Sie sind auf Seite 1von 4

2019 começa com recorde de degelo nos polos

https://www.ecodebate.com.br/2019/01/07/2019-comeca-com-recorde-de-degelo-nos-polos-
artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

José Eustáquio Diniz Alves


Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População,
Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE;
Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

O ano de 2019 começa com recorde de degelo nos polos. Depois de cinco anos sucessivos (2014,
2015, 2016, 2017 e 2018) de recordes de temperaturas globais, fato sem precedentes no
Holoceno (últimos 12 mil anos), a desglaciação cresce e tende a aumentar o nível dos oceanos,
além de liberar o dióxido de carbono e o gás metano que estão presos sob o gelo,
retroalimentando o fenômeno do aquecimento global.

A tendência de perda de gelo é clara ao longo dos últimos 40 anos. As curvas do gráfico acima
tem uma distribuição bimodal, pois o hemisfério Norte tem pico de gelo entre fevereiro e março,
quando o hemisfério Sul está no vale (mínimo de gelo). O máximo do gelo global acontece entre
outubro e novembro. Seguindo as curvas anuais (todas com este mesmo tipo bimodal de
distribuição), nota-se que elas mostram uma tendência de queda em relação à média de 1981-
2010, embora haja oscilações anuais de curto prazo diferentes da tendência de longo prazo.

Todavia, chama a atenção que o padrão de queda na extensão de gelo, desde setembro de 2016,
não tem paralelo nos últimos 40 anos, quando se começou as medidas por satélite. A curva de
2016 sofreu uma queda abruta no último trimestre do ano (outubro a dezembro) e continuou
batendo recordes de baixa nos dois primeiros meses de 2017 e 2018. Embora tenha havido

1
variações mensais, o processo de degelo voltou a bater recordes no final de 2018 e no começo
de 2019.

O derretimento do gelo marinho vem acontecendo de forma mais abrangente no Ártico, mas
preocupa mais na Antártida que possui grandes plataformas congeladas sobre o continente. Na
média de 1981-2010, na Antártida, a área congelada foi de 7,19 milhões de km2 no dia 01 de
janeiro de cada ano. Mas no dia 01/01/2019, a área com gelo foi de 5,47 milhões de km2, uma
diferença para menos de 1,73 milhão de km2 (superior a toda a área da região Nordeste do Brasil
de 1,56 milhão de km2). A seguir essa tendência, parece que o verão do hemisfério sul vai reduzir
a quantidade de gelo marinho para o nível mais baixo do Holoceno. Isto pode ser um presságio
de uma grande catástrofe ambiental a acontecer num futuro não muito distante.

A região congelada sobre a água do mar protege parcialmente o bloco de gelo continental da
Antártida de entrar em colapso e cair no mar. Por exemplo, o tempo em que a Plataforma Ross
está desprotegida do gelo no mar se ampliou e, em 2019, aconteceu de maneira mais precoce:
no dia de Ano Novo. O gelo marinho vai continuar diminuindo durante todo o mês de janeiro e
fevereiro, podendo continuar diminuindo até início de março. Isto faz com que a energia das
ondas, à medida que se infiltra no interior continente, cause fraturas e estresse nas plataformas
que estão congeladas por milênios na Antártida.

Iniciado o processo de faturamento das plataformas, seria apenas uma questão de tempo até
que as enormes geleiras terrestres da Antártida Ocidental, como as geleiras de Doomsday em
Thwaites e Pine Island, colapsem, elevando o nível do mar em até 3 metros e inundando grande
parte de todas as cidade costeiras do Planeta. Também na Antártica Oriental, pesquisadores

2
alertaram que a Geleira Totten, , uma enorme camada de gelo com volume suficiente para
elevar o nível do mar em pelo menos 3,5 metros, parece estar recuando, graças ao aquecimento
das águas oceânicas. Recentemente se descobriu que um grupo de quatro geleiras a oeste de
Totten, além de um punhado de pequenas geleiras mais ao leste, também está perdendo gelo.

O nível do mar já está subindo nas últimas décadas e é cada vez maior as áreas litorâneas do
Brasil afetadas pelo avanço do mar. São inúmeros casos, como os que ocorreram na Praia da
Macumba, na Zona Oeste do Rio, que perdeu parte do muro de contenção colocado pela
prefeitura e grandes trechos da calçada desabaram com a força das ondas; destruição de várias
casas na Baía da Traição, no litoral de Paraíba; e, no início de 2019, várias casas foram
impactadas na praia Barra de Cunhaú, no município de Canguaretama, a 75 quilômetros de
Natal, onde três mil moradores estão ameaçados de inundação e a prefeitura decretou situação
de emergência.

O fato inexorável é que o aumento das emissões de gases de efeito estufa (a queima de
combustíveis fósseis, liberação de gás metano na pecuária, etc.) eleva a temperatura da
atmosfera e dos oceanos e aumenta o degelo global, acelerando a subida do nível dos oceanos.
O degelo total dos polos e dos glaciares poderia provocar a elevação do nível dos oceanos em
algo como 70 metros. Mas apenas 5% de degelo já seria suficiente para elevar as águas marinhas
em mais de 3 metros, fenômeno capaz de provocar grandes danos.

Artigo de Paul Voosen, publicado na revista Science (21/12/2018) mostra que há cerca de 125
mil anos, durante o último breve e quente período entre as eras glaciais, a Terra foi inundada,
com as águas subindo de 6 a 9 metros em relação ao padrão atual. As temperaturas durante
esse período (Eemiano), eram pouco maiores do que as temperaturas atuais. A fonte de toda a
água que inchou os oceanos foi o colapso do manto de gelo do oeste da Antártida. Os
glaciologistas se preocupam com a estabilidade atual dessa formidável massa de gelo. Sua base
está abaixo do nível do mar, sob o risco de ser prejudicada pelo aquecimento das águas
oceânicas, sendo que as geleiras em franjas estão recuando rapidamente.

A partir de uma amostra extraída de um núcleo de sedimentos, o artigo fornece evidências de


que o manto de gelo desapareceu no passado geológico recente sob condições climáticas
semelhantes às atuais. O período Eemiano não é um análogo perfeito, já que seus níveis do mar
provavelmente foram impulsionados por pequenas mudanças na órbita da Terra e no eixo de
rotação. Mas as evidências sugerem que o recente degelo na camada de gelo é o começo de um
colapso similar, ao invés de uma variação de curto prazo.

Os dados do National Snow & Ice Data Center (NSIDC) mostram que os níveis de degelo do início
de 2019 na Antártida estão batendo todos os recordes históricos. Pelo princípio da precaução a
humanidade deveria se preocupar com a elevação do nível dos oceanos. Há cerca de dois bilhões
de pessoas que vivem a menos de dois metros do nível do mar no mundo. Se a história do
Eemiano se repetir, áreas agricultáveis e áreas urbanas densamente povoadas ficariam debaixo
d’água, elevando a probabilidade de aumento da fome, da pobreza, dos refugiados climáticos e,
até mesmo, de um colapso civilizacional.

Referências:
Tamsin Edwards. How soon will the 'ice apocalypse' come? The Guardian, 23/11/2017
https://www.theguardian.com/science/head-quarters/2017/nov/23/climate-change-how-
soon-will-the-ice-apocalypse-come-antarctica

3
Eric Holthaus. Antarctic sea ice is ‘astonishingly’ low this melt season, Grist, Jan 3, 2019
https://grist.org/article/antarctic-sea-ice-is-astonishingly-low-this-melt-season/
EarthSky. More East Antarctica glaciers are waking up, January 4, 2019
https://earthsky.org/earth/east-antarctica-glaciers-melt-ice-loss-sea-level-rise
NSIDC – National Snow & Ice Data Center:
http://nsidc.org/arcticseaicenews/charctic-interactive-sea-ice-graph/
ArctischePinguin https://sites.google.com/site/arctischepinguin/home/global-sea-ice
Paul Voosen. Antarctic ice melt 125,000 years ago offers warning, Science, Vol. 362, Issue 6421,
pp. 1339, 21 Dec 2018, DOI: 10.1126/science.362.6421.1339
http://science.sciencemag.org/content/362/6421/1339?fbclid=IwAR31FgJA-
6qIWBNqNLQUt8NElrGJ00vhf_grzyAhCmwpAvimUdopaZuPBLc

Das könnte Ihnen auch gefallen