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INTENSIVO I

Flávio Tartuce
Direito Civil
Aula 01

ROTEIRO DE AULA

Lei de Introdução (LINDB) – Dec.-Lei n. 4.657/42

1. Primeiras Palavras: conteúdo da LINDB

I – A Lei de Introdução é uma norma de sobredireito (“norma sobre normas” ou “lex legum”).

II – As normas jurídicas são dirigidas a todos (generalidade), mas a LINDB é destinada ao legislador e ao aplicador do
Direito (juiz, por exemplo). Exemplos:

• LINDB, art. 4º: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os
princípios gerais de direito”.
• LINDB, art. 5º: “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem
comum”.

III – A Lei de Introdução era denominada de LICC (Lei de Introdução ao Código Civil). No entanto, a partir do ano de 2010
ela recebe o nome de LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro).

Questão n. 1: a alteração do nome de “LICC” para “LINDB” tem justificativa? Sim, pois a Lei de Introdução é dirigida não
só ao Direito Civil como a todos os ramos do Direito. Exemplo: Direito Internacional (público ou privado) - por assim ser
a LINDB também é denominada de “Estatuto do Direito Internacional”.
IV – Atenção: a Lei de Introdução nunca fez nem faz parte do Código Civil. Trata-se de uma “lei introdutória” de todos os
ramos do Direito.

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V – Conteúdo da Lei de Introdução:

a) Fontes do Direito (visão clássica).

b) Formas de integração da norma jurídica.

c) Regras de aplicação da norma jurídica no tempo.

d) Regras de aplicação da norma jurídica no espaço.

e) Regras de Direito Internacional tanto público como privado.

2. Fontes do Direito (visão clássica)

I - Tendo como parâmetro a Lei de Introdução, a palavra “fonte” tem tanto o sentido de origem como o de quais sejam
as manifestações jurídicas (ou formas de expressões do Direito).

II - Fontes do Direito:

• Fontes formais: constam da Lei de Introdução como fontes. Subdividem-se em:

✓ Fonte formal primária: lei (sistema da “civil law”) - *1.


✓ Fontes formais secundárias (art. 4º): analogia, costumes e princípios gerais do Direito - *2.

• Fontes não formais: não constam da Lei de Introdução como fontes. Subdividem-se em:

✓ Doutrina.
✓ Jurisprudência.
✓ Equidade (?) - *3

Considerações sobre o *1:

a) Segundo Goffredo Telles Jr., a lei é a norma jurídica. Ela é um imperativo autorizante:
• Imperativo: emanado de autoridade competente, sendo dirigida a todos (generalidade/vigência sincrônica).
• Autorizante: autoriza ou não autoriza condutas.

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b) A norma jurídica tem obrigatoriedade. Assim, ninguém pode deixar de cumprir a lei alegando não conhecê-la.
Previsão legal: LINDB, art. 3º: “Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Fundamentos do art. 3º (correntes):

• Ficção.
• Presunção.
• Necessidade social (adotá-la em provas), cf. Zeno Veloso, Maria Helena Diniz e Flávio Tartuce.

A regra do art. 3º da LINDB não é absoluta. Exceção: possibilidade de anulação de um negócio jurídico por erro de
direito (desconhecimento da lei). Previsão legal:

CC, art. 139: “O erro é substancial quando:


(...)
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio jurídico”.

c) Não confundir “subsunção” com “integração”:

• Subsunção: aplicação direta da lei.


• Integração: aplicação da analogia, dos costumes e dos princípios gerais do Direito.

Considerações sobre *2:

a) As fontes formais secundárias aplicam-se na falta da lei, ou seja, quando a lei for omissa (LINDB, art. 4º), havendo a
chamada lacuna normativa. Previsão legal:

LINDB, art. 4º: “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios
gerais de direito”.

O juiz não pode deixar de julgar. Trata-se da proibição do “non liquet” (proibição do não julgamento).

b) As fontes formais secundárias são denominadas de “ferramentas de correção do sistema” (Maria Helena Diniz). São
elas: analogia, costumes e princípios gerais do Direito.
c) Questão n. 2: a ordem do art. 4º da Lei de Introdução deve ser rigorosamente obedecida? Existem duas correntes:

• Visão clássica: sim, cf. Beviláqua, Washington de Barros Monteiro e Maria Helena Diniz.

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• Visão contemporânea (prevalente, mas importante analisar a posição da banca): não, cf. Zeno Veloso, Tepedino
e Daniel Sarmento. Fundamento: os princípios constitucionais têm prioridade de aplicação.

Observações:

• O próprio art. 8º do novo CPC, que complementa o art. 5º da LINDB, cita, em primeiro lugar, o princípio da
dignidade da pessoa humana.
• Os princípios constitucionais não são aplicados somente em caso de lacuna. Eles podem ter aplicação imediata.
Exemplo: julgamento da inconstitucionalidade do art. 1.790 do CC (sucessão do companheiro).

Considerações sobre o *3:

a) Doutrina: interpretação do Direito feita pelos estudiosos. Exemplos: dissertações de mestrado, teses de doutorado,
manuais, cursos, tratados e enunciados do CJF (Jornadas de Direito Civil) - os enunciados não tem força vinculativa.

b) Jurisprudência: interpretação do Direito feita pelos Tribunais. Exemplos: súmulas dos Tribunais Superiores (STF e STJ).

Observações:

• O Código de Processo Civil de 2015 valorizou sobremaneira a jurisprudência que passou a ter força vinculativa -
exemplos: CPC, arts. 332, § 1º, 489, § 1º, 926, 927. Assim, o CPC quebra com a ideia de que a jurisprudência é
fonte não formal.
• A jurisprudência consolidada pode ser considerada como costume judiciário (Maria Helena Diniz).

c) Equidade: é a justiça do caso concreto, cf. Aristóteles.

Questão n. 3: a equidade é fonte do Direito?

• Visão clássica: não, é apenas um meio auxiliar do juiz (cf. Washington de Barros Monteiro e Maria Helena Diniz).
• Visão contemporânea (adotá-la em provas): equidade é fonte do Direito retirada do art. 5º da LINDB, o qual faz
menção ao fim social da norma e ao bem comum (dar a cada um o que é seu).

Observações:
• Conforme Pablo Stolze e Pamplona, equidade é fonte do Direito Civil, pois o Código Civil de 2002 adotou um
sistema aberto baseado em cláusulas gerais.

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• Em alguns ramos do Direito há menção expressa à equidade. Exemplo: Direito do Consumidor (CDC, art. 7º) –
fonte formal.

IV – Questão n. 4: e a súmula vinculante (CF, art. 103-A)? É uma fonte formal, pois tem previsão na Constituição Federal
de 1988. Ela está em uma posição intermediária entre a fonte primária e as secundárias (natureza “sui generis”). É a
posição de Walber Moura Agra.

3. Formas de Integração da Norma Jurídica

3.1. Analogia

I – Conceito de analogia: aplicação de uma norma próxima ou de um conjunto de normas próximo não havendo lei para
determinado caso concreto. Modalidades:

• Analogia legal (“legis”) uma norma só.


• Analogia jurídica (“iuris”): conjunto de normas.

II – Exemplo: no julgamento do STF sobre a união homoafetiva (Inf. n. 625) ficou decidido que:

• A união homoafetiva é entidade familiar.


• Todas as normas da união estável heteroafetiva aplicam-se, por analogia, para a união estável homoafetiva.

III – Não confundir “analogia” com “interpretação extensiva”:

• Analogia: outra norma é aplicada (integração).


• Interpretação extensiva: apenas amplia-se o sentido da norma (há subsunção).

Exemplo: regra: “aqui não podem circular os camelos amarelos”:

• Aplicar a regra a camelos marrons: interpretação extensiva.


• Aplicar a regra a dromedários: analogia.

3.2. Costumes

I – Conceito de costumes: práticas e usos reiterados com conteúdo lícito e relevância jurídica. Exemplo: CC, art. 113
(usos do lugar da celebração – regras de tráfego).
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II – Classificação dos costumes:

a) Costumes segundo a lei (“secundum legem”): aplicado quando a expressão costumes consta da lei, havendo
subsunção.

Exemplo: LINDB, art. 17: “As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de vontade, não
terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem pública e os bons costumes”.

b) Costumes na falta da lei (“praeter legem”): aplicado quando a lei for omissa, havendo integração (costume
integrativo).

Exemplo: cheque pós-datado – S. 370 STJ: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado”.

c) Costumes contra a lei (“contra legem”): não é admitido, a não ser que a lei contrariada tenha caído em desuso.

Exemplo: a norma que prevê a contravenção penal do “jogo do bicho”.

3.3. Princípios Gerais do Direito (PDG)

I - Segundo Rubens Simongi França, os princípios são regramentos básicos aplicáveis a determinado instituto jurídico e
que são abstraídos das normas, da doutrina, da jurisprudência e de aspectos políticos, econômicos e sociais.

II – Os princípios podem estar expressos nas normas jurídicas ou não. Exemplo: função social do contrato: expresso no
Código Civil (art. 421) e implícito ao CDC.

III – Segundo Paulo Bonavides, com a Constituição de 1988 os antigos princípios gerais do Direito ganharam status
constitucional, tendo prioridade de aplicação. Eles passaram a ser aplicados mesmo havendo lei para o caso concreto.

4. Regras de aplicação da norma jurídica no tempo

Vigência da lei: a lei entra em “vigor” quando preenche três requisitos:

• Existe.
• Válida (requisitos formais).
• Eficaz (aplicabilidade).

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4.1. Início de vigência

Os civilistas apontam três fases para que lei tenha início de vigência:

• Elaboração.
• Promulgação.
• Publicação.

Questão n. 5: a lei entra em vigor imediatamente após a publicação? Não, em regra tem que ser observado o prazo de
“vacatio legis”. Não havendo previsão na própria lei, o prazo será de 45 dias (Brasil) ou 3 meses (Estados estrangeiros),
imediatamente após a publicação:

LINDB, art. 1º: “Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de
oficialmente publicada.
§ 1º: Nos Estados, estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de
oficialmente publicada.
(...)”.

4.2. Fim de vigência

I - De acordo com a Lei de Introdução a principal forma de retirada de vigência da lei é pela revogação por outra norma
(LINDB, art. 2º).

II – Classificações da revogação:

a) Quanto à extensão (amplitude)

• Revogação total (ab-rogação).


• Revogação parcial (derrogação).

Exemplo: CC, art. 2.045: prevê que houve revogação total do Código Civil de 1916 e parcial do Código Comercial (1850).

b) Quanto ao modo
• Revogação expressa: taxativamente prevista na norma posterior.

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• Revogação tácita: quando a lei nova trata da mesma matéria da lei anterior ou quando houver
incompatibilidade entre a lei posterior e a anterior.

LINDB, art. 2º: “Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
§ 1º: A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando
regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
(...)”.

Observações:

1 – LINDB, art. 2º, § 2º: “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga
nem modifica a lei anterior”.

Trata da lei com sentido complementar, a qual não revoga disposições anteriores sobre o tema. Exemplo: Lei dos
alimentos gravídicos (Lei n. 11.804/08): não revogou o Código Civil de 2002 em matéria de alimentos (apenas
acrescentou).

2 – LINDB, art. 2º, § 3º: “Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência”.

O efeito repristinatório (ou repristinação), em regra, não é admitido. Ele ocorre quando a norma revogada voltar a valer
com a revogação da sua revogadora. Exceções: previsão na lei ou com a declaração de inconstitucionalidade.

3 – A norma jurídica tem vigência, em regra, para o futuro: irretroatividade é regra e retroatividade é exceção.

Para que a retroatividade seja possível ela deve observar três requisitos:

• Prevista na lei.
• Não pode prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI e LINDB, art.
6º).

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Coisa julgada

Ato jurídico
perfeito

Direito
adquirido

Conceitos:

• Direito adquirido: direito incorporado ao patrimônio.

• Ato jurídico perfeito: manifestação de vontade lícita e consolidada. Exemplo: contrato celebrado.

• Coisa julgada: decisão judicial da qual não cabe recurso.

A proteção desses institutos pode ser mitigada. Exemplos: relativização da coisa julgada nas ações de investigação de
paternidade e CC, art. 2.035, parágrafo único.

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