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Aula 11

Continuação: Princípios de Intepretação


 Interpretação conforme a Constituição
Esse princípio é uma decorrência do princípio da supremacia da
Constituição. Significa, portanto, que lei e atos normativos devem ser interpretados de
maneira a se adequarem à Constituição. Em outros termos, deve o intérprete buscar
compatibilizar o ato objeto de interpretação com o respectivo parâmetro constitucional.
A interpretação conforme a Constituição não se confunde com a técnica
de decisão chamada de Declaração de Inconstitucionalidade Parcial sem redução de
texto.
A doutrina mais moderna traça, portanto, distinções essenciais entre os
referidos institutos, interpretação conforme a Constituição e Declaração de
Inconstitucionalidade Parcial sem redução de texto.
Distinções:

Interpretação conforme a Declaração de Inconstitucionalidade


Constituição Parcial sem redução de texto.

Quanto ànatureza  Dúplice natureza Apenas Técnica de decisão em controle


jurídica 1. Princípio de Interpretação de constitucionalidade
Constitucional;
2. Técnica de decisão em controle
de constitucionalidade
Quanto ao Conteúdo Aditivo Restritivo

O intérprete confere ao ato (não tira) O intérprete, ao se valer da DIPSRT,


uma intepretação que compatibiliza o reduz, restringe a aplicação o objeto de
mesmo com a Constituição. controle. Se afasta, se elimina
determinada hipótese de aplicação que
se mostra incompatível com a
Constituição.
O texto não é mexido, permanece
íntegro. O que se faz, como dito, é afastar
uma hipótese se aplicação.
Podemos dizer, portanto, que através
dessa técnica, o que se declara
inconstitucional não é o texto em si, mas
a norma do texto.
E.g. Lei Ficha Limpa – decisão de não
aplicar nas eleições de 2010 – STF RE
633703 restringiu aplicação
Quanto à procedência Improcedente Procedente EM PARTE
do pedido de (digo que o ato é constitucional)
declaração de
inconstitucionalidade
Quanto à observância Não está submetida à reserva de Sim.
da regra de reserva de plenário.
plenário (art. 97 CF) Pode ser proferida pelo ato Súmula vinculante 10
fracionário – art. 949 CPC, I

Obs.: Reserva de plenário, no âmbito de controle difuso, é exigida apenas para o


primeiro pronunciamento em que se declara o ato inconstitucional. Em futuros
processos, o órgão fracionário poderá se valer da decisão anteriormente decidida pelo
Pleno ou Órgão Especial em processo anterior, dispensando, portanto, a remessa da
questão incidental ao Pleno ou Órgão Especial – parágrafo único, art. 949 CPC
Obs.: O STF vem tratando Intepretação conforme a Constituição e DIPSRT como
sinônimos, contudo doutrina mais moderna critica tal posicionamento, dizendo que,
embora, as técnicas possam ser conjugadas em uma mesma decisão, não são idênticas,
sinônimos. Tem, portanto, como visto, características distintas. Nesse sentido Gilmar
Mendes.

 Interpretação da Constituição conforme a lei


Esse princípio foi pela primeira vez observado por Leisner para explicar
situações em que a explicar situações em que a intepretação da Constituição deve ser
feita em conformidade com a lei, o que pode soar estranho em razão da estrutura
hierarquizada do ordenamento jurídico e a situação de supremacia da Constituição.
O referido princípio deve ser tomado com muito cuidado, de forma a
evitar que a lei seja colocada ou alçada a um patamar acima da Constituição.
Tal princípio teria aplicação nas hipóteses em que a Constituição adota
conceitos jurídicos indeterminadas – normas dotadas de alto grau de abstração –
cabendo ao legislador, no exercício de sua discricionariedade política densificar os
respectivos conceitos jurídicos.
E.g 1.: Art. 5, XXXV – “coisa julgada” – art. 506 CPC
Para que seja legítima, essa técnica deve levar em consideração a
Constituição como um todo. A análise deve ser sistemática e também teleológica para
que não subverta a finalidade da Constituição. Em outras palavras, desde que o
legislador atue dentro dos limites constitucionais.
E.g.2: Operação de Crédito art. 52, VII – Informativo 906 STF

 Nulidade dos atos inconstitucionais


Vige no Brasil, a teoria da nulidade dos atos inconstitucionais. A nulidade
dos atos inconstitucionais seria um desdobramento da própria ideia da supremacia, da
força normativa e da máxima efetividade da Constituição. Significa, portanto, que um
ato inconstitucional é nulo de pleno direito. Portanto, a decisão que declara o ato
inconstitucional tem natureza jurídica meramente declaratória e efeito temporal ex tunc
(retroativo), eliminando, portanto, todos os efeitos jurídicos produzidos pelo ato
declarado inconstitucional.
O efeito ex tunc da declaração de inconstitucionalidade é regra que pode,
excepcionalmente, ser afastado pelo art. 27 da Lei 9.868/99.
O efeito Repristinatório é regra.
Obs.: Vimos que a declaração de inconstitucionalidade, por força do princípio da
nulidade dos atos inconstitucionais, terá efeito ex tunc e efeito repristinatório. Poderá,
contudo, o Tribunal, excepcionalmente, por segurança jurídica ou excepcional interesse
social, modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade; desde que, como dito,
ficar demonstrado haver razões de segurança jurídica ou excepcional interesse jurídico
para o caso.
e.g.: Promotor aposentado. Lei de aposentadoria foi emendado pelo Senado sem
retornar à Casa iniciadora. Inconstitucionalidade Formal.

 Exceção 1: Efeito Ex Tunc Mitigado ou Retroatividade Mitigada


8 votos (e não 6). Por essa técnica, o Tribunal mitiga a própria
retroatividade. Com a decisão, embora o Tribunal elimine efeitos passados, não elimina
todos os efeitos.
 Exceção 2: Efeitos Ex Nunc
No nosso exemplo, o Tribunal declara inconstitucional o ato em 1998 e
não elimina nenhum efeito anterior. O Tribunal suspende a eficácia do ato, os efeitos
jurídicos de ali em diante.

 Exceção 3: Efeito prospectivo ou pró-futuro


Nessa técnica o Tribunal declara o ato inconstitucional e mantém o ato
vigente por um período de tempo fixado na decisão. Nesse caso, o Tribunal estabelece
um termo, a partir do qual, o ato terá sua eficácia suspensa.
É possível também que o Tribunal fixe uma condição e não um termo, por
exemplo, que ato inconstitucional continuará vigente até que lei venha a ser editada.
Obs.: A modulação dos efeitos temporais pode se dar de ofício, não é necessário pedido
para tanto.
Poderá ainda o Tribunal afastar o efeito repristinatório. Em outros
termos, o Tribunal pode, ao declarar inconstitucional o ato objeto de controle impedir a
retomada de vigência de ato anterior revogado pelo ato declarado inconstitucional. É a
técnica de Afastamento efeito repristinatório (indesejado). É a forma de se impedir que
com a declaração de inconstitucionalidade se “ressuscite” ato igualmente incompatível
com a Constituição.
Afastamento efeito repristinatório:
Obs.: O STF, ao nosso ver erroneamente, vem pedindo pedido expresso para que o
Tribunal possa adotar a técnica do afastamento do efeito repristinatório. Em outros
termos, o Tribunal exige que haja pedido expresso para se declarar inconstitucional o
ato objeto de controle E TAMBÉM para se afastar o efeito repristinatório de ato já
revogado. Nesse sentido Gilmar Mendes e Daniel Sarmento.
Prof.: Questão de Ordem Pública + previsão expressa

 Presunção de Constitucionalidade
Esse princípio indica que todos os atos (lei e atos normativos) nascem
presumidamente constitucionais. Nascem presumidamente válidos. Presunção essa que
é relativa, pode ceder com a declaração de inconstitucionalidade. Portanto, parte-se do
pressuposto que, quando um poder do Estado atua, o faz em conformidade com a
Constituição e não em contrário. O referido princípio é tão importante que o
Constituinte conferiu ao AGU, no §3º, do art. 103, a função de Defensor Legis, cabe,
portanto, ao AGU defender a presunção de constitucionalidade de lei e atos normativos.
Obs.: O STF tem mitigado as hipóteses em que o AGU não estaria obrigado a defender o
ato atacado:
1) Quando a defesa do ato conflitar com interesses da União.
Por força do art. 131 da CF, cabe a também a defesa dos interesses da União.
Nessas hipóteses de conflito, poderá o AGU deixar de defender o ato.

2) Quanto já houver pronunciamento do STF declarando o ato inconstitucional.


A presunção passa a ser de que o ato é inconstitucional, basta para tanto que o
AGU faça referência à decisão anterior do STF, dispensando a defesa do ato.

3) Inconstitucionalidade Flagrante/Desvairada
Inconstitucionalidade flagrante foi concebido pelo Min. Sepúlveda
Pertence para explicar atos flagrantemente inconstitucionais, dispensando qualquer
exame mais aprofundado para que se vislumbre sua inconstitucionalidade, de clareza
de cegar.
Consequentemente, não haveria defesa possível do ato. Logo, seria um
exercício inútil a defesa do AGU

Crítica à 3ª hipótese:
O Min. Marco Aurelio fez criticando essa hipótese pelas seguintes razões:
1. A Constituição é expressa, clara, em determinar que o AGU “defenderá” (e não
“poderá”) o ato;
2. A função do AGU é garantir contraditório;
O AGU, aqui, vai atuar de forma a garantir, em processo objetivo, o
mínimo de contraditório necessário, pois se existe alguém atacando o ato, é necessário
que o AGU defenda o ato. Ao se permitir que o AGU se manifeste pela
inconstitucionalidade, se estaria se equiparando suas funções com a do PGR – de custus
legis – esse sim, pode se manifestar tanto pela constitucionalidade como pela
inconstitucionalidade do ato. (no caso de inconstitucionalidade flagrante, o AGU estaria
se manifestando pela inconstitucionalidade)
3. Caso admitida a hipótese, pois a manifestação do AGU na inconstitucionalidade
flagrante dependeria de uma condição (fato futuro e incerto), qual seja, a
declaração de inconstitucionalidade do ato pelo STF.
Caso o STF declare o ato constitucional, não poderia o AGU ter deixado
de ter defendido o ato, consequentemente, estaria sujeito a crime de responsabilidade
(art. 52, II e 85).

 Princípio da Proporcionalidade

◦ Introdução
No Brasil é comum tratar proporcionalidade como razoabilidade ou como
um terceiro aspecto da proporcionalidade, mais especificamente proporcionalidade em
sentido estrito.
Contudo doutrina mais moderna traça distinções entre
proporcionalidade e razoabilidade, nesse sentido Virgilio Afonso da Silva e Humberto
Ávila.
Para essa linha, a proporcionalidade é a aplicada no exame de
congruência entre meio e fim; já a razoabilidade é utilizada quando da análise de
adequação entre norma e fato, nesse sentido a razoabilidade atua como eventual
corretivo para situações em que eventual aplicação da norma à fatos que correspondam
a sua hipótese de incidência se mostrem injustas.
É possível, contanto, visualizar na proporcionalidade critérios mais
objetivos de exame. Já a razoabilidade demandará juízo subjetivo de caráter
essencialmente axiológico determinando o que seja justo ou não, definindo critério de
justiça.
E.g.: Meio e fim – legítima defesa – “usando moderadamente os meios” –
proporcionalidade – excludente de ilicitude
Excludente de culpabilidade – inexigibilidade de conduta diversa - razoabilidade
Conceito Proporcionalidade
A proporcionalidade é critério de congruência entre meio e fim. O exame
da proporcionalidade se dará de forma sequencial em 3 etapas, por outras palavras, a
proporcionalidade será subdividida em 3 subprincípios:
1. Idoneidade ou Adequação;
2. Necessidade;
3. Proporcionalidade stricto sensu.

1. Na primeira etapa, indaga-se se o meio é apto a fomentar, promover ou alcançar o


fim pretendido (não precisa atingir, apenas fomentar);
2. Na segunda etapa, indaga-se se o meio é necessário para alcançar o fim pretendido.
Em outras palavras, deve-se examinar se não existe meio menos gravoso para se
atingir o mesmo fim. Se houver meio menos gravoso, a medida adotada se mostra
desnecessária. Sendo o meio menos gravoso, será ele idôneo + necessário
(sequencial);
3. Etapa de custo-benefício ou sintonia-fina (Gilmar Mendes). O que se examina agora
é se o meio adotado traz mais benefícios que prejuízos.
Muita atenção, pois existe corrente alemã que divide a proporcionalidade
em 5 etapas e não 3, critério quinquipartite:

Proporcionalidade
Tripartite Quinquipartite
1) Legitimidade do fim
2) Legitimidade do Meio
1) Idoneidade
3) = Idoneidade
2) Necessidade 4) = Necessidade
3) Proporcionalidade stricto sensu 5) = Proporcionalidade stricto sensu