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A Igreja é a humanidade cristã, conseqüência necessária e complemento forçado do

judaísmo
mosaico.
Ao lado dessa fé razoável, sempre tentou elevar-se a fé louca e imaginária, anárquica
como a loucura,
caprichosa como os sonhos. É a fé dos visionários que tomam por revelações divinas os
fantasmas de
sua imaginação; Dos que pedem sabedoria ao êxtase, à embriaguez, ao sono, à
catalepsia, a todos os
estados, enfim, que suprimem o livre arbítrio do homem e o tornam mais ou menos
alienado. E eles
não vêem que a alienação é a decadência do homem. E não compreendem que o espírito
de vertigem
é o espírito da mentira e do mal. E não sentem que ao abandonarem-se aos
desfalecimentos
automáticos do sonambulismo ou do hipnotismo, às impulsões fatais e duvidosas do
espírito das
mesas giratórias, abandonam ao desconhecido tenebroso a direção de seu pensamento, e
tornam-se,
o que é horrível e completamente contra a natureza, alienados voluntários. Tornam-se,
então, os
profetas do turbilhão, os videntes da vertigem, os oráculos do grande caos, os intérpretes
da
fatalidade. Eles se olham num espelho despedaçado e crêem perceber a multidão dos
espíritos
celestes que já serviam de alimento a seu espírito, e seus sonhos de doutrina
assemelham-se aos
pesadelos de uma digestão difícil. Em que diferem essencialmente nossos hipnotizados
modernos dos
antigos gnósticos da Índia, que, com os olhos fixos nos seus umbigos, esperavam a
aparição da luz
incriada? Muito tempo antes de nós, os brâmanes magnetizavam as mesas e as
suspendiam da terra
colocando nelas somente as mãos. A pitonisa de Endor era o que chamaríamos hoje de
um poderoso
médium e ela evocava os mortos; ora, a evocação dos mortos, estou cansado de vos
dizer, é a
necromancia, a mais negra das ciências do abismo, a mais maldita das operações
sacrílegas. A
necromancia substituindo o cristianismo, a luz dos mortos substituindo a palavra do Deus
vivo, o fluído
espectral descendo sobre nós ao invés da graça, a comunicação eucarística esquecida por
não sei
quais banquetes, onde a alma se asfixia aspirando o fósforo dos cadáveres; eis, pobres
insensatos, o
que tomais por uma renovação religiosa; eis vossa fé e vosso culto, eis enfim o Deus
negro que
adorais! Mirville não está completamente errado ao atribuir ao diabo as divagações
espíritas.
Mas, se Deus envia o diabo em missão, o diabo é forçado então a obedecer a Deus? O
diabo é,
então, o servidor de Deus? O diabo é o missionário de Deus?
Então é Deus que responde pelo diabo.