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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ


PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
DIRETORIA DE PESQUISA

PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

RELATÓRIO TÉCNICO - CIENTÍFICO

Período : 01/08/2016 a 31/07/2017


( ) PARCIAL
(X) FINAL

IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

Título do Projeto de Pesquisa: Terras Tradicionalmente Ocupadas e as Populações Tradicionais:


as limitações legais para o direito ao território e os direitos territoriais.

Nome do Orientador: José Heder Benatti

Titulação do Orientador: Doutor em ciência e desenvolvimento socioambiental pelo Núcleo de


Altos Estudos Amazônicos da UFPA

Faculdade: Faculdade de Direito da UFPA

Unidade: Instituto de Ciências Jurídicas

Laboratório: Clínica de Direitos Humanos da Amazônia

Título do Plano de Trabalho: Os Tribunais Superiores e o direito territorial das populações


tradicionais.

Nome do Bolsista: Lucas Munhoz Moura

Tipo de Bolsa: PIBIC/CNPq


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INTRODUÇÃO

Sabe-se que as populações tradicionais, sócio e culturalmente diferenciadas, partilham


substancialmente formas semelhantes de organização e uso dos recursos naturais, assumindo
no Brasil papel fundamental na construção diversa da memória coletiva e na complexidade
sociocultural que permeia a história do país. Nesse contexto, com assento constitucional,
existem procedimentos jurídicos e administrativos para o reconhecimento dos direitos
territoriais que são subsidiados pela própria reprodução histórica e cultural dessas comunidades,
não obstante se verifique óbices estruturalmente dispostos que postergam a sua efetividade.
Neste diapasão, cumpre salientar a incidência dos ditames do capital financeiro
internacional, sobretudo dos vultosos empreendimentos do agronegócio e da especulação
imobiliária, forças que enfraquecem e até inviabilizam o reconhecimento jurídico-formal do
direito ao território e dos direitos territoriais das populações tradicionais, em que pese figurarem
como direito fundamental, ou seja, de eficácia imediata.
A guisa de esclarecimento, quando nos referimos a concepção de “direito ao território”
trata-se de todos os procedimentos legais e administrativos existentes que concede o direito à
terra e aos recursos naturais às populações tradicionais; já o segundo momento que ocorre após
o reconhecimento formal do direito, quando os direitos de propriedade estão assegurados às
comunidades tradicionais, denominaremos de “direitos territoriais”.
Assim, no presente trabalho, verificar-se-á o modo como o Poder Público,
consubstanciado no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, lida com as
controvérsias emergentes do conflito entre as territorialidades tradicionalmente configuradas e
as investidas contrárias ao seu reconhecimento.
Ademais, não se pode olvidar do vasto arcabouço constitucional que passou a reger a
matéria após a promulgação da vigente Constituição, que além de democrática, cidadã e
política, é ambiental, caracterização indissolúvel daquelas. Inclusive, o país ratificou
normativas internacionais, como a Convenção 169 da OIT1, o que exprime a sua preocupação,

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A Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre Povos Indígenas e Tribais em
Estados Independentes, consolida avanços importantes ao reconhecer os direitos indígenas coletivos, com
significativos aspectos de direitos econômicos, sociais e culturais. Ela foi adotada em Genebra, em 27 de junho de
1989, e entrou em vigor no âmbito internacional em 5 de setembro de 1991.
O Congresso Nacional aprovou o texto da Convenção no 169 da OIT por meio do Decreto Legislativo no 143, de
20 de junho de 2002. O instrumento de ratificação foi depositado junto ao Diretor Executivo da OIT em 25 de
julho de 2002, e começou a vigorar para o Brasil em 25 de julho de 2003.
A promulgação pela Presidência da República ocorreu com a publicação do Decreto no 5051, em 19 de abril de
2004.
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pelo menos formal, de proteger os direitos territoriais, contemplando a sociodiversidade


característica dos modos de coexistir das populações tradicionais.
Nessa esteira, torna-se imperioso analisar as bases jurídicas que têm orientado a
jurisprudência dos tribunais superiores nos litígios que versam sobre o reconhecimento dos
direitos ao território e dos direitos territoriais das populações tradicionais. Outrossim, verificar-
se-ão as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados
Americanos (OEA) no reconhecimento dos direitos territoriais no uso de seus recursos naturais
renováveis pelas populações tradicionais.

JUSTIFICATIVA

A Constituição de 1988 e a legislação internacional previram a proteção ao meio


ambiente ecologicamente equilibrado como indispensável à manutenção da vida, bem como
garantiu às populações tradicionais o reconhecimento de seus direitos territoriais,
compreendendo-as substancialmente como comunidades auto identificáveis,
socioculturalmente diversificadas e com formas próprias de auto-organização. Vale ressaltar,
contudo, que tais previsões resultam da organização e dos movimentos sociais protagonizados
pelos que se reconhecem enquanto integrantes e pertencentes a esses determinados grupos2.
Assim, cumpre registrar as particularidades das populações tradicionais no seio da
Amazônia, espaço quase sempre pensado como vazio demográfico e biologicamente distinto.
Entretanto, não se pode olvidar da complexidade das comunidades histórica, social e
culturalmente nela dinamizadas, de modo a perceber as particularidades que demandam um
olhar mais cauteloso e a relativização do conceito de população tradicional.
Ademais, torna-se imperioso refletir os aludidos direitos territoriais a partir da
compreensão de que o território figura como espaço de reprodução histórica e cultural, trazendo
no seu bojo modos peculiares de uso dos recursos renováveis e de organização social, não
devendo ser apreendido sob a égide estritamente geográfica. Nesse sentido, deve-se valorizar o
contexto ecológico-sócio-cultural que sustenta o seu conceito.
Vê-se, pois, a importância de se verificar o modo como os litígios que versem,
fundamentalmente, sobre os direitos territoriais das populações tradicionais têm sido mitigados
pelos tribunais superiores pátrios, bem como pela OEA, a fim de ponderar entre as previsões

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BENATTI, ROCHA, PACHECO (2015), em “Populações tradicionais e o Reconhecimento de seus Territórios:
Uma Luta Sem Fim”, discutem quem são populações tradicionais, sobretudo no contexto amazônico, e evidenciam
as suas constantes lutas no que concerne ao reconhecimento dos seus direitos territoriais.
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constitucionais referentes à matéria e o conjunto de forças econômicas e políticas que obsta a


efetivação imediata dos direitos fundamentais no que atina, sobretudo, à territorialidade dessas
comunidades.

OBJETIVOS

 Analisar a jurisprudência do Superior Tribunal Federal (STF) na aplicação da concepção


de autonomia das populações tradicionais sobre direito territorial no uso de seus recursos
naturais renováveis.

 Estudar as decisões do Sistema Latino-americano de Direitos Humanos na aplicação da


concepção de reconhecimento dos direitos territoriais no uso de seus recursos naturais
renováveis pelas populações tradicionais.

MATERIAIS E MÉTODOS

O Projeto foi desenvolvido a partir do levantamento bibliográfico conjuntamente com


a análise das decisões dos tribunais superiores, com a interpretação do material colhido de
forma crítica e propositiva. Assim, a pesquisa foi documental e perpassou quatro fases distintas
e complementares, quais sejam:
a) Pesquisa Teórica: Estudo sobre o conceito e definição de território e populações
tradicionais, conforme levantamento prévio descrito na bibliografia básica apresentada abaixo,
e outros textos a serem pesquisados.
b) Levantamento da base jurisprudencial: Levantamento da jurisprudência sobre
reconhecimento do direito ao território das populações tradicionais no STJ, STF e Corte
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA).
c) Análise da Problemática: Esta fase será marcada pela apresentação das informações
sistematizada e analisada onde se buscará cruzar as informações com o intuito de se ter uma
visão global do objeto estudado.
d) Elaboração de um Relatório Final Propositivo: No sexto mês foi apresentado um
relatório parcial, contendo as atividades desenvolvidas no período.
Este relatório final contém as principais conclusões da pesquisa realizada e que será
apresentado o resumo dos resultados da pesquisa, sob forma de exposição oral no Seminário de
Iniciação Científica, acompanhado do relatório final de pesquisa.
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A metodologia de abordagem utilizada no desenvolvimento da dissertação foi o


dedutivo-analítico, sem que isso signifique a exclusão do raciocínio indutivo ao extrair da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as decisões envolvendo os direitos
territoriais das populações tradicionais.
Quanto à metodologia de procedimento, foi empregada o procedimento monográfico,
através de uma análise teórica-jurisprudencial.
Portanto, empregaremos técnicas de pesquisa bibliográfica, legislativa e
jurisprudencial. No entanto, a técnica predominante foi a bibliográfica. As técnicas
jurisprudencial e legislativa foram complementares, de modo a fornecer subsídios à discussão
e enfrentar criticamente a temática.

RESULTADOS

1. Breve Histórico dos direitos territoriais das populações tradicionais: Constituição


Ambiental de 1988 e a proteção ao meio ambiente e às populações tradicionais.

A questão ambiental no Brasil, sobretudo após a Constituição Cidadã de 1988, ganhou


particular importância na configuração das diretrizes políticas, econômicas e sociais
engendradas pelo Poder Público. Nesse sentido, o meio ambiente, objeto de proteção integral
do seu estado ecologicamente equilibrado em favor das presentes e futuras gerações, assume
uma posição angular na estruturação do Estado e da sociedade.
Assim, com o escopo de contemplar a abrangência da sua defesa, logrou-se em fomentar
a lógica da concomitância da preservação e da conservação do meio ambiente, com criação de
unidades de conservação, por exemplo, sem desconsiderar a variedade de elementos
socioculturais que constituem a própria compreensão do seu conceito.
Outrossim, cumpre registrar que até mesmo a acepção acerca do território transpôs as
barreiras estritamente demográficas e admitiu-se a necessidade de se reconhecer os direitos
territoriais das comunidades tradicionais, considerando a sua diversidade no uso da terra e dos
recursos naturais renováveis. Nesse sentido, não se pode olvidar da presença de fatores
socioculturais na proteção do meio ambiente, já que a relação do homem com a terra também
o constitui.
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Vale ressaltar, conforme se depreende das disposições constitucionais que garantem o


direito ao território das populações tradicionais3, que a questão ambiental deve orientar-se
também à efetivação da justiça social, porquanto sua proteção também incide sobre questões
sociais como o reconhecimento do direito ao território e dos direitos territoriais das populações
tradicionais4.
Assim, não restam dúvidas sobre a diversidade étnico-cultural que estrutura a
historicidade pátria, porquanto o processo histórico-político do país perpassa por etnias,
culturas e configurações diversas, de modo a justificar a complexidade sociocultural, objeto de
atenção especial sobretudo a partir da Constituição de 1988, que permeia a compreensão acerca
da autonomia das comunidades tradicionais e, consequentemente, dos seus direitos territoriais.
Nesse sentido, deve-se dispensar singular atenção ao corpo jurídico-formal que orienta
a atuação do Poder Público no que se refere ao reconhecimento de tais direitos, sempre
considerando as especificidades configuradas e os modos particulares de viver, criar e fazer
dessas comunidades, de maneira que não as tutele como se não fossem protagonistas das suas
próprias trajetórias, mas que se reconheça a sua autonomia enquanto sujeitos e a eficácia de
seus direitos fundamentais.
Assim, cumpre registrar que a vigente Carta Magna reconheceu a plurietnicidade
engendrada no Brasil, prevendo a proteção ao meio ambiente na sua acepção mais ampla, que
abarca a autonomia das comunidades tradicionais no uso dos recursos naturais renováveis e nas
suas formas próprias de territorialidade.
Destarte, deve-se desenvolver não somente o reconhecimento formal dos direitos
territoriais das comunidades tradicionais, mas, sobretudo, a aplicação imediata do que já está
formalmente disposto, em que pese a necessidade de se aprimorar a legislação vigente. Isto
posto, ao longo do presente trabalho, verificar-se-á como os tribunais superiores lidam com a
questão territorial que circunscreve a própria autonomia dessas comunidades, ou seja, se ela é
substancialmente considerada no bojo da lide ou se é colocada na subalternidade da discussão.

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A guisa de citação ressalta-se que o caput do art. 231 da CF/88, in verbis: “São reconhecidos aos índios sua
organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que
tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”, bem
como o art. 68 da ADCT: “ Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras
é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.
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Não apenas à justiça social, mas a própria Constituição, em seu art. 216, II, elenca os diferentes modos de fazer,
viver e criar como patrimônio cultural brasileiro, o que abrange as comunidades tradicionais, senão vejamos:
“Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou
em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da
sociedade brasileira, nos quais se incluem: os modos de criar, fazer e viver;”.
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Das decisões judiciais analisadas, cumpre inicialmente destacar, depreende-se que nem
sempre as comunidades tradicionais têm sua autonomia considerada quando abarcadas por
unidades de conservação, extensões territoriais com características naturais relevantes objeto
de proteção integral e especial, não obstante estejam intrinsicamente coligadas à própria
compreensão de território e de uso sustentável, por exemplo.
Ademais, por vezes as discussões versam unicamente entre partes que não populações
tradicionais, o que já indica, em alguma proporção, o grau de relevância fático que elas possuem
em espaços e contextos decisórios, a despeito de serem sistematicamente afetadas por
interferências desproporcionadas nas suas dinâmicas diferenciadas de relação com o meio
ambiente, em específico com o território.
Desse modo, percebe-se certo distanciamento entre as previsões legais e os parâmetros
que o Poder Público engendra suas decisões quando confrontado com conflitos que versem
sobre os direitos territoriais das populações tradicionais, de modo que, como analisaremos mais
pormenorizadamente adiante, não reconhece a amplitude da autonomia dessas comunidades,
porquanto não participam efetivamente dos processos decisórios que as atravessam.
Nesse sentido, Joaquim Shiraishi Neto (2007) informa o corpo legal que deveria pautar
o trato frente ao direito dos povos e das comunidades tradicionais, salientando normativas
internacionais ratificadas pelo estado brasileiro, como a Convenção 169 da OIT, que em seu
art. 14 preceitua que “dever-se-á reconhecer aos povos interessados os direitos de propriedade
e de posse sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, de acordo, cumpre registrar, com os
elementos de autoidentificação dessas comunidades, as quais devem ser apreendidas numa
acepção coletiva e que considere as especificidades de cada grupo, sem noções universalizadas
e hegemônicas5.
Ainda, não se pode olvidar, conforme doutrina o aludido autor, da força dos movimentos
sociais na construção desse corpo normativo, dada a pressão das suas requisições. Nesse
contexto de tensão, deve-se compreender que a própria dogmática jurídica, pautada numa
política de universalização dos grupos, não contempla as demandas e reivindicações das
comunidades tradicionais, porquanto a sua lógica preexistente apresenta-se como obstáculo na
garantia da reprodução física e social dessas populações (BENATTI, ROCHA, PACHECO:
2015).
Inclusive, Alfredo Wagner Berno de Almeida (2004) sinaliza que a própria Constituição
de 1988 previu maior reconhecimento jurídico-formal de direitos territoriais em decorrência

5 Registre que mais adiante será demonstrado o entendimento de determinado ministro do STF no que se refere a
essas normativas internacionais.
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das intensas mobilizações, inflamados conflitos e constantes lutas dos movimentos sociais, a
despeito da substancial dificuldade de se implementar, efetivamente, as diretrizes
constitucionalmente dispostas no que tange às diferentes modalidades de apropriação dos
recursos naturais, seja pelos entraves políticos e/ou impasses burocrático-administrativos.
Neste diapasão, reforça-se a necessidade de mobilização para que não se limite a
autonomia das populações tradicionais na gestão de territórios já reconhecidos, por exemplo,
frente à atuação transversal das forças estatais no que se refere ao aumento de extensões
territoriais para especulação fundiária e empreendimentos de mercado, o que acirra, sobretudo
na Amazônia Legal, os conflitos por terra envolvendo populações tradicionais (BENATTI,
ROCHA, PACHECO: 2015).
Nessas circunstâncias de conflito, portanto, as movimentações político-sociais foram
fundamentais para uma construção legiferante menos impeditiva ao reconhecimento dos
direitos territoriais das comunidades tradicionais, termo que neste trabalho é compreendido de
maneira amplificada, de modo a abarcar as especificidades configuradas num cenário complexo
e diverso, a fim de que não se inviabilize os diferentes modos de fazer, viver e criar dessas
comunidades auto identificáveis.
Assim, verificar-se-á os fundamentos jurídicos utilizados para embasar as decisões dos
STF que impliquem em interferências nos direitos territoriais das populações tradicionais.

2. Conflito federativo no reconhecimento de direitos territoriais de comunidades


tradicionais. Competência do STF para dirimir o litígio.

Inicialmente, faz-se primordial pontuar como o Superior Tribunal Federal compreende


a proteção do meio ambiente: bem de uso comum da generalidade das pessoas que figura como
objeto de obrigação política-jurídica indeclinável a todas esferas de poder, por haver repartição
constitucional de competências, conforme julgado de 27.06.2007, com relatoria do Ministro
Celso de Mello6.
No caso em apreço, tem-se a instituição, pela União, de reserva extrativista (área de
domínio público cedida mediante contrato de concessão de direito real de uso as populações
tradicionais) em áreas públicas pertencentes ao Poder Público, utilizadas para os mesmos fins,
configurando potencial conflito federativo. Registrou-se que a parte agravada possui primazia
expropriatória, com indicação de precedentes no sentido de desapropriação pela União de áreas

6STF. Ag.reg. na Medida Cautelar na Ação Cautelar 1.255 Roraima. Relator: Min. Celso de Mello. Julgamento:
27.06.2007.
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públicas estaduais, à luz do baluarte constitucional do devido processo legal, da preponderância


do interesse e da colaboração entre as pessoas políticas
Salienta-se que o problema fulcral a ser solucionado consistiu em saber se a União pode
instituir reservas extrativistas em áreas territoriais de estado-membro que esteja a implantar e
desenvolver projetos da mesma natureza, porquanto o Estado de Roraima, agravante no recurso
em questão, já havia instituído projetos de assentamento, reserva extrativista e programa de
manejo florestal em benefício da população ribeirinha local.
Aduziu-se que o STF é a Corte competente a dirimir conflitos dessa natureza, dado seu
dever de assegurar a intangibilidade do vínculo federativo e a harmonia entre os entes
federados. Ademais, sinalizou-se que áreas públicas dos Estados e Municípios, além das de
domínio privado, quando compreendidas dentro dos marcos de reserva extrativista criada por
ato federal, deverão ser objeto de regular processo expropriatório pela União, salvaguardando
o quantum indenizatório. No caso em tela tem-se a imposição de prévia autorização legislativa
pelo Senado Federal, que realizará controle político em matéria de evidente relevo, sem afronta
ao Pacto Federativo, porquanto a ocorrência de ato excepcional de desapropriação, já que a
desejável cooperação garantidora do equilíbrio nacional não restou atingida.
Nessa esteira, o Ministro relator não deu provimento ao acórdão interposto e,
consequentemente, indeferiu a suspensão cautelar de consulta pública, procedimento
indispensável à instituição de reserva extrativista. Paralelamente, verificou que não houve a
conjugação dos critérios de fumus boni juris e periculum in mora, inafastáveis à concessão da
liminar, além de o processo cautelar em juízo ainda não ter sido precedido de causa principal,
ferindo a necessária conexão por acessoriedade. Negou-se, portanto, provimento ao recurso de
agravo, sem resolução de mérito e por unanimidade de votos.
Ocorre que, conforme se depreende da breve síntese da decisão analisada, não houve
qualquer consulta às populações tradicionais residentes na extensão territorial objeto da lide,
ainda que sofram interferências nas suas relações com o meio ambiente frente a decisões dessa
amplitude. Reiterou-se, assim, a preponderância do interesse da União em detrimento do
estado-membro, mas sem perquirir efetivamente quais as considerações das comunidades
afetadas.
Sabe-se que a compreensão do território se consubstancia no seu contexto ecológico-
sócio-cultural, do qual se destaca os direitos territoriais das populações tradicionais: direito
fundamental que se reveste de autonomia, cuja efetivação deve ser imediata.
A partir desse pressuposto, constitucionalmente estabelecido, refuta-se a participação
efetiva da população ribeirinha na execução do ato federal de criação de nova reserva
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extrativista, comunidade já abarcada por projetos de assentamento, reserva extrativista e


programa de manejo florestal implementadas pelo Estado de Roraima.

3. STF e o conflito entre individual e coletivo. Relativização do direito de propriedade


Noutro giro, analisou-se julgado do Supremo Tribunal Federal de mandado de
segurança impetrado por cinquenta e quatro pretensos proprietários de áreas abarcadas pela
criação da Reserva Extrativista Verde para Sempre, situada no Baixo Xingu, com relatoria do
Min. Marco Aurélio, tendo a lide sido consubstanciada no conflito entre individual e coletivo7.
Observou-se que o caso em apreço não se enquadra na exigência de licenciamento
ambiental, por não figurar como empreendimento efetivo ou potencialmente poluidor, além de
evidenciar a validade do estudo socioeconômico, da inadequação da dilação probatória em
mandado de segurança, da suplantação do decreto pretérito em favor do atacado e da
desnecessidade da utilização estrita de terras devolutas para fins de criação de unidade de
conservação. Asseverou-se, outrossim, que não restou comprovada a ausência do procedimento
de consulta pública e, na mesma esteira, refutou-se a normativa que não prevê audiência pública
para criação de unidade de conservação.
Nessa perspectiva, no que se refere ao voto do Min. Relator, sinalizou-se que cabe,
sobretudo, à administração pública definir espaços territoriais e seus componentes para
proteção, sem distinção de áreas a serem protegidas, em que pese que o direito de propriedade
não ser absoluto e estar condicionado ao interesse coletivo, porquanto os impetrantes arguiram
que a aludida unidade de conservação deveria ser criada mediante lei. Contudo, reforçou-se que
a via eleita era legítima, em razão de a Lei Maior apenas exigir lei para supressão e alteração
de área já demarcada.
Inclusive, aduziu-se que a população local reivindicara a criação da reserva frente a ação
antrópica e que o IBAMA destinaria parte do montante à regularização fundiária de unidades
de conservação federais, de modo a assegurar o uso sustentável dos recursos naturais e proteger
o meio ambiente e a cultura extrativista local.
Frisou-se, ainda, que os atos da administração gozam de presunção de merecimento,
devendo haver prova cabal que testifique o contrário, prescindindo, no caso, licença ambiental,
tendo sido respeitado o procedimento administrativo e a definição das áreas via consulta
pública.

7
STF. Mandado de Segurança 25.284 Distrito Federal. Relator: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 17.06.2010.
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Assim, salientou-se que o Conselho Deliberativo Gestor da Reserva Extrativista pode


ser constituído ulteriormente, além de que a criação da aludida unidade de conservação é
incompatível com pretensão de reforma agrária e de que existe previsão orçamentária para
indenizações decorrentes de ato expropriatório. Portanto, denegou-se a segurança, por
unanimidade de votos.
Cumpre registrar, ainda, que o direito de propriedade sustentado não repousa em
fundamentos jurídicos sólidos, já que oriundos de carta sesmarial cuja titularidade não se pode
comprovar, além de a reserva extrativista objetivar proteger vinte e dois mil ribeirinhos de Porto
de Moz que estavam padecendo com constantes degradações ambientais, causadas por
investimentos dos impetrantes que nem residem na região.
Assim, do julgado analisado, verifica-se que devem ser priorizados instrumentos que
prevaleçam a garantia dos direitos territoriais às comunidades tradicionais, como mecanismo,
inclusive, de proteção ao meio ambiente, porquanto existam normativas de uso sustentável dos
recursos naturais, por exemplo. Configura-se interesse coletivo de uma população extrativista
de vinte e dois mil ribeirinhos em detrimento de um grupo individualizado que tem garantido
apenas os malefícios da ação antrópica, fato corroborado pela falta de comprovação da
dominialidade.
Por fim, válido destacar que os procedimentos formais exigidos em lei foram cumpridos,
destacando-se, in casu, a participação democrática da comunidade local e a proteção do meio
ambiente ecologicamente equilibrado, garantindo-se, assim, os direitos territoriais das
comunidades tradicionais, porquanto indissociável deste.

4. STJ e a diferenciação dos institutos jurídicos de apossamento administrativo e


limitação administrativa ao direito de propriedade
Salienta-se, ainda, outra decisão paradigmática analisada: o agravo regimental no
recurso especial interposto por um casal de particulares contra a Fazenda do Estado de São
Paulo, julgado exarado em 18.11.2003 pelo Superior Tribunal de Justiça, com relatoria do
ministro Humberto Gomes de Barros8.
Trata-se de agravo regimental contra decisão que negou seguimento ao recurso especial,
cujo questionamento fulcral consistiu em saber se a criação do Parque estadual da Serra do Mar,
através do Decreto Estadual nº 10.251/77, importou em apossamento administrativo.

8
STJ. Agravo Regimental no Recurso Especial Nº 311.513 São Paulo. Relator: Min. Humberto Gomes de Barros.
Julgamento: 18.11.2003.
12

No voto do ministro relator, reiterou-se a diferenciação entre os institutos “apossamento


administrativo” e “limitação administrativa”, mostrando que na espécie configurou-se o
segundo, porquanto houve esvaziamento do conteúdo econômico da propriedade, ao destacar
as prerrogativas de usar e fruir o bem, com base em jurisprudência dominante do STJ e nas
restrições ao direito de propriedade estabelecidas pela Constituição Federal e pelo Código
Florestal.
Neste diapasão, a Primeira Turma do STJ negou provimento ao agravo por
unanimidade, já que na formulação inicial do pedido, os agravantes valeram-se do instituto
“apossamento administrativo”, quando ocorreu limitação administrativa com redução do
conteúdo econômico da propriedade, não incorrendo na possibilidade de indenização pelas
restrições previstas no decreto. Ademais, demonstrou-se que nem mesmo os requisitos para a
referida pretensão foram preenchidos, pois não houve restrição ao acesso do imóvel nem
execução de qualquer serviço público na área, salientando-se que o exercício do direito à
propriedade está condicionado ao bem comum.
Portanto, verifica-se que o direito à propriedade não é absoluto, mas necessita atender
ao bem comum, mandamento, inclusive, com assento constitucional e infraconstitucional,
conforme se depreende da decisão analisada, o que corrobora e legitima juridicamente a
instituição de unidades de conservação com vistas à proteção ambiental.

5. STF e a ocupação indígena. Utilização de marcos referenciais para a aferição acerca da


existência de terras indígenas
Igualmente, analisou-se a decisão do STF, exarada em 16.09.2014, em sede de recurso
ordinário em mandado de segurança com pedido de liminar, interposto contra acórdão proferido
pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, que denegou a ordem de segurança
pretendida por Avelino Antonio Donatti contra a União. A relatoria competiu ao Ministro
Ricardo Lewandowski, sob a presidência do Ministro Celso de Mello9.
Inicialmente, registra-se que o cerne da questão consistiu na configuração das terras
tradicionalmente ocupadas pelos indígenas, tendo a Constituição Federal de 1988 como marco
referencial para aferição da existência de terras indígenas, com ênfase no seu processo
demarcatório. Assim, em apertada síntese, demonstrar-se-ão quais os fundamentos jurídicos
alinhavados na construção de cada voto.

9
STF. Recurso Ordinário em Mandando de Segurança 29.087 Distrito Federal. Relator: Min. Ricardo
Lewandowski. Julgamento: 16.09.2014.
13

Na sua argumentação, o Ministro Ricardo Lewandowski reiterou o entendimento


consignado pela Corte, aduzindo que em sede de mandado de segurança não se pode perquirir
acerca da construção fática-probatória nem deslindar controvérsias consubstanciadas na lide,
porquanto o impetrante já ter tido oportunidade de manifestação em momentos pretéritos, o que
afasta violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Assim, reiterou que a
pretensão não encontrou respaldo na documentação colacionada aos autos e que a própria
Constituição Federal já reconheceu o direito originário das comunidades indígenas sobre terras
tradicionalmente ocupadas, além de reafirmar que o mandado de segurança exige prova pré-
constituída e direito líquido e certo, emitindo voto para o não provimento do recurso.
A seu turno, o Ministro Gilmar Mendes aduziu que a comunidade Kaiowá deixou de
residir na terra reivindicada na década de 1940, o que afasta a posse indígena, entendendo que
o referencial inafastável para o reconhecimento aos índios dos direitos sobre as terras que
tradicionalmente ocupam é a data da promulgação da Constituição Federal (05.09.1988), o que
não indica a posse imemorial. Ademais, aliado ao aludido marco temporal, salientou a
necessidade de haver o marco da tradicionalidade da ocupação, além de erigir como pressuposto
para a demarcação de tais terras a observância das salvaguardas institucionais reafirmadas pela
Corte a partir da decisão paradigmática do caso Raposa Serra do Sol. Assim, votou pelo
provimento do recurso ordinário e pela concessão da liminar.
No mesmo sentido, a Ministra Carmem Lúcia filiou-se às salvaguardas institucionais a
serem seguidas nos processos demarcatórios de terras indígenas firmadas no precedente
consubstanciado no caso Raposa Serra do Sol, reiterando que a comunidade Kaiowá não residia
na gleba litigada na data da promulgação da Lei Maior, fato que faz prescindir de instrução
probatória. Aduziu que o reconhecimento da tradicionalidade da ocupação indígena não se dá
pela posse imemorial, acompanhando a divergência e construindo voto pelo provimento do
recurso e pela concessão da segurança.
Por fim, o Ministro Presidente, no seu voto, salientou a existência de marco temporal
insubstituível no que se refere à ocupação indígena, disposto no art. 231 da Constituição
Federal, não obstante ter demonstrando a relevância constitucional da proteção aos povos
indígenas na sua relação com a terra. Nessa esteira, revestiu o marco temporal de indiscutível
relevo jurídico na resolução do conflito em tela, alinhando-se aos votos dos ministros Gilmar
Mendes e Carmem Lúcia.
Resultou, portanto, por votação majoritária, no provimento do recurso ordinário e na
concessão da segurança para declarar a nulidade do processo administrativo de demarcação de
TI Guyraroka, bem como da Portaria n. 3.219, de 7.10.2009, do Ministro de Estado da Justiça.
14

Assim, pelo que se depreende da decisão analisada, questiona-se a consistência da


utilização de marcos temporais para a aferição da existência de terras indígenas, quando a
historiografia pátria revela sucessivos ataques às dinâmicas diferenciadas dos povos indígenas,
sobretudo no que se refere ao uso do território e dos recursos naturais renováveis, não sendo
razoável informar a determinada etnia indígena, por exemplo, que o seu território não lhe
pertence.

6. STF e o tratamento constitucional dispensado aos povos indígenas no que se refere à


demarcação de suas terras. Utilização de marco temporal
Registre-se, outrossim, que também foi analisado o voto do Ministro Relator, Carlos
Ayres Britto, no caso Raposa Serra do Sol emitido em 27.08.2008, que se trata de ação popular
contra a União também referente à demarcação de terras indígenas. Observa-se que tão somente
o voto do ministro relator será perquirido, ainda que de forma sintetizada, em razão do volume
dos autos. Destaca-se, ademais, que se trata de decisão paradigmática e precedente que embasou
outros julgados, conforme já comentado10.
Após relatar os desdobramentos procedimentais da lide e reiterar precedentes da
Suprema Corte no que tange à matéria, o Ministro Relator sinalizou os indígenas como tema de
matriz constitucional com a Carta Magna de 1988, que em suas disposições procurou favorecê-
los, sobretudo do art. 231 ao 232, além dos demais comandos esparsos. Aduziu, assim, que são
parte fundamental da diversa realidade política-cultural do país. Inclusive, seus territórios,
como categoria jurídico-constitucional, são um bem ou propriedade da União, o que implica na
competência desse ente federado para instaurar e concluir formalmente o processo demarcatório
das terras indígenas, em que pese não constituírem pessoa federada nem território federal, mas
assumirem acepção sociocultural salvaguardada pela aludida Lei Maior.
Nessa senda, o Ministro ressaltou que as referenciadas disposições constitucionais
possuem condão fraternal, compensatório e capaz de alcançar a integração do povo brasileiro,
destacando que a cosmovisão das comunidades indígenas propulsa o desenvolvimento do país,
de modo a não antagonizar a colonização e o indígena. Noutro giro, também elencou os marcos
regulatórios extraídos da Constituição para que a Administração Pública desenvolva a
demarcação das terras indígenas.
Inicialmente, deve-se partir do marco temporal da ocupação, insubstituível marco
referencial: data da promulgação da Carta Magna, aliado ao marco da territorialidade da

10
STF. Petição 3.388-4 Roraima. Relator: Min. Carlos Ayres Britto. Julgamento: 27.08.2008.
15

ocupação, o qual deve imantar-se de perdurabilidade, por tratar-se de direitos originários


reconhecidos. Registrou-se, outrossim, o marco da concreta abrangência fundiária e da
finalidade prática da ocupação tradicional: elementos declaratórios de uma situação
preexistente, porquanto as comunidades indígenas possuem relação diferenciada com os
recursos naturais conforme seus usos, costumes e tradições. Na mesma esteira, sinalizou-se o
marco do conceito fundiariamente extensivo do chamado “princípio da proporcionalidade”,
já que está sedimentado constitucionalmente que se deve assegurar a reprodução de toda a sua
estrutura social primeira, reconhecendo-se, pois, direitos originários, ou seja, preexistentes.
Destacou-se, ainda, que as terras indígenas figuram como espaço fundiário para o
exclusivo desfrute de uma etnia autóctone, que partilha com a União competências
administrativas, o que não exclui outras possibilidades de uso, como instalação de tecnologias,
por exemplo, desde que supervisionadas pela União, controladas pelo Ministério Público e
atuação da Administração e das comunidades indígenas.
Frisou-se que se deve excluir da demarcação das terras indígenas os intervalados
espaços fundiários entre etnias distintas, porquanto o Constituinte previu a diversidade de etnias
autóctones, de modo a separar os espaços interétnicos. Ainda, reiterou-se a plena
compatibilidade entre faixa de fronteira e terras indígenas, o que preserva a integridade
territorial do Brasil.
Assinala-se que o Ministro se atentou aos aspectos formais da lide, informando que a
demarcação da área indígena Raposa Serra do Sol iniciou em 1977, o que afasta a possibilidade
de nulidade do processo demarcatório por razões de afronta ao imperativo constitucional do
contraditório e da ampla defesa, já que sobejou às partes oportunidade para contraditas.
Observou-se, ademais, que a metodologia antropológica foi desenvolvida por profissionais
competentes, não havendo parcialidade no laudo elaborado nem fraudes no curso do processo,
não incorrendo as peças antropológicas nas características de genéricas e abstratas.
Cumpre registrar, ainda, que o entendimento sedimentado estranha disposições
internacionais como a Declaração das Nações Unidas Sobre os Direitos dos Povos Indígenas e
aduz que a Constituição Federal de 1988 é cabalmente capaz de proteger direitos desses povos
originários, não devendo se falar em território, poder político ou personalidade geográfica. Em
subseção posterior, serão feitas as devidas considerações a esse respeito, quando da análise de
determinadas decisões internacionais sobre direitos territoriais sobre terras tradicionalmente
ocupadas.
Finalmente, consignou-se que toda área referida pela Portaria nº 534/2005, do Ministro
de Estado da Justiça, são ocupadas por cinco distintas etnias indígenas que se revela pelos 150
16

anos sem conflitos interétnicos, o que preenche o marco temporal de ocupação tradicional e
permanente, ainda que tenha se observado o fator monoétnico, em razão da miscigenação e da
dificuldade prática em estabelecer limites precisos para as cinco etnias. Asseverou-se, ademais,
que a extensão da área demarcada é compatível com as diretrizes constitucionais e que se logrou
em retirar os não-índios, sendo a área demarcada de quase absoluta presença indígena. Assim,
são nulas quaisquer titulações na área em comento e aduziu-se que os rizicultores privados não
possuem qualquer direito adquirido em relação à posse.
Pelos fundamentos encadeados, portanto, o Ministro Relator votou pela improcedência
da ação popular, assentando a condição indígena da área demarcada em sua totalidade.
Igualmente, revogou a liminar concedida na Ação Cautelar nº 2009, ordenando a retirada das
terras em questão todos os indivíduos não-índios.
Ressalta-se que durante o voto do ministro relator, admitiu-se violações e restrições ao
uso do território tradicionalmente ocupado pelos povos indígenas, violências que têm impedido
a efetivação desse direito originário, o que já dá ensejo ao questionamento acerca da
consistência da utilização de marcos referenciais para aferição da existência de terras indígenas.

7. STF e a nulidade de títulos de propriedade concedidos por estado-membro em reserva


indígena
Destarte, também se analisou a decisão do STF exarada em 02.05.2012, que perquire
acerca da nulidade ou não de determinados títulos de propriedade que abarcam extensões
situadas na reserva indígena Caramaru-Catarina-Paraguaçu, ação proposta pela FUNAI contra
particulares em 01.07.1982, tendo relatoria do Ministro Eros Grau e presidência do Ministro
Ayres Britto11.
Registre-se, de imediato, que a demarcação da área foi realizada em 1938, a despeito de
não ter havido homologação, o que não afeta o reconhecimento da reserva em comento, já que
independe da conclusão do procedimento administrativo. Sedimentou-se, ademais, que a baixa
demografia indígena por atos de violência não afasta a tradicionalidade da ocupação, sendo
nulos todos os títulos de propriedade concedidos pelo Estado da Bahia que abarquem a área,
ocupada por indígenas desde pelo menos o século XVII. Inclusive, em caso de ampliação da
reserva, deverá ser utilizado como marco temporal a Constituição de 1988. Nessa senda, será
analisado unicamente o voto do Ministro Relator, já que capaz de deslindar as controvérsias da
lide de modo preciso.

11
STF. Ação Cível Originária 312 Bahia. Relator: Min. Eros Grau. Julgamento: 02.05.2012.
17

Inicialmente, na sua argumentação, o Ministro Eros Grau rejeitou a liminar de


impossibilidade jurídica suscitada pelos réus, que sustentavam haver pedido genérico, quando
se tratava, na verdade, de ação declaratória, devendo o cerne da questão ser consubstanciado na
seguinte proposição: a área em questão figura como terra indígena na acepção jurídica?, não se
discutindo, no mérito, acerca da legalidade ou dos procedimentos do processo demarcatório.
Salientou-se que as terras indígenas, bens públicos da União, são insuscetíveis de disputa, tendo
sido demonstrado toda construção legislativa desde o Império até a Constituição de 1988 para
reiterar a sua inalienabilidade resultante da ocupação tradicional, inclusive, prevista da Carta
de 1967, utilizada como parâmetro no caso, citando, inclusive, como precedente a RE n. 44.585
(DJ de 11.10. 1961).
Balizando-se no laudo antropológico, ademais, aludiu que não obstante a baixa
demografia indígena em determinados períodos, consequência de esbulhos de não-índios, não
há obste ao reconhecimento da terra indígena que foi tradicionalmente ocupada desde 1651,
restando, portanto, irrefutável a identidade étnica indígena na área. Inclusive, a demarcação da
área foi concluída em 1938, já sob a égide da Lei de Terras e da Constituição de 1967,
referencial relevante à resolução do litígio, em que pese a existência de alguns erros atribuíveis
às limitações técnicas da medição.
Ressaltou-se, ainda, que as benfeitorias empreendidas na área foram indenizadas pela
FUNAI e que a disputa por terra indígena se apresenta como juridicamente impossível,
porquanto é assegurado ao indígena a posse permanente das terras que habitam e o
reconhecimento do seu direito ao usufruto exclusivo dos recursos naturais e das utilidades nelas
existentes, indispensável a sua subsistência e, portanto, inalienáveis. In casu, a presença de terra
indígena foi testificada não apenas em tempos imemoriais, devendo-se a posse permanente ser
reconhecida à necessária preservação das identidades culturais configuradas e todos os títulos
de propriedade serem considerados nulos.
Assim, o Ministro Relator posicionou-se à procedência da ação para declarar a nulidade
de todos os títulos de propriedade localizados dentro da área da Reserva Indígena Caramuru-
Catarina-Paraguaçu, bem como para a improcedência do pedido de reconvenção formulado
pelos réus. Portanto, o Tribunal julgou parcialmente procedente a ação para declarar a nulidade
de todos os títulos de propriedade cujas respectivas glebas estejam localizadas dentro da aludida
reserva e improcedentes as reconvenções dos titulares dos títulos anulados.
18

8. O Sistema Latino-americano de Direitos Humanos na aplicação da concepção de


reconhecimento dos direitos territoriais no uso de seus recursos naturais renováveis
pelas populações tradicionais
Faz-se primordial iniciar esta subseção com a transcrição da lógica do Ministro Relator,
Ayres Britto, utilizada no caso paradigmático Raposa Serra do Sol no que se refere aos
organismos internacionais de proteção dos direitos humanos, em específico em relação ao
território tradicionalmente ocupado, senão vejamos:
O que de pronto nos leva a, pessoalmente, estranhar o fato de agentes públicos brasileiros aderirem,
formalmente, aos termos da recente “Declaração das Nações Unidas Sobre os Direitos dos Povos
Indígenas” (documento datado de 13 de setembro de 2007), porquanto são termos afirmativos de
um suposto direito à autodeterminação política, a ser “exercido em conformidade com o direito
internacional”. Declaração, essa, de que os índios brasileiros nem sequer precisam para ver a sua
dignidade individual e coletiva juridicamente positivada, pois o nosso Magno Texto Federal os
protege por um modo tão próprio quanto na medida certa. Bastando que ele, Magno Texto
Brasileiro, saia do papel e passe a se incorporar ao nosso cotidiano existencial, num itinerário que
vai da melhor normatividade para a melhor experiência. É a nossa Constituição que os índios
brasileiros devem reverenciar como sua carta de alforria no plano sócio-econômico e histórico-
cultural, e não essa ou aquela declaração internacional de direitos, por bem intencionada que seja.12
*grifos nossos

Não compete ao presente trabalho discutir acerca da subalternidade dispensada às


disposições internacionais de proteção aos direitos humanos pelo Senhor Ministro, mas
demonstrar o entendimento internacional ao mitigar litígios dessa natureza, em específico no
que atina ao uso do território e dos recursos naturais renováveis pelas comunidades tradicionais.
Registre-se que o Brasil é signatário de tratados e convenções de proteção de direitos humanos,
o que já corrobora a importância de verificar a compatibilidade ou não dos fundamentos
jurídicos firmados pelos tribunais internos e estrangeiros.
Neste diapasão, destaca-se a Convenção 169 da OIT sobre povos indígenas e tribais em
países independentes, que logrou em abarcar as especificidades nas dinâmicas de fazer, viver e
criar desses grupos, em específico a relação peculiar com o território, condição que não só
constitui a sua cosmovisão e materialidade das suas formas de vida, mas abrange também
elementos espirituais, imateriais e de identidade.
Nessa senda, registre-se o disposto no art. 13 do aludido documento internacional, que
reconhece a relação imaterial, consubstanciada nas culturas e nos valores espirituais, que esses
povos possuem com suas terras e seus territórios no contexto da coletividade, devendo os
estados respeitarem tal imperativo.

12
Entendimento constante às folhas 39 e 40 do voto do Ministro Relator. Registre-se que o contexto discursivo
consubstancia-se na ilação de que a Constituição Federal de 1988 é o corpo normativo que deve orientar a aplicação
dos direitos pertinentes aos povos indígenas.
19

Registre-se, noutro giro, que a Convenção Americana de Direitos Humanos e a


Declaração Americana de Direitos Humanos não estabelecem expressamente o direito ao
território dos povos indígenas. Ocorre que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CADH) o reconhece enquanto propriedade comunal, de modo a considerar as peculiaridades
do uso da terra e dos recursos naturais renováveis por esses povos, de acordo como será
demonstrado alhures.
Assim, serão citados alguns julgados mais paradigmáticos nesse sentido, destacando os
principais fundamentos jurídicos utilizados. Ademais, também será verificado, em termos
sucintos, o entendimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) acerca dos povos
indígenas e tibais no que concerne ao uso das suas terras ancestrais e recursos naturais.
No caso Salvador Chiriboga vs Equador1314, que se consubstancia no litígio proveniente
da declaração do Conselho Municipal de Quito de que a propriedade de sessenta hectares da
senhora María Salvador Chiriboga seria de utilidade pública e por essa razão deveria ocorrer o
processo expropriatório com as devidas indenizações, tem-se que a Corte entendeu ter havido
violação ao direito de propriedade insculpido no art. 21.115 da CADH pelo Equador, porquanto
a área já estava sendo utilizada para fins recreativos e de proteção ecológica.
Salienta-se, assim, que o entendimento da Corte foi no sentido de que deve haver
equilíbrio entre os interesses coletivos e o direito de propriedade, sendo fundamental a
constituição da justa, adequada e efetiva indenização para fins expropriatórios, considerando o
valor de mercado do imóvel anteriormente à declaração de utilidade pública. Sedimentou-se
que esta foi legítima e devidamente fundamentada, mas o Estado violador não respeitou os
procedimentos para a restrição do direito de propriedade, afrontando o disposto no art. 21.216
da CADH, devendo, assim, realizar as devidas reparações.
Assim, verifica-se, assim como as decisões dos tribunais internos já sintetizadas, que o
direito de propriedade não é absoluto no âmbito internacional, podendo ser relativizado
conforme o interesse coletivo dentro de critérios a serem analisados em cada situação fática,
primando pela proporcionalidade. Nesse sentido, importante destacar que não se pode
desconsiderar a relação complexa e diferenciada que povos indígenas e comunidades

13
Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Caso Salvador Chiriboga vs Equador. Mérito, Reparações
e Custas. Julgamento em 06 de maio de 2008.
14
Cumpre registrar que para a análise deste caso contou-se com o levantamento jurisprudencial internacional
elaborado pela Clínica de Direitos Humanos da Amazônia, vinculada ao programa de pós-graduação da
Universidade Federal do Pará.
15
Toda pessoa tem direito ao uso e gozo dos seus bens. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao interesse local.
16
Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo mediante o pagamento de indenização justa, por motivo
de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos pela lei.
20

tradicionais possuem com o território - o qual inclusive constitui a própria identidade e


dinâmicas de fazer, viver e criar desses grupos- e com os recursos naturais renováveis.
Valioso destacar, ademais, outra decisão paradigmática da Corte: Caso Comunidade
Indígena Yakye Axa vs Paraguai17, que traz entendimento diverso consolidado na análise do
mérito pelo STF nos casos de marco temporal e territorialidade constante da ocupação para fins
de aferição da existência de terras indígenas, conforme já discutido nas subseções acima.
Frisa-se que se trata de comunidade indígena constituída por trezentas pessoas que se
deslocou de suas terras por conta de conflitos e anos depois regressou para reivindica-las, no
interim compreendido de 1986 a 1993, mas sem êxito. Ressaltou-se que o disposto no art. 13
da Convenção169 d OIT18 deve orientar a atuação dos Estados, porquanto a relação diferenciada
com o território e com os recursos naturais desse povo impõe-se como vetor que não se encerra
na subsistência, mas constitui componente substancial na constituição da sua cosmovisão,
religiosidade, bem como da sua identidade e do seu patrimônio culturais, o que implica no
próprio desenvolvimento de suas dinâmicas de vida. Nessa perspectiva, o seu direito ao
território deve ser salvaguardado pelo disposto no aludido art. 21 da CADH, já que figura
propriedade comunal indígena.
Aduziu-se, ademais, que as restrições estabelecidas devem justificar-se por objetivos
coletivos, de modo que se interfira minimamente no direito restringido, com vistas à
proporcionalidade, de maneira que caso não se reconheça o direito territorial dos povos
indígenas recai-se em violação a outros direitos básicos. Assim, mediante impossibilidade desse
reconhecimento, dever-se-á proceder com a compensação necessária baseada no próprio
significado do território para esses povos, conforme o art. 16.4 da Convenção 169 da OIT19.
Neste diapasão, não se pode olvidar que a atuação dos estados deve orientar-se com o
consentimento dos povos interessados, de acordo com suas demandas, valores e costumes, além
de se proceder com uma interpretação integral da Convenção 169 da OIT e da CADH. Inclusive,

17
Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Caso Comunidade Indígena Yakye Axa vs Paraguai. Mérito,
Reparações e Custas. Sentença 17 de junho de 2005.
18
Art. 13.1 “Na aplicação das disposições desta parte da Convenção, os governos respeitarão a importância
especial para as culturas e valores espirituais dos povos interessados, sua relação com as terras ou territórios, ou
ambos, conforme o caso, que ocupam ou usam para outros fins e, particularmente, os aspectos formais coletivos
dessa relação” e Art. 13.2 “O uso do termo terras nos artigos 15 e 16 incluirá o conceito de territórios, que abrange
todo o ambiente das áreas que esses povos ocupam ou usam para outros fins“.
19
Quando esse retorno não for possível, como definido em acordo ou, na falta de um acordo, por meio de
procedimentos adequados, esses povos deverão receber, sempre que possível, terras de qualidade e situação
jurídica pelo menos iguais às das terras que ocupavam anteriormente e que possam satisfazer suas necessidades
presentes e garantir seu desenvolvimento futuro. Quando os povos interessados manifestarem preferência por
receber uma indenização em dinheiro ou espécie, essa indenização deverá ser adequadamente garantida.
21

é o Estado quem deve identificar o território da comunidade, demarca-lo, realizar a titulação e


a posterior entrega.
Por fim, verificou-se no voto do juiz A.A. Cançado Trindade que se deve lograr na
garantia de não ocorrência desses atos de violência aos povos indígenas, sendo a entrega
definitiva das terras legítima e necessária. Tal entendimento diverge das decisões do STF sobre
matéria semelhante, qual seja, a aferição da existência e a demarcação de terras indígenas.
Vê-se que ainda que os ministros pátrios reconheçam a vastidão de direitos e a condição
diferenciada da relação dos povos indígenas com seus territórios e recursos naturais renováveis,
as decisões são controvertidas e não conseguem atender, efetivamente, às demandas
apresentadas. Pelo contrário, estabeleceram-se marcos referenciais, o que discrepa da realidade
conflituosa e sobremaneira violenta à qual esses povos foram historicamente subjugados.
Ressalta-se, igualmente, o Caso Yanomani vs Brasil20, no qual foi denunciada a invasão
massiva e a exploração minerária no território indígena Yanomami. Constatou-se a omissão do
Estado por não fornecer a necessária proteção à comunidade e ao seu território. Inclusive, houve
sentença com indicação para delimitar e demarcar a área, o que ocorreu em 1992. Três anos
mais tarde, a CADH realizou visita in locu e testificou que a atuação do Estado permaneceu
débil e irregular, verificando, inclusive, a permanência da prática mineradora21.
Nesse cenário, a normativa internacional da Organização dos Estados Americanos
(OEA), por exemplo, reconhece a situação de marginalidade e violação renegada aos povos
indígenas, ao longo dos processos históricos e das dinâmicas de poder, com sucessivas
violações aos seus direitos humanos.

9. Considerações Finais
Por toda pesquisa desenvolvida, portanto, atesta-se que os tribunais superiores pátrios,
não obstante a previsão formal do direito ao território e dos direitos territoriais das populações
tradicionais, além de normativas internacionais às quais o país está vinculado por ser signatário,
emitem decisões não raro controvertidas. Inclusive, por vezes as comunidades sequer têm suas
demandas visibilizadas; noutras, nem são ouvidas ou consideradas em suas pretensões.
Verificou-se que na análise do mérito, priorizam-se os aspectos formais e burocráticos
da lide, tendo os elementos substanciais de proteção aos direitos humanos dessas comunidades

20
COSTA RICA. Corte Interamericana de direitos Humanos. Caso da Comunidade Yanomami vs Brasil.
Resolução 12/85. Julgamento em 05 de março de 1885.
21
Salienta-se que o caso em comento foi uma das primeiras discussões feita pela CADH acerca dos direitos dos
povos indígenas, conforme se verificou em https://www.escr-net.org/es/caselaw/2006/comunidad-yanomami-
caso-no-7615-resolucion-no-1285 (Acessado em 05.08.2017).
22

subalternizados ou obstaculizados, como no caso da utilização de marcos referencial para a


aferição da existência de terras indígenas.
Inclusive, testificou-se no caso paradigmático Raposa Serra do Sol que as normativas
internacionais às vezes sequer são sopesadas enquanto válidas, em que pese o estado brasileiro
ser signatário da própria Convenção Americana de Direitos Humanos e ser integrante da
Organização dos Estados Americanos. Necessita-se, pois, aperceber-se enquanto parte de um
organismo global de proteção de direitos, de modo a efetivar o literalmente disposto e implantar
uma real política de desenvolvimento.
Por fim, reitera-se a necessidade da constante e infindável luta dos movimentos sociais
para que se continue a romper, ainda que paulatinamente, as paredes que inviabilizam o pleno
desenvolvimento dessas comunidades histórica e politicamente violadas.

Referências bibliográficas.

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Convenção 169 da OIT.
23

Convenção Americana Sobre Direitos Humanos.


Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Caso Comunidade Indígena Yakye Axa vs
Paraguai. Mérito, Reparações e Custas. Sentença 17 de junho de 2005.
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STF. Ação Cível Originária 312. Bahia. Relator: Min. Eros Grau. Julgamento: 02.05.2012.
STF. Ag.reg. na Medida Cautelar na Ação Cautelar 1.255. Roraima. Relator: Min. Celso de
Mello. Julgamento: 27.06.2007.
STF. Mandado de Segurança 25.284. Distrito Federal. Relator: Min. Marco Aurélio.
Julgamento: 17.06.2010.
STF. Petição 3.388-4. Roraima. Relator: Min. Carlos Ayres Britto. Julgamento: 27.08.2008.
STF. Recurso Ordinário em Mandando de Segurança 29.087. Distrito Federal. Relator: Min.
Ricardo Lewandowski. Julgamento: 16.09.2014.
STJ. Agravo Regimental no Recurso Especial Nº 311.513. São Paulo. Relator: Min. Humberto
Gomes de Barros. Julgamento: 18.11.2003.
24

PARECER DO ORIENTADOR:

O trabalho de pesquisa foi realizado com esforço, conforme comprova este relatório. O
discente demonstrou capacidade para desenvolver pesquisa. A limitação foi a dificuldade em
poder participar de eventos ou publicar. Teve um atraso no cronograma, mas no final conseguiu
cumprir o que estava programado. Precisa aperfeiçoar a linguagem escrita que ainda “sofre”
influência do estilo excessivamente jurídico, com termos técnicos e jargões da área. Aprovo-o
com conceito Excelente.

Belém-Pa., 14 de agosto de 2017.

Prof. Dr. José Heder Benatti


Coordenador da Pesquisa