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1 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO E DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS

PÚBLICOS (ARTIGO 37, § 6º DA CF).


 Ressarcir ≠ Indenizar:
O ressarcimento decorre de ato ilícito;
A indenização é devida mesmo em face de ato lícito que cause danos a terceiros.
1.1 Evolução histórica da Responsabilidade Civil.
A responsabilidade patrimonial do Estado passou pelas seguintes fases:
Fase da Irresponsabilidade: não tem responsabilidade.
Nessa fase, o Estado não respondia por danos causados aos particulares, sob o
argumento de que o poder soberano dos reis era divino, de modo que não era correto
dizer que o rei errava (“the king can do no wrong”).
Fase Civilista: só tem responsabilidade se houver culpa ou dolo.
O Estado passa a reconhecer a sua responsabilidade, mas sob as bases do Direito
Civil, cuja regra é a da Responsabilidade Subjetiva, com base na Teoria da Culpa
Administrativa (vista mais à frente). Ou seja, apenas se o dano tivesse sido causado por
culpa ou dolo de um agente estatal
Exemplo: se o motorista de uma Prefeitura atropelasse alguém por conta de uma
manobra imprudente, o Estado responderia civilmente pela respectiva indenização.
Fase Publicista: admite além de responsabilização estatal de forma Subjetiva,
com base na Teoria da Culpa Administrativa, a responsabilidade Objetiva,
aplicando a Teoria do Risco Administrativo e, em casos específico, aplicando a
Teoria do Risco Integral.
O Estado passou a reconhecer, como regra, sua Responsabilidade Objetiva, com
fulcro na Teoria do Risco Administrativo. Ou seja, segundo princípios próprios do direito
público, daí o nome de fase publicista.
Pertencem a essa fase a responsabilização estatal segundo: Teoria da Culpa
Administrativa, Teoria do Risco Administrativo e Teoria do Risco Integral, vistas mais à
frente.
1.1.3.1 Marco Histórico no Brasil: Caso Blanco.
A Responsabilidade Objetiva no Brasil tem como marco histórico o famoso Caso
Blanco, em que uma menina fora atropela por veículo público e ficou decidido que o

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Poder Judiciário (que analisava casos cíveis, ainda na Fase Civilista, aplicando Princípios
do Direito Civil) não era o competente para conhecer da questão, mas sim o Conselho
de Estado (que analisava casos afetos ao Poder Público), que deveria aplicar Princípios
Próprios do Direito Público, como o da igualdade e da legalidade, que impõem a
indenização ao particular que é lesado em detrimento de uma atividade de proveito à
coletividade.
1.2 Modalidades de Responsabilidade do Estado. Conceito e Elementos.
Responsabilidade Objetiva (Regra)(art. 37, § 6°, da CF).
1.2.1.1 Fundamentada em Regra na: Teoria do Risco Administrativo (art. 37, § 6°, da
CF): não exige culpa ou dolo.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte:
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.
 Atualmente é a Regra no direito brasileiro.
A responsabilidade fundada no risco administrativo é a regra hoje no direito
brasileiro, que, assim, impõe que o Estado responda objetivamente pelos danos que
seus agentes causarem a terceiros (art. 37, § 6°, da CF).
Basta que uma conduta estatal cause um dano indenizável a alguém para que o
Estado tenha de responder civilmente, pouco importando se há culpa do funcionário ou
se há culpa administrativa.
Exemplo: um policial atira para se defender e a bala acaba atingindo um terceiro
(a chamada "bala perdida"). Nesse caso, pouco importa se o policial agiu com culpa ou
não, respondendo o Estado objetivamente.
A Constituição Federal, que trouxe duas inovações em relação às Constituições
anteriores:
a) Substituiu a expressão “funcionários” por “agentes”, mais ampla, e
b) estendeu essa Responsabilidade Objetiva às pessoas jurídicas de direito

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privado prestadoras de serviços públicos (concessionárias, permissionárias).
1.2.1.2 É Regida: pelos Princípios da Igualdade, Legalidade e Solidariedade Social:
a) Igualdade: igualdade nos ônus e encargos sociais.
Não sendo justo que a vítima sofra sozinha por conduta estatal que, em tese,
beneficia a todos.
b) Legalidade: a lei proíbe o Estado de causar danos injustificados.
1.2.1.3 Tipos:
Por Ação:
Nesse caso, o Estado causou materialmente um dano, já que atuou
positivamente (comissivamente).
Por Omissão de caráter Específico (estudada adiante).
Por atividade de Risco Estatal (Código Civil, art. 927, parágrafo único).
Existem situações em que não se sabe muito bem se o Estado agiu comissiva ou
omissivamente; por exemplo, explosão de paiol do exército.
Nesse caso, não importa se a conduta estatal é comissiva ou omissiva, pois como
a atividade de armazenar explosivos é uma atividade de risco, aplica-se o disposto no
art. 927, parágrafo único, do Código Civil, para efeito de responsabilizar o Estado
objetivamente;
Vale ressaltar que qualquer pessoa, de direito público ou de direito privado,
responde objetivamente por danos causados por atividades de risco que pratiquem.
 Pergunta. Diferencie Reponsabilidade Objetiva do Estado Por Ação, por
Omissão Específica e por atividade de Risco Estatal.
1.2.1.4 Abrangência:
O art. 37, § 6°, da CF estabelece que essa responsabilidade objetiva alcança as:
a. Pessoas Jurídicas de Direito Público (entes políticos, mais entidades com
natureza autárquica) e
b. Pessoas Jurídicas de Direito Privado prestadoras de serviços públicos (Ex.:
Correios);
 Não alcança Entes Estatais de Direito Privado que exploram atividades
econômicas (Ex.: Petrobrás), e, portanto, respondem subjetivamente, com base
na Teoria da Culpa Administrativa.
1.2.1.5 Pressupostos (ou Requisitos):

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a) Conduta Comissiva (Ação ou Omissão Específica) (não é necessário que haja
culpa ou dolo);
Fato ou ato de agente das pessoas jurídicas de direito público ou das pessoas
privadas prestadoras de serviço público.
Os agentes devem ter agido "na qualidade de agentes públicos".
 É bom ressaltar que, se um agente público usa a arma da corporação para causar
um dano a alguém, mesmo que isso ocorra em período de folga, o Estado
responderá objetivamente.
b) Dano Indenizável:
É o que tem os seguintes requisitos:
a. Lesão a direito da vítima:
Danos à esfera juridicamente protegida do indivíduo;
b. Dano: certo, especial e anormal:
i. Certo: é o dano necessário, não apenas eventual.
ii. Especial: é o dano que atinge pessoas em particular e não coletividade em geral.
iii. Anormal: é dano que ultrapassa os problemas e dificuldades comuns da vida em
sociedade.
O Estado não responde por qualquer conduta estatal que cause danos, como por
exemplo: uma pequena fila numa repartição pública ou o pó de uma obra pública não
configuram o dano anormal, não gerando indenização, mas apenas os danos mais
intensos do que o normal.
Exemplo: prejuízo de comerciante em virtude de grande obra pública, que
impede o acesso ao seu estabelecimento.
c) Nexo de Causalidade: liame entre a conduta e o dano.
Excludentes da Responsabilidade Objetiva do Estado - Teoria do Risco
Administrativo ≠ Teoria do Risco Integral:
Regra: Teoria do Risco Administrativo (admite Excludentes da Responsabilidade).
Como dito, em regra o Brasil aplica a Teoria do Risco Administrativo, que admite
Excludentes da Responsabilidade:
a) Culpa exclusiva da Vítima.
b) Culpa exclusiva de terceiro.
c) Fato ou o caso fortuito e a força maior.

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 Culpa concorrente da Vítima.
Não exclui a responsabilidade estatal, gerando apenas atenuação do quantum
indenizatório.
Exceção: Teoria do Risco Integral (não admite Excludentes da Responsabilidade).
Contudo, em casos específicos, previstos explicitamente, aplica-se a Teoria do
Risco Integral, que não admite Excludentes da Responsabilidade.
a) Dano Nuclear.
A Teoria do Risco Integral vem sendo aplicada, sem controvérsia alguma, na
responsabilidade por dano nuclear, seja o responsável pelo dano o Estado ou o
particular.
 Além dos casos previstos na CF, o STF entende que lei infraconstitucional
também pode estabelecer novos casos de responsabilidade estatal com risco
integral (ADI-4976, j. 07.05.2014).
A responsabilidade é objetiva em duas situações:
1.2.1.6 Jurisprudência Responsabilidade Objetiva:
i. Responsabilidade Objetiva do Estado quando este causa danos aos seus próprios
agentes públicos (RE 435.444-RS).
Responsabilidade Subjetiva (exceção).
 É exceção em matéria de responsabilidade do Estado.
Ocorre em três situações:
1.2.2.1 Por Omissão:
Nesse caso não se pode dizer que o Estado causou materialmente um dano, pois
uma omissão não é capaz de "causar" coisa alguma, situação que impede a aplicação da
responsabilidade objetiva prevista no art. 37, § 6°, da CF, que se aplica quando o Estado,
por seus agentes, "causa" um dano a terceiro.
Por outro lado, não é possível simplesmente aplicar o Código Civil nesse tipo de
situação (omissiva), pois esse Código é fundado em princípios de Direito Privado, e a
responsabilidade estatal deve ser fundada em princípios de Direito Público.
Fundamentada em Regra na: Teoria da Culpa Administrativa (ou Culpa
Anônima do Serviço): exige culpa ou dolo.
O Estado responde se o dano tiver origem num serviço defeituoso.
 Culpa Administrativa (ou Culpa do Serviço) (ou Culpa Anônima do Serviço) ≠
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Culpa do Funcionário Público.
O foco não é a culpa do funcionário, mas a culpa do serviço, também chamada
de Culpa Anônima do Serviço, pois não se analisa a conduta de alguém em especial, mas
o serviço estatal defeituoso.
Exemplo: acidente automotivo pelo fato de haver uma enorme cratera numa
rua já há alguns meses, caracteriza-se o serviço estatal defeituoso e,
consequentemente, a culpa administrativa a ensejar a responsabilidade civil do Estado.
Assim sendo, em caso de conduta omissiva do Estado, esse responderá
subjetivamente, mas com fundamento na culpa administrativa e não na culpa do
funcionário público.
 Serviço Estatal Defeituoso.
Ocorre quando se demonstra que o serviço:
a) Não funcionou,
b) Funcionou atrasado ou
c) Funcionou mal.
 Tal apreciação é feita levando-se em conta o que legitimamente se espera do
serviço estatal.
 Exemplos de condutas omissivas estatais:
i. não recapeamento de ruas pelo Poder Público, propiciando acidentes
automobilísticos;
ii. a falta de limpeza de bueiros e córregos, propiciando alagamentos e
deslizamentos de imóveis;
iii. a morte de detento ocasionada por outro detento;
iv. a ausência de fiscalização ambiental pelo Estado, propiciando danos
ambientais; a existência de animal em estrada, causando acidente;
v. a falha no semáforo, causando acidente;
vi. o acidente em sala de aula de escola pública, machucando aluno; dentre
outros.
vii. Atos causados por um fugitivo da prisão:
• Regra (STF): não é responsabilidade do Estado.
Todavia, a jurisprudência não costuma responsabilizar o Estado por atos
causados por um fugitivo da prisão, que, tempos depois da fuga, comete crimes,
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causando danos a terceiros.
• Exceção (STF):
Todavia, houve um caso em que um presidiário, que já havia fugido sete vezes
da prisão, acabou por estuprar um menor de 12 anos, caso esse que levou o STF a
entender que havia nexo de causalidade, uma vez que, se a lei de execução penal tivesse
sido corretamente aplicada, o preso estaria em regime fechado e não teria conseguido
fugir pela oitava vez e cometido o crime (STF, RE 409.203).
Tipos: omissões de caráter específico e omissões de caráter genérico.
O STF entende que existem omissões de caráter específico e omissões de caráter
genérico.
1.2.2.1.2.1 Omissões Genéricas - Responsabilidade Subjetiva.
É a regra. Nesse caso, o Estado responde subjetivamente, só cabendo
indenização se ficar provado que o serviço foi defeituoso.
Exemplo: um policial presencia um furto e nada faz.
1.2.2.1.2.2 Omissões de caráter Específico – Responsabilidade Objetiva.
 Nesse caso há um Dever de prevenção do Estado, desnecessário aferir se o
serviço estatal foi defeituoso.
Exemplo 1: agressão física a aluno por colega, em escola estadual, hipótese em
que a responsabilidade estatal será objetiva, com base na Teoria do Risco Administrativo
(STF, ARE 697.326 AgR/RS, DJ 26.04.2013);
Exemplo 2: a morte de detento ocasionada por outro detento;
Em caso de inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art. 5º,
inciso XLIX, da CF/88, o Estado é responsável pela morte de detento. STF. Plenário. RE
841526/RS, Rel. Min. Luiz Lux, julgado em 30/3/2016 (repercussão geral) (Info 819).
O Estado ter o dever de vigilância sobre alguém e não evitar o dano.
Não assegurando esta integridade física, o Estado pode até ser responsabilizado
internacionalmente, na Corte Interamericana e em outras instâncias também.
Culpa concorrente do detento: pode atenuar o valor da indenização, mas não
extinguir a responsabilidade civil.
Culpa exclusiva do detento / Culpa exclusiva de terceiro / Fato ou o caso
fortuito e a força maior: podem extinguir a responsabilidade, pois os quais
romperão o nexo de causalidade.
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1.3 Responsabilidade civil do Agente Público – Responsabilidade Subjetiva.
O próprio art. 37, § 6°, da CF estabelece que o agente público só responderá por
danos causados a terceiros se: agir com culpa ou dolo.
 A Responsabilidade civil do Agente Público é subjetiva ≠ Responsabilidade civil
do Estado que é, em regra, Objetiva.
 Pergunta. Diferencie a Responsabilidade civil do Agente Público e a
Responsabilidade civil do Estado.
A Reparação do Dano, Ação Regressiva e Litisconsórcio.
1.3.1.1 Reparação do Dano e Ação Regressiva.
Mesmo que se prove a culpa ou dolo do Agente Público, esse só reparará o dano
por Ação regressiva titularizada, exclusivamente, pelo Poder Público. Não sendo possível
que a vítima ingresse com ação indenizatória diretamente contra o agente público que
lhe causar dano.
Não cabe a responsabilidade "per saltum" da pessoa natural do agente público
(STF, RE 327.904, rei. Min. Carlos Brito, j. 15.08.2006- Informativo 436), devendo o juiz
julgar extinta, por ilegitimidade de parte, eventual ação promovida pelo terceiro lesado
em face do agente público.
1.3.1.2 (STJ) Denunciação à lide do Agente pelo Estado (Divergência).
O STJ tem reconhecido que o Estado poderá, logo que acionado pelo terceiro
lesado, denunciar da lide o agente público, criando demanda paralela a ser julgada em
sentença única.
Porém, vem crescendo o entendimento de que a denunciação da lide somente
é possível quando a causa de pedir trazida na ação de responsabilidade seja a narração
de uma conduta culposa ou dolosa do agente público.
Nesse caso, como a ação já é fundada na culpa, não há problema em se denunciar
da lide o agente público, eis que a sua culpa já estará sendo discutida na demanda
principal.
Porém, quando a petição inicial se funda, fática e juridicamente, na
responsabilidade objetiva do Estado, parece-nos temerário que o juiz admita eventual
denunciação da lide do Poder Público. Isso porque ela não se coaduna com a ideia de
responsabilidade objetiva, que visa a uma indenização pronta e rápida que não
aconteceria se pudesse ser chamado o agente público para responder, instaurando-se

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uma lide paralela, em que se tivesse que discutir sua culpa ou seu dolo.
1.3.1.3 (STJ) A ação de denunciação da lide não importa na perda do direito do Estado
de ingressar com ação de regresso contra o servidor.
Afinal, o Estado tem garantido o direito de se ressarcir na própria Constituição
Federal (art. 37, § 6°, da CF).
1.3.1.4 Estado pode descontar a indenização que pagou da folha de pagamento do
agente (se esse concordar e parcelado).
Se o Agente Público concordar, o Estado pode descontar a indenização que
pagou em sua folha de pagamento.
Desde que seja parceladamente, de modo a não comprometer a subsistência do
agente e de sua família.
1.4 Responsabilidade das Pessoas Jurídicas de Direito Privado - prestadoras de
Serviço Público (Concessionárias de Serviço Público) – Responsabilidade
Objetiva (art. 37, § 6°, da CF).
As Concessionárias de Serviço Público, por exemplo, nas áreas de água e esgoto,
energia elétrica, telefonia, transporte público, dentre outras, respondem pelos danos
que seus agentes causarem, independentemente de culpa ou dolo.
(STF) A responsabilidade objetiva dos concessionários (prevista no art. 37, § 6°,
da CF) se aplica ao usuário do serviço e ao terceiro não usuário, que sofre dano no
contexto da prestação de um serviço público. (STF, RE 591874)
1.5 Responsabilidade das Pessoas Jurídicas de Direito Privado Estatais -
exploradoras de atividade econômica.
Regra: Responsabilidade Civil Subjetiva (CF, art. 173, § 1°, II).
Pois, estão submetidas, em regra, ao regime jurídico próprio das empresas
privadas, inclusive quanto às obrigações civis, o que inclui a responsabilidade civil (art.
173, § 1°, II, da CF), que, no Direito Privado, como regra, ainda é de natureza subjetiva.
Exceções: Responsabilidade Civil Objetiva (Casos específicos).
 Essa Responsabilidade Objetiva, não é por conta do art. 37, § 6°, da Constituição,
que não se aplica ao caso, mas por conta das próprias regras de Direito Privado.
Todavia, é bom ressaltar que o regime jurídico de direito privado, no que tange
à responsabilidade civil, sofreu muitas transformações, deixando de ser calcado sempre
na responsabilidade subjetiva e passando a trazer regras bastante abrangentes de

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responsabilidade objetiva.
Dessa forma, dependendo do tipo de relação jurídica existente entre as partes e
dos contornos fáticos que envolveram a atuação da empresa estatal, pode-se
caracterizar situação que enseja responsabilidade objetiva também. Exemplos:
a. Dano em Relação de Consumo ou hipótese de Vítima Equiparada a Consumidor
(CDC, art. 927).
b. dano causado por Atividade de Risco (art. 927, parágrafo único, do CC).
c. por Circulação de Produtos (art. 931 do CC).
1.6 Responsabilidade por Obra Pública.
a) Realizada pelo próprio Estado: Objetiva.
b) Realizada por particular (contrato administrativo com a Administração
Pública): subjetiva (Lei 8.666/1993, art. 70).
A Lei 8.666/1993, que regula as licitações e os contratos administrativos, é clara
ao dispor que o contratado é responsável pelos danos causados a terceiros, decorrentes
de sua culpa ou dolo na execução do contrato (art. 70).
 O dispositivo também esclarece que tal responsabilidade não fica excluída ou
reduzida pela fiscalização ou acompanhamento pelo órgão interessado.
1.6.1.1 Responsabilidade do Estado:
Regra: não há responsabilidade primária e solidária do Estado pelos danos
causados por obras realizadas por empreiteira contratada deste.
Exceções:
a. O dano causado é inerente à obra encomendada pelo Estado.
São aquelas situações em que o contratado não age com culpa ou dolo, mas, em
virtude de características próprias da obra, danos serão inevitáveis.
Exemplo: no nivelamento de ruas, é praticamente inexorável a causação de
danos, vez que casas à margem da via ficarão em nível mais baixo ou mais elevado que
esta.
b. O contratado é culpado do dano, mas não tem recursos para arcar com
responsabilidade civil.
Nesse caso, o Estado, por ser o patrocinador da obra e por agir em favor de toda
a coletividade, deve indenizar os danos causados, socializando a sua reparação em favor
daquele que sofreria sozinho caso não fosse indenizado. Tem-se, no caso,

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responsabilidade subsidiária do Estado.
1.7 Responsabilidade do Tabelião e do Registrador (Delegatários) -
Responsabilidade Objetiva.
Tanto o tabelião como o registrador respondem objetivamente perante
terceiros, nos termos do que determina o art. 37, § 6°, da CF.
O Ofício de Notas não é uma pessoa jurídica, mas sim uma estrutura organizada
para a prestação de serviços notariais. Tal estrutura é organizada técnica e
administrativamente pelo notário, que é uma pessoa física a quem é delegado o
exercício da atividade notarial, mediante concurso público. O notário exerce, então,
função pública, sendo tratado pela doutrina como um particular em colaboração com o
Poder Público.
Trata-se, na verdade, de um agente público delegado, ou seja, de um agente
público que recebe a delegação de um serviço público, que será prestado em nome
próprio e por conta e risco do notário.
Assim sendo, a pessoa física titular da serventia extrajudicial é quem responde,
com seu patrimônio pessoal, por eventuais danos causados a terceiros por atos
praticados por si ou por seus prepostos.
Nesse sentido é o disposto no art. 22 da Lei 8.935/1994.
O notário, responsabilizado, poderá exercer o direito de regresso no caso de
culpa ou dolo de seus prepostos.

Responsabilidade do Estado (Estado-Membro respectivo): têm e também é


Objetiva, primária e solidária.
Além disso, o Estado, que confere uma delegação a essas pessoas, também
responde objetivamente e diretamente pelos danos por eles causados. (STF, RE
201.595/SP):
A atividade prestada pelo notário é uma atividade administrativa e, portanto, de
interesse estatal.
Como tais serviços são organizados pelos Estados-membros, estes serão os
responsáveis civilmente pelos prejuízos causados a terceiros, nos termos do art. 37, §
6°, da CF.
(STF) Assim, o terceiro lesado poderá propor ação contra o notário, contra o

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Estado ou contra ambos.
Vale ressaltar que há decisão do STJ com entendimento um pouco diferente.
No caso, entende este Tribunal que se deve ingressar com ação em face do
notário e, caso este não possa suportar a indenização, aí sim caberá acionar o Estado
subsidiariamente (STJ, REsp 1.163.652/PE, DJ 01.07.2010).
1.8 Responsabilidade por Atos Legislativos.
O Estado não responde, como regra, pela edição de leis que prejudiquem
alguém.
Tal regra só cede nas seguintes situações se:
a) Lei declarada Inconstitucional causa danos ao particular.
b) Lei de efeito concreto causar dano a uma pessoa em particular
Exemplo: criação de Parque Florestal em área privada.
1.9 Responsabilidade por Jurisdicionais.
O Estado também não responde, como regra, pela expedição de decisões que
prejudiquem alguém.
Como exceção temos:
a) o caso de Erro Judiciário:
É aquele reconhecido em revisão criminal ou o decorrente de prisão de alguém
além do tempo permitido;
b) Casos em que o juiz responde pessoalmente por: dolo, fraude, recusa,
omissão ou retardamento injustificado de providências de seu ofício, nos termos da
legislação processual civil.
c) Caso de Erro Grave:
Exemplo: prisão de alguém sem qualquer envolvimento com o fato criminoso -
vide o caso do "Bar Bodega" no Informativo 570 do STF).
1.10 Responsabilidade por Atos do Ministério Público – é do Ente Político respectivo
(Objetiva)
O Ministério Público não é pessoa jurídica, mas órgão da Administração Direta
da União (Ministério Público da União -art. 128) e dos Estados-membros.
Assim, não tendo o Ministério Público personalidade jurídica, não há como
responsabilizá-lo civilmente por seus atos.
Possibilidade de Ação de Regresso em face do membro do Ministério Público

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que tiver agido com culpa ou dolo.
Por outro lado, a responsabilidade do Estado é, como regra, objetiva, de modo
que quando um órgão estatal causa um dano a terceiro, a pessoa jurídica estatal
correspondente tem de responder, ressalvada a ação de regresso em face do agente
público que tiver agido com culpa ou dolo, no caso, o membro do Ministério Público.
Esse é o posicionamento do STF (AI 552.366 AgR, DJ 28.10.2009).
1.11 Prescrição - Regra: 5 anos previsto no Decreto 20.910/1932: (STJ)
Divergência entre os 05 anos do art. 1º do Decreto 20.910 de 1932 e os de 3 anos
do CC, art. 206, § 3°, V:
(STJ) tem-se encaminhado no sentido de que o prazo continua de 5 anos previsto
no Decreto 20.910/1932 (AgRg no Ag 1.364.269, DJ 24.09.2012).
1.12 Responsabilidade Civil e Administrativa de Pessoas Jurídicas que causarem
danos à Administração (Lei 12.846/2013).
Responsabilização Objetiva se: 1) Atos lesivos definidos no art. 5º da Lei + 2)
cometido por Pessoa Jurídica.
Essa responsabilidade objetiva, todavia, somente se aplica quanto aos atos
lesivos definidos no art. 5º da Lei (por exemplo: fraude à licitação), e desde que a pessoa
que tenha cometido tais atos seja uma pessoa jurídica.

Responsabilidade Subjetiva no caso de: 1) demais pessoas (pessoas físicas ou


naturais) e/ou 2) os demais atos ilícitos não previstos no art. 5° da Lei
12.846/2013.
As demais pessoas (pessoas físicas ou naturais) e os demais casos (ilícitos não
previstos no art. 5° da Lei 12.846/2013), continuam regulamentados pelas leis existentes
ao tempo da Lei 12.846/2013, podendo se tratar tanto de responsabilidade subjetiva
(quando se aplicar o artigo 186 do Código Civil, por exemplo), como de responsabilidade
objetiva (quando se aplicar os artigos 927, parágrafo único e 931 do Código Civil,
também por exemplo).
 Em ambos os casos: os Atos Lesivos devem ter sido praticados em seu interesse
ou benefício, ainda que não exclusivamente.
Outro requisito para que haja responsabilidade administrativa e civil da pessoa
jurídica perante a Administração é que os atos lesivos respectivos tenham sido

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praticados em seu interesse ou benefício, ainda que não exclusivamente em seu
interesse ou benefício (art. 2°).
sanções administrativas.
1.12.3.1 Multa e de Publicação Extraordinária de Decisão Condenatória.
podem ser aplicadas sem intervenção do Judiciário (art. 6°).
Multa
A multa variará de 0,1% a 20% do faturamento bruto da pessoa jurídica no último
exercício anterior ao da instauração do processo administrativo, em valor nunca inferior
à vantagem auferida.
Publicação Extraordinária de Decisão Condenatória.
Quanto à publicação extraordinária de decisão condenatória, consiste em se
determinar a publicação, às expensas da pessoa jurídica infratora, de extrato da decisão
condenatória em meio de comunicação de grande circulação, em edital afixado pelo
prazo mínimo de 30 dias no próprio estabelecimento ou no local da atividade, e no sítio
eletrônico da pessoa jurídica.
Demais sanções administrativas previstas no art. 19.
Quanto às demais sanções administrativas previstas no art. 19 da Lei que incluem
o:
i. Perdimento de bens.
ii. Suspensão ou Interdição parcial de atividades.
iii. Dissolução Compulsória da pessoa jurídica.
iv. Proibição de Contratar com a Administração.
v. Reparação Civil.
 Cabe ao Poder Público ingressar com ação judicial, para que o Judiciário promova
a devida responsabilização.
A Ação seguirá o rito da Lei de Ação Civil Pública (art. 21, caput).
A ação em questão seguirá o rito da Lei de Ação Civil Pública (art. 21, caput), e
pode ser ajuizada não só por meio das procuradorias dos entes públicos, como também
pelo Ministério Público (art. 19, caput), sendo, que na omissão das autoridades
administrativas, este poderá também pedir em juízo a aplicação das sanções previstas
no art. 6° da Lei.
aplicação das sanções previstas na lei não afeta responsabilização atos de

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improbidade (Lei 8.429/1992), ilícitos da Lei 8.666/1993 ou outros.
É importante ressaltar que a aplicação das sanções previstas na lei ora
comentada não afeta os processos de responsabilização e aplicação de penalidades
decorrentes dos atos de improbidade nos termos da Lei 8.429/1992 e de ilícitos
alcançados pela Lei 8.666/1993 ou outras normas de licitação e contratos.
decadência ou prescrição
Quanto à decadência ou prescrição para aplicar as sanções previstas na Lei, o
prazo é de 5 anos, contados da data da ciência da infração ou, no caso de infração
permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado (art. 25).
 Na esfera administrativa ou judicial, a prescrição será interrompida com a
instauração de processo que tenha por objeto a apuração da infração.
acordo de leniência.
Outro ponto importante da lei, que deverá provocar mais efetividade na
apuração dessas infrações, é a regulamentação do chamado acordo de leniência (art.
16). De acordo com este, a autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública
poderá celebrar acordo de leniência com as pessoas jurídicas responsáveis pela prática
dos atos previstos na Lei que colaborem efetivamente com as investigações e o processo
administrativo, desde que dessa colaboração resulte a identificação dos demais
envolvidos na infração, quando couber, e a obtenção célere de informações e
documentos que comprovem o ilícito sob apuração.
A celebração do acordo de leniência isentará a pessoa jurídica das sanções
previstas no inciso II do art. 6° e no inciso IV do art. 19 e reduzirá em até 2/3 (dois terços)
o valor da multa aplicável.
Vale ressaltar que o acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação
de reparar integralmente o dano causado.
Por fim, importante destacar que "os órgãos ou entidades dos Poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário de todas as esferas de governo deverão informar e
manter atualizados, para fins de publicidade, no Cadastro Nacional de Empresas
Inidôneas e Suspensas - CEIS, de caráter público, instituído no âmbito do Poder
Executivo federal, os dados relativos às sanções por eles aplicadas, nos termos do
disposto nos arts. 87 e 88 da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993" (art. 23- g.n.).
Aplica-se aos danos cometidos contra Administração Pública estrangeira, ainda

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que cometidos no exterior.
A Lei 12.846/2013, dispõe sobre Responsabilização Objetiva, nas esferas
administrativa e civil, de pessoas jurídicas, pela prática, por estas, de atos contrários à
Administração Pública, inclusive atos contrários à Administração Pública estrangeira,
ainda que cometidos no exterior (arts. 1º e 28).
Prescrição da Responsabilização civil de pessoas jurídicas que causarem danos
à Administração
Há de se aguardar, agora, como se posicionará a jurisprudência em relação à
responsabilização civil de pessoas jurídicas que causarem danos à Administração por
condutas definidas na Lei 12.846, de 2013. Parece-nos que, de acordo com essa lei, a
prescrição da pretensão do Poder Público de buscar a reparação civil no caso
mencionado (de pessoa jurídica cuja conduta incida no art. 5° da lei), voltará a ser de 5
anos, nos termos de seu art. 25, caput.
Apesar de a lei ter usado uma terminologia totalmente inadequada ("prescrição
da infração"), parece-nos que dispositivo citado não fez distinção entre a aplicação de
sanções civis (como a de reparação civil, que, inclusive, envolve verdadeiro prazo
prescricional) e administrativas (que, em verdade, envolve prazo decadencial, apesar
de ser comum a lei usar a palavra "prescrição" para abranger prazos decadenciais
também), de modo que o prazo prescricional de 5 anos se aplicaria tanto às sanções
civis, como às sanções administrativas para as pessoas jurídicas que praticarem
condutas definidas no art. 5° da Lei 12.846/2013.
Ainda em relação à questão da prescrição, há dois casos específicos em que o
prazo prescricional para a ação indenizatória estão definidos por existir regra especial
estabelecendo tais prazos, sem que haja exceção quanto à sua aplicação.
O primeiro é prazo para ingresso de ação indenizatória por desapropriação
indireta (prazo prescricional de 10 anos) e o segundo é para ingresso de ação
indenizatória por restrições decorrentes de atos do Poder Público (prazo prescricional
de 5 anos- art. 10 do Dec.-lei 3.365/1941).
Por fim, de rigor lembrar que há três casos de imprescritibilidade da pretensão
de reparação civil, quais sejam:
a) ressarcimento do erário;
b) ressarcimento de dano ambiental;

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c) ressarcimento de danos por perseguição política, prisão e tortura durante a
ditadura militar. Quanto a esse último caso, vide, por exemplo, o AgRg no Ag 1.428.635,
julgado pelo STJ em 02.08.2012.
Vale, também, uma palavra sobre o termo a quo da contagem do prazo
prescricional. No caso, esse prazo é contado da data do fato ou do ato lesivo.
Todavia, caso o dano tenha sido causado por conduta considerada crime na
esfera penal, o prazo prescricional começará a fluir a partir do trânsito em julgado da
ação penal (STJ, AgRg no Ag 1383364/SC, DJ 25.05.2011).

1.13 Bibliografia.
Material Ênfase.
Super-revisão para concursos públicos (pag. 618/624 (do PDF) (finalizado)

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