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EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA 2.

ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE


BELFORD ROXO-RJ

Processo: 0011829-90.2016.8.19.0008

THIAGO PAES LEME PIRES DE MELO, já qualificado nos autos


do processo em epígrafe, vem, por intermédio da Defensoria Pública, apresentar

RESPOSTA PRELIMINAR

Com fulcro no artigo 396-A do Código de Processo Penal, aduzindo,


para tanto, o que se segue:

I – DA ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA

Os elementos informativos colhidos ao longo da investigação pré-


processual já nos permitem afirmar que o fato imputado ao réu carece de tipicidade material
ante a incidência do princípio da bagatela, razão pela qual deve ser proferida sentença de
absolvição sumária.

Sabemos que todo tipo penal tem como objetivo a tutela de um bem
jurídico relevante. O Direito Penal tem caráter fragmentário, razão pela qual incide sobre um
número diminuto de condutas praticadas no mundo dos fatos, limitando-se a tutelar os mais
importantes bens jurídicos para a vida em sociedade e a impor as mais severas sanções no
caso de violação de tais bens jurídicos.

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A incidência dessas rigorosas sanções, denominadas de sanções penais,
somente se justifica quando a conduta perpetrada pelo agente lesou significativamente um
bem jurídico tutelado ou expôs este bem a risco de lesão significante.

A lição do competente Rogério Greco não deixa qualquer dúvida acerca


do tema:

“Tivemos a oportunidade de dizer anteriormente que o


princípio da intervenção mínima, como limitador do poder punitivo do
Estado, faz com que o legislador selecione, para fins de proteção pelo
Direito Penal, os bens mais importantes existentes em nossa sociedade. Além
disso, ainda no seu critério de seleção, ele deverá observar aquelas condutas
que se consideram socialmente adequadas, para delas também manter
afastado o Direito Penal. Assim, uma vez escolhidos os bens a serem
tutelados, estes integrarão uma pequena parcela que irá merecer a atenção do
Direito Penal, em virtude de seu caráter fragmentário.

“Ultrapassados todos esses princípios, o legislador,


finalmente, poderá proibir determinadas condutas (positivas ou negativas)
sob a ameaça de sanção. (...).

(...)

“Além da necessidade de existir um modelo abstrato


que preveja com perfeição a conduta praticada pelo agente, é preciso que,
para que ocorra essa adequação, isto é, para que a conduta do agente se
amolde com perfeição ao tipo penal, seja levada em consideração a
relevância do bem que está sendo objeto de proteção. Quando o legislador
penal chamou a si a responsabilidade de tutelar determinados bens – por
exemplo, a integridade corporal e o patrimônio -, não quis abarcar toda e
qualquer lesão corporal sofrida pela vítima ou mesmo todo e qualquer tipo
de patrimônio, não importando seu valor.

“(...) como bem frisou Maurício Antônio Ribeiro


Lopes “ao realizar o trabalho de redação do tipo penal, o legislador apenas
tem em mente os prejuízos relevantes que o comportamento incriminado
possa causar à ordem jurídica e social.” O bem juridicamente protegido pelo
Direito Penal deve, portanto, ser relevante, ficando afastados aqueles
considerados inexpressivos.” (In Curso de Direito Penal – Parte Geral,
Niterói: Impetus, 6.ª edição, 2006, pp. 67/70).

Pois bem. O tipo penal consagrado no artigo 155 do Código Penal tutela
o bem jurídico patrimônio. Contudo, não houve a avaliação preliminar da res furtiva ou
seja do rádio e da Bateria a que os bens supostamente subtraídos (e recuperados, diga-se
de passagem) possuem o irrisório valor.
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Portanto, mesmo que admitíssemos que a conduta imputada ao réu
amolda-se aos elementos integrantes do tipo penal previsto no artigo 155 do Código Penal,
estaríamos diante tão-somente da tipicidade formal. Todavia, tal espécie de tipicidade não
seria suficiente para que afirmássemos ser típica a conduta imputada ao acusado, eis que a
insignificância da lesão ao bem jurídico tutelado pela suposta conduta a torna materialmente
atípica.

A lição do festejado professor Cezar Roberto Bitencourt corrobora


nossa assertiva:

“A tipicidade penal exige uma ofensa de alguma


gravidade aos bens jurídicos protegidos, pois nem sempre qualquer ofensa a
esses bens ou interesses é suficiente para configurar o injusto típico. (...)
Amiúde, condutas que se amoldam a determinado tipo penal, sob o ponto de
vista formal, não apresentam nenhuma relevância material. Nessas
circunstâncias, pode-se afastar liminarmente a tipicidade penal porque em
verdade o bem jurídico não chegou a ser lesado.” (In Direito Penal - Parte
Geral, São Paulo: Saraiva, 6.ª edição, 2000, p. 19).

No mesmo sentido, manifesta-se o elucidativo e didático professor


Rogério Greco:

“Tipicidade quer dizer, assim, a subsunção perfeita da


conduta praticada pelo agente ao modelo abstrato previsto na lei penal (...).

(...)

“A adequação da conduta do agente ao modelo


abstrato previsto na lei penal (tipo) faz surgir a tipicidade formal ou legal.
Essa adequação deve ser perfeita, pois, caso contrário, o fato será considerado
formalmente atípico.

(...)

“Entretanto, esse conceito de simples acomodação do


comportamento do agente ao tipo não é suficiente para que possamos concluir
pela tipicidade penal, uma vez que esta é formada pela conjugação da
tipicidade formal (ou legal) com a tipicidade conglobante.

(...)

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“Para concluirmos pela tipicidade penal é preciso,
ainda, verificar a chamada tipicidade material. Sabemos que a finalidade do
Direito Penal é a proteção dos bens mais importantes existentes na sociedade
(...).

(...)

“(...) Em virtude do conceito de tipicidade material,


excluem-se dos tipos penais aqueles fatos reconhecidos como de bagatela, nos
quais têm aplicação o princípio da insignificância.

“Assim, pelo critério da tipicidade material é que se


afere a importância do bem jurídico no caso concreto, a fim de que possamos
concluir se aquele bem específico merece ou não ser protegido pelo Direito
Penal.

“Concluindo, para que se possa falar em tipicidade


penal é preciso haver a fusão da tipicidade formal ou legal com a tipicidade
conglobante (que é formada pela antinormatividade e pela tipicidade material).
Só assim o fato poderá ser considerado penalmente típico.” (In Ob. cit. pp.
164-9).

Nesse contexto, deve-se reconhecer a atipicidade material da conduta


imputada ao réu, aplicando-se ao caso concreto em análise o princípio da insignificância.

Destaque-se que a inexistência de previsão expressa do mencionado


princípio por parte do sistema legal não impede o acolhimento da pretensão aqui manifestada.

A Constituição consagra que a República Federativa do Brasil é um


Estado Democrático de Direito. Tal previsão implica na existência de limitações ao direito de
punir do Estado. Algumas dessas limitações encontram-se expressamente consagradas na
Constituição e outras são implícitas, eis que inerentes ao Estado Democrático de Direito.

Nesse sentido, manifestam-se os renomados Alberto Silva Franco e Rui


Stoco, coordenadores de obra jurídica que conta com a colaboração de renomados autores do
Direito brasileiro:

“O ius puniende do Estado Democrático (e Social) de


Direito não é, nem poderia ser, um direito estatal, de caráter arbitrário, sem
freios, nem limites. Ao contrário, tanto a própria estrutura do modelo jurídico
optado pelo Poder Constituinte, como o fundamento funcional do Direito
Penal, entendido como a indispensável e amarga necessidade da pena para a
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proteção de bens jurídicos de extrema valia, contêm limitações, algumas
vezes, formalmente explicitadas, outras, sem consagração expressa, mas
decorrentes, nos termos do parágrafo 2.° do art. 5.° da Constituição Federal do
regime e dos princípios adotados pela Constituição.” (In Código Penal e sua
Interpretação, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 8.ª edição, 2007, p.
37).

Os internacionalmente consagrados Eugenio Raúl Zaffaroni e Nilo


Batista expõem, ao tratarem da necessidade da existência de princípios que limitem o direito
de punir do Estado, que tais princípios asseguram a existência do Estado de Direito,
impedindo o surgimento de um estado de polícia:

“Todos os princípios anteriormente assinalados


remetem, em última instância, ao princípio republicano. Não obstante, é mister
enunciar outros e aprofundar alguns já enunciados, embora pouco elaborados,
os quais derivam diretamente da defesa do sistema republicano. Constitui-se
um dado de elementar comprovação a existência de criminalizações que não
violam gravemente nenhum dos princípios referidos, mas que redundam em
um fortalecimento tão grande do estado de polícia que se torna necessário
opor-lhes um princípio limitador. Trata-se de evitar a instalação do estado de
polícia por causa do excesso de criminalização primária. A despeito disso, as
limitações que predominam são, sobretudo, formais, o que parece justificar-se
pela impossibilidade de precisar dados ônticos pré-jurídicos para os conflitos
que se tornam objeto da criminalização primária.” (In Direito Penal Brasileiro,
Rio de Janeiro: Revan, 3.ª edição, 2006, p. 239).

E o princípio da insignificância estabelece, justamente, um dos limites


implícitos ao direito de punir do Estado, que é inerente a qualquer Estado Democrático de
Direito.

A jurisprudência dos tribunais superiores pacificamente reconhece o


princípio da insignificância, exigindo para a sua configuração a mínima ofensividade da
conduta, a nenhuma periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica provocada.

No caso, consoante já evidenciado, a inexpressividade da lesão jurídica


provocada conforme consta nos autos é de valor irrisório, sendo que os bens foram
integralmente restituídos à vítima. Ademais, o delito foi, em tese, praticado sem violência
ou grave ameaça a pessoa, quedando em sua modalidade tentada, além de se tratar de réu
primário, que exerce atividade laborativa lícita como motorista de caminhão e com
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residência fixa, situado na rua Itaiu, nº 01, casa 03, Bairro das Graças, Belford Roxo,
CEP:26.113-460. Assim, resta patente a mínima ofensividade da conduta, a nenhuma
periculosidade social da ação e o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento, de
forma a incidir o princípio da bagatela.

Corroborando tal entendimento, é válido destacar recentes julgados do


Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e dos Tribunais Superiores, que aplicaram o
princípio da insignificância em casos de crimes contra o patrimônio:

APELAÇÃO. FURTO PRIVILEGIADO TENTADO. SENTENÇA


PROLATADA PELO JUÍZO DE DIREITO DA 9ª VARA CRIMINAL DA
COMARCA DA CAPITAL ACOSTADA NO DOC. ELETRÔNICO 00085,
QUE CONDENOU O RÉU VINÍCIUS GONÇALVES DOS SANTOS POR
INFRAÇÃO AOS ARTIGOS 155, CAPUT, E §2º, C/C 14, II, TODOS DO
CÓDIGO PENAL, À PENA DE 08 (OITO) MESES DE DETENÇÃO, EM
REGIME INICIAL ABERTO, E 06 (SEIS) DIAS-MULTA, À RAZÃO
UNITÁRIA LEGAL, SUBSTITUÍDA POR UMA PENA RESTRITIVA DE
DIREITOS CONSISTENTE NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A UMA
ENTIDADE PÚBLICA. INCONFORMADA, A DEFESA INTERPÔS O
RECURSO DE APELAÇÃO, REQUERENDO, EM SÍNTESE, A FIXAÇÃO
DA PENA-BASE NO MÍNIMO LEGAL, BEM COMO A APLICAÇÃO,
APENAS, DE PENA DE MULTA. CONTRARRAZÕES DO MINISTÉRIO
PÚBLICO PUGNANDO PELO CONHECIMENTO DO RECURSO PARA,
NO MÉRITO, SER NEGADO PROVIMENTO AO APELO DEFENSIVO,
JULGANDO-SE, POIS, IMPROCEDENTE A PRETENSÃO RECURSAL. A
DOUTA PROCURADORIA DE JUSTIÇA OPINOU PELO PARCIAL
PROVIMENTO AO RECURSO DEFENSIVO, PARA QUE SEJA FIXADO
A PENA MAIS BENÉFICA AO SENTENCIADO E DECLARANDO À
NULIDADE DO DECISUM NA PARTE CARENTE DE
FUNDAMENTAÇÃO, A FIM DE QUE O JUÍZO A QUO FUNDAMENTE
O PORQUÊ DE TER APENAS SUBSTITUÍDO A PENA. PRIVATIVA DE
LIBERDADE DE RECLUSÃO PELA DETENÇÃO. JUIZO DE CENSURA
MANTIDO. REVELA O PROCESSO QUE O ACUSADO, ORA
APELANTE, FOI CONDENADO PELA PRÁTICA FURTO
PRIVILEGIADO TENTADO DE UMA BICICLETA COM VALOR DE
MERCADO INFERIOR AO SÁLARIO MÍNIMO VIGENTE À ÉPOCA
DOS FATOS DESCRITOS NA DENÚNCIA. NÃO SE DISCUTE A
AUTORIA, OU A MATERIALIDADE DO DELITO DESCRITO NA
EXORDIAL UMA VEZ QUE RESTARAM SOBEJAMENTE PROVADAS
PELO CONJUNTO PROBATÓRIO DOS AUTOS. EM QUE PESEM OS
FORTES ARGUMENTOS ESPOSADOS NA R. SENTENÇA PARA
CONDENAR O APELANTE NO CRIME DE FURTO PRIVILEGIADO
TENTADO, ANALISANDO A TESE RECURSAL DA DEFESA
CONSIDERO APTA A REFORMAR O DECISUM, POR OUTRO LADO,
ENTENDO SER PERTINENTE A APLICAÇÃO, NA HIPÓTESE
VERTENTE, DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. É DE SE
OBSERVAR O VALOR DO OBJETO FURTADO, CONFORME
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DEMONSTRADO PELA DEFESA NÃO SUPERA A R$. 400,00
(QUATROCENTOS REAIS), E DIGA-SE, FOI INTEGRALMENTE
RESTITUÍDO AO SEU PROPRIETÁRIO, O QUE DÁ ENSEJO À
APLICAÇÃO, DE OFÍCIO, NO CASO CONCRETO, DO PRINCÍPIO
DA INSIGNIFICÂNCIA. CONFORME SE DEPREENDE DA R.
SENTENÇA VERGASTADA, O ACUSADO PREENCHE O REQUISITO
SUBJETIVO DA PRIMARIEDADE E A RES NÃO FOI LEVADA A
EXAME DE AVALIAÇÃO, BEM COMO CONSTA DOS AUTOS
VALORES ATRIBUÍDOS A BENS SEMELHANTES E QUE NÃO
ULTRAPASSAM AO DE UM SALÁRIO MÍNIMO, SENDO
RECONHECIDO, A SEU FAVOR, O FURTO PRIVILEGIADO (§ 2° DO
ARTIGO 155 CP), PARA O SÓ EFEITO DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE DE RECLUSÃO PARA DETENÇÃO.
CEDIÇO QUE A INTERVENÇÃO DO DIREITO PENAL APENAS SE
JUSTIFICA QUANDO O BEM JURÍDICO TUTELADO TENHA SIDO
EXPOSTO A UM DANO COM RELEVANTE LESIVIDADE. NÃO HÁ,
OUTROSSIM, A TIPICIDADE MATERIAL, MAS APENAS A
FORMAL, QUANDO A CONDUTA NÃO POSSUI RELEVÂNCIA
JURÍDICA, AFASTANDO-SE, POR CONSEQÜÊNCIA, A
INTERVENÇÃO DA TUTELA PENAL, EM FACE DO POSTULADO
DA INTERVENÇÃO MÍNIMA. É O CHAMADO PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA OU DA BAGATELA. NO CASO, NÃO HÁ COMO
DEIXAR DE RECONHECER A MÍNIMA OFENSIVIDADE DO
ACUSADO, QUE SUBTRAIU UMA BICICLETA USADA SEM MARCA E
MODELO ESPECIFÍCOS, SENDO DE RIGOR O RECONHECIMENTO
DA ATIPICIDADE DA CONDUTA, ACRESCENTANDO-SE QUE NÃO
RESTOU EVIDENCIADA A OCORRÊNCIA DE PREJUÍZO AO
PATRIMÔNIO DO LESADO, EIS QUE O BEM FOI INTEGRALMENTE
RESTITUÍDO EM PERFEITA CONDIÇÃO. ADEMAIS, O E. STJ JÁ SE
MANIFESTOU QUANTO À POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO
PRINCÍPIO DA INSIGNFICÂNCIA INCLUSIVE NAS HIPÓTESES
EM QUE O CRIME SEJA QUALIFICADO OU MESMO HAJA A
EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS DE CARÁTER PESSOAL
DESFAVORÁVEIS, TAIS COMO A REINCIDÊNCIA OU MAUS
ANTECEDENTES, QUE NÃO É A HIPÓTESE DOS AUTOS. DESTARTE,
O RECONHECIMENTO DO MENCIONADO POSTULADO INDEPENDE
DO APELANTE DAS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS
AO APELANTE, ESTANDO SIM RELACIONADO, COM A
IRRELEVÂNCIA DO RESULTADO E A ÍNFIMA LESIVIDADE DO
COMPORTAMENTO DO AGENTE. RECURSO DE APELAÇAO
CRIMINAL DEFENSIVO CONHECIDO, PARA NO MÉRITO ABSOLVER
O ACUSADO ORA APELANTE DE OFÍCIO, COM FUNDAMENTO NO
ARTIGO 386, III DO CPP, ANTE A ATIPICIDADE DA CONDUTA PELO
RECONHECIMENTO DO PRINCIPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
(TJRJ, 7ª Câmara Criminal, 0257279-69.2011.8.19.0001, DES. SIRO
DARLAN DE OLIVEIRA, Julgamento: 28/08/2012)

APELAÇÃO CRIMINAL. FURTO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO


DEDUZIDO PELA PROCURADORIA DE JUSTIÇA. PRINCÍPIO DA
INTERVENÇÃO PENAL MÍNIMA E DA INSIGNIFICÂNCIA.
PEQUENO VALOR DA COISA SUBTRAÍDA ¿ A QUANTIA DE R$
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50,00 EM ESPÉCIE. IRRELEVÂNCIA DA LESÃO AO BEM
JURÍDICO PROTEGIDO. REINCIDÊNCIA QUE NÃO IMPEDE O
RECONHECIMENTO DA BAGATELA. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE
MATERIAL. PROVIMENTO DO RECURSO.
(TJRJ, 5ª Câmara Criminal, 0003292-24.2009.8.19.0082, DES.
GERALDO PRADO, Julgamento: 16/02/2012)

HABEAS CORPUS. FURTO. AUSÊNCIA DA TIPICIDADE MATERIAL.


INEXPRESSIVA LESÃO AO BEM JURÍDICO TUTELADO. APLICAÇÃO
DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. POSSIBILIDADE.
1. A intervenção do Direito Penal apenas se justifica quando o bem
jurídico tutelado tenha sido exposto a um dano com relevante lesividade.
Inocorrência de tipicidade material, mas apenas a formal, quando a
conduta não possui relevância jurídica, afastando-se, por consequência, a
ingerência da tutela penal, em face do postulado da intervenção mínima.
É o chamado princípio da insignificância.
2. Reconhece-se a aplicação do referido princípio quando verificadas "(a) a
mínima ofensividade da conduta do agente, (b) nenhuma periculosidade
social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada" (HC
84.412/SP, Ministro Celso de Mello, Supremo Tribunal Federal, DJ de
19/11/2004).
3. No caso, não há como deixar de reconhecer a mínima ofensividade do
comportamento do paciente, que subtraiu 4 (quatro) frascos de creme para
pele, avaliados em R$ 24,63 (vinte e quatro reais e sessenta e três centavos),
sendo de rigor o reconhecimento da atipicidade da conduta.
4. Ressalte-se, ainda, que, segundo a jurisprudência consolidadanesta
Corte e também no Supremo Tribunal Federal, a existência de condições
pessoais desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência ou
ações penais em curso, não impedem a aplicação do princípio da
insignificância.
5. Ordem concedida a fim de, aplicando o princípio da insignificância,
restabelecer a decisão de primeiro grau que rejeitou a denúncia.
(STJ, 6ª Turma, HC 171280 / MG, Ministro OG FERNANDES, DJe
16/05/2012)

PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.


PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. TENTATIVA DE FURTO DE UMA
BOLSA. CONDIÇÕES PESSOAIS DESFAVORÁVEIS.
DESCONSIDERAÇÃO PARA EFEITOS DE TIPICIDADE DA CONDUTA.
AGRAVO NÃO PROVIDO.
1. Não há como reconhecer, na espécie, presente a tipicidade material,
que consiste na relevância penal da conduta e do resultado típicos em
face da significância da lesão produzida ao bem jurídico tutelado pelo
Estado. Isso porque o objeto do delito - uma bolsa com uma carteira, um
telefone celular e um molho de chaves, avaliados em R$ 157,00 (cento e
cinquenta e sete reais) - possui valor ínfimo, não havendo qualquer
notícia de que a vítima tenha logrado prejuízo, seja com a conduta do
acusado, ou com a conseqüência dela – mormente porque a res foi
recuperada e restituída -, o que evidencia a dispensabilidade do
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prosseguimento da ação, pois o resultado jurídico, qual seja, a lesão
produzida, mostra-se absolutamente irrelevante.
2. A existência de circunstâncias de caráter pessoal desfavoráveis, tais como o
registro de processos criminais em andamento, a existência de antecedentes
criminais ou mesmo eventual reincidência não são óbices, por si só, ao
reconhecimento do princípio da
insignificância.
3. O princípio da insignificância opera diretamente no tipo penal, que na
hodierna estrutura funcionalista da teoria do crime, leva em consideração,
entre outros, o desvalor da conduta e o desvalor do resultado.
4. Nesse viés, as condições pessoais do possível autor, tais como
reincidência, maus antecedentes, comportamento social etc, não são
consideradas para definir a tipicidade da conduta. Tais elementos serão
aferidos, se caso, quando da fixação da eventual e futura
pena.
5. Agravo regimental não provido.
(STJ, 5ª Turma, AgRg no REsp 1187128 / RS, Ministro JORGE MUSSI,
DJe 18/05/2012)

HABEAS CORPUS. TENTATIVA DE FURTO SIMPLES. PRETENSÃO DE


APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA.
AUSÊNCIA DE TIPICIDADE MATERIAL. TEORIA
CONSTITUCIONALISTA DO DELITO. 1. Reconhece-se a aplicação do
princípio da insignificância quando verificadas "(a) a mínima ofensividade da
conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a
inexpressividade da lesão jurídica provocada" (HC 84.412/SP, Ministro Celso
de Mello, Supremo Tribunal Federal, DJ de 19/11/2004). 2. No caso, não há
como deixar de reconhecer a mínima ofensividade do comportamento do
paciente, que tentou subtrair 6 (seis) pacotes de chocolate e 17 (dezessete)
barras de chocolate, avaliados globalmente em R$ 94,19 (noventa e
quatro reais e dezenove centavos), sendo de rigor o reconhecimento da
atipicidade da conduta. 3. Segundo a jurisprudência consolidada nesta Corte
e também no Supremo Tribunal, a existência de condições pessoais
desfavoráveis, tais como maus antecedentes, reincidência ou ações penais em
curso, não impedem a aplicação do princípio da insignificância. 4. Ordem
concedida a fim de, aplicando o princípio da insignificância, absolver o
paciente do crime de que cuida a Ação Penal nº 050.05.091434-0, Controle nº
1.600/05, que tramitou perante a 21ª Vara Criminal da Comarca de São
Paulo/SP.
(Habeas Corpus n.º 111.616/SP. Órgão Julgador: Sexta Turma. Rel.: Min.
Og Fernandes. Data do Julgamento: 01/06/2010)

Ante o empate na votação, a 2ª Turma deferiu habeas corpus impetrado em


favor de condenado à pena de 10 meses de reclusão, em regime semi-aberto,
pela prática do crime de furto tentado de bem avaliado em R$ 70,00.
Reputou-se, ante a ausência de tipicidade material, que a conduta realizada
pelo paciente não configuraria crime. Aduziu-se que, muito embora ele já
tivesse sido condenado pela prática de delitos congêneres, tal fato não
poderia afastar a aplicabilidade do referido postulado, inclusive porque
estaria pendente de análise, pelo Plenário, a própria constitucionalidade
do princípio da reincidência, tendo em vista a possibilidade de configurar
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dupla punição ao agente. Vencidos os Ministros Joaquim Barbosa, relator, e
Ayres Britto, que indeferiam o writ, mas concediam a ordem, de ofício, a fim
de alterar, para o aberto, o regime de cumprimento de pena. HC 106510/MG,
rel. orig. Min. Joaquim Barbosa, red. p/o acórdão Min. Celso de Mello,
22.3.2011. (HC-106510)
(Informativo nº 620 do STF)

Destarte, demonstrada a atipicidade material da conduta imputada ao


réu, por tudo o que acima foi exposto, requer seja proferida sentença de absolvição sumária,
com fulcro no III do artigo 397 do Código de Processo Penal.

II – DA PROPOSTA DE SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO

Caso não acolhidos os argumentos acima lançados, o que admitimos


apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requer seja oferecida proposta de suspensão
condicional do processo, eis que o acusado preenche todos os requisitos objetivos e subjetivos
elencados no art. 89 da lei 9.099/95.

Com efeito, a exordial acusatória imputa ao acusado a prática, em tese,


do delito de furto em sua modalidade tentada. Assim, a pena mínima cominada ao delito é
inferior ao patamar de um ano.

Diante disso, uma vez preenchidos os requisitos legais, forçoso


reconhecer que o acusado tem direito subjetivo ao oferecimento da suspensão condicional do
processo, nos termos do art. 89 da Lei 9.099/95, sob pena de nulidade absoluta.

III - DOS FATOS

Outrossim, os fatos narrados na denúncia não são verdadeiros,


conforme restará comprovado ao final da instrução processual.

IV – DAS PROVAS

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Por fim, requer seja realizado o exame de corpo delito direto da res
furtivae, tendo em vista que foi apreendida, devendo o perito oficial estabelecer o exato valor
dos bens. Destaque-se que somente o exame de corpo delito direto é capaz de apurar o exato
valor da coisa supostamente subtraída, informação fundamental para o desenvolvimento de
diversas teses defensivas.

Propõe-se, ainda, a produção de prova testemunhal e requer-se a


intimação das imprescindíveis testemunhas abaixo arroladas, a fim de que prestem
depoimento em audiência de instrução e julgamento a ser designada por este juízo, pugnando,
desde já, por eventual substituição, caso se faça necessário.

Belford Roxo, 24 de maio de 2018.

_________________________________________________

Rol de Testemunhas:

1 – As mesmas da denúncia;
2 – Fabiano;
3 – Roberto;
4 – Antônio; e
5 – Pedro.

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