar: “Com que estou lidando? Isto poderia gerar alguma
consequência para minha alma?”
“É possível encarnar um espírito? Existem forças espirituais boas e forças ruins? E o “jogo do
copo”? É possível fazer pactos com estas forças? A Torá (Bíblia) fala a respeito do tema? É
possível atuar com nossa força de pensamento? Como funciona o sonho? Se todos nós vamos
morrer para quê temos que viver? O que acontece com a alma depois que a pessoa morre?
Existe paraíso e inferno? O mundo existirá para sempre ou terá um fim? O que é a aura?”
O objetivo do livro é procurar proporcionar respostas para todas estas perguntas, e trazer
à tona ainda mais perguntas, de forma estruturada e organizada. O livro vem permeado de
referências, indicando as fontes textuais que foram utilizadas. Trata-se de uma obra que
deseja expressar a visão da Torá, em seus textos milenares, em relacionados a estes temas.

Temas tratados no livro: Comunicação com os mortos: “O Jogo do Copo”, Incorporação; O


Sonho; O Tempo de vida; A Alma Gêmea; Investigar o Futuro: Sorteios; Astrologia: A
Influência dos Astros; Quiromancia; Crenças Vãs e Superstições; O Pacto com o Diabo;
Magia; Cura Através de Forças Sobrenaturais; A Aura; Viagem Astral; Os Caminhos da Alma:
Nascimento, A Vida Neste Mundo, A Separação entre Corpo e Alma, O Julgamento, A
Restauração, A Conceitos:
Reencarnação; Condição daA Alma
Visão no
do mundo
RambamEspiritual, A Perpetuidade
(Maimônides), As Forçasda Alma; A O
Espirituais,
Arrependimento, A Origem da Magia, A Origem da Idolatria, A Cabala, O Tempo de
Existência do Mundo.
Por de Trás da Mística

O MÍSTICO 2
“Aprofundando na Mística”
Esta obra aprofunda e desenvolve temas tratados no livro ‘O Místico’ e aborda também
outros temas:
MAGIA & BRUXARIA: OS TRABALHOS DE BRUXARIA QUE AFETARAM AOS JUSTOS; O INCRÍVEL CASO DA PESSOA QUE SE
ENVOLVEU COM AS FORÇAS DA BRUXARIA; POR DETRÁS DACHUPÁ” (CASAMENTO): QUEM VEM PARA PARTICIPAR DA
FESTA?; ONDE ESTÁ MINHA ALMA GÊMEA?; CASAMENTO– UMA NOVA “PÁGINA” NA VIDA; O TEMPO DE VIDA II:
“PERDER TEMPO” OU “PERDER O TEMPO?”; COMO ADQUIRIR MÉRITOS PARA RECEBER UMA NOVA FUNÇÃO?; A
PEDRAS: QUAL É A ORIGEM DA FORÇA
INFLUÊNCIA DAS

DE INFLUÊNCIA ANTEPASSADOS, ACREDITAR OU DESPREZAR?; “ALTERANDO A SORTE”; A VIDA APÓS A MORTE II: SE O
CORPO SE DETERIORA DE QUALQUER MODO, POR QUE É PROIBIDO CREMÁ-LO?

TRANSMITIDA PELA PEDRA?; AS DOZE PEDRAS; O MAU OLHADO: A VISÃO DA TORÁ EM RELAÇÃO AO MAU OLHADO,
MAU OLHADO CONTRA INOCENTES, “QUAL SERIA A PROTEÇÃO CONTRA O MAU OLHADO?”; QUIROMANCIA II: AS
LINHAS DA MÃO DE IOSSEF,; SONHO: CARACTERÍSTICAS DE UM SONHO VERDADEIRO, NÃO DEVEMOS NOS PREOCUPAR
COM SONHOS; A AURA II; ASTROLOGIA E SINAIS: A ASTROLOGIA E NOSSOS

Por de Trás da Mística

O MÍSTICO 3
“Nome, Energia, Influência e Providência”
Temas tratados no livro: Nomes: O Nome de Toda Criatura, O Nome Não é Obra do Acaso;
Influência e Providência; Contato com os Mortos: Qual é o sentido de rezar no local em que
um justo foi enterrado?; Psicografia– A escrita do espírito; “A brincadeira que não é
brincadeira”; A Influência das Cores: As Cores e a Providência, As cores do arco-íris;
Superstições: A influência de cada dia, Sinais irracionais, “Linguagem dos Pássaros Sinais
que se encontram na natureza”; “Pressionando a Sorte”; Medicina Alternativa: A Obrigação
de se Tratar, Consultar Médicos Especialistas, A Energia, Energia Universal; Espiritualidade
Alternativa: As Forças de Impureza, Qual será o final dessas forças?; Com quem se juntar?;
Estudo dos Versículos: Os nove temas que foram proibidos pela Torá; Torá
- Expressão da Realidade: “O Sábio e o Imperador”.

Decisões Entre Vidas e Vidas


“Um orfanato que está em chamas. Caberia arriscar a própria vida para tentar salvar essas
crianças?
Um terrorista prestes a realizar um atentado. Seria permitido atacá-lo, causando a morte de
inocentes?
O médico anuncia: “Se a vida de qualquer um dos dois não for sacrificada, ambos (mãe e feto)
perecerão.” O que fazer nesse caso?
Seria permitido entregar minha própria vida para salvar um amigo?
É correto delatar um só indivíduo para que se possa salvar um grupo de pessoas?”
O objetivo desta obra é desenvolver o pensamento da Torá, oferecendo ferramentas para
um entendimento mais abrangente das variáveis que cercam questões fundamentais como
estas. O livro vem permeado de referências, indicando as fontes textuais que foram
utilizadas.

No livro ‘Decisões Entre Vidas e Vidas’ estão incluídos também diversos temas relacionados
à preservação da vida — como ‘cuidar da vida’, o aborto, o suicídio, as consequências ao
envergonhar uma pessoa em público, entre outros.

O Livro de Yona - O Profeta Jonas


O Livro do Profeta Jonas traduzido e explicado de forma filosófica e mística, fazendo um
paralelo entre a história do Profeta Jonas com a vida após a morte, reencarnação, astrologia
e a passagem da alma desta vida para a próxima. Também nos traz orientação quanto ao
tema do arrependimento, aprimoramento pessoal e desenvolvimento espiritual.

Saiba o que Responder


Felizmente a procura pela nossa sabedoria milenar cresce a cada dia... Por outro lado, o mal
entendido em relação aos temas básicos da Torá é ainda maior... Esta obra tratará de temas
fundamentais no entendimento do judaísmo – de forma didática e recheada de referências.
Nos ajudará a enxergar os assuntos mais diversos e atuais sob o prisma da sabedoria
milenar judaica, através da ótica fantástica dos nossos Sábios.

Em seguida traremos algumas questões tratadas no livro: “A ciência contradiz a Torá?”


“Qual dos dois tem razão?” “Como explicamos o fato dos milhares de anos trazidos pela
ciência aos nossos “quase” 5780 anos?” “Sempre aprendemos sobre a perfeição da Torá e– por
outro lado – encontramos tantos religiosos que não se comportam da forma correta. Quem
tem a razão?” “Qual a primeira Mitsvá que devemos cumprir para começar nosso caminho
no judaísmo?” “Qual a srcem da Cabala?” “Por que não estudamos de forma revelada?”
“Acreditamos no Mashiach?” “Qual é o tempo de existência do mundo?” “Como poderia o
corpo – após haver sido enterrado e deteriorado– voltar a viver no momento da
ressurreição dos mortos?” “Haverá outra guerra mundial?” “O que nós temos que fazer para
nos salvar dessa provável guerra?” “O que acontece após a morte?” “Nos transformaremos
em pó ou continuaremos vivos de outra forma?” “É possível continuar sem a ajuda do
corpo?” “Paraíso e Inferno – Verdade ou Ficção?” “Podemos encontrar em um só conceito
um resumo de toda a Torá?” “Se Deus é tão bom, como podemos ver em nosso dia a dia
tantas pessoas sofrerem? Isso é justiça?” “A Torá Oral é Divina?” “Qual a diferença entre a
Torá Oral e a Torá Escrita e sua necessidade?” “Se Deus já sabe o que vamos fazer, como
podemos ter livre arbítrio?” “Como cumprir com tantos preceitos e ainda assim ser
considerado livre?” “Por que as mitsvót foram dadas?” “Qual o motivo de termos tantos
preceitos?” “Quem é premiado, o cartão ou você?” “Estamos nos aproximando de nossos
objetivos ou apenas nos afastando cada vez mais?” “O que é o Shabat?” “O que a eletricidade
tem a ver com isto?
Coleção “O Encanto do Pincel"
O Criador e a Criação uma Obra de Arte
“A conexão do mundo espiritual em nosso mundo físico
através do pintor, do pincel e de uma tela!”

A Influência das cores e o poder das pedras


“O significado das cores no mundo espiritual e a sua influência em nosso mundo físico”
“A srcem da força das pedras e sua influência em nosso mundo”

Coleção Israel
Israel– O Florescimento
Olhando Para Israel e Vivenciando as Profecias “17 Profecias que se Realizaram
Recentemente e as Profecias que Estão Para se Realizar”

Quem poderia nos garantir com precisão futuros acontecimentos que dependem de
inúmeros fatores de proporções internacionais? Que em vários casos consistem em
probabilidades praticamente nulas – contra a realidade que encontramos frente aos nossos
olhos?
Vários povos tentaram se assentar na terra de Israel e não conseguiram prosperar. Não há
muito tempo atrás a terra de Israel se encontrava desolada e destruída. Além das péssimas
condições ambientais, também a perseguição e a opressão de outros povos sobre o Povo de
Israel, não o permitia realizar o grande sonho de cenário atual de renovador! Atualmente
existe uma grande facilidade em viajar a Israel – O atual cenário nos causa a impressão de
que este reconstruir a terra prometida. Portanto, o

aliá, turismo e projetos em Israel é algo fenômeno é natural e comum; contudo não é bem
assim; não há muito tempo atrás, ouvíamos os seguintes argumentos: “Vocês dizem que os
judeus não permanecerão para sempre no exílio. Chegará o 'dia' em que D'us os reunirá e os
trará a sua terra.
maltratados Isto é tonteira!
e oprimidos Eisjudeus...
quanto os que até Inclusive
hoje, inclusive os cachorros
não está claro paranão
mimsão
setão
sobrarão
judeus dentro de 70 ou 80 anos. Mesmo se sobrar, para quem permitirão abandonar a Rússia?
Mesmo se Stalin concorde que os judeus estão permitidos viajar a Palestina, quem viajará? Eu
não! De forma alguma! Como uma pessoa inteligente pode acreditar em tanta besteira?!” Em
1942 e.c. a força da realidade não possibilitava exterminados comunista na Rússia; limitados
pelo domínio Inglês em Israel; e o resto do povo espalhado pelo mundo inteiro sem uma nação
e com a assimilação crescente. Como poderia ser diferente?” (Capítulo 'A Reali dade Irreal')
contradizê-lo. Os judeus estavam sendo
na Europa; oprimidos e presos pelo regime
As profecias que traremos nesta obra estão escritas na Torá há milhares de anos. Qualquer
um poderá encontrar em sinagogas ou museus pergaminhos antigos com escritos da Torá.
Israel – A Terra Prometida
O Segredo Sobre o Conflito Árabe-Judeu e as Profecias

Por que a Torá coloca tanta ênfase em relação à terra de Israel? Aparentemente, em qualquer
terra seria possível construir uma nação!? Por que justo na terra de Israel? Seria a
permanência em Israel condicional? Haveria alguma mitsvá relacionada à conquista da Terra
de Israel? Ao retornarmos a nossa terra, depois de quase 2000 anos, quem estará no domínio
do Povo? Como alguém poderia imaginar que após 2000 anos de desolação, quando o Povo de
Israel finalmente retorna à sua terra, justo os descendentes de Ishmael – os árabes – tentarão
impedi-los? Seria algo normal, mesmo antes da existência do Islão, garantir este fato? Por que
justo eles? Haveria um motivo por trás dos acontecimentos? Qual é a relação dos árabes com
esta terra? Interessante que, na ausência do Povo de Israel, justo os árabes receberam o
mérito de habitar em Israel – um povo que não pratica a idolatria. Seria mera coincidência?
Quem fará o último conflito contra Israel? Será que alguém o ajudará ou todos permanecerão
apáticos? Os Grandes Sábios do Talmud, demonstravam um grande amor e anseio de viver em
Israel. Qual seria o motivo? Quais são os benefícios de estar em Israel? Quais são as suas
influências
acordo comespirituais? Nestatradicionais.
as nossas fontes obra trataremos de responder estas e outras perguntas de
Um povo que vivenciou tantas tentativas de extermínio - tanto de seus integrantes quanto
de sua Torá; em várias ocasiões queimaram os seus livros e também proibiram estudá-los.
Além da tentativa de converte-los a outras religiões ao longo de toda a história, de forma
natural a existência deste povo não é provável
– Contudo, a realidade confirma que o Povo de Israel e a sua Torá continuam. Todo judeu
pode dizer com toda a força: “Am Israel chai!” “O Povo de Israel vive!”
Vontade de viver

Não pedimos por sofrimentos. Porém, eles nos proporcionam construir um ‘eu’ muito mais
profundo”
Existem acontecimentos que vão além de nosso entendimento; e existem sentimentos que vão
além dos acontecimentos.
Não temos como saber porque cada pessoa passa por cada acontecimento que ela vivencia.
Esta questão vai além de nossa limitada visão. Já que a visão do ser humano é limitada,
ninguém tem a aptidão de julgar à ninguém.
Uma pessoa que se encontra em uma situação de saúde delicada se encontra com uma
visão mais real da vida. A situação delicada da pessoa elimina as atrações e a tendência à
busca de futilidades que impedem o aproveitamento Máximo de seu tempo. Ninguém pede
para estar em uma situação difícil ou em uma situação de saúde delicada... Contudo, sem
dúvida, esses momentos podem ser os momentos de uma experiência de vida mais
profunda que a pessoa jamais sentiu. Alguém que já se encontra em uma situação assim,
recebe a oportunidade de ver e analisar o mundo de forma mais real.
Pequenas Lições– Grandes Valores 1, 2 e 3
Pequenos Ensinamentos Sobre a Ética dos Pais

A Ética dos Pais enfatiza a importância dos ditos de sabedoria. O aproveitamento do tempo!
Em uma passagem cita que duas pessoas que se encontram e não pronunciam algum dito
de sabedoria é considerado um encontro vazio... (Baseado em Ética dos Pais 3, 3).
Em outra, ensina que uma lição de sabedoria da Torá pronunciada durante uma refeição à
transforma completamente. Os ditos de sabedoria interferem diretamente na energia e na
influência do alimento sobre a pessoa. Esta obra possibilitará que cada pequena lição para
ser utilizada transformar um encontro com um amigo/a, uma refeição ou qualquer outra
situação em um evento de valor.
Pequenas lições – Grandes valores!
pessoa leve
a qualquer consigo uma momento e

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